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Numero do processo: 10930.907106/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 10 6/ 20 11 -5 0 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10930.907106/201150 Resolução nº 3402001.438 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10930.907106/201150 Resolução nº 3402001.438 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10930.907106/201150 Resolução nº 3402001.438 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.904236/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA.
O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
Numero da decisão: 1401-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga
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DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 42 36 /2 01 2- 28 Fl. 578DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. A recorrente apresentou Pedido de Restituição decorrente pagamento efetuado a maior. O referido pedido foi indeferido por meio de Despacho Decisório eletrônico em que foi apostado que a ora recorrente não possuía o crédito pleiteado, uma vez que o valor recolhido por meio de DARF já estaria comprometido com os valores declarados em DCTF e informados na DIPJ. Irresignada com o indeferimento da restituição, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Desempenha atividade preponderante de apoio portuário, mais especificamente o transporte de passageiros para o embarque e desembarque em navios e outras embarcações. Nos exatos termos do artigo 519, parágrafo 1º, inciso II do RIR/99, referida atividade sujeitase às alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, aplicáveis sobre sua receita bruta, e não de 32% como previsto para a prestação de serviços em geral. Assim, por erro contábil, recolheu valores de IRPJ e de CSLL a maior, por considerar indevidamente a alíquota referente a prestação de serviços em geral, pelo que pugnou pelo direito à restituição relativa à recomposição do lucro presumido. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme seguinte trecho de ementa: (...) LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO . Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% , exceto a de serviço de transporte que se sujeita às alíquotas de 16 e 12%, respectivamente. No caso, contudo, a interessada não comprova nos autos o exercício da atividade e o recebimento de receitas correspondente àquela atividade. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo somente tem direito à restituição total ou parcial do tributo, quando comprovadamente cobrado ou pago indevidamente ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10735.904236/201228 Acórdão n.º 1401002.803 S1C4T1 Fl. 579 3 circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. In casu, o crédito pleiteado é inexistente. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A turma da DRJ consignou que a empresa não teria direito ao crédito pleiteado pelos seguintes motivos: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Cientificada da decisão da DRJ e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário tempestivo repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas anexando documentos (notasfiscais) em que intenta demonstrar que prestava serviços de transporte de passageiros. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. Fl. 580DF CARF MF 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, tratase a lide de discussão sobre o enquadramento da recorrente quanto ao tipo de serviço que presta: (i) para o fisco e para a DRJ, a recorrente não comprovou ter direito a aplicar as alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL; assim, "cairia" na regra geral aplicada a prestadores de serviços em geral, cuja alíquota é de 32%; e (ii) para a recorrente, ela tem direito à aplicação das alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL, por prestar serviços de transporte de passageiros. O indeferimento do pedido de restituição / compensação do referido crédito foi feito por meio de Despacho Decisório eletrônico. Sabese que o referido despacho é emitido sem uma análise pormenorizada do crédito pleiteado, pois o que se busca é analisar as formalidades que cercam as declarações e documentos de informação que servem de base para análise do crédito. No caso dos autos, o indeferimento se deveu por falta da existência do suposto crédito, pelo fato de que na DCTF foi consignado, pela empresa, o débito de IRPJ e de CSLL considerando a alíquota de 32% em relação à apuração do lucro presumido. Na manifestação de inconformidade, a ora recorrente alegou que possuía direito ao referido crédito e que a DCTF havia sido encaminhada com dados incorretos. Apesar da alegação, e empresa não apresentou nenhum documento para comprovação da efetividade do crédito pleiteado. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa elencando os motivos pelos quais não concedeu o crédito, que transcrevo novamente abaixo, para facilitar a didática: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10735.904236/201228 Acórdão n.º 1401002.803 S1C4T1 Fl. 580 5 Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário e anexou notas fiscais que alega fazerem prova de que prestou serviços de transporte de passageiros. Pois bem. O Pedido de Restituição e Compensação somente pode ser efetuado se houver certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para tanto, deve a empresa peticionária se cercar de elementos que corroboram o pleiteado crédito tributário. As declarações e informações de entrega obrigatória ao fisco devem corresponder à realidade vivida à época da apuração do crédito e também devem estar amparadas por documentação probatória, pois sempre devese partir da premissa de que quem alega o direito é que deve fazer prova de sua existência. O princípio da verdade material, por outro lado, é primado que permeia o processo administrativo fiscal, e pode ser utilizado quando, mesmo que as formalidades não sigam inteiramente o que prega a legislação tributária, há indícios concretos das alegações da parte que tenta demonstrar o direito. Houve casos nesta turma, por exemplo, em que o mero erro de preenchimento de algum documento fiscal não serviu de motivação para indeferimento do crédito, porque restou comprovada, por outros elementos, a certeza e liquidez do crédito. Chamo a atenção, porém, que o princípio da verdade material deve ser relativizado: comparase (i) a deficiência na instrumentalização do pedido sopesada com a demonstração inequívoca de prova (ii) à celeridade processual, instituto que movimenta o processo administrativo fiscal. Como exemplo, se uma empresa não apresenta documentação alguma ou a apresenta de forma rasa, mesmo ciente da necessidade da apresentação, e traz outros documentos somente na 2ª (segunda) fase recursal, entendo que se deve afastar a alegação de busca da verdade material e ignorar a documentação apresentada, em razão da inércia da parte. Chega a ser pior! Há casos em que a(s) parte(s) traze(m) elementos após o recurso voluntário e Fl. 582DF CARF MF 6 pede(m) que o feito seja baixado em diligência para que se conceda nova oportunidade de comprovação do crédito pleiteado, conduta que entendo totalmente reprovável. O caso concreto, no meu sentir, é completamente díspare da possibilidade da busca pela verdade material. Em momento algum, a recorrente demonstra interesse em comprovar efetivamente que os créditos existiram; de todas as restrições apresentadas pela delegacia de piso, no acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, a recorrente apenas trouxe notasfiscais de serviços, as quais também não provam muita coisa, visto que não são muito legíveis e, também, que a empresa pratica outras atividades além de transporte de passageiros. Não há apresentação de contratos de serviços, a recorrente não apresenta seus controles contábeis e fiscais, e, também, não há um discriminativo sobre a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, uma vez que no contrato social da recorrente consta que ela exerce várias atividades e, portanto, pode se sujeitar a mais de uma alíquota de presunção. Como não há elementos suficientes para análise do crédito pleiteado, proponho afastar o pedido da recorrente por falta de documentação comprobatória de seu suposto direito. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 583DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.002661/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007
EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES.
As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação.
BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes.
As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária.
Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais.
CFL 30. MULTA POR INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. MULTA MANTIDA.
Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos.
MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto.
NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito.
PROCESSO DE CONSULTA FISCAL.
Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada.
NULIDADE. PREJUIZO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito.
LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO.
O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88.
Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o"Relatório de Representantes Legais - RepLeg"e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2202-004.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES. As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação. BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes. As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária. Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais. CFL 30. MULTA POR INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. MULTA MANTIDA. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos. MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 26 61 /2 00 7- 45 Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.371 2 NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. PROCESSO DE CONSULTA FISCAL. Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada. NULIDADE. PREJUIZO. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88. Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.372 3 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13855.002661/200745, em face do acórdão nº 1422.429, julgado pela 9ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 5 de março de 2009, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “O autodeinfração — AI — DEBCAD n° 37.105.2491, de 28/09/2007 e levado ao conhecimento do sujeito passivo em 08/10/2007, foi lavrado por ter a empresa deixado de preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, fato que constitui infração às disposições contidas no artigo 32, inciso I da Lei n° 8.212, de 24/07/91 c/c com o artigo 225, inciso I, parágrafo 9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração da Infração (fls. 23 a 25) a autuada, no período de 01/2002 a 01/2007, deixou de incluir como salário de contribuição as bolsas de estudo e pesquisa pagas aos seus professores empregados e residentes, através da Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular – FUNADESP e as bolsas de estudos concedidas aos filhos e dependentes dos seus empregados. Foi aplicada a multa no valor de R$ 2.390,26 (dois mil, trezentos e noventa reais e vinte e seis centavos), agravada por motivo de reincidência em infrações difererrtes, fundamentada nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 e no artigo 283, inciso I alínea "a" c/c artigos 292, inciso IV e 373 do Decreto n° 3.048/99, valor atualizado através da Portaria Ministerial MPS n° 142, de 11/04/07. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.373 4 O sujeito passivo, dentro do prazo regulamentar, apresentou impugnação, na qual alega, em síntese: É nula a NFLD tendo em vista que os Mandados de Procedimento Fiscal MPF e os termos enviados pela fiscalização não são válidos, pois entregues a pessoas sem autorização para a prática de tais atos. Menciona, neste particular, inúmeros artigos de seu Estatuto Social e o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 e acrescenta que a apresentação de defesa não supre a nulidade em questão. Pende de apreciação junto à Secretaria da Receita Federal, consulta formulada sobre o objeto da presente autuação (documentos em anexo), protocoladas antes do início da ação fiscal, levandose em conta a nulidade do início da fiscalização como argumentado e provado no tópico anterior. Não incidência de contribuição social sobre bolsas pagas a título de pesquisa. Tece arrazoado sobre a não incidência de tal beneficio e esclarece sobre a instituição e forma de atuar da FUNADESP. Não incidência de contribuição social sobre acordos coletivos. No presente caso não ocorre a hipótese de incidência dos tributos cobrados, pois, as bolsas de estudo são concedidas em decorrência de instrumentos normativos (com força de lei), de caráter transitório (com prazos de vigência determinados), não se configurando a habitualidade (cita definição contida em dicionário do termo "habitual"), não podendo o cumprimento ao disposto na CLT ser utilizado para compelir a empresa ao pagamento do tributo. Como inexistente o fato gerador do tributo, inexistente a obrigação da impugnante de registrar contabilmente as operações que se entendeu como tributadas, não existindo a obrigação acessória da escrituração, sendo indevida a multa aplicada. Como a impugnante é primária e tem bons antecedentes, em caso de procedência da autuação requerse seja relevada a multa na forma da legislação previdenciária. A multa aplicada é confiscatória, portanto, inconstitucional, posto que superior a vinte por cento, devendo assim ser cancelada. Afigurase a impossibilidade de comunicação ao Ministério Público Federal de suposta prática criminosa, posto que ainda não exaurida a via administrativa. Ofensa ao princípio da legalidade, vez que existe óbice para o apontamento de corresponsável legal por mero agente fiscalizador, representando arbitrariedade a desconsideração da personalidade jurídica da entidade. Finalmente, anexando documentos de fls. 381 a 544, requer: Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.374 5 A nulidade do AI por serem nulos os mandados de procedimento fiscal que deram termo inicial ao AI e, uma vez reconhecida tal nulidade, seja a Secretaria da Receita Federal impossibilitada de autuar a empresa até a resposta das consultas por ela formuladas; Caso não acolhida a nulidade arguida, decretação da improcedência do AI, vez que inviável a tributação de contribuições sociais sobre verbas que não compõem o salário; Caso superados os argumentos anteriores, seja cancelada a multa por ter efeito confiscatório ou seja relevada pelos bons antecedentes e primariedade da impugnante; Cancelamento do CORESP feito pela fiscalização e, Independente do resultado do procedimento administrativo, que não seja feita nenhuma comunicação ao Ministério Público Federal antes de exaurido o presente. Analisando a extensa argumentação apresentada pela autuada com relação às bolsas de estudos e pesquisa concluiuse pela necessidade de manifestação da autoridade autuadora através de informação complementar, quanto a todos os motivos do não enquadramento dos valores pagos a título de bolsas de estudo e pesquisa na alínea "t" do parágrafo 90. do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, em função do contido no Relatório Fiscal da Infração, quanto ao tema: "Após análise dos documentos apresentados ficou constatado tratarse de mecanismo triangular de pagamento de bolsas, efetuado da seguinte forma A ACEF realizou mensalmente, a partir de 1112002, o repasse de valores para a FUNADESP, que englobava o valor das bolsas, acrescido de 8% a título de contribuição conforme demonstram os seguintes documentos, anexos ao presente por amostragem: requisição de compra/autorização de pagamento; transferência bancárias de créditos, e listas mensais de beneficiários das bolsas (...) A fundação ao receber referidas importâncias, na forma de doações, repassava aos destinatários finais, na forma de bolsas de estudos; Os beneficiários das bolsas eram informados pela ACEF, que enviava para a FUNADESP lista com os respectivos nomes, inclusive com as informações bancárias, para que em seguida as doações efetuadas por ela à fundação fossem repassadas Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.375 6 diretamente nas contas dos bolsistas, menos do desconto da contribuição (8% sobre o total das bolsas) Os valores desembolsados na forma do item anterior se destinavam ao pagamento de bolsas de estudo para remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN — Universidade de Franca, da qual a autuada é mantenedora e a remunerar os residentes do hospital veterinário e de fisioterapia, que são exalunos que cursam residência e recebem bolsas em decorrência da carga horária prestada a UNIFRAN. (..). Remunerase pelo desempenho de atividades profissionais e prática prestadas pelos residentes. Desta forma os valores pagos a título de bolsas de estudo, na forma citada acima, são considerados "salário indireto" e constituem Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei n" 8.212191, por não se enquadrar na hipótese de não incidência prevista no parágrafo 90, alínea "t" deste mesmo artigo, e, portanto deveriam ter sido adicionados à remuneração mensal dos segurados e inseridos nas Folhas de Pagamentos mensais". Tal informação complementar deveria ser expressa através de Relatório Fiscal Complementar, com ciência à autuada e reabertura do prazo de defesa sobre os pontos ali contidos. A autoridade fiscal se manifestou através do Relatório Fiscal Complementar de fls. 554/555, no qual esclarece que a alínea "t" do parágrafo T. do artigo 28 da Lei 8.212/91 dispõe que não integra o saláriodecontribuição: "o valor relativo aplano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n2 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo ". Em relação à primeira condição: valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, as bolsas em questão não se enquadram, uma vez que a educação básica é formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, ou seja, não inclui a educação superior, conforme artigo 21, inciso I da Lei 9.394/96: "Art. 21. A educação escolar compõese de: I — educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental ensino médio; II — Educação superior. " Não se enquadram também na segunda condição, cursos de capacitação e qualificação profissionais, por se tratar de bolsas Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.376 7 de estudos destinadas a remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN e a remunerar os residentes do Hospital Veterinário e da Fisioterapia, e não a bolsas de estudos para cursos de capacitação ou qualificação. Não se enquadram ainda na terceira condição, que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, pois a autuada, a seu livre arbítrio, estabelece os requisitos e aprova os projetos cujos autoresempregados se tornam aptos a receberem as bolsas, disto resultando que a empresa escolhe e indica o beneficiário a quem a bolsa será dada, não a oferece a todos os empregados, deixando de cumprir este requisito de não incidência." Cientificado, o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, defesa administrativa de fls. 558 a 580, na qual, inicialmente, reitera todos os itens da impugnação anteriormente apresentada e, em seguida repete os comentários e argumentações sobre a concessão de bolsas de estudo a título de pesquisa através da FUNADESP, sobre a não incidência de contribuição social sobre acordos coletivos e sobre a impossibilidade de autuação pela inexistência de obrigação acessória de registro contábil por inexistência do fato gerador do tributo. A defendente nada traz de novo à discussão, vez que todos esses comentários e argumentações já haviam sido apresentados em sua primeira impugnação. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do auto de infração, mantendo o débito tributário e a multa aplicada. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 1210/1270, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Preliminarmente alega que há nulidade da autuação porque o MPF foi entregue a pessoa que não detinha poderes para recebêlo. Na visão da recorrente o MPF somente poderia ter sido entregue ao seu Diretor Presidente ou Diretor Superintendente, aos quais cabem os poderes de representação. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.377 8 Questão similar relativa à ciência da própria notificação fiscal de lançamento já foi superada nesse Conselho, o qual admite sua validade ainda que o recebedor não detenha poderes de representação. Nesse sentido a Súmula CARF 09: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por decorrência lógica, se é valida a ciência do lançamento ainda que o recebedor não detenha poderes para tanto, quanto mais o MPF que demarca o início da fiscalização. Assim, presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. Rejeitase, portanto as preliminares de nulidade suscitadas. Consulta fiscal. Sustenta o recorrente que não poderia ter sido lavrada a NFLD uma vez que havia processo de consulta pendente com o mesmo matéria objeto do lançamento. Acerca do processo de consulta dispõe do artigo 48 do Decreto 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância Como se vê nenhum procedimento será instaurado quando o sujeito passivo tenha iniciado, previamente, o processo de consulta, cuja matéria seja semelhante. No caso dos autos, como bem apontado pela r. decisão recorrida o pedido de consulta protocolado pelo recorrente foi posterior ao procedimento fiscal, em setembro/2007, enquanto que a fiscalização teve início em 07 de março de 2007, antes portanto, das consultas trazidas aos autos. Uma vez que o sujeito passivo já estava sob procedimento fiscal quando da formulação das consultas em questão, não se verifica qualquer óbice à lavratura fiscal consubstanciada na presente NFLD. Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.378 9 Logo, rejeito também a preliminar. Alegações de inconstitucionalidade. Caráter confiscatório da multa. A análise da alegação do efeito confiscatório da multa aplicada e sua consequente inconstitucionalidade esbarra no fato de que este órgão julgador não dispõe de competência para analisála, pois isso implicaria em adentrar na suscitada colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Ademais, prevê a Súmula CARF nº 02 o seguinte: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, não há acolher os argumentos da contribuinte quanto as alegações de inconstitucionalidade. Representação Fiscal Para Fins Penais. Quanto à questão argüida pela Autuada, referente à Representação Fiscal Para Fins Penais RFFP noticiada nos autos, cabe esclarecer que este órgão julgador não dispõe de competência para apreciar o inconformismo externado pelo sujeito passivo, conforme Súmula CARF nº 28 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Portanto, rejeitase a alegação da contribuinte. Relatório de Representantes Legais. A contribuinte também se mostra irresignada em relação ao item "11" do Relatório Fiscal, redigido nos seguintes termos: "Os responsáveis legais pelo débito encontramse discriminados no Relatório de Coresponsáveis — CORESP, anexo." Cumpre esclarecer que o Relatório de Coresponsáveis CORESP, previsto na redação original do artigo 660, X da Instrução Normativa MPS SRP 03/2005 (DOU de 15/07/2005) foi substituído pelo Relatório de Representantes Legais REPLEG, conforme alteração do citado dispositivo pela Instrução Normativa SRP 20, de 11/01/2007 (DOU de 16/01/2007). Assim, não existe nos autos o relatório CORESP, mas sim o REPLEG, o qual, em seus próprios dizeres, "...lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificacdo e período de atuação." Esclarecese que a menção ao CORESP no Relatório Fiscal não gera qualquer efeito em relação ao lançamento fiscal realizado, conclusão extraída da análise dos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/72 e artigos 27 e 28 da Portaria RFB 10.875/2007, sobre os Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.379 10 quais já se discorreu anteriormente no presente voto. Salientase o disposto na Súmula CARF nº 88, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não existe fundamentação jurídica nem fática para a argumentação e o pedido de exclusão de sócios, cumprindo notar que a autoridade administrativa age por força de ato vinculado e obrigatório, devendo revestilo de todas as formalidades legais, face ao artigo 202 do CTN, ressaltandose, porém, que eventual responsabilidade de cada um somente será posteriormente apurada, em sede de execução fiscal. Deste modo, rejeitase a alegação da contribuinte. Mérito. Relativamente aos benefícios concedidos a título de bolsa de estudos, a autoridade recorrida, acompanhando o entendimento da autuante, ficou adstrita à previsão constante no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ..... t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Não obstante as limitações impostas na referida lei, acompanho integralmente o entendimento pacifico do STJ no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.380 11 desse modo, a remuneração do empregado, já que a verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Transcrevemse as ementas dos julgados: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (STJ AgRg no Ag: 1330484 RS 2010/01332373, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 18/11/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/12/2010) TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados ou aos filhos destes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial provido. (STJ – RESP 921.851/SP. Relator: Ministro João Otávio de Noronha, Julgamento: 11/09/2007) PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.381 12 considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182495 / RJ Relator(a) Ministro Herman Benjamin (1132) Órgão Julgador Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Corroborando, o voto proferido pelo Ministro Luis Roberto Barroso no RE nº 593.068, afirmou que “o conjunto normativo é claríssimo no sentido de que a base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária só deve computar os ganhos habituais e os que têm reflexos para aposentadoria.” Com efeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu art. 458, §2º, II, afasta a natureza salarial de benefícios pagos a título de bolsa de estudos, verbis: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Este Conselho possui julgados afastando a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme ementa de julgado abaixo transcrita, julgado por unanimidade pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento, de Relatoria do Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDOS FORNECIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.382 13 Os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes dos em nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não têm caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não têm a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva. Isso posto, os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. Multa aplicada CFL 30. Alega a contribuinte não ter praticado a infração apontada pela fiscalização, pois, segundo a defesa, não teria deixado de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo INSS. Assim, constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos. No entanto, prevalecendo o entendimento de que não integra o saláriodecontribuição as bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, temos que sobre ela não estariam sujeita a incidência de contribuição previdenciária. Diante disso, não subsiste, in casu, a possibilidade de aplicação da multa no presente caso, pois demonstra a inexistência do caráter remuneratório das bolsas de estudos Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada Congratulo o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento quanto ao mérito. O i. Relator votou pela impossibilidade de aplicação da multa, entendendo que o valor pago a título de bolsa de estudos aos empregados e dependentes não integra o salário de contribuição. Entretanto, ressalto que o auto de infração foi lavrado por ter deixado a recorrente de incluir em folhas de pagamento os valores relativos a bolsas de estudo fornecidas aos dependentes dos empregados e dirigentes, assim como, a bolsas de pesquisa para os Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.383 14 professores (empregados), e pagamento de bolsa de estudos a médicos residentes (contribuintes individuais) Observo que a multa aqui analisada se originou dos mesmos fatos dos processos nº 13855.002592/200770 (julgado em 20/01/2016, em que foi exarado o Acórdão nº 2301004.301), e nº 13855.002706/200781 (que foi julgado neste 07/08/2018, em que foi exarado o Acórdão nº 2202004.645). Na ocasião do julgamento do processo nº 13855.002592/200770, prevaleceu o mesmo entendimento do processo nº 13855.002591/200725, que foi julgado neste 07/08/2018, em que foi exarado o Acórdão nº 2202004.644). Por isso, peço vênia para usar nas linhas seguintes as mesmas razões dos votos vencedores nos Acórdãos nº 2202004.644 e nº 2202004.645, ambos de minha redatoria. Em relação às bolsas de estudo aos dependentes dos segurados (processo nº 13855.002591/200725), entendo que tais verbas decorrem da relação de trabalhado dos segurados empregados com a recorrente, portanto, não é um benefício para o trabalho e sim pelo trabalho, caracterizandose como remuneração. De outra sorte, a Lei vigente à época dos fatos geradores não incluía os dependentes na hipótese de exclusão da incidência de Contribuição Previdenciária, assim como, não inclui a educação superior, conforme se vê: Lei nº 8.212/91 Art. 28 [...] § 9º [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Lei nº 9.394/96 Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Portanto, nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Aliás, tal fato já foi julgado neste Conselho onde foi exarado o Acórdão nº 2301004.301, de 20/01/2016, no julgamento do processo nº 13855.002592/200770, onde se tratou da mesma matéria, lançada no mesmo procedimento fiscal, em que a recorrente era sujeito passivo, cuja única distinção foi em relação ao período, que a fiscalização achou por bem, lançar em número de Debcads diferentes. Por isso, peço vênia para transcrever trechos do voto vencedor, por concordar com as razões nele tratadas, no que respeita ao pagamento de bolsa aos dependentes: Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.384 15 11. Ainda que contenha inegável valor econômico, a bolsa de estudo ao trabalhador constitui um evidente investimento na qualificação deste, fornecendolhe meios para exercer a atividade profissional e a cidadania, cuja formação educacional revertese em favor da empresa e da sociedade. Ao não se destinar a retribuir o trabalho efetivo, é uma verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho. 12. Porém, a bolsa escolar concedida ao dependente do segurado empregado ou diretor, sob a forma de desconto na mensalidade, revela situação bem distinta. 13. Com efeito, esse tipo de concessão advém apenas da relação de trabalho e tem por finalidade precípua acrescer vantagem contraprestativa ao trabalhador, com ou sem vínculo empregatício, configurando clara remuneração indireta, na medida em que a utilidade é fornecida "pelo trabalho", e não "para o trabalho". 14. Ressalvo que, a meu sentir, a Lei n° 10.243, de 19 de junho de 2001, ao proporcionar nova redação ao art. 458, § 2o, da CLT, conforme já mencionado pelo relator, pretendeu excluir da remuneração, sob o prisma trabalhista, tão somente os valores despendidos com educação dos empregados, e não indistintamente os dispêndios com empregados e seus dependentes. 15. Entretanto, ainda que o conceito de remuneração, retirado da legislação trabalhista, influencie sobremaneira a seara previdenciária, os princípios basilares tributários, tais como legalidade e tipicidade, cuja aplicação é obrigatória ao custeio das prestações securitárias, impõem observar nas relações entre Fisco e contribuintes, entre outros, as regras matrizes de incidência e as hipóteses de exclusão tributária. 16. Nesse contexto, o legislador elegeu como base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária as parcelas remuneratórias destinadas a retribuir o trabalho, conforme expressam os arts. 22 e 28, incisos I e II, da Lei n° 8.212, de 1991. 17. Este mesmo legislador achou por bem explicitar, no art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, dc 1991, parcelas que estão fora do campo de incidência, seja pela ausência intrínseca da natureza remuneratória, sejam verbas que, mesmo destinadas a retribuir o trabalho, devem ser excluídas da tributação por opção legislativa. [...] 19. Notase que os dispêndios com a educação do trabalhador, em harmonia com o conceito de remuneração "para o trabalho", escapam à tributação, ainda que o legislador tenha limitado e condicionado a não integração à base de cálculo ao atendimento de certas condições. Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.385 16 20. Por outro lado, a extensão da não incidência a qualquer gasto com a educação de familiares depende da expressa previsão em lei, dado o seu caráter de remuneração "pelo trabalho". 21. Apenas no ano de 2011, com a Lei n° 12.513, de 26 de outubro de 2011, que deu nova redação à alínea "t" do art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, de 1991, o valor relativo a bolsa de estudo que vise à educação dos dependentes foi excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária, nesses termos: Art 28(...) §9°(...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei n° 9394, de 20 de dezembro de 1996, e: 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; 22. Essa exclusão, porém, não se aplica aos autos, pois o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente (art. 144, do CTN). Contudo, faço a ressalva que, mesmo nos casos em que a bolsa é paga ao empregado, mas para educação superior, entendo que não haveria incidência da Contribuição Previdenciária desde que o curso se enquadrasse como de "capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa", sendo necessário avaliar caso a caso; fora isso, haveria incidência de contribuição previdenciária, tanto antes quanto depois da alteração na alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, porque se assim quisesse, o legislador teria ampliado ao nível da educação superior, mas a despeito de estender a bolsa aos dependentes, achou por manter apenas a educação básica. No caso dos autos, as bolsas de estudo, mediante desconto nas mensalidades, foram concedidas aos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, e, portanto, não se enquadram na norma de não incidência de contribuição previdenciária, não merecendo reparos o acórdão recorrido. Em relação ao pagamento de bolsa de pesquisa para os professores e pagamento de bolsa a médicos residentes (processo nº 13855.002706/200781), como ressaltado pela auditoria, a natureza desses pagamentos não se enquadra como plano educacional que vise à educação básica, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, não estão amparados pela não incidência da letra “t” do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Aliás, a norma exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária as seguintes bolsas: Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.386 17 Art. 28 [...] § 9º [...] i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; [...] t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Pelo que se verifica, as bolsas concedidas pela recorrente não se enquadram em nenhuma das bolsas de que trata a norma de não incidência. Ademais, tendo em vista que a recorrente afirma a não incidência de tributação sobre as bolsas, vez que não existe contraprestação de serviço, nem benefício direto para o doador, há que se observar, em primeiro lugar, que a auditoria fiscal relata o pagamento de bolsas de estudo a médicos residentes. Nesse aspecto, ressalto que existem dispositivos normativos que demonstram o contrário do afirmado pela defesa, e, por isso colacionoos: Lei nº 8.212/91 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Decreto nº 3048 Art.9ºSão segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Vcomo contribuinte individual: [...] Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.387 18 j)quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) l)a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] §15.Enquadramse nas situações previstas nas alíneas "j" e "l" do inciso V do caput, entre outros:(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] Xo médico residente de que trata a Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] IIvinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) IIIquinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§7ºe 8ºdo art. 219;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §2ºIntegra a remuneração para os fins do disposto nos incisos II e III do caput, a bolsa de estudos paga ou creditada ao médico residente participante do programa de residência médica de que trata o art. 4º da Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981, na redação dada pelaLei nº 10.405, de 9 de janeiro de 2002.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (Grifei). Assim, não há como negar a incidência de contribuição previdenciária, dada a natureza dessas bolsas apuradas pela fiscalização. Em segundo lugar, em relação à bolsa de pesquisa concedida aos empregados (professores), também não está inclusa nas hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária de que trata o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não se enquadra como educação profissional e tecnológica ou educação básica, como corretamente exposto no relato fiscal. Ademais, a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994 e o Decreto nº 5.205, de 14 de setembro de 2004, que a regulamentou, ambos vigentes à época dos fatos geradores, estabeleciam o seguinte: Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.388 19 Lei nº 8.958/94 Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Decreto nº 5.205/2004 Art.6oAs bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994,constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. [...] §2oA bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. [...] §4oSomente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. Art.7oAs bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifei) Assim, para saber se a bolsa de pesquisa fornecida a seus empregados (professores) não estava passível de contribuição previdenciária, restaria verificar se era concedida nos termos da Lei nº 8.958/94 e do Decreto nº 5.205/2004. Essa análise foi abordada pelo julgador a quo (13855.002706/200781), de cujo voto extraio os seguintes trechos, que acolho como razões de decidir: Em razão da defesa fazer menção à Lei nº 9.250/95 art. 26 e também que a forma de atuar da FUNADESP é análoga a outras Entidades Públicas, vale dizer que encontramos no inc. XXVII do art. 72 da Instrução Normativa MPS SRP 3 de 14 de julho de 2005 (DOU de 15/07/2005), a previsão de não incidência de Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.389 20 contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, mas que diz respeito especificamente às bolsas concedidas em conformidade com a Lei nº 8.958, de 20/12/94, que dispõe sobre as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio, e o Decreto nº 5.205 de 14/09/04, que Regulamenta a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, o que não se aplica a este caso. A Lei nº 8.958/94, e o Decreto nº 5.205/04 regem, tão somente, as relações entre instituições federais de ensino superior e pesquisa científica e as fundações de apoio, dispondo sobre a participação de servidores/professores das instituições federais contratantes nas atividades da contratada, não amparando a concessão de bolsa de ensino, pesquisa e extensão a alunos de qualquer outra instituição de ensino. (Grifei) Mais uma vez extraio trecho do acórdão recorrido (13855.002706/200781) que acertadamente estabelece a natureza remuneratória das bolsas de pesquisa concedidas aos empregados: Não se pode esquecer que a Defendente tem fins lucrativos e realiza atividades de ensino e pesquisa para atingir esses fins. Beneficiase com o trabalho dos pesquisadoresbolsistas, pois a realização das pesquisas e a divulgação de seus resultados servem para difundir e elevar o nome da Instituição, aumentando a procura por seus cursos de graduação e pósgraduação e maximizando seus lucros. Dessa forma, não é possível falarse em simples doação ou em inexistência de prestação de serviços: A Notificada beneficiavase do trabalho dos bolsistas. Neste passo e, ante a descrição dos fatos feita pela fiscalização, restou evidenciado que os resultados das atividades desenvolvidas pelos segurados empregados e também dos residentes, representam uma vantagem para o "doador" e uma contraprestação de serviços por parte dos mesmos, não importando o nome que se dê à atividade e ao pagamento, por força da legislação previdenciária, referida parcela tem natureza salarial e integra o salário de contribuição para fins de incidência de contribuições sociais. Portanto, não há qualquer dispositivo que albergue a não incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas aqui debatidas. Assim, tendo prevalecido esse entendimento, a multa por descumprimento de obrigação acessória deve ser mantida, não merendo reparos o acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.390 21 Fl. 1390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.730407/2012-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para apresentação de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal.
Numero da decisão: 2001-000.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal.
