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Numero do processo: 10925.000649/2009-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.126
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 06 49 /2 00 9- 07 Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10925.000649/200907 Acórdão n.º 9303007.126 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.222, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10925.000649/200907 Acórdão n.º 9303007.126 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10925.000649/200907 Acórdão n.º 9303007.126 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10925.000649/200907 Acórdão n.º 9303007.126 CSRFT3 Fl. 6 5 A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10925.000649/200907 Acórdão n.º 9303007.126 CSRFT3 Fl. 7 6 estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10925.000649/200907 Acórdão n.º 9303007.126 CSRFT3 Fl. 8 7 Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10925.000649/200907 Acórdão n.º 9303007.126 CSRFT3 Fl. 9 8 Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10925.000649/200907 Acórdão n.º 9303007.126 CSRFT3 Fl. 10 9 (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10925.000649/200907 Acórdão n.º 9303007.126 CSRFT3 Fl. 11 10 inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10925.000649/200907 Acórdão n.º 9303007.126 CSRFT3 Fl. 12 11 (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 932DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722380/2011-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS SOBRE A RECEITA BRUTA. EXPORTAÇÃO INDIRETA. SUJEITO PASSIVO. RENÚNCIA EXPRESSA AO LITÍGIO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Tratando-se de Recurso da Fazenda Nacional e tendo o contribuinte expressamente renunciado ao direto controvertido, não há mais litígio a ser apreciado, razão pela qual resta definitivo o crédito tributário.
Numero da decisão: 9202-006.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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EXPORTAÇÃO INDIRETA. SUJEITO PASSIVO. RENÚNCIA EXPRESSA AO LITÍGIO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tratandose de Recurso da Fazenda Nacional e tendo o contribuinte expressamente renunciado ao direto controvertido, não há mais litígio a ser apreciado, razão pela qual resta definitivo o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 23 80 /2 01 1- 51 Fl. 2848DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2401003.536 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 14 de maio de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 2.521: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA NÃO COMPROVAÇÃO DE OUTRAS ATIVIDADES RECOLHIMENTO PELA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, é: I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: IV dois vírgula cinco por cento sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, em substituição às contribuições previstas no inciso I do caput e no art. 202, quando se tratar de pessoa jurídica que tenha como fim apenas a atividade de produção rural.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001). Ao contrário do afirmado pela recorrente, a exportação de produtos agrícolas não configura uma atividade econômica independente. A venda no mercado interno ou externo é apenas um ato de efetivação do exercício de qualquer atividade econômica, a circulação do produto. Prova que a venda não é fato independente, que o fato gerador da contribuição é a comercialização da produção. A compra e venda de terras e o arrendamento não configura uma atividade econômica autônoma, na hipótese de o contribuinte adquirir as terras ou realizar os contratos de arrendamento como forma de incrementar sua produção. Não identificase nos autos contabilização de atividade de compra e venda de imóveis, ale´m daqueles comuns a aquisição de imóveis incorporadas no ativo da empresa. Não é suficiente a simples previsão em contrato social para que reste configurada a atividade econômica autônoma, é imprescindível a realização efetiva da atividade, devendo a mesma estar devidamente registrada contabilmente. Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 9202006.952 CSRFT2 Fl. 3 3 Não há provas nos autos que houve efetivamente a comercialização dos insumos adquiridos, como emissão de notas fiscais de venda devidamente contabilizadas. Também não há provas da existência de uma estrutura comercial nas dependências do contribuinte em que se realizaram atividades de compra de insumos, estocagem, venda de insumos, com o respectivo recolhimento do ICMS ou pelo menos o destaque do imposto nos documentos fiscais. Ainda que o contribuinte realize uma venda esporádica de matérias, equipamentos, insumos, isso é insuficiente para configuração de uma atividade econômica autônoma, se não exercida com habitualidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOR RURAL. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. IMUNIDADE. A receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, nos termos do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal. SENAR, COTRIBUIÇÃO DE INTRVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO NÃO APLICAÇÃO DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88 As contribuições destinadas ao SENAR, classificamse como contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, sendo assim, são devidas, não havendo que se concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição lhe alcançaria, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR AÇÃO JUDICIAL MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NULIDADE DO LANÇAMENTO. A apreciação da nulidade do lançamento pode ser ultrapassada, quando observado que a apreciação do mérito é capaz dar solução a lide de forma definitiva. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. O referido Recurso Especial, fls. 2.551 a 2.565, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 2.568 a 2.596, para rediscutir a interpretação atribuída pelo Acórdão recorrido à imunidade prevista no art. 149 da Constituição Federal no sentido de que a limitação constitucional alcançaria as contribuições previdenciárias devidas sobre a receita Fl. 2850DF CARF MF 4 bruta decorrente da exportação, quando tais exportações foram efetuadas por meio de empresa comercial exportadora. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) o art. 149, § 2º, inc. I, da Constituição Federal concede imunidade as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico que incide sobre as receitas decorrente de exportação, mas não estende tal benefício às operações no mercado interno, ainda que representem operações intermediárias à exportação; b) a fruição do benefício fiscal em tela não contempla as operações no mercado interno, ainda que essas se realizem com o objetivo específico de comercializar a produção rural com o mercado exterior, como é o caso dos autos; c) a imunidade configura uma exceção ao princípio da universalidade e da generalidade da tributação. Sendo, pois, norma de exceção, deve ser interpretada de forma estrita. Por outro lado, a Contribuinte sustenta, em sede de contrarrazões: a) a venda à empresa comercial exportadora equivale a uma exportação propriamente dita; b) empresas no início de suas atividades não possuem a estrutura necessária a tal procedimento, situação em que se socorrem de tradings, praticando vendas com o fim específico de exportação, sendo essa a única maneira de permitir que empresas com menor estrutura de recursos humanos tenham acesso ao mercado exterior; c) a imunidade não é benefício fiscal, mas sim uma regra de incompetência tributária, d) a interpretação buscada pela União não deve prevalecer, pois, ao invés de induzir o crescimento das pequenas empresas, tal postura serve, na verdade, para impedir seu crescimento, em detrimento do tratamento atribuído às grandes empresas que possuem departamento próprio de comércio exterior e realizam exportação direta; e) o STF já deixou claro que a interpretação que a interpretação a ser aplicada em relação às imunidades tributárias é teleológica;valorandose a finalidade a que se visa proteger. Foi, posteriormente, interposto Recurso Especial pela Contribuinte, fls. 2.624 a 2.636, mas não foi admitido, consoante o Despacho de fls. 2.659 a 2665 ratificado após o Reexame de fls. 2.666 a 2.668. Em razão da inadmissibilidade do mencionado Recurso, a Contribuinte opôs Embargos de Declaração sustentando a omissão do Despacho de Admissibilidade, tendo em vista a inexistência de apreciação do argumento relativo à nulidade do auto de infração. Foi reapreciada a admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, quanto à nulidade suscitada, conforme o Despacho de fls. 2.735 a 2.741, e negado seguimento, Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 9202006.952 CSRFT2 Fl. 4 5 devido a absoluta falta de indicação de acórdão paradigma e de demonstração do dissídio jurisprudencial. Em 20 de abril de 2017, o Sujeito passivo realizou o protocolo de uma petição simples na qual pleiteia a exclusão da situação fiscal dos débitos que foram definitivamente exonerados nos autos do processo administrativo 10183.722.380/201151, fls. 2.750 a 2.755. E, em 16 de maio de 2017, apresentou requerimento de renúncia a discussão administrativa travada nos presentes autos e pendente de apreciação definitiva, no âmbito administrativo, fls. 2.783 a 2.787. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, a matéria controvertida a qual foi dada seguimento, objeto do Recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, trata da imunidade das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta decorrente da exportação indireta. Apesar de a decisão a quo ter sido favorável à Contribuinte, quanto ao referido tema, foi por ela juntada petição de renúncia constando o seguinte requerimento: Neste contexto, é a presente para requerer a renúncia a discussão administrativa travada nos presentes autos e pendente de apreciação definitiva no âmbito administrativo. Ressalvase de tal desistência a extinção do crédito tributário definitivamente julgada (Acórdão 0431.414 3ª Turma da DRJ/CGE), que exonerou do crédito exigido nos presentes autos os seguintes valores: (...). Assim, a Contribuinte renunciou expressamente ao tema objeto dos autos, razão pela qual não há mais litígio a ser apreciado. Diante do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para declarar a definitividade do crédito tributário em face da renúncia quanto à matéria objeto do recurso. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 2852DF CARF MF 6 Fl. 2853DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721452/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP.
É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora).
Numero da decisão: 1201-002.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora).
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INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 14 52 /2 01 5- 99 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10882.721452/201599 Acórdão n.º 1201002.200 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Despacho Decisório que não homologou o crédito de estimativa pleiteado pelo contribuinte, sob o fundamento de que ele já teria sido objeto de indeferimento em outro processo administrativo. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: houve cerceamento de defesa e nulidade do Despacho Decisório por falta de informação quanto ao alegado fato para a não homologação das compensações. Ressalta que a Instrução Normativa citada IN nº 1.300/2012 não estava vigente à época dos fatos e também contesta a citação genérica do art. 74 da Lei nº 9.430/1996; a partir da revogação do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que restringia a compensação da estimativa a apuração do saldo negativo, o Despacho Decisório negando a restituição/compensação do valor pago a maior por estimativa passou a condição de improcedente ou equivocado, legitimando o crédito; o art. 10 da IN RFB nº 600/2005 é ilegal, destacando que a Receita Federal não pode se utilizar de mera Instrução Normativa para restringir a recuperação de créditos. Requer a aplicação retroativa do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 vigente à época de 2010, que permite a restituição de valores de estimativas pagos indevidamente ou a maior; deixou de apresentar defesa administrativa contra o primeiro Despacho Decisório e optou pelo pagamento dos débitos. Assim, quando realizou os pagamentos constante da PER/DCOMP não homologada, o crédito existente, e sem vedação na legislação, sem dúvida voltou a existir; Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10882.721452/201599 Acórdão n.º 1201002.200 S1C2T1 Fl. 4 3 o art. 74 da Lei nº 9.430/1996 veda que débitos não homologados sejam passíveis de compensação, porém no presente caso os débitos foram quitados. Assim, conclui que não há qualquer impedimento legal para solicitar o crédito de pagamento indevido ou a maior novamente; a liquidez do crédito oriundo de pagamento a maior restou evidenciada; é indevida a exigência de Multa e Juros no atraso dos débitos compensados em DCOMP. A DRJ, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O contribuinte interpôs recurso voluntário. Repisa os argumentos de defesa e pede que seu direito creditório seja reconhecido. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.196, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10882.721445/2015 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.196): O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo a apreciálo. Primeiramente, cabe rejeitar a alegação de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa. Isso porque, apesar de parecer bastante sucinto o Parecer que embasa o despacho decisório, ele deixa claro o motivo e o fundamento legal para o indeferimento da DCOMP, tendo sido oferecido à impugnante o pleno exercício do direito de defesa e contraditório. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10882.721452/201599 Acórdão n.º 1201002.200 S1C2T1 Fl. 5 4 Na impugnação e recurso voluntário, aliás, a contribuinte demonstra que compreendeu os fatos e os motivos que levaram aos indeferimentos dos pleitos. Apenas para recapitular, a Recorrente teve sua Declaração de Compensação não homologada em face do inciso VI do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.340/1996, verbis: "Artigo 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o [...] VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa." Nesse contexto, a autoridade fiscal responsável pela análise do direito creditório se certificou, e comprovou, que o crédito já havia sido objeto de indeferimento em outro pedido, fato este que, como determina a lei, enseja a não homologação da "nova" DCOMP que indicou saldo credor indeferido anteriormente. Além disso, parece que o contribuinte ainda pretende um efeito repristinatório da norma de estimativa, o que não se sustenta. A autoridade fiscal, portanto, ao não homologar a DCOMP em tela, nada mais fez do que cumprir a lei, e não mera IN, não merecendo nenhum reparo o procedimento adotado. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente entende violados, cumpre frisar que este Conselho não possui poderes para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2. Falece ao presente julgador, contudo, competência para analisar os argumentos de cunho constitucional invocados. Finalmente, e tendo em vista a não homologadas das compensações, os débitos indevidamente compensados passam a se sujeitar aos acréscimos moratórios como decorrência lógica. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10882.721452/201599 Acórdão n.º 1201002.200 S1C2T1 Fl. 6 5 Débitos vencidos, mas não liquidados no prazo legal, estão sujeitos à multa e juros. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.906301/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas.
