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Numero do processo: 10120.008334/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/12/2006
MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. POSSE E TRANSPORTE PELO AUTUADO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO INFRATOR. CABIMENTO.
Constitui infração às medidas de controle aduaneiro e fiscal o transporte e a posse de cigarros de procedência estrangeira introduzido no País sem a documentação comprobatória da sua regular importação. Em decorrência da prática dessa infração, o transportador ou possuidor da mercadoria responde pela respectiva penalidade pecuniária, independentemente da sua intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da conduta cometida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. POSSE E TRANSPORTE PELO AUTUADO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO INFRATOR. CABIMENTO. Constitui infração às medidas de controle aduaneiro e fiscal o transporte e a posse de cigarros de procedência estrangeira introduzido no País sem a documentação comprobatória da sua regular importação. Em decorrência da prática dessa infração, o transportador ou possuidor da mercadoria responde pela respectiva penalidade pecuniária, independentemente da sua intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da conduta cometida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 83 34 /2 00 6- 12 Fl. 150DF CARF MF 2 Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Neste processo tratase do lançamento da Multa Regulamentar no valor de R$ 140.000,00, lavrada contra DANIEL SARAIVA GONÇALVES, CPF nº 836.249.88115. Em meio à ação de controle fiscal de fumo, cigarro e charuto de procedência estrangeira foram constadas infrações que, além da aplicação da pena de perdimento objeto de outro processo (que conforme citado às fls. 20 pelo interessado seria o de nº 10120.008089/200643), levam também à exigência de multa administrativa, no valor de R$ 2,00/maço de cigarro apreendido, com o enquadramento legal descrito às fls.4 no auto de infração (AI) que é o objeto específico do presente processo. Houve apreensão, em 03/12/2006, de 70.000 maços de cigarro de procedência estrangeira, conforme descrito às fls. 10/11, desacompanhados de documentação comprobatória da origem ou de sua introdução regular no país. As mercadorias foram apreendidas e remetidas pelo Departamento de Polícia Federal – Superintendência Regional em Goiás à Delegacia da Receita Federal competente, conforme Ofício n° 9007/21006DELEFAZ/ SR/DPF/GO, de 04/12/ 2006 e IPL n° 996/2006SR/ DPF/GO (fls.12/14 ). A fiscalização ressaltou que os cigarros de origem estrangeira foram apreendidos por revelarem destinação comercial. Os referidos maços de cigarros foram encontrados em poder do autuado identificado e qualificado neste processo, no interior do veículo ônibus marca SCANIA 11265, placa GSV7074–Goiânia/GO, chassis nº BSKC4X2B03452736, cuja proprietária foi identificada como sendo a Sra. Maria Aparecida Pereira Balisa, CPF n° 547.807.05134. As mercadorias apreendidas ficaram sob guarda fiscal como medida acautelatória dos interesses fazendários, nos termos do art.25 do Dl 1.455/76. O AI foi cientificado ao interessado em 22/12/2006 (AR de fls.17), o qual em 22/01/2007 protocolou tempestiva impugnação, apresentada às fls.20/21, de onde se extraem resumidamente as seguintes razões essenciais de contestação: 1. É cediço que o perdimento da mercadoria apreendida é inevitável diante da letra da lei. Contudo a atual conjuntura de desemprego faz com que o cidadão, pai de família desempregado, sem condições para sustentar a si e aos seus filhos, acabe por desrespeitar o texto legal, e certamente foi essa a situação que o levou ao descaminho. 2. A pena de perdimento por si só já onera o cidadão pela perda do dinheiro empreendido na busca de auferir o sustento próprio e da família, sendo desnecessário dizer que o valor da multa Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10120.008334/200612 Acórdão n.º 3302004.962 S3C3T2 Fl. 151 3 aplicada no valor de R$ 140.000,00 lhe será insustentável face à falta de capacidade contributiva para tanto, requerendo desde logo que seja desconsiderada, e que sirva a apreensão da mercadoria e o seu perdimento como forma de pagamento taxativo. 3. Quanto ao veículo apreendido, os próprios documentos declaram que pertence a MARIA APARECIDA PEREIRA BALISA, ao contrário do declarado coercitivamente no Inquérito Policial (IP), restando que seja a mesma notificada para apresentar a defesa de direito, conforme a legislação vigente. Pelo exposto, requer: (a) que seja acolhida a impugnação para anistiar ou excluir o ora autuado da pena de multa de R$ 140.000,00; (b) seja reconhecida a ilegitimidade passiva do autuado para responder pelo veículo apreendido, devendose abrir prazo para a legítima proprietária do veículo, que nunca autorizou o autuado a transportar cigarros, tampouco retirar os bancos do seu veículo, e (c) não sendo este o entendimento de VV. Exas, seja concedido desconto de 99% do valor da pena para que possa o autuado não ficar ao arrepio da lei, fazendose JUSTIÇA. O presente processo foi encaminhado para julgamento pela DRJ/REC em face do disposto na Portaria RFB nº 453/2013 e no art.2º da Portaria RFB nº 1.006/2013. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 32/38), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 03/12/2006 CIGARROS APREENDIDOS. AQUISIÇÃO E POSSE DE MERCADORIA INTRODUZIDA CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. Aquele que adquire e mantém a posse de cigarros de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país também está sujeito à multa prevista no Dl nº 399/68, art.3º, com a redação dada pelo art.78 da Lei 10.833/2003, independentemente de quem seja o proprietário do veículo em que eram transportados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 25/6/2014, o recorrente foi cientificado da decisão. Inconformado, em 18/7/2014, protocolou o recurso voluntário de fls. 45/52, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento alegou, em sede de preliminar, (i) a nulidade da autuação por prescrição e ilegitimidade passiva, baseada no argumento de que não fora obedecido os trâmites previstos no Decreto 70.235/1972, visto que o lançamento fora realizado Fl. 152DF CARF MF 4 contra pessoa diversa da que figurava nos documentos apresentados; e (ii) a inconstitucional a exigência de depósito recursal. Em relação ao mérito, alegou que gozava de idoneidade moral, precisava do nome limpo para exercer a mercancia no ramo da construção civil, onde participava de licitações e não tinha condição de arcar com uma obrigação tão elevada, por ser microempresário ou EPP, filiado ao Simples Nacional. Em 4/8/2014, o recorrente foi intimado a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, o recurso voluntário em versão completa e assinada, visto que o documento que fora juntado ao processo não constava a assinatura e aparentava estar incompleto (fls. 133/134). A referida intimação foi atendida, mediante a apresentação tempestiva da cópia completa e assinada do referido recurso voluntário (fls. 136/1466). É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relatório. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, cabe esclarecer que, no caso em tela, por se tratar de matéria estranha aos autos, revela de todo despecienda qualquer abordagem relativamente à alegação suscitada pelo recorrente sobre a inconstitucionalidade da exigência de depósito, para fim de interposição de recurso perante este Conselho. A controvérsia compreende questões preliminares e de mérito. Em preliminar, o recorrente alegou nulidade da autuação, sob argumento de que houve descumprimento dos trâmites fixados no Decreto 70.235/1972, ilegitimidade passiva, anistia e prescrição. Os dois últimos argumentos de nulidade da autuação, em razão de anistia ou prescrição, não merecem qualquer consideração a respeito, por ser questão jurídica sem qualquer nexo com o objeto da autuação. Portanto, matéria evidentemente estranha ao motivo da autuação em questão. O primeiro argumento (descumprimento dos trâmites do Decreto 70.235/1972) também não procede. A uma, porque demasiadamente genérico. A duas, porque, ao contrário do alegado, foram sim observados todos requisitos da autuação fixados no art. 142 do CTN e no arts. 9 e 10 do Decreto 70.235/1972. Enfim, o segundo argumento sobre a ilegitimidade passiva também não se sustenta, porque os documentos coligidos aos autos comprovam que foi a recorrente quem praticou a conduta infracionária objeto da presente autuação, conforme será demonstrado na apreciação do mérito a seguir. Por todas essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade do presente auto de infração. No mérito, a controvérsia cingese ao cabimento ou na da aplicação da penalidade em apreço ao recorrente. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10120.008334/200612 Acórdão n.º 3302004.962 S3C3T2 Fl. 152 5 De acordo com a descrição dos fatos que integra o questionado auto de infração (fls. 2/6), com base no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0120100/01426/06, integrante do processo n° 10120008.089/200643, foram encontrados, no interior do ônibus, marca SCANIA 11265, placa GSV7074 (veículo de propriedade da Sra. Maria Aparecida Pereira Balisa), 70.000 (setenta mil) maços de cigarros, em poder do recorrente, os quais se encontravam sem documentação comprobatória de sua introdução regular no País. Em decorrência da prática desse fato infracional foi imputado ao recorrente a conduta infracional e respectiva penalidade pecuniária capitulada no art. 3º, combinado com disposto no art. 2º, ambos do Decretolei 399/1968, com redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, a seguir transcritos: Art 2º O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de contrôle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) grifos não originais. Os fatos comprovados nos autos com documentação adequada (fls. 13/14) confirmam que, no ato da apreensão, o recorrente tinha a posse e era quem transportava a referida mercadoria. Portanto, resta devidamente materializada a infração tipificada no citado preceito legal. E no presente recurso, em vez de apresentar provas de que cometera a conduta infracionária que lhe fora imputada, ou seja, não tinha a posse e não transportava a mercadoria apreendida, o recorrente limitouse em atribuir o fato a terceiro (proprietário do veículo), sem qualquer prova, e apresentar alegações genéricas de cunho meramente pessoal que, sabidamente, não tem o condão de afastar a penalidade por infração às normas de controle aduaneiro, que lhe fora imposta. E a restrição aos aspectos de índole meramente subjetiva encontrase expressamente estabelecida no art. 94, § 2º, do Decretolei 37/1966, a seguir transcrito: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente Fl. 154DF CARF MF 6 ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifos não originais) Assim, como se trata de responsabilidade de natureza objetiva, induvidosamente, a responsabilidade pela infração em apreço independia da intenção da recorrente, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da conduta por ela praticada. Dada essa peculiaridade, a alegação do autuado de que goza boa reputação moral e social ou de que não dispõe de capacidade econômicofinanceira e patrimonial para arcar com a multa imposta, induvidosamente, não tem qualquer relevância para o afastamento ou redução da multa imposta. Também não tem qualquer efeito sobre o julgamento da lide, o fato de a Srª. Maria Aparecida Pereira Balisa ser a proprietária do ônibus em que o recorrente transportava os referidos maços de cigarros introduzidos clandestinamente no País. Esse fato tem relevância no âmbito do processo de perdimento do veículo, mas não nos presentes autos, por se tratar de matéria estranha. Além disso, o fato de o recorrente não ser proprietário do veículo transportador não tem relevância para fim de configuração da penalidade em apreço, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 90, cujo enunciado seque transcrito: Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.902169/2010-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Não tendo sido reconhecido qualquer direito creditório no âmbito do presente processo, não há que se falar em aplicação de correção monetária pela taxa Selic.
Numero da decisão: 9303-006.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo sido reconhecido qualquer direito creditório no âmbito do presente processo, não há que se falar em aplicação de correção monetária pela taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo sido reconhecido qualquer direito creditório no âmbito do presente processo, não há que se falar em aplicação de correção monetária pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 21 69 /2 01 0- 88 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3201001.245, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. LIMITES. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da repetição de indébito. Logo, não há respaldo legal para sua atualização monetária com base na Taxa Selic desde o momento da sua apuração ou da formulação do pedido. No entanto, em observância ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode deixar de aplicar, no presente processo, orientação assentada no REsp nº 1.035.847/RS, julgado em sede de Recurso Repetitivo, disciplinado pelo art. 543C Do Código de Processo Civil. Com base em tal precedente, só se reconhece o direito à correção dos créditos que tiveram seu reconhecimento negado pelo Fisco e que tal decisão foi revista por este Colegiado.” Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acórdão 3201001.245, trazendo, entre outros, que: · O crédito presumido trazido pela Lei 9.363/96 é a forma encontrada pelo legislador de incentivar a exportação, permitindo a empresa industrial exportadora a recuperação das contribuições do PIS e da Cofins incidentes na cadeia produtiva que terminou com a exportação da mercadoria; · O benefício é trazido não para a contribuinte do IPI, mas sim para a empresa que seja produtora e contribuinte do PIS e da Cofins, sendo que o crédito feito na apuração do IPI é mera forma de utilização fixada na lei; · Reformada a decisão com a admissão do crédito, impõese a aplicação da Selic sobre o crédito presumido pleiteado como já reconhecido pelo STJ no julgamento sob o rito dos recursos repetitivos REsp 1.035.847/RS e REsp 993.164/MG. Em Despacho às fls. 216 a 218, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · A Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS no valor agregado dos produtos exportados, o fez na seara do Imposto sobre Produtos Industrializados, de tal sorte que apenas os estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI na forma da legislação pertinente, podem usufruir o incentivo fiscal; · Quanto ao ressarcimento de crédito presumido, não há previsão na legislação tributária de qualquer acréscimo, sendo, em conclusão, indevida a admissão da Taxa SELIC pela autoridade administrativa. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo – o que concordo com a manifestação exposta em Despacho de Admissibilidade às fls. 216 a 218. Eis que, do cotejo da decisão recorrida com a indicada como paradigma, foi comprovado dissenso jurisprudencial, conforme reza o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Ventiladas breves considerações, passo a discorrer sobre as questões postas em recurso, quais sejam: · Se o sujeito passivo tem ou não direito ao crédito previsto na Lei 9.363/96; ou seja, se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado); · E se os valores a serem restituídos devem ser atualizados ou não pela Selic. No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação e industrialização, possui o direito ao crédito fiscal, nos termos da Lei 9.363/96. Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 6 5 “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. A Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 7 6 No caso em comento, o sujeito passivo é produtora, beneficiando fumo, fazendo a destala, o corte e tratamento térmico e químico tendente a aumentar a durabilidade do produto. Sendo que, após o tratamento, o fumo é acondicionado em caixas, contendo em folha ou talo e então exportado. Em vista do exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. No que tange à aplicação ou não da taxa Selic sobre os pedidos de ressarcimento, temse que tal previsão consta do §4º do art. 39 da Lei 9.250/95, que estabelece: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997)” Ora, vêse que a Administração Pública tem como interesse a adoção da referida taxa para cobrar um valor através da aplicação de um percentual de um número real e concreto sendo referencial para as demais taxas de juros aplicáveis na economia brasileira. Tal índice possui aplicação cumulada, seja como correção monetária, seja como juros, visando a penalização do pagamento em mora, ou aplicado com conotação indenizatória, tendo em vista possíveis danos patrimoniais. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 8 7 Frisese que a jurisprudência da E. 3ª Turma da CSRF do CARF, aplicando, inclusive, o art. 62 do RICARF, pacífica quanto a supramencionada incidência da Selic para restituição/compensação do montante de tributo pago indevidamente, em face de mora imputável à administração pública, senão vejamos: "Acórdão 9303002.392 Ementa: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. " E, salientase ainda que a incidência dessa taxa é critério utilizado pelo Fisco para correção dos débitos cobrados do contribuinte em mora, estando assim, por analogia, demonstrado o direito de o mesmo ao proceder a compensação do montante pago indevidamente, embasado, principalmente, no princípio da isonomia. Eis que o mínimo esperado é que o indébito/crédito, quando devolvido ou compensado, seja acrescido também de taxa devidamente aplicável para correção do prejuízo sofrido. Portanto, cabe a incidência da taxa Selic para correção do quantum referente ao crédito que tem direito o sujeito passivo. Tal como ocorre, no caso presente, o que entendo que os créditos da recorrente devem, sim, ser corrigidos pela Selic. Suporta ainda tal entendimento o julgado do processo 16366.000228/2009 37, pela 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF ao proferir em 25/10/2012 o acordão 3802001.418, assim ementado (grifos e destaques meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIA PRIMA. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 9 8 INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compras de matériaprima, utilizada destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidên cia dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Recurso provido em Parte.” Independentemente desse entendimento, conforme se depreende da análise dos autos do processo, entendo que houve mora da autoridade fazendária em analisar a veracidade do crédito objeto de pedido de ressarcimento. O que resta ainda observar aos que aplicam dessa forma – pela observância do decidido o STJ no REsp 1.150.188 – SP: “TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – IPI – AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIASPRIMAS ISENTOS – INCIDÊNCIA – PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL 1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos a operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Orientação ratificada no julgamento do Recurso Especial representativo de controvérsia 1.035.847/RS, examinado sob o rito do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008. 2. É qüinqüenal a prescrição da ação que pretende reconhecer o direito ao creditamento escritural do IPI. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 10 9 3. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.” (REsp 1.150.188 SP, Rel. Ministro ELIANA CALMON, julgado em 20/04/2010)” Considerando todo o exposto, voto por dar provimento nessa parte. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e darlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito à ilustre relatora, discordo de seu entendimento quanto ao direito de o contribuinte aproveitar crédito presumido do IPI sobre aquisições e revenda para o exterior de produtos não tributados pelo IPI. No presente caso, conforme consta dos autos, tratase de exportação de sub produtos da folha de fumo. Consta que o contribuinte realiza operações na folha, do tipo destala, o corte e tratamento térmico e químico tendente a aumentar a durabilidade do produto. Após este tratamento, as folhas e talos são acondicionados em caixas e então exportados. Os produtos por ele exportados são classificados na TIPI Tabela do IPI, como NT, ou seja não tributados pelo IPI. Tal fato é incontroverso. Esta discussão é antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 12 11 Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 13 12 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 14 13 Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 15 14 Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou sobre a possibilidade de apropriação de crédito presumido de IPI na exportação de produtos não tributados, conforme o seguinte precedente: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O decisum agravado deixou de conhecer do recurso especial na parte em que alegada a impossibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores relativos a exportação de produtos não tributados, ao fundamento de que o apelo raro padecia de deficiência de fundamentação recursal. 2. Compulsandose novamente o caderno processual, é de se afastar a incidência ao caso da Súmula 284/STF, devendo, pois, ser analisado o mérito do apelo raro nesse particular. 3. O Superior Tribunal de Justiça já se posicionou no sentido de que não há ilegalidade na limitação imposta pelas Instruções Normativas da SRF nº 313/2003 e nº 419/2004 do cômputo dos valores referentes à exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI, tendo em vista que a própria Lei nº 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de reconhecer a impossibilidade de se computarem os valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI. (EDcl no AgRg no REsp 1241900/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2014, DJe 11/12/2014) (grifei) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 16 15 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, em relação a esta matéria. Quanto ao pedido de incidência da taxa Selic no valor do ressarcimento, tem se que este pedido está prejudicado, pois todo o crédito solicitado pelo contribuinte foi indeferido não sobrando qualquer valor a ser ressarcido, ou seja, não há base de cálculo possível para incidência de correção monetária. Nos casos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, este colegiado tem entendimento consolidado de que, para aplicação de correção monetária com base na taxa Selic, é necessário que haja o reconhecimento do direito ao crédito, indeferido originalmente pela autoridade administrativa de origem, nas instâncias de julgamento. Tal fato caracterizaria a oposição ilegítima do Fisco, a justificar a aplicação do que foi julgado pelo STJ no RE 1.035.847/RS no rito dos recursos repetitivos. No presente caso, o contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI no valor de R$ 5.768.983,60, referente ao 4º trimestre/2003, o qual foi integralmente indeferido pela autoridade administrativa de origem, conforme Despacho Decisório, efl. 11. Deste despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi indeferida pelo Acórdão nº 1033.220, efls. 103/110, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Deste acórdão, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, o qual foi negado provimento por meio do Acórdão nº 3201001245, efls. 142/150. Assim, considerando que não houve o reconhecimento de qualquer direito creditório ao contribuinte, em todas as instâncias de julgamento administrativo, não há que se cogitar de reconhecimento de direito à aplicação da taxa Selic. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13005.902169/201088 Acórdão n.º 9303006.289 CSRFT3 Fl. 17 16 Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009369/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso quanto interposto fora do prazo legal de 30 dias após a intimação pessoal do contribuinte ou do seu procurador regularmente constituído.
