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Numero do processo: 10746.904248/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.327
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 48 /2 01 2- 23 Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10746.904248/201223 Acórdão n.º 3301004.327 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.896, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.621. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10746.904248/201223 Acórdão n.º 3301004.327 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10746.904248/201223 Acórdão n.º 3301004.327 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10746.904248/201223 Acórdão n.º 3301004.327 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001074/2004-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. EMBALAGENS
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. Gastos com embalagens de acondicionamento, que incorporam as embalagens dos produtos produzidos, referem-se à comercialização, fase posterior à de produção.
Numero da decisão: 9303-006.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. EMBALAGENS Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. Gastos com embalagens de acondicionamento, que incorporam as embalagens dos produtos produzidos, referem-se à comercialização, fase posterior à de produção.
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DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. EMBALAGENS Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. Gastos com embalagens de acondicionamento, que incorporam as embalagens dos produtos produzidos, referemse à comercialização, fase posterior à de produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 10 74 /2 00 4- 31 Fl. 1703DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de pleito por ressarcimento de créditos de Cofins (efl. 03) oriundos da incidência não cumulativa para produtos destinados ao mercado externo, no montante de R$ 313.929,76, referente ao terceiro trimestre do ano de 2004. O despacho decisório de efl. 1481 e 1482, em 27/11/2007, com base no Parecer Fiscal de às efls. 1464 a 1480, reconheceu a existência de crédito no montante de R$ 250.386,87. Basicamente, foram glosados valores declarados em DACON que não atenderiam ao conceito de insumo: i) gastos com embalagens destinadas ao transporte de produtos elaborados; ii) gastos com empresas cujo CNAE é incompatível com a aquisição de insumos da atividade agroindustrial; iii) gastos com a aquisição de materiais de construção; iv) frete sobre compra de bem: · não classificado como insumo diretamente aplicado na produção; · não identificado; e · sem identificação do endereço de remetente e do produto; v) outras operações com direito a crédito, pela própria informação do contribuinte. Além disso, foi alterado o rateio proporcional às receitas advindas do mercado interno e externo, relativamente ao 3º trimestre de 2004. Em 21/12/2007, foi requerida retificação do Despacho Decisório pela contribuinte, às efls. 1485 e 1486, em face de erro material do fisco ao apurar a receita do mês de setembro, resultando em retificação do Parecer Fiscal (efls. 1510 a 1527) e do Despacho Decisório (efsl. 1528 e 1529) para alterar o valor do crédito reconhecido para o montante de R$ 271.466,22 , em 11/01/2008. Cientificada do despacho retificado em 17/01/2008 (efl. 1525), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 1535 a 1538, em 14/02/2008, para que fossem deferidos os créditos da contribuição à Cofins descontada sobre as notas fiscais de aquisição de embalagens para o acondicionamento dos produtos industrializados, assim como sobre os serviços de fretes contratados para o transporte dos insumos. Já a 4ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 0714.354, prolatado em 17/10/2008, às e fls. 1540 a 1563, por unanimidade, indeferiu a solicitação da contribuinte. Intimada do acórdão da DRJ em 06/11/2008 (efl. 1568), a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 1569 a 1574. Em resumo, reitera os argumentos da Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 13982.001074/200431 Acórdão n.º 9303006.833 CSRFT3 Fl. 1.704 3 manifestação de inconformidade para requere o crédito sobre aquisição de embalagens para o acondicionamento dos produtos industrializados, assim como sobre os serviços de fretes contratados para o transporte dos insumos. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 09/12/2010, resultando no acórdão nº 340200.246, às efls. 1577 a 1589, que tem as seguintes ementas: COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. EMBALAGEM. INSUMOS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Pleito deferido. INSUMOS. FRETE. CONHECIMENTO DE TRANSPORTE INCOMPLETO. REGIME ESPECIAL DE ESTADO MEMBRO. FORMALIDADES NÃO COMPROVADAS. Criado regime especial que excepciona exigência de formalidades fiscais, devese demonstrar o cumprimento das exigências de adesão a tal regime através da apresentação de documentos comprobatórios. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O voto condutor deferiu o ressarcimento de créditos decorrentes da aquisição de embalagens utilizadas para transporte de mercadoria, sob o fundamento de que o conceito de insumo deve ser entendido como todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. A decisão manteve a glosa dos créditos relativos ao frete, por falta de elementos probatórios. Embargos de declaração da Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 340200.246 em 17/06/2011 (efl. 1591), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração em 20/06/2011, às efls. a 1607, por entender eivado de obscuridade e contradição o acórdão embargado. Contradições por afirmar que não se pode equiparar os conceitos da legislação do PIS e Cofins com a do IPI e em seguida realizar a mesma comparação com a do IRPJ. Também haveria contradição quando afirma terem PIS e Cofins materialidades distintas da do IPI, tratando este de industrialização e aqueles de recita, mas igualmente desconsiderar que o IRPJ que incide sobre o lucro e não sobre a receita. Já a obscuridade decorreria de o acórdão comparar os conceitos de custos e despesas operacionais do RIR/99 com insumos do PIS e Cofins que, por expressa determinação legal, não incluem diversos aspectos daquela norma. Fl. 1705DF CARF MF 4 Ao final, requer sejam conhecidos e acolhidos os embargos Declaratórios para que a haja pronunciamento a respeito dos vícios apontados e, principalmente, para que se esclareça o entendimento acerca da aplicabilidade irrestrita de normas do RIR/99 ao conceito de insumos para fins de creditamento sobre o PIS e a Cofins. O Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 10/08/2011, no despacho nº 32020022, às efls. 1685 a 1688, com fulcro no art. 65 do do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, acolheu os embargos para que fossem submetidos à decisão da Turma. Já a 2ª Turma, em acórdão prolatado em 25/01/2012, de nº 3202000.427, conheceu dos embargos, mas os rejeitou, como se observa às efls. 1689 a 1695. O acõrdão teve a seguinte ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 340200.427 em 03/04/2012 (efl. 1621), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência na mesma data, às efls. 1624 a 1644. A Procuradora indica dois acórdãos paradigmas, de nº 310100.795 e nº 203 12448, que divergem do recorrido pois elaboram entendimento de que, no contexto da não cumulatividade do PIS e da Cofins, o melhor critério para definição de insumos é aquele previsto na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79. Alega que embalagens não são incorporadas ao produto no processo de industrialização e conclui que, assim, não podem ensejar créditos da contribuição A Procuradora requereu que fosse conhecido e provido recurso especial, para reformar o acórdão recorrido, na parte em que desfavorável à Fazenda Nacional, restabelecendose a Decisão de primeira instância. O Presidente da 2ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda em 11/05/2012, no despacho nº 3202 00.103, às efls. 1673 a 1676, com base nos arts. 67 e 68 do do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. A contribuinte foi intimada (efl. 1679) do acórdão nº 340200.246 e do despacho de admissibilidade nº 320200.103, em 20/07/2012 (efl. 1681) e não apresentou qualquer manifestação nos autos dentro dos prazos regimentais. Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 13982.001074/200431 Acórdão n.º 9303006.833 CSRFT3 Fl. 1.705 5 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. No mérito, discordo dos argumentos da recorrente, porém, em face do conhecimento do recurso que me leva à apreciação da matéria, adoto razão de decidir que leva ao seu provimento, isso porque penso que só pode ser tomado por insumo o bem ou serviço que tenha aplicação direta ao processo produtivo ou no serviço prestado. Esse seria um entendimento consoante com a legislação do PIS e da Cofins, ao ver os insumos como bens e serviços passíveis de geração de créditos que devem estar diretamente vinculados ao bem vendido. Diferente é o critério consoante a legislação do IRPJ, utilizado por aqueles que pretendem ver a geração de créditos por todos bens serviços necessários à produção, que, apesar de essenciais, somente de forma mediata levam à composição do produto. Busco arrimo para esta inteligência nos critérios explanados na Solução de Divergência COSIT nº 7 de 23/08/20161, da qual se extrai: 24.No outro extremo das conclusões, verificase que não são considerados insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. 25.Certamente, diversos e plausíveis são os motivos que justificam a adoção desse entendimento restritivo acerca do conceito de insumos para fins de creditamento da não cumulatividade das contribuições em tela. 26.Em primeiro lugar, devese destacar que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente e mostrase muito significativo se efetuada uma comparação entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do 1 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=78047 Fl. 1707DF CARF MF 6 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ) (art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). 27.Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação dos tributos citados acima, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as despesas necessárias à atividade da empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica. 28.Outro fato importante a ser considerado é que a legislação das contribuições, de um lado, estabelece como base de cálculo das contribuições no regime de apuração não cumulativa o valor total das receitas auferidas no mês pelo sujeito passivo tomadas como um todo, independentemente das operações que ocasionaram o ingresso de receitas, salvo exclusões legais (arts. 1º e 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e arts. 1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003), e, de outro lado, de maneira oposta, a mesma legislação discrimina especificamente bens, serviços e operações em relação aos quais se permite a apuração de créditos, em preterição à permissão genérica de creditamento em relação a custos e despesas incorridos na atividade econômica do sujeito passivo (art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004). 29.Diante disso, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas e não devem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. 30.Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista na Constituição Federal. 31.Ainda perquirindo os fundamentos da adoção de entendimento restritivo sobre os insumos que geram crédito na legislação das contribuições, cumpre analisar o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 32.Conforme se observa, dentre todas as hipóteses de creditamento estabelecidas, apenas duas albergam dispêndios necessária e diretamente atrelados à atividade de produção e prestação de serviços, quais sejam aquisição de insumos e aquisição ou fabricação de bens incorporados ao ativo imobilizado, bem assim apenas duas relativas a dispêndios necessária e diretamente atrelados à revenda de bens, quais Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 13982.001074/200431 Acórdão n.º 9303006.833 CSRFT3 Fl. 1.706 7 sejam a aquisição de bens para revenda e a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 33.Com efeito, insumos e bens do ativo imobilizado são utilizados nas atividades finalísticas da pessoa jurídica e participam direta, específica e inafastavelmente do processo de produção de bens e da prestação de serviços, como também bens para revenda e frete na venda participam igualmente da revenda de bens, e suas influências nos respectivos processos econômicos podem ser imediatamente percebidas. 34.Diferentemente, todas as demais hipóteses de creditamento abrangem dispêndios que, conquanto necessários ao desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica, podem relacionarse indiretamente com a atividade de produção de bens e prestação de serviços ou revenda de bens, pois também são utilizados em áreas intermediárias da atividade da pessoa jurídica. Exemplificativamente citamse: energia elétrica e térmica; aluguéis de prédios e máquinas; arrendamento mercantil; depreciação ou aquisição de edificações e de benfeitorias em imóveis; e valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados. 35.Deveras, tais dispêndios decorrem da utilização pela pessoa jurídica de bens e serviços necessários à manutenção de todo seu funcionamento ou mesmo de sua existência e não especificamente à produção de bens e prestação de serviço ou à revenda de bens. 36.Daí, resta evidente que não se pretendeu abarcar no conceito de insumo todos os dispêndios da pessoa jurídica incorridos no desenvolvimento de suas atividades, mas apenas aqueles direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. 37.Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, para abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, pleonasmo, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. 38.Ademais, a adoção desse conceito ampliativo de insumo geraria uma incoerência sistemática decorrente do fato de o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, concederem créditos apenas em relação aos insumos utilizados nas atividades de produção de bens e de prestação de serviços e não concederem créditos aos insumos utilizados na atividade de revenda de bens. Com efeito, se adotado esse conceito ampliativo de insumo, não parece existir qualquer fundamento para excluir as pessoas jurídicas comerciais do direito a apuração desse crédito. Fl. 1709DF CARF MF 8 39.Já a interpretação restritiva do conceito de insumo adotada nesta Solução de Divergência tem o condão de explicar o motivo da exclusão da atividade comercial do direito de creditamento em relação à aquisição de insumos feita pelos citados dispositivos. Eis que, considerandose insumos apenas os bens e serviços diretamente relacionados à atividade de produção de bens e de prestação de serviços, no caso da revenda de bens esses insumos são exatamente os bens para revenda, armazenagem e frete na operação de venda, a cuja aquisição a legislação conferiu expressamente direito de creditamento, no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e nos incisos I e IX do art. 3º, c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003. 40.Destarte, devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. (Negritei.) O tratamento acima justifica a posição abaixo transcrita: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 13982.001074/200431 Acórdão n.º 9303006.833 CSRFT3 Fl. 1.707 9 b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (Grifei.) Para elucidação da questão posta no caso concreto, parto da apresentação das razões recursais do contribuinte quanto à matéria, constante da decisão recorrida à efl. 1579, nos termos a seguir reproduzidos: 1. Quanto à glosa referente às embalagens: são elas utilizadas para transportar os produtos industrializados aos clientes da recorrente, sem as quais (embalagens) não seria possível o desenvolvimento das suas atividades, entrando como verdadeiro custo da sua produção, com natureza clara de insumo. São embalagens maiores (caixas), que servem para acondicionar as dezenas de embalagens menores. Ressaltando ainda, que após o uso (transporte/exposição), os insumos (caixas) não são reaproveitados, e sim, descartados. A decisão recorrida entendeu que essas embalagens seriam despesas necessárias ao desenvolvimento das atividades da recorrente, sendo posteriormente descartadas. Contudo, classifico esses gastos como gastos da atividade comercial, ou seja, posteriores à produção. Salientese que a produção está completa e acabada no momento em que o produto é fabricado, pois, em tese, nada impede que um cliente adquirisse o produto a granel, no próprio estabelecimento do contribuinte. Ora, isso afasta a necessidade do gasto para fabricação do produto. Dessarte, entendo que os gastos em litígio não caracterizam insumos necessários à produção do período, para fins de creditamento da contribuição. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1711DF CARF MF 10 Fl. 1712DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725993/2011-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada.
