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Numero do processo: 36624.000815/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2401-004.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, negar-lhes provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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IMUNIDADE/ISENÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 15 /2 00 7- 83 Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401004.605 S2C4T1 Fl. 1.114 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, negarlhes provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401004.605 S2C4T1 Fl. 1.115 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 1.036/1.040, contra o Acórdão nº 2401003.877, da relatoria do Conselheiro Igor Araújo Soares, o qual está juntado às fls. 1.018/1.033. 2. O crédito tributário diz respeito à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.014.2330, concernente ao período de 01/1998 a 09/2000, 09/2003 a 01/2004 e 03/2004 a 12/2005, lavrada para a exigência de contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados e da empresa incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais. A ciência da NFLD ocorreu em 28/12/2006 (fls. 303/331). 3. Alega a embargante a existência de omissão e/ou contradição no v. acórdão, sob os seguintes fundamentos: (i) ausência de exame do disposto no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, o qual, segundo a recorrente, prevê que o Certificado de Entidade de Assistência Social (Ceas) concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), com base na legislação do Programa Universidade para Todos (Prouni), apenas possibilita a requisição pela pessoa jurídica de um novo pedido de isenção/imunidade junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, caso deferido o pleito, o benefício fiscal passaria a produzir efeitos a contar da data da entrada em vigor da novel legislação, isto é, 10/9/2004; e (ii) falta de pronunciamento a respeito da adesão do contribuinte antes do julgamento do recurso voluntário ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que tal ato equivale à concordância com a exigência fiscal (fls. 801). 4. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 1º/6/2015, que interpôs os embargos de declaração em 23/6/2015 (fls. 1.035 e 1.141). 5. Tendo em vista que o conselheiro relator originário não mais integra a Turma, o processo foi sorteado no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara, na sessão de 13/4/2016. 6. Previamente, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente em exercício da Turma, Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, cujo processo foi devolvido para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 1.056/1.060). Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401004.605 S2C4T1 Fl. 1.116 4 7. Ressalto que consta manifestação do contribuinte a respeito dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Em síntese, o interessado defende a correção do julgado proferido no âmbito do colegiado e requer a negativa de provimento ao recurso (fls. 1.070/1.084). È o relatório. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401004.605 S2C4T1 Fl. 1.117 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 8. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 9. Antes, porém, novamente saliento que a minha designação como relator, por intermédio de sorteio, foi devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 9.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 240103.877, submetendo as questões à apreciação da Turma. Tal juízo não implica, contudo, anuência ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 10. Pois bem. Para melhor explanação das razões de decidir, analisemos em separado os vícios apontados pela Fazenda Nacional: a) falta de exame pelo colegiado do conteúdo do art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005; e b) previamente ao julgamento do recurso voluntário, havia pedido de parcelamento do crédito tributário. a) Falta de exame da norma jurídica contida no art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005 11. Nesse ponto, a Fazenda Nacional sustenta que o acórdão embargado centralizou a sua atenção no § 2º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, deixando de apreciar, por outro lado, o disposto no § 3º do mesmo artigo, preceptivo essencial ao deslinde da controvérsia trazida a debate nos autos. 11.1 Para compreensão da legislação questionada, transcrevo abaixo o inteiro teor do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005: Art. 11. As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3º e no inciso II do caput e §§ 1º e 2º do art. 7º desta Lei, comprometendose, pelo prazo de 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401004.605 S2C4T1 Fl. 1.118 6 vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: I oferecer 20% (vinte por cento), em gratuidade, de sua receita anual efetivamente recebida nos termos da Lei nº 9.870, de 23 de novembro de 1999, ficando dispensadas do cumprimento da exigência do § 1º do art. 10 desta Lei, desde que sejam respeitadas, quando couber, as normas que disciplinam a atuação das entidades beneficentes de assistência social na área da saúde; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II para cumprimento do disposto no inciso I do caput deste artigo, a instituição: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) a) deverá oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa de estudo integral a estudante de curso de graduação ou seqüencial de formação específica, sem diploma de curso superior, enquadrado no § 1º do art. 1º desta Lei, para cada 9 (nove) estudantes pagantes de curso de graduação ou seqüencial de formação específica regulares da instituição, matriculados em cursos efetivamente instalados, observado o disposto nos §§ 3º, 4º e 5º do art. 10 desta Lei; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) b) poderá contabilizar os valores gastos em bolsas integrais e parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), destinadas a estudantes enquadrados no § 2º do art. 1º desta Lei, e o montante direcionado para a assistência social em programas não decorrentes de obrigações curriculares de ensino e pesquisa; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III gozar do benefício previsto no § 3o do art. 7o desta Lei. § 1º Compete ao Ministério da Educação verificar e informar aos demais órgãos interessados a situação da entidade em relação ao cumprimento das exigências do Prouni, sem prejuízo das competências da Secretaria da Receita Federal e do Ministério da Previdência Social. § 2º As entidades beneficentes de assistência social que tiveram seus pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos, nos 2 (dois) últimos triênios, unicamente por não atenderem ao percentual mínimo de gratuidade exigido, que adotarem as regras do Prouni, nos termos desta Lei, poderão, até 60 (sessenta) dias após a data de publicação desta Lei, requerer ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS a concessão de novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social a isenção das contribuições de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. § 3º O Ministério da Previdência Social decidirá sobre o pedido de isenção da entidade que obtiver o Certificado na forma do caput deste artigo com efeitos a partir da edição da Medida Provisória nº 213, de 10 de setembro de 2004, cabendo à Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401004.605 S2C4T1 Fl. 1.119 7 entidade comprovar ao Ministério da Previdência Social o efetivo cumprimento das obrigações assumidas, até o último dia do mês de abril subseqüente a cada um dos 3 (três) próximos exercícios fiscais. § 4º Na hipótese de o CNAS não decidir sobre o pedido até o dia 31 de março de 2005, a entidade poderá formular ao Ministério da Previdência Social o pedido de isenção, independentemente do pronunciamento do CNAS, mediante apresentação de cópia do requerimento encaminhando a este e do respectivo protocolo de recebimento. § 5º Aplicase, no que couber, ao pedido de isenção de que trata este artigo o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (GRIFEI) 12. Prossegue a embargante que a falta de pronunciamento sobre o § 3º acarretou omissão no julgado, na medida em que, conquanto tenha havido o deferimento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, referente ao período de 09/2000 a 09/2003, pela Resolução nº 49/2005 do CNAS, a concessão do documento com base no art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, apenas tinha o condão de viabilizar um novo pedido de isenção junto ao INSS, a qual, se deferida, produziria efeitos a partir de 10/9/2004. 13. A Fazenda Nacional pretende a rediscussão de questão devidamente examinada e decidida no acórdão embargado. O eventual equívoco na interpretação da legislação pelo julgador que pode levar ao erro de julgamento, ao qual faço alusão tão somente para possibilitar o desenvolvimento do meu ponto de vista, não configura hipótese capaz de ser corrigida por meio dos embargos de declaração. 14. Na visão do relator originário a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, relativamente ao período da autuação. 14.1 Logo, tendo sido deferida a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003, em face da Resolução CNAS nº 49/2005, não haveria, segundo entendimento acatado pela unanimidade dos conselheiros nessa matéria, como manter o lançamento relativamente a tal período. 14.2 De maneira análoga, também produziu efeitos para a improcedência do lançamento tributário a renovação do Certificado de Entidade de Assistência Social para o período de 09/2003 a 09/2006, por meio da Resolução CNAS nº 11/2009, datada de 9 de fevereiro de 2009. 15. Trago excertos do Acórdão nº 240103.877 sobre o ponto questionado pela embargante (fls. 1.027/1.032): (...) Da renovação do certificado no período de 09/2000 a 09/2003 Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório n. 01/2005, através do Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401004.605 S2C4T1 Fl. 1.120 8 qual se apurou que a ora recorrente não era possuidora do CEAS a partir do ano de 1998, tendo descumprido, portanto, aquilo o que disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91, não lhe sendo reconhecido, portanto, o direito de usufruir da isenção das contribuições patronais a cargo das entidades beneficentes de assistência social. (...) Defende [a recorrente], sobre este aspecto, ter o fiscal autuante incorrido em erro, na medida em que, inobstante as conclusões do Ato Cancelatório n. 01/2005, teve o restabelecimento do seu CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095). (...) Percebese, pois, que a legislação supra permitiu ao contribuinte que teve o seu pedido de renovação do CEAS indeferido pelo não atendimento do percentual mínimo de gratuidade exigido pela legislação, que requeresse a concessão de novo certificado, a partir do momento de sua adesão as regras do PROUNI (Lei 11.096/05), para, então, posteriormente viesse a requerer a isenção das contribuições ao Ministério da Previdência. E em razão da promulgação de referida legislação, assim o fez a recorrente, lhe tendo sido deferida a expedição do CEAS para o período de 09/2000 a 09/2003 pela Resolução n. 49/2005 do CNAS, conforme se percebe da informação do fiscal autuante constante no relatório fiscal complementar, verbis: (...) Ou seja, diante de tais informações, vislumbro que antes mesmo da formalização do presente Auto de Infração (algo em torno de um ano e meio antes de tal evento) a recorrente já possuía em seu favor o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, devidamente válido para o período em questão. E a concessão do CEAS resta comprovada, também, pela certidão concedida à parte pelo CNAS, cujo teor transcrevo a seguir: (...) Ou seja, tendo em vista que a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a de que a recorrente não era portadora do CEAS, sem que qualquer outra tenha sido considerada pelo fiscal autuante, não vejo como considerar que tenha a mesma descumprido o disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Se a questão central do presente processo é saber se a recorrente possuía ou não o CEAS, de modo a que possa ou não usufruir da isenção da cota patronal, esta fica esclarecida, a meu ver, em face da Resolução CNAS n. 49/2005, que deferiu de forma expressa a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401004.605 S2C4T1 Fl. 1.121 9 Logo, não vejo como manter o lançamento relativamente a tal período. Da renovação do certificado no período de 2003 a 2006. Outro ponto que necessariamente deve ser analisado por esta Turma referese aos argumentos da recorrente no sentido de que também era possuidora do CEAS válido para o triênio posterior ao período de 09/2003. (...) E diante de tal preceito legal, aponta a recorrente que em fevereiro de 2009 fora publicada a Resolução CNAS n. 11/09, deferindolhe a renovação do CEAS para o período de 09/2003 a 09/2006, cujo teor segue transcrito: (...) Em face de tais constatações, vejo, mais uma vez, que o fundamento adotado pela fiscalização para levar a efeito o lançamento das contribuições previdenciárias não se sustenta, na medida em que a condição de não possuidora do CEAS não mais se verifica, pois sua renovação fora deferida em decorrência de autorização legal expressa. (...) Assim, do mesmo modo que para o período de 09/2000 a 09/2003, entendo que a recorrente possui certificado válido para o período de 09/2003 a 09/2006, motivo pelo qual, a meu ver, resta insustentável o lançamento efetuado. (...) 16. Tendo em conta o raciocínio esquadrinhado pelo relator originário, entendo não haver vazio na fundamentação utilizada no acórdão recorrido, dispensandose, à vista disso, a necessidade de complementação da decisão pelo exame da aplicação ao caso concreto da norma jurídica contida no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, conforme defende a Fazenda Nacional. 17. Sublinho que o julgador "ad quem" não está obrigado a enfrentar e/ou refutar todos os fundamentos do acórdão de primeira instância que deram esteio à manutenção da autuação fiscal. O decisório recorrido apreciou, de modo fundamentado, as questões relevantes trazidas ao debate pelas partes, com base nos fatos e no direito que entendeu aplicável à questão controvertida. 18. Portanto, cabe rejeitar a alegação de omissão no acórdão suscitada pela embargante. b) Parcelamento 19. Assinala a Fazenda Nacional uma outra omissão identificada no Acórdão nº 240103.877, relacionada à falta de pronunciamento sobre a adesão do contribuinte ao Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401004.605 S2C4T1 Fl. 1.122 10 parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009. A inclusão do débito em parcelamento, noticiada às fls. 801 dos autos, caracteriza a desistência do recurso voluntário, em razão da perda de interesse no julgamento do apelo recursal. 20. Na Intimação nº 773/2010, datada de 10/9/2010, referente ao encaminhamento da decisão de primeira instância para ciência do fiscalizado, verifico que a unidade preparadora da RFB manifestase nos termos a seguir copiados (fls. 801): 1. Pela presente dáse ciência do acórdão no 1626.104 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) e do Relatório DADR cujas cópias seguem anexas. 2. Ressaltamos que a DRJ está recorrendo de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da decisão proferida no Acórdão acima citado. 3. Fica o Contribuinte supramencionado cientificado do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do 'AR') , para. interposição de Recurso Voluntário, se assim o desejar. 4. Na hipótese de apresentação de Recurso ao Conselho, o mesmo deverá ser protocolado no CAC Centro de Atendimento ao Contribuinte da Secretaria da Receita Federal do Brasil munido de procuração, se for o caso, e última alteração contratual da empresa. 5. Transcorrido o prazo acima sem interposição de Recurso Voluntário, o débito será encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,' para julgamento do Recurso de Oficio da DRJ. Obs:. Caso o contribuinte tenha optado pela inclusão deste débito no Parcelamento previsto na Lei 11.941/09, informamos que o processo ficará sobrestado aguardando a consolidação do referido parcelamento desconsiderando assim esta intimação, e que após a consolidação, os débitos não incluídos, prosseguirão à cobrança executiva. (GRIFEI) 21. Acontece que no âmbito do parcelamento de que tratam os arts. 1º a 13 da Lei nº 11.941, de 2009, o requerimento de adesão não implicava a inclusão automática de débitos, visto que os créditos tributários a serem parcelados deveriam ser indicados pelo sujeito passivo no momento da consolidação do parcelamento (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009). 22. Todavia, o recurso voluntário foi protocolado em 13/10/2010, juntado às fls. 808/859, e encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 22/10/2010, sem qualquer alusão, por parte do Fisco, à inclusão do débito tributário discutido em acordo de parcelamento (fls. 860). 22.1 Na sequência de fls. dos autos igualmente não localizei comprovação de parcelamento da NFLD nº 37.014.2330. Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401004.605 S2C4T1 Fl. 1.123 11 23. Destarte, pelos elementos que instruem os autos a omissão apontada pela Fazenda Nacional é manifestamente improcedente, inexistindo comprovação de desistência do contribuinte quanto à discussão administrativa do crédito tributário, devido à inclusão do débito no parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009, antes do julgamento do recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, por ausência dos vícios apontados pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 1123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.720267/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pelo solidário Polimport Com. Exportação Ltda., Vinicius Vicentim Caccavali, OAB-SP nº 330.079.
