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Numero do processo: 10830.006749/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
PIS/PASEP. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS OPTANTES PELO REGIME DE LUCRO REAL. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DA NÃO-CUMULATIIVDADE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado e documentado a apuração do valor dos créditos oriundos da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/PASEP, utilizados ou não, efetivado a proporcionalização de tais créditos com o valor do ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada que seria diferente da mera operação aritmética efetuada, de apenas excluir o valor do ICMS destacado nas Notas Fiscais do valor total pago a título de PIS/PASEP e COFINS ou da receita bruta auferida
Numero da decisão: 3301-005.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Votou pelas conclusões o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 PIS/PASEP. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS OPTANTES PELO REGIME DE LUCRO REAL. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DA NÃO CUMULATIIVDADE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado e documentado a apuração do valor dos créditos oriundos da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/PASEP, utilizados ou não, efetivado a proporcionalização de tais créditos com o valor do ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada que seria diferente da mera operação aritmética efetuada, de apenas excluir o valor do ICMS destacado nas Notas Fiscais do valor total pago a título de PIS/PASEP e COFINS ou da receita bruta auferida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Votou pelas conclusões o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 67 49 /2 00 7- 26 Fl. 112DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de pedido de restituição de PIS, alegada como paga indevidamente, em função de não ter sido excluída de sua base cálculo a parcela relativa ao ICMS. Assim a DRJ/CAMPINAS, em seu Acórdão nº 0521.105 – 1ª Turma, resumiu a contenda : Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 31/08/2007, no valor de R$ 109.279,79, correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativa ao período de apuração de setembro/2002, conforme planilha de cálculo às fls.2. A contribuinte justificou seu pleito no fato de que teria incluído indevidamente o ICMS na apuração da base de cálculo da contribuição. A DRF em Campinas emitiu o Despacho Decisório de fls. 25/30, indeferindo o pedido de restituição e não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, 'sob a fundamentação de que o ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins, bem como ressaltando que as informações destacadas na planilha deƒl. 2 como valores devido e recolhido e forma de pagamento, não guardam coerência com o declarado em DCTF e DIPJ, videfls. 21/24, consultas aos sistemas SiefFiscel e IRPJ. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 25/09/2007 (fl. 32), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 23/10/2007 (fls. 33/40), na qual alega: o argumento central do Fisco é que o ICMS integra 0 preço de venda é por dentro,na linguagem oficial. Ainda que seja assim, essa circunstância, que é uma mera técnica, não tem o condão de transformar o valor do imposto, que é da titularidade dos Estados, em receita do contribuinte. Na realidade, o valor correspondente ao imposto, ao ICMS, representa receita do Estado; o exame do art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, não evidencia que nesse dispositivo a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins está autorizada. Isso porque o termo faturamento, como assim entendeu a Suprema Corte, representa tãosomente a receita derivada da venda de mercadorias e da prestação de serviço, no qual não se inclui o ICMS, visto que nenhum tributo pode ser considerado como receita; a interpretação oficial dada ao art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, se colocou em desconformidade com o art. 110 do CTN, o que configura vício na aplicação, e não de inconstitucionalidade, passível, pois, de controle administrativo; a questão em foco está sob exame do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 240.785MG. O julgamento foi suspenso por pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes. Até o presente momento, seis ministros já votaram em favor da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins, o que aponta para um resultado com a declaração de inconstitucionalidade na interpretação dada à norma questionada. Como tal decisão será proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, sua observância tornarseá obrigatória pela Administração Tributária e deverá alcançar os casos em andamento, por efeito declaratório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.006749/200726 Acórdão n.º 3301005.001 S3C3T1 Fl. 113 3 2. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/CPS : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. Solicitação Indeferida 3. Inconformada com a decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 04/04/2008 conforme Aviso de Recebimento, ás fls. 69 dos autos digitais, apresenta Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 18/04/2008, conforme protocolo de recepção, ás fls. 70 dos autos digitais, alegando, assim relatada no despacho de fls. 93 : Trata o presente de recurso voluntário contra decisão que negou a restituição de valores de Cofins relativos ao período de 01/09/2002 a 30/09/2002, sob o argumento de que. o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do Cofins. O contribuinte afirma que o valor do ICMS pertence ao Estado, logo não integra o seu faturamento. Sustenta ainda que na Lei n.º 9.718/98 o tributo estadual não integra a base de cálculo da Cofins. Advoga que a interpretação fiscal dada ao art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, implica em desconformidade com o art. 110 do CTN, o que configura vício na aplicação e não de inconstitucionalidade, razão pela qual seria possível o controle administrativo sem ferir a competência do STF. Cita o Recurso Extraordinário n° 240.7852 em seu favor. Já a Fazenda sustenta que a Lei n° 9.718/1998, determinou que a base de cálculo dessa contribuição seria o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, entendida esta como a totalidade das receitas auferidas e ainda que o questionamento a respeito da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins configura sim matéria constitucional, motivo pela qual há vedação da análise do mérito na esfera administrativa. Por fim, ressalta que o Recurso Extraordinário n° 240.7852 não teria efeito “erga onmes”. 4. A 3 ª Turma Especial desta Terceira Seção de Julgamento, apreciando as razões de recurso, emitiu o Despacho nº 3803000.149, em 14/02/2012, de seguinte teor : O recurso é tempestivo e por isso merece ser conhecido. O cerne da questão está em se apurar se o ICMS integra ou não a base de cálculo da Cofins, consoante o que estabelece a Lei n.º 9.718/98. Considerando que a matéria em questão foi objeto do RE 574.706, resta tão somente reconhecer que a controversa configura a hipótese prevista no art. 543B, caput, e § 1º , do CPC, expressandoo literalmente: Considerando que a controvérsia em foco, analisada sob o prisma constitucional, é objeto de inúmeros recursos extraordinários que têm aportado neste Tribunal Regional Federal da 4 a Região, configurandose a hipótese prevista no art. 543B, Fl. 114DF CARF MF 4 caput e § 1°, do CPC, na redação dada pela Lei n° 11418/06, determino, até que o STF aprecie a questão (Recurso Extraordinário 559607), o sobrestamento do presente recurso. Esta circunstância está conforme a previsão do art. 62A do RICARF, que determina o sobrestamento, verbis: Art. 62A . [...] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Pelo exposto, voto por declarar o sobrestamento dos autos. 5. O colegiado, então, assim decidiu : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, em observância do disposto no art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 3 de janeiro de 2012. O Dr. Sandro Márcio de Souza Crivelaro, OAB/SP nº 239.936, acompanhou o julgamento. Alexandre Kern Presidente Juliano Lirani Relator Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. 6. O processo, então, foi redistribuído, diante do seguinte fato, ás fls. 105 : Em face da extinção do mandato do Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, representante da Fazenda Nacional, por ter expirado o prazo de que trata o § 1º do art. 40 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/2015 (Portaria CARF nº 86, de 1º/12/2017), os presentes autos devem ser redistribuídos no âmbito da turma, nos termos do § 8º do art. 49 do RICARF. 7. O processo veio a mim distribuído para relatar. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 5. O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 6. Passemos a analisar as razões recursais. 7. Em sede de repercussão geral, o STF assim ementou o RE Nº 574.706PR : RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULARTIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a puração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante do ICMS a Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.006749/200726 Acórdão n.º 3301005.001 S3C3T1 Fl. 114 5 recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições eo total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços; análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado o ICMS h´q de atentar ao disposto no art. 155, § 2º , inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conqua nto se tenha a escrituração da parcela ainda a compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, par. 2º, inc. I, in fine, da LEI Nº 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. 8. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração contra tal Acórdão. alegando, entre outras razões, a necessidade de que se defina a modulação dos efeitos da decisão, para que se estabeleça o momento em que tal decisão passou a produzir efeitos, se retroativamente o u apenas a partir de sua publicação. 9. Até o presente momento, não há julgamento desses Embargos, mas há que se destacar que tais Embargos foram recebidos no efeito devolutivo e não suspensivo, o que significa que a decisão do STF tem aplicação imediata. 10. Diante desse quadro jurídico, deve a Administração Tributária reconhecer que os pagamentos da Contribuição ao PIS e a COFINS feitos com a inclusão do ICMS em sua base de cálculo são considerados pagamentos indevidos e devem ser restituídos aos contribuintes. 11. Entretanto, para as empresas optantes pelo regime de tributação denominado Lucro Real, como integrantes compulsórias da sistemática de não cumulatividade, surge a exceção a tal regra. 12. Como tal, estas empresa estão sujeitas ao sistema de apuração de créditos, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos necessários para a obtenção da receita da atividade exercida pela empresa. 13. Como se verifica das telas de sistemas eletrônicos da RFB, ás fls. 26/29 CONSULTA DIRPJ 2003, a recorrente é optante pelo regime de tributação do Lucro Real. 14. Tais créditos, em função da atipicidade da não cumulatividade estabelecida para as citadas contribuições , pois difere da não cumualtividade adotada para o IPI e para o ICMS, nesta se adota a sistemática de abatimento do imposto cobrado na aquisição dos insumos do valor dos impostos devidos nas saídas dos produtos/mercadorias, naquela se adota a instituição de créditos, criados por lei, calculados por alíquotas fixadas sobre o valor dos insumos e outras Fl. 116DF CARF MF 6 despesas consideradas necessárias, para serem abatidos dos valores das contribuições devidas sobre a receita total gerada por tais insumos. 15. Muitos doutrinadores têm se debruçado sobre a matéria para explicar, de forma didática tal sistema de não cumulatividade adotado para as contribuições. Por sua forma clara, citamos a definição trazida por FABIANA DEL PADRE TOMÉ 1:ddia " As Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 introduziram no ordenamento brasileiro um novo regime de apuração da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, sendo denominado, pelo legislador ordinário como "não cumulativo". Esses veículos normativos autorizam que sejam descontados da base de cálculo, créditos calculados em relação a bens de revenda, insumos, energia elétrica, aluguéis, despesas financeiras, ativo imobilizado, edificações e devoluções de bens, especificando, no caso da COFINS, a possibilidade de creditamento realtivo a despesas com armazenagem e frete de mercadoria na operação de venda dos bens para revenda e insumos, quando o ônus for suportado pelo vendendor. Ao disciplinar a forma pela qual o crédito será calculado, estipula técnica diversa daquela aplicada ao IPI e ao ICMS. Não prescreve a compensação dos valores incidentes nas etapas anteriores com aqueles devidos nas operações subsequentes. Diferentemente, determina que o contribuinte, após apurar o valor da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, qplicando alíquotas de 1,65% e de 7,6%, respectivamente, desconte, do montante obtido, crédito correpondente á aplicação das mesmas alíquotas sobre o valor de determinados bens, serviços e despesas adquiridos e incorridos no mês. ................................. A não cumulatividade objetiva que cada agente da cadeia de industrailização ou serviço somente recolha o tributo sobre o valor que a ela adicionou. A técnica de apuração da contribuição ao PIS/PASEP e da COFISN, imposta pelas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nada tem de não cumulativa, pois em virtude das limitações ao crédito prevê, parte do tributo devido incidirá "em cascata". Temse, portanto, regra instituidora de abatimento ou regra de direito ao crédito, porém que não se identifica com a figura da não cumulatividade. A forma de cálculo dos créditos relativos á contribuição ao PIS/PASEP e COFINS também é diversa daquela prescrita constitucionalmente á apuração dos créditos de IPI e ICMS. Enquanto nesses impostos ha determinados, pelo Texto Maior, de que seja compensado com o quantum do tributo devido o montante incidente nas operações anteriores (modalidade de compensação "imposto sobre imposto"), a sistemática da creditamento das citadas contribuições não exige a identificação do tributo cobrado na etapa precedente. Determina que seja o crédito aferido mediante o emprego de uma alíquota previamente fixada, aplicada sobre o valor do bem, serviço ou despesa geradora do crédito. A sitemática de abatimento adotada e a do chamado "crédito financeiro", posto que não vincula o direito ao crédito á saída da mercadoria ou serviço no exercício da atividade do contribuinte. Ao contrário, as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 autorizam, expressamente, a dedução de créditos relativos a despesas consideradas custos indiretos, tais como aquelas decorrentes de empréstimos, financiamentos, aluguéis, dentre outros. 16. Nesse diapasão, devese ter em conta, quando se trata de empresas optantes do Lucro Real, duas particularidades para que se possa reconhecer o direito creditório em questão : a primeira e mais importante é a questão da utilização dos créditos gerados pelos insumos adquiridos e os serviços e despesas incorridas para a geração da receita da qual vai se abater o 1 Tome´, Fabiana del Padre, Natureza Jurídica da "Não Cumulatividade" da Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS :Consequencias e Aplicabilidade, in PISCOFINS QUESTÕES ATUAIS E POLÊMICAS, PAGS. 544/554 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10830.006749/200726 Acórdão n.º 3301005.001 S3C3T1 Fl. 115 7 valor do ICMS, ou seja, o valor do ICMS, por estar destacado nas Notas Fiscais de aquisição de tais insumos ou pagamento de serviços e despesas, é de fácil apuração e mensuração, ao contrário das contribuições ao PIS/PASEP e a COFINS que, além de não serem destacados na Notas Fsicais de aquisição , geram créditos que podem ser abatidos das contribuições devidas. portanto, ao se deduzir o ICMS somado nas Notas Fiscais de aquisição, devese efetuar uma operação de apuração dos créditos gerados e utilizados, de forma proporcional ao valor do ICMS excluído, para, ao final, poder se demonstrar que , ao excluir o ICMS também foram excluídos, na forma de estorno, de forma proporcional , os créditos gerados pelas aquisições, sob pena de se pleitear a restituição de valor pago indevidamente e a manutenção, na escrituração da empresa, os créditos gerados, que poderão ser utilizados nas foemas permitidas pela legislação. de outro lado, se os créditos foram utilizados, nas formas permitidas pela legislação (ressarcimento ou compensação com tributos devidos), deve o contribuinte comprovar o quantum utilizado, demonstrar que excluiu esses créditos do seu cálculo, para aí então estornar, de forma proporcional, os créditos porventura ainda remanesscentes em sua escrituração. a segunda particularidade é dependente da decisão do STF sobre a modulação dos efeitos do decidido em sede de repercussão geral. Se houver tal modulação, pode ocorrer a aquisição de insumos onde o ICMS não poderá ser excluído, produzindo efeitos sobre o cálculo dos créditos e do valor a ser excluído da base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS. 17. Diante das razões expostas, por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado tais cálculos , documentado a apuração do valor dos créditos utilizados ou não, efetivado a proprocionalização dos créditos com o valor da ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada que seria diferente da mera operação aritmética efetuada, de apenas excluir o valor do ICMS destacado nas Notas Fiscais do valor total pago a título de PIS/PASEP e COFINS ou da receita bruta auferida. 18. Firme nessa linha de raciocínio, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO e não reconheço o direito creditório.. 19. É o meu voto. Conclusão 20. Concluise, portanto, que, por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado tais cálculos , documentado a apuração do valor dos créditos utilizados ou não, efetivado a proprocionalização dos créditos com o valor da ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada que seria diferente da mera operação aritmética efetuada, de apenas excluir o valor do ICMS destacado nas Notas Fiscais do valor total pago a título de PIS/PASEP e COFINS ou da receita bruta auferida. 21. NEGO PROVIMENTO AO RECURSO e não reconheço o direito creditório.. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 118DF CARF MF 8 Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720394/2015-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PEDIDO DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO MOTIVADO. POSSIBILIDADE.
Quando acompanhado de motivação o indeferimento do pedido de conversão do julgamento em diligência, por si só, não constitui cerceamento do direito de defesa. No caso concreto, os documentos carreados aos autos pelas partes são suficientes para a formação de convicção do julgador, prescindindo da realização de diligência fiscal para o deslinde das questões controvertidas.
AÇÃO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. ATRIBUIÇÃO LEGAL.
Uma vez verificada a contratação de trabalhador, sob qualquer forma ou denominação, na qual estão presentes os pressupostos da prestação de serviço como segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de empregado, contribuinte individual ou qualquer outro, a autoridade tributária deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento de acordo com a legislação tributária. O procedimento da autoridade fiscal, que decorre de atribuição em lei, não exige o reconhecimento da existência de relação empregatícia pela Justiça do Trabalho, tampouco implica a desconsideração da personalidade jurídica da empresa da qual o trabalhador é sócio.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA FÍSICA MEDIANTE INTERPOSIÇÃO ARTIFICIAL DE PESSOA JURÍDICA. SÓCIO DA EMPRESA. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO.
Constatada a ocorrência da prestação de serviço remunerado por segurado empregado, dissimulada em contratação de pessoa jurídica da qual a pessoa física é sócia, cabe à fiscalização desconsiderar o vínculo artificial entre as pessoas jurídicas, lançando as contribuições devidas em nome da empresa contratante.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.196/2005.
Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, é permitido à fiscalização tributária desconsiderar a contratação de pessoa jurídica prestadora de serviços intelectuais, desde que demonstre que os serviços, no plano fático, são efetivamente prestados pelo sócio desta, na condição de segurado empregado.
MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE QUALIFICADA. FRAUDE.
Cabível a manutenção da penalidade qualificada, no importe de 150%, quando demonstrada a prática de conduta com o propósito de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, deixando de recolher os respectivos tributos devidos.
PRAZO DECADENCIAL. DOLO. FRAUDE. TERMO INICIAL DA CONTAGEM. SÚMULA CARF Nº 72.
Uma vez comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
(Súmula CARF nº 72)
MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que determina a aplicação de penalidade pecuniária, sob o fundamento do seu efeito confiscatório.
(Súmula CARF nº 2)
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. COMBINAÇÃO DE RECURSOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 30, IX, LEI Nº 8.212, DE 1991. ART. 124, INCISO I, CTN.
Impõe-se a responsabilidade solidária pelo crédito tributário quando caracterizada a formação de grupo econômico de fato por coordenação, marcado pelo interesse comum no fato gerador que constitui o lançamento fiscal, em que há combinação de recursos e/ou esforços para a realização de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo, mediante o rateio de despesas administrativas e comerciais, além do compartilhamento de trabalhadores.
SÓCIO ADMINISTRADOR. DIRETOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, INCISO III, CTN.
Comprovado que o diretor eleito da pessoa jurídica, no exercício da administração em nome desta, praticou dolosamente infração à lei, cujo desrespeito implica a ocorrência dos fatos jurídicos tributários, cabe a manutenção da pessoa física no polo passivo da relação tributária, respondendo solidariamente com a empresa pelo auto de infração lavrado.
