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Numero do processo: 16561.720014/2011-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006,2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 14 /2 01 1- 99 Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 16561.720014/201199 Acórdão n.º 9101003.182 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial pretendendo o reconhecimento da inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade, em que se compreendeu que a análise dos paradigmas evidenciou que a recorrente logrou demonstrar o dissídio jurisprudencial, apresentando julgados nos quais, ao contrário do acórdão recorrido, afastouse a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Passase, assim, à apreciação do recurso. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.172, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10980.726251/201146. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.172): Por meio do acórdão 9101002.349, de 14/06/2016, proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões que reafirmo a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu artigo 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (Grifei) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase: Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 16561.720014/201199 Acórdão n.º 9101003.182 CSRFT1 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Grifei) Ora, dos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Grifei) Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no artigo 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do artigo 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, como sustenta a recorrente, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Além disso, o CTN claramente permite a aplicação de juros sobre "crédito", conceito no qual se insere a multa de ofício. O artigo 161, caput, do Código, estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 16561.720014/201199 Acórdão n.º 9101003.182 CSRFT1 Fl. 5 4 Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do artigo 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os artigos 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária, que evidentemente inclui a multa de ofício proporcional, é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o exConselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o artigo 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o artigo 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 16561.720014/201199 Acórdão n.º 9101003.182 CSRFT1 Fl. 6 5 obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1/9/2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o artigo 161 do Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 16561.720014/201199 Acórdão n.º 9101003.182 CSRFT1 Fl. 7 6 CTN em conjunto com os artigos 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o artigo 161 do CTN, ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, de 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Grifei) Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." (Grifei) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Portanto, como se vê, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorre da lei. Conforme o antes transcrito § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável aos débitos de que aqui se trata, aí Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 16561.720014/201199 Acórdão n.º 9101003.182 CSRFT1 Fl. 8 7 incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Concluise, portanto, que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Pelo exposto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, mantendose a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.726626/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/09/2012
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária.
CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas.
DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido.
A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmá-lo alegações de cunho genérico.
AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal.
MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.
O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO.
Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. LARANJAS.
Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Igualmente, e sem prejuízo da primeira imputação, correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO.
É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA.
O auxílio-alimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias.
VALE-TRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-003.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes ao vale-transporte.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 30/09/2012 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas. DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmá-lo alegações de cunho genérico. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. LARANJAS. Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Igualmente, e sem prejuízo da primeira imputação, correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA. O auxílio-alimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALE-TRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas. DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Considerase fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmálo alegações de cunho genérico. AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 66 26 /2 01 4- 78 Fl. 13024DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.956 2 O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. “LARANJAS”. Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Igualmente, e sem prejuízo da primeira imputação, correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA. O auxílioalimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALETRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindose a questão controversa à apresentação de prova documental, tornase prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. Fl. 13025DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.957 3 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes ao valetransporte. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão administrativa de primeira instância proferida pela DRJ Fortaleza que julgou improcedente a impugnação ofertada para desconstituir o lançamento tributário formalizado. O lançamento do crédito tributário é composto pelos seguintes Autos de Infração: Auto de Infração Valor Principal Data da Consolidação Valor Consolidado Contribuições Levantamentos 51.043.3588 652.724,48 02/12/2014 1.790.581,51 patronais incidentes sobre as remunerações de segurados empregados: contribuições previstas no art. 22, I e II, da Lei n° 8.212/1991 ﴾FPAS e RAT﴿. SE REMUNERAÇÕES PAGAS A. EMPREGADOS 51.043.3596 172.081,88 02/12/2014 472.062,33 contribuições destinadas aos terceiros: FNDE ﴾SalárioEducação﴿, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE SE REMUNERAÇÕES PAGAS A. EMPREGADOS O Relatório Fiscal destacou o histórico e aspectos mais relevantes da autuação nos termos seguintes: A empresa autuada é uma loja de revenda de autopeças, parte de um empreendimento denominado REDE PRESIDENTE e é constituída em nome de laranja. A Fl. 13026DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.958 4 empresa foi excluída do Simples Nacional, com efeitos a partir de 23/03/2010, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 40, de 24/11/2014 (Processo n° 10950.725932/201497). O relatório utilizase de elementos coligidos nos processos administrativos fiscais n° 11020.723699/201218 e n° 15586.720329/201195, bem como no Inquérito Policial n° 256/2008DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita da Delegacia da Polícia Federal de Maringá/PR. Tal inquérito encontrase distribuído para o Juízo Federal da 3a Vara Criminal de Curitiba/PR, sob o n° 2008.70.0094275/PR. No âmbito do inquérito policial, foram providenciados dois pedidos de quebra de sigilo de dados e/ou telefônico, em cujas decisões o Juízo fez constar que todos os dados e informações obtidos no inquérito fossem compartilhados com a Receita Federal do Brasil RFB. Foi também determinada a quebra do sigilo fiscal, tributário e patrimonial de 110 pessoas físicas e jurídicas relacionadas à REDE PRESIDENTE, dentre os quais os integrantes da família Tolardo. Em cumprimento às decisões judiciais, a Polícia Federal franqueou o acesso da RFB aos dados coletados nas investigações do inquérito. As investigações da Polícia Federal em conjunto com a RFB culminaram na deflagração da Operação Laranja Mecânica, realizada em 17/10/2012, com o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão. Todo o material foi disponibilizado à RFB. As provas apontam para a existência de um grande empreendimento comercial, no ramo de autopeças (atacado e varejo), denominado REDE PRESIDENTE, com lojas em várias unidades da federação e que, embora formalmente constituída por diversas empresas, a quase totalidade em nome de laranjas, tratase, na verdade, de um único empreendimento, iniciado por Samuel Tolardo, já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, sua esposa, Íris da Silva Tolardo, e os filhos, Robson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Os mandados de busca e apreensão tiveram por alvo vários endereços, dentre eles endereços da família Tolardo, bunkers onde se encontravam armazenados documentos, endereços de laranjas e endereços das empresas que funcionavam como filiais do empreendimento. Além dos arquivos com os documentos apreendidos, a Polícia Federal disponibilizou à RFB os laudos de perícia criminal relativos à mídia apreendida. DA ORIGEM (IMPORTADORA TOLARDO E REAL IGUAÇU) Na base de dados da RFB foi identificada a empresa Importadora Tolardo Ltda. (CNPJ 79.112.637/000120), que tinha como sócios Samuel Tolardo e seu irmão Hélio Tolardo. Essa empresa tinha como atividade a exploração do comércio de compra, venda e importação de peças e acessórios para autos em geral, bem como representações por conta própria e foi aberta em 1962. Em setembro/1983, a Importadora Tolardo Ltda. foi incorporada pela empresa Real Iguaçu Auto Peças Ltda. (CNPJ 77.597.318/000126), doravante mencionada simplesmente como Real Iguaçu. Essa empresa era da família Tolardo. No Bunker localizado na Rua Rui Barbosa, em Maringá/PR, foi encontrada a quarta alteração contratual da Real Fl. 13027DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.959 5 Iguaçu, de 10/11/1994, onde consta que até essa data os sócios eram José Dario Tolardo e Maria Silene Tolardo, marido e esposa. Foi encontrado, ainda, no bunker, dentre vários arquivos relacionados à REDE PRESIDENTE, um pendrive com um arquivo intitulado “TCC Final Corrigido”, que se trata de um trabalho de conclusão de curso, elaborado por uma das funcionárias do esquema, Mirian Coutinho de Lima Lepetit, que se constitui em uma avaliação de desempenho como perspectiva de melhoria pessoal e organizacional em uma empresa de autopeças na cidade de Maringá. Resta claro no trabalho que essa empresa era a REDE PRESIDENTE, tendo sido mencionada que a empresa surgiu em 1962, composta por três sócios, filhos de imigrantes italianos, chamados no trabalho de S, D e H, iniciais dos irmãos Tolardo. De acordo com a alteração contratual da Real Iguaçu, constatase que até 1994, a empresa tinha a razão social de Tolardo Auto Peças. Em 11/09/1991, faleceu um dos irmãos, Hélio Tolardo. Também na década de 90, a empresa Real Iguaçu, na época denominada de Tolardo Auto Peças, sofreu diversas autuações fiscais, o que parece ter motivado os novos rumos da empresa. A partir de então, iniciouse a empreitada ilícita do esquema fraudulento denominado REDE PRESIDENTE. Em 1994, a Real Iguaçu altera seu endereço de Maringá/PR para Santo André/SP e, em novembro/1994, interpõe sócios laranjas em seu quadro societário. Em 1995, passa à condição de inativa. A estratégia da empresa de mudança para Santo André/SP e inserção de sócios laranjas parece funcionar, já que, após a inscrição na Dívida Ativa dos débitos tributários, a execução fiscal teve que ser ajuizada em Santo André/SP, onde a empresa não existia de fato. A Real Iguaçu resta inativa desde 1995, abandonada pela família Tolardo em face de suas dívidas fiscais. DO SURGIMENTO DA RPT E REDE PRESIDENTE Na segunda metade da década de 90, com a autuação fiscal e o consequente abandono da Real Iguaçu, ocorre a cisão dos irmãos Tolardo. O mencionado trabalho de conclusão do curso de Mirian Coutinho de Lima Lepetit confirma a separação dos irmãos Tolardo. Samuel Tolardo (“S”) e José Dario Tolardo (“D”) continuaram trabalhando no mesmo ramo, porém de forma separada. O primeiro ficou com a REDE PRESIDENTE, alvo da presente ação fiscal, e José Dario Tolardo com a rede de distribuição de autopeças denominada Vespor Automotive. Nessa época, Samuel Tolardo adquire uma outra empresa do ramo de autopeças, a FORAMEC, criando a partir dessa “cria” a empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. O nome de fantasia PRESIDENTE passa a ser utilizado pelas lojas de Samuel Tolardo. A sigla RPT remete às iniciais de REDE PRESIDENTE. Em setembro/1983, a Importadora Tolardo Ltda. foi incorporada pela empresa Real Iguaçu Auto Peças Ltda. (CNPJ 77.597.318/000126), doravante mencionada simplesmente como Real Iguaçu. Essa empresa era da família Tolardo. No Bunker localizado Fl. 13028DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.960 6 na Rua Rui Barbosa, em Maringá/PR, foi encontrada a quarta alteração contratual da Real Iguaçu, de 10/11/1994, onde consta que até essa data os sócios eram José Dario Tolardo e Maria Silene Tolardo, marido e esposa. Foi encontrado, ainda, no bunker, dentre vários arquivos relacionados à REDE PRESIDENTE, um pendrive com um arquivo intitulado “TCC Final Corrigido”, que se trata de um trabalho de conclusão de curso, elaborado por uma das funcionárias do esquema, Mirian Coutinho de Lima Lepetit, que se constitui em uma avaliação de desempenho como perspectiva de melhoria pessoal e organizacional em uma empresa de autopeças na cidade de Maringá. Resta claro no trabalho que essa empresa era a REDE PRESIDENTE, tendo sido mencionada que a empresa surgiu em 1962, composta por três sócios, filhos de imigrantes italianos, chamados no trabalho de S, D e H, iniciais dos irmãos Tolardo. De acordo com a alteração contratual da Real Iguaçu, constatase que até 1994, a empresa tinha a razão social de Tolardo Auto Peças. Em 11/09/1991, faleceu um dos irmãos, Hélio Tolardo. Também na década de 90, a empresa Real Iguaçu, na época denominada de Tolardo Auto Peças, sofreu diversas autuações fiscais, o que parece ter motivado os novos rumos da empresa. A partir de então, iniciouse a empreitada ilícita do esquema fraudulento denominado REDE PRESIDENTE. Em 1994, a Real Iguaçu altera seu endereço de Maringá/PR para Santo André/SP e, em novembro/1994, interpõe sócios laranjas em seu quadro societário. Em 1995, passa à condição de inativa. A estratégia da empresa de mudança para Santo André/SP e inserção de sócios laranjas parece funcionar, já que, após a inscrição na Dívida Ativa dos débitos tributários, a execução fiscal teve que ser ajuizada em Santo André/SP, onde a empresa não existia de fato. A Real Iguaçu resta inativa desde 1995, abandonada pela família Tolardo em face de suas dívidas fiscais. DO SURGIMENTO DA RPT E REDE PRESIDENTE Na segunda metade da década de 90, com a autuação fiscal e o consequente abandono da Real Iguaçu, ocorre a cisão dos irmãos Tolardo. O mencionado trabalho de conclusão do curso de Mirian Coutinho de Lima Lepetit confirma a separação dos irmãos Tolardo. Samuel Tolardo (“S”) e José Dario Tolardo (“D”) continuaram trabalhando no mesmo ramo, porém de forma separada. O primeiro ficou com a REDE PRESIDENTE, alvo da presente ação fiscal, e José Dario Tolardo com a rede de distribuição de autopeças denominada Vespor Automotive. Nessa época, Samuel Tolardo adquire uma outra empresa do ramo de autopeças, a FORAMEC, criando a partir dessa “cria” a empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. O nome de fantasia PRESIDENTE passa a ser utilizado pelas lojas de Samuel Tolardo. A sigla RPT remete às iniciais de REDE PRESIDENTE. O trabalho de Mirian Coutinho de Lima Lepetit confirma que os filhos de Samuel Tolardo o sucederam na empreitada e que Rogério Márcio Tolardo (chamado de “M”) Fl. 13029DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.961 7 tem a maior participação no negócio. Consta também o número de lojas da rede e os estados onde estão localizadas. A RPT tinha endereço inicial em Tatuapé, São Paulo/SP. Mudouse, em 06/04/2000, para Guarulhos/SP. Em 21/06/2002, mudouse para o Rio de Janeiro/RJ. Sempre teve filiais espalhadas pelo país, várias delas com nome de fantasia “Distribuidora Presidente”. As provas indicam que foram utilizados laranjas como sócios dessa empresa, além de constar laranja também no quadro societário da Mansfield Finance, por sua vez, sócia da RPT. DA REDE PRESIDENTE Apesar de a empresa RPT ser mencionada pela denominação de REDE PRESIDENTE, ela é apenas uma das tantas empresas formalmente constituídas em nome de laranjas, mas que, em verdade, compõem um único empreendimento empresarial/comercial, que se passa a citar por REDE PRESIDENTE. Diversas empresas foram constituídas, inclusive diversas factorings que serviam de elo financeiro para o esquema, centralizando recebimentos e pagamentos. A maioria dessas factorings foram abandonadas nos anos de 2007 e 2008, provavelmente por ter sofrido fiscalização da RFB. Outras empresas passaram a desempenhar essa função financeira, muitas sem ter sequer existência física. Algumas empresas serviam exclusivamente para centralizar as compras e distribuilas para as lojas. Várias outras foram constituídas para abrigar as diversas lojas de vendas de autopeças espalhadas pelo país. Entre elas, uma coisa em comum: todas com laranjas em seus quadros societários. Há outras empresas, estas em nome dos verdadeiros mentores do esquema, porém utilizadas com a função de amealhar o patrimônio, principalmente imóveis, obtido de forma fraudulenta. O logotipo da REDE PRESIDENTE identificado no sítio da internet é o mesmo utilizado em vários endereços físicos de lojas da rede espalhadas pelo território nacional. Os colaboradores/funcionários do esquema se referem a ele ora como REDE PRESIDENTE, ora como DISTRIBUIDORA PRESIDENTE, ora simplesmente como PRESIDENTE. As lojas onde estão distribuídos os diversos CNPJ são chamadas de filiais. O esquema REDE PRESIDENTE comprava peças junto aos fornecedores e as reembalava em caixas com a marca Napa Parts. Foi encontrado em computador apreendido, um arquivo contendo o planejamento estratégico de marketing dessa marca. O texto final do documento vincula a marca Napa Parts à REDE PRESIDENTE. O logotipo da Napa Parts aparece em muitas lojas da REDE PRESIDENTE ao lado do logotipo da REDE PRESIDENTE. Dentre os documentos encontrados, destacamse os de controle das filiais, que as identificavam com um número seguido do nome da cidade, relacionando também o CNPJ utilizado pela filial, o endereço, a inscrição estadual, telefone, email e o gerente. Foram encontrados nos bunkers do esquema carimbos e relatórios contendo, inclusive, as empresas já inativas, sendo identificadas mais de 80 (oitenta) empresas. Fl. 13030DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.962 8 Dentre os diversos documentos de controle, no bunker situado na Rua das Camélias, foi encontrada a relação de funcionários, emitida em 08/10/2012, que os lista por filial. No endereço residencial de Vânia Maria Lenarduzzi, foi encontrado documento que discrimina o salário 1 (registrado) dos funcionários e o salário 2 (popular “por fora”). Este último documento tem 727 nomes, distribuídos em 42 filiais, apenas as que têm ou tinham uma existência física. Em outro documento encontrado, há um relatório bem mais enxuto das filiais, com razão social, CNPJ e sócios, constando 84 (oitenta e quatro) empresas do esquema REDE PRESIDENTE. No endereço residencial de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, foi encontrado um parecer emitido em fevereiro/2011 pela empresa Pactum Advocacia Empresarial, onde consta um “mapeamento fiscal” dirigido à REDE PRESIDENTE. Foi registrado que a REDE PRESIDENTE atua principalmente no mercado atacadista de autopeças e conta com uma rede de distribuição de amplitude nacional, estruturada a partir de diversas empresas distintas, com regimes tributários distintos. Há outros documentos colhidos que revelam a existência da REDE PRESIDENTE, todos anexados ao processo. LARANJAS UTILIZADOS PELO ESQUEMA Os laranjas utilizados pelo esquema são funcionários, terceiros sem vínculo efetivo com a REDE, que recebiam pela utilização de seu nome, e pessoas que sequer sabiam da utilização dos seus nomes. A par dos elementos apresentados no decorrer do relatório, devem ser salientadas as diligências efetuadas em procedimento fiscal realizado na DRF Caxias do Sul/RS junto à empresa NTE da REDE PRESIDENTE. Foram feitas diligências junto às sócias laranjas, Sra. Silvia Vilhalba e Sra. Petrona Ledesma Aliende, pessoas extremamente humildes, que confirmaram não serem sócias de nenhuma empresa. Dos SERVIÇOS EXECUTADOS POR FÁBIO NOVAES Na residência de Fábio Novaes Moreira, que presta serviços contábeis por meio do escritório de contabilidade Transcontec, foram encontrados documentos que comprovam a utilização dos nomes e dados de pessoas físicas, inclusive paraguaios, para o preenchimento de documentos de identidade falsos, com o fim de utilizálos como laranjas nas empresas do esquema. Fábio Novaes Moreira enviava as Declarações Anuais de Ajuste de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física DIRFP relativas a essas pessoas. No endereço de Fábio Novaes Moreira, foram encontrados documentos pessoais paraguaios e brasileiros. Várias carteiras de identidade tinham provas e características evidentes de falsificação. Havia documentos distintos com a mesma foto, além de incompatibilidade de algumas fotos com as idades registradas nos documentos. A necessidade da falsificação das CI deveuse ao fato de que passou a ser necessária a certificação digital para várias operações junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para cuja emissão há necessidade de comparecimento da pessoa. Tal necessidade gerou, inclusive, o pedido de aumento por parte das pessoas que emprestavam seu nome, pois agora deveriam comparecer no Fl. 13031DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.963 9 órgão certificador, segundo comprova troca de mensagens entre Robson Marcelo Tolardo e Daniel de Oliveira Junior. Como exemplo das falsificações, destacase a identidade de Juarez Mielke, que já havia falecido da data da expedição do RG. Foram encontradas duas versões para a identidade de Maria Aparecida Ribeiro e duas para Cláudio Afonso Miranda. Além da versão original da CI de Cleonice da Silva Mielke encontrada na residência de Fábio Novaes, foi encontrada outra versão no seu escritório. A foto dessa carteira falsificada é a mesma de outra em nome de Elidia Mendes Santos. DA VINCULAÇÃO DE IPS UTILIZADOS PARA A TRANSMISSÃO DE DIRPF Foram identificados quatro endereços IP (quatro computadores) de onde foram enviadas as DIRPF do exercício 2010 da família Tolardo, de Milton Assis de Oliveira, procurador da Mansfield Ltda. (sócia da RPT, empresa da REDE PRESIDENTE), de Luiz Tavares da Silva e de Francisco Tomaz Neto, estes dois últimos sócios laranjas da empresa Gama Factoring Ltda. Nas mesmas datas e em horários muito próximos, esses mesmos computadores foram utilizados para transmissão das DIRPF do exercício 2010 de vários outros contribuintes, dos quais 103 são laranjas da REDE PRESIDENTE. No bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, foi localizado relatório intitulado “Relação das Declarações do IRPF 2010”, com controle das DIRPF 2010 de mais de 200 pessoas físicas, dentre elas as 103 antes referidas. DOS LARANJAS PARA REGISTRO DE VEÍCULOS Inúmeros veículos da REDE PRESIDENTE eram registrados em nome de laranjas. Havia controles dos veículos, que eram distribuídos entre as filiais (empresas do esquema) e as pessoas usadas como proprietárias eram pagas, sendo algumas funcionários das empresas. CARTÓRIO COSTA Havia necessidade de autenticações cartorárias, reconhecendo a autenticidade das assinaturas dos laranjas. Praticamente 100% (cem por cento) das autenticações de reconhecimento de firma nos diversos contratos sociais das empresas e em outros documentos, como procurações, eram feitas no Cartório Costa ou Cartório IguatemiPR, que são o mesmo cartório. Os nomes para feitura de documentos e reconhecimento de firma eram passados ao cartório, alguns verdadeiros e outros não. Há conversas nas quais se constata que o cartão de autógrafos era enviado para preenchimento fora do cartório, o que não é um procedimento normal, já que deveria ser confeccionado no tabelionato. Vários dos laranjas com assinaturas autenticadas viviam em cidades muito longe dali, como Ponta Porã/MS, e sequer tinham conhecimento de que constavam em quadro societário de alguma empresa. Em outra conversa interceptada, constatase que havia autenticações por semelhança e “verdadeiras” e não era necessário o comparecimento dos laranjas para que as autenticações fossem feitas. Mesmo as assinaturas verdadeiras não eram feitas de forma presencial no cartório, em desobediência à lei. Os cartões eram enviados para preenchimento fora do cartório. Fl. 13032DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.964 10 DANIEL DE OLIVEIRA JUNIOR Daniel de Oliveira Júnior é figura importante no esquema da REDE PRESIDENTE, estando, inclusive, um dos bunkers registrado em seu nome. Foi utilizado como laranja em algumas empresas do esquema, particularmente da firma individual Daniel de Oliveira Júnior ou Projeto Reviver, cujo objetivo seria a recuperação de créditos da REDE PRESIDENTE junto a clientes inadimplentes. EMPRESAS DIVERSAS DA REDE PRESIDENTE No Relatório de Filiais tratado no tópico “REDE PRESIDENTE” foram verificadas 56 filiais, carimbos de 80 estabelecimentos e na pasta de empresas (ativas e inativas) foram identificadas 112 empresas. Na busca, junto às empresas, de pessoas físicas que tiveram suas DIRPF transmitidas pela REDE PRESIDENTE, constataramse 60 empresas, a maioria do ramo de autopeças, todas vinculadas à rede. Seguem alguns procedimentos que levaram à identificação dessas empresas. DEINF/SP Em 2008, a Delegacia Especial das Instituições Financeiras DEINF/SP promoveu verificações fiscais na Gama Factoring, quando foram identificados pagamentos efetuados por ela a fabricantes de autopeças. Essas empresas foram intimadas e, de forma uníssona, responderam que os pagamentos tinham origem em vendas efetuadas a empresas da REDE PRESIDENTE. Todos os contratos sociais das empresas citadas pelas compradoras foram encontrados no bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, o que comprova a sua vinculação com a REDE PRESIDENTE. DRF EM VITÓRIA/ES A empresa Comercial Presidente de Auto Peças Ltda. foi objeto de fiscalização pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF em Vitória/ES, tendo sido lavrado o Auto de Infração que compõe o processo administrativo 15586.720329/201195. Os seus fornecedores foram intimados a apresentar notas fiscais e comprovantes de pagamentos, tendo sido constatado que os pagamentos foram feitos por outras empresas, quase todas de factoring. As empresas que efetuaram os pagamentos no ano se 2007 foram intimadas, via Correios, a justificar e comprovar os motivos que as levaram a efetuar tais pagamentos. As únicas três empresas que receberam a intimação (Dumas Factoring, PSE Com. de Peças e Uberpeças Dist Auto Peças) não a atenderam. Em regra, as factoring não foram localizadas pelos Correios, pois não precisavam existir fisicamente. Todas as empresas que efetuaram os pagamentos estavam constituídas em nome de laranjas. Com exceção da Duma Factoring e da PSE Com de Peças, todas estão na relação daquelas cujos sócios tiveram suas DIRPF/2010 transmitidas pelos mesmos computadores que transmitiram as declarações da família Tolardo e de outras duas pessoas vinculadas à REDE PRESIDENTE. Os sócios laranjas dessas empresas estão relacionados na Relação de Declarações do IRPF 2010 encontrada no bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR . Fl. 13033DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.965 11 Deve ser destacado que, no ano de 2007, a regra era a utilização de factorings para efetuar os pagamentos, porém a partir dos anos de 2008 e 2009, em razão das investigações da DEINF/SP, a REDE PRESIDENTE abandonou suas factorings, passando a utilizar outras empresas. INVESTIGAÇÕES POLICIAIS NAPA PARTS, AMAZON AUTO PEÇAS E SENSUS PEÇAS P/ VEÍCULOS Em 02/04/2008, por solicitação da Procuradoria da República em Curitiba/PR, a Delegacia da Polícia Federal DPF de Maringá/PR instaurou o inquérito de número 256/2008DPF/MGA/PR, tendo sido solicitadas diligências para localizar as seguintes empresas e seus sócios: Amazon Auto Peças Ltda., Fabiro Factoring Ltda. e Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda. No endereço cadastral da Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda., havia uma empresa denominada “Presidente Distribuidora”, a qual, segundo informações de um comerciante vizinho, possuía uma marca de peças chamada “Napa”. Suas sócias não foram encontradas nos seus endereços cadastrais. A Amazon Auto Peças, supostamente sediada no Amapá, não foi localizada, tampouco seus sócios. A DPF investigou e obteve o verdadeiro endereço de alguns dos sócios, sendo possível a oitiva de três deles, todos pessoas humildes, desenvolvendo as atividades de diarista (faxineira), auxiliar de serviços gerais e trabalhador de serraria. Todos disseram sequer conhecer as empresas investigadas. Uma outra sócia não foi localizada, mas foi obtida a informação de que teria sido presa em 2006. Todos os documentos juntados ao feito têm firma reconhecida no Cartório Costa, localizado no distrito de Iguatemi, Maringá/PR, mesmo algumas empresas tendo domicílio em estados distantes da Federação, como Rio de Janeiro e Amapá. Em diligência efetuada em Maringá/PR, que resultou na Informação n° 098/2010, foi constatado por entrevistas com funcionários que saíam do local e com um funcionário de estabelecimento próximo que a Napa Parts seria do “pessoal da Distribuidora Presidente” e que o seu dono seria uma pessoa de nome Marcelo Tolardo. Em consulta aos bancos de dados disponíveis, a autoridade policial descobriu que Marcelo Tolardo seria o então empresário Robson Marcelo Tolardo, filho de Samuel Tolardo e irmão mais velho de Rogério Márcio Tolardo, que faziam parte do quadro societário da RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. Distribuidora Presidente. Havia, ainda, uma empresa denominada Napa Distribuidora de Auto Peças Ltda., sediada em Guarulhos/SP, que utilizou essa razão social até julho/2000. Após esse mês, essa empresa passou a utilizar o nome de Presidente Peças Ltda. Em julho/2003, a razão social passa a ser Presidente Peças para Veículos Automotores Ltda. e, finalmente, em junho/2005, passa a ser Sensus Peças para Veículos Automotores Ltda. PROCEDIMENTO CAXIAS DO SUL/RS Fl. 13034DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.966 12 A DRF Caxias do Sul/RS realizou procedimento de fiscalização na empresa NTE Auto Peças Ltda., cuja razão social até dezembro/2008 era Alba Auto Peças Ltda. Foram efetuadas diligências junto a dois fornecedores, Cinpal Companhia Industrial de Peças para Automóveis e Tenneco Automotive Brasil Ltda, para que esclarecessem o motivo das transferências efetuadas para elas pela NTE. Ambas apresentaram farta documentação, a qual, em linhas gerais, evidencia que as transferências feitas pela NTE consistiam em pagamento parcial de vendas a outras empresas, inclusive da PRV. DILIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO A fiscalização verificou que o maior volume de compras da REDE PRESIDENTE era efetuado por meio das empresas PRS e PSE e intimou mais de 40 fornecedores para prestar esclarecimentos. Modine do Brasil Sistemas Térmicos