Robson José Bayerl - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSÉ BAYERL (Presidente), ROSALDO TREVISAN, LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO (Vice-Presidente), ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, RODOLFO TSUBOI, AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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E FAZENDA NACIONAL Recorrida POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA., GHATS COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. E FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pelo solidário Polimport Com. Exportação Ltda., Vinicius Vicentim Caccavali, OABSP nº 330.079. Robson José Bayerl Presidente. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSÉ BAYERL (Presidente), ROSALDO TREVISAN, LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO (VicePresidente), ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, RODOLFO TSUBOI, AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Relatório Tratase de autos de infração (às fls. 6 a 34) lavrados com a finalidade de formalizar a exigência das diferenças de Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação, PIS/PASEP e CofinsImportação, acrescidos da multa qualificada de 150% e dos juros de mora, da Multa do Controle Administrativo das Importações devida sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado de que trata o art. 633, inciso I, do Regulamento Aduaneiro Decreto n° 4.543/2002, com base no parágrafo único do art. 88 da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .7 20 26 7/ 20 08 -4 1 Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 10735.720267/200841 Resolução nº 3401000.944 S3C4T1 Fl. 1.700 2 Medida Provisória n° 2.158 35/2001, e da Multa Regulamentar do IPI por entregar as mercadorias a consumo ou consumilas, de acordo com o art. 631 do Decreto n° 4.543/2002, com base na Lei n° 4.502/64, art. 83, inciso I. Pela fidelidade aos fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância administrativa proferido pela Delegacia Regional de Julgamento: Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 112/279) e documentos juntados (fls. 281/1139), a empresa importadora GHATS COMERCIO EXTERIOR LTDA., operando por conta e ordem da real adquirente POLIMPORT COMERCIO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 00.436.042/000170, a qual permaneceu oculta nos registros de importação, submeteu a despacho aduaneiro mercadorias com declaração inexata de valor, caracterizando subfaturamento por meio de falsidade das faturas comerciais, com vistas a elidir o pagamento dos tributos incidentes na importação. Relata a auditoria que ocorreu a apreensão de documentos em papel ou em meio magnético, pela Polícia Federal, em cumprimento a diversos Mandados de Buscas e Apreensões emitidos pela Justiça Federal em ParanaguáPR, no ano de 2006, relativamente às empresas controladas por Marco Antônio Mansur GRUPO MAM, ação denominada Operação Dilúvio, que redundaram na constatação da prática de diversos ilícitos fiscais e tributários no âmbito do comércio exterior. Tratase de um conjunto de empresas constituídas basicamente por interpostas pessoas que simulavam atuação como importadores e/ou distribuidores de mercadorias de origem estrangeira, no lugar dos reais intervenientes/interessados que pretendiam permanecer ocultos aos controles administrativos, cambiais e aduaneiros, dedicandose, assim, a realização de várias infrações tributárias e outras, tais como a quebra da cadeia do IPI e o subfaturamento dos preços declarados. A prática adotada pela organização era de criar uma cadeia comercial fictícia, na qual figuravam um importador operando por conta própria ou por conta de terceiros (de fachada) e uma ou mais empresas distribuidoras de fachada, que atuavam, de forma fictícia, como compradores de mercadorias importadas ou como adquirentes de importações por sua conta e ordem, que davam saída para o real adquirente. Relata a auditoria que, além da constatação, através de documentação apreendida, do preço efetivamente transacionado para algumas DI, houve também o arbitramento do preço nos moldes dos incisos I e II, alínea b), do art. 88 da MP 2.15835, de 2001. Houve a responsabilização solidária da empresa tida como real adquirente POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA (POLISHOP), conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 280), tendo por base o relatório “Informação Fiscal POLIMPORT” e demais documentos extraídos, por cópia, do processo administrativo nº 10980.004484/200716 (Anexo III, fls. Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 10735.720267/200841 Resolução nº 3401000.944 S3C4T1 Fl. 1.701 3 298/705), cujas operações envolveram diversas empresas que figuravam ora como importadoras, ora como distribuidoras e adquirentes registradas nas declarações de importação, porém somente de fachada, sendo que o gerenciamento dessas operações ficava a cargo da empresa Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda, operacionalizando o "esquema" de importações, cujos casos estão exemplificados nos itens 4.8.1 a 4.8.6 do relatório. Foi proferido, assim, o Acórdão DRJ nº 0734.982 pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Slorianópolis (SC) em sessão de 06/06/2014, com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 23/03/2004 a 10/06/2005 SUBFATURAMENTO. FRAUDE. PROCEDIMENTO FISCAL. Nos casos de fraude, em que a fiscalização aduaneira consegue apurar o preço efetivamente praticado na importação e que foi dolosamente omitido pelo importador, ou quando se utiliza do arbitramento autorizado pelo art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não há que se falar de instauração de procedimento especial voltado à valoração aduaneira das mercadorias importadas nos termos exigidos pelo AVAGATT/94. SUBFATURAMENTO. FRAUDE. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA NÃO MAIS APREENSÍVEL. Constatado o subfaturamento, por fraude, e não sendo mais apreensível a mercadoria para aplicação da pena de perdimento, é cabível a exigência do pagamento dos tributos e contribuições sociais que, incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos, acrescidos dos consectários legais, sendo passível, ainda, a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, pela caracterização do dano ao Erário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE OU SONEGAÇÃO Cabível a multa de ofício de 150% sobre os tributos apurados, constatada a ocorrência de fraude na importação com o intuito de sonegação. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. RESPONSABILIZAÇÃO. A responsabilização conjunta do importador e de quem se beneficia com a prática da infração, o real adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, encontra arrimo em expressa determinação legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 23/03/2004 a 10/06/2005 MULTA REGULAMENTAR DO IPI. Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 10735.720267/200841 Resolução nº 3401000.944 S3C4T1 Fl. 1.702 4 É incabível a aplicação da multa regulamentar do IPI por entrega a consumo de mercadoria estrangeira importada de forma irregular ou fraudulenta, quando a fraude ou a irregularidade que macula a importação é definida legalmente de forma mais específica como dano ao Erário, porquanto, nesses casos, a não localização da mercadoria sujeita à perdimento em face da entrega a consumo é penalizada expressamente na forma de outra disposição legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, a turma julgadora decidiu, por unanimidade de votos, julgar a impugnação improcedente, mantendo em parte o crédito tributário apurado, excluindo, por nulidade, face ao erro no enquadramento legal da infração, conforme art. 10 do Decreto 70.235/72, a Multa do Controle Administrativo das Importações, com base no parágrafo único do art. 88 da MP 2.15835, de 2001, no valor de R$ 1.359.959,00 e a Multa Regulamentar do IPI, com base no inciso I do art. 83 da Lei n.º 4.502, de 1964, no valor de R$ 2.762.231,32, o que motivou o recurso de ofício para reexame da matéria. A contribuinte e a responsável solidária interpuseram recurso voluntário, tendo sido o processo distribuído à minha relatoria. É o Relatório. Voto 1. Os recursos voluntários interpostos são tempestivos e, assim como o recurso de ofício, preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. 2. Aqueles fatos geradores apurados a partir de elementos produzidos em ação penal ficam condicionados à validade das provas no curso do processo judicial no contexto do qual se originaram. 3. Diante da notícia de que o Superior Tribunal de Justiça, no Habeas Corpus n° 142.045/PR, declarou a ilicitude parcial das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas na denominada "Operação Dilúvio" realizada pela Polícia Federal, e que, conforme se depreende da leitura dos presentes autos, o auto de infração foi lavrado, ao menos parcialmente, com base nos elementos e material probatório produzidos no contexto desta operação, entendo que as decisões tomadas com base em dados anulados devem ser temperadas cum grano salis. 4. Isto porque as provas nulas podem ter servido de indício hábil a iniciar um procedimento fiscal, mas jamais de provas para sustentar um auto de infração. Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 10735.720267/200841 Resolução nº 3401000.944 S3C4T1 Fl. 1.703 5 5. Em igual sentido já decidiu este Conselho por meio, vg., da Resolução 2801000.326, de 12/11/2014, cuja parte dispositiva abaixo transcrevemos: "Como se vê, em 14/09/2006, o Juiz Federal Nivaldo Brunoni, acolheu a solicitação formulada pelo Departamento da Polícia Federal para que a Secretaria da Receita Federal tivesse acesso e pudesse extrair cópias dos elementos arrecadados nas buscas e das informações obtidas na investigação ocorrida no curso da Operação Dilúvio para fins de instrução de procedimentos administrativos fiscais de constituição de créditos tributários. Posteriormente, entretanto, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, nos autos de Habeas Corpus n° 142.045/PR, declarou a ilicitude parcial das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas na Operação Dilúvio realizada pela Polícia Federal. Em sendo parcial a ilicitude das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas, entendo por bem converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal, dentro desse novo cenário, faça a separação dos valores lançados em função dos tipos de provas utilizadas. Devese discriminar todas as situações de lançamento que podem ser corroboradas sem que os fundamentos tenham sido baseados nas provas consideradas ilegais e também as situações cujos valores tributários lançados deveriam ser anulados por terem dependido exclusivamente das interceptações telefônicas consideradas ilegais. Nos casos de manutenção do lançamento, devem ser juntadas aos autos as provas que poderiam ter sido utilizadas e aonde (sic) estariam disponibilizadas". 6. Assim sendo, entendo que o processo não se encontra devidamente instruído e que parte das provas existentes não devem ser sequer conhecidas, não se encontrando, conseqüentemente, em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Discriminar e relacionar os valores lançados de acordo com as provas utilizadas, se anuladas ou não pelo Poder Judiciário, ou se produzidas no curso do procedimento fiscalizatório realizado; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, relativamente à consolidação dos valores lançados de acordo com as provas utilizadas, em conformidade com o critério acima definido; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo”, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento no julgamento. Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 10735.720267/200841 Resolução nº 3401000.944 S3C4T1 Fl. 1.704 6 É como voto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 1715DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928335/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS.
O reajuste pelo IGP-M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.544
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGP-M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA DE GERACAO TERMICA DE ENERGIA ELETRICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 83 35 /2 00 9- 12 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 11080.928335/200912 Acórdão n.º 9303004.544 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão n.º 3302002.912, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGPM. POSSIBILIDADE. As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do mesmo. Recurso Voluntário Provido. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos de números 202 19.497 e 3301002.196. Por intermédio do Despacho de Exame de Admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso da Fazenda. A Fazenda Nacional alega que o reajuste de preços pelo IGPM descaracteriza o caráter de "preço predeterminado" previsto no art. 10, XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, mesmo entendimento assentado nos acórdãos paradigmas. Já a contribuinte, em contrarrazões, defende a decisão atacada com base em seus próprios fundamentos e nos argumentos lançados na manifestação de inconformidade e no Recurso Voluntário, acrescentando que cabia ao Fisco comprovar que as variações decorrentes da aplicação do IGP M seriam superiores às variações previstas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, para não aceitar o regime de cumulatividade no presente caso, o que não ocorreu. É o relatório. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 11080.928335/200912 Acórdão n.º 9303004.544 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.538, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.928334/200960, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.538): "Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. A divergência está bem demonstrada e o recurso especial da Fazenda nacional deve ser conhecido. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui o redator do voto vencedor de um dos acórdãos paradigmas da divergência, o de número 3301002.196 (PAF 16349.720019/201136). Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016, logo, após a data de interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, ora em julgamento. Eis a ementa do Acórdão 9303003.470 (PAF 16349.720019/201136), por meio do qual se reformou a decisão paradigma: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Apesar de a decisão paradigma ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 11080.928335/200912 Acórdão n.º 9303004.544 CSRFT3 Fl. 5 4 Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303 003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 11080.928335/200912 Acórdão n.º 9303004.544 CSRFT3 Fl. 6 5 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) No presente caso, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN Observese que no voto condutor da decisão de primeira instância administrativa, o Acórdão nº 1039.971, da DRJ/POA, constou que a contribuinte não apresentou qualquer comparação entre o percentual de reajuste autorizado pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 (repetido na IN SRF nº 658/2006), e a variação do IGPM. Vejase com grifos meus, fls. 430/431: "A interessada entende que a utilização do IGPM se refere tão somente à correção monetária dos preços do produto fornecido (energia contratada), preservando seu valor originalmente acordado. Tal fato não está em discussão, não havendo qualquer vedação a cláusula de reajuste dos valores fixados em contrato para fins de atualização monetária. No entanto, a IN/SRF nº 658/06 ressalva da descaracterização do preço predeterminado, em caso de qualquer alteração de preços, apenas a utilização de índice de reajuste que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, ou, ainda, da própria variação dos custos de produção. Tal condição não se comprova no presente caso, visto tratarse o IGPM, como já dito, de índice geral, e não específico para os insumos utilizados no fornecimento prestado pela empresa. Além disso, ressaltese que a exceção contida no § 3º diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos Fl. 719DF CARF MF Processo nº 11080.928335/200912 Acórdão n.º 9303004.544 CSRFT3 Fl. 7 6 admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito, não tendo sido trazida aos autos qualquer comparação entre o percentual de reajuste e a variação do IGPM no período." Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o Fl. 720DF CARF MF Processo nº 11080.928335/200912 Acórdão n.º 9303004.544 CSRFT3 Fl. 8 7 reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11080.928335/200912 Acórdão n.º 9303004.544 CSRFT3 Fl. 9 8 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Sobre os fundamentos do acórdão recorrido. No excelente voto condutor do acórdão recorrido, o Ilustre Conselheiro Ricardo Paulo Rosa abordou o art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, o art. 2º da lei nº 10.192, de 2001, parecer da Câmara Permanente de Licitações e Contratos da Procuradoria Geral Federal/AGU, o Parecer nº 04/2013/CLPC/DEPCONSU/PGF/AGU, e manifestação da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, para concluir que nos contratos que "já estavam indexados pelo IGPm antes da entrada em vigor da Lei nº 11.196, de 2005, deveria ser reconhecida a manutenção da condição de preço predeterminado do valor contratado, mesmo depois de implementado o reajuste/correção com base no IGPm", fl. 567. Diz também o voto vencedor, com base na IN SRF nº 658, de 2006, que esta, em nenhum momento, "vinculou a condição de preço determinado à revisão dos valores feita com base na elevação da carga tributária, apenas à alteração de preço decorrente da aplicação de regra de reajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro", fl. 568. Com isto, pretendeuse afastar um segundo fundamento da Nota Técnica Cosit nº 1/2007 e do Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, o de que o critério prefixado de reajuste do valor de contrato levava em consideração também eventual alteração da carga tributária incidente na operação específica, fl. 567. Em resumo, o Acórdão recorrido fundamentase no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM, e que isto está de acordo com as disposições constitucionais que preservam o ato jurídico perfeito, pois, como dito naquele voto condutor, fl. 562: "Se as partes haviam pactuado um negócio em determinadas bases, como obrigálas a revêlo, modificando encargos tributários e, corolário, o preço pactuado?" Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido ou nas peças apresentadas pela contribuinte afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 11080.928335/200912 Acórdão n.º 9303004.544 CSRFT3 Fl. 10 9 Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, tal como exposta na seção precedente, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 11080.928335/200912 Acórdão n.º 9303004.544 CSRFT3 Fl. 11 10 Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303 003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Fl. 724DF CARF MF Processo nº 11080.928335/200912 Acórdão n.º 9303004.544 CSRFT3 Fl. 12 11 Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGP M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 725DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.900018/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/02/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.559
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/02/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 18 /2 01 2- 12 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.900018/201212 Acórdão n.º 3302003.559 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.785. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.900018/201212 Acórdão n.º 3302003.559 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900018/201212 Acórdão n.º 3302003.559 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900018/201212 Acórdão n.º 3302003.559 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900018/201212 Acórdão n.º 3302003.559 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900018/201212 Acórdão n.º 3302003.559 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900018/201212 Acórdão n.º 3302003.559 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900963/2008-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO- VERDADE MATERIAL.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
A autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas.
Numero da decisão: 9303-004.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Possas, que não conheceram e, no mérito, acordam, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à DRF para análise da liquidez do crédito tributário, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO- VERDADE MATERIAL. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. A autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas.
