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Numero do processo: 10580.725085/2009-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.
Incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes de valores recebidos à título de diferenças de URV por servidores públicos, face a nítida natureza salarial das verbas.
Numero da decisão: 9202-006.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARCELO MIRANDA BRAGA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes de valores recebidos à título de diferenças de URV por servidores públicos, face a nítida natureza salarial das verbas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 50 85 /2 00 9- 59 Fl. 322DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 280201.186, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 104.642,03, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: que as verbas recebidas pelo impugnante foram a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; que apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN; que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10580.725085/200959 Acórdão n.º 9202006.417 CSRFT2 Fl. 10 3 Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; que nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; que os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 158 e ss., julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 168/254, reiterando os argumentos feitos em sua impugnação. A 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 271/280, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação o valor de R$ 28.022,86 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. Fl. 324DF CARF MF 4 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Às fls. 283/288, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, arguindo omissão e obscuridade ao afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie. Alegou que, na hipótese em análise, a verba principal recebida pelo autuado não tem natureza trabalhista nem foi recebida em virtude de sentença judicial, o que leva à conclusão de que não se aplicam a ela os fundamentos adotados pelo STJ para afastar a incidência do IRPF sobre os juros moratórios no julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS. Às fls. 290/291, a 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento rejeitou os Embargos de Declaração apresentado pela União. Às fls. 293/307, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando preliminarmente que, ao contrário do que consta do v. acórdão recorrido, não se aplica à espécie o REsp nº 1.227.133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC. Ainda, a verba recebida pelo autuado não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Por isso, não se aplica à hipótese destes autos o Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, no qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. No mérito, apontou a divergência jurisprudencial em relação à exigência de IRPF sobre os juros de mora. Enquanto a decisão recorrida considerou não incidente o IRPF sobre os valores correspondentes aos juros de mora relativos a qualquer verba trabalhista reconhecida em sentença judicial, o primeiro paradigma afirmou que somente não é válida a cobrança do IRPF sobre os juros moratórios concernentes a verbas isentas ou não tributáveis ou sobre aquelas pagas em decorrência de rescisão do contrato de trabalho, nos termos em que decidido pelo STJ no rito dos recursos repetitivos previsto pelo artigo 543C do Código de Processo Civil (REsp. 1.227.133). Mais específica ainda é a divergência com o segundo paradigma. Enquanto a Turma “a quo” concluiu pela não incidência do IRPF sobre os valores correspondentes aos juros de mora aplicáveis sobre as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios URV” Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10580.725085/200959 Acórdão n.º 9202006.417 CSRFT2 Fl. 11 5 com amparo no REsp. Repetitivo n. 1.227.133, o segundo acórdão paradigma afirmou que esse recurso repetitivo que excluiu a exigência do IRPF sobre os juros de mora se aplica tão somente aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, sendo, por conseguinte, perfeitamente cabível o IRPF sobre os juros devidos em virtude do pagamento em atraso das diferenças de remuneração ocorridas em razão da conversão de Cruzeiro Real para a URV. Às fls. 310/313, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à Incidência de Imposto de Renda sobre juros de mora. O Contribuinte tomou ciência do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da União, conforme fl. 316 e fl. 321, mantendose inerte, vindo os autos conclusos para decisão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 104.642,03, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à Incidência de Imposto de Renda sobre juros de mora. A questão merece debate, pois está longe de ter entendimento unânime no Tribunal Administrativo. A Fazenda Nacional sustenta a regularidade do auto de infração, pois defende que a interpretação correta do Repetitivo de Controvérsia RE 1227.133/RS, é a de que imposto de renda não incide sobre os juros de mora em apenas duas hipóteses. A primeira é condenação judicial no contexto de perda de emprego ou rescisão contratual. A segunda hipótese ocorre quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do imposto de renda. Sustenta assim que no caso em análise, a verba principal tem nítido caráter salarial, uma vez que corresponde a diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Se os valores recebidos têm natureza salarial, os juros moratórios, necessariamente, terão a mesma natureza, conforme dispõe o art. 92 do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10/02/2002). Fl. 326DF CARF MF 6 Por sua vez a Contribuinte defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Sendo assim, insurgese contra o auto de infração, pois partindo do pressuposto de que a verba é isenta, estaria esta fora do campo de incidência do imposto de renda. O acórdão recorrido seguiu no sentido das argumentações do Contribuinte. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Sendo assim, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10580.725085/200959 Acórdão n.º 9202006.417 CSRFT2 Fl. 12 7 determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Cito aqui posicionamento adotado pelo Conselheiro Gerson Guerra, em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Fl. 328DF CARF MF 8 Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão geral, por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito quanto a incidência de IRPF sobre juros moratórios negarlhe provimento. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10580.725085/200959 Acórdão n.º 9202006.417 CSRFT2 Fl. 13 9 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Peço licença a ilustre conselheira Ana Paula Fernandes para divergir do seu entendimento em relação a incidência de IR sobre os juros de mora pagos sobre rendimentos recebidos acumuladamente à título de URV. Do Mérito Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão no Recurso Especial da Fazenda Nacional acerca da Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios sobre os rendimentos recebidos por membros do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Incidência de IRPF sobre Juros de Mora Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiu o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C D O CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do impo sto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. Fl. 330DF CARF MF 10 (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECUR SO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Contudo, no presente lançamento, tratase de verbas recebidas a título de diferenças de valores de URV advindas de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Dessa forma, restando claro o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, os juros sobre elas aplicáveis, por conseqüência também devem ser tributados, já que afastada a natureza indenizatória da verba. Dessarte, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir sobre os juros de mora, razão pela qual encaminho por DAR PROVIMENTO ao REsp da Fazenda Nacional Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904630/2016-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 30 /2 01 6- 72 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904630/201672 Acórdão n.º 3201003.519 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.496, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904630/201672 Acórdão n.º 3201003.519 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000212/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. NÃO INSTAURAÇÃO DA LIDE.
A impugnação apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do auto de infração não instaura o litígio, devendo ser decretada a revelia da parte silente. Mesmo que o recurso voluntário seja apresentado antes de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão da DRJ, também deve não deve ser conhecido, em razão da falta de aperfeiçoamento do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1401-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por não ter sido instaurado o processo administrativo fiscal. Ausente momentaneamente a conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. NÃO INSTAURAÇÃO DA LIDE. A impugnação apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do auto de infração não instaura o litígio, devendo ser decretada a revelia da parte silente. Mesmo que o recurso voluntário seja apresentado antes de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão da DRJ, também deve não deve ser conhecido, em razão da falta de aperfeiçoamento do processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por não ter sido instaurado o processo administrativo fiscal. Ausente momentaneamente a conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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NÃO INSTAURAÇÃO DA LIDE. A impugnação apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do auto de infração não instaura o litígio, devendo ser decretada a revelia da parte silente. Mesmo que o recurso voluntário seja apresentado antes de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão da DRJ, também deve não deve ser conhecido, em razão da falta de aperfeiçoamento do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por não ter sido instaurado o processo administrativo fiscal. Ausente momentaneamente a conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 02 12 /2 00 7- 73 Fl. 1095DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), que, por meio do Acórdão 1219.625, de 20 de junho de 2008, não conheceu a impugnação apresentada pela empresa, em razão de sua intempestividade. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 858/864, 865/869, 870/878, 879/885, 886/892, 893/902, 903/906, 907/910 e 911/920, respectivamente, lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu/RJ, por meio dos quais são exigidos da Interessada, antes identificada, o IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – SIMPLES – IRPJ/SIMPLES, no valor de R$ 16.642,92; a CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – SIMPLES – PIS/SIMPLES, no valor de R$ 16.642,92; a CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO –SIMPLES CSLL/SIMPLES, no valor de R$ 28.371,82, a CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – SIMPLES – COFINS/SIMPLES, no valor de R$ 56.743,62; CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIALINSS SIMPLES – CSSINSS/SIMPLES, no valor de R$ 107.028,07, mais multa de 150% e demais encargos moratórios; o IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ, no valor de R$ 77.431,45; a CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS, no valor de R$ 1.056,19; a CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL, no valor de R$ 5.687,27 e a CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS, no valor de R$ 8.191,09, mais multa de 75% e demais encargos moratórios. 2. A lavratura do auto relativo ao IRPJ/Simples, anocalendário de 2001 (fls. 858/864) decorre dos fatos descritos, também, no Termo de Verificação Fiscal – TVF1 (fls. 824/840). Para explanar as infrações o autuante, em suma, assim descreve: 2.1. Omissão de Receitas Receitas Não Escrituradas Item 001 do Auto de Infração (fls. 863/864) e item 2.1 do TVF1 (fls. 825/837): omissão de receita, no valor de R$ 2.579.269,74, apurado em razão de a Interessada, apesar de haver auferido receita de prestação de serviços durante o anocalendário de 2001 (fls. 218/588), declarouse inativa no ano em comento (fls. 14/15). O enquadramento legal citado pelo autuante referese aos seguintes dispositivos: art. 24 da Lei nº 9.249/1995; artigos 2º, §2º, 3º, §1º, alínea “a”, 5º, 7 º, §1º, 18 da Lei nº 9.317/1996; artigo 3º da Lei nº 9.732/1998 e artigos 186, 188 e 189 do Regulamento do Imposto de Renda 1999 RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999. 2.2. Insuficiência de Recolhimento. Item 002 do Auto de Infração (fl. 864) e item 2.2 do TVF1 (fl. 837): Quantia apurada em decorrência de a Interessada ter recolhido DARF/Simples relativo ao período de apuração 31/12/2001, no valor Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 15563.000212/200773 Acórdão n.º 1401002.518 S1C4T1 Fl. 1.096 3 de R$ 1.543,50, (base de cálculo = R$ 51.450,00) utilizando alíquota de 3%, e não 10,32%, que seria a correta em razão de a mesma ter auferido receitas durante todo o anocalendário de 2001. O fato foi enquadrado nos termos dos seguintes dispositivos: artigo 5º da Lei nº 9.317/1996 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/1998 e artigos 186 e 188 do RIR/1999. 2.3. Os autos de infração relativos à Contribuição para o PIS/Simples, à Cofins/Simples, à CSLL/Simples e à CSSINSS/SIMPLES, foram lavrados em decorrência da apuração das infrações que ensejaram o lançamento principal. 3. A lavratura do auto relativo ao IRPJ, anoscalendário de 2002 e 2003 (fls. 893/902) decorre dos fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal – TVF2 (fls. 841/848). Para explanar as infrações o autuante, em suma, assim descreve: 3.1. Receitas da Atividade. Item 001 do Auto de Infração (fls. 901/902) e item 2.2 do TVF2 (fls. 843/846): quantia lançada em razão de a Interessada ter auferido e escriturado receita de prestação de serviços porém, não as declarou. O enquadramento legal citado pelo autuante referese aos seguintes dispositivos: artigos 224, 518 e 519, §1º, inciso III, alínea “a” e §§ 4º a 7º, do RIR/1999. 3.2. Os autos de infração relativos à Contribuição para o PIS, à Cofins e à CSLL, foram lavrados em decorrência da apuração das infrações que ensejaram o lançamento principal. 4. O autuante formalizou ainda representação fiscal para fins penais, que constitui o processo nº 15563.000222/200717, apenso ao presente, por considerar que os fatos configurariam crime contra ordem tributária. 5. A autuada manifestase às fls. 963/973, alegando que: 5.1. foi notificada na segundafeira, dia 26 de junho de 2007, e o prazo para a interposição da impugnação expiraria no dia 26 de jullho de 2007, segundo o artigo 5º e 15º do Decreto nº 70.235/1972. sendo, portanto, tempestiva sua impugnação. 5.2. – informou ao Autuante, atendendo pedido para que apresentasse livros e documentos da contabilidade dos anos de 2001 a 2003, que no ano de 2001 já havia sido fiscalizada e a decisão sobre essa fiscalização lhe foi favorável (doc. 3, fls. 995/1003). Não obstante esse fato, o Autuante reiterou seu pedido, mesmo sabendo que o pertinente a este estaria de certo precluso, e com um agravante, por já existir julgamento da DRJ/RJ1. Apesar das circunstâncias expostas, os documentos foram entregues ao Autuante, o qual, após analisalos, lavrou o auto de infração em comento; 5.3. – o auto de infração está cobrando, novamente, tributos que já foram objetos de impugnação e que se encontram preclusos em razão da matéria, pois foi dado deferimento à sua impugnação, como consta do ‘documento 3’ (fls. 995/1003); 5.4. – não há como se analisar a parte do auto referente ao período de 2001, pois se encontra totalmente preclusa; 5.5. – como pode ser visto no Ato Declaratório Executivo nº 29, de 21 de junho de 2007 (fls. 1004/1005), sua exclusão só ocorreu em 21 de julho de 2007, pois deve ser assegurado ao sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Portanto, fica claro que a ausência da intimação ao ora Impugnante, Fl. 1097DF CARF MF 4 impossibilitou que este viesse a se defender, causandolhe grande lesão aos direitos citados; 5.6. – tendo em vista os fatos citados acima, se fosse feito o cálculo pelas alíquotas atribuídas aos impostos objetos do auto em apreço, terseia, na maior parte dos créditos, como lana caprina (insignificante), na planilha I (fls. 1006/1009); 5.7. –entende que devem ser aplicadas as alíquotas do Simples, em função do respeito às normas constitucionais e ao princípio do contraditório e da ampla defesa; 5.8. – caso não haja concordância com o exposto, entende que deve prosperar os fatos de direitos esmiuçados, explicitar sobre a ausência de inclusão nos cálculos do levantamento do Autuante, do imposto de renda retido na fonte por parte das empresas Sendas e Casa Show; 5.9. – Mesmo que viesse a se considerada devedora de alguma monta, tendo por espeque as três alíneas do inciso II do artigo 106 do CTN, as quais dispõem que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo e quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, deveria ser observado o princípio da retroatividade benigna. 6. Face aos fatos apresentados, protesta pela juntada de seus atos constitutivos e cartão do CNPJ, esperando e confiando, ainda, que a presente impugnação seja acolhida em todo os seus termos, deferindo, conseqüentemente, o cancelamento da cobrança e acolhendo o direito aos créditos supras. 7. É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do por meio do por meio do Acórdão 1219.625, de 20 de junho de 2008, não conheceu a impugnação apresentada pela empresa, em razão de sua intempestividade, conforme a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. É intempestiva a impugnação apresentada após o prazo de trinta dias da ciência do Despacho Decisório. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não comporta apreciação. Impugnação não Conhecida A recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ na data de 07/07/2008 cf. ARECF de efl. 1.061 e apresentou o recurso voluntário na data de 30/07/2008, conforme protocolo de efl. 1.063. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 15563.000212/200773 Acórdão n.º 1401002.518 S1C4T1 Fl. 1.097 5 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Intempestividade da Impugnação Inexistência de Processo Administrativo Fiscal Como visto no relatório deste acórdão, a impugnação apresentada pela empresa foi decretada intempestiva pela turma a quo. Por sua brevidade, reproduzo o referido voto da delegacia de piso: (início do voto da DRJ) 8. A impugnação é intempestiva, consideradas as datas de ciência do interessado (26/06/2007 fls. 840, 848, 862, 869, 876, 883, 890, 899, 905, 917, 950 e 951) e de apresentação da defesa (27/07/2007 fl. 963). Entretanto, tendo sido suscitada a tempestividade, como preliminar, passo a apreciála, em face do Ato Declaratório Normativo COSIT 15, de 12 de julho de 1996. 9. O interessado tomou ciência do auto de infração em 26/06/2007, conforme atestam as folhas acima indicadas (fls. 840, 848, 862, 869, 876, 883, 890, 899, 905, 917, 950 e 951). O prazo para a apresentação de defesa iniciouse em 27/06/2007 (3º feira) sic1 e encerrouse em 26/07/2007 (5º feira). A impugnação foi apresentada em 27/07/2007, conforme Carimbo de Recepção (fl. 963). 10. Deste modo, é intempestiva a impugnação, por ter sido apresentada após o decurso do prazo de trinta dias contado da ciência do auto de infração. 11. Configurada a intempestividade, cumpre perscrutar a competência desta Delegacia de Julgamento para apreciála. 12. Ao prever a hipótese de nãoapresentação tempestiva da peça impugnatória, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação expediu o Ato Declaratório Normativo nº 15/1996, dispondo: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (grifei) 13. A tempestividade constitui condição inarredável para o julgamento de processos administrativos fiscais. A intempestividade da petição acarreta a preclusão processual, o que impede o julgador de conhecer das razões de defesa. 1 dia 27/06/2012 foi quartafeira Fl. 1099DF CARF MF 6 14. Ante o exposto, voto por não tomar conhecimento do mérito da petição, por intempestiva a sua apresentação. (término do voto da DRJ) Pois bem. Vejo que não houve, por parte da DRJ, nenhum vício na decretação da intempestividade da impugnação: os documentos indicados pela delegacia de piso correspondem à realidade fática vivida à época da ciência do auto de infração e da protocolização da impugnação e demonstram que a impugnação foi apresentada com 1 (um) dia de atraso. Desta forma, não obstante o recurso voluntário ter sido apresentado tempestivamente, isto não requer que seja este recurso conhecido por esta turma ordinária. Conforme dispõe o 14 do Decreto nº 70.235/1972, transcrito abaixo, o processo administrativo fiscal somente nasce com a apresentação tempestiva da impugnação. No caso dos autos, portanto, é de se concluir que o litígio não restou aperfeiçoado: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Esta regra também está disposta no Ato Declaratório Normativo nº 15/1996 da Coordenação Geral do Sistema de Tributação, citado no voto da DRJ. O art. 21 do Decreto nº 70.235/1972, por sua vez, afirma que a impugnação não apresentada em tempo hábil ensejará a decretação de revelia da parte autuada: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. A recorrente não faz nenhuma alegação quanto à decretação de intempestividade por parte da DRJ, apenas limitandose a alegar a tempestividade do recurso voluntário. O que se vê é que o processo nem deveria ter sido encaminhado ao CARF, pois a DRJ já reconheceu a tempestividade e a empresa nada argumentou quanto a isso, tampouco trouxe algum elemento adicional. Desta forma, concluise que a decisão a quo deve ser mantida na íntegra. Conclusão Diante disso, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário por não ter sido instaurado o processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 15563.000212/200773 Acórdão n.º 1401002.518 S1C4T1 Fl. 1.098 7 Fl. 1101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.002130/2005-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. Somente são admitidos créditos sobre gastos relativos a elementos diretamente relacionados ao produto final e que não se classifiquem como ativo imobilizado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na sistemática de apuração não cumulativa do PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. Somente são admitidos créditos sobre gastos relativos a elementos diretamente relacionados ao produto final e que não se classifiquem como ativo imobilizado.
