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Numero do processo: 10880.653316/2016-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento.
SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E ÁLCOOL.
O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de cana-de-açúcar e álcool.
NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 3201-004.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("big-bag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD - Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II - Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMO Recorrente RAIZEN ENERGIA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA DEAÇÚCAR E ÁLCOOL. O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de canadeaçúcar e álcool. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 16 /2 01 6- 60 Fl. 603DF CARF MF 2 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("bigbag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos da Cofins, apurada no 2º trimestre de 2013. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente Processo Administrativo Fiscal da análise do crédito demonstrado no PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito nº 10375.65711.271113.1.1.113183 referente a COFINS Não Cumulativa Mercado Interno, 2º Trimestre de 2013, transmitido em 27/11/2013. Cabe observar que tal PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito possui Declarações de Compensação (DCOMP) a ele vinculadas. Anteriormente a essa ação em curso, foi realizada neste interessado a ação fiscal comandada pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF n° 0816500.2015.01044, concluída em 04/11/2016 pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Alberto de Toledo da DRF/Jundiaí, com emissão de Autos de Infração lançando contribuições devidas de PIS e COFINS não cumulativos, gerando o Processo Administrativo Fiscal nº 19311.720238/201645, impugnado pelo interessado e já julgado por esta 16ª Turma de Julgamento na qual foi proferido o Acórdão nº 1293.315 em 30 de outubro de 2017 por esta Turma de Julgamento. Naquele processo, em procedimento de fiscalização, a DRF/Jundiaí não aceitou, na apuração da empresa, a tomada de crédito sobre diversos gastos que entende não serem passíveis de creditamento. O entendimento da DRF/Jundiaí resultou em glosas nos créditos, que resultaram menores que os calculados e informados pela empresa em seus DACON e EFD Contribuições. Então, ainda naquele procedimento de fiscalização executado pela DRF/Jundiaí, os créditos reapurados de ofício após as glosas sofridas foram rateados conforme as suas formas passíveis de utilização. As parcelas desses créditos passíveis de serem utilizados somente para deduções das contribuições, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita Tributada no Mercado Fl. 605DF CARF MF 4 Interno” e os “Créditos Presumidos da Agroindústria” foram utilizados para a dedução do valor das Contribuições Apuradas pelo interessado, resultando, para maioria dos meses, em Contribuições a Pagar lançadas em Autos de Infração de PIS e COFINS com multa e juros. Já as parcelas desses mesmos créditos, reapurados de ofício pela DRF/Jundiaí, que são passíveis de ressarcimento/compensação, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita de Exportação” e os “Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, tiveram apenas os seus valores indicados para serem utilizados em procedimentos específicos de análise de PER/DCOMP por parte da DRF/Bauru. Está informado no item 10.1 do Termo de Verificação Fiscal dos Autos de Infração da DRF/Jundiaí, sob o TDPF n° 0816500.2015.01044 : "10.1 Os Pedidos de Ressarcimento do PIS e da Cofins e as Declarações de Compensação (PER/Dcomp) apresentados pelo contribuinte, relativos aos períodos fiscalizados, serão analisados em procedimento específico, a ser realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP. " Neste presente processo é tratado o procedimento específico de análise do pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS/PASEP vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno do 2º Trimestre de 2013. No procedimento deste presente processo, e nos demais procedimentos conexos, a DRF/Bauru subtraiu do pedido de ressarcimento/compensação do interessado, os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí. Os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí são os valores das “Glosas de Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, detalhadas mensalmente em linhas da planilha denominada “Demonstrativo Anexo ao Termo de Verifical Fiscal” às fls 906 a 925 do processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645, originado a partir da sua já citada ação fiscal comandada pelo TDPF n° 0816500.2015.01044. Assim, para esse período e tipo de crédito, do Valor de Crédito Pedido pelo interessado de R$ 894.706,30, a DRF/Bauru subtraiu o valor de glosa determinado pela DRF/Jundiaí no valor de R$ 587.456,11 e chegou ao Valor de Crédito Cofirmado no valor de R$ 307.250,19. O interessado se insurge através de Manifestação de Inconformidade, tempestiva, na qual pede o julgamento em conjunto desta Manifestação de Inconformidade com outras defesas apresentadas em Processos Administrativos conexos, oriundos do mesmo “TDPF” nº 0816500.2015.01044, manejado pela Fiscalização da DRF/Jundiaí, eis que conexos, uma vez que possuem idênticos: (i) quadro fático e discussão de direito (similitude de objetos creditórios / conceito de insumos para crédito de “PIS” e “COFINS” / depreciação de ativo imobilizado), e (ii) pedido Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 4 5 e causa de pedir, apenas diferenciandose com relação aos trimestres dos anoscalendário de 2012 e 2013 e alternando as referidas Contribuições Sociais. (omissis) Dessa forma, com base nos artigos 55, parágrafos 1º e 3º, 56 e 58, do Código de Processo Civil, e supedâneo no artigo 15, do mesmo Código e com o objetivo de evitar decisões conflitantes, bem como facilitar o trâmite processual e organização do julgamento desta “DRJ”, requer o processamento e julgamento da presente Manifestação de Inconformidade com as defesas dos demais Processos Administrativos acima indicados. O interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também apresenta síntese dos fatos. Reafirma que o presente processo que trata da negativa de reconhecimento integral do direito creditório que pleiteia decorre do resultado da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. E que o próprio Termo de Verificação Fiscal – “TVF” do Despacho Decisório deste período, emitido pela DRF/Bauru, adota os termos e os montantes deferidos e indeferidos indicados no Termo de Verificação Fiscal da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. Entretanto, o interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também alega que haveria diversas diferenças técnicas entre o procedimento de lançamento e constituição do crédito tributário por meio de Auto de Infração, como executado pela DRF/Jundiaí, e os procedimentos de cobrança de valores devidos decorrente das não homologações de Pedidos de Ressarcimento/Compensação, executados pela DRF/Bauru. E, mais adiante, em sua Manifestação de Inconformidade, o interessado repete as alegações de preliminar e de mérito que trouxe aos autos da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí, sob o processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645 e requer a homologação integral do direito creditório originalmente pleiteado. A 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJO n.º 12093.788, de 22/11//2017 (fls. 407 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 JULGAMENTO EM CONJUNTO Devem ser julgados em conjunto processos conexos que possuem idênticos quadro fático e discussão de direito, e pedido e causa de pedir. Fl. 607DF CARF MF 6 APURAÇÃO DE CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. GLOSAS. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 486 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou vários pedidos de ressarcimento e, após analisálos, a unidade de origem promoveu lançamento do PIS/Cofins devidos nos períodos de apuração de 01/2012 a 12/2013 (processo administrativo nº 19311.720238/201645, ora também examinado), em face da escrituração de créditos indevidamente descontados na apuração. Deferido em parte o crédito e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua parcialmente procedente, daí a interposição do recurso voluntário. Em síntese, a Recorrente, grosso modo, repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. E pede o julgamento conjunto do presente processo com outros de seu interesse em que se debatem as mesmas matérias. É o que se fará nesta assentada. Preliminarmente, a Recorrente sustenta a nulidade do Despacho Decisório, ao argumento de carência de motivação e de que não haveria a necessária individualização das glosas de créditos. Não é o que se vê dos autos. No próprio Despacho Decisório, consta a orientação de que maiores informações sobre a análise dos créditos poderiam ser obtidas no sítio eletrônico da RFB: Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Base Legal: Lei nº 10.637, de 2002, Lei nº 10.865, de 2004, art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 5 7 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 43 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Não fosse o bastante, como a própria Recorrente já indica, no bojo da mesma ação fiscal foram analisados vários outros processos de mesma natureza e efetuado um lançamento de PIS/Cofins integrado por Termo de Verificação Fiscal onde a mesma análise também foi depurada. Cabe ressaltar, ademais, que a eventual correção do Despacho Decisório (e também do lançamento) pelos órgãos que compõem o Contencioso Administrativa, mediante a reversão de créditos glosados pela fiscalização, não macula a decisão (ou mesmo o lançamento), senão que o conforma à legislação aplicável, considerada a jurisprudência administrativa e judicial. Rejeitada a preliminar de nulidade, passamos a reproduzir, pelos motivos já declinados, o nosso voto proferido no processo administrativo nº 19311.720238/201645, adotandoo, também aqui, como razão de decidir: Rejeitada a preliminar de nulidade, vemos que o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem Fl. 609DF CARF MF 8 ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a fiscalização aplicou o conceito mais restritivo ao conceito de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB. E aí glosou os seguintes créditos (consoante Termo de Verificação Fiscal): a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 6 9 h) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido de máquinas, equipamentos, instalações, benfeitorias e edifícios, conforme registros contábeis nas contas 1030202002 – Máquinas e Equipamentos – Depreciação Acumulada, 1030214002 – Instalações – Depreciação Acumulada, 1030206002 – Benfeitorias – Depreciação Acumulada, 1030205002 – Edifícios – Depreciação Acumulada, e 3040699007 – Depreciações – Custo Corrigido, o que contraria a vedação expressa contida no artigo 2º, § 1º da IN SRF nº 457, de 2004; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag); j) Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria; k) Desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes; l) Desconto de crédito presumido sobre valor superior ao PIS e à Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar. Consideradas as razões que fundamentaram a impugnação, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de dirimir algumas dúvidas. Foram elas: I. Quanto ao item “H” – “NULIDADE PARCIAL– INEXISTÊNCIA DE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS” (fls. 981 a 988), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores. Apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. II. Quanto ao item “I” – “DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO” (fls. 1041 a 1047), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado sobre os bens citados no referido item “I”, em desacordo com a legislação de regência. Também apresentar a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “I”. III. Por fim, dar ciência do resultado da diligência acima solicitada ao interessado, para que esse, se assim desejar, se manifeste sobre esta documentação no prazo de trinta dias, retornando, então, os autos a esta DRJ/RJO para julgamento. Fl. 611DF CARF MF 10 E no Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade que a realizou prestou as seguintes informações: Quanto ao item I, esclarece a fiscalização que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. No entanto, essas mesmas informações mostram que parte dos bens que serviram de base de cálculo do PIS e da Cofins e que foram classificados como máquinas e equipamentos, na verdade tratamse de outros veículos ou seus componentes, tais como tratores, dollys, transbordos, carregadeiras, carrocerias, reboques e semireboques. Sendo assim, não podem compor a base de cálculo dos créditos sobre depreciação, por falta de previsão legal. Quanto ao item II, segue anexo demonstrativo com planilha do recálculo das diferenças do PIS e da Cofins devidas, consideradas as exclusões das glosas sobre a reavaliação de ativos e levando em conta a memória de cálculo da depreciação apresentada pelo contribuinte às fls. 1453/1481 destes autos. A DRJ, então, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos termos seguintes: Manter integralmente as glosas relacionadas ao conceito de insumo nos itens “A” a “G” do Termo de Verificação Fiscal. Afastar a glosa relacionada à reavaliação de ativos no item “H” do Termo de Verificação Fiscal. Manter parcialmente a glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (desconsiderados os valores inovados na diligência). Afastar integralmente todas as glosas efetuadas em relação aos créditos presumidos apurados pelo contribuinte nos itens “J” a “L” do Termo de Verificação Fiscal. Manter o critério adotado de não considerar o saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo. O recurso de ofício, esclareçamos melhor, teve por fundamentos as seguintes matérias, que totalizaram a exoneração de crédito em limite superior ao de alçada: a) a reversão de créditos do PIS/Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, uma vez que as informações apresentadas na impugnação, e confirmadas na diligência, comprovam que não ocorreu a reavaliação do valor dos ativos; b) a manutenção parcial da glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 7 11 Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (foram desconsiderados os valores inovados na diligência, uma vez que a DRJ acertadamente entendeu que tal procedimento equivaleria a alterar o lançamento originário); c) a reversão da glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial"; d) a reversão da glosa sobre crédito presumido oriundo de receita de vendas de açúcar não destinado à alimentação humana, mas à fabricação de bebidas e refrigerantes; e) a reversão sobre o desconto de crédito presumido superior ao PIS/Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar. Os motivos da exoneração de parte do crédito foram muito bem enfrentados no acórdão recorrido, razão pela qual passamos a adotálos, também aqui, como fundamento desta decisão, mas a respeito dos quais faremos, ao final de sua transcrição, importante consideração, que, como se verá, nos levarão a adotar, no ponto a ser suscitado, entendimento dele divergente (todavia, transcreveremos na íntegra o voto, apenas quanto às matérias que levaram à exoneração de parte do crédito lançado, para que aos demais integrantes da Turma seja dado pleno conhecimento das controvérsias): DAS GLOSAS SOBRE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS Ítem “H” do Termo de Verificação Fiscal: Sobre essa glosa que a AUTORIDADE FISCAL chamou no Termo de Verificação Fiscal de “Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido”, não haviam informações suficientes para afirmar que os valores glosados eram créditos apurados e descontados pela IMPUGNANTE sobre encargos de depreciação calculados sobre a reavaliação de seus ativos. A IMPUGNANTE contestou que não reavaliou seus ativos. Então, esta 16ª Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem apresentasse planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrassem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores e apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. A unidade de origem lavrou Termo de Intimação Fiscal (fls. 1371 a 1374), contra a IMPUGNANTE, que atendeu e apresentou os documentos solicitados. Então, a unidade de origem, a DRF/JundiaíSP, no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1482 a 1484), conclui e esclarece que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do Fl. 613DF CARF MF 12 PIS e da Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. Por esse motivo voto por afastar a glosa em relação a este item. (...) DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO Ítem “I” do Termo de Verificação Fiscal: Cabe analisar as glosas sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado nos valores recalculados após a diligência. A unidade de origem, glosou créditos sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag) por entender não que não estão listados nas hipóteses que a legislação permite o creditamento do PIS e da Cofins. A IMPUGNANTE contestou. Afirma que foram realizadas glosas sobre depreciação de ativos imobilizados que sequer se creditou. Como os documentos anexados aos autos não deixaram claro que essas glosas foram efetuadas apenas sobre os creditos de PIS e COFINS efetivamente apurados pela IMPUGNANTE sobre a depreciação dos seus ativos, foi determinado em resolução à unidade de origem, que essa apresentasse planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado em desacordo com a legislação de regência e também apresentasse a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa. De modo a atender o que lhe fora exigido por meio de Resolução desta 16ª Turma de Julgamento, a DRF/Jundiaí intimou a IMPUGNANTE a apresentar demonstrativo das bases de cálculo dos descontos de créditos do PIS e Cofins sobre o Imobilizado Então, tendo a IMPUGNANTE atendido a intimação, a AUTORIDADE FISCAL da unidade de origem substituiu a base de glosas anteriormente efetuadas pelo demonstrativo apresentado pela IMPUGNANTE na intimação fiscal. Nesse demonstrativo em forma de planilha (fl.1485), foram glosados os créditos de depreciação tomado em relação aos ítens listados como: veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag. A IMPUGNANTE afirma que em relação aos bens sobre os quais de fato tomou crédito relativos a sua depreciação, todos são essenciais ao desenvolvimento do seu processo produtivo diante da já demonstrada relevância da etapa agrícola no referido ciclo Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 8 13 agroindustrial, e tendo em vista a disposição contida nos artigos 3º, parágrafo 1º, inciso III de ambas as Leis 10.637/02 e 10.833/03, imperativo o cancelamento dessas glosas . Art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) ... § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag, embora todos utilizados em algum processo da IMPUGNANTE, não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por infringência ao dispositivo legal acima transcrito, corretas as glosas efetuadas. (...) DAS GLOSAS SOBRE CRÉDITOS PRESUMIDOS ORIUNDOS DE AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR DE PESSOA JURÍDICA ͞”NÃO AGROINDUSTRIAL” Item “J” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme relatado, AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, ítm “J” (fl.903) glosou o “Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria”, pois segundo seu entendimento, não poderiam ter sido apurados créditos de pessoas jurídicas não agroindustriais. Foram elaboradas pela AUTORIDADE FISCAL as planilhas, “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx”, anexadas ao presente processo na forma de arquivos não pagináveis vinculados aos documentos nominados de “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Fl. 615DF CARF MF 14 Plan de cálculo das glosas de créd. presumido 2012” e “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas créd. presumido 2013” (fls. 932 a 933). Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL apurou os totais mensais de PIS e Cofins apurados sobre os valores de compra de cana de açúcar da IMPUGNANTE, cujos fornecedores têm pelo menos um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial. Esses totais mensais foram levados para os “Detalhamentos das diferenças de PIS e COFINS devidas apuradas pela fiscalização” no ‘Demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal” (fls. 906 a 925), cujos valores servem de base para os lançamentos no Auto de Infração. Da forma como essa glosa foi sucintamente descrita no Termo de Verificação Fiscal e da forma como foi apurado o cálculo dessa glosa nas planilhas “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx” bastou a presença de um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial em um fornecedor de cana de açúcar para a AUTORIDADE FISCAL automaticamente considerar tal fornecedor “pessoa jurídica não agroindústria” e conseqüentemente glosar os créditos referentes às aquisições de cana de açúcar de fornecedores em tal situação. A IMPUGNANTE destaca que nada impede que as pessoas jurídicas que tenham as mais diversas atividades principais, exerçam, em caráter secundário, a atividade venda de canade açúcar caracterizandose como comercial agropecuária (ou agroindústria), permitindose tal creditamento. Conforme a Lei nº 10.925/2004, base legal citada pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e ..., destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos noinciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: ... III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... Cumpre ressaltar que em nenhum momento a AUTORIDADE FISCAL buscou afastar o direito ao crédito em razão de que Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 9 15 tais operações não teriam sido relacionadas com a venda de canadeaçúcar, mas, sim, pelo simples fato de terem sido firmadas com pessoas jurídicas que não seriam agroindústrias. Além de inexistente a restrição apontada pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, cabe verificar o método que adotou para tal glosa. Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canadeaçúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DA GLOSA SOBRE CRÉDITO PRESUMIDO ORIUNDO DE RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR NÃO DESTINADO À ALIMENTAÇÃO HUMANA, MAS À FABRICAÇÃO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES Item “K” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, pode ser descontado crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado diretamente à alimentação humana e é glosado, conforme descrito no item “k)” desse termo, o desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes. O crédito presumido condicionado a venda de açúcar é calculado sobre a aquisição dos insumos, como a cana de açúcar, destinados a sua produção. No Termo de Verificação Fiscal, é citada pela AUTORIDADE FISCAL, a Lei 10.925/2004, que em seu artigo 8º, passou a permitir apuração desse crédito em relação a aquisição de Fl. 617DF CARF MF 16 insumos de pessoa física, cooperado pessoa física e de pessoas jurídicas exercendo algumas condições. A possibilidade de desconto desses créditos está de forma mais clara no artigo 5º da IN 660/2006, também citado pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Nas “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2012” e “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2013” arquivos não pagináveis correspondentes aos seu respectivos Termos de Anexação de Arquivo Não Paginável, anexados às folhas 934 a 935 desse processo, são apresentadas as planilhas “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2012.xlsx” e “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2013.xlsx”. Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL, ao invés de calcular crédito presumido sobre o valor da cana de açúcar utilizada como insumos na fabricação de açúcar destinado à alimentação humana ou animal, calculou crédito sobre o valor de venda do açúcar a produtores de bebidas destinadas ao consumo humano. Mas não é sobre a venda de açúcar que esse crédito é calculado, na verdade, essa operação de venda apenas condiciona a tomada do crédito sobre a operação anterior de aquisição da cana. Também foram efetuadas glosas sobre os períodos entre agosto de 2013 e dezembro de 2013, hiato no qual a IMPUGNANTE sequer registrou créditos referentes a esse crédito presumido. Conforme os já mencionados artigo 8º da Lei 10.925/2004 e artigo 5º da IN 660/2006, esse crédito presumido é decorrente das compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado à alimentação humana ou animal. Da forma como foi sucintamente descrita a glosa desse crédito no Termo de Verificação Fiscal, ainda que fosse calculada corretamente sobre as compras e não sobre as vendas, como de fato aconteceu, o açúcar vendido para as indústrias de bebidas e refrigerantes é destinado à alimentação humana. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DO DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO SUPERIOR AO PIS E À COFINS APURADOS SOBRE A RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR Ítem “L” do Termo de Verificação Fiscal: Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, o aproveitamento do crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar está limitado ao PIS e à Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 10 17 Cofins apurados sobre as Receitas de Vendas de Açucar destinado à alimentação humana. Nesse item “L”, a AUTORIDADE FISCAL glosou a diferença entre o que ela entendeu ser os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar menos o que ele entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar a partir das informações prestadas nos Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar não foi especificamente contestada pela IMPUGNANTE. As somas mensais dessa contribuição sobre a receita de venda de açúcar com as somas mensais das contribuições sobre as demais receitas (como da receita de venda de álcool, de etanol, de melaço, etc.) estão de acordo com os totais mensais das contribuições apuradas conforme fichas 15B e 25B do Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu serem os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar foram os valores da linha 29 da Ficha 06A (Pis) e 16A (Cofins) do Dacon. Essa linha corresponde ao somatório dos créditos presumidos de atividades agroindustriais, incluídos os calculados sobre os insumos de origem animal, origem vegetal e os ajustes positivos e negativos de créditos. Pelas informações prestadas nos Dacons e pelos cálculos no Termo de Verificação Fiscal, a AUTORIDADE FISCAL entende como créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar para a produção de açúcar os créditos presumidos calculados sobre os insumos de origem vegetal e os ajustes positivos de créditos. Entretanto, para a IMPUGNANTE os ajustes positivos de créditos correspondem aos créditos apurados sobre a venda de etanol no mercado interno, conforme expressa disposição contida no artigo 1º, da Lei n° 12.859/13, conversão da Medida Provisória n° 613/13. E, de fato, a IMPUGNANTE, coerentemente com sua impugnação, passou a apurar os créditos apurados sobre a venda de etanol e demonstrálos em seus Dacon somente a partir da publicação da referida medida provisória, em junho de 2013. No Termo de Verificação Fiscal, para fundamentar a glosa sobre o desconto de crédito presumido superior ao Pis e à Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar, além de descrever os principais dispositivos legais em seu início, a AUTORIDADE FISCAL cita especificamente o trecho da ementa da Solução de Consulta nº 24, de 21 de janeiro de 2010, expedida pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9ª Região Fiscal, in verbis: (...) O crédito presumido antes mencionado somente pode ser utilizado para desconto dos valores devidos a título de Cofins resultantes da comercialização das mercadorias produzidas com Fl. 619DF CARF MF 18 os produtos in natura adquiridos, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de ressarcimento. A construção dessa Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, foi feita a partir dos seguintes dispositivos legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3o , Lei nº 10.833/2002, art. 3o; Lei nº 10.925/2004, art. 8o, caput, e §§ 1o e 4o; IN SRF nº 660/2006, art. 2o, I e IV, e § 1o; art. 3o, I, §§ 1o e 2o; art. 5o, I, “d”; e art. 6o, I. Quanto à utilização do crédito presumido pelas agroindústrias (item 16, fl.12, dessa SC), o caput do art. 8o da Lei nº 10.925, de 2004, citado tanto pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, quanto pela citada Solução de Consulta referida acima, é claro em definir a utilização permitida para o crédito em questão: “deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração”. Tal imposição significa que do valor devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, pela comercialização das mercadorias industrializadas com os produtos in natura adquiridos, a agroindústria poderá descontar o crédito presumido apurado. E a IN SRF nº 660, de 2004, citada no Termo de Verificação Fiscal, deixa o assunto bem evidenciado: Art.8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. [...]§3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. §4º O crédito presumido deve ser apurado de forma segregada e seu saldo deve ser controlado durante todo o período de sua utilização. Assim, de acordo com a Lei nº 10.925/04 e com a IN 660/04, o crédito presumido da agroindústria não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, pode apenas ser utilizado para dedução de cada contribuição. E caso não possa ser aproveitado para dedução de cada contribuição no período, seu saldo deve ser controlado segregadamente, até ser totalmente utilizado nos períodos seguintes. A AUTORIDADE FISCAL, diferentemente do disposto na Lei nº 10.925/04 na IN 660/04 e na Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, para cada mês em que esse crédito presumido foi apurado em valor maior do que a contribuição apurada sobre a receita de venda de açúcar glosou a diferença a maior do valor do crédito. Esse crédito, apurado sobre a aquisição de cana de açúcar, não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, mas pode ser utilizado para dedução da contribuição devida apurada em relação às mercadorias Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 11 19 produzidas, não apenas sobre a contribuição devida sobre a receita de venda da mercadoria “açúcar”. E sobrando saldo, esse não deve ser glosado, esse saldo deve ser controlado e utilizado nos períodos seguintes. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Recentemente, nesta mesma Turma, assim também se decidiu: CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADE AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. (Acórdão nº 3201004.161, de 28/08/2018) As matérias cuja apreciação remanesce no recurso voluntário são as seguintes: a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; Fl. 621DF CARF MF 20 e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag). E, finalmente, como se demonstrará ao final, também discordamos das glosas de despesas com o tratamento de água, resíduos e análises laboratoriais. Conforme já expusemos noutros votos, os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, não ensejam, a nosso juízo, o creditamento de PIS/Cofins. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3odo art. 1odesta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1oe 1oA do art. 2odesta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 12 21 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 1 Admitir que, 1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de Fl. 623DF CARF MF 22 no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. No caso em tela, como já antecipamos, os créditos pretendidos pela Recorrente têm origem nos gastos realizados na produção da canadeaçúcar, ou seja, na fase agrícola, não na industrial (é só nesta fase que se pode permitir o creditamento com fundamento no inciso II do art. 3º). Considerando que tais despesas não foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos (v.g., nem por hipótese o defensivo agrícola por entrar na fabricação do açúcar, do álcool ou de subprodutos da indústria sucralcooleira), não se faz possível o creditamento. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma2, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele plasmado nos fundamentos que vimos de reproduzir. Assim, os gastos empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. 2 PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.411, 02/02/2018) Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 13 23 realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. No caso aqui julgado, referemse aos seguintes itens (consoante alíneas acima): b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containeres utilizados em transporte de açúcar (embora conste da alínea "i", na redação anteriormente transcrita, retiramos as aeronaves, porque, conforme ela própria assevera e consta de um dos demonstrativos que integram o acórdão recorrido, a Recorrente sobre elas nada se creditou). Há de se registrar, para melhor esclarecimento do que se trata, algumas observações a respeito dos itens relacionados na mesma alínea "i". Segundo a Recorrente, a) os veículos são aqueles utilizados na fase agrícola, como tratores e colheitadeiras, ônibus para transporte, dollys etc. (conta contábil 1030203002); b) os móveis e utensílios são materiais e equipamentos utilizados no processo produtivo da cana, bem como no seu acondicionamento, processamento e pesagens, tais como estufa, centrífuga, balança etc. (conta contábil 1030204002); c) as licenças e softwares são ativos tecnológicos aplicados no maquinário aplicados na lavoura (conta contábil 1030210002); d) as embarcações são utilizadas no transporte da cana entre a lavoura e a unidade produtora (conta contábil 1030212002). Tais informações, acompanhadas de registros fotográficos no recurso voluntário, em nenhum momento foram antes contraditadas pela fiscalização, quer por ocasião do lançamento, quer na diligência. Concordamos, todavia, com a glosa do crédito em relação aos serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, pois, com efeito, a legislação não prevê o Fl. 625DF CARF MF 24 creditamento das contribuições sobre os serviços de capatazia (alínea "e", supra). Comunga do mesmo entendimento a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Prosseguindo, agora sobre os crédito tomados em relação às embalagens de transporte ("bigbag"), como é de todos conhecido, temos entendido — e recentemente também assim fizemos noutro processo envolvendo a mesma empresa — que se deve considerálas insumo, no regime não cumulativo de PIS/Cofins, pois destinadas à proteção ou ao acondicionamento do produto final no seu transporte. Conforme Acórdão nº 3201 004.164, de 28/08/2018: NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. Finalmente, cumpre registrar que os créditos tomados em relação aos gastos com o tratamento de água, de resíduos e com análises laboratoriais não foram expressamente citados no texto que encerra o Termo de Verificação Fiscal, mas consta das planilhas a ele e ao acórdão recorrido anexadas. Contudo, mesmo que os considerássemos não originalmente apreciados, se é entendimento dos demais conselheiros que compõem esta Turma que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar podem ser considerados na apuração de créditos para o PIS/Cofins, não há razão para afastar a possibilidade de craditamento quanto os gastos com o tratamento de água (fase agrícola e industrial) e de resíduos (fase industrial) e análises laboratoriais (fase agrícola e industrial). Aliás, é cediço, constitui importante requisito para a produção de açúcar e álcool o tratamento de seus resíduos industriais e o seu constante monitoramento. E, por último, quanto ao não reconhecimento dos saldos de créditos de períodos anteriores, cumpre observar que, com efeito, conforme destacado na decisão recorrida, a consequência é o não aproveitamento dos mesmos saldos para a dedução de valores devidos em períodos subsequentes. Todavia, tais saldos ficam subordinados ao que aqui decidido, Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 14 25 já que o entendimento será replicado nos processos a este conexos. O pedido de realização de nova diligência (ou de perícia) afigurase absolutamente desnecessário em face de tudo o que expusemos aqui e das informações já carreadas aos autos (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. E DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: Fl. 627DF CARF MF 26 (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10880.653316/201660 Acórdão n.º 3201004.228 S3C2T1 Fl. 15 27 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria3. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. 3 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 629DF CARF MF 28 Declaração de Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário. A presente declaração de voto tem por objetivo externar o posicionamento pelo qual acompanhei o Relator "pelas conclusões" relativamente à preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte demonstra que a Fiscalização, ao efetuar a lavratura do Auto de Infração, deixou de individualizar as glosas realizadas, deixando, inclusive, de lavrar Termo de Verificação Fiscal próprio, fazendo simples remissão a TVFs de períodos de apuração diversos. Além disso, deixou de indicar a espécie dos créditos glosados (crédito de insumos ou créditos presumidos). Ao assim proceder, a Fiscalização imputou à Recorrente excessivo ônus de defesa que, ainda que cumprido adequadamente pelo contribuinte, não afasta o excesso fiscal, passível de reconhecimento de nulidade do procedimento. Não obstante ao exposto, há que se considerar que, na hipótese dos autos, o mérito da demanda foi resolvido de modo favorável ao contribuinte, incorrendose em hipótese típica de aplicação do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Desse modo, externo meu posicionamento não pela improcedência da preliminar de mérito, mas, sim, pela possibilidade de sua superação, no presente julgamento, nos exatos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 630DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000691/2005-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/05/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF
Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão.
O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF.
SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3201-004.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digitalmente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/05/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 CARF Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 06 91 /2 00 5- 95Fl. 140DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de pedido de Restituição de COFINS conforme constante no Pedido de Restituição. Por traduzir a realidade dos fatos, adoto o Relatório da DRJ: (...) Trata o presente de pedido de restituição, protocolizado em 07/06/2005, referente à suposto pagamento indevido ou maior que o devido a título de Cofins efetuado em 10/0511999 pela empresa Brasil Warrant Venture Capital Ltda, CNPJ n° 62.355.698/000115, incorporada pelo interessado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, por meio do Despacho Decisório de fls. 30/35, indeferiu o pedido, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de pedir e na falta de comprovação documental da existência do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a permitir a aferição de sua liquidez e certeza. Cientificado em 04/05/2009, fls. 85 , o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2009, fls. 37/48, alegando, em breve síntese: o C) Que o provimento jurisdicional transitou em julgado e lhe assegurou o direito de calcular o PIS e a Cofins com base na Lei n° 9.715, de 1998 e na Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, excluindose as demais receitas não caracterizadas como senda da venda de mercadorias ou serviços; A partir da exposição dos fatos que originaram o alegado crédito contra a Fazenda Nacional, contesta o decidido pela DRF em Araraquara, a saber: Inicialmente alega que houve uma distorção do instituto da decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu direito de pedir a restituição, e que mostrará a sua inocorrência no caso. Alega que conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de lançamento por homologação, o prazo prescricional é cinco contados a partir da homologação tácita, ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador. Que o art. 3° da LC 118, de 2005 modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional CTN e, assim, não Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13851.000691/200595 Acórdão n.º 3201004.236 S3C2T1 Fl. 140 3 pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005. Que, desse modo, o pedido foi apresentado dentro do prazo legal 10 anos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4% segunda parte, da LC n° 118, de 2005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3°. Ainda, alega que o ajuizamento do Mandado de Segurança importou em causa interruptiva da prescrição, nos termos do artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916, vigente à época. Uma vez que o trânsito em julgado da ação ocorreu em 30/05/2008, não há em que se falar em ocorrência do prazo prescricional, uma vez que este esteve interrompido até o referido trânsito em julgado. Continua, alegando que tem direito à restituição aos recolhimentos efetuados nos meses de março a junho de 1999, que se afiguram indevidos, uma vez que as únicas receitas auferidas pelo Requerente nesse período corresponderam a receitas financeiras e outras receitas não oriundas da venda de bens e prestação de serviços, estas as únicas passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, conforme o provimento jurisdicional conquistado. Requer o conhecimento da manifestação, com a reforma da decisão recorrida e conseqüente deferimento do pedido de restituição. Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo reforma por entender: a) que o prazo de prescrição é de 10 anos, pois, se trata de lançamento por homologação; b) que houve alteração do prazo prescricional com e entrada em vigor da Lei Complementar 118/05, que ocorreu em 09 de junho de 2005; c) que seu pleito é anterior a data da entrada em vigor da LC 118/05; d) pede reunião de demais processos; É o relatório. Voto Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 142DF CARF MF 4 Inicialmente é de considerar que a reunião dos processos por conexão é uma faculdade nos termos do art. do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF. Ademais, compulsando o sítio eletrônico do CARF, verificase que alguns processos indicados pelo Contribuinte já foram julgados nesse CARF, assim, não existindo qualquer prejudicialidade na ausência de conexão dos presentes autos. Deste modo, não merece prosperar o pleito do Contribuinte em razão do pedido de conexão. Ocorre que a DRF e a DRJ compreenderam que a prescrição para pleitear o PER era de 05 (cinco) anos do pagamento, e não da homologação tácita, que tal fundamentação estaria disposto no art. 3º. da LC 118/05. Contudo, sem mais digressões, é de notório conhecimento que a LC 118/05, inovou em razão da contagem da prescrição, existindo grande debate sobre o termo inicial da aplicação do prazo quinquenal da prescrição ao invés do decimal. Contudo, o assunto encontra se sumulado com efeito vinculante por este CARF, vejamos: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De tal sorte, devese afastar a prescrição do presente caso, uma vez, que não decorreu o período de 10 (dez) anos do lançamento, e o pleito sendo anterior a 09/06/05, ressaltase que nos termos do Art. 75, § 2º, Anexo II, do RICARF, a mencionada súmula encontrase com efeito vinculante. Diante disso, devese ser anulado o Despacho Decisório para afastar a prescrição. Concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.720057/2015-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora esclarecer se a análise do direito creditório se circunscreveu à vedação prevista no artigo 170-A do CTN, ou se, a despeito da ausência do trânsito em julgado, deu-se seguimento à análise em relação às parcelas consideradas não integrantes do salário de contribuição, previstas na alínea 'd' e na alínea "e", item 6, do artigo 28, § 9º da Lei nº 8.212/1991, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles (relator), João Maurício Vital e Reginaldo Paixão Emos, que, considerando desnecessária a diligência, rejeitavam as preliminares e negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Wesley Rocha.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora esclarecer se a análise do direito creditório se circunscreveu à vedação prevista no artigo 170-A do CTN, ou se, a despeito da ausência do trânsito em julgado, deu-se seguimento à análise em relação às parcelas consideradas não integrantes do salário de contribuição, previstas na alínea 'd' e na alínea "e", item 6, do artigo 28, § 9º da Lei nº 8.212/1991, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles (relator), João Maurício Vital e Reginaldo Paixão Emos, que, considerando desnecessária a diligência, rejeitavam as preliminares e negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Wesley Rocha. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora esclarecer se a análise do direito creditório se circunscreveu à vedação prevista no artigo 170A do CTN, ou se, a despeito da ausência do trânsito em julgado, deuse seguimento à análise em relação às parcelas consideradas não integrantes do salário de contribuição, previstas na alínea 'd' e na alínea "e", item 6, do artigo 28, § 9º da Lei nº 8.212/1991, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles (relator), João Maurício Vital e Reginaldo Paixão Emos, que, considerando desnecessária a diligência, rejeitavam as preliminares e negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Wesley Rocha. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 79 .7 20 05 7/ 20 15 -7 9 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 19679.720057/201579 Resolução nº 2301000.700 S2C3T1 Fl. 205 2 1. Tratase de julgamento de Recurso Voluntário (efls 167/192) interposto em face do Acórdão nº 1058.099 (efls 151/159), prolatado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente manifestação de inconformidade contra a decisão da autoridade tributária, que considerou indevidas as compensações previdenciárias declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs das competências 10/2012 e 11/2012, no total original de R$ 9.899.591,13 (nove milhões, oitocentos e noventa e nove mil, quinhentos e noventa e um reais e treze centavos), por não ter havido a comprovação do trânsito em julgado da decisão judicial em que o contribuinte afirma ter se amparado para proceder ao encontro de contas. 2. Esclareçase que as razões trazidas no recurso voluntário do contribuinte (efls 167/192) são praticamente idênticas àquelas que constam nas peças impugnatórias, motivo que nos leva a transcrever o relatório da decisão de primeira instância, suficiente para a compreensão do contexto do litígio. Tratase de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra a decisão da autoridade tributária que considerou indevidas as compensações previdenciárias declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs das competências 10/2012 e 11/2012, no total original de R$ 9.899.591,13 (nove milhões, oitocentos e noventa e nove mil, quinhentos e noventa e um reais e treze centavos), por não ter havido a comprovação do trânsito em julgado da decisão judicial em que o contribuinte afirma ter se amparado para proceder ao encontro de contas. O Despacho Decisório da Divisão de Orientação e Análise Tributária Diort da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária Derat encontrase às fls. 54/60 dos autos digitais, foi disponibilizado ao contribuinte na sua Caixa Postal, via Portal eCac, em 23/03/2016 (fls. 66), e foi acessado em 01/04/2016 (fls. 68). Em 20/04/2016 o sujeito passivo apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 70 a 88, onde alega, em síntese, que: a) a manifestação de inconformidade é tempestiva; b) a origem dos créditos de contribuição previdenciária patronal advém dos pagamentos indevidos realizados no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2012, sobre as rubricas aviso prévio indenizado, abono pecuniário de férias e adicional constitucional de 1/3 nas férias gozadas ou indenizadas, em razão da patente não incidência desta contribuição sobre estes valores; c) a não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre as verbas indenizatórias em questão é objeto do Mandado de Segurança nº 0008785 76.2011.4.03.6100, distribuído inicialmente perante a 26ª Vara Federal de São Paulo e atualmente em trâmite perante o E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região, mas que não há pedido de compensação neste Mandado, o que torna inaplicável o artigo 170A do CTN e demais dispositivos citados no Despacho Decisório; d) os créditos decorrentes do pagamento indevido de contribuição previdenciária patronal sobre o aviso prévio indenizado, o abono pecuniário de férias e o adicional constitucional de 1/3 nas férias gozadas ou indenizadas são líquidos e certos, tendo em vista a existência de precedentes do STJ em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, que pacificaram o entendimento de que não há incidência desta contribuição sobre as rubricas em questão; Fl. 205DF CARF MF Processo nº 19679.720057/201579 Resolução nº 2301000.700 S2C3T1 Fl. 206 3 e) o aviso prévio indenizado tem caráter indenizatório. A não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado já foi decidida pelo STJ, à luz da sistemática dos denominados Recursos Representativos de Controvérsia, cujo entendimento é definitivo, já que o STF reconheceu a inexistência de repercussão geral a respeito da matéria, por não se tratar de questão constitucional. O § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, obriga os seus conselheiros a observar as decisões proferidas pelo STJ em sede de recurso representativo da controvérsia, o que significa dizer que neste processo administrativo a decisão final será favorável à requerente; f) o abono pecuniário de férias está expressamente excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária patronal pelo artigo 28, § 9º, “e”, item 6 da Lei nº 8.212/1991; g) o terço constitucional de férias indenizadas não integra o saláriode contribuição por força do artigo 28, § 9º, alínea ‘d’ da Lei nº 8.212/1991, razão pela qual os créditos desta natureza utilizados nas compensações são líquidos e certos. Com relação ao terço constitucional de férias gozadas, a cobrança da contribuição previdenciária é indevida, pois a matéria já foi julgada pelo STJ nos autos do Recursos Especial nº 1.230.957/RS, sob a sistemática dos Recursos Representativos de Controvérsia. Cita novamente o § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF; h) a aplicação dos dispositivos legais indicados no Despacho Decisório deve ser mitigada quando há decisão do STJ em sede de recurso repetitivo (no caso dos créditos de contribuição previdenciária patronal sobre aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias gozadas ou indenizadas), reconhecendo a inexigibilidade da contribuição previdenciária, de modo que os valores recolhidos no passado são automaticamente líquidos e certos para fins de compensação. Ao final, requer a reforma do Despacho Decisório e a homologação integral de todas as compensações objeto do processo administrativo, tendo em vista a inaplicabilidade do artigo 170A do CTN, do caput do artigo 89 da Lei nº 8.212/1991 e do caput do artigo 81 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Sávio Nastureles – Relator. 3. Ao analisar os elementos dos autos, verificase inconteste a opção do sujeito passivo por discutir judicialmente a exigibilidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre o aviso prévio indenizado, abono pecuniário de férias e adicional constitucional de 1/3 nas férias gozadas ou indenizadas. 3.1. Por meio do documento intitulado "INTIMACÃO — SEMAC 01/2013" (efls 03), o sujeito passivo foi intimado a informar a origem dos créditos que geraram compensações lançadas em Gfip (Guia de recolhimento do FGTS e informações a previdência social) nas competências outubro e novembro de 2012. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 19679.720057/201579 Resolução nº 2301000.700 S2C3T1 Fl. 207 4 3.2. Em resposta à referida intimação (efls 5/36), consta informe de que “as compensações lançadas em GFIP nas competências outubro e novembro de 2012, referemse a créditos devidos em razão da não incidência da Contribuição Previdenciária sobre o (i) aviso prévio indenizado, (ii) abono pecuniário de férias, e (iii) adicional constitucional de 1/3 nas férias gozadas ou indenizadas, do período de janeiro de 2007 até dezembro de 2012” (efls 5). 3.3. A mesma resposta aduz que "esta não incidência tributária se dá por força de sentença judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança sob nº 0008785 76.2011.403.6100, em trâmite, atualmente, perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região” (efls 5). 4. O Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim dispõe sobre a ação judicial concomitante com o lançamento: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas. Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. 5. Portanto, com base nos elementos presentes nos autos, e em consonância com o entendimento firmado no Acórdão nº 1058.099 (efls 151/159) reputase ocorrida a renúncia ao contencioso administrativo no que diz respeito à exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre as rubricas especificadas no subitem 3.2 supra, não havendo que se tratar destas questões no âmbito do contencioso administrativo. 6. Expostos os motivos pelos quais este Relator entende desnecessária a proposição de diligência, cabe ressalvar que o entendimento prevalecente do Colegiado apontou no sentido diverso, conforme se verá no voto do Conselheiro Wesley Rocha. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Voto Vencedor Conselheiro Wesley Rocha – Redator Designado No recurso voluntário apresentado nas fls. 167/192, verificase que a contribuinte busca o pleito de compensação de valores sobre verbas que, a princípio, estariam sob o abrigo de dispositivos legais, possíveis de serem compensadas. Entretanto, conforme se constata das informações dos autos, a recorrente teria ajuizado ação judicial para supostamente questionar valores que poderiam envolver a presente demanda administrativa. Sob esse aspecto, a decisão de inconformidade de primeira instância assim concluiu: Fl. 207DF CARF MF Processo nº 19679.720057/201579 Resolução nº 2301000.700 S2C3T1 Fl. 208 5 "Da matéria discutida judicialmente o sujeito passivo optou por discutir judicialmente a exigibilidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre o aviso prévio indenizado, abono pecuniário de férias e adicional constitucional de 1/3 nas férias gozadas ou indenizadas, cuja decisão definitiva deverá ser obrigatoriamente observada pela Administração Tributária. O Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim dispõe sobre a ação judicial concomitante com o lançamento: "Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas. Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada". Portanto, tendo ocorrido a renúncia ao contencioso administrativo no que diz respeito à exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre estas rubricas, suas razões apresentadas na manifestação de inconformidade a este respeito não serão apreciadas. (....) Como se vê, cabe ao sujeito passivo declarar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social os créditos que possui, para fins de compensação com os débitos relativos às contribuições previdenciárias, ficando o procedimento efetuado sujeito à ulterior homologação pelo Fisco. No caso sob exame, o sujeito passivo, com o objetivo de extinguir os seus débitos de contribuições previdenciárias mediante compensação, utilizou créditos decorrentes de decisão judicial ainda sem trânsito em julgado, o que é expressamente vedado pelo artigo 170A do CTN. A alegação de que não havia requerido a possibilidade de compensação na ação judicial, e que por isto o artigo 170A não seria aplicável ao seu caso, não pode ser aceita. Isto porque o artigo 170A do CTN estabelece a vedação da compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Significa dizer que, antes do trânsito em julgado, o contribuinte não pode utilizar na seara administrativa os valores que, na esfera judicial, alega serem indevidos, para efetuar a compensação com as contribuições devidas. Desta forma, concluise que, até que ocorra o trânsito em julgado, o sujeito passivo só tem expectativa a eventual direito que, nessa condição, não é passível de ser utilizado para extinguir, mediante Fl. 208DF CARF MF Processo nº 19679.720057/201579 Resolução nº 2301000.700 S2C3T1 Fl. 209 6 compensação, contribuições previdenciárias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil". A referida decisão de primeira instância foi guiada em razão da notícia de ação judicial, sobre verbas indenizatórias em questão e que seria objeto do Mandado de Segurança nº 000878576.2011.4.03.6100, distribuído inicialmente perante a 26ª Vara Federal de São Paulo e atualmente em trâmite perante o E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Entretanto, diante dos debates realizados em sessão de julgamento, restou duvidosa a alegação de que essas verbas seriam de fato impossíveis de compensação, uma vez o pedido da recorrente estaria amparado na análise de parcelas consideradas não integrantes do salário de contribuição, a qual não haveria ciência nos autos de que a autoridade administrativa não teria homologado a compensação em razão da interposição do mandado segurança mencionado, utilizando como premissa o art. 170A, quando em verdade essa ação não teria o condão de afastar o direito da recorrente no presente feito. Portanto, se faz necessário converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora esclarecer se a análise do direito creditório se circunscreveu à vedação prevista no artigo 170A do CTN, ou se, a despeito da ausência do trânsito em julgado, deuse seguimento à análise em relação às parcelas consideradas não integrantes do salário de contribuição, previstas na alínea 'd' e na alínea "e", item 6, do artigo 28, § 9º da Lei nº 8.212/1991. Assim, voto por converter o julgamento em diligência nos termos retroconsignados. (Assinado digitalmente) Wesley Rocha – Redator designado Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000519/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 NULIDADE. CIÊNCIA POSTAL.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Aplicação da Súmula CARF n° 9.
INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE ORDEM DE PREFERÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal federal, regido pelo Decreto n° 70.235/72, não estão sujeitos a ordem de preferência os meios de intimação pessoal, postal e eletrônica, pelo que não há obrigatoriedade de intimação pessoal, se válida a intimação postal ou eletrônica porventura adotada. Apenas a intimação por edital imprescinde da prova de ter resultado improfícuo qualquer dos outros meios anteriormente adotados.
NULIDADE. LOCAL DA VERIFICAÇÃO DA FALTA.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Aplicação da Súmula CARF n° 6.
NULIDADE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO.
O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Aplicação da Súmula CARF n° 8.
COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR
O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário.
GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. CUSTOS INEXISTENTES.
Devem ser reputadas inidôneas, as notas fiscais de entrada emitidas pela própria pessoa jurídica fiscalizada, relativas a aquisições de sucatas de cobre, ocorridas em curto período de tempo, a envolver expressivas quantidades e valores suficientes a absorver completamente as receitas auferidas na atividade empresarial, em relação às quais não há qualquer outro elemento de prova acerca dos alienantes, do transporte ou do pagamento.
Foge da razoabilidade admitir que operações tão relevantes para o patrimônio e a atividade da empresa não possuam elementos de prova produzidos ou referendados por terceiros desinteressados.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. EMISSÃO DE NOTA FISCAL DE ENTRADA INIDÔNEA. CUSTOS INEXISTENTES.
Configura fraude fiscal a emissão de notas fiscais de entrada inidôneas para acobertar custos inexistentes, na medida em que é uma ação dolosa, tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade administrativa da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, com a intenção de reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento.
GLOSA DE CUSTOS. TOTALIDADE.
Se a glosa dos custos inexistentes representa a totalidade dos custos e despesas da atividade, impõe-se a desclassificação da escrituração comercial e fiscal apresentada, e conseqüentemente, a adoção do Lucro Arbitrado.
A mera glosa da totalidade dos custos, na sistemática do Lucro Real, enseja a tributação das receitas auferidas na atividade empresarial, em ofensa à definição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, definidas legalmente: o lucro líquido ajustado.
Deve ser cancelada a exigência por erro de sistemática de tributação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL.
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.
Recurso de ofício conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.812
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
1.0 = *:*
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Numero do processo: 10320.720047/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-12-03T22:29:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2018-12-03T22:29:50Z; dcterms:modified: 2018-12-03T22:29:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2018-12-03T22:29:50Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-12-03T22:29:50Z; meta:save-date: 2018-12-03T22:29:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-12-03T22:29:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; pdf:charsPerPage: 1484; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.720047/201012 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.421 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2018 Assunto PIS COFINS INSUMOS Recorrente COSIMA SIDERURGICA DO MARANHAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 04 7/ 20 10 -1 2 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10320.720047/201012 Resolução nº 3201001.421 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10320.720047/201012 Resolução nº 3201001.421 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10320.720047/201012 Resolução nº 3201001.421 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10320.720047/201012 Resolução nº 3201001.421 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10320.720047/201012 Resolução nº 3201001.421 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10320.720047/201012 Resolução nº 3201001.421 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10320.720047/201012 Resolução nº 3201001.421 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10320.720047/201012 Resolução nº 3201001.421 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10320.720047/201012 Resolução nº 3201001.421 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 412DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.720542/2017-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO.
Somente podem ser considerados insumos os bens ou serviços quando essenciais ao processo produtivo de bens ou na prestação de serviços.
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE
É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade.
CRÉDITO. DESPACHANTES ADUANEIROS. POSSIBILIDADE
É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a despesas com despachantes aduaneiros.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.
É possível o aproveitamento de créditos extemporâneos desde que o Contribuinte demonstre a liquidez e certeza do crédito alegado.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento de acordo com a Súmula CARF nº 108.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO.
Somente podem ser considerados insumos os bens ou serviços quando essenciais ao processo produtivo de bens ou na prestação de serviços.
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE
É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade.
CRÉDITO. DESPACHANTES ADUANEIROS. POSSIBILIDADE
É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a despesas com despachantes aduaneiros.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.