Ltda. informou que o contato da empresa PRS seria o Sr. Bene, que representa também as empresas RPT Distr Auto Peças e PRV Comercio Atac de Peças Aut Ltda. A Indústria e Comércio de Auto Peças Rei Ltda. respondeu que o comprador da empresa PRS seria o Sr. Adailton Hilário da Silva, que representava também a Comercial Presidente de Auto Peças Ltda., Distribuidora Pinheirão Peças Automotivas Ltda. e a Retífica Presidente Prudente Peças p/ Veíc Ltda. A Jofund S/A informou que o contato em 2008 na PRS era o Sr. Adailton Hilário da Silva, também responsável pela empresa Comercial Presidente de Autopeças Ltda. Com relação ao período de 2009 a 2012, informou que ele era, ainda, o responsável pelas compras das empresas RPT Distribuidora de Auto Peças, Alba Autopeças Ltda., APE Auto Peças Ltda., PSE Comercial de Peças para Veículos Ltda., PRE Comércio e Distribuição de Auto Peças Ltda., PRV Comércio Atacado de Peças Automotivas Ltda. e KRE Comércio de Peças Ltda. A Cerâmica e Velas de Ignição NGK do Brasil Ltda. informou que o contato na PRS seria Edenilson Ferreira de Oliveira, encontrado no mesmo endereço do responsável por compras da RPT e da PRTS de Maringá/PR. A empresa Meritor do Brasil informou que o atual contato comercial/financeiro da PRV trata e assunto comercial/financeiro relacionado à PRS, porém desconhece a exata relação jurídica entre essas empresas. A RHO Interruptores Automotivos Ltda. Informou que de 2008 até 13/12/2012, o contato era o Sr. Estevão. A partir de 2013, o contato passou a ser Nélio Jonei Gonçalves de Oliveira, Alex Brito e Karen Rocha. Foi apresentada lista de 16 empresas, todas pertencentes à REDE PRESIDENTE. Da mesma forma, as 13 empresas citadas por Susin Francescutti Metalúrgica Ltda. compõem a REDE PRESIDENTE. O contato da empresa RPS seriaFrancisca Dias ou o Sr. Edenilson. A Max Gear informou que os contatos eram Karen Rocha, Johny Vieira e Edenilson. As empresas listadas, com 40 estabelecimentos de 28 CNPJ raiz, são todas da REDE PRESIDENTE. A Max Gear apresentou planilha referente ao período 2008 a 2010, com Fl. 13035DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.967 13 os pagamentos recebidos pelas vendas, identificando a empresa de acordo com o extrato bancário, onde se constata que as vendas feitas para a PRS foram pagas mediante transferências bancárias de outras 13 empresas, todas da REDE PRESIDENTE. Affinia Automotiva Ltda. também apresentou planilha com a identificação das vendas efetuadas para a PRS no ano de 2008. A identificação das empresas “pagadoras” foi feita apenas pelo nome, provavelmente o nome que aparece no extrato bancário, todas da REDE PRESIDENTE. A Mann Hummel Brasil Ltda. disse que o contato da PRS era Edenilso Ferreira de Oliveira e apresentou rol de empresas relacionadas ao representante, todas da REDE PRESIDENTE. A relação das empresas apresentada pela fornecedora TMD Triction do Brasil S/A intitulada “6. empresas do Grupo Presidente” também contém várias empresas representadas pela mesma pessoa da PRS, todas elas da REDE PRESIDENTE. São 42 estabelecimentos, com 23 CNPJ raiz. Vários outros fornecedores apresentaram respostas praticamente nos mesmos termos, citando os mesmos contados e apresentando as mesmas empresas pertencentes à REDE PRESIDENTE. Destacase que a fiscalização identificou 70 “empresas” do esquema que tiveram algum tipo de atividade no período de 2008 a 2012. RESPONSÁVEIS PELA REDE PRESIDENTE FAMÍLIA TOLARDO Conforme já dito, a REDE PRESIDENTE teve origem na empresa Real Iguaçu (ou Tolardo Auto Peças), dos irmãos Tolardo (Samuel Tolardo e José Dario Tolardo), sediada em Maringá/PR. Na década de 90 essa empresa sofreu diversas autuações fiscais e sua sede foi mudada para o estado de São Paulo, após o que foram interpostos laranjas no seu quadro societário. Em 1995, a Real Iguaçu, com pesadas dívidas fiscais, passou à condição de inativa e foi abandonada pela família Tolardo. Samuel Tolardo adquiriu a Foramec e a partir dela criou a RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda., com o nome de fantasia “PRESIDENTE”. Fizeram parte do quadro societário dessa empresa Samuel Tolardo e Rogério Márcio Tolardo, seu filho. Robson Marcelo Tolardo, outro filho de Samuel Tolardo, teve vínculo empregatício de maio/2002 a maio/2010. No final de 1999, a família Tolardo passou a incluir laranjas no quadro societário da RPT. Destacase como prova desse fato, conversa telefônica de 05/05/2012 gravada pela Polícia Federal entre Íris da Silva Tolardo, esposa do falecido Samuel Tolardo, e sua amiga Leda (ou Ieda). Íris da Silva Tolardo comenta sobre a atitude de uma funcionária do esquema, Odete Cardoso Berti, que supostamente teria preterido um de seus filhos, Rogério Márcio Tolardo, na administração do esquema, ao dizer que o “patrão” seria apenas Robson Marcelo Tolardo. Ela diz ainda que, ao menosprezar o filho Márcio (Rogério Márcio Tolardo) em favor de Robson Marcelo Tolardo, Odete estaria menosprezando não apenas ele, mas também os demais, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e Samuel Tolardo Júnior. Isso porque todos seriam “sócios” da REDE PRESIDENTE. Fl. 13036DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.968 14 Forte elemento de comprovação da participação da família Tolardo no esquema é o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR ALTERADOS.xls”, encontrado no pendrive de Odete e no pendrive de Samuel Tolardo Júnior. Esse arquivo controla os débitos e créditos entre os irmãos Tolardo e os rendimentos obtidos no esquema da REDE PRESIDENTE desde 30/11/2007 até 31/05/2011. Foram encontrados no HD apreendido na residência de Samuel Tolardo Júnior os extratos de conta de cartão de crédito AMEX dos meses de abril/2008 e fevereiro/2009 a maio/2009, cujos valores constavam na planilha. Essa conta AMEX está em nome de Robson Marcelo Tolardo, mas contém detalhamento de valores de despesas dos demais irmãos, bem como da mãe Íris da Silva Tolardo. Segundo a mencionada planilha, em todo o período de 30/11/2007 até 31/05/2011 cada irmão tinha direito a um “crédito mensal” de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Durante o período, o irmão Rogério Márcio Tolardo recebeu valores, normalmente em cheques de terceiros, bem superiores, o que gerava uma dívida, ou saldo devedor, como o excerto de 30/11/2010, no valor de R$ 647.887,53 (seiscentos e quarenta e sete mil, oitocentos e oitenta e sete reais e cinquenta e três centavos). Essa dívida não era paga e os outros irmãos passavam a ter um crédito adicional no período seguinte, a fim de se equipararem a Rogério. Na prática, no período mencionado, cada um dos 4 irmãos recebeu crédito superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) mensais. Esses valores foram confirmados no programa CAIXA encontrado em computador apreendido na residência de Lais de Oliveira Wochner e Ronaldo Paixão Wochner e comprovam o vínculo da família com a REDE PRESIDENTE. PROGRAMA CAIXA O Programa Caixa e todo o banco de dados alimentado por ele foram encontrados na residência de Lais de Oliveira Wochner, importante operadora do esquema, e Ronaldo Paixão Wochner, colaborador como programador no Departamento de Informática da filial 23. O programa provavelmente foi desenvolvido por este último. Conforme informado no Relatório Circunstanciado n° 176/2014 da Polícia Federal e Ofício 2348, de 24/09/2014, o programa e o banco de dados foram disponibilizados à fiscalização. O programa consiste em uma espécie de contabilidade e controlava os recursos físicos (não bancários) de todo o esquema da REDE PRESIDENTE, controlando o seu fluxo financeiro, com as remessas de valores das empresas (ou “filiais”) e a destinação dos recursos em espécie. A fiscalização extraiu vários relatórios desse programa, estando todas as extrações validadas pelo Laudo 300/2014 e seu anexo de arquivos juntados ao presente processo. Constavam no banco de dados várias “contas” representativas de custos, despesas, pagamentos, recebimentos, etc., bem como vários “centros de custos”, tais como os relativos a cada uma das “filiais”. Dentre os centros de custo destacase o “020 DIRETORES”. Entre as subcontas, sobressaem aquelas inerentes a cada um dos integrantes da família Tolardo. Filtrandose o centro de custos “20DIRETORES” e aplicandose outro filtro relativos às subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada um deles. Como exemplo, os lançamentos do mês de janeiro/2009 relativos a Robson Marcelo Tolardo (Subconta Celo) totalizaram R$ 51.249,75 (cinquenta e um mil, duzentos e quarenta e nove reais e setenta e cinco centavos), correspondente a despesas pessoais como escola do filho, salário do caseiro, contas de telefone de casa, viagens aéreas, etc. Esse valor coincide com o valor da planilha “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” encontrada nos pendrives de Odete e Samuel Tolardo Júnior. Essa coincidência de valores Fl. 13037DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.969 15 entre a mencionada base de dados e a planilha ocorre para os outros valores também. Algumas despesas eram rateadas entre os irmãos, como o aluguel de um salão de festas e uma conta de luz. SAMUEL TOLARDO Já foi relatado o surgimento da REDE PRESIDENTE, acrescentandose neste tópico mais informações sobre o mentor e responsável pelo esquema, Samuel Tolardo, falecido em 2007. Samuel Tolardo era bastante conhecido no ramo de autopeças no Paraná, mais especificamente na cidade de Maringá. Nas DIRPF do período 2001 a 2007 o endereço de Samuel Tolardo foi informado como sendo no estado de São Paulo, entretanto dado o seu costume de informar/declarar dados não verdadeiros para dificultar a fiscalização, nada mais profícuo do que a alteração do seu endereço. Rápida pesquisa na internet já demonstra que a cidade onde verdadeiramente residia era Maringá/PR, chegando ele a ser vítima de um sequestro no norte do Paraná. Em notícia do jornal eletrônico “Odiario.com”, de Maringá, vêse o relato de sua morte, tendo ocorrido um acidente quando dirigia a sua Pajero pela Avenida Parigot de Souza. Citase que era empresário do ramo de autopeças, conhecido por ser vítima de sequestro no Vale do Ivaí em 1999. Na fiscalização da NTE Auto Peças Ltda. EPP, foram obtidas cópias de cheques emitidos em 2006 por essa empresa, que tinha na época a razão social Alba Auto Peças Ltda., com assinaturas falsas de sua sócia laranja, Silvia Vilhalba. Esses cheques tinham que ser confirmados pelo titular da conta, em face das quantias elevadas. No Relatório Fiscal emitido naquele procedimento (Processo 11020.723699/201218) consta que foi encontrado o nome de Samuel Tolardo na parte superior dos cheques e o banco HSBC esquivouse de esclarecer esse fato. A exfuncionária do banco responsável pelas operações disse que era procedimento comum entrar em contato com as pessoas autorizadas pelas empresas, no caso de dúvidas quanto à liberação dos pagamentos. Outro elemento que vincula Samuel Tolardo à REDE PRESIDENTE é o trecho da denúncia feita em 2006 à Polícia Civil (Delegacia de Defraudações) por um ex funcionário da RPT, Ivanilto Mascena dos Anjos. No cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão foram encontradas várias procurações em benefício de Samuel Tolardo e relacionadas a empresas do esquema REDE PRESIDENTE. IRIS DA SILVA TOLARDO Iris da Silva Tolardo é a matriarca da família Tolardo, viúva de Samuel Tolardo. Embora não aparente ter poder decisório no esquema, tem pleno conhecimento das atividades e de seu caráter ilícito, além de ser beneficiada por todo o patrimônio e rendimentos obtidos da atividade. Aparece também como administradora/responsável por uma empresa registrada em nome dos seus filhos, bem como procuradora ou caucionante de aluguel de empresas do esquema. Fl. 13038DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.970 16 No Programa Caixa utilizado pela REDE PRESIDENTE, na subconta Íris foram identificados diversos pagamentos de despesas pessoais como TV a cabo, plano de saúde, água, telefone, consertos, etc., além de vultosos pagamentos com o histórico “RETIRADAS”. As vultosas retiradas denotam a posição de Íris da Silva Tolardo como coproprietária do esquema. ROBSON MARCELO TOLARDO Após o falecimento do pai, Robson Marcelo Tolardo tornouse o principal comandante da REDE PRESIDENTE. Há várias provas do envolvimento e da posição de Robson Marcelo Tolardo no esquema, como a resposta a uma intimação de uma das fornecedoras da RPS, que o menciona como proprietário da empresa, conversas por email, escutas telefônicas, procuração das empresas e “laranjas”, procuração de seu pai para efetuar a compra de uma das empresas, depoimento de seu tio à Polícia Federal, entrevistas com funcionários e exfuncionários. Um elemento que comprova a participação de Robson Marcelo Tolardo, bem como de seus irmãos, no esquema é o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” encontrado nos pendrives de Odete e de Samuel Tolardo Júnior. O programa CAIXA confirma os pagamentos verificados nesse arquivo. A REDE PRESIDENTE pagava todo tipo de despesas pessoais de Robson Marcelo Tolardo. As vultosas quantias mensais denotam a posição de coproprietário do esquema, tratandose de verdadeiro pró labore. JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE O arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” e o programa CAIXA também comprovam a participação de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, filha mais nova de Samuel Tolardo. As despesas pessoais dela eram custeadas pela REDE PRESIDENTE e ela realizava retiradas vultosas, o que denota sua condição de coproprietário do esquema. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore tinha participação ativa no esquema, sobretudo como administradora do grupo adquirido (Emprepar), conforme demonstram as ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal. Há, inclusive, ligações entre ela e sua mãe e entre esta e Robson Marcelo Tolardo, as quais demonstram que a filha do exdono da Embrepar ensinou Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore sobre os procedimentos do negócio adquirido. Além de administrar a Embrepar, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore tinha diversas procurações de sócios laranjas para gerir os negócios, era proprietária de diversos imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE, além de ser fiadora de contratos de locação de outros também utilizados pelo esquema. ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO O arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” e o programa CAIXA também comprovam a participação de Rogério Márcio Tolardo, da mesma forma que seus irmãos. Ele teve envolvimento ativo na REDE PRESIDENTE desde cedo, constando como sócio da RPT juntamente com seu pai. Fl. 13039DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.971 17 Foram encontradas várias procurações outorgadas pelos “laranjas”, para que Rogério Marcelo Tolardo administrasse empresas do esquema. Além disso, ele é proprietário de seis imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE e aparece nas conversas telefônicas como administrador do esquema. SAMUEL TOLARDO JÚNIOR Da mesma forma que seus irmãos, o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls e o programa CAIXA comprovam a participação de Samuel Tolardo Júnior no esquema, no papel de sócios. No seu apartamento foram encontrados vários documentos do esquema, que comprovam a sua participação desde 1996. É dele a propriedade de vários imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE, além de lhe terem sido outorgadas procurações para administração das empresas. É de se destacar, ainda, as escutas telefônicas nas quais foi mencionado diversas vezes como integrante do esquema. DA SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Conforme visto e demonstrado exaustivamente no Relatório Fiscal, o acesso ao Sistema CAIXA pela Polícia Federal possibilitou que se verificasse os pagamentos efetuados pelo esquema, bem como a identificação das filiais. Essa identificação das filiais ou empresas envolvidas também pôde ser apurada nas planilhas de vendas encontradas no computador de Daniel de Oliveira Júnior e pelos diversos controles encontrados no cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão. Depois do confronto das verbas verificadas com as folhas de pagamento e GFIP das várias empresas da REDE PRESIDENTE, a Auditoria constatou que tais documentos não traziam a maioria das verbas, ou seja, houve sonegação de contribuições previdenciárias. O grupo estava pagando, por exemplo, salários, valetransporte, valealimentação, aluguéis, comissões, gratificações, etc. sem considerálos para fins de incidência de contribuição previdenciária. Para apurar o total de contribuição previdenciária sonegada, foram excluídas do Extrato da Conta Caixa todas as verbas que não possuíam natureza salarial, tendo sido constatado valores pagos a empregados das seguintes empresas do GRUPO PRESIDENTE: PRE Comércio e Distribuidora de Auto Peças Ltda.; A P E Auto Peças Ltda.; IME Peças para Veículos Ltda. ME; PRV Comércio de Peças Ltda. ME; Daniel de Oliveira Júnior; PRV Comércio Atacadista de Peças Automotivas Ltda.; PRS Peças para Veículos Ltda.; Fort Lub Produtos Automotivos Eireli ME; Fl. 13040DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.972 18 RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. Os valores pagos a empregados foram comparados com aqueles declarados em GFIP e a diferença foi considerada para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias sonegadas. Foram apurados valores pagos a pessoas físicas por serviços prestados como motoboys das seguintes empresas do GRUPO PRESIDENTE: PRE Comércio e Distribuidora de Auto Peças Ltda.; A P E Auto Peças Ltda.; IME Peças para Veículos Ltda. ME; PRV Comércio Atacadista de Peças Automotivas Ltda.; PRS Peças para Veículos Ltda.; RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda.; Foram apurados valores pagos a diretores membros da família Tolardo por meio da empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. Com relação aos valores pagos aos motoboys e aos membros da família Tolardo, não houve deduções, pois não havia declaração de tais valores em GFIP. Apesar de ter sido declarado em GFIP prólabore pagos aos sócios laranjas, não houve nenhuma declaração em GFIP dos valores pagos à família Tolardo e discriminados no “Extrato de Conta Bancária”. DO MODUS OPERANDI A sistemática do GRUPO PRESIDENTE para sonegar as contribuições previdenciárias consistia em pagar em dinheiro ou depositar nas contas correntes de seus empregados verbas de cunho salarial sem considerálas na apuração desses tributos. Determinadas verbas (aluguel, valetransporte, auxílioalimentação, pagamento a motoboys, retiradas de diretores) eram sonegadas completamente. Outras (salário, gratificação, comissão, rescisão, férias, 13°), eram sonegadas em parte. Em uma auditoria ordinária seria quase impossível a identificação desses valores, tendo a apuração sido possibilitada pela execução dos Mandados de Busca e Apreensão decorrentes da Operação Laranja Mecânica, quando a fiscalização pôde acessar o “Caixa 2”. Os Mandados de Busca e Apreensão tiveram como alvo vários endereços, destacandose o bunker da Rua das Camélias, 690, Maringá/PR, uma residência de alvenaria, sem identificação alguma. Esse lugar foi identificado nas investigações policiais, principalmente por escutas telefônicas, quando se apurou que lá funcionaria o controle de Recursos Humanos do esquema. Foi em um HD apreendido nesse endereço que se encontrou o programa CAIXA. Além do pagamento de verbas a empregados registrados, foram detectados pagamentos de salário a empregados sem registro. Os salários desses empregados e verbas Fl. 13041DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.973 19 como férias eram objeto de recibos comuns. Foram encontrados também comprovantes de depósitos nas contas dos empregados em valores bem superiores àqueles declarados. DOS PAGAMENTOS A MOTOBOYS No exame do Extrato de Caixa, foram constatados centenas de pagamentos efetuados a pessoas físicas prestadores de serviços de motoboys. A contribuição a cargo das empresas que contratam pessoa física para lhe prestar serviços sem vínculo empregatício é de 20% sobre o valor da remuneração paga, conforme art. 22, III, da Lei n° 8.212/1991. DO VALETRANSPORTE PAGO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO A jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais é unânime em considerar o caráter salarial dos valores de valetransporte pagos em pecúnia, pois consiste em violação ao disposto no art. 5° do Decreto n° 95.247/1987, pelo qual é vedado ao empregados substituílo por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento. Assim, deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Também se defendeu a tese de que o vale transporte pago em dinheiro e de forma contínua passa a integrar a remuneração do empregado, incidindo a contribuição previdenciária com base no art. 201, § 11, da Constituição Federal. DO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO O auxílioalimentação tem natureza salarial quando a empresa não está incluída no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, nos termos da Lei n° 6.321/1976, conforme art. 28, §9°, da Lei n° 8.212/1991 e art. 3° da lei n° 6.321/1976. Assim, os valores pagos em dinheiro apurados foram considerados pela fiscalização como base de cálculo das contribuições previdenciárias. DA MULTA DE OFÍCIO São utilizadas pessoas físicas “laranjas” na constituição de empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as quais a fiscalizada. São usados expedientes escusos, como a falsificação de diversos documentos e assinaturas. Essa conduta visa a modificar uma característica essencial do fato gerador da obrigação, o real sujeito passivo, enquadrandose a situação no conceito de fraude previsto no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Igualmente, enquadrase no conceito de sonegação dado pelo art. 71, II, da mesma lei, vez que se constitui em ação dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário. Os pagamentos “por fora” efetuados aos empregados, descobertos graças aos Mandados de Busca e Apreensão, consistem em omissão de parcela relevante da remuneração, incorrendo o contribuinte nos conceitos de fraude (ação tendente a impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características) e sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do tributo devido). Ambas as condutas evidenciam claramente o dolo do contribuinte, impondo a aplicação da multa de ofício qualificada em percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) prevista no art. 44 e seu §1° da Lei n° 9.430/1996. Fl. 13042DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.974 20 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Em face da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada são os integrantes da família Tolardo, eles são nomeados sujeitos passivos solidários mediante lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária, com base no art. 124, I, e art. 135, III, do Código Tributário Nacional CTN. Como foi fartamente comprovado que os integrantes da família Tolardo são os verdadeiros proprietários e beneficiários do esquema REDE PRESIDENTE, resta inequívoco que têm interesse comum nos negócios desse esquema, do qual faz parte a empresa alvo do lançamento. Além disso, o art. 135 do CTN impõe a solidariedade dos verdadeiros diretores gerentes ou representantes do empreendimento. A responsabilidade pessoal decorre de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, exatamente o caso da família Tolardo, que se utiliza de meios fraudulentos, tais como interposição de “laranjas” em sua empresas, ou a larga prática de vendas sem nota fiscal, à margem da escrituração ou de declaração. Dessa forma, lavramse os competentes Termos de Sujeição Passiva Solidária em desfavor dos reais sócios proprietários do esquema: Sra. Íris da Silva Tolardo, Sr. Robson Marcelo Tolardo, Sr. Rogério Márcio Tolardo, Sr. Samuel Tolardo Júnior e Sra. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Ciência da empresa Daniel de Oliveira Júnior A correspondência enviada para o endereço cadastral da empresa Daniel de Oliveira Júnior foi devolvida com a seguinte informação dos Correios: “Mudouse casa vazia”. Foi emitido, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR edital eletrônico, com data de publicação 15/12/2014 e data da ciência 30/12/2014. Ciência de Robson Marcelo Tolardo A correspondência enviada para Robson Marcelo Tolardo no seu endereço em São Paulo/SP retornou com a seguinte informação dos Correios: “Desconhecido inf. Cezar”. A correspondência enviada para o endereço em Maringá/PR também foi devolvida, tendo sido registrado pelos Correios como motivo “Mudouse inf. por caseiro”. Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos: Edital Eletrônico emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas em São Paulo/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014; Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014. Impugnação de Rogério Márcio Tolardo Rogério Márcio Tolardo foi intimado em seu endereço de Curitiba/PR em 10/12/2014 e em seu endereço no Rio de Janeiro/RJ em 12/12/2014, conforme Avisos de Recebimento juntados aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação, alegando, em resumo que: Fl. 13043DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.975 21 A impugnação é tempestiva, pois o impugnante tomou conhecimento do Auto de Infração por terceiros, não tendo acontecido a intimação pessoal. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL De acordo com o Decreto n° 7.574/2011, art. 33, qualquer procedimento de apuração de créditos tributário impõe a necessidade de cientificação prévia do sujeito passivo, entretanto o impugnante não foi cientificado da existência de processo de fiscalização em andamento contra si, tampouco da desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada e da sua responsabilização solidária. A Portaria RFB n° 3.014/2011, art. 4° e art. 7°, II, exige que seja emitido Mandado de Procedimento Fiscal que contenha os dados identificadores do sujeito passivo e que haja a ciência deste. Uma vez que não houve a ciência do impugnante da ação fiscal, houve cerceamento do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, não lhe sendo garantido o devido processo legal. Em ofensa ao art. 296 do Código Tributário Nacional, não houve a lavratura do termo de início do procedimento em nome do impugnante, o que impossibilitou a sua defesa. O impugnante sequer faz parte da pessoa jurídica autuada, que tem personalidade jurídica própria e distinta, e só tomou conhecimento do procedimento de fiscalização por meio do recebimento do Termo de Sujeição Passiva Solidária encaminhado por via postal quando da lavratura do Auto de Infração. Não havendo a cientificação, a sujeição passiva solidária baseouse em presunções. Assim, deve ser reconhecida a nulidade do processo administrativo fiscal. NULIDADE DA INTIMAÇÃO REALIZADA PELOS CORREIOS Segundo o Decreto n° 70.235/1972, art. 23, a intimação pessoal é a regra e somente sendo ela infrutífera, podem ser procedidas as demais formas. Essa regra é repetida pelo Decreto n° 7.574/2011, art. 10, I. Além disso, segundo os mesmos decretos, a intimação por via postal deve ser endereçada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. No caso, contudo, a correspondência foi enviada a outros endereços diferentes daquele constante na DIRPF do impugnante, o que gera a sua nulidade. Não comprovada a ciência inequívoca do impugnante, deve ser reconhecida a nulidade da intimação por falta de observância da lei, devendo ser determinada a sua realização ou deve ser ela considerada efetivada quando da disponibilização do processo administrativo fiscal ao sujeito passivo. CERCEAMENTO DE DEFESA Houve a desconsideração de personalidade jurídica e a responsabilização do impugnante por meio de um termo de sujeição passiva tributária, sem qualquer fundamentação Fl. 13044DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.976 22 ou elementos de convicção para tal, além de não ter ele participado do processo administrativo fiscal. Imputações dessa natureza não podem se basear em meras ilações e presunções, portanto deveriam ter sido enviados ao sujeito passivo cópias de todos os documentos utilizados pela Auditoria Fiscal, o que não ocorreu. O impugnante compareceu à Unidade da Receita Federal do Brasil onde possui domicílio fiscal e entregou mídias para gravação, porém não lhe foi fornecido o conteúdo integral do processo administrativo. Dessa forma, diante do cerceamento de defesa do impugnante e conforme art. 12, II, do Decreto n° 70.235/1972, é nulo o processo. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO IMPUGNANTE O processo administrativo foi instaurado com a utilização dos elementos coligidos nos processos administrativos fiscais 11020.723699/201218 e 15586.720329/2011 95 e no Inquérito Policial 256/2008 da Delegacia da Polícia Federal de Maringá, entretanto mostrase nulo o direcionamento administrativo contra a impugnante, como se sujeito passivo solidário fosse, por ausência de prova que o justifique, notadamente perante a ausência de qualquer demonstração de vínculo entre a impugnante e a empresa autuada naqueles autos. A afirmação de que o sócio da impugnante seria laranja e faz parte de um grande esquema não é verdadeira e baseiase em meras presunções. A conclusão a que chegaram os Auditores Fiscais decorreu do inquérito policial, que é um procedimento policial administrativo, de cunho meramente investigativo e inquisitivo, sem contraditório e ampla defesa, pois a impugnante, na pessoa de seu sócio, sequer foi ouvida pela autoridade policial. Não é admissível a prova emprestada, pois a sua produção ocorreu no âmbito do inquérito policial, sem ser observado o contraditório e a ampla defesa. ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL O Auditor Fiscal extrapolou os limites de sua competência funcional prevista na Lei n° 10.593/2002, ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária ao impugnante sem indicar concretamente os motivos, notadamente porque o impugnante não é sócio da autuada e não exerce qualquer função dentro dela, não estando relacionado ao fato gerador do tributo lançado. A responsabilidade invocada para o impugnante balizouse no art. 124, I, do CTN, sem ser indicado seu interesse ou relação com a situação que constituiu o fato gerador. E com respeito ao art. 135, III, do mesmo código, não foi provado pelo Auditor Fiscal que o impugnante esteja relacionado à empresa autuada como diretor, gerente ou representante e, nessa condição, tenha praticado qualquer ato com excesso de poder ou infração de lei. A responsabilização efetuada é de competência exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, na esfera judicial, desde que presentes os requisitos. O Auditor Fiscal é parte manifestamente ilegítima para imputar tal responsabilidade, sendo o ato nulo por falta de competência, conforme estatui o art. 59, II, do Decreto n° 70.235/1972. ILICITUDE DAS PROVAS UTILIZADAS Fl. 13045DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.977 23 As provas utilizadas no processo administrativo, decorrentes de mandados de busca e apreensão são ilícitas, já que determinados por autoridade judicial incompetente para análise da matéria. O inquérito policial teve origem em compartilhamento de dados entre o COAF, Receita Federal e Ministério Público, sem qualquer autorização judicial. “Além disso, o juízo que decretou a busca e apreensão, no momento em que houve a instauração dos procedimentos, nenhum dos crimes investigados eram crimes antecedentes do delito de lavagem de dinheiro. Portanto, a vara de lavagem de dinheiro não tinha competência para processar o feito'’". Ainda que fossem emanadas de juiz competente, houve extrapolação dos limites da ordem judicial pela autoridade fiscal, que se baseou em elementos de provas colhidas em computadores particulares de terceiros, para os quais não foram expedidos mandados de busca e apreensão específicos. Não houve, em relação a esses terceiros, autorização específica de quebra de sigilo de mensagens eletrônicas e arquivos digitais, o que causa a nulidade das provas. Além de ter havido violação ao seu direito de privacidade e ao sigilo das comunicações telefônicas, as conversas desses terceiros não guardam qualquer relação com a autuação e fiscalização. O sigilo bancário só pode ser quebrado mediante autorização judicial nas hipóteses de conduta delituosa configurada, nunca por arbítrio do agente fiscal. Não foram observados os requisitos para a quebra do sigilo dos terceiros, não sendo as provas fundadas em elementos concretos, sérios e idôneos, sendo nula a decisão que não se ampara em fatos e fundamentos de pleno direito, especialmente quando o juiz era incompetente. Não há prova do envolvimento do impugnante. A utilização de um pendrive com um trabalho de conclusão de curso de terceiro como base para a transplantação da responsabilidade para o impugnante é presunção. A utilização de dados sigilosos, inclusive de terceiros, com a quebra de sigilos fiscais, de dados de informática e utilização de planilhas unilaterais, que sequer foram fornecidas à parte, constitui uso de provas ilícitas. O acusado deve ter ciência da prova na primeira oportunidade após a sua realização, não se podendo cogitar de prova não sujeita ao contraditório. PREJUDICIAL AO MÉRITO NECESSIDADE DE SUSPENSÃO O Código de Processo Civil, em seu art. 13, determina que, verificada irregularidade na representação do contribuinte no processo, a autoridade julgadora deve suspender o processo, determinando prazo razoável para ser sanado o defeito. Em face do disposto no art. 265, IV, o julgamento do processo deve ser sobrestado até que o processo principal seja apreciado. O mesmo art. 265, no seu inciso UI, determina que se suspende o processo quando a sentença de mérito dependa do julgamento de outra causa ou da declaração de existência da relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente. Há necessidade de o processo administrativo fiscal aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal sobre a quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade Fl. 13046DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.978 24 administrativa, realizada pelo Auditor Fiscal sem qualquer justificação ou fundamentação, já que a Lei Complementar n°105 é objeto de 5 (cinco) Ações Diretas de Inconstitucionalidade ADIN, toda apensadas à ADI 2390, ainda pendente de julgamento. Se o processo prosseguir haverá a nulidade das exigências fiscais, pois realizado com base em leis objeto de ações questionando a sua inconstitucionalidade. A Portaria MF n° 103/2002 já previu que, no caso de julgamento pelo STF, os órgãos administrativos julgadores devem automaticamente adotar o seu entendimento jurisprudencial. Devem ser aguardados os julgamentos, a fim de que as decisões administrativas não sejam proferidas em confronto com o entendimento dessa corte. Assim, a impugnante requer a suspensão do prosseguimento do processo administrativo fiscal, até a supressão da causa impeditiva à continuidade da exigência fiscal. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO IMPUGNANTE IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE A TERCEIRO Não foi provado que o impugnante recebia recursos da pessoa jurídica autuada. A Auditoria sequer conseguiu provas de que o impugnante participou da administração da sociedade, como email ou mensagem, ordens, autorizações ou qualquer outro ato. O impugnante tem outras atividades, sendo sócio de uma empresa que comercializa equipamentos eletrônicos, além de prestar serviços na mesma área, tudo devidamente declarado em seu Imposto sobre a Renda. “O simples fato de ser filho de Samuel Tolardo não implica em dizer que todas as auto peças que sofreram autuação fiscal são de responsabilidade de seu falecido pai”. Mesmo que ficasse configurada a responsabilidade de seu genitor, esse fato não é suficiente para a transferência da responsabilidade efetuada. O impugnante nunca teve procuração da empresa ou de seus sócios para administrála. As procurações mencionadas dizem respeito a outros fatos e outras pessoas. Não há comprovação de atos praticados por ele que pudessem gerar débitos. Não há vinculação do impugnante com os fatos geradores, tampouco o interesse comum previsto no art. 124 do CTN. Seria necessária a sua participação efetiva no fato gerador do tributo, conjuntamente com os outros sujeitos passivos. O art. 134 do CTN dispõe que a responsabilidade de terceiros somente ocorre nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação pelo contribuinte. Tampouco o impugnante se enquadra no art. 135 do CTN. Não é sócio da empresa, não a administra e ela continua ativa e sujeita à exigibilidade da autuação fiscal. Ademais, se não há responsabilidade do sócio gerente pelo simples inadimplemento do tributo, não pode haver a responsabilização objetiva do impugnante. Os atos praticados foram descaracterizados pela Auditoria sem cumprimento do art. 116, parágrafo único, do CTN. Inexiste lei ordinária e, consequentemente, a previsão dos procedimentos para a desconsideração de atos e fatos jurídicos, como fez a fiscalização. Além disso, para a desconsideração da personalidade jurídica, é necessária autorização judicial, não tendo o Auditor Fiscal poderes para tal. Fl. 13047DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.979 25 INEXISTÊNCIA DE PROVA DE BENEFÍCIO PELO IMPUGNANTE A responsabilização do impugnante foi pautada em documentos unilaterais elaborados por terceiros, sem qualquer identificação do Impugnante, tendo havido mera presunção. Os fiscais reconhecem que as planilhas se referem a anos anteriores ao período lavrado, não podendo servir de prova, tratandose de mera presunção. O fato de os sócios de algumas das empresas indicadas no Relatório Fiscal terem sido funcionários da empresa pertencente ao falecido Sr. Samuel Tolardo não é suficiente para a responsabilização de 70 empresas e seus respectivos sócios e de toda a família Tolardo, indicados equivocadamente como sócios de fato. Não existe previsão legal expressa que albergue a responsabilização efetuada. A lei não estabelece que familiares ou qualquer sócio eventualmente de fato devam ser responsáveis por solidariedade. O legislador não pode estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas físicas e jurídicas, desconsiderando a personalidade jurídica e descaracterizando as sociedades limitadas, implicando em irrazoabilidade e afrontando os arts. 5°, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição Federal. O enquadramento no art. 124, I, do CTN não pode prosperar, uma vez que as empresas são absolutamente autônomas, com sócios distintos, localizadas em bairros, cidades e estados distintos, sem qualquer identidade em seu quadro social e objeto social, com quadro de funcionários próprio. Não se trata sequer de grupo econômico, pois possuem administração própria e descentralizada e não realizavam conjuntamente a situação configuradora do fato jurídico tributário. Ademais, o simples fato de as empresas se apresentarem como um grupo empresarial para o mercado não é suficiente para caracterizar a solidariedade por grupo econômico, devendo haver a comprovação de existência de unidade jurídica de controle ou planificação de atividade de forma que seja interligada a utilização da mão de obra, o que não se verifica no caso. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN se realiza quando todos os devedores tenham realizado conjuntamente o fato gerador, o que não se vislumbra no processo. No caso, os “sócios de fato” não praticaram o fato gerador em conjunto com a empresa. Não foi concebido um único ato, por exemplo, em que o impugnante ou qualquer membro da sua família tenha realizado o fato tributário, sendo temerário, excessivo e ilegal a sua responsabilização. Afirmar que ele sabia de tudo não é suficiente para que lhe seja imputada a responsabilidade solidária, mormente quando ela é absolutamente estranha à empresa. O simples fato de algumas sociedades pertencerem a um grupo econômico não acarreta a responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, do CTN, ficando a Fazenda Pública impedida de imputar ao grupo a corresponsabilidade, já que o interesse em comum era apenas econômico e não jurídico. Fl. 13048DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.980 26 PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA O prazo decadencial está previsto no art. 173, I, do CTN. A extinção do crédito tributário pela decadência está previsto no art. 156, V, do CTN, que estipula ser de cinco anos o prazo para o lançamento do crédito tributário. O lançamento dos tributos deveria ser feito por homologação, o que não ocorreu. Assim, a Fazenda não constituiu devidamente o crédito tributário em relação à impugnante, já que não foi realizado o lançamento e a respectiva cientificação. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, portanto, decaiu. Não acatada a decadência, requer seja acatada a prescrição dos créditos tributários. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGADOS, AVULSOS, A UTÔNOMOS ETC. O Auditor Fiscal não nominou no seu relatório os empregados a quem a empresa teria efetuado os pagamentos, tampouco a forma e as condições do pagamento. Baseouse em documentos apócrifos, unilaterais e inservíveis como prova. Em consequência, a Notificação é improcedente e nula. Foi infringido o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e o direito da impugnante à ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO A redação original do art. 195, I, da Constituição Federal somente se referia à folha de salários, sendo inconstitucional a redação original da Lei n° 8.212/1991 que fazia incidir a contribuição sobre quaisquer rendimentos pagos ao trabalhador. Somente a partir da Emenda Constitucional n° 20/1998, o art. 195, I, da Constituição foi alterado para albergar quaisquer rendimentos do trabalho pagos à pessoa física. Assim, é flagrante a inconstitucionalidade da exigência da contribuição sobre a remuneração até 1999. Mesmo após a Emenda Constitucional n° 20/1998, sobre as verbas com caráter indenizatório não incidem as contribuições previdenciárias, uma vez que não constituem retribuição pelo trabalho, mas sim objetivam reparar uma perda, repondo o patrimônio do ofendido. São elas: adicionais de periculosidade, insalubridade, noturno, abono de férias, horas extraordinárias, gorjetas, prêmios, abonos, ajudas de custo, diárias de viagens e outras. Da mesma forma, verbas não habituais não podem ser tributadas. Assim, devem ser excluídas da base de cálculo lançada os valores que não são salário strictu sensu, com novos cálculos dos valores devidos. INEXIGÊNCIA DO SALÁRIOEDUCAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE A contribuição denominada SalárioEducação não é contribuição para a Seguridade Social e não se enquadra no art. 240 da Constituição Federal. Dessa forma, o art. 1° da Medida Provisória n° 1.5651/97 e o art. 15 da Lei n° 9.424/1996 são inconstitucionais por elegerem a folha de salários como base de cálculo dessa contribuição, pois tal verba somente pode ser base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social. INEXIGÊNCIA DO INCRA EMPRESA DE PREVIDÊNCIA URBANA Fl. 13049DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.981 27 O INCRA não é exigível, pois a empresa autuada é urbana e não exerce atividade rural. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Mesmo que a empresa fosse contribuinte do INCRA, o STF equiparou tal contribuição àquelas das entidades de promoção profissional, “juridicizada pelo art. 21, §2°, da Carta de 1969”. Essa espécie de contribuição foi prevista na Constituição de 1988, no seu art. 149. Não tem, pois, natureza de contribuição para a Seguridade Social. De acordo com a Constituição de 1988, a folha de salários somente pode ser base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e de formação profissional vinculada ao sistema sindical (art. 240). O art. 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, que determinou a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, não fez alusão às contribuições, como fez o art. 240 da Constituição Federal. Assim, houve a revogação da lei anterior relativa ao INCRA, por incompatível com a existência do SENAR, não havendo a recepção pela Constituição de 1988. INEXIGÊNCIA DO SAT NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR Quanto ao SAT, apesar de seu nomen juris indicar que se trata de uma contribuição complementar ou adicional à contribuição prevista no art. 22, I, da Lei n° 8.212/1991, é na verdade mais um tributo incidente sobre a mesma base de cálculo. Assim, é totalmente inconstitucional, pois os arts. 195, §4°, e 154, I, da Constituição Federal dispõem que a criação desse tributo somente poderia ocorrer por lei complementar. Sob outro aspecto, o SAT é inconstitucional porque sua alíquota é definida por ato exclusivo do Poder Executivo, o qual definiu, por meio dos Decretos números 612/1992 e 2.173/1997 sua base de cálculo e alíquotas. Esse é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4a Região e do STJ. ILEGALIDADE DA COBRANÇA SOBRE VERBAS Devem ser excluídas, por falta de previsão legal, todas as verbas de caráter indenizatório, tais como: valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado; aviso prévio indenizado e a projeção dele decorrente de um avo de décimo terceiro salário; o adicional de 1/3 (um terço) de férias, o abono de férias, férias indenizadas, saláriomaternidade, valetransporte, valores recebidos a título de ganhos eventuais, os abonos expressamente desvinculados do salário e o auxílioalimentação. Já está pacificado no STJ o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre o auxílio doença pago pelo empregador nos primeiros 15 (quinze) dias da licença, por constituir verba decorrente de inatividade, que não possui natureza salarial. O art. 28, §9°, “e”, “7”, da Lei n° 8.212/1991 exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores recebidos a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. O Pleno do egrégio STF, ao julgar o Recurso Extraordinário 478.410/SP em 10/03/2010, pacificou entendimento de que, mesmo quando pago em pecúnia, não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte. Fl. 13050DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.982 28 No próprio Relatório Fiscal consta que a empresa forneceu auxílio alimentação in natura a seus empregados. O STJ já se manifestou no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja ou não o empregador inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. A União desistiu das ações que discutem o fornecimento in natura do auxílioalimentação, bem como do valor pago a título de valetransporte e seguro de vida. A AdvocaciaGeral da União AGU e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN publicaram orientações para que os procuradores não recorram mais nessas situações. Há especificamente o Parecer PGFN/CRJ n° 2.117/2011 sobre o auxílioalimentação. INEXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO SISTEMA “S A USÊNCIA DE VlNCULAÇÃO DA ARRECADAÇÃO As contribuições destinadas ao SESC, SENAC, SESI e SENAI são tributos vinculados, devendo haver uma contraprestação ao contribuinte por parte da entidade arrecadadora, o que não ocorre no caso das empresas de prestação de serviços. As entidades beneficiadas com a contribuição são aquelas destinadas aos comerciários, sendo o objetivo a melhoria das suas condições de trabalho e a promoção de cursos de qualificação. MULTA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos não autoriza a qualificação da multa de ofício ou de rendimentos. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos também não autoriza a qualificação da multa. Ademais, a impugnante não pode responder pela empresa e sequer tinha conhecimento do mandado de procedimento fiscal, não podendo serlhe infringido ato praticado por outrem, o que ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim, a multa deve ser excluída, mesmo porque não se pode aplicar dupla penalidade: uma pelo arbitramento dos lucros e outra pela não entrega dos documentos, pois ambas decorrem do mesmo fato. Não foi comprovado o intuito de fraude. A multa tem caráter confiscatório e fere os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva, pois hodiernamente se admite pena em valor não superior a 2%, conforme Lei n° 9.298/1996. A proibição constitucional de confisco se estende às multas, não se restringindo somente aos tributos. A Administração não pode locupletarse em face dessa cobrança excessiva. O Tribunal Pleno do STF já entendeu que são abusivas as multas moratórias que superam os 100%. No caso, aplicouse duplamente a multa de 150%. O Min. Celso de Mello, em decisão monocrática no RE 754.554/GO reconhecer ser confiscatória multa de 25%. Não há prova de que foi concedido prazo razoável à contribuinte para apresentar os documentos, “até porque a Impugnante não foi intimada de nada disso”. Fl. 13051DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.983 29 Dessa forma, a multa deve ser excluída ou, eventualmente, reduzida para, no máximo, 10% (dez por cento). Caso não sejam acatados esses pedidos, pede que a multa seja reduzida de 150% para 75%. A impugnante não praticou nenhuma fraude ou omissão dolosa durante o processo fiscalizatório. Não houve fraude, nem sonegação, pois a empresa entregou todos os documentos solicitados, informando, inclusive, que os demais estavam em poder da Polícia Federal. Ademais, o CARF decidiu que, havendo o arbitramento, que já é uma penalidade, não cabe o agravamento da multa. Houve bis in idem, já que “utilizouse da infração à legislação previdenciária e da legislação do imposto de renda”. O Auditor Fiscal aplicou a multa prevista na legislação previdenciária e também a multa de 150% prevista na legislação tributária em geral, cumulando várias penalidades para o mesmo fato. TAXA SELIC É ilegal a aplicação da Taxa SELIC não deve ser aplicada para correção de créditos tributários. Essa taxa tem caráter estritamente remuneratório e embute os juros e a correção monetária, sendo elevada e onerosa para o contribuinte. Ademais, não foi estipulada em lei, havendo a sua estipulação pelo Banco Central contraria o art. 161, §1°, do Código Tributário Nacional, que exige a instituição da taxa de juros por lei ordinária. O Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento de que a aplicação da Taxa SELIC é ilegal e inconstitucional. Não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Nesse sentido já se manifestaram o CARF e o Superior Tribunal de Justiça. Assim, a impugnante pleiteia seu afastamento do Auto de Infração. Além disso, os juros somente poderão incidir depois de decorrido o trâmite procedimental administrativo, a partir da intimação para pagamento depois do julgamento, caso seja mantida a condenação. PROVAS E IMPUGNAÇÃO Deve haver igualdade entre o contribuinte e a Receita Federal do Brasil no processo. Enquanto esta última teve mais de dois anos para analisar os documentos, o impugnante teve que se contentar com 30 dias, ainda sem acesso ao conteúdo dos autos, por problemas técnicos da própria Receita Federal. As provas são nulas porque os Auditores Fiscais consideraram provas ilícitas para justificar a caracterização de grupo econômico e arbitrar o faturamento, obtidas em locais que sequer possuem relação com a impugnante. Caso não seja considerada a nulidade de tais provas, o impugnante requer a realização de perícia e colheita de depoimentos, cujos quesitos e rol serão apresentados quando ela tiver acesso ao conteúdo integral do processo. O impugnante está impossibilitado de elaborar quesitos sem conhecimento prévio e amplo da acusação e da documentação em poder do Fisco, sob pena de violação ao devido processo legal. Fl. 13052DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.984 30 REQUERIMENTOS FINAIS Pede que sejam reconhecidas as nulidades apontadas e, no mérito, seja julgada improcedente a exigência fiscal, sendo reconhecida a ausência de responsabilidade. Requer a produção de provas pericial e oral e a juntada de documentos em ulterior fase, em razão do exíguo prazo que lhe foi concedido, bem como que seja intimada das decisões, reservandose o direito de complementar a defesa após ter acesso ao conteúdo integral do processo administrativo fiscal. Impugnação de Íris da Silva Tolardo Íris da Silva Tolardo foi intimada em seu endereço de Maringá/PR em 10/12/2014 e em seu endereço em São Paulo/SP na mesma data, conforme Avisos de Recebimento juntados aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação na qual, em essência, repete as alegações relatadas quando da descrição da impugnação de Rogério Márcio Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. Impugnação de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore foi intimada em seu endereço de Curitiba/PR em 10/12/2014. A correspondência enviada para o seu endereço em São Caetano do Sul/SP foi devolvida com o motivo “Desconhecido”. Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos: Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014; Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014. Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação com as mesmas alegações dos demais membros da família Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. Impugnação de Samuel Tolardo Júnior Samuel Tolardo Júnior foi intimado pelos Correios, com AR, em 12/12/2014, no mesmo endereço declarado por ele nas suas DIRPF do anocalendário 2013, exercício 2014, e anocalendário 2014, exercício 2015, situado no Rio de Janeiro/RJ. Foi intimado também em Curitiba/PR, pelos Correios com AR, em 10/12/2014. Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação com as mesmas alegações dos demais membros da família Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. A DRJ Fortaleza julgou improcedente as impugnações apresentadas, cuja decisão restou consubstanciada na seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. DOLO E FRAUDE. Fl. 13053DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.985 31 Para fins do cômputo do prazo de decadência, tendo ocorrido dolo e frade, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contando se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. A impugnação deve vir acompanhada de prova documental que ratifique as alegações apresentadas. Não deve ser deferida a oitiva de testemunhas, quando não foi especificado na impugnação o fato que seria provado, bem como sequer foi apresentado o rol. PRELIMINAR DE NULIDADE. PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Não há violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa se os fatos e a fundamentação legal foram minuciosamente descritos nos relatórios que compõem o Auto de Infração e o contribuinte e os responsáveis solidários foram devidamente intimados, tendolhes sido concedido o prazo legal para defesa e oportunizada a consulta aos autos do processo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CIÊNCIA. TERMOS EMITIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Mesmo se houver equívocos na formalização do MPF, tendo sido emitidos os termos previstos no art. 196 do Código Tributário Nacional e no art. 8° do Decreto n° 70.235/1972 nos moldes legais, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. SOLIDARIEDADE. FRAUDE E DOLO. USO DE LARANJAS. EMPREENDIMENTO ÚNICO FORMALMENTE MASCARADO COMO VÁRIAS EMPRESAS PRETENSAMENTE INDEPENDENTES. Comprovado que houve fraude e dolo na ocultação dos verdadeiros sócios administradores de empreendimento único, apenas formalmente constituído por várias empresas, com o uso de laranjas, há infração à lei e ao contrato social, respondendo os verdadeiros sócios como responsáveis solidários pelo crédito tributário previdenciário, por previsão do CTN, art. 135, III. Se essas pessoas participarem dos atos que originaram os fatos geradores, também há enquadramento no art. 124, I, do mesmo código. UTILIZAÇÃO DE PROVAS COLHIDAS EM INQUÉRITO POLICIAL E EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS FISCAIS. Fl. 13054DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.986 32 A utilização, como base para o lançamento de crédito tributário, de provas colhidas em inquérito policial e processo administrativo fiscal diverso não é proibida, desde que sejam submetidas ao rito processual previsto em lei, com a abertura de prazo para defesa e possibilitação do exercício do direito ao contraditório. Não há ilegalidade na quebra de sigilo fiscal, bancário e de comunicações autorizada pelo Poder Judiciário. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. EDITAL. A intimação pessoal não tem precedência sobre a intimação por via postal, com aviso de recebimento, efetuada no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Sendo improfícua essa intimação, é válida a intimação por edital. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STF E STJ NOS ACÓRDÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A tese exarada em decisão definitiva do STJ ou do STF, na forma dos arts. 543B (rito de repercussão geral) ou 543C (rito dos recursos repetitivos), deve ser reproduzida pelo órgão julgador da primeira instância administrativa apenas na hipótese da comunicação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN de que, com base na Lei n° 10.522/2002, não mais contestará ou recorrerá sobre a matéria. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. CONTRIBUINTE. A Lei n° 9.424/1996 não excepciona nenhuma empresa da obrigatoriedade do recolhimento do SalárioEducação, motivo pelo qual o art. 2° do Decreto n° 6.003/2006, estabelece que são contribuintes de tal contribuição as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. INCRA. EMPRESAS URBANAS. Fl. 13055DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.987 33 A contribuição destinada ao INCRA tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico e é devida pelos empregadores em geral, inclusive por empresas urbanas. GILRAT. ALÍQUOTA CONFORME ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. Para apuração da contribuição prevista no art. 22, II, da Lei n° 8.212/1991 (GILRAT), o enquadramento da empresa no correspondente grau de risco para fins de apuração a alíquota é objetivo, dependendo do tipo de atividade preponderantemente exercida pela empresa, de acordo com as atividades especificadas no anexo ao Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Tendo a Auditoria identificado os montantes que compuseram as bases de cálculo das contribuições previdenciárias, inclusive identificando cada segurado empregado, não basta alegar de forma genérica que há verbas que não sofrem incidência dessas contribuições, devendo ser apresentadas provas. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SESC E SENAC. São devidas as contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC pelas empresas que exercem atividades comerciais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Restando configurada a sonegação definida no art. 71 da Lei n° 4.502/1964, a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996 deve ser aplicada em dobro, nos termos do art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/1996. Irresignados, os sujeitos passivos apresentaram recursos voluntários, em face da decisão da DRJ, nos seguintes termos: Daniel de Oliveira Junior Revel Intimado do acórdão da DRJ em 16/10/2015 (fl. 12.209), apresentou a manifestação de fls. 12.295/12.383, alegando, em síntese, que: Não recebeu nenhuma intimação para impugnar o lançamento do crédito tributário, sendo, portanto, nula a decisão de primeira instância. A ausência de intimação carateriza ofensa ao contraditório e cerceamento ao seu direito de defesa. Tanto a primeira intimação é inválida, que agora, na fase de recurso, a RFB conseguiu intimar o manifestante. Por fim, requer a nulidade da decisão impugnada. Fl. 13056DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.988 34 Rogério Márcio Tolardo Intimado do acórdão da DRJ em 16/10/2015 (fl. 12.217), apresentou o recurso voluntário de fls. 12.223/12.292, alegando, em síntese: A nulidade da intimação da decisão recorrida, uma vez que enviada a endereço diverso, tendo o recorrente apresentado impugnação indicando o seu domicílio como sendo a cidade de Curitiba. Só foi possível tomar conhecimento da decisão em função do acompanhamento que fez do processo. A nulidade da decisão recorrida, uma que não houve análise de todas as questões abordadas na impugnação, como, também, não foi devidamente fundamentada e motivada, asseverando: Em que pese as várias matérias arguidas na impugnação administrativa, presumese pela cobrança enviada, houve uma decisão singular e simplista, sem analisar todas as questões invocadas, que provam a total inexigibilidade do crédito tributário indevidamente lançado. Ora, é de se imaginar a decisão como um resumo do relatório fiscal, baseado unicamente em provas indiciárias contidas em inquérito policial, sobre o qual não existe um julgamento de validade das provas coligidas e, como se sabe, muito menos o direito ao contraditório e à ampla defesa. Observe que embora demonstre a parte Recorrente que não tenha nenhum vínculo com os fatos, rebatendo as arguições realizadas pelo auditor no auto de infração, o ilustre julgador monocrático não se ateve às mesmas, simplesmente adotando como razões de decidir o relatório do auto de infração, em evidente afronta ao disposto no art. 31 do Decreto 70.235/1972. Francamente, não há como persistir a decisão e o lançamento, na medida em que se lastreiam, pelo relatório, em prova indiciária e em arquivos eletrônicos em poder de terceiros, os quais não podem ser considerados como suficientes ao lançamento tributário. Uma mera planilha eletrônica aliado a um trabalho de conclusão de curso referidos no relatório, foi suficiente para a auditoria fiscal entender que todas as lojas de auto peças do Brasil tinham vinculação com Samuel Tolardo, falecido, sem que fosse oportunizado acesso à tais documentos pela parte Recorrente e sem demonstrar um liame sequer com a parte Recorrente, a não ser o grau de parentesco (...) No mais, renova os argumentos expendidos na peça impunatória. Robson Marcelo Tolardo Revel Intimado do acórdão da DRJ em 20/10/2015 apresentou a manifestação de fls. 12.899/12.952, em 21/12/2015. Íris da Silva Tolardo Fl. 13057DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.989 35 Intimada em 19/10/2015, apresentou recurso voluntário em 30/09/2015 (fls.11.879/11.960) e aditamentos de fls.12.384/12.451 e fls. 12.669/12.735. Traz os mesmos argumentos em relação à nulidade da decisão recorrida já expostos em relação ao recorrente Rogério Márcio Tolardo. No mais, renova os argumentos expendidos na peça impunatória. Samuel Tolardo Júnior Intimado do acórdão da DRJ em 20/10/2015 apresentou recurso voluntário em 30/09/2015 (fls.11.962/12,032) e aditamentos. de fls.12.384/12.451 e fls. 12.669/12.735. Traz os mesmos argumentos em relação à nulidade da decisão recorrida já expostos em relação ao recorrente Rogério Márcio Tolardo. No mais, renova os argumentos expendidos na peça impunatória. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Intimada em 19/10/2015, apresentou recurso voluntário em 30/09/2015 (fls.12.812/12.881) e aditamentos. Traz os mesmos argumentos em relação à nulidade da decisão recorrida já expostos em relação ao recorrente Rogério Márcio Tolardo. No mais, renova os argumentos expendidos na peça impunatória. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Os recursos apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade. Assim sendo, deles conheço. Considerações Iniciais Impende ressaltar que a admissibilidade supra se reporta aos recursos voluntários propriamente ditos. Isso porque há nos autos duas manifestações de contribuintes revéis, Daniel de Oliveira Junior e Robson Marcelo Tolardo. Em uma análise detida dos autos, verificase que não houve nenhuma irregularidade na intimação do lançamento do crédito tributário. Os contribuintes foram intimados nos domicílios tributários constantes das bases de dados da Receita Federal do Fl. 13058DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.990 36 Brasil. Se desejavam que a intimação fosse para endereço diverso, deveriam ter procedido à atualização do domicílio tributário. De outro lado, não houve qualquer irregularidade na intimação pela via editalícia, tendo o ato atingido o fim colimado. Como não apresentaram impugnação ao crédito tributário, foram considerados revéis, estando o crédito tributário definitivamente constituído em relação aos contribuintes Daniel de Oliveira Junior e Robson Marcelo Tolardo. Diante dessas breves considerações, temse como apreciadas as manifestações aduzidas pelos contribuintes supra referidos. Em relação aos recursos voluntários, por conterem idênticas razões recursais, serão apreciados em conjunto, o que faço nos termos seguintes. Preliminares Nulidade da intimação Os recorrentes alegam nulidade da intimação da decisão recorrida porque esta não respeitou as indicações de endereço feitas nas impugnação, bem como porque ela não teria sido acompanhada de cópia do Acórdão prolatado pela DRJ. O Decreto nº 70.235, de 1972, regulamenta a intimação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal no seguinte dispositivo: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. Fl. 13059DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.991 37 § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. § 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. Fl. 13060DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.992 38 § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (grifou se) Conforme se extrai da literalidade do artigo transcrito a intimação por via postal será feita no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e este domicílio é o endereço fornecido por ele para fins cadastrais. Portanto, não há qualquer indicação de que o endereço informado na identificação da impugnação possa servir como domicílio para fins de intimação. Aliás, verificandose as impugnações apresentadas, vêse que sequer existe pedido para que esse endereço seja considerado e os sujeitos passivos alegam expressamente nulidade da intimação do auto de infração por não ter sido observado o endereço constante da DIRPF (item 3.5 da impugnação). Em outro diapasão, há nota no processo, datada de 18/11/2015, dando conta de que o edital destinado a intimar Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore não chegou a ser publicado porque esta apresentou recurso voluntário antes que se adotassem as providências para tanto. Logo, sua ciência ocorreu na data do protocolo de seu recurso, não fazendo sentido a alegação de que não recebeu cópia da decisão, já que a correspondência que lhe foi enviada com esse documento foi integralmente devolvida ao remetente (fls. 12.636/12.639). A ausência da anexação de cópia do acórdão restou posteriormente sanada. Pelas razões expostas, rejeito a preliminar arguida. Nulidade da autuação por ofensa ao contraditório e à ampla defesa Os recorrentes alegam que não tiveram conhecimento da ação fiscal até a lavratura do auto de infração e dos termos de sujeição passiva solidária e que, após terem sido surpreendidos pela exigência que recaía sobre eles, solicitaram cópia dos documentos que justificariam a autuação, contudo ela não foi fornecida a tempo e no prazo da impugnação. Esta alegação é bastante séria e conduziria à reabertura do prazo para apresentação de defesa. Ocorre, porém, que não se faz acompanhar de qualquer comprovação. Neste caso, contrapondose à atuação de autoridade pública, que goza de presunção de legitimidade, faltalhe força para infirmar essa presunção legal. Além disso, há nos autos uma série de intimações da ação fiscal que contrariam as afirmações dos recorrentes de que não tiveram conhecimento desta e de que foram surpreendidos pelo termo de sujeição passiva solidária. No mais, adoto como razões de decidir o seguinte excerto da decisão de piso: Ocorre que todos os documentos nos quais se basearam os Auditores Fiscais foram juntados ao processo administrativo Fl. 13061DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.993 39 fiscal, o qual foi formalizado em processo eletrônico. A Lei nº 11.196, de 2005, introduziu no Decreto nº 70.235, de 1972, a possibilidade da prática de atos processuais por meio eletrônico. Esse tipo de processo pode ser acessado diretamente pelo contribuinte, seus procuradores ou pessoas devidamente autorizadas, conforme instruções facilmente encontradas no sítio da RFB na internet. Mesmo se considerando que os demandantes não pudessem consultar os documentos dos processos por não quererem optar pelo Domicílio Tributário Eletrônico –DTE, é direito do contribuinte ou interessado a extração de cópias do processo, bem como a vista (Decreto nº 7.574/2011, art. 146, §§ 2º e 3º), procedimentos efetuados corriqueiramente na RFB, bastando o preenchimento do formulário adequado, também disponibilizado no sítio da RFB na internet, bem como a apresentação dos documentos necessários. Os impugnantes alegaram que lhes foi negada a vista ou cópia do processo, entretanto não apresentaram prova alguma desse fato. Há pedidos deferidos que comprovam o contrário. Consta nos autos solicitação de cópia do processo em meio digital efetuada em 22/12/2014 por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Não há nenhum indício de que cabe à RFB e não a ela a responsabilidade por ter pego a mídia apenas em 09/02/2015, conforme atesta a sua assinatura, principalmente porque, ao invés do alegado, o seu pedido não foi negado, tendo a RFB se disposto a providenciar a cópia. O documento a que faz referência o excerto transcrito está à fl. 12.445 do processo. Preliminar de nulidade rejeitada. Nulidade da decisão recorrida É alegada também a nulidade da decisão de piso por não ter analisado todas as questões invocadas pela defesa. Quanto a esse aspecto, entendo que, embora a decisão deve ser fundamentada e levar em consideração os argumentos apresentados pelos impugnantes, pois isso consiste em uma das faces do contraditório (poder de influência), não há obrigatoriedade de análise de todos os argumentos de defesa. Com efeito, de acordo com o art. 489 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; Fl. 13062DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.994 40 III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (...) Isso significa que a omissão que vicia a decisão é aquela relativa a ponto que poderia alterar a decisão tomada. Nesse sentido, destaco o seguinte precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA): “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n.799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). No mesmo sentido, é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.532.206 RJ (2015/01052895) relator o Ministro Marco Aurélio Bellizze: Ademais, não se exige do julgador examinar uma a uma as teses suscitadas pelo recorrente, tampouco a transcrição de fundamentos adotados per relationem à sentença, na esteira de Fl. 13063DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.995 41 precedentes desta Corte Superior (AgRg no AgRg no AREsp n. 630.003/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 19/5/2015; HC n. 103.158/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 8/6/2015; HC n. 315.106/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 11/3/2015; entre outros). Na hipótese em questão, devese considerar ainda o fato de que a alegação de nulidade da decisão foi efetuada de forma genérica, sem demonstrar a efetiva omissão e o prejuízo sofrido. Em contraponto, analisandose a decisão recorrida, vertida em um Acórdão de 67 páginas com o enfrentamento consciencioso de questões que foram repetidas na fase recursal, não é possível identificar o vício que lhe é impingido. Rejeito também essa preliminar. Nulidade da decisão proferida por autoridade incompetente Os recorrentes alegam também nulidade da decisão recorrida por ter sido proferida por autoridade incompetente, auditorfiscal e não Delegado da Receita Federal, o que ofenderia o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 25, "a". Ocorre que o art. 64 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, deu nova redação a esse artigo 25, alterando o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, pela instituição do julgamento colegiado: Art. 64. O art. 25 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; ................................................................ § 5o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá os atos necessários à adequação do julgamento à forma referida no inciso I do caput." (NR) A regulamentação desse julgamento colegiado em 1ª instância dáse atualmente pela Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, de onde se extrai: Art. 2º As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco) julgadores, podendo funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou pro tempore. § 1º As Turmas Ordinárias podem ter até 2 (duas) Turmas Especiais a elas vinculadas, que serão instaladas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil no ato de designação dos Fl. 13064DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.996 42 respectivos julgadores e terão a mesma competência para julgamento atribuída às Turmas Ordinárias a que se vinculam. § 2º As Turmas Ordinárias são dirigidas por um presidente nomeado entre os julgadores, sendo uma delas presidida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que também exerce a função de julgador. § 3º As Turmas Especiais possuem caráter temporário, são integradas por julgadores pro tempore e dirigidas pelo Presidente da Turma Ordinária a que se vincula. § 4º A nomeação de Presidentes de Turmas e a designação de julgadores, titulares ou pro tempore, são de competência do Secretário da Receita Federal do Brasil. Art. 3º O julgador deve ser ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), preferencialmente com experiência na área de tributação e julgamento ou habilitado em concurso público nessa área de especialização. (grifouse) Logo, improcedente a alegação de incompetência da autoridade que prolatou a decisão recorrida. Preliminar rejeitada. Nulidade por ausência de MPF Argumentam os recorrentes que o lançamento seria nulo por não terem sido cientificados da existência de processo de fiscalização contra eles. Inicialmente, deve ser registrada a reiterada jurisprudência deste colegiado no sentido expresso pelo Acórdão 2301004.168, relatado pelo Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, de acordo com o qual eventuais deficiências do MPF não maculam o lançamento: 3. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 4. Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes as unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, ato praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não tem condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. 5. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prendese tão somente a questões relacionadas a sua segurança contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Fl. 13065DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.997 43 Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Por outro lado, no Termo de Intimação Fiscal nº 01 há a identificação do mandado de procedimento fiscal instaurado em face da empresa fiscalizada e do código de acesso para verificação de sua autenticidade. Depreendese dos autos que os sujeitos passivos solidários foram cientificados do termo de início da ação fiscal em face de algumas empresas e dos Termos de Intimação Fiscal em relação a outras, estando a empresa fiscalizada entre elas. Cabe ressaltar que não há, nas normas que regulamentam esse procedimento, previsão de que seja emitido MPF específico para os sujeitos passivos solidários. Nesse sentido, extraise do Acórdão nº 2202003.852, de relatoria da Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio: NULIDADE DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA SEM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ESPECÍFICO. Improcedente a alegação de que a imputação de responsabilidade solidária demandaria a emissão de um Mandado de Procedimento Fiscal específico para esse fim, uma vez que a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do trabalho fiscal. Dessa forma, em relação ao MPF, não vejo qualquer mácula no procedimento adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento. Rejeito a nulidade argüida. Nulidade por ausência de intimação pessoal Esta questão já se encontra superada em função do enunciado nº 9 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Nulidade rejeitada. Nulidade por ilegitimidade passiva dos recorrentes Os recorrentes também alegam a existência de nulidade por ilegitimidade dos sujeitos passivos, pois não haveria prova que demonstre a existência de vínculo entre eles e a empresa autuada. Fl. 13066DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.998 44 Entendo que essa matéria poderia ser tratada como preliminar se houvesse um erro evidente de identificação do sujeito passivo, o que não é o caso. Em razão disso, a análise da legitimidade das pessoas apontadas como responsáveis solidários para integrar o pólo passivo da obrigação tributária deve ser tratada como matéria de mérito, o que será feito adiante. Rejeito a preliminar de nulidade por ilegitimidade passiva dos recorrentes. Nulidade por falta de motivação e fundamentação Segundo os recorrentes, a autoridade fiscal teria tipificado as exigências em dispositivos genéricos, sem especificar quais artigos motivaram a lavratura do auto de infração, o que caracterizaria falta de fundamentação para o ato. Ao contrário do que se alega, entretanto, o auto de infração, através de seus vários elementos integrantes, identifica não apenas os dispositivos legais aplicáveis à espécie (Relatório Fundamentos Legais do Débito), como faz uma exaustiva descrição dos fatos que ensejaram a responsabilidade de todos os sujeitos passivos. Portanto, não identifico a alegada ausência de motivação/fundamentação no lançamento. Rejeito. Nulidade por ilegitimidade da atuação do AuditorFiscal e por ilicitude das provas utilizadas Sob esse tópico, alegam os recorrentes que o AuditorFiscal teria extrapolado os limites de sua competência funcional ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária aos recorrentes sem indicar os motivos para tanto. Asseveram que: A responsabilização capitulada pelo Auditor Fiscal, entretanto, escapa de sua competência, pois além de não estar prevista expressamente na lei de regência de sua atividade, compete exclusivamente ao Procurador da Fazenda Nacional, na esfera judicial, fazêlo e desde que presentes os requisitos. Mais uma vez, não lhes assiste razão. Com efeito, de acordo com o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 13067DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 12.999 45 Portanto, o lançamento fiscal é o momento adequado para a identificação do sujeito passivo da obrigação tributária e, segundo o mesmo código: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifouse) Por outro lado, a Lei nº 10.593, de 2002, não deixa margem à dúvida sobre quem é a autoridade administrativa de que trata o CTN: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (...) Cumpre registrar, ainda, que o STJ, no âmbito do REsp 1110925/SP, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, em Acórdão de lavra do Ministro Teori Albino Zavaski, assentou que: Fl. 13068DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.000 46 TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL SÓCIOGERENTE CUJO NOME CONSTA DA CDA. PRESUNÇÃO DE RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA ARGUIDA EM EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. INVIABILIDADE. PRECEDENTES. 1. A exceção de préexecutividade é cabível quando atendidos simultaneamente dois requisitos, um de ordem material e outro de ordem formal, ou seja: (a) é indispensável que a matéria invocada seja suscetível de conhecimento de ofício pelo juiz; e (b) é indispensável que a decisão possa ser tomada sem necessidade de dilação probatória. 2. Conforme assentado em precedentes da Seção, inclusive sob o regime do art. 543C do CPC (REsp 1104900, Min. Denise Arruda, sessão de 25.03.09), não cabe exceção de pré executividade em execução fiscal promovida contra sócio que figura como responsável na Certidão de Dívida Ativa CDA. É que a presunção de legitimidade assegurada à CDA impõe ao executado que figura no título executivo o ônus de demonstrar a inexistência de sua responsabilidade tributária, demonstração essa que, por demandar prova, deve ser promovida no âmbito dos embargos à execução. 3. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Essa decisão evidencia que a atribuição de responsabilidade tributária é questão afeta ao procedimento administrativo que dá origem à CDA. Ou seja, precede a instauração da execução fiscal. Embora seja possível o redirecionamento da execução a pessoas que não constem nesse título ou, ainda, que seja realizada a desconsideração da personalidade jurídica de que trata o novo Código de Processo Civil, esses procedimentos se tornam necessários quando não foi efetuada a atribuição da responsabilidade no processo de sua formação (da CDA). Ou seja, esses procedimentos tem caráter residual e não têm o condão de excluir a competência da autoridade fiscal, lastreada no Código Tributário Nacional, norma com força de Lei Complementar. Em tempo, as provas foram obtidas através de decisões judiciais em relação às quais não se demonstrou qualquer irregularidade. Embora os recorrentes aleguem a incompetência do juízo que determinou a busca e apreensão, a quebra dos sigilos e o compartilhamentos das informações, não demonstra que esse fato tenha sido assentado em decisão judicial, único meio capaz de infirmar a presunção de legitimidade que carrega uma decisão judicial. Portanto, assim como são improcedentes as alegações de incompetência da autoridade fiscal, não há que se falar em provas ilícitas. Rejeito também estas preliminares de nulidade. Prejudicial de mérito necessidade de aguardar decisão do STF Fl. 13069DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.001 47 Em relação a essa matéria, deve ser registrado que não há mais previsão regimental para suspensão dos processos no âmbito do CARF para fins de se aguardar decisão dos tribunais superiores. A despeito disso, a constitucionalidade do comando que autoriza a fiscalização a obter informações bancárias dos contribuintes sem interferência do poder judiciário já foi decidida de forma favorável à Fazenda Nacional. Prejudicial de mérito rejeitada. Mérito Ausência de responsabilidade dos recorrentes No mérito, alegase ausência de responsabilidade dos recorrentes, por serem pessoas estranhas ao quadro societário da empresa autuada e por não haver prova de seu vínculo com ela e com o fato gerador do tributo. Quanto a essa alegação, em homenagem ao excelente trabalho realizado pela decisão de piso, transcrevo e adoto como razões de decidir o seguinte trecho do Acórdão em que consubstanciada: 8. Da Responsabilidade dos Envolvidos A solidariedade dos integrantes da família Tolardo não se baseou em presunções, mas em provas irrefutáveis de que eles administravam a sociedade, conforme se verá adiante. A solidariedade foi aplicada não porque eles são sócios de fato do empreendimento, mas porque agiram com infração à lei e ao contrato social das empresas (CTN, art. 135, III), a começar pela utilização de sócios laranjas, com o intuito evidente de escaparem de uma possível cobrança dos tributos devidos e sonegados. Quanto ao art. 124, I, do CTN, está presente, no caso, o interesse jurídico, não por as pessoas físicas serem da mesma família, mas por terem participado ativamente, ainda que de forma oculta, da administração das empresas e, por consequência, dos fatos geradores que originaram os Autos de Infração. A própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no já mencionado Parecer PGFN/CRJ/CAT 55/2009, entendeu que a responsabilidade do administrador pode ser declarada quando da lavratura do auto de infração que formalizar o lançamento do crédito tributário em face da pessoa jurídica contribuinte, como também pode ser declarado em auto de infração e em momento distintos, independentemente de ter o ato ilícito sido praticado no momento da ocorrência do fato jurídico tributário que deu origem à obrigação tributária principal. A responsabilidade de cada administrador pode ser declarada ao mesmo tempo e ato ou em tempos e atos distintos. Não há ilegalidade alguma na imputação da responsabilidade pelos Auditores Fiscais, os quais eram competentes para efetuar tal ato no momento em que apuraram os fatos que o fundamentava. Diante da constatação da existência da REDE PRESIDENTE e de sua administração pela família Tolardo, a ausência da vinculação formal de seus Fl. 13070DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.002 48 membros à empresa não os exime da responsabilização, diante do seu envolvimento de fato na administração de todo o empreendimento. Constavam no banco de dados utilizado pelo Programa Caixa várias “contas” representativas de custos, despesas, pagamentos, recebimentos, etc., bem como vários “centros de custos”, tais como os relativos a cada uma das “filiais”. Dentre os centros de custo destacase o “020 – DIRETORES”. Entre as subcontas, sobressaem aquelas inerentes a cada um dos integrantes da família Tolardo. Filtrandose o centro de custos “20DIRETORES” e aplicandose outro filtro relativos às subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada um deles. Ademais, a planilha “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls”, encontrada nos pendrives de Odete, operadora do esquema, e Samuel Tolardo Júnior, corroboram os valores encontrados na base de dados do Programa Caixa, comprovando a distribuição de valores entre os componentes da família Tolardo. 8.1. Íris da Silva Tolardo Constam no relato da Auditoria Fiscal várias provas da participação de Íris da Silva Tolardo no esquema fraudulento. Íris da Silva Tolardo é a administradora/responsável formal pela empresa Agropecuária Valparaíso Ltda., empresa registrada em nome dos irmãos Tolardo. Essa empresa é proprietária do imóvel utilizado pela REDE PRESIDENTE em Maringá/PR. No local temse o endereço de três empresas do esquema: a Napa Parts, conforme logomarca na fachada do prédio, a PRTS e a Administradora Confiança. No endereço residencial de Daniel de Oliveira Junior foi encontrado instrumento particular, com caráter de escritura pública de cessão onerosa de direitos e obrigações, datado de 09/05/2008, referente a esse imóvel. A cessionária é a Agropecuária Valparaíso, naquele ato representada por Íris da Silva Tolardo. O imóvel localizado no bunker da Rua das Camélias, 690, Maringá/PR, uma residência sem qualquer tipo de identificação, foi registrado no nome de Daniel de Oliveira Junior, importante operador do esquema. Ele passou uma procuração para a família Tolardo, inclusive para Íris da Silva Tolardo, em 22/06/2009, concedendo poderes par vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar a quem quiser, pelo preço e condições que convenciarem. Sendo esse imóvel utilizado pelo esquema, a procuração é um inequívoco elemento que vincula Íris da Silva Tolardo à REDE PRESIDENTE. Íris da Silva Tolardo serve como caucionante (garantidora) do contrato de locação de um imóvel (galpão industrial) locado pela REDE PRESIDENTE em Barueri/SP, endereço de uma das empresas do esquema, SMA Auto Parts Indústria e Comércio de Peças Automotivas Ltda, responsabilizandose por todas as obrigações assumidas, entretanto o contrato foi feito em nome de Rosangela Maria Mantovani, sócia laranja da SMA. A locação do imóvel residencial situado na Av. Perseu, em São José dos Campos, para o período fevereiro/2008 a fevereiro/2011, foi garantida por Íris da Silva Tolardo, que ficou solidariamente responsável por todas as obrigações decorrentes do contrato. A locatária é a empresa PRS, então denominada Retificadora Presidente Prudente Peças para aVeículos Ltda. Fl. 13071DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.003 49 Íris da Silva Tolardo injetou recursos na REDE PRESIDENTE no final de 2011, depositando R$ 900.000,00 (novecentos mil reais) em conta da PRTS Distribuidora de Peças Ltda. Tratase pretensamente de um empréstimo, porém as condições são extremamente benéficas, com um prazo de cinco anos para pagamento com os juros da poupança, certamente motivadas por ser investimento em negócio próprio, já que, de fato, era uma das proprietárias da REDE PRESIDENTE. O cheque emitido para a efetivação do empréstimo é de uma conta conjunta de Íris da Silva Tolardo com Samuel Tolardo Júnior, outro membro da família e proprietário do esquema. Na residência de Robson Marcelo Tolardo foi encontrado outro depósito feito por Íris da Silva Tolardo em favor da PRTS Distribuidora de Peças Ltda., no valor de R$.990.000,00 (novecentos e noventa mil reais), efetuado em 14/07/2010. Ademais, Íris da Silva Tolardo é usuária de um cartão de crédito AMEX conjuntamente com os demais integrantes/proprietários do esquema e cujas faturas são pagas pela REDE PRESIDENTE. O caseiro de Íris da Silva Tolardo, Antônio Prudente Ferreira, depôs à Polícia Federal em 17/10/2012 e disse que nunca trabalhou para nenhuma empresa, entretanto os acertos relativos ao seu vínculo trabalhista eram feitos pela REDE PRESIDENTE, conforme quatro interceptações telefôncias entre Antônio e Fabiana, do Departamento Pessoal da rede, e “Nego”, outro funcionário do esquema. Ademais, ele consta na “Relação detalhada de valores” da REDE PRESIDENTE (MGA233.9) emitida em 16/02/2011, onde está escrito que ele teria sido admitido em 1º/08/1989 e seria Auxiliar de Serviços Gerais do Departamento Geral da Filial 98 – MTZ MGA. Outra evidência da ligação de Íris da Silva Tolardo com o esquema é a ligação telefônica de 05/05/2012 entre ela e uma amiga (Leda ou Hieda), quando fala com naturalidade sobre o comportamento de Odete Cardoso Berti, uma funcionária do esquema. Nesse telefonema ela disse: “pelo telefone não posso falar muita coisa, também. Entendeu?”. Esse fato demonstra não só a sua participação, mas também que ela tinha conhecimento da ilicitude do esquema. Em conversa telefônica de Íris da Silva Tolardo com sua filha, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, de 22/05/2012, novamente ela demonstra pleno conhecimento das atividades do esquema. A conversa gira em torno das novas atribuições da família com a aquisição do Grupo Emprepar. Nessa conversa ela diz que da forma como está, o filho Robson Marcelo Tolardo tem muito poder em detrimento dos outros filhos e reclama da esposa e filha dele, Paula e Amanda, respectivamente. Acrescenta, ainda, que Paula bajula demais Liderci e que acha que isso se deve ao fato de Liderci saber de “tudo”. Edson Barbosa da Silva, irmão de Íris da Silva Tolardo, em depoimento à Polícia Federal, disse claramente que a REDE PRESIDENTE pertence à sua irmã. 8.2. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Há robustas provas de que Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore participava ativamente do esquema, especialmente como administradora do grupo de empresas adquirido, Embrepar. Foram, inclusive, interceptadas pela Polícia Fl. 13072DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.004 50 Federal ligações telefônicas entre ela e sua mãe e entre esta e Robson Marcelo Tolardo, as quais demonstram que a filha do exdono da Embrepar ensinou a Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore os procedimentos do negócio adquirido. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore foi sócia da Administradora Confiança. Foram localizadas várias procurações dos sócios laranjas para ela: outorgada por Geraldo Richter com poderes para vender ou incorporar as quotas da REDE PRESIDENTE (07/11/2002); outorgada pela RPT (representada por Geraldo Richter) para representação perante bancos (07/11/2002); outorgada pela RPT com poderes amplos e gerais (07/11/2002), outorgada pela RPT para representá la em bancos com poderes amplos, gerais e ilimitados (12/11/2003); outorgada pela RPT com poderes amplos, gerais e ilimitados (12/11/2003); outorgada pela Nobre Participações Ltda. (representada pela sócia laranja Mirian Coutinho de Lima para ela e seu irmão, Samuel Tolardo Júnior, conferindo poderes amplos e gerais (25/08/2004). Para que Daniel de Oliveira Junior, funcionário do esquema, locasse um imóvel em Maringá/PR, foi necessário um fiador, papel exercido por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e seu marido. Outro imóvel cuja locação teve Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore como fiadora foi o do bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR (aluguel do período 10/03/2011 a 09/03/2014) cuja locatária era Ana Maria Gimenez de Souza é importante operadora do esquema. Há, ainda, o contrato de locação de um barracão comercial em Bauru/SP, usado pela REDE PRESIDENTE, Filial 18. O contrato tem como locatária Fernanda Cristina de Lima dos Santos, usada como laranja na RPFL Auto Peças Ltda., e como fiadora Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Além disso, existem imóveis de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore que são usados pela REDE PRESIDENTE: galpão situado em Londrina/PR locado à REDE PRESIDENTE – Filial 14 e imóvel utilizado pelo esquema no Rio de Janeiro/RJ; imóvel comercial em Petrolina/PE, com galpões de estocagem, avaliado por laudos em R$.750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais) e R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais). O primeiro laudo aponta como solicitante e ocupante do imóvel a empresa Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda. Distribuidora de Auto Peças e como proprietária Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Outro imóvel de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore utilizado pela REDE PRESIDENTE localizase em Imperatriz/MA, no endereço cadastral da IME Peças para Veículos Ltda. – ME. Foi encontrado laudo de avaliação datado de 23/03/2011, no qual ela consta como proprietária e Liderci Luriko Nagabe de Oliveira como solicitante. O imóvel foi avaliado em R$ 1.350.000,00 (um milhão, trezentos e cinquenta mil reais). O imóvel utilizado pela REDE PRESIDENTE em Feira de Santana/BA (Filial 74) também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, conforme laudos de avaliações realizadas em novembro/2011. As fotos que constam no laudo mostram que na fachada havia a logomarca da REDE PRESIDENTE. Esse imóvel foi avaliado em R$.1.500.000,00 (um milhão e Fl. 13073DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.005 51 quinhentos mil reais) por um laudo e em R$ 1.516.000,00 (um milhão, quinhentos e dezesseis reais) por outro. Também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore o imóvel utilizado pelo esquema em Piracicaba/SP (Filial 75), conforme laudos de avaliação feitos em 2011. O imóvel foi avaliado em R$ 1.524.705,05 (um milhão, quinhentos e vinte e quatro mil, setecentos e cinco reais e cinco centavos) e R$ 1.450.000,00 (um milhão, quatrocentos e cinquenta mil reais). Foi encontrado o registro desse imóvel. Constam também como de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore 3 (três) lotes de terrenos contíguos em Fos do Iguaçu/PR, cujo barracão ali instalado serve de extensão para a PRE Comércio e Distribuição de Peças Ltda. (Filial 44), conforme certidão de escritura pública de compra e venda. A compra desse imóvel foi feita por procuração, justamente por Robson Marcelo Tolardo. O imóvel usado pela REDE PRESIDENTE em Londrina/PR (Filial 14) também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, conforme contrato de locação de 02/01/2007. Há, ainda, o imóvel registrado no me da filha de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, a menor Julia Tolardo Dalle Ore, usado em Porto Alegre/RS pela REDE PRESIDENTE (Filial 60). Todos esses imóveis, com exceção dos de Foz do Iguaçu/PR e Imperatriz/MA, foram transferidos à empresa Zenith Administradora de Bens e Participações Ltda., a título de integralização do capital. Essa é uma das empresas criadas para administrar os bens da família Tolardo, tendo como sócia a própria Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e suas filhas, Isabela Tolardo Dalle Ore e Julia Tolardo Dalle Ore. Os imóveis eram controlados pela REDE PRESIDENTE, segundo constatado em planilha encontrada por ocasião do cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão. Nessa planilha foi, ainda, identificado um imóvel denominado “C.MOURÃO”, para o qual encontrouse um laudo de avaliação de 28/08/2012 para imóvel situado em Campo Mourão/PR, com valor estimado de R$.440.000,00, de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Quanto ao imóvel identificado na planilha como “SPINHAIS”, foram localizados os registros dos imóveis de matrículas 19.136, 19.139, 19.140, 19.141, 19.142 e 19.143 no Registro de Imóveis de São José dos Pinhais/PR, adquiridos por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore em 25/08/1997. 