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Numero do processo: 19515.000591/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR. RENDIMENTO PERCEBIDO.
O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos.
Numero da decisão: 2401-005.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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GANHO DE CAPITAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VITOR PAULO DE ANDRADE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR. RENDIMENTO PERCEBIDO. O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 91 /2 01 1- 12 Fl. 827DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 668/674, que exige do contribuinte R$ 1.741.336,29, acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios, em razão da apuração de "GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS", em virtude da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais. Consta do Termo de Verificação Fiscal TVF, fls. 663/667, conforme relatório apresentado no acórdão recorrido: O contribuinte ora fiscalizado é sócio da empresa RIO BRANCO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PAPÉIS LTDA, CNPJ 50.596.790/000198, cuja sede é localizada em Vitória/ES. Tal empresa é beneficiária de incentivo fiscal denominado FUNDAP Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias, instituído pelo governo do Espírito Santo. Este benefício consiste, em termos gerais, de um empréstimo do governo do Espírito Santo à empresa, com base no ICMS pago, quando do desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas nos portos do Espírito Santo. Ao transferir as mercadorias de Vitória/ES para sua filial em São Paulo/SP, a empresa é tributada em 12% de ICMS, recolhido para o estado do Espírito Santo. A partir de então o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S/A BANDES, gestor do programa de incentivo FUNDAP, financia 8% do valor de transferência dos produtos para a RIO BRANCO, conforme consta dos diversos "Contratos de Financiamento com Garantia Real e Fidejussória", celebrados entre a empresa RIO BRANCO e o BANDES (fls.364 a 619). A empresa passa a ter uma dívida junto ao BANDES, geralmente com carência de 05 anos para pagamento da primeira parcela e um prazo de 20 anos para pagar, com juros de 1 % ao ano, sem indexador ou correção monetária. A empresa, ou qualquer outro, pessoa jurídica ou pessoa física, pode resgatar este empréstimo, antecipadamente, através de Leilões Administrativos realizados periodicamente pelo BANDES, efetuando lances sobre o valor financiado anteriormente. No caso em tela, o Sr. Vitor Paulo de Andrade é o arrematante desses leilões, efetuando lances de 10% a 15% sobre o valor financiado anteriormente, quitando antecipadamente a dívida que sua empresa possuía com o BANDES, conforme consta dos diversos "Contratos Particulares de Cessão de Crédito", firmados entre o Sr. Vitor e o BANDES e respectivos recibos emitidos pelo BANDES referentes aos Leilões Administrativos FUNDAP (fls.364 a 619). O Sr. Vitor. então, adquire os direitos creditórios oriundos dos respectivos "Contratos de Financiamento com Garantia Real e Fl. 828DF CARF MF Processo nº 19515.000591/201112 Acórdão n.º 2401005.071 S2C4T1 Fl. 828 3 Fidejussória", celebrados anteriormente entre a empresa RIO BRANCO e o BANDES. Ocorre uma troca de credor: sai o BANDES e entra o sócio majoritário da empresa, Sr.Vitor. Estas operações são lançadas contabilmente pela empresa RIO BRANCO em conta de passivo exigível a longo prazo, denominada "Contratos de Mútuo", conforme constatamos através da documentação apresentada: "Relatório de Análise da conta 2.2.1.01.002 (206400) Contratos de Mútuo" (fls. 359) e do Razão Contábil da empresa RIO BRANCO, da conta "2.2.01.001.002 contratos de mútuo" período 01/12/2003 a 31/12/2006 (fls.221 a 222; 360 a 363). Os valores são lançados na contabilidade da empresa pelos valores originais, ou seja, aqueles constantes dos "Contratos de Financiamento com Garantia Real e Fidejussória", celebrados entre a empresa RIO BRANCO e o BANDES. De acordo com os diversos "Contratos Particulares de Cessão de Crédito", firmados entre o Sr. Vitor e o BANDES, e respectivos recibos referentes aos Leilões Administrativos, bem como o documento denominado "Relatório de Análise da conta 2.2.1.01.002(206400) Contratos de Mutuo", que a empresa RIO BRANCO apresentou a DRF/VIT/SAPAC/ES em 10/11/2009, constatamos que, de 2002 a outubro/2006, o Sr. Vitor pagou junto ao BANDES um total de R$ 1.857.328,44 pelas dívidas de sua empresa (fls.359). Ainda, com base no "Relatório de Análise da conta 2.2.1.01.002(206400) Contratos de Mútuo" (fls. 359) e no Razão Contábil da empresa referente à conta "2.2.01.001.002 contratos de mútuo" (fls. 221 a 222; 360 a 363), verificamos que o valor total da dívida da empresa para com o Sr. Vitor, em 31/10/2006, era de R$ 13.466.240,43. Analisando os lançamentos contábeis registrados na data de 31/10/2006 nos Livros Razão e Diário da empresa RIO BRANCO, constatamos que a conta "2.2.01.001.002 contratos de mútuo" sofreu um lançamento a débito no exato valor de R$ 13.466.240.43, tendo então seu saldo zerado nesta data, com o histórico do lançamento feito a título de "VL TRANSF ENTRE CONTAS N/D ATA REF CONVERSÃO DE CONTRATOS UE MUTUO EM ADIANTAMENTO PARA AUMENTO DE CAPITAL, EM FAVOR DO SÓCIO VITOR PAULO DE ANDRADE" (fls.363; 153 a 155). Como contrapartida, a conta "2.3.101.002 Adiantamento para Futuro Aumento de Capital", foi creditada neste mesmo valor e com o mesmo histórico. Assim, o sócio majoritário, que pagou R$ 1.857.328,44 pelas dívidas de sua empresa perante o BANDES, adianta Fl. 829DF CARF MF 4 recursos para futuro aumento de capital no exato valor de seus direitos perante a empresa, ou seja, R$ 13.466.240,43. Portanto, há um ganho de capital na pessoa física do Sr. Vitor Paulo de Andrade, referente à operação acima descrita, realizada em 31/10/2006. uma vez que, contabilmente, a dívida que a empresa RIO BRANCO tinha com seu sócio foi baixada, tendo seu saldo zerado em 31/10/2006, e, que o recurso foi integralmente reaplicado na empresa pelo sócio. Entretanto, analisando a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do Exercício de 2007/Anocalendário 2006 do Sr. Vitor, constatamos que tal ganho não foi declarado (fls.189 a 194). Pelo exposto, e com respaldo no artigo 43 da Lei 5.172/66 (CTN); artigos Io, 2o, 3o e seus parágrafos, 16 c 19 da Lei 7.713/88; artigos 7o, 21 e 22 da Lei 8.981/95; artigos Io e 17 da Lei 9.249/95; artigos 117, 123, 128, 131, 138, 142 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), apuramos Omissão de Ganho de Capital, no valor de R$ 11.608.911,99, sendo o respectivo imposto no valor de R$ 1.741.336,79. Apresentada impugnação, foi proferido o Acórdão 0436.121 3ª Turma da DRJ/CGE, fls. 812/822, que contém a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DILAÇÃO PROBATÓRIA A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. GANHO DE CAPITAL. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos das pessoas físicas, sob qualquer forma de apuração, obedece ao regime de caixa. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Da leitura do voto do acórdão de impugnação, temse que: Segundo a Fiscalização, como o sócio majoritário adiantou recursos para futuro aumento de capital no exato valor de seus direitos perante a empresa (R$13.466.240,43), foi apurado ganho de capital na pessoa física do Sr. Vitor Paulo de Andrade, referente a essa operação, realizada em 31/10/2006. Em sede de impugnação, o sujeito passivo alega que duas razões centrais 1. O fato nunca ocorreu, tendo em vista o estorno do lançamento contábil realizado em 31/12/2008, permanecendo a base do suposto ganho como mero direito creditório do Autuado; Fl. 830DF CARF MF Processo nº 19515.000591/201112 Acórdão n.º 2401005.071 S2C4T1 Fl. 829 5 2. Ainda que assim não fosse, o pressuposto da autuação que é a materialização do rendimento está equivocado, dado que a conta creditada (adiantamento para futuro aumento de capital AFAC) é mera classificação contábil de recurso ainda não disponibilizado. Acrescenta que a reclassificação contábil ocorrida em 31/10/2006 se deu por mera intenção de integralizar o direito creditório no capital social da sociedade. Esta intenção, contudo, não se concretizou, pelo simples fato de que o Autuado optou pelo recebimento dos recursos emprestados no prazo contratual. Esclarece que o relatório dos auditores independentes da empresa Rio Branco recomendou a manutenção dos valores no Passivo Não Circulante Exigível a Longo Prazo, consignando a condição precária da intenção enquanto não concretizado o aumento de capital, e que disso resultou o estorno do lançamento contábil na data de 31/12/2008, corroborando a afirmação de que nada mais se manteve do que um direito creditório do Autuado em desfavor da empresa. Alega, ainda, que não teria existido qualquer ganho com a restituição de valores acrescida de juros e que os contratos de mútuo nos quais o Autuado assumiu a condição de mutuante há cláusula de carência de 5 (cinco) anos, então não vencidos e, por conseguinte, não teria havido qualquer pagamento. Inicialmente, cabe destacar que a tributação dos rendimentos das pessoas físicas subordinase ao regime de caixa, conforme dispõe o art. 38 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999): Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário.[grifo nosso] Sobre o ganho de capital nas alienações a prazo, assim dispõe o caput art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001: Art. 31 . Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. [grifo nosso] Fl. 831DF CARF MF 6 Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida;Cientificada do resultado do julgamento, a PGFN não apresentou contrarrazões (documento de fl. 1.764). II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. Da análise dos autos, verificase que, antes mesmo da presente ação fiscal, foram efetuados ajustes na contabilidade da empresa Rio Branco no que tange à reclassificação contábil do montante registrado como AFAC, por orientação expressa no parecer contábil juntado às fls. 779/781 e para adequação à legislação tributária, de acordo com a determinação contida no item 3 do Parecer Normativo PN CST 23, de 01 de julho de 1981, abaixo transcrito: 3 Adiantamentos para futuro aumento de capital deverão ser mantidos fora patrimônio líquido, por serem considerados obrigações para com terceiros, podendo ser exigidos pelos titulares enquanto o aumento não se concretizar. Em janeiro de 2008, a conta AFAC, referente à dívida da empresa perante o impugnante, foi debitada e, em contrapartida, foi creditada a conta transitória 2.3.4.01.001 (“Recursos p/ Aumento de Capital” Subgrupo do PL), conforme se depreende do lançamento abaixo (Livro Diário – janeiro de 2008 fl. 157): [...] Em 31/12/2008, foi efetuada a reclassificação dessa conta transitória, que, inclusive, recebeu outros lançamentos, para a conta 2.2.1.01.002 (“Contratos de Mútuo” –Passivo Exigível a Longo Prazo), no valor total de R$ 27.411.281,68, conforme se depreende do balanço patrimonial encerrado na data: [...] Assim, em razão desses lançamentos contábeis, o capital social da empresa passou de R$ 28.715.874,29, em 31/12/2007, para R$ 15.249.633,86, em 31/12/2008 (diferença de exatos R$ 13.466.240,43, referentes à conta AFAC – fls. 145 e 150), remanescendo integralmente, em 2008, o direito creditório do impugnante em face da empresa. Compulsando os autos, verificase que não restou devidamente comprovado que houve qualquer ganho de capital na pessoa física do sujeito passivo em decorrência do recebimento ou disponibilização, por qualquer meio, de parcelas de amortização do empréstimo em apreço, durante o ano calendário 2006, em consonância com a regra contida nos já transcritos artigos 38 do RIR/99 e 31 da IN SRF nº 84/01. Dessa forma, caberia ao contribuinte apurar o ganho de capital nos anoscalendário em que de fato aufira as parcelas do Fl. 832DF CARF MF Processo nº 19515.000591/201112 Acórdão n.º 2401005.071 S2C4T1 Fl. 830 7 empréstimo, por qualquer meio, para, então, proceder ao recolhimento do imposto devido, proporcionalmente a elas, até o último dia útil do mês subsequente ao do recebimento. [...] Diante do exposto, e restando caracterizado o empréstimo do sócio à empresa Rio Branco Comércio e Indústria de Papéis Ltda, acatamse as alegações do sujeito passivo no tocante a essa matéria. É o relatório. Fl. 833DF CARF MF 8 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Diante do valor do crédito tributário exonerado no Acórdão de Impugnação, conheço do recurso de ofício. Conforme relatado, consta no acórdão recorrido que não restou comprovado que houve qualquer ganho de capital na pessoa física do sujeito passivo em decorrência do recebimento ou disponibilização, por qualquer meio, de parcelas de amortização do empréstimo, durante o anocalendário 2006, em consonância com a regra contida nos artigos 38 do RIR/99 e 31 da IN SRF nº 84/01. O ganho de capital deve ser apurado nos anos calendário em que seja auferida as parcelas do empréstimo. Entendeuse que restando caracterizado o empréstimo do sócio à empresa Rio Branco Comércio e Indústria de Papéis Ltda, acatouse as alegações do sujeito passivo no tocante a essa matéria. A Lei 7.713/88, assim dispõe: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Sendo assim, uma vez que não foram percebidos rendimentos e ganhos de capital, pois caracterizouse o empréstimo do sócio à empresa e as parcelas não foram recebidas, correto o entendimento exarado no acórdão recorrido de que não restou comprovado o ganho de capital, exonerandose o crédito tributário lançado. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 834DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.000040/2001-41
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2003
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte
dispositiva do acórdão e seus fundamentos, é de prover-se os
mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do
acórdão.
Embargos de Declaração acolhidos
Numero da decisão: 201-76.532
Decisão: DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para retificar o Acórdão nº 201-76.532, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Rogério Gustavo Dreyer
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ementa_s : EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão e seus fundamentos, é de prover-se os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão. Embargos de Declaração acolhidos
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score : 1.0
Numero do processo: 18470.725513/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
As diligências e/ou perícias podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao Contribuinte o ônus de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem individualizada dos valores creditados em suas contas bancárias.
MULTA. AGRAVAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA DE HIPÓTESE
Não há que se falar em agravamento da multa de ofício, por falta de atendimento às intimações fiscais, quando a falta de prestação de informações foi exatamente a causa que justificou o lançamento da omissão de rendimentos por depósitos bancários.
