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Numero do processo: 10880.659075/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.331
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.659075/201239 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.331 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de março de 2018 Assunto COFINS Recorrente HOSPICARE COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 07 5/ 20 12 -3 9 Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10880.659075/201239 Resolução nº 3402001.331 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10880.659075/201239 Resolução nº 3402001.331 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10880.659075/201239 Resolução nº 3402001.331 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721708/2015-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CISÃO PARCIAL. AQUISIÇÃO DE NOVO INVESTIMENTO.
Na alienação de participação societária adquirida em função de cisão parcial deve-se considerar como custo e data de aquisição, aqueles relacionados à novel participação.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não sendo carreadas provas robustas de que a conduta do autuado tenha sido levada a efeito de forma dolosa, não merece prosperar a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer de petição apresentada extemporaneamente em inovação à impugnação e conhecer do recurso voluntário, dando-lhe parcial provimento por maioria de votos, de modo a reduzir a multa aplicada ao patamar de 75%. Vencidos conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini que deram provimento ao recurso e os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator) e Luis Henrique Dias que mantiveram a qualificação da multa. Declarou-se impedido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição aos impedimentos do Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci), Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CISÃO PARCIAL. AQUISIÇÃO DE NOVO INVESTIMENTO. Na alienação de participação societária adquirida em função de cisão parcial deve-se considerar como custo e data de aquisição, aqueles relacionados à novel participação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não sendo carreadas provas robustas de que a conduta do autuado tenha sido levada a efeito de forma dolosa, não merece prosperar a qualificação da multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer de petição apresentada extemporaneamente em inovação à impugnação e conhecer do recurso voluntário, dando-lhe parcial provimento por maioria de votos, de modo a reduzir a multa aplicada ao patamar de 75%. Vencidos conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini que deram provimento ao recurso e os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator) e Luis Henrique Dias que mantiveram a qualificação da multa. Declarou-se impedido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Redator Designado Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição aos impedimentos do Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci), Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini.
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CISÃO PARCIAL. AQUISIÇÃO DE NOVO INVESTIMENTO. Na alienação de participação societária adquirida em função de cisão parcial devese considerar como custo e data de aquisição, aqueles relacionados à novel participação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não sendo carreadas provas robustas de que a conduta do autuado tenha sido levada a efeito de forma dolosa, não merece prosperar a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 17 08 /2 01 5- 73 Fl. 628DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer de petição apresentada extemporaneamente em inovação à impugnação e conhecer do recurso voluntário, dandolhe parcial provimento por maioria de votos, de modo a reduzir a multa aplicada ao patamar de 75%. Vencidos conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini que deram provimento ao recurso e os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator) e Luis Henrique Dias que mantiveram a qualificação da multa. Declarouse impedido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição aos impedimentos do Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci), Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 629 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 07.04.2015 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 899.318,55, acrescido da multa de ofício qualificada (150%) e juros legais. A autuação decorreu da constatação da infração a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão/Apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores exercício 2011. Para o relato dos fatos apurados, sirvome do Termo de Verificação Fiscal de fls. 191/210, por entender ser abundante em detalhes: Este procedimento fiscal é decorrente da fiscalização (autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal número 08.1.90.002013005722) desenvolvida junto à contribuinte MARIA CRISTINA MORENO ATALLA CURI, CPF 245.516.52806, doravante denominada Maria Cristina, que recebeu o respectivo Termo de Início em 13.03.2013. Intimada a justificar sua movimentação financeira, inicialmente, a Sra. Maria Cristina apresentou, espontaneamente, em 15.04.2013, cópias dos extratos bancários, inclusive os referentes à conta 13226, agência 2584, do Banco Bradesco e à conta 228285, agência 8089 do Banco Itaú, informando que não havia cotitulares nestas contas. Apresentou, ainda, cópia de Contrato de Cessão de Uso de Conta Corrente. Posteriormente, a Sra. Maria Cristina apresentou um documento, datado de 15.07.2013, no qual constava demonstrativo (planilha) intitulado “Créditos Bradesco Ag 2584, c/c 13226”. Ao final deste documento lêse “Declaro que os créditos acima relacionados são de minha responsabilidade”, e constavam data e assinatura do fiscalizado Jorge Edney Atalla. Esta fiscalização recebeu, em 01.08.2013, documento no qual a Sra. Maria Cristina, ao justificar os créditos recebidos em suas contas bancárias, informou (no item 3) que o crédito no valor total de R$5.149.843,64 (cinco milhões, cento e quarenta e nove mil, oitocentos e quarenta e três reais e sessenta e quatro centavos) se referia a valor Fl. 630DF CARF MF 4 recebido da empresa Yamana Desenvolvimento. Como se verá adiante, este recebimento é resultado da venda, por parte do fiscalizado, de participação societária. A Sra. Maria Cristina, para corroborar sua informação apresentou cópias: a) da Proposta Firme para Alienação das Ações da Companhia Goiana de Ouro, datado de 25.05.2010; b) do Contrato de Compra e Venda das Ações, datado de 27.05.2010; c) do Comprovante das TED referentes à venda das ações. Foi, então, inaugurado novo procedimento fiscal (diligência), autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.04.002013007557, tendo o fiscalizado recebido, em 16.10.2013, o Termo de Início de Ação Fiscal (lavrado em 14.10.2013). Foram expedidas mais três intimações, sendo que a quarta, lavrada em 31.03.2014, apresentou o seguinte questionamento: A Sra. Maria Cristina Moreno Atalla Curi apresentou documento intitulado “Contrato de Cessão de Uso de Conta Corrente”. Neste documento no qual o contribuinte acima figura como “usuário”consta, dentre as considerações, a de número 2 (dois) nos seguintes termos: “que o usuário já possui idade avançada e problemas jurídicos”. Deve, pois, o contribuinte informar de forma detalhada, apresentando, se for o caso, a respectiva documentação, quais são estes problemas jurídicos. Deve, ainda, o contribuinte informar se possui contrato firmado com as mesmas partes com teor semelhante, com data anterior a 10.04.2013 e, em caso positivo, apresentálo. Em resposta à Intimação de número 4, o contribuinte apresentou, em 25.04.2014, documento com a mesma data, no qual informou o que segue: “Problemas jurídicos citados no contrato item (1) referem se ao fato de sendo Jorge Edney Atalla sócio em diversas empresas é comum que ocorram execuções trabalhistas e outros nas empresas e que acabam respingando na pessoa física”. O documento encaminhado em resposta à Intimação de número 4, datado de 25.04.2014, além da informação prestada, acima reproduzida, se fez acompanhar de cópia do Contrato de Cessão de Uso de Conta Corrente, desta feita datado de 09.01.2008. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 630 5 A Intimação de número 5, datada de 15.04.2014, exigiu do fiscalizado a apresentação do Anexo I do Estatuto Social da Companhia Goiana de Ouro, bem como o cientificou da existência de novo Mandado de Procedimento Fiscal, de nº 08.1.96.002014007021. Em resposta à Intimação de número 5, o contribuinte apresentou, também em 25.04.2014, cópia do documento intitulado “Protocolo e Justificação para Cisão Parcial da Mineradora Montita Ltda., com Versão da Parcela Cindida para a Sociedade em Constituição Companhia Goiana de Ouro”. Em 09.05.2014, o fiscalizado apresentou cópia do Contrato Social da Mineradora Montita Ltda., datado de 27.12.1978. Em 29.05.2014, foi lavrada a Intimação de número 6, a qual exigiu a apresentação de documentos e os seguintes esclarecimentos: Foram apresentados documentos correspondentes à alienação de participação societária, possuídas pelo contribuinte, na Companhia Goiana de Ouro. Ao se consultar a Declaração de Ajuste Anual – DIRPF, do ano calendário de 2010, e confrontar os valores nela informados com o valor da alienação da referida participação, verificase que foram alienadas ações por valor maior que o declarado. Neste sentido, a operação citada fica sujeita, pois, a apuração de ganhos de capital. Entretanto, verificase em dita DIRPF que o contribuinte não procedeu à apuração de ganhos de capital. Ademais, consultandose os sistemas informatizados da Receita Federal, não se constatou pagamento a este título (ganhos de capital na alienação de bens e direitos). Deve, pois, o contribuinte informar, apresentando a respectiva documentação, se efetuou recolhimento a este título. Deve ser ressaltado que o contribuinte não se encontra espontâneo. Em resposta à Intimação de número 6, o fiscalizado apresentou documento datado de 10.07.2014, no qual informou que “Não foi apurado ganho de capital e nem recolhido imposto sobre a alienação das ações, por entenderse que a operação é isenta conforme constou do lançamento feito na declaração retificadora datada de 26/06/2013 as 16:25:58 hs”. O fiscalizado apresentou Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF em 29.04.2011. Fl. 632DF CARF MF 6 Apresentou, posteriormente três declarações retificadoras, sendo a última apresentada em 26.07.2013. Entretanto, embora tenha realizado operação sujeita a apuração de ganhos de capital, não apresentou o respectivo demonstrativo. Na 3a retificadora consta do quadro rendimentos isentos e nãotributáveis como “outros Yamana Desenvolvimento Mineral S A”, o valor de R$ 5.999.825,00. Entretanto, deve ser ressaltado que esta DIRPF foi apresentada após o início do procedimento fiscal desenvolvido junto à contribuinte Maria Cristina Moreno Atalla Curi. O valor citado no parágrafo anterior está relacionado ao recebido da empresa Yamana Desenvolvimento Mineral, em razão da venda de participação societária que o fiscalizado possuía na empresa Companhia Goiana de Ouro, CNPJ 11.232.074/000170, como adiante será relatado. No intuito de justificar sua movimentação financeira, a contribuinte Maria Cristina apresentou, em 15.07.2013, um documento, no qual se verifica que dentre os créditos efetuados em suas contas bancárias havia um com a seguinte explicação: “3 Crédito recebido de Yamana Desenvolvimento R$5.149.843,64 “ Juntamente com o documento apresentado em 15.07.2013, existem planilhas, e numa delas, intitulada “Recebimento Venda Ações Yamana Desenvolvimento”, se verificam dois créditos efetuados no dia 27.05.2010, nas contas 228285 (Ag. 8089, do Itaú) e 13226 (Ag. 2584, do Bradesco), respectivamente, sendo um no valor de R$ 849.981,36 e outro no valor de R$ 4.299.862,28. Observese que as contas bancárias a respeito das quais foi questionada a movimentação, possuíam como titular a pessoa física Sra. Maria Cristina e não havia formalmente cotitular. Na planilha apresentada pela Sra. Maria Cristina, além dos dois valores acima mencionados, constava a seguinte observação: “OBS. Doação feita pelo Sr. Jorge Edney Atalla a Sra. Maria Cristina Atalla Curi no valor de R$849.981,36 em 27/05/2010”. Por conta desta suposta doação a Sra. Maria Cristina apresentou declaração retificadora em 24.06.2013, portanto, após o início do procedimento fiscal, bem como comprovante de recolhimento do Imposto Sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doações de Quaisquer Bens ou Direitos – ITCMD, efetuado em 31.07.2013, também após o início do procedimento fiscal. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 631 7 A Sra. Maria Cristina não fez qualquer observação quanto ao valor de R$4.299.862,28, inclusive no que diz respeito a recolhimento de ITCMD. Também como justificativa dos créditos efetuados por conta da venda das ações da Companhia Goiana de Ouro, foram entregues, em 01.08.2013, os seguintes documentos: a) Proposta Firme para Alienação de Ações da Companhia Goiana de Ouro, datada de 25.05.2010; b) Contrato de Compra e Venda das Ações, datado de 27.05.2010; c) Comprovantes (TED´s) referentes à venda das ações. Na Proposta Firme para Alienação de Ações da Companhia Goiana de Ouro que foi dirigida à Yamana Desenvolvimento Mineral S A, CNPJ 05.725.958/000163, o fiscalizado, na condição de titular de 4.368 ações ordinárias nominativas, informava que o preço para aquisição era de USD$ 3.250.000,00 (três milhões e duzentos e cinquenta mil dólares estadunidenses) a serem pagos em reais, convertidos à taxa de câmbio do dia útil imediatamente anterior à data do pagamento. Já o respectivo Contrato de Compra e Venda das Ações confirmou o preço da Proposta, e em sua cláusula 1 (Objeto e Preço) havia a seguinte estipulação: (...) 1.2 O Preço de Compra deverá ser pago ao Vendedor contra a efetiva transferência das Ações, em uma única parcela, mediante Transferência Eletrônica Disponível – TED a ser realizada nesta data, nos termos abaixo: US$ 2.239.160,00 para a conta bancária no. 01.3226 de titularidade de Maria Cristina Moreno Atalla Curi, inscrita no CPF sob o no. 245.516.52806, junto ao Banco Bradesco, agência 25844. US$ 460.420,00 para a conta bancária no. 228285 de Titularidade de Maria Cristina Moreno Atalla Curi, inscrita no CPF/MF sob o no. 245.516.52806, junto ao Banco Unibanco, agência 0089. US$ 460.420,00 para a conta bancária no. 03.3263 de titularidade de Maria Elisabeth Moreno Atalla Buffara, inscrita no CPF/MF sob o no. 536.102.29934, junto ao Banco Itaú, agência 8.089. Foram apresentados, em 01.08.2013, três comprovantes (TED´s), datados de 27.05.2010, referentes à venda das ações sendo dois emitidos em nome da Sra Maria Cristina Fl. 634DF CARF MF 8 e um em nome da Sra. Maria Elisabeth Moreno Atalla Buffara, totalizando R$5.999.825,00 (cinco milhões novecentos e noventa e nove mil e oitocentos e vinte e cinco reais). A planilha abaixo resume os valores recebidos: Deste total de R$ 5.999.825,00, nenhum valor foi declarado ou recolhido a título de ganho de capital, muito embora esta operação estivesse sujeita a tal recolhimento, uma vez que o valor de venda foi superior ao valor declarado em DIRPF. Ao se compulsar a DIRPF do fiscalizado (vendedor das ações), verificase que as mesmas estão declaradas na página 27 (Declaração original transmitida em 29.04.2011) da seguinte forma: 8.736 AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA CIA GOIANA DE OURO CNPJ n. 11.232.074/000170, CONF ATA DE CONSTITUIÇÃO EM 04/09/2009. As ações foram declaradas pelo valor de R$8.736,00, valor este que serviu como base para consideração do custo de aquisição por parte desta fiscalização. Ressaltese que esta empresa foi constituída em 04.09.2009, conforme Estatuto Social apresentado pelo fiscalizado em 21.02.2014. As ações alienadas pelo fiscalizado foram adquiridas numa operação de cisão parcial. Melhor explicando, o fiscalizado possuía, desde 1978, ações da Mineradora Montita Ltda., e numa operação de cisão parcial ocorrida em setembro de 2009, o contribuinte passou a ser possuidor de ações na Cia Goiana de Ouro, que posteriormente foram alienadas para a empresa Yamana Desenvolvimento Mineral. Foi apresentado, juntamente com documento datado de 05.05.2014, cópia do contrato social da Mineradora Montita, datado de 27.12.1978 (registrado na JUCESP em 10.05.1979), no qual o fiscalizado figura como sócio detentor de 409.000 quotas. Em 04.09.2009 foi criada a empresa Cia Goiana de Ouro, cujo capital foi formado mediante integralização de ações Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 632 9 de empresa que foi cindida parcialmente, no caso a Mineradora Montita. Esta integralização foi prevista no documento intitulado “Protocolo e Justificação para Cisão Parcial da Mineradora Montita Ltda.”, datado de 01.09.2009. Juntamente com documento datado de 25.04.2014, o fiscalizado apresentou documento intitulado “Protocolo e justificação para cisão parcial da Mineradora Montita Ltda, com versão da parcela cindida para a sociedade em constituição Companhia Goiana de Ouro” no qual consta, no item IV (Efeitos da operação no patrimônio das sociedades e dos sóciosquotistas), o que segue: O fiscalizado apresentou, juntamente com resposta datada de 13.02.2014, o Estatuto Social da Companhia Goiana de Ouro e anexos. O documento intitulado Anexo 3.3 (anexo ao Estatuto Social da Companhia Goiana de Ouro) contém trecho cuja reprodução se faz abaixo: O documento, cujo trecho foi acima reproduzido, demonstra que o fiscalizado integralizou as ações que possuía junto à Mineradora Montita (empresa na qual ocorreu a cisão parcial) para a constituição da Companhia Goiana de Ouro. Fl. 636DF CARF MF 10 Quando da constituição da empresa Companhia Goiana de Ouro, o contribuinte entregou as ações que possuía junto à Mineradora Montita Ltda., alienandoas destarte. A operação que agora se tributa está relacionada à venda das novas ações, ou seja, as ações da Companhia Goiana de Ouro são as que foram alienadas por valor superior ao declarado, e não as da Mineradora Montita. Sendo a integralização espécie de alienação, o que se quer dizer que com a cisão o sujeito passivo passou a desfrutar de um novo patrimônio. Em resumo: Em 05/2010 o contribuinte teria alienado 4.368 ações (R$ 4.368,00) da empresa Cia Goiana de Ouro à empresa Yamada Desenvolvimento Mineral, pelo valor de R$ 5.999.825,00. Referidas ações teriam sido recebidas em função de uma cisão parcial da empresa Mineradora Montita em 09/2009, da qual o autuado possui quotas desde 1978. Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 361/379, cuja decisão foi assim ementada: GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DE PROPRIEDADE DO SUJEITO PASSIVO POR CINCO ANOS. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO REVOGADA. INAPLICABILIDADE. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo. Por não se enquadrar na referida ressalva, a isenção de ganho de capital na alienação de participações societárias, instituída pelo art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976 e revogada pela Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989, ainda que a alienação tenha sido realizada após o transcurso do período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. JUROS SOBRE MULTA LEGALIDADE. Correta a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário, conforme legislação vigente. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível, por disposição literal da Lei nº 9.430/1996, a incidência da multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 633 11 não pago espontaneamente pelo contribuinte, quando restar comprovada, por meio de fatos e documentos constantes do processo, a ocorrência de uma das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. Em seu Recurso Voluntário de fls. 386/446, sustentou em resumo: 1 Que o recorrente detinha, desde 1978, quotas da empresa denominada MINERADORA MONTITA LTDA. A referida empresa aprovou, em setembro de 2009, a realização de cisão parcial para constituição de nova sociedade, qual seja a COMPANHIA GOIANA DE OURO. Assim, foi efetivada a redução de seu capital social e o cancelamento proporcional das quotas detidas pelos sócios. O Recorrente, então possuidor de 20.546 quotas (avaliadas em R$ 20.546,00) teve 8.736 quotas canceladas (avaliadas em R$ 8.736,00). 2 Que realizada a operação supramencionada, passou o Recorrente a deter, em substituição às quotas da MINERADORA MONTITA LTDA, 8.736 ações da nova empresa constituída (também avaliadas em R$ 8.736,00). Em 27.05.2010, o Recorrente promoveu a alienação de sua participação societária à empresa YAMANA DESENVOLVIMENTO MINERAL S/A, pelo valor de R$ 5.999.825,00. 3 Que, no entendimento do Recorrente, contudo, a operação estava abrangida pela isenção veiculada pelo artigo 4°, alínea "d", do DecretoLei n°. 1.510/76, razão pela qual o valor obtido na venda realizada à YAMANA DESENVOLVIMENTO MINERAL S/A não foi oferecido à tributação. Referido diploma legislativo prescreveu que o imposto sobre a renda não incidiria sobre o ganho de capital obtido na alienação de quaisquer participações societárias, desde que transcorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou da aquisição da participação. 4 Que a decisão do Recorrente em não submeter o montante auferido se baseou no Parecer Normativo CST n°. 39/81, até hoje em vigor. Essa norma complementar assegura que a substituição da participação societária, verificada nas operações de cisão parcial, não influencia o prazo previsto na norma isentiva, devendo o prazo de cinco anos ser contado da data da subscrição ou aquisição da participação originária. 5 Que a cisão parcial não implicou a alienação da participação societária detida pelo Recorrente, mas mera substituição do patrimônio, na forma do artigo 229 da Lei 6.404/76. 6 Recorrente, na qualidade de detentor da participação societária na sociedade cindida, não transferiu bens ou direitos. Limitouse a verificar, em seu patrimônio, a substituição da participação previamente detida pelas novas ações emitidas pela COMPANHIA GOIANA DE OURO, ocorrendo uma subrogação real. 7 Que essa subrogação real decorre da própria previsão de substituição das participações societária prevista no § 5º do artigo 229 da Lei no. 6.404/76. De fato, pelo fenômeno da subrogação real, ocorre a substituição de uma coisa (as quotas) por outra coisa (as ações), independentemente de qualquer manifestação de vontade do acionista, característica essencial na alienação de bens ou direitos. A relação jurídica, por outro lado, procede do vínculo anterior, não criando novas obrigações, direitos ou condições. Assim, mesmo após a cisão, o sócio permanece como titular de direitos sobre o mesmo patrimônio transferido, o que impede a caracterização da alienação, tal como pretendeu a D. Autoridade Fiscal. Fl. 638DF CARF MF 12 8 que em momento algum o recorrente entregou as suas ações para integralização do capital social da COMPANHIA GOIANA DE OURO, muito menos as alienou para adquirir as ações representativas de seu capital social. O que ocorreu foi, na realidade, a simples transferência do patrimônio indiretamente detido na MINERADORA MONTITA LTDA. (representado por quotas de seu capital social) para a COMPANHIA GOIANA DE OURO, recebendo, o Recorrente, ações na mesma proporção da participação societária detida na sociedade cindida e, portanto, representativas do mesmo patrimônio. 9 O direito adquirido à isenção do artigo 4º, alínea "d" do Decreto n°. 1.510/76. 10 O cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora — Aplicação do parágrafo único do artigo 100 do CTN; 11 Afastamento da multa qualificada, eis que teria agido segundo orientação da própria Receita Federal e que o dolo em perpetrar a fraude, a ensejar a qualificação da multa, não teria sido demonstrado pela Fiscalização; 12 Da aplicação ao artigo 112 em caso de voto de qualidade diante da existência de dúvida concreta; 13 Não incidência de juros sobre a multa de ofício; e 14 Cessação da incidência de juros após 360 dias do protocolo da defesa apresentada. Em 27.10.2016, às fls. 452/467, o recorrente acresceu extemporaneamente novos argumentos ao Recurso Voluntário já apresentado, aduzindo, em resumo, que havia nulidade do auto de infração por vício material em razão da incoerência interna expressa na acusação fiscal formalizada pelo TVF. Vale dizer, segundo o recorrente, a imputação fiscal derivaria de 2 motivações distintas e incoerentes entre si. E prossegue ao sustentar: ou bem se entende que a motivação se resume ao momento em que a isenção seria aplicável (se na "alienação" das quotas da MONTITA para aquisição de ações da CGO mediante cisão parcial ou se na "segunda alienação" das ações detidas á YAMANA) — o que pressupõe a sua aplicabilidade após o ano de 1988 —, ou bem se entende que o beneficio não poderia ser aplicado após a sua revogação pela Lei n°. 7.713/88, hipótese em que a primeira perde todo o sentido. É o relatório. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 634 13 Voto Vencido Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 17.02.2016 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 18.03.2016. Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. Como já relatado, em 27.10.2016 acresceu extemporaneamente e inovando em relação à impugnação novos argumentos ao Recurso Voluntário já apresentado, sustentando que haveria nulidade do auto de infração por vício material em razão da incoerência interna expressa na acusação fiscal formalizada pelo TVF. Ou seja: segundo o recorrente, a imputação fiscal derivaria de duas motivações distintas e incoerentes entre si. Em que pese o vigor das alegações, os novos argumentos não serão apreciados neste voto, em observância ao contido no inciso III do artigo 16, c/c 17, ambos do Decreto 70.235/72. 1 Prosseguindo, a DRJ abordou a matéria, tão somente, sob o prisma da aplicabilidade ao caso do DecretoLei 1.510/76, na medida em que, segundo o acórdão recorrido, o fiscalizado possuía, desde 1978, participação na Mineradora Montita Ltda e numa operação de cisão parcial, ocorrida em setembro de 2009, passou a ser possuidor de ações na Cia Goiana de Ouro, que posteriormente teriam sido parcialmente alienadas à empresa Yamana Desenvolvimento Mineral. Concluiu que, diante da revogação da isenção instituída pelo art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, e da alienação de bens ou direitos de qualquer natureza por valor superior ao respectivo custo de aquisição, deveria ser mantido integralmente o lançamento da omissão de ganhos de capital. Assim sendo, valeuse daquele único fundamento por entender suficiente à solução da lide. Ainda ressaltou, acertadamente, que o fato gerador aqui em questão seria a venda de ações na Cia Goiana de Ouro e não a operação de cisão parcial ocorrida em setembro de 2009. Não obstante o acórdão recorrido não ter enfrentado a questão relacionada à cisão parcial ocorrida em 2009, podese notar do Termo de Verificação Fiscal, que o pano de fundo para o lançamento foi considerar que naquela operação em 2009 teria havido a alienação das quotas da Mineradora Montita e aquisição de ações, desta feita, da Cia Goiana de 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 640DF CARF MF 14 Ouro, que, em 2010, teriam sido parcialmente alienadas para a empresa Yamana Desenvolvimento Mineral. O relatório fiscal fez menção ao DecretoLei 1.510/76, pelo simples fato de o contribuinte têlo utilizado em resposta à Fiscalização como fundamento à não apuração do ganho de capital. A partir de então, referida matéria ganhou substancial relevo para o deslinde da controvérsia. É o que se infere do excerto a seguir, extraído do TVF (fls. 204): Em apertada síntese, o fiscalizado não faz jus a isenção pois, como relatado no tópico “Da Cisão e Ganho de Capital”, as ações alienadas foram adquiridas em 2009, momento da constituição da Cia Goiana de Ouro. Ainda que não se considere este argumento válido, e isto somente é colocado a título de argumentação, mesmo que se admita que as ações alienadas foram adquiridas em 1978, com a edição da Lei 7.713/88 a isenção estampada no DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi revogada. Como bem colocado pelo sujeito passivo, o que se deve ter, ao fim e ao cabo, é a verificação de que se houve, ou não, o ganho de capital na alienação das ações em 2010, segundo à legislação tributária de regência. O fato de o acórdão recorrido não ter enfrentado, com profundidade, a questão relacionada à reorganização societária e sua influência na data de aquisição das ações então alienadas em 2010, não significa dizer, em absoluto, que aquela instância julgadora admitira, ainda que tacitamente, que a operação não trouxera qualquer implicação a esse titulo. É o que se extrai do excerto a seguir: 13.2. Entretanto, mesmo considerando a data da aquisição das ações da Companhia Goiana de Ouro como sendo a de compra ou subscrição originária (1978), esse fato em nada modifica a tributação do ganho de capital decorrente de sua alienação, pois a isenção pleiteada tampouco seria aplicável ao caso. Com efeito, passo a abordar a operação então engendrada, na medida em que fora abordada pelo autuado em seu recurso. De início, vale destacar que a alienação da participação societária na empresa Cia Goiana de Ouro (4.368 ações) à empresa Yamana Desenvolvimento Mineral em maio de 2010, pelo valor de R$ 5.999.825,00 é fato incontroverso nestes autos. Referida participação, então alienada em 05/2010, decorreria da substituição daquelas adquiridas em 1978, por conta da cisão parcial promovida em 2009. O quadro a seguir procura demonstrar a operação. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 635 15 O que se sustenta, até mesmo valendose de um Parecer Normativo da RFB emitido em 1981, é que na cisão parcial, o que se tem com relação às novas ações recebidas, é a subrogação real, denominação técnicojurídica para "substituição da coisa". Em outras palavras, sustentase que o que teria havido nada mais foi do que a mera substituição de uma coisa por outra, até por que o § 5º do artigo 229 da Lei 6.404/76, utilizarseia da mesma expressão, ao estabelecer: que "as ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam." Veja, essa substituição acaba trazendo, a meu ver, implicações na seara tributária, sobretudo à luz do que dispõe o artigo 132, e seus parágrafos, do RIR/99. Confirase: Art. 132. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos, pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 23). § 1º Se a transferência for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 464 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, § 1º). § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital (Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, § 2º). Se é fato, como ainda dispõe aquele §5º encimado, que parcela do patrimônio cindido, representada pelas ações/quotas dos seus respectivos titulares, é INTEGRALIZADA na nova companhia, inegável que referida operação passa a ter relevo para fins tributário. Perceba: o § 3º do artigo 3º da Lei 7.713/88, ao especificar as operações que seriam consideradas alienações para fins de apuração do ganho de capital, foi sobremaneira abrangente que o fez a título meramente exemplificativo. Confirase: (...) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Fl. 642DF CARF MF 16 Observese que são dispositivos legais (art. 23 da L. 9.249/95 e art 3º da lei 7.713/88) que têm vigência posterior ao Parecer Normativo suscitado, editado à luz da legislação, por óbivio, a ele contemporânea. Nesse sentido, em função das inovações legislativas acima citadas frisese, que já vigoravam há pelo menos mais de 15 (quinze) anos na data do fato gerador e que, de uma forma ou de outra, entendo terem trazido alterações no ambiente normativo no qual estava inserido sobredito Parecer à época, não vejo como sequer razoável imaginar que a atuação do Fisco pudesse a ele se ater, tampouco propiciar guarida ao contribuinte em face da aplicação dos juros Selic e multa de oficio, ao suposto amparo do § únIco do artigo 100 do CTN. Na seqüência, não há como dissociar o patrimônio cindido integralizado na nova companhia das quotas/ações dos respectivos investidores que o representam. Ou seja, por mais que para fins contábil vigore o princípio da entidade 2 e que a transferência patrimonial se dê diretamente entre a cindida e sua sucessora, não há duvidas de que o patrimônio da empresa é, em última análise, representado pela participação dos sócios/acionistas. E frisese, as participações flutuam, a rigor, conforme se comporta o patrimônio da companhia. No caso em exame, conforme o Protocolo e Justificação para a Cisão Parcial em questão (fls. 76/77 itens 2.1, 2.2 e 2.3), do acervo patrimonial líquido uma parcela de R$ 70.000,00 teria sido cindida e vertida para a nova Companhia. Ora, o que mais é o Patrimônio Líquido senão o grupo de contas que registra o valor contábil pertencente aos acionistas ou quotistas?.3 Explico: qualitativa e quantitativamente falando, é o resultado positivo entre os bens e direitos da pessoa jurídica, quando confrontado com suas respectivas obrigações. Havendo essa sobra líquida, eis aí o patrimônio líquido, que, como já dito, pertence aos sócios/quotistas da empresa e é representado, monetariamente, por suas ações/quotas. Com isso, não se pode olvidar que o patrimônio vertido, integralizado à nova empresa, se confunde, sim, com as ações/quotas do respectivo titular. Assim, não me parece que a circunstância de estar havendo a substituição de um bem por outro estaria, por si só, livrando seu titular, do dever de atentar quanto às implicações tributárias dela decorrentes. Em que pese não haver notícia nos autos de que referida transferência tenha se dado por valor maior do que aquele que constava da declaração do recorrente, não quer dizer com isso, repito, que não tenha havido alteração da coisa. É dizer: foise determinada coisa, com suas características próprias; recebeuse outra, da mesma natureza, mas com características igualmente próprias. Inegavelmente, a meu ver, passouse a tratar de um novo bem, que se não difere do anterior em termos de valor, difere em todos os demais aspectos, tais como: expectativa de retorno financeiro e data de sua aquisição. Vejamos: 2 O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/principiosfundamentais.htm 3 http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/pl.htm Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 636 17 Conforme o Protocolo e Justificação alhures citado, o contribuinte detinha em seu patrimônio e antes da cisão, 8.736 quotas da empresa Mineradora Montita Ltda, passando a deter, após a operação, 8.736 ações da Cia Goiana de Ouro. Aquele mesmo documento foi claro ao anunciar a significativa diferença entre as coisas, substituída e substituta. Enquanto aquela referiase à empresa que exerceria atividades de pesquisa e exploração de lavras de sulfetos; esta ultima, à empresa que se dedicaria às atividades de pesquisa e exploração de lavras de ouro. Veja, a não ser pelo valor envolvido, que, a princípio, afastaria a incidência do imposto na forma do § 2º daquele artigo 132 do RIR/99, restou claro a este relator que a cisão promovida acarretou no patrimônio do investidor/recorrente a transferência da participação que detinha na Mineradora Montita para o patrimônio da sucessora Cia Goiana de Ouro, fazendo com que passasse a ingressar em seu patrimônio, naquela oportunidade, ações dessa então nova investida, inaugurando novo vínculo jurídico. Tratase, assim, de novo investimento, em uma empresa recém constituída, sob diferente tipo societário, diferente localização, diferente objeto e diferente forma de deliberação. Enfim, não se trata do mesmo bem que ingressara no patrimônio do recorrente nos idos de 1978. Não há, a meu ver, como presumir que a data de aquisição de um investimento em uma companhia constituída em 2009 pudesse ser em 1978, sobretudo neste caso, onde os investimentos envolvidos mostramse tão distintos. Apenas a título ilustrativo, imaginemos a seguinte situação: Um veículo de determinada marca e modelo é adquirido em 2010 por R$ 60.000,00; Em 2015 o proprietário efetua a troca desse veículo, com seu vizinho, por outro de diferente marca e modelo, mas de mesmo valor; Em 2017 o proprietário resolve, enfim, vendê lo por R$ 80.000,00. Note que no caso posto, o bem agora alienado é aquele que ingressou no patrimônio do alienante em 2015 e é essa a data de aquisição a ser considerada na apuração do GCAP. 4 Nesse ponto, tirante a discussão acerca da aplicabilidade daquele DL 1.510/76, tenho que qualquer tentativa de aproveitamento da isenção por ele conferida deveria se dá com relação àquela operação realizada em 2009 e não mais com relação à alienação em 2010, na medida em que a participação alienada não é mais aquela adquirida em 1978, mas sim, insisto, a adquirida em 2009. Quanto à questão intencional ou volitiva na operação de 2009, também não tenho dúvidas que sempre esteve na esfera de domínio do recorrente, seja em função de sua participação na deliberação em que se decidiu por levar a termo referida operação, consoante dispôs o item 2.1 daquele Protocolo e Justificação para a Cisão, seja em função do não exercício do direito de retirada a que dispunha o § 2º da cláusula 8ª do Contrato Social da Mineradora Montita Ltda fls 88/98 e pessoal subscrição das ações na nova investida, como abaixo colacionado. 