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Numero do processo: 10410.720074/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.986
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 74 /2 01 1- 59 Fl. 59100DF CARF MF Processo nº 10410.720074/201159 Acórdão n.º 3401004.986 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59101DF CARF MF Processo nº 10410.720074/201159 Acórdão n.º 3401004.986 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59102DF CARF MF Processo nº 10410.720074/201159 Acórdão n.º 3401004.986 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59103DF CARF MF Processo nº 10410.720074/201159 Acórdão n.º 3401004.986 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59104DF CARF MF Processo nº 10410.720074/201159 Acórdão n.º 3401004.986 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59105DF CARF MF Processo nº 10410.720074/201159 Acórdão n.º 3401004.986 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59106DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660369/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.770
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 69 /2 01 2- 11 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660369/201211 Acórdão n.º 3401004.770 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660369/201211 Acórdão n.º 3401004.770 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660369/201211 Acórdão n.º 3401004.770 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660369/201211 Acórdão n.º 3401004.770 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660369/201211 Acórdão n.º 3401004.770 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660369/201211 Acórdão n.º 3401004.770 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720819/2012-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas, para fatos geradores posteriores a 2006, face a alteração legislativa ter sido operacionalizada tão somente em 22.01.2007 com a MP 351/2007.
Numero da decisão: 9202-006.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deu provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas, para fatos geradores posteriores a 2006, face a alteração legislativa ter sido operacionalizada tão somente em 22.01.2007 com a MP 351/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deu provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 08 19 /2 01 2- 99 Fl. 851DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2802003.344, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anocalendário 2010, decorrente da omissão de rendimentos sem vínculo empregatício; multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, apurando um crédito tributário no valor de R$ 558.382,99, sendo R$ 171.351,61 de imposto, R$ 257.027,42 de multa qualificada de 150%, R$ 79.198,21 de multa exigida isoladamente, e R$ 50.805,75 de juros de mora calculados até 04/2012. O Contribuinte apresentou a impugnação. A DRJ, às fls. 619 e ss., julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 668 e ss., irresignandose em relação aos recebimentos impugnados que não tiveram acolhida da DRJ (Adão Donizete dos Santos, Josué Carvalho dos Santos, Sebastião da Silva, Valter Mariotto, Lázaro Corrêa, Zeni Roa Jacyntho, Carlos Eduardo Pagnin e José Osmar Santos) e quanto à cumulatividade da multa isolada com a multa de ofício. Conforme despacho de fls. 709, a parte não impugnada foi desmembrada para processo 13873.720250/201284 e parcelada. A 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento acolheu a impugnação de valores, totais ou parciais (conforme demonstrativo anexo), dos rendimentos auferidos dos seguintes clientes Adão Donizete dos Santos, Josué de Carvalho Santos, Valter Mariotto e, Zeni Rosa Jacyntho. Ao final (último parágrafo da fls. 721), determinou que esses valores fossem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos. Assim, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para fins de excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos R$ 13.166,66, R$ 4.500,00 e R$ 19.179,49, relativos, respectivamente, aos meses de abril, maio e setembro do anocalendário 2008. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10825.720819/201299 Acórdão n.º 9202006.902 CSRFT2 Fl. 10 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Verificado que o contribuinte auferiu rendimentos recebidos de pessoa física em montante maior que o declarado, procedente o lançamento da diferença apurada como omissão. ART. 44 DA LEI 9.430/96. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A PARTIR DO ADVENTO DA MP 351/2007. Após o advento da MP nº 351/2007, é aplicável a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em concomitância com a multa de ofício sobre diferenças no IRPF devido no ajuste anual, apurada em procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 740/741, a DRJ apontou divergência no acórdão indicando aparente erro de digitação, motivo pelo qual foi recepcionada como Embargos Inominados, restando acolhidos, fls. 748/750, para que o acórdão passasse a ter a seguinte redação: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos R$ 13.666,66, R$ 4.500,00 e R$ 19.179,49, relativos, respectivamente, aos meses de abril, maio e setembro do anocalendário 2008, nos termos do voto do relator.” Às fls. 763, a DRJ apresentou a Informação Fiscal. Às fls. 788/801, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. O acórdão recorrido manteve a exigência da multa isolada aplicada pelo não recolhimento do carnêleão, em face da mudança legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. De outro modo, o acórdão paradigma entendeu que, incidindo a multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, incabível é a aplicação da denominada multa de ofício isolada. Citou ainda a Súmula CARF 105. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 832/835, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 837/842, reforçando argumentos anteriores e os adotados pelo acordão recorrido. É o relatório. Fl. 853DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anocalendário 2010, decorrente da omissão de rendimentos sem vínculo empregatício; multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, apurando um crédito tributário no valor de R$ 558.382,99, sendo R$ 171.351,61 de imposto, R$ 257.027,42 de multa qualificada de 150%, R$ 79.198,21 de multa exigida isoladamente, e R$ 50.805,75 de juros de mora calculados até 04/2012. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. A discussão da cumulação das multas ofício e isolada possuem diferentes conseqüências no mundo jurídico, as quais variam de acordo com a data do fato gerador. Isso por que a norma anterior a 22.01. 2007 não trazia previsão legal para esta exigência cumulativa, mas este cenário sofreu drástica aliterarão na nova redação, ocorrida por meio da MP 351, na data anteriormente citada. Deste modo, observase que há um alinhamento neste Tribunal sobre o encaminhamento dado a estas questões, cito aqui voto elucidativo da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão N. 9202004.022– 2ª Turma: Tratase de divergência interpretativa suscitada em face da nova redação dada ao art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007. No caso do acórdão recorrido, que trata de fatos geradores ocorridos à luz da nova redação do dispositivo ora tratado, a multa isolada do carnêleão foi exonerada, sob o fundamento de impossibilidade de concomitância com a multa de ofício. Confirase a respectiva ementa, na parte em que trata da matéria: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊLEÃO. DEDUÇÕES INDEVIDAS. A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste conselho. Recurso Voluntário Provido" Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10825.720819/201299 Acórdão n.º 9202006.902 CSRFT2 Fl. 11 5 De plano, constatase que tal fundamento era o mesmo aplicado no julgamento de casos cujo fato gerador ocorrera à luz da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A Fazenda Nacional, por sua vez, alega divergência interpretativa, no que tange à possibilidade de exigência concomitante de duas multas, o que estaria consignado no art. 44, incisos I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Nesse passo, indica como paradigmas os Acórdãos nºs 1401000.761 e 2201001.994. Quanto ao primeiro deles, a Fazenda Nacional registra que o fato de dito julgado tratar de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, e o acórdão recorrido abordar o Imposto de Renda de Pessoa Física, não constituiria óbice à demonstração do dissídio jurisprudencial. Assim, instaurandose a divergência quanto à possibilidade de cobrança concomitante de duas multas, sendo uma de ofício genérica, no percentual de 75% sobre o rendimento omitido no ajuste (inciso I do art. 44), e outra no percentual de 50% sobre o valor da antecipação mensal (inciso II do art. 44), sem que se verifique qualquer diferenciação em razão da incidência específica de carnêleão ou estimativa, constatase efetivamente a inexistência de óbice à aceitação do paradigma como apto a demonstrar eventual divergência. Esclareçase desde logo que tal situação paradigmática nunca foi aceita à luz da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, eis que eram tipificadas três multas diferentes, em três incisos independentes (de ofício pela omissão em geral, por falta de recolhimento de carnêleão e por falta de recolhimento de estimativa), sem qualquer liame entre as duas últimas, o que foi feito na nova redação do dispositivo, que agora tipifica claramente duas penalidades, uma pela omissão do rendimento no ajuste e outra pela falta de recolhimento da antecipação, igualando assim as situações de IRPF e IRPJ em um mesmo inciso, já que o sistema de antecipação é uma característica do Imposto de Renda, em geral. No caso dos autos tratase de anocalendário posterior a 2006, mais especificamente 2009. Assim, a interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202004.022 – CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, Fl. 855DF CARF MF 6 de 1996, “efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente”. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 856DF CARF MF
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Numero do processo: 10972.720072/2016-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012, 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODAS AS PROVAS CARREADAS NOS AUTOS.
É nulo o acórdão que, expressamente, deixa de analisar todo o conjunto probatório dos autos, em especial, documentos juntados pelo contribuinte, que, a princípio, poderiam comprovar as alegações lançadas em impugnação tempestivamente apresentada.