Numero da decisão: 2401-005.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: Relator
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PRESSUPOSTOS ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso quanto interposto fora do prazo legal de 30 dias após a intimação pessoal do contribuinte ou do seu procurador regularmente constituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 93 69 /2 00 9- 91 Fl. 256DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10980.009369/200991 Acórdão n.º 2401005.190 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 186/187, acompanhado dos demonstrativos de fls. 183/185 e do Termo de Encerramento de fls. 164/182, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física dos exercícios de 2004 e 2007, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 156.164,14, composto da seguinte forma: R$ 49.148,61 relativo ao Imposto; R$ 33.292,62 de Juros de mora (calculados até 30/09/2009); e R$ 73.722,91 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 188/189), que o lançamento é decorrente de apuração de omissão de rendimentos, em face de variação patrimonial a descoberto, nos meses de maio de 2003 e abril de 2006, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Consta do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 164/182: “[...] 3. DOS FATOS APURADOS NA FISCALIZAÇÃO No curso dos trabalhos desenvolvidos foram apuradas as seguintes infrações à legislação tributária: 3.1 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2003 E 2006 [...] No curso dos trabalhos de fiscalização desenvolvidos em relação ao sujeito passivo, foram solicitados por intermédio do Termo de Início de Fiscalização, datado de 03/08/2006 (fls. 85 a 92) e do Termo de Intimação Fiscal no 001 de 15/09/2009 (fls. 143 a 146), comprovação mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, de todos os rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e com tributação exclusiva auferidos, os saldos no início e no fim de cada mês de todas as contas correntes, de aplicações financeiras e de cadernetas de poupança mantidas pelo declarante, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, todas as aquisições de bens e direitos e os pagamentos efetuados informados nas declarações de ajustes anuais (DAA) apresentadas, referentes aos anos calendários de 2003 e 2006. Como subsídios da ação fiscal desenvolvida no sujeito passivo, procedeuse a coleta de dados a partir das informações constantes nas DAA apresentadas, constantes nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no resultado da ação fiscal desenvolvida na Reflorestadora Bom Sucesso e Fl. 258DF CARF MF 4 também no conteúdo de outras diligências e ações fiscais realizadas ou em desenvolvimento como conseqüências de solicitação judicial realizada tendo em vista a autorização em despacho fundamentado, datado de 13/08/2009 pelo MM. Juiz da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, constante nos autos no 2006.70000184929. A partir dos documentos e informações obtidos e seguindo as disposições do art. 845 do Decreto n o 3.000, de 26 de março de 1999, elaborouse o Fluxo Financeiro Mensal, onde foi constatada a omissão de rendimentos caracterizada pelo excesso de aplicações sobre as origens, sem o respaldo de rendimentos declarados ou comprovados. Em decorrência dos fatos descritos, cabia ao contribuinte apresentar elementos comprobatórios capazes de elidir a presunção de omissão de rendimentos. Uma vez constatado o acréscimo patrimonial não justificado, foram elaboradas planilhas, as quais foram submetidas ao contribuinte para manifestação, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal n o 002 (fls. 147 a 152). Esgotado o prazo concedido, o contribuinte se limitou a fazer alegações sem, entretanto, apresentar qualquer documentação capaz de fazer prova em seu favor das alegações feitas (f 1. 153). 3.1.1 RECURSOS NÃO RECONHECIDOS EM VIRTUDE DE FALTA DE COMPROVAÇÃO Por derivar de uma presunção legal estabelecida no art. 3º, § 1º da Lei no 7.713/1988, a tributação por meio de análise da variação patrimonial só pode ser elidida mediante a apresentação de documentação hábil e idônea da origem dos recursos. A postura adotada pelo contribuinte de se omitir, cabendolhe o ônus probatório de comprovar de forma inequívoca tanto a origem como a existência dos recursos informados nas declarações de ajustes anuais (DAA) apresentadas acarretoulhe, como conseqüência, o não reconhecimento dos recursos a seguir relacionados: 3.1.1.1 Rendimentos Isentos e Não Tributáveis Declarados Apesar de regularmente intimado, o contribuinte não logrou êxito em comprovar o efetivo recebimento e a existência dos valores informados a título de ‘lucros e dividendos recebidos’ nos montantes de R$ 214.671,75 (duzentos e catorze mil, seiscentos e setenta e um reais, setenta e cinco centavos) e de R$ 90.442,78 (noventa mil, quatrocentos e quarenta e dois reais, setenta e oito centavos) nos anos calendários de 2003 e 2006, respectivamente. Cabe salientar que os valores em questão, por se tratarem de rendimentos isentos e em montantes tão elevados devem ser comprovadas a efetividade da transferência da conta corrente da pessoa jurídica para a conta corrente do beneficiário, uma vez que transações dessa natureza são usualmente realizadas através de operações interbancárias, como o cheque administrativo ou a ordem bancária, por exemplo. Destaquese ainda que, com o intuito de confirmar tais informações, foi desenvolvida ação fiscal na empresa REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA, CNPJ Nº 05.108.082/000106, com o objetivo de ‘realizar entre outras verificações a exatidão dos lucros distribuídos nos anos calendários de 2003 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10980.009369/200991 Acórdão n.º 2401005.190 S2C4T1 Fl. 4 5 a 2006, em decorrência de demanda da Procuradoria da República no Estado do Paraná e da 2ª Vara Federal Criminal em Curitiba’. Foram as seguintes conclusões apontadas pela AFRFB Aricélia M. Longo Milanese no ‘Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal’, lavrado em 16/06/2009 (fls. 20 a 49), no encerramento da ação fiscal: • ‘Restou comprovado que os lucros registrados como distribuídos são fictícios’. • ‘Não haveria saldo de caixa para a distribuição dos lucros alegados pela empresa’. • ‘Do exame dos documentos bancários, constatouse que não houve distribuição de lucros nos valores informados e registrados na contabilidade’. Assim sendo, diante de todo o exposto e sendo estes os únicos rendimentos declarados pelo contribuinte nas DAA apresentadas dos anos calendários fiscalizados, os mesmos não foram concedidos como recursos ao sujeito passivo na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto dos anos calendários de 2003 e 2006. 3.1.1.2 Disponibilidade Financeira Em decorrência do descrito no item anterior, uma vez que os únicos rendimentos informados pelo sujeito passivo nas declarações de ajustes anuais apresentadas nos anos calendários fiscalizados foram decorrentes de ‘lucros e dividendos’ recebidos da empresa REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA, por sua vez não restaram também comprovadas a existência dos numerários declarados, informados como ‘disponibilidade financeira dinheiro em espécie’ nos anos calendários de 2003 e 2006. Deste modo, em decorrência da falta de comprovação através de documentação hábil, tais recursos não foram considerados. 3.1.2 DISPÊNDIOS NÃO CONSIDERADOS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO E REPASSE O contribuinte informou na DAA apresentada do Exercício de 2004 Ano Calendário de 2003, ter crédito decorrente de empréstimo em moeda corrente no valor de R$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil reais) efetuado para seu pai, WILSON GERALDO VELOSO FILHO, CPF nº 274.953.45934. Como visto, o contribuinte fiscalizado não dispunha de recursos para fazer frente a tal empréstimo, uma vez que regularmente intimado não logrou êxito em comprovar o recebimento de rendimentos declarados ou não e, também, não comprovou o efetivo repasse ao mutuário da importância que alega ter emprestado. Acrescentese que a operação de empréstimo, para ser aceita, deve ser comprovada por meio de documentação hábil e idônea da efetiva entrega do numerário, ser informada nas respectivas declarações de ajuste e deve ser Fl. 260DF CARF MF 6 compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras declaradas e comprovadas pelo credor na data da entrega do recurso. A informalidade dos negócios celebrados entre as partes não pode eximir o contribuinte de apresentar provada a efetividade das transações. Tal informalidade é inerente, apenas, em relação, às garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes, no caso em tela, pai e filho, mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública, que é formal e vinculada à lei, sem exceção. Deste modo, a forma convencionada entre as partes diz respeito somente às partes; não exime o contribuinte de apresentar a prova da entrega e do recebimento do dinheiro, e não pode ser oposta à Fazenda Pública. Cabe salientar que o valor em questão, R$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil reais) no total, por ser elevado, tornase imperioso que restasse comprovada a efetividade da transferência de numerário da conta corrente do mutuante para a conta corrente do mutuário beneficiário, uma vez que transações dessa natureza são usualmente realizadas através de transações interbancárias, como o cheque administrativo ou a ordem bancária, por exemplo. 3.1.3 COMPOSIÇÃO DOS RECURSOS/ORIGENS NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2003E 2006 Com base nas declarações de rendimentos e de bens, nas informações constantes no banco de dados da SRF e obtidas em diligências junto a terceiros, bem como, ao fato do contribuinte não ter declarado ou comprovado ter auferido rendimentos tributáveis nem comprovado o recebimento dos ‘lucros e dividendos’ declarados da empresa REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA, CNPJ Nº 05.108.082/000106, aliado ao descrito no item 3.1.1.1 do presente Termo, tais recursos não foram considerados na apuração do fluxo financeiro mensal. 3.1.4 COMPOSIÇÃO DOS DISPÊNDIOS/APLICAÇÕES NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2003 E 2006 Foram considerados como dispêndios/aplicações os seguintes valores: ANO CALENDÁRIO DE 2003 I AQUISIÇÃO DE QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA, CNPJ N° 05.108.082/000106 De acordo com a 3a Alteração do Contrato Social datada de 05/05/2003, registrada na Jucepr sob n o 20031517471 em 09/07/2003, da empresa REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA, CNPJ nº 05.108.082/0001 06, houve a aquisição por parte do contribuinte fiscalizado de 178.979 quotas, no valor unitário de R$ 1,00, totalizando R$ 178.979,00, inteiramente integralizadas (fl. 62). O referido documento atende os requisitos de validade exigidos no art. 104 do Código Civil, em relação aos atos jurídicos em geral. Observados na celebração do contrato os pressupostos e requisitos necessários à sua validade, deve este ser respeitado pelos contraentes como se as suas Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10980.009369/200991 Acórdão n.º 2401005.190 S2C4T1 Fl. 5 7 cláusulas fossem, segundo o princípio da força obrigatória, preceitos legais imperativos. Por outro lado, o seu arquivamento na Junta Comercial atende a finalidade de conferir garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos da empresa, passando a produzir efeitos também perante terceiros. Desta feita, a referida alteração contratual tem força probatória inquestionável, pois nela encontramse perfeitamente definidos o valor do capital social, a forma e o momento da sua integralização, o quinhão de cada sócio, bem assim a responsabilidade dos sócios. Apesar de ter adquirido quotas de participação no capital social de valor bastante expressivo, merece deixar registrado que tal fato não foi informado nas declarações de ajustes anuais apresentadas pelo contribuinte. ANO CALENDÁRIO DE 2006 I AQUISIÇÃO DE VEÍCULO De acordo com informações na DAA do contribuinte, de documentos por ele apresentado e, também, coletados junto ao alienante, constatouse que o mesmo adquiriu de DELCIO ROQUE ROGGIA, CNPJ nº 00.685.393/0001 14, em 20/04/2006, pelo valor de R$ 40.000,00, do veículo marca Audi, modelo A3 1.8T, (fls. 06, 113, 138 a 142). 3.1.5 DEMONSTRATIVO DOS VALORES DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2003 E 2006 Da análise das declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos anos calendários de 2003 e 2006, das informações e documentos obtidos junto a terceiros e também do conteúdo de outras diligências e ações fiscais realizadas ou em desenvolvimento como consequências de solicitação judicial, verificouse acréscimo patrimonial a descoberto não justificado por "rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte", nos anos calendários de 2003 e 2006, conforme demonstrado nas planilhas Fluxo Financeiro Mensal (fls. 154 a 157) que integram o presente termo, nos seguintes valores: Fl. 262DF CARF MF 8 Em face das constatações descritas acima, a Fiscalização lavrou o presente Auto de Infração. Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 195/203), alegando, resumidamente, o que segue: Preliminarmente, referindose ao fato gerador que teria ocorrido em 31/05/2003, suscita prescrição, fundamentandose nos arts. 150, § 4º, 156 e 168 do CTN, citando jurisprudência administrativa e ponderando que, nos termos do art. 2º da Lei nº 7.713. de 1988, o fato gerador do IRPF, para fins de “prescrição”, deve ser considerado mensalmente. No mérito, aduz que a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto decorre da desconsideração dos valores recebidos da REFLORESTADORA BOM SUCESSO (R$ 214.671,75 em 2003 e R$ 90.442,78 em 2006), que, a despeito de a fiscalização entender não terem sido comprovados, encontramse demonstrados nos autos, consoante declaração de ajuste anual (fls. 02/04), comprovantes de rendimentos pagos (fls. 101 e 205), Razão Analítico da empresa (anos de 2003 e 2006) e página 32 da DIPJ 2004. Diz estar, assim, evidenciada a entrega e utilização dos recursos, suscitando a impossibilidade de acréscimo patrimonial sem a existência daqueles. Acrescenta que haveria bitributação, uma vez que advindos da pessoa jurídica, que os teria tributado. Pondera que a fiscalização, ao se utilizar de conclusão de ação fiscal por outra autoridade, na empresa REFLORESTADORA BOM SUCESSO, sem ter conhecimento dos fatos apurados e comprometendose apenas com as conclusões lá expostas, omite detalhes importantes e menciona apenas aquilo que é favorável à sua tese. Destaca, em contrapartida que, naquele relatório, entendeuse que "é impraticável determinar os valores efetivos dos lucros", pelo que argumenta que não há como estabelecer que os valores declarados não existiram, tanto que a empresa restou autuada, entre outras imputações, em IRRF. Argúi que, assim, a ‘complexidade da operação de distribuição de lucros, perpetrada pela empresa, será alvo de chancela e crivo dos órgãos internos, na análise do processo próprio’ e que ‘ao contribuinte beneficiado, qualquer que seja o resultado, deve ser considerada a nãoincidência sobre esses rendimentos’. Cita jurisprudência administrativa, uma acerca de acréscimo patrimonial a descoberto e, outra, em referência ao art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, destacando que não caberia à pessoa física comprovar a origem e eventual tributação dos recursos na pessoa jurídica. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10980.009369/200991 Acórdão n.