4 1 Não é usual a venda de veículo por valor superior ao da aquisição; e 2 O exemplo posto não sugeriu que na operação que ensejou a troca dos veículos em 2015 não teria havido alienação para fins de apuração do GCAP. Fl. 644DF CARF MF 18 Considerando que a tese acima exposta restou vencedora no presente julgamento, deixo de abordar a questão atinente à isenção conferida pelo DL 1.510/76. No que toca, outrossim, à alegação de que não deve incidir os juros sobre a multa de ofício, reportome aos fundamentos do acórdão de piso, adiante reproduzidos: Extraise do Código Tributário Nacional que a multa, seja ela moratória ou pecuniária, apesar de não ser um tributo, faz parte do crédito tributário. Os artigos a seguir assim dispõem: Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 637 19 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” (negritamos) Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.(negritamos) (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”.(negritamos) Enquanto, o artigo 3° exclui da definição de tributo as multas; os seguintes (artigo 113,c§1°, e artigo 139), retrotranscritos, trazemnas para compor o crédito tributário. Por sua vez, o artigo 161, do mesmo diploma legal, dispõe que ao crédito tributário não pago no vencimento devem ser acrescidos os juros moratórios. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.”(negritamos) Destarte, ao contrário do que alega a interessada, o CTN admite a incidência de juros de mora sobre as multas lançadas de ofício. A expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” apenas reforça que juros e multa não são excludentes entre si. A incidência de juros sobre as multas de ofício apenas foi introduzida pelo legislador ordinário através das Leis nº 9.430/96 e 10.522/2002, que disciplinaram o assunto, in verbis: Lei nº 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 646DF CARF MF 20 (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.”(negritamos) Lei nº 10.522/2002, resultante da conversão da MP nº 1621 31/98 (reedição da MP nº 154217/96), dispõe da seguinte forma: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. (...). Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (negritamos) Trata do assunto, ainda, o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02.04.1998: 3. (...). Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, desde que estejam associadas a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95. Assim, tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 638 21 Por sua vez, com relação ao voto de qualidade, a pretensão de que seja aplicado o artigo 112 do CTN, que, frisese, se refere à imposição de penalidades, fundada na suposta existência de dúvida concreta, não deve ser acolhida, posto que referido procedimento tem previsão expressa no artigo 54 do RICARF, de aplicação obrigatória por este colegiado. Ademais, o fato de haver votos divergentes dentro da mesma turma não equivale a afirmar que os tenham sido proferidos com alguma carga de dúvida. Pelo contrário, o resultado do julgamento é obtido após o confronto das certezas/convicções de cada julgador, externada em seu respectivo voto. No que concerne ao pleito do recorrente para a cessação dos juros, após 360 dias do protocolo da impugnação ou de recursos, tenho que melhor sorte não lhe assiste. O dispositivo apontado pelo sujeito passivo5, a par de trazer prazo impositivo para que administração pública se manifeste no caso que especifica, não comina qualquer penalidade em função de seu não cumprimento. Destarte, sua pretensão não encontra guarida na legislação. Por fim, passemos a análise do argumento voltado ao afastamento da multa qualificada. Sustenta o contribuinte que teria agido segundo orientação da própria Receita Federal e que o dolo em perpetrar a fraude, a ensejar a qualificação da multa, não teria sido demonstrado pela Fiscalização. Vejamos: A qualificação da multa, aplicada no percentual majorado de 150%, tem assento no § 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, sempre que presente algum dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Por sua vez, o artigo 71 encimado estabelece o que vem a ser sonegação. Confirase: Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Prosseguindo, temse como dolo a vontade livre e consciente voltada à consecução de determinado objetivo que a lei define como crime. 5 Lei 11.457/2007 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 648DF CARF MF 22 No caso em tela, como bem caracterizado nos autos, o autuado valeuse da conta bancária de sua filha Maria Cristina Atalla Curi em função de um Contrato Particular de Cessão de Uso de Conta Corrente, supostamente datado de 09.01.2008, para creditar os valores provenientes da alienação aqui tratada. Chama à atenção o fato de não haver evidências do registro desse contrato de 2008, tampouco o reconhecimento das firmas de seus 4 signatários e de suas 2 supostas testemunhas. Não estou seguro de que tenha sido celebrado, de fato, àquela época. Em sua DIRPF/2011, entregue em 29.04.2011, não deu conhecimento à autoridade fazendária da alienação daquelas 4.368 ações na empresa Cia Goiana de Ouro. Ao contrário, as manteve declaradas em sua Declaração de Bens e Direitos ao final de 2010. Veja se: Os fatos, por si só, convencemme de que o autuado pretendeu realizar operações com interesse tributário a ele diretamente relacionadas, longe dos olhos da autoridade fazendária, notadamente pelo fato de se relacionar a matéria não pacificada, a seu favor, no âmbito administrativo (manutenção da isenção do art. 4º, "d" do DL 1.510/76, após o advento da Lei 7.713/88). Tal conduta restou evidenciada, a meu ver, quando demonstrou o autuado a forma como responde às suas obrigações junto ao poder público. Note o que, surpreendentemente, informou quando questionado acerca do porquê da movimentação financeira em conta bancária de terceiros: O uso de conta bancária não vinculada ao CPF do autuado é uma prática, convençome, comum no âmbito dos negócios por ele praticados. Não se trata de mero impedimento operacional ou mesmo momentâneo junto às instituições financeiras. A procuração por instrumento público de fls. 14/15 procura atestar tal prática, a partir dos poderes a ele conferidos: representála perante quaisquer bancos, inclusive o Banco do Brasil S/A, instituições financeiras; podendo para tanto, Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10830.721708/201573 Acórdão n.º 2402006.057 S2C4T2 Fl. 639 23 abrir, movimentar e encerrar contas correntes e contas poupança, depositar e retirar dinheiro, emitir, sacar, endossar e depositar cheques, aplicar, resgatar, fazer retiradas mediante recibos; autorizar débitos, transferências e pagamentos por meio de cartas; solicitar saldos, extratos de contas e requisitar talões de cheques, cartões magnéticos, senhas, para uso da outorgante, assinar toda a correspondência da outorgante endereçada aos bancos e praticar enfim, todos os demais atos úteis e necessários para o bom e fiel cumprimento deste mandato. Pelo exposto, tenho que a conduta do autuado visou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, seja em função de não têlo, deliberadamente, declarado ao Fisco, seja em função de furtarse à responsabilidade, num primeiro momento, pela expressiva movimentação financeira decorrente da operação. Forte nas razões acima, VOTO por NÃO CONHECER da petição apresentada extemporaneamente e em inovação à impugnação, CONHECER do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 650DF CARF MF 24 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Não obstante os bem articulados argumentos do relator sobre o tema, ouso divergir de suas conclusões quanto à manutenção da qualificação da multa de ofício. Não vejo como não sopesar na espécie o fato de que, em sede judicial, vem predominando entendimento acerca isenção veiculada pelo artigo 4°, alínea "d", do Decreto Lei n° 1.510/76, em sentido convergente, de modo amplo, ao que defende o contribuinte no tocante ao tema no recurso voluntário, e que supostamente daria guarida ao seu proceder. Ainda que discorde dos fundamentos desse entendimento, tendo por isso acompanhado o relator em grande medida, tenho por deveras difícil em tal contexto não considerar como possibilidade relevante que a conduta do autuado tenha sido pautada na convicção de estar em conformidade com a interpretação mais correta das normas de regência da matéria, afastandose assim a hipótese a um agir consciente e sistemático em afronta ao ordenamento tributário. Diante desse quadro, entendo que os elementos apontados pela fiscalização, e frisados pelo relator em seu voto como amparo para a manutenção da multa qualificada, não são robustos o suficiente para comprovar o caráter doloso da conduta do contribuinte, razão pela qual voto no sentido de reduzir a multa aplicada ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 651DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.925666/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.093