Numero da decisão: 9303-006.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecimento da glosa do crédito relativamente aos gastos com gás comprimido e oxigênio; telas, tarrafas e redes de malha, cordas; cloro e hipoclorito (utilizado com material de higienização dos viveiros); e caixas de isopor para acondicionar o camarão na câmara de congelamento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negam provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. Somente são admitidos créditos sobre gastos relativos a elementos diretamente relacionados ao produto final e que não se classifiquem como ativo imobilizado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa do PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. Somente são admitidos créditos sobre gastos relativos a elementos diretamente relacionados ao produto final e que não se classifiquem como ativo imobilizado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. Somente são admitidos créditos sobre gastos relativos a elementos diretamente relacionados ao produto final e que não se classifiquem como ativo imobilizado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa do PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. Somente são admitidos créditos sobre gastos relativos a elementos diretamente relacionados ao produto final e que não se classifiquem como ativo imobilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 21 30 /2 00 5- 82 Fl. 308DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para restabelecimento da glosa do crédito relativamente aos gastos com gás comprimido e oxigênio; telas, tarrafas e redes de malha, cordas; cloro e hipoclorito (utilizado com material de higienização dos viveiros); e caixas de isopor para acondicionar o camarão na câmara de congelamento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negam provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de pedidos de ressarcimento (efls. 02 e 03) de créditos de Cofins e PIS, oriundos da incidência não cumulativa na exportação, nos montantes de R$ 278.290,15 e R$ 83.963,92, respectivamente, relativos ao segundo trimestre do ano de 2004. O despacho decisório de efl. 89 a 116 em 31/07/2009, reconheceu a existência de crédito de Cofins no montante de R$ 191.448,17 e de PIS no valor de R$ 65.745,08. Basicamente, foram glosadas exclusões realizadas pela contribuinte de valores declarados em DACON, não sendo esses valores receitas decorrentes de comercialização para o mercado exterior, seja diretamente, seja por intermédio de empresa comercial exportadora. Com isso, houve valores de contribuição para a Cofins e para o PIS superiores aos declarados, seja nas DACON, seja nas DCTF. Relativamente aos créditos decorrentes dos custos suportados, em face da sistemática da não cumulatividade, houve glosas por eles não atenderem ao critério de insumo da legislação de regência. Foram apontadas cinco causas para as glosas dos seguintes gastos com: 1. aquisições cujo fornecedor era a própria empresa contribuinte; 2. aquisições de camarão de empresa cuja documentação indicava serem as remessas para exportação, ou seja, sem incidência das contribuições; 3. aquisições de produtos considerados como insumo pela contribuinte, tais como amônia, bandeja para ração, calcário, cloro, comedouro para ração, corda, fertilizante, gás comprimido, gás freon, hipoclorito, monoblocos, oxigênio, placa isopor, rede malha, silicato, tarrafa e ureia; Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16707.002130/200582 Acórdão n.º 9303006.835 CSRFT3 Fl. 309 3 4. materiais de embalagens não incorporadas ao produto (somente destinadas ao transporte de produto acabado, tais como: bandejas plásticas, bloco de isopor, calha de isopor, caixas de papelão para acondicionar outras caixas , embalagem térmica, etiquetas, fita adesiva, fita para arquear, fita plástica, fivela plástica, lacre, sacos plásticos, tela de malha e telas); 5. aquisição de camarão fresco de pessoas físicas, que gerou créditos tidos por presumidos e que foram sendo alterados pela legislação de regência (implicando glosa parcial em relação a essas mudanças). Cientificada do despacho, em 11/08/2009 (efl. 125), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 126 a 132, em 09/09/2009, para que fosse confirmada a integralidade dos ressarcimentos pleiteados no presente processo. Já a 2ª Turma da DRJ/REC, no acórdão nº 1129.251, prolatado em 22/03/2010, às efls. 148 a 163, considerou, por unanimidade, improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão da DRJ em 07/06/2010 (efl. 167), a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 168 a 174, em 24/06/2010. Em apertado resumo, esgrime os seguintes argumentos: a) houve glosa indevida, com base em aplicação de critérios da legislação do IPI, de insumos da fase primária do cultivo de camarões, bem como de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem; b) igualmente, foi aplicado o mesmo c) houve apuração de débitos tributários de contribuições sem lançamento de ofício, apenas com base em instrução normativa; d) deveria ser reconhecida a incidência correção monetária, com base na taxa SELIC, sobre créditos incentivados, a partir de cada período de apuração, quando o Estado demora em reconhecer o direito do contribuinte. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 02/06/2011, resultando no acórdão nº 3401000.957, às efls. 176 a 195, que tem as seguintes ementas: Ementa: COFINS/PIS NÃO CUMULATIVOS. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. GLOSAS. São devidas as glosas de créditos de Cofins/PIS não cumulativos, quando a interessada deixar de observar as normas que reguem a matéria. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. INSUMO. ALCANCE DO TERMO. Fl. 310DF CARF MF 4 O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. COFINS/PIS NÃO CUMULATIVOS. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. No caso das contribuições não cumulativas é inaplicável a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes de aproveitamento de crédito, por expressa vedação legal. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito da contribuinte ao creditamento da contribuição não cumulativa, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo da Costa Pôssas quanto ao item III) cloro, material de limpeza e higienização de instalações e medicamentos, por não reconhecer o direito ao crédito. Os conselheiros Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões. O voto condutor afirmou que a caracterização de insumo não se daria nem com a estreiteza do critério adotado para o IPI, nem com a extensão do critério utilizado para fins de custos e despesas do IRPJ. Conclui por entender que há direito ao creditamento do PIS e da Cofins com relação aos gastos com os materiais diretamente responsáveis pela produção de produtos destinados à venda abaixo arrolados: I) gases comprimidos utilizados nas máquinas e equipamentos industriais, ou seja, oxigênio, acetileno, argônio e amônia; II) telas e cercas de proteção, tarrafas, redes arames, cordas, lonas e tecidos, ferro, madeira, vigas e tábuas; III) cloro, material de limpeza e higienização de instalações, medicamentos; IV) combustíveis, óleo diesel e lubrificantes; e V) caixas de isopor para transporte de pescado, utilizadas para levar o camarão dos tanques onde são criados pelos produtores até a sede da empresa para processamento e embalagem. Foram mantidos todos os demais aspectos da decisão recorrida. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16707.002130/200582 Acórdão n.º 9303006.835 CSRFT3 Fl. 310 5 Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3401000.957 em 30/08/2011 (efl.. 197), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 31/08/2011, às efls. 198 a 218. A Fazenda indica dois acórdãos paradigmas, de nº 20312.488 e nº 204 00795, que divergem do recorrido pois elaboram entendimento de que, no contexto da não cumulatividade do PIS e da Cofins, o melhor critério para definição de insumos é aquele previsto na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79. Nisso divergindo do acórdão a quo, que faz interpretação mais extensiva, considerando insumos os elementos diretamente responsáveis pela produção dos bens destinados à venda. O Procurador requereu que fosse conhecido e provido recurso especial, para reformar o acórdão recorrido na parte desfavorável à Fazenda Nacional.. O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 20/07/2015, no despacho de e fls. 262 a 264, com base nos arts. 67 e 68 do do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada (efl. 267) do acórdão nº 3401000.957 e do despacho de admissibilidade de efls. 262 a 264, em 27/08/2015 (efl.. 270), e apresentou contrarrazões às efls. 272 a 275, em 10/09/2015. A contribuinte nessa peça, volta a esgrimir argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, visando a que não seja dado provimento ao recurso especial de divergência da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Delimitação da matéria em sede de recurso Preliminarmente, cabe esclarecer que o acórdão recorrido não especifica, no texto de seu dispositivo, quais foram os insumos cujos direitos creditórios relativos ao PIS e à Cofins foram reconhecidos, apenas determina o provimento parcial ao Recurso Voluntário e remete sua explicitação ao voto do relator, nos seguintes termos: Fl. 312DF CARF MF 6 ... provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito da contribuinte ao creditamento da contribuição não cumulativa, nos termos do voto do relator. (Grifos na transcrição.) Assim, temos que, ao final do voto, o relator afirma o seguinte: ...voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da contribuinte ao creditamento da Cofins e do PIS decorrente de: I) gases comprimidos utilizados nas máquinas e equipamentos industriais, ou seja, oxigênio, acetileno, argônio e amônia; II) telas e cercas de proteção, tarrafas, redes arames, cordas, lonas e tecidos, ferro, madeira, vigas e tábuas; III) cloro, material de limpeza e higienização de instalações, medicamentos; IV) combustíveis, óleo diesel e lubrificantes; V) caixas de isopor para transporte de pescado, utilizadas para levar o camarão dos tanques onde são criados pelos produtores até a sede da empresa para processamento e embalagem. No mais, mantenho a decisão recorrida. (Negritos do original, sublinhei.) Reparase que o voto condutor organizou os elementos com direito a crédito reconhecido em cinco categorias, cada uma delas com alguns itens referidos. Entendo, todavia, ser necessário analisar detidamente os itens sublinhados no parágrafo anteriormente transcrito. Isso porque, em cotejo aos autos, verificase que nenhum deles foi expressamente referido como material glosado neste processo, seja no Despacho Decisório às efls. 93 a 120, seja no Relatório Fiscal às efls. 72 a 91. A verificação acima referida é passível de observação pela leitura dos excertos, a seguir reproduzidos, do relatório fiscal e do despacho decisório: Relatório fiscal: Como consequência da expressa disposição normativa, os "insumos" classificados nas planilhas de fls. 83 a 140 como amônia, bandeja para ração, calcário, cloro, comedouro para ração, corda, fertilizante, gás comprimido, gás freon, hipoclorito, monoblocos, oxigênio, placa isopor, rede malha, silicato, tarrafa e uréia e com a aplicação apontada na tabela de fls. 160 e 161 não são aptos a gerar créditos de PIS e Cofins não cumulativos, já que não sofrem alteração decorrente da ação exercida diretamente sobre o camarão (produto final), tendo sido glosadas para efeito de apuração da base de cálculo dos referidos créditos os valores decorrentes das aquisições dos mencionados produtos. (efl. 85) Despacho Decisório: 81. O terceiro caso diz respeito a aquisições de produtos que a Potiguar considerou como intermediários na produção dos seus produtos como, por exemplo, amônia, bandeja para ração, calcário, cloro, comedouro para ração, corda, fertilizante, gás comprimido, gás freon, hipoclorito, monoblocos, oxigênio, placa isopor, rede malha, silicato, tarrafa e ureia.(efl. 103) Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16707.002130/200582 Acórdão n.º 9303006.835 CSRFT3 Fl. 311 7 Ora, isso restringe a discussão da possibilidade de créditos a esses elementos. Cumpre esclarecer que o referido Despacho Decisório faz referência a tabelas constantes de outro processo, de número 16707.002131/200527. Ocorre que, mesmo buscando os elementos do processo nº 16707.002131/200527, no qual constam essas tabelas (efls. 85 a 140 daqueles autos), não se encontram gastos com os referidos materiais. Podese notar que os materiais arrolados ao final do voto apenas guardam identidade com aqueles citados pela contribuinte no item 03 de sua Manifestação de Inconformidade, à efl. 131 e referidos, em parte, no recurso voluntário à efl. 176. Assim, em face da ausência de glosa de créditos vinculados a tais bens, não se pode aceitar que seja solicitada sua utilização para composição dos créditos a serem ressarcidos em sede de recurso voluntário, ainda que a contribuinte tenha a eles se referido em sua manifestação de inconformidade, e até em seu recurso voluntário. Tratase de matéria alheia ao litígio objeto do processo. Daí se conclui que os elementos citados na categoria IV) do voto condutor do acórdão recorrido estão fora do litígio. De forma semelhante, os elementos citados nas categorias I) a III) do voto condutor do acórdão recorrido, estão parcialmente fora do litígio. É impossível reconhecer o direito a crédito de bens que sequer tiveram seu valor glosado pelo Fisco. Dessa forma, penso que se deva apreciar o mérito relativo aos créditos restabelecidos na decisão a quo, para gastos com bens considerados insumos pelo sujeito passivo e glosados pela fiscalização. Tudo isso, em consonância com as informações prestadas pelo próprio sujeito passivo, em resposta à fiscalização na tabela de efl. 161 no processo nº 16707.002131/200527, que abaixo se transcreve: Fl. 314DF CARF MF 8 Logo, temos como gastos ainda abrangido no recurso sob apreciação, considerando as cinco caterogias adotadas pelo voto condutor do acórdão recorrido, os seguintes elementos: I) gás comprimido e oxigênio, utilizados para oxigenação dos viveiros, e amônia, para refrigeração industrial; II) telas, tarrafas e redes de malha, cordas; III) cloro e hipoclorito (como material de higienização), salientandose, a partir das tabelas de efls. 85 a 140 do processo nº 16707.002131/200527, que o cloro só consta como aquisição no ano de 2003; IV) ...; V) caixas de isopor para acondicionar o camarão na câmara de congelamento. Os demais produtos citados no voto do acórdão recorrido inexistem entre os pretensos insumos que teriam sido glosados, mesmo em trimestres distintos daquele aqui em apreço. Portanto, quanto a eles deixo de me manifestar. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16707.002130/200582 Acórdão n.º 9303006.835 CSRFT3 Fl. 312 9 Mérito Esclareçase que a matéria em litígio é a definição de critérios para identificação de insumos que gerem crédito da não cumulatividade do PIS e da Cofins. A utilização do critério do IPI para definição de insumos, defendida no recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, ou a pertinência do gasto ao processo de fabricação, utilizada no acórdão recorrido, consistem em fundamentos para decidir. Portanto, uma vez conhecido o recurso, cabe ao julgador aplicar o critério jurídico que entender aplicável ao deslinde da questão posta. Tenho entendimento consoante com a legislação do PIS e da Cofins, ao ver os insumos como bens e serviços passíveis de geração de créditos que devem estar diretamente vinculados ao bem vendido. Diferente é o critério consoante a legislação do IRPJ, utilizado por aqueles que pretendem ver a geração de créditos por todos bens serviços necessários à produção, que, apesar de essenciais, somente de forma mediata levam à composição do produto. Busco arrimo para esta inteligência nos critérios explanados na Solução de Divergência COSIT nº 7 de 23/08/20161, da qual se extrai: 24.No outro extremo das conclusões, verificase que não são considerados insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. 25.Certamente, diversos e plausíveis são os motivos que justificam a adoção desse entendimento restritivo acerca do conceito de insumos para fins de creditamento da não cumulatividade das contribuições em tela. 26.Em primeiro lugar, devese destacar que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente e mostrase muito significativo se efetuada uma comparação entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ) (art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). 27.Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação dos tributos citados acima, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. 1 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=78047 Fl. 316DF CARF MF 10 Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as despesas necessárias à atividade da empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica. 28.Outro fato importante a ser considerado é que a legislação das contribuições, de um lado, estabelece como base de cálculo das contribuições no regime de apuração não cumulativa o valor total das receitas auferidas no mês pelo sujeito passivo tomadas como um todo, independentemente das operações que ocasionaram o ingresso de receitas, salvo exclusões legais (arts. 1º e 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e arts. 1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003), e, de outro lado, de maneira oposta, a mesma legislação discrimina especificamente bens, serviços e operações em relação aos quais se permite a apuração de créditos, em preterição à permissão genérica de creditamento em relação a custos e despesas incorridos na atividade econômica do sujeito passivo (art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004). 29.Diante disso, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas e não devem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. 30.Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista na Constituição Federal. 31.Ainda perquirindo os fundamentos da adoção de entendimento restritivo sobre os insumos que geram crédito na legislação das contribuições, cumpre analisar o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 32.Conforme se observa, dentre todas as hipóteses de creditamento estabelecidas, apenas duas albergam dispêndios necessária e diretamente atrelados à atividade de produção e prestação de serviços, quais sejam aquisição de insumos e aquisição ou fabricação de bens incorporados ao ativo imobilizado, bem assim apenas duas relativas a dispêndios necessária e diretamente atrelados à revenda de bens, quais sejam a aquisição de bens para revenda e a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 33.Com efeito, insumos e bens do ativo imobilizado são utilizados nas atividades finalísticas da pessoa jurídica e participam direta, específica e inafastavelmente do processo de produção de bens e da prestação de serviços, como também bens Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16707.002130/200582 Acórdão n.º 9303006.835 CSRFT3 Fl. 313 11 para revenda e frete na venda participam igualmente da revenda de bens, e suas influências nos respectivos processos econômicos podem ser imediatamente percebidas. 34.Diferentemente, todas as demais hipóteses de creditamento abrangem dispêndios que, conquanto necessários ao desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica, podem relacionarse indiretamente com a atividade de produção de bens e prestação de serviços ou revenda de bens, pois também são utilizados em áreas intermediárias da atividade da pessoa jurídica. Exemplificativamente citamse: energia elétrica e térmica; aluguéis de prédios e máquinas; arrendamento mercantil; depreciação ou aquisição de edificações e de benfeitorias em imóveis; e valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados. 35.Deveras, tais dispêndios decorrem da utilização pela pessoa jurídica de bens e serviços necessários à manutenção de todo seu funcionamento ou mesmo de sua existência e não especificamente à produção de bens e prestação de serviço ou à revenda de bens. 36.Daí, resta evidente que não se pretendeu abarcar no conceito de insumo todos os dispêndios da pessoa jurídica incorridos no desenvolvimento de suas atividades, mas apenas aqueles direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. 37.Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, para abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, pleonasmo, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. 38.Ademais, a adoção desse conceito ampliativo de insumo geraria uma incoerência sistemática decorrente do fato de o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, concederem créditos apenas em relação aos insumos utilizados nas atividades de produção de bens e de prestação de serviços e não concederem créditos aos insumos utilizados na atividade de revenda de bens. Com efeito, se adotado esse conceito ampliativo de insumo, não parece existir qualquer fundamento para excluir as pessoas jurídicas comerciais do direito a apuração desse crédito. 39.Já a interpretação restritiva do conceito de insumo adotada nesta Solução de Divergência tem o condão de explicar o motivo da exclusão da atividade comercial do direito de creditamento em relação à aquisição de insumos feita pelos citados dispositivos. Eis que, considerandose insumos apenas os bens e serviços diretamente relacionados à atividade de produção de bens e de prestação de serviços, no caso da revenda de bens esses insumos são exatamente os bens para revenda, Fl. 318DF CARF MF 12 armazenagem e frete na operação de venda, a cuja aquisição a legislação conferiu expressamente direito de creditamento, no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e nos incisos I e IX do art. 3º, c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003. 40.Destarte, devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. (Grifos do original) O tratamento acima justifica a posição abaixo transcrita: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16707.002130/200582 Acórdão n.º 9303006.835 CSRFT3 Fl. 314 13 (Negritei.) Em resumo, entendo que, para reconhecimento do crédito, são necessárias as seguintes características (cumulativamente): (a) ser gasto necessário ao processo, (b) estar diretamente relacionado ao produto vendido e (c) não ser classificável como ativo imobilizado. Com base nesses critérios passo a analisar a matéria em litígio: Categoria I Gás comprimido e oxigênio, utilizados para oxigenação dos viveiros e amônia, para refrigeração industrial. O gás comprimeido e o oxigênio caracterizam gastos referentes à fase agrícola da produção. Portanto, apesar de necessário, o gasto não apresenta vinculação direta ao produto final. Por esse motivo, deve ser restabelecida a glosa do crédito sobre esse valor. A amônia, pela referência da tabela anteriormente transcrita, destinase à refrigeração, necessária à atividade industrial e está diretamente relacionada com o produto final. Por esse motivo, não restabeleço a glosa do crédito sobre esse valor. Categoria II Telas, tarrafas e redes de malha e cordas. Tratase claramente de elementos reutilizáveis e, portanto, passíveis de classificação no ativo imobilizado. Além disso, são elementos relacionados à fase agrícola da produção. Por esses motivos, restabeleço a glosa do crédito sobre esse valor. Categoria III Cloro e hipoclorito, para higienização dos viveiros e esterilização da água. Tanto o Cloro, quanto o hipoclorito caracterizam gastos referentes à fase agrícola da produção. Portanto, apesar de necessário, o gasto não apresenta vinculação direta ao produto final. Por esse motivo, deve ser restabelecida a glosa do crédito sobre esses valores, salientandose, a partir das tabelas de efls. 85 a 140 do processo nº 16707.002131/200527, que o cloro só consta como aquisição no ano de 2003. Categoria IV Não foi identificado elemento em litígio nessa categoria. Na decisão a quo, foi referido nessa categoria, o gasto com combustível. Ocorre que não foi identificada referência a esse elemento no despacho decisório. Portanto, deixo de me manifestar sobre ele neste voto. Categoria V Caixas de isopor para acondicionar o camarão na câmara de congelamento. Tratase claramente de elementos reutilizáveis e , portanto, passíveis de classificação no ativo imobilizado. Por esse motivo, restabeleço a glosa do crédito sobre esse valor. Assim, com base em fundamento diverso daquele exposto pela recorrente, voto pelo provimento parcial do recurso, para que sejam restabelecidas as glosas dos créditos relativos aos gastos com os itens: Gás comprimido e oxigênio; Fl. 320DF CARF MF 14 Telas, tarrafas e redes de malha, cordas; Cloro e hipoclorito (material de higienização dos viveiros); e Caixas de isopor para acondicionar o camarão na câmara de congelamento. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, e darlhe parcial provimento, para restabelecimento da glosa do crédito relativamente aos gastos com gás comprimido e oxigênio; telas, tarrafas e redes de malha, cordas; cloro e hipoclorito (utilizado com material de higienização dos viveiros); e caixas de isopor para acondicionar o camarão na câmara de congelamento . (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.935056/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.201
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 50 56 /2 00 9- 05 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.935056/200905 Acórdão n.º 3402005.201 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.914, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.935056/200905 Acórdão n.º 3402005.201 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.935056/200905 Acórdão n.º 3402005.201 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.935056/200905 Acórdão n.º 3402005.201 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.935056/200905 Acórdão n.º 3402005.201 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.935056/200905 Acórdão n.º 3402005.201 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.935056/200905 Acórdão n.º 3402005.201 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.935056/200905 Acórdão n.º 3402005.201 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.935056/200905 Acórdão n.º 3402005.201 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 374DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.928894/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2005
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.173
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2005 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 88 94 /2 00 9- 14 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.928894/200914 Acórdão n.º 3402005.173 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.872, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.928894/200914 Acórdão n.º 3402005.173 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.928894/200914 Acórdão n.º 3402005.173 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.928894/200914 Acórdão n.º 3402005.173 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.928894/200914 Acórdão n.º 3402005.173 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.928894/200914 Acórdão n.º 3402005.173 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.928894/200914 Acórdão n.º 3402005.173 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.928894/200914 Acórdão n.º 3402005.173 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.928894/200914 Acórdão n.º 3402005.173 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720016/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
RESSARCIMENTO. CONEXÃO COM PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO.
