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Numero do processo: 10880.914495/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 44 95 /2 01 4- 55 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.914495/201455 Acórdão n.º 1401002.757 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório [...], referente ao PER/DCOMP nº 10960.18701.110214.1.3.040443. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de CSLL, Código de Receita 2372, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/01/2011, no valor de R$ 106.584,90. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.914495/201455 Acórdão n.º 1401002.757 S1C4T1 Fl. 4 3 que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que a única conclusão que se chega é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entgre o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que o crédito é legítimo, porque o valor efetivamente pago é maior do que o valor correto do débito apurado pela empresa; o contribuinte, ao calcular o débito, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente do seu faturamento, mas também receitas que não a deveriam compor; não providenciou a devida retificação da DCTF, para que ela apresentasse os valores efetivamente devidos; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.914495/201455 Acórdão n.º 1401002.757 S1C4T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário sem contudo, apresentar as razões do recurso. Foi intimada a contribuinte a apresentar as razões em 10 dias. Apresentadas as razões, a contribuinte alega apenas a nulidade do despacho decisório por não ter sido fundamentado. Alega que os atos administrativos devem ser fundamentados para que fosse possível à Recorrente compreender qual o motivo da não homologação da compensação. Por fim, não junta qualquer documento, tampouco rebate a fundamentação da decisão primeva. Esse é o relatório do essencial. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.914495/201455 Acórdão n.º 1401002.757 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.752, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.959034/2013 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.752): O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuidam os autos de compensação de débito(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/01/2010, no valor de R$38.217,54. O despacho decisório concluiu que o DARF citado do alegado crédito já foi devidamente compensado com outros débitos. Ou seja, estamos diante de um fato em que deveria a contribuinte, ora recorrente, demonstrar que os valores não foram compensados com outros débitos. Sendo assim, a questão é meramente de fato e exige provas da contribuinte para que lhe seja garantido seu suposto direito. Contudo, não restou demonstrado qualquer direito e tão somente sua indignação pela falta de fundamentação do despacho decisório. A DRJ analisou o pedido conforme exposto abaixo: Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.914495/201455 Acórdão n.º 1401002.757 S1C4T1 Fl. 7 6 Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. Ele explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito pretendido. Consta do despacho decisório que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagar débito a ele vinculado. Foram informados, ainda, em relação ao débito vinculado ao DARF, o código do tributo, seu período de apuração e seu valor original. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O interessado, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente no trecho da manifestação abaixo reproduzido: Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de nãohomologação da compensação. Por outro lado, o recurso apenas argui a falta de fundamentação do despacho decisório, sem ao menos "dialogar" com a decisão da DRJ. Nesse sentido, a falta de dialeticidade do recurso impede qualquer nova decisão sobre a matéria. Essa é a jurisprudência desse Conselho sobre a matéria, conforme ementa de recurso julgado pela brilhante Conselheira integrante desse turma, Lívia De Carli Germano: IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.914495/201455 Acórdão n.º 1401002.757 S1C4T1 Fl. 8 7 fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. Processo nº 10935.002797/201072 Acórdão nº 1401 002.365 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Recorrente JORGE TOME EPP/ Recorrida FAZENDA NACIONAL Nesse sentido, não há qualquer direito a ser reconhecido, tampouco qualquer nova razão. Não restou demonstrada a não fundamentação da decisão recorrida, pelo que a mantenho pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003584/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não implica em cerceamento de defesa o indeferimento de pedido de diligência para obtenção de documentos que, nos termos da lei, caberia ao contribuinte apresentar.
MATÉRIA NÃO-IMPUGNADA.
Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFICIO. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. SÚMULA CARF. Nº 38.
Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CÓDIGO DE RECEITA 4600. NÃO COMPROVAÇÃO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN.
Ausente nos autos comprovação de pagamento antecipado, ainda que parcial, de ganho de capital na alienação de imóveis (Código de Receita 4600), não há que se falar da regra especial insculpida no art. 150, § 4°., do CTN, incidindo, todavia, no caso concreto, a regra geral do art. 173, I, do CTN.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR.
Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
O ônus da prova da origem dos depósitos é do contribuinte, não tendo a Autoridade Fiscal que comprovar sinais exteriores de riqueza.
DA LEI COMPLEMENTAR 105 E DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96
A lei complementar 105 reforçou a norma contida no artigo 42 da lei 9.430/96, e não houve a revogação tácita desta por aquela.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Numero da decisão: 2402-006.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que reconheceram a decadência do lançamento exclusivamente em relação às operações de compra e venda de imóveis. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Redator-designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não implica em cerceamento de defesa o indeferimento de pedido de diligência para obtenção de documentos que, nos termos da lei, caberia ao contribuinte apresentar. MATÉRIA NÃO-IMPUGNADA. Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFICIO. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. SÚMULA CARF. Nº 38. Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. IRPF. GANHO DE CAPITAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CÓDIGO DE RECEITA 4600. NÃO COMPROVAÇÃO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. Ausente nos autos comprovação de pagamento antecipado, ainda que parcial, de ganho de capital na alienação de imóveis (Código de Receita 4600), não há que se falar da regra especial insculpida no art. 150, § 4°., do CTN, incidindo, todavia, no caso concreto, a regra geral do art. 173, I, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O ônus da prova da origem dos depósitos é do contribuinte, não tendo a Autoridade Fiscal que comprovar sinais exteriores de riqueza. DA LEI COMPLEMENTAR 105 E DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96 A lei complementar 105 reforçou a norma contida no artigo 42 da lei 9.430/96, e não houve a revogação tácita desta por aquela. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que reconheceram a decadência do lançamento exclusivamente em relação às operações de compra e venda de imóveis. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Redator-designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
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INOCORRÊNCIA. Não implica em cerceamento de defesa o indeferimento de pedido de diligência para obtenção de documentos que, nos termos da lei, caberia ao contribuinte apresentar. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFICIO. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. SÚMULA CARF. Nº 38. Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. IRPF. GANHO DE CAPITAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CÓDIGO DE RECEITA 4600. NÃO COMPROVAÇÃO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. Ausente nos autos comprovação de pagamento antecipado, ainda que parcial, de ganho de capital na alienação de imóveis (Código de Receita 4600), não há que se falar da regra especial insculpida no art. 150, § 4°., do CTN, incidindo, todavia, no caso concreto, a regra geral do art. 173, I, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 35 84 /2 00 8- 93 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 455 2 regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O ônus da prova da origem dos depósitos é do contribuinte, não tendo a Autoridade Fiscal que comprovar sinais exteriores de riqueza. DA LEI COMPLEMENTAR 105 E DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96 A lei complementar 105 reforçou a norma contida no artigo 42 da lei 9.430/96, e não houve a revogação tácita desta por aquela. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que reconheceram a decadência do lançamento exclusivamente em relação às operações de compra e venda de imóveis. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Redatordesignado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 378 usque 444, voltado contra Acórdão de fls 337/366, emanado da 4ª Turma da DRJ/CGE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve, in totum, o crédito perseguido. Translitero, eis que oportuno, o relatório da r. decisão guerreada: "Trata o presente processo de Auto de Infração (folhas 04 a 20) lavrado pelo AuditorFiscal da Receita Federal Gleisse Márcia Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 456 3 Guerrize em razão de trabalho de fiscalização referente aos exercícios de 2003 e 2004 que apurou um crédito tributário de R$ 2.480.847,67 atualizado até 31/07/2008 onde foram verificadas, em síntese, as seguintes infrações: • OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA; • GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS • DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. A fiscalização teve início em 14/09/2007, quando o contribuinte tomou ciência do MPF e do termo de início de fiscalização e foi intimado a responder a vários questionamentos e apresentar documentos, inclusive, os extratos bancários de 2002 e 2003. 0 contribuinte não se manifestou e foi efetuada a requisição de informações sobre movimentações financeiras (RMF) para os bancos Bradesco e Banco do Brasil. Somente em 22/11/2007 o contribuinte se manifestou por meio de seu procurador. ODIRLEI QUEIROZ FARIA, seu filho; Foi procedida a análise dos extratos encaminhados pelo Bradesco e Banco do Brasil, conforme determina o artigo 42 da lei 9.430/96; Em 16/01/2008, o contribuinte foi intimado a se manifestar sobre o ganho de capital e rendimentos de aluguéis não declarados; Em 20/02/2008, o contribuinte foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados em suas constas nos anos de 2002/2003, os quais foram listados em relação anexa ao termo de intimação; Em 08/04/2008, o contribuinte foi reintimado solicitando a documentação exigida nas 2 intimações anteriores. O contribuinte não mais se manifestou. Em 14/08/2008, o contribuinte foi cientificado do auto de infração (AR folha 21). Em sua impugnação de folhas 208 a 267, o contribuinte, representado pelo escritório de advogados LORENCETTI, RODRIGUES & ROOSSETO, alega, em apertada síntese, que: DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS REFERENTES A OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 457 4 RECEBIDOS DE PESSOA ~DICA E DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS; (folha 209) 1. Em relação a esta matéria, foi efetuado o pagamento com o benefício da redução da multa, conforme os DARF em anexo, provocando a extinção do crédito tributário; 1 DA FALTA DE PRESSUPOSTOS REGULARES AO DESENVOLVIMENTO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR (folha 210): 2. Para que um fato seja considerado um fato jurídico, vale dizer, para que um fato tenha efeitos jurídicos, é absolutamente necessário que ele se enquadre perfeitamente em uma hipótese previamente descrita ern norma jurídica; 3. Só nasce a obrigação tributária se ocorrer o fato jurídico tributário, ou seja, se houver subsunção, perfeito encaixe, desse fato à hipótese de incidência contida na norma tributária; 4. a Autoridade Administrativa competente ao impor ao requerente tributação através de movimentações financeiras, como suposta omissão ou simulação induzida pelo mesmo no tocante a receita adquirida nos exercícios de 2003 e 2004, inovou no mundo jurídico, ferindo princípios que vão desde o principio da legalidade, passando pela tipicidade fechada até ao principio mor da segurança jurídica; 5. Não assiste razão ao Fisco quando considera indícios como fatos concretos de suposta simulação/omissão com posterior omissão de receita, ou ainda, quando descaracteriza movimentações financeiras tornandoas receitas, ou acréscimos patrimoniais, pois frente aos princípios norteadores do Sistema Tributário Nacional, artigo 150, inciso I, da CF/88, deve ser ter um fato em concreto, ou declarado judicialmente. 6. A desconsideração de movimentações financeiras, com intuito de simulação/omissão caracterizando acréscimo patrimonial ou receita carece de razão jurídica e, também, da ação judicial necessária para anular o ato jurídico ou declarar as mesmas como receitas, assim, o fisco desbordou de suas competências para assumir as atribuições do Poder Judiciário ao qual compete, privativamente, pronunciarse sobre a nulidade dos negócios e dos atos que em tese tenham sido praticados com simulação/omissão; 7. Não assiste razão ao Fisco quando considera indícios como fatos concretos de suposta simulação/omissão com posterior omissão de receita, ou ainda, quando descaracteriza movimentações financeiras tornandoas receitas, ou acréscimos patrimoniais, pois frente aos princípios norteadores do Sistema Tributário Nacional, artigo 150, inciso I, da CF/88, deve ser ter um fato em concreto, ou declarado judicialmente; 8. A desconsideração de movimentações financeiras, com intuito de simulação/omissão caracterizando acréscimo patrimonial ou receita carece de razão jurídica e, também, da ação judicial Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 458 5 necessária para anular o ato jurídico ou declarar as mesmas como receitas, assim, o fisco desbordou de suas competências para assumir as atribuições do Poder Judiciário ao qual compete, privativamente, pronunciarse sobre a nulidade dos negócios e dos atos que em tese tenham sido praticados com simulação/omissão; 9. Devem ser aplicados os artigos 105, 147 e 152 da lei 3.071/16 (Código Civil Antigo); 10. A fiscalização não pode ignorar a condição e natureza das movimentações financeiras caracterizadoas como omissão de receitas, nada obstante estar desassistida da sentença anulatória do vínculo jurídico ou sentença declaratória com o fito de determinar a sua condição de receita; 11. Como sucede com qualquer caso de invalidade de negócio jurídico, o Fisco não pode conhecer de oficio a simulação, declarando diretamente e por si próprio, o defeito, e tributando pelo lançamento a realidade oculta no interior da aparência enganosa; 12. Em suma, resta patente a ilegalidade da desconsideração de ato jurídico perfeito, ou alteração de sua natureza com o fito de declarar/caracterizar o mesmo como receitas, sem qualquer decisão judicial com declaração da simulação ou omissão quanto a receita, o que origina também na inconstitucionalidade do lançamento. ~ DA DECADENCIA (folha 215) 13. No tocante ao lançamento por homologação, que é aplicável aos tributos em que o contribuinte antecipa o pagamento, sem prévio exame do fisco, a Fazenda Pública, também, dispõe de cinco anos para homologar a atividade exercida pelo sujeito passivo. Findo este prazo, sem que o fisco tenha se manifestado, operamse os efeitos da decadência e considerase tacitamente homologado a atividade exercitada pelo sujeito passivo, operandose, simultaneamente, a constituição do crédito tributário e sua extinção, por força do pagamento antecipado; 14. Após o advento do Decretolei n° 1.967/82 que promoveu a desvinculação do prazo de pagamento, e não havendo mais exame prévio do lançamento pela autoridade administrativa, não remanesce mais dúvidas sobre a natureza jurídica do lançamento relativo ao imposto de renda, ou seja, tratase de lançamento por homologação; 15. o preceito normativo inserto no § 4o, do artigo 150, do CTN, trata especificamente sobre as regras de contagem de prazo decadencial (termo a quo) para os impostos lançados sobre a modalidade denominada "lançamento por homologação"; 16. Tratase de norma especifica especial e que portanto, se sobrepõe a qualquer outra norma geral, ou seja, quando o legislador logrou tratar dessas modalidades o fez expressamente, Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 459 6 fixando critérios objetivos aplicáveis à mesma. Assim, o termo a quo para cômputo do prazo decadencial começa a fluir a partir da ocorrência do "fato gerador", em respeito ao quanto disposto no § 4o, do artigo 150, CTN; 17. A aplicação do inciso I, artigo 173, CTN, não prestigia a interpretação sistemática, ainda que possa ter esse colorido, sua opacidade se revela quando se vislumbra o quão forçado é sua aplicabilidade para o caso concreto. 18. Se o contribuinte praticou algum ato ou se ficou inerte, pouco irá importar e refletir para o aspecto relacionado a contagem do prazo. É esse momento marcado no tempo e concretamente ocorrido que deve servir de marco inicial, razão pela qual não se perquire sobre qualquer iniciativa do sujeito passivo. 19. Destaquese que o fato de existir ou não pagamento relacionado ao signo presuntivo de riqueza não se atrela o lançamento; 20. Devese considerar sempre a ocorrência factual. Explicase: se o contribuinte percebeu renda e não declarou e resolveu correr o risco junto ao Fisco Federal e optou pela postura ilícita terá contra si, para os próximos cinco anos a possibilidade de ser lançado o crédito tributário correspondente, sendo certo e exato que o prazo para que a administração fazendária constitua seu crédito por meio de lançamento, começara a fluir a partir da ocorrência do "fato gerador"; 21. o Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza é modalidade de lançamento por homologação e em decorrência dessa característica deve seguir os lindes traçados no § 4o, do artigo 150, da Lei n° 5.172/66, para fins de cômputo do prazo decadencial; 22. No que concerne a regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN, quanto as "supostas" omissões de receitas através de descaracterização de movimentações financeiras, sendo certo sua ilegalidade, como veremos adiante, a DECADÊNCIA se caracteriza pela ocorrência do transcurso do lapso temporal de 05 (cinco) anos após a existência dos fatos geradores, 31/01/2002 a 31/12/2002, onde temos o inicio da contagem do prazo decadencial a partir do dia 01/01/2003, encerrando em 01/01/2008, ou seja, abrangidos os fatos geradores de 31/01/2002 a 31/12/2002, da qual devem ser declarados EXTINTOS conforme artigo 173, inciso 1 c.c. artigo 156, inciso V, ambos do CTN. 23. O início do procedimento, através do mandado de procedimento fiscal, não suspende o prazo decadencial; DA ILEGALIDADE DE PRESUMIRSE DEPÓSITO BANCÁRIO COMO RENDA (FOLHA 231) Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 460 7 24. Na tentativa de caracterizar como renda ou acréscimo patrimonial do contribuinte, tem sido muito comum a Secretaria da Receita Federal quebrar o sigilo bancário e fiscal, agindo ilegalmente e maculando a prova, por colidir com o art. 5% inciso LVI, da CF, para que seja possível a utilização de valores correspondentes a depósitos ou saldos bancários a fim de configurar a omissão de receita; 25. a finalidade desse ilegal ato é caracterizar o depósito bancário ou movimentações financeiras como se fosse renda, mesmo que tal conclusão não possua suporte na legislação de regência; 26. 