Numero da decisão: 2202-004.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido juntamente com os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido juntamente com a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. As diligências e/ou perícias podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem individualizada dos valores creditados em suas contas bancárias. MULTA. AGRAVAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA DE HIPÓTESE Não há que se falar em agravamento da multa de ofício, por falta de atendimento às intimações fiscais, quando a falta de prestação de informações foi exatamente a causa que justificou o lançamento da omissão de rendimentos por depósitos bancários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido juntamente com os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido juntamente com a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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DESNECESSIDADE. As diligências e/ou perícias podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem individualizada dos valores creditados em suas contas bancárias. MULTA. AGRAVAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA DE HIPÓTESE Não há que se falar em agravamento da multa de ofício, por falta de atendimento às intimações fiscais, quando a falta de prestação de informações foi exatamente a causa que justificou o lançamento da omissão de rendimentos por depósitos bancários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido juntamente com os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido juntamente com a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 55 13 /2 01 1- 17 Fl. 596DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito de IRPF. Intimado, apresentou Impugnação foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda inconformado, interpôs Recurso Voluntário ora sob julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 28/06/2011 foi lavrado auto de infração (fls. 399/404) para constituir crédito de IRPF identificando como infração a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários com origem não comprovada. Consta nos autos Termo de Verificação Fiscal (fls. 405/417). Intimado em 29/06/2011 (fl. 421), o Contribuinte apresentou Impugnação em 27/07/2011 (fls. 429/448 e docs. anexos fls. 449/497) Chegando à DRJ, foi proferido o acórdão nº 1340.341, de 14/03/2012 (fls. 498/508), que negou provimento à Impugnação e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIO FORMAL. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). Inexiste vício de forma na requisição de movimentação financeira firmada por Delegado da Receita Federal do Brasil, autoridade competente para a expedição desse ato. PRELIMINAR DE NULIDADE. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Inexiste nulidade do lançamento se este foi constituído por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, autoridade administrativa que detém a competência exclusiva para a execução do lançamento tributário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de Fl. 597DF CARF MF Processo nº 18470.725513/201117 Acórdão n.º 2202004.099 S2C2T2 Fl. 597 3 omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de mútuos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da natureza da operação, com a comprovação de que cada depósito corresponde ao pagamento de um valor emprestado. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO PARA 112,5%. Caracterizada a reiterada falta de atendimento de intimações para prestar esclarecimentos, é de se manter o agravamento da multa de ofício para 112,5%. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 15/05/2013 (fl. 498), o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 13/06/2013 (fls. 512/556), argumentando, em síntese: · Que o lançamento é nulo por ter sido lavrado por DRF diversa daquela da jurisdição fiscal do Contribuinte; · Que o acórdão recorrido foi omisso, não enfrentando os questionamentos suscitados; · Que as contas bancárias são mantidas em cotitularidade, mas o lançamento foi efetuado exclusivamente contra si; · Que não foram consideradas as provas trazidas aos autos de que houve depósitos a título de pagamento de mútuo; e · Que é indevido o agravamento da multa de 75% para 112,5%. O Contribuinte juntou, posteriormente, petição (fls. 570/581 e docs. anexos fls. 582/594) solicitando prioridade em função do Estatuto do Idoso e ratificando a questão da cotitularidade. Consta da fl. 568 um "Despacho de Saneamento" registrando que há lacuna de numeração referente às folhas 487/497. É o relatório. Fl. 598DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Diligência cotitularidade Diante das discussões no curso da sessão, especialmente pelo confronto entre as provas constantes nas fls. 375/376, de um lado, e 450/451 e 455, de outro, propus a realização de diligência para que a instituição financeira esclarecesse, estreme de dúvidas, a existência ou não de cotitularidade em relação à Srª. Darcy no período autuado. Preliminares Uma vez que a diligência acima foi rejeitada pelo voto de qualidade, dou continuidade ao julgamento do processo. Da RMF e da jurisdição fiscal da DRF: Argumenta o Contribuinte que a RMF foi lavrada por delegado titular do DRF/RJOII, Delegacia essa que não teria jurisdição sobre o Contribuinte, que estaria vinculado à DRF/RJOI. Desenvolve seu argumento com base no art. 4º do Decreto nº 3.724/2001 e no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), bem como diferenciando jurisdição de competência. Enfim, concluiu que, ainda que todos os Delegados das DRF tenham competência para emitir MPFs e RMFs, estando na jurisdição da DRF/RJOI, só ela poderia emitir a sua RMF. Subsidiariamente, alega que tendo o MPF sido emitido pela DRF/RJOI, ela se tornou prevenda nos termos do art. 7º, I, com art. 9º, §§ 2º e 3º, todos do Decreto nº 70.235/1972. A DRJ, analisando o argumento, concluiu que: "Vislumbrase da leitura dos dispositivos supra que as autoridades competentes para emitir a RMF são as mesmas que podem expedir o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), dentre as quais os Delegados da Receita Federal do Brasil, conforme estabelece o art. 6º da Portaria RFB nº 11.371, de 2007, vigente à época de emissão da RMF de fls. 182 a 184. Não houve, assim, nenhuma mácula ou vício formal na elaboração e emissão da RMF de fls. 182 a 184, sendo o Delegado da DRF Rio de Janeiro II autoridade competente para o ato. Esclareçase que quando do início da presente ação fiscal, as DRF Rio de Janeiro I e II ainda não existiam, tendo o MPF sido emitido pelo Delegado da Defis Rio de Janeiro (fl. 3). Posteriormente, no curso do procedimento fiscal, ocorreu uma mudança no regimento da RFB e a Defis Rio de Janeiro deu lugar às duas unidades em questão. De todo modo, ambas unidades têm jurisdição na cidade do Rio de Janeiro, domicílio tributário do Contribuinte. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 18470.725513/201117 Acórdão n.º 2202004.099 S2C2T2 Fl. 598 5 O fato de a AuditoraFiscal autuante se encontrar lotada à época do lançamento na DRF Rio de Janeiro I, não arranha sua competência para constituir o crédito tributário mediante o lançamento de ofício, nos termos do art. 142, caput e parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN)" fl. 503; Pois bem. Em primeiro lugar, no tocante ao argumento de limite de jurisdição/circunscrição suscitado pelo Contribuinte, a verdade é que este e.CARF já consolidou sua jurisprudência no sentido de que, Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Nesse contexto, o CARF também já tem jurisprudência no sentido de que o MPF é ato interno da Receita Federal, voltado meramente para a organização dos procedimentos internos. Precedentes, acórdãos nº 1402002.522, de 17/05/2017, nº 9202 005.529, de 25/05/2017, nº 2202003.835, de 09/05/2017 etc. Nesse contexto, constatase que o Decreto nº 3.724/2001 estabelecia, à época da fiscalização, que: Art. 4o Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. Não há nenhuma referência à exigência de que a RMF seja emitida pela autoridade da jurisdição do Contribuinte nem que, muito menos, seja lavrado pela mesma autoridade que firmou o MPF. Em suma, quem pode o mais, pode o menos: se é válido o lançamento formalizado por auditor fiscal lotado em jurisdição diversa daquela do Contribuinte, com ainda mais razão não há que se falar em nulidade do RMF lavrado por outra DRF, que não aquela mais onde estava na circunscrição do domicílio do Contribuinte. Naturalmente, desde que a RMF seja firmada por autoridade competente para fazêlo. Omissão no acórdão da DRJ Argumenta o Recorrente, também, que o acórdão da DRJ foi omisso, não enfrentando os questionamentos suscitados na Impugnação, "3. Recebida a impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II proferiu o acórdão nº 1340.341. 3.1. A decisão da instância de piso não enfrentou os questionamentos suscitados na peça de defesa, limitandose ao lugar comum para cada uma das matérias postas em discussão. 3.2. Agindo assim, o órgão de primeira instância atuou para salvar o combalido lançamento, medida que não se coaduna com a atividade de julgamento." fl. 514; Fl. 600DF CARF MF 6 Tratase, entretanto, de argumento genérico, sem indicar qual teriam sido as omissões. Compulsando a decisão recorrida, constatase que a DRJ enfrentou os argumentos referentes à nulidade da RMF, à questão da cotitularidade, ao argumento de que os recursos depositados são pagamentos pelos mútuos e à multa agravada, analisando os argumentos e as provas juntadas aos autos. Portanto, ainda que não concorde com as conclusões alcançada pela decisão de 1º grau, não tem razão o Recorrente ao alegar que houve omissão. Cerceamento do direito de defesa não intimação da cotitular: Chegando ao mérito, o Recorrente argumenta que houve erro no lançamento, especificamente pelo não atendimento ao comando do §6º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, i.e., a não intimação e o não rateio dos recursos tidos como omitidos por todos os cotitulares. Indicou que a sua exesposa era cotitular em ambas as contas bancárias. Remontando ao Termo de Verificação Fiscal, constatase que: "Conforme se verifica, o Banco Santander confirmou a existência de três contas de poupança, fornecendo os extratos para as duas que tiveram movimentação no AC 2007, indicando o respectivo cotitular de uma delas, apesar do contribuinte não têlas informado à fiscalização e nem entregue seus respectivos extratos. Tendo em vista a identificação do Sr. Gilson Gilberto MOreira Esteves Dias Pereira, CPF (...) como cotitular da conta corrente nº 9.837697 e da poupança nº 9.737697 foi iniciada sua ação fiscal, conforme determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.08.002011017150" fl. 408; (...) "Conforme já informado anteriormente, o Sr. Gilson Gilberto Moreira Esteves Dias Pereira, cotitular, também foi intimadoa través dos Termos nºs 001, 002 e 003 a comprovar a origem de todos os valores creditados/depositados na contacorrente e conta de poupança mantidas em conjunto no AC 2007, no Banco ABN AMRO REAL S/A, agência 0839, com o contribuinte, conforme já indicado e também não apresentou resposta para estes três Termos de Intimação.; (...) Para as contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é impugnado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares (art. 42 da Lei 9.430/96, com as alterações da Lei 10.637/02). " fl. 410; Ainda, a DRJ esclareceu que: "Segundo o Interessado, a ausência de intimação a um dos co titulares das contas nº 8.7450020 e 9.737697 violaria o art. 42 Fl. 601DF CARF MF Processo nº 18470.725513/201117 Acórdão n.º 2202004.099 S2C2T2 Fl. 599 7 da Lei nº 9.430, de 1996, acarretando a improcedência do lançamento. Contudo, diferentemente do defendido pelo Autuado, as provas dos autos apontam que a conta nº 8.7450020 tinha o Contribuinte como único titular e a conta nº 9.737697 era mantida em conjunto pelo Contribuinte e por Gilson Gilberto Moreira Esteves Dias Pereira. Os extratos bancários juntados ao processo e as informações prestadas pelo Banco Santander (fl. 376), que sucedeu o Banco ABN Amro Real S/A, não colocam Darcy Moreira Esteves Dias Pereira como cotitular das citadas contas bancárias, confirmando o Interessado como único titular da conta nº 8.745002 e como cotitular com Gilson Gilberto Moreira Esteves Dias Pereira na conta nº 9.737697. Apenas em relação à conta de poupança nº 106423466, que não foi movimentada no ano calendário de 2007, o Banco Santander atestou a cotitularidade de Darcy Moreira Esteves Dias Pereira (fl. 375). Acrescentese, ainda, que o próprio Autuado, na única ocasião em que respondeu a uma intimação do Fisco (fl. 18), atestou que era o único titular da conta nº 8.7450020 e que mantinha a conta nº 9.737697 em conjunto com Gilson Gilberto Moreira Esteves Dias Pereira. Os documentos trazidos aos autos pelo Impugnante não têm, desde já, o condão de demonstrar a cotitularidade de Darcy Moreira Esteves Dias Pereira nas contas bancárias que receberam os depósitos em questão. O atestado de idoneidade moral e financeira emitido pelo Banco Santander em 22/07/2011 (fls. 449 a 451) limitase a atestar que o Interessado e Darcy Moreira Esteves Dias Pereira eram clientes e sempre procederam corretamente. Frisese que o Banco Santander já havia informado ao Fisco que Darcy Moreira Esteves Dias Pereira era sua cliente (fl. 375), sendo co titular junto com o Interessado de uma conta de poupança não movimentada em 2007. Os documentos de fls. 452 a 455 tampouco servem para se contrapor aos extratos bancários e às informações prestadas pelo Banco Santander (fl. 376) em resposta a RMF de fl. 185 a 187. Não há, portanto, por mais que o Impugnante insista, nenhuma prova da cotitularidade de Darcy Moreira Esteves Dias Pereira nas contas nº 8.7450020 e nº 9.737697 no anocalendário de 2007." fl. 505; Pois bem. Compulsando os autos, constatase que o Contribuinte anexou à Impugnação "Atestado de Idoneidade Moral e Financeira Fins diversos" (fls. 450/451), pelo qual busca comprovar que a Sra. Darcy Moreira era sua cotitular em ambas as contas bancárias. Analisando a prova, a DRJ entendeu que elas não eram hábeis a demonstrar a cotitularidade, mormente quando comparados aos extratos bancários, vez que o documento "limitase a atestar Fl. 602DF CARF MF 8 que o Interessado e Darcy Moreira Esteves Dias Pereira eram clientes e sempre procederam corretamente". Por um lado, o argumento da DRJ não é absurdo: o documento trazido pelo Contribuinte é um "Atestado de Idoneidade Moral e Financeira", e não um registro da abertura ou da movimentação de suas contas bancárias. Contudo, analisando o documento de forma aprofundada, parece ter mais razão o Contribuinte: os atestados (fls. 450/451) não foram emitidos genericamente para as pessoas do Sr. Gilson Dias Pereira, Sr. Gilson Gilberto M. E. D. Pereira e Sra. Darcy M. E. D. Pereira, mas sim um atestado dessas pessoas vinculadas a determinada conta bancária. O que é mais: a instituição financeira enviou carta para a Sra. Darcy M. E. D. Pereira informando a mudança dos dados bancários quando da aquisição e incorporação do Banco Real pelo Banco Santander (fls. 455). Ora, não bastasse ter associado o atestado de idoneidade da Sra. Darcy aos números das contas, ainda informou a ela a mudança do número dessas contas. Porque o faria se ela não constasse como cotitular? Em suma, diferentemente da DRJ, entendo que restou comprovada a co titularidade das contas, sendo necessário cancelar o auto de infração por desrespeito ao art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/1996 e à Súmula CARF nº 29. Mérito: Tendo sido vencido em relação à nulidade acima, passo ao mérito da lide. Das provas da origem dos recursos: Argumenta o Contribuinte, subsidiariamente, que foram anexados aos autos contratos de mútuo que comprovam que ele e seu filho emprestavam dinheiro para pessoas de seu círculo social e comercial. Nesse contexto, parte dos recursos considerados omitidos R$ 2.012.285,44, de um total de R$ 4.587.622,57 são, na verdade, pagamento desses empréstimos. Ainda, que os pagamentos eram feitos por meio de cheques de terceiros, razão pela qual os contratos de mútuo estabeleciam sempre uma parcela mínima para os pagamentos. Analisando a questão, a DRJ anotou que: "Todavia, as cópias de contratos de mútuos celebrados com Antonio Pereira Pina e com Roberto Miguel Japas e os fluxos de pagamentos apresentados pelo Autuado não comprovam a origem de nenhum dos depósitos efetuados em contas de titularidade do Interessado no anocalendário de 2007. A apresentação de contratos de mútuo datados de 2006 e 2007, mas registrados apenas em 22/07/2011, e de tabelas contendo hipotéticos pagamentos que corresponderiam a depósitos em conta bancária do Interessado não são suficientes para comprovar a origem de algum dos depósitos efetuados no ano calendário de 2007. Por mais que o Interessado diga o contrário, não foi demonstrado, por meio de documentação hábil e idônea, nenhum vínculo entre as importâncias hipoteticamente emprestadas pelo Interessado a terceiros e os depósitos ocorridos no ano Fl. 603DF CARF MF Processo nº 18470.725513/201117 Acórdão n.º 2202004.099 S2C2T2 Fl. 600 9 calendário de 2007. Não há nenhum indício de que algum dos depósitos em questão foi efetuado por Antonio Pereira Pina ou Roberto Miguel Japas a título de pagamento por empréstimos concedidos pelo Autuado." fl. 506; Compulsando as provas juntadas aos autos, percebese o Recorrente sustenta sua tese com base nos contratos de mútuo e respectivas relatórios com valores e datas de prestações (fls. 460/469). A autoridade julgadora de primeiro grau entendeu que tais provas não eram suficientes porquanto os contratos só foram registrados em 2011, sendo que se referiam ao período de 2006/2007 e que inexiste prova vinculando a entrada dos recursos nas contas aos pagamentos das parcelas. O fato de o contrato só ter sido registrado em 2011 faz que com diminua a sua força probante, ainda que o não o desabone. Efetivamente, o mútuo subsiste entre as partes independentemente do registro, sendo essa uma forma apenas de demonstrar a sua veracidade e a data em que existia. Logo, ainda que não estivesse registrado, poderia ser aceito como prova. De outro lado, só tendo sido registrado em 2011, não há prova de que existisse à época dos fatos registrase que não há acusação de fraude ou simulação, mas mera constatação de que, registrado em 2011, há prova de que existia nessa data, mas não antes. A questão principal é, como bem pôs a autoridade de 1º grau, a vinculação dos contratos às entradas dos recursos. Não basta demonstrar que havia um contrato de mútuo e que os recursos depositados poderiam ser provenientes desse negócio; é necessário demonstrar quais, especifica e individualmente, os depósitos que tiveram essa origem. Analisando os relatórios das parcelas (fl. 469), percebese que deveriam ser pagos valores em datas específicas, como 09/01/2007 R$ 9.900,00, ou 16/08/2007 R$ 73.972,76, por exemplo, ambos na conta nº 009737697. Retornando aos extratos bancários, nessas datas (fls. 286 e 340), ali estão registrados "dep. dinh. p" e "dep. poup. c", respectivamente. Registrase que a instituição financeira, quando enviou os extratos bancários, enviou também uma tabela denominada "codificação adotada para especificar a natureza dos lançamentos" (fls. 196/233), na qual registra os códigos e o que significam. Especificamente em relação ao código "dep. poup. cor.", esclareceu que se trata de "depósito em poupança contacorrente" (fl. 202). Ora, se os recursos depositados provieram de outra conta, então é possível que a instituição financeira seja capaz de esclarecer quem era o titular dessa conta. Em outras palavras, o Contribuinte trouxe aos autos documento que se não for considerado simulado, hipótese que não se pode afirmar levianamente, sem quaisquer provas ou indícios de que o é tem condão de demonstrar, em tese, a origem dos recursos. Registrase, ademais, que os Contribuintes especialmente as pessoas físicas, que não estão obrigadas a manter contabilidade não têm como principal preocupação do dia a dia reunir "provas de suas negociações" para futuras fiscalizações tributárias. Assim, em muitos casos, simplesmente identificando a entrada dos recursos em suas contas, a pessoa estará satisfeita e considerará adimplido o pagamento. Ora, o pagamento de um mútuo em espécie, em cheque ou em TED/DOC é indiferente para o sujeito passivo, desde que haja o pagamento. Supor que ele exigirá sempre que o pagamento seja feito em cheque ou TED/DOC Fl. 604DF CARF MF 10 tão somente para ter provas para uma futura fiscalização é esdrúxulo e, inclusive, ilegal, vez que o DecretLei nº 3.688/1941, em seu art. 43, constitui contravenção a recusa em receber moeda de curso legal no país e, conforme o art. 1º da Lei nº 9.069/1995, o real é moeda de curso legal no Brasil, devendo sempre ser aceito como meio de pagamento (vide, entre outros, REsp 647.672/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 14/02/2007, DJ 20/08/2007, p. 234). O que é mais, analisando os extratos bancários do Contribuinte, constatase que não apenas havia disponibilidade financeira para fazer os empréstimos nas datas em que foram firmados os contratos como também, pouco depois, foram sacadas grandes quantidades de recursos, possivelmente direcionadas à entrega dos recursos emprestados: · Um dos contratos foi firmado em 22/02/2007 (fl. 461), tratando de mútuo de R$ 200.000,00; · Entre 22/02/2007 e 06/03/2007 (fls. 298/301), apenas uma das contas poupanças do Contribuinte variou em saldo (positivo) entre R$ 109.978,44 e R$ 103.499,68, chegando a ter R$ 247.562,29 em 27/02/2007; · Nesse mesmo período, essa mesma conta registrou débitos no valor total de mais de R$ 219.002,32. Ora, há clara disponibilidade e inclusive disposição de recursos suficientes para fazer frente à entrega dos recursos mutuados. Constatandose que (1) o Contribuinte trouxe documento hábil a demonstrar a origem dos recursos, em tese pagamentos de mútuo; (2) diversos dos depósitos identificados coincidem em datas com os referidos pagamento; (3) se alguns dos pagamentos foram feitos por depósito em dinheiro, outros foram feitos por transferências de contas, os quais se permite identificar a origem do depositante. Nessa senda, entendo que é necessário converter o julgamento em diligência para · Que a autoridade circularize a investigação, intimando os mutuários indicados nos contratos juntados, questionando se efetivametne tomaram os recursos e para que apresentem provas dos pagamentos; · Que a autoridade circularize a investigação, intimando a instituição financeira a indicar a origem dos depósitos provenientes de transferências de outras contas, visando identificar se realmente vieram dos mutuários; · Após, elabore relatório circunstanciado e, abra vista para que o Contribuinte se pronuncie, caso queira, no prazo de 30 dias; e · Enfim, retornem os autos para continuidade do julgamento. Da conclusão em relação a origem dos recursos: Tendo sido vencido em relação à diligência, entendo que, como bem esclareceu a autoridade julgadora de primeiro grau, as provas constantes nos autos não são suficientes para comprovar a origem dos recursos. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 18470.725513/201117 Acórdão n.º 2202004.099 S2C2T2 Fl. 601 11 A verdade é que a Lei nº 9.430/1996 inverteu o ônus probatório nos casos de lançamento em decorrência de depósito bancário. Tratase de presunção relativa legal, i.e., presunção contra o Contribuinte. Independentemente de ser ou não difícil a produção apresentação das provas, o ônus foi atribuído legalmente ao Contribuinte. Nesse sentido, se é verdade que os contratos de mútuo pudessem existir desde 2007, o registro só aconteceu em 2011; não havendo prova de que existisse antes, estabelece o art. 221 do CC/2002 que os efeitos só surtem para terceiro após o registro público. De resto, os controles de pagamento, por mais que façam prova entre as partes, não são suficientes para comprovar a efetiva origem dos recursos. Em suma, ante a falta de comprovação idônea e individualizada da origem dos valores creditados, impossível dar provimento ao recurso nesse ponto. Do agravamento da multa: Ainda subsidiariamente, o Recorrente insurgiuse contra o agravamento da multa, argumentando que ela só tem lugar quando há relutância do sujeito passivo. Pelo contrário, in casu, o silêncio do sujeito passivo já atuou em seu desfavor, permitindo a configuração do lançamento na forma de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, "Conforme se verifica o contribuinte não prestou os esclarecimentos solicitados pelo fisco no curso da ação fiscal, caracterizando o disposito no artigo 44, inciso I, § 2º, da Lei 9.430/96, resultando no agravamento da multa de Lançamento de Ofício de 75% para 112,5%" fl. 417. Com razão o Contribuinte. Esta turma tem decidido que se configura bis in idem o agravamento da multa pelo não atendimento das intimações quando o lançamento é consubstanciado em omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada. Efetivamente, o não atendimento às intimações durante a fiscalização já resultou no preenchimento dos requisitos para a observação da presunção de omissão de rendimentos; agravar a multa pelo mesmo motivo significaria atribuir duas punições para o mesmo ato. Por esse motivo, entendo ser necessário afastar o agravamento da multa, reduzindoa ao patamar de 75%. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, e tendo sido vencido em relação à preliminar de nulidade do lançamento, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso, para desagravar a multa, reduzindoa ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 606DF CARF MF 12 Voto Vencedor Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Inobstante o bem fundamentado voto do ilustre Relator, peço vênia para divergir em relação aos seguintes pontos: a) Necessidade de diligência; b) preliminar de nulidade. a) Necessidade de diligência: Pelo confronto entre as provas constantes nas fls. 375/376, de um lado, e 450/451 e 455, de outro, o Relator propôs a realização de diligência para que a instituição financeira esclarecesse a existência ou não de cotitularidade em relação à Srª. Darcy Moreira Esteves Dias Pereira no período autuado. No entanto, entendo que não há necessidade da diligência, por estar convencido de que a Sra. Darcy Moreira Esteves Dias Pereira não era cotitular das referidas contas bancárias no período fiscalizado. Vêse, pelo documento de fl. 376, que o Banco Santander expressamente informou que a conta nº 9.737697, agência 0839 tem como cotitular apenas o sr. Gilson Gilberto Moreira Esteves Dias Pereira e que a conta nº 8.745002, agência 0839, não tem co titular, conforme abaixo. Nos extratos anexados aos autos não consta informação de que essas contas sejam conjuntas com a Srª. Darcy Moreira Esteves Dias Pereira e, ademais, o próprio Contribuinte corroborou as informações acima do Santander, conforme sua resposta de fl. 18. Os documentos de fls. 450/451 e 455 não são capazes de rechaçar as informações acima, conforme bem decidiu a DRJ. Os documentos trazidos aos autos pelo Impugnante não têm, desde já, o condão de demonstrar a cotitularidade de Darcy Moreira Esteves Dias Pereira nas contas bancárias que receberam os depósitos em questão. O atestado de idoneidade moral e financeira emitido pelo Banco Santander em 22/07/2011 (fls. 449 a 451) limitase a atestar que o Interessado e Darcy Moreira Esteves Dias Pereira eram Fl. 607DF CARF MF Processo nº 18470.725513/201117 Acórdão n.º 2202004.099 S2C2T2 Fl. 602 13 clientes e sempre procederam corretamente. Frisese que o Banco Santander já havia informado ao Fisco que Darcy Moreira Esteves Dias Pereira era sua cliente (fl. 375), sendo co titular junto com o Interessado de uma conta de poupança não movimentada em 2007. Os documentos de fls. 452 a 455 tampouco servem para se contrapor aos extratos bancários e às informações prestadas pelo Banco Santander (fl. 376) em resposta a RMF de fl. 185 a 187. Não há, portanto, por mais que o Impugnante insista, nenhuma prova da cotitularidade de Darcy Moreira Esteves Dias Pereira nas contas nº 8.7450020 e nº 9.737697 no anocalendário de 2007." fl. 505; Assim, não há necessidade da diligência proposta pelo Relator. b) preliminar de nulidade Tendo sido vencido na proposta de diligência, o Relator entendeu que restou comprovada a cotitularidade das contas, sendo necessário cancelar o auto de infração por desrespeito ao art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/1996 e à Súmula CARF nº 29. Com a devida vênia, entendo que não restou comprovada a cotitularidade das contas bancárias com a Sra. Darcy Moreira Esteves Dias Pereira, pelas razões já expostas no item "a", acima, razão pela qual concluo que o auto de infração não contém a alegada nulidade. CONCLUSÃO Dessa forma, rejeito as preliminares de diligência e de nulidade do lançamento. No mais, quanto ao mérito, concordo com o Relator no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para desagravar a multa, reduzindoa ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 608DF CARF MF
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Numero do processo: 10508.000203/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO
Não há que se falar em nulidade do lançamento quando o ato administrativo foi lavrado por autoridade competente, com a devida motivação e análise detalhada da documentação acostada aos autos durante a fiscalização, tendo o contribuinte oportunidade de apresentar suas razões de defesa no âmbito do Processo Administrativo Fiscal.