Numero da decisão: 2401-005.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e a decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Thiago Duca Amoni e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a qualificadora da multa, reconhecer a decadência até a competência 04/2010 e afastar a responsabilidade solidária da pessoa física.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PEDIDO DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO MOTIVADO. POSSIBILIDADE. Quando acompanhado de motivação o indeferimento do pedido de conversão do julgamento em diligência, por si só, não constitui cerceamento do direito de defesa. No caso concreto, os documentos carreados aos autos pelas partes são suficientes para a formação de convicção do julgador, prescindindo da realização de diligência fiscal para o deslinde das questões controvertidas. AÇÃO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. ATRIBUIÇÃO LEGAL. Uma vez verificada a contratação de trabalhador, sob qualquer forma ou denominação, na qual estão presentes os pressupostos da prestação de serviço como segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de empregado, contribuinte individual ou qualquer outro, a autoridade tributária deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento de acordo com a legislação tributária. O procedimento da autoridade fiscal, que decorre de atribuição em lei, não exige o reconhecimento da existência de relação empregatícia pela Justiça do Trabalho, tampouco implica a desconsideração da personalidade jurídica da empresa da qual o trabalhador é sócio. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA FÍSICA MEDIANTE INTERPOSIÇÃO ARTIFICIAL DE PESSOA JURÍDICA. SÓCIO DA EMPRESA. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. Constatada a ocorrência da prestação de serviço remunerado por segurado empregado, dissimulada em contratação de pessoa jurídica da qual a pessoa física é sócia, cabe à fiscalização desconsiderar o vínculo artificial entre as pessoas jurídicas, lançando as contribuições devidas em nome da empresa contratante. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.196/2005. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, é permitido à fiscalização tributária desconsiderar a contratação de pessoa jurídica prestadora de serviços intelectuais, desde que demonstre que os serviços, no plano fático, são efetivamente prestados pelo sócio desta, na condição de segurado empregado. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE QUALIFICADA. FRAUDE. Cabível a manutenção da penalidade qualificada, no importe de 150%, quando demonstrada a prática de conduta com o propósito de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, deixando de recolher os respectivos tributos devidos. PRAZO DECADENCIAL. DOLO. FRAUDE. TERMO INICIAL DA CONTAGEM. SÚMULA CARF Nº 72. Uma vez comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Súmula CARF nº 72) MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que determina a aplicação de penalidade pecuniária, sob o fundamento do seu efeito confiscatório. (Súmula CARF nº 2) GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. COMBINAÇÃO DE RECURSOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 30, IX, LEI Nº 8.212, DE 1991. ART. 124, INCISO I, CTN. Impõe-se a responsabilidade solidária pelo crédito tributário quando caracterizada a formação de grupo econômico de fato por coordenação, marcado pelo interesse comum no fato gerador que constitui o lançamento fiscal, em que há combinação de recursos e/ou esforços para a realização de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo, mediante o rateio de despesas administrativas e comerciais, além do compartilhamento de trabalhadores. SÓCIO ADMINISTRADOR. DIRETOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, INCISO III, CTN. Comprovado que o diretor eleito da pessoa jurídica, no exercício da administração em nome desta, praticou dolosamente infração à lei, cujo desrespeito implica a ocorrência dos fatos jurídicos tributários, cabe a manutenção da pessoa física no polo passivo da relação tributária, respondendo solidariamente com a empresa pelo auto de infração lavrado.
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INDEFERIMENTO MOTIVADO. POSSIBILIDADE. Quando acompanhado de motivação o indeferimento do pedido de conversão do julgamento em diligência, por si só, não constitui cerceamento do direito de defesa. No caso concreto, os documentos carreados aos autos pelas partes são suficientes para a formação de convicção do julgador, prescindindo da realização de diligência fiscal para o deslinde das questões controvertidas. AÇÃO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. ATRIBUIÇÃO LEGAL. Uma vez verificada a contratação de trabalhador, sob qualquer forma ou denominação, na qual estão presentes os pressupostos da prestação de serviço como segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de empregado, contribuinte individual ou qualquer outro, a autoridade tributária deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento de acordo com a legislação tributária. O procedimento da autoridade fiscal, que decorre de atribuição em lei, não exige o reconhecimento da existência de relação empregatícia pela Justiça do Trabalho, tampouco implica a desconsideração da personalidade jurídica da empresa da qual o trabalhador é sócio. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA FÍSICA MEDIANTE INTERPOSIÇÃO ARTIFICIAL DE PESSOA JURÍDICA. SÓCIO DA EMPRESA. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. Constatada a ocorrência da prestação de serviço remunerado por segurado empregado, dissimulada em contratação de pessoa jurídica da qual a pessoa física é sócia, cabe à fiscalização desconsiderar o vínculo artificial entre as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 94 /2 01 5- 39 Fl. 15306DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.307 2 pessoas jurídicas, lançando as contribuições devidas em nome da empresa contratante. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.196/2005. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, é permitido à fiscalização tributária desconsiderar a contratação de pessoa jurídica prestadora de serviços intelectuais, desde que demonstre que os serviços, no plano fático, são efetivamente prestados pelo sócio desta, na condição de segurado empregado. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE QUALIFICADA. FRAUDE. Cabível a manutenção da penalidade qualificada, no importe de 150%, quando demonstrada a prática de conduta com o propósito de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, deixando de recolher os respectivos tributos devidos. PRAZO DECADENCIAL. DOLO. FRAUDE. TERMO INICIAL DA CONTAGEM. SÚMULA CARF Nº 72. Uma vez comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Súmula CARF nº 72) MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que determina a aplicação de penalidade pecuniária, sob o fundamento do seu efeito confiscatório. (Súmula CARF nº 2) GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. COMBINAÇÃO DE RECURSOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 30, IX, LEI Nº 8.212, DE 1991. ART. 124, INCISO I, CTN. Impõese a responsabilidade solidária pelo crédito tributário quando caracterizada a formação de grupo econômico de fato por coordenação, marcado pelo interesse comum no fato gerador que constitui o lançamento fiscal, em que há combinação de recursos e/ou esforços para a realização de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo, mediante o rateio de despesas administrativas e comerciais, além do compartilhamento de trabalhadores. SÓCIO ADMINISTRADOR. DIRETOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, INCISO III, CTN. Comprovado que o diretor eleito da pessoa jurídica, no exercício da administração em nome desta, praticou dolosamente infração à lei, cujo Fl. 15307DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.308 3 desrespeito implica a ocorrência dos fatos jurídicos tributários, cabe a manutenção da pessoa física no polo passivo da relação tributária, respondendo solidariamente com a empresa pelo auto de infração lavrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e a decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Thiago Duca Amoni e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a qualificadora da multa, reconhecer a decadência até a competência 04/2010 e afastar a responsabilidade solidária da pessoa física. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), por meio do Acórdão nº 0370.882, de 24/05/2016, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado pela fiscalização (fls. 14.941/14.969): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, Fl. 15308DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.309 4 contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. PEJOTIZAÇÃO. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES. EMPRESA INTERPOSTA. EFEITOS FISCAIS E PREVIDENCIÁRIOS. CONJUNTO PROBATÓRIO. Se o conjunto probatório existente nos autos demonstra que a empresa optou por exigir que os empregados com cargo de gerência se tornassem sócios de outra empresa para a continuidade da prestação de serviços, temse o que costumeiramente se chama de “pejotização”. Para afastar a caracterização de contratação de trabalhadores por empresa interposta e seus respectivos efeitos tributários e previdenciárias, a impugnante deve ultrapassar o campo das alegações e produzir provas que se contraponham as levantadas pelo setor fiscal, mormente aquelas relacionadas à existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego, pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, nos termos do art. 12, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores. Constatado que a contratação de pessoa jurídica deuse na atividade fim da empresa, em data concomitante (ou próxima) ao desligamento do empregado ou na manutenção deste e presentes os pressupostos laborais, impõese a configuração do fato gerador atinente à relação de emprego. O auditor poderá desconsiderar o vínculo pactuado com o trabalhador e enquadrar este como segurado empregado, desde que preenchidas os requisitos, conforme previsto no artigo 229, §2º do Decreto 3.048/99. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou Fl. 15309DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.310 5 estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. PENALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Inexiste desobediência ao princípio do não confisco quando a penalidade aplicada tem respaldo em lei. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. O requerimento de diligência que trata de questão totalmente inócua para fins de dirimição do litígio deve ser indeferido por força do disposto no caput do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS CND. EXPEDIÇÃO. COMPETÊNCIA. A competência para decidir sobre a expedição de Certidões Negativas de Débitos CND e parcelamentos de débitos é das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT, no âmbito da respectiva jurisdição. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que, na origem, o processo administrativo é composto de 2 (dois) autos de infração (AI), abrangendo as competências 01/2010 a 12/2010 (fls. 5.285/5.328): (i) AI nº 51.009.2853: contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais (fls. 14.551/14.567); e (ii) AI nº 51.009.2861: contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados (fls. 14.568/14.576). 3. De acordo com o agente fazendário, o crédito tributário tem origem nos pagamentos realizados (i) por meio de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que prestaram serviços na área de processamento de dados; e (ii) aos sócios da empresa MP & JDP Consultoria Empresarial Ltda, os quais prestaram serviços na área de administração e recursos humanos. Fl. 15310DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.311 6 3.1 A fiscalização constatou que a empresa autuada utilizou de contratos de prestação de serviços firmados com pessoas jurídicas para a finalidade de dissimular a contratação de pessoas físicas em sua atividade empresarial, as quais, efetivamente, executavam os serviços contratados, na condição de segurados empregados ou contribuintes individuais. 3.2. Para o apuração do crédito previdenciário, o trabalho fiscal foi dividido em 6 (seis) códigos de levantamento, a seguir indicados: (i) Levantamento EP remunerações pagas a segurados empregados, através de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas; (ii) Levantamento CP remunerações pagas a contribuintes individuais, por meio de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas; (iii) Levantamento JE remunerações pagas ao segurado empregado Javier Hernan do Porto, através de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas; (iv) Levantamento JI salário indireto pago ao segurado empregado Javier Hernan do Porto; (v) Levantamento MC remunerações pagas à segurada contribuinte individual Marcela Alejandra Pastirik, através de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas; e (vi) Levantamento MI salário indireto pago à segurada contribuinte individual Marcela Alejandra Pastirik. 3.3 A relação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços e seus sócios, às notas fiscais emitidas, as datas e competências do lançamento, os contratos de prestação de serviços, os nomes dos segurados, as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, os lançamentos contábeis e demais dados colhidos durante o curso da ação fiscal estão discriminados nos Anexos I a XIII, os quais integram o Termo de Verificação Fiscal (fls. 5.330/5.971). 4. Sobre as contribuições previdenciárias, o agente lançador fez incidir a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, tendo em vista que o sujeito passivo agiu intencionalmente com o evidente intuito de fraude (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). 5. A pessoa jurídica CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda e o sócio administrador da sociedade fiscalizada, designado no contrato social, Sr. Federico Alberto Tagliani, foram arrolados como responsáveis solidários pelos débitos fiscais, mediante a lavratura dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 14.595/14.600 e 14.608/14.612). Fl. 15311DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.312 7 5.1 Os vínculos de sujeição passiva solidária foram atribuídos pela fiscalização com fundamento no (i) art. 121, parágrafo único, inciso II, art. 124, inciso I, e art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN); e (ii) art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 6. A ciência do lançamento ao devedor principal deuse em 29/05/2015, enquanto os devedores solidários receberam a intimação nos dias 29/05/2015 e 01/06/2015. As impugnações foram protocoladas na mesma data, no dia 26/06/2015 (fls. 14.551, 14.554, 14.600, 14.615, 14.619/14.641, 14.812/14.836 e 14.851/14.875). 7. O devedor principal foi intimado da decisão de primeira instância no dia 07/07/2016, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária. Já os devedores solidários receberam as intimações no dia 12/07/2016, via postal (fls. 15.048/15.052). 8. Cada devedor, em petição separada, apresentou recurso voluntário, no dia 04/08/2016 (fls. 15.053, 15.127 e 15.196). Em síntese, os recorrentes aduzem os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso e a exigência fiscal: (i) em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, na medida em que, sem qualquer fundamentação plausível, indeferiu o pedido de conversão do feito em diligência para a produção de prova complementar; (ii) a nulidade de todo o procedimento administrativo, ante a incompetência da autoridade fiscal para desprezar os negócios jurídicos e considerar caracterizado o vínculo empregatício, que estão afetos às atribuições da Justiça do Trabalho; (iii), é vedado à autoridade fiscal, tendo em conta o art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, considerar a legislação previdenciária para fundamentar a relação de emprego na hipótese de prestação de serviços intelectuais por pessoa jurídica e, por consequência, determinar a incidência tributária; (iv) está configurada a decadência do crédito tributário até a competência 05/2010, com fulcro na contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º do art. 150 do CTN; (v) em decorrência das atividades realizadas pela empresa recorrente, voltadas à área de tecnologia de informação, é plenamente justificável a contratação de pessoas jurídicas para a prestação dos serviços especializados, por exigência até dos próprios prestadores, sem que isso configure vinculo de emprego com as pessoas físicas que integram o seu quadro societário; Fl. 15312DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.313 8 (vi) inexiste qualquer irregularidade na contratação de pessoa jurídica devido ao período de duração dos contratos firmados entre as partes ou ao local em que acontece a prestação dos serviços; (vii) não há pessoalidade nas relações havidas entre a empresa recorrente e seus prestadores de serviços, uma vez que a relação jurídica dáse exclusivamente entre pessoas jurídicas, sendo inviável confundir a personalidade da empresa com a do seu gestor; (viii) para que possa haver a desconsideração da personalidade jurídica dos prestadores de serviços, é imprescindível a demonstração do abuso da pessoa jurídica pelos sócios ou administradores, mediante o desvio de finalidade e confusão patrimonial, que exige, inclusive, a avaliação via judicial; (ix) não há que se falar em subordinação, com pretensão de relação empregatícia, mas apenas pura e simples contratação entre duas pessoas jurídicas; (x) o contrato de prestação de serviços não escapa ao requisito da onerosidade, de modo que tal aspecto é também uma característica da contratação de serviços de pessoas jurídicas; (xi) as pessoas jurídicas contratadas prestam serviços a outras empresas além da recorrente, não havendo cláusula de exclusividade; (xii) a multa qualificada é indevida, por não haver dolo ou evidente intuito de fraude, possuindo a aplicação da penalidade um nítido caráter confiscatório, devendo ficar limitada ao percentual de 20%; (xiii) a simples existência do "Grupo Assa" não justifica a responsabilidade solidária, dada a ausência dos requisitos para formação de um grupo econômico entre a pessoa jurídica fiscalizada e a empresa CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda, além da falta do interesse comum na situação que constitui o fato gerador; (xiv) o agente fazendário não se desincumbiu do ônus de comprovar o cumprimento dos requisitos da responsabilidade pessoal da pessoa física, Sr. Federico Alberto Tagliani, na medida em que não basta a mera qualidade de administrador, sendo necessária a demonstração que praticou atos de gestão com excesso de poder, infração à lei, contratos social ou estatuto, o que não ocorreu no presente caso; Fl. 15313DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.314 9 (xv) como sabido, o mero inadimplemento de tributos não caracteriza infração à lei para fins de aplicação do art. 135 do CTN; e (xvi) tendo em vista a existência dos mesmos elementos de prova, cabe o julgamento conjunto dos Processos Administrativos nº 19515.720394/201539 e 19515.720395/201583. 9. Em 06/12/2017, os devedores do crédito tributário juntaram petições, com conteúdo semelhante, nas quais comunicam a existência de sentença favorável, no âmbito da Justiça do Trabalho, obtida pela CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda, que afastou as multas aplicadas pelo Ministério do Trabalho. No caso, a fiscalização trabalhista havia reconhecido vínculo de emprego com 69 (sessenta e nove) prestadores de serviços, organizados na forma de pessoas jurídicas, com aplicação de multas pecuniárias. 9.1 Os peticionantes afirmam que a decisão na esfera trabalhista tem o condão de reforçar a plausibilidade do pedido de cancelamento da presente autuação fiscal (fls. 15.267/15.271, 15.284/15.288 e 15.297/15.301). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Admissibilidade 10. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos recursos voluntários e, por conseguinte, deles tomo conhecimento. Julgamento em conjunto 11. Pugna o recurso voluntário pelo julgamento em conjunto dos Processos nº 19515.720394/201539 e 19515.720395/201583. 12. De fato, com o propósito de contribuir para a prolatação de decisões congruentes, é recomendável que os processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de provas, ainda que referentes a tributos distintos, sejam distribuídos e julgados em conjunto, respeitada a especialização por matéria dos colegiados. Fl. 15314DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.315 10 13. Contudo, embora oportuna, a distribuição conjunta não é imperativa, pois eventual decisão, entre turmas distintas, que dê interpretação divergente da legislação tributária sobre os mesmos fatos jurídicos poderá ser combatida mediante a interposição de recurso especial. 14. No caso em apreço, o sorteio eletrônico a este relator ocorreu tão somente com respeito ao presente processo. Algumas vezes, a localização e/ou a fase em que se encontra atrapalha a vinculação dos processos, o que inviabiliza a distribuição ao mesmo relator no âmbito da segunda instância. 15. Dessa feita, respeitando o prazo regimental para inclusão do processo em pauta, a partir da data do sorteio, e tendo em conta que a reunião dos processos não constitui questão prejudicial ao julgamento do recurso voluntário, haverá a apreciação, nesta data e sessão, unicamente do presente processo administrativo. Preliminares a) Nulidade do acórdão 16. Quando acompanhado de motivação o indeferimento pelo julgador administrativo do pedido de conversão do julgamento em diligência, por si só, não constitui cerceamento do direito de defesa. 