º 2401005.190 S2C4T1 Fl. 6 9 Ademais, narra que a fiscalização não comprovou a inexistência dos lucros declarados, tendo se baseado em relatório de ação fiscal na pessoa jurídica, que sequer teria apresentado conclusão nesse sentido. Acrescenta que os erros contábeis, pela pessoa jurídica, não impediriam a apuração dos lucros, descabendo desconsiderálos. Questiona a "substituição", pela fiscalização, da declaração de rendimentos isentos pela omissão de rendimentos tributáveis, sem demonstrar a origem desses, ressaltando que os recursos são provenientes de empresa da qual é sócio. Por fim, em relação à multa qualificada, aponta contradição na descrição fiscal que ora reconhece que houve rendimentos declarados, ora os reputa omitidos — e argumenta que não houve omissão de informação, decorrendo o incremento patrimonial dos recursos declarados, e que não pode ser considerada conluio uma prática legal, tampouco fraude. Reitera que a fiscalização na pessoa jurídica não foi conclusiva ao descaracterizar a existência dos valores declarados, tendo apenas desconstituído a contabilidade e aventado a possibilidade de os lucros não terem os montantes registrados. Reclama a necessidade de a fraude ou o conluio serem exaustivamente comprovados pela fiscalização, assim como de as informações disponibilizadas em outra fiscalização serem evidentes e completas, o que não se opera no caso em questão. Transcreve jurisprudência administrativa acerca da aplicação da multa qualificada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (CTA) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0624.924 da 4ª Turma da DRJ/POA, às fls. 213/225, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, notadamente quando o lançamento é efetuado com a constatação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE RECURSOS. À míngua de comprovação hábil de origem de recursos que dê suporte ao acréscimo patrimonial a descoberto, mantémse inalterado o lançamento efetuado, por presunção de omissão de rendimentos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Demonstrada a intenção deliberada em inserir informações inverídicas em declaração de ajuste anual, com o objetivo de impedir o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, além de ação dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador Fl. 264DF CARF MF 10 da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, aplicável a multa qualificada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 118/129, reprisando os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10980.009369/200991 Acórdão n.º 2401005.190 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate, por intermédio do seu procurador, no dia 14/01/2010 (quartafeira) conforme certidão de fl. 229. De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, “Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. O dies a quo teve início em 15/01/2010 (quintafeira), e o trintídio encerrou se no dia 13/02/2010 (sábado), prorrogandose para o primeiro dia útil subsequente, ou seja, 15/02/2010 (segundafeira). Entretanto, conforme se observa do documento de fl. 27, o recurso foi postado via Correios no dia 17/02/2010 (quartafeira), ou seja, fora do prazo legal. Dessa forma, NÃO CONHEÇO DO RECURSO já que AUSENTES os requisitos de admissibilidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário do Recorrente, pois manifestamente intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001144/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3302-005.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Interessado CARBONÍFERA METROPOLITANA S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese a rejeição dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Paulo Guilherme Déroulède Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Carbonífera Metropolitana S.A., ora embargante, face ao Acórdão 3803003.366, de 21/08/2012, por suposta omissão, contradição e obscuridade da decisão. O acórdão embargado possui a seguinte ementa e dispositivo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 44 /2 00 9- 36 Fl. 535DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Segundo o entendimento da embargante, a decisão acima indicada estaria eivada de vícios que a levariam a omissão, contradição e obscuridade, conforme se depreende das efolhas 439 e seguintes do processo, conforme trecho abaixo colacionado: Consoante o objetivamente exposto na fundamentação e conclusão dispositiva dos votos decisórios proferidos, acolhido e assegurado o direito ao crédito, no regime de apuração não cumulativo das contribuições COFINS e PIS, em relação aos insumos assim entendidos e compreendidos como sendo os itens direta ou indiretamente vinculados e necessários ao processo produtivo como um todo (materiais e serviços em geral com tal precisa vinculação e indispensabilidade), como condição para o funcionamento da empresa e assim afetando e sendo responsável Fl. 536DF CARF MF Processo nº 11516.001144/200936 Acórdão n.º 3302005.345 S3C3T2 Fl. 3 3 pela concreta geração e possibilidade de auferir as receitas sujeitas a tributação por tais mesmas contribuições sociais (...) Ocorre que (...) demais relevantes itens vinculados e intrínsecos a este processo produtivo e ensejador de decorrente receita da aqui embargante foram igualmente desconsiderados e assim indevidamente vedados, para fins de creditamento, como embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, etc; (...) também incluindo serviços e materiais de terraplenagem em decorrentes recuperações e conservações de natureza ambiental. Destarte impõese que também tais itens sejam especificamente considerados e declarados para fins de regular creditamento no regime de apuração não cumulativa das contribuições COFINS e PIS, sanando tal omissão no respeitável e colegiado decisum ora proferido, visto que, como afirmado pelo próprio e derradeiro acórdão proferido, insumo dedutível é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social! Ademais, especificamente em relação aos gastos com mão de obra contratados e pagos com/a terceiras pessoas jurídicas igualmente contribuintes da COFINS e do PIS, considerando que as leis de regência expressamente vedam somente o creditamento de valores de mão de obra pagos a pessoa física e não a pessoa jurídica e ainda configurando os mesmos obrigações expressamente definidas em decisões judiciais homologatórias proferidas no âmbito da Justiça do Trabalho (de observância assim impositiva pelas empresas carboníferas como os TACs ambientais com o Ministério Público Federal), configura, com a máxima vênia, contradição e obscuridade, não acolher respectivo e postulado creditamento também sobre os valores de tais precisos itens igualmente direta ou indiretamente vinculados ao processo produtivo de forma notória e absoluta (iguais obrigações, de natureza trabalhista, impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, que geram significativas e correspondentes despesas, assim impositivas, necessárias e imprescindíveis a esse mesmo funcionamento e operação empresariais). Pede, pois, que especificamente se manifestem e esclareçam adicional e de maneira integrativa, acerca da contradição e obscuridade em tais termos fundamentada e arguida (...) Este imprescindível e obrigatório enfrentamento de tais expressamente alegados itens e argumentos e de seus supedâneos legais correspondentes restou, com a máxima vênia, ainda assim omitido e/ou não completa e claramente realizado, o que se faz impositivo seja ora formalizado pelos Eminentes Julgadores com e no pertinente acolhimento e julgamento dos presentes Embargos de Declaração. Fl. 537DF CARF MF 4 O exercício de admissibilidade do recurso se deu por meio do despacho de e folhas 529/533 ocorrendo de forma parcial, com o consequente encaminhamento desse para deliberação e julgamento dessa Turma, nos seguintes termos: Não obstante, entendo que houve omissão quanto à apreciação dos outros insumos. Explico. O acórdão de manifestação de inconformidade mantém as glosas efetuadas pela autoridade autuante segundo dois fundamentos: i) o conceito do termo “insumos” mais restrito que o considerado pelo contribuinte, e ii) a falta de provas quanto ao pertencimento de alguns insumos ao processo produtivo. No recurso voluntário o embargante suscita a questão do ônus da prova, argumentando que não lhe cabe a instrução probatória sobre a efetiva compra dos insumos e sobre sua vinculação com a produção (efolha 329 e seguintes). Reproduzo apenas o primeiro parágrafo dessa argumentação (efolha 329): Também já de início, com incisiva veemência, cumpre ora contestar observação/fundamento consignado neste acórdão de primeira instância, consistente na suposta assertiva de que os créditos controversos em questão não teriam sido materialmente comprovados pela empresa contribuinte, antes de todo o, demais, arguido. Todavia, o acórdão embargado não trata dessa questão. Com efeito, não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais não se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção. Por exemplo, os materiais elétricos, um dos insumos suscitados nos presentes embargos, podem pertencer ou não ao conceito de insumos que geram crédito, a depender de estarem efetivamente vinculados à produção. Portanto, entendo que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada omissão na decisão embargada. Determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Fl. 538DF CARF MF Processo nº 11516.001144/200936 Acórdão n.º 3302005.345 S3C3T2 Fl. 4 5 Os presentes Embargos de Declaração foram devidamente admitidos, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme acima descrito a embargante suscitou omissão, contradição e contrariedade do acórdão embargado e, segundo o nobre Conselheiro que recebeu o recurso para a análise dos requisitos de admissibilidade, teria havido omissão quanto a questão do ônus da prova e efetiva compra de insumos e sua vinculação ao processo produtivo. Para o Conselheiro "não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção." E dessa forma entendeu "que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão." Não obstante, compulsando os autos não entendo tenha havido falta de provas, ou até mesmo que a fiscalização tenha deixado de analisar os documentos trazidos pela contribuinte embargante, explico. Do Despacho Decisório/Informação Fiscal encartado às fls. 186/196 do e processo, podemos verificar de forma clara que a fiscalização observou e analisou todos os documentos colacionados pela contribuinte, inclusive realizando inspeção in loco em uma das unidades da embargante, que teve por finalidade entender de forma exata a atividade da empresa para se ter por base qual tipo de material/prestação de serviços poderia ser considerado como insumo. Destaco trecho da informação fiscal, com inicio à fl. 194 do eprocesso: 4 Do Direito Creditório Em fiscalização realizada no estabelecimento do contribuinte verificouse que há um elevado número de insumos e serviços aplicados no processo de extração, beneficiamento e venda do carvão mineral. Impende informar que o processo produtivo de uma mineradora é totalmente diferente das demais empresas, pois nela as instalações para a extração do carvão são transferidas para dentro da mina, como máquinas, transformadores, cabos elétricos, luminárias, etc. Há também o apoio externo para o desenvolvimento das atividades lá dentro, como ventilador para inserir ar puro e exaustor para extrair ar contaminado. Para o desenvolvimento do trabalho de identificação dos insumos e serviços prestados na extração do carvão, que dão origem ao crédito do PIS e da COFINS, visitouse uma mina do contribuinte em plena atividade de extração. Com isso, podese visualizar de forma precisa todo o processo produtivo da empresa. A verificação fiscal dos documentos que deram origem ao crédito ora analisado, efetuada pelo método de amostragem, Fl. 539DF CARF MF 6 abrangeu o período de julho de 2004 a dezembro de 2007. Foram apreciadas as notas fiscais de entrada e as notas fiscais de saída, além das informações contidas nos registros contábeis fornecidos pela empresa, nos Pedidos de Ressarcimento PERDCOMP, fls. 01 a 04, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 05 a 66, e nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), fls. 89 a 144. Além desses, a empresa forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas fiscais utilizadas como "Compras de Insumos" Ao analisar os arquivos magnéticos fornecidos pelo contribuinte constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração do PIS, vários produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, conforme definido no art. 66 da Instrução Normativa — SRF no 247, de 21 de novembro de 2002. Tais produtos estão arrolados na planilha juntada às fls. 154 a 165, e foram excluídos quando do cálculo da referida contribuição. Destaquese que os insumos não considerados na apuração do PIS referemse a produtos e serviços que não estão ligados diretamente à produção (terraplenagem, turfas ambientais, análise da água, conserto de máquina de escrever, etc) e a produtos que não tem ligação alguma com a atividade da empresa (cartão de natal, bicicleta, camisas oficiais do Criciúma, boné para brinde, serviço hospitalar, etc). Há também a exclusão de alguns produtos baseado nos atos expedidos pela RFB, como é o caso das aquisições de bens usados — ex, aquisição de motores retificados. Segundo o I, § 30, art. 1° da IN SRF no 457/2004 é vedada a utilização de crédito decorrente da aquisição de bens usados. Outra exclusão diz respeito às instalações, máquinas ou motores novos que a empresa incluiu indevidamente no crédito de insumos, pois tais produtos estão sujeitos ao crédito de suas amortizações ou depreciações, conforme estabelece a legislação, e não do seu valor total quando da construção ou aquisição. Impende esclarecer, ainda, que os créditos decorrentes dos encargos de amortizações e depreciações que a empresa deixou de considerar na apuração das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos podem ser efetuadas dentro do prazo de 5(cinco) anos da construção ou amortização, conforme o caso. Nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte, fls. 151 a 153, verificouse que foram incluídos, no rol de créditos a serem descontados na apuração do PIS e da COFINS, serviços e produtos que não estavam relacionados nas "Compras de Insumos". Como esses "insumos" não estavam devidamente discriminados, intimouse a empresa a apresentar arquivo magnético contendo todas as informações necessárias à análise desses dados. Em atendimento à referida intimação, o contribuinte encaminhou arquivo contendo relação com nome completo do fornecedor e seu CNPJ, o no do documento, as datas de emissão e entrada, a discriminação de cada produto/serviço e seu valor. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 11516.001144/200936 Acórdão n.º 3302005.345 S3C3T2 Fl. 5 7 Apurouse que alguns desses dispêndios não podem ser considerados como crédito na apuração do PIS e da COFINS, como é o caso das comissões de vendas, da assessoria fiscal e contábil, dos diversos cursos, das despesas com alimentação dos trabalhadores, do transporte dos empregados, das despesas com vigilância e limpeza, dentre outros. Diante disso, emitiuse novas memórias de cálculo, considerando apenas os insumos que dão direito ao crédito das contribuições em análise. Nelas inseriuse, também, os faturamentos da empresa, fls. 169 a 171. Destaquese, ainda, que os pagamentos efetuados a empresa GR TERRAPLENAGEM LTDA, inseridos nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte,contêm valores que não fazem parte do conceito de insumo, conforme planilha de custo dos serviços, fls. 166 a 168, motivo pelo qual excluiuse tais valores nas novas memórias de cálculo, supra mencionadas. Por sua vez, o contribuinte incluiu em alguns meses no cômputo dos valores tributários, de forma indevida, as receitas financeiras. Tais valores foram extraídos dos cálculos das contribuições, conforme se verifica nessas novas memórias de cálculo. As fls. 172, contém demonstrativo em que são apresentados o crédito de cada mês, o montante do trimestre, o valor solicitado de ressarcimento e o valor concedido. É importante ressaltar nesse momento que vários dos itens elencados no despacho parcialmente transcrito, já foram objeto de decisão, indicados inclusive quando da analise de admissão dos presentes Embargos de Declaração, havendo nesse momento deliberação somente sobre outros insumos que, a despeito de terem sido indicados pelo contribuinte, não foram objeto de análise do acórdão embargado. Assim, temos que o despacho decisório deve ser analisado conjuntamente com as planilhas de fls. 167 a 178 do eprocesso, onde podemos verificar de forma precisa quais itens indicados como insumo pela contribuinte embargante, foram objeto de glosa pela fiscalização. Analisando item a item de referidas planilhas, excluindo aqueles já tratados na decisão que não são objeto dos presentes embargos, podemos verificar que os eventuais créditos sobre insumo relacionados a embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, não constam como itens glosados pela fiscalização, assim não haveria que se falar em impossibilidade de fruição dos créditos relacionados à aquisição desses itens, e, como consequência, não esta configurada a omissão alegada pela embargante. Dessa forma, entendo que não se trata de omissão, pois como podemos verificar dos autos do processo, em que pese não terem sido elevados à condição de "insumos", os produtos e materiais relacionados no parágrafo anterior, não foram, pelo menos é o que se depreende das planilhas trazidas pela fiscalização, objeto de glosa do crédito. Fl. 541DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto por rejeitar os presentes embargos. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 542DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000514/2010-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista.