0 tributo em causa, como notoriamente sabido, possui como fato gerador, única e exclusivamente a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, de renda ou proventos de qualquer natureza (Código Tributário Nacional, art. 43, ou seja, a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica; 27. Descabe cogitarse da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de depósito em conta bancária pertencente ao contribuinte; 28. Os depósitos bancários, quando muito, podem, conforme já asseverado e demonstrado, em determinadas circunstâncias, configurar meros indícios da auferição de rendas ou de proventos de qualquer natureza. Inconcebível, entrementes, que tais depósitos, à falta da necessária análise, da indispensável e convincente prova por parte do Fisco, sejam, por si só, presumidos como renda ou proventos para efeito de exigência de Imposto de Renda; 29. Da Súmula 182 Do Extinto TFR 30.. Ausente de substrato legal, de há muito vêm sendo anulado pelo Poder Judiciário procedimentos que se baseiam única e exclusivamente em extratos bancários, originando a Súmula 182 do extinto TFR: "É Ilegítimo o lançamento do Imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". 31. Por outro lado, o próprio Poder Executivo promulgou o Decreto Lei n° 2.471, de 01.09.88, que em seu art. 9 ° prevê o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos, que tomaram como base valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários; 32. É evidente que o fato de ter o contribuinte depósitos em sua contacorrente bancária poderia ad argumentandum dar ensejo à apuração pelo fisco, mas o que não se pode admitir é que tal fato, por si só, seja bastante para constituir o crédito tributário, por se presumir tratarse de rendimentos sem a efetiva comprovação; 33. DA LEI 9.430/96 34. O art. 42 da aludida norma estabeleceu a presunção júris tantum de caracterização de omissão de receita ou de rendimento ou depósito bancário em Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 461 8 relação ao qual o contribuinte não comprove a origem dos recursos através de documentação hábil e idônea. 35. Por essa nova sistemática legal operouse uma significativa mudança no tratamento tributário concernente à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda, invertendose, com isto, o ônus da prova, visto que o titular da conta bancária passou a ter o ônus de provar que valores creditados em suas contas correntesbancárias não se referem a receitas omitidas, sob pena de sujeitarem a autuação do fisco por acréscimo patrimonial a descoberto. 36. Sucede que as pessoas físicas estão desobrigadas de escrituração contábil, o que por si só gera um complicador para o contribuinte, que geralmente faz a sua declaração levando em consideração as correspondentes informações anuais de renda fornecidas pelas instituições bancárias. 37. O destaque de um ou de mais valores depositados em determinados períodos na conta do contribuinte, acarreta na necessidade do depositante encontrar a boa vontade e presteza do banco depositário, visto que o mesmo (contribuinte) não é obrigado a guardar estes dados em seu poder, por já ter apresentado, em seu ajuste na declaração anual de imposto sobre renda os valores relativos aos respectivos saldos globalmente. 38. Portanto, para que o depósito bancário se transforme em renda tributável, é necessário que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida (ex: aplicações em imóveis, carros e outros bens próprios ou benefício pessoal do contribuinte). 39. Terá que ficar comprovado o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos. 40. No procedimento fiscal tributário para haver a autuação, com base em depósito bancário, nos termos do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, como já dito alhures, "não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos. "; 41. Assim, o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não constituise, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque, a posse de numerário alheio, como por exemplo, Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 462 9 descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica; 42. Do Conceito de Renda 43. Além do mais, destacase conforme preceito legal do artigo 110, do CTN, que é vedado à legislação tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas do direito privado para definir ou limitar competência da mesma. Portanto, a presunção contida no art. 42, da Lei n° 9.4 30/96 não pode alterar o conceito de renda ou de provento para neles incluir depósitos bancários. 44. Conseqüentemente, o CTN não autoriza que lei tributária amplie o conceito de renda e que este conceito ampliado seja aplicado em matéria vinculada ao direito administrativo. 45. O disposto no artigo 110, do CTN explicita "que o legislador não pode expandir o campo de competência tributária que lhe foi atribuído, mediante o artifício de ampliar a definição, o conteúdo ou alcance de institutos de direito privado utilizados para definir aquele campo." DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 42, DA LEI 9.430/96 (PRESUNÇÃO DE RECEITA), FACE AO ARTIGO 5 0, §4°, DA LC 105/2001 E DEMAIS RAZÕES (folha 240): 46. a lei nova interagindo com as demais leis do sistema jurídico pode provocar a revogação expressa ou tácita de outras leis ou mesmo, sendo a lei nova incompatível com as normas superiores do sistema jurídico, não encontrando nelas a sua sustentação de validez, tornarse nula, inválida; 47. Várias tentativas anteriores de tributar a soma dos depósitos bancários quedaramse frustradas como provam decisões proferidas desde o extinto Tribunal Federal de Recursos , o qual chegou, inclusive, a Sumular a respeito, como já dito alhures; 48. A doutrina não discrepava e ainda não dissente da orientação jurisprudencial como se pode constatar da lição de Gilberto Ulhoa Canto ao dedicarse ao tema das presunções fiscais, notadamente àquela que se refere aos depósitos bancários como pressupostos de omissão de receita, advertindo que é necessário saberse se os depósitos bancários trazem em si a evidência de rendimentos (ou receitas) auferidos; 49. Da lição do ilustre doutrinador emerge a noção de que os depósitos bancários de per si não podem servir de base à presunção legal relativa de omissão de rendimentos ou de receitas, havendo necessidade de prova evidente por parte do fisco de auferimento de renda ou de consumo incompatíveis com os rendimentos (ou receitas) declarados. 50. A solução encontrada então seria criar uma presunção legal 'júris tantun" de forma que caberia ao contribuinte provar que o Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 463 10 depósito bancário efetuado em sua conta não era decorrente de rendimentos tributáveis pelo imposto de renda e outros tributos; 51... Outras tentativas houve também antes do artigo 42 da Lei 9.430/96, mas sempre alicerçadas em outros indícios que não somente a existência de depósitos bancários, havendo necessidade que o fisco demonstrasse também a existência de sinais exteriores de riqueza, como se verifica do artigo 6o da Lei 8021/90; 52. Não é o que ocorre com o artigo 42 da Lei 9.430/96 quando simplesmente estabelece que "Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações". 53. Da dicção do dispositivo em comento verificase que o depósito por si só passou a ser considerado como receita ou rendimento até que o contribuinte prove que não é. 54. Estaria então tal dispositivo em consonância como prescrito no artigo 5o da Lei Complementar 105/2001, especialmente o seu § 4 °? É o que será abordado a seguir; 55. Com efeito, quando o fisco quebra o sigilo bancário do contribuinte com base no que prescreve o artigo 50, § Io, inciso I, § 20 e especialmente o seu § 4o da Lei Complementar 105/2001, não se trata de obtenção de informações gerais a que se refere o § 3o do citado artigo 50, estas fornecidas mensalmente pelas instituições financeiras como é o caso do que prescreve o § 3o inciso I11 do artigo Io da Lei Complementar 105/2001°. 56. Como se vê do disposto no § 4o do artigo 5o da LC 105/2001, a autoridade administrativa só pode quebrar o sigilo bancário do contribuinte em virtude de vislumbrar a existência de "indícios de omissão de receitas, movimentação financeira expressiva, e não apresentação dos extratos bancários solicitados". 57. De outra banda, o citado § 4o do artigo 5o da LC 105/2001 determina que "a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar% de sorte a poder "realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos"; 58. Se assim é; ou seja, se o fisco pode requisitar os documentos que julgar necessários à apuração adequada dos fatos como manda a lei nova, o conseqüente será a tributação real e efetiva da omissão de rendimentos ou receitas encontrada e provada pelo fisco, não podendo Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 464 11 mais a administração tributar os depósitos bancários com base na presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96 que considera os depósitos bancários a priori como omissão de receita ou rendimento, cabendo ao contribuinte a prova em contrário; 59. Nesse ponto é que reside a verdadeira antinomia entre o artigo 42 da Lei 9.430/96 e o § 4 ° do artigo 5° da Lei Complementar 105/2001. Havendo a antinomia entre o dispositivo de lei anterior, mesmo deixandose de levar em consideração o principio da hierarquia das leis o que não é o caso, possível é constatar a revogação tácita do citado artigo 42 da Lei 9.430/96 pelo § 4o do artigo 5o da Lei Complementar 105/2001; 60. Ademais, observandose o principio da legalidade cerrada em matéria fiscal; o principio da capacidade contributiva; da isonomia tributária, e outros previstos em nosso Texto Politico, é forçoso concluir que sempre deve prevalecer a apuração real da base de cálculo dos tributos em detrimento de apuração arbitrada ou, presumida desta; 61. Como é possível constatar, o uso das presunções em matéria fiscal sofre as limitações dos princípios constitucionais enunciados além de não poderem modificar a matriz constitucional ds incidência tributária; 62. Portanto, como "receita ou rendimento" por si só não representam "renda" como sendo "algo novo produzido", a presunção de que os depósitos bancários se constituem omissão de "receita", foge da matriz constitucional do imposto de renda e, conseqüentemente da CSLL que também alcança lucro e não "receita"; 63. Seria o caso presente. O depósito bancário é um mero indício de aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza e, como tal, jamais poderia ser considerado "renda" no conceito constitucional consoante delineado pelo CTN. Diante desta constatação a lei jamais poderia presumir como base de cálculo do imposto de renda a soma destes depósitos bancários como algo novo produzido ou como acréscimo de patrimônio; 64. Assim, se a lei anterior utilizavase de presunção júris tantum na tributação dos depósitos bancários considerando estes a priori como omissão de rendimento ou receita, até prova em contrário e lei posterior determina que o fisco promova a adequada apuração dos fatos (tributáveis), abstendose este estudo da possibilidade ou não de presumirse ser considerado depósito bancário em si como "renda", não há como pretender serem compatíveis tais dispositivos legais, principalmente Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 465 12 porque a lei posterior (§4° do artigo 5o da Lei Complementar 105/2001) ao encontrar sustentação de validez nos princípios da tipicidade e da legalidade cerrada da tributação, ao contrário do artigo 42 da Lei 9.430/96, findou por revogar o dispositivo legal anterior. 65. Em face do exposto, patente a revogação do artigo 42, da Lei 9.430/96 pelo artigo 50, §4°, da LC 105/2001, da qual extraise que a simples movimentação financeira não e presunção de receita ou renda; DA INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL REFERENTE AO IMÓVEL n. 13.012 FACE A VALIDADE DO COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA (folha 254): 66. Com relação ao "suposto" ganho de capital referente ao imóvel de n. 13.012, da qual fora atribuído uma diferença de: imposto na ordem de R$ 22.000,00 (vinte e dois mil reais), o mesmo encontrase eivado de 'nulidade e ilegalidade, sendo certo, que o referido imóvel foi adquirido pelo requerente na data de 25 de agosto de 1999, sendo confeccionado a escritura em 27 de agosto de 1999, imóvel este adquirido pelo valor de R$ 280.000,00 (duzentos e oitenta mil reais) conforme se depreende tanto do compromisso de compra e venda em anexo, e declaração firmada junto as DIRPvs 2003 e 2004; 67. Ou seja, o requerente pagou o imposto de renda sobre a diferença de R$ 332.172,00 de R$ 280.000,00, e não pelo "suposto" custo de aquisição de R$ 130.000,00, sendo válido para o presente caso, o compromisso de compra e venda em anexo, documento hábil para a comprovação da aquisição da propriedade rural. Ora basta uma simples olhada nas declarações aqui fiscalizadas para denotarem a aplicação correta do valor de aquisição, R$ 280.000,00, devendo o mesmo ser homologado por Vossas Senhorias, sendo inclusive reconhecido tacitamente ante o transcurso do prazo de homologação; 68. Destacase a importância do art. 463 do novel estatuto, segundo o qual cumpridas as obrigações do contrato preliminar e sendo ele irretratável, portanto sem cláusula de arrependimento, a parte pode exigir sua execução especifica. Em seu parágrafo único, apesar de ter o termo deverá, entendese que o interessado poderá levar ao registro o contrato preliminar; 69. O direito real atribuído ao promitente comprador confere ao contrato eficácia "erga omnes", mas esse caráter não afasta a natureza de direito pessoal do contrato de promessa de compra e venda. Assim, podese concluir que o registro do contrato preliminar não constitui requisito imprescindível à provocação Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 466 13 da tutela jurisdicional, com a finalidade de outorga da escritura definitiva, posição essa predominante na doutrina e jurisprudência. Em julgamento do Resp. n° 9945SP, o STJ decidiu que a "obligatio faciendi" assumida pelo promitente vendedor, pode dar ensejo à adjudicação compulsória, não sendo necessário o registro do contrato, a não ser para a produção de efeitos relativamente a terceiros; 70. Desta feita, o compromisso de compra e venda de imóveis coaduna eficácia de direito real, da qual é valida inclusive com relação ao valor da transferência, inclusive ratificada pela própria declaração de renda aplicada ao caso; 71. Ademais, patente pelo CTN, em seu artigo 117, inciso II, a validade do instrumento particular para efeitos fiscais, como deve ser observado no caso em comento, sendo certo que O ato ou negócio jurídico de alienação do imóvel reputase perfeito e acabado, para os efeitos fiscais, a partir da data do instrumento particular ou público de promessa de compra e venda celebrado entre as partes. 72. Assim, requerse a EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO relativo ao "suposto" ganho de capital referente ao imóvel 13.012, haja vista o verdadeiro custo de aquisição determinado pelo compromisso de compra em venda em anexo, válido como negócio jurídico conforme precedentes do STJ e artigo 463, do Código Civil c.c. artigo 117, inciso II, do CTN; DO "BIS IN IDEM" EM DECORRÊNCIA DO LANÇAMENTO ARBITRADO E DA ORIGEM LICITA DAS MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS: 73. O requerente tratase de produtor rural, possuidor de inscrições de produtor rural da qual dão ensejo a licitude e origem dos depósitos bancários (venda de semoventes a frigoríficos MIRASSOL D OESTE/MT, PONTES E LACERDA/MT e SÃO JOSE DOS 4 MARCOS/MT) : 13.014.86679; 13.015.80615 e 13.006.90345, sendo que, em decorrência do lapso temporal dos fatos geradores e do lançamento tributário, o mesmo já não possui documentos hábeis para a devida comprovação, importando no caso objeto, a sua comprovação através de diligencia ao posto Fiscal competente das inscrições estaduais de produtor rural.; 74. Em suma, dada a relevância do caso, bem como a impossibilidade de fazêlo condicionante a ampla defesa e contraditório, nos termos do artigo 5o, incisos XXXIV, LV e LVI, da CF/88 c.c. artigo 16, inciso IV, do Decreto Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 467 14 70.235/72, requerse oficiese ao Posto Fiscal local solicitando as notas fiscais da qual ensejaram os pagamentos que listou; 75. Alem disso flagrante ante os DARF"s em anexo, alem das DIRPF 2003 e 2004 os apontamentos das receitas e pagamento dos tributos ali lançados da qual inobservados pela Autoridade Administrativa competente, o que destaca o bis in idem no presente lançamento tributário, da qual enseja a sua observância e respectivo abatimento em caso de manutenção do tributo em discussão. 76. Assim resta patente e cristalino a licitude e origem dos depósitos bancários, dos quais necessário a sua comprovação através da diligencia pleiteada, alem da compulsoriedade da analise dos tributos já recolhidos, de forma a abater do credito tributário lançado, o imposto já recolhido, em caso de manutenção do referido lançamento, por absurdo que seja, evitandose o bis in idem já deflagrado. 77. Por fim, determinase a legalidade da diligencia acima pleiteada de forma a afastar definitivamente o absurdo do lançamento tributário em comento; DA NATUREZA DE CONFISCO DA MULTA APLICADA: 78. Por fim, determinase a legalidade da diligencia acima pleiteada de forma a afastar definitivamente o absurdo do lançamento tributário em comento. 79. No presente caso em flagrante nulidade do auto de infração em si, em decorrência das razões já esboçadas anteriormente, fora aplicado pelo Fisco multa de 75% (setenta e cinco por cento) em decorrência de suposta simulação com o fito de omissão de receita, sendo determinante todas as diligências com o intuito de colaborar com a Autoridade Administrativa competente; 80. O legislador brasileiro pecou por omissão. A existência de dispositivo legal específico, que positivasse um teto ao impositor de penalidades, constituiria uma barreira de difícil transposição àquele, e, principalmente, uma defesa legal ao contribuinte lesado. E não é outra solução a que nos oferece Sacha Calmon, em seguida a brilhante, embora breve, exposição sobre o tema: 81. Mesmo diante da flagrante inconstitucionalidade consubstanciada pelo arrazoado levantado, o que por si só gera a anulação do lançamento do crédito tributário aqui em questão, temos conforme entendimentos dos Tribunais Regionais Federais a limitação legal da imposição da multa moratória, com evidente confisco por parte da Fiscalização. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 468 15 82. Assim, patente diante da multa aplicada a condição de confisco, esta vedada constitucionalmente, levantandose ainda, que a multa pecuniária aplicada encontrase emoldurada diante da possibilidade de fraude, evasão, simulação, situações que não foram levadas ao livre convencimento do Poder Judiciário competente e encontramse travestidas da mácula da inânstitucionalidade, ou seja, além da ilegalidade na abusividade da aplicabilidade das multas pecuniárias em elevado patamar gerando o confisco vedado constitucionalmente, elas não devem persistir como sanção a prática de simulação ou ato jurídico ilícito, uma vez que não houve apreciamento do devido processo de anulação de ato jurídico, bem como dos patamares legais e jurisprudenciais apresentados, o que torna patente a aniquilação da multa moratória aplicada ao caso. Assim, solicita: 1 DECRETAR A EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, no tocante aos tributos lançados quanto a "suposta" omissão de rendimentos de alugueis recebidos da pessoa jurídica SKANSKA BRASIL LTDA. pago a títulos de alugueis ou royaltes e "suposta" omissão de ganhos de capital na alienação de imóveis referente aos imóveis sob matriculas n. 16.02 9 e 13.580 por integral pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do CTN; 2 DECRETAR A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR: i. INEXISTÊNCIA DO FATO GERADOR; ii. OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA; iii. AFRONTE AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E TIPICIDADE FECHADA; 3 DECRETAR a EXTINÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO (NULIDADE) e conseqüentemente EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO relativo ao "suposto" ganho de capital referente ao imóvel 13.012, haja vista o verdadeiro custo de aquisição determinado pelo compromisso de compra em venda em anexo, válido como negócio jurídico conforme precedentes do STJ e artigo 463, do Código Civil c.c. artigo 117, inciso II, do CTN; 4 CASO NÃO ENTENDA PELAS RAZÕES ALHURES, REQUERSE o abatimento dos valores pagos a titulo de Imposto de Renda pelo requerente (DARF"s em anexo, alem das DIRPF^s 2003 e 2004), ante inobservância pela Autoridade Administrativa competente, o que destaca o bis in idem no presente lançamento tributário; 5 DETERMINE o caráter de CONFISCO à multa moratória aplicada ao caso, diante da inconstitucionalidade estampada e da vedação dos patamares utilizados pelo Fisco com base nas previsões legal disposta na Lei n.