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Numero do processo: 10880.909357/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. .
A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/Dcomp.
Numero da decisão: 1402-003.458
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. . A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 93 57 /2 00 9- 97 Fl. 118DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação’ da compensação", cujas razões de negação se fundam na utilização integral do pagamento discriminado para a quitação de outro débito. Portanto, não haveria crédito disponível para a compensação em análise. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que por ocasião do ajuste do exercício, a recorrente apurou prejuízo, sendo que deste modo todas as antecipações efetuadas se transformaram em crédito passível de restituição, e até a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, não haveria vedação da compensação das estimativas com quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, entendeuse que os valores pagos a título de estimativa de IRPJ e CSLL não poderiam ser considerados crédito em favor da recorrente, sob a qualificação de "pagamento indevido ou a maior". Tais valores deveriam compor o saldo negativo, o que demandaria uma comprovação própria. Eventual pagamento indevido ou a maior de estimativa, mesmo que comprovado, à época dos fatos, na regência da IN SRF nº Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.909357/200997 Acórdão n.º 1402003.458 S1C4T2 Fl. 119 3 460/2004, deveria reduzir o tributo a pagar ou para compor o seu saldo negativo, não podendo ser aproveitado diretamente e por si só pelo contribuinte. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe que as estimativas poderão, em caso de saldo negativo, a partir da entrega da declaração de rendimentos, compensados com tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil SRF, nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430/1996. No seu entender, as antecipações ocorridas ao longo do anocalendário de 2003, às quais não se confirmaram por conta do prejuízo apurado no ajuste, podem ser objeto de restituição, e compensação com qualquer tributo administrado pela SRF, ao menos até a vigência da MP 449/2008, que vedou a compensação de estimativas. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos Primeiramente, fica bem claro nos autos que o direito creditório que está sendo pleiteado pela recorrente, e com seu conhecimento, é saldo negativo de IRPJ ou base de cálculo negativa de CSLL. Fl. 120DF CARF MF 4 A recorrente ao preencher o PER/Dcomp, informou que houve um pagamento indevido ou a maior de estimativa para justificar o direito creditório pelo qual objetivava extinguir o débito, conforme consta no pedido de compensação. Contudo, foi denegado pela autoridade fiscal conforme Despacho Decisório, pois o crédito pleiteado estava alocado, quitando o débito correspondente da antecipação do IRPJ (ou da CSLL). Sua manifestação de inconformidade vai ao encontro do informado acima, entendendo, contudo, que seria cabível a compensação, independente da designação dada. A decisão a quo considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, tal forma de compensar o saldo negativo do IRPJ (ou CSLL) não seria a correta, de acordo com as normas aplicáveis. Em sede recursal, reitera, o seu entendimento que tem o direito, pois apesar de ser sido pagos como estimativas, não se confirmaram quando apurou prejuízo, o que lha dá o direito à restituição. Adiciona que tal posicionamento de não homologação seria equivocado, pois há regência legal para sua postura. Do mérito O presente caso envolve uma questão recorrente neste CARF, que seria de qual a natureza jurídica do recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, em que a recorrente entende que o recolhido antecipadamente a maior foi indevido, querendo que seja tratado como uma repetição de indébito, apesar de não explicitar tal situação nos autos. Conforme entendimento consolidado deste CARF e através de matéria já sumulada1, para ser caracterizada uma estimativa recolhida como indébito, é necessário que tenha ocorrido realmente um pagamento indevido ou maior, o que exigiria demonstração de erro na apuração. Ou seja, se fosse o caso, o valor pago de estimativas foi superior ao devido, com base na receita bruta, ou em balanço de suspensão/redução, e a repetição do indébito poderia ser até, inclusive, no curso do anocalendário da período que se refere o pagamento indevido. Compulsando os autos, em nenhum momento é mencionado, e muito menos demonstrado, pela recorrente que foi um pagamento indevido ou a maior de estimativa. Pelo contrário, demonstra que o caso é de pagamentos de estimativas recolhidos devidamente e, que no final do ano apurou excesso de recolhimentos, além do necessário, pois apurou prejuízos fiscais, o que se configura saldo negativo (tanto de IRPJ quanto de CSLL). Aqui, cabe destacar a importância da distinção material entre o direito creditório se basear em pagamento indevido de estimativa ou saldo negativo. Aquele, sendo um indébito, geraria o direito a atualização monetária a partir do mês seguinte da sua ocorrência. Este, só haveria sua apuração do encerramento do exercício, e sua atualização monetária no mês seguinte. No caso da recorrente, ao ser optante do lucro real anual no anocalendário de 2003, e há valores recolhidos em vários meses ao longo de ano, poderia haver alguma repercussão financeira, em seu favor (e por consequência em prejuízo ao erário) se seguisse 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.909357/200997 Acórdão n.º 1402003.458 S1C4T2 Fl. 120 5 com a visão de eventuais estimativas recolhidas a maior seriam indébitos, e não saldo negativo, como tenta imputar na apresentação do seu PER/Dcomp. Não se quer aqui negar o direito da recorrente de tratar como indébito eventual estimativa recolhida a maior ou erroneamente, devidos a erro na sua apuração da base de cálculo, pois nestes casos tratável como repetição de indébito. Contudo, não resta alegado, e por consequência, nem comprovado em nenhum momento que houve um erro no pagamento da estimativa da sua parte, e como já dito anteriormente, muito pelo contrário, há sua afirmação que foram pagamentos de estimativas corretas que geraram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Portanto, muito mais que um problema formal no preenchimento do PER/Dcomp, de qualificação como pagamento indevido ou saldo negativo, estáse diante de um problema atinente à própria metodologia de apuração do IRPJ/CSLL, e suas consequências advindas, de acordo com a opção eleita pela recorrente. Nestas circunstâncias, corretas as negativas, tanto no despacho decisório quanto no acórdão a quo, do pleito da recorrente, pois se valeu erradamente do seu direito, não logrando demonstrar diferente. Pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.014974/99-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/1996
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 10/1996. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL.
A aplicação da EC nº 10/1996, que majorou a alíquota do PIS para 0,75% para as pessoas jurídicas expressamente mencionadas no § 1º do art. 22 da Lei n°8.212/91, dar-se-á após o transcurso do prazo de 90 (noventa) dias da data de sua publicação, em observância ao princípio da anterioridade nonagesimal do art. 195, § 6º da Constituição Federal de 1988. Precedentes do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9303-007.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/1996 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 10/1996. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. A aplicação da EC nº 10/1996, que majorou a alíquota do PIS para 0,75% para as pessoas jurídicas expressamente mencionadas no § 1º do art. 22 da Lei n°8.212/91, dar-se-á após o transcurso do prazo de 90 (noventa) dias da data de sua publicação, em observância ao princípio da anterioridade nonagesimal do art. 195, § 6º da Constituição Federal de 1988. Precedentes do Supremo Tribunal Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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Súmula CARF nº 2 Recorrente BTG PACTUAL ASSET MANAGEMENT S.A. DISTRIBUIDORA DE TITULOS E VALORES MOBILIARIOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/1996 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 10/1996. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. A aplicação da EC nº 10/1996, que majorou a alíquota do PIS para 0,75% para as pessoas jurídicas expressamente mencionadas no § 1º do art. 22 da Lei n°8.212/91, darseá após o transcurso do prazo de 90 (noventa) dias da data de sua publicação, em observância ao princípio da anterioridade nonagesimal do art. 195, § 6º da Constituição Federal de 1988. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 49 74 /9 9- 01 Fl. 658DF CARF MF 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo originado do auto de infração de efls. 20 a 24, lavrado contra a contribuinte em 02/07/1999, por ter a fiscalização constatado que a empresa deixou de recolher contribuições para o PIS no período de apuração de 01/01/1996 a 30/06/1996, por entender que a EC nº 10/1996, que alterou os arts. 71 e 72 da EC 01/1994 só teria eficácia a partir de julho de 1996, respeitando o prazo nonagesimal, contrariando o próprio art. 71 alterado, que estendeu o período 01.01.96 a 30.06.97, para o Fundo Social de Emergência inicialmente instituído para os exercícios de 94 e 95. A contribuinte teve ciência do auto de infração em 07/07/1999, o Relatório de Atividade Fiscal com a descrição detalhada da irregularidade verificadas encontrase às efls. 14 a 19 e o crédito tributário lançado, incluindo multa de of´cio e juros de mora, naquela data, montava à R$ 213.591,34. A contribuinte apresentou impugnação às efls. 27 a 52, em 06/08/1999, onde em suma alega a prevalência da anterioridade nonagesimal para as contribuições sociais mesmo em se tratando de emenda constitucional, além da falta de lei vigente, com a mesma antecedência, para seu ramo de negócios e que a autoridade julgadora administrativa não poderia se furtar de apreciar esta situação. A 4ª Turma da DRJ/RJII, no acórdão nº 6.789, prolatado em 26 de novembro de 2004, às efls. 81 a 89, considerou, por unanimidade, procedente o lançamento e manteve o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão da DRJ em 10/01/2005 (efl. 93), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 04/02/2005, às efls. 94 a 108. Retomou a argumentação de que caberia aos julgadores administrativos se manifestarem quanto a aplicabilidade da legislação tributária, como já feito em outras ocasiões pelo próprio Conselho de Contribuintes, e por isso deveriam considerar que a EC nº 10/1996 não respeitou o resguardo nonagesimal, nos moldes do próprio art, 72, § 1º, dos ADCT, de forma que seus efeitos só poderiam se dar a partir de julho de 1996. Ao final, requereu o provimento do recurso para que fosse reformado in totum o acórdão da DRJ e que se desconstituísse os valores lançados no auto de infração. O recurso voluntário foi apreciado pela 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 10 de agosto de 2005, resultando no acórdão nº 20400.480, às efls. 189 a 192, que tem as seguintes ementas: INCONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. E vedado aos órgãos administrativos incumbidos de revisão do ato administrativo de lançamento do crédito tributário negar aplicação a norma legitimamente editada e em vigor por consideraremna inconstitucional. No âmbito dos Conselhos de Contribuiintes essa vedação é hoje também regimental, por força da Portaria Ministerial 103, de 24 de abril de 2002. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. VINCULAÇÃO A LEI. Sendo inteiramente vinculado, o ato administrativo de constituição do crédito tributário pelo lançamento ha de Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10768.014974/9901 Acórdão n.º 9303007.279 CSRFT3 Fl. 659 3 obedecer aos estritos ditames da lei. Tendo a Emenda Constitucional n° 10/96 expressamente determinado sua vigência ainda no próprio ano de 1996, outro não poderia ser o procedimento da autoridade fiscal. Recurso Negado. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os Membros da Quarta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente, o Dr. Luiz Eduardo de C. Girotto. (Negritos do original) Recurso especial da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão nº 20400.480 (efl. 194) em 08/02/2006 (efl. 197), e apresentou recurso especial em 22/02/2006 (efls. 199 a 215). Levanta divergência como base no art. 33 da Portaria MF nº 55 de 16/03/1998, estabelecida no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Aponta o entendimento do acórdão recorrido sobre a não apreciação da validade da norma aplicada pela fiscalização, em razão da discussão de sua constitucionalidade não ser matéria sujeita ao julgamento administrativo, como divergente da inteligência dos acórdãos nº 10514.0221 e nº 10195.199, que, ao tratarem de contribuições, apreciaram a anterioridade nonagesimal, por estar ela insculpida na própria EC nº 10/1996, ao redefinir o § 1º do art. 72 dos ADCT. Ao final, requer o conhecimento e provimento do seu recurso especial, para que seja reformado o acórdão recorrido e afastada a incidência do PIS, nos moldes previstos pela EC nº 10/1996, no período de janeiro a junho de 1996. O então Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 20/10/2015, no despacho de e fls. 649 a 651, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Contrarrazões da Procuradoria A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade de efls. 649 a 651, em 05/11/2015 (efl. 652), e apresentou contrarrazões em 12/11/2015, às efls. 653 a 656. Sua argumentação centrouse na declaração de inconstitucionalidade do artigo 15 da MP nº 1.212/1995 e suas reedições posteriores, até a conversão na Lei nº 9.715/1998, e que se adotada a tese de que incidiria no caso a MP nº 1.212/1995, haveria Fl. 660DF CARF MF 4 violação ao princípio esculpido no § 6º do artigo 195 da Constituição Federal, que prevê a anterioridade nonagesimal aplicável às contribuições sociais [sic]. Pelas razões apresentadas, a Fazenda Nacional pugna pela negativa do provimento do recurso especial do sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Desde logo ressalto que as contrarrazões da Fazenda apoiamse na edição da MP nº 1.212/1995, não sendo este dispositivo normativo citado no recurso especial de divergência da contribuinte ou mesmo no auto de infração que deu origem ao que aqui se discute, por isso não impactam na análise que se seguirá. A matéria já foi recentemente apreciada nesta Turma, para situação análoga, resultando no acórdão de nº 9303006.599, da relatoria da i. conselheira Vanessa Marini Cecconello, que por maioria de votos deu provimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo. Naquela oportunidade restei vencido, negandolhe provimento, todavia, pelo princípio da colegialidade, curvome ao entendimento da maioria e adoto o voto condutor do referido acórdão como razão de decidir, nos termos abaixo reproduzidos: (...) O artigo 150, inciso III, letra "a", da Constituição Federal de 1988 trata do princípio da irretroatividade das normas, previsto de forma genérica no art. 5º, inciso XXXVI da mesma Constituição, vedando a cobrança de tributos de fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os instituiu ou aumentou. De outro lado, o art. 195, §6º da Carta Magna, trata do princípio da anterioridade nonagesimal, aplicável a todas as contribuições da seguridade social, que só podem ser exigidas após decorridos 90 (noventa) dias da data da publicação da Lei que as houver instituído ou modificado. A discussão posta nos presentes autos é delimitar a necessidade ou não de observância, pela EC nº 10/1996, do princípio da anterioridade nonagesimal para a sua vigência, sem que isso implique em declaração de (in)constitucionalidade da norma. A EC nº 10/96 não foi simples prorrogação da EC nº 01/94, que inseriu o art. 72, inciso V, no ADCT, mas sim trouxe a majoração de alíquota do PIS para 0,75%, razão pela qual só poderá ser exigida após decorridos 90 (noventa) dias da sua data de publicação. A aplicação da anterioridade nonagesimal, para eficácia da exigência relativa ao PIS, decorre da interpretação conjunta do art. 72 do ADCT, do art. 150, inciso III, "a" e art. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10768.014974/9901 Acórdão n.º 9303007.279 CSRFT3 Fl. 660 5 195, §6º, ambos da Constituição Federal de 1988. Isto é, decorre da própria norma. A correta interpretação e aplicação da regra, portanto, não implica na sua declaração de inconstitucionalidade, razão pela qual é cabível ao CARF a apreciação da matéria. Por conseguinte, no sentido da necessidade de observância da anterioridade nonagesimal para exigência do PIS na forma da EC nº 10/96, decidiu o Supremo Tribunal Federal nos autos do AgR no RE 953074/SP, cuja ementa foi redigida nos seguintes termos: EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Tributário. PIS. EC nº 10/1996. Majoração de alíquota. Anterioridade. Irretroatividade. Necessidade de observância. 1. A Emenda Constitucional nº 10/96 não foi mera prorrogação da Emenda Constitucional nº 01/94. Em consequência, a majoração da alíquota da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) somente será devida após o decurso de noventa dias, contados a partir da publicação da referida emenda, em observância aos princípios da anterioridade nonagesimal e da irretroatividade das normas. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 953074 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 30/09/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe222 DIVULG 18102016 PUBLIC 19102016) Com a decisão proferida no RE nº 953074, de relatoria do Ministro Dias Toffoli, acima citado, entendeu a Procuradoria da Fazenda Nacional ter sido sepultada qualquer dúvida sobre a possibilidade de a matéria da anterioridade nonagesimal para a EC nº 10/96 vir a ser julgada em definitivo no tema nº 665 da repercussão geral (RE nº 578.846/SP). Na fundamentação, o Ministro Relator, após discorrer sobre o RE nº 578.846/SP que tratou da anterioridade nonagesimal para a CSLL, afirmou que o mesmo raciocínio deve ser aplicado à exigibilidade da contribuição para o PIS na EC nº 10/96 (art. 72, inciso V, do ADCT). Nessa esteira, a Procuradoria da Fazenda Nacional editou a NOTA PGFN/CRJ/Nº 1224/2016, para extensão da dispensa de recurso prevista no art. 2º, §4º, da Portaria PGFN nº 502/2016 à discussão da anterioridade nonagesimal para exigência do PIS na forma da EC nº 10/96. As conclusões do estudo dos precedentes foram inseridas na Nota PGFN/CRJ/Nº 1224/2016, nos seguintes termos: [...] 7. Feitos tais esclarecimentos, e então anotando a excepcionalidade da medida (que se deve exclusivamente às peculiaridades do tema específico), entendese pela possibilidade de extensão do decidido nos temas nº 107 e Fl. 662DF CARF MF 6 894 de repercussão geral à questão intertemporal do PIS na EC nº 10/96, tendo em vista que a ratio decidendi dos precedentes se amolda com perfeição a essa terceira hipótese e o próprio STF vem sinalizando nesse sentido. 8. Propõese, consequentemente, a retificação do tema nº 1.31, “n” da lista do art. 2º, § 4º, da Portaria PGFN n° 502/2016, nos termos que se seguem: Anterioridade nonagesimal e irretroatividade – EC 17/1997 – EC 10/1996 RE nº 848.353/SP (tema nº 894 de repercussão geral) Resumo: o STF, observando a diretriz do tema nº 107 de repercussão geral, definiu que a contribuição ao PIS só pode ser exigida, na forma estabelecida pelo art. 2º da EC 17/97, após decorridos noventa dias da data da publicação da referida emenda constitucional. Em outras palavras, decidiu o STF que, por força dos princípios constitucionais da anterioridade nonagesimal e da irretroatividade tributária, a alíquota majorada do PIS prevista no art. 72, V, da Constituição Federal não poderia ser exigida no período entre julho/1997 e o decurso do prazo de noventa dias após a publicação (25/11/1997) da EC nº 17/97 (fevereiro/1998), incidindo o disposto na Lei complementar nº 07/1970. Conforme decidido pelo STF no julgamento do AgRg no RE nº 953.074/SP, o mesmo entendimento se aplica ao PIS na EC 10/96 (art. 72, V, do ADCT), tendo em vista o decidido no tema nº 107 de repercussão geral. Referências: Nota PGFN/CRJ/Nº 730/2016 e Nota PGFN/CRJ/Nº XX/2016. 9. Propõese, ainda, a inclusão de observação no tema nº 1.12, “b” da lista do art. 2º, § 4º, da Portaria PGFN n° 502/2016, nos seguintes termos: Majoração de alíquota – EC nº 10/96 RE 587.008/SP (tema nº 107 de repercussão geral) Resumo: O STF reconheceu a necessidade de aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal à Emenda Constitucional nº 10/96. Segundo a Suprema Corte, o poder constituinte derivado não é ilimitado, devendo se submeter aos limites materiais, circunstanciais e temporais inscritos nos §§ 1º, 4º e 5º do art. 60 da Constituição Federal. Nesse contexto, o princípio da anterioridade, por constituir garantia individual e, como tal, cláusula pétrea, não pode ser suprimido por força de emenda constitucional. Acrescentou que a EC 10/06 não prorrogou o conteúdo da ECR nº 1/94, pois houve solução de continuidade entre o término da vigência daquela e a promulgação da EC, concluindose que a referida emenda é um novo texto e veicula nova norma, devendo, portanto, observância ao princípio da anterioridade nonagesimal, porquanto majorou a alíquota da CSLL para as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei 8.212/91. Observação: O STF estende o mesmo entendimento ao PIS (art. 72, V, do ADCT), vide AgRg no RE nº 953.074/SP. [...] Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10768.014974/9901 Acórdão n.º 9303007.279 CSRFT3 Fl. 661 7 (grifos no original) Portanto, em caso similar aos dos presentes autos, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a necessidade de observância do princípio da anterioridade nonagesimal para a exigência do PIS, na forma do art. 2º da EC nº 17/1997, nos autos do RE nº 848.353, com julgamento em sede de repercussão geral, in verbis: Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). EMENDA CONSTITUCIONAL 17/1997. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL (CF/88, ART. 195, § 6º). PRECEDENTES. 1. A contribuição ao PIS só pode ser exigida, na forma estabelecida pelo art. 2º da EC 17/1997, após decorridos noventa dias da data da publicação da referida emenda constitucional. 2. Recurso extraordinário a que se dá provimento, com o reconhecimento da repercussão geral do tema e a reafirmação da jurisprudência sobre a matéria. (RE 848353 RG, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, julgado em 12/05/2016, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe105 DIVULG 20052016 PUBLIC 23052016) Para reforço de argumentação, também para a CSLL foi determinada a necessidade de observância da anterioridade nonagesimal para aplicação da EC nº 10/1996, consoante os termos do julgamento do RE nº 587008, em sede de repercussão geral: EMENTA Recurso extraordinário – Emenda Constitucional nº 10/96 – Art. 72, inciso III, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) – Alíquota de 30% (trinta por cento) Pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 –Alegada violação ao art. 195, § 6º, da Constituição Federal. 1. O poder constituinte derivado não é ilimitado, visto que se submete ao processo consignado no art. 60, §§ 2º e 3º, da Constituição Federal, bem assim aos limites materiais, circunstanciais e temporais dos §§ 1º, 4º e 5º do aludido artigo. 2. A anterioridade da norma tributária, quando essa é gravosa, representa uma das garantias fundamentais do contribuinte, traduzindo uma limitação ao poder impositivo do Estado. 3. A emenda Constitucional nº 10/96, especialmente quanto ao inciso III do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – objeto de questionamento é um novo texto que veicula nova norma, e não mera prorrogação da emenda anterior. 4. Hipótese de majoração da alíquota da CSSL para as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91. 5. Necessidade de observância do princípio da anterioridade nonagesimal contido no art. 195, § 6º, da Fl. 664DF CARF MF 8 Constituição Federal. 6. Recurso Extraordinário a que se nega provimento. (RE 587008, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 02/02/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe084 DIVULG 05052011 PUBLIC 06052011 EMENT VOL0251602 PP00433 RDDT n. 191, 2011, p. 163176 RT v. 100, n. 912, 2011, p. 544567) No mesmo sentido, decidiu a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho Administrativo em sessão realizada em 08/10/2014, cujos fundamentos foram consignados no Acórdão nº 9101002.012, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1996 CSLL ALÍQUOTA. MAJORAÇÃO. VIGÊNCIA. PRAZO NONAGESIMAL. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 10/96. INCONSTITUCIONALIDADE. A Emenda Constitucional nº 10/96, especialmente quanto ao inciso III do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias objeto de questionamento é um novo texto que veicula nova norma, e não mera prorrogação da emenda anterior. Necessidade de observância do princípio da anterioridade nonagesimal contido no art. 195, § 6º, da Constituição Federal. Repercussão geral reconhecida pelo STF. RE 587.008/SP, Ministro Dias Toffoli. 02/02/2011 Plenário. Recurso Especial do Procurador Negado CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial do sujeito passivo para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10768.014974/9901 Acórdão n.º 9303007.279 CSRFT3 Fl. 662 9 Fl. 666DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.905846/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 14/07/2000
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 14/07/2000
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO.
Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 14/07/2000
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.880
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.905839/2011-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 14/07/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 14/07/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 14/07/2000 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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Recorrente MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 14/07/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 14/07/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 14/07/2000 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 46 /2 01 1- 89 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10660.905846/201189 Acórdão n.º 3301004.880 S3C3T1 Fl. 3 2 (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior. Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, juntando demonstrativos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: o Despacho Decisório adotou equivocada premissa de que inexiste crédito a ser restituído, porque não converteu o julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos ou a apresentação de documentos que comprovassem o valor exato do crédito pretendido; Não considerou que o valor informado em DCTF como devido foi apurado em conformidade com a ilegal e inconstitucional base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718; o Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recursos Extraordinários, consolidou o entendimento no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10660.905846/201189 Acórdão n.º 3301004.880 S3C3T1 Fl. 4 3 deixando de considerar como faturamento receita de natureza diversa da venda de mercadorias e de serviços. A retificação da DCTF para a apresentação do PER/DCOMP representa requisito meramente formal que não pode se sobrepor à verdade material, uma vez comprovada, por outros meios, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ressalta que as informações contidas nos documentos que instruem a manifestação atestam, de forma inquestionável, que a restituição abordada no Per/Dcomp deve ser deferida, quer por força do dever de busca da verdade material, quer sob pena de cerceamento do direito de defesa, mediante a análise das razões e dos documentos que acompanham este recurso, eventuais diligências administrativas e a realização de prova pericial, que se requer. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.536. O fundamento adotado, em síntese, foi pela inexistência nos autos de documentação comprobatória do direito alegado. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade e insistindo na realização de perícia. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.872, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.872): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543 B do STF; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10660.905846/201189 Acórdão n.º 3301004.880 S3C3T1 Fl. 5 4 I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 06/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10660.905846/201189 Acórdão n.º 3301004.880 S3C3T1 Fl. 6 5 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302 002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.905846/201189 Acórdão n.º 3301004.880 S3C3T1 Fl. 7 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.905846/201189 Acórdão n.º 3301004.880 S3C3T1 Fl. 8 7 Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) neste caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 06/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.818/1998. Isto posto, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.905846/201189 Acórdão n.º 3301004.880 S3C3T1 Fl. 9 8 rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (06/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que os documentos juntados aos autos atestam, de forma inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade, é um simples demonstrativo de cálculo da contribuição, onde traz o total do faturamento, as exclusões permitidas, o valor devido da contribuição, o valor do recolhimento e o crédito objeto do pedido de restituição. Estes demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente e não merece guarida o alegado cerceamento de defesa daí decorrente. Nos pedidos de restituição o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo a DIPJ do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação do PIS, sendo desnecessária, portanto, a realização da perícia requerida. A perícia será necessária quando a matéria exigir conhecimento técnico específico diferente Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.905846/201189 Acórdão n.º 3301004.880 S3C3T1 Fl. 10 9 da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito. Ademais, a demonstração do crédito, neste caso, seria possível com a simples apresentação de prova documental, não realizada pelo contribuinte. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.000493/2009-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 26/12/2008
PENALIDADE ADUANEIRA CARACTERIZADA. DECLARAÇÃO ERRADA AO EXTERIOR.
Prestar ao controle aduaneiro declaração de embarque de mercadoria destinada ao exterior, quando a mercadoria não foi efetivamente embarcada constitui embaraço, dificultação e impedimento à fiscalização aduaneira..
Numero da decisão: 3002-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 26/12/2008 PENALIDADE ADUANEIRA CARACTERIZADA. DECLARAÇÃO ERRADA AO EXTERIOR. Prestar ao controle aduaneiro declaração de embarque de mercadoria destinada ao exterior, quando a mercadoria não foi efetivamente embarcada constitui embaraço, dificultação e impedimento à fiscalização aduaneira..
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1282; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.000493/200974 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.342 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria AI ADUANA MULTA Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/12/2008 PENALIDADE ADUANEIRA CARACTERIZADA. DECLARAÇÃO ERRADA AO EXTERIOR. Prestar ao controle aduaneiro declaração de embarque de mercadoria destinada ao exterior, quando a mercadoria não foi efetivamente embarcada constitui embaraço, dificultação e impedimento à fiscalização aduaneira.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 04 93 /2 00 9- 74 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10907.000493/200974 Acórdão n.º 3002000.342 S3C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 06060.312 da DRJ/CTA, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 4ª Turma da DRJ/CTA (fls. 01/09), exarado nos seguintes termos: "Trata o presente de auto de infração que constituiu e exige a multa prevista na letra ‘c’ do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n. 37, de 1966: Decretolei n. 37 de 1966: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ...... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; A autoridade de lançamento descreveu o fato como a autuada ter registrado como embarcadas as mercadorias dos Despachos de Exportação (DDE n. 2081451873/7 e 2081469312/1), quando de fato elas não haviam sido embarcadas. No entendimento da autoridade de lançamento esse fato configura a infração de, por omissão ou comissão, embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização. Como se trata de 2 DDE que teriam sido registradas equivocadamente como embarcadas, a autuação definiu a multa de R$ 5.000,00 para cada um deles, totalizando R$ 10.000,00. Em sua impugnação, a autuada expõe em defesa: • Deverseia aplicar ao caso o disposto no artigo 99 do Decretolei n. 37, de 1966, para reduzir a multa de duas para apenas uma, pois se está aplicando duas infrações idênticas para o mesmo fato. • Deve se aplicar o disposto na Solução de Consulta Interna COSIT n. 008, de 2008, que prevê a aplicação dessa multa por embarcação e data de embarque, e não por despacho de exportação (DDE) não informado no sistema SISCOMEX,. Como os dois DDEs em questão se referem ao mesmo navio, a multa seria uma vez R$ 5.000,00, ao invés de duas vezes R$ 5.000,00 (por serem duas DDE). Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10907.000493/200974 Acórdão n.º 3002000.342 S3C0T2 Fl. 4 3 • Pede revisão do valor da multa." Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/CTA julgou improcedente a Impugnação (fls. 42/43), por considerar que não pode ser aplicado o instituto da denúncia espontânea, bom como, a Solução de Consulta COSIT nº 008/2008, conforme sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "DECLARAÇÃO ERRADA DE EMBARQUE AO EXTERIOR. CARACTERIZAÇÃO DE PREJUÍZO AO CONTROLE ADUANEIRO. Prestar ao controle aduaneiro declaração de embarque de mercadoria destinada ao exterior, quando a mercadoria não foi efetivamente embarcada constitui embaraço, dificultação e impedimento à fiscalização aduaneira. DECLARAÇÃO ERRADA DE EMBARQUE AO EXTERIOR. RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Assim como o transportador tem um prazo de 7 dias contado da data do real embarque para, na forma prevista na legislação, prestar informações – à Receita Federal de exportações embarcadas, assim também o transportador tem um prazo de 7 dias contado da data dessa informação para cancelála por constatar que o embarque não se deu de fato. Após, o pedido de cancelamento ou alteração dessa informação equivocada de embarque não pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea. DECLARAÇÃO ERRADA DE EMBARQUE AO EXTERIOR. INAPLICABILIDADE DA SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT 8/2004. Registrar no sistema informatizado da RFB ou informar ao controle aduaneiro que a exportação (DDE) foi embarcada e destinada ao exterior, quando ela não foi efetivamente embarcada constitui infração. Cada uma das DDE’s constitui um despacho de exportação e um embarque. E cada uma das declarações de embarque constitui uma mudança do status de cada uma desses despachos de exportação. O embaraço, a dificultação e o impedimento da fiscalização aduaneira se deu em cada um desses despachos. A Solução de Consulta Interna COSIT n. 08/2004 é inaplicável ao caso, pois ela trata de informações de embarque prestadas intempestivamente, e não de informações de embarques não ocorridos, nem de cancelamento ou retificações extemporâneas de informações de embarques não efetivamente ocorridos." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls.) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) o "NON BIS IN IDEM" para cancelar a penalidade que considera em excesso. É o relatório Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10907.000493/200974 Acórdão n.º 3002000.342 S3C0T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada supostamente em duplicidade pela fiscalização em razão de ter registrado como embarcadas as mercadorias (DDE nº 2081451873/7 e nº 2081469312/1), quando de fato elas não haviam sido embarcadas de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto Lei nº 37, de 1966. A alegação do contribuinte de que deve "ser considerada apenas uma penalidade para o caso em questão" não se pode prosperar, pois cada DDE constitui um único despacho de exportação, gerando como conseqüência, mudança no status das DDE´s des despachos de exportação. Portanto, o embaraço, a dificultação e o impedimento da fiscalização aduaneira se deu em cada um desses despachos. Já em relação ao argumento do contribuinte que a Consulta Interna COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008 deve ser aplicada no caso em tela, ao meu ver também não se pode valer, uma vez que essa Consulta se refere a prestar intempestivamente dados de embarque, e não ao fato do transportador ou agente declarar como embarcado o que não foi realmente embarcado Portanto, acatado os argumentos acima expostos, resta prejudicado o argumento apresentado pelo contribuinte "NON BIS IN IDEM" em seu Recurso Voluntário. No tocante ao efeito suspensivo requerido pelo contribuinte a fim de garantir a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ressalta não ser necessário qualquer provimento por parte do relator, uma vez que tal suspensão já está garantida na forma do art. 151, III do CTN, "in verbis": "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10907.000493/200974 Acórdão n.º 3002000.342 S3C0T2 Fl. 6 5 Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 19395.720101/2012-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 72 01 01 /2 01 2- 84 Fl. 232DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 17.160,00, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. O fundamento que lastreou o lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de que os documentos apresentados pelo Recorrente não seriam suficientes para a comprovação do pagamento da pensão alimentícia aos beneficiários e, embora tivesse apresentado o termo de acordo de separação consensual homologado judicialmente entendeu o Fisco não assegurada a permanência de sua validade no tempo. Também entendeu a Autoridade Fiscal ter se caracterizado pagamento por liberalidade e sem direito a dedução em razão da mudança da fonte de recursos do Contribuinte. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que considera comprovação insuficiente aos moldes do que entende legalmente apropriado, mesmo que com decisão judicial expedida sobre a pensão alimentícia e juntada da cópia da disponibilidade financeira em nome dos beneficiários, nos termos que segue: Em decorrência de procedimento de revisão levado a efeito pela DRF Macaé/RJ tendo por objeto a Declaração de Ajuste Anual de IRPF apresentada pelo interessado em epígrafe referente ao Exercício 2011 – AnoCalendário 2010, foi emitida, em 30/04/2012, a Notificação de Lançamento nº 2011/446011631797278 (fl. 05/09), para exigência do crédito tributário abaixo discriminado: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar – cód. DARF 2904 . R$ 17.160,00 (...) Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 07), parte integrante da Notificação de Lançamento nº 2011/446011631797278 ora em exame, consta que, em decorrência de procedimento de revisão levado a efeito pela DRF Macaé/RJ tendo por objeto a Declaração de Ajuste Anual de IRPF apresentada referente ao Exercício 2011 – AnoCalendário 2010, foi apurada dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública no valor de R$ 62.400,00. Sobre dedução de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, os art. 4°, II e 8º, II, f, da Lei nº 9.250, de 1995, assim estabelecem: (...) De acordo com os dispositivos legais anteriormente transcritos são requisitos para a dedutibilidade da pensão alimentícia: a) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; b) que sejam fixados em Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19395.720101/201284 Acórdão n.º 2001000.586 S2C0T1 Fl. 233 3 decorrência das normas do Direito de Família; e c) que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Insta registrar ainda que, além da existência de determinação judicial obrigando o pagamento, é necessário demonstrar o efetivo desembolso dos valores. Isto porque o contribuinte está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as despesas informadas na declaração de ajuste anual. No caso dos autos, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 07) foi apurada dedução indevida de pesão alimentícia judicial e/ou por escritura pública tendo em vista falta de comprovação ou falta de previsão legal para sua dedução. De acordo com a DIRPF apresentada (fl. 66), o interessado declarou pagamento de pensão alimentícia no anocalendário de 2010 para Luiz Arthur Moreira Bon – CPF 108.578.17710 no valor de R$ 36.720,00 e para Maria Ângela da Silva Bon – CPF 003.026.08761 no valor de R$ 25.680,00. No que tange aos pagamentos efetuados a Luiz Arthur Moreira Bom, o acordo homologado judicialmente (documentos cópias de fl. 12/15 Apelação Cível nº 3231/96) determinou que o Sr. Luiz Adilson Moreira Bon verteria a título de pensão alimentícia para seu filho a quantia equivalente a 6 (seis) salários mínimos depositada mensalmente até o quinto dia seguinte ao mês vencido, em conta bancária da genitora desse Solange de Fátima Moreira Mariquito, sendo tal valor destinado a atender a todas as necessidades do alimentado. Salientese, inicialmente, que os recibos e comprovantes de depósitos de fl. 16/27 juntados aos autos totalizam o valor de R$ 35.784,00 e não a importância de R$ 36.720,00 declarada. A teor do contido no acordo anteriormente citado, não é hábil e suficiente à comprovação pretendida a simples apresentação dos recibos de fl. 16/22 relativos aos meses de janeiro/2010 a julho/2010 sem firma reconhecida e sem a demonstração da transferência de recursos. Contudo, ainda que não ateste transferência para a conta da genitora, as cópias de comprovantes de transferências de valores entre contas correntes do interessado e de Luiz Arthur referentes aos meses de agosto/2010 a dezembro/2010 (fl. 23/27) comprovam o pagamento do montante de R$ 14.364,00 a título de pensão alimentícia. Por sua vez, no que se refere à pensão alimentícia da Sra. Maria Ângela da Silva Bon, no acordo homologado judicialmente datado de 1986 (cópia às fl. 28/41) temse que: • O cônjugevarão contribuiria mensalmente a título de pensão alimentícia com 40% de sua retirada prólabore da firma Grua Fl. 234DF CARF MF 4 Construtora Ltda., valor este equivalente a 8 salários mínimos mensais. Deste modo, já que o Sr. Luiz Adilson Bon havia se retirado da firma Grua à época dos fatos (cópia do Instrumento de Alteração e Consolidação do Contrato Social da Firma Grua Construtora Ltda – fl. 96/102 – apresentada pelo interessado juntamente com a impugnação e outros documentos nos autos do Processo Administrativo n° 19395.720077/201283), a teor do acordo apresentado, a pensão devida a Sra. Maria Ângela corresponderia à importância de 3,2 salários mínimos (40% de 8 salários mínimos). Assim, tendo em vista que, de acordo com a Lei 12.255/2010, o salário mínimo vigente de janeiro a dezembro de 2010 foi de R$ 510,00, o valor devido a título de pensão alimentícia correspondeu no anocalendário de 2010 a R$ 19.584,00 (R$ 510,00 x 3,2 x 12) e não ao montante de R$ 25.680,00 declarado. Do exame dos documentos apresentados e tendo em vista o acordo anteriormente citado, temse hábeis à comprovação pretendida as cópias de comprovantes de transferência de valores entre contas correntes do interessado e da Sra. Maria Ângela (fl. 57/61) referentes aos meses de agosto/2010 a dezembro/2010, como a seguir se demonstra. Por sua vez, não constitui prova suficiente a simples apresentação dos recibos de fl. 50/56 relativos aos meses de janeiro a julho/2010 sem firma reconhecida e sem a demonstração de transferência de recursos do interessado para a Sra. Maria Ângela. Por fim, não é relevante ao caso dos autos a alegação de que os valores em questão teriam sido declarados pelo alimentado na DIRPF correspondente, uma vez que a presente lide versa sobre a comprovação do preenchimento dos requisitos para que o interessado possa usufruir do benefício da exclusão de tais montantes da base de cálculo do imposto. Deste modo, tendo em vista ter sido comprovado o pagamento do valor de R$ 25.064,00 passível de dedução a título de pensão alimentícia (R$ 14.364,00 para Luiz Arthur e R$ 10.700,00 para Maria Ângela), deve remanescer a glosa da referida dedução no valor de R$ 37.336,00 (valor declarado = R$ 62.400,00 – valor comprovado = R$ 25.064,00) por não ter sido apresentado elemento de prova capaz de elidila. Do exposto, concluise por dar provimento parcial à impugnação, reduzindo o lançamento do imposto suplementar para o valor de R$ 10.267,40, montante este acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora cabíveis, na forma da legislação vigente. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 10.267,40, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 19395.720101/201284 Acórdão n.º 2001000.586 S2C0T1 Fl. 234 5 Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) No anocalendário de 2010, exercício 2011, período a que se refere o lançamento, o recorrente pagou pensão alimentícias judiciais a seu filho – Luiz Arthur Moreira Bom e a sua exesposa – Maria Ângela da Silva Bom. Ambas as prestações foram estipuladas/acordadas em Juízo por decisão judicial na 3ª Câmara Cível do Tributal de Justiça do Rio de Janeiro e na 2ª Vara de Família de Niterói, referindose a primeira à pensão para o filho do Recorrente e a segunda para a exesposa. Os documentos probatórios compõem o anexo nº 01. (...) Como adiante iremos demonstrar, tanto a notificação de lançamento quanto a R. Decisão ora recorrida adotaram entendimento antagônicos com os preceitos legais e com as provas dos autos, entendimentos esses que são insustentáveis à manutenção do crédito tributário exigido, devendo ser restabelecida a dedução glosada. O acordo judicial relativo à pensão paga pelo Recorrente para seu filho foi firmada em 1996, quando o alimentado tinha apenas 7 (sete) anos de idade e, portanto, totalmente incapaz para a prática de atos da vida civil. O depósito em conta corrente bancário de sua genitora revestiuse apenas de elemento facilitador do cumprimento do dever de sustento do, à época, menor. Tratase de prática comum a indicação de conta bancária para o depósito do quantum de pensão devido, especialmente quando não há desconto em folha. Depósito em conta corrente, pagamento em cheque ou em espécie são apenas formas de cumprimento do dever a que estava obrigado o Recorrente, não sendo cabível que, embora tenha cumprido o dever de pagar, seja penalizado por adotar a forma mais conveniente para si, para o beneficiário, seu filho, e para a mãe deste. No ano calendário de que trata a Notificação e de que resultou a R. Decisão recorrida, o senhor Luiz Arthur Moreira Bom já era capaz de praticar os atos da vida civil e, principalmente, ser sujeito de obrigação tributária, sendo irrelevante a arguição de que a verba do pensionamento devesse ser depositada na conta de sua genitora. Os montantes pagos pelo Recorrente para seu filho preenchem, indubitavelmente, as condições do artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda citado, bem como estão plenamente justificadas e comprovadas a teor do artigo 73 do mesmo diploma legal, a saber: a) Há acordo judicial firmado pelo Recorrente que lhe obriga a pagar a pensão alimentícia e; Fl. 236DF CARF MF 6 b) Os valores foram efetivamente pagos como fazem prova os recibos anexados por ocasião da Impugnação, e a cópia da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário, que ora anexamos. Não é possível que as Autoridades lançadora e julgadora ignorem o preceito retro. Aceitar, como o fez a Decisão recorrida, apenas os valores que foram depositados em conta corrente e ignorar a declaração de ajuste anual do beneficiário e os recibos por este apresentados significa desconhecer as mais comezinhas normas de prova dos fatos econômicos e tributários. O beneficiário é sujeito ativo da relação civil acordada em juízo com seu pai, no caso o Recorrente. É também sujeito passivo da obrigação tributária relativa aos valores por ele recebidos e cumpriu, rigorosamente, seu dever para com o Fisco Federal. Nestes autos, o Recorrente provou, e agora ratifica o conjunto probatório, que a dedução utilizada preenchia as condições estabelecidas na legislação que rege a matéria e, além disso, no Processo Administrativo Fiscal, a busca da verdade material, que constitui a pedra de toque da justiça fiscal, não foi observada no lançamento e nem na decisão. Por todos esses argumentos e pelas provas anexadas, devem os valores pagos pelo Recorrente, entre janeiro e julho de 2010, serem restabelecidos como dedução em sua Declaração de Ajuste Anual e julgado improcedente o lançamento referente a esses meses. Em relação à pensão paga à exesposa do Recorrente – Senhora Maria Ângela da Silva Bom – assim se posiciona a Decisão a quo: (...) O mesmo entendimento aplicado aos valores pagos par seu filho, a R. Decisão recorrida aplica àqueles referentes à exesposa – Maria Ângela da Silva Bom – pois não acolhe os recibo apresentados, e dá ênfase de que a dedutibilidade estaria condicionada às transferências bancárias para a conta corrente da beneficiária, desconhecendo a mais comezinha prática de prova de pagamento de obrigações contraídas. Mais absurdo ainda o fato de reconhecer como direito à dedução, apenas sob a ótica dos Julgadores, parcela significativa da dedução, mas não concedêla ao Recorrente, em razão de os recibos apresentados não conterem firma reconhecida. Vale destacar que os valores pagos pelo Recorrente se por um lado representam para ele um dedução, para os beneficiários, filho e ex esposa, tipificamse como rendimentos tributáveis, anulando possíveis reduções de tributos. Para ratificar as comprovações já apresentadas por ocasião da Impugnação, juntamos declaração, com firma reconhecida, de que a beneficiária recebeu no ano calendário de 2010 a quantia de R$ 25.680,00 e cópia de sua Declaração de Ajuste Anual, constituindose tais documentos no anexo nº 03. DO QUE REQUER Fl. 237DF CARF MF Processo nº 19395.720101/201284 Acórdão n.º 2001000.586 S2C0T1 Fl. 235 7 O Recorrente possui acordo judicial que atesta a obrigação de pagar as pensões, cujos montantes foram glosados, bem como a natureza dos valores deduzidos como Pensão Alimentícia Judicial; As verbas devidas a título da citada Pensão Alimentícia foram efetivamente pagas aos beneficiários; Os documentos acostados na Impugnação provam, categoricamente, as transferências financeiras dos valores homologados em sentença judicial para as pessoas beneficiárias das pensões; A jurisprudência Administrativa milita pacificamente em favor do Recorrente; REQUER Seja recebido o presente Recurso Voluntário e provido inteiramente para reformar a Decisão recorrida e restabelecer as deduções glosadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência estabelecida na lide se limita a comprovação dos valores levantados pela Fiscalização como referentes à pensão alimentícia da exesposa Maria Ângela da Silva Bom e do filho Luiz Arthur Moreira Bom, motivo da glosa das deduções a este título no anocalendário de 2010, cuja comprovação não satisfez a fiscalização na oportunidade do lançamento e do julgamento de piso na DRJ. Também entendeu o Fisco que os documentos comprobatórios da homologação judicial dos pactos para pagamento da pensão alimentícia deveriam fixar prazo para sua vigência, e que a ausência de data fim dos compromissos os tornou insubsistentes. O litígio é que de um lado há o rigor na interpretação restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do direito, pelo Contribuinte, de ver reconhecido o que entende plenamente comprovado mediante documentação que apresentou por ocasião do lançamento, documentos agora novamente disponibilizados, de forma a satisfazer as exigências da legislação tributária. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Fl. 238DF CARF MF 8 Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor da pensão do filho do Recorrente em razão de que não reconhecia suficiente o termo de acordo juntado pelo interessado, mesmo que acompanhado da homologação do acordo de alimentos com a decisão judicial que a oficializou. Quanto à pensão da exexposa a glosa do valor deduzido do imposto ocorreu em razão da juntada de cópia da separação consensual do casal, com a respectiva homologação Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19395.720101/201284 Acórdão n.º 2001000.586 S2C0T1 Fl. 236 9 judicial, em que não constava documento atualizador emitido pelo Poder Judiciário de que permanecia a obrigação de pagar pensão alimentícia à beneficiária no anocalendário de 2010. Tratase, tão somente neste caso, do direito à dedução do imposto de renda por pagamentos de pensão alimentícia em que a exigência fica condicionada a ter sido objeto de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e prova do efetivo pagamento do valor declarado como pago aos pensionistas, conforme inciso II, art. 4º, da Lei nº 9.250/95 e art. 78 do Decreto nº 3.000/99. Com efeito, o Recorrente acostou ao processo cópia do acordo homologado judicialmente que define o valor da pensão com base no valor recebido a época pelo obrigado no acordo, como parâmetro do quantitativo a ser pago como alimento. Na cláusula 8ª está fixado percentual de 40% sobre o referido valor que representava o equivalente a oito salários mínimos, sendo que o percentual aplicado sobre o total resulta no valor da pensão correspondente a 3,2 salários mínimos. Também juntou ao processo certidão da Junta Comercial do RJ e o contrato social que regista sua saída da sociedade Grua Construtora Ltda. Ressaltese que a determinação da pesão, por sua finalidade, não poderia ficar somente amparada no prólabore recebido pelo pagante, referente exclusivamente àquela fonte pagadora, de vez que poderia este passar não mais receber tal remuneração da empresa citada, como de fato aconteceu. Assim que a vinculação ao quantitativo de salários mínimos veio a dar caráter permanente para o valor e para obrigação, independente do vínculo com a empresa na qual mantinha participação societária naquele momento. Inadmissível seria desobrigar o pagante da pensão de alimentos se este não mais recebesse o referido prólabore que foi utilizado somente como parâmetro para a fixação do valor do benefício. Da mesma forma, seria inconcebível obrigar as partes a fazer novo acordo judicial para continuação do pagamento da pensão alimentícia a cada vez que o Recorrente trocasse de vínculo empregatício ou de tipo de remuneração. Assim que a mudança de fonte de recursos do Recorrente não torna a pensão alimentícia ato de liberalidade no pagamento porque permanece a obrigação contributiva de sustento por decisão judicial, com validade até que ocorram as condições previstas para seu término, quando definido. A Autoridade Fiscal também recusou a comprovação do efetivo pagamento da pensão alimentícia fixada no documento judicial, valor que foi utilizado como redutor do imposto de renda a pagar por parte do Recorrente, não reconhecendo como verdadeira a comprovação de transferência dos valores que se destinaram as partes beneficiadas no acordo. Contudo, a legislação não especifica que tipo de comprovação tem força probatória ou qual comprovação é insuficiente para o caso. A Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (grifei) Fl. 240DF CARF MF 10 Cabe destacar que o dispositivo que mais se aproxima de uma definição dos condicionantes para obtenção do benefício da dedução diz que o segundo elemento se fará presente “quando comprovado o seu efetivo pagamento”, sem lhe especificar a forma. A legislação não obriga que o pagamento da pensão alimentícia deva ser realizado por uma ou outra forma de meios de pagamento. E, mesmo que conste no acordo judicial um determinado meio de pagamento outro pode ser utilizado, de comum acordo das partes, para facilitar a quitação da obrigação e satisfação do beneficiário de forma mais simplificada e ágil. Nenhum obstáculo fiscal pode ser considerado para quem pagar a pensão alimentícia em espécie mesmo que antes tenha se proposto em fazêlo por depósito bancário, se a parte beneficiada aceita, e para isso, entendo despiciendo mudar o acordo judicial somente por essa particularidade. Se há comprovante de quitação da obrigação, por qualquer forma, a decisão judicial está comprida. Por ocasião deste recurso voluntário foi novamente juntado ao processo a comprovação do acordo judicial homologado que se referem ao processo definidor da pensão alimentícia de Maria Ângela da Silva Bom e de Luiz Arthur Moreira Bom, o que reafirma com consistência a ocorrência da obrigação assumida do pagamento e, vez que comprovados os pagamentos mediante recibos/declarações assinados e com firma reconhecida, há que se considerar cumprida a obrigação do pagamento da pensão alimentícia. Neste sentido, motivo não há para recusa da utilização da dedução na declaração do imposto sobre a renda do Recorrente, vez que permitida pela legislação tributária nas condições em que foram formalizadas. De outra banda, a decisão a quo inova ao trazer cálculos de valor do que seria o valor correto da pensão alimentícia segundo o acordo homologado judicialmente, visto que não consta do lançamento como motivo da glosa o quesito quantitativo financeiro correspondente aos 3,2 salários mínimos. Ressaltese que o motivo da glosa, como inclusive constou do voto da DRJ, referemse tão somente à ausência de depósito na conta da genitora, desconhecendo os recibos assinados pelo filho alimentado e que os 40% do prólabore provindos da empresa Grua Construtora Ltda., não constavam como rendimentos desta fonte pagadora na declaração do Recorrente, sem considerar que ele não fazia mais parte daquela sociedade. A decisão do Acórdão vergastado de recepcionar como comprovação válida somente aqueles valores que foram pagos por transferência entre contas correntes do Recorrente e dos beneficiários das pensões alimentícias, o filho Luiz Arthur e a exesposa Maria Ângela, não encontram respaldo na legislação por se tratar de critério subjetivo, vez que tanto a comprovação mediante recibo assinado pelo recebedor quanto à transferência bancária são elementos probatórios de quitação de compromissos financeiros aceitos juridicamente para todos os efeitos legais. Ambas as formas de quitação, recibo de pagamento ou transferência bancária, têm igual valor probante de liquidação de dívida e são adotados paralela ou conjuntamente nos atos negociais juridicamente válidos. Assim, descabe a discriminação de uma ou outra forma de comprovação praticada no presente caso, amparo que se busca no art. 369 do CPC. Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou material probante do acordo judicial e comprovação do pagamento das pensões a que se comprometeu judicialmente, podendo assim se beneficiar da utilização da Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19395.720101/201284 Acórdão n.º 2001000.586 S2C0T1 Fl. 237 11 dedução do imposto a esse título, fazendose imperioso que se conceda o direito pleiteado pelo Contribuinte, dando provimento ao recurso no que se refere ao restabelecimento das deduções. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, excluindose o crédito tributário no valor de R$ 10.267,40, que era tanto quanto correspondia ao valor lançado restante. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 242DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.907249/2006-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem realize as providências constantes no voto da resolução.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem realize as providências constantes no voto da resolução. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 259/269) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 224/236), proferida em sessão de 13 de maio de 2010, consubstanciada no Acórdão n.º 1230.486, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (DRJ/RJ1), que, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .9 07 24 9/ 20 06 -2 3 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 292 2 por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 41/55), apresentada através do Processo n.º 10768.001650/200810, que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 14/02/2008 (efl. 10), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 1465214949.130803.1.3.040061, transmitido em 13/08/2003, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o crédito, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AnoCalendário: 2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. As alegações desacompanhadas de provas não produzem efeitos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE CANCELAMENTO. É incabível, em sede de Manifestação de Inconformidade, pedido de cancelamento de Perdcomp, que deve ser veiculado através do programa gerador deste documento, e antes da ciência de intimação relativa à compensação declarada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INDEFERIMENTO. Não elidido o fato de que o darf foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Incidem juros de mora e multa de mora sobre o débito objeto de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a declaração. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito próprio do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/03/2003 6012 R$ 34.254,53 30/06/2003 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 293 3 3969968588 R$ 34.254,53 DB: cód 6012 PA 31/03/2003 R$ 34.254,53 Valor Total R$ 34.254,53 Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase da seguinte declaração de compensação — Dcomp eletrônica: Quadro 1 Declaração de Compensação eletrônica A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJ) proferiu o Despacho Decisório n.º 745553649, em 14.02.2008 (fls. 8) [efl. 10], verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Base legal: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em Manifestação de Inconformidade, às fls. 28/41 [efls. 41/55], o interessado diz que: a) no primeiro trimestre de 2003, apurou CSLL a pagar, no valor de R$ 80.342,95, e, em face das antecipações efetuadas, acumulou crédito de R$ 40.125,14, assim: Quadro 2 — Forma de quitação da CSLL1.º trimestre, de acordo com o interessado (fls. 30) [efl. 44] b) por equívoco, requereu a compensação dos valores dos darfs acima, assim: Quadro 3 — Compensações com darfs já utilizados, de acordo com o interessado (fls. 31) [efl. 45] Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 294 4 c) uma vez que os valores dos darfs acima já haviam sido utilizados, "no sistema eletrônico da Receita Federal passou a constar pedido de compensação de crédito inexistente, o que, por sua vez, gerou o não reconhecimento do pedido de compensação"; d) considerando que, ainda assim, restou um valor pago a maior, de R$ 40.125,14, este foi utilizado na quitação de parte do débito da CSLL apurada no segundo trimestre/2003: R$ 169.532,78: R$ 128.101,08, quitado com darf; e R$ 41.431,70, com compensação, assim: Quadro 4 — Forma de quitação da CSLL2.º trimestre, de acordo com o interessado (fls. 33) [efl. 47] e) era credor de apenas R$ 40.125,12, mas por erro, compensou a quantia de R$ 41.431,70, sendo que o valor compensado a maior, R$ 1.306,58 (41.431,70 40.125,12 = 1.306,58), do qual o tornouse credor, é oriundo dos juros recolhidos nos darfs de 30.05.2003 e 30.06.2003: R$ 318,55 e R$ 988,01, respectivamente. Conclui que, "ao contrário do acima exposto, o Fisco entendeu, equivocadamente, que a impugnante utilizouse do mesmo pagamento constante nos DARFs para quitação de débito, e, posteriormente, os reutilizou como crédito para compensação (PERDCOMP), desconsiderando o crédito de fato existente". Requer "o recebimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, mediante o cancelamento da PERDCOMP n.º 14652.24949.130803.1.3.040061", "bem como a extinção da multa e juros aplicados no Despacho Decisório". Protesta pela "posterior juntada de documentos e pela realização de todos os meios de prova admitidos em direito", e requer seja "suspensa a exigibilidade do crédito tributário". Com a manifestação de inconformidade, vieram os documentos de fls. 42/82 [efls. 56/107]. Nesta Turma, foram juntadas as consultas de fls. 98/188 [efls. 126/216]. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: O interessado pede a suspensão da exigibilidade do débito. Pede, ainda, sejalhe deferida a produção de provas. Na forma da legislação de regência (§ 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996), a apresentação da Manifestação de Inconformidade dentro do prazo da lei, como foi o caso, suspende a exigibilidade do débito objeto da compensação. Tanto é assim que o Despacho Decisório, no campo "Ciência e Intimação", explicita que os débitos indevidamente compensados só Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 295 5 serão inscritos em Dívida Ativa da União, para cobrança executiva, em caso de falta de pagamento ou falta de apresentação de manifestação de inconformidade (fls. 8) [efl. 10]. Quanto à produção de provas, temse que, nos termos do já citado art. 74, § 11, da Lei n.º 9.430, de 1996, a Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição, de ressarcimento e de compensação se rege pelo Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o processo administrativo fiscal (PAF). E, a teor do art. 16 do dito Decreto, é ônus do interessado juntar à Impugnação/Manifestação de Inconformidade os documentos de sua própria lavra, sob sua guarda e conservação, com os quais pretende fazer prova dos fatos alegados, sob pena de preclusão, (...). Sendo assim, o pedido de produção de provas deve ser indeferido. O interessado pede o cancelamento da Dcomp. De plano, cabe ressaltar que o art. 