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DIREITO CREDITÓRIO VERDADE MATERIAL. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. A autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Possas, que não conheceram e, no mérito, acordam, em darlhe provimento parcial com retorno dos autos à DRF para análise da liquidez do crédito tributário, vencidos os conselheiros Andrada Márcio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 09 63 /2 00 8- 64 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10783.900963/200864 Acórdão n.º 9303004.675 CSRFT3 Fl. 256 2 Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pelo Contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009 (RICARF/2009), em face da decisão formalizada no Acórdão nº 3403002.667, cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo demonstrar a composição da base de cálculo a justificar a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional, devidamente acompanhado das provas hábeis para que seja aferida a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa." O Contribuinte interpôs o presente Recurso Especial contra a decisão do Colegiado que negou provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte para manter o indeferimento da compensação dos créditos de PIS com débitos para a COFINS declarada em PER/DCOMP n° 38603.96896 e 130204.1.3.0475509, em 13/02/2004 com crédito de PIS apurado em fevereiro de 2003 decorrentes de pagamento a maior do que o valor devido. Segundo o voto condutor o contribuinte deveria trazer aos autos prova capaz de convencer a Autoridade Administrativa da certeza do seu direito. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10783.900963/200864 Acórdão n.º 9303004.675 CSRFT3 Fl. 257 3 O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido pelo despacho de fls 242, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões fl.246 postulando a negativa de provimento ao Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigma o Acórdão 3302002.276, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Recurso Voluntário Provido em Parte." Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10783.900963/200864 Acórdão n.º 9303004.675 CSRFT3 Fl. 258 4 a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do mérito No presente caso o que se discute é o direito de compensação do Contribuinte realizada com crédito de PIS de fevereiro de 2003 com débito de COFINS de janeiro de 2004. Foram apresentadas planilhas de cálculo do crédito e sua utilização, bem como DACON. No entanto, para ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu, impõese comprovação. Verificase que há uma afirmativa do Recorrente de que possui um direito de compensação e uma negativa do fisco, informando que a Recorrente não comprovou a direito creditório. Analisando os autos, não encontrei nenhum pedido de diligência ou pedido de informações por parte do fisco. Entendo que a autoridade administrativa poderia ter requerido diligencia e informações do contribuinte, ou solicitar outras provas que julgar imprescindível, para apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado, em busca da verdade material e forma sua convicção. O que não ocorreu no presente caso. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10783.900963/200864 Acórdão n.º 9303004.675 CSRFT3 Fl. 259 5 Ademais, o procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, sendo dever da Autoridade Fiscal, ao analisar os valores informados para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo Sujeito Passivo. Nessa linha relacional, caberá à Autoridade Administrativa quando da análise do pedido de compensação averiguar a certeza e a liquidez do crédito tributário a partir dos documentos juntados à declaração pelo sujeito passivo ou mediante intimação solicitando a apresentação dos mesmos pelo sujeito passivo. Portanto, a análise quanto ao crédito ser líquido e certo é parte do próprio procedimento de deferimento/indeferimento do pedido de compensação pela Autoridade Administrativa. Diante do exposto, em busca da verdade material, proponho o retorno dos autos à DRF para análise da liquidez do crédito tributário do Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722355/2009-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 55 /2 00 9- 61 Fl. 2758DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.193.3714, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 18/11/2009, no valor de R$ 4.045.118,52, acrescidos de juros e multa de mora, correspondentes às contribuições previdenciárias patronais devidas pela empresa no período 01/2005 a 12/2008, incidentes sobre remunerações dos segurados da Previdência Oficial apuradas na escrituração contábil, remunerações estas que não foram informadas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à previdência Social. Conforme informações contidas no relatório fiscal, os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorreram com o pagamento de valores classificados como Participação nos Lucros ou Resultados, sendo que os citados desembolsos foram efetuados em desacordo com a Lei nº 10.101/00. Ainda, os valores foram apurados na escrituração contábil, sendo que os citados pagamentos foram efetuados em periodicidade mensal conforme consta em planilha anexa ao relatório, infringindo assim o disposto no §2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00. No relatório, a autoridade fiscal acrescenta que, além deste fato, a empresa também não observou o disposto no §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00, pois o mesmo estabelece que, deverão constar no instrumento de negociação da PLR, regras claras quanto à fixação do direito substantivo da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Contudo, ao ser solicitado à empresa que apresentasse planilha com aferição de produtividade, foi informado que este controle não se aplica. Para os anos de 2006 a 2008, a empresa informou que entregou CDs com planilhas de aferição de produtividade, entretanto, os documentos digitais presentes nos CDs não continham informações referentes à aferição. Assim, constatouse que a empresa prevê a aferição do cumprimento das metas na convenção, mas, de fato, não as realiza. Por fim, consta do relatório, ainda, que considerando as alterações introduzidas pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009 e o art. 106, inciso II do CTN, concluise que foi aplicada nas competências a multa mais benéfica calculada pela legislação vigente, ou seja, multa de ofício de 75%, exceto para as competências 08/2008 a 10/2008, para as quais foram aplicadas as multas pelo CFL 68 e multa de mora de 24%. Fl. 2759DF CARF MF Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 9202005.289 CSRFT2 Fl. 3 3 A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF julgado a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário apurado. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 13/08/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402004.226, com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto na art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. Integra o salário de contribuição a parcela paga pela empresa ao segurado empregado a título de “produtividade”, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 02/09/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 19/09/2014, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400819/2014, da 4ª Câmara, de 20/10/2014. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Fl. 2760DF CARF MF 4 Cientificado do Acórdão nº 2402004.226, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 05/12/2014 (sextafeira), o contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões e Recurso Especial da parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido, em 22/12/2014. Ao Recurso Especial foi negado seguimento, conforme Despacho s/nº da 4ª Câmara, de 26/08/2015. Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que os arestos mencionados como fundamento do pleito fazendário não têm conformidade com o caso em questão e, portanto, não servem para fundamentar o pleito fazendário. Por fim, salienta que o CTN é norma de hierarquia superior à Lei Ordinária. É o relatório. Fl. 2761DF CARF MF Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 9202005.289 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, inicialmente deve ser conhecido. Contudo, como o recorrente alega: " que os arestos mencionados como fundamento do pleito fazendário não têm conformidade com o caso em questão e, portanto, não servem para fundamentar o pleito fazendário.", convém apreciar a questão do conhecimento de forma mais detida. O acórdão recorrido referese: às contribuições previdenciárias patronais devidas pela empresa no período 01/2005 a 12/2008, incidentes sobre remunerações dos segurados da Previdência Oficial apuradas na escrituração contábil, remunerações estas que não foram informadas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à previdência Social. No caso, entenderam os julgadores pela aplicação da multa de forma diversa da aplicada pela fiscalização, determinando que o cálculo da multa seja aplicada nos moldes do art. 35, porém limitandoo a 75%, senão vejamos: Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido4. Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. Fl. 2762DF CARF MF 6 Já nos acórdão apresentados como paradigmas temos: Acórdão nº 230100283 “Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008 entendo que a mesma não se aplica. A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada por meio da Medida Provisória n° 449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação.” Ou seja pela mera leitura do trecho colacionado no recurso especial é possível identificar que a tese lá acatada difere da interpretação adotado no acórdão recorrido. Enquanto no presente processo, não se acata o comparativo das multas da antiga e nova legislação para fins de apuração da mais benéfica, no paradigma deixa claro que: "O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação.” Importante, salientar que independente dos tipos de lançamento, obrigação principal ou acessória, o que se busca é aplicação das multas pela tese de que para apurar a multa aplicável devese compará las. Dessa forma, concordo com os termos do despacho de admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no patamar em que lançado pela fiscalização, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 2763DF CARF MF Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 9202005.289 CSRFT2 Fl. 5 7 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 2764DF CARF MF 8 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 9202005.289 CSRFT2 Fl. 6 9 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 2766DF CARF MF 10 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 9202005.289 CSRFT2 Fl. 7 11 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 2768DF CARF MF 12 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Apenas esclareço que, embora pareça que a tese adotada no acórdão recorrido, que determinou a aplicação da multa prevista no art. 35, porém limitandoa a 75%, ser semelhante a multa determinada no presente julgamento, o que o recorrente busca é a aplicação da tese a retroatividade benigna seja aplicada do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ou seja, segundo a tese prevista na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 não há como aplicar as teses isoladamente, como proposto no acórdão recorrido, mas sua análise, para apuração da norma Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 9202005.289 CSRFT2 Fl. 8 13 mais benéfica, presume o somatório das multas decorrentes de obrigação principal e acessória (pela não informação em GFIP) em confronto com o novo dispositivo do art. 35_A, conforme determinado o presente voto. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 2770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.921999/2009-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.489
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 19 99 /2 00 9- 42 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11080.921999/200942 Acórdão n.º 9303004.489 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.934, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11080.921999/200942 Acórdão n.º 9303004.489 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11080.921999/200942 Acórdão n.º 9303004.489 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11080.921999/200942 Acórdão n.º 9303004.489 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11080.921999/200942 Acórdão n.º 9303004.489 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 551DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.002508/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11831.002508/200761 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.905 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARK BUILDING ADMINISTRACAO DE ATIVOS IMOBILIARIOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 25 08 /2 00 7- 61 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11831.002508/200761 Acórdão n.º 9202004.905 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11831.002508/200761 Acórdão n.º 9202004.905 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11831.002508/200761 Acórdão n.º 9202004.905 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11831.002508/200761 Acórdão n.º 9202004.905 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11831.002508/200761 Acórdão n.º 9202004.905 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11831.002508/200761 Acórdão n.º 9202004.905 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11831.002508/200761 Acórdão n.º 9202004.905 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11831.002508/200761 Acórdão n.º 9202004.905 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11831.002508/200761 Acórdão n.º 9202004.905 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 395DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.002257/2004-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RETORNO DE DILIGÊNCIA. REAPRECIAÇÃO. RICARF. ART. 63, § 5o.
No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento.
DOCUMENTOS. PARECERES. APRESENTAÇÃO POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. CABIMENTO. HIPÓTESES. DECRETO 70.235/1972. ART. 16.
As razões de fato e de direito em que se fundamenta a defesa devem ser mencionadas na impugnação. Assim, qualquer parecer (ou outro documento com argumentação de direito) juntado aos autos fora do prazo legal de impugnação, somente poder ser aceito pelo julgador, na forma do § 5o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 se caracterizada uma das hipóteses excepcionais previstas no § 4o do mesmo artigo.
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
DUAS FATURAS COMERCIAIS. MESMA OPERAÇÃO. SIMULAÇÃO. FRAUDE. IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA.
Sendo incontroverso que a empresa recebeu uma fatura comercial do exterior, assinada pelo exportador, e emitiu outra, no país, mais detalhada, para melhor vinculação a processo produtivo básico aprovado na ZFM, que foi apresentada à Aduana para instrução da declaração de importação, e tendo sido ambas as faturas comerciais apreendidas regularmente, resta caracterizada a simulação, e, por consequência, a realização de importação com fraude (importação fraudulenta), pela apresentação ao fisco de documento que sabidamente não corresponde ao original.
MULTA. ART. 83, I DA LEI 4.502/1964. IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO CLANDESTINA.
A multa prevista no art. 83, I da Lei no 4.502/1964, por consumo ou entrega a consumo, aplica-se tanto no caso de introdução clandestina (entrada no país de forma oculta, à margem dos locais autorizados, sem passar pela Aduana) quanto no caso de importação fraudulenta (operação na qual existe, efetivamente uma importação, que é efetuada mediante fraude, como a simulação).
Numero da decisão: 3401-003.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso interposto pela empresa MOL (Brasil) LTDA, em função de concomitância de objeto com ação judicial; e, por maioria de votos, em negar provimento aos demais recursos voluntários apresentados, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que entendeu não ser aplicável a multa em discussão ao caso em análise. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam pelas conclusões, em relação a documentos apresentados fora do prazo legal de impugnação. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Eloy Eros da Silva Nogueira indicaram que apresentariam declaração de voto, tendo apenas o último efetivamente apresentado a declaração. Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Henrique Lemos.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RETORNO DE DILIGÊNCIA. REAPRECIAÇÃO. RICARF. ART. 63, § 5o. No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. DOCUMENTOS. PARECERES. APRESENTAÇÃO POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. CABIMENTO. HIPÓTESES. DECRETO 70.235/1972. ART. 16. As razões de fato e de direito em que se fundamenta a defesa devem ser mencionadas na impugnação. Assim, qualquer parecer (ou outro documento com argumentação de direito) juntado aos autos fora do prazo legal de impugnação, somente poder ser aceito pelo julgador, na forma do § 5o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 se caracterizada uma das hipóteses excepcionais previstas no § 4o do mesmo artigo. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 DUAS FATURAS COMERCIAIS. MESMA OPERAÇÃO. SIMULAÇÃO. FRAUDE. IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. Sendo incontroverso que a empresa recebeu uma fatura comercial do exterior, assinada pelo exportador, e emitiu outra, no país, mais detalhada, para melhor vinculação a processo produtivo básico aprovado na ZFM, que foi apresentada à Aduana para instrução da declaração de importação, e tendo sido ambas as faturas comerciais apreendidas regularmente, resta caracterizada a simulação, e, por consequência, a realização de importação com fraude (importação fraudulenta), pela apresentação ao fisco de documento que sabidamente não corresponde ao original. MULTA. ART. 83, I DA LEI 4.502/1964. IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO CLANDESTINA. A multa prevista no art. 83, I da Lei no 4.502/1964, por consumo ou entrega a consumo, aplica-se tanto no caso de introdução clandestina (entrada no país de forma oculta, à margem dos locais autorizados, sem passar pela Aduana) quanto no caso de importação fraudulenta (operação na qual existe, efetivamente uma importação, que é efetuada mediante fraude, como a simulação).