O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
Numero da decisão: 1401-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.906301/201147 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.568 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria IRPJ Recorrente PHD PATOLOGIA HUMANA DIAGNOSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 63 01 /2 01 1- 47 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10983.906301/201147 Acórdão n.º 1401002.568 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte apresentada em virtude de não ter reconhecido o direito creditório pleiteado e de não homologar a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP, para manter o crédito tributário exigido. Ao compulsar dos autos, percebese que “a matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico , exarado pela Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC, no qual não foi homologada a DCOMP, sob o argumento de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Diante disto, a Derat/SC – Florianópolis, não homologou a compensação declarada, exigindo o recolhimento dos débitos, com os respectivos acréscimos legais. Exigiu se os valores devedores indevidamente compensados. A Ciente da autuação, o interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: 1. PRELIMINAR: DA DECISÃO JUDICIAL QUE DECLAROU A NATUREZA HOSPITALAR DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELA REQUERENTE AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA A EDIÇÃO DO ATO IMPUGNADO: Diz que há uma questão prejudicial à lavratura do Despacho Decisório, tendo em vista que fora judicialmente reconhecida a natureza hospitalar dos serviços de patologia, autorizando lhes a aplicar o percentual de 8% (IRPJ) e 12%CSLL, para efeitos de determinação da base de calculo (lucro presumido)”. 2. NO MÉRITO: O contribuinte alegou haver ingressado com ação ordinária junto à 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Itajaí/SC, que recebeu o nº 500001672.2010.404.7208, objetivando o reconhecimento do direito de recolher o IRPJ e a CSLL aplicando os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta e, ainda, o direito de compensar os recolhimentos a maior já efetuados (alíquota de 32%). 3. Diz que obteve decisão judicial que suspendeu a exigibilidade em relação aos créditos tributários correspondentes. E que, uma vez reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços prestados não restam dúvidas no sentido de que a compensação levada a efeito, cujo crédito apurado decorre de pagamentos indevidos Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10983.906301/201147 Acórdão n.º 1401002.568 S1C4T1 Fl. 4 3 de IRPJ e CSLL, pela aplicação equivocada do percentual de 32% é plenamente legítima, devendo, pois, ser homologado o procedimento de compensação. E que, partindo da premissa que o crédito utilizado para compensação é plenamente legitimo, o entendimento externado no r. Despacho Decisório, configura uma hipótese de negativa de vigência ao disposto no art. 74, da Lei n. 9.430/96”. 4. Requereu que seja: "(a) recebida a presente manifestação de inconformidade, para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional; (b) decretada a nulidade do r. Despacho ...; ou, então, (c) seja este integralmente reformado, tendo em vista que fora reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços de patologia prestados”. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008. DIREITO CREDITÓRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Não encontra amparo legal a pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. 1. É vedada a compensação de débitos com direito creditório discutido judicialmente, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. 2. Somente o trânsito em julgado da decisão judicial no processo no qual se discute a determinação do crédito do contribuinte pode atribuir a este os requisitos de liquidez e certeza sem os quais a compensação declarada não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Isto porque, segundo entendimento da Turma, a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. E que, além disso, cumpre observar que se encontra prejudicada a apreciação do mérito do direito ao crédito e de sua compensação, na medida em que não encontra amparo à pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial”. E no que tange à possibilidade de se compensar os indébitos discutidos na ação ordinária ajuizada pela impugnante, notase que “nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001, citado na própria sentença, é vedada a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10983.906301/201147 Acórdão n.º 1401002.568 S1C4T1 Fl. 5 4 Conclui a turma julgadora que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Dessa forma, a manifestação fora julgada improcedente, culminandose com a não homologação da compensação objeto da DCOMP. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando seguintes as razões: 1. DA PROTEÇÃO DA SEGURANÇA JURÍDICA DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ: Aduz que a compensação levada a efeito, pautouse por entendimento já preconizado pela própria administração fazendária, o acórdão recorrido acabou vulnerando os princípios da segunda jurídica, da proteção da confiança e da boafé, devendo, portando, ser modificado. 2. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 170 A (CTN): Aduz que ao se tratar de compensação de indébito resultante de enquadramento legal equivocado, não tem aplicabilidade o disposto no art. 170A, já que nessa hipótese, para constatarse a configuração do indébito, não haverá necessidade de pronunciamento judicial. E que, em decorrência do recolhimento de tributo a maior, a recorrente tem direito ao justo ressarcimento do indébito mediante exercício do direito protestativo de compensação, independentemente de prévia autorização judicial ou administrativo. 3. DA VERIFICAÇÃO E APURAÇÃO DO INDÉBITO RELATIVO AO CRÉDITO COMPENSADO: Afirma que em razão dos amplos poderes de fiscalização da Receita Federal, a compensação levada a efeito não deveria ter sido rejeitada de plano eventualmente pela falta de retificação da DCTF em que fora declarado o tributo indevido. Informa que tal entendimento é baseado no art. 165, II do CTN, em que assegura que a restituição (no caso por compensação) do pagamento indevido mesmo quando o tributo for recolhido a maior em função de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação de alíquota aplicada, no calculo do montante de debito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento 4. Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto para modificar o acórdão recorrido, homologandose a compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10983.906301/201147 Acórdão n.º 1401002.568 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.553, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.902599/2011 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.553): "[...] O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide versa sobre o direito de compensar a diferença de alíquotas do IRPJ e CSLL atribuídos por força da utilização do percentual reduzido de 8% e 12% na apuração do lucro presumido por ocasião da equiparação hospitalar, desde que o contribuinte seja constituído de fato e de direito como sociedade empresária. Não é caso novo nesse Conselho. A DRJ manteve o crédito tributário sob o entendimento de que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Entretanto, como bem observado pela DRJ “a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. Não é caso novo nesse Conselho a análise sobre as alíquotas aplicáveis e o enquadramento como serviços de natureza hospitalar. DO ENQUADRAMENTO DE SERVIÇOS HOSPITALARES: É cediço, que o Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria atinente à aplicação de alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.906301/201147 Acórdão n.º 1401002.568 S1C4T1 Fl. 7 6 O critério eleito é de cunho objetivo e concerne “à natureza do serviço que deve ser relacionado à promoção da saúde e ter custo diferenciado, excluídas, assim, as receitas decorrentes de simples consultas médicas e demais atividades administrativas”, senão vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.906301/201147 Acórdão n.º 1401002.568 S1C4T1 Fl. 8 7 consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". (STJ, REsp 1.369.763/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24/6/2013; AgRg no REsp 1.383.586/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 1/10/2015). Coadunase ao entendimento pacificado do STJ, o seguinte julgado: Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015. Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Forçoso reconhecer, portanto, o direito da empresa recorrente ao recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, no mesmo patamar exigido das entidades prestadoras de serviços hospitalares, previsto nos arts. 15, § 1º, III, "a" (IRPJ) e 20 da Lei n. 9.249∕95 (CSLL). Desta feita, restandolhe assegurado o direito ao recolhimento no mesmo patamar das prestadoras de serviços hospitalares, também lhe é assegurado o direito à restituição ou compensação dos valores pagos a maior. FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DO ADVENTO DA LEI Nº 11.727/08: Em que pese não tenha sido objeto da decisão recorrida vez que a mesma não adentrou ao mérito, cumpre enfrentar a matéria. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.906301/201147 Acórdão n.º 1401002.568 S1C4T1 Fl. 9 8 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Acerca do efeito vinculante para a Administração Tributária Federal de teses jurisprudências pacificadas, fazse necessário a transcrição da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1 de 12 de fevereiro de 2014: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ...V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8oda portariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10983.906301/201147 Acórdão n.º 1401002.568 S1C4T1 Fl. 10 9 "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendose em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10983.906301/201147 Acórdão n.º 1401002.568 S1C4T1 Fl. 11 10 forma de sociedade empresária." (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014). Ocorre que, somente após o advento da Lei 11.727/08 é que houve a instituição do requisito legal de ser uma sociedade empresária para poder usufruir do beneficio legal da tributação favorecida. Antes de janeiro de 2009, os contribuintes poderiam estar organizados sob a forma de sociedade simples, sem que isso interferisse na obtenção do referido benefício fiscal. Não há obrigatoriedade de ser constituída como sociedade empresária para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/01/2009, data em que passou a produzir efeitos o art. 29 da Lei n. 11.727/2008. Somente após esta data, é que se deve observar as alterações e imposições trazidas pelo texto legal. In casu, o auto de infração fora lavrado com exigências tributárias referentes aos anoscalendários de 2006/2007/2008, de modo que as alterações trazidas pela Lei nº 11.727/08 não podem retroagir para abarcar fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei. Ademais, admitir a modulação dos efeitos da Lei 11.727/2008 para fatos pretéritos, é aceitar uma modificação de critério jurídico vedado pelo art. 146 do CTN, na medida em que se traz eficácia retroativa aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (CTN). [grifase]. Outrossim, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido, inclusive tratandose acerca da irretroatividade da lei para fatos pretéritos, a saber: As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda à receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. (STJ Tema 217). [grifo nosso]. Diante do exposto, verificandose que o fiscalizada presta serviços laboratoriais de análises clínicas, serviços esses que estão inseridos no conceito de atividades hospitalares e Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10983.906301/201147 Acórdão n.º 1401002.568 S1C4T1 Fl. 12 11 levando em consideração a irretroatividade da Lei 11.727/08 para fatos geradores pretéritos, faz jus a contribuinte ao recolhimento do IRPJ e da CSLL às alíquotas de 8% e 12%, nos termos da Lei nº 9.249/95 (arts. 15, § 1º, inciso III, alínea a, e 20, caput). CONCLUSÃO: Dessa forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, razão pela qual lhe assiste o direito de compensar os pagamentos feitos a maior. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.001605/2006-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRRF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
Inexiste erro no Lançamento do crédito tributário quando ocorre o fato gerador do tributo legalmente instituído, e, tampouco, há erro na identificação da matéria tributável quando a fiscalização aponta claramente os dispositivos adotados para o Lançamento, enquadramento legal e suas exigências ligada à hipótese da incidência tributária.
Não há se falar em cerceamento de defesa, uma vez que o devido processo legal foi respeitado, consoante a observação da ampla defesa e contraditório, uma vez inexiste imprecisão da fundamentação quando os dispositivos indicados são justamente os que enquadram o Contribuinte na obrigação de recolher o IRRF, ou a diferença dele.
RECOLHIMENTO DO IRRF. BASE DE CALCULO. PAGAMENTOS FEITOS A PRESTADORES DE SERVIÇOS, PESSOAS FÍSICAS.
A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a exigência da obrigação tributária mais os acréscimos legais, do que trata a Lei Lei nº 9.430/1996, já que a ação fiscal foi instaurada após o encerramento do período de apuração do fato gerador.
