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Numero do processo: 13839.904312/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 03/04/2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 03/04/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS.
O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/04/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA
Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.180
Decisão:
ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 03/04/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 03/04/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/04/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 03/04/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/04/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificase na posição 7007 da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/04/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 43 12 /2 00 9- 20 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.904312/200920 Acórdão n.º 3301003.180 S3C3T1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1429.692, exarado pela 2ª Turma da DRJ/RPO em face de Despacho Decisório que denegou restituição pleiteada e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. A recorrente formalizou PER/DComp objetivando a compensação de pretensa diferença recolhida a maior relativa ao IPI. A fiscalização, a partir das características do DARF discriminado no PER/DComp, constatou que o crédito alegado como indevidamente pago foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, onde alegou, em sede preliminar, que a fundamentação legal genérica do Despacho Decisório implicou cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, sustentou que o direito à restituição decorre de recolhimento a maior de IPI face a erro de classificação de seus produtos (vidros não emoldurados destinados exclusivamente para serem utilizados no párabrisas e nas janelas dos veículos automotores das posições 8701 a 8705). Os mesmos foram classificados na posição 7007 (Vidros de Segurança), com alíquota de 15% de IPI, quando o correto, segundo motivos, julgados e princípio da seletividade, deveria ser na posição 8708 da TIPI (partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705), com alíquota de 5%. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ/RPO julgoua IMPROCEDENTE, nos termos do Acórdão 1429.692, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 03/04/2002 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com comprovada preterição do direito de defesa. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.904312/200920 Acórdão n.º 3301003.180 S3C3T1 Fl. 4 3 RESTITUIÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. Inexiste erro de classificação fiscal se contribuinte lançou nos documentos fiscais e recolheu com a respectiva alíquota os vidros, utilizados como pára brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificados na posição 7007 da TIPI. Conseqüentemente, inexiste recolhimento indevido ou maior que o devido que se enquadre como crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário replicando as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.171, de 20 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 13839.904308/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.171): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. 1 Da Preliminar de Nulidade A recorrente alega que houve preterição do direito de defesa, ensejando a nulidade do despacho Decisório, por indicação inespecífica de dispositivo legal, nos seguintes termos: No despacho decisório que não homologou a compensação em tela constam como enquadramento legal: "Artigo 165 e 170, da Lei n°5.172 (CTN); Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.904312/200920 Acórdão n.º 3301003.180 S3C3T1 Fl. 5 4 Ocorre que os artigos contém parágrafos e incisos QUE NÃO FORAM DEVIDAMENTE ESPECIFICADOS, o que resultou na impossibilidade de a recorrente identificar qual deles fundamenta a decisão não homologatória da compensação, ou seja, EVIDENCIASE INDICAÇÃO INESPECÍFICA QUE CARACTERIZA FORMALIZAÇÃO INCORRETA, em flagrante contrariedade ao que dispõe a legislação que rege a matéria e que prevê a indicação clara e precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos , o que não ocorreu no caso. Tal fato resulta em flagrante prejuízo à defesa do contribuinte, resultando em vício insanável que enseja a nulidade do despacho decisório". Não vislumbro nos autos qualquer preterição do direito de defesa. O Acórdão recorrido não merece reparos, nesse pormenor. O despacho Decisório encontrase suficientemente fundamentado e o enquadramento legal está adequado aos fatos apurados. Não há, na espécie, motivo para que a autoridade fiscal indicasse os incisos ou alíneas em que se subdividiam os artigos elencados. Andou bem o julgador de primeira instância, vejamos parte dos fundamentos de seu voto que: [...] "Contudo, o que constato é que, para um pedido genérico lastreado num DARF, regularmente utilizado, para a integral quitação de débitos, mormente por inexistir qualquer retificação do DARF e da DCTF, nenhuma outra capitulação legal seria possível, aliás, creio que foi até exaustiva no caso, pois, bastaria citar o artigo 171 do CTN, ou seja, que a compensação só se faz com créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional." [...] O excerto acima transcrito é suficientemente didático. Não há coerência lógica nos argumentos trazidos pela recorrente, senão o intuito de dar sobrevida ao litígio. Com o exposto, não se verifica qualquer cerceamento do direito de defesa, tampouco algum ato ou fato que ampare, ainda que de longe, a nulidade do Despacho Decisório. 2 Do Mérito O cerne do litígio está centrado da [in]existência do crédito disponível para restituição, submetido à PER/DComp, i.é., [in]existência de pagamento a maior de IPI por parte do contribuinte. A fiscalização, em procedimento de análise de PER/DComp, detectou que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O recorrente, por sua vez, alega que efetuou recolhimento de IPI a maior em face de equívoco na classificação fiscal de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores das posições 8701 a 8705 da Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.904312/200920 Acórdão n.º 3301003.180 S3C3T1 Fl. 6 5 TIPI. Originariamente efetuou os recolhimento do IPI com base na posição da TIPI 7007, alíquota de 15%, conquanto, no seu entender, deveria ter recolhido com base na posição 8708, alíquota de 5%. Sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. Em resumo temos que o recorrente sustenta que cometeu erro na classificação de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores, de sua fabricação e, como conseqüência, recolheu IPI a maior. É nessa matéria, classificação fiscal, que se limita a peça recursal. Outrossim, a exigência fiscal emerge da constatação por parte da fiscalização de que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Essa é a matéria posta originariamente pela fiscalização. Sobre ela nada falou o recorrente. Apressome a afirmar: ainda que o recorrente tenha êxito quanto a classificação por ele pretendida, fazse necessária a comprovação de que eventual pagamento a maior do IPI fora devidamente escriturado, bem assim que as obrigações acessórias tenham sido alteradas para contemplar os valores efetivamente devido do tributo, tornadoo liquido e certo. Portanto temos dois pontos a serem apreciados: (i) a liquidez e certeza do crédito alegadamente pago a maior e (ii) a correta classificação do produto. 2.1 A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ALEGADAMENTE PAGO A MAIOR É notoriamente sabido que, nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Essa é a dicção do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Disso não se desincumbiu o contribuinte. Do compulsar dos autos não se vislumbra nenhum elemento apresentado pela recorrente que tenha o condão de afastar as alegações da fiscalização que alicerçaram a negativa relativa ao pedido de restituição. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.904312/200920 Acórdão n.º 3301003.180 S3C3T1 Fl. 7 6 Noutra esteira, a fiscalização demonstrou que, relativamente ao crédito que se pretende ser indevido, há débitos a ele originariamente vinculados, portanto não disponíveis para restituição e, conseqüentemente, não servindo para custear compensação. Dessarte, depreendese que os valores de IPI que o recorrente pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez. 2.2 A CORRETA CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO Passo a apreciar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte para o produto vidro não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores. Ressaltese que a classificação fiscal, no caso concreto, não influenciará diretamente na decisão quanto ao direito à restituição, posto que, isoladamente, eventual erro na classificação não é suficiente para dotar de liquidez e certeza o crédito pago a maior,. O recorrente sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. O Julgador a quo, em seu voto, constante do Acórdão recorrido, fundamenta exaustivamente as razões para descaracterizar a pretensa classificação dos vidros na posição 8708 e a necessária e correta classificação na posição 7007. vejamos excerto do voto: [...] Quanto ao mérito, nenhuma razão assiste ao interessado, sendo que a classificação fiscal do produto em questão já é pacificada na Receita Federal do Brasil desde 1998, quando, mediante o DEC SRRF 8ª RF nº 155/98, publicado no DOU em 06/08/98, classificou na posição 7007 da TIPI os vidros a serem utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis. [...] Não vislumbro razão para o aprofundamento da análise da presente matéria, a uma, pelo brilhante voto constante do Acórdão recorrido, não merecendo reparos, a duas, em face da publicação da Solução de Consulta do Centro de Classificação de Mercadorias da RFB, SC 56/2014, 1ª Turma, com a qual concordo e a utilizo como fundamento de minha decisão. Sua ementa é suficientemente esclarecedora: 7007.21.00 Vidro de segurança não emoldurado, formado por folhas contracoladas (vidro laminado), de espessuras que variam de 1 mm até mais de 6,5 mm, acompanhado de guarnição de borracha para vedação, destinado a uso como parabrisa de automóveis SC 296/2015 1ª Turma Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13839.904312/200920 Acórdão n.º 3301003.180 S3C3T1 Fl. 8 7 Como se vê o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis tem definida e consolidada sua classificação fiscal na posição 7007. Dispositivo Ante o exposto, considerando que (i) os créditos de IPI que se pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição, não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez e que (ii) o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis deve ser classificado fiscal na posição 7007, da TIPI, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.004103/2008-76
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2004
OMISSÃO NA ENTREGA DA DCTF. OPÇÃO SIMPLES FEDERAL.
Comprovada a omissão na entrega da DCTF sujeita se o contribuinte às penalidades da lei de regência, não confirmada a condição de optante pelo SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2004
PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. NOVA DISCUSSÃO.
Não é possível nova apreciação das razões acerca do pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL, quando o mérito da matéria já foi objeto de exame em processo específico definitivamente julgado no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 1803-001.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2004 OMISSÃO NA ENTREGA DA DCTF. OPÇÃO SIMPLES FEDERAL. Comprovada a omissão na entrega da DCTF sujeita se o contribuinte às penalidades da lei de regência, não confirmada a condição de optante pelo SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2004 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. NOVA DISCUSSÃO. Não é possível nova apreciação das razões acerca do pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL, quando o mérito da matéria já foi objeto de exame em processo específico definitivamente julgado no âmbito administrativo.
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OPÇÃO SIMPLES FEDERAL. Comprovada a omissão na entrega da DCTF sujeitase o contribuinte às penalidades da lei de regência, não confirmada a condição de optante pelo SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. NOVA DISCUSSÃO. Não é possível nova apreciação das razões acerca do pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL, quando o mérito da matéria já foi objeto de exame em processo específico definitivamente julgado no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004103/200876 Acórdão n.º 18031.002 S1TE03 Fl. 42 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004103/200876 Acórdão n.º 18031.002 S1TE03 Fl. 43 3 Relatório VIBROMAQ EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Versa o presente processo sobre notificação de lançamento (fl. 15), mediante a qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo A multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), relativa ao 4° trimestre do anocalendário de 2004, no valor de R$ 500,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/10) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que não apresentou a referida declaração porque se encontrava devidamente inscrita no Simples, razão pela qual não fica obrigada a apresentação da referida declaração. Defendeu a legalidade de sua inclusão no Simples. A DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP, através do acórdão 1426.471, de 15 de outubro de 2009 (fls. 19/20), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 25/11/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 22v), apresentou o recurso voluntário em 17/12/2009 fls. 23/37, onde reitera os argumentos da inicial de que tem direito à inclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) em virtude da atividade exercida, sendo inconstitucional a cobrança por ferir o princípio da irretroatividade da lei tributária. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004103/200876 Acórdão n.º 18031.002 S1TE03 Fl. 44 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração emitido eletronicamente por atraso na entrega da DCTF do 4º Trimestre de 2004. Alega a recorrente em síntese: a) Que tem direito à inclusão retroativa, pois sua atividade não se assemelha à de engenheiro conforme equivocadamente foi considerada pela Receita Federal, sendo inconstitucional a cobrança por ferir o princípio da irretroatividade da lei tributária; b) Que se encontra pendente de decisão administrativa definitiva o processo que analisa o pedido de inclusão retroativa no qual demonstra que não realiza atividade vedada. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se observa dos elementos contidos nos autos, a empresa foi objeto de intimação para apresentação de DCTF’s de diversos períodos, ocasião em que formulou pedido para inclusão retroativa (fl. 39) desde a data de início de suas atividades – 18/05/2001. O pedido de inclusão retroativa foi formalizado no processo administrativo nº 10840.001896/200367 tendo sido rejeitado em todas as instâncias administrativas com fundamento no exercício de atividade vedada (assemelhada a engenheiro). No âmbito do então Terceiro Conselhos de Contribuintes, foi exarado o Acórdão 30238.460, de 28/02/2007 da 2ª Câmara, com o seguinte teor: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2001 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. É vedada a opção pelo Simples para as pessoas jurídicas que prestam serviços de assistência técnica nas áreas de caldeiraria e mecânica industriais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Conforme extrato do sistema COMPROT constante à fl. 18 deste processo, verificase que o processo administrativo contendo o pedido de inclusão retroativa já se encontra arquivado desde 18/04/2009, sendo, portanto definitiva a decisão. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004103/200876 Acórdão n.º 18031.002 S1TE03 Fl. 45 5 Destarte, sendo definitiva a decisão de não inclusão retroativa e sendo defeso nova apreciação por parte deste colegiado julgador, quanto ao mérito da negativa de ingresso no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), não há como acolher as alegações da recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 51DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900020/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/05/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.561
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/05/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 20 /2 01 2- 91 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.900020/201291 Acórdão n.º 3302003.561 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.787. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.900020/201291 Acórdão n.º 3302003.561 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900020/201291 Acórdão n.º 3302003.561 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900020/201291 Acórdão n.º 3302003.561 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900020/201291 Acórdão n.º 3302003.561 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900020/201291 Acórdão n.º 3302003.561 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900020/201291 Acórdão n.º 3302003.561 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004165/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTAR. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. SÚMULA CARF Nº 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS DE VALORES EM CONTAS DE MESMA TITULARIDADE.
Se comprovado pelo contribuinte que houve transferência de mesma titularidade, deve o valor do depósito bancário decorrente desta transferência ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00, CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00 NO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61.
Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEVANTAMENTO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS POR ADVOGADO.
É necessário distinguir os depósitos judiciais levantados em nome do contribuinte daqueles levantados em nome do co-titular da conta bancária, atribuindo ao primeiro a responsabilidade apenas pela omissão de rendimentos relacionadas aos depósitos por ele levantados e não repassados aos clientes.
Sendo o depósito judicial levantado por advogado e tendo este demonstrado que efetivamente repassou o valor posteriormente a seu cliente, deve o valor repassado ser excluído da relação de omissão de rendimentos.
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Constitui rendimentos do advogado, sujeitos à tributação pelo imposto de renda na declaração de ajuste anual, a diferença entre os depósitos judiciais por ele levantados em ação trabalhista na qual atuou como procurador e os valores repassados a seus clientes.
IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE.
Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2202-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto ao recurso de ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada por aplicação concomitante com multa de oficio; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial em maior extensão para também afastar os juros de mora sobre a multa de ofício. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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CONTA CONJUNTAR. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS DE VALORES EM CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Se comprovado pelo contribuinte que houve transferência de mesma titularidade, deve o valor do depósito bancário decorrente desta transferência ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00, CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00 NO ANO CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEVANTAMENTO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS POR ADVOGADO. É necessário distinguir os depósitos judiciais levantados em nome do contribuinte daqueles levantados em nome do cotitular da conta bancária, atribuindo ao primeiro a responsabilidade apenas pela omissão de rendimentos relacionadas aos depósitos por ele levantados e não repassados aos clientes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 65 /2 01 0- 69 Fl. 861DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 862 2 Sendo o depósito judicial levantado por advogado e tendo este demonstrado que efetivamente repassou o valor posteriormente a seu cliente, deve o valor repassado ser excluído da relação de omissão de rendimentos. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tãosomente sua transferência para o Fisco. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Constitui rendimentos do advogado, sujeitos à tributação pelo imposto de renda na declaração de ajuste anual, a diferença entre os depósitos judiciais por ele levantados em ação trabalhista na qual atuou como procurador e os valores repassados a seus clientes. IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 863 3 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao recurso de ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada por aplicação concomitante com multa de oficio; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial em maior extensão para também afastar os juros de mora sobre a multa de ofício. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 19515.004165/201069, em face do acórdão nº 1643.535, julgado pela 15ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: DO LANÇAMENTO Versa este processo sobre a exigência de crédito tributário relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, conforme auto de infração de fls. 280/285 e demonstrativos de fls. 274/279. Foi lançado o imposto no valor de R$ 864.815,62, acrescido de juros de mora de R$ 432.926,69 (calculados até 30/11/2010) e de multa de ofício proporcional no valor de R$ 1.297.223,43. Foi lançada, ainda, a multa isolada de R$ 289.365,93. O valor total do crédito tributário é R$ 2.884.311,67. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 864 4 Trata a autuação de: 1) omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas; 2) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e 3) multas isoladas por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. O enquadramento legal é informado às fls. 279 e 282/285 . A descrição dos fatos é apresentada no Termo de Constatação Fiscal, às fls. 239/247, acompanhado dos anexos de fls. 248/273. Ressalto que, tendo o processo sido digitalizado, houve a remuneração automática de todas as folhas, sendo essa nova numeração a citada neste Acórdão. DA IMPUGNAÇÃO O autuado tomou ciência do auto de infração em 14/12/2010, conforme ARs de fls. 287/290, e apresentou, em 12/01/2011, por meio de mandatário (procuração às fls. 324/327), a impugnação de fls. 300/322, acompanhada dos documentos de fls. 324/414, abaixo resumida. Preliminarmente 1) Da nulidade do procedimento de fiscalização Conforme se verifica do Termo de Constatação Fiscal datado de 10/12/2010, o impugnante foi intimado a justificar os depósitos efetuados em seis contas bancárias, a saber: as de número 7589591, 7558345 e 7593199 mantidas na agência 03841 do Banco Nossa Caixa S/A ("Nossa Caixa"), as de número 035636 2 e 61690501 mantidas na agência 024801 do Banco Banespa S/A ("Banespa"), e a de número 229897 mantida na agência 3740 do Banco Itaú S/A ("Itaú"). Entretanto, as contas de número 758.9591 e 759.3199 eram mantidas em cotitularidade, conforme bem demonstram os extratos obtidos pela fiscalização, os quais indicam tratarse de contas "e/ou". Desse modo, considerando que as contas correntes n°s 7589591 e 7593199 eram mantidas em conjunto com outras pessoas e que a autoridade fiscal, durante todo o procedimento de fiscalização, não intimou essas pessoas a se manifestarem sobre o trabalho que estava em andamento, requerse seja o presente lançamento julgado nulo, pois afronta claramente o artigo 142 do CTN, o artigo 42, § 6° da Lei n° 9.430/96 e a Súmula n° 29 do CARF. 2) Da impossibilidade de violação do sigilo bancário Inicialmente, esclarece o impugnante que, apesar de atender prontamente a fiscalização, fornecendolhe toda documentação que lhe era solicitada, ainda assim o seu sigilo bancário foi violado. O argumento utilizado para tanto foi a suposta caracterização de embaraço à fiscalização, uma vez que o impugnante não apresentou a integralidade dos documentos Fl. 864DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 865 5 solicitados, o que teria tornado a requisição de informações "indispensável". A fundamentação legal para tal procedimento seria a Lei n° 9.430/1996 e o Decreto n° 3.724/2001. No entanto, de acordo com o sistema constitucional vigente, a entidade encarregada de realizar o juízo de valor quanto à "indispensabilidade" da devassa do sigilo bancário é o Poder Judiciário e ninguém mais. O ato administrativo de "quebra" do sigilo de contribuinte sob fiscalização efetuado isoladamente, sem a devida autorização do Poder Judiciário, ainda que realizado sob a égide da legislação mencionada, não deve ser admitido por atentar frontalmente contra garantias individuais do contribuinte esculpidas na Constituição Federal. Dentre as garantias individuais previstas no artigo 5° da Lei Maior, vislumbramse os incisos X e XII, que asseguram a inviolabilidade da intimidade, da vida privada e do sigilo de correspondência, comunicação telefônica e quaisquer formas de dados, os quais somente podem ser violados mediante ordem judicial. Para a devida proteção desses direitos, impera o preceito de que não só os legisladores complementar e ordinário, mas também o próprio legislador constituinte estão absolutamente proibidos de formular normas, conforme artigo 60, § 4°, inciso IV, da Constituição Federal: "Não será objeto de deliberação proposta de emenda tendente a abolir (...) os direitos e garantias individuais". Assim sendo, muito embora tenha sido veiculado no bojo das normas infraconstitucionais em debate, o poder legal delegado à autoridade fiscal para a obtenção direta de dados perante as instituições financeiras relativos ao contribuinte sob fiscalização configura inconcebível subversão dos valores protegidos pelo Direito. Vejase nesse sentido a recente decisão do STF em julgamento do Recurso Extraordinário Criminal de n° 215301/CE, conforme se transcreve à fl. 306. O entendimento predominante no STF a respeito das poucas e excepcionais alternativas existentes no texto constitucional para violação do sigilo bancário é claramente demonstrado no voto do Sr. Ministro Maurício Corrêa, em julgamento do Mandado de Segurança n° 21.7294, cujos trechos relevantes são apresentados às fls. 306/307. Mais recentemente, o Plenário do STF, no julgamento do RE n° 389.808, em 15/12/2010, confirmou mais uma vez o entendimento de que o acesso às informações bancárias pela Receita Federal não pode ser feita sem autorização judicial. Dessa forma, a quebra de sigilo bancário é exceção aos direitos e garantias individuais a ser permitida judicialmente em alguns casos, mas não em razão de mero ato administrativo produzido em meio a procedimento de fiscalização, tendo em vista inexistir previsão constitucional que equipare a autoridade administrativa ao Poder Judiciário. Ainda que admitido tal Fl. 865DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 866 6 procedimento em lei, não deve ser permitida a sua aplicação em face da incompatibilidade com o texto constitucional. Por consequência, o auto de infração contestado deve ser considerado nulo. Do mérito Quanto ao mérito, passa o impugnante a indicar a justificativa dos depósitos apontados no auto de infração. 1) Da inexistência de omissão de rendimentos e impossibilidade de tributação por ficção Não se pode conceber que a norma introduzida pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 tenha realmente partido de uma observação apurada da realidade dos fatos para, ao final, concluir que os valores creditados em conta bancária seriam suficientes para "presumir" que teriam sido gerados rendimentos tributáveis pelo imposto de renda. Não há uma correlação natural entre os eventos relativos a "receber depósitos bancários" e a "omissão de rendimentos" que constituam fato gerador do imposto de renda de pessoa física. A observação dos fatos ocorridos no passado revela exatamente o contrário, ou seja, que os depósitos bancários, individualmente, não são suficientes para comprovar a existência do fato gerador do imposto de renda. Com efeito, na história pretérita dos lançamentos de imposto de renda com base em depósitos bancários, ao menos no que se refere aos processos que chegaram à apreciação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, os depósitos bancários foram considerados meros elementos indiciários da ocorrência do fato gerador e que exigiam complementação mediante a produção de outros elementos de prova. Os acórdãos reproduzidos à fl. 310 representam entendimento reiterado da Receita Federal e também do Tribunal Administrativo a respeito deste assunto. O impugnante solicita ainda a atenção para a importância da orientação pragmática gerada no âmbito do Poder Judiciário e que resultou na formulação da Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos: "É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. " Por conseguinte, se o mecanismo criado pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 não derivou da apreciação realística dos fatos para fins de se estabelecer seguramente o nexo causal entre o fato conhecido e o fato desconhecido, então não se trata de uma presunção legal, mas sim de uma ficção jurídica. Ocorre que, à luz do princípio da legalidade estrita (CF, art. 150, I), elevado à categoria de direito e garantia individual (CF, artigo 5°, § 2°) e, portanto, protegido enquanto cláusula pétrea, Fl. 866DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 867 7 não pode haver exigência do cumprimento de obrigação tributária baseada meramente em ficções jurídicas. Desse modo, o auto de infração em debate deve ser considerado totalmente nulo por inferir a conclusão de omissão de rendimentos e exigir o recolhimento de imposto sobre fato gerador não devidamente provado, deduzido simplesmente a partir de método precário, com emprego indevido de ficção jurídica. 2) Da comprovação dos depósitos 2.1) Infração 1: omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física Tal como esclarecido durante o procedimento de fiscalização, durante o ano de 2005 o impugnante recebeu diversos valores do Poder Judiciário referentes a ações judiciais nas quais era o representante legal dos autores dos feitos. Assim, grande parte dos depósitos relacionados nos extratos diz respeito às movimentações correspondentes ao recebimento e repasse de valores aos seus clientes de ações judiciais. Tanto é assim que esses recebimentos e consequentes repasses foram comprovados durante a fiscalização. Entretanto, a documentação apresentada naquela oportunidade parece ter sido desconsiderada pela autoridade fiscal. Isso porque, quando da apuração dos montantes supostamente omitidos vários desses repasses foram injustificadamente desconsiderados, conforme se demonstrará adiante. Além disso, fazse mister salientar que grande parte dos valores sem origem justificada se refere a quantias que estão "à disposição" de clientes, os quais até o momento não foram localizados para que a transferência dos valores fosse realizada. Assim, considerando a impossibilidade de se repassar tais valores, é totalmente justificável que essas quantias fiquem depositadas na conta do impugnante para posterior repasse aos beneficiários de direito. Para comprovar a existência de quantias desconsideradas e também de quantias que se encontram "à disposição" dos clientes, o impugnante apresenta planilha anexa contendo esses valores. Note, contudo, que em vista do tempo transcorrido desde o recebimento dessas quantias e da grande quantidade de depósitos listados pela fiscalização (em número superior a 200), não foi possível obter toda a documentação apropriada no prazo de 30 dias estabelecidos para a apresentação da impugnação. Assim, o impugnante esclarece que ainda está buscando perante os bancos os documentos necessários para comprovar tais recebimentos. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 868 8 Por esse motivo, requer o impugnante seja deferida a posterior juntada dos documentos relativos aos demais depósitos efetuados nessas contas bancárias, nos termos do art. 38 da Lei n° 9.784/1999, pois esse trabalho está sendo realizado em conjunto com as instituições financeiras e os terceiros envolvidos. 2.2) Infração 2: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada De acordo com a fiscalização, o impugnante não conseguiu comprovar a origem de todos os créditos constantes nas seguintes contas correntes: (i) 758.9591, 759.3199 e 755.8245 (Banco Nossa Caixa S/A); (ii) 22.9897 (Banco Itaú S/A); (iii) 035.6362 (Banco Banespa S/A). Contudo, fazse mister observar que as primeiras duas contas correntes (758.9591 e 759.3199) não são de titularidade exclusiva do impugnante, existindo cotitulares, que, conforme mencionado anteriormente, não foram intimados para participar do procedimento fiscalizatório. Assim sendo, os lançamentos efetuados com base nessas contas devem ser integralmente desconsiderados. Além disso, o lançamento efetuado pela fiscalização considerou, indevidamente, valores referentes a transferências entre contas de mesma titularidade e também transferências oriundas das referidas contas (758.9591 e 755.8245). Todos esses créditos também devem ser desconsiderados para efeito de apuração da base de cálculo do imposto devido, sob pena de contrariar o comando do artigo 42, §3°, I da Lei n° 9.430/1996 e também de se promover cobrança em duplicidade. Adicionalmente, é importante destacar que existe um crédito na conta corrente n° 755.8245 do Banco Nossa Caixa S/A no valor de R$ 25.916,11 que se refere a um reembolso de despesa médica creditado pela Unimed. Embora o impugnante não possua mais o extrato dos reembolsos efetuados pela Unimed durante o ano de 2005, foi solicitada a emissão de novo extrato para comprovar a origem do crédito. Nesse contexto, resta evidente que o lançamento deve ser corrigido para excluir do cálculo os créditos efetuados nas contas em cotitularidade, os valores transferidos entre contas de mesma titularidade e o valor referente ao reembolso da Unimed. Tendo isso em vista, apresentase planilha anexa na qual constam os referidos créditos que devem ser excluídos da autuação. Portanto, percebese que, após a exclusão dos créditos com origem devidamente comprovada, não resta nenhum valor a ser oferecido à tributação. Isso porque, conforme se observa da Declaração de Ajuste Anual (DIRPF) referente ao ano calendário de 2005, os valores de honorários creditados em suas contas correntes de uso pessoal são condizentes com o montante Fl. 868DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 869 9 de honorários declarado como rendimentos tributáveis (R$ 892.144,82). A propósito este é também um erro inescusável do presente auto de infração: o contribuinte informou em sua DIRPF R$ 892.144,82 de honorários advocatícios recebidos em 2005 das fontes pagadoras (i) Departamento de Águas e Energia Elétrica, (ii) 13a Vara da Fazenda Pública, (iii) Departamento de Estradas e Rodagem, e (iv) honorários recebidos de pessoas físicas, sendo que tais valores obviamente foram recebidos por meio de crédito em conta bancária do contribuinte. Assim, ao checar as contas bancárias do impugnante deveria a autoridade fiscalizadora se preocupar em localizar tais montantes e excluí los do valor de base de cálculo da autuação, sob pena de cobrança em duplicidade. No entanto, a fiscalização fez exatamente o contrário: somou tais rendimentos à base da autuação! Tal falha não pode ser admitida e deve ser expurgada da autuação. 2.3) Do erro na identificação do sujeito passivo Importante observar que a fiscalização incorreu em erro quando da identificação do sujeito passivo no que se refere às contas correntes n°s 758.9591 e 759.3199, ambas da Nossa Caixa. Isso porque, as referidas contas sempre foram movimentadas pela sociedade de advogados constituída pelo impugnante e seu sócio, cotitular das contas em questão. Tal sociedade de advogados fora constituída em 1° de julho de 2004, quando o impugnante e seu sócio decidiram abrir o escritório de Maia e Oliveira Filho Advogados, visando à prestação de serviços advocatícios. Naquela oportunidade, eles abriram as duas contas bancárias supracitadas para realizar as movimentações bancárias da sociedade em comum então constituída. É possível comprovar a utilização de tais contas bancárias pela sociedade por meio dos extratos colacionados aos autos. Isso porque resta evidente que: (i) os levantamentos de precatórios e RPVs, transações oriundas do exercício da atividade econômica de um escritório de advocacia, eram efetuados por meio da conta corrente n° 758.9591; (ii) as despesas administrativas do escritório (pagamento de tributos, guias judiciais e demais contas, por exemplo) eram feitas por meio da conta corrente n° 759.3199. Assim sendo, se as contas correntes n°s 758.9591 e 759.3199 eram movimentadas pela sociedade no exercício de atividade econômica de natureza comercial e com finalidade de lucro, os depósitos bancários nelas efetuados não podem ser atribuídos ao impugnante, sob pena de se incorrer em erro na identificação do sujeito passivo. Nesse sentido, se manifesta a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual CARF), conforme transcrição às fls. 313/314. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 870 10 Adicionalmente, atribuir ao impugnante a titularidade dos depósitos efetuados nas contas acima mencionadas também afronta ao art. 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96: "Art. 42(...) § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento." O objetivo do dispositivo acima é justamente atingir o titular efetivo das contas bancárias, evitando que uma mera formalidade, caracterizada pela identificação de determinada pessoa no cadastro de uma conta corrente, resultasse na formulação de exigência contra indivíduos que não têm nenhuma relação com o fato gerador da obrigação tributária. Ou seja, a intenção do legislador é tributar quem de fato manifestar capacidade contributiva, isto é, capacidade econômica para arcar com o ônus tributário. Portanto, a presunção de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/96 deveria ter sido imposta à pessoa que movimentava efetivamente a conta bancária, e não à pessoa que está simplesmente indicada nos dados cadastrais, sem nenhuma responsabilidade e vinculação com os valores ali movimentados. No caso em apreço, os extratos bancários e os demais documentos apresentados não deixam dúvidas quanto ao fato de que as contas correntes n°s 758.9591 e 759.3199 eram movimentadas efetivamente pela sociedade, razão pela qual não deve ser atribuída ao impugnante a responsabilidade sobre os depósitos bancários efetuados nessa conta. Portanto, requerse seja declarada nula essa parte do lançamento, em razão do evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. 3) Da multa isolada De acordo com a fiscalização, os rendimentos recebidos de pessoas físicas e informados na Declaração de Ajuste Anual (ano base 2005) do impugnante deveriam ter sido oferecidos à tributação mensal por meio do carnêleão, razão pela qual a fiscalização aplicou multa isolada de 50% sobre tais valores. Entretanto, a fiscalização foi além e também aplicou a multa isolada de 50% sobre os valores supostamente omitidos pelo impugnante, os quais também foram objeto da multa de ofício de 150%. Ou seja, no presente caso houve aplicação da multa de ofício de 150% cumulada com a multa isolada de 50%. Tal aplicação cumulada pode ser observada nos seguintes meses: (i) Fl. 870DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 871 11 maio; (ii) julho; (iii) agosto; (iv) setembro; (v) novembro; e (vi) dezembro, conforme se demonstra nas planilhas de fl. 315. Note, portanto, que a fiscalização aplicou a multa isolada e a multa de ofício sobre a mesma base de cálculo, procedimento reiteradamente vedado pelo CARF. Tanto é assim que a Câmara Superior de Recursos Fiscais do referido Conselho já proferiu acórdão nesse sentido, consoante se reproduz à fl. 316. Assim, resta evidente a impossibilidade de se aplicar duas penalidades sobre a mesma infração, razão pela qual a aplicação da multa isolada de 50% cumulada com a multa de ofício de 150% nos períodos em questão não merece prosperar, sob pena de violação ao princípio da consunção. 4) Da inaplicabilidade da multa de 150% A fiscalização entendeu que o impugnante omitiu informações do Fisco com evidente intuito de fraude. Entretanto, em nenhum momento comprovou que o impugnante praticou alguma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, sendo as suas alegações meramente especulativas. Importante lembrar que a comprovação da existência de uma das condutas mencionadas acima é conditio sine qua non para aplicação da multa de ofício de 150%. Esse entendimento foi pacificado no CARF, o qual já expediu as Súmulas n° 14 e n° 25 sobre o assunto. Dessa maneira, considerando que a fiscalização não comprovou a ocorrência de alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, a multa de ofício deve ser reduzida pela metade, ou seja, para 75%. 5) Da não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício Como se sabe, nos casos de lançamento de ofício formalizado por auto de infração, os juros de mora, calculados pela taxa Selic, vêm sendo exigidos também sobre o valor da multa lançada de ofício, sob a justificativa de que essa penalidade se enquadra no conceito de “crédito tributário” de que trata o art. 161 do CTN. Todavia, a inclusão da multa de ofício no conceito de “crédito tributário” está equivocada. Dada a importância da obrigação acessória na atividade de arrecadação, a penalidade pecuniária aplicável em razão do seu descumprimento se transforma em obrigação principal (art. 113, § 3°, do CTN), tendo essa "conversão" a finalidade de permitir que o ente arrecadador responsável exija o seu cumprimento por parte dos contribuintes. Ora, se, de acordo com o CTN, apenas a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento da obrigação acessória é que se converte em obrigação principal, somente essa penalidade se insere no conceito de crédito tributário de que trata o art. 139 do Fl. 871DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 872 12 CTN: O crédito tributário decorre de obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Primeiro porque os deveres administrativos vinculados aos fatos geradores dos tributos constituem verdadeiras obrigações tributárias independentes das principais, sendo a penalidade aplicável necessária para exigir dos contribuintes o seu cumprimento. Segundo porque, em se tratando de questões relacionadas à obrigação e ao crédito tributário, somente lei complementar pode dispor sobre seu conceito e aplicação, conforme art. 146, inciso III , "b", da CF/88. Uma vez que o CTN foi recepcionado pela CF/88 com status de Lei Complementar, se essa norma previu a conversão em obrigação principal apenas das penalidades originadas do descumprimento de obrigações acessórias, somente tais penalidades constituem crédito tributário passível de cobrança por meio do lançamento. Tal conclusão é de extrema importância no tocante à base de incidência dos juros de mora, uma vez que o art. 161 do CTN é expresso no sentido de que apenas o “crédito” não pago no vencimento é que é acrescido de juros de mora. Assim, considerando (i) que apenas as penalidades por descumprimento de obrigações acessórias se convertem em obrigação principal e (ii) que apenas a obrigação principal constitui crédito tributário, não é difícil concluir que somente as penalidades por descumprimento de obrigações acessórias são acrescidas de juros de mora se não forem pagas no prazo legalmente estabelecido. Isso significa que as multas aplicadas nos lançamentos de ofício (nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96), por não decorrerem do descumprimento de obrigações acessórias, não constituem crédito tributário. A consequência disso é que tais multas não sofrem a incidência dos juros de mora, já que o art. 161 do CTN é expresso no sentido de que apenas o “crédito tributário” não pago no vencimento é que é acrescido de juros de mora. Determina, ainda, o art. 161 do CTN que os juros de mora serão aplicados ao crédito tributário não pago “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”, numa clara demonstração de que o crédito tributário e a penalidade de ofício são medidas distintas. Aliás, se as multas de ofício integrassem o conceito de crédito tributário, não existiria motivo para o próprio CTN ressalvar que a aplicação dos juros não prejudica a imposição de penalidade. DAS DILIGÊNCIAS Da primeira diligência Fl. 872DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 873 13 Em vista da alegação da defesa de que a fiscalização desconsiderou o fato de duas das contas bancárias investigadas serem mantidas em conjunto com terceiros – contas n° 759.3199 e 758.9591, ambas da agência 03841 do Banco Nossa Caixa S.A. –, o processo foi encaminhado à DERAT/SP (fls. 418/419), para intimar o impugnante a: a) apresentar documentos emitidos pelo Banco Nossa Caixa S.A. que comprovem que essas contas eram mantidas em conjunto com terceiros; e b) informar o número da inscrição no CNPJ do escritório de advocacia do qual afirma ter sido sócio no anocalendário 2005 e ao qual atribui a responsabilidade pela movimentação dessas duas contas bancárias, bem como apresentar os documentos probatórios da constituição da sociedade. Feita a intimação (fls. 420/425), sobreveio a resposta de fls. 426/428, acompanhada dos documentos de fls. 429/500, cujo teor principal se transcreve abaixo. Para a comprovação de que as contas bancárias eram mantidas em cotitularidade, o impugnante colaciona aos autos (fls. 429/434) declaração emitida pelo Banco do Brasil S.A., bem como outros documentos que comprovam que as contas bancárias supracitadas, abertas em outubro de 2004 e encerradas em 21 de novembro de 2006, sempre foram mantidas em conjunto com o Sr. Fernando Antônio Mangueira Maia. Já com relação ao número do CNPJ do escritório de advocacia, o impugnante informa que a sociedade de advogados formada em conjunto com o Sr. Fernando Antônio Mangueira Maia nunca teve seus atos constitutivos levados a registro, ou seja, era uma sociedade em comum (ou sociedade de fato), forma societária regulada pelo artigo 986 e seguintes do Código Civil. Isso ocorreu em razão da breve existência da sociedade, encerrada em 10/09/2006, conforme se observa do Contrato de Extinção de Sociedade de Fato de Advogados ora anexado (fls. 435/454). Importante mencionar que, independentemente da sociedade ter se encerrado na referida data, é inquestionável a sua existência durante o período compreendido entre julho de 2004 e setembro de 2006, pois resta evidente que o impugnante e o Sr. Fernando Antônio Mangueira Maia uniram forças para exercer atividade econômica, contribuindo ambos, inclusive com parte de seu patrimônio, para a aquisição de imóveis localizados na Rua Dr. Rodrigo Silva, onde as atividades comerciais foram desenvolvidas, conforme se observa das anexas escrituras de compra e venda (fls. 455/485). Ademais, o impugnante anexa (fls. 486/500) cópia exemplificativa de petição inicial distribuída em 12/09/2005 perante a 4a Vara da Fazenda Pública e também carta enviada a um cliente, os quais comprovam que o impugnante e o Sr. Fernando Antônio Mangueira Maia exerciam a advocacia em conjunto durante o período em questão sob a denominação de Maia e Oliveira Filho Advogados. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 874 14 Tendo isso em vista, resta evidente o erro na identificação do sujeito passivo mencionado na impugnação. Outro não é o entendimento do CARF, que entende que, provada a existência da sociedade de fato, ela deve figurar no polo passivo da obrigação tributária, conforme ementas de fls. 427/428. No mesmo sentido orienta o Parecer Normativo CST n° 122/1974, emitido pelo Coordenador do Sistema de Tributação. Pelo que se pode observar do trecho transcrito à fl. 428, o Parecer Normativo deixa claro que, em caso de exploração conjunta (social) da atividade econômica, a sociedade resultante sociedade de fato) deve ser tributada como pessoa jurídica. Da segunda diligência Posteriormente, o processo foi novamente baixado em diligência (fls. 502/506), com o fim de intimar o impugnante a: a) apresentar os documentos que comprovem de forma inequívoca a efetivação dos repasses transcritos às fls. 503/505; b) esclarecer, para os casos em que informou a natureza “Repasses honorários”, a razão de tais repasses e o vínculo dos beneficiários com as ações judiciais correspondentes; e c) relacionar os créditos bancários que compuseram os honorários advocatícios informados na declaração de ajuste anual do ano calendário 2005, exercício 2006, e apresentar os documentos probatórios pertinentes. Feita a intimação (fls. 508/509), o impugnante apresentou a resposta de fls. 510/513, à qual anexou os documentos de fls. 514/683, complementada pela petição de fl. 684 e pelo documento de fl. 685. Eis o resumo da resposta. No que pertine à comprovação dos repasses, o impugnante reafirma que as contas correntes listas na intimação eram exatamente as mesmas mantidas em cotitularidade com o Sr. Fernando Antônio Mangueira Maia e que se destinavam exclusivamente ao uso pela sociedade de advocacia Maia e Oliveira Filho Advogados. Tendo tal sociedade sido desfeita em 2006, cada um de seus sócios levou consigo parte dos processo judiciais de responsabilidade da sociedade de advocacia. Tais fatos dificultam o fornecimento de documentos pelo impugnante, pois a fiscalização deveria ter sido dirigida ao sujeito passivo correto (a sociedade de fato de advocacia), ou, quando menos, deveria se voltar aos dois sócios, cotitulares da conta, sob pena de nulidade. De todo modo, após insistentes solicitações ao banco, o impugnante informa que localizou as cópias de cheques e TEDs que comprovam os repasses efetuados, nos termos da tabela de fl. 511. No que pertine aos valores com status AG. BANCO, o impugnante esclarece que, por um lapso, o banco não conseguiu fornecer a documentação em tempo hábil (fl. 676), razão pela Fl. 874DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 875 15 qual requer a dilação de prazo para sua apresentação em mais trinta dias. Já com relação à documentação não localizada, o impugnante reforça que a impossibilidade de localização se deu em virtude dos repasses relativos aos clientes em questão serem de responsabilidade exclusiva do cotitular da conta corrente, Sr. Fernando Antônio Mangueira Maia. Tanto é que em determinados casos é possível observar que o levantamento dos valores perante o Poder Judiciário foi feito por ele. Citase, exemplificativamente, o crédito de R$ 74.816,64 (fls. 679/683). Importante destacar ainda que, apesar de existirem Mandados de Levantamento Judicial expedidos em nome do impugnante, o repasse desses valores aos clientes foi dividido quando da extinção da sociedade de fato, sendo os repasses cuja documentação não foi localizada também de responsabilidade do cotitular, razão pela qual as autoridades fiscais também deveriam ter intimado o Sr. Fernando Antônio Mangueira Maia para apresentar a documentação em questão. Como se sabe, a necessidade de intimação de todos os co titulares da conta bancária é requisito incontroverso para a legalidade do lançamento, conforme art. 42, § 6°, da Lei n° 9.430/96 e Súmula n° 29 do CARF. Com relação aos honorários advocatícios recebidos de pessoas jurídicas e pessoas físicas declarados na DIRPF 2006, no montante de R$ 892.144,82, o impugnante informa que a desconsideração de tais valores quando do procedimento de fiscalização evidencia mais um erro inescusável da autuação em questão, que demonstra a ausência de técnica e cuidado do agente fiscal no trabalho que originou o presente processo administrativo. Deste modo, tendo em vista que tal apuração poderia ter sido feita pelo fiscal que lavrou a autuação quando do seu trabalho de fiscalização, pois ele possuía todos os meios para efetuar a verificação, requer sejam expurgados tais valores da presente autuação. A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: Por todo o exposto, voto no sentido de acolher parcialmente as preliminares arguidas e, no mérito, julgar PARCIALMENTE PROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, MANTENDO PARCIALMENTE o crédito tributário lançado, conforme demonstrativos abaixo. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 876 16 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 734/768, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação quanto ao que foi vencido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A) Depósitos bancários em conta conjunta. Intimação de cotitular. A DRJ de origem apresenta o seguinte relatório em seu acórdão: Conforme se verifica do Termo de Constatação Fiscal datado de 10/12/2010, o impugnante foi intimado a justificar os depósitos efetuados em seis contas bancárias, a saber: as de número 7589591, 7558345 e 7593199 mantidas na agência 03841 do Banco Nossa Caixa S/A ("Nossa Caixa"), as de número 035636 2 e 61690501 mantidas na agência 024801 do Banco Banespa S/A ("Banespa"), e a de número 229897 mantida na agência 3740 do Banco Itaú S/A ("Itaú"). Entretanto, as contas de número 758.9591 e 759.3199 eram mantidas em cotitularidade, conforme bem demonstram os extratos obtidos pela fiscalização, os quais indicam tratarse de contas "e/ou". Desse modo, considerando que as contas correntes n°s 7589591 e 7593199 eram mantidas em conjunto com outras pessoas e que a autoridade fiscal, durante todo o procedimento de Fl. 876DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 877 17 fiscalização, não intimou essas pessoas a se manifestarem sobre o trabalho que estava em andamento, requerse seja o presente lançamento julgado nulo, pois afronta claramente o artigo 142 do CTN, o artigo 42, § 6° da Lei n° 9.430/96 e a Súmula n° 29 do CARF O voto foi no sentido de "acolher parcialmente a preliminar de nulidade ora em análise, uma vez que o vício do lançamento diz respeito apenas à impossibilidade de se presumir a omissão de rendimentos com relação aos depósitos bancários com origem não comprovada efetuados nas contas n° 758.9591 e 759.3199 da Agência 03841 do Banco Nossa Caixa. Tal nulidade não alcança o crédito tributário relacionado às demais contas bancárias nem às demais infrações tributárias. " Compreendeuse que como os Srs. Fabiano Miguel de Oliveira Filho e Fernando Antônio Mangueira Maia apresentaram declarações em separado no exercício 2006, a fiscalização, para poder invocar a presunção de omissão de rendimentos relativa aos depósitos sem comprovação de origem efetuados nas contas mantidas em conjunto, deveria ter intimado ambos os titulares para justificar a origem dos depósitos. No entanto, o Sr. Fernando Antonio não foi intimado. Diante disto, excluise o valor total dos depósitos a serem excluídos, em razão do acolhimento parcial da preliminar de nulidade alegada pelo contribuinte em impugnação, o valor R$ 549.291,39, conforme relação de fls. 702 destes autos. Tal entendimento está em conformidade com a Súmula nº 29 do CARF, que assim dispõe: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Por tais razões, não merece provimento o recurso de ofício quanto a esta matéria. B) Comprovação de origem dos depósitos bancários B.1) Transferências de mesma titularidade Alegou o contribuinte em impugnação que a fiscalização também deixou de excluir diversos depósitos referentes a transferências entre contas de mesma titularidade. Os depósitos que o contribuinte pretende excluir por esse motivo estão igualmente relacionados nas planilhas de fls. 411/414 e reproduzidos no quadro abaixo: Fl. 877DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 878 18 Ao pesquisar nos diversos extratos bancários juntados aos autos, compreendeu a DRJ de origem que, na data de cada um desses créditos, há um débito em idêntico valor em alguma outra conta do contribuinte, conforme quadro abaixo. Assim, diante da coincidência entre datas e valores dos créditos e dos débitos em contas de mesma titularidade, entendeu a DRJ que os depósitos acima relacionados, no valor total de R$ 46.499,99, devem ser excluídos da relação dos depósitos com origem não comprovada, nos termos do art. 42, § 3°, I, da Lei n° 9.430/1996. Entendo acertada a referida decisão, pois não há como manter lançamentos em duplicidade. Se comprovado pelo contribuinte que houve transferência de mesma titularidade, deve o valor do depósito bancário decorrente desta transferência ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. Portanto, não prospera o recurso de ofício também em relação a este ponto. B.2) Depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 no anocalendário Após a exclusão de depósitos oriundos de transferência de mesma titularidade e daqueles cuja titularidade era conjunta, onde deixouse de intimar o cotitular, restaram os seguintes depósitos não comprovados: Entendeu a DRJ de origem pela análise do quadro acima nos mostra, todavia, que a soma dos créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 é igual a R$ 38.508,44, que é inferior a limite de R$ 80.000,00 estabelecido no art. 42, § 3°, II, da Lei n° 9.430/1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481/1997. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 879 19 Por tais razões, compreendeu a DRJ que tais créditos, portanto, devem ser excluídos da relação de depósitos bancários com origem não comprovada, que fica, assim, reduzida aos seguintes depósitos: O entendimento exarado pela DRJ de origem está em perfeito consonância com a Súmula nº 61 do CARF que assim dispõe: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Deste modo, não prospera o recurso de ofício quanto a este ponto, também. B.3) Da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas A DRJ de origem assim se manifestou sobre esta matéria: Diversos créditos feitos nas contas correntes n° 758.9591 e 759.3199 da Agência 03841 do Banco Nossa Caixa tiveram sua origem considerada comprovada pela fiscalização, por corresponderem a levantamentos de depósitos judiciais em ações trabalhistas nas quais o impugnante atuou como advogado. Todavia, como, segundo a fiscalização, ele não comprovou o repasse dos valores devidos a diversos de seus clientes, a fiscalização os considerou como omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, conforme detalhado na Planilha A, às fls. 254/270. Já vimos, no tópico anterior, que se deve afastar a alegação da defesa de que houve erro na identificação do sujeito passivo. Não se pode igualmente dar guarida à pretensão de que, para a validade do lançamento, se deveria, também com relação à infração em análise, intimar o cotitular da conta, Sr. Fernando Antônio Mangueira Maia. Ora, as disposições do § 6° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996 dizem respeito ao lançamento de créditos tributários relativos a depósitos bancários com origem não comprovada. O mesmo se diga da Súmula n° 29 do CARF mencionada pelo contribuinte. Não é este o caso. A infração que ora se discute é a omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. E, ainda que tal infração tenha sido apurada mediante o confronto de alguns créditos em contas Fl. 879DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 880 20 correntes e dos repasses feitos aos clientes do impugnante, é preciso lembrar que a origem desses créditos é conhecida, sendo eles provenientes do levantamento de depósitos judiciais. Ora, não havendo dúvidas quanto à origem dos créditos, e não se tratando de lançamento com base na presunção legal de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, não se pode invocar as disposições do § 6° desse artigo. No entanto, tem razão o impugnante ao afirmar que os levantamentos de alguns depósitos judiciais considerados pela fiscalização não foram feitos por ele, mas pelo outro titular da conta. Desta forma, é necessário distinguir os depósitos judiciais levantados em nome do impugnante (Sr. Fabiano Miguel de Oliveira Filho) daqueles levantados em nome do Sr. Fernando Antônio Mangueira Maia, e atribuir ao primeiro a responsabilidade apenas pela omissão de rendimentos relacionadas aos depósitos por ele levantados e não repassados aos clientes. Os depósitos levantados em nome de Fernando Antônio Mangueira Maia e os correspondentes valores sem comprovação de repasse, de acordo com a fiscalização, estão relacionados no quadro abaixo: Portanto, afastase de plano a imputação de omissão de rendimentos pelo Sr. Fabiano Miguel de Oliveira Filho nos valores de R$ 81.132,49 e R$ 74.816,64, relativos aos meses de julho e dezembro de 2005, respectivamente, os quais totalizam R$ 155.949,13. Entendo ser acertada a decisão que desconsiderou como omissão de rendimentos os levantamentos de depósitos judiciais que não foram feitos pelo contribuinte, mas pelo outro titular da conta. Deste modo, os depósitos levantados em nome de Fernando Antônio Mangueira Maia e os correspondentes valores sem comprovação de repasse devem ser afastados da relação de omissão de rendimentos. É necessário distinguir os depósitos judiciais levantados em nome do contribuinte daqueles levantados em nome do cotitular da conta bancária, atribuindo ao primeiro a responsabilidade apenas pela omissão de rendimentos relacionadas aos depósitos por ele levantados e não repassados aos clientes. Assim, não prospera o recurso de ofício quanto a este ponto, também. B.4) Levantamento de depósitos judiciais Por fim, há a questão da imputação de omissão de rendimentos relacionados aos levantamentos de depósitos judiciais em que o próprio contribuinte figura como Fl. 880DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 881 21 procurador. A relação desses depósitos e os valores apurados pela fiscalização são apresentados nos quadros a seguir: A DRJ de origem considerou que sendo tais valores decorrentes da atividade do contribuinte como advogado, constituem eles rendimentos deste último sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, entendendo como comprovados os repasses realizados pelo contribuinte a seus clientes. Assim, pela decisão da DRJ, ficouse com o seguinte quadro relativo à omissão de rendimentos do trabalho relacionadas ao levantamento dos depósitos judiciais: Fl. 881DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 882 22 Entendo que sendo o depósito judicial levantado por advogado e tendo este demonstrado que efetivamente repassou o valor posteriormente a seu cliente, deve o valor repassado ser excluído da relação de omissão de rendimentos. Portanto, não merece acolhimento o recurso de ofício quanto a esta matéria. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares 1. Sigilo bancário Alega a Recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. 2. Alegações de inconstitucionalidade Conforme acima mencionado, nos termos da Súmula CARF nº 02,o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula Fl. 882DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 883 23 vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. Mérito I. Depósitos bancários Depósitos bancários com origem não comprovada: R$ 462.023,05 A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 884 24 Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Os documentos anexados em impugnação não são suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados, a exceção dos já excluídos do lançamento pela DRJ. Assim, persistiu sem comprovação de origem os seguintes depósitos: Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Portanto, não comprovada a origem dos depósitos bancários, deve ser mantido o lançamento. Especificamente, quanto ao pedido de exclusão da base de cálculo do imposto dos valores de honorários advocatícios declarados na DIRPF 2006, o recorrente alega que informou, na DIRPF 2006 (fls. 61/66), R$ 892.144,82 de honorários advocatícios recebidos das fontes pagadoras Departamento de Águas e Energia Elétrica, 13a Vara da Fazenda Pública e Departamento de Estradas e Rodagem, bem como de pessoas físicas. Acrescenta que tais valores certamente foram recebidos por meio de crédito em conta bancária do contribuinte, razão pela qual deveria a autoridade fiscal localizar tais créditos e excluílos da base de cálculo da autuação, sob pena de cobrança em duplicidade. Entendeu a DRJ que ainda que se admita que os honorários advocatícios declarados tenham sido recebidos por meio de depósitos bancários nas contas investigadas, não teria como afirmar que os créditos foram efetuados nas contas correntes de uso exclusivo do recorrente, e não nas contas conjuntas, cujos depósitos, como vimos na análise das questões preliminares, já foram todos excluídos pela DRJ. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 885 25 Ademais, os depósitos cuja origem permanece não comprovada atinge o montante de R$ 462.023,05, valor esse bem inferior aos R$ 892.144,82 que o recorrente pretende excluir. Assim, se parte dos rendimentos declarados pelo recorrente foram recebidos por meio de alguns dos depósitos bancários acima relacionados como sendo de origem não comprovada, cabe a ele apresentar prova disso, uma vez que, nos extratos bancários apresentados, não há nenhuma evidência disso. II. Da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício: R$ 1.558.859,57 A DRJ afastou de plano a imputação de omissão de rendimentos pelo Sr. Fabiano Miguel de Oliveira Filho nos valores de R$ 81.132,49 e R$ 74.816,64, relativos aos meses de julho e dezembro de 2005, respectivamente, os quais totalizam R$ 155.949,13. Resta, ainda, a discussão acerca da imputação de omissão de rendimentos relacionados aos levantamentos de depósitos judiciais em que o próprio impugnante figura como procurador. A DRJ considerou que houve omissão de rendimento quanto ao levantamento dos seguintes depósitos judiciais: Assim, entendo como correta a autuação que considerou que sendo tais valores decorrentes da atividade do contribuinte como advogado, constituem eles rendimentos deste último sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. O contribuinte não conseguiu, em recurso voluntário, apresentar prova hábil e idônea para afastar o lançamento por omissão de rendimento, logo, deve ser mantido o lançamento. Conforme já referido, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. III. Multa isolada. Concomitância com multa de ofício. De início, importa referir que o exercício objeto do lançamento é o do ano de 2006, sendo, portanto a referida multa isolada aplicada antes da entrada em vigor da Lei nº 11.488/07. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 886 26 Pois bem. Quanto a questão da multa isolada, aplicada no percentual de 50%, calculada com base no art. 44, §1º, alínea "a", da Lei nº 9.430/96. Insurgese o contribuinte pela impossibilidade de concomitância com a multa de ofício, aplicada com base no art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430/96, nos percentuais de 75% e 150%. Em concomitância, a seguinte multa isolada aplicada foi igualmente aplicada sobre a mesma base de cálculo. Acrescento que esta matéria encontrase inclusive com jurisprudência neste sentido da 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa de acórdão abaixo: IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão n° 920200.883, sessão de 11/05/2010). Ainda, mais recentemente, a 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais se manifestou no mesmo sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão 9202003.552, sessão de 28/01/2015) Deste modo, entendo por cancelar a multa isolada por aplicação concomitante com multa de oficio. IV. Juros de mora sobre a multa de ofício Discorda a recorrente da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, os quais pede, caso não seja cancelado o crédito tributário, sejam excluídos. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 887 27 Este Conselho já apreciou a presente matéria, no Acórdão nº 110200.060 (julgado na sessão de 28/08/2009), a Conselheira Sandra Maria Faroni, bem sintetiza o argumentação que permite a conclusão não incidência dos juros sobre a multa de ofício, vejamos: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há Fl. 887DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 888 28 dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” A fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008). Inclusive há decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo Acórdão 910100.722 (1a. Turma da CSRF), julgado na sessão de 8 de novembro de 2010, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. A fundamentação do referido acórdão da 1a. Turma da CSRF é de que a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão é de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 889 29 Por tais razões, afasto a incidência dos juros aplicáveis sobre a multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, rejeito as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) cancelar a multa isolada por aplicação concomitante com multa de oficio; e b) afastar o juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Em que pese o bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro Martin da Silva Gesto, peço vênia para divergir, tão somente em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Sobre essa questão, entendo que o §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao se referir aos juros incidentes sobre os débitos para com a União, incluiu o tributo e a multa de ofício, pois a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: Fl. 889DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 890 30 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. (Acórdão nº 9202001.806, data de publicação: 29/11/2011, relator: Gustavo Lian Haddad, redator designado: Elias Sampaio Freire). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.191, data de publicação: 17/10/2011, relatora: Karem Jureidini Dias, redator designado: Claudemir Rodrigues Malaquias). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101000.539, data de publicação: 02/07/2014, relator: Valmir Sandri, redatora designada: Viviane Vidal Wagner). No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem firmado entendido de que são devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende das ementas abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 19515.004165/201069 Acórdão n.º 2202003.690 S2C2T2 Fl. 891 31 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (grifei) (REsp nº 1.129.990PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 1º/09/2009). Portanto, é de se subsistir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a multa isolada por aplicação concomitante com a multa de oficio. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 891DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.722552/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 11/08/2009, 10/04/2012
MULTA POR DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO EM IMPORTAÇÃO. APLICAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CARACTERIZAR O FATO COMO FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO.
Na aplicação da multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado, prevista no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, é indiferente se houve fraude, sonegação ou conluio.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 11/08/2009 a 10/04/2012
MULTA DE 1% (UM POR CENTO) POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA.
É devida a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria prevista no artigo 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, quando a mercadoria for classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria.
MULTA DE 1% (UM POR CENTO) POR OMISSÃO OU INCORREÇÃO DE INFORMAÇÃO NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 69, § 2º, DA LEI Nº 10.833/03. ARTIGO 711 DO REGULAMENTO ADUANEIRO.
É devida a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, por ausência de informação do produtor/fabricante e respectivo endereço nas Declarações, informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, nos termos do artigo 69, § 2º, da Lei nº 10.833/03.