° 8383/91 e jurisprudencial dos Tribunais Regionais Federais, evidenciado pela condição do requerente; Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 469 16 6 Autorizar a produção de todos os meios de provas em direito admitidos, inclusive pelo depoimento pessoal dos sócios da requerente, oitiva de testemunhas, cujo rol será apresentado posteriormente, juntada de novos documentos, laudos, exames, perícias e tudo mais que se fazer necessário para o perfeito andamento desta, INCLUSIVE REQUERENDO A INTIMAÇÃO DO SIGNATÁRIO PARA SUSTENTAÇÃO ORAL; 7 REQUERSE em consonância com o artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, amparado pela condicionante da ampla defesa e contraditório, nos termos do artigo 5o, incisos XXXIV, LV e LVI, da CF/88 oficiese ao Posto Fiscal local (MIRASSOL DsOESTE/MT) solicitando as notas fiscais de venda de semoventes em nome do requerente IP 13.014.86679; 13.015.80675 e 13.006.90345, junto aos frigoríficos de MIRASSOL D'OESTE/MT, PONTES E LACERDA/MT e SÃO JOSE DOS _ 4 MARCOS/MT) , demonstrando a origem dos depósitos nas contas correntes do requerente, planilha acima destacada, tal cobrada pelo Fisco; 8 Requerse, por fim, que todas as publicações e intimações do processo administrativo sejam feitas em nome dos signatários da presente, ou seja, GALBER HENRIQUE PEREIRA RODRIGUES, ELISÃNGELA LORENCETTI FERREIRA e WESLEY EDSON ROSSETO, através do endereço constante do rodapé desta. E o relatório." Em seu apelo, reprisa o recorrente, com pequenas alterações, os mesmíssimos argumentos lançados em sua Peça de Defesa, requerendo, ao final a total reforma da r. Decisão, dandose total provimento ao recurso voluntário. Às fls. 383, afiança preliminar de Cerceamento de Defesa, face a pedido expresso no item 11 de sua Impugnação, de modo que teria sido necessário, com base no artigo 16, inc. IV, do Decreto 70.235/72, determinar remessa de oficio ao posto Fiscal de Mirassol D'Oeste solicitando as notas fiscais de venda de semoventes em nome do Requerente, que demonstrariam a origem dos depósitos discutidos nos presentes autos. Requer, quanto a este ponto, a anulação da decisão ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência para expedição do requerimento acima apontado visando a ampla defesa do contribuinte. Às fls. 405/408, encontrase o subtópico "Da Ilegalidade Das Razões Da Decisão Da Drj", em que propugna ter havido a decadência os lançamentos encontrados entre 31/02/2002 e 31/12/2002, tendo em vista o vencimento dos tributos, eis que seriam tributos sujeitos a homologação e, portanto, o prazo do Fisco para perseguilos se findaria após 5 anos. Arremata, às fls. 408: "Caso, ainda se entenda pela natureza de tributo por homologação, temos que, segundo o § 4°, se a Fazenda Pública não proceder à expressa homologação dentro do prazo de 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, considerase Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 470 17 homologado lançamento e definit1v4inente extinto o crédito (receitá declarada nas DIRPF ,2003, e DARF com pagamento dos tributos. documentos' na impugnação). Com isso completa se o sistema eliminandose qualquer possibilidade de vir um tributos a ser recebido pela Fazenda Pública , sem qúé ó, crédito tributário tenha sido constituído,' pelo lançamento de _ ofício, ,ou mediante homologação, sendo esta expressa ou ficta, da qual devem ser declarados EXTINTOS os fatos geradores de 3110112002 a 3111212002, haja vista o vencimento dos tributos, conforme artigo 173, inciso I c. c. artigo 150, § V c.c. artigo 156, inciso V, todos do CTN." Tendo em vista que o Conselheiro anterior não compõe mais esta e. Turma, os autos foram a mim redistribuídos e vieram para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, votamos por conhecer do recurso e passando à análise de suas razões. 2. PRELIMINARES. 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA. O Cerceamento de Defesa tem como pressuposto a demonstração de efetivo prejuízo ao exercício da ampla defesa e contraditório em decorrência do desrespeito ao devido processo legal. O alegado cerceamento de defesa está lastrado em suposta omissão do colegiado de julgamento a quo quanto ao pedido formulado no item 11 da peça de impugnação, que tinha por objetivo a realização de diligência junto a Secretaria de Fazenda Estadual em Mirassol D`Oeste/MT solicitando as notas fiscais de venda de semoventes em nome do requerente IP 13.014.86679; 13.015.80675 e 13.006.90345. Em razão disto, preliminarmente, pede a anulação da decisão ou a conversão do julgamento em diligência. Em avaliação do tema verificase que a decisão objetada, ao contrário do alegado, tratou expressamente da questão, fundamentando as razões do indeferimento do requerido no item 11 da impugnação [Fl. 362] em conformidade com o disposto no Art. 42 da Lei nº 9.430/96 que impõe ao contribuinte o dever de provar a origem dos recursos. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 471 18 O Art. 3731 do Código de Processo Civil impõe a parte autora a prova quanto ao fato constitutivo de seu direito e a ré, o ônus de provar à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse sentido, a diligência requerida representa uma tentativa de desconstituir o lançamento realizado sobre a totalidade do crédito de origem não comprovada, apurado por meio do confronto entre movimentação bancária e o constante nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física. Uma vez demonstrada a origem do recurso como decorrência da atividade rural, se operaria efeito modificativo do direito fazendário, eis que aplicarseia a sistemática própria e mais benéfica de apuração do tributo segundo as regras do setor. Portanto, segundo a teoria das provas, caberia o Recorrente [Réu] o ônus probatório. E ainda, não se vislumbrando impossibilidade ou dificuldade excessiva de cumprir o encargo probatório, eis que seria dever do contribuinte manter tais documentos sob guarda até a certeza da extinção da obrigação e não os tendo sob guarda, poderia requerer tais documentos ao fisco estadual, não havendo razão legal para determinar a inversão do ônus da prova. Não representa cerceamento de defesa o ato decisório praticado com observância das regras processuais que definem o ônus da prova. Com tais fundamentos formamos nosso convencimento no sentido da ausência de cerceamento de defesa e votamos por manter a decisão da DRJ e indeferir o pedido de diligência. 2.2. DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS REFERENTES A OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. Neste ponto temse mera reprodução do alegado em impugnação, representando apenas manifestação positiva quanto ao lançamento realizado e informando o pagamento desta parcela do crédito tributário. Isto posto, não há instauração de lide que mereça maiores considerações. Em conformidade com o já declarado por ordem da decisão recorrida, consoante o disposto no art. 17 do Decreto no 70.235, de 1972, com a redação do artigo 10 da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, considerase nãoimpugnada a matéria que não tenha sido expressamente impugnada pelo contribuinte. E por ser tema estranho a lide e sem conteúdo decisório, voto por dele não conhecer. 2.3. NULIDADES E ILEGALIDADES ALEGADAS PELO RECORRENTE ITENS A.3, B.2 E B.3 DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O item A.3 (preliminar) e os itens B.2 e B.3 (mérito) guardam profunda relação e, independente da classificação como preliminar ou preliminar de mérito, podem ser 1 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 472 19 decididas em conjunto e de modo prioritário, nos termos do art. 592 do Anexo II do RICARF, dada sua natureza prejudicial ao mérito. Nos itens da peça recursal A.3, B.2 e B.3 o recorrente alega ausência de pressupostos regulares ao desenvolvimento do lançamento tributário, pela inexistência de fato gerador [A.1], sustenta haver ilegalidade de presumirse depósito bancário como renda [B.2.] e ilegalidade da aplicação do inciso I do Art. 42 da 9.430/96 face ao Art. 5º da lei Complementar 105/2001 e demais razões [b.2.]. Sustenta que o lançamento realizado através de informações obtidas por meio de movimentações financeiras como suposta omissão ou simulação induzida pelo mesmo no tocante a receita adquirida nos exercícios de 2003 e 2004 representaria inovação no mundo jurídico, "ferindo princípios que vão desde o principio da legalidade , passando pela tipicídade fechada até ao principio mor da segurança jurídica". Alegando que a apuração do tributo na forma do Art. 42 da Lei 9.430/96 não evidenciaria a existência de fato gerador, sua conexão com o contribuinte e a consumação em determinado momento. Que a "descaracterização da movimentação financeira, com intuito de simulação/omissão caracterizando acréscimo patrimonial ou receita, carece de razão jurídica e, também, ação judicial". Sustenta que a "quebra de sigilo bancário colide com o art. 5º, inciso LVI da Constituição Federal e que é pacifica a posição jurisprudencial neste sentido, colacionando, inclusive, súmula do extinto Tribunal Federal de Recurso com o seguinte teor: Súmula 182 do extinto TRF: "É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários"(sic) Cita ainda o DecretoLei nº 2.471/88 sob alegação de que o próprio executivo afastou tal possibilidade. Vejamos; "Por outro lado, o próprio Poder Executivo promulgou o Decreto Lei nº 2..471, de 01.09.88, que em seu art. 9° prevê o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos, que tomaram como base valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancário: "Art . 9° Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança (...) VII do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extrato ou de comprovante'de depósitos bancários." Segue negado a possibilidade de adoção da presunção quanto a natureza dos valores utilizados para lançamento eis que não restaria demonstrado um nexo entre os valores depositados e rendimentos omitidos, tão pouco, por tal sistemática, se toma por base a existência de renda auferida ou consumida. 2 Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 473 20 Por derradeiro afirma existir antinomia entre o disposto no Art. 42 da Lei 9.430/71 e o disciplinado no §4º3 do art. 5º da Lei Complementar 105/2001, eis que este último diploma impõe a necessidade de realização de auditoria caso se verifique indícios de irregularidade, vendando assim a adoção de presunção. Conclui argumentando que: Desta feita, ilegal o arbitramento dos depósitos bancários de forma a caracterizar receita, sendo factível ao caso, á.ilegalidade de extensão ao artigo 110, do CTN, além da revogação do fatídico artigo 42, da Lei 9430196, ou seja, sua presunção da qual extraise a EXTINÇÃO do crédito tributário por, falta de fato gerador, dada as razões alhures. Tal argumento não encontra sustentáculo na legislação. Não há inovação jurídica alguma, o que se vê é uma perfeita subsunção, no caso concreto, do fato tomado por base para o lançamento, ante ao que resta previsto na legislação de regência, sendo as referencias apresentadas pelo Recorrente já, há muito, superadas. O RIR/994 em seu Art. 849 prevê que: Art. 849 Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). §1º Em relação ao disposto neste artigo, observarseão (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §§1ºe2º): I o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira; II os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §2º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §3º, incisos Ie II, e Lei nº 9.481, de 1997, art. 4º): 3 Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (Regulamento) [...] § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. 4 DECRETO Nº 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999 Regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 474 21 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. §3º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §4º). No mesmo sentido dispõe o art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 475 22 efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Alega antinomia entre as disposições legais que fundamentaram o lançamento combatido e o disposto no §4º do art. 5º da LC 105/01, em nosso sentir não existe. Eis que, pela sistemática das disposições legais aplicadas e questionadas frente a LC 105/01, se procede a uma auditoria dos valores movimentados, excluindose valores repetidos e aqueles que tenha sido objeto de comprovação. Portanto, não há ausência de fato gerador, mas fato gerador legalmente presumido em razão da ausência de comprovação, por parte do contribuinte, no sentido de que os valores movimentados tem natureza diversa de rendimento ou sejam rendimentos com tratamento tributário favorecido. Identificada movimentação bancária não declarada e sem comprovação de origem ou natureza, resta estabelecida presunção legal, ficando o fisco dispensando de comprovar o consumo de tal renda. Sobre este tema, já se manifestou o CARF de modo reiterado, vejamos: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como bem asseverou o Relator da decisão Recorrida: No caso concreto, todos os requisitos formais previstos no artigo 42 da lei 9.430/96 supracitado foram cumpridos pela Autoridade Fiscal. Conforme relatório da AuditoraFiscal responsável, a fiscalização teve início em 14/09/2007, quando o contribuinte tomou ciência do MPF e do termo de início de fiscalização e foi intimado a responder a vários questionamentos e apresentar documentos, inclusive, os extratos bancários de 2002 e 2003. O contribuinte não se manifestou e foi efetuada a requisição de informações sobre movimentações financeiras (RMF) para os bancos Brasdesco e Banco do Brasil. Em 20/02/2008, o contribuinte foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados em suas constas nos anos de 2002/2003, os quais foram listados e individualizados em relação anexa ao termo de intimação(relatório de folhas 16 a 20). Em 08/04/2008, o contribuinte foi reintimado. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 476 23 O contribuinte não mais se manifestou. Assim, o fato ocorrido teve uma perfeita subsunção à norma legal prevista, qual seja, o artigo 42 da lei 9.430/96. Assim, não cabe ao Fisco comprovar a natureza, origem ou destino dos valores movimentados em conta corrente, tal dever é legalmente imposto ao contribuinte, sob pena de se operar a presunção de que trata a lei. Ao fisco cabe identificar e demonstrar a existência de movimentações bancárias omitidas e não comprovadas observando para tal os requisitos legais dispostos no Art. 42 da lei 9.430/96. Também não há antinomia entre o disposto no Art. 42 da Lei 9430/96 e o §4º do Art 5º da LC 105/01, eis a própria lei estabelece a necessidade de realização de autoria, o que se faz com os dados disponíveis, seja através da própria movimentação bancária, seja por meio de cruzamentos de tais informações com as declarações ou ausência destas e, ainda, co9m os documentos fornecidos pelo contribuinte. Atendidos os requisitos da legislação aplicável, não há que se falar em ilegalidade de presunção que a própria lei impõe. Logo, não há como acolher os argumentos lançados pelo Recorrente nos itens A.3, B.2. e B.3 de seu Recurso. 3 DO MÉRITO. 3.1. DA DECADÊNCIA. O Recorrente insiste na alegação de que seria nulo o lançamento em razão da extinção do direito fazendário de constituir o crédito ora resistido, consoante o disposto no §4º do Art. 150, eis que ao Imposto de Renda da Pessoa Física se impõe sistemática de lançamento por homologação e não tece considerações especificas para cada tipo de operação, o que não impede analisar a questão sob perspectivas diversas conforme o caso. Considerando que o lançamento foi consolidado em 11/08/2008 [Fl. 5], tendo contribuinte tomado ciência do mesmo em 15/08/2008 [Fl. 22], relativamente a fatos geradores ocorridos entre 01/2002 e 12/2003, com os fundamentos que indica, acredita que ter se operado a decadência do direito de realizar o presente lançamento. Para as obrigações inerentes ao anocalendário 2002, a DRJ, aplicando o Art. 173, I reconheceu a extinção do direito de lançar declarando nulo o crédito, seguindo em lide as obrigações cujo fato gerador ocorreu entre 01/2003 e 12/2003, sem porém tratar de modo diferenciado as especificidades de cada operação. Cabe reprise quanto ao fato do presente lançamento decorrer de omissão de rendimentos identificados por meio de depósitos de origem não comprovada e ganho de capital na alienação de imóveis com valores diversos dos declarados. Dada a diferente sistemática de apuração do Imposto de Renda incidente sobre estas duas espécies de rendimentos, devemos analisar a operação de decadência separadamente. 3.1.1. A DECADÊNCIA NOS LANÇAMENTOS POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 477 24 Este ponto não demanda maiores discussões. Prevalece neste Conselho o entendimento quanto a natureza complexiva do fato gerador do IRPF para rendimentos identificados a partir de depósitos com origem não comprovada. Embora apurado mensalmente, tal tributo está sujeito ao ajuste anual, momento em que se define a sua efetiva base de calculo, portanto, tem seu aperfeiçoamento no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo decadencial em lançamento que tem origem, justamente, na omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários, o CARF assim consolidou seus precedentes: Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário." Portanto, a despeito de toda a argumentação erigida pelo Recorrente, não resta dúvida quanto a inocorrência de decadência do crédito constituído em relação as operações ocorridas entre 01/2003 e 12/20013, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 15/08/2008. Voto por negar provimento ao recurso neste ponto. 3.1.2. DECADÊNCIA GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. No que se refere ao ganho de capital sobre a compra e venda do imóvel, as seguintes operações foram objeto de lançamento em razão de omissão: Imóvel: Mat. 13.012 Lote de Terras no município de Porto EsperidiãoMT, com 1.282,0785Has Aquisição: 27/08/1999 Imóvel: Mat. 16.029 Área de Terra Rural no município de Porto EsperidiãoMT, com 290,4011 Has Aquisição: 10/06/1999 Imóvel: Mat. 13.580 Lote de Terras no município de Porto EsperidiãoMT, com 264,99Has Aquisição: 10/06/1999 A alienação de tais imóveis foi efetuada em 20/03/2003, com pagamento à vista, tendo ocorrido o recolhimento do Imposto de Renda nos patamares originalmente Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 478 25 declarados pelo contribuinte [Fls. 374 a 376] e a ciência do contribuinte quanto ao lançamento se deu em 15/08/2008. Postos os dados, passaremos a analisar a incidência do instituto da decadência sobre tais fatos geradores. É certo que o ganho de capital na alienação de imóveis está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindose modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte. No presente caso, considerando que não constam maiores argumentações fiscais sobre a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e que constam declarações e informação de recolhimento do tributo referido, para os créditos constituídos sob as operações de comprar e venda de imóveis, aplicase o Art. 150, §4º do Codex Tributário, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Considerando que o fato gerador restou ocorreu em 20/03/2003 e que consta dos autos recolhimento parcial do que o fisco entende devido, a data máxima para realização do presente lançamento seria 18/03/2008, porém, como a ciência do lançamento pelo Recorrente veio a se efetivar somente em 15/08/2008 [Fl. 22], voto por reconhecer o perecimento do direito fiscal de constituir o crédito tributário em lide, restando nulo o lançamento neste ponto. 3.2. DA AUSÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL REFERENTE AO IMÓVEL Nº 13.012. Em que pese a prejudicialidade da matéria votada no item anterior sobre a presente discussão, em atenção ao principio da eventualidade, analisaremos as alegações recursais quanto a ausência de ganho de capital referente ao imóvel nº 13.012. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 479 26 Quanto ao mérito, embora mais de uma operação imobiliária tenha sido objeto de lançamento, o Recorrente apresenta suas razões recursais de mérito, apenas quanto ao imóvel nº 13.012, sendo este o limite de alcance da presente análise. Nesse sentido, a fiscalização realizou lançamento de imposto de renda suplementar por ganho de capital no valor de R$ 22.000,00 (vinte e dois mil reais), tomando por base o preço de venda do imóvel em conformidade com o declarado pelo próprio Recorrente, fixando em R$ 332.172,00, porém, desconsiderando aquele constante em sua DAA e do Instrumento Particular de Compra e Venda de fls 272/274 que fixava o preço de aquisição em R$ 280.000,00. Tal desconsideração do declarado e constante no referido Instrumento Particular, se deu em decorrência da identificação de existência de Escritura Pública com registro na matrícula do imóvel em questão [folha 163 —verso], registrando operação de compra e venda datada de 26/10/1999 tendo como adquirente o interessado: JOÃO FARIA e como transmitente o senhor VIVALDO MARQUES LUIZ, e como preço ajustado o valor de R$130.000,00, sendo R$ 80.000,00 em moeda corrente e R$ 50.000,00 através de uma aeronave CESNA 210, 1973. Tanto a decisão recorrida quanto o lançamento não merecem qualquer reparo neste ponto. O Código de Processo Civil vigente assim dispõe sobre a forma probatória de documentos públicos: Art. 405. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que ocorreram em sua presença. Art. 406. Quando a lei exigir instrumento público como da substância do ato, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprirlhe a falta. A transferência de propriedade de imóveis se faz, obrigatoriamente, por meio de instrumento público, em conformidade com o previsto no Código Civil vigente, que apenas reproduz os mesmos regramentos do anterior quanto a tal temática: Art. 108 Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Para este relator não resta qualquer dúvida quanto a prevalência das informações registradas em escritura pública ante aquelas constantes na DAA ou no Instrumento Particular, razão pela qual não merece acolhida a tese Recursal neste ponto. 3.3. DO ALEGADO "BISINIDEM". Quanto a alegação de "bisinidem" tratase exatamente das mesmas alegações opostas em preliminar de cerceamento de defesa, uma espécie de "bisinidem" da Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 480 27 tese já exposta, cujo este relator votou pelo não acolhimento, sendo dispensável a realização de nova análise para manifestação sobre o mesmo ponto indicado como preliminar e mérito. 3.4. DA NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA Neste ponto, o Recorrente apresenta larga argumentação quanto aos limites de aplicação de penalidades, conceito de confisco e ancora sua tese em preceitos e princípios constitucionais. Vejamos um trecho conclusivo do Recurso neste tópico: Assim, patente diante da multa aplicada a condição de confisco, esta vedada constitucionalmente , levantandose ainda , que a multa pecuniária aplicada encontra se emoldurada diante da possibilidade de fraude, evasão, simulação, situações que não foram levadas ao livre convencimento do Poder Judiciário competente e encontramse travestidas da mácula da inconstitucionalidade, ou seja, além da ilegalidade na abusividade da aplicabilidade das multas pecuniárias em elevado patamar gerando o confisco vedado constitucionalmente , elas não devem persistir como sanção a prática de simulação ou ato jurídico ilícito, uma vez que não houve apreciamento do devido processo de anulação de ato jurídico, bem como dos patamares legais e jurisprudenciais apresentados, o que torna patente a aniquilação da multa moratória aplicada ao caso. (grifos do original) Os argumentos recursais neste ponto não fogem a uma necessária aferição quanto aos limites de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o percentuais das referidas multas, o que é vedado ao CARF, conforme impõe o do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011, cujo entendimento é corroborado por jurisprudência pacifica deste conselho registrada nos dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Ante ao exposto voto por conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida não acolher as preliminares de cerceamento de defesa e nulidade, acolhendo, em parte, a preliminar de mérito no tocante a decadência apenas quanto as operações de compra e venda de imóveis, negando provimento ao recurso nos demais tópicos. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Voto Vencedor Conselheiro Luis Henrique Dias Lima Redator Designado Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 481 28 Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, dele divirjo pontualmente pelas razões de fato de direito a seguir delineadas. O cerne da divergência em apreço reside no reconhecimento de decadência, observandose a regra do pela regra do art. 150, § 4°., do CTN, em face do lançamento com fulcro em ganho de capital na alienação de imóveis. Em relação a essa matéria, assim se conclui o i. Relator: [...] A alienação de tais imóveis foi efetuada em 20/03/2003, com pagamento à vista, tendo ocorrido o recolhimento do Imposto de Renda nos patamares originalmente declarados pelo contribuinte [Fls. 374 a 376] e a ciência do contribuinte quanto ao lançamento se deu em 15/08/2008. Considerando que o fato gerador restou ocorreu em 20/03/2003 e que consta dos autos recolhimento parcial do que o fisco entende devido, a data máxima para realização do presente lançamento seria 18/03/2008, porém, como a ciência do lançamento pelo Recorrente veio a se efetivar somente em 15/08/2008 [Fl. 22], voto por reconhecer o perecimento do direito fiscal de constituir o crédito tributário em lide, restando nulo o lançamento neste ponto. [...] Entretanto, não me parece ser esse o encaminhamento mais adequado à matéria, considerandose o conjunto probatório acostado aos autos. Muito bem. Em regra, no ganho de capital não há que se falar em ocorrência de pagamento antecipado, pois sua tributação se dá em separado, não integrando assim o ajuste anual. Todavia, em havendo pagamento antecipado, ainda que parcial, abandonase a regra geral do art. 173, I, do CTN, e buscase o amparo da regra especial de decadência insculpida no art. 150, § 4°., do CTN, desde que ausentes dolo, fraude ou simulação (REsp n. 973.733/SC). No caso concreto, diferentemente do que afirma o i. Relator, não se verifica nos autos o recolhimento antecipado de IRPF a título de ganhos de capital no AC 2003, inclusive nas folhas dos autos às quais aquele se reporta. De se observar que o recolhimento de IRPF relativo a apuração de ganhos de capital na alienação de bens duráveis (in casu, imóveis) se dá sob Código de Receita 4600. Ocorre que não há nos autos comprovantes de recolhimentos (DARF) sob Código de Receita 4600 vinculados ao AC 2003, o que, de plano, afasta a incidência da regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, não obstante o Recorrente ter informado imposto pago sobre ganhos de capital no valor de R$ 14.857,80 (DIRPF/2004 efl. 320) e no Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital (efls. 324/328). Destarte, ausente pagamento antecipado, ainda que parcial, incide a regra geral insculpida no art. 173, I, do CTN, não havendo que se falar de decadência no caso em apreço, vez que o lançamento de ofício aperfeiçoouse em 15/08/2008 (efl. 22) e a hipótese de Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10183.003584/200893 Acórdão n.º 2402006.498 S2C4T2 Fl. 482 29 incidência tributária materializouse no AC 2003, iniciandose o a contagem do quinquênio decadencial em 01/01/2004 e encerrandose em 31/12/2008. Nessa perspectiva, não há reparo a fazer na decisão recorrida. Isto posto, voto pelo não reconhecimento da decadência em relação às operações de compra e venda de imóveis. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 482DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.009078/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.684
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para que se intime o contribuinte a apresentar memória de cálculo / detalhamento dos valores de R$ 723.324,14 (rendimentos tributáveis) e R$ 197.025,22 (imposto retido), referente ao pagamento recebido no mês de outubro de 2010, acompanhada de documentação hábil e idônea, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Recorrente MARCOS MOTTA BURLAMAQUI Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para que se intime o contribuinte a apresentar memória de cálculo / detalhamento dos valores de R$ 723.324,14 (rendimentos tributáveis) e R$ 197.025,22 (imposto retido), referente ao pagamento recebido no mês de outubro de 2010, acompanhada de documentação hábil e idônea, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 17ª Tuma da DRJ/SP1, consubstanciada no Acórdão nº 1650.764, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 09 07 8/ 20 10 -3 1 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 3 2 Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 19 a 25 relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2006, exercício 2007, por meio da qual foi apurado imposto suplementar no valor histórico de R$ 24.779,16. De acordo com a fiscalização, foi verificada a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 171.674,53, nos seguintes termos: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 171.674,53, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Glosa do IRRF deduzido a maior na DIRPF no valor de R$ 171.674,53 a saber: Precatório 449/1994, Proc. 001620063.1986.5.10.0004. Vr. do IRRF deduzido pelo contribuinte na DIRPF: R$ 228.516,24 Vr. do IRRF apurado p/ fiscalização: R$ 193.838,47 () R$ 171.674,76 (IRRF incidente s/ valor cedido Precat. Certidão TRT10ª Região 767/2010) = R$ 22.163,94. Vr. do IRRF dedutível na DIRPF = R$ 56.841,71 (IRRF s/ Precatório recebido p/contribuinte R$ 22.163,94 + IRRF s/ Aposentadoria R$ 34.677,77). O contribuinte apresentou sua competente impugnação contra a exigência fiscal (fls. 03 a 13), aduzindo, em síntese, que: a) como houve retenção de imposto na fonte, “não haveria que se falar tanto em pagamento adicional quanto em restituição de imposto de renda”, entretanto, como houve pagamento de honorários advocatícios e periciais, para o recebimento dos valores da ação judicial, haveria direito a restituição de imposto de renda; b) que não saberia de onde a fiscalização extraiu o valor que o contribuinte teria declarado a título de rendimentos da ação judicial, uma vez que o mesmo não constaria da DIRPF; c) que o demonstrativo de cálculos conteria códigos de difícil compreensão; d) que constaria imposto sobre ganho de capital, fato ausente no anocalendário em exame; e) que os cálculos efetuados pela fiscalização para apuração do valor tributável, imposto retido na fonte e honorários advocatícios e periciais; f) afirma que o imposto retido sobre a parcela alvo de cessão deveria ser compensada na DIRPF, uma vez que o valor teria sido efetivamente retido na fonte; g) pede que o lançamento seja retificado de acordo com demonstrativo que apresenta ao final da peça impugnatória. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 4 3 A DRJ jugou improcedente a impugnação do sujeito passivo, nos seguintes termos, em resumo: o contribuinte alega que houve cerceamento do direito de defesa, afirmando não saber como a fiscalização chegou ao valor dos rendimentos, que seria diferente do constante em sua declaração de rendimentos (DIRPF). Engana se o contribuinte. Às fls. 86 a 94 encontrase cópia de DIRPF retificadora, entregue pelo interessado, em que consta o valor usado pela fiscalização. Portanto, os valores dos quais a fiscalização partiu não foram originários da fiscalização, mas do próprio contribuinte, informados por ele, de acordo com os procedimentos e normas legais. Não se vê aqui, portanto, qualquer afronta ao direito de defesa; aduz cerceamento do direito de defesa também em razão do uso de siglas e abreviações por parte da fiscalização. Observese que o uso de abreviações, siglas que o contribuinte classificou como “códigos cifrados de difícil compreensão” não o impediu de impugnar em detalhes o lançamento, apresentando sua versão para os valores e cálculos que deveriam ser considerados pela Receita Federal do Brasil, em lugar daqueles que levaram à autuação. O contribuinte demonstrou, na peça impugnatória, que não encontrou qualquer dificuldade para se defender, portanto, não ficou caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Além disso, chamar o texto abreviado pela fiscalização de código cifrado é um exagero exagerado. Os cálculos e valores estão bastante detalhados; nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, a nulidade do auto de infração poderá ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo no mesmo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa. No entanto, no caso em tela observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 10 do Decreto 70.235/72, não ensejando declaração de nulidade; mesmo que o impugnante tivesse alegado expressamente cerceamento de defesa em decorrência de suposta simples referência genérica aos artigos que serviram de base à autuação guerreada, uma vez que ele se defendeu adequadamente, descaberia a preliminar de nulidade como se verifica na ampla jurisprudência administrativa; no que tange ao mérito, o contribuinte alegou, em síntese, que a fiscalização equivocadamente concluiu pela cobrança de imposto de renda, quando deveria ter apurado restituição, de acordo com cálculos apresentados ao final da peça; esclareçase inicialmente que, ao descrever a infração, a fiscalização referese a todos os tipos de tributação possível, inclusive aquelas que não estão incluídas na apuração, como ganhos de capital. Tal procedimento não atrapalha em nada a compreensão e não constitui um erro, diferentemente do alegado pelo interessado. Apenas esgota o assunto, ressaltando a hipótese de sua existência não deixou de ser levada em conta pela fiscalização; em relação ao imposto retido na fonte, somente pode ser considerado o imposto devido decorrente dos rendimentos recebidos incluído na declaração de rendimentos, conforme prevê a legislação; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 5 4 portanto, correto o procedimento da fiscalização de somente incluir o imposto de renda na fonte sobre os rendimentos incluídos na declaração de ajuste anual, desconsiderando os valores referentes à cessão; em relação aos honorários advocatícios e periciais, também está correto o procedimento da fiscalização, pois o percentual entre os rendimentos tributáveis e isentos foi alterado com a cessão. Os cálculos estão corretos Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 111 a 124, sustentando, em síntese, que: · A cessão de parte dos créditos oriundos do precatório nº 449/95, resultado do processo trabalhista nº 162/86, ocorreu no ano de 1998; · Foi acordado com o Distrito Federal que o saldo remanescente pertencente ao Autor seria pago da seguinte forma: cerca de 30% de sinal, no exercício de 2006, e o restante seria dividido em 12 parcelas trimestrais, que seriam pagas nos meses de março, junho, setembro e dezembro dos anos de 2007, 2008 e 2009; · Todos os valores percebidos pelo Contribuinte foram tributados à alíquota de 27,5%, por meio de retenção na fonte, por parte do Distrito Federal; · Sendo o Autor servidor público do Distrito Federal e as verbas oriundas de ação trabalhista, nos termos do art. 157 da Constituição Federal, o Imposto de Renda Retido na Fonte pertence ao próprio Distrito Federal; · Dúvidas não há que, se o credor afirma expressamente ter retido na fonte tributo que lhe pertencia, não há justa causa para a Receita Federal glosar o pagamento do referido tributo por parte do contribuinte, em evidente bis in idem; · Tendo sido demonstrado que houve retenção do Imposto de Renda à alíquota de 27,5% sobre todo o montante recebido, não houve distinção entre verbas tributáveis e não tributáveis, sendo improcedente a glosa de honorários advocatícios e periciais. É o relatório. VOTO Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 6 5 Conforme sinalizado no relatório supra, tratase o presente processo de lançamento fiscal em decorrência da constatação, pela fiscalização, de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 171.674,53. De acordo com o Fisco, o contribuinte não poderia, no caso em análise, ter compensado o IRRF no valor de R$ 171.674,53, por não ter levado à tributação os respectivos rendimentos. Dessa forma, apontou como infringido o inciso V, do art. 12 da Lei nº 9.250/95: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; Neste mesmo sentido foi a conclusão da DRJ, que assim se manifestou: Em relação ao imposto retido na fonte, somente pode ser considerado o imposto devido decorrente dos rendimentos recebidos incluído na declaração de rendimentos, conforme prevê a legislação (grifo original) Portanto, correto o procedimento da fiscalização de somente incluir o imposto de renda na fonte sobre os rendimentos incluídos na declaração de ajuste anual, desconsiderando os valores referentes à cessão. Da análise dos documentos que constam no processo, notoriamente da Certidão nº 264/2010 (fls. 27 e 126), verificase que o valor de R$ 171.674,53 glosado pela fiscalização corresponde ao IRPF incidente sobre o montante do crédito – objeto do Precatório nº 449/1994, referente à ação trabalhista nº 001620063.1986.5.10.004 que foi cedido pelo Recorrente a terceiros. Na trilha do entendimento da fiscalização, como o montante que foi objeto de cessão não foi declarado como rendimento na DIRPF, não poderia o contribuinte utilizar o respectivo IR como dedução na referida declaração. À primeira vista, poderseia concluir pela exatidão de tal conclusão. Ocorre que, analisando a DIRPF do contribuinte, exercício 2007 (anocalendário 2006), verificase que nesta foi declarado, como rendimentos recebidos de pessoa jurídica, o montante de R$ 756.134,64 (fl. 86), que corresponde à diferença entre o total dos rendimentos pagos pela fonte pagadora, no valor de R$ 872.991,05 (conforme DIRRF de fls. 127 e respectivo comprovante de fls. 128) e as despesas com honorários (de advogados e pericia contábil) da ação trabalhista, no valor total de R$ 116.856,41 (conforme recibos / declarações de fls. 31, 33 e 35). Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 7 6 Total de Rendimentos 872.991,05 (‐) Honorários Advocatícios 100.856,13 (‐) Honorários Advocatícios 13.333,57 (‐) Honorários Perícia Contábil 2.666,71 (=) Total de Rendimentos declarado na DIRPF 756.134,64 O recorrente, por ocasião da impugnação apresentada, trouxe aos autos a seguinte composição do total dos rendimentos auferidos (fl. 05): Como se vê, e a princípio, diferentemente do entendimento fiscal, da análise dos documentos supra citados, concluise os rendimentos correspondentes ao IRRF no valor de R$ 171.674,53 glosado pelo Fisco, foram efetivamente declarados. Registrese, pela sua importância, que a composição do total dos rendimentos auferidos em destaque, no valor de R$ 872.991,01, tratase de uma simples tabela apresentada pelo contribuinte no corpo da impugnação. Às fls. 71 dos autos, temse um extrato dos rendimentos recebidos pelo contribuinte no anocalendário 2006, no qual há informação de que, no mês de outubro, os rendimentos tributáveis foram de R$ 723.324,14. Referido montante, salvo melhor juízo, deve corresponder ao somatório do provento de aposentadoria do mês de outubro + os valores pagos pega fonte pagadora em decorrência do acordo firmado para pagamento do Precatório nº 449/1994, nos termos da Certidão nº 264/2010 (fl. 27 e 126). Ocorre que este Relator não logrou compor o montante de R$ 723.324,14 informado como rendimentos no mês de outubro/2006, no extrato de fls. 71. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 8 7 Assim, considerando que a verificação da composição do referido montante se afigura essencial no caso em análise, proponho a conversão do presente julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime o contribuinte para apresentar memória de cálculo / detalhamento dos valores de R$ 723.324,14 (rendimentos tributáveis) e R$ 197.025,22 (imposto retido), referente ao pagamento recebido no mês de outubro de 2010, conforme consta no documento de fls. 71 do eprocesso. A memória de cálculo deve vir acompanhada de documentação hábil e idônea a demonstrar a abertura dos valores em destaque É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior. Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10872.720030/2017-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL.
É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado.
