Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10813.000625/2010-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10813.000625/2010-41
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894780
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.125
nome_arquivo_s : Decisao_10813000625201041.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10813000625201041_5894780.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7403797
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589614571520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 57 1 56 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10813.000625/201041 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.125 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 09 de agosto de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente JOSE LEOPOLDINO DE ANDRADE ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 171, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 3. 00 06 25 /2 01 0- 41 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 58 2 20.05.2010, fl. 13, com efeitos a partir de 01.03.2009, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP, no uso das suas atribuições e tendo em vista o disposto no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006 e no § I o do art. 4o da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e do que consta no Processo Administrativo n° 10813.000625/201041, determina: 1 A exclusão da empresa JOSE LEOPOLDINO DE ANDRADE ME, CNPJ n° 45.709.482/000191, situada na Rua Mauro de Abreu Izique, n° 404, Bairro Jardim Casa Grande, Bebedouro/SP, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. 2 A exclusão surtirá efeito a partir de 01/03/2009. 3 Poderá a empresa, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste ADE, manifestarse por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. (grifos do original) Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1436.230, de 22.12.2011, efls. 2730: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 02.02.2012, efl. 33, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.02.2012, efls. 4553, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: Conforme acima mencionado o Auto de Infração lavrado em desfavor do requerente/recorrente contém uma série de vícios formais que geram sua nulidade, principalmente pelo fato de não terem sido cumpridos os requisitos legais para sua correta lavratura. O Decreto n° 70.235/72 é ato normativo que disciplina, além de outras coisas, as formalidades do processo administrativo relacionados aos créditos tributários de interesse da União. Em seu artigo 10, traz de forma clara e precisa os requisitos indispensáveis à lavratura de qualquer Auto de Infração de sua competência. Cotejando o supra citado dispositivo de lei com o caso em análise verificase que a autoridade fazendária responsável pela lavratura do presente Auto de Infração não cumpriu com rigor às regras pertinentes à sua elaboração. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 59 3 Primeiro porque não descreveu com precisão as penalidade às quais o requerente estaria sujeito pela conduta por este praticada, em latente desrespeito ao inciso IV do artigo de lei acima elencado. [...] Ademais, não cumpriu com os preceitos constantes do inciso IV do mesmo artigo, uma vez que logrou apurara em seu Auto a quantidade, valores e alíquotas do imposto que supostamente devido. [...] Não bastasse o Agente responsável pela elaboração não logrou descrever com precisão e detalhes os fatos ensejadores da autuação, o que lhe era incumbido. [...] Destarte, uma vez comprovados os vícios formais que maculam o presente procedimento administrativo, sua completa anulação é medida que se impõe. [...] Caso não se entenda pela anulação do Auto de Infração em comento, o que realmente não se acredita, necessário se faz analisarmos a insignificância da lesão ao erário perpetrado pela conduta do contribuinte. Conforme se verifica do Auto, foram apreendidos no estabelecimento comercial requerente a ínfima quantia de 30 (trinta) maços de cigarro de procedência estrangeira, sem sua respectiva documentação. [...] Conforme se verifica da Relação de Mercadorias apreendidas, todos os 30 (tinta) maços de cigarro foram avaliados em míseros R$ 15,00 (quinze reais) . Ora, imaginese os valores dos impostos a serem apurados nesse caso. Certamente não ultrapassariam 1/3 do valor total. [...] No presente caso, verificase que o valor da mercadoria apreendida e o conseqüente imposto a ser apurado não têm o condão de lesar o bem jurídico tutelado, o que justifica, portanto, a aplicação do "Principio da Insignificância", eis que de outro modo não restaria estabelecida a devida proporcionalidade entre a lesão ao bem jurídico tutelado e a drasticidade da intervenção estatal. [...] Ora, se a própria fazenda autoriza a não inscrição na Divida Ativa da União de débitos inferiores de R$ 1.000,00 (mil reais) e o não ajuizamento de execuções fiscais inferiores a quantia de R$ 10.000, 00 (dez mil reais), qual seria a conveniência e oportunidade de se prosseguir com o presente procedimento administrativo, ante a Ínfima lesão ocasionada. Apenas a título de ressalva vale destacar que as mercadorias apreendidas sequer destinavamse ao comércio, mas sim para o simples uso próprio do subscritor desta, uma vez que reside nos fundos do estabelecimento comercial em comento. Ressaltase que os materiais apreendidos (cigarros) foram encontrados no depósito aos fundos do estabelecimento comercial, local este que faz parte da residência do contribuinte, comprovando que a destinação dos mesmo era única e exclusivamente para consumo próprio, o que descaracteriza por completo o Auto de Infração em referência. Por oportuno vale destacar que caso prospere a presente autuação e multa o contribuinte será excluído de plano do sistema SIMPLES, o que lhe trará enormes prejuízos e mesmo a inviabilização de seu negócio, tendo em vista tratarse de microempresa . Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 60 4 Concernente ao pedido expõe que: Desta feita espera o requerente seja reconhecida a insignificância da lesão perpetrada, arquivandose por conseqüência o questionado Auto de Infração. Por todo o exposto pede e espera o requerente/recorrente, que a decisão da DRJ/RPO seja reformada, para reconhecer e declarar os vícios formais presentes no Auto de Infração em comento, para o fim de se determinar sua completa anulação. Alternativamente, caso não seja anulado referido procedimento, seja o mesmo arquivado pela insignificância da lesão supostamente perpetrada, cancelandose a multa pecuniária imposta, bem como mantendo o contribuinte no Simples Nacional, sob pena de tornar sua atividade totalmente inviável e impossível de ser exercida, posto que é pequeno comerciante, de parcos recursos financeiros. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 61 5 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 62 6 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: Introdução [...] Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, Lavrado o Auto de Infração e Termo de ,Apreensão e Guardai Fiscal (AITAGF) n° 0810900/00892/09, constante do processo administrativo n° 10813 000643/200909, ficou demonstrada a ocorrência de fatos que configuram infração punível com á exclusão do Simples Nacional, nos termos do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. [...] Descrição Dos fatos Caracterizadores. Do Ilícito Conforme descrito no AITAGF supramencionado, houve apreensão efetuada pela Polícia Civil do Estado de São, Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando, no estabelecimento comercial da interessada, no endereço e na data constante do boletim de ocorrência anexo. (grifos acrescentados) O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/00892/09 e Boletim de Ocorrência n° 55/2009, fls. 0305. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 63 7 Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/00892/09 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10813.000643/200999 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no estabelecimento comercial da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 64 8 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 65 9 tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 66 10 postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1436.230, de 22.12.2011, efls. 2730, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Denotase dos autos ter sido a empresa excluída do Simples Nacional devido à constatação de comercialização de produtos objeto de contrabando ou descaminho. De acordo com os fatos documentados nos autos, em operação realizada pela ABCF – Associação Brasileira de Combate à Falsificação juntamente com a Polícia Civil de Bebedouro, foram encontrados e apreendidos 30 maços de cigarros da marca ‘Eight’ junto ao estabelecimento comercial da manifestante, sem que fosse apresentada a nota fiscal de aquisição do produto. Considerando que os fatos acima narrados constituem infração à disposição contida no artigo 29, VII da Lei Complementar nº 123/06, foi a empresa excluída de ofício do Simples Nacional. Não assiste razão à empresa ao afirmar a existência de vícios formais na presente lavratura fiscal, uma vez constarem nos autos todos os elementos necessários ao seu correto entendimento. Como já esclarecido acima, foi identificado o dispositivo legal infringido (artigo 29, VII da Lei Complementar nº 123/06) bem como a penalidade aplicada (exclusão de ofício do Simples Nacional), cumprindo, assim, a determinação contida no inciso IV do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. As exigências estabelecidas no inciso V do mesmo dispositivo acima mencionado não se aplicam ao presente auto de infração, por não se tratar de constituição de crédito tributário. Por esse mesmo motivo, não se vislumbra a aplicação de acréscimos legais. Observase que a exclusão foi procedida em conformidade com as disposições contidas na Resolução CGSN nº 15/2007, com a garantia ao contribuinte do direito de defesa, mediante apresentação da manifestação de inconformidade, não se vislumbrando qualquer vício capaz de ensejar a sua nulidade, como pretende a defesa. Da mesma forma, improcedentes os argumentos de mérito apresentados pela defesa. Observase que o contribuinte, apesar de insurgirse contra os fatos narrados na representação fiscal, não apresentou qualquer elemento apto a infirmar as informações ali constantes. Além disso, a efetiva propriedade dos bens apreendidos já ficou caracterizada no momento da apreensão, consignado em boletim de ocorrência. Dessa forma, o fato das mercadorias serem apreendidas em estabelecimento destinado ao comércio, fato não contestado pelo contribuinte, constitui causa Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 67 11 suficiente à demonstração da efetiva comercialização das mesmas, não merecendo acolhimento as alegações apresentadas pela defesa. Importante mencionar ser inaplicável, no âmbito administrativo, o princípio da insignificância muitas vezes utilizados no âmbito judicial para absolvição de réus em processo criminal. A sua aplicação nessa esfera de julgamento demandaria a aplicação de critério subjetivo inexistente na administração pública. Constatada, dessa forma, a efetiva incidência do contribuinte na situação prevista no inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/06, deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional. Finalmente, quanto ao efeito suspensivo mencionado pela manifestante, deve ser esclarecido que, nos termos do §3A do artigo 4o da Resolução CGSN nº 15/2007, na hipótese de impugnação ao termo de indeferimento, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 171, de 20.05.2010, fl. 13, com efeitos a partir de 01.03.2009. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. As circunstâncias de caráter privado não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10813.000625/201041 Acórdão n.º 1003000.125 S1C0T3 Fl. 68 12 responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721079/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10283.721079/2009-87
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879169
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-001.327
nome_arquivo_s : Decisao_10283721079200987.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 10283721079200987_5879169.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7362151
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589631348736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 734 1 733 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.721079/200987 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.327 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2018 Assunto COFINS Recorrente ELCOTEQ DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0119.718, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a empresa acima identificada, no valor de R$ 460.827,57 (incluídos a contribuição, a multa proporcional e juros calculados ate' 31.03.2010), referente à Cofins dos períodos de apuração fevereiro a junho, setembro e dezembro de 2005, decorrente da insuficiência de recolhimento/declaração da contribuição, em confronto com os dados RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 21 07 9/ 20 09 -8 7 Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10283.721079/200987 Resolução nº 3201001.327 S3C2T1 Fl. 735 2 informados pela empresa, conforme descrição dos fatos nas fls. 205/207. 2. Cientificada em 28.04.2010 (tl. 204) a interessada apresentou, tempestivamente, em 27.05.2010, impugnação (fls. 217/267) na qual, em síntese: a) Vende bens intermediários que fabrica para empresas localizadas fora da Zona Franca de Manaus (ZFM), que apuram a contribuição pelo regime não cumulativo e para empresas localizadas na ZFM, submetendose às alíquotas respectivas de três e zero por cento; b) Ressalta haver informado à Fiscalização erro no preenchimento do Dacon do primeiro trimestre, não tendo usufruído da alíquota reduzida da ZFM; c) Defende a impossibilidade do lançamento de ofício, por haver efetuado todos os pagamentos de forma acertada, inexistindo saldo devedor passível de cobrança; d) Requer a nulidade do Auto ante a impossibilidade do contraditório e da ampla defesa, uma vez que o Auto não mensura corretamente o montante supostamente devido, “por não discriminar os débitos corretamente ou por não descrever corretamente os fatos geradores que originam a cobrança administrativa”; e) A Fiscalização não cumpriu coma exigência do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF), e do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, pois a descrição dos ilícitos em nada tem haver com a disposição legal infringida; Í) “A Autoridade Administrativa simplesmente lançou valores na tabela constante do Auto de Infração em apreço sem se ater aos créditos que a impugnante fazia/faz jus, como também, olvidou que se trata de uma indústria incentivada da Zona Franca de Manaus com projeto aprovado pela Suframa”; g) Ainda sobre fundamentação e descrição dos fatos, alega ser imprescindível que o contribuinte seja notificado da causa que está ocasionando a cobrança da dívida; h) Reclama da multa abusiva, que fere o princípio da vedação do uso de tributo com efeito de confisco. Cita ADln nesse sentido; i) Aponta ilegalidade na utilização da taxa Selic como indexador tributário; j) Afirma novamente que houve erro no preenchimento do Dacon, não tendo sido levadas em consideração as alíquotas reduzidas a que tem direito, resultando disso o aumento infundado do valor cobrado pelo Fisco; k) Aduz que as declarações anexas à Instrução Normativa SRF n° 546, de 2005, não são requisitos para a fruição das alíquotas especiais da Zona Franca de Manaus, mesmo porque tal exigência somente surgiu em junho de 2005; Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10283.721079/200987 Resolução nº 3201001.327 S3C2T1 Fl. 736 3 l) A Autoridade Fiscal não considerou os créditos previstos no art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, no cálculo da Cofins devida; m) Da mesmo forma, a Fiscalização não averiguou que as receitas financeiras obtidas em 2005 foram todas recolhidas em 2006, de acordo com os comprovantes nas fls. 326/337 do Anexo II, resultando em saldo credor de R$ 105.934,91 (fls. 338/339 do mesmo Anexo II); n) Ao final requer a procedência de seus pleitos e que seja reconhecida a existência de crédito no valor de R$ 105.934,91, para utilização futura. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTo DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 PROVAS. A impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Tendo sido o lançamento feito com base em valores fornecidos pela própria autuada, mero demonstrativo elaborado pela impugnante não pode ser aproveitado como prova. DECADÊNCIA Após a edição as Súmula Vinculante n° 8, do STF, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito do PIS/Pasep segue a regra constante do CTN. Havendo antecipação da contribuição, o direito da Fazenda decai em cinco anos contados do fato gerador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A procedência parcial se deu exclusivamente em razão da exoneração de parte do crédito lançado, no valor de R$333.671,22, em função do reconhecimento de oficio da decadência dos primeiros dois períodos: 26. Observese pois que, na definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. 27. No caso presente verificase, através das cópias de Darf”s anexadas, a ocorrência de pagamento da contribuição em todos os períodos lançados, caracterizando a antecipação que conduz à contagem do prazo decadencial de acordo com o art. 150 do CTN. 28. Assim, tendo sido cientificado o contribuinte em 28.04.2010, encontravamse decaídos os créditos cujos fatos geradores ocorreram em 28.02.2005 e 31.03.2005 (PA°s fevereiro e março/2005). Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10283.721079/200987 Resolução nº 3201001.327 S3C2T1 Fl. 737 4 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, aduzindo preliminarmente, (i) a impossibilidade de realização do lançamento de ofício por não configuração das hipóteses previstas no art. 149 do CTN; (ii) violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa; (iii) abusividade da multa cobrada; (iv) ilegalidade da utilização da Taxa SELIC. No mérito, afirma que (v) não foram consideradas as alíquotas específicas da Zona Franca de Manaus; (vi) não foi observada a sistemática não cumulativa do art. 3º da Lei nº 10.833/2003; e que (vii) não foi considerado o recolhimento da COFINS sobre receitas financeiras. Não houve a interposição de Recurso de Ofício. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. Antes de se adentrar ao julgamento de presente feito, observo que este não se encontra maduro para julgamento. Quanto ao MÉRITO, as alegações da Recorrente são de que (v) não foram consideradas as alíquotas específicas da Zona Franca de Manaus; (vi) não foi observada a sistemática não cumulativa do art. 3º da Lei nº 10.833/2003; e que (vii) não foi considerado o recolhimento da COFINS sobre receitas financeiras. A análise de mérito realizada pela DRJ é singela: 14. O que parece ocorrer no presente caso é um certo descompasso entre o acompanhamento da ação fiscal feito por representante da empresa e a impugnação apresentada. 15. Por exemplo, a empresa reclama do não aproveitamento dos seus créditos, da desconsideração das alíquotas reduzidas a que teria direito, da exigência da declaração prevista na Instrução Normativa SRF n° 546, de 2005, e da não consideração da Cofins recolhida sobre as receitas financeiras. 16. Entretanto, o que se vê na ação fiscal é que, diante da informação da empresa de que teria errado no preenchimento dos seus Dacon, local onde indica o seu faturamento, a contribuição devida, os créditos aproveitados, etc., a mesma foi intimada pela Fiscalização a apresentar os corretos demonstrativos do faturamento das vendas para empresas da ZFM e de fora da área, com a apuração da respectiva Cofins. 17. De posse desses dados, a Autoridade simplesmente confrontouos com os confessados em DCTF, efetuando o lançamento da diferença. Dessa forma, foram lançados os valores de Cofins fornecidos pela própria interessada após a correção do erro nos Dacon originais, não havendo como concordar com os argumentos de que teriam sido desconsiderados créditos. Ademais, a impugnante não apresenta prova alguma de que teria cometido novo erro no levantamento apresentado para a Fiscalização. 18. Além disso, podese claramente ler na descrição dos fatos (fl. 207) que, diante da não apresentação da declaração objeto da Instrução Normativa SRF n° 546, de 2005, a Fiscalização verificou nos sistemas Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10283.721079/200987 Resolução nº 3201001.327 S3C2T1 Fl. 738 5 da Receita Federal que as destinatárias dos produtos atendiam às exigências da legislação (apuração da Cofins na forma não cumulativa), concluindo restar “justificada a aplicação da alíquota de 3% (três por cento) utilizada pelo contribuinte”. Ou seja, a Autoridade não só considerou as alíquotas reduzidas utilizadas pela empresa, como deixou de exigir as declarações de cuja validade reclama. 