Aplica-se ao processo de ressarcimento o que decidido no processo de Auto de Infração, em julgamento conjunto.
Numero da decisão: 3201-003.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar a decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 18/07/2003, vencido, quanto à preliminar de decadência, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Pelo voto de qualidade, entendeu-se desnecessária a realização da diligência suscitada, durante o julgamento, pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi acompanhada pelos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. No mérito, ficaram vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário acompanhou o relator pelas conclusões. Ficaram de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Josefoviz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RESSARCIMENTO. CONEXÃO COM PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO. Aplica-se ao processo de ressarcimento o que decidido no processo de Auto de Infração, em julgamento conjunto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar a decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 18/07/2003, vencido, quanto à preliminar de decadência, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Pelo voto de qualidade, entendeu-se desnecessária a realização da diligência suscitada, durante o julgamento, pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi acompanhada pelos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. No mérito, ficaram vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário acompanhou o relator pelas conclusões. Ficaram de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Josefoviz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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CONEXÃO COM PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO. Aplicase ao processo de ressarcimento o que decidido no processo de Auto de Infração, em julgamento conjunto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar a decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 18/07/2003, vencido, quanto à preliminar de decadência, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Pelo voto de qualidade, entendeuse desnecessária a realização da diligência suscitada, durante o julgamento, pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi acompanhada pelos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. No mérito, ficaram vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário acompanhou o relator pelas conclusões. Ficaram de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Josefoviz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 00 16 /2 00 7- 96 Fl. 213DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que na homologou a compensação dos débitos declarados no presente processo, em razão do saldo credor pleiteado ter sido completamente absorvido pelo crédito tributário lançado de oficio, por falta de lançamento do imposto em virtude da saída de produtos com classificação fiscal e aliquota incorretas, e, também, por glosa de créditos indevidos referentes a aquisições de insumos de fornecedores optantes pelo SIMPLES, de acordo com a reconstituição da escrita fiscal elaborada no âmbito do auto de infração lavrado (processo n° 11444.000553/200825, cuja cópia consta nos autos). Tempestivamente o contribuinte manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que: a) o julgamento da manifestação de inconformidade deve ocorrer conjuntamente com o da impugnação ao lançamento de oficio referente ao processo n° 11444.000553/200825; b) tendo dado saída a construções préfabricadas enquadradas na posição 94.06.00.92 da TIPI, com aliquota zero, e não no código 73.08.90.90, equivocadamente pretendido pela fiscalização, com aliquota de 5%, a interessada acumulava créditos na escrita fiscal e que foram utilizados para compensação de débitos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei n° 9.430/96, art. 74, c/c a Lei n° 9.779/99, art. 11, mediante a transmissão eletrônica das DCOMP em questão; c) a classificação utilizada pela interessada, 9406.00.92, já fora objeto de análise pela RFB em outros processos relativos a pedidos de ressarcimento c/c pedidos de compensação e atestada; a atividade exercida pela empresa se amolda perfeitamente A. referida classificação fiscal, já que os contratos têm por objeto o fornecimento de toda a estrutura metálica que compõe a obra, sendo todas as peças elaboradas no estabelecimento industrial para serem simplesmente parafusadas ou pinadas no canteiro de obras; d) requer o processamento da manifestação de inconformidade para apreciação pela DRJ em Ribeirão Preto/SP com respectivo provimento e reforma da decisão, com o reconhecimento do crédito pleiteado e a homologação total da compensação efetuada. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13830.720016/200796 Acórdão n.º 3201003.369 S3C2T1 Fl. 214 3 A DRJ/Ribeirão Preto/SP decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RESSARCIMENTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL EM LANÇAMENTO DE OFICIO. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR. Reconstituida a escrita fiscal do sujeito passivo em virtude de lançamento de oficio, indeferese integralmente o pedido de ressarcimento/compensação em virtude da conseqüente redução a zero do saldo credor no período de apuração respectivo. A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos de defesa de mérito da classificação fiscal, e pede pelo julgamento conjunto com o processo 11444.000553/200825. Houve Resolução para julgamento conjunto dos processos conexos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo. O resultado do presente processo depende inteiramente do que se apurar no processo 11444.000553/200825, onde se recorre das mesmas razões de mérito, e que está sendo julgado conjuntamente com o presente. Desse modo, transcrevo o acórdão lavrado naquele processo. Preliminar de decadência A decadência, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, dáse no prazo de 5 anos contados do fato gerador, no caso de existência de pagamentos, conforme. decisão do Superior Tribunal de Justiça – Resp 973.733/SC, no regime dos recursos repetitivos. Tal decisão é vinculante para as Turmas do Carf, consoante art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. 1 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Fl. 215DF CARF MF 4 No caso do IPI, a existência de compensações entre débitos e créditos equivale ao pagamento, nos termos do art. 124, § único, inciso III do Decreto 4.544/2002 – Regulamento do IPI2, caso em que o termo de início de contagem do prazo de decadência é o fato gerador. O lançamento foi cientificado em 18/07/2008 (fl. 7). Desse modo, encontravamse decaídos os fatos geradores anteriores a 18/07/2003. Neste aspecto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário. A recorrente refere, também, no Recurso Voluntário, a eventual decadência de cálculo dos créditos a serem aproveitados. Entende que, antes de 18/07/2003, portanto, os créditos de IPI escriturados restariam “homologados tacitamente”. Nesse particular, a pretensão é descabida. A homologação tácita se dá somente ao crédito tributário constituído via confissão, ou à Declaração de Compensação apresentada conforme art. 74 da Lei 9.430/96. Não existe previsão legal de homologação de apropriação de créditos de IPI. Não existe decadência de informações contábeis. Qualquer crédito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito ou sua cobrança, para os fins da segurança jurídica. Jamais a passagem do tempo ensejará o deferimento de crédito/indébito ilegal. Assim, qualquer requerimento de restituição ou ressarcimento, enseja a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o indébito seja ilegal, se tiver havido declaração de compensação, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais cobrar o débito compensado, porém, jamais se restituirá o crédito ilegal. Ressaltese que não se está alterando as bases de cálculo para efetuar novo lançamento, mas sim aferindo a legalidade, a certeza e liquidez dos créditos, para cumprimento do disposto no art. 1703 do CTN. Os prazos decadenciais citados protegem o contribuinte de novas cobranças tributárias, para sua segurança jurídica, mas não conferem direito de crédito inexistente. A certeza e liquidez dos créditos é premissa inalienável, segundo os princípios de interesse público, e a administração pública não pode, em nenhum caso, conceder créditos ilegais ao contribuinte. A Fazenda pode e deve aferir a certeza e liquidez dos créditos, seja qual for a data de sua origem, vedado, no entanto, lançar novos tributos não confessados – decadência do art. 2 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: (...) III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13830.720016/200796 Acórdão n.º 3201003.369 S3C2T1 Fl. 215 5 150, §4º e cobrar débitos constantes em declaração de compensação, após o prazo previsto no §5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Assim, não acata a preliminar suscitada nesse ponto. Mérito Classificação fiscal das mercadorias A empresa fabrica e venda galpões industriais, e as define como mercadorias classificadas na posição TIPI 9406, como construções préfabricadas. O Fisco aponta a posição 7308, partes de construções. A recorrente sustenta que vende a totalidade da construção, e não apenas suas partes, razão pela qual seria correta a posição 9406. O fundamento do Fisco é que as construções em foco são edificações civis, e como tais, não caracterizam industrialização. Desse modo, as saídas da recorrente são de partes de construções, e não de construções. Com efeito, as construções civis estão fora do conceito de industrialização do IPI. A construção civil não se confunde com a “reunião de partes no local em que são instaladas”, fora das dependências do estabelecimento industrial, por força do Regulamento do IPI então vigente, art. 5º VII, “a”: Art. 5º Não se considera industrialização: (...) VIII a operação efetuada fora do estabelecimento industrial, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte: a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes, e suas coberturas); Desse modo, tais edificações não são mercadorias, e sequer podem ser classificadas na TIPI. Ora, em sendo assim, quais seriam então as mercadorias objeto da posição 9406 – construções préfabricadas ? Observemos inicialmente a Nota 4 do respectivo capítulo: “4. Consideramse “construções préfabricadas”, na acepção da posição 94.06, as construções acabadas e montadas na fábrica, bem como as apresentadas em conjuntos de elementos para montagem no local, tais como habitações, instalações de trabalho, escritórios, escolas, lojas, hangares, garagens ou construções semelhantes. “ Vejamos como as Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pela OMA – Organização Mundial das Aduanas, que são a interpretação oficial, em nível internacional, do Sistema Harmonizado, e aprovadas no Brasil, segundo a competência Fl. 217DF CARF MF 6 conferida pela Portaria MF 91/1994, pelas Instruções Normativas RFB 807/2008 e 1.260/2012, esclarecem: “Esta posição abrange as construções préfabricadas, também denominadas “construções industrializadas”, de quaisquer matérias. Essas construções, concebidas para os mais variados usos, tais como habitação, barracas de canteiros (estaleiros) de obras, escritórios, escolas, lojas, hangares, garagens e estufas, apresentamse, geralmente, sob a forma: – de construções completas, inteiramente montadas, prontas para serem utilizadas; – de construções completas, não montadas; – de construções incompletas, montadas ou não, mas apresentando, nesse estado, as características essenciais de construções préfabricadas.” Assim, o objeto da posição 9406 são mercadorias padronizadas, de catálogo, isto é, são oferecidos projetos padronizados para escolha dos clientes, atendidos, via de regra, por mercadorias já em estoque, e não projetados sob demanda, o que, via de regra, aplicase a empreendimentos de maior porte. No presente caso, o que é vendido globalmente não são mercadorias, de catálogo. O que é vendido, no presente caso, são projetos de construções civis. Conforme se verifica nos contratos juntados (fls. 1.300/2.847), cada venda é sob demanda de projeto específico, normalmente de grande porte. O próprio laudo técnico assim o afirma, às fls. 3.558, e ainda fluxograma à fl. 3.562. A recorrente também afirma, diversas vezes, tratarse de empresa de construção civil. Assim, a empresa vende uma construção civil, e não uma mercadoria, e fornece todas, ou quase todas, as partes para a construção civil. Em suma, não se confunde um projeto de construção civil com uma mercadoria préfabricada. Portanto, correto o Fisco na classificação fiscal adotada. Duplicidade da multa A infração falta de destaque do IPI na nota fiscal, com ou sem insuficiência de recolhimento do imposto, enseja o lançamento da multa, conforme art. 80, I da Lei 4.502/64, na redação então vigente4. A infração de glosas de créditos apropriados somente gera multa quando ocasiona saldo devedor não confessado/recolhido, atraindo a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96. 4 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Produção de efeito) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13830.720016/200796 Acórdão n.º 3201003.369 S3C2T1 Fl. 216 7 O cálculo dessas multas é excludente, ou seja, somente se lança a multa por falta de destaque de IPI nas notas fiscais, na parte com cobertura de crédito, ou seja, quando as infrações resultam em saldo devedor, parte da multa recai sobre o saldo devedor, e parte sobre o valor das infrações com cobertura de crédito. Portanto, não há, matematicamente, a alegada duplicidade de multas, porque incidem sobre parcelas diferentes das infrações. Não procedem as alegações da empresa de que foram aplicadas multas sobre a infração de glosas de credito e sobre a infração de falta de destaque de IPI. Conforme verifico nos demonstrativos de multa, partes integrantes dos Autos de Infração, a multa sobre a falta de destaque de IPI somente incidiu na parte com cobertura de crédito, ou seja, toda a contribuição da infração relativa à glosa de mercadorias para formação do saldo devedor multado, foi descontado na base de cálculo da multa relativa à falta de destaque de IPI, com cobertura de crédito. Quanto à alegada desarrazoabilidade das multas, o colegiado não pode apreciar a constitucionalidade da penalidade legalmente prevista, nos termos da Súmula Carf nº 25, art. 26A do Decreto 70.235/72 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência dos lançamentos de fatos geradores anteriores a 18/07/2003.” Marcelo Giovani Vieira Relator 5 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 219DF CARF MF 8 Declaração de Voto A presente declaração de voto decorre da análise dos autos quando da vista concedida em sessão de votação anterior. O que deve nortear a classificação dos produtos industrializados como uma construção préfabricada são os textos da Nota 4 do Capítulo 94 e das Notas Explicativas da posição 94.06. Da leitura dos textos das referidas Notas, já reproduzidas no voto do Relator, extraemse os requisitos para que se considere uma construção como préfabricada. O primeiro deles não comporta dúvida pois a construção se apresenta acabada e montada na fábrica, e sua identificação ou caracterização como préfabricada tornase elementar e evidente visualmente. Assim, aquelas não acabadas e/ou não montadas na fábrica, ou na saída do estabelecimento industrial, carecem de elementos objetivos para se identificarem ou não como construções préfabricadas. Neste sentido, podese formular duas possibilidades de apresentação da construção préfabricada e o requisito para sua identificação como tal: 1. Quando não apresentada acabada e montada na fábrica deve ser apresentada em conjunto de elementos para montagem no local; 2. Quando incompleta, deve apresentar as características essenciais de construções préfabricadas A formulação proposta conduz a outras duas indagações. Uma primeira, quais as características essenciais de uma construção pré fabricada? Vislumbro uma resposta elementar, qual seja, o conjunto de elementos que se apresentam reunidos e que se identificam como pertencentes a uma específica construção de alguma obra. Quando os textos das Notas utilizam a expressão "apresentadas" ou "apresentando" quer se referir a possibilidade de identificação do conjunto na saída do estabelecimento fabricante. À vista disso, decorre a segunda indagação: qual seria a forma de se identificar o produto/conjunto, visualmente? Mas essas expressões ("apresentadas" ou "apresentando" ) são utilizadas justamente quando a construção préfabricada está inacabada, incompleta ou desmontada, e a depender de suas dimensões, tornase impossível o carregamento e o transporte em um só veículo e no mesmo período. Ademais, não há vedação para que a montagem seja após a entrega de todo o conjunto. Entendo que a solução quanto à identificação/caracterização da construção préfabricada está na análise das características do projeto, do contrato e a discriminação nas notas fiscais que devem apontar claramente para a natureza de uma industrialização realizada no estabelecimento da pessoa jurídica que lhe der saída. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13830.720016/200796 Acórdão n.º 3201003.369 S3C2T1 Fl. 217 9 Outro requisito decorre dos textos da Nota 4 do Capítulo 94 e das NE da posição 94.06 e se torna intuitivo: não basta que a mercadoria permita a identificação somente após a montagem. Portanto, ao meu sentir a classificação somente se torna possível com a análise de cada conjunto de projeto/contrato e conjunto de notas fiscais de saída. Contratos celebrados e projetos de clientes As cláusulas do contrato padrão celebrado entre a recorrente e seus clientes revelam que não se trata de uma construção préfabricada, pois a natureza é de prestação de serviço com fornecimento de materiais e não de venda de construção préfabricada. Aponto para os dispositivos contratuais que expressam a prestação de serviços, ou descaracterizam como a venda de uma construção préfabricada: Não se referem a montagem de um conjunto préfabricado, mas sim em execução de serviço; As nota fiscal consignam usinagem, montagem da estrutura metálica e colocação de telhas; Há previsão de rescisão contratual na hipótese da contratada decidir não executar os serviços contratados; A contratada entregará projeto para aprovação do cliente, o que pressupõe a personalização do serviço; Há a possibilidade de alteração nas estruturas a serem fornecidas, bem como do projeto; Os preços podem ser alterados em razão de modificações nas quantidades, dimensões ou forma das estruturas discriminadas na proposta, o que se mostra incompatível com uma construção préfabricada; O inicio de fabricação ocorre somente quando a obra estiver apta a receber os materiais para sua execução; No fornecimento de materiais de fechamento, portas, venezianas, cobertura, revestimentos acústicos (folhas: 1840, 1863, 1874, 1887, 1944, 1956, 1983, 1997, 2040) prevê o faturamento direto para o cliente para evitar refaturamento (significa que o fornecimento desses materiais é de terceiros fornecedor, e não industrializado no estabelecimento do recorrente); Os materiais fornecidos, apontados como préfabricados, incluem grande variedade de estruturas metálicas para cobertura e fechamento de: portaria, vestiário, alojamento, escritório, restaurante, garagem. Todas executadas conforme projeto do cliente (o tipo de material faz presumir várias possibilidades de serviço a serem executado e não uma variedade de tipos de construções préfabricadas). Há contratos e projetos de reforma em estruturas existentes com o reaproveitamento de material do cliente; Fl. 221DF CARF MF 10 Os contratos prescrevem prazos de conclusão para as obras, não para instalação/montagem da construção préfabricada; Em todos os contratos, há sempre referência a "materiais próprios" empregados na obra, e para efeito de cálculo de tributo, referese ao item 32 da lista de serviços do DecretoLei 406/68, ou seja, não se trata de montagem de construção préfabricada, mas de prestação de serviço para fins de tributação; Cláusula especifica estipula e discrimina o preço total do serviço; Há casos em que fica nítida a contratação de execução de serviço, quando na proposta especifica a diferença entre o serviço executado e contratado. A análise dos contratos/projetos de alguns de seus clientes revelam igualmente a natureza de contrato de prestação de serviços ou situações em que o fornecimento de produtos industrializados não é da contribuinte. Vejamos alguns deles. JACTO: Vários contratos possuem a peculiaridade de reaproveitamento de materiais do cliente (cobertura, painéis, fechamento); Casos em que não há "construções" novas, mas simples ampliação das já existentes; No fornecimento de materiais de cobertura (fls. 1840, 1863) prevê o faturamento direto para o cliente para evitar refaturamento; Há especificação do cliente de como será fabricada a estrutura, ou seja, tipo de material, dimensões, etc. (não se caracteriza venda de uma construção préfabricada); Tem aditamento de contrato em razão de alterações dos serviços contratado (Proposta 198/04 fl. 2417/) COCAM (Contrato 040/04, 049/04 e Proposta Técnica 071/70 (fls. 2240/2253) Natureza de reforma e alteração da estrutura com troca de telha e transformação da estrutura metálica da fábrica (torrefação) com reaproveitamento de material já instalado; Coberturas, cumeeiras, parafusos e venezianas serão faturadas para o cliente e a contratada se responsabiliza pela qualidade dos produtos. (indagase por que somente neste caso há responsabilidade da contratada pelo produto fornecido? Quer dizer que os demais produtos fornecidos não seriam? Entendese que a responsabilidade decorre dos produtos não serem fabricados e fornecidos pela contratada) JACKS: Descrição da obra a ser executada: apoio, reforço e suporte de estrutura, aumento e revisão de telhado (fl. 2374) Das notas fiscais Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13830.720016/200796 Acórdão n.º 3201003.369 S3C2T1 Fl. 218 11 Procedendo à análise das notas fiscais constatamse elementos suficientes para infirmar tratarse de saída parcelada de uma construção préfabricada, ainda que incompleta e/ou inacabada. 1. As datas, e principalmente o prazo decorrido entre a primeira e última saída de material de determinados contratos demonstram que ultrapassaram, em alguns casos, mais de 06 (seis) para a "entrega" total da suposta construção préfabricada. O quadro abaixo fornece um exemplo da situação: Número contrato Data da 1ª saída Data da última saída Tempo decorrido entre a primeiras e última saída 07/02 06/01/2003 09/09/2003 + de 8 meses 030/05 22/07/2005 29/03/2006 + de 8 meses 027/05 27/06/2005 14/03/2006 + de 8 meses 039/04 29/07/2004 05/08/2005 + de 11 meses 055/03 20/04/2004 08/11/2004 + de 6 meses 049/03 04/03/2004 18/10/2004 + de 7 meses 2. A informação do código da operação de saída CFOP: 5.999 aponta, indubitavelmente para uma "remessa para execução de obra", e não uma saída de venda de uma construção préfabricada. 