Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10930.903596/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 05/01/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 05/01/2006 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10930.903596/2012-04
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5671660
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.566
nome_arquivo_s : Decisao_10930903596201204.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10930903596201204_5671660.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6609687
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691956252672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.903596/201204 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.566 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 05/01/2006 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 96 /2 01 2- 04 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903596/201204 Acórdão n.º 3402003.566 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.938, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903596/201204 Acórdão n.º 3402003.566 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903596/201204 Acórdão n.º 3402003.566 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903596/201204 Acórdão n.º 3402003.566 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903596/201204 Acórdão n.º 3402003.566 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720254/2009-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Numero da decisão: 9202-004.026
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela relatora, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Apresentarão declaração de voto os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. Fizeram sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Isaak Broder OAB/BA 17521 e a representante da Fazenda Nacional, Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10580.720254/2009-64
conteudo_id_s : 5621612
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.026
nome_arquivo_s : Decisao_10580720254200964.pdf
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10580720254200964_5621612.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela relatora, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Apresentarão declaração de voto os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. Fizeram sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Isaak Broder OAB/BA 17521 e a representante da Fazenda Nacional, Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6468682
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691979321344
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-07-11T16:24:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2016-07-11T16:24:42Z; Last-Modified: 2016-07-11T16:24:42Z; dcterms:modified: 2016-07-11T16:24:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2016-07-11T16:24:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-07-11T16:24:42Z; meta:save-date: 2016-07-11T16:24:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-07-11T16:24:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2016-07-11T16:24:42Z; created: 2016-07-11T16:24:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2016-07-11T16:24:42Z; pdf:charsPerPage: 2488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-07-11T16:24:42Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 24 1 23 CSRF-T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.720254/2009-64 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202-004.026 – 2ª Turma Sessão de 16 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente EDMILSON JATAHY FONSECA JUNIOR Interessado EDMILSON JATAHY FONSECA JUNIOR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela relatora, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 25 2 Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Apresentarão declaração de voto os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. Fizeram sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Isaak Broder OAB/BA 17521 e a representante da Fazenda Nacional, Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator Designado (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Declaração de Voto (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anos-calendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 26 3 classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes, Relatora. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser admitido. Suscito preliminarmente a nulidade absoluta do auto de infração em comento, pois este exige do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal - Tema 368 - Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente, “o que impacta diretamente na natureza do lançamento tributário. Estamos diante de vício que maculou o lançamento em sua essência, na própria aplicação da regra matriz, o que afasta qualquer possibilidade de recálculo do tributo” – conforme entendimento já defendido pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, ao qual me filio. Desse modo, é nulo o auto de infração por erro material. Não sendo este o entendimento da maioria do colegiado passo a análise do mérito. Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anos-calendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 27 4 tal, correspondentes a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. Na decisão recorrida, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, excluindo tão somente a multa de ofício. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte, trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante aos seguintes pontos: 1) violação à Súmula n° 2 do CARF e ao art. 62 de seu Regimento Interno, em face do afastamento de legislação tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal; 2) imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra – lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção; 3) “URV” – parcelas de natureza indenizatória; e 4) não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios. Para melhor compreender a questão, faz-se necessária uma análise dos fatos que levaram a discordância entre o contribuinte e o fisco. A problemática reside no fato de que duas leis complementares, de n. 20/2003 e de n.8.730/2003, ambas do Estado da Bahia, as quais prevêem, respectivamente, em seus artigos 2° e 4° o pagamento de determinadas verbas nelas especificadas a Magistrados, Promotores e Procuradores de Justiça, prevêem também, explicitamente, em seus artigos 3° e 5° serem de natureza indenizatória as parcelas" de que tratam os artigos 2°e 4°. Diante destas previsões, os pagamentos foram realizados pelos órgãos pertinentes do Estado da Bahia, nos períodos de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, sem que fosse efetuada a retenção de imposto sobre a renda na fonte. A alegação do contribuinte reside no fato de que o recolhimento não ocorreu por força da natureza indenizatória conferida a tais verbas pela Lei estadual do Estado da Bahia. O argumento da Fazenda Nacional consiste em afirmar que à previsão das leis estaduais que qualificam as parcelas como de natureza indenizatória, seria apenas de âmbito estadual, não afetando a aplicabilidade da legislação do imposto sobre a renda. O contribuinte ainda alega que agiu de boa-fé, conduzindo-se não apenas pelas normas citadas, mas também de acordo com um conjunto de atos do poder administrativo estadual, por exemplo, os informes oficiais recebidos do Ministério Público, bem como por entenderem que falece competência à Receita Federal do Brasil para exigir e cobrar eventual imposto sobre a renda nesta hipótese, pois, se devido fosse ele o seria na modalidade de imposto retido na fonte cuja titularidade constitucional pertence ao Estado da Bahia. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 28 5 No tocante a estas questões, competência para legislar sobre imposto de renda retido na fonte e a competência para declarar a natureza jurídica de determinada verba, algumas pontuações precisam ser analisadas levando em conta assertivas trazidas pela Constituição Federal de 1988, conforme alguns ensinamentos de Marco Aurélio Greco, são elas:. a) o artigo 153, § 2°, I que determina estar o imposto sobre a renda informado pelos critérios de generalidade e universalidade (deve alcançar todos os rendimentos de todos os contribuintes); b) o artigo 150,II que - depois de afirmar a isonomia tributária - explicita estar vedada qualquer distinção em razão da ocupação profissional ou da função exercida pelo contribuinte, independente da denominação jurídica dos rendimentos; c) o artigo 151, II que veda à União tributar a remuneração e os proventos dos agentes públicos de Estados, Distrito Federal e Municípios “ em níveis superiores aos que fixar ... para seus agentes"; e d) o artigo 95, III (e demais no mesmo sentido) que garante a irredutibilidade dos subsídios dos juízes,' ressalvado entre outros o disposto no artigo 153,III (imposto sobre a renda) e no artigo 153,§ 2°,I (generalidade e universalidade). Isto significa que - tal como os demais contribuintes - magistrados, promotores, procuradores etc, têm seus rendimentos sujeitos a imposto sobre a renda, na mesma dimensão e segundo os mesmos critérios genericamente aplicáveis. Esta exposição preliminar, nas palavras do professor Marco Aurélio Grecco, leva a evolução do debate, para realçar três aspectos relevantes por ele citados. Primeiro é o de que a cobrança pela União de imposto sobre a renda em relação a rendimentos auferidos por agentes públicos de outras entidades políticas atinge o suporte subjetivo (ou pessoal) de funcionamento da Administração Pública de Estados e Municípios. Em razão disso"pode interferir com os seus negócios internos, instaurando um desequilíbrio de poderes entre as várias entidades, na medida em que a oneração por uma pode dificultar ou impedir o adequado funcionamento da outra. Esta é, aliás, uma das razões que fundamentam a atribuição constitucional a Estados e Municípios do imposto sobre a renda incidente na fonte em relação a rendimentos pagos por eles (CF/88 art. 157,I e art. 158,I). Ou seja, apesar de estarmos diante de uma incidência tributária legitimamente atribuída à União (artigo 153, IV), subjaz ao presente tema a questão do convívio federativo solidário que só admite a imposição do imposto sobre a renda desde que isto se dê nos estritos limites e segundo os pertinentes parâmetros a que submetido esse imposto no contexto da remuneração auferida pelos agentes públicos. Segundo é o de que passou a ser admitida essa tributação, desde que isto ocorra de acordo com os critérios de generalidade e universalidade, vale dizer, desde que a exigência feita aos agentes seja a mesma a que estão submetidos todos aqueles que auferem rendimentos da mesma natureza (isonomia ab externo à Administração Pública). Terceiro é o de que a tributação a que uns estiverem submetidos não seja diferente daquela a que submetidos todos os que se encontrem em situação equivalente no âmbito público, sem distinção da função por eles exercida (CF/88, artigo 150, Il) e, Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 29 6 especialmente, que a União não pretenda tributar os agentes estaduais e municipais de forma diferente da que o faz para seus agentes, pois isto seria hipótese clara de discriminação odiosa violadora da isonomia ab interno à Administração Pública. Isto significa, por exemplo, que o imposto federal sobre a renda não pode alcançar rendimentos auferidos por agentes estaduais que exerçam função judicante, diferentemente do que ocorrer em relação a rendimentos da mesma natureza auferidos por aqueles que exerçam as mesmas funções no âmbito federal. E mais: que os critérios utilizados para qualificar juridicamente certas verbas não sejam diferentes quando se tratar de agente federal ou estadual, pois esta é, também, uma forma de discriminação. Tratando-se de isonomia tributária, cumpre desde logo deixar claro que viola a isonomia não apenas cobrar de uns e não de outros (pessoas ou rendimentos), mas também reconhecer inexistir incidência em relação a uns e não reconhecê-la em relação a outros. Desonerar uns e não fazê-lo em relação - a outros é tão discriminatório quanto aumentar a exigência apenas de uns. Por fim, conclui-se que a tributação pelo imposto sobre a renda que desatenda ou extrapole estes parâmetros - mais do que mera hipótese de ilegalidade ou inconstitucionalidade da cobrança - traz em si a mácula de ser uma conduta que agride o Pacto Federativo e faz com que uma entidade (a União) pretenda invocar poderes de que não revestida, comprometendo a própria autonomia das entidades federativas, pois atingir os meios humanos que um Estado ou Município necessita para desempenhar suas funções é atingir o próprio Estado ou Município. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação da Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou não-tributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecê-la", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescê-lo, é recompô-lo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 30 7 Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba - foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco,também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituir-se ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratando-se de lei estadual abre-se o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que - por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário - repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastá-Ia no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 31 8 que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastá-la é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 32 9 § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrá-la. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que - de acordo com a legislação pertinente - deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeter-se à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. PRINCIPIO DA LEGALIDADE Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 33 10 Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a idéia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União - imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 34 11 Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estados-membros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimo-nos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressalte-se aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Neste sentido, inclusive, o tema restou sumulado pelo CARF: “Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazê-lo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Ad argumentandum tantum, no tocante a imprestabilidade da base de calculo do imposto e a não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios, estes restam prejudicados pelo exposto anteriormente, uma vez que o tributo não é devido. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial do contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória, conforme previsto em Lei específica do Estado da Bahia. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 35 12 É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 36 13 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator Designado. Em que pesem os bem articulados argumentos da Ilma. Sra. Conselheira Relatora, peço vênia para divergir de seu entendimento. Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registre-se que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada - à época - inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202-003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratar-se de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendo-os: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denota-se que o pagamento de tais valores deveu-se à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Está-se diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 37 14 Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerando-o como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I - apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem-se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Conclui-se, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 38 15 Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/2005-91, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543-B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportando-me ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastando-se assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, note-se, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de e-fl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repita-se, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entende-se, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a Fl. 281DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 39 16 ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note-se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manter-se a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti-isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por dar-lhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator Designado. Declaração de Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Natureza Indenizatória da Verba: Conforme relatório, discute-se nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo Recorrente a título de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV - Unidade Real de Valor. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 40 17 Em pese entendimentos contrários, meu entendimento é no sentido de que tais verbas possuem natureza indenizatória não se podendo afastar a aplicação da Resolução STF nº 245/2002 apenas pelo fato de que tal resolução trata dos valores recebidos por profissionais da União. Ora, interpretando-se sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão - natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV - também é tratado pela citada resolução. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotando-se a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação do Estado da Bahia teve com pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixou-se o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o - É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerra-se a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, Fl. 283DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 41 18 obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando- se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F -então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° - A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobou-se a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Pode-se concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 42 19 Daí duas consequências: 1 - quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebê-Ia naquele momento embutida no abono. 2 - Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSITn. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor - URV. Note-se que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicam-se aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 43 20 Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiu-se o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE-30-ABRIL-2012- MARCO-AURELIO-GRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pela lei baiana deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a ação-tipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que afastar o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor a atualização monetária dos salários do período considerado, é reforçar a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 44 21 Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas. Apuração do Imposto - Regime de competência: Mesmo que superada a tese de que os valores recebidos não possuem natureza indenizatória, ainda assim o lançamento não pode prosperar haja vista ter ocorrido erro na realização da apuração do imposto. Inicialmente, apesar de toda a discussão, não tenho dúvidas de que o mérito dessa questão já foi decidido tanto pelo Superior Tribunal de Justiça quanto pelo Supremo Tribunal Federal, respectivamente sob os ritos do Recurso Repetitivo e da Repercussão Geral. Estamos falando do RESP 1.118.429/RS e do RE 614.406/RS, que receberam as seguintes ementas: RESP 1.118.429/RS TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. RE 614.406/RS IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Certa dúvida poderia ser suscitada em relação a aplicação do julgado do STJ pois a tese firmada traz o seguinte texto: O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios previdenciários atrasados pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado, não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Assim, pelo fato de constar no texto da ementa e também da tese firmada referência ao fato de se ter discutido o pagamento de benefícios previdenciários há quem defenda sua inaplicabilidade ao caso concreto. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 45 22 Entretanto, nenhuma dúvida subsiste em relação ao julgado do Supremo Tribunal Federal, afinal o tema fixado para a Repercussão Geral foi delimitado da seguinte forma: Tema 368 - Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Percebe-se que não foi feita qualquer ressalva quanto a origem dos rendimentos discutidos. Tal fato fica ainda mais cristalino quando nos debruçamos sobre a fundamentação utilizada pelo Ministro Marco Aurélio que levou em consideração o princípio da isonomia e o da capacidade contributiva. Em voto vista, a Ministra Carmem Lúcia citando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 497/2010 (convertida na Lei n. 12.350/2010 que deu origem ao art. 12-A da Lei 9.713/88) resume bem a questão: “52. Trata-se da tributação de pessoa física que não recebeu o rendimento à época própria, recebendo em atraso o pagamento relativo a vários períodos. Nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, esses rendimentos seriam tributados no mês do recebimento mediante a aplicação da tabela mensal, o que muitas vezes resulta em um imposto de renda muito superior àquele que seria devido caso o rendimento fosse pago no tempo devido” Assim, resta indiscutível a aplicação do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Diante do entendimento dos nossos tribunais, vejamos a situação do lançamento: exige-se do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que impacta diretamente na natureza do lançamento tributário. Estamos diante de vício que maculou o lançamento em sua essência, na própria aplicação da regra matriz, o que afasta qualquer possibilidade de recalculo do tributo ou da incidência do disposto no art. 173, inciso II do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte. (Assinado digitalmente) Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Gerson Macedo Guerra No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por entendê-las isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei Estadual nº 8.730/2003, que assim dispõe Art. 4º - As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor - URV, objeto das Ações Fl. 288DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 46 23 Ordinárias nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º - São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. O STF, ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre outras verbas, manifestou-se pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução em questão, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Registre-se ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655/1998. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Importante destacar que o Parecer emitido pela PGFN foi aprovado pelo Sr. Ministro da Fazenda que chancelou a exclusão da incidência do imposto de renda as verbas referentes às diferenças de URV, pagas aos servidores federias em questão. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros de Tribunal de Justiça Estadual. Observe-se que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei estadual nº 8.730/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 47 24 Diante de todo o aqui exposto, entendo que deve ser cancelado o crédito tributário exigido no Auto de Infração. (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002775/2001-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72).
Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideram-se não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Na apuração do ganho de capital, o custo de aquisição da participação societária deve ser tomado como aquele que consta da declaração de rendimentos, quando ausentes outros elementos de prova que demonstrem que o valor declarado não guarda sintonia com a realidade contemporaneamente existente.
IMPOSTO DE RENDA SOBRE GANHO DE CAPITAL. VALORES DECLARADOS E NÃO PAGOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO.
O valor apurado e informado pelo sujeito passivo a título de imposto de renda a pagar, constante na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, inclusive o incidente sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital anexo à declaração, quando não quitado no prazo estabelecido na legislação, deve ser objeto de cobrança amigável, com os acréscimos moratórios devidos, e, caso não seja pago, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, sendo incabível se falar em lançamento de ofício do referido valor (Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 24/08/2004).