Numero da decisão: 1302-002.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, votando o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo pelas conclusões do relator. Processo julgado no dia 14 de junho de 2018, iniciando às 09:00 horas.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODAS AS PROVAS CARREADAS NOS AUTOS. É nulo o acórdão que, expressamente, deixa de analisar todo o conjunto probatório dos autos, em especial, documentos juntados pelo contribuinte, que, a princípio, poderiam comprovar as alegações lançadas em impugnação tempestivamente apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, votando o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo pelas conclusões do relator. Processo julgado no dia 14 de junho de 2018, iniciando às 09:00 horas. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 72 /2 01 6- 17 Fl. 7859DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte Laterza Construções Ltda., ora Recorrente, no qual a autoridade fiscal alega que foram identificadas, nos anocalendários de 2012 e 2013, infrações à legislação tributária, que estão assim descritas no acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro (RJ) (sem destaques no original): 1. Omissão de receitas na Alienação de Imóveis nos meses de abril, maio e junho de 2013 (Lucro Real): Conforme apurado nos registros das Declarações de Operações Imobiliárias DOI apresentadas pelos Cartórios, a interessada não escriturou nem ofereceu à tributação operações de venda de imóveis, em especial terrenos, nos anos de 2012 e 2013, elencados no Anexo I do Termo de Intimação Fiscal nº 012 (fls. 452/466) com escrituras acostadas às fls. 876/1117, tudo conforme itens III.5 e V do TVF. A multa de ofício foi duplicada para o percentual de 150%, tendo em vista que os imóveis foram vendidos por escritura pública, onde obrigatoriamente comparecem o proprietário ou procurador devidamente constituído, atestandose, desta forma, que a interessada tinha pleno conhecimento das transações, tendo – mesmo assim mantidoas à margem da contabilidade, afastandoa da tributação, o que se caracterizaria em sonegação e fraude insculpidas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Foram exigidos CSLL, PIS e Cofins sobre a mesma receia omitida. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. 2 Omissão de Receitas de Prestação de Serviços em 18/12/2013 (Lucro Real): Conforme item III.6 do TVF, a interessada recebeu da empresa Construtora Concreto Ltda, CNPJ nº 12.883.100/000192, 86 terrenos no loteamento Parque Colibri, pelo valor de R$ 10.000,00 cada, totalizando R$ 860.000,00, através de Escritura Pública de Dação em Pagamento datada de 18/12/2013, que expõe ser a mesma destinada ao pagamento de serviços prestados pela interessada na execução de 50% da infraestrutura do loteamento, cujas notas fiscais não foram identificadas e nem os registros contábeis, apropriações de receitas, tampouco os terrenos, caracterizando omissão de receitas de prestação de serviços. A multa de ofício foi duplicada para o percentual de 150%, tendo em vista que os imóveis foram adquiridos por escritura pública, onde obrigatoriamente comparecem o aquirente ou procurador devidamente constituído, atestandose, desta forma, que a interessada tinha pleno conhecimento das transações, tendo – mesmo assim mantidoas à margem da contabilidade, afastandoa da tributação, o que se caracterizaria em sonegação e fraude insculpidas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Foram exigidos CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária sobre a mesma receita omitida. Fl. 7860DF CARF MF Processo nº 10972.720072/201617 Acórdão n.º 1302002.868 S1C3T2 Fl. 7.860 3 O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/1999. 3 Omissão de Receitas por Presunção Legal de Saldo Credor de Caixa nos meses de junho a dezembro do anocalendário de 2012 (Lucro Presumido): A interessada, nos anoscalendário autuados de 2012 e 2013, utilizouse da conta Caixa como conta de passagem para controle de pagamentos de duplicatas, boletos e transferências bancárias de recursos, sistema no qual registrase o valor a débito da conta Caixa e a crédito da conta de origem dos recursos e, no mesmo dia e no mesmo valor, a crédito da conta Caixa e a débito das contas de destino destes valores. A Fiscalização apurou que no ano de 2012 a interessada contabilizou a débito da conta Caixa diversos valores que não encontrou correspondente à crédito. Ou seja, a interessada escriturou o recebimento de cheque, por exemplo, para pagamento de fatura, “Caixa a Bancos”, mas não escriturou o pagamento de tal boleto “Fornecedores ao Caixa” ou, no caso de cheque para pagamentos diversos, escriturou o total do valor do cheque mas não dos pagamentos. Desta forma, a interessada omitiu pagamentos que deveriam ter sido lançados à conta Caixa, elencados na planilha de fls. 1601/1603 para o ano de 2012. Ajustando o razão da conta Caixa com a inserção de tais lançamentos contábeis obrigatórios à crédito da mesma, ocasionando assim uma maior saída de Caixa, apurouse saldo credor em diversos momentos dos anoscalendário de 2012 e 2013. O saldo credor de Caixa presumese omissão de receitas, à luz do art 281, inciso I, do RIR/1999, e como tal foi autuado. Foram exigidos CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária sobre a mesma receita omitida e exigida multa de ofício no percentual de 75%. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o o art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso I, e 288 do RIR/1999. 4 Insuficiência de declaração e recolhimento nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2013 (Lucro Real): Com base no minuciosamente demonstrado no item III.3 do TVF, foram desconsideradas as receitas das obras elencadas na tabela de fls. 1588/1589 como tributáveis com a alíquota reduzida de 1% prevista nos benefícios fiscais do Programa Minha Casa Minha Vida PMCMV, instituído pela Lei nº 11.977, de 07 de julho de 2009, uma vez que a interessada, nas condições de incorporadora, não cumpriu os requisitos previstos no art. 2º da Lei nº 10.931, de 02 de agosto de 2004 para usufruto de tal benefício: Art. 2º A opção pelo regime especial de tributação de que trata o art. 1º será efetivada quando atendidos os seguintes requisitos: I entrega do termo de opção ao regime especial de tributação na unidade competente da Secretaria da Receita Federal, conforme regulamentação a ser estabelecida; e II afetação do terreno e das acessões objeto da incorporação imobiliária, conforme disposto nos arts. 31A a 31E da Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964. Fl. 7861DF CARF MF 4 Também foram consideradas indevidas as tributações com alíquota reduzida nas alienações de terrenos objeto dos contratos relativos às obras 178, 194 e 195, no âmbito do PMCMV, em vista de falta de previsão legal de tributação beneficiada para alienação de terrenos. As receitas foram tributadas pela Fiscalização com base no Lucro Presumido em 2012 e Lucro Real em 2013 (conforme anexos II e III do TVF), tendo sido considerados os valores pagos indevidamente no PMCMV e retidos nas alienações de terrenos, verificandose as divergências que caracterizaram insuficiência de declaração e recolhimento de IRPJ e demais contribuições nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2013. Também foram lançadas insuficiências de declaração e recolhimento nos meses de junho e setembro de 2013, decorrentes de diferença entre os valores apurados pela Fiscalização no Anexo I do TVF e os confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF apresentada pela interessada. Nas obras mantidas no âmbito do PMCMV foram apuradas divergências constantes da tabela do Termo de Intimação Fiscal nº 013, de 06/02/2017 (fls. 562/564), no total de R$ 845.435,86, resultado do confronto entre os demonstrativos de faturamento da interessada e os cronogramas de liberação de pagamento de obras emitidos pela CEF e Cohab, notas fiscais de prestação de serviços e extratos bancários. Também foram apuradas diferenças entre os valores confessados em DCTF e o efetivamente devido nos meses de junho e setembro de 2013, nos montantes de R$ 35.976,06 e R$ 41.023,99. Foram exigidos CSLL, PIS e Cofins sobre as diferenças apuradas e aplicada a multa de ofício no percentual de 75%. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ os arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 288 e 841 do RIR/1999. 5 Omissão de Receitas na Alienação de Imóveis nos meses de março, abril, junho, setembro, outubro e dezembro de 2012 (Lucro Presumido): Como no item 1, acima, através dos registros nas Declarações de Operações ImobiliáriasDOI apresentadas pelos Cartórios, a interessada não escriturou nem ofereceu à tributação operações de venda de imóveis, em especial terrenos, conforme item III.5 do TVF. Também como no item 1, a multa de ofício foi duplicada para o percentual de 150%. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e arts. 516, 519 e 528 do RIR/1999. Tal item de autuação foi objeto de pedido de parcelamento, com base nos arts 5º, 15, 16 e 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, Processo Administrativo FiscalPAF, tendo seus créditos sido transferidos para o processo nº 10550.720.378/201789, não fazendo mais parte, portanto, do presente processo em julgamento, quão menos de sua lide. 6 Omissão de Receitas por Presunção Legal de Saldo Credor de Caixa nos meses do anocalendário de 2013 (Lucro Real): Da mesma forma que o item 3, a interessada deixou de lançar à crédito da conta Caixa diversos pagamentos elencados na planilha superior da fl. 1605. No mesmo ano de 2013, a interessada contabilizou diversos e expressivos recebimentos da Caixa Econômica Federal e Cohab a débito da conta Caixa, sem o lançamento a crédito da mesma para as instituições bancárias. Fl. 7862DF CARF MF Processo nº 10972.720072/201617 Acórdão n.º 1302002.868 S1C3T2 Fl. 7.861 5 Desta forma, pelo lançamento contábil de depreenderia que os recebimentos foram em espécie, quando tanto a CEF quanto a COHAB efetuam seus pagamentos exclusivamente por meio de transferências para contas bancárias. Desta forma, concluise que não foram lançados valores à crédito da conta Caixa e a débito da conta Bancos, nos montantes elencados na planilha inferior da fl. 1605. Ajustando o razão da conta Caixa com a inserção de tais lançamentos contábeis obrigatórios, ocasionando assim uma maior saída de Caixa, apurouse saldo credor em diversos dias dos anoscalendário de 2012 e 2013, presunção legal de omissão de receitas, tal como autuado. Foram exigidos CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária sobre a mesma receita omitida e aplicada a multa de ofício no percentual de 75%. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o art. o art. 3º da Lei nº 9.249/1995, art. 12, § 2º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e arts. 518, 519, 527 e 528 do RIR/1999. 