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Numero do processo: 10166.906396/2009-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/07/2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.863, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 63 96 /2 00 9- 16 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10166.906396/200916 Acórdão n.º 9101002.612 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio de despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10166.906396/200916 Acórdão n.º 9101002.612 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10166.906396/200916 Acórdão n.º 9101002.612 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.695784/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.388
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 57 84 /2 00 9- 82 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.695784/200982 Acórdão n.º 3301003.388 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16036.852. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.695784/200982 Acórdão n.º 3301003.388 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.695784/200982 Acórdão n.º 3301003.388 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.695784/200982 Acórdão n.º 3301003.388 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.695784/200982 Acórdão n.º 3301003.388 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 15889.000196/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 96 /2 00 7- 46 Fl. 708DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 711DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 713DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 715DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 717DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.917393/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.122
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 39 3/ 20 11 -5 1 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10480.917393/201151 Resolução nº 3401001.122 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.102. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10480.917393/201151 Resolução nº 3401001.122 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10480.917393/201151 Resolução nº 3401001.122 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720086/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/10/2008, 08/06/2009, 22/10/2009, 19/01/2010, 13/08/2010, 25/02/2011, 23/05/2011, 12/01/2012
Ementa:
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. PRESUNÇÃO LEGAL. COMERCIALIZAÇÃO SUBSEQUENTE À REVENDA DA PRIMEIRA ADQUIRENTE.
A presunção de que trata o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 deve ser relativizada nas operações declaradas por conta e ordem de terceiro, em relação às cadeias de comercialização subsequentes. As provas apresentadas elidiram a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. A documentação probatória juntada aos autos demonstram ser a real adquirente das mercadorias declarada na DI a efetiva negociante no exterior e a proprietária primeira das mercadorias
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para manter apenas o lançamento do crédito tributário correspondente à Declaração de Importação nº 12/0073859-06, vencida a Conselheira Maria do Socorro, que negava provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para manter apenas o lançamento do crédito tributário correspondente à Declaração de Importação nº 12/0073859-06, vencida a Conselheira Maria do Socorro, que negava provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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PRESUNÇÃO LEGAL. COMERCIALIZAÇÃO SUBSEQUENTE À REVENDA DA PRIMEIRA ADQUIRENTE. A presunção de que trata o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 deve ser relativizada nas operações declaradas por conta e ordem de terceiro, em relação às cadeias de comercialização subsequentes. As provas apresentadas elidiram a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. A documentação probatória juntada aos autos demonstram ser a real adquirente das mercadorias declarada na DI a efetiva negociante no exterior e a proprietária primeira das mercadorias Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para manter apenas o lançamento do crédito tributário correspondente à Declaração de Importação nº 12/007385906, vencida a Conselheira Maria do Socorro, que negava provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 00 86 /2 01 3- 45 Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.659 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário relativo à multa substitutiva da pena de perdimento por infração de dano ao erário tipificada no artigo 23, inciso V do Decretolei nº 1.455/1976, constatada pela ocorrência de infração de ocultação do real comprador, mediante a interposição fraudulenta de terceiros. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório do acórdão recorrido: “Contra a empresa ANGHEBEN COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, ora Impugnante, doravante ANGHEBEN, já devidamente qualificadas nos autos deste processo, foi lavrado Auto de Infração (AI), por AFRFB em exercício na Delegacia da Receita Federal em JoaçabaSC, em sede de procedimento especial de fiscalização para averiguar a regularidade das importações realizadas pela trading IZE BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA por Conta e Ordem da ANGHEBEN, ao final da qual restou apurada a infração tipificada como “Dano ao Erário”, decorrente da ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, por motivo de impossibilidade de apreensão das mercadorias, uma vez que a real adquirente das importações seria a empresa ELETROMAR MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, CNPJ 32.951.535/000134, conforme concluiu a fiscalização, com lavratura de auto de infração num montante de crédito apurado no valor total de R$ 243.221,78. O procedimento teve início em 19 de julho de 2012, com ciência à ANGHEBEN do Termo de Início de Procedimento Especial, expedido em sede de cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09203002012003380, a qual foi intimada a apresentar documentos e informações, destinado a verificar a regularidade de suas importações por Conta e Ordem e uma única por Conta e Risco Próprios (DI 12/00738596). A empresa ELETROMAR MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS, doravante denominado ELETROMAR, igualmente foi intimada a apresentar documentos e informações no interesse da fiscalização. Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.660 3 Após apresentar esclarecimentos introdutórios sobre as modalidades previstas na legislação de importação, em síntese, alega a fiscalização: A) Que o suposto “cliente” ELETROMAR, real adquirente das mercadorias importadas por Conta e Ordem da ANGHEBEN, objeto da presente ação fiscal, apenas em 22/08/2011 foi habilitado a operar no comércio exterior, na modalidade simplificada (art. 2°, II da IN SRF 650/06), porém, sem nenhum registro de importação por conta própria até o momento de conclusão da presente fiscalização; B) Que, mediante o artifício da interposição fraudulenta praticado, a empresa ELETROMAR pretendia não se enquadrar na condição de contribuinte do IPI, equiparada a estabelecimento industrial e, portanto, não recolher o IPI incidente na operação de revenda, além de subtrair receitas decorrentes das operações de revenda ao consumidor final, as quais serviriam de base de cálculo para demais impostos e contribuições incidentes sobre o faturamento e lucro (PIS/Pasep, COFINS, IRPJ e CSLL); C) Que a operação igualmente teria permitido ao real adquirente ELETROMAR a utilização de benefícios fiscais do ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina, uma vez que na modalidade que a importação foi realizada, por conta e ordem de empresa sediada no estado de SC (a ANGHEBEN), foi possível o enquadramento da operação no ‘Regime de Tarifação Especial do ICMS de Santa Catarina ProEmprego’, que, em síntese, tem o efeito de reduzir a alíquota efetiva do ICMS incidente sobre a importação para apenas 3%, benefício que não seria auferido caso a adquirente fosse a empresa ELETROMAR, sediada no estado de Mato Grosso, uma vez que o ICMS cabe ao estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria; D) Que os métodos empregados pela ANGHEBEN para ocultar os reais adquirentes em suas importações nada têm de novo ou inusitado, sendo na verdade técnicas tradicionais e já bem conhecidas da fiscalização, mediante financiamento das operações de importação pelos reais adquirentes, com posterior aquisição “casada” das mercadorias importadas; E) Que, como primeiro grande indício da ocultação do real adquirente das importações realizadas por sua conta e ordem, destacase a proximidade entre as datas de desembaraço da importação e de emissão das notas fiscais de entrada e saída no estabelecimento da ANGHEBEN, com repasse integral da mercadoria adquirida ao real adquirente ELETROMAR, conforme demonstrado em quadro (fl. 922), numa típica operação de revenda da mercadoria a encomendante predeterminado, sem qualquer ânimo próprio ou risco da ANGHEBEN na realização da operação, uma vez que a operação de compra pela ELETROMAR já se encontrava Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.661 4 previamente acertada antes mesmo do embarque das mercadorias no exterior; F) Que a tomada de risco na revenda das mercadorias é uma característica essencial da importação direta, na qual a ANGHEBEN não estaria configurada pela característica acima descrita (operação casada); G) Que o risco comercial advém do fato que, não sendo a importação previamente encomendada, o importador incorrerá nas incertezas de sua comercialização, quando da oferta à venda, da conquista do comprador, do alcance do preço de mercado, do prazo de entrega das mercadorias, da agregação de valores à mercadoria, numa composição de variáveis inerentes à atividade comercial; H) Que o cerne de todo o aspecto comercial da encomenda prévia seria o adiantamento de recursos pelo real adquirente para o fechamento de câmbio e pagamento de tributos e demais despesas das importações a serem promovidas pela importadora interposta,com aportes de recursos em conta da ANGHEBEN em datas imediatamente anterior ou na própria data de fechamento dos contratos de câmbio e demais despesas, conforme demonstra em quadro apresentado (Tabela 4 fls. 924 a 926); I) Que própria declaração da ANGHEBEN confirmaria tal sistemática de subsídio das operações de importação pela ELETROMAR, ao afirmar que os pagamentos desta última estavam vinculados à logística de produção e transporte das mercadorias no exterior (fl. 924); J) Que ao informar o modo de operação financeira da empresa com