Numero da decisão: 2202-003.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal relativa à infração 002 - Falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Gabriel Alves Boccorini, OAB/SP nº 315.287.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideram-se não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital, o custo de aquisição da participação societária deve ser tomado como aquele que consta da declaração de rendimentos, quando ausentes outros elementos de prova que demonstrem que o valor declarado não guarda sintonia com a realidade contemporaneamente existente. IMPOSTO DE RENDA SOBRE GANHO DE CAPITAL. VALORES DECLARADOS E NÃO PAGOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. O valor apurado e informado pelo sujeito passivo a título de imposto de renda a pagar, constante na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, inclusive o incidente sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital anexo à declaração, quando não quitado no prazo estabelecido na legislação, deve ser objeto de cobrança amigável, com os acréscimos moratórios devidos, e, caso não seja pago, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, sendo incabível se falar em lançamento de ofício do referido valor (Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 24/08/2004).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10855.002775/2001-10
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647554
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.592
nome_arquivo_s : Decisao_10855002775200110.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10855002775200110_5647554.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal relativa à infração 002 - Falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Gabriel Alves Boccorini, OAB/SP nº 315.287. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6540611
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692012875776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2290; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 267 1 266 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.002775/200110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.592 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2016 Matéria IRPF omisão de rendimentos Recorrente ANTONIO VIAL (ESPÓLIO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideramse não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital, o custo de aquisição da participação societária deve ser tomado como aquele que consta da declaração de rendimentos, quando ausentes outros elementos de prova que demonstrem que o valor declarado não guarda sintonia com a realidade contemporaneamente existente. IMPOSTO DE RENDA SOBRE GANHO DE CAPITAL. VALORES DECLARADOS E NÃO PAGOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. O valor apurado e informado pelo sujeito passivo a título de “imposto de renda a pagar”, constante na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, inclusive o incidente sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital anexo à declaração, quando não quitado no prazo estabelecido na legislação, deve ser objeto de cobrança amigável, com os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 27 75 /2 00 1- 10 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 268 2 acréscimos moratórios devidos, e, caso não seja pago, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, sendo incabível se falar em lançamento de ofício do referido valor (Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 24/08/2004). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal relativa à infração 002 Falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Gabriel Alves Boccorini, OAB/SP nº 315.287. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório Adoto em parte o relatório do acórdão da decisão de primeira instância, que relatou os fatos ocorridos até aquela decisão. O contribuinte acima identificado insurgese contra auto de infração que exige crédito tributário no montante de R$ 139.822,83, sendo R$ 68.464,86 de imposto; R$ 51.348,61 de multa de ofício; e R$ 20.009,36 de juros de mora calculados até 31/07/2001, fls. 03. O auto de infração apurou omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa no ano calendário 1999, conforme descrito em fls. 04/05; e falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital nos anos calendário 1999 e 2000. A ciência ao fiscalizado ocorreu em 12/09/2001, conforme art. 23, §2°, inciso II do Decreto 70.235/72 e conteúdo de fls. 86. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 269 3 A impugnação, fls. 91/106, assinada pelo representante do interessado qualificado em fls. 107, foi apresentada em 27/09/2001 com os argumentos que passamos a relatar em síntese e na ordem que aparecem na peça de defesa. Inicia com preliminares de cerceamento de defesa por ter ocorrido violação ao princípio da devido processo legal. Tal violação teria ocorrido, uma vez que o fisco não aguardou o término da discussão sobre a retificação da declaração de 1992/1991 que está sendo feita em outro processo de número 10855.001843/9958, iniciado em 08/06/1999. Naquele processo, o fisco já apresentou uma primeira resposta ao pedido, alegando que já teria transcorrido o prazo de cinco anos no qual a retificação poderia ser admitida. Apesar disso, aquele processo ainda não teve seu desfecho, pois aguarda resposta de recurso já interposto. Enquanto não houver um resultado para tal recurso não pode o fisco fazer lançamento em considerar a retificação pleiteada. Mostrase surpreendido com a fundamentação da fiscalização a respeito da negativa da retificação. Entende que não poderia haver mudança na fundamentação sobre assunto ainda não decidido definitivamente em outro processo. Depois de fazer uma síntese do auto de infração, passa a apresentar argumentos de mérito. Com relação ao item 001 do auto de infração, entende que não houve ganho de capital, pois retificou o valor de sua participação no capital do Hospital Modelo. Segue apresentando diversos argumentos em defesa da possibilidade de retificar o valor do custo de aquisição da participação societária na empresa Hospital Modelo. No tocante ao item 002 da autuação, discorda apenas da aplicação da multa de ofício. Justifica que houve apenas um pagamento com atraso do imposto devido em ambos os casos venda de terreno e quotas da Lavanderia Sorocaba , pleiteando a aplicação da multa de mora e informando que o pagamento do imposto e da multa de mora já foi feito em 27/07/2001. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUTIR O MÉRITO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRANSITADO EM JULGADO. Os argumentos do impugnante relativos à retificação da declaração de rendimentos do anocalendário 1991 não podem Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 270 4 ser conhecidos, pois foram objeto de outro processo administrativo já transitado em julgado. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital, o custo de aquisição da participação societária deve ser tomado como aquele que consta da declaração de rendimentos, na ausência de outros elementos de prova que demonstrem que o valor declarado não guarda sintonia com a realidade contemporaneamente existente. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. NECESSIDADE DE INFORMAR INFRAÇÃO E PAGAR A DIFERENÇA DE TRIBUTO ACRESCIDA DE MULTA DE MORA ANTES DE INICIADO O PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Conforme o parágrafo único do art. 138 do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Cientificado dessa decisão em 25/02/2010, por via postal (A.R. de fl. 133), o Contribuinte, por meio de seu representante legal, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 138/164, em 29/03/2010 (segundafeira), no qual apresenta os seguintes argumentos, em resumo: quanto ao ganho de capital relativo ao imóvel localizado no Guarujá/SP e às quotas da Lavanderia Sorocaba S/C Ltda., foi desnecessário o lançamento de ofício, uma vez que ambas as operações que geraram os ganhos de capital foram devidamente declaradas anteriormente a qualquer ato de fiscalização; o Auto de Infração é nulo, pois não respeitou o devido processo legal referente ao pedido de retificação da declaração de 1992, que teria óbvias implicações sobre a matéria tributada na infração 001 Omissão de ganho de capital na alienação das quotas do Hospital Modelo de Sorocaba; ainda que exista decisão definitiva sobre o pedido de retificação, como afirma a decisão recorrida, esta deuse depois da lavratura do Auto de Infração, o que corrobora a sua nulidade; aplicandose o benefício legal de correção do valor de aquisição na DIRPF 1992, o valor apurado das quotas supera o valor de venda, inexistindo ganho de capital; o que transitou em julgado foi a impossibilidade da retificação em 1999 da DIRPF 1992, porém persiste o direito do contribuinte à aplicação dos reflexos daquele benefício na DIRPF 1999, ou mesmo no momento da apuração do imposto devido na venda do bem; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 271 5 independentemente da possibilidade ou não de retificação da DIRPF de 1992 ou da alteração do custo de aquisição das participações societárias do Hospital Modelo de Sorocaba, não é devido qualquer imposto na alienação de ações, uma vez que se encontra beneficiado pela isenção trazida pelo artigo 4º, "d", do DecretoLei nº 1.510/76, que garantia a isenção do imposto de renda à pessoa física que alienasse participações societárias, após decorridos 5 (cinco) anos de sua aquisição/subscrição; embora a isenção tenha sido revogada pela Lei nº 7.713/88, tal revogação não se aplica àqueles contribuintes que completaram 5 (cinco) anos na titularidade de participações societárias antes da revogação da norma, ou até 31.12.1988, sendo esse o caso do Recorrente; ainda que se admita o lançamento do imposto de renda sobre o ganho de capital, é absurda a exigência de multa de 75%, pois o pedido de retificação não havia sido apreciado por ocasião da autuação. Ao final, requer o Recorrente que seja cancelado o Auto de Infração e anulado o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Trata o presente processo de lançamento de ofício em virtude de apuração de omissão de ganhos de capital na alienação de quotas do Hospital Modelo de Sorocaba no ano calendário 1999, bem como a falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital nos anoscalendário 1999 e 2000, relativo à alienação de um terreno no Guarujá/SP e de quotas da empresa Lavanderia Sorocaba S/C Ltda, conforme Auto de Infração de fls. 04/10. PRELIMINARES O Recorrente alega nulidade do Auto de Infração, sob o argumento de desrespeito ao devido processo legal. Diferentemente do alegado pelo Recorrente, o auto de infração em questão foi lavrado em conformidade com o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, atendendo, portanto, todos os requisitos formais e materiais exigidos para a autuação. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 (PAF): Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 272 6 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Também não se identificou violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como foi especificado o conteúdo da autuação. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 273 7 Observase que foi concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito de defesa. Ele apresentou impugnação ao Auto de Infração, exercendo o seu direito ao contraditório, perfeitamente amparado pelo Decreto n.º 70.235/72 (PAF), tendo revelado conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, as quais rebateu, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração. MÉRITO INFRAÇÃO 001 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA O Recorrente alega que aplicou o benefício fiscal de avaliação do bem a valor de mercado em sua DIRPF 1992, já que não havia feito a reavaliação à época, devendo os efeitos dessa valoração serem verificados na apuração do imposto devido na venda do ativo em 1999, mesmo que impossível a retificação da declaração anterior. Aduz que existe direito adquirido à reavaliação, ante a existência de erro comprovado na declaração de 1992, em respeito à verdade material. Sustenta que é absurda a aplicação da multa de ofício de 75%, pois não se poderia lançar de ofício antes de ser julgado o pedido de retificação justamente sobre o objeto do lançamento. Entendo que não tem razão o Recorrente. Conforme exposto na decisão de primeira instância, o pedido de retificação da declaração do exercício 1992 (anocalendário 1991) foi objeto de outro processo administrativo (processo nº 10855.001843/9958), o qual se encontra apenso ao presente. Naquele processo foi indeferido o pedido de retificação, mantendose, portanto, o valor do custo de aquisição conforme considerado pela Fiscalização. A decisão daquele processo administrativo foi definitiva, não cabendo mais recurso administrativo, conforme pode ser observado pela ausência de manifestação do interessado ao indeferimento da retificação (fls. 39/43 daquele processo). Assim, não há nada mais para ser discutido quanto a esse aspecto, devendo ser mantido o valor do custo de aquisição conforme adotado pela autoridade fiscal. Defende, ainda, o Recorrente, que independentemente da possibilidade ou não de retificação da DIRPF de 1992 ou da alteração do custo de aquisição das participações societárias do Hospital Modelo de Sorocaba, não é devido qualquer imposto na alienação de ações, uma vez que se encontra beneficiado pela isenção trazida pelo artigo 4º, "d", do DecretoLei nº 1.510/76, que garantia a isenção do imposto de renda à pessoa física que alienasse participações societárias, após decorridos 5 (cinco) anos de sua aquisição/subscrição. No entanto, observase que o Contribuinte não impugnou expressamente essa questão por ocasião da apresentação de sua impugnação, o que impede a sua apreciação por este colegiado, sob pena de supressão de instância. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 274 8 O artigo 17 do Decreto 70.235/72 (PAF), assim dispõe: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)”. Nesse entendimento estão os seguintes julgados deste Conselho: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme artigo 17, do PAF (Acórdão 2801003.924, Data de Publicação: 27/01/2015, Rel. Marcio Henrique Sales Parada). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideramse não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação. (Acórdão 2101002.658, Data de Publicação: 15/12/2014, Rel. Alexandre Naoki Nishioka). Assunto: CSSL Exercício: 2003 MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente. (Acórdão 910100.540, Data de publicação: 29/06/2010, Rel. Leonardo de Andrade Couto). Quanto à multa de 75%, a sua aplicação ocorreu em obediência ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que prevê a sua imposição nos casos de lançamento de ofício. Não há razão para a sua substituição pela multa de mora, como defende o Contribuinte, uma vez que os valores lançados não foram declarados nem tampouco recolhidos antes do início do procedimento fiscal. Dessa forma, deve ser mantida a exigência em relação à infração 001 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA, com a aplicação da multa de ofício de 75%. INFRAÇÃO 002 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL Defende o Recorrente que não poderia ter ocorrido o lançamento de ofício, uma vez que ambas as operações que geraram os ganhos de capital foram devidamente declaradas anteriormente a qualquer ato de fiscalização. Nesse ponto entendo que o Recorrente tem razão, pois não se admite o lançamento de ofício quando os valores objeto do lançamento tenham sido declarados antes de iniciado o procedimento fiscal. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 275 9 O DecretoLei nº 2.124, de 08/03/1984 dispõe em seu art. 5º: Art 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. [...] A Instrução Normativa SRF nº 14, de 14/02/2000 assim estabelece: Art. 1o Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. [...] O STJ manifestou a desnecessidade de qualquer outra providência pelo Fisco para constituir o crédito tributário declarado pelo contribuinte, consolidando o entendimento na Súmula nº 436: "A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco". Dessa forma, se o sujeito passivo confessa o valor efetivamente devido mediante declaração, não há qualquer necessidade de procedimento de ofício, pois caso ele não recolha o valor devido, a cobrança será feita mediante execução fiscal, após inscrição em dívida ativa. Nessa linha de entendimento temos a Solução de Consulta Interna nº 22, de 24/08/2004, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO : Lançamento de crédito tributário declarado e não pago. EMENTA : O valor apurado e informado pelo sujeito passivo a título de “imposto de renda a pagar”, constante na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, inclusive o incidente sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital anexo à declaração, quando não quitado no prazo estabelecido na legislação, deve ser objeto de cobrança amigável, com os acréscimos moratórios devidos, e, caso não seja pago, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, sendo incabível se falar em lançamento de ofício do referido valor. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 276 10 DISPOSITIVOS LEGAIS : Decretolei no 2.124, de 1984, art. 5º, § 1º; Decreto nº 3.000, de 1999, art. 933, §§ 1º e 2º; Instrução Normativa SRF nº 77, de 1998, art. 1º; Instrução Normativa SRF nº 14, de 2000. Cabe transcrever os seguintes trechos da fundamentação e conclusão da referida Solução de Consulta: 8. Assim, se o sujeito passivo confessa mediante declaração o valor efetivamente devido, consoante com o fato gerador respectivo, não há qualquer necessidade de procedimento de ofício. Todo e qualquer problema verificado será resolvido no âmbito da própria sistemática da declaração: se o contribuinte recolhe o valor integral, extingue o crédito tributário; se o sujeito passivo não recolhe ou recolhe a menor que o declarado, serlheá cobrado, mediante inscrição em Dívida Ativa, o total confessado ou a diferença entre o valor pago e o valor declarado. 9. De forma diversa, se o sujeito passivo apura e confessa mediante declaração valor inferior ao efetivamente devido, em discrepância com o fato gerador pertinente, aí sim a fiscalização deve constituir, mediante o lançamento, o crédito correspondente à diferença entre o valor devido e aquele declarado/confessado previamente. 10. Logo, o imposto a pagar informado pelo sujeito passivo em declaração entregue à Secretaria da Receita Federal inclusive em DIRPF caracterizase como confissão de dívida, devendo ser objeto de cobrança amigável e inscrição em Dívida Ativa da União, se for o caso, com acréscimo de multa de mora e juros de mora, na forma prevista na lei. Não havendo que se falar em lançamento de ofício nessa hipótese, descabe, por óbvio, a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. 11. Tal entendimento, no que se refere às pessoas físicas, não deve ficar restrito ao imposto de renda a pagar apurado em decorrência do ajuste anual. Afinal, o imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital auferidos na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado em demonstrativo que integra a DIRPF, inobstante sujeito à tributação definitiva, também se amolda à confissão de dívida, na forma aqui relatada. 