17. É a hipótese da decisão de primeira instância, que expôs os motivos para a desnecessidade da realização da diligência, fundamentando seu ponto de vista. Confirase trecho do acórdão recorrido (fls. 15.045/15.046): Pedido de realização de diligência A Impugnante requer a realização de diligência para verificação da inexistência de vinculo empregatício dos prestadores de serviço. Ocorre que a realização de diligência é, antes de qualquer outra coisa, providência a ser demandada pela autoridade julgadora, devendo ser adotada nos casos em que tal se mostre necessário a dirimição do litígio. O artigo 18 do Decreto n.º 70.235/72, que prevê a possibilidade da autoridade julgadora de primeira instância determinar a realização de diligência, assim dispõe: (...) No caso vertente, verificase que a diligência solicitada não trata de questão que possa alterar o convencimento dos julgadores administrativos, já que o relatório fiscal é bastante claro e os documentos acostados nos autos são suficientes para a formação da convicção desta julgadora. Desta forma, tendo em vista que a diligência solicitada é totalmente prescindível, já que não aborda questão capaz de interferir na dirimição do presente litígio, deve ser indeferido o pedido de diligência por força do disposto no caput do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 15315DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.316 11 18. Não só está motivada a decisão de piso, como também compartilho do entendimento de que a negativa da conversão do julgamento em diligência está adequada aos fatos. 19. Longe de conter afirmações de cunho genérico, o relatório fiscal é detalhado e claro, sendo que os documentos carreados aos autos pelas partes são suficientes para a formação de convicção do julgador, prescindindo da realização de diligência fiscal para o deslinde das questões controvertidas. 20. Anoto que durante o procedimento fiscal foram conduzidas diligências fiscais em alguns prestadores de serviço pessoa jurídica, selecionados por amostragem, com a finalidade da complementação da investigação sobre os fatos verificados, colhendose provas adicionais. 21. Por fim, a diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. É ônus do recorrente demonstrar os fatos que pretende fazer prevalecer no âmbito do processo administrativo fiscal, com respaldo em suporte documental de prova. b) Nulidade da autuação: incompetência da autoridade fiscal 22. O procedimento fiscal não tratou de reconhecimento de vínculo empregatício, tampouco desconsiderou a personalidade jurídica dos prestadores de serviço, invadindo a competência do Poder Judiciário. Nessa linha de compreensão, reproduzo trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 5.316): (...) 4.31 Não há assim que se falar, no presente relatório, em relação de emprego entre a "IBS" e as empresas, nem em desconsiderar a existência concreta das empresas, mas sim em concluir que a situação que de fato se apresenta é o pagamento às pessoas físicas (sócias das empresas) que efetivamente prestaram os serviços e receberam os pagamentos. (...) 23. Com efeito, o auditorfiscal tem a atribuição legal de aplicar a legislação tributária, competindolhe a interpretação, diante do caso concreto, se determinada relação jurídica entre particulares configura a realização de fato gerador de obrigação previdenciária principal, constituindo o respectivo crédito tributário mediante o lançamento de ofício (art. 6º, da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002). 24. Uma vez verificada a contratação de trabalhador, sob qualquer forma ou denominação, na qual estão presentes os pressupostos da prestação de serviço como segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de empregado, contribuinte individual ou qualquer outro, a autoridade tributária deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento de acordo com a legislação tributária. 25. Tal competência prevista em lei está expressa no § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de Fl. 15316DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.317 12 1999, que se aplica em todos os casos de prestação de serviço remunerado pelo segurado obrigatório, ainda que formalmente revestida de outra roupagem para camuflar a realidade dos fatos: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) 26. O recurso voluntário assevera que o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, alterou a disciplina da matéria, ao estabelecer a proibição, para fins fiscais e previdenciários, que se desconsidere a prestação de serviço por pessoa jurídica com o fim de fazer ocorrer o fato gerador da contribuição previdenciária. Eis sua redação: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. (VETADO) 27. De fato, o dispositivo de lei acima transcrito estabelece que a prestação de serviços intelectuais por sociedade regular, mesmo em caráter personalíssimo e com designação de obrigações a sócios, estará submetida, para fins fiscais e previdenciários, à legislação aplicável às pessoas jurídicas. 28. Contudo, o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, não foi criado para legalizar toda e qualquer prestação de serviço por meio de pessoa jurídica, impedindo a aplicação dos direitos sociais e individuais aos trabalhadores, mas tão somente para dar validade a figura da sociedade quando o exercício das atividades for efetivamente idealizado e assumido pela pessoa jurídica, ficando a salvo, portanto, a relação de emprego. 29. Para fins da legislação previdenciária, segurado empregado é aquela pessoa física que presta serviço à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração (art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212, de 1991). 30. Quando demonstrada a prestação de serviços com as típicas características da relação como segurado empregado, em especial a não eventualidade e subordinação, em que a interposição da pessoa jurídica é meramente formalidade, a sua participação artificial continua Fl. 15317DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.318 13 não produzindo efeitos na esfera tributária, previdenciária e trabalhista, prevalecendo a relação jurídica consubstanciada no plano fático. 31. À vista de tais motivos, a incidência das legislações tributária e previdenciária sobre o fato gerador cominado em lei independe do reconhecimento da existência de relação empregatícia, como também o procedimento fiscal não significa a desconsideração da personalidade jurídica, que permanece incólume. Logo, não há que se falar em ato emitido por agente público incompetente. 32. Ressalto que a avaliação sobre a suficiência do conjunto fáticoprobatório carreado aos autos para a manutenção do lançamento fiscal, considerando os pressupostos da ocorrência de relação de prestação de serviço por segurado empregado e/ou contribuinte individual, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, é matéria reservada ao exame de mérito da autuação fiscal, o qual será feito mais adiante neste voto. 33. Em suma, portanto, no que tange aos aspectos formais, não há vício de competência para a exigência da tributação nos moldes do lançamento fiscal. Mérito a) Desconsideração do vínculo com pessoa jurídica 34. Sob o prisma da primazia da realidade sob a forma, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, segundo sua natureza jurídica. 35. No procedimento de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. 36. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário segundo se sucede no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos, cabendo à autoridade lançadora demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. 37. O liame tributário decorre da lei. A ocorrência do fato previamente descrito na lei, no antecedente da norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária. Nem mais, nem menos. Além de o liame obrigacional prescindir da manifestação de vontade das partes, também os elementos da relação tributária, no consequente da regramatriz de incidência, não se alteram pela vontade de quem ocupa os pólos ativo e passivo do vínculo jurídico. 38. Pois bem. Advoga a petição recursal que não há incompatibilidade entre as situações identificadas pelo agente fazendário no curso do procedimento fiscal e as relações mantidas entre pessoas jurídicas em decorrência da prestação de serviços intelectuais na área de tecnologia de informação, ausentes, desse modo, os pressupostos da relação de emprego com pessoas físicas. Fl. 15318DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.319 14 39. A partir de diversas evidências, o trabalho da autoridade fiscal procurou demonstrar que havia a interposição artificial de pessoa jurídica, ao menos nas relações em que participava a empresa recorrente, tendo o sujeito passivo utilizado os contratos com prestadores de serviços, firmados entre pessoas jurídicas, com o objetivo de mascarar a contratação de pessoas físicas, as quais executavam os serviços na área de informática, atividade fim da empresa. 40. Ao longo do procedimento fiscal, o agente fazendário não realizou uma apuração superficial da matéria fática, nem utilizouse de mera presunções, porquanto foi buscar o seu convencimento em robusto conjunto probatório, dotado de seriedade e convergência no intuito de comprovar os fatos alegados pelo Fisco, ganhado, ao final, força probante. 41. Em que pese estruturado, o discurso da peça recursal é demasiadamente genérico, passando ao largo de diversas situações apontadas pela fiscalização que revelam a existência de uma relação jurídica laboral com as pessoas físicas, extrapolando, portanto, o vínculo entre pessoas jurídicas. Nesse cenário, salvo um ou outro ponto, o sujeito passivo abstevese de contestar as questões levantadas pelo agente lançador por meio de argumentos intrínsecos e congruentes com os fatos verificados na documentação da empresa e nas diligências realizadas. 42. Do ponto de vista teórico, não restam dúvidas da viabilidade de contratação de pessoas jurídicas para a prestação de serviços na área de tecnologia da informação, notadamente para a atividade de consultoria. De fato, à medida que os profissionais desse setor vão adquirindo vivência e expertise na sua área de atuação, ganha força o desejo de transmissão do conhecimento alcançado ao longo da vida profissional por intermédio de sociedades que passam a integrar. 42.1 Contudo, na hipótese de contratação de pessoa jurídica é impreterível que a prestação de serviços intelectuais realizase, efetivamente, pela sociedade prestadora de serviços, de maneira tal que não represente um subterfúgio para dissimular a relação de trabalho mantida com a pessoa física da qual é sócio. 43. No presente lançamento, o agente fiscal se valeu de dados coletados mediante exaustiva e aprofundada investigação dos fatos, efetuada nas dependências da empresa fiscalizada, em pesquisas no banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), além de diligências externas realizadas em várias das pessoas jurídicas contratadas para a prestação de serviços, nas quais foram colhidos depoimentos de pessoas que tinham vinculação com os contratos de prestação de serviço examinados. 44. A fiscalização averiguou, entre outros elementos de convicção, escrituração contábil, contratos de prestação de serviços, notas fiscais, relatório de horas trabalhadas, contratos com clientes, convênio de rateio de custos do "Grupo Assa", declarações fiscais prestadas à Administração Tributária, contratos e faturas de seguro de vida em grupo e de assistência médica e odontológica, Livro de Inspeção do Trabalho, Termo de Compromisso firmado com o Ministério Público do Trabalho e propostas de contratação divulgadas na Internet (fls. 5.285/5.328). 45. Na parte inaugural do Termo de Verificação Fiscal, a narrativa está concentrada nos prestadores de serviços da área de processamento de dados, em que foram identificadas mais de 150 pessoas jurídicas distintas, ao longo de alguns anos, cujos contratos firmados eram Fl. 15319DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.320 15 padronizados e apresentavam cláusulas com redação e/ou regras parecidas (item 4.4 do TVF, Anexo II, às fls. 5.368/5.371, e Doc. 1, às fls. 5.972/7.869). 45.1 Nada obstante o universo de pessoas jurídicas contratadas, a fiscalização não procedeu à caracterização dos segurados por amostragem, na medida em que tomou o cuidado de elaborar planilhas específicas com as remunerações dos trabalhadores, individualizando os segurados envolvidos na prestação de serviços e vinculando com as pessoas jurídicas das quais eram sócios (item 5 do TVF e Anexos X a XIII, às fls. 5.936/5.971). 45.2 De maneira tal que não só era possível como também viável o sujeito passivo contraditar de maneira individualizada os casos em que a contratação da pessoa jurídica havia se dado em condições diversas às demais, apontando, nessas hipóteses, as especificidades que não se amoldavam aos fatos trazidos pela autoridade lançadora, respaldado na linguagem de provas. Não o fez, porém. 46. Por intermédio do exame dos dados disponíveis nos sistemas da RFB, a fiscalização constatou os seguintes fatos mais relevantes, a seguir resumidos (itens 4.15 a 4.19 do TVF): (i) mais de 50 pessoas jurídicas prestavam serviços contínuos para a autuada a, pelos menos, 4 anos, algumas chegando a 8 anos; (ii) 42 pessoas físicas deixaram de executar serviços através da pessoa jurídica da qual era sócia, sendo imediatamente admitidas, a partir do ano de 2011, na condição de empregado da empresa recorrente; (iii) durante o ano de 2010, mais de 80% das pessoas jurídicas declaram o auferimento de receitas provenientes exclusivamente da empresa recorrente e/ou da empresa CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda, ambas pertencentes ao "Grupo Assa"; (iv) a quase totalidade das pessoas jurídicas não tinha empregados; (v) o endereço de 42% das pessoas jurídicas era um imóvel residencial, em que se indicava o número de apartamento; (vi) algumas pessoas jurídicas tinham endereço comum e outras possuíam o mesmo profissional responsável pela contabilidade; e (vii) a data de abertura da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) com respeito a diversos prestadores é posterior ao efetivo início da sua atividade, segundo os contratos de prestação de serviços. Fl. 15320DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.321 16 47. A análise do Livro de Inspeção do Trabalho revelou que a fiscalização do Ministério do Trabalho já havia constatado, em ações realizadas nos anos de 2010, 2011 e 2012, a contratação irregular de empregados por intermédio de pessoas jurídicas prestadoras de serviço, tendo a empresa fiscalizada se comprometido a formalizar os contratos de trabalho com as pessoas físicas que lhe prestavam serviços, sempre que presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego (item 4.20 do TVF). 48. A fiscalizada reconheceu, perante o Ministério Público do Trabalho, a prática conhecida como "pejotização" na área de tecnologia da informação, ou seja, a contratação irregular de empregados para prestarlhe serviços especializados mediante utilização de pessoas jurídicas, demonstrando, porém, a sua intenção de regularização da situação desses trabalhadores (item 4.21 do TVF, e Doc 11, às fls. 13.596/13.615). 49. Para subsidiar o trabalho fiscal, a realização das diligências fiscais em pessoas jurídicas contratadas, por amostragem do conjunto de prestadores, resultou nas seguintes informações (item 4.22 do TVF, e Doc. 12, às fls. 13.616/14.274): (i) a quase totalidade das pessoas jurídicas prestadoras de serviços tinha como sede o endereço residencial ou de algum familiar; (ii) não possuíam empregados; (iii) no período do contrato prestavam serviços com exclusividade, apenas esporadicamente a outro contratante; (iv) a quase totalidade das pessoas jurídicas havia emitido notas fiscais sequenciais; (v) as contratações tinham variações, porém diversos pontos em comum, tais como: recebimento de valor fixo mensal; possibilidade de receber horas extras ou bônus; pagamento da remuneração integral, mesmo quando estava somente à disposição da contratante, sem alocação a um projeto específico; e participação nos planos de benefícios oferecidos pelo "Grupo Assa"; e (vi) a proposta de trabalho compreendia, de modo explícito, as características de uma relação de emprego, exigindose, por outro lado, a contratação através do regime de pessoa jurídica. 50. Após discorrer acerca do panorama geral, passase, na sequência, à avaliação dos pressupostos da caracterização como segurado empregado, verificando, num primeiro momento, a presença de trabalho por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade, deixando para o fim o exame do requisito da subordinação. Fl. 15321DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.322 17 b) Trabalho por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade 51. Os serviços contratados são prestados na área de tecnologia de informação, em sua maior parte em consultoria e assessoria em sistemas de processamento de dados relacionados a projetos destinados a clientes da empresa fiscalizada. 52. Apesar da possibilidade do exercício da atividade por meio de pessoa jurídica, tais serviços, pela própria natureza intelectual, demonstram a dispensabilidade da sua interposição na relação contratual, por inexistência de motivos para a contratação via pessoa jurídica. 52.1 Imprescindível, por outro lado, a existência de um profissional qualificado, experiente e tecnicamente capaz para cumprir a demanda de serviço. Tanto que, conforme identificado pela fiscalização, quase a totalidade das pessoas jurídicas contratadas não possuía empregados registrados em seus quadros, o que implica considerar que era o titular ou sócio que efetivamente laborava, salvo prova em contrário. 53. Aduz a recorrente, no entanto, que o regime de contratação através de pessoa jurídica não era uma mera opção, mas sim uma necessidade por exigência dos próprios prestadores de serviços; caso contrário, restaria inviabilizada a atividade empresarial da contratante. 53.1 Com a devida vênia, é uma afirmação despedida de congruência com a realidade, como se a contratante representasse o elo mais fraco do processo de contratação e os profissionais da área de informática fossem os responsáveis por determinar as regras de mercado. Na prática, como abaixo se mostra, a exigência de contratação na condição de pessoa jurídica nada mais era que uma imposição da empresa fiscalizada. 54. O conjunto fáticoprobatório indica a prestação do trabalho pela pessoa física em caráter de infungibilidade, o que significa a presença da pessoalidade na relação jurídica (item 4.25 do TVF). 54.1 Para a concretização dos serviços pactuados, a recorrente pretendeu o recrutamento de um específico trabalhador, no caso titular ou sócio da pessoa jurídica contratada, e não qualquer outro, sem cogitar a substituição desse profissional ao longo da prestação dos serviços. 54.2 Por tal razão, a pessoalidade resta incontroversa. Não só com base no exemplo de email com proposta de trabalho que acompanha os autos, assim como pelos anúncios na Internet com a oferta de vagas na empresa fiscalizada, em que as tratativas são invariavelmente direcionadas à pessoa física, e não a uma pessoa jurídica que se pretendia contratar para a prestação de serviço. Além disso, faziase imprescindível a prévia análise do currículo do profissional, com a exigência da sua contratação na condição de pessoa jurídica (item 4.22 do TVF, às fls. 5.311, e item 7.2 do TVF, às fls. 5.322/5.325). 55. O Termo de Verificação Fiscal menciona também que o agente fazendário analisou instrumentos contratuais firmados com os clientes, que foram solicitados por amostragem, nos quais a contratação envolve a alocação de determinados profissionais específicos, sócios das pessoas jurídicas contratadas, para participarem da fase de elaboração e execução do projeto (item 4.7.5 do TVF). Fl. 15322DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.323 18 55.1 Dada a necessidade própria de cada projeto, tais pessoas físicas passavam por aprovação prévia do cliente, não podendo se fazer substituir sem o consentimento do contratante. Tal constatação contradiz a afirmação do recurso voluntário de que pouco importava quem seria a pessoa física que realizaria a atividade. 56. Na verdade, a pessoalidade, na sua acepção ampla, é requisito indispensável para a contratação de consultorias, tal como ocorreu nas hipóteses dos autos, independentemente do regime jurídico de vinculação. 57. Todavia, como se percebe, o real propósito era o contrato com a pessoa física, na figura de sócio da pessoa jurídica, que tinha condições para o cumprimento do serviço pactuado. Em outros dizeres, a conduta do sujeito passivo visava à escolha prévia de trabalhadores para atender aos projetos de seus clientes, contratados na qualidade de profissionais integrantes daquelas pessoas jurídicas. 58. De outra banda, a atividade econômica principal do sujeito passivo está relacionada à prestação de serviços de consultoria e assessoria a cliente na área de processamento da dados, mesmo objeto dos contratos de prestação de serviços firmados com as pessoas jurídicas. 58.1 Por tais motivos, os serviços prestados pelos contratados dizem respeito a atividades que fazem parte da estrutura organizacional do sujeito passivo, sem as quais a autuada não tem condições de atender à sua clientela, inserindose certamente na dinâmica normal da empresa. 58.2 Para cumprir a contento as suas obrigações empresariais a recorrente não pode prescindir dos serviços prestados pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas, o que configura, a toda a evidência, a não eventualidade na prestação de serviços pelos trabalhadores (item 4.26 do TVF). 59. A habitualidade também foi um fator constatado pela fiscalização na sua investigação, visto que as pessoas jurídicas emitiram notas fiscais mensais e, na maior parte das vezes, em ordem sequencial, cujos valores faturados eram praticamente inalterados ao longo dos meses, denotando a frequência dos serviços (item 4.5 do TVF e Doc. 2, às fls. 7.870/9.537). 60. No que toca à onerosidade na relação, dispensa maiores esclarecimentos, porquanto o agente lançador se pautou justamente nas notas fiscais apresentadas pela empresa recorrente, o que denuncia o caráter econômico da relação estabelecida entre as partes, com recebimento de valores mensais. 