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RETORNO DE DILIGÊNCIA. REAPRECIAÇÃO. RICARF. ART. 63, § 5o. No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. DOCUMENTOS. PARECERES. APRESENTAÇÃO POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. CABIMENTO. HIPÓTESES. DECRETO 70.235/1972. ART. 16. As razões de fato e de direito em que se fundamenta a defesa devem ser mencionadas na impugnação. Assim, qualquer parecer (ou outro documento com argumentação de direito) juntado aos autos fora do prazo legal de impugnação, somente poder ser aceito pelo julgador, na forma do § 5o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 se caracterizada uma das hipóteses excepcionais previstas no § 4o do mesmo artigo. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 DUAS FATURAS COMERCIAIS. MESMA OPERAÇÃO. SIMULAÇÃO. FRAUDE. IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 22 57 /2 00 4- 62 Fl. 1684DF CARF MF 2 Sendo incontroverso que a empresa recebeu uma fatura comercial do exterior, assinada pelo exportador, e emitiu outra, no país, mais detalhada, para melhor vinculação a processo produtivo básico aprovado na ZFM, que foi apresentada à Aduana para instrução da declaração de importação, e tendo sido ambas as faturas comerciais apreendidas regularmente, resta caracterizada a simulação, e, por consequência, a realização de importação com fraude (importação fraudulenta), pela apresentação ao fisco de documento que sabidamente não corresponde ao original. MULTA. ART. 83, I DA LEI 4.502/1964. IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO CLANDESTINA. A multa prevista no art. 83, I da Lei no 4.502/1964, por consumo ou entrega a consumo, aplicase tanto no caso de introdução clandestina (entrada no país de forma oculta, à margem dos locais autorizados, sem passar pela Aduana) quanto no caso de importação fraudulenta (operação na qual existe, efetivamente uma importação, que é efetuada mediante fraude, como a simulação). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso interposto pela empresa MOL (Brasil) LTDA, em função de concomitância de objeto com ação judicial; e, por maioria de votos, em negar provimento aos demais recursos voluntários apresentados, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que entendeu não ser aplicável a multa em discussão ao caso em análise. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam pelas conclusões, em relação a documentos apresentados fora do prazo legal de impugnação. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Eloy Eros da Silva Nogueira indicaram que apresentariam declaração de voto, tendo apenas o último efetivamente apresentado a declaração. Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Henrique Lemos. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 3 a 161, com ciência aos Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.685 3 sujeitos passivos em 11/05/2004 (fl. 3), para exigência de multa pelo consumo e entrega a consumo de produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente, no ano de 1999, mediante adulteração de faturas e de conhecimentos de carga e na constituição fraudulenta das duas empresas responsabilizadas solidariamente, em valor original de R$ 1.172.131,97 (equivalente ao valor da mercadoria). As duas empresas indicadas como responsáveis solidárias à "Mol (Brasil) LTDA" ("MOL"), que antes se denominava "Mitsui Osk Lines Agência Marítima LTDA" (Mitsui), são a "TCÊ Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática LTDA" ("TCÊ") e "SDW Serviços Empresariais LTDA" ("SDW"). Na autuação (fls. 4 a 15), narra a fiscalização que: (a) as três empresas já foram autuadas em outras oportunidades por falsificações e adulterações de documentos relativos a despachos aduaneiros, sendo as empresas "TCÊ" e "SDW" vinculadas ao grupo "CCE", acusado de fraudar incessantemente o regime relativo à Zona Franca de Manaus (ZFM), sendo o Sr. "Isaac Sverner", sócio da "TCÊ" e proprietário do imóvel onde funcionava o bloco "TCÊ"/"SDW", também sócio da "CCE da Amazônia S.A." ("CCE"); (b) as simulações, as fraudes e o dolo estão provados em dois relatórios (emitidos em 08/08/2003 fls. 17 a 22, e em 13/01/2004 fls. 39 a 63), considerados como parte integrante do auto de infração, que permitem concluir que as empresas "TCÊ" e "SDW" foram constituídas com a finalidade de fraudar o Estado, e eram geridas por um mesmo grupo de pessoas, funcionando em um mesmo local físico, sendo, em verdade, "uma única entidade privada", ou empresa, formalizada de forma bipartida somente para usufruir duplamente os saldos de importação autorizados pela SUFRAMA em 2 processos produtivos básicos (PPB) distintos, cf, transcrição (fls. 7/8) de excerto de autuação lavrada no processo administrativo no 10283.011345/200023; (c) o esquema continua em atividade, com a abertura de filial paulista da "TCÊ" em 03/11/2003, e com alteração da razão social da "TCÊ", estando tanto a matriz quanto a filial em situação fiscal "irregular", sendo tanto a "TCÊ" quando a "SDW" inexistentes de fato, como comprovado pela Receita e pelo Parquet Federais; (d) a matriz brasileira da "MOL", constituída em 1993, também está em São Paulo, e tem uma filial em Manaus, na situação "ativa não regular", tendo a "MOL" incorporado a empresa "Mitsui"; (e) a multa aplicada tem fundamento no art. 83, I da Lei no 4.502/1964, com a redação dada pelo DecretoLei no 400/1968, em virtude de terem sido efetuadas importações com falsificação de documentos necessários ao desembaraço: (e1) importações com faturas falsificadas e adulteradas da "General Eletric Company" (GE fls. 359/362, estando as vias originais/verdadeiras das faturas às fls. 363/368), e da "Samsung ElectroMechanics Co. Ltd." (fl. 376, estando a verdadeira/original à fl. 377), cabendo destacar que os documentos estavam arquivados juntos quando da apreensão em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão no 2003.45953; e (e2) importações com falsificação, em algumas ocasiões, de conhecimentos de carga marítimos (BL "Bill of Lading"); (f) as operações objeto da fiscalização se restringem às importações registradas em 1999, devendo o prazo decadencial para o lançamento ser contado na forma prevista no art. 173, I do Código Tributário Nacional (CTN), em função da existência de fraude; (g) as falsificações são grosseiras, mantendo um mesmo tipo gráfico/"layout", mesclando diferentes idiomas, com descrição das mercadorias em língua portuguesa e sempre exatamente a constante do PPB autorizado pela SUFRAMA; (h) os conhecimentos de carga são ao portador, facilitando endosso, entre "TCÊ" e "SDW", de acordo com os saldos de PPB; (i) o "Escritório da RFB nos Estados Unidos" e a Procuradoria da República no Amazonas remeteram à empresa "GE" questionamentos sobre faturas emitidas, recebendo confirmação que destaca os vários erros nas faturas, que não haviam sido emitidas pela empresa; e (j) ao fazer constar informação falsa no documento internacional de transporte (conhecimento de carga), o transportador internacional contribuiu, efetivamente, para a consumação de ilegalidades, pelo que foi autuado o representante, no Brasil, do transportador internacional Fl. 1686DF CARF MF 4 ("MOL"), de acordo com o art. 95 do DecretoLei no 37/1966, e pelo fato de o representante do transportador ter assinado termo de responsabilidade. As empresas "TCÊ" e "SDW" apresentam Impugnação conjunta, em 08/06/2004 (fls. 765 a 798), argumentando, em síntese, que: (a) não houve fraude, pois não houve intenção de postergar, reduzir ou evitar o pagamento do tributo, tanto que o lançamento sequer exigiu tributo; (b) as faturas tidas como falsas, em verdade são documentos "proforma", emitidos para atender às exigências da Aduana quando do desembaraço de mercadorias importadas, e refletem as mesmas informações constantes da fatura considerada pela fiscalização como verdadeira (peso, quantidade, valor e destinatário); (c) existiria fraude se os registros da DI e da licença de importação correspondente tivessem sido efetuados com base em informações não condizentes com as operações realizadas; (d) a mescla ("mixórdia") de idiomas existe tanto nas faturas consideradas falsas quanto nas consideradas verdadeiras pelo fisco, não podendo ser tomada como prova de falsidade; (e) as faturas consideradas como verdadeiras pela fiscalização, e emitidas no exterior, não continham a especificação detalhada da mercadoria, o que ensejou a necessidade de emissão de fatura "proforma" em um mesmo padrão tipográfico ("layout"); (f) os esclarecimentos prestados pela "GE", ao contrário do que entendeu o fisco, provam a inexistência de fraude, pois "refletem com precisão o valor total de dólares das transações"; (g) a existência de conhecimento de transporte ao portador não constitui irregularidade, e não pode ser tomada como indício de fraude, e não há diferenças entre os conhecimentos de transporte apontados pela fiscalização como "falsos" e "verdadeiros", neles constando os mesmos dados de importador, descrições e valores dos produtos; (h) a multa prevista no 83, I da Lei no 4.502/1964 é inaplicável ao caso, pois não houve importação clandestina (não havendo qualquer ocultação de operações, que foram todas registradas no SISCOMEX), irregular (não tendo as informações prestadas e documentos apresentados impedido a fiscalização de verificar o cumprimento das obrigações, na conferência aduaneira), fraudulenta (não havendo qualquer fraude, como exposto no item "a") ou não registrada (havendo sempre o regular registro das importações no SISCOMEX); (i) havendo dúvida sobre o enquadramento, deveria a autoridade fiscal, em função do art. 112 do CTN, aplicar multa por inexistência de fatura, mas nem esta seria devida, em função da apresentação da fatura "proforma"; (j) não havendo dolo, a regra decadencial aplicável é a do art. 150, § 4o do CTN, restando decaído, em parte, o lançamento; (k) não houve fraude na constituição das empresas autuadas, que são pessoas jurídicas independentes na consecução de suas atividades, com objetos sociais distintos, e respeitaram a legislação aplicável à constituição, sendo as empresas interligadas (mas não coligadas), com relações comerciais entre si, e a legislação autoriza o funcionamento de duas unidades econômicas independentes no mesmo endereço; (l) há cerceamento de defesa e nulidade decorrente da obtenção de prova ilícita, obtida mediante Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo no 2003.32.45953, que sequer foram devolvidos às empresas, e que foram obtidos em desrespeito aos requisitos previstos no Código de Processo Penal, pois não havia representante legal das empresas no momento da apreensão e não foram relacionados os documentos apreendidos; (m) não há interesse comum entre as empresas e a agência de transporte marítimo no desembaraço das mercadorias, a ensejar a responsabilidade solidária; e (n) as empresas não têm qualquer relação com os documentos de transporte, que são emitidos pelo transportador, a pedido do exportador, e, ainda que houvesse fraude, a responsabilidade seria pessoal do agente (empresa de transporte marítimo). Pedem, por fim, as empresas, que seja providenciada a juntada aos autos de todos os documentos em poder da Administração que comprovem as alegações tecidas na impugnação. A empresa "MOL", por sua vez, apresenta Impugnação em 09/06/2004 (fls. 841 a 875), sustentando, basicamente, que: (a) o processo é instruído de forma confusa, com cópias de autos de outros processos, em 700 folhas, a vasta maioria sem qualquer relação com a empresa, que é mero agente marítimo, e foi considerada autuada, pela fiscalização, sendo Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.686 5 imputada a terceiros (efetivos importadores, e que figuram na maior parte dos documentos) a responsabilidade solidária; (b) a inconsistência lógica da autuação é flagrante, e a agência marítima autuada não corresponde àquela que operou em 1999 (época dos fatos narrados), e que tem CNPJ diferente; (c) o auto de infração confunde a figura do agente marítimo, que não emitiu nenhum conhecimento de carga, com a do representante do armador estrangeiro, ou do transportador estrangeiro; (d) há farta jurisprudência no sentido de que quem responde pelos tributos e multas é o transportador, e não o agente marítimo, e que culminou na Súmula TFR no 192, havendo manifestações sobre outras matérias, inclusive no âmbito do STF, que excluem a responsabilidade do agente marítimo por infrações cometidas pelo transportador; (e) nenhuma fraude foi cometida pela agência marítima, que sequer emitiu conhecimentos de carga, mas apenas apôs carimbo de praxe nos documentos de fls. 636, 654, 672 e 714 (599, 613, 628 e 669, na numeração manuscrita), versando sobre o pagamento do frete (ou AFRMM), e chega a ser aterrador que a fiscalização, depois de cinco anos, encontre documentos diversos nas empresas importadoras e venha a autuar a agência marítima; (f) há impossibilidade de a agência marítima cometer a conduta de "consumir ou entregar a consumo" mercadoria estrangeira, assim como há impossibilidade de responder por fraude na constituição de empresas diversas, ou por falsificação de documentos (fatura e conhecimento de carga) que sequer emitiu; (g) os conhecimentos de carga indicados como falsos pela fiscalização são idênticos àqueles indicados como verdadeiros, nos quais a agência marítima apôs carimbo, não havendo que se falar em falsificação ou adulteração, cabendo salientar que no transporte marítimo há três vias originais do conhecimento de carga; e (h) não houve qualquer participação da empresa nas fraudes identificadas pela fiscalização. Em 11/01/2005 (fls. 942/943), a empresa "TCÊ" solicita a juntada do parecer de fls. 944 a 978, respondendo a três quesitos formulados pela empresa, basicamente sobre a possibilidade (ou não) de considerar fraudulenta uma entrada de mercadoria na ZFM, sobre a tipificação da conduta de importação clandestina, irregular ou fraudulenta, e sobre sua caracterização (ou não) em casos de existência de registro de DI, submetida à Aduana. Em 03/01/2005, a empresa "MOL" peticiona (fls. 982 a 985), informando ter tomado conhecimento da participação de auditores da RFB nas fraudes, e que tal fato deveria ter sido narrado na autuação, tendo sido dela sonegadas informações que cercearam sua defesa (sendo impedida de acessar o original do processo administrativo), temendo que existam mais fatos envolvidos do que os que lhe foram narrados. Ademais, alega que é acusada de ter consumido e/ou entregue a consumo mercadorias de procedência estrangeira (o que é impossível, pois nem é importador) que foram importadas irregular e fraudulentamente por falsificação de documentos que jamais passaram por suas mãos, não havendo prova de que o desembaraço tenha sido feito com os documentos originais por ela emitidos. Demanda, ao final, a conversão em diligência, para que sejam acrescidas cópias autênticas de todos os documentos que compuseram os despachos aduaneiros, levando aos desembaraços, aduaneiros, em relação aos conhecimentos de carga cogitados nos autos, abrindose prazo para emendar a defesa, e para que seja demonstrado como a empresa teria consumido e/ou entregue a consumo as mercadorias constantes dos referidos documentos. Em 15/07/2005 é juntada aos autos nova petição das empresas "TCÊ" e "SDW" (fls. 1012 a 1014), na qual solicitam anexação aos autos de carta emitida pela "Daewoo Telecom", devidamente traduzida (fls. 1018 a 1024), e não apresentada anteriormente porque foi emitida em 29/04/2005, na qual esta explica sua relação comercial com as empresas impugnantes, e que autorizou a "TCÊ" e "SDW" a reemitirem faturas, corrigindo equívocos. Fl. 1688DF CARF MF 6 Em 06/09/2005 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 1040 a 1124), no qual se decide unanimemente por não conhecer do parecer juntado pela "TCÊ" aos autos e da petição aditada pela "MOL", intempestivos, e por conhecer da petição apresentada conjuntamente por "TCÊ" e "SDW", mesmo fora do prazo, por tratar de situação excepcional prevista em lei, sendo, no mérito, julgado procedente o lançamento efetuado, sob os seguintes fundamentos; (a) a regra decadencial aplicável é a prevista no art., 173, I do CTN, por não se tratar de lançamento de tributos nos quais se opere homologação; (b) dos documentos juntados após o decurso do prazo para impugnação, devese tomar conhecimento apenas quando houver respeito ao art. 16 do Decreto no 70.235/1972; (c) não houve violação ao contraditório, nem cerceamento do direito de defesa; (d) as provas carreadas pela fiscalização são lícitas; (e) a diligência demandada para juntada de documentos é dispensável, visto estarem nos autos elementos suficientes para a compreensão e o julgamento da lide; (e) a empresa "MOL" é parte legítima para compor o polo passivo da lide; (f) a alusão feita às faturas emitidas pelas empresas "GE" e "Samsung" tem efeito meramente ilustrativo, vez que a multa exigida no processo não se relaciona às faturas (fl. 1084), vez que o caso concreto não se refere a tais faturas, mas às faturas de fls. 624/635, 640/651, 656/669, e 673/713 (fls. 588/598, 601/611, 614/626, e 629/668 da paginação manuscrita), mas somente os valores totais são comuns, havendo diferenças nos valores unitários das mercadorias; (g) a emissão de faturas no Brasil, para entrega à Aduana com a finalidade de instrução das declarações de importação, assumida pelas importadoras recorrentes, não encontra amparo normativo, e não prospera a alegação de que as faturas indicadas como "falsas" seriam "proforma", e nem que tais faturas refletem as mesmas informações constantes da fatura verdadeira, tendo havido alteração na descrição e nas quantidades de mercadorias em todas as faturas que serviram de base para o lançamento, entre outras (exemplos às fls. 1091/1092); (h) as descrições nas faturas tidas como "falsas" pela fiscalização (e como "proforma" pelas importadoras recorrentes) apresentam descrição das mercadorias exatamente como a prevista no processo produtivo básico (PPB) autorizado pela SUFRAMA, como narrou o fisco, não tendo sido contestada tal informação nas defesas; (i) a fiscalização demonstrou fatos que ensejaram a fruição indevida dos benefícios da ZFM por meio de falsidade documental; (j) os conhecimentos de carga de fls. 636/639, 652/655, 670/672, e 714/717 (fls. 599/600, 612/613, 627/628, 669/670 da paginação manuscrita), apresentam diferenças (exemplos às fls. 1104/1106) entre a via tida como verdadeira e a via indicada como falsa pela fiscalização, e incongruências, o que não encontra amparo normativo; (k) a análise dos diálogos de fls. 142 a 285 (fls. 140 a 283 da paginação manuscrita) demonstra que havia comando para as alterações das faturas comerciais, e o conhecimento de que a operação não era lícita; (l) restou tipificada a importação fraudulenta, ensejando a aplicação da multa lançada, e tal modalidade não se restringe a importações sem registro de DI; (m) os fatos verificados demonstram que a transação comercial não ocorreu tal qual declarado ao fisco, havendo simulação de mercadoria enquadrada no PPB; (n) a fraude detectada corresponde à prevista no art. 72 da Lei no 4.502/1964; e (o) as empresas "TCÊ" e "SDW" são formalmente distintas, mas os elementos probatórios carreados aos autos demonstram a vinculação entre estas e a participação de ambas na fraude, mediante falsificação/adulteração de faturas e conhecimentos de carga (estes em conluio com o agente marítimo), manipulação dos preços das mercadorias, e simulação de descrição para enquadramento no PPB da Zona Franca de Manaus. Cientificadas do acórdão da DRJ em 12/12/2005 (AR às fls. 1138), e em 18/01/2016 (cf. fl. 1147, com edital afixado em 02/01/2016), respectivamente, as empresas "TCÊ" e "SDW" apresentam Recurso Voluntário conjunto em 04/01/2006 (fls. 1164 a 1250), basicamente reiterando as alegações expostas em sua impugnação (sobre a ilicitude das provas obtidas, sobre a ocorrência de decadência, sobre a inexistência de fraude, ou de importação fraudulenta, clandestina, irregular, ou sem registro de declaração, sobre terem as mercadorias sido desembaraçadas, não havendo ausência de recolhimento de tributos, sobre serem as faturas Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.687 7 ditas falsas pela fiscalização, em verdade, faturas "proforma", e sobre a regularidade na constituição das empresas), e agregando que: (a) houve participação, no julgamento da DRJ, de autoridade impedida ("autoridade responsável pelo lançamento" exInspetor da Alfândega de Manaus no período fiscalizado, tendo assinado o Mandado de Procedimento Fiscal de fl. 1336 Doc. 11); (b) tendo em vista a omissão do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 sobre apresentação de pareceres jurídicos, deve ser aplicado o disposto no art. 38 da Lei no 9.784/1999, configurando a não apreciação de parecer apresentado antes do julgamento, pela DRJ, cerceamento de defesa, ocasionando a nulidade da decisão de piso; (c) a juntada posterior de documentos é justificada por motivo de força maior: a restituição de documentos após a impugnação (cf. Doc. 12 fls. 1338 a 1349), e a impossibilidade de acesso a tais documentos ocasionou cerceamento do direito de defesa; (d) houve falta de análise de documentos juntados aos autos; (e) não foi acatada a juntada de documentos em poder da administração demandada pela empresa, ocasionando cerceamento do direito de defesa; (f) houve desova de contêineres em diversas importações, tendo a autoridade aduaneira certificado de que as mercadorias correspondiam integralmente ao declarado nas DI, elaboradas com base nas faturas "proforma", demandando diligência nos recintos alfandegados, para que estes atestem as desovas; e (g) a multa lançada é inaplicável por inexistência de importação na entrada dos produtos em Zona Franca (transcrevendo excertos do parecer não analisado na instância de piso fls. 1203 a 1215). A empresa "MOL", por seu turno, cientificada do acórdão da DRJ em 12/12/2005 (AR às fls. 1141), informa, em 22/02/2006, que ingressou, em 13/01/2006, com ação anulatória de crédito tributário, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, discutindo a matéria referente à autuação, no que tange à empresa, em juízo (fls. 1427/1428). Por meio do Acórdão no 30239.168, de 04/02/2007 (fls. 1452 a 1464), a Segunda Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes entende, unanimemente, ser a competência para julgamento do presente processo do então Segundo Conselho de Contribuintes. A Terceira Seção de Julgamento do CARF aprecia o processo em 10/12/2010, por meio da Resolução no 340100.216 (fls. 1500 a 1509), decidindo, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para que a DRJ apreciasse o conteúdo do parecer juntado pela "TCÊ", em obediência ao art. 38 da Lei no 9.784/1999, de aplicação subsidiária no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário. Cientificadas da decisão as empresas "A.R. Print Serviços e Participações LTDA (antiga "SDW"), e "TCÊ" (fls. 1519 e 1522), ambas em 11/11/2011, estas interpõem, conjuntamente, os embargos de declaração de fls. 1525 a 1528 (em 18/11/2011), entendendo haver contradição e inexatidão material na decisão do CARF, no que se refere ao instrumento utilizado (resolução). Os embargos de declaração foram unanimemente rejeitados pelo colegiado, por meio do Acórdão no 3401002.347, de 20/08/2013 (fls. 1553 a 1555), sendo a decisão cientificada à empresa "MOL", em 30/03/2015 (fl. 1578), às empresas "TCÊ" e "A.R. Print" (antiga "SDW"), em 31/03/2015 (fls. 1579 e 1580). Às fls. 1581 a 1627 foi anexada a petição inicial da empresa "MOL", em juízo, na ação no 2006.34.00.0015480, requerendo anulação do crédito tributário constituído contra a empresa no presente processo administrativo. A tutela antecipada foi indeferida, conforme decisão de fls. 1630/1631, e a sentença judicial de primeiro grau (fls. 1633 a 1639) Fl. 1690DF CARF MF 8 foi no sentido de caber a responsabilização da empresa transportadora, no caso em análise, julgando improcedente o pedido da empresa. No âmbito do TRF1, deuse provimento ao pedido da empresa para anular a multa aplicada à empresa no presente processo administrativo (fls. 1648 a 1655). À fl. 1656, a Fazenda Nacional informa ter interposto recurso da decisão do TRF1. A DRJ se manifesta sobre a conversão em diligência no despacho de fls. 1666/1667, em 28/05/2015, informando que não há como atender a determinação do CARF, proferindo novo acórdão, estando a decisão anterior em pleno vigor, e que a apreciação do parecer depende da prévia declaração de nulidade da decisão anterior pela autoridade competente. Devolve, então, o processo ao Presidente da 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF, para que este se manifeste acerca da nulidade ou não do acórdão proferido pela DRJ. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, tendo sido retirado de pauta em setembro de 2016, por falta de tempo hábil para julgamento, e indicado para a pauta de outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. Em janeiro de 2017, o processo também foi indicado para pauta, e retirado por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado, de forma conjunta, pelas empresas "TCÊ" e "SDW" preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A empresa "MOL" optou por discutir a autuação na via judicial, renunciando à discussão administrativa, conforme assenta a Súmula CARF no 1: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em pesquisa ao sítio eletrônico do TRF1, verificase que ainda não houve o trânsito em julgado da ação judicial. E, compulsando os autos, percebese que a concomitância de objeto é total, não restando matéria a discutir administrativamente. Passarseia, então, a apreciar, de imediato, o recurso voluntário interposto, conjuntamente, pelas empresas "TCÊ" e "SDW", tendo em vista a desistência da "MOL" em discutir a autuação na via administrativa, acentuada pela não apresentação de recurso voluntário. Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.688 9 No entanto, há questão processual preliminar, da qual depende a continuidade do julgamento: o retorno do processo baixado em diligência, com entendimento revelado pela DRJ de que descabe a manifestação dela sobre o tema que motivou a conversão em diligência. Da conversão em diligência Como relatado, por meio da Resolução no 340100.216 (fls. 1500 a 1509), decidiu o colegiado do CARF, antes de qualquer manifestação de mérito sobre o contencioso, pela conversão em diligência, para que a DRJ apreciasse o conteúdo do parecer juntado pela "TCÊ", em obediência ao art. 38 da Lei no 9.784/1999, de aplicação subsidiária no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário. A DRJ, em resposta, afirma que não há como atender a determinação do CARF, proferindo novo acórdão, estando a decisão anterior em pleno vigor, e que a apreciação do parecer depende da prévia declaração de nulidade da decisão anterior pela autoridade competente. Para tanto, devolve o processo ao Presidente da 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF, a fim de que este se manifeste acerca da nulidade ou não do acórdão proferido pela DRJ. Como o processo foi a mim distribuído, entendo que, no âmbito do CARF, decidiuse submeter a questão à decisão soberana do colegiado, e, por isso, trato do tema nesse momento preliminar. São frequentes, neste CARF, as apreciações de processos em que se depara o colegiado com decisões da DRJ sobre tópicos preliminares da autuação que impedem, justificadamente, aquele tribunal administrativo de piso, de analisar questões de mérito (v.g., decadência, nulidades, ou mesmo intempestividade na apresentação de documentos, caso narrado nos autos). Não entendo que o julgamento da DRJ seja nulo simplesmente porque aquele tribunal, interprete, v.g., estar decaído o direito de lançar, e o tribunal superior tenha entendido de forma diversa. Mas entendo que se a DRJ, no exemplo, ao pronunciar a decadência, deixou (esclareçase, justificadamente, conforme art. 28 do Decreto no 70.235/1972) de analisar o mérito da autuação, a análise direta de tal conteúdo pelo CARF poderia ensejar supressão de instância. Daí a remessa dos autos, para que o tribunal de piso se manifeste. A questão é também controversa no processo civil, que tem codificação própria, que se apresenta como fonte subsidiária, diante de eventual omissão do Decreto no 70.235/1972 e da Lei no 9.784/1999. Mas a tendência, no processo civil, segue sentido inverso ao aqui esboçado. O antigo Código de Processo Civil (Lei no 5.869/1973), foi reformado pela Lei no 10.352/2001, que inseriu um § 3o ao artigo 515, com o seguinte teor: § 3o Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento. (grifo nosso) Fl. 1692DF CARF MF 10 Tal disposição, no novo Código de Processo Civil (Lei no 13.105/2015), encontrase nos §§ 3o e 4o do artigo 1013: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. (...) § 3o Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: I reformar sentença fundada no art. 485; II decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir; III constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgálo; IV decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação. § 4o Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. Assim, entendese que poderia o CARF ter seguido três caminhos: (a) superado o fato de a DRJ não ter analisado o parecer (que, por óbvio, versa sobre questões de direito, pois se dispusesse sobre questões de fato consistiria em impugnação intempestiva), e julgado o mérito; (b) remetido o processo ao primeiro grau, para manifestação sobre o referido parecer, que o julgador de piso entendeu que não deveria ser conhecido, entendendo que o processo não se encontrava em condições de julgamento imediato; ou (c) determinado que fosse efetuado novo julgamento, o que implicaria nulidade do anterior, por entender ter havido cerceamento de defesa na ausência de análise do referido parecer. Não é preciso muito esforço hermenêutico para perceber que o caminho que designamos como (a) não foi trilhado, no caso. Endossaria a tese do caminho (b) o fato de o processo ter retornado à DRJ por meio de resolução, que é, regimentalmente, o instrumento adequado, no CARF, para os casos em que for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior (matéria hoje disciplinada no art. 63, § 4o do Anexo II do RICARF). Isso porque os retornos de diligência (cf. art. 49, § 5o do mesmo Anexo II do RICARF) seguem para o mesmo relator, independente de sorteio. E endossaria a tese do caminho (c) a parte final do voto condutor pela conversão em diligência, na qual, ao analisar argumento da defesa que sustentava a nulidade do julgamento da DRJ pela não apreciação do parecer (cf. relatado à fl. 1506), o relator afirma que "quanto à não apreciação do parecer apresentado pelas recorrente (sic), merece êxito" (fl. 1508), e que votava pela conversão em diligência "para que o processo retorne à origem para nova apreciação" (fl. 1509). A turma perdeu uma boa oportunidade para se pronunciar a respeito de qual foi o caminho adotado ao analisar os embargos de declaração das empresas "A.R. Print Serviços e Participações LTDA (antiga "SDW"), e "TCÊ", que alegavam (fl. 1526): Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.689 11 No entanto, o colegiado do CARF, em nova apreciação unânime da matéria (já com a participação de dois conselheiros que compõem o quadro atual do colegiado), entendeu que deveriam ser rejeitados os embargos, decidindo que (fl. 1554): Todavia, que pese a louvável intenção da embargante, não se vislumbra no v. acórdão a contradição apontada. Pelo contrário, por perfunctória análise dos autos do processo, observase, hialinamente, que esta colenda Turma foi unânime ao proferir sua decisão através de resolução, não causando qualquer prejuízo às partes, não necessitando, por consectário, que se utilizasse de acórdão para dar o devido encaminhamento ao feito. Seja qual for o caminho adotado, (b) ou (c), proponho, neste voto, que seja superada a discussão em prol da aplicação do art. 63, § 5o do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015: § 5o No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Buscou tal disposição regimental garantir que as razões da conversão em diligência, ou da anulação de julgamento de piso anterior, não obstem a reapreciação da matéria pelo colegiado do CARF. Fl. 1694DF CARF MF 12 Assim, qualquer que seja o caminho adotado, (b) ou (c), este colegiado tem competência regimental, nesta ocasião, para novamente decidir a matéria. É o que se faz a seguir. Das questões preliminares analisadas na Resolução no 340100.216 A apreciação efetuada por meio da citada Resolução no 340100.216 é restrita a dois argumentos presentes nas peças recursais das empresas "TCÊ" e "SDW": (a) de que havia impedimento de participação do Sr. Luís Carlos Maia Cerqueira no julgamento efetuado pela DRJ, por ter sido tal julgador Inspetor da Alfândega no Porto de Manaus e por ele ter assinado Mandado de Procedimento Fiscal contra uma das recorrentes; e (b), de que havia nulidade da decisão de piso por não se conhecer do parecer apresentado antes do julgamento, ainda que fora do prazo legal de impugnação (esta segunda tendo motivado a conversão em diligência). Sobre o primeiro tema, bem se destacou na resolução que há expresso tratamento no artigo 19 da Portaria MF no 258/2001, vigente à data da prolação da decisão da DRJ: Art. 19. Os julgadores estão impedidos de participar do julgamento de processos em que tenham: I participado da ação fiscal; II cônjuge ou parentes, consangüíneos ou afins, até o terceiro grau, inclusive, interessados no litígio. (grifo nosso) E não houve participação da mencionada autoridade na ação fiscal. A própria leitura do texto do referido Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 1336) deixa claro que reflete atividade de gestão, que não se confunde com os atos de fiscalização. No encaminhamento, há expressa indicação de quais os AFRF aptos a praticar, isolada ou conjuntamente, os atos necessários à fiscalização, entre os quais não se encontra o próprio Inspetor. Assim, não procede a alegação de suspeição, ou de nulidade do julgamento de piso por tal motivo. No que se refere à ausência de análise, pela DRJ, do parecer apresentado em 11/01/2005 (fls. 942/943), pela empresa "TCÊ", cabe destacar que foi fundamentada na ausência de amparo normativo para juntada do documento. Nas palavras do julgador de piso (fl. 1071): Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.690 13 35. Na espécie, o "Parecer" de fls. 863/898 não se reveste da natureza de "prova", consistindo, em verdade, em arrazoado jurídico que versa sobre a aplicação da multa imposta na autuação, assumindo o caráter de contestação. Configura, pois verdadeira complementação da impugnação, cuja apresentação se sujeita ao prazo de 30 dias da ciência do auto de infração. Dessa forma, a apresentação do citado "parecer" após o prazo impugnatório não encontra guarida no art. 16, § 5o, do Decreto n o 70.235/1972, nem em qualquer outra disposição legal. (grifo nosso) Na apreciação da matéria, na citada Resolução no 340100.216, ao afirmar (fl. 1508) que "o Decreto 70.235/72 não diz respeito a pareceres jurídicos", parece o CARF ou não ter compreendido as razões da negativa da DRJ, ou ter analisado apenas o art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972, que trata de prova documental, sem entender o contexto em que é inserido tal comando: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (redação dada pela Lei no 8.748/1993) (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei no 9.532/1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifo nosso) A afirmação de que "o Decreto 70.235/72 não diz respeito a pareceres jurídicos" resulta da leitura apenas do art. 16, § 4o, que trata de prova (isso porque o parecer não constitui, de fato, prova). Mas o § 5o do mesmo artigo afirma que a juntada de documentos (e o parecer é, inegavelmente, um documento) após a impugnação só é admitida quando autorizada pelo julgador, e diante das mesmas hipóteses excepcionais previstas no § 4o. Assim, é incabível a aplicação subsidiária da Lei no 9.784/1999 (principalmente de seus arts. 3o, III e 38), por estar a matéria especificamente disciplinada na Fl. 1696DF CARF MF 14 norma de estatura legal que disciplina o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário. Aliás, a própria empresa revelou perfeita ciência de tal disciplina específica, no art. 16, § 5o, do Decreto no 70.235/1972, pois foi exatamente com base em tal dispositivo que demandou a anexação do parecer (fl. 942), sem a demonstração da ocorrência de uma das hipóteses previstas no § 4o do mesmo artigo: Não se vê, nos autos, a configuração de nenhuma das hipóteses excepcionais, que impedisse a elaboração e a apresentação do parecer, que responde a questões gerais sobre a aplicação de penalidades. E o próprio inciso III do art. 16 do mesmo Decreto no 70.235/1972 estabelece, cristalinamente, que as razões de fato e de direito em que se fundamenta a defesa devem ser mencionadas na impugnação. Assim, qualquer parecer (ou outro documento com argumentação de direito) juntado aos autos fora do prazo legal de impugnação, sem a configuração das circunstâncias excepcionais previstas no § 4o do mesmo artigo constituiria efetivo aditamento da impugnação. Se as razões de direito devem estar na impugnação tempestiva, ou o parecer: (a) não contém razões adicionais, e, por isso, não necessita ser tomado em conta no julgamento; ou (b) contém razões adicionais, e, por isso, a respeito de tais razões adicionais, constitui impugnação intempestiva. Em ambos os casos, justificada a ausência de análise pela DRJ, merecendo reapreciação, na forma regimentalmente permitida, a decisão tomada na Resolução no 340100.216, pela conversão em diligência. Por isso se está a reapreciar o processo, que retornou de diligência, concluindo pela desnecessidade de nova conversão. Ademais, é preciso destacar que a resposta às três perguntas formuladas à perita contratada pelas empresas pode ser encontrada na (e confrontada com) a decisão da DRJ, que, ao analisar o caso concreto, identificou como cabível a aplicação da penalidade lançada às mercadorias importadas para a Zona Franca de Manaus, e revelou os atributos que entendeu necessários à caracterização de importação fraudulenta, que não se confundem com a simples ausência de registro da declaração de importação. Não se vê, portanto, nulidade na decisão da DRJ, em relação ao parecer apresentado fora do prazo legal de impugnação, nem cerceamento de defesa, mas estrito cumprimento da legislação aplicável à matéria (art. 16 do Decreto no 70.235/1972). Das demais questões preliminares Afora as questões preliminares mencionadas, propugnam ainda as recorrentes pela nulidade da autuação, por cerceamento do direito de defesa, pelas seguintes razões: impossibilidade de acesso a documentos que estavam em poder da fiscalização, falta de análise Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.691 15 de documentos posteriormente juntados, e negativa de atendimento ao pedido de juntada de documentos em poder da Administração. Compulsando os autos, não percebo nenhuma imputação fiscal que exceda documentos explicitamente presentes na autuação, dos quais a empresa teve regular ciência, possibilitando a defesa. Embora sejam mencionados ilustrativamente (e é nessa qualidade que serão encarados neste julgamento)2 procedimentos de fiscalização diversos, na autuação, é de se destacar que o objeto do lançamento são as quatro declarações de importação relacionadas à fl. 623, para as quais paíra a imputação de realização de despacho de importação com falsificação/adulteração de fatura comercial e de conhecimento de carga, sendo todos os documentos instrutivos das quatro declarações de importação anexados aos autos, assim como todos os demais documentos obtidos pela fiscalização que alicerçam o lançamento. Tanto não houve prejuízo à defesa pelo fato de não possuir os originais apreendidos que, mesmo depois de possuílos, nada se agrega em relação a seu teor em favor das recorrentes. Em relação à falta de análise de documentos juntados, cabe destacar que as únicas recusas de análise, pela DRJ, foram em atendimento, como exposto, ao art. 16 do Decreto no 70.235/1972, comando de estatura legal, vigente, que não pode ser afastado pelo julgador administrativo, por força da Súmula CARF no 2. E a demanda pela juntada de documentos em poder da Administração tem pouca relação com o objeto específico do presente contencioso, como se percebe pela simples leitura da lista de fl. 797. A juntada, ou a apresentação dos comprovantes solicitados (v.g., de taxas de armazenagem e capatazia, de contratos de câmbio, da SEFAZ etc.) é irrelevante à configuração da infração imputada às recorrentes. E aproveitase para afirmar, aqui, que também o é a nova demanda, que aqui se rechaça, dentro das competências deste colegiado, pela diligência em recintos alfandegados, a respeito de desunitizações, porque seu resultado (qualquer que seja) nada agrega em relação ao fato, v.g., de haver duas faturas comerciais diferentes para uma mesma operação, ou dois conhecimentos de carga diferentes para uma mesma operação. Não se vislumbra, no presente processo, nenhuma das nulidades apontadas e nem cerceamento do direito de defesa. As recorrentes suscitam ainda nulidade fundada na ilicitude das provas colhidas, por não terem sido especificamente detalhadas no momento da apreensão, em cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão. Não identificamos, em tal situação, afronta ao art. 245 do Código de Processo Penal, e nem argumentação da defesa de que algum documento essencial ao lançamento (como as faturas comerciais e os conhecimentos de carga) não estivesse, de fato, armazenado no local em que foi cumprido mandado. As próprias mensagens eletrônicas ou email impressos que as recorrentes sustentam necessitar de perícia para que pudessem ser utilizadas como prova, não são, em nenhum excerto, desmentidas ou rechaçadas. Derradeiramente, mas ainda em sede preliminar, é de se destacar que a alegação de decadência não merece prosperar, visto que a utilização dos dispositivos dos arts. 173, I e 150, § 4o do CTN não é de caráter opcional, mas vinculada à situação que se está a evidenciar. E, no caso em análise, não se está a tratar da situação descrita no art. 150, § 4o Fl. 1698DF CARF MF 16 (tributos sujeitos a lançamento por