A base de cálculo apurada no imposto devido é aquela que a fiscalização apura, quando do pagamento realizado a profissionais que prestaram serviços para a pessoa jurídica no período apurado.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2301-005.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRRF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Inexiste erro no Lançamento do crédito tributário quando ocorre o fato gerador do tributo legalmente instituído, e, tampouco, há erro na identificação da matéria tributável quando a fiscalização aponta claramente os dispositivos adotados para o Lançamento, enquadramento legal e suas exigências ligada à hipótese da incidência tributária. Não há se falar em cerceamento de defesa, uma vez que o devido processo legal foi respeitado, consoante a observação da ampla defesa e contraditório, uma vez inexiste imprecisão da fundamentação quando os dispositivos indicados são justamente os que enquadram o Contribuinte na obrigação de recolher o IRRF, ou a diferença dele. RECOLHIMENTO DO IRRF. BASE DE CALCULO. PAGAMENTOS FEITOS A PRESTADORES DE SERVIÇOS, PESSOAS FÍSICAS. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a exigência da obrigação tributária mais os acréscimos legais, do que trata a Lei Lei nº 9.430/1996, já que a ação fiscal foi instaurada após o encerramento do período de apuração do fato gerador. A base de cálculo apurada no imposto devido é aquela que a fiscalização apura, quando do pagamento realizado a profissionais que prestaram serviços para a pessoa jurídica no período apurado. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRRF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Inexiste erro no Lançamento do crédito tributário quando ocorre o fato gerador do tributo legalmente instituído, e, tampouco, há erro na identificação da matéria tributável quando a fiscalização aponta claramente os dispositivos adotados para o Lançamento, enquadramento legal e suas exigências ligada à hipótese da incidência tributária. Não há se falar em cerceamento de defesa, uma vez que o devido processo legal foi respeitado, consoante a observação da ampla defesa e contraditório, uma vez inexiste imprecisão da fundamentação quando os dispositivos indicados são justamente os que enquadram o Contribuinte na obrigação de recolher o IRRF, ou a diferença dele. RECOLHIMENTO DO IRRF. BASE DE CALCULO. PAGAMENTOS FEITOS A PRESTADORES DE SERVIÇOS, PESSOAS FÍSICAS. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a exigência da obrigação tributária mais os acréscimos legais, do que trata a Lei Lei nº 9.430/1996, já que a ação fiscal foi instaurada após o encerramento do período de apuração do fato gerador. A base de cálculo apurada no imposto devido é aquela que a fiscalização apura, quando do pagamento realizado a profissionais que prestaram serviços para a pessoa jurídica no período apurado. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 16 05 /2 00 6- 42 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10240.001605/200642 Acórdão n.º 2301005.311 S2C3T1 Fl. 271 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Sumário sucinto do processo transcrito em nota de rodapé1. Tratase de recurso voluntário interposto por INSTITUTO DE ONCOLOGIA E RADIOTERAPIA SÃO PELLEGRINO S/C LTDA., contra o acórdão de julgamento n.º 017.703, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belém I PA (Ia Turma da DRJ/BEL), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, totalizando o valor de R de R$41.044,24, com imposição de multa de ofício de 75%, tendo como fato gerador o ano calendário de 2002, exercício 2003. A presente autuação é devida por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda na Fonte referente sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas sem vínculo empregatício, decorrentes de pagamentos de honorários a médicos que prestaram serviços à contribuinte. Observase que pelo Termo de Constatação e Verificação Fiscal de fls. 158 a 163, parte integrante do auto de infração, a autoridade lançadora apurou os débitos de IRRF ao longo do ano de 2002, sobre os pagamentos a trabalhadores com e sem vínculo empregatício, conforme os demonstrativos apurados, mas os lançamento se deram em razão dos trabalhadores sem vínculo empregatício. Nesse sentido, os dados que deram origem aos demonstrativos foram, segundo a fiscalização, as informações constantes nos Sistemas com a SRF, a documentação apresentada pela empresa sob fiscalização e as Declarações Retificadoras (DIRF e DCTF), realizadas pela empresa em resposta aos Termos de Intimação Fiscal. 1 I. AUTO DE INFRAÇÃO fls. 156/166 II. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL fls. 158163 III. IMPUGNAÇÃO fls. 184192 IV. ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO fls. 225228 V. RECURSO VOLUNTÁRIO fls. 236246 Referência de Folhas do eprocesso. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10240.001605/200642 Acórdão n.º 2301005.311 S2C3T1 Fl. 272 3 As alegações da Contribuinte na impugnação de fls. 852882 foram julgadas integralmente improcedente, entendendo que os cálculos apresentados pela impugnante não estariam de acordo com o levantado pela fiscalização. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário, requerendo, em síntese, segundo suas alegações: "a) Tendo em vista que a autoridade fiscal, para efetuar o lançamento ora questionado, baseouse nos documentos apresentados pelo requerente e estando em duplicidade um dos recibos entregues à Fiscalização, há de se recalcular o montante total de rendimentos tributáveis pagos pela recorrente, bem como o imposto de renda na fonte devido, utilizandose a tabela progressiva mensal constante da IN SRF n° 118, de 2002, conforme planilha em anexo (ver quadro 1); b) Para de efetuar o cotejo entre os valores apurados por intermédio da planilha em anexo e do parcelamento obtido pelo recorrente (PAES), devese observar, não o mês de referência, mas a data de vencimento, isso porque dois meses de referência distintos podem ter o mesmo prazo de recolhimento, em face das especificidades do termo final de pagamento do imposto de renda na fonte; c) Cotejandose, portanto, os valores apurados por intermédio da planilha em anexo c o parcelamento, tomandose por base a data de vencimento, constatase não haver saldo devedor (ver quadro 2); por outro, se esse Tribunal vier a entender que os valores levantados pela planilha em anexo não estão corretos, mas sim os apurados pela Fiscalização, considerandose a data de vencimento corno o termo comum entre o cálculo do imposto devido e o parcelamento, restaria ainda por recolher a quantia de R$ 530,84 (ver quadro 3); Mas se esse Conselho entender que a comparação entre o valor apurado pelo Fisco c o parcelamento devese dar pelo mês de referência, é de se obter a dívida ainda exigível de R$ 2.697,24 (ver quadro 4); e d) O lançamento ora efetuado contempla valores que já foram objeto de declaração e que, portanto, são passíveis de inscrição como Dívida Ativa da União, o que dispensa a necessidade do lançamento. Assim, resta improcedente o presente lançamento, conforme maciça jurisprudência administrativa antes informada (ver quadro 5)". A recorrente anexou documentos e cálculos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Wesley Rocha O recurso é tempestivo. Portanto, dele o conheço e passo a analisar o mérito A recorrente alega que teve cerceado o direito de defesa por entender que a fiscalização e a DRJ não acataram seu pedido de acolhimento dos cálculos apresentados. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10240.001605/200642 Acórdão n.º 2301005.311 S2C3T1 Fl. 273 4 Contudo, a decisão que não atende a pretensão da recorrente não implica em cercear direito de defesa. Para que fique constatado o cerceamento de defesa deve o interessado apresentar o prejuízo resultante do ato ou fato alegado. Nesse sentido, o direito de defesa está sendo plenamente exercido pela contribuinte, obedecendo o devido processo legal, respeitando prazos para manifestação e acesso integral ao processo e documentos, proporcionando assim o contraditório, impugnando o que entende devido, sendo suas alegações não foram acatadas até o momento, incluindo análise de seu recurso nesse julgamento. Por outro lado, informa a recorrente que a fiscalização teria errado na apuração do cálculo que resultou no lançamento, a qual chegou à base de calculo verificada de R$219.319,75, tendo como imposto devido a quantia de R$46.184,64, conforme planilha de fl. 160, reproduzida abaixo: Aduz a contribuinte que não entende como a fiscalização chegou no valor autuado. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10240.001605/200642 Acórdão n.º 2301005.311 S2C3T1 Fl. 274 5 Nesse sentido, a recorrente apresenta "quatro" cálculos que "poderiam" ser devidos em seu entendimento, discorrendo com planilhas de apuração mensais. Essas apurações teriam como fundamentação as seguintes bases de cálculos: i) Base de cálculo do imposto de R$ 205.480,11: devidos pela somatória dos recibos pagos aos profissionais que laboraram atividades médicas para contribuinte e que foram apresentados para a fiscalização. Nesses cálculos entendo que não assiste razão a recorrente, pois os recibos juntados nas fls. 71 a 114, dos profissionais que prestaram serviço à contribuinte, não são os valores encontrados, e compreendo que a recorrente errou na soma da quantia apresentada por ela mesmo, do qual encontro analiticamente justamente o crédito localizado pela fiscalização, qual seja: R$ 219.369,75. ii) Base de cálculo de R$ 201.753,37: alega a empresa autuada que emitiu apenas 13 recibos em nome do Sr. Robinson Cardoso Machado. Houve um recibo entregue à Fiscalização em duplicidade: tratase do documento datado de 01 de agosto de 2002. Segundo entendimento da recorrente, os rendimentos pagos a esse profissional somaria a monta de R$ 48.859,87. Os recibos duplicados estariam nas fls. fls. 109/110. Entretanto, diferente do que alega a recorrente os recibos emitidos em favor do Sr. Robinson foram ao total de 14, e não 13 como alega, conforme podemos constatar das fls. 101 a 114, e que o somatório dos valores ali informados atingem exatamente o que a fiscalização apurou, ou seja: R$ 52.586,61. Quanto ao possível recibo em duplicidade, emitido em mesma data, e mesmo valor, entendo que podem ter sido recebidos pelo profissional no mesmo dia, e mesmo valor, vindo a recorrente impugnar a informação prestada por ela mesmo à fiscalização somente em fase de recurso. De qualquer forma, mesmo que seja subtraído o recibo duplicado não se encontra os valores apurados pela recorrente. Portanto, sem razão nesse aspecto. Quanto ao recibos de fls. 109/110 entendo que o profissional pode ter recebido duas vezes no mesmo mês, e que eles foram ofertados pela fiscalização pela própria recorrente. Também, não foi objeto de impugnação em sede de primeira instância, o que verifico que pode ter havido uma desatenção por parte da recorrente. Assim, nada impede que o mesmo profissional tenha recebido duas vezes no mesmo mês, seja por qualquer que for o motivo, que descabe a essa julgador fazer juízo de valor, mas entender que foi possível receber duas vezes no mesmo mês, e nas mesmas quantias estipuladas. Portanto, afasto a possibilidade de duplicidade e entendendo que foi elemento somado na base de cálculo do imposto. iii) Base de cálculo do imposto de R$ 203.616,56". Aduz a recorrente que a DIRF retificadora apresentada pelo recorrente informa um total de rendimentos tributáveis pagos no montante acima informado (planilha 1 anexada ao recurso). Nessa alegação, entendo que, como a recorrente equivocouse nos cálculos feitos no total do somatório feito, o recolhimento acabou tendo valores equivocados, levando a fiscalização a constatar a diferença apurada. Por isso, existiu um valor remanescente a ser recolhido. iv) Base de cálculo apurada pela recorrente em razão do PAES Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10240.001605/200642 Acórdão n.º 2301005.311 S2C3T1 Fl. 275 6 Quanto ao que foi apurado pelo contribuinte com a alegação de que os valores estariam errados, em razão da recorrente ter estado enquadrado no PAES, entendo que a decisão da DRJ deve mantida. Isso porque conforme se constada da fl. 161 à 163, se verifica claramente da planilha que a Fiscalização para apuração dos valores levou em consideração as diferenças entre a DIRFs e os valores analisados na verificação fiscal, nas DARF, DCTF e justamente no PAES, elaborando detalhadamente os valores correspondentes aos procedimentos citados. Quanto aos demais argumentos, compreendo que a uma vez constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto com acréscimos legais. Nesse sentido, a obrigação da fonte pagadora exigida por Lei tem seu regramento nas normas complementardes a exemplo do art. 722 do RIR/1999, in verbis: "Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 103)". Sobre o período de retenção quando da ocorrência do fato gerador, entendo por bem descrever o Parecer Normativo COSIT Nº 1, de 24 de setembro de 2002, assim transcrito: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10240.001605/200642 Acórdão n.º 2301005.311 S2C3T1 Fl. 276 7 período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Assim, compreendo que está correto o entendimento da fiscalização quanto ao período apurado, bem como voto pela manutenção da decisão da DRJ de origem. Por fim, sobre o possível pedido de compensação o contribuinte deve providenciar pedido específico em processo próprio, já que este trata somente da autuação. Assim, em se verificando valores pagos e já recolhidos, será apurado junto ao sistema da Receita Federal, quando a analise da confrontação dos pagamentos feitos e possível valor remanescente devido ao processamento da referida autuação e decisões. Conclusão Em face do exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a exigência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10240.001605/200642 Acórdão n.º 2301005.311 S2C3T1 Fl. 277 8 Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904820/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 48 20 /2 01 2- 79 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Acórdão n.º 1301003.202 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Acórdão n.º 1301003.202 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.567 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Acórdão n.º 1301003.202 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Acórdão n.º 1301003.202 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Acórdão n.º 1301003.202 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Acórdão n.º 1301003.202 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 195DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002099/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação.
Numero da decisão: 3302-005.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Raphael Madeira Abad que dava-lhe provimento parcial..