A decisão recorrida foi devidamente motivada explicitando as razões pertinentes à formação da livre convicção do julgador, esclarecendo ainda que toda a documentação juntada aos autos até a data do julgamento foi analisada e levada em consideração na sua decisão.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO POR PARTE DO CONTRIBUINTE
O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte traz alegações genéricas que não tem o condão de afastar as razões de fato e de direito que ensejaram o lançamento. A documentação acostada aos autos não permite a comprovação do custo de aquisição informado pelo contribuinte por ocasião do cálculo do ganho de capital.
Numero da decisão: 2401-005.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não há que se falar em nulidade do lançamento quando o ato administrativo foi lavrado por autoridade competente, com a devida motivação e análise detalhada da documentação acostada aos autos durante a fiscalização, tendo o contribuinte oportunidade de apresentar suas razões de defesa no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. A decisão recorrida foi devidamente motivada explicitando as razões pertinentes à formação da livre convicção do julgador, esclarecendo ainda que toda a documentação juntada aos autos até a data do julgamento foi analisada e levada em consideração na sua decisão. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO POR PARTE DO CONTRIBUINTE O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte traz alegações genéricas que não tem o condão de afastar as razões de fato e de direito que ensejaram o lançamento. A documentação acostada aos autos não permite a comprovação do custo de aquisição informado pelo contribuinte por ocasião do cálculo do ganho de capital.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não há que se falar em nulidade do lançamento quando o ato administrativo foi lavrado por autoridade competente, com a devida motivação e análise detalhada da documentação acostada aos autos durante a fiscalização, tendo o contribuinte oportunidade de apresentar suas razões de defesa no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. A decisão recorrida foi devidamente motivada explicitando as razões pertinentes à formação da livre convicção do julgador, esclarecendo ainda que toda a documentação juntada aos autos até a data do julgamento foi analisada e levada em consideração na sua decisão. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO POR PARTE DO CONTRIBUINTE O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte traz alegações genéricas que não tem o condão de afastar as razões de fato e de direito que ensejaram o lançamento. A documentação acostada aos autos não permite a comprovação do custo de aquisição informado pelo contribuinte por ocasião do cálculo do ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 02 03 /2 01 1- 18 Fl. 301DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10508.000203/201118 Acórdão n.º 2401005.072 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, decidiu rejeitar as preliminares levantadas pelo autuado e, no mérito, considerar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0956.661 (fls. 273/280): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS LEGAIS. INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. Os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de apreciar matéria de ordem constitucional, por extrapolar os limites de sua competência. NULIDADE. A nulidade do lançamento somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não se configura cerceamento de defesa quando nos autos se encontram a descrição dos fatos, o enquadramento legal e todos os elementos que permitem ao contribuinte exercer seu pleno direito de defesa, estando este configurado na detalhada impugnação apresentada. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. APURAÇÃO. Mantémse o valor apurado pelo Fisco quando o contribuinte, na fase impugnatória, não apresentar documentação hábil a refutar o feito fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração lavrado contra o Recorrente em 28/03/2011(fls. 242/248), onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao anocalendário 2007 e 2008, no valor de R$ 128.109,66, Juros de Mora no valor de R$ 49.251,45, calculados até fevereiro de 2011, e Multa no valor de R$ 96.082,23, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 273.443,34 (Demonstrativo Consolidado fl. 03). De acordo com o RELATÓRIO FISCAL (fls. 235/241) o Auditor Fiscal apurou omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de quatro propriedades rurais, duas em 2006 e duas em 2007. Fl. 303DF CARF MF 4 A questão toda envolve a comprovação pelo contribuinte do custo de aquisição por ele indicado na apuração do ganho de capital. Verificouse que na apuração do ganho de capital (fls. 49/51 e fls. 54/55), feita pelo contribuinte, foram utilizados como custo de aquisição os valores de R$ 70.000,00, R$ 337.000,00 e R$ 1.666.761,94, respectivamente, sendo que estes valores eram muito superiores aos valores declarados nas DIRPF 2007 e 2008, para as propriedades em questão. Em decorrência de tal constatação foram apurados valores reduzidos a título de ganhos de capital. Diante dos fatos e documentos apresentados o Auditor Fiscal concluiu que houve apuração incorreta do ganho de capital nas alienações destas propriedades e com isso gerou uma nova planilha de apuração do ganho de capital e imposto devido considerando o imposto já recolhido (fls. 228/234). O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração em 05/04/2011 (fls. 243) e, em 05/05/2011, interpôs sua impugnação (fls. 252/265), por meio da qual contesta o lançamento. Em face da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento que, através do Acórdão nº 0956.661, decidiu pela improcedência da impugnação apresentada e a manutenção do crédito tributário exigido. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/JFA, pessoalmente, em 24/03/2015 (fl. 281) e, inconformado com a decisão prolatada, em 22/04/2015, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 283/294 e, em síntese, argumenta, em síntese, que: 1. A autoridade fiscal “arbitrou o ganho de capital das propriedades que menciona, produzindo um ganho de capital duvidoso visto que elaborado de acordo com seu entendimento pessoal”; 2. Houve cerceamento de defesa, com “infringência direta ao artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal”, que assegura aos acusados em geral o direito ao contraditório e ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes, e “o defendente foi intimado por via postal no dia 06/04/2011, mas só teve acesso ao processo administrativo fiscal no dia 27/04/2011”; 3. Segundo narrativa do fiscalautuante, “a ação fiscal em questão foi aberta em virtude dos sistemas da Receita Federal ter encontrado nas DIRPF/2007 e DIRPF/2008 indícios de variação patrimonial a descoberto” e “como o contribuinte também alienou propriedades nos anoscalendário em análise, foi solicitada pela Fiscalização a análise do ganho de capital apurado”; 4. Não houve qualquer procedimento fiscal visando definir qual das infrações é menos onerosa ao autuado, conforme preceitua o artigo 112 do Código Tributário Nacional, “restando nulo o Auto de Infração em comento”; 5. Os cálculos efetuados pela autoridade fiscal para dimensionar os custos de aquisição das propriedades “foram baseados em presunções Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10508.000203/201118 Acórdão n.º 2401005.072 S2C4T1 Fl. 4 5 não autorizadas por Lei, restando confusão e dúvida, e eivando de nulidade o Auto de Infração”; 6. A apuração do contribuinte, quando da tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital, “obedeceu aos mandamentos insculpidos no artigo 43 do CTN, ou seja, ofereceu à tributação a aquisição de disponibilidade econômica, a dizer, valor total da propriedade menos seu custo total de aquisição”; 7. Tributar o valor total da propriedade menos o valor da terra nua (VTN), excluindose as benfeitorias, como quer o Fisco, leva à tributação de um lucro fictício ou inexistente. Ao final requerer o seu provimento a fim de anular o Auto de Infração lavrado. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Cerceamento do Direito de Defesa – Nulidade do Auto de Infração Segundo o Recorrente, a sua intimação via postal ocorreu em 06/04/2011, sendo que somente teve acesso ao processo em 27/04/2011. Explana que o Auto de Infração foi lavrado em Ilhéus, remetido para Itabuna e, posteriormente, encaminhado ao endereço do contribuinte, com o prazo restante de apenas 9 (nove) dias para apresentar a sua defesa, o que configura cerceamento à ampla defesa e ao contraditório, tendo como consequência a nulidade do lançamento. Aduz ainda que o Auto de Infração foi lavrado com base em presunções, sem a prova cabal da acusação fiscal, traz questões sobre ilegalidade e inconstitucionalidade das normas de regência e assevera que o lançamento veio acompanhado de dúvidas e sem a consideração ao art. 112, incisos I a IV do CTN. Pois bem. Compulsando os autos, consta às fls. 243 e 249 a ciência do sujeito passivo em 05/04/2011, através do qual declara que recebeu cópia do Auto de Infração e seus anexos. Verificase que o contribuinte foi devidamente intimado do lançamento, com amplo conhecimento da lavratura do Auto de Infração e acesso aos documentos a ele adunados, conforme ciência à fl. 243 nos seguintes termos: “Declarome ciente deste Auto de Infração e seus Anexos, dos quais recebi cópia”. Destaquese ainda que no ato administrativo de lançamento (fls. 235/249), encontramse explicitados todos os elementos de fato e de direito concernentes à sua efetivação, com a clara descrição dos motivos da autuação, tendo o contribuinte apresentado defesas com as razões de discordância que entendeu pertinentes. Nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, a nulidade do lançamento pode ocorrer caso a lavratura tenha sido efetuada por pessoa incompetente, ou no caso de preterição do direito de defesa: Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10508.000203/201118 Acórdão n.º 2401005.072 S2C4T1 Fl. 5 7 Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento quando o ato administrativo foi lavrado por autoridade competente, com análise detalhada da documentação acostada aos autos durante a fiscalização e o contribuinte teve ampla oportunidade de apresentar suas razões de defesa no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. Quanto à alegação de que a fiscalização contrariou o art. 112, incisos I a IV do CTN, não assiste razão ao contribuinte. A acusação fiscal está em conformidade com o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto 70.235/1972. A autoridade autuante apurou o ganho de capital e o imposto devido, tendo em vista que o contribuinte não comprovou o custo de aquisição dos imóveis alienados. A metodologia utilizada no cálculo e a indicação das normas que fundamentaram o lançamento foi explicitada de forma minuciosa no Relatório Fiscal Acerca das questões de ilegalidade e inconstitucionalidade suscitadas no Recurso Voluntário, imperioso se faz destacar a proibição de controle de constitucionalidade pela Administração Tributária, consoante norma estabelecida no art. 26A do Decreto nº 70.235/77, bem como enunciado da Súmula CARF nº 2, razão porque rejeito referidos argumentos. Dessa forma, rejeito as preliminares suscitadas. Mérito O Recorrente se insurge contra a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física sobre o ganho de capital ocorrido em operações de venda de propriedades rurais. Segundo o contribuinte a autoridade fiscal arbitrou o ganho de capital, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado com base em presunção fiscal sem a prova da ocorrência do fato gerador. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 235/241), na apuração do ganho de capital feita pelo contribuinte foram utilizados como custo de aquisição valores bem superiores aos indicados nas DIRPF de 2007 e 2008, para as propriedades em questão. Foi solicitado do contribuinte cópia das escrituras dos os imóveis adquiridos e alienados nos anos calendários de 2006 e 2007, bem como a comprovação dos custos de aquisição utilizados na apuração dos ganhos de capital. Fl. 307DF CARF MF 8 O contribuinte apresentou apenas as escrituras de aquisição das propriedades alienadas em 2007, deixando de apresentar os documentos das propriedades as alienadas em 2006. Para a verificação do custo de aquisição, apresentou diversas notas fiscais objetivando a comprovação das benfeitorias nas propriedades, não tendo sido possível identificar em qual propriedade foi realizada a benfeitoria. A fiscalização pesquisou os DIATs (Declaração de Informação e Apuração do ITR) dos anos de aquisição e alienação de todas as propriedades vendidas, sem identificar, em nenhuma das situações, as declarações dos anos da aquisição e de alienação necessárias para considerar como valores de custo e venda o Valor da Terra Nua (VTN), para os bens adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997. A acusação fiscal descreveu de forma pormenorizada a situação encontrada em cada propriedade alienada (fls. 238/241) e em virtude da documentação apresentada pelo contribuinte, a fiscalização considerou para a aferição do cálculo o seguinte: (i) Fazenda Água Fria: o contribuinte não apresentou os DIATs do ano de aquisição de alienação, foram apuradas informações constantes na DIRPF de 2002 (fl. 19) e 2007 (fl. 47); (ii) parte da Fazenda Santa Margarida: não há como saber o VTN (valor da terra nua) das propriedades vendidas, pois a primeira DIAT que foi encontrada, em 1992, conta uma propriedade com área substancialmente maior, o que interfere diretamente no valor. as informações para o cálculo do imposto. as informações para a apuração foram extraídas na escritura de venda e na DIRPF de 2007; (iii) Fazenda Conjunto Miramar e Lua Nova: informações contidas nas escrituras de aquisição dos imóveis e escritura de compra e venda (fls. 90/91) e DIRPF de 2007 e 2008. Concluiu que houve apuração incorreta, por parte do contribuinte, do ganho de capital das propriedades alienadas e apresentou nova apuração, supedaneada nas disposições insculpidas na Lei nº 9.249/95, Lei nº 9.393/96 e IN SRF nº 84/2001, com os seguintes valores: O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte traz alegações genéricas que não tem o condão de afastar as razões de fato e de direito que ensejaram o lançamento. A documentação acostada aos autos não permite a comprovação do custo de aquisição informado pelo contribuinte por ocasião do cálculo do ganho de capital. Inobstante as intimações efetuadas pela fiscalização ao longo do procedimento fiscal, o contribuinte não apresentou provas robustas e informações suficientes que levassem à conclusão da subsistência dos valores apresentados a título de custo de aquisição. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10508.000203/201118 Acórdão n.º 2401005.072 S2C4T1 Fl. 6 9 Reputo como corretas as constatações aduzidas na autuação. Assim, não merece reparos a decisão de piso, razão pela qual deve ser mantida a exigência contida no lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, afastar as preliminares alegadas e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.009605/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/08/2008
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.464
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/08/2008 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 96 05 /2 00 9- 92 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.009605/200992 Acórdão n.º 3402004.464 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.271da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/08/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.009605/200992 Acórdão n.º 3402004.464 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 04/08/2008 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/08/2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.009605/200992 Acórdão n.º 3402004.464 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.009605/200992 Acórdão n.º 3402004.464 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.009605/200992 Acórdão n.º 3402004.464 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.009605/200992 Acórdão n.º 3402004.464 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.009605/200992 Acórdão n.º 3402004.464 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.009605/200992 Acórdão n.º 3402004.464 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.008103/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/10/2009
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.454
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 81 03 /2 00 9- 44 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.008103/200944 Acórdão n.º 3402004.454 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.261da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.008103/200944 Acórdão n.º 3402004.454 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 20/10/2009 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/10/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.008103/200944 Acórdão n.º 3402004.454 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.008103/200944 Acórdão n.º 3402004.454 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.008103/200944 Acórdão n.º 3402004.454 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.008103/200944 Acórdão n.º 3402004.454 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.008103/200944 Acórdão n.º 3402004.454 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.008103/200944 Acórdão n.º 3402004.454 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723963/2014-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Efetuou sustentação oral pela recorrente o Dr. Hugo Funaro, OAB nº 169.029 (SP) e pela PFN, o Dr. Pedro Cestari.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Efetuou sustentação oral pela recorrente o Dr. Hugo Funaro, OAB nº 169.029 (SP) e pela PFN, o Dr. Pedro Cestari. Relatório Conforme se observa do caso, tratase de Auto de Infração (fls. 368/384) lavrado contra a empresa AMBEV S/A (CNPJ 07.526.557/000100, localizada no município de São Paulo/SP doravante denominada de AMBEV), para a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI, com período de apuração RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 96 3/ 20 14 -5 6 Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.475 2 compreendido entre janeiro de 2010 a dezembro de 2010, implicando a exigência fiscal no valor de R$ 17.571.759,24, o qual compreende principal, multa e juros. Consta dos autos que a AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/000100, sucedeu por incorporação, em janeiro de 2014, o estabelecimento com CNPJ 02.808.708/008183, COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV, no qual a ação fiscal havia sido iniciada em 29/05/2014, conforme Termo de Inicio de Procedimento Fiscal às fls. 4/5. Segundo consta da Descrição dos Fatos, às fls. 371/374, e o teor do Termo de Descrição dos Fatos (TDF), parte integrante do Auto de Infração, às fls. 385/431, não houve o recolhimento do Imposto (IPI), no período de janeiro a dezembro de 2010, em razão do aproveitamento dos seguintes tipos de créditos indevidos: (i) Créditos de Insumos para bebidas: Créditos fictícios do imposto apropriado como "se devido fosse", na aquisição de insumos (concentrados e artefatos como rolhas e tampas plásticas) de estabelecimentos situados na Amazônia Ocidental. A isenção do imposto em tela para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e na Amazônia Ocidental e comercializados em outras partes do país é prevista, respectivamente, nos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010 (arts. 69, II, e 82, III, do RIPI/2002). O dispositivo específico sobre a Zona Franca de Manaus (art. 81, II), não assegura o aproveitamento dos créditos pelas aquisições por estabelecimentos localizados em outras regiões do país. Por outro lado, para a isenção do art. 95, III, há a possibilidade de aproveitamento dos créditos (crédito incentivado, art. 237) pelos adquirentes em outras regiões se forem satisfeitas as seguintes condições cumulativas: (1). Que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional; (2). Que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental (estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima); e (3). Que o estabelecimento tenha projeto aprovado no Conselho de Administração da SUFRAMA. A fruição de créditos incentivados indevidos implica a glosa destes na escrita fiscal. a) Créditos de rolhas e tampas plásticas, adquiridas de RAVIBRAS Embalagens da Amazônia Ltda., CNPJ 08.658.519/000173: ROLHA PLAST AZUL PEPSI; ROLHA PLAST AZUL PC NIV; ROLHA PLAST GUARANÁ ANT BRANCO ANTARCTI; ROLHA PLAST H2OH LIMAO; ROLHA PLAST PEPSI TWIST VERDE; ROLHA PLAST SODA L ANT; ROLHA PLAST SUKITA VERDE; e TAMPA PLAST AMARELA GUARANÁ ANTART. O dispositivo legal para isenção declarado como adotado pela RAVIBRAS (RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II) nas vendas prevê apenas a isenção nas saídas dos produtos do estabelecimento industrializador, sem a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). b) Créditos de filme “stretch”, adquirido de VALFILM Amazônia Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 03.071.894/000107: FILME STRETCH 500 MM 27 MICRA Da mesma forma nas saídas de produtos da VALFILM a partir de maio de 2010 (isenção prevista nos seguintes dispositivos: RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II). Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.476 3 c) Créditos de "concentrados" adquiridos de AROSUCO Aromas e Sucos Ltda., CNPJ 03.134.910/000155: CONC NAT FE 1430 AÇAÍ KIT; CONC NAT LIMÃO DIET FE1403 KIT; CONC NAT LIMÃO FE1403 KIT; CONC NAT S GUA AÇAÍ FE1430 PARTE H KIT; CONC NAT S GUARANÁ FE1430 BOMBONA 5L; CONC NAT S GUARANÁ DIET FE1431 KIT; CONC NAT S LARANJA BR KIT; CONC NAT S TÔNICA FE 1401 KIT; e CONC NAT SUKITA ZERO KIT. No caso da AROSUCO também foi informado que a falta de destaque do imposto nas saídas de concentrados (exceto quanto aos concentrados de sabor guaraná) se deveu à isenção prevista (RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II). Sem, portanto, a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Admissão dos créditos somente em relação aos concentrados de guaraná, produzidos com matéria prima extrativa vegetal de produção regional (Amazônia Ocidental) e adquiridos com a isenção prevista no RIPI/2002, art. 82, III; e no RIPI/2010, art. 95, III. d) Créditos de concentrados a adquiridos de PEPSI COLA Industrial da Amazônia Ltda., CNPJ 02.726.752/000160: KIT H2OH LIMÃO; KIT PEPSI COLA; KIT PEPSI COLA TWIST; KIT PEPSI COLA LIGH; KIT PEPSI TWIST LIGHT PADRÃO; e KIT PEPSI COLA; Os concentrados (kits) foram produzidos pela PEPSI COLA com a utilização de insumo (corante caramelo) produzido, por sua vez, pela empresa D. D. Williamson do Brasil Ltda., CNPJ 02.789.565/000125, localizada na Zona Franca de Manaus. Na fabricação do corante caramelo foi utilizado, até junho de 2011, açúcar de cana fornecido pela Usina Itamarati S/A, CNPJ 15.009.178/000170, situada no Estado do Mato Grosso, que não compõe a chamada Amazônia Ocidental, abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, nos termos do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967, art. 4º. No entanto, a PEPSI COLA deu saída aos concentrados com a isenção prevista nos seguintes dispositivos, conforme notas fiscais emitidas: RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II. Em resposta a intimação, a PEPSI COLA declarou que era habilitada pela SUFRAMA a produzir concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas com ambos os incentivos: Zona Franca de Manaus (artigos precitados) e Amazônia Ocidental (RIPI/2002, art. 82, III; RIPI/2010, art. 95, III). De toda sorte, fica caracterizada a carência de direito ao aproveitamento de créditos por falta de previsão legal (no primeiro caso) e por falta de cumprimento de requisito legal (no segundo caso, emprego de produto elaborado com matéria prima agrícola de origem não regional, isto é, proveniente de estabelecimento situado fora da Amazônia Ocidental). (ii) Créditos referentes a artigos adquiridos pra uso e consumo Tratamse de créditos distintos de créditos básicos, alusivos a artefatos adquiridos para uso e consumo em 2010, mais especificamente os itens de manutenção e material intermediário de produção, conforme detalhamento inequívoco relacionado na Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.477 4 planilha à fl. 425. No entanto, nem todos os insumos adquiridos e utilizados na produção caracterizamse como matérias primas ou produtos intermediários. De acordo com o Relatório fiscal, não existe amparo legal que dê direito ao crédito do imposto referente aos insumos peças e partes de máquinas, produtos para higienização do maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, inclusive lubrificantes e óleos. Não devem ser aceitos, portanto, os valores referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, peças de reposição e uniformes dos empregados, para gerar o crédito básico, uma vez que esses bens não se incluem no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização, únicos insumos admitidos por lei”. Tais créditos indevidos encontramse discriminados no demonstrativo à fl. 426. (iii) Créditos de bebidas adquiridas para comercialização Houve, no período de janeiro a dezembro de 2010, a apropriação de créditos de IPI na entrada de bebidas refrigerantes provenientes de estabelecimento de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico: AMBEV Brasil Bebidas Ltda., CNPJ 73.082.158/004976. A relação ds créditos indevidos encontramse discriminados no demonstrativo à fl. 429. As industrializações não foram efetuadas por encomenda e a impugnante deu saída às bebidas recebidas mediante a emissão de notas fiscais de venda para terceiros, com destaque do imposto, e de notas fiscais de transferência para outros estabelecimentos filiais, com suspensão do imposto. Informa a fiscalização que durante o ano de 2010, o sujeito passivo estava sujeito ao Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), previsto nos arts. 58A a 58U da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 (RIPI/2010, art. 204), de acordo com o disposto originalmente na Lei nº 7.798, de 1989, art. 4º, ou seja, sem poder se creditar do imposto destacado nas notas fiscais de transferência de bebidas em virtude de que: a) se trata de produtos acabados destinados a comercialização e não de matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem; b) o imposto incide sobre os produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vale dizer, o imposto não é mais devido em operação posterior (art. 58 N, I); c) não houve operação de industrialização por encomenda, que representa uma exceção ao regime de incidência única (na industrialização por encomenda, há incidência do imposto também na saída do estabelecimento encomendante) (art. 58N, § único). (iv) Da Glosa dos Créditos e Reconstituição da Escrita Fiscal O crédito passível de glosa é no importe de R$ 12.392.073,88, sendo que, em virtude da existência de saldos credores no período fiscalizado, foi empreendida a reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrativos às fls. 377 e 381/383. Na reconstituição da escrita fiscal, o saldo credor de período anterior considerado em janeiro de 2010 foi de R$ 528.543,24, resultante de reconstituição da escrita Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.478 5 fiscal em ação fiscal anterior. Não foi considerado o saldo credor de período anterior de R$ 4.690.024,63, escriturado em janeiro de 2010 no Livro Registro de Apuração do IPI. Da Impugnação A empresa tomou ciência da exação em 22/12/2014, por meio do respectivo procurador, conforme o termo de ciência por abertura de mensagem comunicado, à fl. 438. Em 20/01/2015, insubmissa, a contribuinte apresentou a impugnação às fls. 444/460, subscrita pelos patronos da pessoa jurídica, qualificados na procuração à fl. 483. Em sede de impugnação, quanto à glosa de créditos básicos, a AMBEV alegou que mesmo que fosse vedado o registro do crédito em função de as mercadorias sujeitaremse ao regime monofásico do IPI, jamais poderia haver o lançamento de ofício do tributo, pois o mesmo foi, ao final, recolhido pela autuada antes do início do procedimento de fiscalização, havendo, quando muito, pagamento a destempo do IPI, fato que não justifica a glosa dos créditos apropriados e a consequente exigência do mesmo tributo outrora já liquidado. No entanto, os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (Acórdão nº 1460.322, de 27/04/2016 fls. 996/1025): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, a despeito de que os projetos sejam aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a aquisições de produtos onerados pelo imposto. GLOSA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE ARTEFATOS DESCARACTERIZADOS COMO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS OU MATERIAL DE EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.479 6 no processo industrial, segundo o estrito entendimento albergado na legislação tributária do que pode ser considerado como insumos. GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ÁREA DE COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL. Todas as empresas sujeitas ao cumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, ainda que haja imunidade condicionada ou isenção, podem ser objeto de fiscalização tributária, sendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a autoridade competente para a condução das atividades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. FALTA DE REQUISITO BASILAR. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia prescindível e que não apresente um dos requisitos básicos, no caso, a indicação do perito; sendo o pedido, portanto, reputado como não formulado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente teve ciência da decisão por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, ciência esta realizada na data de 20/07/2016, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Em 17/08/206, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 1.036/1.061 (fl. 1.035), aduzindo resumidamente, as seguintes razões: 1. Preliminarmente, alega que ser cancelada de plano a autuação, uma vez que houve ilegitimidade passiva do estabelecimento autuado, pois o auto de infração foi lavrado contra o estabelecimento de empresa sucessora que não realizou as operações que ensejaram a apropriação dos créditos de IPI glosados pelo Fisco. 2. Nulidade da decisão recorrida, por Cerceamento de defesa. A Recorrente demonstrou, em sede de Impugnação, a ilegitimidade da glosa de créditos decorrentes de Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.480 7 insumos oriundos da ZFM, em especial no caso da PepsiCola, que obteve orientação oficial da SUFRAMA no sentido de que os kits de concentrados fabricados com corante caramelo produzido pela D.D Williamson do Brasil Ltda., a partir de açúcar oriundo do Estado do Mato Grosso, geram direito ao crédito presumido previsto no art. 6º do DL 1.435/75. A DRJ simplesmente não se pronunciou a respeito do argumento acima, que constituía razão autônoma e suficiente para o cancelamento da exigência, razão pela qual deveria ter sido minimamente (rectius, razoavelmente) enfrentado, mas não o foi. 3. Inovação no lançamento de ofício: A decisão recorrida também deve ser anulada, na medida em que introduziu, no lançamento de ofício impugnado, novos fundamentos que dele não constavam originalmente, e, inclusive, sem qualquer provocação pelas partes em litígio. 4. Necessidade de suspensão do feito até final julgamento do PAF nº 10980.729815/201283. Como se nota, a reconstituição da escrita fiscal procedida no presente feito levou em consideração os efeitos do lançamento de ofício objeto do PA n. 10980.729815/201283, no bojo do qual foram realizadas de glosas de créditos, que redundaram em diminuição do saldo credor da Recorrente passível de utilização em janeiro/2010 (período inicial envolvido no caso). 4. Improcedência da exigência. Ilegitimidade da glosa dos créditos de insumos originários da ZFM. Houve por bem a Fiscalização glosar os créditos decorrentes da aquisição, pela Recorrente, de insumos produzidos na ZFM pelas empresas AROSUCO8, PEPSI9, RAVIBRÁS10 e VALFILM11, pois não teriam sido preenchidos os requisitos para que fosse aproveitado o benefício do art. 6º do DL n. 1.435/75. 5. Necessidade de exclusão de todos os produtos de sabor guaraná adquiridos da AROSUCO. 5.1. Erro na apuração do crédito constituído pelo Auto de Infração. A DRJ reconhece que “não há esclarecimentos do autor da peça fiscal sobre se as glosas referentes à fornecedora AROSUCO do demonstrativo de glosas à fl. 414, incluem os concentrados de guaraná”. Entretanto, afirma que tal seria “irrelevante”, já que “o extrato de guaraná não é matéria prima agrícola ou extrativa vegetal, mas um produto ou produto intermediário resultante do processamento industrial (ou seja, não artesanal) do guaraná propriamente dito (sementes de guaraná)”. 5.2. Direito ao crédito em relação aos insumos que a SUFRAMA reconhece serem produzidos a partir de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais da região amazônica. 5.3. Os estabelecimentos situados na ZFM são titulares de incentivo fiscal que lhes asseguram tratamento diferenciado. Impossibilidade de interpretálos como as isenções aplicáveis às demais unidades industriais em outras regiões. Também não prospera a exigência da Fiscalização, chancelada pela DRJ, decorrente da glosa dos créditos de IPI apropriados sobre concentrados para a fabricação de refrigerantes e sobre materiais de embalagem diante do que se contém no artigo 40 do ADCT. 6. Improcedência da glosa de Créditos relativos a Produtos Intermediários. Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.481 8 A DRJ, corroborando com o entendimento exposto pela Fiscalização, manteve a glosa de créditos relativos a “produtos empregados na manutenção e limpeza de máquinas e equipamentos, inclusive óleos e lubrificantes”, ao fundamento de que tais itens não se enquadram no conceito de “matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização, únicos... admitidos por lei”, já que não integram o produto final e não entram em contato direito com o produto em fabricação. 7. Descabimento da cobrança do IPI a partir da glosa dos créditos originários das mercadorias sujeitas ao regime monofásico. O imposto foi recolhido na saída das mercadorias. Haveria, no máximo, postergação no seu pagamento. Por todo o exposto, espera que seja conhecido e provido o recurso, para o fim de ser reformado o acórdão recorrido e julgada integralmente improcedente a ação fiscal. No Despacho de fl. 1.462, consta a informação que a PGFN foi informada e não se interessou em apresentar contrarrazões ao recurso voluntário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. Tratase de Auto de Infração com a exigência do IPI devido pela Recorrente, relativo ao ano de 2010, acrescido de multa de ofício e juros moratórios, em decorrência da glosa de créditos do imposto, referentes a: (i). insumos isentos do imposto, adquiridos junto a estabelecimentos instalados na Zona Franca de Manaus (ZFM); (ii). material intermediário de produção, compreendendo itens para tratamento de água, assepsia de embalagens, partes, peças ou acessórios de máquinas, lubrificantes e produtos para manutenção de máquinas e instalações; e (iii). bebidas prontas para o consumo recebidas de terceiros e sujeitas à sistemática monofásica de apuração e recolhimento do imposto. A situação versada nestes autos é semelhante à de outros processos da mesma empresa, e que esta Turma decidiu baixar em diligência por meio de Resolução, para que a Unidade preparadora proceda informações complementares. Consoante o desenvolvido no Relatório, dentre as exigências fiscais retratadas na autuação aqui analisada, diz respeito às seguintes situações: (1) Da alegada ilegitimidade passiva do estabelecimento autuado. Aduz a Recorrente em sede de preliminar, que deve ser cancelada de plano a autuação, pois o auto de infração foi lavrado contra o estabelecimento de empresa sucessora que não realizou as operações que ensejaram a apropriação dos créditos de IPI glosados pelo Fisco. Informa que o estabelecimento que efetuou os créditos de IPI questionados pela Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.482 9 Fiscalização é uma filial localizada na Rodovia dos Minérios, Km 9, nº 99, no Município de Almirante Tamandaré (PR), possuindo o CNPJ nº 02.808.708/008183. Que após a incorporação, o referido estabelecimento filial (CNPJ nº 02.808.708/008183) continuou sendo explorado pela empresa sucessora, com o CNPJ nº 07.526.557/003478. Conclui argumentando que, desta forma e a teor do art. 51, parágrafo único, do CTN c/c art. 24, parágrafo único do RIPI/2010 (que consideram sujeito passivo autônomo do IPI cada um dos estabelecimentos da pessoa jurídica, para fins de cumprimento das obrigações tributárias decorrentes dos fatos por eles praticados) c/c art. 132 do CTN (que prevê a responsabilidade do sucessor pelos tributos relativos ao estabelecimento adquirido), o Auto de Infração só poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento que sucedeu aquele ao qual foram imputadas as infrações. E não contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica. (2) Do alegado erro na apuração do crédito constituído pelo Auto de Infração. Aduz sobre a necessidade de exclusão de todos os produtos de sabor guaraná adquiridos da AROSUCO, uma vez que a decisão recorrida, reconhece que “(...) não há esclarecimentos do autor da peça fiscal sobre se as glosas referentes à fornecedora AROSUCO do demonstrativo de glosas à fl. 414, incluem os concentrados de guaraná”. Entretanto, afirma que tal seria “irrelevante”, já que “o extrato de guaraná não é matéria prima agrícola ou extrativa vegetal, mas um produto ou produto intermediário resultante do processamento industrial (ou seja, não artesanal) do guaraná propriamente dito (sementes de guaraná)”. No entanto, no TDF (anexo ao Auto de Infração) restou claro no sentido de que a glosa de créditos relativa aos produtos da AROSUCO abrange os “concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná”, reconhecendo, quanto aos produtos deste último sabor, o preenchimento de todos os requisitos legais para o aproveitamento do benefício constante do art. 6º do DL n. 1.435/75. Vejase trecho (fl. 413): "Em síntese, temse que: São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA". (Grifei) Em suma, a Recorrente alega que a Fiscalização incluiu parte desses itens na planilha intitulada “Produtos adquiridos com isenção prevista no art. 81, II, do regulamento do IPI de 2010”, glosando os respectivos créditos, como se verifica do quadro relacionados na planilha de fl. 407. Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.483 10 (3). Da glosa de créditos registrados na entrada de bebidas prontas para o consumo e que foram recebidas de terceiros e de outros estabelecimentos da própria Recorrente, operações essas sujeitas à sistemática monofásica de apuração e recolhimento do imposto. Aduz a Recorrente que a DRJ manteve a glosa dos créditos decorrentes da aquisição, junto a empresas integrantes do grupo econômico, de bebidas prontas e acabadas para consumo, levada a cabo ao fundamento de que, estando sujeitos ao regime monofásico, conforme o Relatório (TDF) “o IPI correspondente a tais produtos... já havia sido pago uma vez e não era mais devido na operação seguinte”. Por essa razão, seria vedado o registro de crédito de IPI na entrada desses produtos no estabelecimento autuado. A própria fiscalização reconhece à fl. 426 do TDF que, "(...) Verificouse ainda que as industrializações desses produtos não o foram sob encomenda, sendo que a fiscalizada deu saída às referidas bebidas por meio de notas fiscais de vendas destinadas a terceiros em que o IPI foi destacado, ou por meio de notas fiscais de transferência para outras filiais em que foi utilizada suspensão do imposto". Portanto, em ambas as situações, levase a entender que o imposto creditado na entrada foi posteriormente debitado e pago nas saídas dos produtos a terceiros. Como se vê, um dos fundamentos desenvolvidos pelo Recorrente para rebater referida exigência é de que há, no presente caso, um bis in idem em relação à exigência do imposto sobre os produtos recebidos em transferência. E isso porque, embora reconheça a irregularidade do procedimento adotado (creditamento de IPI para operações sujeitas à incidência monofásica do imposto), o Recorrente alega que inexistiu prejuízo ao Fisco, haja vista que o imposto creditado na entrada era debitado na saída com a promoção do recolhimento do tributo. Vejase trecho do recurso: "(...) Por isso, em casos como o presente, em que, de acordo com a acusação, configurase o cumprimento da obrigação tributária principal, mas após a data em que o crédito tributário deveria ser adimplido, a legislação prevê o lançamento apenas de juros de mora e multa isolados (Lei nº 9.430/96, art. 43)". Percebese, pois, que a situação do presente caso é a mesma retratada no PAF nº 10980.729815/201283, de Relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro (desta TO). Antes de ser julgado em seu mérito (acórdão nº 3402003.810), o referido caso foi convertido em diligência (Resolução nº. 3402000.767), exatamente para apurar o sobredito bis in idem, o que Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.484 11 de fato ficou constatado em concreto. Naquela oportunidade, em resposta à referida diligência a Recorrente trouxe aos autos robusto "Termo de Constatação" elaborado pela KPMG Assessores Ltda, cujo objeto foi justamente averiguar se a Recorrente debitava ou não o imposto creditado na saída dos produtos autuados no momento de sua alienação a terceiros. E, a conclusão alcançada pela citada auditoria, foi no sentido de que a recorrente debitou todas as operações sujeitas à incidência monofásica e que foram objeto da fiscalização referida. Em face do acima exposto, com o objetivo de melhor subsidiar o julgamento da presente lide e de se evitar a exigência em duplicidade de crédito tributário, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 proponho converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal da DRF Curitiba (PR) adote as seguintes providências: (i) com relação ao item (3) acima da glosa de créditos registrados na entrada de bebidas prontas para o consumo (operações sujeitas à sistemática monofásica): (i.a) deverá a autoridade fiscal, intimar o autuado para fazer prova cabal de sua alegação referente a glosa de créditos em operações posteriormente sujeitas a indevido débito na saída, alertandose a Recorrente de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito, inclusive em razão de aplicação subsidiária do art. 6º do NCPC (Código de Processo Civil); (i.b) com base na prova produzida nesses termos pela Recorrente, reconstituase a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindose os débitos porventura indevidamente lançados; e (i.c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em Relatório circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações que julgar pertinente; (ii) com relação ao item (2) a Recorrente alega que houve erro na apuração do crédito constituído pelo Auto de Infração: (ii.a) deverá a autoridade fiscal demonstrar, se no Auto de Infração, conforme descrito no tópico 2), estão ou não incluídos os valores dos "concentrados" de sabor guaraná, adquiridos da AROSUCO. Caso isso se confirme, apurar e segregar os valores, fazendo constar no Relatório conclusivo; (iii) com relação ao item (1), que alega ilegitimidade passiva do estabelecimento autuado, considerando os argumentos da Recorrente sobre o processo de incorporação ocorrido durante o procedimento fiscal, consignando que "após a incorporação, o referido estabelecimento filial (CNPJ nº 02.808.708/008183) continuou sendo explorado pela empresa sucessora, com o CNPJ nº 07.526.557/003478 e que portanto o Auto de Infração só poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento que sucedeu aquele ao qual foram imputadas as infrações e não contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica", solicito à autoridade fiscal: (iii.a) intimar a Recorrente a apresentar os documentos referente a referida reestruturação societária incorporação (ATAS e Termos da Assembléia, etc), bem como apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, que tenha como objeto subsidiar a situação posta nos autos. Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10980.723963/201456 Resolução nº 3402001.033 S3C4T2 Fl. 1.485 12 (iii.b) ao final, deverá o Fisco fazer constar no Relatório conclusivo posição sobre a análise dos documentos e sobre as alegações promovidas pela Recorrente nesse tópico; (iv). Quanto ao PAF nº 10980.729815/201283 (lançamento de ofício referente a glosa de créditos), citado pela Recorrente em seu recurso, calcular e informar no Relatório conclusivo o reflexo da decisão atual nele constante, determinado que cópia desta diligência seja juntado àquela processo; (v) ao término dos trabalhos, a AMBEV deverá ser intimada do Relatório Fiscal da Diligência a fim de que, querendo, se manifeste no prazo de 30 dias (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). Encerrada a diligência, os autos deverão retornar a este CARF, para que se abra vista/ciência à PGFN, em querendo, se manifestar, e na sequência encaminhar a este Colegiado para dar prosseguimento ao julgamento. É como voto a presente Resolução. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.002539/99-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996 DIFERIMENTO DE LUCROS NÃO REALIZADOS DE CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. Qualquer que seja o prazo de execução de cada unidade, nos contratos de prazo de vigência superior a doze meses com pessoa jurídica de direito público ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, é facultado ao contribuinte diferir a tributação do lucro até o recebimento da receita correspondente.
