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Numero do processo: 10680.722752/2009-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos, quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas de R$ 1.272,99 referente ao ano calendário 2006.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos, quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos, quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas de R$ 1.272,99 referente ao ano calendário 2006. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 27 52 /2 00 9- 13 Fl. 110DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.401 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.722752/2009-13 Relatório Trata-se de Auto de Infração (e-fls. 03/11) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anos calendário 2004 a 2006. O lançamento decorre da apuração de Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Despesa com Instrução, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 12/14). O contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 44/45) cujos argumentos foram resumidos no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 81/87): - relativamente ao ano calendário 2004, exercício 2005, com referência à glosa dos pagamentos efetuados ao dentista Júlio Cezar Alves Guimarães, onde foi lançado R$2.040,00 e linha comprovante de R$170,00, sendo glosado o valor de R$1.870,00, está anexando os recibos faltantes no valor de R$1.600,00; - relativamente ao ano calendário 2005, exercício 2006, com referência ao lançamento do PASA no valor de R$3.328,84, onde foi considerado o valor de R$1.357,27 sendo glosado o valor de R$1.971,57, está anexando os comprovantes dos valores pagos no valor de R$2.018,07, ficando considerado glosado apenas R$2.018,07; - relativamente ao ano calendário 2006, exercício 2007, onde consta lançado ao dentista João Jose Fernandes Neves o valor de R$4.300,00, pede considerar o valor de R$5.300,00, pois este valor foi lançado erradamente no ano calendário 2005/exercício 2006. está anexando os documentos e solicitando o reparo do erro. No que se refere à glosa dos valores pagos para a CVRD está anexando os documentos, referentes à glosa indevida de RS 1.272,99 e solicita anexação do valor de RS4.000.00; A Impugnação foi julgada improcedente pela 9ª Turma da DRJ/BHE em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DEDUÇÃO DE DEPENDENTES E DEDUÇÃO DE DESPESA COM INSTRUÇÃO. MATERIAS NÃO IMPUGNADAS. Considera-se não impugnada, portanto não litigiosa, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas efetuadas no montante pleiteado na declaração de ajuste anual, há de se manter o lançamento nos exatos termos exarados. Cientificado do acórdão de primeira instância em 20/05/2011 (e-fls. 92), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 10/06/2011 (e-fls. 93) com os argumentos a seguir sintetizados. - Relativamente ao ano calendário 2004, sustenta que os pagamentos feitos ao dentista Julio Cesar Alves Guimarães no valor de R$ 1.600,00 são dedutíveis e alega que apresentou os recibos originais e que procurou o profissional para mais provas, tendo este informado que os rendimentos constam em seu livro caixa, foram declarados no seu imposto de renda e que está à disposição do fisco para maiores esclarecimentos. - Quanto ao ano calendário 2006, aduz que: i) o valor correto pago ao dentista João José Fernandes Neves é de R$ 5.080,00 e não de R$ 4.300,00 como declarado; ii) o valor de R$ 1.272,99 referente à CVRD é dedutível uma vez que consiste em despesa com plano de saúde descontado em seu contracheque; iii) o valor de R$ 4.000,00 pago ao profissional portador Fl. 111DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.401 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.722752/2009-13 do CPF n° 365.177.127-04 que por descuido deixou de ser lançado também é dedutível, uma vez que se trata de despesa com plano de saúde descontada em seu contracheque. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre a Dedução Indevida de Despesas Médicas apurada no lançamento e mantida na decisão de piso. As demais infrações não foram impugnadas pelo sujeito passivo. Extrai-se do Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 12/14) que a autoridade lançadora glosou parte das despesas médicas declaradas nos anos calendário 2004 a 2006 por não ter o contribuinte, regularmente intimado (e-fls. 15/17), apresentado os respectivos comprovantes de pagamento. O julgamento de primeira instância manteve o lançamento devido à ausência de comprovação do efetivo pagamento das despesas, cabendo destacar os trechos a seguir reproduzidos (e-fls. 86/87): O contribuinte, após ser devidamente inumado, lis. 14/16. em fase impugnatória não trouxe aos autos novos documentos capazes de robustecer as informações expressas nos recibos já analisados oportunamente pela autoridade fiscalizadora e sem a comprovação do efetivo pagamento, como solicitado em Termo de Início de Procedimento Fiscal. [...] Importante ressaltar que o autuado não trouxe aos autos cheques microfilmados para comprovação do efetivo pagamento das despesas, assim como não comprovou os valores pagos cm espécie com extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados cm relação aos pagamentos em questão, observando-se que tais procedimentos já foram cobrados pela autoridade fiscalizadora, não tendo o autuado obtido êxito nas suas provas apresentadas, tendo sido, portanto, glosada as deduções das despesas medicas do contribuinte, relativamente aos exercícios de 2005/2006/2007, anos calendários 2004/2005/2006, respectivos. Em seu Recurso Voluntário o interessado pleiteia inicialmente a dedução da despesa de R$ 1.600,00 com Júlio Cesar Alves Guimarães referente ao ano calendário 2004 conforme recibos já apreciados pelo Colegiado a quo (e-fls. 62, 99). Não merece reforma, contudo, o acórdão recorrido. Como já exposto na decisão de primeira instância, o contribuinte foi regularmente intimado a comprovar o efetivo pagamento de todas as despesas declaradas para Júlio Cesar Alves Guimarães através de microfilmagens de cheques nominais ou extratos bancários com valores de saques e datas compatíveis com os recibos emitidos pelo profissional (e-fls. 15/16). Não obstante, verifica-se que nenhum documento bancário foi juntado à Impugnação ou ao Recurso Voluntário com o intuito de suprir a pendência apontada pela autoridade lançadora. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda -RIR/99, aprovado pelo Fl. 112DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.401 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.722752/2009-13 Decreto 3.000/99, vigente à época. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é lícito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comprová-las de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressalte-se que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202-005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202-005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401-004.122, de 16/2/2016) É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, para comprová-los caberia a ele trazer aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques efetuados em suas contas e as despesas supostamente realizadas, o que não ocorreu no presente caso. Importa salientar que, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado, não cabendo à esta instância julgadora realizar diligências junto aos profissionais envolvidos a fim de confirmar as alegações apresentadas pelo recorrente. A Fl. 113DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.401 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.722752/2009-13 finalidade das diligências é elucidar questões comprometidas nos autos e não produzir provas em favor do autuado. Quanto à despesa de R$ 1.272,99 com a Companhia Vale do Rio Doce declarada para o ano calendário 2006, entendo que o comprovante de rendimentos emitido pela empresa (e- fls. 79/95) confirma o pagamento efetuado pelo recorrente referente à sua participação em atendimentos médicos, odontológicos e hospitalares, como indicado no campo “Sistema de Credenciamento” do documento, devendo ser restabelecida a dedução correspondente. Por outro lado, não podem ser acatadas por este Colegiado a majoração da despesa com João José Fernandes Neves e a inclusão da despesa com o profissional de CPF n° 365.177.127,04 na Declaração de Ajuste do ano calendário 2006 solicitadas no Recurso. A inclusão de deduções não informadas na declaração em exame representaria retificação após o início da ação fiscal, procedimento expressamente vetado pela legislação pertinente, nos termos do art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional - CTN. Diante de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para restabelecer a dedução de despesas médicas de R$ 1.272,99 referente ao ano calendário 2006. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.723997/2016-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.246
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (presidente).
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. O colegiado a quo entendeu que o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal a título de incentivo fiscal constitui receita tributável que deve integrar a base de crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal a título de incentivo fiscal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo do PIS não cumulativo. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os seguintes argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade: o crédito pleiteado teria como origem o pagamento a maior de PIS e COFINS, considerando a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS concedidos pelo PRODEPE – Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco – Lei Estadual nº 11.675/1999, que teria sido erroneamente adicionados nas bases de cálculo das contribuições. Alegou que tais valores seriam redutores de custo, e que não poderiam ser classificados como receitas, pela inexistência de um acréscimo patrimonial. Ainda apresenta jurisprudência administrativa e judicial. É o relatório. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 23 99 7/ 20 16 -5 9 Fl. 176DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.246 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723997/2016-59 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3402-002.235, de 22 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.723922/2016-78. Portanto, transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402-002.235): “A questão trazida a julgamento refere-se à incidência da contribuição sobre os valores decorrentes de incentivos fiscais de ICMS (crédito presumido), recebidos do Governo do Estado de Pernambuco, no programa denominado “Prodepe” (Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco), instituído pela Lei Estadual nº 11.675/1999, regulamentado pelo Decreto nº 26.920/2004 (atividade industrial) e pelo Decreto nº 30.456/2007 (centrais de distribuição). A questão não é nova neste Conselho, tanto nas turmas baixas, quanto na Câmara Superior. O i. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no voto vencedor do Acórdão nº 9303-007.622, da 3ª Turma da CSRF, sessão de 20 de novembro de 2018, fez a seguinte reconstrução história dos conceitos de subvenção para custeio e para investimento e seu tratamento fiscal ao longo do tempo, especialmente para o período que vai até o ano de 2007 (período que interessa ao presente julgamento), que transcrevo a seguir: “Até 2007, período da vigência da redação original do art. 183 da Lei das S/A, encontrava-se disposto em seu § 1º, que deveriam ser classificados como reservas de capital as doações e subvenções recebidas para investimento. A seguir, para fins de esclarecimento, encontra-se reproduzido o referido dispositivo: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. ... (grifos na transcrição) A característica da Reserva de Capital é a de ser composta por valores oriundos da contribuição de proprietários ou outros interessados no resultado da companhia, sem característica de exigibilidade, ou seja, a título definitivo. À época, a Lei das S/A entendeu que subvenções para investimento enquadrar-se-iam nessa categoria, por serem contribuições do Poder Público para a atividade da companhia, o que é de interesse para o Estado. Por outro lado, diferente era o conceito de subvenção para custeio, composta por contribuições do Estado cujos valores eram Fl. 177DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.246 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723997/2016-59 utilizados para fazer frente aos custos da atividade e, assim, poderiam influir nos lucros da companhia, que poderia ser distribuído aos proprietários. Nesse sentido, é importante referir que o valor registrado como reserva de capital não pode ser distribuído aos proprietários, sob pena de perder sua natureza, nos termos do art. 200 da Lei das S/A, até hoje vigente na redação original, conforme a seguir reproduzido: Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: I – absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único); ... Assim, vemos que uma subvenção para investimento era reconhecida diretamente como reserva de capital, sem transitar pelo resultado, conforme lançamento contábil a seguir: O lançamento contábil acima e a respectiva legislação antes referida deixam claro que a subvenção para investimento reconhecida como reserva de capital não caracteriza nem receita nem faturamento. Portanto, não integra a base de cálculo da Cofins ou da Contribuição para o PIS/Pasep, nem na sistemática cumulativa, nem na sistemática não- cumulativa. Ora, na sistemática cumulativa, temos a base de cálculo das contribuições sob análise formada pelo faturamento, nos termos da redação original dos arts. 2º e 3º da Lei n° 9.718, de 1999, aplicáveis aos fatos geradores ocorridos no período em análise, a seguir reproduzidos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Portanto, como uma subvenção recebida para investimento caracterizava reserva de capital, não compunha o faturamento e, consequentemente, não integrava a base de cálculo das contribuições na sistemática cumulativa, desde que cumpridos os requisitos para seu reconhecimento como reserva de capital e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores. Da mesma forma, na sistemática não-cumulativa, temos a base de cálculo das contribuições sob análise formada pelas receitas, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003, ambos reproduzidos a seguir, em sua redação original, aplicável a fatos geradores no período sob análise: Lei n° 10.637, de 2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Lei n° 10.833, de 2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Grifos na transcrição) Portanto, como uma subvenção recebida para investimento caracterizava reserva de capital, não caracterizava receita e, consequentemente, não integrava a base de cálculo Fl. 178DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.246 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723997/2016-59 das contribuições na sistemática não-cumulativa, desde que cumpridos os requisitos para seu reconhecimento como reserva de capital e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores. Diferente é o tratamento dado às subvenções que não se enquadravam no conceito de subvenção para investimento, no período. Tais subvenções, denominadas subvenções para custeio eram reconhecidas no resultado das companhias e, compondo o a receita de subvenção para custeio lucro, não tinham qualquer restrição em relação a sua distribuição aos proprietários. O lançamento correspondente a essas subvenções para custeio era o seguinte: O lançamento acima deixa claro que, em que pese não caracterizar faturamento, ela se enquadra no conceito de receita e, assim: - não compunha a base de cálculo das contribuições na sistemática cumulativa; - porém compunha a base de cálculo das contribuições na sistemática não-cumulativa, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003, em sua redação original, aplicável a fatos geradores no período sob análise, ambos já reproduzidos anteriormente nesse voto.” Destaca-se, também, algumas alterações legislativas posteriores, que constam do referido acórdão: “Em 28 de dezembro de 2007, a Lei das S/A foi alterada pela Lei n° 11.638, de 2007, e a nova redação teve vigência a partir de 1º de janeiro de 2008. Entre os vários itens alterados, encontra-se o tratamento contábil dado às subvenções para investimento, que antes eram classificadas como reserva de capital e que passaram a ser classificadas como receita, compondo o resultado. [...] Em face dessa nova realidade jurídica, para fins societários, a legislação preocupou-se em dar um tratamento fiscal adequando. Assim, foi instituído o RTT Regime Tributário de Transição, pela Lei n° 11.941, de 2009. Pois bem, o tratamento fiscal dado às subvenções para investimento, especificamente no tocante à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, encontra-se nos arts. 18 e 21 da Lei nº 11.941, de 2009, a seguir reproduzidos, na redação então vigente e aplicável aos fatos geradores ocorridos no período em análise (lembrando que à opção do sujeito passivo, a Lei n° 11.941, de 2009, pode ser aplicada retroativamente, desde 2008): Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do Decreto-Lei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo§ 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976,no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; Fl. 179DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3402-002.246 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723997/2016-59 IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3odeste artigo. § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. ... Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência)(Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e [...] Com o advento da Lei n° 12.973, de 2014, para fatos geradores a partir de 2015, temos um tratamento similar àquele dado às subvenções para investimento durante a vigência do RTT, qual seja, a subvenção para investimento, desde seu valor tenha sido destinado para formação da Reserva de Lucros de Incentivos Fiscais, não estaria sujeita a compor a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. [...] Adicionalmente, para conferir tratamento compatível em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, os art. 54 e 55 da Lei n° 12.973, de 2014, alteraram, respectivamente o art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e o art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003: Lei n° 10.637, de 2002: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: X – de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Lei n° 10.833, de 2003: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: IX – de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)” Fl. 180DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3402-002.246 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723997/2016-59 Entretanto, a questão deve ser analisada considerando os efeitos do art. 9º da Lei Complementar n° 160/2017, o qual deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da referida lei. Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: [...] § 4º. Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo.(Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5º. O disposto no § 4odeste artigo aplica-se inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) Portanto, claro está que todos os incentivos relativos ao ICMS sejam considerados como subvenções para investimento, entendimento este que se aplica aos processos administrativos ainda não definitivamente julgados, como é o presente caso. Ocorre que tal entendimento (configuração do crédito presumido de ICMS como sendo subvenção para investimento e a não incidência das contribuições sobre tais valores) estão sujeitos à condição imposta pela lei: que os valores sejam registrados em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76. Dessa forma, torna-se obrigatório identificarmos se os valores em questão foram registrados em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76, e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores, para fins de sua configuração como subvenções para investimento e sua consequente exclusão da base de cálculo da contribuição. Diante do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) identifique se os valores em questão foram contabilizados como reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76; (ii) verifique foram dados destinos diversos àqueles previstos no inciso I do artigo 30 da Lei n° 12.973/2014: (I) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (II) aumento do capital social; (iii) considerando o disposto no art. 9º da Lei Complementar n° 160/2017, o qual deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da referida lei, analise o direito creditório do contribuinte, e manifeste-se sobre o mérito do pedido de compensação em questão, apresentando um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto.” Fl. 181DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3402-002.246 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723997/2016-59 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: i. identifique se os valores em questão foram contabilizados como reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76; ii. verifique se foram dados destinos diversos àqueles previstos no inciso I do artigo 30 da Lei n° 12.973/2014: (I) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (II) aumento do capital social; iii. considerando o disposto no art. 9º da Lei Complementar n° 160/2017, o qual deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da referida lei, analise o direito creditório do contribuinte, e manifeste-se sobre o mérito do pedido de compensação em questão, apresentando um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 15471.001943/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
