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Numero do processo: 13884.901590/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.948
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 15 90 /2 00 8- 07 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901590/200807 Acórdão n.º 3401004.948 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.619, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901590/200807 Acórdão n.º 3401004.948 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901590/200807 Acórdão n.º 3401004.948 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901590/200807 Acórdão n.º 3401004.948 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13884.901590/200807 Acórdão n.º 3401004.948 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000850/2005-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 19/06/2002
REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÃO CADASTRAL. COMUNICAÇÃO. FALTA OU ATRASO.
O atraso na comunicação das alterações contratuais, registradas na Junta Comercial, após a concessão do registro especial, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP n° 2.158-35/2001.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 2
Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucional idade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49
Ainda que o contribuinte efetue a regularização da entrega de obrigação acessória (DIF-Papel Imune) antes de iniciado procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do STJ. Existência de súmula desse Colegiado, o que impede decisão em contrário.
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. MP 2.158-35/2001. LEI FEDERAL 11.945/2008.
Havendo alteração na legislação tributária que imponha penalidades, reduzindo-as, é possível o reconhecimento de ofício da retroatividade benigna, ainda que não suscitada pela parte recorrente, em vista de ser matéria de ordem pública.
Numero da decisão: 3401-004.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mas reconhecer, de ofício, a aplicação retroativa da multa prevista no § 4º, II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, com a redução prevista no § 5º, cabendo à unidade preparadora da RFB verificar o enquadramento ou não da empresa como micro e pequenas empresa à época dos fatos.
ROSALDO TREVISAN - Presidente
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 19/06/2002 REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÃO CADASTRAL. COMUNICAÇÃO. FALTA OU ATRASO. O atraso na comunicação das alterações contratuais, registradas na Junta Comercial, após a concessão do registro especial, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP n° 2.158-35/2001. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 2 Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucional idade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49 Ainda que o contribuinte efetue a regularização da entrega de obrigação acessória (DIF-Papel Imune) antes de iniciado procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do STJ. Existência de súmula desse Colegiado, o que impede decisão em contrário. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. MP 2.158-35/2001. LEI FEDERAL 11.945/2008. Havendo alteração na legislação tributária que imponha penalidades, reduzindo-as, é possível o reconhecimento de ofício da retroatividade benigna, ainda que não suscitada pela parte recorrente, em vista de ser matéria de ordem pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mas reconhecer, de ofício, a aplicação retroativa da multa prevista no § 4º, II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, com a redução prevista no § 5º, cabendo à unidade preparadora da RFB verificar o enquadramento ou não da empresa como micro e pequenas empresa à época dos fatos. ROSALDO TREVISAN - Presidente TIAGO GUERRA MACHADO - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 159 1 158 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000850/200559 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.461 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente CARTA EDITORIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/06/2002 REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÃO CADASTRAL. COMUNICAÇÃO. FALTA OU ATRASO. O atraso na comunicação das alterações contratuais, registradas na Junta Comercial, após a concessão do registro especial, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP n° 2.15835/2001. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 2 Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucional idade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49 Ainda que o contribuinte efetue a regularização da entrega de obrigação acessória (DIFPapel Imune) antes de iniciado procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do STJ. Existência de súmula desse Colegiado, o que impede decisão em contrário. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. MP 2.15835/2001. LEI FEDERAL 11.945/2008. Havendo alteração na legislação tributária que imponha penalidades, reduzindoas, é possível o reconhecimento de ofício da retroatividade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 50 /2 00 5- 59 Fl. 159DF CARF MF 2 benigna, ainda que não suscitada pela parte recorrente, em vista de ser matéria de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mas reconhecer, de ofício, a aplicação retroativa da multa prevista no § 4º, II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, com a redução prevista no § 5º, cabendo à unidade preparadora da RFB verificar o enquadramento ou não da empresa como micro e pequenas empresa à época dos fatos. ROSALDO TREVISAN Presidente TIAGO GUERRA MACHADO Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayer, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 113 e seguintes) contra decisão da 3ª Turma, DRJ/POR, que considerou procedente, em parte, as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DEFICSP/DIFIS/Indústria, em 18.03.2005, com ciência pela Contribuinte em 06.04.2005 (fl. 25), referente à ausência de prestação de informações quanto à alteração contratual e reunião dos sócios quotistas acerca do fechamento de um depósito. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 16 e seguintes) de R$170.000,00 (cento e setenta mil reais), em razão de descumprimento de obrigações acessórias entre 2002 e 2003, conforme consta no auto de infração abaixo destacado: Da análise das 2 últimas alterações do Contrato Social, ficou constatado que após a publicação do Ato Declaratório Executivo n.1.020, de 30/04/2002 (Inscrição no Regime Especial de Usuário de Papel Imune) de fato ocorreu Alteração e Consolidação do seu Contrato Social e Reunião de Sócios Quotistas . Fl. 160DF CARF MF Processo nº 19515.000850/200559 Acórdão n.º 3401004.461 S3C4T1 Fl. 160 3 Uma vez intimado em 21/02/2005 a justificar os motivos pelo qual deixou de informar ao Órgão competente, não se pronunciou, apenas encaminhou a Alteração e Consolidação Contratual e Reunião de Sócios Quotistas, em 24 de março de 2005. Diante do exposto, será lavrado multa regulamentar em descumprimento, a saber: IN SRF 71/2001, Artigo 9° Art.9° Após a concessão do registro especial, as alterações verificadas nos elementos constantes do art 3° deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à DRF ou IRF classe "A" do seu domicílio fiscal, no prazo de trinta dias, contado da data de sua efetivação ou, quando for o caso, do arquivamento no registro do comércio, juntando cópia dos documentos de alteração IN SRF.101/2001, Artigo 9° parágrafo 1 Artigo 9° Após a concessão de registro especial, as alterações verificadas nos elementos constantes do art.3 ° deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à DRF ou DEFIC do seu domicílio fiscal, no prazo de trinta dias, contado da data de sua efetivação ou, quando for o caso, do arquivamento no registro do comércio, juntando cópia dos documentos de alteração. Parágrafo 1º A falta de comunicação de que trata o caput sujeitará a empresa à penalidade prevista no art.57 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. MP 2.158352001 Art.57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art.l6.da Lei n.9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I — R$ 5000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II ... Data Ocorrência Prazo 30 dias Data Comunicação 1ª Alteração 19/06/2002 18/07/2002 20/08/2004= (26meses) 2ª Alteração 02/12/2003 01/01/2004 20/08/2004=(08meses) Valor Tributável: 5.000,00 x 34 meses = R5 170.000,00. Fica ressalvado o direito de a Fazenda Nacional, em razão de fato ou circunstância não conhecida nesta oportunidade, de proceder a novos exames, inclusive quanto àqueles cumpridos na presente ação fiscal que ora se encerra. Data de Referência: 19/06/2002 Multa Devida R$130.000,00 Data de Referência: 02/12/2003 Fl. 161DF CARF MF 4 Multa Devida R$40.000,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Artigo 9º da IN SRF 71.de 24/08/2001 com nova redação dada nos termos do Artigo 9º parágrafo primeiro da IN SRF 101/2001. MP 2.158352001 Artigo 57 inciso I. Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 06/04/2005 (fl. 103), e interpôs impugnação, em 05.01.2006 (fls.30 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: II. FATOS Considerando o objeto social da impugnante, relacionado à exploração do ramo editorial, ela é detentora de inscrição junto ao Registro Especial de Usuário de Papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, para importação e uso de papel isento de impostos, há anos (doc. 6 a 12). Até a edição da Instrução Normativa SRF n. 71/2001, este registro era renovado anualmente. Com as inovações trazidas pela referida Instrução, o registro especial para estabelecimentos que realizam operações com papel destinado à impressão passou a ser definitivo, bastando que, após a concessão do registro especial, a pessoa jurídica beneficiária informe à DRF ou IRF as alterações dos dados fornecidos originariamente. A Instrução Normativa SRF n. 71/2001 instituiu, ainda, a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). Por força do Ato Declaratório Executivo n. 1020, da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, de 30 de abril de 2002, a impugnante foi inscrita no Registro Especial para operar com papel imune (doc. 13/14): "No. 1020 Inscrito no Registro Especial de Usuário de Papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, número UP0819010519, o estabelecimento da empresa CARTA EDITORIAL LTDA., inscrito no CNPJ sob o número 48.112.650/000155 e localizado à Av. Brasil, 1.456 – Jardim América São Paulo SP, considerando os autos do processo 11610.007104." Em decorrência, apresentou, desde então, trimestralmente, a DIF Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune, que manteve atualizada a fiscalização sobre todo o fluxo do papel importado adquirido, tendo sido reportados na declaração, as notas fiscais de entrada e saída, e controles de produção, e de estoques de papel e livros (doc. 15 a 26). Em 20 de agosto de 2004, a impugnante encaminhou à fiscalização cópia da alteração do contrato social e da ata de reunião de diretores, registrados na Junta Comercial de São Paulo Embora assim efetivamente seja, em 21/2/2005, a impugnante foi intimada do Termo de Diligência Fiscal Registro Especial Papel Imune, nos seguintes termos: (...) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 19515.000850/200559 Acórdão n.º 3401004.461 S3C4T1 Fl. 161 5 Em cumprimento aos termos da intimação, a impugnante apresentou novamente os documentos à Receita Federal em 2/3/2005. Mas, apesar disso, em 30/03/2005, o Sr. Fiscal lavrou o auto de infração em discussão, para cobrar multa por descumprimento de obrigação acessória, não só pelo fato da empresa não ter apresentado cópia da alteração do contrato social, conforme a intimação acima referida (R$ 130.000,00). Aproveitou para também para imputar à empresa multa por falta de apresentação de simples Ata de Reunião de Sócios Quotistas, onde foi deliberado o fechamento de um depósito da empresa e abertura de outro (+ R$ 40.000,00). III. DIREITO III.1. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA LEGALIDADE A IMPUGNANTE NÃO PODE SER MULTADA POR DESCUMPRIMENTO DE SIMPLES INSTRUÇÃO NORMATIVA 1 Primeiramente, a impugnante sustenta a inconstituciona1idade e ilegalidade da cobrança indistinta da multa prevista na Medida Provisória n. 215835/2001, por inobservância do artigo 16 da Lei 9779/99, que dá carta branca à Secretaria da Fazenda editar as normas acessórias de qualquer natureza, relativas aos tributos federais.(...) (a) cabe somente à lei complementar estabelecer normas gerais sobre obrigações tributárias; e que (b) somente podem ser objeto de imputação de penalidade a ação ou omissão contrária aos dispositivos previstos em Lei ou outras infrações definidas na Lei . Portanto, ainda que a multa esteja prevista em lei ou equivalente (MP 215835/2001) e apesar da previsão genérica do artigo 16 da Lei ordinária 9779/99, a conduta que se pretende punir seriamente com a multa não está prevista em lei, muito menos complementar, o que é expressamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. (...) Concluise, assim, pela ilegalidade e inconstitucional idade da aplicação da multa por falta de atendimento do previsto da Instrução Normativa n. 71/2001, na redação dada pela Instrução Normativa n. 101/71. III. III.2. A IMPUTAÇÃO DA MULTA DE R$ 170.000,00 DESRESPEITA OS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE DA SANÇÃO Sustenta a impugnante que, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, que não implicou prejuízo ao Estado , seja de ordem financeira, ou mesmo de obstrução à fiscalização, jamais a multa imputada poderia atingir o montante imputado, porque tratarseia de punição desproporcional e desarrazoada (...) Veja que, aqui como lá, o mesmo entendimento deverá ser aplicado, porque neste caso também: (i) questionase o quantitativo da multa, porque a impugnante teria descumprido a obrigação de prestar os esclarecimentos durante 26 e 8 meses consecutivos, o que redundou na aplicação da multa de R$ 5.000,00 multiplicada por 34; (ii) o eventual descumprimento da obrigação imposta pela Receita Federal não Fl. 163DF CARF MF 6 pode ser visto como um somatório de desobediência à legislação tributária, se a impugnante prestou as informações na DIFPapel Imune, e se, antes da ação fiscal, a impugnante já havia entregue à Secretaria cópia do contrato social alterado única foi a infração e, portanto, única deverá ser a multa; (iii) deverá ser aplicado o princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade. III.3. É CASO DE RELEVAÇÃO DA MULTA FALTA DE PREJUIZO AO ERÁRIO, DE ORDEM FINANCEIRA OU DE ÓBICE À FISCALIZAÇÃO Deve ser levado em consideração também que a eventual falta praticada pela impugnante, sanada antes da ação fiscal, não causou ao Erário prejuízo de qualquer ordem, seja financeiro, seja de embaraço à fiscalização. Isto porque a malfadada alteração do contrato social, tratada nos presentes autos, somente trouxe a saída da Sra. Haydée Pires Castelões, que detinha aproximadamente 2% das quotas da sociedade, quotas estas que foram transferidas para o Sr. Andrea Carta, que já era sócio da empresa.(...) De resto, houve atualização dos endereços de parte dos sócios, e alteração da representação de sócia menor de idade. Portanto, a punição de multa decorrente de falta absolutamente escusável praticada pela impugnante, consistente em não cumprimento de obrigação acessória é passível de relevação, face às especiais características que revestiram os fatos. III.4.NÃO HÁ PREVISÃO DE OBRIGATORIEDADE DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE REGISTRO DE SIMPLES ATA DE REUNIÃO DE QUOTISTAS Dispõe o artigo 3º da Instrução Normativa n. 71/2001, que regula o registro especial e que fundamentou a autuação: "Art. 3º pedido de registro será apresentado à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) referida no caput do artigo anterior, instruído com os seguintes elementos: II — Cópia do estatuto, contrato social ou declaração de firma individual, bem assim das alterações posteriores , devidamente registrados e arquivados no órgão competente de registro de comércio." (gn) Repetindo a transcrição do artigo 9 ° da mesma Instrução Normativa: "Art. 9º Após a concessão do registro especial, as alterações verificadas nos elementos constantes do art. 32 deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à DRF ou Defic do seu domicílio fiscal, no prazo de trinta dias, contado da data de sua efetivação ou, quando for o caso, do arquivamento no registro do comércio, juntando cópia dos documentos de alteração." (gn) Da leitura dos dispositivos acima, constatase que a impugnante estava obrigada a apresentar à Delegacia da Receita Federal somente as alterações de seu contrato social, o que leva à conclusão de que a falta de apresentação de simples Ata de Reunião de Sócios Quotistas jamais poderia ter sido considerada pela fiscalização como descumprimento da referida IN. (...) Vejase que nem mesmo no Termos de Início de Diligência, que precedeu à lavratura do presente auto de infração, a impugnante nem mesmo foi intimada a manifestarse sobre a Ata de Reunião de Sócios Quotistas. A novidade veio com a lavratura do auto de infração, quando a fiscalização na sede de imputar multa absolutamente desarrazoada à impugnante, aproveitou para Fl. 164DF CARF MF Processo nº 19515.000850/200559 Acórdão n.º 3401004.461 S3C4T1 Fl. 162 7 enquadrar situação que nem mesmo está contemplada na Instrução Normativa ou qualquer outra regulamentação. Assim, e independentemente de tudo que já foi sustentado até aqui, se faz imperioso o cancelamento da multa imputada por falta de apresentação de Ata de Reunião de Quotistas à Receita Federal. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1426 912, exarado pela 3ª Turma, da DRJ/RPO, em 26.11.2009, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 29.03.2010, através do qual foi mantido em parte o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/06/2002, 02/12/2003 REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÃO CADASTRAL. COMUNICAÇÃO. FALTA OU ATRASO. O atraso na comunicação das alterações contratuais, registradas na Junta Comercial, após a concessão do registro especial, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP n° 2.15835/2001. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/06/2002, 02/12/2003 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucional idade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. COMPETÊNCIA. A impugnação do lançamento instaura a fase litigiosa da exigência, devendo ser processada nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que não instituiu competência às instâncias julgadoras administrativas para decidir sobre pedido de relevação de penalidades. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/06/2002, 02/12/2003 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Procedente em Parte Fl. 165DF CARF MF 8 Crédito Tributário Mantido em Parte Devese destacar as seguintes conclusões do voto condutor: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 17/20, que se prestou a constituir crédito tributário relativo à multa por falta de comunicação das alterações cadastrais/sociais ocorridas após a concessão de Registro Especial, de que trata o art. 9° da Instrução Normativa SRF n° 71/200 1. O montante do crédito tributário lançado correspondeu a R$ 170.000,00. A fundamentação legal da autuação, apontada pela autoridade fiscal autuante, foi a seguinte: art. 57, inc. I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art. 9° da IN SRF n° 71/2001, com as alterações processadas pela IN SRF n° 101/2001. O procedimento fiscal, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.002005002655, e as constatações dele decorrentes, estão descritos no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 14/16. Segundo relatório contido no referido termo, foi constatado que o sujeito passivo, inscrito no Registro Especial de Usuário de Papel Imune conforme Ato Declaratório Executivo n° 1.020, de 30/04/2002, deixou de comunicar à Receita Federal a alteração do seu quadro societário, assim como a ocorrência da reunião de sócios quotistas (que decidiu pelo / fechamento de um depósito e a abertura de outro). O contribuinte foi inicialmente intimado a apresentar cópias do seu contrato social e das suas últimas alterações, bem como "justificar os motivos pelo qual deixou de informar ao Órgão competente a MUDANÇA NO QUADRO SOCIETÁRIO DA EMPRESA, em 02/12/2003" (fl. 3). Em atenção a esta intimação, foram apresentadas cópias da "alteração e consolidação do contrato social", registrada na Jucesp em 19/06/2002 (fls. 5/11), assim como da referida "reunião de sócios quotistas", registrada na Jucesp em 02/12/2003 (fl. 12), não tendo o intimado apresentado qualquer justificativa para o fato apontado na intimação. Em razão destas constatações, a autoridade lançou a multa prescrita no § 1° do art. 9° da IN SRF n° 71/2001, conforme assim demonstrado no referido TVF: (...) Como se viu, a impugnante não contesta a situação fática que deu azo ao lançamento das multas: o atraso na comunicação da alteração de seu contrato social e da referida reunião dos sócios quotistas, só ocorrida em 20/08/2004. Protesta contra a exigência fiscal porquanto fundamentada em norma ilegal e inconstitucional. Ademais, a multa aplicada não observou os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Entende que deva ser aplicada a relevação da multa uma vez que não houve falta de pagamento de tributo, o erro foi escusável e ausente o intuito doloso. De resto, impugna especificamente o lançamento da multa relativa ao atraso na comunicação da reunião dos quotistas, porquanto entende que este simples fato não enseja a obrigação de comunicação ao fisco, até porque o que foi nela decidido sequer foi implantado. (...) Inconstitucionalidade e ilegalidade da norma. Princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 19515.000850/200559 Acórdão n.