Numero da decisão: 3002-000.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 59 93 /2 01 1- 39 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10680.725993/201139 Acórdão n.º 3002000.139 S3C0T2 Fl. 177 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto ao Acórdão de nº 0651.382, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, em sessão de 25 de março de 2015, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/04/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem, o contribuinte apresentou, em 25.04.2007, as Declarações de Compensação DCOMP´s de nº 39266.02830.250407.1.7.082402 e 23485.87778.250407.1.7.083022, objetivando a compensação de saldo remanescente de créditos de PIS de empresa incorporada, relativos ao 1º trimestre de 2005, oriundos dos processos 10680.010186.200570 e 10680.004794/200545, respectivamente, com débito de IRPJ do mês de março/2006. (fls. 15 a 22) Em 22.08.2007, em cumprimento ao MPF nº 06.1.01.002007006861, teve início ação fiscal para análise dos processos de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos do período de 12/2002 a 12/2005 da empresa Anglogold Ashanti Mineração Ltda., CNPJ 42.138.891/000197, incorporada pela fiscalizada. Tal procedimento fiscal analisou os Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação dos processos de nº 10680.009340/200480, 10680.009339/200455, 10680.014124/200456, 10680.004794/200545, 10680.010186/200570, 10680.010187/2005 14, 10680.017536/200529 e 10680.017537/200573, que totalizavam solicitações de ressarcimento/compensação de créditos de contribuições não cumulativas no montante de R$5.419.401,93. Assim, os créditos relativos a todos os processos acima mencionados foram objeto de análise nos autos do processo de fiscalização, de nº 10680.004042/200746. A fiscalização identificou a existência de outros pedidos de ressarcimento de créditos de contribuições não cumulativas apuradas nos mesmos períodos de apuração envolvidos no processo em estudo. Portanto, parte do crédito das contribuições ao PIS e a COFINS a que a empresa tinha direito foi objeto de ressarcimento naqueles processos e o restante foi abordado nos autos do processo originado pela fiscalização. Os agentes fiscais concluíram pelo reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado, deferindo a existência de crédito no montante de R$3.897.178,23 e indeferindo (glosando) o montante de R$1.522.223,70, conforme resumo abaixo. CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR DEFERIDO VALOR INDEFERIDO Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10680.725993/201139 Acórdão n.º 3002000.139 S3C0T2 Fl. 178 3 PIS 3ª TRIM/2003 24.377,87 18.241,12 6.136,75 PIS 4º TRIM/2003 52.580,98 47.870,15 4.710,83 PIS 1º TRIM/2004 103.441,09 81.207,47 22.233,62 PIS 2º TRIM/2004 146.195,87 91.729,97 54.465,90 PIS 3ª TRIM/2004 82.415,12 34.840,97 47.574,15 PIS 4º TRIM/2004 70.186,12 70.186,12 PIS 1º TRIM/2005 178.070,19 160.823,32 17.246,87 PIS 2º TRIM/2005 179.831,19 140.017,77 39.813,42 PIS 3º TRIM/2005 201.788,87 149.766,54 52.022,33 COFINS 1º TRIM/2004 199.190,12 120.321,55 78.868,57 COFINS 2º TRIM/2004 673.417,58 422.544,35 250.873,23 COFINS 3ª TRIM/2004 379.678,78 160.549,42 219.129,36 COFINS 4º TRIM/2004 323.351,17 323.351,17 COFINS 1º TRIM/2005 820.263,43 740.823,28 79.440,15 COFINS 2º TRIM/2005 1.055.096,86 645.006,29 410.090,57 COFINS 3º TRIM/2005 929.516,69 689.898,74 239.617,95 TOTAIS 5.419.401,93 3.897.178,23 1.522.223,70 A linha destacada na tabela acima indica os créditos reconhecidos e glosados pela fiscalização no período de apuração dos créditos utilizados nas DCOMP´s em discussão nestes autos. O contribuinte declarou, tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, concordância com as glosas realizadas pela fiscalização no processo 10680.004042/200746. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte DRF/BHE, por meio do Despacho Decisório de nº 1344, datado de 01.10.2011, cientificou o contribuinte da não homologação das compensações realizadas, informando ter sido exaurido todo o crédito reconhecido pela fiscalização em outras compensações declaradas pelo sujeito passivo, anexando os demonstrativos de fls. 25 a 37. Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 19.10.2011, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 18.11.2011, aduzindo, em síntese, que: a) O Despacho Decisório nº 1344 deve ser analisado em conjunto com o Despacho Decisório nº 1345; b) Apresentou, em 2004 (sic), PER/DCOMP´s com valor a restituir de R$125.675,97 e R$45.815,77, perfazendo um total de R$171.491,74; c) Verificou em seus controles que deixou de lançar, em época própria, em sua escrita, as retenções na fonte referentes às contribuições efetuadas em notas fiscais emitidas em janeiro/2005, no valor de R$1.408,75; fevereiro/2005, no valor de R$1.772,95; e março/2005, no valor de R$3.396,75; totalizando, R$6.578,45; d) Em razão do equívoco, providenciou, em 25/04/2007, a retificação das PER/DCOMP´s originais, somando ao valor do crédito inicialmente declarado o montante das retenções sofridas, perfazendo um novo montante de crédito de R$178.070,19; Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10680.725993/201139 Acórdão n.º 3002000.139 S3C0T2 Fl. 179 4 e) Em 2007 foi iniciada ação fiscal para analise dos processos de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos, referentes ao período de dezembro de 2002 a dezembro de 2005; f) Finalizada a ação fiscal, foi emitido, nos autos do processo de nº 10680.004042/200746, o parecer fiscal datado de 28/05/2008, glosando parcialmente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo, com os quais a impugnante concordou; g) Em conseqüência das glosas realizadas e aceitas, restou saldo devedor de IRPJ a pagar, inscrito em Dívida Ativa, com nº de inscrição 60 2 09 00251341; h) Aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 REFIS, incluindo dentre os débitos parcelados, aqueles inscritos em Dívida Ativa da União sob o nº 60 2 09 00251341, anexando documentos comprobatórios; i) Apesar da adesão ao parcelamento, a União ajuizou ação de Execução Fiscal, que recebeu o nº 007471803.2010.8.13.0188, suspensa posteriormente por requerimento da própria União, tendo em vista o parcelamento; j) O débito de IRPJ, resultante da glosa efetuada pela fiscalização e aceita pelo contribuinte, foi incluído em parcelamento da Lei nº11.941/2009, devendo, por tal razão, ser cancelada a cobrança realizada através do despacho decisório nº 1344 DRF/BH. Em sessão de 25 de março de 2015, a 3ª Turma da DRJ/CTA decidiu, em acórdão de nº 0651.382, pelo não acolhimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente, sob o fundamento que: a) Os créditos declarados nas DCOMP´s em comento, relativos aos processos administrativos nº 10680.004794/200545 e 10680.010186/200570 foram integralmente utilizados em outras compensações, não havendo saldo disponível para compensar o débito de IRPJ de 03/2006, conforme pretendido nestes autos; b) Os débitos incluídos no parcelamento da Lei 11.941/2009 (inscrição nº 60.2.09.00251341), embora sejam de IRPJ, referemse aos períodos de apuração de 12/2004 e 11/2005, conforme se comprova pelas fls. 103 dos presentes autos, enquanto que os débitos cobrados por meio do despacho decisório 1344 referemse ao período de 03/2006 e não estão incluídos em parcelamento algum. Cientificada da decisão em 10.04.2015 e não se conformando com seu conteúdo, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08.05.2015, no qual ratifica as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.725993/201139 Acórdão n.º 3002000.139 S3C0T2 Fl. 180 5 Muito embora os valores mencionados no relatório e no voto sejam superiores ao limite da competência especial das Turmas Extraordinárias, o saldo do crédito discutido neste processo é inferior a 60 (sessenta) salários mínimos (fl. 16). Sendo assim, passo à analise do Recurso Voluntário. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, entendeu que "É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado." No curso do presente processo, foram produzidas provas suficientes para analisar a existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vejamos. Os créditos de PIS referentes ao 1º trimestre de 2005, declarados nas DCOMP´s transmitidas pelo contribuinte em 25.04.2007 (fls. 15 a 22), somavam R$178.070,19, conforme detalha a tabela abaixo. DCOMP PROCESSO ADMINISTRATIVO CRÉDITO DECLARADO FLS. 23485.87778.250407.1.7.083022 10680.004794/200545 R$ 128.857,67 15 a 18 39266.02830.250407.1.7.082402 10680.010186/200570 R$ 49.212,52 19 a 22 TOTAL R$ 178.070,19 A ação fiscal consubstanciada no processo 10680.004042/200746, iniciada em 22.08.2017 (posterior ao envio das DCOMP´s), concluiu pela glosa de parte dos créditos declarados pelo contribuinte, nos termos do Parecer Fiscal de fls. 03 a 11 destes autos. Em relação aos créditos de PIS do 1º trimestre de 2005, as glosas foram: CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR INDEFERIDO VALOR DEFERIDO PIS 1º TRIM/2005 178.070,19 17.246,87 160.823,32 O Contribuinte declarou, tanto na Manifestação de Inconformidade, quanto no Recurso Voluntário, concordância com as glosas realizadas pela ação fiscal. Finalizada a ação fiscal, foi emitido o PARECER FISCAL PROCESSO Nº 10680.004042/200746 datado de 28.05.2008, considerando glosas, com as quais a impugnante concordou. (fl. 48 e 123) O "Demonstrativo Analítico de Compensação" evidencia que o crédito de PIS, no valor de R$160.823,32, relativo ao 1º trimestre de 2005, foi integralmente consumido, por compensação, com débitos de IRPJ e CSLL, não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova em sentido contrário. TRIBUTO PA FLS. COMPENSAÇÃO Nº DÉBITO COMPENSADO IRPJ 03/2005 32 27 R$ 64.914,74 CSLL 06/2005 33 28 R$ 95.908,58 TOTAL R$ 160.823,32 A "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes" (fl. 26) comprova que todos os créditos vinculados aos processos relacionados à compensação em discussão nestes autos foram consumidos, não havendo nenhum outro documento ou prova em sentido oposto. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.725993/201139 Acórdão n.º 3002000.139 S3C0T2 Fl. 181 6 Não merece prosperar a pretensão do contribuinte, no sentido de analisar e utilizar neste processo créditos que estão sendo discutidos em outros autos. Contudo, em homenagem ao contraditório e ampla defesa, e apenas a título de demonstração, ainda que considerada fosse a alegação do contribuinte, não haveria saldo de crédito remanescente para a compensação declarada nestes autos. Vejamos: CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR INDEFERIDO VALOR DEFERIDO PIS 1º TRIM/2005 178.070,19 17.246,87 160.823,32 PIS 2º TRIM/2005 179.831,19 39.813,42 140.017,77 TOTAL 357.901,38 57.060,29 300.841,09 Tais créditos, foram integralmente utilizados em compensação com débitos de IRPJ e CSLL, conforme demonstrativo abaixo: TRIBUTO PA FLS. COMPENSAÇÃO Nº DÉBITO COMPENSADO IRPJ 03/2005 32 27 R$ 64.914,74 CSLL 06/2005 33 28 R$ 95.908,58 CSLL 06/2005 33 29 R$ 121.592,32 IRPJ 11/2005 33 30 R$ 18.425,45 TOTAL R$ 300.841,09 O Contribuinte alegou ainda que o débito cobrado por meio do Despacho Decisório 1344 (IRPJ 03/2006) encontrase incluído no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. Ocorre, contudo, que restou comprovado, por meio da CDA constante das fls. 84 a 90, que os débitos de IRPJ vinculados à inscrição nº 60 2 09 002513, objeto do aludido parcelamento, são relativos aos meses de 12/2004 e 11/2005. Não há nos autos qualquer documento que comprove o parcelamento do IRPJ de março/2006. O direito à compensação, estampado no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, origina se a partir da existência de crédito tributário líquido e certo, o que definitivamente não se comprovou nestes autos. Ao contrário, todas as provas trazidas ao processo, inclusive aquelas carreadas pelo próprio contribuinte, evidenciam que a totalidade do crédito homologado pela fiscalização, nos autos do processo 10680.004042/200746, cuja parcela pretendia o contribuinte utilizar nas DCOMP´s que originaram o recurso em análise, já foi consumido em outras compensações realizadas pelo sujeito passivo, não remanescendo saldo disponível para a compensação pretendida nestes autos. Diante de todo o exposto, e levando em conta as provas e alegações produzidas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.725993/201139 Acórdão n.º 3002000.139 S3C0T2 Fl. 182 7 Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726236/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. TERMO DE INÍCIO. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. FATO GERADOR. ENUNCIADO Nº 38 DA SÚMULA CARF.
