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Numero do processo: 10882.908432/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.355
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 32 /2 01 1- 05 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.908432/201105 Acórdão n.º 3401003.355 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/10/2008 a 31/12/2008. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.012, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.908432/201105 Acórdão n.º 3401003.355 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.908432/201105 Acórdão n.º 3401003.355 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.908432/201105 Acórdão n.º 3401003.355 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.908432/201105 Acórdão n.º 3401003.355 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.908432/201105 Acórdão n.º 3401003.355 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.908432/201105 Acórdão n.º 3401003.355 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.908432/201105 Acórdão n.º 3401003.355 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.908432/201105 Acórdão n.º 3401003.355 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000424/2007-40
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DE DIFERENÇA NÃO
DECLARADA. CABIMENTO.
A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a
existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente (STJ Recurso Repetitivo).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
A sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (STJ Recurso Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-000.843
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DE DIFERENÇA NÃO DECLARADA. CABIMENTO. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente (STJ Recurso Repetitivo). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. A sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (STJ Recurso Repetitivo). Fl. 223DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000424/200740 Acórdão n.º 180300.843 S1TE03 Fl. 109 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000424/200740 Acórdão n.º 180300.843 S1TE03 Fl. 110 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 73verso e 74): Tratase do Auto de Infração nº 0001531 (fls. 22/23), lavrado em 05/03/2007, relativo ao anocalendário de 2003, que pretende a cobrança de um crédito tributário no montante de R$ 63.036,94 (sessenta e três mil e trinta e seis reais e noventa e quatro centavos), referente a multa de mora paga a menor. De acordo com a descrição dos fatos, o lançamento originouse da realização de Auditoria Interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), relativa aos 1º, 2º e 4º trimestres de 2003, tendo sido constatadas irregularidades nos créditos vinculados informados na DCTF, conforme indicado no Demonstrativo de Pagamentos Efetuados após o Vencimento (Anexo IIb, fl. 25, 27 e 29) e no Demonstrativo de Multa e Juros a Pagar — Não Pagos ou Pagos a Menor (Anexo IV, fl. 30). Informa que o contribuinte efetuou pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, após o vencimento, com insuficiência dos acréscimos moratórios devidos. O contribuinte tomou ciência do lançamento, via correio, em 12/04/2007 (fl. 68), e, em 14/05/2007 [segundafeira], apresentou a impugnação de fls. 01 a 19, alegando, em síntese: • apurou o tributo devido, bem como o declarou e recolheu tempestivamente, tendo, porém, constatado, posteriormente, um equívoco no procedimento da apuração, motivo pelo qual efetuou o pagamento da diferença com os acréscimos correspondentes, encaminhando retificadora das DCTF, todo este trâmite tendo sido realizado antes de qualquer procedimento administrativo, tendo o pagamento sido efetuado como denúncia espontânea, de acordo com o art. 138 do CTN, devendo ser afastada veementemente a multa moratória; • com relação a janeiro de 2003, inicialmente encaminhou DCTF em que informou que não apurara crédito de CSLL na competência de 2003 (fl. 44). Posteriormente, após procedimento de auditoria interna, verificou que cometera um equívoco na apuração, sendo que o montante da CSLL apurada foi de R$ 311.326,83, pelo que encaminhou, em 13/01/2005, DCTF retificadora (fl. 47), sendo que antes, em 27/12/2004, recolheu a diferença apurada, o equivalente a R$ 411.326,83, acrescida de juros (fl. 49); • com relação a abril de 2003, inicialmente encaminhou DCTF em que indicou, como débito de CSLL, o montante de R$ 214.649,42 (fl. 51 a 53). Posteriormente, após procedimento de auditoria interna, verificou que cometera um equívoco na apuração, sendo que o montante de CSLL apurado representava, em realidade, R$ 214.802,15, pelo que encaminhou, em 14/01/2005, DCTF retificadora (fl. 55/56), sendo que antes, em 27/12/2004, recolheu a diferença apurada, o equivalente a R$ 193,05, acrescida de juros (fl. 58); • com relação a outubro de 2003, inicialmente encaminhou DCTF em que indicou como débito de CSLL o montante de R$ 71.919,81 (fl. 60 a 62). Posteriormente, após procedimento de auditoria interna, verificou que cometera um Fl. 225DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000424/200740 Acórdão n.º 180300.843 S1TE03 Fl. 111 4 equívoco na apuração, sendo que o montante de CSLL apurada representava, em realidade, R$ 75.387,82, pelo que encaminhou, em 25/01/2005, DCTF retificadora (fl. 64/65), sendo que antes, em 27/12/2004, recolheu a diferença apurada, o equivalente a R$ 4.023,93, acrescida de juros (fl. 67). Discorre o contribuinte sobre a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, citando, na sua exposição, trechos de doutrina e julgados que entende embasar o seu entendimento sobre a não aplicação da multa de mora no caso em tela, e requer, ao final, que seja conhecido e dado provimento à presente impugnação, de forma a cancelar o auto de infração, tendo em vista o pagamento dos tributos com os benefícios da denúncia espontânea, afastando, por consequência, a exigência da multa ora exigida. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 73): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 15/05/2009 (fls. 78), a tempo, em 02/06/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 79 a 95, instruído com os documentos de fls. 96 a 105, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000424/200740 Acórdão n.º 180300.843 S1TE03 Fl. 112 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Conforme sintetiza a Recorrente, o que sucedeu no presente processo foi o seguinte (fls. 86): No caso em análise, a empresa apurou o tributo devido, declarou e recolheu tempestivamente. Posteriormente, verificou em sua escrita fiscal equívocos e realizou o pagamento da diferença apurada, antes da constituição do crédito tributário, e antes de enviar a DCTF retificadora. 5. Melhor explicitando (fls. 42 a 67): DATA DO PAGAMENTO DATA DA DCTF DATA DO PAGAMENTO DATA DA DCTF ORIGINAL ORIGINAL COMPLEMENTAR RETIFICADORA 15/5/2003 27/12/2004 13/1/2005 30/5/2003 18/8/2003 27/12/2004 14/1/2005 28/11/2003 13/2/2004 27/12/2004 25/1/2005 6. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICarf), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 7. Relativamente à questão do recolhimento de diferenças não declaradas, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000424/200740 Acórdão n.º 180300.843 S1TE03 Fl. 113 6 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante, em 1996, apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995, e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que, agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades Fl. 228DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000424/200740 Acórdão n.º 180300.843 S1TE03 Fl. 114 7 pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.149.022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) 8. Por conseguinte, correta a ementa adotada pelo acórdão recorrido, porém, inaplicável ao presente caso (fls. 73): O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 229DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
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Numero do processo: 10855.724963/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008, 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
MULTA QUALIFICADA. CIRCUNSTÂNCIAS CARACTERIZADORAS. INDÍCIOS CONVERGENTES
A presença de diversos indícios convergentes leva à convicção da atuação conjunta e ilícita dos participantes da operação autuada, ensejando a tipificação no art. 73 da Lei 4.502/64 e a qualificação da multa de ofício.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
IPI. APURAÇÃO DO IMPOSTO. MEDIDA JUDICIAL. VENDA SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. CONSTITUIÇÃO DA EXIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO.
Deve ser exigido em auto de infração o valor do crédito tributário que deixou de ser lançado na nota fiscal e no Livro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, cuja medida judicial liminar tenha perdido eficácia, mormente quando constatado que o sujeito passivo deixou de fazê-lo em ação orquestrada com outra pessoa jurídica.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE DESTAQUE DE IPI COM COBERTURA DE CRÉDITO.
A multa isolada por falta de destaque de IPI com cobertura de crédito encontra-se prevista na legislação vigente, art. 80, §8, da Lei 4.502/64.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.201
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008, 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. MULTA QUALIFICADA. CIRCUNSTÂNCIAS CARACTERIZADORAS. INDÍCIOS CONVERGENTES A presença de diversos indícios convergentes leva à convicção da atuação conjunta e ilícita dos participantes da operação autuada, ensejando a tipificação no art. 73 da Lei 4.502/64 e a qualificação da multa de ofício. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 IPI. APURAÇÃO DO IMPOSTO. MEDIDA JUDICIAL. VENDA SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. CONSTITUIÇÃO DA EXIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser exigido em auto de infração o valor do crédito tributário que deixou de ser lançado na nota fiscal e no Livro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, cuja medida judicial liminar tenha perdido eficácia, mormente quando constatado que o sujeito passivo deixou de fazê-lo em ação orquestrada com outra pessoa jurídica. MULTA ISOLADA POR FALTA DE DESTAQUE DE IPI COM COBERTURA DE CRÉDITO. A multa isolada por falta de destaque de IPI com cobertura de crédito encontra-se prevista na legislação vigente, art. 80, §8, da Lei 4.502/64. Recurso Voluntário Negado
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NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. MULTA QUALIFICADA. CIRCUNSTÂNCIAS CARACTERIZADORAS. INDÍCIOS CONVERGENTES A presença de diversos indícios convergentes leva à convicção da atuação conjunta e ilícita dos participantes da operação autuada, ensejando a tipificação no art. 73 da Lei 4.502/64 e a qualificação da multa de ofício. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 IPI. APURAÇÃO DO IMPOSTO. MEDIDA JUDICIAL. VENDA SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. CONSTITUIÇÃO DA EXIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser exigido em auto de infração o valor do crédito tributário que deixou de ser lançado na nota fiscal e no Livro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, cuja medida judicial liminar tenha perdido eficácia, mormente quando constatado que o sujeito passivo deixou de fazê-lo em ação orquestrada com outra pessoa jurídica. MULTA ISOLADA POR FALTA DE DESTAQUE DE IPI COM COBERTURA DE CRÉDITO. Fl. 2147DF CARF MF 2 A multa isolada por falta de destaque de IPI com cobertura de crédito encontra-se prevista na legislação vigente, art. 80, §8, da Lei 4.502/64. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas – Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Considerando requerimento verbal da PFN e baseado no fato de que há trechos do processo administrativo que reproduzem partes e documentos de processo judicial que está sob segredo de justiça, o julgamento foi realizado em sessão fechada. O pedido de restrição da publicidade do julgamento foi fundamentado nos arts. 5º, X e LX, e art. 93, ambos da CF/88. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Diego Z. S. Campoi, OAB/SP 236.018. Fez sustentação oral pela PGFN o Dr. Fabrício Sarmanho de Alburquerque. Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado na decisão recorrida: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002; consoante capitulação legal consignada às fls. 869, 871 e 872, foi lavrado o auto de infração às fls. 863 e 864, em 21/11/2012, para exigir R$ 30.309.776,64 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 11.736.876,18 de juros de mora calculados até 30/11/2012, R$ 45.464.665,15 de multa proporcional ao valor do imposto e R$ 73.594.615,78 de multa correspondente ao IPI não lançado com cobertura de crédito, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 161.105.933,75. Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 2 3 Consoante a descrição dos fatos às fls. 865/872 que remete ao relatório fiscal às fls. 831/842, houve as saídas de cervejas de malte, nos decêndios de janeiro a agosto de 2008 e nos meses de agosto a dezembro de 2008, e de águas (águas minerais e águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas), nos decêndios de janeiro a agosto de 2008 e nos meses de agosto a novembro de 2008, sem o lançamento de IPI em virtude da utilização incorreta de suspensão de exigibilidade do IPI por força de medida judicial concedida em 28/10/2004 (antecipação de tutela) no âmbito de Ação de Procedimento Ordinário com Pedido de Antecipação de Tutela (Processo nº 20045110006486-6) e cassada em 11/01/2010. A ação ordinária foi impetrada pela empresa Leyroz de Caxias Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda. (CNPJ nº 06.958.578/0001-31), cliente do sujeito passivo, doravante referida como LEYROZ. As notas fiscais de saída sem destaque do imposto têm como destinatário a sobredita empresa. Aduz a autoridade fiscal no relatório fiscal: “2.9 Em 07/05 e 19/06/2012 a LEYROZ DE CAXIAS DISTRIBUIDORA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA. – CNPJ nº 06.958.578/0005-65, cliente da CERVEJARIA PETRÓPOLIS de Boituva/SP, por intermédio de MPF – Vinculado, foi intimada a apresentar a Certidão de Objeto e Pé referente ao processo judicial nº 2004.51.10.006486-6; 2.10 Em 29/06/2012, a mencionada distribuidora de gêneros alimentícios apresentou cópia autenticada de certidão lavrada em 21/06/2012, cujo teor, no entendimento desta fiscalização, não se apresentava claro quanto à manutenção da liminar em questão em favor do impetrante LEYROZ DE CAXIAS; 2.11 Posteriormente, esta fiscalização tomou conhecimento, através da PSFN/SOR – Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Sorocaba/SP, de notícia encaminhada pela PRFN – 2ª REGIÃO/RJ referente ao afastamento do Juiz Federal titular da 4ª Vara Federal de São João de Meriti/RJ da condução do processo originário proposto pela LEYROZ DE CAXIAS; 2.12 Fomos informados também que o Juiz Federal convocado, no afastamento do Relator, proferiu, em 11/01/2010, a seguinte decisão juntada ao Processo de Acompanhamento Judicial – DERAT/RJO nº 15374.000403/2009-24, abaixo transcrita, cassando a liminar concedida: “Vistos etc. A manifestação trazida pela União com abundantes elementos documentais sobre as circunstâncias de fato que cercam o Fl. 2149DF CARF MF 4 presente feito será examinada com mais vagar após o devido debate entre os interessados. Inobstante esse fato, verifico, desde logo, a existência de imbróglio processual passível de imediato saneamento. Após o deferimento da antecipação de tutela pelo Juízo de origem (fls. 71/76), houve, pela União, interposição de agravo de instrumento perante esta Corte, em cujos autos foi proferida decisão monocrática atributiva de efeito suspensivo (fls. 466/475). Ocorre que, antes de comunicado o teor dessa decisão, o Juízo de origem proferiu sentença ratificando a liminar e julgando procedente o pedido, e não mais dispondo, a partir de então, sobre o cumprimento da ordem emanada desta Corte Revisora. Tudo isso configura situação de descumprimento frontal de ordem emanada desta Corte Revisora, que foi solenemente ignorada pelo Juízo de origem, que passou a oficiar a todas as empresas ‘clientes’ da parte autora (fls. 477 ss.) como se a liminar ainda estivesse a produzir seus efeitos. Isso reclama imediata correção por parte desta Relatoria, pois a ratificação de liminar por sentença não tem o condão de afastar manifestação em contrário emanada da Corte 'ad quem'. O art. 520, VII, do CPC somente tem aplicação quando a medida antecipatória seja eficaz, não se podendo retirar o efeito suspensivo da apelação quando a aludida liminar tenha sido suspensa ou cassada. Assim, com fundamento no art. 558, p. u., do CPC, atribuo à apelação da União efeito suspensivo, sustando os efeitos da liminar de fls. 71/76 e de sua retificação pela sentença recorrida.” (...) 2.12 No prosseguimento da ação fiscal, em resposta ao Termo de Intimação Nº 003, a CERVEJARIA PETRÓPOLIS S/A sustenta que a suspensão do destaque do IPI nas saídas realizadas para a LEYROZ, objeto da liminar na Ação nº 2004.51.10.006486-6, vigorou no período de 28/10/2004 a 11/01/2010, tendo sua eficácia judicial restabelecida em 31/05/2012, por ocasião da decisão monocrática do STJ no AREsp nº 154.837/RJ, com cópia fornecida pelo intimado, a qual faz parte integrante dos autos. 