7 Insuficiência de declaração e recolhimento em todos os trimestres de 2012 (Lucro Presumido): Este item se refere à insuficiência de declaração e recolhimento em todos os trimestres do anocalendário de 2012, do IRPJ e contribuições apurados no regime do Lucro Presumido, resultados da desconsideração pela Fiscalização de benefícios fiscais do PMCMV, tal como no item 4 acima. Foram exigidos CSLL, PIS e Cofins sobre as diferenças apuradas e aplicada a multa de ofício no percentual de 75%. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ os arts. 518, 519 e 841, inciso IV, do RIR/1999. Em tempestiva impugnação apresentada pelo ora Recorrente, além de farto conjunto probatório acostado aos autos, foram apresentados diversos argumentos que, a princípio, demonstrariam que o Auto de Infração não refletiria de forma correta as operações do contribuinte e, por isso, não deveria ser mantido. Mais uma vez, se vale do acórdão recorrido, que transcreveu de forma bastante sintética as argumentações do Recorrente lançadas em sua impugnação administrativa, in verbis: Da impugnação: Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 22/03/2017, sua impugnação de fls. 1656/1733, onde argui a tempestividade, descreve a autuação e alega, em síntese: Preliminarmente, que os lançamentos seriam nulos pelas seguintes razões: Teria havido cerceamento de seu direito de defesa, consagrado no art. 5º da Constituição Federal, uma vez que não foram atendidos alguns de seus pedidos de prorrogação de prazo para esclarecimentos e apresentação de farta documentação, o que seria impossível no prazo de cinco dias. A multa de ofício teria sido qualificada com base exclusivamente na omissão de receitas, o que iria de encontro com as súmulas 25 e 14 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da FazendaCARF, que determinam que a omissão de receitas ou rendimentos, por si só, não autorizaria a Fl. 7863DF CARF MF 6 qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A Contribuição Previdenciária foi lançada sem ter, em momento algum, sido questionada ou analisada pela Fiscalização, não tendo esta trazido qualquer apontamento para fundamentar o entendimento pela incidência desta contribuição, demonstrando falta de fundamento e motivação para sua exigência, sendo a mesma, portanto, nula. Com base no § 4º, do art. 150, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionalCTN), argui a decadência do direito da Fazenda Pública exigir, em 21/02/2017 (data da ciência dos autos de infração), tributos e contribuições dos períodosbase de janeiro e fevereiro de 2012 No mérito, quanto à autuação de alienação de imóveis, protesta que a Fiscalização aplicou duas sistemáticas distintas para apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL para cada ano: no ano de 2012, a aplicação das alíquotas de 8% e 12% sobre a receita, considerando a tributação pelo Lucro Presumido que deveria também ter sido utilizada no ano de 2013. Porém, neste ano, o IRPJ e CSLL incidiram diretamente sobre a receita, sem considerar que a mesma advém das atividades exercidas pela empresa e indicadas em seu contrato social, e sem aplicar adições e reduções previstas na legislação ou as despesas correspondentes às receitas. Quanto à autuação de omissão de receitas de prestação de serviços por dação em pagamento, igualmente protesta que não poderia ter sido considerada como base de cálculo o total da receita, sem a dedução dos custos e despesas vinculados à operação. Quanto à apuração de saldo credor de caixa no anocalendário de 2012, destaca que a Fiscalização admitiu a validade da utilização da conta Caixa para controle de pagamentos. Alega que comprovou à Fiscalização os motivos dos lançamentos e que os mesmos teriam sido feitos à conta Caixa, e não à conta Bancos como acredita ter entendido a Fiscalização, não justificando o arbitramento de receitas, e que tais valores foram utilizados para pagamentos de despesas ou transferidos para sócios como distribuição de lucros da sociedade, constando das DIRPF dos mesmos. Protesta que não apresentou grande parte dos documentos por não ter havido tempo hábil para levantamento, o que constituiria cerceamento de seu direito de defesa. Reconhece que os valores lançados a débito da conta Caixa deveriam ser excluídos a crédito mediante o pagamento das obrigações oficiais e societárias da empresa. Protesta que não poderia a Fiscalização lançar a tributação de receitas sem sua comprovação, o que não se verifica na autuação, que se deu com base em suposições e presunção que não seria absoluta, mas relativa, podendo ser afastada com provas em contrário e, para tal, junta documentação que comprovaria a motivação e os efetivos pagamentos glosados na tabela de fls. 1601/1603. Com relação aos valores do ano de 2013, apresenta, como para os valores de 2012, comprovação da motivação e efetivo pagamento dos valores elencados na planilha superior da fl. 1605. Quanto aos valores da planilha inferior, apresenta autorizações concedidas pela Caixa Econômica Federal determinando o faturamento das obras contratadas, cópias das notas fiscais emitidas após tais autorizações, lançamentos da conta razão Fl. 7864DF CARF MF Processo nº 10972.720072/201617 Acórdão n.º 1302002.868 S1C3T2 Fl. 7.862 7 e caixa e extratos das contas correntes com a confirmação das transferências realizadas pela CEF para pagamento das notas fiscais. Com relação à autuação de Insuficiência de Declaração e Recolhimento, a interessada, em longo e detalhado arrazoado, concentra suas razões em alegar que nos contratos do Programa Minha Casa Minha VidaPMCMV glosados figurava apenas como construtora do empreendimento, recebendo o terreno em doação, geralmente pelas prefeituras, e sendo contratada pela Caixa Econômica FederalCEF apenas para construção, não atuando como incorporadora nem na gerência e comercialização das unidades. Desta forma, fazia jus aos benefícios fiscais do PMCMV, não sendo obrigada para tal a cumprir os requisitos do art. 2º da Lei nº 10.931/2004, quais sejam, a entrega do termo de opção ao Regime Especial de TributaçãoRET à Secretaria da Receita Federal e a afetação do terreno e das acessões objeto da incorporação imobiliária, cuja omissão foi o motivo da autuação. À fl. 1707 declara que “jamais poderia ser enquadrada como empresa incorporadora, uma vez que não era dona da obra, não era responsável pela captação dos interessados para a aquisição dos imóveis, não foi responsável pelo registro do memorial de incorporação do empreendimento (...) sendo responsável, única e exclusivamente, pela construção do empreendimento.” Por fim, quanto a este item, elenca os detalhes das obras 145, 161, 164, 169, 172, 178, 187, 188, 194/195, 198 e 212, cujos contratos junta, reiterando suas alegações. Protesta pela falta de utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de que disporia para redução do IRPJ e CSLL apurados. Alega ainda quanto às diferenças apontadas na fl. 1590 do TVF, referentes às diferenças entre os cronogramas de pagamentos e os faturamentos listados nas obras fiscalizadas, que a atividade de construção civil sofre efeitos da evolução da obra, que pode ser adiantada ou atrasada, acarretando modificação na evolução dos recebimentos realizados que só ocorrem em função da evolução da própria construção, apurada mediante fiscalização da instituição financeira, de forma prévia, com posterior autorização para faturamento da medição realizada. Assim, não se trataria de divergência entre valores contratados e pagos, uma vez que ao final do contrato e após entrega integral, sempre se efetivará o total do valor pactuado, não havendo assim recebimentos a maior ou a menor como imputado pela Fiscalização que deveria analisar o valor total contatado e não uma parte dele. Destaca a confirmação dos pagamentos das receitas vinculadas às notas fiscais questionadas, promovidas pela CEF e Cohab/MG, que requerem a emissão prévia de notas fiscais para pagamentos efetivados em contas dos respectivos empreendimentos. Requer perícia para comprovação de pagamentos e de dupla tributação, bem como da inexistência de saldos credores de caixa. Posteriormente à apresentação da Impugnação, em petição protocolizada nos autos, o Recorrente noticiou que parte dos créditos tributários constituídos no Auto de Infração foram confessados e parcelados e, por isso, não seriam mais objeto do presente processo. Em Fl. 7865DF CARF MF 8 razão deste parcelamento, a DRJ não analisou os argumentos relativos aos créditos parcelados, por perda de objeto parcial da Impugnação administrativa. Assim, em análise à impugnação apresentada (da parte não parcelada), a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) entendeu por bem julgar o apelo do contribuinte como parcialmente procedente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte na fase impugnatória afastam a hipótese de nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetentes para a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de ato validamente editado e produzido segundo as regras do processo legislativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 DOS LIMITES DA LIDE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Os créditos tributários objeto de pedidos de parcelamento por parte do contribuinte representam desistência de impugnação dos mesmos, que passam a não fazer parte da lide a ser julgada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 PAGAMENTOS E TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. REGISTROS OMITIDOS NA CONTA CAIXA. SALDO CREDOR APURADO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Utilizandose da Conta Caixa como conta de passagem para controle de pagamentos e transferências bancárias de recursos, a falta de registro à crédito em tal conta de pagamentos cuja efetividade tenha sido comprovada ou a falta de transferência contábil para a conta Bancos de valores neles diretamente creditados, enseja o ajuste na Conta Caixa, sendo a Fl. 7866DF CARF MF Processo nº 10972.720072/201617 Acórdão n.º 1302002.868 S1C3T2 Fl. 7.863 9 apuração de saldo credor decorrente presunção legal de omissão de receitas. PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDAPMCMV. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS FISCAIS. Para fruição dos benefícios fiscais do PMCMV, a incorporadora deve estar devidamente inscrita no Regime Especial de TributaçãoRET, sendo requisito para tal a entrega do termo de opção à SRF e a afetação do terreno e das acessões objeto da incorporação imobiliária. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2012, 2013 LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS, COFINS E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUPORTE FÁTICO COMUM. Por não apresentarem fato novo que suscite conclusão diversa, devem os lançamentos de CSLL, PIS, COFINS e Contribuição Previdenciária acompanharem o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PIS E COFINS DE JANEIRO DE 2012. OCORRÊNCIA. Nos casos de lançamento da contribuição por homologação, em havendo pagamento, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do §4º do art.150 do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado, o contribuinte apresentou extenso Recurso Voluntário, no qual, após narrar os fatos que deram origem à autuação, alega, em síntese, em sede preliminar, (i) a nulidade da autuação, por cerceamento de defesa; (ii) a nulidade do acórdão recorrido, tendo em vista a ausência de análise da documentação juntada aos autos pelos julgadores da DRJ, (iii) a nulidade da autuação no que tange à constituição de créditos tributários relativos à contribuição previdenciária; (iv) a decadência do direito do fisco de constituir créditos tributários de IRPJ e CSLL, cujos fatos geradores ocorreram em Janeiro de 2012; (v) a duplicidade de cobrança de valores nos meses de Novembro e Dezembro de 2012. No mérito, replicando os argumentos apresentados em impugnação, aduz que (vi) houve desrespeito na forma de tributação ao qual o contribuinte optou, quando da constituição do crédito tributário; (vii) a presunção de omissão de receita por suposto saldo credor de conta caixa não se justifica, na medida em que a "totalidade dos lançamentos à conta caixa estavam atrelados a pagamentos de despesas da atividade, ou transferências para sócios como adiantamento da distribuição de lucros, ou mesmo transferências entre suas contas próprias"; (viii) duplicidade do lançamento na receita advinda da alienação de imóvel localizado no Município de Ituiutaba/MG; (ix) o erro da autuação das receitas advindas do programa PMCMV, por não se enquadrar no conceito de empresa incorporadora, oportunidade em que, após trazer os conceitos de incorporadora e construtora, detalha cada um dos contratos Fl. 7867DF CARF MF 10 firmados. Ao final do Recurso Voluntário, o Recorrente, após reiterar o pedido de realização de perícia, apresenta suas conclusões e pedidos. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 02/10/2017 (fl. 7.736), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 31/10/2017 (fl. 7.739), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Invertendose a ordem das preliminares apresentadas pelo Recorrente em seu Recurso Voluntário, analisarseá, neste momento, a alegação de nulidade do acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro (RJ), uma vez que, a princípio, assiste razão ao Recorrente neste ponto. Explicase. Como demonstrado acima, em processo de fiscalização instaurado, o agente fiscal que promoveu a autuação identificou algumas ilicitudes cometidas pelo contribuinte, o que culminou na lavratura de Auto de Infração ora combatido. E uma dessas ilicitudes seria relativa à presunção de omissão de receitas por suposto saldo credor de caixa nos anos calendários autuados, quais sejam 2012 e 2013. Como se depreende do termo de verificação fiscal (fls. 1.565 a 1.612), a motivação para a constituição de créditos tributários por saldo credor de caixa (presunção de omissão de receitas) se deu pelo fato de o contribuinte ter utilizado a "conta caixa" como "passagem" para controle de pagamentos e de transações, sem contudo, a princípio, ter registrado e comprovado de forma correta as transações. Vejase, neste sentido, o que constou do TVF: Verificamos que o contribuinte totalizou os valores de suas obrigações, emitiu o cheque nesse valor para quitação dessas obrigações, registrou o cheque a débito da conta caixa como suprimento de caixa e, em seguida, registrou as baixas das obrigações mediante vários lançamentos a crédito. Essa conduta caracteriza a utilização da conta caixa como conta de passagem para controle do pagamento de suas obrigações. De fato, quando a entidade contábil utiliza a conta caixa como conta de passagem para controle do pagamento de suas obrigações e/ou outras transações, normalmente efetua o lançamento da saída de recursos do Banco a débito da conta Fl. 7868DF CARF MF Processo nº 10972.720072/201617 Acórdão n.º 1302002.868 S1C3T2 Fl. 7.864 11 caixa, e em seguida efetua os respectivos lançamentos a crédito da conta caixa, na mesma data e no mesmo valor, apropriando assim as baixas da obrigações e/ou o registro da contabilização final das transações correspondentes, de modo que o saldo da conta caixa fica inalterado. Na fiscalização realizada, o contribuinte foi intimado a comprovar as transações com documentação hábil e idônea, em especial naqueles casos em que houve a identificação de divergências e/ou não comprovação. Termos de intimação foram expedidos neste sentido. No TVF consta o que foi requerido ao contribuinte. Confirase: · Apresentar esclarecimentos que julgasse necessários acompanhados de todos os elementos de prova em relação a todos os itens do Termo; · Verificar se os lançamentos de ajuste foram efetuados nas datas e valores corretos. · Justificar a ocorrência do saldo credor de caixa constante do Anexo I ao Termo, prestando esclarecimentos detalhados acompanhados dos elementos de prova. Não sendo possível afastar a presunção de omissão de receitas, informar e comprovar a natureza e/ou origem da receita objeto da omissão por presunção legal. · Prestar demais esclarecimentos que julgasse necessários, acompanhados dos elementos de prova. Ressaltese que os pedidos constantes dos termos de intimação eram relativos aos anos de 2012 e 2013, mas o contribuinte, sob alegação de não ter tido tempo hábil para apresentar todo o conjunto comprobatório solicitado, apresentou apenas parte da documentação à fiscalização, que, após a análise dos documentos apresentados, chegou às seguintes conclusões: Foram efetuados os lançamentos de ajuste de correção de data e os lançamentos a crédito que deixaram de ser efetuados pelo contribuinte, na mesma data e no mesmo valor dos suprimentos não comprovados e dos parcialmente não comprovados, conforme Anexo II a esse Termo. Em decorrência dos ajustes efetuados, o saldo da conta caixa foi recomposto, evidenciandose a ocorrência de saldo credor de caixa em várias datas, conforme Anexo II ao Termo de Intimação Fiscal nº 015. O saldo credor de caixa caracteriza presunção legal de omissão de receitas nos termos do art. 281 do RIR/99 e foi objeto de lançamento de ofício, como se verá adiante Corroborando com o que foi transcrito acima, também no TVF, o agente fiscal, quando analisa o saldo credor de caixa relativo ao ano de 2013, deixa claro que a omissão de receita restou caracterizada pelo fato de o contribuinte, além de ter feito de forma equivocada a contabilização das transações, quando intimado, não comprovou essas mesmas transações. Em suas palavras: Fl. 7869DF CARF MF 12 A Contabilidade tem por finalidade examinar, fiscalizar, planejar e controlar o patrimônio de uma determinada empresa, mediante registro e comentários dos fatos ocorridos. E tais registros devem estar lastreados em documentação hábil e idônea. Se o contribuinte dispunha dos cronogramas financeiros e dos extratos bancários de suas contas, tinha pleno conhecimento que os valores recebidos não deveriam ser registrados na conta caixa, e se o fizesse, deveria promover na mesma data e mesmo valor os respectivos lançamentos a crédito, registrando assim, a operação correta. Ocorre que tais lançamentos a crédito não foram identificados tampouco comprovados pelo mesmo. Os valores dos suprimentos de caixa não comprovados, para os quais não foram identificados os respectivos lançamentos a crédito, foram excluídos da conta caixa mediante ajustes a crédito, recompondose o saldo dessa conta, evidenciandose a ocorrência de saldo credor de caixa, o que caracteriza presunção legal de omissão de receitas nos termos do art. 281 do RIR/99, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 009. (destacou se) Pois bem. Ao ser intimado da lavratura do Auto de Infração, o contribuinte, como mencionado alhures, apresentou Impugnação Administrativa (fl. 1.656 a 1.733), na qual admite eventuais erros na sua contabilidade, em especial quando alega que "ao invés de promover o lançamento dos saques de numerários (ocorridos na própria agência bancária) na conta contábil do banco, promoveu o lançamento na conta caixa". Contudo, o contribuinte alegou que "apesar de os lançamentos se realizarem na conta caixa, quando, pelo entendimento da fiscalização, deveriam constar da conta banco, efetivamente se verifica que tais valores foram utilizados para pagamentos de despesas da pessoa jurídica ou transferidos aos sócios como distribuição de lucros da sociedade". E, para comprovar as suas alegações, principalmente os pagamentos e transações realizadas, o Recorrente juntou aos autos, no ato do protocolo da Impugnação, ressaltese, farta documentação (fls. 1.742 a 7.640). Assim, argumentou no parágrafo 81 de sua impugnação que "não há fundamento capaz de afastar as provas apresentadas pela contribuinte, pois efetivamente tais comprovações demonstram que os valores lançados como suprimento de caixa foram destinados para pagamento de despesas da pessoa jurídica". Aduziu, ainda, que a documentação só não foi apresentada, quando do recebimento das intimações da fiscalização, porque "não houve tempo hábil para tanto", tendo sido, inclusive, indeferido o seu pedido de prorrogação de prazo para entrega dos documentos, nos termos em que a fiscalização exigia. Quando da análise da defesa do Recorrente, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) entendeu por bem julgar, nesta parte, como improcedente a Impugnação, sob o argumento de que, em síntese, o Recorrente deveria ter comprovado os lançamentos a crédito na conta caixa e não os pagamentos realizados. Vejase a simplória motivação do acórdão lavrado: Quanto aos lançamentos 03 e 06 de Omissão de Receitas por Presunção Legal de Saldo Credor de Caixa, a interessada apresenta em sua defesa a comprovação da motivação e Fl. 7870DF CARF MF Processo nº 10972.720072/201617 Acórdão n.