19. Quanto às receitas financeiras, vêse claramente que o levantamento feito considerou tão somente o faturamento referente às vendas de produtos, sem se ater a esse tipo de receita. Quanto às alíquotas aplicadas, insiste a Recorrente que se utilizouse indevidamente da alíquota de 7,6% da COFINS, quando o correto seria (i)na venda destinada à pessoa jurídica localizada fora da Zona Franca de Manaus (VTC VITEL COMERCIAL AMÉRICA LTDA.), que apure a COFINS no regime nãocumulativo, a Recorrente usufruirá da alíquota reduzida de 3% (três por cento) e (ii) na venda destinada à pessoa jurídica localizada na Zona Franca de Manaus (NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA.), que utilizará os BENS INTERMEDIÁRIOS para emprego em processo de industrialização, a Recorrente usufruirá da alíquota reduzida de 0 (zero). Com efeito, notase que o lançamento tributário aplicou a todas as vendas realizadas pela Recorrente à pessoas jurídicas localizada na Zona Franca de Manaus a alíquota de 3%, prevista na Lei nº 10.833/03: Art. 2oPara determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (...) § 5oExcetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida por pessoa jurídica industrial estabelecida na Zona Franca de Manaus, decorrente da venda de produção própria, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, que fica sujeita, ressalvado o disposto nos §§ 1oa 4odeste artigo, às alíquotas de:(Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) I 3% (três por cento), no caso de venda efetuada a pessoa jurídica estabelecida:(Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) a) na Zona Franca de Manaus; e(Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) Não obstante, não se verifica qualquer fundamento para a não utilização da alíquota zero prevista na Lei nº 10.637/2002, com Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004: Art. 5ºA Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas decorrentes da comercialização de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10283.721079/200987 Resolução nº 3201001.327 S3C2T1 Fl. 739 6 industriais ali instalados e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Lei nº 10.925, de 2004) Nesse aspecto, portanto, se faz imprescindível que a autoridade lançadora: (a) esclareça se as vendas realizadas pela Recorrente à empresa NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA. estão sujeitas à alíquota zero prevista no art. 5ºA Lei nº 10.637/2002, fundamentando sua conclusão. Também argumenta a Recorrente que a Fiscalização, ao compor as bases de cálculo da COFINS devida, deixou de observar o art. 3º da Lei nº 10.833/03 no que diz respeito aos créditos passíveis de utilização: Respeitando todos os pontos acima abordados, a Recorrente declarou corretamente, como pode se verificar na DACON do I° ao 4° Trimestre de 2005 (anexada à impugnação), todos os créditos que fazia/faz jus, em consonância com o artigo 3° da Lei 10.833/2003. Então, para o cálculo do montante autuado, a autoridade administrativa deveria, em cumprimento à norma apresentada, considerar os créditos aos quais a legislação normativa dá direito a Recorrente, sob pena na mantença de tal desconsideração de descumprimento de dois dos Princípios pelos quais a Administração Pública é regida LEGALIDADE E EFICIÊNCIA. Portanto, é totalmente improcedente a cobrança da COFINS, uma vez que os créditos dispostos artigo 3° da Lei 10.833/2003 nao foram considerados no cômputo da cobrança administrativa. De fato, em havendo créditos escriturados em DACON, a sua não utilização pela Fiscalização deve ser fundamentada com as devidas razões de glosa. Não há, no Relatório Fiscal, tampouco no acórdão recorrido, qualquer menção a tais créditos escriturados em DACON. Assim, é imprescindível a manifestação fiscal no seguinte sentido: (b) que informe se os créditos de COFINS escriturados em DACON foram apropriados na apuração da contribuição devida e, caso negativo, que fundamente as razões de glosa. Há, ainda, alegação da Recorrente no sentido de que não foram observados pela Fiscalização os recolhimentos de COFINS sobre receitas financeiras no período autuado. Com efeito, todos os recolhimentos realizados no período autuado devem ser analisados no lançamento de ofício, bem como a correção da base de cálculo e alíquotas aplicadas. Assim, é também imprescindível que a Autoridade Fiscal: Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10283.721079/200987 Resolução nº 3201001.327 S3C2T1 Fl. 740 7 (c) esclareça se, na apuração da COFINS devida, considerou as receitas financeiras obtidas, a alíquota aplicável a estas e a existência de recolhimento no período. Pelo exposto, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade lançadora responda as quesitos (a), (b) e (c) formulados, podendo intimar o contribuinte a apresentar quaisquer informações ou documentos que entenda necessário. Ao final, elabore Relatório detalhado de diligência com as informações solicitadas e outras que entenda necessárias ao julgamento do feito. Após, intimese a Recorrente para se manifestar pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 741DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902601/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas.
O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
Numero da decisão: 1401-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10983.902601/2011-57
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5883083
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.557
nome_arquivo_s : Decisao_10983902601201157.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10983902601201157_5883083.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7370277
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589640785920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.902601/201157 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.557 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria IRPJ Recorrente PHD PATOLOGIA HUMANA DIAGNOSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 26 01 /2 01 1- 57 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.902601/201157 Acórdão n.º 1401002.557 S1C4T1 Fl. 3 2 Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte apresentada em virtude de não ter reconhecido o direito creditório pleiteado e de não homologar a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP, para manter o crédito tributário exigido. Ao compulsar dos autos, percebese que “a matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico , exarado pela Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC, no qual não foi homologada a DCOMP, sob o argumento de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Diante disto, a Derat/SC – Florianópolis, não homologou a compensação declarada, exigindo o recolhimento dos débitos, com os respectivos acréscimos legais. Exigiu se os valores devedores indevidamente compensados. A Ciente da autuação, o interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: 1. PRELIMINAR: DA DECISÃO JUDICIAL QUE DECLAROU A NATUREZA HOSPITALAR DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELA REQUERENTE AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA A EDIÇÃO DO ATO IMPUGNADO: Diz que há uma questão prejudicial à lavratura do Despacho Decisório, tendo em vista que fora judicialmente reconhecida a natureza hospitalar dos serviços de patologia, autorizando lhes a aplicar o percentual de 8% (IRPJ) e 12%CSLL, para efeitos de determinação da base de calculo (lucro presumido)”. 2. NO MÉRITO: O contribuinte alegou haver ingressado com ação ordinária junto à 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Itajaí/SC, que recebeu o nº 500001672.2010.404.7208, objetivando o reconhecimento do direito de recolher o IRPJ e a CSLL aplicando os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta e, ainda, o direito de compensar os recolhimentos a maior já efetuados (alíquota de 32%). 3. Diz que obteve decisão judicial que suspendeu a exigibilidade em relação aos créditos tributários correspondentes. E que, uma vez reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços prestados não restam dúvidas no sentido de que a compensação levada a efeito, cujo crédito apurado decorre de pagamentos indevidos de IRPJ e CSLL, pela aplicação equivocada do percentual de 32% é plenamente legítima, devendo, pois, ser homologado o procedimento Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.902601/201157 Acórdão n.º 1401002.557 S1C4T1 Fl. 4 3 de compensação. E que, partindo da premissa que o crédito utilizado para compensação é plenamente legitimo, o entendimento externado no r. Despacho Decisório, configura uma hipótese de negativa de vigência ao disposto no art. 74, da Lei n. 9.430/96”. 4. Requereu que seja: "(a) recebida a presente manifestação de inconformidade, para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional; (b) decretada a nulidade do r. Despacho ...; ou, então, (c) seja este integralmente reformado, tendo em vista que fora reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços de patologia prestados”. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008. DIREITO CREDITÓRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Não encontra amparo legal a pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. 1. É vedada a compensação de débitos com direito creditório discutido judicialmente, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. 2. Somente o trânsito em julgado da decisão judicial no processo no qual se discute a determinação do crédito do contribuinte pode atribuir a este os requisitos de liquidez e certeza sem os quais a compensação declarada não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Isto porque, segundo entendimento da Turma, a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. E que, além disso, cumpre observar que se encontra prejudicada a apreciação do mérito do direito ao crédito e de sua compensação, na medida em que não encontra amparo à pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial”. E no que tange à possibilidade de se compensar os indébitos discutidos na ação ordinária ajuizada pela impugnante, notase que “nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001, citado na própria sentença, é vedada a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Conclui a turma julgadora que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.902601/201157 Acórdão n.º 1401002.557 S1C4T1 Fl. 5 4 pertinente”. Dessa forma, a manifestação fora julgada improcedente, culminandose com a não homologação da compensação objeto da DCOMP. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando seguintes as razões: 1. DA PROTEÇÃO DA SEGURANÇA JURÍDICA DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ: Aduz que a compensação levada a efeito, pautouse por entendimento já preconizado pela própria administração fazendária, o acórdão recorrido acabou vulnerando os princípios da segunda jurídica, da proteção da confiança e da boafé, devendo, portando, ser modificado. 2. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 170 A (CTN): Aduz que ao se tratar de compensação de indébito resultante de enquadramento legal equivocado, não tem aplicabilidade o disposto no art. 170A, já que nessa hipótese, para constatarse a configuração do indébito, não haverá necessidade de pronunciamento judicial. E que, em decorrência do recolhimento de tributo a maior, a recorrente tem direito ao justo ressarcimento do indébito mediante exercício do direito protestativo de compensação, independentemente de prévia autorização judicial ou administrativo. 3. DA VERIFICAÇÃO E APURAÇÃO DO INDÉBITO RELATIVO AO CRÉDITO COMPENSADO: Afirma que em razão dos amplos poderes de fiscalização da Receita Federal, a compensação levada a efeito não deveria ter sido rejeitada de plano eventualmente pela falta de retificação da DCTF em que fora declarado o tributo indevido. Informa que tal entendimento é baseado no art. 165, II do CTN, em que assegura que a restituição (no caso por compensação) do pagamento indevido mesmo quando o tributo for recolhido a maior em função de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação de alíquota aplicada, no calculo do montante de debito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento 4. Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto para modificar o acórdão recorrido, homologandose a compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10983.902601/201157 Acórdão n.º 1401002.557 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.553, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.902599/2011 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.553): "[...] O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide versa sobre o direito de compensar a diferença de alíquotas do IRPJ e CSLL atribuídos por força da utilização do percentual reduzido de 8% e 12% na apuração do lucro presumido por ocasião da equiparação hospitalar, desde que o contribuinte seja constituído de fato e de direito como sociedade empresária. Não é caso novo nesse Conselho. A DRJ manteve o crédito tributário sob o entendimento de que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Entretanto, como bem observado pela DRJ “a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. Não é caso novo nesse Conselho a análise sobre as alíquotas aplicáveis e o enquadramento como serviços de natureza hospitalar. DO ENQUADRAMENTO DE SERVIÇOS HOSPITALARES: É cediço, que o Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria atinente à aplicação de alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10983.902601/201157 Acórdão n.º 1401002.557 S1C4T1 Fl. 7 6 O critério eleito é de cunho objetivo e concerne “à natureza do serviço que deve ser relacionado à promoção da saúde e ter custo diferenciado, excluídas, assim, as receitas decorrentes de simples consultas médicas e demais atividades administrativas”, senão vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10983.902601/201157 Acórdão n.º 1401002.557 S1C4T1 Fl. 8 7 consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". (STJ, REsp 1.369.763/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24/6/2013; AgRg no REsp 1.383.586/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 1/10/2015). Coadunase ao entendimento pacificado do STJ, o seguinte julgado: Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015. Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Forçoso reconhecer, portanto, o direito da empresa recorrente ao recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, no mesmo patamar exigido das entidades prestadoras de serviços hospitalares, previsto nos arts. 15, § 1º, III, "a" (IRPJ) e 20 da Lei n. 9.249∕95 (CSLL). Desta feita, restandolhe assegurado o direito ao recolhimento no mesmo patamar das prestadoras de serviços hospitalares, também lhe é assegurado o direito à restituição ou compensação dos valores pagos a maior. FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DO ADVENTO DA LEI Nº 11.727/08: Em que pese não tenha sido objeto da decisão recorrida vez que a mesma não adentrou ao mérito, cumpre enfrentar a matéria. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10983.902601/201157 Acórdão n.º 1401002.557 S1C4T1 Fl. 9 8 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Acerca do efeito vinculante para a Administração Tributária Federal de teses jurisprudências pacificadas, fazse necessário a transcrição da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1 de 12 de fevereiro de 2014: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ...V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8oda portariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10983.902601/201157 Acórdão n.º 1401002.557 S1C4T1 Fl. 10 9 "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendose em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10983.902601/201157 Acórdão n.º 1401002.557 S1C4T1 Fl. 11 10 forma de sociedade empresária." (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014). Ocorre que, somente após o advento da Lei 11.727/08 é que houve a instituição do requisito legal de ser uma sociedade empresária para poder usufruir do beneficio legal da tributação favorecida. Antes de janeiro de 2009, os contribuintes poderiam estar organizados sob a forma de sociedade simples, sem que isso interferisse na obtenção do referido benefício fiscal. Não há obrigatoriedade de ser constituída como sociedade empresária para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/01/2009, data em que passou a produzir efeitos o art. 29 da Lei n. 11.727/2008. Somente após esta data, é que se deve observar as alterações e imposições trazidas pelo texto legal. In casu, o auto de infração fora lavrado com exigências tributárias referentes aos anoscalendários de 2006/2007/2008, de modo que as alterações trazidas pela Lei nº 11.727/08 não podem retroagir para abarcar fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei. Ademais, admitir a modulação dos efeitos da Lei 11.727/2008 para fatos pretéritos, é aceitar uma modificação de critério jurídico vedado pelo art. 146 do CTN, na medida em que se traz eficácia retroativa aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (CTN). [grifase]. Outrossim, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido, inclusive tratandose acerca da irretroatividade da lei para fatos pretéritos, a saber: As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda à receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. (STJ Tema 217). [grifo nosso]. Diante do exposto, verificandose que o fiscalizada presta serviços laboratoriais de análises clínicas, serviços esses que estão inseridos no conceito de atividades hospitalares e Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10983.902601/201157 Acórdão n.º 1401002.557 S1C4T1 Fl. 12 11 levando em consideração a irretroatividade da Lei 11.727/08 para fatos geradores pretéritos, faz jus a contribuinte ao recolhimento do IRPJ e da CSLL às alíquotas de 8% e 12%, nos termos da Lei nº 9.249/95 (arts. 15, § 1º, inciso III, alínea a, e 20, caput). CONCLUSÃO: Dessa forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, razão pela qual lhe assiste o direito de compensar os pagamentos feitos a maior. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.722136/2013-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10320.722136/2013-38
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893859
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.136
nome_arquivo_s : Decisao_10320722136201338.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10320722136201338_5893859.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
id : 7399145
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1525; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.722136/201338 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.136 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de novembro de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente JOÃO DE DEUS DE FRANCA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 35/39), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2011, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 21 36 /2 01 3- 38 Fl. 87DF CARF MF 2 anocalendário de 2010, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 11.228,12. O contribuinte apresentou impugnação (f. 1), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RIO DE JANEIRO de f. 44/46. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 56/58. Em síntese, alega que todas as despesas estão representadas por documentação que apresenta. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O contribuinte apresenta documentação suficiente para comprovar as despesas ocorridas despesas de saúde. À f. 64, consta Nota Fiscal, emitida por"Ultrimagem", no valor de R$ 250,00. À f. 65, foi anexado o recibo, no valor de R$ 100,00, emitido por Jamilia Arraes da Silva Veiga. Por fim, o documento de f. 81 comprova que os valores pagos ao Plano de Saúde referemse a gastos do próprio declarante e seus dependentes. Desta forma, deve ser afastada a glosa da dedução despesas médicas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10320.722136/201338 Acórdão n.º 2001000.136 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 89DF CARF MF
_version_ : 1713050589649174528
score : 1.0
Numero do processo: 11075.720958/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 05/01/2009 a 20/10/2011
NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADOS DE ORIGEM DA MERCADORIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.