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para determinar à Unidade de Origem que promova as correções do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para determinar à Unidade de Origem que promova as correções do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando que retificara a DCTF, bem como o Dacon, de forma a adequá los às diferenças e créditos apurados para o período. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 25 66 6/ 20 12 -6 6 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10680.925666/201266 Resolução nº 3201001.093 S3C2T1 Fl. 141 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: a) retificou o Dacon antes da transmissão do Per/DComp; b) na Manifestação de Inconformidade, esclareceu que o débito estava incorretamente informado na DCTF original, motivo de sua retificação, mas corretamente lançado no Dacon; c) houve espontaneidade na retificação da DCTF pois ocorrera antes da ciência do despacho decisório, conforme documentos demonstrativos da situação; d) a DCTF retificadora é prova do indébito do qual decorre o direito creditório; e) a recusa em aceitação da DCTF retificadora viola o art. 147 do CTN e art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010; f) inferese do Dacon e da DCTF retificadores que, no período de apuração destes autos, não havia débitos, assim o recolhimento por DARF do valor erroneamente informado nas declarações originais tornaramse indevidos, constituindose crédito do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.083, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.925656/201221, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.083): Em face de debates surgidos em sessão de julgamento, fui designada redatora da posição vencedora em decorrência de divergência aberta. Como se verifica pelo relato dos fatos, a compensação declarada pelo Contribuinte não foi admitida em razão de o crédito informado, decorrente de pagamento indevido ou a maior, estar vinculado a débito regularmente declarado em DCTF. Contudo, tendo sido demonstrado que a referida DCTF foi retificada pelo contribuinte anteriormente à cientificação do Despacho Decisório, temse que o crédito deve ser analisado em face das informações constantes do documento retificador, que substitui integralmente o original. Isso não significa afirmar que o crédito informado não possa ser averiguado pela Fiscalização, notadamente em razão do fato de que a retificação ocorreu posteriormente à emissão do Despacho Decisório e, Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.925666/201266 Resolução nº 3201001.093 S3C2T1 Fl. 142 3 portanto, em face de informações constantes nos sistemas da RFB naquele momento. Tratase de situação na qual a análise inicial deve ser revista em face do documento retificador admitido pela RFB. Desse modo, e em respeito ao Princípio da Verdade Material, propõese a conversão do feito em diligência para que a Autoridade Lançadora efetue nova análise da compensação efetuada a partir das informações constantes na DCTF retificadora, podendo intimar o Contribuinte a apresentar documentos que entenda necessários, além daqueles já apresentados nos presentes autos. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF antes da ciência do despacho decisório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Lançadora efetue nova análise da compensação efetuada a partir das informações constantes na DCTF retificadora, podendo intimar o Contribuinte a apresentar documentos que entender necessários, além daqueles já apresentados nos presentes autos. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905781/2008-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo.
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 81 /2 00 8- 53 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10980.905781/200853 Acórdão n.º 3401004.322 S3C4T1 Fl. 164 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das Resoluções que converteram os feitos em diligências, os quais, por economia, reservome o direito de não transcrever. Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para que fosse apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, "...isto porque o contribuinte não compensou a multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, contestando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal, em essência, alegando estar amparada pelo art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), que excluiria a responsabilidade pela denúncia espontânea, quanto à multa de mora. Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, em razão da não compensação da multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10980.905781/200853 Acórdão n.º 3401004.322 S3C4T1 Fl. 165 3 Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10980.905781/200853 Acórdão n.º 3401004.322 S3C4T1 Fl. 166 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10980.905781/200853 Acórdão n.º 3401004.322 S3C4T1 Fl. 167 5 posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10980.905781/200853 Acórdão n.º 3401004.322 S3C4T1 Fl. 168 6 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.901247/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR. Recorrente LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 12 47 /2 00 9- 22 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10835.901247/200922 Acórdão n.º 1302002.588 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso apresentado em relação ao Acórdão nº 1431.906, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 34529.63871.1404051.3.047292, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, período de apuração de junho de 2003, com débito(s) relativo(s) à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) , período de apuração de março de 2005. Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) que embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp. O Acórdão recorrido entendeu que não foram comprovadas a liquidez e certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta que: a) o motivo da compensação pelo contribuinte é o desenvolvimento de atividade hospitalar; b) o Fisco, ao homologar várias compensações promovidas sob os mesmos fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido; Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10835.901247/200922 Acórdão n.º 1302002.588 S1C3T2 Fl. 4 3 c) a Recorrente está cadastrada sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 8640202 "Laboratórios clínicos"; d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art. 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por sua vez, reportase à Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte II, subitem 2.1, atribuição 4, tópico 4.4, "Anatomia patológica e citopatologia"; e) à luz dos documentos apresentados, a Recorrente atende à legislação relativa à definição de "serviços hospitalares"; f) o Acórdão recorrido "contraria as conclusões de procedimento fiscal realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500200700032 2), no qual se reconheceu que a Recorrente atende às exigências legais e regulamentares concernentes à referida condição e, portanto, faz jus ao percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços"; g) a exigência do Fisco de exigir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional; h) eventuais dúvidas foram dissipadas com a edição de Instruções Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, que considerou "serviços hospitalares" aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução, dentre outras atividades, da relativa à anatomia patológica; i) igualmente, considerarseia serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro); j) apenas nos casos em que a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%; k) as Instruções Normativas que regulamentaram a matéria em comento acabaram por imputar requisitos subjetivos contrários ao art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; l) ainda assim, a estrutura da Recorrente atende a todas as normas acima referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal; m) o Superior Tribunal de Justiça, por meio do julgamento do REsp nº 1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º, III, "a", e 20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa; n) por fim, requer que, para contrapor fatos trazidos na decisão combatida, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do Termo de Verificação Fiscal nº 08105002007000322 / DRF Presidente Prudente (SP). É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10835.901247/200922 Acórdão n.º 1302002.588 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.563, de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.563): O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 27 de abril de 2011 (fls. 24 a 56), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por sócioadministrador, com poder de representação, conforme fls. 48 a 55. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado permite a constatação de que todas as matérias contidas neste último apelo não foram trazidas naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10835.901247/200922 Acórdão n.º 1302002.588 S1C3T2 Fl. 6 5 A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Todas as conclusões acima expostas em relação à impugnação são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24 a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação, sem explicitar minimamente a composição do suposto crédito que ensejou a compensação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente os seus argumentos de defesa, para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10835.901247/200922 Acórdão n.º 1302002.588 S1C3T2 Fl. 7 6 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10835.901247/200922 Acórdão n.º 1302002.588 S1C3T2 Fl. 8 7 No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deuse em 08 de fevereiro de 2011, e o recurso voluntário foi apresentado em 09 de março de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.721122/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001
PIS/COFINS. RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO.
Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração.
Numero da decisão: 3402-004.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001 PIS/COFINS. RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO. Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração.