º 3401004.461 S3C4T1 Fl. 163 9 Assim sendo, não cabe afastar a aplicação da penalidade que a lei prescreve, que se impõe em face da constatação da infração à legislação tributária, sob pretexto de que o montante obtido não é razoável, é confiscatório ou desproporcional, Aliás, a respeito do citado princípio da proporcionalidade, oriundo do Direito Penal, é oportuno consignar que, a teor do disposto no art. 109 do Código Tributário Nacional (CTN), por ocasião da interpretação da legislação tributária, os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Enfim, as questões aqui trazidas pela impugnante devem ser levadas, se assim desejar, ao crivo do Poder Judiciário, que detém o monopólio de decisão acerca de argüições de ilegalidade ou inconstitucional idade do direito positivado. As autoridades administrativas só cumpre fazer valer as normas vigentes, que regulam a matéria objeto do procedimento fiscal. Multa por falta de comunicação da reunião dos quotistas Quanto ao protesto pela inaplicabi1idade da multa pelo atraso na comunicação da ocorrência da referida reunião de quotistas, conforme Ata registrada na Jucesp em 02/12/2003, penso que assiste razão à impugnante. Com efeito, o art. 9° da IN SRF n° 71, de 2001, normativo tido como infringido pelo sujeito passivo, é claro no sentido de que as comunicações que devem ser feitas à Receita Federal cingemse àquelas relativas "às alterações verificadas nos elementos constantes do art. 3°". E, de fato, entendo que não é possível enquadrar o mero arquivamento na Jucesp de uma reunião da Ata de sócios quotistas no rol dos "elementos constantes" no art. 3° da norma em análise, já transcrito. Em relação aos atos registrados e arquivados na Junta Comercial, observese que o dispositivo tratou especificamente das alterações eventualmente ocorridas (registradas e arquivadas) no contrato social da empresa. Assim sendo, o mero registro e arquivamento de uma Ata de reunião de quotistas não pode mesmo, a meu juízo, justificar a imposição da penalidade lançada com fulcro no referido comando normativo. E mesmo que as decisões tomadas na referida reunião tivessem sido efetivamente processadas (contrariamente ao que alega a impugnante), a comunicação do • ocorrido somente poderia ser exigida a partir do momento em que elas produzissem efetivas alterações no contrato social do sujeito passivo, devidamente registradas e arquivadas na Jucesp, o que nos autos não se comprova. De outra banda, também não penso que a espécie em análise possa ser enquadrada no que dispõe o inciso I do art. 3° da norma já referenciada, que trata dos dados de identificação do requerente da inscrição no registro especial, inclusive seu endereço. Ora, a meu juízo está claro que o endereço referido no comando normativo diz respeito tãosomente ao domicílio tributário do requerente. Para fins de aplicação de penalidade, com supedâneo no que dispõe o disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN), tenho que não se deve interpretar a norma de forma extensiva, considerandose, na espécie, que o contribuinte deva comunicar à Receita Federal o fechamento de um depósito e a abertura de outro. Fl. 167DF CARF MF 10 Assim sendo, entendo que há que se excluir do lançamento o montante de R$ 40.000,00, relativo à multa referente à data da ocorrência de 02/12/2003, lançada pela falta de comunicação do registro, na Jucesp, da Ata da citada reunião de quotistas. Relevação da penalidade (...)Por meio da Portaria MF n2 214, de 28 de março de 1979, o Ministro da Fazenda, de fato, delegou a referida competência ao Secretário da Receita Federal. Nestes termos, a decisão sobre pedidos de relevação de penalidade compete exclusivamente àquela autoridade, sendo facultado aos contribuintes, que entendem estar presentes, no caso concreto, as condições dispostas no comando legal recém transcrito, formular requerimento especificamente para este fim, dirigido àquela autoridade administrativa. Assim, o exame acerca do atendimento dos pressupostos para a relevação da penalidade não pode ser efetuado por esta instância de julgamento, sob pena de usurpação de competência de autoridade hierarquicamente superior. Tampouco, neste estágio, pode ser alterado o rito processual para converter a impugnação apresentada em pedido de relevação de penalidade, encaminhando o processo à autoridade competente, a não ser que a impugnante expressamente manifeste a desistência da impugnação apresentada. Até porque, no caso aqui analisado, a relevação da penalidade não está expressamente arrolada entre os pedidos que concluem a peça impugnatória. Como visto, a impugnante concluiu sua peça pedindo pelo cancelamento integral da exigência. Destarte, desejando prosseguir com o litígio, nos termos do PAI, depois de proferida decisão definitiva na esfera administrativa, acaso a contribuinte reitere o pedido de relevação de penalidade, o processo poderá ser encaminhado para a autoridade competente para apreciação. De qualquer sorte, é oportuno consignar que a ausência de dolo, como alegada pela impugnante, não se presta a eximila da responsabilidade pela infração cometida, a teor do que dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN), verbis (...) Ante o exposto, voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE al impugnação, excluindose do crédito tributário lançado o montante de R$ 40.000,00, relativo à multa referente à data de ocorrência de 02/12/2003. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: III.1. DENÚNCIA ESPONTÂNEA — EXCLUSÃO DA PUNIBILIDADE A recorrente sustenta que apresentou cópia da Alteração do Contrato Social registrada na Junta Comercial de São Paulo, à Administração Pública em 20/08/2004, portanto, antes do início da ação fiscal , que se deu em 211212005 , o que impede a aplicação da penalidade , tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 19515.000850/200559 Acórdão n.º 3401004.461 S3C4T1 Fl. 164 11 E sendo a espontaneidade característica excludente da responsabilidade tributária quando exercida opporluno lempore, razão não há para ser mantida a penalidade aplicada à empresa, principalmente em valor demasiadamente alto e em total desproporção com o ato praticado pela empresa. Assim, considerando que a recorrente apresentou ao Fisco cópia da Alteração Contratual antes do início da ação fiscal, ou seja, antes mesmo de ser intimida do Termo de Início de Diligência Fiscal, deve a penalidade que lhe foi imputada no valor originário de R$ 130.000,00 por atraso na apresentação do referido documento ser cancelada, como conseqüência do efeito da denúncia espontânea, no estrito cumprimento do art. 138 do CTN. III.2. É CASO DE RELEVAÇÃO DA MULTA FALTA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO, DE ORDEM FINANCEIRA OU DE ÓBICE À FISCALIZAÇÃO Ainda que não tivesse a denuncia espontânea no caso presente, ainda assim a multa seria improcedente, porque o fisco não sofreu nenhum prejuízo com o atraso na apresentação da alteração contratual pela recorrente. Veja que na decisão recorrida, a 3ª Câmara da Delegacia de Julgamento negou a relevação da multa aplicada à recorrente ao argumento de que as instâncias julgadoras não possuem competência para decidir sobre pedido de relevação de penalidades, nada dizendo sobre a existência do prejuízo. Ora, quem pode aplicar a relevação de multa senão as Instâncias Julgadoras? Como se vê, a relevação da multa não só foi objeto de apreciação pelas Câmaras Julgadoras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como foi deferida a favor do contribuinte, tendo em vista que a irregularidade cometida assumiu caráter exclusivamente formal, já que absolutamente evidente que não houve falta de recolhimento do tributo. Esse é exatamente o caso dos autos! Além disso, há que se considerar que a falta apontada pela fiscalização não acarretou benefício algum para a recorrente, fator objetivo que por si só leva a completa desconsideração de intuito de fraude, dolo ou má — fé da recorrente. (...) De resto, houve atualização dos endereços de parte dos sócios, e alteração da o representação de sócia menor de idade. Portanto, a punição de multa decorrente de falta absolutamente escusável praticada pela recorrente, consistente em não cumprimento de obrigação acessória é passível de relevação, face às especiais características que revestiram os fatos. Vejamos o teor da Solução de Consulta n. 82 de 15 de maio de 2001, proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal — 6' Região fiscal. em apoio à possibilidade de relevação de multa: "ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: DIPJ. OBRIGATORIEDADE. PESSOA JURÍDICA IMUNE OU ISENTA. MULTA DE MORA. As pessoas jurídicas imunes ou isentas, a partir do anocalendário de 1999, estão obrigadas à entrega da DIPJ e a falta de apresentação da declaração ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará o contribuinte à multa de mora. A competência para decidir sobre a Fl. 169DF CARF MF 12 relavação de penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais, atendendo a erro ou ignorância escusável do infrator. Quanto à matéria de fato, ou a equidade em relação às características pessoas ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso, é do Secretário da Receita Federal, por delegação do Ministro da Fazenda. São passíveis de relevarão as penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais, atendendo a erro ou ignorância escusável do infrator quanto à matéria de fato, ou a equidade em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso." III.3. A RECORRENTE NÃO PODE SER MULTADA POR DESCUMPRIMENTO DE SIMPLES INSTRUÇÃO NORMATIVA Os I. Julgadores mantiveram a multa por atraso na apresentação da alteração contratual da empresa, sob o argumento de que não caberia ao julgador administrativo analisar a argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade do art. 57 da MP 2.1583512001. que prevê a aplicação da referida multa. Porém, a recorrente sustenta que a cobrança da multa do art. 57 é inconstitucional e ilegal por inobservância do artigo 16 da Lei 9779/99, que confere carta branca à Secretaria da Fazenda para editar normas acessórias de qualquer natureza, relativas aos tributos federais. É que a Lei não poderia ter delegado à Secretaria a normatização genérica das obrigações acessórias, para cominar ao contribuinte multa por falta de atendimento de qualquer exigência prevista em simples Instrução Normativa, como aqui se pretende cobrar. (...) Concluise, assim, pela ilegalidade e inconstitucional idade da aplicação da multa por falta de atendimento do previsto da Instrução Normativa n. 71/2001. na redação dada pela Instrução Normativa n. 101/71, razão pela qual a mesma deve ser cancelada. III.4. A IMPUTAÇÃO DA MULTA DE R5 130.000,00 DESRESPEITA OS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONABILIDADE (i) questionase o quantitativo da multa, porque a recorrente teria descumprido a obrigação de prestar os esclarecimentos durante 26 e 8 meses consecutivos, o que redundou na aplicação da multa de R$ 5.000,00 multiplicada por 34; (ii) o eventual descumprimento da obrigação imposta pela Receita Federal não bode ser visto como um somatório de desobediência à legislação tribulória, se a recorrente prestou as informações na DIFPapel Imune, e se, antes da ação fiscal, a recorrente já havia entregue à Secretaria cópia do contrato social alterado — única foi a infração e, portanto, única deverá ser a multa; (iii) deverá ser aplicado o princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade. Assim, latente se faz a observância dos princípios aqui mencionados para que seja a multa cancelada. IIL5. A MULTA TEM EFEITO DE CONFISCO — ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA DA ADMINISTRAÇÃO Notese que a fundamentação da muita é tãosomente a falta de justificativa da recorrente pelo atraso na apresentação da Alteração Contratual da empresa. Assim, é evidente que a penalidade aplicada não lhe pode causar um prejuízo injusto e muito menos seria tolerável que propiciasse uni enriquecimento sem causa para a Administração. (...) Fl. 170DF CARF MF Processo nº 19515.000850/200559 Acórdão n.º 3401004.461 S3C4T1 Fl. 165 13 Nem poderia ser diferente, porquanto o caráter confiscatório da multa desconfigura sua própria natureza e função. Ou seja, o que era para servir como instrumento sancionador e inibidor do Estado, transformase em inequívoca fonte de arrecadação, configurandose como verdadeiro tributo ilegal, disfarçado sob a roupagem de penalidade pecuniária. Por estas razões, a multa de R$ 5.000.00 por mêscalendário de atraso na apresentação da Alteração Contratual da empresa afronta o princípio da vedação de multa com efeito de confisco, devendo, portanto, ser cancelada. Da Resolução CARF n. 3401000.80 Em 27.03.2014, a Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária, do CARF, converteu o julgamento em diligência (fls 141 e seguintes) com base no entendimento abaixo destacado: A Recorrente foi autuada por descumprir obrigações acessórias. Apesar de a DRJ ter cancelado parte do lançamento, permanece o auto de infração no valor de R$ 130.000,00 (cento e trinta mil reais), relativo à multa em razão de a Recorrente, apesar de estar inscrita no cadastro de usuários de papel imune, não ter informado à autoridade fiscal uma alteração realizada em seu contrato social. Muito embora a Recorrente não negue que deixou de prestar a informação dentro do prazo, ela devolve as seguintes matérias para serem apreciadas por este Conselho: denúncia espontânea; possibilidade de a multa ser relevada; inconstitucionalidade e ilegalidade da multa aplicada. Sendo relevante o regime de tributação para aplicação da multa e considerando que a informação não consta nos autos, converto o presente processo em diligência para esclarecer: 1. Qual o regime de tributação do Imposto de Renda do contribuinte constante na ultima DIPJ apresentada pelo contribuinte antes do auto de infração de 03 de fevereiro de 2005? 2. Que seja anexado um extrato da relação das DIPJ’s apresentadas pelo contribuinte. Depois de realizada a diligência, deverá ser elaborado um relatório conclusivo,com as respostas aos quesitos acima, do qual a Recorrente deve ser intimada a se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Ultrapassado o trintídio, os autos devem retornar a este conselho, ainda que a Recorrente não tenha se manifestado, para julgamento do mérito. Em 07.12.2016, despacho da MF/RFB/SRRF/8ª RF/DERAT/SP nos seguintes termos: Em atendimento à Resolução n. 3401000.805, da 4a. Câmara/ 1o. Turma Ordinária, de 37 de Março de 2014, passo a responder os itens enumerados à folha 143. Fl. 171DF CARF MF 14 1. “Qual o regime de tributação do Imposto de Renda do contribuinte constante na ultima DIPJ apresentada pelo contribuinte antes do auto de infração de 03 de fevereiro de 2005?” A última declaração apresentada antes do auto é datada de 30/06/2004 e a forma de tributação era Lucro Real, regime esse que prevalece em todas as declarações entregues. (vide fls. 154) 2. “Que seja anexado um extrato da relação das DIPJ’s apresentadas pelo contribuinte.” Anexo nessa data (vide fls. 154) Após o relatório da diligência, os autos foram retornados a esse Colegiado e mim distribuídos em julho de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro TIAGO GUERRA MACHADO Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Não cabe razão à Recorrente. Em primeiro lugar, com relação à arguição de que teria havido a denuncia espontanea pela Recorrente uma vez que ela teria entregue as obrigações acessórias, ainda que em atraso, antes do procedimento de auditoria fiscal. Contudo, o artigo 138, do Código Tributário Nacional, somente tem sentido para excluir a penalidade de obrigações de ordem pecuniária, ou seja, da obrigação principal. Tal é o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, que posicionouse qual não exclui se a multa moratória e não se aplica o benefício da denúncia espontânea às responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, tal como o presente caso. Não somente isso, esse próprio Tribunal já emitiu a Súmula CARF nº 49: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 19515.000850/200559 Acórdão n.º 3401004.461 S3C4T1 Fl. 166 15 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ainda que não fosse aplicável dita Súmula, vejam que a penalidade prevista no artigo 57, da MP 2.15835, é imposta nos casos em que o contribuinte deixar de apresentar, "nos prazos estabelecidos", as declarações exigidas pela RFB; de modo que a única maneira de se evitar a aplicação da multa é sua entrega tempestiva, sendo figurativamente impossível a denuncia espontânea de obrigações acessórias dessa natureza. Portanto, insubsistente esse argumento. Quanto à arguição de que "a Recorrente não pode ser multada por descumprimento de simples instrução normativa", vale esclarecer que a exigência da obrigação acessória de entregar a DIFPapel decorre diretamente da subrogação prevista no artigo 16, da Lei Federal 9.779/1999, para que a Receita Federal do Brasil (à época Secretaria da Receita Federal), regulasse as obrigações acessórias que entendesse pertinentes à administração dos tributos por ela administrados. Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Em função dessa subrogação, foram criadas diversas obrigações a serem adimplidas pelos contribuintes e responsáveis tributos, entre elas a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), através da Instrução Normativa 71/2001, embasamento legal válido para o lançamento da multa formal no presente caso. As penalidades em decorrência do inadimplemento de tais obrigações restaram previstas expressamente na Medida Provisória 2.15835/2001, conforme sua redação original: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Fl. 173DF CARF MF 16 Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Nesse sentido, a penalidade e o nascimento normativo da obrigação acessória inadimplida decorre diretamente de texto legal stricto sensu, descabendo qualquer pretensão de nulidade do lançamento. Por último, os argumentos de ordem constitucional emitidos pela Recorrente (itens III.1, III.3 e III.4), vis a vis a obediência desse Colegiado à Súmula CARF nº 2, abstenhome de analisar. Todavia, percebo que a redação original do artigo 57, da mencionada Medida Provisória, foi alterado ao longo do período em que o processo tramitou. E a atual redação determina penalidades substancialmente mais brandas que as originalmente impostas pela autoridade fazendária. Posteriormente, houve edição de lei específica sobre as penalidades referentes à apresentação a destempo da DIFPapel Imune, estabelecendo multa ainda menor no caso da Recorrente, a saber: § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: (...) II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Como pode ser inferido da leitura acima, diante dos fatos narrados ao longo do presente, com a aplicação da norma atual em vigor, o cálculo da penalidade deveria ser de R$ 2500,00 (dois mil e quinhentos reais) para cada declaração a respeito da alteração do Contrato Social da Recorrente entregue em atraso, haja vista que a entrega ocorrera antes de sua intimação, nitidamente inferior à penalidade lançada. Diante desse cenário, entendo ser possível o reconhecimento de ofício – haja vista não haver manifestação da Recorrente nesse particular – da aplicação do artigo 106, do Código Tributário Nacional ao presente: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 19515.000850/200559 Acórdão n.º 3401004.461 S3C4T1 Fl. 167 17 Pelo exposto, conheço do Recurso, dandolhe parcial provimento para reduzir o valor da penalidade em razão da retroatividade benigna reconhecida de ofício. TIAGO GUERRA MACHADO Relator Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.721400/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
DELIMITAÇÃO DO CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL.