Numero da decisão: 1302-003.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo conselheiro relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição ao conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo conselheiro relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 00 30 /2 01 7- 87 Fl. 11709DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.710 2 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição ao conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício em relação ao Acórdão nº 02 78.078, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 3.549 a 3.578), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2013 OMISSÃO DE RECEITA Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONSERVAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A pessoa jurídica é obrigada a conservar em boa guarda e ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, devendo os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, ser conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 PAGAMENTO SEM CAUSA Fl. 11710DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.711 3 Para fins de incidência de IRRF exclusivo na fonte, considerase pagamento sem causa ou feito a beneficiário não identificado aquele que envolve a entrega de recursos a terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 REQUISITOS DA IMPUGNAÇÃO A impugnação mencionará de forma clara e organizada os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de 2 discordância e as razões e provas que possuir, não cabendo à autoridade judicante o papel de defensor dativo. LIVRE CONVICÇÃO E DILIGÊNCIAS Na apreciação da prova, a autoridade judicante formará livremente sua convicção, podendo determinar de ofício ou a pedido as diligências que entender necessárias e praticáveis e indeferir as demais. LANÇAMENTOS DERIVADOS Mantida no todo ou em parte a exigência de IRPJ, igual sorte caberá às demais cobranças que forem realizadas com base nos mesmos termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova. LITÍGIO Não se toma conhecimento de matéria alheia ao litígio, assim entendido aquilo que foi considerado infração pela autoridade lançadora e regularmente impugnado pelo contribuinte." Foram lavrados contra a Recorrente autos de infração relativos a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2013 (fls. 1.567 a 2.199), com base na constatação de omissão de receitas por presunção legal referentes a depósitos bancários de origem não comprovada e glosa de despesas consideradas não comprovadas. A primeira infração, apurada em relação ao Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), gerou reflexos na Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição para o PIS/PASEP (PIS/PASEP); e a última na CSLL. Em relação ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), o auto de infração se baseou na apuração reflexa de pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Cientificado do lançamento (fl. 2.207), o sujeito passivo apresentou Impugnação (fls. 2.215 a 2.253), na qual alegou deficiências no procedimento que resultou na constituição do crédito tributário, asseverando que a autoridade fiscal: Fl. 11711DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.712 4 (i) não confrontou os supostos depósitos que indicariam a omissão de receitas com a escrituração fiscal/contábil da Requerente, limitandose a exigir documentos que suportassem todas as transações realizadas pela Recorrente em 2012, ou seja, milhares de operações bancárias realizadas ao longo de todo o ano de 2012; (ii) não individualizou de forma adequada os depósitos bancários para efeito de comprovação de origem, limitandose a exigir a comprovação de forma genérica e superficial de uma enormidade de transações bancárias; (iii) não concedeu oportunidade adequada para a apresentação das informações e documentos capazes de afastar a alegação de omissão de receitas, ignorando reiteradamente as manifestações da Requerente para que fossem especificados os documentos a serem apresentados de forma a melhor colaborar com a D. Fiscalização em face do elevado número de operações selecionadas; e (iv) consequentemente, não indicou de forma objetiva como estaria caracterizada a não comprovação da origem (requisito, repitase, essencial para a aplicação da presunção), já que sequer permitiu que tal comprovação fosse realizada, limitando se a exigir enorme quantidade de documentos sem nenhum critério, aparentando buscar, desde o princípio, não esclarecer eventuais dúvidas e pretensas omissões, mas sim lavrar os presentes Autos de Infração a todo e qualquer custo." Assim, pugnou pelo cancelamento integral da exigência fiscal. Ademais, arguindo a dificuldade de entrega de documentação para todas as operações apontadas pela autoridade fiscal, apresentou documentos para demonstrar a origem de parte das referidas operações, que decorreriam de: (i) aumento de capital social subscrição e integralização de ações; (ii) Liberação de empréstimos; (iii) emissão de debêntures; (iv) resgate de aplicações financeiras; (v) transferências de mesma titularidade; (vi) venda de investimentos; (vii) venda de terreno. Apresentou, ainda, pedido de conversão do julgamento em diligência, caso os elementos apresentados não fossem considerados suficientes para a comprovação da origem dos créditos bancários. Em adição, suscitou erro na determinação da base tributável do IRPJ e da CSLL, posto que a tributação teria ocorrido sobre o total das receitas supostamente omitidas, sem a dedução dos custos correspondentes. Contestou a consideração como indedutíveis de perdas em participações societárias, o que contrariaria o art. 418 do RIR/99, e o lançamento correspondente relativo ao IRRF, posto que não teria havido qualquer pagamento. Finalmente, arguiu a impossibilidade de aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 11712DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.713 5 A decisão de primeira instância rejeitou todas as alegações de falhas no procedimento fiscal, apontando o cumprimento por parte do responsável pela constituição do crédito tributário das formalidades necessárias à caracterização da presunção de omissão de receitas, bem como a ampla possibilidade de defesa ofertada à pessoa jurídica. Neste ponto, indeferiu o pedido de conversão em diligência, por não poder ser usado como substituta para a instrução probatória cujo ônus recairia sobre a autuada. Considerou comprovada a origem de parte dos depósitos que ensejaram o lançamento, atribuídos na Impugnação a operações de aumento de capital social, resgate de aplicações financeiras, transferências de mesma titularidade e venda de terreno. Em sentido oposto, os julgadores consideraram não comprovado que os créditos bancários estivessem relacionados com liberações de empréstimos, emissão de debêntures e venda de investimentos. Entendeu, ainda, como inadmissível a pretensão da Impugnante de deduzir os custos relativos às receitas consideradas omitidas, posto que o lançamento parte do pressuposto de que os custos da pessoa jurídica já foram corretamente declarados, cabendo tãosomente a adição das receitas não computadas, sob pena de dupla contagem das deduções. O Acórdão considerou não comprovado as alegadas perdas em participações societárias, mas afastou a correspondente tributação pelo IRRF, por entender "que não se encontra patente nos autos a correlação entre tais despesas e a ocorrência de qualquer uma das hipóteses legais dos artigos 674 e 675 do RIR/1999. Uma vez que não quedou estreme de dúvidas nos autos que tenha ocorrido transferência de recursos a terceiros ". A decisão deixou de analisar as considerações relativas à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por entender falecer competência à DRJ para a apreciação da referida matéria. Finalmente, em relação ao pedido de diligência, asseverou que, por iniciativa oficial, ele foi realizada, porém, mostrouse improfícua. Em função do valor exonerado, recorreuse de ofício ao CARF, nos termos da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Após cientificado da decisão de primeira instância (fl. 3.591), o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 3.596 a 3.649, por meio do qual: (i) suscitou, preliminarmente, a nulidade dos autos de infração pela mesmas falhas no procedimento fiscal já apontados na Impugnação; (ii) ainda, como preliminar, apontou a nulidade do Acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, ao indeferir o requerimento de conversão do julgamento em diligência e acatar suposto descumprimento à realização de diligência anteriormente determinada; (iii) repetiu as alegações de erro na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de improcedência da autuação sobre despesas indedutíveis, de impossibilidade de incidência de juros de mora sobre multa de ofício e de que os créditos bancários considerados não comprovados, na parte mantida pelo julgamento, corresponderiam Fl. 11713DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.714 6 a liberações de empréstimos, emissão de debêntures e venda de investimentos, acrescentando detalhes quanto a estas últimas; (iv) fez nova alegação de que créditos considerados de origem não comprovada se referem a operação de aumento de capital não tratada na Impugnação, acrescentando, ainda, alegações relativa a recebimento de dividendos pagos pela empresa Amazon Empreendimentos, a transferências via conta corrente mercantil e a estorno de lançamentos indevidos; (v) renovou, finalmente, o requerimento de diligência. Em 16 de agosto de 2018, a Recorrente apresentou os documentos de fls. 11.672 a 11.706, com o intuito de "reforçar e organizar as provas e documentos que acompanharam a impugnação e recurso voluntário, de forma a elucidar quaisquer dúvidas que ainda permaneçam em relação aos fatos". É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 28 de fevereiro de 2018 (fl. 3.591), tendo apresentado Recurso Voluntário em 26 de março de 2018, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 2.259/2.261 e 3.650. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. O Recurso, porém, traz alegações não veiculadas na Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Somente no Recurso Voluntário, o sujeito passivo atribui parte dos créditos considerados de origem não comprovada a operação de aumento de capital no montante de R$ 77.672.749,56, a recebimento de dividendos pagos pela empresa Amazon Empreendimentos, a transferências via conta corrente mercantil e a estorno de lançamentos indevidos. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria Fl. 11714DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.715 7 não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. As novas alegações trazidas pela Recorrente não constituem matéria de ordem pública, portanto, somente poderia ser apreciadas pelo CARF, se já houvessem sido invocadas desde a Impugnação. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente foi omisso, no momento da apresentação da Impugnação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, trazer matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo, conforme exemplifica a seguinte: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo Fl. 11715DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.716 8 com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, à exceção das matérias não veiculadas desde a Impugnação. Quanto ao documento acostados às fls. 11.673 a 11.706, recepcionouo nos estritos termos da motivação apontada na Petição de fl. 11.672, ou seja, como reforço e organização das provas já apresentadas nos autos, não conhecendo eventuais novas provas documentais, por violação ao expresso no já referido §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. 2. Da preliminar de nulidade do auto de infração A Recorrente suscitou, preliminarmente, a nulidade dos autos de infração por supostas falhas no procedimento fiscal, conforme alegação trazida na Impugnação, e transcrita no relatório acima. O Acórdão de primeira instância rejeitou a argumentação, apontando o cumprimento por parte do responsável pela constituição do crédito tributário das formalidades necessárias à caracterização da presunção de omissão de receitas, bem como a ampla possibilidade de defesa ofertada à pessoa jurídica. A partir do exame dos autos, há que se concordar com a decisão. Ao contrário do alegado, há provas suficientes de que o responsável pelo procedimento fiscal individualizou, adequadamente, os depósitos bancários cuja origem o sujeito passivo comprovar, conforme fls. 1.175/1.288 e 1.299/1.412. Além disso, ofertou ampla possibilidade para que a Recorrente se desincumbisse do seu mister. Não há qualquer nulidade no fato de a autoridade fiscal não haver realizado o cotejo entre os referidos depósitos bancários e a escrituração contábil do sujeito passivo, posto que o lançamento foi embasado na presunção legal de omissão de receitas de que trata o art. 281 do RIR/99, segundo o qual, é bastante a ausência de comprovação da origem dos créditos bancários, para se presumir que o contribuinte omitiu receitas e, como consequência, constituir o crédito tributário. Fl. 11716DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.717 9 A Recorrente sustentou, ainda, que não teriam sido demonstrados os elementos determinados pelos artigos 142 do CTN. A alegação é totalmente improcedente. O crédito tributário foi devidamente constituído com todos os elementos exigidos nos citados dispositivos legais. Como afirmado, a autoridade fiscal adotou todas as providências necessárias à apuração das infrações, que são minuciosamente descritas no Termo de Verificação Fiscal, oportunizou fartas oportunidades para o sujeito passivo apresentar documentos comprobatórios que elidissem a presunção legal apontada, porém a Recorrente é que não logrou apresentar qualquer prova capaz de cumprir tal exigência. 3. Da nulidade do Acórdão recorrido A Recorrente argui, ainda como preliminar, a nulidade do Acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, ao indeferir o requerimento de conversão do julgamento em diligência. Igualmente, não procede a alegação. O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, coloca o atendimento ao requerimento de diligências ou perícias sob a análise da autoridade julgadora. In verbis: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No mesmo sentido, o art. 29 do citado Decreto dispõe que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Tratando do tema, James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 10. ed. rev. atual. e ampl., 2017, fls. 289/290), leciona: "Como o impulso do processo compete à Administração (princípio da impulsão oficial, em conformidade com o art. 19 da LGPAF), cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade." Fl. 11717DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.718 10 O Acórdão recorrido rejeitou o pedido formulado pelo sujeito passivo, consignando: "Patenteiase que é ônus do impugnante trazer aos autos as provas em seu favor e que incumbe à autoridade julgadora examinar tais provas, encontrandose sua liberdade de convicção adstrita aos limites da legalidade. Lado outro, o Decreto nº 70.235, de 1972, não determina e nem tolera que o julgador venha a agir como defensor dativo, suprindo eventuais deficiências da impugnação oferecida pelo sujeito passivo, emendando suas falhas ou tomando plausibilidades por certezas." Por outro lado, registrou que, por iniciativa oficial, já foi realizada diligência, que se mostrou improfícua. De fato, não vislumbro no presente caso qualquer necessidade de que seja realizada a diligência requerida. Os autos se encontram adequadamente instruídos. A autoridade fiscal foi extremamente cuidadosa na reunião dos elementos probatórios e, à Recorrente, foram ofertadas fartas ocasiões para a apresentação dos documentos que entendesse necessários para afastar as infrações a ela imputadas, bem como para robustecer os seus argumentos de defesa. De outra parte, antes da apreciação dos recursos, cabe suscitar, de ofício, a nulidade parcial da decisão de primeira instância, por outra razão, posto que deixou de analisar uma das matérias contidas na Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. É que, embora a Recorrente tenha dedicado um tópico específico da sua Impugnação para defender a impossibilidade da aplicação de juros sobre as multas aplicadas, o Acórdão recorrido entendeu por bem não conhecer da alegação, nos seguintes termos: "JUROS SOBRE MULTA No que tange a uma suposta cobrança de juros sobre multa, cabe observar que não há acréscimo legal desta ordem no crédito tributário impugnado e, portanto, não foi instaurado litígio a este respeito. Destarte, falece competência a Colegiado para o exame desta matéria, a teor do artigo 277 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 9 de outubro de 2017: Art. 277. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar, depois de instaurado o litígio, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades;" Como revela a declaração de voto da julgadora Luciana de Freitas, vencida quanto a tal decisão, o tema foi discutido na sessão de julgamento, não tendo sido acatada a necessidade de apreciação da alegação pela DRJ, sob pena de supressão de instância administrativa. Fl. 11718DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.719 11 O fundamento adotado para não apreciar a matéria não pode ser admitido, uma vez que os valores de juros de mora (calculados até a data da constituição do crédito tributário) constam dos autos de infração impugnados e acompanham o decidido em relação ao principal. Além do que o tema suscitado envolve discussão acerca da questão da natureza de crédito das multas de ofício. A omissão do julgador caracteriza a hipótese de nulidade prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, "preterição do direito de defesa", pois, ao mesmo tempo, não analisa as razões recursais trazidas pelo autuado e não lhe possibilita ter o tema analisado pela segunda instância do contencioso. Destaquese que a matéria é reiterada no Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, nos mesmos termos trazidos na Impugnação, de modo que a manifestação desta Turma, diante da omissão da autoridade a quo, constituiria supressão de instância (como advertido pela citada julgadora). Diante do princípio utile per inutile non vitiatur, esta turma, recentemente, decidiu, em casos semelhantes, e com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal, pela anulação parcial do Acórdão, devolvendo à autoridade julgadora de primeira instância apenas a apreciação da matéria sobre a qual não se pronunciou. É o que se observa nos seguintes julgados: Acórdão nº 1302002.041 (Rel. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, sessão de 15 de fevereiro de 2017), Acórdão nº 1302001.948 (Rel. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sessão de 09 de agosto de 2016), Acórdão nº 1302002.562 (de relatoria deste Conselheiro, sessão de julgamento de 21 de fevereiro de 2018) e Acórdão nº 1302002.267 (também de relatoria deste Conselheiro, sessão de 13 de março de 2018). Transcrevo trecho do voto do Relator Alberto Pinto no citado Acórdão de sua relatoria: "Em situações processuais parecidas com a ora posta em julgamento, o Supremo Tribunal Federal tem decidido pela nulidade parcial da sentença, se não vejamos o seguinte Acórdão: “Processo: HC 94888 SP Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Órgão Julgador: Segunda Turma PENAL. HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA DA PENA. NULIDADE PARCIAL DA SENTENÇA. PRECEDENTES STF. ORDEM DENEGADA. 1. A presente impetração visa ao reconhecimento de nulidade da sentença condenatória prolatada em desfavor do paciente, sob o fundamento de ausência de fundamentação na dosimetria da pena aplicada. Fl. 11719DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.720 12 2. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento de que nulidade quanto à dosimetria da pena "não vicia inteiramente a sentença e o acórdão das instâncias inferiores, mas diz respeito, apenas ao critério adotado para a fixação da pena. Tudo o mais neles decidido é válido, em face do princípio utile per inutile non vitiatur." (HC 59.950/RJ, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 01.11.1982). 3. Habeas corpus denegado.”. Mutatis mutandi, por mais que me cause espécie a declaração parcial de nulidade de sentença, sustento que seja essa a melhor solução processual para o presente caso. Destarte, há que se obstar o julgamento deste litígio e devolvêlo para a complementação da sentença a quo com a devida apreciação da matéria suscitada pela impugnante." Como sempre registro, compartilho da estranheza experimentada pelo Relator da decisão transcrita, mas, entendo, que a anulação parcial é a melhor solução aplicável ao caso, posto que a matéria que deixou de ser analisada não é central à lide, mas tãosomente um dos efeitos periféricos da decisão proferida, com consequências que não atingem o lançamento em si. Não faz sentido, assim, obrigar o julgador de primeira instância a reapreciar todas as matérias já analisadas no Acórdão recorrido, sem que haja qualquer vício na análise já realizada. Neste sentido, voto por, de ofício, declarar a nulidade parcial da decisão recorrida, para que a autoridade julgadora de primeira instância proceda a julgamento complementar, de modo a se pronunciar sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 11720DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.909623/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2002
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2057; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.909623/201153 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.043 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria PIS E COFINS. RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 96 23 /2 01 1- 53 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.500. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.393, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 6 5 Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 7 6 Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 8 7 Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 9 8 redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002278/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA POR CONCOMITÂNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO. OCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA.
Operada a concomitância não há como se conhecer do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3401-005.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencido o Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que conhecia e negava provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA POR CONCOMITÂNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO. OCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. Operada a concomitância não há como se conhecer do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencido o Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que conhecia e negava provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 22 78 /2 00 9- 41 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão 0439.391 da 2a Turma da DRJ/CGE de piso (efls. 88 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Restituição em formulário (fl. 3) pelo qual pleiteava um crédito de R$ 134.910,88. Consta do referido formulário: Crédito de PIS Lei Complementar 07/70; artigo 6o, convertido em renda da União em 18/07/2006, conforme documentos em anexo; para compensação nos termos do artigo 34 da IN/RFB n° 900/2008. O pedido foi indeferido por meio do Despacho Decisório (fls. 58 e 59). A fundamentação foi a renúncia à esfera administrativa em face da opção pela via judicial, nos termos do ADN no 3/96: Embora reconhecidos os pagamentos a maior ao PIS, no intervalo PA de 08/1988 a 09/1995, no litisconsórcio, por dependência, Ação Ordinária Declaratória e de Repetição n° 92.00351409, tramitada perante a 17a V. F. em São PauloSP e transitada em julgado, em 13 de dezembro de 1996, os PA 03/1992 a 09/95, em questão, não foram recolhidos em DARF, mas objeto de depósitos judiciais. Por consequência, considerando serem os valores de conversão e de levantamento determinação do Poder Judiciário, conforme o Despacho/Decisão acima transcrito, propomos, nos termos do ADN 03/96, o indeferimento do Pedido de Restituição de folha 01. A ciência quanto à decisão ocorreu em 9 de setembro de 2011 (fl. 61). A contribuinte insurgiuse contra o despacho decisório alegando, em apertada síntese: a) no despacho decisório foi reconhecido o pagamento a maior da contribuição e, por consequência, há o direito à restituição; b) foram feitos depósitos judiciais do valor integral do PIS e, após o trânsito em julgado da ação, parte do valor foi convertida em renda da União e parte levantada pela contribuinte. Os valores convertidos em renda da União geraram créditos para a interessada, em face da conversão ter sido efetivada com base nos Decretosleis no 2.445/88 e 2.449/88, quando o correto seria com base tãosomente na Lei Complementar no 7/70; c) “a ora Requerente entende que, o levantamento de depósitos judiciais (oriundos de seu crédito devidamente reconhecido), dentro de uma avaliação fiscal, visando à quitação de tributos devidos, representa o mesmo que não haver quaisquer Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.002278/200941 Acórdão n.º 3401005.300 S3C4T1 Fl. 159 3 desembolsos para o pagamento desses tributos, cuja quitação darseá justamente pela compensação administrativa”; d) “a liquidação do valor devido, uma vez realizada, haverá a comparação com o valor depositado, convertendose em renda o valor devido”; e) “a ora Requerente, diante da disposição da Lei n° 11.941/09 entende que, o contribuinte pode utilizar os depósitos judiciais, vinculados a processos já transitados em julgado, para a quitação de débitos, ainda, de acordo com o artigo 156, I, do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário. Assim é o entendimento do recente julgamento do Recurso Repetitivo n° 1.251.513PR”; f) “ainda, cabe ressaltar que, o depósito judicial após o encerramento da lide e devidamente levantado pela União Federal serão transformados em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do tributo, nos termos do artigo 1o, § 3o, II, da Lei n° 9.703, de 17/11/1998, que dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais”; g) “o depósito judicial efetivado pela ora Requerente e convertido em renda da União Federal, é forma de quitação de débitos tributários, todavia, em face da inconstitucionalidade declarada (DecretosLei 2445/88 e 2449/88), gerou crédito de valores a serem restituídos/compensados ao contribuinte”; h) se houve trânsito em julgado da ação, não pode haver desistência e renúncias possíveis; i) “os depósitos judiciais efetuados com base nos DecretosLei 2445/88 e 2449/88 que foram considerados inconstitucionais, portanto, os valores dos depósitos convertidos em renda da União, correspondentes à contribuição do PIS, devido no respectivo período, com base na LC 7/70 sem considerar a semestralidade da referida contribuição (art. 6º da LC 7/70), com o devido respeito, a ora Requerente entende que, a conversão dos depósitos em renda da União equiparase ao pagamento (Lei 9.703/98, art. 1°, § 3°, II), pois, a União Federal recebeu o valor que lhe era devido, desta forma, os valores referentes ao período de apuração de março/1992 à setembro/1995, devidamente depositados na data de seu vencimento, estabelecidos pelos considerados inconstitucionais DecretosLei 2445/88 e 2449/88, dá origem ao direito líquido e certo da ora Requerente ao crédito em face do pagamento do PIS considerandose o faturamento do sexto mês anterior, nos termos do artigo 6o, da LC 7/70”; j) “a ora Requerente comprovou a existência de processo judicial; que os depósitos foram efetivados em montante integral (inclusive, com base nos DecretosLei 2445/88 e 2449/88), portanto, na exatidão e liquidez de suas declarações, tão somente, almeja, o cumprimento pela esfera administrativa da decisão judicial que julgou ser inconstitucional a contribuição Fl. 160DF CARF MF 4 para o PIS, nos termos dos DecretosLeis n°s. 2.445/88 e 2.449/88, através de compensação administrativa”; k) o cálculo do crédito deve levar em conta a chamada “semestralidade do PISFaturamento” nos termos do art. 6o da Lei Complementar no 7/70. Ao final é requerido o deferimento da compensação requerida. Há o protesto por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial pela juntada de documentos. Posteriormente ao protocolo da manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou documento em que informa que a pretensão se referia à restituição de “crédito de PIS, obtido após a conversão dos depósitos em renda da União, tendo em vista que quando das conversões dos referidos depósitos realizados pela ora Requerente, não foi observado o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador mas, sim, foram feitas as conversões com base nos DecretosLeis n° 2445/88 e 2449/88 sobre as outras receitas”. (Negrito do Relator). Sobreveio a decisão da DRJ, a qual não conheceu a manifestação de inconformidade, a teor da ementa abaixo transcrita: PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário em 12/06/2015 (efl. 100), após ser cientificada da decisão proferida pela DRJ em 13/05/2015, efl.97. Nas razões do recurso sustenta, em síntese: Preliminarmente: que o objeto do presente processo administrativo não é o mesmo do processo judicial, pois neste se discutiu a inexistência de relação jurídicotributária sobre o recolhimento do PIS, nos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. No presente feito, o pedido para compensar em extensão ao processo 10865.000229/200117 e seus créditos de IPI, gerados após a conversão dos depósitos em ação cautelar em renda a favor da União Federal; Que o valor convertido em renda da União não foi observado a semestralidade do PISFaturamento, nos termos do art. 6º da LC 07/70; Que não há violação da soberania do Judiciário; Tece argumento sobre a semestralidade do Pis; Aduz que possui direito líquido e certo ao crédito do Pis; Defende que se trata de pedido de compensação em extensão ao processo 1086500229/200117; Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.002278/200941 Acórdão n.º 3401005.300 S3C4T1 Fl. 160 5 A reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator Inicialmente conheço o recurso voluntário, diante do cumprimento dos requisitos legais. O núcleo do contencioso trazido pela contribuinte em seu voluntário é a questão preliminar de concomitância. Como se viu a DRJ entendeu pela concomitância, na medida em que "A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas". (negrito deste Relator). No caso dos autos, a Recorrente ingressou com ação judicial questionando a ilegalidade/inconstitucionalidade do PIS (DL 2.445/88 e 2.449/88). Logrou êxito e houve o trânsito em julgado. Depois disso é que buscou a compensação dos créditos gerados na ação judicial, por meio da via administrativa, fazer a compensação de seus débitos de PIS. Temse que se trata de caso de concomitância, e mais, que a matéria submetida ao presente contencioso não mais remanesce discussão, vez que submetida ao Poder Judiciário. Demais disso, vêse que o quantum foi objeto de decisão judicial, havendo conversão em renda e sem contestação disso por meio da Contribuinte, não cabendo ao CARF, neste estágio, decidir sobre o assunto. Por tais razões, voto em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Fl. 162DF CARF MF 6 Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.904241/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA.
