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Numero do processo: 10830.900261/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.686
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 61 /2 01 3- 35 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.720, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.721449/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2008 a 29/11/2012
MULTA POR CESSÃO FRAUDULENTA DE NOME. CONTRATOS DE MÚTUOS FICTÍCIOS.
Constatado que os recursos empregados nas operações de importação eram originários dos reais adquirentes, que se mantiveram ocultos, legítima a aplicação da multa pela cessão fraudulenta de nome na relização de operações de comércio exterior.
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decreto-lei nº 37/1966).
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/1966).
Recursos de Ofício e Voluntário Negados.
Numero da decisão: 3201-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cássio Schappo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila, que davam provimento ao recurso. Designado para o voto vencedor do recurso voluntário o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário se julgou impedida e foi substituída pelo Conselheiro Cássio Schappo.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
(assinatura digital)
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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CONTRATOS DE MÚTUOS FICTÍCIOS. Constatado que os recursos empregados nas operações de importação eram originários dos reais adquirentes, que se mantiveram ocultos, legítima a aplicação da multa pela cessão fraudulenta de nome na relização de operações de comércio exterior. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decretolei nº 37/1966). INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/1966). Recursos de Ofício e Voluntário Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade negouse provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cássio Schappo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila, que davam provimento ao recurso. Designado para o voto vencedor do recurso voluntário o Conselheiro Paulo Roberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 14 49 /2 01 3- 34 Fl. 5879DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 3 2 Duarte Moreira. A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário se julgou impedida e foi substituída pelo Conselheiro Cássio Schappo. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. (assinatura digital) PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila. Relatório Tratamse de Recurso de Ofício e Recursos Voluntários de fls 5247, 5393 e 5539, do contribuinte e de seus sócios (autuados como sujeitos passivos), em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/SC de fls. 5177 que deu provimento parcial para as impugnações de fls 4726, 4836, 4946 e 5049, mantendo parcialmente o Auto de Infração de fls 14, por cessão fraudulenta de nome em importações. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 4.023.213,15 referente a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Depreendese do relatório de auditoria fiscal integrante do auto de infração que a interessada foi submetida ao procedimento especial de fiscalização estabelecido pela Instrução Normativa SRF nº 228/2002 que concluiu por indícios de ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas. Assim, foi determinada fiscalização a fim de se verificar a ocorrência de ocultação do verdadeiro responsável pelas operações e/ou interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior registradas pela interessada. Fl. 5880DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 4 3 Procedida a fiscalização se concluiu que a interessada não possui recursos próprios para realizar as operações de comércio exterior, OU seja, a mesma opera com recursos de terceiros (se não houvesse os “recebimentos de clientes, ou seja, adiantamentos de clientes (através das vendas fictícias e ainda dos mútuos fictícios, não haveria recursos disponíveis para efetuar o pagamento das importações). Resumidamente, foram esses os indícios que levaram à conclusão da fiscalização: • “VISITA À SEDE DA PATER TRADING EM Anápolis, que evidenciou que a empresa não tem estrutura para movimentar as mercadorias por ela importadas na condição de adquirente, ou seja, ela não poderia, de forma alguma, ser a real adquirente daquelas mercadorias (em anexo no Título "Fotografias PATER TRADING" e ainda em anexo no Título '"TERMOS"1 documentos Termos de declaração e Termos de Constatação dos Fatos; • A PATER TRADING não possuí armazéns ou depósitos (em anexo no Título "Documentos Entregues pelo Contribuinte" documento M — e por último em anexo no Título "TERMOS" documento Termo de Constatação dos Fatos; • Da análise dos documentos retidos , entregues e coletados nos sistemas da Receita Federal, a PATER TRADING não comprovou a capacidade econômicofinanceira de um de seus sócios(vide item 4.1); Da análise dos documentos retidos , entregues e coletados nos sistemas da Receita Federal não foi comprovado a origem dos recursos para a integralização do Capital Social da PATER TRADING(vide item 4.1); A PATER TRADING utilizava em geral a forma de adiantamento de clientes através de vendas fictícias e mútuos fictícios para financiar suas importações (vide itens 4.3, 4.4 e 4.5), ou seja, recebia os recursos antes de fazer os pagamentos aos exportadores estrangeiros e ainda pagamentos de despesas aduaneiras; • A análise dos extratos bancários, outros documentos e livros fiscais das empresas PATER TRADING e seus reais adquirentes indicam que a PATER TRADING era financiada pelas reais adquirentes OCULTAS (vide itens 4.3, 4.4 e 4.5); • Vários documentos retidos e ainda as Notas Fiscais que indicam que as mercadorias importadas pela PATER TRADING saíam direto do recinto alfandegado para os reais adquirentes OCULTOS em sua totalidade, e na maioria dos casos no mesmo dia do registro da importação(DI) ou poucos dias após(vide itens 4.3, 4.4 e 4.5); • Vários emails da TREVI e PATER TRADING que indicam o quanto toda a operação de importação da PATER TRADING era na realidade operada indiretamente pela TREVI (vide itens 4.3, 4.4 e 4.5); Todas as vendas efetuadas pela PATER TRADING eram para as mesmas empresas(vide itens 4.3, 4.4 e 4.5); Fl. 5881DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 5 4 4 • Vínculos fortes entre a PATER TRADING e as Reais Adquirentes Ocultas(vide item 4.6); • Quadro de empregados constituído de apenas um funcionário em Anápolis e dois em Maceió(em anexo no Título ''Documentos Entregues pelo Contribuinte" documento W); • Em diligência aberta sobre a empresa Pater Trading ficou evidenciado que quem tinha capacidade econômica, financeira e operacional para suportar as importações promovidas pela PATER TRADING eram as Reais Adquirentes Ocultas; Ante o exposto, fica caracterizada a ocultação por parte da PATER TRADING da condição de real adquirente das empresas abaixo: • Fabramex Comércio Imp. Exp. Ltda, CNPJ n° 05.318.144/0001 04(doravante Fabramex); • Trevi Importação e exportação Ltda, CNPJ n° 60.094.612/0001 12(doravante TREVI); • CPA Distribuidora de Produtos Industriais Ltda, CNPJ n° 49.292.394/000198(doravante CPA); • JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais EIRELI, CNPJ matriz n° 03.309.017/000113 e filial n° 03.309.017/0002 02(doravante serão JP Distribuidora); • MPA Comercial Atacadista Ltda, CNPJ n° 07.090.122/0001 65(doravante MPA); • MM Produtos Alimentícios Ltda, CNPJ n° 06.067.497/0001 41(doravante MM); • JMT Comércio de Tecidos Ltda, CNPJ n° 08.832.139/0001 03(doravante JMT); • Triple Tex Comércio de Tecidos Ltda, CNPJ n° 09.197.529 000111 (doravante Triple); • Capri Dist. E Atacadista de Insumos Industriais Ltda, CNPJ matriz n° 09.116.142/000193, filiais n° 09.116.142/000274 e 09.116.142/000355(doravante serão Capri); • Nova Central Imp. Exp. Ltda, CNPJ n° 11.441.379 0001 91(doravante Nova Central); • Cascade do Brasil Distribuidora de Ganas e Garfos Empilhadeira, CNPJ n° 08.971.259/000191(doravante Cascade do Brasil); • Consórcio Brasileiro de Produção de Óleo de Palma CBOP, CNPJ n° 11.0S4.230/000283(doravante CBOP). Fl. 5882DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 6 5 Isso significa ainda que a PATER TRADING, ao não declarar expressamente o real adquirente das mercadorias, cede seu nome a terceiros que se beneficiam das vantagens expostas acima.” Em relação à comprovação da integralização do capital social da interessada, foram apresentados documentos referentes à integralização do sócio Henrique Signore Sadocco Filho, contudo para o sócio Luiz Otavio Paternostro não foi apresentado documentos que demonstrasse a origem dos recursos da integralização do Capital Social. Há lançamentos contábeis que totalizam R$ 554.166,70 referentes à integralização do Capital Social no ano de 2005 para o sócio Luis Otavio Paternostro. Ocorre que em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física de 2006 não constam bens ou mesmo renda para comprovar a integralização do Capital Social referido., registrando renda auferida no valor de R$ 137.130,20 e variação patrimonial de R$ 34.729,50 para maior. Assim, não há comprovação da origem dos recursos para a integralização do Capital Social pelo sócio Luis Otavio Paternostro. “Informamos ainda que sempre após a integralização do capital, a empresa Pater Trading efetuava um empréstimo de valor semelhante ao sócio Luiz Paternostro, o que totalizou um valor a receber de Luiz Paternostro no final de 2005 de R$ 541.000,00(quinhentos e quarenta e um mil Reais) aproximadamente. Em março de 2006, conforme Diário de 2006 da Pater Trading(Diário em anexo), o sócio Luiz Paternostro liquidou grande parte do empréstimo no total de mais de RS 482.000,00(quatrocentos e oitenta e dois mil Reais) em 10; 15 e 17 de março de 2006 (valores utilizados para pagar as primeiras importações Há fortes indícios que a integralização do capital com o empréstimo a Luiz Patemostro(em seguida) e posterior amortização desses empréstimos pelo mesmo sócio, foram na verdade uma forma de fazer o adiantamento de recursos para as primeiras importações e assim ocultar os reais adquirentes (os quais adiantaram os recursos) e posteriormente com as vendas a prazo(fictícias, pois já haviam sido pagas no adiantamento de recursos) dessas mesmas importações ocultar o adiantamento de recursos para as importações seguintes). CONCLUSÃO: Assim concluímos que o sócio Luiz Otávio Paternostro não tinha recursos com origem comprovada para efetuar a integralização do Capital Social conforme documentos analisados acima. Assim, a empresa não comprova a origem dos recursos empregados para a integralização do Capital social.” De acordo com termos de constatação e de declaração a empresa opera em uma única sala em Anápolis e outra em Maceió; não possui depósitos para armazenar as mercadorias; Fl. 5883DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 7 6 não possui capacidade econômicooperacional para realizar as importações. Em diligência e análise de documentos se constatou que a empresa não possui estrutura para movimentar as mercadorias por ela importadas na condição de adquirente; não possui armazéns ou depósitos; documentos e notas fiscais indicam que as mercadorias importadas pela interessada saíam direto do recinto alfandegado para os reais adquirentes ocultos e, na maioria dos casos no mesmo dia do registro da importação; vário emails da Trevi e Pater Trading indicam que as operações de importação eram operadas indiretamente pela Trevi; todas as vendas efetuadas pela Pater Trading eram na realidade para as mesmas empresas; o quadro de funcionários era constituído por apenas um funcionário em Anápolis e dois em Maceió. “As empresas Capri e Fabramex eram clientes da Pater Trading durante 2008 e 2009. A empresa TREVI ou PATER EMPREENDIMENTOS era cliente em 2009, 2010 e além disso, o sócio Luiz Patemostro foi sócio da TREVI até setembro de 2008(anexo 4.6). Importante salientar que o sócio da Pater Trading, o Sr. Luiz Patemostro havia deixado a sociedade da empresa em julho de 2008(anexo Documentos Entregues Pelo Contribuinte — Item A). Após essas informações iniciais, demonstraremos a atuação dessas empresas. No dia 10 de dezembro de 2012, na sede da empresa Pater Trading em Anápolis dentre vários documentos apreendidos encontramos um extrato bancário da empresa FABRAMEX (Bradesco, Ag. 30899 e cc 124281), datado de 06/11/2008. Ora qual objetivo haveria em um extrato bancário da empresa FABRAMEX na sede da Pater Trading? O mais importante era o seu conteúdo, o qual constava repasse de recursos para Pater Representaçào(TREVI) nos valores de RS 100.000,00; RS 300.000,00 e RS 295.000,00 e ainda para a empresa CAPRI nos valores de RS 98.109,76 e RS 90.582,25(em anexo 4.3.2); analisando esses dados em conjunto com os comunicados entre Pater Empreendimentos(TREVI ou Pater Repres.) e a empresa Pater Trading e ainda os emails e os documentos "Protocolo", demonstraremos a ocultação dos verdadeiros adquirentes. E para demonstrar esse "Modus Operandi” analisaremos a seguir três importações do mês de dezembro de 2008. 4.3.2 ANÁLISE DAS IMPORTAÇÕES DE DEZEMBRO DE 2008: 4.3.2.1 Importação . Declaração de Importação n° 08/1926842 3, de 01/12/2008: Fl. 5884DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 8 7 A empresa PATER TRADING registrou em 01 (primeiro) de dezembro de 2008, a Declaração de Importação(DI) n° 08/19268423 como importação própria, porém analisemos a documentação apreendida em 10 de dezembro de 2012 em Anápolis. Analisaremos em ordem cronológica a documentação referente a esta importação. A seguir a cronologia: 1 Primeiro em 18 e 19 de novembro de 2008 temos um comunicado entre a Pater Empreendimemos(TREVI) através da Fernanda para Pater Trading tratando a armazenagem do produto soda cáustica, fornecedor Basic, Pedido antecipado n° 14 e os dados bancários para transferência e valor de RS 89.699,99; nesse conjunto temos ainda uma cópia de email da Karina da Pater Empreendimento para Fernanda da Pater Empreendimentos tratando também do pagamento dessa mesma armazenagem e citando o número da nota fiscal de prestação de serviços para Pater Trading relativamente a essa armazenagem(26386). Existe ainda uma "Autorização de Pagamento" e cópia de TED bancário da transferência da Pater Trading para a empresa União que fez a armazenagem do produto. No diário de 2008 da Pater Trading, na data de 19 de novembro temos o lançamento de R$ 89.699,99 como pagamento de armazenagem a fornecedor. Temos ainda nessa data no livro diário a origem do recurso para pagamento desta despesa de armazenagem e a mesma vem de transferência da FABRAMEX no valor total de R$ 335.887,75(foi utilizado para pagar esta despesa e um contrato de câmbio de uma outra importação). No extrato bancário de novembro de 2008 da Pater Trading (banco Bradesco ag 33804, cc 906) temos no dia 19 de novembro o crédito de depósito em dinheiro originário da FABRAMEX no valor de RS 335.887,75 e a transferência para União em pagamento da despesa de armazenagem no valor de RS 89.699,99. Existe ainda um documento chamado "Protocolo" da Pater Trading de novembro de 2008 onde consta em 19 de novembro de 2008 uma linha referindo ao comunicado da TREVI e o valor de RS 89.699,99. 2 Segundo em 27 de novembro de 2008, temos uma cópia de documento(relatório) da empresa Asset (Comissária de despacho aduaneiro) para Fernanda da Pater Empreendimentos(TREVI) tratando desta importação e solicitando recursos para pagamento de despesas aduaneiras no valor de R$ 107.493,85; existe ainda unia cópia de TED bancário no valor de R$ 107.493,85 da Pater Trading para Asset. No diário de 2008 da Pater Trading, na data de 27 de novembro temos o lançamento de R$ 107.493,85 como pagamento de despesas à Asset. Temos ainda nessa data no livro diário a origem do recurso para pagamento desta despesa e a mesma vem de transferência da FABRAMEX no valor total de RS 120.334,00(foi utilizado para pagar esta despesa e uma outra para Asset(outra importação)). No extrato bancário de novembro de 2008 da Pater Trading (banco Bradesco ag 33804, cc 906) temos no dia 27 de Fl. 5885DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 9 8 novembro o crédito de depósito em dinheiro originário da FABRAMEX no valor de R$ 120.334,00 e a transferência para Asset em pagamento da despesa no valor de RS 107.493,85. Existe ainda um documento chamado "Protocolo" da Pater Trading de novembro de 2008 onde consta em 27 de novembro de 2008 uma linha referindo ao documento(relatório) da Asset para Fernanda(TREVI) e o valor de R$ 107.493,85. 3 Terceiro em 28 de novembro de 2008, temos uma cópia de e mail de Fernanda Sampaio da Pater Empreendimentos(TREVI) para Beth e Chiu da Pater com cópia para o sócio Henrique da Pater Trading tratando de provisionamento de recursos para pagamento de tributos aduaneiros na data de 01 de dezembro de 2008(dia do registro da DI) no valor de RS 375.200,00 referente ao pedido n° 14 da Basic/Soda. No diário de 2008 da Pater Trading, na data de 01 de dezembro temos o lançamento de RS 383.204,20 como pagamento de impostos e taxas aduaneiras. Temos ainda nessa data no livro diário a origem do recurso para pagamento desta despesa e a mesma vem de transferência da FABRAMEX no valor total de RS 391.111,50. No extrato bancário de dezembro de 2008 da Pater Trading (banco Bradesco ag 33804, cc 906) temos no dia 01 de dezembro o crédito de depósito em dinheiro originário da FABRAMEX no valor de RS 391.111,50 e os pagamentos das taxas e impostos. Existe ainda um documento chamado "Protocolo" da Pater Trading de dezembro de 2008 onde consta em 01 de dezembro de 2008 uma linha referindo ao email(comunicado) da Fernanda e o valor de RS 383.204,18 e ainda ImpostosBasic. Existe ainda uma outra cópia de email de Fernanda para os mesmos interessados do outro email com os valores que foram debitados no total de RS 383.204,18 da Basic/Soda pedido n° 14, datado de 02 de dezembro de 2008. 4 Quarto em 03 e 04 de dezembro de 2008, temos um comunicado da Pater Empreendimentos(TREVI) de Fernanda para Pater Trading tratando de despesa de armazenagem no valor de RS 8.656,05. Existe ainda uma cópia de email da empresa Ultracargo'União para Fernanda da Pater Empreendimentos(TREVI) tratando desta mesma armazenagem. Existe também uma cópia de TED bancário transferindo recursos de RS8.656,05 da Pater Trading para União em relação a despesa de armazenagem. Temos também uma cópia da nota fiscal de prestação de serviços relativo a essa armazenagem n° 26427. Existe também uma cópia de documento onde consta os títulos pagos e o mesmo nos informa que no dia 4 de dezembro de 2008 foi baixado um título no valor de RS 8.656,05 relativo ao fornecedor Basic Chemical. No diário de 2008 da Pater Trading, na data de 04 de dezembro temos o lançamento de RS 8.656,05 como pagamento de fornecedor União. Temos ainda na data de 3 de dezembro no livro diário a origem do recurso para pagamento desta despesa e a mesma vem de transferência da FABRAMEX no valor total de RS 50.000,00(Consta como recebimento de vendas a prazo da NF Fl. 5886DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 10 9 65, porém conforme análise da DI 08/19264681 este valor deve ser excluído vide análise da respectiva DI abaixo 4.3.2.3). No extrato bancário de dezembro de 2008 da Pater Trading (banco Bradesco ag 33804, cc 906) temos no dia 03 de dezembro o crédito de depósito em dinheiro originário da FABRAMEX no valor de RS 50.000,00 e os pagamentos da armazenagem no valor de S S 56.05 em 4 de dezembro. Existe ainda um documento chamado "Protocolo" da Pater Trading de dezembro de 2008 onde consta em 04 de dezembro de 2008 uma linha referindo ao comunicado da Fernanda e o valor de RS 8.656,05 para pagamento à empresa União. 5 Quinto em 10 de dezembro de 2008, temos uma cópia de e mail de Fernanda da Pater Empreendimentos(TREVI) para Beth da Pater e ainda cópia para o sócio Henrique da Pater Trading tratando de provisionamento de recursos para pagar uma multa ocorrida no despacho aduaneiro desta DI e outros onde Fernanda está tratando direto com os despachantes, o valor da multa era de RS 18.738,88. No diário de 2008 da Pater Trading, na data de 11 de dezembro temos o lançamento de RS 18.738,88 como pagamento de multas aduaneiras. Temos ainda na data de 10 de dezembro no livro diário a origem do recurso para pagamento desta despesa e a mesma vem de transferência da FABRAMEX no valor total de RS 17.402,32 ( A falta de recursos na conta bancária da Pater Trading obrigou a FABRAMEX a adiantar este recurso para poder pagar a multa). No extrato bancário de dezembro de 2008 da Pater Trading (banco Bradesco ag 33804, cc 906) temos no dia 10 de dezembro o crédito de transferência originário da FABRAMEX no valor de RS 17.402,32 e os pagamentos das multas no valor de RS 18.738,88 em 11 de dezembro de 2008. Existe ainda um documento chamado "Protocolo'' da Pater Trading de dezembro de 2008 onde consta em 10 de dezembro de 2008 uma linha referindo ao comunicado da Fernanda e o valor de RS 18.738,88 e ainda Impostos Basic. 6 Sexto, vamos agora analisar a venda da mercadoria e verificar a agregação de valor entre compra e venda. Inicialmente antes da análise daremos algumas informações. Intimamos a empresa através do Termo de Intimação n° 033 2013 a apresentar o contrato de câmbio desta importação, o mesmo verbalmente disse que devido aos problemas financeiros e cambiais ocasionados pela Crise Financeira Internacional de 2008, só foi possível fechar o câmbio ao longo de 2009 e que devido ainda a essa crise o exportador concedeu posteriormente um desconto. A empresa Pater entregou quatro cópias de contrato de câmbio (março, junho, julho e agosto de 2009 em anexo) totalizando o valor total de US$ 677.000,00 (seiscentos e setenta e sete mil dólares aproximadamente) somados com o frete internacional no valor de US$132.000,00(cento e trinta e dois mil dólares) somam o valor de USS 809.000,00(oitocentos e nove mil dólares aproximadamente) contabilizaremos o valor faltante de USS 18.000,00 a título de desconto. Ora a venda da mercadoria em grande parte (83%) do total foi efetuada para Fabramex em 15/12/2008 e 08/01/2009(Notas Fiscais 70 e 71 em Fl. 5887DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 11 10 anexo). O valor da taxa cambial nestas datas era maior que no dia do registro da DI, assim consideraremos para agregação de valor entre a compra e a venda a taxa menor de 2.265". Assim faremos a análise de agregação entre compra e venda abaixo: (...) Agregação de valor entre compra e venda, valor percentual (%) 4,7% (nào considerando o ICMS e ainda as demais despesas de funcionamento da empresa, portanto a agregação é praticamente zero). Ora concluindo este item 6, a agregação de valor entre a compra e a venda foi praticamente ZERO. Portanto esse é mais um indício de interposição da empresa Pater Trading com a finalidade de ocultar o real adquirente, ou seja, a empresa FABRAMEX Observação: Os valores de RS 335.887,75; RS 120.334,00 e R$ 391.111,50 foram analisados mais a frente no item 4.3.3.2, e ali está demonstrado a origem desses recursos e que o mesmo deve ser excluído(glosado) Nota Fiscal 49. CONCLUSÃO: Primeiro temos um extrato bancário da FABRAMEX apreendido na Pater Trading demonstrando repasse de recursos para TREVI e vínculo entre as mesmas. Segundo por tudo que foi demonstrado pelos documentos e e mails nos itens 1 a 6 acima, fica claro a função de intermediação da empresa TREVI, que serve como mais um nível na cadeia de interposição para ocultar ainda mais o real adquirente, ou seja, FABRAMEX e ainda os valores necessários para cobrir a importação vem da empresa Fabramex, apesar de na contabilidade esse recurso estar declarado como recebimento de venda anterior, por tudo que está nos emails e documentos existe fortes indícios de que essas vendas a prazo anteriores serem na verdade fictícias e que os recursos como neste caso eram antecipados pela empresa Fabramex, pois antes mesmo do registro da DI a empresa TREVI já fazia toda a negociação das despesas aduaneiras e ainda orientava sobre pagamento e transferência de recursos para impostos, taxas e outras despesas e ainda ocorria a transferência às vezes de valores exatos apenas para cobrir o déficit no banco Bradesco da Pater Trading, efetuadas essas transferências pela empresa Fabramex, como no caso da multa aduaneira em que não havia recurso se quer para pagála e a empresa Fabramex transferiu recurso suficiente para a sua liquidação. No item 6 ainda temos a demonstração que a agregação de valor entre a compra e a venda ser praticamente zero e a mercadoria ser repassada para a empresa FABRAMEX (NF 69, 70 e 71). Por tudo isso fica demonstrado para essa importação que houve antecipação de recursos da empresa Fabramex para a empresa Pater Trading e que a empresa Trevi funcionava como intermediadora, o que enquadra a operação como interposição da Pater Trading, pois a mesma declarava na DI que a importação era própria. A empresa Pater Trading assim cedeu o seu nome para ocultar o Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 12 11 real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei n° 11.488/07, transcrita abaixo: (...) Neste caso esta DI foi objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. Portanto, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação (na verdade vendas a prazo fictícias, pois a empresa FABRAMEX já havia antecipado os recursos para esta importação como demonstrado, assim esses valores serão usados para as próximas importações em 2009 e assim sucessivamente, ou seja, o recebimento de uma venda a prazo fictícia sendo usada para antecipar recursos para a importação seguinte) serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente(NF 70 e 71).” Análise equivalente foi realizada em relação à Declaração de Importação nº 08/1926469, registrada em 01/12/2008. Concluiu se que a margem de lucro foi de 12,9% e que: “Ora concluindo este item 4, a agregação de valor entre a compra e a venda foi muito BAIXA (sem considerar que falta ICMS e outras despesas, o que implicaria em uma agregação praticamente zero). Portanto esse é mais um indício de interposição da empresa Pater Trading com a finalidade de ocultar os reais adquirentes, ou seja, as empresa FABRAMEX e CAPRI. (...) “Portanto, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação (na verdade vendas a prazo fictícias, pois as empresas FABRAMEX e CAPRI já haviam antecipado os recursos para esta importação como demonstrado, assim esses valores serão usados para antecipar recursos para as próximas importações em 2009 e assim sucessivamente, ou seja, o recebimento de uma venda a prazo fictícia sendo usada para antecipar recursos para a importação seguinte) serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente(NF 66, 67 e 68).” Da mesma forma em relação à Declaração de Importação nº 08/19264681, registrada em 01/12/2008. Foi realizada análise semelhante e concluiuse que a margem de lucro foi de 10,1% e que: “Ora concluindo este item 4, a agregação de valor entre a compra e a venda foi muito BAIXA(sem considerar que falta ICMS e outras despesas, o que implicaria em uma agregação praticamente zero). Portanto esse é mais um indício de interposição da empresa Pater Trading com a finalidade de ocultar o real adquirente, ou seja, a empresa FABRAMEX. Fl. 5889DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 13 12 (...) Portanto, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação (na verdade vendas a prazo fictícias, pois a empresa FABRAMEX já havia antecipado os recursos para esta importação como demonstrado, assim esses valores serão usados para antecipar recursos para as próximas importações em 2009 e assim sucessivamente, ou seja, o recebimento de uma venda a prazo fictícia sendo usada para antecipar recursos para a importação seguinte) serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente(NF 65), para as importações de 2009 em diante. Análise da Declaração de Importação nº 08/05328372, registrada em 11/04/2008 e da Nota Fiscal de Saída nº35, conclui que a margem de lucro foi de 10,5% e que: “CONCLUSÃO: Por tudo que foi demonstrado pelos documentos nos itens 1 a 4 acima, fica claro a função de intermediação da empresa TREVI, que serve como mais um nível na cadeia de interposição para ocultar ainda mais o real adquirente, ou seja, FABRAMEX e CAPRI, a documentação apreendida não deixa dúvidas que o negociador da importação, quem gerencia todo os termos é a empresa TREVI, como no exemplo do documento em que a mesma acerta a transferência de recursos para a ASSET e também o documento da ASSET acertando os termos com a Fernanda da TREVI. Importante observar ainda que os valores necessários para cobrir a importação vem da empresa PATER REPRESENTAÇÃO(TREVI), apesar de na contabilidade esse recurso estar declarado como recebimento de empréstimo anterior, por tudo que está nos documentos e ainda da análise final do item 4.1 acima existem fortes indícios de que esses empréstimos foram fictícios( Mais uma forma de adiantar recursos dos reais adquirentes para futuras importações e facilitar ainda mais a ocultação dos mesmos), ora vejamos, conforme item 4.1 acima demonstramos que a integralização de grande parte do capital não teve sua origem comprovada e esses recursos foram utilizados para pagar as primeiras importações, ou seja, as primeiras importações foram com recursos de terceiros e portanto as vendas a prazo dessas importações foram fictícias(pois o pagamento já havia sido feito no adiantamento dos recursos disfarçados) e seriam usadas para adiantar recursos para as importações seguintes e assim sucessivamente; ora os recursos para os empréstimos fornecidos à Pater Representação(TREVI) em julho e agosto de 2007(conforme Diário da Pater Trading) foram com recursos dessas vendas a prazo e assim temos fortes indícios de serem fictícios. No item 4 ainda temos a demonstração que a agregação de valor entre a compra e a venda ser praticamente zero e a mercadoria ser repassada para a empresa FABRAMEX(NF 34) e CAPRI(NF 35). Fl. 5890DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 14 13 Portanto, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente.” Da mesma forma em relação à Declaração de Importação nº 08/06230767, registrada em 29/04/2008 e à Nota Fiscal de Saída nº 49, que concluiu que a margem de lucro foi de 14,9% e que: “CONCLUSÃO: Por tudo que foi demonstrado pelos documentos nos itens 1 a 7 acima, fica claro a função de intermediação da empresa TREVI, que serve como mais um nível na cadeia de interposição para ocultar ainda mais o real adquirente, ou seja, FABRAMEX e JP, a documentação apreendida não deixa duvidas que o negociador da importação, quem gerencia todo os termos é a empresa TREVI, como no exemplo do documento em que a mesma acerta a transferência de recursos para a ASSET e também o documento da ASSET acertando os termos com a Fernanda da TREVI. Importante observar ainda que os valores necessários para cobrir a importação vem da empresa Fabramex em sua grande parte e também é esta a empresa para qual a Pater Trading vende a maior parte do produto. No item 7 ainda temos a demonstração que a agregação de valor entre a compra e a venda ser praticamente zero e a mercadoria ser repassada para a empresa FABRAMEX(NF 43 e 49) e JP(NF 44, 48 e 55).” Em relação à Declaração de Importação nº 08/13701818, registrada em 02/09/2008, e a Nota Fiscal de Saída nº 59, concluiuse que a margem de lucro foi de 12,5% e que: “CONCLUSÃO: Por tudo que foi demonstrado pelos documentos nos itens 1 a 6 acima, fica claro a função de intermediação da empresa TREVI, que serve como mais um nível na cadeia de interposição para ocultar ainda mais o real adquirente, ou seja, a empresa CAPRI, a documentação apreendida não deixa dúvidas que o negociador da importação, quem gerencia todo os termos é a empresa TREVI, como no exemplo dos documentos em que a mesma acerta a transferência de recursos para pagamento dos impostos e fechamento de câmbio. No item 6 ainda temos a demonstração que a agregação de valor entre a compra e a venda ser praticamente zero e a mercadoria ser repassada para a empresa CAPRI(NF 59).” Foram anexados aos autos documentos que comprovam a intermediação da empresa Trevi na interposição fraudulenta efetuada pela empresa Pater Trading e que oculta as empresasa Fabramex e CPA Distribuidora de Produtos Industriais Ltda. Todavia, em razão de não fazerem parte do período fiscalizado e não afetarem diretamente as importações a partir de 2009 não serão analisadas em detalhe, restando o registro da fraude perpetrada pela interessada. Fl. 5891DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 15 14 Diversos documentos retidos comprovam que a empresa Pater Trading funciona como uma empresa subordinada da empresa TREVI, tais como: • “Temos um comunicado de Henrique da Pater Trading, de 20 de julho de 2005, para Beth da TREVI informando os dados bancários para pagar o aluguel da Pater Trading em Anápolis; • Temos uma cópia de email de Rúbia(funcionária da Pater Trading) para Beth da TREVI, de abril de 2008, solicitando que a TREVI efetue o pagamento do aluguel de Anápolis de RS 420,00; • Temos um documento em que Rúbia da Pater Trading solicita para Beth da TREVI que envie mais recursos para a caixinha da Pater Trading, pois a mesma está no fim(abril de 2008); • Temos uma cópia de email de Leila da TREVI para Edimar da Agenda (Contabilidade da Pater Trading) tratando de nota fiscal de serviços de uma empresa que presta serviços para a Pater Trading, empresa Meinberg, de maio de 2008; • Outro email da Leila da TREVI para Edimar da Agenda tratando dos movimentos bancários da Pater Trading, ora a empresa TREVI gerenciando as contas bancárias da Pater Tradins, junho de 2008; • Documento de controle dos Títulos à Receber da Pater Trading, especial atenção para os clientes, CAPRI é um deles, o nome do responsável pela emissão do documento está no alto do mesmo e é a Senhora Leila da TREVI, maio de 2008; Outro documento emitido por Leila da TREVI, de maio de 2008, com os títulos pago .... empresa Pater Trading aos seus fornecedores(inclusive os exportadores estrangeiros); • Outro documento emitido por Leila da TREVI, de maio de 2008, com os títulos baixados pela empresa Pater Trading referente aos seus clientes(Fabramex e Capri); Temos um comunicado de Henrique da Pater Trading, de 20 de julho de 2005, para Beth da TREVI informando os dados bancários para pagar o aluguel da Pater Trading em Anápolis; • Cópia de email de Rúbia da Pater Trading para Beth da TREVI cobrando o pagamento de aluguel da Pater Trading de abril de 2008; • Outro documento emitido por Leila da TREVI, de abril de 2008, com os títulos pagos pela empresa Pater Trading aos seus fornecedores e prestadores de serviço, e IMPORTANTE, janto com o nome de Leila temos o nome da empresa MPA Comercia! Atacadista Ltda que será futura adquirente de mercadorias da Pater Trading; • Outro documento emitido por Leila da TREVI, de abril de 2008, com os títulos baixados pela empresa Pater Trading aos seus fornecedores e prestadores de serviço, e IMPORTANTE, Fl. 5892DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 16 15 junto com o nome de Leila temos