A utilização, como fundamento do auto de infração, de ato declaratório executivo expedido ao cabo do processo de investigação de origem no qual a Administração Tributária não especifica os fatos e as razões que conduziram à desqualificação dos certificados de origem eiva o auto de infração de nulidade insanável, rendendo ensejo à decretação de sua nulidade por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 3402-005.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo que negavam provimento ao recurso por considerarem que o lançamento foi corretamente motivado no Relatório Fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 05/01/2009 a 20/10/2011 NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADOS DE ORIGEM DA MERCADORIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. A utilização, como fundamento do auto de infração, de ato declaratório executivo expedido ao cabo do processo de investigação de origem no qual a Administração Tributária não especifica os fatos e as razões que conduziram à desqualificação dos certificados de origem eiva o auto de infração de nulidade insanável, rendendo ensejo à decretação de sua nulidade por cerceamento do direito de defesa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11075.720958/2012-13
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891747
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.541
nome_arquivo_s : Decisao_11075720958201213.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 11075720958201213_5891747.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo que negavam provimento ao recurso por considerarem que o lançamento foi corretamente motivado no Relatório Fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7390898
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589653368832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 156 1 155 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11075.720958/201213 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.541 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente ATAR DO BRASIL DEFENSIVOS AGRÍCOLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/01/2009 a 20/10/2011 NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADOS DE ORIGEM DA MERCADORIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. A utilização, como fundamento do auto de infração, de ato declaratório executivo expedido ao cabo do processo de investigação de origem no qual a Administração Tributária não especifica os fatos e as razões que conduziram à desqualificação dos certificados de origem eiva o auto de infração de nulidade insanável, rendendo ensejo à decretação de sua nulidade por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo que negavam provimento ao recurso por considerarem que o lançamento foi corretamente motivado no Relatório Fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 09 58 /2 01 2- 13 Fl. 813DF CARF MF 2 Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de São Paulo/SP (fls 680 e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: O Auto de Infração Tratase de auto de infração lavrado na Inspetoria da Receita Federal do Rio de Janeiro, contra a empresa ATAR DO BRASIL DEFENSIVOS AGRÍCOLAS LTDA, CNPJ 07.062.344/000174, doravante denominada impugnante, referente a cobrança do Imposto de Importação e juros de mora, no valor de R$ 3.854.141,71 (Três milhões, oitocentos e cinquenta e quatro mil e setenta e um centavos) devido ao não reconhecimento da redução tarifária solicitada pelo importador no despacho de importação, redução esta no âmbito do Acordo de Complementação Econômica no 18 (ACE 18) do MERCOSUL. O auto de infração foi lavrado em procedimento de revisão aduaneira, e o não reconhecimento da redução tarifária solicitada pelo importador, quando do despacho aduaneiro, deveuse ao Processo Aduaneiro de Investigação da Origem da Mercadoria, de acordo com o estabelecido no Decreto no 5455/2005 e na IN SRF 149/2002, que concluiu que os certificados de origem apresentados pela impugnante nos despachos de importação referentes às declarações de importação englobadas neste PAF, não atendiam aos requisitos estabelecidos nas citadas normas, conforme declarado pelo Ato Declaratório Executivo Coana no 22 de 2011. Dos Fatos Consta do Termo de Encerramento que instrui o auto de Infração: 3. DA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO E DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO que a impugnante é controlada diretamente pela sociedade empresária limitada Atanor do Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob o número 01.789.121/000127, e vinculada à empresa domiciliada no exterior Atanor S.C.A., inscrita no CNPJ sob o número 05.737.149/000171. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 11075.720958/201213 Acórdão n.º 3402005.541 S3C4T2 Fl. 157 3 no período de 2009 a 2011, o interessado efetuou inúmeras operações de importação da mercadoria "herbicida à base de glifosato", classificada no código tarifário da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 3808.93.24, produzida pela empresa Atanor S.C.A., da Argentina. para que a referida mercadoria fosse importada com a aplicação do tratamento tributário preferencial para mercadorias originárias dos Estados Partes do Mercosul, essa deveria satisfazer o requisito de origem estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18, Anexo I, qual seja, mudança de posição tarifária e 60% de valor agregado regional diante disso, nas operações de importação do período analisado, para a comprovação da origem das mercadorias, foram apresentados pelo interessado Certificados de Origem emitidos pela Câmara de Exportadores de la Republica Argentina, indicando em seu campo 13 (Normas de Origem) o cumprimento do requisito específico de origem nos seguintes molde: (........) Dessa forma, em razão da apresentação dos Certificados de Origem do Mercosul, as mercadorias foram contempladas com o correspondente tratamento tarifário preferencial, e desembaraçadas com redução integral do Imposto de Importação (I.I.). O Anexo I a este relatório elenca as DI(s) objetos da presente fiscalização, contendo as descrições das mercadorias importadas e os respectivos Certificados de Origem do Mercosul vinculados aos despachos de importação. 3.1 DA INVESTIGAÇÃO DE ORIGEM DA MERCADORIA "HERBICIDA À BASE DE GLIFOSATO" Por meio do Ato Declaratório Executivo Coana nº 02/2011, de 23 de março de 2011, publicado no DOU de 28 de março de 2011, foi aberto processo aduaneiro de investigação de origem em relação à mercadoria "herbicida à base de glifosato" produzida pela empresa Atanor S.C.A., da Argentina, O prazo para a conclusão da investigação foi prorrogado pelo Ato Declaratório Executivo Coana nº 14/2011, de 22 de setembro de 2011, publicado no DOU de 23 de setembro de 2011. Concluída a investigação, o processo foi encerrado pelo Ato Declaratório Executivo Coana nº 22/2011, de 21 de dezembro de 2011, publicado no DOU de 26 de dezembro de 2011, nos seguintes termos: Fl. 815DF CARF MF 4 Ato Declaratório Executivo Coana nº 22, de 21 de dezembro de 2011 DOU de 26.12.2011 Dispõe sobre o encerramento do Processo Aduaneiro de Investigação de Origem aberto pelo ADE Coana nº 2/2011. O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 129, inciso IV, da Portaria MF no 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos artigos 27 e 32, Anexo, do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica no 18 – ACE 18, internalizado por meio do Decreto no 5.455, de 02 de junho de 2005, e nos artigos 19 e 20, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 149, de 27 de março de 2002, declara: Art. 1º Concluída, com base no Relatório Fiscal Coana/Cotac/Dinom no 2011/2, o Processo Aduaneiro de Investigação de Origem da mercadoria "herbicida à base de glifosato", classificada no código tarifário da Nomenclatura Comum do Mercosul 3808.93.24, produzida pela empresa Atanor S.C.A., na Argentina, aberto por meio do ADE Coana no 2, de 23 de março de 2011, e prorrogado pelo ADE Coana no 14, de 22 de setembro de 2011. Art. 2º Desqualificados os Certificados de Origem, abaixo relacionados, com consequente exclusão do tratamento tarifário preferencial, por ter sido comprovado que a mercadoria por eles amparada não cumpriu com o requisito específico estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 – Anexo I: MANDADO DE SEGURANÇA Nº 000419443.2012.4.01.3400 O Ato Declaratório Executivo (ADE) Coana nº 22 de 21 de dezembro de 2011 encerrou o processo de investigação de origem aberto pelo ADE Coana nº 2, prorrogado pelo ADE Coana nº 14, findo o qual foram desqualificados os Certificados de Origem nele relacionados e negado o tratamento preferencial para o desembaraço aduaneiro de novas importações referentes a (i) herbicidas à base de glifosato classificados no código NCM 3808.93.24 e (ii) produzido pela empresa ATANOR S.C.A. A empresa exportadora, ATANOR S.C.A insurgiuse contra o ato e impetrou Mandado de Segurança nº 0004194 43.2012.4.01.3400 com pedido de liminar pedindo a nulidade dos Atos Declaratórios Executivos Coana nº 2, 14 e 22/2011, e também do processo que investigou a origem da mercadoria. Em 13 de abril de 2012, liminar deferiu suspensão dos efeitos do ADE Coana nº 22/2011. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Considerando que o Crédito Tributário deste Auto de Infração foi lançado em decorrência da desqualificação dos Certificados de Origem fundamentada no processo de Investigação de Origem, que é o objeto do Mandado de Segurança nº 000419443.2012.4.01.3400, por força do artigo Fl. 816DF CARF MF Processo nº 11075.720958/201213 Acórdão n.º 3402005.541 S3C4T2 Fl. 158 5 151 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966, o mesmo foi constituído porém encontrase suspenso. Diante de todo o exposto temos que o presente auto de infração foi lavrado para prevenir a decadência de crédito suspenso por decisão judicial nos termos do artigo 86 do Decreto no 7574 de 2011. Do auto de infração a impugnante tomou ciência em 23/07/2012 (fl. 526) e apresentou impugnação tempestiva em 22/08/2012. A Impugnação A impugnante inicia sua defesa com o item III.1 onde cita que: entrou com Mandado de Segurança n° 0004194 43.2012.4.01.3400 junto à 13ª Vara da Justiça Federal de Brasília/DF, buscando que seja decretada a nulidade dos Atos Declaratórios Executivos 02, 14 e 22 de 2011, e ainda, de todo o processo administrativo de investigação de origem; não há que se falar em concomitância entre o Mandado de Segurança e este PAF de modo a impedir o julgamento da impugnação, por outro lado, a concessão da segurança, reconhecendo a nulidade do Ato Declaratório, torna insubsistente o auto de infração. Afinal este possui como único fundamento a desqualificação dos Certificados de Origem por meio do ADE n° 22/11; A impugnação continua no item III.2, é feita uma abordagem sobre motivação e fundamentação do auto de infração, com transcrição da legislação vigente e de decisões do CARF e de tribunais. Estas transcrições em síntese mencionam que: deve constar no auto de infração motivação ou fundamentação claras e suficientes, devendo o mesmo de abranger as circunstâncias de fato e de direito necessárias à correta compreensão, pela impugnante, das razões que levaram a autoridade fiscal a promover o lançamento, bem como quais são exatamente as infrações que lhe estão sendo imputadas. cumpre à autoridade obediência aos preceitos legais exigidos para o lançamento, previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 10 do Decreto 70235/1972, isso porque a existência de omissões ou ausência de descrição dos elementos essenciais que constituem a hipótese de incidência, macula o lançamento como um todo, pois inviabiliza a completa compreensão da acusação fiscal, e por conseguinte restringe o direito à ampla defesa. conforme acórdão no 30127.640 do CARF, vêse na autuação em análise, um caso concreto de ausência da Fl. 817DF CARF MF 6 hipótese legal supostamente não atendida pela impugnante (requisitos específicos de origem) quanto da documentação que teria deixado de ser apresentada, e especificamente da comprovação de vício do certificado de origem. Segue sobre o tema com considerações sobre o certificado de origem. No item III.3 de sua defesa, a impugnante fala da Ausência de Motivação e Fundamentação do Auto de Infração e sua Consequente Nulidade. Sobre o tema, alega que: do que consta no auto de infração, a suposta infração imputada à impugnante seria decorrente de duas situações, quais sejam i) deixar de cumprir os requisitos específicos estabelecidos no XLIV Protocolo Adicional ao ACE Anexo i e ii) não terem sido fornecidas as informações necessárias para determinar a veracidade dos dados neles contidos, contudo não é especificado no auto de infração qual das situações ensejou a lavratura do auto de infração. em realidade valsese a autuação essencialmente do Ato Declaratório Executivo COANA no 22/11, que tampouco especifica exatamente qual das duas situações teriam sido desatendidas, limitandose a dispor que a investigada (exportadora) não cumpriu com o requisito específico estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE – Anexo I. Na continuidade de sua defesa a impugnante faz alegações referentes a desqualificação do certificado de origem, que constam os subitens 3.3.14, 3.3.15 (fl. 540), não abordados no auto de infração, e observa que desta forma o fiscal autuante considerou que somente a desqualificação dos certificados de origem seria suficiente para a lavratura do auto de infração, sendo desnecessário para a lavratura do auto especificar qual a infração que teria sido cometida pela impugnante. Sobre a necessidade de saber qual infração cometeu alega que: além de fazer necessária a demonstração da infração nestes autos de maneira independente, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa da autuada, sequer o Ato Declaratório traz por si só comprovação do suposto desatendimento, pela impugnante às regras tributárias. Nos itens 3.3.18, 3.3.19, 3.3.20. fala sobre a nulidade do ADE no 22. Sobre o referido ADE, ainda menciona que “ se a fiscalização pretende lavrar o Auto de Infração sob o fundamento de que os requisitos não foram atendidos, o ônus de provar a ausência de atendimento a esses requisitos é da própria fiscalização, e não pode ser transferido para a impugnante, ainda que se oportunize a realização desta prova.’ Nas alegações que se seguem a impugnante ressalta que não foi tratado no auto de infração quais os motivos referentes à desclassificação do certificado de origem e ressalta que tal fato impede a realização de sua defesa, Fl. 818DF CARF MF Processo nº 11075.720958/201213 Acórdão n.º 3402005.541 S3C4T2 Fl. 159 7 mesmo porque a impugnante não teve acesso nem mesmo ao relatório conclusivo do citado procedimento. Cita o artigo 29 do referido XLIV Protocolo do Adicional ao ACE 18, que dispõe: Artigo 29 – A autoridade competente do Estado Parte Importador comunicará ao Importador e à autoridade competente do Estado Parte Exportador o encerramento da investigação e a medida adotada em relação à investigação de origem da mercadoria, expondo os motivos que determinaram a decisão. De todo o exposto sobre motivação, em síntese a impugnante alega que devido às deficiências em sua motivação/fundamentação, o auto de infração está eivado de nulidade em virtude da preterição ao direito de defesa do contribuinte. A disposição do parágrafo único do artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 149/02 não autoriza que a autuação seja desprovida de seus requisitos essenciais de validade. O fato de haver Ato Declaratório Executivo desqualificando os Certificados de Origem não permite à Fiscalização que se valha tão somente deste para instruir e fundamentar o auto de infração No item III.4 – que trata da Nulidade do Auto de Infração em Virtude do Vício de Prazo na Investigação, a impugnante alega que: o procedimento de investigação de origem, que tem prazo máximo previsto na legislação de 180 (cento e oitenta) dias foi concluído 270 (duzentos e setenta) dias após o seu início. No item III. 5 – Da impossibilidade de Aplicação de Penalidade, Cobrança de Juros de Mora e Atualização da Base de Cálculo dos Tributos – Incidência do parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional, a impugnante alega que: Com base no disposto no artigo 100, Inciso III, impõese a exclusão de todas as penalidades aplicadas, bem como os juros de mora cobrados no auto de infração e, ainda a base de cálculo do tributo. Sobre o tema a impugnante menciona: “Vejase, portanto, que, com o desembaraço aduaneiro dos produtos importados pela impugnante, tevese a confirmação e, assim, a homologação expressa das informações prestadas e dos atos praticados pela impugnante, e aí incluída a redução tarifária decorrente da importação de mercadorias beneficiadas pelo ACE 18, bem como a homologação expressa do lançamento por ela realizado em relação aos tributos incidentes na importação, com a redução tributária prevista no referido Acordo de Complementação Econômica.” Fl. 819DF CARF MF 8 O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de São Paulo/SP, cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 05/01/2009 a 20/10/2011 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA. Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mencionada no art. 62 do Decreto 70.235/72, fazse necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento. DESPACHO ADUANEIRO – HOMOLOGAÇÃO O despacho aduaneiro não constitui homologação das informações da declaração de importação, uma vez que se trata de procedimento com etapas distintas, definidas por legislação própria que visa somente o desembaraço das mercadorias no procedimento de importação. REVISÃO ADUANEIRA O procedimento de revisão aduaneira não se trata de uma revisão de lançamento, pois seu objeto é uma declaração do agente contribuinte(importador/exportador) e o sistema jurídico tributário brasileiro não aceita lançamento feito por particular. Este lançamento só ocorre de fato, quando da homologação expressa ou tácita da declaração do sujeito passivo. HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO NO DESPACHO DE IMPORTAÇÃO Incorreto o entendimento de que a homologação do crédito tributário devido na importação ocorre na fase de despacho aduaneiro, uma vez que a análise da exatidão dos valores dos impostos devidos na importação, por previsão legal expressa do Decreto Lei 37/66 artigo 54 realizase no procedimento de revisão aduaneira, que deve ser entendida a fase de homologação dos créditos tributários na importação, e não como a revisão de lançamento. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, reiterando as razões anteriormente expostas em sua impugnação. É o relatório necessário. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Fl. 820DF CARF MF Processo nº 11075.720958/201213 Acórdão n.º 3402005.541 S3C4T2 Fl. 160 9 O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme despacho de fls 751, e o patrono encontrase regularmente constituído nos autos, conforme procuração juntada em fls. 784 e 785 – ratificando aquela de fls. 751 e 752 , de modo que dele tomo conhecimento. Ao analisar as razões que deram origem ao presente lançamento tributário (fls 455 e fls 494 a 513), bem como as razões de defesa aduzidas tanto em sede de impugnação como de recurso voluntário, constato que se trata de caso rigorosamente igual aquele julgado por este Colegiado por meio do Acórdão 3402003.700, em 15/12/2016, envolvendo empresa do mesmo grupo da Recorrente. Naquela oportunidade, o Conselheiro Relator Antonio Carlos Atulim apresentou minucioso voto sobre as questões envolvidas no processo, reconhecendo a nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação. Transcrevo a seguir as suas palavras: Conforme deflui do relatório, realmente não existe concomitância entre o Mandado de Segurança 419443.2012.4.01.3400/DF e este processo administrativo, em razão dos seguintes motivos: a) no Mandado de Segurança a impetrante é a ATANOR SCA da Argentina (exportador), enquanto que neste processo o sujeito passivo é a ATANOR DO BRASIL S/A (importador) [aqui leiase ATAR DO BRASIL DEFENSIVOS AGRÍCOLAS LTDA]; e b) o objeto do writ é a concessão de segurança para anular o processo administrativo de investigação da origem e os atos declaratórios da COANA, ao passo que o objeto deste processo administrativo é a exigência do imposto de importação, com fundamento na desqualificação dos certificados de origem. Tratandose de processos nos quais as partes e os objetos são distintos, não há que se cogitar de uma relação de concomitância entre eles, pois essa relação pressupõe a existência de identidade entre as partes e os objetos dos processos judicial e administrativo. O que existe entre o Mandado de Segurança e este processo administrativo é uma relação de prejudicialidade, pois se ao final do processo judicial a segurança for concedida nos moldes em que fora pleiteada pelo exportador, o ADE COANA nº 22/2011 será declarado nulo, fato que tornará insubsistente o auto de infração albergado neste processo. Por outro lado, se a segurança for denegada com julgamento de mérito, a higidez do ADE COANA nº 22/2011 estará declarada com a eficácia da coisa julgada, fato que por si não implica a manutenção automática do auto de infração em julgamento, pois nos recursos administrativos existem outros argumentos voltados exclusivamente ao ataque da autuação. Nos recursos apresentados neste processo a defesa bateu firme no auto de infração e no processo administrativo de investigação de origem. Mas os argumentos voltados ao ataque do processo de investigação de origem e do ADE COANA nº 22/2011 não podem ser apreciados no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários. Nesse sentido, com razão a turma de julgamento da DRJ na parte em que Fl. 821DF CARF MF 10 deixou de conhecer dos argumentos relativos ao processo de investigação de origem e dos Atos Declaratórios expedidos pela CONA, pois aquele processo não está sujeito ao rito do Decreto nº 70.235/72. Se o contribuinte não tem direito de participar daquele processo e nem de impugnar o ADE que desqualificou os certificados de origem, não há sentido em que a DRJ ou o CARF tomem conhecimento de tais argumentos, pois nenhum desses órgãos possui competência legal para alterar a decisão contida no ADE COANA nº 22/2011. A competência dos órgãos administrativos de julgamento (DRJ e CARF) limitase à aferição da legalidade do auto de infração albergado neste processo, com base no litígio que foi instaurado pelo contribuinte ao impugnálo (art. 15 do Decreto nº 70.235/72). Nesse sentido, cabe apenas a análise dos argumentos voltados diretamente ao ataque do auto de infração, quais sejam: a) nulidade por cerceamento de defesa; b) suspensão deste processo com base na liminar deferida no Mandado de Segurança até o desfecho da ação judicial; e c) exclusão dos acessórios por aplicação do art. 100, III, do CTN. No que se refere à nulidade por cerceamento de defesa, o art. 5º, LV, da Constituição estabelece que a garantia do contraditório e da ampla defesa se aplica tanto aos processos judiciais quanto aos administrativos. Concretizando essa garantia, o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99 determinam a indicação dos fatos e fundamentos que lastreiam a expedição de atos administrativos, bem como que a motivação seja clara, explícita e congruente. No caso concreto, a fiscalização motivou o lançamento de ofício do imposto de importação em outro ato administrativo (o ADE COANA nº 22/2011), por meio do qual a Administração Tributária desqualificou os certificados de origem apresentados pelo contribuinte em razão de dois fatos a saber: a) ter sido comprovado que a mercadoria amparada por parte dos certificados de origem não cumpriu com o requisito específico estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 Anexo I (art. 2º); e b) por não terem sido fornecidas as informações necessárias para determinar a veracidade dos dados contidos em outra parcela dos certificados de origem (art. 3º). Observem senhores conselheiros que o art. 2º do ADE COANA nº 02/2011 não especifica qual foi o requisito estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 que deixou de ser cumprido pelo exportador. Segundo a transcrição abaixo, a fiscalização apenas indicou quais são os requisitos estabelecidos no XLIV do Protocolo Adicional ao ACE 18, mas não declinou qual deles não teria sido cumprido pelo exportador e nem as razões pelas quais a Administração considerou que o requisito não teria sido cumprido (fl. 158) [no presente processo, leiase fls 502]: (...) Fl. 822DF CARF MF Processo nº 11075.720958/201213 Acórdão n.º 3402005.541 S3C4T2 Fl. 161 11 Relativamente aos certificados desqualificados pelo art. 3º do ADE COANA nº 02/2011, verificase que nem o seu texto e nem o texto do Relatório de Fiscalização declinaram quais teriam sido as informações necessárias que não foram prestadas e nem quem teria deixado de prestálas. Portanto, este relator entende que o ato administrativo de lançamento tributário foi efetuado sem motivação, fato que não permitiu ao contribuinte exercer plenamente seu direito ao contraditório e à ampla defesa, uma vez que é impossível contestar fatos desconhecidos que não foram mencionados explicitamente no lançamento. É flagrante a violação frontal do art. 10, III, do PAF e do art. 50, II, § 1º da Lei nº 9.784/99, caracterizando nítido cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LV, da CF/88 e art. 59, II, do PAF). Não se pode concordar com o acórdão recorrido na parte em que consignou que o lançamento de oficio estaria motivado na desqualificação dos certificados promovida pelo ADE COANA nº 02/2011, porquanto, conforme a informação prestada pela própria COANA, o processo de investigação da origem é sigiloso e o contribuinte ora autuado dele não participou. Tivesse o contribuinte participado e exercido o direito de defesa no processo de investigação de origem, ai sim estaria correto o entendimento da DRJ, mas como aquele processo é confidencial, o direito de defesa só pode ser exercido pelo contribuinte neste processo de auto de infração. Por tal motivo é que se torna imprescindível que os fatos e as razões que levaram a Administração Tributária a desqualificar os certificados de origem sejam declinados de forma explícita, clara e congruente na motivação deste lançamento. O cerne da violação do direito ao contraditório e à ampla defesa neste processo de auto de infração reside na omissão dos fatos e dos motivos que levaram à desqualificação daqueles certificados, pois tal omissão impediu o contribuinte de opor defesa de mérito contra a questão de fundo que sustenta o lançamento. O raciocínio engendrado pelo Acórdão da DRJ pressupõe a infalibilidade da Administração, pois toma como verdade absoluta o conteúdo do ADE COANA nº 02/2011. O problema é que além de a experiência demonstrar que Administração é falível, no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários o contribuinte não está obrigado a aceitar nenhuma afirmação do fisco com caráter de verdade absoluta, a teor do art. 5º, LV, da CF e dos arts. 16 e 33 do PAF. Fl. 823DF CARF MF 12 (...) No caso de auto de infração, tratase de um ato administrativo que se enquadra na categoria dos atos vinculados, e, assim, a existência de motivação é requisito necessário para que se possa efetuar o controle de legalidade e para que o contribuinte possa se defender. Se a motivação é inexistente ou insuficiente, o ato deve ser considerado nulo, não sendo passível de convalidação por meio de diligência solicitada em segunda instância de julgamento. Por tais motivos é que a juntada tardia do Relatório Fiscal Coana/Cotac/Dinon nº 2011/2, que se encontra anexado ao processo de acesso sigiloso apensado a estes autos, não supre a falta de motivação do lançamento, sendo de rigor a declaração de nulidade do auto de infração em debate. O entendimento apresentado pelo Conselheiro é irretocável razão pela qual o acompanhei na integralidade naquela oportunidade, e mantenhome firme na mesma posição , de modo que o adoto como razão de decidir no presente processo, conforme permite o artigo 50, §2º da Lei n. 9.784/99. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário por declarar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, decorrente de vício na motivação do lançamento tributário. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 824DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.729794/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão de primeira instância que considerou não impugnada parcela do crédito em relação ao qual a Recorrente questionou o fundamento de forma geral.