61. Por fim, cabe assinalar, porque relevante, a constatação da fiscalização que parcela significativa da quitação das notas fiscais, em percentual que supera 50%, deuse mediante depósitos e/ou transferências eletrônicas para contas bancárias em nome das pessoas físicas dos sócios, e não das pessoas jurídicas contratadas (itens 4.49 e 4.5.4 do TVF e Anexo II, às fls. 5.368/5.371). Fl. 15323DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.324 19 c) Subordinação 62. É sem dúvida a subordinação o elemento que ganha mais relevância para caracterizar a prestação de serviço por parte de um segurado empregado. 63. Quanto maior o nível de qualificação e especialização do trabalhador, menor é o seu grau de subordinação. Na hipótese dos autos, a concepção clássica de subordinação jurídica, com o recebimento de ordens diretas pelo trabalhador, no que diz respeito ao modo e tempo de realização da sua prestação laborativa, não é característica marcante do vínculo mantido entre as partes. 64. Porém, isso não faz com que fique afastada a subordinação. O conjunto probatório colhido pela fiscalização é hábil para demonstrar a integração dos sócios das pessoas jurídicas e das atividades realizadas aos objetivos da contratante, em um regime colaborativo, ajustados à organização e dinâmica operacional do tomador de serviços, absorvendo no cotidiano o seu poder direcionador e dirigente, o que permite considerar as pessoas físicas subordinadas. Senão vejamos. 65. Os contratos com as pessoas jurídicas, apesar da estipulação de um prazo de 12 meses ou menos de vigência, na prática eram automática e sucessivamente prorrogados, assemelhandose a contratos por prazo indeterminado. 65.1 De um modo geral, os pagamentos eram fixados por hora pelos serviços efetivamente prestados, sendo que a maioria dos contratos contém uma cláusula da garantia de recebimento de um número mínimo de horas por mês, igual a 168 ou 176 horas, o que equivale a uma carga horária diária de 8 horas de trabalho, durante 21 ou 22 dias úteis no mês (item 4.4 do TVF). 66. Tendo em conta a necessidade de organização e controle da execução dos serviços prestados, os trabalhadores preenchiam planilhas de horas contendo as atividades realizadas durante o mês, arquivadas por nome e código da pessoa física, e não pela identificação da pessoa jurídica da qual era titular ou sócio. Pela própria natureza do trabalho, inexistia um controle rígido quanto ao cumprimento diário de horário, mas sim havia uma espécie de banco de horas (item 4.6 do TVF). 66.1 Durante o mês, as horas eventualmente não utilizadas no desenvolvimento de atividades em projetos de clientes ou atividades do "Grupo Assa" eram registradas em diferentes tarefas, segundo formulário padronizado, tais como: (i) "não alocado/disponível", quando o trabalhador estava à disposição do contratante, aguardando a definição de nova atividade técnica, sem execução de trabalho externo; (ii) atividades internas; (iii) atividades de capacitação; e (iv) licença para enfermidade e outras licenças (Doc. 3, às fls. 9.538/9.734). 66.2 De acordo com a documentação, tendo em vista a necessidade de qualificação, bem como aderência às atividades empresariais, a empresa fiscalizada patrocinava treinamento e capacitação às pessoas físicas, inclusive de idioma da língua inglesa, por meio de escolas que ministravam os cursos ou mediante reembolso dos valores pagos pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas (item 4.13 do TVF). Fl. 15324DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.325 20 67. Por meio da análise de notas fiscais, contratos e relatórios de atividades, o agente fiscal constatou que as horas adicionais trabalhadas pelos segurados no mês eram regularizadas mediante pagamento em dinheiro ou cômputo em um banco de horas, para compensação futura. 67.1 Da mesma maneira que oferecido aos seus empregados com vínculo formal, em alguns casos a fiscalização localizou o pagamento de bônus pelo sujeito passivo aos prestadores de serviço, como mecanismo de retribuição pelo alcance de metas de produtividade, confirmado pelas diligências fiscais (itens 4.5.1, 4.5.2 e 4.22 do TVF). 68. Os sócios das pessoas jurídicas contratadas, juntamente com os empregados da empresa recorrente, participavam dos programas de benefícios indiretos mantidos e ofertados pelo sujeito passivo, no que se refere ao seguro de vida em grupo e à assistência médica e odontológica (itens 4.9 a 4.12 do TVF). 69. Nas atividades desenvolvidas junto a clientes, os empregados e os sócios das prestadoras de serviços eram alocados na mesma estrutura organizacional, não havendo distinção ou mesmo identificação do nome da pessoa jurídica contratada para a prestação do serviço, sendo acompanhados por gerente de projetos e um "mentor" para incentivar o planejamento da carreira (item 4.8.2 do TVF). 70. O exemplo de proposta de trabalho, através de email, obtida no procedimento de diligência fiscal é ilustrativo e convincente do propósito subjacente ao regime de contratação da pessoa jurídica, bastante revelador no sentido da prestação de serviço como segurado empregado (item 4.2, "k", do TVF): Eduardo; Em função do nosso contrato anterior considerarmos seu perfil e experiência profissionais adequados e desse modo formalizamos nossa proposta de trabalho como consultor SAP FI SR para integrar a equipe de consultores do Grupo ASSA nas seguintes condições: Regime de Contrato: PJ Prazo: Indeterminado (contrato de um ano, renovável automaticamente) Base: São Paulo (envolve viagens, inclusive no exterior) Horário de trabalho: das 08h00min às 17h00min, de segunda a sextafeira, não temos horas extras e sim Banco de Horas. O Regime de pagamento de horas extras depende do Gerente do Projeto Remuneração: R$ 10.584,00 mensais fixos PJ Descontos: Assistência Médica opcional Porto Seguro (aprox. R$ 125,00 mensais); Seguro de Vida (aprox. R$ 6,00 mensais) Data de início: a definir (favor confirmar sua data de início) Fl. 15325DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.326 21 Uma das características do Grupo ASSA é o cuidado tomado com seus consultores, por isso eles são objeto de avaliações periódicas e do acompanhamento por profissionais experientes, através de um programa de mentoring. Além disso, todos os consultores são classificados segundo níveis que obedecem a critérios rigorosos de experiência e qualificação. Dessa forma, aproveitamos para ressaltar as características de desenvolvimento de carreira dessa proposta de trabalho no Grupo ASSA. 71. Quanto às decisões proferidas pela Justiça do Trabalho que rejeitam o vínculo empregatício dos sócios das pessoas jurídicas contratadas pelas empresas do "Grupo Assa", atribuído pela fiscalização do Ministério do Trabalho, cabe dizer que não irradiam efeito vinculante sobre o processo administrativo fiscal (fls. 15.267/15.271, 15.284/15.288 e 15.297/15.301). 71.1 Com efeito, ainda que possam conter matérias interrelacionadas no âmbito do direito trabalhista e previdenciário, as autuações efetivadas pelos agentes públicos são distintas e, como tais, apoiadas em arcabouço probatório e fundamentos específicos segundo o propósito. 71.2 De qualquer forma, não há impedimento, pelo contrário, é recomendável a valoração da força axiológica da decisão judicial como elemento para a convicção do julgador administrativo. 71.3 No caso concreto, porém, verifico que a falta de reconhecimento do vínculo de emprego é decorrência direta do conjunto probatório do auto de infração lavrado pela fiscalização do Ministério do Trabalho, que o magistrado avaliou como insatisfatório para o intuito de comprovar os fatos descritos para a motivação do ato administrativo (fls. 15.275/15.281). 71.4 Outra é a situação desses autos. Segundo exposto linhas acima, entendo suficiente os elementos de prova trazidos no processo administrativo fiscal para comprovar os fatos que sustentam o lançamento do crédito tributário, em especial a prestação de serviços remunerados por segurado empregado. d) Demais fatos geradores 72. A fiscalização também apurou crédito tributário em relação à prestação de serviços por segurados qualificados na categoria de contribuintes individuais, em que pese o vínculo como sócios de pessoas jurídicas. Adicionalmente, lançou de ofício crédito tributário decorrente da prestação de serviço pelo Sr. Javier Hernan do Porto, gerente de administração e finanças, e Srª Marcela Alejandra Pastirik, diretora de desenvolvimento e apreciação de talentos, ambos sócios da empresa MP & JDP Consultoria Empresarial Ltda, contratada para a prestação dos serviços (itens 4.33.1 a 4.38). 73. Em tais casos, tendo em vista a motivação do lançamento fiscal, não houve contestação específica pelos recorrentes, não havendo na petição recursal, por sua vez, algum argumento e/ou documento capaz de prevalecer em sentido contrário à procedência do crédito tributário lançado. Fl. 15326DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.327 22 e) Multa Qualificada 74. O recurso voluntário reclama da qualificação da multa de ofício, no importe de 150%, sob a alegação de que não houve dolo ou evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo. Além disso, dada a infração praticada, o percentual da penalidade revela nítido caráter confiscatório e desproporcional, o que é vedado pelo inciso IV do art. 150 da Carta da República de 1988. 75. Pois bem. A decisão de piso não merece reforma. Como visto, o conjunto probatório carreado pelo agente lançador demonstra que o sujeito passivo, ao longo do tempo, beneficiouse da prestação de serviços de trabalhadores na área de tecnologia da informação, na condição de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, mediante a dissimulação da sua contratação pela prestação de serviços por pessoas jurídicas, cujos sócios eram as pessoas físicas que exerciam as atividades. 76. O farto material obtido no decorrer do procedimento fiscal, já exaustivamente mencionado neste voto, põe em evidência, na linguagem de provas, a existência de uma política organizacional, devidamente estruturada, no sentido da contratação proposital de trabalho intelectual de pessoa física através da interposição fraudulenta de pessoa jurídica, não havendo motivos para a contratação desta que não seja a economia irregular dos tributos devidos na prestação de serviço, com lesão à Fazenda Pública. 77. A conduta configura uma ação dolosa com o propósito de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, deixando de recolher os respectivos tributos, hipótese que autoriza a duplicação do percentual básico da penalidade (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996). 78. Por sua vez, escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a análise de questões que digam respeito à ocorrência de efeito confiscatório, haja vista que a questão demanda o exame da incompatibilidade da lei aplicável com preceitos de ordem constitucional. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 79. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 80. Uma vez presente o aspecto subjetivo para a majoração da multa de ofício, o percentual definido em lei é fixo, igual a 150%, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, de maneira tal que é inviável a sua redução pelo julgador administrativo. Quanto ao pedido de aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não há amparo na legislação, por se tratar de multa de mora, a qual possui natureza diversa da multa de ofício, aqui lançada. Fl. 15327DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.328 23 f) Decadência 81. Uma vez demonstrada a conduta dolosa e fraudulenta, a contagem do prazo decadencial é regida pelo inciso I do art. 173 do CTN, isto é, o direito de constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 82. Esse entendimento está catalogado no verbete sumulado nº 72 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. 83. Tendo o lançamento de ofício se aperfeiçoado com a ciência dos devedores em meados do ano de 2015, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano de 2010, não há que se falar em decadência do crédito tributário. g) Vínculos de Responsabilidade CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda 84. O agente fazendário imputou o vínculo de responsabilidade solidária em nome da pessoa jurídica denominada de CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda, com fulcro no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, e no inciso I do art. 124 do CTN (itens 4.8 e 11.2 do TVF, e Doc. 5, às fls. 10.222/10.331): Lei 8.212, de 1991 Art. 30 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 15328DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.329 24 85. Em contraposição, o recurso voluntário assevera que a autoridade fiscal não comprovou os requisitos indispensáveis para a formação de grupo econômico pelas empresas IBS Integrated Business Solutions Consultoria Ltda e CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda. Ademais disso, é inexistente o interesse jurídico do devedor solidário nas operações autuadas. 86. Pois bem. O processo administrativo está instruído com provas de que as pessoas jurídicas integram um grupo de fato por coordenação, marcado pelo interesse comum no fato gerador que constitui o lançamento fiscal. Há confirmação da administração unitária, cujo representante legal é o Sr. Federico Alberto Tagliani, utilizandose as empresas da explícita referência ao "Grupo Assa" quando do oferecimento de vagas de trabalho e das propostas de contratação de segurados, no regime de pessoa jurídica. 87. As atividades exercidas pelas duas empresas integrantes do grupo são assemelhadas e complementares, tendo constatado a fiscalização a combinação de recursos e/ou esforços para a realização dos objetivos comuns, mediante o rateio de despesas administrativas e comerciais, além do compartilhamento de trabalhadores, que executavam os serviços para uma e outra empresa do grupo, o que denota a participação conjunta e o interesse comum na situação que constitui o fato gerador decorrente do exercício da atividade econômica. 88. Por óbvio, a prática de rateio entre as pessoas jurídicas do grupo não afasta o vínculo de solidariedade. Mesmo que não se tenha uma confusão patrimonial, considerando o rateio de custos e despesas previamente ajustado e devidamente contabilizado, o que evidencia a autonomia das empresas e a existência de patrimônio distinto, o interesse comum no fato gerador mantémse inalterado. 89. Em apoio às palavras acima, reproduzo trechos do acórdão recorrido, que, desde já, acrescento às minhas razões de decidir (fls. 14.961/14.962): (...) A realidade fática constatada pelo fisco e demonstrado nos autos é a de que as empresas citadas no Relatório Fiscal formam um grupo econômico de fato. Senão vejamos: A IBS e a empresa CNT fazem parte do Grupo ASSA, conforme Instrumento Particular de Convênio de Rateio de Custos, de fls. 10.222/10.223 apresentado à fiscalização, em 27/11/2014, convênio este firmado em 30/12/2007, em razão da utilização conjunta da estrutura operacional técnica e administrativa comum que prevê o compartilhamento dos recursos de ambas as empresas da seguinte forma: aproveitamento compartilhado de recursos humanos (Staff Corporativo) nos projetos desenvolvidos por cada uma das empresas, aferido através do resumo de horas aplicadas em cada projeto; rateio das despesas administrativas, na proporção entre a receita bruta total de cada sociedade e a receita bruta total de ambas; Fl. 15329DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.330 25 rateio das despesas comerciais com base no esforço despendido no desenvolvimento de possíveis negócios em cada uma das empresas. Reforçando este entendimento consta inclusive nos Relatório Suporte da ND nº 25 a 36, de 2010, de fls. 10.225/10.331 em que a IBS cobra mensalmente a CNT pela transferência de custos e ou despesas de responsabilidade da última, pelo aproveitamento compartilhado de recursos humanos e pelo rateio das despesas comerciais, onde são informados o nome do colaborador (PF), o nome e o centro de custo do cliente no qual o colaborador prestava serviços, as horas trabalhadas neste cliente, o centro de custo das horas do colaborador e o rateio do custo que caberia à CNT. Há de se observar que não é o mero fato de a autuada compartilhar recursos e ratear despesas que vai indicar a existência de um grupo econômico, mas sim todos os fatos narrados pela fiscalização, e não negado pela impugnante CTN em sua peça impugnatória. Os documentos, de fls.14.420/14.549, e que são ficha cadastral completa, DIPJ das duas empresas e resultado de consulta aos sistemas informatizados da RFB comprovam a existência de grupo econômico, na medida em que demonstram que o representante legal tanto da IBS como da CTN é o Sr. Federico Alberto Tagliani. De igual modo os documentos do Grupo ASSA Word Wide S. A, empresa multinacional sediada na Espanha, dispõe como seu dirigente no Brasil o mesmo Sr. Federico Alberto Tagliani. Anexa às fls. 14.412/14.419, entrevista deste sobre a atuação do Grupo ASSA no Brasil. (...) 90. Logo, identificado e caracterizado o grupo econômico, assim como o interesse comum no fato gerador, as provas colhidas pelo agente fazendário permitem a imputação da responsabilidade solidária em nome da recorrente, CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda, com lastro no inciso I do art. 124 do CTN e no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c inciso II do art. 124 do CTN. 91. De tal maneira que a solidariedade abarca não só as contribuições previdenciárias, como também as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros). Federico Alberto Tagliani, sócio administrador 92. A autoridade fiscal reputou ao Sr. Federico Alberto Tagliani, dada a sua condição de sócio e diretor eleito, segundo a 17ª alteração do contrato social, a responsabilidade solidária pelos débitos constituídos em face da pessoa jurídica autuada, com fundamento nas disposições do inciso III do art. 135 c/c inciso II do parágrafo único do art. 121, ambos do CTN (item 11.2 do TVF e fls. 59/68): Fl. 15330DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.331 26 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado 93. Em linha de defesa, o recorrente aponta que a mera qualidade de administrador da pessoa jurídica não basta para a sua responsabilização pessoal, devendo haver prova inequívoca da participação ativa da pessoa física no nascimento da obrigação tributária, além da demonstração que o administrador agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social, sendo que, no presente caso, tal prova definitivamente deixou de ser produzida pelo agente fiscal. 94. Pois bem. Levandose em consideração os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal, não vejo como excluir a responsabilidade solidária do diretor da empresa autuada. Copio novamente trechos do acórdão recorrido, que ora corroboro pelo seus próprios fundamentos, os quais acabam por sintetizar adequadamente o cenário descrito pela fiscalização (fls. 14.965): (...) No presente caso ficou bastante claro que o IBS utilizou os contratos com prestadores de serviço pessoa jurídica com o objetivo de dissimular a contratação das pessoas físicas que executavam os serviços. Ou seja, o sujeito passivo agiu intencionalmente, com evidente intuito de fraude, ao utilizar procedimento não aceito pela legislação trabalhista e previdenciária, efetuando reiteradamente o pagamento de remuneração aos empregados e contribuintes individuais, por meio das prestadoras de serviço PJ. Mecanismo este usado com o objetivo de excluir esta remuneração da base de cálculo das contribuições sociais e do imposto de renda retido na fonte. Na verdade, tal comportamento demonstra não se tratar de um mero equívoco, evidenciando, sim, a existência de dolo por parte da Contribuinte, devendo seus administradores responder solidariamente pelos créditos tributários apurados, nos termos Fl. 15331DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.332 27 da legislação vigente. Tal conduta motivou, inclusive, a qualificação da multa de ofício e a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). Desse modo, há evidências suficientes para considerar que a conduta do administrador, no caso em tela, configura infração à lei e, por conseguinte, o torna apto a figurar como responsável solidário no pólo passivo da presente autuação. (...) 95. Como antes dito, os fatos verificados são provenientes de um comportamento organizacional, intencional e continuado ao longo do tempo, em que a participação consciente e ativa do diretor da empresa constitui elemento indissociável, não sendo possível cogitar que o método de contratação de pessoas jurídicas, com o propósito de dissimular a prestação de serviços por segurados empregados e/ou contribuintes individuais, deuse alheio à prática de quaisquer atos pelo administrador da empresa, o qual detém poderes para determinar, permitir e/ou validar as condutas da sociedade, inclusive fazer cessar as ilicitudes. 96. É de verse, portanto, que durante o exercício da administração em nome da sociedade, o Sr. Federico Alberto Tagliani, na qualidade de diretor designado no contrato social, foi responsável por transgressões conscientes à lei penal, através da distorção dos elementos do fato gerador para o fim de evitar a subsunção à regra matriz de incidência da norma tributária (arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964). Tais atos praticados com infração à lei pelo administrador mantêm conexão com a ocorrência dos fatos jurídicos tributários objeto do lançamento fiscal. 97. Dessa forma, uma vez cumpridos os requisitos do art. 135 do CTN, é devida a responsabilização da pessoa física recorrente, não merecendo reforma as conclusões do acórdão contestado. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos recursos voluntários, REJEITO as preliminares e a decadência e, no mérito, NEGOLHES PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 15332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011927/2003-04
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Acolhem-se embargos de declaração apresentados quando necessário suprir omissão na fundamentação do acórdão.