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO.
O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.135
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Recorrente SORANA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 05 14 /2 01 0- 09 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 12585.000514/201009 Acórdão n.º 3302005.135 S3C3T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ/FOR, que manteve a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento formulado pela contribuinte recorrente, relativo a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receitas tributadas à alíquota 0(zero) no mercado interno. O despacho decisório estava assim ementado: AQUISIÇÃO PARA REVENDA. MÁQUINAS, VEÍCULOS E AUTOPEÇAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Não geram créditos as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica ainda que a pessoa jurídica adquirente esteja sujeita à nãocumulatividade e que a sua respectiva receita de venda seja sujeita à alíquota zero. (art. 3º, I, b, c/c o art. 2º, §1º, III e IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003) Cientificado do decisório o contribuinte manifestou inconformidade na qual pede o crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: · Como se passaram mais de cinco anos entre a apresentação do PER e a ciência do Despacho Decisório, não caberia mais à Administração Tributária denegar o crédito pleiteado, devendo ser ele reconhecido tacitamente, por força do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 37, §5º, da Constituição Federal); Fl. 261DF CARF MF Processo nº 12585.000514/201009 Acórdão n.º 3302005.135 S3C3T2 Fl. 4 3 · O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, possibilita o creditamento que gera a existência do crédito pleiteado. A 4ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08033.398. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.113, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 12585.000491/201024, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.113): "O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como dito anteriormente, estamos diante de Recurso Voluntário que insurgise contra a decisão da DRJ de Fortaleza, que manteve o indeferimento de suposto crédito em favor da contribuinte recorrente, relacionados a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receita tributadas com alíquota 0 (zero), referente ao 3º trimestre de 2004, bem como a inexistência da figura da homologação tácita de pedido de restituição/ressarcimento realizado por contribuintes. I Pedido de Ressarcimento. Homologação Tácita Sustenta a contribuinte que teria ocorrido a homologação tácita do crédito objeto do pedido de ressarcimento, tendo em vista ter transcorrido o prazo quinquenal, previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Pois bem. A Lei n. 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que é aplicável aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 12585.000514/201009 Acórdão n.º 3302005.135 S3C3T2 Fl. 5 4 No regime acima referido, a extinção do crédito tributário se dá de forma tácita após o decurso do prazo de 5 anos, nos exatos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, conforme podemos observar abaixo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administradas por aquele órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Medida Provisória n. 135, de 2003, depois convertida na Lei n. 10.833/2003). Conforme podemos observar, o prazo de 5 anos para a homologação tácita não diz respeito aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato de os pedidos de ressarcimento/restituição serem transmitidos pelo mesmo sistema em que é feita a transmissão dos pedidos de compensação não autorizam a necessidade de se obedecer tal prazo pelo Fisco. Vale dizer, nos pedidos de ressarcimento/restituição não existe a extinção de uma dívida tributária, o que se visa com tal procedimento é o reconhecimento de um direito do contribuinte. Para que o pedido de ressarcimento/restituição seja deferido, fazse necessária a comprovação de sua existência por parte do contribuinte, não havendo a comprovação não ha que se falar em homologação, muito menos em homologação tácita. Desta forma, pela necessidade de haver a contribuição direta do contribuinte em sua comprovação, não existe prazo legal para que o fisco reconheça ou não a existência dos créditos sobre os quais recaia o pedido de ressarcimento/restituição. Nesse sentido, peço vênia para transcrever parte do voto do I. Conselheiro Jorge Olmiro Loch Freire, no Acórdão nº 3402004.569, que tratou da mesma matéria, vejamos: " (...) Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, Fl. 263DF CARF MF Processo nº 12585.000514/201009 Acórdão n.º 3302005.135 S3C3T2 Fl. 6 5 ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação (...)". A contribuinte recorrente alega que a autoridade fiscal deveria obedecer os prazos previstos no Decreto nº 70.235, e no § 5º do art. 24 da Lei n. 11.457/2007 para apreciar o seu pedido de ressarcimento. É o texto do mencionado artigo: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos). Da simples leitura do dispositivo transcrito, seja por sua redação, seja por estar inserido no Capítulo II da Lei n. 11.457/2007 que trata sobre as regras as serem observadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando esta for parte em litígios tributários, concluise que o prazo reclamado pela contribuinte não é pertinente, já que o prazo previsto se aplica para os julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pela contribuinte. E tal conclusão parte da premissa que o legislador não economiza e também não apresenta em opulência os termos contidos na lei e, portanto, quando estipula o prazo de 360 dias, o fez a contar da apresentação de petições, defesas e recursos administrativos, e não incluiu os pedidos de ressarcimento/ restituição. Desta forma, não se acolhe o pleito da contribuinte recorrente quanto a possibilidade de existência de suposta homologação tácita do pedido de ressarcimento/restituição. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 12585.000514/201009 Acórdão n.º 3302005.135 S3C3T2 Fl. 7 6 II Tributação Monofásica e a Impossibilidade de Apuração de Crédito de PIS/COFINS A Lei 10.485/02, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04, instituiu regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação de alíquota majorada para fabricantes e importadores de máquinas e veículos nas classificações indicadas e aplicação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses produtos por parte dos revendedores, ou seja, dos comerciantes atacadistas ou varejistas. As Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 trouxeram situações que devem ser observadas a tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS e COFINS, respectivamente. Entretanto, no caso dos produtos sujeitos ao recolhimento na sistemática monofásica, quando adquiridos para revenda, não há direito a crédito, por expressa vedação legal, nos exatos termos do art. 3o , inciso I, alínea "b” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 10.865/04, que estabelece expressamente que não darão direito a crédito, as mercadorias e produtos referidos no § 1º, do artigo 2º, das mencionadas leis, quando adquiridas para revenda. Desta forma, adquirindo a contribuinte para revenda máquinas e veículos nas classificações destacadas, não poderá se creditar, para fins de apuração do PIS e da COFINS nãocumulativa, dos custos de aquisição dos referidos produtos. Para melhor compreensão transcrevemos os artigos pertinentes das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04: Lei nº 10.637/02 Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12585.000514/201009 Acórdão n.º 3302005.135 S3C3T2 Fl. 8 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; Lei nº 10.833/03 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei;[...] Segundo as alegações da contribuinte recorrente o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, quando determina que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, este teria autorizado o creditamento pretendido. No entanto, quando nos debruçamos para analisar o artigo acima citado, é fácil perceber que não é possível sustentar a conclusão utilizada pela contribuinte, vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O referido artigo, como se observa, é uma regra geral, que coexiste, sem qualquer incompatibilidade, com as vedações de creditamento constantes de regras específicas, referentes a situações específicas (tais como a “tributação Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12585.000514/201009 Acórdão n.º 3302005.135 S3C3T2 Fl. 9 8 monofásica” e as aquisições de bens não tributados); notese que o art. 17 fala em “manutenção” de créditos, no entanto, por força da referida vedação legal, esses créditos sequer existem. Salientese que também é essa a posição sustentada pelo STJ, conforme observase do julgado colacionado a seguir: AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.109.354 SP (2017/01242898) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES AGRAVANTE : RIZATTI & CIA LTDA ADVOGADOS : JOSÉ LUIZ MATTHES SP076544 FABIO PALLARETTI CALCINI E OUTRO(S) SP197072 LUÍS ARTUR FERREIRA PANTANO SP250319 AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. PIS E COFINS. ART. 17 A LEI Nº 11.033/2004. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 02/04/2014; REsp 1.267.003/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 23/10/2013. 2. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012. 3. Agravo interno não provido. ACÓRDÃO Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12585.000514/201009 Acórdão n.º 3302005.135 S3C3T2 Fl. 10 9 Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." A Sra. Ministra Assusete Magalhães (Presidente), os Srs. Ministros Herman Benjamin e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília (DF), 05 de setembro de 2017. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator Desta forma, com base em todos os ensinamentos e julgado acima relacionados, entendo que não há como garantir o ressarcimento/restituição pretendido pela contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto, negarlhe provimento, mantendose em sua totalidade a decisão de piso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, ressalvada a minha posição pessoal pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720128/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. DESTINAÇÃO DIVERSA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO ADQUIRENTE. ARTIGO 22 DA LEI Nº 11.945/2009.
As vendas de mercadorias de estabelecimentos localizados fora da Área de Livre Comércio de Guarajá-Mirim (ALCGM) para estabelecimentos localizados na ALCGM é realizada com alíquota zero das contribuições para o PIS/COFINS, desde que destinadas ao consumo ou industrialização, entendido o consumo quando as destinatárias (...) as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo.
Na hipótese de a adquirente dar destinação diversa às mercadorias recebidas com alíquota zero, ficará responsável pelo pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas na origem, pelo estabelecimento remetente das mercadorias.
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. REGIME OBRIGATÓRIO OU FACULTATIVO. PORTARIA SUFRAMA Nº 162/2005. PORTARIA SUFRAMA Nº 275/2009. PROVA.
A alegação de que o tratamento tributário de venda com redução de alíquota a zero, em operações realizadas com amparo no artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, não é obrigatório, podendo a operação ser realizada também pela tributação ordinária, desde que devidamente indicada a opção nas notas fiscais, deve estar acompanhado da respectiva documentação comprobatória quanto à natureza das operações realizadas.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. DESTINAÇÃO DIVERSA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO ADQUIRENTE. ARTIGO 22 DA LEI Nº 11.945/2009.
As vendas de mercadorias de estabelecimentos localizados fora da Área de Livre Comércio de Guarajá-Mirim (ALCGM) para estabelecimentos localizados na ALCGM é realizada com alíquota zero das contribuições para o PIS/COFINS, desde que destinadas ao consumo ou industrialização, entendido o consumo quando as destinatárias (...) as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo.
Na hipótese de a adquirente dar destinação diversa às mercadorias recebidas com alíquota zero, ficará responsável pelo pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas na origem, pelo estabelecimento remetente das mercadorias.
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. REGIME OBRIGATÓRIO OU FACULTATIVO. PORTARIA SUFRAMA Nº 162/2005. PORTARIA SUFRAMA Nº 275/2009. PROVA.
A alegação de que o tratamento tributário de venda com redução de alíquota a zero, em operações realizadas com amparo no artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, não é obrigatório, podendo a operação ser realizada também pela tributação ordinária, desde que devidamente indicada a opção nas notas fiscais, deve estar acompanhado da respectiva documentação comprobatória quanto à natureza das operações realizadas.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
MULTA DE OFÍCIO. DUPLICADA PARA O PERCENTUAL DE 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). REQUISITOS PARA SUA APLICAÇÃO. AFASTAMENTO. ACUSAÇÃO GENÉRICA E AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO À CONDUTA DO SUJEITO PASSIVO. ARTIGO 44, DA LEI Nº 9.430/1996. ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/1964.
Para fins de aplicação da multa de ofício, de forma duplicada ou qualificada, exige-se a inequívoca comprovação de que o sujeito passivo praticou uma das condutas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, não cumprindo esse requisito uma acusação genérica, sem o cotejo entre a conduta praticada pelo sujeito passivo e uma das hipóteses previstas em abstrato na Lei para a duplicação ou qualificação da multa.
Numero da decisão: 3401-004.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a qualificação da multa de ofício aplicada, mantendo-a em um percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. DESTINAÇÃO DIVERSA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO ADQUIRENTE. ARTIGO 22 DA LEI Nº 11.945/2009. As vendas de mercadorias de estabelecimentos localizados fora da Área de Livre Comércio de GuarajáMirim (“ALCGM”) para estabelecimentos localizados na ALCGM é realizada com alíquota zero das contribuições para o PIS/COFINS, desde que destinadas ao consumo ou industrialização, entendido o consumo quando as “destinatárias (...) as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo”. Na hipótese de a adquirente dar destinação diversa às mercadorias recebidas com alíquota zero, ficará responsável pelo pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas na origem, pelo estabelecimento remetente das mercadorias. PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. REGIME OBRIGATÓRIO OU FACULTATIVO. PORTARIA SUFRAMA Nº 162/2005. PORTARIA SUFRAMA Nº 275/2009. PROVA. A alegação de que o tratamento tributário de venda com redução de alíquota a zero, em operações realizadas com amparo no artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, não é obrigatório, podendo a operação ser realizada também pela tributação ordinária, desde que devidamente indicada a opção nas notas AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 01 28 /2 01 4- 94 Fl. 1334DF CARF MF 2 fiscais, deve estar acompanhado da respectiva documentação comprobatória quanto à natureza das operações realizadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. DESTINAÇÃO DIVERSA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO ADQUIRENTE. ARTIGO 22 DA LEI Nº 11.945/2009. As vendas de mercadorias de estabelecimentos localizados fora da Área de Livre Comércio de GuarajáMirim (“ALCGM”) para estabelecimentos localizados na ALCGM é realizada com alíquota zero das contribuições para o PIS/COFINS, desde que destinadas ao consumo ou industrialização, entendido o consumo quando as “destinatárias (...) as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo”. Na hipótese de a adquirente dar destinação diversa às mercadorias recebidas com alíquota zero, ficará responsável pelo pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas na origem, pelo estabelecimento remetente das mercadorias. PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. REGIME OBRIGATÓRIO OU FACULTATIVO. PORTARIA SUFRAMA Nº 162/2005. PORTARIA SUFRAMA Nº 275/2009. PROVA. A alegação de que o tratamento tributário de venda com redução de alíquota a zero, em operações realizadas com amparo no artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, não é obrigatório, podendo a operação ser realizada também pela tributação ordinária, desde que devidamente indicada a opção nas notas fiscais, deve estar acompanhado da respectiva documentação comprobatória quanto à natureza das operações realizadas. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 MULTA DE OFÍCIO. DUPLICADA PARA O PERCENTUAL DE 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). REQUISITOS PARA SUA APLICAÇÃO. AFASTAMENTO. ACUSAÇÃO GENÉRICA E AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO À CONDUTA DO SUJEITO PASSIVO. ARTIGO 44, DA LEI Nº 9.430/1996. ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/1964. Para fins de aplicação da multa de ofício, de forma duplicada ou qualificada, exigese a inequívoca comprovação de que o sujeito passivo praticou uma das condutas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, não cumprindo esse requisito uma acusação genérica, sem o cotejo entre a conduta praticada pelo sujeito passivo e uma das hipóteses previstas em abstrato na Lei para a duplicação ou qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.335 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a qualificação da multa de ofício aplicada, mantendoa em um percentual de 75% (setenta e cinco por cento). ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de Auto de Infração (fls. 889911), em 11/03/2014, para cobrança de valores a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ("COFINS") e de Contribuição para o PIS ("PIS"), com período de apuração entre Janeiro e Dezembro de 2010, acrescidos de juros de mora e multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), totalizando um crédito tributário no valor de R$ 12.268.878,57, em razão de 3 (três) infrações: (i) aquisição de mercadoria com alíquota reduzida a zero, nos termos do artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, desde que destinada a consumo ou à industrialização nas Áreas de Livre Comércio, na qual a Fiscalização entendeu que o contribuinte deu a elas destinação diversa, pela remessa das mercadorias para filiais e matriz não localizadas na Área de Livre Comércio, ficando, dessa forma, responsável pelo recolhimento das contribuições que deixaram de ser pagas, por força do artigo 22 da Lei nº 11.945/2009; (ii) hipótese semelhante à primeira infração apontada pela Fiscalização, porém, de transferência de mercadorias para filiais e matriz não localizadas na Área de Livre Comércio, dessa vez, mercadorias estas sujeitas à tributação monofásica prevista nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.147/2000, ficando o contribuinte, nessa hipótese, sujeito às contribuições que deveriam ter sido pagas na sistemática de incidência monofásica, de alíquota concentrada; e (iii) utilização indevida de créditos, por aquisições realizadas com redução a zero da alíquota das contribuições, após o contribuinte ter informado durante a Fiscalização "que se apropriou do PIS/COFINS, visto a empresa que vendeu para a ALC não fez a devida indicação do beneficio na nota fiscal". Observem que o Auto de Infração, em seu título e em outras passagens, indica que estaria sendo ali lançado apenas a COFINS. Porém, da análise do Relatório Fiscal de fls. 875 e seguintes, de sua narrativa e das tabelas nele inseridas, percebese e é possível a confirmação de que foram lançados no Auto de Infração valores relativos não somente ao COFINS, mas também ao PIS. Fl. 1336DF CARF MF 4 Contra esse lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada totalmente improcedente pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, São Paulo, na sessão de julgamento do dia 28/08/2014, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA A ZERO. VENDA OU TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA. DESTINAÇÃO DIVERSA. A redução das alíquotas da COFINS condicionada a determinada destinação do bem ou do serviço, sujeita ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a redução das alíquotas não existisse, o responsável por dar ao bem ou serviço outro destino". Dessa decisão, o contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado no dia 22/09/2014, segundafeira, conforme Aviso de Recebimento acostado às fls. 1279, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 15/10/2014, quartafeira, conforme carimbo de fls. 1282, pelo qual requer o reconhecimento da improcedência do lançamento realizado, com base nos argumentos a seguir: (i) não seria aplicável ao caso o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009, por existir previsão legal que rege a matéria, segundo o Recorrente, a Instrução Normativa SRF nº 546/2005; (ii) o Recorrente teria cumprido sua responsabilidade como sujeito passivo de obrigação relativa ao recolhimento das contribuições; (iii) a decisão recorrida teria decidido, conforme Solução de Consulta que, além de não ter sido devidamente identificada na decisão, não produziria quaisquer efeitos contra o Recorrente, motivo pelo qual o Recorrente impugna o entendimento ali firmado; (iv) quanto à primeira irregularidade, o Recorrente afirma que a contribuição teria sido efetivamente paga e que o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009 trata da responsabilidade pelo pagamento, mas nada afirma a respeito do momento do recolhimento das contribuições, afirmando que, no seu entender, o momento de recolhimento não se dá no ato de transferência, mas quando da prática da venda, o que colocaria a obrigação de recolhimento no 25º (vigésimo quinto dia) do mês subsequente ao faturamento; (v) quanto à segunda irregularidade, o Recorrente defende que os seus fornecedores seriam pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador e, desse modo, as aquisições de mercadorias sujeitas a monofasia estavam com a alíquota reduzida a zero; (vi) quanto à terceira irregularidade, o Recorrente afirma que teria descontado créditos apenas em relação a notas fiscais que estão sem a indicação de que venda é realizada na forma da Lei nº 10.966/2004, pois, nesses casos, entendeu o Recorrente que a venda fora efetuada seguindo a alíquota normal, em operação diversa da que a praticada com o benefício de alíquota zero, e que teria havido o recolhimento de COFINS na origem; e, por fim, (vii) pugna pela inaplicabilidade da multa, pois não teria cometido nenhuma irregularidade, e pela sua inconstitucionalidade, por ter caráter confiscatório; (viii) pede o afastamento da duplicação da multa, por inexistência de dolo do Recorrente; e (ix) pede o reconhecimento de bis in idem, por uma cobrança de tributo, duas vezes, sobre um mesmo fato gerador. Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.336 5 Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Da alíquota reduzida a zero prevista no artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, e da atribuição de responsabilidade prevista no artigo 22 da Lei nº 11.945/2009 – Primeira Irregularidade Conforme Relatório Fiscal, a primeira irregularidade tem como fundamento legal o artigo 2º, caput e parágrafos 1º e 3º, da Lei nº 10.996/2004, e o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009, a seguir transcritos: Lei 10.996/2004: “Art. 2° Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. (...) § 1° Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus – ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. (...) § 3° As disposições deste artigo aplicamse às vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis n. 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei n. 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei n. 8.857, de 8 de março de 1994, por pessoa jurídica estabelecida fora dessas áreas. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). ***** Lei 11.945/2009: “Art. 22. Salvo disposição expressa em contrário, caso a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação for condicionada à destinação do bem ou do serviço, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao Fl. 1338DF CARF MF 6 pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a não incidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não existisse”. Além disso, destaquese, dentre as Áreas de Livre Comércio mencionadas no artigo 2º, parágrafo 3º, da Lei nº 10.996/2004, que a Lei nº 8.210/1991, pelo seu artigo 1º, criou “no Município de GuajaráMirim, Estado de Rondônia, uma área de livre comércio de importação e exportação, sob regime fiscal especial, com a finalidade de promover o desenvolvimento das regiões fronteiriças do extremo noroeste daquele Estado e com o objetivo de incrementar as relações bilaterais com os países vizinhos, segundo a política de integração latinoamericana”. Assim, pelo disposto nessas Leis, as vendas de mercadorias de estabelecimentos localizados fora da Área de Livre Comércio de GuarajáMirim (“ALCGM”) para estabelecimentos localizados na ALCGM é realizada com alíquota zero das contribuições para o PIS/COFINS, desde que destinadas ao consumo ou industrialização, entendido o consumo quando as “destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo”. Por outro lado, caso a destinatária dê destinação diversa às mercadorias recebidas com alíquota zero, ficará responsável pelo pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas na origem, pelo estabelecimento remetente das mercadorias. Dessa forma, como a Fiscalização constatou que parte das mercadorias recebidas com alíquota zero teve destino diverso do que determinava a norma que reduziu a alíquota à zero, realizou o lançamento dos valores de contribuição que deixaram de ser pagos, com fundamento no artigo 22 da Lei nº 11.945/2009. Contra essa acusação, a Recorrente inicialmente afirma que não seria aplicável ao caso o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009, por existir previsão legal que rege a matéria, segundo o Recorrente, a Instrução Normativa SRF nº 546/2005, mais precisamente o seu artigo 4º, que tem a seguinte redação: “Art. 4º Na hipótese de a pessoa jurídica situada na ZFM apenas transferir os produtos para outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica localizada fora da ZFM, não se aplicam as disposições do § 4º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e do § 5º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003”. Da leitura do artigo em referência e da Instrução Normativa SRF nº 546/2005 como um todo, percebese que ela realmente regulamenta a Lei nº 10.996/2004, mas não o artigo 2º, que é o dispositivo sobre o qual versa o lançamento, mas sim os artigos 3º e 4ª, que modificaram dispositivos das leis de regência das contribuições, no que dispunham sobre outras operações realizadas no âmbito da Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, o próprio artigo 1º delimita o âmbito de aplicação da Instrução Normativa, nos seguintes termos: “Art. 1º Esta Instrução Normativa regulamenta a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a receita bruta auferida com a venda: I de produtos, industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), contemplados com as alíquotas diferenciadas de que tratam o § 4º do art. 2º e o § 12 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o § 5º do art. 2º e o § 17 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.337 7 II de máquinas e veículos, classificados nos códigos 8432.30 e 87.11 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), produzidos na ZFM; e III de insumos produzidos na ZFM”. Outra alegação da Recorrente é que, ultrapassado o primeiro argumento, teria cumprido sua responsabilidade como sujeito passivo de obrigação relativa ao recolhimento das contribuições, conforme o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009. De acordo com as afirmações da Recorrente (fls. 12961297): (...) Como se verifica, a Recorrente reconhece expressamente que deu destinação diversa às mercadorias e acredita que teria realizado o recolhimento das contribuições, tal como determinado pelo artigo 22 da Lei nº 11.945/2009. Entretanto, a Recorrente parece confundir a mandamento contido no artigo 22 da Lei nº 11.945/2009, que é no sentido de que aquele que der destinação diversa da contemplada na redução de alíquota a zero deverá ficar responsável pelo pagamento das contribuições que seriam devidas na origem, aquelas que deixaram de ser recolhidas pelo remetente das mercadorias à Recorrente, e não as contribuições que já seriam devidas, independentemente da destinação, na operação subsequente de venda pelo Recorrente a terceiros. Diante disso, com o reconhecimento expresso do descumprimento da norma que outorgava a redução da alíquota à zero e ficando claro que o pagamento a que a Recorrente faz referência não tem relação com as contribuições que deixaram de ser pagas na origem, mas se referem àquelas que invariavelmente haveria a Recorrente de arcar na operação subsequente, entendo como improcedente essa alegação. Fl. 1340DF CARF MF 8 A Recorrente ainda argumenta que o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009 trata da responsabilidade pelo pagamento, mas nada afirma a respeito do momento do recolhimento das contribuições, afirmando que, no seu entender, o momento de recolhimento não se dá no ato de transferência, mas quando da prática da venda, o que colocaria a obrigação de recolhimento no 25º (vigésimo quinto dia) do mês subsequente ao faturamento. Contudo, como já exposto, a responsabilidade é pelo pagamento das contribuições que seriam devidas na operação de origem, restando prejudicada a discussão quanto ao momento de pagamento, em razão de sua não ocorrência. Por último, ainda em relação a essa irregularidade, a Recorrente afirma que a decisão recorrida teria decidido, conforme Solução de Consulta que, além de não ter sido devidamente identificada na decisão, não produziria quaisquer efeitos contra o Recorrente. Nesse ponto, devese anuir com a Recorrente, pois, realmente, a decisão recorrida deixa de identificar a Solução de Consulta e o entendimento lá firmado não vincula, de forma alguma, a Recorrente. A Solução de Consulta citada pela decisão recorrida, do mesmo modo que outras manifestações de caráter não vinculante da Administração, servem apenas como uma referência de uma interpretação da legislação, dentre as possíveis. De qualquer modo, a meu ver, a decisão recorrida manteve o lançamento pelas suas próprias razões, sem impor à Recorrente qualquer vinculação à decisão exarada na Solução de Consulta, que serviu apenas como mais um elemento para a exegese empreendida pela DRJ das normas pertinentes ao caso. Quanto à ausência de correta identificação da Solução de Consulta, entendo que tal lapso, no caso concreto, não implicou nulidade, por não ter restado prejudicado o direito de defesa da Recorrente, em linha do que determina o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Ante o exposto, proponho ao Colegiado manter o lançamento nesse ponto, que decorre de operações com redução de alíquota a zero. Das operações sujeitas à tributação monofásica prevista nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.147/2000 – Segunda Irregularidade Nesse tópico da autuação, a Fiscalização segue a linha de raciocínio apontada na primeira irregularidade, de que a Recorrente seria responsável pelas contribuições que deveriam ter sido pagas, pelo afastamento da redução da alíquota à zero, em razão da destinação diversa das mercadorias adquiridas pela Recorrente, mas faz uma ressalva quanto à alíquota a ser considerada em relação a determinadas aquisições, de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitas ao regime monofásico. Nesse sentido, explica que não considerou no lançamento a alíquota ordinária das contribuições, considerando, a depender do caso, a alíquota específica do regime monofásico ou alíquota zero, conforme a seguir: “Pela Lei n° 10.147/00, o Governo Federal instituiu o regime monofásico para, produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, que tornou os importadores e indústrias desses produtos responsáveis pelo recolhimento do PIS e da COFINS incidentes sobre a cadeia de produção e consumo mediante a aplicação de uma alíquota global de 12,50% e reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS para revendedores e varejistas. Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.338 9 Serão aplicadas alíquotas de 2,20% para o PIS e 10,30% para a COFINS sobre as receitas com venda, pelo industrial ou importador, de produtos classificados na TIPI nas posições 33.03 a 33.07 exceto na posição 33.06 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00. (...) Dessa forma, verificase que as operações sobre os produtos de higiene pessoal e cosméticos estão sujeitos ao regime especial de apuração da Contribuição para PIS e da COFINS, com previsão de alíquotas diferenciadas monofásica sobre as indústrias e importadores, ficando reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de produtos tributados com a alíquota diferenciada concentrada, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de indústria ou importadora”. (grifos nossos) Por sua vez, a Recorrente defende que os seus fornecedores seriam pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador e, desse modo, as aquisições de mercadorias sujeitas a monofasia estavam com a alíquota reduzida a zero. A decisão recorrida expõe os contornos do regime monofásico, com a distinção de alíquota específica para os contribuintes importadores e industriais e redução de alíquota zero para os demais, e rejeita o argumento da Recorrente, ao afirmar que: “adquirir mercadoria de um comerciante – seja comerciante importador, seja comerciante encomendante (equiparado a industrial para fins do Imposto sobre Produtos Industrializados, mas ainda assim comerciante) – não é garantia de estar recebendo mercadoria já antes tributada, submetida à incidência monofásica em alguma fase anterior à sua aquisição por pessoa jurídica situada em ALC”. Além disso, a Fiscalização já havia realizado o trabalho de separação entre as operações de venda que estavam sujeitas à alíquota específica do regime monofásico e a alíquota zero, não trazendo a Recorrente provas suficientes de que tal verificação estava equivocada, limitandose a afirmar que “referida questão está devidamente comprovada nos autos, com prova material decorrente da juntada de notas fiscais dos fornecedores, as quais não foram impugnadas pelo Auditor Fiscal quando do procedimento fiscalizatório”. Porém, foi com base justamente nessas notas fiscais que a Fiscalização realizou a reapuração das bases de cálculo das contribuições, não oferecendo a Recorrente elementos de prova para infirmar as conclusões da Fiscalização. Por esses motivos, deve o lançamento ser mantido nessa parte. Da utilização indevida de créditos – Terceira Irregularidade No item 2.4 do Relatório Fiscal, às fls. 885, a Fiscalização indica ter realizado a glosa de determinados créditos da Recorrente, pelos motivos a seguir: “Em conformidade com as diretrizes e a finalidade dessa fiscalização, totalizamos mensalmente as notas fiscais de entrada de acordo com o CNPJ da matriz e das filiais e excluímos aquelas notas da filial localizada na ALCGM cujo fornecedor também está estabelecido nessa região, com o intuito de obtermos os valores das mercadorias que foram ingressadas Fl. 1342DF CARF MF 10 durante o anocalendário 2010 na Área de Livre Comércio de Guajará Mirim, com a redução a zero da alíquota de PIS e COFINS. Elaborada a planilha das mercadorias que entraram na filial de Guajará Mirim, foi solicitado ao contribuinte ora autuado esclarecer os valores lançados em DACON como base de cálculo de crédito de PIS/COFINS, do estabelecimento 04.082.624/001713, filial situada na ALC. A empresa apenas informou que se apropriou do PIS/COFINS, visto a empresa que vendeu para a ALC não fez a devida indicação do benefício na nota fiscal”. A argumentação da Recorrente segue a linha defendida já durante a Fiscalização, no sentido de que teria descontado créditos apenas em relação a notas fiscais que estão sem a indicação de que venda é realizada na forma da Lei nº 10.966/2004, pois, nesses casos, entendeu o Recorrente que a venda fora efetuada seguindo a alíquota normal, em operação diversa do que a praticada com o benefício de alíquota zero, e que teria havido o recolhimento de COFINS na origem. Na decisão recorrida, a glosa de crédito foi mantida, pelos seguintes motivos: “Nesse sentido, a Autuada teria tomado créditos em relação a mercadorias que supostamente lhe teriam sido enviadas, contrariando o que dizia a legislação, com alíquota superior a zero. Ocorre que, o fato de fornecedores contrariarem a legislação, tributando indevidamente produtos que deveriam ser remetidos sob alíquota zero, pode eventualmente implicar em repetição de indébito favorável a tais fornecedores, mas não em crédito do regime não cumulativo para o adquirente. A violação à lei não produz crédito do regime não cumulativo. Depois, quanto à apontada ausência de informação em notafiscal, importa registrar que a Lei 12.350/2010 – que entrou em vigor em 21/12/2010, como visto – determina o uso em notafiscal da expressão “Venda de mercadoria efetuada com alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins”. Entretanto, a ausência de expressão idêntica ou análoga em notafiscal não é apta a infirmar a glosa de créditos pela Autoridade Fiscal, não sendo prova de que a mercadoria foi de algum modo tributada. Se não bastasse isso, findam em novembro de 2010 os créditos indevidamente utilizados apontados em fl. 886 pela Fiscalização, sendo anteriores, desse modo, à exigência de anotação estipulada pela Lei 12.350/2010 – invocada pela Impugnante – que, desse modo, não pode influir na análise do aproveitamento dos créditos tomados pela Autuada”. Como se vê, o raciocínio da decisão é claro. A redução de alíquota a zero prevista no artigo 2º da Lei nº 10.966/2004 seria obrigatória para todas as vendas de mercadorias à ALCGM e a determinação para indicação de que a operação seria acobertada pela redução de alíquota só teria surgido no final de 2010, com a edição da Lei nº 12.350/2010 que, devese lembrar, introduziu também o parágrafo 4º ao artigo 2º, da Lei nº 10.966/2004 (“§ 4o Não se aplica o disposto neste artigo às vendas de mercadorias que tenham como destinatárias pessoas jurídicas atacadistas e varejistas, sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecidas nas Áreas de Livre Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.339 11 Comércio referidas no § 3º”), acabando com a redução à alíquota zero nas