3. CONSIDERAÇÕES 3.1 Verifica-se que, na conjuntura em tela, o contribuinte fiscalizado reitera a mesma postura constatada por ocasião da lavratura do Auto de Infração – IPI relativo ao período de 2005 a 2007 (MPF 0811000-2007-00224), ou seja, dá saída a título de vendas de produtos fabricados naquela unidade industrial sem o destaque de IPI por força de medida judicial impetrada por seu cliente, que não é contribuinte daquele tributo; Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 3 5 3.2 O imposto que deveria ser incluso nessa operação não causaria prejuízo algum à distribuidora de bebidas, dado que seria repassado integralmente aos consumidores; 3.3 Ademais, o Regulamento do IPI é claro nessa situação específica, estabelecendo que as bebidas do capítulo 22 da Tipi serão tributadas uma única vez, na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (RIPI/2002 – Art. 143, inciso I, combinado com o Art. 139); 3.4 A fiscalizada, a princípio, expressou sua neutralidade com relação à medida judicial impetrada pela LEYROZ DE CAXIAS, comunicando que não fazia parte do processo judicial que pleiteava a suspensão de exigibilidade do IPI nas saídas para aquela distribuidora, entretanto, posteriormente, tomou partido da sua cliente, afirmando categoricamente que, em que pese a decisão do TRF/2-RJ de 11/01/2010 restabelecendo a obrigatoriedade de lançamento do IPI nas Notas Fiscais de Saída, tal situação vigorou até a decisão do Exmo. Ministro do STJ Napoleão Nunes Maia Filho no AREsp 154.837/RJ, em 31/05/2012; 3.5 Tal posicionamento pode se prender ao fato de que a LEYROZ DE CAXIAS - CNPJ nº 06.958.578/0005-65 adquiriu 68,8% (R$ 952.266.425,73 – DIPJ Ex 2009/2008) do total das mercadorias da CERVEJARIA PETRÓPOLIS – Unidade Boituva/SP que deram saída para o mercado interno sem destaque de IPI no ano-calendário de 2008 (Total de saídas de mercadorias sem destaque de IPI: R$ 1.384.345.035,61 – DIPJ Ex 2009/2008), podendo ser, de certa forma, considerado um cliente preferencial, em virtude do volume de compras; 3.6 No entendimento desta fiscalização, s.m.j., o Exmo. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho apenas determinou, na decisão de 31/05/2012 pronunciada no AREsp nº 154.837/RJ, que o processo retornasse ao TRF/2-RJ a fim de que fossem rejulgados os embargos de declaração apresentados pela LEYROZ DE CAXIAS numa fase processual anterior, onde já prevalecia o acórdão TRF/2 da reforma de decisão favorável à União, em razão do quadro descrito nos itens 2.13 e 2.14; 3.7 Conforme esclarecimentos da PSFN/SOR, a Procuradoria da Fazenda tem o entendimento de que os embargos de declaração somente serão recebidos no efeito suspensivo se o recurso subsequente for dotado desse efeito. Na hipótese contrária, não haverá que se falar em suspensão dos efeitos da decisão embargada; 3.8 No caso em questão, o recurso subsequente trata de impugnação da decisão TRF/2 mediante a interposição de recurso especial, destituído de efeito suspensivo, conforme o estabelecido no Art. 497 do Código de Processo Civil – Fl. 2151DF CARF MF 6 Lei Nº 5.869/73, onde está dito que os recursos extraordinário e especial não obstam a execução do julgado e que o agravo de instrumento não impede o andamento do feito. Logo, não há que se falar que os embargos de declaração na presente hipótese tivessem tal prerrogativa; 3.9 Dessa forma, no entendimento desta fiscalização, o IPI em tela não se encontra com exigibilidade suspensa, sendo passível de lançamento de ofício, tendo por sujeito passivo o estabelecimento produtor”. (destaques do original) Em virtude de autuação anterior (processo nº 10855.720713/2010-76), sendo o saldo devedor no terceiro decêndio de maio de 2007 de R$ 1.358.720,97, foi empreendida a recomposição dos saldos da escrita fiscal até o último decêndio de dezembro de 2007, com um saldo credor de R$ 21.011.788,31. Acrescenta o exator: “5.1 Após a análise da situação em questão, resta constatado que tanto o produtor, CERVEJARIA PETRÓPOLIS S/A, como o cliente, LEYROZ DE CAXIAS DISTRIBUIDORA LTDA., beneficiaram-se da não exigibilidade do IPI nas saídas dos produtos; 5.2 O produtor, que deixou de lançar o IPI na sua escrituração fiscal, apurou saldos credores elevados deste tributo, podendo usá-los para deduzir os eventuais débitos escriturados no período, deixando de recolher IPI e carregando o excedente do crédito para o outro período de apuração, além de comercializar seu produto por um preço de venda inferior, sem reduzir o seu lucro; 5.3 O cliente, por sua vez, que pode vender sua mercadoria a preço de mercado, auferindo, dessa forma, uma maior margem de lucro, dado que a adquiriu por um preço mais baixo daquele que seria praticado se o IPI estivesse destacado na nota fiscal da compra; 5.4 Por esse prisma, verifica-se a existência consistente de indícios de um acordo entre as partes visando à utilização da suspensão judicial da exigibilidade do IPI, fato esse que viria acarretar vantagens aos dois participantes da transação: vendedor e comprador; 5.5 Além disso, tal prática já havia sido constatada no procedimento fiscal que abrangeu o período de 2005 a 2007 (MPF 0811000-2007-00224), configurando-se, no atual período de verificação, a reiteração da conduta; 5.6 Dessa forma, não há como deixar de se promover a qualificação da multa de ofício para 150% e de se efetuar a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais”. Houve, portanto, a duplicação da multa de ofício conforme o § 6º do art. 80, inciso II da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, incluído pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, pois o Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 4 7 sujeito passivo atuou, de forma reincidente, com a finalidade de suprimir obrigações tributárias. O imposto devido é discriminado no demonstrativo de apuração do IPI às fls. 873/887, conforme as quantidades e o IPI por unidade correspondente às classes de valores. A reconstituição da escrita fiscal, com diferenças a cobrar, consta dos demonstrativos às fls. 861, 862, 889 e 890. A apuração da multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito, calculada no bojo da reconstituição da escrita fiscal, encontra-se às fls. 891 e 892. Pelo termo de ciência de fls. 897 e 898, a empresa tomou ciência da exigência fiscal em 27/11/2012 por intermédio do preposto. Insubmissa, a contribuinte apresentou, em 21/12/2012, a impugnação às fls. 914/957, subscrita pelo patrono constituído pelo instrumento legal às fls. 964/966, em que sustenta, em síntese, que: a) a autoridade fiscal confundiu a suspensão do IPI, como técnica tributária para desoneração da cadeia produtiva (enquadramento nos arts. 36, 41 e 42 do RIPI/2002), com a suspensão da exigibilidade prevista no CTN, art. 151, V (concessão de medida liminar ou de tutela antecipada), em comprometimento da conclusão do relatório fiscal; b) a autoridade fiscal entendeu erroneamente que o valor do IPI não destacado por determinação judicial em ação interposta por terceiro (a empresa distribuidora Leyroz de Caxias) é devido pela impugnante; aduz, de forma jocosa, que a autoridade fiscal deseja “impor que a empresa Leyroz coma uvas verdes e à impugnante se embote o paladar”; o IPI não recolhido por determinação judicial (suspensão da exigibilidade) não pode ser exigido da impugnante porque esta não é parte no processo judicial nº 2004.51.10.006486-6, sendo que a decisão judicial (antecipação de tutela) operou efeitos em relação à impugnante quanto ao período de janeiro a dezembro de 2008 (somente depois da comunicação da revogação, no início de 2010, a impugnante passou a destacar novamente o imposto); conforme o CPC, art. 472, a sentença faz coisa julgada às partes envolvidas e não pode prejudicar terceiros, assim como, pelo art. 811, a repercussão de antecipação de tutela não recair sobre terceiro não participante da ação; a impugnante não poderia se furtar ao cumprimento da determinação judicial (CPC, art. 14, V); c) por cautela, a impugnante efetuou consulta administrativa pela qual a Receita Federal assegurou a responsabilidade tributária do contribuinte de fato no caso de insucesso da ação judicial (Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 60/2006, anexada), estando protegida de instauração de procedimento fiscal (PAF, art. 48); portanto, afastada a possibilidade de desobediência à ordem judicial, conforme o teor da solução de Fl. 2153DF CARF MF 8 consulta; há também o entendimento contido na Solução de Divergência COSIT nº 27, de 29/10/2002; idem, quanto à Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 139, de 17/02/2000, e ao Acórdão nº 201-77.857, dimanado do Conselho de Contribuintes; as soluções de consulta integram o conceito de legislação tributária (CTN, art. 100); d) os princípios são pilares do ordenamento jurídico e devem ser observados, como o princípio administrativo da hierarquia, e o auto de infração configura violação da tripartição de poderes, sendo que o descumprimento da ordem judicial implica excesso de exação (CP, art. 316, § 1º); e) a multa qualificada é nula ou improcedente porque não houve reiteração de conduta, tendo sido a divisão em duas autuações (dois períodos) mera opção da fiscalização; a suspensão da exigibilidade abarca um período contínuo; ademais, o processo nº 10855.720713/2010-76 não “transitou em julgado” administrativamente; e) a multa isolada é nula ou improcedente por falta de fundamentação legal ou motivação no relatório fiscal, sendo que, inclusive, houve a revogação expressa dos dispositivos legais indicados (art. 80, incisos I e II da Lei 4.502/64) pela Lei nº 11.488/2007; sendo o caso de preterição do direito de defesa em virtude da falta de motivação, há a nulidade do art. 59, II, do PAF, conforme precedentes do Conselho de Contribuintes e doutrina; f) não houve reiteração de conduta, conforme já referido; não há comprovação para a afirmação da fiscalização de que o imposto suspenso não causaria nenhum prejuízo à distribuidora em virtude do repasse do custo ao consumidor e se não houvesse interesse de agir na ação judicial, o juiz da causa teria julgado extinto o processo; são irrelevantes as afirmações sobre os efeitos econômicos da suspensão da exigibilidade para a impugnante (excedente de créditos e prática de preços inferiores sem redução do lucro). Por fim, repisa a argumentação e requer o cancelamento dos créditos tributários do IPI, das multas e dos juros de mora exigidos no auto de infração; ou que, mantida a exigência, que seja anulada a multa de 150% em virtude da inexistência de reincidência específica, e também que seja anulada a multa exigida isoladamente por falta de fundamentação legal e motivação.” Este foi o Relatório no Acórdão de primeira instância administrativa. Ao julgar referida impugnação a 2ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP proferiu o Acórdão nº 14-40.499, de 27/02/2013, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. DOLO. SONEGAÇÃO E CONLUIO. Houve a falta de destaque do imposto nas notas fiscais de saída em conluio com a empresa adquirente (distribuidora de Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 5 9 bebidas), esta sem legitimidade ativa, como meramente contribuinte de fato, para a impetração de ação judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do imposto apurado sob o regime de classes de valores. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. Há a exasperação da penalidade pecuniária, com a duplicação da penalidade básica (150%), observada uma ou mais das circunstâncias qualificativas previstas na legislação. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. A penalidade pecuniária é imposta ainda que haja cobertura de créditos para o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, conforme previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ENQUADRAMENTO LEGAL INADEQUADO. DIREITO DE DEFESA. Ainda que haja equívoco na capitulação legal da exigência fiscal, a descrição dos fatos circunstanciada e suficiente na caracterização da infração tributária supre o vício da peça fiscal, sem prejuízo do direito de defesa do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário repisando basicamente as mesmas argumentações de sua impugnação e que podem ser assim resumidas: - requer a nulidade do auto de infração em decorrência do incorreto enquadramento da infração. Sustenta que a autoridade fiscal teria confundido a suspensão do IPI, como técnica tributária para desoneração da cadeia produtiva (enquadramento nos arts. 36, 41 e 42 do RIPI/2002), com a suspensão da exigibilidade prevista no CTN, art. 151, V (concessão de medida liminar ou de tutela antecipada), em comprometimento da conclusão do relatório fiscal. Afirma que houve cerceamento ao seu direito de defesa, pois “impugna em sua defesa dispositivos legais completamente inaplicáveis ao fato concreto”; - sustenta que o IPI deixou de ser destacado e recolhido em face de ação judicial ajuizada por terceiro sem vínculo com a recorrente e nesta condição só caberia a ela o cumprimento estrito da ordem judicial, sob pena de responder por crime de desobediência. Nesta condição o IPI deveria ser cobrado da autora da ação judicial a qual deveria arcar com os riscos da demanda judicial nos termos dos artigos 472 e 811 do CPC; - afirma que ao contrário da acusação fiscal, a recorrente não é beneficiada pela decisão judicial. Faz um quadro demonstrativo para afirmar que “ao não ter recebido em dinheiro pelo IPI incidente na saída, no exemplo mencionado e, consequentemente, tido a Fl. 2155DF CARF MF 10 oportunidade de compensar o débito da saída com o crédito da entrada, que não tem correção monetária, em seu ativo, ao invés do valor em dinheiro que seria recebido na venda”; - afirma que tanto a autoridade fiscal quanto a decisão recorrida acusam a recorrente de conluio, sem qualquer comprovação; - destaca que durante todo o período da autuação, ano-calendário de 2008, a determinação judicial para deixar de destacar o IPI nas vendas para a sua cliente Leyroz estava em vigor e que só foi comunicada da revogação no início do ano de 2010. Nesta circunstância o IPI que deixou de ser recolhido deveria ser exigido da Leyroz, autora e única beneficiária da decisão judicial; - transcreve a ementa da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/Disit nº 60/2006, da qual figura como consulente, cujo teor afastaria qualquer responsabilidade quanto ao recolhimento do IPI que deixou de ser pago em face de decisão judicial interposta por terceiro. Afirma que a decisão recorrida negou efeitos a esta Solução de Consulta sob o fundamento de que a recorrente teria omitido o fato de ser parte do litígio objeto da consulta. Afirma que esta conclusão deve ser afastada pois não há elementos de prova de que a recorrente faça parte do processo judicial, muito pelo contrário, pois não há qualquer menção ao seu nome na Certidão de Objeto e Pé, fornecida pelo TRF02; - pede o cancelamento da multa qualificada. Defende que ela foi aplicada com fundamento em reincidência de conduta e que a decisão recorrida teria alterado a sua fundamentação para a ocorrência das circunstâncias agravantes previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 (fraude, conluio e sonegação). Nesta condição a decisão recorrida teria modificado o critério jurídico da aplicação da multa, o que não é permitido, pois contrariaria todos os princípios do processo administrativo fiscal. Afirma que não houve reincidência pelo fato de que o processo administrativo anterior, com a mesma acusação, não transitou em julgado. Menciona que a legislação apontada como fundamento para a qualificação da multa exige que ocorra mais de uma das circunstâncias previstas nos art. 71, 72 e 73, sendo que não foi apontado pelo julgador quais foram estas circunstâncias, tendo a decisão afirmado que haveria tido um concerto de ações entre a recorrente e a empresa Leyroz, tendo sido atribuído genericamente o conceito de conluio a estes fatos; - defende o cancelamento da multa isolada pois teria sido aplicada sem qualquer fundamentação legal ou mesmo motivação no relatório fiscal e que desta forma a recorrente sequer tem condições de saber a imputação a ela atribuída, configurando evidente cerceamento do direito de defesa. Afirma também que os dispositivos legais citados para a sua aplicação teriam sido revogados expressamente pelo art. 40 da Lei nº 11.488/2007, ou seja antes mesmo da prática dos fatos geradores. Argumenta que os artigos do RIPI citados pelo acórdão recorrido, para a manutenção da citada multa, não teriam sido mencionados no auto de infração o que também implicaria em mudança do critério jurídico. Em 26/01/2016 o processo foi a julgamento nesta turma, porém foi convertido em diligência, por meio da Resolução 3301-000.222, para que fossem juntados aos autos: a) certidão de objeto e pé e cópia de todas as decisões judiciais acima referenciadas, inclusive em nome da empresa Leyroz de Caxias Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda., oficiando, caso necessário, a(s) instância(s) judicial(is) correspondente(s), dada a necessidade de instrução dos presentes autos em que a empresa interessada não recolheu significativo montante dos Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 6 11 tributos a que estava obrigada por força de decisão judicial em nome de terceiro; b) informar por qual razão o processo em nome de Leyroz de Caxias Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda. corre em segredo de justiça. A motivação da conversão em diligência pode ser compreendida a partir do seguinte trecho da Resolução (fl. 1.076): “Ao que parece, somente em vista da cassação da cautelar, ocorrida em 11/01/2010, passou a não mais vigorar a medida judicial que impedia o destaque do IPI outrora conferida via antecipação de tutela (em 28/10/2004) nas vendas realizadas à pessoa jurídica Leyroz de Caxias Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda. Resta ainda evidente o imbróglio quanto à possibilidade de uma sentença posterior confirmar os efeitos da antecipação de tutela em caso onde o Tribunal ad quem, anteriormente, cassou aludida antecipação via agravo de instrumento.” Retornados os autos à origem, foram intimados o contribuinte e a empresa E- Ouro Gestão e Participações Eireli, atual denominação da Leyroz. As empresas apresentaram algumas peças processuais e certidão de objeto e pé emitida em 2012. A Leyroz informa, fl. 1.153, que o motivo do segredo de justiça, solicitado pela União, foi o sigilo fiscal. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi solicitada, também, a apresentar as peças processuais, trazendo o conjunto mais completo (fls. 1.340 a 2.122). À fl. 1.340 a PGFN informa o motivo do sigilo fiscal: “Respondendo primeiramente ao questionamento 'b' do ofício, informo que o processo passou a tramitar em segredo de justiça por pedido da própria União que, às fls. 652/705 do processo judicial, requereu a juntada de dados sujeitos a sigilo fiscal. O deferimento do segredo de justiça deu-se em 08/10/2010. Nesta petição, a União narra a tramitação anômala que o processo judicial vinha percorrendo, requer providências imediatas para a regularização do processo, revela a existência de empresas de fachado ligadas à autora e a interposição de pessoas físicas e jurídicas com o escopo de manipular o processo civil e a tributação de forma fraudulenta” Importa, por último, relatar as decisões judiciais mais recentes, nas palavras da PGFN: Fl. 2157DF CARF MF 12 “-houve um acórdão às fls. 1643/1676 1 , proferido em junho de 2010, dando provimento ao recurso da União. Esse acórdão foi atacado por Embargos de Declaração do contribuinte às fls. 1682/1699, improvidos às fls. 1724/1728. O contribuinte, então, interpôs recursos especial e extraordinário (fls. 1733/1787, que foram inadmitidos às fls. 1844/1847. - às fls. 1848 consta ofício do relator do processo à vice- presidência solicitando informações requeridas pela União Federal e pelo Ministério Público Federal visando a comprovação de fatos gravíssimos. Às fls. 1883/1902, o contribuinte interpôs agravos contra as decisões que negaram seguimento aos recursos especial e extraordinário acima referidos. O agravo relativo ao destrancamento do recurso especial foi provido para determinar a baixa dos autos ao TRF da 2ª Região para que seja apreciado o recurso de embargos de declaração, apenas. A União recorreu dessa decisão para o próprio STJ às fls. 2084/2092 mas não obteve sucesso (fls. 2097/2105). - O processo enfim retornou ao TRF da 2ª Região para, às fls. 2150/216, em abril de 2016, para julgar pareclamento os emabrgtos (sic) [embargos de declaração], sem efeitos infringentes, contudo. Novos recursos especial e extraordinário foram interpostos pelo contribuinte e os autos estão com carga para União contra-arrazoá-los.” É o relatório. 1 A numeração de folhas nesta citação refere-se ao processo judicial Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Preliminar de Nulidade do Auto de Infração O contribuinte requer a nulidade do auto de infração por alegação de cerceamento ao seu direito de defesa, pois na autuação teria havido enquadramento incorreto, já que a autoridade fiscal teria confundido a suspensão do IPI, como técnica tributária para desoneração da cadeia produtiva (enquadramento nos arts. 36, 41 e 42 do RIPI/2002), com a suspensão da exigibilidade prevista no CTN, art. 151, V (concessão de medida liminar ou de tutela antecipada), em comprometimento da conclusão do relatório fiscal. A decisão recorrida afastou a nulidade nos seguintes termos: “Conforme aduz a impugnante, dispositivos do RIPI indicados na capitulação do feito dizem respeito ao instituto da suspensão Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 7 13 do imposto nas saídas de produtos (RIPI/2002, arts. 41 e 42). Na verdade, a suspensão tratada nos autos é a da exigibilidade do crédito tributário, prevista no CTN, art. 151, V. No relatório fiscal o exator deixa claro tal circunstância. Portanto, a narração judiciosa dos fatos empreendida pela autoridade fiscal, no caso vertente, supre o vício de imprecisão do enquadramento legal. Não houve vulneração do direito de defesa, paradigma nuclear do processo administrativo tributário; não houve prejuízo para a defesa cabal do sujeito passivo, tendo este abordado todos os temas relevantes na peça impugnatória.” Tenho que concordar com a decisão recorrida. O Relatório Fiscal, fls. 831/842, faz um relato do procedimento adotado que não deixa qualquer margem a dúvidas de que está se exigindo no presente auto de infração o valor do IPI e correspondente acréscimos legais que deixaram de ser recolhidos em face da alegação da suspensão da exigibilidade do tributo que havia sido determinada por decisão judicial, a qual não estava mais em vigor na data do lançamento. A defesa apresentada pelo contribuinte demonstra que houve o perfeito entendimento quanto a matéria tributada, não ocorrendo qualquer prejuízo ao seu amplo direito de defesa. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II- os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III- a descrição do fato; IV- a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Verifica-se que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciando-lhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. Vale ressaltar que além dos art. 36, 41 e 42 que foram citados Fl. 2159DF CARF MF 14 incorretamente no enquadramento legal, foram também citados os art. 24, inc. II, 122, 123, 127, 130, 143 e 200, inc, IV de forma correta. Ou seja, o suporte legal do lançamento está abrangido na capitulação legal do lançamento e não cabe a argumentação de cerceamento do direito de defesa. Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Mérito Inicialmente, cumpre analisar a questão da suspensão da exigibilidade do IPI. A ciência do lançamento se deu em 27/11/2012 (fl. 898). Nesta data, tanto a antecipação de tutela, quanto a sentença que impediam a exigibilidade do IPI, tinham perdido os efeitos. A antecipação de tutela fora cassada em 11/01/2010, verbis (fl. 1.760): “A manifestação trazida pela União com abundantes elementos documentais sobre as circunstâncias de fato que cercam o presente feito será examinada com mais rigor após o devido debate entre os interessados. Inobstante esse fato, verifico, desde logo, a existência de imbróglio processual passível de imediato saneamento. Após o deferimento da antecipação de tutela pelo juízo de origem (fls. 71/76), houve, pela União, interposição de agravo de instrumento perante esta Corte, em cujos autos foi proferida decisão monocrática atributiva de efeito suspensivo (fls. 466/475). Ocorre que, antes de comunicado o teor dessa decisão, o juízo de origem proferiu sentença ratificando a liminar e julgando procedente o pedido, não mais dispondo, a partir de então, sobre o cumprimento da ordem emanada desta Corte revisora. Tudo isso configura situação de descumprimento frontal da ordem emanada desta Corte revisora, que foi solenemente ignorada pelo juízo de origem, que passou a oficiar a todas as empresas 'clientes' da parte autora (fls. 477 ss) como se a liminar ainda estivesse a produzir seus efeitos. Isso reclama imediata correção por parte desta Relatoria, pois a ratificação de liminar por sentença não tem o condão de afastar manifestação em contrário emanada da Corte ad quem. O art. 520, VII do CPC somente tem aplicação quando a medida antecipatória seja eficaz, não se podendo retirar o efeito suspensivo da apelação quando a aludida liminar tenha sido suspensa ou cassada. Assim, com fundamento no art. 588, p.u., do CPC, atribuo à apelação da União efeito suspensivo, sustando os efeitos da liminar de fls. 71/76 e de sua retificação pela sentença recorrida. (…) Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 8 15 A sentença foi reformada pelo por Acórdão do TRF 2ª Região em 29/06/2010 (fls. 1.786/1.787), para dar provimento à apelação da União. O apelado interpôs embargos declaratórios, mas estes não têm efeito suspensivo, conforme art. 1.026 do novo CPC: Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. § 1o A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Além disso, não existe fundamento para a suspensão de desprovimento judicial, apenas de provimento. Portanto, não havia qualquer medida judicial que suspendesse a exigibilidade do IPI por ocasião do lançamento. A recorrente, como contribuinte do IPI, deveria promover seu recolhimento no prazo de 30 dias após a decisão que considerou devido o tributo, nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/96: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Desse modo, independentemente de ter tido ou não benefício com a suspensão - que dependeria dos preços praticados e outras avenças eventualmente firmadas com a cliente Leyroz - o fato inconteste é que deveria ter procedido ao recolhimento do IPI que não havia recolhido anteriormente por força de medida judicial, e não o tendo feito, imperativo o lançamento de ofício por parte do Auditor-fiscal que o constatou, nos termos do art. 142 do CTN. Após a cassação da medida judicial liminar que suspendia a exigência, o imposto restou novamente exigível sobre todos os fatos geradores passados, posto que a legislação, sem óbice judicial, determina a sua apuração e recolhimento pelo industrial vendedor. No caso, conforme art. 63 citado, o contribuinte poderia ter recolhido o imposto Fl. 2161DF CARF MF 16 faltante no prazo de 30 dias sem multa de mora. Após esse prazo, com multa de mora, se espontâneo. Se constituído de ofício, sobre o imposto faltante evidentemente incide a multa de ofício, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96. Quanto à Solução de Consulta nº 60/2006, também entendo que ela não socorre o contribuinte. Inicialmente pelos mesmos argumentos da decisão recorrida de que a consulente omitiu a informação de que ela mesma era beneficiária do litígio, mas também, que houve omissão quanto ao verdadeiro estágio do processo judicial. Observe o seguinte trecho da Solução de Consulta: (...) 2. Houve a obtenção, nos autos da referida ação, da antecipação de tutela, no sentido de proteger as autoras da incidência do IPI, até que seja editada norma legal que dê respaldo jurídico à pretensão fazendária. A decisão interlocutória monocrática foi objeto de agravo de instrumento que, por fim, julgado improcedente, no sentido de manter a antecipação inicialmente deferida, até que haja o julgamento definitivo. (Destaquei) (...) Agora veja o disposto no despacho do Juiz, a respeito do andamento processual, transcrito no Relatório Fiscal: (...) Após o deferimento da antecipação de tutela pelo Juízo de origem (fls. 71/76), houve, pela União, interposição de agravo de instrumento perante esta Corte, em cujos autos foi proferida decisão monocrática atributiva de efeito suspensivo (fls. 466/475). (Destaquei) Ocorre que, antes de comunicado o teor dessa decisão, o Juízo de origem proferiu sentença ratificando a liminar e julgando procedente o pedido, e não mais dispondo, a partir de então, sobre o cumprimento da ordem emanada desta Corte Revisora. Tudo isso configura situação de descumprimento frontal de ordem emanada desta Corte Revisora, que foi solenemente ignorada pelo Juízo de origem, que passou a oficiar a todas as empresas ‘clientes’ da parte autora (fls. 477 ss.) como se a liminar ainda estivesse a produzir seus efeitos. Isso reclama imediata correção por parte desta Relatoria, pois a ratificação de liminar por sentença não tem o condão de afastar manifestação em contrário emanada da Corte ”ad quem”. O art. 520, VII, do CPC somente tem aplicação quando a medida antecipatória seja eficaz, não se podendo retirar o efeito suspensivo da apelação quando a aludida liminar tenha sido suspensa ou cassada. (Destaquei) Pelo relato do Juiz, não é verdade o que consta da Solução de Consulta, de que o agravo de instrumento foi julgado improcedente e mantida a antecipação de tutela inicialmente deferida. Na situação, ou o contribuinte ocultou na solução de consulta a verdadeira realidade processual, ou o processo judicial informado na consulta não é o mesmo de que se trata o presente processo. Nenhuma das duas hipóteses socorre o contribuinte. A Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 9 17 conclusão a que se chega é somente uma: a Solução de Consulta não se amolda aos fatos ocorridos, seja qual for a hipótese para a informação incorreta constante da citada solução. Também não foi objeto de análise, na Solução de Consulta, as relações havidas entre a recorrente e a cliente Leyroz, como se verá mais adiante. A contribuinte alega sempre que não tem qualquer interesse na ação judicial e que estava somente cumprindo ordens judiciais. Ou seja, ela afirma que estava cumprindo determinação de ofícios da Justiça Federal e que não tinha maiores interesses no resultado da ação uma vez que ela não lhe beneficiava. Chegou a deixar de atender a parte do Termo de Intimação Fiscal nº 001, fls. 314/315, que lhe pedia a apresentação da certidão de objeto e pé da ação judicial que determinava o não lançamento do IPI. Veja os termos de sua resposta, fls. 356: (...) “Não foi possível a obtenção de suas peças em virtude do mesmo tramitar em segredo de justiça, conforme extrato de seu andamento processual anexo do sítio oficial na internet da TRF – 2ª Região, bem como por força do artigo 155 § único do Código de Processo Civil: “o direito de consultar os autos e de pedir certidões de seus atos é restrito às partes e seus procuradores”. Considerando-se o fato de que esta peticionaria não faz parte no referido processo judicial, restou impossibilitada de ter acesso ao conteúdo dos autos bem como de solicitar certidões...” (Destaquei) (...) Porém, posteriormente, logo em seguida, faz um relato pormenorizado do andamento da ação judicial, fls. 372/374, em 25/07/2012, inclusive dando a sua interpretação de que a liminar de antecipação de tutela ainda estava em vigor, a despeito da análise em contrário efetuada em despacho pelo Juiz e já citado acima no voto. Ressalte que a decisão judicial de saneamento do processo ocorrera em 11/01/2010 e determinou a não eficácia da antecipação de tutela. Portanto notório que a recorrente tomou partido sim, demonstrando nítido interesse na manutenção do não recolhimento do IPI. O contribuinte pede o cancelamento da multa qualificada. Defende que ela foi aplicada com fundamento em reincidência de conduta e que a decisão recorrida teria alterado a sua fundamentação para a ocorrência das circunstâncias agravantes previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 (fraude, conluio e sonegação). Nesta condição a decisão recorrida teria modificado o critério jurídico da aplicação da multa, o que não é permitido, pois contrariaria todos os princípios do processo administrativo fiscal. Afirma que não houve reincidência pelo fato de que o processo administrativo anterior, com a mesma acusação, não transitou em julgado. Não prospera esta argumentação do contribuinte. No meu entender não houve mudança de critério jurídico e a multa foi qualificada em 150% em decorrência efetivamente das circunstâncias qualificativas previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Realmente na descrição dos fatos, abaixo transcrita, pode até deixar uma certa margem de dúvidas quanto ao Fl. 2163DF CARF MF 18 motivo da aplicação da multa qualificada, porém esta dúvida é totalmente afastada após uma leitura mais acurada. 5.2 O produtor, que deixou de lançar o IPI na sua escrituração fiscal, apurou saldos credores elevados deste tributo, podendo usá-los para deduzir os eventuais débitos escriturados no período, deixando de recolher IPI e carregando o excedente do crédito para o outro período de apuração, além de comercializar seu produto por um preço de venda inferior, sem reduzir o seu lucro; 5.3 O cliente, por sua vez, que pode vender sua mercadoria a preço de mercado, auferindo, dessa forma, uma maior margem de lucro, dado que a adquiriu por um preço mais baixo daquele que seria praticado se o IPI estivesse destacado na nota fiscal da compra; 5.4 Por esse prisma, verifica-se a existência consistente de indícios de um acordo entre as partes visando à utilização da suspensão judicial da exigibilidade do IPI, fato esse que viria acarretar vantagens aos dois participantes da transação: vendedor e comprador; 5.5 Além disso, tal prática já havia sido constatada no procedimento fiscal que abrangeu o período de 2005 a 2007 (MPF 0811000-2007-00224), configurando-se, no atual período de verificação, a reiteração da conduta; 5.6 Dessa forma, não há como deixar de se promover a qualificação da multa de ofício para 150% e de se efetuar a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais. (Destaquei) (...) Ocorre que a Representação Fiscal para Fins Penais só é aplicável quando a acusação é consubstanciada na prática de crime contra a ordem tributária, como depreende-se do disposto no art. 1º do Decreto nº 2.730/98, in verbis: Art 1º O Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional formalizará representação fiscal, para os fins do art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em autos separados e protocolizada na mesma data da lavratura do auto de infração, sempre que, no curso de ação fiscal de que resulte lavratura de auto de infração de exigência de crédito de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou decorrente de apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento, constatar fato que configure, em tese; I - crime contra a ordem tributária tipificado nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990;(Destaquei) II - crime de contrabando ou descaminho. Por sua vez assim dispõe a Lei nº 8.137/90: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) Fl. 2164DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9430.htm#art83 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9430.htm#art83 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8137.