O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
Numero da decisão: 1401-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 42 41 /2 01 2- 31 Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. A recorrente apresentou Declaração de Compensação onde solicita o reconhecimento de crédito decorrente de pagamento efetuado a maior. O referido pedido foi indeferido por meio de Despacho Decisório eletrônico em que foi apostado que a ora recorrente não possuía o crédito pleiteado, uma vez que o valor recolhido por meio de DARF já estaria comprometido com os valores declarados em DCTF e informados na DIPJ. Irresignada com o indeferimento da compensação, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Desempenha atividade preponderante de apoio portuário, mais especificamente o transporte de passageiros para o embarque e desembarque em navios e outras embarcações. Nos exatos termos do artigo 519, parágrafo 1º, inciso II do RIR/99, referida atividade sujeitase às alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, aplicáveis sobre sua receita bruta, e não de 32% como previsto para a prestação de serviços em geral. Assim, por erro contábil, recolheu valores de IRPJ e de CSLL a maior, por considerar indevidamente a alíquota referente a prestação de serviços em geral, pelo que pugnou pelo direito à restituição relativa à recomposição do lucro presumido. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme seguinte trecho de ementa: (...) LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO . Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% , exceto a de serviço de transporte que se sujeita às alíquotas de 16 e 12%, respectivamente. No caso, contudo, a interessada não comprova nos autos o exercício da atividade e o recebimento de receitas correspondente àquela atividade. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A turma da DRJ consignou que a empresa não teria direito ao crédito pleiteado pelos seguintes motivos: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 5 4 retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Cientificada da decisão da DRJ e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário tempestivo repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas anexando documentos (notasfiscais) em que intenta demonstrar que prestava serviços de transporte de passageiros. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.803, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10735.904236/2012 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.803): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, tratase a lide de discussão sobre o enquadramento da recorrente quanto ao tipo de serviço que presta: (i) para o fisco e para a DRJ, a recorrente não comprovou ter direito a aplicar as alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL; assim, "cairia" na regra geral aplicada a prestadores de serviços em geral, cuja alíquota é de 32%; e (ii) para a recorrente, ela tem direito à aplicação das alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL, por prestar serviços de transporte de passageiros. O indeferimento do pedido de restituição / compensação do referido crédito foi feito por meio de Despacho Decisório eletrônico. Sabese que o referido despacho é emitido sem uma análise pormenorizada do crédito pleiteado, pois o que se busca é analisar as formalidades que cercam as declarações e documentos de informação que servem de base para análise do crédito. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 6 5 No caso dos autos, o indeferimento se deveu por falta da existência do suposto crédito, pelo fato de que na DCTF foi consignado, pela empresa, o débito de IRPJ e de CSLL considerando a alíquota de 32% em relação à apuração do lucro presumido. Na manifestação de inconformidade, a ora recorrente alegou que possuía direito ao referido crédito e que a DCTF havia sido encaminhada com dados incorretos. Apesar da alegação, e empresa não apresentou nenhum documento para comprovação da efetividade do crédito pleiteado. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa elencando os motivos pelos quais não concedeu o crédito, que transcrevo novamente abaixo, para facilitar a didática: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 7 6 Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário e anexou notasfiscais que alega fazerem prova de que prestou serviços de transporte de passageiros. Pois bem. O Pedido de Restituição e Compensação somente pode ser efetuado se houver certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para tanto, deve a empresa peticionária se cercar de elementos que corroboram o pleiteado crédito tributário. As declarações e informações de entrega obrigatória ao fisco devem corresponder à realidade vivida à época da apuração do crédito e também devem estar amparadas por documentação probatória, pois sempre devese partir da premissa de que quem alega o direito é que deve fazer prova de sua existência. O princípio da verdade material, por outro lado, é primado que permeia o processo administrativo fiscal, e pode ser utilizado quando, mesmo que as formalidades não sigam inteiramente o que prega a legislação tributária, há indícios concretos das alegações da parte que tenta demonstrar o direito. Houve casos nesta turma, por exemplo, em que o mero erro de preenchimento de algum documento fiscal não serviu de motivação para indeferimento do crédito, porque restou comprovada, por outros elementos, a certeza e liquidez do crédito. Chamo a atenção, porém, que o princípio da verdade material deve ser relativizado: comparase (i) a deficiência na instrumentalização do pedido sopesada com a demonstração inequívoca de prova (ii) à celeridade processual, instituto que movimenta o processo administrativo fiscal. Como exemplo, se uma empresa não apresenta documentação alguma ou a apresenta de forma rasa, mesmo ciente da necessidade da apresentação, e traz outros documentos somente na 2ª (segunda) fase recursal, entendo que se deve afastar a alegação de busca da verdade material e ignorar a documentação apresentada, em razão da inércia da parte. Chega a ser pior! Há casos em que a(s) parte(s) traze(m) elementos após o recurso voluntário e pede(m) que o feito seja baixado em diligência para que se conceda nova oportunidade de comprovação do crédito pleiteado, conduta que entendo totalmente reprovável. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 8 7 O caso concreto, no meu sentir, é completamente díspare da possibilidade da busca pela verdade material. Em momento algum, a recorrente demonstra interesse em comprovar efetivamente que os créditos existiram; de todas as restrições apresentadas pela delegacia de piso, no acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, a recorrente apenas trouxe notasfiscais de serviços, as quais também não provam muita coisa, visto que não são muito legíveis e, também, que a empresa pratica outras atividades além de transporte de passageiros. Não há apresentação de contratos de serviços, a recorrente não apresenta seus controles contábeis e fiscais, e, também, não há um discriminativo sobre a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, uma vez que no contrato social da recorrente consta que ela exerce várias atividades e, portanto, pode se sujeitar a mais de uma alíquota de presunção. Como não há elementos suficientes para análise do crédito pleiteado, proponho afastar o pedido da recorrente por falta de documentação comprobatória de seu suposto direito. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.006273/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/03/2008
EX TARIFÁRIA
Exceção tarifária prevista para máquinas automáticas para moldar termoplásticos, por injeção, estiramento e sopro, simultâneos, com condicionamento direto de temperatura da pré-forma, e três estações injeção de pré-forma, estiramento e sopro, e extração, não se aplica a máquinas com quatro estações.
NULIDADE.
Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeita-se a alegação de nulidade.
DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS.
Indefere-se os pedidos de diligência e de perícia, por se tratarem de providências prescindíveis para o julgamento da lide.
Numero da decisão: 3302-005.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, Diego Weis Junior e Rafael Madeira Abad, que propunham a conversão do julgamento em diligência para elaboração de novo laudo pericial.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente substituto
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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NULIDADE. Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeitase a alegação de nulidade. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. Indeferese os pedidos de diligência e de perícia, por se tratarem de providências prescindíveis para o julgamento da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, Diego Weis Junior e Rafael Madeira Abad, que propunham a conversão do julgamento em diligência para elaboração de novo laudo pericial. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente substituto (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 62 73 /2 00 8- 43 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 3 2 José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório O objeto do presente processo versa sobre a classificação equivocada de duas máquinas automáticas em declaração de importação realizada pela contribuinte recorrente. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 16 56.908, da 24ª Turma da DRJ/SP1, proferido na sessão de 09 de abril de 2014: "O importador, por meio da declaração de importação de n° 08/03702579 registrada em 10/03/2008, submeteu a despacho de importação duas máquinas automáticas para moldar termoplásticos com jogo de peças sobressalentes, conforme descrição detalhada da mercadoria na citada declaração de importação, classificáveis na posição 8477.59.90 da Tarifa Externa Comum (TEC), a qual determina a alíquota ad valorem do Imposto de Importação de 14%. No curso da análise documental da declaração de importação em questão, devido ao fato desta ter sido parametrizada automaticamente pelos sistemas da Receita Federal para o canal de seleção amarelo, constatouse que o importador pleiteava, dentro da posição 8477.59.90 da TEC, para as mercadorias em questão, a ex tarifária 24 aprovada pela Resolução CAMEX 73 de 20/12/2007, publicada em 24/12/2007 pelo Diário Oficial da União, que alterou para 2% a alíquota ad valorem do Imposto de Importação. No intuito de dirimir dúvidas quanto a possibilidade do enquadramento no citado extarifário e amparado pelo artigo 722 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543 de 26/12/2002 ) combinado com os artigos 1 e 2 da Instrução Normativa 157 de 22/12/1998, que dispõem sobre a assistência técnica para identificação e quantificação de mercadoria importada ou a exportar, solicitouse, em 08/04/2008, laudo técnico de perito credenciado pela Receita Federal. Em 14/05/2008, foi apresentado à fiscalização o laudo técnico elaborado pelo engenheiro mecânico Sr. Francisco Kogos, com as respostas referentes aos quesitos previamente formulados por esta fiscalização. Neste, com base no exame físico das mercadorias, na literatura técnica fornecida pelo importador e na literatura técnica obtida na Internet, o laudo é conclusivo quanto à existência de divergência entre as mercadorias examinadas pelo perito e as descritas pelo importador na declaração de importação. Esta divergência consiste no fato de Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 4 3 que, enquanto na declaração de importação elaborada pelo importador constam três estações como componentes de cada uma das máquinas, o que enquadraria ,de fato, as mercadorias no EX 24 da posição 8477.59.90 da Tarifa Externa Comum (TEC), o perito expõe, em seu laudo técnico, que são quatro o número de estações presentes em cada uma das máquinas, o que descaracteriza o seu enquadramento neste EX. Ainda sobre o parecer conclusivo do laudo pericial de que as duas máquinas não se enquadram na exceção pleiteada pelo importador, a fiscalização concluiu, ao analisar a citada peça técnica, que o perito se baseou em dois aspectos ao tomar a sua decisão: 1) na análise física, constatouse que havia quatro estações por máquina e não três como alegado pelo importador pois, na máquina de quatro estações, duas destas estações, a Estação 1 e a Estação 2, executam o que apenas uma, a Estação 1, executa na máquina de três estações, e 2) em pesquisa realizada na Internet, existem dois modelos distintos para este tipo de máquina, com patentes diferenciadas para cada um deles, ou seja, a máquina de três estações e a de quatro estações. O modelo das máquinas examinadas pelo perito, o ASB70DPH, aparece como "4 station machines", ou seja, como possuidor de quatro ; estações. Desta forma, após a entrega do laudo técnico e apreciação do mesmo, a fiscalização, efetuou a interrupção do despacho em 16/05/2008, com o intuito da formalização de exigências e retificação da presente DI, conforme o art. 42 da IN 680/2006. Em decorrência do não enquadramento das máquinas no ex tarifário pleiteado e conseqüente alteração da alíquota do II para 14%, o que acarreta a elevação da base de cálculo dos demais tributos aduaneiros, foi feita exigência para o recolhimento da diferença dos tributos (II, PIS e COFINS) , acrescida da multa de 75% sobre esta; diferença, de acordo com o inciso I, artigo 44, da Lei 9430/96 e do recolhimento da multa por descrição inexata da mercadoria, conforme inciso III, parágrafo 2o , artigo 69 da Lei n° 10.833/03, totalizando R$ 201.859,91. Entendendo ser pertinente a exceção tarifária utilizada, a interessada apresentou impugnação onde alega, em síntese, que: o perito credenciado errou a interpretação do texto do ex. o texto do ex não exige que o condicionamento se dê na estação de injeção de preforma ou em qualquer outra, apenas exigindo que a função de condicionamento direto de temperatura seja aliada a três outras estações (injeção, estiramento e sopro, extração). o enquadramento no ex 24 do código NCM 84775990 foi correto. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 5 4 a ABIMAQ/SINDIMAQ atestou inexistência de produção nacional do equipamento em questão para enquadramento em ex tarifário. a reclassificação fiscal não encontra amparo em razão do que atestou a ABIMAQ/SINDIMAQ e o laudo do fabricante. requer a realização de nova perícia, indicando perito e quesitos, além de outras diligências adicionais à Alfândega e à CAMEX e a produção de prova documental adicional. requer o acolhimento da impugnação. É o Relatório. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada parcialmente procedente a impugnação realizada pela contribuinte, mantendose em parte o crédito tributário apurado, sendo traduzido na seguinte emenda: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/03/2008 EX TARIFÁRIA Exceção tarifária prevista para máquinas automáticas para moldar termoplásticos, por injeção, estiramento e sopro, simultâneos, com condicionamento direto de temperatura da pré forma, e três estações injeção de preforma, estiramento e sopro, e extração, não se aplica a máquinas com quatro estações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde, repete de forma idêntica todos os argumentos trazidos na impugnação, não inovando em suas razões, muito menos trazendo argumentos ou novos documentos, requerendo ao final, novamente, a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Do suposto cerceamento de defesa e nulidade do autos de infração Pois bem. Em apertada síntese estamos diante de controvérsia sobre a possibilidade de enquadramento de máquina/equipamento importado, cuja especificações não são verificadas em nenhuma máquina fabricada em território brasileiro, em extarifário que Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 6 5 garantiria a redução do pagamento do Imposto de Importação II, com seus reflexos perante as demais exações tributárias, diretamente ligadas ao valor aduaneiro. Como podemos verificar as dúvidas relacionadas à possibilidade de aplicação do ex tarifário (ex 024), surgiram já no momento do desembaraço das mercadorias, oportunidade em que a autoridade fazendária veio a solicitar a confecção de laudo técnico, sendo ele expedido por perito credenciado junto a RFB sobre as especificações dos produtos, chegandose a conclusão de que não poderia ser enquadrado na posição utilizada pela contribuinte recorrente. Ressaltase que a perícia foi realizada com a verificação in loco das máquinas e equipamento e a análise de documentos encaminhados pelo próprio fabricante, a pedido do perito. Tendo em vista o ocorrido, considerando que pela classificação equivocada não houve o desembaraço da mercadoria, a contribuinte naquela oportunidade teve a oportunidade de desqualificar o laudo produzido pelo perito técnico credenciado pela RFB, em sede de manifestação de inconformidade (e.fls 43 e segs), contudo sem obter êxito. Passo seguinte, a própria contribuinte, visando a liberação da mercadoria, solicitou a lavratura do auto de infração, o que de fato ocorreu, abrindose novamente a possibilidade de defenderse e infirmar as alegações, agora, descritas em AI. Desta forma, como podemos observar foi garantido à contribuinte recorrente total acesso aos documentos que constam do processo, não havendo que se falar em cerceamento de defesa. Por duas vezes, lhe foi dada a possibilidade de trazer elementos que pudessem desqualificar o trabalho do perito, fato esse não configurado. Observese que a Autoridade Fiscal, e no sentir desse Conselheiro de forma acertada, entendeu não ser necessária a realização de nova perícia, pois todos os elementos para a formação de sua convicção já estavam disposto no processo. Vale ressaltar que até mesmo as respostas aos quesitos, posteriormente confeccionados pela recorrente, podem ser extraídas da perícia realizada a pedido da autoridade aduaneira, quando do desembaraço das mercadorias. No mesmo sentido, seguindo o que acima foi exposto, tendo em vista não ter ocorrido o suposto cerceamento de defesa, não há que se falar em eventual nulidade do auto de infração. Todo o direito de defesa à contribuinte recorrente foi garantido, assim como, foram motivadas as decisões que consideraram prescindíveis a realização da prova pericial requerida, pois, como dito, tal prova já foi realizada muito antes da instauração do contencioso administrativo, servindo de base inclusive para a lavratura do auto de infração. Desta feita, não ha que se falar em cerceamento de defesa e nulidade do auto de infração, como que a recorrente. II Aplicação do ex tarifário aos equipamentos importados Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 7 6 Por todo o até aqui exposto, podemos afirmar que a celeuma apresentada para resolução, cingese quanto a (in)adequada classificação das máquinas/equipamentos importados pela contribuinte recorrente, classificados na declaração de importação na posição NCM 8477.59.90, ex 024, trazido pela Resolução CAMEX nº 73/2007. O extarifário mencionado foi versado da seguinte forma: 8477.59.90 Ex 024 – Máquinas automáticas para moldar termoplásticos, por injeção, estiramento e sopro, simultâneos, com condicionamento direto de temperatura da préforma, e três estações injeção de preforma, estiramento e sopro, e extração Segundo o art. 111, inc. II, do CTN a norma tributária que disponha sobre a outorga de isenção de um tributo, deve ser interpretada literalmente, observese: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Nesse sentido, propor a extensão do benefício trazido pelo ex 024 a máquina ou equipamento que não se enquadre nos requisitos exigidos para que se tenha o direito a obtenção do benefício é permitir que se faça tabua rasa das normas que versam sobre a situação fática apresentada. Observamos desde as primeiras folhas do presente processo que as características dos bens importados não eram passíveis de enquadramento no ex tarifário lançado na declaração de importação. A dúvida se fez presente logo no desembaraço das mercadorias, fato esse que levou a autoridade aduaneira lançar mão de permissivo legal vigente à época dos fatos, e requerer a feitura de laudo técnico conclusivo a respeito das características dos produtos, com o nítido propósito de se afastar qualquer tipo de incorreção que poderia prejudicar a atividade de arrecadação de tributos. Em que pese as alegações trazida pela contribuinte recorrente, o laudo técnico trazido aos autos, de lavra de perito devidamente credenciado junto à RFB, não deixa margem de dúvidas quanto ao não enquadramento dos produtos importados no ex tarifário 024. Digase de passagem que a perícia foi realizada com a verificação in loco dos equipamentos, bem como da análise das especificações técnicas das maquinas fornecidas pelo próprio fabricante, que não deixam dúvidas a respeito de serem ou não compostas de quatro estações (laudo fls 18 e segs). Assim, mesmo que tenhamos a declaração encartada aos autos de que o maquinário importado não possui similar de fabricação nacional, tal informação não serve como baliza para o enquadramento no ex tarifário como quer fazer crer a contribuinte recorrente. Os requisitos exigidos para a obtenção da redução do imposto devem ser observados de forma exata, não cabendo margem para seu alargamento, vale dizer, se o ex Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 8 7 tarifário determina que para a obtenção do benefício a máquina deve conter três estações, e não quatro conforme descrito nas especificações técnicas do fabricante, confirmadas pelo laudo técnico. Abaixo colamos a fls 63 do processo que demonstra de forma clara a existência de quatro estações ao invés de três, conforme alegado pela recorrente: Conforme demonstrado acima não há como se ter como válidas as alegações trazidas pela recorrente, uma vez não comprovado o atendimento as requisitos estabelecidos Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 9 8 para a obtenção do benefício fiscal, bem como não ter conseguido trazer provas, fatos ou normas que pudessem invalidar o lançamento tributário realizado no auto de infração. Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001811/2005-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CORREÇÃO DE SUPOSTOS ERROS NA APURAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF EM 1991. INAPLICABILIDADE.