seus fornecedores no exterior (fl. 924), quando em cotejo com a forma antecipada de pagamento das mercadorias pela ELETROMAR, restaria claro que as antecipações desta última eram inteiramente suficientes ao pagamento dos fornecedores estrangeiros; K) Que da análise dos pagamentos ao exterior (contratos de câmbio) e recebimentos realizados pela ANGHEBEN da ELETROMAR para cada operação de importação objeto da ação fiscal, extraídos de sua contabilidade e dos extratos bancários apresentados à fiscalização por ambas as empresas, constatase para todas as importações objeto da ação fiscal o ADIANTAMENTO de numerário pela ELETROMAR à ANGHEBEN, através de transferência bancária, no dia imediatamente anterior ou no própria dia do fechamento de câmbio, com a primeira parcela de adiantamento em valor muito próximo ao valor de fechamento da primeira parcela de câmbio, com o segundo adiantamento em valor já superior à segunda parcela de câmbio, devido às despesas posteriores relacionadas ao registro da declaração de importação e pagamento dos tributos; L) Que os fatos, à luz da disposição legal do art. 27 da Lei 10.637/2002, caracterizam as importações da ANGHEBEN, Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.662 5 objeto da ação fiscal, como por Conta e Ordem da ELETROMAR, em ação simulada para ocultálo da sujeição passiva das obrigações tributárias; M) Que à época das importações, a empresa ELETROMAR não possuía habilitação para operar no comércio exterior, de forma que, para não se submeter aos rigores do procedimento de habilitação e não se expor perante a fiscalização, a mesma preferiu utilizarse do ocultamento de suas importações através de interposição da ANGHEBEN; N) Que dos fatos apresentados, restou demonstrado que a ANGHEBEN, mediante simulação e interposição, importou por “conta” (via adiantamento de recursos) e “ordem” (pedidos) encomenda de terceiros ocultos das relações obrigacionais tributárias formadas, não tendo a mesma cumprido nenhum dos requisitos imprescindíveis para importação por conta e ordem da ELETROMAR, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias objeto das importações, na forma prevista no art. 23, V, do Dl 1.455/76, as quais, por não mais se encontrarem localizadas, tiveram a pena convertida em pecúnia no valor das mercadorias importadas, na forma prevista no art. 23, § 3º, do Dl 1.455/76; O) Que, em acordo com as disposições do art. 95, incisos I, V e VI, do Dl 37/66 e art. 124 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN), e fatos demonstrados no presente auto, tanto a ANGHEBEN quanto a ELETROMAR devem figurar no pólo passivo da presente autuação, a primeira como contribuinte e a segunda como responsável solidária; De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pelas empresas ANGHEBEN e ELETROMAR podem ser sinteticamente consolidadas e descritas como seguem (fls. 989 a 1020 e fls. 1506 a 1534, respectivamente). (A) Arguiu a ANGHEBEN que exerce a atividade de comércio internacional de mercadorias, com prestação de serviços de importação e exportação de bens, exercendo também a importação direta; Que possui estrutura física completa, incluindo armazém na cidade de Itajaí/SC, com logística nacional e internacional integrada e que nos últimos 05 (cinco) anos importou mais de 3.400 contêineres de mercadoria, com parametrização majoritariamente selecionada para o canal verde; (B) Arguiu a ELETROMAR que é detentora de exacerbada carga tributária, sempre atendendo e cumprindo com suas obrigações perante o Fisco, mantendo dessa forma sua idoneidade, estabilidade e regularidade fiscal; Que foi procurada pela ANGHEBEN para compra de mercadorias, não o inverso como quer a fiscalização, que alega ter sido a mesma que procurou a ANGHEBEN para encomendar a importação de bens; e que a operação adotada ocorria em duas fases, iniciandose com a importação realizada pela trading IZE Brasil por conta e ordem Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.663 6 da empresa ANGHEBEN, a qual, apenas após a conclusão do desembaraço da importação, realizava a revenda das mercadorias a diversos clientes em todo o território nacional, entre eles a mesma; (C) Conjuntamente, alegam que por questões logísticas e objetivando usufruir benefício fiscal na importação conferido pelo Estado de SC, a ANGHEBEN terceiriza suas operações de importação por meio da trading IZE Brasil, habilitada ao regime de benefício estadual, a qual realiza as importações na modalidade por conta e ordem de terceiro; (D) Que após o desembaraço da importação a mercadoria é conduzida para armazém da ANGHEBEN, apenas em seguida sendo revendida no mercado interno, sempre sem qualquer contato ou conhecimento dos adquirentes finais com o fornecedor estrangeiro; (E) Que a ANGHEBEN é responsável exclusiva por toda a negociação com o fornecedor estrangeiro, pelo fechamento de câmbio, pelo transporte internacional, pelo desembaraço aduaneiro e pelo recolhimento dos tributos, sendo ela a única responsável por todo o processo de importação, em formato de atuação sem nenhuma ilegalidade ou fraude; (F) Que para suas surpresas, foram autuadas pela Receita Federal sob a acusação de ocultação do real adquirente das mercadorias, penalidade igualmente aplicada às duas empresas, ANGHEBEN e ELETROMAR; (G) Que ficou claramente demonstrado no curso do procedimento fiscal que todos os recursos aplicados às importações pertenceram à ANGHEBEN, a qual realizou todos os pagamentos e relacionamento comercial diretamente junto ao fornecedor estrangeiro; (H) Que foi a ANGHEBEN que prospectou toda a clientela adquirente, o que caracterizaria a operação comercial como revenda no mercado interno e não importação por conta e ordem de terceiro, não podendo a simples utilização de uma empresa prestadora de serviço (trading), que visava tão somente facilitar a operação de comércio exterior, modificar a natureza das operações realizadas pelas mesmas; (I) Que o SISCOMEX apenas trata como campos obrigatórios de preenchimento a informação do importador e adquirente, os quais foram devidamente declarados, não havendo que se falar dos futuros e eventuais adquirentes finais do produto no mercado interno; (J) Que se mostra frágil a argumentação da fiscalização com relação à proximidade de datas entre o desembaraço, entrada e saída dos bens no estabelecimento da ANGHEBEN para sustentar indícios de ocultação de terceiros, haja vista a ausência de pressuposto lógicojurídico ou fundamentação legal para tal, inexistindo exigência alguma para que os bens Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.664 7 permaneçam como propriedade da mesma por certo prazo, antes de revendêlos; (K) Que a legislação aduaneira de regência exige apenas que, nos casos em que a operação for realizada por intermédio de terceiros, ambas as empresas envolvidas estejam devidamente vinculadas nos documentos aduaneiros, o que não pode se aplicar para a situação em questão, por se tratar de operação de revenda no mercado interno; (L) Que o dano ao Erário decorrente da prática de “ocultação do real adquirente” apenas se aperfeiçoa quando o mesmo se dar mediante fraude ou simulação, o que em nenhum momento ficou comprovado de forma inequívoca no caso em questão; (M) Que inexistiu dano ao Erário imprescindível à conduta reprimida, seja pela ausência de comprovação de prejuízo fiscal, seja pela equivocada ideia de ocultação de adquirente para frustrar os controles aduaneiros; (N) Que merece destaque documento em anexo elaborado por técnico contador habilitado, o qual demonstra a total capacidade financeira da ANGHEBEN em arcar com todos os custos das importações, não havendo o que se falar em adiantamentos de recurso imprescindíveis à realização da importação; (O) Que não se pode confundir os valores recebidos legitimamente pela ANGHEBEN em decorrência do acordo comercial com a ELETROMAR, com os valores integrantes do patrimônio daquela primeira ou a falta de recursos desta para suportar todos os riscos e custos nas importações, ressaltando que todos as despesas e pagamentos relacionados com as importações tiveram origem direta da conta bancária da ANGHEBEN; (P) Que nos meses de registro e realização das operações, a ANGHEBEN dispunha de valores no ativo circulante suficientes a saldar o custeio das importações, conforme quadro que apresenta à fl. 1007; (Q) Que nas importações objeto da ação fiscal, não houve nenhum benefício fiscal indevido, tampouco tributos deixaram de ser recolhidos, não tendo a fiscalização logrado êxito em apresentar algo em contrário; (R) Que assim fica completamente descaracterizada a conduta descrita pela ocultação de terceiros pela ausência de fraude, simulação ou interposição fraudulenta de terceiros, com o objetivo de sonegar tributos; (S) Que os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, essenciais à atividade repressiva estatal, foram violados na situação em questão, haja vista a ausência de dano ao Erário; Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.665 8 (T) Que, sendo o dano ao Erário uma elementar para aplicação da pena de perdimento, a mesma não subsiste frente à conduta que em nada repercute no aspecto da tributação que permanece a mesma, não sendo alterada nem para mais e nem para menos; (U) Que, em conformidade às disposições do art. 737 do Regulamento Aduaneiro RA (Decreto nº 6.759/09), a ANGHEBEN pleiteia, alternativamente, pela relevação da pena de perdimento, com aplicação da penalidade menos onerosa prevista no art. 712 do RA, haja vista a inexistência de falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, como forma de sobrestar ato arbitrário que viola princípio constitucional sobre o direito de propriedade; (V) Por fim, ressalta a ELETROMAR que, em conformidade com a legislação que destaca, o contribuinte das importações objeto da ação fiscal é a trading IZE Brasil, por assim ter promovido a entrada dos bens, e responsável solidário a empresa ANGHEBEN, que encerra a cadeia entre o transmitente e o adquirente dos bens importados, não havendo assim que se falar em responsabilidade solidária de sua parte na obrigação tributária formada; Ao final, requererem que seja reconhecida a improcedência do lançamento, com cancelamento do débito fiscal e responsabilidade tributária atribuída à ELETROMAR. É acima o relatório" A Sexta Turma da DRJ em Recife proferiu o Acórdão nº 1144.750, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 06/10/2008 a 12/01/2012 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE INFRAÇÕES E PENALIDADES. Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.666 9 A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco e proporcionalidade, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este Colegiado. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO DA PENALIDADE PELA IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DA MERCADORIA. PREJUÍZO À RELEVAÇÃO. A hipótese de relevação da pena de perdimento se aplica à mercadoria apreendida, que pela impossibilidade de sua apreensão, convertese em penalidade pecuniária, mediante lançamento de ofício, regido em conformidade com as disposições do Decreto 70.235/72 (Procedimento Administrativo Fiscal PAF), o qual não prevê qualquer hipótese de relevação do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada em 12/03/2014, apresentou em 09/04/2014, recurso voluntário, alegando: 1. A inocorrência da ocultação do real adquirente, pois as operações tratavam de importação de produtos com fins de revenda, completamente divergente de uma operação por conta e ordem de terceiro ou por encomenda; que as negociações foram feitas pela recorrente; que não houve subtração de recolhimento de tributos; que a proximidade entre as datas de desembaraço aduaneiro, entrada e saídas das mercadorias é aspecto frágil para sustentar indícios de ocultação de terceiro; 2. Que não houve prova da ocorrência de fraude, pois não houve intenção por parte da recorrente, nem dano ao erário, vez que não houve supressão de tributos; 3. A inocorrência do dano ao erário pela ausência de comprovação de prejuízo fiscal, bem como pela equivocada idéia de ocultação de adquirente para frustrar os controles aduaneiros; que a ausência de dano econômico afasta a aplicação da pena de perdimento, conforme jurisprudência do STJ; 4. Que não houve adiantamento de recurso para conclusão da operação de importação e que tal enquadramento necessitaria dos requisitos da não comprovação da origem dos recursos, da disponibilidade e transferência dos recursos empregados no exterior; que a recorrente possui capacidade financeira para arcar com os custos das operações de importação; que a figura da interposição fraudulenta presumida de terceiros não foi comprovada; Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.667 10 5. Que não foram observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, ocorrendo afronta às garantias constitucionais para o exercício da profissão e da atividade econômica; 6. Alternativamente, a relevação da pena de perdimento com base no artigo 737 do Decreto nº 6.759/2009. Na sessão de 10/12/2014, esta turma decidiu converter o julgamento em diligência, para que a responsável solidário ELETROMAR MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, CNPJ 32.951.535/000134, fosse cientificada da decisão de primeira instância e lhe fosse facultada a interposição de recurso voluntário. Cientificada, a responsável ELETROMAR não se manifestou. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Os sujeitos passivos solidários são ANGHEBEN COMERCIO EXTERIOR LTDA e ELETROMAR MOVEIS E ELETRODOMESTICOS LTDA, não havendo interposição de recurso voluntário por parte desta última. A fiscalização afirma que a empresa ANGHEBEN COMERCIO EXTERIOR LTDA contratou a trading IZE BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA para promover o despacho aduaneiro por questões de logística, relativo a várias DI´s, registradas no período de 03/10/2008 a 12/01/2012, na modalidade "por conta e ordem de terceiros" (com exceção de uma registrada como importação por conta própria DI nº 12/00738596), figurando a IZE como importadora e a ANGHEBEN como real adquirente, entendendo ocorrer a ocultação do real comprador e, consequentemente, a subsunção ao inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.668 11 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (Vide) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A fiscalização, entretanto, defende que a ANGHEBEN deveria figurar como importadora e a ELETROMAR como real adquirente, uma vez que esta teria adiantado todos os recursos necessários aos custos de importação à ANGHEBEN, e que esta os teria repassado à IZE. Com a prática, a ELETROMAR teria afastada a obrigação de se submeter aos procedimentos fiscais de habilitação, além de se beneficiar de incentivo fiscal relativo ao ICMS instituído pelo Estado de Santa Catarina, o qual não seria possível caso figurasse como real adquirente. Os elementos colhidos pela fiscalização para embasar suas assertivas foram: 1. A proximidade das datas de desembaraço, entrada e saída das mercadorias; 2. As notas fiscais de entradas e saídas eram vinculadas, no sentido de que todas as mercadorias importadas eram na mesma quantidade "vendidas" à ELETROMAR, configurando "venda casada"; 3. O aporte de recursos promovido pela ELETROMAR à ANGHEBEN (e desta para IZE) para fechamento do câmbio, pagamento de tributos e outras despesas, conforme tabela 4 do relatório fiscal; 4. A falta de habilitação para operar em comércio exterior por parte da ELETROMAR. 5. A ELETROMAR pretendia usufruir do beneficio fiscal do Estado de Santa Catarina Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.669 12 Diante destes fatos, a fiscalização concluiu pela ocorrência da interposição fraudulenta pela ocultação do real adquirente, no caso a ELETROMAR, uma vez que esta teria adiantado os recursos necessários aos custos da importação. Passase à análise do recurso voluntário de ANGHEBEN. A ANGHEBEN alega que é revendedora de produtos utilizados em construção civil, que utilizou a IZE por questões de logística e por esta usufruir de benefício fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina, e que a operação realizada foi importação por conta e ordem da ANGHEBEN com posterior revenda da mercadoria a diversos clientes. Alega ainda que toda a negociação fora executada pela ANGHEBEN, que os clientes não possuíam qualquer contato com os fornecedores, o que reforça o papel da recorrente como vendedora direta dos produtos. Afirma ainda que é responsável por todo o processo de importação e que suporta todos os custos e riscos da operação e após disponibiliza os produtos para venda no mercado interno, mediante a captação de clientes por representantes legais. Para a análise da situação, necessário expor as modalidades de importação de acordo com a legislação vigente. A legislação prevê três modalidades de importação: importação por direta, importação por "conta e ordem" e importação por encomenda. Na importação direta, o destinatário da mercadoria é o próprio importador que a utilizará para consumo próprio ou para revenda, possuindo a característica de não haver um destinatário prédeterminado e atualmente normatizada pela IN SRF nº 680/2006. O excerto abaixo extraído do artigo publicado na obra “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF” 1 esclarece: “I.1. Importação por conta própria A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a venda no mercado interno para diversos compradores” Quanto às outras duas modalidades, o site da Receita Federal esclarece sobre os contornos da importação por conta e ordem e por encomenda2: Importação por conta e ordem: A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa a importadora , a qual promove, em seu nome, o Despacho Aduaneiro de Importação de mercadorias adquiridas por outra empresa a adquirente em 1 Tributação Aduaneira: à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/Ana Clarissa M. dos Santos Araújo...[et al.]; coordenação Marcelo Magalhães Peixoto,Ângela Sartori, Luiz Roberto Domingo. 1º ed. São Paulo; MP Editora, 2013. Artigo: "Dano ao Erário pela Ocultação Mediante Fraude a Interposição Fraudulenta de Terceiros nas Operações de Comércio Exetrior", página 53. 2 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachodeimportacao/topicos1/importacao porcontaeordemeimportacaoporencomenda1/importacaoporcontaeordem/oqueeaimportacaopor contaeordem Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.670 13 razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/2002 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/2002). Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa a importadora por conta e ordem , que é uma mera mandatária da adquirente. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, não se caracteriza uma operação por sua conta própria, mas, sim, entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. Importação por encomenda: A importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre a importadora e a encomendante, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2º, § 1º, II, da IN SRF nº 634/2006). Assim, como na importação por encomenda o importador adquire a mercadoria junto ao exportador no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante, tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. Em última análise, em que pese à obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é aquele e não este que pactua a compra internacional e deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. Outro efeito importante desse tipo de operação é que, conforme determina o artigo 14 da Lei nº 11.281/2006, aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que tratam os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/1996. Em outras palavras, se o exportador estrangeiro, nos termos dos artigos 23 e 24 dessa lei, estiver domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida e/ou for vinculado com o importador ou o encomendante, as regras de Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.671 14 “preço de transferência” para a apuração do imposto sobre a renda deverão ser observadas. Citamse, ainda, os elementos da importação por encomenda, expostos pelo Professor Heleno Taveira Tôrres no artigo “Autonomia Privada nas Importações e Sanções Tributárias” 3 “No caso em que se tenha contrato de compra e venda internacional de mercadorias, em virtude de prévia encomenda (a) de empresa brasileira a trading nacional, a qual atende à solicitação daquela mediante compra direta de bens de exportador estrangeiro (b), em seu nome, portanto, realizando todos os atos necessários a este efeito, como liquidação de câmbio, emissão de nota fiscal de entrada e de saída e registros da compra e venda (c); e que, em seguida, à luz de contrato de exclusividade firmado entre esta trading e a adquirente de mercadorias, transfere as mercadorias para tal empresa (d), confirmase, de modo inconteste, o atendimento às exigências de típico caso de importação por encomenda.”