Embargos de declaração conhecidos para suprir omissão na fundamentação do acórdão, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1201-000.454
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os
embargos para rerratificar o Acórdão no 1201-00.232, e suprir a omissão apontada, sem efeitos infringentes, nos termos de relatório e voto. Vencidos os conselheiros Regis Magalhães Soares Queiroz (Relator) e Marcelo Cuba Netto que rejeitavam os embargos. Vencido o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que acolhia os embargos com efeitos infringentes com o restabelecimento da multa. Designado o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho para redação do voto vencedor.
Nome do relator: Regis Magalhães Soares de Queiroz
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I 31-1 MINISTÉRIO DA FAZENDA P(t. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10580.011927/2003-04 Recurso n° 000000 Voluntário Acórdão n° 1201-000.454 — 2 Camara / la Turma Ordinária Sessão de 31 de março de 2011 Matéria CSLL Recorrente UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Recorrida TV ARATU S.A. Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Acolhem-se embargos de declaração apresentados quando necessário suprir omissão na fundamentação do acórdão. Embargos de declaração conhecidos para suprir omissão na fundamentação do acórdão, sem efeitos infringentes. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos para rerratificar o Acórdão no 1201-00.232, e suprir a omissão apontada, sem efeitos infringentes, nos termos de relatório e voto. Vencidos os conselheiros Regis Magalhães Soares Queiroz (Relator) e Marcelo Cuba Netto que rejeitavam os embargos. Vencido o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que acolhia os embargos com efeitos infringentes com o restabelecimento da multa. Designado o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho para redação do voto vencedor. Cia 114+■ df /A 10434 IF Antonio Carlos G do i Filh — Redator designado t 44\01\ Z.t% Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. mr M. aquias - Presidente. Regis Magalhães S - Relator. Relatório Cuida-se de embargos de declaração opostos pela União ao acórdão de fls. 353 e seguintes que foi assim ementado: FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO. 0 art. 35, ,sS' alínea "a", da Lei no 8.981/95 não se coaduna coin o entendimento segundo o qual a transcrição dos balanços ou balancetes, no livro Diário, é requisito de validade da escrituração. A norma estabeleceu, sim, a subordinação da validade dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução transcrição no Diário, o que em nada afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária. Se esta existe, o Fisco pode, e deve, a partir dela, empreender as diligências necessárias a configuração do fato tributário, exceto se contaminada com vicio que a torne imprestável. 0 embasamento para a oposição dos embargos é a suposta omissão por não ter o acórdão embargado discorrido acerca de uma frase lançada em passant na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fls. 5, no sentido de que o embargado não teria apresentado LALUR escriturado mensalmente, apenas anualmente. Segundo o raciocínio da embargante, a escrituração anual do LALUR estaria a dar suporte à desconsideração dos balancetes de suspensão ou redução levantados pelo contribuinte, na forma do art. 35, §1°, alínea "a" da Lei 8.981/95. Sugeriu, ainda, que o acórdão embargado teria reconhecido a aplicabilidade ao caso do art. 15, da IN SRF 93/97. o relatório. Processo n° 10580.011927/2003-04 SI-C2T1 Acórdão n,° 1201-000.454 Fl. 2 Voto Vencido Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: A embargante pretende dar a um comentário contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a força de "motivo" do ato administrativo de imposição de multa. Vejamos, então, o que dispôs a fiscalização sobre a escrituração do LALUR: "o contribuinte optante pela tributação anual do IRPJ, não faz jus a redução/suspensão dos pagamentos por estimativa corn base em balancetes, pois não transcreveu os balancetes no livro diário como determina a alínea 'a' do artigo 35 da lei 8.981/95. Além disto, não apresentou a esta Auditoria os LALUR escriturados mensal, apenas anual" Nota-se que a base legal invocada pela autoridade para a desconsideração dos balancetes de redução ou suspensão foi o art. 35, alínea "a" da Lei 8.981/95, que obriga a transcrição deles no Livro Diário, apesar de fazê-lo sem impor a sua desconsideração em caso de desatendimento. A regra legal invocada em sustentação ao lançamento nada diz sobre escrituração mensal do LALUR. Alias, o próprio art. 262 do RIR/1999 obriga apenas a realização dos "ajustes do lucro liquido do período de apuração" que, in casu, era anual: Art.262.No LAL UR, a pessoa jurídica deverá (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 82, inciso I): 1-lançar os ajustes do lucro liquido do período de apuração; Não vejo densidade jurídica no reclamo contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal acerca da não apresentação de LALUR escriturado mensalmente, para que seja alçado A. dignidade de fundamento do ato administrativo, posto que desacompanhado de fundamentação e de invocação de base legal suporte. Por outro lado, também é descabida a invocação do § 3°, art. 15, da IN SRF 93/97, que determina a desconsideração do balancete de redução ou suspensão na hipótese de "lido escrituração do livro Diário e do LALUR", hipóteses que não se verificaram no caso, onde ambos os livros foram escriturados. Entendo que não há reparos a fazer a conclusão a que cheguei quando do julgamento do recurso voluntário, assim fundamentado: "0 desatendimento de obrigação acessória, quando não inviabiliza a possibilidade da apuração fiscal, não pode sobrepor-se à obrigação estatal de buscar a verdade tributária material e apurar corretamente os tributos, enquanto esta estiver ao seu alcance. Neste sentido, alias, precedente da Camara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes citado por Hirotni Higuchi, acórdão n° 01- 04.263/02, DOU de 08.08.2003."' Por fim, apenas para esclarecer à embargante, o acórdão embargado fez referência ao art. 15, da IN SRF 93/97 apenas para ressaltar que quando há cominação de invalidade dos balancetes de suspensão e redução, ela é feita de forma explicita, como se vê nesta instrução normativa, o que não se vislumbra no art. 35, alínea "a", da Lei 8.981/95, que não comina nenhuma penalidade. Contexto completamente diferente do referido nos embargos. Isso posto, conheço mas rejeito os embargos de declaração, ante a inexistência de omissão. o voto. Regis Magalhães Soares De Q onselheiro Relator Hiromi Higuchi, Fabio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi, Imposto de renda das empresas, interpretação e prática, 32 ed., 2007, SP, IR Publicações, p. 31. Citam, ainda neste sentido, precedente do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes acórdão n° 101-95.384/2006, DOU 18.05.2006) Processo n° 10580.011927/2003-04 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.454 Fl. 3 Voto Vencedor Conforme se constata do relatório supra, tratam-se de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional para que fosse suprida alegada omissão do Acórdão n° 1201-00.232 relativa a ausência de exame de acusação fiscal que justificaria a manutenção da multa isolada no caso, qual seja: a ausência de escrituração de LALUR em bases mensais, mas tão somente em bases anuais. Nesse sentido, veja-se trecho dos embargos, verbis: A análise do Auto de Infração revela que a aplicação das multas isoladas teve dois motivos: a) a inexistência do direito à redução / suspensão dos pagamentos por estimativa com base em balancetes, urna vez que se descumpriu o ônus de transcrevê-los no livro Diário, como determina o art. 35, §1°, "a", da Lei n° 8.981/95; b) a pessoa jurídica nib o escriturou o LALUR mensalmente, mas apenas anualmente. Confira-se: "0 contribuinte, optante pelo (sic) tributação anual do IRPJ, não faz jus redução / suspensão dos pagamentos por estimativa corn com (sic) base em balancetes, pois não transcreveu os balancetes no livro Diário corno determina a alínea a do artigo 35 da Lei 8981/95. Além disso não apresentou a esta Auditoria os LALUR escriturados mensal, apenas anual" (IL 05). (Gr(ou-se) Em ligeira síntese, o recurso foi provido com base no entendimento de que "a falta de transcrição não invalida a contabilidade e, portanto, o Fisco tern condições e o dever de fazer a verificacdo" (fis. 355-v). Não obstante, o acórdão não apreciou o segundo fundamento para a constituição do credito (letra "h" supra), o que caracteriza a omissão." Em exame aos citados embargos, o I. Conselheiro Relator não identificou "densidade jurídica no reclamo contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal acerca da não apresentação de LALUR escriturado mensalmente, para que seja alçado A dignidade de fundamento do ato administrativo, posto que desacompanhado de fundamentação e de invocação de base legal suporte". Aqui a razão da divergência. Nada obstante tenha sido bastante sucinta, a acusação fiscal teve por fundamento a ausência de escrituração do LALUR em bases anuais, conforme se depreende do trecho do lançamento acima transcrito. Depreende-se dos autos que citada forma de contabilização do LALUR também constituiu causa de desconsideração dos demais elementos da escrita da Contribuinte para fins de verificação da regularidade do recolhimento de estimativas no período, conforme previsto no citado art. 15 da IN RFB n. 93/97. Embora esteja compreendida na acusação fiscal e, portanto, mereça expresso tratamento por este Colegiado, a ausência de escrituração do LALUR em bases mensais, mas Filho Antonio rerratificar o Acórdão n° 120 fundamentação, sem efeitos i fr suprir a omissão apontada na parte de sua .232, s. %two (4-k 91e apenas l em bases anuais, não pode fundamentar de per si a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, mormente quando a Fiscalização dispõe de outros elementos'‘ Da ,1 ro de escrita para verificação da ocorrência do fato tributável, tal como se verifica na hipótese. Para o caso, pois, aplica-se a conclusão do acórdão embargado no sentido de que: "o desatendimento de obrigação acessória, quando não inviabiliza a possibilidade da apuração fiscal, não pode sobrepor-se à obrigação estatal de buscar a verdade tributária material e apurar corretamente os tributos, enquanto esta estiver ao seu alcance. Neste sentido, aliás, precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes citado por Hiromi Higuchi, acórdão n°01-04.263/02, DOU de 08.08.2003". Nesses termos, oriento o voto no sentido de acolher os embargos para • S
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721686/2015-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-007.408
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Demes Brito Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Demes Brito Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.547 1 1.546 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.721686/201595 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.408 – 3ª Turma Sessão de 18 de setembro de 2018 Matéria IPI Recorrente SAMSUNG ELETRONICA DA AMAZONIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 16 86 /2 01 5- 95 Fl. 1547DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Demes Brito – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo ao acórdão nº 3401002.755, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. No direito tributário brasileiro, o princípio da não cumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindose, portanto, as aquisições isentas. ” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, que negou provimento ao recurso voluntário ao não reconhecer o direito ao ressarcimento de IPI decorrente da aquisição de insumos em operações amparadas por isenção. Traz, entre outros, que: · O processo é relativo ao pedido de ressarcimento de IPI referente ao 2º trimestre de 2003, decorrente da aquisição de insumos com isenção de IPI por estar instalada na Zona Franca de Manaus, nos termos do Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10283.721686/201595 Acórdão n.º 9303007.408 CSRFT3 Fl. 1.548 3 disposto nos arts. 3º e 4º do DecretoLei 288/67, nos arts. 59, inciso III e 63 do RIPI/98 e nos arts. 69, inciso III e 73, do RIPI/02; · Entendimento favorável ao sujeito passivo encontrase pacificada pelo plenário do STF quando do julgamento do RE 212.4842, não tendo sido alterada pelo RE 566.819; · O direito ao crédito decorrente de operações isentas de IPI foi reconhecido pela ausência de restrição constitucional e para dar validade à isenção concedida à Zona Franca de Manaus – ZFM; · Não se trata de aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, pois em relação a esses créditos, o Plenário do STF concluiu em 25.6.07 o julgamento do RE 353.657PR, que não contemplava o crédito nas aquisições isentas, no sentido de que não há direito à manutenção do crédito de IPI na aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero pela alíquota da saída; · Em relação ao presente caso, o STF trouxe que o crédito de IPI diante de aquisições amparadas por isenção não decorre da aplicação da regra constitucional da não cumulatividade, mas de benefício fiscal, cujo alcance, no caso das operações praticadas no âmbito da Zona Franca de Manaus, se justifica por razão de política fiscal, em vista da vantagem competitiva decorrente da isenção; · Quanto ao direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, está assegurado o ressarcimento e compensação com outros tributos no art. 11 da Lei 9.779/99; · Devese aplicar a Taxa Selic sobre o valor a ser ressarcido a partir da data de transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei 9.250/95. Em Despacho às fls. 1510 a 1514, foi dado seguimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional apenas em relação ao direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos isentos. Fl. 1549DF CARF MF 4 Em Despacho às fls. 1517 a 1518, o ilustre exPresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara – que havia dado seguimento parcial ao recurso. Contrarrazões ao recurso foram apresentados pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que o recurso não deve ser conhecimento por falta de similitude fática; e, se conhecido, não deve ser dado provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, vez que em relação à lide posta, foi comprovada a divergência. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em despacho. Ora, a decisão recorrida assentou que o direito ao crédito do IPI condiciona se à efetiva oneração pelo Imposto das aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização, o que exclui as aquisições isentas. Enquanto, o Acórdão indicado como paradigma CSRF/0202.154 decidiu que o princípio constitucional da não cumulatividade abriga o creditamento do IPI na entrada de insumos isentos, em reprodução ao entendimento do STF esposado no RE 212.484/RS. Na mesma linha decidiu o Acórdão indicado como paradigma CSRF/0202.364. Ou seja, enquanto o acórdão recorrido traz que não há direito ao creditamento de IPI quando se tratar de insumos isentos, o acórdão indicado como paradigma traz que abriga o creditamento ainda que se trate de insumos isentos. Entendo que o cerne da discussão, independentemente de se tratar de empresa sediada ou não na Zona Franca de Manaus, está contemplado nos arestos. Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10283.721686/201595 Acórdão n.º 9303007.408 CSRFT3 Fl. 1.549 5 Em vista do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redador designado Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, com a devida vênia, discordo de seu entendimento. O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Com efeito, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3401002.755, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. No direito tributário brasileiro, o princípio da não cumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindose, portanto, as aquisições isentas. Fl. 1551DF CARF MF 6 Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, aduz divergência jurisprudencial referente as seguintes matérias: (1) direito de crédito de IPI na entrada de insumos isentos e (2) de abono de juros SELIC sobre o valor do ressarcimento. Para comprovar o dissenso, aponta como paradigmas os acórdãos de nºs CSRF/0202.154 e CSRF/0202.364, para a divergência (1), e CSRF/0201.160 e 10616.381, para a divergência (2). Em seguida, o Presidente da 4º Câmara negou seguimento ao Recurso quanto correção do ressarcimento pela incidência da taxa Selic, considerando que a matéria não foi abordada pela decisão recorrida. Deu seguimento referente ao direito de crédito de IPI na entrada de insumos isentos, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 1.510/1514. Com efeito, compulsando o recurso voluntário, constato que a Contribuinte pugnou pela aplicação pelo decidido pelo STF nº RE nº 212.484/RS. Ademais, a matéria foi aventada e expressamente debatida na decisão recorrida. Sem embargo, o acórdão paradigma CSRF/0202.154, não comprova qualquer divergência jurisprudencial. Observese que a decisão recorrida, asseverou que o RE 370.682 decidiu que não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis, constituindose num verdadeiro divisor de águas em relação ao crédito de matériasprimas adquiridos sob o regime da isenção, alíquota zero e não tributados. Acrescentou ainda que, no RE 566.819, o STF reafirmou que a isenção, por si só, não gera direito a crédito, em conformidade com a nova orientação traçada no RE 370.682: Por sua vez, o Acórdão paradigma CSRF/0202.154 foi proferido em 23/01/2006, ao passo que as decisões recorridas adotam como fundamento a mudança de entendimento do STF quanto à impossibilidade de creditamento do valor do IPI incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção, sobretudo a partir do julgamento do RE 370.682, cujo acórdão foi proferido em 25/06/2007. Portanto, o ambiente jurisprudencial no qual proferida a decisão recorrida foi inteiramente diverso daquele no qual foi prolatado o precedente indicado como paradigma, fato que impede os estabelecimento de base para a comparação dos acórdãos paragonados. Ademais, o acórdão paradigma não se aplica ao caso guerreado. No caso do RE 212.484 , tratase de empresa localizada fora da ZFM, mas no Rio Grande do Sul/RS, que adquire insumos provenientes da ZFM. O STF decidiu que nesses casos em que a contribuinte que utiliza insumos isentos provenientes da ZFM, pode se creditar, para não gerar uma distorção na cadeia do IPI, uma vez a saída dos seus produtos é tributada. No caso dos autos, não se está diante de aquisição de insumos provenientes da ZFM, razão pela qual não se aplica este precedente RE 212.484, ausência de similitude fática. Nesse diapasão, esta E. Câmara Superior, no julgamento do acórdão nº 9303 006.367, de 18 de abril de 2018, de minha relatoria, tratando da mesma matéria e contribuinte, por unanimidade votos, acompanhado inclusive pela Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, decidiu em não conhecer do Recurso especial da Contribuinte em razão de ausência de similitude fática. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10283.721686/201595 Acórdão n.º 9303007.408 CSRFT3 Fl. 1.550 7 A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada àdemonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). No que tange acórdão paradigma CSRF/0202.364, do mesmo modo, também não guarda qualquer similitude fática com a decisão recorrida, de modo que não presta para comprovar qualquer divergência. Dispositivo Ex positis, não tomo conhecimento do Recurso interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1553DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.724163/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/06/2010 a 30/06/2010
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISSÃO E PAGAMENTO PRÉVIOS. CANCELAMENTO.