Numero da decisão: 1802-000.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelso Kichel
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Qualquer que seja o prazo de execução de cada unidade, nos contratos de prazo de vigência superior a doze meses com pessoa jurídica de direito público ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, é facultado ao contribuinte diferir a tributação do lucro até o recebimento da receita correspondente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, André Almeida Blanco, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 130/147 contra decisão monocrática da da DRJ/Campo Grande (fls. 121/125) que julgou procedente o auto de infração do IRPJ, referente ao anocalendário 1996. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl. 121): (...) Assunto:Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: Postergação de Imposto – Inobservância do Regime de Competência Afigurase a postergação de pagamento de imposto, ocasionada pelo registro extemporâneo de receitas, quando o contribuinte as reconhece em período posterior ao de sua correta competência, pagando o tributo correspondente neste último período. O lançamento da diferença de imposto fundada em inexatidão quanto ao período de competência é devido. JUROS DE MORA. Os tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos pela legislação tributária, serão acrescidos de juros de mora à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. MULTA DE OFÍCIO. Legítima é a cobrança da multa de lançamento ex officio quando comprovada, em procedimento fiscal, a ausência de recolhimento integral do IRPJ dentro do prazo legal. Lançamento Procedente (...) Quantos aos fatos: houve a lavratura de auto de infração do IRPJ em 20/09/1999 (fls. 46/50), cujo credito tributário perfaz o montante de R$ 195.296,22, estando inclusos multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/1999, em face da infração imputada: inobservância do regime de escrituração – postergação de receitas, assim narrada pela fiscalização (fls. 47/48): “001 – INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO ATÉ O AC 1996 POSTERGAÇÃO DE RECEITAS Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.002539/9901 Acórdão n.º 180200.912 S1TE02 Fl. 2 3 O contribuinte acima identificado apresenta em sua DIPJ/97 uma exclusão do lucro líquido do exercício no valor elevado (R$ 961.512,79) citado apenas como “outras exclusões”. Intimado a apresentar a documentação, verificamos que este valor se refere a diferimento de valores não recebidos, em contratos de longo prazo com pessoa jurídica de direito público. O contribuinte apresentou cópia do contrato nº DJU.S/004 DO/03.93 firmado entre o mesmo e a ENERSUL – Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S.A.. O primeiro Termo Aditivo do referido contrato apresenta em sua Cláusula Terceira – (pagamento e financiamento) a informação de que o financiamento obtido pela PLANEL junto à instituição financeira, é assumido pela Enersul, nos termos do documento de Caução de Títulos de Créditos que integram o contrato citado, e que as empreiteiras dão PLENA, GERAL E IRREVOGÁVEL QUITAÇÃO. (...) Posteriormente, o contribuinte apresentou avisos de créditos emitidos pelo Banco do Brasil, os quais se encontram relacionados abaixo (...): * valor R$ 370.508,11 em 05/10/95; * valor R$ 459.760,94 em 27/11/95; * valor R$ 323.754,80 em 29/01/96; * valor R$ 437.572,29 em 27/03/96; * valor R$ 495.850,37 em 22/05/96; * valor R$ 369.511,78 em 24/07/96; * valor R$ 179.705,50 em 25/09/96. Tendo em vista que, apesar do financiamento estar em nome da Empreiteira, a ENERSUL assume toda a responsabilidade sobre o financiamento, inclusive dos valores dos juros, citando ainda o item 10.4 do Termo Aditivo do contrato: “O repagamento pela ENERSUL às empreiteiras dos financiamentos, observado o disposto no Termo de Caução anexo, se fará em condições absolutamente idênticas àquelas constantes dos anexos contratos firmados com os bancos, obrigandose a ENERSUL a tornar disponíveis nas contas pelas Empreiteiras mantidas junto aos agentes financiadores e indicados à ENERSUL, nos respectivos vencimentos, os valores devidos em cada uma das prestações dos referidos financiamentos;” De acordo com o exposto acima, constatase que os valores recebidos pelas Empreiteiras, a título de financiamento, são o efetivo recebimento do Contrato, visto que a ENERSUL é verdadeira responsável pelo efetivo pagamento dos mesmos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Outra comprovação do acima exposto é a Cláusula Quarta – Faturamento, do Termo Aditivo do contrato(DJU.S/004 DO/03.93), abaixo transcrito: “Alterar o item 9.1 da Cláusula Nona que passará a ser: “aprovadas as medições, as Empreiteiras deverão efetuar os seus faturamentos em 04 (quatro) vias, acompanhadas das duplicatas quitadas relativamente a parcela financiada, recebida antecipadamente pelo financiamento obtido e repassado, encaminhandoas ao departamento de Construção – DCT.O, o qual enviará ao Departamento de Controle DCT.F da Enersul.” Tal cláusula diz textualmente que os valores faturados foram recebidos antecipadamente através do financiamento obtido e repassado e que o faturamento deve estar acompanhado de duplicatas devidamente quitadas. Com base nisso, os valores diferidos no ano de 1996, dos quais R$ 790.117,84 correspondem a obra 519/520 (ENERSUL), não podem ser integralmente diferidos. O valor total da obra contratada é de R$ 3.640.353,98. Os valores recebidos em 1995 e 1996, já que para o ano 1995 não houve faturamento dessas obras, devem ser considerados como recebidos no ano de 1996 e os lucros correspondentes, computados no Lucro Real do referido ano. Valores recebidos................................................R$ 2.636.663,79 corresponde a 72,43% do total da obra contratada. Valor diferido em 1996 ...........................................R$ 790.117,84 Valor a ser computado no Lucro Real de 1996 72,43% de R$ 790.117,84 = R$ 572.282,36. O valor que deveria ter sido computado em 1996 foi integralmente adicionado em 1997. Houve, portanto, a postergação do imposto devido referente ao montante supra. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1996 R$ 572.282,36 75% Enquadramento legal Arts. 194, 195, inciso II, 197, 219, 220, 222, do RIR/94. (...) Razões da impugnação apresentadas na primeira instância, em síntese, são as seguintes (fls. 72/75): que o contrato nº 95/005013, de 25/09/95, firmado pela impugnante com o Banco do Brasil S/A teve o papel de financiamento de capital de giro para suportar a execução do contrato de empreitada global firmado com a ENERSUL, nas condições exigidas no Edital de Licitação; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.002539/9901 Acórdão n.º 180200.912 S1TE02 Fl. 3 5 que a simples comparação dos valores constantes dos dois contratos, por si só, demonstram que não se trata de obras recebidas antecipadamente (fora do cronograma financeiro estabelecido no contrato da ENERSUL), pois o contrato da obra é de R$ 3.640.353,98 (Cláusula Segunda, Parágrafo Primeiro, item 1.2), enquanto o de financiamento junto ao Banco do Brasil S/A é de R$ 2.500.000,00, com um ano de carência e para amortização em 36 vezes, de 15/10/96 a 15/10/1999 (fls. 187, 201, 202 e 204); que, diversamente do que entendeu a fiscalização, não se trata de transferência de contrato de financiamento para a ENERSUL; que ao contrair o financiamento junto ao Banco do Brasil – a impugnante teve que oferecer como garantia do financiamento Cédula de Crédito Industrial (garantia real), gravando vários imóveis rurais de sua propriedade, inclusive a Caução de Título Crédito recebida da ENERSUL (fls. 17/19 e 191/200); que caso não houvesse pagamento por parte da ENERSUL, nas datas aprazadas, a impugnante seria obrigada a liquidar as parcelas de financiamento junto ao Banco do Brasil S/A, sob pena de execução das garantias reais; que, enfim, os contratos são independentes; que a comprovação de que as duas operações são independentes é confirmada pelos documentos em anexo, ou seja: a ENERSUL liquidou o contrato DJU.S/004 –DO/03.93 em parcelas mensais a partir de 10/96 até 08/97, conforme comprovantes e planilha em anexo (fl. 139); por outro lado, o contrato nº 95/0005013 com o Banco do Brasil S/A está sendo pago pela impugnante desde 11/96 e, ainda, resta saldo a pagar, conforme extratos e pedidos de prorrogação de prazo em anexo (fls. 201/205, 29, 110/119); que, além dos aspectos até aqui abordados, resta frisar que – mesmo carcacterizado a postergação admitido apenas a título de argumentação , os acréscimos considerados (multa e juros) são indevidos nos termos do art. 138 do CTN, já que liquidado o imposto no período mês 12/97, antes de qualquer procedimento fiscal; que, por fim, seja cancelado o lançamento. Em que pese os argumentos da contribuinte, a decisão monocrática da DRJ/Campo Grande manteve o lançamento, conforme ementa já transcrita anteriormente. Irresignada com essa decisão, da qual tomou ciência em 01/10/2001 (fl. 128), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 01/11/2001 de fls. 130/147, juntando, ainda, os documentos de fls. 148/259, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, no caso, houve tremendo equívoco da auditoria da Receita Federal; que considerou como receita imediata o valor do financiamento obtido, junto ao Banco do Brasil S/A, no valor R$ 2.636.663,79, cujas parcelas foram liberadas pela instituição financeira, nas datas declinadas no auto de infração; que as receitas foram escrituradas/apropriadas, conforme as medições da obra, e oferecidas à tributação tãosomente quando do recebimento efetivo da receita; que os valores faturados, em face das medições em 1996, que superaram os pagamentos efetuados pela ENERSUL, foram diferidos para o anocalendário 1997 (obra pública de longo prazo); Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Vale dizer, que o valor da nota fiscal de faturamento para entrega futura (NF 3109, de 22/02/96) R$ 3.640.353,98 foi sendo apropriado como receita, conforme notas fiscais emitidas por ocasião das respectivas medições (fl. 157/182) e cópia do livro Razão (fls. 207/238); que o faturamento efetivo das receitas de R$ 3.640.353,98 ocorreu em 10/96, 11/96, 12/96, 01/97, 02/97, 03/97, 04/97, 05/97, 06/97, 07/97 e, finalmente, 08/97, tudo de acordo com os procedimentos contábeis e fiscais adotados pela recorrente; que, destarte, as premissas em que se firmou o auto de infração para apuração da postergação estão incorretas, pois o faturamento (receitas) e recebimentos, diversamente do entendimento da fiscalização, deuse nos seguintes períodos: a) faturamento: (receitas) de acordo com as medições de 05/96 a 12/96 .............................................................................................................................R$ 3.056.236,11; b) recebimentos: de acordo com recebimentos de 05/96 a 12/96.......................................................................................................................R$ 303.362,82 (fl. 139); c) parcelas a receber: saldo recebido no decorrer do ano de 1997, acrescido do faturamento de 1997: 01/97 a 08/97 (7 x R$ 101.120,94 e 1 x R$ 2.629.144,58) = R$ 3.336.991,16 (fl. 139). que, assim, os dados para diferimento do Lucro são: * Receita total auferida no período: 1996 ............................R$ 3.056.236.11 * Custo incorrido no período: 1996........................................R$ 2.174.254,98 * Lucro : 1996.........................................................................R$ 881.981,13 * Parcelas de receitas recebidas no período: 1996.................R$ 303.362,82 * Receita total no período: 1997...........................................R$ 584.117,87 * Parcelas de receitas recebidas no período: 1997 ...............R$ 2.752.873,29 * Parcela de receitas de 1997 e recebidas em 1997: .............R$ 584.117,87 Logo, R$ 2.752.873,29 (parcelas de receitas não recebidas em 1996)/ R$ 3.056.236,11 (receitas faturadas em 1996) = 0,9007 x R$ 881.981,13 (Lucro ) = R$ 794.435,44 (parcela do Lucro passível de diferimento em 1996). que, por conseguinte, o equívoco do fisco foi considerar o financiamento do Banco do Brasil S/A (recursos liberados nos períodos de 10/95 a 09/96 no valor de R$ 2.636.663,79) como recebimento efetivo de receitas auferidas no respectivo anobase. Por fim, ante o exposto, a recorrente pediu o cancelamento da exigência fiscal. Na Sessão de 18/04/2002, o processo foi submetido a julgamento na Sétima Câmara do então 1º CC, porém o julgamento foi convertido em diligência Resolução nº 107 0.396 (267/269), para as seguintes providências, conforme voto condutor, in verbis: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.002539/9901 Acórdão n.º 180200.912 S1TE02 Fl. 4 7 Inicialmente é de ser esclarecido que, juntamente com a peça recursal, a Recorrente junta aos autos os documentos de fls. 148 a 259.. O documento de fls. 156 é o mesmo que consta à fl. 28 e fala de faturamento para entrega futura. Tal documento foi objeto de análise pela fiscal autuante. Por outro lado as demais notas fiscais, anexadas junto com a peça recursal, especialmente as emitidas no ano de 1996, no nosso entender, não foram objeto de análise pela fiscal autuante. Isto posto, converto o julgamento em diligência para que a fiscal autuante, ou outro designado para tal mister analise os documentos de fls. 148 a 259 juntamente com o explicitado na peça recursal e, em seguida, intime a Recorrente para, querendo, se manifestar sobre o trabalho no prazo de 30 dias. (...) Realizadas as diligências, foram juntados os documentos de fls. 273/295 e respectivo Relatório de Diligência de fls. 296/297. Retornaram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca da exigência de crédito tributário de que trata o auto de infração do IRPJ, atinente anocalendário 1996, pela imputação da infração: inobservância do regime de competência – postergação de receitas – diferimento da tributação do lucro do período de apuração 1996 para o anocalendário 1997. A recorrente, estribada em documentação juntada aos autos, aduz que houve flagrante equívoco do fisco ao imputar a citada infração à legislação tributária; que o diferimento da tributação da maior parte do lucro do anocalendário 1996 para o ano calendário 1997 decorreu de receitas faturadas, porém não recebidas, em contratos de longo prazo com pessoa jurídica – entidade da administração indireta; que registrou os resultados em sua escrituração contábil e fiscal em consonância com legislação comercial e tributária; que o erro ou equívoco da fiscalização reside no fato de ter considerado os avisos de crédito (recebimento de valores, capital de giro) – relativos ao financiamento obtido (para execução das obras contratadas pela ENERSUL) – como sendo receitas faturadas/recebidas. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito da contenda. A recorrente tem razão em sua irresignação. A fiscalização, numa análise perfunctória dos fatos, em premissas equivocadas, imputou infração tributária inexistente. A recorrente, conforme instrumento contratual – Termo Aditivo de 25/07/1995 de fls. 10/16, por ter vencido, ganho, certame licitatório em 1994, contratou a execução de obra pública, por empreitada global – construção da subestação Lageado – Campo Grande e linha de transmissão de energia elétrica entre Ponta Porã/Sanga Puitá/MS, para a Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S/A – ENERSUL, por R$ 3.640.353,98 , mais juros do financiamento, que seria obtido pela recorrente. Ainda, pelo Termo Aditivo de 25/07/1995, conforme Cláusula Sexta, o prazo para conclusão da obra contratada foi de 1 (um) ano e meio de sua assinatura. A ENERSUL (contratante) pagaria a obra contratada nas mesmas condições do financiamento bancário que seria obtido pela recorrente (custo final), dando, porém, como garantia para a contratada (recorrente) – para facilitação de obtenção do financiamento bancário – Caução de Título de Crédito contratos de fornecimento de energia elétrica em regime horosazonal (demanda contratada), celebrados entre a Contratante e os Clientes (Center Carnes RM Ltda, CGR RBT 1240 SANESUL, Comando 6º Distrito Naval, FATISUL Ind. Com. Óleos Vegetais Ltda e Fundação Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), conforme Terceiro Termo Aditivo de 15/09/1995 e Anexo I (fls. 17/19). Para execução da obra contratada, a recorrente – para buscar capital de giro – firmou contrato de financiamento, inicialmente, com o Banco SAFRA, em 15/09/1995, no valor de US$ 3,819.888,75, por 48 meses (e 12 meses de carência), para vencimento final em Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.002539/9901 Acórdão n.º 180200.912 S1TE02 Fl. 5 9 15/09/1999; porém, um mês depois, o empréstimo foi liquidado antecipadamente pela recorrente, em face de preocupação com o destino que o Governo do Estado do Mato Grosso do Sul daria à estatal (fls. 184/190). Na sequência, obviamente para obter capital de giro para execução da obra contratada, a recorrente firmou contrato de financiamento com o Banco do Brasil S/A em 25/09/1995, no valor de R$ 2.500.000,00 com prazo de pagamento de 5 anos, para vencimento final em 15/10/2000, conforme cláusulas da Cédula de Crédito Industrial, garantida pela Hipotéca Cedular de Primeiro Grau (foram dados em garantia real diversos imóveis rurais, fazendas, da recorrente, e o seu direito de Caução de Direitos Creditórios obtido da contratante) – fls. 191/205. O crédito do contrato de financiamento obtido pela recorrente foi liberado pelo Banco do Brasil no valor de R$ 2.636.663,79, conforme abaixo (fls. 58/65): * valor R$ 370.508,11 em 05/10/95; * valor R$ 459.760,94 em 27/11/95; * valor R$ 323.754,80 em 29/01/96; * valor R$ 437.572,29 em 27/03/96; * valor R$ 495.850,37 em 22/05/96; * valor R$ 369.511,78 em 24/07/96; * valor R$ 179.705,50 em 25/09/96. Em face de Cláusula contratual com a ENERSUL, a recorrente, na sequência, em 22/02/1996, emitiu Nota Fiscal global – Faturamento Para Entrega Futura – no valor de R$ 3.640.353,98, cópia (fls. 28 e 156). A fiscalização, interpretando erroneamente esses fatos e documentos respectivos, entendeu que em face da garantia dada pela ENERSUL (Caução de Direitos Creditórios), emissão de Nota Fiscal Global de Faturamento em 22/02/1996 pela empreiteira, e os créditos liberados pelo Banco do Brasil (financiamento obtido pela recorrente), estaria configurado o recebimento efetivo de receitas de R$ 2.636.663,79 em 1996 (72,43%) pela recorrente, em relação valor contratado da obra de R$ 3.640.353,98; que em relação ao lucro diferido escriturado de R$ 790.117,84 no anobase 1996, teria havido excesso de diferimento de R$ 572.282,36 (72,43%), cujo IRPJ, multa de ofício e juros de mora respectivos foram objeto do auto de infração de que tratam os presentes autos. Não se pode confundir receitas da execução da obra e recursos obtidos pelo financiamento (capital de giro para execução da obra); são coisas diversas. O erro da fiscalização, no caso, foi não ter feito essa distinção. Compulsando os autos, restou evidente que a fiscalização foi induzida a erro pela recorrente, na medida que – mesmo intimada por 5 (vezes) vezes na fase de fiscalização (fls. 02/03, 05, 07, 09 e 20) – a recorrente não forneceu à fiscalização as notas fiscais de faturamento (medições periódicas realizadas em 1996 e em 1997) e os valores de receitas efetivamente recebidos, mormente, do anocalendário 1996. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 A recorrente somente trouxe aos autos cópias das notas fiscais de faturamento das obras executadas (conforme medições periódicas) nesta instância de julgamento, anexas ao Recurso Voluntário (fls. 158/182), comprovando que em relação ao valor faturado em 1996 de R$ 3.056.236,11 (com base em medições de obra executada), recebeu da Contratante apenas R$ 303.362,82 – amortização do principal do empréstimo demonstrativo fl. 139 e cópias do livro Razão (fls. 222/224); que, por conseguinte, conforme escrituração contábil/fiscal, do Lucro do anocalendário 1996 de R$ 881.981,13, o valor de R$ 794.435,44 foi diferido (90,07%), pois em relação às receitas faturadas do anocalendário 1996, recebeu apenas 9,93%. Em face disso, conforme relatado, a Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, na Sessão de 18 de abril de 2002, converteu o julgamento em diligência para tirar a dúvida se tais notas fiscais de fatura haviam, ou não, sido objeto de análise pela fiscalização, antes da lavratura do indigitado auto de infração, determinado que a AuditoraFiscal que apurou a infração imputada, ou outro AuditorFiscal designado, fizesse análise de tais documentos em face da escrituração contábil/fiscal da recorrente (fls. 267/269). O resultado da diligência fiscal, conforme Relatório de Diligência de fls. 296/297, foi o seguinte: (...) As notas fiscais apresentadas (fls. 157 a 182) não foram objeto de análise quando do procedimento fiscal, pois o contribuinte não apresentou à época dos fatos toda a documentação necessária, apesar de regularmente intimado a prestar e apresentar os esclarecimentos necessários à operação em questão. Apresentou apenas a Nota Fiscal Global (NF nº 3105, de 22/02/96), acostadas às fls. 28, onde constava que a duplicata fora quitada. Em função dos elementos/documentos apresentados à época do procedimento fiscal e acostados ao processo, entendemos que a operação era “casada”, ou seja, vinculada a financiamento bancário (docs. Fls. 35 a 44) e em função desse fato a mesma já havia recebido os recursos e dessa forma não poderia ter diferido (excluído) da base de cálculo do IRPJ e CSLL no ano de 1996. As notas fiscais apresentadas quando do recurso voluntário estão escrituradas no Livro Razão (cópias às fls. 157 a 174 do ano 2006 e fls. 175 a 182 do ano 2007). Portanto, pelo exposto encerro a presente Diligência Fiscal, dando ciência a Requerente para querendo manifestarse (...) (Grifei) Obs: quando o Relatório de Diligência menciona que “As notas fiscais apresentadas quando do recurso voluntário estão escrituradas no Livro Razão (cópias às fls. 157 a 174 do ano 2006 e fls. 175 a 182 do ano 2007”), na verdade, houve erro material de citação pela autoridade fiscal, pois devese ler “às fls. 157 a 174 do ano 1996 “ e “ fls. 175 a 182 do ano 1997”). O resultado da diligência fiscal, destarte, confirma o equívoco da fiscalização ao lavarar o auto de infração, pois considerou ou entendeu que a operação seria “casada”, ou Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.002539/9901 Acórdão n.º 180200.912 S1TE02 Fl. 6 11 seja, que os recursos liberados do financiamento bancário seriam, em si, pagamento da obra contratada. Ora, como demonstrado, o financiamento foi contratado em nome da recorrente, e não em nome da contratante da obra. A contratatante, com base em cláusula contratual, ficou obrigada de pagar o preço contratado da obra diretamente à recorrente, fazendo os respectivos depósitos, seguindo o cronograma de pagamento/amortização do empréstimo pela recorrente. Nesse sentido, transcrevo o item 10.4 da Cláusula Décima do Termo Aditivo (fl. 13), in verbis: “O repagamento pela ENERSUL às empreiteiras dos financiamentos, observado o disposto no Termo de Caução anexo, se fará em condições absolutamente idênticas àquelas constantes dos anexos contratos firmados com os bancos, obrigandose a ENERSUL a tornar disponíveis nas contas pelas Empreiteiras mantidas junto aos agentes financiadores e indicados à ENERSUL, nos respectivos vencimentos, os valores devidos em cada uma das prestações dos referidos financiamentos;” Entretanto, diversamente dessa Cláusula contratual transcrita supra, em face da conclusão da obra em 1997, a ENERSUL quitou, antecipadamente, o contrato da obra contratada nesse ano, pagando o valor acordado, não seguindo o cronograma de pagamento/amortização do financiamento previsto até 15/10/1999. Por conseguinte, a recorrente, nesse ano, ofereceu à tributação as respectivas receitas (faturadas e recebidas), inclusive as do ano anterior que haviam sido somente faturadas e objeto de diferimento da tributação. A recorrente, pelo que consta dos autos, realmente ainda ficou por alguns anos pagando o financiamento bancário, pelo menos, até 15/10/1999 (fls. 116/118 e 204). Portanto, quanto às receitas faturadas e não recebidas do anocalendário 1996, a recorrente procedeu ao diferimento do lucro para o ano 1997 em consonância com o disposto no art. 360 do RIR/94, in verbis: Art. 360. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 358 ou 359, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretosLeis n°s 1.598/77, art. 10, § 3°, e 1.648/78, art. 1°, I): I poderá ser excluída do lucro líquido do períodobase, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período base, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo períodobase; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do períodobase em que a receita for recebida Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 (...) No mesmo sentido, precedentes do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF: CONTRATOS DE LONGO PRAZO – O contribuinte poderá diferir a tributação do lucro referente à empreitada ou fornecimento contratado a longo prazo com pessoa jurídica de direito público. Comprovado que as obras foram contratadas, tendo a empresa emitido as respectivas notas fiscais e as escriturado nos livros Diário e Razão; indevida a glosa do diferimento sem o aprofundamento da fiscalização. A determinação exata da matéria tributável, em relação a valor e a data de ocorrência é dever da autoridade administrativa. A dúvida quanto a quaisquer dos requisitos contidos no artigo 142 do CTN vicia o lançamento tornandoo imprestável. Salvo os casos especificados na lei, o ônus da prova cabe à autoridade administrativa que realizar o lançamento. 1º Conselho de Contribuintes/7ª Câmara/ACORDÃO 10706773 em 17.09.2002. Publicado no DOU em: 25.11.2002. CONTRATOS FIRMADOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS – Nos termos do art. 282 do RIR/80 e do art. 360 do RIR/94, é permitido à contribuinte, no caso, empresa prestadora de serviços fornecidos através de contratos com base em preço unitário, para pessoa jurídica de direito público; empresa sob seu controle; empresa pública; sociedade de economia mista ou sua subsidiária, diferir a tributação do lucro até sua realização. 1º Conselho de Contribuintes/7ª Câmara/Acórdão 10705864 em 27.01.2000 – Publicado no DOU em: 23.03.2000. Por tudo que foi exposto, VOTO para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL, 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10580.721806/2008-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003
MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF no. 14).
DECADÊNCIA.
Afastada a hipótese de intuito de fraude ou dolo pelo contribuinte, aplica-se a regra contida no artigo 150, § 4º parágrafo do Código Tributário Nacional que determina que em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de
cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador.
ADICIONAL IRPJ.
Em razão da redução do crédito tributário exigido nos autos, em face do reconhecimento da decadência, restam indevidos os valores dos adicionais de IRPJ relativamente aos períodos decaídos.
MULTA DE OFÍCIO. TRIBUTO E JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
A multa, para o pagamento da exigência fiscal realizada de ofício, é calculada sobre o montante do tributo com a incidência de juros calculados até o momento em que encerra-se a mora do contribuinte autuado/notificado pelo fisco.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-000.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) por maioria de votos, em preliminar, reconhecer a decadência dos 1º, 2º e 3º trimestres do ano-calendário de 2003 e afastar a multa qualificada (fraude), pelo que insubsistentes os lançamentos tributários para exigências de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e adicionais de IRPJ nestes períodos; vencidas, nesta matéria, as conselheiras Carmen Ferreira Saraiva e Ana de Barros Fernandes (relatora); designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Lourdes Ramires; II.a) por maioria de votos, no mérito, mantidas as exigências relativas ao 4º trimestre com redução da multa de ofício de
150% para 75%; vencidos nesta matéria os conselheiros Guilherme P. G. da Silva e Sandra Maria Dias Nunes que davam provimento ao recurso; vencidas na redução da multa as conselheiras Carmen F. Saraiva e Ana de B. Fernandes; II.b) por voto de qualidade, no mérito, mantida a incidência de juros sobre a multa de ofício; vencidos, nesta matéria, os conselheiros Guilherme P. G. da Silva, Sandra Maria D. Nunes e Rogério G. Peres que davam provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF no. 14). DECADÊNCIA. Afastada a hipótese de intuito de fraude ou dolo pelo contribuinte, aplica-se a regra contida no artigo 150, § 4º parágrafo do Código Tributário Nacional que determina que em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador. ADICIONAL IRPJ. Em razão da redução do crédito tributário exigido nos autos, em face do reconhecimento da decadência, restam indevidos os valores dos adicionais de IRPJ relativamente aos períodos decaídos. MULTA DE OFÍCIO. TRIBUTO E JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. A multa, para o pagamento da exigência fiscal realizada de ofício, é calculada sobre o montante do tributo com a incidência de juros calculados até o momento em que encerra-se a mora do contribuinte autuado/notificado pelo fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 380DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Acordam os membros do colegiado: I) por maioria de votos, em preliminar, reconhecer a decadência dos 1º, 2º e 3º trimestres do ano-calendário de 2003 e afastar a multa qualificada (fraude), pelo que insubsistentes os lançamentos tributários para exigências de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e adicionais de IRPJ nestes períodos; vencidas, nesta matéria, as conselheiras Carmen Ferreira Saraiva e Ana de Barros Fernandes (relatora); designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Lourdes Ramires; II.a) por maioria de votos, no mérito, mantidas as exigências relativas ao 4º trimestre com redução da multa de ofício de 150% para 75%; vencidos nesta matéria os conselheiros Guilherme P. G. da Silva e Sandra Maria Dias Nunes que davam provimento ao recurso; vencidas na redução da multa as conselheiras Carmen F. Saraiva e Ana de B. Fernandes; II.b) por voto de qualidade, no mérito, mantida a incidência de juros sobre a multa de ofício; vencidos, nesta matéria, os conselheiros Guilherme P. G. da Silva, Sandra Maria D. Nunes e Rogério G. Peres que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada EDITADO EM: 17/01/2011 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório O escritório de advocacia sofreu a autuação consubstanciada nos Autos de Infração de fls. 02 a 34 para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativas ao ano- calendário de 2003. O Termo de Verificações, parte integrante dos Autos lavrados explicita os procedimentos de fiscalização, o ilícito tributário e justifica a aplicação da multa qualificada (e elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais pelo cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária). Aproveito trechos do relatório do acórdão vergastado, para esclarecer sobre a autuação: “De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, foi apurada omissão de receitas da atividade, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, tendo como enquadramento legal os art. 281 e 528 do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), além de toda a legislação mencionada no Termo de Verificação Fiscal. Foi informado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 03 a 07) que: _ o procedimento de fiscalização foi motivado por fiscalização efetuada no contribuinte Sr. Dylson da Hora Doria - CPF n° 002.126.105-97, quando foram constatados pagamentos efetuados pela empresa Doria Advogados Associados S/C Fl. 381DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10580.721806/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.414 S1-TE01 Fl. 381 3 ao citado contribuinte, cujos lançamentos contábeis apresentavam indícios de irregularidades; [...] PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS _ a existência de cheques compensados que foram contabilizados a débito da conta Caixa, efetuada por diversas vezes no curso do ano-calendário de 2003, evitou o surgimento de saldo credor de caixa, como podemos abaixo evidenciar, quando da retirada dos recursos que deveriam ter sido contabilizados de forma diversa: Mês Saldo Expurgos Saldos Reais janeiro 94.430,50 1.160,00 93.270,50 fevereiro 162.998,90 12.347,00 149.491,90 março 274.486,19 95.486,00 165.493,19 abril 86.340,77 22.652,23 maio 190.383,68 100.000,00 81.390,68 junho 218.086,70 3.206,00 5.887,70 julho 97.259,77 7.345,00 -122.284,23 agosto 453.885,73 351.274,96 -116.933,23 setembro 452.982,26 4.920,00 -122.756,98 outubro 142.654,98 3.480,00 -436.563,98 novembro 159.565,17 -419.653,79 dezembro 184.521,48 17.318,00 -412.015,48 VALORES TRIBUTÁVEIS E ENQUADRAMENTO LEGAL • de todo o exposto, os lançamentos efetuados de maneira a omitir dentro da escrituração contábil, pagamentos efetuados pela empresa, são considerados, por presunção legal, conforme o inciso II do artigo 281 do RIR/1999, omissão de receita. Tal artifício, utilizado pela empresa, evitou a existência de saldo credor de caixa, também presunção legal de omissão de receitas, conforme inciso III do mesmo dispositivo legal, transcrito;” A fiscalização fez diversas intimações à empresa para esclarecer sobre os cheques emitidos em favor de Dylson da Hora Dória e contabilizados na conta “Caixa”, constatando pelos extratos bancários pertinentes que as saídas da conta do escritório coincidiam com as entradas na conta do referido sócio, oculto na sociedade civil, em valores depositados ‘em dinheiro’, por se tratar da mesma instituição financeira. Esclarece, ainda, que qualificou a multa de ofício por entender que a fiscalizada agiu volitivamente enquadrando a sua conduta no artigo 72 da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 382DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Anexou os Livros Diário e Razão, em original, no processo de Representação Fiscal para Fins Penais encaminhado ao Ministério Público Federal para averiguações e procedimentos de sua alçada. Inconformada, o escritório impetrou a impugnação de fls. 236 a 310 argumentando, em suma: 1) explicou que a fiscalização iniciou-se na pessoa física e que esta explicou a origem dos valores recebidos como advindos do escritório de advocacia, sendo sócio oculto à época das transferências; 2) a fiscalização não acatou as explicações, não aceitando que os valores tratavam de distribuição de lucros e autuou a defendente para o pagamento do IRRF, com multa de ofício de 75%; em outro processo, valor este que acabou por ser recolhido porque a sociedade não queria macular seu nome; 3) não obstante, resolveu auditar o escritório intimando-o a apresentar documentos e explicações a cerca a respeito dos depósitos efetuados em nome de Dylson Dória; 4) todavia, operou-se a decadência com relação ao períodos anteriores a 26/10/2003, pelo que não poderia ter sido lançado tributos correspondentes a este período, conforme o artigo 150, § 4º do CTN (Código Tributário Nacional) e farta e remansosa jurisprudência neste sentido; 5) houve equívoco na apuração dos valores tributados, a título do adicional, porque a fiscalização não excluiu do lucro presumido a parcela de R$20.000,00 ao mês ou R$60.000,00 por trimestre, conforme preceitua o artigo 542 do Regulamento de Imposto de Renda vigente – RIR/99; 6) a fiscalização não provou o evidente intuito de fraude, o que torna insubsistente a qualificação da multa; nos casos de presunções de omissão de receitas não se pode falar em omissão fraudulenta de fato gerador presumido pela fiscalização; cita textos doutrinários e acórdãos judiciais e administrativos entendendo que se trata de mera omissão de receitas, sem o dolo específico, o que resulta em mera declaração inexata do contribuinte; 7) não pode a fiscalização tratar a mesma situação de forma diversa: uma, para exigência de IRRF por entender que os pagamentos foram efetuados a pessoa que não era sócio oculto, foi cominada a multa de ofício regular – 75%, enquanto para a infração ora discutida, gerada pelos mesmos fatos – pagamentos a beneficiário não identificado, houve a cominação da multa qualificada; os saldos credores da conta Caixa teriam sido evitados se os pagamentos fossem efetuados diretamente àquela pessoa e não transitassem pela conta Caixa; 8) os erros contábeis e as declarações inexatas ocorreram em ambos os casos, sendo situações decorrentes do mesmo fato e, portanto, não pode haver a aplicação da multa de forma diversa; 9) todos os livros, documentos e informações que a fiscalizada possuía foram disponibilizados à auditoria; pelo exposto a multa deve ser reduzida para 75%; 10) não pode haver cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício – cita acórdão administrativo. Fl. 383DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10580.721806/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.414 S1-TE01 Fl. 382 5 A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA exarou o Acórdão nº 15-19.981/09, fls. 334 a 348, afastando a argüição de decadência e mantendo os lançamentos tributários na íntegra. Assim restou ementado o aresto: “DECADÊNCIA. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, inicia-se a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ADICIONAL IMPOSTO. Está correto o valor do adicional do imposto incidente à alíquota de dez por cento sobre as parcelas do Lucro Presumido dos respectivos períodos de apuração que excederam o valor de sessenta mil reais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Presentes os atos previstos na legislação de regência, torna-se aplicável multa de ofício qualificada sobre todos os tributos lançados.” Reproduzo, por oportuno, trecho do acórdão guerreado sobre a qualificação da multa no presente caso, dada a íntima relação com a decadência e a redução de multa pleiteadas: “[...] Portanto, é lícito concluir que na situação de fraude existe a figura do dolo, que nos termos do nosso Código Penal, artigo 18, I, "é quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo". Ao insurgir-se contra a aplicação da multa qualificada alega a Impugnante que, pelo fato de a infração ter sido apurada com base em presunção legal, a Fiscalização não poderia afirmar que a Contribuinte agiu com fraude, pois a comprovação da ação dolosa somente pode ser feita quando houver prova direta da ocorrência do fato gerador dolosamente omitido, exigindo inclusive a comprovação do dolo específico. Vê-se, pois, que a inconformidade da Impugnante parte do entendimento de que as provas indiretas não têm a mesma força probante conferida às provas diretas. Todavia, não há diferença substancial entre a prova direta e as presunções legais. Há apenas diferença no que tange ao nexo lógico: enquanto a prova relaciona-se diretamente ao fato que se pretende demonstrar como verdadeiro, a presunção relaciona-se de forma indireta, apoiando-se em indícios para provar a ocorrência do fato indiciado. De qualquer forma, ambas constituem verdade suficiente do ponto de vista jurídico E, se tanto a prova direta quanto a presunção legal conduzem à certeza para o mundo do direito, são similares no que concerne ao efeito probatório. No Direito Tributário, a presunção legal assume importância vital, quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação e má-fé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o contribuinte pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas Fl. 384DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 diretas. Os indícios, por essa razão, convertem-se em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados, simulados. Portanto, não é admissível o argumento de que a comprovação da ação dolosa somente pode ser feita quando houver prova direta da ocorrência do fato gerador dolosamente omitido, uma vez que a presunção legal é instrumento colocado à disposição da fiscalização justamente para que obrigações tributárias não deixem de ser instauradas em virtude da prática de atos ilícitos pelo contribuinte, tendentes acobertar a ocorrência do fato típico. Também, é importante ressaltar que de acordo com o art. 18 do Código Penal, considera-se doloso o crime, seja quando o agente quis o resultado (dolo específico), seja quando simplesmente assumiu o risco (dolo eventual). E, diferentemente do que entende a Impugnante, na definição de intuito de fraude dada pela Lei n° 4.502, de 1964, não se faz distinção alguma entre dolo específico e dolo eventual. O texto legal emprega apenas a expressão "ação dolosa". Assim, basta para o fim de aplicar a multa qualificada, que fique evidenciado o intuito de fraude. Da mesma