Decaído o direito da Fazenda Pública apurar diferenças a seu favor no ano de 1991, não há, igualmente, que se falar em reconhecimento de suposto erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles objeto da autuação.
Inconstitucionalidade/Ilegalidade da tributação do lucro inflacionário.
Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade
Numero da decisão: 1302-000.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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INAPLICABILIDADE. Decaído o direito da Fazenda Pública apurar diferenças a seu favor no ano de 1991, não há, igualmente, que se falar em reconhecimento de suposto erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles objeto da autuação. Inconstitucionalidade/Ilegalidade da tributação do lucro inflacionário. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. e relator Fl. 445DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 EDITADO EM: 27/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, EDUARDO DE ANDRADE IRINEU BIANCHI e MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relatório O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 91/97, lavrado pela DFI Rio de Janeiro-RJ em 13/12/2005, por meio do qual está sendo exigido o crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica-IRPJ, no valor de R$ 433.577,37, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75% e demais encargos moratórios, decorrente das seguintes irregularidades apuradas: 001. Glosa de prejuízos compensados indevidamente. Saldos de Prejuízos Insuficientes. Glosa de prejuízos compensados indevidamente, em 31/12/2001, no valor de R$ 13.640,41, tendo em vista a inexistência de saldos de prejuízos compensáveis naquela data, conforme Sistema de Apuração do Prejuízo e Lucro Inflacionário-SAPLI, em face da utilização, em 31/12/2000, de todo o saldo de prejuízos compensáveis então existentes para compensação da autuação referente ao item seguinte. O lançamento teve como enquadramento legal os arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do Regulamento do Imposto de Renda- RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. 002. Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucro inflacionário realizado – realização mínima. Falta de adição ao lucro líquido da realização anual mínima de lucro Inflacionário acumulado nos exercícios de 2001 e 2002, anos-calendário 2000 e 2001, no montante anual de R$ 1.007.210,61, equivalentes a 10% do saldo de Lucro Inflacionário Acumulado existente em 31/12/1995, no valor de R$ 10.072,106,10, conforme SAPLI de fls. 109/114. O lançamento teve como enquadramento legal os artigos 8º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995; artigos 6º e 7º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; e arts 249, inciso I, e 449 do RIR/1999. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 12/01/2006, a impugnação de fls. 116/124, onde argüi a tempestividade, descreve a autuação e alega, em síntese: Que a problemática versadas no auto de infração cinge-se a equívoco por ela cometido quando da determinação do saldo de correção monetária aplicada aos seus Fl. 446DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001811/2005-60 Acórdão n.º 1302-00.449 S1-C3T2 Fl. 2 3 investimentos, informado na DIRPJ/1992, consistente no lançamento do resultado da avaliação por equivalência patrimonial na conta de “correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF”. Conforme planilha que junta ao autos, em razão do lançamento equivocado, teria sido apurado erradamente saldo credor a maior da diferença de correção monetária apurada com base no IPC e aquela calculada tendo-se em conta o BTNF, isso porque o valor original de Cr$ 1.198.032.567,03 foi indevidamente incluído na conta de correção monetária quando se trata de parte do resultado da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial do ano de 1991 . Assim, ao prestar as informações pertinentes ao ano de 1991 na DIRPJ/1992, informou dispor do valor de Cr$ 7.278.345.551 a título de saldo credor da diferença IPC/BTNF aí incluindo o valor de Cr$ 6.910.547.255 que se refere aos Cr$ 1.198.032.567,03 retrocitados corrigidos até 31/12/1991. Protesta que a fiscalização se baseou em tal declaração errônea, não as contrapondo aos respectivos lançamentos contábeis, assim, partindo de matriz equivocada, ou seja, a DIRPJ/1992, calculou o montante do lucro inflacionário chegando ao valor de R$ 10.072.106,10 (SIC) em 31/12/1995. Afirma que, percebendo-se do equívoco, procedeu ao estorno do montante indevido em janeiro de 1993, então no montante corrigido de CR$ 111.080.164,00, fato informado quando da entrega da DIRPJ daquele ano. Com o estorno que afirma ter realizado e informado à SRF na DIRPJ do ano de 1993, a interessada afirma que o saldo credor da diferença IPC/BTNF em 1995 era, então, insuficiente para ser realizado nos anos de 2000 e 2001 (processo nº 18471.001811/2005-60) e 2003 a 2005 (presente autuação), nos patamares fixados pela fiscalização, e que todas as informações alinhada são de facílima comprovação mediante a simples análise do seu Livro Diário nº 6 (páginas 5 e 6) e Lalur. Ressalta que, retificando as alegações postas, à exceção da inclusão do montante referido nos itens 7 e 8 (Cr$ 1.198.032.567,03) para fins de apuração do saldo de correção monetária, o valor histórico de Cr$ 2.065.739.650,00 (linha 33, colunas F e H da planilha que anexa à fl. 275, reflete que o saldo de seus investimentos em 31.12.1990 (linhas 28 e 32 das colunas F e H da planilha). Salienta que o valor de Cr$ 1.198.032.567,03 refere-se a parte do resultado de equivalência patrimonial do ano de 1991, daí porque ter sido escriturado como “Equiv. Patrim,”, conforme consta da página 2 do seu Livro Diário nº 6. Prossegue afirmando que o lançamento equivocado do valor de Cr$ 1.198.32.567,03 em nada interferiu no resultado do exercício do ano de 1991, uma vez que não há variação no valor do mesmo em função do lançamento na conta de Equivalência Patrimonial ou diferença IPC/BTNF, repetindo que efetuou o ajuste mediante estorno no ano de 1993. Resume as razões apresentadas e pede a improcedência do lançamento ante a impossibilidade de realização do lucro inflacionário nos patamares fixados pela fiscalização nos anos de 2000 e 2001 Requer perícia técnico contábil, amparada pelo inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal-PAF, expondo Fl. 447DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 como motivo a hipótese deste julgador entender que as razões alinhadas na impugnação carecem de comprovação, mediante necessária produção de prova pericial, formulando os quesitos às fls 195/196 e indicando o seu perito. Encerra pedindo seja declarada a improcedência do lançamento. Em atendimento à intimação DRJ/RJO nº 28, cientificada à interessada em 25/08/2008, a mesma juntou aos autos cópias autenticadas de seus Livros Diário de 1990 e 1991, Livro Razão do ano-calendário de 1991 e Livro Razão do ano-calendário de 1990, este emitido do sistema contábil em 26/08/2008, tendo em vista a sua não localização encadernado. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Por força do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal-PAF, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. CORREÇÃO DE SUPOSTOS ERROS NA APURAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF EM 1991. INAPLICABILIDADE. Decaído o direito da Fazenda Pública apurar diferenças a seu favor no ano de 1991, não há, igualmente, que se falar em reconhecimento de suposto erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles objeto da autuação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. DECADÊNCIA A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda. Porém, na fixação do saldo do lucro inflacionário acumulado, o fisco deve levar em conta os valores mínimos de realização exigíveis nos períodos anteriores, já alcançados pela decadência, de forma a evitar a transferência da sua tributação para períodos posteriores. A recorrente tomou ciência do acórdão em 18/12/2009 e apresentou recurso em 15/01/2010. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação e, em especial, argumenta: - que houve cerceamento do direito de defesa no indeferimento e perícia pela decisão recorrida; Fl. 448DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001811/2005-60 Acórdão n.º 1302-00.449 S1-C3T2 Fl. 3 5 - que cometeu equívoco no preenchimento de sua DIRPJ/92, que consistiu no lançamento do resultado da avaliação por equivalência patrimonial na conta “correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF; - que, em razão do referido lançamento equivocado, foi apurado, erradamente, saldo credor a maior relativo à diferença de correção montaria apurada com base no IPC e àquela calculada tendo-se em conta o BTNF. Segundo se observa na planilha em referência, o valor original de, 1.198.032.567,03 (moeda da época -- 1991), foi indevidamente incluído na. 'conta de correção monetária da Recorrente, visto que se trata, antecipa-se, de parte do resUltado da avaliação de seus investimentos pelo método de equivalência patrimonial, no ano de 1991. De se, mencionar :- que, após procedida às devidas atualizações, o valor em referencia perfazia, em dezembro de 1991 O montante (moedas da época) de 6.910.547.255,00 e, em janeiro de 1993, 111.080.164,00. , - da impossibilidade da exigência de IRPJ sobre lucro inflacionário não realizado, segundo a jurisprudência do STJ. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Assim como na decisão recorrida, entendo desnecessária a perícia solicitada, pois os autos estão suficientemente instruídos para julgamento. Quanto ao mérito, também não assiste razão à recorrente. Transcrevo abaixo trecho do acórdão recorrido: O lançamento referente ao item 002 – “Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucro inflacionário realizado – realização mínima” decorre de exigência de realização mínima, nos anos-calendário de 2000 e 2001, do saldo diferido de Lucro Inflacionário acumulado oriundo de exercícios anteriores, existente em 31/12/1995. De conformidade com a Lei nº 9.065, de 1995, art. 8º, Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º, temos que, a partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda. Segundo o Demonstrativo do Lucro Inflacionário (SAPLI), à fl. 109/114, que embasou a autuação, em 31/12/1995, o saldo de lucro inflacionário acumulado a realizar de períodos-base anteriores da interessada montava em R$ 10.072.106,10, ensejando, portanto, a realização mínima obrigatória anual, a partir de 1996, de 1/10 de seu valor, ou seja, R$ 1.007.210,61, Fl. 449DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 motivo da autuação a que se refere a cobrança do IRPJ resultante desta realização nos anos-calendário de 2000 e 2001. Tal lucro inflacionário é oriundo, segundo o mesmo SAPLI, do diferimento dos lucros inflacionários apurados em 1987, 1991, 1992 e dos meses de janeiro a agosto de 1993, corrigidos, inclusive com a diferença IPC/BTNF do ano de 1990, além do saldo credor da diferença IPC/BTNF, no montante corrigido de Cr$ 7.278.345.551,00 em 31/12/1991. Tal saldo diferido, segundo o mesmo demonstrativo, não teve qualquer realização após o ano-calendário de 1995, nem qualquer realização incentivada permitida. A interessada, em seu arrazoado, alega que estaria majorado o valor de seu Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/1995, constante do SAPLI, uma vez que o valor de seu saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido, em 31/12/1991, constante daquele mesmo demonstrativo e embutido no saldo de 31/12/1995, estaria majorado em Cr$ 6.910.547.255, referente a parte do resultado da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial do ano de 1991, afirmando, também, que tal valor majorado teria sido estornado em sua contabilidade em janeiro de 1993. Diferente de outros julgados desta Turma, em que o valor do Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF em 31/12/1991 foi ajustado, tendo em vista erro de fato na sua transcrição para a Declaração de Ajuste Anual daquele exercício, no caso em exame, observa-se que não houve erro na transcrição para a Declaração de valores constantes na contabilidade, mas sim, um suposto erro na própria apuração de tais valores na contabilidade. Naquele exercício, foi comum as empresas apurarem corretamente o saldo da diferença IPC/BTNF e, na ocasião de sua transcrição para a Declaração de Ajuste Anual respectiva, incorrerem em erro nos valores transcritos, ou, principalmente, em erro na eleição das linhas do “Anexo A” para tal transcrição. Tais erros sempre foram considerados por esta Turma, que, corrigindo-os, ajustou novos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF em 31/12/1991 e, consequentemente, de Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/1995 a ser realizado. Ocorre que, no presente caso, o suposto erro evocado pela interessada não se encontra na transcrição dos valores, mas sim, em sua própria apuração. Assim, os valores transcritos na Declaração de Ajuste Anual conferem com aqueles constantes da contabilidade do exercício de 1992, ano-calendário 1991, uma vez que o suposto erro se encontraria na própria contabilidade, especificamente na apuração do saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, consubstanciado em suposta inclusão de valores de ajuste pela equivalência patrimonial. De conformidade com o art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional-CTN, o direito da Fl. 450DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001811/2005-60 Acórdão n.º 1302-00.449 S1-C3T2 Fl. 4 7 Fazenda Publica apurar quaisquer diferenças na contabilidade da interessada e constituir o crédito tributário respectivo extingue-se em cinco anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim sendo, quaisquer erros constantes na contabilidade da interessada no ano de 1991 estariam, nesta data, alheios a qualquer análise e apuração por meio da autoridade tributária, que não poderia hoje exigir quaisquer diferenças em virtude de erros na contabilidade daquele exercício, uma vez transcorridos quase dezoito anos de sua elaboração, mesmo que tais erros refletissem em lançamentos contábeis e fiscais do presente exercício, ou de exercícios ainda não alcançados pela decadência, como, por exemplo, se a interessada tivesse apurado saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991 em valor inferior ao correto. Assim sendo, não há também porque hoje, decaído o direito da Fazenda Pública apurar e exigir diferenças a seu favor no ano de 1991, esta reconhecer qualquer erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, como requer a interessada, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles da autuação objeto do presente processo. Acrescente-se que a contabilidade apresentada pela interessada somente foi registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro-RJ em 28/09/1999, bem como tanto sua Declaração de Rendimentos do ano-calendário de 1991, quanto sua Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário de 1993 somente foram apresentadas no ano de 1995, sendo incoerente, portanto, as alegações de que a interessada teria estornado o suposto erro alegado, mormente quando não apresentado quaisquer livros contábeis que demonstrasse tal suposto estorno que, não possui campo na Declaração de Ajuste Anual de 1993 para ser explicitado, não havendo, portanto, como aceitar a existência de tal estorno na contabilidade. Face a todo o exposto, não há que ser feito qualquer ajuste no valor do saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991 declarado pela interessada e constante do SAPLI, no valor de Cr$ 7.278.345.551,00, que resultou no Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/1995, no valor de R$ 10.072.106,10, cuja realização mínima obrigatória nos anos de 2000 e 2001 são o objeto da autuação do presente processo. Não há reparo a fazer à decisão recorrida. Não se trata de mero erro de fato ao preencher a declaração da recorrente, mas, conforme alega, de erro no registro contábil que refletiu na apuração do lucro inflacionário. Tal erro somente viria a ser corrigido em 1999 (data do registro da contabilidade), quando já transcorrido o prazo de cinco anos previsto na legislação para eventual retificação. Fl. 451DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Neste caso concreto, não se tratando de mero erro de fato, entendo que não há mais a possibilidade de retificação e, portanto, devem ser considerados corretos os registros do SAPLI, incluindo o lucro inflacionário existente em 31/12/1995. Quanto à alegada ilegalidade da tributação do saldo de lucro inflacionário, também não assiste razão à recorrente. Além de não haver, como afirma, jurisprudência pacífica sobre o tema, dispõe o Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Não havendo decisão do STF que considere inconstitucional a legislação de regência da matéria, não cabe a este colegiado deixar de aplicar lei ou decreto válidos, vigentes e eficazes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso.. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Relator Fl. 452DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 27/12/2010 15:27:47. Documento autenticado digitalmente por MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 27/12/2010. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 27/12/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.10274.SBMT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3D303E764077738BCD2685A5777980EB6B265FE1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.001811/2005-60. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15586.001456/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010
IPI. SUSPENSÃO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PRODUTOR COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
Poderão sair com suspensão do imposto os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação.