operações com destino às Áreas de Livre Comércio e mantendoa apenas nas operações com destino à Zona Franca de Manaus. Com isso, não haveria que se cogitar da possibilidade de tais operações serem praticadas com tributação ordinária ou com redução de alíquota a zero, sendo correta a glosa de crédito, existindo apenas uma possibilidade de direito de restituição do contribuinte remetente, caso tivesse adotado a tributação ordinária. É uma linha de interpretação possível que estaria em harmonia com a inexistência de qualquer regramento na formalização do internamento de mercadorias nas Áreas de Livre Comércio. Se a aplicação de redução de alíquota a zero é obrigatória, para que haveria necessidade de se informar na nota fiscal tal tratamento? Porém, não compartilho dessa compreensão. Nesse ponto, peço vênia para transcrever novamente o dispositivo legal em referência: “Art. 2° Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM”. (grifos nossos) Quando a Lei fala que esse tratamento especial será aplicado nas mercadorias destinadas ao consumo, nela entendido como mercadorias que “tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo”, ou à industrialização, devese reconhecer que parecem estar incluídas nessa destinação a totalidade das destinações possíveis às remessas de mercadorias. Porém, essa não parece ser a melhor leitura do dispositivo, pois se assim fosse, bastaria que o Legislador retirasse a condição vinculada à utilidade da mercadoria e desde logo determinasse que o tratamento especial se aplicaria às “receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus – ZFM”, uma vinculação somente relacionada ao destino geográfico da remessa. E, como se sabe, “não se presumem na lei palavras inúteis”. Além disso, tanto é verdade que a vinculação ao consumo ou a industrialização não abarcam todas as hipóteses de remessas que a Recorrente realizou uma remessa fora dos padrões exigidos pela Lei para a outorga do tratamento especial. Em adição, a decisão recorrida se equivoca ao afirmar que a exigência de identificação nas notas fiscais de que as remessas com redução de alíquota zero somente teria surgido no ordenamento jurídico com a edição da Lei nº 12.350/2010. Muito antes, já havia tal exigência. Primeiro com a Portaria SUFRAMA nº 162/2005. Depois com a Portaria SUFRAMA nº 275/2009, a seguir transcritas: Portaria SUFRAMA nº 162/2005: “Art. 1º Para efeito da formalização do internamento de mercadoria nacional, previsto nos Art. 11 e 12 da Portaria nº 205, de 14 de agosto de 2002, a Nota Fiscal emitida para Zona Franca de Manaus, além das exigências já vigentes, deverá conter a indicação expressa do valor do abatimento referente ao PIS/PASEP e da COFINS incentivado, conforme art. 2º da Lei 10.996, de 15 de dezembro de 2004 e art. 1º. do Decreto nº 5.310, de 15 de dezembro de 2004. Fl. 1344DF CARF MF 12 Parágrafo Único Quando se tratar de nota fiscal destinada a contribuinte que apure o Imposto de Renda com base no lucro presumido, a exigência prevista no caput será opcional e poderá ser dispensada mediante manifestação do destinatário declinando do abatimento previsto”. ***** Portaria SUFRAMA nº 275/2009: “Considerando a Solução de Consulta nº 50, de 2232006, da Superintendência Regional da Receita Federal da 10ª Região Fiscal, que dispensa a necessidade de outro detalhamento que não a simples menção do destino das mercadorias sujeitas à alíquota zero incidente sobre a Contribuição de PIS/PASEP na nota fiscal de venda de mercadoria destinada à Zona Franca de Manaus, RESOLVE: Art. 1º – Revogar a Portaria nº 162, de 662005, que dispõe sobre dados complementares exigidos para ingresso de mercadorias nacionais na área da Zona Franca de Manaus”. Por sua vez, a Solução de Consulta nº 50/2006, da 10ª RF, afirma: “a simples menção do destino das mercadorias sujeitas à alíquota zero, incidente sobre a Contribuição para o PIS/PASEP, é condição suficiente para a pessoa jurídica auferir este benefício fiscal, sem a necessidade de detalhar outros dados no que concerne ao preenchimento de Nota Fiscal de venda de mercadoria destinada à Zona Franca de Manaus”. A leitura de tais atos, em especial, a necessidade de mencionar que as mercadorias estão sendo remetidas com destinação vinculada à alíquota zero para fruição do benefício e a possibilidade de o adquirente manifestar que declina do abatimento previsto, ou seja, que o vendedor deverá considerar em seu preço o recolhimento das contribuições, poderia levar ao entendimento de que, nessas remessas, o tratamento especial é opcional, podendo a remessa ser realizada também pela tributação ordinária, desde que devidamente indicada a opção nas notas fiscais. Até porque, tal indicação é fundamental para o aproveitamento ou não de créditos relacionados às aquisições, assim como para a verificação da correta apuração das contribuições pelo estabelecimento vendedor. Ante o exposto, é possível o entendimento de que a Recorrente faria jus ao direito de crédito em relação àquelas aquisições em que o remetente não fez qualquer indicação que se tratava de operação de venda realizada no âmbito do artigo 2º da Lei nº 10.966/2004 e, portanto, foram submetidas à tributação pelas contribuições. Afirmo em tese porque uma vez firmada essa tese de direito, haveria que se verificar se a mesma encontra amparo na prova dos autos. Impende destacar ainda que esse entendimento teria reflexos positivos à Recorrente também nos lançamentos referentes a primeira e segunda irregularidades, pois, caso confirmado que não foi a totalidade das aquisições da Recorrente realizada sob o regime de redução para alíquota zero, existindo determinadas operações que foram praticadas pela tributação ordinária, não haveria que se falar em atribuição de responsabilidade do artigo 22 da Lei nº 11.945/2009, pela mudança de destinação, seja em relação às operações sujeitas às alíquotas ordinárias, seja em relação às operações realizadas pela alíquota da monofasia, ao se afastar a redução da alíquota a zero. A Recorrente indica na tabela de fls. 1311 as aquisições em que tal situação teria ocorrido, em valores que coincidem com a totalidade do crédito glosado, e que as notas fiscais já teriam sido apresentadas por ocasião da Ação Fiscal, porém, deixa de juntar tais notas Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.340 13 fiscais após o início do contencioso. Não faz sequer um princípio de prova, com a juntada parcial de notas fiscais, relativas a determinado mês ou período, ou laudo pericial confirmando a sua alegação, de modo a suscitar a possibilidade de conversão do julgamento em diligência, a atestar o amparo probatório para a totalidade das operações. Nesse cenário, embora o Relator entenda que a tese de direito levantada pela Recorrente merecesse prosperar, por manifesta carência probatória, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário interposto nessa matéria. É de se registrar que, como a carência probatória consiste em fundamento autônomo para a negativa de provimento do Recurso Voluntário, não foi necessário ao Colegiado ingressar na apreciação da procedência ou não da tese de direito relativa a esse tópico. Multa de Ofício aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) Como relatado, no Auto de Infração foi aplicada a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), com a duplicação do percentual para 150% (cento e cinquenta por cento), com fundamento legal no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996. Essa penalidade foi mantida pela decisão recorrida, que rechaçou os argumentos expostos pelo Recorrente em sua impugnação, ao expor o que se segue: “Quanto à alegação no sentido de que a multa aplicada redunda em enriquecimento sem causa e confisco, cumpre registrar que se o afastamento ou redução da penalidade pecuniária fosse concedido por razões dessa ordem, tal ocorreria à margem da legislação de regência, o que não é possível na órbita do Fisco, uma vez que a atividade administrativa tributária é plenamente vinculada à lei. Já a qualificação da multa não foi expressamente contestada pela Impugnante”. (fls. 12751276) Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente abandona a alegação de que a aplicação da penalidade configuraria enriquecimento ilícito, reitera sua inconstitucionalidade, por ter caráter confiscatório, pugna pela inaplicabilidade da multa, pois não teria cometido nenhuma irregularidade e, agora, de forma expressa, contesta a qualificação da multa, pedindo o afastamento da duplicação da multa, por inexistência de dolo do Recorrente. Segundo o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, "nos casos de lançamento de ofício", será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) "sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento". E foi essa justamente a hipótese em que aplicada a penalidade. No decorrer da ação fiscal, a Fiscalização glosou determinados créditos e incluiu determinadas valores de receitas, por atribuição de responsabilidade ao Recorrente. Como resultado, foi encontrada um diferença no valor das contribuições que deveriam ter sido recolhidas, sendo necessária a realização do lançamento de ofício do respectivo crédito tributário. Fl. 1346DF CARF MF 14 Percebese, com isso, que a situação fática se enquadra perfeitamente na hipótese abstrata para aplicação da penalidade. Já com relação à alegada inconstitucionalidade da penalidade, o Colegiado não tem competência para afastar a aplicação da legislação federal com esse fundamento, devendo a legislação federal ser reputada válida e sendo vedado ao Colegiado fazer juízos acerca de sua constitucionalidade, como determina a Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Por esses motivos, tal como decidido em primeira instância administrativa, a multa de ofício aplicada deve ser mantida, merecendo ainda análise a questão de sua duplicação ou qualificação. Como visto, a decisão recorrida sequer apreciou essa questão, por ter entendido que não teria sido expressamente contestada pelo Recorrente, o que implicaria a preclusão da matéria, nos termos do artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972. Da leitura da parte da Impugnação que contesta a penalidade, fls. 938 e seguintes, verificase que o Recorrente faz uma defesa genérica da aplicação da penalidade, levantando alegações manifestamente improcedentes como a relativa ao enriquecimento ilícito do Estado ao aplicar uma multa expressamente prevista em Lei, portanto, que nunca poderia ser qualificada como ato ilícito, e a relativa à inconstitucionalidade, cuja apreciação é vedada por Súmula deste Tribunal, e deixando de impugnar de maneira mais contundente as questões que importam para a manutenção ou afastamento da penalidade, ainda que parcial, como é a subsunção da conduta descrita com a hipótese legal de aplicação da penalidade, seja no percentual ordinário, seja no percentual duplicado. Essa linha da defesa beira a preclusão decidida em primeiro grau, que não será mantida aqui por dois motivos: (i) a Recorrente chega a defender em Impugnação que a conduta por ela performada não configuraria a infração apontada do Auto, o que deve se entender como a infração que dá ensejo à duplicação da penalidade (fls. 939) e, no Recurso Voluntário, a qualificação da penalidade é combatida de forma expressa; e (ii) as próprias razões adotadas no Relatório Fiscal para aplicar a penalidade são genéricas. Logo, a Recorrente se defendeu de forma genérica de uma acusação que também foi genérica e não desceu no detalhe de qualificar a conduta da Recorrente em uma das hipóteses de qualificação da multa. Ao se examinar o Relatório Fiscal, às fls. 886 dos autos, percebese que a imposição da penalidade, na forma qualificada, é justificada tão somente pelos seguintes dizeres: “O estabelecimento 04.082.624/001713, localizado em GuajaráMirim, Área de Livre Comércio – ALC, que possui benefício tributário da desoneração do PIS e COFINS, de acordo com o SPED FISCAL apenas vendeu para Guajará Mirim R$ 3.141,69, e o total de transferência de mercadorias/material para o estabelecimento fora da Área de Livre Comércio de Guajará Mirim, perfazem o montante de R$ 57.659.695,19. Notase que a empresa já comprava as mercadorias/material pelo estabelecimento 04.082.624/001713, localizado em GuajaráMirim, Área de Livre Comércio – ALC, no intuito de transferir para outros estabelecimentos situados fora da Área de Livre Comércio – ALC, para se aproveitar do beneficio tributário da desoneração do PIS e COFINS”. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.341 15 No fundamento apresentado não há qualquer remissão às condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, de modo a realizar o necessário cotejo entre uma das condutas lá elencadas e a conduta praticada pela Recorrente. Apesar disso, de nada afirmar a Fiscalização nesse sentido, e assumindose que a conduta em questão seja a fraude do artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, que é definida como “tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, não me parece que o não recolhimento das contribuições em razão da mudança da destinação das mercadorias tenha ocorrido em razão de um ato doloso para reduzir o montante das contribuições devidas, mas, pelo que consta nos autos, se deva muito mais a uma mácompreensão ou divergência na interpretação da Legislação, por parte do contribuinte, ora Recorrente. Além disso, devese observar, como vem decidindo a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais “a aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Ausente a prova inequívoca de intenção deliberada da contribuinte de ocultar o fato gerador das contribuições da Autoridade Fiscal, não há de se falar na aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento)” (Acórdão nº 9303004.685; Data da Sessão: 16/02/2017; Relator: Charles Mayer de Castro Souza; Redatora Designada: Vanessa Marini Cecconello). Pelo exposto, proponho ao Colegiado a manutenção da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), afastando a majoração pela duplicação de seu percentual, por carência probatória do enquadramento da conduta da Recorrente em uma das hipóteses legais autorizadoras. Conclusão Ante o exposto, proponho ao Colegiado conhecer do Recurso Voluntário interposto e lhe dar provimento parcial, para afastar a qualificação da multa de ofício aplicada, mantendoa em um percentual de 75% (setenta e cinco por cento). É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 1348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905790/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo.
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 90 /2 00 8- 44 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.905790/200844 Acórdão n.º 3401004.327 S3C4T1 Fl. 179 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das Resoluções que converteram os feitos em diligências, os quais, por economia, reservome o direito de não transcrever. Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para que fosse apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, "...isto porque o contribuinte não compensou a multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, contestando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal, em essência, alegando estar amparada pelo art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), que excluiria a responsabilidade pela denúncia espontânea, quanto à multa de mora. Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, em razão da não compensação da multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.905790/200844 Acórdão n.º 3401004.327 S3C4T1 Fl. 180 3 Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.905790/200844 Acórdão n.º 3401004.327 S3C4T1 Fl. 181 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.905790/200844 Acórdão n.º 3401004.327 S3C4T1 Fl. 182 5 posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.905790/200844 Acórdão n.º 3401004.327 S3C4T1 Fl. 183 6 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721976/2014-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1301-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 19 76 /2 01 4- 95 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.721976/201495 Acórdão n.º 1301002.778 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório ZENGLEIN & CIA LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada para julgar procedente a multa aplicada. Em decorrência de atraso verificado na entrega da DCTF, foi expedida Notificação de Lançamento contra a Interessada, com vistas à cobrança da multa prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004). Cientificada da exigência, a Interessada apresentou impugnação em pleiteando o cancelamento da multa, sob o argumento de que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. Em julgamento, a 15ª Turma da DRJ/RJ1, considerou improcedente a Impugnação e prolatou o acórdão, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos apresentados em sede de impugnação, e atendose aos seguintes pontos principais: Da medida extrema aplicada, com violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; Da desproporcionalidade da multa aplicada; Da redução da multa para R$500,00. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.721976/201495 Acórdão n.º 1301002.778 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.776, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 11065.721975/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.776): A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BDB e intimada ao recolhimento do débito em 12/06/2015, (ciência abertura de documento), e apresentou em 09/07/2015, recurso voluntário e demais documentos. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O presente caso trata de auto de infração e notificação de lançamento de multa por atraso na apresentação de DCTF. A base legal da aplicação desta multa consta do art. 7º da Lei 10.426/02, conforme segue: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Primeiramente, ressaltese que não se discute aqui a entrega em atraso, fato que efetivamente ocorreu. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11065.721976/201495 Acórdão n.º 1301002.778 S1C3T1 Fl. 5 4 A Recorrente argumenta, tãosomente, que a multa aplicada seria desproporcional e não razoável, o que violaria princípios constitucionais. Ora, verifico que a norma legal acima citada e em pleno vigor foi aplicada corretamente. Houve um atraso na entrega de uma declaração, o descumprimento de uma obrigação acessória, que ensejou a aplicação da multa. O cálculo foi realizado nos moldes legais, contandose os meses de atraso e aplicandose o percentual sobre a base de cálculo que é o montante de tributos e contribuições informados na DCTF. Com relação à aplicação da multa mínima, conforme o próprio nome diz é penalidade a ser dada nos casos em que o resultado da conta acima não alcança os R$500,00, ou seja, nesses casos, o contribuinte que entregar em atraso pagará pelo menos R$500,00, não é o caso do recorrente. O mesmo se aplica na outra ponta, ainda que o atraso se dê em mais de 10 meses, a multa máxima a ser aplicada será de 20%, não podendo ultrapassando este montante. No que tange aos argumentos trazidos relativos à ofensa aos princípios constitucionais de proporcionalidade, razoabilidade e outros, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Dessa forma, de se manter o lançamento efetuado. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto CONHECER do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003131/2005-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO DECADENCIAL CTN. CABIMENTO.