8.3. Rogério Márcio Tolardo Foram relatadas várias provas da atuação de Rogério Márcio Tolardo, como: a. Procuração de 10/10/1996 da então Foramec Auto Peças Ltda. (atual RPT), representada por ele e por seu irmão Samuel Tolardo Júnior, constituindo um procurador para representar a empresa perante repartições públicas; b. Procuração outorgada a ele por Adanice Gonçalves de Jesus, conferindolhe poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 03/04/20000; Fl. 13074DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.006 52 c. Procuração outorgada a ele pela empresa Rede Presidente Ltda., conferindolhe amplos, gerais e ilimitados poderes, datada de 03/04/2000; d. Procuração outorgada a ele em 07/101/2002 por Geral Richter (então laranja da RPT), conferindolhe amplos e gerais poderes para vender ou incorporar as quotas da RPT ou assinar quaisquer contratos de compra e venda, inclusive alterações contratuais; e. Procuração datada de 07/11/2002, por meio da qual a Rede Presidente, representada por Geraldo Richter, concedelhe amplos e gerais poderes para representar a empresa perante quaisquer estabelecimentos bancários, públicos ou privados do país; f. Procuração de 07/11/2002, outorgada a ele pela Rede Presidente, representada por Geral Richter, conferindolhe amplos e gerais poderes para constituir advogados, com todos os poderes inerentes. Na época do cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão, Rogério Márcio Tolardo residia em Curitiba/PR, onde é sócio de uma loja de aparelhos eletrônicos para uso doméstico, W2X – Comércio e Serviços de Equipamentos. Apesar de essa empresa aparentemente não ter relação com o esquema REDE PRESIDENTE, no período de abril/2005 a janeiro/2010, era seu sócio Francisnei Paulo Ferrarini, mero funcionário do esquema. Fracisnei também foi usado como laranja da FEMAMAR Repres. Comerciais Ltda., empresa da REDE PRESIDENTE, que fica no mesmo endereço de uma das filiais da RPT. Em depoimento prestado à Polícia Federal em 17/10/2012, Francisnei afirma que figurou como sócio da W2X a pedido de Rogério Márcio Tolardo, porém jamais exerceu qualquer atividade nessa empresa, gerida exclusivamente por Rogério. Notese que Fransicnei diz que aceitou a proposta porque tinha uma relação de amizade ou seria alguém de confiança de Rogério Márcio Tolardo, o que, por óbvio, decorreu da atuação e posição deste último na REDE PRESIDENTE. A participação de Rogério Márcio Tolardo fica mais clara diante dos imóveis de sua propriedade controlados pela planilha já mencionada, onde se constata ser ele proprietário de 6 (seis) imóveis: a. Um galpão em Guarulhos/SP, pertencente também a Samuel Tolardo Júnior. Foi localizado um contrato de locação de 1º/01/2010, constando ambos os irmãos como locadores e a RPT como locatária. No bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, foi encontrada uma avaliação do imóvel de maio/2011, no valor de R$ 25.758.128,00 (vinte e cinco milhões, setecentos e cinquenta e oito mil, cento e vinte e oito reais). Apesar de o valor para locação do imóvel ser R$.257.581,28 (duzentos e cinquenta e sete mil, quinhentos e oitenta e um reais e vinte e oito centavos), os irmãos o locam por R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Em dezembro/2009, esse imóvel foi dado em caução como garantia de um contrato de locação não residencial celebrado pela Fort Lub Produtos Automotivos Ltda.; b. Dois terrenos contíguos onde está construído um barracão usado pela REDE PRESIDENTE em Foz do Iguaçu (empresa PRE, Filial 44); Fl. 13075DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.007 53 c. Um terreno localizado em Maringá/PR, área muito bem localizada pertencente ao esquema; d. Imóvel localizado em Cabuy, Presidente Prudente/SP, onde funciona a Filial 38. No contrato de locação encontrado, datado de 1º/01/2010, a locatária é a empresa Rolcar Auto Peças, do esquema REDE PRESIDENTE; e. Imóvel localizado em Uberlândia/MG (Filial 64). Foi encontrada cópia da matrícula do imóvel. Posteriormente, esses imóveis foram dados como integralização de capital de uma das empresas do esquema, Magno Administradora de Bens e Participações Ltda. O capital, que era de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) passou para R$ 1.039.765,00 (um milhão, trinta e nove mil, setecentos e sessenta e cinco reais). Outro indicativo da posição de Rogério Márcio Tolardo é dado em conversa telefônica entre sua mãe e Leda ou Hieda, que o compara a Robson Marcelo Tolardo e comenta que Rogério também é sócio. Em outras duas gravações efetuadas pela Polícia Federal, constatase a existência de repasses ou pagamentos mensais que a família Tolardo fazia ao sócio Rogério Márcio Tolardo. 8.4. Samuel Tolardo Júnior No apartamento de Samuel Tolardo Júnior em Curitiba/PR, foram encontrados vários documentos relativos ao esquema. Ele participa há bastante tempo, como comprova a procuração da RPT, então Foramec Auto Peças Ltda., datada de 10/10/1996. Nessa procuração, ao lado de seu irmão Rogério Márcio Tolardo, ele consta como sócio da empresa que, praticamente, inaugurou a REDE PRESIDENTE. Ademais, Samuel Tolardo Júnior (ou Júnior) foi diversas vezes mencionado na escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, como, por exemplo, em conversa de 22/05/2012 entre sua mãe e sua irmã, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, na qual fica clara a sua participação na empresa recém adquirida do Grupo Embrepar. Em outra interceptação telefônica, do dia 1º/08/2012, entre ele e Ana Maria Gimenez, resta evidente o seu envolvimento na análise de questões operacionais, como transferências dentre filiais e estoque negativo. Um imóvel onde se localizava um dos bunkers da REDE PRESIDENTE estava registrado no me de Daniel de Oliveira Júnior, constando uma procuração desse operador do esquema para a família Tolardo, inclusive para Samuel Tolardo Júnior, datada de 22/06/2009, concedendo poderes para vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar esse imóvel. O endereço de Samuel Tolardo Júnior que consta nessa procuração é, na verdade, o endereço de uma filial da REDE PRESIDENTE, Filial 27, no Rio de Janeiro, apesar de constar nas suas DIRPF desde 2003 como sendo seu endereço residencial. Há outra procuração, outorgada por Genésio Bueno, laranja da A.P.E. Auto Peças Ltda. (dezembro/2004 a setembro/2013), conferindolhe amplos, gerais e ilimitados poderes. Idêntica procuração foi também concedida pela própria empresa, na época denominada A Presidente Auto Peças Ltda. Fl. 13076DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.008 54 Foi encontrado contrato de execução de construção por empreitada global entre Samuel Tolardo Júnior e Antonio Picoli Sobrinho, de 05/05/1992, para construção de barracão comercial em Curitiba/PR, provavelmente o mesmo imóvel da matrícula 51.835. Junto à cópia do registro da matrícula foi achado um recibo, no qual consta que o imóvel foi adquirido por Samuel Tolardo Júnior em 24/05/2005. Tratase de um barracão comercial utilizado pela Filial 23 da REDE PRESIDENTE. Foram encontradas duas avaliações do imóvel, uma delas solicitada por Samuel Tolardo Júnior. Outro imóvel adquirido por Samuel Tolardo Júnior é um barracão comercial em Cascavel/PR. Foram encontrados vários documentos referentes à obra, datados de final de 2011 e ano de 2012. A maioria dos emails tratando de assuntos da obra são assinados por Nilson Roberto da Silva, funcionário da REDE PRESIDENTE desde 09/06/2003. Há, ainda o imóvel de Guarulhos/SP, adquirido por Samuel Tolardo Júnior e Rogério Márcio Tolardo, conforme escritura pública de venda e compra de 28/06/2001. Também foi constatado serem de propriedade de Samuel Tolardo Júnior um apartamento em Curitiba/PR; um salão comercial em Londrina locado a Rogério José de Alencar e um terreno em Londrina. Desses imóveis, ao menos três deles (um em Curitiba/PR, o terreno de Londrina/PR e o de Cascavel/PR) foram transferidos em abril/2012 para a empresa Urbanos Administradora de Bens e Participações Ltda. como integralização de capital por parte de Samuel Tolardo Júnior. O capital da empresa passou de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para R$.563.280,00 (quinhentos e sessenta e três mil, duzentos e oitenta reais). O outro sócio fica apenas com R$ 1,00 (um real). Os elementos coligidos pelo Acórdão recorrido são suficientes para demonstrar a posição ocupada pelos membros da família Tolardo como reais proprietários e administradores da Rede Presidente. Além disso, são suficientes para afastar a alegação de ausência de responsabilidade dos recorrentes por inexistência de prova do seu benefício. Com efeito, basta lembrar que há comprovação de pagamentos de despesas pessoais feitos pela Rede Presidente, bem como de que os integrantes da família faziam retiradas de valores próximos a R$ 100.000,00 (cem mil reais) mensais cada, chegando, em alguns períodos, a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) cada. Por outro lado, a relação da empresa fiscalizada com a Rede Presidente encontrase adequadamente configurada pelos fatos que são descritos nos itens 160 a 171 do "Anexo Relatório Rede Presidente Previdência". Deve ser considerado também, que as provas trazidas aos autos revelam um "modus operandi", ou seja, um padrão de comportamento que se perpetua no tempo, de forma que a alegada ausência de sincronia temporal entre as constatações feitas e os períodos lançados não implicam qualquer nulidade ou mácula ao lançamento efetuado. Neste caso, caberia aos recorrentes a demonstração de que houve mudança na forma de proceder, o que não foi feito. Fl. 13077DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.009 55 Com base no exposto, afasto as alegações de ausência de prova do vínculo dos responsáveis solidários com os fatos geradores das obrigações tributárias, bem como de ausência de prova do seu benefício. Decadência e prescrição Alegam os recorrentes, de forma genérica, que o crédito tributário já estava extinto pela decadência e pela prescrição. As competências lançadas abrangem o período de 04/2009 a 09/2012 e o auto de infração e os termos de sujeição passiva solidária foram lavrados e cientificados em datas diversas do mês de dezembro de 2014. Neste caso, há nos autos robustas provas da ocorrência de conduta dolosa, fraudulenta e simulada, o que implica a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 173, I, do CTN, de forma que o início do prazo para os fatos geradores mais antigos se dará no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 1º de janeiro de 2010. Sendo de cinco anos o prazo, o termo final seria em 31 de dezembro de 2014. Logo, improcedente a alegação de decadência. O prazo prescricional, por outro lado, terá sua contagem iniciada apenas com o encerramento deste PAF, não sendo possível se falar em prescrição durante o seu curso, conforme estabelece o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Nego provimento ao recurso quanto às alegações de decadência e prescrição. Ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos Os recorrentes alegam que a ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos prejudicaria sua defesa e implicaria nulidade do auto de infração. Ocorre que a comprovação da existência dos pagamentos a esse título foi feita a partir de extrato da conta caixa que registrava a atividade de todas as "filiais" do grupo. Cabia às empresas e, por decorrência, aos responsáveis por ela, ter realizado o adequado controle dos beneficiários dos pagamentos e informado esses dados ao poder público. Com efeito, é o que determina o Decreto nº 3.048, de 1999: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as Fl. 13078DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.010 56 contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Afastada qualquer alegação pertinente à ausência de vínculo e de responsabilidade dos recorrentes com os atos realizados pelas empresas integrantes da Rede Presidente, se não houve cumprimento de suas obrigações legais, não podem agora invocar esse fato em seu benefício. Com efeito, essa conclusão é decorrência de aplicação da máxima moralizante do venire contra factum proprio, cuja inteligência perpassa a aplicação de todas as regras do direito. Tanto isso é verdade, que a legislação previdenciária autoriza a fiscalização a utilizar o expediente da aferição indireta quando ficar comprovada a irregularidade no cumprimento de suas obrigações: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Nesse sentido é a jurisprudência deste Colegiado conforme revela o Acórdão nº 2404005.672, cuja ementa é abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA ACERCA DOS SEGURADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESAS. CONTRATADA PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PERMISSÃO CONCEDIDA À COOPERATIVA. 1. Devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc. Fl. 13079DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.011 57 2. A contribuinte foi intimada sete vezes, mas não prestou os devidos esclarecimentos, tampouco apresentou a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação. 3. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta. A despeito do que se afirmou acima, cumpre registrar que no documento juntado ao processo a fls. 11.819/11.252 estão identificados os beneficiários dos pagamentos realizados e que deram origem à autuação. Nego provimento também quanto a esse tópico do recurso. Inconstitucionalidade da base de cálculo estabelecida na Lei nº 8.212, de 1991, do salárioeducação e do SAT Este Colegiado não pode se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária, conforme preceitua o seguinte enunciado da Súmula de jurisprudência do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, as alegações de inconstitucionalidade da base de cálculo estabelecida na Lei nº 8.212, de 1991, do salárioeducação e do SAT pela necessidade de lei complementar não podem ser conhecidas. Inexigência da contribuição ao INCRA A alegação de inexigência da contribuição ao INCRA também está calcada na inconstitucionalidade das normas de regência, o que implicaria a aplicação do enunciado da Súmula acima transcrito. Em que pese a incidência desse enunciado, que seria suficiente para afastar as pretensões dos recorrentes, adoto também como razões de decidir o trecho abaixo transcrito, retirado do Acórdão 2401004.218, do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi: Portanto, no foro administrativo, não merece prosperar a argumentação da recorrente quanto à inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA. Quanto aos aspectos da legalidade, temos que a investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento no sentido de que consubstancia contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice Fl. 13080DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.012 58 para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) (destaques nossos) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. Fl. 13081DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.013 59 (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. (destaques nossos) Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no Fl. 13082DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.014 60 “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). É verdade que ainda encontrase pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao INCRA. Logo, improcedente as alegações quanto à inexigência das contribuições ao INCRA. Ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre verbas de caráter indenizatório Em relação a essa alegação, adoto, sem embargo, o seguinte excerto da decisão de piso: A impugnante faz referência a diversas verbas, dizendo não haver previsão legal para a sua cobrança. Não carreia aos autos, contudo, nenhum elemento probatório ou cálculo quantificando esses valores, o que contraria o art. 15 e o art. 16. III, do Decreto nº 70.235/1972. O abono de férias, as férias indenizadas, os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, §9º, “d”, “e.6”, “e.7”, da Lei nº 8.212/1991. Tratase de verbas que a norma legal excetua, excluindo da base de cálculo dessas contribuições. A impugnante apenas alega, de forma genérica, que essas importâncias não deveriam ter sido lançadas, sem comprovar que a Auditoria as lançou. Deve ser relembrado, ainda, que, sendo a atividade administrativa plenamente vinculada e sendo a tributação regida pelo princípio da legalidade, não pode a autoridade administrativa deixar de lançar contribuição prevista em lei em face de Fl. 13083DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.015 61 jurisprudência do Poder Judiciário, ainda que proveniente das cortes superiores, a não ser quando ocorrerem as exceções dantes explicitadas. A defendente alega que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ pacificou o entendimento de que a verba recebida pelo empregado a título de auxíliodoença nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento tem caráter previdenciário, não tendo, pois, natureza salarial. Dessa forma, não incidiria contribuição previdenciária sobre esse montante. Não colaciona aos autos, todavia, nenhuma prova de que dentre os valores lançados se encontra tal verba. Na verdade, no caso, seria estranho que houvesse esse tipo de verba, uma vez que os valores lançados não constaram nas folhas de pagamento da empresa. Além disso, mesmo que houvesse prova de que tais valores compõem a base de cálculo lançada, consta expressamente na Lei nº 8.213/1991, art. 43, §2º, que, durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, cabe à empresa pagar ao segurado empregado o salário. Da mesma forma, no art. 60, §3º, da mesma lei, consta que nesse período, incumbe à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. Segundo o art. 59 do mesmo diploma legal, o auxíliodoença somente é pago a partir do décimo sexto dia após o afastamento. Depreendese do texto legal que a verba paga ao segurado empregado nos 15 (quinze) primeiros dias consecutivos ao do afastamento da atividade por doença não é auxíliodoença, já que esse benefício somente é devido a contar do décimo sexto dia. Além disso, a lei foi clara ao considerar salário o valor pago nos 15 (quinze) primeiros dias. No que diz respeito ao terço constitucional de férias, a interpretação acatada pelo Regulamento da Previdência Social – RPS, no seu art. 214, §4º, é a de que essa verba integra o salário de contribuição. Esse entendimento se coaduna com a tese de que a remuneração que compõe o salário de contribuição é, na verdade, um complexo de verbas recebidas não somente em virtude da prestação do serviço em si, mas também daquelas recebidas em virtude do contrato de trabalho. Além de haver disposição regulamentar expressa, a vigente Instrução Normativa RFB nº 971/2009 dispõe: Art. 57. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes: ... § 8º A remuneração adicional de férias, de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal, integra a base de cálculo, no mês a que ela se referir, mesmo quando paga antecipadamente na forma da legislação trabalhista. Quanto à jurisprudência dos nossos tribunais judiciais, apesar de a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ se inclinar pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias e a matéria ter sido submetida ao rito previsto no Código de Processo Civil, art. 543C (recursos repetitivos) juntamente com aviso prévio indenizado e valor pago nos primeiros quinze dias antes do auxíliodoença, no julgamento do Recurso Especial 1230957/RS, não houve ainda decisão sobre o assunto, estando os autos conclusos em razão de pedido de vista desde 17/06/2013. Mais importante, a não vinculação da RFB a esse entendimento resta evidente em face da existência da Nota PGFN/CRJ nº 640/2014, que expressamente determina que os procuradores devem continuar contestando e recorrendo das decisões emanadas do Poder Judiciário. Fl. 13084DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.016 62 Vale salientar, ainda, que a incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias está submetida ao julgamento pelo Supremo Tribunal Federal – STF por meio do RE 593068/SC pelo rito estabelecido no Código de Processo Civil, art. 543B (Repercussão Geral), porém não há ainda decisão definitiva sobre esses temas, tendo sido o processo concluso ao relator em 01/08/2013. Além disso, o acórdão recorrido trata da contribuição para o Plano de Previdência do Servidor Público, e não da contribuição relativa ao Regime Geral de Previdência Social. Quanto ao saláriomaternidade, em momento algum a Auditoria citou verba recebida a esse título em seu relatório, mesmo porque, como já se viu, o lançamento trata de verbas não declaradas que não constam nas folhas de pagamento, as quais foram pagas mediante ardil para escondêlas. Sendo o saláriomaternidade um benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, não cabe a alegação da impugnante, não estando entre os pagamentos verificados. Ademais, mesmo que estivesse, o saláriomaternidade é base de cálculo da contribuição previdenciária conforme expressamente determinado pelo art. 28, §2º, da Lei nº 8.212/1991. Com efeito, compulsandose a planilha de fls. 10.809/11.252, vêse que os pagamentos são identificados por rubricas genéricas como "Comissões nao Lanc. no Re", "Salários/Ordenados", "Ferias e 1/3 Ferias", não sendo possível identificar de modo individualizado o valor de cada verba. Neste caso, caberia aos recorrentes fazer prova do pagamento de parcelas que não compõem o salário de contribuição, para que esses valores pudessem ser excluídos da base de cálculo tributável. Em razão do exposto, nego provimento ao recurso com relação às supostas parcelas de caráter indenizatório. Inexigência da contribuição previdenciária sobre auxílioalimentação fornecido in natura por empresa não cadastrada no PAT Na planilha de fls. 10.809/11.252 estão listados os valores considerados pela fiscalização para fins de lançamento no levantamento PF Remunerações Pagas a Empregado, de onde foram excluídas as importâncias já declaradas em GFIP. Para os CNPJ 06.987.857/000123 (filial 63 RFE), 06.987.857/000557 (Filial 077 Cascavel) e 06.987.857/000638 (filial 074 Feira) há efetivamente a identificação de valores pagos a título de "Alimentação Copa e Cozinh" com o nome do empregado que o recebeu. Quanto ao auxílio alimentação, há jurisprudência recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais no seguinte sentido: AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com a edição do parecer PGFN n 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de Fl. 13085DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.017 63 alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. (Acórdão 9202005.193 de relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos) Da fundamentação desse Acórdão extraise que: Entendo que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna apenas com a fornecida in natura, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Portanto, com a edição do parecer PGFN2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. Daí decorre que a exceção à regra geral de tributação está adstrita ao auxílio alimentação pago in natura, o que não corresponde à situação dos autos, onde o pagamento ocorreu em moeda corrente. Ao contrário do que afirmam os recorrentes, o relatório fiscal evidencia, inclusive com cópia de depósitos realizados nas contas dos empregados (itens 690 e 691 do Fl. 13086DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.018 64 relatório fiscal), aquilo que já era sugerido pela conta caixa: que o auxílioalimentação foi prestado em pecúnia e não in natura. Neste caso, os valores assim despendidos devem ser incluídos na base de cálculo dos contribuições previdenciárias, razão pela qual nego provimento ao recurso no que diz respeito ao auxílioalimentação. Por outro lado, foram realizados também pagamentos a título de vale transporte e o relatório fiscal faz várias menções a eles. Para esta rubrica a solução é diferente, pois constitui matéria que já foi sumulada por este Colegiado, conforme evidencia o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. De acordo com o art. 72 do Regimento Interno deste órgão colegiado, as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstancias em súmula de observância obrigatória pelos seus membros. O art. 45 do mesmo regimento determina que perderá o mandato o conselheiro que deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF. Na planilha de fls. 10.809/11.252 estão identificados para o CNPJ de raiz 06.987.857 pagamentos a título de vale transporte. Também há referência expressa a pagamentos realizados a esse título no relatório da atividade fiscal (tópico 7.3. Do Modus Operandi). Em razão de aplicação do enunciado acima transcrito da Súmula de Jurisprudência deste CARF, fazse necessário dar provimento ao recurso apresentado pelos responsáveis solidários para excluir da base de cálculo tributável os valores relativos a vale transporte. Inexigência de contribuição ao sistema "S" por ausência de vinculação da arrecadação Aqui também os recorrentes buscam negar validade às normas em vigor com argumentos de inconstitucionalidade, análise que esbarra no enunciado nº 2 da Súmula de jurisprudência do CARF. A despeito disso, adoto também como razões de decidir o seguinte excerto da decisão recorrida: As contribuições lançadas foram aquelas destinadas ao SESC e ao SENAC e a empresa é uma loja de revenda de autopeças e se ajusta ao Código Nacional de Atividades Econômicas – CNAE 4530701, correspondente a “Comércio por atacado de peças e acessórios novos para veículos automotores”. Esse CNAE foi informado pela própria empresa em suas GFIP e se coaduna com as atividades por ela desenvolvidas. Assim, a alegação da impugnante é totalmente descabida e dissociada dos fatos aqui sob julgamento. Fl. 13087DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.019 65 Vale ressaltar, ainda, que mesmo que ela fosse uma prestadora de serviços, caberia a cobrança de tais contribuições. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 1255433, efetivado no rito previsto no Código de Processo Civil – CPC, art. 543C (Recursos Repetitivos), são devidas as contribuições para o SESC e SENAC pelas empresas prestadoras de serviços. Segue a ementa dessa decisão: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, do CPC). CONTRIBUIÇÃO AO SESC E SENAC. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS. INCIDÊNCIA. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. As empresas prestadoras de serviço são aquelas enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio CNC e, portanto, estão sujeitas às contribuições destinadas ao SESC e SENAC. Precedentes: REsp. n. 431.347/SC, Primeira Seção, Rel. Min Luiz Fux, julgado em 23.10.2002; e AgRgRD no REsp 846.686/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.9.2010. (GRIFEI) 3. O entendimento se aplica às empresas prestadoras de serviços educacionais, muito embora integrem a Confederação Nacional de Educação e Cultura, consoante os seguintes precedentes: Pela Primeira Turma: EDcl no REsp. 1.044.459/PR; AgRg no Ag 882.956/MG; REsp. 887.238/PR; REsp. 699.057/SE; Pela Segunda Turma: AgRg no Ag 1.347.220/SP; AgRgRD no REsp. 846.686/RS; REsp. 886.018/PR; AgRg no REsp. 1.041.574 PR; REsp. 1.049.228/PE; AgRg no REsp. 713.653/PR; REsp. 928.818/PE. 4. A lógica em que assentados os precedentes é a de que os empregados das empresas prestadoras de serviços não podem ser excluídos dos benefícios sociais das entidades em questão (SESC e SENAC) quando inexistente entidade específica a amparar a categoria profissional a que pertencem. Na falta de entidade específica que forneça os mesmos benefícios sociais e para a qual sejam vertidas contribuições de mesma natureza e, em se tratando de empresa prestadora de serviços, há que se fazer o enquadramento correspondente à Confederação Nacional do Comércio CNC, ainda que submetida a atividade respectiva a outra Confederação, Fl. 13088DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.020 66 incidindo as contribuições ao SESC e SENAC que se encarregarão de fornecer os benefícios sociais correspondentes. (GRIFEI) 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. Argumentos rejeitados. Multa Em relação à multa aplicada, os recorrentes iniciam por afirmar que não houve comprovação do intuito de fraude. Em seguida, requerem sua redução a 10% pela aplicação do princípio constitucional do não confisco e, invocando o princípio da eventualidade, requerem sua redução para 75% por ausência de fraude ou omissão dolosa e acabam por alegar a existência de "bis in idem". A multa aplicada tem previsão legal no art. 44, I c/c § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, e a validade dessa norma não foi afastada por qualquer decisão da corte que poderia fazer um juízo de sua inadequação com eficácia erga omnes. Portanto, a lei permanece em vigor e deve ser respeitada pelos julgadores administrativos, conforme foi reiteradamente assentado neste voto. Por outro lado, o processo em análise contém provas indiscutíveis do comportamento artificioso dos recorrentes, com a criação de pessoas jurídicas constituídas por "laranjas", para o que foram falsificados documentos e assinaturas, incluindo Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física. Em razão disso, devese concordar com a autoridade fiscal quando atribui aos sujeitos passivos a prática de condutas condizentes com a sonegação e a fraude, até porque as exigências fiscais evidenciam que as obrigações tributárias não foram cumpridas e seus fatos geradores foram ocultados pelas práticas adotadas. No mais, embora façam menção ao "bis in idem", não demonstram a sua ocorrência, de forma que essa alegação é por demais genérica para ser enfrentada. Nego provimento ao recurso quanto à exclusão ou redução da multa de ofício. Inaplicabilidade da taxa Selic Essa matéria também se encontra pacificada no âmbito deste colegiado, conforme demonstra o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Alegações rejeitadas. Fl. 13089DF CARF MF Processo nº 10950.726626/201478 Acórdão n.º 2201003.781 S2C2T1 Fl. 13.021 67 Realização de perícia e a colheita de depoimentos Em relação ao pedido de perícia, a recorrente protesta pela sua realização mas não apresenta nenhum argumento que evidencie a necessidade dela. A perícia é meio de prova a ser manejada quando houver insuficiência de informações no processo de modo a impossibilitar sua perfeita compreensão pelo julgador, mas não se presta a suprir omissões do sujeito passivo em comprovar o direito alegado. Não vejo neste processo nenhuma lacuna ou inconsistência que gere dúvida passível de ser esclarecida através de perícia. Nego provimento ao pedido de realização de perícia. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer dos recurso voluntários, para, no mérito, darlhes parcial provimento para excluir do lançamento a rubrica relativa ao vale transporte pago em pecúnia. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 13090DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000099/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSTRUMENTO PARTICULAR EM DESACORDO COM A ESCRITURA PÚBLICA;
Os valores de aquisição e de alienação dos imóveis são os constantes das escrituras de compra e venda ou equivalente, assim como a data do recebimento e pagamento dos valores são consideradas as lá constantes. Só podem ser acatados valores e datas distintos, se forem acompanhados de prova da efetividade da discrepância
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE.
Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica.
Numero da decisão: 2402-006.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do Auto de Infração R$ 106.238,29 lançados a título de depósitos bancários de origem não comprovada.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSTRUMENTO PARTICULAR EM DESACORDO COM A ESCRITURA PÚBLICA; Os valores de aquisição e de alienação dos imóveis são os constantes das escrituras de compra e venda ou equivalente, assim como a data do recebimento e pagamento dos valores são consideradas as lá constantes. Só podem ser acatados valores e datas distintos, se forem acompanhados de prova da efetividade da discrepância DEPÓSITO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 00 99 /2 01 0- 44 Fl. 509DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do Auto de Infração R$ 106.238,29 lançados a título de depósitos bancários de origem não comprovada. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 15758.000099/201044 Acórdão n.º 2402006.024 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Auto de Infração lavrado em 22.04.2010, pra constituição de IRPF no valor de R$ 324.353,06, acrescidos de multa de ofício (75%) e juros legais. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em Reais; e 2 Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Omissão de Rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Para tanto, a Fiscalização apurou os seguintes fatos: 1 Durante o procedimento levado a efeito no contribuinte Dirceu Guertas, cônjuge da autuada, em função de sua movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados, obteve a informação de que 50% dos valores pertenciam a atuada, eis que era co titular das contas bancarias em evidência. Eis as contas: 2 Encaminhou Termo de Início de Fiscalização para que a autuada comprovasse cada um dos depósitos identificados nas planilhas remetidas em anexo ao termo, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, na proporção de sua responsabilidade. 3 Em análise aos extratos apresentados pelo cônjuge da autuada, foram expurgados os créditos decorrentes de transferência entre contas do próprio contribuinte, de transferência de aplicações financeiras e de devoluções de cheques. 4 Foi ainda deduzido o valor de R$ 2.500.000,00, depositado em 09.06.2006, que seria proveniente da alienação de um imóvel, conforme comprovado por meio de escritura pública, na Alameda Colômbia, 294, Alphaville Residencial II Baruei/SP. Finda a análise dos documentos e das respostas da contribuinte, a Fiscalização chegou aos rendimentos tributáveis mensais, adiante tabulados: 2006 B BOSTON SUDAMERIS C/C SUDAMERIS C/P B INDUSTRIAL TOTAL REND DECL OMISSÃO JANEIRO 5.750,00 7.500,00 13.250,00 303,26 12.946,74 FEVEREIRO 3.750,00 3.750,00 303,26 3.446,74 MARÇO 267.970,00 13.775,00 6.685,00 288.430,00 303,27 288.126,73 ABRIL 6.850,00 20.300,00 1.225,89 28.375,89 303,27 28.072,62 Fl. 511DF CARF MF 4 MAIO 88.160,00 38.000,00 37.646,67 4.937,40 168.744,07 303,27 168.440,80 JUNHO 22.205,00 2.000,00 24.205,00 303,27 23.901,73 JULHO 75.424,50 2.000,00 77.424,50 303,27 77.121,23 AGOSTO 11.950,00 2.500,00 14.450,00 303,27 14.146,73 SETEMBRO 85.900,00 2.000,00 87.900,00 303,27 87.596,73 OUTUBRO 39.338,12 39.338,12 303,27 39.034,85 NOVEMBRO 57.425,15 57.425,15 303,27 57.121,88 DEZEMBRO 72.194,45 10.000,00 82.194,45 303,27 81.891,18 TOTAL=> 736.917,22 96.075,00 44.331,67 8.163,29 885.487,18 3.639,22 881.847,96 5 Foi apurado o Ganho de Capital na alienação do imóvel acima, considerando os valores de R$ 889.948,66 e R$ 1.500.000,00 como, respectivamente, de custo de aquisição e de alienação, nas datas de 01.03.2004 e 08.06.2006. Regularmente intimada do lançamento, apresentou Impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela competente Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que expurgou, dos depósitos considerados pela Fiscalização, o valor tributável de R$ 250.000,00 no mês de março/2006. Em seu Recurso Voluntário de fls. 443/462, alega, em síntese: 1 Que o STF reconheceu a Repercussão Geral no RE 601.314RG/SP, em relação ao fornecimento de informações sobre movimentação financeira de contribuintes, por instituições bancárias, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem autorização judicial. Assim, pugnou pelo sobrestamento do feito. 2 Que em 18.07.2006, alienou o imóvel da Alameda Nicarágua, 23, quadra 90, em Barueri/SP, por R$ 585.000,00. Que na data do negócio, recebera R$ 147.000,00 e o saldo, R$ 438.000,00, em 10 parcelas iguais, mensais e consecutivas, vencendo a primeira em 20.09.2006. Que as parcelas teriam sido recebidas por meio de diversos cheques dos compradores e de terceiros, de depósitos bancários e TED/DOC, depositados nas contas do BankBoston, Sudameris e Unibanco. E que em 27.12.2006, foi firmado o instrumento Particular de Distrato do referido negócio, tendo sido acordado que a autuada devolveria o valor já recebido. 3 Que em 22.05.2006, alienou o imóvel da Alameda País de Gales, 247, residencial 1, em Barueri/SP, por R$ 800.000,00. Como forma de pagamento, no Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, foi feito constar: R$ 400.000,00 no ato da assinatura, da seguinte forma: R$ 130.000,00 em espécie; R$ 42.200,00 através de cheques de terceiros; R$ 24.700,00 representados por 5 cheques de emissão dos compradores para a data de 23.05.2006; R$ 24.740,00 para 24.05.2006; R$ 24.760,00 para 25.05.2006; R$ 24.700,00 para 26.05.2006; R$ 24.700,00 para 29.05.2006; R$ 22.800,00 para 30.05.2006; R$ 22.800,00 para 31.05.2006; R$ 19.820,00 para 01.06.2006; R$ 19.780,00 para 02.06.2006; e R$ 19.720,00 para 05.06.2006. Os outros R$ 400.000,00, por meio de 12 Notas Promissórias no valor de R$ 33.333,33, com vencimentos no período de 05.07.2006 a 05.06.2007. 4 . que parte dos depósitos, relacionados às alienações acima, devem ser tributados à alíquota de 15%, sob as normas que tratam da apuração do ganho de capital, e não à alíquota de 27,5%. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 15758.000099/201044 Acórdão n.º 2402006.024 S2C4T2 Fl. 4 5 5 Que o depósito de R$ 160.300, 00 na conta do BankBonston, referese ao empréstimo obtido junto ao SR José Francisco Leone, conforme procura demonstrar o documento de Confissão de Dívida assinado pela recorrente. 6 Que vários depósitos, que lá relaciona, seriam apenas transferências entre contas de mesma titularidade. É o relatório. Fl. 513DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A contribuinte, por meio de seu patrono, obteve cópia dos autos e tomou ciência do Acórdão em 22.08.2014 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 17.09.2014. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Em seu recurso, a recorrente não se insurge quanto à infração apurada, relacionada ao Ganho de Capital na alienação do imóvel na Alameda Colômbia, 294, Alphaville Residencial II Baruei/SP. Quanto ao pleito de sobrestamento, supostamente ao amparo do reconhecimento de Repercussão Geral no RE 601.314RG/SP, cabe destacar que os extratos bancários, dos quais se valeu a Fiscalização para intimar a contribuinte a comprovar a origem dos seus depósitos, foram apresentados pelo próprio cônjuge da autuada, eis que cotitular das contas, consoante constou do Termo de Início de Fiscalização. Ademais, aquele RE, em que se discutiu, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência, foi efetivamente julgado pelo Plenário do STF, que considerou que aquele dispositivo – o qual permite ao Fisco, conforme sejam preenchidos certos requisitos, requisitar diretamente às instituições financeiras informações sobre movimentações bancárias – não viola a isonomia, a capacidade contributiva nem o direito aos sigilos bancário e fiscal. Assim, neste ponto, não merece acolhida o pleito do contribuinte. Quanto à origem dos depósitos em conta, alega a recorrente que parte deles referese à alienação em função da cessão de direitos sobre imóvel com domínio útil por aforamento da União, sem benfeitorias, relacionados ao lote 23, da quadra 90, do loteamento Alphaville residencial 2, em Barueri/SP, pelo valor de R$ 585.000,00, consubstanciado no instrumento particular de fls. 166/177, de 18.07.2006. Segundo aquele instrumento, sem evidências de registro e reconhecimento de assinatura/firma, a recorrente teria recebido um cheque de R$ 147.000,00 e o restante em 10 (dez) parcelas mensais e iguais de R$ 43.800,00, sendo que a primeira com vencimento em 20.09.2006. Nesse quesito, há dois aspectos a serem abordados. O primeiro, quanto à produção dos efeitos daquele instrumento particular; o segundo, quanto à vinculação dos depósitos em conta, ao que teria sido lá acordado. Como bem colocado no Acórdão recorrido, o artigo 221 da Lei 10.406/2002 estabelece que "o instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público." Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15758.000099/201044 Acórdão n.º 2402006.024 S2C4T2 Fl. 5 7 Por sua vez, assim prevê o artigo 215 do mesmo diploma: Art. 215. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. A DIRPF/07 da recorrente não traz o Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital, tampouco a do seu cônjuge (fls. 227/239). O Protocolo de Entrega de Documentos (certidões, xerox de documentos, etc) supostamente assinado pelo cessionário Marcelo Moro e acostado às fls 174, não traz, sequer em fotocópia, alguns dos documentos lá especificados, expedidos e emitidos àquela data. E note: o artigo 370 do CPC (art. 409 da Lei 13.105/2015) define algumas circunstâncias que se prestam a fazer prova da data do documento. Vejamos: Art. 370. A data do documento particular, quando a seu respeito surgir dúvida ou impugnação entre os litigantes, provarseá por todos os meios de direito. Mas, em relação a terceiros, considerarseá datado o documento particular: I no dia em que foi registrado; II desde a morte de algum dos signatários; III a partir da impossibilidade física, que sobreveio a qualquer dos signatários; IV da sua apresentação em repartição pública ou em juízo; V do ato ou fato que estabeleça, de modo certo, a anterioridade da formação do documento. Quanto aos créditos em conta, podese notar que as condições de pagamento previstas naquele instrumento particular não respaldam qualquer dos depósitos em conta; não há identidade entre eles, depósitos e condições de pagamento. E ainda, sequer se identificou nos extratos acostados aos autos, o crédito relativo ao suposto sinal de R$ 147.000,00, que teria sido dado em cheque no ato do acordo. Nesse sentido, a origem dos recursos deve ser comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, sem os quais, na forma do artigo 42 da Lei 9430/96, presumese a omissão de rendimentos tributáveis. Da mesma forma, o Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Imóvel acostado às fls 488/493 e que instruiu seu Recurso Voluntário após o Acórdão recorrido ter consignado que "Quanto a alienação deste imóvel no valor de R$ 400.000,00, recebido anteriormente pela autuada e seu esposo como dação em pagamento na venda do imóvel situado na Alameda Equador, não há identidade de data e valor para a quantia constante do instrumento de fls. 182/187. A própria contribuinte afirma em sua defesa que recebeu diversos cheques dos compradores e de terceiros, o que inviabiliza a comprovação da origem dos créditos com a origem e data alegada.", não apresenta evidências Fl. 515DF CARF MF 8 de que tenha sido registrado em cartório ou mesmo que lá teve reconhecidas as assinaturas dos seus signatários, a fim de que pudesse trazer alguma certeza acerca da data lá apostada. E mais, o documento apresentado quando da Impugnação (fls. 182/187), que se propunha a ser uma minuta de Escritura Pública, sem qualquer assinatura, fazia a seguinte menção: .... por sua vez cedem e transferem aos COMPRADORES todos os seus direitos e obrigações de compromisso de compra e venda que detinham sobre referido imóvel, pela presente escritura, na melhor forma de direito e pelo preço certo e ajustado de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), declarando que foi integramente recebidos, em cumprimento ao instrumento particular firmado em data de 22 de maio de 2.006, também não levado a registro .... Vale dizer, a alienação, conforme deveria constar naquele instrumento de 22.05.2006, teria se dado pelo valor de R$ 400.000,00, totalmente recebidos. Contudo, naquele contrato particular, frisese: anexado junto ao Recurso Voluntário e sem apresentar evidências de que tenha sido registrado em cartório ou mesmo que lá teve reconhecidas as assinaturas dos seus signatários, foi feito constar valor diverso do daquela "minuta de escritura". Após fazer constar que o valor da operação seria de R$ 800.000,00, passou a, agora sim, discriminar valores e dadas que, em princípio, se relacionariam com os depósitos havidos em suas contas. Mais uma vez reputo que, nessas circunstâncias e pelo mesmo motivo acima, os instrumentos de fls. 182/187 e 488/493 não são hábeis a comprovar a origem daqueles créditos em conta. Quanto à pretensão de se comprovar o depósito de R$ 160.300,00 do dia 18/09/2006, por meio do instrumento de Confissão de Dívida de fls 240, cumpreme tecer algumas considerações. Tratase de instrumento particular, que, em princípio, não foi levado a registro, na forma dos artigos 221 da Lei 10.406/02 e 127 1 da Lei de Registro Público (L. 6.015/76). Da mesma forma, não há o reconhecimento das assinaturas/firmas por cartório extrajudicial, a fim de que pudesse trazer alguma certeza acerca da data lá apostada, tampouco a sinalização de que tenha ocorrido qualquer uma das circunstâncias previstas naquele artigo 370 da Lei 5.869/73. A testemunha que lá figurou não apresentava qualquer identificação. A alegada dívida tinha data de vencimento em 18.03.2007, sendo certo que, na data em que a recorrente apresentou sua Impugnação, referida dívida já havia sido ou liquidada ou cobrada ou mesmo ter tido seu prazo de vencimento renovado, conforme previa o item II daquele acordo. Para nenhuma dessas hipóteses trouxe a recorrente qualquer elemento que pudesse evidenciar a gestão da dívida. Ademais, não consta dos autos a transferência do 1 Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição: I – dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15758.000099/201044 Acórdão n.º 2402006.024 S2C4T2 Fl. 6 9 numerário do Sr José Francisco de Leone para a contribuinte (ou seu cônjuge), que pudesse se relacionar com aquele depósito de R$ 160.300,00. A própria resposta dada pela contribuinte, abaixo reproduzida, quando questionada sobre a diferença entre o valor do suposto empréstimo (R$ 160.300,00) e aquele declarado como Divida e Ônus Reais em sua DIRPF/07 (R$ 170.000,00), demonstra aos olhos deste relator, um descontrole de suas supostas dívidas, que não se afigura razoável. Veja se: Nesse sentido, tenho que o documento de fls. 240 não é hábil a comprovar a origem daquele depósito de R$ 160.300,00, do dia 18/09/2006. Por seu turno, assiste razão ao recorrente, o argumento de que vários depósitos, relacionados em seu Recurso Voluntário, seriam apenas transferências entre contas de mesma titularidade. Vejamos: Os depósitos a seguir relacionados e considerados na apuração pela Fiscalização (fls.6/12), apresentam como histórico, referiremse a transferências entre contas de mesma titularidade, por meio da indicação TED D ou DOC D. DT VLR DEPÓSITO HISTÓRICO 13/01/06 15.000,00 TED D 16/02/06 4.000,00 DOC D RECEBIDO COMPENSAÇÃO 31/03/06 20.000,00 TED D 08/03/06 1.200,00 DOC D MANUAL 09/03/06 3.350,00 DOC D MANUAL 08/03/06 3.000,00 DOC D MANUAL 05/04/06 20.000,00 TED D 10/04/06 10.000,00 TED D 12/04/06 4.000,00 DOC D MANUAL 13/04/06 4.600,00 DOC D MANUAL 26/04/06 2.000,00 DOC D MANUAL 26/04/06 2.451,77 DOC A CRÉDITO 05/05/06 6.000,00 TED D 15/05/06 3.000,00 DOC D MANUAL 29/05/06 9.874,80 TED RECEBIDO 30/05/06 50.000,00 TED D 31/05/06 2.000,00 DOC D MANUAL 26/05/06 15.000,00 TED D 14/06/06 4.000,00 DOC A CRÉDITO 31/07/06 4.000,00 DOC D MANUAL 18/08/06 5.000,00 TED D 27/09/06 4.000,00 DOC D MANUAL Fl. 517DF CARF MF 10 06/12/06 10.000,00 TED D 19/12/06 4.000,00 DOC D MANUAL 28/12/06 6.000,00 TED D Referida denominação (DOC D) foi citada na Circular 3.248/2004, do BACEN. Art. 2º Para os fins do art. 8º, inciso II, da Lei 9.311, de 1996, e observadas as normas do Ministério da Fazenda a que se refere o § 2º do mencionado artigo, no caso de transferência de recursos entre contas correntes de depósitos dos mesmos titulares, envolvendo instituições distintas, participantes ou não da Compe, deve ser utiliza do, conforme o caso e à opção do titular da conta, DOC D, Cheque para Transferência Bancária Cheque TB ou TED. Nesse sentido, os valores abaixo devem ser expurgados da base de cálculo da infração relativa aos depósito de origem não comprovadas, a teor do inciso I, do § 3º, do artigo 42 da Lei 9430/96. 2 2 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; MESES TOT DEPÓSITO VLR TRIBUTÁVEL JANEIRO 15.000,00 7.500,00 FEVEREIRO 4.000,00 2.000,00 MARÇO 27.550,00 13.775,00 ABRIL 43.051,77 21.525,89 MAIO 85.874,80 42.937,40 JUNHO 4.000,00 2.000,00 JULHO 4.000,00 2.000,00 AGOSTO 5.000,00 2.500,00 SETEMBRO 4.000,00 2.000,00 OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 20.000,00 10.000,00 total ano => 106.238,29 Fl. 518DF CARF MF Processo nº 15758.000099/201044 Acórdão n.º 2402006.024 S2C4T2 Fl. 7 11 Pelo exposto, VOTO por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de forma a expurgar os valores acima da base de cálculo da infração relativa aos depósito bancários de origem não comprovada, no total de R$ 106.238,29. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 519DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679843/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2005
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.126
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 43 /2 00 9- 75 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.679843/200975 Acórdão n.º 3401004.126 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.679843/200975 Acórdão n.º 3401004.126 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 16027.668, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.679843/200975 Acórdão n.º 3401004.126 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.679843/200975 Acórdão n.º 3401004.126 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.679843/200975 Acórdão n.º 3401004.126 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.679843/200975 Acórdão n.º 3401004.126 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.679843/200975 Acórdão n.º 3401004.126 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004771/2004-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. AVERBAÇÃO EM DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor como Reserva Legal é ato constitutivo, e somente após a sua prática, é que o sujeito passivo poderá suprimi-Ia da base de cálculo para apuração do ITR.
Numero da decisão: 9202-005.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Luis Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício)
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. AVERBAÇÃO EM DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor como Reserva Legal é ato constitutivo, e somente após a sua prática, é que o sujeito passivo poderá suprimi-Ia da base de cálculo para apuração do ITR.