(grifos não originais) Depreendese que a importação direta possui como característica a aquisição das mercadorias para destinatários não conhecidos previamente, enquanto a importação por conta e ordem consiste em uma prestação de serviços vinculadas ao despacho aduaneiro (podendo ocorrer a intermediação comercial pela importadora) enquanto a adquirente realiza a aquisição do exterior, ao passo que na importação por encomenda, a importadora adquire em seu próprio nome, como se importação direta fosse, mas sob as ordens e determinações de um encomendante, para o qual será revendida toda a mercadoria importada. A importação por conta e ordem foi regulamentada pela Receita Federal do Brasil mediante a edição da IN SRF 225/2002, conforme autorizado pelo art. 80 da MP nº 2.15835/20014: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001 , tendo em vista o disposto no inciso I do art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , e no art. 29 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002 , resolve: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. 3 Temas Atuais de Direito Aduaneiro/ Rosaldo Trevisan(organizador) ...[et al.]; São Paulo; Lex Editora, 2008. Artigo: "Autonomia Privada nas Importações e Sanções Tributárias", página 223. 4 Artigo 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.672 15 Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); II ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros (art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002 ). Parágrafo único. A aplicação da pena de que trata este artigo não elide a formalização da competente representação para fins penais, relativamente aos responsáveis, nos termos da legislação específica (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 e Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990). Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.673 16 Art. 5º A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 . Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 4 de novembro de 2002. Adicionalmente, o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 dispõe: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Por sua vez, os artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001 dispõem: Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. ................................................... ................................................... Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: " V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014) II exigir prestação de garantia como condição para a entrega Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.674 17 de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Destacase que a importação por conta e ordem impõe ao real adquirente conseqüências relevantes como a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas); a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a sujeição ao pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. Por fim, a partir da Lei nº 11.281/2006, foi disciplinada a figura do encomendante predeterminado com regulamentação dada pela IN SRF nº 634/2006, nos seguintes termos: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Art. 12. Os arts. 32 e 95 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.675 18 "Art. 32. .............................................................................. .............................................................................. Parágrafo único. .............................................................................. .............................................................................. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) "Art. 95. .............................................................................. .............................................................................. VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 13. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 14. Aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que trata a Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nas importações de que trata o art. 11 desta Lei. IN SRF nº 634/2006: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005 , e tendo em vista o disposto no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 , e nos incisos I e II do § 1º do art. 11 e nos arts. 12 a 14 da Lei nº 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, resolve: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.676 19 ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002 , diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada. Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. A caracterização como encomendante predeterminado traz conseqüências relevantes como o cumprimento das obrigações acessórias previstas na IN SRF 634/2006; a sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (verificação da origem dos Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.677 20 recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas); a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a aplicação das regras de preços de transferência de que trata a Lei nº 9.430/96. A inobservância das condições e requisitos por parte da pessoa jurídica importadora previstos na IN SRF 634/2006 acarreta a presunção de que a operação tenha sido realizada por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001, nos termos do §2º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006. Outro aspecto que deve ser frisado é que o artigo 11 da Lei nº 11.281/2006 dispôs em seu §3º que “considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior”, ou seja, a figura da importação por encomenda não admite a antecipação dos recursos, ainda que parcialmente, o que foi regulamentado pelo parágrafo único do artigo 1º da IN SRF nº 634/2006: Art. 1º[...]. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Em complemento, a antecipação dos recursos torna presumida a operação por conta e ordem, conforme disposto no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002: Defluise que a operação por encomenda, na qual o importador realiza toda a transação comercial e revende a mercadoria a um adquirente predeterminado, e este não antecipa qualquer recurso, é sujeita a um controle aduaneiro específico e acarreta todos os efeitos já acima mencionados. Destacase que a antecipação de recursos por parte do encomendante retira a figura da importação por encomenda (parágrafo único do artigo 1º da IN SRF 634/2006 e §3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006) e a desloca para a figura da importação por conta e ordem, por ficção jurídica, representada pela presunções de que trata o §2º do artigo 11 da Lei 11.281/2006 e o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. Estabelecidas as premissas acima, devese analisar a imputação feita pela fiscalização. A tese da fiscalização repousa na antecipação dos recursos financeiros para a realização da importação. Nos autos restou demonstrado que a ELETROMAR, conforme resposta da ANGHEBEN, efls. 845 e pedido de efls. 871, efetuou o pagamento de 20% como sinal, para o início da produção, 40% para o embarque internacional e 40% na chegada ao porto no Brasil, o que configura a antecipação para fazer frente à compra das mercadorias e às despesas de fretes e tributos aduaneiros. Assim, em princípio, a existência de um pedido com antecipações de recursos para a importação de mercadorias atrairia a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002: Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.678 21 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Porém, destacase que, em momento algum, a fiscalização acusa a ANGHEBEN de incapacidade financeira ou falta de comprovação da origem dos recursos. Por sua vez, a recorrente apresenta documentos que apontam para sua capacidade financeira, em montantes muito superiores aos da importações lançadas. Assim, na situação defendida pela fiscalização, a trading IZE não deveria figurar na operação. Neste ponto, há certa contradição no fundamento da fiscalização, pois em momento algum a IZE foi alçada como sujeito passivo de qualquer infração, tendo, inclusive, o relatório fiscal admitido que a participação da IZE era razoável, como se depreende do excerto abaixo: "A fiscalizadaANGHEBEN COMERCIO EXTERIOR LTDA, registrou durante o período fiscalizado, entre outras, 8 Declarações de Importação (DI’s), conforme Tabela 1. Com exceção da DI nº 12/00738596, que foi utilizada a modalidade importação por conta própria, a fiscalizada contratou a trading IZE BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, CNPJ nº 06.060.905/000133, que registrou as DIs por conta e ordem da fiscalizada. As Modalidades de Importação serão detalhadas no item 2 abaixo. Registrase, contudo, que ficou comprovado nos documentos entregues pela fiscalizada, que somente utilizava a trading para proceder o despacho de importação. Isso mostrase razoável, pois a trading está sediada no município onde as mercadorias chegaram ao território aduaneiro e foram desembaraçadas (Itajaí/SC), já a fiscalizada está sediada no município de São Lourenço do Oeste/SC, que fica há 590 km do porto de Itajaí/SC (fonte: google maps). [...] Frisase novamente que, apesar de as DIs terem sidos registradas por conta e ordem de terceiros (com exceção de uma), restou comprovada, conforme já mencionado acima, que a trading somente foi usada por questões logísticas, devido à longa distância da fiscalizada do porto de Itajaí/SC. Na verdade, o correto seria figurar como Importador ANGHEBEN COMERCIO EXTERIOR LTDA e como adquirente das mercadorias ELETROMAR MOVEIS E ELETRODOMESTICOS LTDA, na modalidade “ por conta e ordem de terceiros”. A parte que se pretendia manter acobertada nas importações em tela era a adquirente das mercadorias importadas, a empresa ELETROMAR MOVEIS E ELETRODOMESTICOS LTDA. A própria fiscalização admitiu que a trading foi utilizada por questões de logística, devido à distância entre o local que as mercadorias foram desembaraçadas (Itajaí/SC) e o domicílio da ANGHEBEN (São Lourenço do Oeste/SC, que fica há 590 km do porto de Itajaí/SC). Ora, se a participação da IZE foi considerada razoável e justificada por questões de Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.679 22 logística, não lhe sendo imputada qualquer infração, é forçoso admitir que sua contratação é regular, bem como sua figuração na DI como importadora, sendo, ao contrário, desarrazoada a afirmação de que o correto deveria ser a ANGHEBEN figurar como importadora. Outro fato incontroverso, é que a importação se refere à modalidade por conta e ordem. A lide reside, pois, em identificar que é o real adquirente das mercadorias importadas, diante dos fatos alegados e provados. Por seu turno, a ANGHEBEN afirmou que participa em feiras internacionais para oferecer produtos a clientes nacionais, possui estrutura física completa para atender a importações, inclusive mantendo armazém em Itajaí, que é uma das cinco maiores importadoras e revendedoras de porcelanato, possuindo diversos clientes no ramo de construção civil, que faz prospecção de clientes no Brasil, mediante representantes comerciais, que importa da IZE e revende no mercado interno com a devida margem de lucro aplicável, que