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, determina que, na compensação tributária, o direito creditório alegado deve, necessariamente, preencher dois requisitos: o da liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito, e o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado: (...). Desde a Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que, atendidos os dois sobreditos requisitos, a pessoa que pretende compensar débitos tributários com créditos tributários de que se afirma detentor, deve declarar tal pretensão a esta Secretaria: (...). O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação Dcomp, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. Igual sorte cabe à retificação e ao cancelamento da Dcomp, como se verá. O § 14 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, conferiu competência a esta Secretaria para disciplinar as regras da compensação tributária. Assim, a Instrução Normativa RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, determina que o pedido de cancelamento da Dcomp deve ser veiculado através do programa Perdcomp, e só será deferido se este se encontrar pendente de decisão administrativa, verbis: DA DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE COMPENSAÇÃO Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. (...) Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 296 6 Art. 95. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 77, 82 e 86, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição ou o pedido de ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. A norma que inviabiliza o cancelamento do Perdcomp após ato administrativo de decisão ou de intimação é de suma importância para administrados e administradores, conquanto dota de organização e segurança jurídica as relações Fisco X contribuinte, no que tange ao complexo instituto da compensação tributária. No histórico às fls. 99 [efl. 127] não consta que o interessado tenha veiculado, através do PGD (Programa Gerador de Documentos), um Perdcomp contendo solicitação de cancelamento desta Dcomp. Também não há pendência de decisão administrativa, conquanto já emitido o Despacho Decisório, em julgamento neste processo. Sendo assim, não atendidos os requisitos estabelecidos pelo legislador executivo para o cancelamento de Perdcomp, o pedido do interessado deve ser indeferido. Ainda assim, não é demais observar o que se segue. a) alegações relativas ao crédito O crédito informado na Dcomp (item 1) é o darf de R$ 34.254,53, emitido para quitação da CSLL do 1.º trimestre de 2003, com vencimento em 30.06.2003 (3.ª cota). Todavia, segundo a consultaSief (fls. 106) [efl. 134], o dito darf permanece alocado ao débito para o qual foi, expressamente, emitido. Aliás, tal alocação foi o que deu causa à não homologação da compensação pleiteada. A sobredita alocação corresponde exatamente ao valor total confessado na DCTF original, de 14.05.2003, na qual o interessado declarou que a CSLL do primeiro trimestre de 2003 somava R$ 96.388,75 (fls. 130) [efl. 158]. A mencionada alocação corresponde, também, ao somatório dos darfs, no texto dos quais, foram feitas vinculações ao sobredito débito, senão vejamos: Quadro 5 — Darfs — CSLL (código 6012) apurada no 1.º trimestre de 2003 Após a transmissão da Dcomp (em 13.08.2003), e após os pagamentos acima, é que o interessado, em 16.10.2003 (fls. 130) [efl. 158], entregou DCTF Retificadora, na qual não só reduziu o sobredito débito de CSLL, para R$ 80.342,95, como, também, vinculou tal valor a 3 (três) Dcomps (fls. 132) [efl. 160]: Quadro 6 — DCTF Retificadora (CSLL do 1.º trimestre/2003) Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 297 7 As sobreditas Dcomps (quadro 6) têm o seguinte conteúdo: Quadro 7 — Dcomps informadas em DCTF Retificadora A primeira Dcomp (fls. 107/109) [efls. 135/137] do quadro acima é aquela a que o Despacho Decisório ora em julgamento se refere (fls. 8) [efl. 10]. A segunda, não foi homologada em face de inexistência de crédito (fls. 110/111) [efls. 138/139]. Apenas a terceira consta com anotação de análise automática e com crédito integral disponível (fls. 112) [efl. 140]. Do cotejo entre os quadros 5 e 6, resulta, entre outros, que o interessado, após a alocação dos pagamentos, alterou o valor do débito informado em DCTF, bem como, a vinculação que antes havia sido informada nos sobreditos pagamentos. O pagamento efetuado extingue o crédito tributário. A posterior apresentação de DCTF retificadora não produz, por si só, o efeito de reduzir o crédito tributário confessado, e/ou de alterarlhe a forma de extinção. Ademais, ainda que a legislação de regência não dispusesse que o único veículo de retificação do Perdcomp é um outro Perdcomp, as retificações veiculadas seriam indeferidas, porque desacompanhadas das provas documentais correspondentes (art. 16 do PAF). Tal indeferimento está, ainda, conforme a Lei Complementar (CTN), segundo a qual a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, que tenha por objeto a redução ou a exclusão de tributos, como é o caso, só é possível mediante a comprovação do erro alegado: Art. 147, § 1.º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é possível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Temse, então, que o crédito alegado foi haurido de DCTF retificadora. Tal, no entanto, não modifica o fato de que, na data da transmissão da Dcomp, o interessado não era detentor de direito Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 298 8 líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito creditório. O interessado confessou em DCTF que apurou débito de CSLL. E foi ao débito assim confessado que o darf que indicou na Dcomp está alocado, de sorte que não poderia ter sido utilizado para a quitação de outros débitos. Ante a isso, não colhe dúvida de que não havia, à época da Dcomp em tela, pagamento, indevido ou a maior, a justificar o direito creditório alegado. b) alegações relativas ao débito O débito informado na Dcomp é a CSLL do 2.º trimestre de 2003, trimestre em que o interessado entregou três DCTFs (fls. 135) [e fl. 163]: em 15.03.2003, a de n.º 61504921 (original); em 13.08.2004, a retificadora n.º 41891429, e, em 31.08.2004, a retificadora n.º 61836319. Em ambas, o débito de CSLL a pagar consta como R$ 187.683,14 (fls. 135/139) [efls. 163/167]. Na DCTF do terceiro trimestre (n.º 11786452, entregue em 14.11.2003, e a única relativa a tal trimestre, segundo as fls. 163) [efl. 191], o interessado confessa (fls. 140) [efl. 168] que o sobredito débito de CSLL foi dividido em três cotas (cujo somatório, desde já se observa, é inferior ao confessado), assim: Quadro 8 — Confissão em DCTF — CSLL do 2.º Trimestre de 2003 A primeira cota no quadro acima é aquela à qual esta Dcomp se refere, e que o interessado confessou, em DCTF, ter sido extinta assim (fls. 140) [efl. 168]: Quadro 9 — DCTF do 3.º Trim2003, com informação do débito de CSLL do 2.º Trim2003 De fato, a primeira parte do débito acima consta extinta por darf de igual valor, arrecadado em 31.07.2003 e já devidamente alocado (consultaSief, às fls. 178) [efl. 206]. Quanto à segunda parte (R$ 41.431,70), nas fichas da DCTF lêse que foi objeto de duas compensações (fls. 140/144) [efls. 168/172]: Quadro 10 — Vinculação declarada em DCTF Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 299 9 O primeiro valor do quadro acima — R$ 34.254,33 — é a Dcomp em julgamento neste processo, e da qual, como se viu, o interessado pediu o cancelamento; o segundo — R$ 7.177,17 — é a compensação capeada pelo processo 10768.907263/200627, que, conforme consultaSief, às fls. 187/188 [efls. 215/216], não foi homologada, por inexistência de crédito. Para ver prosperar o seu pedido de cancelamento do Perdcomp, o interessado elaborou o quadro abaixo, no qual o débito de CSLL do 2.º trimestre aparece com outro valor (R$ 169.532,78), e com outra forma de quitação (3 darfs e de 2 compensações), senão vejamos: Quadro 11 (elaborado pelo interessado, às fls. 33) [efl. 47] Tal, contudo, não pode ser oposto aos valores confessados em DCTF, porque não há previsão legal para que a Manifestação de Inconformidade promova, por si só, retificação em DCTF. Temse, assim, que, ainda que a legislação de regência contemplasse a hipótese de cancelamento de Dcomp por via de Manifestação de Inconformidade, o débito confessado na Dcomp em tela não poderia ser cancelado, por falta de provas do erro ou equívoco alegados. c) juros e multa de mora O interessado pede a extinção dos "juros de mora e da multa de mora aplicados ao Despacho Decisório". Na forma da legislação de regência são devidos juros e multa de mora ante ao adimplemento de obrigação tributária após o respectivo vencimento. Com efeito, no que se refere aos juros de mora, o Código Tributário Nacional dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sela qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Relativamente à multa de mora, a Lei n.º 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 10 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 300 10 § 1.º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2.º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3.º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3.º do art. 5.º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Com efeito, não homologada a compensação, o débito que fora declarado se sujeita às normas jurídicas que dispõem sobre os acréscimos legais, e, não há diploma legal contendo previsão de dispensa de acréscimos legais para tais casos. Sendo assim, rejeitase, por falta de previsão legal, o pedido de dispensa de juros e multa de mora. Conclusão Isso posto, o despacho decisório de fls. 8 [efl. 10] deve ser mantido. No recurso voluntário, o contribuinte reitera os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade, defendendo, em síntese, que: Possui crédito líquido e certo passível de compensação em função de ter apresentado DCTF retificadora, reduzindo consideravelmente o débito de CSLL apurado no 1º trimestre de 2003 na DCTF original, constatando, assim, saldo credor passível de compensação; A DCTF retificadora foi apresentada na data de 13/06/2004, portanto, antes do despacho decisório proferido em 14/02/2008; Na época em que o despacho decisório foi proferido, não havia discordância entre a DCTF do 1º trimestre de 2003 e a DIPJ relativa ao ano calendário de 2003; O crédito apurado a partir da DCTF retificadora não foi utilizado integralmente, sendo, portanto, passível de compensação. Nesse contexto, os autos foram encaminhados ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Consta a anexação dos presentes autos ao Processo n.º 10768.001650/200810, no qual se veiculou a manifestação de inconformidade. Posteriormente, houve a distribuição para este relator. Após a publicação da pauta de julgamentos, apresentouse memoriais distribuídos para o Colegiado. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 301 11 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 11/06/2010, efls. 238, uma sextafeira, iniciandose, pois, o prazo recursal, na segundafeira, 14/06/2010, e protocolo realizado em 13/07/2010, efl. 259), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Resolução Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte indica débito ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte. Segundo a autoridade responsável pela edição do despacho decisório impugnado pelo contribuinte, "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A DRJ, ao analisar o caso, manteve a tese da inexistência da certeza e liquidez do crédito sustentando que o só fato do contribuinte ter diligenciado no sentido de retificar a Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 302 12 DCTF do 1.º Trimestre de 2003, com isso reduzindo o saldo devedor do tributo originalmente confessado na DCTF de origem, apurando um crédito passível de compensação apenas por ocasião da retificação, não induziria à certeza e liquidez do crédito requerido, haja vista que a retificação da DCTF foi posterior a transmissão do PER/DCOMP. Segundo a DRJ, a DCTF de origem confessou débitos que foram extintos pela alocação do DARF indicado no PER/DCOMP e, com isso, se estava extinto o crédito tributário, a posterior apresentação de DCTF retificadora, com redução de valores, não produziria, por si só, o efeito de reduzir o crédito tributário confessado, e/ou de alterarlhe a forma de extinção, para fins de gerar crédito a ser haurido da retificadora da DCTF. Acrescenta que a DCTF retificadora precisava estar acompanhada de outros documentos comprobatórios, de forma que o contribuinte, através de sua escrita contábil, efetivamente comprovasse o erro ocorrido na DCTF originalmente transmitida. Consigna que, na data da transmissão da Dcomp, o interessado não era detentor de direito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito creditório. A despeito de tais argumentos, com a devida vênia, verifico que o contribuinte foi diligente na retificação da DCTF, especialmente por fazêlo antes de ser proferido o despacho decisório, aliás muito tempo antes. Em que pese, de fato, têlo feito somente após a transmissão do PER/DCOMP objeto deste processo, o fez menos de 6 (seis) meses após a transmissão da DCTF original, ou seja, promoveu a retificação em 16/10/2003, dentro, inclusive, do mesmo anocalendário da DCTF originalmente transmitida. Ademais disso, a DIPJ relativa ao anocalendário 2003, entregue pelo contribuinte na data de 29/06/2004 (efls. 174/179), apresenta o mesmo saldo de CSLL a pagar no 1.