Nos casos de omissão de rendimentos decorrentes do trabalho com vínculo empregatício e de omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada o fato gerador do IRPF ocorre em 31 de dezembro.
ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. LEGITIMIDADE.
Encontra-se definitivamente superada a discussão quanto à legitimidade da autoridade fiscal em acessar as informações relativas à movimentação financeira do contribuinte, quando esse procedimento é realizado de acordo com as normas que o regulamentam.
INCONSTITUCIONALIDADE. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-004.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. TERMO DE INÍCIO. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. FATO GERADOR. ENUNCIADO Nº 38 DA SÚMULA CARF. Nos casos de omissão de rendimentos decorrentes do trabalho com vínculo empregatício e de omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada o fato gerador do IRPF ocorre em 31 de dezembro. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. LEGITIMIDADE. Encontra-se definitivamente superada a discussão quanto à legitimidade da autoridade fiscal em acessar as informações relativas à movimentação financeira do contribuinte, quando esse procedimento é realizado de acordo com as normas que o regulamentam. INCONSTITUCIONALIDADE. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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TERMO DE INÍCIO. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. FATO GERADOR. ENUNCIADO Nº 38 DA SÚMULA CARF. Nos casos de omissão de rendimentos decorrentes do trabalho com vínculo empregatício e de omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada o fato gerador do IRPF ocorre em 31 de dezembro. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. LEGITIMIDADE. Encontrase definitivamente superada a discussão quanto à legitimidade da autoridade fiscal em acessar as informações relativas à movimentação financeira do contribuinte, quando esse procedimento é realizado de acordo com as normas que o regulamentam. INCONSTITUCIONALIDADE. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 62 36 /2 01 2- 63 Fl. 12704DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 12.685/12.701) apresentado em face do Acórdão nº 0246.583, da 5ª Turma da DRJ/BHE (fls. 12.670/12.677), que negou provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração pelo qual foi constituído crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF (fls. 3/16). O auto de infração foi lavrado com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, nos anoscalendário 2007 e 2008. O Acórdão nº 0246.583, da 5ª Turma da DRJ/BHE, negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo, mantendo integralmente o auto de infração. A ciência dessa decisão ocorreu em 21/08/2013 (fl. 12.683) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 12/09/2013 (fls. 12.685/12.701). Em suas razões recursais, o contribuinte alega, em síntese, que: 1. O fato gerador do imposto de renda é apurado no mês de obtenção da renda, conforme determinaria o art. 38 do RIR/1999, de forma que a exigência relativa aos meses de janeiro a outubro de 2007 deve ser cancelada em função da decadência. 2. O imposto de renda da pessoa física se dá de forma mensal, mas a apuração do lançamento se deu de forma anual, o que implicaria sua nulidade. 3. A DRJ não analisou a arguição de quebra de sigilo bancário não autorizada pelo Poder Judiciário, tendo se limitado a analisar apenas a Lei Complementar nº 105 sem realizar a conjugação de direitos fundamentais existentes no país. 4. A lei que instituiu a hipótese de tributação dos depósitos bancários com origem não comprovada estabelece que a tributação deve ser mensal. 5. A mesma determinação consta do § 3º do art. 849 do RIR/1999. Fl. 12705DF CARF MF Processo nº 10680.726236/201263 Acórdão n.º 2201004.531 S2C2T1 Fl. 12.705 3 Pelas razões expostas, pede a revisão total do lançamento e o arquivamento do auto de infração. Neste Conselho, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar de mérito Decadência O recorrente inicia seu apelo invocando a decadência dos meses de janeiro a outubro de 2007, tendo em vista que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 23/11/2012. Entendo, entretanto, que não lhe assiste razão. A partir da decisão tomada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Recurso Especial nº 973.733SC, julgado sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), restou assentado o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial seguirá a regra do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional quando houver antecipação de tributo pelo contribuinte. Por outro lado, essa contagem será feita nos termos do art. 173, I, do mesmo codicilo, quando não houver antecipação de pagamentos ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Portanto, na hipótese mais favorável ao contribuinte, o início da contagem desse prazo se daria na data da ocorrência do fato gerador. Nesse caso, tornase de extrema relevância a definição da data em que ele ocorre. No caso em análise, o recorrente alega que o fato gerador ocorre mês a mês, no que, pareceme, está confundindo diferentes obrigações e diferentes regras. No regime atual de tributação do IRPF, a regra aplicável à maioria dos rendimentos é a antecipação mensal de que trata o art. 2º da Lei nº 8.134, de 1990, sem prejuízo da apuração anual, disciplinada pelo art. 7º da Lei nº 9.250 de 1995: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 12706DF CARF MF 4 (...) Assim, mensalmente surge para o contribuinte o dever de realizar antecipações de pagamento, caso tenha recebido rendimentos sujeitos a esse regime. E se chama "antecipação" porque não é definitiva. E não é definitiva porque a verificação da existência ou não do dever de pagar tributo só surgirá no encerramento do período de apuração, ou seja, no fim do anocalendário. Por isso, o fato gerador do imposto devido no anocalendário ocorre apenas em 31 de dezembro, mesmo nas hipóteses em que a base de cálculo deva ser apurada em bases mensais. O entendimento aqui esposado está em consonância com o seguinte enunciado da Súmula CARF, cujos efeitos são vinculantes neste colegiado: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, a previsão legal de que o rendimento se considera recebido no mês do crédito não tem o condão de deslocar a data da ocorrência do fato gerador, que se aperfeiçoa em 31 de dezembro, alcançando todos os rendimentos apurados desde o início do seu período de apuração (1º de janeiro). Na verdade, essa previsão legal é necessária porque, tratandose de uma presunção (omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada), não há certeza quanto ao momento em que os rendimentos omitidos foram obtidos, sendo preciso estabelecer um critério temporal para sua aferição. Isso não quer dizer que a data da ocorrência do fato gerador foi alterada, pois essa alcança todos os rendimentos sujeitos a ajuste anual obtidos durante o período de apuração. Com base no exposto, rejeito a alegação de decadência dos meses de janeiro a outubro de 2007. Preliminar nulidade Pelas mesmas razões arguídas acima, deve ser rejeitada a alegação de nulidade. Com efeito, ainda que a omissão seja apurada mês a mês, após o encerramento do período de apuração do tributo, que é anual, o cálculo do valor devido se dá pela aplicação da tabela anual, que nada mais é do que a soma das tabelas mensais. Portanto, o procedimento adotado está inteiramente de acordo com as regras aplicáveis à espécie. Rejeitada a argüição de nulidade. Preliminar nulidade por quebra do sigilo bancário A defesa alega nulidade do procedimento, em vista da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Ocorre entretanto que, em sede judicial, essa matéria foi solucionada em sentido contrário às pretensões da contribuinte quando o pleno do Supremo Tribunal Federal Fl. 12707DF CARF MF Processo nº 10680.726236/201263 Acórdão n.º 2201004.531 S2C2T1 Fl. 12.706 5 STF, em julgamento realizado nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil de 1973 (Repercussão Geral), fixou as seguintes teses: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal." "A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN." De acordo com o §2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF na sistemática do art. 543B do CPC/1973 devem ser obrigatoriamente reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por outro lado, invocar os direitos fundamentais existentes no país não merece melhor sorte. Pois nesse caso o que se pretende é a declaração de invalidade de um dispositivo legal, a partir do seu confronto com princípios constitucionais. Essa forma de atuação está fora da esfera de competência deste órgão, conforme evidencia o seguinte enunciado da Súmula CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, é necessário reconhecer a improcedência dos argumentos de defesa. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Fl. 12708DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721415/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NULIDADE - DIREITO DE DEFESA
Todos os fatos, provas e documentos, que vierem a embasar a decisão proferida, devem se submeter ao exame das partes. Não pode o julgador se valer de novos elementos fáticos, como a modificação por malha fazenda em compensações de determinados anos-calendário, para indeferir a reclamação administrativa, se a parte não teve a oportunidade para deles se manifestar.