Cancela-se a parcela do lançamento de ofício que comprovadamente foi objeto de confissão prévia em DCTF e de pagamento via DARF.
LANÇAMENTO. PASEP. RETENÇÃO NA FONTE. EFEITOS.
Se restar comprovado que houve retenção de Pasep na fonte em montante superior ao lançado e, ainda, que dita retenção não foi considerada quando do levantamento do débito para lançamento, deve-se cancelar a exigência fiscal.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-004.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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CONFISSÃO E PAGAMENTO PRÉVIOS. CANCELAMENTO. Cancelase a parcela do lançamento de ofício que comprovadamente foi objeto de confissão prévia em DCTF e de pagamento via DARF. LANÇAMENTO. PASEP. RETENÇÃO NA FONTE. EFEITOS. Se restar comprovado que houve retenção de Pasep na fonte em montante superior ao lançado e, ainda, que dita retenção não foi considerada quando do levantamento do débito para lançamento, devese cancelar a exigência fiscal. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 41 63 /2 01 3- 36 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10410.724163/201336 Acórdão n.º 3301004.974 S3C3T1 Fl. 106 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, ente federativo estadual, foi lavrado o auto de infração de fls. 02/09, por meio do qual se exige o recolhimento de R$ 6.444.424,28 de contribuição para o PIS/Pasep e de R$ 4.833.318,24 de multa de ofício, além dos acréscimos legais. A autuação, cientificada em 21/10/2013 (fl. 18), ocorreu devido à insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep relativa aos períodos de apuração de 11/2008 a 06/2010, conforme demonstrativo de apuração de fls. 06/07, demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 08/09, descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04/05 e Relatório Fiscal de fls. 11/13, tendo como base legal os dispositivos listados à fl. 04. Segundo o Relatório Fiscal, o procedimento teve como objetivo atender à Representação de 23/09/2013 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (2ª Turma), em face da apuração de deduções indevidas das bases de cálculo constantes do lançamento objeto do processo administrativo nº 10410.006397/201055. De acordo com o Relatório, ainda, o débito do período de apuração 01/2010 também foi incluído no lançamento apesar de aludido período não ter constado do lançamento original. Às fls. 19/37, cópia do Acórdão nº 1142.415 proferido em sessão de 30/08/2013 pela 2ª Turma da DRJ em Recife/PE. Em 31/10/2013, a contribuinte protocolizou o Ofício nº 290/2013 – GSTESEFAZ/AL onde ressalta que, por meio do Ofício nº 261/2013 – GSTE SEFAZ/AL, de 26/10/2013, encaminhou cópias de DCTF, DARF e balancetes mensais de 09/2008 a 06/2010. Ressalta, ainda, que está encaminhando a DCTF e o DARF relativo ao mês de janeiro de 2010, o que comprovaria o devido recolhimento da contribuição por parte do Estado. Adicionalmente, esclarece que está enviando cópia do Acórdão nº 1142.415 da DRJ Recife e que aludido acórdão faz referência a períodos novamente analisados no auto de infração. Em decorrência, diz que há valor recolhido a maior e que está sendo novamente cobrada a contribuição relativa aos períodos de 09/2009 a 11/2009, 02/2010, 04/2010 e 05/2010. Quanto aos períodos de 03/2010 e 06/2010, diz que o ofício nº 289/2013, encaminhado para a DRJ em Recife, contesta a apuração dos valores cobrados. No referido ofício, fls. 52/53, há a informação de que haveria erro de apuração no mês de dezembro de 2008 (soma incorreta), março de 2010 (erro de transcrição do valor indicado na conta contábil 333400000) e junho de 2010 (não consideração do Pasep retido na fonte). Há a informação, também, de que os débitos foram objeto de parcelamento nos termos da Lei nº 12.810, de 2013. Às fls. 73/80, juntaramse extratos de consultas aos sistemas de controle de DCTF e de arrecadação federal, além de demonstrativo de distribuição da arrecadação federal. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10410.724163/201336 Acórdão n.º 3301004.974 S3C3T1 Fl. 107 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA, acórdão nº 0653.496, deu provimento parcial à impugnação, com decisão assim ementada: PAGAMENTOS A MAIOR. ERROS DE CÁLCULOS. ERROS DE TRANSCRIÇÃO. ALEGAÇÕES RELATIVAS A PROCESSO ADMINISTRATIVO DISTINTO. Alegações concernentes à ocorrência de pagamentos em montante superior ao devido, à existência de erros na apuração da base de cálculo de determinados períodos e, também, à ocorrência de erros na transcrição de valores quando da apuração de algumas bases de cálculo, que não digam respeito ao lançamento sob análise, mas a lançamento objeto de processo administrativo distinto, que inclusive já foi objeto de decisão administrativa e parcelamento, devem ser levadas ao conhecimento da autoridade responsável pelo acompanhamento e cobrança pertinentes, sendo imprópria a sua discussão no âmbito do presente processo administrativo. Período apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISSÃO E PAGAMENTO PRÉVIOS. CANCELAMENTO. Cancelase a parcela do lançamento de ofício que comprovadamente foi objeto de confissão prévia em DCTF e de pagamento via DARF. Período apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 LANÇAMENTO. PASEP. RETENÇÃO NA FONTE. EFEITOS. Se restar comprovado que houve retenção de Pasep na fonte em montante superior ao lançado e, ainda, que dita retenção não foi considerada quando do levantamento do débito para lançamento, devese cancelar a exigência complementar, cabendo ao órgão preparador a revisão do lançamento original, já objeto de parcelamento, para aproveitamento de eventual saldo credor existente. Impugnação Procedente em Parte A DRJ cancelou a exigência de PIS/Pasep de R$ 4.313.104,70, e seus consectários, e manteve a exigência remanescente, ou seja, R$ 2.131.319,58 de PIS/Pasep. Em considerações preliminares, a decisão recorrida esclareceu: Uma vez que o lançamento analisado é fruto de representação da DRJ em Recife é oportuno que se teçam algumas considerações a respeito. Ao apreciar a impugnação apresentada em face de auto de infração lavrado em desfavor do Estado de Alagoas, objeto do processo administrativo nº 10410.0063972010 55, o Relator do acórdão nº 1142.415 identificou que ao apurar as bases de cálculo da contribuição então auditada a fiscalização havia se equivocado. Considerando, contudo, que a correção de tal equívoco, naquele momento, implicaria agravamento da exigência, o Relator e a Turma entenderam Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10410.724163/201336 Acórdão n.º 3301004.974 S3C3T1 Fl. 108 4 que o melhor seria manter as deduções originalmente consideradas e alertar a fiscalização, mediante representação, sobre a necessidade de lançamento complementar. Os itens 21 e 21.1 do acórdão mencionado discorrem sobre tal fato: Da manutenção da dedução originalmente lançada 21. Conforme relatado, a autoridade fiscal laborou em erro na dedução dos valores da base de cálculo do PASEP. Com efeito, consoante apontado na diligência (fls. 10331035), as verbas que originalmente fizeram parte do levantamento em foco não representavam as transferências a outros entes públicos passíveis de reduzir o valor do PASEP devido, tal como previsto na legislação já citada. Os indigitados valores não correspondiam ao título contábil mencionado no demonstrativo original e representam receitas do Estado de Alagoas: IPVA PARCELAMENTO e ICMS TRANSPORTE e TRANSFERENCIAS DA COMPENSAÇÃO. Esta última registra valores repassados pela União aos Estados a título de compensação financeira pela exploração de recursos naturais (hídricos e minerais). 21.1. É possível identificar no Termo de Encerramento que a Fiscalização tinha pleno conhecimento da legislação que embasa a exigência, notadamente no tocante à dedução do PASEP. O fato é que restou evidenciada a ocorrência de equívoco em todos os meses de apuração objeto do lançamento efetuado, o qual não é passível de ser sanado em sede de julgamento. Logo, impossível desconsiderar, em sede de julgamento administrativo, os valores deduzidos originalmente na base de cálculo do PASEP, já que, caso isso visse a acontecer, acarretaria evidente prejuízo ao ente público autuado, mediante agravamento, ainda que eventualmente “por dentro”, da exigência lançada. Diante disso, deverão aqui permanecer sem alteração as deduções originalmente consideradas no levantamento da base de cálculo da contribuição do período abrangido pelo lançamento, objeto deste julgamento. De acordo com as planilhas constantes do mencionado Acórdão, as deduções indevidas, que não foram glosadas naquele julgamento, teriam os seguintes valores: Cotejandose esses valores com os contidos no auto de infração sob análise é possível constatar, com facilidade, que, à exceção do mês de janeiro de 2010 (período não incluído no lançamento original), os mesmos são exatamente iguais. Devidamente cientificado, o Estado de Alagoas não apresentou recurso voluntário, conforme efls. 8692. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10410.724163/201336 Acórdão n.º 3301004.974 S3C3T1 Fl. 109 5 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso de ofício reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. São duas as matérias do recurso de ofício: a redução do débito de janeiro de 2010 de R$ 4.294.446,47 para R$ 84.312,22 e, o cancelamento integral do débito de junho de 2010, de R$ 102.970,45. Não há o que se reparar na decisão de piso. No tocante ao mês de janeiro de 2010, cotejando DCTF e arrecadação, constatase que houve a confissão e o pagamento (em 25/02/2010) de um débito de R$ 4.210.134,25 a título de PIS/Pasep. Logo, do valor autuado devese excluir esse valor, remanescendo o total de R$ 84.312,22 de PIS/Pasep, e seus consectários. Por sua vez, quanto a junho de 2010, houve retenção na fonte quando da distribuição dos recursos por parte da União, todavia tal retenção não foi considerada quando da apuração da contribuição devida. Por isso, tendo sido a retenção de R$ 1.788.255,77, temse que o total de R$ 102.970,45, e seus consectários deve ser cancelado. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.729089/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011, 2012, 2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. COMPLEMENTAÇÃO DO JULGADO.
Havendo omissão no texto do Acórdão e prestação jurisdicional, faz-se necessária sua complementação e análise de pontos indispensáveis para o deslinde da controvérsia e possibilidade da continuidade do devido processo legal. Sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2402-006.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para complementar as razões do acórdão embargado com a análise da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física apresentada, concluindo-se que essa não tem o condão de alterar o entendimento consubstanciado na decisão originária.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011, 2012, 2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. COMPLEMENTAÇÃO DO JULGADO. Havendo omissão no texto do Acórdão e prestação jurisdicional, faz-se necessária sua complementação e análise de pontos indispensáveis para o deslinde da controvérsia e possibilidade da continuidade do devido processo legal. Sem efeitos infringentes.
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CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. COMPLEMENTAÇÃO DO JULGADO. Havendo omissão no texto do Acórdão e prestação jurisdicional, fazse necessária sua complementação e análise de pontos indispensáveis para o deslinde da controvérsia e possibilidade da continuidade do devido processo legal. Sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 90 89 /2 01 3- 18 Fl. 2571DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para complementar as razões do acórdão embargado com a análise da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física apresentada, concluindose que essa não tem o condão de alterar o entendimento consubstanciado na decisão originária. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho. Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 10120.729089/201318 Acórdão n.º 2402006.496 S2C4T2 Fl. 2.572 3 Relatório Cuidamse de Embargos de Declaração de fls. 2461/2475, opostos por Cláudio Dias de Abreu, contra o Acórdão de fls. 2426/2444, em que, por unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Voluntários interpostos, que restou assim ementado: "NORMAS GERAIS. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DISPENSABILIDADE. O Supremo Tribunal Federal decidiu que é lícito ao Fisco verificar a movimentação bancária dos contribuintes, motivo da negativa de provimento ao recurso, neste ponto. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso, os beneficiários da movimentação bancária, apesar de devidamente intimados, não comprovaram, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, motivo da negativa de provimento ao recurso, neste ponto. NORMAS GERAIS. INTERPOSTA PESSOA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE DO BENEFICIADO. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta. No presente caso, restou claramente demonstrado que a movimentação nas contas bancárias tinham terceiros, sujeitos passivos, contribuinte e solidários, ponto. NORMAS GERAIS. MULTA QUALIFICADA. É lícita a imposição da multa qualificada de 150% quando constatada a omissão de rendimentos apurados mediante depósitos bancários de origem não comprovada, feitos por intermédio de interposta pessoa e diante da caracterização da fraude, na forma da Súmula Carf nº 34. Fl. 2573DF CARF MF 4 NORMAS GERAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para manifestarse sobre a constitucionalidade da legislação que ampara a exigência fiscal. NORMAS GERAIS. ARGUMENTO SEM PROVA. Alegações apresentadas devem ser devidamente comprovadas por documentos hábeis. No pressente caso, argumentos de contestação do lançamento, oriundos de fatos materiais, não foram comprovados, motivo da negativa de provimento ao recurso, neste ponto. Recurso Voluntário Negado". Em seu recurso, aponta o embargante que haveria contradição do referido decisum, eis que não haveria qualquer razão nele exposta para desconsiderar a DAA Declaração de Ajuste Anual ano calendário de 2010 a 2012 juntada aos autos pelo Contribuinte, o que, a seu ver, comprovaria "cabalmente", tais operações, da forma como argumentado no apelo. Nesse passo, advoga no sentido de que "desconsiderar/rechaçar dados constantes de Declaração de Ajuste Anual, para se exigir outros documentos periféricos, que a legislação não contempla, se afasta de qualquer razoabilidade, além de ferir o princípio da legalidade, uma vez que as normas legais que regem a matéria assim não o prescrevem." (fls. 2.470) Lembra que, muito embora o julgador possa afastar os documentos apresentados, teria que, para tanto, fundamentar sua decisão em tal sentido, o que não teria ocorrido no presente caso. Assim sendo, tendo o contribuinte demonstrado a alienação da propriedade aludida no Auto de Infração à Sra. Andréia Aprígio de Souza, e bem amparou suas alegações, não poderseia admitir que o recurso não conhecesse dos documentos apresentados sem razão ou argumento em tal direção, pondo como certo que o as razões de decidir postas naquele Acórdão estariam equivocadas. Em seguida, afia que o recurso não contemplou boa parte das razões formuladas no Recurso Voluntário, deixando de analisar as provas produzidas pelo Contribuinte que confrontavam as presunções lançadas pelo Fisco. Aponta que o recurso teria sido "superficial" com relação aos argumentos do apelo, especificamente a ilegitimidade passiva do ora embargante. De igual maneira, aponta que o acórdão não teria se pronunciado acerca do pedido de realização de diligência, requerido na Impugnação e reprisado Recurso Voluntário. Retraz tal mister eis que tal diligência seria capaz de confrontar as provas produzidas pelo contribuinte e a autuação fiscal, bem como que não haveria qualquer prejuízo ao Fisco a sua realização. Às fls. 2473: "O Acórdão embargado enfrenta a questão apenas superficialmente, praticamente copiando a decisão de primeira Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 10120.729089/201318 Acórdão n.