º Trimestre de 2003 (R$ 80.342,95), de igual modo a DCTF retificadora apresentada pelo contribuinte em 16/10/2003. Como o despacho decisório só foi proferido em 14/02/2008, isso é, praticamente 4 (quatro) anos após a retificação, a Administração Tributária, em tese, teria tido tempo suficiente para auditar a escrita contábil do contribuinte e, em busca do princípio da verdade material, apurar eventual existência de crédito passível de compensação. A DRJ poderia ter determinado diligências, haja vista que a retificação ocorrera muito tempo anos do despacho decisório ser proferido. Vejase, a decisão da DRJ, ao apreciar o caso, analisouo à luz do débito confessado na DCTF originalmente transmitida pelo contribuinte, a qual havia sido retificada. Entendo que o contribuinte, ao transmitir a DCTF retificadora, substituiu o dado fático anteriormente relatado para a autoridade fiscal, através de nova linguagem jurídica competente, apresentando, a partir dali, um novo fato jurídico, o qual deveria ter sido averiguado mais profundamente, principalmente quando a DIPJ 2004 (anocalendário 2003) apresentada está alinhada com o mesmo fato jurídico relatado a partir da DCTF retificadora. Se a retificação foi anterior ao despacho decisório não deveria ter sido negado uma análise mais detalhada do crédito vindicado, inclusive com determinação de diligências. Penso não ser razoável simplesmente negar a certeza e liquidez, pelo só fato da DCTF retificadora ser posterior ao PER/DCOMP, quando a retificação se deu anos antes de ser proferido o despacho decisório. No ensejo, é pertinente afirmar que entendo existir dever jurídico, por parte da Administração Tributária, de restituir pagamentos indevidos ou a maior, sob pena de locupletamento sem causa, sendo dever próprio decorrente da moralidade administrativa. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 303 13 Certamente, não há óbices para que a legislação estabeleça restrições à compensação, no escopo de proteger a Administração Tributária de práticas fraudulentas. Mas, é fundamental distinguir tais restrições, ao nosso sentir, de cunho instrumental, com àquelas que afetam a própria essência do direito à compensação. As restrições instrumentais, concernentes à comprovação da existência do crédito e à sua quantificação, se razoáveis, são permitidas. Não, porém, as restrições que afetam a própria essência do direito creditório do contribuinte. Nesse sentido, existindo divergência quanto a certeza do crédito, com forte indício neste âmbito, tendo o sujeito passivo adotado medidas instrumentais razoáveis para perseguir o seu alegado direito creditório, inexistindo elementos para se vislumbrar eventual fraude ou extemporaneidade nas medidas adotadas, acredito que, em homenagem ao princípio da verdade material, associado a moralidade administrativa aflorada no direito de compensação do contribuinte quando há pagamento indevido ou a maior, resta justificada a realização de diligências para que se possa, de forma definitiva, sanear as dúvidas que pairam sobre as informações declaradas pelo sujeito passivo no cumprimento das obrigações instrumentais. Sendo assim, para melhor formação de convicção quanto ao mérito, entendo pela conversão do julgamento em diligência, com respaldo no princípio da verdade real, para análise da confirmação, ou não, do direito creditório do contribuinte. Filiome, ainda, as razões de decidir das Resoluções ns.º 1802000.139 e 1301000.299, com encaminhamento neste mesmo sentido. De fato, compreendo como necessário o esclarecimento por parte da unidade de origem, a fim de melhor deliberar o processo. Dispositivo Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, resolvo converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem realize as seguintes providências: (a) juntar cópia completa da DIPJ 2004, ano calendário 2003; (b) juntar cópia completa da DCTF original, de 14/05/2003, relativa ao período de apuração do 1.º Trimestre/2003; (c) juntar cópia completa da DCTF retificadora, de 16/10/2003, relativa ao período de apuração do 1.º Trimestre/2003, bem como a retificadora de 13/08/2004, e outras eventuais; (d) juntar cópia completa da DCTF original, relativa ao período de apuração do 2.º Trimestre/2003; (e) juntar cópia completa das DCTF's retificadoras, relativas ao período de apuração do 2.º Trimestre/2003; (f) juntar cópia completa da DCTF original, relativa ao período de apuração do 3.º Trimestre/2003; (g) juntar cópia completa das DCTF's retificadoras, relativas ao período de apuração do 3.º Trimestre/2003; (h) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2003 de que trata o art. 35 da Lei n.º 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; (i) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2003, para comprovação do seu alegado direito creditório; (j) confirmar as informações constantes das declarações retificadoras do anocalendário 2003, a fim de confirmar, ou não, o direito crédito; (k) ajustar, de ofício, eventuais declarações, se for o caso. A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá analisar os novos elementos apresentados e elaborar Relatório Fiscal completo, circunstanciado e conclusivo do resultado da diligência acerca da existência, ou não, do alegado direito creditório pleiteado e se está disponível para utilização para compensação com Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 304 14 os débitos informados nos autos, do qual deve ser cientificado o sujeito passivo para que, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo, se manifeste a respeito, apresentando contrarrazões, observado o disposto no parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011. Após, retornem os autos para julgamento. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.910738/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.109
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/08/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 38 /2 00 8- 38 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.899, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723059/2013-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.
A empresa que possui débitos perante a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos perante a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos perante a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 30 59 /2 01 3- 21 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 18470.723059/201321 Acórdão n.º 1001000.715 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 46 a 48) interposto contra o Acórdão nº 0130.770, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 37 a 40), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 Ementa Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação de inconformidade ao Termo de Indeferimento (pedido em 22/01/2013 e registro em 13/03/2013, fl. 03) da Opção pelo Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) –, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006. 2. O motivo do indeferimento foi existência de atividade vedada (74901/99) e débito previdenciário cuja exigibilidade não estava suspensa (competência 03/2012, R$ 385,64): 3. O contribuinte alega em sua manifestação de inconformidade (fls. 04/05) que : a) Teria efetuado uma alteração no CNPJ modificando o CNAE da empresa para 71197/03; b) Teria pago o débito em 28/01/2013, contudo a pessoa que efetuou o pagamento, por equívoco, teria digitado no campo 04 da GPS a competencia 13/2012, fato que já teria sido corrigido pela empresa. 4. As cópias anexadas (fls. 06/09) não permitiam aferir com precisão as alegações do contribuinte. Desta forma solicitose diligência (fl. 28), na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235 de 1972, através da repartição de origem, para Fl. 55DF CARF MF Processo nº 18470.723059/201321 Acórdão n.º 1001000.715 S1C0T1 Fl. 4 3 que anexasse documentos extraídos dos sistemas da SRFB (ou cedidos pelo contribuinte) que permitissem aferir: a) Se foi efetuada (e em que data) uma alteração no CNPJ modificando o CNAE da empresa para atividade permitida; b) Se o contribuinte pagou (até 31/01/2013) o débito previdenciário (competência 03/2012, R$ 385,64)." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base na mesmas alegações já aventadas em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) 6. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) 7. A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) Fl. 56DF CARF MF Processo nº 18470.723059/201321 Acórdão n.º 1001000.715 S1C0T1 Fl. 5 4 § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) 8. Em atendimento ao Despacho da DRJ/BEL, às fls. 28, a Unidade informou (fl. 36): “3. Em atendimento ao Despacho 176 – 2ª Turma da DRJ/BEL, às fls. 28, informamos que o contribuinte efetuou alteração contratual em 18/12/2012, modificando o CNAE da empresa para 71.19703 – Serviços de Desenho Técnico Relacionados À Arquitetura e Engenhara, não impeditivo ao Simples Nacional, de acordo com a Primeira Alteração Contratual registro RCPJ 201212101258113, às fls. 14 a 17 e Consulta ao Histórico Das Alterações Cadastrais, às fls. 32; 4. Com relação ao débito de natureza previdenciária na RFB, listado no Termo de Indeferimento, eferente à competência 03/2012, informamos que ocorreu uma alteração de guia previdenciária, em 30/11/2013, de acordo com a Consulta Detalhes Da GPS, às fls. 31, permanecendo um saldo a pagar no valor de R$ 34,11, de acordo com a Consulta Valores A Recolher – Valores Recolhidos e Relatório Complementar De Situação Fiscal, às fls. 30 e 33 a 35;” 9. Logo, como o contribuinte não diligenciou de forma a regularizar todas as pendências (visto que restou um saldo de R$ 34,11) no prazo legal, devese indeferir a manifestação de inconformidade. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 57DF CARF MF Processo nº 18470.723059/201321 Acórdão n.º 1001000.715 S1C0T1 Fl. 6 5 Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721025/2011-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
Numero da decisão: 9101-003.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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LEGALIDADE. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 10 25 /2 01 1- 83 Fl. 3430DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.431 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto em face do acórdão nº 1201001.248 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que negou provimento a Recurso Voluntário, quanto à incidência dos juros de mora à taxa Selic sobre a multa proporcional exigida de ofício. O contribuinte opôs Embargos de Declaração, que foram acolhidos para sanar omissão, embora sem efeitos infringentes. Ciência da decisão dos Embargos de Declaração no dia 23/03/2017, à efl. 3.252. Recurso Especial interposto no dia 07/04/2014, à efl. 3.254. Nessa oportunidade, alega divergência em relação aos acórdãos nº 10196607 e 10323566. Quanto ao mérito, expõe o seguinte: a) só há previsão legal para cobrança dos juros de mora sobre tributos, sem incluir a multa; b) a Receita Federal do Brasil já esclareceu, publicamente, que os juros de mora só incidem sobre os tributos; c) o Superior Tribunal de Justiça também já manifestou que não cabe a cobrança de juros de mora sobre a multra. Alfim, pleiteia o recebimento do apelo e seu provimento. Despacho de encaminhamento à PGFN no dia 27/092017, à efl. 3.419. Contrarrazões apresentadas no dia 02/10/2017, à efl. 3.429. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo, além de reunir os demais pressupostos de recorribilidade. Adotando as razões do Despacho de Admissibilidade, dele conheço. O ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 3431DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.432 3 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à disposição normativa de onde emana a vedação à incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme prevê o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve ser aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). Fl. 3432DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.433 4 § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o REsp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, Fl. 3433DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.434 5 como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 3434DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.435 6 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Fl. 3435DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.436 7 Alfim, salientase que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, processo nº 16327.002231/200285, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, processo nº 16327.002243/9971, Relator Conselheiro Valmir Sandri, Redatora Designada Conselheira. Viviane Vidal Wagner) À luz dos argumentos expostos, impõese reconhecer a legalidade da incidência dos juros de mora, calculado com base na taxa SELIC, sobre a multa aplicada. CONCLUSÃO: devese conhecer do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 3436DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000372/2004-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
NORMAS. REGIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática do acórdão paradigma não é similar á do aresto recorrido. Em concreto, o paradigma analisava a incidência de contribuição sobre receitas financeiras de instituição bancária e o acórdão a quo sobre receitas financeiras de empresa de fomento mercantil.