o nome da empresa MPA Comercial Atacadista Ltda que será futura adquirente de mercadorias da Pater Trading; • Cópia de email de Leila da TREVI para Edimar da Agenda Contabilidade tratando de movimentação bancária de julho de 2008 da empresa Pater Trading; Documento emitido por Leila da TREVI em novembro de 2008 sobre o estoque da empresa Pater Trading; • Documento emitido por Leila da TREVI em novembro de 2008 sobre o faturamento da empresa Pater Trading; • Documentos emitidos por Leila da TREVI em novembro de 2008 sobre títulos pagos, à pagar, à receber e baixados da empresa Pater Trading; • Cópia de extrato bancário da Pater Trading emitido por Leila, de setembro de 2008; • Cópia de extrato bancário da Pater Trading emitido por Elizabeth A F Ramos da Silva, de setembro de 2008; • Documento emitido por Leila da TREVI tratando de movimentação bancária da Pater Trading de 01 à 31 de julho de 2008.” Análise da importação realizada por meio da Declaração de Importação nº 09/00489550, registrada em 13/01/2009 conclui que a margem de lucro foi de 11,1% e que: “Conforme lançamentos no livro Razão da Pater Trading de dezembro de 2008, abaixo, temos o pagamento de câmbio desta importação no dia 18 de dezembro de 2008, porém conforme os mesmos lançamentos abaixo, podemos observar que os recursos para o pagamento deste câmbio foram efetuados com recursos vindos da empresa Fabramex no mesmo dia 18 de dezembro. Importante observar que esses recursos seriam de recebimento de vendas a prazo das notas fiscais de número 66 e 70, porém conforme demonstrado nos itens 4.3.2.1 e 4.3.2.2 deste relatório, tais vendas a prazo foram ficticias e portanto esses valores na verdade foram adiantamento de recursos da Fabramex para a Pater Trading para que a mesma efetuasse a importação, conforme ainda o extrato bancário de dezembro de 2008(anexo 4.3.2) sem esse recurso da Fabramex não seria possível o pagamento do câmbio(Este câmbio consta no anexo Câmbio 2009). (...) Por tudo isso fica demonstrado para essa importação que houve antecipação de recursos da empresa Fabramex para a empresa Pater Trading e que a empresa Trevi funcionava como intermediadora, o que enquadra a operação como interposição da Pater Trading, pois a mesma declarava na DI que a Fl. 5893DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 17 16 importação era própria. A empresa Pater Trading assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei n° 11.488/07, transcrita abaixo: (...) Portanto, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação (na verdade vendas a prazo fictícias, pois a empresa FABRAMEX já havia antecipado os recursos para esta importação como demonstrado; assim essas vendas serão usadas para antecipar(JUSTIFICAR) recursos para as próximas importações em 2009 e assim sucessivamente, ou seja, o recebimento de uma venda a prazo fictícia sendo usada para antecipar recursos para a importação seguinte) serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente(Notas Fiscais 73(Fabramex), 74 e 75(CAPRI), de 13/01/2009), para as importações diretamente vinculadas.” A importação realizada por meio da Declaração de Importação nº 09/01123220, registrada em 28/01/2009, teve margem de lucro de 10,5 % e: “Conforme lançamentos no livro Razão da Pater Trading de janeiro de 2009, abaixo, temos o pagamento de câmbio desta importação no dia 22 de janeiro de 2008, porém conforme os mesmos lançamentos abaixo, podemos observar que os recursos para o pagamento deste câmbio foram efetuados com recursos vindos da empresa Fabramex no dia 21 de janeiro. Importante observar que esses recursos seriam de recebimento de vendas a prazo da nota fiscal de número 73(Diário da Pater Trading de 2009, folha 6 do Diário 2009 em anexo), porém conforme demonstrado acima neste relatório, tais vendas a prazo foram fictícias, e portanto esses valores na verdade foram recursos da Fabramex pari a Pater Trading para que a mesma efetuasse a importação, conforme ainda o extrato bancári» de janeiro de 2009(anexo Extratos Bancários 2009) sem esse recurso da Fabramex não seria possível o pagamento do câmbio(Este câmbio consta no anexo Câmbio 2009). (...) No livro Diário da Pater Trading de janeiro de 2009, temos o pagamento de impostos e taxas aduaneiras no dia 28 de janeiro de 2009 e conforme lançamentos abaixo, o recurso para efetuar tais pagamentos foram oriundos mais uma vez da Fabramex(Nota Fiscal n° 65, Diário da Pater Trading, folha 8 Diário 2009 em anexo vide também item 4.3.2.3). (...) Por tudo isso fica demonstrado para essa importação que houve origem de recursos da empresa Fabramex(e que as notas fiscais Fl. 5894DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 18 17 65 e 73 foram de vendas fictícias, assim o recurso para pagamento dessa importação não teve origem na empresa importadora) para a empresa Pater Trading e que a empresa Trevi funcionava como intermediadora, o que enquadra a operação como interposição da Pater Trading, pois a mesma declarava na DI que a importação era própria. A empresa Pater Trading assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei n° 11.488/07, transcrita abaixo: (...) Assim, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação (na verdade vendas a prazo fictícias, pois a empresa FABRAMEX já havia fornecido irregularmente os recursos para esta importação como demonstrado; assim esses valores serão usados para antecipar(JUSTEFICAR) recursos para as próximas importações em 2009 e assim sucessivamente, ou seja, o recebimento de uma venda a prazo fictícia sendo usada para fornecer(JUSTIFICAR) recursos irregularmente para a importação seguinte) serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente(Nota Fiscal 77(CAPRI), de 28/01/2009), para as importações diretamente vinculadas. Para as demais Declarações de Importação de 2009 (a partir de fevereiro) 2010, 2011 e 2012(até novembro) foi construída uma tabela com o fluxo de recebimentos, pagamentos, origem do recurso e destino do produto importado, além dos motivos de exclusão dos recursos utilizados nos pagamentos. Os motivos que levaram à exclusão do recurso, considerado como adiantamento de terceiros, foram os seguintes: Baixa agregação de valor para venda; Venda das mercadorias às mesmas empresas, muitas vezes na sua totalidade; Emissão de notas fiscais de saída no dia ou em data muito próxima ao do desembaraço; Sem o recebimento dos recursos adiantados a empresa Pater Trading não possuiria recursos suficientes para o pagamento das importações. Fortes vínculos entre as empresas envolvidas. Importações realizadas no período entre junho de 2011 e dezembro de 2012 tiveram o adiantamento dos recursos nelas empregados simulado por meio de contratos de mútuo entre as empresas Pater Trading e Kolovec do Brasil Distribuidora de Produtos Químicos Ltda. A empresa Kolovec tinha fortes vínculos com as empresa Trevi e JP Distribuidora. Fl. 5895DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 19 18 O modus operandi dessas importações consistia em, basicamente, a empresa JP Distribuidora transferir recursos à empresa Kolovec que, por sua vez, os transferia á empresa Pater Trading por meio de empréstimos simulados. Depois de entregues as mercadorias importadas, a empresa JP Distribuidora simulava pagamento transferindo recursos à Pater Trading que os transferia à Kolovec simulando pagamento do empréstimo. A empresa Kolovec, por sua vez, repassava os recursos à JP Distribuidora, comprovando assim a simulação do mútuo, utilizado para ocultar os verdadeiros adquirentes da mercadoria. Em algumas operações de importação também estavam envolvidas as empresas CPA, MPA, TREVI, Novaq Central e Cascade do Brasil Declarações de Importação Análise detalhada das importações realizadas por meio das Declarações de Importação nº 11/11146782, 11/11762246, 11/12010698, 11/12736133, 11/13869242, 11/14706398, 11/17302808 e 11/19003743, especialmente os valores constantes dos contratos de mútuo, das transferências bancárias e dos registros contábeis demonstram com clareza esse modus operandi de adiantamento de recursos para a realização dessas importações. (fls. 169 a 185) Depois de apresentar tabela que detalha todas as Declarações de Importação registradas pela interessada e o modo como foram adiantados os recursos nelas empregados, a fiscalização conclui que: “Por tudo isso fica demonstrado para as importações da tabela acima(Linhas 1 até 140 ITEM 4.5.2 deste relatório) que houve origem de recursos das empresas ali citadas (e que as notas fiscais ciladas foram de vendas fictícias, assim o recurso para pagamento dessas importações não tiveram origem na empresa importadora) para a empresa Pater Trading. o que enquadra a operação como interposição da Pater Trading. pois a mesma declarava nas D.I.s que a importação era própria. A empresa Pater Trading assim cedeu o seu nome para ocultar o reais adquirentes nessas D.I.s incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado nas respectivas D.I.s conforme o Artigo 33 da Lei n° 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a RS 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso essas D.I.s foram objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima.” Fl. 5896DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 20 19 Com relação ao estreito relacionamento que possuem as empresas envolvidas, assim demonstrou a fiscalização: A empresa Kolovec do Brasil Distribuidora de Produtos Químicos Ltda tem como sócios o Sr. Sergio Luiz Battaglin, CPF n° 751.566.28834 e a empresa Kolovec Trading Sociedade Anônima com sede no Uruguai, CNPJ n° 07.075.199 000166. Ocorre que o sócio Sergio Luiz Battaglin foi também sócio da empresa Trevi Importação e Exportação Ltda de 2008 até 2010. O sócio Kolovec Trading Sociedade Anônima com sede no Uruguai tem como sócio responsável, o Sr. João Paulo de Oliveira, CPF n° 107.863.72885, e o Sr. João Paulo também foi sócio da empresa JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais EIRELI de 1999 até 2006. A empresa Trevi Importação e Exportação Ltda, já teve vários nomes como: Pater Empreendimentos, Pater Representação Comercial, Trevi Importação e Exportação. Tem como sócios o Sr. José Rubens Coutinho Romano, CPF n° 423.283.30800 desde 2009 e Fabramex Comercial Importação e Exportação Ltda desde 07/2009. O Sr. Luiz Otávio Paternostro, CPF n° 935.939.61849 foi sócio da TREVI até setembro de 2008 e o mesmo havia sido sócio da Pater Trading(empresa selecionada para esta auditoria) também até 2008. A empresa MPA Comercial Atacadista Ltda também foi sócia da TREVI até setembro de 2008. A empresa JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais EIRELI tem como sócio o Sr. André Lira da Silva, CPF n° 271.418.368 96, o mesmo já foi sócio da empresa CAPRI Atacadista de Insumos Industriais EIRELI de 2009 à 2011; também teve como sócia a empresa CPA Distribuidora de Produtos Industriais Ltda em 2011. A empresa CAPRI Atacadista de Insumos Industriais EIRELI como acima citado teve como sócio de 2009 a 2011, o Sr. André Lira da Silva, CPF n° 271.418.36896. A empresa Fabramex Com Imp. Export. Ltda é sócia da empresa TREVI. A empresa CPA Distribuidora de Produtos Industriais Ltda foi sócia da empresa JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais EIRELI em 2011. A empresa MPA Comercial Atacadista Ltda tem como sócio administrador, o Sr. Luiz Otávio Paternostro CPF n° 935.939.61849, e este último foi sócio da empresa Pater Trading (selecionada para esta fiscalização) até 2008. A empresa TREVI foi sócia da MPA de 2007 até 2008. Portanto as empresas deste grupo têm fortes vínculos entre si. Os documentos relativos ao histórico dos quadros societários (de onde surgem os vínculos) citados acima estão no ANEXO 4.6.” Fl. 5897DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 21 20 Com relação ao crédito tributário: “De acordo com as penalidades e considerações descritas no item anterior (6.1 e 6.2), as importações realizadas pela empresa PATER TRADING. nos períodos abrangidos por esta fiscalização (anos de 2008(dezembro), 2009, 2010, 2011 e 2012), serão agrupadas nos seguintes grupos, gerando os respectivos créditos tributários. A — Multa por cessão do nome (art. 33 da Lei 11.488/2007), objeto deste Auto de Infração. B Perdimento convertido em pecunia (art. 23, inciso V e §1° e § 3o do DecretoLei 1.455/1976) ou Perdimento das mercadorias encontradas no depósito físico das empresas, a serem lavradas em outros processos em desfavor das empresas OCULTAS, em solidariedade com a empresa PATER TRADING caso seja aplicada a multa.” A solidariedade entre os acusados está embasada nos artigos 124, inciso I e 135, inciso II, do Código tributário Nacional – Lei º 5.172/1966 e no art. 95, inciso I, do Decretolei nº 37/1966. Foram autuados em conjunto com a interessada, Pater Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda, seus sócios: Empresa Santa Elvira Indústria e Comércio Ltda; Henrique Signore Sadocco Filho; e Luiz Otávio Paternostro, sócioadministrador entre 2005 e 2008. Cientificados do auto de infração, os autuados apresentaram impugnação nas quais alegam, em síntese, que: Apresentou todos os documentos e informações solicitados pela fiscalização, tais como: comprovantes de integralização do capital social, planos de contas e livros diário/razão, livros de registro de entrada e saída de mercadorias e registro de inventário e de apuração de IPI, extratos bancários, demonstrativos de resultado e balanços patrimoniais, contratos comerciais com fornecedores estrangeiros. “Não obstante, a Fiscalização houve por entender que estaria caracterizada a ausência de recursos financeiros próprios para suportar as operações de comércio exterior razão pela qual presumiu que teria acorrido acobertamento dos supostos adquirentes reais das mercadorias. Entretanto, desde o primeiro momento, é necessário ressaltar que NÃO HÁ NENHUMA PROVA de que a Impugnante teria operado com recursos de terceiros Verificase, na verdade, que os próprios trabalhos fiscais apresentam elementos que reforçam a idoneidade das operações realizadas pela Impugnante. Tais elemento, efetivamente, apontam para o fato de que as operações eram reais e lucrativas e não meras operações de "fachada", simuladas e deficitárias, com único propósito de ocultar os reais adquirentes das mercadorias. Fl. 5898DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 22 21 Toda a acusação baseiase, na verdade, em uma ÚNICA E EQUIVOCADA PREMISSA inicial, qual seja, a de que os pagamentos efetuados por um cliente da Impugnante ("FABRAMEX COMÉRCIO IMP. E EXP. CNPJ 15.318.144/000104) nos montantes de R$ 335.887,75 (19.11.2008). RS 120.334,00 (27.11.2008), e RS 391.111,50 (01.12.2008) não teriam se revestido de meros pagamentos de vendas a prazo, realizadas pela Impugnante em 08/05/2008 e 13/06/2008. Tais vendas, contudo, estão suportadas pelas Notas Fiscais de Venda (NF) n°s 43 e 49, e correspondentes extratos bancários e registros nos livros diário da Impugnante. Frisese que todos os lançamentos contábeis efetuados pela Impugnante indicam que tais pagamentos se referem às NFs de venda n°s 43 e49 (Hidróxido de Sódio, ou soda cáustica). Entretanto, segundo interpretou a Fiscalização, tais pagamentos consistiriam em supostos adiantamentos para financiar importações futuras e não meros pagamentos de venda a prazo, tal como contabilizou a Impugnante. Em outras palavras, a Fiscalização presumiu, por sua conta e risco, que as vendas da Impugnante à FABRAMEX (NFs n°s 43 e 49) seriam fictícias, e que, por conseguinte, os pagamentos realizados pela FABRAMEX em favor da Impugnante teriam o objetivo de financiar importações futuras. Ocorre que a Fiscalização não apresentou NENHUM elemento de prova para descaracterizar a efetividade das vendas realizadas pela Impugnante. Para assim concluir, a Fiscalização baseiase, essencialmente, em comunicações internas entre a então TREVI IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (60.094.612/000112) e a Impugnante. O conteúdo de tais comunicações referese à solicitação, por parte da TREVI, de antecipações de despesas aduaneiras e de armazenagem pela Impugnante a empresas que atuam como despachantes aduaneiros ou armazéns gerais (tais como ASSET CONSULTORIA E ASS. E REPR. LTDA. e UNIÃO TERMINAIS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA.). Frisese que tais despesas encontramse amparadas por Notas Fiscais, e ioram devidamente contabilizadas pela Impugnante. Esclareçase que a TREVI é uma empresa que presta serviços de transporte o local do desembaraço até o local de armazenamento das mercadorias, conforme consta inclusive de seu site na internet4. Por outro lado, a ASSET é uma empresa que tem, em seu portfólio, serviços de assessoria em comércio exterior, tais como estudos de viabilidade e orçamentos de projetos de importação, bem como serviços de contratação de intervenientes logísticos e de desembaraço aduaneiro5. Considerando que a filial da Impugnante que realizou essa importação se localiza em Maceió/AL, e as importações foram Fl. 5899DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 23 22 realizadas por meio do Porto de Santos/SP e que, portanto, a Impugnante operava tais importações de forma remota as despesas com serviços de assessoria aduaneira e logística, tais como despesas com desembaraço aduaneiro, transporte apos o desembaraço e armazenagem, são perfeitamente coerentes, e estão amparadas por contrato celebrado entre a TREVI e a Impugnante (doe. 3). É importante notar que os valores de tais despesas não correspondem, exatamente, aos pagamentos efetuados pela FABRAMEX à Impugnante fato evidenciado pelo próprio relatório da Fiscalização. Além disso a própria Fiscalização atesta que a operação foi lucrativa embora procure descaracterizar a operacionalidade das vendas ao afirmar que a agregação de valor entre a compra e venda teria sido muito baixa, dada a não contabilização do ICMS e "outras despesas'' as quais não foram sequer especificadas pela Fiscalização. Ainda, a Fiscalização desconsiderou benefícios de ICMS concedidos pela legislação do Estado de Alagoas, nos termos do nos termos da Lei n° 6.410/03, regulamentada pelo Decreto n° 1738/036, bem como do art. 600, §1°. Decreto do Estado de Alagoas 35.245/917 informação que constou das respectivas NFs de venda (43 e 49). Ademais, a presunção da Fiscalização, de que a operação da Impugnante demandaria uma estrutura maior e portanto mais custosa, simplesmente, não corresponde à realidade. Embora as operações de importação realizadas pela Impugnante envolvam valores expressivos, a verdade é que a as operações são em pequena quantidade. Em 2008 por exemplo, foram 12 (Dis), que, na verdade, se resumem a 7 operações ou seja, uma média inferior a uma operação por mês. Consideradas as 146 DIs realizadas em todo o período autuado (isto é, de dezembro/08 a dezembro/12), nota se que a média mensal é próxima de 3 operações. A atividade da Impugnante, basicamente, se limita a compra de bens no exterior e revenda no Brasil. Como as importações ocorrem de forma remota, os bens. após o seu desembaraço, são armazenados em armazéns gerais, ; contiguos aos portos pelos quais as mercadorias são escoadas. Observese, a esse respeito, que, ato continuo às importações, a Impugnante emitia NFs de remessa aos armazéns gerais (CFOP 6.905). As mercadorias, portanto, não chegam a ingressar, fisicamente, no estabelecimento da Impugnante, sendo remetidas diretamente dos armazéns gerais para os clientes da Impugnante, com emissão de NFs de "Vendas 5em Circulação pelo Estabelecimento" (CFOP 6.106). O ingresso no estabelecimento da Impugnante acontecia para meros fins fiscais, com o registro das respectivas NFs no competente Livro de Registro de Entradas. Fl. 5900DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 24 23 Vale ressaltar que a Impugnante realiza, previamente às operações, estudos de mercado que visam identificar as demandas por bens importados, o que tem por objetivo, exatamente, a otimização dos lotes importados, fazendo com que as mercadorias importadas sejam facilmente desovadas. Esta, na verdade, é a atuação típica de uma empresa que atua neste ramo de mercado tal como se demonstrará. Assim. a estrutura necessária para a operação brevemente descrita acima, é na verdade muito simples, permitindo que os contatos comerciais sejam feitos pela pessoa do próprio sócio gerente, que se dedica com exclusividade à empresa, por meio de telefone e internet. Resta saber, portanto, qual seria o elemento do prova apontado pela fiscalização para descaracterizar as vendas registradas pelas NFs n°s 43 e 49 como fictícias? Qual seria a pretensa "lógica" que permitiria transformar pagamentos registrados a titulo de vendas de mercadorias em supostas "antecipações de importações futuras"? E, isso, quando se tem: i) pagamentos via TED, devidamente identificados, em nome da FABRAMEX, conforme demonstram os respectivos extratos; ii) Notas Fiscais de venda e contabilização dos recebimentos como resultantes de vendas; iv) pagamentos de despesas aduaneiras e de armazenagem que se caracterizam como operacionais; e principalmente v) operações lucrativas fato atestado pela própria Fiscalização. Observase, assim, que o raciocínio da Fiscalização é nitidamente circular: Para concluir que não havia recursos próprios, a Fiscalização desconsidera os recursos provenientes das vendas efetuadas pela Impugnante. Porém, as vendas em questão foram consideradas pela Fiscalização como "fictícias" porque, sem elas, não seria possível o pagamento de despesas inerentes ao processo. A esse respeito, vejase o seguinte trecho do relatório tecido pela Fiscalização "Ou seja, a mesma opera com recursos do terceiros (se não houvesse os "recebimentos de clientes, ou seja, adiantamentos de clientes (através das vendas fictícias e ainda dos mútuos fictícios (...), não haveria recursos disponíveis para efetuar o pagamento disponíveis para efetuar o pagamento das importações", (cf. Item 2.6 "Do Enquadramento da Forma de Operação da Pater Trading'). No entanto, qual empresa conseguiria manterse, e suportar despesas, se não possuísse receitas oriundas, por óbvio, de pagamentos de seus clientes ou seja, de vendas? Fl. 5901DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 25 24 A partir de um raciocínio de rigor duvidoso e de uma premissa equivocada, a Fiscalização passou a interpretar todos os pagamentos posteriores dos clientes da Impugnante não mais como simples pagamentos de vendas de mercadorias a prazo situação de todo regular mas sim, como supostas antecipações de pagamento para importações futuras. Neste relato inicial, a Impugnante chama a atenção para as vendas realizadas, a prazo, em maio e junho de 2008 (DI 08/06230767, de 19/04/2008) que sequer são objeto da penalidade cominada pela Fiscalização porque os pagamentos realizados pela FABRAMEX em relação àquelas vendas se espraiaram ao longo do ano de 2008, por se tratar de ima venda a prazo. Logo, como a Fiscalização descaracterizou essas vendas, os pagamentos realizados nos meses seguintes inclusive, em novembro e dezembro de 2008 foram, também, considerados como supostas "antecipações" de importações futuras. Com isso, a Fiscalização considerou insuficientes os recursos para as operações de importação realizadas em dezembro/08 (DIs n°s 08/19264690, 08/19264681, 08/19268423) período inicial objeto do Auto de Infração. Tal elemento pagamentos realizados por clientes da Impugnante deveria ser considerado, no mínimo, com parcimônia pela Fiscalização, pois, considerada a continuidade regular das relações comerciais entre fornecedores/consumidores, é perfeitamente típica e razoável a existência de pagamentos habituais das mesmas empresas à Impugnante. O acurado exame dos fatos é que diferenciará aquilo que pode ser considerado o mero pagamento por uma venda e a suposta antecipação para financiamento de uma operação futura. É nesse ponto que a autuação falhou, conforme a Impugnante descreverá ao longo da presente defesa. Efetivamente, apegandose a uma única e equivocada premissa, de que a Impugnante não teria recursos próprios na data da primeira operação em dezembro de 2008 a Fiscalização constrói sua tese de que se estaria diante e antecipações, e não vendas. Apegandose a tal tese preconcebida, a Fiscalização interpreta todas as outras circunstâncias de acordo com este fio condutor, desprezando, ou não destacando deliberadamente elementos que não confirmam a sua teoria, e que militam em favor da Impugnante, tais como: (1) Existência do markup para as operações fato que a Fiscalização busca interpretar de forma contrária à Impugnante, ao alegar que as margens de lucro seriam baixas considerando o "ICMS e os custos de manutenção da operação". Fl. 5902DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 26 25 Observase que a Fiscalização não logrou demonstrar quais "custos" seriam estes. Tratase de uma grande suposição, baseada na premissa de que a Impugnante deveria contar com uma estrutura maior, e, portanto, mais custosa porém, esta estrutura não é necessária, como descrito acima. Ou seja: a Fiscalização abandona o único fato, efetivamente, comprovado a existência de saldo positivo (lucro) nas operações e se apega à uma mera suposição, destituída aliás de qualquer rigor. Em alguns casos, a Fiscalização chega a chamar de "baixas" margens de lucro de mais de 20, ou até 30%. Qual seria o critério para assim concluir? Ainda que as operações fossem deficitárias, esse dado isoladamente não poderia suportar a presunção de fraude, pois o risco de perdas é inerente ao mercado. O que dizer, então, de situação em que a própria Fiscalização atesta a existência de saldo positivo nas importações o que, aliás, guarda coerência com os Balanços Patrimoniais, que indicavam lucros? (ii) Os tributos devidos nas operações de importação foram devidamente recolhidos pela Impugnante; Outros elementos levantados pela própria Fiscalização no relatório anexo aos AIIMs, apesar da conotação conferida, trazem dados que, isoladamente, em nada relevam para a acusação de que a Impugnante não possuiria recursos próprios para arcar com as importações, ou ainda que reforçam a idoneidade das operações. Vejase, a esse respeito, a alegação de que as empresas CAPRI e FABRAMEX eram clientes da Pater Trading (Impugnante) durante 2008 e 2009, ou o fato de que o Sr. Luiz Patemostro sócio da Impugnante até julho/2008 teria sido sócio da TREVI até setembro de 2008. tendo então deixado a sociedade. Como o período autuado abrange fatos de dezembro/08 a dezembro/12, a alegação da Fiscalização somente reforça a independência entre a TREVI. a FABRAMEX e a Impugnante. Além disso, a própria Fiscalização registra a existência de vários clientes da Impugnante como FABRAMEX. CPA Distr. De Produtos Industriais. JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais, MPA Comercial Atacadista. MM Drodutos Alimentícios, JMT Comércio de Tecidos Ltda., Triple Tex Com. de Tecidos, Capri Distribuidora e Atacadista, Nova Central Imp. E Exp., Cascade ío Brasil, entre outras e não apenas uma única empresa. Verificase, inclusive, que a lista de supostos "adquirentes" verdadeiros inclui empresas notoriamente idôneas, como o Consórcio Brasileiro de Produção de Óleo, uma empresa que pertence à VALE S.A8. A Fiscalização, ainda, sustenta que a Impugnante teria observado movimentação financeira da ordem de R$ 7.8 milhões em 2008. ao passo que as Importações realizadas no período somariam R$ 9,2 milhões. Este dado citado pela Fiscalização Fl. 5903DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 27 26 está equivocado, uma vez que o somatório do valor das Dis registradas em 20089 é R$ 6.248.070,07 e não R$ 9.2 milhões, como referido pela Fiscalização (doc. 04). Isso porque, quanto à última DI registrada em 2008 (08/19268423, de J1/12/2008), no valor de R$ 1.873.888,81, a Impugnante obteve uma moratória e desconto de seu fornecedor no exterior, tendo realizado o pagamento em questão somente ao longo de 2009, fato comprovado por contratos de câmbio vinculados à DI em questão (08/19268423). Ou seja, ao atestar uma movimentação da ordem financeira de RS 7,8 milhões em 2008, a Fiscalização acaba por produzir prova que ressalta a existência le recursos próprios da Impugnante naquele ano (2008). Por outro lado, a Impugnante observou um Capital Circulante Líquido de R$ .342.181,85 em 2008 Nos demais períodos alcançados pela autuação (entre Í009 e 2012), a Impugnante manteve capitais circulantes líquidos de ordem semelhante, superiores a R$ 1.296.507,90 (cf. "DEMONSTRAÇÃO DE ORIGEM E APLICAÇÃO DE RECURSOS APURAÇÃO DA VARIAÇÃO DO CAPITAL CIRCULANTE" fls. 01099). Salientese, ainda, que a Impugnante junta, à presente defesa, declarações de seus fornecedores no exterior tais como LOTUS OIL REPRESENTAÇÕES LTDA. representante comercial de CONTINENTAL OIL & FATS (Malásia) no Brasil e UNIMIX, representante de KEMPAS EDIBLE OIL (Malásia), no Brasil | nas quais atestam que, de fato, negociavam com a Impugnante em seu rio nome (doe. 05). Não mais bastasse, parte das mercadorias importadas pela Impugnante consiste em fitas de led vide, por exemplo, NFs n°s 470 e 471, de 17/12/2012 cuja marca ("MUNDIAL LED") foi registrada pela Impugnante perante o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) dado que reforça o fato de que a Impugnante operou em nome próprio, assumindo os riscos comerciais e econômicos de sua atuação (do~c. 06). Em suma, NÃO HÁ ELEMENTOS SUFICIENTES para caracterizar as vendas ia Impugnante como "fictícias'', e por conseguinte — para concluir que a Impugnante estaria operando com recursos de terceiros ao contrário do que concluiu a Fiscalização. Ao contrário, quando analisadas criteriosamente, de forma desapegada de insinuações e teses préconcebidas, as provas dos lutos atestam a operacionalidade da Impugnante e idoneidade das operações em exame. Tais razões, e outras que serão melhor expostas ao longo da presente impugnação, devem levar à necessária IMPROCEDÊNCIA dos AIIMs. bem ao CANCELAMENTO INTEGRAL do crédito tributário por eles constituídos, tanto no que se refere à penalidade por cessão do nome a supostas e sequer existentes operações de comércio exterior em nome de Fl. 5904DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 28 27 terceiros, como no que se refere à pena de perdimento infligida peta Fiscalização.” Há contradição entre os dois autos de infração lavrados pela fiscalização, pois não poderia ser responsabilizada pela pena de perdimento, já que lhe foi imputada a penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Se a fiscalização entende que a impugnante apenas atuou para ocultar os reais adquirentes das mercadorias, a pena de perdimento deveria ser cominada a tais empresas e não à impugnante, nem mesmo como empresa solidária. Há impossibilidade de se restringir atividade econômica além do prazo previsto no art. 9º da IN SRF nº 228/2002 (90 dias), que não se confunde com o prazo estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Algumas Declarações de Importação foram liberadas mediante apresentação de garantia, sendo que a fiscalização entendeu que houve revenda das mercadorias e, portanto, aplicou a pena de perdimento convertida em multa pecuniária. Porém parte das vendas apontada pela fiscalização teria sido realizada após o prazo de 90 dias de que trata a IN SRF nº 228/2002, sem que a impugnante fosse cientificada da prorrogação das restrições. Portanto a pena de perdimento deve ser considerada nula. A configuração das operações realizadas pela impugnante está de acordo com as informações do site oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior (MDIC) que registra que as trading companies necessitam menor capital de giro devido às “operações casadas”, sendo essas caracterizadas pela comercialização imediatamente após a importação, sem trânsito físico das mercadorias pela importadora. Conforme Parecer da CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – parecer PGFN/CAT nº 2.042/97 (doc. 07) a única exigência, quando de contribuinte situado em Estado diverso do porto de importação, é a emissão de Notas Fiscais “simbólicas” de entrada e de saída, como foi o caso das operações no caso presente. Portanto, não há a necessidade de entrada “física” da mercadoria como alega a fiscalização, bastando a emissão de notas fiscais com os códigos CFOP próprios. Ao contrário do que alega a fiscalização diversas importações somente foram vendidas e entregues aos clientes muitos dias ou mesmo semanas depois de desembaraçadas, como por exemplo, aquelas amparadas pelas notas fiscais nº 48, 49 e 55. Mesmo no caso de proximidade de datas de desembaraço e vendas das mercadorias não há qualquer vedação legal a que a negociação ocorra antes do desembaraço aduaneiro, pois entre a contratação com os fornecedores no exterior e todo o procedimento burocrático de importação e o desembaraço das mercadorias decorrem cerca de 40 a 60 dias. Fl. 5905DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 29 28 Não há qualquer motivo para se aguardar o desembaraço para só então iniciar as negociações de venda. Apesar de as operações autuadas terem sido realizadas em 2008 a fiscalização inicia a análise retornando à época da integralização do Capital Social da empresa em 2005. Os comprovantes de depósito bancário e registros no Livro Diário comprovam que em 07/06/2006 e 30/06/2006 os sócios Henrique Signore Sadocco Filho e Luiz Otávio Paternostro, junto, fizeram aportes no montante de R$ 1.000.000,00. Ainda que a fiscalização acuse a falta de capacidade financeira do sócio Luiz Henrique Paternostro demonstradas pela sua declaração de renda, há que se observar que esse sócio deixou a sociedade em julho de 2008, cedendo sua 950.000 cotas no valor de R$ 950.000,00 – valor paga por Henrique Signore Sadocco Filho em 24 vezes – conforme alteração contratual da empresa (fls. 891/1017). Posteriormente 10.000 cotas foram cedidas por R$ 10.000,00 a Santa Elvira Indústria e Comércio Ltda. Portanto, “Considerando que o Sr. Henrique Saddoco pagou pelas 950.000 cotas da sociedade em 2008, o fato é que houve aporte de recursos financeiros comprovados no período a que se referem as operações autuadas (isto é, a partir de dezembro de 2008).” Não há obrigação do sócio remanescente de fazer auditoria em declarações de renda do sócio que se retira da sociedade, portanto não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades daquele. A própria fiscalização registra que, embora o sócio Paternostro tenha realizado aportes no valor de R$ 554.166,70, naquele ano, a impugnante realizou empréstimos ao então sócio, em 31/08/2005, 24/10/2005 e 09/12/2005 no montante de R$ 541.720,31, conforme contratos de mútuo. Os empréstimos se justificaram pelo fato de a empresa estar aguardando a concessão do Regime Especial Tributário de que trata a Lei nº 6.410/03, do Estado de Alagoas. Assim, na realidade não houve suporte financeiro pelo sócio Paternostro, no período, que não declarou as cotas, mas também não declarou o contrato de mútuo. Portanto, o fluxo de recursos que se discute na presente autuação teve saldo econômico praticamente nulo. A acusação da fiscalização apensa permitiria discutir eventual erro na declaração de rendas da pessoa física de Paternostro, mas não afastam a existência dos recursos quando do início das operações, muito menos à época dos fatos (2008). E os comprovantes