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Raphael Madeira Abad que davalhe provimento parcial.. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratamse de Autos de Infração de Imposto de Importação II, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, PIS/PasepImportação e Cofins/Importação, no período de 2003 a 2006, por não ter utilizado os bens importados no processo produtivo e por não ter AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 20 99 /2 00 7- 47 Fl. 18240DF CARF MF Processo nº 11020.002099/200747 Acórdão n.º 3302005.605 S3C3T2 Fl. 18.240 2 procedido à exportação dos produtos fabricados, bem como por não ter tomado nenhuma das providências do artigo 342 do RA/2002. Em impugnação, a recorrente alegou que realizou todas as exportações necessárias para cumprir os compromissos assumidos nos atos concessórios, mas que por falha interna, não realizou os devidos lançamentos nem vinculou os Registros de Exportação aos respectivo atos concessórios; que eventual falha não impediria a fruição do benefício, pois que realizou as exportações necessárias; que a comprovação do cumprimento do regime deve ser feita pela análise de fluxos financeiros, nos termos do artigo 339 do RA/2002; que importou via drawbackintermediário; que as jurisprudências administrativa e judicial têm decidido no sentido de eventual descumprimento de formalidades é superado pela comprovação efetiva da exportação; por fim, pede a realização de perícia com indicação de quesitos e perito. Na sessão de 11/09/2014, a DRJ converteu o julgamento em diligência para juntada de arquivo digital mencionado na impugnação, saneamento da numeração do processo, realização de auditoria dos documentos apresentados pela impugnante, apresentação do laudo pericial solicitado pela impugnante e a apresentação dos arquivos de baixa dos atos concessórios perante o SECEX, relativos às DI´s objeto da autuação. A recorrente apresentou o laudo pericial de efls. 1588 e ss, no qual afirmou se que as mercadorias importadas foram integralmente utilizadas no processo produtivo da recorrente e, posteriormente, incorporados aos produtos finais e exportados, em sua grande parte, pelas empresas Master, Random Automotive e Random Participações; que os Registros de Exportação dos produtos tem vinculação com os Atos Concessórios vinculados às DI´s objeto da autuação e que nem todos os embarques ocorreram dentro do prazo de validade dos atos concessórios, anexando 15.899 folhas de documentação. Apreciando a documentação, a fiscalização concluiu pela não comprovação do compromisso de exportação, detectando várias irregularidades, sendo a principal, a falta de vinculação do Registro de Exportação ao Ato Concessório, até a data limite para averbação de embarque, quando o controle aduaneiro ainda poderia ser realizado. Em contraposição, a recorrente reiterou a observância do princípio da verdade material, aduzindo que o laudo pericial confirma a efetiva exportação e cumprimento dos atos concessórios e que irregularidades formais não são suficientes para se manter a autuação. Apreciando a defesa da empresa, a Sétima Turma da DRJ em Fortaleza julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CONVICÇÃO DO JULGADOR. DADOS DO PERITO. ALTERAÇÃO POSTERIOR. RAZOABILIDADE. DEFERIMENTO. O pedido de perícia dirigese ao julgador, que pode ou não acatálo, desde que atendidos os requisitos constantes do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, e qualquer alteração nos Fl. 18241DF CARF MF Processo nº 11020.002099/200747 Acórdão n.º 3302005.605 S3C3T2 Fl. 18.241 3 dados anteriormente formulados deve ser previamente comunicada ao julgador. Contudo, em homenagem ao princípio da razoabilidade, deferese a substituição do perito quando o lapso temporal decorrido entre o pedido e a apreciação pelo órgão julgador seja muito longo. JUNTADA DE DOCUMENTOS. INFORMAÇÕES VAGAS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. LAUDO PERICIAL INCONCLUSIVO. A mera juntada de documentos, acompanhada de laudo pericial com informações vagas, não comprova a constituição do direito da defendente, devendo ser preservada a presunção de legitimidade e veracidade do lançamento tributário. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. É ônus do contribuinte comprovar o adimplemento do compromisso relativo ao drawback, mediante a demonstração de que ocorreram exportações vinculadas ao regime e ao correspondente ato concessório e que os produtos exportados decorrem da industrialização da matériaprima importada ao amparo do Drawback. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÕES. EFEITOS. Somente comprovam o adimplemento do Drawback Registros de Exportação que contenham o código de operação específico desse regime e estejam vinculados ao correspondente ato concessório. Inexistindo prova de que os Registros de Exportação apresentados pelo interessado acobertam produtos em cuja industrialização tenham sido empregadas mercadorias importadas sob o regime Drawback, cabe ao Fisco exigir os impostos que ficaram suspensos por ocasião da importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzias em impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 18242DF CARF MF Processo nº 11020.002099/200747 Acórdão n.º 3302005.605 S3C3T2 Fl. 18.242 4 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente reconhece em suas peças recursais que não houve vinculação dos Registros de Exportação aos Atos Concessórios objeto da autuação, mas que a perícia elaborada demonstraria a utilização das mercadorias importadas no processo produtivo da recorrente, sua venda para a industrialexportadora e a exportação dos produtos, com o consequente cumprimento do compromisso de exportar. Tal reconhecimento corrobora a afirmação no relatório fiscal de efls. 18162 de que todos os Registros de Exportação apresentados pela recorrente ou não foram vinculados aos atos concessórios ou a vinculação ocorreu após a averbação da exportação, não se prestando como prova do cumprimento do compromisso. Ressaltase que a vinculação do RE ao ato concessório para efeito de comprovação do adimplemento do compromisso é requisito essencial, conforme previsto na Portaria SECEX nº 4/1997, que assim dispunha em seu artigo 37, inserido dentro da item VII COMPROVAÇÃO: Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor. Do mesmo modo, o Comunicado DECEX nº 21/1997 dispunha em seu Capítulo V COMPROVAÇÕES: CAPÍTULO V COMPROVAÇÕES TÍTULO 19 MODALIDADE SUSPENSÃO 19.1. Para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, os documentos utilizados na importação e na exportação deverão abranger apenas um Ato Concessório de Drawback, bem como não poderão estar vinculados à comprovação de outros Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. [...] 19.3. Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. No mesmo sentido a Portaria SECEX nº 14/2004: Seção III Modalidade Suspensão Art. 139. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao Regime, Fl. 18243DF CARF MF Processo nº 11020.002099/200747 Acórdão n.º 3302005.605 S3C3T2 Fl. 18.243 5 por intermédio do módulo específico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. [...] Art. 141. As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de comprovação. Salientase que, por se tratar de suspensão de crédito tributário que se resolve em isenção (ou isenção condicionada), os dispositivos legais sobre Drawbacksuspensão devem ser interpretados literalmente, a teor do artigo 1111 do CTN. Ademais, a vinculação do RE ao AC permite à autoridade aduaneira conhecer que se trata de uma exportação destinada à cumprir um regime de benefício fiscal isentivo, permitindo a adoção de medidas de controle aduaneiro adequadas, de modo a possibilitar eventual controle do emprego e destinação dos bens objeto do regime de Drawback. Ressalta se, ainda, que a falta de vinculação de um RE a um AC possibilita sua utilização em diversos atos, impossibilitando o controle aduaneiro efetivo. Neste sentido, citamse os Acórdão nº 9303000.544 e 9303004.139, proferido pela CSRF, cujas ementas seguem abaixo: Acórdão nº 9303000.544: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 1993, 1994 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II. DRAWBACKSUSPENSÃO. Registros de exportação não vinculados ao ato concessório não são aceitos pela Receita Federal do Brasil, para fins de comprovação do regime de drawback. A vinculação de registros de exportação ao ato concessório após o início do procedimento fiscal, momento em que se encontra excluída a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, não pode ser considerada para fins de descaracterização de infrações já consumadas. Recurso Especial da Fazenda provido. Recurso Especial do Contribuinte negado. Acórdão nº 9303004.139: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 18244DF CARF MF Processo nº 11020.002099/200747 Acórdão n.º 3302005.605 S3C3T2 Fl. 18.244 6 Período de apuração: 23/01/2007 a 12/12/2007 DRAWBACK SUSPENSÃO. EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação a ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. O excerto do voto vencedor elaborado neste último é esclarecedor, conforme a seguir: "A modalidade de drawback objeto da lide – drawback suspensão – como a própria denominação permite antever, contempla a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outro produto a ser exportado. Nesse diapasão, os produtos importados pelo beneficiário deverão ser efetivamente àqueles utilizados nas mercadorias exportadas, obrigatoriedade esta que caracteriza o denominado princípio da vinculação física, exigido, em regra, em todas as modalidades de drawback. Com efeito, referido princípio está embasado, historicamente, nos artigos 314, 315 e 317 do Regulamento Aduaneiro de 1985 – RA/85 (aprovado pelo Decreto nº 91.030/85) – vigente à época dos fatos –, nos artigos 335, 336, 341, 342, 345, 346 e 349 do já revogado Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/2002), assim como nos artigos 171, 383, 384, 389, 390, 393, 394 e 397 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto nº 6.759, de 05/02/2009). [...] A necessária observação do princípio da vinculação física traz como consequência a obrigatoriedade de serem adotadas medidas de controle de estoque compatíveis com a efetiva demonstração de que os insumos adquiridos no mercado externo foram realmente empregados nos produtos exportados sob a guarida do regime em apreço. Com efeito, o inciso II do art. 78 do DecretoLei n° 37/66, raiz legal do art. 314, inciso I, do RA/85, bem como do artigo 335, inciso I, do RA/2002, e do artigo 383, inciso I, do RA/2009, ao estabelecer que referida modalidade envolve a “suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a Fl. 18245DF CARF MF Processo nº 11020.002099/200747 Acórdão n.º 3302005.605 S3C3T2 Fl. 18.245 7 ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada” (grifos nossos), exige que as mercadorias exportadas estejam acondicionadas, contenham ou tenham sido elaboradas com os insumos efetivamente importados para tal fim. E não poderia ser de outra forma, posto que a não utilização dos insumos importados nos produtos compromissados a exportar representaria desvio de finalidade do incentivo, com prejuízos para a Fazenda Pública e à livre concorrência nacional, retratada na aquisição de mercadorias do exterior, pelo beneficiário do incentivo, em condições bem mais favoráveis que a concorrência, pois sobre tais mercadorias não haveria a incidência normal de tributos sobre os bens importados. Exatamente por tais razões é que, no regime aduaneiro especial de drawback, deve ser observado o princípio da vinculação física. Sobre essa questão, o Parecer Normativo CST n° 126/72, ao se reportar ao art. 78, inciso II, do Decretolei n° 37/66, afirma, em seu item 10, que “[...] somente a mercadoria importada na modalidade constante do inciso II, do texto legal em referência [drawback suspensão], é que tem destinação específica, devendo ser exportada numa das formas previstas, sob pena de tornarem se exigíveis as obrigações tributárias anteriormente suspensas”. Ressaltese que o item 9 do parecer em tela, ao abordar a sistemática do drawback isenção, assevera que, na referida modalidade, “[...] a mercadoria é importada com isenção tributária em substituição a uma outra igualmente importada que, em quantidade e qualidade equivalente, foi utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado”. Posteriormente, o Parecer Normativo CST n° 12, de 12/03/1979 (DOU de 19/03/1979) – citado no voto recorrido como justificativa à flexibilização da vinculação física no drawback suspensão (fls. 327) –, embora tendo se reportado a outra matéria (hipóteses de isenção do II e do IPI para empresas fabricantes de produtos manufaturados que tiveram Programa Especial de Exportação nos termos do art. 1° do Decretolei n° 1.219, de 15/05/1972), abordou, justamente, a questão relativa à necessidade de observação da vinculação física, tanto no drawback suspensão como no drawback isenção, conforme excertos do citado parecer, abaixo reproduzidos: " Defluise, assim, que a vinculação do RE ao ato concessório é requisito essencial e sua ausência impede a realização do controle aduaneiro apropriado, não havendo que se falar em cumprimento do compromisso de exportação. Diante do exposto voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 18246DF CARF MF Processo nº 11020.002099/200747 Acórdão n.º 3302005.605 S3C3T2 Fl. 18.246 8 Fl. 18247DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.724231/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Na inexistência de provas de cardiopatia grave ou de outra moléstia prevista no art. 39, XXIII, da Lei 7.713, de 1988, não há direito à isenção de imposto sobre a renda da pessoa física.
Numero da decisão: 2301-005.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato (relatora), Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior.