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RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO. Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 11 22 /2 01 1- 47 Fl. 863DF CARF MF 2 Tratase de processo administrativo decorrente de manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte, por meio de seus representantes legais, em face de Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação de Pedido de Restituição de fls.2 e ss., correspondente aos períodos e tributos lá discriminados. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Inconformado, o contribuinte manifestouse alegando, quanto ao mérito: i) falta de aprofundamento na investigação dos fatos; ii) inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 e advento de decisão do STF declarandoa sob a sistemática de Repercussão Geral, o que implicaria em novo cálculo dos débitos, com a base de cálculo correta, e apuração do pagamento indevido. A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, pelo que apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário ao CARF, reiterando as razões de seu pleito. Converteuse o julgamento em diligência para que se cumprisse o seguinte: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado, para julgamento. Intimado, o contribuinte apresentou a documentação solicitada e a fiscalização juntou aos autos informação fiscal. Posteriormente, o contribuinte apresentou petição anuindo com o resultado da diligência fiscal. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10850.721122/201147 Acórdão n.º 3402004.945 S3C4T2 Fl. 3 3 O presente caso é recorrente neste Conselho, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. O contribuinte junta ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais, indicando de forma perfunctória o direito pleiteado. Em razão disso, optouse pela conversão do julgamento em diligência para que a instrução probatória fosse melhor desenvolvida. A minuciosa informação fiscal juntada pela fiscalização analisou as planilhas apresentadas, bem como o contrato social da empresa, com a finalidade de identificar quais receitas fazem parte do objeto social da empresa e que deveria compor o faturamento dela. Na mesma linha de julgamentos sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, que culminou com a decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 527602, com repercussão geral, o STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, estabeleceu que a receita bruta, prevista no art. 3.º da Lei 9.718/98, corresponde ao conceito de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91: Art. 2° A contribuição (...) incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Analisando as receitas da empresa, a informação fiscal aduziu: Portanto, no âmbito tributário, o faturamento corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, compreendendo a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica. Não há procedência em se pretender excluir da incidência do PIS as receitas auferidas com a REMUNERAÇÃO SOBRE CONSÓRCIO ou COMISSÃO SOBRE SEGURO PRESTAMISTA (OUTRAS RECEITAS). que, ao contrário do que o interesssado intenta, são receitas que integram o faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998. Quanto aos valores de receita de ALUGUÉIS de imóvel próprio, estas compõem o faturamento e sofrem a incidência da contribuição mesmo quando a atividade de locação não consta do objeto social da pessoa jurídica. De novo, vale lembrar que, ao julgar o RE 346.084PR, os Ministros do STF explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo do PIS e da Cofins, no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e receita operacional da pessoa jurídica. Por serem regulares, integram o faturamento à semelhança da locação de imóveis por empresas que se dedicam a essa atividade. Excluindo da base de cálculo as receitas “estranhas” por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, foi refeita a apuração da contribuição social devida no período, apresentando a fiscalização a seguinte planilha: Fl. 865DF CARF MF 4 Sobre isto, o contribuinte manifestou sua expressa concordância, reconhecendo a correção do entendimento adotado na diligência fiscal. Desse modo, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório no montante determinado na informação fiscal juntada aos autos. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 866DF CARF MF
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Numero do processo: 16511.720666/2016-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DESPESAS COM DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO REALIZADA.
Relação de dependência para efeitos tributários tem condições estipuladas na legislação própria. A comprovação da despesa dedutível do imposto sobre a renda será feita mediante documentação pertinente e nas condições probantes que identifique o contribuinte como responsável pelos pagamentos.
Numero da decisão: 2001-000.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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COMPROVAÇÃO REALIZADA. Relação de dependência para efeitos tributários tem condições estipuladas na legislação própria. A comprovação da despesa dedutível do imposto sobre a renda será feita mediante documentação pertinente e nas condições probantes que identifique o contribuinte como responsável pelos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 51 1. 72 06 66 /2 01 6- 23 Fl. 56DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas com instrução de dependente. O lançamento da Fazenda Nacional glosa despesas utilizadas como redução do imposto, como segue: despesas médicas no valor de R$ 6.300,00, dedução automática de dependente no valor de R$ 1.974,72 e despesa com instrução de dependente no valor de R$ 3.091,35. Pela decisão da DRJ a apuração do imposto passaria de um saldo de imposto a restituir de R$ 2.855,18, para um imposto suplementar a pagar de R$ 270,49, referente ao ano calendário de 2012. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas e a comprovação de dependência da filha menor de 21 anos de idade, conforme disposto na legislação. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à comprovação da despesa médica e dos elementos probantes da dependência da filha e nas despesas com instrução da dependente para efeitos tributários, como segue: Inicialmente, destaquese que a impugnação é parcial, uma vez que a interessada concordou expressamente com a infração de dedução indevida de despesa médica no valor de R$6.300,00. Portanto, a exigência relativa a essa parcela do lançamento encontrasse definitivamente constituída no âmbito administrativo. A lide restringese, portanto às infrações de deduções indevidas de dependente de R$1.974,72 e despesas com instrução de R$3.091,35. Com relação à glosa da dependente Isabel Barros Garcia, o impugnante alegou ser sua filha e juntou a certidão de nascimento à fl. 05. A respeito do tema, vale transcrever o disposto na Lei nº 9.250, de 1995, com as alterações posteriores: “Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: ....................................................................................................... III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 1º. Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau.” Fl. 57DF CARF MF Processo nº 16511.720666/201623 Acórdão n.º 2001000.207 S2C0T1 Fl. 57 3 De acordo com a certidão de nascimento de Isabel Barros Garcia apresentada à fl. 05, constatase que esta é filha do contribuinte e que completou 15 anos de idade no anocalendário objeto da autuação. Ainda com relação à certidão de nascimento em referência, cabe tecer as seguintes considerações. O nome do contribuinte é Vander Nunes Garcia, como atesta a carteira de identidade à fl. 06. A certidão de nascimento de fl. 05 identifica o pai de Isabela Garcia como Vanderli Nunes Garcia. Todavia, é possível se verificar que os avós paternos de Isabel indicados na certidão são os pais do contribuinte, como consta da carteira de identidade à fl. 06 e o contribuinte identifica a Sra. Iandaira Garcia, mãe de Isabel, como cônjuge na DIRPF/2013. Além disso, em consulta aos sistemas internos deste Órgão, foi constatada uma alteração de nome do contribuinte, efetuada em 09/01/2009, de Vanderli Nunes Garcia para Vander Nunes Garcia, conforme extrato à fl. 39. Dessa forma, satisfeitos os requisitos previstos na legislação transcrita para comprovar a condição de Isabel Garcia como dependente do contribuinte, há de se restabelecer a dedução com um dependente no valor de R$1.974,72. Fica, portanto, cancelada a glosa neste item. Com relação à despesa com instrução no valor de R$3.091,35, o impugnante alegou que se trata de pagamento de mensalidade escolar de sua filha e juntou os boletos de fls. 07 a 15. Todavia, nos documentos apresentados pelo contribuinte não há identificação do efetivo pagamento das despesas, tais como comprovante bancário ou autenticação mecânica. Portanto, os documentos apresentados, por si sós, não são hábeis a comprovar a despesa com instrução pleiteada pelo contribuinte, razão pela qual fica mantida a infração apurada pela Fiscalização. (...) Em face do exposto, VOTO pela procedência parcial da impugnação, devendo ser exonerado o crédito tributário apurado na notificação de lançamento de fls. 26/32 e restabelecido saldo de imposto a restituir em favor do contribuinte no valor original de R$272,55 (duzentos e setenta e dois reais e cinquenta e cinco centavos). Assim, ao final, conclui o acórdão vergastado pela improcedência parcial da impugnação para manter parte do crédito tributário exigido, pela glosa do valor das despesas com instrução da dependente. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Fl. 58DF CARF MF 4 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 16511.720666/201623 Acórdão n.º 2001000.207 S2C0T1 Fl. 58 5 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de natureza de comprovação material frente à exigência da legislação tributária no que respeita ao fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da percepção do direito a dedução de dependente e suas respectivas despesas, especialmente aqui as com instrução, está contido no art. 35, inciso III e § 1º, da Lei nº 9.250/95, nos seguintes termos: “Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau.” Para utilização do benefício da dedução na apuração do imposto sobre a renda tem que ser observada a exigência da legislação especificada que aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal Fl. 60DF CARF MF 6 correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecê lo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 16511.720666/201623 Acórdão n.