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8137.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9964.htm#art15 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9964.htm#art15 Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 10 19 I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V - negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação. Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I - fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II - deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III - exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV - deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; V - utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Observe que nas situações dos crimes acima previstos não consta a prática de reincidência contra dispositivos da legislação tributária, mas consta as situações de sonegação e Fl. 2165DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9964.htm#art15 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9964.htm#art15 20 fraude previstos no art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, sobretudo quando praticadas na situação de conluio constante do art. 73, abaixo transcritos. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Então vale relembrar que a multa foi aplicada com base no art. 80, § 6º, inc. II da Lei nº 4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - (revogado); II - (revogado); III - (revogado). § 1 o No mesmo percentual de multa incorrem: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 6 o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I - aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II - duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)(Destaquei) (...) Fl. 2166DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art601 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 11 21 § 8 o A multa de que trata este artigo será exigida: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) I - juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II - isoladamente nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 9 o Aplica-se à multa de que trata este artigo o disposto nos §§ 3º e 4o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Forçoso concluir que a multa aplicada foi com base na parte final do disposto no inc. II do § 6º, acima destacado. Acrescento que o processo de Representação Fiscal para Fins Penais de nº 10855.724977/2012-61 está a este apensado e peço vênia para transcrever dois trechos da citada representação: “O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, José Roberto Fonseca, matrícula nº 63.737, tendo encerrado os trabalhos de fiscalização relativa ao tributo IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, referente ao ano-calendário de 2008 na empresa CERVEJARIA PETRÓPOLIS S/A, CNPJ nº 73.410.326/0003-22, estabelecida na cidade de Boituva/SP, tendo como resultado a lavratura do Auto de Infração, conforme processo administrativo-fiscal, protocolizado sob o nº 10855.724.963/2012-47, no qual ficou demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram Crime contra a Ordem Tributária definido pelos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90, formalizam a presente REPRESENTAÇÃO, acompanhada dos respectivos elementos de prova, para cumprimento do disposto na Portaria RFB nº 2.439/10, com alterações trazidas pela Portaria RFB nº 3.182/11. (...) Como demonstrado no Relatório Fiscal, que faz parte integrante do Auto de Infração, cuja cópia anexamos à presente Representação, verifica-se a existência de indícios de um acordo informal entre as mencionadas empresas visando à utilização da suspensão judicial da exigibilidade do IPI, que viria acarretar vantagens aos dois participantes da transação: vendedor (Cervejaria Petrópolis) e comprador (Leyroz), definido no art. 73 da Lei nº 4.502/64; (Destaquei) Enfim, em relação à aplicação da multa não está correta a afirmação da recorrente de que para a qualificação da multa o inc. II do § 6º, acima transcrito, exige que ocorra mais de uma das circunstâncias agravantes previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A simples leitura do dispositivo é suficiente para concluir que as circunstâncias agravantes não são relacionadas aos art. 71, 72 e 73 da mencionada lei, mas sim às circunstâncias agravantes constantes dos art. 68, § 1º, sendo a sonegação, a fraude e o conluio circunstâncias qualificativas art. 68, § 2º, todos da mesma lei. Fl. 2167DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9430.htm#art44§3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9430.htm#art44§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9430.htm#art44§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 22 Ora, o conluio apontado pelo autuante efetivamente se verifica, consoante os seguintes elementos convergentes: i - As vendas do contribuinte para a Leyroz perfazem mais de 95% de todo o faturamento, conforme se infere da relação entre saídas tributadas e não tributadas (fls. 861 e 862), o que, evidentemente, mostra uma forte relação interdependente e interesses comuns; ii - Há fortes indícios de que a Leyroz se caracteriza como empresa constituída tão somente para a impetração da ação judicial, consoante a respectiva apelação da Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme relato às fls. 1.630 e seguintes: “Ao apurar-se o esquema MONTE BELLUNO, tinha-se conhecimento apenas das duas primeiras ações, que foram conectadas com outras então descobertas, revelando o modus operandi adotado pelo grupo. Contudo, ao apurar-se o ocorrido no presente processo, identificou-se que a LEYROZ DE CAXIAS é parte do esquema MONTE BELLUNO. As cinco empresas em questão foram todas constituídas às vésperas da distribuição das ações (doc. 06), sendo que quatro delas o foram no mesmo dia, conforme a seguir relacionado: Empresa Data de Constituição KAL MAX 13.08.04 MONTE BELLUNO 13.08.04 ROSÁRIO DA PRIMAVERA 02.08.04 LEYROZ DE CAXIAS 13.08.04 ACADE 2000 13.08.04 Os contratos sociais (doc 06) dessas cinco empresas são, mutatis mutandis, idênticos (formatação, impressão, cláusulas). Até as testemunhas subscreventes dos cinco contratos foram as mesmas, quais sejam: (…) Os sócios se intercalam entre as empresas do esquema já em suas composições societárias originárias, como deflui do quadro a seguir: (…) Das cinco ações investigadas, descobriu-se que, curiosamente, apenas as ações distribuídas para a 4ª VF/SJM obtiveram liminares: (…) E apenas a essas ações que obtiveram liminares imprimiu-se, do ponto de vista de seus autores, um curso normal. As demais ou Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 12 23 foram objeto de pedido de desistência ou de providencial inércia, conduzindo todas à extinção sem julgamento do mérito. (…)” iii – As vendas da Leyroz são feitas para uma distribuidora efetiva, a Praiamar, que é exclusivamente distribuidora dos produtos fabricados pela Cervejaria Petrópolis, conforme documentos públicos do Fisco Estadual (fls. 1.640 e seguintes), nos quais se verifica que restou confessado pela Cervejaria Petrópolis que as mercadorias saíam direto de sua fábrica em Boituva/SP para a Distribuidora Praiamar Ind. E Com Distribuição Ltda, e as notas fiscais de venda eram emitidas pela Leyroz no Rio de Janeiro; iv – O presidente da Petrópolis, Walter Faria, já foi sócio da Praiamar (fl. 1.644); v – Praiamar e Leyroz têm o mesmo administrador, Roberto Luis Ramos Fontes Lopes (fl. 1.649); Ora, tais conjuntos de indícios forçam a convicção quanto à atuação conjunta e ilícita de Cervejaria Petrópolis e Leyroz, sua única cliente importante, razão pela qual entendo aplicável o disposto no art. 73 da Lei 4.502/64, e, portanto, correta a qualificação da multa. Por fim o contribuinte defende o cancelamento da multa isolada pois teria sido aplicada sem qualquer fundamentação legal ou mesmo motivação no relatório fiscal e que desta forma a recorrente sequer teria condições de saber a imputação a ela atribuída, configurando, segundo entende, evidente cerceamento do direito de defesa. Afirma também que os dispositivos legais citados para a sua aplicação teriam sido revogados expressamente pelo art. 40 da Lei nº 11.488/2007, ou seja antes mesmo da prática dos fatos geradores. Argumenta que os artigos do RIPI citados pelo acórdão recorrido, para a manutenção da citada multa, não teriam sido mencionados no auto de infração o que também implicaria em mudança do critério jurídico. Mais uma vez não tem razão o contribuinte. O relatório fiscal foi expresso na aplicação das multas, citando inclusive o dispositivo legal, conforme o seguinte trecho abaixo transcrito: (...) 6.2 Sendo assim, de acordo com as razões e motivos acima apontados, consoante com o art. 127 do Decreto 4.544 de 26/12/2002, e 142 do CTN, estamos efetuando o lançamento de ofício para exigência do crédito tributário relativo aos saldos devedores de IPI apurados em decorrência do imposto devido nas vendas sem destaque do IPI para a empresa LEYROZ DE CAXIAS DISTRIBUIDORA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA. – CNPJ nº 06.958.578/0005-65, bem como da multa de ofício prevista no § 8º, incisos I e II, do art. 80 da Lei n° 4502/64; (Destaquei). (...) Fl. 2169DF CARF MF 24 A seguir demonstra-se que as multas aplicadas foram justamente as previstas nos inc. I e II do § 8º do art. 80 da Lei nº 4.502/64. No caso do inciso I, quando exigida em conjunto com o IPI, caso não tenha cobertura de saldo credor e a do inciso II exigida isoladamente quando tenha cobertura de saldo credor. Veja novamente o dispositivo legal citado: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - (revogado); II - (revogado); III - (revogado). § 1 o No mesmo percentual de multa incorrem: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 6 o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I - aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II - duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 8 o A multa de que trata este artigo será exigida: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) I - juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II - isoladamente nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (Destaquei) § 9 o Aplica-se à multa de que trata este artigo o disposto nos §§ 3º e 4o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Em seguida no auto de infração, fls. 889/890, é efetuado um demonstrativo de apuração do IPI devido no valor de R$ 30.309.776,64, o qual será exigido com a correspondente multa de ofício e, às fls. 891, há o demonstrativo da multa de IPI não lançado com cobertura de crédito no montante de R$ 73.594.615,78, no qual logo abaixo também consta o enquadramento legal especificado para o período a partir de 15/06/2007 – Art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/07. Fl. 2170DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art601 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9430.htm#art44§3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9430.htm#art44§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9430.htm#art44§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art13 Processo nº 10855.724963/2012-47 Acórdão n.º 3301-003.201 S3-C3T1 Fl. 13 25 O contribuinte defende em sua impugnação e também no recurso voluntário que o enquadramento legal utilizado para aplicação da multa teria sido o art. 80, inc. I e II da Lei nº 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 e 46 da Lei nº 9.430/96. Daí sustenta que como os art. 45 e 46 foram revogados expressamente pelo art. 40, inc. I da Lei nº 11.488/07, o enquadramento legal teria sido incorreto cerceando-lhe o seu direito de defesa. Realmente está correta esta informação da revogação dos art. 45 e 46 da Lei nº 9.430/96, porém está incorreta a primeira parte, ou seja, de que este foi o enquadramento legal aplicado. Transcrevo abaixo como está literalmente o enquadramento legal, constante das fls. 891: ENQUADRAMENTO LEGAL 01/01/1997 – 21/01/1997 - Art. 80, inciso I e II da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96; Art. 46, §§ 1º e 2º da Lei 9.430/96. 22/01/1997 – 14/06/2007 - Art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Medida Provisória nº 351/07. 15/06/2007 - Art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/07. Da leitura acima extrai-se de forma cristalina que o enquadramento legal foi o art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/07, que era o enquadramento vigente a partir de 15/06/2007, uma vez que os fatos geradores são referentes ao ano-calendário de 2008. Não há como alegar cerceamento de direito de defesa por enquadramento incorreto ou por sua falta. Além disto, como já especificado logo acima, no Relatório Fiscal está descrito este mesmo enquadramento. A defesa também tenta estabelecer uma confusão com a afirmação de que os dispositivos legais citados na decisão recorrida não foram sequer citados no relatório e no auto de infração. Trata-se do art. 488, caput e inciso I ou II do RIPI/2002 e do art. 569, caput e § 6º, inciso I ou II do RIPI/2010. Ambos os regulamentos do IPI, aprovados pelos Decretos nºs 4.544/02 e 7.212/10, respectivamente, como é de conhecimento notório, foram editados para organizar as regras de tributação do IPI, sendo que a maioria de seus artigos têm origem em leis vigentes naquele momento. Então, é assim que ambos os dispositivos, art. 488 do RIPI/2002 e art. 569 do RIPI/2010, têm origem no mesmo dispositivo legal, qual seja o art. 80 da Lei nº 4.502/64, que foi o enquadramento legal das multas aplicadas. Alega também que a base de cálculo da multa isolada não está clara, em prejuízo de sua defesa. Neste sentido a autoridade fiscal elaborou a reconstituição da escrita fiscal do IPI, fazendo diversos demonstrativos da apuração tanto do IPI não lançado sem cobertura de crédito, no qual a multa de ofício foi exigida em conjunto com o imposto e do IPI não lançado com cobertura de crédito, no qual a multa foi exigida isoladamente. A própria dicção legal assenta que a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal incide mesmo quando não restou saldo a pagar (art. 80, §8º, inciso II). Ademais, sempre se dispõe, nas Delegacias da Receita Federal, de atendimento para esclarecimento de dúvidas. Desse modo, estando correto o lançamento, não há como atribuir-lhe responsabilidade em relação a eventual falta de entendimento por parte do contribuinte. Fl. 2171DF CARF MF 26 Desta forma, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira – Relator Fl. 2172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721354/2011-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO.
O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica.
APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO.
São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão).
DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO.
A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade.
DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS.
Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica.
CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO.
A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.
Os arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por conseqüência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula n° 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.489, de 15/07/2007.
Numero da decisão: 9101-002.480
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que não conheceu e, no mérito, acordam, (1) em relação às despesas com ágio, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento e (2) em relação à exigência de multas isoladas, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por conseqüência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula n° 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.489, de 15/07/2007.
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Numero do processo: 10480.910540/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/08/2007 a 30/08/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.702
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/08/2007 a 30/08/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2007 a 30/08/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 40 /2 01 2- 43 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10480.910540/201243 Acórdão n.º 3302003.702 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.567. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10480.910540/201243 Acórdão n.º 3302003.702 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10480.910540/201243 Acórdão n.º 3302003.702 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.001362/99-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do Fato Gerador: 20/01/1994, 03/11/1994
DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES.
