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Numero do processo: 11080.009891/2008-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.892
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente BOMAG MARINI EQUIPAMENTOS LTDA, Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 98 91 /2 00 8- 07 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11080.009891/200807 Acórdão n.º 9303006.892 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 330200.741, que, na parte de interesse, decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições (PIS/Pasep e Cofins). Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto à incidência das contribuições sobre os valores oriundos de transferência de crédito de ICMS para terceiros. Em síntese, argumenta o recorrente que tais valores não se caracterizam como receita. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Após ciência do despacho, a Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11080.009891/200807 Acórdão n.º 9303006.892 CSRFT3 Fl. 4 3 EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11080.009891/200807 Acórdão n.º 9303006.892 CSRFT3 Fl. 5 4 VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725581/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. A impugnação foi apresentada fora do prazo legal. Nesse sentido, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão processual. Assim, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário, diante da impugnação intempestiva, que fica limitado à contrariedade oferecida à essa declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
(assinatura digital)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinatura digital)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. A impugnação foi apresentada fora do prazo legal. Nesse sentido, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão processual. Assim, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário, diante da impugnação intempestiva, que fica limitado à contrariedade oferecida à essa declaração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinatura digital) João Bellini Júnior - Presidente. (assinatura digital) Wesley Rocha - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. A impugnação foi apresentada fora do prazo legal. Nesse sentido, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão processual. Assim, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário, diante da impugnação intempestiva, que fica limitado à contrariedade oferecida à essa declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinatura digital) João Bellini Júnior Presidente. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 55 81 /2 01 1- 21 Fl. 184DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 03 a 17) lavrado em desfavor de VERA MARIA BASTOS DUARTE DE ALBUQUERQUE, referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2007, exercício 2008, no qual é exigido o valor do referido imposto na quantia de R$886.057,97, acrescido da multa de ofício e juros de mora e multa exigida isoladamente no valor de R$448.685,86, em decorrência da apuração de dedução indevida de despesas de livro caixa e falta de recolhimento do IRPF, devido a título de carnê leão, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. A DRJ de origem não conheceu da impugnação apresentada (acórdão de impugnação de fls. 122/128), tendo em vista sua intempestividade, uma vez que teria sido expedido para o domicilio fiscal da contribuinte a intimação da conclusão do auto de infração lavrado (fl. 36) e a impugnação teria sido interposta quase dois meses depois do prazo de 30 dias. Cabe mencionar que na peça impugnante a Contribuinte arguiu a tempestividade da peça, em razão de quem teria recebido a intimação fiscal foi o "Sr. Tiago", do qual alega não ter nenhum vinculo profissional com a contribuinte. Após intimação da decisão do acórdão de impugnação, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 138/176), requerendo, em síntese o seguinte: Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11080.725581/201121 Acórdão n.º 2301005.253 S2C3T1 Fl. 185 3 Diante dos fatos narrados, esse é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo, seguindo a regra do art. 33 do Decreto Lei 70.235/72. Entretanto, não conheço do Recurso Voluntário interposto, em razão da intempestividade comprovada da peça de impugnação. Senão vejamos. A impugnação foi apresentada fora do prazo legal, mais precisamente em 07.10.2011, tendo transcorrido mais de 60 dias posterior ao prazo oportunizado para a defesa, que tinha como data fatal em 16.08.2011. A recorrente foi intimada do auto de infração por via postal, em 15.07.2011, em seu domicílio fiscal, respeitando o artigo 23, inciso II, do Decreto Lei 70.235/72. Quem recebeu a intimação foi o "Sr. Tiago Albuquerque" (fl. 36), muito provavelmente possuindo algum grau de parentesco com a Sra. Vera Maria Bastos Duarte De Albuquerque, em razão de possuir o mesmo "sobrenome" da recorrente. O fato dessa pessoa não possuir relação profissional não altera o domicílio fiscal da recorrente, uma vez que o ato foi perfectilizado com a entrega no domicílio eleito por ela mesmo. Tanto é verdade isso que o Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, e a intimação (fl. 136 dos autos) do resultado do julgamento de primeira instância foi entregue no mesmo endereço constante da notificação do auto de infração. Ademais, essa carta de intimação também foi recebida por pessoa diversa da Recorrente, Senhor Leandro Albuquerque, e que também contém o mesmo sobrenome da contribuinte. Nesse sentido, não obrou a recorrente comprovar qualquer irregularidade do ato de intimação do auto de infração, que pudesse macular o procedimento e a perfectibilização do ato fiscalizatório, uma vez que notificação foi devidamente entregue em seu domicílio fiscal, ainda que quem tenha recebido a notificação seja para pessoa diversa da contribuinte. Nesse sentido, este Tribunal já se pronunciou sobre a matéria, conforme a Súmula CARF n.º 9: "Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Cabe mencionar que, a notificação do lançamento tem o condão de dar eficácia ao lançamento, ou seja, o procedimento de envio da notificação perfectibiliza todos esses atos anteriores préconstituídos pelo agente fiscal (auditor). Nesse sentido, Leandro Paulsen explica que: “A notificação do lançamento ao sujeito passivo é condição para que o lançamento tenha eficácia. Tratase de providência que aperfeiçoa o lançamento, demarcando, pois, a formalização do crédito pelo Fisco. O crédito devidamente notificado passa a ser exigível do contribuinte. Com a notificação, o contribuinte é instado a pagar e, se não o fizer nem apresentar Fl. 186DF CARF MF 4 impugnação, poderá sujeitarse à execução compulsória através de execução fiscal. Ademais, após a notificação, o contribuinte não mais terá direito a certidão negativa de débitos. A notificação está para o lançamento como a publicação está para a Lei, sendo que para esta o Min. Ilmar Galvão, no RE 222.241/CE, ressalta que “Com a publicação fixase a existência da lei e identifica a sua vigência...” (In Direito Tributário e Código tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 11ª Ed. Livraria do Advogado, notas ao artigo 142 do CTN). Assim, com a notificação formalmente entregue foi dada eficácia ao lançamento fiscal, sendo que a impugnação apresentada fora do prazo legal é causa da ocorrência da preclusão processual, referente ao direito da contribuinte contestar os atos fiscalizatórios. Nesse sentido, há longa data este Tribunal já se manifestou, conforme parte da ementa abaixo transcrita: "EMENTA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA – PRECLUSÃO PROCESSUAL: A declaração de intempestividade da impugnação, pela decisão de primeiro grau, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à contrariedade oferecida a essa declaração". (Processo n.º 10880.013371/9167. Acórdão n.º 10805814, Conselheiro Relator José Antonio Matiel. publicado em 27.10.1999). Nessas circunstâncias, sem fase litigiosa instaurada em sede de primeira instância, não há como adentrar ao mérito do recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, tendo em vista a preclusão processual sem fase litigiosa instaurada, em razão da intempestividade da impugnação, impondo a manutenção da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 10467.900198/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ORGINADO DE ANTECIPAÇÕES MENSAIS PAGAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES UTILIZADOS EM OUTRAS COMPENSAÇÕES. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Comprovado que parte do crédito indicado pela recorrente foi utilizado em compensações anteriores, carece a compensação dos requisitos de certeza e liquidez.
Numero da decisão: 1301-000.652
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ORGINADO DE ANTECIPAÇÕES MENSAIS PAGAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES UTILIZADOS EM OUTRAS COMPENSAÇÕES. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Comprovado que parte do crédito indicado pela recorrente foi utilizado em compensações anteriores, carece a compensação dos requisitos de certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Fl. 604DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ de Recife/PE. Verificase pela análise do presente processo que a contribuinte apresentou PER/DCOMP na qual se apontou como crédito saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ano calendário 2002, no valor de R$ 30.860,84 (trinta mil, oitocentos e sessenta reais e oitenta e quatro centavos). Observase ainda, que de acordo com Despacho Decisório (fls. 455 456), houve parcial homologação, considerandose que o crédito comprovado totalizou o montante de R$ 8.566,93 (oito mil, quinhentos e sessenta e seis reais e noventa e três centavos) e de acordo com Parecer SAORT n° 252/2008 (fls.422 454), na composição do saldo negativo foram levadas em conta estimativas de CSLL compensadas com saldos negativos de anos anteriores, razão pela qual foi imprescindível verificar a existência dos saldos negativos de CSLL de anos calendário anteriores ao de 2002, visto que tais valores repercutem na apuração da liquidez e certeza do crédito utilizado na Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em questão, tendo em vista que as estimativas mensais de CSLL foram liquidadas por compensação com saldo negativo de CSLL de anos anteriores. Devidamente cientificado do Despacho Decisório e Parecer SAORT n° 252/2008, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 463 473), alegando em síntese que teria apresentado durante o procedimento fiscal toda a documentação necessária à confirmação do direito creditório pleiteado e que a autoridade fiscal deixara de considerar a estimativa de CSLL, relativa a dezembro de 1993, paga em 31/01/94, sob a alegação de que o pagamento teria sido alocado a estimativa de junho de 1994, deixando, no entanto, de produzir prova a respeito disso. Argumentou ainda que teria sido apenada com multa de 20% (vinte por cento) e juros calculados pela taxa SELIC, incidentes sobre os débitos indevidamente compensados e que os saldos negativos de cada período não teriam sido atualizados pela taxa SELIC. A 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, nos termos do acórdão e voto de folhas 573 – 577, indeferiu a solicitação, assentando de início, que em relação à atualização dos saldos negativos de cada período de apuração, verificase, ao contrário do que alega a defesa, que foi providenciada, porquanto converteuse o saldo negativo do ano calendário 1993 para a unidade monetária Real com base na UFIR vigente em 1° de janeiro de 1995, correspondente a R$ 0,8287 e a partir daí os valores foram acrescidos dos juros equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente, conforme se constata às folhas 435 e seguintes, tudo em conformidade com o que dispõe a legislação de regência, não havendo reparo a ser feito. No mais, registrou a decisão recorrida que a contribuinte sustentou, pontualmente, que ao não considerar a estimativa de dezembro de 1993, recolhida em 31/01/94, a autoridade administrativa não teria produzido provas sobre a alocação daquele Fl. 605DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10467.900198/200601 Acórdão n.º 1301000.652 S1C3T1 Fl. 2 3 pagamento à estimativa de junho de 1994, entretanto, teria sido registrado no Parecer SAORT n° 252/2008 (f1. 433) que a CSLL apurada em dezembro de 1993 foi parcialmente liquidada e que o pagamento a título de CSLL efetuado em 31/01/1994, no valor de CR$ 1.049.116,16 foi alocado, em parte, a CSLL por estimativa de dezembro/2003 (2.262,76 UF1R), visto que o resto foi alocado a CSLL do mês de junho/1994 (1.818,61 UFIR), mencionandose ainda, que do pagamento efetuado em 29/01/1993, a título de CSLL (Cr$ 15.439.582,94) alocouse a CSLL de dezembro/1993, o equivalente a 36,98 UF1R; e do pagamento de CSLL efetivado em 30/07/1993 (Cr$ 116.560.008,73) foi alocado o equivalente a 0,33 UFIR. De forma que o total alocado para a CSLL apurada em dezembro/1993 somou 2.300,07 UF1R (2.262,76 + 36,98 + 0,33), segundo os extratos do Sistema SINCOR TRATAPAGTO às fls. 40, 42 e 45". Diante disso, considerou a decisão recorrida que foi devidamente explicitado o motivo pelo qual não se pode aproveitar integralmente o pagamento relativo à estimativa de dezembro/1993, porquanto parte serviu para extinguir a estimativa de junho/1994, conforme fls. 40 e 45, não havendo falar que a fiscalização, mesmo alegando que o referido recolhimento fora alocado à CSLL do mês de junho de 1994, em nenhum momento faz prova ou demonstração desse valor, razão pela qual não se acolheu tal alegação. Devidamente cientificada (fl. 580), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 582 – 592), reiterando em petição idêntica as razões contidas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e congrega os demais permissivos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Antes de mais, convém assentar que em situação absolutamente diversa daquela sustentada pela contribuinte, o processo em questão NÃO se relaciona à lavratura de auto de infração ou qualquer exigência fiscal resultante de fiscalização ou glosa do que escriturado pela contribuinte. Contrário disso, o que se veicula no presente processo é uma declaração de compensação cujo direito creditório foi reconhecido parcialmente, emitindose, em relação ao valor remanescente, a respectiva Carta de Cobrança. Não procede, portanto, a alegação da recorrente de improcedência ou nulidade da autuação, já que de autuação não se cuida. A persistência da cobrança está atrelada a homologação ou não da compensação. No que toca aos demais pontos preliminares suscitados pela recorrente em reprise ao que alegado na Manifestação de Inconformidade, a decisão recorrida, que sequer foi desafiada em seus fundamentos, também não está a merecer reforma. Quanto ao mérito do presente processo, vale registrar que a recorrente informou, originalmente, que o crédito utilizado para compensação teve origem em saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com valor na data de transmissão do PER/DCOMP de R$ 31.346,02 (trinta e um mil, trezentos e quarenta e seis reais e dois centavos), tendo utilizado na DCOMP o valor de R$ 30.860,84 (trinta mil, oitocentos e sessenta reais e oitenta e quatro centavos). O Parecer SAORT n° 252/2008 (fls. 422 454), após apurada e minudente investigação acerca da formação dos créditos de que dispunha a recorrente, concluiu que impunhase glosar parcela do crédito indicado porquanto utilizado para extinção de débito diverso. Tal como o fez a decisão recorrida, é oportuno transcreverse parte do aludido Parecer, in verbis: (...) ressaltese que é imprescindível, verificar a existência dos saldos negativos de CSLL de anoscalendários anteriores ao de 2002, visto que tais valores repercutem na apuração da liquidez, e certeza do crédito utilizado na Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em questão, tendo em vista que as estimativas mensais de CSLL foram liquidadas por compensação com saldo negativo de CSLL de anos anteriores, conforme será visto adiante (...) Foi nesse contexto investigativo acerca da formação do crédito indicado pela recorrente, saldo negativo de CSLL no ano calendário 2002, que a autoridade administrativa empreendeu o detalhado Parecer de folhas 422 a 545, sempre mirando aferir a existência do crédito nos anos anteriores, porquanto como dito, as estimativas mensais de 2002, que teriam originado o crédito da recorrente, foram liquidadas com saldos anteriores. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10467.900198/200601 Acórdão n.º 1301000.652 S1C3T1 Fl. 3 5 Resultou daí, que a parcela do crédito não homologada, foi considerada carecedora dos requisitos de certeza e liquidez, situação reafirmada pela decisão da DRJ, ora combatida. Ao analisar o conteúdo dos autos, observase que de fato as compensações apresentadas, melhor dizendo, a parcela delas que não foi homologada, de fato não atendeu aos inafastáveis requisitos de certeza e liquidez, com efeito, o item 29 do Parecer SAORT n° 252/2008, encerra a questão no momento em que assenta que de acordo com as informações do Sistema IRPJCONS (fls. 206 a 212) na DIPJ/2003, processada sob o nº 0857957 DV 90, o contribuinte apurou saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) de R$ 31.346,02 (linha 42 da Ficha 17 – extrato Sistema IRPJCONS fl. 208 e cópia da Declaração fl. 407), ressalvando, entretanto, que o saldo negativo seria, a bem da verdade, de R$ 8.566,93, porquanto as informações extraídas dos sistemas IRPJCONS (fls. 209 a 212), DCTF Sistema Gerencial (fls. 26 a 38) e SINAL04 (fl. 21) indicam que o saldo negativo de CSLL, oriundo de CSLL mensal paga por estimativa deuse da seguinte maneira: (Período de Apuração janeiro/2002 R$ 3.148,12 , PA fevereiro/2002 R$ 1.684,50, PA março/2002 R$ 2.794,31, PA abril/2002 R$ 2.425,48, PA maio/2002 R$ 2.369,59, PA junho/2002 R$ 2.199,09, PA julho/2002 R$ 3.354,09, PA agosto/2002 R$ 2.581,66, PA, setembro/2002 R$ 2.280,98, PA outubro/2002 R$ 4.904,18, PA novembro/2002 R$ 3.044,07 e PA dezembro/2002 R$ 7.777,24) importando em R$ 38.563,31. Na mesma sede investigativa da existência do crédito, ressalvou com acerto a autoridade, que as referidas estimativas de CSLL foram liquidadas com pagamentos em DARF (R$ 120,00) e com compensações com crédito originado de saldo negativo de períodos anteriores, quais sejam: 1999, 2000 e 2001, sendo certo que a contribuinte não possuía mais saldo negativo de CSLL do ano calendário 1999, porquanto este havia sido totalmente utilizado em procedimentos de compensações anteriores, em estimativas de CSLL dos anos calendário 2000 e 2001, resultando, portanto, na parcial homologação das compensações controladas nesse processo. A recorrente não afastou as constatações do Fisco, que por seu turno, evidenciou que o crédito indicado pela recorrente, não dispunha de certeza e liquidez em sua totalidade, motivo pelo qual, tratandose de processo que versa acerca de declaração de compensação, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 04 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
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Numero do processo: 11020.721463/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2009
PROVA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
O indeferimento, pela autoridade julgadora, de solicitação de perícia não acarreta cerceamento do direito de defesa, pois o julgador pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias.
ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ATIVIDADE RURAL
Cabe ao sujeito passivo comprovar, de forma individualizada, que os depósitos bancários decorrem de receitas da atividade rural, não devendo se aceita a comprovação presumida pelo fato de o contribuinte atuar apenas nesse ramo de atividade.
MULTA DE OFÍCIO
Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada.
MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA QUALIFICADA. EVIDÊNCIA DE SONEGAÇÃO. FALTA DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL.
Correta a aplicação da multa qualificada quando há evidências inequívocas de sonegação, e o contribuinte deixa de emitir nota fiscal ou a emite em valor inferior ao negociado, quando da venda de sua produção.
Numero da decisão: 2202-004.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2009 PROVA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O indeferimento, pela autoridade julgadora, de solicitação de perícia não acarreta cerceamento do direito de defesa, pois o julgador pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ATIVIDADE RURAL Cabe ao sujeito passivo comprovar, de forma individualizada, que os depósitos bancários decorrem de receitas da atividade rural, não devendo se aceita a comprovação presumida pelo fato de o contribuinte atuar apenas nesse ramo de atividade. MULTA DE OFÍCIO Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA. EVIDÊNCIA DE SONEGAÇÃO. FALTA DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL. Correta a aplicação da multa qualificada quando há evidências inequívocas de sonegação, e o contribuinte deixa de emitir nota fiscal ou a emite em valor inferior ao negociado, quando da venda de sua produção.
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PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O indeferimento, pela autoridade julgadora, de solicitação de perícia não acarreta cerceamento do direito de defesa, pois o julgador pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ATIVIDADE RURAL Cabe ao sujeito passivo comprovar, de forma individualizada, que os depósitos bancários decorrem de receitas da atividade rural, não devendo se aceita a comprovação presumida pelo fato de o contribuinte atuar apenas nesse ramo de atividade. MULTA DE OFÍCIO Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 14 63 /2 01 3- 10 Fl. 454DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA. EVIDÊNCIA DE SONEGAÇÃO. FALTA DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL. Correta a aplicação da multa qualificada quando há evidências inequívocas de sonegação, e o contribuinte deixa de emitir nota fiscal ou a emite em valor inferior ao negociado, quando da venda de sua produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1047.500, proferido pela 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto AlegreRS (DRJ/POA), que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/POA: Do lançamento (fls. 329/334) Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração Imposto de Renda de Pessoa Física, apurando o crédito tributário no valor total de R$ 1.227.456,16 (um milhão, duzentos e vinte e sete mil, quatrocentos e cinquenta e seis reais Fl. 455DF CARF MF Processo nº 11020.721463/201310 Acórdão n.º 2202004.608 S2C2T2 Fl. 455 3 e dezesseis centavos), incluindo multas e juros de mora calculados até 05/2013. Da ação fiscal restou a constatação das seguintes irregularidades: 1) OMISSÃO DE RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL: • Fato Gerador: 31/12/2009 • Rendimento Tributável: R$ 379.082,52 • Multa: 150% 2) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA • Fatos Geradores: 31/01/2008 a 31/12/2009 • Rendimentos Tributáveis discriminados nas fls. 330/331 • Multa: 75% Do Relatório Fiscal (fls. 337/350) O relatório fiscal, integrante do Auto de Infração, informa que o contribuinte era omisso quanto à entrega das DAA Declarações de Ajuste Anual, referente ao imposto de renda pessoa física dos exercícios 2009 e 2010, anoscalendário 2008 e 2009 e verificado o exercício da atividade rural, foi intimado, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 03/05) a apresentar as respectivas DAA ou justificativa, no caso de estar dispensado da entrega. No mesmo termo, foi intimado também a apresentar documentação relativa à atividade rural e à movimentação bancária. Da atividade rural O contribuinte requereu prorrogação de prazo para atendimento da intimação, no qual foi atendido (Termo, fls. 12). Dentro do prazo concedido, foram apresentadas as DAA dos exercícios 2009 e 2010, LivrosCaixa da Atividade Rural 2008 e 2009 e Talões de Produtor Rural. Para confirmar a receita da atividade rural informada pelo contribuinte, foram emitidas intimações aos principais adquirentes de seus produtos. Anexados ao processo os Termos de Intimação Fiscal à Cooperativa Santa Clara Ltda (fls. 237), à Oleopan S/A Óleos Vegetais Planalto (fls. 269) e Cooperativa Agrícola Mista Ibiraiaras Ltda (fls. 275) e respectivas respostas. Quanto ao ano de 2008, não tendo sido obtida nenhuma informação dos terceiros intimados para esse período, foi considerada a receita escriturada no LivroCaixa apresentado pelo contribuinte, no valor de R$ 78.600,00. Em relação às despesas do ano de 2008, havia sido declarada a despesa de RS 223.473,78 e foi glosado o valor de RS 66.353,76 Fl. 456DF CARF MF 4 relativo a juros de financiamentos rurais, sendo apurada a despesa de RS 157.120,02. É relatado que o contribuinte apurou e tributou o resultado da atividade rural, nos anoscalendário 2008 e 2009 com base na diferença entre as receitas e despesas de cada período, não optando, assim, pela tributação sobre a receita bruta (20%). Como a escolha pela forma de apuração do resultado é uma opção do contribuinte, a qual se torna definitiva com a entrega da declaração e deve ser respeitada pela fiscalização, os valores apurados foram levados à tributação da mesma forma já declarada pelo contribuinte. O contribuinte havia apurado na DAA (fls. 64) prejuízo de R$ 144.873,78, com a glosa de despesas, houve redução do prejuízo para R$ 78.520,02, passível de compensação em anos posteriores. Quanto ao ano de 2009, do batimento entre as Notas Fiscais de Entrada apresentadas pela Cooperativa Santa Clara Ltda, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal (fls. 237), com as escrituradas no Livro Caixa foi constatada a falta de registro das Notas Fiscais de Produtor nº 294887 (fls. 242) e nº 294888 (fls. 244). Valores e datas descritos na folha 339. Também foi apresentada a Nota Fiscal de Entrada nº 22663, de 30/06/2009, no valor bruto de RS 48.865,05 (fls.252) para qual o contribuinte não apresentou Nota Fiscal de Produtor. Foi verificado que o contribuinte não escriturou no Livro Caixa do ano de 2009 a Nota Fiscal de Produtor nº 294886, de 22/12/2009 (fls. 235), no valor de R$ 29.150,00 e a respectiva Nota Fiscal de Entrada nº 059508 (fls. 236). Intimado a comprovar a data de recebimento da venda efetuada, nada respondeu, assim, foi considerado como recebimento a data de emissão da nota fiscal. Com os dados obtidos, foi apurada a receita bruta da atividade rural, no valor de RS 707.567,05, conforme "Demonstrativo da Receita da Atividade Rural Ano 2009" (fls. 314). Foi excluído das receitas escrituradas no Livro Caixa de 2009, o valor de RS 43.832,09, relativo à Nota Fiscal de Produtor nº 929371 (fls. 263) e Nota Fiscal de Entrada emitida pela Cooperativa Santa Clara Ltda. nº 5842 (fls. 264), ambas de 31/12/2009, tendo em vista que o contribuinte recebeu o valor em 15/01/2010 (fls. 241), portanto, receita de 2010. Da mesma forma, foi efetuada a glosa das despesas escrituradas relativas à esta nota fiscal, no total de R$ 4.240,93 por se referirem ao ano de 2010. Em relação às notas fiscais de venda não escrituradas pelo contribuinte e acrescidas à receita declarada, foi considerado o valor das despesas nelas constantes. O quadro na folha 342 demonstra as despesas da atividade rural, que totalizaram R$ 249.964,51. O resultado da atividade rural no ano de 2009 foi apurado conforme demonstrativo (fls. 316) no valor de R$ 379.082,52, Fl. 457DF CARF MF Processo nº 11020.721463/201310 Acórdão n.º 2202004.608 S2C2T2 Fl. 456 5 integralmente tributado no Auto de Infração, uma vez que o contribuinte apresentou DAA sob intimação. Quanto à multa qualificada, a fiscalização entende que houve omissão de forma reiterada de entrega das DAA dos exercícios de 2009 e 2010. Também deixou de emitir nota fiscal de venda de produtor rural. Assim, fica tipificada a intenção dolosa de suprimir ou reduzir tributo devido, o que caracteriza fraude/sonegação, sendo cabível a multa prevista no parágrafo 1o do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, no percentual de 150%. Dos depósitos bancários de origem não comprovada Com base nos dados dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte e dos documentos apresentados pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul, em virtude da autorização fornecida pelo contribuinte (fls. 10), foram elaboradas as planilhas anexadas ao Termo de Intimação e Ciência Fiscal nº 001 (fls. 286/302) para a comprovação, individualmente, mediante documentação hábil e idônea, compatível em datas e valores, da origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias. O contribuinte solicitou prorrogação de prazo para atendimento do Termo Fiscal, tendo sido concedido (fls. 328), todavia, sequer apresentou manifestação a respeito. Uma vez que não apresentou nenhuma comprovação, a fiscalização, embora a competência fosse do fiscalizado, efetuou as correlações possíveis entre as notas fiscais de venda do produtor rural (declaradas e omitidas) e os depósitos/créditos bancários, considerando os dados obtidos mediante intimações fiscais. Os valores relativos à receita da atividade rural do contribuinte para os quais foi possível a identificação dos depósitos/créditos bancários correspondentes foram devidamente excluídos dos depósitos/créditos a comprovar a origem. Quadro elucidativo consta na folha 348 do relatório fiscal. A fiscalização informa que, para efeito da determinação da receita omitida, os créditos deverão ser analisados individualmente, ou seja, deve haver a comprovação para cada crédito constante nas contas bancárias, não cabendo a dedução de valor genérico do total da movimentação financeira, como por exemplo, com o total da receita da atividade rural. Há a necessidade da comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias do contribuinte. O indício de omissão de rendimentos se transforma em prova de omissão de rendimentos, por força do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, quando o notificado, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos depósitos/créditos bancários, não o faz. Foi informada também a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais. Da Impugnação (fls. 366/391) Fl. 458DF CARF MF 6 No item I "Dos Fatos", é relatado que o impugnante, em regime de economia familiar com seus pais, é um pequeno produtor rural que tem na produção de leite bovino in natura, sua atividade principal. Todas as tarefas são realizadas pelos integrantes da família do agricultor (sem empregados), pois os custos inviabilizariam a atividade de produção leiteira que é de baixíssima lucratividade. A atividade desempenhada é extremamente árdua e penosa, não havendo tempo e nem conhecimentos básicos de finanças e das normas tributárias, sendo que sequer sabia que deveria apresentar DAA à Receita e muito menos que deveria escriturar sua atividade em LivrosCaixa. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais sempre lhe informara que controles deste gênero não seriam necessários para os pequenos produtores rurais. Que, apesar da baixíssima lucratividade das atividades agrícolas envolvidas, toda a receita era paga via conta bancária, pelas empresas adquirentes do leite in natura. Isso, aliado aos parcos conhecimentos e aos controles rudimentares dos custos de produção, especialmente daqueles realizados na própria propriedade rural da família, dificultaram sobremodo a escrituração e a reconstituição das demonstrações contábeis dos custos de produção, quando instado pela fiscalização. Outra fonte de receita é a decorrente da venda dos próprios animais criados na pequena propriedade (menos de dois módulos fiscais) e produtos agrícolas, a exemplo do milho e soja. No item II "Da comprovação da origem dos depósitos bancários como sendo da atividade rural", é relatado que durante o procedimento fiscal o impugnante teve todas as suas contas bancárias investigadas, sendo intimado a comprovar a origem de depósitos bancários efetivados nos anoscalendário de 2008 e 2009, cujos somatórios perfazem R$705.266,46 e R$ 1.300.182,04, respectivamente. No ano de 2009 a fiscalização reconheceu como oriunda da atividade agrícola a quantia de R$ 707.567,05. Como a atividade agrícola é a única desenvolvida pelo impugnante, devese reconhecer que os demais depósitos, para os quais o contribuinte não conseguiu demonstrar a origem, com a apresentação de documentos com datas e valores coincidentes, sejam também considerados com origem comprovada, já que nenhuma outra atividade foi identificada no procedimento fiscal. Reproduz as observações do Conselheiro Moisés Giacomelli no Acórdão nº 220100.399 do CARF (fls. 371/373) e a seguir informa que a venda de leite, de gado, soja e outros insumos agrícolas é feito a rendimento, assim, a nota fiscal de produtor é emitida para acobertamento da operação, sem que se saiba exatamente a quantidade e o valor efetivo da mercadoria. O pagamento que será feito pela indústria não corresponderá ao valor da nota de produtor e não haverá correlação entre esta e o depósito bancário que será realizado pela indústria, portanto, não há como exigir coincidência de datas e valores das notas de produtor com as importâncias creditadas em conta bancária. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 11020.721463/201310 Acórdão n.º 2202004.608 S2C2T2 Fl. 457 7 No item III "Recursos de origem comprovada não deduzidos no Auto de Infração", é relatado que a auditoria fiscal, de um total de depósitos de RS 1.300.182,04, apurou como receita bruta oriunda da atividade rural do ano de 2009 a quantia de R$707.567,05, mas excluiu da base de cálculo relativa aos depósitos bancários tão somente a quantia de R$ 302.154,68, reputando como não comprovados R$ 998.027,38. No ano de 2008, o fisco reconheceu uma receita bruta da atividade rural no montante de R$ 78.600,00, mas nada foi deduzido da base de cálculo relativa aos depósitos bancários reputados como não comprovados no mesmo ano. Assim, por uma questão de justiça fiscal, é imperioso concluir por uma questão de coerência, que o tratamento a ser dado nestas circunstâncias deva ser a exclusão do valor da receita da atividade rural, incluída de ofício no Auto de Infração, como sendo a base de cálculo para o lançamento de omissão de rendimentos da atividade rural. Não há como deixar de reconhecer ao impugnante o direito de reduzir em igual montante o valor da receita bruta da atividade rural do lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, para efeito do cálculo do imposto devido. No item IV "Da incorreta base de cálculo adotada no auto de lançamento tributário", alega que não há fundamento legal que justifique a não aceitação, como origem de recursos, das receitas da atividade rural informadas pelo impugnante ou reconhecidas de oficio pelo fisco. A própria fiscalização admite que as receitas omitidas transitaram pelo sistema bancário, tanto que parte delas foram subtraídas da base de cálculo dos depósitos bancários. Considerandose que os valores reconhecidos de oficio como sendo da atividade rural, já se encontram presentes nos depósitos bancários, deve ser arbitrada a base de cálculo exclusivamente à razão de vinte por cento da receita bruta de cada anocalendário, ou seja, no montante equivalente a 20% do somatório dos depósitos bancários, conforme determina o art. 18, § 2o, da Lei n° 9.250/95 (transcrito na fl. 376), com a consequente redução do lançamento ao efetivamente devido pelo contribuinte. No item V "Da indevida desconsideração da origem dos recursos tomados por empréstimos bancários", alega, em resumo, que os próprios empréstimos auferidos junto ao sistema financeiro também devem ser considerados como origem dos depósitos bancários subseqüentes no mesmo exercício. No item VI "Depósitos realizados entre as mesmas contas do contribuinte", alega que as transferências entre contas da mesma titularidade devem ser excluídas da matéria tributável e que a fiscalização não efetivou o confronto entre esses montantes. No item VII "Da multa confíscatória e ilegal", alega que, no presente caso, tratase de contribuinte desprovido de meios e Fl. 460DF CARF MF 8 recursos para contabilização de receitas e despesas da atividade agrícola, não havendo que se exigir deste, os mesmos rigores fiscais que devem ser aplicados aos grandes grupos empresariais. A falta de emissão de nota fiscal de produtor na venda de leite ou outros produtos agrícolas, ou a emissão em valores inferiores é uma incorreção que deve ser tratada como irregularidade formal. Toda a venda agrícola à indústria tem como contrapartida a emissão da contranota pela adquirente, no real valor da operação, não podendo ser considerada sonegação para aplicação de multa de ofício e muito menos de multa qualificada. No item VIII "Da impossibilidade de utilização isolada dos depósitos bancários como base para incidência do IRPF", alega, em extenso arrazoado, que é inaplicável ao caso o art. 42 da Lei nº 9.430/96, por antinomia com as normas supervenientes, principalmente com a Lei Complementar nº 105/2001, art. 5o, § 4o, e porque se aplica ao caso as regras do arbitramento definidas no § 2o, do art. 18, da Lei nº 9.250/95. Aduz que a Lei Complementar nº 105/2001 permitiu a quebra do sigilo bancário para fins indiciários de ilícito fiscal, determinando que a adequada apuração dos fatos deverá ainda ser aferida mediante a integração de outras provas a serem obtidas por meio de fiscalização ou auditoria, com requisição de outros documentos, em consonância com a matriz constitucional, tornando inaplicável o art. 42 da Lei nº 9.430/96 por antinomia jurídica. Finaliza alegando que : "Não tendo sido observadas as regras de apuração da verdadeira base de cálculo, o lançamento por autuação é insubsistente, devendo ser decretada a nulidade do auto de infração respectivo, porquanto toma por base o simplório somatório dos depósitos bancários, desconsiderando completamente as demais regras de observância obrigatória." A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/POA, tendo sido reduzido o lançamento relativo a atividade rural no ano calendário de 2009, de R$ 96.292,33 para R$ 30.960,83, em função a aplicação do percentual de 20% sobre a receita bruta; a exclusão da base de cálculo o valor de R$ 3.500,00, relativo a empréstimo bancário, liberado em 25/07/2008; e a exclusão da base de cálculo dos valores relativos às transferências entre contas correntes do mesmo titular. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. Devem ser oferecidas à tributação as receitas da atividade rural comprovadamente recebidas pelo contribuinte. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, Fl. 461DF CARF MF Processo nº 11020.721463/201310 Acórdão n.º 2202004.608 S2C2T2 Fl. 458 9 pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO (75%) E MULTA QUALIFICADA (150%). A aplicação da multa decorre de expressa previsão legal e deverá obrigatoriamente ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado. E cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/POA em 17/12/2013. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 13/01/2014 (efls. 421/449), repisando os argumentos da impugnação, e requerendo correção do julgado por erro material, e ainda nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. Por fim requer reforma do acórdão recorrido, desconstituição do crédito tributário, e alternativamente arbitramento da base de cálculo do IRPF nos exercícios de 2008 e 2009, e afastamento das multas aplicadas. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Considerações iniciais O recorrente tece considerações sobre a precariedade das atividades e árduo labor na propriedade rural familiar, asseverando não ter conhecimentos suficientes sobre os documentos que deveriam ter sido elaborados. Ocorre que, ao Auditor Fiscal não é dado avaliar situações subjetivas, a atividade dele é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. Seu dever é apurar a ocorrência do fato gerador, e assim estabelecer o imposto devido de acordo com a legislação específica. Por isso, não há razão para desconstituição do Auto de Infração, por ter sido lavrado ao amparo da legislação. Preliminares Erro material Fl. 462DF CARF MF 10 O recorrente afirma que não constou na parte dispositiva do acórdão a redução da base de cálculo do imposto no exercício de 2009 para 20% sobre a receita bruta. Enganase o recorrente, extraio do acórdão recorrido o seguinte trecho: Tendo a fiscalização apurado a receita bruta da atividade rural no anocalendário 2009 no valor de RS 707.567,05, aplicandose o percentual de 20%, obtémse como rendimento tributável o valor de RS 141.513,41. Desse modo o imposto de renda correspondente, apurado no lançamento, deve ser alterado de R$ 96.292,33 para RS 30.960,83. (Grifei/Ressaltei) Na conclusão, o acórdão recorrido discrimina os valores que foram excluídos e a parte mantida, constando nessa a redução efetuada de R$ 96.292,33 para RS 30.960,83, conforme se vê: Conclusão Exposto o anterior, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, mantendo em parte o imposto suplementar exigido no presente processo, acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme discriminado a seguir: Ano Calendário Saldo de Principal (RS) Valor Excluído (RS) Valor Mantido (RS) Multa 2008 187.362,35 2.337,50 185.024,85 75% 2009 96.292,33 65.331,50 30.960,83 150% 2009 274.457,52 31.432,50 243.025,02 75% Por isso, não vejo razão para reforma do acórdão recorrido. Nulidade do julgamento de primeira instância cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia O recorrente infirma ser nula a decisão de primeira instância por terlhe sido negada a realização de perícia. Neste ponto, cabe lembrar que o processo administrativofiscal de exigência de crédito tributário referente às contribuições previdenciárias é regido pelo Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a nulidade dos atos nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Em relação à decisão de primeira instância, não vejo motivo para anulação baseada em cerceamento do direito de defesa, considerando que ao julgador é dado decidir sobre a pertinência ou não do deferimento de perícia ou diligência. No caso, se ele considerou que as provas documentais eram suficientes para sua decisão, não me cabe dizer que sua decisão foi equivocada, principalmente, porque ele explicou com fundamentos as razões do indeferimento. Ademais, a realização de diligência, ou perícia, pressupõe que a prova não pode, ou não cabe, ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11020.721463/201310 Acórdão n.º 2202004.608 S2C2T2 Fl. 459 11 conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. O Relatório Fiscal e seus anexos detalham de forma clara os critérios utilizados pela auditoria, a forma de apuração da base de cálculo, informando os valores e diferenças apuradas, o que deu à defesa todas as condições para contestar o lançamento, sem a realização de diligências ou perícia. Por isso, considero que o julgador a quo agiu com acerto ao indeferir a perícia, não havendo razão para nulidade do acórdão recorrido. Do mérito Da comprovação da origem dos depósitos bancários como sendo da atividade rural O recorrente alega que o Auditor Fiscal reconheceu que R$ 707.567,05 dos depósitos bancários eram provenientes de atividade agrícola, e portanto, todos os demais depósitos, para os quais ele não conseguiu demonstrar a origem, deveriam ter sido entendidos como advindos de atividade rural e por isso, considerados comprovados. Primeiramente, em nenhum momento o Auditor Fiscal afirmou que R$ 707.567,05 dos depósitos bancários eram provenientes de atividade agrícola. Ele informa que apurou como Receita Bruta da atividade rural R$ 707.567,05, por meio do levantamento das "vendas efetuadas pelo contribuinte, ou seja, as por ele declaradas no livro Caixa (fls. 90 a 104) e as obtidas mediante intimações junto aos maiores adquirentes de seus produtos [...], bem como de notas constantes nos talões de produtor e não escrituradas". Mais adiante, o autuante informa que em relação à comprovação da origem dos depósitos bancários, o recorrente não apresentou qualquer documento: Decorridos 40 (quarenta) dias desde a primeira intimação em 07/03/2013 para comprovação da origem de sua movimentação bancária, o contribuinte sequer apresentou manifestação a respeito, concluindose, assim, que a prorrogação de prazo por mais 20 (vinte) dias, solicitada e concedida, apenas teve o intuito de protelar o trabalho fiscal. Diante da inércia do contribuinte, o Auditor Fiscal cautelosamente fez as correlações dos depósitos bancários com as notas fiscais e demais documentos da atividade rural, excluindo os depósitos para os quais foi possível comprovar que a origem decorreu de receita da atividade rural, conforme relato fiscal: Uma vez que o contribuinte não apresentou nenhuma comprovação, procurou o fisco, embora a competência fosse do fiscalizado, efetuar as correlações possíveis entre as notas fiscais de vendas de produtor rural (declaradas