Numero da decisão: 2401-006.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa. e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa. e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-21T12:27:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-21T12:27:12Z; Last-Modified: 2019-08-21T12:27:12Z; dcterms:modified: 2019-08-21T12:27:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-21T12:27:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-21T12:27:12Z; meta:save-date: 2019-08-21T12:27:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-21T12:27:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-21T12:27:12Z; created: 2019-08-21T12:27:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-08-21T12:27:12Z; pdf:charsPerPage: 1635; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-21T12:27:12Z | Conteúdo => S2-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15471.001943/2007-65 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.886 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2019 Recorrente GASTAO HENRIQUE DE SCHUELER Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa. e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 19 43 /2 00 7- 65 Fl. 103DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.886 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15471.001943/2007-65 Relatório GASTAO HENRIQUE DE SCHUELER, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6 a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03-33.680/2009, às e-fls. 47/50, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, decorrente da omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vínculo empregatício, em relação ao exercício 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 10/14, e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 09/10/2007, nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS - TITULAR Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ou Física, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. De acordo com o Informado pela FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL - PETROS. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Brasília/DF entendeu por bem em não conhecer da impugnação, julgando procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado, apresentou Recurso Voluntário, à e-fl. 75, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, esclarecendo que não está discutindo o direito, mas sim a cobrança indevida, devendo ser conhecido seu recurso. Afirma que recebe aposentadoria da Fundação Petrobrás de Seguridade Social - PETROS, composta de duas partes: Beneficio da Previdência Oficial e Beneficio da Previdência Privada. Alega que por não concordar com a incidência do imposto de renda na fonte sobre a complementação da aposentadoria recebida da PETROS, ajuizou Ação Ordinária junto ao Tribunal Regional Federal da 2' Região Fiscal, onde obteve sentença favorável à não incidência do Imposto de Renda sobre a sua complementação de aposentadoria, conforme cópia dos documentos de fls.19/36. Finalizou, requerendo a improcedência do feito fiscal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornando-o sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 104DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.886 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15471.001943/2007-65 Conselheiro Rayd Santana Ferreira , Relator. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE - CONCOMITÂNCIA Apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, o Recorrente impetrou na Seção Judiciária da 2º Região a Ação Ordinária n° 2001.51.01.013558-5, objetivando obter perante o Poder Judiciário a inexistência da relação jurídica tributária sobre os rendimentos recebidos pelo Autor, a título de Complementação de Aposentadoria, conforme depreende-se do relatório da decisão (fl. 25), senão vejamos: Trata-se de apelação interposta pelos autores contra sentença proferida nos autos da ação que moveram em face da União Federal, objetivando a declaração de inexistência de relação jurídico-tributária referente ao imposto de renda incidente sobre a complementação de aposentadoria que recebem da Fundação PETROBRAS de Seguridade Social — PETROS, bem como a condenação da ré a devolver todo o imposto descontado. (...) Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social-INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, Fl. 105DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.886 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15471.001943/2007-65 com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Vale salientar que a unidade de origem da Receita Federal deve observar o resultado do transito em julgado da ação judicial e aplicar os efeitos dela decorrente. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, em observância a Súmula n° 1 do CARF, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.902741/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito, que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
RETENÇÃO NA FONTE
A pessoa jurídica tributada com base no lucro real somente poderá compensar o imposto devido, na apuração do período, com os valores retidos na fonte, se as receitas, sobre as quais incidiram as retenções, forem computadas na determinação do lucro real.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-003.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Processo julgado no dia 12/06 às 9hs.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Processo julgado no dia 12/06 às 9hs. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito, que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RETENÇÃO NA FONTE A pessoa jurídica tributada com base no lucro real somente poderá compensar o imposto devido, na apuração do período, com os valores retidos na fonte, se as receitas, sobre as quais incidiram as retenções, forem computadas na determinação do lucro real. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Processo julgado no dia 12/06 às 9hs. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 27 41 /2 00 9- 51 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10725.902741/200951 Acórdão n.º 1402003.927 S1C4T2 Fl. 2.002 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10725.902741/200951 Acórdão n.º 1402003.927 S1C4T2 Fl. 2.003 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou parcialmente improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente e decidiu por homologar apenas a parcela de R$ 54.661,24, por ter constatado que parte do IRRF não tinha sido oferecido a tributação. A Recorrente apresentou duas PER/DCOMPS n° 03873.77694.101105.1.3.028804 e n° 33813.57850.121205.1.3.025020, onde requereu a compensação de saldo negativo no importe de R$ 170.000,01, sendo que na primeira DCOMP de final 8804 foi utilizado o crédito de R$ 38.478,30 e o restante na DCOMP final 5020. Esta valor de R$ 170.000,01 de saldo negativo se refere a diferença existente entre o crédito constante na DIPJ de R$ 987.972,49, menos o de imposto de renda devido de R$ 817.971,48. A composição deste saldo negativo de R$ 987.971,46 é de R$ 115.338,74 de IRRF, comprovantes de pagamento de estimativas do ano de 2003 no importe de R$ 869.019,00 e estimativa compensada com outros tributos do mês de março de 2003 no valor de R$ 3.613.72. O v. acórdão recorrido apensa reconheceu o valor de R$ 54.661.24, sendo que o restante entendeu que a Recorrente não teria oferecido a tributação os créditos relativos ao IRRF. Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de DCOMP Eletrônica n° 03873.77694.101105.1.3.02 8804, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito — Saldo Negativo de IRPJ Exercício: 2004 (AnoCalendário : 01/01/2003 a 31/12/2003) Valor do Saldo Negativo: R$ 170.000,01 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 170.000,01 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 38.478,30 Posteriormente, foi apresentada a DCOMP n° 33813.57850.121205.1.3.02 5020, utilizando o mesmo crédito. As DCOMP foram analisadas em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 80, n° de rastreamento 844654935, o direito creditório não foi reconhecido, pois a soma das parcelas de composição do crédito Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10725.902741/200951 Acórdão n.º 1402003.927 S1C4T2 Fl. 2.004 4 informadas no PER/DCOMP não foi suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo. Consta ainda na citada Decisão: • Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 170.000,01. • Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 987.972,49. • IRPJ devido: R$ 817.971,48. • Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas da DIPJ) — (IRPJ devido) Valor do saldo negativo disponível = R$ 0,00 A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 20/08/2008 (Histórico das comunicações — fls. 82). Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 10/09/2008, fls. 01/06, alegando em síntese: Alega a tempestividade da manifestação da inconformidade. Apresenta cópia da Ficha 53 da DIPJ/2004 discriminando as fontes pagadoras e o imposto de renda retido, no total de R$ 115.338,74, comprovantes de pagamentos no montante de R$ 869.019,00, e estimativas compensadas no total de R$ 3.613,72, perfazendo um total de imposto pago de R$ 987.971,46. Descontado imposto de renda devido, apurou saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2003 no total de R$ 170.000,01. Foi surpreendido com o indeferimento, sem que tivesse ocorrido qualquer intimação para que fossem apresentados esclarecimentos ou retificações pertinentes. A retificação posterior à decisão foi vedada. Tem direito à ampla defesa e devido processo legal e do Contraditório. Tem direito à compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Tem direito à retificação de dados incorretos. É vedado enriquecimento sem causa do próprio Fisco. Juntamente com a manifestação de inconformidade, a interessada anexou as cópias dos DARF, fls. 22/24, e as DCOMP compensado os débitos de estimativa do mês de março/2003 (fls. 25/48). Anexei aos autos os documentos de fls. 84/93. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10725.902741/200951 Acórdão n.º 1402003.927 S1C4T2 Fl. 2.005 5 A DRJ proferiu o v. acórdão recorrido e apenas reconheceu o valor de R$ 54.661.24, sendo que o restante entendeu que a Recorrente não teria oferecido a tributação os créditos relativos ao IRRF. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as mesmas alegações da manifestação de inconformidade e acostou ao recurso Informes de Rendimentos (doc. 5) e Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte (doc. 8 fls. 225/226). É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10725.902741/200951 Acórdão n.º 1402003.927 S1C4T2 Fl. 2.006 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Segundo o v. acórdão recorrido proferido nos autos do processo em epigrafe (fl. 99 precisamente), a parte do crédito que não foi reconhecido e não foi homologado devido a falta de comprovação de que o IRRF teria sido oferecido a tributação (computados na determinação do lucro real) foi de R$ 54.661,24, sendo o restante relativo as estimativas do mesmo período pagas por meio de DARF e a estimativa do mês de março de 2003 compensada com outros tributos que foram reconhecidos pela decisão "a quo". A Recorrente, por sua vez, para tentar solucionar a lacuna probatória encontrada pela v. acórdão recorrido, referente ao não oferecimento do IRRF à tributação, juntou ao Recurso Voluntário Informes de Rendimentos (doc. 5) e Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte (doc. 8 fls. 225/226). Entretanto ao analisar determinados documentos, encontrei dificuldade em encontrar nos Informes o CNPJ relacionando a Recorrente como beneficiária ou retentora do imposto e nas cópias dos Demonstrativos do Imposto de Renda os valores digitados estão apagados ou com números faltando, impossibilitando a conferência e correlação com os valores do crédito do IRFF que compõe o saldo negativo do IRPJ em análise nos autos. Desta forma, tendo em vista a falta de DIRF nos autos para cruzar os valores com os documentos juntados pela Recorrente e a ausência de comprovação do oferecimento do IRRF a tributação, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido em seus termos. Assim, para complementar o meu voto, utilizo os fundamentos do v. acórdão recorrido. Com base no Despacho Decisório, não foi apurado crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, já que as parcelas informadas na PER/DCOMP, no montante de R$ 170.000,01, não foram suficientes para liquidar o Imposto de Renda devido no final do período, no valor de R$ 817.971,48. Em sua defesa, apresenta os comprovantes das estimativas recolhidas, as estimativas compensadas por DCOMP, a Ficha 53 da DIPJ/2004 discriminando o imposto de renda retido na fonte, Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10725.902741/200951 Acórdão n.º 1402003.927 S1C4T2 Fl. 2.007 7 totalizando R$ 987.971,46. Aduz que não foi intimada para prestar esclarecimentos, não podendo mais proceder à retificação da DCOMP para informar a totalidade das estimativas de IRPJ. Passo à análise. O direito à restituição, para que se proceda à compensação pleiteada neste processo, requer que o crédito seja líquido e certo, conforme prevê o artigo 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. " (grifei) Cabe ressaltar que o ônus da comprovação do crédito é da interessada que apresentou a DCOMP. É o que determina o artigo 333 do CPC. No presente caso, o crédito de saldo negativo de IRPJ é apurado no confronto entre o montante das estimativas comprovadamente recolhidas e o imposto de renda apurado no final do ano. Esta é a definição legal prevista no artigo 2°, §4° da Lei n° 9.430/96. Portanto, seria ônus da interessada a demonstração das parcelas que compõem o crédito, já que as antecipações das estimativas do IRPJ podem ser extintas por pagamentos ou compensações com créditos de anos anteriores, apenas para citar algumas das possibilidades. Tendo em vista que as estimativas devem ser recolhidas durante o anocalendário, as DCTF — declaração própria para constituição do crédito tributário, e para demonstrar a forma de quitação destas antecipações do imposto , devem estar coincidentes com a DIPJ apresentada para o exercício. Por fim, sendo a DCOMP instrumento necessário para a formalização da Declaração de Compensação, possuindo também Fichas próprias para o detalhamento da formação do crédito, deve a interessada informar a composição do crédito de forma a coincidir com as demais Declarações já citadas — DIPJ e DCTF. Por ser um sistema de verificação informatizado, e sendo o preenchimento das citadas declarações de responsabilidade da interessada que pleiteia seu direito em face da Administração, o mínimo que ser espera é a coerência nos valores declarados. No entanto, uma vez ocorrendo divergência entre os valores, não pode a Administração, de moto próprio, verificar quais as parcelas compõem o saldo negativo, procurando, em nome da interessada, demonstrar a certeza e liquidez do crédito, com o fito reconhecer o direito. Como já dito anteriormente, é ônus da interessada. Considerando as orientações contidas na Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Coca]/Cotec n° 6, de 21 de novembro de Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10725.902741/200951 Acórdão n.º 1402003.927 S1C4T2 Fl. 2.008 8 2007, que define procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, de ressarcimento e de declarações de compensação apresentados por intermédio do Programa PER/DCOMP, diante de divergências entre as declarações, a interessada deve ser intimada para proceder às correções necessárias com o fito de demonstrar a comprovação do crédito. Uma vez coincidentes as declarações e informações, o processo passa pela verificação das parcelas que compõem o crédito. Foi o que ocorreu no presente processo. Em 13/09/2006 foi emitido Termo de Intimação n° 628913070 (fls. 84), com a constatação de que a soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP era inferior ao somatório do demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ. Alerta, ainda, que o total do crédito demonstrado no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da imposto devido. Os valores apontados na referida Intimação seriam: Demonstrativo parcelas de crédito PER/DCOMP: R$ 170.000,01 Demonstrativo parcelas de crédito DIPJ: R$ 987.971,49 (Somatório dos valores da Ficha 12 A, linhas 12 a 18). Neste mesmo Termo, consta a intimação para retificar as referidas declarações para sanear as inconsistências, inclusive quanto ao detalhamento do crédito utilizado na formação do saldo negativo de IRPJ. No entanto, a interessada não teve ciência desta intimação por motivo de mudança. Verificase que a intimação foi encaminhada para o endereço constante nos cadastros da Receita Federal do Brasil — Avenida Rio Branco, n° 110/34 — Centro — Rio de Janeiro (fls. 85), já que interessada informou a mudança do endereço para o atual apenas em 31/01/2007 (fls. 86). Ou seja, não houve ciência da intimação por omissão da própria interessada, já que em setembro de 2006 ela já não mais se encontrava no endereço que constava nos cadastros da Receita Federal do Brasil, só vindo a atualizar as informações em 31/01/2007. Com efeito, o procedimento adotado pela interessada, deixando de manter o cadastro atualizado com seu endereço correto, contribuiu para que a Administração não tivesse conhecimento de todas as informações concernentes ao crédito, prejudicando a análise. Assim, não há que ser falar em enriquecimento sem causa, ou violação a qualquer princípio constitucional. Em razão da morosidade na alteração cadastral, a interessada perdeu a oportunidade de retificar a DCOMP antes da emissão do Despacho Decisório, sendo que qualquer alteração em momento posterior não é possível em razão do disposto no artigo 77 da IN SRF n° 900/2008. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10725.902741/200951 Acórdão n.º 1402003.927 S1C4T2 Fl. 2.009 9 Entretanto, em que pese seu procedimento, e estando a Administração Pública vinculada ao Princípio da Verdade Material, cumpre reconhecer que assiste razão em parte à interessada. Os pagamentos a título de estimativas do imposto devido no ano calendário de 2003 foram confirmados nos sistemas da Receita Federal do Brasil, e totalizam o montante de R$ 869.019,00 (fls. 87/88), e estão de acordo com as DCTF apresentadas (fls. 94). As compensações da estimativa do mês de março de 2003, por meio de DCOMP, estão confirmadas de acordo com as pesquisas no sistema da Receita Federal do Brasil, fls. 89/93, totalizando R$ 3.613,72. Em seguida, cumpre esclarecer que o imposto de renda retido na fonte durante o período são consideradas antecipações do imposto devido, desde que os rendimentos sejam computados para a determinação do lucro real (inciso III do §4° do Art. 20 da Lei 9.430/96). Conforma a decisão ora combatida, as retenções na fonte foram confirmadas no valor de R$ 114.989,62. No entanto, faltou a comprovação de que os rendimentos foram oferecidos à tributação, condição necessária para o aproveitamento do imposto retido na formação do saldo negativo de IRPJ. Cabe ainda verificar que, de acordo com a DIPJ/2004 apresentada, na qual é demonstrada a apuração do saldo negativo de IRPJ, contatase que o imposto de renda retido na fonte utilizado para formação do crédito seria de apenas R$ 15.606,52, conforme FICHA 12 A — Linha 13, e não o total de R$ 114.989,62, tornando as informações inconsistentes. Logo, concluo que restou comprovado o recolhimento, a título de estimativa de IRPJ do anocalendário de 2003, o total de R$ 872.632,72 O imposto de renda devido no final do ano é de R$ 817.971,48. Assim, do confronto entre as estimativas de IRPJ cujo recolhimento foi confirmado, o imposto de renda devido, apura se o saldo negativo no valor de R$ 54.661,24, inferior ao valor solicitado na inicial Logo, concluo que estão comprovados os requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, previstos no artigo 170 do CTN, ou seja, a certeza e liquidez, ainda que parcial, no montante de R$ 54.661,24, cabendo a homologação das compensações das compensações até o limite do crédito ora reconhecido. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10725.902741/200951 Acórdão n.º 1402003.927 S1C4T2 Fl. 2.010 10 Pelo exposto e por tudo que consta nos autos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e negar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004715/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA DE TITULARIDADE DO "DE CUJUS". EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DO ESPÓLIO DA ORIGEM DOS RECURSOS CREDITADOS EM CONTA DO FALECIDO. OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA.