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 04 07 /2 01 2- 13 Fl. 116DF CARF MF 2 Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento, ano calendário 2009, exercício 2010, na qual apurouse as seguintes infrações: dedução indevida com dependentes, no valor de R$41.529,00, por falta de comprovação de tutela e/ou curatela, bem como dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$23.496,61, por falta de qualquer comprovação legal e de pagamento. A Notificação de Lançamento foi lavrada em 09/07/2012 e a ciência em 20/07/2012. O contribuinte ingressou com impugnação em 15/08/2012 alegando em síntese que se tratam de despesas incorridas, sem apresentar provas plausíveis para corroborar os supostos fatos alegados. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de o contribuinte não comprovou o quanto alegado. Em sede de Recurso Voluntário, perdeu o contribuinte o prazo legal determinado na norma para a sua apreciação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Merece que seja trazido a baila, logo de início, que conforme Aviso de Recebimento (AR) a cientificação da Notificação de Lançamento ocorreu em 25/10/2017, sendo o recurso voluntário apresentado somente em 20/12/2017. Nesta senda, insta frisar que o prazo legal para formalização por escrito da impugnação ou recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência do ato que originou o procedimento, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993. Registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 5o, caput e parágrafo único, do Decreto no 70.235/1972, a contagem dos prazos é contínua, excluindose o dia de início e incluindose o de vencimento, e iniciase ou termina somente em dia de expediente normal. No caso de a intimação ser efetuada por via postal, como é o caso em apreço, a sua ciência se dá na data de seu efetivo recebimento no domicílio fiscal do contribuinte, com Aviso de Recebimento – AR, ainda que deste não conste a assinatura do próprio contribuinte, tal qual determina o inciso II do § 2º do artigo 23 do Decreto n.º 70.235/1972, com a redação dada pelo artigo 67 da Lei n.º 9.532/1997. Este é o entendimento da jurisprudência pronunciada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), in verbis: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10480.730407/201213 Acórdão n.º 2001000.634 S2C0T1 Fl. 3 3 Intempestivo, o Recurso Voluntário não instaura a fase litigiosa do procedimento, incompatibilizando o julgamento do mérito, consoante disposições do art. 28 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993; e Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12 de julho de 1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação. Tendo em vista a evidente intempestividade do recurso entendo que não deve ser conhecido, por ausência delimitação de litígio nesta fase recursal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.729304/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-000.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 93 04 /2 01 1- 17 Fl. 68DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 28.908,36. Foi considerada, para efeito do lançamento fiscal, a informação constante da DIRF apresentada pela Caixa Econômica. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que quanto à compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 746,64 o valor consta do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e que não houve omissão de rendimentos, pois foi recebido apenas o valor declarado. Junta original das fontes pagadoras bem como novo cálculo do imposto devido. A DRJ São Paulo, no decorrer da análise dos fatos, deixa claro que o contribuinte declara um total de rendimentos de R$ 76.042,14, e que conforme DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras e informes de rendimentos apresentados o contribuinte auferiu: R$ 36.000,00, pagos por Gilbarco Do Brasil S/A Equipamentos (fl. 35), R$ 19.696,52, pagos pelo INSS (fl. 37) e R$ 28.908,36, pagos pela Caixa Econômica Federal (fl. 36), num total de R$ 84.604,88 e não no valor apontado pelo impugnante a fl. 13. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte questiona a tributação do juros de mora, sem apresentar nenhuma fundamentação para seu questionamento, solicita que seja adotado o regime de competência para os valores recebidos do INSS e alega suposto direito à isenção de IR sem apresentar nenhum argumento plausível ou evidência para tal. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos RRA Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base no fato de ter o contribuinte omitido rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação judicial. De acordo com o que fora amplamente exposto ao decorrer deste processo administrativo, fica claro que o contribuinte recebeu os rendimentos acumulados, oriundos de ação judicial federal . A regra geral de levar ao ajuste anual os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) vigorou até o advento da Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010, que inseriu o art. 12A na Lei n° 7.713, de 1988, instituindo forma de cálculo que Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.729304/201117 Acórdão n.º 2001000.706 S2C0T1 Fl. 3 3 prestigia parâmetro de cálculo mensal e não global, mediante a utilização de “tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”. Assim sendo, não há que se falar em qualquer outro regime de tributação se a lei claramente previa a adequada forma de se tributar os rendimentos recebidos acumuladamente neste período em análise, qual seja no ano calendário de 2007. Desta feita, não merece prosperar este pleito do contribuinte. No que se refere ao pleito de não tributar os juros sobre mora por terem natureza indenizatória, este é um tema ainda não pacificado jurisprudencialmente, mas a regra geral ainda aplicada é a incidência do imposto de renda sobre juros demora, inclusive quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, apesar de sua natureza indenizatória. Caso o contribuintes tenha interesse em discutir a aplicação ou não da lei aos juros moratórios, devem, pois, ingressar em juízo, ou seja, buscar, no Poder Judiciário, o reconhecimento de seu direito de não ter de incluir na base de cálculo do IR e da CSL o que recebem a título de juros de natureza indenizatória, posto que, em tese, são mera recomposição de patrimônio, não se confundindo com renda, proventos ou lucro. Mas este fórum não é o adequado para analisar a esta questão, ainda mais que foi um mero pleito do contribuinte, sem fundamento e sem nenhuma base ou arcabouço que sustente a causa de pedir. Por fim, argui o contribuinte que é isento e que não deveria ter tributação dos seus proventos. No entanto não traz nenhuma prova documental ou fática para justificar essa afirmação e pedido. Sem nenhum fundamento, mais uma vez pleito que parece ser absolutamente descabido. Nesta senda, verificando falta absoluta de fundamentação , comprovação fática ou documental do quanto argumentado e solicitado pelo contribuinte, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantido o lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 70DF CARF MF 4 Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910070/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2003
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2003 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2003 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 00 70 /2 00 9- 18 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.910070/200918 Acórdão n.º 1201002.421 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de CSLL calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução da CSLL apurada ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de CSLL. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.910070/200918 Acórdão n.º 1201002.421 S1C2T1 Fl. 4 3 Mérito. Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.910070/200918 Acórdão n.º 1201002.421 S1C2T1 Fl. 5 4 Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008022/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004
CIÊNCIA POR VIA POSTAL IMPROFiQUA. CIÊNCIA POR EDITAL.
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO.
Tendo resultado improfiqua a tentativa de ciência da decisão de primeira instância por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, correto o procedimento da Autoridade Administrativa de fazer publicar edital com essa finalidade. A perempção impede a apreciação do recurso pelo Colegiado. Cientificada da decisão de primeira instancia, a interessada
apresentou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a destempo, ou seja, transcorridos mais de trinta dias daquela data. Ofensa ao art. 33 do Decreto n° 70.235/1972.
Numero da decisão: 1302-000.929
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso por perempto.
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 CIÊNCIA POR VIA POSTAL IMPROFiQUA. CIÊNCIA POR EDITAL. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. Tendo resultado improfiqua a tentativa de ciência da decisão de primeira instância por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, correto o procedimento da Autoridade Administrativa de fazer publicar edital com essa finalidade. A perempção impede a apreciação do recurso pelo Colegiado. Cientificada da decisão de primeira instancia, a interessada apresentou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a destempo, ou seja, transcorridos mais de trinta dias daquela data. Ofensa ao art. 33 do Decreto n° 70.235/1972.
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Ofensa ao art. 33 do Decreto n° 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempto. • Ak._• Marcos Rodrigues de Mello — Presidente aldir Veiga RoyFia — Relator : ii fp ., ■ 7 . • 2 200 2 ;te 24/261201 21 Ir r21 2 Vv,P-A.D1P vFflA • 1. , 1--1!z '',;E'E;IT,F. • VERS 1. ) FM BrZAN(Mc) Fl. 646 S1-('3T2 Fl. 646 DI' ('ARI' :111: Processo n° 19515.008022/2008-10 Acórdão n.° 1302 -00.929 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizz°, Eduardo de Andrade, Cristiane Silva Costa e Marcos Rodrigues de Mello. Relatót io ITAJARA COMÉRCIO DE CARNES LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão no 16-21.405, de 14/05/2009, da 7' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo - I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito. 0 presente processo versa acerca de Autos de Infração (fls. 386/390, 396/399 e 402, 408/412, 418/422, 428/432), lavrados ern 15/12/2008, atinentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição para a Seguridade Social (INSS), relativo aos fatos geradores dos meses de janeiro a dezembro do ano-calendário de 2003, com o crédito tributário total de R$ 17.070.259,02, composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados ate 28/11/2008, apurados nos moldes do regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. Os referidos autos de infração decorreram de ilícito caracterizado em procedimento de verificação de cumprimento das obrigações tributárias perante o sujeito passivo em epígrafe, segundo o qual, mediante exame dos extratos de contas bancárias, obtidos na forma da legislação de regência, perante as instituições financeiras, das quais a entidade registrou movimentação financeira no curso do período fiscalizado, restou configurado que o montante das receitas omitidas, apurado por presunção legal baseada em ingressos financeiros denotados à margem da escrituração contábil e fiscal da sociedade, representando importe superior aquele informado na Declaração Anual Simplificada transmitida pelo sujeito passivo. Assim, ficou revelada a ocorrência de omissões de receitas não escrituradas e a insuficiência de recolhimento dos impostos e contribuições devidos, ocasionados pela redução indevida na base de calculo dos tributos, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais encontram-se detalhados no corpo dos mencionados lançamentos, aditados e pormenorizados pelo Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 3641367), ora integrante e indissociável dos autos de infração. Cientificado pessoalmente do lançamento em 15/12/2008, o contribuinte apresentou impugnação em 09/01/2009 (fls. 435/444), na qual requer o cancelamento dos autos de infração, em síntese, apoiando-se nas seguintes alegações de fato e de direito: Inicialmente, após uma breve exposição dos fatos, assevera que as questões reportadas nos autos de infração resumem-se em apurar a movimentação financeira da impugnante, enquadrando-a no regime SIMPLES FEDERAL, tomando por base ttsmilacio digttalmentei contotme MP ti" 2200. 2 s'ci 24/08/2001 t•lo digitalmente ern 14/08/2012 poi WALD3R VE'GA os- 14!081?012 o SUELI 7.0RP -S SiLVESTRE VER;;;C; 3RAN',30 2 1)1 CARI. \11. H. 647 Processo n° 19515.008022/2008-10 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.929 Fl. 647 as informações contidas na Declaração Anual Simplificada relativo ao ano calendário de 2003, entregue em 28/06/2004, recibo 07.59.80.49.66-26, em cotejo com as efetivas transações bancárias levantadas na fiscalização; Reclama, porém, que a empresa requereu formalmente sua exclusão do regime de tributação atinente ao SIMPLES FEDERAL, em razão de ocorrência de excesso do limite de faturamento; Acrescenta que o pleito foi deferido pela autoridade administrativa, expedindo-se DECISÃO DICAT n° 110/2007, na qual comunicou que "o pedido de exclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL foi deferido a partir de 1 0/01/2004, conforme copia anexa à impugnação; Relata, ainda, que, em relação ao ano-calendário de 2003, a impugnante procedeu a entrega de Declaração Retificadora (DIPJ), recepcionada e processada em 11/08/2008, recibo n° 10.18.06.83.15-07, cuja cópia encontra-se acostada defesa, na qual, além de retificar os valores e os movimentos anteriormente repassados a RFB, as informações foram prestadas com base em exclusão do regime tributário simplificado, ou seja, compatíveis corn a movimentação dos recursos depositados/creditados nas contas bancárias, razão pela qual entende não ser cabível a autuação realizada mediante constatação de diferença apurada em cotejo com as informações contidas na declaração retificada. Nesse sentido, completa que os valores inseridos na declaração retificadora já são compatíveis com as diferenças apuradas no curso da ação fiscal; Subseqüentemente, argumenta que os valores apontados sob a rubrica "INSS", nos "Demonstrativos de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta", aplicando-se o percentual de 5,16% sobre a diferença apurada no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, não estão corretos, tendo em vista que, em relação aos valores apurados no ano de 2003, a impugnante efetivou parcelamento de débitos junto à Previdência Social — INSS, por intermédio de Lançamento de Débito Confessado (LDC), consolidado em 30/05/2005 — DEI3CAD n° 35.634.949-7, conforme cópia anexa, cuja divida vem sendo realizada normalmente pela impugn ante; Argumenta que no levantamento efetuado pelo INSS, consolidado em 30/05/2005, dentre outras contribuições, foram incluídos os valores devidos a titulo de INSS-EMPRESA referente ao ano-calendário de 2003, os quais foram também inseridas em duplicidade no procedimento em discussão; Encerra, questionando que, na hipótese de prevalência da autuação em destaque, impõe-se o abatimento dos valores apropriados a titulo de INSS- EMPRESA; Finalmente, a vista dos motivos e argumentos expendidos no corpo da peça impugnat6ria, requer a anulação dos lançamentos, ou, na remota hipótese de manutenção dos efeitos dos autos de infração, demanda a redução dos valores relativos ao INSS-EMPRESA apropriados no parcelamento formalizado perante a Previdência Social, ou, no caso de entendimento da autoridade administrativa, pede a conversão do julgamento em diligência para fins de revisão do levantamento fiscal, computando-se os fatos e documentos aduzidos na defesa. A 7' Turma da DRJ em Sao Paulo - I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão no 16-21.405, de 14/05/2009 (t1s. 568/580), considerou procedente o lançamento corn a seguinte ementa: , 2 200 2 (k. 211R):22(101 .12 r)f.» :tVA! , ;OCHA 3 H. 648 SI -C3T2 Fl. 648 DE CARE ME Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2003 SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL APURADA COM FULCRO EM EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Ê legitima a lavratura de lançamento mediante aplicação da presunção legal de omissão de receita fixada com base na legislação de regência, nas hipóteses em que o sujeito passivo titular de conta bancária, regularmente intimado, não apresenta prova em contrário por intermédio de documentação hail e idônea, visando esclarecer a origem dos recursos financeiros creditados em conta de depósito ou de investimento. INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE O inicio do procedimento de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e corre/atos 'as infrações evidenciadas e configuradas no lançamento de oficio. SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITA. DIP.I RETIFICADORA APRESENTADA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. Demonstrada a perda da espontaneidade do sujeito passivo, a entrega de DIPJ Retificadora, após o inicio da ação fiscal, não tem eficácia para obstar a constituição de lançamento de oficio dos créditos tributários corre/atos, assim como das penalidades cabíveis e aplicáveis com fundamento na legislação de regência. PRELIMINAR. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. Considera-se não formulado o pedido de diligência que não atenda aos requisitos legais e impõe-se indeferir a solicitação que verse exclusivamente et busca e análise de documentação probatória, cuja anexação caberia ao próprio imp ugnante e deveriam constar dos autos no ato da interposição da defesa, independentemente de permissão da autoridade julgadora. A Autoridade Preparadora buscou dar ciência ao contribuinte da decisão de primeira instancia por via postal, mas a correspondência foi devolvida ao remetente (fl. 596). Na sequencia, foi publicado o Edital n° 174/2009 (fl. 597), afixado em dependência franqueada ao público em 28/07/2009 e desafixado ern 13/08/2009. A fl. 598, encontro termo de perempção, lavrado pela Autoridade Preparadora em 30/10/2009. Em 10/02/2011, o contribuinte compareceu aos autos (fls. 611/613), alegando que não foi cientificada da decisão de primeira instância e reclamando contra a publicação de edital, nos seguintes termos: d conforme MP r:" "L200-2 em 14:0a/2012 por JALDE R ROC tm 14 ,012012 por"-4,Goi I TORRES SILVEST RE - VE-_T:tS0 EM BRANCO Processo n° 19515.008022/2008-10 Acórdão n.° 1302-00.929 ' DI: CAR1- 1 7 1. 