de depósito e registros contábeis demonstram que os empréstimos foram devidamente pagos pelo sócio. Com relação às importações realizadas em 2088 e analisadas pela fiscalização: Fl. 5906DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 30 29 “3. DAS IMPORTAÇÕES REALIZADAS NO ANO DE 2008: Conforme explicado anteriormente no tópico IDOS FATOS" acima, toda a presunção da Fiscalização deriva, essencialmente, da descaracterização e vendas a prazo efetuadas pela Impugnante, e sua requalificação como supostos "adiantamentos" de recursos para financiar importações futuras. Considerando que os pagamentos decorrentes das vendas em questão foram contabilizados como vendas a prazo, e que portanto os pagamentos se espraiam em períodos posteriores às vendas, a descaracterização de uma venda acaba por repercutir quanto aos períodos subsequentes. Isso porque. como consequência lógica de seu entendimento, a Fiscalização passa a desconsiderar os respectivos recursos como provenientes de vendas, e logo como recursos próprios da Impugnante. Contudo, como já ressaltado, fato é que a Fiscalização não apresenta provas concretas para descaracterizar os recursos como provenientes de vendas tal como contabilizado pela Impugnante. Além disso, a Fiscalização se baseia em dados equivocados, bem como desconsidera fatos relevantes ocorridos no período de inicio das operações tratadas no AIIM isto é, o ano de 2008 os quais tiveram grande impacto no setor de atuação da Impugnante. Vale lembrar que, em decorrência da crise internacional do último trimestre de 2008, a cotação do dólar americano variou de RS 1,80, em setembro/2008, para R$ 2,394, em dezembro/200812. Esse fato provocou impacto óbvio no mercado de importados. A Impugnante teve que conceder crédito a seus clientes e. ao mesmo tempo, negociar prazos de pagamento com seus fornecedores no exterior. Não por coincidência, a Fiscalização confere destaque às operações ocorridas em 2008. Não se pode perder de vista que, dadas as características peculiares de sua atividade, e a já descrita configuração jurídica das operações circunstâncias ignoradas pela Fiscalização a Impugnante opera com uma pequena quantidade de operações por ano, e um capital circulante relativamente pequeno. Em 2008, como já dito, as operações de importação se resumem a 7 (sete). Não obstante, os valores envolvidos são relativamente altos, e, como se pode imaginar, o cenário da crise de 2008 colocou a Impugnante em situação delicada. As compras efetuadas antes da disparada do dólar acompanharam a subida da moeda, impactando, inclusive, os Fl. 5907DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 31 30 tributos devidos sobre as importações, que como se sabe são calculados no momento do desembaraço aduaneiro, com base na cotação corrente. A Fiscalização baseia sua presunção no fato de que há, no período, ingresso de recursos registrados nas contas da Impugnante, contabilizados como pagamentos de vendas a prazo de períodos anteriores, e, concomitantemente, a sua quase imediata saída para pagamento de despesas e fornecedores. Porém, no lugar em que a Fiscalização enxerga "antecipações" para o financiamento de vendas futuras, o que estava ocorrendo de fato era que a Impugnante se via pressionada entre cobrar seus clientes para ao mesmo tempo arcar com suas obrigações junto aos seus fornecedores no exterior. No que se refere à última DI registrada pela Impugnante no ano de 2008, no valor de RS 1.873.888.81, ou USS 827.068.37, (DI n° 08/19268423), a Impugnante obteve moratória e desconto de seu fornecedor, sendo que o pagamento dessa aquisição somente foi efetuado no ano seguinte (2009), )or meio de quatro contratos de câmbio, liquidados em 06/03/2009, 9/06/2009, 20/07/2009 8 18/08/2009. (...) Observese que todos os Contratos de Câmbio em referência indicam, como beneficiária dos pagamentos, a "BASIC CHEMICAL SOLUTIONS LLC", bem como possuem expressa vinculação à DI n° 08/19268423, Portanto, os valores importados pela Impugnante em 2008 não montam R$ 9,2 milhões, ao contrário do que leva a crer a Fiscalização. De fato, quando desconsiderada a DI n° 08/19268423, cujo pagamento somente foi efetuado ao longo de 2009, e com desconto, temse que o valor das importações pagas pela Impugnante em 2008 é de RS 6.247.070.07. conforme demonstra a Tabela nº 03 abaixo: (...) Ou seja, ao atestar uma movimentação financeira de R$ 7,8 milhões, a Fiscalização, na verdade, produz prova que milita em favor da Impugnante, reforçando que a empresa, efetivamente, possuía recursos próprios para arcar com as importações realizadas no ano de 2008. A seguir, a Impugnante passará a abordar cada uma das operações de importação realizadas em 2008, bem como enfrentará cada uma das alegações trazidas pela Fiscalização. Ao final, sobressairá a total falta de subsídios para apoiar a presunção fiscal, uma vez que a Impugnante, efetivamente, possuía recursos próprios para arcar com essas operações. A análise das operações será realizada de forma cronológica e não como aprecem no relatório fiscal. Fl. 5908DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 32 31 A DI nº 08/053283702 foi registrada em 11/04/2008 e corresponde à NF nº 33, emitida com a informação de que o ICMS foi diferido. A venda das mercadorias foi realizada em 14/04/2008 para as empresas Fabramex e Capri, conforme Notas Fiscais nº 34 e 35, com código CFOP nº 6.106 – venda sem circulação pela estabelecimento. Os pagamentos foram realizados em 29/04/2008 (Fabramex) e em 01/12/2008 (Capri), conforme se verifica dos extratos bancários identificados e dos lançamentos no Livro Diário/2008 e nos razões das Contas específicas. Ou seja, os pagamentos das NF de venda nº 34 e 35 foram devidamente contabilizadas como vendas e os recursos provieram das contas bancárias das empresas adquirentes Fabramex e Capri. Por outro lado a fiscalização não apresentou nenhum elemento de prova para descaracterizar as vendas em questão. A fiscalização alega que a impugnante recebeu recurso da Trevi e que os teria usado para o pagamento de operações de câmbio da DI nº 08/05328372. Todavia os valores recebidos foram muito superiores ao da importação e o pagamento foi contabilizado como recebimento de empréstimos a terceiros, pois se tratou de pagamento de mútuo que tinha com aquela empresa. O motivo das comunicações entre a impugnante e a Trevi já foram esclarecidas anteriormente e não suportam a conclusão pela descaraterização das vendas registradas nas NFs nº 34 a 35. E a própria fiscalização aponta que houve margem de lucro de 10,5% na operação, que procura desqualificar como “baixa”, porém sem apresentar nenhum fundamento concreto. “Ressaltese que, embora a referida operação, ocorrida em abril/2008, não seja objeto da autuação, fato é que, por se tratar de vendas a prazo, os respectivos pagamentos realizados ao longo de 2008 foram glosados pela Fiscalização, repercutindo quanto a períodos tratados na autuação. Entretanto, como demonstrado, não há nenhum fundamento jurídico para se desconsiderar os pagamentos efetuados pela FABRAMEX e CAPRI, quanto às vendas realizadas nas NFs de Venda n°s 34 e 35.” No caso da DI nº 08/06230767, de 29/04/2008, as mercadorias foram vendidas à Fabramex e à JP Distribuidora de Insumos Industriais, conforme Notas Fiscais nº 43, 44, 48,49 e 55. Nesse caso, a fiscalização sequer se deu ao trabalho de indicar em seu relatório a quais operações de venda se referiam e tampouco de fornecer os motivos pelos quais tais pagamentos deveriam ser desconsiderados. Os pagamentos da Fabramex remontam a um total de R$ 5.388.261,35, amparados por depósitos identificados e registrados na contabilidade como vendas. “A única alegação trazida pela Fiscalização para tanto é, novamente, a existência de comunicações (emails) entre a TREVI" e a Impugnante. O objeto dessa comunicação é o Fl. 5909DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 33 32 pagamento de honorários de despachante aduaneiro (ASSET) despesas com impostos e prêmios de seguro, e, ainda, despesas com armazenagem de mercadorias despesas estas registradas por Notas Fiscais da empresa UNIÃO TERMINAIS E ARMAZÉNS GERAIS. NOTESE, TODAVIA. QUE OS PAGAMENTOS ERAM FEITOS PELA DIRETAMENTE IMPUGNANTE À "ASSET" NÃO POR MEIO DA "TREVI".” As vendas das mercadorias objeto dessa Declaração de Importação ocorreram em momentos diversos. A DI foi desembaraçada em 29/04/2088 e as vendas ocorreram em 08/05/2008, 06/06/2008 e 02/07/2008, sendo que os pagamentos da Fabramex foram contabilizados em datas iniciadas em 20/05/2008 até 01/12/2008. A margem de lucro calculada pela fiscalização foi de 14,9% e considerada baixa sem apresentar nenhuma fundamentação. A fiscalização inicia seu relato tratando da DI nº 08/13701818, de 02/09/2008, dando a entender que não havia recursos para seu financiamento. Todavia omite o recebimento pela impugnante de um valor de R$ 434.971,38 recebido de CPA Dist. Prodts. Ltda proveniente da venda registrada pela NF nº 47, conforme registro do Livro Diário. Com esse valor o saldo bancário da impugnante foi mais que suficiente para suportar as operações de importação de setembro de 2008 que foram em valor de R$ 101.374,78. A fiscalização omite a existência desse pagamento e novamente não fundamente a razão pela qual a teria desconsiderado. Se limita a analisar comunicações com a Trevi, já justificadas pela relação contratual que existe entre as empresas. Não houve intermediação no pagamento do câmbio, que foi suportado pela impugnante. As mercadorias importadas por esta DI foram vendidas à empresa Capri por meio da nota fiscal de venda nº 59, emitida com código CFOP 6.106 e contabilizada em 04/09/2008. Em razão de a mercadoria ser proveniente da China, o tempo de 60 dias de viagem foi usado para negociar a mercadoria enquanto esta se encontrava em viagem. A “margem de lucro” calculada pela fiscalização foi de 12,5%. Não há fundamento jurídico para descaracterizar os recursos contabilizados da venda registrada na NF nº 59. As Declarações de Importação até então analisadas não foram objeto de autuação pela fiscalização, todavia tiveram os recursos provenientes das vendas das mercadorias importadas a seu amparo desconsideradas, fato estabelecido como premissa para demonstrar que as demais Declarações de Importação foram registradas mediante o adiantamento de recursos, especialmente da empresa Fabramex. Analisandose as importações realizadas por meio das Declarações de Importação (DI) nº 08/19268423, de 01/12/2008 (Notas Fiscais de Saída nº 70 e 71); DI nº Fl. 5910DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 34 33 08/19264690, de 01/12/2008 (notas Fiscais de Saída nº 66, 67 e 68) e DI nº 08/19264681, de 01/12/2008 (Nota Fiscal de Saída nº 65) o que se conclui é que: • “Resta demonstrado que não há fundamentos para afastar a existência e efetividade das vendas realizadas pela Impugnante. Em todos os casos, houve pagamentos posteriores às vendas, bem como entrega efetiva de mercadorias (tradição), pagamentos referentes à armazenagem, impostos, seguro, etc; • Em todos os casos sem exceção houve margem positiva nas operações, fato apontado pela própria Fiscalização; • Em alguns casos, a margem é ainda maior do que aquela considerada pela Fiscalização, dada a desconsideração de benefícios fiscais incidentes nas operações; • Em parcela considerável das operações, as vendas não ocorreram ato continuo ao desembaraço ao contrário do que quer fazer parecera Fiscalização que, oportunisticamente, esconde exemplos que não suportam sua tese; • Ainda nos casos em que isso se verifica, não é possível extrair, deste dado, uma presunção de ocultação de real adquirente. A uma, porque esta prática é plenamente lícita, sendo, inclusive, abordada pelo Parecer PGFN/CAT/N0 2.042/97. A duas, porque, uma vez considerado o tempo de duração de frete marítimo de países distantes como China e Taiwan é de cerca de 60 dias, não sendo razoável exigir que o comerciante aguardo todo este tempo e mais todos os procedimentos burocráticos de desembaraço, para, somente então, negociar as revendas; • Assim, a Fiscalização não poderia ter desconsiderado os pagamentos das NFs de Venda n°s 34, 35 (FABRAMEX e CAPRI), 43, 44, 48, 49 e 55 (FABRAMEX e JP DISTRIBUIDORA). 47 (CPA DIST. PRODS. LTDA.), 59 (CAPRI), 70 e 71 (FABRAMEX), 66, 67 e 68 (FABRAMEX e CAPRI) e 65 (FABRAMEX). • A indevida desconsideração de tais pagamentos, que se espraiam em outros períodos, repercutirá nos anos seguintes sob autuação, conforme verá.” Importações realizadas a partir de 2009: “A partir do ano de 2009, a Fiscalização deixa de realizar uma análise detalhada das operações, valendose exclusivamente da desconsideração dos pagamentos efetuados em períodos anteriores, conforme descrito no tópico anterior ("3. DAS IMPORTAÇÕES REALIZADAS NO ANO DE 2008"). Tendo em vista que os pagamentos desconsiderados foram exaustivamente alisados no tópico anterior, a Impugnante se valerá de uma descrição mais sintética quanto aos motivos pelos Fl. 5911DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 35 34 quais as revendas realizadas de 2009 em ante não podem ser consideradas fictícias ao contrário do que presumiu fiscalização. De um modo geral, a Fiscalização comete a mesma falha de raciocínio já demonstrada: a de se basear, exclusivamente, em proximidade de datas de entrada e saída de recursos para concluir que se trataria de adiantamento de despesas para financiar as importações. Porém, para suportar sua presunção, a Fiscalização deveria ter ido além. Uma venda fictícia é uma venda em que (i) o pagamento não foi feito, ou (ii) não houve entrega de mercadoria. No presente caso, houve pagamento, devidamente contabilizado, e a mercadoria foi entregue a quem de direito. A existência de margem de lucro em todas as operações também milita em favor da existência e efetividade das operações. Não há, em suma, nenhum elemento capaz de infirmar estas vendas, conforme se demonstrará.” Análise específica das Declarações de Importação (DI) nº 09/00489550, de 13/01/2009 (NFs de Venda nº 73, 74 e 75) e DI nº 09/01123220, de 08/01/2009 (NF nº 77), leva á seguinte conclusão: • “Resta demonstrado que não há fundamentos para afastar a existência e efetividade das vendas realizadas pela Impugnante. Em todos os casos, houve pagamentos posteriores às vendas, bem como entrega efetiva de mercadorias (tradição), pagamentos referentes à armazenagem, impostos, seguro, etc; • Observase que, em 2009, a quantidade de operações pagas a prazo diminui consideravelmente, sendo que os recursos pagos por clientes como FABRAMEX e CAPRI se referem a vendas realizadas no próprio mês, ou no mês imediatamente anterior. Assim, o raciocínio da Fiscalização se torna ainda mais insustentável, pois presume que os recursos que ingressaram na Impugnante teriam se revestido de "antecipações", quando foram contabilizados como vendas realizadas no próprio mês (com provas de despesas de armazenagem, entrega de mercadorias, etc); • A indevida desconsideração de pagamentos registrados como "vendas" repercute quanto aos períodos posteriores.’ Sobre as Importações realizadas nos períodos seguintes (após janeiro de 2009 e de 2010 a 2012: “A partir de janeiro de 2009, a Fiscalização deixou de analisar, Fl. 5912DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 36 35 individualmente, cada uma das operações, tendo construído um quadro com os supostos motivos que deveriam levar a concluir que a Impugnante não dispunha de recursos próprios sempre se valendo do mesmo raciocínio até aqui exposto, isto é: descaracterizando indevidamente receitas de vendas anteriores e as requalificando como supostas "antecipações'. Corno, evidentemente, não seria possível enfrentar todas as 146 operações, uma a uma, a Impugnante destacará, abaixo, os principais pontos que saltam aos olhos no aludido quadro construído pela Fiscalização: • Em vários casos, as supostas "antecipações" foram feitas por uma empresa, porém, a mercadoria entregue a outra empresa; • Houve margens de lucro em todas as 146 operações. Destaca se os casos das Dls 09/02162203 (18/02/2009), Dl 09/0763140 6 (17/06/2009), Dl 09/167873646 (30/11/2009), Di 09/1720063 7 (04/12/2009). Dl 09/12152502 (10/09/2009), Dl 11/04607800 (15/03/2011), Dl 11/06265434 (06/04/2011), em que as margens observadas foram de 21, 24%, 25,6%, 26.4%, 28%, 36,4% e 38,4% respectivamente; • A venda das mercadorias na mesma data do desembaraço não pode sustentar a operação de simulação, uma vez que a Impugnante dispõe de tempo para negociar a venda enquanto a mercadoria está em trânsito (fretes marítimos de países distantes, como China e Taiwan). Porém, essa sequer é uma constante, uma vez que a própria Fiscalização aponta vários casos em que decorrem dias entre o desembaraço e a venda; • Entre os supostos "adquirentes reais" das mercadorias, figura o \\\\Consórcio Brasileiro de Produção de Óleo de Palma CBOP, uma empresa que pertence à VALE S.A. (vide, por exemplo, Dl n° 1C/22269870, de 14/12/2010); • Quanto aos empréstimos da empresa KOLOVEC (2011), há que se ressaltar que foram registrados e adimplidos pela Impugnante, e que, por outro lado, esta empresa não adquiriu mercadorias. Além disso, houve recolhimento de IOF sobre tais empréstimos. Assim, não se sustenta a presunção de que a Impugnante teria se valido de tais empréstimos para ocultar adquirentes das mercadorias; • Em suma, o quadro todo não suporta a presunção de que a Impugnante teria operado com recursos de terceiros nesses períodos;” Requer seja julgado nulo ou improcedente o auto de infração. Henrique Signore Sadocco Filho, Santa Elvira Indústria e Comércio Ltda e Luiz Otávio Paternostro, apresentaram impugnação com teor semelhante à impugnação apresentada por Pater Trading Comércio Importação e Exportação Ltda, apenas Fl. 5913DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 37 36 alegando, suplementarmente, que não há fundamento legal para suas responsabilizações pessoais pois a autuação se reporta a fatos anteriores a seus ingressos na sociedade e porque a empresa Pater Trading não teria operado com recursos alheios. O autuado Luiz Otávio Paternostro alega, ainda, que a autuação se reporta a fatos ocorridos entre dezembro de 2008 e dezembro de 2012, todavia havia se retirado da sociedade em julho de 2008. As alegações da fiscalização sobe a integralização do capital social, no ano de 2005, não guardam relação direta com as operações discutidas nos autos, sendo que os empréstimos realizados pela Pater Trading foram devidamente pagos à sociedade, com os juros pactuados. Os depósitos, extratos bancários e registros contábeis comprovam a alegação. Requer, adicionalmente, seja afastado do polo passivo da autuação. É o relatório." A decisão de primeira instância proferida pela DRJ/RJ foi publicada com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2008 a 29/11/2012 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal que prevê a infração determina sua caracterização com conseqüente aplicação da penalidade prevista. INFRAÇÃO. PROVAS. PENALIDADE. A imputação de cometimento de infração deve estar acompanhada de provas que determinem a responsabilidade da autuada, sem as quais a penalidade respectiva não pode ser aplicada. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decretolei nº 37/1966). INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/1966). Fl. 5914DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 38 37 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." O Recursos Voluntários reforçaram as argumentações preliminares da impugnação e adicionaram a alegação de ilegitimidade passiva. No mérito, alegaram a licitude das operações em que o lançamento foi mantido em decisão de primeira instância. Ao apreciar a lide esta Turma de julgamento resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse juntado aos autos o Aviso de Recebimento AR, da intimação da decisão de primeira instância do sujeito passivo Santa Elvira, conforme Resolução de fls. 5713. Foi cumprida a diligência e o Aviso de Recebimento foi juntado, assim como, por precaução dos contribuintes, todos os Recursos Voluntários foram novamente juntados. A União, por sua Procuradora, após cumprida a diligência, foi cientificada da diligência e concordou com o prosseguimento do julgamento. O processo digitalizado foi distribuído, encaminhado a este Conselheiro e pautado em acordo com o regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. DO RECURSO DE OFÍCIO. Quanto ao Recurso de Ofício, constante no dispositivo da decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SC, em fls. 5177, por estar dentro do valor de alçada estabelecido em recente Portaria do Ministério da Fazenda de n.º 63/17 e presentes os requisitos de admissibilidade, este deve ser conhecido. Inicialmente é importante registrar que, tanto a exoneração quanto a exclusão do pólo passivo do sócio Luiz Otávio, realizadas na decisão de primeira instância, devem ser mantidas pelos mesmos fundamentos, uma vez que os débitos e créditos entre as empresas permaneceram lícitos, sem a comprovação da fraude, assim como não foi comprovado o excesso de poder nos atos do sócio Luiz Otávio. Destacase que este entendimento, com relação aos sócios, é obrigatório aos conselheiros visto que o Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho determina Fl. 5915DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 39 38 que sejam aplicadas as decisões proferidas pelo STJ em sede de recurso repetitivo, que é exatamente o caso do RESP 1101728/SP, publicado no site do STJ com a seguinte tese: "A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa." Pelo exposto, deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício e mantida a decisão de primeira instância nos mesmos moldes. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS. Por conterem matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, os tempestivos Recursos Voluntários devem ser conhecidos. DA PRELIMINAR. Com relação à alegação preliminar de nulidade do Auto de Infração, por haverem dois lançamentos sobre os mesmo fatos, um com a aplicação da pena de perdimento e este com a aplicação da multa de 10% por cessão de nome, não há razão aos contribuintes, porque o §3.º, do Art. 727 do RA/09, estabelece expressamente que a aplicação da multa por cessão de nome não impede a aplicação da pena de perdimento. Portanto, não merece a nulidade o presente lançamento em razão do lançamento ter sido fundamentado no Art. 33, da Lei 11.488/07 e não possuir vício grave de materialidade ou formalidade. DO MÉRITO. A burocracia, a alta carga tributária, as exigências e requisitos, as responsabilidades e as conseqüências tributárias e criminais atribuídas solidariamente a todos os envolvidos nas operações legais de importação por conta e ordem de terceiro, conforme DL 37/96, IN SRF 225/02 e 247/02 e 650/06, levaram muitas empresas a ocultar o sujeito passivo real adquirente das mercadorias. Fl. 5916DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 40 39 A fraude no setor é uma realidade, principalmente porque a legislação ou não corresponde aos formatos comerciais de negócios internacionais ou propositadamente, foram criadas para determinar limitações de cunho protetivo à indústria nacional. Esquemas fraudulentos de cessão de nome e interposição de terceiros atingiram diversos países e se tornaram operações nocivas ao erário público uma vez que menos tributos são recolhidos, além de interferir e criar competitividade desleal com os produtos internos (nacionais). Por muitos motivos se justifica a atuação das fiscalizações em casos aduaneiros, mas é importante lembrar que a livre iniciativa é direito consagrado e pilar de um Estado Democrático de Direito, sob o regime Capitalista e, em observação a esta regra, assim como em preservação da segurança jurídica do contribuinte, toda situação apresentada como fraude ou crime tributário deve ser analisada de forma concreta e individualizada. Portanto, este voto pretende traçar pontos fundamentados nos fatos e na estrita legalidade, de forma que tanto o crédito da União quanto o direito à livre iniciativa sejam prestigiados. A decisão de primeira instância manteve uma pequena parcela do auto de infração, com referência às operações constante no Relatório Fiscal em fls. 169, conforme trecho reproduzido a seguir: "A exceção são algumas importações realizadas no período entre junho de 2011 e outubro de 2011 que foram autuadas por ter sido identificado que os recursos nelas empregados tiveram por origem os reais adquirentes das mercadorias que realizavam empréstimos fictícios por meio do uso de empresa intermediária. O modus operandi básico nessas operações foi o de a interessada, Pater Trading, formalizar contratos de mútuo com a empresa “Kolovec do Brasil Distribuidora de Produtos Químicos Ltda”, com a qual possuía fortes vínculos. Também possuía fortes vínculos com a empresa “JP Distribuidora”. A empresa “Kolovec” recebia recursos das reais adquirentes (principalmente da empresa “JP Distribuidora”) e, no mesmo dia, os transferia à empresa “Pater Trading”, sob a justificativa de serem “empréstimos” amparados pelos contratos de mútuo. A Pater Trading, por sua vez, utilizava esses recursos para o pagamento de câmbio das importações. Na sequência a “Pater Trading” entregava as mercadorias às reais adquirentes e emitia notas fiscais de venda. Quando do “pagamento” dessas notas fiscais por parte das reais adquirentes à Pater Trading, esta transferia os recursos à Kolovec sob a rubrica de “pagamento de empréstimo” que, por sua vez, imediatamente os transferia às reais adquirentes. Assim, os recursos empregados nessas importações foram recursos adiantados pelas reais adquirentes das mercadorias, por intermédio da empresa “Kolovec do Brasil”, que ficaram ocultas nas operações. Fl. 5917DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 41 40 O fluxo desses recursos ficou evidenciado pelos registros contábeis das intervenientes, bem como pelas suas movimentações bancárias. A sincronia dos procedimentos, aliada à exatidão dos valores transacionados não deixam margem de dúvida em relação à intermediação da empresa Kolovec e à simulação das operações por parte das intervenientes. Assim, as operações de importação realizadas comprovadamente sob esse modus operandi caracterizaram a cessão do nome da Pater Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda com vistas ao acobertamento de operações de importação de terceiros, fato que se subsume à norma que tipifica a infração imputada pela fiscalização. Decorre dessa conclusão a aplicação da multa lavrada por meio do auto de infração do presente processo em relação às Declarações de Importação abaixo relacionadas e que perfaz o valor de R$ 560.066,35: 11/11146782, de 16/06/2011, multa de R$ 153.316,06 11/11762246, de 27/06/2011, multa de R$ 195.532,03 11/12010698, de 30/06/2011, multa de R$ 5.000,00 11/12736133, de 11/07/2011, multa de R$ 10.241,49 11/13869242, de 26/07/2011, multa de R$ 8.529,41 11/14706398, de 08/08/2011, multa de R$ 5.000,00 11/17302808, de 13/09/2011, multa de R$ 162.416,03 11/19003743, de 06/10/2011, multa de R$ 20.031,33." Desta forma, esta é a lide que foi submetida ao Recurso Voluntário. Em uma primeira análise dos autos, em sessão de junho de 2017, votei por acompanhar a decisão de primeira instância, mas alterei meu voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, em razão das motivações e apontamentos trazidos pelo conselheiro Cassio Schappo em sessão de julgamento em 25 de julho de 2017, após seu pedido de vista. Na oportunidade, foi possível concluir que não houve a triangulação fraudulenta entre a Pater Trading, a Kolovez e a JP Distribuidora O contrato de mútuo não foi celebrado para atender um real adquirente porque não havia um real adquirente e porque haviam diferentes adquirentes. A Pater Trading foi a real importadora. Não há nos autos a comprovação da fraude, da infração na operação de importação da Pater Trading, com posterior revenda à JP Distribuidora e à CPA (Notas Fiscais 255 e Doc 07 do RV), e outras empresas. Fl. 5918DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 42 41 É necessário que a mencionada troca de recursos tenha acontecido de forma fraudulenta, consciente e dolosa e, somente a verdadeira necessidade econômica e documentos como uma correspondência, confissão e interceptação telefônica, por exemplo, comprovaria isto. Assim, apesar de haver contrato de mútuo entre Kolovec e Pater Trading, não há a comprovação de que o real adquirente seria a JP distribuidora (a própria fiscalização aponta diferentes reais adquirentes), visto que se tratou de lícitas operações de compra e venda de mercadoria, comprovadas na escrita fiscal do contribuinte, sem qualquer comprovação de mútuo fraudulento triangular. Alías, este foi o entendimento aplicado na decisão de primeira instância. Dessas 8 DIs mantidas como fraudulentas na decisão de primeira instância, é possível verificar que, conforme exposto nas peças de defesa e sustentação oral realizada pelo patrono do contribuinte, a empresa JP comprava mercadorias da Kolovec, que recebia o pagamento dessas vendas conforme Doc. 03 do RV. Por sua vez, a Kolovec emprestava dinheiro para a Pater Trading, por meio desse contrato de mútuo (fls 59 item E do Relatório Fiscal). Com esse dinheiro, a Pater Trading importou as mercadorias constantes nestas 8 DIs e as vendeu tanto para a JP quanto para a CPA (Notas Fiscais 236, 248 e 255 e Doc 07 do Recurso) e outras empresas, com possível obtenção de lucro nas operações. Caso fosse uma fraude, não estariam comprovadas nos autos as vendas para a CPA, por exemplo. Logo, não é possível concluir que a JP era a real adquirente das mercadorias. Segundo a fiscalização, esse contrato mútuo foi simulado, de modo que a JP era a real adquirente dos produtos e a Kolovec e Pater Trading, meras interpostas. Mas como colocado, não há nos autos qualquer indício, prova do conluio entre as três empresas, correspondência, investigação policial, propósito negocial com fim ilícito ou troca de email ou comprovação de que o contrato de mútuo entre Kolovec e Pater Trading foi simulado. Ao contrário, o contribuinte juntou aos autos Declarações dos exportadores que confirmam terem realizados as negociações com a própria Pater Trading, conforme fls. 4823 dos autos, com trecho reproduzido a seguir: Fl. 5919DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 43 42 Meros débitos e créditos não são suficientes para descaracterizar o princípio da pacta sunt servanda, a autonomia da vontade das partes em celebrar contratos e negócios. Necessariamente, em razão do tipo legal, a cessão fraudulenta de nome prevista no Art. 33, da Lei 11.488/07, exige o conluio, ou seja, o elemento subjetivo de ambas as partes. Não há qualquer limitação em receber "transferências" bancárias de terceiro. Necessariamente o lançamento teria de ter demonstrado a falta de Patrimônio Líquido da interposta, falta de capacidade financeira e estrutural para importar as mercadorias ou origem ilícita dos valores utilizados na operação, mas assim não procedeu a autoridade lançadora. Necessariamente, todos os indícios comerciais apresentados neste caso, como o adiantamento de recursos, a carteira de clientes e as vendas adiantadas, terão de compor o rol de requisitos de indícios e provas que levam à configuração da fraude levantada, de modo que, isoladamente são insuficientes para a configuração do tipo legal. É neste ponto que existe o limite legal entre a atuação da consagrada da autonomia da vontade civil e o limite do poder do Estado em punir os contribuintes. E a partir deste ponto, a avaliação de casos em concreto dependerá da posição doutrinária e jurisprudencial do julgador ou da autoridade de origem, e a exata linha que estabelece para este limite. No presente caso, sem considerar margem de lucro e sem avaliar os demais aspectos comerciais e de contabilidade da empresa, o fiscal argumenta e fundamenta o seu lançamento a partir de uma premissa equivocada, a premissa de que os contribuintes não têm liberdade para empregar seus recursos ou recursos recebidos de terceiros da forma que melhor atender seus negócios. Mesmo na modalidade de importação direta, existe uma flexibilidade nos detalhes financeiros e comerciais e o contribuinte tem a posse e o direito sobre estes recursos e qualquer limitação determinada na modalidade de importação, dependerá de expressa previsão em lei ou acordo celebrado entre as partes, sob a garantia consagrada da máxima pacta sunt servanda, representada pela autonomia da vontade civil. E dentro desta linha de raciocínio está uma das principais razões pela qual o contribuinte merece interpretação favorável: não há nos autos uma prova comercial mais contundente de que estaria se tratando de outra modalidade que não a da importação direta, a prova de que o real adquirente realmente tenha encomendado a mercadoria. Neste contexto, a operação comercial e a estrutura societária teria de causar ilusão e ter exagerada distinção entre a realidade e a aparência, ou seja, o interposto (Kolovec) não teria real interesse nas importações e o reais adquirentes não poderiam "aparecer" nas operações. Aos reais adquirentes são destinadas as mercadorias e o interposto nada mais faz do que ser interposto, uma proteção aos reais adquirentes, uma empresa ou pessoa que suportaria todas as persecuções patrimoniais e penais. Os principais fatos que motivam a fraude, além do ganho econômico, costumam ser a proteção do patrimônio e da integridade do real adquirente de possível execução fiscal, a proteção contra eventuais processos criminais decorrentes das importações e Fl. 5920DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 44 43 da venda de produtos importados sem nota fiscal, sem recolhimento do tributo ou lavagem de dinheiro. No presente processo, todos estes encargos estariam apontados aos sócios da Kolovec, os possíveis laranjas da operação, que seriam os interpostos entre a União e os reais adquirentes. Neste procedimento administrativo, ao final, é possível concluir que os fatos não subsumem à norma supostamente infringida, elencada pela fiscalização (Art. 33, da Lei 11488/07). Logo, em razão do exposto no Art. 113 do CTN, não restou concretizada a obrigação principal. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É muito importante diferenciar a constituição do crédito tributário da ocorrência de crime e a responsabilidade solidária nestas situações. É de conhecimento que tanto o Direito Tributário quanto o Direito Penal possuem caráter disciplinar e sancionatório, com arcabouço legislativo proveniente de princípios em comum. Contudo, de forma pragmática, verificase que o procedimento administrativo não possui o mesmo rigor do processo penal, talvez em razão de não haver um Código de Processo Administrativo como existe no Direito Penal o Código de Processo Penal. Logo, desta constatação surge a preocupação de que, em processo penais, os Juízes de Direito possam se utilizar unicamente da constituição definitiva do crédito para concluir que há materialidade e autoria. Em se tratando de justiça, não há nada mais perigoso e injusto para a sociedade e para o contribuinte do que a condenação “automática” de cidadãos e contribuintes. É sobre o tema em litígio que o nobre doutrinador, Juiz Federal aposentado, Doutor Hugo de Brito Machado, lançou o livre “Crime Contra a Ordem Tributária”. Verifica se inclusive na contra capa de seu livro que o autor identificou uma lacuna no conhecimento jurídico, o fato de que “... os penalistas geralmente pouco conhecem do Direito Tributário, e os tributaristas quase nada sabem do Direito Penal”. Com algumas ressalvas às generalizações feitas pelo autor em desfavor às autoridades fiscais, porque muitas autoridades realizam seu trabalho com ética e qualidade, cito a preocupação do nobre autor em fls. 21 desta mencionada obra, no sub capitulo “O Direito Penal e o combate ao crime”, conforme segue: “O melhor instrumento para o combate ao crime, no que concerne especificamente aos crimes contra a ordem tributária, é o respeito ao contribuinte. Respeito que começa pela redução da enorme carga tributária a ele imposta. Passa pelo atendimento desatencioso e absolutamente inadequado e insuficiente a ele dispensado nas repartições da Administração Tributária. Vai até Fl. 5921DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 45 44 mesmo às interpretações inteiramente inadmissíveis, visivelmente distorcidas, das normas da legislação tributária, tendentes a lhes negar os direitos mais elementares. Enfim, a total falta de respeito na relação tributária, que induz no contribuinte o sentimento de que a lei só existe contra ele, ou pelo menos só é aplicada contra ele, posto que as disposições a ele favoráveis são sempre ignoradas pelas autoridades da Administração tributária. A pretensão de arrecadar tributos indevidos somada às emaças levianas do uso da lei penal contra contribuintes somente degradam a relação tributária e terminam por banalizar o Direito Penal. E não obstante seja o Direito Penal de grande importância como elemento de controle social, realmente a sua utilização não poder ser banalizada. Na medida em que ilícitos de menor importância social, e sobretudo aqueles que menos afetam os sentimentos éticos das pessoas, e por isto mesmo despertam menor censura da opinião pública, são definidos como crime, o Direito Penal se banaliza e perde a eficácia.” A autoridade de origem teria de ter instruído o processo de forma não existisse dúvida se o contribuinte e os responsáveis solidários teriam participado das diversas aquisições fraudulentas e de quais, não sendo possível a presunção de que o contribuinte e os responsáveis solidários tinham conhecimento de que em todas as operações havia fraude ou ilegalidade. Em observação ao disposto no Art. 124, inciso I do CTN, a princípio sempre poderá ser concluído que há interesse em comum, porque todos os empreendedores desejam prosperar e desenvolver o negócio, gerar emprego, aquecer a economia, ter mais lucro e aquecer o mercado, este é o objetivo de toda empresa. Mas tal interesse é comum não só para os empreendedores envolvidos nos trabalhos da Pater Trading, é comum para todos em um regime capitalista e, portanto, lícito e legal. Ademais, mesmo considerando o que foi disposto no Art. 135 do CTN, não está comprovado nos autos o excesso nos atos dos sócios. É importante lembrar que este entendimento, com relação aos sócios, é obrigatório aos conselheiros visto que o Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho determina que sejam aplicadas as decisões proferidas pelo STJ em sede de recurso repetitivo, que é exatamente o caso do RESP 1101728/SP, publicado no site do STJ com a seguinte tese: "A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa." Dessa forma, com fundamento no Art. 112, 113 e 142 do CTN, os responsáveis solidários também devem ser excluídos do lançamento. Fl. 5922DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 46 45 Assim, as alegações de ilegitimidade passiva acompanharão o entendimento de que não restou comprovada a fraude, de forma que os contribuintes Santa Elvira e Henrique Signore, do quadro de sócios da Pater Trading, não serão responsabilizados pelo lançamento. CONCLUSÃO. Em face do exposto, com fundamento no Art. 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 112, 113, 142 e 145 do Código Tributário Nacional e Art. 4.º, I, Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, votase para DAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, restando improcedente o lançamento, exonerados todos os créditos tributários, multas e responsabilidades solidárias. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado. A autuação tratou da aplicação da multa por cessão de nome e teve por fundamento a premissa de que os recursos utilizados nas operações foram adiantados pela reais adquirentes das mercadorias, que teriam ficado ocultas nessas operações. Segundo a fiscalização, os valores registrados na contabilidade da interessada como pagamentos de vendas anteriores seriam, em verdade, adiantamentos de recursos “disfarçados” de pagamentos, ou seja, seriam operações registradas fraudulentamente na contabilidade de forma a simular o recebimento de pagamentos e encobrir a verdadeira antecipação de recursos para o pagamento das importações de terceiros. Contudo, assentou a DRJ em sua decisão que não constam dos autos provas de que os registros contábeis que informam que as entradas de recursos dizem respeito a pagamentos de vendas anteriores e especificam a quais notas fiscais se referem. Na decisão recorrida excluiuse parte significativa da autuação fiscal, no período de 2008 e 2012. O excerto do voto explicitou o entendimento e a decisão quanto pá parte exonerada: Assim, as Declarações de Importação que foram autuadas com base na premissa de que os recursos nelas empregados foram provenientes de adiantamento de recursos de terceiros, resultado do procedimento fiscal de descaracterização da origem desses recursos que foram contabilizados como provenientes de Fl. 5923DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 47 46 pagamentos de vendas, não podem ser consideradas irregulares, sob esse ponto de vista. (...) Assim, o auto de infração referente às Declarações de Importação registradas no período entre 2008 e 2012, com as exceções a seguir analisadas, não pode ser mantido nos termos como lavrado. Com relação às DIs nºs. 11/11146782, 11/11762246, 11/12010698, 11/12736133, 11/13869242, 11/14706398, 11/17302808 e 11/19003743, registradas no período de junho a outubro de 2011, demonstrou e comprovou o Fisco que os recursos nelas empregados tiveram por origem os reais adquirentes das mercadorias que realizavam empréstimos fictícios por meio do uso de empresa intermediária. Nas folhas 169 a 185 do Relatório Fiscal encontramse demonstrado, para as DIs relacionadas, o modus operandi do fluxo de recurso financeiro a partir da empresa JP DISTRIBUIDORA, passando pela KOLOVEC até chegar na PATER TRADING. Constatase a coincidência exata nas data e nos valores transferidos da JP DISTRIBUIDORA, a real adquirente das mercadorias importadas, para a PATER TRADING a importadora ostensiva. Somente após o recebimento do valor transferido, por intermédio da KOLOVEC, é que a PATER TRADING liquidava o contrato de câmbio relativo à aquisição da mercadoria ser importada e transferida à oculta JP DISTRIBUIDORA. Ou seja, sem o recurso financeiro oriundo da real adquirente não haveria a compra internacional pela PATER TRADING. A título de exemplo o quadro a seguir demonstra o fluxo das operações envolvendo as empresas: Fl. 5924DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 48 47 Por óbvio que a operação imprescindia de uma configuração que lhe desse a aparência de regularidade; dái porque a simulação tanto dos contratos de Mútuos entre KOLOVEC e PATER TRADING como os de pagamentos pelas mercadorias após entrega à JP DISTRIBUIDORA que, em verdade, procedia aos adiantamentos dos recursos necessários aos pagamentos do câmbio. Os registros contábeis foram efetuados para convalidar tal simulação; contudo, a evidência dá margem a uma única interpretação: não é crível que repasses de numerários com coincidência de valores e datas, que envolveu três empresas distintas, não sejam relacionados ao adiantamento da JP DISTRIBUIDORA para que a PATER TRADING efetuasse o pagamento referente à aquisição de mercadorias no mercado internacional, que após importadas seriam "revendidas" ao provedor do recurso financeiro. Entendo que restou plenamente comprovado a cessão do nome da PATER TRADING para que, por intermédio da KOLOVEC, a JP DISTRIBUIDORA adquirisse mercadorias importadas. Os fundamentos que comprovam o ilícito foram bem apontados pela decisão recorrida, os quais adoto e reproduzo neste voto: Fl. 5925DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 49 48 O modus operandi básico nessas operações foi o de a interessada, Pater Trading, formalizar contratos de mútuo com a empresa “Kolovec do Brasil Distribuidora de Produtos Químicos Ltda”, com a qual possuía fortes vínculos. Também possuía fortes vínculos com a empresa “JP Distribuidora”. A empresa “Kolovec” recebia recursos das reais adquirentes (principalmente da empresa “JP Distribuidora”) e, no mesmo dia, os transferia à empresa “Pater Trading”, sob a justificativa de serem “empréstimos” amparados pelos contratos de mútuo. A Pater Trading, por sua vez, utilizava esses recursos para o pagamento de câmbio das importações. Na sequência a “Pater Trading” entregava as mercadorias às reais adquirentes e emitia notas fiscais de venda. Quando do “pagamento” dessas notas fiscais por parte das reais adquirentes à Pater Trading, esta transferia os recursos à Kolovec sob a rubrica de “pagamento de empréstimo” que, por sua vez, imediatamente os transferia às reais adquirentes. Assim, os recursos empregados nessas importações foram recursos adiantados pelas reais adquirentes das mercadorias, por intermédio da empresa “Kolovec do rasil”, que ficaram ocultas nas operações. O fluxo desses recursos ficou evidenciado pelos registros contábeis das intervenientes, bem como pelas suas movimentações bancárias. A sincronia dos procedimentos, aliada à exatidão dos valores transacionados não deixam margem de dúvida em relação à intermediação da empresa Kolovec e à simulação das operações por parte das intervenientes. Assim, as operações de importação realizadas comprovadamente sob esse modus operandi caracterizaram a cessão do nome da Pater Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda com vistas ao acobertamento de operações de importação de terceiros, fato que se subsume à norma que tipifica a infração imputada pela fiscalização. Quanto à responsabilidade solidária da sócia pessoa jurídica Santa Elvira Indústria e Comércio Ltda e do sócio administrador Henrique Signore Sadocco Filho acertada a decisão recorrida. A pessoa jurídica ingressou na sociedade no início de 2009 e permaneceu até o momento da autuação, período no qual houve o registro da Declarações de Importação consideradas irregulares. Sua responsabilidade decorre da prática e do benefício proporcionado pelas infrações à legislação aduaneira e tributária, descritas no Relatório Fiscal deste processo, conforme prescrito pelo inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37/66. O sócio administrador da PATER TRADING é o agente direto da prática de atos ilícitos em nome da pessoa jurídica considerados infrações às leis aduaneiras e tributárias Fl. 5926DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 50 49 descritos na autuação fiscal. Assim, responde pelos crédito tributário lançado nos termos do art. 135, III do CTN. Conclusão Diante de tudo exposto, entendo acertada a decisão recorrida que manteve o crédito tributário em relação às DIs nºs. 11/11146782, 11/11762246, 11/12010698, 11/12736133, 11/13869242, 11/14706398, 11/17302808 e 11/19003743 e a responsabilidade solidária de Santa Elvira Indústria e Comércio Ltda e do sócio administrador Henrique Signore Sadocco Filho e voto para negar provimento ao recurso voluntário. Acompanho o Relator para negar provimento ao recurso de ofício. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 5927DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.732449/2013-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
Não vislumbrando a necessidade de qualquer diligência para elucidação dos fatos, o julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO DO BENEFÍCIO ATRAVÉS DO SINDICATO DOS EMPREGADOS.
O fato de o plano de assistência médica ter sido contratado diretamente pelo sindicato dos empregados, em virtude de acordo coletivo de trabalho, mas custeado pela empresa, não altera a natureza jurídica da verba paga, que continua sendo pagamento de assistência médica dos empregados.
Numero da decisão: 2301-005.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para negar-lhe provimento pela não extensão do plano de assistência médica a todos os empregados da recorrente. Votou pelas conclusões a Conselheira Andrea Brose Adolfo.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Não vislumbrando a necessidade de qualquer diligência para elucidação dos fatos, o julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO DO BENEFÍCIO ATRAVÉS DO SINDICATO DOS EMPREGADOS. O fato de o plano de assistência médica ter sido contratado diretamente pelo sindicato dos empregados, em virtude de acordo coletivo de trabalho, mas custeado pela empresa, não altera a natureza jurídica da verba paga, que continua sendo pagamento de assistência médica dos empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para negarlhe provimento pela não extensão do plano de assistência médica a todos os empregados da recorrente. Votou pelas conclusões a Conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 24 49 /2 01 3- 60 Fl. 897DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de recurso voluntário interposto pela UNISERV – União Serviços de Vigilância Ltda. contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (DRJ/Recife), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. A fiscalização lavrou autos de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiro, além de multas e de juros de mora, incidente sobre: – remunerações de empregados apuradas em folha não declaradas em GFIP; – plano de saúde odontológico, não oferecido a todos os empregados, conforme os seguintes trechos do relatório fiscal (fls. 51): Não importa a forma de contratação dos benefícios ou mesmo se eles são fruto de obrigação convencional, contratual, ou liberalidade do empregador. A empresa não apresentou os contratos correspondentes aos planos, mas não resta qualquer dúvida de que ela é a responsável pela liquidação dos serviços contratados, conforme se verifica nas notas fiscais emitidas em seu nome e devidamente escrituradas nas contas de obrigação da sua contabilidade. O que a empresa deve comprovar é se os benefícios se enquadram no disposto no art. 28, parágrafo 9o., inciso “q” da Lei 8.212 de 24/07/1991: (...) A empresa não comprovou que a cobertura dos benefícios ofertados abrange a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não atendendo portanto a legislação acima. Dessa forma os valores correspondentes aos benefícios devem compor o salário de contribuição dos segurados da empresa para fins de incidência da contribuição previdenciária. – diversos serviços prestados por contribuintes individuais apurados na contabilidade; – remunerações de administradores, a título de “pro labore”, apurada nas folhas de pagamento. A ciência da autuação ocorreu em 18/12/2013. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 15504.732449/201360 Acórdão n.º 2301005.064 S2C3T1 Fl. 898 3 As multas por descumprimento de obrigações acessórias foram parceladas. Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação apenas quanto à exigência envolvendo o plano de saúde, deixando de contestar as demais. A DRJ/Recife julgou improcedente a impugnação e manteve a exigência fiscal, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO DE INCIDÊNCIA. PREVISÃO EXPRESSA. O salário de contribuição, tanto para o segurado empregado quanto para o segurado contribuinte individual, corresponde, na forma da lei, à remuneração total por eles auferida junto à empresa. Em conseqüência, para que determinada vantagem decorrente da relação laboral não componha o salário de contribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. ASSISTÊNCIA MÉDICO/ODONTOLÓGICA A EMPREGADOS. EXCLUSÃO. REQUISITO. A exclusão do valor do plano de saúde pago pelo empregador/tomador do conceito de salário de contribuição, apenas se admite diante da comprovação de que o referido benefício se encontra disponível para a totalidade de seus segurados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DILAÇÃO PROBATÓRIA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, salvo as exceções previstas na legislação. EFEITO SUSPENSIVO. IMPUGNAÇÃO. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário, independentemente de manifestação específica do sujeito passivo. Ainda irresignada, a Recorrente apresenta recurso voluntário, arguindo: (a) o pagamento de assistência médica exclusivamente para vigilantes decorre da situação atípica fixada pelas entidades representativas de patrões e empregados do setor, tendo agido a atuada como mera mantenedora dos benefícios contratados pelo sindicato laboral; Fl. 899DF CARF MF 4 (b) de acordo com a convecção coletiva de trabalho assinada, o plano de saúde era contratado diretamente pelas entidades sindicais, cabendo à empresa exclusivamente o custeio; (c) o benefício concedido não tem natureza salarial, nem se integra ao contrato de trabalho para quaisquer efeitos legais; (d) reitera pedido de produção de provas, em especial as provas pericial, documental e testemunhal. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 19/03/2015 e o recurso voluntário foi interposto em 15/04/2015. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Diligência para Produção de Provas Quanto ao pedido de realização de diligência para apuração de fatos, não há dúvida de que o ordenamento jurídico brasileiro, a começar pela Constituição Federal de 1988, consagra o respeito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, aos litigantes em processo judicial ou administrativo. Isso não significa, entretanto, que toda e qualquer diligência requerida pela parte deva ser automaticamente deferida pelo julgador. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, a possibilidade de realização de diligências para apuração dos fatos é uma faculdade do julgador, devendo ser exercida quando houver dúvida acerca dos aspectos fáticos constantes nos autos, sem violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado. Na espécie, não há qualquer questão fática a ser dirimida por diligência. Rejeito, portanto, tal pedido. Assistência Médica A exigência fiscal assentase na ausência de oferecimento do plano de assistência médica a todos os empregados da Recorrente, exigida pelo art. 28, §9º, alínea “q” da Lei nº 8.212/91: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; Fl. 900DF CARF MF Processo nº 15504.732449/201360 Acórdão n.º 2301005.064 S2C3T1 Fl. 899 5 As autoridades fiscais lastrearam o lançamento no fato de a folha de salários da Recorrente constar descontos relativo ao benefício de assistência médica apenas para parte dos empregados. O art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91 elenca verbas que não integram a base de cálculo e, em algumas situações, impõe condições para a fruição da desoneração (por exemplo, a extensão do benefício a todos os empregados). Considero que tal dispositivo não encerra uma norma de isenção, mas sim uma norma declaratória de nãoincidência tributária, tal como revela a exposição de motivo de uma das leis que o alterou1. Tais verbas não podem ser consideradas “a priori” como salário indireto, porque sua concessão não tem por finalidade remunerar o trabalho, mas proporcionar o sustento e a vitalidade do indivíduo para o desempenho do labor, aumentando sua produtividade e eficiência. Assim, a concessão de auxíliotransporte, auxílioalimentação e assistência médica podem ser considerados como benefícios instituídos diretamente em favor do empregador (e apenas indiretamente em favor do empregado). As condições existentes em algumas alíneas do §9º (por exemplo, a extensão do benefício a todos os empregados) não prejudicam tal conclusão e podem ser vistas como normas específicas antievasão, impostas pelo legislador com o objetivo de evitar que verbas tributáveis sejam pagas travestidas de verbas não tributáveis. Ou seja, a condição imposta na parte final da alínea “q” deve ser analisada pelo seu viés finalístico de evitar que a concessão do benefício com assistência médica possa figurar pagamento de salário indireto em favor de determinado empregado ou grupo de empregados. O caso concreto apresenta uma situação peculiar: a concessão de assistência médica aos empregados da Recorrente foi pactuada no âmbito da convenção coletiva de trabalho, assinada entre os sindicatos patronal e dos empregados (fls. 698, cláusula 52). O plano de assistência médica foi contratado pelo sindicato dos empregados, mas era custeado pela Recorrente, conforme atestam as cópias do respectivo contrato celebrado com Promed Assistência Médica Ltda. (fls. 702). Tal configuração contratual poderia servir para reforçar a universalidade do benefício entre os empregados da Recorrente, já que pactuado diretamente pela entidade sindical em favor dos empregados. No entanto, o fato de a Recorrente realizar pagamentos ao sindicato, e não à empresa de assistência médica, não altera a natureza jurídica da verba paga, que continua sendo pagamento de assistência médica dos empregados. Se isso possível, estaria legitimada a fraude 1 “19. A alteração do art. 28 da Lei nº 8.212 de 1991, fazse necessária para melhor caracterizar o saláriode contribuição, identificando, detalhadamente, as parcelas que o integram e as que não sofrem a incidência de contribuições previdenciárias, possibilitando maior segurança ao contribuinte nessa obrigação que ora se lhe pretende imputar, além de reunir num só ato legal diversas disposições esparsas em várias leis. Por outro lado, é antecipada, no âmbito da Previdência Social, a alteração do conceito de remuneração, para fins de incidência de contribuição previdenciária, visando à unificação com o Fundo de Garantia do Tempos de Serviço – FGTS, que, em breve, darseá na área trabalhista” (exposição de motivos da Medida Provisória nº 1.59614, convertida na Lei nº 9.528/97, publicada no Diário do Congresso Nacional de 02/12/1997, p. 17834). Fl. 901DF CARF MF 6 à lei, a burla ao requisito que obriga a empresa a estender o benefício a todos os seus empregados. Adicionalmente – e mais importante – percebo que o benefício de assistência médica não era oferecido a todos os empregados da Recorrente, consoante esclarecimento contido no recurso voluntário (fls. 886): A análise do rol de funcionários constantes do ANEXO 03 traz algumas informações importantes a serem cotejadas, senão vejamos: (...) a relação do anexo 03 não exclui do cômputo dos valores relativos a funcionários que trabalhavam em cidades que, à época, não eram cobertas pelo plano de saúde contratado pelo Sindicato junto à Promed e, por esta razão, não integravam o rol de custeio (V.g. Juiz de Fora, Riachinho, Brasilândia de Minas, Santo Antônio do Monte, Pains, Iraí de Minas, Estrela do Sul, Morada Nova de Minas, Pompéu, Buritis, Vazante, Lagamar, Bonfinópolis de Minas, Araújos etc.) Tal situação atesta que o benefício de assistência médica não era oferecido a todos os empregados da Recorrente, mas apenas àqueles vinculados ao sindicato. Por essa razão, a exigência fiscal deve ser mantida. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e negar dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002892/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/06/2008, 01/08/2008, 21/08/2008, 26/08/2008, 06/10/2008, 09/10/2008, 13/10/2008, 10/11/2008, 18/11/2008, 12/12/2008
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.437
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/06/2008, 01/08/2008, 21/08/2008, 26/08/2008, 06/10/2008, 09/10/2008, 13/10/2008, 10/11/2008, 18/11/2008, 12/12/2008 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/06/2008, 01/08/2008, 21/08/2008, 26/08/2008, 06/10/2008, 09/10/2008, 13/10/2008, 10/11/2008, 18/11/2008, 12/12/2008 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 28 92 /2 00 9- 40 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10314.002892/200940 Acórdão n.º 3402004.437 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.237da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/06/2008, 01/08/2008, 21/08/2008, 26/08/2008, 06/10/2008, 09/10/2008, 13/10/2008, 10/11/2008, 18/11/2008, 12/12/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10314.002892/200940 Acórdão n.º 3402004.437 S3C4T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 20/06/2008, 01/08/2008, 21/08/2008, 26/08/2008, 06/10/2008, 09/10/2008, 13/10/2008, 10/11/2008, 18/11/2008, 12/12/2008 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/06/2008, 01/08/2008, 21/08/2008, 26/08/2008, 06/10/2008, 09/10/2008, 13/10/2008, 10/11/2008, 18/11/2008, 12/12/2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10314.002892/200940 Acórdão n.º 3402004.437 S3C4T2 Fl. 5 4 denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10314.002892/200940 Acórdão n.º 3402004.437 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10314.002892/200940 Acórdão n.º 3402004.437 S3C4T2 Fl. 7 6 Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10314.002892/200940 Acórdão n.º 3402004.437 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10314.002892/200940 Acórdão n.º 3402004.437 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10314.002892/200940 Acórdão n.º 3402004.437 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 461DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904568/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.017
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2026; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.904568/201128 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.017 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de julho de 2017 Assunto RESTITUIÇÃO Recorrente RODOBENS CAMINHÕES BAHIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado no Pedido de Restituição já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do presente pleito. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte protestou por não ter sido intimado para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito e requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 56 8/ 20 11 -2 8 Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10530.904568/201128 Resolução nº 3201001.017 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse, a partir do confronto das informações declaradas e prestadas pelo contribuinte, na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando o seguinte: a) a DCTF não é único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, sendo descabida a exigência de retificação de declarações como condição à restituição do indébito tributário; b) o acórdão recorrido está em desconformidade com o princípio da verdade material, encontrandose a contabilidade lastreada em documentação idônea; c) o valor informado no campo "Receita da Revenda de Mercadorias" da Ficha 06A "Demonstração do Resultado" da DIPJ está considerando o valor da faturamento com vendas de veículos usados, ao passo que o valor informado no campo "Faturamento/Receita Bruta" das Fichas que demonstram o cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS considera somente o valor do lucro na venda de veículos usados, conforme determina o art. 5° da Lei nº 9.716/1998, fato esse que se comprova pela planilha de cálculo juntada ao recurso, a qual esclarece a apuração da contribuição, bem como o valor do crédito devido; d) o Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718/1998, em sede de repercussão geral, devendose observar o teor do art. 26A do Decreto 70.235/72 e o art. 62A do RICARF; e) a Lei nº 11.941/2009 revogou o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/1998. Ao final, pugna o Recorrente pelo provimento do recurso voluntário para que seja reconhecido o seu direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei 9718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.004, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 10530.903807/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.004): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10530.904568/201128 Resolução nº 3201001.017 S3C2T1 Fl. 4 3 "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. Inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e do aumento deste de 2% para 3%, instituídos pela Lei 9.718/98. Acolhimento do resultado da diligência e reconhecimento da atualização dos valores com fundamento no artigo 39, § 4° da Lei 9.430/96 (Taxa Selic). Aplicação desde a data da protocolização do pedido." (Processo 13839.001097/200580; Acórdão 3401003.778; Relator Conselheiro ANDRÉ HENRIQUE LEMOS, Sessão de 23/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10530.904568/201128 Resolução nº 3201001.017 S3C2T1 Fl. 5 4 Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10530.904568/201128 Resolução nº 3201001.017 S3C2T1 Fl. 6 5 Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801 000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10530.904568/201128 Resolução nº 3201001.017 S3C2T1 Fl. 7 6 Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, Balancete e livro Razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, consignando os resultados apurados em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728775/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
Numero da decisão: 2401-005.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 87 75 /2 01 1- 84 Fl. 540DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10580.728775/201184 Acórdão n.º 2401005.082 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1449.853/2014, às efls. 430/437, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente às contribuições sociais não recolhidas, correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre os valores pagos em decorrência de serviços prestados à autuada por cooperados através de cooperativas de trabalho, em relação ao período de 01/2008 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal, às efls. 12/22, consubstanciado no seguinte Auto de Infração. Informa o Relatório Fiscal que a autuada deixou de declarar em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP os valores devidos à Previdência Social relativos à contribuição incidente sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho, conforme dispõe o art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.876/99, combinado com o disposto no inciso III do art. 201 de Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A base de cálculo considerada pela fiscalização é o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços emitidas pelas cooperativas, deduzidas as taxas de administração. Junta cópia das Notas Fiscais de Serviço – NFS/Faturas/Recibos. Explica a auditoria fiscal que, em razão do advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou as penalidades aplicáveis tanto para o descumprimento de obrigações acessórias quanto de obrigações principais, e, em observância ao art. 106, inciso II, “c”, do CTN que trata da retroatividade mais benéfica de multa, para até a competência 11/2008, comparase à multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a atribuída pela legislação superveniente, e, de acordo com as planilhas constantes no RF, para as competências de 04/2008 a 10/2008 a novel legislação é mais favorável, tendo sido aplicada a multa de ofício de 75%. Também na competência 12/2008 foi aplicada a mesma multa, uma vez que a nova legislação já estava em vigência nessa competência. Já para as competências 01/2008 a 03/2008 e 11/2008, tendo em vista que a entrega de GFIP ocorreu em data posterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, foi aplicada a multa de mora de 24%, referente à legislação vigente à época dos fatos geradores. Toda a sistemática de comparação, critérios, legislação e planilhas estão demonstradas no subitem 6.3 do relatório. Informa que, em função da empresa ter impetrado Mandado de Segurança– MS contra o INSS, a fim de que não lhe fosse exigido o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços por cooperados através de cooperativa de trabalho, e da ação judicial não ter sido julgada em definitivo, o AIOP deverá ficar sobrestado até o julgamento do MS. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 443/449, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Fl. 542DF CARF MF 4 Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, pugnando inicialmente pelo envio das notificações e/ou intimações ao endereço dos patronos, sob pena de nulidade. Insurgese quanto a exigência de depósito prévio de 30% do valor discutido em débito para conhecimento do recurso, visto que tal exigência já foi devidamente considerada inconstitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. Quanto ao mérito, dispõe sobre o art. 442 da CLT que autoriza a relação contratual com cooperativas. Faz um histórico da legislação que trata de cooperativas desde a Lei Complementar nº 84/96 até sua revogação pela Lei nº 9.876/99 que modificou a Lei nº 8.212/91, aduzindo que é inconstitucional a contribuição em discussão, já que há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, a lei ordinária em comento usurpou competência prevista no art. 146, inciso III, alínea “c”, da CF, eis que, em se tratando de matéria envolvendo atividade cooperativa, o instrumento normativo é lei complementar, e, a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode criada mediante Lei Complementar. Afirma ter o STF no julgamento do RE 595838 declarada inconstitucional a contribuição sobre serviços de cooperativas de trabalho, anexando tal decisão. Explicita não haver qualquer renúncia ou desistência ao litígio na esfera administrativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10580.728775/201184 Acórdão n.º 2401005.082 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE CONCOMITÂNCIA Primeiramente cabe esclarecer que a questão relativa ao depósito prévio está superada. Seguindo a diante, apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a Recorrente impetrou na Seção Judiciária do Estado da Bahia o Mandado de Segurança nº 2000.33.00.0337518, objetivando obter perante o Poder Judiciário a que não lhe fosse exigido o recolhimento de 15% sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços por cooperados através de cooperativas de trabalho. Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Fl. 544DF CARF MF 6 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Mesmo em se tratando de matéria já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no entender deste Conselheiro, não há como conhecer do recurso em observância ao princípio da celeridade e economia processual, por afronta direta a todos os fundamentos acima expostos. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, em observância a Súmula n° 1 do CARF, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 545DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720556/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2009 a 31/12/2011