forma, para afastar a figura da homologação prevista no artigo 150, § 4°, do CTN é bastante que fique comprovado o dolo, a fraude ou a simulação. No caso concreto, está evidente a intenção da Impugnante de impedir a ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária com os artifícios contábeis descritos pela autoridade fiscal, por meio dos quais a Impugnante ocultou em sua escrituração, tanto receitas omitidas, evidenciadas pelo saldo credor de caixa, quanto pagamentos efetuados. Não se trata de simples omissão de receita, mas sim, de omissão de receita com o intuito de fraude, por meio de falsos lançamentos contábeis a crédito da conta bancos e à débito da conta caixa, encobrindo as reais operações realizadas pela pessoa jurídica, com a finalidade de manter receitas à margem da tributação.” A fundamentação para manter os cálculos correspondentes ao adicional do IRPJ, matéria também atacada, a turma de julgamento explicou: “Entretanto, tal entendimento está equivocado, pois para efetuar o cálculo da parcela do Lucro Presumido excedente ao valor de R$20.000,00 ao mês ou R$60.000,00 ao trimestre, sujeita ao adicional do IRPJ, a Impugnante não recompôs o Lucro Presumido de cada período de apuração, ou seja, considerou apenas o Lucro Presumido resultante das receitas omitidas tributadas no Auto de Infração, deixando de computar o Lucro Presumido que já havia sido oferecido à tributação espontaneamente, consoante determina o art. 542 do RIR/1999, transcrito a seguir: Art.542. A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que exceder o valor resultante da multiplicação de vinte mil reais pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeita-se à incidência de adicional de imposto à alíquota de dez por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 3°, §1°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 4°). [...] Dessa forma, o pleito da Impugnante não pode ser acolhido, permanecendo inalterados os valores do adicional do IRPJ, apurados no respectivo Auto de Infração, por estarem em conformidade com a legislação de regência.” No que versa o cômputo dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício, assim se posicionou: “A arguição de que estariam sendo cobrados juros sobre o montante da multa de ofício aplicada não resiste à análise dos demonstrativos de apuração de multa e juros Fl. 385DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10580.721806/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.414 S1-TE01 Fl. 383 7 que integram os Autos de Infração em exame, nos quais verifica-se que os juros de mora incidem sobre os valores dos tributos lançados, em perfeita sintonia com a legislação fiscal capitulada nos respectivos enquadramentos legais.” A sociedade civil de advogados interpôs o Recurso Voluntário de fls. 353 a 378 reprisando os termos da defesa exordial, salientando: I) ponto crucial a ser dirimido é a aplicação da multa qualificada - incabível porque a recorrente não agiu com dolo e, uma vez afastada, reconhecer-se-á a decadência e a multa será exonerada; II) não existe prova de fraude; não há qualquer elemento concreto que comprove o evidente intuito de fraude; a própria omissão de receitas não foi provada, mas somente presumida; a fiscalização não aponta qual a conduta dolosa do contribuinte ensejou o não oferecimento da receita à tributação; III) o lançamento de ofício, e a decisão recorrida, violam a Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo a qual “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.”; IV) a recorrente entende que o saldo credor de caixa não é fato gerador das obrigações tributárias de pagar IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, visto que não revela faturamento ou lucro do contribuinte; V) em se tratando de presunção legal, de duvidosa constitucionalidade, não há como se presumir o evidente intuito de fraude; VI) a recorrente questiona quais os valores de receitas efetivamente omitidas e qual a conduta dolosa praticada que gerou a omissão de receitas; VII) por esta razão que o Conselho tem jurisprudência firme de não admitir a qualificação da multa nos casos de lançamentos com fulcro em presunções legais; VIII) a decisão merece reforma porque tenta indevidamente aplicar o conceito de dolo eventual à recorrente, figura esta própria do Direito Penal que está inserido em zona cinzenta entre as condutas culposas e dolosas, não aplicável ao Direito Tributário; IX) em Direito Tributário, dolo significa conduta intencional, proposital, pretendida e sabida pelo contribuinte; X) de igual forma, a decisão equivoca-se ao igualar os efeitos probatórios da prova direta e da presunção legal em relação à certeza para o mundo do direito, pois a recorrente entende que a presunção relativa (juris tantum) não revela certeza alguma no mundo jurídico; XI) é absurda a conclusão de que as presunções legais indicam que os indícios se convertem em elementos fundamentais de fatos propositadamente ocultados, simulados, pois, neste caso, em todos os lançamentos por presunções deveriam ser aplicadas multas qualificadas; Fl. 386DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 XII) a recorrente entende indevida a afirmação do aresto de que não se trata de simples omissão de receita, mas sim omissão com intuito de fraude por meio de falsos lançamentos contábeis a crédito da conta bancos e a débito da conta caixa, encobrindo as reais operações realizadas pela pessoa jurídica e que impediram a ocorrência da obrigação principal; XIII) defende que não houve omissão de receitas tributáveis, mas pagamentos realizados a sócio oculto e que pagamento de despesa não é fato gerador, portanto, repete, não houve intenção de fraudar a ocorrência do fato gerador; XIV) a mesma auditoria não aplicou a multa qualificada ao fiscalizar a pessoa física do sócio – ou seja, a pessoa física recebeu rendimentos – fato gerador real – não ofereceu à tributação, mas não agiu com fraude, enquanto a pessoa jurídica apenas por não registrar a despesa – que não é fato gerador – agiu com dolo; por que a distinção de tratamento? A recorrente entende que o único critério foi a iminência do prazo decadencial, sabendo a fiscalização que não houve fraude; XV) afastada a ocorrência do evidente intuito de fraude, a recorrente requer seja reconhecida a decadência, com fulcro no artigo 150, §4º, do CTN – Código Tributário Nacional, para o período anterior a 26 de outubro de 2003; cita julgado do STJ – Superior Tribunal de Justiça e decisões administrativas; XVI) reprisa que houve erro na apuração do adicional de IRPJ, destacando erro no acórdão vergastado ao afirmar que a fiscalização recompôs o lucro presumido da contribuinte, procedimento que não fez; a fiscalização não excluiu do lucro presumido a parcela de R$20.000,00 ao mês ou R$60.000,00 no trimestre consoante dispõe o artigo 542 do RIR/99; demonstra os cálculos corretos, mês a mês, em tabela, e a improcedência dos valores exigidos; XVII) discorre, novamente, sobre a impossibilidade de aplicar-se a multa qualificada sobre os lançamentos tributários calcados em presunções legais de omissão de receitas, por não haver como provar o evidente intuito de fraude, elemento exigido pelo inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96; cita doutrinas que ligam a este elemento a ocorrência de uma das condutas tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64, sem a qual torna-se ilegítima a aplicação da multa qualificada; a doutrina é uníssona em aceitar a qualificação da multa somente quando existente o dolo específico e não a mera omissão de receitas (invoca outra vez a Súmula nº 14 do CC); cita decisões administrativas neste sentido; XVIII) ao tributar a recorrente para a exigência do IRRF sobre os pagamentos a beneficiário não identificado, no processo nº 10580.720922/2008-72, ignorando que os pagamentos eram para o sócio oculto, não qualificou a multa, razão pela qual, inconcebível dar tratamento diferenciado para o mesmo fato em concreto; XIX) defende a ausência de dolo da recorrente, por fim, porque apresentou à fiscalização livros, documentos e informações que dispunha; XX) solicita a exclusão dos juros moratórios sobre a multa de ofício, por entender que no âmbito dos tributos federais a legislação em vigor não autoriza a sua exigência e cita como paradigma o Acórdão nº 101-96008. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Fl. 387DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10580.721806/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.414 S1-TE01 Fl. 384 9 Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Há três pontos distintos a serem apreciados neste litígio: a) Se houve ou não fraude no ilícito tributário e seus efeitos: se não houve, parte do lançamento tributário estaria decaído e a multa de ofício aplicada seria a regular (75%) e não a qualificada; b) Erro na apuração do adicional do IRPJ; c) Exclusão dos juros moratórios sobre a multa de ofício aplicada. Acompanhando a linha de exposição da recorrente, passo a analisar o aspecto fraude, no ilícito tributário detectado e que ensejou os presentes lançamentos tributários, aliás cuja matéria tributária não foi objeto de contestação, em vista da decadência, neste caso, ser consequência direta desta apreciação. I) Da fraude e do dolo no ilícito tributário e das presunções legais tributárias O aresto de primeira instância foi duramente atacado pela recorrente, mas, ao meu ver, quem equivoca-se no tocante aos conceitos de fraude tributária e dolo e presunções legais é a própria recorrente. Comungo em quase todos os pontos com o acórdão vergastado e exponho detalhadamente as razões, começando pelas presunções legais. I.a) Das presunções legais de omissão de receitas Divirjo de pronto da recorrente, que argumenta não haver certeza alguma no mundo jurídico proveniente dos lançamentos tributários erguidos sobre os indícios e as presunções legais, relativas (juris tantum), às quais aqueles conduzem. Os atos administrativos, e neste mundo estão inseridos os lançamentos fiscais, gozam da presunção de legitimidade, ou seja, surtem efeitos que se reputam válidos, desde a sua constituição. Destarte, somente quando contestados e desconstituídos por outro ato administrativo (pelo que se denomina ato revisional, lato sensu) ou por um ato jurídico (sentença transitada em julgado) é que deixam de surtir os efeitos para os quais nasceram. Em assim sendo, todo o lançamento tributário, ainda que eivado de vícios insanáveis, o que não é o caso presente, nasce trazendo a certeza de exigibilidade (implícita à presunção de legitimidade), no mundo jurídico, até que outro ato (administrativo ou judicial) venha lhe extrair esta aptidão. Fl. 388DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 Acrescido a esta natureza própria, e exclusiva, dos atos administrativos, na espécie dos lançamentos administrativos tributários há aqueles que se calcam em presunções legais, que, ao contrário do que defende a recorrente, se tornam certezas quando não são ilididas com documentos hábeis, ou seja, não há a apresentação de provas capazes de desconstituí-las, como, exatamente, no presente caso. Nos casos das presunções legais, relativas, ainda assim, o ônus da prova inverte-se para o contribuinte.As presunções legais vêm expressas na lei tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador, no caso, a obtenção de receita. São situações que de tão excepcionais denunciam o ilícito tributário. Situação deveras conhecida, é a constatação do saldo credor do caixa – esta situação é materialmente impossível de ocorrer: se a pessoa jurídica não possui dinheiro em caixa, não poderá fazer o pagamento de despesas. Como pode, então, registrar a contabilidade que a despesa foi paga, sem o respectivo numerário? A situação é tão absurda, que a norma tributária presume o óbvio: em algum momento houve a omissão de receitas. No caso ora analisado, cumpre salientar, que a despeito da recorrente inúmeras vezes repetir que os indícios da presunção foram os saldos credores no Caixa (artigo 281, inciso I, do RIR/99, não foram, destaquei, mas os indícios inseridos na norma tributária que presumem a omissão de receitas, em si, fato gerador da obrigação tributária, são os pagamentos efetuados àquele que a recorrente chama de sócio oculto mais outros tantos cheques compensados, que ao invés de serem registrados somente como ‘saídas de recursos’ da empresa (valores creditados no Ativo Circulante), foram registrados contabilmente como “ingressos na conta Caixa” (debitados na conta Caixa), inequivocamente ‘inchando’ propositadamente o saldo da conta Caixa, indevidamente. E aí que ocorreu a infração tributária, cujos indícios veementes foram ditados pelo legislador, não pela autoridade fiscal: os pagamentos não contabilizados pela contribuinte. Assim restou explicitado no Termo de Verificação Fiscal: PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS Em análise à escrituração da empresa, podemos identificar uma série de lançamentos de transferência da conta contábil Banco do Brasil (crédito) para a conta caixa (débito). Fazendo a conciliação da escrituração com o extrato bancário apresentado, verificamos a existência de lançamentos com estas características, referentes a cheques emitidos pela empresa e compensados. Tais cheques se encontram relacionados no demonstrativo já apresentado. O contribuinte, conforme já descrito no item "procedimentos de fiscalização", tendo sido reintimado a prestar esclarecimentos quanto aos itens 1 e 4 do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 12/06/2008, tão somente declarou, com referência aos cheques de n°: 850.114, 850.125 e 850.154, que "foram lançados a débito da Conta "Caixa" em razão da ausência dos comprovantes dos pagamentos ". Tal afirmativa vai de encontro aos princípios fundamentais de escrituração contábil e de modo algum representa a transação efetuada pela empresa. A existência de cheques compensados que foram contabilizados a débito da conta Caixa, efetuada por diversas vezes no curso do ano calendário de 2003, evitou o surgimento de saldo credor de caixa, como podemos abaixo evidenciar, quando da retirada dos recursos que deveriam ter sido contabilizados de forma diversa. Fl. 389DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10580.721806/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.414 S1-TE01 Fl. 385 11 [...] VALORES TRIBUTÁVEIS E ENQUADRAMENTO LEGAL De todo o exposto, os lançamentos efetuados de maneira a omitir dentro da escrituração contábil, pagamentos efetuados pela empresa, são considerados, por presunção legal, conforme o inciso II do artigo 281 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), omissão de receita. Tal artifício, utilizado pela empresa, evitou a existência de saldo credor de caixa, também presunção legal de omissão de receitas, conforme inciso III do mesmo dispositivo legal. "art. 281. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei n- 1.598, de 1977, art. 12, § 2-, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 40): I - a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II - a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III - a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.. " (grifos pertencem ao original) Destaco o último parágrafo deste item, do referido termo, parte integrante dos Autos de Infração lavrados contra a recorrente: “Os valores tributáveis correspondem àqueles referentes aos pagamentos efetuados, pela empresa cujos recursos permaneceram na escrituração.” Por conseguinte, deveras a recorrente insista em dizer que os valores tributados vieram de estouros da conta Caixa por ocasião a pagamentos efetuados a sócio oculto, assim não se procedeu na presente autuação. A fiscalização considerou como matéria tributável: (i) os valores referentes a pagamentos efetuados e não escriturados; (ii) e a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada, evidenciados por cheques emitidos e efetivamente compensados por terceiros, mas que foram propositadamente mantidos no Ativo da empresa, creditando-se a conta Bancos, mas debitando-se a conta Caixa. A norma tributária determina, na verificação desta hipótese, há que se pressupor a receita omitida (este é o fato gerador da obrigação tributária). E a prova para mostrar que o fato gerador não ocorreu, a lei expressamente o declara, caberá ao contribuinte. As presunções legais, pois, surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário. E a autoridade fiscal colheu as provas dos indícios enunciados na norma tributária: os cheques compensados e escriturados no Caixa, como se fossem recursos recebidos pela empresa e não recursos despendidos – não da presunção, em si, pois esta já está declarada como ilícito, pela própria norma. A presunção, por conseguinte, ergue-se sobre indícios que devem ser devidamente e fartamente provados, como no presente lançamento. Fl. 390DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 Vale a pena transcrever o artigo 239 do CPP, que conceitua indício: Art.239.Considera-se indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias. Este link entre os indícios e o fato tributariamente relevante é fornecido pela norma tributária: depósitos não justificados ⇒ omissão de receitas; saldo credor de caixa ⇒ omissão de receitas; passivo fictício ⇒ omissão de receitas, e assim por diante. As presunções enunciadas na norma tributária, repita-se, não são absolutas (juris et juris). São presunções legais relativas (juris tantum) o que significa, como a recorrente bem o sabe, que comportam provas em contrário. Estas provas deverão ser apresentadas pelo contribuinte e a própria norma traz esta condição expressa em seu bojo, pois foge à regra geral relativa ao ônus da prova (pertinente ao fisco). Em todos os casos em que a lei expressamente declare a presunção, o ônus da prova é invertido e, na seara tributária, há muitos casos de presunções legais. Assim dispõem os artigos 925 e 926 do RIR/99: Ônus da Prova Art.924.Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Inversão do Ônus da Prova Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º). Com fulcro no artigo 926 acima reproduzido, quem tem o dever de provar que há erro de escrituração ou justificativa para o procedimento descrito na norma como fato gerador de receita, até então omitida, é o sujeito passivo da obrigação tributária. Somente assim pode ilidir a presunção legal tributária de omissão de receitas. Não o fazendo, entende-se ser mera alegação, inapta para ilidir a tributação contra si imposta. A presunção é espécie de prova, consoante disposto no artigo 212, inciso IV, do Código Civil. É prova indireta, mas por ser indireta não perde a sua natureza probatória. Depende dos indícios, que devem ser provados, repito. Nos dizeres de Maria Rita Ferragut, “Os indícios são vestígios, sinais, fatos conhecidos que são capazes de levar, por meio do raciocínio dedutivo, a outro fato que é desconhecido de uma forma direta e que é tributariamente relevante. 1 Aproveitando mais os ensinamentos da profª Maria Rita Ferragut, sobre as presunções e a Representação Fiscal para Fins Penais, mutatis mutanti, para a questão ora proposta – as presunções e seu caráter probatório da efetiva omissão de receitas: 1 - Maria Rita Ferrugat, Anais do III Seminário Nacional, “Aspectos Formais e Materiais em Procedimentos Fiscais, ESAF, Brasília, 2003, p. 155. Fl. 391DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10580.721806/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.414 S1-TE01 Fl. 386 13 “...Baseando-se em todas as premissas que já expus, para mim são muito claras a possibilidade, a legalidade e a necessidade do envio da representação, quando se estiver falando de presunção. Não vejo qualquer óbice legal ou constitucional que impeça tal ato. Como já havia falado, presunção para mim não significa incerteza de nada. Ë prova, desde que o auto seja corretamente elaborado. É a constituição de um fato jurídico como outro qualquer. Então, na presunção, seja na relativa, seja na simples, mencionada aqui pelos colegas, identificando-se a ocorrência de um fato jurídico tributário provado por forma indireta, a representação tem que ocorrer normalmente.” 