João Bellini Júnior Presidente e redator designado
Juliana Marteli Fais Feriato relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Na inexistência de provas de cardiopatia grave ou de outra moléstia prevista no art. 39, XXIII, da Lei 7.713, de 1988, não há direito à isenção de imposto sobre a renda da pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato (relatora), Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior. João Bellini Júnior – Presidente e redator designado Juliana Marteli Fais Feriato – relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 42 31 /2 01 3- 16 Fl. 124DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário (fl. 94 e ss.) interposto em face da decisão da DRJ proferida pela 5ª Turma da DRJ/REC Acórdão 1154.353 em 11 de janeiro de 2017, que indeferiu a Impugnação apresentada pela Contribuinte e manteve o Crédito Tributário Lançado na NFLD 2012/687722959102049 (fls. 15), cuja ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OUPENSÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, assim como suas complementações, percebidos por portador de moléstia grave definida em lei, desde que comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ao analisar a Declaração Retificadora apresentada pela Contribuinte, da qual pretendia a restituição do valor pago de IRPF retido na fonte no Ano Calendário de 2011, a Autoridade Fiscal propôs NFLD 2012/687722959102049 (fls. 15), negando a restituição e, ao mesmo tempo, aplicar sanção pela Omissão de Rendimentos, lançando IRPF suplementar com multa de ofício e juros no valor de R$16.126,98 (dezesseis mil cento e vinte e seis reais e noventa e oito centavos). Nas fls. 2 consta a Impugnação apresentada pela inventariante da Contribuinte, alegando que a Sra. Therezinha, falecida em 12/03/2012, conforme Certidão de Óbito acosta nas fls. 55, era pensionista aposentada do Estado de São Paulo e acometida pela moléstia grave neoplasia maligna – desde abril 2010 – comprovada pela perícia médica realizada pelo departamento Médico do Estado, comprovada pelo Ofício DBS SMP HABI n. 109/12 emitido em 30/01/2012, proveniente do processo SPPrev n. 60046817, que deferiu o pedido de isenção do IR, com base na perícia médica 68/2011 de 04/02/2011, a qual comprova que a Contribuinte era portadora CID 10.125.5/126, diagnosticada em abril de 2010. Nas fls. 79, a DRJ 1154.353 proferida pela 5ª Turma da DRJ/REC em 11 de janeiro de 2017 entendeu que as provas carreadas aos autos não comprovam a condição de portadora de moléstia grave à Contribuinte, incapaz de ensejar a concessão da restituição. Nas fls. 94 e ss. a Contribuinte junta seu Recurso Voluntário requerendo a concessão da isenção, diante da apresentação do ofício do Governo do Estado de São Paulo (Ofício DBS SMP HABI n. 109/12 emitido em 30/01/2012 – processo SPPrev n. 60046817) que defere a isenção de IR à Contribuinte, comprovando o direito da contribuinte. Junta, na fl. 102 a Declaração Médica emitida pelo Governo do Estado de São Paulo – Secretaria da Fazenda que declara que a contribuinte é portadora da patologia CID10.125.5/126, diagnosticada em abril de 2010, doença prevista na lei de Isenção de IRPF. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10830.724231/201316 Acórdão n.º 2301005.308 S2C3T1 Fl. 125 3 Voto Vencido Conselheiro Juliana Marteli Fais Feriato, relatora Admissibilidade Verificase nas fls. 90 que a contribuinte foi intimada em 07/02/2017, sendo que apresentou o Recurso Voluntário em 06/03/2017, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, o que torna seu Recurso tempestivo e admissível. Assim como a fl. 123 atesta a tempestividade do Recurso. Conheçoo, passando à análise de seu mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento da impugnação apresentada à emitida NFLD 2012/687722959102049 (fls. 15), que teve origem na Declaração Retificadora apresentada pela Contribuinte, a qual requeria restituição do valor retido na fonte de sua Aposentadoria à título de imposto de renda do Ano Calendário 2011, por ser portadora de moléstia grave e fazer jus à isenção do imposto de renda. A Autoridade Fiscal entendeu que, além de a Contribuinte não contemplar os requisitos da Lei para a concessão da isenção, ao apresentar a Declaração Retificadora, houve a omissão do recebimento de rendimentos, razão pela qual importa a condenação da mesma ao pagamento de IRPF Suplementar, Multa de Ofício e Juros de Mora, lançandose o crédito no valor de R$16.126,98. Portanto, para decidir sobre o presente Recurso Voluntário, a presente decisão deverá verificar se a Contribuinte preenche ou não os requisitos legais para a concessão da isenção/restituição do IRPF. Conforme constata a Legislação (Lei nº 7.713/88, art. 6º, XIV), as pessoas portadoras de doenças graves são isentas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) desde que preencham cumulativamente, os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Fl. 126DF CARF MF 4 A exigência da apresentação do Laudo Pericial advém do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, no art. 39, XXXIII e §4º que assim determina: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 5° As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIIIaplicamse aos rendimentos recebidos a partir: 1 do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer amoléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma oupensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificadano laudo pericial. Sobre o tema, observase as Súmulas deste R. Conselho Administrativo: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Com relação ao primeiro requisito, observase que a Contribuinte é aposentada pelo Estado de São Paulo, recebendo da São Paulo Previdência o valor de R$ 155.171,82 anualmente, à título de aposentadoria, inclusive não sendo este o motivo para o indeferimento da isenção na DRJ. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10830.724231/201316 Acórdão n.º 2301005.308 S2C3T1 Fl. 126 5 Com relação ao Laudo, a DRJ indeferiu o pedido da Contribuinte, pois não considerou a declaração do São Paulo Previdência a favor do direito à isenção (conforme ofício de fl. 9) como sendo prova suficiente para a concessão da isenção requerida. Em análise à documentação juntada pela Contribuinte em sua Impugnação e Recurso Voluntário, observase a fl. 102, que consta da Declaração Médica emitida pelo Governo do Estado de São Paulo – Secretaria da Fazenda que declara que a contribuinte é portadora da patologia CID 10 I 25.5//I26, diagnosticada em abril de 2010, prevista na lei de Isenção de IRPF: Tratase de um documento oficial, Laudo Pericial assinado por Médico Oficial vinculado ao Estado de São Paulo, Secretaria da Fazenda, o qual comprova a moléstia da contribuinte, a data do início (abril de 2010), fazendo jus, a Contribuinte do seu Direitos de isenção de IRPF. Embora determine a legislação determine a necessidade de o Laudo Pericial conter prazo de validade, fixado para os casos de moléstias passíveis de controle, não há qualquer indicação na legislação sobre quais tipos de moléstias são de fato passíveis de controle. Tratase de uma interpretação subjetiva a qual nós, julgadores da esfera administrativa, não podemos conceder, sendo esta uma tarefa do Judiciário. Devemos aplicar a lei e sua interpretação oriunda do Judiciário, apenas em questões pacíficas, em que não há dúvidas do alcance da intepretação da lei. Sobre os Princípios do processo administrativo que utilizo para julgar o presente Recurso, verificase o princípio da verdade material, que decorre do princípio da legalidade e do princípio da igualdade. Tratase da busca do convencimento da verdade que mais se aproxima da realidade dos fatos. Portanto, devem ser considerados no julgamento todos os fatos e provas, novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos e de demais provas que existam no processo. Sobre o princípio da verdade material, Celso Antônio Bandeira De Mello afirma: Consiste em que a administração, ao invés de ficar adstrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a verdade substancial. Verificase que a documentação juntada pela Contribuinte, sendo dele um Laudo Pericial emitido por ente público da esfera Estadual, documento oficial que reconhecia a condição da Contribuinte como portadora da moléstia grave, fazendo jus, a Contribuinte, da isenção e restituição do IRPF requerido. Fl. 128DF CARF MF 6 Por fim, consubstanciado na Vedação ao Confisco, expressado no ato de a Autoridade Fiscal, ao não conceder a isenção e não restituir os valores pleiteados pela Contribuinte, a qual faz jus, praticase o confisco da propriedade da mesma, necessário reconhecer o direito da Contribuinte. Ante ao todo exposto, voto por conhecer e dar provimento, no sentido de: Reconhecer que a Contribuinte preenchia os requisitos para a isenção do Imposto de Renda, visto que é aposentada e portadora de moléstia grave confirmada por Laudo Pericial Oficial; Conceder a Restituição do Imposto de Renda pago pela Contribuinte da forma Retido na Fonte, referente do Ano Calendário 2011, objeto deste processo; Cancelar o Crédito Lançado na NFLD 2012/687722959102049 e o Crédito lançado. É como voto. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior, redator para o voto vencedor Ouso divergir da respeitada conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, pelas razões que passo a expor. O cerne da discussão é ser a recorrente portadora, ou não, de moléstia grave, para fins de isenção de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF). A relatora entendeu que a declaração médica emitida pelo Governo do Estado de São Paulo – Secretaria da Fazenda , comprova que a contribuinte é portadora da patologia CID 10 I 25.5//I26, diagnosticada em abril de 2010, prevista na “lei de Isenção de IRPF”:. Porém, é cristalino que, diferentemente, as moléstias em questão não estão no rol das que permitem gozar a isenção do IRPF. Segundo o laudo da efl. 102, a recorrente possui miocardiopatia isquêmica (CID I 25.5) e embolia pulmonar (CID I 26). Ora, basta verificar se tais moléstias estão elencadas no art. 39, XXIII, da Lei 7.713, de 1988, transcrito no voto da conselheira relatora. A resposta é negativa. A seu turno, mesmo considerando “miocardiopatia isquêmica” (CID I 25.5) como uma forma de cardiopatia, o laudo pericial em questão não faz qualquer menção à gravidade da moléstia da recorrente, para que fosse possível enquadrála como portadora de “cardiopatia grave”. Desse modo, não restou provado ser a recorrente portadora de moléstia grave ou de outra moléstia prevista no art. 39, XXIII, da Lei 7.713, de 1988, não lhe assiste direito à isenção de imposto sobre a renda da pessoa física. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.724231/201316 Acórdão n.º 2301005.308 S2C3T1 Fl. 127 7 Em função desses fatos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – redator para o voto vencedor Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.967812/2012-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/12/2009
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3002-000.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS/PASEP Recorrente JOHNSON CONTROLS BE DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/12/2009 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 78 12 /2 01 2- 74 Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10880.967812/201274 Acórdão n.º 3002000.311 S3C0T2 Fl. 332 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 03/06), transmitido em 11/11/2010, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS/PASEP efetuado a maior. A compensação declarada foi parcialmente homologada, conforme despacho decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.". Após ser intimada da decisão em 13/11/2012, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 11/12), na qual informou que, em novembro de 2009, a empresa apurou débito de PIS/PASEP no valor de R$ 335.070,37, tendo informado tal valor na DCTF do referido período. Porém, por um lapso, arrecadou o referido valor aos cofres Federais através de 2 DARF's: um no valor de R$ 251.785,91 em 25/11/2009 e outro no valor de R$ 127.361,70 em 10/05/2012. O Sujeito Passivo alega, ainda, que procedeu a compensação do valor pago a maior através do envio de 2 PER/DCOMP´s, respectivamente, em 13/10/2010 e em 11/11/2010. Contudo, a Receita Federal equivocouse ao homologar parcialmente a compensação, pois o crédito pleiteado está correto. Por fim, requereu o deferimento da Manifestação de Inconformidade pelos motivos de fato e de direito mencionados. Para comprovar o seu direito, a ora recorrente juntou à Manifestação de Inconformidade cópia da DCTF retificadora, referente a novembro/2009. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10880.967812/201274 Acórdão n.º 3002000.311 S3C0T2 Fl. 333 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 84/101), no qual informou de forma mais detalhada as sucessivas retificações do valor de PIS/PASEP, referente a novembro de 2009, e requereu a reforma do Acórdão recorrido, alegando, preliminarmente, a nulidade do Acórdão recorrido por falta de análise de todos os pontos suscitados no recurso, por falta de motivação e por falta de fundamentação e, por conseguinte, havendo afronta aos Princípios do Contraditório e o da Ampla Defesa. Posteriormente, no mérito, assevera a legitimidade da retificação da DCTF, o primado do Princípio da Verdade Material, a existência do crédito e a legitimidade da compensação, assim como da denúncia espontânea, visando a não incidência da multa de mora. Ademais, aduz que seria obrigação das instâncias julgadoras a conversão em diligência, conforme Parecer Normativo Cosit nº 02/2015. Por fim, requer a nulidade da decisão recorrida, a conversão do julgamento em diligência para apuração do crédito e a homologação da compensação pleiteada. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Com efeito, da confrontação do teor do Despacho Decisório com o voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que ocorreu discrepância entre a realidade fática do presente processo e a situação tratada no voto. Enquanto, em realidade, a compensação pleiteada foi parcialmente homologada, a análise realizada pelo relator daquele Acórdão consideroua não homologada totalmente. Transcrevese o seguinte excerto do voto condutor: "Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10880.967812/201274 Acórdão n.º 3002000.311 S3C0T2 Fl. 334 4 efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF, ou seja, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à restituição ou compensação." (grifo nosso) Por outro lado, o voto condutor do Acórdão recorrido considerou que "A DCTF foi retificada posteriormente, reduzindo o débito anteriormente confessado. Entretanto, no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida", ou seja, considerouse que a DCTF foi retificada após a ciência do Despacho Decisório. Contudo, pelas cópias acostadas aos autos, verificase que a retificadora foi transmitida em 11/05/2012. Assim, a alteração na declaração foi promovida antes da emissão do Despacho Decisório. Além disso, conforme as informações contidas no Recurso Voluntário, embora tenha sido realizado uma retificação na DCTF para reduzir o débito em 27/07/2010, na última retificadora transmitida, em 11/05/2012, foi confessado um débito de valor superior ao anteriormente confessado na DCTF original. Assim, a princípio, quando do Despacho Decisório, o valor confessado pela contribuinte era superior ao original. Dessa forma, não há como negar que, por ter se baseado em situação diversa da realidade fática dos autos, a motivação esposada no Acórdão recorrido encontrase eivada de vício insanável. Ademais, apenas visando aclarar outro ponto, ressaltese que o entendimento majoritário desta Corte é que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Entretanto, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. Sendo do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o Acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730002/2011-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007, 2008
RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. OMISSÃO SUPRIDA PELO JULGADOR. IMPOSSIBILIDADE. NEGATIVA AO CONHECIMENTO.