º 1302002.868 S1C3T2 Fl. 7.865 13 efetividade dos pagamento elencados nas planilhas de fls. 1601/1603 (ano de 2012) e 1605 (ano de 2013). Ocorre que a autuação não se deu por falta de comprovação da motivação ou do efetivo pagamento de tais valores, mas sim, exatamente, pela falta de escrituração dos mesmos, com o respectivo lançamento à crédito da conta Caixa, o que seria obrigatório diante da sistemática contábil adotada pela interessada de utilizarse da conta Caixa como conta de passagem para controle de pagamentos de duplicatas, boletos e transferências bancárias de recursos. Desta forma, deveria a interessada apresentar a comprovação, não do pagamento, mas de sua escrituração à crédito da conta Caixa, o que permaneceu sem fazer, e não a motivação e prova de tal pagamento, o que só destaca ainda mais a falta de escrituração que motivou a autuação. Já quanto aos recebimentos da Caixa Econômica Federal e da Cohab, a interessada junta autorizações concedidas pela CEF determinando o faturamento das obras contratadas, cópias das notas fiscais emitidas após referidas autorizações, lançamentos na conta razão e caixa e extratos das contas correntes com a confirmação das transferências realizadas pela Caixa para pagamento de referidas notas, com isso comprovando o recebimento de tais valores, o que não deixou de ser escriturado a débito da Conta Caixa. Porém, o que motivou o lançamento e permaneceu sem comprovação foi a falta de lançamento à crédito da conta Caixa e a débito da conta Bancos, que se fazia necessário uma vez que os valores recebidos daquelas instituições foram creditados em contas bancárias da interessada, nunca recebidos em moeda corrente como representa a escrituração da interessada. Pelo o que se percebe, a douta turma julgadora a quo admite que o Recorrente acostou aos autos documentos que, a princípio, comprovariam os pagamentos e transações realizados e, por isso, tendo em vista a motivação do fiscal para lavratura do Auto de Infração, poderiam demonstrar a ausência de omissão de receitas. Contudo, alterando, data venia, os motivos que levaram à lavratura do Auto de Infração, a turma deixou de analisar aqueles documentos, sob o argumento de que o contribuinte deveria a comprovar a "falta de escrituração" na conta caixa. Entretanto, como muito bem ponderado no Recurso Voluntário, o Recorrente "anexou não só os comprovantes de pagamento da totalidade dos valores lançados para o ano de 2012, como também demonstrou que os lançamentos contábeis que vinculam o débito e crédito, obrigatórios, consideraram a conta caixa, em contrapartida a conta de despesas. Demonstrou também que no próprio lançamento o Sr. Fiscal admitiu referido procedimento contábil, declarando inclusive que para efeitos fiscais a forma adotada não traria prejuízo." E mais: também é incontroverso nos autos que, quando da análise da documentação requerida pela fiscalização e entregue pelo contribuinte, o agente fiscal considerou as transações/pagamentos realizados (independentemente dos eventuais equívocos/inconsistências na contabilização) e, por isso, não computou esses valores como omissão de receitas, uma vez que devidamente comprovados pelo contribuinte. Fl. 7871DF CARF MF 14 Neste ponto, devese ressaltar que, como sabido, a presunção de omissão de receitas por saldo credor de caixa é relativa, ou seja, admite prova em contrário pelo contribuinte, como bem dispõe o artigo 281 do RIR/99. Vejase: Art.281.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; (destacouse) Em atenção ao dispositivo legal citado, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais admite a prova do contribuinte para afastar a presunção de omissão de receitas, mesmo que estas provas não tenham sido apresentadas quando processo de fiscalização. Confirase as ementas de alguns julgados proferidos no âmbito do CARF: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SimplesAnocalendário: 2005OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, a falta de escrituração de pagamentos efetuados e a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Cabe ao sujeito passivo o ônus de provar, nas infrações lançadas por presunção legal, que o fato presumido não ocorreu. (...) (CARF, 4ª Camara, Rel. José Arthur Neto, Acórdão nº 1803 002.584, julgado em 04/03/2015) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAno calendário: 2004OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. SALDO CREDOR DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA HIPÓTESE QUE DESENCADEOU A PRESUNÇÃO LEGAL. Verificado pela prova dos autos que não houve saldo credor de caixa, afastase a hipótese que desencadeou a presunção legal de omissão de receitas. (...) (CARF, 3ª Camara, Rel. Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Acórdão nº 1301001.080, julgado em 09/04/2013). E este entendimento não destoa dos julgados proferidos no âmbito do Poder Judiciário. Nos termos da ementa abaixo, para o Superior Tribunal de Justiça, pode, o contribuinte, demonstrar que a presunção de receita tributável não reflete a realidade das operações, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. SALDO CREDOR EM CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. FACULDADE DO CONTRIBUINTE PRODUZIR PROVA CONTRÁRIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SUCUMBÊNCIA. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. Fl. 7872DF CARF MF Processo nº 10972.720072/201617 Acórdão n.º 1302002.868 S1C3T2 Fl. 7.866 15 1. A presunção juris tantum de omissão de receita pode ser infirmada em Juízo por força de norma específica, mercê do princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5.º, XXXV, da CF/1988) coadjuvado pela máxima utile per inutile nom vitiatur. 2. O princípio da verdade real se sobrepõe à presuntio legis, nos termos do § 2º, do art. 12 do DL 1.598/77 (art. 281 RIR/99 Decreto 3.000/99), ao estabelecer ao contribuinte a faculdade de demonstrar, inclusive em processo judicial, a improcedência da presunção de omissão de receita, considerada no auto de infração lavrado em face da irregularidade dos registros contábeis, indicando a existência de saldo credor em caixa. Aplicação do princípio da verdade material. 3. Outrossim, ainda neste segmento, concluiu a perícia judicial pela inexistência de prejuízo ao Fisco. 4. Deveras, procedido o lançamento com base nos autos de infração, infirmados por perícia judicial conclusiva, constituiu se o crédito tributário principal, mercê de o mesmo ter sido oferecido à tributação, por isso que inequívoco que o resultado judicial gerará bis in idem quanto à exação in foco. 5. Lavrados os autos de infração por erro formal de escrita reconhecido pelos recorrentes, não obstante materialmente exatos os valores oferecidos à tributação, impõese reconhecer que a parte que ora se irresigna foi a responsável pela demanda. 6. Regulada a sucumbência pelo princípio da causalidade, ressoa inacolhível imputála ao Fisco, independente de proverse o recurso para que não haja retorno dos autos à instância a quo, porquanto o aresto recorrido reconheceu a higidez conclusiva da prova mas desprezoua. 7. A responsabilidade pela demanda implica imputarse a sucumbência ao recorrente, não obstante acolhida a sua postulação quanto ao crédito tributário em si. (Precedente: REsp 284926/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 05.04.2001, DJ 25.06.2001 p. 173) 8. Recurso Especial provido, imputandose a sucumbência ao recorrente. (REsp 901.311/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2007, DJe 06/03/2008) (detacouse) Por outro lado, não se pode perder de vista que, além da análise da documentação acostada aos autos, no julgamento da Impugnação apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir, em especial, se houve, de fato, a omissão de receitas por saldo credor de caixa. Entretanto, se limitou a dizer que o contribuinte não comprovou a "falta de escrituração" na conta caixa, sem analisar, repisese, a documentação apresentada. A possibilidade de o julgador requerer diligência, em busca da realidade dos fatos está prevista expressamente no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Fl. 7873DF CARF MF 16 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo, é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações e argumentos apresentados pelos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso, já que nem a documentação apresentada pelo contribuinte foi apreciada. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. É dever do julgador perseguir a realidade dos fatos. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Fl. 7874DF CARF MF Processo nº 10972.720072/201617 Acórdão n.º 1302002.868 S1C3T2 Fl. 7.867 17 Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... ................. É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, além das provas acostadas aos autos, pode buscar outros elementos para a formatação do seu entendimento. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Não se pode olvidar que, no processo administrativo, não há a formação de uma lide propriamente dita. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. O que não restou feito no presente processo. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Fl. 7875DF CARF MF 18 Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, é eivada de nulidade a decisão que, além de desconsiderar todos os elementos de prova juntados aos autos, não busca a realidade dos fatos, nos termos invocados pelo Recorrente, nas peças e documentos acostados aos autos. Este tem sido o entendimento dos julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Confirase: Acórdão: 2401004.699 Número do Processo: 10437.720466/201462 Data de Publicação: 09/06/2017 Contribuinte: NORMAN AUGUSTO BERNA PAPST Relator(a): LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. NULIDADE. VERDADE REAL E VERDADE FORMAL. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade m Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, darlhe provimento para anular o acórdão de primeira instância. Vencido o conselheiro Márcio de Lacerda Martins. Em razão da nulidade do acórdão de primeira instância, restou prejudicada a análise do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Neste ponto, não se pode deixar de ressaltar, mais uma vez, que o Recorrente trouxe em sua impugnação os argumentos e documentos que, a princípio, tornariam como indevidos os créditos tributários constituídos pela fiscalização, no que tange ao saldo credor de caixa. Como se não bastasse, o douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento deixou de analisar, também, o argumento e os respectivos documentos comprobatórios do contruibuinte, que, supostamente, comprovariam a cobrança em duplicidade de valores "lançados para as obras de nº 206 e 210, período de Novembro e Dezembro de 2012, no total de R$ 1.677.156,00 e R$ 2.570.295,00, respectivamente", que, a princípio, foram objeto de parcelamento formalizado pelo Recorrente. Assim, é imprescindível que o julgador a quo aprecie este ponto da Impugnação, inclusive os documentos que dão embasamento aos argumentos do Recorrente, evitandose, assim, supressão de instância administrativa, na hipótese de análise por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por todo o exposto, voto por ANULAR PARCIALMENTE o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ), tendo em vista as omissões acima apontadas, determinando seja novamente analisada a Impugnação apresentada, com base em toda a documentação carreada nos autos, podendo, inclusive, ser Fl. 7876DF CARF MF Processo nº 10972.720072/201617 Acórdão n.º 1302002.868 S1C3T2 Fl. 7.868 19 determinadas diligências pelo julgador a quo, caso entenda como necessárias para o deslinde da questão. Tendo em vista a nulidade do acórdão proferido pela DRJ, deixase de analisar os demais argumentos apresentados pelo Recorrente no Recurso Voluntário, que poderão, entretanto, ser invocados novamente, caso aquela Delegacia de Julgamento profira nova decisão, mantendo o entendimento consignado no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 7877DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.680943/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros.