3. Em todas as notas fiscais, a descrição é de mercadorias como partes de estrutura metálica, não como uma construção préfabricada. No mesmo sentido das constatações e conclusões apontadas nesta declaração de voto, a decisão no Acórdão nº 3403001.254, sessão de 06 de outubro de 2010, relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Classificamse na posição 9406 da TIPI/2002 (alíquota zero) as construções préfabricadas que se enquadrem no conceito da Nota 4 do Capítulo 94. Devem ser classificadas na posição 7308 (alíquota de 5%) as estruturas metálicas que não se relacionem ao fornecimento de uma construção préfabricada. Tendo a fiscalização lançado de ofício o imposto em relação às notas fiscais que consignavam a saída de “estruturas metálicas”, é ônus processual da recorrente comprovar que aquelas estruturas metálicas integravam o fornecimento de uma construção metálica préfabricada. Recurso Provido em Parte. Trago excerto daquele voto que se aplica perfeitamente ao presente caso: Fl. 223DF CARF MF 12 (...) se as estruturas metálicas não pertencerem ou não constituírem um conjunto capaz de formar uma edificação completa ou incompleta, ou se essas partes em conjunto não possuírem as características essenciais de uma construção pré fabricada, deverão ser classificadas na posição 7308.90.90. Conclusão: Como fundamento principal para negar provimento ao recurso voluntário na matéria é o fato de que nos contratos e nas notas fiscais não há provas de que os materiais produzidos ou fornecidos pela recorrente constituem uma construção préfabricada, ainda que incompleta ou inacabada. Ao contrário, as mercadorias sempre foram identificadas como ou destinadas a estruturas metálicas a serem fornecidas em obras dos clientes. Paulo Roberto Duarte Moreira Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário A presente Declaração de voto tem por finalidade explicitar as razões pelas quais, em sessão de julgamento, propus a realização de diligência. Conforme bem fundamentadas razões de decidir expostas pelo Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira e pelo Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, a questão posta em debate vai além de se definir a classificação fiscal de estruturas metálicas préfabricadas. Não há dúvida acerca da correta classificação fiscal adotada pelo contribuinte quando se trata de "mercadorias padronizadas, de catálogo, isto é, são oferecidos projetos padronizados para escolha dos clientes, atendidos, via de regra, por mercadorias já em estoque", conforme preceitua o Relator. Não obstante, pelo exame dos autos, notase a existência de estruturas projetadas sob demanda, customizadas, e que não formam um conjunto único, mas, sim, adições a estruturas já existentes (reforma e ampliação). Conforme bem examinado pelo Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, existem contratos com a descrição de "Reforço e Suporte", "Serviço na Cobertura existente", "troca de telhas", dentre outros. Tais objetos, efetivamente, demonstram se tratar da prestação de serviços de construção civil, e não da entrega de uma estrutura préfabricada. Lado outro, notase que em algumas situações, ocorreu o típico fornecimento de estruturas completas, pré fabricadas, cuja contratação da Recorrente se deu para a entrega de um conjunto completo, formador de uma estrutura única, como, por exemplo, o fornecimento de "Passarela e suporte para tubo sobre a fábrica". Assim, entendo que, para a adequada compreensão dos fatos ensejadores do lançamento, é prudente que se realize uma diligência fiscal de modo a identificar fielmente o Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13830.720016/200796 Acórdão n.º 3201003.369 S3C2T1 Fl. 219 13 objeto de cada uma das notas fiscais objeto de autuação fiscal, sob pena de se permitir a inadequada reclassificação de itens que, de fato, caracterizamse como estrutura préfabricada. É este meu posicionamento acerca da necessidade de realização de diligência fiscal. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.903082/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS.
Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes.
IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA.
Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida.
A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituir-se ou compensar o indébito tributário da retenção.
Numero da decisão: 1201-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA. Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituirse ou compensar o indébito tributário da retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 30 82 /2 01 2- 04 Fl. 172DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 126/131) interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG (fls. 117/120) que manteve a não homologação da DCOMP nº 20256.14806.310811.1.3.049856, conforme Despacho Decisório de fl. 111. O crédito trazido na DCOMP (fls. 101/110) teria origem em Retenção na Fonte de Tributos/Contribuições incidentes sobre Pagamentos Efetuados por Órgãos Públicos (abrangendo IRPJ, CSLL, PIS E COFINS código 6190), efetuada indevidamente em outubro de 2010, visando compensação com débito da mesma natureza, vencido em agosto de 2011. O referido crédito teria origem em retenção irregular contra o fornecedor UTC ENGENHARIA S/A no valor de R$ 461.012,34 referente a nota fiscal no valor de R$ 2.054.003,74. Após a constatação das irregularidades, a PETROBRÁS teria efetuado a devolução e providenciado a "declaração de não compensação de tributos federais" com o fornecedor, conforme o documento anexado às fls. 98. Às fls. 03/09, foi apresentada a Manifestação de Inconformidade, na qual a ora Recorrente aduz, preliminarmente, que o alegado crédito tem respaldo em pagamento indevido ou a maior consubstanciado no DARF nº 52502769528 e foi espelhado em duas DCOMP's: 20256.14806.310811.1.3.049856 (objeto do presente processo) e 22174.20323.310111.1.3.042479 (objeto do processo nº 16682.903062/201225). Explica que desse valor pago no DARF acima (R$ 123.757.112,06), é certo que a PETROBRÁS tem direito a um crédito comprovado que soma R$ 359.698,20, em virtude de recolhimentos indevidos para os cofres públicos. Esse crédito, segundo a contribuinte, foi dividido em duas DCOMPs e detalha a composição do crédito: DCOMP 22174.20323.310111.1.3.042479: R$ 285.754,07 DCOMP 20256.14806.310811.1.3.049856: R$ 73.944,13 As razões dos recolhimentos indevidos, como foi dito acima, advém de retenções que a PETROBRÁS efetuou de seus fornecedores. Segundo a ora recorrente, tudo que defende está devidamente documentado da seguinte forma: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16682.903082/201204 Acórdão n.º 1201002.141 S1C2T1 Fl. 173 3 Fl. 174DF CARF MF 4 Em seguida, foi proferido pela DRJ de Juiz de Fora/MG o Acórdão recorrido (fls. 117/120), mantendo a não homologação da DCOMP, por não entender juridicamente possível a repetição ou compensação pela fonte pagadora, independentemente da comprovação de ter arcado com o ônus financeiro: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RETENÇÃO INDEVIDA. RESTITUIÇÃO. O sujeito passivo da relação jurídicotributária, nos casos de retenção de tributos na fonte, é a recebedora dos rendimentos. A pessoa jurídica legalmente obrigada a proceder à retenção de tais valores é mera responsável por essa retenção e pelo repasse dos respectivos valores à fazenda pública. Ausente a condição de sujeito passivo da obrigação tributária, inexiste o direito desta última a ter restituídos eventuais valores retidos a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido VOTO A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dela conheço. Tratase o presente pleito de utilização de suposto pagamento indevido, ou maior que o devido, para a compensação de débitos de titularidade do contribuinte e por ele confessados em DCTF. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16682.903082/201204 Acórdão n.º 1201002.141 S1C2T1 Fl. 174 5 A análise a ser levada a cabo pela autoridade fiscal neste caso fica limitada a verificar se o pagamento indicado como lastro da compensação encontrase nos sistemas de controle da RFB e em que medida foi utilizado para a quitação de débito confessado pelo próprio contribuinte em sua DCTF. A verificação é bastante simples, sendo também muito simples a solução a ser dada ao requerimento: havendo pagamento indevido ou maior que o devido deferese o pleito, caso contrário indeferese. O suporte legal da restituição é o artigo 165 do CTN e o da compensação são os artigos 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96. O citado artigo 165 aponta as situações em que são considerados indevidos os pagamentos. Tais situações estão reunidas em três incisos, conforme se observa a seguir: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória (grifos acrescidos).” Para solução do presente caso interessanos exclusivamente a previsão expressa e clara contida no caput: “O sujeito passivo tem direito”. É simples: se o requerente não figura como sujeito passivo da relação jurídicotributária não há se falar em direito à restituição daquilo que foi recolhido a maior (ou indevidamente recolhido), mesmo que o real sujeito passivo tenha convencionado particularmente com o requerente que não exerceria seu direito frente ao fisco. Os valores recolhidos pela requerente aos cofres públicos foram objeto de retenção relativa a tributos diversos que deveriam incidir sobre os recebimentos referemse a prestação de serviços onde a requerente figura como cliente da prestadora. Naturalmente, o sujeito passivo da relação jurídicotributária nesses casos é a recebedora dos rendimentos, sendo a requerente mera responsável pela retenção e pelo repasse dos respectivos valores à fazenda pública. Assim, uma vez feita a retenção e realizado o recolhimento surge para a recebedora dos rendimentos, no caso de retenção indevida, o direito de pleitear junto ao fisco a devolução daquele ônus que suportou indevidamente. Fl. 176DF CARF MF 6 O fato de a requerente ter devolvido à prestadora de serviço os valores que entende terem sido indevidamente retidos (o fez por liberalidade sua) não lhe transfere o direito de requerer os valores indevidamente retidos. Não existe, no direito público, dispositivo legal que ampare tal pretensão. Nem mesmo a retificação da DCTF do período em análise, realizada em data posterior à ciência do Despacho Decisório combatido, é capaz de lhe socorrer, já que foi preenchida em desacordo com os documentos fiscais que deveriam lhe dar suporte pois a própria defendente afirma que realizou as retenções mencionadas e que tais valores já foram repassados ao Fisco. Na verdade a defendente vem fazer uma retificação indevida da sua DCTF, inserindo dados que não correspondem à realidade, com a intenção clara de dar um ar de regularidade àquilo que sabe ser irregular, como já mencionamos acima. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, mantendose a não homologação da compensação pleiteada. Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 126/131), ora sob apreço, requerendo, preliminarmente, que este processo seja apensado ao processo nº 16682903.0621201225, para que seja feita a análise conjunta dos pedidos, uma vez que os mesmos decorrem da mesma competência e são complementares. No mérito, traz as mesmas alegações de seu primeiro apelo, acrescentando que o despacho decisório e o acórdão da DRJ, se valem de argumentos falhos, absolutamente destoantes do que dispõe a legislação aplicável à espécie, visto que restringiram sua negativa sob o entendimento de que a recorrente não ostentaria legitimidade para pleitear o indébito proveniente das retenções por ela realizadas na fonte quando do pagamento dos seus fornecedores de bens e serviços, quando em verdade o disposto na IN RFB 1.300/2012, em seu artigo 8º, abaixo transcrito, confere o devido respaldo legal para o procedimento adotado pela fonte retentora. Art. 8º. O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. Não há juntada de novas provas. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16682.903082/201204 Acórdão n.º 1201002.141 S1C2T1 Fl. 175 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Preliminarmente, requer a tramitação deste processo em conjunto com o Processo Administrativo Fiscal nº 16682903.0621201225, de modo a evitar decisões conflitantes, uma vez que os mesmos decorrem da mesma competência e são complementares. De fato, ambos os processos tratam de PER/DCOMP cujo crédito tem como origem o pagamento indevido ou a maior de COSIRF (código de receita: 6190) do período de apuração da 2ª quinzena de outubro de 2010. A norma atual que disciplina a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é a Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: I – do recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada, do lançamento de ofício de crédito tributário e da multa isolada decorrentes da mesma DCOMP. II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; III – de indeferimento de pedido de ressarcimento ou da não homologação de DCOMP e do lançamento de ofício e da multa isolada deles decorrentes, conforme o caso; e IV de pedidos de restituição ou de ressarcimento e de Declarações de Compensação (DCOMP) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. (Grifamos) O procedimento de apensação implica em que ambos processos receberão julgamentos em Acórdãos distintos, porém concomitantes, a fim de evitar duplicidade ou decisões conflitantes. No caso, os processos em questão não se encontram apensados, porém, nada obsta que o julgamento se processe como se o fossem. Assim será realizado. O Acórdão recorrido se fundamenta no art. 165 do CTN e adotou interpretação na qual, de plano, não haveria como a Recorrente ser titular do direito pleiteado, deixando de se conhecer das provas por consequência. Fl. 178DF CARF MF 8 Como se observa dos autos e do relatório, o objeto contencioso do presente processo é a existência do crédito estampado na DCOMP apresentada e a titularidade deste, vez que seria fruto de retenção no pagamento a outrem. Por se tratar de crédito oriundo de retenção na fonte, cujo o contribuinte ordinário, original, é um terceiro, a legitimidade da Recorrente para promover a compensação é matéria prejudicial à verificação precisa e quantitativa do crédito. Nesse sentido, cabe ressaltar que o Despacho Decisório não afastou a possibilidade jurídica da Recorrente ser o titular do crédito que pretendia usar na compensação declarada. A não homologação da DCOMP, inicialmente, deuse pela ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito, uma vez que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de primeira instância, cujo voto condutor encontra se transcrito no relatório deste Acórdão, adotou posicionamento mais estrito, afirmando que, uma vez feita a retenção e realizado o recolhimento surge para a recebedora dos rendimentos, no caso de retenção indevida, o direito de pleitear junto ao fisco a devolução daquele ônus que suportou indevidamente. O fato de a requerente ter devolvido à sua fornecedora os valores que entende terem sido indevidamente retidos (o fez por liberalidade sua) não lhe transfere o direito de requerer junto ao fisco esses mesmos valores. Não existe, no direito público, dispositivo legal que ampare tal pretensão. Invoca o art. 165 do CTN, norma geral que trata da restituição aplicável aos tributos diretos, apontando que, nos termos literais de seu caput, o legislador permitiu apenas ao sujeito passivo a restituição tributária, dizendo que não haveria norma de Direito Público que validasse a manobra pretendida pela Recorrente. Entendo que não assiste razão a decisão de piso em tal fundamentação. O Acórdão nº 1402002.332, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, na sessão de 05 de outubro de 2016, analisando caso semelhante, chegou a seguinte conclusão: "Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. " Por comungar do mesmo entendimento esposado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, trago a colação excertos do voto condutor que justifica aquele entendimento: A própria D. Administração Tributária Federal, em expressa aplicação analógica do art. 166 do CTN, reconhece a possibilidade de a fonte pagadora que efetuou retenção indevida se revestir de titular do crédito oriundo de tal equivoco. Confira se a Solução de Consulta COSIT nº 22, de 6 de novembro de 2013: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA RETENÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS NA FONTE. PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16682.903082/201204 Acórdão n.º 1201002.141 S1C2T1 Fl. 176 9 Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), arts. 121 e 165, I; Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 2012, arts. 3º, § 12, e 8º; Pareceres Normativos SRF nº 313, de 1971, e nº 258, de1974. (...) 3.1. O sujeito passivo a que se refere esse dispositivo, de acordo com o art. 121, parágrafo único, do CTN, pode ser o contribuinte (aquele que diretamente se enquadra na situação descrita como fato gerador do tributo) ou o responsável – pessoa obrigada a satisfazer a obrigação tributária, mas cuja relação com o fato gerador é apenas indireta, a exemplo da fonte pagadora obrigada à retenção na fonte de tributos. 4. Na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, a exemplo do Parecer Normativo CST nº 313, de 6 de maio de 1971 (publicado no Diário Oficial da União DOU de 01.07.1971), e do Parecer Normativo CST nº 258, de 30 de dezembro de 1974 (publicado no DOU de 24.01.1975). 5. A par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a restituição do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. 5.1. Atualmente, os procedimentos para que o “sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB” pleiteie a restituição do indébito estão disciplinados no art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, assim escrito (sublinhouse): Seção II Da Restituição da Retenção Indevida ou a Maior Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. Fl. 180DF CARF MF 10 §1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 41. (...) Conclusão 7. Ante o exposto, respondese à consulente que, na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Não obstante, pode a fonte pagadora pleitear a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observados os procedimentos do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Ainda que não fosse vigente à data da apresentação da DCOMP tal Instrução Normativa nº 1.300/2012 em se fundamenta a resposta fazendária, a própria Solução de Consulta relata que a prática é muito aceita pela Fiscalização, bem como a Instrução Normativa nº 900/2008, que precedeu aquele normativo que balizou o posicionamento da COSIT, já possuía previsão juridicamente idêntica acerca da compensação de tributos retidos na fonte, pelo próprio responsável. A analogia ao art. 166 do CTN para a restituição/compensação de tributos retidos indevidamente pela fonte pagadora é muito correta, principalmente por ser norma de cunho procedimental em relação ao direito dos contribuintes à restituição de tributos, mostrandose imbuída de total razoabilidade e pertinência prática, permitindo aos particulares envolvidos adotarem o procedimento financeiro e contábil que lhes mais convier. Inclusive, à época da edição do Código Tributário Nacional, a retenção na fonte não era uma técnica arrecadatória tão popular e presente como se observa hoje. Esta necessária verificação de contexto históriconormativo endossa a extensão do procedimento previsto e exigido no art. 166 do CTN, revelando se um instrumento que serve à praticabilidade tributária, na medida em que, como meio de integração da legislação tributária, permite suprir as lacunas do ordenamento, que poderiam causar dificuldades tanto no exercício de direitos pelo Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16682.903082/201204 Acórdão n.º 1201002.141 S1C2T1 Fl. 177 11 contribuinte quanto na fiscalização e arrecadação dos tributos, como leciona Regina Helena Costa1 sobre o uso de analogia na adoção de normas e regras procedimentais. Posto isso, superado o argumento jurídico do v. Acórdão, cabe agora verificar a presença dos requisitos para o gozo dessa prerrogativa, previstos no art. 166 do CTN, na IN 900/2008 e esclarecidos na Solução de Consulta COSIT nº 22/2013. Claramente, o primeiro e maior pressuposto é a prova de que teria, então, a Recorrente arcado efetivamente com o encargo financeiro do tributo retido. Frisese que o art. 8 da IN nº 900/2008 expressamente arrola devolução da quantia ao beneficiário como requisito. É certo que, uma vez destacado o valor do tributo diretamente do pagamento, a devolução mostrase imperiosa, até para fins de fluxo financeiro, vez que, se indevida, faz parte da receita do beneficiário. No Recurso Voluntário, como único documento que comprovaria a devolução integral dos tributos retidos indevidamente, a Recorrente cita a "Declaração de não compensação de tributos federais" (fls. 98), assinada pelo Líder Operacional de Contrato e pelo Gestor de Adm. e Finanças da empresa UTC Engenharia S/a, beneficiário dos pagamentos, afirmando que a empresa não se creditou e não se creditará do IRPJ no valor total de R$ 73.944,13. Em suas razões, estaria aí a prova do direito ao crédito. Ocorre que não existe qualquer prova do efetivo reembolso à empresa UTC Engenharia S/a do valor indevidamente retido nos pagamentos. Nenhum documento dos autos exprime a transferência de numerário ou de crédito, comprovando a devolução exigida pelos normativos autorizadores desta manobra excepcional. Desse modo, uma vez ausente a prova do requisito primordial que daria à Recorrente a titularidade do suposto crédito expresso na DCOMP, não se pode validar a compensação pretendida. Fl. 182DF CARF MF 12 Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a NÃO homologação da DCOMP em questão, conforme despacho decisório. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 183DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.000576/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS INOMINADOS. EFEITOS INFRINGENTES. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO NA DECISÃO CONSTANTE EM ATA E ACÓRDÃO.A existência de equívoco no registro da ata da sessão de julgamento e no acórdão justifica o acolhimento de embargos inominados nos termos do art. 66 do RICARF. Em ato contínuo, deve ser procedida a alteração do conteúdo acatado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA EM DIRF.