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ARL AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WLADEMIR NICOLAU ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. AVERBAÇÃO EM DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor como Reserva Legal é ato constitutivo, e somente após a sua prática, é que o sujeito passivo poderá suprimiIa da base de cálculo para apuração do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Luis Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 47 71 /2 00 4- 29 Fl. 266DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) Relatório Em sessão plenária de 25/04/2008, foi julgado o Recurso Voluntário n° 135.742, prolatandose o Acórdão nº 30134.405 (efls. 179/185), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO: 2000 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. Na presente hipótese, a averbação na matrícula do imóvel, o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, assinado em conjunto com o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais, e o ADA, conjuntamente, corroboram a existência de uma área de reserva legal de 268,25 ha. VTN LAUDO TÉCNICO NBR 8799/8 5 Verificase a plena viabilidade de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, haja vista que o laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, atende aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 8799/85), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como a existência de características particulares do imóvel. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Cientificada do acórdão em 31/03/2009 (efls. 187), a Fazenda Nacional interpôs, no dia 07/04/2009 (efls. 189), o Recurso Especial de efls. 190/197, com fundamento no artigo 7º, inciso II do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, visando rediscutir o restabelecimento da ARL – Área de Reserva Legal, levada a cabo na decisão recorrida, alegando contrariedade à lei nº 9.636, de 1996, c/c art. 16, § 2º, da Lei nº 4.771, de 1965 (com redação dada pela Lei n° 7.803/89) e 111 e 144 do CTN. Em exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial, conforme o Despacho s/n, de 29/10/2015 (efls. 212/214). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10675.004771/200429 Acórdão n.º 9202005.171 CSRFT2 Fl. 3 3 da análise das alegações e documentação apresentadas pelo contribuinte, com a finalidade de justificar a não tributação da área de utilização limitada/reserva legal, confirmase o não cumprimento da exigência de registro imobiliário tempestivo para que a área seja considerada não tributável; a exigência da averbação da área de utilização limitada/reserva legal à margem do seu registro imobiliário, a seu turno, está prevista, originariamente, no § 2° do art. 16, da Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803/1.989, hoje § 8º do mesmo dispositivo, conforme alteração da MP nº 2.16667/2001, a saber: "Art. 16. (...) § 2° A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. ” a exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do ITR está prevista na alínea "a", inciso II, § 1º, do referido art. 10, da citada Lei 9.393/1.996, a seguir transcritos: § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; desta forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei n° 9.393/1.996 está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento dessa exigência averbação à margem da matrícula do imóvel; além disso, tal exigência foi expressamente inserida no art. 10, § 49, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. "Art. 10 (...) § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 67 97 de 01/09/I997) I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965; (Incluído pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997)" por seu turno, no que diz respeito ao prazo para o cumprimento da obrigação ora tratada, deve ser levado em consideração que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTN, enquanto o Fl. 268DF CARF MF 4 art. 1°, caput, da Lei nº 9.393/1996, estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 19 de janeiro de cada ano; assim, as áreas de utilização limitada/reserva legal somente serão excluídas de tributação, se cumprida a exigência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel, até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício; tanto é verdade, que atualmente esse prazo consta expressamente indicado no parágrafo 1º do art. 12 do Decreto nº 4.382, de 19/09/2002 (Regulamento do ITR), que consolidou toda a legislação do ITR, da seguinte forma: ”Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001). § 1º. Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador." acrescentese, conforme já aventado em relação à outra matéria, que, tratandose de isenção ou exclusão da tributação, conforme determina o art. 111 do CTN, deve ser observado o rigor da interpretação literal da lei; assim sendo, constatada a averbação intempestiva da área declarada como de utilização limitada/reserva legal, cabe manter a glosa efetuada pela fiscalização para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração; o lançamento do imposto suplementar apurado pela fiscalização, em relação às áreas declaradas como de utilização limitada/reserva legal e preservação permanente, indevidamente excluídas da tributação do ITR do exercício de 2000, está fundamentado no art. 14, da Lei ng 9.393/1.996, que assim dispõe: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. a Secretária da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimento de fiscalização. (sublinhouse) cabe acrescentar que a própria Medida Provisória nº 2.166/2001 art. 39, para não deixar dúvidas quanto à cobrança do imposto suplementar, se comprovado que as áreas excluídas do ITR não estão devidamente regularizadas, alterou a redação do art. 10, da Lei ng 9.393/1.996, acrescentando: "Art 10 (...) § 7º: A declaração para fim de isenção do ITR relativo às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d” do inciso II, § 1º deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10675.004771/200429 Acórdão n.º 9202005.171 CSRFT2 Fl. 4 5 imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira. sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” a cobrança do imposto correspondente às áreas não averbadas / averbadas intempestivamente não pode ser entendida como uma "sanção", pois, na realidade, o que houve foi a exigência do imposto apurado pela fiscalização, em relação às áreas declaradas como de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal, indevidamente excluídas do ITR, nos termos da legislação citada anteriormente; no caso, pode ser entendida como sanção a cobrança de juros e multa calculados sobre o valor do imposto suplementar, nos termos da legislação de regência; assim, é de ser reconhecido que não restou comprovado o cumprimento, tempestivo, das exigências anteriormente fundamentadas, para fins de restabelecer, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, devendo, portanto, ser mantida a tributação. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja conhecido e provido o Recurso Especial, restaurandose o inteiro teor da decisão de primeira instância. Em que pese o pedido de que seja restaurada a decisão de primeira instância o Recurso Especial apresentado pelo Procurador apenas abordou a temática da necessidade de averbação tempestiva da área de reserva legal, assim foi dado seguimento somente quanto à esse assunto. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, em 23/11/2015 (efls. 222), o Contribuinte apresentou as Contrarrazões de efls. 227/231 alegando que a questão já encontra superada tanto pela legislação atual, através do Novo Código Florestal, como pela Jurisprudência pátria, pugnado, portanto, a manutenção do acórdão que julgou o Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional, contra decisão unânime proferida em 25/04/2008, foi interposto na modalidade de divergência jurisprudencial (artigos 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Destarte, sendo tempestivo e estando de acordo com a regra de transição estabelecida no artigo 4º, da Portaria MF 256, de 2009, o Recurso Especial deve ser conhecido. Tratase de exigência de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2000, tendo em vista glosa de 280ha relativos a ARL – Área de Reserva Legal, uma vez que a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel ocorrera em data posterior à do fato gerador. No acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, sob o fundamento de que a averbação, embora posterior ao fato gerador, ocorreu antes da impugnação. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede a manutenção da glosa, em face da intempestividade da averbação. Adentro o tema a ser rediscutido utilizandome dos preciosos conhecimentos do Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Acórdão n.º 9202003.474. Neste aspecto, cumpre trazer breve digressão acerca da incidência do ITR bem como das hipóteses de sua isenção. Como cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal nº 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10675.004771/200429 Acórdão n.º 9202005.171 CSRFT2 Fl. 5 7 Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal nº 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: Fl. 272DF CARF MF 8 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10675.004771/200429 Acórdão n.º 9202005.171 CSRFT2 Fl. 6 9 § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/ 2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as Fl. 274DF CARF MF 10 hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinquenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10675.004771/200429 Acórdão n.º 9202005.171 CSRFT2 Fl. 7 11 § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade Fl. 276DF CARF MF 12 for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a ideia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental nº 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10675.004771/200429 Acórdão n.º 9202005.171 CSRFT2 Fl. 8 13 ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominar lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. O caráter não constitutivo da averbação pode ser ratificado pelo fato de que atualmente está positivada na legislação não ser uma exigência a averbação da Reserva Legal junto ao Cartório de Restrito de imóveis. Ora, se para que uma reserva legal atualmente exista não precisa de averbação, apenas um raciocínio contraditório poderia afirmar que a averbação é elemento constitutivo, afinal o conceito de Reserva Legal continua o mesmo. Desta forma, não tendo sofrido alteração o conceito de reserva legal, não assiste razão dizer que em 2000, uma área não era considerada reserva legal por ausência de averbação, e hoje, 2017, ressaltese novamente, sem nenhuma alteração de conceito, uma determinada área é considerada reserva legal mesmo que não averbada em cartório. Assim voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda Nacional, para manter o acórdão recorrido, e desconsiderar a glosa referente à área de reserva legal ante a o caráter declaratório que possui a averbação dessa área de utilização limitada. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 278DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Do Recurso Especial da Fazenda Nacional Peço licença a ilustre conselheira, para divergir do seu entendimento com relação ao prazo para averbação das áreas de reserva legal na matrícula do imóvel. Da análise dos autos, vêse que a discussão trata da necessidade de averbação tempestiva (OU SEJA, ANTES DO FATO GERADOR) no registro de imóvel para fins dedução de área de Reserva Legal, quando da apuração da base de cálculo do ITR. É sabido que a legislação sobre a matéria Reserva Legal tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, e conseqüente dedução da área para apuração do ITR, a existência dos seguintes procedimentos: (a) apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à Reserva Legal que, de acordo com a localização, corresponde a um percentual da área do imóvel; e, (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1º de janeiro do ano calendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 Vejamse os seguintes dispositivos extraídos da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10675.004771/200429 Acórdão n.º 9202005.171 CSRFT2 Fl. 9 15 de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. O artigo 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Percebese que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo próprio contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que possuem algum interesse ecológico. Tenho que o § 1º do art. 17O instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Quanto aos documentos necessários para comprovação da ARL área de Reserva Legal podemos concluir que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de reserva legal, podendo ser levando em conta, dentre outros, ∙ Certidão de registro ou cópia da Fl. 280DF CARF MF 16 matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal, , que especifique e discrimine a área de interesse ambiental desde que sua declaração seja antecedente a ocorrência do fato gerador. Fica evidente que a finalidade da averbação da reserva legal na matricula do imóvel é a de atribuirlhe publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações, para que possam cumprir sua função instituidora. Mais ainda, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservação de tais áreas, face o interesse público de manutenção. Citese entendimento do Superior Tribunal de Justiça, relatado pelo Ministro João Otávio de Noronha, que corrobora tal assertiva: "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultando na degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, leva a conscientização dc que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras. O que se tem presente é o interesse público prevalecendo sobre o privado, interesse coletivo este que inclusive afeta o proprietário da terra reservada, no sentido de que também será beneficiado com um meio ambiente estável e equilibrado. Assim, a reserva legal compõe parte de terras de domínio privado e constitui verdadeira restrição do direito de propriedade." Estando delimitado na lei a ÁREA DE RESERVA LEGAL, os limites para sua exploração, e, finalmente, a OBRIGATORIEDADE DE SE AVERBAR A MARGEM DA MATRICULA DO IMÓVEL, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, cm contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de beneficio, ou seja, a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal (art. 10, II da Lei 9393/96, transcrito acima). Ditas áreas de reserva legal são definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16, e que, para serem consideradas como tal, não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matricula do imóvel. O art. 16 da Lei n° 4.771/65 dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as áreas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas. A respeito da questão, não é a mera declaração de existência fática da área de reserva legal que permite atender os requisitos da legislação pátria vigente para excluíla quando da apuração do ITR. Para que se possa valer do beneficio, a área deve estar devidamente averbada A margem da matricula do imóvel à época do fato gerador do tributo. Portanto, ainda que se prove a existência material das áreas de reserva legal, como não se atendeu ao fim real da norma (art. 161), assim como suas disposições complementares, incidirá o imposto se a averbação não tiver sido providenciada no prazo legal. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10675.004771/200429 Acórdão n.º 9202005.171 CSRFT2 Fl. 10 17 No exame do caso concreto, se faz necessário investigar se a área de utilização limitada reserva legal pleiteadas, foi devidamente averbava no registro, e se tais áreas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. Conforme consta dos autos, e já apreciado pela decisão da DRJ, fls. 116/117, à área de reserva legal de 280 ha (na verdade a averbação é de 268,25, inferior a área declarada), somente foi averbada em 10/6/2002, fls 11/12 (verso), ou seja, em período posterior ao da ocorrência do fato gerador 2000, razão pela qual entendo que não há como excluir referida área para fins de cálculo do ITR. Apenas esclareço, que o objeto do recurso cingese a restabelecer a área de reserva legal averbada intempestivamente, reconhecida no acórdão recorrido, qual seja, 268,25 ha), conforme consta às fls. 177 dos autos. Neste sentido, é o entendimento do seguinte julgado: Acórdão nº 210101.862, sessão de 12 de março de 2012 (excerto de ementa) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis – CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 ( O início do procedimento excluía a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a Fl. 282DF CARF MF 18 espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Acórdão nº 210201.815, sessão de 8 de fevereiro de 2012 (excerto). Conclusão Face todo o exposto, voto por CONHECER do recurso da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, restabelecendo o lançamento sobre a área de reserva legal de 268,25 ha, não averbada oportunamente. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.904689/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO
Uma vez realizadas alocações de pagamento pertinentes e constatando-se saldo remanescente capaz de confirmar o recolhimento a maior no valor pleiteado, cumpre reconhecer a diferença de direito creditório originariamente indeferida.
Numero da decisão: 1401-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao IRPJ (código 2089) do 3º trimestre de 2005 no valor original de R$ 874,31, determinando à Unidade de origem para que promova as compensações declaradas até o limite do valor reconhecido. A Conselheira Livia De Carli Germano declarou-se impedida de votar.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO Uma vez realizadas alocações de pagamento pertinentes e constatando-se saldo remanescente capaz de confirmar o recolhimento a maior no valor pleiteado, cumpre reconhecer a diferença de direito creditório originariamente indeferida.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao IRPJ (código 2089) do 3º trimestre de 2005 no valor original de R$ 874,31, determinando à Unidade de origem para que promova as compensações declaradas até o limite do valor reconhecido. A Conselheira Livia De Carli Germano declarouse impedida de votar. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 46 89 /2 00 9- 13 Fl. 155DF CARF MF 2 Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: THYSSENKRUPP AUTOMATA INDUSTRIA DE PECAS LTDA.(contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado no presente processo. Tratase pedido de reconhecimento de direito creditório, formalizado mediante “Pedido de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP. A contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, objeto de compensação, conforme PERDCOMP de fls. 12, transmitida em 30/06/2006 que se refere ao recolhimento do IRPJ relativo ao período de apuração de setembro/2005 no valor de R$ 15.580,39. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, fl. 3, proferido em 11/8/2009, o pleito foi deferido parcialmente em face da apuração da existência do crédito disponível de apenas 235,60, ou seja, o pagamento que se alega foi realizado a maior já se encontrava alocado a débito declarado e confessado pelo próprio contribuinte no valor de R$ 15.344,79. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, à fl. 5 alegando que: (...) A alegação do interessado para ter direito ao crédito pleiteado seria a de possuir o respectivo saldo em razão do valor do débito declarado em DCTF retificadora. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 88 a 92) negou provimento nos termos do seguinte voto: A contribuinte alega basicamente que se equivocou no preenchimento da DCTF, daí a inexistência de credito, afirma que tal DCTF foi retificada, alguns dias antes do despacho decisório, ao final requer seja reconhecido o erro de fato. Descabe razão ao impugnante, isso porque inexiste no Perd comp qualquer registro da contribuinte de qual seria o motivo do alegado “recolhimento a maior”. O Recolhimento que apontou como realizado a maior já esta alocado a débito regularmente confessado pela contribuinte . Logo, ao apreciar o pleito a Autoridade Administrativa constatou a inexistência de crédito Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Acórdão n.º 1401002.059 S1C4T1 Fl. 156 3 disponíveis para compensação e corretamente indeferiu o pleito por esse motivo. Por certo, a contribuinte apresentou os Perdcomp sem retificar a DCTF para aflorar o direito creditório que pleiteava. Se o pagamento estivesse disponível, ai sim a Autoridade Administrativa encarregada da análise do pleito deveria verificar/questionar sua origem na apreciação e, se fosse o caso de indeferimento, justificar a não homologação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado não apresentou expressamente um recurso voluntário, mas sim um pedido à DRJ para, em face dos documentos apresentados, analisar novamente o seu pleito. Como não há tal procedimento no PAF, a manifestação do requerente foi recebida como recurso voluntário (fls. 104105). DAS DILIGÊNCIAS Por meio da resolução nº 1401000.364, de 19 de janeiro de 2016, desta Turma, o feito foi baixado em diligência para que a autoridade local adotasse as seguintes providências: a) esclarecer se o direito creditório do interessado é objeto do presente feito ou se foi objeto de outro processo; b) no caso de não ter sido analisado neste feito, informar o número do PERDCOMP originário em que o direito de crédito foi analisado, o número do processo administrativo em que essa análise foi realizada e o valor deferido; c) por fim, informar, detalhadamente, como o valor de R$ 15.344,79 apontado no despacho decisório número de rastreamento 844679977 (fl. 3) foi utilizado. Encerrada a instrução processual, deverá ser intimada a interessada para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. Em atenção à resolução de diligência, a autoridade local produziu o despacho de fls. 145146 com o seguinte teor: Ao analisar o débito de IRPJ (código 2089) do 3º trimestre de 2005, cuja extinção ocorreu por meio de pagamento em três cotas, e confrontando as informações da DCTF e as vinculações efetuadas no sistema da RFB, constatei erros nas mesmas. Havia pagamentos alocados para cotas distintas, ocasionando a utilização indevida de alguns e a “sobra” em outros. Após a Fl. 157DF CARF MF 4 correção das vinculações, do pagamento efetuado em 30/11/2005 comprovase um montante remanescente suficiente para o reconhecimento do saldo do crédito pleiteado (R$ 874,31). (...) [há uma tela de sistema neste intervalo] Tendo em vista que a diligência é favorável à contribuinte, e para agilizar o julgamento, deixo de dar ciência à mesma e proponho o retorno dos autos ao CARF para prosseguimento. Em segundo julgamento, deliberamos, por meio da resolução nº 1401 000.419, de 9 de agosto de 2016, baixar novamente o feito em diligência nos seguintes termos: A autoridade fiscal descumpriu integralmente o teor da resolução emanada por esta Turma de Julgamento e não o fez em favor do administrado. O contribuinte pleiteou o montante de R$ 15.580,39, sendolhe concedido apenas a quantia de R$ 235,60. O objeto da lide perfaz, pois, a diferença de R$ 15.344,79. É para obter informações com o fito de decidir acerca do direito a essa diferença que baixamos o feito em diligência com quesitos específicos a serem respondidos pela autoridade administrativa. Nada obstante, a autoridade devolveu o feito com a informação de que realmente havia erros em vinculações realizadas pelo sistema da Receita Federal e que, diante de tais erros, sem especificar quais, o particular teria um direito a "sobras" de R$ 874,31, no lugar de R$ 235,60. Ainda sob a justificativa de que o despacho seria favorável ao particular, não lhe franqueou o direito de se manifestar antes de encaminhar o processo ao CARF. Ora, desde quando o "reconhecimento" de R$ 874,31, no lugar de R$ 235,60, quando o pleito é de R$ 15.580,39 ou seja, quase 18 (dezoito) vezes maior é favorável ao interessado? Tendo em vista que a autoridade local não cumpriu, nem sequer em parte, o teor da resolução, proponho a devolução do feito para que a autoridade local cumpra integralmente a resolução nº 1401000.364, de 19 de janeiro de 2016 , advertindoa de que esta é a derradeira oportunidade, sob a sua omissão ser considerada para fins de decisão de mérito da lide. Em atenção à segunda resolução de diligência, a autoridade local produziu o despacho de fls. 153, em que consigna não ter se equivocado e nem descumprido a primeira resolução, uma vez que o pleito do interessado corresponderia apenas àquele reconhecido após as alocações realizadas e, desse modo, sua informação possibilitaria reconhecer o pedido na sua integralidade. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Acórdão n.º 1401002.059 S1C4T1 Fl. 157 5 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator De início, vale reproduzir os principais trechos do último despacho da autoridade local: a interessada jamais pleiteou como crédito o montante de R$ 15.580,39; a demanda gira em torno de um saldo credor inicial, relativo a esse pagamento, no valor de R$1.235,97 (vide fls. 3 e 104 dos autos), que foi utilizado em 2 (duas) Declarações de Compensação, a saber: a) DComp nº 21511.53712 (fls. 121/126), homologada integralmente (fls. 134), com utilização de R$126,06 do crédito inicial; b) DComp nº 30307.72566 (fls. 02/05), objeto do processo em questão, com utilização do saldo credor remanescente (R$ 1.109,91 = R$ 1.235,97 – R$ 126,06); o Despacho Decisório de fls. 06 apontou R$ 235,60 como valor original disponível para utilização nessa Dcomp; todavia, no cumprimento à primeira Resolução, constatouse, conforme despacho de fls. 145/146, que o saldo identificado para o pagamento em pauta era de R$ 2.189,02, mais do que suficiente para homologar a compensação pretendida; a importância apontada naquele despacho (R$ 874,31 = R$ 1.109,91 – R$ 235,60) nada mais é do que o valor complementar necessário para confirmar a extinção da obrigação tributária objeto da demanda, em total consonância com os dados constantes da DComp sob exame; logo, como visto, em sendo o resultado da diligência favorável, in totum, ao pleito da contribuinte, optouse, como medida de economia processual, por se retornar o processo ao órgão julgador de segunda instância. De fato, está correto o entendimento da autoridade local. O valor pleiteado não correspondeu à importância de R$ 15.344,79, mas sim de apenas R$ 1.109,91, conforme PER/DCOMP de fl. 05. Desse modo, tendo a autoridade realizado, como informou na sua primeira diligência, as alocações pertinentes e verificado saldo remanescente de pagamento capaz de confirmar o recolhimento a maior no valor pleiteado, cumprenos reconhecer a diferença originariamente indeferida, ou seja, R$ 874,31 (R$ 1.109,91 subtraído de R$ 235,60 já anteriormente reconhecidos). Fl. 159DF CARF MF 6 Voto, pois, para dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao IRPJ (código 2089) do 3º trimestre de 2005 no valor original de R$ 874,31 e para promover as compensações declaradas até o limite do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.726058/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ART. 33 DA LEI 8212/91. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INEXISTÊNCIA DE PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. REGRA ESPECÍFICA.
1. O art. 33 da Lei 8212/91 não estabelece qualquer presunção de pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados como pagamentos de remunerações a contribuintes individuais. Estabelece, sim, a competência do auditor fiscal da Receita Federal do Brasil para lançar as contribuições devidas à seguridade social, inclusive em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação de forma deficiente.
2. A falta de comprovação das causas e dos beneficiários dos pagamentos permite a aplicação da presunção legal do art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda, para viabilizar a incidência do IRRF, mas não da presunção criada pela própria fiscalização.
3. Apenas as transferências de numerários em favor dos administradores da recorrente podem ser tomadas como pagamentos de pró-labore, vez que a própria Lei 8212/91 os caracteriza como contribuintes individuais e porque o sujeito passivo não comprovou a que título elas teriam ocorrido.
Numero da decisão: 2402-006.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da autuação os levantamentos BB, BB2 e BR. Vencidos os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Mauricio Nogueira Righet e Mário Pereira de Pinho Filho que davam provimento em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ART. 33 DA LEI 8212/91. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INEXISTÊNCIA DE PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. REGRA ESPECÍFICA. 1. O art. 33 da Lei 8212/91 não estabelece qualquer presunção de pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados como pagamentos de remunerações a contribuintes individuais. Estabelece, sim, a competência do auditor fiscal da Receita Federal do Brasil para lançar as contribuições devidas à seguridade social, inclusive em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação de forma deficiente. 2. A falta de comprovação das causas e dos beneficiários dos pagamentos permite a aplicação da presunção legal do art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda, para viabilizar a incidência do IRRF, mas não da presunção criada pela própria fiscalização. 3. 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(assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201113 Acórdão n.º 2402006.028 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Auto de Infração (AI) DEBCAD em face do sujeito passivo: a) DEBCAD 37.345.2691, relativo ao descumprimento de obrigação acessória; b) DEBCAD 37.345.2705, relativo à falta de recolhimento das contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais; c) DEBCAD 37.345.2713, relativo à falta de recolhimento das contribuições devidas à seguridade social, parte segurados, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais e não retidas. Segundo o relatório fiscal da infração: [...] demos início ao procedimento fiscal [...] solicitando, como de praxe, todos os documentos, arquivos digitais e livros fiscais obrigatórios, assim como os extratos bancários das contas movimentadas pelo contribuinte supracitado [...]. Vencido o prazo inicial [...] o contribuinte, na mesma data requereu a dilação de prazo de mais de 30 dias, sendo então concedido mais 20 (vinte) dias de prazo para apresentação da referida documentação. [...] já vencido o prazo concedido, o contribuinte apresentou parte da documentação [...], faltando assim os demais elementos básicos para verificação dos registros dos negócios da empresa, como folhas de pagamento e livros diário, seja em meio papel ou apresentados nos respectivos arquivos digitais obrigatórios, que digase de passagem, não foram apresentados até a presente data. Observamos que o contribuinte apresentou extratos bancários fora do prazo inicialmente concedido, quando já havíamos requisitado aos bancos responsáveis os extratos bancários da empresa. [...] No decorrer da auditoria fiscal, lavramos também os Termos de Intimação Fiscal [...] requisitando a comprovação dos diversos pagamentos, bem como a identificação dos seus respectivos beneficiários [...]. Até a presente data nenhuma informação foi apresentada, bem como não houve qualquer justificativa [...]. [...] diante da não apresentação pelo contribuinte de parte dos documentos solicitados, inclusive seus livros contábeis e folhas de pagamento, não restou outra maneira que não fosse a aplicação do critério legal previsto para a presente situação, com a adoção da aferição indireta das bases de cálculo e correspondentes contribuinte devidas, conforme previsto no parágrafo 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, [...]. Fl. 1139DF CARF MF 4 [...] Tendo os extratos bancários [...] como documentos efetivos para a análise dos possíveis fatos geradores ocorridos e, considerando que no período analisado os segurados contribuintes individuais essenciais para o desenvolvimento dos trabalhos face o tipo de atividade da empresa que é a comercialização de franquias, prestação de serviços de instalação, manutenção e assistência técnica aos fraqueados, agenciamento e treinamento de mãodeobra não constavam em nenhuma das declarações de GFIPs [...]e, ainda, que os lançamentos efetuados nos extratos bancários segregavam através de históricos específicos os lançamentos a créditos dos segurados empregados decorrentes de folha de pagamento ou os créditos eram efetuados aos segurados empregados individualmente, passamos então a eliminálos da análise, pois a suas remunerações e contribuições já haviam sido informados em GFIP pelo contribuinte ora autuado, ficando assim somente os valores creditados a beneficiários pessoas físicas (profissionais autônomos e diretores) e pessoas jurídicas. Após efetuados os diversos filtros e no intuito de esclarecer todas as dúvidas em relação aos lançamentos, lavramos os Termos de Intimação Fiscal [...] devidamente acompanhados das planilhas contendo lodos os créditos efetuados a terceiros que entendíamos que poderiam se tratar de fatos geradores de contribuição providenciaria, considerando que a maioria dos históricos não era conclusivo e em muitos casos não identificavam seus beneficiários. A empresa, apesar de intimada, vencidos os prazos concedidos não juntou nenhuma documentação até a presente data, bem como sequer justificou a sua não apresentação. Em função disto e com fundamento no parágrafo 3o do artigo 33 da Lei 8212 [...], passamos a considerar os valores planilhados como base de cálculo da contribuição previdenciária, entendendo trataremse de remuneração paga a contribuintes individuais, pela prestação de serviços de profissionais liberais, e remunerações indiretas pagas aos administradores da empresa (prólabore indireto), para efeito de cálculo das contribuições patronais e dos segurados devidas relativamente a estes fatos geradores. Com relação à contribuição dos contribuintes individuais, normalmente limitada ao teto máximo fixado na legislação, não sendo possível a identificação de todos os beneficiários dos pagamentos, foi calculada aplicandose a alíquota de 11% sobre as bases de cálculo totais obtidas a partir dos extratos bancários. Portanto, os levantamentos estão baseados nas planilhas anexas, referentes aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais profissionais liberais ( LEVANTAMENTOS: BB; BB2 e BR ); e pagamentos a contribuintes individuais — Pro labore de Administradores ( LEVANTAMENTO PB; PB2 E PR ) tendo como origem os extratos bancários de contas corrente no Banco do Brasil S/A [...]. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201113 Acórdão n.