e omitidas) e os depósitos/créditos bancários considerando os dados obtidos mediante intimações junto aos principais adquirentes dos produtos, especificadas na infração 001 acima. Os valores relativos à receita da atividade rural do contribuinte para os quais foi possível a identificação dos depósitos/créditos Fl. 464DF CARF MF 12 bancários correspondentes foram devidamente excluídos dos depósitos/créditos a comprovar a origem. Somente foi possível apuração de depósitos/créditos bancários relativos à receita da atividade rural para o ano de 2009, conforme demonstrado abaixo. Data NFP NFE Valor Bruto Adquirente Recebimento 07/03/2008 636445 275516 8.100,00 Irineu Carbonera 17/06/2008 174161 306500 56.000,00 Adalmiro Prestes Quadros 16/08/2008 294882 806729 12.500,00 Leandro Luiz Zotti 08/10/2008 294884 733740 2.000,00 Ademar Américo Valente 78.600,00 Data NFP NFE Valor Bruto Adquirente Recebimento 31/01/2009 294887 16282 44.559,85 Coop. Santa Clara Sicredi 16/02/2009 10.733,87 fl. 268 28/02/2009 294888 18316 40.149,55 Coop. Santa Clara B. Brasil 13/03/2009 16.929,73 fl. 268 31/03/2009 294890 19412 37.112,36 Coop. Santa Clara B. Brasil 14/04/2009 17.485,90 fl. 268 30/04/2009 174162 20511 41.842,64 Coop. Santa Clara B. Brasil 14/05/2009 22.898,74 fl. 268 31/05/2009 174164 21534 47.898,52 Coop Santa Clara B. Brasil 15/06/2009 24.063,57 fl. 268 18/05/2009 174163 54883 19.207,92 Oleopan S.A Sicredi 27/05/2009 18.766,14 fl. 272 30/06/2009 22663 48.865,05 Coop. Santa Clara B. Brasil 14/07/2009 31.569,42 fl. 268 31/07/2009 174165 23809 55.817,01 Coop. Santa Clara B. Brasil 14/08/2009 27.938,03 fl. 268 08/08/2009 174167 24.000,00 Benajmin Pasqualotto 08/08/2009 174168 721420 9.000,00 Benajmin Pasqualotto 31/08/2009 174170 250926 21.000,00 Felix Petrikowski 31/08/2009 174169 000991 56.567,98 Coop. Santa Clara B. Brasil 15/09/2009 31.314,96 fl. 268 30/09/2009 982701 002177 54.259,61 Coop. Santa Clara B. Brasil 15/10/2009 20.532,99 fl. 268 15/10/2009 982702 337700 15.300,00 Luiz Alberto Biasotto 15/10/2009 982703 923051 1.000,00 Luiz Alberto Biasotto 20/10/0009 982705 920297 60.000,00 Aniversino C. da Silva 31/10/2009 982704 003372 53.168,90 Coop. Santa Clara B. Brasil 16/11/2009 42.847,83 fl. 268 30/11/2009 982707 004572 48.258,24 Coop. Santa Clara B. Brasil 15/12/2009 37.073,50 b. 272 24/11/2009 982706 081288 409,42 Oleopan S.A 22/12/2009 294886 059508 29.150,00 Edinilso Bocalon 707.567,05 302.154,68 Data NFP NFE Valor Bruto Adquirente Recebimento 30/12/2009 929371 5842 43.832,09Coop. Santa Clara B. Brasil 15/01/2010 37.073,50 fl. 268 Com base no acima exposto, concluise que as demais notas fiscais de venda emitidas/recebidas nos anos de 2008 e 2009 não podem justificar a origem dos depósitos/créditos bancários no mesmo período. (Grifei) Portanto, como se observa, a Autoridade Fiscal já havia excluído da comprovação de origem os depósitos bancários que estavam relacionados à atividade rural, de acordo com a correlação efetuada por ela, diante da inércia do recorrente em apresentar os documentos solicitados em intimação. Assim, para os depósitos em que não foi possível efetuar essa correlação, o recorrente deveria ter apresentado os documentos que comprovassem a origem ou ao menos ter pontuado individualmente a que nota fiscal ou documento de atividade rural tais depósitos se referiam. Mas, a defesa novamente se manteve omissa, limitandose a alegar genericamente que os demais depósitos eram provenientes da atividade rural. A orientação sobre a necessidade de comprovação individualizada já havia sido esclarecida pela auditoria fiscal: Segundo a legislação vigente, para efeito da determinação da receita omitida, os créditos deverão ser analisados individualizadamente, ou seja, deve haver a comprovação para cada crédito constante nas contas bancárias, não cabendo a dedução de valor genérico do total da movimentação financeira, como por exemplo, com o total da receita da atividade rural. Há a necessidade da comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias do contribuinte. Correta a autuação da fiscalização, pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96 é claro em dispor que os depósitos devem ser comprovados individualmente, portanto, o contribuinte deveria ter demonstrado por documentos hábeis a origem discriminadamente de cada depósito. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11020.721463/201310 Acórdão n.º 2202004.608 S2C2T2 Fl. 460 13 O fato de as peculiaridades da atividade rural não permitirem a perfeita consonância com das notas fiscais emitidas com os depósitos efetuados, não exime o recorrente de demonstrar os motivos dessa disparidade. É certo que se foi emitida uma nota fiscal com um determinado valor e por alguma situação o depósito foi em um valor menor, razoável que o recorrente deveria ter comprovado tal fato, e mesmo que os valores não fossem iguais, deveria têlos associado a sua respectiva nota fiscal ou documento de atividade fiscal. Entretanto, tal incumbência não foi cumprida por ele, mas foi respeitada pelo Auditor Fiscal ao fazer as correlações possíveis. Recursos de origem comprovada deduzidos no auto de infração O recorrente novamente alega que a auditoria fiscal reconheceu como receita bruta do exercício de 2009 oriunda de atividade rural o valor de R$ 707.567,05, mas excluiu apenas R$ 302.154,68, que foi o valor correlacionado pela fiscalização como depósitos bancários de origem comprovada. Referida alegação já foi analisada no tópico anterior. Conforme posto, necessário seria que o recorrente houvesse apresentado os documentos a fim de que fossem efetuadas as devidas correlações que comprovassem a origem de cada depósito. Ficou demonstrado que a fiscalização excluiu os depósitos bancários de origem comprovada após as correlações possíveis, considerandoos como de origem comprovada, após prévia intimação ao recorrente para comprovação da origem de tais depósitos, entretanto, este ficou inerte tanto durante a ação fiscal, quanto durante a fase impugnatória e agora na fase recursal, apenas alegou de forma genérica que a negociação na atividade rural nem sempre corresponde aos valores recebidos, mas não trouxe qualquer prova para suportar sua alegação, por isso, não há como acolher tal arrazoado. Da incorreta base de cálculo adotada no auto de lançamento tributário O recorrente arrazoa que se o Auditor Fiscal reconheceu que os R$ 707.567,05 eram oriundos de atividade rural deveria ter sido aplicado o percentual de 20% sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo, e não ter sido levantado o valor total como origem não comprovada. Como vimos, estamos diante de duas tributações diferentes sobre: atividade rural e depósito bancário não comprovado. Em relação à atividade rural a DRJ já acolheu a alegação de que a base seria 20% sobre a receita bruta. Em relação à segunda infração, assim como esta relatora, o acórdão recorrido entendeu que não restou provado que todos os depósitos transitados pela conta bancária eram decorrentes da atividade rural: A peça impugnatória afirma, exaustivamente, que a atividade rural é a única desenvolvida pelo impugnante, todavia, essa não é uma afirmação incontroversa. Nos extratos bancários da SICREDI Ibiraiaras (fls. 105/129) encontramse lançamentos de valores em todos os meses do ano de 2008 (quase sempre nos dias 15 de cada mês ou próximos) cujo documento consta "Leite" e cujo histórico consta "CREDITO SANTA CLARA". A Cooperativa Santa Clara Ltda. em resposta à intimação fiscal afirmou (fls. 240) que: uNão constam em nossos registros notas fiscais de compra relativas ao Fl. 466DF CARF MF 14 período de 2008... " No Livro Caixa da Atividade Rural do ano calendário de 2008, apresentado pelo impugnante (fls. 77/89), nada consta de escrituração de venda de leite. Os únicos lançamentos referemse à venda de ovinos em março e de bovinos em junho, agosto e outubro, perfazendo a totalidade da receita auferida e declarada (fls. 64) no ano, no total de R$78.600,00. Assim, se o crédito em conta corrente não tem origem na venda de leite como afirmado pela própria Cooperativa Santa Clara Ltda, não há escrituração de venda de leite no Livro Caixa, os valores constante da Declaração de Ajuste Anual se referem somente à venda de animais (ovinos e bovinos), então os valores depositados em conta corrente com o histórico de "CRÉDITO SANTA CLARA" e documento citado "Leite", poderiam se referir a várias hipóteses vinculadas ao leite, mas, não vinculadas à própria produção rural. Por exemplo: comissões por serviços prestados à Cooperativa relacionados à comercialização do leite, remuneração por trabalho prestado vinculado ao leite, fretes recebidos no transporte de leite. etc. Portanto, uma vez não comprovado que todos os valores de depósitos são decorrentes de atividade rural, não há como acolher a alegação do recorrente, de aplicar o percentual de 20% sobre eles, para fins de apuração da base de cálculo, visto de depósitos bancários têm normativo próprio estampado no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Da indevida desconsideração da origem dos recursos tomados por empréstimos bancários O recorrente alega que a auditoria desconsiderou os recursos decorrentes de empréstimos. E que estes deveriam ser considerados como origem dos depósitos bancários subsequentes no mesmo exercício, porque têm um efeito multiplicador, por gerarem novos aportes no período subsequente e assim sucessivamente. Sem razão o recorrente, o que se analisa no caso, são depósitos bancários, conforme extratos. E são esses depósitos que devem ser comprovados. Se houve depósito, cuja origem foi "empréstimo", o Auditor Fiscal acertadamente os excluiu da base de cálculo, independente se eles irão gerar resultados posteriores. Ora, se tais empréstimos ajudaram o recorrente na sua produção futura, é certo que ao vender essa produção, o recorrente emitiu nota fiscal, e recebeu por essa venda mais recursos, que foram recebidos por meio de depósitos, então para tais depósitos deveriam existir uma nota que os amparasse, que com certeza não é o empréstimo. Assim, correto o acórdão recorrido. Os depósitos bancários, cuja origem foram empréstimos comprovados, não fazem parte da base de cálculo, e não servem para comprovar origem de depósitos posteriores na conta bancária. Depósitos realizados entre as mesmas contas do contribuinte O recorrente alega que apesar de a fiscalização ter excluído os valores que decorreram de transferência entre contas de mesma titularidade, há outros valores que deveriam ter sido excluídos. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 11020.721463/201310 Acórdão n.º 2202004.608 S2C2T2 Fl. 461 15 Ora, se a defesa afirma que existem outros valores que deveriam ter sido excluídos, caberia a ela têlos apontado discriminadamente. Entretanto, apenas alegou sem trazer qualquer documento que pudesse suportar tais alegações. Nem ao menos aponta diante dos documentos constantes nos autos, quais seriam esses valores. É certo que a fiscalização deu à recorrente todas as oportunidades para comprovar as origens dos recursos durante a ação fiscal, a recorrente teve nova oportunidade de fazer isso em sua peça impugnatória e no Recurso apresentado a este Conselho, ou seja, o recorrente teve desde 07/03/2013, data em que a auditoria emitiu o termo de intimação 1 (fls. 286) para que comprovasse a origem dos depósitos constantes em sua conta bancária, ou mesmo apontasse quais as transferências efetuadas entre contas de mesma titularidade. Daquela data até hoje, se vão mais de 5 anos, e nada trouxe o recorrente que pudesse alterar o lançamento fiscal. Portanto, não há razões para reforma do acórdão recorrido. Da multa confiscatória e ilegal O recorrente arrazoa não ter havido dolo na falta de emissão de nota fiscal ou na emissão de notas em valores inferiores, em virtude das peculiaridades da atividade rural, explicadas no acórdão 220100.399 do Carf. Em relação à multa de 75%, ela foi aplicada nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, não cabendo a este Conselho discutir a constitucionalidade ou legalidade de Lei perfeitamente vigente, nos termos da Súmula Carf nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". No que diz respeito à multa qualificada, entendo que a fiscalização conseguiu perfeitamente descrever o dolo do contribuinte nas apurações efetuadas, como forma de se eximir da tributação devida. A falta de emissão de nota fiscal, ou sua emissão em valor inferior ao da operação, sem qualquer razão eficientemente justificada, caracteriza não apenas sonegação, mas a acrescenta a figura do dolo. O recorrente é sabedor da obrigatoriedade da emissão de notas fiscais, quando da negociação de sua produção, tanto que para outras operações as emitiu, portanto, não pode vir diante deste Conselho levantando seus parcos conhecimentos para a contabilização de suas atividades, para querer justificar a falta de emissão de nota fiscal. Esta independe da contabilização, se vendeu sabe da obrigatoriedade de emissão do documento comprobatório da venda. Ademais, o fato de a adquirente emitir contra nota com o valor real da operação também não o exime da obrigatoriedade de emitir seu próprio documento com o valor real da venda. Portanto, considero caracterizado o dolo, e a multa qualificada deve ser mantida. Da impossibilidade de utilização isolada dos depósitos bancários como base para incidência do IRPF Alega o recorrente que o acórdão recorrido se baseou em dispositivo legal já revogado, visto que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 foi revogado pela incompatibilidade com o § Fl. 468DF CARF MF 16 4º do art. 5º da Lei Complementar 105/2001, e ainda se insurge do lançamento baseado em presunções. Sem razão o recorrente. Não ocorreu a revogação por ele infirmada. O acórdão recorrido, oportunamente já refutou a tese da defesa, com os fundamentos exaustivamente explicados e com os quais compartilho, adotandoos como razão de decidir: [...] o legislador estabeleceu, a partir da edição da retrocitada Lei nº 9.430/1996, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o contribuinte comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos da pessoa física. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar numerário creditado não é renda tributável. [...] Assim, as presunções legais vem expressas na legislação tributaria. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador. Nessas hipóteses, o ônus da prova foge à regra geral e inverte se, ou seja, cabe provar que o fato presumido não existe no caso. [...] Por oportuno, cumpre notar que essa matéria é objeto de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, publicadas, no DOU de 22/12/2009 (Seção 1, págs. 70 a 72), a saber: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao auditorfíscal tãosomente a inquestionável observância da legislação. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Via de regra, para caracterizar a ocorrência do fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em Fl. 469DF CARF MF Processo nº 11020.721463/201310 Acórdão n.