Comprovado o não recolhimento, adota-se o prazo previsto no artigo 173, I do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO.
Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento.
JUROS DE MORA. CABIMENTO.
Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso.
Numero da decisão: 3302-005.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 22/12/1999.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO DECADENCIAL CTN. CABIMENTO. Comprovado o não recolhimento, adota-se o prazo previsto no artigo 173, I do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 22/12/1999. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO DECADENCIAL CTN. CABIMENTO. Comprovado o não recolhimento, adotase o prazo previsto no artigo 173, I do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 31 /2 00 5- 90 Fl. 673DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 22/12/1999. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira — CPMF, fls. 195/231, que constituiu o crédito tributário total de R$ 634.894,80, somados o principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/10/2005. No Termo de Verificação de Infração CPMF de fls. 226/230, a autoridade autuante contextualiza da seguinte forma o lançamento: A Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, em seu art.45 (...), determinou os procedimentos a serem adotados pelas instituições responsáveis pela retenção da (..) (CPMF), em relação aos valores que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial posteriormente revogada. Em cumprimento ao disposto no inciso IV do art. 45 da MP em referência, as instituições apresentaram (.) as informações necessárias para o lançamento de ofício (vide fls. 09 a 14) (.). Posteriormente, o contribuinte nos apresentou cópias das medidas judiciais relacionadas ao questionamento da cobrança da CPMF, anexas fls. 45 a 154, bem como documentos e demonstrativos de valores pagos através de DARF's (conforme fls. 155 a 177). Conforme explicitaremos adiante, tais DARF's foram recolhidos pelo contribuinte inscrito no CNPJ sob n° 57.029.431/000106 (estabelecimento matriz). De acordo com os valores apresentados no demonstrativo anexo fls. 163/164, o contribuinte reconhece como procedentes as informações enviadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras (fls. 09 a 14) com relação aos valores da CPMF que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial posteriormente revogada, relativamente ao contribuinte Fl. 674DF CARF MF Processo nº 19515.003131/200590 Acórdão n.º 3302005.211 S3C3T2 Fl. 674 3 objeto da presente ação fiscal (estabelecimento filial inscrito no CNPJ sob n°57.029.431/002141). Entendemos que o cerne do procedimento fiscal realizado reside no fato de que, em consonância com a sistemática de apuração da CPMF, o contribuinte da CPMF é o titular da contacorrente mantida junto à instituição financeira, sendo cada estabelecimento considerado um contribuinte distinto. Desta forma, ainda que se tenha realizado recolhimentos através de DARF's (vide demonstrativo elaborado pelo contribuinte anexo fl. 158), com o código de receita 8536 — CPMF —AÇÃO JUDICIAL (ARTS 45/46 MP203721/00), os recolhimentos foram efetuados pelo estabelecimento Inat..) quando o correto seria que os recolhimentos dos valores devidos da CPMF constantes nas fls. 09 a 14 tivessem sido efetuados pelo estabelecimento filial (.). Assim, constatamos que não houve qualquer recolhimento efetuado pelo contribuinte (...), em relação aos valores de CPMF devidos do período de 07/1999 a 12/2001 que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial posteriormente revogada.(grifei). A autoridade fiscal informa ainda a existência das seguintes ações judiciais: a) Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0296396 que teve a liminar concedida, mas foi julgado improcedente o pedido. A apelação foi recebida apenas no efeito devolutivo, tendo sido interposta medida cautelar n° 2000.03.00.0207145 pleiteando a concessão de efeito suspensivo ao recurso. O pedido foi deferido e posteriormente a cautelar foi julgada prejudicada por perda do objeto diante do Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança. O Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3a Região negou provimento à apelação e, após acolhimento de embargos de declaração, transitou em julgado em 26/08/2002; b) Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0308334 com fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário alusivo aos encargos moratórios de multa e juros equivalentes a taxa SELIC sobre os valores devidos a título da contribuição CPMF no período de 30 de junho de 1999 a 19 de novembro de 2001. Foi concedida liminar em 11/12/2001, estando os autos conclusos para sentença. A União impetrou agravo de instrumento, recebido em 22/03/2002, com despacho/decisão concedendo o efeito suspensivo requerido. Cientificado do lançamento em 21/11/2005, o sujeito passivo apresentou impugnação em 21/12/2005, fls. 234/260, alegando, em síntese: a) da redação do § 3°, do art. 50, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, concluise, sem margem de erro, que a responsabilidade supletiva do contribuinte não poderia ser Fl. 675DF CARF MF 4 simplesmente substituída pela responsabilidade principal das instituições financeiras, devendo qualquer procedimento fiscal, no que se incluem as autuações, voltarse, num primeiro momento, às instituições financeiras, e posteriormente, em caráter supletivo, aos contribuintes, caracterizando a supressão deste procedimento a ilegitimidade passiva do contribuinte e, conseqüentemente, a nulidade da peça impugnatória; b) de acordo com o disposto no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, ocorreu a decadência dos créditos correspondentes aos fatos geradores verificados entre julho de 1999 e 20 de novembro de 2000, dado que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 21/11/2005; c) a exigência de ofício no valor principal de R$ 243.886,65 é improcedente diante dos pagamentos feitos pela contribuinte. Conforme comprovado, por ocasião do procedimento fiscal, parte deste valor, ou seja, R$ 204.295,18, foi recolhido pelo contribuinte aos 28/12/2001, mediante DARF de valor maior, ou seja, R$ 2.243.810,34 (doc 5). Outra parte deste valor, de R$ 39.420,93, foi recolhido através do DARF, de igual valor, aos 31/01/2002 (doc. 6), remanescendo, em relação ao valor total acima mencionado, pequena diferença a pagar, no valor de R$ 170,54. Cumpre salientar que o darf no valor de R$ 2.243.810,34 englobou não só os valores devidos pela filial Divisão CMT, ora autuada (CNPJ 57.029.431/002141 como também • de sua matriz (CNPJ 57.029.431/000106 — R$ 1.899.206,45) e de outra filialDivisão ACTA (CNPJ 57.029.431/000289 — R$ 140.308,41) conforme fazem prova a planilha e DARFs anexos (docs 7/8). Da mesma forma, o darf no valor de R$ 39.420,93, devido pela autuada, foi recolhido pelo CNPJ da matriz (..). Reconhece o agente autuante, tendo constado expressamente do auto de infração (..), que o contribuinte comprovou o recolhimento da exação reclamada, para o CNPJ da filial ora autuada, contudo o fez através dos DARFs que comprovam recolhimentos efetuados de forma unificada pelo estabelecimento matriz (.). Ocorre que referidos esclarecimentos foram desconsiderados pela fiscalização, ao argumento de que estes recolhimentos deveriam ter sido efetuados pelo CNPJ do titular da conta corrente (..). A planilha anexa (doc 9), elaborada com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal, evidencia que a empresa matriz (.) deveria ter recolhido a título de CPMF a importância de R$ 2.169.577,28. Referido demonstrativo e respectivas guias darfs evidenciam que o contribuintematriz recolheu valor superior ao devido, ou seja, R$ 2.183.843,42, tendo este recolhimento sido efetuado da seguinte forma: (i) R$ 1.899.206,45, através do DARF de maior valor (R$ 2.243.810,34 does 5 e 7) e R$ 284.636,97, por meio das DARFs ora anexadas (docs. 10/20). Portanto, se considerarmos que todos os recolhimentos feitos pelo CNPJ da matriz a ela pertencem com exclusividade, teríamos que considerar então que a matriz recolheu a título de CPMF o valor correspondente à somatória dos valores representados pelos DARFs ora anexados (R$ 2.342.672,50doc 5 e R$ 284.636,97 docs 10/20), que totalizam a importância de R$ 2.627.329,50, valor este superior ao devido por referido CNPJ — R$ 2.183.843,42. Ora, se assim fosse (.),teria o contribuinte o Fl. 676DF CARF MF Processo nº 19515.003131/200590 Acórdão n.º 3302005.211 S3C3T2 Fl. 675 5 direito de compensar esse pagamento feito a maior, face ao imaginário débito dos estabelecimentos filiais (.), o que por igual, importaria na extinção do crédito tributário impingido ao contribuinte. Portanto (...), em que pese a acusação fiscal, inexiste fundamento legal que justifique a cobrança em duplicidade da exação validamente recolhida pelo contribuinte, de maneira unificada, pelo CNPJ da matriz (..), quando as próprias guias DARFs fizeram referência à origem das contas correntes que originaram os recolhimentos; d) inexiste, de outro lado, dispositivo legal que obrigue o contribuinte a efetuar os recolhimentos da CPMF por CNPJs distintos, até porque, para fins de CPMF, a pessoa jurídica é uma, não vigorando para este tipo de exação, o princípio da autonomia dos estabelecimentos (..). Contudo (..),optou o contribuinte por promover a retificação dos referidos DARFs, mediante pedidos de REDARFs (docs. 21/26), separando e retificando os recolhimentos efetuados em relação ao CNPJ da matriz para cada filial (..), requerendo a impugnante o acolhimento da presente impugnação para declarar extintos os créditos tributários (..); e) como relatado, a exigibilidade da contribuição estava suspensa no período de 30 de junho de 1999 a 19 de novembro de 2001 por força de Mandado de Segurança e, posteriormente, de medida cautelar Em outra ação obteve a suspensão da exigibilidade dos encargos moratórios de multa e juros sobre os valores que tiveram sua exigibilidade suspensa. Embora referido despacho liminar tenha sido objeto de recurso de agravo de instrumento por parte da União Federal, como alega o sr. Auditor fiscal, cumpre evidenciar que a decisão que suspendeu a liminar deferida ao contribuinte encontrase em vigor, porque em face do despacho que concedeu o efeito suspensivo no TRF, foram apresentados embargos declaratórios interpostos pelo contribuinte (doc. 27), que ainda se encontram pendentes de julgamento, não tendo se aperfeiçoado desta forma a prestação jurisdicional (doc. 28). Assim, houve suspensão da exigibilidade, fazendose indevida a cobrança do principal e dos encargos moratórios. O art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina a lavratura do auto sem multa de ofício nos casos em que for suspensa a exigibilidade do tributo. Dados os provimentos judiciais obtidos em seu favor, não se implementou a mora, pelo que não há que se falar em cobrança de encargos moratórios; f) demais disso, é notório que, no presente caso, verificouse a denúncia espontânea do tributo: o mesmo foi recolhido pelo contribuinte, sem qualquer prévia ação fiscal de cobrança; g) outro aspecto a considerar reside no fato de que, diante do incontestável pagamento dos valores principais, ainda que devida fosse a aplicação de qualquer multa isolada (..), não deveria ela ser mensurada sobre o valor originário da obrigação Fl. 677DF CARF MF 6 tributária principal, que foi devidamente recolhido (..) e sim, apenas, sobre as supostas diferenças correspondentes à multa moratória. O lançamento sobre o total devido representa afronta ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e ao princípio da isonomia; h) os valores devidos a título de CPMF foram informados pelas instituições financeiras e ratificadas pela contribuinte, não exigindo qualquer trabalho de ofício para sua apuração, o que torna descabida qualquer multa de ofício; i) por conta da inexistência da mora, pela suspensão de sua exigibilidade por decisão judicial e pela sua ilegalidade e inconstitucionalidade, é inaplicável de juros moratórios calculados pela Taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001 CPMF. DECADÊNCIA. O prazo decadencial das contribuições destinadas à seguridade social é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. TITULAR DE CONTACORRENTE. O contribuinte da CPMF é o titular de contacorrente bancária, não se cogitando, na espécie, da existência de estabelecimento matriz ou filial. CPMF. PAGAMENTO. BENEFICIÁRIO. RETIFICAÇÃO. O pagamento de tributos e contribuições somente aproveita ao responsável identificado no documento de arrecadação. A retificação de recolhimento somente se efetiva com o atendimento dos requisitos fixados na legislação tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 19515.003131/200590 Acórdão n.º 3302005.211 S3C3T2 Fl. 676 7 Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 30/06/2008, conforme AR de fl. 551, apresenta em 29/07/2008, fl. 4, vol. 3, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde repisa os argumentos já colacionados em sede impugnatória. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Existindo discussão judicial quanto ao mérito, a lide administrativa prendese às seguintes questões. Da decadência Quanto à decadência, de fato é de se reconhecer a mudança jurisprudencial invocada pela recorrente, visto que esta é superveniente à decisão de piso, nesse sentido, ao dispor a Súmula Vinculante STF nº 8, que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, adotase o prazo decadencial e prescricional disposto no Código Tributário Nacional CTN. No caso concreto, tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 21/11/2005, fl.369, inexistindo pagamento, conforme relatado e em se tratando de fatos geradores ocorridos de julho de 1999 a dezembro de 2001, aplicase o disposto no 1artigo 173, I, do CTN, para reconhecer a decadência dos fatos ocorridos até 22/12/1999, fl.346. Quanto à ilegitimidade passiva arguida, importa ressaltar as quanto à responsabilidade tributária, dispostas no artigo 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.(grifei) 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 679DF CARF MF 8 Em consonância com as referidas prescrições, dispôs a Lei n°9.311, de 1996: Art. 5o É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: 1 às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2º; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2o; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2o. § 1º A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2o, valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7o sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2a Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3º Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento.(grifei). Constatase portanto, das disposições do § 3º acima transcrito que o lançamento da CPMF, na falta de retenção desta pela Instituição Financeira pode ser efetuado em nome do contribuinte, visto que a lei atribuilhe a responsabilidade supletiva. Assim, não há que se cogitar de ilegitimidade passiva uma vez que o lançamento foi efetuado conforme as disposições legais pertinentes acima destacadas. No que tange à contribuição devida e a recolhida pela matriz, existem também inconsistências. Nas declarações prestadas pelas instituições financeiras em que o estabelecimento matriz manteve contascorrentes no período, fls. 167/175, o total da contribuição devida alcança R$ 2.100.701,11. Já as informações sobre a contribuição devida e os recolhimentos feitos apresentadas junto com a impugnação, sintetizadas no demonstrativo de fls. 322/323, apontam um débito de R$ 2.169.577,28 e pagamentos da ordem de R$ 2.183.843,42. Não obstante, os DARF que constam do processo somam pagamentos de principal no montante de R$ 2.627.309,69, conforme resumido pela própria contribuinte à fl.158. Da multa de ofício Quanto à alegada espontaneidade e impossibilidade de imposição de multa de ofício, trago os excertos da bem fundamentada decisão de piso, a respeito da matéria: Noutra vertente, apesar de a impugnante arrolar entre uma das evidências da correção de seus argumentos o registro, nos Fl. 680DF CARF MF Processo nº 19515.003131/200590 Acórdão n.º 3302005.211 S3C3T2 Fl. 677 9 documentos de arrecadação, das contascorrentes a que se referem os pagamentos, não há indicação de qual contacorrente seria de titularidade da filial, de forma a permitir a verificação do argumento. Ainda sob esse aspecto, é interessante notar que na inicial da ação judicial que proporcionou a suspensão da exigibilidade do tributo, fls. 45/60, não figuram como impetrantes as filiais, mas apenas a matriz. Da mesma forma, as contas bancárias identificadas como abrangidas pela ação não apresentam discriminação acerca da titularidade. Nesse contexto, o conjunto dos documentos que compõem os autos não permite estabelecer uma relação direta e segura entre os valores devidos pelos contribuintes individuais, discriminados nos informativos em função da titularidade das contascorrentes, e os pagamentos efetuados todos em nome de um só, a matriz. E o acatamento do argumento da impugnação depende dessa relação. Na forma como posta, a matéria a ser tratada é, antes de tudo, uma questão de caráter probatório, pelo que é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de "onus probandi" não significa, propriamente, a obrigação no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose, antes, de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. (...) Como visto, os documentos carreados pela autuada aos autos não conseguiram atingir seu intento de comprovar a extinção do crédito que lhe é exigido de ofício. Com efeito, não existem pagamentos que possam ser atribuídos à autuada na sua qualidade de sujeito passivo da contribuição e a retificação das informações pretendida pela defesa não foi eficazmente implementada. Assim, constatada a falta de recolhimento do tributo devido, correta a constituição de ofício do crédito tributário e a aplicação da multa correspondente, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. O apelo que faz a contribuinte ao art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, é improcedente. Com efeito, a vedação da imposição da multa de ofício nos casos em que o tributo estiver com sua exigibilidade suspensa somente se aplica se esta situação se verificar quando do início da ação fiscal e assim persistir até a lavratura do Auto. No caso, como \ relatado, a ação judicial que discutiu a exigibilidade da CPMF transitou em julgado em 26/08/2002, com resultado desfavorável ao contribuinte e em data anterior ao início da ação fiscal. Sendo assim, o disposto no citado dispositivo não tem o condão de comprometer o Auto de Infração sob exame. Ainda no capítulo da imposição da multa de ofício, a impossibilidade de se estabelecer uma conexão entre os pagamentos e a autuada impede que se considere seu procedimento como espontâneo. Por fim, a natureza do Fl. 681DF CARF MF 10 lançamento de ofício não está relacionada com o tipo ou a extensão do trabalho de auditoria realizado pela autoridade fiscal, mas à constatação por essa mesma autoridade da ocorrência de qualquer uma das situações previstas no art. 149 do Código Tributário Nacional. No caso, a constatação da falta de recolhimento do tributo devido pela autoridade fiscal dá ao lançamento seu caráter de ofício.(grifei). Assim, a falta de pagamento do tributo antes do início do procedimento fiscal sujeita o contribuinte à constituição do crédito de ofício e neste caso, é cabível a multa de ofício nos termos art. 44, 1 , da Lei n° 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Dos juros de mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. Notese que o calículo dos juros de mora, para cada período, estão explicitados nos demonstrativos, integrantes do auto de infração, bem como a respectiva base legal, art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 682DF CARF MF Processo nº 19515.003131/200590 Acórdão n.º 3302005.211 S3C3T2 Fl. 678 11 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)(Vide Lei nº 9.716, de 1998)(grifei). Conforme autorizado pelo referido § 3º os juros de mora deverão ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Quanto à arguição de inconstitucionalidade, é vedado ao julgador administrativo a análise dessa matéria, com matiz constitucional, por força do artigo 62 do RICARF, bem como em face da Súmula CARF nº 2, aplicada no tocante a essa matéria como razão de decidir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, de sorte que uma vez ocorrido o fato gerador, que corresponde à concretização da hipótese legal e faz nascer a obrigação tributária, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, que é a formalização do crédito como requisito prévio e necessário para a cobrança administrativa, ex vi do parágrafo único do art. 142 do C.T.N. Ante o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, PARA RECONHECER A DECADÊNCIA DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ 22/12/1999 E REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 683DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.003636/2006-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/11/2004, 02/12/2004, 07/12/2004, 13/12/2004, 16/12/2004, 17/12/2004, 23/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE.