Numero da decisão: 3301-004.652
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância e realização de um novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão de primeira instância que considerou não impugnada parcela do crédito em relação ao qual a Recorrente questionou o fundamento de forma geral.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.729794/2014-05
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5881471
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.652
nome_arquivo_s : Decisao_15504729794201405.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15504729794201405_5881471.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância e realização de um novo julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7365138
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589659660288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.622 1 1.621 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.729794/201405 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.652 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria PIS e COFINS Recorrente M.I. MONTREAL INFORMATICA S.A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão de primeira instância que considerou não impugnada parcela do crédito em relação ao qual a Recorrente questionou o fundamento de forma geral. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância e realização de um novo julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 97 94 /2 01 4- 05 Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.623 2 Relatório Conselheira Liziane Angelotti Meira. Visando à elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do constante da decisão embargada (fls 1460/1482): Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 3/33), no montante total de R$ 10.498.217,87, e da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 35/67), no montante total de R$ 2.098.889,70, ambos relativos aos períodos de apuração janeiro/2011 a dezembro/2011. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 69/88), o autuante assim fundamenta o lançamento de ofício: · intimada, a contribuinte apresentou demonstrativos mensais com indicação da base de cálculo e relatório de retenções das respectivas bases. Os valores apresentados conferem com os valores declarados nos Dacons. Entretanto, tais valores apurados pela própria empresa não foram recolhidos em sua maior parte, bem como não foram objeto de declaração em DCTF, com exceção do PIS/Pasep referente a dezembro de 2011. Os valores apurados e não pagos ou não declarados serão objeto de lançamento de ofício; · pela análise das invoices e dos contratos apresentados, os lançamentos relativos ao fornecedor Dermalog referentes a Pagamento Consultoria se caracterizam como serviços prestados e não como pagamentos de royalties, devendo pois incidir as contribuições para o PIS/Pasep e Cofins – Importação; · a partir da análise do contrato com a empresa Kofax, verificouse que os pagamentos realizados a essa empresa referentes a Treinamentos e Patrocínio Evento não correspondem a pagamentos de royalties, mas a serviços conexos; · de igual modo, a partir da análise do contrato celebrado com a empresa Intalio, verificouse que o pagamento referente a Gold Subscription não corresponde a pagamento de royalties, mas a serviços previstos naquele contrato, especificamente a Taxas de Suporte Anuais: $USD 15,000.00; Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.624 3 · não foram apresentados os instrumentos de contrato, originais e traduzidos, celebrados com as empresas Alfresco e Xiring. Portanto, não houve como identificar os serviços conexos, devendo incidir o PIS/Pasep e a Cofins – Importação sobre o valor total, em conformidade com o entendimento estabelecido pela Solução de Divergência Cosit nº 11, de 28/04/2011; · dos valores constantes dos balancetes confrontados com a contabilidade e principalmente com o Dacon, verificase que para a conta de receita “3.1.2.01 – Identificação Biométrica” não foram consideradas na sistemática não cumulativa as receitas de fevereiro a junho de 2011, devendo ser objeto de lançamento de ofício pela diferença em relação às alíquotas de 3% para 7,6% (Cofins) e 0,65% para 1,65% (PIS/Pasep); · a fiscalizada foi intimada a apresentar demonstrativo de faturamento relativo à revenda de licenciamento ou cessão de direito de uso dos softwares objetos de pagamento de royalties e a apresentar as cópias das respectivas notas fiscais e faturas emitidas. Da análise dos documentos entregues constatouse que foram apresentadas notas fiscais de saída de nos 043, 046, 050 e 052 destinadas ao Detran RJ de venda de Licença de uso de software AFIS – Dermalog. Entretanto na planilha apresentada de importação de software constava que além do DetranRJ haveria outros destinatários tais como Dermalog AFIS Roraima, AFIS Acre e AFIS Alagoas. Quanto às aquisições das empresas Kofax, Intalio e Alfresco, foram apresentadas algumas notas fiscais de serviço, não sendo detalhado o valor referente às revendas de licenciamento ou cessão de direito de uso dos softwares. Apenas para a NF de Serviço nº 2011/620 foi apresentado em anexo um detalhamento da fatura em que consta o valor relativo às licenças. Intimada a apresentar um demonstrativo segregando a receita de revenda de software importado das demais receitas ou apresentar os respectivos detalhamentos das faturas a fiscalizada informou o seguinte: Para que não pairem dúvidas acerca da natureza das atividades desenvolvidas pela Companhia, é importante esclarecer que os softwares por ela importados correspondem, via de regra, a meros insumos para a prestação de serviços a seus clientes. Na ampla maioria dos casos, a Companhia celebra contratos que têm por escopo o desenvolvimento de soluções complexas, que demandam a realização de um conjunto específico de serviços, sendo esse o interesse específico de seus clientes. A título de exemplo, a Companhia é em diversas ocasiões contratada por órgãos públicos para a prestação de serviços de identificação pessoal e fornecimento de soluções para essa finalidade, tal Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.625 4 como ocorreu em 2011, sendo essa afirmação corroborada pelos editais de licitação de que participa e pelos contratos celebrados. Isso posto, em referência ao item 3 do Termo de Intimação Fiscal, a Companhia informa que não dispõe de detalhamento dos valores de todas as suas faturas de serviços, nos moldes do que foi feito para a Nota Fiscal de Serviços 2011/620. De fato, o cálculo do preço de seus serviços, assim como ocorre com empresas dos mais variados segmentos de atuação, é influenciado por uma série de fatores, sendo o custo incorrido na prestação apenas um deles. Particularmente em relação à Nota Fiscal de Serviços nº 2011/620, foi feito um relatório de cunho meramente gerencial que indica a composição do preço, compreendendo, inclusive, software, mas que não descaracteriza a natureza de prestação de serviços da operação realizada. A empresa fornece junto com seus serviços as licenças de uso de software que os clientes precisam para a execução das digitalizações e demais trabalhos. As licenças compradas são destinadas aos clientes e estão embutidas no preço total. No entanto, a empresa deveria segregar tais saídas para que ficasse evidente o que seria tributado pela sistemática da nãocumulatividade e pela da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Não havendo a possibilidade de segregação, devese tributar as saídas mistas no regime geral da nãocumulatividade. Das notas fiscais apresentadas apenas algumas estavam segregadas, incidindo em parte a não cumulatividade. Para as demais deve incidir a alíquota de 7,6% e 1,65% sobre o valor da saída integral. A diferença de alíquota será objeto de lançamento de ofício. Salientase que algumas das notas fiscais que continham as licenças aqui tratadas já compuseram a base tributável dos itens anteriores e houve o cuidado de excluílas deste levantamento específico; · as atividades da empresa sobre cuja receita incidem o PIS/Pasep e a Cofins na sistemática não cumulativa são as relativas à impressão de boletos de contas e correlatos. Os serviços prestados pelas consultorias e subcontratações não se enquadram no conceito de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços, razão pela qual foram glosados os respectivos créditos; · na conta de custos “Materiais de Site” estão incluídos muitos insumos e entre os documentos selecionados por amostragem para análise a maioria se verificou com direito a crédito, tais como impressos e envelopes. Contudo, constatouse entre eles documentos emitidos pela Comercial Multi Obras Elétrica & Lógica Ltda., que, Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.626 5 embora ilegíveis, permitem constatar que se trata de empresa de reforma e construção civil. Assim, o crédito referente a essa nota fiscal não está condizente com o especificado na legislação, razão pela qual deve ser glosado; · não há previsão para créditos relativos a água e esgoto, a não ser que fossem insumo, o que não é o caso. Por isso, devem ser glosados os créditos referentes às notas fiscais relativas à Copasa e à Cedae; · quanto às contas “Cursos, Palestras e Seminários”, “Despesas Bancárias”, “Feiras e Eventos”, “Juros e Descontos Pagos”, “Limpeza, Conservação e Vigilância”, “Por Cooperativas” e “Telefonia”, verificase que a própria denominação delas já traz a justifica para glosa, por não ser suscetível de direito creditório nos termos da legislação vigente; · pelo histórico da conta “Custos Diversos” inferese se tratar de despesas com reformas, manutenção em geral e materiais de consumo, inclusive multas de trânsito. Por essa razão, o respectivo crédito também deve ser glosado; · fazendo o confronto das receitas submetidas à sistemática cumulativa entre o total de receitas informado no Dacon e o total de receitas na contabilidade, apurouse para o período de apuração dezembro/2011 uma diferença sem justificativa no montante de R$ 19.749.969,91. Dessa forma, devem ser lançados o PIS/Pasep e a Cofins pagos a menor em decorrência dessa diferença. Como houve também um valor em desfavor do contribuinte no mês de junho no montante de R$ 1.044.000,00, referente a um estorno de venda na contabilidade, este será compensado, lançandose pelo valor líquido em dezembro e submetido à alíquota de 3%, por inferência dos itens acima que dizem respeito às receitas submetidas à não cumulatividade. Cientificada dos autos de infração em 27/11/2014 (fl. 1228), a contribuinte apresentou, em 29/12/2014 (fl. 1238), impugnação (fl. 1239/1265), na qual, após dizer da tempestividade de sua defesa, alega que: DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO BASEADO NO CONFRONTO ENTRE DCTF E DACON · realizou corretamente o recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre as receitas auferidas nos referidos períodos de apuração. Não existe nenhuma obrigatoriedade de recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins por parte da autuada em virtude das supostas divergências apontadas Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.627 6 pela fiscalização entre as informações transmitidas por meio dos Dacons e das DCTFs referentes aos períodos de apuração mensais dessas contribuições. O Dacon possui caráter meramente informativo, de modo que as informações nele inseridas não representam confissão de dívida e, consequentemente, não constituem formalmente créditos tributários. A DCTF é o instrumento hábil para a constituição do crédito tributário, sendo certo que, em caso de divergência em relação aos valores informados por meio do Dacon, devem prevalecer as informações constantes na DCTF. Por conseguinte, não pode o auditor fiscal apontar suposta diferença a maior entre os valores informados no Dacon e os informados na DCTF como único fundamento para efetuar os lançamentos de ofício, carecendo estes de amparo legal. Esse entendimento é o mesmo das jurisprudências das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil e do Carf. O mero apontamento de diferença a maior entre os valores informados como devidos no Dacon e os declarados em DCTF, sem nenhum tipo de análise, investigação ou inquirição quanto ao seu motivo por parte da fiscalização, não é fundamento que autorize o lançamento de ofício. Notese que não se identifica no Termo de Verificação Fiscal que integra o auto de infração ou em quaisquer dos Termos de Intimação Fiscal recebidos pela contribuinte nenhum tipo de questionamento em relação às supostas divergências entre os valores informados no Dacon e confessados na DCTF, bem como não se identifica nenhuma demonstração da materialidade do PIS/Pasep e da Cofins, isto é, da ocorrência de seus fatos geradores; DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO BASEADO NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL · há flagrante equívoco no cotejo realizado pela autoridade fiscal entre o Dacon e a contabilidade da impugnante no que diz respeito a dezembro/2011. No demonstrativo constante no Termo de Verificação Fiscal, o autuante apontou que as “Receitas de Vendas de Bens e Serviços” referentes a dezembro/2011 informadas no Dacon como submetidas à incidência cumulativa de PIS/Pasep e Cofins totalizam R$ 4.366.843,45, montante este que seria idêntico àquele informado no mesmo Dacon como submetido à incidência não cumulativa dessas contribuições; · conforme o Dacon transmitido pela contribuinte, verifica se que a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins na sistemática cumulativa informada para dezembro/2011 foi na realidade R$ 17.495.506,84. Além disso, a fiscalização ignorou por completo o fato de que parte dos valores Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.628 7 escriturados na contabilidade para esse mês sequer representaram receitas sujeitas à tributação do PIS/Pasep e da Cofins. É o caso da parcela de R$ 1.500.000,00 referente a “Direitos a Faturar”, originada de contrato celebrado com o Ministério das Minas e Energia. Como se pode aferir pelo balancete juntado aos autos, tratase de montante registrado no mês de dezembro/2011 no ativo circulante realizável a curto prazo, ainda não realizado e, portanto, não tributável, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; · desse modo, considerando ainda o disposto no art. 112 do Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, a evidente incorreção no cálculo realizado pelo autuante, o que põe em xeque a própria existência (ou, no mínimo, a quantificação) do crédito tributário que se pretende exigir, é motivo suficiente para ensejar o cancelamento dos lançamentos de ofício. Nesse mesmo sentido, vale lembrar que, segundo o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o auto de infração deve estar instruído com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, sendo certo que a falha no cumprimento dessa obrigação, tal como se verifica no presente caso, resulta na improcedência do lançamento de ofício; DA CORREÇÃO DOS REGIMES DE APURAÇÃO ADOTADOS · a autuada tem entre suas principais atividades a prestação de serviços de suporte técnico em informática, mormente em relação a programas de computador (software), contemplando a sua instalação, configuração, manutenção e atualização, além de consultoria e assessoria a eles relacionadas. Todas essas atividades se enquadram no rol previsto no inciso XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, de forma que as receitas delas decorrentes estão sujeitas à tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins segundo a sistemática cumulativa. Diante do fato de a impugnante também possuir em seu objeto social as atividades de licenciamento e de revenda de softwares importados e, por conseguinte submeter as respectivas receitas à tributação do PIS/Pasep e da Cofins segundo a sistemática não cumulativa (por força do § 2º do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003), pretende o auditor fiscal desconsiderar a natureza jurídica dos referidos serviços para tributar também as receitas deles provenientes pela sistemática não cumulativa. Para tanto, argumenta que a contribuinte necessariamente fornece junto com seus serviços as licenças de uso de softwares, tendo falhado em Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.629 8 “segregar” suas “saídas”. Ora, nas hipóteses em que procedeu ao faturamento exclusivamente de serviços, essa foi a única atividade desempenhada em favor de seus clientes; · no regular desenvolvimento de suas atividades, a impugnante importa softwares mediante a aquisição do direito temporário de uso (licença) ou mediante a aquisição de cópias múltiplas (softwares de prateleira), os quais, via de regra, servem como insumos para prestação de serviços a seus clientes, atividade essa que representou no ano de 2011 a maior parte de seu faturamento. Na ampla maioria dos casos, celebra contratos que têm por escopo o desenvolvimento de soluções complexas, traduzidas na prestação de um conjunto específico de serviços enquadrados no rol do inciso XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, sendo esse o interesse específico de seus clientes. Não poderia ser diferente, já que, como regra, não está autorizada pelas empresas estrangeiras a sublicenciar ou revender os softwares adquiridos, podendo somente utilizálos para a realização de suas atividades no Brasil; · a fiscalização não leva em consideração nenhum dos fatores acima e sustenta que seria dever da autuada segregar suas receitas, de forma a discriminar, em relação a todas as contrapartidas financeiras recebidas pela prestação de serviços, as parcelas que decorreriam propriamente da prestação de serviços e aquela que supostamente decorreriam do licenciamento ou revenda de software; · deixando novamente de cumprir o seu dever legal de instruir o auto de infração com os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, a fiscalização se limita a acostar ao Termo de Verificação Fiscal o relatório denominado “Notas Fiscais de Revenda de Software