Apresentado contrato de locação firmado entre pessoas físicas e comprovados os pagamentos feitos por carnê-leão, ilididas as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora, não vinculantes a terceiros.
DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTOS IDÔNEOS. O ÔNUS DA PROVA É DO INTERESSADO. ADMISSIBILIDADE. GLOSA AFASTADA NAQUILO QUE SE COMPROVOU.
Cabe ao interessado a prova de seu direito. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade, sendo lícito à Fiscalização solicitar a comprovação da efetividade das despesas por outros meios de prova, sempre que identifique elementos que denotem a utilização indevida da dedução, sendo ônus do Contribuinte a produção de prova. Deve ser afastada a glosa naquilo que o Contribuinte tenha obrado comprovar por meio de documentos idôneos.
Recurso provido em parte".
Numero da decisão: 2301-005.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados com efeitos infringentes nos limites pedidos no recurso para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-002.672, de 11/02/2015, constar em seu dispositivo que os conselheiros Francisco Marconi de Oliveira, Márcio de Lacerda Martins e Maria Helena Cotta Cardozo, relativamente às deduções de despesas médicas, votaram com o relator apenas pelas conclusões, e para retificar a ementa do referido acórdão, mantendo-se as demais disposições do julgado.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados com efeitos infringentes nos limites pedidos no recurso para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-002.672, de 11/02/2015, constar em seu dispositivo que os conselheiros Francisco Marconi de Oliveira, Márcio de Lacerda Martins e Maria Helena Cotta Cardozo, relativamente às deduções de despesas médicas, votaram com o relator apenas pelas conclusões, e para retificar a ementa do referido acórdão, mantendo-se as demais disposições do julgado. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
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EFEITOS INFRINGENTES. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO NA DECISÃO CONSTANTE EM ATA E ACÓRDÃO.A existência de equívoco no registro da ata da sessão de julgamento e no acórdão justifica o acolhimento de embargos inominados nos termos do art. 66 do RICARF. Em ato contínuo, deve ser procedida a alteração do conteúdo acatado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA EM DIRF. Apresentado contrato de locação firmado entre pessoas físicas e comprovados os pagamentos feitos por carnêleão, ilididas as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora, não vinculantes a terceiros. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTOS IDÔNEOS. O ÔNUS DA PROVA É DO INTERESSADO. ADMISSIBILIDADE. GLOSA AFASTADA NAQUILO QUE SE COMPROVOU. Cabe ao interessado a prova de seu direito. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade, sendo lícito à Fiscalização solicitar a comprovação da efetividade das despesas por outros meios de prova, sempre que identifique elementos que denotem a utilização indevida da dedução, sendo ônus do Contribuinte a produção de prova. Deve ser afastada a glosa naquilo que o Contribuinte tenha obrado comprovar por meio de documentos idôneos. Recurso provido em parte". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 05 76 /2 01 1- 81 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13884.000576/201181 Acórdão n.º 2301005.256 S2C3T1 Fl. 127 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados com efeitos infringentes nos limites pedidos no recurso para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201002.672, de 11/02/2015, constar em seu dispositivo que os conselheiros Francisco Marconi de Oliveira, Márcio de Lacerda Martins e Maria Helena Cotta Cardozo, relativamente às deduções de despesas médicas, votaram com o relator apenas pelas conclusões, e para retificar a ementa do referido acórdão, mantendose as demais disposições do julgado. (assinado digitalmente) João Bellini Junior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de embargos inominados, opostos pela Presidente da 2º Câmara/1ª Turma Ordinária, contra Acórdão de recurso voluntário n.º 2201002.672, julgado na sessão plenária de 11 de fevereiro de 2015, cuja ementa abaixo se transcreve: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA EM DIRF. Apresentado contrato de locação firmado entre pessoas físicas e comprovados os pagamentos feitos por carnêleão, ilididas as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora, não vinculantes a terceiros. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS DEDUTIBILIDADE RECIBO DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13884.000576/201181 Acórdão n.º 2301005.256 S2C3T1 Fl. 128 3 Recurso provido em parte". Conforme a embargante, por um lapso, teria o relator deixado de constar as seguintes questões, que deveria passar a integrar o julgamento: seja registrado na parte dispositiva do acórdão que os Conselheiros Francisco Marconi de Oliveira, Márcio de Lacerda Martins e Maria Helena Cotta Cardozo, relativamente às deduções de despesas médicas, votaram com o Relator apenas pelas conclusões; a tese vencedora, pelo voto de qualidade, conste efetivamente do acórdão, em cumprimento ao disposto no art. 63, § 9º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época do julgamento, alterandose a ementa e registrandose na fundamentação do acórdão. Ainda, consta do requerimento dos embargos: Por oportuno, esclareçase que a tese vencedora, como já constou em inúmeros acórdãos proferidos pelo Colegiado em tela, é no sentido de que “o simples atendimento às formalidades dos recibos de despesas médicas não é suficiente para garantir as respectivas deduções, sendo lícito à Fiscalização solicitar a comprovação da efetividade das despesas por outros meios de prova, sempre que identifique elementos que denotem a utilização indevida da dedução, sendo ônus do Contribuinte a produção de prova”. Na esteira desse entendimento, a segunda parte da ementa deve ser substituída, tanto no que tange à supremacia da formalidade dos recibos, quanto ao ônus da prova, que é do Contribuinte. No caso tratado no acórdão recorrido, entendeuse, por unanimidade de votos, que a Fiscalização não apresentou elementos suficientes a infirmar os recibos, daí o provimento do recurso, nesta parte. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Wesley Rocha Os embargos inominados preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Com razão a recorrente. Alega a embargante que em sessão plenária de 11/02/2015, foi julgado o Recurso Voluntário em epígrafe, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2201 002.672 e que, por ocasião do julgamento, foi remarcado que a tese vencedora, pelo voto de qualidade, defendida pelos Conselheiros Francisco Marconi de Oliveira, Márcio de Lacerda Martins e Maria Helena Cotta Cardozo, seria inserida na ementa e no voto condutor, com a ressalva do posicionamento do Relator. No entanto, a embargante sustenta que tal fato não ocorreu, razão pela qual opôs os embargos inominados ora em análise. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13884.000576/201181 Acórdão n.º 2301005.256 S2C3T1 Fl. 129 4 Aduz ainda, a embargante, que os Conselheiros Francisco Marconi de Oliveira, Márcio de Lacerda Martins e Maria Helena Cotta Cardozo deixaram de votar pela conclusão, na certeza de que seu posicionamento, que foi vencedor, estaria registrado no acórdão. Nesse sentido, verifico que a embargante encaminhou mensagem ao Conselheiro relator, constante registro feito no eprocesso. De fato, é de responsabilidade do Contribuinte comprovar por meio de documentos idôneos as alegações de seu direito. Em processo administrativo fiscal, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei". Assim, é lícito à Fiscalização solicitar a comprovação das efetiva despesas deduzidas por outros meios de prova, sempre que identifique elementos que denotem a utilização indevida da dedução, devendo o contribuinte comprovar as alegações do seu direito, pelos meios de provas em direito admitidos, devendo eles preceder de idoneidade. Nesse sentido, cabe mencionar que a tese vencedora do processo, não dispensa e nem retira a possibilidade da análise de um conjunto probatório adequado, por documentos idôneos que possibilite o convencimento dos julgador referente às provas apresentadas ao efetivo fato concreto. Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo decisum abaixo transcrito: "EMENTA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse)". O art. 73 do Decreto nº 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, dispõe: "Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”(DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Esse dispositivo legal não diverge daquele que se encontra na doutrina pátria, a exemplo do que ensina Antônio da Silva Cabral em sua obra “Processo Administrativo Fiscal”, p. 298, in verbis: "Uma das regras que regem as provas consiste no seguinte: toda afirmação de determinado fato deve ser provada. Dizse freqüentemente: “a quem alega alguma coisa, compete provála”. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13884.000576/201181 Acórdão n.º 2301005.256 S2C3T1 Fl. 130 5 (...) Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte". Nesse sentido, de acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. No presente caso somente a omissão interna é embargável, não alcançando eventual contradição entre a decisão e outras peças do processo Nesse sentido, esse Conselho já se pronunciou em casos semelhantes, alterando partes dos dispositivos constante na ata de julgamento e da decisão, a exemplo da decisão abaixo transcrita: Ementa. "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000 EMBARGOS INOMINADOS. EFEITOS INFRINGENTES. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO NO DECISIUM CONSTANTE EM ATA E ACÓRDÃO. A existência de equívoco no registro da ata da sessão de julgamento e no acórdão justifica o acolhimento de embargos inominados nos termos do art. 66 do RICARF". (Processo n.º 10675.004771/200429, Rel. Nº Acórdão 9202 005.779, Conselheira Relatora Patrícia da Silva, julgado em 31.08.2017). Portanto, vejo que devem ser atribuídos aos embargos os efeitos infringentes nos limites do pedido do recurso, mantendose as demais disposições do acórdão e do julgamento, devendo constar que na parte dispositiva que os Conselheiros citados pela embargante votaram pelas conclusões, corrigindose erro material do referido dispositivo, bem como para alterar parte da ementa que importe em ônus do contribuinte comprovar por meio de documentos idôneos o direito que lhe assiste. Conclusão Diante do exposto, acolho os embargos inominados, atribuindo efeitos infringentes nos limites requisitado no recurso, para que conste no dispositivo do acórdão n.º 2201002.672, que Conselheiros Francisco Marconi de Oliveira, Márcio de Lacerda Martins e Maria Helena Cotta Cardozo, relativamente às deduções de despesas médicas, votaram com o Relator apenas pelas conclusões, e para retificar a ementa do referido acórdão mantendose as demais disposições do julgado, inserindo nova ementa que passa a fazer parte do julgado. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13884.000576/201181 Acórdão n.º 2301005.256 S2C3T1 Fl. 131 6 Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720251/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
Ementa:
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SALDO DEVEDOR DE IPI ESCRITURADO E NÃO DECLARADO EM DCTF.
O lançamento de ofício é efetuado quando se comprova omissão de declaração de saldos devedores de IPI em DCTF.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de IPI é legítima e possui previsão legal no artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964.
MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO NOS CASOS DE DECLARAÇÃO A MENOR EM DCTF. DOLO NÃO COMPROVADO.
Incabível a qualificação da multa proporcional, quando não comprovado nos autos que a omissão de informações em DCTF teve natureza dolosa.
O fato de haver DCTF com valores a menor ou zeradas, não autoriza a conclusão de que houve dolo, uma vez que o dado ou valor não informado encontrava-se à disposição do Fisco, visto que as notas fiscais e os livros fiscais estavam no ambiente SPED-EFD.
SUSPENSÃO CONDICIONADA. DESTINAÇÃO OU EMPREGO DO PRODUTO. RESPONSÁVEL PELO FATO.
O remetente que toma as providências necessárias ao cumprimento dos requisitos de suspensão não pode ser responsabilizado pela destinação ou emprego diverso, pelo recebedor dos produtos.
FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação.
RESPONSABILIDADE. SÓCIOS ADMINISTRADORES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 135, III DO CTN. DESCABIMENTO.
Restando desconfigurada a conduta dolosa quanto à apresentação de DCTF com valores a menor ou zeradas, diz-se que não há tipicidade para aplicação do artigo 71 da Lei nº 4.502, de 1964, inexistindo assim fundamento, para atribuição de responsabilidade nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN.
JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Paulo G. Dérouléde (Relator), que dava provimento parcial ao recurso de ofício para restaurar a multa qualificada e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar os lançamentos relativos à reclassificação do composto master branco e para excluir os sócios do polo passivo dos lançamentos, vencidos o Conselheiro Paulo G. Déroulède, que dava provimento em menor extensão para manter os sócios no polo passivo e os Conselheiros José Renato P. de Deus, Diego Weis Jr (Suplente convocado) e Raphael M. Abad que davam em maior extensão para afastar a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Designada a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Maria do Socorro Ferreira Aguiar
Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SALDO DEVEDOR DE IPI ESCRITURADO E NÃO DECLARADO EM DCTF. O lançamento de ofício é efetuado quando se comprova omissão de declaração de saldos devedores de IPI em DCTF. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de IPI é legítima e possui previsão legal no artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964. MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO NOS CASOS DE DECLARAÇÃO A MENOR EM DCTF. DOLO NÃO COMPROVADO. Incabível a qualificação da multa proporcional, quando não comprovado nos autos que a omissão de informações em DCTF teve natureza dolosa. O fato de haver DCTF com valores a menor ou zeradas, não autoriza a conclusão de que houve dolo, uma vez que o dado ou valor não informado encontravase à disposição do Fisco, visto que as notas fiscais e os livros fiscais estavam no ambiente SPEDEFD. SUSPENSÃO CONDICIONADA. DESTINAÇÃO OU EMPREGO DO PRODUTO. RESPONSÁVEL PELO FATO. O remetente que toma as providências necessárias ao cumprimento dos requisitos de suspensão não pode ser responsabilizado pela destinação ou emprego diverso, pelo recebedor dos produtos. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 02 51 /2 01 4- 17 Fl. 640DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 539 2 Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. RESPONSABILIDADE. SÓCIOS ADMINISTRADORES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 135, III DO CTN. DESCABIMENTO. Restando desconfigurada a conduta dolosa quanto à apresentação de DCTF com valores a menor ou zeradas, dizse que não há tipicidade para aplicação do artigo 71 da Lei nº 4.502, de 1964, inexistindo assim fundamento, para atribuição de responsabilidade nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Paulo G. Dérouléde (Relator), que dava provimento parcial ao recurso de ofício para restaurar a multa qualificada e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar os lançamentos relativos à reclassificação do composto master branco e para excluir os sócios do polo passivo dos lançamentos, vencidos o Conselheiro Paulo G. Déroulède, que dava provimento em menor extensão para manter os sócios no polo passivo e os Conselheiros José Renato P. de Deus, Diego Weis Jr (Suplente convocado) e Raphael M. Abad que davam em maior extensão para afastar a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Designada a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator (assinado digitalmente) Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora designada Fl. 641DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 540 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório Trata o presente de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário de IPI, no período de 01/01/2011 a 31/12/2011, por falta de lançamento de imposto na saída de produto tributado devido à utilização indevida do instituto da suspensão, devido a erro na classificação fiscal, e devido à falta de recolhimento ou recolhimento a menor nos prazos legais. Conforme Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização apurou saldo devedor no Livro Registro de Apuração de IPI, contabilizados no Livro Diário, sendo que declarou em DCTF, nos meses de janeiro a julho, valores da ordem de 10 a 15% dos escriturados, e zerando a declaração nos meses de agosto a dezembro. Verificouse, ainda, que os arquivos de notas fiscais entregues no ambiente SPEDEFD estavam zerados e que não haviam sido retificados até o término da ação fiscal. Para esta infração, a multa foi qualificada em 150%. A infração relativa à suspensão indevida referiuse à saída de bobinas, rolos e sacolas de plásticos, classificadas nos códigos 3923.21.10 e 3923.21.90, por infringência aos requisitos estabelecidos no artigo 29 da Lei nº 10.637/2002 e na IN RFB nº 948/2009. Por fim, a fiscalização reclassificou os produtos descritos como “composto colorido”, “composto master branco” e “composto master branco especial”, do código NCM 3206.11.30 para o código 3901.20.19. Em decorrência da infração apenada com multa qualificada, foram responsabilizados os sóciosadministradores José Sanchez Oller e Túlio Monte Azul Pereira de Mello, em conformidade com o artigo 135, inciso III do CTN. Os recorrentes impugnaram o lançamento, alegando: 1. O cancelamento do lançamento por cerceamento de defesa em relação ao enquadramento legal das multas aplicadas; 2. A falta de motivação da infração falta de declaração/recolhimento do saldo devedor de IPI, o erro de subsunção dos fatos ao enquadramento legal da penalidade, sendo devida a multa moratória e a de 75% ou 150%; 3. Que possuía as declarações dos adquirentes e que se estes não preenchiam os requisitos estabelecidos para a suspensão, a recorrente não pode ser penalizada; alegou, ainda, a inaplicabilidade da multa de ofício, por falta de clareza na tipificação e propugnou pelo cancelamento do lançamento do tributo, ou, alternativamente, da multa de ofício; 4. A fiscalização procedeu à reclassificação dos produtos sem possuir conhecimento técnico específico, ao passo que deveria se socorrer de laudo técnico; repete as mesmas alegações quanto à multa de ofício; Fl. 642DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 541 4 5. A falta de comprovação do evidente intuito doloso para a qualificação da multa em 150%, devendo a mesma ser reduzida a 75%, ou mesmo cancelada em vista do já exposto relativamente ao enquadramento legal; 6. A falta de prova quanto a atos praticados pelos sócios administradores com abuso de poder e infração à lei capazes de justificar a atribuição de responsabilidade; que a responsabilidade do artigo 135 do CTN é pessoal, exclusiva ao sócio, somente se aplicando quando à revelia da sociedade; que a infração à lei é de natureza societária; 7. A não incidência de juros sobre multas; Pediram ao final, o cancelamento do lançamento, ou, sucessivamente, o afastamento das multas de ofício, o afastamento da qualificação, a conversão do julgamento em diligência, para que sejam coletadas as cópias das declarações que comprovem a suspensão e para que seja produzida a prova pericial relativa à classificação fiscal. A DRJ proferiu o Acórdão nº 0954.416, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Comprovada a objetividade, a coerência e a clareza da peça de lançamento, complementada por Termo de Verificação Fiscal com os mesmos atributos, não há de se falar em direito de defesa cerceado. IPI. INSUFICIÊNCIA DE VALORES DECLARADOS NA DCTF. DIFERENÇA A SER LANÇADA DE OFÍCIO. Deixar de recolher aos cofres públicos valores devidos não declarados em DCTF enseja lançamento de ofício do montante inadimplido nos termos do artigo 5º, §1º, do DL 2124/84. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA DO IMPOSTO DEVIDO. Reza o §1º do art.30 do Decreto nº 70.235/72 que a classificação fiscal de produtos não constitui aspecto técnico passível de exigir laudo técnico especializado, restando legítima, por conseqüência, a livre convicção do autuante, fundada sempre na observância das normas de interpretação do Sistema Harmonizado. IPI. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. CONDICIONANTES. As saídas com suspensão a que alude o art.29 da Lei nº 10.637/2002 só serão legítimas se atendidas as condicionantes estatuídas no art.21, §1º, da IN SRF 948/2009, dentre elas a obrigatoriedade de que as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, Fl. 643DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 542 5 que atendem a todos os requisitos estabelecidos para gozo do benefício. IPI. MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO NOS CASOS DE DECLARAÇÃO A MENOR EM DCTF. Na qualificação da multa, a intenção do legislador foi proteger o núcleo da obrigação tributária, qual seja o fato gerador a que se vincula todo o desdobramento jurídico que culminará com um direito creditório em favor do Erário Público. Ocultar o fato ou retardar o seu conhecimento significa omitir documentação base de ocorrência, deformar circunstâncias materiais ou a natureza do negócio jurídico praticado, não se enquadrando em tal perfil a declaração a menor em DCTF, que bem pode gerar agravamento, mas não qualificação. RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. OCORRÊNCIA DE DOLO GENÉRICO. A conduta da contribuinte ao preencher a menor, reiteradamente, as DCTFs atreladas aos meses de janeiro a dezembro de 2011 configurouse como ação dolosa de desafio a comandos legais específicos que tratam dessa obrigação acessória, o que autoriza a responsabilização daqueles que detinham a administração da empresa ao tempo do ocorrido, tudo nos termos do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão da exoneração acima do limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, o colegiado a quo recorreu de ofício. Inconformados, os recorrentes interpuseram recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na impugnação. Na sessão de 25/02/2016, o julgamento foi convertido em diligência, mediante a Resolução nº 3302000.515, para realização de perícia destinada a responder os seguintes quesitos: 1. Descrever o produto fabricado, com suas características físicoquímicas e (cor, densidade, estado de fornecimento, resina veículo, índice de fluidez etc), bem como sua utilização comercial; 2. Descrever a composição em peso dos insumos utilizados e suas características físicoquímicas; 3. Informar se os produtos podem ser classificados como polímeros de polietileno, em formas primárias, ou seja, sob as seguintes formas: a) Líquida ou pastosa. Tratase, geralmente, quer de polímeros de base que devem ainda ser submetidos a um tratamento, térmico ou outro, para formar a matéria acabada, quer de Fl. 644DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 543 6 dispersões (emulsões e suspensões) ou de soluções de matérias não tratadas ou parcialmente tratadas. Além das substâncias necessárias ao tratamento (tais como endurecedores (agentes de reticulação) ou outros correagentes e aceleradores), estes líquidos ou pastas podem conter outras matérias tais como plastificantes, estabilizantes, cargas e corantes que se destinam, principalmente, a conferir ao produto acabado propriedades físicas especiais ou outras características desejáveis. Estes líquidos ou pastas devem ser trabalhados por vazamento, perfilagem (extrusão), etc., e são igualmente utilizados como produtos de impregnação, como indutos, bases de vernizes ou de tintas, como colas, como espessantes, como agentes de floculação, etc; ou b) Grânulos, flocos, grumos ou pós. Sob estas formas, estes produtos podem ser utilizados para moldagem, para fabricação de vernizes, colas, etc., como espessantes, agentes de floculação, etc. Podem consistir quer em matérias desprovidas de plastificantes, mas que se tornarão plásticas durante a moldação e tratamento a quente, quer em matérias às quais já tenham sido adicionados plastificantes. Estes produtos podem, além disso, conter cargas (farinha de madeira, celulose, matérias têxteis, substâncias minerais, amidos, etc.), matérias corantes ou outras substâncias enumeradas no número 1) acima. Os pós podem ser utilizados, particularmente, no revestimento de objetos diversos sob a ação do calor com ou sem a aplicação de eletricidade estática; ou c) Blocos irregulares, pedaços ou massas não coerentes contendo ou não matérias de carga, matérias corantes ou outras substâncias listadas no número 1), acima. Os blocos de forma geométrica regular não se consideram como formas primárias e são abrangidos pelos termos “chapas, folhas, películas, tiras e lâminas 4. Especificar a densidade final do produto e se é superior ou igual a 0,94. Em cumprimento do disposto na Resolução, a recorrente foi intimada a apresentar quesitos adicionais, se desejasse, e indicar perito assistente, não o fazendo. Foi intimada também a apresentar amostras dos três produtos objeto da perícia, tendo apresentado amostra dos produtos "composto máster branco" e "composto máster branco especial", deixando de apresentar amostra do produto "composto colorido", sob alegação de não possuir tal produto. A recorrente foi intimada a apresentar os certificados de análise dos produtos comercializados e a Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ), tendo a informado que não possuía tais documentos em razão da descontinuidade da produção. Em resposta aos quesitos apresentados, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT encaminhou ofício de efls. 611 a 613. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 544 7 Por sua vez, a recorrente pugnou,mais uma vez pela nulidade da autuação, por entender que a resposta do IPT ao indicar densidade inferior a 0,94 g/cm3 para o composto máster branco, tendo havido claro e inequívoco erro na classificação adotada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os recursos voluntário e de ofício atendem aos demais pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. As infrações imputadas à recorrente foram três: a falta de declaração e recolhimento do saldo devedor de IPI escriturado no Livro Registro de Apuração de IPI, a utilização indevida do instituto da suspensão e erro na classificação fiscal na saída de determinados produtos. Quanto à primeira infração, a recorrente, inicialmente, alega a motivação insuficiente da infração. Entretanto, não é o que se constata no Termo de Verificação Fiscal na efl. 18, cujo trecho se transcreve: "10. Desta forma, comprovouse que o contribuinte efetivamente recolheu/declarou a menor os débitos de IPI em todos os meses do ano calendário 2011. Assim, fazse necessária a constituição de ofício dos valores devidos pelo contribuinte, apurados no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IPI ESCRITURADO E NÃO DECLARADO, considerando a qualificação da multa de ofício conforme explicado nos itens 47 a 52 deste Termo.". Portanto, o lançamento se fez necessário em razão da falta de declaração e recolhimento do saldo devedor de IPI, conforme previsto no artigo 149 do CTN e artigos 181, 183, 186 do Decreto nº 7.212/2010, não havendo qualquer obscuridade em sua motivação. Continuando, a recorrente aduz que a multa de ofício aplicada não encontra guarida no artigo 80 da Lei nº 4.502/64, pois o dispositivo trata de falta de recolhimento, enquanto o que houve foi insuficiência de recolhimento. Afirma ainda que apresentou a DIPJ com os valores corretos e que a única multa a ser aplicada seria a moratória prevista no artigo 553 do regulamento do IPI. Sem razão a recorrente. Em primeiro lugar, esclareçase que a DIPJ não possui a natureza de confissão de dívida, ao contrário da DCTF, e que sua entrega não elide a necessidade de se efetuar o lançamento, nos termos da Súmula CARF nº 921. Em segundo lugar, o artigo 80 da Lei nº 4.502/64 dispõe: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. 1 Súmula CARF nº 92: A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 545 8 (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) [...] § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 8o A multa de que trata este artigo será exigida: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) I juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) A expressão falta de recolhimento engloba a insuficiência de recolhimento, devendo o lançamento ser efetuado em relação à diferença não recolhida e não declarada, como se constata a partir da parte final do caput: "sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido". Portanto, afastase o argumento de que a multa de ofício é inaplicável em vista do disposto no artigo 80 da lei nº 4.502/64 em procedimentos de fiscalização, defesa esta levantada pela recorrente relativamente às três infrações autuadas. Ao final, pede a recorrente que seja mantida a desqualificação da multa de ofício empreendida pelo colegiado a quo, cuja decisão reduziu de 150% para 75% a multa de ofício aplicada sob os fundamentos de que após a emissão da nota fiscal não há mais que se falar em ocultação do fato gerador ou seu retardamento; que o advento do SPED fiscal possibilita o acesso do FISCO a todos os elementos materiais do fato gerador; que a DCTF não demonstra o fato gerador do IPI, mas apenas o saldo devedor escriturado; que a qualificação da multa visa proteger o núcleo da obrigação principal e que a declaração a menor é circunstância agravante nos termos do artigo 68, §1º da Lei nº 4.502/64, protegendo aspectos periféricos do fato gerador, como a entrega de declarações e defeitos na escrituração. Porém, divirjo do entendimento esposado pelo colegiado a quo. As circunstâncias qualificativas e agravantes foram delineadas no regulamento do IPI, conforme transcrito abaixo: Graduação Art. 557. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas, provadas no respectivo processo Fl. 647DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 546 9 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, e DecretoLei no 34, de 1966, art. 2o, alteração 18a). Circunstâncias Agravantes Art. 558. São circunstâncias agravantes (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18a): I a reincidência específica (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso I, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18a); II o fato de o imposto, não destacado, ou destacado em valor inferior ao devido, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de solução em consulta formulada pelo infrator (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso II, DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18a, e Lei no 9.430, de 1996, arts. 48 a 50); III a inobservância de instruções dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil sobre a obrigação violada, anotadas nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso III, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18a); IV qualquer circunstância, não compreendida no art. 559, que demonstre artifício doloso na prática da infração (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso IV, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18a); e V qualquer circunstância que importe em agravar as consequências da infração ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária (Lei no 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso IV, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18a). Circunstâncias Qualificativas Art. 559. São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 2º, e DecretoLei nº34, de 1966, art. 2º, alteração 18a). Reincidência Específica Art. 560. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, ou de disposição idêntica, da legislação do imposto, ou de normas contidas num mesmo Capítulo deste Regulamento, por uma mesma pessoa ou pelo sucessor referido no art. 132 da Lei nº 5.172, de 1966, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior (Lei nº 4.502, de 1964, art. 70). Sonegação Art. 561. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária (Lei no 4.502, de 1964, art. 71): Fl. 648DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 547 10 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, inciso I); e II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, inciso II). Fraude Art. 562. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 72). Conluio Art. 563. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, visando a qualquer dos efeitos referidos nos arts. 561 e 562 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 73). A fiscalização entendeu ter havido a figura da sonegação, pela entrega reiterada de DCTF em valores substancialmente inferiores aos devidos em alguns períodos e zerados em outros. Devese perquirir, então, se o fato se subsume à norma do artigo 561 acima referido, ou seja, se está caracterizada a ação dolosa e se houve impedimento ou retardamento do conhecimento da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais da recorrente, conforme descrito em seu inciso I. O dolo se refere à ao elemento subjetivo da conduta, seu elemento psicológico. No dizer de Fernando Capez2: “Conceito de dolo: é a vontade e a consciência de realizar os elementos constantes do tipo legal. Mais amplamente, é a vontade manifestada pela pessoa humana de realizar a conduta” Elementos do dolo: consciência (conhecimento do fato que constitui a ação típica) e vontade (elemento volitivo de realizar esse fato.” No caso, a constatação da ação dolosa reside no conhecimento das informações verdadeiras sobre o saldo de IPI, caracterizado pela escrituração nos livros fiscais e contábeis, pela informação correta na DIPJ, confirmada pela própria recorrente, demonstrando total conhecimento dos valores devidos e declarando a menor, reiteradamente, afastando, assim, qualquer argumento de mero erro na prestação das informações. A segunda parte definidora da conduta consiste em elemento finalístico, ou seja, a ação praticada deve impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária quanto à ocorrência do fato gerador. Verificase que ao diminuir intencionalmente os valores declarados em DCTF, a recorrente suprime o conhecimento da existência de débitos, o que pressupõe a ocorrência de fatos geradores, e sua conseqüente cobrança, revelando ter 2 CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal, vol. 1: parte geral. 10º ed. rev e atual. São Paulo: Saraiva. 2006. p.198. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 548 11 pleno conhecimento que a conduta praticada atingiria seu fim, ou seja, retardar a cobrança dos tributos, apostando em eventual decadência do direito de o FISCO constituir o crédito tributário. Salientase que a imposição da multa qualificada visa coibir as condutas dolosas, diferenciandoas do mero erro ou da interpretação divergente. Não se deve perder de vista que a DIPJ não possui a natureza de confissão de dívida e sua entrega não supre o dever de informar os débitos em DCTF, cuja cumprimento escorreito evitaria o agir desnecessário da Administração. Se o contribuinte provoca deliberadamente este agir, implicando o retardamento do conhecimento da existência do tributo devido e, conseqüentemente, da cobrança do tributo, deve sua conduta ser coibida pela qualificação da multa aplicada no lançamento de ofício. Neste sentido, citamse as seguintes decisões administrativas: Acórdão nº 0106.020: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Exercício: 2001, 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA CONDUTA CONTINUADA. Da conduta continuada se extrai a intenção (dolo), para concluirse pela aplicação da multa qualificada nos termos do artigo 71 da Lei n° 4.502/64. O fato do contribuinte entregar DIPJs em três anos como inativa, tendo faturamento expressivo declarado ao Estado para efeito de ICMS e no quarto ano declarado valor ínfimo em relação ao faturamento real, pode se pode concluir pela existência de dolo, necessário à aplicação da norma contida no artigo 71 da Lei n° 4.502/64. Somente com o exame das provas colacionadas aos autos é que se pode concluir pela existência, ou não, do elemento subjetivo "dolo". Recurso especial provido. Acórdão nº 0202.726: MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A reiterada declaração a menor da contribuição devida, em valores inferiores aos que seriam apurados de acordo com a escrituração contábil, representa prática de sonegação dolosa, com a finalidade de retardar o conhecimento pela autoridade fiscal das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Provido Recurso Especial do Contribuinte Negado Acórdão nº 1401001.410: RECEITAS CONTABILIZADAS A MENOR. MULTA QUALIFICADA. ADMISSIBILIDADE. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 549 12 A apresentação de declarações inexatas por mais de um período comportam a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Cabida a aplicação da multa qualificada quando a contribuinte, por mais de um período, informa receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores declarados em DCTF. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% quando restou caracterizada a conduta reiterada de omissão na declaração e pagamento dos tributos devidos. Acórdão nº 1302001.604: MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO COM VALORES MUITO MENORES. CONDUTA SISTEMÁTICA. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declaração (DSPJ) com valores de receita bruta muito menores do que aquelas efetivamente auferidas em todos os meses do ano, de forma sistemática, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. O procedimento fiscal se baseou em prova direta de omissão de receitas, não se cuidando, no caso em tela, de presunção legal. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. Portanto, discordase da decisão proferida pelo colegiado a quo e dáse provimento ao recurso de ofício nesta matéria. Concernente à infração de utilização indevida da suspensão, a recorrente aduz que a fiscalização desconsiderou as declarações prestadas pelos adquirentes dos produtos cuja saída ocorreu com suspensão, bem como poderia a fiscalização ter circularizado tais adquirentes a fim de obter as referidas declarações. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, as saídas de mercadoria com classificações fiscais nº 3923.21.10 e 3923.21.90 (bobinas, rolos e sacolas) se deram sem destaque do IPI, tendo a recorrente informado a suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 como fundamento, para os casos de venda de embalagens para produtos alimentícios. O artigo 29 da Lei nº 10.637/2002, assim dispõe sobre a matéria: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, Fl. 651DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 550 13 inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) [...] § 5o A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. § 6o Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no § 5o, deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. Em cumprimento do disposto no §7º, inciso I, a Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 948/2009, regulamentando a suspensão nos artigos 21 e seguintes: Art. 21. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex 01 do código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados). § 1º Para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. § 2º As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem importados diretamente por estabelecimento industrial fabricante de que trata este artigo serão desembaraçados com suspensão do IPI, mediante apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informação a que se refere o § 3º. § 3º O estabelecimento adquirente de que trata este artigo deverá informar, sem formalização de processo, à DRF ou à Derat de seu domicílio fiscal os produtos que elabora e as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem que irá adquirir nos mercados interno e externo. [...] Fl. 652DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 551 14 CAPÍTULO VII DAS DISPOSIÇÕES GERAIS [...] Art. 24. O direito à aquisição ou à importação com suspensão do IPI, de que tratam os arts. 5º, 6º, 11, 12, 13 e 21 desta Instrução Normativa, pelos adquirentes que atendam aos requisitos da preponderância, aplicase somente a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que forem utilizados: [...] III nos produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados); e (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1424, de 19 de dezembro de 2013) [...] Art. 25. A suspensão do IPI não impede a manutenção e utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial remetente. Art. 26. Nas notas fiscais relativas às saídas de que trata esta Instrução Normativa deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI" com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o destaque do imposto nas referidas notas. Art. 27. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: I às pessoas jurídicas optantes do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional); e Verificase, assim, que a suspensão é condicionada, dentre outros, à declaração do adquirente ao comprador que atende a todos os requisitos estabelecidos. No presente processo, apesar de a recorrente informar existirem declarações, a única apresentada foi a relativa à empresa Plásticos Belém Ltda – EPP, CNPJ 04.756.383/000183. Portanto, a recorrente não poderia ter dado saída com suspensão às vendas realizadas para clientes que não declararam atender aos requisitos exigidos para usufruir do instituto, sendo correto o lançamento em relação a estes fatos. Porém, a declaração apresentada pela empresa Plásticos Belém Ltda, efl. 316, está em conformidade com a IN RFB nº 948/2009. A autuação ocorreu em razão do CNAE do adquirente ser de atividade preponderante de fabricação de embalagens de material plástico, produto não abarcado pelo artigo 29 da Lei nº 10.637/2002, ou seja, teria sido descumprido requisito relativo à utilização da matériaprima vendida com suspensão. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 552 15 O regulamento do IPI atribui a responsabilidade pelo pagamento do tributo indevidamente suspenso a quem der causa ao descumprimento dos requisitos exigidos para caracterização da suspensão, especificando que, no caso de destinação ou emprego diferente do estabelecido na suspensão, ficará o recebedor do produto responsável pelo pagamento do tributo, conforme estabelecido no artigo abaixo: Art. 42. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 9º, § 1º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso II). § 1º Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse. § 2º Cumprirá a exigência: I o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; ou II o remetente do produto, nos demais casos. Assim, no caso de existência de utilização da matériaprima de forma diversa do declarado pelo adquirente, fica este responsável pelo pagamento do tributo e não o vendedor que emitiu a nota fiscal com suspensão com base nas informações prestadas pelo adquirente. No caso, a fiscalização apenas se baseou na informação do CNAE para a conclusão de que teria ocorrido utilização diversa, mas ainda que tivesse constatado tal fato em diligência, a autuação deveria recair no adquirente e não no vendedor. Portanto, concordase com a decisão proferida pela DRJ e negase provimento ao recurso de ofício nesta matéria. Concernente à autuação decorrente de erro na classificação fiscal, a fiscalização reclassificou os produtos “composto master branco”, “composto master branco especial” e "composto" do código NCM nº 3206.11.30 para o código 3901.20.19. Para tanto, a fiscalização intimou a recorrente no Termo de Intimação Fiscal nº 001, efls. 116 e 117, a informar, para os produtos "composto master branco" e "composto colorido" a função de cada insumo na fabricação, especificar as características de cada insumo e dos produtos (cor, densidade, estado de fornecimento, resina veículo, índice de fluidez de resina, resistência química/térmica etc). Em resposta, a recorrente apresentou a ficha técnica do produto, efl. 219, reproduzida no Termo de Verificação Fiscal, sem especificar a quantidade de cada insumo e informou a descrição do processo produtivo do produto "composto" na e fl.86. Em impugnação, a recorrente defendeu que a fiscalização não adotou qualquer critério técnico, em especial laudo técnico, para demonstrar a efetiva composição dos produtos para efetuar a reclassificação fiscal, tendo apenas visitado o estabelecimento e utilizado informações obtidas em outro processo de fiscalização de períodos anteriores. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 553 16 Aduziu que, por os produtos possuírem composição química particular, seriam necessários conhecimentos específicos para empreender a classificação fiscal de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Dadas as expressões contidas nas NESH utilizadas pela fiscalização, com descrição de propriedades físicoquímicas e termos técnicos específicos, foi deferida a realização de diligência para que os seguintes quesitos fossem respondidos, em relação aos produtos “composto máster branco”, “composto máster branco especial” e “composto colorido”: 1. Descrever o produto fabricado, com suas características físicoquímicas e (cor, densidade, estado de fornecimento, resina veículo, índice de fluidez etc), bem como sua utilização comercial; 2. Descrever a composição em peso dos insumos utilizados e suas características físicoquímicas; 3. Informar se os produtos podem ser classificados como polímeros de polietileno, em formas primárias, ou seja, sob as seguintes formas: a) Líquida ou pastosa. Tratase, geralmente, quer de polímeros de base que devem ainda ser submetidos a um tratamento, térmico ou outro, para formar a matéria acabada, quer de dispersões (emulsões e suspensões) ou de soluções de matérias não tratadas ou parcialmente tratadas. Além das substâncias necessárias ao tratamento (tais como endurecedores (agentes de reticulação) ou outros correagentes e aceleradores), estes líquidos ou pastas podem conter outras matérias tais como plastificantes, estabilizantes, cargas e corantes que se destinam, principalmente, a conferir ao produto acabado propriedades físicas especiais ou outras características desejáveis. Estes líquidos ou pastas devem ser trabalhados por vazamento, perfilagem (extrusão), etc., e são igualmente utilizados como produtos de impregnação, como indutos, bases de vernizes ou de tintas, como colas, como espessantes, como agentes de floculação, etc; ou b) Grânulos, flocos, grumos ou pós. Sob estas formas, estes produtos podem ser utilizados para moldagem, para fabricação de vernizes, colas, etc., como espessantes, agentes de floculação, etc. Podem consistir quer em matérias desprovidas de plastificantes, mas que se tornarão plásticas durante a moldação e tratamento a quente, quer em matérias às quais já tenham sido adicionados plastificantes. Estes produtos podem, além disso, conter cargas (farinha de madeira, celulose, matérias têxteis, substâncias minerais, amidos, etc.), matérias corantes ou outras substâncias enumeradas no número 1) acima. Os pós podem ser utilizados, particularmente, no revestimento de objetos diversos sob a ação do calor com ou sem a aplicação de eletricidade estática; ou c) Blocos irregulares, pedaços ou massas não coerentes contendo ou não matérias de carga, matérias corantes ou outras Fl. 655DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 554 17 substâncias listadas no número 1), acima. Os blocos de forma geométrica regular não se consideram como formas primárias e são abrangidos pelos termos “chapas, folhas, películas, tiras e lâminas 4. Especificar a densidade final do produto e se é superior ou igual a 0,94. O laudo técnico foi elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, apenas sobre dois produtos, composto máster branco (identificado como LAQ594216) e composto máster branco especial (identificado como LAQ594316), não tendo sido produzido laudo em relação ao produto "composto colorido". Para o composto máster branco, a análise feita pelo IPT identificou índice de fluidez e densidade, concluindo que esta estaria abaixo de 0,940 g/cm3, composição em peso de 97% de polietileno de baixo peso molecular, 2% de compostos inorgânicos e <1% de ésteres de ácidos carboxílicos. Os compostos inorgânicos foram identificados em maiores proporções compostos de cálcio, titânio, silício e magnésio e em menores proporções por zinco, ferro, fósforo, alumínio, enxofre, cloro, nióbio, potássio, zircônio, níquel e estrôncio. Para o composto máster branco especial, a análise feita pelo IPT identificou índice de fluidez e densidade, concluindo que esta estaria acima de 0,940 g/cm3, composição em peso de 96% de polietileno de baixo peso molecular, 3% de compostos inorgânicos e <1% de ésteres de ácidos carboxílicos. Os compostos inorgânicos foram identificados em maiores proporções compostos de cálcio, silício e magnésio e em menores proporções por zinco, ferro, fósforo, titânio, alumínio, enxofre, cloro, potássio e estrôncio. Além disso, quanto à densidade, informou que não poderia responder, pois não havia sido informada a unidade e que se fosse g/cm3, então para o composto máster branco seria inferior a 0,94 g/cm3 e para o composto máster branco especial seria superior a 0,940 g/cm3. Quanto ao quesito 3, o IPT informou que para responder a tal necessitaria de efetuar diversas pesquisas bibliográficas, além de ensaios químicos, tendo apresentado o trabalho à recorrente, que declinou da proposta. O laudo apresentado não foi conclusivo quanto à identificação dos produtos, porém demonstrou que a porcentagem em peso de titânio é inferior a 2% no composto máster branco e inferior a 3% no composto máster branco especial, confirmando que a posição adotada pela recorrente estava incorreta, pois a subposição 3206.11 exigia peso de 80% ou mais de dióxido de titânio, conforme textos da posição e subposição, abaixo transcritos: 32.06 Outras matérias corantes; preparações indicadas na Nota 3 do presente Capítulo, exceto das posições 32.03, 32.04 ou 32.05; produtos inorgânicos dos tipos utilizados como luminóforos, mesmo de constituição química definida (+). 3206.1 Pigmentos e preparações à base de dióxido de titânio: 3206.11 Que contenham, em peso, 80 % ou mais de dióxido de titânio, calculado sobre matéria seca Fl. 656DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 555 18 Ao contrário do que alegou a recorrente, os valores estão bem próximos da estimativa fiscal calculada sobre as notas fiscais de entrada e saída, de 3,33% em 2011, e 0%, 1,5% 3 0,15% em 2007, 2008 e 2009, respectivamente. Assim, não restam dúvidas quanto à incorreta classificação adotada pela recorrente. A fiscalização ainda adotou que a composição de polietileno seria superior a 90%, o que foi confirmado pelo laudo (97% e 96%, para os compostos máster branco e máster branco especial, respectivamente) classificando os produtos em composto plástico granulado, a partir da descrição do processo produtivo feita pela própria recorrente à efl. 86, na qual descreve que após misturados insumos, são enviados para uma extrusora onde são feitos os grãos, posteriormente embalados para serem expedidos. Assim, a autoridade fiscal os classificou na posição 39.01 Polímeros de polietileno, em formas primárias (grânulos), especificamente no código 3901.20.19, conforme descrição abaixo: I. FORMAS PRIMÁRIAS 39.01 Polímeros de etileno, em formas primárias. 3901.10 Polietileno de densidade inferior a 0,94 3901.10.10 Linear 5 3901.10.9 Outros 3901.10.91 Com carga 5 3901.10.92 Sem carga 5 3901.20 Polietileno de densidade igual ou superior a 0,94 3901.20.1 Com carga 3901.20.11 Vulcanizado, de densidade superior a 1,3 5 3901.20.19 Outros 5 3901.20.2 Sem carga 3901.20.21 Vulcanizado, de densidade superior a 1,3 5 3901.20.29 Outros 5 3901.30 Copolímeros de etileno e acetato de vinila 3901.30.10 Nas formas previstas na Nota 6 a) deste Capítulo 5 3901.30.90 Outros 5 3901.90 Outros 3901.90.10 Copolímeros de etileno e ácido acrílico 5 3901.90.20 Copolímeros de etileno e monômeros com radicais carboxílicos, inclusive com metacrilato de metila ou acrilato de metila como terceiro monômero 5 3901.90.30 Polietileno clorossulfonado 5 3901.90.40 Polietileno clorado 5 3901.90.50 Copolímeros de etileno ácido metacrílico, com um conteúdo de etileno superior ou igual a 60%, em peso 5 3901.90.90 Outros 5 Quanto à densidade, verificase que a fiscalização considerou todos com densidade igual ou superior 0,94 g/cm3, o que traz uma incorreção na classificação, já que o laudo indicou que o composto máster branco seria inferior a 0,94 g/cm3. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 556 19 Assim, a classificação correta seria no código 3901.10.91, ocorrendo erro na fundamentação jurídica da autuação, devendo os lançamentos quanto à reclassificação do composto master branco serem cancelados. Neste sentido, os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3301003.646: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela empresa, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, igualmente serão improcedentes as respectivas multas. Acórdão nº 3301003.147: FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DECLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Quanto ao composto colorido, a recorrente não forneceu amostras nem especificações técnicas, cabendo à fiscalização utilizar os documentos fornecidos pela recorrente e conhecimentos disponíveis em outro processo, relativo aos mesmos produtos, para efetuar a reclassificação, que, como se viu , foi coerente com as conclusões obtidas no laudo produzido para os outros dois produtos. A respeito, transcrevo as razões desenvolvidas pela decisão de primeira instância, as quais adoto como razão de decidir para manter a reclassificação do produto "composto colorido", nos termos do § 1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/99: “Como se vê, a contribuinte não aceita que a classificação fiscal seja realizada “a olhos leigos” e afirma que “a fiscalização deveria ter se socorrido de laudo técnico, posto não dispor de habilidade própria da indústria química.” A argumentação é vazia e desprovida de qualquer conhecimento acerca do Processo Administrativo Fiscal. Tivesse se dado ao trabalho de estudar detidamente a legislação, teria a Fl. 658DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 557 20 contribuinte se deparado com o disposto no art.30, §1º, do Decreto nº 70.235/72: [...] O artigo traz mensagem normativa direta e clara. A classificação fiscal de produtos não é considerada aspecto técnico, sendo o auditor, conseqüentemente, agente competente para realizála, no transcurso dos procedimentos de fiscalização, por livre convicção fundamentada (art.29, Decreto 70.235/72). No caso presente, o Auditor fez valer tal prerrogativa e, de forma criteriosa, buscando subsídios na NESH e nas regras de nomenclatura, traçou, como se vê no Termo de Verificação Fiscal, uma trilha lógica para desqualificar a classificação adotada e, também de forma lógica, reclassificou os produtos “composto colorido” e “composto máster branco”. Entendeu a Fiscalização que os citados produtos, em lugar de serem classificados no capítulo 32 da TIPI (EXTRATOS TANANTES E TINTORIAIS; TANINOS E SEUS DERIVADOS; PIGMENTOS E OUTRAS MATÉRIAS CORANTES; TINTAS E VERNIZES; MASTIQUES E TINTAS DE ESCREVER), deveriam alojarse no capítulo 39 (PLÁSTICOS E SUAS OBRAS; BORRACHA E SUAS OBRAS). O raciocínio é lógico, e nada trouxe a contribuinte para descaracterizálo. Se a classificação adotada exige a participação de 80% em peso do dióxido de titânio em relação ao peso do composto final, e se as compras de dióxido de titânio em 2011 representaram apenas 3,3% em peso em relação ao volume de composto vendido, a ilação é quase óbvia: o composto final não pode albergarse na classificação pretendida (3206.11.30). Em verdade, a preponderância (superior a 90%) era de Polietileno e Polipropileno, o que levou o autuante a posicionar os compostos em questão na posição 3901.20.19, qual seja “Polímeros de etileno, em formas primárias. Polietileno de densidade igual ou superior a 0,94. Com carga. Outros". A alíquota do IPI prevista na TIPI é de 5%; Quisesse a contribuinte contestar a linha seguida pelo Autuante deveria ela sim ter se socorrido de laudo técnico capaz de gerar dúvida de convicção para o julgador. Argumentar sem nada dizer, argumentar sem conhecer o Processo Administrativo lançam chances nulas de acatamento da impugnação, mormente diante de critérios precisos e claros como aqueles seguidos pelo Autuante. Destarte, é de se manter a classificação eleita na autuação, ou seja, os produtos “composto colorido”, “composto master branco” e “composto máster branco especial” mostramse como polímeros de etileno, em formas primárias, polietileno de Fl. 659DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 558 21 densidade igual ou superior a 0,94 com posição TIPI 3901.20.19 e alíquota de 5%. “ Assim, dou parcial provimento ao recurso voluntário quanto à reclassificação fiscal. No que tange à responsabilidade dos sócios, a fiscalização enquadrou na situação prevista no inciso III do artigo 135 do CTN, em razão da conduta de sonegação tipicada no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, caracterizada pela prática reiterada de declaração a menor em DCTF dos débitos de IPI escriturados no Livro Razão nos meses de janeiro a julho de 2011 e de declaração de DCTF zerada para os meses de agosto a dezembro de 2011. A conduta descrita acima e já analisada anteriormente caracterizou crime contra a ordem tributária tipificada no artigo 1º, inciso I da Lei nº 8.137/19903, o que atrai a aplicação da responsabilidade prevista no inciso III do artigo 135 do CTN, abaixo transcrito: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A conduta praticada não se amolda à mera inadimplência no pagamento de tributo de que trata a Súmula 4304 do STJ, mas ao agir doloso no sentido de retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, mediante a entrega de DCTF com valores zerados ou inferiores ao sabidamente devido e escriturado no Livro Razão, infringindo a lei penaltributária, configurando assim a responsabilidade dos sóciosgerentes. Neste sentido, citamse os acórdãos: Acórdão nº 1402002.462: [...] SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à 3 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; 4 O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 559 22 época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão. [...] Acórdão nº 3401003.166: [...] SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. [...] Acórdão nº 3301002.917: [...] TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO COM O INTUITO DELIBERADO DE SONEGAÇÃO FISCAL. ABUSO DO DIREITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. LEGITIMIDADE. Realidade em que o sujeito passivo, de forma recorrente, em abuso do alegado direito de petição, declarou informações sabidamente falsas, deixando para retificar as DCTF somente quando instaurado o procedimento de fiscalização. Diante da ausência de declaração e de pagamento, pelo contribuinte, de tributo sujeito a lançamento por homologação, deverá a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, o qual, uma vez caracterizada a conduta dolosa, deverá corresponder ao percentual de 150% capitulado no artigo 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96. SÓCIO DIRETOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III). Recurso voluntário negado. [...] Por fim, quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, analisase, inicialmente, a possibilidade de incidência de juros de mora sobre multas. O artigo 161 do CTN dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 661DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 560 23 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O crédito tributário decorre da obrigação principal e possui a mesma natureza desta, conforme disposto no art. 139 do Código. Esta, por sua vez, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (artigos 113, §1º e 139 do CTN). Depreendese, assim, que o crédito tributário mencionado no artigo 161 do CTN abrange os tributos e as penalidades pecuniárias, sujeitandose à incidência dos juros de mora. A respeito, citase o Recurso Especial 1.129.990 PR (2009/00543162), julgado em 01/09/2009, de relatoria do Ministro Castro Meira: EMENTA TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília, 1º de setembro de 2009(data do julgamento). Transcrevese, ainda, excerto do voto condutor, esclarecedor da questão: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 561 24 A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546). De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.0271.