Numero da decisão: 1401-002.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Não pode o julgador se valer de novos elementos fáticos, como a modificação por malha fazenda em compensações de determinados anoscalendário, para indeferir a reclamação administrativa, se a parte não teve a oportunidade para deles se manifestar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 15 /2 01 2- 10 Fl. 1718DF CARF MF 2 Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 106123) referente aos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, com os enquadramentos legais e valores a seguir discriminados: (...) DA AUTUAÇÃO De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 96 105), a empresa Itaú Vida e Previdência S/A, cujo nome empresarial anterior era UNIBANCO Vida e Previdência S/A, tem como objeto a exploração de seguros de pessoas, além de instituir planos privados de concessão de pecúlio ou de rendas de previdência privada aberta, conforme consta de seu Estatuto Social. Da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) A autoridade fiscal destaca que a Constituição Federal, em seu art. 7º, estabelece os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, dentre os quais destaca: “Art.7° São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: I relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; II segurodesemprego, em caso de desemprego involuntário; III fundo de garantia do tempo de serviço; (...) VIII décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; IX remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 16327.721415/201210 Acórdão n.º 1401002.184 S1C4T1 Fl. 1.719 3 XVI remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal; XVII gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; XXI aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;" Afirma que os citados direitos pertencem somente aos empregados, pois prestadores de serviço sem vínculo empregatício, bem como os diretores não empregados, não possuem estes direitos. Aduz que o art. 218, §4º, da Constituição Federal ratifica esse entendimento, especialmente em relação à participação nos lucros ou resultados, deixando claro que o constituinte, no art. 7º, ao falar em trabalhador, referiuse à espécie empregado. De acordo com a fiscalização, a regulamentação do art. 7º, inciso XI, da CF/88 ocorreu com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29/12/1994, reeditada até sua conversão na Lei n°10.101/2000, que regulamenta a matéria: Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1° Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir, como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. No mesmo sentido, dispõem os arts. 359 e 462, inciso III, do Decreto n°3.000, de 26/03/1999. Já para os dirigentes ou administradores aplicamse os arts. 249, inciso I, 303 e 463 do Decreto n° 3.000/99. Dos fatos Conforme consta do Estatuto Social, no período fiscalizado, o contribuinte era administrado por uma Diretoria a quem competia administrar e gerir amplamente os negócios e atividades da Companhia, cabendo à Assembleia Geral a eleição da diretoria e a fixação da remuneração dos administradores. A autoridade fiscalizadora analisou o tratamento tributário das Participações nos Lucros atribuídos pela empresa a três diretores que receberam participações no período de 2007 a 2009, através do Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) celebrado entre a empresa e o Sindicato dos Empregados (em Empresas de Seguros Privados e de Capitalização, de Agentes Autônomos de Seguros Privados e de Crédito em Empresas de Previdência Privada no Estado de São Paulo), baseado em metas e resultados. Fl. 1720DF CARF MF 4 Os pagamentos ocorreram semestralmente na rubrica PLR Bônus, com fundamento na Lei 10.101/2000, que regula as participações dos empregados. Os programas de PLR dos anos 2007 a 2009 e a ata da assembleia que atribui PLR aos diretores encontramse às fls. 2242. Dois dos mencionados diretores são: Antonio Eduardo M. F. Trindade e Alexandre Gonçalves de Vasconcellos, que eleitos pela assembleia da companhia, possuíam todas as características de administradores: eleição e destituição do cargo por assembleia; atribuição de gerir e administrar amplamente os negócios da empresa; contrair obrigações. Porém, nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, foram declarados na categoria 1 Empregados. Constatou a fiscalização que estes diretores não possuíam vínculo empregatício com o contribuinte, conforme as atas de eleição das assembleias da companhia (fls.4358). O terceiro diretor fiscalizado foi Luiz Fernando Butori Reis Santos, que exerceu o cargo de diretor, conforme informações do próprio contribuinte, folhas de pagamento de salário e folhas de PLR. Afirma o auditorfiscal que este diretor começou a receber a remuneração na competência de 11/2008 e que Luiz Fernando Butori Reis Santos não possuía vínculo empregatício com a empresa e nem tampouco foi eleito diretor por assembleia, embora na GFIP tenha sido declarado como segurado empregado. Sobre os pagamentos das participações dos administradores não houve incidência de contribuições previdenciárias. Houve diminuição do Imposto de Renda a pagar, pois a empresa deduziu estas despesas. Ressalta a autoridade autuante que tanto (i) os diretores eleitos pela assembleia, como (ii) o diretor de outras empresas do grupo, prestando serviços para o contribuinte com funções de diretor, são, tanto na essência quanto na forma, verdadeiramente administradores. Destaca, ainda, que não foram registrados na empresa Itaú Vida e Previdência S/A como empregados, não mantendo vínculo empregatício com a empresa. O simples fato de o contribuinte remunerar seus diretores como empregados e assim declarálos na GFIP, quando de fato e de direito são administradores sem vínculo empregatício, não concede à empresa o direito de usufruir da dedução permitida, pela Lei nº 10.101/2000, somente aos empregados. Para os administradores aplicase a legislação anteriormente citada, que determina a adição ao lucro líquido do período de apuração das Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 16327.721415/201210 Acórdão n.º 1401002.184 S1C4T1 Fl. 1.720 5 participações atribuídas aos administradores, para efeito de determinar o lucro real. De acordo com a fiscalização, os valores dos pagamentos das Participações foram registrados na conta de despesa 392000000 Participações no Lucro, conforme Demonstrativo e Folha de Pagamento das Participações dos diretores, fornecidos pelo contribuinte, e registro contábil da despesa (fls. 8091). Os valores (em reais) encontramse a seguir demonstrados: (...) Da Compensação indevida de Prejuízo Operacional Afirma a autoridade fiscal que o sujeito passivo compensou prejuízos operacionais em montante superior ao saldo disponível, conforme detalhamento na planilha de compensação de prejuízos (fls. 119121) e DIPJ dos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, com compensações de prejuízos (fls.9294). No anocalendário 2009 o contribuinte possuía saldo de prejuízo fiscal no montante de R$1.287.386,34, conforme Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais, porém, compensou R$23.348.979,64. A compensação indevida seria de R$22.061.593,30. No entanto, em virtude dos lançamentos de ofício contidos no presente Auto de Infração, aumentando o lucro real nos anos de 2007 e 2008, o saldo de prejuízo fiscal no anocalendário 2009 totalizou R$368.931,64. Portanto, a compensação indevida passou a ser: R$23.348.979,64 () R$368.931,64 = R$22.980.048,00. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado da autuação em 05/12/2012 (fl.107) e apresentou, em 04/01/2013, a impugnação de fls.129 138, acompanhada dos documentos de fls.139314, cujas alegações se resumem a seguir. I. Da Nulidade do Lançamento Alega o impugnante que a autoridade fiscal consignou ter havido compensação indevida de prejuízo operacional, argumentando que o saldo apurado de prejuízo fiscal do impugnante se mostrou insuficiente, sem apontar os motivos que a levaram a essa conclusão. Ressalta que o impugnante não foi intimado a prestar qualquer tipo de esclarecimento acerca do prejuízo fiscal supostamente compensado a maior. A autoridade fiscal se limitou a consignar os valores dos prejuízos fiscais sem trazer qualquer observação analítica do valor encontrado, que, no caso, diverge do montante apurado Fl. 1722DF CARF MF 6 pelo impugnante, em flagrante desatendimento dos requisitos para a formalização do auto de infração em referência. Argumenta que a ausência da descrição detalhada dos fatos, bem como de qualquer documentação/prova que dê suporte às alegações do Fisco, importa na nulidade do auto de infração, uma vez que implica no cerceamento de defesa do impugnante, que se encontra impossibilitado de conhecer por completo os motivos que levaram a autuação. O artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 dispõe sobre os requisitos essenciais do auto de infração, que também deixou de atender ao disposto no artigo 9º do mencionado Decreto. Afirma o interessado que o lançamento fiscal também é nulo por não atender os requisitos do artigo 142 do CTN, pois a autoridade fiscal deveria ter fundamentado a glosa dos prejuízos fiscais e que geraram a compensação indevida. II. Da Indevida Glosa de Prejuízo Fiscal Aduz o impugnante que por não saber os motivos da glosa do prejuízo fiscal, não tem condições de se defender de forma circunstanciada e específica de qualquer suposta irregularidade. A autoridade fiscal parte de um saldo de prejuízo fiscal de R$36.333.883,88, o que diverge do montante apurado pelo impugnante, conforme mapa de apuração do prejuízo fiscal, cujos valores encontramse devidamente comprovados pela documentação anexada à impugnação: (...) Conforme informado na DIPJ do anocalendário de 2007, o saldo de prejuízo fiscal ali apurado era de R$34.584.177,28. Esse saldo de prejuízo fiscal, assim como o saldo de prejuízo de anoscalendário anteriores a 2007 já não podem ser impugnados, haja vista o transcurso do prazo de 5 anos após a entrega das declarações, levando à homologação tácita a que se refere o art. 150, §4° do CTN. Afirma o impugnante que, no início de 2008, o saldo de prejuízo fiscal era de R$34.584.177,28. Ao longo desse ano de 2008, foram realizadas compensações no montante total de R$11.596.173,72 (docs.04 e 05), de modo a restar, para o ano calendário de 2009, o saldo de R$22.988.003,56. III. Da Dedutibilidade das Despesas de Pagamentos de Participação nos Lucros e Resultados aos Diretores Empregados Ressalta o impugnante que os diretores mantinham, à época, contrato de trabalho regido pela CLT. Ou seja, eram diretores empregados. Esse fato, que é incontroverso e reconhecido pela autoridade fiscal, já é suficiente para cancelar o lançamento. O art. 3º, §1° da Lei 10.101/00, reproduzido no art. 359 do RIR, é expresso ao consignar que a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados. Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 16327.721415/201210 Acórdão n.º 1401002.184 S1C4T1 Fl. 1.721 7 Argumenta que nenhuma incompatibilidade existe entre o exercício da posição de diretor e a manutenção do contrato de trabalho. A Lei 8.036/90, em seu artigo 16, reconhece a figura do diretor não empregado, possibilitando à empresa que o equipare aos demais trabalhadores. Assim, a contrario sensu, o diretor empregado é trabalhador para todos os efeitos. Portanto, o diretorempregado permanece na qualidade de "trabalhador", para os fins e efeitos da Constituição Federal, da legislação trabalhista (CLT), da legislação do FGTS e da legislação tributária. Sustenta ser vazia de conteúdo e sustentação a alegação da autoridade fiscal de que a eleição em assembleia de um diretor se sobrepõe a existência de vínculo empregatício. Alega que o cumprimento dos requisitos da Lei 10.101/00 para o pagamento da participação nos resultados não foi questionado pelo fiscal, de modo que se torna fato incontroverso. IV. Da Não Incidência de Juros sobre Multa de Ofício O impugnante aduz, ainda, que o Fisco não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio. A Lei 9.430/96 prevê que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora (art. 61, caput), e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora (art. cit., §3º). Ou seja, os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora. Se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, por iguais razões não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Se a multa de ofício estivesse compreendida na referência (feita pelo caput do art. citado) aos débitos de tributos e contribuições, chegarseia ao absurdo de concluir que o §3º do artigo prevê a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Alega que o artigo 164 do CTN confirma essa conclusão quando, ao tratar de crédito tributário, separa claramente os conceitos de crédito, juros de mora e penalidades. A mesma clara distinção ocorre no art. 161, caput, do CTN. Por consequência, também não são aplicáveis à multa de ofício os juros de 1% ao mês, referidos no § 1o do art. 161 do CTN. Se, para argumentar, fossem cabíveis, seriam aplicáveis apenas juros moratórios à taxa Selic, limitados a 1%. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 365 a 385) negou provimento à impugnação pelas razões abaixo expostas. Fl. 1724DF CARF MF 8 1) Nulidade da autuação. O auto de infração foi lavrado por autoridade competente e o contraditório e ampla defesa foram assegurados ao contribuinte por meio da impugnação. Ademais, a argumentação da defesa revela ter compreendido a acusação e a autoridade fiscal descreveu o fato e a motivação de forma clara. 2) Compensação de prejuízos fiscais. No demonstrativo da fiscalização (fls. 119121) o saldo de prejuízos fiscais acumulados até o anocalendário de 2006 é de R$ 36.333.883,88 e está de acordo com o SAPLI. Já o interessado apresenta um demonstrativo com um saldo de R$ 58.034.501,10. As divergências são as que se seguem. 