Numero da decisão: 3401-003.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira (relator), que afastava a aplicação da multa prevista no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória no 2.158-35/2001, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. O Colegiado reconheceu, por unanimidade, de ofício, que deve ser excluída da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-importação a parcela referente ao ICMS e ao valor das próprias contribuições.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/08/2009, 10/04/2012 MULTA POR DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO EM IMPORTAÇÃO. APLICAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CARACTERIZAR O FATO COMO FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO. Na aplicação da multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado, prevista no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, é indiferente se houve fraude, sonegação ou conluio. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 11/08/2009 a 10/04/2012 MULTA DE 1% (UM POR CENTO) POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. É devida a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria prevista no artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, quando a mercadoria for “classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria”. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) POR OMISSÃO OU INCORREÇÃO DE INFORMAÇÃO NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 69, § 2º, DA LEI Nº 10.833/03. ARTIGO 711 DO REGULAMENTO ADUANEIRO. É devida a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, por ausência de informação do produtor/fabricante e respectivo endereço nas Declarações, informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, nos termos do artigo 69, § 2º, da Lei nº 10.833/03. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 25 52 /2 01 3- 74 Fl. 948DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira (relator), que afastava a aplicação da multa prevista no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. O Colegiado reconheceu, por unanimidade, de ofício, que deve ser excluída da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação a parcela referente ao ICMS e ao valor das próprias contribuições. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo ora em julgamento decorre de Fiscalização, no bojo da qual foram constatadas as seguintes infrações: "Declaração Inexata do Valor da Mercadoria (Valor de Transação Incorreto); Omissão ou Prestação Inexata de Informação de Natureza AdministrativoTributária ou Comercial; e Mercadoria Classificada Incorretamente na NCM – Nomenclatura Comum Do Mercosul". Em conseqüência, foram lançadas "as diferenças de tributos apuradas acrescidas de multa de ofício e juros, a multa regulamentar de 1% sobre o Valor Aduaneiro, e a multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado". (fls. 659) Com relação à declaração inexata do valor da mercadoria, a Fiscalização constatou que nas operações de importação realizadas pelo contribuinte diretamente com o fornecedor de produtos de informática estrangeiro denominado Corsair não havia discrepância de preço, se comparadas com operações de importação realizadas por outros contribuintes nacionais com esse mesmo fornecedor. Porém, a partir de determinada operação de importação, registrada em 12/01/2010, sob a Declaração de Importação nº 10/00586725, o contribuinte passou a adquirir mercadorias de outro fornecedor no exterior, denominado Atas. A partir de então, os preços Fl. 949DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 949 3 declarados passaram a ser significativamente menores que os declarados por outros importadores. Segundo o Relatório Fiscal, às fls. 669: "Constatamos que a diferença entre os preços declarados pela INF SITE e os declarados por outros importadores são, na grande maioria dos casos, SUPERIORES A 100% (CEM POR CENTO), atingindo o patamar máximo de 382,78%. A INF SITE importou da ATAS basicamente produtos de informática, tais como: placamãe, placa de memória, fonte de alimentação, cooler, monitor, placa de vídeo, gabinete e mouse. Ao fornecer esses produtos a preços tão vantajosos, seria natural que a ATAS ampliasse seu rol de clientes no Brasil, mas não foi isso que aconteceu. Não encontramos nenhum outro contribuinte nacional que tenha importado esses mesmos produtos da ATAS". Com isso, a Fiscalização realizou análises adicionais sobre os preços das mercadorias importadas pelo contribuinte e, em 10/05/2012, compareceu ao estabelecimento do contribuinte, para dar início a ação fiscal, intimando o contribuinte a apresentar documentos e esclarecimentos sobre as operações de importação sob análise (fls. 0204). O contribuinte apresentou resposta na petição de fls. 1920 dos autos, merecendo destaque os seguintes questionamentos e respostas, além de consideração feita pela Fiscalização a respeito: "14 Contrato de Compra e Venda com o exportador estrangeiro relativo às mercadorias importadas por meio das DIs relacionadas. RESPOSTA: “Referente ao item 14 – Contrato de Compra e Venda com o exportador, a empresa não possui estes documentos. Nas operações não existiam contratos formais de compra e venda. As tratativas negociais eram feitas por meio de telefonemas, ou em tempo real com programas de comunicação (MSN ou Skype). Além do que, algumas das negociações eram realizadas por meio de empresas intermediárias responsáveis por buscar o melhor preço, produtos junto das empresas fabricantes ou fornecedores”. 15 Correspondências trocadas com o exportador estrangeiro relativas às negociações das mercadorias importadas por meio das DIs relacionadas (para verificação, por exemplo, de existência de descontos). RESPOSTA: “Referente ao item 15 – Correspondências trocadas com o exportador, não temos estes documentos. Não há troca de correspondência. A empresa nunca recebeu catálogos, folders ou qualquer outro meio de divulgação de produtos. Tais eram procurados via internet ou então eram indicados por pessoas que trabalham no mesmo ramo de atividade”. Nesse ponto frisamos que a ATAS sequer possui site de vendas na internet, algo incomum para os ditames do comércio atual. Outro ponto a se destacar é o fato de não haver troca de correspondências com o exportador. A INF SITE Fl. 950DF CARF MF 4 também não informou quem seriam essas “pessoas” que indicavam os produtos. 16 Lista oficial de preços do Exportador estrangeiro. RESPOSTA: “Referente ao item 16 – Lista Oficial de preços do exportador: não temos este documento. As cotações eram feitas via internet e também por meio de empresas intermediárias que se responsabilizam por fazer as cotações em diversas empresas no exterior. Assim o fechamento do preço se dava por menor preço das mercadorias encontradas. Era a empresa intermediária que entrava em contato com o exportador, negociava os preços, forma de pagamento e depois os repassava para a empresa”. (fls. 673) Após, o contribuinte foi intimado novamente, em termo em que a Fiscalização faz "algumas considerações, inclusive a de que outros importadores declaravam valores três vezes maiores que suas importações", e solicita esclarecimentos (fls. 492 a 494), tendo a resposta sido apresentada conforme fls. 495496. Abaixo, destaco novamente os questionamentos e respostas que me parecem mais relevantes: 1 Existe vinculação entre as empresas INF SITE e ATAS? Havendo vinculação, tal fato afetou o preço das mercadorias? RESPOSTA:“Não, a não ser, relação comercial.” 7 Existe entre a INF SITE e a ATAS algum contrato de fornecimento? Abrangendo quais mercadorias? RESPOSTA:“Não existe contrato formal firmado. A empresa ATAS atende as solicitações à medida dos pedidos feitos pela Infsite”. 8 As importações foram mediadas, no Brasil ou no exterior, por algum agente ou corretor? Caso positivo, EXPLICAR DETALHADAMENTE como opera este agente ou corretor, COMO são fixadas as comissões ou corretagens, e QUEM as pagou. RESPOSTA: “Não há agente comissionado.” 7 Houve nas importações de mercadorias da ATAS algum benefício de desconto? De quanto? Qual a razão? RESPOSTA: “Não houve benefício concedido. Os preços foram estipulados pela empresa ATAS e pagos pela Infsite”. 9 Como foram negociados os valores de cada importação (por email, fax, telefone, etc)? RESPOSTA: “As negociações foram mantidas pela internet por meio dos programas chamados Skype ou MSN, por meio de digitação ou conferência”. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 950 5 10 Apresentar documentos/correspondências/elementos que embasaram as negociações de valores de cada processo de importação. RESPOSTA: “Em razão do tipo de negociação explicada no item anterior, os documentos solicitados inexistem. Informa que os valores pagos estão registrados nas DI’s, bem como, relacionados nos contratos de câmbio.” 11 Esclarecer/justificar as razões para que os valores declarados nas suas importações, ONDE O EXPORTADOR É A EMPRESA ATAS, sejam tão inferiores às importações de MERCADORIAS IDÊNTICAS, ADQUIRIDAS DO MESMO PAÍS DE EXPORTAÇÃO, efetuadas por outros importadores nacionais de outros fornecedores. RESPOSTA: “A empresa Infsite não sabe informar. Tal solicitação deve ser feita junto ao exportador, pois a Infsite desconhece os mecanismos internos da empresa ATAS, como por exemplo, compra em grande quantidade; aquisição direta do fabricante, compra de ponta de estoque, enfim, várias formas.” b) Apresentar os documentos de exportação das mercadorias no exterior (Declaração de Exportação registrada na Aduana do país exportador), relativamente às Declarações de Importação constantes do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Lembramos que tais documentos JÁ FORAM ANTERIORMENTE SOLICITADOS no Termo de Início do Procedimento Fiscal datado de 07/05/12, E REITERADOS por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 0002, datado de 18/09/12. RESPOSTA: “A empresa já diligenciou junto ao exportador para obter os documentos referidos neste item. Ocorre que, foi informado para a empresa que serão enviados documentos relativos aos últimos 12 meses, pois a empresa exportadora, segundo informações de seu funcionário, não está obrigada a guardar documentos superiores a esta data.” (fls. 674676) Nessa etapa, a Fiscalização chegou a algumas conclusões mais firmes sobre o valor declarado nas operações de importação do contribuinte, emitindo uma última notificação para dar ciência ao contribuinte de suas conclusões, oportunizando, ainda, uma derradeira chance de apresentação de documentos e informações para fundamentar o valor por ele adotado. O contribuinte, todavia, quedouse inerte. Nos termos do Relatório Fiscal: "Diante dos vários indícios e questionamentos o importador não logrou, em nenhum momento, apresentar documentação complementar ou esclarecimentos que demonstrassem, de forma inequívoca, que o preço por ele declarado corresponde a uma transação comercial normal não influenciado por vinculações, condições ou contraprestações, nem viciada por fraude, levando a fiscalização a concluir que os preços declarados não merecem fé. Seguindo os princípios estabelecidos no Acordo, emitimos a Notificação (fls. 502 a 503) cientificando a INF SITE de que o valor de transação declarado Fl. 952DF CARF MF 6 não foi aceito, facultandolhe a apresentação de documentos/esclarecimentos adicionais que pudessem, eventualmente, reverter essa tese. Contudo, decorrido o prazo estabelecido na Notificação, a INF SITE não se manifestou". (fls. 680) Diante disso, a Fiscalização concluiu por não aceitar o valor aduaneiro declarado pelo contribuinte, elencando às fls. 680681 dos autos os fundamentos que levaram a essa decisão: "1 quando importados diretamente da CORSAIR, que é também fabricante de vários produtos, os preços declarados pela INF SITE se mostraram compatíveis com o de outros importadores nacionais; 2 a partir do momento em que passou a importar da ATAS, os preços declarados apresentaram discrepâncias injustificadas em relação aos preços declarados por outros importadores nacionais para mercadorias idênticas; 3 a INF SITE declarou que não houve nenhum benefício de desconto nas negociações que justificasse preços tão baixos; 4 a INF SITE declarou não possuir contrato de compra e venda e nem correspondências trocadas com o exportador que embasaram as negociações de valores dos processos de importação; 5 perguntado no Termo de Intimação Fiscal nº 0003 se as importações foram mediadas por algum agente ou corretor, respondeu que NÃO (fls. 495 a 496). No entanto, em resposta aos itens 14 e 16 (fls. 19 a 20) do Termo de Início do Procedimento Fiscal, afirmou que “Além do que, algumas das negociações eram realizadas por meio de empresas intermediárias responsáveis por buscar o melhor preço, produtos junto das empresas fabricantes ou fornecedores” e que “As cotações eram feitas via internet e também por meio de empresas intermediárias que se responsabilizam por fazer as cotações em diversas empresas no exterior. Assim o fechamento do preço se dava por menor preço das mercadorias encontradas. Era a empresa intermediária que entrava em contato com o exportador, negociava os preços, forma de pagamento e depois os repassava para a empresa.” 6 as Export Declaration relativas aos últimos 12 meses, que declarou que seriam enviadas, nunca foram apresentadas à fiscalização; 7 nenhum outro contribuinte nacional importou da ATAS produtos de informática dos tipos importados pela INF SITE, apesar de os preços da ATAS serem bem convidativos; 8 a ATAS sequer possui endereço na internet para divulgação de seus produtos, algo incomum e raro em tempos de globalização, especialmente tratandose de empresa que realiza exportações, colocando sob suspeição as operações envolvendo essa empresa; 9 a diferença entre os preços declarados pela INF SITE e os de outros importadores nacionais chegam, na grande maioria dos casos, a mais de 100%, atingindo o patamar máximo de 382,78%, sem qualquer justificativa plausível para tamanha discrepância; Fl. 953DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 951 7 10 não se trata de inversão do ônus da prova, pois conforme disposto no próprio AVA, a administração aduaneira tem o direito de se assegurar da exatidão do valor aduaneiro declarado quando houver dúvidas fundamentadas, cabendo ao importador a comprovação desse valor, seja por meio de esclarecimentos, seja apresentando documentação complementar de cunho comercial". Nessa etapa, atentem i. Conselheiros para o rumo que a Fiscalização tomou, pois será relevante para a análise que será realizada mais a frente. Em razão da nãoaceitação do valor declarado nas operações de importação pelos fundamentos que acabam de ser expostos, a Fiscalização apurou um novo preço das mercadorias, com base no Acordo de Valoração Aduaneira, conforme a seguir: "1 descaracterizado o valor de transação declarado (1º método), foi utilizado o método subseqüente, qual seja, o valor de transação de mercadorias idênticas; 2 consoante o disposto no parágrafo 3 do Artigo 2 do Acordo, quando encontrado mais de um preço de mercadorias idênticas, o mais baixo deles foi adotado; 3 Para cada produto foi construída uma tabela indicando a Declaração da INF SITE e as Declarações que serviram de paradigmas na apuração do NOVO PREÇO UNITÁRIO; 4 o NOVO Valor Aduaneiro de cada adição foi determinado da seguinte forma: Valor Aduaneiro declarado + (NOVO Preço Unitário apurado – Preço Unitário declarado) x quantidade; 5 A apuração do NOVO Preço Unitário foi efetuada analisando cada Declaração de Importação isoladamente, produto por produto;" Com isso, elaborou a tabela de fls. 771 e seguintes, com a coluna "novo valor aduaneiro", que serviu de base de cálculo para o Imposto de Importação ("II"), e a coluna "Diferença Apurada", que serviu de base para a aplicação da multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o valor declarado e o efetivamente praticado, lançados no Auto de Infração lavrado ao final da Fiscalização. Além da nova apuração do valor aduaneiro, a Fiscalização verificou que o contribuinte omitiu ou prestou de forma incorreta o nome fabricante, em determinadas Declarações de Importação. De acordo com o Relatório Fiscal: "A ATAS, informada como fabricante, é na realidade uma empresa comercial, e não produz as mercadorias por ela exportadas. Os nomes dos reais fabricantes das mercadorias foram obtidos em pesquisas realizadas na internet. Ressaltamos que a procura pelos reais fabricantes não era de todo necessária, uma vez que a simples declaração incorreta do fabricante, ou sua omissão, já é suficiente para caracterizar a infração". Outra infração apontada pela Fiscalização foi a incorreta classificação fiscal de três tipos de mercadorias importadas pelo contribuinte, "fontes de alimentação", "placas mãe" e "placas de memória", em determinadas operações de importação. Fl. 954DF CARF MF 8 Conforme consta no auto de infração lavrado, às fls. 508: "O importador INF SITE, por meio das Declarações de Importação abaixo relacionadas submeteu a despacho as seguintes mercadorias: Fontes de Alimentação, classificandoas nos códigos 8473.30.42, 8473.50.90 e 8504.31.11; Placasmãe, classificandoas no código 8473.30.42; e Placas de Memória, classificandoas no código 8504.31.11. Ocorre que tais mercadorias devem ser classificadas da seguinte maneira: as Fontes de Alimentação, no código 8504.40.90; as Placasmãe, no código 8473.30.41; e as Placas de Memória, no código 8473.30.42". Em decorrência das infrações narradas, como já adiantado, foram lançadas: (i) as diferenças dos tributos incidentes na importação, II, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação ("IPIImportação"), Contribuição para o Programa de Integração Social vinculado à importação ("PISImportação"), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social vinculado à importação ("COFINSImportação"), acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento); (ii) multa pela declaração inexata do valor da mercadoria, com fundamento legal no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, além do artigo 703 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009, "RA") e Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17/2004; (iii) multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, nas Declarações de Importação em que não há ou há informação incorreta do produtor/fabricante, com fundamento legal no artigo 84, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 combinado com artigo 69, parágrafos 1º e 2º, inciso I, da Lei nº 10.833/03; (iv) multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, por erro de classificação fiscal, com fundamento legal no inciso I, do art. 84, da Medida Provisória nº 2.15835/2001; e (v) multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado, com fundamento legal no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001. Em 10/12/2013, conforme fls. 805, o contribuinte foi cientificado do lançamento, que trata de fatos geradores ocorridos entre 11/08/2009 a 10/04/2012, apresentando em 09/01/2014 Impugnação, que foi julgada improcedente, na sessão do dia 16/09/2014, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife ("DRJ"), em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 11/08/2009 a 10/04/2012 Confisco. Vedação Constitucional A vedação ao confisco prevista na CF é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a produção da norma legal, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar à obrigação tributária a conotação de confisco. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa fiscal aplicála, sem espaço para exercer qualquer discricionariedade, e independentemente dos efeitos que se produzam, por ser o lançamento uma atividade vinculada. É de se presumir, contudo, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro dos limites constitucionais confirmados pelos crivos dos Poderes Legislativo e Executivo. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 952 9 Subfaturamento. Fraude. Multa administrativa. Na ocorrência de infração administrativa ao controle das importações, nos termos do art. 88, parágrafo único, da MP nº 2.15835, de 2001, e art. 633, inc. I, do Regulamento Aduaneiro, de 2002, cabe a aplicação da multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado. Cálculo de Juro à Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulados mensalmente para fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.95. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 11/08/2009 a 10/04/2012 Classificação incorreta na NCM. Multa proporcional ao valor aduaneiro. Fonte de Alimentação, Placa Mãe e Placa de Memória classificamse nos códigos NCM/TEC e NBM/TIPI 8504.40.90, 8473.30.41 e 8473.30.42, respectivamente, de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nºs 1 e 6 e Regra Geral Complementar (RGC) nº 1. A classificação incorreta das mercadorias na NCM enseja a cobrança da multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 11/08/2009 a 10/04/2012 Fraude no preço praticado na importação. Majoração da base de cálculo. Reclassificação das mercadorias. Elevação da alíquota do II. Diferença do II a recolher. Multa de ofício. No caso de fraude, em que não for possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo do tributo será determinada mediante arbitramento do preço das mercadorias, com base no critério previsto no art. 88, inc. I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 preço de exportação para o Brasil, de mercadoria idêntica ou similar. Na hipótese de reclassificação das mercadorias submetidas ao arbitramento, aplicarseão as alíquotas do II correspondentes aos códigos para os quais elas foram redirecionadas, devendo ser recolhida a diferença desse tributo, acrescida de multa de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: Período de apuração: 11/08/2009 a 10/04/2012 Fl. 956DF CARF MF 10 Fraude no preço praticado na importação. Majoração da base de cálculo. Reclassificação das mercadorias. Diferença do tributo a recolher. Multa de ofício. No caso de fraude, em que não for possível a apuração dos preços efetivamente praticados nas importações, a base de cálculo do tributo será determinada mediante arbitramento do preço das mercadorias, com base no critério previsto no art. 88, inc. I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 preço de exportação para o Brasil, de mercadoria idêntica ou similar. Na hipótese de reclassificação das mercadorias submetidas ao arbitramento, aplicarseão as alíquotas do IPI correspondentes aos códigos para os quais elas foram reposicionadas, devendo ser recolhida a diferença desse tributo, acrescida de multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 11/08/2009 a 10/04/2012 Fraude no preço praticado na importação. Majoração da base de cálculo. Reclassificação das mercadorias. Diferença da Contribuição Social a recolher. Multa de ofício. Alterada a base de cálculo dos tributos e reclassificadas as mercadorias, deverá ser recolhida a diferença do PIS/Pasep, acrescida de multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fraude no preço praticado nas importações. Majoração da base de cálculo. Reclassificação das mercadorias. Diferença da Contribuição Social a recolher. Multa de ofício. Período de apuração: 11/08/2009 a 10/04/2012 Alterada a base de cálculo dos tributos e reclassificadas as mercadorias, deverá ser recolhida a diferença do PIS/Pasep, acrescida de multa de ofício". O contribuinte, ora Recorrente, tomou ciência dessa decisão em 15/10/2014, conforme documento de fls. 914, e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, conforme fls. 915, pelo qual pede a extinção do lançamento tributário, pelos seguintes motivos: (i) a fiscalização teria se valido de presunções para realizar o lançamento e, em se tratando de direito administrativo, não se admitiria a presunção e a inversão do ônus da prova; não teria restado comprovado o fato jurídico tributário; caberia à Fiscalização comprovar a divergência entre a "Export Declaration" e a Declaração de Importação e não ao contribuinte; a interpretação correta seria que a "Export Declaration" seria a prova cabal que deve ser apresentada pelo Fisco de que o contribuinte efetivamente subvalorizou as mercadorias importadas; (ii) haveria ofensa ao princípio da verdade material, pois o Fiscal não teria obtido sucesso na demonstração de suas alegações, pois não teria conseguido comprovar que os valores declarados pelo contribuinte nas Declarações de Importação configurou omissão de informação ou subvaloração; (iii) ofensa ao princípio da moralidade; (iv) existiria vício insanável no lançamento tributário, (v) inconstitucionalidade das multas aplicadas, nos percentuais de 100% (cem por cento), e de 75% (setenta e cinco por cento), por terem caráter confiscatório; (vi) haveria ofensa ao princípio da isonomia na cominação da multa de 1% (um Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 953 11 por cento) sobre o valor aduaneiro, em razão de omissão ou prestação de informação incorreta; e (vii) seria inaplicável a taxa SELIC sobre os débitos tributários. Em seguida, os autos do processo foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria, em sessão ocorrida no dia 17/03/2016. É o relatório. Voto Vencido Ementa do Voto Vencido: "DISTINÇÃO ENTRE SUBVALORAÇÃO E SUBFATURAMENTO. No curso do procedimento de Fiscalização, a autoridade aduaneira poderá entender que há apenas uma subvaloração nas operações de importação, com atribuição diferente do real, hipótese na qual, deverá apurar um novo valor aduaneiro, para cobrança dos tributos devidos, adotando para tanto as normas dispostas no Acordo de Valoração Aduaneira, conforme previsto no artigo 84 do RA. Na hipótese em que a autoridade aduaneira entender que está diante de uma conduta mais grave por parte do importador e que, nas operações de importação fiscalizadas, há fraude e/ou simulação, com a prática de atos que importem subfaturamento ou que configurem dano ao erário, como a ocorrência de interposição fraudulenta, deverá caracterizar a ocorrência da infração, que poderá levar, no caso de dano ao erário, à aplicação de pena de perdimento, e no caso de subfaturamento, à aplicação de multa de 100% (cem por cento) do valor da diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado na importação, quando a prova colhida na Fiscalização permitir que se chegue a esse valor, ou na sua impossibilidade, entre o preço declarado e o que for apurado, não com base no artigo 84 do RA, mas por arbitramento, pelo disposto no artigo 86 do RA. O Acordo de Valoração Aduaneira não foi idealizado para aplicação em operações fraudulentas, que tem tratamento específico pela legislação de cada país, encontrandose, no Brasil, disciplinada no artigo 86 do RA. SUBVALORAÇÃO. SUBFATURAMENTO. MULTA DE 100% (CEM POR CENTO) PREVISTA NO ARTIGO 88 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/2001 Nos termos do caput do artigo 88 e de seu parágrafo único, nos casos de fraude, sonegação ou conluio, duas hipóteses podem ocorrer: (i) a Fiscalização poderá obter todos os elementos de prova para determinar o preço efetivamente praticado na operação de importação (quando, por exemplo, é capaz de levantar correspondências, contratos, provas de pagamentos, em que demonstre o preço efetivamente praticado, diverso do declarado às autoridades aduaneiras); ou (ii) a Fiscalização logra juntar Fl. 958DF CARF MF 12 documentação suficiente para provar a fraude, porém, não detém elementos suficientes para se chegar ao preço efetivamente praticado, hipótese na qual deverá arbitrar o preço da mercadoria. Nessas duas hipóteses, posto que configurada fraude, sonegação ou conluio, deve ser cominada a penalidade prevista no parágrafo único, tenha o preço sido arbitrado ou não. Esse, portanto, o sentido de se mencionar que a base de cálculo da penalidade, além da diferença “entre o preço declarado e o preço arbitrado”, será a diferença “entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado”, conforme o caso. A penalidade prevista no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 é aplicável apenas quando ficar caracterizada a fraude ideológica que permite a prática do subfaturamento, sendo descabida nos casos de subvaloração". Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da nova apuração dos valores declarados na operação de importação Subvaloração e Subfaturamento Nas operações de importação, o valor aduaneiro da mercadoria é base de cálculo do II e também do IPIImportação, PISImportação, COFINSImportação e ICMS, sendo obtido a partir das normas previstas no Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994. Esse Acordo prevê 6 (seis) diferentes métodos para a apuração do valor aduaneiro. Deve ser adotado preferencialmente o valor aduaneiro previsto no Artigo 1, que “será o valor da transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8”. Porém, caso não seja possível a aplicação do preferencial valor da transação, o Acordo determina que o valor aduaneiro seja apurado pelos 6 (seis) métodos substitutivos previstos nos Artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º e 7º do Acordo, de forma sucessiva, até que se chegue ao primeiro método capaz de determinar o valor aduaneiro. Quando o importador declara um valor aduaneiro inferior ao valor aduaneiro declarado em outras operações de importação de mercadorias idênticas ou similares, realizadas por ele ou por outros importadores, tal fato não levará necessariamente a não aceitação do valor aduaneiro pela autoridade aduaneira do país de importação, mas, por outro lado, não impede que a autoridade aduaneira tome medidas para verificação da veracidade e exatidão de quaisquer elementos envolvidos na operação de importação. Nesse sentido, é a orientação da Opinião Consultiva nº 2.1 do Comitê Técnico de Valor Aduaneiro, da Organização Mundial de Aduanas (“OMA”), que consta no Anexo Único da Instrução Normativa SRF nº 18/2003: “OPINIÃO CONSULTIVA 2.1 ACEITABILIDADE DE UM PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS 1. Foi formulada a questão acerca da Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 954 13 aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da aplicação do Artigo 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira examinou esta questão e concluiu que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não poderia ser motivo para sua rejeição para os fins do Artigo 1, sem prejuízo, no entanto, do estabelecido no Artigo 17 do Acordo”. (grifos nossos) Por oportuno, o Artigo 17 do Acordo estabelece que: “Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira”. Assim, no Brasil, o RA prevê em seu artigo 76 que: “Art. 76. Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira”. Nesse procedimento de controle, a autoridade aduaneira abre a oportunidade de o importador apresentar documentos e informações que justifiquem o valor de transação declarado, sendo certo que cabe ao importador, nos termos do artigo 18 do RA, a manutenção, pelo prazo decadencial, de uma série de documentos relativos às operações que realiza. É ler: “Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1o Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1o)”. Dessa maneira, caso o importador (i) não apresente qualquer documento e/ou informação relevante ou (ii) tal documento/informação seja insuficiente para amparar as operações realizadas e a autoridade aduaneira entenda que existem motivos para duvidar do valor declarado, ela poderá decidir pela não aceitação do valor aduaneiro considerado pelo importador, o que deve ser feito de forma fundamentada, com as explicações e provas pertinentes, seguindo o disposto no artigo 82 do RA, in verbis: “Art. 82. A autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 17, aprovado pelo Fl. 960DF CARF MF 14 Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994): I houver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor; e II as explicações, documentos ou provas complementares apresentados pelo importador, para justificar o valor declarado, não forem suficientes para esclarecer a dúvida existente. Parágrafo único. Nos casos previstos no caput, a autoridade aduaneira poderá solicitar informações à administração aduaneira do país exportador, inclusive o fornecimento do valor declarado na exportação da mercadoria”. Nessa hipótese, uma vez não sendo aceito o valor aduaneiro declarado pelo importador, duas possibilidades se abrem para a autoridade aduaneira, no curso da Fiscalização. Pelo trabalho realizado até então, intimações ao importador, respostas do importador com documentos e informações sobre as operações de importação realizadas, comparação entre os valores aduaneiros declarados nas operações de importação do contribuinte fiscalizado com outras operações de importação, do mesmo contribuinte ou de outros contribuintes, dentre outras atividades no curso da fiscalização, poderá a autoridade aduaneira entender que há apenas uma subvaloração nas operações de importação, com atribuição de valor diferente do real, hipótese na qual, deverá apurar um novo valor aduaneiro, para cobrança dos tributos devidos, adotando para tanto as normas dispostas no Acordo de Valoração Aduaneira, conforme previsto no artigo 84 do RA, abaixo: “Art. 84. O valor aduaneiro será apurado com base em método substitutivo ao valor de transação, no caso de descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos comprobatórios da relação comercial ou aos respectivos registros contábeis, quando houver dúvida sobre o valor aduaneiro declarado (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso I, alínea “a”)”. Por outro lado, a autoridade aduaneira poderá entender que está diante de uma conduta mais grave por parte do importador e que, nas operações de importação fiscalizadas, há fraude e/ou simulação, com a prática de atos que importem subfaturamento ou que configurem dano ao erário, como a ocorrência de interposição fraudulenta. Nesse caso, deverá caracterizar a ocorrência da infração, que poderá levar, no caso de dano ao erário, à aplicação de pena de perdimento, e no caso de subfaturamento, à aplicação de multa de 100% (cem por cento) do valor da diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado na importação, quando a prova colhida na Fiscalização permitir que se chegue a esse valor, ou na sua impossibilidade, entre o preço declarado e o que for apurado, não com base no artigo 84 do RA, mas por arbitramento, pelo disposto no artigo 86 do RA, a seguir: “Art. 86. A base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria nas seguintes hipóteses: Fl. 961DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 955 15 I fraude, sonegação ou conluio, quando não for possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, caput); e II descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras, quando existir dúvida sobre o preço efetivamente praticado (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “a”). Parágrafo único. O arbitramento de que trata o caput será realizado com base em um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “a”): I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado ainda o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado”. Isso porque, o Acordo de Valoração Aduaneira não foi idealizado para aplicação em operações fraudulentas. Nesse tipo de operação, não há que se falar em valor aduaneiro de mercadoria, pois cada país estabelece em sua legislação o tratamento a ser dado e a forma de determinação do valor a ser considerado para a mercadoria importada, para fins de cobrança dos tributos. No Brasil, a forma de apuração desses valores se encontra no supracitado artigo 86 do RA. Por esse motivo, a Instrução Normativa SRF nº 327/2003, que estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada, afirma em seu artigo 38: “Art. 38. O disposto nesta norma não se aplica aos casos em que se verifique elemento indiciário de fraude, sonegação ou conluio, envolvendo o valor aduaneiro declarado, hipótese em que serão adotados, pela autoridade aduaneira da unidade da SRF que identificar o fato, os procedimentos especiais de controle aduaneiro previstos na legislação específica”. Análise do caso concreto Esse, portanto, o motivo para o destaque no Relatório a respeito do rumo que tomou a Fiscalização. Como se verifica do exame do Relatório Fiscal, após a Fiscalização não aceitar o valor aduaneiro declarado pelo ora Recorrente e apresentar a decisão fundamentada a que faz referência o artigo 82 do RA, ela procedeu à nova apuração de um “valor aduaneiro” seguindo exatamente as normas do Acordo de Valoração Aduaneira. Fl. 962DF CARF MF 16 Para que não restem dúvidas, transcrevo abaixo trecho em que a Fiscalização explicita a forma de apuração do novo valor aduaneiro, às fls. 681682 dos autos: “O Acordo de Valoração prevê que os seis métodos de valoração deverão ser utilizados na seqüência, ou seja, somente na impossibilidade de aplicação do 1º método é que se aplica o 2º, e assim sucessivamente, ressalvando apenas que é facultada ao importador a inversão da ordem de aplicação do 4º e 5º métodos. Pelo Acordo, quando o valor aduaneiro não puder ser determinado de acordo com as disposições do Artigo 1, deveria normalmente haver um processo de consultas entre a administração aduaneira e o importador, com o objetivo de estabelecer uma base de valoração de acordo com o disposto nos Artigos 2 (mercadorias idênticas) ou 3 (mercadorias similares). (...) Como os Artigos 2 e 3 do Acordo somente se aplicam a mercadorias produzidas no mesmo país que as mercadorias objeto de valoração, emitimos o Termo de Intimação Fiscal nº 0004 (fls. 497 a 499) a fim de que o importador informasse o real país de origem dessas mercadorias. A resposta foi que essas mercadorias foram produzidas na CHINA e TAIWAN (fls. 500 a 501). Descaracterizado o valor de transação declarado, aplicamos o 2º método de valoração, ou seja, o valor de transação de mercadorias idênticas. Na aplicação desse método, as mercadorias importadas e as que servirem de paradigmas devem, necessariamente, ter a mesma origem. Esta foi basicamente a razão pela qual emitimos o Termo de Intimação Fiscal nº 0004. Pelo disposto no parágrafo 3 do Artigo 2 do Acordo, quando encontrado mais de um preço de mercadorias idênticas, o mais baixo deles foi utilizado na determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas. Antes da apuração do NOVO PREÇO UNITÁRIO, e consequentemente do Valor Aduaneiro, são necessários alguns esclarecimentos:” E assim realizou a nova apuração dos valores aduaneiros para cada Declaração de Importação, conforme as tabelas que se encontram no Relatório Fiscal às fls. 683 e seguintes. Tratase, dessa maneira, de lançamento decorrente de subvaloração e não de subfaturamento. Apesar disso, na lavratura do Auto de Infração (fls. 523 dos autos), estão apontados como fundamento legal, além do artigo 86, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que corresponde ao artigo 84 do RA, que trata da apuração do valor aduaneiro nos casos de subvaloração, os artigos 88, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e o artigo 70, inciso II, alínea "b", item 2, da Lei nº 10.833/2003, que correspondem ao artigo 86 do RA e tratam do arbitramento do preço, nas hipóteses de fraude e descumprimento do artigo 18 do RA em relação a documento obrigatório, procedimento que não foi feito na Fiscalização. Na decisão recorrida, a nova apuração do valor aduaneiro das mercadorias importadas pela Recorrente foi mantida, em razão da falta de demonstração pela Recorrente de que os valores por ela declarados mereceriam fé, seguindo a decisão recorrida o equívoco, a Fl. 963DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 956 17 meu ver, do fundamento legal apontado no lançamento, ao entender que a “nova apuração” seria, na realidade, um arbitramento, realizado com fundamento no artigo 88, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Vejam abaixo: “Diante dos inúmeros indícios e questionamentos, o importador não logrou, em nenhum momento, durante a investigação e nem em suas razões de defesa, apresentar documentação complementar ou esclarecimentos que demonstrassem, de forma inequívoca, que o preço por ele declarado correspondeu a uma transação comercial normal, não influenciado por vinculações, condições ou contraprestações, nem viciada por fraude, levando à conclusão de que os preços declarados não merecem fé. Ressaltese, ainda, que, cientificada a Inf. Site de que o valor de transação declarado não fora aceito, tendolhe sido facultada a apresentação de documentos/esclarecimentos adicionais que pudessem, eventualmente, reverter essa tese, a empresa não se manifestou, na fase de apuração fiscal e, muito menos, no presente contencioso. Não tendo sido possível a apuração dos preços efetivamente praticados nas importações e comprovada a fraude pela fiscalização, a base de cálculo dos tributos foi determinada mediante arbitramento dos preços das mercadorias, de acordo com o critério previsto no art. 88, inc. I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (preço de exportação para o Brasil de mercadorias idênticas ou similares)” A Recorrente, por sua vez, alega que a fiscalização teria se valido de presunções para realizar o lançamento, não podendo se admitir a inversão do ônus da prova. Além disso, a Fiscalização não teria demonstrado a ocorrência do fato gerador. Com isso, haveria violação ao princípio da verdade material, pois o Fiscal não teria obtido sucesso na demonstração de suas alegações, pois não teria conseguido comprovar que os valores declarados pelo contribuinte nas Declarações de Importação configuraram omissão de informação ou subvaloração. Quanto à não apresentação da "Export Declaration", a Recorrente afirma que caberia à Fiscalização comprovar a divergência entre a "Export Declaration" e a Declaração de Importação e que para provar a subvaloração das mercadorias esse documento deveria ser apresentado pelo Fisco. Nesse ponto, com razão a decisão recorrida. No que se refere às presunções, a Fiscalização não partiu de um fato conhecido para presumir a ocorrência de um fato desconhecido. O procedimento de apuração de novo valor aduaneiro se inicia quando a autoridade aduaneira verifica que os preços declarados são inferiores aos preços declarados em outras operações, com mercadorias idênticas ou similares. Nesse caso, comparando operações realizadas pelo próprio Recorrente com mercadorias idênticas, mas com outro exportador, foi constatado que o valor declarado era significativamente inferior. O mesmo ocorreu pela comparação com operação de importação de mercadorias idênticas realizadas por outros contribuintes, nos quais se encontrou diferenças de até 300% (trezentos por cento). Fl. 964DF CARF MF 18 Portanto, a Fiscalização não se utilizou de presunções para iniciar o procedimento, mas da análise do cotejo entre as declarações de importação apresentadas pelo Recorrente e as declarações apresentadas pelo próprio Recorrente e outros contribuintes para aquelas mesmas mercadorias. Além disso, para que a autoridade aduaneira não aceite o método do valor da transação, é preciso que existam motivos para se duvidar da veracidade e exatidão do preço praticados e que as explicações e documentos apresentados pelo contribuinte não sejam suficientes par esclarecer a dúvida. E esses pressupostos foram perfeitamente preenchidos no presente caso. Diante de uma dúvida legítima da autoridade aduaneira, a Recorrente não apresentou nenhum documento, informação ou explicação que pudesse justificar o preço praticado. Não conseguiu levantar um único elemento de prova sequer para esse fim, alegando que não existia contrato, correspondência, email, nada que pudesse ser apresentado, pois as tratativas eram todas feitas todas na forma não escrita. Além disso, apresentou informações contraditórias, pois ora havia conhecido o exportador por indicação de intermediários do mercado, mas, por outro lado, afirmava que não havia agente comissionado, nem podia indicar quem eram essas pessoas. E tal ausência de justificativa perdurou na fase contenciosa, pois não é trazido pela Recorrente nenhum elemento que justifique o valor aduaneiro praticado e o porquê da divergência entre os valores por ela declarados e os levantados pelo Fisco. Ademais, não é impugnada a forma de apuração do novo valor aduaneiro pela Fiscalização, a correção quanto à escolha do método substitutivo, se foi aplicado corretamente, se as bases de dados utilizadas são cabíveis, enfim, quanto aos novos valores apresentados, não há qualquer contestação por parte da Recorrente. Nesse cenário, tendo sido realizado o procedimento de valoração aduaneira pela Fiscalização dentro das prescrições legais e não havendo qualquer insurgência quanto ao método e cálculo dos novos valores aduaneiros encontrados, não merecem prosperar os argumentos da Recorrente, motivo pelo qual entendo que deve ser mantido o lançamento, na parte que apurou diferença entre os valores declarados e o novo valor aduaneiro apurado na Fiscalização. Da Multa de 100% (cem por cento) prevista no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 Além disso, foi lançada a multa prevista no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 (artigo 703 do RA), que tem a seguinte redação: “Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis”. (grifos nossos) Apoiase o lançamento no entendimento do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17/2004, que afirma que a aplicação da multa independe da caracterização de fraude, sonegação ou conluio. A Recorrente alega a inconstitucionalidade dessa penalidade, por ter caráter confiscatório, que foi mantida pela decisão recorrida, novamente, partindo da premissa de que se estaria diante de um caso de caracterização de fraude, nos termos a seguir: Fl. 965DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 957 19 “Cabe a aplicação dessa multa, uma vez que se caracterizou a previsão contida no art. 88 e parágrafo único da Medida Provisória nº 2.15835/2001: (...) O novo valor aduaneiro apurado foi determinado por arbitramento tendo sido utilizados o preço de exportação para o Brasil de mercadoria idêntica/similar, conforme exaustivamente mostrado no Relatório Fiscal e neste Voto”. No que se refere à alegação da Recorrente, oportuno destacar a Súmula CARF nº 02, pela qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Não obstante, em se tratando de lançamento decorrente de subvaloração em que não foi caracterizada fraude, não há que se falar na aplicação da multa do artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que é reservada aos casos de subfaturamento. Portanto, incorreto o seu lançamento, assim como o entendimento que consta no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17/2004, que lhe dá amparo. Reconhecese que a forma como tal penalidade veio disposta no RA dificulta, em princípio, o trabalho do exegeta, pois o enquanto ao caput do artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 deu origem ao artigo 86, inciso I, do RA, o seu parágrafo único veio a se fixar centenas de dispositivos adiante, no artigo 703 do RA, ainda, com suaves alterações de redação que, contudo, provocam acentuados efeitos para fins de interpretação. Assim, a leitura isolada do 703 do RA (“Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença (...)” poderia levar à interpretação de que tal penalidade se aplica no caso de fraude, sonegação ou conluio relativas ao subfaturamento previsto no caput, quando se aplicaria a multa calculada sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, e também em outras situações, mesmo sem fraude, pela diferença entre o preço declarado e efetivamente praticado. Com isso, admitirseia a aplicação da penalidade no caso ora analisado, de lançamento decorrente de mera subvaloração, em que há atribuição de valor diferente do real, mera declaração inexata, considerando o preço efetivamente praticado como aquele encontrado após a nova apuração do valor aduaneiro, seguindo as normas do Acordo de Valoração Aduaneira. Contudo, essa interpretação não se sustenta, eis que realizada a partir de norma regulamentar, como visto, recortada da Lei e separada do artigo que complementava, com mudança em seu sentido. A respeito da a importância da interpretação das normas, levando em consideração o lugar em que se encontra o texto, Carlos Maximiliano já advertia: “Devese presumir ser a epígrafe oportuno, expressiva, regular; na falta de argumento sólido em contrário, admitese que apenas compreende o objeto exato da norma, e, portanto, serve para deduzir o sentido e alcance desta” 1. Não por outro motivo, o Decreto nº 4.176/2002, que estabelece normas e diretrizes para elaboração de atos normativos de competência do Executivo Federal, determina que, para obtenção de ordem lógica no texto, devese “expressar por meio dos parágrafos os 1 “Hermenêutica e Aplicação do Direito”. Rio de Janeiro. Forense. 2008. P. 217. Fl. 966DF CARF MF 20 aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida”. Assim, enquanto que o caput traz o assunto sobre o qual versa a norma, os parágrafos, incisos e alíneas gravitam em torno dele, contendo os parágrafos subdivisões do assunto do caput, complementando ou explicando o seu enunciado, trazendo exceções à regra geral nele estabelecida, mas sempre servindo para a compreensão do seu sentido e alcance. Dessa maneira, não se pode interpretar o caput de um artigo dissociado de seus parágrafos ou incisos, nem interpretar o parágrafo de forma isolada, sob pena de se chegar a conclusões totalmente alheias ao sentido e alcance da norma. Impende, por conseguinte, para a apropriada leitura da norma, destacar a redação do artigo 88 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, in verbis: “Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, (...)”