É possível o aproveitamento de créditos extemporâneos desde que o Contribuinte demonstre a liquidez e certeza do crédito alegado.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento de acordo com a Súmula CARF nº 108.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-005.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as glosas referentes aos fretes entre estabelecimentos e despesas com serviços aduaneiros, vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira que manteve a glosa dos serviços aduaneiros.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos os bens ou serviços quando essenciais ao processo produtivo de bens ou na prestação de serviços. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. CRÉDITO. DESPACHANTES ADUANEIROS. POSSIBILIDADE É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a despesas com despachantes aduaneiros. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. É possível o aproveitamento de créditos extemporâneos desde que o Contribuinte demonstre a liquidez e certeza do crédito alegado. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento de acordo com a Súmula CARF nº 108. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos os bens ou serviços quando essenciais ao processo produtivo de bens ou na prestação de serviços. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. CRÉDITO. DESPACHANTES ADUANEIROS. POSSIBILIDADE É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a despesas com despachantes aduaneiros. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. É possível o aproveitamento de créditos extemporâneos desde que o Contribuinte demonstre a liquidez e certeza do crédito alegado. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento de acordo com a Súmula CARF nº 108. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos os bens ou serviços quando essenciais ao processo produtivo de bens ou na prestação de serviços. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. CRÉDITO. DESPACHANTES ADUANEIROS. POSSIBILIDADE É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a despesas com despachantes aduaneiros. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. É possível o aproveitamento de créditos extemporâneos desde que o Contribuinte demonstre a liquidez e certeza do crédito alegado. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 05 42 /2 01 7- 40 Fl. 4264DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.265 2 A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento de acordo com a Súmula CARF nº 108. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos os bens ou serviços quando essenciais ao processo produtivo de bens ou na prestação de serviços. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. CRÉDITO. DESPACHANTES ADUANEIROS. POSSIBILIDADE É possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a despesas com despachantes aduaneiros. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. É possível o aproveitamento de créditos extemporâneos desde que o Contribuinte demonstre a liquidez e certeza do crédito alegado. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento de acordo com a Súmula CARF nº 108. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as glosas referentes aos fretes entre estabelecimentos e despesas com serviços aduaneiros, vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira que manteve a glosa dos serviços aduaneiros. (assinado digitalmente) Fl. 4265DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.266 3 Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 4219 a 4261) interposto pelo Contribuinte, em 31 de agosto de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 14 68.162 (fls. 4173 a 4204), de 25 de julho de 2017, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar a Impugnação (fls. 4075 a 4123) procedente em parte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de impugnação de lançamento de créditos tributários lavrados por meio de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 40494056) e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 40584065) contra a contribuinte em epígrafe, em decorrência de créditos descontados indevidamente na apuração da contribuição e de insuficiência de recolhimentos. Os valores de créditos tributários exigidos, os períodos lançados e os respectivos enquadramentos legais estão listados/informados nos autos de infração de fls. 4049 4068. A autoridade fiscal — após fazer uma descrição pormenorizada dos fatos ocorridos durante a execução do procedimento fiscal (intimações, documentos e arquivos apresentados, prorrogações de prazo etc), por meio do Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 4007 a 4047 — em síntese, relatou/constatou/concluiu que: Constatações Iniciais e Infrações — Com exceção das competências 01, 03, 06 e 07/2013, os valores mensais da contribuição para o PIS e da COFINS, do anocalendário 2013, apurados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições DACON, no arquivo da Escrituração Fiscal Digital – EFD CONTRIBUIÇÕES) e nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF são iguais. — Nas competências 03 e 07 de 2013, as diferenças não foram objeto de lançamento, em face da constatação de erro no preenchimento do DACON. Já em relação às competências 01 e 06/2013, houve o lançamento pelos seguintes motivos: Fl. 4266DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.267 4 a) Janeiro: o valor da Cofins a pagar apurado no DACON é superior ao informado nos demais sistemas (DCTF e EDF/Contribuições) em R$ 3.465,00 (R$ 1.305.676,66 – R$ 1.302.211,10) e o PIS/PASEP informado no DACON é superior ao informado nos demais sistemas (DCTF e EDF/Contribuições) em R$ 752,42 (R$ 283.469,30 – R$ 282.716,88). A diferença será objeto de lançamento de ofício. (...) c) Junho: o valor da Cofins apurado na EFC/Contribuições e o pagamento realizado via DARF foi de R$ 41.062,09. O valor apurado no DACON foi de R$ 125.353,39, ou seja, uma diferença de R$ 84.291,30 (R$ 125.353,39 – R$ 41.062,09). Nenhum valor foi declarado em DCTF. O valor do PIS/PASEP apurado na EFC/Contribuições e o pagamento realizado via DARF foi de R$ 8.914,79. O valor apurado no DACON foi de R$ 27.214,88, ou seja, uma diferença de R$ 18.300,09 (R$ 27.214,88 – R$ 8.914,79). Nenhum valor foi declarado em DCTF. As DCTF devem ser retificadas pela fiscalizada e as diferenças de Cofins e PIS nos valores de R$ 84.291,30 e R$ 18.300,09, respectivamente, serão objeto de lançamento de ofício. — A fiscalizada tem por objeto social o comércio atacadista e varejista de artigos esportivos e similares e não possui nenhum estabelecimento que produza ou industrialize bens destinados à venda ou atua exclusivamente na prestação de serviços. Uma de suas filiais é destinada à prestação de serviços de organização e exploração de atividades esportivas, bem como o recebimento de material esportivo com fins exclusivos de demonstração. — Não há receitas de prestação de serviços. Os custos são decorrentes exclusivamente das mercadorias adquiridas; — No tópico "Das Infrações Créditos Glosados", o auditor fiscal apresentou, através de subtópicos, os motivos para a glosa de créditos das contribuições para o PIS e Cofins; — O subtópico denominado "Da base de cálculo que originou créditos classificados pela fiscalizada como decorrentes de “Serviços utilizados como Insumos"" está dividido em outros seis, conforme identificados e resumidos a seguir: 1. "Dos créditos glosados decorrentes de “Serviços de Representação Comercial”", após reproduzir os artigos 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e, parcialmente a Solução de Divergência Cosit no 24, que explicitou que "o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado", a autoridade fiscal concluiu que "as despesas com representação comercial não são consideradas insumos e, ainda que fossem, a empresa exerce atividades exclusivamente comerciais (revenda de mercadorias), ou seja, não produz ou industrializa quaisquer bens ou produtos destinados à venda e nem é uma prestadora de serviços, nos termos do art.3o, inciso II das leis no 10.637/2002 e 10.833/2003"; Fl. 4267DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.268 5 2. "Dos créditos glosados decorrentes de “Aquisição de Serviços de Marketing”", a fiscalização entendeu que as despesas com promotores de ponto de venda, despesa de marketing promotores ponto de venda, serviços de marketing prestados por terceiros, despesas de marketing assessoria imprensa e pesquisa de mercado, serviços de merchandising, serviços de marketing direto, serviços de marketing repasse, serviços de artistas atletas modelos e manequins, cessão de direito de uso de marcas e de sinais de propaganda, produção de eventos, serviços de reportagem, assessoria de imprensa, jornalismo e relações públicas, despesas com artes gráficas, tipografia, diagramação, paginação e gravação, análises, exames, pesquisas fornecimento de informações e coleta de dados, contrato de clubes, despesas de marketing, contratos de atletas, adiantamento de despesas, exploração de quadras esportivas para realização de eventos, serviços de jornalismo e reportagem, assessoria e consultoria técnica, serviços de manutenção corretiva, construção civil e outras obras semelhantes, serviços de hospedagem de qualquer natureza, serviços gráficos e serviços de chaveiro, classificadas como "Aquisição de Serviços de Marketing, "não são consideradas insumos e, ainda que fossem, a empresa exerce atividades exclusivamente comerciais (revenda de mercadorias), ou seja, não produz ou industrializa quaisquer bens ou produtos destinados à venda e nem é uma prestadora de serviços, nos termos do art.3o, inciso II das leis no 10.637/2002 e 10.833/2003"; 3. "Dos créditos glosados decorrentes de “Aquisição de Serviços de Armazenagem”", a fiscalização verificou que a contribuinte descontou créditos decorrentes de "serviços de despachante aduaneiro" e de "serviços de marketing MWB SR", nos montantes de R$ 792.212,08 e 1.927,48, respectivamente, no mês de setembro/2013, e os contabilizou na conta "Aquisição de Serviços de Armazenagem". Por não se tratarem de insumos, a fiscalização glosou os créditos decorrente das notas fiscais de despesas com serviços de despachante aduaneiro e de marketing; 4. "Dos créditos glosados decorrentes de “Aquisição de Serviços de Transporte” entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (frete interno)", a fiscalização verificou que a contribuinte, no mês de janeiro de 2013, descontou créditos decorrentes de despesas com serviços de transporte de mercadorias para revenda (frete – devolução de transferência) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica no valor de R$ 401.645,36. Após citar a Solução de Divergência Cosit no 2/2011, decidiu glosar os créditos decorrentes dessas despesas, por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda, nem se referirem à operação de venda de mercadorias. 5. "Dos créditos glosados decorrentes de despesas de armazenagem incorridas durante meses dos anos 2010, 2011 e 2012", a fiscalização diz que a contribuinte descontou créditos de notas fiscais emitidas pela empresa VBLOG LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA durante os anos de 2010, 2011 e 2012 que somaram a importância de R$ 8.276.754,60. Diz, também, que — embora haja previsão legal para o desconto de créditos por parte da pessoa jurídica em relação às despesas com armazenagem de mercadorias (art.3a, inciso IX, da lei no 10.833/2003) — no caso sob análise, a apuração foi realizada em mês diverso daqueles que as despesas foram incorridas; e que, como a legislação vigente estabelece que os créditos devem ser apurados nos meses incorridos, glosou os créditos decorrentes das despesas de Fl. 4268DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.269 6 armazenagem incorridas nos meses dos anos 2010, 2011 e 2012 e apurados e descontados indevidamente em maio/2013; 6. "Dos créditos glosados decorrentes de “Comissão – Cartão de Crédito”", a fiscalização afirma que a contribuinte descontou créditos decorrentes de despesas financeiras com comissões pagas às empresas de cartão de crédito, dos anoscalendário 2008 a 2012, em maio de 2013. Por entender que não há "previsão legal que autorize descontos de créditos sobre despesas financeiras (não é insumo), por se referir a créditos de períodos anteriores a 2013 e em face da empresa exercer as atividades exclusivamente de revenda de mercadorias, a autoridade fiscal glosou os descontos de créditos dessas despesas; — Da mesma forma tratada no subtópico anterior, a autoridade a quo dividiu o subtópico "Da base de cálculo que originou créditos classificados pela fiscalizada como decorrentes de “Outras operações com direito a crédito”" em outros três, conforme sintetizado nos itens seguintes; 1. "Dos créditos glosados decorrentes de "despesas com armazenagem" incorridas entre 12/02/2011 a 20/09/2012"", a fiscalizada informou, erroneamente, os créditos de despesas e/ou custos com “armazenagem”, no montante de R$ 1.680.152,55, ocorridos no período de 12/02/2011 a 20/09/2012, na rubrica "Outras operações com direito a crédito" do DACON. Embora haja previsão legal para o desconto de créditos por parte da pessoa jurídica em relação às despesas com armazenagem de mercadorias (art. 3a, inciso IX, da lei no 10.833/2003), no caso sob análise — como a apuração foi realizada em mês diverso daqueles que as despesas foram incorridas e a legislação vigente estabelece que os créditos devem ser apurados nos meses incorridos — a fiscalização glosou os créditos decorrentes das despesas de armazenagem incorridas nos meses dos anos 2011 e 2012 e apurados e descontados indevidamente em outubro/2013; 2. "Dos créditos glosados decorrentes de “depreciação”classificados como “Outras operações com direito a crédito”", a fiscalização diz que a legislação vigente permite à pessoa jurídica descontar créditos de PIS/Pasep e da Cofins sobre a aquisição ou fabricação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (arts.3o, inciso VI, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003). E, como a fiscalizada é empresa exclusivamente comercial (não industrial), não tem direito a créditos de bens incorporados ao imobilizado; 3. "Dos créditos glosados decorrentes de despesas “aluguel matriz” incorridas nos meses de dezembro/2011, fevereiro, março, maio e dezembro/2012 classificados como “Outras operações com direito a crédito”", a fiscalização diz que, embora a fiscalizada tenha considerado os créditos na rubrica "Outras operações com direito a crédito", referemse a despesas e/ou custos com “aluguel matriz”, no montante de R$ 3.298.987,82, ocorridas no período de 12/2011 a 10/2013. A fiscalização esclarece que, "não obstante haver previsão legal de desconto de créditos por parte da pessoa jurídica em relação às despesas com alugueis de prédios utilizados pela pessoa jurídica (art.3a, inciso IV, das leis no 10.637/2002 e 10.833/2003), no caso sob análise, a apuração foi realizada em mês diverso daqueles que as despesas foram incorridas", motivando a glosa, em face a ausência de previsão legal; Fl. 4269DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.270 7 — Em relação à glosa do tópico "Dos créditos glosados classificados como “BC Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação)” e “BC Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição ou Construção)”", a fiscalização diz que a legislação permite "à pessoa jurídica descontar créditos de PIS/Pasep e da Cofins sobre a aquisição ou fabricação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (arts. 3o, inciso VI, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003)". Contudo, como a empresa é exclusivamente comercial e os bens incorporados ao imobilizado e utilizados por empresas comerciais não geram créditos das contribuições, glosouse os créditos decorrentes de encargos de depreciação; — Já em relação à glosa de créditos da rubrica ""Dos créditos glosados classificados como “Encargos de amortização de edificações e benfeitorias”", a fiscalização diz que "é permitido à pessoa jurídica descontar créditos das contribuições em relação a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, incorridos no mês (art.3o, inciso VII, das Lei 10.833/2003)". Informa que a contribuinte foi intimada a apresentar as “fichas do Livro Razão Analítico” com os gastos realizados segregados de forma a identificar de forma clara e objetiva os créditos declarados no DACON — na rubrica Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias, cuja base de cálculo é de R$ 692.454,47 — que dão ou não direito a créditos, uma vez que nem todos os custos alocados à edificações e benfeitorias admitem a apuração de créditos (Ex. a mão de obra paga à pessoa física). Contudo, como a empresa não apresentou as informações solicitadas e diante da impossibilidade da auditoria identificar quais foram os gastos realizados pela pessoa jurídica que dariam direito aos créditos das contribuições, a fiscalização glosou os créditos de contribuições decorrentes dos encargos de amortização de edificações e benfeitorias informados no DACON – Dezembro/2013; — Por fim, a glosa de créditos da rubrica "Dos créditos glosados decorrentes de “Despesas com fretes” entre depósito e/ou estabelecimento atacadista e o estabelecimento varejista da mesma pessoa jurídica (frete interno)" — após analisar o arquivo digital dos conhecimentos de transporte que geraram créditos das contribuições decorrentes de fretes custeados entre estabelecimentos atacadistas e varejistas da própria empresa apresentado pela contribuinte, cujas despesas, em 2013, somam R$ 1.318.409,11 — a fiscalização diz que as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins e da Contribuição para o PIS/PASEP, nos termos da Solução de Divergência Cosit no 2/2011. Por esse motivo, a fiscalização concluiu pela glosa desses créditos. Da Impugnação A ciência dos Autos de Infração foi dada à contribuinte em 07/04/2017 (fls. 4070/4071) e dentro do prazo regulamentar (05/05/2017) a contribuinte apresentou sua defesa (fls. 4074 a 4123). Após fazer um breve relato dos fatos, a contribuinte discorre sobre as matérias de direito a seguir sintetizadas. No tópico da impugnação denominado "DAS SUPOSTAS DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS NA DACON E NA DCTF", a contribuinte refuta o lançamento realizado de ofício para cobrança de supostas diferenças declaradas e Fl. 4270DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.271 8 não recolhidas a título de PIS e COFINS dos períodos de apuração de janeiro e junho de 2013 e diz: "equivocase o Agente Fiscal ao considerar que os valores informados na DACON seriam os valores corretos em detrimento dos valores informados na DCTF". Na sequência, cita uma decisão do e. Superior Tribunal de Justiça que estabelece que a "DCTF é o instrumento hábil para constituição do crédito e, por esta razão, apenas os valores nela declarados devem ser considerados como confissão de dívida", junta os comprovantes de arrecadação (DARF) e concluiu o tópico dizendo: Assim sendo, comprovandose que a DCTF é o instrumento pelo qual o crédito é constituído, e diante da quitação dos montantes devidos a título de PIS e COFINS nos meses de janeiro e junho de 2013 nos exatos valores indicados na DCTF, jamais poderia o Agente Fiscal ter se valido das informações prestadas na DACON para lançar a suposta diferença devida. A divergência apontada, quando muito, poderia ter ensejado a aplicação de multa por erro no preenchimento da Declaração acessória, mas nunca poderia ter servido como base para lançamento de ofício. Isto posto, comprovado o recolhimento do REAL valor devido a título de PIS e COFINS dos meses de janeiro e junho de 2013, mostrase insubsistente o lançamento de ofício, impondose o seu cancelamento. No tópico "CONSIDERAÇÕES SOBRE O REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA O PIS E A COFINS", a impugnante iniciao rememorando o histórico da não cumulativa da contribuição para o PIS e da Cofins (EC no 42, repercussão nas Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, origem da não cumulatividade IPI/ICMS), explica o instituto da não cumulatividade e apresenta seu primeiro entendimento: "inferese que quaisquer bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, dão ensejo ao creditamento para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS". Diz que o agente fiscal — ao glosar os créditos decorrentes de despesas com marketing, representação comercial, frete entre estabelecimentos próprios — foi de encontro ao estabelecido pelos artigos 3o das Leis n° 10.637/02 n° 10.833/03. Assevera que o § 12° do artigo 195 da Constituição Federal permite apenas que a lei ordinária defina os setores da atividade econômica para os quais se aplica o regime da nãocumulatividade. Assim, como não se trata de benefício fiscal, mas sim de metodologia de cálculo do tributo, a interpretação deste artigo deve ser necessariamente ampla e irrestrita. Novamente alega estar evidente a "improcedência do entendimento do Sr. Agente Fiscal ao exigir que, para o aproveitamento de crédito de PIS e COFINS, seria necessário que os produtos/serviços fossem "diretamente" consumidos na atividade do Impugnante, nos termos da Solução de Divergência n° 24 SRFB". Na sequência, criou o subtópico denominado "Do Equivocado Conceito de Insumo Utilizado pela Fiscalização Interpretação", com o intuito de demonstrar o equivocado conceito de insumo adotado pela fiscalização. Neste tópico, a contribuinte diz que a autuação "se baseia em genéricos argumentos de que o Impugnante não teria direito ao crédito de PIS e COFINS atinente às despesas glosadas, pois essas (í) seriam relacionadas a sua atividade meio e (ii) a Fl. 4271DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.272 9 Solução de Divergência n° 24/2008 da RFB estabeleceria o requisito da vinculação "direta" das despesas com produção de mercadorias e/ou prestação de serviços". Explica que a Solução de Divergência tem como fundamento as Instruções Normativas SRF n°s 247/2002 e 404/2004, que estabelecem o conceito de insumos demasiadamente restrito, o que já foi reiteradamente rechaçado pela jurisprudência judicial e administrativa. Na sequência, reproduz parcialmente as instruções normativas supracitadas, discorre sobre o conceito de insumo na visão da Receita Federal (mais restritivo conceito estabelecido no RIPI), para em seguida afirmar que "o entendimento da SRFB a respeito do conceito de insumo expresso nas instruções normativas acima referidas foi integralmente adotado pelo Sr. Agente Fiscal (fls. 19 a 21 do Relatório Fiscal), que se manifestou no sentido de que somente dão direito a créditos os bens aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços". Traz a baila jurisprudências administrativa e judicial, bem assim entendimento da doutrina, corroborando sua concepção acerca do tema: o conceito de insumo deve contemplar a totalidade dos dispêndios que são necessários e estão relacionados à atividade principal da empresa (despesas necessárias e intrinsecamente relacionadas e indispensáveis à atividadefim da empresa). Antes de abrir um novo tópico, a contribuinte assevera que o "entendimento do Sr. Agente Fiscal para a glosa dos créditos não encontra qualquer respaldo na Constituição Federal, legislação infraconstitucional e, sobretudo, na jurisprudência do STJ e da CSRF, o que deve ser reconhecido por essa E. Turma Julgadora" . No tópico seguinte, DA ANÁLISE DA ATIVIDADE EMPRESARIAL DESENVOLVIDA E OS INSUMOS, a impugnante busca demonstrar que os créditos tomados são essenciais para a sua atividade de comércio de artigos de esporte e recreação em geral, discorrendo sobre sua atividade empresarial. Argumenta que, para a consecução da revenda de mercadorias, incorre em despesas típicas imprescindíveis às empresas do ramo, tais como: armazenagem de seus produtos, transporte dos bens seja entre filiais do mesmo estabelecimento ou para destinatário final, representação comercial da marca junto a terceiros, marketing etc. Após alegar que, apesar de não fabricar todos os seus produtos no Brasil, faz parte do processo produtivo, expõe o seguinte entendimento: Entender que a Impugnante não tem direito ao crédito de PIS e COFINS sobre insumos por não fabricar mercadorias é negar aplicação da não cumulatividade, que tem como essência a desoneração da produção e consequente incremento do faturamento. Por fim, antes abrir novos subtópicos, a requerente conclui: O conceito vigente tem relação direta com a necessidade de determinado insumo estar relacionado ao sucesso da atividade empresarial e a geração de novas riquezas. No subtópico "Serviço de Marketing", discorre sobre