º 2202004.608 S2C2T2 Fl. 462 17 que a lei presume a ocorrência do fato gerador, as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Assim dispõe o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Verificase no texto legal que a tributação por meio de depósitos bancários deriva de presunção de renda legalmente estabelecida. Tratase, por outro lado, de presunção júris tantum, ou seja, uma presunção relativa que pode a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte, sua produção. Diante do indício de omissão de rendimentos detectado através da operação financeira objeto da autuação em tela, operouse a inversão do ônus da prova, cabendo ao interessado, a partir de então, provar a inocorrência do fato ou justificar sua existência. Verificase no texto legal que a tributação por meio de depósitos bancários deriva de presunção de renda legalmente estabelecida. Tratase, por outro lado, de presunção júris tantum, ou seja, uma presunção relativa que pode a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte, sua produção. Diante do indício de omissão de rendimentos detectado através da operação financeira objeto da autuação em tela, operouse a inversão do ônus da prova, cabendo ao interessado, a partir de então, provar a inocorrência do fato ou justificar sua existência. Não prospera o argumento da existência de antinomia jurídica entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96 e o parágrafo 4o do art. 5o da Lei Complementar 105/2001, uma vez que a autoridade fiscal requisitou as informações e documentos e realizou auditoria para a ''adequada apuração dos fatos ". É oportuno esclarecer que não houve quebra de sigilo bancário, uma vez que os extratos bancários analisados pela fiscalização foram fornecidos pelo próprio contribuinte ou solicitados à instituição bancária sob sua autorização, como é o caso do Banco BANRISUL (fl. 10). As informações prestadas pelo Banco do Brasil, SICREDI Ibiraiaras e BANRISUL relacionam os valores que foram depositados/creditados nas contas bancárias, sendo que caberia Fl. 470DF CARF MF 18 ao impugnante, comprovar a origem destes recursos, individualmente, mediante documentação hábil e idônea, compatível em datas e valores, após ter sido intimado para tal (Termo de Intimação e Ciência Fiscal, fls. 286/287 com os anexos: Demonstrativos dos depósitos/créditos bancários a comprovar a origem , fls. 288/296 e Demonstrativos dos depósitos/créditos bancários excluídos, fls. 297/302). Portanto, uma vez que a legislação estabeleceu a presunção de renda, nos casos em que o recorrente não comprova a sua origem, não pode a auditoria, após todas as oportunidades dadas ao contribuinte, inclusive com a realização de diligências aos adquirentes de seus produtos, com uma profunda e extensa auditoria, fechar os olhos e deixar de lançar valores depositados em conta corrente sem origem comprovada. Assim, perfeita a decisão de segunda instância. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 471DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003264/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo o
para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. PIS. COFINS.
O decidido para o Imposto sobre a Renda alcança as tributações reflexas dele decorrentes.
Numero da decisão: 1301-000.513
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o Imposto sobre a Renda alcança as tributações reflexas dele decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003264/200817 Acórdão n.º 1301000.513 S1C3T1 Fl. 2 3 Por descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Em ação fiscal levada a efeito sobre o contribuinte acima identificado, foram lavrados Autos de Infração relativos aos anoscalendário de 2003 e 2004 de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL. O crédito tributário constituído totaliza R$ 3.254.131,10, incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/06/2008. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração de IRPJ (fls. 252), foi apurada omissão de receitas operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários. De acordo com o Termo de Início de Fiscalização de fls. 07, o contribuinte foi intimado a apresentar dentre outros os documentos relacionados no item 3 abaixo reproduzido: 3 — Cópias ou folhas impressas eletronicamente e ou arquivo em meio magnético das folhas do razão das contas correntes e de aplicações financeiras dos bancos no períodos acima mencionados, devidamente autenticadas pelo Contador responsável pela empresa, de que se tratam de cópia fiel do Livro Razão original. A ciência foi dada, em 14/03/2007, por via postal, conforme cópia do AR de fls. 08, tendo sido o contribuinte reintimado em 11/07/2007, (termos em fls. 208, cópia do AR em fls. 210), no seguinte teor: ...intimamos o contribuinte, acima identificado, a apresentar, NO PRAZO IMPRORROGÁVEL DE 20 (VINTE) DIAS, a documentação contábilfiscal abaixo enumerada, já solicitada por meio do termo de início de fiscalização lavrado e, não atendido integralmente até a presente data: 1. Extratos de contas correntes e de aplicações financeiras das seguintes instituições financeiras: a) Banco do Brasil S/A: até a presente data foi entregue a esta auditoria fiscal extratos de apenas duas contas correntes; a.1) c/c n° 704814: apresentados os extratos referentes a janeiro de 2002, janeiro de 2003 e janeiro de 2004, exclusivamente; a.2) c/c n° 705993: não foram apresentados quaisquer extratos referentes a esta contacorrente; b) Banco Bradesco 2. Cópias ou folhas impressas eletronicamente das folhas do Livro Razão das contascorrentes e de aplicações financeiras das instituições financeiras, referentes aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, devidamente autenticadas pelo contador responsável pela empresa, de que se tratam de cópia fiel do Livro Razão Original. 2.1 Até a presente data foram entregues a esta auditoria fiscal cópias não autenticadas das folhas do Livro Razão referente aos meses janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto e setembro de 2002, exclusivamente; 2.2 Nos foi entregue CDRW com dois arquivos desconhecidos e vazios em conteúdo; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 3. Demonstrativo assinado pelo representante legal do contribuinte indicando a origem e a natureza de todos os créditos bancários em todas as instituições financeiras, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Em 14/08/2007, o contribuinte foi novamente intimado (termo em fls. 211, cópia do AR em fls. 212) nos seguintes termos: 1 ... intimamos o contribuinte, acima identificado, a apresentar, no prazo improrrogável de 20 (vinte) dias, a documentação contábilfiscal abaixo enumerada: 1. Banco do Brasil S/A: extratos de todas as contas correntes e de todas as aplicações financeiras referentes aos anos calendários 2002, 2003 e 2004; 2. Demonstrativo assinado pelo representante legal do contribuinte indicando a origem a natureza de cada um dos créditos bancários, em valor igual ou superior a R$ 35.000,00, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. A referida planilha deverá conter: Banco, número da Contacorrente, nome da pessoa física/razão social do depositante, CPF/CNPJ, valor do crédito, data da contabilização. Em 23/02/2008, o contribuinte foi intimado (termo em fls. 217, cópia do AR em fls. 218) nos seguintes termos: ...intimamos o contribuinte, acima identificado, a apresentar, no prazo improrrogável de 20 (vinte) dias, a documentação contábilfiscal abaixo enumerada: I) Cópia da documentação hábil e idônea dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, constantes de seus extratos bancários, de valor igual ou superior a R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) nos anos calendários 2002, 2003 e 2004; 2) Referência item 2 do Termo de Intimação Fiscal, ciência em 14.08.2007; serão considerados apenas os demonstrativos entregues até apresente data. Alertamos igualmente o contribuinte que contrariamente ao solicitado os referidos demonstrativos entregues a auditoria fiscal não estão assinados por seu representante legal. Intimamos, portanto, o contribuinte a justificar por escrito a não assinatura dos demonstrativos em pauta; Conforme Termo de Constatação de fls. 221, no curso do procedimento fiscal foram constatados os fatos abaixo discriminados: 1. Descrição do fato: Depósitos bancários não contabilizados — Omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, nos anos calendários 2003 e 2004, evidenciados nas cópias dos extratos bancários da instituição financeira Banco do Brasil S/A, e relacionados na planilha anexa ao presente Termo de Constatação Fiscal. 2. Base Tributável: os valores individualizados dos depósitos bancários não contabilizados estão demonstrados na planilha que integra o presente Termo de Constatação Fiscal. 3. Enquadramento legal: Art. 24 da Lei n° 9.249/95 c/c Art. 42 da Lei n° 9.430/96 c/c Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287 e 288, do RIR/99. Os referidos extratos bancários do Banco do Brasil S/A, estão relacionados na planilha apresentada em fls. 222. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003264/200817 Acórdão n.º 1301000.513 S1C3T1 Fl. 3 5 Fundamentação fática e legal e valores totais dos créditos tributários constituídos, incluída a multa proporcional e juros de mora, discriminados nos respectivos autos de infração em fls. 250/277. 1 O contribuinte foi cientificado, em 18/07/2008, por via postal (fls. 283/284), tendo apresentado a impugnação de fls. 285/288, em 12/08/2008, com as seguintes alegações: 1 Devido a um erro operacional interno (contabilidade), efetuamos algumas contabilizações destes referidos valores equivocadamente (procedimento interno), porém gostaríamos de informar que em momento algum estes depósitos 2003 e 2004 deixaram de ser faturados, conforme demonstrativo abaixo. I Gostaríamos que fossem levados em consideração antes do julgamento as providências tomadas pela empresa no ato de seu conhecimento dos erros; que foram as correções devidas, o levantamento dos documentos comprobatórios e apresentação dos mesmos. E para que Vossa Senhoria possa levar em consideração as alterações, discriminamos abaixo e apresentaremos as provas de direito para que possa ser desconsiderado este auto de infração à empresa enviada. Senhor Julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordâncias apontados nesta impugnação, solicitando o estorno do débito, referente aos valores não identificados, porém corrigidos: • R$ 80.656,44 — Faturamento PRIMICIA nota de despesa n° 3308, referente ao processo n° 2384/02, efetuado a correção contábil apresentamos e disponibilizamos o razão e as notas de despesas devidamente contabilizadas. • R$ 76.475,00 — Faturamento ORSA nota de despesa n° 3758, referente ao processo n° 3544/03, efetuado a correção contábil, apresentamos e disponibilizamos o razão e as notas de despesas devidamente contabilizadas. • R$ 112.319,03 e R$ 245.000,00 — referente ao valor contabilizado R$ 357.319,03 Faturamento MANGO nota de despesa n° 3868, referente ao processo n° 3535/03, efetuado a correção contábil apresentamos e disponibilizamos o razão e as notas de despesas devidamente contabilizadas. • R$ 258.922,44 — Entraram dois créditos neste valor, sendo que um o banco devolveu automaticamente e o outro devolvido como consta no valor de R$ 251.515,30. A diferença foi compensada através da nota de despesa n°5497 processo 5009/4, no valor de R$ 1.681,17 e nota de despesa n°5496 referente ao processo 5122/04 no valor de R$ 5.141,26 referente crédito de armazenagens enviado a maior e R$ 586,71 desconto de CPMF. Efetuado a correção contábil apresentamos e disponibilizamos o razão, extrato bancário e as notas de despesas devidamente contabilizadas. • R$ 43.034,00 — Faturamento NUT STEEL nota de despesa n° 1577, referente ao processo n° 6992/04, efetuado a correção contábil apresentamos e disponibilizamos o razão e as notas de despesas devidamente contabilizadas. • R$ 55.513,81 — Faturamento PRIMICIA nota de despesa n° 1767, referente ao processo n° 7210/04, efetuado a correção contábil apresentamos e disponibilizamos o razão e as notas de despesas devidamente contabilizadas. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 • R$ 78.655,00 — Faturamento ORSA R$ 24.268,00 nota de despesa n° 1773, referente ao processo n° 7144/04 e R$ 54.387,00, nota de despesa n°1774, referente ao processo n° 7145/04 efetuado a correção contábil apresentamos e disponibilizamos o razão e as notas de despesas devidamente contabilizadas. • R$ 55.513,81 — Faturamento SANDRETTO nota de despesa n° 1844, referente ao processo n° 7332/04, efetuado a correção contábil apresentamos e disponibilizamos o razão e as notas de despesas devidamente contabilizadas. Requereu, por fim, que à vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPO I) decidiu a questão por meio do Acórdão 1619.867, de 12/12/2008 (fls. 435), julgando procedentes os lançamentos, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o Imposto sobre a Renda alcança as tributações reflexas dele decorrentes. Passo ao voto. Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003264/200817 Acórdão n.º 1301000.513 S1C3T1 Fl. 4 7 Na peça recursal a contribuinte renova, com certa variação de argumentos, as razões trazidas em sede de impugnação, aduzindo ainda: “Conforme restará cabalmente demonstrado ao longo da presente Peça Recursal, o Processo Administrativo encontrase eivado do vicio da nulidade, em virtude de evidente cerceamento de defesa da Recorrente, consubstanciado na ausência de juntada aos Autos dos documentos e informações por ela apresentados ao Ilmo. Sr. Auditor Fiscal Autuante, levando a D. Turma Julgadora a entender, erradamente, que a Recorrente teria se mantido inerte durante os procedimentos de auditoria fiscal a que foi submetida. Fato é que a Recorrente, ciente de suas obrigações perante o Fisco Federal e sabedora da regularidade de suas operações, sempre cumpriu pontualmente as intimações que lhe foram apresentadas pela D. Fiscalização, no curso do procedimento fiscal que culminou com a lavratura do Auto de Infração ora recorrido.” Alega, por conseqüência nulidade de todo processo fiscal por cerceamento de defesa, citando o prescrito no artigo 5, inciso LV da Constituição Federal. Ao final, a Recorrente protesta pela pelo retorno dos autos ao Auditor Fiscal autuante, para que o mesmo considere, em seus trabalhos, todos os documentos que lhe foram apresentados no curso da fiscalização, determinandose, outrossim, que tais documentos sejam efetivamente anexados ao processo, em ordem cronológica. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. No processo administrativo fiscal da União as nulidades admissíveis são aquelas previstas no art. 59, do Decreto n° 70.235/72, quais sejam os atos praticados por pessoa incompetente ou como preterição do direto de defesa, o que não se configurou no caso presente, senão vejamos: No presente caso, a contribuinte foi intimada em diversas oportunidades a apresentar extratos bancários e cópia do Razão das contas correntes e aplicações financeiras do Banco do Brasil, Unibanco e Bradesco dos anos calendário de 2002 a 2004 devidamente atestados pelo responsável, alem de outros documentos. Primeiro através do Termo de Início de Fiscalização (fl.07), “AR”datado de 14/03/2007, Reintimação em 10/07/2007, fl.208/209, na qual requisitase novamente os extratos pois que até a presente data houve entrega parcial e sem autenticação, bem como, consta entrega de CDRW com dois arquivos desconhecidos e vazios de conteúdo segundo afirmação da autoridade fiscal. Novo Termo de Intimação Fiscal com o mesmo teor juntado às fls. 210, com “AR” datado de 14/08/2007, no qual se alerta que no caso de não atendimento sujeita o contribuinte ao lançamento de ofício. Registrese, que conforme “AR”de 16/02/2008, quase um ano após o Termo de Início, novo Termo de Intimação Fiscal, fls. 217/218, desta feita requisitando cópias da documentação probatória dos valores creditados em contas correntes e de investimentos constantes dos extratos do Banco do Brasil cuja relação fora anteriormente apresentada a contribuinte em planilha e, cujos valores excedam R$ 35.000,00. Consta neste Termo que serão considerados para conclusão dos trabalhos de auditoria apenas os extratos e documentação entregues até a presente data e, ainda que os documentos já entregues não estão assinados ou atestados pelo representante legal. Por fim, alerta que o não atendimento ensejará o lançamento com as informações de que se dispuser nos termos do artigo 845 do RIR/1999. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Consta às fls.427, que na apresentação da impugnação não foi entregue o CD fiel do Razão em que pese ser mencionado no documento de fls.284. Desta forma a alegação do contribuinte como preliminar não se sustenta haja vista a constatação nos autos que a documentação apresentada durante a ação fiscal e relacionada diretamente com os lançamentos tributários efetuados, decorrentes da análise dos extratos do Banco do Brasil encontramse devidamente anexados, às fls. 223/242, conforme atestam o Auto de Infração e demonstrativos de fls. 244/281. Deixar claro, que o lançamento diz respeito a falta de contabilização de depósito junto ao Banco do Brasil, cuja relação foi apresentada a autuada, documento de fls.222. Rejeito a preliminar suscitada. No mérito, insiste a recorrente na alegação que durante a ação fiscal apresentara toda documentação solicitada e que a mesma não consta dos autos, afirma que “Quando muito, poderiam estes documentos em específico ser desconsiderados, mas jamais toda a universalidade da prova documental constituída pela Recorrente em sua impugnação.. O Ilmo. Sr. Relator, em claro equívoco, também concluiu em seu voto, de maneira absolutamente subjetiva e desprovido de qualquer elemento fático, que o erro na contabilização da Recorrente era o mesmo que a não contabilização dos depósitos. Ledo engano, Exa. De fato, tais valores já se encontravam contabilizados; porém, em conta diversa daquela pertinente ao cliente em questão, fazendo com que o Ilmo. Sr. Agente Fiscal não localizasse os lançamentos correspondentes na contabilidade. Tal equívoco, entretanto, foi sanado ainda no curso da fiscalização e os Livros Razão apresentados já evidenciavam isto. Bastaria, portanto, ao Ilmo. Sr. Auditor Fiscal Autuante, ter se atentado para os documentos que lhe foram entregues.” Evidenciase pela análise da documentação acostada aos autos (fls.284/422), juntamente com a peça impugnatória, em especial, que as cópias de “Notas de Despesas” não são suficientes a dar suporte aos lançamentos contábeis para correção de erro operacional conforme atesta, pois, desacompanhadas da prova cabal, hábil e idônea, tais como, Contratos de Prestação de Serviços, Notas Fiscais de Prestação de Serviços, etc. Como bem relatado no voto recorrido “Agora, na impugnação, reconhece que havia erro na contabilização, ou seja, tais depósitos não estavam de fato contabilizados. Aduz ter providenciado a correção, sustentando sua argumentação com os documentos de fls. 331/399, para demonstrar ter efetuado a correção e disponibilizado o razão e as notas de despesas devidamente contabilizadas. Tais documentos, no entanto, não se constituem em prova hábil e idônea para afastar a exigência fiscal, pois são folhas impressas eletronicamente das folhas do Livro Razão da referida contacorrente n° 70.4814 do Banco do Brasil, para o período de cada valor depositado que ensejou a autuação, cópias estas das folhas do Livro Razão, que mais uma vez foram entregues não autenticadas, acompanhadas de cópias de notas de despesas, algumas ilegíveis, como as de fls. 322, 360, 362, 363 ou 398, por exemplo. Não obstante, ainda que as cópias impressas eletronicamente das folhas do Livro Razão das contascorrentes estivessem devidamente autenticadas pelo contador responsável pela empresa, de que se tratariam de cópia fiel do Livro Razão Original, o que não foi o caso, e mesmo que as notas de despesas fossem todas legíveis, ainda assim, entendo que seria necessário também os comprovantes das despesas lançadas nas Notas de Despesa, tais como, as guias de recolhimento de todos os impostos e taxas (II, IPI, ICMS, TAXA SISCOMEX e outros). Tampouco contratos de prestação de serviços e comprovantes de reembolso, que justificassem os ressarcimentos lançados nas Notas de Despesa que foram adicionados.” Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003264/200817 Acórdão n.º 1301000.513 S1C3T1 Fl. 5 9 Prossegue em sua peça recursal defendendo a licitude da “Origem dos Recursos” pois dedicase à prestação de serviços de gerenciamento e agenciamento de cargas, entre outras atividades auxiliares ao comércio exterior e, nestes casos é corriqueiro que seus clientes depositem de forma antecipada, em seu favor, os valores despendidos durante o desembaraço. Como já explicitado acima, da análise dos extratos e notas de débitos juntados não resta provado o desembolso. A recorrente consigna, tão somente, que “documentos que suportam referida Nota de Despesa, assim como todas as demais, por certo não permanecem em poder da Recorrente, na medida em que compõe o custo da mercadoria adquirida por seu cliente e devem, portanto, permanecer em poder deste, inclusive para fins de eventual fiscalização.” O fato é que, a fiscalização identificou depósitos junto ao Banco do Brasil que não foram escrituradas pela empresa no período fiscalizado. Providenciado a individualização de todos os depósitos não escriturados e intimada para apresentar, por meio de documentação idônea, a origem de referidos depósitos a contribuinte durante todo a fase processual não consegue justificar as movimentações financeiras da planilha apresentada. Diante destes fatos foi lavrado o auto de infração, imputando referidos depósitos como receita omitida para todos os fins legais. A escrituração contábil é dever do contribuinte, cabendolhe o ônus da prova de sua regularidade quando instado pela Fiscalização. Aplicável, assim, o disposto no art. 42 da lei n° 9.430/96, que dispõe o seguinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Aqui, não se está falando em indício de receita tributável, mas em presunção definida em lei, que autoriza, no caso de ausência de comprovação por meios hábeis e idôneos, da existência de receita omitida pela empresa. Nesse contexto, lícita é a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos, ou ainda que correspondessem a valores depositados que estariam imunes ou isentos de tributação. À evidência, tais documentos não reúnem elementos capazes de elidir as conclusões apresentadas pela Fiscalização, ao contrário, acaba por reafirmálas. LANÇAMENTOS REFLEXOS Quanto aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), por possuírem os mesmos fundamentos fáticos da presente exigência, a decisão aqui prolatada faz coisa julgada em relação aos decorrentes, em vista da íntima relação de causa e efeito que os une. Pelo exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade e cerceamento suscitada, para no mérito negar provimento ao recurso voluntário Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660458/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 58 /2 01 2- 50 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660458/201250 Acórdão n.º 3401004.859 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660458/201250 Acórdão n.º 3401004.859 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660458/201250 Acórdão n.º 3401004.859 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660458/201250 Acórdão n.º 3401004.859 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660458/201250 Acórdão n.º 3401004.859 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660458/201250 Acórdão n.º 3401004.859 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900247/2006-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
A repetição/compensação de indébito tributário, decorrente de pagamento indevido e/ ou maior, inclusive, contribuição social, depende da comprovação da certeza e liquidez do valor pleiteado, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 14/02/2003, 14/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, com débito tributário vencido, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Numero da decisão: 9303-006.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A repetição/compensação de indébito tributário, decorrente de pagamento indevido e/ ou maior, inclusive, contribuição social, depende da comprovação da certeza e liquidez do valor pleiteado, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 14/02/2003, 14/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, com débito tributário vencido, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A repetição/compensação de indébito tributário, decorrente de pagamento indevido e/ ou maior, inclusive, contribuição social, depende da comprovação da certeza e liquidez do valor pleiteado, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/02/2003, 14/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, com débito tributário vencido, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 02 47 /2 00 6- 40 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10640.900247/200640 Acórdão n.º 9303006.849 CSRFT3 Fl. 154 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340101.179, de 27/10/2010, proferido pela 1ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, conforme ementa: "PIS. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROCEDIMENTO FISCAL. O crédito usado em compensação tem que estar disponível, não produzindo efeitos a DCTF apresentada após o início do procedimento fiscal. Recurso provido." Insatisfeita com a decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, alegando contradição entre a conclusão e a fundamentação do acórdão. Os embargos foram conhecidos para sanar o vício e, no mérito, mantido o provimento do recurso voluntário do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 3401002.144, de 26/02/2013, proferido pela mesma 1ª Turma, conforme ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PIS. DCTF RETIFICADORA. PROCEDIMENTO. COMPENSAÇÃO. A contribuinte não pode ser prejudicada pela morosidade do fisco em proferir sua decisão quando direito creditório é provido." No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra a homologação da Dcomp, sob o fundamento de que a DCTF retificadora apresentada depois da intimação do contribuinte do despacho decisório não produz efeitos. Alegou ainda que o contribuinte, juntamente com a manifestação de inconformidade, não apresentou provas (documentos fiscais e contábeis) demonstrando o alegado erro no preenchimento da DCTF e, consequentemente, a certeza e liquidez do crédito (indébito) financeiro utilizado na Dcomp. Por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade às fls. 142e/146e, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte não se manifestou. É o Relatório. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10640.900247/200640 Acórdão n.º 9303006.849 CSRFT3 Fl. 155 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme consta do despacho decisório recorrido, a DRF não homologou a compensação sob o fundamento de que o crédito financeiro a que o interessado faz jus, foi integralmente utilizado na extinção do débito do PIS, do mês de dezembro de 2002, declarado na respectiva DCTF, não remanescendo saldo algum para utilização na Dcomp em discussão. Nos julgamentos de processos de Dcomp, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, o contribuinte alegou erro no preenchimento da DCTF, apresentando como prova cópias da DIPJ/2003 e da DCTF retificadora. No entanto, a simples apresentação de cópias das referidas declarações não constitui documento hábil e suficiente para a comprovação do alegado erro e, consequentemente, da certeza e liquidez do crédito financeiro (indébito) utilizado na Dcomp. Além daquelas declarações, o contribuinte deveria ter apresentado cópia do Dacon retificador, acompanhado das cópias das notas fiscais das aquisições dos bens que deram origem aos créditos do PIS não cumulativo descontados da contribuição apurada sobre o faturamento mensal, bem como cópias do Livro Registro de Saídas de Mercadorias e/ ou contábeis (Livro/Ficha RazãoReceitas), ambos referentes ao mês de dezembro de 2002. Nos pedidos de restituição, ressarcimento e compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, o ônus de provar a certeza e liquidez do valor pleiteado é do requerente e não do Fisco. O Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe quanto à impugnação (manifestação de inconformidade): “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...]; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...].” Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10640.900247/200640 Acórdão n.º 9303006.849 CSRFT3 Fl. 156 4 Com relação a provas, a Lei nº 13.105, de 16/3/2015 (Novo Código de Processo Civil), assim dispõe: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; [...].” Também a Lei nº 9.784, de 29/1/1999, que regulamenta o processo administrativo, determina: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Dessa forma, não tendo o interessado apresentado o Dacon retificador, acompanhando dos documentos fiscais (notas fiscais) e contábeis (Diário ou Razão) comprovando o alegado erro no preenchimento da respectiva DCTF, não há amparo legal para o reconhecimento do crédito financeiro declarado (utilizado) na Dcomp em discussão e, consequentemente, para sua homologação. Quanto à homologação da Dcomp, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). [...].” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega e/ ou a transmissão de Dcomp, assim como a sua homologação, depende da certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro utilizado pelo contribuinte é incerto e ilíquido. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10640.900247/200640 Acórdão n.º 9303006.849 CSRFT3 Fl. 157 5 À luz do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a decisão da DRJ em Juiz de Fora, MG. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.009682/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/12/2008
NULIDADE DECISÃO. AUSÊNCIA.