A decisão judicial produz efeito nos estritos termos em que foi passada, competindo à autoridade tributária, em cumprimento a seu poderdever de fiscalizar os encontros de contas, apurar o quantum do crédito e a suficiência deste frente aos débitos compensados.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Não cabe apreciação de matéria estranha aos autos.
Numero da decisão: 3401-004.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 DELIMITAÇÃO DO CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. A decisão judicial produz efeito nos estritos termos em que foi passada, competindo à autoridade tributária, em cumprimento a seu poderdever de fiscalizar os encontros de contas, apurar o quantum do crédito e a suficiência deste frente aos débitos compensados. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Não cabe apreciação de matéria estranha aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 14 00 /2 00 9- 96 Fl. 827DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 773 e seguintes), contra Acordão exarado pela 4a Turma, da DRJ/BSB, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre o pedido de compensação dos valores recolhidos a titulo de contribuição para o PIS, entre setembro de 1988 e setembro de 1995. Da Compensação e do Despacho Decisório Tratase de créditos de PISsemestralidade tidos como indevido em razão de decisão judicial transitada em julgado que, nos termos da Instrução Normativa SRF 600/2005, foram habilitados, no montante de R$ 9.099.956,80 (nove milhões, noventa e nove mil, novecentos e cinquenta e seis reais e oitenta centavos). A habilitação, formalizada por meio do Processo Administrativo 10120.001789/200798, foi aprovada e , ato contínuo, a contribuinte procedeu à compensação do montante com outros tributos federais. Em seguida, foi emitido Despacho Decisório (fls 582 e seguintes), nos autos do processo Administrativo n° 10120.7214001200996, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Período de apuração: 01/09/1988 a 30/09/1995. Ementa: VALORES PAGOS A MAIOR COM BASE EM MEDIDA JUDICIAL. HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. CRÉDITO RECONHECIDO. COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS. Habilitação de Crédito oriundo de Ação Judicial versus Crédito Reconhecido. 0 deferimento do pedido de habilitação do crédito oriundo de ação judicial, pressuposto para que a RFB recepcione a declaração de compensação, não implica homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, visto inexistir no procedimento administrativo de habilitação a necessária conferência da liquidez (expressão financeira) do crédito. Delimitação do Crédito. A decisão judicial produz efeito nos estritos termos em que foi passada, competindo à autoridade tributária, em cumprimento a seu poderdever de fiscalizar os encontros de contas, apurar o quantum do crédito e a suficiência deste frente aos débitos compensados. Homologação da compensação. Do confronto dos recolhimentos efetuados sob norma posteriormente declarada inconstitucional com os valores devidos segundo as decisões judiciais e a lei tributária, restando comprovada a existência de pagamento indevido ou a maior da contribuição para o PIS, homologamse as compensações declaradas do débito devido com o crédito reconhecido administrativamente. Compensação Homologada Este processo foi formalizado com intuito de dar tratamento manual As Declarações de Compensação (Dcomp) apresentadas pelo contribuinte identificado na epígrafe, geradas mediante uso do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/Dcomp) e Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10120.721400/200996 Acórdão n.º 3401004.357 S3C4T1 Fl. 828 3 transmitidas via intemet, com supedâneo na Ação Ordinária Tributária n2 1997.35.00.0000126, que teve curso junto A 1 8 Vara da Justiça Federal em Goiás e na qual foi pleiteada a compensação dos valores recolhidos a titulo de contribuição para o PIS entre setembro de 1988 e setembro de 1995, com espeque nos Decretos Leis n2 2.445/88 e 2.449/88, posteriormente declarados inconstitucionais. 2. Por se tratar de crédito deferido com base em tutela judicial e cumprindo exigência prevista na Instrução Normativa (IN) SRF n 2 600, de 28/12/2005, o contribuinte pleiteou a habilitação de seu crédito, informando o montante de R$ 9.099.956,80. Referido pedido, formalizado por meio do processo administrativo no 10120.001789/200798, foi deferido no montante pleiteado pela interessada. 3. Uma vez habilitado o crédito, a interessada transmitiu 20 declarações de compensações, as quais foram baixadas para tratamento manual no presente processo (fls. 04/75, 157/171 e 572/575), cujas compensações envolvem o crédito supra referido e débitos de PIS COFINS IRPJ e CSLL conforme quadro abaixo: (...) 7. Na sentença de 1° grau prolatada em 31 de janeiro de 2000, foi reconhecida a inconstitucionalidade dos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88, julgando procedente o pedido das autoras reconhecendo (fls. 104/110): "a) indevidos os pagamentos realizados a titulo de PIS efetuados em desconformidade com disposições da Lei n°07/70; b) o direito das autoras de, sem observarem a imposição de quaisquer limites além dos parâmetros desta sentença, efetuarem a compensação dos valores ilegitimamente recolhidos, ficando a seu cargo apuração desses quanta e da ré o múnus de comprovarlhes a exatidão." 10. As autoras apelaram da r. sentença postulando a correção monetária plena e a incidência dos juros SELIC previstos na Lei n° 9.250/95. A Quarta Turma do TRF da P Regido, por unanimidade, deu parcial provimento a apelação e negou provimento a remessa oficial. Segue a ementa do r. acórdão (fl. 120): "CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS. DECRETOSLEI M'S 2.445/88 E 2.449/88. INCONST1TUCIONALIDADE. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORA TÓRIOS. 1.0 eg. Superior Tribunal Federal, ao julgar o RE n" 148.754RJ, reconheceu a inconstitucionalidade dos Decretosleis n`:s 2.445/88 e 2.449/88, que alteraram a contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, instituída pela Lei Complementar n°07/70 2. Aplicação da Súmula n"22, deste Tribunal Regional Federal da I" Regido. 3. A compensação somente pode ocorrer entre exacões da mesma espécie, ou seja, no caso em exame, somente se apresenta admissível a compensação de valores recolhidos a titulo de PIS com aqueles devidos a títulos do próprio PIS. 4. Extinguese o direito de pleitear a restituição do crédito tributário relativo ao PIS após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos contados da homologação tácita 5. Inobstante entendimento pessoal do Relator em contrário, seguese orientação jurisprudencial dominante no sentido de ser devida a incidência dos denominados "expurgos inflacionários" nas contas de liquidação. Fl. 829DF CARF MF 4 6. Nos termos do posicionamento adotado pela 1a Seção do eg. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n" 12675 I/SC, Relator Ministro Jose Delgado, publicado no DJ de 28.08.2000, é devida a incidência de juros de mora à Taxa SELIC, nos termos do art. 39, § 4", da Lei n°9.250/95, na hipótese de compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação. Ressalva do ponto de vista do relator. 7. Apelação parcial provida. 8. Remessa oficial improvida." 16. A União (Fazenda Nacional), interpôs Recurso Especial alegando violação a artigos infraconstitucionais e divergência jurisprudencial, que foi admitido (fl. 140). Subindo ao Superior Tribunal de Justiça, recebeu o n° 642.974, que teve seu julgamento em 24 de agosto de 2004, que transcrevemos a ementa: "RECURSO ESPECIAL. FAZENDA NACIONAL. PIS SEMESTRAL. COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO DO SEXTO MÊS ANTERIOR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃOINCIDÊNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. AUSÊNCIA DE EIVA NO JULGAMENTO. pacifico nesta Corte Superior de Justiça o entendimento segundo o qual a base de cálculo da contribuição para o PIS é o faturamento do sexto mês anterior a ocorrência do fato gerador, sobre a qual não incide correção monetária, ante a ausência de previsão normativa. Recurso Especial improvido." 17. O Trânsito em Julgado do processo n° 1997.35.00.0000126/GO ocorreu em 05/04/2005. FUNDAMENTOS (...) 20. Nesse sentido, a sistemática de compensação de tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB), vigente à época da apresentação do Pedido de Restituição e das Declarações de Compensação em pauta, encontrase transcrita na redação do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637/02: 22. Neste sentido, observase que, na decisão judicial proferida no âmbito da Ação Ordinária/Tributária n° 1997.35.00.0000126/GO, o contribuinte obteve a declaração de inconstitucionalidade da cobrança do PIS pela sistemática dos DecretosLeis n° 2.445/88 e 2.449/88, possuindo, assim, o direito de compensar as diferenças dos valores recolhidos a titulo de PIS com base nos citados DecretosLeis e aqueles que deveria recolher com fundamento na Lei Complementar n° 07/70 e suas alterações. 23. Observase que as decisões judiciais proferidas na Ação Ordinária/Tributária n° 1997.035.00.0000126/GO são cristalinas no sentido de que o procedimento de compensação tributária ser efetivado pelo contribuinte deverá ser efetuado na esfera administrativa e fiscalizado pela autoridade tributária, a fim de verificar a observância das diretrizes legais e aquelas especificadas na referida decisão judicial, podendo, inclusive, aplicar as sanções necessárias e efetuar lançamento de crédito tributário da União se constatada qualquer irregularidade. Este poderdever é decorrente de competência legal e tratase de atividade plenamente vinculada. (...) Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10120.721400/200996 Acórdão n.º 3401004.357 S3C4T1 Fl. 829 5 25. Devese destacar que, com a edição da Medida Provisória IV 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002, com efeitos a partir de 01 de outubro de 2002, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal (atual RFB) extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Por se tratar de crédito oriundo de tutela judicial e cumprindo exigência prevista na Instrução Normativa (IN) SRF no 600, de 28/12/2005, vigente à época do pedido, o contribuinte pleiteou a habilitação do credito, por meio do processo administrativo n 10120.001789/200798. Uma vez habilitado o crédito do contribuinte, o mesmo transmitiu Declarações de Compensações, que foram baixadas (extraídas do processamento eletrônico) para tratamento manual no processo administrativo n° 10120. 721400/200996. II HABILITAÇÃO VERSUS RECONHECIMENTO DE CRÉDITO 35. No presente caso, com o reconhecimento judicial do direito ao crédito dos valores pagos a maior do que os valores calculados pela Lei Complementar 07/70, cabe apurar o quanto era devido para comparar com os pagamentos efetuados a titulo da referida contribuição. Para tanto, intimamos o contribuinte para que apresentasse os comprovantes das bases de calculo, conforme intimação fiscal (fls. 153/154). Em resposta, o contribuinte apresentou copias ou originais dos seguintes documentos: planilha comprobatória do faturamento de 03/1988 a 12/1988 com os respectivos balancetes (fls. 286/373), planilha dos valores pagos (fls. 386/387), planilha com o faturamento de 03/88 a 12/89 (fl. 391), DARF dos recolhimentos (fls. 392/422), DIPJ dos exercícios de 1989 a 1996 (fls. 423/529). 36. Com a planilha dos pagamentos relacionados pelo contribuinte (fis. 386/387), constatamos que, dentre os pagamentos relacionados, existem os valores que foram pagos por meio dos processos de parcelamentos nos 10120.001274/9179 e 10120.001155/9422 e valores que fazem parte de Auto de Infração no processo n° 10120.005616/9950. Quanto a comprovação dos pagamentos, os DARFs dos períodos de apuração referente ao ano de 1988 a 1992, fizemos consulta em micro fichas e os referente aos anos de 1993 a 1995, extraímos do sistema SINAL 01 através do sistema CTSJ — Crédito Tributário Sob Judice. 37. Com o direito do contribuinte em utilizar como base de cálculo da contribuição para o PIS o faturamento do sexto mês anterior, os valores devidos apurados são bem menores do que os valores confessados pelo contribuinte à época da apresentação das DCTFs. Portanto, os valores parcelados ou inscritos em Divida Ativa da Unido são maiores do que os valores calculados como devidos com a nova base de cálculo. Desse modo, o cálculo do direito creditório do contribuinte deverá ser feito separadamente, com os valores pagos mediante parcelamentos sendo recalculados nos próprios parcelamentos e os valores que foram pagos normalmente, em outro cálculo. (...) 45. Quanto aos créditos reivindicados pelo contribuinte, verificamos que foram indicados débitos pagos depois de inscritos em Divida Ativa da Unido, como é o caso da inscrição 11.7.98.00187071 (fl. 387) e 11.7.98.000047652 (saldo do parcelamento do processo 10120001155/9422). Esses valores devem ser objetos de pedidos de restituição feitos em separados por serem valores não administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e sua compensação ser vedada pelo Inciso III do § do 3° do artigo 34 da Instrução Normativa RFB n° 900/08. Fl. 831DF CARF MF 6 VI EFETIVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA 51. Após ter habilitado o crédito judicial, o contribuinte apresentou diversas Dcomp, conforme quadro demonstrativo apresentado no relatório acima, compensando seus débitos. Assim, foram extraídas do sistema PER/DCOMP tais pleitos para tratar manualmente no presente processo. 52. Nos procedimentos de compensação, foi cadastrado no sistema SAPO — Sistema de Apoio Operacional, o crédito apurado e corrigido até 31/12/1995 do processo 10120.001274/9179 (fl. 562), no valor de R$ 48.217,99, créditos também atualizado até 31/12/95, dos saldos de pagamentos conforme planilha (fls. 563/566) no valor de R$ 514.441,37, e os saldos disponíveis no processo de parcelamento n° 10120.001155/9422, conforme quadro demonstrativo acima, para fins de confronto com os débitos objetos das Dcomp vinculadas ao processo n° 10120.721400/2009 96 (fls. 580/608). 53. Conforme Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes, emitido pelo sistema SAPO (fls. 580), o crédito do contribuinte foi suficiente para compensar todos os débitos, objetos das Dcomp e sobrou crédito no valor de R$ 53.417,48 (cinquenta e três mil, quatrocentos e dezessete reais, quarenta e oito centavos), conforme demonstrativo atualizado até 04/12/2009 (fls. 597). Ressaltamos que o contribuinte apresentou apenas Declarações de Compensação, não apresentado Pedido de Restituição, não cabendo portanto, restituição de oficio. 54. Com base no exposto, de acordo com a legislação supracitada e os elementos inseridos nos autos do presente processo administrativo, a decisão deverá ser: a) o Reconhecimento Parcial, a favor do contribuinte JAIBA VEÍCULOS LTDA, inscrito no CNPJ/MF sob o no 02.779.783/000189, do Direito Creditório contra a Fazenda Nacional, no montante de R$ 1.849.581,56 (um milhão, oitocentos e quarenta e nove mil, quinhentos e oitenta e um reais e cinquenta e seis centavos), valor já atualizado até 31 de marco de 2007 (fls. 568/569) nos termos da decisão com trânsito em julgado na Mao Judicial n° 1997.35.00.0000126/GO; b) Homologação total das Compensações, conforme planilha demonstrativa acima descrita no item 03. Vale frisar que o item V, do Despacho Decisório, aponta que o principal motivo da divergência foi o fato da contribuinte, em sua metodologia de apuração, ter aplicado expurgos inflacionários não autorizados na ação judicial e índices de atualização sem indicação de suas origens, ou sejam sem a demonstração de como foram obtidos os índices aplicados. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 688 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: A esse respeito, esclarece que (fl. 681): (...) tendo havido a habilitação do crédito discutido nestes autos através do processo n° 10120001.7891200798, no importe de R$ 9.099.956,80 (nove milhões e noventa e nove mil, novecentos cinqüenta e seis reais e oitenta centavos), a Recorrente procedeu o reconhecimento desta receita, com as devidas atualizações. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10120.721400/200996 Acórdão n.