a sua atividade comercial, destaca a importância do "marketing" no mundo globalizado, reproduz o conceito de Fl. 4272DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.273 10 "marketing, segundo o Sebrae, destaca a importância do marketing digital, inclusive citando exemplos das campanhas de sucesso. Por fim, cita o entendimento da doutrina sobre essencialidade das despesas com marketing e conclui o subtópico assim: Portanto, o marketing é instrumento imprescindível para a viabilização da atividade de venda de mercadorias, o que revela sua pertinência e essencialidade. (...) Do quanto exposto, temse evidente a pertinência, essencialidade e imprescindibilidade para a Impugnante das despesas com marketing, o que justifica o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS no presente caso e deve ser reconhecido por essa E.Turma Julgadora para se declarar a improcedência do lançamento fiscal. No subtópico seguinte, REPRESENTAÇÃO COMERCIAL, a contribuinte narra que em "relação às comissões pagas às pessoas jurídicas ou físicas para que figurem como representantes comerciais, não há como se acatar que tais serviços não são absolutamente necessários ou essenciais à atividade de comércio de artigos de esporte e recreativos em geral, bem como de importação exportação destes artigos, uma vez que tais pessoas são incumbidas de aumentar as vendas dos produtos comercializados pela Impugnante". Após descrever e destacar a função essencial dos representantes comerciais na cadeia de vendas, conclui: Ademais, a relação de pertinência e dependência entre o serviço de representação comercial e o aumento geração de receitas é evidenciada pelo fato de que as comissões somente serão pagas quando o representante comercial efetivamente realizar a venda dos produtos da Impugnante. Sendo assim, considerando que para a comercialização de produtos, é necessária a contratação de representantes comerciais, tais despesas com comissões enquandramse perfeitamente no conceito de insumos abordado detalhadamente em tópico anterior. Não há, portanto, como se desconsiderar tais comissões para fins de creditamento do PIS e da COFINS, sendo que se trata de contratação de serviços absolutamente necessários para fomentar as operações de venda e o aumento do faturamento da Impugnante, devendo, assim, ser cancelada a glosa. A seguir, no subtópico "TAXA DE COMISSÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO", a impugnante destaca que promove expressiva quantidade de vendas mediante o recebimento de pagamentos através de cartões de créditos, explica que remunerara a operadora do cartão de crédito sobre cada venda realizada, a título de "Taxa de Comissão", diz que não há dúvidas de que as despesas com cartão de crédito caracterizam insumos para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, reproduz um gráfico com a evolução/crescimento do mercado das transações com cartão de crédito no Brasil e da contribuinte e conclui: Fl. 4273DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.274 11 O que se conclui a partir destes dados é que a disponibilização de tais meios de pagamentos (cartões de crédito e de débito) aos seus clientes é absolutamente indispensável para que a Impugnante tenha condições de auferir receitas. Na sequência discorre sobre o entendimento do STF e do CARF e conclui o subtópico: Ausentes tais despesas, restaria absolutamente inviabilizada a atividade da Impugnante. Deveras, não se está a se falar em meras utilidades ou facilidades disponibilizadas aos seus clientes com o intuito de incrementar as vendas, mas ao reverso, estáse diante de verdadeiro pressuposto para o exercício da atividade empresarial. Por outro lado, se para a Impugnante a taxa de comissão paga às Operadoras representa dispêndio essencial, para estas últimas tais valores representam receitas que serão submetidas à tributação pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Diante disso, a sistemática da não cumulatividade de que trata o artigo 195, § 12 da Constituição Federal impõe que tais despesas incorridas pela Impugnante gerem créditos para fins de apuração dos tributos em foco. No subtópico SERVIÇOS DE TRANSPORTE (FRETE), diz que a fiscalização entendeu que os fretes entre os estabelecimentos da própria contribuinte não integram o conceito de insumo utilizado na produção, nem se referem a despesas de venda de mercadorias. A contribuinte entende que — como as transferências de mercadorias entre estabelecimentos próprios ocorre por força de questões logísticas e operacionais, visando sempre o adequado gerenciamento das atividades de venda — o texto do artigo 3o, IX, da Lei n° 10.833/03 autoriza a apropriação do crédito entre os estabelecimentos da própria contribuinte, uma vez que o frete não está vinculado exclusivamente ao transporte da mercadoria vendida, mas a todas as etapas que podem anteceder ou suceder a venda. Diz que o frete não está vinculado exclusivamente ao transporte da mercadoria vendida, mas a todas as etapas que podem anteceder ou suceder a venda, e no final concluiu: Todavia, tal qual ocorre com o conceito de insumo, devido às características amplas da base tributável do PIS e da COFINS (receitas), bem como pela falta de limitação constitucional, é necessário se entender de uma maneira ampla o conceito de OPERAÇÃO de venda. A OPERAÇÃO de venda é composta por todas as atividades, anteriores, concomitantes e mesmo posteriores, que suportam a realização de maneira continuada das vendas promovidas pelo contribuinte. Assim, a correta gestão do estoque, a distribuição dos mesmos entre os diversos estabelecimentos dos contribuintes, o transporte de toda a mercadoria remetida ao cliente, e não só a adquirida por ele, compõem em seu conjunto a OPERAÇÃO de venda. Assim sendo, se a despesa com frete na primeira etapa da operação dá margem ao creditamento escriturai para fins de apuração do PIS e da Fl. 4274DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.275 12 COFINS, idêntico tratamento deve ser observado nas demais etapas, razão pela qual o creditamento em comento encontra amparo na própria legislação da não cumulatividade. Por fim, no subtópico DEPRECIAÇÃO, na qual a fiscalização entendeu ser vedado o aproveitamento de créditos decorrentes do imobilizado, por empresas exclusivamente comerciais, a fiscalizada — após reproduzir parcialmente o art. 3o da Lei no 10.833/2003, dizer que o agente fiscal valeuse de uma interpretação simplista e restritiva para glosar seu crédito que faz jus e afirmar que o agente fiscal não analisou as minúcias da sua atividade — explica e conclui o tópico: Para que a Impugnante possa desempenhar regularmente o seu objeto social afigurase necessária a utilização de uma série de bens que compõem o seu ativo imobilizado. Dentre tais bens, destacamse tanto os utilizados para acomodação e armazenagem dos produtos comercializados pela Impugnante (tais como prateleiras), quanto as máquinas e equipamentos que têm como finalidade a movimentação dos produtos no interior do Centro de Distribuição (tais como esteiras de movimentação, carrinhos para movimentação, elevadores e t c ). A importância de tais bens para a atividade da Impugnante se verifica, sobretudo, em razão do enorme volume de produtos que necessitam ser por ela armazenados e movimentados de forma adequada e organizada, de modo a garantir a regular continuidade das suas operações. Além disso, há também os bens do ativo fixo que compõem as lojas próprias da Impugnante, sua sede, e aqueles que ficam nos chamados pontos de venda em lojas de terceiros mencionados anteriormente (computadores, estantes, etc). Ora, a operação de vendas na magnitude da Impugnante exige ampla organização, automatização e controle da movimentação de seu estoque. Não se trata, evidentemente de mero local para armazenamento de mercadorias, mas, a rigor, de estrutura projetada com vistas a permitir o deslocamento eficiente dos bens vendidos, sob pena de se tornar absolutamente inviável controlar tamanha quantidade de vendas a partir de um único centro de distribuição. Nesse contexto, diante do desgaste natural que tais bens estão sujeitos em razão da sua intensa utilização, a Impugnante incorre em custos decorrentes da depreciação de tais ativos nos termos da legislação de regência. Assim, diante da absoluta relevância de tais bens no desempenho do objeto social da Impugnante, tais encargos devem ser descontados dos valores apurados a título da Contribuição ao PIS e da COFINS, dos encargos de depreciação. Na sequência, abriu o tópico ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE EDIFICAÇÃO E BENFEITORIAS, dizendo: Fl. 4275DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.276 13 Para estas despesas, dada a irrefutável clareza do texto legal, o Agente Fiscal não teve elementos para afastar o direito ao crédito. No entanto, sob a premissa de que a Impugnante não teria fornecido "os gastos realizados segregados de forma a identificar de forma clara e objetiva aqueles que dão ou não direito a créditos", o Agente Fiscal entendeu pela glosa INTEGRAL de todo o crédito apropriado sob esta rubrica. Ocorre que a Impugnante não pode ser cerceada de seu direito ao crédito, em especial por se tratarem de gastos expressamente geradores de crédito de PIS e COFINS. Informa que juntou a planilha "DOC. 04", na qual discrimina a benfeitoria realizada, o fornecedor, o número da nota fiscal correspondente, e as informações sobre o cálculo do crédito. E, ao final, requer o integral reconhecimento do crédito, decorrente das despesas com benfeitorias realizadas em imóveis próprios e de terceiros, face à expressa autorização legal e em atenção ao princípio da verdade material. No tópico "AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM", informa que alocou nesta rubrica créditos de três origens distintas: primeiro, créditos decorrentes dos serviços de armazenagem prestados pela empresa VBLOG, segundo, créditos decorrentes de serviços de despachante, e, terceiro, créditos decorrentes de "serviços de marketing MWB SR", no montante de R$ 1.927,48. Em relação ao crédito decorrente dos serviços de armazenagem, informa que é expressamente autorizado pelos artigos 3o, inciso IX, das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002. Já em relação aos créditos decorrentes de serviços de despachante, informa que estes guardam relação direta com os serviços de armazenagem, diz que importa produtos para revenda, explica os serviços prestados pelos despachantes e sua importância, assevera que este insumo tem absoluta pertinência com o desenvolvimento final de sua atividade (necessidade) e que o conceito de armazenagem "não faz qualquer referência ao crédito estar restrito à armazenagem de insumos nacionais, assim como não limita o aproveitamento deste custo no caso de insumos importados"; e cita uma ementa do CARF, para corroborar com seu entendimento. Por fim, quanto ao crédito de "serviços de marketing MWB SR", esclarece que foi alocado nesta rubrica por equívoco, todavia, nada diminui a sua pertinência e a legalidade da sua utilização como insumo. No tópico "DA FORMA DE RECONHECIMENTO E APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS", inicialmente, a contribuinte faz referências aos seguintes itens do Relatório Fiscal: 12.1.5 despesas de armazenagem incorridas durante meses dos anos de 2010, 2011 e 2012; 12.1.6 comissão de cartão de crédito; 12.2.1 "outras operações com direito a crédito" Armazenagem; e 12.2.3 do Relatório Fiscal "outras operações com direito a crédito" Aluguel da matriz e informa que incluiu em algumas das competências do ano de 2013, créditos extemporâneos decorrentes de despesas incorridas nos anos de 2010 a 2012, não tomadas nos meses em que tais despesas foram incorridas. Na sequência, esclarece que este procedimento é comum (contabilização de créditos extemporâneos), em face do porte da empresa e de revisões internas posteriores. Fl. 4276DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.277 14 Assevera que agente fiscal glosou vários créditos extemporâneos, sob a premissa de que, nos termos da legislação vigente, esses créditos devem ser apurados nos meses que incorreram as despesas. Discorre também sobre os procedimentos adotados e sobre a fundamentação aplicada pela fiscalização. E afirma: Isso porque o ordenamento jurídico não prevê a forma como devem ser aproveitados os créditos extemporâneos de PIS e COFINS, sendo certo, com base na melhor doutrina e jurisprudência, que referido direito pode ser exercido, basicamente, através de dois procedimentos distintos, a saber: 1) retificação da DACON anterior, para abater os respectivos créditos de PIS e COFINS, resultando em um recolhimento a maior que poderá ser restituído ou compensando com outros tributos administrados pela SRFB; e 2) registro extemporâneo dos créditos de PIS e COFINS no corrente período, apropriando diretamente no regime nãocumulativo. Informa que, para apropriarse dos créditos, valeuse do segundo entendimento, transcreve algumas jurisprudências administrativas para fortalecer o seu entendimento/procedimento e conclui: Assim, considerando que ao aproveitar os créditos extemporâneos a Impugnante nada mais fez do que exercer seu direito em atraso, dentro do prazo decadencial, não há que se falar na glosa de tais valores. No tópico "DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DA MULTA NO CASO DE DÚVIDA APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN", a contribuinte assim impugna a multa de ofício: Caso esta I. Turma Julgadora decida pela manutenção dos lançamentos que deram origem a esse processo, por meio de julgamento em que houver empate de votos, é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração. Isso porque, a exigência de valores a título de penalidades não se coaduna com a dúvida, conforme se afere do artigo 112 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "A lei tributária que define infracões, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto:(...)". Nesse sentido, entendimento de Luís Eduardo Schoueri[ 1 ] , o qual, fazendo alusão às infrações, assevera que "não poderá prevalecer o tratamento mais gravoso decidido por estreita maioria ou, ainda mais evidente, pelo voto de qualidade deixando de lado a dúvida objetivada pelo entendimento da minoria". Deste modo, caso reste inequívoca a presença da dúvida quanto à correção da autuação originária da presente lide, requerse que esta I. Turma Julgadora reconheça, ao menos, que não será possível manter a exigência das multas exigidas da Impugnante. No último item, "DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA", a contribuinte aduz que os juros calculados com base na taxa SELIC não Fl. 4277DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.278 15 poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal, afirma que o artigo 13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei n° 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos, discorre sobre diferença entre multa e tributos, transcreve jurisprudências administrativas sobre o tema e conclui: Ante o exposto, caso não sejam acolhidos os demais argumentos aduzidos na presente Impugnação, o que se admite apenas a título argumentativo, o Impugnante aguarda que essa E. Turma Julgadora determine expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração originários do presente processo administrativo. Já no pedido, a contribuinte requer: "o recebimento, o conhecimento e o provimento da presente Impugnação, seja em razão da preliminar, seja em razão do mérito, com a consequente desconstituição dos créditos tributários exigidos e o cancelamento integral dos autos de infração de PIS e COFINS originários do presente processo administrativo". Tendo em vista a decisão supracitada, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 4219 a 4261), em 31 de agosto de 2017, visando reformar o referido Acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1468.162 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 DACON. DCTF. ECF CONTRIBUIÇÕES. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES. LANÇAMENTO. No caso de divergência entre os valores declarados na DCTF e no DACON, não intimada a contribuinte a esclarecer as divergências, prevalece o montante constituído em DCTF. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Fl. 4278DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.279 16 Somente podem ser considerados insumos os bens ou serviços quando aplicados ou consumidos diretamente no processo produtivo, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. CRÉDITO. DESPACHANTES ADUANEIROS. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a despesas com despachantes aduaneiros. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. O aproveitamento de créditos extemporâneos somente se admite após a retificação do Dacon e, se for o caso, da DCTF do período de sua apuração. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 DACON. DCTF. ECF CONTRIBUIÇÕES. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES. LANÇAMENTO. No caso de divergência entre os valores declarados na DCTF e no DACON, não intimada a contribuinte a esclarecer as divergências, prevalece o montante constituído em DCTF. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos os bens ou serviços quando aplicados ou consumidos diretamente no processo produtivo, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. Fl. 4279DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.280 17 CRÉDITO. DESPACHANTES ADUANEIROS. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não cumulativas sobre valores relativos a despesas com despachantes aduaneiros. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. O aproveitamento de créditos extemporâneos somente se admite após a retificação do Dacon e, se for o caso, da DCTF do período de sua apuração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo administrativo referese a autos de infração que foram lavrados para a cobrança da contribuição ao PIS e a COFINS relativos ao ano de 2013, cumulados com juros de mora e multa de ofício. Por bem relatar os fatos cito trecho inicial do Recurso Voluntário (fls. 4222): (...) De acordo com as informações extraídas do Relatório Fiscal que acompanhou os aludidos autos de infração, a Recorrente teria incorrido nas seguintes infrações: (i) Recolhimento a menor de PIS e COFINS nos períodos de janeiro e junho de 2013; (ii) Aproveitamento indevido de crédito de PIS e COFINS referente a despesas que não encontram fundamento no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (iii) Aproveitamento extemporâneo de créditos dos anos de 2010, 2011 e 2012. Com base nesse equivocado entendimento, o Sr. Agente Fiscal houve por bem glosar os créditos decorrentes da aquisição dos seguintes serviços essenciais utilizados pela Recorrente em sua atividade empresarial (fls. 18 do Relatório Fiscal): (...) Diante da decisão da DRJ, o Contribuinte, tece considerações acerca dos fatos; do seu entendimento no que diz respeito ao regime da nãocumulatividade para o PIS e COFINS; da interpretação restritiva da administração fiscal do conceito de insumos e da atividade empresarial desenvolvida e os insumos creditados, no sentido de que sua atividade não se restringe apenas a venda de mercadorias de terceiros como mera varejista, mas de venda de produtos da própria marca, mesmo que não produzidos no Brasil. A questão central gira em torno da discordância, ou melhor, do alcance do conceito de insumo adotado pela Administração Fazendária e o adotado pelo Contribuinte. A base legal, já bastante citada, é a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003, as INs nº 247/2002 e 404/2004. No entendimento da turma julgadora, o conceito de insumo nas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, ficou assim consignado no voto (fls. 4195): Concluo, assim, em poucas palavras, que além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados Fl. 4280DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.281 18 ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, , bem assim os serviços aplicados ou consumidos no processo produtivo. Já na prestação de serviço, insumos são somente os bens aplicados ou consumidos nesta atividade e prestados por pessoa jurídica domiciliada no País. Já o entendimento deste Relator é no sentido de uma maior abrangência que alcance os bens e serviços essenciais às atividades produtivas do Contribuinte, nos limites interpretativos da legislação aplicável. Cumpre notar primeiramente qual é a atividade desenvolvida pelo Contribuinte, visto que é ponto crucial para que se verifique a aplicação do conceito de insumo. Assim consta do Relatório Fiscal (fls. 4017): 8. Das atividades desenvolvidas pela fiscalizada Conforme atos constitutivos vigentes no período fiscalizado, são únicos sócios da ADIDAS DO BRASIL LTDA – CNPJ nº 42.274.696/000194 as sociedades adidas Beteiligungsgesellschaft mbH e adidas AG existentes e constituídas de acordo com as leis da Alemanha. Segundo consta no Contrato Social, a sociedade possui: a) uma filial destinada ao comércio atacadista de artigos esportivos e similares; b) duas filiais destinadas ao comércio atacadista e ao comércio varejista e eletrônico de artigos esportivos e similares; c) sessenta e uma lojas destinadas ao comércio varejista de artigos esportivos e similares; d) uma filial destinada à prestação de serviços de organização e exploração de atividades esportivas, bem como o recebimento de material esportivo com fins exclusivos de demonstração. Já o Contribuinte alega em seu recurso a discordância quanto a sua atividade da seguinte forma (fls. 4236 e 4237) No entanto, as atividades da Recorrente não se limitam à venda de mercadorias de terceiros como uma mera varejista, mas sim a comercialização de produtos próprios da marca, ainda que não sejam todos produzidos no Brasil. O Grupo Empresarial ao qual pertence a Recorrente – ADIDAS AG – está presente em mais de 150 países, exercendo como atividade principal a venda de mercadorias próprias. Por questões estratégicas, entre as quais está incluída a logística, a maior parte de seus produtos são fabricados em determinados países e exportados para os demais. A dinâmica comercial na qual a Recorrente se insere engloba a importação ou compra de produtos no mercado interno, o armazenamento no seu Centro de Distribuição situado na cidade de Embu no Estado de São Paulo e a posterior remessa para lojas próprias ou Clientes varejistas. A peculiaridade da atividade da Recorrente reside justamente no fato de que, apesar de não fabricar todos os seus produtos no Brasil, é parte indissociável da cadeia de produção e venda. Entender que a Recorrente não tem direito ao crédito de PIS e COFINS sobre insumos por não fabricar mercadorias é negar aplicação da não cumulatividade, que tem como essência a desoneração da produção e consequente incremento do faturamento. Fl. 4281DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.282 19 Diante das glosas efetuadas o Contribuinte requer o direito aos créditos dos seguintes serviços que, no seu entender, devem ser considerados insumos: 1) serviços de marketing; 2) serviços de representação comercial; 3) taxa de comissão correspondente a cartão de crédito; 4) serviços de transporte (frete); 5) depreciação do ativo imobilizado; 6) encargos de amortização de edificações e benfeitorias; 7) serviços de armazenagem serviço de despachante aduaneiro; requer também, 8) o aproveitamento de créditos extemporâneos; 9) o afastamento de multa em caso de dúvida com a aplicação do art. 112 do CTN; e, 10) a não cobrança de juros sobre a multa. Passarseá a análise pormenorizada de cada um dos itens expressos no Recurso Voluntário. 