Importado”, por meio do qual relaciona as notas fiscais de serviço em relação às quais a impugnante supostamente teria o dever de realizar a aludida segregação, baseandose nos respectivos valores para realização dos lançamentos de ofício mediante a aplicação das alíquotas do regime não cumulativo; · não há nos autos de infração nenhuma explicação ou argumentação no sentido de que as atividades desenvolvidas pela autuada não se revestiriam da natureza jurídica de prestação de serviços, inexistindo referência expressa ao teor dos contratos por ela celebrados, muito menos ao objeto deles ou à materialidade das atividades desenvolvidas ao seu amparo; Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.630 9 · é evidente que a autoridade lançadora olvidou seu dever de buscar a verdade material dos fatos, tendo fundamentado os lançamentos de ofício exclusivamente na presunção de que a contribuinte estaria apta a segregar, em relação a todas as notas fiscais de serviços que emite, a parcela da remuneração que supostamente seria referente ao licenciamento ou comercialização de software. A simples menção a determinado documento de cunho gerencial, que não possui nenhum valor fiscal, e o relatório que lista algumas dezenas de notas fiscais de prestação de serviço não são provas suficientes para afastar a presunção de veracidade dos fatos registrados na escrituração contábil, mais especificamente do registro das receitas em questão como receitas da prestação de serviços e não do licenciamento ou comercialização de softwares. É importante lembrar que o art. 9º, §§ 1º e 2º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Não há dúvida de que o registro das receitas provenientes da prestação de serviços tem sua veracidade comprovada pelas notas fiscais de serviço emitidas e pelos contratos celebrados, documentos que, por sua própria natureza e também por definição legal, classificamse como documentos hábeis, diferentemente do referido documento de cunho gerencial, relacionado unicamente à precificação dos serviços; · sempre que realizou a licença ou a comercialização de softwares a seus clientes, submeteu as receitas decorrentes à tributação do PIS/Pasep e da Cofins segundo a sistemática da não cumulatividade. E o raciocínio do autuante é equivocado, porque parte do pressuposto de que essa sistemática é mais gravosa do que a cumulativa. Mesmo que estivesse sujeita ao recolhimento das contribuições sobre a parcela das receitas de prestação de serviços apontada pela fiscalização sob a sistemática não cumulativa, não necessariamente estaria sujeita a carga tributária superior, na medida em que teria direito a se creditar em relação aos custos, despesas e encargos autorizados pela legislação. Ocorre que isso sequer foi considerado pelo auditor fiscal. Nesse sentido, nunca é demais recordar que o art. 142 do CTN impõe à autoridade fiscal o dever de provar a ocorrência do fato gerador, sendo certo que inexiste dispositivo legal que autorize a tributação por presunção; DA CORREÇÃO DA APURAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP E COFINS Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.631 10 · a fiscalização procedeu à glosa de parte dos créditos utilizados pela contribuinte no cálculo do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos, limitandose a argumentar que não foram apurados em conformidade com a legislação. Porém, tratase de dispêndios essenciais ao desenvolvimento das atividades da autuada que dão origem a receitas tributadas pela sistemática da não cumulatividade, de modo que não pode prosperar o entendimento restritivo manifestado pelo autuante. Notese que o Carf tem adotado um posicionamento de que se deve considerar como insumo aquilo que é indispensável para a prestação de serviço ou produção de bens, utilizado direta ou indiretamente no desenvolvimento dessas atividades e relacionado ao objeto social da pessoa jurídica. Esse posicionamento também encontra eco no Poder Judiciário. Dessa forma, como os dispêndios realizados pela impugnante se referiram à aquisição de bens e serviços direta ou indiretamente utilizados em suas próprias atividadesfim, sendo indispensáveis à consecução destas, deve ser cancelada a glosa realizada pela fiscalização e restabelecidos os créditos calculados pela autuada; DA INCIDÊNCIA DO PIS/PASEP E DA COFINS – IMPORTAÇÃO SOBRE AS REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPRESAS ESTRANGEIRAS · com relação às remessas efetuadas pela impugnante para a Dermalog, o lançamento de ofício de PIS/Pasep e Cofins – Importação é baseado nas simples alegações de que determinada planilha apresentada pela autuada no decorrer do processo de fiscalização (intitulada “Operações de Câmbio”) faz menção à realização de pagamentos a essa empresa estrangeira a título de “consultoria”, e de que tanto o contrato celebrado entre as partes quanto as invoices emitidas pela Dermalog mencionam expressamente a prestação de serviços de manutenção por parte dos engenheiros dessa empresa à impugnante. Segundo o autuante, esses documentos estariam correlacionados e evidenciariam que a real natureza das operações realizadas entre as partes foi de prestação de serviços. Porém, no ano de 2011 a contribuinte não realizou nenhuma remessa de valores à Dermalog em contrapartida à prestação de serviços, na medida em que os negócios realizados com Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.632 11 essa empresa tiveram como único escopo o licenciamento de software; · o único contrato a que alude a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal sequer se encontrava em vigor no ano de 2011, sendo certo que a impugnante apresentou no decorrer do procedimento de fiscalização, mais precisamente em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de nº 02, datado de 24/01/2014, o contrato que efetivamente vigorava entre as partes no referido ano, acompanhado de sua tradução juramentada. Esse contrato, que passou a vigorar em 2009 e perdurou assim durante todo o ano de 2011, completamente ignorado pelo auditor fiscal, dispõe claramente ter como objeto principal o fornecimento de um programa de computador. Esse contrato versa sobre a licença de software à contribuinte, porque, conforme se evidencia em sua Cláusula 2, item 5, a “compra” em questão não lhe assegura a aquisição da titularidade dos respectivos direitos de propriedade intelectual ou industrial sobre o software; · conforme preceitua a Lei nº 9.609, de 1998 (Lei do Software), o uso de programa de computador no país será objeto de contrato de licença. Ademais, tendo em vista que no Brasil é conferido ao software o regime de proteção aos direitos autorais, também se aplicam as disposições a respeito da transmissão de direitos de autor contidas nos arts. 49 a 52 da Lei nº 9.610, de 1998 (Lei do Direito Autoral), de modo que a sua comercialização poderá ocorrer mediante licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito. Assim, a transmissão dos direitos de autor relativos ao software poderá ser parcial (licença) ou total (cessão), sendo certo que, nesta última hipótese, serão transferidos todos os direitos patrimoniais, salvo os de natureza moral e os expressamente excluídos por lei; · o contrato celebrado entre a impugnante e a Dermalog, vigente no ano de 2011, teve como objeto principal a licença do software AFIS e não a prestação de serviços de consultoria ou manutenção. E, sendo assim, a remuneração dele decorrente se reveste da natureza de royalties, por força do disposto no art. 22 da Lei nº 4.506, de 1964; · no que concerne às invoices emitidas pela Dermalog no ano de 2011, não há nenhuma razão para acreditar que tais documentos atestem a existência de prestação de serviços, como alegado pelo autuante. A respeito do trecho destacado no item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal, cabe salientar que a redação empregada pela Dermalog em suas faturas foi incorreta, na medida em que foi feita menção a contrato Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.633 12 celebrado com a autuada que já não se encontrava mais em vigor no ano de 2011. Isso fica evidente quando se verifica que esse documento se refere expressamente à cobrança por “atualizações de licenças” (Licenses Updates), pois, naquele momento, já vigorava o contrato de licença do software AFIS celebrado em 2009, de maneira que não haveria nenhum sentido fazer menção nas invoices ao contrato celebrado em 2000; · quanto à alegação de que a redação das invoices denotaria que esses documentos acobertaram remunerações pela prestação de serviços, baseado na menção ao “trabalho efetivo feito para o projeto DetranRJ por engenheiros da Dermalog”, dispensase maiores considerações. A simples leitura do teor da invoice nº 902668, colacionada no Termo de Verificação Fiscal a título de exemplo, indica que a cobrança é relativa unicamente à atualização de licença, ou seja, a royalties pela licença dos direitos autorais relativos ao software atualizado. A menção ao trabalho dos engenheiros é mera praxe, uma vez que é com base nos relatórios elaborados pelos clientes brasileiros e pela impugnante que a Dermalog atualiza os softwares que fornece. Ou seja, a atividade dos engenheiros na Alemanha é mera atividademeio para a licença de software, de modo que não é objeto de faturamento/cobrança e, por conseguinte, não é tributável pelo PIS/PasepImportação e pela CofinsImportação; · não há que se falar que a planilha intitulada “Operações de Câmbio” apresentada pela contribuinte configura prova de que remunerou a Dermalog pela prestação de serviços, tratandose de mero demonstrativo dos valores remetidos ao exterior em benefício dessa empresa, carecendo de cunho fiscal. O que se percebe é a total falta de respaldo nos fatos e na legislação para o lançamento de ofício realizado. A fiscalização não apresentou nenhum elemento concreto que ateste a veracidade de suas alegações, ao passo que a fiscalizada entregou toda a documentação que comprova que todas as remessas efetuadas à Dermalog no ano de 2011 configuraram royalties pela licença de direitos relativos ao software AFIS; · além de o contrato celebrado entre a contribuinte e a Dermalog ser suficientemente claro quanto ao tipo e ao montante da remuneração paga (royalties), o auditor fiscal sequer logrou êxito em demonstrar a existência concreta de prestação de serviços, limitandose a conjecturála. Por isso a Solução de Divergência por ele citada apenas reforça o argumento de que a impugnante não estava obrigada ao recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins – Importação; Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.634 13 · a utilização de uma tradução livre do termo Maintenance Contract apenas para se conjeturar a existência de contrato de manutenção tampouco pode ser utilizada como presunção de existência de serviços de manutenção, uma vez que a expressão indica tão somente a existência de cláusulas para a manutenção do contrato, no sentido de sua persistência ou continuidade, como bem ilustra o Black's Law Dictionary Abridged, em sua sexta edição, fls. 687/688; · o mesmo raciocínio acima referente à Dermalog se estende às remessas efetuadas às empresas Kofax, Intalio, Alfresco e Xiring, sendo certo que em relação a nenhum desses contratos houve remessa de dinheiro para fins de pagamento de serviços. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 1460/1461): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR CONFESSADO E O APURADO NO DACON. Constatada diferença entre o valor apurado no Dacon e o valor informado ao Fisco em instrumento de confissão de dívida (DCTF), deve ser formalizado de ofício o correspondente crédito tributário. ERRO. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. VALOR LANÇADO A MAIOR. Constatado erro na apuração de diferenças, o crédito tributário deve ser ajustado, excluindo os valores lançados indevidamente a maior. SOFTWARE. LICENÇAS. IMPORTAÇÃO. REVENDA INTERNA. As licenças de uso de software importadas não sofrem incidência de CofinsImportação, mas na posterior revenda interna dessas licenças há incidência da Cofins segundo a sistemática da não cumulatividade. INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideramse insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.635 14 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR CONFESSADO E O APURADO NO DACON. Constatada diferença entre o valor apurado no Dacon e o valor informado ao Fisco em instrumento de confissão de dívida (DCTF), deve ser formalizado de ofício o correspondente crédito tributário. ERRO. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. VALOR LANÇADO A MAIOR. Constatado erro na apuração de diferenças, o crédito tributário deve ser ajustado, excluindo os valores lançados indevidamente a maior. SOFTWARE. LICENÇAS. IMPORTAÇÃO. REVENDA INTERNA. As licenças de uso de software importadas não sofrem incidência de PIS/PasepImportação, mas na posterior revenda interna dessas licenças há incidência do PIS/Pasep segundo a sistemática da não cumulatividade. INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideramse insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 1506/1535), no qual a Recorrente apresenta suas razões organizadas nos seguintes tópicos: II. PRELIMINAR: O CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO DE OFÍCIO FOI ESPECÍFICA E INTEGRALMENTE IMPUGNADO NULIDADE DA DECISÃO QUE CONSIDEROU PARTE DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA IV.1. A CORRETA APURAÇÃO DO PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS IV.1.1. A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO BASEADO NO CONFRONTO ENTRE DCTF E DACON IV.1.2. A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO BASEADO NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.636 15 IV.2. A CORREÇÃO DOS REGIMES DE APURAÇÃO ADOTADOS IV.3. A CORREÇÃO DA APURAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS IV.4. A NÃO INCIDÊNCIA DO PIS/COFINSIMPORTAÇÃO SOBRE AS REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPRESAS ESTRANGEIRAS É o relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. II. PRELIMINAR: O CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO DE OFÍCIO FOI ESPECÍFICA E INTEGRALMENTE IMPUGNADO NULIDADE DA DECISÃO QUE CONSIDEROU PARTE DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Entendese, na decisão recorrida, que a Recorrente não teria contestado os lançamentos de ofício relativo "ao fato de que para a conta de receita '3.1.2.01 – Identificação Biométrica' não foram consideradas na sistemática não cumulativa as receitas de fevereiro a junho de 2011, tendo sido objeto de lançamento de ofício a diferença em relação às alíquotas de 3% para 7,6% (Cofins) e 0,65% para 1,65% (PIS/Pasep). Por isso, sobre esse ponto não há litígio." Insurgese a Recorrente, afirmando que o Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto de infração foi objeto de impugnação por parte da Recorrente; assevera que contestou todos os lançamentos efetuados com base na alteração da sistemática de incidência do PIS e da COFINS e, consequentemente, a imposição das alíquotas de 1,65% e 7,6% (regime não cumulativo) em substituição às alíquotas de 0,65% e 3% (regime cumulativo), incluindo aquele relativo à conta de receita 3.1.2.01 “Identificação Biométrica”; ressalta a desnecessidade de a Recorrente fazer menção individualizada, em sua Impugnação, para cada uma das contas de receita que foram objeto dos lançamentos, sendo suficiente impugnar, como um todo, esse ponto do auto de infração. Colaciona trechos de sua impugnação com o objetivo de corroborar seu entendimento: “45. Em resumo, sustenta a autoridade lançadora que a Impugnante deixou de recolher o PIS/COFINS sob a sistemática não cumulativa sobre determinada parcela de suas receitas que, em sua concepção, não decorreu da prestação de serviços relacionados no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, mas sim da licença ou revenda de softwares importados. Para tanto, argumenta que a Impugnante necessariamente ‘fornece Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.637 16 junto com seus serviços as licenças de uso de softwares’, tendo falhado em ‘segregar’ suas ‘saídas’. 46. Todavia, tal entendimento não merece prosperar.” (grifouse) (...) “52. Com efeito, não há no auto de infração qualquer explicação ou argumentação no sentido de que as atividades desenvolvidas pela Impugnante não se revestiram da natureza jurídica de prestação de serviços, inexistindo qualquer referência expressa ao teor dos contratos por ela celebrados, muito menos ao objeto dos mesmos ou à materialidade das atividades desenvolvidas ao seu amparo. 53. É evidente, portanto, que a autoridade lançadora olvidou o seu dever de buscar a verdade material dos fatos, tendo fundamentado o lançamento de ofício exclusivamente na presunção de que a Impugnante está apta a segregar, em relação a todas as Notas Fiscais de Serviços que emite, a parcela da remuneração que supostamente seria referente ao licenciamento ou comercialização de software. 54. A simples menção a determinado documento de cunho gerencial, que não possui qualquer valor fiscal, e o relatório que lista algumas dezenas de Notas Fiscais de Prestação de Serviços não são provas suficiente para afastar a presunção de veracidade dos fatos registrados na escrituração contábil da Impugnante, mais especificamente do registro das receitas em questão como receitas da prestação de serviços e não do licenciamento ou comercialização de softwares. (...) 56. Registrese que sempre que a Impugnante realizou a licença ou a comercialização de softwares a seus clientes, reconheceu as respectivas receitas como derivadas dessas atividades e as submeteu à tributação pelas contribuições sociais segundo a sistemática da não cumulatividade, não possuindo qualquer interesse em lesar o Fisco. O racional que orienta a autuação é equivocado, pois parte do pressuposto de que o regime não cumulativo de apuração e recolhimento do PIS/COFINS é mais gravoso ao contribuinte, de forma que lhe seria interessante se escusar a obedecêlo.” (grifouse) Portanto, defende a Recorrente que, em todo o capítulo de sua Impugnação em que discorre sobre a imposição do regime não cumulativo por parte da Fiscalização, ela aborda todas as contas de receita em relação às quais foram realizados os lançamentos baseados nas diferenças de alíquota, sem excluir, a qualquer momento, a conta de nº 3.1.2.01 “Identificação Biométrica”. Argumenta que, a todo momento, a discussão acerca da conta contábil de nº 3.1.2.01 girou em torno apenas do regime de apuração do PIS/COFINS aplicável sobre as receitas ali escrituradas (e não sobre eventual divergência com o DACON), matéria essa que, como visto, foi objeto do capítulo; caso o entendimento fosse diverso, segundo a Recorrente, a Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.638 17 autoridade fiscal não teria feito o lançamento mediante aplicação apenas das diferenças de alíquota, mas sim pelas alíquotas cheias das contribuições. Nessa preliminar, entendo assistir razão à Recorrente. Portanto, deve ser atendido seu pleito de que seja declarada a nulidade da decisão que considerou parte da matéria não impugnada, com o cancelamento da transferência do respectivo crédito tributário para o processo de nº 15504.724907/201630; bem como, determinase que seja baixado o presente processo em retorno à delegacia de julgamento para que esta julgue a Impugnação da Recorrente com relação à referida parcela do crédito tributário, no valor histórico de R$ 51.385,97 (cinquenta e um mil, trezentos e oitenta e cinco reais e noventa e sete centavos). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 1638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005018/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO NO CÁLCULO DO LUCRO REAL. Verificada a correta adição ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, das provisões indedutíveis apropriadas como despesas operacionais, cancela-se o lançamento de oficio.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1402-001.295