12. Incabível, in casu, falarse em afronta ao disposto no art. 138 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), eis que esse dispositivo se refere à denúncia espontânea de infração, que não pode ser confundida com o valor do imposto a pagar apurado e informado pelo sujeito passivo em declaração entregue à Secretaria da Receita Federal. Afinal, se o valor foi corretamente apurado, não há qualquer infração cometida pelo sujeito passivo. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 277 11 13. A AdvocaciaGeral da União expediu o Parecer AGUSF 03/2000 (Anexo ao Parecer AGU: GM15, do então Advogado Geral da União Gilmar Ferreira Mendes), da lavra do consultor da União Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho, publicado no D.O.U. de 10 de janeiro de 2001, onde restou consignado o entendimento supra, constante da ementa: No âmbito da Administração tributária federal, consagrou se o entendimento, com a corroboração da jurisprudência iterativa S.T.F. e do S.T.J., de que o não pagamento ou o pagamento a menor de débito tributário declarado pelo contribuinte, possuindo a mesma natureza da confissão de dívida, caso de auto apuração, declaração e apuração estas aceitas pela Secretaria da Receita Federal, se submete a cobrança administrativa do crédito, sem a necessidade de constituição formal do crédito tributário, daí a desnecessidade de instauração de processo administrativo fiscal litigioso. É também entendimento do Fisco Federal da desnecessidade de lançamento de ofício de consectários legais decorrentes de liquidação de débitos declarados pelo contribuinte e não pago com os acréscimos no vencimento, bastando, nesses casos, a notificação de cobrança do que não foi pago ou pago a menor, e se mesmo assim não houver a extinção do crédito, cabe a imediata inscrição do débito em dívida ativa com a expedição do título executivo extrajudicial a certidão de dívida ativa, e a conseqüente execução fiscal. [...] 3. CONCLUSÃO 15. Por todo o exposto, concluise que o valor apurado e informado pelo sujeito passivo a título de “imposto de renda a pagar”, constante na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, inclusive o incidente sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital anexo à declaração, quando não quitado no prazo estabelecido na legislação, deve ser objeto de cobrança amigável, com os acréscimos moratórios devidos, e, caso não seja pago, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, sendo incabível se falar em lançamento de ofício do referido valor. (destaquei) No caso em exame, quanto ao ganho de capital referente às alienações do imóvel localizado no Guarujá/SP e das quotas da Lavanderia Sorocaba S/C Ltda., a própria autoridade fiscal reconheceu que os valores lançados de ofício foram declarados pelo contribuinte no Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital, anexo à DIRPF (fls. 6/7). Assim, sendo incabível o lançamento de ofício dos valores declarados, concluo pelo cancelamento da exigência relativa à infração 002 Falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 278 12 Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal relativa à infração 002 Falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 278DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10845.003738/2003-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Havendo pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 9101-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Havendo pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10845.003738/2003-00
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5672700
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.517
nome_arquivo_s : Decisao_10845003738200300.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10845003738200300_5672700.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6614282
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692020215808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2138; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10845.003738/200300 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.517 – 1ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria Decadência. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TRANSBRASA TRANSITÁRIA BRASILEIRA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Havendo pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 37 38 /2 00 3- 00 Fl. 3836DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 3 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10322.986, de 25/04/2007, por meio do qual a Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras questões, acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos até 30/09/1998. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: NULIDADE. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Descabe a análise de suposta violação de princípios constitucionais que teria ocorrido em momento anterior ao procedimento fiscal, por ser matéria estranha ao feito e faltar competência a este Colegiado para apreciação do tema. NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DA PORTARIA SRF N° 3.007/2002. DESCABIMENTO. Se a ação fiscal está devidamente acobertada pelo MPF que lhe deu origem, devese entender que o procedimento, inclusive a seleção do sujeito passivo, seguiu as normas que regulamentam a matéria. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997, 1998 Ementa: DECADÊNCIA. IRPJ E PIS. PRAZO. Fl. 3837DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 4 3 O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao IRPJ, IRRF e PIS extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. DECADÊNCIA. CSLL E COFINS. PRAZO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tais como a CSLL e a COFINS, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito tributário é a própria ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4°, do CTN. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CASO DE DOLO OU FRAUDE. Uma vez tipificada a conduta fraudulenta prevista no §4° do art. 150 do CTN, aplicase a regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, quando a contagem do prazo de cinco anos tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2001, 2002, 2003 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS NO EXTERIOR. Devem ser tributadas mediante lançamento de oficio as receitas de prestação de serviços que, auferidas no exterior, não integraram a escrituração do sujeito passivo. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. A legislação concede ao sujeito passivo que apura resultado pelo lucro presumido a opção de escriturar as receitas pelo regime de Caixa. No entanto, dentro do período de apuração o registro contábil dessas receitas não pode ocorrer de forma híbrida, ora no regime de caixa ora no de competência, sob pena de desqualificar a escrituração. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. Se o sujeito passivo não demonstra que as receitas escrituradas de forma genérica referemse a operações sujeitas ao percentual de 8%, cabível a imputação do percentual de 32% referente à prestação de serviços gerais. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Para efeito de qualificação da multa de oficio, cada infração deve ser analisada isoladamente, como resultado de conduta específica. Mantémse a exasperadora quando a irregularidade for originada de conduta fraudulenta e, a contrario sensu, reduzse a multa ao percentual convencional quando não comprovada aquela circunstância. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam o agravamento da multa, que somente se justifica quando presente o evidente intuito de fraude, caracterizado pelo dolo específico, Fl. 3838DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 5 4 resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei n° 4.502/64 (Proc. 10240.000695/200492, Terceira Câmara, Rel.: Paulo Jacinto Nascimento, DOU 05.04.06). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TRANSBRASA TRANSITÁRIA BRASILEIRA LTDA. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada; por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos até 30/09/1998, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (relator) e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que não admitiram a decadência em relação à CSLL e COFINS e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de lançamento exofficio qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (relator) e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que não admitiram a desoneração da exasperadora em relação à verba autuada a título de "omissão de receita junto à empresa Triton Container International" (itens 001 e 002 do auto de infração); e EXCLUIR da tributação a verba referente a "transferência bancária no Oakland Commerce Banks" no valor de R$ 240.240,00, no ano calendário de 1998 (item 002 do auto de infração). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto ao reconhecimento da decadência de parte do crédito tributário constituído nestes autos. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/09/1998, sendo que a ciência da recorrente se deu em 17/10/2003; com relação à decadência, a decisão da e. Câmara a quo diverge da decisão proferida pela 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, constante do Acórdão n° 302 38.565 (Acórdão Paradigma): Acórdão: 30238.565 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/02/1992 a 31/03/1992 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo contradição entre a decisão proferida e a matéria discutida nos autos, é cabível a apresentação de embargos de declaração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS. Fl. 3839DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 6 5 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN; (c) em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo devedor, incide a regra do art. 173, I, do CTN. Assim temse por configurada a decadência. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. entenderam os ilustres Conselheiros que a homologação não é do pagamento, mas sim do seu lançamento. Portanto aplicaram o artigo 150, §4°, do CTN independentemente da existência de antecipação de pagamento; o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4°, e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, bem havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único do CTN (RESP 766.050/PR); nos casos, como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar; não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de oficio dos valores devidos. E o prazo para o lançamento de oficio não está disposto no art. 150, mas no art. 173 do CTN; observese que, no caso em análise, o auto de infração foi lavrado dentro do prazo disposto no art. 173, I, do CTN, não ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar. Ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, é 1º de janeiro (ou o dia 2, devido ao feriado do dia 1°) de 1999, findandose, os 5 anos em 31/12/2003, portanto mais de dois meses após a data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração; deste modo, tendo tomado ciência em 17 de outubro de 2003 (17/10/2003), o Fisco agiu dentro do prazo de que dispunha para a constituição dos créditos tributários, não havendo que se falar em decadência; também esta e. Câmara Superior deste Conselho já esboçou posicionamento no sentido de que o prazo para o lançamento de tributos não recolhidos, ainda que para estes tributos a legislação atribua ao contribuinte o dever de antecipar do pagamento, conforme o art. 150 do CTN, é aquele disposto no art. 173, I, do CTN, que cuida do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário (ementas transcritas); Fl. 3840DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 7 6 aplicandose a regra do artigo 173, I, do CTN, o período de apuração relativo a 1998 não se encontra decaído. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.141, de 14/10/2014, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Verificouse que, no caso do recorrido, decidiuse que aplicase o art. 150, §4° do CTN para a contagem do prazo de decadência de lançar IRPJ, IRRF e contribuição para o PIS, assim como para tributos sujeitos a lançamento por homologação, como a CSLL e a COFINS. No caso do paradigma, considerouse que aplicase o art. 150, § 4°, do CTN para tributos sujeitos a lançamento por homologação, mas que, se não há pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN. Tendo a decisão recorrida adotado o entendimento de que a regra do art. 150, §4° do CTN é aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, sem exceção, ao passo que a do paradigma entendeu que cabe aplicar a regra do art. 173, I, do CTN no caso de não haver pagamento antecipado para esse tipo de tributo, concluise que a divergência de entendimentos está demonstrada para a matéria relativa à decadência do direito de o Fisco lançar tributos sujeitos a lançamento por homologação. Em 12/12/2014, a contribuinte foi intimada do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso (antes disso, ela já tinha tomado ciência do Acórdão nº 10322.986, e já havia apresentado pedido de desistência da parte dessa decisão que lhe foi desfavorável, para pagamento com os benefícios da Lei nº 11.489/2009). Tempestivamente, em 26/12/2004, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso da PGFN, com os argumentos descritos a seguir: PRELIMINARMENTE DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO conforme se verifica às fls. 3665 do processo em referência, os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 12/05/2011 (doc. 01, anexo), e recebido na PGFN em 17/05/2011, conforme se comprova com o documento 02, anexo, fls. 3666; o processo foi devolvido pela PGFN em 16/06/2011, conforme registrado Às fls. 3620 (doc. 03); considerandose que os autos foram recebidos na PGFN em 17/05/2011, temse como esse o termo inicial do prazo de quinze dias para interposição do recurso, cujo termo final ocorreu em 01/06/2011, sendo que o recurso somente foi recebido em 16/06/2011, conforme fls. 3621 (doc. 04); Por outro lado, às fls. 3597 (doc. 05), consta uma suposta ciência do Procurador, em 15/06/2011, com a afirmação logo abaixo de que o processo estava sendo devolvido pela PGFN com Recurso Especial; Fl. 3841DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 8 7 Pois bem, considerando em primeiro lugar o fato de que o processo foi recebido na PGFN no dia 17/05/2011, a ciência do Procurador datada de 15/06/2011 não pode, em hipótese alguma, ser considerada como ciência do acórdão, já que não poderia ele ter tomado ciência e ter juntado o recurso no mesmo momento, razão pela qual deve ser reconhecida a intempestividade do recurso interposto, cujo prazo venceu em 01/06/2011; DA FALTA DE REQUISITO INDISPENSÁVEL PARA A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DA AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO as razões do recurso interposto estão fundamentadas no fato de que a recorrida supostamente não teria feito qualquer antecipação de pagamento dos tributos, situação que descartaria a aplicação do artigo 150, § 4º (prazo decadencial contado a partir do fato gerador), para admitir a aplicação do artigo 173, I, do CTN (prazo decadencial contado a partir do primeiro da do exercício seguinte); contudo, tal premissa, além de falsa, não foi discutida nos autos, situação que, por si só, já descartaria a admissibilidade do presente recurso, nos termos do artigo 67 do REGIMENTO INTERNO DO CARF, que em seu parágrafo terceiro estabelece: "§ 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais"; em nenhum momento foi discutido ou afirmado no v. acórdão que não houve pagamento antecipado, razão pela qual caso pretendesse interpor recurso sob tal fundamento deveria ter primeiro oposto embargos declaratórios visando sanar eventual omissão, o que não fez, não podendo agora pretender seja conhecido e admitido seu recurso sob o fundamento de que não houve pagamento antecipado; ademais, uma vez que houve o recolhimento antecipado de tributos, temse como absolutamente improcedente o recurso interposto, já que o próprio acórdão utilizado como paradigma, Acórdão n° 30238.565, confirma a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN na hipótese de pagamento antecipado; DA AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA ENTRE O V. ACÓRDÃO PROFERIDO E O ACÓRDÃO PARADIGMA o §4º do artigo 67 do Regimento Interno do CARF impõe como condição de admissibilidade do recurso especial que: "o recurso deverá demonstrar a divergência argüida". Contudo, o v. acórdão paradigma nada mais fez senão reconhecer a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN, contados da ocorrência do fato gerador, na hipótese de pagamento antecipado; assim, o acórdão utilizado como paradigma não se presta a comprovar a divergência entre o v. acórdão proferido e aquela decisão, ao contrário, confirma entendimento manifestado no v. acórdão proferido, inviabilizando a admissibilidade do recurso interposto. Digase o mesmo quanto à citada jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça; ademais, o recurso interposto afirma que: "entenderam os ilustres Conselheiros que a homologação não é do pagamento, mas sim do seu lançamento. Portanto, Fl. 3842DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 9 8 aplicase o artigo 150, §4º do CTN independentemente da existência de antecipação de pagamento"; tal assertiva não é verdadeira. Houve a entrega de declarações e recolhimento de tributos devidos, vindo o auto de infração lavrado a exigir diferenças apuradas em face de aplicação de alíquota indevida para o tipo de serviço prestado, entre outras. Em nenhum momento há afirmativa no acórdão proferido que a aplicação do artigo 150, §4º deve se dar "independentemente da existência de antecipação do pagamento", posto que, como dito, tal questão não foi debatida, presumindose o reconhecimento de que houve pagamento parcial; DA IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO DA DECADÊNCIA SEM DISCUSSÃO DA MULTA AFASTADA o v. acórdão proferido entendeu por bem afastar a multa de ofício aplicada, de 150% (cento e cinqüenta por cento), reduzindoa a 75%, por não restar caracterizada qualquer conduta fraudulenta; em face de tal situação, entendeu aplicável o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN; nestes termos, se pretende a Fazenda Nacional rediscutir a decadência reconhecida, deveria então, necessariamente, ter rediscutido a redução da multa imposta, o que não fez, posto que tal redução foi condição sine qua non para o reconhecimento da decadência; portanto, uma vez reconhecida a ausência de conduta dolosa, com a redução da multa e a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN, e tendo em vista que a redução da multa não foi objeto do recurso interposto pela recorrente, se torna impossível que venha essa E. Câmara reformar o prazo decadencial fixado no acórdão, não devendo ser admitido o recurso interposto, muito menos provido; MÉRITO DA DECADÊNCIA admitindo, apenas para fins de argumentação, a superação das preliminares supramencionadas, ainda assim, inviável o provimento do recurso interposto, devendo ser mantida a decadência tal qual reconhecida no v. acórdão proferido. Pois bem, é pacífica a jurisprudência no sentido de que, havendo antecipação de pagamento, seja a que título for, o prazo decadencial para a constituição do crédito tem início com a ocorrência do fato gerador, aplicandose o disposto no artigo 150, §4º, do CTN; em primeiro lugar convém afastar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que restou expressamente consignado no v. acórdão proferido, com a redução da multa agravada, o que, digase de passagem, não foi discutido no recurso especial interposto. Portanto, indubitável a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN, contado da ocorrência do fato gerador; o PIS, a COFINS, o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos a lançamentos por homologação, razão pela qual ocorreu, com relação aos fatos geradores mar/97, jun/97, set/97, dez/97, mar/98, jun/98 e set/98, a decadência do direito de lançar, visto que este último fato Fl. 3843DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 10 9 gerador deuse em 30/09/98, enquanto que a autuação foi efetivada em outubro/2003, devendo ser mantido o v. acórdão tal qual foi proferido; nesse sentido vem decidindo a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como os demais tribunais administrativos (ementas transcritas); de todo o exposto, verificase que o recurso oferecido pela Fazenda Nacional não tem condições de prosperar, porquanto em contraposição com a pacífica jurisprudência administrativa; assim, requer a ora recorrida que seja negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, com a manutenção da decisão proferida. É o relatório. Fl. 3844DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. A autuação fiscal de IRPJ decorreu da constatação de três tipos de infrações: omissão de receitas; aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro presumido; e não adição de valores diferidos, controlados na parte B do LALUR, à base de cálculo do imposto, em razão da mudança no regime de tributação, de lucro real para lucro presumido. A apuração do IRPJ foi feita pelo regime do Lucro Real nos anoscalendário 1997, 2000, 2001, 2002 e 2003, e pelo Lucro Presumido nos anoscalendário 1998 e 1999. Os lançamentos reflexos a título de CSLL, PIS e COFINS foram realizados apenas com base na primeira infração acima mencionada, ou seja, na omissão de receitas. A ciência dos autos de infração ocorreu em 17/10/2003. O litígio que remanesceu para essa fase de recurso especial diz respeito à decadência, abrangendo o crédito tributário constituído sobre os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1998, especificamente no período de janeiro a setembro de 1998. No seu recurso especial, a PGFN tenta afastar a decadência em relação a esse período, alegando que o prazo decadencial a ser aplicado é aquele previsto no art. 173, I, do CTN, e não o do art. 150, §4º, do CTN, que foi adotado pelo acórdão recorrido. Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta várias preliminares de não conhecimento do recurso. Quanto à alegação de intempestividade do Resp, cabe observar que o Decreto nº 70.235/1972 prevê as seguintes regras para a ciência dos Procuradores da Fazenda Nacional em relação às decisões do antigo Conselho de Contribuinte, e que hoje se aplicam ao CARF: Art. 23. Farseá a intimação: [...] §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Fl. 3845DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 12 11 Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos acrescidos) Pois bem, os autos foram entregues à PGFN, na forma prevista no §8º acima transcrito, em 17/05/2011, de modo que a ciência ficta iria ocorrer em 16/06/2011. O que se deu foi simplesmente que na data prevista para a ciência ficta, ou seja, quando ainda iria se iniciar a contagem do prazo para apresentação do recurso especial, o Procurador da Fazenda Nacional redigiu e protocolizou esse recurso, em 16/06/2011. O fato de ele registrar a ciência pessoal em 15/06/2011, antecipando em um dia a ciência ficta, em nada contribui para caracterizar a alegada intempestividade, porque seja pela data da ciência pessoal, em 15/06/2011, seja pela data da ciência ficta, em 16/06/2011, a apresentação do recurso observa o prazo regimental de 15 dias e, portanto, ela é tempestiva. Não há, assim, qualquer razão para se falar em intempestividade na apresentação do recurso. Quanto à alegação de ausência de prequestionamento da matéria que é objeto do recurso especial, cabe esclarecer que o prequestionamento configura requisito para os recursos especiais interpostos pelos contribuintes, e não pela Fazenda Nacional. Isso, aliás, está expressamente previsto no §3º do art. 67 do RICARF, regra regimental que foi transcrita pela própria contribuinte em suas contrarrazões. A contribuinte também alega ausência de divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, porque ela teria realizado recolhimento de tributo. Segundo suas alegações, o acórdão paradigma confirmaria o entendimento manifestado no acórdão recorrido; o acórdão paradigma nada mais teria feito senão reconhecer, na hipótese de pagamento antecipado (ainda que parcial), a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN. Ainda em sede de preliminar, a contribuinte sustenta que, no caso do acórdão recorrido, a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN se deu em decorrência do exame do percentual da multa aplicada, matéria que guarda relação com a caracterização ou não de conduta dolosa. Assim, a Fazenda Nacional, para rediscutir a decadência, deveria ter rediscutido a redução da multa, o que não foi feito no recurso especial. Quanto a essas outras duas preliminares (ausência de divergência e não questionamento da multa), é importante perceber que o acórdão recorrido, embora não tenha tratado expressamente da questão da ocorrência ou não de pagamento, ao decidir sobre a Fl. 3846DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 13 12 decadência, aderiu a uma linha de interpretação muito comum na época em que foi proferida a decisão, que considerava irrelevante a ocorrência de pagamento, para fins de se definir a regra de contagem de prazo decadencial. É o que pode ser chamado de silêncio eloqüente, dado o contexto da época em que a decisão foi proferida. A referida linha de entendimento priorizava apenas o regime de lançamento a que estava submetido o tributo. Se a regra legal previa o regime de lançamento por homologação para um determinado tributo, a regra de decadência seria a prevista no art. 150, §4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não algum pagamento desse tributo. O deslocamento do prazo previsto no art. 150 para o prazo do art. 173 do CTN só era admitido quando restasse caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conforme bem explicitou o despacho de exame de admissibilidade do recurso especial, a divergência restou caracterizada porque o acórdão recorrido adotou o entendimento de que a regra do art. 150, §4°, do CTN é aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, só admitindo uma hipótese para o afastamento dessa regra a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, enquanto que o acórdão paradigma admitiu uma outra hipótese para isso, que é a ausência de pagamento (ainda que parcial). O objeto do recurso especial repousa justamente sobre essa divergência de interpretação da norma jurídica, que precisa ser dirimida. A divergência, portanto, restou mesmo caracterizada. A verificação do resultado prático de uma ou outra tese que for considerada correta, diante de todo o contexto fático que abrange o litígio, entendo que, nesse caso, é matéria de mérito, a ser examinada na fase seguinte do julgamento do presente recurso. Restando esclarecido que a divergência objeto do recurso especial se situa na questão sobre a relevância ou não do pagamento para definição da regra de prazo decadencial, não é necessário rediscutir a questão do percentual da multa, embora ela também tenha influenciado a análise da decadência que foi empreendida pelo acórdão recorrido. A divergência a ser aqui dirimida independe do percentual da multa, e da caracterização de fraude, etc., matéria que, realmente, nem é objeto do recurso especial sob exame. Em razão dessas considerações, devem ser rejeitadas as preliminares apresentadas pela contribuinte em sede de contrarrazões. O recurso, portanto, deve ser conhecido, porque preenche os requisitos de admissibilidade. Já foi mencionado que quanto à decadência, o entendimento manifestado no acórdão recorrido aderiu à interpretação de que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, afastandose essa regra apenas nos casos em que fica caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 3847DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 14 13 O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que ha outra situação que afasta a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, que é a ausência de pagamento (ainda que parcial), o que teria sido desconsiderado pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado Fl. 3848DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 15 14 pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/09/1998. O litígio abrange especificamente o período de janeiro a setembro de 1998, conforme indica o próprio conteúdo do recurso apresentado pela PGFN. É que a decadência se opera para os fatos geradores ocorridos em 1997, por qualquer uma das regras de prazo decadencial em questão. Compulsando os autos, especialmente o "Termo de Verificação e Intimação" e os quadros demonstrativos dos autos de infração (efls. 3/15 e 16/84 do vol. 11 do e processo), verificase que a contribuinte declarou bases de cálculo para o período em questão, e que o lançamento ocorreu apenas sobre as infrações (diferenças) apuradas pela fiscalização. Ou seja, não houve lançamento sobre as bases de cálculo positivas de IRPJ/CSLL (lucro presumido) apuradas pelo próprio contribuinte, e nem sobre as receitas que já haviam sido por ele reconhecidas e declaradas (PIS/COFINS), indicando claramente que os tributos referentes às receitas já declaradas ou estavam pagos, ou pelo menos tinha sido declarados/confessados em DCTF. Do contrário, a autoridade fiscal teria realizado lançamento também sobre essas bases de cálculo. Aliás, uma das infrações constatadas para o IRPJ do anocalendário de 1998 foi justamente a "aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro presumido" sobre as receitas declaradas, o que também deixa evidente que a contribuinte pagou/confessou uma parte do tributo (já que o lançamento se deu apenas sobre as diferenças apuradas). A conclusão é de que a contribuinte havia pago ou pelo menos confessado em DCTF uma parte dos tributos em questão (que incidiram sobre as receitas por ela declaradas), o que implica na contagem da decadência pela regra do art. 150, §4º, do CTN, conforme o referido entendimento pacificado pelo STJ. Assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3849DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002532/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO.
Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada ocorrência de erro material ou lapso manifesto no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Acórdão retificado
Numero da decisão: 3302-003.376
Decisão: Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para retificar a Acórdão Embargado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada ocorrência de erro material ou lapso manifesto no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão retificado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.002532/2006-11
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647556
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.376
nome_arquivo_s : Decisao_19515002532200611.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 19515002532200611_5647556.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para retificar a Acórdão Embargado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6540622
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692031750144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 185 1 184 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002532/200611 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3102003.376 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria Auto de Infração CIDE Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado EDS ELETRONIC DATA SYSTEMS BRASIL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada ocorrência de erro material ou lapso manifesto no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão retificado Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para retificar a Acórdão Embargado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao acórdão nº 3102002.008, de 24 de setembro de 2013, que, à época, recebeu a seguinte ementa. Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Anocalendário: 2002 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 32 /2 00 6- 11 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 186 2 LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CON El ECI M ENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERENCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO. CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e royallies. A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é condição sine qua non à incidência da Contribuição. LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA. A exclusão das hipóteses de incidência da CIDE da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador determinada pela Lei 11.452/07 não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na norma a essa condição e seu artigo 21 determinou que a desoneração entrasse em vigor a partir do dia I" de janeiro de 2006. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTARIA. Ao órgão administrativo não compete apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula n° 2 do CARF. Negado Provimento aos Recursos de Oficio e Voluntário. O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. O presente processo versa acerca de auto de infração, lavrado em 16/11/2006 (11s. 81/86), atinente a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico — Remessa ao Exterior (CIDE — Remessa de Valores ao Exterior), relativo a fato gerador ocorrido no mês de janeiro do anocalendário de 2002, com crédito tributário total de RS 4.469.815,60 (quatro milhões, quatrocentos e sessenta e nove mil, oitocentos e quinze reais e sessenta centavos), composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados. até 31/10/2006. O referido auto de infração decorreu de ilícitos caracterizados em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributarias perante o sujeito passivo em epígrafe, segundo o qual restou configurada a ocorrência falta de recolhimentos da ('IDE incidentes sobre remessa de royalties assoe/ciclos ao contrato celebrado com a EDS WORLD CORPORATION, para convencionar a outorga do direito de uso de programas e sistemas de computador (software) de propriedade da sociedade americana, cuja descrição dos fatos/infrações e enquadramentos legais encontramse pormenorizados no corpo do mencionado auto Fl. 427DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 187 3 de infração e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 77/80), parte integrante e indissociável do lançamento. Cientificado pessoalmente do lançamento, em 21/11/2006, (f1.88), o contribuinte apresentou a impugnação em 20/12/2006 (fls. 93/114), acompanhado da documentação de fls. 115/188, na qual requer que o lançamento seja julgado totalmente improcedente e seja levada a efeito o cancelamento integral tia exigência formulada por intermédio do referido auto de infração, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fito e de direito: I) Preambularmente, após breve relato da autuação em questão apresenta ulna introdução aos argumentos de mérito, iniciandose pela descrição das atividades previstas em seus quadros societários e assegurar que o contrato firmado com a matriz /10 exterior visou obter licença de uso de programas e sistemas e computador (software) no próprio estabelecimento da empresa 170 Brasil, devendo preservar sua confidencialidade e vedando a sub licença, venda, aluguel, cessão, transferência, publicação, exibição, autorização de uso, disponibilização, ou qualquer outra comunicação dos softwares perante terceiros; 2) Nesse ponto, dando ênfase ao teor da cláusula 5.2 do contrato comento, salienta que a pessoa jurídica estrangeira licencia os programas de computadores exclusivamente para utilização da própria empresa, sem, 170 entanto, acessar os conhecimentos técnicos ou transferência de tecnologia; 3) Entende, portanto, que mesmo após a alteração da Lei n° 10.168, de 2000, não esta sujeita ao recolhimento da C1DE sobre as importâncias pagas em decorrência da licença de uso, tendo em conta que a 1101711a é direcionada tão somente ás pessoas que efetuam pagamentos ao exterior em decorrência de contratos que envolvem licenças para utilização ou transferência de tecnologia, em sentido estrito; 4) Assevera que, muito embora posso se depreender da leitura dos dispositivos previsto 170 art. 20 da Lei n° 10.168, de 2000, alterado pelo art. 60 cia Lei n° 10.332, de 2001, a admissibilidade de onerar cia remuneração referente a todo e qualquer serviço técnico, de assistência administrativa, licença de uso, ainda que não vinculadas com contratos que integrem previsão contratual de transferência de tecnologia, tal conclusão neste,v moldes não é pertinente; 5) Concluída a fase inaugural da defesa, dá inicio as discussões de mérito submetendo suas arguições de direito na qual questiona Os Hittites constitucionais ligadas el instituição da CIDE, em especial, no tocante ao fato de que a interpretação a ser aplicada para fins de determinação da área de intervenção do Estado e da definição do sujeito passivo da contribuição, finda por extrapolar o grupo de beneficiários direitos ou indiretos da atuação estatal. Neste campo, sustenta suas argumentações mediante jurisprudência forense e doutrina tributária. 6) Seqüencialmente, aduz suas alegações visando debater a compatibilidade da incidência da CIDEROYALTIES, nem como analisar o atendimento dos requisitos de legitimidade constitucionalmente previstos, cujas conclusões apontam pela consideração de que a CIDE tem por objetivo o desenvolvimento tecnológico, razão pela qual entende que não se aplica em eventos que não se aplicam á produção ou aquisição de tecnologia, sob pena de inconstitucionalidade; 7) Sob este enfoque, enfatize que a fiscalização desconsiderou completamente as peculiaridades do contrato de licença de software firmado entre a impugnante e a sua matriz estrangeira, bem como o objetivo das normas que tratam a CIDE, Fl. 428DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 188 4 impondo a exigência contribuição sobre uma remessa ao exterior que não detém qualquer vinculação com contrato de transferência de tecnologia, mas tão somente um contrato que envolve licença para uso de software para uso próprio; Completa, ainda, que o Termo de Constatação Fiscal e o auto de Infração fundamentou a autuação com fulcro no art. 20 e 30 da Lei n° 10.168/2000, alterada pela Lei n° 10.332, de 2001, entretanto, sem a especifica cão exata cio enquadramento de imputação da contribuição sobre a remessa para exterior ocorrida no inicio de 2002: 9)Assim, infere que para a incidência da CIDE não é suficiente que haja um contraio regulando licença de uso ou a identificação de pagamento de royalty ao exterior, mas sim, imprescindível que se constate que o contrato e o desembolso referemse à transferência de tecnologia, a luz do objetivo fixado pela Lei n° 10.168, de 2000 e dos arts. 149, 218 e 219 da CF/88; 10) Encerra suas contrarazões, fundamentando as inferências anteriores que visam atestar: (I) a distinção das conceitos de tecnologia e software no intuito de demonstrar que somente compete tributação sobre negócios jurídicos que efetivamente envolvam tecnologia estrangeira e não meras obras intelectuais;(II) o equívoco na pretensão de tributar por intermédio da CIDE qualquer remuneração atrelada a licença de uso de software, sem a ocorrência de transferência de tecnologia; (III) e, finalmente, o equivoco da pretensão c/c tributar as remessas ao exterior, atinentes importância de royalties vinculadas ao contrato de licença de uso de software, mediante aplicação da COE, nos termos do art. 2°, caput e §2° da Lei n° 10.168, de 2000, com a redação dada peia Lei n010332, de 2001, defronte a clareza de seus argumentos que evidenciam que a transferência ou o emprego de tecnologia, assim t entendidos os direitos de propriedade industrial, são indispensáveis para incidência c/a contribuição. Embasa suas teses mediante citação de doutrina e jurisprudência forense. Ato continuo, a autoridade preparadora encaminha os autos a DRI/SPOI para julgamento da impugnação." Após analisar a impugnação da Contribuinte, decidiu a DRJ por manter o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÁO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002 CIDE REMESSAS AO EXTERIOR. DA ADAHSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE ROYALTIES.CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). VERDADE MATERIAL. A empresa signatária de contrato de cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de estarem atrelados a transferência de tecnologia, caracterizavase na condição de sujeito passivo da CIDE, no que concerne as remessas ao exterior, sob a firma de remuneração ou royalties, independentemente da terminologia adotada nas cláusulas contratuais firmadas entre as partes. DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 189 5 Não cabe ao órgão administrativo apreciar a argüição de legalidade ou constitucionalidade das leis ou mesmo de violação a qualquer principio constitucional de natureza tributária. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, excetuandose as súmulas e/ou sentenças prolatadas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose as matérias e as partes envolvidas no litígio. Lançamento Procedente Em sede recursal, a contribuinte, após apresentar um breve resumo fático, tece comentários sobre os "limites constitucionais para a instituição da CIDE , arguindo com fundamento no art. 149 da Constituição Federal a inconstitucionalidade da lei que a instituiu. Alega ainda que, a Receita Federal, equivocadamente, parte do principio de que todo e qualquer contrato que tenha por objeto a licença de uso de software, ou ainda, que envolva o pagamento de royalties ao exterior, deve sofrer incidência da CIDE, mesmo que fora de um contexto em que haja transferência de tecnologia, sustentado que seria o caso dos autos. Procura defender tal alegação, ao demonstrar que para que haja a incidência da CIDE prevista na Lei n° 10.168/2000 não é suficiente a existência de um contrato regulando licença de uso ou um pagamento de royalties ao exterior e sim que se demonstra se tal contrato e pagamento se referem, de alguma forma, à transferência de tecnologia, visto que 6. esse o objetivo da Lei n° 10.168/2000 e da Constituição Federal. Ainda dentro deste tópico, esclarece a requerente o significado dos "conceitos de tecnologia e de software", e em seu entendimento, impõese considerar que não necessariamente a licença de uso de um software implica em transferência de tecnologia. Isto porque podem existir contratos que têm por objeto a obra (no caso, o software) e outros que têm por objeto a tecnologia, sendo que quando se adquire o primeiro, não necessariamente se adquire o segundo. Para a recorrente, quem adquire a tecnologia passa a poder produzir determinada obra, já quem adquire a obra pode se utilizar das qualidades da obra em si e não tem, em principio , acesso á tecnologia que levou A. sua produção, seguindo esta linha de raciocínio, sustenta, que o software é um obra e, corno tal, protegida pelas normas de direitos autorais, enquanto que a sua criação envolve uma tecnologia, que pode ou não ser transferida a outrem. mediante contrato estabelecido entre as partes. Assim, demonstra que adquirir o direito de uso de um software é apenas adquirir o direito de utilizálo da forma em que foi concebido, enquanto adquirir o direito à respectiva tecnologia para a sua criação seria absolutamente diferente, urna vez que isso implica em ter acesso aos conhecimentos técnicos (códigofonte, formulas etc.) que foram utilizados para concebêlo. Segundo a recorrente a lei n° 11.452/2007 em seu art. 20, determinou que o art. 2° da lei n° 10.168/00 passaria a vigorar acrescido do art. 1° A, o qual estabelece que a CIDE apenas deve incidir sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 190 6 No caso dos autos por não existir previsão nos contratos celebrados entre a Recorrente e as empresas estrangeiras para a transmissão do códigofonte, diagramas, fluxogramas etc, dos softwares objeto das licenças de uso, não há que se falar em transferência de tecnologia. Por fim, afirma que o Decreto n° 4.195/2002, editado com o objetivo de regulamentar a Lei n° 10.168/2000, não prevê que a simples licença de uso de softwares seja hipótese para a incidência da CIDE. Designado para manifestarse acerca da admissibilidade dos Embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento assim se pronunciou. Tempestivamente, em 25/5/2015, a recorrente apresentou os embargos de declaração de fl. 418, em que alegou contradição no julgado embargado, pois, uma vez que a DRJ de São Paulo/SP, por meio do acórdão nº 1621.848, julgou o lançamento procedente, logo, não houve recurso de ofício, em decorrência, contraditoriamente constou na ementa e no dispositivo do acórdão fora negado provimento ao recurso de ofício, que ficou assim redigido, in verbis: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTARIA. Ao órgão administrativo não compete apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula n° 2 do CARF. Negado Provimento aos Recursos de Oficio e Voluntário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator) e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ricardo Paulo Rosa. (grifos não originais) No caso em tela, ao contrário do que alegou à recorrente, não se vislumbra qualquer contradição entre a questionada decisão e seus fundamentos, requisito necessário para admissibilidade dos embargos de declaração, conforme explicitado no caput do art. 65 do Anexo II da Portaria MF 256/2009 (RICARF), a seguir transcrito: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. [...] (grifos não originais) No caso, com exceção da indevida referência ao recurso de ofício inexiste, do cotejo dos fundamentos consignados no voto condutor do julgado com disposto na decisão do Colegiado observase perfeita consonância. Entretanto, da simples leitura da redação do destacado fragmento final dos enunciados das ementas, anteriormente transcritas, em confronto com teor da redação do dispositivo do acórdão embargado e os fundamento e conclusão explicitada no voto condutor do citado julgado, constatase evidente erro escrita. É evidente que, se não houve recurso de ofício, inequivocamente, fora indevida a referência ao referido recurso no final da ementa e na parte dispositiva do acórdão. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 191 7 Assim, embora não atenda os pressupostos de admissibilidade do citado art. 65, induvidosamente, o recurso em apreço encontra respaldado no art. 66 do RICARF, a seguir transcrito: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. (grifos não originais) A matéria também encontrase disciplinada no art. 67 do Decreto 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, com o seguinte teor, in verbis: Art. 67. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão (Decreto no70.235, de 1972, art. 32). Do cotejo do teor dos dois referidos preceitos normativos, verificase que enquanto o preceito regimental atribui ao presidente turma a competência para proceder tais correções, o preceito regulamentar exige que a retificação seja feita mediante a prolação de novo acórdão. Em face dessa circunstância e tendo em vista que foi editado posteriormente e também por ser norma de hierarquia superior, certamente, em relação a este ponto específico, o comando normativo regimental foi derrogado pelo preceito regimental, devendo este último ser aplicado no âmbito CARF. Dessa forma, uma vez demonstrada a existência do referido erro de escrita, deve ser procedida a correção mediante a edição de novo acórdão. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos. Com base nos fundamentos acima declinados, que adoto como se meus fossem, do mesmo modo como já o fiz ao determinar a inclusão do processo em pauta para julgamento, entendo que deva ser corrigido o lapso manifesto com a consequente retificação do acórdão embargado. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 192 8 Importante observar que, embora a Ata também consigne decisão de negar provimento ao recurso de ofício, fato é que o recurso de ofício não pode ter existido, ex vi decisão tomada em primeira instância de julgamento. Observese como decide o Acórdão nº 1621.848, da 7ª Turma da DRJ/SPO I. Vistos, discutidos e relatados os autos, ACORDAM os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE o lançamento do crédito tributário, nos termos do relatório e voto, que fazem parte do presente julgado. Cientifiquese o contribuinte do presente acórdão, intimandoo a pagar, no prazo de 30 dias contados da ciência, o crédito tributário mantido, ressalvandolhe o direito de interpor recurso voluntário, em igual prazo, junto à Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. VOTO pelo acolhimento dos vertentes Embargos para retificação do Acórdão embargado. Onde consta Negado Provimento aos Recursos de Oficio e Voluntário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator) e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Passa a constar Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Acórdão os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator) e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ricardo Paulo Rosa. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 193 9 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.018030/99-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ART. 62, §2º, DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Pedido de Restituição apresentado em 17/06/1999, cumulado com Pedidos de Compensação apresentados em 01/07/1999, 02/07/1999, 02/08/1999 e 10/08/1999.
O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso em tela, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Afastada a decisão que negou os pedidos de restituição/compensação em razão de prescrição, os autos devem retornar à DRF de origem para nova verificação do direito creditório.
Numero da decisão: 9101-002.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em Exercício), ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS ANTÔNIO NEPOMUCENO FEITOSA, LUIS FLÁVIO NETO, CRISTIANE SILVA COSTA.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ART. 62, §2º, DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Pedido de Restituição apresentado em 17/06/1999, cumulado com Pedidos de Compensação apresentados em 01/07/1999, 02/07/1999, 02/08/1999 e 10/08/1999. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso em tela, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Afastada a decisão que negou os pedidos de restituição/compensação em razão de prescrição, os autos devem retornar à DRF de origem para nova verificação do direito creditório.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10880.018030/99-81
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5643674
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.408
nome_arquivo_s : Decisao_108800180309981.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 108800180309981_5643674.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em Exercício), ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS ANTÔNIO NEPOMUCENO FEITOSA, LUIS FLÁVIO NETO, CRISTIANE SILVA COSTA.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6514418
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692036993024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.018030/9981 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.408 – 1ª Turma Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria Prescrição de Direito Creditório Recorrente FOSBRASIL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ART. 62, §2º, DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Pedido de Restituição apresentado em 17/06/1999, cumulado com Pedidos de Compensação apresentados em 01/07/1999, 02/07/1999, 02/08/1999 e 10/08/1999. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC (art. 62A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso em tela, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 80 30 /9 9- 81 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 3 2 Afastada a decisão que negou os pedidos de restituição/compensação em razão de prescrição, os autos devem retornar à DRF de origem para nova verificação do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento com retorno dos autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurelio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em Exercício), ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS ANTÔNIO NEPOMUCENO FEITOSA, LUIS FLÁVIO NETO, CRISTIANE SILVA COSTA. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual a contribuinte alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à prescrição de direito creditório reivindicado em pedido de compensação apresentado antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10196.657, de 16/04/2008, por meio do qual a antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu manter a negativa do direito creditório reivindicado pela contribuinte, em razão de sua prescrição. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1993 Ementa: RESTITUIÇÃO — RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR — PERDA DE DIREITO DE PEDIR — PRAZO. No caso de recolhimento de tributo efetuado a maior ou indevidamente, o prazo prescricional a ser aplicado é o resultante da combinação dos artigos 168, I e 165, I do CTN, que estabelecem que o direito de pleitear restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos a contar da data de extinção do crédito. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 4 3 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM es membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior (Relator), Valmir Sandri e José Ricardo da Silva, termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, especificamente quanto à prescrição de direito creditório reivindicado em pedido de compensação apresentado antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos a seguir: DA DIVERGÊNCIA INTERPRETATIVA DE LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA os recursos nºs 138.254, 126.536 e 136.489, apreciados e julgados pelo Terceiro Conselho de Contribuintes demonstram a total divergência com o julgado hostilizado: Recurso nº 138.254, Acórdão nº 30239.497 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Período de apuração: 01/09/1989 a 30/11/1991. FINSOCIAL RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA. No caso de lançamento por homologação, sendo esta tácita, na forma da lei, o prazo decadencial só se inicia a pós decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a Partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. Recurso nº 126.536, Acórdão nº 30238.665 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Período de apuração: 01/05/1989 a 31/05/1990, 01/10/1990 a 30/04/1992. Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão do julgado sobre ponto a que devia se pronunciar, cabível a apresentação de embargos de declaração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a repetição de indébito é de 10 (dez) anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e, de 5 (cinco) anos a contar da Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 5 4 homologação, se esta for expressa. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO ACOLHIDOS. Recurso nº 136.489, Acórdão nº 30238.947 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições. Período de Apuração: 01/02/1990 a 31/03/1992. Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA. No caso de lançamento por homologação, sendo está tácita, na forma da lei, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. DO MÉRITO em 17/06/1999, a recorrente apresentou, perante a Secretaria da Receita Federal, pedido de restituição de valores indevidamente recolhidos a título de CSLL no ano de 1993. concomitantemente a esse pedido de restituição, a recorrente apresentou pedidos de compensação de seu crédito com débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ; o cerne da questão consiste em desvendar a correta interpretação dos dispositivos do Código Tributário Nacional atinentes ao prazo para o pleito de restituição de tributos recolhidos indevidamente, para que então se possa verificar se o Pedido de Restituição da recorrente foi tempestivamente protocolado perante a Secretaria da Receita Federal; devese observar, de início, as regras dispostas nos artigo 168 e 165 do citado diploma legal, in verbis: [...]; nos casos de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, o termo inicial do prazo de 5 (cinco) anos para o pleito de restituição é a data da extinção do crédito tributário; sucede que, em se tratando a CSLL de tributo sujeito a lançamento por homologação, o crédito tributário não se extingue na data do pagamento antecipado, mas apenas na data da homologação expressa ou tácita do lançamento; é o que se depreende do disposto no artigo 150, §4º, do CTN: [...]; o art. 156, VII, do CTN mantém absoluta coerência com o dispositivo anterior: [...]; na espécie tributária em questão, para que ocorra a extinção do crédito tributário e conseqüentemente se inicie o prazo para o pleito de restituição, a lei exige a Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 6 5 homologação do lançamento pela Autoridade Administrativa, que, não sendo expressa, será tácita 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador; o prazo para o pleito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, crescidos de mais 5 (cinco) anos, contados da data da homologação expressa ou tácita do lançamento; conforme se depreende das ementas a seguir transcritas sobre a matéria objeto do presente recurso especial, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento acerca do prazo prescricional de tributos sujeitos a lançamento por homologação; o próprio STJ já consignou, ao contrário do entendimento dos doutos conselheiros que votaram contra o provimento do recurso voluntário da recorrente, que a matéria em digladio é de cunho modificado, e não meramente interpretativa: TRIBUTÁRIA. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO. LC Nº 118/2005. ART. 3º. NORMA DE CUNHO MODIFICADOR E NÃO MERAMENTE INTERPRETATIVA. INAPLICAÇÃO RETROATIVA. ENTENDIMENTO DA 1ª SEÇÃO. [...] (EREsp no 652494/CE, relator Ministro José Delgado, Primeira Seção, DJU de 24.10.2005, pág. 162). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE CONFIGURADA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 1. Demonstrada a obscuridade, deve o recurso de embargos de declaração ser acolhido para integrar o acórdão. 2. Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito é de 10 (dez) anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e, de 5 (cinco) anos a contar da homologação, se esta for expressa. [...] (STJ 2ª Turma Edcl no REsp 496691/SP Rel. João Otávio de Noronha DJU 19/12/2006). como se vê, o Poder Judiciário, ao aplicar os dispositivos legais objeto do presente apelo, pacificou o entendimento de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior, é de 10 (dez) anos, sendo 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, acrescidos de mais 5 (cinco) anos, contados da homologação expressa ou tácita do lançamento; a recorrente requer o conhecimento e provimento do presente recurso especial a fim de reformar o julgado proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e conseqüentemente, reconhecer o direito da Recorrente de restituir/compensar os tributos objeto do presente apelo, haja vista não ter decorrido in albis o prazo prescricional previsto pela legislação tributária. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 211, exarado em 18/12/2009, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 7 6 [...] O recurso está manejado quanto à(s) seguinte(s) matéria(s): Prazo para pleitear a restituição de indébito. A câmara recorrida entendeu que o prazo é de 5 anos contados do recolhimento. [...] No acórdão n° 30238665, trazido como paradigma, entendeu a 3ª Câmara do 3CC que o prazo é de 10 anos (5 +5) Satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade DOU seguimento ao recurso especial. Em 18/03/2010, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 23/03/2010 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: o pedido de restituição data de 17/06/99, fls. 01, e o de compensação de 02/07/99, fls. 40, relativos aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1993, fls. 11, darfs às fls. 12/19; a União entende correto o posicionamento adotado no acórdão que foi objeto de recurso pelo contribuinte com base nos artigos 165, caput e inciso I, c/c 168, caput e inciso I, 156, inciso I, todos do CTN e 3° e 4º da Lei Complementar 118/05; o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência dos artigos 165, caput e inciso I, 168, caput e inciso I, e 156, inciso I, do CTN; o pedido de restituição foi protocolado em 17/06/99, quando já ultrapassados os 5 (cinco) anos do pagamento do tributo (ano de 1993); a interpretação defendida no presente recurso merece, inclusive, amparo legal (art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005); com o advento da norma supramencionada, sepultouse, definitivamente, a controvérsia sobre o tema, sendo, a partir de então, indefensável considerar como dies a quo outra circunstância que não o pagamento antecipado; ressaltese que o art. 3° da LC nº 118/2005 se aplica, inclusive, a ato ou fato pretérito, pois, nos termos do art. 106, inciso I, do CTN, tratase de norma expressamente interpretativa, conforme preceitua o art. 4° da mesma lei; é de rigor, diante do exposto, a aplicação dos dispositivos legais já citados para se considerar que o termo inicial da prescrição do direito de restituição é a data do pagamento indevido; esse posicionamento já se encontra pacificado no STJ, e foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC, vejase: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 8 7 Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...). a tese ora defendida encontra precedentes na Câmara Superior de Recursos Fiscais: AC 04.00810 — 4ª Turma da CSRF Sessão: 03 de março de 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). AC930300.080 — 3ª Turma da CSRF Sessão: 07 de julho de 2009 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. interpretação diversa resultaria em insegurança jurídica sobrelevada, eis que tornaria indefinido o termo inicial do prazo decadencial do pedido de restituição. Ora, se o termo inicial do prazo fosse indefinido, possibilitarseia ao contribuinte pleitear a devolução de indébitos tributários no momento em que quisesse, mesmo que os pagamentos tivessem ocorrido 50, 100 ou 200 anos atrás; sem as normas que extinguem direitos pelo decurso de prazo, as relações jurídicas não teriam fim, o que é absolutamente impróprio à vida em sociedade. Nessa esteira, caberia ao contribuinte pleitear a repetição do indébito tributário em tempo hábil, mas não o fez; recordese que o Ato Declaratório de n.° 096, de 26 de novembro de 1999, editado pela Secretaria da Receita Federal, é expresso ao dispor que o direito à restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, verbis: [...]; por conseguinte, extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe ao sujeito passivo requerer a sua restituição no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido, excluindose qualquer outro termo inicial de contagem, consoante disposto nos arts. 3° e 4° da LC 118/05 e 165, caput e inciso I, c/c 168, caput e inciso I e 156, inciso I, todos do CTN; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 9 8 a explicitação legal dada pela LC 118/05 — que pareceria desnecessária, pois nada mais fez que ordenar o surgimento de uma sabidamente indispensável interpretação sistemática do CTN — veio exatamente para consolidar a leitura adequada dos dispositivos em tela em meio à conhecida vacilação jurisprudencial quanto ao tema; de igual modo, em relação a problemas que emergem do caso presente, a Súmula Vinculante n° 8 repele o uso de teses que encampem valor uma vez esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, e fazse referência especial à chamada tese dos 5 mais 5, inclusive no que se refere à contribuição devida a terceiros; assim, prescrito está o direito de autor visto que pleiteado além do quinquênio legal; diante do exposto, com base nas razões invocadas, requer a União que essa Colenda Câmara Superior negue provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A contribuinte suscitou divergência de interpretação da legislação tributária em relação à decisão que considerou prescrito o direito creditório por ela reivindicado em pedidos de restituição/compensação apresentados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. Ela busca a reforma do acórdão recorrido, para que prevaleça o entendimento de que o prazo prescricional para os pedidos de restituição/compensação formulados antes do advento da LC n° 118/05 é de 10 (dez) anos. O pedido de restituição foi protocolizado em 17/06/1999, e diz respeito a recolhimento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no anocalendário de 1993, declarado na DIPJ de 1994, no montante original de R$ 292.709,64. A partir desse pedido de restituição, a contribuinte protocolizou pedidos de compensação em 01/07/1999, 02/07/1999, 02/08/1999 e 10/08/1999, e essas compensações não foram homologadas com base no entendimento de que teria havido a prescrição do direito creditório em 31/12/1998. A divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação. O acórdão recorrido aplicou o prazo de cinco anos contados da data do recolhimento considerado indevido ou a maior. Como os pedidos de restituição/compensação foram apresentados após 31/12/1998, considerouse que o direito creditório estava atingido pela prescrição. Os paradigmas aplicam a chamada tese dos "cinco mais cinco" para pedidos de restituição/compensação formalizados antes da entrada em vigor da LC nº 118/2005. Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621 Rio Grande do Sul, Relatora Exma. Ministra Ellen Gracie, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.269.570 Minas Gerais, Relator Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 11 10 O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Tese dos 5 + 5. O referido acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 12 11 ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Segue a ementa do mencionado acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi prolatado após a decisão do STF: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (Grifos no original) O entendimento acima foi inclusive sumulado por este Tribunal Administrativo conforme a seguir: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10880.018030/9981 Acórdão n.º 9101002.408 CSRFT1 Fl. 13 12 Como o pedido de restituição foi apresentado em 17/06/1999, antes portanto de 09/06/2005, a contribuinte tinha o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição do tributo pago indevidamente ou a maior. Os reivindicados indébitos referemse a fato gerador ocorrido em 31/12/1993 e, assim, eles não estavam atingidos pela prescrição na data da apresentação do pedido de restituição, e nem nas datas de apresentação dos pedidos de compensação. Do exposto, voto por DAR provimento ao recurso especial da contribuinte, para afastar a negativa dos pedidos de restituição/compensação fundamentada na prescrição do indébito, devendo os autos retornarem à DRF de origem para nova verificação do direito creditório. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 255DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
score : 1.0
Numero do processo: 13882.720395/2013-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. CONDIÇÕES CUMULATIVAS. DATA DE INÍCIO.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. CONDIÇÕES CUMULATIVAS. DATA DE INÍCIO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13882.720395/2013-57
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5643373
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.523
nome_arquivo_s : Decisao_13882720395201357.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 13882720395201357_5643373.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6511146
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692041187328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2015; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 91 1 90 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13882.720395/201357 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.523 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2016 Matéria IRPF Recorrente CIRILO DE OLIVEIRA NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. CONDIÇÕES CUMULATIVAS. DATA DE INÍCIO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 72 03 95 /2 01 3- 57 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13882.720395/201357 Acórdão n.º 2202003.523 S2C2T2 Fl. 92 2 Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), fl. 67, complementandoo ao final: Tratase de impugnação protocolizada pelo interessado contra Lançamento de Ofício nº 2011/814739823025997 relativo ao Exercício de 2011 Ano Calendário 2010 que resultou em crédito tributário no montante de R$ 5.932,94 , sendo R$ 3.048,79 de Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (código de receita 2904), R$ 2.286,59 de Multa de Ofício e de R$ 597,56 de juros de Mora, calculados até 28/06/2013, conforme Notificação de Lançamento fls. 17/22. A Descrição dos fatos e o Enquadramento Legal encontramse detalhados nos Demonstrativos de fls. 18/20, versando sobre as infrações de Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, Dedução Indevida com Dependentes e Dedução Indevida com Despesas de Instrução. O contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento em 12/07/2013 de acordo com o Aviso de Recebimento de fl. 24, tendo sido protocolizada a impugnação de fls. 02/06 em 08/08/2013 onde consta em síntese o seguinte: que o contribuinte: “...solicitar junto ao Perito a emissão de novo Laudo, que expressasse a verdade de forma clara, objetiva e contundente, afirmando taxativamente que o requerente, examinado é portador de nefropatia grave, desde janeiro de 2008, conforme consta do novo Laudo anexo.” o contribuinte anexa aos autos exames laboratoriais que demonstram a “evolução da doença desde a citada data, repito 2005, onde se analisa os níveis de triglicerídeos, uréia e creatinina.” afirma que não omitiu o valor de (R$ 124.960,20) , e que o mesmo seria isento de imposto, e foi devidamente lançado corretamente em sua DIRPF Retificadora nº 02, sob a rubrica Rendimentos Isentos e Não Tributáveis – Proventos de Aposentadoria por Moléstia Grave. que “pelas considerações acima, mediante a plena isenção dos valores recebidos, tornaramse insubsistentes as Declarações dos Fatos e Enquadramento Legal constantes nas .... Omissão de Rendimentos do Trabalho..., Dedução Indevida com Dependentes..., Dedução Indevida com Despesas de Instrução...” o contribuinte solicita o cancelamento do débito fiscal reclamado, bem como a devolução integral do imposto de renda retido na fonte do referido exercício 2011 ao montante de R$ 16.984,16 devidamente corrigido, conforme DIRPF Retificadora nº 02 transmitida em 02/04/2013. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13882.720395/201357 Acórdão n.º 2202003.523 S2C2T2 Fl. 93 3 O interessado anexou aos autos as cópias de documentos constantes das fls. 12/15, 41, 50/53. A 19ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I/RJ analisou a manifestação de inconformidade concluindo, em resumo, pela improcedência da impugnação, nos seguintes termos: a) não consta do Laudo Médico Pericial de fl. 12, que o impugnante seja portador de alguma das moléstias listadas pela legislação anteriormente disposta. Desta forma, não coexistem os dois requisitos cumulativos necessários ao reconhecimento da Isenção, a doença grave especificada em lei (NÃO), e a natureza de proventos de aposentadoria (SIM). Dessa forma, concluise que os rendimentos no valor de R$ 124.960,20 não são isentos de tributação pelo imposto de renda, procedendo, dessa forma, o Lançamento efetuado pelo Fisco. b) o contribuinte não anexou aos autos nenhum documento que respaldasse legalmente a intenção de ter seus netos (Guilherme Augusto de Oliveira Figueira e Ana Rita de Oliveira Figueira) como seus dependentes. Deve ser mantida a glosa no valor de R$ 5.424,84 a título de Dedução Indevida com Dependentes constante na fl. 19, da Notificação de Lançamento. c) deve ser mantida a glosa no valor de R$ 5.661,68 a título de Dedução Indevida com Despesas de Instrução constante na fl. 20. Cientificado dessa decisão em 25 de novembro de 2013 (fl. 77), o contribuinte interessado apresentou Recurso voluntário em 26 de dezembro de 2013 (protocolo na folha 78). Em sede de recurso, nada diz a respeito da glosa de despesas, concentrando se apenas em demonstrar que seus rendimentos seriam integralmente isentos, por ser portador de moléstia grave desde janeiro de 2008. Reconhece que a "semântica contida nos termos utilizados e expressos no laudo médico pericial do SUS" não expressa o termo "nefropatia grave" e por isso providencia descrição de sua moléstia por especialista, a ser corroborada por laudo do médico do SUS que diz que será apresentado assim que aquele serviço médico municipal retornar a suas atividades. Posteriormente, em 29 de janeiro de 2014, foi apresentado o documento intitulado "Laudo Médico Pericial", que consta da folha 85. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. O contribuinte recebeu os seguintes rendimentos, conforme discriminado na Notificação de Lançamento: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13882.720395/201357 Acórdão n.º 2202003.523 S2C2T2 Fl. 94 4 “Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 124.960,20 recebido(s) pelo titular e/ou dependente(s), da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00.”(fl. 18) A omissão de rendimentos apurada na Notificação de Lançamento foi no exato valor dos rendimentos declarados como isentos, de R$ 124.960,20. Assim, não houve outros rendimentos além desses. Reconsiderando os rendimentos declarados isentos como tributáveis, a Autoridade Lançadora passou a analisar as deduções da base de cálculo pleiteadas na DIRPF, efetuando glosas nas deduções com dependentes e despesas com instrução de dependente. Ao considerar que o laudo médico oficial (fl. 12) não enquadrava literalmente a moléstia da qual sofre o contribuinte dentre aquelas elencadas em lei concessiva da isenção, a DRJ analisou as glosas de deduções e considerouas procedentes. Em sede de recurso o contribuinte não se preocupa em questionar a manutenção das glosas, mas tão somente insiste em ser portador de moléstia grave (nefropatia grave), desde janeiro de 2008, o que lhe conferiria direito à isenção de imposto de renda sobre seus rendimentos e, portanto, a discussão sobre as deduções tornarseia inócua, no caso. DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaquei) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13882.720395/201357 Acórdão n.º 2202003.523 S2C2T2 Fl. 95 5 É de ser observada também a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. A isenção, portanto, passa a ser reconhecida a partir da existência cumulativa desses dois requisitos. A DRJ já reconhecera o preenchimento da condição de serem os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão e seu complemento, à vista da "carta de concessão de benefício" , expedida pelo INSS, com cópia na folha 52. A controvérsia reside, então, na questão do laudo. O médico particular emitiu laudo complementar, com cópia na folha 81, onde se lê que o contribuinte encontrase em "tratamento dialítico para nefropatia grave desde janeiro de 2008". Destaco que o contribuinte, desde a fase impugnatória, vem tentando sustentar ser portador da mesma moléstia, com a apresentação de laudos e atestados. Assim, não se pode considerar que inovou em suas alegações ou que apresentou documentos "novos" após a impugnação. Na decisão de 1ª instância a DRJ tornou bem clara a exigência da literalidade do dispositivo que concede a isenção. Além disso, o recurso foi apresentado dia 26 de dezembro, um dia após o Natal, e bastante razoável a alegação de que não poderia acessar o serviço médico oficial do município (SUS) naquele período. Dessa feita, entendo que deva ser aceito e considerado o documento apresentado após o recurso, que já fora mencionado no mesmo, cuja cópia encontrase na folha 88, aplicando o disposto no artigo 16, § 4º, alíneas "a" e "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. A razão para que a lei conceda isenção a portadores de determinadas moléstias é o sofrimento e a despesa adicional que seus tratamentos provocam, especialmente àqueles que recebem apenas proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. No laudo médico, o perito do SUS expressamente menciona que o contribuinte "se encontra em tratamento dialítico (CAPD) para Nefropatia Grave desde janeiro de 2008. Estágio 5" CONCLUSÃO Bem, entendo que o perito do SUS, ratificando o atestado particular, expressamente enquadrou a doença do paciente como "nefropatia grave" para fins de isenção do imposto de renda, a partir de janeiro de 2008, atendendo o requisito do "laudo médico oficial", e que os proventos recebidos no ano de 2010, pelo contribuinte, foram decorrentes de "aposentadoria ou seu complemento, reforma ou pensão", portanto, estão isentos do imposto e, em consequência, desnecessário discutir sobre deduções da base de cálculo, e VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Fl. 95DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13882.720395/201357 Acórdão n.º 2202003.523 S2C2T2 Fl. 96 6 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 96DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 23034.000622/95-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1984 a 31/10/1994
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO DA MATÉRIA OBJETO DE AUTUAÇÃO PERANTE O PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 1.
Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA DE MORA IMPOSTA CONTRA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO (MUNICÍPIO)
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é órgão competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados.