2 (grifos não pertencem ao original) Na conclusão da discussão dos temas, no precitado Seminário, a Mesa foi unânime em reconhecer o cabimento da Representação Fiscal nos casos de autuação por presunção legal, ou seja, patente a intenção do contribuinte em fraudar o fisco, sujeito está à denúncia por crime contra a ordem tributária – haja presunção de omissão de receitas ou omissão direta. Estabelecidas estas premissas dos lançamentos tributários em questão, ressalto que a parte fática que levou a hipótese de incidência a se concretizar foram os diversos pagamentos não contabilizados (vide os valores que constaram dos Autos de Infração), fosse para aquele que a recorrente denomina sócio oculto, fosse para outros terceiros. Os valores das receitas omitidas, nos casos das presunções legais, não são auferidos diretamente de vendas omitidas, por exemplo, são aqueles determinados conforme a norma tributária preceitua, ressalte-se, a despeito do entendimento da recorrente de que não deveria ser assim e que não retratam o faturamento ou lucro do contribuinte, mas este pensamento não pode ser oposto à determinação legal, que arbitra uma forma de quantificar a omissão – no presente caso nos valores dos cheques emitidos e efetivamente compensados e re- escriturados como ingressos na conta Caixa. Esclarecida esta questão das presunções legais e dos lançamentos tributários edificados sobre os referidos indícios, e ainda, dos efeitos de certeza da omissão de receita que geram no mundo jurídico – abro parênteses – tanta certeza que se não forem aceitas as defesas da recorrente os créditos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados serão exigidos da recorrente e constituem títulos de dívida ativa da União – fecho parênteses e passo à questão da fraude, mais precipuamente do dolo do sujeito passivo da obrigação tributária. I.b) Do dolo e da fraude tributária A recorrente entende muito bem a figura dolosa e aproveito-me de seus conceitos. Age com dolo quem age com propósito determinado, com intenção, conduta pretendida e sabida pelo contribuinte. No ramo do Direito Tributário, concordo mais uma vez com a recorrente que o dolo deve ser comprovado pela conduta volitiva do contribuinte em querer evadir-se da tributação devida. 2 - Anais do III Seminário Nacional “Aspectos Formais e Materiais em Procedimentos Fiscais”, ESAF, Brasília, 2003, p. 182. Fl. 392DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 14 Passando à fraude, pois, tanto eu como a recorrente concluímos que se o contribuinte, comprovadamente, age de forma propositada para reduzir ou suprimir o tributo devido (chega a assemelhar-se à tipificação do artigo 1º da Lei nº 8.137/90 – Crimes contra a Ordem Tributária), este contribuinte age dolosamente, fraudulentamente, e sujeita-se, por decorrência à imposição da multa qualificada. Ora, no presente caso, o escritório de advocacia contabilizou diversos pagamentos como entradas de recursos, evitando, assim, que o seu Caixa ficasse a descoberto. Não consigo me convencer por uma conduta sem propósitos, cometida por mero erro de contabilidade, quando verifico que ultrapassam trinta lançamentos contábeis “indevidos” e a soma significante de aproximados R$600.000,00, em somente um ano-calendário, o fiscalizado. A utilização de subterfúgios pelo contribuinte para que a receita não seja declarada corretamente ao fisco implica em dolo, visto que a recorrente, no presente caso, maquinou, engendrou, pensou em uma forma de fazer pagamentos, mas de não retirar ‘contabilmente’ os valores correspondentes a estes pagamentos – fossem para quem fossem. No presente caso a alegação de erros de escrituração contábil está totalmente descartada. Não há como convencer, contabilmente tratando, que se credita Bancos e se debita Caixa, quando vários cheques, e em significativos valores, foram efetivamente emitidos para terceiros e compensados, por mero descuido. Como bem explicita a fiscal autuante no já citado Termo de Verificações, a conduta da recorrente coaduna-se com a figura típica do artigo 72 da Lei nº 4.502/66: CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA “Segundo o inciso II do artigo 1o da lei 8.137/90, temos que: Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: "II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal". Segundo o inciso II, do artigo 44, da Lei 9.430/96, temos que: "art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. " Diz o artigo 72 da Lei n°:4.502/64 que: "art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. " (grifos pertencem ao original) Aplica-se perfeitamente o conceito legal de fraude acima reproduzido aos lançamentos contábeis inverídicos ora versados. Inequívoca a intenção do escritório de advocacia em apreço. Fl. 393DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10580.721806/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.414 S1-TE01 Fl. 387 15 Se não houvesse a fiscalização e a busca aos cheques junto às instituições financeiras, a fraude cometida não teria sido descoberta e o escritório evadir-se-ia de oferecer ao fisco os tributos devidos. Daí afastar-se o presente caso daqueles em que há mera, simples, eventual, omissão de receitas e não ser aplicável a multa qualificada. Mas, definitivamente, não há na presente autuação mera omissão de receitas, mas sim omissão de receitas trabalhada, buscada pelo contribuinte. Inaplicável a Súmula editada por este órgão de julgamento (CARF) invocada pela recorrente, que equivoca-se ao afirmar que há jurisprudência consolidada para os casos de presunções por não se admitir a qualificação das multas. A utilização de subterfúgios por parte dos contribuintes, em cada caso concreto, é que norteia a decisão administrativa, seja em primeiro ou segundo grau. I.c) Efeitos do decidido em relação a presunção da omissão de receitas e à consideração do escritório ter agido com dolo (fraude stricto sensu – art. 72 da Lei nº 4.502/66) I.c.1) Da decadência Considerando, portanto, caracterizada a fraude ao manipular os registros contábeis com assentamentos eivados de falsidade (ideológica), não há que se falar em decadência com relação a qualquer período, visto aplicar-se o prazo estabelecido no artigo 173 do CTN, como o próprio §4º do artigo 150 remete, implicitamente. Afasto a preliminar de decadência. I.c.2) Da multa qualificada Com fulcro nas mesmas razões amplamente expostas, não sendo demais destacar os subterfúgios utilizados em larga escala pelo contribuinte dentro do mesmo ano- calendário e em relevantes valores, decido manter a multa qualificada por acertada a sua aplicação. No que respeita às supostas incongruências cometidas pela fiscalização ao aplicar multas diferentes, regular ou qualificada, para a exigência de tributos diferentes, mas em relação aos mesmos envolvidos, saliento que os citados processos administrativos não são conexos a este, nem foram juntados elementos para que haja um pronunciamento substancial a respeito. Somente no campo da especulação, presumo que: (i) a tributação na pessoa física, por faltar àquela a utilização dos subterfúgios ora denunciados – assentamentos contábeis com falsidade ideológica, para evitar o conhecimento do fato gerador – entendeu a fiscalização tratar-se de mera omissão de receitas, não capaz de caracterizar a fraude tributária (súmula nº 14 do CARF); Fl. 394DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 16 (ii) quanto à tributação para exigência de IRRF, a infração suponho, em tese, são pagamentos efetuados sem causa, os quais não implicam em investigações nos registros contábeis. No caso constatou-se que a empresa pagou quantias relevantes (da ordem aproximada de R$340.000,00, por exemplo), a pessoa considerada estranha à sociedade civil, pela obtenção dos cheques e declaração do beneficiário não contestada pela sociedade civil; a infração independe de como foram contabilizados tais pagamentos, importando os pagamentos em si; (iii) diferentemente, ocorre com a exigência de IRPJ no qual os assentamentos contábeis tiverem que ser esmiuçados e onde foi efetivamente constatado o esquema utilizado pelo escritório para efetuar os lançamentos contábeis com o fim de realizar dispêndios sem alterar o saldo do Ativo e burlar o fisco. II) Dos adicionais do IRPJ A planilha apresentada no recurso voluntário demonstra, por si, os equívocos cometidos pela recorrente. Reproduzo-a, por oportuno, acrescentando as colunas que faltaram, em negrito, para que os cálculos pudessem estar corretos, em consonância com o disposto no artigo 542 do RIR/99: Vlrs. em reais Tr Base Cálculo Apurada LPresumido Apurado LPresumido Declarado (DIPJ/04) (=) LPresumido Total (-) Parcela LP (Adicional) IRPJ lançado Adicional IRPJ Devido* 11 108.993,00 34.877,76 70.210,84 105.088,60 60.000,00 45.088,60 5.231,66 4.508,86 22 103.206,00 33.025,92 53.082,84 86.108,76 60.000,00 26.108,76 4.953,88 2.610,87 33 363.539,96 116.332,78 128.857,60 245.190,38 60.000,00 185.190,38 17.449,91 18.519,38 A fiscalização, conforme se verifica no Demonstrativo de Apuração do IRPJ, no Cálculo do Imposto Adicional, partes integrantes do Auto de Infração lavrado para a exigência do IRPJ e Adicional de IRPJ, registrou corretamente os valores acima, sendo que, o adicional de IRPJ sobre o lucro presumido declarado pelo contribuinte não pode ser exigido no presente Auto de Infração, haja vista ter sido apurado na DIPJ/04, fls. 179 a 215. Assim ficam os valores dos adicionais respectivos aos três trimestres, nos quais o lucro presumido ultrapassou o valor de R$60.000,00, por trimestre: Fl. 395DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10580.721806/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.414 S1-TE01 Fl. 388 17 Vlrs. em Reais Valor do Adicional IRPJ devido Valor do Adicional / LP DIPJ/04 (fls. 179 a 215) Valor do Adicional / Apurado e lançado Ex officio 4.508,86 1.021,09 3.487,77 2.610,87 (valor inferior ao limite) 2.610,87 18.519,38 6.886,11 11.633,27 Resta demonstrado, pois, estarem corretos os cálculos da fiscalização, não havendo nada a ser reparado neste tocante. III) Dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício A recorrente, no que respeita este item, limita-se a trazer a ementa do Acórdão nº 101-96008, argumentando ser incabível esta incidência. Todavia, o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) A matéria é polêmica e a discussão centraliza-se na definição do termo “débito” para com a Fazenda Nacional. Adoto a tese que o débito inclui tanto o principal quanto à penalidade, pois apesar desta ser um acessório do principal, não deixa dúvidas quanto à sua natureza de débito para com o fisco. Assim são devidos os juros a partir da lavratura do instrumento da exigência fiscal, ex officio. A partir deste momento, da constituição do crédito tributário, ao débito do tributo federal acresce-se a penalidade imposta, sendo ambos devidos à Fazenda Nacional, todavia, com a seguinte diferença: a) do tributo, cabem juros desde o vencimento da obrigação de pagá-lo; b) da multa de ofício, desde a lavratura do Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; Fl. 396DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 18 Por conseguinte, os débitos nascem em momentos diferentes mas não há nada que impeça a incidência dos juros moratórios. Observe-se, ainda, que os juros moratórios incidentes sobre o principal (tributo) já vêm consignado no Auto de Infração, enquanto os juros incidentes sobre o total do crédito tributário (multa e tributo) incidirá somente a partir da lavratura deste. Vale dizer, se o contribuinte autuado imediatamente quitar o seu débito, apurado ex officio, com o fisco não incorrerá na obrigação de pagar juros de mora sobre o valor da multa cominada. MAS, destaquei, se demorar em quitar a obrigação tributária, nada mais justo do que lhe ser exigido os juros moratórios também sobre a penalidade, que, como já esclareci, incorrem a partir da exigência fiscal realizada de ofício e não retroage à data do vencimento do tributo. Uma vez ocorrida a mora, seja do pagamento do principal, seja do pagamento da penalidade imposta em momento posterior, cabível a incidência dos juros moratórios, respeitados os termos a quo de cada débito constituído para com a Fazenda. Ademais, o valor da multa de ofício consignado na autuação não pode ficar estanque até que o contribuinte resolva solver o débito constituído de ofício, pela flagrante perda do valor monetário real que este ato implicaria. E, sigo além, defendo, na realidade, que os juros incidem somente sobre o tributo, desde que a multa cominada incida sobre o tributo já corrigido. Matematicamente, o resultado é o mesmo. Absurdo é entender-se que o valor consignado no momento da autuação, somente da penalidade imposta, fique estagnado para sempre. CONCLUSÃO Por todo o exposto, rejeito, em preliminar, a decadência suscitada, para, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada Com a devida “venia” divirjo do voto da ilustre Conselheira Relatora, no presente caso, especificamente no que tange à qualificação da multa de ofício. In casu, a auditoria fiscal se utilizou de presunção legal – falta de escrituração de pagamentos efetuados e manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, ou cuja exigibilidade não seja comprovada - para configurar a omissão de rendimentos, como se verifica dos seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal: PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS Fl. 397DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10580.721806/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.414 S1-TE01 Fl. 389 19 Em análise à escrituração da empresa, podemos identificar uma série de lançamentos de transferência da conta contábil Banco do Brasil (crédito) para a conta caixa (débito). Fazendo a conciliação da escrituração com o extrato bancário apresentado, verificamos a existência de lançamentos com estas características, referentes a cheques emitidos pela empresa e compensados. Tais cheques se encontram relacionados no demonstrativo já apresentado. O contribuinte, conforme já descrito no item "procedimentos de fiscalização", tendo sido reintimado a prestar esclarecimentos quanto aos itens 1 e 4 do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 12/06/2008, tão somente declarou, com referência aos cheques de n°: 850.114, 850.125 e 850.154, que "foram lançados a débito da Conta "Caixa" em razão da ausência dos comprovantes dos pagamentos ". Tal afirmativa vai de encontro aos princípios fundamentais de escrituração contábil e de modo algum representa a transação efetuada pela empresa. A existência de cheques compensados que foram contabilizados a débito da conta Caixa, efetuada por diversas vezes no curso do ano calendário de 2003, evitou o surgimento de saldo credor de caixa, como podemos abaixo evidenciar, quando da retirada dos recursos que deveriam ter sido contabilizados de forma diversa. De todo o exposto, os lançamentos efetuados de maneira a omitir dentro da escrituração contábil, pagamentos efetuados pela empresa, são considerados, por presunção legal, conforme o inciso II do artigo 281 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), omissão de receita. Tal artifício, utilizado pela empresa, evitou a existência de saldo credor de caixa, também presunção legal de omissão de receitas, conforme inciso III do mesmo dispositivo legal. ... Os valores tributáveis correspondem àqueles referentes aos pagamentos efetuados, pela empresa cujos recursos permaneceram na escrituração.” Tais fatos se subsumem perfeitamente à inteligência do artigo 281 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 – Decreto no. 3.000, de 1999: Art. 281. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei n- 1.598, de 1977, art. 12, § 2-, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 40): I - a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II - a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III - a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.. De fato as presunções legais tem o poder de inverter o ônus da prova ao sujeito passivo. Invocando-a, o Fisco se desincumbe do encargo de fazer a prova do ilícito tributário, passando ao sujeito passivo o dever de oferecer elementos probatórios concretos da não ocorrência do fato indiciário. Mas tal prerrogativa não ocorre nos casos em que a Fazenda Nacional imputa ao contribuinte condutas de dolo, fraude ou simulação, qualificadoras da multa de ofício. Nestes casos o ônus de provar por meio de elementos materiais concretos o evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo é do Fisco. Não é permitido presumir-se também a fraude. Fl. 398DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 20 Ora, vê-se que os dispositivos autorizam a presunção de que a falta de escrituração de pagamentos ou a manutenção no passivo de obrigações pagas ou não comprovadas, indicam a omissão de receitas, como no caso dos autos, mas não autorizam a presunção de que tais fatos, por si, constituam fraude, e, assim, devam receber penalização qualificada. A aplicação da multa qualificada exige a fortiori, a intenção dolosa, que vai além da simples omissão de rendimentos. No caso dos autos, a hipótese que lastreia a autuação é de omissão de receitas calcada em presunção. Omissão de receita prevista em lei, mas de forma presumida. E tais condutas já são pesadamente penalizadas com multa no valor correspondente a 75% (setenta e cinco por centos) do valor do tributo devido. Deve-se evidenciar que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem erigindo barreiras à qualificação indiscriminada da multa de ofício, encontrando-se pacificado este entendimento neste Colegiado, como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF no. 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) somente é admissível quando factualmente constatada – leia-se, comprovada – as hipóteses de fraude, dolo ou simulação e, ainda, quando a Fiscalização instruir a autuação com documentos, que comprovem, de forma inequívoca, a ocorrência de tais hipóteses. Esta é a inteligência da Súmula no. 14 do CARF. Assinalo, neste ponto, que comungo do pensamento de ser possível, sim, haver qualificação da multa nos casos de omissão de receitas apuradas por presunção legal. Não há incompatibilidade entre presunção legal de omissão de receitas e qualificação da multa. Entendo, contudo, que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não materializadas documentalmente. Meu voto, pois, é pela redução da penalidade qualificada à multa por lançamento de ofício de 75%. Uma vez desqualificada a penalidade o prazo decadencial deve ser contado conforme disposição do artigo 150, parágrafo 4 o . do Código Tributário Nacional, encontrando- se, por conseqüência, decaídas as exigências relativas aos fatos geradores ocorridos nos 1 o ., 2 o . e 3 o . trimestres do ano-calendário 2003. Em razão da redução do crédito tributário exigido nos autos, em face do reconhecimento da decadência, restam indevidos os valores dos adicionais de IRPJ relativos aos períodos decaídos. Pelo exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para que seja afastada a multa qualificada de 150%, reduzindo-a ao percentual da penalidade de ofício de 75%, bem como para que, por decorrência, (i) seja reconhecida a decadência dos tributos lançados, relativamente aos 1 o ., 2 o . e 3 o . trimestres do ano-calendário 2003 e, (ii) em conseqüência da redução do crédito tributário, sejam exonerados os valores relativos ao adicional do IRPJ relativamente aos períodos decaídos. É como voto. Fl. 399DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10580.721806/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.414 S1-TE01 Fl. 390 21 Sala de Sessões, 14 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Fl. 400DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 22 Fl. 401DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 10830.912114/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.828
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 14 /2 01 2- 27 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912114/201227 Acórdão n.º 3301003.828 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.855, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912114/201227 Acórdão n.º 3301003.828 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912114/201227 Acórdão n.º 3301003.828 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912114/201227 Acórdão n.º 3301003.828 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912114/201227 Acórdão n.º 3301003.828 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912114/201227 Acórdão n.º 3301003.828 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912114/201227 Acórdão n.º 3301003.828 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912114/201227 Acórdão n.º 3301003.828 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 198DF CARF MF
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