O ônus da demonstração da similitude fática é daquele que interpõe Recurso Especial. A omissão do recorrente, ao deixar de demonstrar a similitude fática, não pode ser suprida pelo julgador, no Despacho de Admissibilidade. Nessas circunstâncias, não se pode conhecer do Recurso Especial.
Numero da decisão: 9101-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Rafael Vidal de Araújo
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007, 2008 RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. OMISSÃO SUPRIDA PELO JULGADOR. IMPOSSIBILIDADE. NEGATIVA AO CONHECIMENTO. O ônus da demonstração da similitude fática é daquele que interpõe Recurso Especial. A omissão do recorrente, ao deixar de demonstrar a similitude fática, não pode ser suprida pelo julgador, no Despacho de Admissibilidade. Nessas circunstâncias, não se pode conhecer do Recurso Especial.
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SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. OMISSÃO SUPRIDA PELO JULGADOR. IMPOSSIBILIDADE. NEGATIVA AO CONHECIMENTO. O ônus da demonstração da similitude fática é daquele que interpõe Recurso Especial. A omissão do recorrente, ao deixar de demonstrar a similitude fática, não pode ser suprida pelo julgador, no Despacho de Admissibilidade. Nessas circunstâncias, não se pode conhecer do Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Rafael Vidal de Araújo (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 02 /2 01 1- 61 Fl. 4165DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.166 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão nº 1302001.330, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária, com fulcro no art. 124, I, do CTN, ao restar demonstrado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, consubstanciado na participação ativa e direta nos atos simulados que conduziram à alienação da participação societária e no interesse econômico e jurídico direto, com o benefício financeiro da supressão do ganho de capital na alienação de ativos dos quais era titular. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. OPERAÇÃO “CASASEPARA”. SIMULAÇÃO. Deve ser mantida a exigência, ao restar comprovado que as complexas operações societárias levadas a efeito pelos interessados nunca objetivaram a admissão de novo sócio ou investidor, mas sim a alienação de participações societárias. A existência de prévio contrato escrito entre as partes, em que são detalhados todos os passos e valores envolvidos nas operações, reforça tal conclusão. Irrelevante o lapso temporal entre o início e o final das operações ter sido superior a um ano, se todas as etapas estavam previamente acordadas entre as partes. O descompasso entre a vontade aparente e a vontade real conduz à conclusão de simulação. O lançamento deve, assim, ser mantido. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. É cabível a qualificação da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo ao praticar atos simulados, com o objetivo de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário." De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, o caso em julgamento se refere à operação "casasepara". Tal é o contexto das situações em que o possuidor de determinado ativo (no caso concreto, participações societárias) resolve dele se desfazer. No entanto, em vez de alienálo em simples operação de compra e venda, com a apuração de ganho de capital, engendra complexas alterações societárias com a entrada de novo sócio com recursos financeiros e a posterior retirada do sócio proprietário do ativo, de tal forma que o resultado final é que o “novo sócio”, que havia ingressado na sociedade com recursos financeiros, nela permanece com o ativo (objeto da alienação) e o “antigo sócio”, até então dono do ativo, se retira da sociedade com recursos financeiros. Desse modo, o ativo muda de mãos, assim como os recursos financeiros, tal e qual ocorreria em operação de compra e venda, mas aqui sem a apuração de ganho de capital. Ressalta o voto condutor do acórdão recorrido que o apelido “casasepara” "vem da constatação de que nunca houve qualquer intenção de constituir uma sociedade, sendo Fl. 4166DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.167 3 certo que os “sócios” já sabiam de antemão que nunca haveriam de explorar um negócio de forma conjunta e que à entrada de um sucederia inevitavelmente a saída do outro." Para o voto condutor do acórdão recorrido, o Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 219/263) evidencia exatamente isso: a intenção de admitir novo sócio ou investidor (supostamente a Robina) nunca esteve presente, pois a real intenção, desde o início, era alienar a participação societária que os envolvidos detinham junto às concessionárias. Revelouse, em tais circunstâncias, que inexistia a pretensão admitir novo sócio ou investidor, mas tão somente fazer com que as participações societárias mudassem de dono. Portanto, visível seria o descasamento entre a vontade aparente, aquela manifestada nos atos formais e exteriores, e a vontade real, aquela que exsurge da comparação entre a situação inicial e a final obtida. Ou seja, toda a sequência de atos praticados entre uma e outra nada mais seriam do que simulação, com o intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário, a ensejar a aplicação da multa qualificada, uma vez comprovadas as práticas de sonegação e conluio de que trata os artigos 71 e 73 da Lei nº 4.502/1064. O sujeito passivo foi cientificado da decisão recorrida no dia 07/10/2O14, à efl. 3.671, por abertura de documento expedido para o domicílio eletrônico. Conforme efl. 3.745, em 14/10/2014, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, os quais foram acolhidos sem efeitos infringentes. Em 12/05/2016, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, conforme efl. 3.790. Nessa oportunidade, aduziu o seguinte: A) quanto à reorganização societária: 1) o caso julgado não guarda qualquer semelhança com os casos de operação "casasepara" julgados no CARF; 2) as operações refletidas nos julgados anteriores são extremamente características, utilizandose de uma estrutura praticamente idêntica, na maioria dos casos, que pode ser assim resumida: a compradora adquire participação societária, integralizando capital com ágio, e a vendedora devolve sua participação, recebendo os valores integralizados e o ágio; 3) em todos os casos analisados, as partes tinham a possibilidade direta de realizar a operação de compra e venda, ou seja, nenhum dos casos tinha a peculiaridade da concessão administrativa, que impedia, sem todos os trâmites burocráticos prévios, cujo tempo era imprevisível, a concretização da operação do modo imaginado pela Fiscalização, quando reputou os atos praticados como simulação; 4) emissão dos bônus de subscrição foi a alternativa jurídica mais segura e eficaz encontrada pelo investidor e os demais participantes, face às peculiaridade do caso, para efetuar o negócio jurídico pretendido, sem a perda da concessão do serviço público; 5) a operação realizada pelo recorrente tratouse de uma necessária e útil reorganização societária, revestida de motivação extrafiscal relevante, objeto de orientação concedida por renomadas empresas de assessoria financeira e jurídica Banco Pactual S/A e Barbosa Müssnich & Aragão Advogados e, por isso, não se insere no conceito legal de simulação; Fl. 4167DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.168 4 6) como sócia em consórcio de prestação de serviço público (Univias), incumbialhe manter seu índice econômicofinanceiro adequado, como exigido pelo poder concedente, sob pena de caducidade do contrato de concessão, razão pela qual contraiu o citado empréstimo, logo que aportado o capital pela nova sócia no consórcio; 7) assim, tratou de obter o empréstimo com a única finalidade de manterse hábil a continuar no negócio. Além disso, já tinha realizado tantos aportes e investimentos que, de fato, diante do público e notório desequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão, necessitava de fôlego" para continuar na atividade, o que, por outro lado, não lhe exclui o direito de posteriormente (mais de ano depois) retirarse do negócio; 8) o Acordo de Investimentos foi o instrumento elaborado pelos assessores financeiro e jurídico das partes para dar segurança a todos os envolvidos, pois nele foram estabelecidos os passos da reestruturação, prevendose a emissão do bônus de subscrição e as demais diretrizes a serem seguidas. Tudo isso com a existência de condições suspensivas, ou seja, cláusulas que condicionavam os efeitos dos negócios a eventos futuros e incertos, nos termos dos artigos 121 e 125 do Código Civil; 9) não se pode afirmar que há simulação quando há dúvida e ambiguidade na lei e esta dúvida levou a recorrente a consultar empresas renomadas no mercado a fim de orientarse sobre qual seria a forma mais célere e prática para realizar os investimentos necessários no negócio, sem que se perdesse a concessão das rodovias; 10) ainda que se admitisse que não possuía motivos para realizar a operação da forma que a concretizou, é notório que se utilizou de medida lícita bônus de subscrição para obter investimentos em seu negócio e amparada por parecer emitido por renomado escritório de consultoria, que concluiu ser o bônus de subscrição o meio mais eficaz para a entrada de um novo investidor, com o imediato ingresso de recursos, para fazer frente a investimentos de longo prazo e concorrer a novas concessões. Da mesma forma, o bônus de subscrição se fez útil e necessário para (i) a manutenção da participação societária com os adequados índices econômicofinanceiros; e (ii) a não alienação das ações, antes da anuência do BNDES e do poder concedente (DAER). Do contrário, a caducidade do contrato de licitação seria declarada; 11) assim, não se nega a intenção de ingresso de novo investidor, mas o que não estava claro, na época, era se este novo participante iria assumir a integralidade da operação ou apenas uma parte dela. Isso, no entanto, não retira a licitude dos atos praticados, como bem destacado no acórdão paradigma n° 1401001.536; B) quanto à multa qualificada: 12) é preciso ter em conta que o negócio lícito e feito às claras não pode dar ensejo à multa qualificada prevista no parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, que é reservada às situações em que o sujeito passivo, mediante a prática de fraude ou sonegação, condutas ilícitas, busca ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador ou de algum de seus elementos; 13) não há como se cogitar de fraude na operação: Fl. 4168DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.169 5 • a uma, pois, de fato, todas as operações das quais a recorrente tomou parte eram lícitas e foram devidamente escrituradas nos documentos, livros e declarações fiscais obrigatórios. Logo, não houve qualquer intenção de ocultar os efeitos fiscais decorrentes das operações executadas, uma vez que tais efeitos foram reconhecidos em sua contabilidade e reportados ao Fisco, nas Declarações pertinentes; • a duas, pois, além de terem sido devidamente contabilizadas e reportadas nas Declarações Fiscais, o Acordo de Investimentos foi divulgado em Comunicado ao Mercado pela Construtora Sultepa S/A (companhia de capital aberto), em 28 de setembro de 2006, por exigência regulamentar da CVM. Tal Comunicado foi publicado em jornais de grande circulação à época e está disponível no site da BOVESPA (cf. doc. 16 acostado à Impugnação); • a três, pois, além de ter se tornado público por meio do Comunicado ao Mercado feito pela Sultepa, o Acordo de Investimentos foi registrado no CADE; • a quatro, pois, ao contrário do que entende o Fisco, o Acordo de Investimentos supostamente "sonegado" revela verdadeiramente que o objetivo da operação consistia em receber um novo "investidor" (como foi denominada a Robina no Acordo) e não alienar as ações. Isso se comprova (i) pela existência de diversas condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor, conforme demonstrado anteriormente; (ii) pela participação de entidades da Administração Pública, tais como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagens do Rio Grande do Sul (DAER/RS), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS), que deveriam concordar com a admissão do novo investidor, sob pena de desfazimento do negócio o que, por si só, já serviria como prova da legitimidade da operação. Assim, o Acordo de Investimentos não expõe a simulação, como quer fazer crer o Fisco, mas corrobora que a reestruturação societária engendrada para admissão do novo sócio era legítima e válida; • a cinco, pois, embora o Acordo de Investimentos não tenha sido localizado pela recorrente, todos os documentos societários e contratuais nele mencionados, solicitados pela Fiscalização, foram devidamente apresentados o que afasta qualquer insinuação no sentido de que houve a tentativa de ocultação dos fatos. Ademais, vale lembrar que o Acordo de Investimentos não é um documento de guarda obrigatória por parte das suas Fl. 4169DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.170 6 signatárias, ao contrário dos documentos societários e contratuais que dão forma aos atos nele descritos os quais servem como base para os lançamentos contábeis e reportes nas Declarações fiscais pertinentes, devidamente apresentados à Fiscalização. Nessa linha de raciocínio, não se pode perder de vista que a obrigatoriedade de prestar informações à Fiscalização se limita à apresentação dos livros