TRIBUTO RETIDO NA FONTE. ART. 64, § 3º LEI 9.430/96. COMPROVAÇÃO. DIREITO AO APROVEITAMENTO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Retenções de tributos em decorrência de pagamentos efetuados por entes públicos à pessoa jurídica, nos termos do disposto no art. 64, § 3º da Lei nº 9.430/1996, consubstanciam-se em créditos a serem aproveitados pelo recebedor pois tem natureza de antecipação dos valores devidos. Improcedente o lançamento de tais valores.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/2009 a 31/12/2011
TRIBUTO RETIDO NA FONTE. ART. 64, § 3º LEI 9.430/96. COMPROVAÇÃO. DIREITO AO APROVEITAMENTO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Retenções de tributos em decorrência de pagamentos efetuados por entes públicos à pessoa jurídica, nos termos do disposto no art. 64, § 3º da Lei nº 9.430/1996, consubstanciam-se em créditos a serem aproveitados pelo recebedor pois tem natureza de antecipação dos valores devidos. Improcedente o lançamento de tais valores.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3201-003.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, conhecer o recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira Ávila que não conheciam do recurso. No mérito por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso de ofício. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Windereley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ART. 64, § 3º LEI 9.430/96. COMPROVAÇÃO. DIREITO AO APROVEITAMENTO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Retenções de tributos em decorrência de pagamentos efetuados por entes públicos à pessoa jurídica, nos termos do disposto no art. 64, § 3º da Lei nº 9.430/1996, consubstanciamse em créditos a serem aproveitados pelo recebedor pois tem natureza de antecipação dos valores devidos. Improcedente o lançamento de tais valores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2009 a 31/12/2011 TRIBUTO RETIDO NA FONTE. ART. 64, § 3º LEI 9.430/96. COMPROVAÇÃO. DIREITO AO APROVEITAMENTO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Retenções de tributos em decorrência de pagamentos efetuados por entes públicos à pessoa jurídica, nos termos do disposto no art. 64, § 3º da Lei nº 9.430/1996, consubstanciamse em créditos a serem aproveitados pelo recebedor pois tem natureza de antecipação dos valores devidos. Improcedente o lançamento de tais valores. Recurso de Ofício Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, conhecer o recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira Ávila que não conheciam do recurso. No AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 56 /2 01 4- 38 Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 3 2 mérito por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso de ofício. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Windereley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: DA AUTUAÇÃO Este processo trata de autos de infração lavrados para a constituição de créditos tributários referentes à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS dos períodos de apuração compreendidos entre 31/07/2009 e 31/12/2011 da contribuinte Sul América Companhia de Seguro Saúde, CNPJ 01.685.053/000156. O crédito tributário ora constituído, incluindo juros de mora e multa proporcional, importa no valor total de R$ 11.776.831,67 (onze milhões setecentos e setenta e seis mil oitocentos e trinta e um reais e sessenta e sete centavos). A fiscalização relata, no termo de verificação fiscal (fls. 55 a 62), que o procedimento realizado foi instaurado a partir de inferência, através dos sistemas da Receita Federal do Brasil e de diligência fiscal, de indícios de distorções na apuração e recolhimento de PIS e Cofins nos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011. A fiscalização sustenta que a “Receita Financeira Proveniente dos Bens Garantidores de Provisões Técnicas” deve ser adicionada à base de cálculo do PIS e da Cofins, pois não se trata de ampliação do conceito de faturamento ou tributação de receitas que não correspondam à receita bruta, mas, advinda de investimentos decorrentes de operações inerentes às atividades das sociedades seguradoras, partes constituintes de seu objeto social, conforme fica claro na Solução de Consulta nº 91 – SRRF08/Disit, de 02 de abril de 2012. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 4 3 Informa a fiscalização a existência de divergências no batimento comparativo entre os valores declarados em DCTF e os valores apresentados pelo contribuinte nas planilhas de apuração do PIS e da Cofins, havendo alguns períodos onde os valores apurados pelo próprio contribuinte são superiores aos valores declarados em DCTF. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada pessoalmente das autuações em 24/07/2014, a contribuinte apresentou em 22/08/2014 a impugnação de fls. 111 a 136. Segundo a Impugnante, o procedimento fiscal contraria às leis de regência das contribuições em questão, desrespeitando, inclusive, os entendimentos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional estampado no Parecer PGFN/CAT n° 2.773/2007 e da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, consubstanciados no subitem 6.2 da Nota Técnica COSIT n° 21/2006. Desrespeita também o Parecer exarado pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro DEINF/RJO nos autos do processo administrativo n° 10768013845/9914. Abstrai o conceito de receita bruta que habita o artigo 12 do Decretolei n° 1.598/77, com as modificações introduzidas pela MP n° 627/2013, convertida na Lei n° 12.973/2014. DAS DIFERENÇAS NA DCTF Neste momento, a Impugnante reconhece como devidas apenas as diferenças relativas aos meses de setembro, novembro e dezembro de 2010 e marco, abril e setembro de 2011, para os quais providenciou a devido recolhimento (anexa os DARF). Para os demais períodos presta os seguintes esclarecimentos. Nos meses de julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 2009, agosto de 2010, bem como maio, junho e agosto de 2011 a fiscalização não considerou os valores dessas contribuições retidos na fonte por órgãos públicos, na forma do artigo 64 da Lei n° 9.430/96, assim discriminados Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 5 4 No intuito de provar o seu alegado colaciona aos autos os Dacon originais para os períodos de julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 2009, agosto de 2010, nos quais as importâncias retidas na fonte por órgãos públicos estão devidamente apontadas nas linhas 10 (Deduções) das fichas 15A e 25A e na Ficha 30 (demonstrativo do PIS e da COFINS Retidos na Fonte), devidamente acompanhados dos respectivos comprovantes de retenção. Apresenta também o Dacon retificado para os períodos de maio, junho e agosto de 2011, pois, apesar das quantias retidas na fonte por órgãos públicos estarem devidamente apontadas na Ficha 30 (demonstrativo do PIS e da COFINS Retidos na Fonte) deixou de informálas nas linhas 10 (Deduções) das fichas 15A e 25A, tudo acompanhado dos devidos comprovantes de retenção e planilha de utilização. Em relação aos meses de novembro e dezembro de 2011 houve erro na apuração das exclusões relacionadas a “premio não ganho” comprovado pela apresentação do livro razão, assim, tais exclusões (expressas no art. 3º, § 2º, inc. II) importam no montante de R$ 115.603,349.69 em novembro e R$ 107.579.772.98 em dezembro. DAS RECEITAS FINANCEIRAS DOS BENS GARANTIDORES DE PROVISÕES TÉCNICAS Neste ponto, começa a Impugnante narrando que impetrou preventivamente o Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0211433, com o escopo de assegurar o seu direito líquido e certo de calcular e recolher a contribuição para o PIS de acordo com a sistemática prevista para as seguradoras na Lei Complementar n° 7/70, deixando, assim, de atender às disposições contidas no artigo 72, inciso V, do ADCT, na Lei n° 9.701/98 (DOU de 18.11.98) e na Lei n° 9.718/98 (DOU de 28.11.98). Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 6 5 A sentença proferida, em 2008, pela 19ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, julgou parcialmente procedente o pedido e encontrase em sede de Recurso de Apelação. Contudo, ante a decisão favorável em parte, a Impugnante passou a calcular e recolher o PIS sobre os prêmios de seguro sem a inclusão de qualquer receita financeira, pois estranhas ao conceito de faturamento. Argumenta que o STF, no julgamento dos recursos extraordinários de números 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, restringindo a incidência do PIS e da Cofins ao faturamento. Sustenta que as receitas financeiras auferidas pelas sociedades seguradoras não se incluem no faturamento, visto que, além de não se caracterizarem como receitas decorrentes da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, são receitas acessórias. Acrescenta que a RFB e a PGFN já manifestaram essa posição nos seguintes documentos: a) Nota Técnica Cosit nº 21/2006 – “no caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de recursos próprios”; b) Parecer PGFN/CAT/Nº 2773/2007 – conclui que, no caso de sociedades seguradoras, o prêmio é computado nas bases de cálculo dessas contribuições, mas as receitas decorrentes de aplicações financeiras não; c) Despacho proferido pela Deinf/RJO no processo administrativo nº 10768.013845/9914 relativo a outra empresa do grupo Sul América – “conforme informado no despacho de fls. 1546, o Gabinete desta Delegacia se posicionou com relação à interpretação da matéria do julgado em tela, tendose decidido pelo entendimento descrito às fls. 1545, onde em breve síntese a base de cálculo da contribuição litigada deve ser composta pelas atividades empresariais típicas, excluindose na espécie as receitas financeiras”. Defende a impugnante que esses pronunciamentos materializam critério jurídico adotado pela Administração Tributária, produzindo os efeitos previstos no art. 146 do CTN e no art. 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei nº 9.784/99, impedindo que interpretação diversa alcance fatos geradores anteriores, como pretende a fiscalização. A impugnante alega que a própria União reconheceu a ilegitimidade da pretensão de exigir PIS e Cofins sobre receitas operacionais acessórias com base na Lei nº 9.718/98, tendo revogado expressamente o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a edição da Lei nº 11.941/2009. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 7 6 Acrescenta que, mais recentemente, a União publicou a Medida Provisória nº 627/2013, que alterou a redação do caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e do art. 12 do Decretolei nº 1.598/77, a fim de incorporar ao conceito de receita bruta outros valores além dos decorrentes da venda de bens e serviços. A impugnante argumenta que esse novo conceito de receita bruta, além de vigorar apenas a partir de 2015, também não abrange as receitas financeiras auferidas pelas seguradoras, por não advirem da atividade nem do objeto principal dessas companhias, já que são de natureza acessória. A impugnante alega que as sociedades seguradoras são obrigadas a constituir provisões técnicas, a fim de honrar indenizações pelas quais poderão ser responsáveis. Acrescenta que a escolha dos bens vinculados às reservas técnicas é feita discricionariamente pela seguradora, sendo comum que uma aplicação vinculada às provisões técnicas em um mês não o seja no mês seguinte, pois assim permite a Circular Susep nº 284/2005. Sustenta que as seguradoras, como qualquer outra pessoa jurídica, realizam aplicações financeiras com seus recursos ociosos de caixa, auferindo assim receitas financeiras. Argumenta que as receitas das aplicações financeiras vinculadas pelas seguradoras em determinado mês a provisões técnicas não possuem natureza jurídica distinta das receitas de aplicações financeiras não indicadas como lastro dessas provisões, nem das receitas de aplicações financeiras auferidas por pessoas jurídicas dedicadas à indústria, ao comércio ou à prestação de serviços. A impugnante alega que o Parecer Susep/Decon/Geaco nº 32/2009 não tratou da receita bruta das companhias seguradoras, discorrendo apenas sobre as receitas operacionais, que abrangem, além da receita bruta, as receitas acessórias auferidas por qualquer sociedade, as quais não decorrem da exploração do núcleo do objeto social das seguradoras. Acrescenta que o conceito de receita bruta das pessoas jurídicas está consagrado há muito tempo como sinônimo da parcela das receitas operacionais auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços (Leis Complementares nº 7/70 e nº 70/91, art. 187 da Lei das SA), não se podendo admitir a inclusão das receitas financeiras nesse conceito. A impugnante alega ser incabível a imposição de multa de ofício no lançamento relativo ao PIS nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96, visto que, na data do lançamento, não era exigível o crédito tributário em litígio, tendo em vista a sentença proferida no mandado de segurança n° 1999.61.00.0211433, conforme comprovado no subitem 3.1.2 desta petição. Por todo o exposto, requer seja julgada procedente a impugnação, exonerandose os créditos tributários lançados. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 8 7 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0368.487, sessão de 29/05/2015, julgou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte e recorreu de ofício da parte exonerada. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/07/2009 a 31/12/2011 DIFERENÇAS ENTRE TRIBUTO APURADO E DECLARADO. LANÇAMENTO DE OFICIO. RETENÇÃO NA FONTE. APROVEITAMENTO. COMPROVAÇÃO. Constatadas diferenças entre o tributo apurado e declarado surge para o Fisco o dever de proceder ao lançamento de ofício, momento em que, as retenções na fonte devem ser aproveitadas, pois se tratam de antecipações do devido, pelo contribuinte, em relação às mesmas contribuições. Entretando, o lançamento deve ser mantido quando a empresa não comprova a inexistência de tais diferenças. REGIME CUMULATIVO. SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS RELATIVAS A APLICAÇÕES VINCULADAS A PROVISÕES TÉCNICAS. As receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins, quando decorrentes de investimentos compulsórios realizados pela empresa, por disposição legal, para garantir suas obrigações, porque compõem o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à Cofins lançada a partir da mesma matéria fática. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No dispositivo do Acórdão firmou: Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parte do crédito tributário exigido (...) Submetase à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 9 8 do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância Certificouse a Turma que restara comprovada a antecipação dos valores devidos de PIS e Cofins por meio de retenção e, por estarem também lançados na autuação, exonerouos desta. A Recorrente foi intimada da decisão da Delegacia de Julgamento por ciência eletrônica registrada em sua Caixa Postal, do Módulo eCAC do site da Receita Federal. Consta no Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fl. 415) que o destinatário teve ciência da "Intimação de Resultado de Julgamento" e "Demonstrativos de Débitos" por meio de sua Caixa Postal na data de 09/06/2015 às 14:37h. O conhecimento do teor dos documentos referentes a decisão da Delegacia de Julgamento deuse na data de 13/08/2015 às 8:57h, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no Link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), conforme consta do Termo de Abertura de Documento (fl. 426). Portanto, resta comprovada não só a ciência do Acórdão DRJ nº 0368.487, como também do teor dos documentos que o acompanharam, à vista da mensagem de registro da abertura dos documentos Todavia, não consta dos autos interposição de recurso voluntário pela contribuinte, caracterizandose desta forma a preclusão temporal por ausência de impulso processual à continuidade do contencioso neste Conselho. Destarte, à vista unicamente de interposição de recurso de ofício pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, sobre este serão analisados os requisitos de admissibilidade e, se caso admitido, julgado pela Turma. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Recurso de Ofício O conhecimento do recurso de ofício que exonera crédito lançado sujeitase ao limite de alçada, como previsto na Portaria MF nº 63, publicada no D.O.U. de 10 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 456DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 10 9 A turma da DRJ em Brasília/DF constatou que os valores lançados relativos à retenção das Contribuições para o PIS e Cofins, efetuados nos termos do art. 64, § 3º da Lei nº 9.430/1996, uma vez comprovada a efetiva antecipação devem ser exonerados. O quadro a seguir, demonstra os valores exonerados: Cofins Valores exonerados R$ PIS Valores exonerados R$ Período Principal Multa Juros Mora Principal Multa Juros Mora jul/09 48.370,14 36.277,61 21.858,47 10.481,20 7.860,90 4.736,45 ago/09 48.013,38 36.010,04 21.365,95 10.402,90 7.802,18 4.629,29 out/09 95.437,46 71.578,10 41.181,26 20.678,12 15.508,59 8.922,61 nov/09 47.601,16 35.700,87 20.192,41 10.313,58 7.735,19 4.375,02 dez/09 51.107,84 38.330,88 21.342,63 11.073,36 8.305,02 4.624,24 ago/10 233.368,87 175.026,65 83.079,32 50.563,25 37.922,44 18.000,52 mai/11 366.520,25 274.890,19 101.306,20 79.412,70 59.559,53 21.949,67 jun/11 115.282,56 86.461,92 30.745,86 24.969,37 18.727,03 6.659,33 ago/11 101.846,39 76.384,79 25.115,32 22.066,73 16.550,05 5.441,66 Soma 1.107.548,05 830.661,04 366.187,42 239.961,21 179.970,91 79.338,78 Crédito tributário exonerado R$ 2.803.667,41 Assim, os valores dos débitos lançados principal, multa de ofício e juros moratórios que totalizaram R$ 2.803.667,41, exonerados na decisão recorrida são superiores ao novo limite de alçada estipulado, que implica o conhecimento do recurso de ofício e o enfrentamento de seu mérito. De fato, retenções de tributos em decorrência de pagamentos efetuados por entes públicos à pessoa jurídica, nos termos do disposto no art. 64, § 3º da Lei nº 9.430/1996, consubstanciamse em créditos a serem aproveitados pelo recebedor pois tem natureza de antecipação dos valores devidos. Constatou ainda os julgadores a quo inexistência de aproveitamento desses créditos em declaração de compensação. Acertada a decisão recorrida que exonerou os valores lançados de PIS e Cofins, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, nos meses de julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 2009; agosto de 2010; maio, junho e agosto de 2011. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO DO RECURSO DE OFÍCIO E VOTO PARA NEGARLHE PROVIMENTO. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 11 10 Declaração de Voto Conselheiro, Orlando Rutigliani Berri. Ab initio, peço vênia ao ilustre Conselheiro Relator e aos demais ilustres Conselheiros que conheceram o presente recurso de ofício em face de entenderem que os juros moratórios constante do lançamento tributário efetuado para exigir, de ofício, do sujeito passivo crédito tributário, deve integrar o montante exonerado em decisão de primeira instância (DRJ's), a fim de aferir se a autoridade competente está obrigada, em face do limite de alçada, a recorrer de ofício para a segunda instância, in casu, o Carf. Esclareço, desde logo, que não comungo com referido entendimento. Com o devido máximo respeito aos que dele divergem, exporei minhas razões. Para tanto, inicio esta breve digressão citando o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, publicado originalmente no Diário Oficial da União Seção 1, de 07.03.1972, Página 1923, verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972 Dispõe sobre o processo administrativo fiscal e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o artigo 81, item III, da Constituição e tendo em vista o disposto no artigo 2º do Decretolei nº 822, de 5 de setembro de 1969, DECRETA: DISPOSIÇÃO PRELIMINAR Art. 1º. Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. (...) Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I Exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo ou de multa de valor originário, não corrigido monetariamente, superior a vinte vezes o maior saláriomínimo vigente no País; II Deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º. O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 12 11 § 2º. Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (...) Em sua redação original, a norma insculpida no artigo 34 do referenciado diploma legal, acima reproduzida, é textual ao afirmar que a autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo ou de multa de valor originário, não corrigido monetariamente. De se ver que o legislador originário, posto de referido decreto foi recepcionado com força de lei ordinária, em face de os Atos Institucionais nº 5 e 12 terem legitimada a edição do DecretoLei nº 822, de 1969, que delegou ao Poder Executivo, em pleno regime militar, competência para regrar o processo administrativo fiscal, ao prescrever a regra ínsita em seu artigo 34, em momento algum considerou a hipótese da inserção dos juros de mora. Pelo contrário, este foi taxativo em afirmar que nenhuma parcela concernente a correção monetária do crédito tributário exonerado deveria compor o cálculo do montante a ser apurado para fins de impor à autoridade de primeira instância o dever de recorrer de ofício sempre que sua decisão exonerar determinado valor. Com a edição da Medida Provisória nº 1.602, de 14 de novembro de 1997, convertida na Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, publicado no DOU de 11.12.1997, que proporcionou inúmeras alterações na legislação tributária federal, dentre tantas algumas no referido Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 67. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que, por delegação do DecretoLei nº 822, de 5 de setembro de 1969, regula o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 459DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 13 12 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." "Art. 23. (...) I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (...) § 2º........................................................................ II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal." "Art. 27. Os processos remetidos para apreciação da autoridade julgadora de primeira instância deverão ser qualificados e identificados, tendo prioridade no julgamento aqueles em que estiverem presentes as circunstâncias de crime contra a ordem tributária ou de elevado valor, este definido em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Parágrafo único. Os processos serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretário da Receita Federal, observada a prioridade de que trata o caput deste artigo." "Art. 30. (...) § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; Fl. 460DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 14 13 b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo." "Art. 34. (...) I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda." (grifos não pertencem ao original) De se ver que o artigo 67 da Lei nº 9.532, de 1997, ao alterar a redação original do artigo 34 do decreto regulador em comento (Decreto nº 70.235, de 1972), traz somente uma inovação, qual seja, a de delegar ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para fixar o montante segundo o qual passa a vigorar a regra impositiva para a autoridade de primeira instância recorrer de ofício sempre que sua decisão exonerar o sujeito passivo autuado de tributo e/ou multa. Para que não paire dúvida, esclareço, por oportuno, que a expressão entre parênteses "lançamento principal e decorrentes", trazida também na nova redação do artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, pela Lei nº 9.532, de 1997, tem natureza meramente elucidativa. Explico. É que referida normal legal, por versar sobre a alteração de diversos tributos federais, entendeu o legislador por bem deixar explícito que em havendo o lançamento principal e decorrentes, hipótese segundo a qual a motivação e os elementos de prova de um tributo ou de um sujeito passivo acaba por irradiar a exigência de outros tributos e para sujeitos passivos, o cálculo do montante exonerado deverá considerar tais circunstâncias. Portanto, entendo que não há que se falar que mencionada expressão estaria contemplando os juros moratórios, no cálculo do citado montante exonerativo, isto porque, em meu raciocínio, esta nunca foi e continua não sendo a intenção da citada norma impositiva (artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 1972). A título exemplificativo, vejamos como se procede nos casos de recolhimento espontâneo do crédito tributário, melhor dizendo, quais os acréscimos legais que incidirão no caso de pagamento espontâneo de imposto ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, após seu respectivo prazo de vencimento? Resposta: os débitos para com a União, decorrentes de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01.01.1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, devem ser acrescidos de: a) multa de mora: calculada à taxa de 0,33 % (trinta e três centésimos por cento), por dia de atraso, até o limite máximo de 20 % (vinte por cento). A multa deve ser calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento; b) juros de mora: calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, instituída pela Lei nº 9.250, de 1995, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por Fl. 461DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 15 14 cento) no mês do pagamento (artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pelo art. 26 da Lei nº 11.941, de 2009; e ADN Cosit nº 1, de 1997). Demais disso, o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ tem consolidado o entendimento de que, na ausência de estipulação sobre juros moratórios, devese aplicar a Taxa SELIC para a mora ocorrida a partir da entrada em vigor do Código Civil de 2002 CC, considerandose que a Taxa SELIC contém tanto juros como correção monetária. Isto porque a taxa Selic ora tem a conotação de juros moratórios, ora de remuneratórios, a par de neutralizar os efeitos da inflação, constituindose em correção monetária por vias oblíquas. Tanto a correção monetária como os juros, em matéria tributária, devem ser estipulados em lei, sem olvidar que os juros remuneratórios visam a remunerar o próprio capital ou o valor principal. Nesse sentido, no caso sob exame, por referirse a lançamento de ofício, não faz sentido, repito, a meu ver, atribuir aos juros de mora a mesma natureza do tributo e da multa, esta última, sempre de ofício, pois do contrário estarseia desnaturando sua natureza, que é simplesmente de recompor, notadamente com a inserção da taxa Selic, o valor monetário do tributo e, eventualmente, da multa, lançados de ofício. Razão pela qual não há como interpretar que a expressão "lançamento principal e decorrentes" deve abranger também os juros moratórios constantes do auto de infração lavrado para constituir, pelo lançamento, o crédito tributário exigido de ofício. Na esteira do permissivo legal, promovido pela alteração do artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, pelo artigo 67 da Lei nº 9.532, de 1997, foram editadas as seguintes normas infralegais, verbis: Portaria MF nº 333, de 11 de dezembro de 1997 (Publicada no DOU de 12.12.1997, seção, pág. 29560), que "Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelos Delegados de Julgamento da Receita Federal." O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição prevista no art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. 62 da Medida Provisória n° 1.602, de 14 de novembro de 1997, resolve: Art. 1º Os Delegados de Julgamento da Receita Federal recorrerão de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Parágrafo único. Na hipótese de quantia lançada em UFIR, será convertida em real na data da decisão, para fins de verificação do valor a que alude o "caput" deste artigo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001 (Publicada no DOU de 10.12.2001, seção, pág. 22), Acrescenta parágrafo único ao artigo 8º da Portaria MF nº 258, de 24 de agosto de 2001, e estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Fl. 462DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 16 15 turmas de julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993 e da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, resolve: Art. 1º Acrescentar parágrafo único ao art. 8º da Portaria MF nº 258, de 24 de gosto de 2001: "Parágrafo único. A concessão de férias a julgadores, em desacordo com o disposto no caput, fica condicionada ao quorum mínimo para realização das sessões". Art. 2º O Presidente da turma de julgamento das DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4º Fica revogada a Portaria MF nº 333, de 11 de dezembro de 1997. Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008 (Publicada no DOU de 07.01.2008, seção, pág. 8) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 17 16 Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (Publicada no DOU de 10.02.2017, seção 1, pág. 12) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. (grifos não pertencem ao original) Finalmente, se eventual dúvida por ventura ainda pairasse com a edição da Portaria MF nº 333, de 1997 e da Portaria MF nº 375, de 2001, por conta de que estas reproduziram o texto legal referente à expressão "lançamento principal e decorrentes", tal dubiedade ou incerteza desvaneceuse com a edição da Portaria MF nº 63, de 2017, que revogou a Portaria MF nº 3, de 2008, na medida em que determina, em seu artigo 1º que o "Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais)", ou seja, exclui a eventual dúbia expressão "lançamento principal e decorrentes", referindose textualmente à exoneração do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Isto posto, por este prisma normativo e por entender não haver mais motivo para eventual dúvida, conquanto a norma em vigor é textual em determinar que no cômputo do montante exonerado devese considerar tão somente a importância relativa a tributo e multa de ofício, concluo que no caso destes autos PAF nº 16682.720556/201438, por se tratar do julgamento do Recurso de Ofício em que a Recorrida SUL AMÉRICA COMPANHIA DE SEGURO DE SAÚDE foi exonerada pela primeira instância de julgamento da quantia de R$ 2.358.141,21, não há como conhecer do feito. Ante o exposto, solicito que esta declaração de voto seja juntada nos autos, e faça parte integrante do Acórdão de julgamento, nos termos do Regimento Interno desta Corte. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 16682.720556/201438 Acórdão n.º 3201003.068 S3C2T1 Fl. 18 17 É a minha declaração de Voto. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Conselheiro Suplente 1ª TO / 2ª Câmara / 3ª SeJul CARF Fl. 465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.721196/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO.
1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadram-se na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado.
2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição.
INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO.
As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens.
MATERIAL DE EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO E DE TRANSPORTE UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS. POSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição.
FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete referente ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte.
FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os gastos com frete no transporte de insumos ou de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
REGIME NÃO CUMULATIVO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, da Lei 10.833/2003), o registro de crédito da Cofins somente é permitido (i) adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorrido os encargos/despesas geradoras de crédito. O registro de crédito em meses subsequentes não é permitido.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO.
1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadram-se na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado.
2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição.
INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO.
As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens.
MATERIAL DE EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO E DE TRANSPORTE UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS. POSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição.
FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete referente ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte.
FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os gastos com frete no transporte de insumos ou de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
REGIME NÃO CUMULATIVO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, da Lei 10.833/2003), o registro de crédito da Cofins somente é permitido (i) adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorrido os encargos/despesas geradoras de crédito. O registro de crédito em meses subsequentes não é permitido.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. LEGALIDADE.
Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4).
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de lançamento de ofício, por falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, é devida a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença do tributo devido.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO CLARA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o auto de infração que apresenta motivação adequada e proporciona a interposição de peças defensivas robustas, em que demonstrado pleno conhecimento dos fatos e dos fundamentos jurídicos da autuação.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ADEQUADA APRECIAÇÃO DAS DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão primeira instância que apreciou todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências consignadas no auto de infração de forma fundamentada e motivada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mês de abril, em rejeitar a preliminar de nulidade do procedimento fiscal e, no mês de maio, em rejeitar as demais preliminares arguidas, e no mérito:
Por maioria de votos, em restabelecer o crédito em relação aos "demais bens de consumo, tais como pinos, parafusos, ferramentas, materiais e peças de reposição aplicados na manutenção de máquinas, equipamentos, veículos e empilhadeiras e máquinas e equipamentos utilizados na atividade de mineração e os veículos utilizados no transporte do minério até às instalações fabris, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, também em restabelecer o crédito em relação aos paletes, estrados, ripas e etiquetas, fita gomada, fita isolante, selo de embalagem, papel de embalagem, embalagens especiais, parcialmente vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Ricardo Rosa e a Conselheira Maria do Socorro, que concediam apenas para as etiquetas, fita gomada, fita isolante, selo de embalagem, papel de embalagem e embalagens especiais.