1) Serviços de marketing Sustenta o Contribuinte em seu recurso a imprescindibilidade do marketing no desenvolvimento das atividades desenvolvidas. Cito trechos do recurso para ilustrar a posição da recorrente: A Recorrente realiza o comércio de produtos esportivos, entre eles roupas e ten̂is desenvolvidos especificamente para cada tipo de esporte, de modo a proporcionar alto rendimento. (...) Com a globalização e o fortalecimento das mídias, deixou de ser suficiente que as empresas apenas produzissem produtos melhores. O fenômeno do marketing tomou conta de todo o mercado de consumo, e quem não expõe sua marca deixa não apenas de vender imediatamente, como deixa de ser lembrado pelos consumidores, o que tem consequências catastróficas a médio e longo prazo. (...) Com o aumento do acesso digital, a Recorrente concentrou todos seus esforco̧s e investimentos neste tipo de mídia como uma plataforma de alcance imediato de seu público alvo: os jovens. (...) Outro tipo de aplicação do marketing digital se dá nos grandes portais de vendas de artigos esportivos, que concentram todas as marcas. (...) Outro exemplo que evidencia a importância do marketing na geração de receitas da Recorrente é o “ADIDAS DAY” (print reproduzido acima), também em parceria com o portal NETSHOES. (...) Do quanto exposto, temse evidente a pertinência, essencialidade e imprescindibilidade para a Recorrente das despesas com marketing, o que justifica o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS no presente caso e deve ser reconhecido por essa E. Câmara Julgadora para se declarar a improcedência do lanca̧mento fiscal. Considerando que atualmente praticamente todas as atividades econômicas dependem de despesas com marketing, não considero que estas despesas possam dar direito a crédito no presente caso, visto que a recorrente tem por objeto social o comércio atacadista e varejista de artigos esportivos, sem nenhum estabelecimento que produza ou industrialize bens Fl. 4282DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.283 20 destinados à venda ou atue exclusivamente na prestação de serviços. Como se percebe nos autos, apenas uma filial é destinada a prestação de serviços no que tange a organizar e explorar atividades esportivas e demonstração de material esportivo. Não existem receitas de prestação de serviços e os custos decorrem exclusivamente da aquisição de mercadorias. Portanto, como a atividade da recorrente é estritamente comercial, sem nenhum estabelecimento que produza ou industrialize bens destinados à venda ou que atue exclusivamente na prestação de serviços, voto por manter a glosa neste ponto. 2. Representação comercial Foi glosado o crédito oriundo da contratação de representações comerciais com o seguinte fundamento e que consta do Relatório Fiscal (fls 4027), que cito como razões para decidir: Diante do exposto e considerandose que as despesas com representaçaõ comercial não são consideradas insumos e, ainda que fossem, a empresa exerce atividades exclusivamente comerciais (revenda de mercadorias), ou seja, não produz ou industrializa quaisquer bens ou produtos destinados À venda e nem é uma prestadora de servico̧s, nos termos do art. 3º, inciso II das leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, a fiscalização concluiu pela glosa dos créditos decorrentes das “despesas de representação comercial” e os valores das contribuições que deixaram de ser recolhidas serão lançadas de ofício, nos termos da legislação vigente e conforme quadro acima. Voto neste ponto por manter a glosa com os argumentos acima expostos no referido relatório. 3. Taxa de comissão de cartão de crédito Neste ponto o Contribuinte requer o afastamento das glosas efetuadas referentes a taxa de comissão de cartão de crédito em que apresenta gráficos do crescimento das vendas por intermédio de cartões de crédito/débito e salienta que a “recorrente promove expressiva quantidade de vendas mediante o recebimento de pagamentos através de cartões e crédito e de débito”. Por entender que não está contemplado na legislação a autorização para descontos de créditos sobre despesas financeiras e, ainda que se entendesse o contrário, o Contribuinte, como já visto, não desenvolve atividade relacionada a produção de bens ou prestação de serviços. Voto, assim, por manter a glosa. 4. Serviços de transporte (frete) O Contribuinte explicita as suas atividades e as despesas efetuadas com o serviço de transporte da seguinte forma: Fl. 4283DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.284 21 Conforme já mencionado, a Recorrente atua no ramo de venda e revenda de produtos. Essa operação, vale lembrar, é subdividida em etapas, sendo a primeira delas a aquisicã̧o dos produtos; a segunda, a remessa desses produtos aos centros de distribuicã̧o; e a terceira, a remessa dos centros de distribuição aos seus clientes. Portanto, as transferências de mercadorias entre estabelecimentos próprios ocorre por força de questões logísticas e operacionais, visando sempre o adequado gerenciamento das atividades de venda, responsáveis pela formação da receita da Recorrente. Logo, de acordo com essas premissas, o próprio texto do artigo 3º, IX, da Lei nº 10.833/03 autoriza, em sua literalidade, a apropriaca̧õ do crédito que o Agente Fiscal ora pretende afastar. O frete que gera receitas não está vinculado exclusivamente ao transporte da mercadoria vendida, mas sim a todas as etapas que podem anteceder ou suceder a venda. Assim, são intrínsecas à geraçaõ de receitas da Recorrente as despesas de frete inerente a: (i) transferência de mercadorias de uma unidade para outra; (ii) entrega de mercadorias que foram dadas em bonificacã̧o aos clientes; e (iii) retirada de mercadorias devolvidas pelos clientes, que são de responsabilidade da Recorrente, entre outras. No voto da decisão ora recorrida assim ficou consignado o entendimento acerca do frete ser ou não considerado insumo (fls. 4196): Neste tópico a contribuinte busca dar uma interpretação mais abrangente ao conceito de frete nas operações de venda previsto no inciso IX do art. 3o da Lei no 10.833/2004. A requerente interpreta o frete na operacã̧o de venda como sendo todas as despesas de transporte das mercadorias em todos os estágios integrantes da operação de venda. Diferentemente do entendimento da interessada, entendo que o conceito de "frete na operação de venda" previsto na legislaca̧õ deve ser interpretado literalmente, nos termos do art. 111 do Código Tributário Nacional, e não deve ser ampliado para alcanca̧r outros custos. Inclusive, a RFB já se manifestou quanto à movimentação de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da própria empresa, dentre outras, na Solução de Consulta Cosit no 99.022, de 2017: (...) Assim, como os fretes em questão não se tratam de gastos com frete na operacã̧o de venda, tais gastos não se amoldam às hipóteses legais de geraca̧õ de créditos, motivo pelo qual, as respectivas glosas devem ser mantidas. Considerando os argumentos constantes na decisão ora recorrida e os expostos pelo Contribuinte em seu recurso, entendo que devem ser afastadas as glosas decorrentes dos gastos com frete na transferência entre estabelecimentos da recorrente, voto, portanto, em dar provimento neste ponto. 5. Depreciação do ativo imobilizado Neste ponto entendo não assistir razão ao Contribuinte. Para bem explicitar o entendimento e como razões para decidir cito trechos do voto constante do acórdão ora recorrido (fls. 4196 e 4197): Fl. 4284DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.285 22 A sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuica̧õ para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituída, respectivamente, pela Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e pela Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, repousa no método subtrativo indireto, pelo qual é autorizada a dedução do valor apurado das referidas contribuições, de créditos fiscais fundados em determinadas despesas, custos e encargos, expressamente previstos na legislação, a teor do disposto no artigo 3o das referidas leis instituidoras, importando para a presente lide a hipótese prevista no seu inciso VI, abaixo reproduzida (destaques nossos): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relacã̧o a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestacã̧o de serviços; (Redação dada pela Lei no 11.196, de 2005) [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no meŝ; Com se vê acima, para que uma máquina ou um equipamento ou ainda outros bens incorporados ao ativo imobilizado possam gerar créditos a título de depreciação das contribuições da Cofins e do PIS, é necessário que o bem seja locado a terceiros ou seja utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestaçaõ de servico̧s. A atividade preponderante do contribuinte é a importaca̧õ e a comercialização de artigos esportivos e recreativos, portanto, está claro que a legislação supra não permite à impugnante a apropriação dos créditos decorrentes dos encargos de depreciação, mesmo que tais bens sejam necessários e essenciais a atividade da empresa. (grifouse). Portanto, voto por manter a glosa efetuada no que tange a depreciação do ativio imobilizado. 6. Encargos de amortização de edificação e benfeitorias Correto o entendimento do Contribuinte quanto ao direito a crédito dos encargos de amortização de edificação e benfeitorias, como previsto no art. 3º, VII, da Lei nº 10.833/2003. Alega no seu recurso (fls. 4251): No entanto, sob a premissa de que a Recorrente não teria fornecido “os gastos realizados segregados de forma a identificar de forma clara e objetiva aqueles que dão ou não direito a créditos”, o Agente Fiscal entendeu pela glosa INTEGRAL de todo o crédito apropriado sob esta rubrica. (...) Ocorre que a Recorrente não pode ser cerceada de seu direito ao crédito, em especial por se tratarem de gastos expressamente geradores de crédito de PIS e COFINS. Ainda que a Recorrente não tenha conseguido apresentar todas as informações em tempo hábil durante a Fiscalização, isso não pode retirarlhe o direito constitucional ao crédito, sob pena de macularse a verdade material aplicada ao caso. Fl. 4285DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.286 23 Assim sendo, para que dúvidas não pairem quanto ao crédito a que a Recorrente faz jus, decorrente das despesas com benfeitorias realizadas em imóveis próprios e de terceiros, requerse a juntada da planilha anexa (DOC.05 da impugnação) que detalha a benfeitoria realizada, o fornecedor, o número da nota fiscal correspondente, e as informações sobre o cálculo do crédito. Confirase um trecho da planilha: (...) Veja Ilmos. Conselheiros Julgadores que, contrariamente à premissa adotada no Acórdão recorrido, a planilha apresentada pela Recorrente traz todas as infomações suficientes para se averiguar a regularidade dos créditos de PIS e de COFINS sobre as benfeitorias realizadas em imóveis próprios e de terceiros. O entendimento na decisão ora recorrida é no sentido da possibilidade de se tomar crédito decorrente dos encargos de amortização de edificação e benfeitorias, mas entende que o Contribuinte não comprovou o alegado. Vide (fls. 4197): A fiscalização diz que — embora seja permitido à pessoa jurídica descontar créditos das contribuicõ̧es em relaca̧õ a edificacõ̧es e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, incorridos no mês (art. 3o, inciso VII, das Lei 10.833/2003) — não foi possível verificar quais foram os gastos realizados pela pessoa jurídica que dariam direito aos créditos das contribuições, uma vez que a contribuinte não apresentou as “fichas do Livro Razão Analítico”, apesar de intimada. Para demonstrar o seu direito, a fiscalizada juntou à impugnação a planilha "DOC. 4", na qual detalha a benfeitoria realizada, o fornecedor, o número da nota fiscal correspondente e o respectivo crédito. Não há controvérsia sobre a possibilidade da contribuinte descontar créditos do PIS/PASEP e da Cofins calculados sobre os encargos de depreciaçaõ e de amortização, referentes às edificações e às benfeitorias realizadas, respectivamente, em imóveis próprios e de terceiros, incorridos no mês. Contudo, há controvérsia se os gastos realizados pela contribuinte (benfeitorias e edificações) são líquidos e certos e dão direito aos créditos, uma vez que durante o procedimento fiscal a impugnante não apresentou as “fichas do Livro Razão Analítico”, apesar de intimada. Antes de prosseguir na análise do mérito, entendo necessário reproduzir parcialmente a planilha "DOC. 4": (...) Da análise das informações do "DOC. 4", verifico que: 1. A contribuinte não apresentou as "fichas do Livro Razão Analítico"; 2. Não há informação do valor total e da data de emissão das notas fiscais; 3. As cópias das notas fiscais não foram juntadas; e 4. Os cálculos/metodologia das apropriações dos gastos com benfeitorias e edificações não foram apresentados. Assim, embora existam dispositivos legais que autorizam o desconto dos créditos mencionados (sobre os encargos de depreciacã̧o/amortização de edificações e de benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros), a glosa realizada pela fiscalização deve ser mantida. Isto porque a planilha apresentada na impugnação não demonstra de forma clara, precisa e pormenorizada os dispêndios realizados pela interessada, tais como: data da emissão das notas fiscais, o prazo de vida útil das edificações, contabilização dos lanca̧mentos, se as edificações e benfeitorias são em imóveis próprios ou de terceiros etc. Fl. 4286DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.287 24 O Contribuinte reproduz em seu Recurso Voluntário os mesmos argumentos já expostos quando da impugnação e não oferta, diante da decisão ora recorrida, comprovação de que faz jus ao crédito. Voto, assim, por manter a glosa. 7. Aquisição de serviços de armazenagem serviço de despachante aduaneiro Em relação a aquisição de serviços de armazenagem o Contribuinte assim se manifesta em seu recurso (fls. 4252): Sob esta rubrica a Recorrente alocou créditos de três origens distintas. O primeiro deles decorre dos serviços de armazenagem prestados pela empresa VBLOG, cuja possibilidade de creditamento é expressamente autorizada pelo artigo 3º, inciso IX, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02. No entanto, além dos serviços de armazenagem prestados pela empresa VBLOG, cujo direito ao crédito é inequívoco, também foram incluídos nesta rubrica créditos decorrentes do serviço de despachante aduaneiro, que guardam relação direta com os serviços de armazenagem em geral. (...) Assim sendo, considerandose que os serviços de despachante aduaneiro englobam diversas atividades, entre elas a de armazenagem, os créditos decorrentes das despesas incorridas com este tipo de serviço foram alocadas nesta rubrica. No entendimento da questão a decisão ora recorrida sustenta que (fls. 4198): A contribuinte informa que — na rubrica "Aquisicã̧o de Servico̧s de Armazenagem" do DACON — contabilizou: i) crédito decorrente dos servico̧s de armazenagem prestados pela empresa VBLOG (permitido pela legislação); ii) crédito decorrentes de "servico̧s de marketing MWB SR", por equívoco; e, iii) crédito de serviços de despachante, por guardarem relação direta com os serviços de armazenagem (necessário e essencial). (...) Assim, como os serviços aduaneiros em questaõ não se tratam de gastos com armazenagem, tais gastos não se amoldam às hipóteses legais de geração de créditos, motivo pelo qual, as respectivas glosas devem ser mantidas. Entendo correto o afastamento da glosa efetuada quanto aos gastos relativos ao serviço de despachante aduaneiro. 8. Do reconhecimento e aproveitamento de créditos extemporâneos Neste ponto o Contribuinte entende que é possível o aproveitamento de créditos extemporâneos. Da seguinte forma expõem (fls. 4255 e seguintes): De início, percebese que a fundamentação utilizada pela D. Autoridade Julgadora para manutenção desta parte do lançamento fiscal foi diversa daquela que orientou o lançamento fiscal impugnado. Fl. 4287DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.288 25 Isto porque, enquanto na fundamentação do lançamento fiscal o I. Agente Fiscalizador aduziu que inexiste hipótese de creditamento extemporâneo de PIS e de COFINS, o Acórdão recorrido justificou a glosa dos créditos extemporâneos tomados pela Recorrente com base na premissa de que o procedimento teria sido equivocado. Verificase, portanto, que o Acórdão recorrido alterou a fundamentação utilizada pela D. Fiscalização para glosar os créditos extemporâneos aproveitados pela Recorrente o que, por si só, já seria o bastante para o cancelamento fiscal, na medida em que o lançamento fiscal definitivamente constituído é imutável. Com efeito, para formalizar o crédito tributário e tornar a obrigação tributária principal exigível, a autoridade fiscal inicia “procedimento administrativo” tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, efetuar o lançamento fiscal. (...) No entanto, ainda que fosse possível a alteração do lançamento fiscal definitivamente constituído por erro de fundamentação, o que se admite apenas a título de argumentação, ainda assim, este item do lançamento fiscal deve ser julgado insubsistente na medida em que a Recorrente utilizouse de procedimento correto para a tomada dos créditos extemporâneos de PIS e de COFINS. (...) Cabe citar trecho da decisão ora recorrida para a análise do alegado pelo Contribuinte: A fiscalizou glosou créditos decorrentes de despesas de armazenagem, cartão de crédito, despesas com aluguel apurados em meses diversos daqueles que as despesas foram incorridas, uma vez que a legislacã̧o vigente estabelece que os créditos devem ser apurados nos meses incorridos. Já a contribuinte, após esclarecer os motivos da contabilização extemporânea, afirma que o ordenamento jurídico não prevê a forma como devem ser aproveitados os créditos extemporâneos de PIS e COFINS, sendo certo, com base na melhor doutrina e jurispruden̂cia, que o referido direito pode ser exercido, basicamente, através de dois procedimentos distintos, a saber: 1) retificação da DACON anterior, para abater os respectivos créditos de PIS e COFINS, resultando em um recolhimento a maior que poderá ser restituído ou compensando com outros tributos administrados pela SRFB; e 2) registro extemporâneo dos créditos de PIS e COFINS no corrente período, apropriando diretamente no regime nãocumulativo. Informa que, para apropriarse dos créditos (seu direito), valeu do segundo entendimento, transcreve algumas jurisprudências administrativas para fortalecer o seu entendimento/procedimento. Em síntese, a contribuinte apurou créditos de PIS/Cofins, decorrentes de despesas de armazenagem, cartão de crédito, despesas com aluguel, em meses diversos daqueles que as despesas foram incorridas. Entendo que os descontos dos créditos extemporâneos, ou seja, cred́itos de PIS e Cofins sobre armazenagem, cartão de crédito, despesas com aluguel, não podem ser solicitados pela contribuinte em outro período que não seja o originário (art. 3o, parágrafo 1º da Lei nº 10.833/2003 e o correlato da Lei nº 10.637/2002). Entendo também que, se um determinado crédito não foi utilizado no passado, existe sim a possibilidade do seu aproveitamento de forma extemporânea. Contudo, para tal pretensão, obedecido o prazo decadencial, a contribuinte, primeiro, tem que retificar Fl. 4288DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.289 26 as Dacon e DCTF correspondentes, ou melhor, retificar as declarações das competências dos créditos, para somente depois pleitear o ressarcimento dos créditos naquelas competen̂cias (não em outra competência, como pretende a contribuinte), em face do disposto no art. 11 da Instruçaõ Normativa SRF no 590, de 22 de dezembro de 2005, e nos demais atos normativos que a sucederam: (...) Além do mais, caso se admita o registro extemporâneo dos cred́itos de PIS e COFINS no corrente período, apropriando diretamente no regime não cumulativo, como objetiva a contribuinte, no presente caso não seria possível concedêlo. Explico: A contribuinte, ao optar pela apuração de créditos de PIS e COFINS extemporâneos em período diferente e posterior à ocorrência da despesa, embora menos gravoso no momento da contabilização, caberia a esta demonstrar ao fisco a liquidez e certeza do crédito apurado quando auditado. Ocorre que a contribuinte não demonstrou que não apurou o crédito no período próprio e/ou em outro período, portanto, não demonstrou a liquidez e certeza deste. Assim, considerando que, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 ; art. 36 da Lei no 9.784/1999 ; e art. 373 da Lei no 13.105/2015 , o ônus da prova cabe à impugnante e esta, em sua impugnação, não demonstrou a base de cálculo de períodos anteriores, ou seja, não demonstrou a não utilização do crédito pleiteado extemporaneamente em duplicidade, não vejo motivos para rever a glosa de crédito da matéria tratada neste tópico. Diante disso, e considerando que o critério temporal explicitado anteriormente (retificar as declarações do mesmo período dos créditos) não foi obedecido, nem a liquidez e certeza do crédito foi demonstrada, entendo que as glosas decorrentes de créditos extemporâneos de PIS e Cofins sobre despesas de armazenagem, cartão de crédito, despesas com aluguel devem ser mantidas. Com a devida vênia discordo do alegado pelo Contribuinte de que o lançamento fiscal foi modificado. O que ocorreu foi o entendimento de que não se pode aproveitar os créditos extemporâneos sem apresentação da retificação da DACON e DCTF, da qual discordo, mas em especial que o Contribuinte não tem direito aos créditos pleiteados, visto que não demonstrou a liquidez e certeza do crédito apurado, como se sabe, a comprovação é de responsabilidade de quem alega a existência de crédito e neste sentido o Contribuinte não rebate o argumento e também não oferta comprovação da existência do crédito em seu recurso. Portanto, voto por manter a decisão ora recorrida neste ponto. 9. Da impossibilidade de exigência de multa no caso de dúvida e a aplicação do art. 112 do CTN Com a devida vênia, discordo do alegado pelo Contribuinte de que se houver dúvida no presente lançamento caberia aplicar o art. 112 do CTN. Assim expõe o Contribuinte: Caso esta I. Turma Julgadora decida pela manutenção dos lançamentos que deram origem a esse processo, por meio de julgamento em que houver empate de votos, é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração. Fl. 4289DF CARF MF Processo nº 13855.720542/201740 Acórdão n.º 3301005.413 S3C3T1 Fl. 4.290 27 Não vislumbrando dúvida, sendo no máximo entendimentos distintos pelos Conselheiros, entendo correta a exigência de multa no presente caso. 10. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Alega o Contribuinte que é ilegal a cobrança de juros sobre a multa da seguinte forma: De fato, o artigo 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981/957, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Entendo que no que pertine a esta matéria é necessário a aplicação da Súmula CARF nº 108 que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Conclusão Diante dos autos do processo e da legislação aplicável, voto por dar parcial provimento ao recurso do Contribuinte para afastar apenas a glosa quanto ao frete na transferência entre estabelecimentos da recorrente e a glosa efetuada quanto aos gastos relativos ao serviço de despachante aduaneiro, mantendo as demais glosas. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 4290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.901309/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13005.901308/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
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ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 13 09 /2 00 9- 67 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13005.901309/200967 Acórdão n.º 1301003.433 S1C3T1 Fl. 3 2 sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13005.901308/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de CSLL, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum. Ademais, que não possuía competência para autorizar retificação de DComp ou assim determinála de ofício, nem mesmo se manifestar a respeito do indeferimento de pedido de retificação decidido pela Delegacia, por sêla definitiva. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defendese com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, ademais, destaquese planilhas de cálculo, LALUR e outros documentos. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13005.901309/200967 Acórdão n.º 1301003.433 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.432, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.901308/2009 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.432): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a PerdComp para realizar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. Apresentou planilha de cálculo, LALUR e DIPJ em sede recursal. O ponto aqui é que a PerdComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pelo recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que documentos sejam analisados a fim de analisar o efetivo erro e consequentemente seu direito de crédito. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13005.901309/200967 Acórdão n.º 1301003.433 S1C3T1 Fl. 5 4 Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da PerdComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001281/2010-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada "desmutualização" da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. BANCO E CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO".