º 3401004.357 S3C4T1 Fl. 830 7 Esclarece que, em obediência ao regime de competência e ao disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 25/2003, teria reconhecido como base tributável do IRPJ e CSLL, a importância de R$ 9.099.956,80, sendo que somente esta base de cálculo gerou débito de IRPJ e CSLL no valor de aproximadamente 2/3 das compensações homologadas. Alega que, apesar de ter sido oferecido à tributação todo o crédito habilitado, nos presente autos a autoridade administrativa deferiu o crédito somente no importe R$ 1.849.581,56 (um milhão, oitocentos e quarenta e nove mil e quinhentos e oitenta e um reais e cinqüenta e seis centavos) atualizados ate 31/03/2007. Acrescenta que a compensação homologada extinguiu débitos originados justamente do crédito habilitado, conforme a seguir: “Porém, em que pese que a decisão recorrida ter cálculo o direito creditório do Recorrente muito aquém do valor a que efetivamente possui direito, ou seja, ao valor liquidado em juízo e posteriormente habilitado, a decisão que será logo inteiramente rechaçada, ao proceder a homologação do crédito utilizou todo o crédito já reconhecido para abatêlo do débito do IRPJ/CSLL, originado justamente em praticamente de sua totalidade, do credito habilitado.” Conclui que a autoridade tributária teria utilizado critérios diferentes para o reconhecimento do direito creditório ora em questão e para a apuração dos débitos de IRPJ e CSLL do período, conforme transcrição a seguir: “(...) os débitos do IRPJ/CSLL estariam umbilicalmente ligados ao direito creditório ora em discussão, gênesis destes créditos tributários e que não seria possível usar dois pesos e duas medidas, ou seja, para efeito de se reconhecer o direito oponível ao fisco reconhecesse R$ 1.849.581,56 e para exigiu quinhão (crédito tributário) oponível ao recorrente reconhecesse o direito creditório habilitado no importe de R$ 9.099.956,80”. Ao final, solicita a redução proporcional dos débitos de IRPJ e CSLL apurados em decorrência da homologação do crédito reconhecido judicialmente: Assim, tendo em vista que a titulo de IRPJ e CSLL sobre o crédito por ora reconhecido ser substancialmente menor que o crédito habilitado e sobre este calculado o IRPJ e a CSLL, deve ser reduzidos proporcionalmente estes débitos, calculandoos sobre o direito creditório por ora reconhecido, qual seja: R$ 1.849.581,56 , e não sobre o valor habilitado e sobre este tributado de R$ 9.099.956,80. Requer, ainda, que o crédito ou o saldo remanescente do total do crédito a ser compensado seja devidamente atualizado de acordo com a Lei nº 9.250/98, artigo 39 e com a Instrução Normativa n° 22, aplicandose a Taxa de Juros Selic. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 0353.612, exarado pela 4ª Turma, da DRJ/BSB, através do qual a Impugnação foi considerada improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 833DF CARF MF 8 Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 DELIMITAÇÃO DO CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. A decisão judicial produz efeito nos estritos termos em que foi passada, competindo à autoridade tributária, em cumprimento a seu poderdever de fiscalizar os encontros de contas, apurar o quantum do crédito e a suficiência deste frente aos débitos compensados. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. A alteração da decisão proferida no Despacho Decisório, em virtude de manifestação de inconformidade, pressupõe que as alegações nela contidas digam respeito à motivação apresentada pela autoridade tributária para a não homologação ou homologação parcial das declarações de compensação apresentadas, resultando, assim, na instauração de um litígio. Não cabe apreciação de matéria estranha aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Dessa decisão, importante destacar os seguintes excertos: Tratam os autos do Despacho Decisório (fls. 582 a 601) que homologou as compensações pleiteadas pela contribuinte e do Despacho de fl. 678 que efetuou a compensação de ofício do direito creditório reconhecido nos presentes autos. Os autos foram formalizados com intuito de dar tratamento manual às Declarações de Compensação transmitidas eletronicamente entre setembro de 1988 e setembro de 1995, com base na Ação Ordinária Tributária nº 1997.35.00.0000126, que teve curso junto à 1ª Vara da Justiça Federal em Goiás e na qual foi pleiteada a compensação dos valores recolhidos a titulo de contribuição para o PIS/Pasep, com fulcro nos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, posteriormente declarados inconstitucionais.O trânsito em julgado desta ação ocorreu em 05/04/2005. Por se tratar de crédito deferido com base em tutela judicial e cumprindo exigência prevista na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o contribuinte pleiteou a habilitação de seu crédito, informando o montante de R$ 9.099.956,80. O referido pedido de habilitação, formalizado por meio do processo administrativo fiscal nº 10120.001789/200798, foi deferido e encontrase apensado aos presentes autos. Uma vez habilitado o crédito, a interessada transmitiu 20 declarações de compensações no período de fevereiro de 2008 a outubro de 2009, totalizando R$ 1.538.260,27 de débitos, as quais foram baixadas para tratamento manual nos presentes autos, conforme informações contidas nas fls. 583 e 584 do Despacho Decisório. Considerando que a decisão judicial produz efeito nos termos em que foi proferida, compete à autoridade tributária, em cumprimento a seu poderdever, Fl. 834DF CARF MF Processo nº 10120.721400/200996 Acórdão n.º 3401004.357 S3C4T1 Fl. 831 9 fiscalizar os encontros de contas, apurar o quantum do direito creditório e a suficiência deste crédito para homologar os débitos declarados. (...) Nos procedimentos de compensação, ficou demonstrado que o direito creditório reconhecido foi suficiente para compensar todos os débitos objetos das declarações de compensação e que teria sobrado o valor de R$ 53.417,48. (...) Nos presentes autos, a contribuinte alega que apurou débitos de IRPJ e CSLL utilizando como base de cálculo o montante do crédito de PIS – faturamento reconhecido judicialmente, que foi de R$ 9.099.956,80. Acrescenta que, como o valor efetivamente homologado pela RFB foi de R$ 1.849.581,56, este valor deveria ser utilizado como base para a apuração do IRPJ e da CSLL efetivamente devidos no período. Desse modo, solicita a redução proporcional dos montantes de imposto e contribuição originalmente apurados. Ocorre que a alteração da decisão proferida no Despacho Decisório, em virtude de manifestação de inconformidade, pressupõe que as alegações nela contidas digam respeito à motivação apresentada pela autoridade tributária para a não homologação ou homologação parcial das declarações de compensação apresentadas, resultando, assim, na instauração de um litígio. No caso em questão, a habilitação de crédito oriundo de decisão judicial transitada em julgado, nos termos do artigo 51, caput, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, transcrito a seguir, é procedimento prévio e obrigatório para fins de se utilizar tal crédito para compensação de contribuições e tributos federais na esfera administrativa tributária. No entanto, a habilitação deste crédito não implica automática homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição formulado com base no correspondente crédito habilitado, conforme dispõe o § 6º do mesmo artigo: (...) No procedimento de habilitação do crédito, analisase unicamente a procedência do direito creditório da contribuinte, que, se confirmada, permite a habilitação do valor integral pleiteado pelo mesmo, porém sem adentrar no mérito do montante do crédito, que será futuramente analisado pela autoridade tributária competente. Dessa forma, para fins de restituição ou compensação deve ser considerado o direito creditório efetivamente apurado pela autoridade tributária, por meio de procedimentos específicos. Além disso, nos autos da Ação Judicial Tributária n° 1997.35.00.0000126/GO ficou consignado que a determinação do “quantum” a que a interessada teria direito seria objeto de análise e fiscalização na via administrativa: 32. Por oportuno, consignese que a análise do crédito (inclusive da apuração de seu valor) e seu aproveitamento em compensações realizadas pelo contribuinte deverão ser objetos de análise e fiscalização na via administrativa, conforme teor da sentença de primeira instância, proferida nos autos da Ação Judicial Tributária n° 1997.35.00.0000126/GO, que é nítida quanto ao fato de que "o direito das autoras de, sem observarem a imposição de quaisquer limites além dos parâmetros desta sentença, efetuarem a compensação dos valores ilegitimamente recolhidos, ficando a Fl. 835DF CARF MF 10 seu cargo a apuração desses ‘quanta’ e da ré o ‘minus’ de comprovarlhes a exatidão." In casu, o reconhecimento do direito creditório pela autoridade tributária competente (fls. 591 a 594) levou em consideração a documentação apresentada pela contribuinte, em atendimento à intimação efetuada, e informações contidas nos sistemas da RFB. Ressaltese, ainda, que os cálculos foram feitos com base na decisão com trânsito em julgado, proferida nos autos da Ação Judicial nº 1997.35.00.0000126/GO. Portanto, a análise dos autos, comprova que a autoridade fiscal adotou o procedimento correto no reconhecimento do direito creditório da interessada, em conformidade com a decisão judicial, que deu origem a este direito. Ainda, a respeito dos débitos de IRPJ e CSLL que teriam sido apurados num montante a maior do que o devido, verificase que estes não têm relação com os débitos informados pela contribuinte nas declarações de compensação objeto dos autos e que foram extintos por compensação (inciso II do art. 156 do CTN). O quadro de fls. 583 e 584, contido no Despacho Decisório, apresenta a relação dos débitos confessados pela contribuinte. Dessa forma, quanto à solicitação de revisão de apuração dos débitos de IRPJ e CSLL apurados com base na decisão proferida na Ação Ordinária Tributária nº 1997.35.00.0000126, que teve curso junto à 1ª Vara da Justiça Federal em Goiás, com trânsito em julgado em 05/04/2005, tratase de matéria estranha à lide e não será apreciada nos presentes autos. Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e, ao fim, requerer o seguinte: Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10120.721400/200996 Acórdão n.º 3401004.357 S3C4T1 Fl. 832 11 É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Fl. 837DF CARF MF 12 Não assiste razão à Recorrente. A mera habilitação do crédito ora pleiteado apenas tem o condão de averiguar a procedência do direito creditório, não implicando em homologação automática do seu montante, ou deferimento da restituição/compensação posterior, como dispõe o § 6º do artigo 102, da Instrução Normativa RFB 1.717/2017: Art. 100. Na hipótese de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a declaração de compensação será recepcionada pela RFB somente depois de prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou pela Delegacia Especial da RFB com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Decorrente de Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa; II certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; III na hipótese em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial, pelo Poder Judiciário, e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou cópia da declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste; IV cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembleia que elegeu a diretoria; V cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; VI na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo, cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante; e VII na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo, procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado. § 2º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações necessárias à habilitação, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da ciência da intimação. § 3º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização das pendências a que se refere o § 2º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. Art. 101. O pedido de habilitação do crédito será deferido por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no polo ativo da ação; II a ação referese a tributo administrado pela RFB; Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10120.721400/200996 Acórdão n.º 3401004.357 S3C4T1 Fl. 833 13 III a decisão judicial transitou em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos, contado da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou a apresentação de declaração pessoal de inexecução do título judicial na Justiça Federal e de certidão judicial que a ateste; Parágrafo único. O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica reconhecimento do direito creditório ou homologação da compensação. Dito isso, é de se ressaltar que a RFB, somente após a habilitação e provocada pelo pedido de compensação, passou a avaliar o montante de crédito passível de compensação ou restituição. Além disso, diferentemente do que aduz a Recorrente, a própria decisão judicial, e não poderia ser diferente, admite que o valor será mensurado pela Recorrente e aprovado pela Fazenda Nacional ao dispor na sentença que “o direito das autoras de, sem observarem a imposição de quaisquer limites além dos parâmetros desta sentença, efetuarem a compensação dos valores ilegitimamente recolhidos, ficando a seu cargo a apuração desses ‘quanta’ e da ré o ‘minus’ de comprovarlhes a exatidão.” Diante disso, a unidade fiscalizadora avaliou e calculou, com base nos documentos disponíveis (fls. 174 e seguintes), o montante de crédito de PISsemestralidade que fora indevidamente pago nos termos exarados da sentença judicial. Foram somados e atualizados todos os recolhimentos de DARF´s ordinários, compensações e guias de parcelamento (PAES) referentes ao tributo tido como inconstitucional, de forma a encontrar o quantum debeatur da Fazenda perante o contribuinte, culminando com as planilhas de fls 501 e seguintes, e o cálculo de atualização monetária (fls. 548 e seguintes). Culminouse no despacho decisório de fls 582, em que, disponibilizado o prazo para a Recorrente apresentar recurso, não logrou êxito em confrontar os cálculos e planilhas elaboradas pela RFB, limitandose a protestar contra o fato de que o montante reconhecido em juízo não poderia ser modificado pelo órgão fazendário, hipótese que já afastamos acima. Ademais, protestou genericamente a Recorrente contra a suposta a ausência da inclusão de expurgos inflacionários, porém se analisarmos as planilhas de atualização usadas pela Fazenda Nacional, é possível verificar que os mesmos foram incluídos. Se houve algum erro no cálculo, não é possível inferir porque não foi objeto desse Recurso. Por fim, a contribuinte alega matéria estranha à lide no que tange aos débitos de IRPJ e CSLL que foram liquidados pela compensação ora em comento, de modo que não nos cabe ser apreciada. Fl. 839DF CARF MF 14 Nesse sentido, infundadas, sob todos os aspectos relevantes, as alegações da contribuinte em sede de recurso. Diante do exposto, conheço da peça recursal, porém negolhe provimento na sua integralidade. Tiago Guerra Machado Relator Fl. 840DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901893/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 18 93 /2 00 8- 11 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901893/200811 Acórdão n.º 3401004.952 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.625, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901893/200811 Acórdão n.º 3401004.952 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901893/200811 Acórdão n.º 3401004.952 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901893/200811 Acórdão n.º 3401004.952 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901893/200811 Acórdão n.º 3401004.952 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901914/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
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Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
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A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.965
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
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Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 14 /2 00 8- 07 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13884.901914/200807 Acórdão n.º 3401004.965 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.646, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13884.901914/200807 Acórdão n.º 3401004.965 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901914/200807 Acórdão n.º 3401004.965 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901914/200807 Acórdão n.º 3401004.965 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901914/200807 Acórdão n.º 3401004.965 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000100/2002-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1996 a 28/02/2001
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF.
Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212(1991.
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC.
Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do artigo 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do artigo 543-C do antigo CPC (atual artigo 1036 do novo CPC, veiculado pela Lei no 13.105/2015), e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o artigo 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015.