fiscais e documentos previstos em normas legais o que impede o Fisco de aplicar qualquer sanção ao contribuinte por não ter prestado as informações que lhe foram requeridas e que extrapolaram a legalidade. Em última análise, os pedidos de esclarecimentos que extrapolam a legalidade, exigindo informações e documentos que não aqueles exigidos por lei, são claras tentativas de inverter o ônus da prova no processo administrativo fiscal o que é repudiado pela mais autorizada doutrina; • a seis, pois não houve qualquer prejuízo à Fiscalização, que teve acesso ao Acordo de Investimentos por meio de Metrovias, conforme o mencionado em seu próprio Relatório Fiscal; 14) não há como se cogitar de conluio na operação, para execução da fraude alegada pela Fiscalização, porquanto a outra parte signatária do Acordo de Investimentos Metrovias (na qualidade de sucessora da Robina), também estava sujeita à ação fiscal, tendo sido encerrada sem o questionamento de qualquer aspecto atinente à legitimidade da operação; 15) ademais, no ano de 2006, operações com esses mesmos aspectos eram comuns no mercado e indicadas por empresas de assessoria, como no caso presente, em que a recorrente, como dito, fora orientada tanto pelo Banco Pactual S/A quanto pelo escritório Barbosa Müssnich & Aragão Advogados, conforme parecer já anexado aos autos; 16) nos acórdãos paradigmas nº 1401001.536 e 10195.537, as conclusões foram no sentido de que, embora o cumprimento das leis não seja, por si só, suficiente para afastar a lavratura do auto de infração, é medida eficaz, por outro lado, para afastar a multa qualificada; 17) em caso de dúvida, a decisão deve ser favorável ao réu, ou, no caso, ao contribuinte, não podendo serlhe imputada qualquer penalidade, ainda que o tributo seja considerado devido. Por último, requer seja este recurso conhecido e provido, a fim de que: a) uma vez uniformizada a jurisprudência desta Câmara Superior com o acórdão paradigma n° 110100.708, seja reformada a decisão recorrida para, ao final, julgar improcedente os lançamentos, cancelando o auto de infração lavrado pela autoridade fazendária, uma vez que não houve simulação na reestruturação societária da qual participou a Recorrente; ou, b) caso assim não se entenda, que, ao menos, seja este recurso conhecido e provido, a fim de que, uma vez uniformizada a jurisprudência desta Câmara Superior com os acórdãos paradigmas n° 1401001.536 e 10195.537, seja afastada a multa qualificada de 150%, pois não restou configurada qualquer das hipóteses do §1° do art. 44 da Lei n° Fl. 4170DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.171 7 9.430/1996, sabendose que houve incerteza quando do julgamento do recurso voluntário, nos termos do inciso IV do art. 112 do CTN, já que ele foi decido pelo voto de qualidade. Em Despacho de Admissibilidade, negouse seguimento ao Recurso Especial, às efls. 4.009/4.018. O sujeito passivo interpôs Agravo, que foi acolhido parcialmente, dando se seguimento somente para o tema "multa qualificada interpretação divergente do art. 44, § 1º, da lei nº 9430, de 1996", mas apenas em face do paradigma nº 10195.537. Despacho de Encaminhamento à PGFN no dia 30/08/2017, à efl. 4.124. Contrarrazões apresentadas no dia 01/09/2017, à efl. 4.154. Nessa oportunidade, a PGFN alegou o seguinte: 1) o julgador, no Despacho nº s/nº – 4ª Câmara de 24 de janeiro de 2017, substituiuse à parte, realizando a providência que cabia tão somente ao recorrente, de cotejar os casos confrontados de forma a evidenciar que, diante de contextos fáticos análogos, foram adotadas conclusões jurídicas distintas; 2) o recorrente limitouse a demonstrar uma suposta divergência de teses, mas não comprovou a semelhança dos quadros fáticos, providência, como adiantado, que foi suprida pelo julgador, no Despacho nº s/nº – 4ª Câmara de 24 de janeiro de 2017, que se incumbiu, ele próprio, de efetuar o cotejo que o recorrente deixou de fazer; 3) também a semelhança de contexto fáticos não foi demonstrada pelo decorrente. Convém considerar que a manutenção da multa qualificada foi fundamentada pela decisão recorrida em aspectos peculiares ao contexto fático e probatório contido nestes autos. Não se trata de mera aplicação de lei ou de questão de direito, apenas; 4) o planejamento tributário analisado pelo acórdão indicado como paradigma apresentase totalmente distinto, em aspectos relevantes, do que foi julgado pela decisão recorrida; 5) na decisão recorrida, há várias provas do dolo do recorrente, voltado para o fim de evitar a devida tributação, e que não estão presentes no acórdão indicado como paradigma; 6) nesse sentido, o recurso especial manejado pelo contribuinte não merece sequer ser conhecido, razão pela qual a Fazenda Nacional pugna para que lhe seja negado seguimento; 7) no Relatório da Ação Fiscal, percebese que o trabalho da autoridade responsável pelo lançamento foi minucioso, apresentando detalhadamente todos os passos da alienação da participação societária na UNIVIAS PARTICIPAÇÕES S.A; 8) conforme provam os documentos coligidos na ação fiscal e os relatos do Relatório da Ação Fiscal, as partes praticaram diversos atos simulados, todos com o fim único de ludibriar o Fisco para pagar menos tributo. A realização de atos em sequência demonstra a ação firme, consciente, abusiva e sistemática da recorrente dos demais participantes, com notório propósito de burlar o cumprimento da obrigação fiscal; 9) no que diz respeito especificamente ao conluio, cumpre registrar que o “Acordo de Investimentos e Outros Pactos” é prova mais do que suficiente para constatar a Fl. 4171DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.172 8 união de vontades direcionada para o planejamento tributário abusivo, qual seja: alienação da participação societária na METROVIAS, CONVIAS e SULVIAS com redução indevida do IRPJ e da CSLL incidente sobre ganho de capital auferido na operação; 10) diante disso, concluise que a autuada e os sujeitos passivos: a) praticaram atividade ilícita comprovada, detalhadamente descrita no Relatório da Ação Fiscal, observada a partir da realização de diversos atos simulados, tudo visando a reduzir o ganho de capital tributável, motivo pelo qual foi aplicada e devidamente justificada a multa de 150%; b) como resultado da conduta dolosa, houve a diminuição do efetivo valor da obrigação tributária, com o consequente pagamento a menor do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; c) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma sistemática, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; d) a conduta sistemática demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo. Por todos os motivos expostos, requer a manutenção da qualificação da multa, porquanto amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos, conforme reconhecido pela própria decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator O presente Recurso Especial é tempestivo. Todavia, o juízo de admissibilidade requer que se verifique se o recorrente efetivamente demonstrou a divergência interpretativa entre o acórdão recorrido e o acórdão nº 10195.537, ofertado como paradigma. Desde já, cabe salientar que o Despacho de Admissibilidade do Agravo interposto pelo sujeito passivo rejeitou o acórdão nº 1401001.536, também ofertado como paradigma para demonstração de dissídio interpretativo em relação à aplicação da multa qualificada. Dessa forma, apenas o acórdão nº 10195.537 foi acolhido, no juízo prelibatório de admissibilidade do Agravo. Com efeito, a PGFN, em contrarrazões, destacou os pontos abaixo resumidos, que lhe parecem determinantes ao não conhecimento do apelo do sujeito passivo a esta instância especial: 1) o julgador, no Despacho nº s/nº – 4ª Câmara de 24 de janeiro de 2017, substituiuse à parte, realizando a providência que cabia tão somente ao recorrente, de cotejar Fl. 4172DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.173 9 os casos confrontados de forma a evidenciar que, diante de contextos fáticos análogos, foram adotadas conclusões jurídicas distintas; 2) o recorrente limitouse a demonstrar uma suposta divergência de teses, mas não comprovou a semelhança dos quadros fáticos, providência, como adiantado, que foi suprida pelo julgador, no Despacho nº s/nº – 4ª Câmara de 24 de janeiro de 2017, que se incumbiu, ele próprio, de efetuar o cotejo que o recorrente deixou de fazer; 3) também a semelhança de contexto fáticos não foi demonstrada pelo decorrente. Convém considerar que a manutenção da multa qualificada foi fundamentada pela decisão recorrida em aspectos peculiares ao contexto fático e probatório contido nestes autos. Não se trata de mera aplicação de lei ou de questão de direito, apenas; 4) o planejamento tributário analisado pelo acórdão indicado como paradigma apresentase totalmente distinto, em aspectos relevantes, do que foi julgado pela decisão recorrida. Diante das supostas falhas do Recurso Especial do sujeito passivo, impõese examinar os termos em que o apelo foi formulado, ao expor o acórdão nº 10195.537 como comparativo. Seguem as palavras do recorrente: "4.19. Já nos acórdãos paradigmas a conclusão foi no sentido de que apesar do fato do contribuinte ter seguido as leis e de, por consequência lógica, não ter cometido nenhum ilícito no tocante às operações que praticou, não ser válido para afastar a lavratura do auto de infração, é capaz, por outro lado, de afastar a multa qualificada. Vejamos. "Por outro lado, entendo que vale para afastar a caracterização de fraude ou má fé. A operação em análise foi realizada em 2006 e, até este ano de 2016, ainda há discussões sobre aspectos de operações envolvendo ágio. Aliás, no ano de 2006, operações com gerações de ágio artificial eram corriqueiras no mercado e incentivadas por empresas de assessoria fiscal e/ou contábil renomadas. Concluo, assim, que a Recorrente apenas tentou se valer de um planejamento tributário que julgava à época ser válido. Todas as operações foram devidamente registradas e em nenhum momento houve qualquer recusa de informação ao Agente Fiscal, demonstrando sua boafé do início ao fim. O que há aqui é uma diferença de interpretação entre a posição da Recorrente e aquela que vem sendo consolidada no CARF nos últimos anos. Desqualifico, portanto, a multa de ofício de 150% para 75%." (Acórdão n° 1401001.536) (grifei) "Por todos esses aspectos é que considero não oponível ao fisco a forma de apresentação adotada pela contribuinte, devendo ser cobrado o tributo correspondente ao ganho de capital efetivamente existente, que traduz a verdadeira capacidade contributiva existente nos fatos apresentados. Fl. 4173DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.174 10 Cabe ressaltar que não se está a utilizar analogias ou interpretações de cunho econômico. Para que essas formas de interpretações sejam aplicadas é necessário que os fatos cotejados possuam substrato econômico efetivo, com efeitos semelhantes ou idênticos. No caso. O que se está a fazer é perquirir qual o verdadeiro fato, já que não há conteúdo material pela forma apresentada, pois, como visto acima, todos os efeitos derivados da associação e do ágio conferido nunca puderam ser produzidos, seja por força contratual ou pelo mecanismo adotado na realização do negócio. Mas concluirse pela manutenção do lançamento não me parece suficiente para a qualificação da penalidade, matéria que reconheço, sujeita a sinceras controvérsias. [...] [...] não há dificuldades a um contribuinte em ancorar seu procedimento em precedentes jurisprudenciais, nem tampouco de obter pareceres de juristas de escol a fundamentar sua pretensão. [...] De fato, em circunstância envolvendo o planejamento tributário, na qual o contribuinte registra todos os seus atos, cumpre todas as obrigações acessórias, dando pleno conhecimento ao fisco de sua atividade, impertinente a aplicação da pena qualificada, pois a regra de interpretação da imposição da multa há de se amoldar ao inciso IV do artigo 112 do CTN, mormente quando existam conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias e precedentes jurisprudenciais." (Acórdão n° 10195.537) (grifei) 4.20. Verificase que o caso presente e aquele objeto do primeiro acórdão paradigma referemse à reestruturações societárias realizadas no mesmo ano 2006 o outro é mais antigo, de 1993. Em todos os casos (acórdão recorrido e paradigmas) a reestruturação societária foi consumada na forma e conforme a lei, baseados em pareceres de especialistas externos, como, inclusive, reconhecido no Relatório do acórdão dos embargos de declaração (fl. 2.449), onde os contribuintes, tal e qual a Recorrente, registraram todos os atos, cumpriu todas as obrigações acessórias, cientificando o poder público e órgãos reguladores, inclusive o Fisco. No entanto, eles tiveram soluções divergentes no que diz respeito a não incidência da multa qualificada, razão pela qual impõese o conhecimento e provimento deste Recurso Especial, a fim de que prevaleça a solução posta nos paradigmas." Reiterese que o acórdão nº 1401001.536 foi rejeitado, em sede de Agravo. Sua ementa foi reproduzida, acima, apenas para não se perder todo o sentido do recurso. Agora, reparese o Despacho de Admissibilidade do Agravo, no que importa à verificação da regularidade do juízo proferido: "O acórdão paradigma nº 1401001.536, nos termos em que foi registrado em seu relatório, enfrentou a situação em que, pela ótica da Fiscalização, foram realizadas operações societárias intragrupo com o objetivo de gerar um