Para efeitos da presunção legal do arr. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, a comprovação da origem dos recursos depositados é uma obrigação de caráter personalíssimo, a cargo exclusivo do titular da conta-corrente ou de investimento mantida junto a instituição financeira. É improcedente o lançamento tributário que considera omissão de rendimentos tributáveis quando o espólio, na pessoa do inventariante, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados na conta bancária da pessoa física, relativamente a ano-calendário anterior ao óbito.
Numero da decisão: 2202-005.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA DE TITULARIDADE DO "DE CUJUS". EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DO ESPÓLIO DA ORIGEM DOS RECURSOS CREDITADOS EM CONTA DO FALECIDO. OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA. Para efeitos da presunção legal do arr. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, a comprovação da origem dos recursos depositados é uma obrigação de caráter personalíssimo, a cargo exclusivo do titular da conta-corrente ou de investimento mantida junto a instituição financeira. É improcedente o lançamento tributário que considera omissão de rendimentos tributáveis quando o espólio, na pessoa do inventariante, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados na conta bancária da pessoa física, relativamente a ano- calendário anterior ao óbito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 47 15 /2 00 3- 11 Fl. 538DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.289 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004715/2003-11 Trata-se de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 18-8.024, proferido pela 2 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Santa Maria - RS (DRJ/STM) que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou (efls. 412 e ss.): Contra o espólio, acima qualificado foi lavrado auto de infração cm que foi lhe exigido o crédito tributário no montante de RS 63.254,27, nele compreendidos imposto, multa de ofício e juros de mora, relativo ao ano-calendário 1998, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. O inventariante, às fls. 346 a 364, impugna total e tempestivamente o auto de infração, juntando os documentos de fls. 365 a 399, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Da matéria preliminar 1. Da extinção, por caducidade, do MPF O MPF de n° 081.9000-2002-003696-6, conforme expressamente comprova o termo de verificação final fiscal de 19/12/2003, foi lavrado em 17/09/2002, e supostamente intimado o contribuinte em 19/09/2002 - supostamente, pois o contribuinte já era falecido nessa época, ou seja, nunca poderia ter sido notificado, nem muito menos presumidamente cientificado dos fatos-o prazo decadencial da fiscalização era 09/10/2002. Ocorre que o inventariante, que não tinha ciência alguma dos fatos, por questões relativas ao inventário ainda em curso, tomou ciência do MPF no dia 21/10/2002 e tratou imediatamente de colaborar com a citada fiscalização, juntando no exíguo tempo que teve toda a documentação e informações que dispunha no dia 15/10/2002. Registrc- sc que o domicílio do mesmo é diverso do de cujus. Assim, apenas em 12/11/2002, o Sr. Auditor-Fiscal supostamente reintimou o contribuinte - lembre-sc que nesta data a autoridade competente já tinha ciência do falecimento do contribuinte - para apresentar os extratos bancários indicados no termo de início de fiscalização. Sendo assim, já haviam decorridos 54 dias, 34 dias a mais do prazo fixado para verificação. O inventariante juntou procuração e documentação hábil comprovando a sua qualidade de representante do contribuinte falecido, inclusive declarando seu domicilio, para evitar futuros problemas de intimação, no dia 02/12/2002. Em 10/12/2002, foi lavrado o termo de embaraço à fiscalização que foi explicado pelo inventariante em 07/10/2003, muito embora o inventariante não tenha recebido qualquer notificação. No dia 28/02/2003, segundo o relato de encerramento de verificação fiscal, foi supostamente recebida nova intimação - novamente notificando a pessoa falecida - desconsiderando o seu representante legal. Observe-se que o termo anterior foi realizado em 12/11/2002. Desse modo, mesmo que se considerem válidas as notificações irregulares, não há dúvida de que se passaram 108 dias entre as supostas segunda e terceira reintimações. Com efeito, certo está que o ato administrativo de lançamento está contaminado de nulidade, haja vista que, segundo as disposições combinadas dos artigos 12, 13 e 15 da Portaria n° 3.007, de 26/11/2001, o MPF foi necessariamente extinto por conta da não observância do prazo máximo de reintimação a cada 30 dias. Esse prazo também não foi respeitado pela autoridade fiscal entre a terceira e quarta intimação (28/02 - 28/04,60 dias). Fl. 539DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.289 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004715/2003-11 Em outras palavras, pode-se dizer que não foi obedecido, pelo Sr. AFRF que subscreveu o auto de infração, o prazo determinado na lei para o MPF, o que significa dizer que houve desvio de poder, passando por cima das disposições legais, não só da Portaria SRF, mas também do próprio Código de Processo Civil e CF. Nesse sentido, requer o impugnante, que seja declarada a nulidade do auto de infração. 2. Da injutídica quebra do sigilo bancário. A quebra do sigilo bancário sem autorização expressa do Poder Judiciário desrespeita o quanto determinado nos incisos X e XII do artigo 5 o da CF. Transcreve ementa de acórdão da jurisprudênciapudicial sobre o assunto. Considerando que o procedimento fiscal, do qual resultou o auto de infração, não respeitou o sigilo bancário de que trata a CF, e teve, como fonte de origem, material de cognição obtido de modo ilícito, requer, o impugnante, pela segunda vez, que seja declarada a nulidade do lançamento, e, por conseqüência, decretado o cancelamento do auto de infração. 3. Da irretroatividade dos efeitos da Lei Complementar n° 105, de 2001 e da Lei 10.174, dc 2001. O impugnante traz arrazoado sobre o assunto, concluindo que. como o procedimento fiscal teve como base legislação vinda à luz apenas em 2001, que, por óbvio, não existia em 1998, está configurada a ofensa ao principio da irretroatividade da lei, a segurança jurídica c do ato jurídico perfeito. Por este motivo, também se faz necessária a declaração da nulidade do ato de lançamento e o conseqüente cancelamento do auto de infração. 4. Da decadência. Levando-se em consideração do disposto no artigo 150, § 4 o , do CTN e a data na qual o impugnante tomou ciência do auto de infração, todo e qualquer crédito tributário referente a fatos geradores ocorridos em data anterior a 19/01/1999 - de acordo com o artigo 214 do CPC esta seria a data mínima - estaria extinto por caducidade. Do mérito 1. No caso, foram utilizadas contas correntes mantidas em nome do contribuinte em conjunto com sua esposa Maria das Neves Silveira para recebimento e pagamento de valores que, na realidade, pertenciam, em sua grande maioria, aos clientes do seu escritório e/ou movimentação financeira do escritório, havendo total confusão dos recursos pessoais c das atividades profissionais exercidas pelo fiscalizado. 2. Portanto, a tarefa que foi atribuída ao representante do de cujus, pessoa física não compelida, pela lei, a manter escrituração contábil nem a guardar na memória cada um dos dados pertinentes a sua movimentação bancária, passados mais de cinco anos, e arguido de movimentações não realizadas por ele. 3. O ordenamento jurídico não manda que a pessoa física mantenha escrituração contábil, nem muito menos de outros, certo está que não pode exigir, como de fato não exige, venha a mesma pessoa fornecer pormenores a respeito de sua movimentação bancária ou de outros, como no caso. 4. Os depósitos bancários de origem não comprovada não se prestam, isoladamente, para comprovar nenhuma omissão de rendimentos, e seus valores não servem, isoladamente, para quantificar nenhum crédito trihutário. Esse é o entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, conforme ementas que transcreve. 5. Examinando as contas, percebe-se uma série de depósitos em dinheiro que regressavam para a mesma conta e outras, pois, o Dr. Ubirajara, pai do impugnante, tinha a mania de efetuar saques praticamente todos os dias. Por outro lado, a sua esposa depositava esses valores para evitar a guarda doméstica desse dinheiro. 6. A Autoridade Fiscal também considerou rendimento recursos que ingressaram numa determinada conta bancária do fiscalizado em dinheiro, que, na verdade, deveriam ter Fl. 540DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.289 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004715/2003-11 sido excluídos de tributação por tratarem de depósitos de titularidade do próprio fiscalizado ou de sua esposa, conforme o já explicado. 7. O Sr. AFRF também foi extremamente rigoroso, não se valendo do princípio da proporcionalidade e razoabilidade ao exigir que representante legal do de cujus fosse ao extremo da minúcia para explicar todos os depósitos, inclusive de valores ínfimos, isto c, inferiores a R$ 300,00. Assim, uma série de valores múltiplos de R$ 30,00, que eram os valores das taxas judiciais que foram depositadas na sua conta pra repasse imediato ao Poder Judiciário foram confundidas com rendas e tributadas. Assim, diante das considerações tecidas nos itens anteriores, os valores tributados devem, no mínimo, ser revistos de ofício para desconsiderar como rendimento, não só os depósitos em dinheiro, como também, todos os depósitos múltiplos de R$ 30,00. Da conclusão Diante do exposto, requer, o impugnante, que sejam acolhidas as preliminares e declarado nulo o auto de infração, ou, caso se entenda de forma diferente, seja apreciado o mérito e decretada a improcedência das exigências formuladas no auto de infração. Em decorrência da transferência da competência definida na Portaria SRF n° 103, de 29 de janeiro de 2007, veio o processo para julgamento nesta DRJ. O lançamento foi julgado procedente pela DRJ/STM. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de| Pessoa Física-IRPF Ano-caiendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECADÊNCIA. Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo dccadcncial para a Fazenda Pública constituir o credito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Intimado da referida decisão (AR fls. 430) o contribuinte apresentou o recurso Voluntário de fls. 433/464, no qual reitera em grande parte as alegações suscitadas quando da Impugnação, em apertada síntese: -Da Extição, por Caducidade, do MPF; - Da Quebra do Sigilo Bancário; - Da Decadência; - Da Ilegitimidade do lançamento com base em depósitos bancários -os depósitos bancários são meros indícios de renda, não caracterizando acréscimos patrimoniais suscetíveis de tributação, portanto servem apenas Fl. 541DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.289 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004715/2003-11 como ponto de partida para o trabalho de investigação por parte da autoridade fiscal; a regra do artigo 42 da Lei 9.430/96 deve ser interpretada as ponderações jurídicas impostas pelos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, por força do art. 2 º da Lei n. 9.784/99; não pode, simplesmente, a autoridade fiscal, desprezando o princípio da legalidade, de forma arbitrária, nos depósitos, sem a procura da verdade real, para fazer o lançamento; a súmula do CARF não pode transformar uma presunção relativa em absoluta, transferindo para o contribuinte o ônus da prova da origem dos depósitos bancários o dever de investigação foi desprezado pela fiscalização e a verdade real não ficou demonstrada; a multa exigida no percentual de 75% alcança valor excessivo em relação à suposta infração que lhe deu ensejo, tratando-se na verdade de uma multa confiscatória, não respeitando o princípio da capacidade contributiva; pela equidade é possível mitigar o efeito do rigor excessivo da lei, impedindo que esta seja um atentado ao próprio direito, devendo ser excluídas multas de grande vulto colaciona decisões judiciais, administrativas e doutrina para embasar suas alegações; caso não seja excluída a multa cobrada, que seja então reduzida ao percentual de2%, conforme preceitua o Código de Defesa do Consumidor; Em 04 de outubro de 2017, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, resolveram por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução n. 2202-000.809 (efls. 463 e ss.), com os seguintes argumentos, no essencial: (...) Conforme o relatório supra, o auto de infração ora combatido constituiu IRPF referente ao ano-calendan o de 1998. Por sua vez, a fiscalização teve inicio em 2003, momento em que foi intimado o inventariante. Conforme se verifica pela Certidão de Inventariante constante às fls. 376 o senhor Vandyck Neves da Silveira recebeu foi compromissado como inventariante em 20/03/2002. Por outro lado, a certidão de óbito de fls. 378 atesta que o contribuinte Ubirajara Silveira faleceu em 10 de abril de 1998. E certo que o espólio responde pelas dividas do "de cujus", sendo o inventariante eleito como a responsável tributária (artigos 131, III, do CTN). Referida responsabilidade abrange os créditos tributários já definitivamente constituidos, os em curso de constituição na data do evento motivador da responsabilidade (no caso. morte), e aqueles atos constituidos posteriormente ao evento motivador da responsabilidade (no caso, morte), desde que relativos â obrigação tributária surgida até a data daquele mesmo evento (morte), nos termos do artigo 129, do CTN. Todavia, no caso dos autos, trata-se de tributação fundamentada em presunção (art. 42 da Lei nº 9.430) que só poderá elidida pelo sujeito passivo, se justificada, individualizadamente, a origem dos depósitos. Diante desse fato, constata-se que a Fl. 542DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.289 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004715/2003-11 obrigação prevista no mencionado artigo tem caráter personalíssimo e, nessas condições, não pode ser transferida ao responsável tributário. Se é faticamente impossível intimar o titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos bancários, porque falecido, não há como materializar a hipótese de incidência tributária prevista no artigo 42. Caso contrário, estar-se-á transformando uma presunção relativa em presunção absoluta, ao se tomar a totalidade dos depósitos como não comprovados. A questão já foi analisada diversas vezes nesse e.CARF. Concluiu-se que a obrigação de comprovar a origem dos recursos depositados ou creditados na conta bancaria é personalíssima. Logo, se os recursos foram depositados enquanto o sujeito passivo era vivo, não se transfere para seus herdeiros o ônus de comprovar a sua origem. (...) Todavia, conforme relatado, o contribuinte faleceu em abril de 1998. Sendo assim, a parte do lançamento referente ao período de abril à dezembro poderia ser lançada. No entanto, a movimentação relativa ao período de janeiro à abril ocorreu em período anterior ao falecimento. Além disso, como atesta a intimação fiscal de fls. 227, as constas eram conjuntas e não consta dos autos o comprovante de intimação da cotitular para comprovar, individualizadamente, a origem dos depósitos. Sendo assim, entendo que o processo não se encontra em condições de ter um julgamento justo, motivo pelo qual, determino sua conversão em diligência para que a fiscalização: a) Anexe aos autos as intimações efetuadas a todos os co-titulares das contas correntes; b) Apôs, intime a contribuinte para se manifestar no prazo de 30 dias; Em 12 de dezembro de 2018, foi emitido Relatório Fiscal de Diligência (efls. 505 e ss.) com os seguintes esclarecimentos: - consta no Termo de Verificação a seguinte informação: Cumpre ressaltar que as contas correntes supra indicadas são conjuntas do contribuinte com sua esposa MARIA DAS NEVES SILVEIRA, CPF 171 967.478 79, sendo que esta apresentou declaração própria de IRPF para o exercício fiscalizado. Em consequencia, o montante supra citado está sendo tributado 50% no contribuinte UBIRAJARA SILVEIRA e 50% na contribuinte MARIA DAS NEVES SILVEIRA, esta por meio de MPF próprio. - portanto, a Sra. MARIA DAS NEVES SILVEIRA foi objeto de fiscalização diversa do ora contribuinte, por meio de MPF próprio, processo administrativo fiscal n. 19515.004716/2003-65, tendo a mesma sido intimada a apresentar a origem dos recursos depositados nas contas bancárias em que era co-titular com o Sr. Ubirajara Silveira. Em 07 de janeiro de 2019, o representante do espólio de Ubirajara Silveira (efls. 533) tomou ciência do resultado da diligência fiscal. Em 04 de fevereiro de 2019, o representante do espólio de Ubirajara Silveira acrescentou os seguintes argumentos em sua defesa (efls. 474 e ss): - não obstante a co-titular MARIA DA NEVES SILVEIRA tenha sofrido atuação distinta da presente, tal autuação foi cancelada por decisão proferida pela 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF, conforme ementa transcrita: Acórdão: 2401-005.127 Número do Processo: 19515.004716/2003-65 Data de Publicação: 01/11/2017 Fl. 543DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.289 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004715/2003-11 Contribuinte: MARIA DAS NEVES SILVEIRA Relator(a): CLEBERSON ALEX FRIESS Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA DE TITULARIDADE DO "DE CUJUS". EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DO ESPÓLIO DA ORIGEM DOS RECURSOS CREDITADOS EM CONTA DO FALECIDO. OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA. Para efeitos da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, a comprovação da origem dos recursos depositados é uma obrigação do caráter personalíssimo, a cargo exclusivo do titular da conta- corrente ou de invostimento mantida junto a instituição financeira. É improcedente o lançamento tributário que considera omissão de rendimentos tributáveis quando o espólio, na pessoa do inventariante, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados na conta bancária da pessoa física, relativamente a ano-calendário anterior ao óbito. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento, (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. - a decisão proferida no processo n. 19515.004716/2003-11 aplica-se com perfeição ao caso concreto, haja vista que as intimações que precederam a atuação foram dirigidas ao mesmo e único herdeiro, VANDYCK NEVES DA SILVEIRA, que, por questões óbvias, não teria condições materiais de atendê-las, porquanto não se encontrava na posição de titular ou co-titular das contas em questão - ora, como já demonstrado na impugnação e recurso voluntário, o MPF de n° 081.90000-2002-003696-6 foi lavrado em 17/09/2002 e o contribuinte supostamente intimado em 19/09/2002, quando já era falecido, tendo o inventariante sido intimado apenas em 12/11/2002; - é evidente, pois, que a presunção legal do artigo 42 da Lei 9430/96 não se aplica ao presente caso, o que fica evidenciado com o desfecho do PAF n. 19515.004716/2003-11, que recaiu exatamente sobre os mesmos fatos objeto da presente autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O inicio do procedimento fiscal deu-se em face do espólio do contribuinte na data de 19/09/2002, na pessoa da inventariante do espólio, a Sra. MARIA DAS NEVES DA SILVEIRA, relativamente a fatos geradores do ano-calendário de 1998 (fls. 12/13). Conforme certidão de óbito, o contribuinte UBIRAJARA SILVEIRA faleceu em 10/04/1998 (efls. 378). Fl. 544DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.289 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004715/2003-11 Constata-se que na DIRPF 1999 do contribuinte (efls. 06/11), ano-calendário 1998, constava como inventariante do espólio a Sra. MARIA DAS NEVES DA SILVEIRA. Contudo, o Sr. VANDYCK NEVES DA SILVEIRA apresentou Certidão de Inventariante emitida pelo Cartório do 4º Ofício de Família e das Sucessões de São Paulo (efls. 24), onde ficou demonstrado que o mesmo passou a ser o inventariante do espólio deixado pelo contribuinte a partir de 20/12/2001. Na verdade, a Sra. MARIA DAS NEVES DA SILVEIRA veio a falecer também em 07/02/2001 (efls. 482), posteriormente à morte de seu marido UBIRAJARA SILVEIRA, sendo que o Sr. VANDYCK NEVES DA SILVEIRA passou a ser representante do espólio de ambos seus pais (Ubirajara Silveira e Maria das Neves Silveira). Extrai-se do Termo de Verificação Fiscal, acostado às efls. 332/335, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao ano-calendário 1998, acrescido de juros de mora e multa de oficio de 75%, em virtude de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, efetuados cm conta corrente, de origem não comprovada, no valor total de R$ 210.071,12. Por outro lado, o espólio do contribuinte comprovou a origem dos depósitos bancários no valor total de R$ 16.029.072,12 (efls. 333). Segundo o agente lançador (efls. 334), o espólio devidamente intimado, deixou de comprovar a origem dos valores depositados nas contas-correntes mantidas em conjunto pelo Sr. Ubirajara Silveira com o sua esposa, Sr. Maria das Neves Silveira, sendo que esta apresentou declaração em separado. Em consequência, o montante da origem não comprovada foi tributado 50% no contribuinte (R$ 105.035,56) e 50% na contribuinte Maria das Neves Silveira (R$ 105.035,56), sendo que a Sra. Maria das Neves Silveira foi objeto de Mandado de Procedimento Fiscal próprio (Processo Administrativo Fiscal n. 19515.004716/2003-65). Neste ponto, colaciono parte do voto da Ilustre Conselheiro Cleberson Alex Fries, no Acórdão nº 2401-005.127, em 04/10/2017, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, sobre o tema em questão, referente ao espólio da Sra. Maria das Neves Silveira, contribuinte que possui as contas-correntes conjunta com o ora Recorrente, que passo a adotar como razões de decidir, e a seguir reproduzo: 8. A interposição de recurso administrativo produz o denominado efeito devolutivo, isto é, devolve toda a matéria impugnada para reexame da instância superior. Entre outros aspectos, o recorrente questiona a legalidade do lançamento tributário a partir da utilização dos registros de depósitos bancários, dada a transferência do ônus da prova ao contribuinte. 9. No caso sob exame, assiste-lhe razão. É que o ônus da comprovação da origem dos recursos depositados cm conta bancária constitui uma obrigação de nítido caráter personalíssimo: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados cm conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) (GRIFEI) 10. Como se observa, o art. 42 da Lei n° 9,430, de 1996, contém uma presunção relativa de omissão de rendimentos tributáveis, desde que o titular/contribuinte da Fl. 545DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.289 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004715/2003-11 movimentação bancária não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 11. O ônus da prova das movimentações bancárias em vida do contribuinte não é transmitido ao espólio, inventariante ou herdeiro, até porque é o titular aquela pessoa que possui os meios necessários para comprovar a origem dos valores que transitaram em sua conta bancária. Caso contrário, exigindo-se de terceiros a prova da origem dos depósitos bancários, o conteúdo do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, aproximar-se-á de uma presunção tributária absoluta. 12. Na forma como conduzido o procedimento fiscal, é improcedente o lançamento tributário com base no art. 42 da Lei n" 9.430, de 1996. As intimações para comprovação da origem dos valores movimentados pela contribuinte foram direcionadas ao seu espólio, em relação a fatos geradores ocorridos antes do seu óbito, com início da ação fiscal após o falecimento da contribuinte. No caso em questão, é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao ano-calendário 1998, sendo que o Sr. Ubirajara da Silveira faleceu em 10/04/1998. Com isso, quem movimentou as contas-correntes objeto da autuação após o falecimento do contribuinte foi sua esposa Maria das Neves Silveira, uma vez que as contas-correntes eram mantidas em conjunto pelo Sr. Ubirajara Silveira com o sua esposa, Sr. Maria das Neves Silveira, sendo que a mesma era representante do espólio do contribuinte no ano-calendário 1998, conforme DIRF 1999 do contribuinte (efls. 06/11). Na forma como conduzido o procedimento fiscal, é improcedente o lançamento tributário com base no art. no art. 42 da Lei nº 9.430. As intimações para comprovação da origem dos valores movimentados pelo contribuinte foram direcionados ao espólio do contribuinte, na pessoa do Sr. VANDYCK NEVES DA SILVEIRA, em relação a fato geradores ocorridos antes do seu óbito 10/04/1998 e posteriores ao seu óbito 11/04/1998 até 31/12/1998 (por sua esposa MARIA DAS NEVES SILVEIRA, representante do espólio, a qual faleceu em 07/02/2001), com a ação fiscal iniciada após o falecimento de ambos. Tal entendimento, encontra-se inclusive sumulado, no verbete de nº 120, deste Conselho. Confira-se: Súmula CARF nº 120 Não é válida a intimação para comprovar a origem de depósitos bancários em cumprimento ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, quando dirigida ao espólio, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes do falecimento do titular da conta bancária. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Deixo de analisar os demais argumentos de defesa contra a pretensão fiscal e decisão de piso, por absoluta desnecessidade para o deslinde do julgamento. Conclusão Ante o exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator Fl. 546DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.289 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004715/2003-11 Fl. 547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000517/2004-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de
transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário,
salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.150
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO para reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO para reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 28/03/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 31/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 19515.000517/200469 Acórdão n.º 210201.150 S2C1T2 Fl. 147 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra HSU YUNG LUNG foi lavrado Auto de Infração, fls. 62/65, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano calendário 1998, exercício 1999, no valor total de R$ 172.925,73, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 27/02/2004. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 58/61, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (operações de transferência eletrônica de fundos através do Sistema FEDLINE por meio de lançamentos a débito de conta na Agência Banestado NY para o Banco Shinhan Bank Seoul Korea tendo como beneficiário o fiscalizado, no valor de US$ 100,530.00 em 23/11/1998 e US$ 100,000.00 em 08/12/1998, cuja origem não foi comprovada mediante documentação) Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 69/70, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SPOII nº 1726.444, de 21/07/2008, fls. 88/93: 3.1. que as estranhas movimentações financeiras nunca foram realizadas pelo contribuinte, não havendo qualquer prova, por parte do Fisco, que demonstre ser este recorrente, o titular de tais contas, restando, somente, informações do banco Banestado, que fora enviado via conta CC5, para talvez um homônimo, ou o recorrente esteja servindo de "laranja", para terceiros movimentarem dinheiro de forma ilegal em outro país; 3.2. o recorrente não tem como comprovar a origem dos recursos porque nunca os possuiu e sequer enviou, para si ou para terceiros, qualquer valor, principalmente os referidos no auto de infração; 3.3. que o nome do contribuinte apontado nas transferência FEDLINE tratase de homônimo; 3.4. "Ante a impossibilidade da apresentação de provas junto com este recurso, requer a juntada dos documentos, pertinentes, oportunamente, em qualquer fase deste processo.". A DRJ São Paulo II julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 31/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 19515.000517/200469 Acórdão n.º 210201.150 S2C1T2 Fl. 148 3 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 13/10/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 96, o contribuinte apresentou, em 12/11/2008, recurso voluntário, fls. 102/109, trazendo as seguinte alegações: 1°) Tal presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96 não poderá prosperar, sem que fiquem demonstrados sinais exteriores de riqueza do recorrente; 2°) A presunção júris tantum do artigo 42 da Lei 9.430/96, por ser impossível o recorrente demonstrar que tratase de homônimo, ante, a falta de dados de identificação do recebedor dos recursos, per si não pode caracterizar "omissão de receita" ou "omissão de informações"; 3°) O artigo 5°, especialmente o seu § 4°, da Lei Complementar 105/2001 permite a quebra administrativa do sigilo bancário do contribuinte, nas condições que especifica, possibilitando, inclusive, a exibição de documentos que envolvam terceiras pessoas, como o exame de cheques emitidos e depósitos recebidos na conta fiscalizada "para a adequada apuração dos fatos"; 4°) A lei vigora, quando não tenha vigência temporária, até que lei posterior a revogue expressamente, ou então seja com ela incompatível total ou parcialmente. 5°) As presunções relativas para apuração dos fatos atribuídos ao recorrente só será admissíveis, obedecidos aos princípios constitucionais da legalidade e da tipicidade. 6°) A Lei Complementar 105/2001, por seu artigo 5°, § 4°, permite a apuração e a quantificação real da base de cálculo dos tributos mencionados. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 31/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 19515.000517/200469 Acórdão n.º 210201.150 S2C1T2 Fl. 149 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Antes de analisar as alegações do recorrente, cumpre verificar se, na data do lançamento, o crédito tributário exigido no Auto de Infração já se encontrava alcançado pela decadência. O art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 31/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 19515.000517/200469 Acórdão n.º 210201.150 S2C1T2 Fl. 150 5 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) No presente caso, o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual, exercício 1999, anocalendário 1998, fls. 47/49, tempestivamente, apurando saldo de imposto a pagar, no valor de R$ 2.449,08, depois de compensar imposto complementar de R$ 5.422,50. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima transcrito. Os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 1998 somente se completaram em 31/12/1998, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2003. Como o contribuinte somente foi cientificado do Auto de Infração em 01/04/2004, Aviso de Recebimento (AR), fls. 67, temse que o crédito tributário exigido no Auto de Infração se encontrava fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 31/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 19515.000517/200469 Acórdão n.º 210201.150 S2C1T2 Fl. 151 6 Logo, tornase desnecessária a análise das argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso para reconhecer de ofício que o crédito tributário exigido no Auto de Infração se encontrava fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 31/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902233/2017-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2011
PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. INEXISTÊNCIA.
Não se reconhece crédito líquido e certo, quando o contribuinte não aponta objetivamente os erros cometidos que justificariam sua existência, nem traz documentos que comprovem os alegados equívocos.
