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Numero do processo: 19515.000577/2011-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 77 /2 01 1- 19 Fl. 444DF CARF MF Processo nº 19515.000577/201119 Acórdão n.º 9202006.804 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 445DF CARF MF Processo nº 19515.000577/201119 Acórdão n.º 9202006.804 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 446DF CARF MF Processo nº 19515.000577/201119 Acórdão n.º 9202006.804 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 447DF CARF MF Processo nº 19515.000577/201119 Acórdão n.º 9202006.804 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 448DF CARF MF Processo nº 19515.000577/201119 Acórdão n.º 9202006.804 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 449DF CARF MF Processo nº 19515.000577/201119 Acórdão n.º 9202006.804 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 450DF CARF MF Processo nº 19515.000577/201119 Acórdão n.º 9202006.804 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 451DF CARF MF Processo nº 19515.000577/201119 Acórdão n.º 9202006.804 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 452DF CARF MF
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Numero do processo: 11853.000029/2006-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OPÇÃO VEDADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PROFISSIONAL DE ENGENHEIRO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ou seja, prestação de serviço profissional de engenheiro, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades de serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de informática.
Numero da decisão: 1003-000.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OPÇÃO VEDADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PROFISSIONAL DE ENGENHEIRO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ou seja, prestação de serviço profissional de engenheiro, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades de serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de informática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 00 29 /2 00 6- 71 Fl. 916DF CARF MF Processo nº 11853.000029/200671 Acórdão n.º 1003000.075 S1C0T3 Fl. 96 2 A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo ADE DRF/BSA/DF nº 29, de 06.03.2006, fls. 18 e 20, com efeitos a partir de 01.02.2005, motivada na realização de operações relativas a locação de mão de obra (inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996) e ainda com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: A Delegada da Receita Federal em BrasíliaDF, no uso das competências que lhe conferem o art. 250 do Regimento InteRNo da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, considerando o art. 15, § 3°, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, incluído pelo art. 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, e o art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, declara: Art. 1° A exclusão da pessoa jurídica Assistec Informática Ltda, CNPJ 02.489.087/000138, do Simples, uma vez que presta serviços de assistência técnica de aparelhos eletroeletrônicos em geral, conforme o contrato social, atividade essa abrangida pelas vedações para a opção pelo mencionado sistema, pois são típicas 'de H engenheiro ou técnico em eletricidade/eletrônica, de acordo com o art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996, c/c o art. 27, alíneas “d” e “f", da Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1966, e os arts. 1°, 9°, 23 e 24 da Resolução n° 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, e o art. 20, inciso XII, da IN SRF n° 608, de 2006, consoante o Processo Administrativo Fiscal n° 11853.000029/200671. Art. 2° A exclusão surtirá efeito a partir de 01/02/2005, conforme o disposto no art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317, de 1996, e no art. 24, inciso II, da IN SRF n° 608, de 2006. Art. 3° A fim de assegurar o contraditório e a ampla defesa, é facultado à pessoa jurídica, por meio de seu representante legal ou procurador, dentro do prazo de trinta dias contados da data da publicação deste Ato no Diário Oficial da União, manifestar por escrito sua inconformidade com relação à exclusão, nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, de acordo com o art. 15, § 3°, da Lei n° 9.317, de 1996, incluído pelo art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998, e o art. 23, parágrafo único, da IN SRF n° 608, de 2006 Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BSB/DF nº 0328.483, de 11.12.2008, fls. 6771: OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do. contribuinte .sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que O contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico científico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede O ingresso ou a permanência no Simples. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 11853.000029/200671 Acórdão n.º 1003000.075 S1C0T3 Fl. 97 3 Solicitação Indeferida Notificada em 21.01.2009, fl. 74, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16.02.2009, fls. 7680, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: A Autoridade Tributária, através do Ato Declaratório Executivo n° 20, publicado no DOU de 08/03/2006, excluiu a empresa da sistemática do simples, retroativamente a 01/01/2005, em razão do exercício de atividade vedada. [...] Lei n° 10. 964/2004. [...] Verificase, nos incisos IV e V que as atividades de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório, de informática e aparelhos eletrodomésticos, apesar de constituir atividades de engenheiro e técnico em eletrônica deixaram de ser motivo impeditivo à opção pelo simples. A permissão para opção já estava em vigor em janeiro de 2005, data na qual a mesma foi exercida. Mesmo assim a Autoridade Tributária considerou que manutenção e reparação de aparelho eletrodoméstico não é atividade vedada mas para aparelho eletroeletrônico a vedação existe. No que tange à motivação da exclusão acrescenta que: O fundamento apresentado para a decisão fora o contrato social da empresa. Quanto ao nosso questionamento, na manifestação de inconformidade apresentada, sobre o significado do termo eletroeletrônico, a indagação se um aparelho eletrodoméstico, um computador ou uma impressora também não seriam eletroeletrônicos a DRJ/BSA permaneceu silente. Entendemos de capital importância este ponto já que a terminologia utilizada no objeto da empresa é que serviu para não permitir sua opção ao simples. Naquela oportunidade indagamos se um fomo de microondas, sabidamente um eletrodoméstico também não é um aparelho eletroeletrônico. Sendo assim aproveitamos para trazer a baila a definição destes termos, que não são encontrados nos dicionários da língua pátria. Tratase de neologismo técnico, próprio da área industrial. Para tanto nos socorremos da definição feita pelo engenheiro Fabian Yaksic, agindo em nome da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica ABINEE que é órgão associativo da classe industrial: " Produto elétrico: todo equipamento que para seu funcionamento necessita de energia elétrica. Produto eletrônico: todo equipamento elétrico que emprega componentes semicondutores. Produto eletroeletrônico: denominação genérica abreviada para designar produto elétrico e produto eletrônico nos termos definidos acima. Aparelho eletrodoméstico: aparelho eletroeletrônico projetado/fabricado para uso doméstico." [...] Em suma: Fl. 918DF CARF MF Processo nº 11853.000029/200671 Acórdão n.º 1003000.075 S1C0T3 Fl. 98 4 Houve interpretação literal da norma tributária para os temos eletrodoméstico e eletroeletrônico para considerar que são distintos e, a partir desta interpretação, penalizar a empresa retroativamente, excluindoa do simples. Em nenhum momento qualquer definição ou significado para os termos foi trazida pelas Autoridades Tributárias, mesmo assim, esta ausência não foi suficiente para evitar a penalização do contribuinte. A convicção na qual as decisões tiveram fundamento partiram tão somente da interpretação literal dos termos, sem qualquer preocupação com seu significado, gêneros, espécies e sinônimos. A prova material baseouse em tão somente previsão de exercício de atividade existente no contrato social. Nenhuma diligência foi realizada em nenhum momento, o que poderia ter solucionado a lide anteriormente, evitandose o presente recurso e fazendo prevalecer um direito que entendemos estar assegurado pela legislação, qual seja o de optar e permanecer no simples, atendidas obviamente as outras condições legais além da atividade exercida. Concernente ao critério jurídico expõe que: As razões preliminares já são, por si só, suficientes para provimento do recurso, eis que a norma nova, LC 123/2006 deve ser aplicada retroativamente para impedir a exclusão do simples da recorrente além do fato desta decisão ter sido tomada como base em interpretação de temos da atividade meramente prevista no contrato social, não efetivamente comprovada. [...] Em razão da manifestação da 4ª Turma da DRJ/BSA, no sentido de que a força jurídica probante do exercício de atividade vedada prevista no contrato social da recorrente pode ser afastada pela apresentação das notas fiscais seqüenciais emitidas no exercício de 2005, o fazemos neste momento, anexando a este recurso todas as notas fiscais emitidas pela empresa no período de 01/01/2005 (data da opção pelo simples) até 30/06/2007 (fim da vigência da Lei 9.317/1996). A empresa atendia todos os requisitos para opção pelo simples, a luz da legislação vigente desde 01/01/2005, tendo seu direito assegurado especialmente pela Lei 9.317/1996, com as alterações introduzidas pelas Leis 10.964/2004 e 11.051/2004 e ainda as Leis Complementares 123/2006 e 128/2008. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Ato Declaratório ora recorrido e a decisão proferida na manifestação de inconformidade pertinente, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de ter assegurada sua opção pelo simples desde 01/01/2005. É o Relatório. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 11853.000029/200671 Acórdão n.º 1003000.075 S1C0T3 Fl. 99 5 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade1. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que preste serviço profissional de engenheiro ou de arquiteto ou de agrônomo, cujas atribuições consistem em planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial ou agroindustrial. Todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à engenharia ou à arquitetura ou à agronomia fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), que define para os efeitos legais os responsáveis técnicos pelo empreendimento e é efetuada pelo profissional ou pela empresa no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 11853.000029/200671 Acórdão n.º 1003000.075 S1C0T3 Fl. 100 6 O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de engenheiro, conforme inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grifos acrescentados) A termo “assemelhados” não pode ser entendido como uma lacuna legal a possibilitar a adoção da analogia. Neste caso tem cabimento a interpretação extensiva, já que a lei estabelece um rol exemplificativo2. Por seu turno, a Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2001, determina: Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II – serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores;(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III – serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V – serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não 2 Fundamentação legal: art. 96 e art. 108 do Código Tributário Nacional. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 11853.000029/200671 Acórdão n.º 1003000.075 S1C0T3 Fl. 101 7 se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3o Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2o deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal – SRF promoverá a reinclusão de ofício dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) A emissão do ato de exclusão fundamentado na prestação de serviço profissional, pressupõe a obtenção de receita proveniente de atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica3. No que se refere aos argumentos referentes ao Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional previsto na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, temse que não se aplicam ao objeto do presente processo que trata especificamente sobre o Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples previsto na Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. No presente caso, tem cabimento analisar o conjunto probatório produzidos nos autos para fins de dar efetividade ao princípio da persuasão racional, previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, nos limites do litígio configurado, qual seja, exclusão do Simples motivada pela prestação de serviço profissional de engenheiro. Consta no Contrato Social, fls. 0710 que a" sociedade terá como objeto comercial o de assistência técnica em micro informática e aparelhos eletroeletrônicos em geral." 3 Fundamentação legal: art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Classificação Brasileira de Ocupações, aprovada pela Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego nº 397 de 9 de outubro de 2002. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 11853.000029/200671 Acórdão n.º 1003000.075 S1C0T3 Fl. 102 8 A obtenção de receita bruta provém das prestações de serviços discriminadas nas Notas Fiscais emitidas a partir de 2005 juntadas pela Recorrente conforme consta nos Anexos I a V: [...] serviços de recondicionamento de peças e partes de equipamento de informática; reparo na fonte; estabilizador; monitor; recarga de cartucho; serviço de reparo em monitor; limpeza de DVD; subst. das baterias; reparo do circuito de carga; reparo do circuito horizontal; serviço de manutenção em nobreak; manutenção de equipamento em garantia; remanufaturar cartucho; serviço de assistência técnica; reparo na placa lógica, reparo no circuito de recarga; serviço de reparo em micro; limpeza, lubrificação e ajuste; serviço de limpeza geral; limpeza, lubrificação e ajuste na impressora; estabilizador; limpeza de impressora; lubrificação e ajuste em impressora; [...] Restou evidenciado que a Recorrente exerce, de fato, as atividades excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, pois dedicase a prestação de serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de informática. A justificativa arguida na peça recursal, por essa razão, pode ser comprovada. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 923DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914277/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 77 /2 01 2- 21 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.914277/201221 Acórdão n.º 3201003.907 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.432, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.914277/201221 Acórdão n.º 3201003.907 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914277/201221 Acórdão n.º 3201003.907 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914277/201221 Acórdão n.º 3201003.907 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000045/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação da COFINS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
"Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação.
No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
Numero da decisão: 3401-005.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da COFINS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COFINS NÃOCUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da COFINS nãocumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 45 /2 01 0- 96 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 2 exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento dos créditos de valores referentes a itens não considerados como insumos pela fiscalização, de despesas de arrendamento mercantil e de encargos de depreciação. Além das glosas de créditos citadas, a autoridade fiscal também procedeu ao recálculo do rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Sustenta que, na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos, motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexos. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 4 Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário à preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário à utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Nonnativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa juridica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 5 Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. Já em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo, o mesmo e' contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo”. Bens do ativo imobilizado A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Conforme consta no anexo IV do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtiva, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras ƒrigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é que são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito. Rateio Proporcional Por fim, em relação ao rateio proporcional dos custos comuns entre as receitas de mercado interno e externo a contribuinte assim se manifesta: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 6 Tendo em vista que a contribuinte efetuou o cálculo de acordo com o preenchimento da Dacon, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, e tendo em vista essa manifestação, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com as orientações de preenchimento da DACON e de acordo com a legislação. Por unanimidade de votos, a DRJ/FNS, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Acórdão nº 0727.608. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, mas também que não transferiu para o julgador o ônus da prova. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.018, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.000006/201099, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.018): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/05/2012, interpondo seu voluntário em 11/06/2012, portanto, dele tomo conhecimento. O presente contencioso cingese no reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativas, no ramo da agroindústria (atividade principal de cultivo de maçã), decorrentes dos chamados insumos (embalagens; aquisições de serviços de transportes; aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes; material de construção; limpeza de desinfecção; partes e peças de automóvel; fretes); despesas com arrendamento mercantil; encargos com a depreciação com recursos florestais; encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado e rateio proporcional de despesas. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 7 Consta da Intimação SAORT, na qual se requereu a apresentação de arquivos digitais de notas fiscais dos Livros Registros de Entradas e Saídas; folhas do Livro de Apuração do IPI e/ou do ICMS; relação de notas fiscais; relação de despesas com armazenamento e frete; memória de cálculo dos dados informados no DACON; relatório das notas fiscais de aquisição de insumos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não alcançadas pela incidência do PIS/COFINS; fluxograma detalhado do processo produtivo da Recorrente; memória de cálculo dos rateios; relação dos maiores fornecedores limitados a 20 que correspondessem a 80% do crédito pleiteado; relação das unidades (matriz e filiais); relação das exportações diretas e vendas à comercial exportadora; memorandos de exportação e arquivos digitais. Após, sobreveio a Intimação SAORT, a fim de que a Recorrente apresentasse cópias das notas fiscais de aquisição de bens/serviços utilizados como insumos, referentes ao 2° trimestre de 2006. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal TVEF: a) apresentou a documentação requerida nas Intimações acima; b) tem direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, vez que é produtora de maçã, nos termos do inciso III, artigo 28 da Lei 10.865/2004, beneficiandose dos saldos credores apurados para fins de ressarcimento ou compensação; c) o aproveitamento de créditos de bens e serviços utilizados como insumos deve seguir os termos da IN 404/2004, sendo efetuadas conferências físicas por amostragem de notas fiscais de entrada, de acordo com critérios definidos pelo Auditor Fiscal da RFB, onde foram levados em conta o valor das notas fiscais, os fornecedores. a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Também foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados desta Secretaria, elaboradas planilhas para se verificar o correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP's) nas respectivas linhas do Dacon e realizadas conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, com o objetivo de detectar possíveis erros e/ou omissões; c.1) foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários: I) inclusão de bens e serviços que não encontram enquadramento no inciso II, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, tratandose, na verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 8 E listou os itens glosados que não se enquadram como insumos: a) Material para embalamento e etiquetas: tampa de exportação branca linda fruta 20 kg, tampa festiva mark colada, tampa papelão, fundo exportação 20 kg, fundo papelão, lâmina de plástico com bolha, traypack (bandeja azul para acondicionar as maçãs), cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra (para impressão nas etiquetas), entre outros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que os materiais como cola e fita adesiva são utilizados na montagem das caixas. As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 116, 118, 120, 127 a 130, e 133 do processo fiscal n° 10925.000021/2010 37ExportaçãoCOFINS). Nessa diligência do dia 22/07/2010, confirmouse que as tampas e os fundos das caixas são realmente feitos de papelão ondulado. E verificouse que essas caixas, o plástico bolha e o traypack têm o objetivo principal de proteger as maças durante seu transporte. b) Material para montagem de embalagem de transporte (bins): grampo, tábua pinus, ripa de madeira de pinus e prego. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificou se que bins são grandes caixas de madeira utilizados para transportar maçãs a granel, geralmente com pallet integrado, para facilitar o carregamento dessas caixas por empilhadeiras; c) Material de preparação para transporte da mercadoria: cantoneira eucatex e de eucalipto, cola branca, saco plástico para cantoneira, flta polyester e selo de aço para fita polyester; d) Produtos para movimentação de cargas pallet, carga de gás P5, gás a granel GLP. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e) Material de Construção: tinta Óleo, verniz, secante, diluente, thinner, telha, solvente, cimento etc; f) Limpeza e desinfecção: Formol. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o formol é utilizado para desinfecção dos locais de armazenagem; g) Partes e peças de automóveis: pneu e câmara de ar; h) Combustíveis: gasolina comum e Óleo díesel; i) Outros itens: saco plástico. Disse que somente são enquadrados como insumos, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, e/ou serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ressalvando ainda: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 9 Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os “bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que as embalagens apresentadas como tampa e fundo de caixas, lâmina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra, entre outras são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 quilos de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características supracitadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Ripas e tábuas de pinus, pregos, cantoneiras, fitas de polyester, entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referente aos fretes de materiais Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 10 diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 122, 123 e 124 do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS naocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II do processo fiscal n° 10925.000021/201037 Exportação~COFINS) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. II) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil os contratos juntados, na essência, são contratos de financiamento. Ao invés de arrendar (alugar), na verdade, a empresa está comprando os equipamentos, dizendo: Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados. Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. III) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a Recorrente creditouse de encargos de recursos florestais, porém os ativos como “implantação de maçã", “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 Ha etc.) e "pomar" (Gala e macieira) estão sujeitos aos encargos de exaustão. Além disso, os bens do ativo imobilizado não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs e mencionou: Seguem alguns bens glosados: colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, pinus reflorestamento, refeitório, retífica motor, revisão caixa/câmbio e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. IV) o contribuinte efetuou o rateio entre mercado interno não tributado e mercado externo (receitas de exportação) com base nos créditos do DACON. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 11 Como se vê, a questão de prova é bastante debatida, e aliás, não poderia ser diferente. Assim, impende destacar do corpo do voto da relatora da DRJ/FNS: 1. Considerações iniciais ônus da prova: (...), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 2. Hipóteses legais de direito a crédito no âmbito do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS Tece considerações sobre a previsão legal atinente ao direito ao crédito no regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), IN/SRF 247/2002 (artigo 66) e 404/2004 (artigo 8°), asseverando: Vêse, então, que só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviço ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Já em relação aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, a legislação igualmente condiciona o direito à utilização do bem na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Em se tratando de serviço de frete, que não consista de insumo, a previsão legal expressa de direito a crédito é em relação àquele serviço vinculado a uma operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Portanto, não é procedente a alegação da contribuinte de que a legislação utilizada pelo auditor fiscal, como fundamento das glosas procedidas, não traz as restrições ao direito ao crédito por ele apontadas. Vêse contradição entre o TVEF e o voto/acórdão da DRJ/FNS e este consigo mesmo, por quê? Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 12 Em primeiro, o TVEF diz que a Recorrente entregou/comprovou todos os documentos que o SAORT lhe requereu. O TVEF negou direito ao crédito, dizendo, em síntese, que o que a Recorrente pleiteava não era permitido pela legislação, mas não por falta de prova. Em segundo, de um lado, o voto/acórdão diz que a Recorrente se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos. Por outro, adentra no mérito dos aproveitamentos. Percebese que houve um intenso trabalho da Delegacia de origem, coleta de prova e sua análise, chegandose na vírgula sobre o direito ao crédito, aliás, também o fez a DRJ/FNS. Deste modo, entendese suficiente a dilação probatória, tendo a Recorrente atendido as intimações da unidade de origem na busca pela origem dos crédito. Vencida esta etapa, adentrase no mérito, principiandose pelas 3 (três) correntes formadas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos, para depois, quais seriam os insumos no caso concreto e seus demais creditamento objeto da glosa. Dos insumos para fins de aproveitamento de crédito do PIS/COFINS À mão de se dar mais objetividade ao julgamento partese diretamente às 3 (três) correntes surgidas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos para fins de tomada de crédito do PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 13 critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 14 destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303 003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 15 "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). E mais recentemente, o Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 (cinco) votos a 3 (três), prevalecendo assim, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência, o que se adota por este Relator, cuja ementa se transcreve: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 16 DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 17 contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. Da análise das glosas Insumos. Embalagens A análise fiscal entendeu como insumos somente as embalagens destinadas ao transporte dos produtos. Já a Recorrente defendeu que as embalagens utilizadas para proteger os produtos (maçãs), e além disso, para efeitos promocionais da marca, elevando suas despesas, não havendo restrições da legislação neste particular, tampouco, pela normatização, a qual entende que material de embalagem é insumo (artigo 66, I, b, § 5°, I, a, da IN 247/2002), além do processo de consulta 45/2003, da SRRF 2ª Região Fiscal. Acerca do assunto, já se pronunciou este CARF, por meio do acórdão 3402004.880, o qual, por unânime de votos, decidiu por meio da ementa abaixo transcrita: INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 18 final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste E. Tribunal também se manifestou sobre assunto correlato, por intermédio do acórdão 9303006.068, à maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, de acordo com a seguinte ementa: PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Deste modo, deve ser reconhecido o direito creditório referente aos materiais de embalamento (nos termos da alínea "a", do item 2.2.1 do TVEF); materiais para montagem de embalagem de transporte (bins), de acordo com a alínea "b", do item 2.2.1 do TVEF; materiais de preparação para transporte da mercadoria, conforme Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 19 alínea "c", do item 2.2.1 do TVEF; produtos para movimentação de cargas, referente alínea "d", do item 2.2.1 do TVEF, e por conseguinte, revertendose as glosas relativas a estes itens, únicos impugnados/recorridos pela Recorrente. Insumos. Serviços de transporte Entendeu o agente fiscal que apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, não aceitando os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Sobre o tema, decidiu o acórdão 3402004.931, por maioria de votos, reconhecer o direito creditório referente às despesas de frete. Vejase a ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 20 relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Neste sentido, seguindose a ordem da glosa e da defesa, ratificase o voto quanto ao tópico precedente, devendo ser integralmente revertidas a glosa referente aos itens 2.2.1., alíneas "b", "c" e "d" do TVEF. Registrese que os serviços descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito ficam mantidos na glosa feita pela autoridade fiscal. Insumos. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Temse que a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes, a teor do artigo 3°, II da Lei 10.833/2003, tornase possível a tomada de créditos, sendo o tema, objeto de manifestação deste E. Tribunal, por meio do acórdão 3201003.455, o qual, à maioria de votos, decidiu: (...) EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS (sic) E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. (...). Diante disso, deve ser revertida a glosa em relação a combustíveis e lubrificantes, reconhecendose o crédito (no caso Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 21 de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A previsão de aproveitamento de crédito referente a valores de contraprestações de arrendamento mercantil está no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03. A jurisprudência desta Corte (Ac. 3301002.411, voto de qualidade), entende cabível a tomada de crédito a este título: (...) CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. Admitese o creditamento das despesas comprovadas de arrendamento mercantil, por disposição expressa da lei. Por outro lado, resta saber se os contratos de arrendamento juntados pela Recorrente, realmente assim se revelam. Entendeu o voto vencedor da DRJ que se trata de uma operação de arrendamento mercantil em tudo e por tudo equiparada a uma operação de compra e venda, sendo mantida a glosa em questão. Neste sentido já decidiu este Tribunal: (...) DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. (Ac. 1302 001.587, v. u.). O voto do aludido precedente elucida a questão: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 22 Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 23 objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 24 Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Por tais razões, mantémse a glosa integralmente. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado O agente fiscal subtraiu tais créditos por entender que não fazem parte do maquinário do processo produtivo da Recorrente (linha 7/9, da ficha 7 da DACON). De modo diverso, entende a Recorrente, vez que carretão com rolete, transporta maçãs; registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas) são indispensáveis à formação da venda, de acordo com o artigo 3°, VI e VII, §§ 1° e 14 (1/48), da Lei 10.833/03. Também foram glosadas as depreciações os pomares (macieiras), entendendose que não sofrem depreciação, mas sim exaustão (linha 10 da ficha 16A do DACON ativos como "implantação de maçã", "maçã Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 Ha e 7.04 Ha e "pomar" Gala e macieira. A DRJ reconheceu a depreciação dos pomares, não havendo interesse de agir por parte da Recorrente neste particular, razão bastante para manter a decisão da DRJ. A Recorrente defende que pomares não são florestas, e por tal razão não estão submetidas à exaustão, e ainda, que o Decreto 3.000/99, em seu artigo 334, remete à exaustão à hipótese de extração de árvore, o que não acontece na cultura da maçã, exceto ao término da vida útil de sua árvore, quando é erradicada. Diz que a depreciação se caracteriza pelo uso do bem, no caso, a macieira é usada para produção da maçã. Já a exaustão se caracteriza pela extração da árvore no caso de florestas , o que não ocorre com as macieiras. Sobre o aproveitamento de encargos de depreciação, citase o Ac. 3301002.411, o qual, por meio de voto de qualidade, assim decidiu: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 25 (...) CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. Razão assiste à Recorrente, mas no tocante ao que esta trouxe no seu recurso, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura, vez que ligados diretamente ao processo produtivo. Receitas de vendas rateio proporcional A contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon. O inciso II do § 8° do artigo 3.”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, trata da apropriação proporcional dos custos, despesas e encargos no cálculo dos créditos associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, para fins de cálculo de créditos de COFINS, passíveis de desconto, compensação ou ressarcimento: Art. 3.". [...] § 8°. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos. despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. auferidos em cada mês.(g.n.) Com acerto, o voto da relatora da DRJ/FNS (efl. 188): Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 26 Como se percebe, o rateio proporcional previsto no dispositivo legal destinase ao cálculo dos percentuais de créditos vinculados a custos, despesas e encargos "comuns", a serem associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, classificadas de acordo com seu tratamento tributário. Deste modo, em se tratando de custos, despesas e encargos comuns ou seja, para os quais não existe, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita , há que se utilizar o rateio proporcional para fins de apurar quais os percentuais dos créditos devem ser associados às receitas submetidas ao regime não cumulativo, no caso, qual percentual deve estar associado: às receitas tributadas no mercado interno, às não tributadas no mercado interno e às receitas de exportação. Ou seja, a proporção adotada na apropriação dos custos, despesas e encargos comuns na apuração dos créditos vinculados a cada uma das operações da empresa (ficha 06A e 16A) deve seguir a mesma relação percentual existente entre a receita decorrente de cad uma dessas operações e a receita bruta total sujeita à incidência nãocumulativa, auferidas em cada mês (ficha 07A). Pelo exposto, mantémse integralmente a glosa neste particular. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 27 (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.720035/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.384
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para esclarecimentos técnicos, vencidos os conselheiros Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes e Cássio Schappo que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para esclarecimentos técnicos, vencidos os conselheiros Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes e Cássio Schappo que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo. Tratase de auto de infração referente ao IPI, atinente as saídas de lonas plásticas (material termoplástico reciclado) no período de 2012 e 2013, por hipotético erro na classificação fiscal, entendendo a fiscalização que a classificação correta é no NCM 3920.10.90, sob a alíquota de 15%, ao invés da classificação feita pela Recorrente, NCM 3920.20.19, sob a alíquota de 0%. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 76 .7 20 03 5/ 20 16 -6 1 Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.105 2 A Recorrente apresentou impugnação (efl. 872 e ss.). À efl. 982 sobreveio decisão unânime da DRJ/JFA, julgando improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido, por meio da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 PERÍCIA TÉCNICA. DESNECESSIDADE. É de se indeferir o pedido de perícia quando contemplam os autos todos os elementos de prova necessários para a formação da convicção das Autoridades Julgadoras. Desnecessidade com fulcro no artigo 18 do Decreto 70.235/72. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EXTARIFÁRIO INDEVIDAMENTE UTILIZADO. As lonas plásticas para uso geral comprovadamente produzidas a partir do emprego de polietileno de baixa densidadePEBD devem ser classificadas na posição 3920.10, mostrandose descabida classificação 3920.20 e notadamente a utilização do extarifário Ex 01, atrelado à posição 3920.20.19. PENALIZAÇÃO POR FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO NA NOTA FISCAL. MULTA APLICADA. LEGITIMIDADE. Constatada a falta de destaque do IPI na nota fiscal de saída, é de se aplicar a multa prevista no artigo 80 da Lei nº 4.502/64. A multa será com cobertura ou sem cobertura a depender do volume de créditos escriturais considerados legítimos pela Autoridade Fiscal. A Recorrente foi cientificada em 21/03/2017 (AR, efl. 1.010) e interpôs recurso voluntário em 20/04/2017 (efl. 1.011), invocando: 1. Preliminar do indeferimento da prova pericial laudo técnico se torna imprescindível, pois não é possível a mera análise dos documentos fiscais de entrada de mercadoria, como fez crer o relator. 2. Nos autos do processo 10976000023/201021, envolvendo o mesmo assunto e mesmas partes, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, objetivando a identificação da matéria empregada nas lonas plásticas, por meio de laudo técnico a partir das amostras coletadas no estabelecimento da Recorrente. 