. A meu ver, a norma que se extrai da leitura do caput do artigo 88 e de seu parágrafo único é no sentido de que, nos casos de fraude, sonegação ou conluio, duas hipóteses podem ocorrer: (i) a Fiscalização poderá obter todos os elementos de prova para determinar o preço efetivamente praticado na operação de importação (quando, por exemplo, é capaz de levantar correspondências, contratos, provas de pagamentos, em que demonstre o preço efetivamente praticado, diverso do declarado às autoridades aduaneiras); (ii) a Fiscalização logra juntar documentação suficiente para provar a fraude, porém, não detém elementos suficientes para se chegar ao preço efetivamente praticado, hipótese na qual deverá arbitrar o preço da mercadoria. E, nessas duas hipóteses, posto que configurada fraude, sonegação ou conluio, deve ser cominada a penalidade prevista no parágrafo único, tenha o preço sido arbitrado ou não. Esse, portanto, o sentido de se mencionar que a base de cálculo da penalidade, além da diferença “entre o preço declarado e o preço arbitrado”, será a diferença “entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado”, conforme o caso. Desse modo, a penalidade prevista no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 é aplicável apenas quando ficar caracterizada a fraude ideológica que permite a prática do subfaturamento, mas não nos casos de subvaloração na declaração de mercadoria, como sói ocorrer no presente caso. Ante o exposto, voto pela improcedência do lançamento nessa parte. Classificação Fiscal das Mercadorias Importadas Com relação à classificação fiscal, por ocasião da apresentação da Impugnação, a ora Recorrente já havia deixado de impugnar a matéria, como observado pela decisão recorrida às fls. 868 dos autos: "Intimada, a empresa ingressou, tempestivamente, com a sua impugnação, às fls. 808 a 838, apresentando preliminares e argüições genéricas tão somente em relação ao arbitramento da base de cálculo, em razão da fraude apurada pela Fl. 967DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 958 21 fiscalização, não impugnando, todavia, a reclassificação na NCM/NBM/TEC/TIPI dos bens de informática importados, a ela juntando a documentação de fls. 839 a 850 (constituição da empresa)". Apesar disso, a decisão recorrida superou esse óbice ao conhecimento da matéria, afirmando: "Preliminarmente há que esclarecer que, embora a defendente nenhuma alegação tenha feito no tocante à cobrança da diferença de tributos, em decorrência da reclassificação das mercadorias, é necessário discorrer sobre a matéria, de modo que fique clara e comprovada a incorreta classificação dos bens de informática, na NCM/TEC e na NBM/TIPI, adotada pelo importador, até porque ele defendeuse da aplicação da multa de ofício sobre a diferença do II, IPI e Contribuições Sociais, decorrentes da reclassificação dos bens, assim como da multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro, em razão de sua classificação errada na NCM". (grifos nossos) Ocorre que, apesar de a DRJ ter mantido a totalidade do lançamento, nesse ponto, inclusive, e a Recorrente afirmar em seu Recurso que “contesta todos os tributos e as multas envolvidas na presente autuação”, a Recorrente novamente não contestou a reclassificação fiscal efetivada pelo lançamento, motivo pelo qual, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972, a matéria deve ser considerada não impugnada, encontrandose preclusa e definitivamente decidida em âmbito administrativo. Das Multas de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro No lançamento, há ainda a aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, por erro de classificação fiscal, com fundamento legal no inciso I, do art. 84, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, nas Declarações de Importação em que não há ou há informação incorreta do produtor/fabricante, com fundamento legal no artigo 84, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 combinado com artigo 69, parágrafos 1º e 2º, inciso I, da Lei nº 10.833/03. A Recorrente alega que haveria ofensa ao princípio da isonomia na cominação da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro. Para tanto, dá o exemplo em que duas empresas realizam operações de importação com valores diferentes e prestam informações inexatas. Nessa hipótese, alega que “duas empresas ao cometerem a mesma conduta (...) estão sendo penalizadas de forma desigual”. A alegação da Recorrente esbarra novamente na Súmula CARF nº 02, pois, para reconhecer a violação ao princípio da isonomia, necessariamente esse Colegiado haveria que reconhecer que os dispositivos que tratam dessas penalidades padecem de inconstitucionalidade. De qualquer maneira, não se sustentaria a alegação da Recorrente, pois tais penalidades, na realidade, prestigiam o princípio da isonomia, que poderia ser violado caso se tratasse de uma penalidade em valor fixo. Na realidade, no exemplo da Recorrente, as condutas não são iguais. Para fins de prevenir e desestimular uma conduta prejudicial ao controle aduaneiro, aquele contribuinte que realiza operações de importação de um bem de R$400.000,00 (quatrocentos mil reais) não é igual ao que realiza uma operação de importação de um bem no valor de R$90.000,00 (noventa mil reais). Assim, as penalidades tratam os desiguais de maneira desigual, na exata medida de sua desigualdade. Fl. 968DF CARF MF 22 No presente caso, uma vez ocorridas as hipóteses abstratamente previstas nas normas como ensejadoras da aplicação das penalidades, qual seja, a classificação incorreta de mercadoria e prestação incorreta de informação a respeito do fabricante, e não tendo as penalidades sido aplicadas de forma cumulativa, devem as mesmas ser mantidas, como decidido em primeira instância administrativa. Da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) Com relação à multa de ofício, a Recorrente defende a sua inconstitucionalidade, afirmando que tem caráter confiscatório, alegação que não pode ser conhecida por esse Colegiado, em razão do disposto na Súmula CARF nº 02. Por esse motivo, entendo que deve ser mantida a multa, aplicada de acordo com o seu fundamento legal, artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Da Aplicação da Taxa SELIC A Recorrente ainda alega que seria inaplicável a taxa SELIC sobre os débitos tributários. Novamente, a alegação levantada pela Recorrente encontra obstáculo em entendimento sumulado do CARF, desta vez, em razão da Súmula CARF nº 4, que afirma: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Diante disso, rejeito a alegação da Recorrente. Das demais alegações da Recorrente A Recorrente ainda discorre sobre a ocorrência de ofensa ao princípio da moralidade e de que existiria vício insanável no lançamento tributário. Entretanto, apesar do arrazoado em tese sobre tais matérias, não houve a aplicação de tais alegações ao caso concreto, com a indicação e demonstração dos motivos pelos quais haveria ofensa ao princípio da moralidade e vício no lançamento no caso específico dos autos, motivo pelo qual entendo que tais argumentos devem ser rejeitados. Considerações Finais Após a apreciação das matérias de defesa apresentadas pela Recorrente, entendo pertinente tratar de uma questão superveniente ao lançamento, porém, anterior à interposição do Recurso Voluntário. Conforme se verifica às fls. 794795 dos autos, a Fiscalização lançou os valores a título de PISImportação e COFINSImportação, tomando a base de cálculo considerada na redação anterior do artigo 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 e Instrução Normativa SRF nº 572/2005. Todavia, o Plenário do Supremo Tribunal Federal ("STF"), em 20/03/2013, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo do do PISImportação e do COFINSImportação, prevista no artigo 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004, em acórdão que possui a seguinte ementa: "Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 959 23 Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. (...) 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. (...) 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento". (RE 559937, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013, REPERCUSSÃO GERAL) (grifos nossos) Contra essa decisão, a Fazenda Nacional ainda opôs Embargos de Declaração para modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, não acolhidos, por ausência de excepcionalidade, por decisão do dia 17/09/2014, cuja ementa está assim redigida: "1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema que somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contém indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal". Esse processo, que teve a repercussão geral reconhecida no Recurso Extraordinário nº 559607 RG, teve a decisão transitada em julgado no dia 29/10/2014, passando a vincular os julgamentos deste colegiado, por força art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Além disso, houve alteração legislativa refletindo o posicionamento externado pelo STF na matéria, com a edição da Lei nº 12.865/2013, que modificou a redação do artigo 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004, que atualmente prevê que a base de cálculo das contribuições é tãosomente "o valor aduaneiro". Diante do exposto, tratando de lançamento de valores que foram reconhecidos como inconstitucionais, proponho a esse Colegiado reconhecer, de ofício, a exclusão do ICMS e das próprias contribuições da base de cálculo dos valores lançados a título de PISImportação e COFINSImportação. Fl. 970DF CARF MF 24 Conclusão Por todo o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para afastar a multa lançada de 100% (cem por cento) prevista no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, reconhecendo de ofício a exclusão do ICMS e das próprias contribuições da base de cálculo dos valores lançados a título de PISImportação e COFINS Importação. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 971DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 960 25 Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira redator designado. Peço extrema vênia perante o relator deste processo, o mui ilustre Conselheiro Augusto Jorge Fiel d'Oliveira, para apresentar as considerações a seguir alinhavadas, que divergem de sua proposta, conforme consta de seu fundamentado e bem elaborado voto. Pretendo registrar aqui, de forma objetiva, o entendimento, adotado pela maioria deste Colegiado nesta sessão com relação à manutenção da multa administrativa aduaneira de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, prevista no parágrafo único do artigo 88 da MP 2.15835, de 2001: "Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b)de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c)mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis". O Ilustre relator entendeu que: (1º) essa multa somente deve ser aplicada quando se caracterize subfaturamento, e o fato apurado pela autoridade fiscal categorizase como subvaloração; e (2º) o significado e a aplicação dessa multa dependem da leitura conjunta apenas do parágrafo onde ela é definida e do caput do artigo que alberga este parágrafo. Respeitosamente, firmouse na sessão interpretação divergente da proposta pelo relator, em relação a estes dois aspectos. E esforçarmeei para, resumidamente, expôla. Fl. 972DF CARF MF 26 Primeiramente, a dúvida se a multa em questão seria exigível somente diante da caracterização de fraude foi afastada há muitos anos. O Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 17 de 2004, veio sintetizar positivamente a resposta a essa dúvida, naquela ocasião esclarecida pelos hermeneutas e os próprios responsáveis pela redação do texto legal. Em meu ponto de vista essa dúvida deixou de merecer atenção ao longo dos anos, pois, apesar dos recorrentes casos de autuações com discussão de valor aduaneiro e preço declarado em importações, pela ausência ou raridade desse questionamento nos julgados, ficamos com a convicção de que ele havia deixado de compor argumentação dos contraditórios. Uma simples busca nas decisões do CARF demonstra que o 'preço declarado' diferente do 'preço efetivamente praticado' é considerado subfaturamento, tenha ou não sido aplicado o procedimento de Valoração Aduaneira, tenha sido ou não caracterizada a fraude; e sobre essa diferença entre o preço declarado e o real incidirá a multa administrativa específica com alíquota de 100%. VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Os fatos apontados e as provas coligidas pela fiscalização são contundentes. Implicam a conclusão de que ocorreu subfaturamento dos preços de mercadorias e remessa de divisas de forma ilícita ao exterior em pagamento de tais importações. (Acórdão n. 3402003.772, 24/01/2017, Relator Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO. Provado o subfaturamento do bem importado, devem ser cobrados os tributos incidentes sobre a parcela do valor não declarado, com os devidos acréscimos de mora e a multa prevista em lei. (Acórdão n. 3402003.773, 27/01/2017, Relator Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). SUSPEITA DE SUBFATURAMENTO. MULTA. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Caso haja motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor (e o fato de as matérias constitutivas terem valor inferior ao produto final nos soa como suficiente para demonstrar a dúvida, se devidamente fundamentada a verificação), a autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade de aplicação do primeiro método (valor de transação, obtido a partir da fatura comercial, com os ajustes previstos no AVAGATT). Tal dúvida, disciplinada no artigo 82 do Regulamento Aduaneiro, que demanda parecer fundamentado, não se confunde com a situação externada no artigo 86 do mesmo regulamento, que trata de "arbitramento" do preço da mercadoria em caso de fraude, sonegação ou conluio (e tratada o art. 88 da Medida Provisória no 2.15835/ 2001). Seja caso de dúvida disciplinado do artigo 82 do Regulamento Aduaneiro, ou de fraude, sonegação ou conluio, tratado no art. 86 do mesmo regulamento, deve a fiscalização buscar inicialmente caminho compatível com o segundo e com o terceiro métodos de valoração aduaneira, tentando identificar importações de mercadoria idêntica (e, em sua ausência, similar), no mesmo período aproximado, com o mesmo nível comercial, exportada do mesmo país, documentando detalhadamente de que forma chegou à(s) declaração(ões) a ser(em) utilizada(s) como paradigma, e como esta(s) já foi(foram) objeto de Fl. 973DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 961 27 valoração. (Acórdão n. 3401003.259; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, unânime, 28/09/2016). Por essas razões podemos concluir que não encontra eco ou sustentação na jurisprudência a visão do ilustre relator de que a diferença entre subvaloração e subfaturamento seja fundamental para decidir a incidência ou não da multa em questão. A imputação referente à matéria, no relatório fiscal, é intitulada, logo à primeira página, e no item IV.1 do relatório, de “Declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto)”. Ao final do item IV.1.1 (“Descaracterização do preço declarado”), a fiscalização informou que, em face do ali exposto, restou descaracterizado do valor de transação declarado, procedendose à “determinação do novo valor aduaneiro consoante os princípios do Acordo de Valoração Aduaneira”. E, no tópico seguinte do relatório fiscal (item IV 1.2 – “Apuração do novo preço unitário das mercadorias”), chega a fiscalização, conforme tabelas constantes de tal tópico, a um novo preço (e consequentemente, a um novo valor de transação) com fundamento no segundo método de valoração aduaneira (mercadorias idênticas). A DRJ entendeu que as menções da fiscalização ao segundo método de valoração aduaneira seriam, em verdade, arbitramentos de preço com fundamento no inciso I do art. 88 da MP n. 2.15835/2001, que remete a mercadorias idênticas, em procedimento que recorda em tudo o segundo método de valoração aduaneira. Veremos que tal entendimento não afeta, em substância, as conclusões a respeito do tema, visto que tanto a diferença entre o preço declarado e efetivamente praticado quanto a diferença entre o preço declarado e o arbitrado são igualmente punidas com a mesma multa de 100%, prevista no parágrafo único do art. 88 da MP n. 2.15835/2001. No aspecto fático e probatório, destaquese, sequer houve discordância no colegiado, por ocasião do julgamento, no CARF. O próprio relator, em observação que gozou da unânime acolhida do colegiado, manifestou que: ... a Recorrente não apresentou nenhum documento, informação ou explicação que pudesse justificar o preço praticado. Não conseguiu levantar um único elemento de prova sequer para esse fim, alegando que não existia contrato, correspondência, email, nada que pudesse ser apresentado, pois as tratativas eram todas feitas todas na forma não escrita. Além disso, apresentou informações contraditórias, pois ora havia conhecido o exportador por indicação de intermediários do mercado, mas, por outro lado, afirmava que não havia agente comissionado, nem podia indicar quem eram essas pessoas. E tal ausência de justificativa perdurou na fase contenciosa, pois não é trazido pela Recorrente nenhum elemento que justifique o valor aduaneiro praticado e o porquê da divergência entre os valores por ela declarados e os levantados pelo Fisco. Ademais, não é impugnada a forma de apuração do novo valor aduaneiro pela Fiscalização, a correção quanto à escolha do método substitutivo, se foi aplicado corretamente, se as bases de dados utilizadas são cabíveis, enfim, quanto aos novos valores apresentados, não há qualquer contestação por parte da Recorrente.” Fl. 974DF CARF MF 28 Restou comprovado, assim, pelo arrazoado da fiscalização e pelas citadas tabelas, que trataram de cada declaração de importação, que o preço declarado difere do efetivamente praticado, apurado pela fiscalização (para mercadorias idênticas). E a multa em análise, enfatizese, trata de diferença entre preço declarado e efetivamente praticado, ou entre o preço declarado e o arbitrado, como se grifa abaixo, em nova transcrição do dispositivo referente à multa, na norma de ordem legal (parágrafo único do art. 88 da MP n. 2.158 35/2001): “Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis". (grifo nosso) Vejase que a multa se aplica a duas situações alternativas: diferenças entre o preço declarado e o efetivamente praticado ou entre o preço declarado e o arbitrado. E observese, agora, que o caput do mesmo art. 88 da MP n. 2.15835/2001, trata apenas do arbitramento, quando não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado, nos casos de fraude, sonegação ou conluio: “Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem sequencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; (...)” (grifo nosso) Assim, por óbvio, a multa do parágrafo único trata de algo mais do que o previsto no caput (as diferenças entre o preço declarado e o efetivamente praticado, apurado pela fiscalização). Se foi possível à fiscalização chegar ao preço efetivamente praticado, inaplicável o caput do art. 88 (que trata, como grifado, de arbitramento do preço nas situações em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado). Ora, no caso em análise tal apuração, segundo a fiscalização, foi possível, e sequer foi contestada pela recorrente. Chegou, então, a fiscalização, em procedimento regular, ao preço efetivamente praticado (ou, segundo a visão da DRJ, chegou a fiscalização ao preço arbitrado, seguindo o art. 88, I da MP n. 2.15835/2001). Assim, aproveitamonos das mesmas menções que faz o relator a Carlos Maximiliano, em sua célebre obra sobre hermenêutica, para chegar a conclusão oposta, na leitura do parágrafo único do art. 88 da MP n. 2.15835/2001, pois devese expurgar das hipóteses passíveis de interpretação de um dispositivo normativo aquelas que levem a absurdo lógico. E vincular o parágrafo único do art. 88 apenas ao texto do caput contraria o próprio texto do parágrafo único, que remete a duas situações, uma delas indubitavelmente excluída do texto do caput (hipóteses em que for possível apurar o preço efetivamente praticado). Daí ter o Regulamento Aduaneiro apartado geograficamente as situações, sem deturpar o comando legal, mas apenas trazendoo a uma interpretação possível e logicamente coerente com os ditames da lei. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 13830.722552/201374 Acórdão n.º 3401003.430 S3C4T1 Fl. 962 29 Nesse sentido, entendo que, na aplicação da multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado, prevista no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, é indiferente se houve fraude, sonegação ou conluio. Tal posicionamento, que se resume à leitura do contexto em que inserido o parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.15835/2001, norteou a divergência em relação ao voto do relator, majoritariamente acolhida pelo colegiado. Assim, como o relator, entendemos que merece prosperar o lançamento em relação às diferenças apuradas pela fiscalização, encontradas em relação a mercadorias idênticas, mas, em dissonância como relator, entendemos que isso constitui fundamento para aplicação, ao caso, da multa prevista no parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.15835/2001. Portanto, por todas essas razões, a maioria do Colegiado decidiu por manter a aplicação e exigência da multa em tela neste caso. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira redator designado. Fl. 976DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.724456/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/06/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.540
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/06/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/06/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 44 56 /2 01 3- 29 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10711.724456/201329 Acórdão n.º 3201002.540 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim sintetizados pela DRJ: a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.123. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10711.724456/201329 Acórdão n.º 3201002.540 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10711.724456/201329 Acórdão n.º 3201002.540 S3C2T1 Fl. 5 4 Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 100DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.906550/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.550
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente ATLANTA QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 65 50 /2 01 2- 41 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 02050.795. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 4 3 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 5 4 IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 6 5 DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 7 6 Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 8 7 pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. Por fim, quanto ao pedido de encaminhamento das notificações ao patrono da recorrente, esclareçase que as intimações no processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário são regidas pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, consolidado no artigo 10 do Decreto nº 7.574/2011, o qual prevê as formas pessoal, por via postal, telegráfica ou qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário, ou por meio eletrônico, não sujeitos a ordem de preferência, e, Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 9 8 ainda, por edital, caso os meios anteriores sejam improfícuos, nos termos abaixo transcritos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 10 9 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Portanto, o pedido efetuado carece de previsão legal. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001042/2007-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
(IRPJ/CSLL - 1º, 2º Trimestres de 2002)
(PIS/COFINS - janeiro a julho de 2002)