Numero da decisão: 1301-004.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.902235/2017-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. INEXISTÊNCIA. Não se reconhece crédito líquido e certo, quando o contribuinte não aponta objetivamente os erros cometidos que justificariam sua existência, nem traz documentos que comprovem os alegados equívocos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.902235/2017-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Trata-se o presente processo de Pedido de Compensação Eletrônico n. 13771.96908.061112.1.3.04-0667no qual o crédito indicado é de pagamento indevido ou a maior de CSLL referente ao período de apuração abril/2011, no valor de R$ 83,50, e o débito indicado para compensação é CSLL de junho/2011. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 22 33 /2 01 7- 01 Fl. 143DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.075 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.902233/2017-01 O Despacho Decisório eletrônico indeferiu o pedido de compensação tendo em vista que não reconheceu existência de crédito, posto que o DARF indicado encontrava-se integralmente alocado, parte para um débito e outra parte alocado em outra DComp, conforme tela abaixo: O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde declara que é optante pela apuração anual do lucro real e que havia recolhido a maior a estimativa mensal da CSLL, tendo resolvido pedir restituição do valor pago a maior, compensando-o com débitos que indicou. Aduz que embora tenha informado por equívoco na composição do seu saldo negativo solicitado no PER/DCOMP nº21939.89197.071112.1.3.03-1300, o valor total do DARF, haveria outro equívoco cometido naquela composição que a prejudicaria e "igualaria" o valor correto do saldo negativo, anulando o efeito do mencionado equívoco, que seria o fato de que não havia sido percebido pelo Despacho Decisório em questão que o débito indicado para compensação no presente PER/DCOMP seria referente à estimativa mensal de CSLL de junho do ano calendário 2011. Assevera que na análise de crédito do PER/DCOMP21939.89197.071112.1.3.03- 1300, onde consta a composição do saldo negativo do ano calendário de 2010 ali pleiteado, no campo denominado "estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, com processo administrativo, processo judicial ou DCOMP", onde deveriam constar todas as estimativas "pagas" com DCOMP, não constaria a presente DCOMP. Conclui a Recorrente que dessa forma, o efeito gerado pelo equívoco de ter informado o valor total do DARF referente à estimativa abril/2011 na composição do saldo negativo ali pleiteado seria anulado na medida em que o valor da estimativa quitada com a presente DCOMP havia deixado de ser informado na composição do saldo negativo da CSLL referente ao ano calendário de 2011, restando mantida a verdade material. -Finaliza requerendo o reconhecimento do direito creditório pleiteado. A DRJ julgou a manifestação improcedente posto que verificou que o DARF indicado já tinha sido inteiramente aproveitado, parte para liquidar um débito, e parte foi aproveitado no PerDcomp 21939.89197.071112.1.3.03-1300. O contribuinte foi cientificado do acórdão da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário, onde alega nulidade do acórdão recorrido e reitera os argumentos despendidos na manifestação, no sentido de que cometeu equívocos no PerDcomp nº 21939.89197.071112.1.3.03-1300que justificariam a existência de crédito nos PerDcomp constantes deste processo. Ao final, requer que seja dado provimento ao recurso para determinar a nulidade da decisão recorrida ou, superando a questão da nulidade, para reformar o acórdão recorrido e reconhecer o crédito pleiteado, homologando os débitos compensados. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.075 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.902233/2017-01 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1301-004.070, de 15 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10480.902235/2017-92, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301-004.070): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente a Recorrente alega nulidade do acórdão recorrido, pois teria se furtado em enfrentar o argumento central por ela apontada, e teria indeferido o pedido sob o fundamento de que a contribuinte teria pretendido retificar o PER/DCOMP nº. 21939.89197.071112.1.3.03-1300, em que foi pedido o Saldo Negativo de CSLL do ano de 2011, “por vias transversas”. Equivoca-se a Recorrente. Em momento algum o acórdão recorrido se referiu a “retificação por vias transversas” ou qualquer expressão do gênero. O acórdão recorrido indeferiu o pedido, porque após verificações aos sistemas da RFB, constatou que o DARF havia sido de fato aproveitado integralmente no PerDcomp nº. 21939.89197.071112.1.3.03-1300. Dessa forma, não procede o argumento de nulidade do acórdão recorrido. Quanto ao mérito, a Recorrente defende que deve ser privilegiado o princípio da verdade material, e argumenta a decisão da DRJ merece ser reformada, pois, assim como o despacho decisório emitido, privilegia a forma em detrimento da verdade material, pois, de fato, há outro equívoco cometido além da indicação do valor total do DARF naquela composição do saldo negativo, que prejudica a Recorrente e “iguala” o valor correto do Saldo Negativo, anulando o efeito do equívoco identificado. A Recorrente, de maneira confusa, alega que cometeu erros na indicação do saldo negativo referente ao ano-calendário de 2011, indicado no PerDcomp nº. 21939.89197.071112.1.3.03-1300. O contribuinte declara ter cometido erro no preenchimento da Dcomp nº 21939.89197.071112.1.3.03-1300, quanto ao valor informado de estimativa de janeiro/2011, mas não esclarece o erro, não afirma qual seria o valor devido, pago e declarado, tampouco apresenta documentos que o comprovem. A Recorrente faz referência ainda a dados informados em DCTF, a DCTF não foi anexada à manifestação de inconformidade. O que consta dos autos é a DIPJ, conforme se verifica do índice do processo digital. Fl. 145DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.075 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.902233/2017-01 Com efeito, a Recorrente argumenta que cometeu erros em outro PerDcomp nº 21939.89197.071112.1.3.03-1300, que não é objeto do presente processo. Ainda assim, os erros supostamente cometidos no preenchimento daquele PerDcomp não foram objetivamente apontados, e tampouco comprovados. Por sua vez, o acórdão da DRJ traz telas que demonstram o aproveitamento integral do saldo negativo informado na DComp n. 21939.89197.071112.1.3.03-1300, bem como o aproveitamento do DARF informado nos PerDcomp objeto de manifestação de inconformidade constantes deste processo (nº 28620.61444.061112.1.3.04-3930 e nº 05690.36504.061112.1.3.04-4700). A autoridade de primeira instância aponta que o pagamento indicado como fonte do crédito pleiteado já foi inteiramente utilizado conforme indicado no Despacho Decisório em lide. Não vislumbro, portanto, a existência de crédito líquido e certo a embasar os pedidos de compensação objeto do presente processo. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908028/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE.
A não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da PIS/COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica.
Numero da decisão: 3401-006.242
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para: (a1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-988/98, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares; e (a2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-328/2002, exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, que mantinha integralmente o lançamento nesse item; e (b) por unanimidade de votos, para: (b1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-229/2005-F, exceto no que se refere a manutenção predial; (b2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-1012/2007-A; (b3) afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados; (b4) afastar o lançamento no que se refere a custos de instalação de equipamentos do ativo imobilizado; e (b5) manter a autuação em relação aos contratos Contrato JUR-562/98 e JUR 230/2005-F, e em relação aos demais itens lançados.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. A não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da PIS/COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica.
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NÃOCUMULATIVIDADE. A nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da PIS/COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para: (a1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR988/98, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares; e (a2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR328/2002, exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, que mantinha integralmente o lançamento nesse item; e (b) por unanimidade de votos, para: (b1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR229/2005F, exceto no que se refere a manutenção predial; (b2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR1012/2007A; (b3) afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados; (b4) afastar o lançamento no que se refere a custos de instalação de equipamentos do ativo imobilizado; e (b5) manter a autuação em relação aos contratos Contrato JUR562/98 e JUR 230/2005F, e em relação aos demais itens lançados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 80 28 /2 01 1- 61 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a repetir os seguintes argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade: (a) Ressalta o conceito extensivo a “insumo” para fins de sua aplicação à legislação do PIS/COFINS nãocumulativos, e que os serviços contratados pela Recorrente seriam atinentes a sua atividade; (b) Sobre os fretes na aquisição de insumos importados, afirma que esses valores integram o custo efetivo de aquisição de insumos não se confundindo com o frete internacional da importação; (c) Sobre os seguros, alega que tais valores integram o custo do frete na venda de mercadorias, assim geram direito ao crédito, a teor do art. 3o, IX, da Lei Federal no 10.833, de 2003; e (d) Quanto aos créditos sobre ativo imobilizado, afirma que: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.231, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.908017/201181. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.231): "Do Mérito Em síntese, o Recurso busca a reforma da decisão que manteve as glosas em relação a: (1) Serviços de manutenção e conservação predial, manutenção de rede elétrica, aluguel de empilhadeiras e veículos, movimentação de mercadorias, controle de estoque, almoxarifado, limpeza e jardinagem , que não foram considerados insumos do processo produtivo pela fiscalização, a teor da Instrução Normativa (IN) SRF no 404, de 2004, ou seja, tais serviços não foram aplicados diretamente ao processo produtivo da empresa; (2) Fretes sobre a aquisição de insumos importados; (3) Seguros pagos sobre as mercadorias vendidas ao exterior; (4) Depreciação de máquinas e Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 5 4 equipamentos que não participam do processo industrial da empresa; (5) Depreciação acelerada calculada sobre bens em que não há previsão legal; e (6) Inclusão de serviços de instalação que não integram o custo de aquisição do ativo imobilizado. Do Conceito de insumos na legislação que rege as contribuições Com relação a esse item do Recurso, é necessário estabelecer os limites interpretativos para o conceito de insumo no âmbito das contribuições sociais, para, em seguida, expor as conclusões quanto à plausibilidade do direito ao crédito. A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias no 66/2002 e no 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais no 10.637/2002 e no 10.833/2003. Anteriormente, a nãocumulatividade tributária, no Brasil, foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu na doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, porque até o advento da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional das contribuições limitouse a delegar à lei ordinária o estabelecimento de quais setores de atividade econômica teriam o regime nãocumulativo aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: “§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas”. Vejase que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 6 5 (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2o O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; (...)” De tal forma, ainda, que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio qual seja, o de viabilizar a tributação sobre o valor agregado , é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Ed. Dialética, 2009, p.427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3o das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, que serão objeto de análise pontual mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3o: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei no 11.727, de 2008). Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 7 6 b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei no 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei no 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei no 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços.” E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 8 7 refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar no 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: “(...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...)” De fato, do ponto de vista puramente econômico, o referido conceito nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito, ao menos no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente se trata do ICMS ou do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei no 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 9 8 Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT no 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: “Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos.” Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica”. De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o mencionado artigo 3o, quando se observa que os incisos e parágrafos endossam a ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 10 9 mencionam “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da não cumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse sentido decisão recente e vinculante do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial 1.221.170/PR, de que o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF no 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF no 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: “Art. 66. (...) § 5o Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 11 10 Partindo desse posicionamento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta no 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 12 11 geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art. 8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF no 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8o, § 4o, que assim dispôs: “Artigo 8o (...) § 4o Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I Utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II Utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente que a do IPI e do ICMS, o construído à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Passo a analisar, a seguir, os itens glosados pela fiscalização e mantidos pela decisão de primeiro grau. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 13 12 Das glosas efetuadas (1) Glosa de créditos sobre serviços de manutenção e conservação predial, manutenção de rede elétrica, aluguel de empilhadeiras e veículos, movimentação de mercadorias, controle de estoque, almoxarifado, limpeza e jardinagem. A Recorrente deseja ver reformadas as glosas relacionadas a: Contratos de Prestação de Serviço JUR562/98 e JUR988/98, que se referem a gerenciamento do inventário físico dos insumos utilizados na produção, incluindo compra, recebimento, estocagem, manuseio até a sua utilização na produção; Contrato de Serviços JUR 328/2002, relacionado à limpeza industrial e remoção de resíduos industriais; Contrato de Serviço JUR 229/2005F, relacionado a operações de instalação, manutenção predial e tratamento de resíduos, manutenção de equipamentos industriais (empilhadeiras, motobombas, geradores, guindastes), além de serviços de serralheria e carpintaria relacionados a equipamentos utilizados na produção; Contrato de Serviço JUR 230/2005F, relacionado a jardinagem, correio, administração do arquivo, almoxarifado de materiais indiretos; e Contrato de Serviço JUR 1012/2007A, relativo à manutenção de equipamentos industriais (empilhadeiras, paletizadoras, geradores, guindastes). Ora, dos itens relacionados acima, com base no entendimento esposado na parte anterior do voto, aliado à compreensão dada por insumo nos termos da Solução de Consulta COSIT no 5/2018, é possível entender como passíveis de apropriação de crédito, por guardarem essencialidade em relação à atividade da Recorrente, as despesas dos contratos de serviço JUR988/98, JUR328/2002 (exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo), JUR229/2005F (exceto no que se refere a manutenção predial), e JUR1012/2007A, sendo corretas as glosas referentes aos contratos JUR562/98 e JUR 230/2005F, por serem atinentes a atividades que não denotam o grau de essencialidade relevância discutido no tópico anterior. Assim, devem ser reformadas parcialmente as glosas relativas a este tópico, como exposto acima. (2) Fretes sobre a aquisição de insumos importados Devese reconhecer que a legislação da modalidade não cumulativa das contribuições sociais não previu a possibilidade de desconto de créditos sobre os serviços de frete decorrentes da aquisição de insumos que, por sua vez, geraram créditos. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 14 13 Talvez nem precisasse. Isso porque, conforme, será explicitado à frente, esse regime nãocumulativo está sensivelmente ligado à dualidade custo receita; não há a menor dúvida que o frete suportado pelo adquirente na compra de insumos deve ser integrado ao custo de aquisição desses últimos. Vejamos o Pronunciamento Técnico CPC 16, aprovado pelo CFC pela NBC TG 16: “11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição.” Além disso, é possível inferir que tenha havido silêncio eloquente pelas normas que regulam as contribuições, ao não vetar expressamente essa possibilidade, vis a vis ser absolutamente claro que, como regra, os gastos no transporte de insumos serem integrantes do custo de estoque. Dessa forma, o frete nacional na aquisição de insumos, por compor o seu custo, implica o direito ao crédito das contribuições. Esse entendimento acabou sendo replicado na Solução de Consulta COSIT no 99048, de 20.03.2017, ao reconhecer a possibilidade do crédito sobre frete quando esse integrar o custo de aquisição de insumos, a despeito da falta de “previsão legal específica para a apuração de créditos da não cumulatividade da COFINS em relação aos dispêndios com frete ocorridos na aquisição de bens”: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: CRÉDITOS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os dispêndios com serviço de transporte de bens de terceiros entre estabelecimentos da pessoa jurídica executora de serviços de manutenção dos referidos bens não geram para esta direito à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. Não há previsão legal específica para a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação aos dispêndios com frete ocorridos na aquisição de bens. No entanto, considerando que o frete do bem adquirido, em regra, integra o custo de aquisição do bem: a) quando permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, o custo de seu transporte, incluído no seu valor de aquisição, servirá, indiretamente, de base de apuração do valor do crédito; b) Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 15 14 quando vedado o creditamento em relação ao bem adquirido, também não haverá, sequer indiretamente, tal direito em relação aos dispêndios com seu transporte. (VINCULADA À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT No 7, DE 23 DE AGOSTO DE 2016, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 11 DE OUTUBRO DE 2016.) DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei no 10.637/2002, art. 3o, II; RIR, art. 289, § 1o; IN SRF no 247/2002, art. 66, I, ‘b’, e § 5o. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: CRÉDITOS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os dispêndios com serviço de transporte de bens de terceiros entre estabelecimentos da pessoa jurídica executora de serviços de manutenção dos referidos bens não geram para esta direito à apropriação de créditos da Cofins. Não há previsão legal específica para a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação aos dispêndios com frete ocorridos na aquisição de bens. No entanto, considerando que o frete do bem adquirido, em regra, integra o custo de aquisição do bem: a) quando permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, o custo de seu transporte, incluído no seu valor de aquisição, servirá, indiretamente, de base de apuração do valor do crédito; b) quando vedado o creditamento em relação ao bem adquirido, também não haverá, sequer indiretamente, tal direito em relação aos dispêndios com seu transporte. (VINCULADA À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT No 7, DE 23 DE AGOSTO DE 2016, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 11 DE OUTUBRO DE 2016.) DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei no 10.833/2003, art. 3o, II; RIR.” Diante disso, deve ser reformada a decisão recorrida, para reconhecer os créditos oriundos da contratação de frete nacional na aquisição dos insumos importados, uma vez que os gastos relacionados sua efetiva entrega no estabelecimento da Recorrente integram o custo de aquisição. Excluemse da geração de créditos os fretes relativos à operação de importação (fretes internacionais). Assim, devem ser revertidas as glosas referentes a fretes nacionais na aquisição de insumos importados. (3) Seguros pagos sobre as mercadorias vendidas ao exterior Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 16 15 Por outro lado, a contratação de seguro relacionada aos produtos acabados a serem vendidos ao exterior não se insere o conceito de custo de aquisição de insumos ou mercadorias, uma vez que esses gastos que ocorrem após a finalização do produto, não sendo possível sua integração ao custo do produto acabado. Em sua defesa, a Recorrente traz à baila o fato de que os valores de seguro estão compreendidos no valor total do frete relacionado à exportação dos seus produtos, como se demonstra no trecho do contrato de serviços de frete internacional (JUR 777/2003): Nesse sentido, alega que o seguro, na verdade, se inclui no total da remuneração cobrada pela transportadora, e, como tal, deveria ser passível de creditamento. Por outro lado, o fato de o contrato entre as partes prever que o seguro será cobrado conjuntamente não desnatura o “seguro”, de modo que não há como tratálo como frete. Assim, tratase de típica “despesa com vendas”, cuja natureza (seguro) não está prevista no rol de possibilidades de apropriação de créditos de PIS/COFINS, posto que não é tampouco possível caracterizála como insumo. Acertada, portanto, a decisão de primeiro grau, que manteve a glosa de créditos originados dessas despesas. (4) Depreciação de máquinas e equipamentos que não participam do processo industrial da empresa A Recorrente alega que os bens que foram desconsiderados pela fiscalização são pertinentes ao processo produtivo, porém nada junta aos autos para comprovar essa alegação, sendo incluída na Impugnação uma tabela com descrição sumária de itens do imobilizado, e nada mais no Recurso Voluntário. Não há dúvida que é possível a apropriação de créditos decorrentes de despesas de depreciação de bens do ativo imobilizado, desde que respeitadas as condições estabelecidas pela legislação em vigor, em especial aquela relacionada à ligação intrínseca entre o ativo em questão e a atividadefim desenvolvida. Esse aspecto, arduamente atacado pela fiscalização, não foi rebatido a contento pela Recorrente nas diversas oportunidades que teve para fazêlo. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 17 16 Portanto, inexistindo comprovação mínima que pudesse, ao menos, ensejar dúvida para suscitar diligência, nego provimento ao Recurso nesse ponto, por carência probatória. (5) Depreciação acelerada calculada sobre bens sem previsão legal Quanto a esse item, a Recorrente protesta contra a estratégia da fiscalização de desconsiderar a opção pela apropriação de créditos das contribuições sociais sob a alternativa de “depreciação acelerada”, prevista nas subsequentes alterações nas leis que regem as contribuições sociais, em que foi permitido a apropriação em 1/48 avos mensais ou 1/24 avos mensais, para outros bens que não máquinas e equipamentos. Na oportunidade da fiscalização, foi desconsiderada a metodologia de cálculo com base em “depreciação acelerada” em 24 meses para bens do ativo imobilizado que não restaram identificados como máquinas ou equipamentos cuja NCM não constava na lista taxativa da norma que concedeu esse benefício, e das máquinas e equipamentos em geral para os casos de apropriação em 12 parcelas até a modalidade de apropriação integral. Com relação a isso, importante lembrar que, como regra geral, a apropriação de créditos deve ser proporcional às taxas de depreciação previstas na legislação tributária, sendo facultada a metodologia de 1/48 avos mensais. Em um momento seguinte, visando estimular a expansão e a renovação do parque industrial brasileiro, houve a edição da Medida Provisória no 219/2004, posteriormente convertida na Lei no 11.051/2004, a qual, entre outras providências, dispôs sobre o desconto dos créditos do PIS/PASEP e da COFINS sobre a aquisição de máquinas e equipamentos. A Medida Provisória em referência, em seu artigo 2o, possibilitou a utilização, no prazo de dois anos, do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP e COFINS sobre os custos de aquisição das máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos novos, taxativamente arrolados nos Decretos Federais no 4.955/2004 e no 5.173/2004, reduzindo, especificamente para estes bens, o prazo de quatro anos anteriormente estipulado. Posteriormente, em 2008, foi editada outra Medida Provisória sobre o assunto (Medida Provisória no 428/2008, posteriormente convertida na Lei no 11.774/2008), possibilitando, a partir de 18/09/2008, a tomada de créditos na hipótese de aquisição de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e serviços, sobre o valor correspondente a 1/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 18 17 Sumarizando tais evoluções legislativas, temos o seguinte quadro: Método de creditamento Ativos elegíveis 1/48 avos/mês Qualquer ativo imobilizado adquirido a partir de maio/2004 1/24 avos/mês Máquinas e equipamentos adquiridos a partir de outubro/2004 até dezembro/2010, limitados àqueles NCM’s listados nos Decretos Federais nº 4.955/2004 e 5.173/2004, aplicados em processo industrial. 1/12 avos/mês Máquinas e equipamentos adquiridos a partir de maio/2008 Em ambos os atos normativos, Lei Federal no 11.051/2004, artigo 2o, § 1o, e Lei Federal no 11.774/2008, artigo 1o, § 1o, faz se menção expressa a que os bens do ativo imobilizado que fazem jus à depreciação acelerada respectiva são da espécie “máquinas e equipamentos”, e que o crédito será calculado sobre o seu “custo de aquisição”: “LEI FEDERAL no 11.051/2004 Art. 2o As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 2 (dois) anos, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição dos bens de que trata o art. 1o desta Lei. § 1o Os créditos de que trata este artigo serão apurados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor correspondente a 1/24 (um vinte e quatro avos) do custo de aquisição do bem. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 19 18 LEI FEDERAL no 11.774/2008 Art. 1o As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 12 (doze) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e serviços. § 1o Os créditos de que trata este artigo serão apurados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor correspondente a 1/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem.” Assim, não poderia a Recorrente tomar créditos na modalidade acelerada sobre aquisição de outros bens do ativo imobilizado como benfeitorias prediais, mobiliário, etc., tampouco poderia ter apropriado créditos sobre máquinas e equipamentos que não estivessem contidos na lista taxativa dos Decretos no 4.955/2004 e no 5.173/2004. Portanto, acertada a decisão recorrida nesse particular, de modo que não merece reforma. (6) Inclusão de serviços de instalação que não integram o custo de aquisição do ativo imobilizado A Recorrente, por outro lado, refuta os argumentos da fiscalização quanto as glosas efetuadas sobre os serviços de instalação relacionados aos bens do ativo imobilizados em razão de não se integrarem os respectivos custos de aquisição, ressaltando que, contabilmente, tais serviços se integram ao custo do equipamento. Nesse item, há de se concordar com a Recorrente. Explico. O conceito de ativo imobilizado figura na Lei no 6.404/1976 (Lei das S.A.), que, em seu art. 179, IV, com as alterações promovidas pela Lei no 11.638/2007, estabelece que devem ser registrados no ativo imobilizado os “...direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens”. Na prática, as premissas para o registro contábil de um determinado dispêndio como ativo imobilizado sempre foram encontradas na Resolução CFC no 1.025/20054, até 31/12/2009, 4 (...) Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 20 19 e, desde então, no Pronunciamento no 27 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, aprovado pela Deliberação CVM no 583/2009 e pela Resolução CFC no 1.177/2009. O referido CPC no 27, em seu item 6, define ativo imobilizado: “Ativo imobilizado é o item tangível que: é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e se espera utilizar por mais de um período.” Mais adiante, o mencionado CPC no 27 trata das hipóteses em que um bem deve ser reconhecido como um item do ativo imobilizado: “7. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se: for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade; e o custo do item puder ser mensurado confiavelmente. 8. Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usálos por mais de um período. Da mesma forma, se puderem ser utilizados somente em conexão com itens do ativo imobilizado, também são contabilizados como ativo imobilizado.” Ainda sobre a definição dos itens a serem registrados no ativo imobilizado, é interessante analisar o disposto nos itens 16 e 17 do mesmo CPC no 27: 16. O custo de um item do ativo imobilizado compreende: (a) seu preço de compra, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre a compra, após deduzidos os descontos comerciais e abatimentos; (b) quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração; (c) a estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item e de restauração do local (sítio) no qual este está localizado. Tais custos representam a obrigação em que uma entidade incorre quando o item é adquirido ou como 19.1.2.4. Ativo imobilizado, objeto desta norma, compreende os ativos tangíveis que: a) são mantidos por uma entidade para uso na produção ou na comercialização de mercadorias ou serviços, para locação, ou para finalidades administrativas; b) têm a expectativa de serem utilizados por mais de doze meses; c) haja a expectativa de auferir benefícios econômicos em decorrência da sua utilização; e d) possa o custo do ativo ser mensurado com segurança. (...) Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 21 20 conseqüência de o usar durante um determinado período para finalidades diferentes da produção de estoques durante esse período. 17. Exemplos de custos diretamente atribuíveis são: (a) custos de benefícios aos empregados (tal como definidos no Pronunciamento Técnico CPC 33 – Benefício PósEmprego) decorrentes diretamente da construção ou aquisição de um item do ativo imobilizado; (b) custos de preparação do local; (c) custos iniciais de frete e de manuseamento; (d) custos de instalação e montagem; (e) custos com testes para verificar se o ativo está funcionando corretamente, após dedução das receitas líquidas provenientes da venda de qualquer item produzido enquanto se coloca o ativo nessa localização e condição (tais como amostras produzidas quando se testa o equipamento); e (f) honorários profissionais.” Lembrando que, para fins tributários, o conceito de ativo imobilizado não poderia ser outro que não o definido pela legislação societária e subsidiariamente pelos princípios contábeis de aceitação geral no Brasil; mesmo porque não há uma definição própria em lei tributária, muito menos na legislação de regência do PIS/PASEP e COFINS não cumulativos. Nesse sentido, os gastos relacionados à instalação e outros serviços necessários para possibilitar o funcionamento inicial das respectivas máquinas e equipamentos que, nos termos dos itens anteriores, podem ter créditos apropriados, igualmente podem ser apropriados na mesma sistemática “acelerada”, posto que integram o custo de aquisição desses itens. Portanto, deve ser reformada a decisão nesse particular, afastandose o lançamento no que se refere a custos de instalação de equipamentos do ativo imobilizado. Das considerações finais Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para afastar o lançamento em relação aos contratos JUR988/98; JUR328/2002 (exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo); JUR 229/2005F (exceto no que se refere a manutenção predial); e JUR1012/2007A; bem assim para afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados, e custos de instalação de equipamentos do ativo imobilizado. Nota do redator designado Ad Hoc: Como o presente processo foi julgado em conjunto com outros seis, da mesma empresa, na Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 22 21 sessão de julgamento de 17/06/2019, sendo um deles de maior abrangência e referente a lançamento (no 13888.720188/2012 61, onde podem ser encontrados, na íntegra, os contratos mencionados neste voto), o resultado do processo abrangente acabou espelhado nos demais, inclusive no presente. Assim, a menção, no resultado do julgamento, a afastamento de “lançamento” para um determinado tema deve ser compreendida como afastamento “das glosas” efetuadas pela fiscalização em relação ao respectivo tema. O esclarecimento aqui apresentado objetiva facilitar a compreensão e a liquidação administrativa do acórdão." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicase também aos autos a observação contida na “Nota do redator designado Ad Hoc” constante do paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso, para afastar o lançamento em relação aos contratos JUR988/98; JUR 328/2002 (exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo); JUR 229/2005F (exceto no que se refere a manutenção predial); e JUR1012/2007A; bem assim para afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados, e custos de instalação de equipamentos do ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13888.908028/201161 Acórdão n.º 3401006.242 S3C4T1 Fl. 23 22 Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002297/2007-93
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-001.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil, que lhe davam provimento integral.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil, que lhe davam provimento integral. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil, que lhe davam provimento integral. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 08/13) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2004 (e-fls. 39/42), onde se apurou Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Despesas com Instrução. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 22 97 /2 00 7- 93 Fl. 132DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.411 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10670.002297/2007-93 O contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 02/07), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 88/95): O notificado apresentou impugnação em 16/11/2007 (fls. 01/06), anexando registros de nascimento de FLÁVIA PATRÍCIA MENDES BARBOSA, MATHEUS HENRIQUE MENDES BARBOSA e GUSTAVO LUIZ MENDES BARBOSA, para fins de comprovação da relação de dependência, assim como os documentos relativos a suas despesas cm instrução. Juntou também os recibos de pagamentos das despesas médicas glosadas, argumentando ter assim atendido ao art. 80 do Decreto 3.000/99, que trata do assunto. Alega ainda ser a multa aplicada confiscatória e os juros indevidos. Consta ainda do referido relatório: Por meio do Despacho n° 99/2009, da 6ª Turma de Julgamento de Juiz de Fora (fls. 41), o processo retomou em diligência a fim de que fosse requerido ao impugnante elementos adicionais relativos às despesas médicas com os profissionais LEANDRO DE MELO (R$ 2.400,00), MARILEIDE FERREIRA DE OLIVEIRA (R$ 10.300,00), ALESSANDRA FERREIRA DE OLIVEIRA (R$ 10.200,00) e RITA DE CÁSSIA SANTANA (R$ 4.000,00), para que o relator do processo pudesse formar juízo sobre o direito alegado. Como resultado da diligência foram juntados ao processo os documentos de fls. 47/63. A Impugnação foi julgada procedente em pare pela 6ª Turma da DRJ/JFA em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÕES. DEPENDENTES. Na declaração de ajuste anual pode ser utilizada a dedução de dependentes, respeitando- se os ditames legais. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Há que ser restabelecida a dedução glosada pela autoridade fiscal por falta de apresentação de documentação comprobatória na fase de revisão da declaração de rendas, quando tal valor restar devidamente corroborado na fase impugnatória. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser mantida a glosa das despesas médicas declaradas quando houver necessidade de elementos adicionais para a formação da convicção de sua ocorrência, além dos recibos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. JUROS DE MORA. A aplicação da multa proporcional e dos juros de mora, com base na taxa Selic, revela a plena obediência da autoridade lançadora à legislação tributária vigente, sendo indevidas as alegações passivas acerca de “confisco”, uma vez que realizada a exação dentro do principio da legalidade que rege a atividade do lançamento. Cientificado do acórdão de primeira instância em 10/05/2010 (e-fls. 99), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 09/06/2010 (e-fls. 100/102) com os argumentos a seguir sintetizados. - Indica a juntada dos documentos comprobatórios das despesas médicas declaradas. - Afirma que toda a documentação pedida através de Intimação própria foi apresentada à época (recibos com cópia dos canhotos dos cheques e declaração dos profissionais Fl. 133DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.411 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10670.002297/2007-93 comprovando as despesas), em conformidade com o Regulamento do Imposto de Renda e com a Instrução Normativa SRF n° 15, de 06.02.2001. - Alega que o julgador fundamentou sua decisão, principalmente, no instituto da presunção, o que não se admite no Direito Tributário. - Entende que se a documentação apresentada não for suficiente para servir como prova real dos gastos realizados, deve-se mudar a legislação que trata do assunto, vez que não existe outra forma de comprovação. - Requer, se necessário for, a perícia dos documentos apresentados, inclusive com oitiva dos profissionais emitentes, para dissipar qualquer dúvida quanto à veracidade dos mesmos. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre a Dedução Indevida de Despesas Médicas apurada no lançamento e mantida no julgamento de primeira instância. Importante destacar o seguinte trecho do acórdão recorrido, cujas razões acompanho (e-fls. 93): Pertinente também, ao caso, é recorrer-se aos ditames do art. 73 do RIR/1999, que dá embasamento para a autoridade lançadora exigir elementos adicionais que possibilitem a convicção da ocorrência do gasto, principalmente, quando se detecta a existência de despesas com valores exagerados. No presente caso, o contribuinte sequer apresentou à autoridade fiscal os comprovantes originais e cópias das despesas médicas pleiteadas em sua DAA/2004, o que impediu àquela autoridade de formar qualquer convicção sobre a regularidade ou não das despesas pleiteadas. Os recibos apresentados nesta fase de julgamento não foram suficientes para a formação da convicção do julgador sobre a regularidade da dedução pleiteada, pelo que retornaram os autos em diligência fiscal, à vista do fato destacado no Despacho de fls. 41, de serem os valores das despesas medicas informadas exageradas em relação aos rendimentos declarados, levando-se em conta ainda o disposto no art. 29 do Decreto n° 70.235/ 1972, o qual determina que “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Em atendimento à diligência solicitada, a autoridade fiscal solicitou ao contribuinte a apresentação de documentação hábil que comprovasse a efetividade dos serviços prestados e de seus pagamentos. E os documentos que poderiam fazer tal prova seriam, por exemplo, extratos bancários contendo ordens de pagamento, cheques ou saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos, ou mesmo exames e radiografias, cabendo salientar que, ao se fazer pagamentos de despesas onde se pleiteará, a posteriori, a dedução para fins de cálculo do imposto de renda a pagar ou a restituir, o contribuinte tem que se cercar de precauções para a eventualidade de comprovação. [...] Fl. 134DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.411 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10670.002297/2007-93 A resposta do contribuinte à diligência efetuada não foi suficiente para a formação da convicção deste julgador sobre a regularidade das deduções pleiteadas, não tendo sido apresentado, nos casos, elementos adicionais para a comprovação da ocorrência das despesas efetuadas, apenas simples declarações unilaterais reafirmando o contido nos recibos, ou apenas cópia de canhotos de cheques, devendo assim ser mantida a glosa de R$ 26.900,00. Com efeito, verifica-se que o interessado não juntou aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência entre suas movimentações financeiras e os recibos por ele acostados, não merecendo reforma a decisão recorrida. Cumpre ressaltar que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, vigente à época. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é lícito o auditor exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comprová-las de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressalte-se que tal exigência não está relacionada à presunção de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade fiscal. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202-005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202-005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401-004.122, de 16/2/2016) Fl. 135DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.411 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10670.002297/2007-93 O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, para comprová-los caberia a ele trazer aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques efetuados em suas contas e as despesas supostamente realizadas, o que não ocorreu no presente caso. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Cabe esclarecer, ainda, que a finalidade das perícias e diligências é elucidar questões comprometidas nos autos e não produzir provas a favor do sujeito passivo, motivo pelo qual as considero desnecessárias no caso em exame. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.731117/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE
Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.
Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL.
A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO.
O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos.
ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA
É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011).
Numero da decisão: 3401-006.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria-prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria-prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matériaprima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições nãocumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matériaprima entre estabelecimentos da mesma empresa. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 11 17 /2 01 3- 59 Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 3 2 O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011). Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/RPO, que manteve o despacho decisório que não homologou créditos relativos ao PIS/COFINS, na modalidade não cumulativa. Diante da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as seguintes teses da impugnação: (a) Das despesas com fretes entre estabelecimentos Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 4 3 Informa que as transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica tiveram por escopo o armazenamento das mercadorias com destino certo à exportação e já negociada; que o frete contratado confere à empresa o direito ao aproveitamento do crédito, porque é decorrente de operação de venda para o exterior, onde o transporte é realizado em duas etapas, sendo a primeira até o porto — que corre às expensas do vendedor —; e a outra do porto de origem até o destino final — que é de responsabilidade do comprador. Ressalta que "se é certo que se deve considerar a remessa para exportação "frete na operação de venda", a remessa anterior para a formação de lote deve ser incluída no mesmo conceito, pois este frete nada mais é do que uma primeira etapa do transporte definitivo da mercadoria para o seu destino final". Informa que o seu estabelecimento industrial está situado no centrooeste, distante do embarque dos produtos para o exterior, realizados em Santos/SP e que, antes de chegar no Porto de Santos, os produtos são transportados por via rodoviária ou aquaviária, desde as fábricas localizadas no Estado de Goiás, até as filiais localizadas em Pederneiras/SP ou Anhembi/SP. A partir das filiais, as mercadorias são transportadas até o porto de Santos pela via ferroviária; c. o frete entre estabelecimentos tem por finalidade precípua colocar os produtos vendidos em condições de serem embarcados/vendidos para o exterior. E conclui: (...) Ainda que se entendesse que os fretes contratados pela Impugnante não se encartassem no conceito de "fretes sobre venda", tais gastos encontram amparo no inciso I do art. 3o, das L eis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, por serem gastos necessários à colocação do bem em condições de venda (tem natureza de custo), tal como definido na legislação do Imposto de Renda (art. 289 do RIR/1999); Por fim, reforçar que direito ao crédito é garantido pela leitura do artigo 3º, das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como despesa com venda, seja como custo a ser incorporado ao bem em estoque (neste caso se não houvesse contratado previamente a venda); (b) Despesas de armazenagens e fretes extemporâneos A contribuinte diz que o art. 3o, § 4o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, prescreve, sem fazer qualquer ressalva quanto ao prazo e formalidades para o creditamento e de forma clara e taxativa, que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. No que tange ao crédito presumido extemporâneo, assevera que o § 2º, do art. 8o, da Lei n° 10.925/2004 manda aplicar o § 4o, do art. 3o, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo disposição expressa em sentido contrário. Vejamos: "(...) tendo em conta que inexiste no ordenamento jurídico qualquer previsão legal que vede, de forma expressa, o aproveitamento extemporâneo, é de se concluir, reprisese, que autorizado está o contribuinte à recuperação de créditos que não foram aproveitados no passado". Prossegue afirmando que o § 8o, do art. 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não fixaram regime de competência para apropriação de créditos do PIS/PASEP e da COFINS, mas tão somente definiram critério de cálculo desses mesmos créditos, sendo Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 5 4 que o momento da apropriação continua a ser disciplinado pelo § 1° do aludido art. 3o, de sorte que, em não havendo o aproveitamento em tal ocasião, o contribuinte pode fazêlo em período posterior, por força do permissivo contido no § 4o também daquele comando legal. Após citar um trecho do Manual de Preenchimento do DACON que estabelece: "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, sem atualização monetária ou incidência de juros" e dizer que este manual se enquadra na definição de "norma complementar" estabelecida no art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, diz que a glosa de créditos extemporâneos se afigura um ato abusivo e ilegal, motivo que desautoriza o lançamento. (c) Das despesas de armazenagem prescritas Quanto à prescrição de parte do crédito relativo às despesas de armazenagens, a recorrente alega que os créditos do PIS e da COFINS não sofre qualquer hipótese de prescrição, mesmo porque as Leis federais 10.637/2002 e 10.833/2003 não preveem qualquer prazo para a fruição dos créditos. (d) Aquisição de Bens usados como insumos Sobre as glosas realizadas, o contribuinte juntou documentação suporte para comprovar tais dispêndios, que não teriam sido apresentadas durante o procedimento fiscal. (e) Aquisição de Bens que seriam ativo imobilizado Reproduziu a Resolução CFC nº 1.177/2009 e citar o art. 301 do RIR, que possibilita reconhecer como despesa bem cujo valor unitário se mostre elevado, desde que o prazo de vida útil seja inferior a um ano, e a Solução de Consulta DISIT/SRRF06, de 13 de maio de 2015, diz que a obrigatoriedade de imobilização de gastos realizados em bens do imobilizado é bastante restrita, pois somente se aplica quando o bem beneficiário da reforma alcançar nova vida útil. No caso em tela é diferente, são peças que se desgastam ou deterioram rotineiramente, sem, contudo, elevar a vida útil da máquina ou equipamento, não se mostrando suficiente para concederlhes o tratamento de imobilizado. Arguiu que, caso se admita o enquadramento dos materiais adquiridos como bem do imobilizado, os bens conferem créditos sobre os encargos de depreciação, com observância da metodologia adotada pela Lei nº 11.774/2008. (f) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas aquisições de "sebo" para a produção de biodiesel Afirmou que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que "as aquisições realizadas pela Impugnante do insumo "sebo", destinadas a fabricação de biodiesel, ocorridas anteriormente a 15/12/2011, são abarcadas pelo direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e COFINS, por força do que prevê o art. 34 da Lei n° 12.058/2009(...)”. (g) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol" Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 6 5 Ressalva que a fiscalização teria erroneamente desconsiderou os créditos de contribuições relativos à venda no mercado interno de farelo de girassol, haja vista o contido nos arts. 54 e 55, § 5º, inciso II, da Lei nº 12.350/2010. Nesse contexto, assegura que o "farelo de soja" é obtido por meio da industrialização da "semente de girassol" e é vendido com o benefício da suspensão de PIS e Cofins a destinatários que irão utilizálos na alimentação animal; e que “a semente de girassol utilizada para produzir o "farelo de girassol", por ser adquirida das pessoas indicadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, garante à impugnante o direito de se apropriar dos créditos presumidos de PIS e Cofins”, e por fim, “o fato de o "farelo de girassol" ser comercializado com o benefício da suspensão de PIS e Cofins, não impõe à contribuinte a obrigação de promover o estorno dos créditos presumidos anteriormente apropriados, pois inexiste na lei nº 10.925/2004 tal previsão; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja Quanto ao estorno de créditos presumidos decorrentes de venda de farelo de soja com suspensão de PIS e Cofins no mercado interno, a contribuinte diz que, nos termos da Lei Complementar nº 95/1998, a vigência da lei será sempre indicada de forma expressa e as disposições normativas serão regidas com clareza, precisão e ordem lógica; Conclui que tem direito ao crédito presumido, nos termos do art. 64 da Lei nº 12.350/2010 e art. 22 da Instrução Normativa nº 1.157/2011. (i) Da glosa parcial de crédito presumido da soja adquirida para produção de farelo A contribuinte rejeitou a glosa parcial dos créditos presumidos da soja adquirida, na medida em que afirma que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Buscou demonstrar documentalmente que toda a soja fora utilizada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, “sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito”. Afirmou também que que não há previsão legal que ampare o rateio de crédito empregado pela fiscalização e que a analogia não pode criar restrições, nem resultar em cobrança de tributos não previsto em lei. Por fim, rejeitou a aplicação de juros sobre a multa de ofício durante o curso do processo para atualização do crédito ora constituído, por falta de embasamento legal para aplicação da Taxa SELIC sobre essa parcela. Ainda apresentou documentos adicionais para comprovar suas alegações, em especial sobre os créditos sobre frete entre estabelecimentos e sobre o crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial, entre outros. É o relatório. Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.056, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10120.730834/201363. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.056): "Do mérito O Recurso Voluntário se insurge contra o entendimento da decisão de primeiro grau que manteve as glosas de créditos delineadas no MPF nº 0120100201300983 a respeito das seguintes rubricas: (a) Despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionados à formação de lote de exportação; (b) Despesas de armazenagens e fretes sobre venda, cujos créditos foram tomados após o período de competência contábil em que foram registradas; (c) Despesas de armazenagem, cujos créditos foram considerados prescritos pois tomados após cinco anos da emissão dos respectivos documentos; (d) Insumos. Falta de comprovação; (f) Despesas relativas a manutenção de máquinas e equipamentos (partes e peças de reposição); (g) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja; (i) Crédito presumido nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol"; (j) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Passo a expor: Fl. 3325DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 8 7 (a) Despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionados à formação de lote de exportação; 1 Já tive a oportunidade de me manifestar sobre o tema quando da prolação do Acórdão no 3403002.681, do qual extraí a ementa proposta ao colegiado: “COFINS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição.” (Acórdão n. 3403002.681, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014) O dispositivo legal que rega a matéria nas leis de regência das contribuições (art. 3o das Leis no 10.637/2003 e no 10.833/2003) contempla as operações de venda e as aquisições de insumos. As transferências entre estabelecimentos da empresa de mercadorias acabadas, contudo, não encontram, na legislação de regência, previsão de geração de créditos. Como destacamos no citado acórdão, remetendo a voto do Cons. Marcos Tranchesi Ortiz: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode (sic) se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” (Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2012) Assim, a transferência a estabelecimento filial para “formação de lote”, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação. 1 Transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram na decisão sobre o tema. Deixouse de transcrever o entendimento vencido, que pode ser consultado, na íntegra, no processo paradigma. Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 9 8 Mais enfático, ainda o Acórdão no 3403003.164, no qual se asseverou o colegiado, também unanimemente, e com minha participação, que: “CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição.” (Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Incumbe registrar que mantenho tal entendimento mesmo após a reversão pontual, por maioria, do resultado de um dos precedentes citados (Acórdão no 3403002.681) na Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu ser a “formação de lotes de exportação” uma operação de venda (vencidos, neste tema, os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira santos e Jorge Olmiro Lock Freire). Isso porque a “formação de lotes de exportação” é etapa que antecede uma possível (mas, ainda não efetivada) exportação, e não envolve nem compra nem venda, mas mero acúmulo de mercadorias para venda futura (a menos que se demonstre documentalmente o oposto, o que não ocorre no presente processo). Não vemos, assim, como possa se amoldar a situação ao disposto no art. IX do art. 3o da lei de regência, que trata de frete na operação de “venda”, visto que “venda” não houve, nesta operação de transferência para “formação de lotes de exportação”. (b) Despesas de armazenagens e fretes sobre venda, cujos créditos foram tomados após o período de competência contábil em que foram registradas; O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 3327DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 10 9 § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados Fl. 3328DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 11 10 diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Fl. 3329DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 12 11 Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. (c) Despesas de armazenagem, cujos créditos foram considerados "prescritos" pois tomados após cinco anos da emissão dos respectivos documentos; Nesse item, a Recorrente alega que o Relatório Fiscal que ensejou o lançamento de ofício considerou ter havido dois tipos de "prescrição": (i) dispêndios ocorridos antes de julho de 2006; (ii) dispêndios ocorridos após julho de 2006. Analisando o aludido Relatório, vêse que isso não é exatamente verdade. O que ocorreu é que a fiscalização considerou prescritos os créditos decorrentes de dispêndios realizados após cinco anos contados de cada período de apuração das contribuições sociais, de de maneira que houve glosas "por prescrição" separados mês a mês, sendo certo que o espaço temporal objeto daquele MPF de aproximadamente dois anos. Por outro lado, aduz a Recorrente que não há, na legislação das contribuições, tampouco na legislação complementar (CTN), previsão legal para a decadência do direito de escriturar os créditos extemporâneos em cinco anos, dado que o artigo 168, do CTN trata de crédito tributário e não de créditos escriturais, Fl. 3330DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 13 12 como é o caso da nãocumulatividade do PIS e da COFINS; tampouco restaria aplicável o Decreto 20.910/1932, porque esse estaria tratando de prescrição do direito de ação perante a Fazenda Pública, o que também não seria o caso dos créditos escriturais. Ora, de fato, as Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003 estabelecem a possibilidade de apuração de créditos a serem utilizados para desconto do valor devido ao PIS e à COFINS, calculados na modalidade nãocumulativa, sendo certo que são, indubitavelmente, "direitos creditórios" que reduzem o valor devido a título das contribuições sociais; indo mais além, quando há saldo credor decorrem do "excesso" de créditos em comparação aos respectivos débitos, é possível até o mesmo o seu ressarcimento. É verdade, porém, que houve um silêncio nesses textos normativos quanto ao prazo prescricional para a apropriação dos créditos escriturais, o que não significa dizer, aprioristicamente, que não há um termo inicial ou que não há limite temporal para o exercício dessa faculdade do contribuinte. O ordenamento jurídico deve ser analisado como um sistema entrelaçado de normas, princípios e valores que não permite a aplicação nua e crua de um determinado texto normativo sem avaliar todos os seus aspectos ascendentes e descendentes. O intérprete que assim o fizer colocará em risco toda a efetividade do ordenamento, deixando margem para que a atividade de interpretação deixe de ter sua função de uniformizar igualitariamente os direitos e obrigações entre os membros da sociedade sujeita àquele ordenamento, para ser uma ferramenta de legitimação da imposição individual de vontades. Dito isso, reconheço que há certa concordância na afirmação de que o direito ao aproveitamento desses créditos não pode se confundir com o direito à restituição de tributo pago indevidamente ou a maior, não se ensejando a aplicação do artigo 168, do CTN; contudo, não há como afastar a aplicação subsidiária do Decreto 20.910/1932, plenamente em vigor, cujo artigo 1º afirma: Art. 1º As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Vêse que o espectro alcançado pelo citado artigo é absolutamente amplo, comportando, no trecho grifado, uma gama enorme de "direitos" atribuíveis ao administrado contra a fazenda pública, não havendo qualquer restrição semântica à Fl. 3331DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 14 13 aplicação ao caso dos créditos escriturais decorrentes da não cumulatividade das contribuições sociais. Desse modo, adaptandose ao nosso tema, é imperioso entender que o artigo 1º, do Decreto 20.910/1932, implica na observância do prazo prescricional de cinco anos contado da competência tributária em que aquela crédito poderia ter sido escriturado. Essa discussão não é novidade e já foi objeto de avaliação pela CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT), que entendeu de modo idêntico quando da Solução de Divergência COSIT 21/2011: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: EXISTÊNCIA E TERMO DE INÍCIO DO PRAZO PRESCRICIONAL DOS CRÉDITOS REFERIDOS NO ART. 3º DA LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2001; E NO ART. 3º DA LEI º 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Os direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, estão sujeitos ao prazo prescricional previsto no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932. Os fatos geradores dos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, têm natureza complexiva e aperfeiçoamse no último dia do mês da apuração. O termo de início para contagem do prazo prescricional relativo aos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, é o primeiro dia do mês subsequente ao de sua apuração; DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932; art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2001; art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Assim, como o direito ao crédito extemporâneo se expira após cinco anos contados do momento da aquisição das mercadorias e/ou serviços (fato gerador dos créditos), não há que se reformar o lançamento de ofício quanto se particular, mantendose a decisão recorrida (d) Insumos. Falta de Comprovação A Recorrente apresenta nos itens 2.5.4 a 2.5.9 do seu Recurso as razões para se reformar a decisão recorrida dado que teria havido um erro material nos demonstrativos de crédito relativos a fornecedor, em decorrência de informação quanto ao CNPJ. Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 15 14 No caso, foi informado o CNPJ 05.252.578/000159, enquanto o correto seria o CNPJ 88.370.945/000146. Feito esse esclarecimento, e admitindo a regularidades de tais notas fiscais, verificase que se referem à industrialização por encomenda contratada pela Recorrente, relacionadas ao produto “Ácido Graxo Vegetal”, contudo, diante da insuficiência de esclarecimentos quanto ao uso desse item nas atividades desempenhadas pela Recorrente, não é possível admitir a possibilidade de apropriação de créditos . De tal sorte, deve ser mantida a decisão recorrida, por carência probatória da Recorrente fundar seus argumentos, com relação a esses itens. Quanto às glosas impugnadas nos itens 2.5.10 e 2.5.11, sendo juntado o documento fiscal comprobatório da despesa, e esclarecida a natureza do serviço (carga e descarga de mercadorias em transporte multimodal, nas operações de venda) e sua vinculação e essencialidade em relação à atividade desempenhada pela Recorrente, é de se admitir créditos nesse particular, devendo a decisão ser reformada. Quanto às glosas mencionadas nos itens 2.5.12 a 2.5.17 e 2.6.1, a fiscalização efetuou a glosa simplesmente em razão de haverem sido apresentados documentos fiscais comprobatórios, o que foi feito já na impugnação e ignorado pela decisão recorrida. Tratamse de aquisições de insumos via industrialização por encomenda de diversos produtos que são posteriormente revendidos pela Recorrente, como pipoca, farinhas, amendoim, entre outros. Havia, ainda, no Relatório que deu azo ao lançamento, menção a aquisições de insumos de pessoas físicas. Contudo, a Recorrente rebate essa conclusão afirmando que as notas fiscais glosadas eram de pessoas jurídicas, juntandoas desde a impugnação, e que tal equívoco decorreu de o Excel desconsiderar os “zeros” à esquerda do CNPJ 00.048.496/0001 73, fazendoo parecer ser um número de CPF (484.960.00173). Diante desses esclarecimentos, devese reconhecer que as glosas foram indevidas e que, portanto, a decisão também deve ser reformada. (e) Despesas relativas a manutenção de máquinas e equipamentos (partes e peças de reposição); A Recorrente refuta as alegações da fiscalização referentes à glosa de créditos relacionadas à manutenção de máquinas e equipamentos, que foram efetuadas considerando que tais dispêndios deveriam ser registrados como ativo imobilizado (“nãocirculante”), haja vista que os valores adquiridos ou contratados eram superiores ao montante máximo estabelecido à época pela legislação do Imposto de Renda para o registro como despesa dedutível em detrimento do registro como ativo imobilizado (“nãocirculante”) e sujeito, assim, a depreciação/amortização. Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 16 15 Ora, de fato, o valor do item adquirido ou serviço contratado para realizar a manutenção de bens do seu ativo permanente não é o único elemento a ser considerado para definir se tais dispêndios serão tratados como despesa ou como ativo imobilizado. O conceito de ativo imobilizado encontrase na Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A.), com as alterações promovidas pela Lei nº 11.638/2007, que em seu artigo 179, IV, estabelece que devem ser registrados no ativo imobilizado os “direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens”. Por seu turno, em linha com o que estabelece o Manual de Contabilidade da FIPECAFI2, podemos depreender desta definição legal que devem ser classificados como ativo imobilizado “(...) os bens de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e de seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade”. Na prática, as premissas para o registro contábil de um determinado dispêndio como ativo imobilizado sempre foi encontrado na Resolução CFC nº 1.025/20053, até 31.12.2009, e desde então no Pronunciamento nº 27 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC4, aprovado pela Deliberação CVM nº. 583/09 e pela Resolução CFC nº. 1.177/09. O referido CPC nº 27, em seu item 6, define ativo imobilizado conforme abaixo: (...) Ativo imobilizado é o item tangível que: é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e 2 IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARTINS, Eliseu e GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 190. 3 (...) 19.1.2.4. Ativo imobilizado, objeto desta norma, compreende os ativos tangíveis que: a) são mantidos por uma entidade para uso na produção ou na comercialização de mercadorias ou serviços, para locação, ou para finalidades administrativas; b) têm a expectativa de serem utilizados por mais de doze meses; c) haja a expectativa de auferir benefícios econômicos em decorrência da sua utilização; e d) possa o custo do ativo ser mensurado com segurança. (...) 4 Com a reforma da Lei das S.A. pela Lei nº 11.638/2007, criouse a possibilidade de que a competência para regulação de matéria contábil fosse legalmente delegada ao Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, órgão que se tornou responsável pela emissão de pronunciamentos que versam sobre princípios, normas e padrões de contabilidade, os quais vêm sendo adotados pela Comissão de Valores Mobiliários CVM. Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 17 16 se espera utilizar por mais de um período. Mais adiante, o mencionado CPC nº 27 trata das hipóteses em que um bem deve ser reconhecido como um item do ativo imobilizado: 7. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se: (a) for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade; e (b) o custo do item puder ser mensurado confiavelmente. 8. Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usálos por mais de um período. Da mesma forma, se puderem ser utilizados somente em conexão com itens do ativo imobilizado, também são contabilizados como ativo imobilizado. Ora, consoante a definição acima, para que a fiscalização ousasse desconsiderar os valores registrados na contabilidade como despesas, deveria ter sido feita uma análise pormenorizada de cada item glosado, com o intuito de identificar os casos em que os dispêndios representaram um aumento da vida útil dos equipamentos que foram objeto de manutenção, ou, ainda, que viessem a aumentar a capacidade ou funcionalidade desses equipamentos. Não é o que restou demonstrado no Relatório Fiscal, que, em um parágrafo, justificou sucintamente a glosa, sem muita convicção. Diante disso, carecendo de suporte argumentativo e probatório por parte da fiscalização, não se admite ignorar a escrita contábil da Recorrente, que registrou tais dispêndios como despesas de manutenção de equipamentos industriais, de modo que, mais uma vez, deve ser reformada a decisão, afastandose as glosas de créditos dessa natureza. (f) Da despesa de fretes entre estabelecimentos na movimentação de matériaprima Insurgese a Recorrente contra a glosa efetuada pela fiscalização relativa aos fretes contratados para a movimentação de matériaprima entre seus estabelecimentos, por suposta ausência de permissão legal. Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 18 17 Todavia, ainda que a legislação da modalidade nãocumulativa das contribuições sociais não tenha previsto a possibilidade de desconto de créditos sobre os serviços de frete decorrentes da movimentação de insumos, tal menção nem fosse necessária. Isso porque, o regime nãocumulativo das contribuições está sensivelmente ligado à dualidade custoreceita; não há a menor dúvida que o frete suportado pelo adquirente na compra de insumos deve ser integrado ao custo de aquisição desses últimos. Vejamos o Pronunciamento Técnico CPC 16, aprovado pelo CFC pela NBC TG 16: 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. Além disso, é possível inferir que tenha havido silêncio eloquente pelas normas que regulam as contribuições, ao não vetar expressamente essa possibilidade, vis a vis ser absolutamente claro que, como regra, os gastos na movimentação de insumos até o seu efetivo consumo serem integrantes do saldo do estoque. Dessa forma, as despesas incorridas na movimentação de matériaprima e outros insumos até sua utilização, por compor o valor do seu estoque, implica no direito ao crédito das contribuições. Nesse sentido, a glosa mencionada no Relatório Fiscal, e que foi confirmada na decisão ora recorrida, deve ser afastada. (g) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; Com relação aos itens que tratam das hipóteses de apropriação de crédito presumido na atividade agroindustrial, é importante destacar que, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e publicada no DOU de 15.12.2011, c/c o art. 8º da lei nº 10.925/2004, acompanhando integralmente a conclusão do acórdão da DRJ, que não há direito de crédito nas aquisições de sebo para produção de biodiesel. Tal como destacado pela fiscalização no seu Relatório Fiscal, “não obstante o crédito presumido do art 47 da Lei n° 12.546/2010 nunca ter tido eficácia, posto que foi revogado pela Lei n° 12.865/2013 antes que fosse regulamentado pela RFB, conforme determinava seu § 6o, a Lei n° 12.995/2014 introduziu naquela primeira lei o art. 47B, que convalidou os créditos do art. 47 realizados durante sua vigência (caput) e também convalidou os créditos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (§ 1o) em relação à aquisição de soja in natura por produtores de Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 19 18 biodiesel, contudo o § 2o do citado art. 47B proibiu o crédito simultâneo do art. 47 da mesma lei e do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 em relação à mesma operação”. Assim reproduzo, por entender irretocável, a decisão ora recorrida, vez que não foram trazidos novos elementos no Recurso que pudessem afastar aquela conclusão: Já em relação à alegação da contribuinte que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que teria direito ao crédito presumido do PIS e da Cofins nas aquisições deste, nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, e nas redação dada pelas Leis nºs 12.350/2010 e 12.839/2013, fazse necessário, antes de enfrentar o mérito, a reprodução dos arts. 32 e 34 da referida lei: (...) Da leitura dos artigos acima reproduzidos, verificase/concluise que: a) O direito ao crédito presumido somente se aplica à aquisição de sebo com suspensão das contribuições, no mesmo período de apuração, de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. b) A suspensão aludida é obrigatória quando a venda for efetuada por pessoa jurídica que revenda o sebo bovino ou que industrialize os produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02, da NCM, para outra pessoa jurídica, desde que a venda não seja no varejo; c) Sendo o sebo bovino adquirido com a incidência de suspensão do pagamento da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, e utilizado como insumo na industrialização de biodiesel, cabe ao adquirente o direito de apuração dos créditos presumidos tratados no art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009. Como dito alhures, a contribuinte para usufruir do direito ao crédito presumido precisa, além ser pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, demonstrar que a aquisição de sebo foi com suspensão das contribuições e de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. Contudo, na impugnação apresentada, a contribuinte não demonstrou que cumpriu todos os requisitos, principalmente se a aquisição de sebo foi de pessoa jurídica e com suspensão. Assim, cabendo o ônus da prova em contrário à empresa, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/197217; art. 36 da Lei nº 9.784/199918; e art. 373 da Lei nº 13.105/200519, e esta, em sua impugnação, não demonstrando o cumprimento dos demais requisitos para usufruir do direito ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 12.058/2009, não há motivos para rever o lançamento(glosa de crédito) da matéria tratada neste tópico. Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 20 19 Assim, mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. (h) Do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de “farelo de soja” e de "farelo de girassol" Tampouco merece reforma o entendimento trazido pelo acórdão recorrido concernente à possibilidade de crédito presumido com a venda do produto agroindustrial estava sujeito à suspensão das contribuições. A recorrente pleiteia que sejam considerados, nas apurações de janeiro a junho de 2011, a inclusão de crédito presumido concedido pela Lei Federal 12.431/2011, cuja vigência expressamente se iniciou em 27.06.2011, quando fora publicada no DOU. Ora, não há como conceber a possibilidade de vigência retroativa à lei, sem que essa estabeleça tal aplicação, de modo que deve ser mantida a decisão da DRJ que não considerou tais créditos até a entrada em vigor daquele ato normativo. (i) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Com relação a esse item, por entender ter a decisão a quo escrutinado a questão de maneira definitiva, creio que o acórdão de primeiro grau merece ser mantido na sua integralidade, de forma que acompanho tal entendimento, aproveitando os fundamentos do voto do relator que cito: A fiscalização glosou parcialmente créditos presumidos da soja adquirida, por entender que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O entendimento da fiscalização foi no sentido de que há direito ao crédito apenas quando aplicada à soja na produção de mercadoria de origem animal ou vegetal destinada à alimentação humana ou animal). Em sua impugnação, a fiscalizada contesta a glosa realizada, afirmando que toda soja, sem exceção foi empregada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na \produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito. Afirma que o aproveitamento parcial dos créditos somente seria aplicado se a empresa destinasse uma parte da soja para produção de farelo e a outra para produção de Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 21 20 biodiesel e que, por se tratar de norma especial, a única exceção (vedação ao aproveitamento do crédito presumido) encontrase taxativamente prevista no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; e não há previsão legal que imponha o aproveitamento proporcional em razão da pluralidade de produtos resultantes do mesmo processo e matériaprima, é de se concluir que a Impugnante tem direito ao crédito presumido integral. Em outras palavras, o que a impugnante defende é que toda a aquisição de soja é para a produção de "farelo de soja", sendo o biodiesel o subproduto. De acordo com o "Memorial Descritivo do Processo de Produtivo Soja decepção / Preparação / Extração / Lecitina" apresentado pela contribuinte, diferentemente do alegado, fica evidente que a soja adquirida é para a produção de óleo/biodiesel/lecitina, sendo o subproduto da industrialização o "farelo de soja". Contudo, não é o fato de o "farelo de soja" ser, ou não, o subproduto do esmagamento da soja que determina a existência do direito ao crédito presumido, mas sim o fato de as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, produzirem (a partir da soja) mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Desse modo, inexistindo o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei 10.925/2004 em relação a insumos aplicados na fabricação de biodiesel — produto este não destinado à alimentação humana e animal — há que se excluir/glosar os valores dos insumos a eles aplicados da base de cálculo do crédito presumido informado pela contribuinte em seu Dacon. Quanto ao rateio proporcional dos valores glosados conforme a proporção das receitas da empresa, esta é a forma correta de realizar as glosas, haja vista ter sido este o método adotado na apropriação dos créditos realizada pela interessada em Dacon. Portanto, com base nos dispositivos acima expostos a glosa do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 proporcional à produção de biodiesel, merece ser mantido. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e doulhe parcial provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 22 21 Rosaldo Trevisan Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 10120.731117/201359 Acórdão n.º 3401006.071 S3C4T1 Fl. 23 22 Fl. 3341DF CARF MF
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