A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidas no seu regulamento (art. 78 do Decreto-Lei n°37/66). O descumprimento das exigência em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança dos tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime especial acrescidos de encargos legais. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
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INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. A concessão do regime condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidas no seu regulamento (art. 78 do DecretoLei n°37/66). O descumprimento das exigência em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança dos tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime especial acrescidos de encargos legais. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 13 62 /9 9- 13 Fl. 687DF CARF MF 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: “Trata o presente processo de auto de infração, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de formalizando a exigência (sic) de Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de multa e juros de mora, perfazendo um total de R$ 35.125,89, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada foi autuada em relação à procedimentos de importação e exportação na modalidade DRAWBACK SUSPENSÃO, no que tange aos seguintes Atos Concessórios: Da análise da documentação apresentada, foi observado que apenas uma parte dos Registros de Exportação está vinculada ao Drawback, em obediência ao artigo 325 do Regulamento Aduaneiro Decreto 91.030/85. Os seguintes Registros de Exportação não fazem menção ao regime: RE cód. 80000 ( exportação normal ) 94/1129684; 94/1176446; 94/1179956; 94/1225998; 94/1241908; 95/0031345; RE cód. 81101 ( exportação drawback ) 94/1267921; 95/0031385; 95/0066539; Considerado os Registros de Exportação vinculados, chegouse ao valor de US$ 82.196,31 válidos para esse Ato Concessório. A SECEX aceitou o compromisso como cumprido apenas para US$ 29.200,00 FOB ( 33,5054% do firmado no Ato Concessório). Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10314.001362/9913 Acórdão n.º 3201002.614 S3C2T1 Fl. 688 3 Aplicando essa proporção para as exportações, o compromisso seria baixado de US$ 475.015,63 FOB para US$ 159.155,89 FOB (475.015,63 * 33,5054%) de mercadorias a exportar. Todavia, dos US$ 159.155,89, a empresa exportou 82.196,31 válidos para o Ato Concessório, conforme acima salientado. Desta feita, restam 48,3548% descumpridos. Aplicando o índice 48,3548% na importação feita ( DI 164.623 ), chegase ao valor do Auto de Infração em questão. O lançamento está sujeito aos juros legais e a multa prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430. Cientificado do auto de infração, pessoalmente em 29/03/1999 (fls. 1verso), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 28/04/1999, de fls. 180 à 367, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que:; Ato Concessório 1893/7001 1)A importação foi autorizada pela Guia de Importação 1893/1181839 e efetivada pela declaração de importação nº 4.022 de 20/01/1994; 2)O adimplemento da operação foi comprovado mediante a apresentação dos Registros de Exportação nº 94/0615900 e nº 94/0609650; 3)Tais exportações foram classificadas como uma operação de exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód. 81101); 4)Pelo erro material cometido, a fiscalização descaracterizou as exportações realizadas ao amparo do anexo 3001 do Relatório Final de Comprovação 1894/0016497; Ato Concessório 1894/6505 1)Ato Concessório com validade até 01/09/2005, cujo beneficiário era a antiga Dixie Lalekla S/A, sucedida por Dixie Toga S/A; 2)O relatório final de comprovação 1896/6288, de 20/06/96, indica que a importação foi realizada através da DI 134.623 de 02/11/1994, e as exportações arroladas no anexo 3001; 3)Do fato de que apenas uma parte das exportações estaria vinculada ao Drawback, explicase que se procedeu incorretamente com uma operação de exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód. 81101); A impugnante ainda esclarece que: 1)O presente Auto de Infração é nulo porque os Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Federal são incompetentes para a fiscalização das Fl. 689DF CARF MF 4 condições e requisitos do regime especial de Drawback, sendo tal competência da DECEX, conforme o artigo 2o da Portaria nº 4 de 11/07/1997; 2)As importações e as exportações da impugnante atenderam todas as normas pertinentes à matéria; 3)O entendimento da fiscalização é equivocado por desconsiderar o erro em relação às exportações foram classificadas como uma operação de exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód. 81101); 4) Tal erro é passível de correção, inclusive administrativamente, não podendo a impugnante ser penalizada; 5) O Banco do Brasil informou que não existe compromissos de Drawback em aberto, perante àquela instituição; 6 O erro em análise não causou qualquer dano; 7)A legislação permite, nos casos de sucessão legal, devidamente comprovada, que seja autorizada a alteração da empresa beneficiária de Ato Concessório de Drawback. Entretanto, não foi o que ocorreu, devido o SISCOMEX, não permitir tal alteração Pugna a impugnante pelo cancelamento do Auto de Infração e da exigência fiscal respectiva, com o conseqüente arquivamento do presente Processo Administrativo, tal qual, seja considerado liquidado o compromisso de exportação vinculado ao regime especial de Drawback. É o Relatório.” O pleito foi julgado improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/SPO II no 1717.135, de 21/12/2006, proferido pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 20/01/1994 DRAWBACK Falta de vinculação do Registro de Exportação ao Ato Concessório. Competência da Secretaria da Receita Federal para a fiscalização do Regime Especial de Drawback. Responsabilidade tributária no Regime Especial de Drawback quanto à sucessão legal. Lançamento Procedente. Inconformado, o recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente e documentos, onde repisa basicamente os termos da impugnação. Ressalta, dentre outros: A fiscalização simplesmente descaracterizou as exportações para efeitos fiscais de tal modo que a Recorrente passaria a não mais fazer jus ao benefício do drawback suspensão relacionado nos Atos Concessórios n° 1893/7991 e n° 1894/6505; Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10314.001362/9913 Acórdão n.º 3201002.614 S3C2T1 Fl. 689 5 Vale dizer, em momento algum nos presentes autos foi suscitada dúvida acerca da interpretação da legislação tributária aplicável, o que daria ensejo à aplicação do artigo 111 do CTN; A questão ora discutida se restringe ao direito da Recorrente fazer jus ao benefício do drawbacksuspensão independentemente do equívoco cometido no preenchimento dos respectivos Registros de Exportação; No entanto, o Banco do Brasil aprovou a baixa dos respectivos Atos Concessórios, levando à conclusão pela correição no cumprimento das obrigações acessórias atinentes ao drawbacksuspensão. Além disso, importante lembrar que se houvesse pendências o próprio Banco do Brasil teria "travado" o CNPJ da Recorrente junto ao SISCOMEX, o que teria impossibilitado a recorrente de realizar operações futuras; o que não ocorreu; A simples análise da quantidade importada e exportadaao abrigo do Ato Concessório n° 1894/6505 é suficiente para concluir pelo real cumprimento das obrigações assumidas; Vêse que as 35 toneladas de matéria prima importadas por meio da Declaração de Importação n° 134.623 (doc. 05) deram lastro à exportação de também 35 toneladas, conforme Registros de Exportação no s 94/11296840001,94/11764460001, 94/11799560001, 94/12259980001. 94/12139080001. 94/12679210001, 95/00313450001. 95/00313850001 e 95/00665390001 relacionados no anexo a Relatório de Comprovação de "Drawback" (doe. 06). A Turma de julgamento, em consenso, decidiu, converter o julgamento em diligência, através da Resolução de n° 310200.034, em 20/05/2009, para que a repartição de origem, ou melhor, a fiscalização explicasse, nos termos abaixo: se quando, há a menção, no relatório fiscal, por exemplo, à fl. 13, após desconsideração das exportações, desta forma, procedeuse a nacionalização “EX OFFICIO”de DI; indago quando da nacionalização foi considerado extinto o regime drawback na mesma proporção; e que o relator de decisão de 1ª instância explicasse, quando menciona à fl. 382 no 3° parágrafo sobre Resolução de n° 57, que a Resolução de n° 57 de 28/02/02 é esta? E, onde se encontra nos autos? Ou seja, diligência solicitada por quem? E, por derradeiro, que seja solicitada a DECEX/SECEX/MDIC se os atos concessórios referidos nos autos foram cumpridas as condições suspensivas, tendo em vista alegações da recorrente que o Banco do Brasil aprovou a baixa dos respectivos Atos Concessórios. Foi dada ciência à empresa do resultado da diligência e a mesma manifestou se, da mesma forma, a PGFN. Antes de adentrar no julgamento, observei, de forma pertinente, à efl. 633, que a PGFN se manifestou, nos seguintes termos: Salvo melhor juízo, as determinações fixadas na r. Resolução nº 310200.034 não foram atendidas ou as respostas, acaso apresentadas, deixaram de ser autuadas nos autos. Fl. 691DF CARF MF 6 Em face disso, a Fazenda Nacional requer a reintimação das d. Autoridades do MINFAZ e do MDIC para que atendam as determinações fixadas na r. Resolução nº 310200.034, a saber: 1) ao órgão de origem, para que a fiscalização explique, se quando, há a menção, no relatório fiscal, por exemplo, à fl. 13, após desconsideração das exportações, desta forma, procedeuse a nacionalização "EX OFFICIO"de DI; indago quando da nacionalização foi considerado extinto o regime drawback na mesma proporção; 2)que o relator de decisão de I a instância explique, quando menciona à fl. 382 no 3 o parágrafo sobre Resolução de n° 57, que a Resolução de n° 57 de 28/02/02 é esta? E, onde se encontra nos autos? Ou seja, diligência solicitada por quem? 3) por derradeiro, que seja solicitada a DECEX/SECEX/MDIC se os atos concessórios referidos nos autos foram cumpridas as condições suspensivas, tendo em vista alegações da recorrente que o Banco do Brasil aprovou a baixa dos respectivos Atos Concessórios.’ Após o atendimento pelas d. Autoridades do MINFAZ e do MDIC e a autuação dessas respostas, a Fazenda Nacional requer vista dos autos para se pronunciar a respeito das diligências levadas a efeito. Em ato contínuo, foi encaminhado, através de resolução, à repartição de origem para responder à demanda acima, onde remeto as devidas observações: efl.607, o relator do acórdão da DRJ esclarece que não houve no âmbito de primeira instância nenhuma solicitação de Resolução, apenas houve um equívoco; efl. 640, despacho onde consta que o item 1 já tinha sido respondido pela Sefia anteriormente (efls. 604 e 605); efls. 644 a 659 referência ao item 3 da indagação, ou seja, a resposta ao ofício pela Secex informando que o AC (s) 1893/7991 e 1894/6505 tiveram baixa considerada, na época regular com cumprimento do compromisso de exportar; e efls 662/663, sobre a resposta do item 1, como se verifica: Respondendo ao questionamento do CARF, temse, portanto, que a nacionalização, mediante recolhimento de todos os tributos, adicionais e emolumentos, bem como, caso pertinente, multas e demais acréscimos legais, promove a baixa do compromisso de exportar e, por conseguinte, a extinção do regime de drawback, na mesma proporção Em sendo assim, e por deliberação da Turma, entendeuse por cientificar a PGFN, tendo em vista a observação realizada à efl. 633 foi feita por esta, que quando da conclusão da diligência, existe a pretensão da mesma se manifestar do resultado da diligência complementar. Feito todo o histórico, o processo retornou a esta Conselheira para prosseguimento. É o relatório. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10314.001362/9913 Acórdão n.º 3201002.614 S3C2T1 Fl. 690 7 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à exigência de crédito tributário de II, IPI, multa e juros de mora, decorrente de importação sob amparo do regime de Drawback, modalidade suspensão. Conforme relatado, foi convertido o julgamento do processo em diligência na forma da Resolução acima mencionada, a fim de que a repartição de origem encaminhasse alguns questionamentos para apreciação e manifestação da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (DECEX/SECEX/MDIC), tendo em vista de alegação de erro no preenchimento pela recorrente, enfim; para constatar ou não a exportação dos produtos finais, tendo em vista que os insumos foram importados com suspensão de tributos e sob condição resolutiva. As importações ocorreram através das DIs: 004022/001 com registro em 20/01/94 e 134623/001 com registro em 03/11/94, sob operação de Drawback através dos Atos Concessórios 1893/7991, DE 12/11/93 (importação de filme de polipropileno para exportação de bobinas de polipropileno (filme de matériaplástica estratificada) e 1894/6505, de 01/09/94 (importação de resina de poliestireno para exportar embalagem de poliestireno para produtos alimentícios). De acordo com o Relatório da Fiscalização, às efls. 1518, verificase: 1) Considerações do Ato Concessório n.° 1893/7991, de 12/11/93. .... Notase pelo teor do diploma legal que se trata de medida emergencial, sendo de interesse uma revisão posterior. Desta maneira, analisando as exportações arroladas no referido anexo 3001, constatei serem todas classificadas como exportações normais, código 80000. Nenhuma, porém, classificada como "Drawback suspensão", em qualquer de suas variantes, conflitando com o disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro (RA), aprovado pelo Decreto 91.030, de 05/03/85: Art. 325 A utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Portanto, para efeitos fiscais, descaracterizei as exportações (folhas 117 a 155 ) realizadas ao amparo do anexo 3001 do Relatório Final de Comprovação 1894/016497, de 22/12/94 (folha 104 ). Fl. 693DF CARF MF 8 Desta forma, procedeuse a nacionalização "ex offício" da Dl relacionada a esta concessão, no anexo 2001 do Relatório Final de Comprovação anteriormente citado. Fazse necessário ressaltar a importância da vinculação preconizada no referido artigo 325, pois sua não realização pela empresa abre a possibilidade do uso destas exportações, concomitante e indevidamente, em outros benefícios fiscais. Então, da análise dos autos do presente processo, verificase que o ato concessório 18 93/7991, de 12/11/1993 (fl 103) autoriza o contribuinte a importar 4.600 Kgs de matéria prima e a exportar 8.333,33 Kgs de produto acabado. Este Ato possui prazo de validade até 12/11/1994. E concluise: para o ato concessório 1993/7991 não houve adimplemento da operação Drawback suspensão em nenhum percentual. 2) Considerações do Ato Concessório n.° 1894/6505, DE 01/09/94 ..... Tratase de Ato emitido em 01/09/94, com validade até 01/09/95, cujo beneficiário era a antiga DIXIE LALEKLA SA., sucedida pela empresa DIXIE TOGA S.A. Da análise destas exportações, cujos RE foramnos apresentados pela empresa (fls.50 a 52), observamos que apenas uma parte está vinculada ao Drawback, como reza o artigo 325 do RA. ...... Considerando os RE vinculados, chegamos ao valor de US$ 82.196,31 FOB válidos para este Ato concessório. Como a SECEX aceitou o compromisso como cumprido com apenas US$ 29.200,00 FOB (fls. 51 ), o originalmente disposto fora diminuído para 33,5054% do firmado na folha de rosto do Ato, ou seja, US$ 87.150,00 FOB (fls. 48 ). Transportandose a redução também para as exportações, o compromisso seria baixado, de US$ 475.015,63 FOB para US$ 159.155,89 FOB ( = 475.015,63 * 33,5054%) de mercadorias a exportar. Entretanto, dos US$ 159.155,89, a empresa exportou US$ 82.196,31, como acima exposto, perfazendo 51,6452% do total. Desta forma, restam 48,3548% descumpridos. Aplicando o índice de 48,3548% na importação, chegamos ao valor tributável aplicado no Auto de Infração, utilizado na Dl 134.623. Observese que a DECEX/SECEX aceitou o compromisso como cumprido com apenas US$ 29.200,00 FOB (fls. 51 ), bem como verificase, também, à efl. 653, através do Relatório de Comprovação de Drawback. Então, desta forma, a fiscalização já tinha aceito tal percentual, de 51,6452% do total como adimplido,conforme exposto acima. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10314.001362/9913 Acórdão n.º 3201002.614 S3C2T1 Fl. 691 9 Registrese, de pronto, que, em nenhum momento, a fiscalização referiuse à questão da sucessão legal empresarial na autuação, a base do lançamento foi devido à falta de vinculação dos Registros de Exportação aos Atos Concessórios, logo, não cabe nenhum argumento dessa matéria. Em ato contínuo, passo a registrar os ofícios da DECEX, por conta da demanda acima, ou seja: Ofício n°625 da DECEX/SECEX, às efls. 611/612, que dispõe: DRAWBACK SUSPENSÃO Dixie Toga S.A. Em atenção ao Ofício n.° 20112616/DECEX/CGEX, de 28/11/2011, que reitera o Ofício n.