A falta de motivação do lançamento implica preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa traduzem a necessidade de se dar conhecimento da acusação fiscal em toda a sua plenitude. O vício assim ocorrido tem natureza material, não formal.
Numero da decisão: 9303-006.496
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceu do recurso e que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oleiveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 162 1 161 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10711.003636/200644 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.496 – 3ª Turma Sessão de 14 de março de 2018 Matéria MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/11/2004, 02/12/2004, 07/12/2004, 13/12/2004, 16/12/2004, 17/12/2004, 23/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. A falta de motivação do lançamento implica preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa traduzem a necessidade de se dar conhecimento da acusação fiscal em toda a sua plenitude. O vício assim ocorrido tem natureza material, não formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceu do recurso e que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 36 36 /2 00 6- 44 Fl. 162DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oleiveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 310200.791, de 27/10/2007, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/11/2004, 02/12/2004, 07/12/2004, 13/12/2004, 16/12/2004, 17/12/2004, 23/12/2004 É ilegítimo para figurar no pólo passivo o agente marítimo, que não se confunde com o transportador ou agente de carga, responsáveis pelo cumprimento da obrigação e, se for o caso, responder pela multa de que trata a alínea "e" do inciso VI do artigo 107 do Decretolei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido. Irresignada, a PFN se insurgiu contra: a) a natureza formal do vício na descrição da conduta infratora; e b) a responsabilidade do agente marítimo pela infração. Alega contrariedade a lei e divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 230200.386 e 240100.018 (primeiro tema) e 3802000.570 (segundo tema). O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 122/125. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 132/157). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Segundo o acórdão recorrido, houve vício de motivação no auto de infração, o qual levou a contribuinte a defenderse de um fato que não foi o que motivou o lançamento. Confirase: Não havendo mais nada na descrição dos fatos que possa oferecer melhores esclarecimentos ao administrado, não tenho qualquer dúvida de que restaram mal compreendidas as informações sobre veiculo ou carga que deixaram de ser informadas no prazo determinado, situação modificada na decisão de primeira instância, quando a infração cometida e a legislação correspondente foram adequadamente explicitadas e descritas; contudo, não há como admitir que tal providência seja Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10711.003636/200644 Acórdão n.º 9303006.496 CSRFT3 Fl. 163 3 adotada em outro momento que não o da autuação, quando é dado conhecimento ao administrado sobre a exigência que lhe está sendo imposta e no qual devese, necessariamente, oferecer amplo e inequívoco conhecimento sobre as razões da autuação. (g.n.) Nesse contexto, entendeu o voto vencedor que o vício que maculou o lançamento tinha a natureza material, em dissonância com o vencido, que lhe atribuiu natureza formal, tal como o Acórdão paradigma de nº 230200.386, que, em condições semelhantes, assim se posicionou: “A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n ° 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n° 70.235. Processo Anulado.” (g.n.) Todavia, a despeito de conhecido, entendemos correto o entendimento plasmado no voto vencedor. Afinal, é dever da fiscalização comprovar o ilícito tributário, descrevendo a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinando a matéria tributável, calculando o montante do tributo devido, identificando o sujeito passivo e, sendo caso, propondo a aplicação da penalidade cabível, conforme preconiza o art. 142 do CTN. No caso em exame, conforme debatido no acórdão recorrido, a descrição insuficiente dos fatos não permitiu à contribuinte conhecer a acusação em toda a sua plenitude. Tratase de vício de motivação do lançamento, que, no nosso entender, acarreta a sua nulidade por vício material. Isso porque “A ‘motivação’ está relacionada com a descrição dos pressupostos de fato (“motivo”). O Fisco deve demonstrar (e provar!) que a situação fática enquadrouse perfeitamente no pressuposto de direito (dispositivo legal) que serve de fundamento ao ato administrativo. Em outras palavras, devese demonstrar que houve a subsunção do fato à norma, que o evento do mundo fenomênico, relatado na linguagem competente – fato jurídico, enquadrase na situação na hipótese de incidência tributária (antecedente da norma), dando ensejo ao fato jurídicotributário (consequente da norma)” (Acórdão nº Fl. 164DF CARF MF 4 3202000.633, de 31/01/2013, rel. Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri). Em situações semelhantes, também assim tem entendido este Colegiado Administrativo. Exemplificativamente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/12/2006 a 31/01/2007, 01/03/2007 a 31/03/2007, 01/06/2007 a 30/06/2007, 01/08/2007 a 30/09/2007, 01/12/2007 a 31/12/2007 FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de motivação do lançamento implica preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa traduzem a necessidade de se dar conhecimento da acusação fiscal em toda a sua plenitude. Recurso de ofício negado. (Acórdão nº 3201002.041, de 23/02/2016) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. O lançamento, sendo ato administrativo que afeta direitos ou interesses por excelência, não prescinde de motivo nem, por expressa previsão legal (art. 50 da Lei 9.784/99), de motivação. Se o auto de infração não indica circunstâncias de fato que justificam a glosa da despesa, não pode o lançamento ser completado posteriormente, eis que teria nascido sem um dos seus elementos essenciais. (Acórdão nº 1401002.027, de 15/08/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10711.003636/200644 Acórdão n.º 9303006.496 CSRFT3 Fl. 164 5 tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9303 005.459, de 26/07/2017) A apontada segunda divergência – a responsabilidade do agente marítimo pela infração – é de apreciação absolutamente desnecessária, frente ao entendimento, aqui adotado, de que a nulidade que viciou o ato administrativo do lançamento tem natureza substancial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 166DF CARF MF 6 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Em que pesem a clareza e a objetividade do voto do Sr. Conselheiro Relator, com todas as vênias, dele discordo, por não compartilhar de suas premissas. Assim, apresento, a seguir, meu entendimento sobre o caso. Com efeito, tratase aqui de lançamento de multa regulamentar (fl. 5) no período de 25/11/2004 a 13/12/2004, por "NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR". Especificamente, é afirmado que o "Agente de carga deixou de prestar informação sobre veículo ou carga transportada. ou sobre operações que executou, na forma e prazo estabelecidos pela SRF". Como enquadramento legal, são referidos os seguintes dispositivos normativos: Art. 15, 30 e 40 do Decreto 4.543/02; Art. 41 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 28 de 27 de abril de 1994; Artigos 37 parágrafo único e 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. O sujeito passivo, demonstrando entendimento da infração, impugnou o lançamento, alegando ter entregue os documentos, conforme a seguir reproduzido: Wilson Sons Agência Marítima Ltda, situada à Av. Rio Branco nr. 25 20º andar, centro, Rio de Janeiro, vem através de seu representante, em resposta a Intimação 256/2006, auto de infração 124/06,IMPUGNAR o auto de infração em epigrafe, tendo em vista que os manifestos foram entregues. (grifos na transcrição) Em sede de impugnação, o sujeito passivo alegou que: registrou no Siscomex todos os embarques, em até 07 dias; entregou cópias dos manifestos à Receita Federal, antes de intimação; e não havia garantia de protocolo assinado na data da entrega do documento. A decisão de primeira instância, em voto de apenas duas laudas, inicialmente confirmou a infração lançada e esclareceu o que segue. (a) Com base na descrição da infração e na legislação referenciada como base legal, especificamente o citado art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, teria efetivamente ocorrido falta de informação, pela empresa de transporte ou pelo agente de carga, sobre o veículo ou carga nele transportada, no prazo determinado normativamente. (b) A informação exigida consistiria especificamente de: (a) uma cópia do Manifesto de Carga e (b) uma via não negociável de cada um dos respectivos Conhecimentos de Carga, bem como o respectivo prazo para sua entrega seria 72 horas da saída do País do veículo transportador. Tudo isso nos termos do também citado art. 41 da Instrução Normativa SRF n° 28/94. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10711.003636/200644 Acórdão n.º 9303006.496 CSRFT3 Fl. 165 7 Reparase aqui que não houve qualquer inovação na acusação, por parte da decisão de primeira instância. Em seguida, essa decisão de primeira instância afastou as alegações da impugnação, pelos seguintes motivos: a aposição de informações no Siscomex não se confunde com a obrigação de entregar, no prazo e forma determinados, a cópia do manifesto de carga e respectivos conhecimentos de transporte; não há prova de que as provas acostadas aos autos teriam sido protocolados em data posterior à sua efetiva entrega. Pois bem, cientificado da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, inovando quanto ao alegado na impugnação e afirmando que a infração teria sido tão somente a falta de registro de dados, no SISCOMEX, relativos a embarque dos despachos de exportação por ela realizados. A decisão de segunda instância, por sua vez, deu provimento ao Recurso Voluntário, por dois fundamentos: (a) considerando que o sujeito passivo havia entendido que a infração seria outra, qual seja, a falta de registro de informações no SISCOMEX, visualizou defeito na descrição dos fatos, que induzindo o sujeito passivo a erro, caracterizaria vício material no lançamento; e (b) considerando que o agente marítimo não se confunde com o transportador ou agente de carga, identificou erro na eleição do sujeito passivo. Nessa situação, caberia à Fazenda Nacional comprovar dissídio jurisprudencial. Ora, para tal, seria necessário trazer aos autos cumulativamente: I uma decisão paradigmática em que, para um lançamento equivalente (ou seja, da mesma infração e com descrição semelhante), um outro colegiado tivesse (a) considerado o lançamento válido ou (b) considerando o vício de natureza formal; e II uma decisão paradigmática em que, para a mesma infração, um outro colegiado tivesse considerado o agente marítimo como sujeito passivo. Ocorre que não foi esse o caso dos autos. Com efeito, com relação à natureza do vício, a Fazenda Nacional, trouxe, como decisões paradigmáticas, dois acórdãos que não guardam qualquer semelhança com o recorrido, vejamos: (a) o acórdão 2302000386 discute os elementos necessários à descrição da infração por falta de retenção de contribuições previdenciárias, no percentual 11% do valor de serviço prestado, no caso de caracterização de cessão de mão de obra, vislumbrando, naquele caso, vício formal; e (b) o acórdão 240100018 também discute os elementos necessários à descrição da infração por falta de retenção de contribuições previdenciárias, no percentual 11% Fl. 168DF CARF MF 8 do valor de serviço prestado, no caso de caracterização de cessão de mão de obra, vislumbrando, naquele caso, vício formal. Reparase facilmente que não há como se afirmar que quaisquer dos colegiados paradigmáticos decidiriam o caso do acórdão recorrido de forma diferente, pois a situação fática era diferente, as infrações eram diversas e os requisitos de sua descrição também. Esse é o entendimento pacífico da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica da leitura do acórdão 9202005.364, cuja ementa e dispositivo encontram se a seguir reproduzidos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Para fins de esclarecimento, cumpre reproduzir alguns excertos do voto condutor: No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pela declaração de vício formal. Assim, tratandose de discussão acerca da natureza de vício verificado em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, tratase da NFLD nº 37.008.1234, por meio da qual se exige contribuições previdenciárias parte da empresa, empregados, destinadas ao financiamento do GILRAT e as destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. Consta do relatório fiscal que o lançamento foi efetuado por meio da aferição indireta da base de cálculo das contribuições, conforme a seguinte justificativa (fls. 61): ... Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10711.003636/200644 Acórdão n.º 9303006.496 CSRFT3 Fl. 166 9 De plano, constatase a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto, já que esse paradigma trata de descrição imprecisa dos fatos, por falta de motivação, o que não ocorreu no caso do recorrido. Com efeito, repitase que, neste, os fatos foram precisamente descritos, bem como foi fornecida a respectiva capitulação legal, sendo que o vício apontado foi que a justificativa para a autuação falta de apresentação dos livros diários não se aplicava ao autuado, que não estava obrigado a escriturálos. Pelos motivos, acima não conheço do recurso quanto a essa matéria. Consequentemente, não conheço do recurso quanto a ambas as matérias por não aproveitar ao recorrente o conhecimento e eventual provimento apenas da segunda matéria. Vencido quanto ao conhecimento, divirjo do relator também quanto ao mérito. No caso, sequer haveria vício no lançamento, posto que o sujeito passivo, em sua impugnação aparentemente entendeu a infração. Contudo, se vício há, certamente seria de natureza formal. Tanto é assim que a decisão de primeira instância esclareceu o lançamento, apenas apresentando o conteúdo da legislação citada no auto de infração e confirmando a resumida descrição da infração. Ora, isso é forma maneira pela qual algo é apresentado. O vício material, no entender deste conselheiro, se confunde com a insubsistência do lançamento. De uma forma muito simples, há vício material (ou seja, há lançamento improcedente) quando (a) não houve acusação nenhuma ou (b) não ocorreu a situação objeto da acusação. Como nenhuma dessas duas possibilidades ocorreu no caso em questão, o vício é de natureza formal. Por fim, quanto à sujeição passiva do agente marítimo, adoto as razões do acórdão paradigma 3802000.570, para reconhecer a sujeição passiva e afastar o entendimento de erro na eleição do sujeito passivo, nos termos a seguir: a recorrente manifesta que a questão da obrigatoriedade de representação do transportador não implicaria a responsabilidade ao agente de navegação, mas sim ao transportador, conforme reza o §2º do art. 37 da IN 28, de 1994. Manifesta assim a recorrente a questão da ilegitimidade passiva. No entanto, vêse que, tal questão foi clarificada pela IN 800, de 2007, que dispôs que o termo “representante” do transportador quando se refere a infração pela não observância do registro em tempo hábil, conforme determina a norma a que se refere – bem como a própria norma – qual seja, §2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 800 faz referência a obrigatoriedade da representação do transportador pelo agente de navegação. Bem como, ainda que fosse apenas a representante, no Pais, do transportador estrangeiro, também seria responsabilizada solidariamente pelo imposto devido por força do inciso II do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei n.°37, de 1966, com redação dada pela Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001. Da mesma forma, a responsabilidade de quem representa o transportador, desincumbindose do cumprimento das obrigações acessórias que lhe são próprias, é expressa nos termos do inciso I do art. 95 do mesmo diploma legal, já que Fl. 170DF CARF MF 10 respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e reformar a decisão recorrida, para restabelecer o lançamento em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 171DF CARF MF
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