Numero da decisão: 3401-004.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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SÚMULA VINCULANTE N.8/STF. Aplicase ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do artigo 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do artigo 543C do antigo CPC (atual artigo 1036 do novo CPC, veiculado pela Lei no 13.105/2015), e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o artigo 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 00 /2 00 2- 34 Fl. 546DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 258 a 2741, datado de 25/06/2002 (com ciência em 26/06/2002 – fl. 269), para exigência de COFINS, referente ao período de março de 1996 a fevereiro de 2001, no valor original de R$ 332.436,77, acrescido de juros de mora e de multa de ofício (75 %), pelo não recolhimento de contribuição declarada em sua escrita fiscal. Em 16/08/2002 foi apresentada Impugnação (fls. 282 a 308), argumentando se, em síntese, que: (a) a autuação trata de matéria já apreciada e decidida em esfera administrativa, pela própria RFB (isenção de COFINS para atividades próprias de entidades sem fins lucrativos); (b) a entidade é imune a qualquer contribuição social devida à União (conforme artigo 195, § 7o da CF/1988); (c) é inconstitucional qualquer dispositivo ordinário que pretende exigir o que a Constituição e o artigo 14 do Código Tributário Nacional não exigem para a fruição da imunidade; (d) as entidades de assistência social abrangem as atividades educacionais, não cabendo à fiscalização classificar qual entidade presta assistência social ou não, pois tal classificação decorre de lei; e (e) há precedentes judiciais no sentido do cabimento da imunidade de COFINS para atividades próprias de entidades sem fins lucrativos. A decisão de primeira instância, proferida em 10/11/2004 (fls. 331 a 341) foi, unanimemente, pela procedência do lançamento, sob os fundamentos de que: (a) a COFINS incide sobre a receita das mensalidades cobradas pelas instituições de ensino, sendo a imunidade prevista no artigo 150, VI, "c", da CF restrita a impostos, e a prevista no artigo 195, § 7o, a entidades beneficentes de assistência social; (b) as instituições de educação são prestadoras de serviço e, quando recebem a correspondente contraprestação, não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social; e (c) a isenção prevista na Medida Provisória no 2.158, de 2001, atinge tãosomente as receitas relativas às atividades próprias, não incluindo as receitas de caráter contraprestacional auferidas pelas instituições de educação. Após ciência da decisão da DRJ, em 26/08/2006 (AR de fl. 351), a associação apresenta o Recurso Voluntário de fls. 360 a 392, em 25/09/2006 (fl. 360), reiterando os argumentos expostos na impugnação (principalmente no que se refere ao artigo 195, § 7o, da CF/1988 dispor sobre imunidade, matéria que demanda lei complementar para regulação, conforme entende majoritariamente a doutrina e conforme consagram precedentes judiciais), e acrescentando que basta, para a fruição da imunidade, que a instituição aplique seus resultados em suas finalidades institucionais, conforme preceito da lei complementar. No então Segundo Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução no 20400.632, de 08/10/2008 (fls. 467 e 468), o julgamento foi convertido em diligência, para que “... a fiscalização aponte com clareza a natureza de cada conta componente da base de cálculo”, e “... demonstre se a entidade cumpre os requisitos dos artigos 14 do CTN e 55 da Lei n° 8.212/91 para fruição da imunidade deferida às instituição de assistência social, visto que a maioria do colegiado a entende aplicável também às instituições de educação” (fl. 468). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 547DF CARF MF Processo nº 19515.000100/200234 Acórdão n.º 3401004.472 S3C4T1 Fl. 547 3 Em 31/01/2014, a instituição informa desistência recursal parcial em relação à COFINS em relação aos fatos geradores de 06/1997 a 01/1999, apenas e tão somente em relação ao “faturamento bruto” decorrente da atividade de educação, no sentido estrito da palavra (sem alargamento da base de cálculo), nos montantes originais de R$ 56.094,79 (1997), R$ 101.559,33 (1988) e R$ 9.252,93 (janeiro de 1999), em razão de adesão parcial à reabertura do parcelamento da Lei no 11.941/2009. Informa ainda que insiste no afastamento da autuação de COFINS no que se refere a “exclusão da base de cálculo” de “outras receitas” (decorrentes do alargamento da base de cálculo da receita bruta para os fatos geradores de 03/1996 a 02/2001, e no cancelamento do lançamento em relação ao período de 03/1996 a 06/1997, em virtude de decadência quinquenal, conforme Súmula Vinculante no 8, do STF. Discerne os montantes referentes à rubrica “outras receitas” nas planilhas de fls. 524 a 529. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 534/535, informase: (a) a natureza das contas denominadas “outras receitas” para o período de 03/1996 a 01/1999; (b) que a entidade cumpre os requisitos do artigo 14 do CTN; e (c) que a entidade não cumpre os requisitos do artigo 55 da Lei no 8.212/1991. Do resultado da diligência, deuse ciência à entidade em 26/02/2014 (fl. 538). No despacho de fl. 544, proferido em 29/08/2014, a fiscalização informa que, em razão da adesão do contribuinte à reabertura do parcelamento instituído pela Lei no 11.941/2009, foram transferidos para o processo no 16151.720080/201433 os débitos discriminados nas planilhas de fls. 524 a 529 do requerimento de desistência parcial do recurso voluntário. Em setembro de 2016, o processo foi a mim distribuído, por novo sorteio, visto que o relator original não mais compunha o colegiado. O processo não foi indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. Em fevereiro, março e abril o processo foi indicado para pauta, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. Em maio de 2017, por fim, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. Em julho o processo foi pautado, e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento, não tendo sido incluído em pauta em agosto por não estar presente o relator, justificadamente, na sessão de julgamento. Em setembro e outubro, o processo foi incluído em pauta e retirado por falta de tempo hábil para julgamento. Não houve sessões de julgamento em novembro e dezembro de 2017. Em janeiro, fevereiro e março de 2018, o processo também foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 548DF CARF MF 4 É preciso esclarecer, de início, que a própria unidade preparadora da RFB já apartou deste processo os débitos incluídos em parcelamento, em virtude de desistência recursal parcial. No “termo de transferência” de fls. 542/543, informase a transferência de débitos para outro processo nos seguintes valores: Apresentamse, assim, os seguintes totais, em relação ao período (apenas com menção aos montantes originais): Ano Montante lançado Montante transferido Montante restante 1997 R$ 63.103,53 R$ 56.094,79 R$ 7.008,74 1998 R$ 112.333,01 R$ 101.559,33 R$ 10.773,68 1999 R$ 9.881,78 R$ 9.252,93 R$ 628,85 Remanescem contenciosos, nestes autos, em relação aos períodos de junho de 1997 a janeiro de 1999, assim, somente os montantes restantes, a serem acrescidos dos devidos consectários, basicamente sob duas alegações de defesa, sequer suscitadas no recurso voluntário: (a) de que restariam maculados pela decadência os lançamentos referentes ao período de 03/1996 a 06/1997, conforme Súmula Vinculante no 8, do STF; e (b) e que deveriam ser excluídos da base de cálculo “outras receitas” (decorrentes do alargamento da base de cálculo da receita bruta para os fatos geradores de 03/1996 a 02/2001). O segundo tema, afeto a “outras receitas”, apesar de constar no voto pela conversão em diligência, não se apresenta, na visão deste relator, como matéria de ordem pública, sendo preclusa a alegação, não estando regimentalmente o julgador vinculado às convicções que ensejaram a conversão em diligência. Quanto ao primeiro tema (decadência), invocando a Súmula Vinculante STF no 8, é de se verificar que a autuação foi cientificada ao sujeito passivo em 26/06/2002, e versa sobre COFINS referente ao período de março de 1996 a fevereiro de 2001. De acordo com a referida Súmula no 8, publicada em 12/09/2008, são inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência decenal do crédito tributário, para contribuições sociais. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 19515.000100/200234 Acórdão n.º 3401004.472 S3C4T1 Fl. 548 5 E dispõe o caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988 que: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” (grifo nosso) Aplicase ao caso, assim, a Súmula no 8, do STF, sendo a decadência de contagem quinquenal. No entanto, cabe verificar se houve pagamento antecipado, para fins de aplicação do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, ou não, o que culmina na aplicação do artigo 173, I da mesma codificação. E, na autuação, verificase que não houve pagamento da COFINS, justamente por entender a recorrente ser indevido qualquer valor a título da contribuição. Diante da ausência de pagamento antecipado, aplicável é a regra do artigo 173 do CTN, conforme entendimento expresso pelo STJ no REsp no 973.733/SC, na sistemática do artigo 543C do antigo CPC (atual artigo 1036 do novo CPC, veiculado pela Lei no 13.105/2015), e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o artigo 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 550DF CARF MF 6 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso) Nesse sentido já decidiu, reiteradamente, este CARF: “(...) DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF.” (Acórdão no 3403002.298, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 25.jun.2013) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403 Fl. 551DF CARF MF Processo nº 19515.000100/200234 Acórdão n.º 3401004.472 S3C4T1 Fl. 549 7 003.106 e 107, no 3403003.305, no 3101001.267, no 3302 002.589, no 3403002.767, no 9202003.060, no 9303002.849 e no 9303002.857). Sendo os débitos mais remotos da autuação correspondentes ao fato gerador de 31/03/1996 (que poderia ter sido lançado em 01/01/1997, primeiro dia do exercício seguinte, marco inicial para a contagem decadencial), e tendo sido o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo em 26/06/2002, há configuração de decadência, no presente processo, apenas em relação aos fatos geradores de 1996. No entanto, cabe ressaltar que após a inclusão em parcelamento, já não resta débito de 1996 contencioso, no presente processo, pelo que, ainda que acolhida a tese esposada na a Súmula Vinculante STF no 8, do STF, remanesce hígido o montante lançado que está sob apreciação deste colegiado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 552DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912230/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Numero da decisão: 3401-004.249
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente TIAGO GUERRA MACHADO Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 30 /2 01 2- 22 Fl. 58DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 38 e seguintes), contra acórdão de Manifestação de Inconformidade proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório (fls 2 a 5) negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 437 e seguintes), afirmando em suma que: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.912230/201222 Acórdão n.º 3401004.249 S3C4T1 Fl. 59 3 Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 0265.684, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido: Devese destacar as seguintes conclusões do relator: A base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. Somente a lei pode modificar a base de cálculo do tributo. A legislação do PIS/PASEP e da COFINS prevê exclusões da base de cálculo. Especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, excluemse da receita bruta o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos regimes. Admitir qualquer outra exclusão, equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão não é nem sequer válida no âmbito do julgamento administrativo. Ademais, ainda que o contribuinte tivesse razão, ele não apresenta nenhum documento contábil ou fiscal que demonstre o impacto do ICMS no tributo a pagar. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 38 e seguintes), vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria: Fl. 60DF CARF MF 4 Sendo assim, tendo em vista que a questão quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS está pendente de julgamento no STF, em sede de repercussão geral, deve o presente recurso ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, em atenção ao princípio da economia processual. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.912230/201222 Acórdão n.º 3401004.249 S3C4T1 Fl. 60 5 Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento. Tiago Guerra Machado Relator Fl. 62DF CARF MF 6 Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000002/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
VEDAÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
COFINS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO. INDICAÇÃO EM NOTA FISCAL OU FATURA. EXIGÊNCIA.
Os descontos incondicionais, como parcelas redutoras do valor de venda ou da prestação de serviços, para efeitos fiscais, devem constar expressamente da nota fiscal ou fatura correspondente, conforme preceitua o item 4.2 da IN SRF 51/78, com fundamento nos arts. 96, 100 e 115 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PIS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO. INDICAÇÃO EM NOTA FISCAL OU FATURA. EXIGÊNCIA.
Os descontos incondicionais, como parcelas redutoras do valor de venda ou da prestação de serviços, para efeitos fiscais, devem constar expressamente da nota fiscal ou fatura correspondente, conforme preceitua o item 4.2 da IN SRF 51/78, com fundamento nos arts. 96, 100 e 115 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3401-005.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 VEDAÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COFINS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO. INDICAÇÃO EM NOTA FISCAL OU FATURA. EXIGÊNCIA. Os descontos incondicionais, como parcelas redutoras do valor de venda ou da prestação de serviços, para efeitos fiscais, devem constar expressamente da nota fiscal ou fatura correspondente, conforme preceitua o item 4.2 da IN SRF 51/78, com fundamento nos arts. 96, 100 e 115 do Código Tributário Nacional. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PIS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO. INDICAÇÃO EM NOTA FISCAL OU FATURA. EXIGÊNCIA. Os descontos incondicionais, como parcelas redutoras do valor de venda ou da prestação de serviços, para efeitos fiscais, devem constar expressamente da nota fiscal ou fatura correspondente, conforme preceitua o item 4.2 da IN SRF 51/78, com fundamento nos arts. 96, 100 e 115 do Código Tributário Nacional.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 VEDAÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COFINS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO. INDICAÇÃO EM NOTA FISCAL OU FATURA. EXIGÊNCIA. Os descontos incondicionais, como parcelas redutoras do valor de venda ou da prestação de serviços, para efeitos fiscais, devem constar expressamente da nota fiscal ou fatura correspondente, conforme preceitua o item 4.2 da IN SRF 51/78, com fundamento nos arts. 96, 100 e 115 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PIS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO. INDICAÇÃO EM NOTA FISCAL OU FATURA. EXIGÊNCIA. Os descontos incondicionais, como parcelas redutoras do valor de venda ou da prestação de serviços, para efeitos fiscais, devem constar expressamente da nota fiscal ou fatura correspondente, conforme preceitua o item 4.2 da IN SRF 51/78, com fundamento nos arts. 96, 100 e 115 do Código Tributário Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 02 /2 00 9- 60 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 19311.000002/200960 Acórdão n.º 3401005.035 S3C4T1 Fl. 163 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de auto de infração, para formalização de lançamento de ofício das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referentes ao período de apuração compreendido entre fevereiro e março de 2004, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 559.798,36. 2. Segundo se depreende da descrição dos fatos e enquadramentos legais, narra a autoridade fiscal que o lançamento decorreu das diferenças constatadas em procedimento de fiscalização entre os valores das contribuições, declarados nas Declarações de Créditos e Tributos Federais (DCTF) e os efetivamente devidos, apurados a partir da escrita contábil, pelo fato de a contribuinte não ter incluído, na base das contribuições, as receitas decorrentes de bonificações. 3. A contribuinte apresentou, em 23/03/2009, impugnação, situada às fls. 133 a 138, na qual argumentou, em síntese, que: (i) a bonificação em verbas e mercadorias recebidas de fornecedores se trata de desconto incondicional com respaldo o item 4, alíneas 'a', 'b' e 'c', e nos subitens 4.1 e 4.2 da Instrução Normativa SRF nº 51, de 03/11/1978; e (ii) a multa de ofício tem caráter confiscatório. 4. Em 17/12/2014, a 1ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1455.815, situado às fls. 125 a 158, de relatoria do AuditorFiscal José Adão Vitorino de Morais, que entendeu, por Fl. 163DF CARF MF Processo nº 19311.000002/200960 Acórdão n.º 3401005.035 S3C4T1 Fl. 164 3 unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2004 DIFERENÇAS. DCTF/CONTABILIDADE. PARCELA LANÇADA. A diferença entre o valor da contribuição declarado na DCTF e o efetivamente devido, apurado com base no faturamento mensal, assim entendido o total das receitas operacionais escrituradas na contabilidade, é passível de lançamento de ofício. BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. BONIFICAÇÕES. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas decorrentes de bonificações em mercadorias e/ ou em espécie constituem receitas operacionais da pessoa jurídica e estão sujeitas à contribuição. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. No lançamento de ofício para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente. A exigência da multa de ofício, no percentual fixado em lei, não configura confisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reiterou e melhor desenvolveu as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Fl. 164DF CARF MF Processo nº 19311.000002/200960 Acórdão n.º 3401005.035 S3C4T1 Fl. 165 4 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais, mas merece ressalva quanto ao conhecimento da alegação de caráter confiscatório da multa de ofício aplicada no percentual de 75%, em conformidade com o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. 7. As alegações de inconstitucionalidade de leis, como a vedação insculpida no inciso IV do art. 150 da Constituição de 1988, referemse a matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 8. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 9. Assim, por incompetência material desta jurisdição administrativa, não conheço o recurso voluntário interposto neste particular. 10. Quanto ao mérito, o único argumento utilizado pela empresa autuada como fundamento para a exclusão das receitas de bonificações da base de cálculo do PIS e da Cofins é aquele que se fundamenta no item 4, alíneas 'a', 'b' e 'c', e nos subitens 4.1 e 4.2 da Instrução Normativa SRF nº 51, de 03/11/1978, que disciplina procedimentos de apuração da receita de vendas e serviços, para tributação das pessoas jurídicas: Instrução Normativa SRF nº 51, de 03/11/1978 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19311.000002/200960 Acórdão n.º 3401005.035 S3C4T1 Fl. 166 5 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 11. Transcrevese, por oportuno, trecho da decisão recorrida: "O lançamento decorreu da diferença entre o valor da contribuição declarado na Declaração de Créditos e Tributos Federais (DCTF) e o efetivamente devido, apurada a partir da escrita contábil, pelo fato de o interessado não ter incluído, na base da contribuição, as receitas decorrentes de bonificações, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e Termo de Verificação Fiscal às fls. 69/73, parte integrante do auto de infração. Intimado do lançamento, o interessado impugnouo (fls. 104/110), alegando, em síntese, que os valores de R$879.254,06 e R$517.508,90 não podem compor a base de cálculo da contribuição porque decorrem de bonificações em verba e mercadorias recebidas de fornecedores e devem ser classificados como outras receitas não operacionais, equivalentes a descontos incondicionais, e excluídos da base de cálculo, conforme previsto no inciso I do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Contestou também a exigência da multa de ofício sob o argumento de que é confiscatória. (...) Conforme demonstrado anteriormente e consta da própria impugnação, em relação à base de cálculo, o interessado impugnou somente a parte da contribuição apurada sobre as receitas de bonificações que somam R$1.396.762,96 (R$879.254,06 + R$517.508,90), resultando contribuição impugnada no valor de R$41.902,89. Assim, como a diferença de contribuição lançada e exigida, no valor de R$467.129,64 (R$509.032,53 – R$41.902,89), apurada sobre as receitas operacionais de vendas de mercadorias, não foi impugnada, a autoridade administrativa competente deve formalizar processo para exigir imediatamente a parte não impugnada, acrescida das cominações legais, multa de ofício e juros de mora." (seleção e grifos nossos). 12. De fato, em casos como o presente, deve o intérprete buscar na operação a natureza jurídica de desconto incondicional, esta sim passível de exclusão da base de cálculo das contribuições nos termos do artigo 1º, parágrafo 3º, inciso V, alínea 'a', da Lei nº 10.637/2002, ou seja, se as bonificações de fato configuram mero redutor do preço pago pelos insumos da contribuinte no momento de sua aquisição. Sobre este particular, ademais, a distinção entre o desconto condicional e o incondicional mereceu análise na Solução de Consulta COSIT nº 34, de 21/11/2013, cujo trecho abaixo se transcreve: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 19311.000002/200960 Acórdão n.º 3401005.035 S3C4T1 Fl. 167 6 “Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador" (seleção e grifos nossos). 13. Acrescese, porém, a tal requisito de ausência de vinculação a evento futuro e incerto, a exigência de sua expressa indicação em nota fiscal de venda dos bens ou faturas dos serviços, nos termos do item 4.2 da Instrução Normativa SRF nº 51/1978, referida, ademais, na defesa da própria recorrente, o que implica a conclusão pela existência de requisitos cumulativos. 14. A obrigação, ademais, ainda que de caráter acessório ou instrumental, perfaz o requisito do art. 115 do Código Tributário Nacional no sentido de que seu nascedouro deve constar "na forma da legislação aplicável", o que compreende as instruções normativas, como atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, na condição de normas complementares, nos termos dos arts. 96 e 100, inciso I da norma codificada de estatura complementar, o que tem por implicação a pertinência e procedência do lançamento ora questionado. 15. A contribuinte, ademais, tampouco se esforça em produzir prova de suas alegações, e não demonstra, sequer por meio de argumentos, o cumprimento do requisito de que o desconto seja incondicional, o que derruiria mesmo a tese tendente a relativizar a obrigação constante na instrução normativa em referência em virtude de carência probatória. Observese ser este, ademais, o limite da cognição do aplicador, uma vez que o Decreto nº 70.235/1972 dispõe, em seus arts. 16 e 17, operandose, portanto, sobre tais matérias, a preclusão consumativa na esfera administrativa. 16. Tal posicionamento, ademais, foi aquele adotado por esta turma, no Acórdão CARF nº 3401003.404, proferido em 20/02/2017, de relatoria do Conselheiro Robson José Bayerl, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que apresentou declaração de voto e já não mais integra este colegiado, e Rodolfo Tsuboi. Transcrevese, abaixo, por pertinente, trecho do voto do relator, posição que se sagrou vencedora por votação da maioria dos integrantes desta turma julgadora: "(...) ser considerado “incondicional” pela tãosó ausência de vinculação a evento futuro e incerto; para efeitos fiscais, mormente perante a legislação tributária federal, a esta condição deve ser agregada outra, consistente na sua expressa indicação em nota fiscal de venda dos bens ou faturas dos serviços, conforme impõe o item 4.2 da IN SRF nº 51/1978: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 19311.000002/200960 Acórdão n.º 3401005.035 S3C4T1 Fl. 168 7 “4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.” Tratamse (sic), portanto, de requisitos cumulativos, não bastando o atendimento de apenas um deles, como parece defender o recorrente. A inclusão do desconto incondicional em nota, exigida pelo ato normativo em apreço é claramente obrigação acessória, que, por sua natureza, não exige lei, em sentido estrito, para seu estabelecimento, consoante dispõe o art. 115 do Código Tributário Nacional: “Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.” (destacado) Já o art. 96 do mesmo diploma disciplina que o termo “legislação” compreende “as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.” (destacado) As normas complementares, por seu turno, são catalogadas no art. 100 do mesmo codex, incluindose nessa categoria, por força do inciso I, “os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas”, classe a que pertencem as instruções normativas baixadas pela Receita Federal" (seleção e grifos nossos). 17. Mantenho, coerentemente, o posicionamento adotado naquela oportunidade, e entendo pela procedência do lançamento de ofício ora combalido. Assim, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 168DF CARF MF Processo nº 19311.000002/200960 Acórdão n.º 3401005.035 S3C4T1 Fl. 169 8 Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000052/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a recorrente seja cientificada do resultado da diligência anterior.