homologação), mas de lançamento exclusivo de multa, em virtude de fraude, como se aprofunda adiante. Não havendo razões preliminares hábeis a afastar o lançamento, passase a analisar o mérito da autuação. Do mérito Não se pode perder de vista que a autuação que se está a discutir tem por objeto quatro declarações de importação (DI), relacionadas na tabela de fl. 623. Para a DI no 99/11260313, registrada pela "TCÊ" e desembaraçada em canal verde (comprovante e extrato às fls. 627 a 635), em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão, foram apreendidas duas faturas comerciais, de no FFGHJ991124T, uma assinada pelo exportador (fl. 625), e outra (fl. 624) indicada como falsa pela fiscalização, mas como "proforma" pelas recorrentes. Da mesma forma, foram apreendidos dois conhecimentos de carga no MOLU372311614 (fls. 636/637 e fls. 638/639) para a mesma mercadoria. Para a DI no 99/04015880, registrada pela "TCÊ" e desembaraçada em canal verde (comprovante e extrato às fls. 643 a 651), em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão, foram apreendidas duas faturas comerciais, de no DL99/4297 (e de no D_ 99/4297), uma assinada pelo exportador (fl. 641), e outra (fl. 640) indicada como falsa pela fiscalização, mas como "proforma" pelas recorrentes. Da mesma forma, foram apreendidos dois conhecimentos de carga no MOLU372151780 (fls. 652/653 e fls. 654/655) para a mesma mercadoria. Para a DI no 99/00905768, registrada pela "TCÊ" e desembaraçada em canal cinza (comprovante e extrato às fls. 659 a 669), em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão, foram apreendidas duas faturas comerciais, de no C280035, uma assinada pelo exportador (fl. 655), e outra (fl. 656) indicada como falsa pela fiscalização, mas como "proforma" pelas recorrentes. Da mesma forma, foram apreendidos dois conhecimentos de carga no MOLU430858153 (fls. 670/671 e 672) para a mesma mercadoria. Para a DI no 99/00877071, registrada pela "TCÊ" e desembaraçada em canal amarelo (comprovante e extrato às fls. 681 a 713), em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão, foram apreendidas duas faturas comerciais, de no C280035 e de no SA02052), uma assinada pelo exportador (fl. 679), e outra (fl. 673 a 678) indicada como falsa pela fiscalização, e como "proforma" pelas recorrentes. Da mesma forma, foram apreendidos dois conhecimentos de carga no MOLU430868020 (fls. 714/715 e 716/717) para a mesma mercadoria. A alegação inicial da defesa, de que seriam idênticos os documentos, sucumbe com a simples leitura de seu teor. Todas as faturas comerciais originais, assinadas pelo exportador, possuem descrição genérica da mercadoria. Tomese como exemplo a fatura no FFGHJ991124T (já destacando que estejamos a demonstrar é facilmente perceptível também nas demais faturas). A descrição da mercadoria, em tal fatura, é a seguinte (fl. 625): Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.692 17 Mas, para a mesma operação, a fatura comercial que foi apresentada à Aduana, com a mesma numeração, foi a de fl. 624, na qual a descrição da mercadoria é a seguinte: E o fato de a empresa ter apresentado à Aduana a segunda fatura, mesmo tendo recebido do exportador a primeira, é incontroverso, nos autos, pois, na própria peça recursal, informase (fls. 1235/1236) que: Na realidade, as Recorrentes, com o intuito de viabilizar o desembaraço dos produtos importados, emitiam faturas "pro forma", substancialmente idênticas às faturas emitidas pelos fornecedores, em razão destas últimas não conterem descrição detalhada das mercadorias. Vale ressaltar que a emissão dessas faturas era de pleno conhecimento dos fornecedores, como resta comprovado pelas cartas em anexo (Docs. 19 e 20), emitidas pelos maiores fornecedores das Recorrentes, nas quais os exportadores informam que autorizavam a emissão de faturas "pro forma" no Brasil, inclusive corrigindo eventuais equívocos cometidos na confecção das faturas originais. A emissão de faturas internacionais pelas Recorrentes era necessária em razão das dificuldades dos exportadores em Fl. 1700DF CARF MF 18 atender a todos os requisitos legais para efetuar as exportações em seus países, bem como as exigências de cada país para o qual efetuavam exportação. Nesse contexto, vale mencionar que o procedimento adotado pelas Recorrentes de emitir as faturas "pro forma" para auxiliar o desembaraço das mercadorias é comum no âmbito do comércio internacional, motivo pelo qual o autor da obra "Comentários à Lei Aduaneira"6, Roosevelt Baldomir Sosa, teceu comentários sobre o assunto: "A fatura comercial, a exemplo da nota de venda, deve ser emitida pelo vendedor e por este assinada. O preceito, embora óbvio, tem sido por vezes desrespeitado, havendo empresas que emitem no Brasil as faturas comerciais, notadamente no caso de negociações filial/matriz, ou até por questões ligadas à facilitação operacional." Este é exatamente o caso das Recorrentes, que desembaraçaram suas mercadorias através de invoices "pro forma" emitidas para a facilitação operacional do desembaraço aduaneiro. (grifo nosso) Ou seja, a fatura que a empresa apresentava na instrução da declaração de importação sabidamente não era a original emitida pelo exportador, como determina o Regulamento Aduaneiro. E a justificativa apresentada é de que a fatura por ela emitida, no país, exclusivamente para apresentar à Aduana, seria "proforma", o que não encontra guarida em nenhum dispositivo normativo. Ademais, uma fatura proforma não pode instruir a declaração de importação, justamente por ser "proforma", e não representar efetivamente a transação que se está a efetuar. O comentário de um dos pioneiros do Direito Aduaneiro brasileiro, Roosevelt Baldomir Sosa, é pertinente, mas não favorece a defesa. Vejase que o autor, após destacar, à p. 339 dos seus "Comentários à Lei Aduaneira" que a fatura deve ser emitida pelo vendedor e por ele assinada, diz que o preceito tem sido desrespeitado, havendo empresas que emitem no Brasil as faturas, notadamente no caso de filial/matriz ou por questões ligadas à facilitação operacional. O que não transcreve a defesa são os excertos que antecedem e sucedem o parágrafo da obra mencionada, que aqui adicionamos, para completude da informação doutrinária: 485. FATURA COMERCIAL. PRO FORMA Embora não relacionada diretamente com o artigo 425, parecenos oportuno lembrar que a emissão de uma fatura pro forma tem sido uma das formas de comprovar ao SECEX o preço a ser praticado, visando o controle administrativo are cambiário da operação de importação. 486. FATURA COMERCIAL. EMISSÃO A fatura comercial, a exemplo da nota de venda, deve ser emitida pelo vendedor e por este assinada. O preceito, embora óbvio, tem sido por vezes desrespeitado, havendo empresas que emitem no Brasil as faturas comerciais, notadamente no caso de negociações filial/matriz, ou até por questões ligadas à facilitação operacional. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.693 19 É fato que enseja penalização a nível de 10% do imposto devido à raiz do artigo 521, inciso III, letra "a" do Regulamento Aduaneiro, posto que a emissão da fatura, nas condições descritas, equivale a sua inexistência (vide comentário no 660). O comentário se justifica, destarte, pela nossa convicção de que essa prática tem sido estimulada por uma aparente perda de importância da fatura comercial como elemento probatório da operação de compra e venda, especialmente no que respeita ao preço praticado. É engano estimulado pelo baixo preparo técnico dos intervenientes. A fatura comercial, por evidente, deverá coincidir com sua pro forma, em quaisquer de seus elementos. (sic) (grifo nosso) Percebese que a recorrente não é feliz ao dissociarse do contexto em que retira as informações da doutrina, além de não compreender exatamente o que é uma fatura pro forma, e o fato de esta não se relacionar com o art. 425 do Regulamento Aduaneiro então vigente, que tratava dos documentos instrutivos da declaração a ser apresentada no despacho de importação. Incabível, assim, a alegação de que a empresa detinha autorização ou aquiescência da empresa estrangeira para emitir fatura pro forma, porque tal autorização, ainda que existente, não pode ser opor à legislação aduaneira brasileira. Houvesse tão somente a empresa apresentado no despacho as faturas originais, assinadas pelo exportador, sequer havendo evento posterior, até se poderia cogitar de aplicação de penalidade por incompletude nas informações prestadas. Por outro lado, houvesse tão somente a empresa apresentado no despacho as faturas por ela emitidas, no país, sequer havendo evento posterior, até se poderia cogitar de aplicação de penalidade por falta de fatura comercial, como sugere o doutrinador aduaneiro. Mas o que se vê, no presente processo, não é nem uma nem outra situação. O que é incontroverso, no caso em análise, como destacado, é que havia uma fatura original, vinda do exterior, assinada pelo exportador, e de conhecimento do importador, e este elaborava outra, no Brasil, para a mesma mercadoria, ainda que com o pretexto de que se tratava de fatura "proforma" (embora tal informação não conste em nenhum dos documentos, que possuem, ambos, no título, a expressão "commercial invoice"/fatura comercial, como nas figuras abaixo fls. 624625), com detalhamento da mercadoria que permitisse melhor vinculação ao PPB. Assim, temse a feitura de uma segunda fatura para a mesma operação, apenas para apresentação ao fisco, sendo a matéria, repitase, incontroversa. Fatura apresentada à Aduana (fl. 624) Fl. 1702DF CARF MF 20 Fatura recebida do exterior (fl. 625) Caracterizada a emissão de fatura, pela empresa, que, ainda que defenda seu caráter "proforma", não a apresentou ao fisco com esse atributo, fazendoa passar pela fatura original, pois, recordese, só a fatura original pode instruir a declaração de importação, cf. artigo 425 do Regulamento Aduaneiro então vigente, com base no art. 45 do DecretoLei no 37/1966, disposição mantida nos regulamentos aduaneiros posteriores (arts. 493, II e 497 do RA/2002, e arts. 553, II e 557 do RA/2009), indiscutível a existência de falsidade, e de simulação, na importação, mostrando ao fisco dados que sabidamente não correspondiam às informações constantes na fatura original assinada pelo exportador, buscando melhor adequação das mercadorias ao PPB. Sendo incontroverso que a empresa recebeu uma fatura comercial do exterior, assinada pelo exportador, e emitiu outra, no país, mais detalhada, para melhor vinculação a processo produtivo básico aprovado na ZFM, que foi apresentada à Aduana para instrução da declaração de importação, e tendo sido ambas as faturas comerciais apreendidas regularmente, resta caracterizada a simulação, e, por consequência, a realização de importação com fraude (importação fraudulenta), pela apresentação ao fisco de documento que sabidamente não corresponde ao original. A argumentação de defesa (provavelmente alicerçada no parecer anexado aos autos fora do prazo legal de impugnação) de que constitui importação fraudulenta apenas aquela sem registro de declaração é absolutamente desamparada de fundamento normativo. Vejase o que dispõe o art. 83, I da Lei no 4.502/1964, enquadramento legal utilizado para aplicação da multa lançada, já na redação dada pelo DecretoLei no 400/1968: Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dêle saído ou nêle permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso; (sic) (grifo nosso) Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.694 21 Novamente, a simples leitura do texto aclara existir uma distinção entre "introdução clandestina no país" (entrada no país de forma oculta, à margem dos locais autorizados, sem passar pela Aduana) e "importação fraudulenta" (operação na qual existe, efetivamente uma importação, e não uma mera introdução, mas uma importação efetuada mediante fraude, como a apresentação à Aduana, para instrução da declaração de importação, de documento que sabidamente não corresponde à fatura original, recebida do exterior, como se o fosse). Resta, a nosso ver, clara a importação fraudulenta, no caso, com falsificação/adulteração de fatura comercial, buscando melhor adequação ao PPB, sendo irrelevante se o valor da mercadoria foi subfaturado (não sendo esta a única informação da fatura comercial), ou se as operações na ZFM foram objeto de fiscalização (pois o foram com base em documentos falsificados/adulterados, sem que, à época, estivesse o original à disposição da fiscalização, como passou a estar a partir da apreensão efetuada por força do Mandado correspondente). Não se está, na autuação, recordese, a discutir exigência de tributos, mas apresentação à Aduana de documentos falsificados/adulterados, que buscaram melhor adequar as mercadorias importadas ao processo produtivo básico aprovado no âmbito da ZFM, iludindo a fiscalização. E tal conduta restou, a nosso ver, satisfatoriamente comprovada. Cabe ainda destacar que a argumentação originalmente apresentada em sede de recurso voluntário (mas, também, presente no parecer anexado aos autos fora do prazo legal de impugnação) de que a multa que se está a discutir seria inaplicável a operações na Zona Franca de Manaus, por constituírem verdadeiras importações, sequer resiste à leitura da matriz legal da Zona Franca de Manaus, o DecretoLei no 288/1967, que, ao contrário das normas que regulamentavam a Lei no 3.173/1957, que revoga, não mais fala em "extraterritorialidade", sendo a Zona Franca de Manaus parte do território aduaneiro brasileiro, havendo, tão somente ali, entre outros benefícios fiscais, suspensão da exigência de tributos devidos pela importação, como em outros regimes aduaneiros. A respeito do tema, Osíris Azevedo Lopes Filho traz duas lúcidas observações, tomando em conta a definição de zona franca do glossário da Organização Mundial das Aduanas (OMA): “... há muita confusão e mesclagem em torno dos conceitos de zona franca e porto franco, em face de que cada país adota, a seu critério, a denominação que lhe convém dando ao regime as peculiaridade que deseja...”; e atribuir à Zona Franca de Manaus “... a característica irrestrita de extraterritorialidade é desconhecer o seu disciplinamento legal...”. No mesmo sentido, de negar o caráter de extraterritorialidade à Zona Franca de Manaus, Roosevelt Baldomir Sosa e Liziane Angelotti Meira.3 Havendo a materialização de importação fraudulenta, e tendo a mercadoria sido entregue a consumo ou consumida pela empresa importadora (o que também é incontroverso, e até elementar, tendo em vista o tempo decorrido entre a importação e a aplicação da penalidade), completamse os requisitos que culminam na aplicação da penalidade prevista no art. 83, I da Lei no 4.502/1964. Apesar de ser suficiente a falsificação/adulteração das faturas para imputar a penalidade à empresa importadora, resta analisar as outras acusações fiscais, de falsificação/adulteração de conhecimentos de carga, e sobre o relacionamento da empresa importadora, nas quatro DI em análise ("TCÊ"), com a "SDW". Fl. 1704DF CARF MF 22 Nos conhecimentos de carga que instruem as mesmas quatro declarações de importação, também foram percebidas divergências (destacadas na decisão de piso, fls. 1104/1105) entre as versões assinaladas com a letra "E", tidas como verdadeiras pela fiscalização, e as indicadas com a letra "F", assumidas como falsas pelo fisco. Nos conhecimentos de carga no MOLU372311614 (fls. 636/637 e fls. 638/639), emitidos para a mesma mercadoria, ambos com a expressão "FIRST ORIGINAL", relativos à DI no 99/11260313, a DRJ já havia percebido (fl. 1104) diferenças na consignação, na data de emissão e na descrição das mercadorias. A elas, acrescemos a diferença na assinatura, ao final do documento (permitindo também a verificação de que as datas de emissão são distintas). Conhecimento indicado como verdadeiro pelo fisco (fl. 636) Conhecimento indicado como falso pelo fisco (fl. 638) Nos conhecimentos de carga no MOLU372151780 (fls. 652/653 e fls. 654/655), relativos à DI no 99/04015880, e consignados "à ordem", também percebe a DRJ (fl. 1104) diferenças no campo "notify", conectadas à falsificação/adulteração também efetuada na fatura comercial apresentada para instrução da DI. Nos conhecimentos de carga no MOLU430858153 (fls. 670/671 e 672), relativos à DI no 99/00905768, a diferença identificada se refere ao campo em que deveria constar o valor do frete, manuscrito em uma das vias ("SECOND ORIOGINAL"), e digitado na outra ("FIRST ORIGINAL"), conforme figuras a seguir: Conhecimento indicado como verdadeiro pelo fisco (fl. 670) Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.695 23 Conhecimento indicado como falso pelo fisco (fl. 672) A mesma divergência (preenchimento do frete em uma via "FIRST ORIGINAL" e ausência de preenchimento desta vez não completado de forma manuscrita em outra "SECOND ORIGINAL") é encontrada nos conhecimentos de carga no MOLU430868020 (fls. 714/715 e 716/717), relativos à DI no 99/00877071. Pelo exposto, percebese que, embora em menor intensidade do que as faturas comerciais, são também adulterados os conhecimentos de carga, havendo, sem justificativa nem amparo normativo, diferentes versões de um mesmo documento referente a uma mesma mercadoria, e apreendidos conjuntamente, em decorrência do citado Mandado de Busca e Apreensão. E tal conduta endossa o caráter fraudulento das operações de importação efetuadas pela "TCÊ". Cabe ainda, derradeiramente, verificar a responsabilidade da empresa "SDW", a outra empresa recorrente. A fiscalização identifica que as empresas, apesar de possuírem CNPJ diferentes, funcionam no mesmo local físico, e são administradas pelas mesmas pessoas, conforme consta no próprio contrato social da "SDW" (cláusula 45), e que, materialmente, são uma só pessoa jurídica, e a formalização das duas empresas visava somente a facilitar a fruição Fl. 1706DF CARF MF 24 de benefícios fiscais da ZFM. Os próprios documentos apreendidos, pertencentes às duas entidades, foram encontrados e apreendidos no mesmo endereço, sendo os arquivos únicos (independente de qual a empresa, os documentos eram conjuntamente guardados). Cabe destacar que o simples fato de os sócios das empresas terem vínculo profissional ou familiar, por si, é insuficiente para a caracterização de unidade econômica, ou de participação conjunta na fraude, assim como a argumentação fiscal sobre serem as empresas coligadas ou a interpretação externada sobre o Parecer CST no 88/1975. Fosse a autuação calcada somente em tais vínculos familiares/profissionais, ou interpretações, padeceria de consistência. Entretanto, o que se vê nos autos é que a fiscalização se dedica ao tema não só no relatório fiscal principal, mas nos outros dois relatórios nele mencionados, e também considerados parte integrante da autuação. E colaciona o fisco elementos que permitem verificar que, além de as empresas "TCÊ" e "SDW" funcionarem no mesmo local, e terem o mesmo corpo funcional, com cargos de comando ocupado pelas mesmas pessoas, o que já permeia com laços mais consistentes a alegação fiscal, há farta documentação apreendida com correspondências eletrônicas (nenhuma delas especificamente refutada nas peças de defesa), demonstrando a existência de instruções de embarque de mercadorias, em forma subdividida (à "TCÊ" e à "SDW"), quando sabidamente era emitido somente um conhecimento de carga, instruções de como elaborar fatura comercial, ou subdividir preços entre "TCÊ" e "SDW", buscando usufruir indevidamente de processos produtivos básicos aprovados no âmbito da ZFM. Endossando a vinculação de fato entre "TCÊ" e "SDW", e a unidade de comando, em operações de importação, cabe destacar as seguintes correspondências apreendidas (fl. 19): Na defesa conjunta que as empresas"TCÊ" e "SDW" apresentaram, desde a impugnação, não há vestígios de justificativa, ou negação específica em relação a tais correspondências, entre outras arroladas pela fiscalização. Dentro do cenário aqui apresentado, resta caracterizada não só a vinculação, mas a unidade de comando e a coordenação entre as empresas "TCÊ" e "SDW", que, de fato, funcionavam como uma unidade econômica, ao menos nas importações (embora possuíssem CNPJ distintos). Correta, assim, a imputação de responsabilidade a ambas as empresas, seja pelo interesse comum (art. 124 do CTN) ou por concorrerem ambas as empresas para a prática da infração, e dela se beneficiarem também ambas as empresas (art. 95 do DecretoLei no 37/1966). Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.696 25 Das conclusões Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso interposto pela empresa MOL (Brasil) LTDA, em função de concomitância de objeto com ação judicial, e por negar provimento ao recurso voluntário apresentado pelas empresas "TCÊ" e "SDW". Rosaldo Trevisan Fl. 1708DF CARF MF 26 Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Peço permissão para incluir declaração de voto neste Acórdão, para apresentar meu entendimento a respeito da juntada de documentos e provas após a 1ª instância do processo administrativo. Faço isso, mesmo diante das profundas e bem alicerçadas argumentações do voto prolatado pelo relator, o ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan. Ocorre que ele fez constar na Ementa interpretação que diverge diametralmente do que venho apresentando nos julgamentos dessa Corte. Com essa declaração de voto, consigo justificar por que acompanhei o ilustre relator pelas conclusões, e, em adição, explicar meu entendimento sobre a matéria. Vejamos que o voto traz argumentação que propõe a redução da autonomia do julgador de 2ª instância para admitir ou buscar informações, provas ou argumentos para subsidiar o julgamento, restringindoa às hipóteses reservada à impugnação: E o próprio inciso III do art. 16 do mesmo Decreto no 70.235/1972 estabelece, cristalinamente, que as razões de fato e de direito em que se fundamenta a defesa devem ser mencionadas na impugnação. Assim, qualquer parecer (ou outro documento com argumentação de direito) juntado aos autos fora do prazo legal de impugnação, sem a configuração das circunstâncias excepcionais previstas no § 4o do mesmo artigo constituiria efetivo aditamento da impugnação. Se as razões de direito devem estar na impugnação tempestiva, ou o parecer: (a) não contém razões adicionais, e, por isso, não necessita ser tomado em conta no julgamento; ou (b) contém razões adicionais, e, por isso, a respeito de tais razões adicionais, constitui impugnação intempestiva. Em ambos os casos, justificada a ausência de análise pela DRJ, merecendo reapreciação, na forma regimentalmente permitida, a decisão tomada na Resolução no 340100.216, pela conversão em diligência. Por isso se está a reapreciar o processo, que retornou de diligência, concluindo pela desnecessidade de nova conversão. ..... Em relação à falta de análise de documentos juntados, cabe destacar que as únicas recusas de análise, pela DRJ, foram em atendimento, como exposto, ao art. 16 do Decreto no 70.235/1972, comando de estatura legal, vigente, que não pode ser afastado pelo julgador administrativo, por força da Súmula CARF no 2. Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.697 27 Embora o voto esteja apreciando as preliminares suscitadas contra a decisão recorrida, seu argumento pretende fixar a supremacia da preclusão para cingir as possibilidade do julgador de 2º piso agir em busca do princípio da verdade material. A Ementa confirma isso e valoriza sobremaneira essa inferência a respeito da preclusão probatória: PROCESSO ADMINISTRATIVO. RETORNO DE DILIGÊNCIA. REAPRECIAÇÃO. RICARF. ART. 63, § 5o. No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. DOCUMENTOS. PARECERES. APRESENTAÇÃO POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. CABIMENTO. HIPÓTESES. DECRETO 70.235/1972. ART. 16. As razões de fato e de direito em que se fundamenta a defesa devem ser mencionadas na impugnação. Assim, qualquer parecer (ou outro documento com argumentação de direito) juntado aos autos fora do prazo legal de impugnação, somente poder ser aceito pelo julgador, na forma do § 5o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 se caracterizada uma das hipóteses excepcionais previstas no § 4o do mesmo artigo. Nessas próximas linhas procuro traçar defesa que relativiza o instituto da preclusão probatória. Primeiramente, faço notar que os artigos do Decreto no 70.235, de 1972, invocados como barreiras na busca e produção de provas, na verdade, não trazem expressa proibição a que o julgador decida apreciálas ou não. Vejamos: Decreto n. 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ...... IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ..... § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ....... Fl. 1710DF CARF MF 28 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) ...... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) ..... Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.698 29 notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Esses artigos oferecem balizas à condução do processo administrativo, mas, ao contrário do que pinta o ilustre relator, eles não reduzem a capacidade e as atribuições do julgador para atender suas responsabilidades e missão judicantes. Além disso, sublinho que o § 6o do artigo 16 remete ao julgador de 2ª instância competência para analisar ou não os documentos e as provas que poderiam ser considerados intempestivos pela régua do recurso à 1ª instância. Além do mais, reconheçamos que o artigo 18 atribui ao julgador competência para ir além das provas inicialmente juntadas. Seria uma contradição informar que este artigo deveria ser restringido pelas hipóteses do artigo 16. Seria paradoxal e contrário ao princípio da ampla defesa e do contraditório, reduzir as possibilidade da busca da verdade material às hipóteses do artigo 16, em detrimento da amplitude do artigo 18. Peço licença para repetir aos Senhores Conselheiros o venho dizendo em meus recentes votos: que os atos e procedimentos das autoridades de 2ª instância, no exercício de sua competência e de suas atividades judicantes, têm base nessa lei do processo administrativo fiscal e em outros princípios e dispositivos legais e normativos, tais como o Regimento Interno. E neles não há as proibições sugeridas pela ilustre relator com a supervalorização da preclusão probatória. Ao contrário, tanto a realização de perícias, de diligências, de auditorias, de investigações, de visitas técnicas, etc., quanto a obtenção de laudos, informações fiscais, pareceres técnicos, certidões, atas de transcrição, etc., bem como a produção ou juntada de provas, necessárias à apreciação do contraditório, à análise do processo administrativo, às providências de autoridade da administração pública, não estão adstritas aos citados artigos do Decreto n. 70.235, de 1972. Gostaria de invocar nessa análise que a atividade judicante deste órgão coletivo tem aproveitado sobremaneira o que dispõe o Código de Processo Civil. Uma simples busca na base de dados de acórdãos proferidos conseguiria comprovar essa minha afirmação. Pareceme insustentável, diante dos fatos, duvidar que haja essa contribuição do CPC na esfera do processo administrativo fiscal. Reconheço que, com a edição do novo CPC, muitos estudiosos vêm debatendo o desdobramento desse novo código ser fonte normativa, talvez de forma mais ampla da que pudemos aproveitar até então. Esses debates e reflexões têm substância na expressa previsão (art. 15 da Lei n. 13.105/2015) daquela Lei Processual de que ela deve subsidiar e suplementar a lei do processo administrativo fiscal. Resultando desses debates e reflexões, e também dos estudos e julgamentos de casos submetidos à apreciação do tribunal administrativo, avançará gradual e progressivamente o conhecimento e a sabedoria conquistados pelo CARF a respeito dessa relação de subsidiaridade e suplementaridade, que s.m.j. tenho como mandatória (considerando não só o artigo 15 do CPC, mas também e especialmente a base geratriz constitucional do processo artigo 5o, incisos LIV e LV, da CF 1988 que justificaria e inspiraria o método para a integração da norma supletiva e subsidiária à medida que se louve e se aperfeiçoe os fundamentos e princípios constitucionais processuais). Fl. 1712DF CARF MF 30 Como o novo CPC é muito recente, mui provavelmente as decisões administrativas e reflexões doutrinárias se sucederão integrando suas normas. Tenho que o Acórdão CSRF 9101002.179, de 20/01/2016, é um exemplo nesse sentido (esse acórdão da Câmara Superior aplica o CPC e dispõe que deve ser decretada a nulidade da decisão que lhe falte fundamentação, pondo em relevo casos de votos pelas conclusões). Acórdão CSRF 9101002.179, de 20/01/2016 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000 NULIDADE DE ACÓRDÃO DA TURMA A QUO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. Com base no inciso IX do art. 93 da Constituição Republicana de 1988 e nos arts. 131, 165 e 458, II, do CPC, é nulo, por ausência de fundamentação, o Acórdão no qual a maioria dos conselheiros acolher apenas a conclusão do voto do relator e não estiverem escritos os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros, em declaração de voto ou por reprodução, pelo relator, no seu voto e na ementa do acórdão, desses fundamentos majoritários. Relator: Rafael Vidal de Araújo; Presidente: Carlos Alberto Freitas Barreto. A leitura que consigo fazer desse novo CPC, apesar de desprovida da profundidade e luminosidade próprias dos jurisconsultos e doutrinadores, interpreta e propõe que os julgadores de 2ª instância podem – e devem – buscar proteger e garantir os princípios constitucionais aplicados ao processo administrativo, tais como o exercício amplo da defesa e do contraditório, e buscar garantir os princípios aplicados aos atos da administração pública tributária, tais como o princípio da verdade material e o da justiça fiscal (por ex.: não exigir ou reter tributo indevido). Vejamos, Senhores Conselheiros, como o novo Código do Processo Civil atribui à autoridade julgadora competência e responsabilidade para exercício discricionário para a obtenção de laudos, perícias, etc. e a realização de diligências, para que obtenha informações e evidências necessárias à apreciação das petições, do contraditório, à formação de convicção, ao exercício da defesa, etc.: LEI 13.105, de 2015 (Novo CPC) Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico. ...... Art. 157. O perito tem o dever de cumprir o ofício no prazo que lhe designar o juiz, empregando toda sua diligência, podendo escusarse do encargo alegando motivo legítimo. ...... Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá pelos prejuízos que causar à parte e Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.699 31 ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, independentemente das demais sanções previstas em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção das medidas que entender cabíveis. .. Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado. Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial. .. Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento. Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. ... Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. § 1o O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III a verificação for impraticável. § 2o De ofício ou a requerimento das partes, o juiz poderá, em substituição à perícia, determinar a produção de prova técnica simplificada, quando o ponto controvertido for de menor complexidade. Fl. 1714DF CARF MF 32 § 3o A prova técnica simplificada consistirá apenas na inquirição de especialista, pelo juiz, sobre ponto controvertido da causa que demande especial conhecimento científico ou técnico. § 4o Durante a arguição, o especialista, que deverá ter formação acadêmica específica na área objeto de seu depoimento, poderá valerse de qualquer recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens com o fim de esclarecer os pontos controvertidos da causa. Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. § 1o Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito: I arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II indicar assistente técnico; III apresentar quesitos. ... Art. 469. As partes poderão apresentar quesitos suplementares durante a diligência, que poderão ser respondidos pelo perito previamente ou na audiência de instrução e julgamento. Parágrafo único. O escrivão dará à parte contrária ciência da juntada dos quesitos aos autos. Art. 470. Incumbe ao juiz: I indeferir quesitos impertinentes; II formular os quesitos que entender necessários ao esclarecimento da causa. Art. 471. As partes podem, de comum acordo, escolher o perito, indicandoo mediante requerimento, desde que: I sejam plenamente capazes; II a causa possa ser resolvida por autocomposição. § 1o As partes, ao escolher o perito, já devem indicar os respectivos assistentes técnicos para acompanhar a realização da perícia, que se realizará em data e local previamente anunciados. § 2o O perito e os assistentes técnicos devem entregar, respectivamente, laudo e pareceres em prazo fixado pelo juiz. § 3o A perícia consensual substitui, para todos os efeitos, a que seria realizada por perito nomeado pelo juiz. Art. 472. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes. Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 10283.002257/200462 Acórdão n.º 3401003.407 S3C4T1 Fl. 1.700 33 Art. 473. O laudo pericial deverá conter: ... Como podemos ver, o novo CPC traz importantes avanços que pretendem concorrer para a maior efetividade, celeridade e transparência dos procedimentos processuais, e que também contribuem subsidiaria e suplementarmente no âmbito do processo administrativo fiscal. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados não devem prevalecer automaticamente sobre o Principio da Verdade Material, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que venho propondo que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC. Por isso, não pude acompanhar integralmente o fundamentado voto do relator, sentindo que, respeitosamente, deveria explicar minha dissensão quanto ao teor dessa ementa e de seus argumentos no voto. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 1716DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725339/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO
Estando devidamente comprovadas nos autos, há se restabelecer a glosa das áreas declaradas como ocupadas por produtos vegetais.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Torna-se imperioso o acolhimento do ADA do ano de 2014, diante da existência de ADA no ano de 2009, mesmo sem a devida retificação, tendo em vista que somente é possível efetivar-se a correção de ADAs transmitidos no Exercício em curso.
As APPs devem, portanto, ser excluídas da base de cálculo do ITR.
Numero da decisão: 2201-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da área de preservação permanente constante do Laudo de fl 2.172, 3.245,61ha. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), Daniel Melo Mendes Bezzera, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Assinado digitalmente.
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada
EDITADO EM: 11/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2009 ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO Estando devidamente comprovadas nos autos, há se restabelecer a glosa das áreas declaradas como ocupadas por produtos vegetais. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Torna-se imperioso o acolhimento do ADA do ano de 2014, diante da existência de ADA no ano de 2009, mesmo sem a devida retificação, tendo em vista que somente é possível efetivar-se a correção de ADAs transmitidos no Exercício em curso. As APPs devem, portanto, ser excluídas da base de cálculo do ITR.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO Estando devidamente comprovadas nos autos, há se restabelecer a glosa das áreas declaradas como ocupadas por produtos vegetais. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Tornase imperioso o acolhimento do ADA do ano de 2014, diante da existência de ADA no ano de 2009, mesmo sem a devida retificação, tendo em vista que somente é possível efetivarse a correção de ADAs transmitidos no Exercício em curso. As APPs devem, portanto, ser excluídas da base de cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da área de preservação permanente constante do Laudo de fl 2.172, 3.245,61ha. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), Daniel Melo Mendes Bezzera, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 53 39 /2 01 3- 43 Fl. 1857DF CARF MF 2 Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada EDITADO EM: 11/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata da Notificação da Lançamento nº 04101/00012/2013 (fl. 3 a 9), pela qual a autoridade fiscal lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 5.371.504,09, com Multa de Ofício de R$ 4.028.628,06 e juros de mora de R$ 1.788.710,86 (calculados até 27/04/2013), perfazendo o total apurado de R$ 11.188.843,01. O lançamento é relativo ao exercício de 2009 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 0.124.9177. Atesta a Fiscalização que, regulamente intimado, o contribuinte, fl. 5 a 7: não comprovou a totalidade da área de produtos vegetais, sendo acatada apenas 720,88ha do total originalmente declarado de 7.208 ha, em particular por não demonstrar o custo referente a tal área, já que os documentos apresentados não segregam os custos incorridos pela propriedade objeto de análise; não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, o Valor da Terra Nua VTN declarado, o que levou a sua alteração. Contudo, o novo valor atribuído à terra nua do imóvel considerou as informações prestadas pelo contribuinte em atendimento à intimação; o Laudo apresentado demonstra que a área total do imóvel é de 8.906,7 ha, menor que a área originariamente declarada de 9.122,2, razão pela qual a área total do imóvel foi alterada nos termos descritos no Laudo. As alterações decorrentes das constatações acima estão claramente evidenciadas no Demonstrativo de apuração do Imposto Devido de fl. 8, onde se pode notar que todas as demais áreas declaradas foram integralmente acatadas (área de interesse ecológico, 1.149,8 ha; área ocupada por benfeitorias, 192,4 ha; áreas de pastagens, 500 ha). Ciente do lançamento em 08 de maio de 2013, fl 932, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 935 a 955, em 07 de junho de 2013, na qual expôs as razões e os fundamentos que entende lastrear a comprovação da improcedência do lançamento, valendo destaque para os seguintes excertos contidos no relatório da Decisão de 1ª Instância: esclarece que, entre os documentos acostados, constam Laudos Técnicos de Avaliação, dos exercícios de 2008 a 2010, com ART, que trazem todas as informações para a apuração do ITR, entre elas o valor da terra nua (VTN) e o grau utilização (GU) e que a Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10480.725339/201343 Acórdão n.