º 2001000.207 S2C0T1 Fl. 59 7 De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas com instrução de dependente do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. No exame da documentação acostada ao processo verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória estipulada em lei para a comprovação da despesa com instrução e da dependência para efeitos tributários da filha menor de 21 anos de idade que foi utilizada como dedutível na declaração de ajuste do imposto. Foram anexados ao processo, em complementação, documentos que suprem as exigências da autoridade autuante, notadamente no que se refere à identificação do contribuinte como responsável financeiramente pela filha dependente, para efeitos tributários, bem como a comprovação das despesas pagas com instrução e, ainda, declaração da exesposa afirmando ser a filha do casal dependente do Recorrente, embora os recibos tenham sido emitidos em seu nome, porque é ela que figura como responsável familiar junto à instituição de ensino. Neste sentido, a apresentação de documentação complementar não inova e supre a exigência fiscal, como constatável no processo. De vez que foi comprovada a relação de dependência da filha Isabel Barros Garcia e aceita a dedução automática por dependente no sistema de ajuste do imposto sobre a renda, e tendo o Acórdão 1283.032 19ª Turma da DRJ/RJO, reconhecido essa situação, dandolhe provimento nesta parte, obstáculo não pode existir para a aceitação da despesa com instrução da dependente, até mesmo por razões obvias. Para respaldar o provimento desta parte requerida neste processo, ressaltase aqui os textos do Recurso Voluntário do Contribuinte, como segue: (Fl. 47, do processo) Fl. 62DF CARF MF 8 (Fl. 51, do Processo) Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução da despesa com instrução da dependente no valor de R$ 3.091,35, devendo ser refeito o cálculo para determinação do imposto a restituir, considerandose reversão da glosa do valor referido. (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920502/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 23/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 23/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 23/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 02 /2 00 9- 91 Fl. 98DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 00918.06064.180607.1.3.043120, fl. 02 a 04, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl. 07, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 03/12/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório. Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: O mero preenchimento incorreto da declaração não gera direito à crédito em favor da fazenda nacional da necessária observância aos princípios da busca pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que houve tão somente um erro de preenchimento de declaração. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.920502/200991 Acórdão n.º 2201004.338 S2C2T1 Fl. 99 3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Informa já estar levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do crédito indicado na DCOMP. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 43 a 49, cujas conclusões podem ser assim resumidas: (...) Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. (...) A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. (...) Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. (...) Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP , observase que a contribuinte limitase a declarar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. (...) Alias a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Fl. 100DF CARF MF 4 (...) Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: Cientificado do Acórdão da DRJ em 26/11/2010, conforme AR de fl. 51, e ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 52 a 68, que, em sua essência, reafirma as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 05 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.920502/200991 Acórdão n.º 2201004.338 S2C2T1 Fl. 100 5 DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do Carf reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte. Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Destaca que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 102DF CARF MF 6 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. Como se vê, pelas palavras do próprio recorrente, o crédito utilizado na DCOMP apresentada em junho de 2007 ainda não havia sido levantado na época da manifestação de inconformidade, em 2009. Tampouco foi juntada aos autos a DCTF retificadora, a qual foi, conforme informações disponíveis nos sistemas da RFB, apresentada em 01/12/2009, evidentemente após ciência do inteiro teor do Despacho Decisório ora sob análise. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.920502/200991 Acórdão n.º 2201004.338 S2C2T1 Fl. 101 7 contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que estaria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 104DF CARF MF 8 Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão do julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o julgamento sobre a procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, apresentada a DCTF retificadora, a qual corrigiria equívoco contido na DCTF ativa no momento da análise da compensação declarada, cai por terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente. Por fim, não tendo sido possível apresentar a manifestação de inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário, requer sua apreciação. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.920502/200991 Acórdão n.º 2201004.338 S2C2T1 Fl. 102 9 Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, mesmo com o recurso voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000399/2002-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
Numero da decisão: 2401-005.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Processo julgado na sessão do dia 07/02/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
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CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 03 99 /2 00 2- 55 Fl. 299DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Processo julgado na sessão do dia 07/02/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13808.000399/200255 Acórdão n.º 2401005.274 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório SATIE TEREZA OTA, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1727.478/2008, às efls. 191/211, que julgou procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação ao anocalendário 1998, conforme peça inaugural do feito, às fls. 130/132, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 10/04/2002 (AR fl. 136), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: OM1SSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito e de investimentos, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Relação de Créditos/Depósitos em Conta Bancária Não Comprovados, que faz parte integrante do Auto de Infração e do Termo de verificação de infração. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 218/248, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, suscitando preliminarmente a ilegitimidade passiva, uma vez que tratase de conta conjunta com o seu esposo, não sendo possível imputar a totalidade das movimentações a contribuinte. Ainda em caráter preliminar, alega a nulidade do auto de infração por não corresponde à realidade dos fatos, já que a autuação fundase em meras presunções que não caracterizam meios suficientes a ensejar a penalidade a ele imposta pela Recorrida. Também de forma preliminar, aduz em função da ausência de exposição clara, inequívoca e individualizada da infração, não há como se conceber o exercício pleno da garantia constitucional da ampla defesa, restando cerceado o direito da Recorrente. Salienta ter o ilustre agente fiscal deixado de atentar para uma das exigências fundamentais de qualquer auto de infração, a fundamentação adequada, citando os preceitos da Lei n° 9.784/99. Afirma o lançamento efetuado aplicarlhe a sanção de Omissão de Receitas por mera e absoluta presunção, ao invés de revestilo de legalidade, segurança e certeza, Fl. 301DF CARF MF 4 princípios norteadores e elementares do processo fiscal, não restando comprovado pelo auditor o efetivo aumento de patrimonial. Insurgese quanto a retroatividade do disposto na Lei n° 10.174 de 2001, que permite a quebra do sigilo bancário independente de autorização judicial e da impossibilidade de efetuar o lançamento com base em depósitos bancários. Assevera quanto a multa de 75% imposta pela fiscalização, embora tenha como fundamento o artigo 44 da Lei n.o 9.430/96, caracterizase abusiva e confiscatória, posto que não traduz a realidade dos fatos, bem como quanto aos juros. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 03 de abril de 2017, foi proposta resolução por este Nobre Conselheiro Relator, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 252/256, in verbis: (...) Ao analisarmos os autos, observarse a interposição de Mandado de Segurança nº 2002.61.00.0143052, a qual encontrase em trâmite perante a 15ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, visando suspender a exigibilidade do imposto sobre a renda da pessoa física. Entrementes, inobstante constar dos autos a informação de que a contribuinte se valeu do Judiciário com o fito de discutir a exigibilidade do IRPF, objeto do presente lançamento, não fora acostado ao processo a documentação pertinente à aludida discussão judicial, o que inviabiliza verificar se há, efetivamente, concomitância entre as discussões administrativa e judicial. Ora, como a contribuinte registra a discussão judicial da regularidade/legalidade da presunção, o qual fora adotado na conclusão da fiscalização, impõese tomar conhecimento do teor do pedido formulado nos autos do Mandado de Segurança, bem como das eventuais decisões e/ou recursos apresentados até o presente momento, tendo em vista que podem guardar similitude com as razões recursais da entidade, o que inviabilizaria o conhecimento de tais alegações em face da concomitância, na esteira do disposto na Súmula CARF nº 01, ou mesmo a necessária observância por parte desse Colegiado na hipótese de rechaçar o Ato Cancelatório. No entanto, somente com o conhecimento do inteiro teor da exordial, bem como dos demais atos processuais e/ou decisões proferidas no decorrer do processo judicial em epígrafe é que este Conselheiro poderá se manifestar sobre o assunto, com a segurança que o caso exige, buscando evitar, sobretudo, proferir eventual voto contrário à Súmula CARF nº 01. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária intimar a contribuinte à Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13808.000399/200255 Acórdão n.º 2401005.274 S2C4T1 Fl. 4 5 apresentar cópia do Mandado Judicial e certidão de objeto e pé, nos autos do processo judicial sob nº 2002.61.00.0143052. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos, a partir de intimação ao contribuinte, o Mandado de Segurança nº 2002.61.00.0143052, bem como a certidão de objeto e pé, oportunizando à contribuinte se manifestar sobre o resultado da diligência no prazo estabelecido na legislação de regência, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Em resposta a diligência encimada, a contribuinte anexou a exordial do Mandado de Segurança, bem como a certidão de objeto e pé às efls. 262/294. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE CONCOMITÂNCIA Apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a Recorrente impetrou na Seção Judiciária do Estado de São Paulo o Mandado de Segurança nº 2002.61.00.0143052 com pedido de liminar, objetivando obter perante o Poder Judiciário a suspensão da exigibilidade do imposto de renda pessoa física, cobrado nos autos do PAF em questão (efls. 262/294). Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13808.000399/200255 Acórdão n.º 2401005.274 S2C4T1 Fl. 5 7 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, em observância a Súmula n° 1 do CARF, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 305DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.905360/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.064
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 60 /2 01 2- 76 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10283.905360/201276 Acórdão n.º 3402005.064 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10283.905360/201276 Acórdão n.º 3402005.064 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.077, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10283.905360/201276 Acórdão n.º 3402005.064 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10283.905360/201276 Acórdão n.º 3402005.064 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10283.905360/201276 Acórdão n.º 3402005.064 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10283.905360/201276 Acórdão n.º 3402005.064 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10283.905360/201276 Acórdão n.º 3402005.064 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 199DF CARF MF
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