Por unanimidade de votos, em restabelecer os créditos em relação aos produtos químicos, materiais e equipamentos (não registrados no ativo imobilizado) utilizados no processo produtivo e mantida a glosa nas aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano ou de valor superior a R$ 326,00 (trezentos e vinte e seis reais) e máquinas impressoras de etiquetas, resguardado o direito a apropriação de créditos relativos à depreciação dos bens ativáveis.
Por maioria de votos, em reverter as glosas (i) dos serviços de análises laboratoriais prestados nas fases de extração da alumina e controle de qualidade dos produto produzidos pela recorrente; (ii) serviços de manutenção de veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e (iii) serviços de recuperação e modificação de tampas laterais das cubas eletrolíticas. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que mantinha as glosas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por unanimidade de votos, em manter as glosas (i) em relação aos serviços de limpeza dos locais de produção, de equipamentos e de insumos, a exemplo de serviços de desinsetização e desratização das instalações da pessoa jurídica e (ii) as glosas relativas aos gastos com Treinamento de Manutenção Produtiva Total (TPM).
Por unanimidade de votos, em reverter as glosas relacionadas aos gastos com a separação de terra (lama vermelha) da bauxita.
Por maioria de votos, em manter as glosas com as despesas com tratamento de efluente (limpeza com tratamento de canaleta da ETE e limpeza de descontaminação de resíduos de bauxita), vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que revertia a glosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por unanimidade de votos, em manter as glosa com as despesas condominiais e das demais despesas de aluguéis de prédios e de aluguéis de máquinas e equipamentos não comprovadas (itens II.5 e II.6 do Voto vencedor).
Por maioria de votos, em reverter as glosas dos fretes de bens para revenda; fretes de bens utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda; fretes de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não; frete de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor; frete na remessa para industrialização por conta e ordem do adquirente; e mantida a glosa relativa a gastos com a remoção de resíduos, no qual se incluem as despesas com o seu transporte; os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente; os créditos sobre gastos com demurrage de navios e containeres, em função do atraso de sua partida ou retirada, quando incorridos por conta da recorrente para viabilizar o transporte de produtos acabados da fábrica para outro estabelecimento da mesma sociedade ou para viabilizar a venda produto acabado diretamente à clientela; os gastos com transporte de sacaria e vasilhame; frete relativos a devolução de produtos acabados que não atenderam à especificação feita pelos seus clientes. Parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado que revertia a glosa em relação aos fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente e dos gastos com a remoção de resíduos e o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que revertia a glosa com os gastos com a remoção de resíduos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em reverter a glosa em relação as despesas com armazenagem dos produtos em localidade próxima ao porto, para sua posterior embarcação e entrega à clientela, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e Ricardo Paulo Rosa, que mantinham a glosa.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa dos créditos extemporâneos e mantida a exigência da multa de ofício e dos juros de mora.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator.
Walker Araujo - Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Por maioria de votos, também em restabelecer o crédito em relação aos paletes, estrados, ripas e etiquetas, fita gomada, fita isolante, selo de embalagem, papel de embalagem, embalagens especiais, parcialmente vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Ricardo Rosa e a Conselheira Maria do Socorro, que concediam apenas para as etiquetas, fita gomada, fita isolante, selo de embalagem, papel de embalagem e embalagens especiais. Por unanimidade de votos, em restabelecer os créditos em relação aos produtos químicos, materiais e equipamentos (não registrados no ativo imobilizado) utilizados no processo produtivo e mantida a glosa nas aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano ou de valor superior a R$ 326,00 (trezentos e vinte e seis reais) e máquinas impressoras de etiquetas, resguardado o direito a apropriação de créditos relativos à depreciação dos bens ativáveis. Por maioria de votos, em reverter as glosas (i) dos serviços de análises laboratoriais prestados nas fases de extração da alumina e controle de qualidade dos produto produzidos pela recorrente; (ii) serviços de manutenção de veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e (iii) serviços de recuperação e modificação de tampas laterais das cubas eletrolíticas. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que mantinha as glosas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade de votos, em manter as glosas (i) em relação aos serviços de limpeza dos locais de produção, de equipamentos e de insumos, a exemplo de serviços de desinsetização e desratização das instalações da pessoa jurídica e (ii) as glosas relativas aos gastos com Treinamento de Manutenção Produtiva Total (TPM). Por unanimidade de votos, em reverter as glosas relacionadas aos gastos com a separação de terra (lama vermelha) da bauxita. Por maioria de votos, em manter as glosas com as despesas com tratamento de efluente (limpeza com tratamento de canaleta da ETE e limpeza de descontaminação de resíduos de bauxita), vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que revertia a glosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade de votos, em manter as glosa com as despesas condominiais e das demais despesas de aluguéis de prédios e de aluguéis de máquinas e equipamentos não comprovadas (itens II.5 e II.6 do Voto vencedor). Por maioria de votos, em reverter as glosas dos fretes de bens para revenda; fretes de bens utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda; fretes de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não; frete de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor; frete na remessa para industrialização por conta e ordem do adquirente; e mantida a glosa relativa a gastos com a remoção de resíduos, no qual se incluem as despesas com o seu transporte; os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente; os créditos sobre gastos com demurrage de navios e containeres, em função do atraso de sua partida ou retirada, quando incorridos por conta da recorrente para viabilizar o transporte de produtos acabados da fábrica para outro estabelecimento da mesma sociedade ou para viabilizar a venda produto acabado diretamente à clientela; os gastos com transporte de sacaria e vasilhame; frete relativos a devolução de produtos acabados que não atenderam à especificação feita pelos seus clientes. Parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado que revertia a glosa em relação aos fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente e dos gastos com a remoção de resíduos e o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que revertia a glosa com os gastos com a remoção de resíduos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em reverter a glosa em relação as despesas com armazenagem dos produtos em localidade próxima ao porto, para sua posterior embarcação e entrega à clientela, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e Ricardo Paulo Rosa, que mantinham a glosa. Por unanimidade de votos, em manter a glosa dos créditos extemporâneos e mantida a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho - Relator. Walker Araujo - Redator ad hoc (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens. MATERIAL DE EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO E DE TRANSPORTE UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS. POSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete referente ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete no transporte de insumos ou de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, da Lei 10.833/2003), o registro de crédito da Cofins somente é permitido (i) adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorrido os encargos/despesas geradoras de crédito. O registro de crédito em meses subsequentes não é permitido. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadram-se na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens. MATERIAL DE EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO E DE TRANSPORTE UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS. POSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete referente ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete no transporte de insumos ou de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, da Lei 10.833/2003), o registro de crédito da Cofins somente é permitido (i) adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorrido os encargos/despesas geradoras de crédito. O registro de crédito em meses subsequentes não é permitido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. LEGALIDADE. Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de lançamento de ofício, por falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, é devida a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença do tributo devido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO CLARA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração que apresenta motivação adequada e proporciona a interposição de peças defensivas robustas, em que demonstrado pleno conhecimento dos fatos e dos fundamentos jurídicos da autuação. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ADEQUADA APRECIAÇÃO DAS DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão primeira instância que apreciou todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências consignadas no auto de infração de forma fundamentada e motivada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 100 1 99 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13656.721196/201259 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.156 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2017 Matéria PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente ALCOA ALUMÍNIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens. MATERIAL DE EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO E DE TRANSPORTE UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS. POSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 11 96 /2 01 2- 59 Fl. 9950DF CARF MF 2 estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete referente ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete no transporte de insumos ou de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, da Lei 10.833/2003), o registro de crédito da Cofins somente é permitido (i) adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorrido os encargos/despesas geradoras de crédito. O registro de crédito em meses subsequentes não é permitido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens. MATERIAL DE EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO E DE TRANSPORTE UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS. POSSIBILIDADE. Fl. 9951DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 101 3 No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete referente ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete no transporte de insumos ou de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, da Lei 10.833/2003), o registro de crédito da Cofins somente é permitido (i) adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorrido os encargos/despesas geradoras de crédito. O registro de crédito em meses subsequentes não é permitido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. LEGALIDADE. Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de lançamento de ofício, por falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, é devida a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença do tributo devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO CLARA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração que apresenta motivação adequada e proporciona a interposição de peças defensivas robustas, em que Fl. 9952DF CARF MF 4 demonstrado pleno conhecimento dos fatos e dos fundamentos jurídicos da autuação. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ADEQUADA APRECIAÇÃO DAS DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão primeira instância que apreciou todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências consignadas no auto de infração de forma fundamentada e motivada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mês de abril, em rejeitar a preliminar de nulidade do procedimento fiscal e, no mês de maio, em rejeitar as demais preliminares arguidas, e no mérito: Por maioria de votos, em restabelecer o crédito em relação aos "demais bens de consumo”, tais como pinos, parafusos, ferramentas, materiais e peças de reposição aplicados na manutenção de máquinas, equipamentos, veículos e empilhadeiras e máquinas e equipamentos utilizados na atividade de mineração e os veículos utilizados no transporte do minério até às instalações fabris, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, também em restabelecer o crédito em relação aos paletes, estrados, ripas e etiquetas, fita gomada, fita isolante, selo de embalagem, papel de embalagem, embalagens especiais, parcialmente vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Ricardo Rosa e a Conselheira Maria do Socorro, que concediam apenas para as etiquetas, fita gomada, fita isolante, selo de embalagem, papel de embalagem e embalagens especiais. Por unanimidade de votos, em restabelecer os créditos em relação aos produtos químicos, materiais e equipamentos (não registrados no ativo imobilizado) utilizados no processo produtivo e mantida a glosa nas aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano ou de valor superior a R$ 326,00 (trezentos e vinte e seis reais) e máquinas impressoras de etiquetas, resguardado o direito a apropriação de créditos relativos à depreciação dos bens ativáveis. Por maioria de votos, em reverter as glosas (i) dos serviços de análises laboratoriais prestados nas fases de extração da alumina e controle de qualidade dos produto produzidos pela recorrente; (ii) serviços de manutenção de veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e (iii) serviços de recuperação e modificação de tampas laterais das cubas eletrolíticas. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que mantinha as glosas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade de votos, em manter as glosas (i) em relação aos serviços de limpeza dos locais de produção, de equipamentos e de insumos, a exemplo de serviços de Fl. 9953DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 102 5 desinsetização e desratização das instalações da pessoa jurídica e (ii) as glosas relativas aos gastos com Treinamento de Manutenção Produtiva Total (TPM). Por unanimidade de votos, em reverter as glosas relacionadas aos gastos com a separação de terra (lama vermelha) da bauxita. Por maioria de votos, em manter as glosas com as despesas com tratamento de efluente (limpeza com tratamento de canaleta da ETE e limpeza de descontaminação de resíduos de bauxita), vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que revertia a glosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade de votos, em manter as glosa com as despesas condominiais e das demais despesas de aluguéis de prédios e de aluguéis de máquinas e equipamentos não comprovadas (itens II.5 e II.6 do Voto vencedor). Por maioria de votos, em reverter as glosas dos fretes de bens para revenda; fretes de bens utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda; fretes de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não; frete de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor; frete na remessa para industrialização por conta e ordem do adquirente; e mantida a glosa relativa a gastos com a remoção de resíduos, no qual se incluem as despesas com o seu transporte; os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente; os créditos sobre gastos com demurrage de navios e containeres, em função do atraso de sua partida ou retirada, quando incorridos por conta da recorrente para viabilizar o transporte de produtos acabados da fábrica para outro estabelecimento da mesma sociedade ou para viabilizar a venda produto acabado diretamente à clientela; os gastos com transporte de sacaria e vasilhame; frete relativos a devolução de produtos acabados que não atenderam à especificação feita pelos seus clientes. Parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado que revertia a glosa em relação aos fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente e dos gastos com a remoção de resíduos e o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que revertia a glosa com os gastos com a remoção de resíduos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em reverter a glosa em relação as despesas com armazenagem dos produtos em localidade próxima ao porto, para sua posterior embarcação e entrega à clientela, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e Ricardo Paulo Rosa, que mantinham a glosa. Por unanimidade de votos, em manter a glosa dos créditos extemporâneos e mantida a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator. Walker Araujo Redator ad hoc (assinado digitalmente) Fl. 9954DF CARF MF 6 José Fernandes do Nascimento Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Nos termos do art. 17, III, do RICARF, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão 3302004.156, em virtude do relator originário, Conselheiro Domingos de Sá Filho, não mais integrar o Colegiado do CARF. Sendo assim, para o fim de me desincumbir da tarefa que me foi atribuída, adoto o relatório e voto que foram entregues pelo relator originário na época do julgamento, in verbis: Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão que manteve parcialmente o crédito tributário de PIS e COFINS apurado no ano calendário de 2008. Transcrevo o relatório da decisão guerreada por espelhar com exatidão a situação dos autos: “Relatório Contra o interessado foram lavrados autos de infração de Cofins no valor total de R$ 13.844.540,58 (fls. 5680/5686) e de PIS/Pasep no valor total de R$ 3.005.722,57 (fls. 5672/5678) em função das irregularidades que se encontram descritas no Relatório de Auditoria Fiscal (RAF) de fls. 5646/5665; A empresa apresenta impugnação às fls. 5689/5778 na qual alega, em síntese: a) efetuou pagamentos das contribuições antes da notificação dos autos de infração, portanto descabe falar em multa de oficio; b) requer a nulidade do trabalho fiscal em função de que “no caso vertente, a fiscalização lavrou os autos de infração em foco de forma genérica, amparada em planilhas apresentadas pela impugnante com vistas à pormenorização dos itens indicativos dos créditos declarados em DACON, e das quais a fiscalização extraiu milhares de itens que reputou não estarem enquadrados no conceito de insumo, ou não estarem relacionados à atividade industrial da impugnante, sem, todavia, apresentar a justificativa, a motivação específica pela qual cada um dos itens que, a seu critério, não daria ensejo ao crédito.”; b1) “como se vê, a falta de técnica, ou a fundamentação precária do relatório fiscal que acompanhou os autos de infração, dificultam a própria compreensão dos reais motivos das glosas levadas a efeito pela fiscalização”; b2) “daí serem patentes os vícios de motivação das autuações fiscais, fazendose, pois, imperioso o reconhecimento da nulidade do trabalho fiscal, dada a manifesta precariedade de sua motivação, a uma porque é contraditória, a duas porque é genérica, e a três porque não foram devidamente investigados os fatos que deram ensejo às glosas em foco”; Fl. 9955DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 103 7 c) quanto ao mérito, a empresa inicialmente analisa o regime não cumulativo e conceito de insumos, na tentativa de mostrar que insumo, para efeito de crédito de contribuição ao PIS e da COFINS, é todo aquele gasto necessário à atividade da pessoa jurídica; d) explana sobre seu processo produtivo, visando demonstrar que os itens glosados “são indispensáveis e intrínsecos ao processo produtivo da requerente, pelo que se enquadram na definição de insumo, para efeito de creditamento da contribuição em foco”; e) “o aluguel de empilhadeiras, os respectivos serviços de manutenção, suas partes e peças de reposição e os combustíveis nelas utilizados, assim como o aluguel de guindastes, (retro) escavadeiras, trados mecânicos, caminhões, camionetas, etc. e os gastos relativos ao seu reparo” devem gera crédito; f) itens relativos à conservação e manutenção das instalações industriais bem como relativos à limpeza dos locais de produção, foram indevidamente glosados visto que é notório que esses dispêndios estão intimamente ligados à ideia de continuidade do negócio; g) da mesma forma os equipamentos de proteção individual, o tratamento de água, efluentes e resíduos e as ferramentas, que encontramse diretamente relacionados com o processo produtivo; h) “a fiscalização, sem aprofundar as investigações quanto à realidade industrial da impugnante, glosou uma série de créditos por ela apropriados relacionados a fretes de venda”; i) “os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da impugnante enquadramse na hipótese prevista no inciso IX do artigo 3º da Lei n. 10833, estendida à contribuição para o PIS, nos termos do artigo 15 da mesma lei, a qual permite que o valor do ‘frete na operação de venda (...), quando o ônus for suportado pelo vendedor’, seja computado no cálculo dos créditos da COFINS e da contribuição ao PIS”; j) “a fiscalização também não admitiu o creditamento em relação ao frete incorrido pela requerente, na fase préprodução, entre seus estabelecimentos, relativamente ao transporte de insumos, ou de produtos não acabados. Olvidou a fiscalização que tais valores são passíveis de creditamento, em razão de corresponderem a insumos da produção, estando abarcados pela disposição contida no inciso II, do artigo 3º, tanto da Lei n. 10637 que alude aos “insumos” , porque incorridos na fase préprodução”; contribuição ao PIS ( art. 15 da mesma lei), admitese o creditamento das contribuições em foco sobre os gastos com ‘armazenagem de mercadoria”; l) “a fiscalização glosou despesas de aluguel de prédio, inclusive o valor atinente à despesa condominial e de IPTU”; m) os gastos tidos como supostamente passíveis de ativação se “enquadram no conceito de insumo, pelos fundamentos já expostos nesta defesa, na medida que estão diretamente relacionados ao processo produtivo”; n) “a fiscalização glosou uma série de créditos apropriados pela requerente, sem analisar se tal aproveitamento estava, ou não, em conformidade com os ditames legais”, sob a alegação de que “o levantamento dos créditos segue o período de apuração mensal, que é o adotado para as contribuições”; Fl. 9956DF CARF MF 8 o) são descabidos a multa e os juros lançados; Foi requerido diligência fiscal por meio do Despacho nº 02, de 02 de dezembro de 2013; A autoridade fiscal lavrou o Relatório de Diligência de fls. 9.775/9.781 e a empresa apresentou razões adicionais à impugnação (fls. 9.783/9.790), que serão oportunamente analisadas no voto do relator; É o breve relatório”. Ciente em 12 de setembro de 2014, sobreveio o Voluntário em 13 de outubro de 2014, precisando a matéria, destacando os seguintes pontos: 1 – Caráter indevido da Multa de Oficio sobre débitos pagos antes da lavratura do auto de infração; 2 – Ausência e Vicio de Fundamentação e Cerceamento de Defesa – Nulidade. 3 – Direito tomada de crédito insumos decorrentes da nãocumulatividade da constribuição ao PIS e da COFINS. É o cabia relatar. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Conselheiro Walker Araujo, Redator ad hoc. Nos termos do art. 17, III, do RICARF, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão 3302004.156, em virtude do relator originário, Conselheiro Domingos de Sá Filho, não mais integrar o Colegiado do CARF. Sendo assim, para o fim de me desincumbir da tarefa que me foi atribuída, adoto o relatório e voto que foram entregues pelo relator originário na época do julgamento, in verbis: Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. A irresignação trazida se refere a desconsideração dos pagamentos efetivados para o PIS e a COFINS durante ação fiscal pelo reconhecimento de tomada equivocada de crédito sobre insumos. Glosa de crédito sobre insumos empregados na produção de bens. Alegado nulidade, cabe examinar em caráter preliminar. O argumento trazido a escorar nulidade desejada é inaceitável, o fato de tomar como fonte os dados fornecidos em planilha pelo contribuinte são incapazes configurar nulidade. Fato da glosa recair sobre a totalidade dos itens descritos como “consumo” ter sido glosados indistintamente e sem aprofundamento, ao contrário da afirmação basta o entendimento fiscal de que os referidos itens não são insumos. Fl. 9957DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 104 9 Portanto, lançar é dever e obrigação do agente, mesmo o fazendo em convencimento equivocado a ótica do contribuinte, no caso concreto, a inconformismo estabelece em razão de não ter sido considerado os pagamentos realizados durante a fiscalização, consequentemente, exigido a multa de ofício sobre o total do crédito tributário apurado e lançado. Não vislumbro possibilidade de reconhecer essa conduta contrária o disposto no Decreto 70235/72, afasto assim alegada nulidade. Nulidade. Ausência. Motivação e Fundamentação. Da Multa de Oficio Sobre a Totalidade do Crédito Apurado e Lançado. É plausível de aceitação a tese defendida pela empresa interessada de que a multa de Oficio não deveria fazer incidir sobre a parte do débito apurada, já reconhecida pelo contribuinte de que houve claudicação quando da apuração e a tomada do crédito antes da lavratura do auto de infração, motivo justo que levoua providenciar o recolhimento do débito acrescido de juros de mora e multa. Entretanto, a multa de ofício tratada pela disposição do art. 44 da Lei nº 9.430/96; “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007).” Diante de previsão legal, resta estabelecido barreira intransponível, não há como afastar aplicação da Multa de Ofício. Entretanto, acolho o argumento de que em relação ao quanto pago antes do lançamento, mesmo durante o procedimento fiscal e reduzir a 50% (cinqüenta por cento) com arrimo no art. 6º da Lei 8.218, de 28 de agosto de 2001. GLOSA DE CRÉDITOS. Fl. 9958DF CARF MF 10 A discussão encontra centrada o que é insumo no processo produtivo da Recorrente. A Interessada traz aos autos Parecer Técnico 18.717301 elaborado pelo Instituto de Pesquisa Tecnológicas – IPT, anexado a impugnação. Cuidou de demonstrar o fluxo da cadeia de produção do alumínio. Da descrição do processo produtivo, há afirmação de que insumos preponderantes no processo foram glosados, destaca: Água, acído sulfúrico, ácido nítrico, cal, soda cáustica, carvão, filtros, como pano filtro, tecidos filtrantes, borracha neoprene fixação de filtros, “filtros cartucho. Acresce a extensa lista, serviços de manutenção mecânica, elétrica, civil e operacional. Reclama também da glosa dos dispêndios com a remoção de rejeitos, no caso concreto tratase da lama, nominada de “lama vermelha”. Acrescenta na lista o óleo combustível , GLP, ÁCIDO CLORÍDRICO , FLUORETO E AGENTS QUÍMICOS. Na fls. 9.878 descreve outros insumos incluídos na planilha, mencionado a linha que se encontram. Inclui “vara de eucalipto”, utilizado na parte primária, com intuito de evitar a formação de camadas de bolhas que podem comprometer o processo produtivo, qualificado como intermediário no processo. Inclui no rol dos insumos os itens destacados nas planilhas constantes a fl. 9.881. Bem como, barras de aço utilizadas na produção dos pinos de condução de energia elétrica, descritos na planilha de fl 9.882/9.883. Examinando o processo produtivo todos os itens elencados acima são dirigidos para produção, além desses inclui ao rol “cadinhos”, recipientes metalúrgico destinado a receber e o transporte de metais líquidos, encarta nesse rol as válvulas de retenção, bem como, válvula direcional, os equipamentos de proteção individual, lubrificantes, os serviços de análises laboratoriais, oxigênio, nitrogênio, ar comprimido, tijolos, isolantes, anel de grafite, cloro, energia elétrica utilizada somente no processo industrial, lâmina, disco de serra, broca, lima fresas, lixa, pastilha de metal, vaselina como inibidor de corrosão, rebolo, serviços prestados por pessoa jurídica de transporte de carga dentro do complexo industrial. Da direito, também, a tomada de crédito aluguel de galpões destinados exclusivamente à armazenamento da alumina, e, os gastos relativos os serviços de armazenagem de insumos descritos na planilha destacada fl. 9.886. Assim como, os itens mencionados na planilha a fls. 9.889/9890. Entre os materiais utilizados para embalagem, não há como deixar de reconhecer o direito de tomar crédito sobre os itens: fita gomada, fita isolante, etiqueta, selos de embalagem, papeis de embalagem e dos palletes ou caixa de madeiras adquiridas para condicionar o produto. No que tange as demais glosas, principalmente em relação aluguel de empilhadeiras, guindastes, retro escavadeiras, embora citados, esses equipamentos, a planilha de glosa destacada à fl. 9.894/9.895, se refere furos de pesquisas para mineração por aparelho GPS e locação de equipamento para monitoramento, neste caso especifico os equipamentos mencionados não são objetos da glosa, portanto, sendo assim, não vislumbro uso de aparelho GPS e locação de equipamento para monitoramento capaz dar direito a tomada de crédito por não manter vinculo com área de produção. Também não me convenceu a reclamação das glosas de horas de guindastes utilizados na movimentação de carga, deixa dúvida em que setor foram empregados, Fl. 9959DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 105 11 inexistindo certeza de que tenha sido usadas durante a fase industrial, nego especificamente a tomada do crédito em relação aos pagamentos, mesmo tratando de serviços prestados por pessoa jurídica. Também não reconheço o direito ao crédito decorrente de pagamento de locação de caminhões, automóveis, camionetas, lanchas. Bem como, serviços de manutenção e reposição de peças utilizadas empilhadeiras, guindastes, retro escavadeiras, e, trados mecânicos, assim como, combustíveis usados nestes veículos. Nego também o direito aos gastos com serviços de desinsetização e desratização no vestiários demonstrados na planilha a fl. 9.900. Mas reconheço o direito da tomada de créditos sobre os dispêndios, desde de que devidamente comprovados, atinente a limpeza/descontaminação de resíduos de bauxita em razão estar vinculado diretamente com o produto produzido. O tratamento, bem como, , saltase aos olhos compor um sistema de produção, sem o qual, inviabiliza todo complexo serviços necessários de limpeza de caneletas da estação de tratamento de esgoto/ete/filsan/davco industrial, assim sendo, faz jus tomar o crédito sobre os itens descritos na planilha apontada fl. 9.912. Não enxergo como conceder o direito de tomar crédito sobre ferramentas, a meu sentir, tratarse de acervo que pouco ou quase nenhuma relação guarda com a linha de produção, diferentemente dos dois itens acima. Concedo o direito a tomada do crédito em relação aos dispêndios, desde de que devidamente comprovados atinente a limpeza/descontaminação de resíduos de bauxita e os serviços necessários de limpeza de caneletas da estação de tratamento de esgoto/ete/filsan/davco industrial (itens descritos na planilha apontada fl. 9.912). Indeferimento da Tomada de Crédito de Frete. Não merece acolhida o pedido da recorrente em relação Frete. Essa parte o julgador de piso esmiuçou, concedeu o direito da tomada de crédito sobre parte do pedido relativo a frete, mantendo a glosa em relação aqueles de transporte de bens entre filiais, com muito acerto a decisão, vejamos: “6 Quanto aos fretes relacionados pela empresa, salientamos que o direito a crédito com despesas de frete contratados de pessoas jurídicas domiciliadas no país é previsto nos inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (Cofins) e inciso II do art. 15 do mesmo diploma legal (PIS/Pasep). As hipóteses de creditamento devem seguir, estritamente, a disciplina estabelecida pelo legislador ordinário. Assim, somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, podem gerar direito a créditos a serem descontados das Contribuições. Portanto, por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para simples transferências, a qualquer título, de mercadorias acabadas ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins devida apuradas de forma nãocumulativa.” Em assim sendo, especificamente, quanto ao frete essa questão restou bem dirimida, nego o pedido. Fl. 9960DF CARF MF 12 Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para reconhecer o direito da tomada de crédito sobre aquisições e prestações de serviços atinente: 1. limpeza/descontaminação de resíduos de bauxita em razão estar vinculado diretamente com o produto produzido. 2. Consumo de àgua, acído sulfúrico, ácido nítrico, cal, soda cáustica, carvão, filtros, como pano filtro, tecidos filtrantes, borracha neoprene fixação de filtros, “filtros cartucho, “vara de eucalipto, fl. 9.881, barras de aço utilizadas na produção dos pinos de condução de energia elétrica, descritos na planilha de fl 9.882/9.883; 3. Dispêndios com a remoção de rejeitos, no caso concreto, “lama vermelha”; 4. Aquisição de acido clorídrico , fluoreto e agentes químicos; 5. Os desembolsos: “cadinhos”, recipientes metalúrgico válvulas de retenção, bem como, válvula direcional, os equipamentos de proteção individual, lubrificantes, os serviços de análises laboratoriais, oxigênio, nitrogênio, ar comprimido, tijolos, isolantes, anel de grafite, cloro, energia elétrica utilizada somente no processo industrial, lâmina, disco de serra, broca, lima fresas, lixa, pastilha de metal, vaselina como inibidor de corrosão, rebolo, serviços prestados por pessoa jurídica de transporte de carga dentro do complexo industrial.; 6. Os alugueis de galpões destinados armazenamento da alumina, e, os gastos com os serviços de armazenagem de insumos descritos na planilha destacada fl.9.886. Assim como, os itens mencionados na planilha a fls.9.889/9890. 7. Os materiais utilizados para embalagem, os itens: fita gomada, fita isolante, etiqueta, selos de embalagem, papeis de embalagem e dos palletes ou caixa de madeiras adquiridas para condicionar o produto; 8. Os despêndios de limpeza/descontaminação de resíduos de bauxita e os serviços necessários de limpeza de caneletas da estação de tratamento de esgoto/ete/filsan/davco industrial (itens descritos na planilha apontada fl. 9.912). É como voto. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Walker Araujo Redator ad hoc Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Na Sessão do mês de abril do corrente ano, este Conselheiro pediu vista dos autos, para melhor analisar as questões controvertidas submetidas ao crivo deste Colegiado, por meio do recurso voluntário colacionado aos autos (fls. 9844/9940). De acordo com Relatório de Auditoria de Fiscal de fls. 5646/5670, o motivo da presente autuação foi a glosa de créditos indevidos utilizados na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos meses de janeiro a março de 2008 (1º trimestre de 2008). Fl. 9961DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 106 13 Noticia ainda o referido relatório que as mesmas irregularidades quanto à apuração de créditos indevidos das referidas contribuições foram apuradas nos meses de janeiro de 2007, fevereiro a abril de 2007 e maio a dezembro de 2007, que resultaram na lavratura dos autos de infração colacionados aos autos, respectivamente, dos processos de nºs 13656.721158/201115, 13656.720165/201281 e 13656.720501/201295, cujos respectivos recursos voluntários já foram julgados no âmbito de outras Turmas desta 3ª Seção. O primeiro processo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, que resultou na prolação do acórdão nº 3402002.881 de 28 de janeiro de 2016, enquanto que os dois últimos foram julgados pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, que exarou os acórdãos nºs 3301002.268 e 3301002.269, ambos de 26 de março de 2014. No presente recuso voluntário foram reiteradas/suscitadas questões preliminares e de mérito apresentadas na fase impugnatória e complementadas com novos argumentos nesta fase recursal, a seguir analisadas. I Das Questões Preliminares Em preliminar, a recorrente alegou nulidade das autuações e do acórdão recorrido. A primeira preliminar foi analisada e rejeitada pelo i. Relator na Sessão anterior e acatada por este Colegiado. Entretanto, após uma melhor análise do voto proferido pelo nobre Relator, este Conselheiro constatou que não foram analisados todos os argumentos aduzidos pela recorrente sobre a nulidade das autuações. Em razão dessa circunstância, este Conselheiro pede vênia para analisar os demais argumentos que não abordados pelo i. Relator. I.1 Da nulidade do procedimento fiscal. A recorrente alegou que a fiscalização, com base em suposição, valeuse da classificação, da nomenclatura empregada pela recorrente para outros propósitos, para efetuar a glosa, cancelando todo o crédito das contribuições relativo a itens indicados nas planilhas da recorrente como “consumo”, em vez de “insumo”, sem analisálos de forma individualizada e criteriosa. Além da ausência de comprovação, essa alegação discrepa dos fatos devidamente demonstrados nos autos. Não é verdade que a fiscalização utilizouse de mera suposição para proceder a glosa dos créditos, ou que se baseou em classificação ou codificação utilizada pela recorrente. Diferentemente do alegado, as glosas foram realizadas com base nas informações prestadas pela própria autuada e após um trabalho exaustivo e minucioso, em que verificado linha por linha das planilhas apresentadas os produtos adquiridos, a classificação fiscal da operação (CFOP), a descrição e a informação quanto à utilização detalhada do produto nas operações da autuada. Ademais, em vez do código utilizado em procedimentos internos, a fiscalização baseouse nos CFOP e na respectiva descrição dos bens apresentadas nos documentos fiscais, o que é suficiente para infirmar o alegado. Além disso, diferentemente do que alegou a recorrente, os fartos elementos coligidos aos autos evidenciam que o grande equívoco por ela cometido na apuração dos créditos glosados cingese ao alcance muito dilatado dado ao conceito de insumo. De fato, os Fl. 9962DF CARF MF 14 elementos probatórios coligidos aos autos demonstram que foram apropriado créditos sobre todo tipo de produto adquirido pela recorrente, insumo ou não, que vai desde fralda descartáveis até medicamentos e materiais de assistência médica, bens que, obviamente, não foram aplicados no processo produtivo da recorrente. A recorrente alegou ainda que as autuações eram nulas em razão da precariedade da motivação, porque era contraditória, genérica e não foram devidamente investigados os fatos que deram ensejo às glosas realizadas. Ao contrário do alegado, a análise das informações apresentadas no termo de verificação fiscal em cotejo com os dados apresentados nas planilhas elaboradas/complementadas pela fiscalização para cada tipo de glosa leva a conclusão de que tais informações/dados são suficientes para dar a conhecer os reais motivos das glosas realizadas. Da leitura do teor das linhas das referidas planilhas (fls. 4180/5638), verificase que todos os itens glosados foram identificados e o motivo da glosa devidamente declinado. E em complemento às planilhas das glosas individualizadas, para facilitar a compreensão do procedimento fiscal, a fiscalização ainda elaborou e colacionou aos autos as planilhas de fls. 5666/5670, contendo os dados consolidados dos itens glosados. Ademais, a fiscalização explicou, didaticamente, como foi realizado o procedimento fiscal em questão, conforme comprova nos fragmentos texto a seguir transcritos: Como visto acima, devido ao grande número de colunas, foi necessário dividir a planilha das glosas em duas. Na primeira, "Valores Glosados", foram colocadas as principais informações da nota fiscal, inclusive uma coluna indicando o valor da glosa efetuada. Na segunda, repetimos as colunas com a identificação do fornecedor, o nº da NF e incluímos uma coluna com a descrição detalhada de cada item das notas. Lembrar que todas as planilhas estão ordenadas, primeiramente, pelo nome do fornecedor e depois pela data de entrada e pelo número de cada NF. Os itens analisados foram incluídos nas planilhas da glosa, relativas às linhas 02 e 03, primeiramente pela verificação do seu não enquadramento no conceito de insumo, previsto na legislação, conforme já visto. Foram glosados todos aqueles incompatíveis com os objetivos da empresa, tais como os já indicados, acima, e os diversos outros encontrados, e, ainda, os que possuem aplicação indireta na produção. Destacamos, também, que o próprio contribuinte em suas planilhas apresenta diversos itens, com CFOP indicativo de serem material comprado para uso ou consumo. Inclusive, na coluna relativa à utilização, informa que foram efetivamente utilizados no consumo, mas foram lançados na linha 02 e 03 do DACON, como fazendo parte dos insumos. Esses itens se referem, em sua maioria, a verdadeiros materiais de consumo, tais como materiais de limpeza, material de escritório, água e café para funcionários, copos descartáveis, como também, pinos, parafusos, ferramentas, materiais e peças de reposição de maquinas, equipamentos, veículos e empilhadeiras, todos esses foram devidamente glosados pela fiscalização. Fl. 9963DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 107 15 Há na linha 02, também, diversos gastos com paletes, estrados, ripas e etiquetas, que são embalagens não incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas que se destinam tãosomente ao transporte e armazenamento dos produtos acabados. Esses também foram devidamente glosados. Na linha 03, além dos itens já mencionados, como consultas médicas, planos de saúde etc, foram glosadas despesas com serviços gráficos, fretes para os quais o próprio contribuinte, declarou utilização no consumo e entre as unidades da empresa, serviços de transporte de funcionários, serviços de limpeza e conservação das instalações, aluguel de veículos para transporte de funcionários, consertos de tvs, assistência técnica, auditorias, pedreiros e ajudantes, serviços de coleta e transporte de lixo comum e resíduos, controle de pragas, locação de purificador de água, manutenção em aparelhos de ar condicionado, serviço de manutenção e reparo em veículos e equipamentos etc. Em relação aos itens importados, que foram incluídos no DACON como insumos, foram glosados aqueles relativos às partes e peças de reposição de maquinas e equipamentos, como. também, graxas, pinos, tarraxas, ferramentas, materiais relativos à manutenção e conservação de instalações industriais, por não constituírem insumos, conforme já mencionado. Verificamos, também os gastos declarados nas linhas 05 e 06 do DACON. Em relação à linha 05, foram glosados aluguéis relativos a vagas de estacionamento, taxas de condomínio, aluguéis, de prédios não utilizados na atividade do contribuinte, bem como de imóveis de terceiros para prestadores de serviço da fiscalizada. Na linha 06, foram glosadas as despesas de aluguel de toalhas e banheiros químicos, transporte; de funcionários, locação de datashow e projetores, bem com outros que, da mesma forma, não têm vinculação direta ao processo produtivo da empresa. Na linha 07, onde somente deveriam constar despesas sobre armazenagem e fretes sobre as vendas, foram glosados os seguintes itens: serviços de mudança interestadual, despesas c/ pedágio e estacionamento, diária de motorista, despesas de frete relativo à remessa e retorno de produtos para beneficiamento, despesa de transporte de resíduos, despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da empresa, serviços contratados para movimentação de insumos dentro dos estabelecimentos industriais ou entre as filiais da empresa, despesa de frete para armazéns gerais, transporte de. plataforma para manutenção, remessa e retorno de conserto de prensa etc. Nas planilhas relativas aos meses de janeiro a março/08, a fiscalização constatou, também, que o contribuinte utilizou notas fiscais extemporâneas na apuração das contribuições. Algumas notas possuem data de emissão dos anos 2000, 2004, 2005, 2006 e do início de 2007, conforme demonstrado abaixo [...]. Fl. 9964DF CARF MF 16 Também o fato de a fiscalização não ter visitado as instalações dos estabelecimentos fiscalizados, aliada a presunção de que a autoridade fiscal não detinha profundo conhecimento técnico acerca do processo de extração da bauxita e de produção do alumínio, certamente, não constitui vício idôneo a macular o procedimento fiscal. A uma, porque, no caso em tela, não foi o suposto desconhecimento do processo produtivo da recorrente o que motivou a glosa em questão, mas o fato de a recorrente ter se creditado de todas aquisições feitas no período, independentemente de o bem ou serviços ser qualificado como insumo de produção ou não. Ou seja, apropriou créditos relativo às aquisições de bens e utilizações de serviços sem qualquer vínculo com o seu processo de produção, inclusive de períodos extemporâneos, o que não é admitido, conforme a seguir demonstrado. A duas, porque o procedimento fiscal em apreço foi mera continuação de procedimentos fiscais anteriores realizados perante à recorrente, em que constatadas a prática das mesmas irregularidades, o que evidencia a clara intenção da recorrente em persistir na apropriação indevida de créditos das contribuições. Assim, como não se tratava de novo procedimento fiscal, mas de repetição de procedimentos anteriormente realizados, não parece razoável que para a apuração de irregularidades reiteradas e tão evidentes fosse necessário que a autoridade fiscal fosse especialista no processo produtivo da recorrente. No caso, para constatar que as aquisições dos bens ou prestações dos serviços glosados não eram insumos de produção, certamente, não era necessário profundo conhecimento técnico sobre os vários processos produtivos realizados por diferentes estabelecimentos industriais da recorrente. Além disso, a forma como procedimento foi realizado não prejudicou o direito de defesa da recorrente, haja vista que, nas robustas peças defensivas colacionadas aos autos, a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos itens que foram glosados, bem como das razões que motivaram as glosas de cada um deles, inclusive apresentou Laudo Técnico para demonstrar a relação de pertinência dos itens glosados com o processo produtivo, o que revela clara compreensão do que foi glosado e dos respectivos motivos das glosas. Em suma, se a descrição dos fatos e as planilhas referidas anteriormente permitiram à recorrente contestar cada um dos custos/despesas glosadas e justificar o direito de apropriação dos créditos correspondentes, inclusive, manifestar concordância com parte das glosas realizadas, não há razão para atribuir às autuações a pecha de nulidade por falta de motivação ou cerceamento do direito de defesa, haja vista que os lançamentos foram realizados em consonância com o disposto no art. 10 do Decreto 70.235/1972 e o art. 142 do CTN. Por essas considerações, rejeitase todas as alegações de nulidade dos autos de infração colacionados aos autos. I.2 Da nulidade do acórdão recorrido. A recorrente também alegou nulidade do acórdão recorrido baseada no argumento de que não foram analisados elementos de fato e de direito apresentados na impugnação e na manifestação em resposta da diligência. Segundo a recorrente foram apresentados aspectos não somente acerca do conceito de insumo e do aproveitamento do crédito no sistema não cumulativo das contribuições, como também sobre o detalhamento do seu processo produtivo, destacando os itens nele empregados. Inicialmente, cabe esclarecer que a recorrente não apresentou laudo técnico para todos os diferentes processos produtivos, realizados pelos diferentes estabelecimentos fabris, mas apenas para o processo produtivo do estabelecimento industrial localizado no município de Poços de Calda/MG. Fl. 9965DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 108 17 A alegação é genérica e se limita a mera discordância em relação aos aspectos atinentes à extensão do conceito de insumo e dos itens aplicados no processo produtivo. O fato de o Colegiado julgado a quo não ter chancelado o alargado conceito de insumo e o extensíssimo processo produtivo descrito pela, obviamente, não implica vício formal ou material do julgado, mas mera divergência em torno dos referidos pontos da lide, até porque o julgador de primeiro grau está vinculado ao conceito de insumo estabelecido na legislação tributária. Ademais, tais divergências diz respeito ao mérito da contenda e sobre este aspecto a recorrente insurgiuse adequadamente por meio da robusta peça recursal em apreço. Também não assiste razão à recorrente quanto à alegação de que o Colegiado de primeiro grau ignorou as informações prestadas no relatório da diligência sobre os diversos tipos de frete, pois, diferentemente do alegado, tal assunto foi adequadamente abordado no voto do nobre Relator, conforme se constata nos trechos que seguem transcritos: No entanto, em sua impugnação a empresa discorre sobre alguns itens que, segundo ela, dão direito ao crédito, porém não identifica esses itens nas planilhas o que impede a análise das argumentações que, portanto fica prejudicada. A exceção que se faz é quanto ao aluguel de empilhadeiras, caminhões, (retro) escavadeiras, trados mecânicos e o de prédios e as despesas de armazenagem, que por serem passíveis de identificação nas planilhas foram objeto de pedido de diligência. Quanto ao aluguel de empilhadeiras e guindastes, temos que o inciso IV dos arts. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, estabelece que “do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Como se vê, em relação a esses itens a legislação exige apenas que eles sejam utilizados nas atividades da empresa e, portanto não precisam se enquadrar no conceito de insumos. Não foram consideradas despesas relativas a peças de reposição de empilhadeiras e guindastes alugados, tendo em vista que, conforme contratos anexados aos autos, essas despesas são de responsabilidade das empresas contratadas (locadoras). Registrese que veículos em geral (caminhões, automóveis, lanchas, etc.) não estão incluídos no citado inciso visto que não se equiparam a máquinas e equipamentos, assim como não se incluem despesas com pagamentos de condomínios relativos a imóveis alugados. Assim, considerando a diligência efetuada e as razões adicionais de defesa apresentadas em função dela, foram admitidos os créditos relativos a aluguel e fretes conforme a tabela abaixo: Ao contrário do alegado, não só foram analisados as glosas relativas às despesas de aluguel, como revertidas parte das referidas glosas. O fato de a autoridade Fl. 9966DF CARF MF 18 julgadora não ter revertido integralmente todas as glosas relativas as despesas de aluguel, obviamente, não configura nenhuma mácula à decisão, principalmente, tendo em conta que as glosas mantidas foram devidamente fundamentadas. Enfim, não merece guarida a alegação de nulidade do acórdão de primeiro grau, sob argumento de que não foram excluídos da autuação os valores pagos no curso do procedimento fiscal ou não reduzida a multa de ofício aplicada, porque, como houve concordância expressa em relação essa parte do lançamento, o Colegiado de primeiro grau decidiu com acerto ao determinar que o pagamento efetuado fosse imputado aos débitos lançados no auto de infração na fase de liquidação da decisão administrativa definitiva a ser proferida nos presentes autos. Por todas essas razões, também se rejeita a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. II Das Questões de Mérito. Em relação ao mérito, a recorrente questionou as glosas dos créditos das contribuições, bem como a cobrança dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Ainda pleiteou que fosse excluída ou reduzida a multa de ofício aplicada sobre a parcela do débito paga no curso do procedimento fiscal. II.1 Da exclusão ou redução da multa ofício em relação aos débitos pagos A recorrente, expressamente, manifestou concordância parcial em relação às glosas dos créditos calculados sobre os valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos de produção, os quais foram por ela relacionados/discriminados nas planilhas de fls. 5804/6000. Enquanto que os valores dos créditos estornados foram discriminados na planilha de fls. 6001/6070. E ainda no curso do procedimento fiscal, a recorrente procedeu o recolhimento da parcela dos débitos dos meses de janeiro a março de 2008 (fls. 5792/5999), correspondentes aos valores dos créditos estornados, bem como procedeu a retificação dos respectivos Dacon (fls. 6071/6323). Em relação à parcela dos débitos paga, a recorrente alegou que fazia jus a exclusão ou, alternativamente, a redução da multa de ofício aplicada nas citadas autuações. A pretensão da recorrente não merece acolhimento. Ora, se o pagamento foi efetuado no curso do procedimento fiscal (fato incontroverso), inequivocamente, a recorrente não fazia e nem faz jus a exclusão da multa ofício por denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN), uma vez que não restou configurada a espontaneidade da denúncia, porque manifestada após o início e ainda no curso do procedimento fiscal. A recorrente também pleiteou à redução da multa de ofício aplicada, prevista no art. 6º da Lei 8.218/1991, no entanto, essa matéria é incontroversa, haja vista que há expressa manifestação da autoridade fiscal concordando com a redução pleiteada (fls. 167 e 175). No caso, o acatamento da pretensão da recorrente, inequivocamente, implicaria evidente burla ao instituto da denúncia espontânea e aos requisitos previstos na norma que trata da redução da multa de ofício, o que não é admitido pelo ordenamento jurídico do País. Fl. 9967DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 109 19 Por essas razões, em vez da exclusão ou redução pleiteada, o referido pagamento deve ser imputado aos débitos lançados no auto de infração, o que deverá ser feito somente na fase de liquidação, após se tornar definitiva a derradeira decisão administrativa proferida nos presentes autos. II.2 Do conceito de insumo Em relação a glosa dos créditos calculados sobre a aquisição dos bens e serviços, o cerne da controvérsia cingese à abrangência do conceito de insumos, utilizado pelo art. 3º, II, das Leis 10637/2002 e 10.833/2003, que assegura a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Para a autoridade fiscal, o conceito de insumos compreende “a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado” e os serviços “aplicados ou consumidos na produção”, conforme estabelecido no art. 8º, § 4º, I, “a” e “b”, da Instrução Normativa SRF 404/2004. Enquanto que para a recorrente o conceito de insumos alcança “todos os custos, despesas e encargos vinculados ao produto vendido, ainda que incorridos após a fase de produção, mas que com ele se relacionem, e não apenas aqueles previstos nos atos fazendários.” O cotejo entre os dois posicionamento deixa evidenciado que o ponto fulcral controvérsia gira em torno do significado e alcance do conceito de insumo, que assegura a dedução de crédito das referidas contribuições. No âmbito deste Conselho, não prevaleceu nenhuma das duas posições. O entendimento que ganhou ampla adesão e vem se firmando na jurisprudência deste Conselho, e que conta com simpatia deste Conselheiro, é o que considera insumo os bens e serviços que integram o custo de produção do produto destinado à venda, conforme definido no art. 290 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/1999). A adoção desse entendimento tem a vantagem de afastar do conceito de insumo avaliações ou critérios de cunho meramente subjetivo e assim oferecer um pouco mais segurança jurídica ao fisco e aos contribuintes. De acordo com essa entendimento e em consonância com o disposto no art. 290 do RIR/1999, são considerados insumos todos os bens e serviços que se agregam direta ou indiretamente ao custo de produção1. Em outros termos, compreende os serviços, as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados diretamente na produção (insumos diretos de produção), bem como os demais bens e serviços utilizados indiretamente na produção (insumos indiretos de produção) do bem destinado à venda, inclusive os bens e os serviços agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo, desde que atendidos os requisitos estabelecidos no art. 3º das Leis 10637/2002 e 10.833/2003. 1 Com a ressalva de que insumo e custo são termos que representam a mesma realidade, sendo que o insumo representa a coisa, o bem material ou imaterial (ou serviço), enquanto que o custo representa o valor financeiro despendido na aquisição do respectivo bem. Em outros termos, o insumo representa o fluxo físico, enquanto o custo representa o fluxo financeiro da mesma realidade. E, no âmbito pessoa jurídica, enquanto o fluxo financeiro é relevante para a contabilidade, o fluxo físico interessa à administração e auditoria do estoque. Fl. 9968DF CARF MF 20 Dessa forma, ficam afastados tanto o conceito restrito de insumo adotado pela fiscalização, que compreende apenas os bens e serviços aplicados diretamente ou consumidos no processo produtivo, assim como o conceito ampliado adotado pela recorrente, que, além dos bens e serviços aplicados direta e indiretamente no processo produtivo, inclui os bens e serviços utilizados após o processo produtivo. É com base nesse entendimento, que as glosas dos créditos apropriados sobre aquisição de bens e serviços serão aqui analisadas. II.3 Do ciclo de produção da recorrente Noticiam os autos que os principais produtos fabricados pela recorrente são a alumina (como produto intermediário final2) e o alumínio metálico (produto final), este produzido sob a forma de lingotes, perfis ou folhas planas. Os autos ainda informam que, no estabelecimento Sorocaba/SP, há fabricação de peças metálicas de alumínio. No entanto, o processo produtivo preponderante consiste na produção da alumina (óxido de alumínio) e do alumínio metálico (em estado sólido ou líquido), que se realiza nas unidades fabris de Poços de Calda/MG e São Luís/MA. Há ainda unidades fabris do alumínio metálico em Sorocaba/SP, Tubarão/SP, Utinga/SP e Itapissuma/PE. A descrição das etapas do processo de produção da alumina e do alumínio metálico da planta industrial de Poços de Caldas/MG, bem como das instalações, máquinas e equipamentos, consta do Laudo Técnico de fls. 6324/6359, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Em relação aos demais estabelecimentos fabris não foi apresentado laudo técnico. Segundo o referido Laudo Técnico, a produção do alumínio metálico na referida unidade fabril é feita por meio de dois processos de produção que operam de forma sequencial, “o processo Bayer, onde a bauxita é submetida à tratamentos químicos e físicos para extração do alumínio na forma de óxido com determinada pureza e o processo Hall Héroult, que por eletrólise, converte o óxido de alumínio em alumínio metálico.” Ainda de acordo com o referido laudo, o processo Bayer de produção da alumina (óxido de alumínio), a partir da bauxita (minério extraído do solo), compreende as seguintes etapas: extração, moagem, digestão, clarificação, troca térmica, precipitação e calcinação. Entre a fase da extração do minério e a fase de calcinação são utilizadas diversas máquinas, veículos, equipamentos, filtros e etc., além de produtos químicos, tais como floculantes, soda cáustica etc. Nesta fase de produção (após a fase de calcinação) é obtida a alumina (o óxido de alumínio). No curso desse processo, especificamente, na fase de clarificação, surge o principal rejeito industrial, denominado de lama vermelha, que consiste nos resíduos de solo que sobram após a extração do minério. Esses resíduos, impregnado de soda cáustica e aluminato de sódio (licor verde), são depositados em lagos de tratamento e disposição de resíduos. Por sua vez, o processo HallHéroult de produção do alumínio metálico compreende as fases de redução eletrolítica da alumina e lingotamento. É na fase de redução eletrolítica (eletrólise) que alumina, obtida após a calcinação do hidróxido de alumínio, é enviada até as salas de cubas eletrolíticas, onde ocorre o processo de eletrólise. Segundo o citado Laudo Técnico: 2 Como produto final, a alumina são destinadas, principalmente, às indústrias cerâmicas e metalúrgicas. Fl. 9969DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 110 21 A reação de eletrólise ocorre devido a corrente elétrica continua aplicada diretamente na alumina em altas intensidades através do ânodo. Enquanto no cátodo ocorre a redução do Al3+ em alumínio metálico fundido, no ânodo ocorre a oxidação do carbono formando CO2. A energia elétrica é então coletada pelas barras coletoras e conduzida pelo barramento catódico para a cuba seguinte, onde se repete o mesmo procedimento. Após a eletrólise, o alumínio fundido é enviado até a seção de lingotamento, responsável por solidificar ou enviar o metal líquido para expedição. Em suma, a cadeia de produção do alumínio compreende a fase de mineração, extração da alumina calcinada e termina com a produção do alumínio, o produto final destinado à comercialização. Todas essas etapas do processo de produção do alumínio metálico encontrase explicitadas no fluxograma, extraído do recurso voluntário, a seguir reproduzido: A análise desse fluxo revela que a recorrente tem um processo de produção complexo, que inclui três fases distintas: a fase de mineração (extração da bauxita do solo), a produção da alumina (extração do óxido de alumínio) e produção do alumínio metálico. Ademais, em cada fase são realizadas etapas diferenciadas de produção. II.3 Da glosa das aquisições dos bens utilizados como insumo As glosas das aquisições dos bens utilizados como insumos (declarados na Linha 02 do Dacon) encontramse discriminadas nas planilhas de fls. 4180/4553, 4692/5003 e 5138/5491. Os motivos da glosa foram relatados pela fiscalização nos excertos colhidos do citado relatório fiscal, que seguem transcritos: Os itens analisados foram incluídos nas planilhas da glosa, relativas às linhas 02 e 03, primeiramente pela verificação do seu não enquadramento no conceito de insumo, previsto na legislação, conforme já visto. Foram glosados todos aqueles incompatíveis com os objetivos da empresa, tais como os já indicados, acima, e os diversos outros Fl. 9970DF CARF MF 22 encontrados, e, ainda, os que possuem aplicação indireta na produção. Destacamos, também, que o próprio contribuinte em suas planilhas apresenta diversos itens, com CFOP indicativo de serem material comprado para uso ou consumo. Inclusive, na coluna relativa à utilização, informa que foram efetivamente utilizados no consumo, mas foram lançados na linha 02 e 03 do DACON, como fazendo parte dos insumos. Esses itens se referem, em sua maioria, a verdadeiros materiais de consumo, tais como materiais de limpeza, material de escritório, água e café para funcionários, copos descartáveis, como também, pinos, parafusos, ferramentas, materiais e peças de reposição de maquinas, equipamentos, veículos e empilhadeiras, todos esses foram devidamente glosados pela fiscalização. Há na linha 02, também, diversos gastos com paletes, estrados, ripas e etiquetas, que são embalagens não incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas que se destinam tãosomente ao transporte e armazenamento dos produtos acabados. Esses também foram devidamente glosados. Da leitura dos trechos transcritos, verificase que, além das aquisições dos bens que a própria recorrente informou como material de consumo, foram glosadas as demais aquisições que, segundo a fiscalização, não se enquadravam no conceito de insumo, dentre as quais às aquisições de: a) todos os bens incompatíveis com os objetivos da empresa; b) os de aplicação indireta na produção; e c) os gastos com embalagens destinadas ao transporte e armazenamento dos produtos acabados. Em relação aos materiais de consumo, a autoridade fiscal dividiuos em dois grupos: a) os verdadeiros materiais de consumo, tais como materiais de limpeza, material de escritório, água e café para funcionários, copos descartáveis etc.; e b) os demais bens de consumo, tais como pinos, parafusos, ferramentas, materiais e peças de reposição de máquinas, equipamentos, veículos e empilhadeiras. Em relação aos denominados “verdadeiros materiais de consumo”, a fiscalização agiu com acerto, inclusive, a própria recorrente reconheceu a procedência da glosa das aquisições dos bens e serviços relacionados/discriminados na planilha de fls. 5804/6000, cujos valores dos créditos foram discriminados na planilha de fls. 6001/6070, inclusive procedeu o recolhimento da parcela dos créditos estornados e procedeu a retificação dos respectivos Dacon (fls. 6071/6159). Se após esse estorno ainda restou alguma aquisição de bens desse tipo, certamente, a glosa deverá ser mantida, porque tais bens não se enquadram no conceito de insumo aqui adotado. Já no que tange a glosa dos valores das aquisição dos “demais bens de consumo”, tais como pinos, parafusos, ferramentas, materiais e peças de reposição aplicados na manutenção de máquinas, equipamentos, veículos e empilhadeiras, a fiscalização procedeu com equívoco, pois, se trata de bens aplicados na manutenção de bens utilizados diretamente na produção, incluindo as máquinas e equipamentos utilizados na atividade de mineração e os veículos utilizados no transporte do minério até às instalações fabris. A propósito, cabe ressaltar que a própria Administração Tributária reconhece como sendo insumo as partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. Ademais, o Fl. 9971DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 111 23 registro/apropriação dos créditos deve ser feito no período de aquisição dos referidos bens. Nesse sentido, o entendimento manifestado na Solução de Consulta Cosit 168/2017, de onde se extrai os fragmentos relevantes que seguem transcritos: a) as partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que os dispêndios decorrentes de sua aquisição não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; b) o direito à apuração do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativo à aquisição de insumos ocorre no mês da aquisição do bem; [...]. Nos autos, como não há informação quanto à capitalização ou não do valor dos bens utilizados na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na atividade de produção, as respectivas glosas devem ser revertidas. A fiscalização também não andou bem quanto à glosa das aquisições dos materiais de embalagem, tais como “paletes, estrados, ripas e etiquetas”, sob o argumentos de que elas eram destinadas ao transporte e armazenamento dos produtos fabricados pela recorrente. Em consonância com a definição de insumo anteriormente apresentada, para fins de apropriação de crédito das referidas contribuições, a condição de o material de embalagem ser de apresentação, acondicionamento ou de transporte revela ser irrelevante. Para essa finalidade, revelase suficiente a utilização dos referidos materiais no âmbito do processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto destinado à venda em condições de ser comercializado, transportado e entregue ao cliente. Em relação à glosa em apreço, a autuada alegou que utilizava diversos tipos de materiais de embalagem, conforme se constata nos excertos extraídos do recurso voluntário, a seguir transcritos: Por exemplo, a alumina, quando comercializada em pó branco, antes de sua transformação em alumínio metálico, é embalada mediante a utilização de diversos insumos necessários a assegurar o acondicionamento do produto, a exemplo de fita gomada, da fita isolante, da etiqueta, dos selos de embalagem, dos papéis de embalagem e dos pallets ou caixas de madeira (conforme detalhado no doc. 07 da impugnação), sem os quais o transporte da alumina não se faz possível. A título exemplificativo, a recorrente junta aos presentes autos fotos da utilização dos pallets de madeira no processo de embalagem dos produtos/insumos utilizados no seu processo produtivo (doc. 12 da impugnação) Mais do que destinados ao transporte a contento, os diversos insumos para embalagem adquiridos pela recorrente prestamse Fl. 9972DF CARF MF 24 ao acondicionamento do produto, de modo que não haja sua contaminação, por partículas ou umidade, e também para a colocação de informações necessárias e pertinentes aos clientes. (grifos do original) Não há nos autos informação de que os referidos materiais de embalagens não foram utilizados na fase de produção dos bens destinados à venda, logo, deve ser revertida a glosa integral dos créditos apropriados sobre o preço de aquisição dos referidos materiais, inclusive, fita gomada, da fita isolante, dos selos de embalagem, dos papéis de embalagem e caixas de madeira, bem como os materiais de embalagem especiais, a exemplo do contentor flex, utilizado para transportar pó de alumínio. De outra parte, não há amparo legal, para o reconhecimento do direito de apropriação de crédito sobre o valor de aquisição de máquinas impressoras de etiquetas de embalagem, conforme pretendido pela recorrente. Por terem prazo de vida útil superior a um ano, o custo de aquisição de tais máquinas deve ser registrado nas correspondentes contas do ativo não circulante, subgrupo imobilizado, e os créditos apropriados sobre os encargos de depreciação nos períodos em que incorridos os referidos encargos, na forma estabelecida no art. 3º, § 1º, III, das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003. Pelo motivo, devem ser mantidas as glosas das aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano, registrados ou que deveriam ser registrados no ativo permanente. Tais bens não se enquadram no conceito de insumo, logo, indevida apropriação de crédito sobre o valor de aquisição. De outra parte, com base nas informações prestadas no referido laudo técnico e nos formulários elaborados por engenheiros, colacionados aos autos, devem ser revertidas as glosas os produtos químicos, materiais e equipamentos (não registrados no ativo imobilizado) utilizados nas seguintes fases do processo produtivo: a) mineração (extração da bauxita) e refinaria (produção da alumina): água, soda cáustica, cal, floculantes, ácido clorídrico, esferas de aço, agentes antiespumantes, filtros de naturezas diversas, óleo combustível, GLP, fluoreto e agentes químicos diversos; b) redução, lingotamento, refusão, extrusão e laminação (produção do alumínio): fluoreto de alumínio, ácido sulfúrico, acetileno, coque de petróleo, óleo lubrificante, piche, vermiculita, filtro cerâmico para alumínio, argônio líquido e gasoso, nitrogênio líquido, oxigênio líquido, solução de grafite, anteliga, barra coletora, barra de aço utilizada na fabricação de pinos, chapa de aço utilizadas no revestimento de cubas, haste de extrusão, ponteira para ropedores pneumáticos, escumadeira, placa isolante, tijolo refratário, molde para lingote, capacitor, eletrólitos, varas de eucalipto, argamassa retrataria, chaparia para carcaça, válvula de retenção, válvula direcional, pinos de transmissão de energia elétrica, ar comprimido, isolantes refratários para forno de espera, cilindros para a compressão do metal (laminadores), cloro, grafite, fluido para corte, sal fundição, desengraxante, fio extensão, graxa, haste escumagem, ponteira e cone de fechamento, tinta, água, tubo difusor, bloco difusor, cinta de poliéster, lâmina disco de serra, broca lima, fresas, pastilha de metal duro, vaselina e rebolo; e c) fundição, soldagem e acabamento: argônio líquido, cloro líquido, óleo lubrificante, óleo hidráulico sintético, acetileno, moldes, matrizes de ferro/aço, camisa para cilindro, lingote de alumínio, rolete de mesa, tubo de aço trefilado, faca de aço, anteliga de alumínio, sílica fundida, elemento filtrante, filtro cerâmico para alumínio, cabo de níquel, fio extensão, disco de pressão, tubo cerâmico, tarugo de aço, parafusos, resistência, fluxímetro, eletrodo, graxa desmoldante, gás, água, tocha, tintas e vernizes. Fl. 9973DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 112 25 Também devem ser revertidas a glosa dos valores de aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI) utilizados em todas as etapas dos processos de industrialização da recorrente. Tais bens são necessários e utilizados na atividade de produção dos bens destinados à venda. II.4 Da glosa dos serviços utilizados