3. Nulidade do lançamento por ausência de laudo técnico contemporâneo ao período fiscalizado tendo em vista que a matéria prima utilizada é essencialmente material reciclado, sua composição é de difícil definição, variando de uma amostra para outra, portanto, a prova produzida posteriormente ao período fiscalizado é imprestável. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.106 3 4. Imprecisão do laudo pericial em relação à composição das lonas plásticas o laudo pericial concluiu que a matéria prima básica utilizada na fabricação das lonas é o polietileno reciclado, porém, em nenhum momento explicitou o que se entende por polietileno reciclado. Não explica que tipo de análise química foi feita. Diz que a Recorrente não faz reciclagem, apenas utilizase de material reciclados. No processo 10976000023/201021, foi produzido um laudo pericial, pela Recorrente, em situação idêntica, evidenciando que a matéria prima utilizada é material reciclado (polietileno reciclado que corresponde a aparas de polietileno, polipropileno, PVC, PET e demais plásticos/polímeros, em percentuais variados, oriundos do lixo e de resíduos), impossível se determinar um único elemento. 5. Nulidade por vício do construção do lançamento. A fiscalização, após análise das notas fiscais de entrada e de saída, concluiu que a matéria prima dos produtos fabricados em 2012 e 2013 – lonas plásticas – é polietileno, de forma que deveria ter sido adotada pela Recorrente o NCM 3920.10.99, cuja alíquota é de 15%, e em seguida, procedeu a fiscalização à apuração dos valores de IPI e, em seguida, à Reconstituição da Escrita Fiscal, considerando a existência de saldos credores no Livro de Registro de Apuração do IPI. Diz à efl. 1.031 que Fiscalização na planilha “multa de IPI não lançado com cobertura de crédito”, fl.10, aplicou a multa isolada no período de 31/05/2013 a 31/12/2013, período objeto de lançamento de crédito tributário de IPI e, ainda utilizouse como base de cálculo da multa valores distintos dos saldos credores de IPI daqueles períodos informado na planilha de “reconstituição de escritura”, fls. 19 e 20. E cola a planilha feita pela fiscalização: Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.107 4 Diz que os cálculos apresentados para fins de apuração da multa a ser exigida isoladamente, não condizem com as legendas expostas e sequer com dados constantes dos demais demonstrativos do auto de infração, tornando incompreensível o real objeto da autuação fiscal. 6. No mérito, diz que a Recorrente possui precedente favorável nos autos do processo 13603.00.01081/200611, em caso idêntico. 7. Houve equívoco do perito na escolha do método para definição da composição das lonas plásticas. A autuação fiscal teve por sustentáculo o laudo pericial produzido nos autos do processo administrativo fiscal nº 10976.000023/201021, utilizado como prova emprestada nesses autos. Este laudo, de 27/11/2014, utilizou por metodologia básica a Espectrometria de Absorção no Infravermelho/ATR – Ref ASTM D2621 e D2702, tendo como referência comparativa a obra FDM ATR/Polymers. Defende que este teste não é útil para a diferenciação e quantificação de polímeros. Fez testes relatados às fls. 1.044/1.045, enfatizando que o método adotado não foi capaz de distinguir o polipropileno do polietileno. 8. Há equívoco da autoridade fiscal na classificação fiscal. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.108 5 Fontes da matériaprima são diversas: lixo industrial, sacolas plásticas, embalagens de alimentos, lixos domésticos. O termo "polietileno" constante nas notas fiscais de entrada, apenas é utilizado de forma usual no mercado para designar todo o um conjunto de material plástico reciclado. 9. Os produtos fabricados pela Recorrente não possuem na TIPI na posição 39.20 uma NCM que se amolda perfeitamente, por tanto, a classificação do produto deve ser feita na posição que mais se assemelha, que então seria a NCM 39.15.90.00, cuja alíquota do IPI é 0%, como foi praticado, logo, não há outro destino ao combatido auto de infração senão o cancelamento. 10. Que a multa de 75%, foi baseada na parte final do artigo 80 da Lei 4.502/64 (falta de recolhimento do imposto lançado), e a multa isolada, fundamentada na parte inicial do mesmo dispositivo (falta de lançamento do imposto). Entende que lançou/destacou o imposto, à alíquota zero. 11. Impossibilidade de cumular multa isolada e multa de ofício. 12. A multa de 75% é confiscatória e deve ser reduzida para 20%. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, logo, dele, tomo conhecimento. O cerne do litígio versa em torno da classificação fiscal, atribuída pela Recorrente, e aquela pela fiscalização. A Recorrente entende que seu produto está classificado no código NCM 3920.20.19, Ex 01 Substrato de polipropileno biaxialmente orientado, recoberto em ambas as faces da folha por camadas de tinta opacificante que propiciam receber as impressões ofsete seco, calcográfica, tipográfica e vernizes de proteção com cura ultravioleta que possui alíquota 0, e que seriam os polímeros de propileno; já a fiscalização entende que o certo seria o código NCM 3920.10.90, que seriam os polímeros de etileno, com alíquota no percentual de 15%. A divergência, portanto, ocorre entre o tipo de polímero, se de propileno ou de etileno. A Recorrente afirma que o seu material é composto de aparas de polietileno, polipropileno, PVC, PET e demais plásticos, sendo que a utilização do polietileno (polímero de etileno) virgem é ínfima. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.109 6 Cita decisão do acórdão 320100.264 em caso similar, onde obteve julgamento procedente por unanimidade no CARF, e diz que não pode prevalecer a decisão da DRJ/Juiz de Fora. Afirma que para a elaboração do seu produto lona plástica de material reciclado , tem como matériaprima fontes diversas: lixo industrial, sacolas plásticas, embalagens de alimentos, lixos domésticos, ou seja, uma diversidade de lixo plástico. Diz que ante tanta diversidade, existe material de toda a origem como polietileno de alta, baixa e média densidade, linear, industrial, polipropileno, poliestireno e outros polímeros flexíveis, chamados de resinas termoplásticas, não sendo possível depois de reciclado, a identificação desta mistura. De modo diverso, entende a fiscalização que o produto se trata de polímero de etileno. O caso dos autos se amolda exatamente com o dos autos 10976.000023/2010 21. No referido processo houve laudo técnico, o qual se utilizou da metodologia Espectrometria de absorção no "Infravermelho/ATRRef ASTM D e D2702, tendo como referência comparativa a obra FDM ATR/Polymers". Sobre este laudo técnico, a Recorrente apresentou manifestação contra o trabalho e a referida metodologia, vez que (a) testes realizados por amostragem, a partir da coleta de materiais reciclados em um único dia; (b) a perícia foi realizada em período superior a data dos fatos geradores, o que seria suficiente para afastar as conclusões periciais, considerando a diferença de material colido em épocas totalmente distantes; (c) não é teste útil para diferenciação e quantificação de polímeros, ou seja, não se presta para dirimir as questões controvertidas sobre a real composição do produto, corroborado por testes laboratoriais por empresa contratada pela RFB (Solutech Análises Químicas) e do Prof. Dr. Hélio Wiebeck, titular da USP. Ainda nestes autos 10976.000023/201021, em 26/02/2018, por meio da Resolução 3302000.679, decidiuse, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para emissão de parecer técnico, a fim de avaliar qual a metodologia mais indicada para aferir a correta composição do produto fabricado pela Recorrente. No estágio em que se encontra o processo, especialmente suas provas técnicas, temse que não está maduro para o julgamento, vez que a formação da composição do produto fabricado pela Recorrente é algo não resolvido, e mais, ao sentir deste relator, determinado para o deslinde do caso, sendo prudente e razoável adotar o que fora tomado na Resolução 3302000.679. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja feita a nomeação de um profissional, escolhido à critério da unidade de origem, para emissão de Parecer Técnico com a finalidade de informar qual metodologia é a mais indicada para auferir a correta composição do produto fabricado pela Recorrente. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.110 7 Antes, porém, intimese as partes para, querendo, apresentar quesitos à serem respondidos pelo profissional que será nomeado para elaboração do Parecer Técnico. André Henrique Lemos Relator Fl. 1118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940310/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 31 0/ 20 11 -9 7 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940310/201197 Resolução nº 3301000.673 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940310/201197 Resolução nº 3301000.673 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940310/201197 Resolução nº 3301000.673 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905750/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 50 /2 00 8- 01 Fl. 586DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000452 (fls. 155/157), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10980.905750/200801 Acórdão n.º 3402005.370 S3C4T2 Fl. 587 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 588DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 141 a 148. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 1.921,88 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10980.905750/200801 Acórdão n.º 3402005.370 S3C4T2 Fl. 588 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 1.921,88, nos exatos termos do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 590DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13732.000679/2008-80
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
DEPENDENTES. DEDUÇÃO.
Poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte os que se enquadrarem nas hipóteses previstas no art. 77, §1º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, desde que comprovada esta condição através de documentação hábil e idônea.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Não merece prevalecer a omissão de rendimentos apurada no lançamento quando os documentos trazidos aos autos corroborarem os valores informados na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte.
Numero da decisão: 2001-000.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento e a conselheira Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. DEPENDENTES. DEDUÇÃO. Poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte os que se enquadrarem nas hipóteses previstas no art. 77, §1º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, desde que comprovada esta condição através de documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. Não merece prevalecer a omissão de rendimentos apurada no lançamento quando os documentos trazidos aos autos corroborarem os valores informados na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento e a conselheira Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 2. 00 06 79 /2 00 8- 80 Fl. 138DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento (fls.12 a 19), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 49.022,09 , por falta de comprovação de pagamento, bem como dedução supostamente indevida de dependentes no valor de R$ 3.816,00, dedução indevida de despesas com instrução no valor de R$ 3.996,00 e omissão de rendimentos do trabalho recebidos do INSS no valor de R$ 3.255,00. Gerou, desta forma, um crédito tributário de imposto de renda suplementar, mais juros e multa de oficio de R$38.442,59. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação, juntando diversos documentos para evidenciar as despesas deduzidas e alega, em síntese, que as despesas médicas informadas em sua declaração ocorreram de fato, insurgese contra a omissão de rendimentos apurada alegando que os valores consignados em sua declaração são os mesmos constantes do comprovante de rendimentos emitido pelo INSS, conforme cópia anexada à defesa, sustenta que todas as despesas com instrução elencadas em sua Declaração de Ajuste estão explicitamente demonstradas junto com os documentos comprobatórios acostados. Quanto aos dependentes, afirma que todos podem ser verificados como seus filhos através das certidões de nascimento juntadas aos autos. Acrescenta que tinham menos de 24 anos e estavam cursando nível superior, não cabendo, assim, nenhum questionamento por parte da Receita Federal do Brasil. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas, exceto as despesas referentes ao profissional José Carlos Leonardo Pereira, pois os recibos apresentados (fls. 49/54) preenchem todos os requisitos legais previstos na legislação de regência e confirmam o pagamento de R$ 12.550,00 informado na declaração em exame, devendo ser restabelecida. Desconsidera a dedução com dependentes por entender que não atendem os requisitos legais, exceto a dedução em relação ao menor Arthur. Em relação às despesas com instrução, entende a Delegacia por manter o lançamento também por não estar em consonância com o quanto estabelecido na legislação vigente. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse as glosas efetuadas pela autoridade fiscal posto que entende ter dado provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas deduzidas. Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. Repisa os mesmos argumentos ventilados na impugnação acerca da dedutibilidade das despesas pleiteadas. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13732.000679/200880 Acórdão n.º 2001000.193 S2C0T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Mérito Dedução com dependentes e instrução No que se refere à dedução de dependentes, merece trazer a baila o art. 77 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Vejamos: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Fl. 140DF CARF MF 4 § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º).(...) Salientese, analisando o caso concreto, que no ano calendário 2004 o limite anual previsto no dispositivo acima transcrito era de R$ 1.272,00 por dependente, nos termos da Lei 10.451/2002. No caso em tela, a glosa foi efetuada por entender a autoridade fiscal que o contribuinte não comprovou a relação de dependência de Érika N. de Azevedo, Leandro N. de Azevedo e Artur N. de Azevedo, informados como seus filhos na Declaração de Ajuste Anual objeto do lançamento (fls. 68). Ocorre que através do exame das Certidões de Nascimento que acompanham a defesa (fls.64/66), verificase que Érika, Leandro e Artur são, de fato, filhos do impugnante. Apesar do fato de Leandro e Érika possuírem 24 e 23 anos, respectivamente, em 2004, entendo que foi devidamente comprovado que ambos cursavam estabelecimento de ensino superior e escola técnica de segundo grau, exatamente nos termos do art. 77, § 2º, do RIR/99 acima reproduzido pois apresentou os boletos emitidos em nome de Leandro pelo Curso Pro–R Ltda (fls. 35/42) e boletos emitidos em nome de Érika pela Sociedade Universitária Gama Filho (fls. 43/44). Entendo que tais documentos são perfeitamente hábeis para a finalidade pretendida. Assim, concluo por manter a dedução dos 3 dependentes, Érika, Leandro e Artur. No que concerne à dedução de despesas com instrução, aplicase o disposto no art. 81 do RIR/99: Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré escolar,de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). § 1º O limite previsto neste artigo corresponderá ao valor de um mil e setecentos reais, multiplicado pelo número de pessoas com quem foram efetivamente realizadas as despesas, vedada a Mérito Glosa de despesas médicas ,.transferência do excesso individual para outra pessoa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b").(...) Cumpre salientar que no ano calendário 2004 o limite anual previsto no dispositivo acima transcrito era de R$ 1.998,00, nos termos da Lei 10.451/2002. No caso concreto, verificase que os pagamentos declarados pelo impugnante foram efetuados ao Curso ProR Ltda e à Sociedade Universitária Gama Filho em nome de seus filhos Leandro N. de Azevedo e Érika N. de Azevedo, considerados por esta julgadora como dependentes e passíveis de dedução nos limites legais. Isso posto, entendo por considerar como devida e de dedutível a despesa com instrução de R$ 3.996,00. Mérito Glosa de despesas médicas Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13732.000679/200880 Acórdão n.º 2001000.193 S2C0T1 Fl. 4 5 Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do çuimposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação xndo cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos aos tratamentos de odontologia e fisioterapia, com determinados elementos faltantes, como, por exemplo, detalhamento do beneficiário e endereço do prestador. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, exceto em relação ao profissional José Carlos Leonardo Pereira, , nos seguintes termos: “[...] A autoridade fiscal procedeu à glosa de todas as despesas médicas declaradas pelo contribuinte por este não ter apresentado os respectivos comprovantes. Quanto ao profissional José Carlos Leonardo Pereira, verificase que os recibos apresentados (fls. 49/54) preenchem todos os requisitos legais previstos na legislação de regência e confirmam o pagamento de R$ 12.550,00 informado na declaração em Fl. 142DF CARF MF 6 exame, devendo ser restabelecida, portanto, a dedução correspondente. Por outro lado, não podem ser considerados hábeis para fins de dedução os recibos emitidos por Marcele Resende (fls. 46/48), Sheila Ribeiro (fls. 55/58), Paulo Guaraná (fls. 59), Jackeline Rangel (fls. 60), Thaise Cunha (fls. 61/63) e pela Clínica de Cirurgia Crânio Maxilo Facial (fls. 45), uma vez que não possuem o endereço dos profissionais/estabelecimentos. É importante salientar que a dedução de despesas médicas é uma faculdade oferecida ao contribuinte e só pode ser utilizada se forem atendidos os requisitos previstos na legislação pertinente. Notese que o art. 80, §1º, III, do RIR/99 exige a comprovação dos pagamentos efetuados através de documento com a indicação do nome, endereço e CPF de quem os recebeu ou, na falta deste, através de cheque nominativo pelo qual o pagamento foi efetuado. Cumpre ressaltar, por fim, que o impugnante não juntou aos autos qualquer comprovante do pagamento de R$ 8.272,00 declarado para a Unimed Norte, devendo ser mantida, por conseguinte, a glosa dessa despesa. Vale lembrar que as alegações desprovidas de prova não podem ser acatadas por esta instância julgadora em respeito ao princípio da verdade material. O ônus de comprovar o que alega é do próprio sujeito passivo, nos termos do art. 36 da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que os recibos emitidos pelos prestadores dos serviços não foram suficientes para comprovar as despesas.. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13732.000679/200880 Acórdão n.º 2001000.193 S2C0T1 Fl. 5 7 análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação do lançamento no sentido de que os documentos não foram suficientes, entendo que deve ser mantida a glosa das despesas médicas, exceto aquela acatada pela autoridade julgadora, qual seja a que se refere ao profissional José Carlos Leonardo Pereira, cujos recibos apresentados (fls. 49/54) preenchem todos os requisitos legais previstos na legislação de regência e confirmam o pagamento de R$ 12.550,00 informado na declaração em exame, devendo ser restabelecida, portanto, a dedução correspondente.. Sendo assim, em resumo, as despesas com dependentes e com instrução devem ser considerados como dedutíveis, as despesas médicas permanecem glosadas conforme entendimento da autoridade julgadora, exceto a acima mencionada, e no que se refere a suposta omissão de rendimento, já foi devidamente esclarecida pela DRJ este ponto da lide, ou seja no que tange aos rendimentos recebidos do INSS, verificase que os valores informados pelo notificado (fls. 67) estão em consonância com o Comprovante de Rendimentos Pagos emitido pela fonte pagadora (fls. 29), não merecendo prosperar a omissão de rendimentos apurada pela autoridade fiscal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas com dependente, com instrução e parte das médicas próprias glosadas, conforme acima detalhado. Fl. 144DF CARF MF 8 Fernanda Melo Leal Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas mantidas em seu voto. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13732.000679/200880 Acórdão n.º 2001000.193 S2C0T1 Fl. 6 9 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721277/2011-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
ABONO DE ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA EM FÉRIAS.
O abono de assiduidade, pagos na incidência das férias, tem caráter indenizatório.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço.
Numero da decisão: 2002-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores pagos a título de abono de assiduidade, incidente nas férias, no mais mantendo a r. decisão revisanda.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 ABONO DE ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA EM FÉRIAS. O abono de assiduidade, pagos na incidência das férias, tem caráter indenizatório. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço.
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INCIDÊNCIA EM FÉRIAS. O abono de assiduidade, pagos na incidência das férias, tem caráter indenizatório. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores pagos a título de abono de assiduidade, incidente nas férias, no mais mantendo a r. decisão revisanda. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 12 77 /2 01 1- 33 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10855.721277/201133 Acórdão n.º 2002000.248 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.149/167) contra decisão de primeira instância (fls.123/133), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 108/114), referente ao exercício 2007, ano calendário 2006. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar 9.046,29 (Sujeito à Multa de Ofício) Multa de Ofício (passível de redução) 6.784,71 Juros de Mora (calculado até 29/04/2011) 3.765,06 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de 0,00 Mora) Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros e Mora (calculado até 29/04/2011) 0,00 Total do Crédito Tributário 19.596,06 O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos do Trabalho com/sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho com/sem vínculo empregatício, relativos ao exercício 2007, anocalendário 2006. Valor total: R$ 4.920,57 Fonte Pagadora: Schimar Propaganda e Publicidade Ltda. (CNPJ: 01.026.909/000181). Valor: R$ 405,69. IRRF: 0,00. Fonte Pagadora: Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste S/A (CNPJ: 01 do 01.278.018/000112). Valor: R$ 1.999,44. IRRF: 0,00 Fonte Pagadora: Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste (CNPJ: 04.430.717/000124). Valor: R$ 407,92. IRRF: 0,00 Fonte Pagadora: Companhia de Bebidas Primo rimo Schincariol (CNPJ: 02.864.417/000128). Valor: R$ 780,09. IRRF: 0,00 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10855.721277/201133 Acórdão n.º 2002000.248 S2C0T2 Fl. 4 3 Fonte Pagadora: G E F Concentrados da Amazonia Ltda (CNPJ: 04.984.442/000170). Valor: R$ 394,48. IRRF: 0,00 Fonte Pagadora: Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig S/A (CNPJ: 50.221.019/000136). Valor: R$ 932,95. IRRF: 0,00 Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007. Valor: R$ 27.975,00. Motivo da glosa: Não restou comprovado o efetivo pagamento aos profissionais Noeli Lobo Costa Marcolino, Anselmo Jose Escodoro Amstalden, Marisa Viviane Rodrigues e Solange de Fatima Sonsin Navarro Xavier da Silveira A ciência do lançamento ocorreu em 12/04/2011 (fls. 115) e, em 10/05/2011, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 62/84, acompanhada de documentos, alegando que os rendimentos considerados omitidos não estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Ressalta que o valor de R$ 4.920,578 corresponde ao montante recebido no ano de 2006 a titulo de abono de férias e do adicional de 1/3 sobre o abono de férias. Entende que o abono assiduidade pago sobre o abono de férias e sobre o abono de férias 1/3 tem a mesma natureza que os referidos abonos. Afirma que os valores pagos decorrentes das férias não usufruídas e seus receptivos acréscimos tem natureza indenizatória, não se encaixando na base de cálculo do imposto de renda, assim definida no art. 43 do CTN. Transcreve artigo e decisões do STj sobre o tema, bem como sumula do STJ nº 125. Cita ato interpretativo publicado pela Receita Federal (nº 05/2005) sobre a revisão do credito tributário relativo ao imposto sobre a renda incidente sobre os valores em pecúnia pagos a titulo de férias não gozadas por necessidade de serviço , bem como a Instrução Normativa RFB 936/2009. Quanto à glosa de despesas médica, transcreve o art. 8, inciso II, aliena a, da lei 9250/1995, afirmando que tem direito de deduzir da base de calculo do IRPF os valores correspondentes ao pagamento das despesas médicas. Transcreve doutrina sobre o tema. Discorre que a própria Lei nº 9.250 dispõe sobre os elementos de prova exigíveis do contribuinte para constituir o fato jurídico da despesa médica. Entende que enquanto o art. 73 do RIR estabelece a obrigação de prova, o inciso III, do § 2 do art. 8 da Lei 9.250/96 estabelece o meio de fazer a prova. Alega que apresentou a Autoridade Fiscal os elementos exigidos pela legislação (Comprovante indicando nome, endereço e CPF dos beneficiários dos pagamento) para dedução das despesa médica. Afira que a Autoridade Fiscal não cumpriu com o ônus da prova que lhe cabe, uma vez que tendo apresando documentos que atendem aos requisitos exigidos pela legislação a Autoridade fiscal deveria apresentar algum elemento de prova apto a afastar o valor da prova produzida pelo contribuinte. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10855.721277/201133 Acórdão n.