2.1) Houve Malha Fazenda para o anocalendário de 1995, que resultou na glosa do prejuízo do período de R$ 1.042.596,61 para lucro real positivo. 2.2) No anocalendário de 1996, também houve alterações por meio da malha fazenda, que aumentaram o lucro real do período. 2.3) No anocalendário de 2004, a constituição de prejuízos fiscais de R$ 20.658.416,40, a título de "ajustes de anos anteriores" não constam das cópias do LALUR apresentadas nos autos e não foram apresentados documentos comprobatórios que justifiquem a sua constituição. 2.4) Decadência em relação aos prejuízos glosados. Tratase de prejuízos que já haviam sido glosados anteriormente. 3) PRL de diretores. A legislação do imposto de renda (arts. 303, 359 e 462 do RIR/99) só permite a dedução de trabalhadores e proíbe a de administradores e dirigentes. Ademais, pelos elementos do processo, concluiu que não havia diretores empregados no período. 4) Juros sobre a multa de ofício. Dentre outras razões, cita jurisprudência do CARF pela manutenção dos juros. Do recurso voluntário Contra a decisão de primeiro grau, foi oferecido recurso voluntário tempestivo às fls. 391411. Na referida peça, aduz as seguintes razões. 1) Preliminar de nulidade do auto de infração com as mesmas razões apresentadas na impugnação. Adita, porém, que foi somente com a decisão da DRJ que obteve algum conhecimento acerca das causas que ensejaram a autuação. Ainda assim, não teve conhecimento das razões da malha fazenda e, mesmo assim, as informações consignadas pela DRJ deveriam constar já do auto de infração, pois o órgão julgador não pode inovar a autuação. 2) Mérito: é seguro o vínculo empregatício dos diretores. Os diretores possuíam contrato de trabalho regido pela CLT. 2.1) Em relação ao Diretor Alexandre Vasconcelos, as GFIPs comprovam que foi empregado da recorrente durante todo o período. Ademais, provase que já era empregado antes de ser eleito diretor estatutário. Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 16327.721415/201210 Acórdão n.º 1401002.184 S1C4T1 Fl. 1.722 9 2.2) O Diretor Antônio Trindade foi empregado da recorrente, de 03.08.1992 a 01.09.2009, conforme comprovam Carteira de Trabalho, Termo de Rescisão e GFIPs. Ademais, provase que já era empregado antes de ser eleito diretor estatutário. 2.3) O Diretor Luiz Santos foi empregado da recorrente, de 01.02.1996 a 01.09.2009, conforme comprovam Carteira de Trabalho, Termo de Rescisão e folhas de pagamento. Ademais, jamais ocupou a posição de diretor estatutário da recorrente. Ocupou apenas a diretoria de outra empresa e em período posterior ao da autuação. 3) Mérito: os diretores não possuíam liberdade plena de para agir. O poder de gestão pertence à assembleia geral. O papel da diretoria é apenas o de desenvolver condutas concretas para atender as diretrizes da assembleia. 4) Mérito: não houve abuso de forma ao se contratar os diretores com vínculo empregatício. Não faz sentido acatar a figura do diretor empregado, para fins previdenciários, e não o admitir para o IRPJ. 5) Mérito: decadência em relação à glosa de prejuízos fiscais. O prazo decadencial para a glosa de prejuízos fiscais é definido em função do ano em que foi apurado e não em que foi aproveitado. 6) Mérito: falta de comunicação das modificações em prejuízos anteriores. Não consta dos autos a prova de que a Receita Federal promoveu modificações nos anos de 1995, 1996 e 2004. 7) Mérito: dos ajustes no ano de 2004. Os "ajustes de anos anteriores" decorreram de uma reorganização societária. Com o ingresso de um novo acionista controlador, adotouse uma postura mais conservadora nas contingências e, assim, foram apropriadas provisões, conforme quadro apresentado. A dedução de tais provisões está amparada pelo art. 404 do RIR/99. Assim, se tais provisões tivessem sido apropriadas ao seu tempo, teriam apurado uma base menor de IRPJ e CSLL nesses exercícios. Assim, nada mais correto que incluir tais valores no anocalendário de 2004. Ademais, tais valores foram registrados na parte B do seu LALUR e na DIPJ AC 2004, conforme documentação que junta aos autos. 8) Mérito: incidência de juros de mora sobre a multa punitiva. Reitera, de forma similar, argumentos já aduzidos na impugnação. Da diligência O feito foi baixado em diligência por este colegiado por meio da Resolução nº 1401000.408 (fls. 540549), nos termos do voto abaixo transcrito: No tocante à decisão de primeiro grau, foi mantida a autuação sob o fundamento de ter havido, em anos anteriores, a modificação dos prejuízos fiscais em razão de malha fazenda em dois anoscalendário, ou seja, 1995 e 1996, bem como a constituição de prejuízos fiscais de R$ 20.658.416,40, no anocalendário de 2004, a título de "ajustes de anos anteriores", que não encontrariam respaldo nas cópias do LALUR apresentadas nos autos e sem documentos comprobatórios que justifiquem a sua constituição. Fl. 1726DF CARF MF 10 Pois bem, como havia dito, essas duas razões surgiram apenas na decisão de primeiro grau. Em relação à primeira, uma vez que o recorrente alegou que nunca teve ciência das malhas fazendas, é necessário elucidar essa questão por meio de diligência, Quanto à segunda, é salutar que também, em sede de diligência, se apure esse ponto. Isso posto, voto por baixar o feito em diligência para que a autoridade local: a) traga ao feito a prova da ciência das malhas fazenda dos anoscalendário de 1995 e 1996, que ensejaram a redução do prejuízo fiscal acumulado e que está aqui em litígio; b) intime o contribuinte para demonstrar "os ajustes de anos anteriores" que teriam repercutido para a constituição de prejuízos fiscais no valor de R$ 20.658.416,40 no ano de 2004; nesta tarefa, deve proceder as verificações que considerar pertinentes à espécie; c) elabore relatório circunstanciado com a composição "analítica" dos prejuízos fiscais acumulados para os anoscalendário de 2007 a 2009, e dê ciência ao contribuinte do referido relatório para que apresente eventual peça contraditória no prazo de 30 dias. Por fim, devolvase o feito ao CARF. A diligência foi realizada pela autoridade fiscal, cujo relatório constam das fls. 10301036. Nele a autoridade anexa os processos nº 11080.001788/0064 e 10680.004213/200141, em que constam as malhas fiscais dos anoscalendário, respectivamente, de 1995 e 1996. Em relação ao dito “ajustes de anos anteriores” sobre o ano de 2004 no valor de R$ 20.658.416,40, a autoridade tece um longo arrazoado de direito e do seu procedimento de auditoria para concluir que (...) o valor de R$ 20.658.716,40 não pode ser utilizado para compensação de prejuízos fiscais, seja pela falta de documentação comprobatória por parte do contribuinte que suporte o lançamento destes valores, seja pela falta comprovação da dedutibilidade destas rubricas na apuração do Lucro Real e pelo disposto no art. 513 RIR conforme relatado acima. Abaixo descrição da composição dos prejuízos fiscais que coincide com o lançamento do Auto de Infração do presente Processo. Em relação ao relatório, o contribuinte se manifestou às fls. 16891704. Nessa peça, aduziu, em síntese, que: a) em relação ao processos 11080.001788/0064 e 10680.004213/200141 relativos às malhas; ao primeiro foi dado provimento parcial e ao segundo a exigência foi totalmente desconstituída; b) em relação aos ajustes atinentes ao ano de 2004, já ocorreu a decadência para questionar esses valores; ademais, tece longa consideração acerca da validade do ajuste; É o relatório do essencial. Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 16327.721415/201210 Acórdão n.º 1401002.184 S1C4T1 Fl. 1.723 11 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Preliminar A defesa aduz que a ausência de descrição detalhada dos fatos, bem como de qualquer documento que suporte as alegações do Fisco, torna o auto de infração nulo por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, o demonstrativo a que a DRJ faz referência que teria sido confeccionado pela autoridade fiscal não possui o detalhamento de identificar os lucros acumulados, ano a ano, como fez a própria autoridade julgadora. Nada obstante, não podemos perder de vista que a atividade fiscal desenvolvese segundo um procedimento inquisitório; às vezes, até secreto. Isso é necessário para o cumprimento da sua missão. Do contrário, seria muito fácil ao sujeito passivo evadirse da exigência tributária. A jurisprudência administrativa é farta nesse sentido. Abaixo, reproduzo três acórdãos recentes sobre o tema: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O contraditório e a ampla defesa só se instauram após a lavratura do auto de infração; antes, tratase de procedimento inquisitório (AC 1102001.079, de 08/04/2014). PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Por se amoldar a efetivo e próprio caráter inquisitório, a atuação dos agentes da fiscalização fazendária não se submetem à necessária observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo esta reservada para a chamada fase litigiosa do procedimentos, nos termos, inclusive, especificamente apontados pelas disposições do Decreto 70.235/72 (AC 1301001.563, de 04/06/2014). PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. É no processo administrativo fiscal que estão contidas as garantias constitucionais do contraditório e ampla defesa e não no procedimento inquisitório de preparação do lançamento. O processo formase pela instauração da fase litigiosa com a impugnação da exigência (AC 1102001.032, de 11/03/2014). É bem verdade que esse preceito guarda determinadas moderações. É necessário que o contribuinte entenda o conteúdo da acusação. Todavia, isso consta da autuação, uma vez que a autoridade fiscal informou, nos demonstrativos de fls. 119121, que o valor compensado pelo contribuinte era superior ao valor acumulado e controlado pela Fazenda Pública. Fl. 1728DF CARF MF 12 Diante disso, poderia se defender (como o fez, digase) por meio da demonstração do valor acumulado que entende fazer jus. Não há, pois, nulidade a ser reconhecida relativamente à autuação. Em 6 de julho de 2016, quando iniciamos o julgamento do presente feito, eu havia preparado um voto para anular a decisão da DRJ, uma vez que não submeteu ao contribuinte os elementos probatórios por meio dos quais confeccionou a sua decisão. O colegiado da época inclinouse por baixar o feito em diligência para apurar fatos acima relatados. Como a resolução não vincula o relator e é salutar a colheita de provas para formar a convicção dos demais conselheiros, acabei o posicionamento da maioria de então para baixar o feito em diligência. Nada obstante, continuo a entender que a decisão recorrida padece de nulidade. Como aduzido na jurisprudência já transcrita, a ampla defesa e o contraditório se instauram com a impugnação e esses preceitos de índole constitucional de eficácia plena devem ser respeitados com a máxima extensão e efetividade. Nesse aspecto, é fundamental que todos (todos mesmo!) os fatos, provas e documentos, que vierem a embasar a decisão proferida, devem se submeter ao exame das partes. Não pode o julgador "sacar" novos elementos fáticos, como a modificação por malha fazenda em compensações de determinados anoscalendário, para indeferir a reclamação administrativa, se a parte não teve a oportunidade para deles se manifestar. Isso é um preceito básico do processo, seja o administrativo, seja o judicial. E não cabe aqui dizer que o contribuinte terá oportunidade para apresentar novas razões na fase recursal como fez, aliás para justificar o procedimento adotado, pois a defesa deve ser plena em cada uma das suas etapas, em cada uma das suas fases, em cada um dos graus de julgamento. A decisão da DRJ deve ser considerada nula se deixa de analisar prova carreada pelo sujeito passivo, ainda que tal prova possa ser analisada pelo CARF, sob pena de suprimento de instância. Segue acórdão recente sobre a questão: AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE PROVA E DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DAÍ DECORRENTES. FUNDAMENTO FÁTICO JURÍDICO SUFICIENTE PARA AFASTAR A EXIGÊNCIA ADUANEIRA. NULIDADE DA DECISÃO PROFERIDA PELA DRJ. É nula, por ausência de motivação, a decisão proferida pela DRJ que deixa de analisar prova tempestivamente apresentada pelo contribuinte e que configura fundamento fáticojurídico suficiente para, por si só, afastar a exigência aduaneira. Necessidade de devolução dos autos à instância a quo para que profira nova decisão levando em consideração a prova produzida nos autos, sob pena de eventual supressão de instância ou, ainda, ofensa ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa (AC 3402002.914, de 23 de fevereiro de 2016). Ora, se deixar de analisar prova e fatos aduzidos pela parte fere a ampla defesa, como poderia não a ferir esse preceito o procedimento de decidir com base em fatos Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 16327.721415/201210 Acórdão n.º 1401002.184 S1C4T1 Fl. 1.724 13 dos quais o sujeito passivo não tinha conhecimento e, por isso, não tinha como contrarazoar na sua impugnação? No caso presente, isso é ainda mais claro justamente em razão da sua alegação em recurso voluntário de nunca ter tomado conhecimento do procedimento fiscal de malha fazenda. Conclusão Voto, pois, para declarar nula a decisão recorrida por preterição do direito de defesa e para determinar que outra seja proferida em seu lugar com o saneamento dos vícios apontados acima, ou seja, que todos os fatos que vierem a embasar a referida decisão sejam antes submetidos ao sujeito passivo. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1730DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001361/2006-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Relatório
Trata-se de Embargos de Declaração (fls. 586) opostos por TELEFÔNICA BRASIL S.A contra o Acórdão n° 1302.002.338 (fls. 551), de 15/08/2017, por meio do qual o colegiado negou provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos.