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9101-002.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COPY CASTEL SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 (IRPJ/CSLL 1º, 2º Trimestres de 2002) (PIS/COFINS janeiro a julho de 2002) DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 42 /2 00 7- 61 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 3 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 110300.419, de 24/02/2011, por meio do qual a 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, "para reconhecer a decadência aos fatos geradores anteriores a 27/08/2002". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: Assunto: Omissão de Receitas — IRPJ e reflexos Anocalendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA — IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS Quando ausente dolo, fraude ou simulação, ao teor do disposto no art. 150, § 4º, do CTN (Lei n° 5.172/1966), mesmo que ausentes pagamentos relacionados ao período, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a contar do respectivo fato gerador, para revisar o procedimento do contribuinte e, quando for o caso, constituir crédito tributário. Sob este enfoque, no caso, o lançamento, notificado ao contribuinte em 27/08/2007, não pode prosperar em relação aos fatos geradores, mensais ou trimestrais, ocorridos anteriormente a 27/08/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência aos fatos geradores anteriores a 27/08/2002. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e Jose Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 4 3 A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 27/08/2002, decadência que não houve, uma vez que se deve calcular os cinco anos relativos ao período decadencial, não com base no art. 150, §4º, utilizado pelo julgador "a quo", mas com base no art. 173, I, do CTN, conforme entendimento pacífico e recentemente reafirmado pelo STJ e pela CSRF; com relação à decadência, portanto, a decisão da e. Câmara a quo diverge da decisão proferida pela 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, constante do Acórdão n° 30238.565 (Acórdão Paradigma): Acórdão nº 30238.565 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; (c) em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo devedor, incide a regra do art. 173, I, do CTN. assim, temse por configurada a decadência; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DA DECADÊNCIA APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I tendo aplicado o art. 150, §4°, do CTN, entenderam os ilustres Conselheiros que a homologação não é do pagamento, mas sim do seu lançamento. Portanto, aplicarseia o artigo 150, §4°, do CTN independentemente da existência de antecipação de pagamento; o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4°, e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, bem havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único do CTN (RESP 766.050/PR); consoante essa linha de interpretação, o art. 150, §4°, do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação). Portanto, Fl. 267DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 5 4 o lançamento de oficio de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I, do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°; com efeito, nos casos, como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar; não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de oficio dos valores devidos. E o prazo para o lançamento de oficio não está disposto no art. 150, mas no art. 173 do CTN; observese que, no caso em análise, o auto de infração foi lavrado dentro do prazo disposto no art. 173, I, do CTN, não ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar qualquer dos fatos geradores constantes do presente lançamento, referentes ao ano calendário de 2002, seja com relação ao IRPJ, sela com relação à CSLL, PIS e Cofins; a Câmara Superior deste Conselho já esboçou posicionamento no sentido de que o prazo para o lançamento de tributos não recolhidos, ainda que para estes tributos a legislação atribua ao contribuinte o dever de antecipar do pagamento, conforme o art. 150 do CTN, é aquele disposto no art. 173, I, do CTN, que cuida do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário (ementas transcritas); recentemente, o STJ, em sede de julgamento de Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, deu aos embargos efeitos infringentes para acolher a tese fazendária, tendo explicitado, inclusive, a forma correta de contagem do prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 09/02/2010, DJe 26/02/2010); desse modo, não se encontram decaídos os lançamentos objeto do presente processo, uma vez que a contagem do prazo para contagem da decadência se inicia em 1° de janeiro de 2004, podendose efetuar o lançamento até 31/12/2008 , conforme decisão da DRJ, (fls. 189); ainda que se adotasse interpretação mais restritiva, o primeiro dia do exercício seguinte seria 1° de janeiro de 2003, podendose efetuar o lançamento até 31 de dezembro de 2007. Tendose que a ciência do contribuinte deuse em 27 de agosto de 2007, não se encontram decaídos os lançamentos objeto do presente processo. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 02/07/2015, admitiu o recurso especial após a seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Como retratado, diante de situações fáticas com o mesmo contorno, ou seja, contagem decadencial quando ausentes pagamentos antecipados por parte do sujeito passivo, as decisões colacionadas apresentaram divergência, a recorrida pautando que a regra, exceto nos casos de dolo, fraude ou simulação, fixase nos dizeres do artigo 150, § 4º, do CTN, e o Fl. 268DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 6 5 paradigma sustentando que, inexistindo recolhimentos antecipatórios, a regra geral do artigo 173, I, do Estatuto Tributário é a que deve ser adotada, para fins da contagem do prazo extintivo para o Fisco perpetrar lançamentos. Pois bem, como o escopo do Recurso Especial é a uniformização da jurisprudência administrativa, e estando constatada a divergência suscitada, entendo cumpridos os preceitos estampados no artigo 67, do Anexo II, do vigente RICARF. Em 20/07/2015, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 110300.419, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso, mas ela não apresentou nem recurso especial contra a parte da decisão que lhe foi desfavorável, e nem contrarrazões ao recurso da PGFN. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso da PGFN, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário de 2002 (especificamente nos meses de janeiro a agosto de 2002) As autuações fiscais decorreram da constatação de omissão de receita apurada a partir de depósitos bancários não comprovados. A apuração de IRPJ/CSLL foi realizada pelo lucro arbitrado (trimestral), enquanto que as contribuições PIS/COFINS foram apuradas sobre bases de cálculo mensais. A ciência dos autos de infração ocorreu em 27/08/2007. O litígio que remanesceu para essa fase de recurso especial diz respeito à decadência, abrangendo os fatos geradores de IRPJ/CSLL nos dois primeiros trimestres de 2002, e os fatos geradores de PIS/COFINS nos meses de janeiro a julho de 2002. Quanto à decadência, o entendimento manifestado na decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido) aderiu à interpretação de que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, independentemente de haver ou não antecipação de pagamento pelo contribuinte. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN depende da presença ou ausência de pagamento (ainda que parcial), o que teria sido desconsiderado pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado Fl. 270DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 8 7 da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido, ao tratar da decadência das exações fiscais, considerou irrelevante verificar a presença ou ausência de pagamento, pelo que essa decisão merece ser reformada. Com efeito, está comprometido o seu fundamento, amparado num entendimento já superado, de que o que interessa é a atividade exercida pelo contribuinte, e não a presença ou ausência de pagamento. Como o lançamento ocorreu em 27/08/2007, há diferentes resultados para a decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram nos dois primeiros trimestres de 2002 (no caso de IRPJ e CSLL), e nos meses de janeiro a julho de 2002 (no caso de PIS e COFINS), conforme se aplica o prazo previsto no art. 150, §4º, ou no art. 173, I, ambos do CTN. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 9 8 É que em relação a esses fatos geradores, o termo inicial para a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" seria o dia 01/01/2003, e nesse caso o lançamento realizado em 27/08/2007 deixa de estar fulminado pela decadência. Compulsando os autos, observase que a contribuinte apresentou DIPJ com os campos zerados para o anocalendário de 2002 (efls. 05/39 do vol. 1 do eprocesso), com exceção do mês de junho/2002. Mas também para esse mês, a indicação da DIPJ é de que não houve nenhum pagamento, até porque o valor declarado aparece como "receitas isentas" nos quadros demonstrativos de PIS e COFINS. Além disso, vêse que a decisão de primeira instância administrativa não acolheu a decadência com base no art. 150, §4º, do CTN, justamente porque a contribuinte não tinha realizado qualquer antecipação de pagamento. Em relação a isso, na fase de recurso voluntário, não houve qualquer iniciativa da contribuinte em refutar essa informação. Toda a controvérsia ficou mesmo em torno de ser ou não relevante a presença de pagamento para a definição da regra de prazo decadencial. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) registra inclusive que, de acordo com a decisão da Delegacia de Julgamento, não foi constatado pagamento de IRPJ para o segundo trimestre de 2002 (período que abrangia as receitas declaradas para mês de junho), e, mesmo assim, ou seja diante da ausência de pagamento, entendeu que deveria aplicar o prazo do art. 150, §4º, do CTN, o que não se sustenta diante da referida jurisprudência do STJ. Nesse caso, não havendo pagamento e nem confissão de alguma parte dos referidos débitos, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, o que resulta no afastamento da decadência que havia sido reconhecida pela decisão recorrida. Assim, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência em relação aos débitos de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram nos dois primeiros trimestres de 2002, e também em relação aos débitos de PIS e COFINS com fatos geradores apurados nos meses de janeiro a julho de 2002. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 272DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 10 9 Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003463/2005-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo).
TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que
inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO
COMPROVADA.
Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e
idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1803-000.820
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das exigências de IRPJ e CSLL relativas ao 1º trimestre de 2000, e de PIS e COFINS relativas aos meses de janeiro, outubro e novembro de 2000, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA Fl. 887DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 422 2 Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das exigências de IRPJ e CSLL relativas ao 1º trimestre de 2000, e de PIS e COFINS relativas aos meses de janeiro, outubro e novembro de 2000, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 888DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 423 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 344 a 347): DA AUTUAÇÃO Em procedimento fiscal realizado na empresa em epígrafe, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 174/176), constatouse que, no anocalendário 2000, o sujeito passivo, optante pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido conforme Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ (fls. 07/28), deixou de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem de créditos efetuados em conta bancária, cujos montantes estão informados na tabela de fls. 175. 2. O referido Termo de Verificação Fiscal informa, ainda, em síntese que: 2.1. O contribuinte foi intimado em 06/09/2005 (fls. 38), e reintimado em 03/10/2005 (fls. 39), para comprovar ou justificar a origem de diversos créditos depositados em instituições financeiras. No entanto, deixou de atender a estas intimações. 2.2. Foram excluídas, dos valores depositados, as parcelas relativas a transferências, aplicações financeiras, empréstimos, devoluções de cheques depositados e receitas já declaradas em DIPJ. 2.3. Os valores creditados sem comprovação de origem caracterizam Omissão de Receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. E, neste sentido, foram apresentadas às fls. 175/176 decisões do Egrégio Conselho de Contribuintes. 3. Em decorrência da falta apurada, foram lavrados em 14/12/2005, e cientificados ao contribuinte na mesma data, os seguintes autos de infração: 3.1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 181/183): Crédito tributário no valor total de R$ 209.496,50 (duzentos e nove mil, quatrocentos e noventa e seis reais e cinquenta centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 182/183. 3.2. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 188/190): Crédito tributário no valor total de R$ 22 304,00 (vinte e dois mil, trezentos e quatro reais), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 190. 3.3. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 195/197): Crédito tributário no valor total de R$ 102.942,67 (cento e dois mil, novecentos e quarenta e dois reais e sessenta e sete centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 196/197. 3.4. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 201/203): Crédito tributário no valor total de R$ 37.487,91 (trinta e sete mil, quatrocentos e oitenta e sete reais e noventa e um centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 203. Fl. 889DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 424 4 DA IMPUGNAÇÃO 4. Inconformada com a presente autuação, a empresa, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 207/234, acompanhada dos documentos de fls. 235/340 (Procuração, Alteração Contratual de 05/12/2003, Certidão Simplificada da Junta Comercial do Estado de São Paulo, Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral, Contrato de Prestação de Serviços, Termo de Início de Fiscalização, Folhas dos Livros Caixa e Razão de 2000, Balancete Mensal Dez/2000, Demonstrativo de Lucros e Prejuízos, Autos de Infração e respectivos Demonstrativos de Apuração, e Extrato de Processo), alegando, em síntese, que: 4.1. O crédito tributário, objeto da presente autuação, especialmente o crédito relativo aos dois primeiros trimestres de 2000, encontrase extinto em razão da decadência nos termos do art. 150, § 4º c/c art. 156, V do Código Tributário Nacional — CTN e art. 1º da Lei nº 9.430/96, devendo, assim, a referida autuação ser anulada. 4.2. Apresentou à Fiscalização toda a documentação, incluindo os livros fiscais (doc. 03 — fls. 256/308), capazes de comprovar a origem dos valores contidos nas contas bancárias que implicaram na omissão de receitas. 4.3. O lançamento fiscal foi feito exclusivamente com base em extratos bancários do Banco do Brasil, agência 11959, contacorrente 5.7568, que existe apenas para trocas de cheques de seus clientes para aquisição de cartelas de bingo ou apostas em máquinas de vídeobingo, já que a Impugnante atua dentro de uma sala de bingo, precisamente no restaurante que ali se encontra, conforme contrato de prestação de serviços (doc. 01 — fls. 245/254), não representando, assim, faturamento, receitas ou rendimento, apenas meros ingressos financeiros que não alteram o patrimônio da autuada. Ademais, ao trocar estes cheques, por vezes sofre prejuízos, em razão da insuficiência de fundos ou em virtude de estes não serem de pessoas idôneas. 4.4. Os supostos rendimentos ou receitas (meras movimentações bancárias) encontramse devidamente contabilizados nos livros fiscais da Autuada, não havendo, assim, omissão alguma. 4.5. Não foi observado o direito ao sigilo bancário, pois o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, em sua redação original, vedava a utilização das informações da CPMF para constituição de créditos relativos a outras contribuições ou impostos. Portanto, a Fiscalização não tinha competência para a presente autuação, agindo, assim, com abuso de poder. 4.6. A Constituição Federal de 1988 (CF/88) garante a preservação da intimidade pessoal e do sigilo bancário, que pode ser quebrado mediante requisição judicial. 4.7. A constitucionalidade da LC nº 105/2001 c da Lei nº 10.174/2001 está sob exame do Supremo Tribunal Federal. 4.8. A nova redação do citado art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, conferida pelo art. 1º da Lei nº 10.174 de 09/01/2001, não se aplica ao exercício de 2000 em face dos princípios da irretroatividade da lei, do tempus regit actum, da segurança jurídica e do direito adquirido, com fulcro no art. 144 do CTN e art. 150, III, “a” da CF/88. E, neste sentido, encontramse decisões administrativas e judiciais, transcritas às fls. 219/221, impondose, assim, a nulidade da autuação. Fl. 890DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 425 5 4.9. O Superior Tribunal de Justiça entende que a utilização de movimentações financeiras vicia, desde a origem, os respectivos lançamentos fiscais, conforme ementa transcrita às fls. 221. 4.10. “Ao supormos como válido o entendimento que a autuação fiscal poderia valerse de dados da CPMF, o que se aduz apenas pelo amor ao debate e para demonstrar outros vícios, a ilegalidade do presente auto de infração ainda restaria manchada, pois a base de cálculo arbitrada pelo Ilustre Fiscal para chegar ao quantum devido a título de IRPJ levou em conta, apenas, a movimentação bancária (extrato da contacorrente), o que não tem o condão de demonstrar, comprovar ou afirmar qualquer materialidade tributária (com referência ao aspecto material da hipótese de incidência de qualquer tributo), salvo através da CPMF.” 4.11. Mesmo depois da vigência da Lei Complementar nº 105/2001 e da Lei nº 10.174/2001, a Administração Tributária continua impedida de considerar qualquer ingresso financeiro em conta bancária como rendimento tributável, ainda que não haja comprovação de sua origem ou natureza, que, no presente caso, representa a mera troca de valores que não visam a acrescer o patrimônio do contribuinte, não podendo ser considerada receita ou faturamento. 4.12. É necessária a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou de que os ingressos financeiros são sistemáticos, conforme orientação contida em decisão do Conselho de Contribuintes, transcrita às fls. 222/223. E que a mera movimentação financeira jamais refletirá fato tributável, a não ser da CPMF. 4.13. Os autos de infração, lavrados com base em lançamentos de CPMF, configuram desobediência aos princípios constitucionais da irretroatividade, da segurança jurídica, do direito adquirido e invasão de competência da autoridade administrativa em quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial. 4.14. O arbitramento do lucro deve pautarse nas hipóteses do art. 47 da Lei nº 8.981/95, o que não ocorreu no presente caso, não havendo razão para a desconsideração da base de cálculo indicada nos livros comerciais e contábeis. Ademais, a impugnante ofereceu todos os documentos suficientes para se evitar o arbitramento do lucro. 4.15. O movimento de um exercício pode ser contaminado pelo exercício seguinte, o que não foi levado em consideração, não conferindo a certeza necessária sobre a movimentação utilizada para o ano de 2000. 4.16. Meros ingressos (trocas de cheques) não agregam o patrimônio e, portanto, não preenchem a materialidade dos tributos em comento. Por outro lado, a fiscalização não comprovou a que título tais valores foram recebidos pelo contribuinte, podendo ser receita tributada pelo IR e CSLL, mas não sofrer incidência de PIS e COFINS. 4.17. O Supremo Tribunal Federal, em recente decisão, decidiu pela inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que equiparou o faturamento à totalidade das receitas auferidas, independentemente da classificação. Portanto, o PIS somente poderá incidir sobre o faturamento nos termos do art. 195, I, da CF, assim, entendido o valor arrecadado com a prestação de serviços ou o produto da venda de mercadorias. 4.18. O auto de infração não se reveste de prova capaz de demonstrar sua veracidade, uma vez que a fiscalização não comprovou a que título os valores das movimentações financeiras foram recebidos pelo contribuinte, e mesmo que não Fl. 891DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 426 6 fossem meros ingressos, não ficou comprovada a materialidade de algum tributo, salvo a CPMF. 4.19. A presunção de legitimidade do ato administrativo não é absoluta, devendo ser oferecidos elementos e suportes fáticos que se subsumam à norma geral e abstrata, a fim de gerar a obrigação tributária. 4.20. O lançamento (art. 142 do CTN), como ato administrativo, necessita, entre outros pressupostos e elementos, de motivação para sua validade, cabendo o ônus da prova à Administração, porém, na presente autuação, inexiste prova, já que as movimentações financeiras não demonstram a renda auferida ou qualquer materialidade tributária. Em outras palavras, não é possível fazer um lançamento com uma base de cálculo fundamentada, única e exclusivamente, em extrato bancário. 4.21. A taxa SELIC não pode ser aplicada com a finalidade de correção monetária e remuneração de créditos tributários, bem como, por ser facultado ao BACEN o aumento ou a redução de seu valor. Devendo, assim, ser substituída pelos juros de 1 % ao mês, nos termos do art. 161, § 1º, do CTN. 4.22. As provas encontramse nos autos. No entanto, a autuada protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito. 4.23. Diante do exposto, os autos de infração devem ser julgados improcedentes, com posterior arquivamento dos mesmos. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 342 e 343): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IRPJ/PIS/COFINS/CSLL. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL são tributos, em regra, sujeitos a lançamento por homologação. No entanto, não comprovado o pagamento destes tributos, não há o que se homologar. Nesta hipótese, ocorre o lançamento de ofício, cujo prazo decadencial submetese à norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada, mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o sujeito passivo, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Não trazendo aos autos documentos e alegações capazes de elidir, no todo ou em parte, o lançamento fiscal, este fica mantido em sua integralidade. Fl. 892DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 427 7 INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regulamente editada. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS/PIS/CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, tendo em vista que se originam dos mesmos elementos de prova. PROTESTO POR NOVAS PROVAS. Indeferese o pedido pela produção posterior de provas, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da impugnação. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Indeferese o pedido de endereçamento de intimações por via postal ao escritório dos advogados, em razão de inexistência de previsão legal em endereço diverso do domicilio tributário do sujeito passivo. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 05/12/2008 (fls. 374), a tempo, em 18/12/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 388 a 418, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 893DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 428 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de decadência do lançamento 4. Argui a Recorrente, preliminarmente, a decadência do lançamento, em especial do crédito tributário relativo aos dois primeiros trimestres do anocalendário de 2000, fundamentandose nos arts. 150, § 4º, e 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). 5. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICarf), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 6. Relativamente à questão da decadência do lançamento do crédito tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 894DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 429 9 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) 7. No presente caso, o acórdão recorrido rejeitou a preliminar arguida, entendendo não ter havido pagamento dos tributos, aplicando, para todos os períodos, o art. 173, inciso I, do CTN (fls. 348, subitem 9.2). 