Numero da decisão: 2301-004.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos: (a.1) não conhecer do recurso voluntário em relação aos questionamentos feitos sobre o salário-educação incidente sobre as parcelas não integrantes do salário de contribuição, descritas no item (ii) do relatório, dada a renúncia da discussão na esfera administrativa; (a.2) reconhecer os efeitos da decadência atinente aos períodos anteriores aos meses de competência fevereiro/1990 (inclusive); (b) pelo voto de qualidade, manter o lançamento das demais parcelas; vencidos nessa questão o relator e as conselheiras Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1984 a 31/10/1994 RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO DA MATÉRIA OBJETO DE AUTUAÇÃO PERANTE O PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 1. Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA DE MORA IMPOSTA CONTRA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO (MUNICÍPIO) Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é órgão competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 23034.000622/95-16
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5642899
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Oct 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.799
nome_arquivo_s : Decisao_230340006229516.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FABIO PIOVESAN BOZZA
nome_arquivo_pdf_s : 230340006229516_5642899.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos: (a.1) não conhecer do recurso voluntário em relação aos questionamentos feitos sobre o salário-educação incidente sobre as parcelas não integrantes do salário de contribuição, descritas no item (ii) do relatório, dada a renúncia da discussão na esfera administrativa; (a.2) reconhecer os efeitos da decadência atinente aos períodos anteriores aos meses de competência fevereiro/1990 (inclusive); (b) pelo voto de qualidade, manter o lançamento das demais parcelas; vencidos nessa questão o relator e as conselheiras Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6509164
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692053770240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 273 1 272 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 23034.000622/9516 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.799 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO AO SALÁRIOEDUCAÇÃO Recorrente BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1984 a 31/10/1994 RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO DA MATÉRIA OBJETO DE AUTUAÇÃO PERANTE O PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 1. Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA DE MORA IMPOSTA CONTRA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO (MUNICÍPIO) Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é órgão competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. O SalárioEducação previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos: (a.1) não conhecer do recurso voluntário em relação aos questionamentos feitos sobre o salárioeducação incidente sobre as parcelas não integrantes do salário de contribuição, descritas no item (ii) do relatório, dada a renúncia da discussão na esfera administrativa; (a.2) reconhecer os efeitos da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 06 22 /9 5- 16 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 decadência atinente aos períodos anteriores aos meses de competência fevereiro/1990 (inclusive); (b) pelo voto de qualidade, manter o lançamento das demais parcelas; vencidos nessa questão o relator e as conselheiras Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves. Relatório A partir do procedimento de fiscalização descentralizada promovido pelo Instituto Nacional do Segura Social – INSS na agência bancária do ora Recorrente localizada no Município de São José do Rio Pardo/SP, detectouse a ausência de recolhimento da contribuição social do salárioeducação, devida ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE (fls. 49). Tão logo comunicado do fato, o FNDE providenciou o lançamento de ofício da contribuição do salárioeducação, com fundamento no Decretolei nº 1.422/75, por meio da emissão da Notificação para Recolhimento de Débito – NRD nº 072/95, abrangendo os períodos de apuração compreendidos entre janeiro/1984 e outubro/1995. A base de cálculo da contribuição lançada foi formada por duas verbas (fls. 413): (i) salário de contribuição constante das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias; e (ii) parcelas que não integraram o salário de contribuição, como ajuda de custosupervisor, prêmio produtividade Banespa, licençaprêmio, gratificação 1º e 2º semestres, reembolso de despesas com creche, reembolso de despesa com babá, ajuda de custo com aluguel, ajuda transportedias repouso, ajuda de custo alimentação. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.000622/9516 Acórdão n.º 2301004.799 S2C3T1 Fl. 274 3 O Recorrente tomou ciência da Notificação para Recolhimento de Débito em 24/03/1995 (fls. 1415). Inconformado, o Recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Secretário Executivo do FNDE, com suporte em parecer da procuradoria do órgão (fls. 101117). Ainda inconformado, o Recorrente interpor recurso dirigido ao Conselho Deliberativo do FNDE, alegando o decurso do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Subsidiariamente, solicita o sobrestamento do feito até a conclusão da discussão mantida com o INSS acerca do lançamento de contribuições previdenciárias sobre as verbas descritas no item (ii) supra (NFLD 31.901.9390). O pedido de sobrestamento foi deferido (fls. 133136). Além disso, consta dos autos que o Recorrente ajuizou em face do INSS e do FNDE a Ação Ordinária nº 2005.34.00.0248657 perante a 13ª Vara Federal na Seção Judiciária do Distrito Federal, com intuito de discutir a ocorrência de decadência e a validade da incidência de contribuições sociais, inclusive salárioeducação, sobre a verba descrita no item (ii). Por força do disposto nos art. 3º e 4º da Lei nº 11.457/2007, a atribuição para julgar o recurso interposto pelo Recorrente passou ser dos órgãos da estrutura do contencioso administrativo federal, ou seja, deste CARF. Em 10/07/2012, esta turma proferiu o acórdão nº 2301002.919, entendendo pelo não conhecimento do recurso, com base no art. 1º do Regimento Interno do CARF (ausência de um dos pressupostos para instauração da competência do CARF, que é analisar recurso contra decisões proferidas pela DRJ) e, ao final, encaminhou os autos a DRJ de origem para que, se fosse o caso, proferisse decisão quanto à defesa administrativa apresentada pelo notificado. Os autos foram encaminhados a DRJ para apreciação da defesa. Concluiuse que a decisão proferida pelo FNDE é plenamente válida, não havendo necessidade de prolação de nova decisão. Desse modo, os autos retornaram a este CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza O presente recurso é tempestivo (fls. 248) e, por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Da Competência do CARF para Julgamento do Recurso do Recorrente Embora o lançamento do tributo tenha ocorrido por ato do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, mediante expedição de Notificação para Fl. 275DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Recolhimento de Débito – NRD, a competência para este tribunal administrativo apreciar e julgar o recurso apresentado decorre dos art. 3º e 4º da Lei nº 11.457/2007 (os grifos são nossos): Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) § 2º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3º As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2º desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. (...) § 6º Equiparamse a contribuições de terceiros, para fins desta Lei, as destinadas ao Fundo Aeroviário FA, à Diretoria de Portos e Costas do Comando da Marinha DPC e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e a do salárioeducação. Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei. Além disso, o atual Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, estatui que: Art. 1º. Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Finalmente, há diversos precedentes emitidos pelas turmas desta 2ª Seção do CARF, reconhecendo a competência do tribunal para analisar os recursos em processos administrativos iniciados com a emissão da Notificação para Recolhimento de Débito – NRD pelo FNDE. Apenas para ilustrar, merecem ser citados os seguintes julgados: acórdão nº 2808 002.932, de 21/01/2014; acórdão nº 2301003.556, de 19/06/2013; acórdão nº 2402002.602, de 17/04/2012; acórdão nº 2302002.401, de 14/03/2013; acórdão nº 2803003.827, de 05/11/2014; acórdão nº 2803003.733, de 09/10/2014; acórdão nº 2401003.986, de 10/12/2015. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.000622/9516 Acórdão n.º 2301004.799 S2C3T1 Fl. 275 5 Da Renúncia Parcial à Discussão na Esfera Administrativa em razão do Ajuizamento de Ação Judicial O Recorrente ajuizou em face do INSS e do FNDE a Ação Ordinária nº 2005.34.00.0248657 perante a 13ª Vara Federal na Seção Judiciária do Distrito Federal, com intuito de discutir a ocorrência de decadência e a validade da incidência de contribuições sociais, inclusive salárioeducação, sobre a verba descrita no item (ii) do Relatório. O objeto da referida ação judicial pode ser comprovado pela decisão judicial juntada pelo Recorrente aos autos às fls. 208212: Afirma o agravante, Banco do Estado de São Paulo S.A Banespa, em resumo, que o objeto da ação anulatória consiste em matéria apenas de direito, qual seja, (i) a ocorrência parcial da decadência, a qual pode ser aferida através de um mero perpassar de olhos pelas NFLDs anexas à petição inicial, (ii) a natureza não salarial das verbas autuadas, a qual independe de prova para sua averiguação e encontrase pacificada pela jurisprudência pátria, e (iii) o pagamento dos débitos referentes às contribuições previdenciárias relativas a contribuição ao salárioeducação no período de janeiro de 1.991 a dezembro de 1991 e de novembro de 1992 a dezembro de 1992 (NFLD 533/95) de forma centralizada, a qual pode ser depreendida das guias de recolhimento anexadas na inicial (...). Requer, assim, a concessão dos efeitos da tutela recursal, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário versado nos Procedimentos Administrativos 23034.000924/9577; 23034.00014/9580; 23034.000383/9569; 23034.000569/9527; 23034.000055/9247; 23034.000616/9513; 23034.000560/95 52; 23034.000555/9512; 23034.000622/9516; 23034.003757/9543; 116.411.633/069T05; 23034.000565/95 76, em tramite perante o Fundo Nacional de Desenvolvimento e Educação. (...) Pela documentação acostada aos autos, depreendo que os débitos apurados nos procedimentos administrativos elencados pelo agravante referemse às verbas não incluídas no recolhimento do saláriodecontribuição, no caso, licença prêmio, ajuda de custo aluguel, ajuda transporte, auxílio quilometragem, ajuda de custo alimentação, auxíliobabá, auxilio creche, ajuda de custo supervisor de contas, 13º salário relativo às rescisões contratuais, abono salarial, ajuda de custo viagem/diáriahora, prêmioprodutividade e gratificação semestral. Ora, se o conflito suscitado pelo Recorrente já foi submetido, ainda que em parte, ao crivo do Poder Judiciário, antes ou depois do lançamento de ofício, tornase despiciendo o pronunciamento da Administração Pública, nessa parte, uma vez que a decisão final e definitiva sobre a contenda caberá ao órgão jurisdicional Os fatos acima narrados conduzem, a meu ver, às seguintes consequências: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 (a) renúncia da discussão da matéria no âmbito administrativo, com transferência das questões relativas à decadência e à validade da incidência da contribuição do salárioeducação sobre a verba descrita o item (ii) do Relatório para o Poder Judiciário, nos moldes do entendimento já sumulado por este CARF e também do art. 78 do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 (grifamos): Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. (b) definitividade do lançamento de ofício com relação aos valores de principal das contribuições do salárioeducação incidentes sobre a verba descrita no item (ii) do relatório supra. Posto isso, deixo de apreciar o recurso voluntário, nessa parte. Da Decadência Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.000622/9516 Acórdão n.º 2301004.799 S2C3T1 Fl. 276 7 Quanto à parte da exigência não constante da ação judicial – incidência de contribuição do salárioeducação sobre a verba descrita no item (i) do Relatório acima – a Recorrente opõe como fato impeditivo à validade do lançamento de ofício o transcurso do prazo legal de decadência. Na espécie, por se tratar de contribuição do salárioeducação exigida sob a égide do Decretolei nº 1.422/75, algumas particularidades decorrentes da respectiva natureza jurídica, ostentada antes e depois da promulgação da Constituição Federal de 1988, devem ser enfrentadas. Primeiro, merece destaque o entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da cobrança da contribuição do salárioeducação tanto no regime da Carta de 1969, quanto no regime da Constituição Federal de 1988, constante da Súmula STF nº 732 e do Recurso Extraordinário nº 660.933, julgado sob o regime de repercussão geral. Segundo, a consagração da natureza nãotributária da contribuição do salárioeducação exigida entre a Emenda Constitucional nº 8/77 e a promulgação da Constituição Federal de 1988, constante dos Recursos Extraordinários nº 290.079, 272.872 e 458.905. Não obstante isso, é interessante notar que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a respeito da contagem do prazo decadencial sobre os lançamentos da contribuição do salárioeducação, encontrase consolidada. Qualquer que seja o período de apuração – antes ou depois da Constituição Federal de 1988 – aplicase o regime jurídico de decadência previsto no CTN, conforme restou estatuído no julgamento dos Embargos de Divergência no RESP nº 202.203, pela 1ª Seção do STJ, em 18/12/2000. Para ilustrar a jurisprudência do STJ, colacionase o seguinte trecho da ementa do Recurso Especial nº 919.123, julgado pela 1ª Turma, em 21/06/2007 (os grifos são nossos): TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. PRECEDENTES. (...) 3. A jurisprudência deste Tribunal revelase uníssona em admitir o prazo decadencial de 5 anos para a constituição de créditos de contribuições sociais, nos termos em que disciplina o art. 173, I, do CTN, mesmo em período anterior à Carta Política de 1988. 4. Nesse sentido: "2. Posição jurisprudencial da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que ocorre em cinco anos o prazo decadencial para exigir o pagamento de contribuições previdenciárias com fato gerador compreendido entre o início da vigência da EC nº 8, de 14/04/1977, e a vigência da Lei nº 6.830/80, de 24/12/1980. 3. Consolidada pela decadência está a dívida de contribuições previdenciárias relativas ao período de fevereiro/1974 e dezembro/1979, quando os créditos só foram constituídos em novembro/1985. 4. Adoção do princípio da continuidade das leis. Prazo decadencial do Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 lançamento de ofício (art. 173, I, do CTN). Decadência regida pelo art. 174, do CTN." (EREsp 202203/MG). Consequentemente, ao aplicar às contribuições do salárioeducação todo o regime tributário relativo ao prazo de decadência para a constituição do crédito: – o prazo decadencial será de cinco anos (e não de dez anos, como pretendido pelos art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, em função da declaração de inconstitucionalidade veiculada pela Súmula Vinculante nº 08): Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. – nos tributos sujeitos a lançamento por homologação (que é o presente caso), o prazo decadencial será contado a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, CTN), dada a existência de cópia dos comprovantes de pagamento do tributo, acostados aos autos do processo às fls. 2481. Enfim, considerando que a Recorrente somente tomou ciência da NRD em 24/03/1995 e que existem comprovantes de pagamento do tributo, considero que todos os lançamentos de ofício incidentes sobre a verba descrita no item (i) do relatório supra, efetuados anteriormente aos meses de competência fevereiro/1990 (inclusive) devem ser cancelados, por se encontrarem decaídos. Da Alegação de Pagamento Com relação às exigências remanescentes, isto é, aquelas incidentes sobre a verba descrita no item (i) do Relatório, constituídas a partir de março/1990 (inclusive), falta confrontálas com os guias de recolhimento constantes das fls. 2481. Entretanto, há duas informações importantes a considerar. Primeiro, o lançamento efetuado pelo FNDE, objeto do presente processo administrativo, diz respeito à contribuição apenas de uma filial do Recorrente, e não à contribuição devida pela empresa toda. A impugnação e o recurso esclarecem que os comprovantes de recolhimento juntados referemse à contribuição do salárioeducação incidente sobre o salário de contribuição de todos os seus empregados, inclusive os da agência autuada (fls. 19 e 126): De salientar, ainda, que as guias de contribuições devidas ao FNDE, que ora se juntam, constituemse do montante geral da Administração Geral do Banco Suplicante, envolvendo, portanto, a Agência de SÃO JOSÉ DO RIO PARDO, injustamente autuada. O Decreto nº 87.043, de 22/03/1982, que dispunha sobre a exigência do salárioeducação à época dos fatos, asseverava ser a empresa, não havendo qualquer menção às filiais: Art. 1º. As empresas comerciais, industriais e agrícolas são obrigadas a manter o ensino de 1º grau gratuito para seus empregados e para os filhos destes, entre os sete e quatorze anos, ou a concorrer para esse fim, mediante a contribuição do SalárioEducação. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.000622/9516 Acórdão n.º 2301004.799 S2C3T1 Fl. 277 9 Art. 2º. O SalárioEducação, previsto no artigo 178 da Constituição, instituído pela Lei nº 4.440, de 27 de outubro de 1964,e reestruturado pelo Decretolei nº 1.422, de 23 de outubro de 1975, é uma contribuição patronal devida pelas empresas comerciais, industriais e agrícolas e destinada ao financiamento do ensino de 1º grau dos empregados de qualquer idade, e dos filhos destes, na faixa etária dos sete aos quatorze anos, suplementando os recursos públicos destinados à manutenção e ao desenvolvimento desse grau de ensino. Parágrafo único. Consideramse empresas, para os efeitos desta regulamentação, em relação à Previdência Social, Urbana e Rural, respectivamente: I – O empregador, como tal definida no artigo 2º da Consolidação das Leis do Trabalho e no artigo 4º da Lei nº 3.807, de 26 de agosto de 1960, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 5.890, de 08 de junho de 1973. II – A empresa, o empregador e o produtor rurais, como tal definidos no Estatuto da Terra, item VI do artigo 4º da Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, no parágrafo primeiro do artigo 1º da Lei nº 6.260, de 06 de novembro de 1975 e no item "b" do parágrafo primeiro do artigo 3º da Complementar nº 11, de 25 de maio de 1971, dos quais; se origine o produto rural mencionado no parágrafo 1º do artigo 15 da Lei complementar nº 11, de 25 de maio de 1971. III – Todas as demais empresas e entidades públicas, sociedades de economia mista e empresas privadas, vinculadas à Previdência Social. Art. 3º. O SalárioEducação é estipulado com base no custo de ensino de 1º grau, cabendo a todas as empresas vinculadas à Previdência Social, Urbana e Rural, respectivamente, recolher: I 25% (dois e meio por cento) sobre a folha de salário de contribuição, definido na legislação previdenciária, e sobre a soma dos saláriosbase dos titulares, sócios e diretores, constantes dos carnês de contribuintes individuais. II 0,8% (oito décimos por cento) sobre o valor comercial dos produtos rurais definidos no parágrafo 1º do artigo 15, da Lei Complementar nº 11, de 25 de maio de 1971. § 1º A incidência do SalárioEducação sobre os valores dos saláriosbase de titulares, sócios e diretores somente ocorrerá quando houver contribuições para o Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social, em virtude de pagamentos pelas empresas a empregados ou autônomos. § 2º O cálculo da contribuição mencionada no item I deste artigo incidirá sobre os valores da folha de salário de contribuição somados aos dos saláriosbase lançados nos carnes de contribuintes individuais, até o limite máximo de exigência das contribuições previdenciárias. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 § 3º A contribuição de 0,8% (oito décimos por cento) mencionada no item II deste artigo será adicional à fixa da no item I do artigo 15 da Lei Complementar nº 11, de 25 de maio de 1971, e deverá ser recolhida na mesma guia, nas mesmas condições e sob as mesmas sanções. § 4º As alíquotas da contribuição a que se refere este artigo poderão ser alteradas, mediante demonstração pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, da variação do custo efetivo do ensino de 1º grau. § 5º Integram a receita do SalárioEducação as multas, a correção monetária e os juros de mora a que estão sujeitos os contribuintes em atraso com o pagamento da contribuição. A meu ver, não há como negar validade aos comprovantes de recolhimentos acostados aos autos. O fato de o FNDE ter autuado apenas a agência não tem o efeito de inverter o ônus da prova, a fim de que o Recorrente fique com o encargo de comprovar que “a parte encontrase dentro do todo”. Ou seja, que os salários de contribuição relativos à agência foram incluídos no recolhimento global do salárioeducação devida pela empresa toda. E outro não é o entendimento do próprio INSS, ao ser chamado a se manifestar nos autos sobre o andamento do processo administrativo relativo às contribuições previdenciárias: – às fls. 144: b) No Quadro de Consolidação do Débito junto ao FNDE (fls. 08), verificamos que foram tomados como base de cálculo para a exigência da contribuição ao Salário Educação o 'Total de Salário de Contribuição apurado pela Fiscalização – coluna 4, daquela Informação Fiscal Considerando a finalidade para a qual foi emitida aquela IF, concluímos que os valores TOTAIS nela discriminados (Salário de Contribuição — coluna 4) não se constitui na Base de Cálculo para fins de levantamento de contribuições devidas ao Salário Educação, exceto na hipótese em que se verificar que não houve o efetivo recolhimento em Gula própria do FNDE, verificação esta de encargo do próprio FNDE em função do Convénio firmado. – às fls. 147: d) Informamos ainda que no Quadro de Consolidação do Debito do FNDE (fls 08) a mesma tomou como Base de Cálculo para apuração da contribuição ao Salário Educação o "Total de Salário de Contribuição da empresa apurado pela fiscalização" (coluna 4), enquanto que o correto seria os valores constantes na (coluna 3) 'Parcelas que não integraram a BCBase Cálculo e que originou NFLDNotificação Fiscal de Lançamento de Debito". – às fls. 149: As bases de Cálculo para se exigir a contribuição do Salário Educação seriam as constantes da coluna 03 (Parcelas que não integraram BC e que originou N.F.L.D.) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.000622/9516 Acórdão n.º 2301004.799 S2C3T1 Fl. 278 11 e tão somente para o período de 01/85 a 10/94, pois as contribuições devidas ao Salário Educação no período de 02/94 a 12/84 encontramse incluídas na NFLD acima mencionada, em face de inexistência de convênio neste período, sendo que este, S.M.J., somente veio a ser firmado a partir de janeiro de 1.985. Por tais motivos, cancelo a exigência fiscal remanescente. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, de modo a (a) não conhecer o recurso voluntário em relação aos questionamentos feitos sobre o salárioeducação incidente sobre as parcelas não integrantes do salário de contribuição, descritas no item (ii) do Relatório, dada a renúncia da discussão na esfera administrativa em função do ajuizamento de ação judicial; e (b) excluir a exigência fiscal quanto às demais matérias, em virtude do reconhecimento dos efeitos da decadência e dos comprovantes de pagamento apresentados. É como voto. Fábio Piovesan Bozza Relator Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora. Com relação ao item "Da Alegação de Pagamento", ouso discordar do relator, uma vez que as Guias de arrecadação direta ao FNDE juntadas às efls. 24 a 81 comprovam pagamento no CNPJ do estabelecimento matriz, enquanto o lançamento referese apenas à filial de São José do Rio Pardo/SP (CNPJ nº 61.411.633/003607), portanto caberia à recorrente ter demonstrado que na base de cálculo das guias apresentadas estão incluídas as bases de cálculo da filial autuada. Ademais, conforme a informação fiscal de efls. 08, durante a fiscalização, foi constatada a falta de recolhimento de SalárioEducação de diversas filiais do Banco, não apenas da filial de São José do Rio Pardo/SP. Assim, em que pese a alegação da recorrente de que as guias de contribuições ao FNDE juntadas constituemse do montante geral do Banco, envolvendo, portanto, a Agência de São José do Rio Pardo, não houve a comprovação da composição das bases de cálculo ali especificadas. Portanto, entendo que não assiste razão à recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Andrea Brose Adolfo Redatora Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digi talmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720274/2013-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, resolvem os membros do colegiado, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone, Caio Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.720274/2013-07
anomes_publicacao_s : 201612
conteudo_id_s : 5664564
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-000.390
nome_arquivo_s : Decisao_16327720274201307.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 16327720274201307_5664564.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, resolvem os membros do colegiado, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone, Caio Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
id : 6590493
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692060061696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1124; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.755 1 1.754 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720274/201307 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1402000.390 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 04 de outubro de 2016 Assunto IRPJ Recorrentes INTERFLOAT HZ CORRETORA DE CAMBIO, TITULOS E VALORES MOBILIARIOS LTDA. FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, resolvem os membros do colegiado, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone, Caio Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 27 4/ 20 13 -0 7 Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 16327.720274/201307 Resolução nº 1402000.390 S1C4T2 Fl. 1.756 2 Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário (fls.428/461) interposto face v. acórdão que decidiu manter parcialmente as exigência descritas no Auto de Infração. Em 16.12.2103, foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2008. De acordo com o TVF, o Agente Fiscal de Rendas constatou as seguintes infrações: 1 deixou de oferecer a tributação ganhos de capital na incorporação de ações quando da criação da Nova Bolsa (Bovespa Holding). Infração 1 do Auto de Infração. Neste item, foi aplicado multa isolada relativa ao mês de maio de 2008 e multa de ofício. 2 deixou de oferecer a tributação ganhos de capital na devolução de patrimônio na desmutualização da CETIP, afastando a postergação tributária. Infração 2 do Auto de Infração. Neste item foi aplicado multa isolada relativa ao mês de julho de 2008 e multa de ofício. 3 Multa isolada devido ao não recolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base estimada em dezembro de 2008, a qual não tem relação com as outras infrações. Devidamente notificada da lavratura dos Autos de Infração, a contribuinte ofereceu impugnação de fls. 541/629 e juntou documentos de fls. 630/1447. Em seguida a DRJ de Campo Grande proferiu v. acórdão 0435.323 dando parcial procedência à impugnação, cancelando os créditos relativos as infrações dos itens 2 e 3 dos Autos de Infração, que são: 1 deixou de oferecer a tributação ganhos de capital na incorporação de ações quando da criação da Nova Bolsa (Bovespa Holding) e as respectivas multas isoladas e de ofício. 2 a multa isolada devido ao não recolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base estimada em dezembro de 2008. Afastou a tese da postergação tributária e decidiu manter a acusação relativa ao não oferecimento à tributação dos ganhos de capital na devolução de patrimônio na desmutualização da CETIP, com as respectivas multas isoladas do mês de julho de 2008 e a multa de ofício. Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 16327.720274/201307 Resolução nº 1402000.390 S1C4T2 Fl. 1.757 3 Em seguida, ocorreu a manifestação da DEINF/SP, que foi recebida como Embargos de Declaração e alterou o v. acórdão anterior, revertendo o cancelamento da multa isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base estimada em dezembro de 2008, sob o argumento de que a contribuinte não teria informado o valor correspondente em DCTF, o que impediria o respectivo reconhecimento do recolhimento. (v. acórdão 0436.118). Devido a manutenção do cancelamento dos créditos relativos a glosa do ganhos de capital na incorporação de ações quando da criação da Nova Bolsa (Bovespa Holding) e a respectiva multa isolada do mês de maio e a de ofício, foi interposto Recurso de Ofício. A contribuinte, por sua vez, inconformada com o v. acórdão, interpôs Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do restante dos créditos mantidos pela DRJ. A D. Procuradoria, ofereceu Contrarazões ao Recurso Voluntário e apresentou informações relativas ao Recurso de Ofício. Ato contínuo, a contribuinte apresenta petição ao autos (fls.1733/1736), requerendo a desistência do Recurso de Ofício, devido sua adesão ao programa de anistia do artigo 42 da Lei 13.043/2014 dos créditos relativos a infração de falta de oferecimento a tributação do ganho de capital decorrente da operação de incorporação de ações da BOVESPA Honding S.A. e respectivas multas de ofício e isolada. Em seguida foi proferido r. despacho de fls.1742/1749 informando a desistência do Recurso de Ofício e indicando quais os créditos foram pagos nos termos da anistia, formalizando processo em apartado de numero. É o relatório. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 16327.720274/201307 Resolução nº 1402000.390 S1C4T2 Fl. 1.758 4 Voto Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário trata da matéria sobre ganho decorrente da desmutualização da CETIP, das respectivas multas de ofício e isolada do mês de julho de 2008 e da multa isolada relativa a estimativa de dezembro de 2008. A Recorrente alega também a ilegalidade dos juros de mora sobre as multas aplicadas. Em relação aos lançamentos de IRPJ e CSLL sobre ganho de capital decorrente da desmutualização da CETIP, a Recorrente apenas alega nulidade do Auto de Infração devido a Fiscalização ter deixado de observar a postergação da tributação nos termos do artigo 6 do Decreto Lei n 1.598/77 e o Parecer Normativo Cosit n 02/96. Como muito bem ressaltado no v. acórdão recorrido, salientase "que não há qualquer discussão sobre a ocorrência do ganho de capital na devolução em tela. Não há lide instaurada quanto a esse ponto. A questão centrase em ter havido ou não a alegada “postergação tributária” e, em caso positivo, quanto ao tratamento a ser dado ao lançamento: nulidade ou simplesmente a cobrança dos acréscimos (multa e juros de mora) até a data em que houve o recolhimento dos tributos em face da alienação das ações recebidas pela desmutualização da Associação CETIP." Ou seja, tratase em saber se a tributação deveria ter ocorrido em julho de 2008, no momento em que houve a substituição dos títulos patrimoniais da Associação CETIP pelas ações da CETIP S.A., ou se deveria ter ocorrido nos anos de 2009 e 2011, quando houve a alienação das ações e tributação, pela Recorrente, do ganho de capital. Pois bem. Passo a votar. Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 16327.720274/201307 Resolução nº 1402000.390 S1C4T2 Fl. 1.759 5 Ao analisar os autos, notei que assiste razão a Recorrente, eis que o histórico fático demonstra que é caso de postergação da tributação. A desmutualização ocorreu em 2008, sendo que a empresa vendeu as ações em 2009 e 2011, períodos anteriores a lavratura do Auto de Infração em 2013. Sendo que apenas após a venda das ações é que a Recorrente ofereceu a tributação a receita da venda. A operação de desmutualização ocorreu em julho de 2008, com a escrituração da receita com o ganho de capital nesta data, conforme DIPJs fls.768/860, comprovantes de fls. 868/952 e Livro Razão fls.755/767. Posteriormente, em 2009 e 2011, antes da lavratura do Auto de Infração em 2013, a Recorrente alienou as ações e ofereceu à tributação os respectivos ganhos. Sendo assim, entendo que a Recorrente não deixou de oferecer à tributação ganhos de capital na devolução de patrimônio na desmutualização da CETIP, conforme alegado pela Fiscalização, tendo apenas oferecido em momento posterior. A Recorrente demonstra às fls. 1679 o histórico do registro dos montantes relativos a escrituração da receita até o momento da venda, onde restou apontado e comprovado que além de ter oferecido a receita à tributação, também ocorreu a postergação do recolhimento do IRPJ e da CSLL. Desta forma, entendo que restou incontroverso a postergação da tributação nos termos do artigo 6 do Decreto Lei 1.598/77 e o Parecer Normativo Cosit 2/96; entretanto, verifico ser necessário converter o julgamento em diligência, para que a autoridade local elabore Relatório Circunstânciado, apontando se o imposto recolhido à época da alienação das ações (2009 e 2011) e oferecido a tributação, juntamente com o valor recolhido a maior de R$ 19.464,90 (fls.1679), é suficiente para quitar os acréscimos legais. Em seguida, notifique a Recorrente para que, no prazo de 30 dias, se manifeste sobre o Relatório Circunstânciado. Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 16327.720274/201307 Resolução nº 1402000.390 S1C4T2 Fl. 1.760 6 Ato contínuo, retornem os autos para este E. CARF/MF para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Voto Relator. Fl. 1760DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001429/2002-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Dec 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1996 a 31/01/1999
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial da Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1996 a 31/01/1999 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial da Contribuinte não conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.001429/2002-12
anomes_publicacao_s : 201612
conteudo_id_s : 5665745
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.402
nome_arquivo_s : Decisao_19515001429200212.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001429200212_5665745.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2016
id : 6593596
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692066353152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1246; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 500 1 499 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.001429/200212 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.402 – 3ª Turma Sessão de 09 de novembro de 2016 Matéria COFINS. FATURAMENTO.CONCEITO. Recorrente FUNDAÇÃO ANGLO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E CULTURA DE SAO PAULO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1996 a 31/01/1999 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial da Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 14 29 /2 00 2- 12 Fl. 501DF CARF MF 2 Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 330100.588, de 29/07/2010, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1996 a 31/01/1999 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, do CTN). SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CONCEITO. ISENÇÃO (IMUNIDADE). NECESSIDADE DE ATENDIMENTO AOS REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEI N° 8.212/91. Integram o conceito de assistência social, além da assistência social beneficente, a assistência educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes. As entidades beneficentes de assistência, social para fazerem jus aos benefícios estabelecidos no art. 95, § 7º da Constituição Federal, devem satisfazer aos requisitos estabelecido em lei. TAXAS DE ADMISSÃO. FUNDO DE ALMOÇO. ENTIDADES EDUCADORAS. BASE DE CA I CUL/ODA COFINS. As taxas de matricula e de admissões, se incluem entre as atividades normais das sociedades educadoras, pois, apesar de atividades administrativas estão intrinsecamente vinculadas ás Fl. 502DF CARF MF Processo nº 19515.001429/200212 Acórdão n.º 9303004.402 CSRFT3 Fl. 501 3 atividades normais das sociedades educadoras, por isso compõem a base de cálculo da Cofins. O 'fundo de almoço", não compõem a base de cálculo da COFINS, porquanto, no caso, são mero repasse do custo, decorrente da prestação de serviço de terceiros, na condição de fornecedor da alimentação, aos alunos da instituição. Recurso Parcialmente Provido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscitou divergência em relação ao entendimento de que os valores recebidos com as taxas de matrícula e análise de admissões devem compor a base de cálculo da Cofins. Visando comprovar as divergências, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 3402001.697, de 21/03/2012, e 9303001.708, cujas ementas foram integralmente transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 473/478. As contrarrazões, às fls. 480/488. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial não deve ser conhecido. Segundo consta dos autos, a recorrente é instituição de educação sem fins lucrativos. Porém, de acordo com o acórdão recorrido, não faz jus ao benefício da isenção da Cofins (ou mesmo da imunidade), pois não logrou comprovar o atendimento dos requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991 (a despeito de posteriormente embargado, o entendimento, quanto ao descumprimento dos requisitos para a isenção, mantevese). Na verdade, acresceuse a esta fundamentação uma outra, dessa feita sobre a imunidade estabelecida no art. 150, VI, “c”, § 4º, da Constituição Federal. Confirase:: Assim também a fundamentação do Acórdão não está limitada às disposições e alegações da Recorrente, não havendo nenhuma contradição no fato do Acórdão Embargado ter utilizado fundamentação diversa daquela reclamada no recurso voluntário, no caso a relativa à imunidade prevista no art. 195, § 7º da Constituição Federal, sobretudo porque considerou que a Recorrente não faz jus à mencionada imunidade, fato esse confirmado pela Embargante nos próprios Embargos, quando afirma não tratarse de entidade filantrópica, mas sim de instituição de educação. Entretanto, como o Acórdão também fundamentou no art. 150, VI, “c”, e § 4º, da CF/88, visto que analisou o recurso Fl. 503DF CARF MF 4 voluntário sob o prisma dos arts. 9º e 14, do Código Tributário Nacional, não acolhendo a vedação, pelo fato de tais dispositivos se limitarem à proibição de instituição de “impostos” sobre o patrimônio, renda ou serviços das instituições de educação, e a exigência constante do Auto de Infração cuidou de outros tributos e não de impostos, por essa correspondente fundamentação deve ser acrescida à ementa do Acórdão Embargado. Nesse sentido peço vênia para reproduzir a ementa do Acórdão nº 9303001.869 – 3ª Turma, prolatado na sessão de 06 de março de 2012 (matéria: Cofins), cuja Recorrente foi a Fazenda Nacional, tendo como recorrida também uma fundação de direito privado, in verbis: Ementa: COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO . O art. 14, inciso X da Medida Provisória nº 1.858/99 apenas exigiu que as instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado. (Acórdão publicado em 06/03/2012) Entretanto, no caso em apreço, temse que os períodos de apuração são anteriores à edição da mencionada MP 1.858/99, não devendo gozar da isenção ali prevista, e, de acordo com o art. 150, VI, “c”, § 4º, da Constituição Federal, também não deve beneficiar a Recorrente, vez que a imunidade é restrita aos impostos, não alcançando as contribuições sociais. Por fim, retificase o período de apuração constante do relatório de fl. 276, para que passe a constar 01/04/1996 a 31/01/1999. Em face do exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração, para acrescentar ao v. Acórdão nº 330100.588, a fundamentação relativa ao não acolhimento da alegada imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, § 4º, da CF/88, bem como para que a mesma passe a constar também da ementa, com as demais correções das inexatidões apontadas, sem alteração do resultado. (g.n.) Na decisão recorrida, a Câmara baixa entendeu que as taxas de matrícula e de admissões se incluiriam nas atividades normais da pessoa jurídica, de modo que deveriam compor a base de cálculo da contribuição, interpretação contra a qual, contudo, insurgiuse a recorrente, suscitando dissídio jurisprudencial em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3402001.697 e 9303001708. No primeiro acórdão paradigma, entendeuse, com fundamento em decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal STF que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins introduzido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, Fl. 504DF CARF MF Processo nº 19515.001429/200212 Acórdão n.º 9303004.402 CSRFT3 Fl. 502 5 que seria indevida a tributação de receitas financeiras e outras receitas que não se qualificassem como da atividade operacional da entidade, em conformidade com o seu contrato social, uma revendedora de veículos. Já no segundo paradigma, que se assentou na mesma decisão do STF antes referida, esta CSRF decidiu pela impossibilidade de tributar as receitas financeiras decorrentes de variações monetárias ativas auferidas pela contribuinte, uma empresa do setor imobiliário. Não há divergência, pois. Afinal, nada de comum existe entre os acórdãos recorrido e paradigmas: no primeiro, compreendeuse não observados os requisitos para a isenção legal; nos segundos, a Câmara baixa respectiva entendeu que tal ou qual receita se incluiria ou não na base de cálculo do PIS/Cofins, considerada a decisão do Supremo que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento. Para viabilizar o recurso especial, cuja finalidade é uniformizar a jurisprudência administrativa, devese demonstrar que o acórdão recorrido divergiu da interpretação adotada por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou pela própria CSRF. De conseguinte, a legislação tributária objeto do dissídio deve ser a mesma, de forma que, não sendo este o caso, não há como admitir o recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial da contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 505DF CARF MF
score : 1.0