RosaldoTrevisanPresidente
(assinado digitalmente)
Mara Cristina SifuentesRelatora
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a recorrente seja cientificada do resultado da diligência anterior. RosaldoTrevisanPresidente (assinado digitalmente) Mara Cristina SifuentesRelatora (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Foi lavrado contra a empresa APV South América Indústria e Comércio Ltda, atual SPX Flow Technology do Brasil Ltda, o auto de infração no valor de R$564.222,56 pela diferença de IPI apurada entre o valor escriturado e o declarado, referentes às 1ª e 2ª quinzena de agosto/2004. Cientificada a interessada apresentou impugnação que foi julgada pela DRJ Belém, acórdão nº 0123.165, de 05/10/11, por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário exigido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 32 .0 00 05 2/ 20 06 -1 2 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10932.000052/200612 Resolução nº 3401001.383 S3C4T1 Fl. 428 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 VENDA PARA ENTREGA FUTURA. OPÇÃO. Será facultado ao sujeito passivo da obrigação tributária antecipar os atos de sua iniciativa, para o momento da venda, quando esta for para entrega futura do produto. Efetuado o destaque do imposto e a escrituração no RAIPI, o mesmo irá compor o montante a ser pago no período. A empresa apresenta então Recurso Voluntário em que alega: a recorrente é contratada para entregar, de forma pronta e acabada, linhas de processamento industrial, e emite nota fiscal de venda para entrega futura, para fins de faturamento, sem destaque de IPI, já que muitos dos equipamentos podem não ter sido fabricados. A cada saída física de equipamentos a empresa emite a nota fiscal de remessa com o destaque do IPI devido, incluindo o IPI destacado na apuração correspondente à quinzena na qual foi promovida a saída dos equipamentos; No caso em análise, a empresa cometeu erro formal na emissão dos documentos fiscais, por emitir notas fiscais de venda para entrega futura com o destaque do IPI, mas sem efetuar o recolhimento, e quando da emissão da nota fiscal de remessa não destacou o imposto, mas promoveu o recolhimento; que a documentação foi acostada aos autos durante a impugnação e faz prova de que o imposto foi devidamente recolhido, apesar do erro na emissão do documento fiscal. O Recurso Voluntário foi julgado pelo CARF, em 25/09/2013, Resolução nº 3401000.765, decidindo o colegiado na conversão do julgamento em diligência para: Compulsando os autos, observase que a contribuinte trouxe aos autos inúmeros documentos fiscais, sem, contudo, discriminar minuciosamente quais as notas fiscais que supostamente tiveram o imposto descriminado erroneamente. Explicitou em sua razão que os três processos que supostamente teriam o tributo lançado de forma equivocada forma: a) fornecimento do sistema de evaporação para a Bahia Celulose S.A.; b) fornecimento do sistema de processamento de produtos lácteos para a Embaré Indústrias Alimentícias S.A.; c) fornecimento de sistema de processamento de produtos lácteos para a Embaré Indústrias Alimentícias S.A. Informou, ainda, que toda a documentação fiscal referente aos mencionados processos foram anexados à sua impugnação às fls. 170/175. Todavia, não há como observar se houve o efetivo recolhimento do imposto devido, razão pela qual entendo que o presente processo deva ser convertido em diligência para que a autoridade fiscalizadora informe os valores das operações efetuadas nos processos mencionados, bem como qual o valor do imposto devidamente recolhido em cada processo. A DRF São Bernardo do Campo, após efetuar diligência à empresa para solicitação de documentos emitiu relatório, fls. 414 a 419, onde conclui: Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10932.000052/200612 Resolução nº 3401001.383 S3C4T1 Fl. 429 3 Não consta dos autos que a recorrente tenha tido ciência do relatório fiscal e apresentado alegações adicionais. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Compulsando os autos constatase que o contribuinte não foi intimado e cientificado sobre o resultado da diligência. É dever da administração tributária proceder a notificação dos referidos autuados, ainda que a diligência tenha lhe sido favorável, de forma que não seja violada a garantia constitucional do devido processo legal, conforme dispõe o art. 18 do Decreto nº 70235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância eterminará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10932.000052/200612 Resolução nº 3401001.383 S3C4T1 Fl. 430 4 trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Para que se evite prejuízo ao direito de ampla defesa, voto pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que o ora recorrente seja cientificado do teor da resposta ofertada pela autoridade preparadora à Resolução nº 3401000.765 e se propicie a oportunidade de manifestação. Após que os autos retornem a esse colegiado para prosseguimento do feito. Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 430DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.721543/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
TRIBUTOS SOBRE COMÉRCIO EXTERIOR. ISENÇÃO. LEIS EXTRAVAGANTES. APURAÇÃO DE SIMILARIDADE. NECESSIDADE.
O requisito de apuração de similaridade, constante do art. 17 do Decreto-Lei nº 37/66, ressalvadas as exceções taxativamente relacionadas no mesmo dispositivo, estende-se a todas as isenções de tributos sobre o comércio exterior, ainda que veiculadas em leis extravagantes.
ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Uma vez demonstrado que o sujeito passivo preenchia todos os requisitos para fruição de isenção condicionada à destinação do bem, mediante apresentação de documentação hábil, mostra-se improcedente o lançamento realizado com fundamento no suposto desatendimento às exigências legais.
ISENÇÃO CONDICIONADA À DESTINAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGÊNCIA.
As isenções condicionadas à destinação do bem exigem a demonstração do integral cumprimento dos requisitos para sua fruição, motivo pelo qual, em caso de operações sucessivas e continuadas com bens isentos, a prova deve recair sobre cada operação isoladamente considerada, não sendo possível o recurso à amostragem, para estender prova de uma operação a outra, por falta de previsão legal.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
Consoante Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, sendo o enunciado impositivo no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 72, caput, do RICARF (Portaria MF 343/15).
JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício mediante instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação, o valor correspondente, isolada ou conjuntamente com o tributo devido, constitui-se em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios.
LANÇAMENTO. VÍCIO. INCONSISTÊNCIA DO MOTIVO. NULIDADE. DESCABIMENTO.
Não está eivado de nulidade o lançamento que, à época de sua lavratura, observava os requisitos formais do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e continha os elementos típicos do ato administrativo, do qual é espécie, bem assim, retratava os fatos até então apurados e as infrações praticadas, de modo que, se provado o contrário, no curso do procedimento contencioso, deve-se declarar a improcedência das razões de autuação e não nulidade do feito, mormente quando parcela da autuação é mantida.
Recurso de ofício negado e recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que davam provimento parcial para exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar declaração de voto no que se refere à matéria tratada no recurso de ofício.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: Relator Robson José Bayerl
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ISENÇÃO. LEIS EXTRAVAGANTES. APURAÇÃO DE SIMILARIDADE. NECESSIDADE. O requisito de apuração de similaridade, constante do art. 17 do DecretoLei nº 37/66, ressalvadas as exceções taxativamente relacionadas no mesmo dispositivo, estendese a todas as isenções de tributos sobre o comércio exterior, ainda que veiculadas em leis extravagantes. ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Uma vez demonstrado que o sujeito passivo preenchia todos os requisitos para fruição de isenção condicionada à destinação do bem, mediante apresentação de documentação hábil, mostrase improcedente o lançamento realizado com fundamento no suposto desatendimento às exigências legais. ISENÇÃO CONDICIONADA À DESTINAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGÊNCIA. As isenções condicionadas à destinação do bem exigem a demonstração do integral cumprimento dos requisitos para sua fruição, motivo pelo qual, em caso de operações sucessivas e continuadas com bens isentos, a prova deve recair sobre cada operação isoladamente considerada, não sendo possível o recurso à amostragem, para estender prova de uma operação a outra, por falta de previsão legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Consoante Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 15 43 /2 01 3- 87Fl. 52194DF CARF MF 2 títulos federais, sendo o enunciado impositivo no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 72, caput, do RICARF (Portaria MF 343/15). JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício mediante instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação, o valor correspondente, isolada ou conjuntamente com o tributo devido, constituise em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios. LANÇAMENTO. VÍCIO. INCONSISTÊNCIA DO MOTIVO. NULIDADE. DESCABIMENTO. Não está eivado de nulidade o lançamento que, à época de sua lavratura, observava os requisitos formais do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e continha os elementos típicos do ato administrativo, do qual é espécie, bem assim, retratava os fatos até então apurados e as infrações praticadas, de modo que, se provado o contrário, no curso do procedimento contencioso, devese declarar a improcedência das razões de autuação e não nulidade do feito, mormente quando parcela da autuação é mantida. Recurso de ofício negado e recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que davam provimento parcial para exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar declaração de voto no que se refere à matéria tratada no recurso de ofício. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Fl. 52195DF CARF MF Processo nº 10074.721543/201387 Acórdão n.º 3401004.421 S3C4T1 Fl. 11 3 Trata o presente processo de lançamento para exigência de II, IPI, PIS/Pasep e Cofins, incidentes na importação, no período de apuração outubro/2008 a dezembro/2012, em razão da i) inobservância de requisitos para isenção de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de embarcações, que, segundo a fiscalização, exigiria exame de similaridade e, por conseqüência, licenciamento não automático; e, ii) não comprovação do integral emprego dos bens nas finalidades garantidoras da isenção. Em impugnação o contribuinte sustentou inexigência do exame de similaridade para o caso dos autos, por força do art. 201, VII, “b” do Regulamento Aduaneiro; que as importações atenderam os requisitos da Lei nº 8.032/90 para fruição da isenção; que as partes, peças e componentes importados foram exclusiva e integralmente destinadas ao reparo, revisão e manutenção de embarcações de sua propriedade; que faz prova do preenchimento das exigências do art. 174 do Regulamento Aduaneiro; e, que as importações em questão estão sujeitas ao PIS/Pasep e Cofins à alíquota zero (art. 8º, § 12, I da Lei nº 10.865/04). O processo foi convertido em diligência para exame da documentação apresentada em impugnação e prestação de informações (efls. 51.444/51.447), com relatório fiscal às efls. 51.450/51.455 e manifestação do sujeito passivo às efls. 51.561/51574. A DRJ São Paulo I/SP, em votação majoritária, deu parcial provimento ao recurso para afastar a exigência do exame de similaridade ao caso concreto, mantendo o lançamento em relação a produtos cujo prova do emprego na finalidade legal não foi feita, mediante decisão assim ementada: “ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria específica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. EXAME DE SIMILARIDADE. EXIGÊNCIA. A partir da Edição da Lei 8402/1992 que equiparou as operações de reparo e manutenção de embarcações previstas na ‘j’ do artigo 2o da Lei 8032/1990, à exportações para fins fiscais, e do disposto nas Leis 9493/1997 e 9432/1997,os requisitos para a isenção dos imposto de importação exigidos são (i) destinação dos bens, peças e equipamentos, para o reparo, manutenção e modernização de embarcações; (ii) registro das embarcações no REB e (iii) realização de obras em estaleiro brasileiro, não sendo exigido o exame de similaridade com produtos nacionais.” O presidente da turma julgadora interpôs recurso de ofício. O recurso voluntário pugnou pela nulidade do lançamento, porquanto fundado na presunção de descumprimento da legislação isencional, sem considerar os elementos de prova disponibilizados pelo recorrente, o que violaria o art. 9º do Decreto nº 70.235/72 e arts. 24 a 29 do Decreto nº 7.574/2011; que a comprovação de aproximadamente 98% (noventa e oito por cento) da destinação das peças fora realizada, implicando na improcedência total do lançamento; que todas as peças importadas foram destinadas à manutenção das embarcações de sua propriedade; subsidiariamente, defendeu a conversão do Fl. 52196DF CARF MF 4 julgamento em diligência para comprovação do emprego integral dos bens importados nas finalidades exigidas; e, por fim, a inaplicabilidade da taxa selic como indexador dos juros de mora, bem assim, o descabimento da incidência dos juros sobre a multa de ofício. Na sessão de 28/02/2018 o julgamento foi iniciado, com apresentação de voto pela conversão em diligência e, em seguida, retirado de pauta por vista coletiva. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Recurso de ofício O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade. Como relatado, entendeu a fiscalização que a importação de partes, peças e componentes, realizada pela recorrente, para fazer jus à vindicada isenção, exigiria o exame de similaridade previsto no art. 17 do DL 37/66, com conseqüente emissão de LI não automática para o seu reconhecimento e deferimento, o que não ocorreu, bem assim, a falta de comprovação integral do emprego dos bens importados nas finalidades exigidas pela regra de isenção. O recorrente, por seu turno, defendeu o seu direito com fulcro nas disposições do art. 2º, II, “j” da Lei nº 8.032/90, que, c/c com os arts. 17, II, “b” do DL 37/66 e 201, VII, “b” do Decreto nº 6.759/2009, dispensariam tal exame quando ditos componentes se destinassem a reparo ou manutenção de aparelho, instrumento, máquina ou equipamento de procedência estrangeira, instalado ou em funcionamento no país, sustentando que suas embarcações são montadas com equipamentos importados, cuja manutenção “reclama peças originais ou autorizadas pelos fornecedores”, em virtude de garantias e necessidade de segurança. Na seqüência, após discorrer sobre a legislação citada, aduziu que a isenção em comento teria natureza eminentemente objetiva, vinculada tão somente à aplicação na finalidade catalogada, in casu, o emprego dessas peças, partes e componentes importados na manutenção, conservação, revisão e reparo das embarcações registradas no REB (Registro Especial Brasileiro), de que trata a Lei nº 9.432/97, sem deixar, contudo, de referir à dispensa do exame de similaridade carreado pelo art. 201, VII, “b” do RA/09 (Decreto nº 6.759/09) Ainda na impugnação, descreveu o regramento para a realização da manutenção e garantias respectivas dos equipamentos instalados em embarcações autorizadas a navegar no país. Pois bem, para facilitar a fluência do raciocínio condutor do presente voto, necessário a análise detida de alguns pontos importantes do lançamento/impugnação. Ainda na fase investigativa, quando questionado sobre a ausência de licenças de importação para as declarações autuadas, respondeu o contribuinte que a falta do documento Fl. 52197DF CARF MF Processo nº 10074.721543/201387 Acórdão n.º 3401004.421 S3C4T1 Fl. 12 5 se devia à sua desnecessidade, por força das disposições dos arts. 199 e 201, VII, “b” do Decreto nº 6.759/09 (RA/09), nesses termos: Vale a transcrição dos mencionados preceptivos: Art.199. A anotação de inexistência de similar nacional no documento ou no registro informatizado de importação, ou de enquadramento da mercadoria nas hipóteses referidas no art. 204, é condição indispensável para o despacho aduaneiro com isenção ou redução do imposto. (Vide Decreto nº 8.463, de 2015) Parágrafo único.Excetuamse da exigência de anotação as mercadorias compreendidas no §3odo art. 193, no art. 201 e as que forem expressamente autorizadas pela Secretaria de Comércio Exterior. (...) Art.201. São dispensados da apuração de similaridade: (...) VII partes, peças, acessórios, ferramentas e utensílios (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 17, parágrafo único, inciso II): (...) b) importados pelo usuário, na quantidade necessária e destinados, exclusivamente, ao reparo ou manutenção do aparelho, instrumento, máquina ou equipamento de procedência estrangeira, instalado ou em funcionamento no País; (...)” (destacado) Segundo a interpretação então patrocinada, o emprego de peças de reposição e/ou componentes importados em quantidades necessárias ao reparo e manutenção de equipamentos de procedência estrangeira, instalados nas embarcações do recorrente, estariam dispensados da apuração de similaridade exigida pelo art. 17 do DecretoLei nº 37/66. Aliás, o próprio art. 17 do DL 37/66, por intermédio do seu inciso II, já estabeleceria referida dispensa, em sua redação original, verbis: “Art. 17 A isenção do impôsto de importação sòmente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado.(Vide Fl. 52198DF CARF MF 6 Decretolei nº 1.554, de 1977)(Vide Decretolei nº 2.238, de 1985)(Vide Decretolei nº 2.433, de 1988)(Vide Lei nº 12.767, de 2012) Parágrafo único. Excluemse do disposto nêste artigo: (...) II as partes, pecas, acessórios, ferramentas e utensílios: (...) b) destinados, exclusivamente, na forma do regulamento, ao reparo ou manutenção de aparêlho, instrumento, máquina ou equipamento de procedência estrangeira, instalado ou em funcionamento no país.” Como prova do cumprimento desse requisito, inicialmente, foi apresentada planilha com a indicação das declarações de importação abrangidas pela ação fiscal, a identificação das embarcações, o número de inscrição no REB, o equipamento em que utilizadas as peças/componentes importados com isenção e a sua procedência, consoante documentos de efls. 15.258/15.275., para o período 2012; 15.449/15.455, para 2008; 15.844/15.509 , para 2009; efls. 15.534/15.557, para 2010; e , efls. 15.592/15.616, para 2011. A resposta específica à intimação fiscal foi a seguinte (efl. 15.256): Posteriormente, em impugnação, essas planilhas foram complementadas com a inclusão da informação do DME (Documento de Entrega de Material) respectivo (efls. 36.381/36.481 – vol. IV), o que demonstraria a vinculação entre as importações e o emprego das mercadorias nos objetivos legais, a amparar a dispensa da apuração de similaridade e o gozo da isenção correspondente. A fiscalização não contestou, diretamente, o emprego dos insumos importados nas finalidades descritas pelo contribuinte, porém, inferiu que não houve prova documental suficiente para tal desiderato, não incluindo na autuação apenas aquelas declarações de importação para as quais foi apresentado, além da aludida planilha, os documentos internos da empresa para demonstração da entrega do material nas embarcações, tais como os “documentos de entrega de material (DME)”, “autorizações de transporte de material” e “boletins de remessa”. Ou seja, não se questionou a procedência estrangeira do equipamento à qual se destinavam as peças importadas, como especificado nas citadas planilhas, mas sim, o seu efetivo emprego, ao passo que, durante a ação fiscal, a exigência foi cumprida parcialmente, segundo o contribuinte, “por amostragem”. Estranhamente, quanto à exigência da apuração de similaridade, a fiscalização não examinou as operações sob o enfoque do art. 201, VII, “b” do RA/09, acima transcrito, mas à luz do art. 201, V do RA/09, que ostenta a seguinte redação: “Art.201. São dispensados da apuração de similaridade: Fl. 52199DF CARF MF Processo nº 10074.721543/201387 Acórdão n.º 3401004.421 S3C4T1 Fl. 13 7 (...) V partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão e manutenção de aeronaves ou embarcações, estrangeiras (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 17, parágrafo único, inciso I); (...)” Como o autuado informou que suas embarcações eram nacionais, a conclusão dos autuantes foi pela necessidade do exame de similaridade, uma vez que o art. 201, V aplicarseia exclusivamente às embarcações estrangeiras. Essa inferência, ainda que logicamente correta, peca pelo equívoco da premissa adotada, porquanto o recorrente nunca afirmou que a dispensa da similaridade se fundava no dito inciso V (art. 201 do RA/09), mas sim no inciso VII, “b”, como destacado, o que acaba por profligar a argumentação do lançamento quanto à necessidade da indigitada apuração de similaridade. Cumpre registrar que, como dito alhures, não houve contestação do emprego das peças/componentes nos equipamentos de procedência estrangeira instalados nas embarcações do recorrente por parte das autoridades fiscais, tanto assim que, para definir as declarações de importação que seriam objeto de autuação, tomaram essas mesmas planilhas confeccionadas pelo contribuinte como parâmetro de segregação, como se verifica dos documentos de efls. 15.692/15.694, onde textualmente consta o seguinte título: “DIs ANALISADAS PELA FISCALIZAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA FINALIDADE QUE MOTIVOU A ISENÇÃO” Segue excerto exemplificativo dessa planilha: Portanto, se essas informações fossem rechaçadas pela fiscalização, seria contraditório o acatamento de indigitada planilha, muito menos a sua utilização na confecção da tabela de “declarações de importação comprovadas”. Ao contrário, caberia aos agentes a exposição de sua improcedência, com a coleção das provas que ditos insumos não foram empregados em equipamentos estrangeiros instalados e em funcionamento nas embarcações, o que não ocorreu, digase. Feitas as colocações, passo ao reexame da decisão de piso. O voto vencedor acentuou que a Lei nº 8.032/90, através de seu art. 1º, IV, § 2º, teria equiparado as operações de reparo e manutenção de embarcações a operações de exportação, posteriormente ratificada pelo art. 11 da Lei nº 9.432/97, e também o art. 11 da Lei nº 9.493/97, que conferiu isenção de II e IPI para partes, peças e componentes destinados ao Fl. 52200DF CARF MF 8 emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no REB e desde que realizadas por estaleiros navais brasileiros, não havendo qualquer exigência acerca da necessidade do exame de similaridade, restringindose as condições para fruição do benefício, então, à i) destinação dos bens importados, ii) registro das embarcações no REB e iii) realização das obras em estaleiros brasileiros. Esses requisitos, segundo o voto, foram satisfeitos pelo recorrente, como apontado em diligência realizada (efls. 51.450/51.455), ressalva feita às partes, peças e componentes acobertados pelas declarações de importação assinaladas na decisão sub examine. Após analisar a legislação de regência e as manifestações apresentadas, comunguei o entendimento externado na declaração de voto lançada no aresto reexaminando, acerca da necessidade do exame de similaridade. Nesse diapasão, diversamente da tese encampada pelo voto vencedor, entendo que a exigência do exame em comento não necessitaria de previsão expressa e pontual na lei extravagante que veicula isenção de imposto de importação, haja vista que a apuração da similaridade é regra geral para fruição do benefício fiscal, como estatuído no DecretoLei nº 37/66 e Decreto nº 6.759/2009 (RA/09), verbis: “CAPÍTULO III – Isenções e Reduções SEÇÃO I – Disposições Gerais (...) Art.12 A isenção ou redução, quando vinculada à destinação dos bens, ficará condicionada ao cumprimento das exigências regulamentares, e, quando for o caso, à comprovação posterior do seu efetivo emprego nas finalidades que motivarem a concessão. (...) SEÇÃO V – Similaridade Art. 17 A isenção do impôsto de importação sòmente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado.(Vide Decretolei nº 1.554, de 1977)(Vide Decretolei nº 2.238, de 1985)(Vide Decretolei nº 2.433, de 1988)(Vide Lei nº 12.767, de 2012) Parágrafo único. Excluemse do disposto nêste artigo: (...) II as partes, pecas, acessórios, ferramentas e utensílios: a) que, em quantidade normal, acompanham o aparêlho, instrumento, máquina ou equipamento; b) destinados, exclusivamente, na forma do regulamento, ao reparo ou manutenção de aparêlho, instrumento, máquina ou equipamento de Fl. 52201DF CARF MF Processo nº 10074.721543/201387 Acórdão n.º 3401004.421 S3C4T1 Fl. 14 9 procedência estrangeira, instalado ou em funcionamento no país.” (destacado) “CAPÍTULO VIII DAS ISENÇÕES E DAS REDUÇÕES DO IMPOSTO Seção I Das Disposições Preliminares Art.114. Interpretase literalmente a legislação tributária que dispuser sobre a outorga de isenção ou de redução do imposto de importação (Lei no5.172, de 1966, art. 111, inciso II). Art.115. A isenção ou a redução do imposto somente será reconhecida quando decorrente de lei ou de ato internacional. Art.116. Os bens objeto de isenção ou de redução do imposto, em decorrência de acordos internacionais firmados pelo Brasil, terão o tratamento tributário neles previsto (Lei no 8.032, de 1990, art. 6o). Art.117. O tratamento aduaneiro decorrente de ato internacional aplicase exclusivamente à mercadoria originária do país beneficiário (DecretoLei no 37, de 1966, art. 8o). §1o Respeitados os critérios decorrentes de ato internacional de que o Brasil seja parte, temse por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria resultante de material ou de mãodeobra de mais de um país, aquele onde houver recebido transformação substancial (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 9º). §2o Entendese por processo de transformação substancial o que conferir nova individualidade à mercadoria. Art.118. Observadas as exceções previstas em lei ou neste Decreto, a isenção ou a redução do imposto somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 17; e DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, art. 2o, caput).(Vide Decreto nº 8.463, de 2015) Art.119. A concessão e o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativo ao imposto ficam condicionados à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais (Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 60). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica:(Redação dada pelo Decreto nº 7.315, de 2010) I às importações efetuadas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal, pelos Territórios e pelos Municípios; e Incluído pelo Decreto nº 7.315, de 2010) Fl. 52202DF CARF MF 10 II às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder público, relativamente às importações vinculadas a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.(Incluído pelo Decreto nº 7.315, de 2010) Art.120. No caso de descumprimento dos requisitos e das condições para fruição das isenções ou das reduções de que trata este Capítulo, o beneficiário ficará sujeito ao pagamento dos tributos que deixarem de ser recolhidos na importação, com os acréscimos legais e penalidades cabíveis, conforme o caso, calculados da data do registro da declaração de importação (DecretoLei no37, de 1966, arts. 11e12;Lei no4.502, de 1964, art. 9o, § 1o, com a redação dada pela Lei no9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso II; e Lei no11.945, de 4 de junho de 2009, art. 22).(Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010).” (destacado) Nesse passo, o fato dos arts. 136, 174 e 181 do Regulamento Aduaneiro não referenciarem à necessidade do exame de similaridade para a isenção ali prevista não conduz à ilação de sua dispensa, como acertadamente entendeu o julgador vencido, mesmo porque o art. 118 do diploma é categórico em dispor que as exceções a essa regra (similaridade) devem ser previstas em lei. Então, em contraponto ao raciocínio exposto, não é a necessidade da apuração de similaridade que deve vir expressa na lei, mas sim a sua dispensa. De outra banda, nem mesmo as Leis nºs 8.032/90 e 8.402/92 sancionam a desnecessidade dessa verificação, haja vista que esta última apenas ratificou os benefícios instituídos pela primeira, que, por seu turno, na redação original, estabelecia que a isenção sujeitarseia à observância da legislação correlata: “Art. 2º As isenções e reduções do Imposto de Importação ficam limitadas, exclusivamente: (...) II aos casos de: (...) j) partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações; (...) Parágrafo único. As isenções e reduções referidas neste artigo serão concedidas com observância do disposto na legislação respectiva. Art. 3º Fica assegurada a isenção ou redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme o caso: I nas hipóteses previstas no art. 2º desta lei, desde que satisfeitos os requisitos e condições exigidos para a concessão do benefício análogo relativo ao Imposto de Importação; (...)” (destacado) Fl. 52203DF CARF MF Processo nº 10074.721543/201387 Acórdão n.º 3401004.421 S3C4T1 Fl. 15 11 Da mesma forma, não se entrevê sua dispensa nas disposições das Leis nºs 9.432/97 e 9.493/97, que sequer tangenciam o assunto, o que implica em reconhecer a sua necessidade, por força do art. 17 do DL 37/66. Todavia, mesmo concordando em boa parte com o voto vencido, dele passo a dissentir quando afirma que a pretendida dispensa do exame de similaridade estabelecida pelo art. 201, VII, “b” do Decreto nº 6.759/09 alcançaria exclusivamente as partes e peças destinadas ao emprego em embarcações estrangeiras, simplesmente porque esse caso de inexigência já vem textualmente arrolado no inciso V do mesmo artigo: “Art.201. São dispensados da apuração de similaridade: (...) V partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão e manutenção de aeronaves ou embarcações, estrangeiras (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 17, parágrafo único, inciso I); (...) VII partes, peças, acessórios, ferramentas e utensílios (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 17, parágrafo único, inciso II): (...) b) importados pelo usuário, na quantidade necessária e destinados, exclusivamente, ao reparo ou manutenção do aparelho, instrumento, máquina ou equipamento de procedência estrangeira, instalado ou em funcionamento no País; (...)” Assim, partindo do princípio hermenêutico consoante o qual a lei não contém palavras inúteis, não faz sentido lógicojurídico que o legislador tenha incluído a mesma hipótese de dispensa de apuração de similaridade em dois incisos distintos do mesmo artigo, de maneira que a interpretação mais consentânea com as disposições transcritas aponta para a possibilidade, sim, de dispensa da aferição em comento às partes, peças e acessórios destinados ao reparo e manutenção de aparelhos, instrumentos, máquinas e equipamentos estrangeiros instalados em embarcações brasileiras. Da mesma forma, não andou bem quando acentuou não ter o recorrente se desincumbido de produzir prova suficiente à demonstração da situação, uma vez admitido o enquadramento na hipótese do art. 201, VII, “b” acima reproduzido, isso porque essa prova nunca lhe foi exigida. Durante o procedimento fiscal essa circunstância, ainda que conhecida, não foi contestada pelas autoridades fiscais, de modo que não cabe, agora, em sede de julgamento, redirecionar o trabalho fiscal e imputar ao recorrente a produção de prova de algo que não foi argüido no lançamento. Inclusive, na sessão de fevereiro/2018, na primeira oportunidade de apreciação colegiada do processo nessa turma julgadora, propus a conversão do julgamento em Fl. 52204DF CARF MF 12 diligência para verificação do emprego dos insumos importados em equipamentos estrangeiros instalados nas embarcações do recorrente, para confirmação da dispensa da apuração de similaridade, uma vez que a destinação como requisito para fruição da isenção já fora verificada. Todavia, após os debates e revendo em detalhes os autos, especialmente as ilações da fiscalização e a argumentação do recorrente, modifiquei o meu entendimento sobre a situação jurídica exposta, ao passo que essa singular destinação, devidamente indicada pelo contribuinte, desde o início do trabalho fiscal, não foi repelida pelas autoridades administrativas, mas, ao contrário, por elas acolhidas, ao utilizar as planilhas como instrumentos norteadores do trabalho fiscal, inclusive com o acatamento da prova coligida em impugnação. Concernente ao cumprimento da condição remanescente para fruição da isenção reclamada (II e IPI) e redução de alíquota (PIS/Pasep e Cofins) – emprego das partes, peças e componentes na conservação, reparo ou manutenção de embarcações registradas no REB –, merece referência os documentos apensados aos autos, na impugnação, e principalmente o resultado da diligência determinada pelo tribunal administrativo a quo, que certificou a aplicação dos bens importados em embarcações nacionais do autuado (efls. 51.451/15.453), sendo pertinente a transcrição das respostas aos quesitos “1” e “3” do relato fiscal: “1) Sim, a documentação apresentada na impugnação prova a aplicação de parte dos bens importados nas embarcações nacionais utilizadas pela autuada; (...) 3) O método utilizado foi o mesmo empregado no auto de infração, conforme descrito no Relatório de Fiscalização (fls.15.18615.215), no tópico 4, intitulado “Da Análise Fiscal”, especificamente no subtópico 4.2 intitulado “Do efetivo emprego dos bens nas finalidades que motivaram a concessão da isenção”, onde foram analisados os documentos apresentados pela autuada, denominados “Documento de Entrega de Material” (DEM), que se referem a saída de mercadorias da empresa para os navios, onde cada DEM devidamente numerado contém o número da DI correspondente e a indicação do navio de destino, relacionando assim os bens importados com seus respectivos navios. Foram apresentados e analisados também os documentos intitulados “Boletim de Remessa”, que relacionam DEM com os seus navios correspondentes, onde o recebimento dos bens é atestado por tripulante do navio, geralmente o oficial de máquinas (chief engineer), comprovando a entrega à bordo dos bens importados e consequentemente o efetivo emprego dos bens importados nas finalidades que motivaram o benefício fiscal concedido.” (destaques no original) Como se vê, após a diligência, foi eliminada a controvérsia até então reinante entre autuante e autuado, não merecendo a fundamentação da decisão reexaminanda, nesse ponto, qualquer reparo. Assim, por entender que o exame de similaridade, como regra geral para fruição de isenção de II/IPI para mercadorias importadas, é extensível e exigível àquelas Fl. 52205DF CARF MF Processo nº 10074.721543/201387 Acórdão n.º 3401004.421 S3C4T1 Fl. 16 13 (isenções) instituídas em legislação extravagante, e.g. a Lei nº 8.032/90; que a dispensa de aludida apuração pelo art. 201, VII, “b”, do Decreto nº 6.759/09, não foi objeto de questionamento específico pela fiscalização; e, por fim, que o requisito da destinação, para a isenção, foi quase inteiramente atendido, como reconhecido pela diligência fiscal, entendo que a parcela do lançamento, abrangida pelo recurso de ofício, deve, de fato, ser exonerada. Pelo exposto, ainda que não concorde integralmente com o voto condutor da decisão de primeiro grau administrativo, no que tange à desnecessidade do exame de similaridade, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário A defesa sustenta, preliminarmente, a nulidade do lançamento, ante o resultado da diligência realizada e, no mérito, o cumprimento da condição isencional em cerca de 98% (noventa e oito) das operações de importação, ou, alternativamente, a realização de perícia para comprovação da parcela restante, assim como, a inaplicabilidade da taxa selic como juros moratórios e a impossibilidade da incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada. Relativamente à nulidade, entendo que o lançamento preenche os requisitos formais do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e não investe contra o direito de defesa do contribuinte, não atraindo as hipóteses de nulidade insertas no art. 59 do mesmo diploma. Da mesma forma, enquanto espécie de ato administrativo, contém os elementos típicos de sua formação: sujeito, finalidade, forma, motivo e objetivo. O vício, se existente, não residiria na formação do ato, propriamente dita, mas na improcedência (parcial) do motivo, eis que houve a imputação de infração pelo descumprimento de requisitos para a fruição de isenção/redução de tributos, o que, a partir de elementos probatórios carreados ao processo no curso do procedimento contencioso, mostrou se infundado, em parte, valendo acentuar, no entanto, que, no momento da autuação, esse não era o quadro fático que se apresentava. Com efeito, por ocasião da lavratura do auto de infração o contribuinte, ora recorrente, de fato, não havia comprovado plenamente o implemento da condição para a fruição da isenção, a não ser pelo envio de pequena parcela da documentação exigida pela fiscalização, razão pela qual, a meu sentir, não haveria qualquer falha contemporânea à realização do lançamento, muito menos causa de nulidade, mas improcedência da motivação da autuação, com o superveniente acervo documental produzido. Outrossim, segundo a ótica fiscal, duas seriam as causas de inobservância dos pressupostos à fruição da vantagem fiscal: i) ausência de licenciamento não automático de importação, ante a necessidade de procedimento de apuração de similaridade, e ii) a falta de comprovação do emprego dos bens importados nas finalidades previstas na legislação. Então, mesmo que