649 Processo n° 19515.008022/2008-1 0 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.929 Fl. 649 :t 1-g ■ tH'; 4 Entretanto, não é crivei que nenhum funcionário, preposto ou representante legal da contribuinte não tenha sido encontrado pelo Agente dos Correios, pois se trata de empresa em plena atividade e ate hoje sediada no mesmo endereço informado na Impugnação de fls. 435/444, à Rua Francisco Peixoto Bezerra n° 791 — Jardim Brasil, onde, alias, recebeu o Auto de Infração em epígrafe (comprovantes anexos). Até porque, o ramo de atividade da contribuinte (comércio varejista de carnes — açougues), obviamente, não permite a ausência de funcionários, preposto ou representante legal, nos dias e horários indicados no Aviso de Recebimento de fis. 595. Portanto, não se justifica a publicação de Edital sem a tentativa de intimação pessoal, ou ainda, sem nova tentativa de intimação postal, já que o Decreto n° 70.235/1972, não limita o número de tentativas desta modalidade de intimação. Requer, então, a devolução de prazo para interposição de recurso voluntário ao CARF. Finalmente, em 25/02/2011 (carimbo de recepção à folha 621), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 621/636, cujo conteúdo pode ser sintetizado conforme segue: Preliminarmente, a recorrente reafirma que somente tomou ciência da decisão a quo em 02/02/2011, ao comparecer espontaneamente à repartição para verificar o andamento do processo. Diante disso, reafirma igualmente as razões pelas quais entende que seu recurso seria tempestivo. Ainda em sede de preliminares, a interessada sustenta a nulidade da decisão recorrida, por não ter acatado seu pedido de conversão do julgamento em diligência, para o fim de verificação de parcelamento dos valores referentes ao INSS-EMPRESA. Acrescenta que seu pedido de diligência seria prova praticável e imprescindível, e que a recusa constituiria violação ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório, causa de nulidade da decisão. No mérito, a recorrente reitera os argumentos aduzidos na peça impugnatória, acerca da DIPJ retificadora que teria sido recebida e processada pela Administração Tributária em 11/08/2008. Por sua ótica, em tal declaração retificadora constariam valores compatíveis com os recursos depositados/creditados nas contas bancárias. Desde que essa declaração não foi recusada, seria descabida a autuação que teve por base o confronto corn os valores constantes da declaração original, retificada. Aduz ainda a contribuinte que os valores lançados a titulo de INSS estariam incorretos, em face de parcelamento, consolidado em 30/05/2005 (DEBCAD n° 35.634.949-7), cujas parcelas vem sendo pagas regularmente. Pede, então, o abatimento dos valores apropriados a titulo de INSS-EMPRESA, para o que entende imprescindível a realização de A recorrente conclui com o pedido de conhecimento e provimento de seu recurso e reforma da decisão a quo, para o fim de: Acatar a preliminar arguida e declarar a nulidade da decisão recorrida e, em decorrência, a nulidade e exclusão da exigência tributária. . ,AP e 2 2(K.,-2 de 24.8'2001 5 rRF - \17 1 EM BRANCO a) In '2 r-Bf ki,1,14D!R h:(7)=.2,HA r 650 SI-C3T2 Fl. 650 Di. ('AR!' M1' b) Ou, se não for esse o entendimento, a conversão do julgamento em diligência, "destinada a comprovar todo o alegado e demonstrado" e, ao final, dar provimento ao recurso e cancelando a exigência tributária. A fl. 644, encontro despacho da Autoridade Preparadora encaminhando o recurso voluntário a este CARF, enfatizando tratar-se de recurso interposto intempestivamente. o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A primeira questão a ser enfrentada é quanto à tempestividade ou não do recurso voluntário apresentado. Compulsando os autos, verifico que, para dar ciência A. impugnante da decisão de primeira instância, buscou a Autoridade Administrativa, num primeiro momento, valer-se da via postal. No entanto, essa via resultou frustrada, como atesta a correspondência devolvida ao remetente A fl. 596. Na sequência foi publicado o Edital n° 174/2009 (fl. 597), afixado em dependência franqueada ao público em 28/07/2009, terça-feira, e desafixado em 13/08/2009, quinta-feira. ik espécie são aplicáveis as disposições do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 23. Far-se-6 a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quern o intimar; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) ill - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) a) envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) ,sr 10 Quando resultar improficuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a assmado (ligitalmente conf:, ,,rrre U1P rO 2.20C 2 ce 2 '',; 00;2C 0 ': ado ■ figoalmente orn 14103/2012 pc, * VkiALDR VEIGA ROCHA cm 14/08,201',5 7A.:3Let: 1ORRES SILVESTRE - VP:-?,a) EM FRANGC; \A?, Processo n° 19515.008022/2008-10 Acórdao n.° 1302-00.929 . • • DI CAR H. (51 Processo n° 19515.008022/2008-10 -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.929 Fl. 651 intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) I - no endereço da administração tributária na internet,. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) 11 - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005) sç 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluido pela Lei n°11.196, de 2005) sç' 3' Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) ,sç' 4' Para fins de intimação, considera-se domicilio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, ei administração tributária; e (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) [.. Acerca dos prazos recursais, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes a ciência da decisão. 1-] Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instancia esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; A polêmica, no caso sob exame, diz respeito à tentativa de ciência por via postal. Não há qualquer questionamento acerca, ,clo endereço utilizado pela Autoridade (..(Plf:irrne 2.2e0. 2 de 24f08'2001 Jitglialf! ••• -; 1 O12012 riu; VJALDR VEIGA ROCA- IA ff'r I EL J 1 t_:qPES S:l VESI RE - VER:30 EM F3RANCO 7 H. 652 SI -C3T2 Fl. 652 Dls CARF MI: Preparadora, trata-se efetivamente do domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. No entanto, o contribuinte alega não ser crivei que nenhum funcionário, preposto ou representante legal tenha sido encontrado pelo Agente dos Correios, visto tratar-se de empresa em plena atividade e "até hoje sediada no mesmo endereço". Tal alegação não pode ser aceita, em face da literalidade do dispositivo legal acima transcrito. 0 fato é que a tentativa de entrega por via postal, a cargo do serviço regular de correios (ECT - Empresa de Correios e Telégrafos) resultou frustrada, não cabendo â Autoridade Administrativa perquirir os motivos pelos quais isso se deu, muito menos, especificamente, saber se havia ou não funcionários ou prepostos no local, aptos ao recebimento da correspondência. Tendo sido, como foi, a correspondência dirigida ao domicílio tributário do sujeito passivo, e frustrada a tentativa de sua entrega, o passo seguinte, nos termos da lei, é a publicação de edital para ciência da decisão de primeira instância. E também aqui os argumentos da recorrente não podem ser aceitos. Sua tese é de que o Decreto no 70.235/1972 não limitaria o número de tentativas de ciência, pelo que seria o caso de uma tentativa de intimação pessoal ou, ainda, nova tentativa de intimação postal, antes da publicação do edital. De se observar que o § I° do art. 23, anteriormente transcrito, especifica "quando resultar improficuo um dos meios previstos no caput deste artigo [..] ", de onde extraio que não se exige da autoridade administrativa que busque mais de uma via para a ciência, nem que insista em um dos meios que _id tenha resultado improfiquo. A contagem do prazo recursal deve iniciar quinze dias após a publicação do edital, a saber, em 13/08/2009, quinta-feira, esgotando-se esse prazo com o decurso de trinta dias, em 11/09/2009, sexta-feira, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. 0 recurso voluntário (protocolo de recepção à fl. 621) apresentado em 25/02/2011 é intempestivo, e não deve ser conhecido por este colegiado. Diante disso, meu voto é no sentido de não conhecer do recurso voluntário, eis que interposto fora do prazo legal. Waldir Veiga R cha egto assoado dIgitalmente conform° 2 2002 oe 2/00!200 1 cacio rilgitalmente ern 1 4103 12012 por VVN.DIN VCIGA :0 cuT 14/08:'?012 poE 2UELI TORRES SkA/FS:12E - VE4SO EM BRANCO Processo n° 19515.008022/2008-10 Acórdão n.° 1302-00.929
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907109/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 10 9/ 20 11 -9 3 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10930.907109/201193 Resolução nº 3402001.440 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10930.907109/201193 Resolução nº 3402001.440 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10930.907109/201193 Resolução nº 3402001.440 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.003904/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Denúncia espontânea. Aplicação às penalidades de natureza administrativa. Intempestrtdade no cumprimento de obrigação acessória. retroatuidade benigna.
Ao dar provimento integral ao recurso voluntário, o Acórdão de Recurso Voluntário desconsiderou o exame feito pelo Acórdão de Impugnação que identificou 5 (cinco) ocasiões em que são intempestivos os registros (averbações).
Numero da decisão: 3302-005.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes e negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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CONTRADIÇÃO. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado AMERICAN AIRLINES INCL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Denúncia espontânea. Aplicação às penalidades de natureza administrativa. Intempestrtdade no cumprimento de obrigação acessória. retroatuidade benigna. Ao dar provimento integral ao recurso voluntário, o Acórdão de Recurso Voluntário desconsiderou o exame feito pelo Acórdão de Impugnação que identificou 5 (cinco) ocasiões em que são intempestivos os registros (averbações). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 39 04 /2 01 0- 74 Fl. 395DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 17/06/2010, formalizando a exigência de multa regulamentar no valor de R$ 105.000,00, pelos fatos descritos a seguir. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe o art. 147, do DecretoLei 37/66, regulamentado pelo art. 203, inciso VI, da Portaria MF n.2 125, de 4 de março de 2009, com vistas à verificação do cumprimento da obrigação acessória disposta no art. 37, da IN/SRF n° 28/1994, alterado pelo art. 12, da IN/SRF n.2 510/2005, foram apurados registros de dados de embarque intempestivos, referentes aos transportes internacionais realizados em maio de 2007 no Aeroporto Internacional do Rio de JaneiroALF/GIG. Considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação com prazo superior aos 2 (dois) dias concedidos ao transportador responsável, contados a partir da realização do embarque, assim considerado a data do voo, de acordo com o art. 39, inciso II, da IN/SRF n° 28/1994. Face à inobservância pela empresa de transporte internacional supra qualificada de prestar as informações sobre a carga transportada no devido prazo, lavrase o presente Auto de Infração para exigir a multa que trata o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n.2 37/66, com nova redação do art. 77, da Lei n.2 10.833/2003, aplicada para cada veículo identificado pelo respectivo voo, que transportou as cargas amparadas pelas Declarações de ExportaçãoDEs objeto da presente apuração, constantes no quadro colacionado às folhas 10 a 13 do processo digital. A empresa AMERICAN AIRLINES INC foi cientificada do presente auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 09/08/2010 ( folhas 23 ). Foi apresentada impugnação em 26/08/2010, de folhas 24 a 52. Alegouse, em síntese: ü A ausência de dolo e de dano ao erário; ü A possibilidade de relevação da multa aplicação do art. 654 do Regulamento Aduaneiro vigente à época da ocorrência dos fatos; ü A falta de razoabilidade e proporcionalidade da multa aplicada. DO PEDIDO Em face ao exposto, requer a Impugnante que a presente Impugnação seja julgada procedente, de modo a anular a multa imposta, (i) seja em razão de não caracterizada a infração, por ausência de dolo e de dano ao Erário,' (ii) seja pelo enquadramento na hipótese de relevação da multa, nos termos do artigo 654, do Regulamento Aduaneiro,' bem como (iii) por força da ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade que devem nortear todos os atos administrativos. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 3 3 Caso caracterizada hipótese de relevação da multa, requer seja o presente processo encaminhado ao Secretário da Receita Federal do Brasil para exame do pedido de relevação da multa, tendo em vista a delegação de competência prevista na Portaria MF n° 214/1979 (Parecer COSIT n° 39/2000). Em prol do princípio da eventualidade, na hipótese de mantida a infração em face da Impugnante, requerse que a penalidade imposta seja reduzida a uma multa singular por força da aplicação ao presente caso da teoria da continuidade delitiva, a qual impõe a imputação de somente uma multa para as infrações de mesma natureza apuradas em um procedimento único, nos termos dos Recursos Especiais n°s 1.066.088, 948.728, 616.412 e 178.066. Em 13 de maio de 2011, através do Acórdão n° 0724.401, a 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (SC), por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: ü Antes do exame do mérito do litígio, é de esclarecer, quanto à alegada inconstitucionalidade da legislação que deu ensejo à presente ação fiscal, que sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil órgãos da estrutura do Poder Executivo, não competem aos seus julgadores apreciar a conformidade de lei e/ou norma infralegal (complementar) regularmente editada, consoante o processo legislativo constitucionalmente previsto, a fim de declararlhe sua nulidade e/ou inaplicabilidade, haja vista tratarse de matéria reservada ao Poder Judiciário. Diferentemente do aduzido, à instância de julgamento administrativo fiscal compete o controle da legalidade do lançamento, em quanto ato administrativo, a fim de efetuar o exame relativo à adequação dos procedimentos fiscais com a legislação em vigor, cuidando, por conseguinte, pelo seu cumprimento. É como se têm direcionado tanto a doutrina quanto as jurisprudências judicial e administrativa, ao destacarem a incompetência das instâncias administrativas de julgamento para a apreciar questionamentos que versem sobre inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação fiscal tributária; ü Ao se analisar a definição legal contida nos textos sub examine, constata se que a informação exigida tem o efeito (finalidade) de determinar o controle aduaneiro apropriado que está previamente programado no sistema como reflexo de normas positivas que devem ser observadas em relação não à mercadoria desembaraçada, mas a operação de transporte, notadamente de embarque de mercadoria para o exterior, cuja atividade é de responsabilidade do transportador e demais intervenientes, portanto, tido como o indispensável para o fim proposto; ü Portanto, diferentemente do que entende a autuada, o caso sobre apreço é de aplicação direta e objetiva da norma, logo, consumada a infração resta aplicável a penalidade prevista em lei pelo descumprimento de obrigação acessória, não sendo facultado ao fisco Fl. 397DF CARF MF 4 fazer uso da discricionariedade para o fim de dosar sua aplicação (art. 142 do CTN); ü Ademais, quanto à alegada ausência de prejuízo ao Erário por conta do admitido registro intempestivo dos dados de embarque, é suficiente salientar que, em se tratando de direito tributário, a responsabilidade do infrator não tem a mesma natureza da responsabilidade penal e/ou cível, não cabendo falar, portanto, em modalidade culposa ou dolosa, uma vez que ila responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato'1' (art. 94, § 2°, do DL 37/1966 e art. 136 do CTN); ü Nestes termos, o comando constante do art. 37 da IN/SRF 28/94 tem por objetivo criar obrigação acessória a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. Portanto, diferentemente do entendimento da impugnante quanto à inaplicabilidade ao caso vertente da multa exigida, o art. 37 da IN/SRF 28/94 e suas alterações posteriores, tem por escopo completar a “norma penal em branco”, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita; ü A IN/SRF 510/05, vigente à época da lavratura do auto de infração, ao dar nova redação ao retro citado artigo, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Igualmente, a IN/SRF 1.096/10, que passou a viger a partir de 14.12.2010, definiu como prazo para registro dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no Siscomex, 7 (sete) dias, independentemente da modalidade de transporte efetuada; ü É de observar também que o artigo 37, com a redação dada pelas retro mencionadas instruções normativas (510/05 e 1.096/10), é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. Portanto, o aumento do prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, primeiramente excluiu de sanções os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de dois dias, na hipótese de embarque aéreo, bem como os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, e posteriormente estendeu a exclusão de sanções para quaisquer registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, uma vez que não mais especificou o prazo em função da modalidade de embarque utilizada pelo transportador internacional; ü Quanto à alegada boafé, cabe assinalar que a presente penalidade tem por escopo sancionar o atraso na prestação das informações sob apreço, na medida em que visa disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória pelos transportadores e/ou seus representantes, que deveríam, portanto, cumprila até a data fixada para a inclusão dos dados de embarque da mercadoria exportada no sistema Siscomex. Por conseguinte, a respectiva multa é aplicada tão somente em razão do descumprimento dessa obrigação acessória, não se Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 4 5 cogitando quaisquer outras razões de natureza subjetiva, uma vez que se trata de infração objetiva, onde independe a intenção do agente ou a efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante dispõe o art. 94 do DL 37/66 (art. 602 do Decreto 4.543/2002); ü Quanto à pretensão de se aplicar a penalidade somente uma única vez, por conta de que o registro tardio não causou prejuízo ao fisco, é bem de ver que a impugnante não está sendo penalizada em razão da quantidade de dados de embarque que deixou de informar relativamente ao carregamento efetuado num vôo, mas por cada embarque, cujos dados foram informados intempestivamente, ou seja, apenas