Não cabe declarar a nulidade da decisão quando os julgadores administrativos apresentaram suas razões para afastar a análise do argumento invocado pelo contribuinte.
PRESTAÇÃO INEXATA DE INFORMAÇÃO DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. DESNECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO E DOLO ESPECÍFICO.
É desnecessário comprovar a efetiva ocorrência de dano ao erário e dolo específico para a aplicação da multa capitulada no art. art. 84, I, da Medida Provisória n.º 2.158/2001 c/c art. 69, §1º da Lei n.º 10.833/2003. A infração é dotada de natureza objetiva, sendo que para ser aplicada basta a confirmação da irregularidade na importação, independentemente da intenção do agente (art. 94, §2º do Decreto-lei n.º 37/66). Além disso, basta que a conduta implique em prejuízo ao controle administrativo-aduaneiro, seja por criar obstáculos seja por de fato impedir que este controle seja realizado na prática.
MULTA REGULAMENTAR. INCONSTITUCIONALIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF N.º 2
Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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AUSÊNCIA. Não cabe declarar a nulidade da decisão quando os julgadores administrativos apresentaram suas razões para afastar a análise do argumento invocado pelo contribuinte. PRESTAÇÃO INEXATA DE INFORMAÇÃO DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. DESNECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO E DOLO ESPECÍFICO. É desnecessário comprovar a efetiva ocorrência de dano ao erário e dolo específico para a aplicação da multa capitulada no art. art. 84, I, da Medida Provisória n.º 2.158/2001 c/c art. 69, §1º da Lei n.º 10.833/2003. A infração é dotada de natureza objetiva, sendo que para ser aplicada basta a confirmação da irregularidade na importação, independentemente da intenção do agente (art. 94, §2º do Decretolei n.º 37/66). Além disso, basta que a conduta implique em prejuízo ao controle administrativoaduaneiro, seja por criar obstáculos seja por de fato impedir que este controle seja realizado na prática. MULTA REGULAMENTAR. INCONSTITUCIONALIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF N.º 2 Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 96 82 /2 00 8- 61 Fl. 312DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por trazer uma clara síntese da presente lide até o julgamento em primeira instância, peço vênia para adotar o relatório do Acórdão 0738.865 da 7ª Turma da DRJ/FNS, com destaque para os pontos entendidos mais relevantes: "Trata o presente processo de auto de infração para exigência das multas de embarque da mercadoria antes de emitida a licença de importação LI no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e de classificação incorreta em outros detalhamentos, especificamente a ausência de destaque de NCM, no valor de R$ 88.319,51 (oitenta e oito mil trezentos e dezenove reais e cinqüenta e um centavos), previstas, respectivamente, no art. 169, caput, inciso III, alínea “b” e § 6° do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, e nos artigos 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, combinado com o artigo 69, §2°, III da Lei n° 10.833, de 2003. A mercadoria era um produto a granel assim discriminado na DI: Enxofre bruto a granel, tipo standard bright, com teor de pureza mínima de 99,5 em base seca, com arsênico, selênio e telúrio, com ippm máximo, Suplemento mineral para alimentação animal; Qtde: 5.882,4 tonelada métrica; NCM: 2503.00.10 (enxofre a granel, exceto o enxofre sublimado, o precipitado e o coloidal). A fiscalização relata que durante o desembaraço da DI nº 08/14077646, sob canal amarelo de conferência aduaneira, foi registrada a exigência no Siscomex da necessidade de informação de destaque NCM 001 para anuência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e por isso, determinou que se apresentasse as telas da LI não automática. Também estipulou o recolhimento das multas especificadas acima. Em resposta a exigência formulada a interessada apresentou o extrato da retificação da Declaração de Importação com o extrato da Licença de Importação n° 08/26651728, registrada em 24/10/2008, e deferida pelo MAPA em 05/11/2008. A seguir, em 11/11/2008, a fiscalização informa que a interessada alegou em documento anexo que: “Conforme Histórico de Tratamento Administrativo, desde 15.04.2008 até 09.09.2008 não constava destaque para uso da mercadoria declarada na presente D.I. como: SUPLEMENTO MINERAL PARA Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11128.009682/200861 Acórdão n.º 3402005.436 S3C4T2 Fl. 313 3 ALIMENTAÇÃO ANIMAL Conforme tela Siscomex, o destaque foi alterado em 09.09.2008 na mesma data do registro da D.I. alterando de: PARA USO COMO CORRETIVO E FERTILIZANTES para: PARA USO NA AGROPECUÁRIA, porém esta alteração ocorreu em horário após o registro da D.I. no Siscomex, pois não houve menção de alerta de erro impeditivo na página 4/5 da D.I.” A exigência fora mantida pela fiscalização, sendo indeferida a retificação na DI, nos seguintes termos: “mantida a exigibilidade das multas tendo em vista que o ato declaratório normativo Cosit nº 12/97 trata apenas de classificação tarifaria errônea ou indicação indevida de destaque “ex”, e não de tratamento administrativo como o presente caso de destaque". Por conseguinte, a interessada promoveu a correta retificação, tendo a fiscalização acrescentado que: “Fica mantida a exigência. Porém, para uma análise prévia do informado pelo interessado quanto aos horários, deve o mesmo apresentar manifestação formal do órgão anuente quanto ao tema. Cabe ressaltar que, a princípio, vale como marco do início da vigência do ato a data e não o horário”. Em 01/12/2008 a fiscalização toma conhecimento do Mandado de Segurança n° 2008.61.04.0117030, impetrado pela interessada por se inconformar com a exigência formulada no sistema Siscomex, em que se solicitou a imediata liberação das mercadorias importadas independentemente do pagamento das multas apontadas no momento do despacho aduaneiro, por entender necessária a instauração de processo administrativo fiscal para exigência do crédito fiscal. Dessa forma, a fiscalização lavrou o presente auto de infração a fim de formalizar a exigência das multas em questão. Devidamente cientificado da autuação, o interessado apresentou a impugnação de fls. 109/119. Esclarece primeiramente que promoveu o pagamento da multa de R$ 5.000,00 por ter embarcado mercadoria antes da emissão da guia de importação, prevista no artigo 636, inciso I, do Decreto nº 4.543/02. Assim sendo restou apenas a parte do auto de infração com cobrança de multa, em razão de suposto erro no preenchimento de tal declaração, decorrente da indicação, segundo a fiscalização, equivocada do destaque do NCM de anuência. Entende que a multa por ter classificado incorretamente a mercadoria em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria não devia ser aplicada, pois a Instrução Normativa n° 40/2008, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento não vigia na data do embarque da mercadoria, já que houve a republicação de correção de seu texto, com a inclusão de todo seu anexo, de modo que o prazo de sua vigência somente poderia começar a ser contado a partir do dia 04/07/2008. Observa que a mercadoria foi embarcada em 03/08/2008 e que a portaria entraria em vigor apenas em 04/08/2008, e tendo em vista o artigo 3º do Decretolei n º 4.657/42 deve ser respeitado o prazo de vigência. Entende não ter causado qualquer prejuízo à fiscalização, tratandose de mero equívoco de ordem formal a indicação do destaque 999 ou invés do 001, e por esse motivo não poderia ser exigida a penalidade, conforme entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, pela própria Secretaria da Receita Federal e do Conselho de Contribuintes/ME. Considera que a multa aplicada possui caráter eminentemente penal e que foi instituída por Medida Provisória, o que não pode ser admitido nos termos do artigo 62, §1 º, I, “b”, da Constituição Federal, que veda a utilização deste instituto para introduzir ao ordenamento jurídico qualquer disposição normativa em matéria penal, caracterizandose vício de inconstitucionalidade. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o auto de infração, cancelando a exigência fiscal." (efls. 228/230 grifei) Fl. 314DF CARF MF 4 A Impugnação apresentada foi julgada improcedente, sendo o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/12/2008 MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. OUTROS DETALHAMENTOS INSTITUÍDOS PARA A IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA.O destaque da mercadoria dentro do código NCM para fins de licenciamento da importação, conforme tabela “Destaque para Anuência”, administrada pela SECEX é informação obrigatória quando NCM sujeita à anuência. VIGÊNCIA DE ATO NORMATIVO. A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância farseá com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subseqüente à sua consumação integral. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 227) Intimada desta decisão em 14/09/2016 (efl. 243), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 11/10/2016 (efl. 244/269), reiterando parte de suas alegações de Impugnação, alegando, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade de r. decisão recorrida por deixar de analisar dois argumentos invocados pela Recorrente em sua Impugnação, quanto a inaplicabilidade da multa em razão da ausência de prejuízo ao Fisco, bem como acerca da confiscatoriedade da multa aplicada. (ii) no mérito, sustenta que a alteração do NCM da mercadoria importada por meio da Declaração de Importação n.º 08/14077646 (indicação de destaque de NCM) não prejudicou a fiscalização, vez que houve o recolhimento do tributo devido e que o erro cometido foi retificado antes da lavratura do Auto de Infração, não se justificando a penalidade imposta. Sustenta que se trata de mero erro formal cometido pela empresa no preenchimento da DI; (iii) sustenta ainda que o instrumento normativo que introduziu a multa (Medida Provisória), seria inconstitucional vez que não é autorizado a introduzir ao ordenamento jurídico qualquer disposição normativa em matéria penal (art. 62, §1º, I 'b', CF/88) e o caráter confiscatório da multa aplicada já que não ficou caracterizado dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte, ou qualquer prejuízo ao Erário Público. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11128.009682/200861 Acórdão n.º 3402005.436 S3C4T2 Fl. 314 5 Como relatado, a autuação fiscal foi lavrada em razão da Recorrente ter deixado de indicar o destaque da NCM para a mercadoria agropecuária por ela importada, destaque esse exigido pela Instrução Normativa n.º 40/2008 para o "controle sanitário, fitossanitério, zoossanitério e de qualidade dos produtos agropecuários importados" pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA (art. 3º da referida IN1). O referido destaque se trata da indicação do código "001" ao invés do "999" indicado originariamente pela Recorrente na Declaração de Importação n.º 08/14077646, com a correspondente necessidade de emissão de licença de importação não automática pela empresa importadora. Essa exigência foi identificada no momento da chegada das mercadorias no país, em despacho do SISCOMEX emitido em outubro/2008 (efl. 69): Uma vez que o referido destaque e a correspondente emissão da LI são elementos essenciais da importação exigidos à época do embarque das mercadorias importadas, incorrido em agosto/2008, cuja declaração é indispensável à identificação do tratamento administrativo especifico dado à mercadoria, foi aplicada a multa de 1% do valor aduaneiro das mercadorias, na forma do art. 84, inciso I, da Medida Provisória n.º 2.158/2001, combinada com o art. 69, §1º, da Lei n.º 10.833/2003. Vejamos os termos dos dispositivos legais: 1 "Art. 3º Para fins de controle sanitário, fitossanitário, zoossanitário e de qualidade dos produtos agropecuários importados, serão adotados os seguintes procedimentos: (...) III PROCEDIMENTO III: produtos sujeitos à autorização prévia de importação, antes do embarque, e ao deferimento do licenciamento de importação junto ao SISCOMEX após a conferência documental e de conformidade do lacre, da temperatura, da rotulagem e da identificação, antes do despacho aduaneiro. A fiscalização e a inspeção sanitária, fitossanitária e de qualidade serão realizadas em estabelecimento de destino registrado ou relacionado no MAPA; e (...) § 1º O licenciamento de importação somente será deferido após o cumprimento das exigências estabelecidas pelo MAPA. § 2º Para produtos sujeitos aos procedimentos II, III e IV, em caso de não cumprimento das exigências para autorização prévia de importação, o licenciamento de importação junto ao SISCOMEX deverá ser indeferido pelos setores técnicos competentes do MAPA. (...)" Fl. 316DF CARF MF 6 Medida Provisória n.º 2.158/2001: "Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis." (grifei) Lei n.