possível, em tese, a altercação sobre o erro de motivo, concernente à comprovação da condição para gozo da isenção, como causa de nulidade do auto Fl. 52206DF CARF MF 14 de infração, restaria ainda a outra imputação fiscal, que versa sobre matéria de direito, ou melhor, interpretação de normas jurídicas. Desse modo, a prevalência do entendimento sobre a desnecessidade do exame de similaridade, não redunda na declaração de nulidade da autuação por erro de motivo, mas sim na improcedência dessa razão específica para exigência do crédito tributário. Demais disso, não se pode olvidar que, relativamente à comprovação documental, consignou o relatório de diligência fiscal que não houve integral confirmação da destinação dos bens importados, como exigido pelas leis de regência, o que corroboraria a impossibilidade de declaração de nulidade pretendida, ou, para aqueles que assim entendem, ao menos não deveria atingir o lançamento como um todo, mas tãosomente a parcela onde se comprovou a inconsistência do motivo. Quanto à extensão dos efeitos da constatação de efetivo emprego dos bens importados com isenção/redução de alíquota nas finalidades legais à parcela remanescente, onde o contribuinte não logrou êxito em comproválo, ainda que o tenha feito na quase totalidade das operações, não vislumbro possibilidade para acolhimento do pleito, ao passo que, em se tratando de isenção subordinada à destinação do bem, o cumprimento da condição é inerente e inarredável à sua fruição, devendo ser certificada caso a caso e não pelo conjunto, como postula o recorrente, haja vista que essa ampliação não conta com respaldo legal. A teor do art. 111 do Código Tributário Nacional, a legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Tocante à realização de perícia, de fato, o art. 133 do Decreto nº 6.759/09 (RA/09) a prevê, entretanto, não houve a priori necessidade de tal recurso, porquanto o exame documental bastou ao propósito de verificar o implemento da condição isentiva. Por conseguinte, se a documentação apresentada não contemplava a totalidade das operações, cabia ao interessado o requerimento dessa providência, nos moldes dos arts. 16, IV e 18 do Decreto nº 70.235/72, para suprimento dessa insuficiência, o que não aconteceu. Nessa vereda, distintamente do que prega o recorrente, o ônus da prova do cumprimento da condição que modula a isenção é do contribuinte que dela se beneficia e não da Administração Tributária, como se verifica do art. 12 do DL 37/66: “Art. 12 A isenção ou redução, quando vinculada à destinação dos bens, ficará condicionada ao cumprimento das exigências regulamentares, e, quando for o caso, à comprovação posterior do seu efetivo emprego nas finalidades que motivarem a concessão.” Por certo, quando o dispositivo menciona a necessidade de comprovação posterior do efetivo emprego nas finalidades que motivaram a concessão da isenção está a atribuir o encargo probatório ao seu beneficiário, de modo que é o contribuinte quem deve evidenciar o direito à isenção, pela demonstração do cumprimento da condição, e não o inverso, onde as autoridades fiscais devem produzir uma “prova negativa”, consistente na comprovação de que o beneficiário não cumprira a condição isentiva. Essa exegese está em sincronia com as disposições do art. 179 do CTN, ao incumbir o interessado da prova do preenchimento dos requisitos para concessão ou gozo da isenção, quando assim exigido pela lei. Fl. 52207DF CARF MF Processo nº 10074.721543/201387 Acórdão n.º 3401004.421 S3C4T1 Fl. 17 15 Portanto, sendo o ônus probatório, no caso dos autos, do sujeito passivo, competia ao recorrente propor a perícia, com obediência aos arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, como prova suplementar à documental. Outrossim, muito provavelmente a perícia não contemplaria adequadamente a pretensão recursal – a prova efetiva e específica do emprego dos específicos bens importados na manutenção, reparo e conservação das embarcações do recorrente – ao passo que, cuidando se de peças, partes e componentes aplicados nos equipamentos das embarcações, em uso contínuo há mais de cinco anos, já teria havido a sua deterioração, de modo que apenas a prova documental da entrega desses bens nas referidas embarcações supriria a demonstração da realização da condição. Nesse sentido, como a prova, a meu juízo, seria estritamente documental, bastaria ao recorrente a sua apresentação, o que não tendo ocorrido, acarreta a exigência dos tributos devidos, a teor do art. 120 do Decreto nº 6.759/09. Na seqüência, atinente à aplicabilidade da taxa selic como indexador de juros de mora, a matéria já se encontra pacificada no sentido de sua possibilidade, inclusive com edição de súmula de jurisprudência Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais , sendo impositiva a sua observância pelos membros do CARF, nos termos do art. 72, caput, do RICARF (Portaria MF 343/15). Respeitante à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, segundo o art. 61 da Lei nº 9.430/96, os débitos decorrentes de tributos administrados pela RFB serão atualizados pela taxa selic, sendo que o emprego da expressão “débitos decorrentes”, a meu ver, açambarca os consectários vinculados aos tributos, no caso específico, a multa de ofício aplicada, cuja constituição ocorre juntamente com a formalização do crédito tributário correspondente ao tributo, mediante lavratura do competente auto de infração ou mesmo notificação de lançamento. Este raciocínio está alinhado à teleologia do Código Tributário Nacional, quando dispõe, em seu art. 113, § 1º, que a obrigação principal tem como objeto, além da quitação do tributo, o pagamento de penalidade pecuniária, da qual, s.m.j., é espécie a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, estabelecendo, ainda, que o crédito tributário decorre da obrigação principal e possui a mesma natureza desta (art. 139), finalizando, no art. 161, que não liquidado – o crédito – na data aprazada, deve ser acrescido dos juros moratórios. Logo, cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do lançamento. Neste ponto, cumpre anotar que, enquanto não estiver formalizada através de lançamento, por ser a penalidade em questão multa de ofício oriunda de um procedimento de fiscalização, não cabe sua atualização monetária, tanto assim que no instrumento de constituição (auto de infração ou notificação de lançamento) a multa incide exclusivamente sobre o valor histórico do tributo conjuntamente lançado, limitandose os juros moratórios à atualização desta parcela. Todavia, após a formalização do lançamento, tributo e penalidade passam a compor o crédito tributário integral, devendo este montante submeterse à fluência dos mencionados juros. Fl. 52208DF CARF MF 16 Por derradeiro, ainda que não tenha sido ventilado em recurso voluntário, mas tãosomente em memoriais distribuídos em sessão, porém, para evitar quaisquer questionamentos posteriores, não vislumbro inovação da fundamentação do lançamento pelo voto condutor da decisão de piso, na parte mantida, pela suposta agregação de uma novel “condição suplementar”, a saber, que a manutenção, reparo ou conservação fossem realizados em estaleiros brasileiros, porque a referência a essa condição se deu exclusivamente como reprodução do texto do art. 11 da Lei nº 9.493/97, não, porém, que tenha sido a razão para manutenção de parte do lançamento, cujo motivo repousa na falta de comprovação do emprego nas finalidades exigidas em lei, como se verifica do seguinte excerto: “Do exposto, concluo este voto, entendendo como a relatora que o exame de similaridade não cabe ao caso em análise, motivo pelo qual reconheço o direito à isenção da autuada ao II, IPI, PIS e COFINS, e julgo procedente a impugnação no tocante a isenção destes impostos e contribuições para aquelas importações para os quais foi comprovada a destinação dos bens, no caso, o emprego das partes e peças no reparo, manutenção e conservação das embarcações da autuada. Contudo ao contrário da Relatora entendo que a isenção não cabe para todas as importações, devendo ser negada para um conjunto de 47 importações, cujas declarações encontramse listadas na tabela que segue, para as quais a autuada não comprovou o efetivo emprego no reparo e manutenção de suas embarcações.” (destacado) Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, 1. Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume bem fundado voto do Conselheiro Relator Robson José Bayerl, apresento a seguinte declaração de voto, ousando dele discordar. 2. Discutese a cobrança de II, IPI, PISImportação e Cofins Importação incidentes sobre a importação de peças, partes e componentes exclusivos para embarcações sob o Registro Especial Brasileiro (REB) para tráfego marítimo no país empregados no transporte marítimo de petróleo e seus derivados, tendo a autoridade fiscal entendido que a contribuinte deixou de cumprir os requisitos autorizadores da desoneração Fl. 52209DF CARF MF Processo nº 10074.721543/201387 Acórdão n.º 3401004.421 S3C4T1 Fl. 18 17 preconizados pelo regime, consistente na (i) inexistência de similar nacional; e (ii) destinação dos bens. 3. A partir da interpretação do art. 17 do DecretoLei n° 37/1966, foram selecionadas as DI registradas pelo importador para as quais não foram encontradas as respectivas licenças de importação (LI) vinculadas que atestassem a realização do exame de similaridade, ou, no caso de sua inexistência autorização expressa da SECEX para dispensa da anotação de inexistência de similar nacional, a que se refere o parágrafo único do artigo 199 do Decreto nº 6.759/2009, tendo a contribuinte informado não serem exigíveis as LI em virtude da dispensa da anotação de inexistência de similar nacional, com base no parágrafo único do artigo 199 e da alínea “b” do inciso VII do artigo 201 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09), inexistindo, não obstante, previsão legal para a exigência de autorização expressa da SECEX, motivo pelo qual o preenchimento da DI com o respectivo benefício não implica a exigência automática da LI. 4. De fato, ao se compulsarem os artigos 193 e seguintes do RA/2009, bem como a Portaria SECEX nº 23/2011, a manifestação da Secretaria de Comércio Exterior é necessária nos casos de comprovação ou não da similaridade nacional, e não nos casos de dispensa. Observese que o lançamento teve por fundamento de validade o DecretoLei n° 37/1966, que entendeu não estar a contribuinte inserta entre os casos de exclusão. As alterações introduzidas pelo art. 2º do DecretoLei nº 1.726/1979 foram posteriormente revogadas pelo Decretolei nº 2.434/1988 que, por seu turno, profligou a expressão "estrangeira" do texto, de forma a expurgar o distinguish de nacionalidade das embarcações a que se destinam os bens importados para fins de proveito da norma de isenção, o que foi ecoado pela Lei nº 8.032/1990 e também pelo art. 118 do RA/2009. A questão deve ser deslocada, em primeiro lugar, da alínea 'b' do art. 17 do DecretoLei n° 37/1966, que estabelece como exclusão da regra geral de anotação as partes, peças, acessórios, ferramentas e utensílios destinados ao reparo ou manutenção de aparelho, instrumento, máquina ou equipamento de procedência estrangeira instalado ou em funcionamento no país. Como refere o voto condutor da decisão de piso neste particular, não se admitir que as embarcações no REB de bandeira brasileira não tivessem o mesmo benefício das estrangeiras implicaria tratamento não isonômico no desempenho de atividade econômica, o que militaria em desapreço ao objetivo da norma no sentido de garantir infraestrutura, transporte de cargas e abastecimento de derivados de petróleo em território nacional. 5. Este, ademais, o sentido do art. 1º do DecretoLei nº 2.434/1988, cujo preceptivo normativo condiciona as isenções do II e do IPI incidentes sobre produtos de incidência estrangeira unicamente à destinação das partes, peças e componentes. Assentese, ainda, com o fato de que, quando o quis, o legislador apontou expressamente a necessidade da comprovação de compleição protecionista da inexistência de similar nacional, como no caso da alínea 'l' do inciso II do art. 2º da Lei nº 8.032/1990, ou na alínea 'a' do § 2º do art. 1º do próprio DecretoLei nº 2.434/1988. Ao se descer à espécie, o art. 11 da Lei nº 9.432/1997 determinou a isenção de tais tributos à revelia do exame de similaridade e, ainda que se dê interpretação diversa daquela deste voto quanto à alínea 'b' do art. 17 do DecretoLei n° 37/1966, reafirmado pela alínea 'b' do art. 201 do RA/2009, o que se observa é a inovação do ordenamento no sentido da dispensa ou mesmo irrelevância do exame de similaridade para fins de concessão do benefício, não havendo, sequer indiretamente, a exigência do teste de similaridade para a concessão do benefício. Fl. 52210DF CARF MF 18 6. Tal constatação decorre também do fato de que aquelas operações de reparo e manutenção de embarcações se equiparam a exportações nos termos da alínea 'j' do art. 2º da Lei n 8.032/1990, que dispõe sobre a isenção ou redução de impostos de importação, o que torna forçoso concluir, como fez o voto vencedor da decisão ora objurgada, que "(...) não cabe a cobrança dos impostos mencionados", cabendo unicamente a sua suspensão até a ulterior "(...) comprovação do emprego das peças ou equipamentos importados na manutenção ou reparo de uma embarcação". O preceptivo normativo em destaque tem por conseqüência a criação dos efeitos tributários típicos de uma exportação da embarcação sempre que houver construção, conservação, modernização ou reparo, quanto às peças, partes e componentes, de embarcações no REB. Assim, concluise, em outras palavras, que todas as importações, produções ou aquisições de partes, peças e componentes destinados ao emprego em embarcações no REB "para todos os efeitos legais e fiscais" (§ 9º do art. 11 da Lei º 9.432/1997) são equiparadas a operações de exportação. Este o sentido do voto do Conselheiro Walker Araújo no Acórdão CARF nº 3302003.343, proferido em sessão de 24/08/2016: "A isenção prevista na Lei nº 8.302/90 não traz nenhum tipo de condição, apenas determina a observância da legislação de regência. Por sua vez, a lei nº 8.402/92, que alcança tanto o imposto de importação quanto o imposto sobre produto industrializado também não impõe condição para fruição do benefício. Já a Lei nº 9.493/97, condiciona a isenção ao efetivo Registro Especial Brasileiro REB e que a conservação, modernização e conversão sejam realizadas em estaleiros navais brasileiros. A isenção prevista no artigo 174, do Decreto nº 6.759/2009, impõe que os bens importados sejam destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e embarcações, não apresentando qualquer requisito que exija o exame de similaridade para o fim de obtenção do benefício. Por fim, o artigo 181, do mesmo diploma legal, exige que (i) as partes, peças e componentes sejam destinados ao emprego na conservação, modernização e conversão; (ii) de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro; e (iii) que os serviços sejam realizados em estaleiros navais brasileiros. Em relação ao artigo 136, do Regulamento Aduaneiro, consta que as isenções ou reduções serão concedidas com observância dos termos, limites e condições estabelecidas na Seção VI, do Decreto nº 6.759/2009, onde se verifica que as importações realizadas pela interessada não estão submetidas a qualquer exame de similaridade. Portanto, de acordo com os dispositivos legais citados, não há necessidade de comprovar a inexistência de similar no mercado nacional para fins de não incidência do imposto de importação e do imposto sobre produto industrializado, considerando que a própria lei que concede a isenção não o faz. Fl. 52211DF CARF MF Processo nº 10074.721543/201387 Acórdão n.º 3401004.421 S3C4T1 Fl. 19 19 Como se vê, as leis nºs 8.302/90, 8.402/92 e 9.493/97 tem natureza específica no tocante às regras de isenção e, por força do princípio da especialidade, a regra especial prevalece sobre a regra geral, no presente caso, as regras previstas no regulamento aduaneiro" (seleção e grifos nossos). 7. Entendeu, ainda, a autoridade fiscal que a documentação apresentada pela empresa ora recorrente foi insuficiente, não tendo restado comprovado, para a maior parte das DIs analisadas, que os bens importados foram destinados às embarcações. Correto voto da AuditoraFiscal Regina Coeli de Vasconcelos Louvise, que integra o acórdão a quo, ao destacar que não foram consideradas planilhas apresentadas pela contribuinte que "(...) indicam: i) número da DI; ii) navio em que foi instalada; iii) número do REB do navio; iv) equipamento para o qual as partes e peças foram importadas; v) origem do equipamento, relativo aos anos de 2008 a 2012". Acrescenta, ainda, que: "(...) para se infirmar a veracidade das informações constantes de dita planilha e negar a destinação dos bens declarada pela interessada deveria a fiscalização diligenciar e determinar a realização de perícia, nos moldes do previsto no art. 133 do Decreto nº 6.759/2009, já transcrito (afinal, estamos tratando de um crédito tributário de mais de R$ 44.000.000,00)". Complementa, ainda, no seguinte sentido: Esse entendimento guarda amparo também no que dispõe o art. 22 da Lei nº 11.945 que, ao tratar de PIS/Pasep importação e Cofinsimportação assim determinou, in verbis: Art. 22. Salvo disposição expressa em contrário, caso a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação for condicionada à destinação do bem ou do serviço, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não existisse. Notese que o dispositivo em tela deixa expresso que as contribuições serão devidas como se não houvesse a redução de alíquotas nos casos em que ao bem importado tenhase dado destino diverso daquele que amparou a redução de alíquotas. Em outras palavras, há que se comprovar que a destinação dos bens importados ao amparo do benefício teve destinação que não aquela declarada pela interessada. Não se pode correr o risco de penalizar o contribuinte (in abstractum), sem que se tenha um elevado grau de probabilidade no sentido do acontecimento do fato tributário Fl. 52212DF CARF MF 20 Assim, o Fisco deveria, ab initio, ter instruído o lançamento com as provas dos fatos (destinação diversa dos bens importados), nos termos do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/19722, descabendo, após a interposição da peça impugnatória, converterse o processo em diligência para suprir deficiência probatória (...). De se concluir que o fundamento utilizado para a autuação, de que os bens importados não foram efetivamente empregados nas finalidades que motivaram a isenção e redução de alíquotas dos tributos incidentes nas importações, não foi devidamente comprovado pela fiscalização frente às provas trazidas pela interessada e, portanto, sob esse argumento, a autuação é improcedente" (seleção e grifos nossos). 8. Assim, pelas razões acima expostas, voto no sentido de afastar o critério da similaridade como requisito para a fruição do benefício. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 52213DF CARF MF
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