Numero da decisão: 1201-002.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 09 43 /2 01 1- 69 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.680943/201169 Acórdão n.º 1201002.223 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido de multa moratória. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "A denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Conseqüentemente, a multa moratória não pode ser excluída.". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado, de forma resumida: "a) Originalmente os tributos foram informados em DCTF como compensados, e não como tributos em aberto; b) Realizada a compensação de um tributo e informado tal procedimento em DCTF, sua exigibilidade demandaria a realização de lançamento; c) Enquanto pendente de análise essa compensação não pode o Contribuinte ser considerado em mora, pois o procedimento compensatório extingue o crédito sob condição resolutória de sua ulterior homologação; d) O posterior pagamento do tributo, enquanto pendente a análise de compensação anteriormente declarada em DCTF, não implica a ocorrência de mora por parte do Contribuinte; e) O pagamento antes de qualquer ato formal de lançamento é caracterizado como denúncia espontânea, afastando não apenas a multa punitiva, mas também a multa moratória." É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.680943/201169 Acórdão n.º 1201002.223 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.222, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.680945/2011 58, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.222): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere à multa moratória que ela entende indevida em função da denúncia espontânea. Efetivamente, este e.CARF já tem farta jurisprudência no sentido de que, em se tratando de denúncia espontânea, é suficiente o pagamento do principal e dos juros de mora, estando a Contribuinte dispensada do pagamento de multas, seja ela de ofício seja moratória. Senão: Acórdão CSRF nº 9101001.815, de 20/11/2013: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. Acontece que, como já ficou definido pelo STJ, a denúncia espontânea só se configura quando o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração constitutiva do crédito, tal como a DCTF no presente caso PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.680943/201169 Acórdão n.º 1201002.223 S1C2T1 Fl. 5 4 POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN (...) 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.680943/201169 Acórdão n.º 1201002.223 S1C2T1 Fl. 6 5 ... TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. COBRANÇA DE DIFERENÇAS DE ICMS DECLARADO EM GIA E RECOLHIDO FORA DE PRAZO. CTN, ART. 166. INCIDÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. AFASTAMENTO DA MULTA. SÚMULA 98/STJ. VERBA HONORÁRIA. ART. 21 DO CPC. SÚMULA 07/STJ. (...) 2. Apreciando a matéria em recurso sob o regime do art. 543C do CPC (REsp 886462/RS, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 28/10/2008), a 1ª Seção do STJ reafirmou o entendimento segundo o qual (a) a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS ? GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ? DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco, e (b) se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido, nos termos da Súmula 360/STJ. (...) (REsp 1110550/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 04/05/2009) ... TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ? DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS ? GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.680943/201169 Acórdão n.º 1201002.223 S1C2T1 Fl. 7 6 (REsp 962.379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Nesse sentido, inclusive, o STJ já consolidou a Súmula nº 360: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Esse entendimento também deve ser repetido neste e.CARF, com base no mesmo art. 62, §2º, do Anexo II ao RICARF, como já se reconheceu nos seguintes precedentes: Acórdão CARF nº 3802001.587, de 27/02/2013: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf) ou declaração equivalente, e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. O ônus da prova de sua caraterização concreta cabe ao sujeito passivo. Portanto, se este não apresenta elementos suficientes para demonstrar a sua configuração, deve ser mantida a decisão recorrida. ... Acórdão CARF nº 2101001.957, de 20/11/2012: TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, circunstância não comprovada no presente feito. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Verificase, no caso concreto, que quando o recolhimento em atraso foi feito, o débito estava declarado na DCTF original. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.680943/201169 Acórdão n.º 1201002.223 S1C2T1 Fl. 8 7 como está registrado no seguinte trecho do voto condutor da decisão de piso que trago a colação: Não tem proveito o argumento de que o pagamento do débito indevidamente compensado foi feito antes da retificação da DCTF. O débito pago já estava confessado na DCTF original. Lá já constava o mesmo valor de débito informado na retificadora. (...) O que mudou na DCTF retificadora foi o crédito vinculado ao débito confessado. A DCTF original continha informação inexata, pois aqui não se confirma a existência da compensação nela vinculada. Ainda que a versão da manifestação de inconformidade fosse verdadeira, os efeitos da compensação não homologada ou cancelada se desfazem desde sempre, como se viu anteriormente neste voto. Portanto, no caso, quando o recolhimento foi feito, o débito estava declarado e encontravase em aberto desde seu vencimento. A denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Conseqüentemente, a multa moratória não pode ser excluída. Nesse caminho, nos casos em que o pagamento foi efetuado após a transmissão da DCTF, em consonância com a jurisprudência do STJ e deste e.CARF, cabível a cobrança da multa moratória. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o indeferimento do pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720163/2017-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa.
Numero da decisão: 2002-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa.
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A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 01 63 /2 01 7- 57 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10805.720163/201757 Acórdão n.º 2002000.254 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.55/65) contra decisão de primeira instância (fls.42/46), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a notificação de lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2012, anocalendário 2011, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB da DRF/Santo André. Foi apurado Imposto Suplementar no valor de R$2.953,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS glosa do valor de R$10.740,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para a dedução. Motivo da glosa: Debora Deleo Noreika Maronna de Freitas. Não comprovação do efetivo pagamento. A base legal do lançamento encontrase nos autos. O contribuinte teve ciência do lançamento em 23/12/2016, conforme documento de fl. 35 e, em 13/01/2017, apresentou impugnação, em petição de fls. 03, acompanhada dos documentos de fls. 05/, na qual alega, resumidamente, o quanto segue: que, em 23/09/2015, entregou os recibos originais e cópias, comprovando os serviços odontológicos prestados; que, conforme orientação do funcionário que lhe atendeu, comprovou o endereço profissional por meio de cartão de visita; que solicita prioridade na análise do processo de acordo com o art. 69A, I, da Lei nº 9.784, de 1999. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis, a título de despesas médicas, os pagamentos feitos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao contribuinte e a seus dependentes, desde que comprovados por documentação hábil e idônea. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10805.720163/201757 Acórdão n.º 2002000.254 S2C0T2 Fl. 4 3 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 09/08/2017 (fls.50/51); Recurso Voluntário protocolado em 30/08/2017 (fl.55), assinado pelo próprio contribuinte. Sem razão o contribuinte. Inicialmente destaco que o artigo 80 do Decreto nº 3000/99 autoriza a dedução dos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e fisioterapeutas, devendo a prova de seu pagamento ser comprovado através de recibo com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, e na sua falta, a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, conforme nos ensina o inciso III do artigo suso citado. O artigo 73 do RIR/99 diz que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Pois bem, a autoridade lançadora entendeu que as deduções com despesas de dentista, tidas pelo contribuinte e por sua dependente (esposa) na DIRPF/2012 não restaram comprovados o seu pagamento e por via de consequência procedeu a glosa de tais despesas. Em defesa, o contribuinte apresentou recibos emitidos pela profissional da saúde, o que foi tido como insuficiente pelo Juízo a quo. A decisão primeira deve ser mantida e se diz isso porque a despesa com dentista naquele ano pelo contribuinte e sua dependente alcançou a monta de R$ 10.740,00 (fl.31), equivalente a quase 10% do total de rendimentos tributáveis declarados (R$ 114.506,59 fl.33), o que mostra ter sido uma despesa bastante relevante. Dada essa relevância da despesa, o contribuinte podia e devia ter feito a prova de seu efetivo pagamento, uma vez que a dentista, Dra. Débora Deléo Noreika Maronna de Freitas é filha do contribuinte e de sua dependente, conforme consta da certidão de casamento de fl. 69, juntada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário. Registro, por relevante, que não há descrição do tratamento feito pelo contribuinte Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10805.720163/201757 Acórdão n.º 2002000.254 S2C0T2 Fl. 5 4 e por sua dependente ao longo do ano todo de 2011, sendo impossível ao Fisco analisar se o gasto foi compatível com o tempo e valores despendidos. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito nego provimento, mantendo a exigência fiscal em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000459/2007-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Em sessão plenária de 29/10/2009, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 230100.699 (fls. 1.012 a 1.020), assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 59 /2 00 7- 51 Fl. 3408DF CARF MF 2 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do relator.” O Relator assim concluiu o voto: "21. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada cm julgado a sentença reconhecendo que o domicílio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, a preliminar ora examinada, para anular o lançamento por vício formal. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO 22. Assim, voto pela ANULAÇÃO do lançamento." (grifei) Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial, consignando às fls. 1.021: "Sem recurso, devendo ser analisada a possibilidade de lavratura de novo auto, em face de ter sido reconhecido apenas o vício formal (art. 173, II do CTN)." Cientificada do acórdão em 27/10/2011 (AR Aviso de Recebimento de fls. 1.049), a Contribuinte opôs, em 1º/11/2011, os Embargos de Declaração de fls. 1.027 a 1.033, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2301003.235, de 22/11/2012 (fls.1.052 a 1.055), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 Fl. 3409DF CARF MF Processo nº 12045.000459/200751 Acórdão n.º 9202006.968 CSRFT2 Fl. 3.409 3 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; II) Por maioria de votos: a) acolhidos os embargos, em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 95.103/RJ." O processo foi recebido na PGFN em 28/05/2013 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 1.057) e, em 26/06/2013, a Procuradora da Fazenda Nacional considerouse intimada (fls. 1.056). Em 02/07/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.059 a 1.061, com fundamento nos arts. 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a natureza do vício que nulificou o lançamento, se formal ou material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 473/2013, de 11/09/2013 (fls. 1.062 a 1.064). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; conforme já salientado, tratase de defeito procedimental que gera, no máximo, vício de natureza formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados; por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; na seara tributária, então, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em Fl. 3410DF CARF MF 4 que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”; ante o exposto, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação; nesse contexto, concluise que o vício no procedimento fiscalizatório que acarretou cerceamento ao direito de defesa da parte tem natureza formal (e não material), razão pela qual merece ser reformado o acórdão ora recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional requer, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que a decisão recorrida seja reformada, considerandose o vício como de natureza formal e não material. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 08/09/2014 (AR Aviso de Recebimento de efls. 3.277/3.278), a Contribuinte, por meio de correspondência postada em 23/09/2014 (tela de efls. 3.400/3.401), ofereceu as Contrarrazões de efls. 3.279 a 3.399, contendo os seguintes argumentos: como restou demonstrado nos autos, a fiscalização desrespeitou o domicílio tributário da contribuinte, apesar de ter sido comunicada por meio de petição protocolada por esta, logo após o recebimento do TIAD, de que a sua sede estava situada no município de Rio das Flores; nos termos do artigo 127, caput e § 2º, do CTN, caberia ao fisco o ônus de recusar o domicilio tributário eleito pela comprovação da impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal; no entanto, a fiscalização ignorou o domicílio tributário eleito pela contribuinte e os lançamentos acabaram sendo realizados por arbitramento, de forma errônea, em decorrência da não apresentação de documentos na filial situada na São José, n° 90, Rio de Janeiro/RJ, contrariando a decisão judicial transitada em julgado do Tribunal Regional Federal da 2a Região, da lavra do Des. Sergio Schwaitzer, que declarou o domicilio tributário da recorrente na Rua Capitão Jorge Soares, n° 04, Município de Rio das Flores/RJ; é importante destacar que a jurisprudência deste Conselho, em exegese aos artigos 142 e 173, II, do CTN, pacificou o entendimento de que a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa acarreta um vício material insanável, eis que atinge a própria substância do crédito tributário constituído em face do contribuinte; o desrespeito ao domicílio fiscal do contribuinte foi categórico, patente, e não se limitou ao procedimento, não se resumiu ao aspecto meramente formal do lançamento do tributo, mas, ao contrário, atingiu a própria constituição do crédito tributário, uma vez que impediu o exercício das garantias constitucionais da ampla defesa e contraditório (artigo 5º, LV, da CF), pela impossibilidade de apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos úteis à ação fiscalizatória; sem sombra de dúvida, o vício material do lançamento ocorrido no caso representa uma nulidade absoluta e insanável; no mesmo sentido decidiu esta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, Acórdão nº 9202 Fl. 3411DF CARF MF Processo nº 12045.000459/200751 Acórdão n.º 9202006.968 CSRFT2 Fl. 3.410 5 002.413, Relator Conselheiro Gustavo Haddad, tendo como interessada a Contribuinte, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicílio tributário, reconhecido em decisão judicial, que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou de dificuldade de realização da ação fiscal. Deve ser declarada a nulidade de lançamento que aplica arbitramento pela falta de apresentação de documentação quando a fiscalização foi realizada em domicílio diverso do eleito, vício que afeta a própria fundamentação em que se sustenta a imputação infracional. Recurso especial negado." (destaques da Contribuinte). neste julgamento, o Conselheiro Relator Gustavo Haddad consignou expressamente em seu voto, acolhido por unanimidade, que: "Não se pode, nesta hipótese, considerar como ausente prejuízo para afastar a nulidade, por não se tratar de mero vício formal, mas de mácula que atinge a substância do ato infracional" (grifamos). Ao final, a Contribuinte requer seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, declarouse a nulidade do lançamento por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o vício seja considerado de natureza formal. Assim, tratandose de discussão acerca da natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização dos períodos de 01/1996 a 12/1998, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi Fl. 3412DF CARF MF 6 levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: "DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2. Creio que devemos enfrentar, primeiramente, a irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. (...) 10. Com efeito, compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 11. Com razão, o contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 12. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 13. Como dito alhures, a questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontrase em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Fl. 3413DF CARF MF Processo nº 12045.000459/200751 Acórdão n.º 9202006.968 CSRFT2 Fl. 3.411 7 Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam .similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens Fl. 3414DF CARF MF 8 econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. Fl. 3415DF CARF MF Processo nº 12045.000459/200751 Acórdão n.º 9202006.968 CSRFT2 Fl. 3.412 9 III Recurso provido." 14. Considerando a decisão judicial, a qual não pode ser desconhecida da administração, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 15. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) 19. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 20. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório." (grifos nossos) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se declarar nulidade por vício formal. Visando demonstrar a alegada divergência em relação à questão da natureza do vício, se formal ou material, a Fazenda Nacional indica como paradigma o Acórdão nº 3403001.705, colacionando a respectiva ementa, conforme a seguir: "Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS. Período: 01.05.1997 a 30.09.1997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver lodos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN, impõe, assim, anular o lançamento. Recurso Provido." (destaques da Recorrente) Fl. 3416DF CARF MF 10 A ementa acima não permite que se saiba qualquer detalhe acerca do vício apontado. Compulsando o inteiro teor desse paradigma, constatase que a situação nele tratada em nada se assemelha à do recorrido. Confirase: "Impõe em primeiro plano examinar de ofício a motivação contida no auto de infração. Pareceme a prima face tratarse razões incongruentes com se vê do anexo III. Uma delas se refere à desvinculação do pagamento, sem, contudo, informar se ocorreu a pedido do contribuinte ou de ofício. Está análise se torna de suma importância para saber se a declaração de inexata e a falta de recolhimento foram causadas pelo contribuinte ou decorre da desvinculação do débito. Entretanto, inexiste elementos nos autos que possa esclarecer esta situação. A outra está assentada quanto à existência ou não do pagamento como resta evidente ao ler afirmação do anexo III – “Comp. C/pagto parcialmente utilizado e na linha inferior” “ Pgto não localizado”. Como se vê há dois fatos não idênticos e antagônicos. São adversos porque o primeiro fato informa que parte foi utilizada de modo parcial e o segundo afirma de que não houve pagamento localizado. Assim, pareceme que tratam de dois motivos mutuamente excludentes, e, sendo assim, macula o lançamento e torna o crédito tributário duvidoso. Portanto, ao deixar de descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se extrairia o motivo do lançamento." (grifei) Destarte, constatase que o vício ocorrido, no caso do paradigma, foi a falha na descrição do fato gerador. Com efeito, tal situação em nada se assemelha àquela tratada no acórdão recorrido. Nestas circunstâncias, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem sequer ser comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 3417DF CARF MF Processo nº 12045.000459/200751 Acórdão n.º 9202006.968 CSRFT2 Fl. 3.413 11 Fl. 3418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000144/2005-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.906
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAN MARINO MÓVEIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 01 44 /2 00 5- 67 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11020.000144/200567 Acórdão n.º 9303006.906 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340101.131, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11020.000144/200567 Acórdão n.º 9303006.906 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11020.000144/200567 Acórdão n.º 9303006.906 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720246/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.583
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ante a apresentação de petição da Contribuinte alegando fato superveniente, para que a PGFN se manifeste.