º 2201003.451 S2C2T1 Fl. 3 3 fiscalização entendeu por acatar somente as informações sobre o VTN; discorda da autuação feita com argumento de que não elaborou a planilha dos custos agrícolas, segregandoos por imóvel, no entanto o Laudo de Avaliação, comprova o plantio de canadeaçúcar, salientando que ele foi elaborado mediante visitas ao local, com os resultados dispostos de forma clara e fundamentada; discorda do argumento da fiscalização de que os documentos entregues não identificavam a existência de custos no imóvel, alterando a área de produtos vegetais para 720,8 ha, levando em consideração somente a cédula rural pignoratícia, reduzindo o GU e aplicando a alíquota máxima; não se opõe, quanto ao arbitramento do VTN, com base no Laudo de Avaliação, e junta aos autos o DARF de pagamento da parte relativa a diferença no VTN entre a DITR e a Notificação de Lançamento, considerando ser parte incontroversa da Notificação no valor de R$33.192,96, cujo pagamento já efetuou, acrescido da multa de ofício (com redução legal de 50% para pagamento à vista) e juros SELIC; ressalta que o lançamento merece ser reformado no que se refere a área de produtos vegetais e esclarece que a lide se limita à diferença da alíquota aplicada, obtida em função do GU do imóvel; informa que a área composta pelos Engenhos é utilizada na produção de canadeaçúcar discorrendo sobre o ciclo do plantio e de colheitas; considera que a fiscalização informa que há utilização da área do Engenho Araripe, por conta da informação da Cédula Rural Pignoratícia na qual foi deferido crédito para o custeio da lavoura nesse Engenho, já a produção dos outros Engenhos, feita com recursos próprios, não se levou em consideração; entende que o conjunto probatório, das provas diretas (Laudos Técnicos) e das provas indiretas, se harmonizam de tal forma a não deixar margem para que prevaleça o entendimento da fiscalização, sendo necessária à desconstituição do lançamento, na parte da área utilizada com produtos vegetais e da alíquota aplicada diferente da declarada; considera sobre o reconhecimento da importância dos Laudos apresentados, bem como de outros elementos que atestam a verdade material e transcreve excertos de Decisões do CARF para referendar seus argumentos; entende ser contraditório o entendimento da fiscalização que acatou integralmente as informações contidas no Laudo para o arbitramento do VTN e desconsiderou as informações relativas a utilização da terra, por entender insuficiente; Fl. 1859DF CARF MF 4 salienta que demonstrou por meios hábeis e idôneos as áreas declaradas de produtos vegetais, que são áreas produtivas, estando correta a alíquota aplicada na DITR, o que determina a improcedência dos valores lançados; considera que devem prevalecer as provas exibidas, as quais demonstram a correção dos valores informados na DITR, não podendo ser mantido o lançamento baseado em presunção e sem a produção de provas para infirmar os valores apontados no Laudo; entende que a multa aplicada seria confiscatória e exorbitante, afrontaria o princípio do nãoconfisco, nos termos do art. 150, IV, da Constituição da República, e afetaria o direito de propriedade, sendo, portanto inconstitucional, requerendo, com essa alegação, a improcedência da Notificação de Lançamento, transcrevendo posicionamentos doutrinários para embasar sua tese; entende que os Laudos Técnicos juntados comprovam que o lançamento é improcedente, contudo, tendo em vista a busca da verdade material, que é o objetivo maior dos processos administrativos, requer, em caso de dúvidas em relação às provas, que se determine a produção de perícia ou diligência, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, indicando assistente e formulando quesitos; pelo exposto, requer seja declarada a improcedência do lançamento, sobretudo porque o Fisco efetuou o lançamento baseado na premissa de que os Engenhos que compõem o imóvel eram improdutivos, glosando a área de produtos vegetais e aumentando a alíquota aplicada, quando todos os fatos e provas carreadas aos autos demonstram que as áreas declaradas são produtivas e que a alíquota informada na DITR está correta; Debruçada sobre a matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF exarou o Acórdão de fl. 1637/1648, acatado por unanimidade de votos, cujas conclusões do voto condutor podem ser assim resumidas: Da área de utilizada com Produção Vegetal. No que diz respeito à área de produção vegetal declarada de 7.280,0 ha,reduzida pela fiscalização para 720,8 ha, entendo que ela deve ser parcialmente restabelecida,tendo em vista os documentos de prova constantes dos autos. (...) Assim, entendo que o referido Laudo de Avaliação, que dimensionou a área utilizada com produtos vegetais no imóvel de 4.910,3 ha, especificamente, às fls. 85 e 89, e com sua avaliação circunstanciada às fls. 123/128, juntamente com o conjunto probatório o plantio de canadeaçúcar, mostrase suficiente para comprovar a área de 4.910,3 ha constante do Laudo, cabendo ser acatada para fins de determinação do Grau de Utilização do imóvel e da alíquota aplicada. Da Multa de 75% A impugnante entende que a multa aplicada seria confiscatória e exorbitante, afrontaria o princípio do nãoconfisco, nos termos Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10480.725339/201343 Acórdão n.º 2201003.451 S2C2T1 Fl. 4 5 do art. 150, IV, da Constituição da República e afetaria o direito de propriedade, sendo, portanto inconstitucional, requerendo, com essa alegação, a improcedência da Notificação de Lançamento. (...) Em síntese, as autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da constitucionalidade das leis, seja por que tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam de presunção de constitucionalidade, restando ao agente da administração pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto nº 2.346/1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que não é o caso. (...) Desta forma, considerandose que a exigência de multa de ofício de 75,0% se baseia em dispositivo legal contra o qual a impugnante não se insurgiu judicialmente, não podem ser acatadas, neste colegiado, as razões de defesa apresentadas com respeito a essa questão, pois a norma legal goza de presunção de validade e eficácia. Da solicitação de Perícia Quanto ao pedido de realização de perícia, a mesma não se faz necessária no presente lançamento. (...) Sendo assim, nenhuma circunstância há que justifique a perícia pleiteada. O lançamento limitouse a formalizar a exigência apurada a partir do conteúdo estrito dos dados apresentados pela contribuinte, não havendo matéria de complexidade que justifique a produção de prova pericial. Da área total do imóvel e do VTN No que se refere à alteração da área total do imóvel de 9.122,2 ha para 8.906,7 ha, baseada em informação constante do referido Laudo de Avaliação, a Requerente nada questionou. Com relação à alteração do VTN declarado de R$22.805.500,00 (R$2.500,00/ha), que passou para R$31.353.702,21 (R$3.520,24/ha), com base, também, no Laudo de Avaliação, a impugnante declara ser parte incontroversa da Notificação de Lançamento, às fls. 942. Assim, consideramse não impugnadas essas matérias, vez que não foram expressamente contestadas, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 e, também, com previsão no art. 58 do Decreto nº 7.574/2011. Conclusão Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada procedente em parte a impugnação interposta pela Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação nº 04101/00012/2013 de fls. 04/09, para acatar uma área de Fl. 1861DF CARF MF 6 produtos vegetais de 4.910,3 ha demonstrada no Laudo de Avaliação, às fls. 76/143, e corroborada com as demais provas acostadas, efetuandose as demais alterações decorrentes, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$5.371.504,09 para R$729.494,42, conforme demonstrado, a ser acrescido de multa proporcional de 75,0% e juros de mora na forma da legislação vigente. Submetase à apreciação do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, conforme art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 03/2008, por força de recurso necessário, também, previsto no art. 70 do Decreto nº 7.574/2011, ressaltando que, enquanto não decidido o recurso de ofício, a presente Decisão não se torna definitiva Ciente do Acórdão da DRJ em 13 de novembro de 2013, fl. 1655, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 1659 a 1667. Em apertada síntese, em fase recursal, o contribuinte alega que o julgamento em 1ª Instância não acatou o Laudo apresentado na íntegra, pois a DRJ, embora tenha dito que o referido documento deveria ser acatado, não chegou ao mesmo Grau de Utilização nele consignado. Aduz o contribuinte que a questão central envolve a apuração do Grau de Utilização do imóvel rural e que esse dado contempla outros fatores, todos constantes do Laudo. Sustenta que, para a determinação do Grau de Utilização, devem ser excluídas da área total do imóvel as Áreas de Preservação Permanente APP, Área de Reserva Legal ARL, Área de Interesse Ecológico, etc. Neste sentido, entende que deve ser acatada e excluída da área aproveitável, a área de mata no total de 3.245,61 ha atestada no Laudo, afirmando que tal mata corresponde à Mata Atlântica, que a qualificam como área de Interesse Ecológico para proteção de ecossistemas. Afirma que, para a definição da área aproveitável, tanto a Fiscalização quanto a DRJ se limitaram a repedir os dados da DITR, mas que deve prevalecer a informação do Laudo, sendo imperioso o provimento do Recurso para definir como o Grau de Utilização em 98,93%. Reitera as razões da impugnação em relação ao cabimento da Multa de 75% e constata a necessidade de, em caso de dúvida em relação à interpretação da legislação, deve o contribuinte ser favorecido. Por fim, pugna pela manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos e que a mesma seja reformada no tocante à aplicação dos valores constantes do Laudo de Avaliação referentes à área de interesse ecológico. Submetido o Recurso Voluntário à análise pela 1ªª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, resolveram os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência, fl. 1744/1746, para que o contribuinte fosse intimado a apresentar Ato Declaratório Ambiental ADA, bem assim eventual ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico. Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10480.725339/201343 Acórdão n.º 2201003.451 S2C2T1 Fl. 5 7 Regularmente intimado, o contribuinte apresentou a resposta de fl. 1755/1757, na qual solicito juntar o ADA posteriormente, por não têlo em seu poder e, em relação ao segundo item solicitado, junta o documento de fl 1779/1785, Parecer Técnico que corrobora a informação já contida em diversos documentos anteriores sobre a composição da área de 3.245,6 ha de mata atlântica. Finalmente, em fl. 1835, o contribuinte apresenta o ADA (fl.1837) solicitado em sede de diligência fiscal. É o relatório necessário. Voto Vencido Conselheiro CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. No lançamento fiscal em tela, foi alterada a área total do imóvel informada em DITR, bem assim o Valor da Terra Nua, mas tais alterações consideraram exatamente o que constava do Laudo Apresentado pelo contribuinte, fl.76/89, restando matéria não impugnada. Adicionalmente, a Fiscalização entendeu por bem glosar parte dos 7.280,0 ha declarados como área ocupada por produtos vegetais, acatando apenas 720,8 ha a este título. Quanto a esta alteração, o contribuinte apresentou sua impugnação em que afirmou textualmente que, no presente caso, a matéria controversa é basicamente a área de produtos vegetais(fl. 939); que a glosa fiscal deu origem a uma maior alíquota aplicável sobre a área declarada pela impugnante; em fl. 941, o contribuinte continua sua argumentação afirmando que o lançamento merece ser reformado no que se refere à glosa da área de produtos vegetais. Em fl. 949 corrobora sua pretensão ao afirmar que o conjunto probatório se harmoniza de tal modo, que demonstra a necessidade de desconstituição do Auto de Infração na parte que entende como não comprovada a utilização da área de produtos vegetais declarada. Ocorre que, na análise levada a termo pelo Colegiado de 1ª Instância, a área integral apontada no Laudo apresentado como sendo área ocupada por produtos vegetais (4.910,30 ha fl. 85) foi acatada, já que as inúmeras provas apresentadas se mostraram hábeis, e como de fato são, ao restabelecimento de tais áreas para fins de apuração do valor devido a título de ITR. Refeitos os cálculos utilizando toda a área comprovada de Produtos Vegetais, fl. 1647/1648, chegouse um novo Grau de Utilização da propriedade, uma nova alíquota e um novo valor de tributo. Só aí que o contribuinte notou que não bastava questionar administrativamente objetivando a aceitação do Laudo e demais documentos para restabelecimento da glosa fiscal. Fl. 1863DF CARF MF 8 Em busca de seu novo objetivo, impetrou o Recurso Voluntário em discussão, onde inovou a lide administrativa. E sob a discreta alegação de que também discutia na impugnação a alíquota e o grau de utilização da propriedade, introduziu novo tema, estranho não apenas em relação à impugnação ou ao lançamento, novo também em relação à DITR apresentada. Agora, sustenta o contribuinte que o Laudo foi aceito, mas não em sua integralidade. Acredita que é forçoso refazermos o lançamento, agora com um adicional no valor declarado de área de Interesse Ecológico, o qual deveria passar dos 1.149,8 contidos na DITR para 3.245,60, atestada por documentos diversos. Ora, a alíquota do ITR é uma resultante dos termos da Lei 9.393/96, que considera para este fim uma relação direta entre o tamanho do imóvel o seu grau de utilização. É por esta razão que, embora com o resultado do lançamento um novo Grau de Utilização e uma nova alíquota possa se apresentar, jamais estes serão justificados pela Autoridade Fiscal na Descrição do Fatos, pois são alterações decorrentes de outras, estas sim objeto autuação fiscal e, se for o caso, de contencioso administrativo. Assim, não há amparo legal para que, de forma isolada, possamos tratar a questão da alíquota aplicada. O que temos a discutir é o que foi objeto do lançamento e quanto a estes, não há qualquer discussão ainda em curso que não seja a decorrente do Recurso de Ofício formalizado pela DRJ, afinal o que o contribuinte conseguiu demonstrar por meio dos documentos juntados aos autos, foi TUDO acatado. O VTN, a área total do imóvel e a área ocupada por Produtos Vegetais. Quanto às tais áreas que o contribuinte pretende que sejam consideradas como de interesse ecológico, no meu sentir, configura situação que sequer poderia estar sendo discutida nos autos, já que não faz parte do contencioso administrativo instaurado pela impugnação ao lançamento. Reconhecêla neste momento, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora, o que, s.m.j., poderia macular o aqui decidido por vício de competência, a menos que restasse absolutamente evidente que se tratou de mero equívoco no preenchimento da Declaração, o que ensejaria a demonstração de que tudo mais que a legislação prevê como requisitos para gozo do favor fiscal tenha sido observado pelo contribuinte. Assim, neste caso, para que o contribuinte pudesse excluir da base de calculo do ITR, seria necessário o cumprimento dos requisitos previstos na legislação para áreas dessa natureza. Portanto, fundamental socorrernos da legislação relacionada: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Grifouse. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10480.725339/201343 Acórdão n.º 2201003.451 S2C2T1 Fl. 6 9 estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Grifouse. IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 (texto então vigente) Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: (...) V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente; (...). Art. 14. São áreas de interesse ecológico aquelas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que: I se destinem à proteção dos ecossistemas e ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; ou Fl. 1865DF CARF MF 10 II sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Grifouse Instrução Normativa Ibama nº 5/2009 Art. 6º (...) § 3º O ADA deverá ser entregue de 1ª de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Observados os destaques acima expostos, os quais, por tão cristalinos, não merecem sequer análise mais atenta, inclusive esse tem sido o entendimento corrente neste Colegiado Administrativo, segundo o qual, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória à apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Ainda que aos olhos menos atentos possa parecer despropositada a exigência, tratase de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram ao favor fiscal, além se configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Desta forma, com o protocolo do ADA, o contribuinte sujeitase à vistoria técnica do IBAMA e, portanto, a mera alegação de que uma área de utilização limitada efetivamente exista, ainda que atestada por laudo técnico particular não é suficiente, por si só, para afastar a incidência do tributo rural, já que, sem o protocolo do ADA, a desoneração tributária ocorreria sem qualquer instrumento que permitisse a efetiva validação das informações declaradas. Quanto aos demais aspectos envolvidos, notase indispensável que tal interesse ecológico seja declarado pelo órgão público competente, requisito expressamente contido na legislação acima citada. Contudo, intimado a apresentar o Ato Declaratório Ambiental e ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico, o contribuinte apenas juntou um laudo reafirmando a existência da área e o ADA de fl. 1837, protocolado junto ao Ibama em 29/09/2014, relativo ao exercício de 2014. Embora apresente algumas considerações sobre os efeitos retroativos do documento, inclusive citando o "Perguntão" do ITR, as próprias informações trazidas pelo contribuinte demonstram a impossibilidade de apresentação retroativa do ADA, fl. 1836. No caso em comento, o que se vê é a utilização do tributo como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10480.725339/201343 Acórdão n.º 2201003.451 S2C2T1 Fl. 7 11 Assim, considerando a limitação de competência da RFB, a quem não compete fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, resta à autoridade fiscal, no uso de suas atribuições, verificar o cumprimento por parte dos contribuintes, na data da ocorrência do fato gerador, dos requisitos fixados pela legislação para usufruir do favor fiscal, em respeito ao art. 144 da Lei 58.172/66 (CTN), sempre observando as limitações dispostas nos art. 111, incido II, e § único do 142, tudo do mesmo diploma legal, pelas quais se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa e vinculam a atuação da autoridade administrativa na constituição do crédito tributário pelo lançamento. Portanto, entendo acertada a decisão da DRJ de restabelecer a área ocupada por Produtos Vegetais nos termos do Laudo de fl. 76/89 (4.910,30 ha) e, não tendo o contribuinte cumprido as formalidades impostas pela legislação para fins de fruição do direito à isenção sobre as áreas adicionais pleiteadas a título de APP, não identifico razão para que alterar a decisão recorrida. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por negar provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício. Assinado digitalmente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Voto Vencedor Conselheira ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Conforme narrado, em procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pela Contribuinte e das informações constantes da DITR/2009, a fiscalização resolveu alterar a área total originariamente declarada de 9.122,2 ha para 8.906,7 ha; glosar, integralmente, a área de produtos vegetais de 7.280,0 ha e alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 22.805.500,00 (R$ 2.500,00/ha), arbitrando o valor de R$ 31.353.702,21 (R$ 3.520,24/ha), com base no Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte, em resposta à intimação inicial, com conseqüente redução da área utilizada na atividade rural, do grau de utilização, aumento do VTN tributável e da alíquota aplicada e disto resultando o imposto suplementar de R$ 5.371.504,09, conforme demonstrado às fls. 08. Cabe destacar que a fiscalização não intimou o recorrente, especificamente, a comprovar a existência da Área de Preservação Permanente (APP) ou de interesse ecológico. Por tal razão, houve a conversão do julgamento em diligência para a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, fls. 1.743 a 1.745, nos termos seguintes: Assim, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, quanto a alegação da existência de área de preservação permanente ou de interesse ecológico: (a) a apresentação de ADA e sua respectiva Fl. 1867DF CARF MF 12 data e (b) a eventual existência de ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico. Em ambos os casos, os documentos comprobatórios devem ser juntados aos autos. Em atendimento à diligência mencionada, o contribuinte apresentou Laudo Técnico e, posteriormente, o ADA referente ao ano de 2014. Embora o ADA juntado corresponda ao ano de 2014, houve a apresentação, em momento anterior, do ADA referente ao ano de 2009, sem as devidas retificações, considerando a impossibilidade de alteração no sistema. Observase que a divergência suscitada teve como base o acolhimento do Laudo Técnico anexo, considerando a apresentação do ADA referente ano de 2014 corroborado pela da existência do ADA do ano de 2009 (mesmo que não retificado), tendo em vista que somente é possível efetivarse a retificação de ADAs transmitidos no Exercício em curso, conforme informação prestada pelo próprio programa “Perguntas e Respostas” da DITR. Assim, considerando o conjunto das provas apresentadas, inclusive o Laudo Técnico anexo aos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da área de preservação permanente constante do Laudo de fls. 2.172, 3.245,61 ha. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Fl. 1868DF CARF MF
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