° 526/2010/DECEX/ SECEX, DE 09/12/2010, item 4, informamos que o Banco procedeu a baixa total dos referidos Atos Concessórios de acordo cem as Instruções Normativas repassadas pelo MDIC/SECEX/DECEX ao Banco do Brasil. Ofício n° 170 da DECEX/SECEX, às efls 644 a 645 e doc. 646 a 658. Em resposta aos questionamentos, o Banco do Brasil informou que os AC 1893/7991 e 1894/6505 tiveram baixa considerada, na época, regular, com cumprimento integral do compromisso de exportação. As respostas do Banco do Brasil estão contidas nos documentos anexos, que foram recebidos por este DECEX em sua caixa institucional para contato exclusivo com o Banco do Brasil. Do exposto, não obstante a resposta da Carteira de Comércio ExteriorCacex, Banco do Brasil, responsável, à época, pela emissão dos Relatórios de Comprovação dos Atos Concessórios, ter sido objetiva, quando afirma que a empresa cumpriu com os compromissos assumidos nos Atos Concessórios, ensejando a baixa nos mesmo, entendo, que a resposta da Cacex foi bastante sucinta, como passarei a analisar, a seguir. Em primeiro plano, temse que a Cacex limitouse ao reconhecimento do adimplemento da obrigação de exportar, mas quem tem a competência para fiscalizar, acompanhar o controle aduaneiro é a Receita Federal, conforme, inclusive já pacificado através da Súmula CARF de n° 100, comentada abaixo. Além do mais a documentação apresentada pela DECEX/SECEX, que são os Relatórios de Comprovação dos Atos Concessórios já tinham sido apresentados à fiscalização; enfim, como se observa, e levado em conta o percentual adimplido, enfim, não foi trazido nenhum fato novo. Pois bem, o benefício de drawback na modalidade de suspensão foi instituído pelo art. 78, II, do Decretolei n° 37/1966 , e, à época do regime concedido à recorrente, tinha seus termos e condições regulados pelos artigos 314 a 334 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985 (RA/85). Então, comentemos, antes, sobre as normas do drawback que emanam do comando do art. 78 do DecretoLei no 37/1966, que dispõe: “Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: Fl. 695DF CARF MF 10 I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (...) (grifei) O Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto de n° 91.030/85), vigente à época do período de apuração, disciplinava sobre o regime em discussão, através dos artigos 314 a 334. Verificase que o art. 314, I, do RA/85 manteve a mesma redação da lei instituidora do benefício, ao estabelecer que poderá ser concedido o benefício na modalidade de "suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada". O mesmo requisito foi sedimentado no art. 315 do citado Regulamento, que dispôs, verbis: Art. 315 O beneficio do "drawback" poderá ser concedido: 1) à mercadoria importada para beneficiamento no País e posterior exportação; II) à mercadoria matériaprima, produto semielaborado ou acabado utilizada na fabricação de outra exportada, , ou a exportar; (...) Por sua vez, o art. 319, inc. I do RA/85 disciplina o seguinte: Art. 319. As mercadorias admitidas no regime que, em seu todo ou em parte, deixem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas ao seguinte procedimento: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, no prazo de até trinta dias da expiração do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; c) destinação para consumo interno das mercadorias remanescentes; Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10314.001362/9913 Acórdão n.º 3201002.614 S3C2T1 Fl. 692 11 Logo, em se tratando de suspensão de crédito tributário, há que se interpretar literalmente as normas que lhe dizem respeito, conforme o art. 111, I, do CTN). A interpretação literal não permite a integração extensiva ou restritiva, e sim, determina a aplicação do significado gramatical que lhe respeita, podendo em certos casos o contribuinte ser beneficiado, em outros não, dependendo da norma. De observarse que a norma expressa no art. 111, I, do CTN, tem aplicação abrangente aos casos a que se refere e que para a mesma não foi prevista qualquer exceção, bastando que o pagamento do tributo seja afastado pelo instituto da suspensão, independentemente de ser esta decorrente de simples benefício ou de benefício considerado incentivo fiscal, como é o caso de drawback. Por isso, as normas de drawback estabelecidas do RA/85 e na legislação pertinente são de cumprimento obrigatório, porque se relacionam a casos de dispensa de pagamento de tributo em função do benefício fiscal referido, considerado incentivo à exportação. Dessa forma, no Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002) o “drawback” foi tratado nos arts. 335 a 355. Já no Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto de n° 6.759/2009), em sua redação original, possui poucas alterações em relação ao regulamento anterior (2002), no que se refere a “drawback”. Portanto, o RA/2002 e RA/2009 mantiveram o mesmo texto do RA/1985. Passando à análise, a exigência de vinculação do Registro de Exportação ao Ato Concessório de Drawback está previsto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto nº 91.030, de 05 de Março de 1985), verbis: Art. 325 – A utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Por sua vez, o art. 440 do Regulamento Aduaneiro/85, com a redação dada pelo Decreto n.° 661, de 1992, previa: Art. 440. O registro da exportação, no SISCOMEX, é requisito essencial para o despacho aduaneiro de exportação de mercadorias nacionais ou nacionalizadas e de reexportação de mercadorias importadas a titulo não definitivo. Ressaltemse, as exigências acima. Discutiase se a Receita Federal teria competência para fiscalizar as importações de mercadorias realizadas sob o regime de drawback, já que este se dá por meio de ato concessório emitido por outro órgão da administração federal, in casu, a Cacex/Secex. Argumentase daqueles que entendem assim, que somente quem tem a competência para emitir o ato concessório é que poderia fiscalizar o seu fiel cumprimento. No entanto, a matéria já se encontra pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através da Súmula CARF de n° 100. Fl. 697DF CARF MF 12 Súmula CARF n° 100: O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Logo, não se contesta o fato de a requerente haver efetivamente exportado mercadorias em cuja industrialização foi utilizada parte dos insumos importados; o que legitima o lançamento é exatamente a falta do mínimo controle necessário à aferição do adimplemento do regime. No tocante às exportações apresentadas pela recorrente, se os documentos contidos nos autos não permitem identificar a vinculação ao ato concessório de drawback suspensão, e, diante disso, a recorrente não apresenta documentos capazes de esclarecer essas questões, inevitável a exigência integral dos insumos importados sob a dita guarida do regime suspensivo de impostos na importação. Portanto, não houve tributação por mera ficção ou lançamento fundado unicamente no descumprimento de requisitos formais, e outras afirmações de mesma ordem do sujeito passivo. O que se viu foi a desvinculação de exportações conduzidas pela recorrente a ato concessório de drawback suspensão objeto da lide, não tendo a reclamante sido capaz de comprovar eventual erro cometido pela mesma, a ponto de afastar as conclusões da fiscalização. Por fim, quanto às aduzidas comprovações alicerçadas pela SECEX, cumpre destacar que eventual aprovação da SECEX não exime a Receita Federal da análise quanto ao devido adimplemento do regime, no exercício da competência desta. A fiscalização desconsiderou vários dos RE apresentados por não se encontrarem vinculados a nenhum Ato Concessório, e por não conterem o código específico para exportações relacionadas ao Regime de Drawback. Portanto, não comprovada a relação entre as exportações e o ato concessório, seja pela falta de vinculação da exportação ao Ato Concessório respectivo, seja pela falta de indicação do código próprio da operação Drawback nos campos apropriados dos Registros de Exportação, não há como se demonstrar que as mercadorias importadas foram efetivamente utilizadas na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como atestar que o contribuinte cumpriu o compromisso assumido. Pois, as informações no RE são importantes para a fiscalização, durante as etapas do despacho de exportação. É a forma como observar se a referida exportação é de fato, vinculada ao regime de drawback, pois sendo nessa modalidade, seria apreciado com um olhar diferente de uma exportação normal, daí a necessidade da exatidão e preciosismo nessas informações. Merecendo tal exportação, certamente, um exame mais acurado que a exportação comum, a fim de evitar que os insumos outrora importados com suspensão tributária sejam utilizados de forma irregular. Portanto, um mínimo de informação deve estar contido no RE para possibilitar a melhor operacionalização da fiscalização pela autoridade aduaneira e permitir os controles necessários ao incentivo à exportação em questão. Frisese que o Comunicado Decex nº 21, de 11/07/97, o qual, posteriormente, foi revogado pelo Comunicado nº 6, de 28/06/1999, que, por sua vez, teve nova redação Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10314.001362/9913 Acórdão n.º 3201002.614 S3C2T1 Fl. 693 13 conferida pelo Comunicado nº 2, de 31/01/2000, e outros, porém todos verificados com a necessidade da vinculação, nos termos abaixo: “Comunicado Decex nº 21/97 [...] Anexo V [...] 3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante do Anexo “I” (Tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SECEX nº 2, de 22/12/1992, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante).” Como constatado pela fiscalização, não houve comprovação da relação entre as exportações e o Ato Concessório, seja pela falta de vinculação da exportação ao Ato Concessório respectivo, seja pela falta de indicação do código próprio da operação Drawback nos campos apropriados dos Registros de Exportação, no momento do despacho aduaneiro, não há como se demonstrar que as mercadorias importadas foram efetivamente utilizadas na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como atestar que a empresa cumpriu com o compromisso assumido. Por todo o exposto, e pela necessidade da vinculação, por ser uma exigência legal, não merece reparo o auto de infração, quanto à descaracterização das exportações correspondentes aos Registros de Exportação com o código de exportação comum e tampouco a vinculação a Ato Concessório. Entendo que a ausência do enquadramento correto, inviabiliza o controle aduaneiro específico dessas operações de drawback. Essa posição vem sendo adotada pela CSRF, a exemplo do acórdão de n° 9303.002869, de relatoria de Henrique Pinheiro Torres. A título de exemplo, confirase a seguinte ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 05/08/1999 a 02/09/1999 DRAWBACK SUSPENSÃO O encerramento do regime de drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação, por meio da apresentação dos documentos fixados na legislação de regência, de que o beneficiário empregou os insumos importados sob o manto do regime nas mercadorias exportadas em cumprimento do compromisso assumido. Ausentes tais elementos, não há como se considerar o regime adimplido. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Fl. 699DF CARF MF 14 Bem como, a ementa do acórdão de n° 310200.607, de relatoria de Celso Lopes Pereira Neto: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 27/04/1995 a 09/05/1997 REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. A utilização do beneficio de Drawback Suspensão será anotada no documento comprobatório da exportação, que vem a ser o Registro de Exportação (RE), no SISCOMEX. Não serão aceitos, para comprovação do regime de Drawback, registros de exportação vinculados a outro Ato Concessório. Recurso Voluntário Negado Assim como a ementa de n° 30239028, de 16/10/2007, de relatoria de Rosa Maria de Jesus de Castro, que versa sobre a mesma matéria: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 16/08/1995 a 05/02/1997 Ementa: DRAWBACK. DECADÊNCIA A contagem do prazo de decadência para o regime drawback suspensão começa no primeiro dia do ano seguinte ao término do regime. CONCESSÃO. FISCALIZAÇÃO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. É de competência exclusiva da SECEX a concessão do regime de drawback quando efetivamente cumpridas a formalização, o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, fase esta que confirma a condição do regime, que até então se encontrava sob condição resolutória (inteligência do art. 2º da Port. MF nº 594/92 c/c a Port. SECEX nº 4/97). É da competência da SRF a aplicação do regime, a fiscalização dos tributos suspensos e a constatação do regular cumprimento pela importadora dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente, compreendendo esta última, após a verificação da SECEX (inteligência do art. 3º da Port. MF nº 594/92 c/c a Port. SECEX nº 4/97). ADIMPLEMENTO. INEXISTÊNCIA Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. (inteligência do Comunicado DECEX nº 21/97, tem 19.l). Na falta de vinculação dos Atos Concessórios do Regime de Drawback aos Registros de Exportação deverão ser exigidos os tributos suspensos na importação, acrescidos de multa de ofício e dos juros de mora. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. E, por fim, quanto à matériailegalidade da cobrança de juros sobre multa de mora, levantada em aditamento ao recurso voluntário, deixo de apreciar, por entender, tratarse de matéria preclusa. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DO VOLUNTÁRIO. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10314.001362/9913 Acórdão n.º 3201002.614 S3C2T1 Fl. 694 15 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 701DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901746/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.311
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Relator Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente AGROCAFE COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação declarada pelo contribuinte (PER/DCOMP), cujo fundamento indicado seria a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 17 46 /2 00 9- 08 Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10675.901746/200908 Acórdão n.º 3401003.311 S3C4T1 Fl. 3 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte informou que o crédito estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação de inconformidade improcedente ao argumento que a compensação pressuporia a certeza e liquidez do direito creditório, tal como evidenciado nas informações prestadas em DCTF anterior ou contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva. Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pelo julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/200917. No mérito, salientou que o crédito originarase de tributação indevida das contribuições (Cofins e PIS) sobre produtos cujas alíquotas foram reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei nº 10.925/04; demonstrou a forma de apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o excesso de formalismo, citando jurisprudência administrativa; e, por fim, asseverou a procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada. Na sessão de 24/04/2013, mediante Resolução nº 3802000.115, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.296, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10675.901420/200972, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.296): "Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência: 'Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10675.901746/200908 Acórdão n.º 3401003.311 S3C4T1 Fl. 4 3 Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que 'procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)’. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”. (...) Ora, o art. 1º da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1º. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10.925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuin te é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.' Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10675.901746/200908 Acórdão n.º 3401003.311 S3C4T1 Fl. 5 4 Prestigiando a fundamentação do voto condutor, com a qual concordo, entendo que a questão de direito mostrase adequadamente enfrentada e superada, de modo que, sem maiores delongas, passase ao resultado da diligência determinada. Nesta senda, a informação fiscal coligida aos autos atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Por conseguinte, mostrase insubsistente o motivo apresentado como fundamento para não homologação da compensação, consoante despacho decisório eletrônico expedido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto." Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que a informação fiscal coligida nestes autos (fls. 1055/1056), da mesma forma que no caso do paradigma, também atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Também vale ressaltar que a decisão do paradigma, que tratou da Cofins, aplica se igualmente aos processos do PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 1067DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.911825/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2006
CIDE ROYALTIES (REMESSA). LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE COMPUTADOR (SOFTWARE). AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (CÓDIGO FONTE). NÃO INCIDÊNCIA. Nos moldes do artigo 1º-A da Lei nº 10.168/2000, trazido pela Lei n. 11.452/2007, somente ocorrerá a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE-royalties ou CIDE-remessas) sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. Esse é o teor do artigo 20 da Lei n. 11.452/2007, cuja vigência iniciou-se em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação do artigo 21 da mesma Lei.
A transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares, são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, conforme determinação do artigo 11 da Lei n. 9.609/1998. Inexistindo a disponibilização do código fonte do software principal, objeto do contrato misto de licenciamento de sistema e que vincula o pagamento da empresa estrangeira, não há que se falar em transferência de tecnologia e, portanto, na incidência da CIDE-royalties.
PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP.