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2003 PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO NO CÁLCULO DO LUCRO REAL. Verificada a correta adição ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, das provisões indedutíveis apropriadas como despesas operacionais, cancela-se o lançamento de oficio. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 19515.005018/2008-91
conteudo_id_s : 5874340
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-001.295
nome_arquivo_s : Decisao_19515005018200891.pdf
nome_relator_s : Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 19515005018200891_5874340.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
id : 7351938
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589667000320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005018/200891 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.295 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de dezembro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ Recorrente CINEMARK BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO NO CÁLCULO DO LUCRO REAL. Verificada a correta adição ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, das provisões indedutíveis apropriadas como despesas operacionais, cancelase o lançamento de oficio. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 50 18 /2 00 8- 91 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório CINEMARK BRASIL S.A. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao anocalendário de 2003, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 134 a 137, no valor de R$628.225,05 (seiscentos e vinte e oito mil, duzentos e vinte e cinco reais e cinco centavos), e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 138 a 141, no valor de R$226.161,01 (duzentos e vinte e seis mil, cento e sessenta e um reais e um centavo), acrescidos da multa de ofício e de juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente da existência de adições ao lucro líquido não computadas na apuração do lucro real do anocalendário de 2003, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. O enquadramento legal aponta infração ao artigo 249 do RIR/1999. O Auto de Infração relativo à CSLL decorreu da mesma matéria tratada do Auto de Infração de IRPJ, resultando em redução indevida do lucro líquido e falta de pagamento dessa contribuição. O enquadramento legal aponta infração ao artigo 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002; e artigo 273 do RIR/1999. No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 130 a 133, o Autuante declara, em síntese, que: – por conta de fiscalização do IRPJ, referente ao anocalendário de 2001, a empresa havia sido intimada, em 03/02/2006, a apresentar os comprovantes de pagamentos efetuados, conforme escriturado na conta do Passivo “22101004 – Cinemark Inti Consultoria Corporativa”, no valor total de R$1.822.342,76, e debitados como despesa operacional, nos meses de novembro e dezembro de 2001, a título de “menagement fees”. À época, a Contribuinte declarou, conforme documento anexo datado de 11/05/2006, que o valor provisionado como “Consultoria corporativa a pagar”, no valor total de R$24.186.179,23, equivalente a US$8.200.372,70, em 30/11/2003, constituído desde o início das operações da empresa, em junho de 1997, foi totalmente revertido em 30/09/2004, sem que nada tenha sido remetido para a empresa controladora, sediada nos Estados Unidos; – no livro Razão Contábil do anocalendário de 2003, a referida conta do Passivo consta como tendo um saldo final, em 31/12/2003, no montante de R$24.186.179,22, provisionado como “Consultoria corporativa a pagar” (amortização de pagamento Service Agreement). Intimada novamente, em 27/02/2008 e 07/07/2008, a justificar os valores provisionados, uma vez que se verificaram adições e exclusões no LALUR, a empresa declarou que: “Em resposta ao Termo de Reintimação de 07/07/2008 temos a informar que o valor provisionado como ‘Consultoria corporativa a pagar’, no valor total de R$24.186.179,22 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 4 3 equivalente a US$8.200.372,70 em 30/11/2003, constituído desde o início das operações da empresa em junho de 1997, foi totalmente revertido em 30/09/2004 sem que nada tenha sido remetido para a empresa controladora, sediada na cidade de Plano, Estado do Texas, Estados Unidos da América”, conforme documento anexo; – entretanto, no livro Razão, esses valores foram escriturados conforme se demonstra em tabela anexa. Apresenta demonstrativo contendo os lançamentos no LALUR, desde o início das contabilizações até a data do estorno, isto é, de 1997 a 2003. Verificase que o contribuinte adicionou ao lucro líquido, para determinação do lucro real, parte dos valores referentes às despesas com a constituição da provisão de consultoria a pagar, ou seja, R$22.186.179,22, bem como excluiu o valor de R$1.314.057,00, restando um saldo a ser adicionado de R$3.473.615,99. Desse montante, já foi lançado o valor de R$960.715,77, conforme auto de infração de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2001, devendo ser adicionada a diferença de R$2.512.900,22, configurando infração ao artigo 335 do RIR/1999. Às fls. 146 a 151, a pessoa jurídica apresentou impugnação, alegando, em resumo, que: dado o seu vínculo com a Cinemark USA Inc., estabelecida na cidade de Dallas (Texas – EUA), a Impugnante, desde o primeiro ano de atividade no país (1997), manteve a obrigação de pagar à matriz norteamericana consultoria corporativa. De modo a retratar fielmente sua situação patrimonial e financeira, provisionou os valores que deveria pagar a esse título. Em 30/09/2004, procedeu à reversão das provisões, adicionando os valores ao lucro líquido, mas, para sua surpresa, recebeu intimação dos presentes Autos de Infração (IRPJ e CSLL), ambos do anocalendário de 2003, segundo os quais a empresa teria deixado de adicionar ao lucro real o montante de R$2.512.900,22, referente à reversão das provisões. Contudo, o lançamento está fundado em premissa equivocada, comprometendo sua conclusão; primeiramente, ressalta que os créditos lançados são referentes aos anos calendário de 1997 a 2003. Sendo assim, o objeto dos Autos de Infração não é o imposto e a contribuição do anobase de 2003, eis que os fatos geradores ocorreram nos anos anteriores. De acordo com o art. 150, § 4º, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como o IRPJ e a CSLL, o prazo para constituir o crédito tributário é de cinco anos contados da data do fato gerador. Como a intimação do lançamento ocorreu em 17/09/2008, o fato gerador mais antigo não atingido pela decadência seria o do mês de setembro de 2003 e, assim, apenas o período de setembro a dezembro poderia, em tese, ser objeto de lançamento fiscal, tendo se operado a decadência quanto aos períodos anteriores; houve equívoco quanto à data a se considerar para a conversão dos valores provisionados de dólares para reais. A Auditorafiscal, quando de seus cálculos, em relação aos valores contidos no Livro Razão e no LALUR, considerou a cotação do dólar vigente em 30/11/2003 (R$2,9494), para converter em reais os valores provisionados em todos os anos, desde 1997. Ocorre que, como é intuitivo, a Impugnante fez o lançamento das provisões, em tais livros, pela cotação da época em que elas foram realizadas, até porque não se tinha conhecimento da cotação futura do dólar, especificamente a de novembro de 2003; é incorreta a afirmação constante do Termo de Verificação Fiscal de que a Impugnante lançou no Livro Razão os valores em reais lá relacionados, pois que aqueles correspondem aos valores em dólares convertidos pela cotação de 11/2003. Junta folhas do Livro Razão relativas à conta 33204004 (consultoria corporativa – Cinemark Intl), para demonstrar os valores contabilizados, bem como resumos anuais dos valores lançados nessa conta, com as conversões em dólar pelas taxas de Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 5 4 câmbio mensais. Apesar dos esforços, ainda não conseguiu localizar o Livro Razão e o LALUR do ano de 1997, período do qual já se passaram mais de dez anos, mas, continuará diligenciando nesse sentido e, assim que obtiver tais documentos, os juntará a este processo. Observa, porém, que a falta desses documentos não interfere na caracterização do equívoco cometido pela fiscalização; esclarece que, na declaração prestada em resposta à reintimação recebida em 07/07/2008, fez referência ao valor em reais (R$24.186.179,23) e em dólares americanos (US$8.200.372,70), na data de 30/11/2003. Esse valor em dólares não corresponde àqueles contabilizados nas épocas próprias, em reais, pois é tão somente, uma conversão do total provisionado pela cotação do dólar em 30/11/2003. Em suma, o que importa é que os valores da conta 22101004, em reais, são os mesmos nos anos em que foram contabilizados e em 31/11/2003, assim como os valores em dólar. O que variou foi apenas a cotação da taxa de câmbio. Como se pode ver, a agente fiscal apurou incorretamente as provisões nos anos de 1997 a 2003, sob a descrição “management fees”, para futura quitação de consultoria corporativa; a Impugnante adicionou ao seu lucro líquido as importâncias contabilizadas no Livro Razão, não havendo a alegada discrepância com os valores do LALUR, pois as supostas diferenças decorrem da indevida aplicação da taxa de câmbio de 30/11/2003 para os anos de 1997 a 2003, em que foram efetivadas as provisões. Dessa forma, é incontestável que a Impugnante cumpriu os artigos 335 a 340 do RIR/1999, vez que adicionou ao lucro líquido os valores corretos, anulando o efeito da provisão sobre o lucro real, de forma a respeitar sua indedutibilidade. Ressaltese que, se adotadas as taxas de câmbio mensais dos anos em que foram realizadas as provisões, a “diferença” desaparecerá; a Impugnante examinou minuciosamente sua contabilidade e apurou a provável razão do equívoco cometido. A última provisão realizada foi em novembro de 2003, no valor de R$484.381,96, quando a taxa de câmbio era de US$ 1,00 = R$2,9494. Assim, a obrigação de US$8.200.372,70 correspondia, nessa data, a R$24.186.179,24. Eis a origem do erro cometido pela agente fiscal, que considerou a taxa de câmbio de novembro de 2003, época da interrupção das provisões, para exigir que os valores correspondentes em reais, resultantes de sua multiplicação pela obrigação em dólares, fossem adicionados ao lucro real nos anos anteriores. Ora, por serem indedutíveis, competia adicionar as provisões ao lucro líquido, medida tomada pela Impugnante em todos os anoscalendário em questão. Patente, portanto, a improcedência dos presentes Autos de Infração; para reforçar a demonstração do equívoco praticado pela fiscalização, requer a produção de prova pericial, formulando alguns quesitos e indicando um assistente técnico; isto posto, requer seja acolhida esta impugnação, cancelandose os Autos de Infração de IRPJ e CSLL, com o consequente arquivamento do processo administrativo. Protesta provar as alegações por todos os meios em direito admitidos, especialmente a juntada de outros documentos, notadamente os livros contábeis de 1997, e, caso entenda necessário a Autoridade Julgadora, a realização de perícia, de acordo com os motivos e quesitos formulados, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 152 a 189. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 6 5 A decisão recorrida está assim ementada: PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Ainda que tenha havido pagamento antecipado, hipótese em que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação decairia com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, a alegada decadência não se operou no presente caso. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Verificandose que foram atribuídos ao períodobase efetivamente fiscalizado valores tributáveis pertinentes a períodos anteriores, resta configurada a inobservância do regime de competência dos exercícios. DESPESAS OPERACIONAIS. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO NO CÁLCULO DO LUCRO REAL. A insuficiência de adição ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, das provisões indedutíveis apropriadas como despesas operacionais enseja o lançamento de ofício dos valores não oferecidos à tributação. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Confirmada, quando da apreciação do lançamento do IRPJ, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa também ao lançamento da CSLL, há que ser dado a este igual entendimento. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e contesta os fundamentos da decisão da DRJ, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos: “Isto posto, demonstrou a Recorrente ser indevido o lançamento fiscal. Por conseguinte, requer sejam acolhidas as razões deste Recurso Administrativo, dandoselhe provimento, para reformar o v. acórdão recorrido, cancelandose os Autos de Infração de IRPJ e CSLL, seja pela nulidade da r. decisão recorrida por violação ao princípio da legalidade, seja pela decadência, seja pela nulidade dos lançamentos originais e, por fim, seja pela não ocorrência da infração imputada à Recorrente, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo.” É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. O lançamento do IRPJ decorreu da verificação de que provisões para pagamento de consultoria corporativa à sua controladora localizada nos Estados Unidos da América, constituídas de 1997 a 2003 e consideradas indedutíveis, que não teriam sido integralmente adicionadas ao lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, como constatado a partir do confronto entre os valores contabilizados no Livro Razão e aqueles registrados no LALUR. Pois bem, conforme esclareceu a Recorrente, na autuação comparouse lançamentos nas contas do Livro Razão n°s 22101004, que registra a evolução das provisões (créditos e débitos), e 33204004, relativa apenas aos valores a serem provisionados em cada mês, sem a consideração de eventuais estornos. Tendo ela verificado uma divergência, considerou a conta referente às despesas (33204004) e não a de passivo (22101004). Em verdade, a divergência entre as duas contas é explicada pela variação cambial dos valores provisionados, que foi considerada na conta de passivo (22101004), e não o foi na conta de despesas (33204004). As provisões eram realizadas em dólares americanos e convertidas para Reais pela taxa de câmbio de cada mês respectivo. Uma vez que a provisão não foi realizada, haja vista que não houve o pagamento da consultoria corporativa à matriz do Cinemark), a variação cambial tem que ser desconsiderada para efeito de adição ao lucro líquido. Essa variação cambial somente seria levada em conta se os valores provisionados tivessem sido utilizados para o fim a que se destinavam, isto é, para pagar a consultoria corporativa. Ambos os valores correspondem ao mesmo montante em dólares americanos, no importe de US$ 8.200.372,70. Todavia, no auto de infração considerouse a cotação do dólar vigente em 30 de novembro de 2003 (R$ 2,9494), para a conversão em reais dos valores provisionados em 1997, 1998, 1999, 2000, 2002 e durante todo o ano de 2003, chegandose ao valor total de R$ 24.186.179,23 (Vide termo de verificação fiscal, fl.131). Não há previsão legal para esse procedimento No LALUR da contribuinte, constou adição de R$ 22.026.620,23 em face da utilização da taxa de câmbio do respectivo mês da provisão, que é o correto, pois foram exatamente esses valores deduzidos da tributação em cada período base. Portanto, inexiste diferença a tributar. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 8 7 Deixo de apreciar as demais alegações recursais em face da inocorrência da irregularidade que ensejou a tributação. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e cancelar as exigências. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000001/2011-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010
COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL.