somente a devida nacionalização é realizada a operação de compra e venda no mercado interno, que os clientes não possuem conhecimento nem contato com os fornecedores estrangeiros, que é responsável por toda a negociação no exterior e que os produtos comercializados possuem a marca "ANGHEBEN". A recorrente apresentou às efls. 1177 a 1269, emails com as tratativas para embarque, frete, seguro e transbordo das mercadorias, emails de cotação de preço e contato com o fornecedor chinês LIYANG JUNRONG TRAVEL PRODUCTO CO. LTD, mediante o email jjzsxpfl@163.com do Sr. Bob (efls. 1216, 1258 a 1261). Na efl. 1258 consta email do Sr. Daniel da ANGHEBEN ao Sr. Bob informando sobre a transferência de valor para que se inicie a produção. Na efl. 1259, consta email do Sr. Bob para Sr. Daniel, informando os valores FOB em Shangai das malas JR020, tamanho 20/24/28, no valor de US$ 16,30 e JR 2568, tamanho 20/24/28, no valor de US$ 27,50, em 17/05/2008, dados que correspondem à descrição da mercadoria na DI 08/15682039, às efl. 160. Na efl. 1262, consta email entre a Prompt Brazil, responsável pelo transporte, e Sr. Mauro da ANGHEBEN, sobre negociação de frete, onde constou a expressão “nosso fornecedor na China”, escrita pelo Sr. Mauro ao se referir à LIYAN JUNRONG. Constatase nas efls. 131 a 152, cópias dos passaportes dos administradores da empresa ANGHEBEN onde constam vários carimbos de entrada e saída da Aduana Chinesa bem como vistos de Entrada concedidos pela China. Há datas contemporâneas à importação autuada. Novamente incomum a ocorrência desse tipo de viagem quando percebese que na prática da interposição, em geral, a empresa interposta apenas recebe as documentação fraudada diretamente do real adquirente sem a necessidade de qualquer contato comercial com os exportadores. Depreendese, por um lado, que houve um pedido de compra e antecipação de recursos por parte da ELETROMAR atraindo a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 e, por outro, a ANGHEBEN apresentou provas de sua participação no fechamento de frete marítimo, transbordos, contratos de sublocação com armazém geral, cotações de preços com o fornecedor, e, obviamente, os documentos formais (comercial invoice, packing list), não havendo nenhum indício da participação da ELETROMAR na negociação. O problema que se põe é saber se estamos diante de uma presunção absoluta ou relativa. Pareceme que na cadeia imediata de importação, ou seja, na relação entre importador e o primeiro adquirente, a situação descrita nestes autos levaria à configuração de Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.680 23 importação por conta e ordem por ficção jurídica, se a ANGHEBEN fosse a importadora e a ELETROMAR fosse a encomendante, mesmo admitindo que a ANGHEBEN fosse a compradora no exterior e tivesse capacidade financeira. Uma vez caracterizada a antecipação de recursos vinculada à operação de importação, incidiria, forçosamente, a figura da importação por conta e ordem, em decorrência da aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, aliado ao artigo 11, §3º da Lei nº 11.281/2006 e do parágrafo único do artigo 1º da IN SRF 634/2006, que restringe à importação por encomenda que os recursos sejam da importadora e não da encomendante. Nestes termos, se a importadora efetivamente negociasse com o exterior, sem qualquer intervenção da encomendante, inclusive sem adiantamento de recursos, a operação seria por encomenda. Se nesta mesma configuração, houvesse algum adiantamento de recursos, ainda que a importadora provasse que é a única negociante, ainda assim a operação seria presumivelmente tratada como se por conta e ordem fosse, pois não faria o menor sentido estipular um controle aduaneiro rígido e os efeitos dos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001 para uma encomenda sem adiantamento de recursos e, simplesmente, deixar uma encomenda com adiantamento de recursos sem sujeição aos procedimentos de controle aduaneiro e aos efeitos mencionados. Porém, esta presunção na primeira etapa da cadeia acaba por se relativizar nas etapas subsequentes, em razão de que a informação prestada na DI possuir apenas um campo para o real adquirente. Se houvesse, por exemplo, uma trading importando para um atacadista, único negociante no exterior, que revendesse sob encomenda e com adiantamento parcial a uma varejista, que efetuasse a mesma operação sob encomenda e com adiantamento com um consumidor final: quem deveria constar na DI? O consumidor final? As provas apresentadas pela ANGHEBEN mostram que foi ela quem efetivamente negociou a compra no exterior, não tendo sido levantado pela fiscalização outros elementos capazes de invalidar as provas trazidas pela recorrente, como comprovação de que as negociações ocorreram com outras PJ que não as informadas ou, presumivelmente, pela falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos dos intermediários envolvidos, atraindo a aplicação do §3º do artigo 23 do Decretolei nº 1455/1976. No caso, a ANGHEBEN informou a operação como sendo por conta e ordem, apresentou provas que foi a efetivamente negociante no exterior e indicou possuir capacidade financeira para suportar todas as importações, não havendo acusação em sentido contrário. Destacase, ainda, que não houve indício de conhecimento pela IZE da adquirente seguinte ELETROMAR. Sendo assim, como deveria ocorrer a liquidação da operação, a transferência dos recursos, se a ANGHEBEN foi a efetiva negociante no exterior e a IZE foi considerada importadora regular? Assim, apesar de ter havido os adiantamentos, a presunção nas cadeias posteriores deve ser relativizada, admitindo prova em contrário, o que ocorreu nos presentes autos, onde a ANGHEBEN trouxe documentos que indicam ser ela, de fato, a negociante com o exterior e a proprietária primeira das mercadorias. Porém, para a DI nº 12/00738596, diferentemente das outras DI´s, foi informada como sendo importação direta feita pela ANGHEBEN. Neste caso, entendo ser irrelevante o fato de a ANGEHEBEN ser a efetiva negociante, pois restou caracterizada a encomenda feita pela ELETROMAR, fato incontroverso e provado mediante o pedido de Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.681 24 compra, que levaria a operação para a figura da importação por encomenda, não fosse os adiantamentos de recursos, o que, forçosamente, leva a operação para a figura da conta e ordem, por ficção, devendo a ANGHEBEN ter declarado a DI como sendo por conta e ordem da ELETROMAR. Assim, quanto a esta DI, deve a autuação ser mantida. Diante de todo o exposto, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter o lançamento apenas em relação à DI nº 12/00738596. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1682DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.723648/2012-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
A alíquota aplicável para apuração do lucro presumido das empresas prestadoras de serviços equivalentes ao de construção civil por empreitada com o emprego de materiais é de 8% para IRPJ.
Numero da decisão: 9101-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. A alíquota aplicável para apuração do lucro presumido das empresas prestadoras de serviços equivalentes ao de construção civil por empreitada com o emprego de materiais é de 8% para IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 48 /2 01 2- 73 Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 677 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida: Tratase de recurso de ofício. Na origem, foi lavrado auto de infração em razão da suposta divergência de aplicação do percentual de presunção por parte da Recorrida, fato que motivou a constituição, em valores originais, do IRPJ (R$ 608.039,17), acrescido de Juros (R$ 265.408,50) e Multa (R$ 456.029,38), totalizando o montante total do crédito apurado em R$ 1.329.477,05 (fls. 220/232). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Relatório da Ação Fiscal (fls. 202/219): (i) Que a recorrida possui, como objeto social, entre outros, o serviço de engenharia, montagem e manutenção industrial, realizando esta atividade nos contratos analisados; (ii) Que é optante pelo lucro presumido e adotou o percentual de presunção de 8% para IRPJ, por entender que as atividades que desenvolve têm natureza de empreitadas de construção civil, a saber: reforma em bens imóveis (tanques de armazenamento, caldeiras, conversores, esferas e torres, bens estes fixados ao solo) (fl. 207); (iii) Que o percentual de presunção está equivocado, pois a Recorrida não pratica a atividade de construção civil, sobretudo pelo fato de que as atividades exercidas são privativas da Engenharia Mecânica, tratandose de processos mecânicos, máquinas em geral, instalações industriais e mecânicas, inclusive sendo exigida a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), instrumento formal para registro das atividades de engenharia (fls. 209/210); (iv) Que os serviços comumente contratados nos contratos envolvendo o fiscalizado, assim como também as Sociedades em Conta de Participação (SCP), tais como os serviços de manutenção e montagem em torres, vasos, reatores e permutadores de calor, entre outros, englobam as mais diversas prerrogativas da Engenharia Mecânica, sendo perfeitamente identificados nas descrições de atividades contidas no CREA da jurisdição onde o contrato foi realizado; (v) Que o percentual adequado é de 32% para o IRPJ, uma vez que as atividades da recorrida se enquadram, em verdade e para efeitos da presunção, como prestação de serviços em geral, por se tratar de serviços de engenharia que não possuem nenhuma Fl. 677DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 678 3 particularidade para cálculo do lucro presumido, não sendo caracterizadas como empreitada de construção civil; (vi) Logo, o AFRFB optou por tributar a diferença da presunção aplicada pela presunção de 32%, constituindo o Auto de Infração; (vii) Aplicouse o mesmo entendimento à Sociedade em Conta de Participação (SCP) constituída para a execução do contrato 8000.0000519.06.2 (BG Engenharia Ltda.). A Recorrida, na condição de sócia ostensiva, é a responsável pelos tributos devidos (fls. 213/218). Encerrada a fiscalização, a recorrida teve ciência do auto de infração em 30/03/2012 (fl. 232). Na sequência, apresentou impugnação em 27/04/2012 (fl. 234), a qual foi julgada totalmente procedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 581): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. Comprovada a contratação e prestação de fato de serviços de construção civil, no regime de empreitada total, com o fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, é correta a utilização do percentual de 8% para presunção do lucro. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em decorrência da exoneração do crédito supracitado, a autoridade julgadora deu ciência sobre o resultado do julgamento à recorrida (fls. 593/595) e interpôs recurso de ofício referente ao acórdão em questão, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, e da Portaria MF nº 3, de 2008 (fl. 581). Ao julgar o recurso, a Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 1302001.202, de 9 de julho de 2013, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE. A alíquota aplicável para apuração do lucro presumido das empresas prestadoras de serviços equivalentes ao de construção civil por empreitada com o emprego de materiais é de 8% para o IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 679 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese: a) que, conforme relatado na decisão de primeira instância, em pesquisa sobre as atividades do contribuinte, a fiscalização encontrou informações, no site da empresa, segundo as quais as atividades por ela prestadas seriam serviços de engenharia, manutenção e montagem; b) que, seguindo sua pesquisa, a fiscalização apurou ainda que as atividades expressamente realizadas pelo contribuinte se enquadravam como privativas da área de engenharia mecânica, de acordo com a relação de atividades específicas daquela modalidade profissional para fins de preenchimento de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no site do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREARS); c) que, contudo, a DRJ entendeu que, em relação ao contrato que deu suporte à atividade discutida neste processo, o contribuinte exerceu atividade de construção civil, excluindo, por conseguinte, o crédito tributário; d) que a Egrégia Turma do CARF, por sua vez, negou provimento ao recurso de ofício; e) que as receitas decorrentes das atividades de montagem e manutenção de equipamentos industriais, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas ao percentual de 32%; f) que, no Instrumento Particular de Quinta Alteração e Consolidação Contratual, lavrado em 19/08/2005, o objeto social da Estrutural Serviços Industriais Ltda. passa a ser “a prestação de serviços de manutenção industrial; a indústria e comércio de equipamentos; a prestação de serviços de engenharia e montagem industrial; a fabricação de produtos de metal, tais como estruturas metálicas e de serralheria”; g) que se conclui, portanto, que os serviços realizados pelo Contribuinte nos contratos firmados com a PETROBRÁS, TRANSPETRO e REFAP e, ainda, na descrição de atividades do CREA, são de engenharia mecânica, necessitando de um profissional qualificado, ou seja, um engenheiro mecânico, e não de construção civil como argumenta; h) que pode ocorrer que os materiais fornecidos na execução de sua atividade, ainda que sejam instalados em imóveis, destes não façam parte integrante, continuando, assim, na condição de bens móveis, antes, durante e depois de instalados, pois plenamente suscetíveis de remoção, sem qualquer prejuízo, dano ou descaracterização ao bem que supostamente os incorporou; i) que daí advém a noção de que o material empregado na construção civil, além da característica de se incorporar ao bem imóvel, dele deve tornarse parte integrante e inseparável, sendo indispensável à sua plena utilidade; j) que, além disso, nas notas fiscais apresentadas na impugnação, não constam materiais que são essenciais para obras de construção civil: cimento, ferro de construção civil, brita, tijolo, etc.; Fl. 679DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 680 5 k) que nelas constam compras justamente de materiais necessários à manutenção de equipamentos e instalações industriais, tais como tintas, lixas, perfis de ferro, chapas de ferro, desengraxante, tubos industriais, disco de corte, tela galvanizada, rolos para pintura, materiais para solda, etc.; l) que, portanto, não restam dúvidas de que as atividades desenvolvidas pelo Contribuinte se referem à engenharia mecânica, enquadrandose como serviços em geral para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no regime do lucro presumido, sujeitandose ao percentual de 32%; e m) que, na IN SRF nº 480, de 2004, art. 32, está explicitado que “não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1º, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. (Incluído pela IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005)”. O recurso especial foi admitido pela presidente da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões, a seguir resumidas: a) que, preliminarmente, houve inconteste falta de demonstração analítica da divergência existente entre os acórdãos recorrido e paradigma; b) que, ainda preliminarmente, a situação contemplada pelo acórdão recorrido não encontra consonância com as hipóteses tratadas no acórdão paradigma, de maneira a demonstrar a divergência de teses pretendida, partindo da mesma situação fática; c) que, no mérito, as atividades prestadas pela recorrida enquadramse no conceito de construção civil; d) que os serviços prestados pela recorrida foram realizados com o fornecimento de materiais; e e) que, por qualquer ângulo que se analise as justificativas apresentadas pela Fazenda Nacional, não há nenhuma razão que possa ser tomada por base para dar provimento ao recurso interposto. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada e, por isso, conheço do especial. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à determinação do percentual de presunção do lucro presumido (IRPJ) no que se relaciona às atividades da recorrida, se de 8% (oito por cento), como atividades de construção civil, ou se de 32% (trinta e dois por cento), como atividades de prestação de serviços em geral. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 681 6 A questão básica gira em saber se a recorrida estaria praticando, ou não, a atividade de construção civil e, naquela primeira hipótese, se estaria havendo, ou não, o fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Analiso, de início, a preliminar, arguida pela recorrida, de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, pela “falta de demonstração analítica da divergência existente entre os acórdãos recorrido e paradigma”, e pela falta de consonância entre “a situação contemplada pelo acórdão recorrido” “com as hipóteses tratadas no acórdão paradigma”. Por um lado, a demonstração analítica da divergência existente entre os acórdãos recorrido e paradigma foi assim procedida no recurso especial da Fazenda Nacional (efls. 613, destaques do original): O julgado ora recorrido tem, como questão central, a execução de serviços de engenharia civil, mediante contratação sob a modalidade de empreitada global com fornecimento de materiais, cuja tributação foi apurada, sob a sistemática do lucro presumido, com a utilização de coeficiente de presunção de 8%, em diversos contratos celebrados em relação à Petróleo Brasileiro S/A. Em sentido oposto ao decidido no acórdão ora recorrido, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, analisando caso semelhante ao dos autos, entendeu que empresa que presta serviços de inspeção, manutenção, instalação e reparos em estruturas metálicas marítimas de exploração de petróleo, com ou sem emprego de material, o coeficiente de apuração do lucro presumido é de 32%. Eis a ementa integral do Acórdão nº 120100.594, verbis: [...]. Observese que as atividades desenvolvidas pela empresa aqui autuada em tudo se assemelham àquelas desenvolvidas no caso paradigmático, não restando dúvidas, portanto, em relação à divergência jurisprudencial, encontrandose presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos termos da legislação de regência (Decreto nº 70.235/72, art. 37, § 2º, II, c/c art. 67 e §§, do Regimento Interno do CARF). A esse respeito, consta o seguinte esclarecimento no “Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial: Orientações Gerais para a Elaboração de Despachos”, aprovado pela Portaria CARF nº 56, de 31 de março de 2016: Esclareçase que a demonstração da divergência não requer necessariamente a elaboração de quadro comparativo, tampouco de cotejo analítico, desde que fiquem claros, no recurso, os pontos que estão sendo suscitados. Ademais, deve haver a vinculação clara do paradigma com a matéria suscitada, principalmente quando o recurso aborda diversos temas. Na hipótese, o ponto que está sendo suscitado é a existência, ou não, em ambos os casos, de atividade de construção civil, estando o paradigma claramente vinculado com a matéria suscitada, a saber: identificação de se tratar, ou não, de atividade de construção civil aquela procedida por empresas prestadoras de serviços de engenharia e manutenção, com emprego de materiais, à Petrobrás e suas subsidiárias. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 682 7 Entendeu o acórdão paradigma que não se tratava, no caso, de atividade de construção civil, “até mesmo porque as atividades descritas no objeto social e no CNAE da empresa não trazem a referida descrição de construção civil”, ao passo que, na decisão recorrida, entendeuse que a recorrida estaria formalmente ligada à atividade de construção civil através de uma de suas espécies (ramificações da construção civil), “sendo isso implícito no objeto do contrato social e enquadramento do CNAE”. Por outro lado, exigirse que os serviços constantes dos contratos de engenharia e manutenção, com emprego de materiais, com a Petrobrás e suas subsidiárias sejam rigorosamente os mesmos — sendo um na terra (acórdão recorrido) e o outro no mar (acórdão paradigma) —, implicaria restringir indevidamente o escopo do recurso especial de divergência, de modo a se buscar uma inatingível “igualdade fática”, em vez de uma necessária “similitude fática”, o que poderia, aliás, redundar em prejuízo à própria recorrida, recorrente que é em vários outros processos semelhantes. Ora, os fatos descritos nos acórdãos, recorrido e paradigma, na generalidade dos casos, nunca são idênticos entre si, a começar pela diversidade de sujeitos passivos, passando pelas datas e valores das ocorrências, e terminando nas circunstâncias específicas ensejadoras de cada situação. O importante é que fique caracterizado que, em situações semelhantes ou similares, foram adotadas soluções diversas, na interpretação do mesmo dispositivo legal, o que é, justamente, o que ocorre no presente caso. Rejeito a preliminar, arguida pela recorrida, de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Passo ao mérito. Entendo que o que distingue a atividade de construção civil de outras atividades de prestação de serviços em geral é o fato de, aquela, envolver a produção de uma obra que se incorpora permanentemente ao solo.1 Não se trata, no caso, de fixação de um bem já construído ao solo; mas de se proceder à sua própria edificação nele. Também não se trata de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo; mas de se erigir uma obra no solo, a qual, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada. É bem de se ver, por outro turno, que o montante gasto com a obra, o seu peso, ou o seu maior ou menor porte, nenhuma influência têm quanto à qualificação desta como de construção civil ou não. O que é essencial é que haja a total agregação da obra ao solo, impossibilitando a sua posterior desincorporação sem destruição, modificação, fratura ou dano. No presente caso, estáse diante de contrato “para execução de serviços de projeto, suprimento, construção e montagem das interligações com o tanque de armazenamento TQ01P das instalações de ampliação da capacidade de escoamento do OSCAN da REFAP” Contrato nº 8000.0000519.06.2 (efls. 94, sublinhei). Do Anexo I Memorial Descritivo de Serviços, consta o seguinte (efls. 309, 311, 312, 321, e 331 a 338, grifei): 1. OBJETIVO 1 Cf. BARRETO, Aires F. ISS na Constituição e na lei. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2009. p. 268: “por serviços de construção civil entendese a atividade de execução material dos projetos de engenharia (aspecto dinâmico), tendo por finalidade (aspecto estático) a produção de uma obra que se incorpora ao solo.” Fl. 682DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 683 8 Este documento tem como objetivo descrever os serviços e fornecimentos a serem executados pela CONTRATADA, contemplando todas as disciplinas aplicáveis, nas obras de INTERLIGAÇÕES DO TANQUE TQ01P, da Ampliação da Capacidade de Escoamento do Oleoduto OsórioCanoas (OSCAN), para atender o aumento da capacidade de processamento de petróleo e derivados da Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), envolvendo a área da REFAP em Canoas RS. Os itens deste Memorial Descritivo são aplicáveis a todo o escopo do contrato, de forma global ou independentes entre si. 2. ESCOPO DA CONTRATADA Os trabalhos serão realizados na área da REFAP, compreendendo as ampliações das capacidades de transferência de petróleo do TEDUT para a REFAP e da transferência de derivados da REFAP para o TEDUT. Incluem gerenciamento da obra, projeto de detalhamento, fornecimento de materiais, construção civil, montagem eletromecânica, controle de qualidade, inspeções, verificação de itens de sistemas operacionais, condicionamento, préoperação e operação assistida. Fazem parte do escopo da CONTRATADA os serviços relacionados a seguir, mas não se limitando somente a eles, devendo incluir todas as tarefas e fornecimento de todos os materiais e equipamentos necessários; andaimes, máquinas de apoio de carga, solventes, abrasivos, discos de corte, etc.; para uma adequada e completa instalação do sistema de ampliação de escoamento do OSCAN. [...]. 2.4 Escopo de Construção Civil As obras civis incluem o projeto, fornecimento de materiais, escavações, reaterros, construção das fundações e estruturas, testes, cura, acabamento, urbanização, transporte e disposição apropriada de resíduos, de todas as obras necessárias à execução do objeto deste contrato, incluindo: Tubovias e/ou complementações de tubovias existentes: [...]. Pontilhões para a passagem de tubulações: [...]. Na área dos diques do TQ01P e TQ01O: [...]. Geral/civil: [...]. 3. DESCRIÇÃO E MODO DE EXECUÇÃO DE SERVIÇOS [...]. 3.5 Civil [...]. Serviços preliminares [...]. Limpeza, Serviços de Preparação do Terreno e Remoção de Obstáculos Fl. 683DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 684 9 [...]. Interferências com Instalações Existentes [...]. Locação das Obras [...]. Movimentação de Terra [...]. Fundações [...]. Fundações Diretas [...]. Fundações Indiretas [...]. Escavação e Reaterro [...]. Estruturas de Concreto [...]. Armação e “Inserts” Metálicos [...]. Iluminação Viária de Pátio [...]. Drenagem [...]. “Underground” – Elétrica/Instrumentação/Aterramento: [...]. Arruamento, Pavimentação e Urbanização [....]. Serviços Complementares [...]. Estruturas Metálicas e “Pipe Way” [...]. Tratase, portanto, de atividade de construção civil, embora abranja, o respectivo contrato, também, outras atividades acessórias, como a montagem eletromecânica, por exemplo. À mesma conclusão, aliás, chegou a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), como segue (efls. 590): Analisando as cópias do razão contábil da contribuinte, às fls. 461/465, 516/512 e 541, bem como as notas fiscais de fornecedores, às fls. 466/515, 521/540 e 542/554, observase que houve o emprego de materiais para construção das instalações industriais, tais como chapas, cimento e estruturas de concreto prémoldadas, e não apenas aqueles ligados a atividades de soldagem e pintura. Dessa forma, com relação ao contrato sob análise, apesar de a contribuinte não estar formalmente ligada à atividade de construção civil, o seu contrato previa atividade dessa natureza, bem como o material por ela fornecido atendia a tal atividade. Observo, por oportuno, que, embora conste do Relatório da Ação Fiscal (e fls. 208 e 209), que se trataria, neste caso, de serviços de reforma, montagem e manutenção de tanques de armazenamento, caldeiras, conversores, fornos, trocadores de calor, tubulações, esferas, torres, vasos, reatores e permutadores de calor, não é esse, porém, o objeto do contrato Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 685 10 a que se refere o presente processo (Contrato nº 8000.0000519.06.2), mas, sim, de contratos relativos a outros processos da mesma empresa, como segue (efls. 122): dos quais destaco o contrato ora em análise: São os seguintes os processos lavrados contra a recorrida (efls. 219): dos quais destaco o presente processo (IRPJ): Tratandose, no caso, de atividade de construção civil, há, ainda, uma última condição a ser cumprida para possibilitar a adoção do percentual de presunção de 8% (oito por cento) do lucro presumido (IRPJ). É que, de conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que “dispõe sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas que menciona a outras pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços”, em seu art. 1º, § 7º, inciso II, entendese por “construção por empreitada com emprego de materiais”: a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Assim, não fornecendo o empreiteiro “todos os materiais indispensáveis à sua execução”, tratarseia, no caso, simplesmente, de “serviços prestados com emprego de materiais”, ou seja (art. 1º, § 7º, inciso I): Fl. 685DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 686 11 os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. No presente caso, observo que é responsabilidade da recorrida e da REFAP, conforme Contrato nº 8000.0000519.06.2 (efls. 96, 102, 103 e 105, destaquei): CLÁUSULA SEGUNDA – OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA [...]. 2.4 – Quanto a materiais, máquinas e equipamentos: 2.4.1 Fornecer todos os equipamentos de construção e/ou montagem, máquinas, veículos, combustíveis, lubrificantes, ferramentas, utensílios, materiais de consumo, equipamentos de proteção individual, móveis e materiais de escritório, conforme definido no Memorial Descritivo – Anexo I, a este CONTRATO, bem como qualquer outro componente necessário à execução dos serviços. [...]. 2.4.2 – Fornecer todos os materiais, com exceção daqueles cujo fornecimento seja encargo da REFAP S/A, com requisitos de qualidade, utilidade, resistência e/ou segurança recomendados pelas normas aplicáveis. [...]. 2.4.3 – Responsabilizarse pela correta utilização, guarda e conservação dos materiais, equipamentos, ferramentas, veículos e/ou instalações, fornecidos pela REFAP S/A, bem como ressarcir, pelo valor atualizado, eventuais extravios, danos ou depreciações não relacionadas com a execução do presente CONTRATO. [...]. 2.4.5 – Aplicar os materiais, cujo fornecimento seja encargo da REFAP S/A. [...]. CLÁUSULA TERCEIRA – OBRIGAÇÕES DA REFAP S/A [...]. 3.9 – Fornecer, em tempo hábil e de acordo com o previamente estabelecido com a CONTRATADA, nas áreas de armazenagem os materiais e equipamentos cujo fornecimento seja da REFAP S/A. Consta do Anexo I Memorial Descritivo de Serviços (efls. 311, negritei): 2. ESCOPO DA CONTRATADA [...]. 2.3 Escopo de Suprimento A CONTRATADA é responsável pelo fornecimento de todos os materiais, equipamentos (incluindo sobressalentes) e insumos. Excetuase o fornecimento dos materiais relacionados abaixo, que, somente eles, serão providenciados pela REFAP: Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 687 12 a) Válvulas motorizadas: [...]. b) Válvulas de alívio ou segurança: [...]. c) Fita termométrica: [...]. d) Transmissor de nível: [...]. e) VálvulasGaveta (açocarbono, flangeadas, classe 150#): [...]. f) outros materiais provenientes de estoque, que eventualmente seja de conveniência da REFAP o seu fornecimento. [...]. Existindo, pois, materiais que serão fornecidos pela REFAP, e não pela recorrida, tenho como não cumprida essa condição de fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à sua execução. Não foi feliz, nessa questão, a decisão da DRJ, ao afirmar, inadvertidamente, que (efls. 591): [...]. Ocorre que, nem no contrato, nem na especificação dos serviços do contrato firmado entre a Estrutural (contratada) e a REFAP (contratante), posta no Anexo I daquele contrato, às fls. 309/367, há menção a material a ser fornecido pela REFAP, diferentemente do que se observa em outros contratos celebrados com a impugnante. Isso leva a crer que a contribuinte se subsumia ao disposto na referida IN. assim ementando a sua decisão (efls. 581): LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. Comprovada a contratação e prestação de fato de serviços de construção civil, no regime de empreitada total, com o fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, é correta a utilização do percentual de 8% para presunção do lucro. De igual modo, incorreu em erro a decisão recorrida (efls. 605): Analisandose as notas fiscais, fica evidente o cumprimento do requisito necessário, tendo em vista que a recorrida ofereceu todos os materiais indispensáveis à prestação de serviços de construção. Esclareço, por oportuno, que, embora a Instrução Normativa SRF nº 480, de 2004, se refira à “retenção na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, realizada para fins de atendimento ao estabelecido nos arts. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, e 34 da Lei nº 10.833, de 2003”, suas disposições: alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 688 13 sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, quanto aos “serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1º”, conforme nova redação dada ao art. 32 daquela Instrução Normativa pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005. Destaco, por fim, que as referências feitas pela recorrida ao Ato Declaratório Normativo (Cosit) nº 30, de 1999, e ao Ato Declaratório Normativo (Cosit) nº 6, de 1997, são impertinentes, uma vez que, aquele, se refere ao Simples Federal (“vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis”), e, este, ao lucro real (“percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal”), mas não ao lucro presumido, como é o presente caso. De todo modo, a se adotar subsidiariamente a legislação do Simples Federal, é certo que serviços de manutenção em equipamentos petrolíferos — como é o presente caso —, não se confundem com atividades de construção de imóveis, nem mesmo com serviços de engenharia, conforme Súmula CARF nº 57 (grifei): A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada Acompanho o entendimento do muito digno Relator em quase sua totalidade, contudo peço vênia para discordar da parte final de seu voto, conforme exposto a seguir. A leitura dos autos permite verificar que a contribuinte foi remunerada por exercer atividades por ela classificadas como de construção por empreitada, assim adotando o percentual de 8% para o cálculo do lucro presumido, no momento da apuração do IRPJ (12% para a CSLL). A fiscalização entendeu que as mesmas atividades não tinham natureza de construção civil, mas sim de engenharia mecânica. Com isso, realizou nova apuração dos impostos, adotando o percentual de 32% para o lucro presumido, e lavrou os respectivos autos de infração. A decisão ora recorrida corroborou a decisão de primeira instância, a qual reconheceu que a atividade realizada pela contribuinte tem natureza de construção por empreitada, validando a apuração realizada originalmente e exonerando a exigência fiscal. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 689 14 Todavia, o ilustre Relator prosseguiu na sua análise e chegou ao entendimento de que a decisão a quo incorreu em erro ao adotar como fundamento fático a premissa de que todos os materiais empregados na construção sob análise haviam sido fornecidos pela contribuinte, o que é condição para a adoção do percentual de 8% no cômputo do lucro presumido. O relator, então, concluiu que o percentual correto a ser aplicado é o de 32%, ainda que a atividade seja de construção civil. Penso que a questão sobre a totalidade ou não do fornecimento de materiais não pode ser apreciada em sede de recurso especial, uma vez que não foi arguida pela recorrente e não foi contrarrazoada pela contribuinte. De fato, esse não foi o entendimento da fiscalização, cujo lançamento teve como fundamento a natureza da atividade, diversa da construção civil, conforme o seguinte excerto, retirado do Relatório Fiscal (efl. 211 Parte 3). Ressaltamos, novamente, que os serviços que a fiscalizada executa, inclusive os de manutenção e montagem, não se caracterizam como empreitadas de construção civil. As atividades de construção civil tiveram seu conceito fixado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit n. 30/1999, no qual os serviços prestados pela fiscalizada não se enquadram. As atividades desenvolvidas pela mesma são privativas, isto sim, da engenharia mecânica; profissão legalmente regulamentada que depende de habilitação profissional. A Fiscalização até tangencia essa questão do fornecimento total de material, quando cita a IN SRF 480/2004, art. 1º e 32, alterado pela IN SRF nº 539, de 2005, como se verifica desse trecho: Nas empreitadas de construção civil, a legislação permite a utilização de percentual de 8% para fins de apurar o lucro presumido, quando existe o fornecimento, além da mãodeobra, de todo o material a ser incorporado à obra (IN 480/2004, artigos 1º e 32 e IN 539/2005). No entanto, a prestação de serviços na área de engenharia mecânica ou mesmo de serviços em geral, com ou sem fornecimentos de materiais, tem suas receitas sujeitas à aplicação do percentual de 32% para a determinação da base de cálculo presumida. Ou seja, a Fiscalização cita, mas não enquadra na hipótese de construção civil para afastar pelo não fornecimento total. Aliás, quando cita o enquadramento legal, o faz percentual no art. 15, §1º, inciso III, da Lei nº 8.981, de 1995, ou seja, prestação de serviços em geral. Por oportuno, transcrevo ainda trechos do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional: A Fiscalização aplicou o percentual de 32%, entendendo que os serviços desenvolvidos pelo Contribuinte não seriam de construção civil, mas sim de engenharia mecânica, profissão que depende de habilitação profissional regulamentada (engenheiro mecânico). ........................................................................................................ Para fins de apuração do lucro presumido, de acordo com a legislação (IN SRF nº 480, de 2004, IN SRF nº 539, de 2005, e Ato Declaratório Normativo Cosit nº 06, de 1997), as receitas decorrentes da atividade de construção civil por empreitada, Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 690 15 com o fornecimento de todos os materiais pelo empreiteiro, estão sujeitas ao percentual de 8%. As receitas decorrentes da atividade de administração ou empreitada unicamente de mãodeobra ou a prestação de serviços em geral, sem o fornecimento de materiais, estão sujeitas ao percentual de 32%. As receitas decorrentes das atividades de montagem e manutenção de equipamentos industriais, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeita ao percentual de 32%. ...................................................................................................... Portanto, não restam dúvidas que as atividades desenvolvidas pelo Contribuinte se referem à engenharia mecânica, enquadrandose como serviços em geral para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no regime do lucro presumido, sujeitandose ao percentual de 32%. Assim, penso que a manutenção do lançamento tributário com fundamento no fato de a contribuinte não ter fornecido a integralidade dos materiais aplicados na atividade em tela corresponderia a uma alteração do fundamento original do lançamento, o que é defeso ao julgador. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Fl. 690DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.907847/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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score : 1.0
Numero do processo: 10480.910504/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.677
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 04 /2 01 2- 80 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10480.910504/201280 Acórdão n.º 3302003.677 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.552. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10480.910504/201280 Acórdão n.º 3302003.677 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10480.910504/201280 Acórdão n.º 3302003.677 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914979/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.893
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 49 79 /2 00 9- 35 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10783.914979/200935 Acórdão n.º 3402003.893 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10783.914979/200935 Acórdão n.º 3402003.893 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.914979/200935 Acórdão n.º 3402003.893 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.906087/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.980
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente MOABE ENERGIA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido e não homologando a compensação, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração (DCTF) prestada pelo contribuinte. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: "Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 06 08 7/ 20 12 -5 2 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10660.906087/201252 Resolução nº 3401000.980 S3C4T1 Fl. 3 2 razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período." Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e mantendo a não homologação, nos termos do Acórdão 14044.343. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio da qual esclarece a procedência do seu direito de crédito e apresenta petição, nos seguintes termos: "O aludido recurso de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE interposto pela recorrente, se deu porque esta entendeu que os pagamentos efetuados indevidamente ou a maior, na data do pedido de restituição/compensação, estavam devidamente desvinculados das declarações acessórias daqueles períodos, fato este que. por si só, já seria suficiente para demonstrar e provar a disponibilidade desses créditos pretendidos, dispensando assim a necessidade de instruir a exordial com as provas, possíveis de serem verificadas pelas informações acessórias fiscais regularmente prestadas ao fisco, pela recorrente, por meio eletrônico, com amparo na produção de provas previstas no art. 332, do crc. Contudo, infelizmente, a recorrente não se atentou para o fato de que a defesa sustentada no recurso anterior, não foi cumprida pelo seu departamento fiscal, o qual estava incumbido de enviar as devidas retificações acessórias, ensejando assim o presente passivo tributário. Diante disso, a recorrente requer a ampliação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito tributário, anteriormente pleiteado, providenciando todas as retificações das declarações acessórias, assim previstas no art. 113, parágrafo 2o, do CTN, para demonstrar a relação dos créditos que tem direito. Reintera ainda sobre a importância da dilação do referido prazo, com base no Principio da Capacidade Contributiva, nos termos do art. 145, §1°, juntamente com o Princípio do não Confisco, nos termos do art. 150, IV, da CF. tendo em vista que, a sua não prorrogação ensejará à recorrente insolvência econômica, uma vez que, o seu patrimônio, não é suficiente para garantir os passivos tributários oriundos das referidas declarações acessórias. Ademais, diante da presente situação, não restou a recorrente outra alternativa senão interpor a presente demanda." É o relatório Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.964, Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10660.906087/201252 Resolução nº 3401000.980 S3C4T1 Fl. 4 3 de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.964): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. Como soe, nessas situações, a contribuinte somente compreende inteiramente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Por isso, tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10660.906087/201252 Resolução nº 3401000.980 S3C4T1 Fl. 5 4 prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 47DF CARF MF
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