uma única multa de cinco mil reais, não havendo, portanto, sequer falar na prática da infração administrativa continuada, mas tão somente da sua reiteração na conduta infracional; ü Por conseguinte, é bem de ver que, uma vez materializada a hipótese de incidência prevista na norma penal, é defeso à autoridade aduaneira, à luz dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, inclusive aventado pela impugnante, mitigar a aplicação da penalidade imposta pela legislação, eis que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza; ü Por derradeiro, quanto à pretensa relevação de penalidade, apesar de consistir em poder discricionário da Administração, este somente poderá ser exercido dentro dos limites e condições estabelecidos em lei, e pela autoridade, para tanto, competente; ü Feitas essas considerações, é de se ver que para os embarques no Vôo AA/0904, ocorridos em 04.05.2007, 06.05.2007, 08.05.2007, 11.05.2007, 12.05.2007, 13.05.2007, 18.05.2007, 21.05.2007, 24.05.2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 28.05.2007, 29.05.2007, 30.05.2007 e 31.05.2007, o novo prazo de sete dias, estatuído pela IN/SRF 96/10, para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 05.05.2007, 07.05.2007, 09.05.2007, 12.05.2007, 13.05.2007, 14.05.2007, 19.05.2007, 22.05.2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 27.05.2007, 29.05.2007, 30.05.2007, 31.05.2007 e 01.06.2007, e venceu em 11.05.2007, 13.05.2007, 15.05.2007, 18.05.2007, 19.05.2007, 20.05.2007, 25.05.2007, 28.05.2007, 31.05.2007, 01.06.2007, 02.06.2007, 04.06.2007, 05.06.2007, 06.06.2007 e 07.06.2007. Portanto, são intempestivos os registros (averbações) efetuados pela transportadora apenas em 31.05.2007, 03.07.2007, 03.06.2007,29.05.2007 e 08.06.2007; ü Por fim, com relação aos embarques no Vôo AA/0950, ocorridos em 11.05.2007, 18.05.2007, 24.05.2007, 25.05.2007, 28.05.2007 e 29.05.2007, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 12.05.2007, Fl. 399DF CARF MF 6 19.05.2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 29.05.2007 e 30.05.2007, e venceu em 18.05.2007, 25.05.2007, 31.05.2007, 01.06.2007, 04.06.2007 e 05.06.2007. Portanto, são tempestivos os registros efetuados pela transportadora; ü Em face do exposto e no que diz respeito à matéria litigiosa, voto por rejeitar as preliminares argüidas e por julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o lançamento no valor de R$ 25.000,00, tendo em vista o princípio fundamental que determina que seja aplicada retroativamente a norma tributária penal mais favorável ao acusado. A empresa AMERICAN AIRLINES INC foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 09/01/2014, via aviso de recebimento, às folhas 146 do processo digital. Em 05/02/2014 (folhas 191), a empresa AMERICAN AIRLINES INC ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões, de folhas 147 a 185. Foi alegado que: ü O Auto de Infração é nulo por não comprovar as supostas infrações ocorridas pela ora Recorrente; ü A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; ü A possibilidade de aplicação do artigo 654 do Decreto Federal n° 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos), correspondente ao artigo 736 do Decreto n° 6.759/2009 (atual Regulamento Aduaneiro), quanto à relevação da multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; ü A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; ü Aplicase ao presente a teoria da continuidade delitiva. Em 27 de janeiro de 2015, através do Acórdão n° 3801004.794, a 1a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao Recurso Voluntário. Entendeu a Turma que: Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei n° 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de n° 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontra Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 5 7 se estabelecida no art. 37 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, in verbis: (...) Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: (...) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2° do artigo 102 do DecretoLei n° 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. (...) Fl. 401DF CARF MF 8 A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. (...) Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Regularmente intimada do Acórdão n° 3801004.794, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de folhas 221 a 227: Em síntese, alegouse que: ü O r. acórdão desafiado sustenta que o art. 102, § 2°, do DecretoLei n° 37 de 1966, com redação dada pela Lei n° 12.350 de 2010, passou a prever a possibilidade de exclusão de multa administrativa decorrente de descumprimento de obrigação aduaneira pelo instituto da denúncia espontânea; ü Em sentido contrário, decidiu o acórdão paradigma nº 3802000.570, da 2ª Turma Especial, na Sessão de 5 de julho de 2011. ü O precedente supra firmou o entendimento de que o art. 102, § 2°, do DecretoLei n° 37 de 1966, com redação dada pela Lei n° 12.350 de 2010, não se aplica à hipótese de não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei n° 37/66. ü A infração prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei n° 37/1966 é objetiva pelo simples decurso do prazo para apresentação do registro de embarque. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará caracterizada; ü Junta textos da doutrina e da jurisprudência do CARF nesse sentido. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 6 9 Regularmente intimada, a empresa AMERICAN AIRLINES INC apresentou suas Contra Razões, de folhas 241 a 259. Em resumo, foi alegado: ü Da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma; ü Da aplicação do instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias; ü Da existência de norma autorizadora; ü Da impossibilidade de se afastar a aplicação de previsão legal. Em 26 de abril de 2016, através do Acórdão n° 9303003.584, a 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Entendeu a Turma que: ü As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicou se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente se ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito;; ü O Acórdão recorrido e o paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2°, do Decreto Lei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras; ü No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado; ü Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a Fl. 403DF CARF MF 10 sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea; ü Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de n° 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CódigoTributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração; ü Todavia, com a edição da Lei n° 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei n° 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Regularmente intimada, a empresa AMERICAN AIRLINES INC apresentou Embargos de Declaração em relação ao Acórdão n° 9303003.584, de 26 de abril de 2016, de folhas 285 a 296. Requereu a Embargante que fossem corridas a contradição e omissão existentes no acórdão embargado, de forma que a aplicação da denúncia espontânea às obrigações aduaneiras acessórias sejam analisadas exclusivamente sob a legislação aplicável ao direito aduaneiro, considerandose a literalidade da previsão constante do §2º do artigo 102 do Decretolei nº 37/66, com a redação promovida pela Lei nº 12.350/2010; bem como para que seja considerada a extensão dos efeitos da referida alteração, conforme consta expressamente dos termos de sua exposição de motivos já transcrita, sob pena de se estar afastando indevidamente a aplicação de norma válida e legítima, o que está além da competência dos Tribunais Administrativos. Em 31 de agosto de 2017, através do Acórdão n° 3302004.716, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Entendeu a Turma que: ü Sobre a denúncia espontânea, a turma de julgamento concluiu que a multa imposta deve ser cancelada, em estrita obediência ao artigo 138 do CTN, uma vez que a contribuinte informou à administração tributária as infrações por ela praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório; ü Sobre a nulidade do auto de infração, tal argumento não foi reconhecido por aquele Colegiado, já que "a fiscalização apresentou planilha contendo o número das declarações, a data do embarque e a data em que foi enviada a declaração e a que vôo pretendia" o que não resulta na nulidade argüida pelo contribuinte; Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 7 11 ü Sobre a ausência de dano ao Erário, foi afastada a argumentação sobre inexistência de dano aos cofres públicos porque prevaleceu o entendimento que houve embaraço à fiscalização. Regularmente intimada do Acórdão n° 3302004.716, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ingressou com novo Recurso Especial de folhas 376 a 381. Em síntese, alegouse que: ü De acordo com o art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais; ü Com a devida vênia, notase que o r. acórdão recorrido não empreendeu a melhor análise da legislação pertinente, tendo, no ponto, contrariado também a jurisprudência desse Eg. Conselho. Doravante se passará a demonstrar que a r. decisão merece ser reformada por esta Col. CSRF; ü Na hipótese dos autos, o v. acórdão recorrido afastou a aplicação da multa para os casos em que embora não tenha sido observado o prazo de 2 dias fixado na IN SRF n° 510/2005, vigente à época da infração, o contribuinte cumpriu a obrigação no prazo de 7 dias, previsto na IN/RFB n° 1.096/2010; ü A Turma entendeu que se aplica o prazo maior de sete dias à espécie, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, do CTN; ü Em sentido contrário, decidiu a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção de Julgamento do CARF no seguinte Acórdão Paradigma n° 3202000.544 2a Câmara / 2a Turma Ordinária, Sessão de 21 de agosto de 2012; ü O paradigma, ao analisar a mesma infração dos autos, afastou a aplicação retroativa da IN/RFB n° 1.096/10, ao entendimento de que a ampliação de prazo não se enquadra na hipótese de retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, do CTN; ü Portanto, evidenciada está a divergência jurisprudencial. Enquanto o acórdão recorrido aplica a IN/RFB n° 1.096/10 a fatos pretéritos, com fundamento em retroatividade benigna, o paradigma afasta a aplicação retroativa da aludida IN; ü Desse modo, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontram se presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, consoante o disposto no art. 67, Anexo II, do RICARF; ü A IN/RFB n° 1.096/10 não deixou de definir a conduta como infração, uma vez que a tipificação continua a mesma, ou seja, deixar de prestar informações sobre o embarque da mercadoria transportada Fl. 405DF CARF MF 12 dentro do prazo estabelecido pela Receita Federal. Somente se alterou o prazo estipulado para o cumprimento da obrigação; ü A penalidade aplicada também permaneceu a mesma, de modo que não verifica a hipótese de retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN; ü Nobres Conselheiros, “retroativadade benigna” no direito tributário referese às sanções e o CTN deixa isso muito claro. Não é qualquer tratamento benéfico da legislação que retroage, não é essa a inteligência do sistema tributário; ü Ora, se assim concluirmos, iremos eliminar completamente a função extrafiscal do Imposto de Importação, por exemplo. Sim, pois se qualquer tratamento fiscal que for mais benéfico retroagir, então uma redução da alíquota do II (para fomentar investimentos, por exemplo) teria que ser aplicada retroativamente às importações anteriores à diminuição da tarifa. Tal conclusão afronta o sistema e a função extrafiscal do tributo (se houvesse algum motivo extrafiscal para retroatividade da alíquota, então deveria haver disposição expressa ordenando a retroação); ü Vale ressaltar, ainda que o art. 106, do CTN é DIREITO EXCEPCIONAL. E, como se sabe, é regra elementar de hermenêutica que as exceções sejam interpretadas RESTRITIVAMENTE. Não há como estender a retroatividade benigna a assuntos alheios às sanções tributárias; ü Portanto, como não houve expressa disposição de lei, nem lei expressamente interpretativa, nem regulação de penalidades, então não há retroatividade. Houve tão somente alteração de prazo para o cumprimento de obrigação acessória, cuja inobservância continua sendo punida com a mesma pena; ü Desse modo, fica evidenciada a necessidade de reforma do acórdão recorrido, devendo ser mantido o lançamento integral da multa imposta. Em 17 de outubro de 2017, em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, a 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF entendeu que foram atendidos os pressupostos formais de admissibilidade e em cumprimento ao disposto no art. 18, inc. III, do Anexo II do RICARF, deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Determinou o encaminhamento do presente processo à ALFGIGRJ, para cientificar o sujeito passivo do Acórdão nº 3302004.716, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls 376 a 381) e do presente despacho, assegurando o prazo de quinze dias para o oferecimento de contrarrazões, conforme o disposto no art. 69, do Anexo II, do RI CARF. O SECAT / GCPAR – Grupo de Controle, Previsão e Acompanhamento da Arrecadação da Alfândega no Aeroporto Internacional do RJ/ Galeão – Antônio Carlos Jobim levantou, segundo suas palavras, a seguinte inexatidão: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 8 13 ü Em 31 de agosto de 2017, a Terceira Seção de Julgamento da 3a Câmara/2a Turma Ordinária do CARF, proferiu o acórdão n° 3302 004.716 de fls.367 a 373, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para que, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN/SRF n° 1.096/2010) fossem canceladas; ü Considerando que a 2a turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS) já havia se manifestado no sentido de aplicar ao fato a retroatividade da lei tributária, para beneficiar o sujeito passivo, e cancelar as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do novo prazo estabelecido pela IN/SRF n° 1.096/2010, observamos que houve um lapso no acórdão proferido pelo CARF. Em 16 de março de 2018, a 3a Seção de Julgamento do CARF, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos, admitiu os embargos interpostos pela Unidade Preparadora. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 16 de março de 2018, Despacho de Admissibilidade de Embargos, proferido pela 3a Seção de Julgamento do CARF, admitiu os embargos interpostos pela Unidade Preparadora. A embargante sustenta que o acórdão incorreu em lapso manifesto, o que enseja a aplicação do permissivo contido no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 e alterações. 2. DO OBJETO O SECAT / GCPAR – Grupo de Controle, Previsão e Acompanhamento da Arrecadação da Alfândega no Aeroporto Internacional do RJ/ Galeão – Antônio Carlos Jobim levantou, segundo suas palavras, a seguinte inexatidão: ü Em 31 de agosto de 2017, a Terceira Seção de Julgamento da 3a Câmara/2a Turma Ordinária do CARF, proferiu o acórdão n° 3302 004.716 de fls.367 a 373, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para que, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN/SRF n° 1.096/2010) fossem canceladas; Fl. 407DF CARF MF 14 ü Considerando que a 2a turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS) já havia se manifestado no sentido de aplicar ao fato a retroatividade da lei tributária, para beneficiar o sujeito passivo, e cancelar as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do novo prazo estabelecido pela IN/SRF n° 1.096/2010, observamos que houve um lapso no acórdão proferido pelo CARF. 3. DO DEFERIMENTO Tomase como ponto de partida para a presente análise a parte final da fundamentação e o dispositivo do Acórdão de Impugnação: Feitas essas considerações, é de se ver que para os embarques no Vôo AA/0904, ocorridos em 04.05.2007, 06.05.2007, 08.05.2007, 11.05.2007, 12.05.2007, 13.05.2007, 18.05.2007, 21.05.2007, 24.05.2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 28.05.2007, 29.05.2007, 30.05.2007 e 31.05.2007, o novo prazo de sete dias, estatuído pela IN/SRF 096/10, para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 05.05.2007, 07.05.2007, 09.05.2007,12.05.2007,13.05.2007,14.05.2007,19.05.2007,22.05. 2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 27.05.2007, 29.05.2007, 30.05.2007, 31.05.2007 e 01.06.2007, e venceu em 11.05.2007, 13.05.2007, 15.05.2007, 18.05.2007, 19.05.2007, 20.05.2007, 25.05.2007, 28.05.2007, 31.05.2007, 01.06.2007, 02.06.2007, 04.06.2007, 05.06.2007, 06.06.2007 e 07.06.2007. Portanto, são intempestivos os registros (averbações) efetuados pela transportadora apenas em 31.05.2007, 03.07.2007, 03.06.2007,29.05.2007 e 08.06.2007. Por fim, com relação aos embarques no Vôo AA/0950, ocorridos em 05.2007, 18.05.2007, 24.05.2007, 25.05.2007, 28.05.2007 e 29.05.2007, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 12.05.2007, 19.05.2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 29.05.2007 e 30.05.2007, e venceu em 18.05.2007, 25.05.2007, 31.05.2007, 01.06.2007, 04.06.2007 e 05.06.2007. Portanto, são tempestivos os registros efetuados pela transportadora. Em face do exposto e no que diz respeito à matéria litigiosa, voto por rejeitar as preliminares argüidas e por julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o lançamento no valor de R$ 25.000,00, tendo em vista o princípio fundamental que determina que seja aplicada retroativamente a norma tributária penal mais favorável ao acusado. (Grifo e negrito nossos) Da mesma forma se transcreve o dispositivo do Acórdão de Recurso Voluntário: Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n. 1.096/2010) sejam canceladas. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 9 15 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. De fato existe uma contradição. Ao dar provimento integral ao recurso voluntário, o Acórdão de Recurso Voluntário desconsidera o profícuo exame feito pelo Acórdão de Impugnação que identificou 5 (cinco) ocasiões em que são intempestivos os registros (averbações) efetuados pela transportadora apenas em 31.05.2007, 03.07.2007, 03.06.2007, 29.05.2007 e 08.06.2007, o que implica na manutenção parcial do lançamento no valor de R$ 25.000,00. Com base nas razões acima expostas, acolho os embargos de declaração interpostos pela unidade preparadora, com efeitos infringentes, para negar provimento ao Recurso Voluntário e manter parcialmente o lançamento no valor de R$ 25.000,00. Jorge Lima Abud. Fl. 409DF CARF MF
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Numero do processo: 15165.003462/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 17/01/2005 a 04/03/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada Operação Dilúvio (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal.