A TELEFÔNICA BRASIL S/A é a nova denominação de TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO S/A - TELESP, sucessora por incorporação de VIVO PARTICIPAÇÕES S/A, sucessora de TELESP CELULAR PARTICIPAÇÕES S/A.
Naquela ocasião foi adotada a seguinte ementa:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 10/07/2001
DECADÊNCIA
A contagem do prazo decadencial para o lançamento de ofício do IRPJ observa o artigo 173, inciso I. do CTN. Termo iniciado no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento.
PAGAMENTOS SEM CAUSA
Caracterizam-se como pagamentos sem causa, quaisquer pagamentos que não forem comprovadas por documentação hábil e idônea, o motivo ou a operação que lhe deu causa.
ALTERAÇÃO DE RAZÃO SOCIAL
Não se caracteriza sucessão nem incorporação a simples troca de razão social por parte da empresa.
Nos termos do Despacho de Admissibilidade de fl., os Embargos de Declaração da contribuinte são tempestivos e preenchem os requisitos regimentais para sua admissão. Assim, foram conhecidos.
O processo tem origem em ação fiscal em que foi verificado que o contribuinte escriturou pagamento em 10/07/2001 o qual foi considerado sem causa certa. Em consequência, foi lavrado auto de infração para exigir IRRF (fls. 77) devido e os correspondentes gravames moratórios.
O julgamento de primeira instância manteve integralmente o crédito tributário exigido (fls. 323), o que deu ensejo a recurso voluntário.
O julgamento do recurso voluntário foi levado a efeito por meio do acórdão ora embargado pelo contribuinte (fls. 1340).
O embargante opõe-se ao referido acórdão face à alegada omissão em relação ao fundamento adotado para negar o pedido de juntada de provas produzidas em diligência fiscal.
O embargante afirma que a decisão recorrida negou o pedido de juntada por entender que os documentos contidos nos autos eram suficientes para a caracterização da infração, contudo estaria fazendo referência à comprovação de pagamento de IRRF e compensação de estimativas, as quais não possuiriam qualquer relação com a acusação fiscal em apreço. Transcreve-se trecho da petição de embargos (fls. 587):
Na linha do que foi mencionado pelo acórdão recorrido, a ora Embargante apresentou pedido de retirada de pauta deste processo (fl. 1322) para que fossem requisitados os autos físicos do processo n° 19515.000859/2013-70, gerado para guarda de CD-Rom que contém os documentos protocolados pela empresa em atendimento ao MPF n° 08190002012036110. Trata-se, portanto, de processo físico que deve acompanhar sempre o processo principal (eletrônico).
Ocorre que o pedido foi indeferido pelo i. Conselheiro Relator ao argumento de que a documentação contida naquele processo era imprestável à prova dos fatos autuados, que, a seu aviso, consistiria nos seguintes fundamentos:
[...]
Ocorre que tais fatos são completamente estranhos ao objeto da lide instaurada neste processo, guardando pertinência, em verdade, à discussão travada no PTA n° 19515.003489/2005-121.
Nada se discute no presente caso acerca de declaração em DCTF, compensação indevida do IRRF incidente sobre o pagamento de JCP ou mesmo estimativas mensais.
Entretanto, a discussão que se apresenta no caso vertente é exatamente o contrário: a fiscalização reputa que uma das remessas realizadas pela autuada ao exterior seria um pagamento sem causa, aplicando, por consequência, o IRRF incidente sobre essa operação.
A defesa da Embargante é justamente no sentido de que a remessa efetuada não é um pagamento sem causa, mas um pagamento de JCP distribuído relativamente ao ano-calendário 2000, temática essa discutida também no PTA n° 19515.003489/2005-12, razão pela qual os dois processos encontram-se unidos por conexão.
Pois bem. Como visto, o único objeto deste processo consiste em comprovar que a remessa efetuada pela autuada à Portugal Telecom Investimentos SGPS S/A por intermédio do Espirito Santo de Investimentos S/A, no valor de R$ 11.584.976,25, tratou-se de pagamento a título de JCP e não um pagamento sem causa, como entendeu a fiscalização.
O despacho de admissibilidade registrou que o acórdão embargado trata do pedido de adiamento do julgamento para que os Conselheiros apreciassem o conteúdo dos CDs juntados no processo físico n° 19515.000859/2013-70.
Frisou, ainda, que embora o presente processo se refira a IRRF sobre pagamentos escriturados em julho de 2001, considerados sem causa certa pelo Fisco, referem-se, segundo a alegação da recorrente, às despesas com juros sobre o capital próprio - JCP apuradas e glosadas no ano de 2000 e que foram objeto de autuação no processo n° 19515.003489/2005-12.
Certificou-se que esta questão foi suscitada no processo n° 19515.003489/2005-12, o qual foi julgado na mesma reunião do colegiado, em razão de serem conexos, e que a mesma alegação de omissão foi suscitada em embargos de declaração interpostos naquele processo e que foram admitidos quanto a este ponto, nestes termos:
Verifico que a decisão que negou a diligência requerida está claramente voltada para a acusação de compensação indevida de IRRF e estimativas. Todavia, entendo que não restou claro, no texto do voto, a razão pela qual as informações trazidas nos CDs não seriam importantes para a decisão sobre a indedutibilidade do pagamento de JCP, mormente diante da alegação que estes CDs conteriam os valores e os beneficiários de todos os pagamentos realizados.
Com isso, os embargos foram admitidos quanto a este tópico.
Finalizando o despacho de admissibilidade, registrou-se que face à evidente conexão entre os processos, entende-se que a omissão apontada deve ser examinada também em relação a este processo, salientando-se que, o presente recurso deve ser julgado em conjunto com o processo n° 19515.003489/2005-12, por serem conexos, nos termos do artigo 6° do RICARF.