º 2002000.248 S2C0T2 Fl. 5 4 Entende que, constituído regularmente o fato jurídico das despesas médica com estrita observação do art. 8 da lei 9.250/96, a sua desconstituição compete a Autoridade Fiscal incumbindolhe ônus da prova do fato desconstitutivo. Cita decisão do, à época Conselho de Contribuinte. Aduz que não há qualquer mínimo elemento de prova trazido aos autos que ponha em dúvida idoneidade dos comprovantes apresentados pelo impugnante. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado e que seja intimado em seu endereço. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. NÃOINCIDÊNCIA. Os valores recebidos a título de abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT e respectivo adicional de um terço previsto no art. 7º, inciso XVII, da Constituição de 1988, correspondente à parcela das férias convertidas em pecúnia, não estão sujeitos à incidência de imposto de renda. RENDIMENTO BRUTO. TRIBUTAÇÃO. Todos os rendimentos, abstraindose sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não englobados no rol das isenções de que tratam os incisos que compõem o art. 6º, da Lei n.º 7.713/88 c/c com o art. 39 do RIR/99. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. Na fase do contencioso administrativo, as intimações são feitas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10855.721277/201133 Acórdão n.º 2002000.248 S2C0T2 Fl. 6 5 Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 23/04/2014 (fl.138); Recurso Voluntário protocolado em 22/05/2014 (fl.148), assinado por procurador legalmente constituído (fls.142/143 e fls.168/169). Diz o recorrente que: "Como é de conhecimento, os prêmios pagos mensalmente, configuram habitualidade, motivo pelo qual refletem nas férias, conforme entendimento do TST", diz o referido acórdão: "A gratificação de assiduidade paga mensalmente de modo habitual, pela incorrência de ausências ao serviço tem natureza salarial, e assim integra a remuneração do trabalhador..." (grifo nosso) Reconhece a r. decisão primeira, que "portanto devese afastar também a tributação sobre os valores recebidos a título de abonoassiduidade". Porém diz a r. decisão que no presente caso o contribuinte não traz aos autos provas de que os valores recebidos sobre a rubrica prêmios referemse a abono assiduidade pagos sobre o abono férias e o respectivo adicional, também não comprovando estarem os valores elencados entre as exclusões dos incisos que compõem o art. 6º da Lei 7713/88 c/c com o art. 39 do Decreto 3000/99. Entende este relator, que assiste razão ao recorrente, eis que os documentos juntados aos autos às fls.178/286, provam que o recorrente recebia o prêmio praticamente todos os meses, e que as verbas denominadas prêmio s/abono de férias e prêmio s/abono de férias 1/3, se referem à incorporação de prêmio assiduidade, que por possuir natureza indenizatória não está no campo da incidência do Imposto de Renda. Para melhor esclarecer o prêmio assiduidade tem natureza salarial, quando pago sob o título de férias, ou seja 1/3, tem natureza indenizatória. No que pertine a glosa de despesas médicas, o recorrente foi intimado a apresentar os comprovantes de despesas médicas declaradas em sua DIRF. Pois bem, dos documentos apresentados, verificouse que uma das profissionais de quem o recorrente juntou recibo, foi submetida a procedimento de fiscalização, que declarou inidôneos para todos os efeitos tributários os recibos por ela emitidos, do qual o recorrente também utilizou. Neste sentido, o contribuinte foi novamente notificado a apresentar documentação comprobatória do efetivo pagamento, não só desta profissional como os demais, no entanto o recorrente declarou que fez os pagamentos em dinheiro. Em sede de recurso o recorrente juntou novamente os recibos e uma jurisprudência, não aplicável ao caso ora analisado. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento parcial para expungir da condenação os valores pagos a título de abono de assiduidade, incidente nas férias, no mais mantenho a r. decisão revisanda. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10855.721277/201133 Acórdão n.º 2002000.248 S2C0T2 Fl. 7 6 Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000082/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1.
Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
(assinado digitalmente).
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1. Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente). João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
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PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1. Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente). João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 00 82 /2 00 9- 82 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13884.000082/200982 Acórdão n.º 2301005.254 S2C3T1 Fl. 164 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por LUIZ AUGUSTO DE SALLES VIEIRA, contra o acórdão de julgamento n.º 1751.021, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (11ª Turma da DRJ/SP2), no qual os membros daquele colegiado julgaram parcialmente a impugnação apresentada, referente à Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, relativa ao ano calendário 2006, exercício 2007, no valor de R$ 39.979.77, com os acréscimos legais, em razão do contribuinte ter realizado deduções indevidas, ocorrendo a glosa dos seguintes valores: Segundo a DRJ de origem o Contribuinte obrou comprovar somente a glosa na quantia de R$6.978,92 , a títulos de despesas médicas. Mais especificamente referente aos custos de despesas médicas da ex companheira. As demais glosas foram mantidas. Reconheceu a recorrente parte das glosas médicas, nos quais totalizam a quantia de R$290,00. Em seu recurso, alega em suma a recorrente que a excompanheira do recorrente é enquadrada como sua dependente, pois há decisão judicial que a ampare a referida determinação. Alega também que seus três filhos seriam dependentes pelo simples fato de constar na separação consensual que eles receberiam pensão. Pede por fim a redução da multa aplicada. O recorrente ingressou com ação judicial para ver declarado nulo o crédito fiscal lançado, sendo que foi julgado improcedente seu pedido (fls. 148/156). É o breve relato. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Entretanto, não possui condições formais para seu conhecimento. Senão vejamos. DA AÇÃO JUDICIAL AJUIZADA E DA RENÚNCIA AO DIREITO Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13884.000082/200982 Acórdão n.º 2301005.254 S2C3T1 Fl. 165 3 O contribuinte ajuizou ação judicial para discutir o débito fiscal aqui lançado, sendo que essa já transitou em julgado, chancelada sob n.º 00039157620114036103, que tramitou perante a Justiça Federal, 3ª subseção judiciária do Estado de São Paulo, 1ª Vara de São José dos Campos, ajuizado pelo Recorrente em desfavor da União. A presente ação foi julgada improcedente, impondo a subsistência do crédito fiscal, conforme decisão juntada nas fls. 148/156. Assim, houve expressa renúncia ao contencioso administrativo pelo recorrente, conforme prescreve o art. 87 do Decreto n.º 7.574, de 2011, que regula o processo administrativo fiscal: "Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada." Por sua vez, o CARF uniformizou esse entendimento, sumulando a matéria, nos termos da Súmula CARF nº 1: "Súmula CARF nº. 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Ao ajuizar ação judicial o recorrente renuncia ao seu direito na esfera administrativa, e isso porque a verdade judicial se sobrepõe à verdade administrativa, cabendo a esse conselho tão somente a cumprir a decisão seja ela favorável ou contrária ao interessado. Assim, este Conselho não possui mais legitimidade para analisar o caso do recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, tendo em vista a decisão judicial transitada em julgada que manteve a exigência do crédito fiscal e julgou o mérito do crédito lançado, devendo os autos serem baixados para as providências de estilo e rotineiras. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13884.000082/200982 Acórdão n.º 2301005.254 S2C3T1 Fl. 166 4 Fl. 166DF CARF MF
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