º 10.833/2003: "Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2o As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque." Assim, observase que a autuação foi devidamente fundamentada com a indicação dos dispositivos legais vigentes à época da autuação que ensejaram na aplicação da multa. Preliminarmente, sustenta a Recorrente que dois argumentos trazidos na Impugnação não foram analisados pela decisão recorrida, argumentos esses reiterados no Recurso Voluntário, concernentes: (a) à inconstitucionalidade do instrumento que introduziu a penalidade (Medida Provisória); e (b) a confiscatoriedade da multa aplicada, considerando a ausência de dano ao erário. Contudo, atentandose para a r. decisão recorrida, observase que esses argumentos foram devidamente enfrentados pelos julgadores administrativos, sendo afastados por envolverem a análise de inconstitucionalidade do dispositivo legal. Os julgadores igualmente afastaram expressamente a alegação de ausência de dano ao Erário, indicando a natureza objetiva da infração. Senão vejamos: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11128.009682/200861 Acórdão n.º 3402005.436 S3C4T2 Fl. 315 7 "Quanto às alegações de inconstitucionalidade, cabe informar que as referidas multas foram aplicadas em obediência à norma legal ora avaliadas. Além disso, tais matérias fogem à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário. Por conseguinte, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. De se citar: Parágrafo único – A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por fim, quanto à alegação de falta dano à Fazenda Nacional na conduta que levou a suposta prática da infração devese salientar que, em se tratando de direito tributário, a responsabilidade do infrator não tem a mesma natureza da responsabilidade penal e/ou cível, sendo objetiva sua responsabilidade e sem a mensuração da extensão dos efeitos de seus atos, pois que “a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (art. 94, § 2º, do DL 37/1966 e art. 136 do CTN)." (efls. 233/234 grifei) Uma vez que a análise desses argumentos foi devidamente realizada pela r. decisão, descabida a declaração de nulidade pretendida pela Recorrente. Especificamente quanto à aplicação da penalidade no presente caso, a autuação igualmente se mostra irretocável. Como indicado na r. decisão recorrida, a infração objeto da autuação (prestação inexata de informação de natureza administrativa) é dotada de natureza objetiva, sendo que para ser aplicada basta a confirmação da irregularidade na importação, independentemente da intenção do agente, em conformidade com o art. 94, §2º do Decretolei n.º 37/66: "Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." (grifei) Com efeito, como visto acima, o dispositivo legal que prevê a penalidade aplicada no presente caso (art. 69, §1º, Lei n.º 10.833/2003 c/c art. 84, I, da Medida Provisória n.º 2.158/2001) exige apenas o verificação objetiva da prestação de forma inexata informação de natureza administrativotributária, independente de culpa ou dolo do importador. Da mesma forma, desnecessária a comprovação na hipótese de dano ao Erário para a aplicação da multa. Me valendo das palavras do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro em seu voto proferido no Acórdão n.º 3402003.146 de 20/07/2017, o principal escopo da Fl. 318DF CARF MF 8 norma acima reproduzida "não é punir a evasão tributária, mas sim aquela conduta que redunda em prejuízos ao controle administrativoaduaneiro, seja por criar obstáculos seja por de fato impedir que este controle seja realizado na prática, controle este que, aliás, não está necessariamente associado ao pagamento de tributo". No caso, ao deixar de indicar o destaque da NCM no SISCOMEX na forma exigida pela Instrução Normativa n.º 40/2008 do MAPA, a Recorrente deixou de emitir tempestivamente a licença de importação (emitida apenas em outubro/2008, após a chegada das mercadorias no Brasil e após a exigência da fiscalização no SISCOMEX) e acabou por prejudicar seu controle aduaneiro. De fato, somente após a verificação aduaneira realizada pela fiscalização (importação parametrizada no canal cinza) que foi confirmada a prestação de forma inexata informação de natureza administrativotributária (ausência de indicação do destaque no SISCOMEX para fiscalização pelo MAPA), sendo que com fulcro nas informações originariamente prestadas pela Recorrente o devido controle aduaneiro da mercadoria não seria realizado. Desta forma, entendo que não cabe reforma a r. decisão recorrida. Por fim, quanto aos argumentos que envolvem a inconstitucionalidade da penalidade e sua confiscatoriedade, o entendimento da r. decisão recorrida está em consonância com o do presente Conselho. Como visto, a penalidade foi aplicada em conformidade com a legislação, não cabendo se falar nesta seara administrativa em sua confiscatoriedade ou mesmo a inconstitucionalidade de seu fundamento legal. Estando o art. 84, I, da Medida Provisória n.º 2.158/2001 e o art. 69 da Lei n.º 10.833/2003 em plena vigência, descabe a este colegiado manifestarse acerca de sua constitucionalidade à luz dos argumentos da confiscatoriedade e da sua inconformidade com o art. 62 da CF/88, trazidos pela Recorrente. Esta matéria se encontra sumulada por este CARF, na Súmula CARF n.º 2 que expressa que "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Cumpre mencionar que tanto na Impugnação como no Recurso Voluntário a Recorrente traz a alegação de uma relevação da multa juntamente com a alegação de sua confiscatoriedade, sem trazer argumentos legais específicos para fundamentar a sua demanda. Por essa razão que a r. decisão recorrida somente realizou a análise do argumentos da confiscatoriedade, o que está sendo igualmente realizado nessa instância. Caberia à Recorrente demonstrar que ocorreu na hipótese os requisitos para a relevação da penalidade e qual o fundamento normativo a ser utilizado, o que não foi feito. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.964920/2012-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/07/2008
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3002-000.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente JOHNSON CONTROLS BE DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/07/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 49 20 /2 01 2- 95 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10880.964920/201295 Acórdão n.º 3002000.310 S3C0T2 Fl. 400 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 03/07), transmitido em 30/09/2010, cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior. A compensação declarada foi parcialmente homologada, conforme despacho decisório (fl. 08), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.". Após ser intimada da decisão em 13/11/2012, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 12/13), na qual informou que, em junho de 2008, a empresa apurou débito de COFINS Não Cumulativo no valor de R$ 703.904,13, tendo informado tal valor na DCTF do referido período. Porém, por um lapso, arrecadou o referido valor aos cofres Federais através de vários DARF's: um no valor de R$ 833.481,39 em 25/11/2009 e outros no valor de R$ 38.781,02. O Sujeito Passivo alega, ainda, que procedeu a compensação do valor pago a maior em 30/09/2010, contudo, a Receita Federal equivocouse ao homologar parcialmente a compensação, pois o crédito pleiteado está correto. Por fim, requereu o deferimento da Manifestação de Inconformidade pelos motivos de fato e de direito mencionados. Para comprovar o seu direito, a ora recorrente juntou à Manifestação de Inconformidade cópias da DCTF retificadora, referente a out/2009, da DCTF retificadora, referente a jun/2008, e do DARF no valor de R$ 833.481,39. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2008 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10880.964920/201295 Acórdão n.º 3002000.310 S3C0T2 Fl. 401 3 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 122/139), no qual informou de forma mais detalhada as sucessivas retificações do valor de COFINS, referente a junho de 2008, e requereu a reforma do Acórdão recorrido, alegando, preliminarmente, a nulidade do Acórdão recorrido por falta de análise de todos os pontos suscitados no recurso, por falta de motivação e por falta de fundamentação e, por conseguinte, havendo afronta aos Princípios do Contraditório e o da Ampla Defesa. Posteriormente, no mérito, assevera a legitimidade da retificação da DCTF, o primado do Princípio da Verdade Material, a existência do crédito e a legitimidade da compensação, assim como da denúncia espontânea, visando a não incidência da multa de mora. Ademais, aduz que seria obrigação das instâncias julgadoras a conversão em diligência, conforme Parecer Normativo Cosit nº 02/2015. Por fim, requer a nulidade da decisão recorrida, a conversão do julgamento em diligência para apuração do crédito e a homologação da compensação pleiteada. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Com efeito, da confrontação do teor do Despacho Decisório com o voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que ocorreu discrepância entre a realidade fática do presente processo e a situação tratada no voto. Enquanto, em realidade, a compensação Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10880.964920/201295 Acórdão n.º 3002000.310 S3C0T2 Fl. 402 4 pleiteada foi parcialmente homologada, a análise realizada pelo relator daquele Acórdão consideroua não homologada totalmente. Transcrevese o seguinte excerto do voto condutor: "Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF, ou seja, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à restituição ou compensação." (grifo nosso) Por outro lado, o voto condutor do Acórdão recorrido considerou que "no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida ", ou seja, considerouse que a DCTF foi retificada após a ciência do Despacho Decisório. Contudo, pelas cópias acostadas aos autos, verificase que a retificadora foi transmitida em 11/05/2012. Assim, a alteração na declaração foi promovida antes da emissão do Despacho Decisório. Dessa forma, não há como negar que, por ter se baseado em situação diversa da realidade fática dos autos, a motivação esposada no Acórdão recorrido encontrase eivada de vício insanável. Ademais, apenas visando aclarar outro ponto, ressaltese que o entendimento majoritário desta Corte é que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Entretanto, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. Sendo do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o Acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.731898/2011-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual. Verificada a omissão de rendimentos, compete à fiscalização efetuar o lançamento, como prevê o art.142 do CTN.
Numero da decisão: 2001-000.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual. Verificada a omissão de rendimentos, compete à fiscalização efetuar o lançamento, como prevê o art.142 do CTN.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.731898/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.572 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente REGINA CELIA ROBERTO GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual. Verificada a omissão de rendimentos, compete à fiscalização efetuar o lançamento, como prevê o art.142 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 18 98 /2 01 1- 51 Fl. 142DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, e omissão de rendimentos, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos e agregou comprovantes financeiros de pagamento das despesas de plano de saúde. Argumentou que os pagamentos à APPAI referemse a serviços de saúde. Não apresentou argumentos nem documentos novos referentes a omissão de rendimentos. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Sobre a omissão de rendimentos não foram apresentados argumentos novos, e nem identificamos alguma questão não abordada pelo acórdão de impugnação. Concordamos com esse acórdão que assim dispôs sobre essa matéria: Todavia, não apresenta documento comprobatório do fato alegado e não trouxe elementos que afastem a força probante da DIRF apresentada pela fonte pagadora. Impõese, assim, a manutenção do acréscimo ao total de rendimentos tributáveis auferidos pela contribuinte no anocalendário 2009. Em termos gerais, pede para que se reexamine, sem nominar, a impugnação. Examinamos todo o processo e entendemos que o acórdão de impugnação abordou corretamente a legislação, e os fatos. Em relação às despesas médicas pagas a plano de saúde, no ano específico, apresentou as guias de pagamento, e alguns comprovantes financeiros. Considerando que há continuidade da prestação do serviço; que houve a apresentação das guias; que a falta de pagamento gera cancelamento de plano; que a comprovação de parcial de alguns períodos indica a continuidade da prestação, que não houve nenhuma investigação, ou conferência junto ao plano de saúde sobre a matéria; e tendo em conta também que um procedimento de diligência, nessa altura do processo administrativo, tornase mais oneroso que a dedução pleiteada, entendo pela aceitação das despesas referentes à Golden Cross. Os pagamentos à APPAI, já foram aceitos nos anoscalendário de 2003 e 2005, em Despachos Decisórios, em processos em exame por esse relator, como referentes a serviços médicos, entendemos como comprovadas, dessa forma, essas despesas. Conclusão Fl. 143DF CARF MF Processo nº 18470.731898/201151 Acórdão n.º 2001000.572 S2C0T1 Fl. 3 3 Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, aceitando as despesas médicas referentes a APPAI e plano de saúde Golden Cross. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 144DF CARF MF
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