As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários/banco que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F/S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização".
Numero da decisão: 9303-007.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada "desmutualização" da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. BANCO E CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários/banco que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F/S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Demes Brito - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada "desmutualização" da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. BANCO E CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários/banco que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F/S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 81 /2 01 0- 55 Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 527 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Demes Brito Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S.A. (efls. 360 a 396) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3301002.009 (efls. 343 a 354) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21/08/2013, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 BENS (TÍTULOS MOBILIÁRIOS). AQUISIÇÃO. ALIENAÇÃO. EXERCÍCIO. REGISTRO CONTÁBIL. Os bens (títulos mobiliários) adquiridos e alienados no mesmo exercício financeiro, segundo as normas contábeis, devem ser escriturados e classificados no ativo circulante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Os bens (títulos mobiliários) adquiridos e alienados no mesmo exercício financeiro, segundo as normas contábeis devem ser escriturados e classificados no ativo circulante. Recurso Voluntário Negado. Não resignada com a decisão, a Recorrente alega divergência com relação à tributação, pelas contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, dos ganhos auferidos em decorrência da alienação das ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. recebidas no Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 528 3 ano de 2007, em substituição aos títulos patrimoniais que o Contribuinte detinha junto às associações sem fins lucrativos, na operação de "desmutualização" da Bovespa e da BM&F, e que foram vendidas no mesmo ano. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 3403001.757 e 3403001.734. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação e recurso voluntário, os quais foram assim sintetizados na decisão recorrida, reportandose ao relatório do acórdão de impugnação: [...] 3.3. Passa então a impugnante a discorrer sobre o conceito de ativo permanente e, para tal, reportase ao Parecer Normativo CST nº 78 (parágrafo 7), de 01/09/1978, ao COSIF, instituído pela Circular BACEN n° 1.273/87, a qual foi editada com base na Lei 4.595/64, (Capítulo 1, Seção 11, Item 3 e subitens 10 e 11); aos parágrafos 7 e 7.1 do PN CST nº 108, de 31/12/10978; à doutrina de Nelson Gouveia e José Luiz Bulhões e à excerto de Solução de Consulta publicada no DOU de 17/07/2006. Conclui que: a) tanto as normas contábeis aplicáveis às instituições financeiras como a melhor doutrina defendem que a classificação do bem no ativo permanente não depende da sua natureza, mas sim da intenção de permanência, manifestada no momento da aquisição, pela contabilização em conta de ativo permanente; b) independentemente da intenção de permanência, são também classificáveis no ativo permanente os investimentos contabilizados no ativo circulante e não alienados até o final do exercício subsequente ao da sua aquisição; e c) a intenção de permanência não impede a venda do bem, não havendo necessidade, nesse caso, da sua prévia reclassificação para o ativo circulante para que seja alienado. 3.4. A instituição financeira impugnante passa então a discorrer sobre a natureza contábil das ações da Bovespa Holding e da BM&F S.A. por ela recebidas. Nesse sentido, expõe que: na aquisição de títulos patrimoniais da BM&F, que representavam frações ideais de seu patrimônio, era condição necessária para que instituições financeiras e corretoras pudessem operar em seus mercados; assim, no passado, o IMPUGNANTE foi obrigado a adquirir títulos patrimoniais dessa entidade, para poder desempenhar suas atividades sociais; os títulos patrimoniais da BM&F do IMPUGNANTE tinham a característica de bens permanentes, seja em razão da intenção de permanência, seja por presunção legal, na medida em que a aquisição de tais títulos havia se dado há muitos anos; A mesma conclusão deve prevalecer quanto às ações da CBLC, uma vez que elas haviam sido adquiridas pelo IMPUGNANTE há quase uma década; Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 529 4 Em função das operações de cisão parcial da BOVESPA e da BM&F S.A., seguida pela incorporação de ações da CBLC pela BOVESPA HOLDING, os títulos patrimoniais da BM&F e as ações da CBLC até então detidos pelo IMPUGNANTE foram substituídos por ações da BM&F S.A. e da BOVESPA HOLDING; essa substituição foi imposta ao IMPUGNANTE, ou seja, ele não tinha a opção de permanecer com os títulos patrimoniais da BM&F ou as ações da CBLC, de modo que não há que se falar em intenção do IMPUGNANTE; as assembléias gerais da BOVESPA HOLDING e da CBLC realizadas em 28.08.2007, e da BM&F realizada em 20.09.2007, é que decidiram sobre as operações de desmutualização, e as decisões tomadas pela vontade da maioria tiveram de ser observadas por todos os seus respectivos associados (cf. atas das respectivas assembléias ora anexadas como DOC. 4 e DOC. 6) Nas cisões e incorporações, não há alienação de bens, mas sim sucessão. O impugnante apenas recebeu ações da BOVESPA HOLDING e da BM&F S.A., pelo mesmo valor contábil das ações da CBLC e dos títulos patrimoniais da BM&F por ele detidos. Não se pode equiparar tais operações a uma extinção ou redução de capital da CBLC e da BM&F, seguida pela realização de um novo investimento na BOVESPA HOLDING e na BM&F S.A. Caso a CBLC e a BM&F tivessem sido extintas ou tivessem tido seus capitais reduzidos, seus bens teriam transitado pelo patrimônio dos associados/acionistas, que poderiam, então, manifestar sua intenção de transferilos, ou não, à BOVESPA HOLDING e à BM&F S.A., o que, de fato não se verificou no caso concreto; As ações da BOVESPA HOLDING e da BM&F S.A.recebidas, em essência, representaram a continuidade dos investimentos da IMPUGNANTE na CBLC e na BM&F, que passaram a ser controladas por aquelas; ou seja, as desmutualizações não tiveram o efeito de descontinuar ou extinguir o investimento que o IMPUGNANTE detinha naquelas entidades, que continuaram a existir sob outra estrutura; não haveria sentido em se reclassificar os referidos investimentos do IMPUGNANTE, do ativo permanente para o ativo circulante; pelo contrário, tal procedimento iria de encontro à própria orientação da Receita Federal (item 4.16, acima). Considerado, inclusive, o potencial impacto fiscal negativo de tal mudança, seria extremamente injusto exigila do IMPUGNANTE. a natureza do bem é irrelevante para determinar a intenção de permanência no patrimônio do adquirente, podendo tal intenção estar presente inclusive em investimentos efetuados em empresas lucrativas de capital aberto, como fonte adicional de renda para seu investidor. na medida em que as ações da BOVESPA HOLDING e da BM&F S.A. sucederam as ações da CBLC e os títulos patrimoniais da BM&F, e esses tinham a característica de permanência, é de se presumir a intenção de permanência também em relação àquelas ações. A contabilidade não cria direitos; apenas registra fatos. Assim, a classificação, pelo IMPUGNANTE, das ações da BOVESPA HOLDING e Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 530 5 da BM&F S.A. no seu ativo permanente poderia ser questionada se houvesse incompatibilidade entre o tratamento contábil e a situação de fato. Todavia, é também verdade que a intenção de permanência não é incompatível com a venda do bem, pois se assim fosse, como já mencionado, não se poderia falar em venda de bem do ativo permanente; O recebimento das ações da BOVESPA HOLDING e da BM&F S.A. representa tão somente a substituição das ações da CBLC e dos títulos patrimoniais adquiridos pelo IMPUGNANTE há anos, por conta das alterações societárias promovidas internamente nas estruturas da CBLC e da BM&F; não representa a aquisição de investimentos novos; pelo contrário, representa a continuidade dos investimentos do IMPUGNANTE nas referidas entidades, agora organizadas sob outra estrutura jurídica. Nessa conformidade, o momento em que se deve verificar a intenção de permanência dos referidos investimentos é o da sua efetiva aquisição, ato único, que ocorreu quando da aquisição das ações da CBLC e dos títulos patrimoniais da BM&F, e não quando do recebimento das ações da BOVESPA HOLDING e da BM&F S.A., emitidas em sua substituição, como sustentado pela fiscalização. Tal intenção de permanência presume se de forma absoluta e inquestionável, passados anos da aquisição dos referidos investimentos. não podem prosperar os AUTOS, já que pretendem cobrar do IMPUGNANTE contribuições incidentes sobre receita decorrente da venda de bens do ativo permanente, a qual é expressamente excluída da base de cálculo das referidas contribuições pelo art. 3º, § 2º, IV, da Lei n° 9.718/98. ainda que fosse possível aceitar que a intenção de permanência dos investimentos em questão devesse ser verificada no momento do recebimento das ações da BOVESPA HOLDING e da BM&F S.A., e não no momento da aquisição das ações da CBLC e dos títulos patrimoniais da BM&F, o que se admite apenas para argumentar, devem os AUTOS ser cancelados. o fato de as ações da BOVESPA HOLDING e de parte das ações da BM&F S.A. terem sido alienadas tempos depois de recebidas em substituição às ações da CBLC e aos títulos patrimoniais, por si só, não impõe nem mesmo permite que a fiscalização simplesmente desconsidere os registros contábeis do IMPUGNANTE, e presuma que tais "novos" investimentos devessem ter sido registrados no ativo circulante.” [...] Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho S/Nº, de 23/07/2015 (efls. 451 a 453), proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial à luz do paradigma n.º 3403001.757. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 531 6 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 455 a 486) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente, Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta no presente recurso especial cingese a determinar o tratamento tributário a ser aplicado à receita da venda das ações recebidas pela Contribuinte em substituição aos títulos patrimoniais que detinha da CBLC Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (posteriormente incorporada pela Bovespa Holding no processo de desmutualização) e da BM&F, no processo chamado de "desmutualização", para efeitos de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. A tributação imposta no lançamento tem por base as disposições contidas na Lei nº 9.718/98, pois o Sujeito Passivo é uma sociedade submetida às disposições de referida norma, que estabelece que a base de cálculo das contribuições é o faturamento (e não a receita bruta), conceito este que está descrito e limitado pelas decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. Da desmutualização O processo que se convencionou chamar de "desmutualização das bolsas de valores" consistiu em um conjunto de atos societários por meio dos quais a Bovespa e a BM&F sofreram abertura de capital, tendo ocorrido a cisão parcial das referidas entidades associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades anônimas (com fins lucrativos) Bovespa Holding S/A ("Bovespa Holding") e BM&F S/A ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em substituição aos antigos títulos. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 532 7 Em momento subsequente (26 de outubro e 30 de novembro de 2007), a Contribuinte procedeu à alienação das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, recebidas em substituição ao antigos títulos patrimoniais, por meio de ofertas públicas, secundárias das ações da Bovespa e BM&F, transferindo a sua participação nas sociedades anônimas para os novos adquirentes. Com a alienação, a Contribuinte auferiu resultado positivo, mas não efetuou o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as operações, por entender se tratar de venda de ativo permanente, não sujeito à tributação. Este fato deu ensejo à ação da Fiscalização e consequente constituição de crédito tributário. A Fiscalização entendeu que no processo de desmutualização o recebimento das ações consistiu em pagamento pela devolução do patrimônio das associações sem fins lucrativos, bem como ter havido por parte do banco a intenção de venda dos novos ativos, e, portanto, deveriam ser contabilizados no Ativo Circulante, estando o resultado positivo da alienação sujeito à incidência do PIS e da COFINS. Antes de se adentrar à análise da controvérsia suscitada no presente processo administrativo, entendese necessário tecer breves considerações quanto (i) ao princípio da estrita legalidade e (ii) à impossibilidade de o Fisco sobreporse à legislação privada. O princípio da estrita legalidade embasa o sistema jurídico brasileiro, estando previsto no rol de direitos e garantias individuais do art. 5º, caput e inciso II, da Constituição Federal, e também se constitui no mais importante dos princípios constitucionais tributários, conforme redação do art. 150, inciso I, da Constituição Federal, que proclama vedada a exigência ou aumento de tributo sem que a lei assim estabeleça. O princípio da legalidade é informado pelos valores da certeza e da segurança jurídica, sendo uma garantia do Estado de Direito e tendo o papel de proteção dos direitos dos cidadãos. No Direito Tributário, a segurança jurídica é garantida por meio da reserva absoluta de lei, que, nos dizeres de Alberto Xavier1, implica "na necessidade de que toda a conduta da Administração tenha o seu fundamento positivo na lei, ou, por outras palavras, que a lei seja o pressuposto necessário e indispensável de toda a atividade administrativa". A legalidade tributária impõe que todos os aspectos do fato gerador estejam estabelecidos em lei, os quais são imprescindíveis para a quantificação do tributo devido em cada caso concreto que venha a refletir a hipótese descrita na lei. Como consectário do princípio da estrita legalidade, está o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e ao aplicador da lei. O doutrinador Luciano Amaro2 bem sintetiza o princípio da tipicidade ao explicitar que: [...] Deve o legislador, ao formular a lei, definir, de modo taxativo (numerus clausus) e completo, as situações (tipos) tributáveis, cuja ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo. Por outro lado, ao aplicador da lei vedase a interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a taxatividade e determinação dos tipos tributários. À vista da impossibilidade de serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos ao contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costumase qualificarse de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributtum sine lege 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 112. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 113. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 533 8 traduz "o imperativo de que todos os elementos necessários à tributação do caso concreto se contenham e apenas se contenham na lei". [...] (grifouse) Além da necessidade de observância ao princípio da estrita legalidade, na interpretação da legislação tributária é vedada a utilização de analogia para tributar, conforme artigos 108, §1º e 112, ambos do Código Tributário Nacional. A analogia é um dos instrumentos de integração previstos no CTN, e se constitui na aplicação de regra prevista para caso semelhante a uma determinada situação que não se encontra regulamentada. No entanto, referido mecanismo tem um campo de atuação restrito no Direito Tributário, justamente pela limitação que lhe é conferida pelo princípio da reserva de lei para efeitos de ser exigido determinado tributo. O art. 112 do CTN, por sua vez, também traz a interpretação restritiva como regra para as matérias referentes a infrações, penalidades e definição das hipóteses de incidência do tributo: in dúbio pro reo. Constituise na forma de interpretação benigna preconizada pelo CTN “quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112)”3. Quanto ao tema, pertinente trazer a lição de Luciano Amaro, que conclui dizendo que em caso de dúvida, a solução a ser adotada é a mais favorável ao Sujeito Passivo, in verbis4: Na verdade, embora o art. 112 do Código Tributário Nacional pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos seus incisos I a III, diversas situações nas quais não se cuida da identificação do sentido e do alcance da lei, mas sim da valorização dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da lei, mas de “interpretação” do fato (ou melhor, de qualificação do fato). Discutir se o fato “x”se enquadra ou não na lei, ou se ele se enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do fato e das circunstâncias em que ele teria ocorrido, e não ao exame da lei, A questão atémse à subsunção, mas a dúvida que se põe não é sobre a lei, e sim sobre o fato. Já o inciso IV do dispositivo pode ser referido tanto a dúvidas sobre se o fato ocorrido se submete a esta ou àquela penalidade (problema de valorização do fato) como à discussão sobre o conteúdo e alcance da norma punitiva ou sobre os critérios legais de graduação da penalidade. De qualquer modo, o princípio in dubio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei punitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais favorável ao acusado. (grifouse) De outro lado, há que ser considerada a impossibilidade de o Fisco sobreporse às normas de direito privado, nos termos dos artigos 109 e 110 do CTN. O direito tributário, embora ramo do direito público, tem estreita relação com o direito privado, utilizandose de muitos conceitos deste na sua codificação. Entretanto, a definição dos referidos conceitos presentes no direito tributário deve ser buscada na legislação de direito privado. Embora a 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222 – 223. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 534 9 legislação tributária possa se utilizar dos princípios do direito privado, não lhe é lícito alterar conceitos que estejam definidos na norma de direito privado. Analisando a matéria posta no recurso especial da Fazenda Nacional sob a ótica dos princípios acima mencionados, que são informadores do direito tributário, e da legislação aplicável ao caso, entendese que assiste razão ao Sujeito Passivo ao manter o registro das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização" das bolsas de valores caracterizouse pela cisão de parcela do patrimônio das associações sem fins lucrativos com a substituição dos títulos patrimoniais que antes detinham as corretoras e as instituições financeiras por ações. Não há, portanto, de se falar em extinção das entidades com devolução do patrimônio social à Recorrente. A possibilidade de cisão das associações sem fins lucrativos está prevista no art. 2033 do Código Civil combinado com o art. 44 do mesmo diploma legal, dispondo que podem ser objeto de cisão, incorporação, transformação e fusão as entidades elencadas no dispositivo do art. 44 do CC, dentre elas as associações. Cumpre consignar que à Fiscalização não é permitido alterar o fato de ter ocorrido a cisão parcial das entidades, nos termos do art. 110 do CTN explicitado supra, uma vez a operação ter sido aprovada em assembleia (que exerce a função de legislador dentro das instituições), prevalecendo o princípio da autonomia de vontade das partes. Além disso, os atos da transformação societária foram devidamente arquivados na Junta Comercial e no Registro Civil das Pessoas Jurídicas competentes, tornandose válidos e definitivos no mundo jurídico. A aplicação do art. 17 da Lei 9532/97 pelo Fisco para caracterizar a desmutualização como o processo em que houve a devolução do patrimônio em decorrência da extinção das associações, implica na exigência de tributo por analogia, o que é vedado pelo art. 108, §1º do CTN, conforme antes explicitado. No sentido da vedação de tributação por analogia, há precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo o Acórdão CSRF nº 0105.059. Outro argumento que corrobora a tese defendida pelo Sujeito Passivo, é o fato de que proferida pela Receita Federal a Solução de Consulta COSIT nº 13, no ano de 1997, reiterando o caráter da neutralidade fiscal da operação da desmutualização da bolsa de valores, no mesmo sentido da Portaria MF nº. 785/77 (que trata do ganho de capital). No ano de 2007, a COSIT proferiu entendimento contrário ao da Solução de Consulta nº. 13/1997, consubstanciada na Solução de Consulta COSITI nº 10/07, posicionandose pela necessidade de tributação de eventual diferença entre o valor dos títulos e o valor das ações em razão de uma suposta subsunção da situação à regra do art. 17 da Lei 9532/97. O CARF já proferiu entendimento no sentido de que o Fisco teria a obrigação de observar a Solução de Consulta COSIT nº 13/97 até o dia 30/10/2007, data em que foi publicado no DOU a mudança de posicionamento. A mudança de critério jurídico pela RFB entre uma solução de consulta e outra traz violação ao art. 146 do CTN. Assim, tendo em vista que não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que Fl. 534DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 535 10 representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, isto é, constituise em venda de patrimônio próprio, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Entendese que esses argumentos, por si só, são suficientes para excluir do âmbito de incidência do PIS e da COFINS as receitas decorrentes da venda de ações recebidas no processo de desmutualização das bolsas de valores, devendo ser dado provimento ao recurso especial da Contribuinte. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito, Redator designado Em que pese os argumentos da Ilustre Relatora, divirjo de seu entendimento. O apelo da Contribuinte, cuja admissibilidade ora se analisa, suscita divergência jurisprudencial referente à tributação a título de PIS e Cofins dos ganhos auferidos com a alienação das ações da BOVESPA HOLDING e da BM&F S.A. recebidas no ano de 2007, em decorrência dos processos de "desmutualização" da BOVESPA e da BM&F, e vendidas no mesmo ano. Com efeito, quanto á "desmutualização" da Bovespa e BM&F, implicando na tributação da venda de ações, esta matéria não é nova nesta Turma. Já aqui enfrentada reiteradas vezes, inclusive recentemente, sendo que, em todas as oportunidades, por maioria de votos, restou decidido que a venda posterior de tais ações gera receita tributada pela contribuição para o PIS e pela Cofins. No julgamento do acórdão nº 9303003.468, de 24/02/2016, fui designado Redador do voto vencedor, por se tratar de matéria idêntica, adoto como fundamento em minhas razões decidir, que passa a fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: "Com efeito, versa o presente processo sobre o lançamento de ofício das contribuições do PIS e da COFINS sobre a receita auferida com as operações de alienação das ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, relativo aos períodos de apuração de outubro a novembro 2007, recebidas em razão do processo conhecido como “desmutualização”, consistente em um conjunto de alterações societárias ocorridas na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F) que Fl. 535DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 536 11 deixaram de ser associações sem fins lucrativos e se transformaram em sociedade anônimas. Como conseqüência do processo de “desmutualização”, os detentores dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F receberam ações representativas do capital da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas. Autoridade fiscal alega que as ações recebidas deveriam compor o “ativo circulante” e, quando da venda, haveria a incidência das contribuições; por outro lado, o sujeito passivo entende que a contabilização deveria ocorrer em contas distintas do Grupo de Investimento em seu Ativo Permanente, e as receitas auferidas de bens do ativo permanente, deveria por força de imposição legal, ser excluída da receita bruta para fins de apuração do que for devido a título de PIS e de COFINS. Da origem dos Títulos Patrimoniais da BM&F e BOVESPA Com efeito, até o advento das operações chamadas de “desmutualização”, as bolsas de valores eram intituladas como associações civis, sem fins lucrativos, tendo como função primordial manter o sistema adequado para negociação de valores mobiliários. Contudo, a Lei nº 4.728/65, disciplinou o mercado de capitais, regulando a autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores, e sua supervisão operacional pelo Banco Central, de acordo com a regulamentação expedida pelo Conselho Monetário Nacional, a quem competia fixar as normas gerais a serem observadas na constituição, organização, funcionamento, e relativas a constituição, extinção e forma jurídica das bolsas de valores. Neste passo, eis que surge a Lei nº 6.385/76, a qual, criou a Comissão de Valores Mobiliários, disciplinando o mercado de valores e as operações realizadas na bolsa de valores. A Resolução CMN nº 1.656, de 26 de outubro de 1989, aprovou o regulamento que disciplinou a constituição, organização e funcionamento das Bolsas de Valores: CAPÍTULO I Bolsas de Valores SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 537 12 especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Dessa forma, todas as bolsas de valores autorizadas a funcionar no Brasil ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil brasileiro vigente à época (Lei nº 3.071, de 1916, arts. 20 a 22). A Resolução nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº 1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 538 13 De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/89, o ato constitutivo das Bolsas de Valores compreendia seu Estatuto Social assinado por todos os fundadores, devidamente registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Seu patrimônio social era dividido em títulos patrimoniais, que eram adquiridos por sociedades corretoras como requisito para sua admissão como associadas das bolsas: Art. 7º O patrimônio social das Bolsas de Valores deve ser formado mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial de emissão devem ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial. § 1º Nenhuma sociedade corretora pode adquirir mais de um título patrimonial de cada Bolsa de Valores. § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a Bolsa de Valores. § 3º A sociedade corretora, antes de iniciar suas operações, deve caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores. § 4º Aprovada a sua admissão e cumprido o disposto no parágrafo anterior, a sociedade corretora entra em pleno gozo dos direitos de associada da Bolsa de Valores. Conforme o art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução nº1.655/1989 do Conselho Monetário Nacional, para que pudessem operar no mercado de capitais por meio de recinto bursátil, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades. Art. 3° A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central. § 1° A sociedade corretora deverá ser constituída sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 2° São condições indispensáveis para a concessão da autorização prevista neste artigo, dentre outras, a admissão como membro de bolsa de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de atividades no mercado de valores mobiliários. Também a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo “organizar e prover o funcionamento de mercados para negociação de títulos e Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 539 14 contratos que possuam como referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias, moedas, energia, transportes, commodities e outros bens ou direitos direta ou indiretamente relacionados a tais ativos, nas modalidades à vista e de liquidação futura”. O funcionamento das bolsas de mercadorias e de futuros foi regulamentado pela Resolução CMN nº 1.645/89. Portanto, as sociedades corretoras possuíam, antes do procedimento de “desmutualização”, títulos patrimoniais das associações civis, sem finalidades lucrativas denominadas BOVESPA e BM&F. Da Desmutualização das Bolsas de Valores No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007 as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. A “desmutualização” da Bovespa ocorreu em 28 de agosto de 2007 e envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data: (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: Bovespa Holding e Bovespa Serviços S.A. (“Bovespa Serviços”); e (ii) incorporação das ações da Bovespa Serviços e da CBLC ao capital da Bovespa Holding. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços e a CBLC. Portanto, a associação civil sem fins lucrativos Bovespa deixou de existir em 28 de agosto de 2007, e os detentores de seus títulos patrimoniais passaram a ser acionistas da Bovespa Holding. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 540 15 A “desmutualização” da BM&F ocorreu em 20 de setembro de 2007, e seguiu modelo jurídico similar ao da BOVESPA: (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e (ii) a incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Em conseqüência das apontadas etapas, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Durante o ano de 2007, o procedimento de “desmutualização” foi seguido da abertura do capital das companhias resultantes de referida “transformação” para a negociação das respectivas ações em bolsa de valores. Em decorrência da participação no processo de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A., foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A., resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na conseqüente extinção de BM&F; Fl. 540DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 541 16 (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembléia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembléias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. Por fim, em assembléias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. Dos Efeitos dos registros contábeis das ações subscritas e integralizadas Passemos a questão referente à escrituração das ações recebidas pelas sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas. Originalmente, os títulos patrimoniais eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras. Com a dissolução da associação e a subseqüente subscrição e integralização das ações das novas sociedades (Bovespa Holding e BM&F Holding), a recorrente deixou de possuir títulos patrimoniais e passou a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 542 17 I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; A escrituração das ações no ativo da empresa, ou no ativo circulante, ou no ativo permanente, é baseada na possibilidade de o contribuinte escolher entre permanecer como proprietário de tais ações (permanente) ou se desfazer delas (circulante). Constatase que, desde o início do processo de desmutualização das bolsas, fica clara a intenção dos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F e da Bovespa, de, após receberem as ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetivarem a alienação dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. No caso das ações da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Dessa forma, resta claro que a recorrente pretendia vender, no curso do exercício social, como o fez, parte das ações recebidas. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização da BM&F (o que ocorreu em 01/10/2007), no prazo de seis meses contados a Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 543 18 partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Mencionese que a acionista poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso venda, porém não poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa; neste caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento, e registradas, na sua integralidade, no Ativo Permanente. Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 o sujeito passivo deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante, o que o sujeito passivo não fez. Da Tributação do PIS/COFINS sobre alienação de ações Com efeito, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, correto o entendimento da Fiscalização em tributar o PIS/COFINS, sobre valores obtidos com alienação das ações que constituem receita bruta operacional. Neste passo, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, prevêem que a receita bruta, auferida pela pessoa jurídica, será objeto de tributação das contribuições. Vejamos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Assim, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela BOVESPA HOLDING S.A., integram a sua receita bruta operacional. Ressaltando que o sujeito passivo exerce atividade de corretora de valores mobiliários, e tem como atividade principal subscrever títulos para revendelos no mercado futuro. Aliás, essa característica das corretoras está expressamente delineado no art. 2º da Resolução nº 1.655/89: Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 544 19 Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: (...) II – subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. (destaques não constam no original) Temse que a recorrente, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação. e, portanto, a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita dita operacional. Concluise que as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade, decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, prevista no art. 3º da Lei nº 9.718/98. Da discussão judicial quanto à base de cálculo das contribuições sociais Como amplamente divulgado, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR o STF decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, a Cofins somente poderia incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. Entretanto, a decisão do STF não tem repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal referese ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos prevêem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica) que não foram declarados inconstitucionais pelo STF. Jurisprudência dos Tribunais sobre "desmutualização" Vale destacar que a matéria já recebeu manifestação do Poder Judiciário, o qual emprega o mesmo entendimento e argumentos dos enunciados descritos e manteve os lançamentos tributários, senão vejamos: TRF 2 Processo nº 000655923 .2008.4.02.5101 Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 545 20 TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO . TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a “demutualização" , deixando de ser uma sociedade civil e convertendose em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de demutualização"trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisase em razão da demutualização". O fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pela impetrante com a devolução de valores, ou seja, com a própria operação de demutualização, na forma como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui supedâneo legal para a inclusão da diferença entre o que foi investido para a formação do capital social de entidade isenta e a devolução do que foi aportado na determinação do lucro da pessoa jurídica, uma vez que constitui, indubitavelmente, acréscimo patrimonial, sujeitandose à incidência do imposto de renda, nos termos dos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Não prospera a tese da apelante de que a avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência patrimonial, sistemática que estima o valor do investimento de uma sociedade em outra de acordo com as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos resultados positivos, de acordo com o artigo 225 do Regulamento do Imposto de Renda, não acarretam incidência dos tributos A avaliação pela equivalência patrimonial, consoante previsto no art. 248 da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), aplicase exclusivamente aos casos de “coligadas sobre cuja administração [a empresa] tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum (redação dada perla Lei nº 11.638/2007), não sendo este o caso dos autos que trata, na verdade, de avaliação de títulos patrimoniais que a impetrante detém nas bolsas de valores. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, o Parecer CST nº 2.254/81 e a Portaria MF 785/77, porquanto a referida Portaria, assim como os atos administrativos mencionados são anteriores à entrada em vigor da Lei 9.532/97, de 10/12/97, originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em análise. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 546 21 Recurso desprovido. TRF 3 Processo 2008.03.00.0041151 AG 325479 – 6ª Turma TRF3, decisão de 23/05/2008 [...] Observo que como a BM&F era uma associação sem fins lucrativos, os superávits obtidos ano a ano eram reinvestidos na própria bolsa, sem incidência de imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro. Parece me que quando a BM&F converteu seu patrimônio ao qual se integra o que economizou em impostos , em uma sociedade com fins lucrativos, a diferença então verificada gerou ganho de capital e em decorrência, incide imposto sobre o que não foi pago durante a fase beneficiada pela isenção. O que de fato ocorreu, foi o processo denominado “desmutualização”, através da dissolução parcial da BM&F, que deixou de existir e cujos títulos patrimoniais foram extintos, com a respectiva restituição do seu patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma de ações da nova sociedade, a BM&F S/A. [...] TRF3 AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2008.03.00.0041151/SP DECISÃO Vistos. Tratase de agravo de instrumento com pedido de concessão de antecipação de tutela recursal, que visa à reforma de decisão proferida em Primeira instância, adversa aos agravantes. Regularmente processado o agravo, sobreveio a informação, mediante email de fls. 1658/1668, que foi proferida sentença nos autos do processo originário. Ante a perda de objeto, julgo prejudicado o presente recurso e, em conseqüência, NEGOLHE SEGUIMENTO, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, restando prejudicado o agravo regimental interposto. Oportunamente, observadas as formalidades legais, baixem os autos á Vara de origem. Intimemse. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA. IRPJ E CSLL. INCIDÊNCIA. ARTIGO 17 DA LEI Nº 9.532/97. APLICABILIDADE. PORTARIA 785/77. PARECER NORMATIVO Nº 78/78. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº 9/81. NORMAS ANTERIORES AO ADVENTO DA LEI Nº 9.532/97. INAPLICABILIDADE. À mingua do alegado vício omissão os embargos de declaração devem ser rejeitados. No tocante à dissolução da associação BOVESPA, o julgado foi claro ao dispor que ocorreu a efetiva dissolução da sociedade BOVESPA e que, assim sendo, deveria ser observada, no tocante ao seu patrimônio, a disciplina do Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 547 22 artigo 61 doCódigo Civil, acarretando na devolução do aludido patrimônio aos então associados, a ensejar, desse modo, a incidência do IRPJ e da CSLL, ex vi das disposições contidas no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. Não há, portanto, que se falar em omissão do acórdão no tocante a matéria, em especial quanto ao regramento previsto no artigo 1.113 do Código Civil que, digase, diz respeito tãosomente às sociedades e não às associações. Quanto à questão em torno da adoção do método de equivalência patrimonial para avaliação do investimento o acórdão embargado concluiu pela inaplicabilidade, à espécie, do método de equivalência patrimonial que, nos termos dos artigos 248 da Lei nº 6.404/76 e 384 do Decreto nº 3.000/99, somente teria aplicabilidade nas hipóteses de investimentos em empresas controladas ou coligadas, não sendo esse o caso vertido nestes autos. Conforme precedentes jurisprudenciais colacionados no julgado vergastado, não incide, in casu, a Portaria nº 785/77, bem assim os atos normativos correlatos, dentre os quais se incluem o Parecer Normativo nº 78/78 e Ato Declaratório Normativo nº 9/81, na medida em que anteriores ao advento da Lei nº 9.532/97, norma aplicável à espécie, conforme alhures externado. O mero intuito de prequestionar a matéria não legitima a oposição dos aclaratórios. Precedentes do C. STJ. Conforme jurisprudência firmada no âmbito do E. Supremo Tribunal Federal e do C. Superior Tribunal de Justiça, não se faz necessária a menção a dispositivos legais para que a matéria seja considerada prequestionada, bastando que a tese jurídica tenha sido aquilatada pelo órgão julgador (STF, HC 122932 MC/MT, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, j. 03/09/2014, DJe 08/09/2014; HC nº 120234, Relator Ministro Luiz Fux, j. 19/11/2013, DJe 22/11/2013; STJ, REsp 286.040, Relator Ministro Franciulli Netto, j. 05/06/2003, DJ 30/6/2003; EDcl no REsp 765.975, Relator Ministra Eliana Calmon, j. 11/04/2006, DJ 23/5/2006). Embargos de declaração rejeitados."AMS APELAÇÃO CÍVEL Processo: 308575 000116433.2008.4.03.6100 QUARTA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:03/11/2015. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA" TRF3". Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 547DF CARF MF Processo nº 16327.001281/201055 Acórdão n.º 9303007.483 CSRFT3 Fl. 548 23 Fl. 548DF CARF MF
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Numero do processo: 13637.000867/2008-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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E REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 08 67 /2 00 8- 96 Fl. 119DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2005, anocalendário de 2004, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 30.020,00. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte, mediante Acórdão da DRJ São Paulo II de f. 86/94. A Decisão acatou despesas médicas no montante de R$ 800,00. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 97/108. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13637.000867/200896 Acórdão n.º 2001000.464 S2C0T1 Fl. 3 3 Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. O recorrente afirma que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro. Analisando a documentação (extratos bancários), verificase que não se mostra suficiente para amparar as alegações do contribuinte. Tanto a fiscalização quanto a decisão de primeira instância evidenciaram que não há correspondência entre os saques efetuados e os recibos que supostamente amparariam o total das despesas pretendidas. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 121DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13637.000867/200896 Acórdão n.º 2001000.464 S2C0T1 Fl. 4 5 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18239.007335/2008-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 73 35 /2 00 8- 96 Fl. 85DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2004, anocalendário de 2003, onde foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 25.572,12. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte, mediante Acórdão da Rio de Janeiro I, de f. 69/76. A Decisão reduziu a glosa para R$ 20.913,70. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 78/79. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 18239.007335/200896 Acórdão n.º 2001000.397 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Além disso, não foram apresentadas notas fiscais, nos casos de serviços prestados por pessoas jurídicas. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância. Fl. 87DF CARF MF 4 CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 18239.007335/200896 Acórdão n.º 2001000.397 S2C0T1 Fl. 4 5 E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 89DF CARF MF
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