Demonstrado que os pagamentos efetuados a título de CIDE-royalties são indevidos, uma vez que pautados em remessas para o exterior de valores relativos à licença de uso de software, sem transferência de tecnologia, depois do início da vigência da regra constante do artigo 1º-A da Lei nº 10.168/2000 (1º de janeiro de 2006), cumpre reconhecer o indébito tributário e, por conseguinte, o direito ao crédito de tais valores, passível de compensação pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.714
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE COMPUTADOR (SOFTWARE). AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (CÓDIGO FONTE). NÃO INCIDÊNCIA. Nos moldes do artigo 1ºA da Lei nº 10.168/2000, trazido pela Lei n. 11.452/2007, somente ocorrerá a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDEroyalties ou CIDEremessas) sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. Esse é o teor do artigo 20 da Lei n. 11.452/2007, cuja vigência iniciouse em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação do artigo 21 da mesma Lei. A transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares, são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, conforme determinação do artigo 11 da Lei n. 9.609/1998. Inexistindo a disponibilização do código fonte do software principal, objeto do contrato misto de licenciamento de sistema e que vincula o pagamento da empresa estrangeira, não há que se falar em transferência de tecnologia e, portanto, na incidência da CIDEroyalties. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. Demonstrado que os pagamentos efetuados a título de CIDEroyalties são indevidos, uma vez que pautados em remessas para o exterior de valores relativos à licença de uso de software, sem transferência de tecnologia, depois do início da vigência da regra constante do artigo 1ºA da Lei nº 10.168/2000 (1º de janeiro de 2006), cumpre reconhecer o indébito tributário e, por conseguinte, o direito ao crédito de tais valores, passível de compensação pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 18 25 /2 00 9- 69 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10166.911825/200969 Acórdão n.º 3402003.714 S3C4T2 Fl. 0 2 Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3801 000.840, cujo relatório, por economia processual, será a seguir transcrito no que for relevante: Trata o presente processo de compensação declarada que, conforme apontado pela Recorrente, tem origem em crédito referente a valor indevidamente recolhido a título de CIDE, apurada no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007 sobre remessas ao exterior para pagamento de licença de uso ou de direitos de comercialização de programas de computador. A compensação não foi homologada, sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade apontando os aspectos legais estabelecidos em conformidade com o artigo 21 da Lei 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, que contemplou a nãoincidência da referida contribuição a partir de janeiro de 2006 e informou que feito o pagamento tem direito à devolução dos mesmos. A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos documentos fiscais e contábeis imprescindíveis à constatação da existência do crédito solicitado, fazendose o conjunto probatório incapaz de aferir certeza e liquidez do crédito pretendido, bem assim, entende que a DCTF retificadora apresentada o foi em data posterior à ciência do despacho decisório. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10166.911825/200969 Acórdão n.º 3402003.714 S3C4T2 Fl. 0 3 O acórdão da DRJ restou assim ementado: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente." Irresignada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário fundamentandose no princípio da verdade material, juntou aos autos documentos relativos às compensações com o fito de demonstrar que foram devidamente registradas na contabilidade do sujeito passivo, ponderando serem suficientes para constatação da certeza e liquidez do crédito ora pretendido, quais sejam: a) DARF comprobatória do recolhimento indevido, comprovando o pagamento indevido no período de junho de 2006, instruído na PER/DCOMP; b) Cópia do Livro Razão Analítico do exercício de 2007, em que se verifica o estorno do montante recolhido na subconta CIDE – Remessas Exterior, também instruído na PER/DCOMP; c) Cópia do Livro Razão Consolidado do exercício de 2006, em que se verifica o lançamento referente ao mês de junho de 2006; d) Cópias das DCTFs original e retificadora. Em julgamento datado de 17 de setembro de 2014 (Resolução n. 3801 000.840), a 1ª Turma Especial dessa 3ª Seção determinou a conversão do julgamento em diligência para a DRF de origem, nos seguintes termos: Conforme relatado, o ponto crucial da lide consiste na ausência de elementos probatórios capazes de aferir o direito ao crédito solicitado decorrente do suposto pagamento indevido a título de CIDE incidente sobre remessas ao exterior de remunerações pagas pela licença de uso ou de direitos de comercialização de softwares, com base nos artigos 20 e 21 da Lei 11.452/2007 que delimitou expressamente o campo de abrangência da Lei 10.168/2000 ao instituir a nãoincidência da CIDE a partir de janeiro de 2006, assim expresso: (...) Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10166.911825/200969 Acórdão n.º 3402003.714 S3C4T2 Fl. 0 4 Certo é que a supracitada norma contempla a nãoincidência da CIDE para remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador e, nesta esteira, faz se necessário averiguar o objeto da relação contratual, ou seja, é certo que os pagamentos dos contratos relativos ao licenciamento de uso ou direito de software, não obrigam ao pagamento da CIDE, desde 1º de janeiro de 2006, sendo que, tendo havido tal pagamento a Recorrente possui indébito possível de creditamento. Entretanto, apesar da Recorrente ter juntado documentos e comprovantes de pagamento tenho que os mesmos são insuficientes para se apurar se realmente se relacionam a remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador, de modo que apenas mediante o confronto dos documentos contábeis com o contrato de licenciamento, licença de uso de software ou documento semelhante é que essa Turma poderá evidenciar se o pagamento efetivamente se deu por esse motivo. Nesse sentido, voto para baixar em diligência à Delegacia de origem para determinar ao contribuinte que apresente: 1. A cópia autenticada do Contrato referente de Licença de Uso ou de Direito de Programas de Computador ou documento que ateste o efetivo motivo do pagamento e cópia das notas fiscais (ou invoices, devidamente traduzidas) correspondentes; 2. Retorne o processo a este CARF para julgamento. Foram juntados aos autos esclarecimentos da Recorrente, bem como os documentos solicitados pela Resolução supratranscrita. É o relatório. Voto Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.711, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10166.911821/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.711): "Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do mérito. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10166.911825/200969 Acórdão n.º 3402003.714 S3C4T2 Fl. 0 5 Como bem pontuado na Resolução n. 3801000.837, posteriormente ao advento da Lei n. 11.452/2007, não há dúvidas de que somente ocorrerá a incidência da conhecida CIDEroyalties (ou CIDE remessas, instituída pela Lei n. 10.168/2000) sobre a remuneração pela licença de uso de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. Esse é o teor do artigo 20 da Lei n. 11.452/2007, cuja vigência iniciouse em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação do artigo 21 da mesma Lei. Portanto, como no presente caso a Recorrente clama pela restituição de valores a título de CIDEroyalties de período posterior a janeiro de 2006, a discussão cingese à comprovação de que: a) os valores foram efetivamente pagos; b) tais remessas tinham como base contratos sem a transferência de tecnologia. Quanto ao item a descrito no parágrafo anterior, a Recorrente já apresentou cópia do livro razão consolidado (fls 134), no qual se verifica o lançamento contábil dos valores indevidamente recolhidos a título da CIDEroyalties (R$ 173.207,28); cópia do DARF referente ao mesmo pagamento (código da Receita 8741, conforme fls 136), além de cópias das DCTFs original (fls 138) e retificadora (fls 140), nas quais constata se a posterior exclusão dos valores referentes à CIDEroyalties da declaração, por força do advento da Lei n. 11.452/2007. Assim, restou devidamente comprovado o pagamento da CIDEroyalties, que a Recorrente reputa como indevido e passível de restituição/compensação. Cumpre então verificar o atendimento ao item b. Para tanto, é necessário, em primeiro lugar, ter em mente que a transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. Especificamente para o caso dos programas de computador (softwares) são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, ainda que parcialmente. O código fonte, numa síntese, é entendido como as instruções do programa de computador, as quais servem para operar o hardware. Em outros termos, o código fonte pode ser entendido como o “segredo” do software para operar a máquina e conferir utilidades ao usuário. Nesse sentido, o artigo 11 da Lei n. 9.609/1998, que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programas de computador, sua comercialização no País, e dá outras providências, determina que: Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial fará o registro dos respectivos contratos, para que produzam efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. Para o registro de que trata este artigo, é obrigatória a entrega, por parte do fornecedor ao receptor de tecnologia, da documentação completa, em especial do código fonte comentado, memorial descritivo, especificações funcionais internas, diagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia. (grifei) Também a Receita Federal apresenta entendimento sobre ser indispensável a entrega do código fonte para que reste configurada a transferência de tecnologia no âmbito dos contratos envolvendo Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10166.911825/200969 Acórdão n.º 3402003.714 S3C4T2 Fl. 0 6 softwares, conforme se depreende da Solução de Consulta nº 67 SRRF10/Disit, de 14 de julho de 2010, cuja ementa e o item 9.1. possuem o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Não estão sujeitos à incidência de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico os valores remetidos ao exterior pela aquisição de “software de prateleira” (cópias múltiplas) para revenda por pessoa jurídica detentora de licença de comercialização outorgada por fabricante estrangeiro. É irrelevante a forma de movimentação do programa do fabricante ao distribuidor ou revendedor, se por remessa de suporte físico, via internet (download) ou por reprodução a partir de matriz. Caso, ao invés de revenda, caracterizarse licenciamento temporário do uso de software, os valores remetidos ao exterior em pagamento constituem remuneração de cessão de direito. Ainda assim, não há incidência da Cide, em razão da edição da Lei nº 11.452, de 2007, que acresceu o § 1ºA ao art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, e, assim, estabeleceu isenção no caso de remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Esse dispositivo tem eficácia a partir de 1º de janeiro de 2006. Dispositivos Legais: Lei nº 4.506, de 1964, art. 22; Lei nº 9.609, de 1998, art. 11, caput e parágrafo único; Lei nº 9.610, de 1998, art. 7º, XII e § 1º e art. 49; Lei nº 10.168, de 2000, art. 2º; Lei nº 11.452, de 2007, arts. 20 e 21. (...) 9.1. Sendo assim, somente haveria a incidência da Cide no âmbito da presente consulta caso houvesse transferência de tecnologia entre os fabricantes estrangeiros e a consulente. Com efeito, como bem demonstra a interessada, no caso do software, a lei prevê que a entrega pelo fornecedor do códigofonte dos programas é condição indispensável para a ocorrência de transferência de tecnologia. É o que dispõe o art. 11, parágrafo único, da Lei nº 9.609, de 1998 (Lei do Software),(...). (grifei) Pois bem. Segundo o relato acima trazido, a Recorrente juntou aos autos: i) cópia autenticada do contrato de licenciamento de uso de software entre a Autotrac e a Qualcomm que fundamenta os pagamento realizados; ii) planilha elaborada e assinada pelo contador da contribuinte que demonstra a apuração do valor devido à Qualcomm conforme termos estipulados no Contrato de Licenciamento de Uso de Software, dividida por PER/DCOMP; iii) cópia das Notas Fiscais emitidas, acompanhadas dos respectivos contrato de câmbio e DARFs de IRRF recolhido na remessa por ocasião da remessa, organizadas em jogos para cada uma das PER/DCOMP. Pela análise do instrumento contratual em questão (de cessão de direitos da Qualcomm à Autotrac, denominado Contrato de Licenciamento e Distribuição), verifico que se trata de contrato que envolve uma série de obrigações relacionadas à concessão de licenciamento de softwares diversos. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10166.911825/200969 Acórdão n.º 3402003.714 S3C4T2 Fl. 0 7 A Recorrente informa que a remuneração paga à empresa Qualcomm, localizada no exterior, referese tão somente ao pagamento de licenciamento do software MCT/IMCT. A descrição desse produto no instrumento contratual é a seguinte (fls 208 e 2010): MCTs e IMCT O Terminal de Comunicações Móvel (MCT) é o componente móvel do Sistema OmniTRACS. Instalado em um veículo ou em local fixo, o MCT permite ao motorista ou operador enviar mensagens para a base de operações do cliente, assim como receber mensagens deste. (...) PROGRAMA MCT/IMCT O programa do IMCT é instalado nas interfaces da EPROM do IMCT com a Unidade de Display, a Unidade Externa e a NMF, o que permite que o motorista estabeleça uma interface com o despachante e oferece o processamento, a detecção e a codificação/decodificação de sinais que são necessários tanto para transmitir quanto para receber usando o enlace de satélite de banda C. Com efeito, no tópico dedicado às definições dos termos utilizados nas cláusulas contratuais, ao tratar do “software licenciado”, o Contrato traz à baila o Software MCT/IMCT, colocando em definições separadas outros produtos/serviços que fazem parte do acordo, dentre eles o “Sistema OminisTRACS” e o “QTRACS Web”. Vejamos: "Software Licenciado" significa os seguintes programas proprietários da QUALCOMM: (i) software MCT/IMCT, (ii) FIRMWARE SensorTRACS e TrailerTRACS, (iii) software MapEX, e (iv) quaisquer outros programas que a QUALCOMM, ao longo do tempo, licencie à AUTOTRAC. (...) "Software de IMCT" significa o software proprietário da QUALCOMM residente em cada IMCT ou MCT, incluindo a funcionalidade SensorTRACS e TrailerTRACS, tal como esse software é mais detalhadamente descrito no Documento B deste Contrato. "Sistema OmniTRACS" significa um certo serviço de mensagens de comunicações móvel, alfanumérico, proprietário, operando em dois sentidos, transmitindo por satélite, usando transmissoresreceptores de satélites da banda C (ou da Banda Ku, quando disponível), tal como descrito em maior detalhe no documento B. (...) "QTRACS Web" significa a solução proprietária da QUALCOMM, baseada na Rede Internet, residente em servidor. O serviço QTRACS/Web permite aos Usuários Finais que enviem e recebam mensagens e dados." Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10166.911825/200969 Acórdão n.º 3402003.714 S3C4T2 Fl. 0 8 Disto já é possível perceber que, de fato, o Software MCT/IMCT é o programa de computador principal que está sendo objeto do licenciamento de uso, sendo os demais programas acessórios a este, todos formando uma espécie de licenciamento de sistema, bastante comum nesse tipo de contrato. Com relação à forma de remuneração pelo uso do software, dispõe o Contrato, em sua Cláusula 4.2, que a Autotrac pagará à Qualcomm uma taxa de licenciamento mensal pelo uso do software igual a quinze por cento (15%) da receita total líquida recebida pela Autotrac por cobrança de Tráfego de mensagens (“Taxa mensal de licenciamento de Software MCT/IMCT”). Vale dizer, o pagamento está atrelado ao software principal, e não aos acessórios. Ainda, pela apreciação do texto do instrumento contratual, constato que a licença de uso do software não implica na transferência de tecnologia, mas tão somente no simples uso direito em questão. Não existe o fornecimento de qualquer conhecimento ou técnica específica, tampouco quaisquer dos requisitos estabelecidos pelo artigo 11 da Lei n. 9.609/98. Com efeito, o Software MCT/IMCT é inviolável e inalterável, por determinação expressa do Contrato (cláusula 8.2. – “Limitações quanto ao software licenciado” e cláusula 8.5 – “Aperfeiçoamento ao software licenciado”). Ou seja, a Recorrente não tem a intenção de apropriarse do conhecimento e da técnica contida nos programas de computador, mas tão somente utilizálos e distribuílos. Daí já se torna bastante nítida a ausência da transferência de tecnologia no pacto efetuado entre as partes. Finalmente, o instrumento negocial expressamente coloca que tão somente o código fonte do Software QTRACS Web será concedido (cláusula 8.6), mas não dos demais programas. Isto porque o único software licenciado de forma onerosa é o MCT/IMCT. O Software QTRACS Web, de outro lado, foi oferecido sem custo, conforme a Cláusula 8.6. do Contrato, de modo que não fez parte das remessas para o exterior e, por conseguinte, do pagamento a título de CIDEroyalties. Confirma tal conclusão a Cláusula 8.1, que estabelece que a concessão da licença diz respeito tão somente ao “software licenciado”, dentro do qual não se inclui o QTRACS web, conforme determinam as próprias disposições iniciais de “definição de termos” do contrato, supra destacadas. Também é importante repisar que a citada Cláusula 4. 2, que trata da remuneração da empresa estrangeira pela cessão da licença de uso, confirma que o pagamento diz respeito unicamente ao licenciamento do software MCT/IMCT. Assim, concluise que o Contrato firmado entre as partes tem como escopo principal tornar a Recorrente um “revendedor” dos programas de computador (vide Cláusula 2 – “Distribuidor exclusivo do Sistema OmniTRACS” e 2.2. – “Exigências mínimas de desempenho”), e, para tanto, foilhe contratualmente cedida a licença do uso desses softwares. Sobre esse ponto, destaco que o INPI (“Instituto Nacional de Propriedade Industrial”), nos moldes do artigo 211 da Lei n. 9.279/96, coloca que, por não caracterizarem transferência de tecnologia, os contratos de Licença de uso de programa de computador (software) e Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10166.911825/200969 Acórdão n.º 3402003.714 S3C4T2 Fl. 0 9 Distribuição de programa de computador (software) são dispensados de averbação pelo INPI. 1 Portanto, assim como pressupõe o artigo 1ºA da Lei n. 10.168/200, a princípio tais espécies de contratos dão acesso unicamente ao código objeto, que é aquele legível pela máquina, mas não da codificação fonte, que é a tecnologia. Poderia haver uma “desvirtuação” de tais contratos, implicando na transferência de tecnologia, caso o conteúdo do acordo trouxesse a disponibilização do código fonte do software licenciado, corroborando o intuito da empresa brasileira licenciada de ter acesso ao conhecimento tecnológico, para apropriálo e desenvolvêlo no sentido que lhe interessasse. Entretanto, no presente caso concreto, o contrato realmente não abarca a transferência de tecnologia, pelas razões expostas alhures, confirmando a natureza tradicional dessas espécies contratuais de cessão de uso e distribuição de software. Por fim, a planilha elaborada pela Contribuinte que demonstra a apuração do valor devido à Qualcomm conforme termos estipulados no Contrato , as cópias das Notas Fiscais emitidas pela Qualcomm, acompanhadas dos respectivos contrato de câmbio e DARFs de IRRF recolhido por ocasião da remessa confirmam a correlação entre os pagamentos efetuado a título de CIDEroyalties e o Contrato em questão, com as respectivas remessas ao exterior para pagamento da licença de uso de software. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração do quantum a ser compensado." 1 “Quais são os serviços que não são caracterizados como transferência de tecnologia? Por não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei nº 9.279/96 alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços: Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc.); Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos; Homologação e certificação de qualidade de produtos; Consultoria na área financeira; Consultoria na área comercial; Consultoria na área jurídica; Consultoria visando participação em licitação; Serviços de marketing; Consultoria remota, sem a geração de documentos; Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software); Licença de uso de programa de computador (software); Distribuição de programa de computador (software); Aquisição de cópia única de programa de computador (software).” Disponível em: http://www.inpi.gov.br/servicos/perguntasfrequentespaginasinternas/perguntasfrequentes transferenciadetecnologia#naocaracterizados Acesso em 12/01/2017. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10166.911825/200969 Acórdão n.º 3402003.714 S3C4T2 Fl. 0 10 Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que todos os documentos analisados no julgamento do paradigma encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo (fls. 134/140 e 199/403), a saber: a) cópia do livro razão consolidado, do DARF referente ao pagamento (código da Receita 8741) e cópias das DCTFs original e retificadora, que comprovam o pagamento da CIDEroyalties que a Recorrente reputa como indevido e passível de restituição/compensação; b) contrato de licenciamento de uso de software entre a Autotrac e a Qualcomm (mesmo contrato que o analisado no julgamento do paradigma); c) planilha elaborada pela Contribuinte que demonstra a apuração do valor devido à Qualcomm conforme termos estipulados no Contrato , cópias das Notas Fiscais emitidas pela Qualcomm, acompanhadas dos respectivos contrato de câmbio e DARFs de IRRF recolhido por ocasião da remessa, que confirmam a correlação entre os pagamentos efetuado a título de CIDEroyalties e o Contrato em questão, com as respectivas remessas ao exterior para pagamento da licença de uso de software. Portanto, constatase que neste processo a Contribuinte juntou os mesmos documentos que foram considerados hábeis à comprovação do direito creditório no caso do paradigma, variando apenas o número dos documentos e os valores envolvidos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito alegado pela Contribuinte, devendo a compensação ser analisada pela RFB apenas para fins de apuração do quantum a ser compensado. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 417DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.902051/2012-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
COFINS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.
Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9303-004.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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INSUMOS. CONCEITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 20 51 /2 01 2- 74 Fl. 1181DF CARF MF 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402002.635, de 24/02/2015, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RECURSO. CONHECIMENTO. A parte, ao recorrer, deve claramente identificar o objeto e os motivos de sua irresignação. Não se conhece do recurso genérico e desprovido de fundamentação. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de formular quesitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10280.902051/201274 Acórdão n.º 9303004.731 CSRFT3 Fl. 1.182 3 de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação ao que decidido no Acórdão nº 20312.448 e 20400.795. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 1048/1050. A contribuinte apresentou as contrarrazões ao recurso especial (fls. 1052/1064). Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido (fls. 1173/1175). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido Fl. 1183DF CARF MF 4 no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 10280.902051/201274 Acórdão n.º 9303004.731 CSRFT3 Fl. 1.183 5 [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou: No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Fl. 1185DF CARF MF 6 Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1186DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.722592/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
VACINAS
A dedução de despesas com saúde deve se limitar àquelas descritas na alínea "a", do inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/1995, não compreendendo a aplicação e/ou aquisição de vacinas.
Numero da decisão: 2202-003.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.100,00.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
Assinado digitalmente
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. VACINAS A dedução de despesas com saúde deve se limitar àquelas descritas na alínea "a", do inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/1995, não compreendendo a aplicação e/ou aquisição de vacinas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.100,00. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 25 92 /2 01 3- 12 Fl. 108DF CARF MF 2 Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2012, ano calendário de 2011 em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas no valor de R$ 16.210,00, culminando na alteração de ofício do resultado do ajuste anual, passando o imposto a restituir apurado de R$ 3.998,25 para imposto a pagar de R$ 184,50, mais multa de ofício de 75% e juros de mora calculados com base na taxa Selic, conforme demonstrado às fls. 34/35. Na Notificação de Lançamento, fls. 03/07, a Autoridade Fiscal assim motivou as glosas das despesas: a) Clínica de Diagnóstico por Imagem Paciornik Ltda, no valor de R$ 110,00 falta de comprovação do pagamento; b) André Luiz Zétola, no valor de R$ 15.100,00: falta de nominação do beneficiário dos serviços prestados por este profissional e a respectiva comprovação documental, e falta de comprovação do efetivo desembolso. O contribuinte apresentou cheques do Banco do Brasil, nºs 850321 e 850322, nos valores de R$ 12.500,00 e 2.600,00, ambos nominados a terceiros. Inconformado o contribuinte apresentou impugnação alegando que o pagamento à Clínica de Diagnóstico por Imagem Paciornik, NF 10439, no valor de R$ 110,00 foi realizado em dinheiro proveniente de saque com cartão no caixa eletrônico em 28/04/2011, conforme extrato bancário que anexa. Quanto à comprovação do pagamento a André Luiz Zétola, no valor de R$ 15.100,00, feito com os cheques nº 850321 e 850322, informa que os cheques foram emitidos ao portador e entregues ao prestador dos serviços que os negociou com terceiros. Para comprovar o efetivo desembolso, apresenta declaração do profissional, de que recebeu os cheques referentes aos recibos emitidos. Anexou cópia da NF emitida em 28/04/2011 pela Clínica de Diagnóstico por Imagem Paciornik, no valor de R$ 110,00 (fls. 08), onde se lê na descrição dos serviços: aplicação de vacina da gripe 2011. Extrato de conta corrente do Banco do Brasil onde assinalou o saque realizado em 28/04/2011 no valor de R$ 180,00 (fls. 09); às fls. 10/17, anexa declarações André Luiz Zétola, em que atesta ter recebido do notificado no ano de 2011 o valor de R$ 2.600,00, referente ao cheque do BB nº 850322, conforme recibo datado de 12/12/2011 por serviços de tratamento odontológico, juntando cópia do cheque nº 850322 emitido em 05/12/2011; e outra declaração do mesmo prestador, atestando que o cheque do BB nº 850321, de R$ 12.500,00, se refere aos recibos emitidos em 12/08/2011, 12/09/2011, 12/10/2011 e Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.722592/201312 Acórdão n.º 2202003.663 S2C2T2 Fl. 109 3 12/11/2011, no valor de R$ 3.125,00 cada um, totalizando R$ 12.500,00 e junta cópia de cheque ilegível. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 37/40, nos seguintes termos: Quanto à dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual, a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, em seu art. 8º, estabelece: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” (Grifouse) O artigo 73 e § 1º do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, com a correspondente matriz legal indicada, estabelece: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Fl. 110DF CARF MF 4 Conforme se depreende da análise dos dispositivos legais acima, não há como acatar o gasto de R$ 110,00 com a Clínica de Diagnóstico por Imagem Paciornik Ltda., pois o conceito de despesas médicas para fins tributários não compreende a aquisição de vacinas. As despesas com tratamento odontológico feitas com André Luiz Zétola, no total de R$ 15.100,00, foram glosadas por não ter sido comprovado o beneficiário do tratamento, a sua efetiva realização e respectivo desembolso das despesas. Declarações do profissional (fls. 10 e 13) atestam ser o autuado o paciente dos procedimentos realizados. Os cheques trazidos pelo contribuinte não se prestam a comprovar o pagamento das despesas questionadas. Já foram apresentados e glosados pela fiscalização, pois se tratam de cheques nominais a terceiros. A cópia juntada à fl. 16 nem mesmo corresponde, em datas e valores, a qualquer um dos recibos emitidos. Além disso, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos que demonstrassem a realização do tratamento e não o fez. Também não os apresentou na impugnação. Vale notar que quando se tratam de despesas médicoodontológicas dispendiosas e continuadas há sempre um histórico da doença, de forma que os contribuintes independentemente de solicitação por parte do fisco, costumeiramente apresentam sem qualquer parcimônia exames, laudos médicos e periciais comprovando a sua patologia e necessidade de tratamento especializado. Com relação às declarações prestadas pelo dentista acostadas aos autos, esclarecese que os documentos não fazem prova perante terceiros, neste caso, o Fisco, em face da disposição prevista no art. 219 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. Neste aspecto, declarações constantes de documento particular têm admissibilidade restrita em processo administrativo fiscal e não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de provar tais declarações, porquanto se presume sejam verdadeiras apenas em relação aos signatários. Isto posto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado pessoalmente dessa decisão em 24/05/2013, conforme termo de fls. 44, o interessado apresentou Recurso Voluntário em 12/06/2013 (fls. 45/48), alegando em síntese: • que não procede a alegação da DRJ de que houve aquisição de vacina pois a NF 10439 da Clínica de Diagnóstico é NF de prestação de serviços Série "F", e o valor Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.722592/201312 Acórdão n.º 2202003.663 S2C2T2 Fl. 110 5 cobrado se refere ao serviço de aplicação de medicamento, que só pode ser realizado em clínicas ou hospitais privados, mediante pagamento ou nos postos de saúde do SUS, se gratuitamente. Ressalta que na Notificação de Lançamento foi questionado tão somente a falta de comprovação de pagamento das despesas médicas à esta clínica, que foi sanada com o pagamento em dinheiro, oriundo de saque com cartão no caixa eletrônico em 28/04/2013 (sic), conforme extrato bancário juntado às fls. 16; • da mesma forma o acórdão da DRJ quando fala das despesas com tratamento odontológico feitas com André Zétola, no total de R$ 15.100,00, que foram glosadas por não ter sido comprovado o beneficiário do tratamento, a sua efetiva realização e respectivo desembolso das despesas. Tais alegações não podem prevalecer haja vista a apresentação do completo conjunto probatório constituído por recibos, declarações do profissional bem como declarações da efetiva realização do tratamento e microfilmagem dos cheques utilizados para o pagamento do profissional, atestando o efetivo desembolso do recorrente. O acórdão afirma que os cheques não se prestam a comprovar o pagamento das despesas questionadas, que já foram apresentados e glosados pela fiscalização pois se tratam de cheques nominais a terceiros e que a cópia juntada às fls. 16 nem mesmo corresponde, em datas e valores, a qualquer dos recibos emitidos. Sustenta que o extrato bancário juntado às fls. 16 corresponde à comprovação de pagamento em pecúnia à Clínica de Diagnóstico por Imagem Paciornik Ltda, no valor de R$ 110,00 e não aos pagamentos dos cheques emitidos. Destaca que os cheques e recibos foram sim emitidos no mesmo mês, apresentados à fiscalização da malha fiscal e constam do dossiê digitalizado, mas não foram percebidos muito menos acatados pelos julgadores da DRJ. A DRJ o acusa de não ter apresentado documentos que comprovassem a realização do tratamento. O recorrente afirma que foi intimado a apresentar os recibos e extratos bancários e também as cópias dos cheques utilizados para os pagamentos. Nenhuma comprovação mais lhe foi solicitada, até que foi surpreendido com a Notificação de Lançamento. Argumenta que a idoneidade dos documentos apresentados deve ser presumida, cabendo ao Fisco provar a falsidade ou inexatidão dos mesmos. Não o fazendo, deve ser afastada a glosa e restabelecida a dedução das despesas médicas. A fim de dirimir quaisquer dúvidas quanto a efetiva realização do tratamento odontológico e do efetivo desembolso das despesas, além dos documentos comprobatórios já apresentados à fiscalização e na impugnação, junta também ao recurso cópia do orçamento, das tomografias e laudos correspondentes às fases do tratamento. Ao final requer o total provimento de seu recurso com a reforma da decisão anterior e o restabelecimento das deduções pleiteadas. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar, relatora. Fl. 112DF CARF MF 6 O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pelo Contribuinte desde a impugnação e servem para rebater a decisão de primeira instância. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação pela Autoridade Fiscal, de recibos e declarações de despesas médicas desacompanhados da comprovação do efetivo desembolso dos valores pagos pelo declarante. Às fls. 94/104 dos autos está o Termo de Intimação Fiscal nº 2013/41, lavrado em 07/03/2013, que antecedeu a Notificação Fiscal de Lançamento. Verifico que nesta intimação o contribuinte foi instado a apresentar, dentre outros documentos que não dizem respeito ao presente processo, "(1) comprovantes dos efetivos desembolsos (cópias de cheques compensados, DOC, ordem bancária, depósito bancário, cartões de crédito ou débito, saques com cartões ou em caixa eletrônico, etc), compatíveis em datas e valores, dos pagamentos efetuados ao profissional André Luiz Zetola, conciliando com os respectivos recibos declarados na Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2012 e (2) nomear o beneficiário dos serviços prestados pelo mesmo profissional, apresentando documentos comprobatórios." Em seguida, constam um extrato do Banco do Brasil, de conta corrente do Sr. João Almeida, indicando a compensação, em 12/12/2011 do cheque nº 850322, no valor de R$ 2.600,00; cópia/microfilme do cheque nº 850322, emitido em 05/12/2011 e cópia/microfilme do cheque nº 850321, emitido em 07/11/2011, no valor de R$ 12.500,00. Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, conforme previsão do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcrito: RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Com relação à despesa com tratamento odontológico realizado pelo Dr. André Luiz Zétola, a Notificação Fiscal descreve que a glosa foi por falta de identificação do beneficiário dos serviços, comprovação documental e comprovação do efetivo desembolso, já que não acolheu os cheques apresentados por estarem nominados a terceiros. Pelos elementos dos autos, entendo que restou comprovado que os serviços foram prestados ao declarante, Sr. João Almeida (orçamento de fls. 49 indica ser ele o paciente, identifica os serviços a serem realizados, contém o valor total do tratamento e a forma de Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.722592/201312 Acórdão n.º 2202003.663 S2C2T2 Fl. 111 7 parcelamento do pagamento, assim como os exames anexados às fls. 68/72 cujas imagens tomadas de 30/09/2011 a 03/05/2012, comprovam a realização de intervenções odontológicas no mesmo paciente). Quanto aos pagamentos, o contribuinte afirma terem sido realizados através dos cheques nº 850321 (R$ 12.500,00 ) e nº 850322 (R$ 2.600,00), traz aos autos cópias de microfilmes destes cheques, dos extratos bancários comprovando seu desconto e declarações do profissional atestando que o cheque do BB nº 850321, de R$ 12.500,00, se refere aos recibos emitidos em 12/08/2011, 12/09/2011, 12/10/2011 e 12/11/2011, no valor de R$ 3.125,00 cada um, totalizando R$ 12.500,00 e que o cheque do BB nº 850322, no valor de R$ 2.600,00 quitou o recibo emitido em 05/12/2011. A decisão da DRJ fundamentou a negativa de aceitação destes documentos no fato de se tratar de declaração unilateral que não faz prova perante terceiros e não admitiu os cheques como comprovação do efetivo pagamento por estarem "nominados a terceiros". O orçamento de fls. 49, datado de 24/10/2011, identifica os procedimentos orçados que totalizam R$ 38.500,00 e especifica a forma de pagamento: entrada de R$ 12.500,00 e saldo em 10 parcelas de R$ 2.600,00 cada. Os recibos apresentados então teriam sido assim quitados: · Recibo de 12/08/2011 de R$ 3.125,00, recibo de 12/09/2011 de R$ 3.125,00, recibo de 12/10/2011 de R$ 3.125,00 e recibo de 12/11/2011 de R$ 3.125,00, pagos com o cheque BB nº 850321 de R$ 12.500,00, emitido em 07/11/2011. · Recibo de 12/12/2011 de R$ 2.600,00 cheque BB nº 850322, emitido em 05/12/2011. Com relação aos cheques, entendo que o emissor do documento (o declarante) não tem qualquer ingerência na destinação que seu recebedor lhe dará. Explico: nada impede que o paciente efetue um pagamento em cheque não nominal a seu dentista e este repasse o cheque a um terceiro. No caso constatase que a pessoa que escreveu o nome do destinatário do cheque não tem a mesma grafia do subscritor deste documento (cópias do cheques estão às fls. 12 e 16). Portanto, tenho que os cheques comprovam os pagamentos realizados cujos valores e datas combinam com os previstos no orçamento. Assim, pelo conjunto probatório dos autos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser afasta a glosa das despesas odontológicas apontadas (no valor de R$ 15.100,00), pois prestadas ao próprio declarante, cujos pagamentos foram realizados por meio dos cheques identificados, corroborados pelos recibos e declarações do dentista. Com relação à despesa declarada para a Clínica de Diagnóstico por Imagem Paciornik Ltda, percebese que a Notificação de Lançamento motivou sua glosa na falta de comprovação do pagamento e que o documento comprobatório da despesa foi apresentado apenas em sede de impugnação (NF nº 10439, emitida pela Clínica de Diagnóstico por Imagem Paciornik Ltda e referente à aplicação de vacina). A DRJ analisou tal documento e manteve a glosa da dedução, justificando que vacina não está compreendida no conceito de despesas médicas dedutíveis para fins tributários. Fl. 114DF CARF MF 8 A dedução de despesas com saúde deve se limitar àquelas descritas na alínea "a", do inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/1995, não compreendendo a aplicação e/ou aquisição de vacinas. Portanto, correta decisão da DRJ, devendo ser mantida a glosa de R$ 110,00 deduzida à título de despesas médicas. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.100,00, mantendo a incidência sobre R$ 110,00 já que vacina é indedutível na DIRPF. Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 115DF CARF MF
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