º 2402006.028 S2C4T2 Fl. 4 5 A contribuinte apresentou sua impugnação tempestivamente (cujos fundamentos são idênticos aos do seu recurso voluntário), a qual foi julgada improcedente pela DRJ em decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. Tendo a conduta da própria autuada obrigado a fiscalização a adotar o lançamento por arbitramento, não se cogita em ilegal inversão do ônus da prova ou em ausência de liquidez e certeza, em face da expressa autorização legal do art. 33, § 3°, da Lei n° 8.212, de 1991, e do art. 148 da Lei n° 5.172, de 1966. Intimada da decisão em 06/08/2013 (fl. 821), através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 05/09/2013 (fls. 823 e seguintes), no qual reafirmou as seguintes teses de defesa: a) da inexistência de previsão legal para presumir saída de recurso como pagamento de salário; b) da prova em sentido contrário. Em 30/04/2014, a recorrente requereu a juntada aos autos de documentos que demonstrariam, por amostragem, que parte das saídas de recursos corresponderiam a (i) boletos pagos em favor de fornecedores pessoas jurídicas; (ii) reembolso de valores pagos por alunos; (iii) serviços de postagens de correspondências; e (iv) valores pagos a Micro Empresa. O julgamento do recurso foi convertido em diligência (fls. 882 e seguintes), para que a Delegacia de origem se manifestasse sobre os documentos mencionados. A unidade de origem se manifestou nos seguintes termos: 1.4. Quanto ao primeiro questionamento da 4ª Câmara/2ª Turma do CARF, fls. 886 do presente processo, “... e o fiscal autuante se manifeste se os documentos juntados à petição de fls. (i) são relativos transferência de valores em contacorrente da recorrente que vieram a ser considerados no lançamento como fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas,...”, concluiuse que os valores dos documentos apresentados pela empresa estão, sim, entre as transferências bancárias em conta corrente, cujos valores foram considerados bases de cálculo das contribuições lançadas. Na tabela do Anexo I desta Informação Fiscal, colunas “A” a “G”, estão as informações relacionadas aos quinze documentos da amostra e nas colunas “H” a “L”, estão indicados quais os números dos autos de infração que abrangem as referidas contribuições, o número do processo, os respectivos códigos de levantamento e as competências a que os valores estão atrelados. 1.4.1.Ressalvase que embora os valores dos documentos da amostra sejam os mesmos de algumas das transferências bancárias que, entre outras, fizeram parte das planilhas anexas aos autos de infração, somente os documentos de fls. 851 a 863, 868 a 869, 872 a 877, todas do presente processo, são claros Fl. 1141DF CARF MF 6 quanto aos motivos das transferências. Assim, somente estes documentos justificam a exclusão de seus valores das bases de cálculo dos autos de infração de nºs 51.002.4777 e 51.002.478 5, integrantes do Processo nº 10980726.059/201150. Não foi possível a conclusão do motivo das transferências bancárias atreladas aos demais documentos da amostra. 1.5. Quanto ao segundo questionamento da 4ª Câmara/2ª Turma do CARF, fls. 886 do presente processo, “...bem como, para que informe ainda, se (ii) constam do lançamento transferências originadas de sua contacorrente destinadas a pessoas jurídicas e que foram considerados como fatos geradores das contribuições previdenciárias, listando quais foram os pagamentos.”, houve necessidade de se intimar a empresa para que apresentasse esclarecimentos e documentos adicionais – Termo de Intimação Fiscal de 16/02/2016, cópia em anexo salientandose que na primeira fiscalização, a empresa não havia apresentado qualquer documento quando intimada. 1.5.1.Sem considerar as transferências bancárias atreladas aos documentos da amostra apresentada, as demais transferências objeto dos autos de infração do Processo nº 10980 726.059/201150 e todas as transferências objeto do presente processo, abrangem destinatários pessoas físicas e pessoas jurídicas. 1.5.2.Primeiramente esta fiscalização, com base nas informações dos destinatários das transferências, quando existentes, separou somente aquelas que eram destinadas a pessoas físicas, ou seja, indicação somente de nome, ou de nome com número de CPF. Com relação aos outros repasses, não foi possível se concluir se foram destinados a pessoas jurídicas ou a pessoas físicas. Desta forma, os documentos que serviram de base as transferências bancárias foram solicitados através das tabelas do Anexo I e do Anexo II do Termo de Intimação Fiscal de 16/02/2016, a primeira relacionada a valores que a primeira fiscalização considerou como pagamento a contribuintes individuais e a segunda, como pagamento de prólabore. Ainda assim, as transferências em relação às quais foi possível identificar destinatários pessoas físicas, foram objeto da tabela do Anexo III da Intimação Fiscal, visando esclarecimentos quanto aos motivos dos repasses, ou seja, se ensejariam ou não a exclusão de seus valores das bases de cálculo dos autos de infração. 1.5.3.O envio postal do Termo de Intimação Fiscal para o atual endereço da empresa não foi possível [...]. Como a empresa não foi localizada para intimação postal, ela foi intimada para tomar conhecimento da Resolução e da Informação Fiscal por edital. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201113 Acórdão n.º 2402006.028 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da inexistência de presunção legal A recorrente basicamente alega que não haveria fundamento legal para considerar as saídas de recursos de sua conta bancária como fato gerador de contribuição. No presente caso, o sujeito passivo foi reiteradamente intimado para apresentar documentos, tais como arquivos digitais, extratos bancários, livros contábeis, folhas de pagamento, etc, sem que tenha respondido as intimações de forma satisfatória. No entender da fiscalização, tal omissão ensejaria a aplicação do art. 33 da Lei 8212/91, de forma a se considerar as saídas de recursos da conta bancária como pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Tais montantes foram segregados em dois levantamentos específicos: (i) profissionais liberais em geral e (ii) administradores; e houve a lavratura dos presentes autos de infração. Ocorre que o art. 33 não estabelece qualquer presunção de pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados como pagamentos de remunerações a contribuintes individuais. Estabelece, sim, a competência do auditor fiscal da Receita Federal do Brasil para lançar as contribuições devidas à seguridade social, inclusive em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação de forma deficiente. Tal lançamento deverá estar lastreado na comprovação mínima de sua causalidade, demonstrandose, exemplificativamente, a existência de indícios da prestação de serviços por trabalhadores em favor ou por conta do sujeito passivo. A mera saída de recursos da conta bancária, sem qualquer identificação dos beneficiários e das suas causas, não pode ser considerada como pagamento de remuneração a contribuintes individuais, e nem o art. 33 da Lei 8212 cria qualquer presunção nesse sentido, como equivocadamente aludido pela fiscalização. A legislação tributária contém determinadas presunções, a exemplo daquela estabelecida no art. 42 da Lei 9430/96, segundo a qual se considera omissão de receita ou de rendimento a existência de depósitos bancários sem comprovação de origem. Nessa hipótese, passase do fato conhecido (depósitos bancários sem comprovação da origem) para o fato presumido (omissão de receitas ou rendimentos), havendo, Fl. 1143DF CARF MF 8 outrossim, clara relação de causa e efeito entre o fato conhecido e a hipótese de incidência presumida. Significa dizer que é totalmente razoável admitir que um depósito bancário na contra do contribuinte sem a correspondente justificação de sua origem seja tratado como rendimento omitido, o mesmo não se podendo afirmar quanto ao caso in concreto, em que as simples saídas de recursos foram tomadas como pagamentos de remunerações, sem ao menos se poder identificar, quanto a um dos levantamentos, sequer a categoria dos beneficiários dos pagamentos. A fragilidade da acusação é ainda mais grave quando se considera que o próprio relatório fiscal, e posteriormente a informação colhida em sede de diligência, expressamente afirmou que entre os valores considerados havia adimplementos efetuados em favor de pessoas jurídicas, que por razões legais não podem ser categorizadas como contribuintes individuais. Insistase que o art. 33 não introduz no ordenamento jurídico qualquer tipo de presunção quanto ao fato gerador, mas apenas estabelece norma de competência para a realização do lançamento, o qual, por via de consequência, deve demonstrar minimamente a ocorrência do fato jurídico tributário no mundo fenomênico. Ainda como exemplo, tomese o caso do § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, de acordo com o qual o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. Nessa hipótese, legitimamente amparada no art. 33 da Lei 8212, temse a plena caracterização de todos os requisitos da relação empregatícia, a ensejar a desconsideração do vínculo negocial e o enquadramento do trabalhador contratado como segurado empregado. Isto é, nesse exemplo, a fiscalização tem o dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador. Neste caso concreto, contudo, a fiscalização pretendeu criar um regime presuntivo não estabelecido legalmente, aplicando aos fatos uma norma que não lhe é aplicável. Como sabido, a existência de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado enseja a aplicação do art. 674 do Regulamento do Imposto do Renda. O seu § 1º estabelece, para o sujeito passivo, o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos realizados, assim como as suas causas subjacentes. Em não havendo comprovação, tais pagamentos são tributados exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Entre outras razões, a norma se justifica porque tais valores poderiam ser atinentes a prólabore, prestação de serviços, entre outros, que estariam sujeitos à retenção do IR na fonte e até mesmo à incidência de contribuições previdenciárias. Ademais, em razão da falta de identificação do beneficiário do rendimento, o Fisco se vê impedido de alcançálo de forma direta, impondose a tributação na pessoa da fonte pagadora. Nas hipóteses do § 1º, ainda pode persistir dúvida sobre a natureza do rendimento, sendo justificável a tributação. Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201113 Acórdão n.º 2402006.028 S2C4T2 Fl. 6 9 A falta de comprovação, portanto, permite a aplicação da presunção legal do art. 674, para viabilizar a incidência do IRRF, mas não da presunção criada pela própria fiscalização. Noutro giro, o ônus decorre de expressa previsão legal, mas não do alvitre do agente fazendário, o qual tem a obrigação de aplicar a lei ao caso concreto, por força do princípio da legalidade. Apenas as transferências de numerários em favor dos administradores da recorrente podem ser tomadas como pagamentos de prólabore, vez que a própria Lei 8212/91 os caracteriza como contribuintes individuais e porque o sujeito passivo não comprovou a que título elas teriam ocorrido. Nesse tocante (transferências em favor dos administradores), não se trata de criar qualquer tipo de presunção, mas sim de passar de um fato conhecido (as transferências) para outro fato obviamente decorrente (o pagamento da remuneração), a atrair a hipótese de incidência. Por outro lado, tais saídas de recursos estão contempladas em levantamento específico (LEVANTAMENTO PB; PB2 E PR), não subsistindo qualquer prejuízo quanto a liquidez. Em resumo, devem ser excluídos da autuação os LEVANTAMENTOS BB, BB2 e BR. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir da autuação os LEVANTAMENTOS BB, BB2 e BR. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000808/2007-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 08 08 /2 00 7- 28 Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 9202005.796 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 9202005.796 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 9202005.796 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 9202005.796 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 9202005.796 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 9202005.796 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 9202005.796 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 9202005.796 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 9202005.796 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 9202005.796 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 703DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003492/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos propostos pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, designado redator para o voto vencedor. Vencido o Relator, que negou provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos propostos pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, designado redator para o voto vencedor. Vencido o Relator, que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Por bem relatar os atos e fatos processuais, adoto o relatório da r. decisão como parte do presente relato. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 20/10/2009, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 225.224,16 em virtude dos fatos a seguir descritos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 03 49 2/ 20 09 -4 3 Fl. 710DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Resolução nº 3402001.043 S3C4T2 Fl. 3 2 A ocultação do real exportador perante a Receita Federal do Brasil e os preços de importação declarados à Receita Federal do Brasil eram cerca de 60% inferiores àqueles declarados à Dirección Nacional de Aduanas uruguaias. A prática deste ilícito ocorreu em outras 2 (duas) operações promovidas pela empresa STILE COMERCIAL "por conta e ordem" da adquirente MARKETBR, elencadas nos anexos deste Auto de Infração. Destes faz parte cópia de íntegra do processo de Perdimento de Mercadorias 10921.000519/200815, cujos dados são essenciais para a compreensão da cronologia dos fatos, do contraditório oferecido ao IMPORTADOR/ADQUIRENTE e da natureza dos ilícitos praticados. Face ao que determina o art. 23, §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. A empresa MARKETBR COM. E DIST. DE APARELHO ELÉTRICOS E UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA foi cientificada do Auto de Infração via Aviso de Recebimento, em 13/11/2009 (folhas 380). Protocolizou impugnação, tempestivamente em 15/12/2009, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 402 à 452, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. ... O contribuinte empresa STILE COMERCIAL LTDA foi cientificado do Auto de Infração via Aviso de Recebimento, em 13/11/2009 (folhas 383). Protocolizou impugnação, tempestivamente em 16/12/2009, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 564 à 572. O impugnante alegou que: DA NECESSIDADE DE SE DECLARAR NULO, COMPLETAMENTE NULO O AUTO DE INFRAÇÃO ORA CONTESTADO O auto de infração aqui defendido não poderá prosperar, devendo ser o auto de infração declarado nulo. Nulidade que se tipifica na medida em que o agente público não atendeu aos menores dos princípios legais exigidos à validade do ato administrativo. O agente, sobretudo, deixou de aplicar o princípio da legalidade, na medida em que, por sua conta e risco, simplesmente, decidiu que havia a interposição fraudulenta por meio de emprego de Fatura Falsa, por parte do exportador, e que em nenhum momento fora dado conhecimento ao defendente. Aliás, ele próprio, o agente fiscalizador, atesta que a defendente não tivesse conhecimento. Assim sendo, por tal desconhecimento, jamais poderia o defendente vir a figurar como um dos autuados. DE TODOS OS FATOS E FUNDAMENTOS LEGAIS QUE NOS CONDUZEM Á CONCLUSÃO DA ILEGALIDADE PLENA DO AUTO DE INFRAÇÃO AQUI CONTESTADO. Podese ver pelo documento aqui anexo, que a empresa defendente foi contratada pela empresa MARKETBR Comércio e Distribuição de Aparelhos Eletrônicos e Fl. 711DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Resolução nº 3402001.043 S3C4T2 Fl. 4 3 Utilidades Domésticas Ltda., para intermediar negócios de comércio internacional da contratante, e assim o fez. É isto que está expresso no citado contrato, onde se pode ver quais são as obrigações da contratante, assim como aquelas da contratada. E pelo referido contrato se pode ver que a defendente opera como empresa que tem com fim único a nacionalização de produtos importados pela contratante. O contrato foi negociado para que a recorrente agisse em nome e por conta e ordem da contratada. E, assim, por força dos deveres e obrigações da empresa MARKETBR, jamais a aqui defendente poderia ter praticado quaisquer dos atos declinados no auto de infração pelo SENHOR AGENTE FISCAL. Vale isto dizer que o agente fiscal, buscando os dispositivos deste artigo 136, do CTN, lança a defendente como participe no 'citado plano internacional de adulteração de documentos na importação, e deste modo, a lança como responsável tributário pela multa aplicada. Esqueceuse o senhor agente fiscal de atentar para o fato de que a defendente simplesmente agiu a defendente simplesmente EXERCEU SUA ATIVIDADE PROFISSIONAL, SUA ATIVIDADE CONTRATUAL, tudo dentro dos mais elementares e básicos deveres traçados pela lei brasileira. A defendente em nenhum momento, em qualquer oportunidade poderia prever que haveria meios eficazes capazes de fazêla visualizar a existência dá pratica de ato ilícito naquelas operações de importação, qual seja, pelo uso de uma NOTA FISCAL FALSA pelo exportador. E, mais grave em tudo isto, é que com a benção e com a proteção da alfândega brasileira, que, por verificar da legalidade do ato de importar da MARKETBR LTDA, em dezembro de 2007, nacionalizou todos estes produtos, tendo todos eles sido por ela liberados, conforme se vê das Notas Fiscais emitidas pela ora contestante. Sem qualquer critério, sem qualquer justificativa, sem qualquer zelo ou preocupação o agente fiscal, utilizandose do Caminho mais curto, aplica o artigo 136 do CTN e lança a DEFENDENTE como sujeito passivo desta obrigação tributária. É tudo muito estranho, na medida em que a defendente, na condição de executora das ordens, dos desejos do contratante, a MARKETBR LTDA; passa a ser o SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA, ficando nesta mesma ação fiscal a MARKET BR LTDA como devedor solidário. O defendente ao inverso, mesmo agindo em nome de terceiro a contratante MARKET BR LTDA, em nome desta nacionalizando todos aqueles produtos, sem ter obtido qualquer vantagem ou benefício com tais atos, aparece aqui como sujeito passivo da citada obrigação tributária. O defendente, nas condições aqui apresentadas, seria capaz de.executar atos de importação, e jamais, em qualquer tempo, poderia ter a possibilidade de vir descobrir que NOTAS FISCAIS emitidas pela EMPRESA EXPORTADORA viessem ser falsas, como declarado no processo, através de investigação do próprio agentefiscal. Todos os documentos referentes àquelas duas nacionalizações operadas pela aqui defendente deixam claro, deixam transparente a lisura de seu comportamento, o que por si só, de plano afasta a aplicabilidade dos dispositivos do artigo 136 do CTN. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Resolução nº 3402001.043 S3C4T2 Fl. 5 4 Artigo este que não poderá ser aplicado a ferro e fogo, nas condições e formas que preferiu agente fiscal usar, onde só prejudica o defendente, de certa forma, protegendo a outra empresa, MARKETBR. DOS PEDIDOS. Por tudo o quanto, foi exposto, é o presente para REQUERER seja julgada procedente a defesa administrativa ora apresentada, julgando o Auto de Infração totalmente insubsistente, ante sua TOTAL NULIDADE, posto que fruto de ato totalmente ineficaz praticado pelo agente público, e, consequentemente seja arquivado, tudo por ser Direito e Justiça. Requer mais, sendo declarada a nulidade do referido auto de infração, seja o mesmo cancelado, tudo na forma da lei. Requer, alternativamente, entendo a autoridade administrativa da manutenção deste auto de infração, por questão de direito e, de justiça, seja excluído do mesmo, a pessoa da defendente como SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA, mantido em sendo o caso, somente em face da empresa MARKETBR COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE APARELHOS LTDA. A DRJ/SP, em 23/10/2013, julgou as impugnações improcedentes (fls. 592/616). Há notícia nos autos (fl. 622/628) de pedido de parcelamento com base na Lei 11.941/09, feito pela empresa responsável solidária Marketbr (CNPJ 04.297.038/000129) em 05/12/2013, subscrito pelo sócio Moisés de Oliveira Tiago, referendado pela petição (fls. 658/661) datada de 20/12/2013. À fl. 699, despacho do então presidente da 3ª Seção, juntado aos autos em 11/11/2015 e assinado em 20/11/2015, determinando que a unidade de origem verificasse se houve desistência do recurso em face do aludido pedido de parcelamento. Não há despacho fundamentado da unidade local, porém foi anexado o extrato do processo (fls. 702/703), em 23/11/2015, no qual se constata que o crédito tributário está suspenso por conta do recurso a este Colegiado. Às fls. 705/706 despacho do residente do CARF, assinado em 20/05/2016, para que a unidade de origem saneasse o processo em virtude de situação incompatível do processo com situação de julgamento, uma vez constar o mesmo no Sief Processos na situação "devedor sem embargos" e não como deveria estar, "suspenso por julgamento". Foi alterado o CNPJ na base do COMPROT para o CNPJ da Stile Comercial Ltda. (fl. 708), "em virtude de incorreção detectada". A empresa responsável solidária, Marketbr Comércio e Distribuição de Aparelhos Eletrônicos e Utilidades Doméstica Ltda não recorreu da decisão a quo (fl. 654). A empresa contribuinte, não resignada com a r. decisão, interpôs recurso voluntário (fls. 631/641), no qual alega, em síntese: 1 Nulidade do auto de infração por têla colocado como devedora principal da obrigação tributária, colocando a adquirente, real compradora dos produtos importados "na condição única de devedora secundária da obrigação tributária", o que em seu entender subverteu a legislação, uma vez que a importação foi levada a efeito por ela "por conta e ordem de terceiro". Alega que "poderia figurar, talvez, como devedora subsidiária da adquirente, da mandante na operação de importação"; 2 Não poderia ela, por força contratual, ter conhecimento de um possível documento falso integrante do processo de importação, pois "não teria condições de saber detalhadamente da forma e procedimentos adotados pela mandante, terceira, quando da aquisição dos produtos importados no mercado internacional". Acresce que Fl. 713DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Resolução nº 3402001.043 S3C4T2 Fl. 6 5 só "passa a funcionar no processo quando todos os papeis e procedimentos, com a negociação finalizada, entre a adquirente e exportador já estão concluídas"; 3 Argui, ainda, que em nenhum momento obteve qualquer benefício com os produtos importados, "principalmente de preço subfaturado", uma vez que as mercadorias importadas foram liberadas e entregues diretamente a adquirente Marketbr, sendo que a receita proveniente da venda no mercado interno, caso tenha havido, "foram diretamente para o caixa da empresa Marketbr". É o relatório. Voto Conforme informado pelo Ilustre Relator, consta em fl. 658 o pedido de parcelamento efetuado pela empresa MARKETBR COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE APARELHOS ELETRÔNICOS E UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA., do crédito tributário constituído neste processo administrativo, com os benefícios da Lei 11.941/09. Em razão do pedido, o Cons. Henrique Torres exarou despacho de desistência de fl. 699, remetendo o processo à unidade de origem da RFB para providências, e em seguida que retornassem os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário da STILE COMERCIAL LTDA. Observouse que o processo se encontrava na situação "devedor sem embargos" e, conforme a Nota Técnica Codac nº 009/2016, deveria ser retornado à unidade preparadora para saneamento, o que foi determinado por Despacho do Presidente deste CARF, com posterior retorno dos autos para julgamento. Portanto, neste caso, o que há são responsáveis solidários, mas com a adesão de um deles (MARKETBR) ao parcelamento, o que atrai a aplicação da Portaria RFB nº 2284/2010, que aduz em seu art. 5º: Art. 5º O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. §1º O parcelamento impede a apreciação de impugnações ou recursos apresentados pelos demais autuados. §2º Rescindido o parcelamento, o julgamento das impugnações ou recursos segue o curso normal do processo, aplicandose o disposto no art. 7º. Como se vê, a regra determina que o pedido de parcelamento tem o condão de suspender a apreciação dos Recursos Voluntários, até que o parcelamento tenha seu termo. Dos dois, um: a) a MARKETBR cumpre integralmente o parcelamento, tendo por efeito a extinção do crédito tributário aproveitando aos demais obrigados, nos termos do art. 125 do CTN; ou b) o parcelamento é inadimplido e rescindido, com a retomada do julgamento do Recurso Voluntário da STILE, nos termos do art. 5º, §2º da Portaria RFB nº 2284/2010. Não constam nos autos qualquer informação acerca do status do parcelamento realizado pelo MARKETBR, razão pela qual é preciso que a autoridade fiscalizadora guarneça Fl. 714DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Resolução nº 3402001.043 S3C4T2 Fl. 7 6 esse Colegiado de informações para que se determine a possibilidade ou não de julgamento deste Recurso Voluntário. Desse modo, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscalizadora informe acerca do adimplemento ou não do parcelamento aderido pela MARKETBR, informando também se o mesmo se encontra ativo ou rescindido. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Conselheiro Fl. 715DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000970/2002-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
DECADÊNCIA. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, ART.173.
Ausente demonstração de pagamento ou declaração com efeitos constitutivos do crédito tributário, o prazo decadencial deve ser contado conforme a regra do art. 173 do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 DECADÊNCIA. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, ART.173. Ausente demonstração de pagamento ou declaração com efeitos constitutivos do crédito tributário, o prazo decadencial deve ser contado conforme a regra do art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 09 70 /2 00 2- 02 Fl. 1135DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase o presente de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão no 101 96.660, por meio do qual os membros do Colegiado acordaram em acolher a preliminar de decadência, com fulcro no art. 150 §4º, do CTN. Logo, a Fazenda objetiva discutir apenas a regra aplicável ao caso quanto ao prazo decadencial para o Fisco lançar tributos. Na origem, tratase de auto de infração de IRPJ, CSLL e PIS, lançados contra a contribuinte que, sujeita à tributação com base no lucro real, teve o seu lucro arbitrado nos anoscalendário de 1996, 1997, 1998 e primeiro trimestre de 1999, em decorrência da falta escrituração regular na forma das leis comerciais e fiscais abrangendo esses períodos, nos termos do art. 47, inc. I, da Lei n° 8.981/95. A ciência do auto de infração se deu em 09 de maio de 2002. Após recebimento do Auto de Infração o Contribuinte regularmente apresentou impugnação. A DRJ, por seu turno, julgou procedente o lançamento, não reconhecendo a decadência, entendendo ser aplicável o artigo 173, I, do CTN. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF, arguindo, dentre outros fundamentos, a decadência. No julgamento do Recurso a 1ª Câmara, do 1ª Conselho acolheu a preliminar de decadência, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IRPJ PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário regese pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. CSLL PIS DECADÊNCIA Por se tratar de tributo cuja modalidade de lançamento é por homologação, expirado cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. IRPJ ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA APURAÇÃO DO LUCRO REAL ARBITRAMENTO DO LUCRO A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, que mantiver a escrituração do livro Diário em partidas mensais, sem apoio em livros auxiliares e, além disso, movimenta recursos financeiros excluídos da tributação em nome de terceiros, sujeitase à medida do arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS CSLL Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 18471.000970/200202 Acórdão n.º 9101003.250 CSRFT1 Fl. 1.135 3 Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Cientificada dessa decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a decadência. O Recurso da Fazenda foi admitido, conforme despacho de admissibilidade. Em suas razões, alega, em suma: ü Na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema; ü Esse posicionamento já está pacificado no âmbito do STJ Regularmente intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Não há reparos a se fazer na análise da admissibilidade do presente Recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade. Assim, passo à análise do mérito da questão. O lançamento por homologação, regulado pelo artigo 150 do CTN, tem como principal característica a atribuição ao contribuinte do dever de antecipar o pagamento do tributo, ficando a autoridade administrativa com o dever de posteriormente chancelar ou não o valor do recolhimento efetuado e, sendo o caso, efetuar cobrança de diferença, verbis: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. A regra da decadência do direito do fisco de lançar o tributo por homologação é regra especial, contida no §4º, do artigo 150 em questão, que estabelece o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, caso não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, verbis: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 1137DF CARF MF 4 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Ao se posicionar sobre o tema a 1ª Turma da CSRF, por maioria, se manifestou que a aplicação do artigo 173, I, do CTN na constituição de crédito relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas pode ocorrer na hipótese de não haver pagamento, nem declaração do tributo, conforme trecho do voto vencedor do Acórdão 9101002.021, abaixo transcrito: A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Assim, encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. Assim, mesmo não existindo o pagamento, a declaração prévia constitutiva do crédito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Entendo pertinente essa última colocação, no sentido de que a declaração prévia basta para manutenção da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Isso porque, não pago o tributo a União já possui informação suficiente para a averiguação da apuração do crédito tributário. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 18471.000970/200202 Acórdão n.º 9101003.250 CSRFT1 Fl. 1.136 5 Apenas discordo no sentido de que apenas declaração constitutiva equivale ao pagamento. Entendo que qualquer tipo de declaração, seja ela constitutiva ou apenas informativa, tem o condão de levar o prazo decadencial para a regra do § 4º, do artigo 150, do CTN. Isso porque, de posse da declaração informativa o fisco já possui a informação suficiente para efetuar a cobrança do crédito tributário. O que substancialmente difere a declaração constitutiva da declaração informativa é o órgão competente para cobrança no âmbito da administração pública deferal. Vale frisar que essa distinção não foi feita pelo STJ, que, no fim do ano de 2015, editou a Súmula 555, com a seguinte redação: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. A meu ver, para fins de contagem do prazo decadencial a declaração do débito na competente obrigação acessória se equivale ao pagamento, independente de ser a declaração informativa ou constitutiva. Assim, para a aplicação do §4º, do artigo 150, do CTN exigese a ocorrência dos seguintes situações: 1. A lei deve estabelecer que o lançamento do tributo é realizado na modalidade homologação; 2. Não ocorra a comprovação de dolo, fraude ou simulação pelo ente tributante; 3. Haja pagamento e/ou declaração do tributo. Passo, então, a verificar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733 ao caso ora sob análise. A Turma a quo decidiu que O que se define se o lançamento é por declaração ou por homologação é a legislação do tributo e não a circunstância de ter ou não havido pagamento. Nesse contexto entendeu haver decadência para o período de janeiro a novembro de 1996, em relação ao IRPJ, CSLL e PIS, nos seguintes termos: O lançamento por homologação é o lançamento tipo de todos aqueles tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo a obrigação de quando ocorrido o fato gerador identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade, como explicitado no artigo 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional. A natureza do lançamento não se altera se, ao praticar essa atividade, o sujeito passivo não apura o imposto a pagar (por Fl. 1139DF CARF MF 6 exemplo, se houver prejuízo, no caso de IRPJ, ou, na hipótese de Imposto de Importação, se for o caso de alíquota reduzida a zero). O que se define se o lançamento é por declaração ou por homologação é a legislação do tributo e não a circunstância de ter ou não havido pagamento. (...) Assim, não restam dúvidas, pois, que está caracterizada a decadência em relação aos meses de janeiro a dezembro de 1996. Também de acordo com a mansa jurisprudência desta Primeira Câmara, é de se acolher a decadência das contribuições exigidas nos presentes autos, nos meses de janeiro a dezembro de 1996. Apesar de não concordar com os fundamentos da decisão recorrida, concordo em parte com sua conclusão. Primeiro. Importante destacar que não há nos autos comprovantes de pagamento e DCTF. Destacase, por outro lado, que há nos autos a DIPJ do Contribuinte, demonstrando que no anocalendário 1996 foi apurado prejuízo fiscal. Ou seja, há declaração do tributo, de modo que diante de todo o acima exposto, entendo que o prazo decadencial deve ser aquele previsto no §4º, do artigo 150, do CTN, para o IRPJ e CSLL. Para o PIS, entretanto, consta da DIPJ meses em que houve declaração do tributo e meses que não houve, no anocalendário de 1996. Logo, entendo haver a decadência apenas para os períodos em que havia PIS declarado em DIPJ. Nesse contexto, voto NEGAR provimento ao recurso da União. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheiro Luís Flávio Neto, Redator designado. No caso dos autos, conforme bem relatado pelo i. Conselheiro Relator, o contribuinte apresentou DIPJ quanto ao anocalendário de 1996, bem como "não há nos autos comprovantes de pagamento e DCTF". Peço vênia para divergir do i. Conselheiro Relator quanto à interpretação do acórdão proferido pelo e. Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733. Ocorre que, no contexto dos autos, em que não foi apresentada declaração com eficácia constitutiva do crédito tributário e nem foi realizado qualquer pagamento de tributo, compreendo que o prazo decadencial quanto aos débitos tributários em questão deve seguir a contagem do art. 173 do CTN, devendo ser provido o recurso especial interposto pela PFN. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 18471.000970/200202 Acórdão n.º 9101003.250 CSRFT1 Fl. 1.137 7 Esse mesmo entendimento tem sido adotado em outros casos semelhantes por esta 1a Turma da CSRF. Nesse sentido, peço vênia para transcrever os fundamentos do acórdão n. 9101002.786, de 06/04/2017, os quais acompanhei naquela oportunidade, in verbis: “Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre Conselheiro Relator no mérito, considerando a impossibilidade de aplicação do artigo 150, §4º no caso de mera apresentação de DIPJ, que desde 1999 é informativa. Destaco trechos da ementa do acórdão em julgamento do Recurso Especial nº 973.733, submetido à regra do artigo 543C, do antigo CPC/1973: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª Fl. 1141DF CARF MF 8 ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 12/08/2009) A exigência da comprovação de pagamento para aplicação do artigo 150, do CTN, ressoa do citado acórdão repetitivo, conforme precedentes desta Turma da CSRF. No caso destes autos, no entanto, houve mera declaração de rendimentos (DIPJ), sem que haja qualquer pagamento ou declaração que a ele possa ser equiparada, nos termos do entendimento predominante entre os julgadores desta Turma da CSRF. Assim, é aplicável o artigo 173, do CTN, sem que tenha ocorrido decadência no caso dos autos. Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, decidindo, ainda, pelo retorno ao Colegiado a quo para apreciação das demais alegações da parte em recurso voluntário.” Voto, portanto, por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PFN. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1142DF CARF MF
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