Consideram-se adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportador
Numero da decisão: 3302-005.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Jr que davam-lhe provimento parcial para reconhecer o fim específico quanto às notas fiscais vinculadas aos Memorandos de Exportação explicitadas no relatório fiscal do Auto de Infração e o Conselheiro Raphael Madeira Abad que dava-lhe provimento integral. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Recorrente GRANITO ZUCCHI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010 IPI. SUSPENSÃO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PRODUTOR COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Poderão sair com suspensão do imposto os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação. Consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Jr que davamlhe provimento parcial para reconhecer o fim específico quanto às notas fiscais vinculadas aos Memorandos de Exportação explicitadas no relatório fiscal do Auto de Infração e o Conselheiro Raphael Madeira Abad que davalhe provimento integral. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 56 /2 01 0- 19 Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Sinteticamente, tratase de lançamento tributário e auto de infração lavrados em razão da Recorrente haver dado saída a mercadorias com o "Fim específico de Exportação", e por esta razão gozado do benefício tributário da suspensão do IPI, sem que, contudo, houvesse cumprido os requisitos legalmente exigidos para tanto. Isto porque a legislação admite a saída de bens com a suspensão do IPI, mas condiciona tal benefício à saída do bem diretamente para (i) o estabelecimento industrial para embarque de exportação ou (ii) para recintos alfandegados por conta e ordem de empresa comercial exportadora. A Recorrente, no entanto, descumpriu as formalidades legais, contudo demonstrou que os bens foram efetivamente exportados, merecendo transcrição o Relatório da DRJ, acostado às fls. 501, por ter retratado os fatos com precisão merece transcrição. Tratase de impugnação de lançamento (efls. 419 a 445) apresentada em 29 de novembro de 2010 contra auto de infração de IPI (efls. 384 a 396), relativo aos períodos de novembro de 2005 a março de 2006, maio e setembro a dezembro de 2006 e lavrado em 1º de novembro de 2010. Segundo o relatório que acompanhou o auto de infração (efls. 375 a 378), foram apuradas as seguintes irregularidades: Foram identificadas operações de exportações indiretas (para empresas comerciaisexportadoras); Nesses casos, a legislação permite a saída com suspensão do IPI (Ripi/2002, art. 42, V, “a”, § 1º), desde que seja efetuada diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora; No caso concreto, a empresa comercializou granito, produto identificado apenas pelo nome comercial, dando saída ao Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 4 3 produto diretamente para o estabelecimento adquirente, de empresa coligada, que futuramente veio a incorporála; Foram apresentados (mas não para todas as notas fiscais) apenas memorandos de exportação, documentos previstos no Convênio ICMS n. 107, de 2001, para comprovar a exportação efetiva das mercadorias, não havendo previsão, na legislação do IPI, deste tipo de documento; “Segundo o inciso VII do art. 25 do RIPI/2002 a empresa comercial exportadora será obrigada ao pagamento do imposto como contribuinte em relação ao imposto que deixou de ser pago, na saída do estabelecimento industrial, referente aos produtos por ela adquiridos com fim especifico de exportação nas hipóteses em que não houver a exportação nos termos do disposto nas alíneas desse mesmo artigo.” Ademais, adquirente não cumpriu, em vários casos, o prazo de 180 dias para exportação (fls. 360 a 373);~ “A partir de tudo o que acima foi exposto, verificamos que as suposta vendas feitas as empresas comerciais exportadoras não se revestiam das formalidades normativas para poderem usufruir da saída com suspensão de IPI que autoriza o art. 42, V, "a", e que não há que se falar em crédito presumido já que não foram aceitos os valores de exportações indiretas, o que nos levou a lavratura deste auto de infração para cobrança dos valores não lançados nestas vendas e a glosa dos créditos presumidos referentes ao 10 trim/2006 e ao 40 trim/2005, escriturado em maio e outubro de 2006, respectivamente.” Em sua impugnação, a Interessada alegou o seguinte: Que a impugnação foi tempestiva; Que a exigibilidade do crédito tributário foi suspensa; Que teria havido “gritantes irregularidades” nas prorrogações, que teriam ocorrido sem a emissão de MPF complementares, devidamente assinados pelo Delegado da Receita Federal do Brasil e com ciência ao contribuinte; Que teria havido “gritante” erro na interpretação das disposições legais a respeito da matéria do auto de infração; Que a disposição legal dada como infringida direita respeito somente aos casos “em que a empresa industrial procede A exportação por meio de uma empresa comercial exportadora que não processe o despacho aduaneiro de exportação, o que não reflete o caso em tela”; Que se aplicaria ao caso o disposto no art. 42, V, “c”, do Ripi/2002, pois o despacho aduaneiro de exportação ocorreria no próprio estabelecimento da empresa adquirente; Que tal procedimento teria respaldo na IN SRF n. 28, de 27 de abril de 1994, arts. 10 e 11, III. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 5 4 Acrescentou que seriam indubitáveis as exportações realizadas e que a premissa adotada pela Fiscalização, de que o não envio direto das mercadorias a exportação ou a recinto alfandegado implicaria o não atendimento da legislação, seria ultrapassada. Ademais, tal entendimento nãop atenderia “em nada a finalidade de todo o restante do ordenamento jurídico brasileiro, ou seja, vai de encontro frontal e colidente com princípios e normas de mais alta hierarquia, como, por exemplo, aquelas advindas de nossa Constituição Federal.” Citou ementa de acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que considerou ilegal a IN SRF n. 03, de 2005, art. 245, § 2º. Na sequência, tratou dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, citando opinião da doutrina. Por fim, contestou a multa de ofício aplicada, alegando que se aplicaria ao caso a multa do art. 61, § 2º, da Lei n. 9.430, de 1996, à vista do disposto no art. 39, § 5º, “b”, da Lei n. 9.532, de 1997. Além disso, citou decisões do Supremo Tribunal Federal que trataram da multa de ofício e requereu o direito de produzir provas. É o relatório." A Impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, sob o entendimento de que não se considera venda com “fim específico de exportação” a que seja efetuada a empresa comercial exportadora, sem a remessa direta à exportação ou à depósito alfandegado, bem como que o despacho de exportação realizado no estabelecimento da empresa exportadora, por depender de autorização da Receita Federal (fato futuro e incerto), não é compatível com a venda com o “fim específico de exportação”. Por esta razão classificou a operação como suspensão irregular, hipótese que implica a responsabilidade da empresa vendedora, com aplicação de multa de ofício. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual insurgese contra a decisão da DRJ sob o argumento de que apesar de confessamente não haver seguido as regras específicas constantes no artigo 42 do RIPI/2002, a Recorrente vendeu os produtos para outra empresa do seu grupo, que veio até a ser por ela incorporada, e que REALMENTE EXPORTOU as mercadorias, satisfazendo e cumprindo os objetivos da lei que, sinteticamente consiste em fomentar a exportação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. Admissibilidade. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 6 5 O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, e a matéria é de competência deste colegiado. 2. Preliminares. Não há preliminares a serem apreciadas. 3. Mérito. O presente Recurso gravita em torno da possibilidade de se admitir que bens efetivamente exportados possam gozar de benefícios destinados a exportações revestidas de determinadas formalidades, mesmo quando tais formalidades não sejam cumpridas. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente afirma que durante os anos de 2005 e 2006 praticou operações com a suspensão do pagamento de IPI prevista no Decreto 4.544/2002 RIPI. Admite a regularidade das operações em razão do fato de que entende que foi cumprida a exigência de que as mercadorias tivessem sido destinadas à exportação por terem saído do estabelecimento industrial para empresas comercias exportadoras com o fim específico de exportação. Contudo, o RIPI estabelece outras exigências, especificamente que as mercadorias tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. "RIPI 2002. Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: V os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, inciso 1); 1 0 No caso da alínea “a” do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2°).Grifos não constantes do original. Pela leitura dos autos é possível aferir que a Recorrente não cumpriu fielmente as exigências do RIPI/2002, qual seja a remessa "... diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados por conta e ordem da empresa comercial exportadora." Contudo, segundo a própria DRJ em seu Acórdão sob exame, a exigência do RIPI/2002 é necessária para garantir que a exportação venha a efetivamente ocorrer, verbis. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 7 6 " A legislação permite, para a venda com o fim específico de exportação, a suspensão do imposto, por pressupor que, nesses casos, haverá a exportação e o IPI devido na operação será zero. (...) Entretanto, para que a suspensão incida, deve haver um procedimento específico, que é o previsto no § 1º citado, para que se tenha certeza de que a mercadoria vendida não possa sofrer qualquer tipo de desvio de destinação no mercado interno. Por isso tem que ser encaminhada diretamente a exportação ou a depósito alfandegado." (fls. 509) Ocorre que, como ficou demonstrado pela análise das Declarações de Imposto de Renda apresentadas ao fisco e trazidas aos autos pela própria Recorrente, praticamente toda (99%) receita da Granitos Zuchi Ltda (que recebeu os produtos) adveio de exportação. Merece destaque o fato de que o arquétipo constitucional da exoneração em tela é o artigo 153, IV, §3º, III, da própria Carta Maior que afirma que o imposto previsto no inciso IV (IPI) não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior, com o nítido propósito de não onerar produtos destinados a outros países, fomentando a industrialização brasileira. Contudo, a legislação infraconstitucional foi se alterando a fim de aumentar as garantias de que os produtos seriam exportados, considerandose adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora Não restam dúvidas que estas exigências foram criadas pelo legislador com o único propósito de garantir que os produtos serão exportados. No caso concreto não há dúvidas que tais exigências foram descumpridas, contudo foram trazidas provas que demonstram, com grande grau de certeza, que não obstante descumpridos os mecanismos de controle, as mercadorias foram exportadas. Diante destes fatos postos, especialmente o cumprimento do fim maior da norma, qual seja a exportação dos produtos, é necessário investigar se é ou não possível aplicar o benefício tributário em foco. Analisando situação análoga, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais considerou isentas das contribuições de PIS e COFINS vendas efetuadas com o fim específico de exportação, mas que de forma semelhante à presente, não foram remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, vejamos: " VENDA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 8 7 devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação." (Acórdão n. 9303004.233) Efetivamente os casos não são idênticos, mas semelhantes, pois tratam da dicotomia entre a verdade formal, representada pela ausência de cumprimento de requisitos legais instrumentais e a verdade real, que é a efetiva exportação dos bens, que os referidos requisitos instrumentais quiseram garantir. Neste sentido foi o voto do Relator, seguido por unanimidade pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: O ponto fulcral para o deslinde da lide está relacionado ao equívoco da Contribuinte no preenchimento da CFOP das notas fiscais que retratam as operações de venda com o fim específico de exportação. Desta forma, embora não tenha havido o cumprimento literal dos requisitos que visam garantir a exportação, ela foi demonstrada por outros meios, razão suficiente para admitir a aplicação do benefício tributário. 4. Mérito. Conclusivamente, pelas razões já expostas, voto por dar provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Redator Designado Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário, sob a justificativa de que : "...embora não tenha havido o cumprimento literal dos requisitos que visam garantir a exportação, ela foi demonstrada por outros meios, razão suficiente para admitir a aplicação do benefício tributário.". Entendo que, não cumprido os requisitos prévios à exportação e não caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação, não é objeto de prova se houve ou não exportação, portanto, desnecessária a prova documental de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. Ainda assim, para os que entendem possível superar o descumprimento dos requisitos prévios à exportação e provar a efetiva exportação posterior, no presente caso, tais provas não restaram demonstradas,. Diante dos fatos relatados, a acusação fiscal é de que a ora recorrente, descumpriu o disposto no art. 42, inc. V, alínea "a", § 1°, do Decreto n° 4.544/02 RIPI/2002, bem como no art. 39, inc. I, § 2°, da Lei n° 9.532/97, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. Nesse contexto, seguindo a mesma linha decisória adotada, por unanimidade, no precedente do Acórdão nº 3402003.879, de 28/03/2017, para avaliar se as operações de vendas efetuadas pelo “produtorvendedor”, ora recorrente, estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há que se examinar as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. Nas palavras do Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, in verbis: "O benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do art. 149, da CF) para as operações de exportação, como sugere a recorrente, mas sim o previsto em Lei e sua regulamentação, para as operações de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao imposto tratado nestes autos (IPI), temos que o art. 40 do Decreto nº 2.637/98 e o art. 42 do Decreto nº 4.544/2002, assim dispõem: (grifei) DECRETO N° 4.544/2002: Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 10 9 "Art. 42 Poderão sair com suspensão do imposto: (...) V os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (...) §1° No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei n° 9.532, de 1997, art.39, § 2°). Destaca se que os dispositivos acima citados, regulamentaram o art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997, que estabelece: Art. 39 Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifouse). (...) Para melhor deslinde da questão tratado nestes autos, manifestouse a Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit nº 8, de 25 de agosto de 2004, da qual transcrevo na seqüência vários excertos, que foram adaptados ao caso por este Conselheiro, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. Pois bem. Observase que o art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, ao falar em empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei nº 1.248, de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 11 10 Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos da Lei falam simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do IPI, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Disso tudo, e da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre no art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001), a alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972. Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos chamar de comum, e (ii) a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tão somente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no art. 2º do citado DecretoLei nº 1.248, de 1972, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria nº 438, de 26 de maio de 1992, do MF; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução nº 1.928, de 26 de maio de 1992, do Banco Central do Brasil. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeitase às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o Decreto Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 e legislação Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 12 11 complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo nº 42, de 1975, reconhecia que o DecretoLei nº 1.248, de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o seguinte: “[...] 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei nº 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8º do Decreto nº 64.833/69 e no artigo 7º, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra.” Assim sendo, no caso desses autos, como a indústria estava lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção do imposto (IPI) na operação de venda, deverá remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei no 1.248, de 1972 (trading), ela (a indústria) poderá enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o art. 14 da IN SRF nº 241, de 2002, por sua conta e ordem. A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, no caso, o “fim específico de exportação”. No entanto, a definição dada pelo art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, não deixa margem de dúvidas. Vejase (grifei). Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...). § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 13 12 Nesse sentido, o art. 42, §1º, do Decreto nº 4.544, de 2002 (já transcrito), que regulamenta o IPI (RIPI), adotou expressamente o texto fixado no art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001. Foi o art. 39 da citada lei que sujeitou a suspensão em tela à condição de que a aquisição tivesse o “fim específico de exportação”, caracterizado esse “fim específico” pela remessa direta dos produtos, pelo estabelecimento industrial vendedor, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, norma incorporada pelos regulamentos do IPI, editados a partir de 1997 (art. 40, inc. VI e § 2º, do Decreto nº 2.637, de 1998 (RIPI/1998), e art. 42, inc. V e § 2º, do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002). Desta forma, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria (produtora), ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Ocorre que o contribuinte, conforme consta dos dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço das empresas exportadoras, infringindo a determinação legal. Em fim, não pode prosperar a argumentação da Recorrente, haja vista que a legislação tributária (a lei e o regulamento do IPI) estabelece que “consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, devendo tal norma, uma vez que concede suspensão do IPI, ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o art. 111 do CTN , não cabendo, pois, interpretação ampliativa, como pretende a Recorrente." Assim, no presente processo, não restou configurada imputação por meros erros formais ou negativa de confirmação das exportações e, ainda que a norma do art. 39, da Lei n° 9.532/97, sinalize a possibilidade do envio das mercadorias para outros locais, onde se processe o despacho aduaneiro de exportação, tais possibilidades necessitam estar regulamentadas, v.g., da Instrução Normativa SRF nº 241, de 6 de novembro de 2002 (Dispõe sobre o regime especial de entreposto aduaneiro na importação e na exportação), não restando configuradas e demonstradas, no presente processo, nem as situações de vendas ás comerciais exportadoras comuns (não trading), à embarque de exportação ou à recinto alfandegado, nem as situações de vendas à trading, do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e envio para recintos de uso privativo dessas comerciais exportadoras, de que trata a referida norma complementar, outros locais, igualmente, recintos alfandegados, regulamentados sob o regime especial de entreposto aduaneiro. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 14 13 Não existe autorização na legislação tributária ou aduaneira para remeter mercadorias, com suspensão de impostos, à qualquer outro local, indicado por empresa comercial exportadora, sem as características legais de local para embarque de exportação ou de recinto alfandegado, não eximindose o remetente de responsabilidade, pelo desconhecimento da legislação ou a certeza putativa de que os locais atendiam as exigências legais, infringindo determinações legais de responsabilização objetiva. Pelo exposto, concluise que a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou à recinto alfandegado, tratandose o envio de responsabilidade do produtorvendedor remetente, individualizada e independente da responsabilidade da comercial exportadora adquirente em comprovar o embarque para o exterior no prazo de 180 (cento e oitenta) dias da emissão da nota fiscal pelo vendedor, conforme disposto no artigo 9º, da Lei nº 10.833/2003. Tais exigências legais, cercando as operações de vendas com fim específico de exportação de garantias de que efetivamente as mercadorias serão destinadas ao mercado externo, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, são necessárias aos controles fiscais e aduaneiros de benefícios, evitando que produtos industrializados desonerados à exportação, sejam comercializados indevidamente no mercado interno, em desigualdade, inclusive concorrencial. Não tendo a autuada remetido os produtos diretamente, por conta e ordem das empresas comerciais exportadoras, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, guardada a possibilidade de enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora, de que trata o art. 14, da IN SRF nº 241/02 (Dispõe sobre o regime especial de entreposto aduaneiro na importação e na exportação), por conta e ordem da empresa comercial exportadora do DL nº 1.248/72 (trading), não restou, no presente caso, nem mesmo, caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação. Não caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação, não é objeto de prova se houve ou não exportação, portanto, desnecessária a prova documental de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. No sentido da prova estampada na nota fiscal de venda, com o fim específico de exportação, a Solução de Consulta SRRF/10ª RF/Disit n° 43, de 08 de fevereiro de 2008: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: SUSPENSÃO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para fins da suspensão do IPI, a pessoa jurídica que vende produtos por ela industrializados a empresa comercial exportadora deverá comprovar a venda com o fim específico de exportação, o que é feito mediante a apresentação de uma nota fiscal de venda na qual conste como adquirente uma empresa comercial exportadora, e como destino das mercadorias o embarque de exportação ou recintos alfandegados, não sendo hábil para essa comprovação, nem o Memorando de Exportação, nem qualquer documento que possa fazer prova de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. (grifei) Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 15 14 Dispositivos Legais: Art. 14, incisos VIII e IX e § 1°, da MP n° 2.15835, de 2001; art. 5°, inciso III, da Lei n° 10.637, de 2002; art. 6°, inciso III, da Lei n° 10.833, de 2003; art. 39, incisos I e II, e §§ 1°e 2°, da Lei n° 9.532, de 1997; art. 42 do Decreto n° 4.544, de 2002 Reafirmando a assertiva inicial, ainda assim, para os que entendem possível superar o descumprimento dos requisitos prévios à exportação e provar a efetiva exportação posterior, no presente caso, tais provas não restaram demonstradas, sejam as indicadas pelo Relator, baseadas na simples análise das receitas de exportação informadas nas Declarações de Imposto de Renda, sejam as apontadas pelos que votaram pelo provimento parcial, para reconhecer o fim específico quanto às notas fiscais vinculadas aos Memorandos de Exportação, porém, sem prova da efetiva exportação com os respectivos RE Registros de Exportação. Assim, tendo as operações comercias autuadas infringindo as determinações e exigências legais, não podendo enquadrarse nas condições de suspensão do imposto, entendo, deva ser mantida a presente exigência do IPI não recolhido na saída dos produtos. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 1254DF CARF MF
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