Numero da decisão: 9303-007.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 NORMAS. REGIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática do acórdão paradigma não é similar á do aresto recorrido. Em concreto, o paradigma analisava a incidência de contribuição sobre receitas financeiras de instituição bancária e o acórdão a quo sobre receitas financeiras de empresa de fomento mercantil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 72 /2 00 4- 25 Fl. 1000DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo originado do auto de infração de efls. 011 a 022, cientificado à contribuinte em 26/03/2004 (efl. 30). No auto de infração é realizada a exigência de créditos tributários de Cofins, por falta ou insuficiência de recolhimento ou pagamento da Cofins, referentes aos períodos de apuração de 01/01/1999 a 31/12/2001. O valor do crédito apurado, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, montaram à R$ 46.291,26, à data do lançamento, 15/03/2004. Na descrição dos fatos, relatada em Termo de Verificação à efl. 28, constatouse em trabalho de revisão interna que a contribuinte informou em suas DIPJ/2000, 2001 e 2002 apenas receitas de serviços e outras operacionais. Cotejandose os valores oferecidos à tributação do PIS e da COFINS nas referidas DIPJ, verificouse que o contribuinte ofereceu à tributação apenas as receitas decorrentes de prestação de serviços, omitindo à tributação as demais receitas operacionais. A contribuinte apresentou impugnação às efls. 31 a 56, em 26/04/2004. A 8ª Turma da DRJ/SPOI, no acórdão nº 1614.308, prolatado em 07/08/2007, às efls. 96 a 104, considerou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Em 16/10/2008, o Chefe da DICAT/DERAT/SPO, retificou de ofício o lançamento, cancelando o lançamento dos créditos tributários para os fatos geradores anteriores a março de 1999, alcançados pela decadência, com base no art. 150 do CTN, haja vista a existência de pagamentos, e os critérios da Súmula Vinculante nº 8 do STF que orientou o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008. Intimada do acórdão da DRJ em 19/11/2008 (efl. 117), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 19/12/2008, às efls. 121 a 140. Argumentou, em síntese: tratarse de infração apurada apenas em relação a receitas financeiras, alegando ser inconstitucional a exigência da Cofins para além do faturamento; afirmou ser possível o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei na instancia administrativa; e contestou a legalidade dos juros exigidos com base na taxa Selic. Após análise do recurso voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 12/08/2011, por unanimidade, concluiu por converter o julgamento em diligência, na Resolução nº 330200.163, às efls. 179 a 183. A diligência decorreu da inexistência nos autos de qualquer evidência de que as "outras receitas" não oferecidas à tributação fossem receitas financeiras. Nem a contribuinte nem a fiscalização discriminaram a origem dessas receitas, sendo extremamente provável que entre elas se encontrassem incluídas receitas financeiras. Em cumprimento à resolução, foi realizada diligência e apurado que as "outras receitas operacionais" tinham a natureza de receitas financeiras (juros relativos a títulos de crédito) e recuperação de custos (reembolso de valores oriundos do resgate de títulos, e.g. IOF). O resultado da diligência foi apresentado em Relatório Fiscal de efls. 921 a 924, datado de 13/03/2013 que concluiu nos seguintes termos: Portanto, para o ano de 1999 constatamos que as alegações do sujeito passivo são parcialmente corretas. Assiste razão quanto ao cálculo das contribuições para o PIS e são insubsistentes em relação à COFINS, conforme o material apresentado em resposta ao nosso termo de início. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 16327.000372/200425 Acórdão n.º 9303007.360 CSRFT3 Fl. 1001 3 Para os anos calendário subsequentes, 2000 e 2001, o sujeito passivo não alegou quaisquer diferenças em relação a base de cálculo dos autos de infração. No que diz respeito à natureza das receitas que serviram de base de cálculo aos autos de infração. constatamos a veracidade das alegações feitas pelo contribuinte. Estas foram oriundas de receitas financeiras e de recuperação de custos. conforme os relatórios apresentados. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 29/01/2013, resultando no acórdão nº 3302002.415, às efls. 930 a 935, que tem a seguinte ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. Recurso Voluntário Provido. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. O voto condutor afirma que a unidade preparadora, ao realizar a diligência confirmou serem as receitas objeto da autuação receitas financeiras e de recuperação de custos e que os valores de Cofins recolhidos para o ano de 1999 o foram efetuados com alíquotas corretas, correspondendo ao valor do faturamento indicado na DIPJ. Embargos da Fazenda Intimada para ciência do acórdão em 20/06/2014, a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração em 15/07/2014, às efls. 938 a 940. O então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho nº 3302116, às efls. 942 e 943, em 26/11/2014, negou seguimento ao embargo, por não encontrar omissão, contradição ou obscuridade no acórdão. Recurso especial da Fazenda Intimada do despacho nº 3302116, em 08/12/2014 (efl. 944), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 12/12/2014 (efls. 945 a 961), no qual aponta interpretação divergente entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma nº 3801001.087. A decisão recorrida diante de situação fática semelhante, entendeu que as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98, concluindo pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, uma vez que as receitas operacionais de instituições Fl. 1002DF CARF MF 4 financeiras são, para fins tributários, consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência do PIS e da Cofins. O acórdão a quo, por sua vez, excluiu as receitas financeiras, da base de cálculo da contribuição apurada pela Fiscalização. Ao final, requer o conhecimento e provimento do recurso especial, para que se reforme o aresto recorrido. O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência do Procurador em 15/04/2016, no despacho de efls. 963 a 965, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 3302002.415, recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho que o admitiu, em 29/07/2016 (efl. 970), e apresentou contrarrazões em 12/08/2016, às efls. 972 a 988. Requer que não se conheça do recurso especial de divergência do Procurador, por entender: (i) não haver similitude fática entre o aresto recorrido e o paradigma; (ii) haver necessidade de reexame probatório, o que é impróprio em sede de recurso especial; e (iii) não haver cotejo analítico entre a decisão divergente e a decisão recorrida. Quanto ao mérito, não faz manifestação. (i) se caracterizaria pela singela razão que o sujeito passivo do acórdão paradigma ser um banco, instituição financeira por definição, enquanto a contribuinte é uma empresa de fomento mercantil (factoring), prestadora de serviços como até mesmo seria reconhecido pela Receita Federal no Parecer COSIT nº 05/2014 ao definir a receita bruta dessa atividade. (ii) o aresto recorrido excluiu as receitas da empresa com base em relatório de diligência o que importou reconhecêlas como receitas financeiras, afastadas, ao fim e ao cabo, pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998, e alterar a natureza dessa receitas em sede de recurso especial exigiria revisitar as provas com rediscussão de matéria fática; e (iii) não houve demonstração analítica entre pontos divergentes dos acórdãos paradigma e recorrido, com desatendimento ao § 8º do art. 67 do RICARF, apenas análise dos votos dos Ministros do STF quando da apreciação da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Pelas razões apresentadas, requer que não se conheça do recurso especial de divergência da Fazenda e, caso conhecido, pugna pelo seu desprovimento, para manutenção do acórdão recorrido. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. Conhecimento Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 16327.000372/200425 Acórdão n.º 9303007.360 CSRFT3 Fl. 1002 5 Quanto ao conhecimento, penso que bem andou a contribuinte em suas contrarrazões, mormente pela conjugação dos argumentos (i) e (ii) por ela esgrimidos. Primeiramente, há que se ter por incontestes as receitas sobre as quais a fiscalização fez incidir a Cofins, no seu próprio dizer, ao final da diligência, oriundas de recuperação de custos e receitas financeiras. Além disso, não há qualquer prova quanto a contribuinte atuar ou não em atividade de instituição financeira, exorbitando da atividade de fomento mercantil (factoring.). Ao final, a discussão se centrava no fato de, em se tratando de receitas financeiras, esses ingressos comporem ou não as receitas operacionais da contribuinte. Compondo, sobre ele incidiriam a Cofins, caso contrário, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 afastaria tal incidência. Assim, para caracterização de divergência jurisprudencial no caso, seria necessário que a recorrente apontasse a título de acórdão paradigma uma decisão que: (a) analisasse a atividade de uma empresa de factoring e (b) concluísse que receitas financeiras relativas a juros relacionados títulos de crédito) e recuperação de custos decorrentes do reembolso de valores oriundos do resgate de títulos (e.g. IOF), seriam decorrentes de sua prestação de serviço, compondo o faturamento. Entretanto, não foi isso o que ocorreu. O paradigma aborda a compensação de créditos de Cofins de um banco, com base em decisão judicial em Mandado de Segurança MS transitado em julgado, que objetivara a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. O voto vencedor do paradigma considera o resultado do MS, mas, por se tratar de instituição financeira, classifica a receita financeira como operacional, sem violação à hipótese de incidência da contribuição, bastando o caput dos artigos 2º e 3º para tanto. Nada pode garantir que o colegiado que proferiu a decisão paradigmática, ao se deparar com o contexto fático objeto do presente processo, iria decidir de maneira diversa daquela do acórdão recorrido. A situação fática é distinta, a começar pela atividade do sujeito passivo no acórdão paradigma, inegavelmente, uma instituição financeira, banco. Nesse caso, receitas financeiras fariam parte do conceito de receita operacional e não ficariam afastadas da incidência da Cofins, ainda que se considere inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Não há como ver paralelo com a questão do aresto recorrido, no qual não se estabeleceu qualquer discussão nesse sentido, pois, neste processo, a atividade da contribuinte não foi sequer levada em consideração para a presente discussão, pois até o acórdão recorrido todas as receitas lançadas foram tidas como tributáveis. Haveria necessidade de que o paradigma se estabelecesse sobre a mesma atividade de fomento mercantil (factoring) para que houvesse a admissão da divergência. Dessa forma, em razão da falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, entendo não ser possível estabelecer a divergência jurisprudencial alegada e, com a devida vênia do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional . CONCLUSÃO Fl. 1004DF CARF MF 6 Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1005DF CARF MF
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