8. Sucede que foram apurados, na Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) respectiva, valores a pagar relativos aos meses de janeiro (1º trimestre) e outubro, novembro e dezembro de 2000 (4º trimestre), conforme fls. 9 e 11 (IRPJ), 13 e 14 (CSLL), 15, 19 e 20 (Pis) e 21, 25 e 26 (Cofins). Constam dos autos, também, cópias dos lançamentos contábeis dos referidos pagamentos (fls. 285 a 288). A própria fiscalização, ao elaborar os demonstrativos da matéria a tributar, excluiu, em seus levantamentos, a receita correspondente a esses meses (fls. 175). Fl. 895DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 430 10 9. Dessa forma, e com fundamento no entendimento do STJ acima exarado, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, devem ser considerados decaídos, por força do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, o 1º trimestre (IRPJ e CSLL) e os meses de janeiro, outubro e novembro (Pis e Cofins), todos do anocalendário de 2000 (lançamentos cientificados em 14/12/2005 fls. 181, 188, 195 e 201). Mérito 10. No mérito, o Recurso apresentado contém, de fls. 392 a 418, o mesmíssimo texto da Impugnação de fls. 208 a 234, já vitoriosamente contraditado pelo acórdão recorrido, de fls. 348 a 371. 11. Assim sendo, permitome adotar, como razões de decidir, excertos do bem elaborado voto do acórdão a quo, de nenhum modo rebatidos pela Recorrente (fls. 350 a 365): 11. O contribuinte foi intimado em 31/01/2005 (fls. 05/06) e, novamente, intimado em 01/06/2005 (fls. 35) a apresentar, dentre outros documentos, os extratos das contas bancárias mantidas no Banco do Brasil S/A, CNPJ: 00.000.000/000191 e no Unibanco União de Bancos Brasileiro S/A, CNPJ: 33.700.394/000140, relativos aos anoscalendário de 2000 e 2001. 12. De posse destes extratos bancários, conforme Termo de Retenção de Livros e Documentos Fiscais, de 28/07/2005 (fls. 36), a fiscalização intimou o interessado, em 06/09/2005 (fls. 38), para comprovar a origem dos depósitos bancários e outros créditos constantes dos referidos extratos bancários. 13. Em 03/10/2005 (fl. 39), o contribuinte foi reintimado a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias. 14. Tendo em vista que o contribuinte não comprovou a origem dos valores creditados nas contas bancárias, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 174/176), o Fisco, valendo se da presunção legal estabelecida no art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito, autuou a empresa, justamente, em razão de a mesma, devidamente intimada, não ter apresentado documentação hábil e idônea capaz de justificar a origem de seus créditos. [...]. 15. Do exposto, depreendese que a lei estabeleceu uma presunção de omissão de receitas. Portanto, não logrando o titular comprovar a origem dos valores creditados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos creditados representam rendimentos do contribuinte. Neste caso, há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais. [...]. Fl. 896DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 431 11 19. Evidente que qualquer movimentação financeira retrata um fato patrimonial. O não interesse em demonstrar a origem dessa movimentação implica na sujeição à tributação com fundamento na presunção legal de que a mesma corresponde a uma receita omitida, ou seja, uma aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. 20. Fazse necessário destacar e reiterar que o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em sua conta bancária, porém não o fez, permitindo, assim, ao Fisco lançar o crédito tributário aqui discutido, valendose de uma presunção legal de omissão de receitas. 21. Nesse contexto, licita é a inversão do ônus da prova e a consequente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos. 22. Neste ponto, cumpre esclarecer à Impugnante que não se trata de omissão de escrituração, mas sim da presunção legal de omissão de receitas em razão da não comprovação da origem dos créditos bancários. Nesta esteira, ressaltase que, somente a apresentação de extratos e da escrituração contábil dos valores creditados em suas contas bancárias não tem o condão de comprovar a origem das operações realizadas, as quais devem pautarse em documentos idôneos, os quais não foram disponibilizados pelo contribuinte, que tinha a obrigação legal de mantêlos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, in verbis: [...]. 25. Destarte, concluise que a fiscalização agiu acertadamente, ao considerar, como receita omitida, os valores creditados em conta bancária cujas origens o sujeito passivo não demonstrou por meio de documentação hábil e idônea. 12. Abrese um parêntese neste ponto para observar que, de conformidade com a escrituração apresentada pela Recorrente, os depósitos creditados na conta bancária teriam, todos, origem na conta Caixa e, por sua vez, as entradas em Caixa seriam, todas, oriundas de cheques emitidos contra a conta Bancos, num looping infinito, inobstante a existência de diversos depósitos bancários com bloqueio de um ou dois dias úteis e de vários cheques compensados. 13. Dessa “ciranda financeira”, apenas escaparam os depósitos originários de cartões de crédito (Visanet), únicos, aliás, declarados pela Recorrente como receitas. 14. Até mesmo os cheques devolvidos (R$ 657,00, no mês de janeiro de 2000) foram debitados à conta Caixa a crédito de Bancos, como se fora a própria Recorrente quem os tivesse, inadvertidamente, emitido (fls. 271 e 275, respectivamente): Fl. 897DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 432 12 26. A Impugnante também alega, contudo não comprova, que as movimentações feitas em sua conta bancária são oriundas de meras trocas de cheques de seus clientes, para que estes pudessem adquirir cartelas de bingo ou apostar em máquinas de vídeobingo. [...]. 27. Como visto anteriormente, o ônus da prova, no presente caso, cabia ao sujeito passivo, e não à fiscalização, como entende, erroneamente, a Impugnante, ou seja, ao contribuinte incumbia a obrigação de demonstrar a que título os referidos valores foram por ele recebidos. Todavia, a Impugnante limitou se a afirmar que os valores creditados em sua conta bancária representavam meros ingressos financeiros decorrentes de trocas de cheques por dinheiro, apresentando somente os documentos acima mencionados e declarando que sua conta bancária era destinada, única e exclusivamente, para tal finalidade. Para tanto, alegou, ainda, que o saldo médio da conta não apresentava variação significativa. No entanto, somente os documentos apresentados e as declarações feitas não têm o condão de demonstrar a referida alegação. 28. Por outro lado, ainda que os valores creditados na citada conta bancária, dos quais foram excluídas, por exemplo, as devoluções de cheques depositados, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 174/176), não havendo, assim, o que se cogitar a respeito de prejuízos por insuficiência de fundos dos cheques recebidos, ou seja, ainda que os créditos efetivamente recebidos pelo contribuinte decorressem, única e exclusivamente, de trocas de cheques de clientes por dinheiro para aquisição de cartelas de bingo ou apostas em máquinas de vídeobingo, o que se admite apenas a título de argumentação, mesmo assim a Autuada seria responsável pelos tributos em questão. Fl. 898DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 433 13 29. Cumpre esclarecer que, nesta hipótese, a responsabilidade tributária pelos tributos decorrentes da exploração dos jogos de bingo é da empresa que administra tal atividade, ainda que, na qualidade de mera administradora ou permissionária, não seja a real detentora da autorização legal para exploração desse negócio, em razão da legislação pertinente. Sendo assim, a sua receita própria decorre, dentre outras atividades, da totalidade dos recursos advindos da exploração do bingo permanente, como as vendas de cartelas de bingo ou apostas em máquinas de vídeobingo, senão vejamos: [...]. 30. Portanto, ainda, que os valores creditados em sua conta corrente estivessem, de fato, exclusivamente, relacionados à exploração de bingo, ainda, assim o contribuinte deveria ter declarado tais valores como receita própria, sujeitandose à incidência dos tributos em questão. No entanto, reiterese que a Impugnante não logrou comprovar esta afirmação. Portanto, a mesma não merece acolhida. 15. Fazse nova pausa para acrescentar que não é verdade que a Recorrente apenas labora “servindo bebidas e comidas aos clientes frequentadores da casa de bingo” (fls. 398): A propósito, não é dispendioso informar, conforme constante no já anexado contrato de prestação de serviços, que a Recorrente labora dentro de uma sala de bingo, precisamente no restaurante que ali se encontra, servindo bebidas e comidas aos clientes frequentadores da casa de bingo. Assim, alguns de seus clientes, no intuito mórbido de comprar cartelas, jogar e apostar, solicitam à ora Recorrente que a mesma “troque” os seus cheques, cuja finalidade é possibilitar que possam comprar, em dinheiro “vivo”, a cartela do tipo bingo, ou apostar em máquinas de vídeobingo. Por sua vez, a Recorrente, no intuito de saciar a vontade de seus clientes exclusivos e de confiança, tem o costume de trocar os cheques deles por dinheiro, visando satisfazêlos. No entanto, alguns desses cheques, vale dizer, não possuem provisão de fundos ou mesmo são de pessoas idôneas, trazendo prejuízos à Autuada. 16. Conforme se observa da Cláusula Primeira do Contrato de Prestação de Serviços de fls. 245 a 254, a Recorrente presta “serviços de implantação, assessoria, gerenciamento e administração de sorteios lotéricos na modalidade bingo permanente” (fls. 246). 17. Das Cláusulas Segunda, Terceira, Décima Primeira, Décima Segunda e Décima Terceira do referido contrato, extraise o seguinte: CLÁUSULA SEGUNDA São obrigações da contratada: [...]; Fl. 899DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 434 14 II Equipar, conforme determina a Lei, com todos os aparatos que se façam necessários, tais como maquinários, acessórios, painéis, cabines, mesas e cadeiras, a sala onde se darão os sorteios; III Selecionar, contratar em nome próprio e treinar ou subcontratar os funcionários que irão atuar na operacionalização dos sorteios, inclusive e especialmente aqueles que cuidarão da segurança; IV Gerenciar e administrar, sob o aspecto financeiro, contábil e tributário, a realização dos sorteios, arrecadando a renda bruta deles obtidas devendo, para tanto, proceder com o lançamento diário, em sistema informatizado (microcomputador) dos dados atinentes ao movimento, com a identificação, clara e precisa da receita, das despesas e dos impostos incidentes e a serem recolhidos sobre a exploração da modalidade lotérica objeto deste contrato; [...]. CLÁUSULA TERCEIRA A CONTRATADA será responsável pelo controle e administração dos sorteios do BINGO PERMANENTE, podendo, para tanto, estabelecer os critérios de administração e as diretrizes trabalhistas a serem adotadas para consecução dos objetivos perseguidos por força do presente instrumento. [...]. CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA A CONTRATANTE receberá para aplicação em atividades desportivas e pagamentos dos procuradores nomeados para fiscalização das atividades empreendidas pela CONTRATADA, o valor equivalente a 7 % (sete por cento) da receita bruta de arrecadação, auferida com a venda de cartelas relativas aos sorteios do BINGO PERMANENTE realizados pela CONTRATADA no primeiro dia útil de cada mês. PARÁGRAFO PRIMEIRO Ajustam as partes, de mútuo e comum acordo, que o resultado da multiplicação do percentual acima estipulado sobre a receita bruta mensal auferida com a venda de cartelas entre o primeiro e último dia de cada mês não poderá, em hipótese alguma, ser inferior a R$ 6.000,00 (seis mil reais), devendo a CONTRATADA, caso o percentual não atinja tal montante, garantir o pagamento desse mínimo à CONTRATANTE. PARÁGRAFO SEGUNDO A CONTRATADA deverá efetuar o pagamento da quantia apurada e devida à CONTRATANTE sempre até o primeiro dia útil do mês subsequente ao vencido, através de pessoa a ser indicada pela Entidade Desportiva . CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA Do total da receita mensal auferida com a venda das cartelas dos sorteios do BINGO PERMANENTE, realizados no local indicado na cláusula nona, Fl. 900DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 435 15 entre o primeiro e último dia de cada mês, 35 % (trinta e cinco por cento) será destinado ao pagamento das despesas abaixo enumeradas: a. verba a ser destinada à CONTRATANTE para aplicação em atividades desportivas e pagamento da remuneração dos procuradores nomeados para fiscalização da atividade objeto do presente instrumento, cujo valor achase estipulado na cláusula décima primeira deste instrumento; b. despesas com pagamentos dos tributos incidentes sobre a exploração dos sorteios do BINGO PERMANENTE, mesmo que lançadas em nome da CONTRATANTE; c. despesas com pagamento da folha de pagamento dos funcionários a serem contratados pela CONTRATADA e em seu nome para consecução dos objetivos aqui perseguidos; d. despesas com pagamento de encargos incidentes sobre a folha de pagamento dos funcionários que irão trabalhar no BINGO PERMANENTE; e. despesas com manutenção dos maquinários utilizados para realização dos sorteios; f. despesas com pagamentos de impostos e taxas e despesas com BINGO PERMANENTE, mesmo que tais despesas sejam lançadas em nome da CONTRATANTE; g. despesas com aluguel e seguro do imóvel onde se realizarão os sorteios; h. e outras eventuais despesas que se fizerem necessárias para consecução dos sorteios do BINGO PERMANENTE. CLÁUSULA DÉCIMA TERCEIRA A remuneração da CONTRATADA será equivalente ao resultado líquido verificado entre o valor da receita estipulada na cláusula décima segunda acima enumeradas, abatidas as despesas elencadas nos itens a, b, c, d, e, f, g, h, da mesma cláusula. 18. Assim, ainda que os depósitos bancários questionados se tratassem, realmente, de troca de cheques de clientes da Recorrente, isso em nada mudaria o fato de que tais valores compõem o seu faturamento, haja vista que, como por ela mesma admitido (fls. 397 a 400), os valores trocados foram empregados pelos seus clientes na compra de cartelas de bingo ou de fichas para apostas em máquinas de vídeobingo. 31. Outra alegação aduzida pela Impugnante referese à suposta violação de sigilo bancário, com a consequente nulidade da autuação. Contudo, a mesma também não prospera, senão vejamos: 31.1. Inicialmente, destacase que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as causas de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Fl. 901DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 436 16 [...]. 31.2. Os Autos de Infração foram lavrados por pessoa competente, bem como não se verifica, na presente autuação, cerceamento de defesa como restará demonstrado a seguir. Portanto, descabida a nulidade pleiteada. 31.3. Da análise dos autos, verificase que a descrição dos fatos e dos fundamentos legais é clara e precisa, não deixando margem a dúvidas quanto ao fato imputado e às circunstâncias que envolveram o lançamento. Reiterase, ainda, que o ônus da prova competia ao sujeito passivo, por força do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não há o que se cogitar a respeito de falta de motivação no presente lançamento. A Impugnante teve acesso a todos os elementos constantes das peças de autuação, gozou do prazo de 30 (trinta) dias para apresentar sua impugnação, sendolhe proporcionado o direito ao contraditório e à ampla defesa. Contudo, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores creditados em sua conta bancária. 31.4. Por outro lado, a Impugnante afirma que a Constituição Federal resguarda o sigilo bancário que somente pode ser violado pela justiça, bem como que a Lei nº 10.174/01 permitiu a utilização de informações da CPMF para instaurar procedimento fiscal apenas para os fatos ocorridos a partir da vigência desta lei. 31.5. A alegação de que as informações obtidas não poderiam servir de base ao lançamento tributário não encontra respaldo legal. Constatada qualquer irregularidade, a autoridade fiscal tem a obrigação de constituir de ofício o crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. 31.6. Destarte, inexistiu qualquer ofensa ao sigilo bancário, tendo em vista que as informações foram obtidas nos termos da legislação em vigor, que a seguir será relatada, e foram utilizadas apenas para a constituição de crédito tributário, e agora estão protegidas pelo sigilo fiscal. Ademais, os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte. [...]. 32. Destarte, não há o que se cogitar a respeito de violação de sigilo bancário, de abuso de poder, de invasão de competência, de ilegalidade, de ofensa aos princípios da irretroatividade das leis, do tempus regit actum, da segurança jurídica e do direito adquirido no procedimento fiscal realizado. 19. Novo aparte, desta vez para esclarecer que são objeto de reconhecimento da existência de Repercussão Geral, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos termos do art. 543A, § 1º, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), as controvérsias relativas ao fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial, e à possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174, de 2001, para apuração de créditos Fl. 902DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 437 17 tributários referentes a exercícios anteriores aos de sua vigência (Repercussão Geral em Recurso Extraordinário nº 601.3140SP). 20. Contudo, como bem observado pelo acórdão recorrido, a obtenção dos extratos bancários se deu por intermédio da própria Recorrente (fls. 36), sem que fosse necessária a requisição destes a instituições financeiras, pelo que fica prejudicada essa questão. 21. Com relação à alegada utilização, pela fiscalização, de informações obtidas pela CPMF, temse que o que vedava o art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, era apenas a sua utilização para a constituição de crédito tributário, mas não para a instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições. Vejase (grifouse): Art. 11. [...]. [...]. § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. 22. Assim o que se proibia, até então, era a utilização dessas informações para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, o que deixou de existir com o advento da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, art. 1º, que deu nova redação àquele parágrafo (sublinhouse): § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. 23. Nesse sentido, aliás, a Súmula Carf nº 35 (destacouse): O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. 24. No presente caso, o crédito tributário foi unicamente constituído mediante informações obtidas de extratos bancários, não havendo, pois, qualquer nulidade do procedimento fiscal. 25. Afigurase pertinente, ainda, a referência à Súmula Carf nº 26, de seguinte teor: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 903DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 438 18 26. Quanto a que título teriam sido recebidos pela Recorrente os créditos em sua conta bancária, ela mesma já o reconhece (fls. 397 a 400): foram empregados, depois de convertidos os correspondentes cheques em dinheiro vivo, na compra de cartelas de bingo ou de fichas para apostas em máquinas de vídeobingo. 27. No que se relaciona à citação da Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), o atual entendimento do STJ é o seguinte (grifouse): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. 1. A LC 105/01 expressamente prevê que o repasse de informações relativas à CPMF pelas instituições financeiras à Delegacia da Receita Federal, na forma do art. 11 e parágrafos da Lei 9.311/96, não constitui quebra de sigilo bancário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: “a exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência” e que “inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal” (REsp 685.708/ES, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 20/06/2005). 3. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, pelo que a LC nº 105/2001, art. 6º, por envergar essa natureza, atinge fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a sua vigência. 4. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurála. 5. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 6. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. Ele deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de Fl. 904DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 439 19 garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas, desde que não sirva para encobrir ilícitos. 7. Outrossim, é cediço que “É possível a aplicação imediata do art. 6º da LC nº 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental, sendo certo que, a teor do que dispõe o art. 144, § 1º, do CTN, revelase possível o cruzamento dos dados obtidos com a arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos em face do que dispõe o art. 1º da Lei nº 10.174/2001, que alterou a redação original do art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96” (AgRgREsp 700.789/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 19.12.2005). 8. Precedentes: REsp 701.996/RJ, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06/03/06; REsp 691.601/SC, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 21/11/2005; AgRgREsp 558.633/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 07/11/05; REsp 628.527/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 03/10/05. 9. Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (fls. 272/274): “uma vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (fls. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão (fls. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunção relativa de omissão de rendimentos, a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário.” 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornouse inoperante, [...]. [...]. (REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242) 28. Prosseguindo: 33. A Impugnante entende, equivocadamente, que foi adotado o lucro arbitrado na presente autuação. No entanto, o lucro utilizado foi o presumido, conforme consta, expressamente, do Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 178/179). 34. Cumpre esclarecer à Impugnante que a presunção legal de omissão de receitas, decorrente da não comprovação da origem de valores creditados em conta bancária, por meio de documentação hábil e idônea, não implica, necessariamente, na apuração do lucro arbitrado. Para tanto, basta observar que a alíquota adotada para o cálculo do lucro presumido foi de 32 % (trinta e dois por cento), com fulcro no art. 519, § 1º, III, “a”, do Decreto nº 3.000/99. Fl. 905DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 440 20 35. Caso tivesse sido adotado o lucro arbitrado, como acredita, erroneamente, a Impugnante, a alíquota corresponderia a 38,4 % (trinta e oito vírgula quatro por cento), em razão do disposto no art. 532 do referido decreto. No entanto, esta hipótese não se verifica na presente autuação. 36. Frisese, ainda, que a apuração dos tributos, na presente autuação, feita com base no lucro presumido, encontrase em consonância com o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249 de 26/12/1995, in verbis: [...]. 37. Portanto, descabida a alegação de que foi adotado o lucro arbitrado com base no art. 47 da Lei nº 8.981/95. O lançamento teve por fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que, como já visto anteriormente, estabelece, como receita omitida, os valores creditados em conta bancária cuja origem não restou comprovada por meio de documentação hábil e idônea. 38. No tocante à alegação de que o movimento de um exercício pode contaminar outro, frisase que a Impugnante não aponta quaisquer valores que pudessem ratificar esta afirmação. No entanto, ainda assim, verificase, da análise dos autos, que os valores adotados pela Fiscalização foram os créditos efetuados em conta bancária durante os respectivos períodos com as devidas exclusões. Portanto, em princípio, não foram considerados valores relativos a outros exercícios. Contudo, nesta hipótese, caberia à Impugnante demonstrar sua alegação. Como não o fez, considerase a mesma infundada. Demais exigências 29. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Taxa de juros Selic 30. Com relação à pretensa ilegalidade e inconstitucionalidade da adoção da taxa de juros Selic, defendida pela Recorrente, incidem na espécie as Súmulas CARF nºs 2 e 4, de seguinte teor: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 906DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 441 21 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para EXCLUIR DE TRIBUTAÇÃO as matérias relativas ao 1º trimestre (IRPJ e CSLL) e aos meses de janeiro, outubro e novembro (Pis e Cofins), todos do anocalendário de 2000. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 907DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
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Numero do processo: 13161.000485/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 04 85 /2 01 0- 11 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 432DF CARF MF
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