Numero da decisão: 3401-005.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos apresentados.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1502; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 178 1 177 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15165.003462/200839 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.361 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria AIADUANA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA Recorrente MERCOTEX DO BRASIL LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 17/01/2005 a 04/03/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio” (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 34 62 /2 00 8- 39 Fl. 11181DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre os Autos de Infração de fls. 4 a 721, para exigência de imposto de importação (no valor original de R$ 161.188,72), acrescido de juros de multa de ofício majorada (150% da diferença de tributo), e de multa pela diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado (100% da diferença de valor, totalizando R$ 3.067.519,54), em função de detecção de subfaturamento, em sete declarações de importação registradas em 2005 (DI no 05/00555464 – adições 001 a 005; DI no 05/00646915 adições 001, 005, 009, 013, 014, 016 e 017; DI no 05/00897721 adições 005 a 010 e 013, 017 e 018; DI no 05/01134730 – adições 001, 002, 004 a 007, e 010 a 012; DI no 05/01459647 adições 001 e 003; DI no 05/01528819 – adições 001 a 004; e DI no 05/01758270 adições 002, 004 e 006); de imposto sobre produtos industrializados incidente nas mesmas importações (no valor original de R$ 480.534,29), acrescido de juros de multa de ofício majorada (150%), também em função de subfaturamento, de multa por entrega a consumo de produto de procedência estrangeira importado fraudulentamente (no valor de R$ 4.853.392,97); e de Contribuição para o PIS/PASEPimportação (no valor original de R$ 72.219,52) e de COFINSimportação (no valor original de R$ 332.441,24), ambas acrescidas de juros de mora e de multa de ofício majorada (150%), para as mesmas importações, e sob o mesmo fundamento de subfaturamento, detalhado no Relatório de Fiscalização anexo. No Relatório de Fiscalização (fls. 73 a 236, com anexos às fls. 237 a 3411), narrase que: (a) o documento decorre de ações fiscais desenvolvidas em face da “OPERAÇÃO DILÚVIO”, que teve por objeto identificar a atuação fraudulenta de um grupo de empresas, capitaneadas por Marco Antônio Mansur (MAM), na área de comércio exterior, mais especificamente, no caso do presente processo, o “GRUPO NETWORK 1”, gerido e financiado por MARCELO ADORNO e WILLIAM HADDAD UZUM (doravante WILLIAM) que construiu um esquema próprio de importação e distribuição subfaturada de bens, envolvendo diversas pessoas físicas e jurídicas; (b) o relatório em relação ao “GRUPO NETWORK 1” é parte dos autos de infração levados a cabo nos processos administrativos no 15165.003462/200839 (MERCOTEX DO BRASIL LTDA, o presente processo); no 15165.003460/200840 (OPUS TRADING AMERICA DO SUL LTDA); no 15165.003455/200837 (MUCHMORE COMERCIAL LTDA); no 15165.003458/200871 (IACEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA); no 15165.003461/200894 (COTIA TRADING S.A.); e no 15165.003459/200815 (PROXIM IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA); (c) o relatório em relação ao “GRUPO NETWORK 1” tem por substrato documentação extraída de originais apreendidos pela Polícia Federal quando da deflagração da “OPERAÇÃO DILÚVIO”, tendo o Poder Judiciário, no processo no 2006.70.00.0224356, autorizado a utilização das provas produzidas no âmbito criminal em processos administrativos, tendo a fiscalização acrescentado a tais documentos as cópias de todas as declarações de importação analisadas nos autos, os dossiês relativos a pessoas físicas e jurídicas constantes do banco de dados da RFB e cópias das declarações de ajuste anual do IRPF de MARCELO ADORNO e WILLIAM; 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 11182DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 179 3 (d) o “GRUPO NETWORK 1” tem operação vertical, que representada na figura à fl. 100 (com organograma real detalhado à fl. 119), efetua compras no mercado americano por meio da empresa NEILS, sendo os bens adquiridos, em seguida armazenados em Miami por NATIONS, que prevê a exportação utilizando CAPITOL FREIGHT como o transportador, sendo os produtos, posteriormente, importados no Brasil por EBIS EMPRESA BRASILEIRA DE COM., INTEG. E SERV. DE TECNOLOGIA LTDA (doravante EBIS), INTERSMART, NETM, NETWORK e QoS, e vendidos no mercado brasileiro sob as marcas: Network I, M13 e QoS (os produtos e serviços exportados para outros países da América latina são vendidos pela empresa panamenha M13 International); (e) todos os bens estrangeiros analisados, importados pela MERCOTEX DO BRASIL LTDA (doravante MERCOTEX), OPUS, PROXIM, TUM1ZA, IACEX, COTIA e MUCHMORE deram entrada em empresas do “GRUPO NETWORK 1”, reais adquirentes desses produtos; (f) em todos os processos foram arrolados como responsáveis solidários (artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN) MARCELO ADORNO e WILLIAM, gestores e financiadores do esquema, e, nas importações realizadas em nome da MERCOTEX e da OPUS, também MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO (doravante MARCO, como é designado no relatório fiscal), sendo as empresas do “GRUPO NETWORK 1” que se encontram baixadas ou como suspensas, responsabilizadas, por sucessão, nas pessoas dos sócios (artigo 129 do CTN); (g) a empresa EBIS foi relacionada como responsável solidária em todas as importações em que os bens tenham se destinado ou transitado (triangulado) pelas empresas NETM, M13 ou NETWORK, na qualidade de sucessora destas; (h) são pessoalmente responsáveis os diretores, gestores ou representantes das empresas, pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração da Lei (artigo 135, III do CTN), pelo que, em todos os processos MARCELO RALO, administrador do “GRUPO NETWORK 1”, foi arrolado como responsável, sendo que, nas importações via “Grupo MAM”, realizadas pelas empresas MERCOTEX e OPUS, adicionalmente, figuraram nessa condição MARCIO BUENO MARIKOSHI (doravante MÁRCIO) e FERNANDO MARQUES DA COSTA (doravante FERNANDO); (i) no curso das investigações que culminaram com a deflagração da “OPERAÇÃO DILÚVIO” foram identificadas onze declarações de importação subfaturadas, destinadas à M13 (EBIS), sendo seis registradas em nome da MERCOTEX e cinco pela OPUS, importadoras controladas pelo “Grupo MAM”; (j) no que diz respeito ao dolo, alega a fiscalização que ao longo de todo o relatório foram apresentadas provas incontestáveis da pratica de fraudes, simulações e conluios por parte dos agentes envolvidos no cometimento das irregularidades, o que autoriza a aplicação da multa de 150% sobre todos os impostos e contribuições não recolhidos; (k) o subfaturamento é documentado às fls. 139 a 152, nas quais se detalha o modus operandi empregado pelo “GRUPO NETWORK 1”, que reduziu, fraudulentamente, na quase totalidade das importações, a base de cálculo em percentuais que variaram entre 30% (via INTERSMART) 85% (agenciadas por FERNANDO, junto a importadoras de fachada do Grupo “MAM” ou inaptas, quando as exportações eram feitas via ALL NETWORK), sendo possível apurar o valor FOB real de compra (adotado como valor de transação, não havendo Fl. 11183DF CARF MF 4 necessidade de arbitramento de preço, a não ser nas situações excepcionais relacionadas à fl. 152); (l) as declarações de importação e os correspondentes documentos instrutivos dos despachos, produzidos com o intuito de burlar os controles exercidos pelo Estado, são ideologicamente falsos, sendo as notas fiscais relativas às vendas no mercado interno inidôneas para fazer prova em favor dos importadores e adquirentes, considerando que foram fraudulentamente emitidas para "esquentar" o valor das mercadorias e ocultar os reais adquirentes, constituindo a entrega a consumo dos bens irregularmente importados em prática predatória que fere a livre concorrência e o mercado doméstico, apenada com multa equivalente ao valor comercial dos bens (em não sendo possível apurar tal valor foi adotado o valor aduaneiro dos bens, consignado nas ordens de compra, acrescido dos impostos e contribuições incidentes sobre as operações de importação); (m) no “GRUPO MAM”, MARCO coordena as operações de importação realizadas nos portos e aeroportos do estado do Paraná e Santa Catarina, sendo o elo entre clientes, MARCO ANTONIO MANSUR seu pai, as importadoras e o pessoal administrativo e operacional destas empresas importadoras (MERCOTEX, em Maringá/PR; OPUS, também em Maringá/PR, gerenciada por MÁRCIO, que conduzia ainda negócios da MERCOTEX; e MERCOTEC, em Itajaí/SC), e, cf. email de fls. 163/167, em conjunto com FERNANDO, efetivamente promoviam subfaturamento de mercadorias na importação; (n) a MERCOTEX registrou declarações de importação subfaturadas tendo como destino o “GRUPO NETWORK 1”, mais precisamente a EBIS, como reconheceu MARCELO RALO, tendo participação importante ainda SILVIO PARADISO (doravante SILVIO), sóciogerente da MERCOTEX e procurador da ARMORI S.A. (quotista uruguaia com 99% da MERCOTEX); e (o) as tabelas e planilhas com valores consolidados, obtido o efetivo valor de transação, nas operações da MERCOTEX subfaturadas, constam às fls. 168 a 173. A empresa MERCOTEX foi cientificada da autuação em 04/12/2008 (AR à fl. 3430), e apresentou impugnação em 05/01/2009 (fls. 4284 a 4314), argumentando, em síntese, que: (a) há nulidade da autuação, pois a empresa não foi previamente cientificada do procedimento fiscal por Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); (b) há nulidade da autuação, pois a empresa não foi intimada a se manifestar sobre o procedimento de valoração efetuado pelo fisco; (c) a empresa atuou como importador por conta e ordem, de boafé, meramente prestando serviços (não tendo domínio sobre o ajuste de preços, e, portanto, não podendo subfaturar); (d) a empresa não tem conhecimento das documentações carreadas pelo fisco, não tendo participado de nenhuma prática relativa a subfaturamento; (e) a empresa responde solidariamente, no máximo, pelo pagamento de imposto, devendo recair as multas somente sobre as pessoas a respeito das quais paire a efetiva prática do ilícito, sendo pessoal e intransferível, conforme artigo 137 do CTN, sendo as condutas apuradas pelo fisco expressa e notoriamente dolosas (subfaturamento, falsificação de documentos e ocultação do real adquirente), não restando, no entanto, comprovado dolo da Fl. 11184DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 180 5 empresa, nem que esta concorreu para a prática da infração (que permitiria a responsabilização com base no artigo 95 do DecretoLei no 37/1966); (f) não foram observados os procedimentos de valoração aduaneira estabelecidos no GATT, havendo generalização nas conclusões sobre subfaturamento às DI objeto da autuação, com erros materiais; (g) foi emitida licença de importação (LI) para o preço declarado, pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC); (h) não configurado o dolo, deve ser afastada a majoração da multa de ofício (150%); e (i) houve bis in idem, ao se punir a declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto) e a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado ou arbitrado, devendo, em caso de eventual subfaturamento, ser aplicada, pela tipicidade, apenas a multa prevista no artigo 88,parágrafo único, da Medida Provisória no 2.15835/2001. Os responsáveis solidários foram cientificados e apresentaram impugnações conforme tabela a seguir (os argumentos de defesa que se repetem serão substituídos pelas letras a eles correspondentes, neste relatório): Responsável solidário Ciência da autuação (data/fls.) Impugnação (fls. / razões de defesa) EBIS (EMPRESA BRASILEIRA DE COM., INTEG. E SERV. DE TECNOLOGIA LTDA) 04/12/2008 (AR à fl. 3434) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3797 a 3840), alegando, em síntese: argumentos “a”; “d”; “f”; “h”; (j) há ilegitimidade passiva, por não haver vínculo do sujeito com a prática das infrações imputadas, nem com o fato gerador dos tributos exigidos; (k) aplicase ao caso o artigo 112 do CTN; e (l) a Taxa SELIC é inaplicável a título de juros de mora. WILLIAM HADDAD UZUM 04/12/2008 (AR à fl. 3431) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3440 a 3487), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “h”; “j”; “k” e “l”. MARCELO ADORNO 04/12/2008 (AR à fl. 3435) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3676 a 3717), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “h”; “j”; “k” e “l”. MARCELO RALO 04/12/2008 (AR à fl. 3432) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3565 a 3602), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “h”; “j”; “k” e “l”. FERNANDO MARQUES DA COSTA 04/12/2008 (AR à fl. 3433) Impugnação apresentada em 30/12/2008 (fls. 4330 a 4344), alegando, em síntese: argumentos “f” e “j”, com destaque para a existência de erros de cálculo na autuação. MARCIO BUENO MARIKOSHI 05/12/2008 (AR à fl. 3436) Solicitou inicialmente prorrogação do prazo para apresentar impugnação, em 29/12/2008 (fl. 3438), mas não apresentou qualquer Fl. 11185DF CARF MF 6 documento adicional (REVELIA). SILVIO PARADISO 04/12/2008 (AR à fl. 4544) Não apresentada (REVELIA). MARCO ANTONIO MANSUR FILHO 29/12/2008 (tentativa via AR à fl. 3421, e Edital às fls. 3420/4280/4542) Não apresentada (REVELIA). Em 30/10/2009, ocorreu o julgamento de primeira instância (fls. 4548 a 4604), no qual a DRJ decidiu, unanimemente, pela improcedência das impugnações apresentadas, sob os seguintes fundamentos: (a) os casos de nulidade processual são apenas os previstos no artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, e a não participação na fase inquisitorial não prejudica o contraditório e a ampla defesa; (b) o MPF é documento interno, não havendo nulidade por eventuais falhas na sua emissão ou tramitação, e a revisão aduaneira não demanda MPF; (c) os administradores que tenham pleno domínio dos atos imputados como fraudulentos e praticam atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatuto, são responsáveis pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias não adimplidas, ainda que não figurem nos documentos constitutivos das sociedades empresariais; (d) caracteriza evidente intuito de fraude o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas instruído com faturadas comerciais inidôneas; (e) a valoração aduaneira é regida pelas regras do GATT, mas em caso de fraude, os procedimentos de valoração são regulados por regras específicas; (f) evidenciado o subfaturamento, são exigíveis os tributos devidos, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, bem assim da multa decorrente da declaração inexata do valor das mercadorias, calculada pela diferença entre o valor real e o declarado destas; (g) as multas administrativas e fiscais não possuem natureza confiscatória; e (h) a exigência de juros à Taxa SELIC é prevista expressamente nas normas que regulam a matéria. Nas tentativas de cientificar a empresa MERCOTEX a respeito da decisão de piso, o AR voltou com a mensagem “mudouse” (fl. 4738) e a empresa não foi localizada por três vezes (fls. 4752/4894), de modo que a ciência se deu por edital (fl. 4753/4987), afixado em 04/01/2010, não havendo registro de interposição de recurso voluntário. Os responsáveis solidários (mesmo os revéis) foram cientificados da decisão da DRJ e apresentaram recursos voluntários conforme tabela a seguir (os argumentos de defesa que se repetem serão substituídos pelas letras a eles correspondentes, neste relatório): Responsável solidário Ciência da decisão da DRJ (data/fls.) Recurso Voluntário (fls. / razões de defesa) EBIS (EMPRESA BRASILEIRA DE COM., INTEG. E SERV. DE TECNOLOGIA LTDA) 03/12/2009 (AR à fl. 4622) Recurso Voluntário apresentado em 17/12/2009 (fls. 4755 a 4786), alegando, em síntese: argumentos “f”; “j”; (m) a decisão da DRJ é nula por omissão na apreciação de prova produzida; e (n) as multas são confiscatórias, desproporcionais e irrazoáveis, cabendo, no caso de diferença apurada no preço, somente a penalidade prevista no artigo 108, parágrafo único, do DecretoLei no 37/1966, havendo vedação de cumulatividade. WILLIAM HADDAD UZUM 03/12/2009 (AR à fl. 4628) Recurso Voluntário apresentado em 14/12/2009 (fls. 4638 a 4669), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “j”; “k”; e (o) Fl. 11186DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 181 7 pelos artigos 50 e 53 do DecretoLei no 37/1966, o fisco tem 5 dias para registrar as irregularidades, após o desembaraço; (p) a decisão da DRJ é nula porque deixou de observar o “princípio da fundamentação” previsto no artigo 31 do Decreto no 70.235/1972, além da “legalidade objetiva”, da “vinculação” e da “isonomia”; (q) a autuação é pautada em documento alheio ao processo fiscal (referentes a processo criminal em andamento); e (r) as multas aduaneiras não são cumuláveis com a prevista na legislação do IPI. MARCELO ADORNO 03/12/2009 (AR à fl. 4626) Recurso Voluntário apresentado em 14/12/2009 (fls. 