º 2402006.496 S2C4T2 Fl. 2.573 5 instância, não se dando conta que o Embargante produziu as provas necessárias, hábeis e idôneas a comprovar a origem e a efetiva entrega dos valores utilizados em sua movimentação bancária, conforme se depreende dos documentos colacionados aos autos junto a sua defesa inaugural, que comprovam com especificidade, inclusive com datas e valores a efetividade das operações de vendas acima relembradas. Assim, não resta a menor dúvida quanto ã contemporaneidade dos depósitos bancários e valores com as provas produzidas pela contribuinte." Argumenta, ainda, que o processo não teria sido analisado com a profundidade que o caso exige, e teria deixado de analisar pedidos expressos pelo ora Embargante, que teriam o fito de corroborar a origem dos depósitos bancários tributados, o que afastaria, portanto, a sujeição passiva do recorrente. E acrescenta, ás fls. 2474: " O que torna as omissões/contradições incorridas pela Turma embargada mais grave é o fato de que tal conduta, além de representar evidente cerceamento do direito de defesa da contribuinte, compromete a eventual interposição de Recurso Especial de Divergência, eis que, na forma que fora prolatado o decisum recorrido, não oferece prequestionamento das inúmeras matérias aduzidas pelo Embargante, o que atrai com mais razão a necessidade de acolhimento dos presentes Embargos." (grifo do original) Desse modo, requer que sejam conhecidos e julgados procedentes os presentes embargos para sanar as contradições e omissões apontadas no referido Acórdão, para que haja manifestação expressa a respeito das alegações contidas no recurso e, caso assim seja pertinente, atribua efeitos infringentes aos presentes embargos. Propugna ainda, para que seja dado efeito suspensivo aos presentes embargos, conforme preceituado pelo art. 1.026, §1º do Código de Processo Civil. Às fls. 2.481 usque 2.492, Carlos Augusto De Almeida Ramos interpõe Recurso Especial. Às fls. 2.559/2.565, os Embargos de Declaração são admitidos "para que sejam incluídos em pauta de julgamento e apreciada a omissão consistente na falta de exposição das razões pelas quais a DAA não foi considerada". Os autos vieram para julgamento. É o relatório. Fl. 2575DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Os Embargos de Declaração em comento foram opostos por Cláudio Dias de Abreu, recorrente na condição de responsável solidário nos autos em epígrafe. O embargante tomou ciência da decisão, por via postal, no dia 19/05/2016, quintafeira, conforme consta do AR de fls. 2.459. O termo de juntada da peça em questão demonstra que o protocolo ocorreu somente em 25/05/2016 (fls. 2.460), contudo, dia 24 de maio é feriado municipal em Goiânia, razão pela qual há de se reconhecer a tempestividade dos Aclaratórios. Quanto a matéria, cabe observar que a admissibilidade foi apenas parcial, conforme despacho de admissibilidade emitido pelo então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF, ilustre Dr. Kleber Ferreira Araújo. No tocante ao que o Embargante intitulou como "omissões", não foi claro e objetivo ao demonstrar quais seriam elas e, ancorado no que determina o RICARF art. 65, §3º, o exmo. Presidente acertadamente rejeitou os embargos, de forma definitiva, neste ponto. Assim, será objeto de julgamento do colegiado apenas aquilo que o Embargado convencionou chamar de "contradição", mas que, em realidade, somente poderiam conformar uma omissão do i. Relator quanto a análise das alegações recusais, frente as DAAs juntadas como prova da operação de compra e venda de imóvel da exesposa do Recorrente Carlos Augusto de Almeida Ramos. Mais precisamente, cabe ao colegiado verificar a ocorrência de omissão quanto as razões que levaram o Relator a não aceitar a DAA do Embargante como prova suficiente da operação imobiliária de venda a prazo com pagamento das parcelas a terceiros, tendo como compradora sua exesposa Andréia Aprígio de Souza. Nos termos da conclusão do Despacho de Admissibilidade: Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento e apreciada a omissão consistente na falta de exposição das razões pelas quais a DAA não foi considerada. Assim, confirmando a admissibilidade e os limites do que poderá vir a ser aclarado, passamos ao julgamento do tema. Analisando os termos do decisório embargado, verificase que o voto condutor, no ponto admitido, de fato, foi omisso quanto as razões de convencimento que conduziram a desvalorização da DAA como prova das alegações do Embargante. Vejamos seus termos: A decisão recorrida não acompanha a alegação do recorrente – que os recursos eram oriundos de venda de imóvel à ex esposa do recorrente Carlos – pois não foi apresentado nenhum documento que confirme tal transação. Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 10120.729089/201318 Acórdão n.º 2402006.496 S2C4T2 Fl. 2.574 7 Em seu recurso, novamente, o recorrente não traz documentação alguma sobre a transação imobiliária. Com efeito, não há dúvidas quanto ao convencimento do colegiado ao acompanhar o voto condutor neste ponto. É indubitável que, para o colegiado da época, nos termos do voto do Relator, o que constava dos autos não foi suficiente para afastar a presunção que se formou com o lançamento. Entretanto, o julgado deveria demonstrar, de forma clara, como valorou as provas contidas nos autos, fazendo referência às razões pelas quais o fato de haver na DAA informações sobre a operação imobiliária em questão, não lhe era suficiente para formação do convencimento, portanto, tratase de omissão que merece ser aclarada e não contradição como alega o Embargante. Percebam que as contradições que podem ser objeto de embargos são as internas, verificadas entre os termos do próprio julgado, entre seus fundamentos e conclusão, não se estabelecendo entre julgados diferentes ou mesmo entre o julgado e as provas. Entretanto, ao registrar que o contribuinte não apresentou nenhuma prova de sua alegação, quando os termos do Recurso Voluntário tem como um de seus argumentos a referida DAA como sendo prova de validade da operação, o julgado incorreu em omissão quanto as razões que levaram o colegiado a atribuir valor probatório insuficiente a tal documentação e deixando de se manifestar sobre tema relevante para o caso. Nesse sentido, voto acolher os embargos de declaração e ajustar o julgado, de modo a suprir tal omissão, nos mantendo fiéis ao resultado manifestado pelo colegiado na ocasião, o que passamos a fazer nos seguintes termos: A decisão recorrida não acompanha a alegação do recorrente – que os recursos eram oriundos de venda de imóvel à ex esposa do recorrente Carlos – pois não foi apresentado nenhum documento hábil capaz de confirmar tal transação. Em seu recurso, novamente, o recorrente não traz documentação alguma sobre a transação imobiliária em si, documentos que poderiam facilmente ser obtidos e juntados aos autos. Mesmo assim, buscamos identificar nos autos qualquer outro elemento que pudesse dar força probante a tal alegação, mas nada seguro foi encontrado. O único documento contendo tal registro é a Declaração de Ajuste Anual do Recorrente do Exercício de 2012 (fls. 2.197/2.208), mas que se mostra insuficiente para demonstrar tal transação da forma como anunciada. Isso porque, muito embora a Declaração sirva de documentação suficiente para instrumento para homologação da atividade, e para alumiar o caminho do auditor fiscal no exercício de sua função institucional, a partir do momento que se instaura processo fiscalizatório tributário e é demonstrada a necessidade de verificação do que consta na DAA, tornase dever do contribuinte trazer aos autos toda a documentação necessária para sustentar seu direito. Assim, em não sendo alcançada nitidez para compreensão da controvérsia, o que seria a hipótese dos autos, tornase mais que Fl. 2577DF CARF MF 8 necessária a instrução probatória por parte do sujeito passivo, com o fito de provar os elementos declarados e postos em dúvida pela fiscalização. Portanto, resta evidente que o contribuinte, não se desimcumbiu da prova do fato constitutivo do direito alegado, conforme preceitua o art. 373, inc. II, da Carta Processual Civil, que reza: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: [...] II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Assim, não há como conceber do Recorrente que a manifestação acerca do documento apontado modificaria o julgado, posto que o Recorrente se demitiu da produção da prova necessária a imputar a nulidade do Auto de Infração, sendo certo que o nem o auditor, nem a DRJ ou este Conselho Administrativo, poderia advogar pela parte, determinando, de ofício, produção de prova que incumbe ao contribuinte, para o deslinde da controvérsia. A compra e venda de imóvel, como sabido, é ato solene, e necessita de construção probatória de maior solidez, ainda que em negociação seja iniciada em documentação privada, como Compromisso de Compra e Venda ou, a forma pública que dá fim à negociação, com o registro público do Instrumento Público de Compra e Venda, se faz essencial na demonstração de toda a mecânica negocial que se encontra intrincada. No caso dos autos, não existe a mais diáfana sombra de dúvidas de que deve ser o contribuinte o produtor de tal prova, posto que disporia em sua posse1 os documentos para a solução do processo quanto a sua parcela, e nem mesmo um simples instrumento privado foi juntado. Temse tal mister posto que, repriso, a DAA não é um documento capaz de confirmar a venda de imóvel, sobretudo por se tratar de uma declaração produzida pelo próprio contribuinte. Com tais considerações, no quanto devolvido e conhecido, voto por manter o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para, sem efeitos infringentes, complementar as razões do julgamento embargado. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza 1 "Incumbe à parte diligenciar a juntada da prova, quando a mesma se encontra em seus próprios arquivos (JTA 98/269)" Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 10120.729089/201318 Acórdão n.º 2402006.496 S2C4T2 Fl. 2.575 9 Fl. 2579DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13631.000648/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL. PEDIDO DE INCLUSÃO EXTEMPORÂNEO. Prazo. O prazo para a inscrição de contribuinte no SIMPLES compete ao Comitê Gestor do SIMPLES Nacional – GGSN. Não cabe ao CARF
desconsiderar o prazo fixado pela autoridade competente para
acatar recurso de contribuinte que fez pedido de inclusão
extemporâneo.
Numero da decisão: 1201-000.447
Decisão: ACORDÃM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Regis Magalhães Soares de Queiroz
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ementa_s : INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL. PEDIDO DE INCLUSÃO EXTEMPORÂNEO. Prazo. O prazo para a inscrição de contribuinte no SIMPLES compete ao Comitê Gestor do SIMPLES Nacional – GGSN. Não cabe ao CARF desconsiderar o prazo fixado pela autoridade competente para acatar recurso de contribuinte que fez pedido de inclusão extemporâneo.
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PEDIDO DE INCLUSÃO EXTEMPORÂNEO. Prazo. O prazo para a inscrição de contribuinte no SIMPLES compete ao Comitê Gestor do SIMPLES Nacional – GGSN. Não cabe ao CARF desconsiderar o prazo fixado pela autoridade competente para acatar recurso de contribuinte que fez pedido de inclusão extemporâneo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDÃM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares De Queiroz. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIRO Assinado digitalmente em 05/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEIRO Processo nº 13631.000648/200786 Acórdão n.º 1201000.447 S1C2T1 Fl. 2 2 Relatório Cuidase de recurso contra a decisão que não acatou pedido de inclusão do recorrente no SIMPLES Nacional, apresentado em 26/10/2007 com pedido de efeito retroativo a 01.07.2007, quando o prazo para apresentação de pedido de inclusão, estabelecido pelo Comitê Gestor do SIMPLES Nacional, ia apenas até 31/08/2007, com a prorrogação concedida pela Resolução CGSN n° 19/2007 (, como consta da “informação processual” de fls. 15). Da impugnação de fls. 33 depreendese que a interessada não pode apresentar seu pedido no prazo legal em vista da existência de débito com a fazenda Nacional sem exigibilidade suspensa, situação impeditiva de adesão ao sistema simplificado nacional (cópia do indeferimento a fls. 60). A DRJ negou provimento à impugnação em acórdão de fls. 40 que ficou assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2007 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. PRAZO EXPIRADO. Deixando a pessoa jurídica de fazer a opção para o Simples Nacional na época própria, no período de 01/07/2007 a 20/08/2007, não há como aceitar de ofício o pedido de opção com efeito retroativo. Solicitação Indeferida No recurso voluntário de fls. 49 o recorrente alega que protocolou o pedido de inclusão no SIMPLES Nacional em 19/06/2008 e posteriormente efetuou sua regularização fiscal. Reitera pedido de inclusão retroativa. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIRO Assinado digitalmente em 05/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEIRO Processo nº 13631.000648/200786 Acórdão n.º 1201000.447 S1C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. A autoridade a quo em sua r. decisão recorrida sustenta que no anocalendário de 2007 os entes federativos poderiam permitir que as microempresas e as empresas de pequeno porte efetuassem a opção pelo Simples Nacional até 20/08/2007, com efeitos retroativos a 01/07/2007 (na verdade, o prazo ia até 31/08/2007, com a prorrogação concedida pela Resolução CGSN n° 19/2007). Era facultado ao pleiteante regularizar a sua situação fiscal perante as Fazendas Públicas até 31/10/2007, solucionando eventuais débitos relativos a tributos e contribuições cuja exigibilidade não estivesse suspensa. Relatou que a interessada, entretanto, primeiro regularizou suas pendências e só então formulou a opção pelo SIMPLES nacional em 26/10/2007, já fora do prazo, quando o correto seria primeiro fazer a opção antes de 31/08/2007, via internet, regularizando suas pendências posteriormente, até 31.10.2007: “Excepcionalmente para o anocalendário de 2007, os entes federativos poderiam permitir que as ME ou EPP que efetuassem a opção pelo Simples Nacional, do dia 01/07/2007 até 20/08/2007, e que tivessem débitos relativos a tributos e contribuições cuja exigibilidade não estivesse suspensa, poderiam efetuar a regularização até 31 de outubro de 2007. No entanto, a ME ou EPP que não pagasse ou parcelasse os débitos nos termos acima referidos ficariam excluídas do Simples Nacional, sendo o respectivo Termo emitido pela autoridade fiscal integrante da estrutura administrativa do respectivo ente federado (art. 21A. § 1 0 c/c Art. 8° § 1° da Resolução CGSN n° 4, de 30/05/2007). Apesar de a interessada afirmar que regularizou suas pendências, a mesma deveria ter feito sua opção pelo Simples Nacional antes de 20/08/2007, via internet, data limite.” Na página 1 destes autos, o pedido de inclusão formulado pela recorrente está com data de 26/10/2007. Ora, se prazo fatal era 31/08/2007 (com a prorrogação da Resolução CGSN n° 19/2007), então não há como acatar o pedido do recorrente. Adicionalmente, não é aplicável ao caso o disposto no Ato Declaratório Interpretativo n° 16, de 2002, que previu a possibilidade de a autoridade fiscal retificar de ofício o Termo de Opção para incluir no Simples a pessoa jurídica que se julgava inserida na sistemática, mas que, por erro de fato, não o estava. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIRO Assinado digitalmente em 05/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEIRO Processo nº 13631.000648/200786 Acórdão n.º 1201000.447 S1C2T1 Fl. 4 4 Na hipótese em análise houve perda do prazo para opção, que não pode ser enquadrado como erro sobre sua situação de optante regular do sistema. Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares De Queiroz – Conselheiro Relator Fl. 100DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIRO Assinado digitalmente em 05/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720137/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
Ementa:
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO.
Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, homologar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN. No caso vertente, em que parcela do imposto retido na fonte
foi desconsiderada em razão da falta de comprovação do oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes, o argumento de que os valores questionados foram registrados em linha diversa da apontada no manual de preenchimento do instrumento declaratório, impõe, necessariamente, que sejam acostados ao processo os registros contábeis e respectiva
documentação de suporte confirmadores da alegação.
Numero da decisão: 1302-000.714
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 Ementa: PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, homologar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN. No caso vertente, em que parcela do imposto retido na fonte foi desconsiderada em razão da falta de comprovação do oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes, o argumento de que os valores questionados foram registrados em linha diversa da apontada no manual de preenchimento do instrumento declaratório, impõe, necessariamente, que sejam acostados ao processo os registros contábeis e respectiva documentação de suporte confirmadores da alegação.