É o relatório.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de Embargos de Declaração (fls. 586) opostos por TELEFÔNICA BRASIL S.A contra o Acórdão n° 1302.002.338 (fls. 551), de 15/08/2017, por meio do qual o colegiado negou provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. A TELEFÔNICA BRASIL S/A é a nova denominação de TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO S/A - TELESP, sucessora por incorporação de VIVO PARTICIPAÇÕES S/A, sucessora de TELESP CELULAR PARTICIPAÇÕES S/A. Naquela ocasião foi adotada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 10/07/2001 DECADÊNCIA A contagem do prazo decadencial para o lançamento de ofício do IRPJ observa o artigo 173, inciso I. do CTN. Termo iniciado no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. PAGAMENTOS SEM CAUSA Caracterizam-se como pagamentos sem causa, quaisquer pagamentos que não forem comprovadas por documentação hábil e idônea, o motivo ou a operação que lhe deu causa. ALTERAÇÃO DE RAZÃO SOCIAL Não se caracteriza sucessão nem incorporação a simples troca de razão social por parte da empresa. Nos termos do Despacho de Admissibilidade de fl., os Embargos de Declaração da contribuinte são tempestivos e preenchem os requisitos regimentais para sua admissão. Assim, foram conhecidos. O processo tem origem em ação fiscal em que foi verificado que o contribuinte escriturou pagamento em 10/07/2001 o qual foi considerado sem causa certa. Em consequência, foi lavrado auto de infração para exigir IRRF (fls. 77) devido e os correspondentes gravames moratórios. O julgamento de primeira instância manteve integralmente o crédito tributário exigido (fls. 323), o que deu ensejo a recurso voluntário. O julgamento do recurso voluntário foi levado a efeito por meio do acórdão ora embargado pelo contribuinte (fls. 1340). O embargante opõe-se ao referido acórdão face à alegada omissão em relação ao fundamento adotado para negar o pedido de juntada de provas produzidas em diligência fiscal. O embargante afirma que a decisão recorrida negou o pedido de juntada por entender que os documentos contidos nos autos eram suficientes para a caracterização da infração, contudo estaria fazendo referência à comprovação de pagamento de IRRF e compensação de estimativas, as quais não possuiriam qualquer relação com a acusação fiscal em apreço. Transcreve-se trecho da petição de embargos (fls. 587): Na linha do que foi mencionado pelo acórdão recorrido, a ora Embargante apresentou pedido de retirada de pauta deste processo (fl. 1322) para que fossem requisitados os autos físicos do processo n° 19515.000859/2013-70, gerado para guarda de CD-Rom que contém os documentos protocolados pela empresa em atendimento ao MPF n° 08190002012036110. Trata-se, portanto, de processo físico que deve acompanhar sempre o processo principal (eletrônico). Ocorre que o pedido foi indeferido pelo i. Conselheiro Relator ao argumento de que a documentação contida naquele processo era imprestável à prova dos fatos autuados, que, a seu aviso, consistiria nos seguintes fundamentos: [...] Ocorre que tais fatos são completamente estranhos ao objeto da lide instaurada neste processo, guardando pertinência, em verdade, à discussão travada no PTA n° 19515.003489/2005-121. Nada se discute no presente caso acerca de declaração em DCTF, compensação indevida do IRRF incidente sobre o pagamento de JCP ou mesmo estimativas mensais. Entretanto, a discussão que se apresenta no caso vertente é exatamente o contrário: a fiscalização reputa que uma das remessas realizadas pela autuada ao exterior seria um pagamento sem causa, aplicando, por consequência, o IRRF incidente sobre essa operação. A defesa da Embargante é justamente no sentido de que a remessa efetuada não é um pagamento sem causa, mas um pagamento de JCP distribuído relativamente ao ano-calendário 2000, temática essa discutida também no PTA n° 19515.003489/2005-12, razão pela qual os dois processos encontram-se unidos por conexão. Pois bem. Como visto, o único objeto deste processo consiste em comprovar que a remessa efetuada pela autuada à Portugal Telecom Investimentos SGPS S/A por intermédio do Espirito Santo de Investimentos S/A, no valor de R$ 11.584.976,25, tratou-se de pagamento a título de JCP e não um pagamento sem causa, como entendeu a fiscalização. O despacho de admissibilidade registrou que o acórdão embargado trata do pedido de adiamento do julgamento para que os Conselheiros apreciassem o conteúdo dos CDs juntados no processo físico n° 19515.000859/2013-70. Frisou, ainda, que embora o presente processo se refira a IRRF sobre pagamentos escriturados em julho de 2001, considerados sem causa certa pelo Fisco, referem-se, segundo a alegação da recorrente, às despesas com juros sobre o capital próprio - JCP apuradas e glosadas no ano de 2000 e que foram objeto de autuação no processo n° 19515.003489/2005-12. Certificou-se que esta questão foi suscitada no processo n° 19515.003489/2005-12, o qual foi julgado na mesma reunião do colegiado, em razão de serem conexos, e que a mesma alegação de omissão foi suscitada em embargos de declaração interpostos naquele processo e que foram admitidos quanto a este ponto, nestes termos: Verifico que a decisão que negou a diligência requerida está claramente voltada para a acusação de compensação indevida de IRRF e estimativas. Todavia, entendo que não restou claro, no texto do voto, a razão pela qual as informações trazidas nos CDs não seriam importantes para a decisão sobre a indedutibilidade do pagamento de JCP, mormente diante da alegação que estes CDs conteriam os valores e os beneficiários de todos os pagamentos realizados. Com isso, os embargos foram admitidos quanto a este tópico. Finalizando o despacho de admissibilidade, registrou-se que face à evidente conexão entre os processos, entende-se que a omissão apontada deve ser examinada também em relação a este processo, salientando-se que, o presente recurso deve ser julgado em conjunto com o processo n° 19515.003489/2005-12, por serem conexos, nos termos do artigo 6° do RICARF. É o relatório.
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. JCP. EMPRESA NO EXTERIOR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NECESSIDADE DE JUNTADA DE CD ROM GUARDADOS EM PROCESSO EM MEIO FÍSICO Embargante TELEFÔNICA BRASIL S.A (Sucessora da TELESP CELULAR) Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 586) opostos por TELEFÔNICA BRASIL S.A contra o Acórdão n° 1302.002.338 (fls. 551), de 15/08/2017, por meio do qual o colegiado negou provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. A TELEFÔNICA BRASIL S/A é a nova denominação de TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO S/A TELESP, sucessora por incorporação de VIVO PARTICIPAÇÕES S/A, sucessora de TELESP CELULAR PARTICIPAÇÕES S/A. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 36 1/ 20 06 -0 3 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 19515.001361/200603 Resolução nº 1302000.539 S1C3T2 Fl. 3 2 Naquela ocasião foi adotada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 10/07/2001 DECADÊNCIA A contagem do prazo decadencial para o lançamento de ofício do IRPJ observa o artigo 173, inciso I. do CTN. Termo iniciado no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. PAGAMENTOS SEM CAUSA Caracterizamse como pagamentos sem causa, quaisquer pagamentos que não forem comprovadas por documentação hábil e idônea, o motivo ou a operação que lhe deu causa. ALTERAÇÃO DE RAZÃO SOCIAL Não se caracteriza sucessão nem incorporação a simples troca de razão social por parte da empresa. Nos termos do Despacho de Admissibilidade de fl., os Embargos de Declaração da contribuinte são tempestivos e preenchem os requisitos regimentais para sua admissão. Assim, foram conhecidos. O processo tem origem em ação fiscal em que foi verificado que o contribuinte escriturou pagamento em 10/07/2001 o qual foi considerado sem causa certa. Em consequência, foi lavrado auto de infração para exigir IRRF (fls. 77) devido e os correspondentes gravames moratórios. O julgamento de primeira instância manteve integralmente o crédito tributário exigido (fls. 323), o que deu ensejo a recurso voluntário. O julgamento do recurso voluntário foi levado a efeito por meio do acórdão ora embargado pelo contribuinte (fls. 1340). O embargante opõese ao referido acórdão face à alegada omissão em relação ao fundamento adotado para negar o pedido de juntada de provas produzidas em diligência fiscal. O embargante afirma que a decisão recorrida negou o pedido de juntada por entender que os documentos contidos nos autos eram suficientes para a caracterização da infração, contudo estaria fazendo referência à comprovação de pagamento de IRRF e compensação de estimativas, as quais não possuiriam qualquer relação com a acusação fiscal em apreço. Transcrevese trecho da petição de embargos (fls. 587): Na linha do que foi mencionado pelo acórdão recorrido, a ora Embargante apresentou pedido de retirada de pauta deste processo (fl. 1322) para que fossem requisitados os autos físicos do processo n° 19515.000859/201370, gerado para guarda de CDRom que contém os documentos protocolados pela empresa em atendimento ao MPF n° 08190002012036110. Tratase, portanto, de processo físico que deve acompanhar sempre o processo principal (eletrônico). Ocorre que o pedido foi indeferido pelo i. Conselheiro Relator ao argumento de que a documentação contida naquele processo era imprestável à prova dos fatos autuados, que, a seu aviso, consistiria nos seguintes fundamentos: [...] Fl. 643DF CARF MF Processo nº 19515.001361/200603 Resolução nº 1302000.539 S1C3T2 Fl. 4 3 Ocorre que tais fatos são completamente estranhos ao objeto da lide instaurada neste processo, guardando pertinência, em verdade, à discussão travada no PTA n° 19515.003489/2005121. Nada se discute no presente caso acerca de declaração em DCTF, compensação indevida do IRRF incidente sobre o pagamento de JCP ou mesmo estimativas mensais. Entretanto, a discussão que se apresenta no caso vertente é exatamente o contrário: a fiscalização reputa que uma das remessas realizadas pela autuada ao exterior seria um pagamento sem causa, aplicando, por consequência, o IRRF incidente sobre essa operação. A defesa da Embargante é justamente no sentido de que a remessa efetuada não é um pagamento sem causa, mas um pagamento de JCP distribuído relativamente ao anocalendário 2000, temática essa discutida também no PTA n° 19515.003489/200512, razão pela qual os dois processos encontramse unidos por conexão. Pois bem. Como visto, o único objeto deste processo consiste em comprovar que a remessa efetuada pela autuada à Portugal Telecom Investimentos SGPS S/A por intermédio do Espirito Santo de Investimentos S/A, no valor de R$ 11.584.976,25, tratouse de pagamento a título de JCP e não um pagamento sem causa, como entendeu a fiscalização. O despacho de admissibilidade registrou que o acórdão embargado trata do pedido de adiamento do julgamento para que os Conselheiros apreciassem o conteúdo dos CDs juntados no processo físico n° 19515.000859/201370. Frisou, ainda, que embora o presente processo se refira a IRRF sobre pagamentos escriturados em julho de 2001, considerados sem causa certa pelo Fisco, referem se, segundo a alegação da recorrente, às despesas com juros sobre o capital próprio JCP apuradas e glosadas no ano de 2000 e que foram objeto de autuação no processo n° 19515.003489/200512. Certificouse que esta questão foi suscitada no processo n° 19515.003489/2005 12, o qual foi julgado na mesma reunião do colegiado, em razão de serem conexos, e que a mesma alegação de omissão foi suscitada em embargos de declaração interpostos naquele processo e que foram admitidos quanto a este ponto, nestes termos: Verifico que a decisão que negou a diligência requerida está claramente voltada para a acusação de compensação indevida de IRRF e estimativas. Todavia, entendo que não restou claro, no texto do voto, a razão pela qual as informações trazidas nos CDs não seriam importantes para a decisão sobre a indedutibilidade do pagamento de JCP, mormente diante da alegação que estes CDs conteriam os valores e os beneficiários de todos os pagamentos realizados. Com isso, os embargos foram admitidos quanto a este tópico. Finalizando o despacho de admissibilidade, registrouse que face à evidente conexão entre os processos, entendese que a omissão apontada deve ser examinada também em relação a este processo, salientandose que, o presente recurso deve ser julgado em conjunto com o processo n° 19515.003489/200512, por serem conexos, nos termos do artigo 6° do RICARF. É o relatório. Fl. 644DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 5 ___________ Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os Embargos de Declaração foram admitidos nos termos do Despacho de Admissibilidade de fls. para que fosse sanada a seguinte omissão do acórdão recorrido, no que diz respeito aos fundamentos pelos quais negouse o pedido de juntada de CDROMs arquivados em processo físico n° 19515.000859/201370, mantido pela DRF de origem. O acórdão recorrido negou pedido de juntada por entender que os documentos contidos nos autos eram suficientes para a caracterização da infração, contudo estaria fazendo referência à comprovação de pagamento de IRRF e compensação de estimativas, as quais não possuiriam qualquer relação com a acusação fiscal em apreço. Verificase que, embora o presente processo se refira a IRRF sobre pagamentos escriturados em julho de 2001, considerados sem causa certa pelo Fisco, referemse, segundo a alegação da recorrente, às despesas com juros sobre o capital próprio JCP apuradas e glosadas no ano de 2000 e que foram objeto de autuação no processo n° 19515.003489/200512. Certificouse que esta questão foi suscitada no processo n° 19515.003489/2005 12, o qual foi julgado na mesma reunião do colegiado, em razão de serem conexos, e que a mesma alegação de omissão foi suscitada em embargos de declaração interpostos naquele processo e que foram admitidos quanto a este ponto, nestes termos: Verifico que a decisão que negou a diligência requerida está claramente voltada para a acusação de compensação indevida de IRRF e estimativas. Todavia, entendo que não restou claro, no texto do voto, a razão pela qual as informações trazidas nos CDs não seriam importantes para a decisão sobre a indedutibilidade do pagamento de JCP, mormente diante da alegação que estes CDs conteriam os valores e os beneficiários de todos os pagamentos realizados. Com isso, os embargos foram admitidos quanto a este tópico. Finalizando o despacho de admissibilidade, registrouse que face à evidente conexão entre os processos, entendese que a omissão apontada deve ser examinada também em relação a este processo, salientandose que, o presente recurso deve ser julgado em conjunto com o processo n° 19515.003489/200512, por serem conexos, nos termos do artigo 6° do RICARF. Assim, nos termos do Despacho de Admissibilidade, verificouse que a decisão que negou a diligência requerida está claramente voltada para a acusação de compensação indevida de IRRF e estimativas. Todavia, entendeuse que não restou claro, no texto do voto, a razão pela qual as informações trazidas nos CDs não seriam importantes para a decisão sobre a indedutibilidade do pagamento de JCP, mormente diante da alegação que estes CDs conteriam os valores e os beneficiários de todos os pagamentos realizados. Diante de tais apontamentos da embargante e do despacho de admissibilidade, entendo que para sanar as três referidas omissões/contradições, há a necessidade de requisitar à DRF de origem, os referidos autos físicos (Proc. 19515.000859/201370), nos quais estão Fl. 645DF CARF MF Processo nº 19515.001361/200603 Resolução nº 1302000.539 S1C3T2 Fl. 6 5 arquivados dois CDROMs nos quais a embargante sustenta que há cópias de documentos essenciais para a comprovação de suas alegações. Assim, voto por converter o julgamento dos embargos de declaração da contribuinte em diligência, determinando o envio do presente a DRF de origem para que esta encaminhe ao CARF os autos físicos do Proc. 19515.000859/201370 para entrega ao relator para prosseguimento deste julgamento. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 646DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001783/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2003
Ementa:
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO.
Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes.
Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material.
Numero da decisão: 3402-005.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2003 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes. Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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HOLDING S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2003 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes. Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 17 83 /2 00 6- 95 Fl. 299DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição do contribuinte, manifestação essa julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 2. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF veiculado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. Tal recurso foi provido por esta Turma julgadora, conforme retratado no acórdão n. 3402004.94 (fls. 286/289). 3. Ocorre que, em sede de cumprimento da decisão alhures mencionada, o titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, interpôs os embargos de declaração de fls. 294/295, tendo por escopo suprir erro material. 4. Tal recurso foi admitido pelo r. despacho de fls. 297/298. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. 7. No mérito tal recurso merece ser provido, já que de fato possui notório erro material. Isso porque, ao se analisar o teor do relatório do voto embargado, bem como sua parte dispositiva, este Relator, por um lapso, afirmou que o presente caso tratarseia de compensação declarada pelo contribuinte e não homologada pelo fisco, enquanto que, em verdade, o que se tem aqui é pedido de restituição indeferido pela fiscalização. 8. Tal lapso está presente tanto no relatório do voto, quando na sua parte dispositiva, motivo pelo qual os embargos inominados interpostos devem ser conhecidos e provido para a retificação do acórdão embargado. Dispositivo 9. Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos inominados interpostos, sem efeitos infringentes, devendo o acórdão embargado ser retificado para que, onde se lê 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte... seja lido 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10850.001783/200695 Acórdão n.º 3402005.251 S3C4T2 Fl. 300 3 despacho decisório que indeferiu pedido de restituição apresentado pelo contribuinte... bem como para que, onde se lê 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. seja lido 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que o pedido de restituição apresentado pelo contribuinte seja analisado pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 10. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720026/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. VÍCIO DE OBSCURIDADE. PROCEDÊNCIA SEM ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Sendo detectada obscuridade do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, cabível a retificação.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS.
As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas, utilizadas na industrialização de produtos destinados exportação, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI, não sendo possível, às normas infralegais, de caráter administrativo ou regulamentar, restringirem o direito ao crédito apenas às aquisições provenientes de pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 3401-004.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração, acolhendo-os sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Robson José Bayerl, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro André Henrique Lemos), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. VÍCIO DE OBSCURIDADE. PROCEDÊNCIA SEM ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Sendo detectada obscuridade do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, cabível a retificação. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas, utilizadas na industrialização de produtos destinados exportação, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI, não sendo possível, às normas infralegais, de caráter administrativo ou regulamentar, restringirem o direito ao crédito apenas às aquisições provenientes de pessoas jurídicas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. VÍCIO DE OBSCURIDADE. PROCEDÊNCIA SEM ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Sendo detectada obscuridade do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, cabível a retificação. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas, utilizadas na industrialização de produtos destinados exportação, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI, não sendo possível, às normas infralegais, de caráter administrativo ou regulamentar, restringirem o direito ao crédito apenas às aquisições provenientes de pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração, acolhendoos sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 00 26 /2 00 9- 35 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 3401004.353 S3C4T1 Fl. 494 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Robson José Bayerl, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro André Henrique Lemos), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte em 17/06/2015 contra o Acórdão CARF nº 3102002.149, proferido em sessão de 26/02/2014, de relatoria do Conselheiro Álvaro Arthur Lopes De Almeida Filho, que possui a ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas, utilizadas na industrialização de produtos destinados exportação, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96. CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto em fabricação, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, e desde que no sejam bens do ativo permanente. Dessa maneira, os gastos com telecomunicações e as devoluções de vendas não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, n° 65, de 1979; Lei n°9.363, de 1996). Recurso Voluntário Provido em Parte. Transcrevese, a seguir, trecho do despacho de admissibilidade, situado às fls. 491 a 492: Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 3401004.353 S3C4T1 Fl. 495 3 A embargante afirma que o relator do aresto embargado apreciou a matéria "segundo os ditames da Lei 9.363/96", conforme excerto do voto que transcreve, concluindo que "o colegiado decidiu a questão à luz da Lei 9.363/96, que não foi a norma invocada pelo contribuinte para o ressarcimento do crédito presumido de IPI". Entende, ao final, que "o julgado incorreu em obscuridade ao decidir sob enfoque de norma que não é aplicável ao cálculo do crédito postulado, que, conforme já anotado, amparase no regime instituído pela Lei nº 10.276/2001, cujo teor, inclusive, não é tratado no julgamento do Resp nº 993.164 pelo STJ", o qual foi invocado na decisão embargada. Diante desse fato, pede o provimento dos embargos para que seja sanado o vício apontado. (...). Cediço que o objeto dos embargos tem como fulcro permitir que a decisão seja o mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. Nesse sentido, com razão a embargante, pois todo o trabalho fiscal (fls. 266/272) e o pedido do contribuinte tiveram por fundamento legal a Lei 10.276/2001, que vazou fórmula de cálculo do chamado crédito presumido de IPI alternativa ao disposto na Lei 9.363, articulada no aresto embargado. Igualmente, o despacho decisório (fl. 292 e segs.) remete à Lei 10.276. Com essas considerações, admito os embargos de declaração uma vez constatada a referida obscuridade na fundamentação do aresto embargado, o qual se embasou em legislação distinta àquela sobre a qual se alicerçou o pleito do contribuinte, o procedimento fiscal e o despacho decisório local. Determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de julgamento, uma vez que a turma julgadora foi extinta e o relator não mais integra nenhum dos colegiados desta 3ª Seção. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Acredito que o vício tenha sido objetivamente apontado e que a alegação da embargante não é manifestamente improcedente, o que acarretou o despacho de admissibilidade dos embargos para que este colegiado apreciasse as razões tecidas para a finalidade de sanar o vício apontado ou, não sendo o caso, aprimorar a decisão embargada. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 3401004.353 S3C4T1 Fl. 496 4 O acórdão embargado se refere, em primeiro lugar, (i) a ressarcimento de crédito presumido de IPI decorrente de aquisições perante pessoa física, limitandose a aplicar o quanto decidido pelo Recurso Especial nº 993.164, submetido ao regime do recurso representativo de controvérsia previsto no art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época, e nos termos do art. 62A do RICARF contemporâneo à decisão, o que levou o colegiado a reverter as glosas da base de cálculo do crédito presumido em apreço. Em um segundo momento, o acórdão (ii) manteve a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, verbis: Observese que a fundamentação para negar "(...) a inclusão das aquisições de serviços de telefonia nem as devoluções de vendas na base de cálculo do crédito presumido, por não se enquadrarem nos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, como bem exposto no acórdão da DRJ" tiveram, como ponto de partida, justamente a análise da Lei nº 10.276/2001. A obscuridade alegada pela embargante tem por origem a determinação legal de que a apuração da base tem, como fundamento positivo, um ou outro diploma e, neste sentido, a lei de 2001 é, conforme seu art. 1º, de aplicação alternativa ao disposto na lei de 1996: "(...) a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do IPI, como ressarcimento relativo às contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS, de conformidade com o disposto em regulamento". Por este motivo é que a informação fiscal que acompanha o despacho de não homologação realiza o distinguish de aplicação conforme a rubrica em análise, como se percebe, e.g., no trecho de fl. 332: Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 3401004.353 S3C4T1 Fl. 497 5 De fato, a Lei nº 9.363/1996 é mencionada expressamente sempre em conjunto da Lei nº 10.276/2001 no próprio recurso voluntário da contribuinte, como abaixo se transcreve: (...) Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 3401004.353 S3C4T1 Fl. 498 6 Contudo, isto ocorre porque a linha de defesa adotada pela contribuinte, que é justamente a base para o desenvolvimento do raciocínio demonstrado nas suas razões recursais, como se denota do parágrafo do recurso voluntário imediatamente subsequente à transcrição dos dispositivos, é que nenhum dos dois diplomas (o de 1996 ou o de 2001) fizeram ressalvas quanto às pessoas de quem os insumos são adquiridos: O raciocínio da contribuinte prossegue nesta vereda argumentativa, como, por exemplo, no trecho que abaixo se transcreve, para demonstrar que as normas infralegais exorbitaram tanto a Lei nº 9.363/1996 como também a Lei nº 10.276/2001: Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 3401004.353 S3C4T1 Fl. 499 7 Tal argumentação, aliás, não passa despercebida pelo recurso interposto pela contribuinte, conforme se depreende de trecho do relatório do acórdão ora embargado abaixo recortado: (...) De fato, o pedido de ressarcimento foi realizado com base na Lei nº 10.276/2002, mas, considerando que os embargos se voltam a discutir exclusivamente o reconhecimento, por parte do colegiado, do "(...) direito de crédito nas aquisições realizadas de pessoas físicas", o que se denota da leitura da defesa da contribuinte e também do acórdão embargado, é que tanto uma como outra lei não limitam o direito a crédito a pessoas jurídicas. Ressaltese que afirmar tal constatação não implica o compromisso da presente composição com a tese em disputa, mas simplesmente apontar qual foi a ratio decidendi utilizada pelo acórdão embargado, a fim de se afastar a mácula de obscuridade apontada. Neste sentido, restou decidido, pela composição anterior, que as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas, utilizadas na industrialização de produtos destinados exportação, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI, não sendo possível, às normas infralegais, de caráter administrativo ou regulamentar, restringirem o direito ao crédito às aquisições de pessoas jurídicas. Assim, voto por conhecer dos embargos de declaração opostos, dandolhes provimento sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 3401004.353 S3C4T1 Fl. 500 8 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 500DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928893/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2005
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2005 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 88 93 /2 00 9- 70 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11080.928893/200970 Acórdão n.º 3402005.172 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.871, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.928893/200970 Acórdão n.º 3402005.172 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.928893/200970 Acórdão n.º 3402005.172 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.928893/200970 Acórdão n.º 3402005.172 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.928893/200970 Acórdão n.º 3402005.172 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.928893/200970 Acórdão n.º 3402005.172 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.928893/200970 Acórdão n.º 3402005.172 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.928893/200970 Acórdão n.º 3402005.172 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.928893/200970 Acórdão n.º 3402005.172 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 372DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.916317/2011-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 17 /2 01 1- 95 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 9303006.443 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.941, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2003 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 9303006.443 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 9303006.443 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 9303006.443 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
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