Nome do relator: Livia De carli Germano
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ART. 24 LINDB Recorrentes INTERCEMENT BRASIL S.A. FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ante a apresentação de petição da Contribuinte alegando fato superveniente, para que a PGFN se manifeste. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 3200DF CARF MF Processo nº 10880.720246/2013-10 Resolução nº 1401-000.583 S1-C4T1 Fl. 3.201 2 Relatório Trata-se de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes aos anos-calendário de 2008. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1942/1962, dentre outras infrações a autoridade autuante glosou as despesas com amortização de ágio com base nos seguintes argumentos: Impugnada a autuação, a decisão recorrida manteve a autuação quanto à glosa da amortização de ágio, especificamente por entender ilegítima a transferência do ágio mediante subscrição de capital (voto vencedor). A decisão de 16 de agosto de 2017 foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível falar em nulidade do Auto de Infração. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO E TRIBUTAÇÃO. REGRA GERAL. STF. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por controlada ou coligada no exterior para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Norma considerada inaplicável em relação às coligadas localizadas fora de "paraísos fiscais". TRATADO INTERNACIONAL BRASIL-ARGENTINA. A aplicação do disposto no artigo 74 da MP nº 2.158-35/2001 não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação que seguem o modelo da OCDE (no caso, firmado entre o Brasil a Argentina). CONCLUSÃO. EXIGÊNCIA EXONERADA EM PARTE. Exonera-se a exigência relativa aos lucros no exterior auferidos por coligadas localizadas fora de "paraísos fiscais", mantendo-se a relativa aos lucros auferidos por controlada. Fl. 3201DF CARF MF Processo nº 10880.720246/2013-10 Resolução nº 1401-000.583 S1-C4T1 Fl. 3.202 3 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ANÁLISE DE FATOS PASSADOS. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA. A obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso em tela, a cada dedução indevida das despesas de amortização de ágio. Antes das amortizações, não poderia a fiscalização questionar a formação do ágio ou a sua transferência para a contribuinte, pois tais fatos não tinham, até então, reflexos fiscais (não representavam fatos geradores de obrigações tributárias). Alegação de preclusão rejeitada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS-VEÍCULO PARA ILEGAL PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. Não se verifica, no caso, a figura de “empresas-veículo”, utilizadas apenas para a execução de um ilegal planejamento tributário. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS VINCULADAS. LIMITAÇÃO INAPLICÁVEL. Não se aplica ao caso a limitação da amortização de ágio na “aquisição de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País”, visto que as empresas adquiridas, apesar de sociedades estrangeiras, não eram coligadas ou controladas. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO TRANSFERIDO EM SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL MEDIANTE APORTE DE INVESTIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a amortização fiscal do ágio transferido mediante aporte de investimento proveniente da sociedade investidora, que efetivamente suportou o pagamento do ágio, por ausência de previsão legal e porque tal hipótese possibilitaria o duplo aproveitamento fiscal do ágio. DESPESA DE JUROS ENTRE COLIGADAS. REGISTRO NO BACEN. Ao se equiparar o lançamento de FRNs com mútuo entre coligadas, há também que se equiparar o registro dessas FRNs no BACEN (efetuado pela contribuinte) ao registro de contrato de mútuo, admitindo-se como dedutíveis “os juros determinados com base na taxa registrada”, exonerando-se a exigência correspondente à glosa das despesas de juros. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 10880.720246/2013-10 Resolução nº 1401-000.583 S1-C4T1 Fl. 3.203 4 Cientificada em 24 de agosto de 2017, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21 de setembro de 2017 (fl. 3.193), alegando, dentre outros argumentos, que inexiste vedação legal para a transferência de participação societária adquirida com ágio. Recebi o processo em distribuição realizada em 17 de maio de 2018. Colocado o processo em pauta nesta data, a Recorrente apresentou petição argumentando que a autuação deveria ser cancelada por força da Lei 13.655/2018, já que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, tendo sido pautado na jurisprudência majoritária do CARF. É o que cabia relatar no momento. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Em virtude da recente publicação da Lei 13.655, de 25 de abril de 2018, a Recorrente apresenta a este colegiado questão inédita, a qual deve ser admitida a discussão, tendo em vista ser relativa a fato ou direito superveniente. Referida lei incluiu o artigo 24 à Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, de seguinte teor: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Aduz a Recorrente que a autuação decorre de análise de operação de aquisição de ativo com ágio ocorrida tanto no processo licitatório de privatização ocorrido em 1997 quanto no leilão especial ocorrido posteriormente, em 1999, e que, sobre a matéria, jurisprudência do CARF proferida nos anos de 2011 e 2012 era majoritariamente favorável ao contribuinte, citando ementas. Por se tratar de questão nova apresentada nesta data, entendo que é prudente baixar o processo em diligência a fim de oportunizar à Procuradoria da Fazenda Nacional a Fl. 3203DF CARF MF Processo nº 10880.720246/2013-10 Resolução nº 1401-000.583 S1-C4T1 Fl. 3.204 5 manifestação sobre a petição de fls. 3.197-3.199, garantindo-se assim a igualdade de tratamento às partes do processo. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 3204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721620/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocada), Maria Lucia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocada), Maria Lucia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Como este processo já foi objeto de relatório anterior, inclusive de minha lavra, tomo a liberdade de resumir, ainda mais, os fatos relevantes para o deslinde (mesmo que temporário) da contenda. Trata o feito de autos de infração lavrados para exigir do recorrente valores concernentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apurados em razão da constatação da incorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 62 0/ 20 13 -3 7 Fl. 870DF CARF MF Processo nº 19515.721620/201337 Resolução nº 1302000.619 S1C3T2 Fl. 871 2 Ao caso, vale destacar, foi aplicada, além da multa de ofício qualificada, também o agravamento preconizado pelo art. 44,§ 2º, da Lei 9.430/96, mormente por ter o recorrente, aos olhos do auditor fiscal ao qual foi transmitido o mister de concluir a ação fiscal (iniciada, num primeiro momento, pelo Sr. Fiscal Márcio Luis Almeida dos Anjos), deixado, sistematicamente, de atender as intimações para apresentar documentos e esclarecimentos sobre a sua movimentação financeira. Tambem foram lavrados termos de sujeição passiva em face do sócios da recorrente. Contra os autos de infração em análise, foram opostas as respectivas impugnações de cujos argumentos destaco a preliminar de nulidade concernente à multa agravada e o próprio questionamento de mérito em que o contribuinte se insurge contra o citado agravamento. Isto porque, de acordo com as alegações e documentos trazidos pela empresa, as intimações fiscais teriam sido atendidas, antes mesmo, da lavratura do termo de embaraço aqui lavrado. Como prova de tais alegações, o recorrente apresentou duas petições em que, numa, sustentava disponibilizar, nas dependências da empresa, os livros contábeis requeridos pela D. Auditoria, e, noutra, trazia pretensos demonstrativos requisitados pela autoridade lançadora através do Termo de Reintimação Fiscal de efls. 45 "demonstrativos com as apurações trimestrais do IRPJ e da CSLL (lucro real trimestral), bem como demonstrativos com as apurações mensais da COFINS e da contribuição para o PIS (incidência não cumulativa). Todavia, como as petições trazidas na impugnação, não se encontravam juntadas ao feito (nem tampouco os aludidos demonstrativos) e, mais, sem se ter certeza do seu efetivo recebimento pela Auditoria Fiscal, propus a conversão do julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem: a) confirmasse, junto ao Auditor Márcio Luis Almeida dos Anjos, Matrícula 76.299, a autenticidade das assinaturas constantes das petições de fls. 527/531; b) em pertencendo, de fato, ao Auditor Márcio Luis Almeida dos Anjos, as assinaturas constantes das preditas petições, que fossem estas localizadas e juntadas a este feito, incluindose os documentos por ventura à elas anexados, certificando, de outra sorte, caso reste infrutífera esta diligência, o extravio das citadas manifestações. Em resposta à solicitação de diligência supra, a D. Auditoria Fiscal, através do relatório juntado à efls. 856/858, reprisou as razões que a instou ao agravamento da multa, afirmando, contudo, não ter cumprido as solicitações acima já que o citado fiscal (Márcio) já não fazia, mais, parte dos quadros da Receita Federal do Brasil. Os autos então voltaram para este relator para análise e julgamento. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Fl. 871DF CARF MF Processo nº 19515.721620/201337 Resolução nº 1302000.619 S1C3T2 Fl. 872 3 O recurso, como já atestado anteriormente, é tempestivo e dele, pois, tomo conhecimento. Como dito no relatório supra, a diligência anteriormente determinada por este colegiado foi, quando menos, infrutífera... dada a impossibilidade da Unidade de Origem atestar a autenticidade das assinaturas constantes das petições apresentadas pelo recorrente, bem como não ter logrado as localizar, nem tampouco o demonstrativo mencionado alhures, impõese, aqui, presumir a sua "legitimidade". Neste particular, e para evitar (e, inclusive, afastar) o reconhecimento de possível nulidade, entendo, a nova conversão deste julgamento em diligência é medida mandatória, mormente para que sejam apresentados, no feito, os documentos que teriam sido acostados às aludidas manifestações do contribuinte (até para que possamos, de fato, decidir, se cabia ou não o agravamento da penalidade aqui aplicada). Diante disto, proponho nova resolução a fim de solicitar à Unidade de Origem que intime o contribuinte a (re)apresentar as petições acima mencionadas, acompanhadas do demonstrativo citado no item "2" do Termo de Reintimação de efls. 45. Após, atendida ou não a requisição acima, retornem os autos à este Colegiado para a competente análise e julgamento. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 872DF CARF MF
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