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades.(grifos não originais) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: Fl. 663DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 562 25 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos não originais) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial Fl. 664DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 563 26 Na mesma direção, ensina Hugo de Brito Machado5: “A denominada multa de ofício caracterizase pela inafastável necessidade de ação fiscal para que se considere devida. Assim, mesmo em face da jurisprudência que tem predominado, em se tratando de multa de ofício não se pode falar da existência de uma obrigação que a tenha como conteúdo, antes de regularmente constituído o crédito tributário. Assim, somente com a lavratura do auto de infração é que se pode considerar devida a multa de ofício. E como em face do auto de infração o contribuinte é notificado a fazer o correspondente pagamento, é a partir daí que se pode cogitar da configuração da mora, , em conseqüência, do início da incidência de juros de mora correspondentes” Inferese, de fato, que a multa de ofício é constituída na lavratura do auto de infração e vence no prazo de trinta dias para a apresentação da impugnação ao lançamento. Após este prazo, considerase devida e, portanto, sujeita a juros de mora, não fazendo sentido algum permanecer seu montante imutável ao longo do tempo até que se ultime sua extinção. Assim, o artigo 161, §1º do CTN, determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calculados à taxa de um por cento ao mês. Destarte, ultrapassada a questão da pertinência da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, resta verificar se a taxa Selic, aqui em discussão, deve ser utilizada como os juros de mora a que se refere o artigo 161. Sobre a legitimidade da Selic como juros moratórios, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Cabe frisar que no julgamento dos recursos especial e extraordinário, acima referidos, a discussão girou em torno da isonomia entre a aplicação da Selic na repetição de indébito como na atualização dos débitos: “Forçoso esclarecer que os debates nesta Corte gravitaram em torno da aplicação da taxa SELIC em sede de repetição de indébito. Nada obstante, impõese, mutatis mutandis, a incidência da referida taxa nos cálculos dos débitos que os contribuintes tenham para com as Fazendas Municipal, Estadual e Federal. Aliás, raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os 5 MACHADO, Hugo de Brito. Juros de Mora sobre Multas Tributárias. RDDT 180/82, set/2010, apud PAULSEN, Leandro. Direto Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 14º ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE: 2012. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 564 27 contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias.”(REsp 879.844/MG) Assim, sob este aspecto abordado nos julgamentos dos recursos especial e extraordinário, é legítima a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício após seu vencimento, pois que eventual indébito referente à multa paga a maior que a devida, necessariamente seria corrigido pela referida taxa. Por outro lado, diversos diplomas legais trataram da Selic como juros de mora incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional. Assim, citamse: Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.(Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) (grifei) Art. 91. O parcelamento dos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, autorizado pelo art. 11 do DecretoLei nº 352, de 17 de junho de 1968, com a redação dada pelo DecretoLei nº 623, de 11 de junho de 1969, pelo inciso II, do art. 10 do DecretoLei nº 2.049, de 01 de agosto de 1983, e pelo inciso II, do art. 11 do DecretoLei nº 2.052, de 03 de agosto de 1983, com as modificações que lhes foram introduzidas, poderá ser autorizado em até trinta prestações mensais. Parágrafo único. O débito que for objeto de parcelamento, nos termos deste artigo, será consolidado na data da concessão e terá o seguinte tratamento: a) se autorizado em até quinze prestações: a.1) o montante apurado na consolidação será dividido pelo número de prestações concedidas; a.2) o valor de cada parcela mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado; (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) b) se autorizado em mais de quinze prestações mensais: b.1) o montante apurado na consolidação será acrescido de encargo adicional, correspondente ao número de meses que Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 565 28 exceder a quinze, calculado à razão de dois por cento ao mês, e dividido pelo número de prestações concedidas; b.2) sobre o valor de cada prestação incidirão, ainda, os juros de que trata a alínea a.2 deste artigo.(Revogado pela Lei nº 10.522, de 19.7.2002) Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Produção de efeito (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 566 29 Art. 17. Fica acrescentado o seguinte parágrafo ao art. 84 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: "Art. 84. ......................................................... § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) (grifei) ... Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (grifei) § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) (grifei) Destacase que o artigo 30 da Lei nº 10.522/2002, expressamente prevê a incidência dos juros de mora à taxa Selic, a partir de1º/01/1997, relativamente aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional referidos no artigo 29, cujos fatos geradores tivessem ocorridos até 31/12/1994. Já a mesma lei acrescentou ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, o §8º, a disposição de que aos demais créditos da Fazenda Nacional, aplicamse as disposições do artigo 84, o que determina a aplicação dos juros de mora aos tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorressem a partir de 1º/01/1995. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 567 30 da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) A Lei nº 10.522/2002, é conversão da MP nº 2.17679/2001, fruto da reedição de sucessivas medidas provisórias, desde a original de nº 1.110, de 30 de agosto de 1995. A inclusão do §8º no artigo 84 da Lei nº 8.981/95, pela MP nº 1.110/95, bem como a inclusão dos artigos 29 e 30 pela MP nº 1.542/96 (nove dias antes da publicação da Lei nº 9.430/96) estabeleceram, expressamente, a incidência da taxa Selic sobre quaisquer débitos da Fazenda Nacional (até 1994 pelo artigo 30 e após 1º/01/1995, pelo §8º do artigo 84). Constatase que, por sua vez, a Lei nº 9.430/96, ao prever a aplicação da Selic em seus artigos 43 e 61 convalidou o que já estava sendo previsto pela MP nº 1.542/96 (atual Lei nº 10.522/2002). Concluise, portanto, que é legítima a incidência da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício vinculada ao tributo. Neste sentido, citamse, recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso de ofício, restaurando a multa de ofício qualificada no percentual de 150% e para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar os lançamentos relativos à reclassificação do composto master branco. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 568 31 Voto Vencedor Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Redatora: Com as vênias de praxe, a divergência com o voto do i. Relator prendese à qualificação da multa de ofício, no lançamento que ora se discute. Da multa qualificada Os fatos são incontroversos, visto que a empresa realmente declarou em DCTF, valores inferiores aos devidos em alguns períodos e zerados em outros, conforme afirma o relatório. Não obstante esteja caracterizada a irregularidade cometida pela recorrente, a questão é se essa omissão se subsume aos preceitos normativos prescritos no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, mais precisamente ao artigo 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, enquadramento adotado pelo fiscal autuante. Cumpre então observar as prescrições da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) ..................................................... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Grifei Com efeito os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (grifei) I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 569 32 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.: (grifei) Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (grifei) Inferese dos enunciados normativos em destaque que o dolo é ínsito ao tipo legal e pressupõe o ato volitivo, consciente de causar prejuízo a outrem. Registrese a interpretação da fiscalização aos fatos colhidos na presente autuação, conforme Termo de Verificação Fiscal IPI, fls.17/27: 8. Consta na escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI que a empresa apurou saldo devedor de IPI em todos os meses do anocalendário 2011. Esses saldos devedores de IPI estão escriturados na conta contábil nº 6349 do Livro Razão. No entanto, nos meses de janeiro a julho, declarou nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) débitos de IPI inferiores aos efetivamente escriturados no RAIPI, e, nos meses de agosto a dezembro, não declarou débitos de IPI; 9. Foi verificado no ambiente SPEDEFD, que os arquivos de notas fiscais referentes aos meses de janeiro a março, junho e agosto de 2011 estavam zerados. O contribuinte foi intimado, por meio do TIF nº 0001, a apresentar declaração retificadora para corrigir tais problemas. Até o momento a retificação não foi providenciada;(grifei). 10. Desta forma, comprovouse que o contribuinte efetivamente recolheu/declarou a menor os débitos de IPI em todos os meses do anocalendário 2011. Assim, fazse necessária a constituição de ofício dos valores devidos pelo contribuinte, apurados no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IPI ESCRITURADO E NÃO DECLARADO, considerando a qualificação da multa de ofício conforme explicado nos itens 47 a 52 deste Termo; (...) 47. A despeito de ter escriturado valores de IPI a pagar, na conta contábil nº 6349 do Livro Razão, de janeiro a julho de 2011, o contribuinte confessou apenas pequena parte do valor do débito de IPI nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e, de agosto a dezembro de 2011, não confessou débitos de IPI nas DCTF; 48. Não é razoável supor que tal discrepância entre as informações prestadas ocorreu por um simples “erro material”. Não se trata de um erro de cálculo, de uma transcrição errônea de um valor da escrita fiscal para as declarações, mas sim da entrega de 7 DCTF preenchidas confessando apenas pequena parte dos débitos de IPI escriturados, e de 5 DCTF sem confissão de débitos de IPI. A grande quantidade de declarações apresentadas contendo informações falsas forma um conjunto de Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 570 33 circunstâncias que demonstra, de forma clara e evidente, a intenção, o propósito do fiscalizado de não submeter suas receitas à tributação; 49. A prática reiterada de apresentar declarações fiscais contendo informações falsas só leva a fortalecer as conclusões sobre a sua deliberada intenção de tentar impedir ou retardar, ao menos parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; 50. Neste ponto cabe uma explicação sobre a natureza destas declarações para elucidar os motivos de se entregar uma DCTF “zerada”. A DCTF é instrumento de confissão de dívida, na qual devem ser informados todos os tributos federais apurados pelo contribuinte. Os tributos que não forem pagos, compensados, parcelados ou suspensos por medida judicial, ou seja, os “saldos a pagar”, são passíveis de imediata e automática inscrição em Dívida Ativa da União. A DACON não tem essa característica; são documentos meramente informativos. Mesmo o tributo apurado estando informado nestes, ainda há a necessidade de que o crédito tributário respectivo seja constituído através de Auto de Infração, após procedimento de fiscalização, para só então se tornar exigível. Por sua vez, se o débito apurado estiver declarado em DCTF, já estará constituído, sendo desnecessária a autuação; Ocorre que no caso em apreço embora não se questione a omissão, visto que não há controvérsia quanto aos fatos declinados na autuação, constatase dos autos que os valores exigidos foram apurados, a partir dos livros fiscais e contábeis apresentados à fiscalização, conforme se depreende da resposta de fl.82 e fls.320/362, registros estes verificados no ambiente 6SPED7EFD, conforme ratifica a autuação, depreendendose então que os fatos estavam à disposição do fisco, uma vez que a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, além de usuária do SPED é também administradora do referido ambiente digital, na forma do artigo 5º do Decreto 6.022, de 2007, inferindose portanto que tal abrangência de conhecimento e acessibilidade pela RFB da EFD do contribuinte não se coaduna com a hipótese normativa do artigo 71 da Lei nº 4.502, de 1964, já que o conhecimento da autoridade fazendária é ponto fulcral da referida norma, que visa alcançar a conduta dolosa, tendente a [impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária ], situação nos presentes autos desfigurada pela potencialidade de conhecimento do fisco através da EFD. É de realce destacar que a ausência de declaração ou a declaração a menor, é infração cuja penalidade é cominada especificamente pelo art. 44 da Lei 9.430, de 1996, com a 6 SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, instituído pelo Decreto 6.022/2007, é instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos que integram a escrituração contábil e fiscaldos empresários e das pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas, mediante fluxo único, computadorizado, de informações. 7 A Escrituração Fiscal Digital EFD é um arquivo digital, que se constitui de um conjunto de escriturações de documentos fiscais e de outras informações de interesse dos Fiscos das unidades federadas e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como de registros de apuração de impostos referentes às operações e prestações praticadas pelo contribuinte.Este arquivo deverá ser assinado digitalmente e transmitido, via Internet, ao ambiente Sped. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 571 34 imposição do percentual de 75%, portanto o caso em tela é passível de penalidade, não de forma qualificada, visto que a redução ou omissão dos valores em DCTF não pode caracterizar conduta dolosa, haja vista que a contabilidade estava à disposição do fisco e este apurou a partir desta, os valores exigidos. Assim, no caso em análise, o fato de haver DCTF zeradas, não autoriza a conclusão de que houve dolo, ou seja, os fatos não se subsumem aos seus preceitos normativos para a qualificação da multa, visto que a conduta dolosa não restou configurada. Dizse então que não há tipicidade, ou seja não há a conformação do fato à base legal utilizada pela fiscalização. Na esteira desse raciocínio, cabe trazer a lume, a pertinente fundamentação da decisão de piso: A constatação foi imediata: o que estava nas DCTFs não correspondia, em momento algum, aos saldos devedores apurados no Livro de Apuração do IPI. A seqüência legal é simples: o que está declarado (ou seja, na DCTF) sofre cobrança direta, sem necessidade de constituição do crédito tributário via lançamento de ofício (art.5º, §1º, DL 2124/84); o que não está declarado deve ser exigido em auto de infração. A situação fática foi descrita de forma clara e os valores apurados em submissão à legislação pertinente; alegar obscuridade no feito fiscal é atirar argumentos a esmo, sem qualquer preocupação com a coerência, a veracidade e a consistência. No tocante à graduação da penalidade em 150% asseverou a Fiscalização –como acima citado que “o contribuinte, dolosamente, tentou impedir o conhecimento, por parte do Fisco Federal, da ocorrência do fato gerador, em virtude do mesmo escriturar valores de IPI a pagar, e não confessar esses débitos em DCTF, infringindo o disposto no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, que caracteriza tal prática como sonegação fiscal. Esta infração enseja a qualificação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1° da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida provisória n 351/07, convertida na Lei n° 11.488/07. Desta forma, será aplicada a multa de ofício no percentual de 150%”. Aqui diverge esse relator do posicionamento jurídico do Autuante. A meu sentir, no que diz respeito ao IPI, a partir do momento em que o contribuinte emite a nota fiscal não há mais que se falar em ocultação do fato gerador ou mesmo no retardamento de sua ocorrência. Se o documento em questão não foi questionado nem do ponto de vista material, nem do ponto de vista ideológico, lá estão expostos todos os elementos constitutivos do crédito tributário, a saber, o sujeito passivo, o destinatário da mercadoria, a natureza desta e do negócio Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 572 35 jurídico praticado entre as partes (venda, consignação, transferência etc.). Não se deve deixar de considerar também o advento do SPED fiscal, cuja plataforma de escrituração virtual permite ao Fisco acesso a qualquer momento – a todos os elementos da escrituração atinentes a qualquer empresa obrigada a tal sistemática, o que fragiliza, e muito, a alegação de retardamento de informação a ser prestada ao fisco via obrigação acessória, já que o dado ou valor não informado encontrase à disposição do Fisco em seu elemento de origem (livros fiscais, contábeis, notas fiscais etc.). Dentro do raciocínio supra, assomase indefensável, ao menos a meu sentir, a idéia de que um valor não lançado na DCTF tenha gerado atraso de conhecimento do fato gerador quando o livro de entrada, as notas fiscais e o RAIPI estão no ambiente SPED, como no presente caso (vide TVF. fl.18). O argumento do autuante é falho em outro ponto. A DCTF não demonstra o fato gerador, mas sim o confronto final entre débitos e créditos e se, e somente se, o saldo resultante for devedor. Se o saldo for credor, houve fato gerador demonstrado nas notas fiscais, mas o produto final não deve ser declarado, pois não há crédito tributário a ser satisfeito. Quer dizer, criar vínculo lógico entre a DCTF e o retardamento de conhecimento do fato gerador me parece inconsistente. Ao que tudo indica, a intenção do legislador foi proteger, como circunstância qualificativa da penalidade aplicada, o núcleo da obrigação tributária, qual seja o fato gerador de todo o desdobramento jurídico que culminará com um direito creditório em favor do Erário Público. Ocultar o fato ou retardar o seu conhecimento significa omitir documentação base de ocorrência, deformar circunstâncias materiais ou a natureza do negócio jurídico praticado. Ocorre que o viés documental do núcleo da obrigação (o fato gerador) é a nota fiscal, sobre a qual deve deitar olhos o Fisco na busca de qualificação da infração praticada: se não há nota, qualificase por ocultação da saída; se há nota, mas o negócio jurídico é diverso do aposto no documento, qualificase por alteração de natureza; se há nota, mas o valor da operação está adulterado, qualificase por alteração de circunstâncias materiais. Qualificar por sonegação com base em condutas afastadas do núcleo documental do fato gerador me parece legalmente inadequado. Exemplo disso, como já se disse, é o caso presente. A DCTF não se insere no núcleo de busca de conduta inadequada visado pelo legislador tributário. Por outro lado, frisese, por necessário, que declarar a menor em tal documento pode não qualificar a multa, mas constitui sim conduta reprovável punida pelo instituto do agravamento da penalidade, tão esquecido pelos autuantes. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13502.720251/201417 Acórdão n.º 3302005.333 S3C3T2 Fl. 573 36 (...) Este é o panorama jurídico sob o qual formo minha convicção para tomar por ilegítima a qualificação da multa de ofício aplicada pela insuficiência de recolhimento do IPI com reiterada declaração a menor do tributo devido na DCTF.(grifei). Com efeito, estando a responsabilização dos sóciosadministradores vinculada, conforme o TVF e respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, nº 01 e 02, fls.373/376, à infração penal tributária, acima aludida, a demonstração conforme fundamentos acima de descaracterização do dolo na espécie em análise, importa na inexistência de fundamento, com vistas às disposições do 8artigo 135, III para manter a responsabilidade tributária destes, assim devem os sóciosadministradores ser excluídos do pólo passivo. Diante do exposto, no tocante à divergência ora examinada, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, restando mantida apenas a multa de ofício de 75%, nos exatos termos da decisão recorrida; DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para excluir do pólo passivo os sóciosadministradores nos termos dos fundamentos acima. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 8 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 675DF CARF MF
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