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À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, homologar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN. No caso vertente, em que parcela do imposto retido na fonte foi desconsiderada em razão da falta de comprovação do oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes, o argumento de que os valores questionados foram registrados em linha diversa da apontada no manual de preenchimento do instrumento declaratório, impõe, necessariamente, que sejam acostados ao processo os registros contábeis e respectiva documentação de suporte confirmadores da alegação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 343DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10805.720137/200757 Acórdão n.º 130200.714 S1C3T2 Fl. 286 2 “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 344DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10805.720137/200757 Acórdão n.º 130200.714 S1C3T2 Fl. 287 3 Relatório BASF POLIURETANOS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André, também em São Paulo. Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, envolvendo débitos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e crédito referente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, apurado por sucedida (BASF POLIURETANOS LTDA., CNPJ n° 30.855.191/000134). Apreciando o pedido formalizado pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André o indeferiu sob a alegação de que o crédito caracterizavase como sendo de terceiro, vez que: 1. a empresa incorporada não foi “baixada” junto à Receita Federal; 2. os processos administrativos que cuidavam de cancelamento de DIRF e de DCTF, representativos da justificativa da contribuinte para não proceder a “baixa” da empresa incorporada, foram indeferidos com base no argumento de que a incorporada em questão permanecia ativa no cadastro; possuía pendências relacionadas à entrega de declarações; e mantinha relações com clientes e instituições financeiras. Diante de tais circunstâncias, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André concluiu que o crédito indicado para compensação ficou caracterizado como pertencente a terceiro, motivo pelo qual a compensação deveria ser considerada como não declarada, nos termos do § 12, inciso II, alínea “a”, do artigo 74, da Lei nº 9430, de 1996. Posteriormente, a mesma Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André, informando que a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte era intempestiva, decidiu rever de ofício a decisão antes exarada, pois constatou que a contribuinte efetivamente havia promovido a “baixa” da inscrição da empresa incorporada. Analisando o crédito indicado para o encontro de contas, a referida unidade administrativa decidiu, a partir do demonstrativo abaixo reproduzido, reduzir o total de estimativas de R$ 694.303,22 para R$ 618.244,99 (para a estimativa do mês de novembro, no montante R$ 76.058,23, controles internos da Receita Federal só indicavam recolhimento de R$ 1.038,50) e o imposto de renda retido na fonte de R$ 383.296,06 para R$ 99.149,93 (a parcela de R$ 284.146,13, relativa a operações de SWAP, foi glosada com base na alegação de que os rendimentos correspondentes – R$ 1.420.730,73 – não foram oferecidos à tributação), apurando um saldo negativo de R$ 23.091,70. Imposto de Renda sobre o Lucro Real R$ 440.350,34 (+) Adicional R$ 271.566,89 Fl. 345DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10805.720137/200757 Acórdão n.º 130200.714 S1C3T2 Fl. 288 4 () Programa de Alimentação do Trabalhador R$ 17.614,01 () Imposto de Renda Retido na Fonte R$ 383.296,06 () Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa R$ 694.303,22 (=) Imposto de Renda a Pagar R$ (383.296,06) Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 158/159), por meio da qual sustentou que o fato de não ter mencionado os valores em determinada linha da declaração de informações, não significava que eles não haviam sido tributados (esclareceu que os rendimentos questionados foram registrados na linha 20 da FICHA 06A, e não na linha 21 da referida FICHA). A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por meio do acórdão nº. 0528.339, de 15 de março de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado foi assim ementado: COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser aproveitado na declaração da contribuinte, pessoa jurídica, se, além de comprovar a retenção do imposto, restar demonstrada a inclusão dos rendimentos, sobre os quais incidiu a retenção, na base de cálculo para determinação do resultado. A apresentação apenas de planilha, dissociada de provas documentais (como elementos da escrituração) não é suficiente para tanto, mormente se constatadas divergências entre valores de rendimentos e retenções constantes da planilha e aqueles informados em DIPJ e em DIRF. Somente é possível reconhecer direito credit6rio além daquele já admitido na análise pela DRF, se afastados os correspondentes motivos que ensejaram a glosa do crédito pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da Decisão de primeira instância em 17 de junho de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 188/verso, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19 de julho de 2010, conforme registro de recepção de folha 192, por meio do qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que o montante de R$ 77.096,73, representativo da estimativa de novembro de 2003, foi extinto por meio de compensação com saldo negativo de períodos anteriores (PER/DCOMP de 31 de outubro de 2003), e não por DARF; que o valor de R$ 1.038,50 referese à CSLL, tendo sido recolhido equivocadamente como imposto de renda; que mesmo que se pudesse admitir que as operações de swap não são variações cambiais ativas, não podendo ser declarada na linha 20 da ficha 6A, ainda assim persiste o crédito em seu nome, haja vista que os valores foram oferecidos à tributação; Fl. 346DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10805.720137/200757 Acórdão n.º 130200.714 S1C3T2 Fl. 289 5 que é irrelevante qual a linha em que foi declarado o rendimento; que se pode denotar das planilhas acostadas que o valor de R$ 1.420.730,73 (que dá direito ao crédito de R$ 284.146,13) encontrase inserido dentro do valor de R$ 2.289.025,77; que ainda que se possa admitir a presença de algumas inconsistências entre as informações cruzadas, jamais poderia ser admitida a glosa integral do importe de R$ 284.146,13; que, se as planilhas e documentos acostados não são capazes de comprovar integralmente o direito ao crédito pleiteado, pelo menos parcialmente o são, posto que demonstrase que os valores da operação de swap foram informados na linha 20 A; que anexa folhas do Livro Diário para comprovar o alegado. É o Relatório. Fl. 347DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10805.720137/200757 Acórdão n.º 130200.714 S1C3T2 Fl. 290 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de reconhecimento a menor de direito creditório indicado para fins de compensação. A contribuinte apontou crédito no montante de R$ 383.296,06, enquanto que a autoridade administrativa competente, tendo reduzido o valor do imposto de renda retido na fonte (de R$ 383.296,06 para R$ 99.149,93) e do imposto pago por antecipação (de R$ 694.303,22 para R$ 618.244,99), apurou um crédito de R$ 23.091,70. As reduções acima referenciadas foram consubstanciadas nos seguintes fatos: imposto de renda retido na fonte: ausência de comprovação de oferecimento à tributação de rendimentos auferidos em operação de SWAP; imposto pago por antecipação (estimativas): falta de comprovação de recolhimento. Ao apresentar sua MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, a contribuinte limitouse a contestar a redução do imposto de renda retido na fonte. Na ocasião, alegou que os rendimentos auferidos na operação de SWAP foram registrados em linha distinta da verificada pela autoridade administrativa. Para comprovar o alegado, a contribuinte juntou ao processo a planilha de fls. 164, as cópias de páginas da Declaração de Informações de fls. 165 e 166, a cópia do documento de arrecadação de fls. 167 e os comprovantes de retenção de fls. 168 e 169. O voto condutor da decisão exarada em primeira instância, relativamente à planilha apresentada pela Recorrente, consignou: ... Como se vê da tabela supra, o contribuinte busca demonstrar a composição do valor declarado na Linha 20 indicando que ali estaria contemplado o rendimento de R$ 1.420.730,73, correspondente à retenção de R$ 284.146,13. E, da referida tabela, extraise que o somatório dos rendimentos que tiveram incidência de fonte corresponde ao valor de R$ 1.420.730,73 que o contribuinte alega estar contemplado no valor de R$ 2.289.025,77 informado na linha 20. Ocorre que referida tabela indica, também, a existência de outros rendimentos, que, somados àqueles antes mencionados, perfazem o total de R$ 2.357.290,73, e não de R$ 2.289.025,77 como informado na linha 20 (diferença que aumentaria o lucro liquido em R$ 68.264,96). E, acerca de tal diferença, nada foi esclarecido na manifestação de inconformidade. Fl. 348DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10805.720137/200757 Acórdão n.º 130200.714 S1C3T2 Fl. 291 7 Isso exigiria, no mínimo a recomposição do resultado, de modo a considerar, na apuração do Lucro Liquido, a parcela de R$ 68.264,96, com conseqüente alteração no Lucro Real, no cálculo do IR (Ficha 12 A) e no saldo negativo. Entretanto, não é possível admitir novo resultado, para fins de reconhecimento de direito creditório, somente com base em simples planilha. A Declaração do contribuinte deve espelhar a sua escrituração contábil e fiscal e nenhum elemento dela foi apresentado na manifestação de inconformidade que pudesse amparar tais alterações nem que justificasse a alegação de que na linha 20 estaria contemplado o rendimento que gerou a retenção em questão. E, além disso, verificamse inconsistências entre a DIRF, Ficha 43 e planilha apresentada na manifestação de inconformidade. Nas DIRF apresentadas (das duas empresas incorporada e incorporadora) há um total de rendimentos tributáveis da ordem de R$ 1.456.762,71. Por sua vez, o total de rendimentos indicados na Ficha 43 monta R$ 1.916.480,38, sendo R$ 495.749,65, com IRRF de R$ 99.149,93, já admitidos pela autoridade fiscal e o restante de R$ 1.420.730,73, com IRRF de R$ 284.146,13, relativo a operações Swap não aceitos pela fiscalização. Já, na planilha de fls. 168, são indicados rendimentos de R$ 2.357.290,73 e retenções de R$ 284.146,13. Neste contexto, diante de inconsistências entre os valores declarados na DIPJ, na DIRF e aqueles constantes da planilha apresentada pelo interessado como subsídio para sua alegação, não há como, com segurança, reconhecer crédito em montante maior do que aquele admitido pela DRF, dada a necessidade de certeza e liquidez para reconhecimento do crédito tributário. ... Em sede de recurso, a contribuinte contesta, primeiramente, a glosa de R$ 76.058,13, relativa à estimativa de novembro de 2003. Para tanto, registra: Alega a recorrida decisão que a glosa do importe de R$ 76.058,23 foi efetivada corretamente pelo fato de que " em consulta ao sistema DCTFger 4.8 (fls. 143) e SINAL08 (fls. 144) verificouse que a referida estimativa foi declarada e paga no valor de R$ 1.038,50.." Entretanto, tal argumento deve ser rebatido pelo fato de que na linha 16 do IR pago por estimativa foi composta em parte pela estimativa do mês de Novembro, sendo declarada na DIPJ no importe de R$ 77.096,73. Tal afirmação deve ser objeto de reparo, haja vista que a autoridade julgadora de primeira instância não analisou a glosa em questão, pois, como afirmou de forma expressa, tal item não foi contestado por meio da Manifestação de Inconformidade apresentada. Com efeito, o voto condutor da decisão recorrida assinalou: Como se vê da tabela supra, do valor declarado a titulo de estimativas (R$ 694.303,22), a autoridade da DRF admitiu o montante de R$ 618.244,99, justificando a glosa da diferença de R$ 76.058,23 pelo fato de que: 0 valor de R$ 694.303,22, declarado na linha 16 — IR Mensal pago por Estimativa, foi composto, em parte, pela estimativa do mês de Novembro, declarada na DIPJ 2003 no valor de R$ 77.096,73. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10805.720137/200757 Acórdão n.º 130200.714 S1C3T2 Fl. 292 8 Em consulta aos sistemas DCTFger 4.8 (fis. 143) e SINAL08 (fls. 144) verificou se que a referida estimativa foi declarada e paga no valor de R$ 1.038,50. A diferença de R$ 76.058,23 deve ser deduzida do valor de R$ 694.303,22, declarado na linha 16 — Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa, da DIPJ 2003, resultando no valor de R$ 618.244,99. Acerca de tais constatações, nada opõe o interessado, centrando sua defesa apenas na glosa relativa ao IRRF, como adiante analisado, pelo que resta consolidada a dedução efetivada pela autoridade fiscal. (GRIFEI) Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. No que diz respeito à glosa de imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 284.146,13, os fundamentos para tal providência e para a sua manutenção na instância a quo são os seguintes: 1. em conformidade com as orientações de preenchimento da Declaração de Informações, os rendimentos auferidos em operações de SWAP deveriam ser registrados na linha 21 da ficha 6A (GANHOS AUFERIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL, EXCETO DAY TRADE), porém, compulsandose a declaração apresentada pela contribuinte, verificouse que nenhum valor foi indicado na referida linha; 2. a planilha trazida pela contribuinte para comprovar que os rendimentos auferidos nas operações de SWAP (R$ 1.420.730,73) foram contemplados na linha 21 da ficha 6A (VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS) apresenta um total de rendimentos (R$ 2.357.290,73) que difere do montante registrado na referida linha (R$ 2.289.025,77), não tendo sido apresentado qualquer esclarecimento acerca de tal diferença; 3. os registros feitos na Declaração de Informação refletem dados da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, sendo que nenhum elemento dessa natureza foi aportado à defesa; 4. foram identificadas divergências entre as informações contidas nas DIRFs apresentadas, na Ficha 43 da Declaração de Informações e na planilha. A Recorrente, por sua vez, dirige a sua defesa, primeiramente, para certificar que a retenção na fonte dos valores glosados é matéria incontroversa. Adiante, reafirma que o valor de R$ 1.420.730,73 encontrase inserido no montante de R$ 2.289.025,77. Argumenta, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância em nenhum momento refutou a composição do valor registrado na Declaração de Informações, alegando, apenas, incongruência de valores que impossibilitam a declaração do direito ao crédito. A argumentação da Recorrente, mais uma vez, é digna de reparo, pois, a meu ver, o que a autoridade Julgadora de primeiro grau fez foi exatamente refutar a composição, não obstante ter constatado que, relativamente a alguns valores, existia convergência com os registros feitos nos informes de rendimentos apresentados pelas fontes pagadoras. Fl. 350DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10805.720137/200757 Acórdão n.º 130200.714 S1C3T2 Fl. 293 9 Como destacado anteriormente, a rejeição da planilha demonstrativa acostada à defesa não foi amparada exclusivamente nas incongruências de informações, mas, principalmente, no fato de não terem sido aportados aos autos documentos de natureza contábil e fiscal capazes de confirmar os valores ali indicados. Não obstante fazer ressalva desprovida de maiores fundamentos, a própria Recorrente admite a “presença de algumas inconsistências entre as informações cruzadas”, fator que, à luz do disposto no art. 170 do Código Tributário Nacional, impede o reconhecimento do crédito pleiteado, eis que compromete a sua liquidez e certeza. Sustenta a Recorrente que, consideradas as inconsistências aqui referenciadas, ao menos parte dos rendimentos auferidos nas operações de SWAP estaria comprovada. Contudo, não indica que parte seria essa, bem como não aponta os documentos contábeis pertinentes, pois, no que diz respeito a tais elementos (contábeis), limitase a informar: Apenas para comprovar que a ora peticionária realmente ofereceu os valores a tributação seguem as folhas do Livro diária (sic), comprovando que efetivamente os valores glosados foram oferecidos integralmente à compensação (sic). Com a devida permissão, as cópias de folhas do LIVRO DIÁRIO juntadas às fls. 246/262, dizem respeito, em sua maior parte, a registros cujos períodos diferem do submetido à apreciação; estão desprovidas de documentos de suporte; não apresentam qualquer indicação de registro (Termos de Abertura e Encerramento); e carecem de demonstrativo complementar capaz de vincular os registros ali feitos com o montante consignado na DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES. Improcedentes, a meu ver, os pedidos para juntada posterior de documentos e de diligência, vez que a comprovação que obsta o reconhecimento do crédito apontado para compensação poderia ser produzida por ocasião da apresentação das peças de defesa. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 351DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.724498/2011-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento.
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva.
PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrentes FAZENDA NACIONAL E CNH INDUSTRIAL LATIN AMÉRICA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento. PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 44 98 /2 01 1- 13 Fl. 4027DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 3 2 de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3301002.795, de 29/01/2016, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos Fl. 4028DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 4 3 dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Fl. 4029DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 5 4 Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da nãocumulatividade nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). Fl. 4030DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 6 5 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado". O acórdão foi cientificado pelo eprocesso à Fazenda, que interpôs embargos declaratórios alegando omissões no julgado. Todavia, os embargos foram rejeitados. Não conformada com tal decisão a Fazenda Nacional apresentou o presente Recurso, aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente ao conceito geral de insumos para fins do direito à tomada de créditos do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade. Para comprovar a divergência apontou o acórdão nº 20312.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao Recurso, apenas quanto ao conceito geral de insumos para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Inconformada com o seguimento parcial dado ao Recurso, a Fazenda Nacional apresentou agravo. Contudo, o Presidente do CARF, com fundamento no artigo 71, do Anexo II do RICARF, rejeitou o agravo interposto. Por sua vez, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda e também interpôs Recurso Especial aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente a quatro matérias: 1) creditamento dos valores despendidos com o treinamento de funcionários; 2) crédito relativo a serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controles deve ser reconhecido; 3) crédito referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente e 4) possibilidade de juntada e da análise das provas apresentadas pelo contribuinte a qualquer tempo. Para comprovar a divergência, aponta os acórdãos nºs 3401002.857, 3402 001.982, 3401002.075. O Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, mediante despacho de admissibilidade, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo apenas a rediscussão referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos. Fl. 4031DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 7 6 Inconformada com o seguimento parcial de seu recurso, a Contribuinte apresentou agravo no qual alega que as matérias referentes ao aproveitamento dos custos com treinamento de pessoal, com serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controle e com a juntada e análise de provas a qualquer tempo, foram prequestionadas e que as respectivas divergências foram devidamente demonstradas. O Presidente do CARF entendeu estar correto o despacho de admissibilidade, e não conheceu do Agravo por ausência de prequestionamento, nos termos do inciso V, do §3º, do art. 71, do RICARF. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pelo improvimento do Recurso. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.068, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 13603.724491/201100, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade dos recursos e quanto ao mérito (Acórdão 9303007.068): Da admissibilidade "Restrinjome à redação do presente voto vencedor apenas com relação ao conhecimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, por, também nesse ponto, respeitosamente, discordar do relator. No recurso especial da Procuradora foram suscitadas duas divergências: a) quanto ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade; e b) quanto ao direito de crédito de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade, calculado sobre insumos que antecedem o processo produtivo. O despacho do Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamentos admitiu apenas a divergência descrita em a), que trata do conceito genérico de insumo para fins dos Fl. 4032DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 8 7 gastos geradores de créditos para as contribuições do PIS e Cofins não cumulativas. Inadmitida essa divergência, caberia a segunda, que trata de um gasto específico com serviços de logística considerados, ou não, antecedentes ao processo produtivo. Inicio por salientar que a própria contribuinte não indica qualquer argumento que leva ao não conhecimento do recurso especial da Fazenda, afirmando apenas sua improcedência. O trecho do voto condutor do acórdão paradigma de nº 20312.448, trazido a baila pela Procuradora claramente demonstra um conceito mais restritivo de insumo do que aquele utilizado no acórdão recorrido, ao tomar por base a legislação do IPI para tal, senão vejamos: Assim, a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumo” já foi consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.” (Negritei.) Partindo desse entendimento, como bem argumentou a Procuradora, para considerar bens ou serviços, como insumos, fazse necessário o emprego destes diretamente sobre os produtos utilizados na fabricação, e, nesse sentido, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Claramente a vinculação com o critério de insumo do IPI está posta no paradigma. Já o acórdão a quo se posiciona claramente noutro sentido, o que já se observa no seguinte extrato de sua ementa: O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8º, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. (...) (Negritei.) Assim, há desde logo que se admitir a existência da divergência arguida no recurso especial e analisarse a posteriori a situação fática dos serviços de logística para utilização da sistemática just in time. Nesse ponto, há discussão específica no paradigma que foi em seguida apresentado, o acórdão nº 9303002.659, especificidade esta que fica bem aparente no excerto do voto vencedor abaixo transcrito: Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos Fl. 4033DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 9 8 ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. (Negritei.) Nessa quadra, a especificidade, de acordo com a Procuradora da Fazenda seria a prestação de serviços anteriores à produção, mas pela leitura adotada pelo Presidente da 3ª Câmara em seu despacho ás efls. 3683 a 3687, o acórdão recorrido entendia que os serviços em questão estavam sendo aplicados na produção; inexistiria divergência por serem situações fáticas distintas. O afastamento desta última divergência em nada afetaria a primeira, que, no meu entender, foi corretamente conhecida. Assim, a divergência quanto ao critério de insumo, utilizando, ou não, aquele da legislação do IPI, estava adequadamente posta, apesar de a divergência específica quanto aos serviços da GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda serem anteriores à produção, não o estava por falta de similitude fática. Concluindo, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional relativamente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins, no regime da nãocumulatividade." (..)1 Do mérito "1. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 Com efeito, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. 1 A admissibilidade do recurso especial do contribuinte não foi contestada pelo relator do processo paradigma (Acórdão 9303007.068). A divergência entre os Conselheiros, quanto ao conhecimento, foi apenas em relação ao recurso da Fazenda Nacional, que restou conhecido por maioria de votos. Assim, ao final, os dois recursos foram conhecidos pelo Colegiado. Fl. 4034DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 10 9 Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 2argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito3”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. 2 3 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 4035DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 11 10 Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/0209115 0), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o Fl. 4036DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 12 11 desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Em que pese a matéria estar parcialmente decidida pelo Poder Judiciário, pelo menos ao meu juízo, mantenho meus critérios de julgamento para análise de caso a caso, para que se possa aferir de fato se os insumos são essenciais atividade empresária. Recurso da Procuradoria Por sua vez, o exame de admissibilidade do Recurso, o examinador entendeu que a divergência instaurada diz respeito quanto aos insumos serem diretamente vinculados à produção, ou não, os serviços de controle de estoque “just in time” prestados pela GFL, que segundo o acórdão recorrido são relativos a “controle de fluxo de componentes nas instalações fabris”. E tal divergência existe entre o acórdão recorrido e a Fazenda, mas não perante o paradigma, que não trata desse tipo de serviço especificamente. Com efeito, a decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso Voluntário referente "à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3565/3570". A matéria aceita como divergente, diz respeito a interpretação da legislação tributária referente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de Pis e Cofins no regime da nãocumulatividade. Sem embargo, o conceito de insumos foi levado ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu o conceito tem como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. A jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou Fl. 4037DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 13 12 classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Recurso da Contribuinte Créditos inerentes aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos Conforme depreendese do despacho de admissibilidade a matéria aceita como divergente diz respeito ao direito de crédito de fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Fl. 4038DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração Fl. 4039DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 15 14 de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: Fl. 4040DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 16 15 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que Fl. 4041DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 17 16 essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de Fl. 4042DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 18 17 propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a Fl. 4043DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 19 18 conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Fl. 4044DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 20 19 Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Fl. 4045DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 21 20 Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Fl. 4046DF CARF MF Processo nº 13603.724498/201113 Acórdão n.º 9303007.228 CSRFT3 Fl. 22 21 "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao Recurso da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, os recursos especiais da Fazenda Nacional e do contribuinte foram conhecidos e, no mérito, o colegiado negou provimento ao recurso da Fazenda e deu provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 4047DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.900013/2012-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 12/11/2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 12/11/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 00 13 /2 01 2- 94 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10840.900013/201294 Acórdão n.º 9303007.179 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.466, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 12/11/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10840.900013/201294 Acórdão n.º 9303007.179 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.900013/201294 Acórdão n.º 9303007.179 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.900013/201294 Acórdão n.º 9303007.179 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10840.900013/201294 Acórdão n.º 9303007.179 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 179DF CARF MF
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