4692 a 4730), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “j”; “k”; “o”; “p”; “q” e “r”. MARCELO RALO 03/12/2009 (AR à fl. 4630) Recurso Voluntário apresentado em 14/12/2009 (fls. 4674 a 4691, e 4921 a 4938), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “j” e “k”. FERNANDO MARQUES DA COSTA 03/12/2009 (AR à fl. 4632) Recurso Voluntário postado em 31/12/2009 (fls. 4862 a 4883, e 4892), alegando, em síntese: argumentos “f” e “j”, com destaque para a existência de erros de cálculo na autuação. MARCIO BUENO MARIKOSHI Ausente nas três tentativas de entrega (fl. 4742). Ciência por edital (fl. 4753) afixado em 04/01/2010. Não houve instauração de contencioso em relação a tal sujeito passivo, REVEL na fase de impugnação. SILVIO PARADISO 03/12/2009 (AR à fl. 4634) Não houve instauração de contencioso em relação a tal sujeito passivo, REVEL na fase de impugnação. No entanto, foi apresentada a peça de fls. 4898 a 4912, intitulada de “recurso voluntário”, em 04/01/2010. Em tal peça, a pessoa física alega, em síntese: argumentos “a”; “b”; “f”; “h”; “i” e “j”. MARCO ANTONIO MANSUR FILHO 04/01/2010 (AR à fl. 4624, Edital às fls. 4635/4918 4919, e termo de recebimento de cópia – fl. 4743) Não houve instauração de contencioso em relação a tal sujeito passivo, REVEL na fase de impugnação. No entanto, foi apresentada a peça de fls. 4945 a 4972, intitulada de “recurso voluntário”, em 04/01/2010. Em tal peça, a pessoa física alega, em síntese: Argumentos “j”; “o” (sem menção explícita ao DecretoLei no 37/1966); (s) nulidade das intimações por edital, devendo os autos serem devolvidos à DRJ para apreciação de suas razões de defesa; (t) impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica em sede administrativa. Fl. 11187DF CARF MF 8 Em 10/12/2015 o processo foi sorteado ao Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, para relatoria (fl. 10324), tendo o conselheiro suscitado suspeição (fl. 10325). Em 18/05/2016, a empresa MERCOTEX, suscita “questão de ordem pública superveniente” para solicitar o adiamento do julgamento (fls. 10328 a 10337, com peças judiciais anexadas às fls. 10338 a 10369), fazendo menção ao uso ilegítimo nos autos de prova declarada ilícita pelo STJ, e pedindo a retirada de pauta do processo na sessão 19/05/2016, e o desentranhamento das provas declaradas ilícitas, bem como a supressão das menções correspondentes no relatório fiscal. Não encontrei registro de que o processo estivesse efetivamente pautado para a sessão de 18/05/2016. Aliás, a relatoria do processo foi novamente sorteada (a mim) apenas em 23/06/2016. Em 27/04/2017 o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução no 3401001.166, para que para que a unidade local da RFB adotasse as seguintes providências: (a) verificar e fundamentar a regularidade da ciência a respeito da decisão de piso dada a sujeitos passivos para os quais não se instaurou o contencioso, pela ausência de apresentação de impugnação; (b) verificar e fundamentar a afirmação de que foram tempestivos os recursos voluntários apresentados por pessoas que sequer apresentaram impugnação (fl. 4994); (c) atestar, ao tempo da ciência da autuação e da ciência da decisão de piso, com registro histórico e telas de amparo, qual(is) eram os CPF válidos de Marco Antonio Mansur Filho, e os endereços cadastrais vigentes informados à RFB, para cada CPF; (d) indicar, individualizada, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que efetivamente foram obtidos em ação fiscal autônoma, independente da realizada no bojo da “Operação Dilúvio”; e (e) indicar, individualizada, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que poderiam ser obtidos pela fiscalização diretamente, dentro de suas competências, sem necessidade de autorização judicial. Na Informação Fiscal de fls. 11030 a 11034, a unidade local revela, em relação ao quesito “c”, que houve a declaração, de ofício, da nulidade de um dos CPF de Marco Antonio Mansur Filho (no 342.685.71892) pelo Ato Declaratório Executivo no 40, de 25/11/2011. Em relação aos quesitos “d” e “e”, esclareceu que no caso dos autos, “a descoberta dos fatos narrados no relatório de fiscalização NETWORK 1 bem como o desvelamento do que se passou a chamar GRUPO MAM foram decorrentes da análise pela Receita Federal de documentos e arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da investigação criminal, mediante mandamus judicial, cujo compartilhamento fora autorizado judicialmente”, que “tratase de prova emprestada”, que “a descoberta dos fatos narrados na autuação somente fora possível com base na prova resultante das interceptações telefônicas e nas delas decorrentes”, e que “não há conhecimento de outras fontes independentes, ainda que apenas no âmbito fiscal”, sendo que o resultado para ambos os quesitos “é um conjunto vazio de elementos”. Em relação os quesitos “a” e “b”, a diligência passou ao SECAT da mesma Inspetoria da RFB, que alegou, à fl. 11036, que “os sujeitos passivos foram regularmente citados/intimados de todos os atos do processo” e que “em relação ao acórdão de impugnação, novamente todos os sujeitos passivos foram regularmente intimados”. Em nova conversão em diligência, por meio da Resolução no 3401001.166, de 30/01/2018, o colegiado unanimemente reiterou a indagação à unidade preparadora da RFB sobre qual era o endereço cadastral fornecido à RFB pelo Sr. MARCO Antonio Mansur Filho, em 05/12/2008 (anexandose a correspondente consulta histórica no sistema CPF), demandandose adicionalmente que, caso o endereço cadastral não fosse época, a “Rua Fl. 11188DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 182 9 Cruzeiro, no 695, Barra Funda, CEP 01000000 – São Paulo/SP”, justificasse a unidade da RFB qual a razão de ter tentado cientificar o Sr. MARCO em tal endereço. Juntadas telas do sistema CPF às fls. 11070 a 11073, informa a unidade preparadora, à fl. 11074, que, em relação ao CPF no 256.747.26817, consta eleito como domicílio tributário, no período de 21/07/2003 a 27/07/2009, o endereço à Rua Cruzeiro, 695, Bairro Barra Funda, CEP 01000000, na capital de São Paulo, exatamente aquele para o qual foi enviada a intimação referente à autuação. No despacho de fls. 11075/11076, determinase que ciência aos interessados, sobre ambas as resoluções do CARF e o relatório da diligência (comprovantes às fls. 11090 a 11098). Às fls. 11099 a 11105, consta manifestação da empresa EBIS, datada de 13/04/2018, defendendo a ilicitude da prova utilizada no lançamento, e, às fls. 11143 a 11148, manifestação de MARCELO ADORNO, MARCELO RALO e WILLIAM, com idêntica data, e no mesmo sentido. Em 10/05/2018, a empresa MERCOTEX peticiona (fls. 11171 a 11179), endossando a alegação de ilicitude da prova utilizada pela autuação. Na sequência, os autos foram devolvidos ao CARF, sendo distribuídos a este relator, em junho de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Tendo sido a admissibilidade efetuada na segunda conversão em diligência, seguese na análise dos recursos apresentados. Por ocasião da primeira conversão em diligência, foram efetuados cinco questionamentos à unidade preparadora da RFB, detectandose o não atendimento de apenas um deles, que ensejou a nova conversa em diligência, e se referia à regularidade da ciência ao Sr. MARCO Antonio Mansur Filho. A ciência da decisão de piso ao Sr. MARCO se deu por edital afixado em 05/12/2008 (fl. 3420/4280) e 12/12/2008 (fl. 4542), após tentativa frustrada pela via postal (cf. AR datado de 05/12/2008, com a mensagem “mudouse” fl. 3421, enviado para o seguinte endereço: “Rua Cruzeiro, no 695, Barra Funda, CEP 01000000 – São Paulo/SP”). E, pelas telas do sistema CPF juntadas às fls. 11072 e 11073, percebese que o endereço informado pelo sujeito passivo, com o CPF indicado na autuação e nas intimações (de no 256.747.26817), à RFB, era exatamente esse, tendo sido alterado apenas em 28/07/2009, para “Rua Alexandre Benois, 160, ap. 92, CEP 05729090, Vila Alexandre São Paulo”. Fl. 11189DF CARF MF 10 Assim, após a resposta à segunda diligência, restou patente a regularidade da intimação sobre a autuação, que foi efetuada ao endereço fornecido pelo sujeito passivo à RFB, à época, endereço esse que só foi alterado posteriormente, após o prazo de impugnação já decorrido, sendo improcedente a alegação de nulidade, e irrelevante a ciência posterior à decisão da DRJ a pessoa que já não compunha o contencioso, por ter sido revel na instância de piso. Portanto, e retomando a questão referente à admissibilidade, na segunda conversão em diligência, endossase que os recursos apresentados pela empresa EBIS e pelas pessoas físicas WILLIAM, MARCELO ADORNO, MARCELO RALO e FERNANDO preenchem os requisitos de admissibilidade, deles se conhecendo. Não havendo interposição de recurso voluntário pela empresa MERCOTEX e por MARCIO, analisouse a possibilidade de conhecimento dos recursos voluntários apresentados por SILVIO e MARCO, para os quais o contencioso não foi instaurado, configurandose a revelia ainda antes do julgamento do processo pela DRJ, mas que, sendo cientificados da decisão de piso, interpuseram recurso voluntário. SILVIO sequer discutiu o fato de ser revel na instância de piso. Por isso solicitouse objetivamente à unidade local da RFB, na conversão em diligência, que verificasse e fundamentasse a regularidade da ciência a respeito da decisão de piso dada a sujeitos passivos para os quais não se instaurou o contencioso, pela ausência de apresentação de impugnação, assim como a afirmação sobre a tempestividade dos recursos por eles eventualmente interpostos. Em resposta (à fl. 11036, em dois parágrafos), a unidade da RFB, que parece não ter entendido o questionamento, apenas reiterou o que já constava nos autos (e motivou a demanda por diligência): Endossese que parece a unidade ainda não ter percebido que chamou ao contencioso após a decisão de piso pessoas que nele já não figuravam, pois afetadas anteriormente pela revelia, como SILVIO, e, como agora se atesta, MARCO. Na ocasião da segunda conversão em diligência, simplificamos a pergunta: “Como pode ser tempestivo um recurso voluntário apresentado por pessoa que já não participava do contencioso, pois não apresentou impugnação”? Ou ainda: “Existe orientação da unidade local para que revéis sejam cientificados das decisões em processos para os quais não apresentaram impugnação”, e, caso exista tal orientação, “a ausência de apresentação de Fl. 11190DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 183 11 impugnação é entendida como suprida com eventual peça apresentada a título de recurso voluntário”, ou seja, “pode o sujeito passivo optar por juntarse ao contencioso apenas após a decisão de primeira instância?” Decidimos, no entanto, não se alongar nas perguntas, nem demandar nova diligência exclusivamente para isso, pois parece que a omissão da unidade local veio somente a atestar a dificuldade para responder a pergunta objetiva do CARF, que poderia ser desmembrada nas aqui expostas. Qualquer que tenha sido o motivo (que continua incógnito) para a unidade local da RFB cientificar revéis sobre decisão que já não lhes dizia respeito (e pior, considerar tempestivas suas manifestações), reitero que tal questão não tem o condão de “desfazer a revelia”, chamando o sujeito passivo ao contencioso. Assim, não conheço dos recursos voluntários apresentados por SILVIO e MARCO. Entendo, com isso, estarem devidamente esclarecidas as questões “a”, “b” e “c” da primeira conversão em diligência (a última delas endossada na segunda). Passarseia, assim, a analisar os recursos voluntários apresentados conhecidos, interpostos pela empresa EBIS e pelas pessoas físicas WILLIAM, MARCELO ADORNO, MARCELO RALO e FERNANDO. Cabe recordar, no entanto, as duas questões restantes que inicialmente ensejaram a conversão em diligência, endossando o tratamento a elas dado na segunda conversão, apenas pelo fato de haver, na turma de julgamento, diferentes posicionamentos externados sobre o tema, um reconhecendo válidos apenas os documentos derivados de ação fiscal autônoma daquela realizada no âmbito da “Operação Dilúvio” e outro reconhecendo como válidos os documentos que, ainda que obtidos na referida operação, poderiam ser simplesmente solicitados em procedimento normal de fiscalização pela RFB, sem necessidade de autorização judicial. Para tanto, demandouse à unidade local da RFB que: (d) indique, individualizada, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que efetivamente foram obtidos em ação fiscal autônoma, independente da realizada no bojo da “Operação Dilúvio”; e (e) indique, individualizada, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que poderiam ser obtidos pela fiscalização diretamente, dentro de suas competências, sem necessidade de autorização judicial. A pergunta “d” foi, a nosso ver, objetivamente respondida, informando a unidade preparadora da RFB (fls. 11033/11034) que: Fl. 11191DF CARF MF 12 Podese ainda entender que a resposta se refere também ao quesito “e” (apesar de provável erro de digitação na resposta), porque a RFB, não tendo conhecimento das interceptações, não teria como solicitar, dentro de suas competências, os referidos documentos e informações a que alude a corrente que propugna pela chamada “teoria da descoberta inevitável”. Ademais, nada acrescenta a unidade preparadora após tal excerto da resposta, simplesmente concluindo (fl. 11034) que: Assim, temos que restaram respondidos também os dois quesitos restantes, esclarecendo a própria fiscalização, literalmente, que a descoberta dos fatos narrados somente fora possível com base na prova resultante das escutas telefônicas, escutas essas que foram consideradas inválidas pelo juízo. De longa data esse colegiado administrativo tem analisado autuações decorrentes da chamada “Operação Dilúvio”, tanto que na primeira conversão em diligência, no presente processo, foram esclarecidos os posicionamentos divergentes existentes no colegiado (fls. 10381 a 10389), que endosso a seguir: Quando analisei, em maio de 2016, como relator, processo referente à “OPERAÇÃO DILÚVIO”, depareime com a questão referente à nulidade de interceptações telefônicas determinadas pelo Poder Judiciário. Sobre o tema, remeto ao voto então proferido: Da fl. 2248 à fl. 3709, figuram cópias de peças dos volumes 1 a 5 da Ação Penal no 2007.70.00.0257019, dependente do processo no 2006.70.00.0224356, na qual se percebe que são seis os réus: os três já apontados, e, ainda, Marco Antonio Mansur, Marco Antonio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Saleski, todos com denúncia oferecida por infração ao disposto no artigos 299 do Código Penal, combinado com o artigo 71 do mesmo código, recebida (fl. 2281). No volume 5 do processo (fls. 3419 e seguintes), consta a apreciação, pelo STJ, do HC no 142.045/PR (tendo como pacientes Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho), no qual foi concedida a ordem, por maioria, para "reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito(sic)" (fl. 3421). Da decisão foram interpostos embargos de declaração em 09/01/2010, não apreciados até a data da anexação (11/04/2011). Percebese que diante da ausência de definitividade da decisão do STJ, o juízo decidiu pela suspensão dos autos, por seis meses, em 06/06/2011 (fl. 3600). Rejeitados os embargos apresentados (fl. 3601 a 3609), e negado seguimento a Recurso Extraordinário (RE), e a agravo no RE (ARE), autuado no STF sob o no 659.387, o juízo originário se manifesta (fls. 3607 a 3609), antes do julgamento do último agravo, em 08/11/20112, entendendo que restariam hígidas as 2 Verificamos, no sítio "web" do STF, que o último agravo também teve seguimento negado, pela Primeira Turma do STF, com publicação da decisão em 01/12/2011, e trânsito em julgado em 09/01/2012, sendo os autos Fl. 11192DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 184 13 provas colhidas durante o primeiro período de interceptação telefônica autorizada, bem como nas três prorrogações que lhe foram subsequentes, e que: O Ministério Público é intimado a respeito da decisão, e se manifesta (fls. 3612 a 3618) no sentido de que a invalidação das escutas telefônicas não se alastra pelas demais provas constantes nos autos, obtidas em outras operações, e que o STJ não trancou ou extinguiu as ações penais, mas ordenou o retorno ao juízo originário "para determinações de direito". E é nessa peça, atinente ao HC no 142.045/PR, e redigida pelo Ministério Público Federal, em 15/12/2011, que se encontra o polêmico excerto que foi objeto de discussão no julgamento de piso administrativo: remetidos para baixa definitiva em 13/01/2012. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4149247>, acesso em 10.abr.2016. Fl. 11193DF CARF MF 14 Nas palavras do Ministério Público Federal, àquela data 15/12/2011, só restaria aos procedimentos administrativos calcados nos documentos obtidos na chamada "Operação Dilúvio" a alternativa do "salvo melhor juízo". E foi com base em tal manifestação do Ministério Público que o juízo de primeira instância, em 16/04/2012, decidiu pela absolvição sumária dos réus, conforme artigos 386, III e 397, III do Código de processo Penal (fls. 3671 a 3678), enviando os autos para arquivo em 20/09/2013 (fl. 3705). Mas, façamos uma pausa aqui na narrativa sobre as peças judiciais adicionadas em fase de diligência, para retomar a motivação dos trabalhos fiscais, no caso concreto em análise nestes autos, e checar se realmente foram realizados com base nos laudos elaborados pelo MPF. Vejamos, no relatório fiscal de fls. 17 a 37, quais conclusões derivam da chamada "Operação Dilúvio" e quais foram objeto de apuração individualizada pela RFB, pois, já de início, afirma o relatório (fl. 17), que foi realizada fiscalização na empresa: (...) (voto condutor no Acórdão no 3401003.171, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, sessão de 17 mai. 2016) (grifo nosso) Fl. 11194DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 185 15 Havendo reconhecimento judicial da ilicitude das provas decorrentes da “OPERAÇÃO DILÚVIO”, entendo que, ainda assim, poderia prosperar o lançamento, se alicerçado em fiscalização autônoma da RFB, à luz de dados, informações e documentos obtidos, e que não derivam da referida operação. Nem sempre é possível, no entanto, no estágio em que os processos chegam ao CARF, apartar os dados, informações e documentos que derivam de ação autônoma daqueles presentes na “OPERAÇÃO DILÚVIO”. Assim, são frequentes as demandas por conversão em diligência para que a unidade local o faça. Com exemplo recente, cabe citar a Resolução no 3402002.840, de 24 de novembro de 2016, sob a relatoria da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, que demandou à unidade local da RFB, com acolhida unânime do colegiado, que: E, como exemplo ainda mais recente, mencionese a Resolução no 3401 000.961, emitida por esta turma, em 24 de janeiro de 2017, na qual atuei como redator designado do voto vencedor. No caso em análise, o colegiado, majoritariamente (vencido apenas o relator, Conselheiro Robson José Bayerl), decidiu que a diligência anteriormente demandada à unidade local não havia sido atendida a contento, havendo necessidade de nova conversão em diligência, nos seguintes termos: “De forma diversa ao posicionamento do relator, entendo não ter sido cumprida a diligência, na forma em que demandada, de modo que o presente processo ainda não se encontra devidamente preparado para julgamento. Reiterese, a título de esclarecimento, a motivação da conversão unânime do julgamento em diligência, pela Resolução no 3202 000.185: Pelo exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF competente providencie o seguinte: a) Identificação, dentre as provas utilizadas para o lançamento, daquelas que efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas; Fl. 11195DF CARF MF 16 b) Identificação das provas que derivaram do primeiro período de sessenta dias da interceptação telefônica; c) Identificação das provas produzidas por fonte independente (ex. apresentadas durante a ação fiscal); d) Identificação das provas que a Receita Federal poderia ter acesso independentemente de autorização judicial. Resta clara a preocupação do julgador em discernir o acervo probatório judicialmente considerado ilícito (posterior às escutas consideradas como avessas ao ordenamento) daquele resultante do período em que era legal a escuta telefônica, ou, ainda, de fonte independente. No Relatório de Diligência (fls. 15352 a 15356), mais parece a fiscalização preocuparse em defender a autuação do que em efetivamente responder, de forma objetiva, os questionamentos efetuados pelo julgador. Logo de início, afirma, enfaticamente, a autoridade fiscal, em relação a documentos apreendidos na chamada “Operação Dilúvio”, que (fl. 15352/15353): (...) Na resposta ao quesito “a”, a fiscalização não diligencia, mas apenas remete ao próprio relatório da ação fiscal, que já constava nos autos, afirmando que a autuação tomou em conta “vasta documentação” que é relacionada no item 8 do citado relatório. E a autoridade diligenciante, após limitarse a analisar peça fiscal já constante dos autos, passa a refutar afirmação constante na peça de defesa, em atividade que está longe do escopo da diligência demandada. O CARF não demanda (e nem pode demandar) diligência para que a unidade local da RFB externe posicionamento de direito sobre determinado tema. Assim, quando demandou à unidade local da RFB que discernisse, entre as provas utilizadas para o lançamento, aquelas que “efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas”, fixou, para isso, um critério jurídico, não deixando ao alvitre da unidade local o entendimento sobre o que seriam tais provas. Vejase o excerto que antecede a conclusão do voto pela conversão em diligência: “Por tais razões, compartilho do entendimento adotado pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, quando do julgamento do processo administrativo nº 12466.002006/200970, em 24/09/2013. Naquela oportunidade, decidiu a Turma julgadora converter o julgamento em diligência, por entender imprescindível identificarse, dentre as provas coletadas pela fiscalização, quais foram efetivamente afetadas pela decisão do STJ, separando daquelas que foram decorrentes da interceptação quando ela ainda era válida (os primeiros sessenta dias), além daquelas decorrentes de procedimentos fiscais realizados pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentro de sua competência legal.” (grifo nosso) Fl. 11196DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 186 17 Vejase que a anulação se refere a provas decorrentes das escutas, e não, restritivamente, às escutas, o que é endossado pela decisão judicial transcrita no mesmo voto: “Assim, permanecem hígidas as provas colhidas durante o primeiro período de interceptação telefônica autorizada, bem como nas três prorrogações que lhe foram subsequentes. Os demais elementos de prova obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também permanecem hígidos, pois derivaram de prova obtida licitamente. De outra parte, segundo os termos do julgado, as interceptações telefônicas realizadas a partir da quarta prorrogação autorizada encontramse maculadas pelo vício insanável da ilicitude. São, portanto, imprestáveis para fins de utilização de prova no processo penal. Correlatamente, os demais elementos de prova obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também encontramse eivado de ilicitude, pela aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada", agora expressamente adotado pelo CPP (art. 157, § 1°, do CPP)” (grifo nosso) Parece não ter compreendido, a unidade local da RFB, o critério jurídico já fixado quando da conversão em diligência. E, dessa má compreensão, resulta a conclusão da resposta da unidade local da RFB (fl. 15354): A fiscalização, destaquese, não precisa apoiar posicionamento jurídico algum, devendo limitarse a responder o questionamento efetuado pelo tribunal administrativo. E o primeiro questionamento não foi respondido, porque a unidade local entendeu que sequer era necessário analisar as escutas telefônicas, para saber se derivaria alguma prova delas, bastando remeter aos elementos que já constam do própria autuação. Nega, assim, a unidade local, eficácia à própria decisão do STJ pela nulidade das escutas, pois esta não afetaria prova alguma, e nega também eficácia ao posicionamento exarado quando da conversão em diligência, que se referia a provas “decorrentes” das escutas, pois, segundo o entendimento da unidade local (vejase o excerto aqui transcrito), não haveria que se falar em prova decorrente da escuta. Em síntese, a unidade local da RFB, ao invés de atender ao demandado na diligência, pareceu apenas dela discordar. A autoridade diligenciante até ventilou que poderia ter solicitado Fl. 11197DF CARF MF 18 informações sobre as escutas à autoridade policial, mas não o teria feito porque entendia que isso não afetaria o resultado deste processo administrativo (à mesma fl. 15354): (...) Não consta nos autos qualquer demonstração de esforço da autoridade diligenciante para adicionar elementos ao processo, ou mesmo diligenciar, v.g., se determinada apreensão de documentos só foi possível porque, em escuta telefônica, ficouse sabendo onde estavam localizados ou escondidos. Aliás, a própria autoridade diligenciante, como exposto, considerou irrelevante analisar as escutas para saber se delas derivariam provas ilícitas. A resposta ao quesito “c” é, em meu entendimento, a mais importante para que se possa julgar com segurança o processo. A meu ver, a ilicitude das escutas, e das provas que dela derivam, não se alastra a procedimentos fiscais autônomos/independentes, levados a cabo pela RFB, à margem da citada operação especial conjunta. Daí ter sido demandado á unidade local esclarecer quais dos elementos de prova utilizados na autuação derivaram de fonte independente. A resposta da unidade local, lamentavelmente, vem a título exemplificativo, o que atenta contra o próprio teor da pergunta, que demandava a identificação “das provas”, e não de algumas das provas (fl. 15355): Que no auto de infração constam diversos elementos, de variadas fontes, já se sabia. Bastava ler os autos. O que se desejava da unidade local da RFB era que, entre tais elementos, apontasse, conclusiva e exaustivamente, com base em informações e registros de fiscalização que possua, além do que já figura nos autos, quais foram produzidos por fonte independente da operação especial conjunta. Tal informação é relevantíssima para os julgadores que considerariam apenas tais provas como lícitas. E, por isso, não pode ser aceita de forma exemplificativa. Deve a unidade diligenciante, entre todas as provas utilizadas como fundamento da autuação, indicar, conclusivamente, quais foram produzidas por fonte independente. A resposta ao quesito “d”, por outro lado, destinase a suprir dúvida daqueles julgadores que, filiados à escola da chamada “teoria da descoberta inevitável”, admitem inclusive as provas tidas judicialmente como ilícitas, desde que essas mesmas provas pudessem ser (mas não, necessariamente, houvessem sido) obtidas administrativamente pela RFB, dentro de suas competências, de forma lícita. Tal quesito parece ter sido razoavelmente compreendido pela autoridade diligenciante, Fl. 11198DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 187 19 embora também não haja listagem detalhada e exaustiva (fl. 15356): Entendo até que um julgador que comungue do entendimento que motivou o quesito “d” possa interpretar que o colegiado estaria apto a apreciar o processo, como propunha o relator, ainda que as respostas tenham sido dadas exemplificativamente. No entanto, para este julgador (conforme posicionamento externado no Acórdão no 3401003.171), e para a maioria do colegiado, como se percebe da votação empreendida nesta sessão de julgamento, revelase imprescindível, para apreciação do processo, que sejam buscados elementos que permitam verificar, conclusivamente, quais, entre as provas utilizadas na autuação, derivam da chamada “Operação Dilúvio”, e das escutas telefônicas consideradas ilícitas, e quais derivam de ação fiscal autônoma da RFB (ou mesmo de dados de sistemas internos da RFB). E, por óbvio, para responder tal questionamento, a autoridade diligenciante deve ir além do que já está nos autos, e é de conhecimento deste colegiado administrativo. Em outras palavras, deve diligenciar, investigar, juntar informações que permitam separar as provas lícitas das ilícitas, segundo o critério jurídico já fixado. Simplesmente afirmar que as provas documentais jamais derivariam de escuta telefônica (sem sequer desejar conhecer seu teor, por considerálo irrelevante para o resultado do julgamento) não se apresenta como resposta aos questionamentos efetuados. E contradiz informações do próprio Ministério Público, em 15/12/2011, sobre réu da “Operação Dilúvio”, no HC no 142.045/PR, já comentada no citado Acórdão no 3401003.171, disponível no sítio web do CARF: (...) Entendo, então, que o resultado da diligência, pela falta de conclusividade, e de labor investigativo, não permite o julgamento imediato do processo. E que o parecer do Ministério Público, por um lado, parece minimizar a importância dos quesitos “a” e “b”, efetuados à unidade local da RFB, e, por outro, torna efetivamente irrelevante (mas em sentido diametralmente oposto ao que defendeu a autoridade diligenciante) o extenso trabalho de exploração minuciosa das transcrições de escutas telefônicas. No entanto, deve a unidade diligenciante melhor responder aos quesitos “c” e “d”, inicialmente efetuados, relacionando, entre os elementos de prova indicados no Relatório de Verificação Fiscal (fls. 21 a 76 como email, contratos de câmbio, extratos bancários, e outros documentos), quais efetivamente foram obtidos (na linha de entendimento que motivou o quesito “c”) ou poderiam ser obtidos (na linha que culminou no quesito “d”) a partir de ação autônoma da fiscalização da RFB, independente Fl. 11199DF CARF MF 20 da chamada “Operação Dilúvio”, de forma conclusiva e exaustiva. Para tanto, e buscando facilitar e dar objetividade à atividade de diligência, demandase à unidade local da RFB que: (a) indique, individualizadamente, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que efetivamente foram obtidos em ação fiscal autônoma, independente da realizada no bojo da “Operação Dilúvio”; e (b) indique, individualizadamente, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que poderiam ser obtidos pela fiscalização diretamente, dentro de suas competências, sem necessidade de autorização judicial. A importância da boa resposta aos quesitos, pela unidade da RFB, reside no fato de que os julgadores que entendem que somente seriam lícitos os elementos de prova efetivamente obtidos em fiscalização autônoma apreciarão o processo, e a procedência ou não da autuação, apenas à luz de tais documentos. Da mesma forma, os membros deste tribunal administrativo que interpretam que seriam aceitáveis todos os elementos de prova que possam ser regularmente obtidos em fiscalização autônoma apreciarão os autos, e a manutenção ou não do lançamento, apenas à luz de tais documentos. Após a realização da diligência deve ser elaborado relatório conclusivo, a ser notificado à recorrente, para que esta, desejando, apresente manifestação, na forma a que se refere o artigo 35 do Decreto no 7.574/2011, antes do reenvio do processo a este tribunal administrativo.” (grifos no original) Por isso foram efetuados os questionamentos “d” e “e”, no presente processo, esclarecendose que a importância da boa resposta aos quesitos, pela unidade da RFB, reside no fato de que os julgadores que entendem que somente seriam lícitos os elementos de prova efetivamente obtidos em fiscalização autônoma apreciarão o processo, e a procedência ou não da autuação, apenas à luz de tais documentos. Da mesma forma, os membros deste tribunal administrativo que interpretam que seriam aceitáveis todos os elementos de prova que possam ser regularmente obtidos em fiscalização autônoma apreciarão os autos, e a manutenção ou não do lançamento, apenas à luz de tais documentos. No entanto, à luz da resposta da unidade da RFB, não resta documento a analisar, sendo a resposta aos quesitos “d” e “e” um “conjunto vazio”. Como destacamos em voto vencedor no Acórdão no 3401004.396, de 27/02/2018, em tese, este julgador tem todo o direito de discordar do entendimento externado pelo STJ (ainda mais por estar em desconformidade com a jurisprudência anterior e posterior do mesmo tribunal), mas, por outro lado, tem todo o dever de acatálo, sob pena de subversão do ordenamento jurídico, da função dos distintos poderes, e da unidade de jurisdição. Daí não compactuarmos com a tese que encampa a chamada “Teoria da Descoberta Inevitável”, que equivale, a nosso ver, a assimilar que os fins (quando considerados nobres) justificam os meios (ainda que ilícitos). Em outras palavras, a nosso ver, tal tese equivale a entender que é válida a prova, ainda que obtida ilicitamente de fato, quando esta poderia ser obtida de forma lícita, dentro dos poderes regulares da fiscalização. Fl. 11200DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 188 21 Nosso posicionamento, conforme externado em precedentes administrativos (Acórdãos no 3401003.171 e no 3401004.396), no entanto, acolhe toda e qualquer prova derivada de ação fiscal autônoma (alheia à chamada “Operação Dilúvio” ou derivada de documentos em posse da própria RFB v.g., registros em sistemas informatizados). Ambos os posicionamentos (o por nós defendido nosso e o por nós rechaçado) foram contemplados nas questões submetidas à diligência efetuada neste processo, e respondida com um “conjunto vazio”. E, afastada a escuta ilícita e as provas dela decorrentes (e ausentes provas autônomas, ou provas que a fiscalização poderia obter diretamente, dentro de suas competências, sem necessidade de autorização judicial, conforme reconhece a própria autoridade diligenciante), não merece prosperar o lançamento. Pelo exposto, entendo que, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio”, não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal, caracterizando carência probatória, devendo ser dado provimento aos recursos apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 11201DF CARF MF
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