ágio, possibilitando, assim, o aumento do custo do investimento e, por decorrência, a redução do ganho de capital tributável. Registro, desde já, a notória distinção entre os fatos enfrentados pelos acórdãos comparados, recorrido e paradigma. Fl. 4174DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.175 11 Tratandose de qualificação de penalidade, em que a intenção do agente na adoção da conduta constitui elemento indissociável, a semelhança entre os fatos apreciados pelas decisões confrontadas representa, via de regra, condição indispensável à comprovação de divergências jurisprudenciais. Ressalvase, contudo, a circunstância em que, embora distintos os fatos analisados, os acórdãos comparados esposam interpretação genérica, isto é, dissociada dos fatos retratados nos autos, acerca de determinada norma tributária. No campo tributário penal poder seia citar, a título de exemplo, a situação em que a decisão recorrida mantém a penalidade qualificada por entender que houve simulação, e o ato decisório paradigma proclama que, em qualquer que seja a situação, a simulação não constitui ocorrência suficiente à aplicação da multa qualificada. Nessa linha, importa verificar se o acórdão paradigma sob análise (1401 001.536) trouxe pronunciamento genérico acerca da qualificação da penalidade, e mais: se esse pronunciamento colide com a interpretação emprestada pelo acórdão recorrido à norma que comina a penalidade aplicada. (grifei) O paradigma em questão, relativamente à multa qualificada, assinalou: Multa qualificada Toda a argumentação da Recorrente no tocante ao fato de ter seguido as leis e de, por consequência lógica, não ter cometido nenhum ilícito no tocante às operações que praticou, não vale, como explicado anteriormente, para afastar a glosa do ágio e o recálculo do custo do investimento que reduziu o ganho de capital da Recorrente. Por outro lado, entendo que vale para afastar a caracterização de fraude ou má fé. A operação em análise foi realizada em 2006 e, até este ano de 2016, ainda há discussões sobre aspectos de operações envolvendo ágio. Aliás, no ano de 2006, operações com geração de ágio artificial eram corriqueiras no mercado e incentivadas por empresas de assessoria fiscal e/ou contábil renomadas. Concluo, assim, que a Recorrente apenas tentou se valer de um planejamento tributário que julgava à época ser válido. Todas as operações foram devidamente registradas e em nenhum momento houve qualquer recusa de informação ao Agente Fiscal, demonstrando a sua boa fé do início ao fim. O que há aqui é uma diferença de interpretação entre a posição da Recorrente e aquela que vem sendo consolidada no CARF nos últimos anos. Desqualifico, portanto, a multa de ofício de 150% para 75%. Irrefutável a constatação de que o entendimento declinado no paradigma indicado está associado aos fatos por ele apreciados, que, como já dito, em nada se assemelham aos analisados pelo acórdão recorrido. No que diz respeito ao acórdão nº 10195.537, os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do seu relatório, possibilita também conhecer os fatos retratados nos correspondentes autos. (grifei) Fl. 4175DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.176 12 Contra a empresa Nacional Administração e Participações S.A. foram lavrados Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referentes ao anocalendário de 1999. A interessada era detentora da totalidade do capital da Nacional Supermercados S/A ( R$ 33.176.000,00). A empresa Sonae Distribuição Brasil S/A integralizou capital da Nacional Supermercados, aportando, pelas ações adquiridas, R$ 300 milhões, sendo R$ 296.331.177,00 a título de ágio. Conseqüentemente, em razão da equivalência patrimonial, restou aumentado o custo da participação da Nacional Administração e Participações S/A em Nacional Supermercados S/A. Imediatamente após a integralização, a reserva de ágio foi incorporada ao capital de Nacional Supermercados S/A, que foi cindida no dia seguinte. Na cisão, a autuada recebeu os R$ 300 milhões da integralização de capital, ficando Sonae Distribuição S/A como única acionista de Nacional Supermercados S/A. Essas operações, realizadas nos dias 30 de março e 01 de abril de 1999, foram precedidas de um "contrato de associação" firmado 2 meses antes (29 de janeiro de 1999) que disciplinava como seriam elas realizadas. A fiscalização entendeu que a real intenção da autuada era ceder sua participação em Nacional Supermercados S/A à Sonae Distribuição Brasil S/A, caracterizando como simulados os atos de integralização de capital e cisão. Em conseqüência, desconsiderouos, bem como o aumento de custo de participação societária que a autuada contabilizara em função deles. Dessa forma, apurou que, no negócio, a autuada obteve um ganho de capital de R$ 266.765.815,25. Em que pese a forma sintética com que os fatos foram retratados no acórdão paradigma, identifico elevada semelhança entre estes e os apreciados pela decisão recorrida. Aqui, desconsidero o argumento contido no exame de admissibilidade agravado no sentido de que "a identidade fática não é demonstrada pela Recorrente" (GRIFEI), uma vez que isso, por si só, não constitui elemento necessário e suficiente à negativa de seguimento do recurso. (grifei) Ausente a citada demonstração, cabe, em sede de juízo de admissibilidade, verificar se existe ou não a similitude fática tida como essencial à comprovação da divergência. (grifei) Embora possase até admitir que o planejamento tributário enfrentado pelo acórdão paradigma apresente nuances que o distinguem do analisado pela decisão recorrida, não me parece restar dúvida que, em essência, estamos diante de fatos de elevado grau de similitude. Quanto a isso, inclusive, o voto (vencedor) condutor da referida decisão paradigma, em determinadas passagens, promove análise mais ampla acerca das variantes de planejamentos de tributários cujo objetivo, a exemplo do enfrentado pelo acórdão recorrido, é evitar a tributação do ganho de capital decorrente da alienação de ativos, senão vejamos: (grifei) Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência Fl. 4176DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.177 13 dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. No caso dos autos isso é patente. Tratase de conhecido planejamento de venda de participação societária, visando afastar tributação sobre ganho de capital. Ao invés de alienação direta, recebese um novo sócio, com investimento acima do valor patrimonial, ou seja, com ágio, retirandose da sociedade incontinente o sócio mais antigo, levando consigo os valores monetários, enquanto o novo sócio permanece com as ações que originalmente pretendia adquirir. Pode ser o total da participação ou apenas parte dela, mas sempre visando escapar do ganho de capital que seda gerado na parte das ações que se pretendia alienar. Há várias formas de se implementar tal objetivo. Quando, por exemplo, as ações pertencem a pessoas físicas, normalmente conferemse as cotas em empresa de passagem (conduit company), a fim de que o ágio possa repercutir em equivalência patrimonial no novo patrimônio dos sócios. A empresa que recebe investimento com ágio, se anteriormente de responsabilidade limitada, é transformada em companhia, para que a reserva não seja tributada. Existem casos também nos quais se procede a uma "cisão branca", conferindose ativos em uma outra empresa (drop down), sendo esta última a receptora do ágio, com subseqüente cisão. Há ainda as "cash companies", nas quais o adquirente constitui uma empresa cujo único ativo é dinheiro em caixa, permutando ações com os antigos sócios, normalmente após uma operação de separação de ativos em empresa específica, conforme antes destacado. Em todos esses exemplos, inclusive o caso dos autos, o interesse é exclusivamente de escapar à manifestação patente de capacidade contributiva, excluindo a necessária imposição da norma tributária. Não há qualquer desejo de associação verdadeira. Ou se existir, pela remanescente participação, de fato o que se quer é conferir participação maior ao adquirente daquela que ele mesmo conferiu inicialmente, em percentual sempre ínfimo, pois o restante de sua inversão se faz através de ágio, não tributável, cuja contabilização no patrimônio líquido, em conta diversa da do capital, beneficia a todos os antigos proprietários da empresa. (...) Outro aspecto sempre presente nessas operações são as cláusulas de segurança, que evitam acabem quaisquer das partes em situação não desejada. Um primeiro sintoma dessas disposições é o fator tempo. A integralização de capital e o ágio são executados em espaço de tempo curtíssimo, senão instantaneamente, com a retirada dos antigos sócios, por cisão, permuta ou outra forma qualquer. É claro que o adquirente da companhia não quer permitir que os alienantes mantenham controle da companhia com os valores já entregues. Fl. 4177DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.178 14 Muitas das vezes, como no presente caso, há contratos prévios, determinando a cada uma das partes o que se irá fazer, impondolhe restrições incontornáveis à manutenção de uma verdadeira associação. Por todos esses aspectos é que considero não oponível ao fisco a forma de apresentação adotada pela contribuinte, devendo ser cobrado o tributo correspondente ao ganho de capital efetivamente existente, que traduz a verdadeira capacidade contributiva existente nos fatos apresentados. Supero, pois, com base nos argumentos antes expendidos, a questão associada à semelhança dos fatos entre os que foram apreciados pelo acórdão recorrido e os enfrentados pelo acórdão nº 10195.537. No que tange à qualificação da penalidade, o acórdão paradigma nº 101 95.537, após tecer considerações acerca de vícios capazes de macular o negócio jurídico (simulação absoluta; simulação relativa; e fraude à lei) e sustentar que referida exasperação de penalidade só seria aplicável em casos de simulação absoluta, conclui no sentido de que "em circunstância envolvendo planejamento tributário, na qual o contribuinte registra todos os seus atos, cumpre todas as obrigações acessórias, dando pleno conhecimento ao fisco de sua atividade, impertinente a aplicação da pena qualificada, pois a regra de interpretação da imposição da multa há de se amoldar ao inciso IV do artigo 112 do CTN, mormente quando existam conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias e precedentes jurisprudenciais". Em sentido oposto ao decidido no acórdão nº 10195.537, o ato decisório recorrido, sem promover maiores incursões, classifica os atos praticados como simulados e pronunciase pela manutenção da penalidade qualificada. Em relação à matéria em destaque, portanto, tenho por comprovado o dissídio jurisprudencial, exclusivamente em relação ao acórdão nº 10195.537, ressaltando, contudo, que a questão relacionada à aplicação das disposições do inciso IV do art. 112 do CTN em virtude de a decisão recorrida ter sido sufragada pelo voto de qualidade, não deve ser conhecida, vez que ela não integra o ato decisório recorrido e, além disso, não foi sequer tangenciada pelo paradigma em referência. O argumento estampado no acórdão nº 10195.537 acerca da aplicação das disposições em comento (inciso IV do art. 112 do CTN), diz respeito às dúvidas decorrentes de posicionamentos conflitantes da doutrina e da jurisprudência acerca da procedência da qualificação da penalidade em casos como o que foi enfrentado pela decisão recorrida." (grifei) Como se pode ver, desconsiderouse, em sede de admissibilidade do Agravo, de forma desautorizada pelo Regimento Interno, a ausência de demonstração de similitude fática, de grande magnitude para fins de comprovação do dissídio exegético. Nesse sentido, reza o Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial1 (versão 3.0) que "a divergência jurisprudencial se caracteriza quando os acórdãos recorrido e paradigma, em face de situações fáticas similares, conferem interpretações divergentes à legislação tributária." Isso porque não se pode afirmar a existência de divergência de interpretação sobre a legislação tributária, se forem distintos os fatos colocados sobre a incidência da mesma legislação. Assim, para evitar o julgamento de recursos que não atendem a todos os requisitos regimentais, a análise da admissibilidade de Recurso Especial é um filtro por meio do qual impedese a subida de apelos que não poderão ser julgados. Para cumprir essa função, é necessário que o julgador da 1 Versão 3.0, página 50. Fl. 4178DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.179 15 admissibilidade confira, entre outros requisitos, se o recorrente expôs a situação fática do acórdão paradigma, cotejandoa com aquela que está retratada no acórdão recorrido, de modo a permitir a identificação da desconcordância entre os julgados. Conforme argumenta a PGFN, o recorrente demonstrou uma suposta divergência de teses, mas não comprovou a semelhança dos quadros fáticos. Tratandose de debate sobre a aplicação de multa qualificada, mostrase imprescindível o contexto fático, com todas as nuances, em cujo cerne constatouse o dolo, vis àvis contexto fático similar, no qual o dolo restou afastado. Todavia, no presente Recurso Especial, o julgador da admissibilidade deuse ao trabalho de substituir a atuação do recorrente, tracejando os fatos submetidos ao acórdão ofertado como paradigma, a partir da omissão do apelante. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 4179DF CARF MF
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