O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei9.876/99.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF na forma do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno, aprovado pela portaria MF Nº 343/2015.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008. VINCULAÇÃO COM O RESULTADO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PERDA DO OBJETO
Não há como conhecer de Recurso Especial da Fazenda Nacional para recálculo da multa aplicada, quando, no mérito, é declarada a improcedência do Auto de Infração de Obrigação Principal o que enseja a perda do objeto do recurso.
Numero da decisão: 9202-006.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por restar prejudicado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei9.876/99. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF na forma do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno, aprovado pela portaria MF Nº 343/2015. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008. VINCULAÇÃO COM O RESULTADO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PERDA DO OBJETO Não há como conhecer de Recurso Especial da Fazenda Nacional para recálculo da multa aplicada, quando, no mérito, é declarada a improcedência do Auto de Infração de Obrigação Principal o que enseja a perda do objeto do recurso.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15940.000001/2011-72
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5886228
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.949
nome_arquivo_s : Decisao_15940000001201172.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15940000001201172_5886228.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por restar prejudicado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7373980
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589675388928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15940.000001/201172 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202006.949 – 2ª Turma Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria CSP CONTRIBUIÇÃO SOBRE CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrentes FAZENDA NACIONAL AFAS ASSOCIAÇÃO DOS FAZENDARIOS DA ALTA SOROCABANA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei9.876/99. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF na forma do art. 62, § 1º, II, “b”, do Regimento Interno, aprovado pela portaria MF Nº 343/2015. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008. VINCULAÇÃO COM O RESULTADO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PERDA DO OBJETO Não há como conhecer de Recurso Especial da Fazenda Nacional para recálculo da multa aplicada, quando, no mérito, é declarada a improcedência do Auto de Infração de Obrigação Principal o que enseja a perda do objeto do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 00 01 /2 01 1- 72 Fl. 987DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, na parte conhecida, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por restar prejudicado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase dos seguintes autos de infração, referentes ao período de 01/2006 a 12/2009: · DEBCAD 37.068.2947 – (valor original de R$ 238.972,74) contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte patronal, incidente sobre o valor de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho; · DEBCAD 37.068.2920 – (valor original de R$ 46.533,20) AI 68, penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999; e · DEBCAD 37.068.2939 – (valor original de R$ 14.317,78) AI 38, penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 33, § 2º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 232, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ julgado a impugnação procedente em parte, mantendo o crédito tributário em parte. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 19/09/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803002.736 (fls. 749/760), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar Fl. 988DF CARF MF Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 9202006.949 CSRFT2 Fl. 3 3 provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, visando o recálculo da multa do AI 37.068.2920, tendo em vista a nova determinação do artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior quanto aos 15% das notas fiscais da cooperativa”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO E MORATÓRIA. CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE LEI INCONSTITUCIONAL PELA “JURISDIÇÃO” ADMINISTRATIVA. OS ÓRGÃOS JULGADORES DO PAF CARECEM DE COMPETÊNCIA PARA RECONHECEREM INCONSTITUCIONALIDADE NA SEARA ADMINISTRATIVA. MULTA DE OFÍCIO E MORATÓRIA, ESTABELECIDA POR LEI E DENTRO DO PATAMAR LEGAL E JUDICIALMENTE RECONHECIDO VÁLIDO. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. RECONHECIMENTO. ASSOCIAÇÃO EQUIPARAÇÃO À EMPRESA PARA FINS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO ATIVIDADE PLENAMENTE VINCULADA. AUSÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE. OPORTUNIDADE E CONVENIÊNCIA. O processo foi encaminhado à PGFN em 18/10/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 761), para ciência do acórdão em até trinta dias, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010. A intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 17/11/2013. Em 20/11/2013, tempestivamente, portanto, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 762/801 (Despacho de Encaminhamento de fls. 802). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 06/05/2016 (fls. 812/815), considerado o acórdão paradigma nº 9202002.193. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido e determinar que a análise da norma mais benéfica aplicável ao caso leve em conta a soma das multas previstas pelo descumprimento das obrigações principais e acessórias, aplicáveis na sistemática anterior à Medida Provisória nº 449/2008, em comparação com a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que é única, aplicável ao caso por força do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Cientificado do Acórdão nº 2803002.736, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 07/07/2016 (cópia do Aviso de Recebimento – AR – fl. 818), o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 820/862) e Recurso Especial (fls. 865/972), ambos em 22/07/2016, portanto, tempestivos. Ao Recurso Especial do contribuinte, foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 30/04/2017 (fls. 978/982), considerados os acórdãos paradigmas nº 2402004.974, nº 2401004.193 para as obrigações principais e nº 2402 004.944 e nº 2402004.945 para os AIOA. Fl. 989DF CARF MF 4 O recorrente, em suas alegações, requer seja conhecido e provido o presente recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido em relação à matéria: Pagamentos efetuados a cooperativas em face do RE 595.838/SP. Em suas contrarrazões, o contribuinte, em síntese, defende o acórdão recorrido no que tange a multa, asseverando que está consoante à retroatividade da lei para beneficiar em matéria de penalidade por infração à legislação tributária, além de estar a seu ver melhor aplicada por ser regra mais específica à situação. Vejamos trecho: · Busca a reforma da decisão, sob o argumento de quer na situação em julgamento, a multa aplicável seria a prevista no artigo 35A da Lei 8.221/91, que remete ao artigo 44, I, da Lei 9.430/96, e não o artigo 32A da mesma lei 8212/91, conforme entendeu o órgão colegiado, sob o argumento de que, este último dispositivo se aplicaria quando houvesse tão somente o descumprimento da obrigação acessória relacionada à GFIP e no caso concreto, houve o lançamento de contribuições previdenciárias, devendo então ser aplicado o artigo 35 A da Lei 8212/91. · Mesmo considerando que as penalidades exigidas neste Auto de Infração, ao final serão canceladas pelo próprio fisco federal, eis que, decorrem de falta de apresentação de documentos e informações relativas a contribuições previdenciárias previstas no artigo 22, IV, da lei 8212/91, dispositivo que foi julgado inconstitucional pelo E. STF (RE 595.828), na sistemática do artigo 543B do CPC/1973 (atual 1045 do CPC/2015), vinculando a Secretaria da Receita Federal), cumpre contradizer as razões da d. Procuradoria, devendo a decisão recorrida deve ser mantida, eis que é a que melhor se amolda às previsões da legislação e a que se coaduna com a verdadeira justiça fiscal. · Destaca, ainda, que o tipo penal descrito no artigo 32A, inciso I, da lei 8.212/91, melhor se amolda a infração do sujeito passivo ao artigo 32, IV do mesmo diploma legal, sendo o mais adequado àquele previsto no artigo 44, I, da lei 9.430/96, pois é uma regra mais específica a situação, do que aquela em que a d. Procuradoria quer que seja aplicada na reforma da decisão que pleiteia em seu Recurso especial. · Aduz que não há nenhuma ressalva nas disposições do inciso I, do artigo 32A da lei 8212/91, restringindo a aplicação da penalidade ali descrita para as situações de descumprimento da mera obrigação acessória prevista no artigo 32, IV, da mesma norma legal, sem descumprimento da obrigação principal. Cientificada do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp do contribuinte em 16/05/2017 (Despacho de Encaminhamento – fl. 983), a PGFN não apresentou contrarrazões (Ciência – Outros – ciência PFN – fl. 984). É o relatório. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 9202006.949 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despachos de Admissibilidade, fls. 978 e 812, respectivamente. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos dos despachos proferidos, passo a apreciar o mérito da questão. Das Preliminares ao Mérito Cingese a controvérsia em relação ao Resp da Fazenda Nacional às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Por outro lado, o ponto crucial a ser apreciado no Recurso do Contribuinte, diz respeito ao alcance da declaração de inconstitucionalidade das contribuições sobre a contratação de cooperativas de trabalho. Contudo, o conhecimento do recurso especial restringese ao AIOP e AIOA, relacionados a obrigação principal, no entendimento que, sendo improcedente no mérito a autuação, igual resultado deve ser aplicado a obrigação acessória configurada na ausência de informação em GFIP desses fatos geradores (AIv68). Por outro lado, o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória de nº 37.068.2939 AI 38, foi lavrado por ter o contribuinte deixado de apresentar as notas fiscais/faturas de serviços contratuais junto à UNIMED de Dracena, apesar de devidamente intimada para tanto, conforme Termos de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de 19/04/2010 e de Intimações Fiscais, TIF’s nº 2, 3 e 4, de 12/08/2010, 07/10/2010 e 13/12/2010, respectivamente. Contudo, tal obrigação não tem vinculação direta com a improcedência da contribuição sobre a contratação de cooperativas, pois o objeto da autuação é deixar de apresentar documentos, o que, à época poderia ser exigido pela fiscalização, pois em vigor a legislação. Ademais, o contribuinte não apresentou paradigmas que respaldassem o recurso especial nessa matéria. Dessa forma, CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial do Contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte Busca o sujeito passivo seja dado total provimento ao presente recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido em relação à matéria: Pagamentos efetuados a cooperativas em face do RE 595.838/SP, o que entendo, assiste razão ao recorrente como exposto a seguir. Fl. 991DF CARF MF 6 Da Contribuição Previdenciária incidente sobre a contratação de cooperativas de trabalho. Quanto ao mérito, cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da matéria, considerando o recurso apresentado pelo recorrente. Depreendese da previsão legislativa, intenção de transferir a sujeição passiva da obrigação tributária contribuição previdenciária a empresas que contratam a prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de trabalho, confrontando, assim, a Constituição Federal em seu art. 195, I, “a”, dado que o serviço contratado pelas empresas junto às cooperativas é, na verdade, prestado por pessoas físicas, os cooperados. A cooperativa é bem mais que intermediária nas relações entre cooperados e tomadores de serviço, tratase, pois, de entidade criada para integrar seus associados e lhes fortalecer a solidariedade, pois que o sócio usuário não exerce, por conta própria, a atividade profissional, mas sim participa sob regime de cooperação. Os terceiros, quando se interessam pelos serviços, os creditam à cooperativa, que se ocupa de repassar aos usuários seu quantum respectivo. Desta forma, a Lei 9.876/99, desconsidera a personalidade jurídica das sociedades cooperativas, corrompendo os significados de pessoa física e jurídica. O que faz a supracitada lei é incidir a contribuição previdenciária não sobre as remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas à relação contratual estabelecida entre pessoa jurídica cooperativa e pessoa jurídica tomadora do serviço. Contudo, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário – RE 595.838/SP, tema com repercussão geral reconhecida, declarou inconstitucional a contribuição social em análise, conforme se vê: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99.SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS TOMADORAS DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. TRIBUTAÇÃO DO FATURAMENTO. BIS IN IDEM. NOVA FONTE DE CUSTEIO. ARTIGO 195, § 4º, CF. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, Fl. 992DF CARF MF Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 9202006.949 CSRFT2 Fl. 5 7 não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99 ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Da análise do referido acórdão do STF, extraise entendimento que, no caso da contribuição previdenciária objeto deste recurso, cujo critério material pretende ser o da prestação do serviço, a base de cálculo não poderia ser outra que não o valor da remuneração da mão de obra desse serviço. Dito de outra forma, a base de cálculo há de ser representada pela medida do serviço prestado pelo cooperado, havendo manifesta violação do texto constitucional na hipótese de se calcular a contribuição com base em valores pagos a qualquer outro título, como o faz o legislador quando a estipula sobre o valor bruto da nota fiscal. Desta forma, avença o STF que houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, “a”, da CF/88, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve, ainda,profanação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da CF/88, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. A Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN apresentou Embargos de Declaração ao RE 595.838/SP, postulando pela modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, bem como, a manifestação sobre a repristinação da Lei Complementar 84/96, alegando forte impacto ao orçamento da Seguridade Social e nas políticas públicas de saúde, previdência social e assistência social. Deste recurso decidiu o STF, em sessão plenária de 18/12/2014: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO.PEDIDO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS DA DECISÃO COM QUE SE DECLAROU A INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.AUSÊNCIA DE EXCEPCIONALIDADE. LEI APLICÁVEL EM RAZÃO DE EFEITO REPRISTINATÓRIO.INFRACONSTITUCIONAL. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco Fl. 993DF CARF MF 8 irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados. Como a decisão de inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei 8212/91 na redação da Lei 9.876/99, não transitou em julgado e a ADI 2594, sob relatoria do Min. Teori Zavascki, encontrase liberada pelo relator para julgamento do Plenário do STF desde setembro de 2014, a decisão judicial definitiva do RE 595.838/SP deve ser aplicada ao lançamento fiscal. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do CPC/1973) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62, § 1º, II, “b” do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF343/2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: II – que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 43C da Lei nº 5.869, de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Destarte não há como subsistir o lançamento fiscal. Face ao exposto, entendo que não há como subsistir o lançamento, razão pela qual, voto por DAR PROVIMENTO AO RESP DO CONTRIBUINTE. Recurso Especial da Fazenda Nacional Aplicação da multa retroatividade benigna Embora, em relação ao cálculo da multa atribuída no acórdão recorrido, possa se atribuir razão ao Resp da Fazenda Nacional, conforme ampla jurisprudência dessa 2ª Turma da CSRF, não há como apreciar a questão, face a perda do objeto. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 9202006.949 CSRFT2 Fl. 6 9 A declaração de improcedência do AIOP pela declaração de inconstitucionalidade da contribuição ali lançada, enseja mesmo destino a obrigação acessória conexa, razão pela qual não subsiste multa a ser apreciada. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER EM PARTE do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO. Já em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, voto por NÃO CONHECÊLO, em razão da perda de objeto face o provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 995DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000206/2007-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 01/01/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 01/01/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 17546.000206/2007-50
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5881563
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.800
nome_arquivo_s : Decisao_17546000206200750.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 17546000206200750_5881563.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7366614
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589683777536
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-09T12:33:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-09T12:33:06Z; Last-Modified: 2018-07-09T12:33:30Z; dcterms:modified: 2018-07-09T12:33:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:e6dd2da0-48b8-49ce-b057-68d5ef8d1ed9; Last-Save-Date: 2018-07-09T12:33:30Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-09T12:33:30Z; meta:save-date: 2018-07-09T12:33:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-09T12:33:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-09T12:33:06Z; created: 2018-07-09T12:33:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-07-09T12:33:06Z; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-09T12:33:06Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17546.000206/200750 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.800 – 2ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HOTEIS ROYAL PALM PLAZA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 01/01/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 02 06 /2 00 7- 50 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 364DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 365DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 366DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 367DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 368DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 369DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660296/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.660296/2012-50
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878685
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.700
nome_arquivo_s : Decisao_10880660296201250.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880660296201250_5878685.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7360096
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589695311872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660296/201250 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.700 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 96 /2 01 2- 50 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