como insumo As glosas dos serviços utilizados como insumos (declarados na Linha 03 do Dacon) encontramse discriminadas nas planilhas de fls. 4554/4645, 5004/5109 e 5492/5609. Os motivos das glosas foram relatados pela fiscalização no excerto que segue transcrito: Na linha 03, além dos itens já mencionados, como consultas médicas, planos de saúde etc, foram glosadas despesas com serviços gráficos, fretes para os quais o próprio contribuinte, declarou utilização no consumo e entre as unidades da empresa, serviços de transporte de funcionários, serviços de limpeza e conservação das instalações, aluguel de veículos para transporte de funcionários, consertos de tvs, assistência técnica, auditorias, pedreiros e ajudantes, serviços de coleta e transporte de lixo comum e resíduos, controle de pragas, locação de purificador de água, manutenção em aparelhos de ar condicionado, serviço de manutenção e reparo em veículos e equipamentos etc. Com base nas informações prestadas no referido laudo técnico e nos formulários elaborados por engenheiros, colacionados aos autos, por serem considerados insumos aplicados na produção de bens de venda, devem ser revertidas às glosas dos serviços a seguir relacionados: a) os serviços de análises laboratoriais prestados nas fases de extração da alumina e controle de qualidade dos produto produzidos pela recorrente; b) serviços de manutenção veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e c) serviços de recuperação e modificação de tampas laterais das cubas eletrolíticas. A recorrente também alegou que diversos serviços de conservação e manutenção das instalações industriais, bem como relativos à limpeza dos locais de produção, de equipamentos e de insumos, a exemplo de serviços de desinsetização e desratização das instalações da pessoa jurídica. No entendimento deste Relator, com exceção dos serviços de conservação e manutenção das instalações industriais, os demais serviços não se enquadram no conceito de insumo de produção. Além disso, não foram integralmente aplicados na área fabril, conforme informação da própria da recorrente. A recorrente alegou ainda que era insumo o serviço de Treinamento de Manutenção Produtiva Total (TPM), ministrado a empregados a fim de que pequenas manutenções fossem realizadas diretamente pelos operadores da fábrica, segundo documento de fl. 9942. No entendimento deste Relator, tais serviços não se enquadra no conceito de insumo aqui adotado. Por não se enquadrar no conceito de insumo de produção deve ser mantida a glosa dos seguintes itens: serviços de limpeza de canaletas de estação de tratamento de esgoto e limpeza/descontaminação de resíduos de bauxita. Fl. 9974DF CARF MF 26 II.5 Da glosa das despesas de aluguéis de prédios As glosas das despesas de aluguéis de prédios pagos a pessoas jurídicas (declarados na Linha 05 do Dacon) encontramse discriminadas nas planilhas de fls. 4646/4647, 5110/5111 e 5611/5612. Os motivos das referidas glosas foram relatados pela fiscalização no excerto, extraído do citado relatório fiscal, que segue transcrito: Em relação à linha 05, foram glosados aluguéis relativos a vagas de estacionamento, taxas de condomínio, aluguéis, de prédios não utilizados na atividade do contribuinte, bem como de imóveis de terceiros para prestadores de serviço da fiscalizada. Segundo o disposto no inciso IV do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, “a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Assim, o direito de apropriação dessa modalidade de crédito abrange todos os pagamentos feitos à pessoa jurídica domiciliada no País referente a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados em todas as atividades da empresa e não apenas na atividade de produção ou fabricação do produto destinado à venda. Para fim de comprovação dos pagamentos das despesas com aluguéis e fretes nas vendas, os autos foram convertidos em diligência pelo órgão de julgamento de primeira instância, cujo resultado consta do Relatório de Diligência de fls. 9775/9781. Cientificado do referido relatório, a recorrente apresentou as razões adicionais de defesa e documentos de fls. 9783/9815. Por sua vez, a decisão recorrida, com base no resultado da diligência e nas razões adicionais de defesa apresentada pela recorrente, reverteu parte das glosas dos pagamentos das despesas com aluguéis e frete, que se encontram discriminados na planilha de fls. 9825/9826. Como não foi oposto recurso de ofício contra essa parte da decisão, descabe qualquer consideração a respeito dela. Em relação a esse ponto, no recurso em apreço, a recorrente alegou que as despesas condominiais e com o IPTU compõem o custo da locação de prédios, nos termos dos arts. 22 e 23 da Lei 8.245/1991, que regula a locação de imóvel urbano, inclusive não residencial, logo, fazia jus à apropriação de créditos sobre as referidas despesas. De fato, tais despesas integram o custo de locação e, nesta condição, são consideradas despesas de aluguéis, para fins de apropriação dos créditos da contribuição. Esse também foi entendimento da autoridade fiscal diligente e do órgão julgador de primeiro grau, que reverteu as glosas de todas as despesas condominiais devidamente comprovadas, conforme consignado referida planilha de fls. 9825/9826. Na presente autuação, como não houve registro de glosa de pagamento de IPTU, tratase de questão estranha aos autos. Em relação às despesas condominiais, não foi a ausência de amparo legal o motivo da manutenção glosa, como já ressaltado, mas a falta de apresentação de documento hábil e idôneo que comprovasse a efetiva realização das referidas despesas. A propósito da glosa da despesa condominial no valor de R$ 70.237,78, relativo à locação de imóvel no Centro Empresarial de São Paulo (CENESP), para fim de comprovação, junto com o recurso em apreço, a recorrente apresentou o Termo Condicionado Fl. 9975DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 113 27 de Quitação de fl. 9943, em que declarada a quitação de aluguel do mês de 2007. Esse documento, ainda que admitido como prova adequada, ele comprova o pagamento da despesa de aluguel do mês de dezembro de 2007, mas não da despesas do mês de janeiro de 2008, objeto da glosa em apreço. Assim, por ausência de prova, deve ser mantida a glosa da referida despesa condominial e das demais despesas de aluguéis de prédios não comprovadas. II.6 Da glosa de aluguéis de máquinas e equipamentos locados As glosas das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados (declarados na Linha 06 do Dacon) encontramse discriminadas nas planilhas de fls. 4648/4649, 5112/5113 e 5613/5614. Os motivos das referidas glosas foram relatados pela fiscalização no excerto, extraído do citado relatório fiscal, que segue transcrito: Na linha 06, foram glosadas as despesas de aluguel de toalhas e banheiros químicos, transporte; de funcionários, locação de datashow e projetores, bem com outros que, da mesma forma, não têm vinculação direta ao processo produtivo da empresa. Conforme anteriormente mencionado, para fim de comprovação das referidas despesas, os autos foram convertidos em diligência. Com base na documentação apresentada pela recorrente, a autoridade fiscal diligente considerou comprovada parte das despesas discriminadas nas planilhas de fls. 9756, 9764 e 9769. Na decisão de primeiro grau, foram revertidas as glosas das despesas comprovadas, discriminadas na planilha de fls. 9825/9826. De outra parte, segundo relatório da diligência fiscal, embora intimado, a contribuinte não apresentou documentos relativos aos respectivos serviços de manutenção, suas partes e peças de reposição e os combustíveis, dos equipamentos alugados. No recurso em apreço, a recorrente alegou que parte das despesas de locação foram registrados e declaradas como prestação de serviços e parte dos gastos com prestação de serviços foram registrados e declarados como locação. No entanto, além de não comprovada cabalmente o alegado pela recorrente, na atual fase processual, não há como corrigir tais equívocos de registro e declaração, principalmente, tendo em conta que tais fatos não foram alegados na fase impugnatória. A recorrente alegou ainda que tinha direito a crédito sobre as despesas de aluguel de lanchas, caminhões, camionetas, automóveis e similares, todos eles empregados em diversas etapas de seu processo produtivo, no entanto, não apresentou provas da realização das referidas despesas. As despesas de locação de máquinas e equipamentos comprovadas pela recorrente foram discriminadas nas planilhas de fls. 9756, 9764 e 9769 e as glosas revertidas pela decisão de primeiro grau, conforme consignado na planilha de fls. 9825/9826. A recorrente ainda alegou que os serviços de manutenção de empilhadeiras, guindastes, (retro) escavadeiras, trados mecânicos, caminhões, automóveis, camionetas etc. locados eram necessários ao seu funcionamento e passíveis de creditamento, na medida em que constituíam insumos empregados no processo produtivo da recorrente. Este relator também entende que há amparo legal ao direito de apropriação de crédito sobre os gastos com prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na atividade de produção. Entretanto, este não foi o motivo da manutenção da glosa Fl. 9976DF CARF MF 28 das referidas despesas. De acordo com relatório fiscal da referida diligência, o motivo da manutenção da referida glosa a falta de comprovação da prestação dos referidos serviços, inclusive, em resposta a intimação fiscal, a representante da recorrente informou que não conseguira localizar os documentos relativos a esses tipos de gastos. Por essas razoes, deve ser integralmente mantida a glosa das referidas despesas. II.7 Da glosa das despesas de armazenagem e fretes nas vendas As glosas das despesas com armazenagem e fretes nas vendas (declarados na Linha 07 do Dacon) encontramse discriminadas nas planilhas de fls. 4650/4685, 5114/5131 e 5615/5630. Os motivos das referidas glosas foram relatados pela fiscalização no excerto, extraído do citado relatório fiscal, que segue transcrito: Na linha 07, onde somente deveriam constar despesas sobre armazenagem e fretes sobre as vendas, foram glosados os seguintes itens: serviços de mudança interestadual, despesas c/ pedágio e estacionamento, diária de motorista, despesas de frete relativo à remessa e retorno de produtos para beneficiamento, despesa de transporte de resíduos, despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da empresa, serviços contratados para movimentação de insumos dentro dos estabelecimentos industriais ou entre as filiais da empresa, despesa de frete para armazéns gerais, transporte de plataforma para manutenção, remessa e retorno de conserto de prensa etc. Conforme já mencionado, para fim de comprovação dos pagamentos das referidas despesas, os autos foram convertidos em diligência pelo órgão de julgamento de primeira instância. Após análise dos documentos apresentados pela recorrente, a autoridade fiscal diligente elaborou as planilhas de fls. 9757/9761, 9765/9766 e 9770, em que discriminadas as despesas comprovadas e as não comprovadas, acompanhadas dos motivos da não comprovação. Com base nas referidas planilhas, verificase que os motivos da não comprovação foram que os conhecimentos de transporte referemse a: a) notas fiscais extemporâneas; b) notas fiscais de devolução de produtos industrializados por encomenda; c) remessa de vasilhame ou sacaria; d) remessa para industrialização por conta e ordem do adquirente; e) complemento sem número de NF; e f) outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado. Por sua vez, a decisão recorrida, com base no resultado da diligência e nas razões adicionais de defesa, reverteu parte das glosas das despesas com armazenagem e frete, que se encontram discriminadas na planilha de fls. 9825/9826. Como não foi oposto recurso de ofício contra essa parte da decisão, descabe qualquer consideração a respeito. Em julgados anteriores, este Conselheiro demonstrou que o direito à dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); Fl. 9977DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 114 29 b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Com base nesse entendimento, não procede a alegação da recorrente de que os gastos com a remoção de resíduos, no qual se incluem as despesas com o seu transporte, geram crédito da contribuição, bem como os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente. Também não se admite apropriação de créditos sobre gastos com demurrage de navios e containeres, em função no atraso de sua partida ou retirada, quando incorridos por conta da recorrente para viabilizar o transporte de produtos acabados da fábrica para outro estabelecimento da mesma sociedade ou para viabilizar a venda produto acabado diretamente à clientela, conforme alegado pela recorrente. Os gastos com transporte de sacaria e vasilhame também não asseguram o direito a crédito. A explicação apresentada pela recorrente de que se tratava de operação de venda não se revelou crível para este Conselheiro. Pela mesma razão, as despesas de frete relativos à devolução de produtos acabados que não atenderam à especificação feita pelos seus clientes. Em nenhuma desses casos há transporte de insumos aplicados na produção ou de produtos vendidos. De outra parte, deve ser revertidas as glosas de frete relativo ao transporte de: a) bens utilizados como insumos, por integrar o custo de produção; b) insumos ou produtos inacabados entre unidades fabris de um mesmo estabelecimento industrial da recorrente, ou entre estabelecimentos industriais diversos da recorrente; e c) de remessa para industrialização por conta e ordem do adquirente. Em relação as despesas com armazenagem, a recorrente alegou que necessitava guardar produtos em localidade próxima ao porto, para sua posterior embarque e entrega à clientela. Nestes casos, os produtos fabricados, como pó de alumínio e lingote, eram agrupados, mediante a chamada peação ou estufagem, até atingir a quantidade a ser exportada e, em seguida, remetida aos clientes. Dada essas características, as despesas de armazenagem de pó de alumínio e lingote nas instalações portuárias ou retroportuárias, previamente ao embarque, enquadramse no disposto no art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003, logo, as glosas dessas despesas devem ser revertidas. II.8 Da glosa dos créditos extemporâneos Fl. 9978DF CARF MF 30 A recorrente alegou que o art 3º, parágrafo 4o, das Leis 10637/2002 e 10.833/2003 asseguravam o direito de aproveitamento de crédito em meses subsequentes. Logo, os créditos tomados após o mês competente, ainda que possam ser considerados extemporâneos, podiam ser aproveitados enquanto não decaísse o respectivo direito. Ainda segundo a recorrente: Respeitado o prazo decadencial, a formulação de qualquer exigência, como, por exemplo, a de retificação de declarações, não poderá ser admitida, por constituir medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à apropriação dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, em detrimento do princípio da legalidade, que norteia a apuração destas contribuições, e também do alcance do interesse público. Com a devida vênia, este Relator entende de forma diferente. Não se pode confundir aproveitamento de saldo de crédito remanescente existente no final do período de apuração (crédito com os atributos da certeza e liquidez), previsto nos referenciado art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003, com o registro de determinadas operações no Dacon, que asseguram a apropriação de crédito. Inequivocamente, tratamse de casos distintos. Com efeito, enquanto o primeiro pressupõe o confronto de débitos e créditos e apuração, no final do período, de saldo credor remanescente, o segundo representa apenas o registro do valor de determinadas operações que comporão a base de cálculo de apuração dos referidos créditos. Além disso, não é verdade, como afirmado em alguns julgados deste Conselho3, que a “linha 06/31” do Dacon contemplavam o registro de operações de créditos extemporâneos. A simples leitura do texto explicativo do conteúdo da referida linha revela que ela destinavase ao registro de “ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30”, em que registradas às operações normais de créditos relativas às aquisições de embalagens. E a expressão “créditos não contemplados”, claramente, não significa créditos extemporâneos. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, seguem transcritos os textos extraídos das orientações de preenchimento do Dacon: CRÉDITOS DECORRENTES DA APURAÇÃO DE EMBALAGENS PARA REVENDA (Lei nº 10.833/2003, art. 51, § 3º) Linha 06A/30 – Créditos Apurados A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, deve informar nesta linha o valor da Contribuição para o PIS/Pasep referente às embalagens que adquirir no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição (§ 3º do art. 51 da Lei nº 10. 833, de 2003, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 2004). Linha 06A/31 – Ajustes Positivos de Créditos Informar nesta Linha ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30. Linha 06A/32 – () Ajustes Negativos de Créditos 3 A título de exemplo, citase os acórdãos nºs 3202001.456 e 9303004.562. Fl. 9979DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 115 31 Informar nesta Linha ajustes negativos de crédito não contemplados na Linha 06A/30, tais como: Não se pode olvidar, ademais, que o registro extemporâneo de créditos, se permitido fosse, além do descumprimento do disposto no art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, impossibilitaria ou dificultaria em muito o controle das operações com direito a crédito. Se houvesse tal permissão, como saber se as operações registradas extemporaneamente não foram registradas anteriormente no mês correspondente e nos seguintes? Somente mediante a realização de auditoria em todos os meses anteriores ao registro extemporâneo do crédito seria possível confirmar ou não essa informação. Ademais, tendo em conta que a autoridade fiscal não é autorizada a fiscalizar/auditar os períodos pretéritos não alcançados pelo procedimento fiscal em curso, o registro de operações de créditos extemporâneas, por certo, oportunizaria e facilitaria a prática de fraudes, mediante a apropriação, por mais de uma vez, de crédito de uma mesma operação.. Além disso, o registro de operações em períodos subsequentes, inequivocamente, resultaria no indevido alongamento do prazo de decadência do direito de deduzir, ressarcir e compensar os referidos créditos, com evidente extrapolação do prazo decadencial do direito ao aproveitamento dos referidos créditos. Por todas essas razões, deve ser mantida a glosa dos créditos registrados fora do período de apuração determinado no art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. II.9 Da cobrança dos juros moratórios e da multa de ofício. A recorrente alegou que, se mantida a exigência fiscal por inexistência do direito creditório nas operações em que o fisco já se pronunciara favoravelmente ao creditamento, o que se admitia apenas para fins de argumentação, não poderia, em hipótese alguma, a cobrança dos débitos mantidos serem acrescidos de juros moratórios e multa de ofício, uma vez que agira em consonância com as práticas reiteradas, que são verdadeiras normas complementares das leis tributárias, nos termos do art. 100, III, e parágrafo único, do CTN, combinado com o disposto no art. 76, II, “a”, da Lei 4.502/1964. Não procede a alegação da recorrente, porque, além de não demonstrar que, em relação as glosas mantidas, agira em conformidade com os atos normativos editados pela RFB, o pedido conflita com disposição expressa de lei. A cobrança dos juros moratórios encontrase expressamente prevista no art. 161, § 1º, do CTN, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...). (grifos não originais) E desde 1º de abril de 1995, data da vigência do art. 61, § 3º, combinado com disposto no art. 5º, § 3º, ambos da Lei 9.430/1996, o juros moratórios passaram a ser Fl. 9980DF CARF MF 32 calculados com base variação da taxa Selic, conforme explicitado no enunciado da Súmula CARF nº 4, a seguir reproduzido: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nos casos de lançamento de ofício, por falta de pagamento ou declaração inexata, também é devida a cobrança da multa de ofício sobre a totalidade ou diferença do tributo lançado, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/1996. III Da Conclusão Por todo o exposto, votase pela rejeição das preliminares arguidas e, no mérito pelo provimento parcial do recurso, para reverter as glosas em relação a: 1) aquisição de pinos, parafusos, ferramentas, materiais e peças de reposição aplicados em máquinas, equipamentos, veículos e empilhadeiras utilizados no processo de produção; 2) aquisição de fita gomada, fita isolante, etiqueta, selos de embalagem, papeis de embalagem, dos palletes ou caixa de madeiras e demais materiais de embalagem adquiridos para condicionar e transportar o produto; 3) os produtos químicos, materiais e equipamentos (não registrados no imobilizado) utilizados nas seguintes fases do processo produtivo: a) mineração (extração da bauxita) e refinaria (produção da alumina): água, soda cáustica, cal, floculantes, ácido clorídrico, esferas de aço, agentes antiespumantes, filtros de naturezas diversas, óleo combustível, GLP, fluoreto e agentes químicos diversos; b) redução, lingotamento, refusão, extrusão e laminação (produção do alumínio): fluoreto de alumínio, ácido sulfúrico, acetileno, coque de petróleo, óleo lubrificante, piche, vermiculita, filtro cerâmico para alumínio, argônio líquido e gasoso, nitrogênio líquido, oxigênio líquido, solução de grafite, anteliga, barra coletora, barra de aço utilizada na fabricação de pinos, chapa de aço utilizadas no revestimento de cubas, haste de extrusão, ponteira para ropedores pneumáticos, escumadeira, placa isolante, tijolo refratário, molde para lingote, capacitor, eletrólitos, varas de eucalipto, argamassa retrataria, chaparia para carcaça, válvula de retenção, válvula direcional, pinos de transmissão de energia elétrica, ar comprimido, isolantes refratários para forno de espera, cilindros para a compressão do metal (laminadores), cloro, grafite, fluido para corte, sal fundição, desengraxante, fio extensão, graxa, haste escumagem, ponteira e cone de fechamento, tinta, água, tubo difusor, bloco difusor, cinta de poliéster, lâmina disco de serra, broca lima, fresas, pastilha de metal duro, vaselina e rebolo; e c) fundição, soldagem e acabamento: argônio líquido, cloro líquido, óleo lubrificante, óleo hidráulico sintético, acetileno, moldes, matrizes de ferro/aço, camisa para cilindro, lingote de alumínio, rolete de mesa, tubo de aço trefilado, faca de aço, anteliga de alumínio, sílica fundida, elemento filtrante, filtro cerâmico para alumínio, cabo de níquel, fio extensão, disco de pressão, tubo cerâmico, tarugo de aço, parafusos, resistência, fluxímetro, eletrodo, graxa desmoldante, gás, água, tocha, tintas e vernizes. Fl. 9981DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302004.156 S3C3T2 Fl. 116 33 4) aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI), utilizados em todas as etapas dos processos de industrialização; 5) prestação dos seguintes serviços considerados insumos de produção: a) os serviços de análises laboratoriais prestados nas fases de extração da alumina e controle de qualidade dos produto produzidos pela recorrente; b) serviços de manutenção veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e c) serviços de recuperação e modificação de tampas laterais das cubas eletrolíticas. 6) fretes relativos ao transporte de: a) bens utilizados como insumos, por integrar o custo de produção; e b) insumos ou produtos inacabados entre unidades fabris de um mesmo estabelecimento industrial da recorrente, ou entre estabelecimentos industriais diversos da recorrente; 7) despesas de armazenagem do pó de alumínio e do lingote de alumínio nas instalações portuárias ou retroportuárias; (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 9982DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.901469/2008-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ESTOQUE FINAL DE 31.12.2002. MATERIAL DE EMBALAGEM. NECESSÁRIA FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Embora o processo verse sobre diversas matérias, as quais foram objeto da decisão atacada, em relação aos estoques finais e ao crédito relativo aos materiais de embalagem a Decisão não restou devidamente clara, o que impede a devida compreensão pela parte, restringindo o exercício de sua defesa, e do próprio julgador, motivo pelo qual a decisão mais acertada reside na anulação do processo até a decisão de primeira instância inclusive, de modo que a diligente Autoridade Julgadora profira novo julgamento contemplando pormenorizadamente esse temas.
Processo Anulado
Numero da decisão: 3403-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. Sustentou pela Recorrente o Dr. Bruno Fajersztanj, OAB/SP 206.899.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. Sustentou pela Recorrente o Dr. Bruno Fajersztanj, OAB/SP 206.899. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ESTOQUE FINAL DE 31.12.2002. MATERIAL DE EMBALAGEM. NECESSÁRIA FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Embora o processo verse sobre diversas matérias, as quais foram objeto da decisão atacada, em relação aos estoques finais e ao crédito relativo aos materiais de embalagem a Decisão não restou devidamente clara, o que impede a devida compreensão pela parte, restringindo o exercício de sua defesa, e do próprio julgador, motivo pelo qual a decisão mais acertada reside na anulação do processo até a decisão de primeira instância inclusive, de modo que a diligente Autoridade Julgadora profira novo julgamento contemplando pormenorizadamente esse temas. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. Sustentou pela Recorrente o Dr. Bruno Fajersztanj, OAB/SP 206.899. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 14 69 /2 00 8- 95 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento do crédito presumido de IPI, referente ao período de 01/07/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 30/06/2003. No despacho decisório, após considerações supramencionadas, os novos valores foram determinados conforme os “Demonstrativos Consolidados de Crédito Presumido de IPI”, elaborados pela fiscalização, referente aos períodos de apurações de janeiro/2004. Em consequência, considerando os valores pleiteados pela Contribuinte, o valor a ser ressarcido a título de crédito de IPI, apurado do período de janeiro de 2004, resulta alterado de R$ 256.802,50, para R$ 19.734,47, tendo havido uma redução no valor de R$ 237.068,03. Diante do exposto, o Despacho Decisório terminou por, deferir parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor remanescente de R$ 19.734,47, referente ao período acima mencionado, sem prejuízo de a Fazenda Nacional proceder, quando necessária à fiscalização. Ressalta por fim que as normas regem o instituto da compensação para os débitos existentes em nome da interessada, informados ou não em declaração de compensação eletrônica ou formulário. Das alterações e glosas efetuadas pela fiscalização no cálculo do crédito, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: 1. Se for reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela fiscalização nos autos do processo nº 13854.000286/200202, a apuração do crédito presumido deve ser refeita com base no que for decidido naquele processo; 2. De acordo com a legislação e jurisprudência judicial e do Conselho de Contribuintes que cita, as aquisições de insumos realizadas junto aos produtores rurais, não contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS, devem ser consideradas na apuração do crédito presumido do IPI; 3. A fiscalização procedeu à exclusão dos valores correspondentes aos estoques finais de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (insumos aplicados na industrialização por terceiros), utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos acabados, mas não vendidos, bem como dos materiais de embalagens (tambores), existentes em 31.12.2002. Contudo, conforme a Portaria MF n. 38/97 e Instrução Normativa SRF n. 23/97, deveriam ter sido computados na apuração do crédito presumido, relativo ao 1° trimestre de 2003, que também é Fl. 465DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10840.901469/200895 Acórdão n.º 3403003.441 S3C4T3 Fl. 6 3 objeto deste processo administrativo. Não tendo sido esse o procedimento adotado pela fiscalização, no caso, deve ser o despacho decisório modificado, para o fim de adequar a determinação do montante do crédito presumido, a que a requerente faz jus, àqueles atos normativos; 4. Não considerou o Sr. Agente Fiscal, no cálculo da receita de exportação da requerente, as vendas para as empresas Citrovita AgroIndustrial Ltda. e Bascitrus Agro Industrial Ltda. realizadas com o fim especifico de exportação. Entretanto, devem ser incluídas as exportações efetuadas pelas empresas que não são trading companies porque elas se enquadram no conceito de empresa comercial exportadora, conforme decisões exaradas pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto e provas juntadas pela petição de fls. 1168/1169; 5. Com base na legislação do imposto de renda, defende a inclusão, na receita de exportação, dos valores relativos às variações cambiais; 6. Também defende que não há amparo legal para a exclusão da receita de exportação, da revenda para o exterior de produtos adquiridos no mercado interno; 7. Por fim, requer o ressarcimento acrescido de juros calculados pela taxa Selic. A DRJ em sua decisão, preliminarmente, esclarece que o processo nº 10840.901468/200841 já foi julgado por esta instância, que considerou a manifestação como improcedente e a manifestante disso já tomou ciência, portanto, nada naqueles autos afeta o crédito presumido aqui em lide. No tópico referente às Aquisições de Insumos de Pessoas Físicas, diz a Autoridade Fazendária que a manifestante defende a inclusão do valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, porém, tratase de ressarcimento das Contribuições para o PIS/Pasep/Cofins, incidentes sobre as aquisições; resta claro que, para gozo do benefício, é necessário que tenham incidido tais contribuições sobre as aquisições e, portanto, que tenha ocorrido o fato gerador e o recolhimento das contribuições pelos fornecedores e que, não ocorrendo tal fato, não há o que ressarcir. Continua dizendo a DRJ que, as contribuições sociais PIS/Pasep/Cofins – incidem quando da venda ou faturamento dos produtos, ou seja, se o ato legal em comento se reporta às contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, obviamente se aplica aos insumos que, adquiridos de terceiros, a elas estivessem sujeitos. Ora, não são contribuintes do PIS/Pasep ou da Cofins as pessoas físicas. Não havendo incidência sobre as aquisições, não há o que ressarcir ao adquirente. Cita ainda o parecer PGFN/CAT/Nº 3092/2002, de 27 de setembro de 2002, como um exemplo de despacho de aprovação. Por fim diz que, quanto à jurisprudência administrativa citada pela impugnante, não se aplica ao presente processo, por falta de lei que lhe atribua eficácia normativa. Neste sentido, não vinculam o julgador de 1ª instância. Em relação ao estoque de insumos de 31/12/2002, prevalece o mesmo entendimento, estando correto o procedimento adotado pela fiscalização. No que tange ao tópico Receita de Exportação de Produtos adquiridos de Terceiros, a DRJ diz, após descrever o que é “produção”, que no presente caso o que se tem, é que as mercadorias adquiridas de terceiros e exportadas, não foram submetidas pela exportadora a qualquer processo de industrialização, razão pela qual não podem ser incluídas Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 no montante das exportações utilizadas para o cálculo que determinará o percentual das aquisições que comporá a base de cálculo do benefício. Por fim, a DRJ fiz que sendo ato administrativo normativo (e não interpretativo) não há como aplicála retroativamente. Para admitir a alteração dos conceitos como interpretação, indispensável que houvesse menção expressa ao dispositivo da portaria anterior que estava sendo interpretado. Tal não ocorreu. Portanto, as alterações introduzidas pela portaria em comento só atingem fatos geradores ocorridos a partir de 26/03/2003. Quanto a atualização monetária pela Taxa Selic, a DRJ rejeita o pedido, alegando que, se esta fosse cabível, estaria expressa em Lei. Ante todo o exposto, julga a manifestação de inconformidade improcedente. A empresa apresentou Recurso Voluntário, aonde alega, sem nenhuma mudança, todo o anteriormente dito em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, relator. O presente processo contém matérias de conhecimento desta Turma, posto que julgadas anteriormente, seja na atual composição, seja por meio de composições distintas, sendo ainda que versa inclusive sobre tema objeto da Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça. De qualquer maneira, regra geral, a discussão de ressarcimento requer a análise da apuração da Recorrente e, principalmente, a verificação do pleito formulado e dos procedimentos efetivamente adotados pelo contribuinte de modo que a Autoridade Fazendária o compare com o suporte legal para chegar a conclusão sobre o direito de crédito ou não. Não se trata de uma tarefa fácil, até porque a Recorrente ingressou com inúmeros pedidos de ressarcimento em um encadeamento temporal, de tal maneira que os saldos de um período produzem consequência no período subsequente. Pois bem. A Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade, o que foi reiterado em seu Recurso Voluntário, alegou, dentre outras matérias, que: (i) se for reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela fiscalização nos autos do processo nº 10840.901468/200841, a apuração do crédito presumido deve ser refeita com base no que for decidido naquele processo; e que (ii) A fiscalização procedeu à exclusão dos valores correspondentes aos estoques finais de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (insumo aplicados na industrialização por terceiros), utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos acabados, mas não vendidos, bem como dos materiais de embalagens (tambores), existentes em 31.12.2002. Contudo, conforme a Portaria MF n. 38/97 e Instrução Normativa SRF n. 23/97, deveriam ter sido computados na apuração do crédito presumido, relativo ao 1° trimestre de 2003, que também é objeto deste processo administrativo. Não tendo sido esse o procedimento adotado pela fiscalização, no caso, deve Fl. 467DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10840.901469/200895 Acórdão n.º 3403003.441 S3C4T3 Fl. 7 5 ser o despacho decisório modificado, para o fim de adequar a determinação do montante do crédito presumido, a que a requerente faz jus, àqueles atos normativos; Contudo, muito embora a Decisão de Primeira Instância tenha sido completa, a respeito das alegações acima descritas, entendo que ela foi sobremaneira econômica, tendo a D. Autoridade Julgadora, que muito bem fundamentou o seu raciocínio nos outros pontos discutidos, se limitado a decidir que em relação ao estoque de insumos de 31/12/2002, prevalece o mesmo entendimento, estando correto o procedimento adotado pela fiscalização. Assim, remanesce a dúvida quanto ao raciocínio adotado para o não cômputo do estoque de insumos e, ainda, sobre qual o fundamento do não reconhecimento dos materiais de embalagens (tambores), o que restringe o exercício de defesa da Recorrente e impede o pleno entendimento da discussão pelo CARF. Nesse sentido, com o devido respeito ao julgador de piso, fazse necessária a anulação do processo até a decisão de primeira instância inclusive, para que a DRJ fundamente o porquê da não consideração do estoque de 31.12.2002 e também indique claramente o posicionamento quanto aos materiais de embalagens (tambores). Ante o exposto, decido por anular o processo até a decisão de primeira instância inclusive, para que a DRJ fundamente o porquê da não consideração do estoque de 31.12.2002 e também indique claramente o posicionamento quanto aos materiais de embalagens (tambores). É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 468DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10183.720641/2012-89
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 06 41 /2 01 2- 89 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.720641/201289 Acórdão n.º 2801003.866 S2TE01 Fl. 65 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4a Turma da DRJ/CGE (Fls. 141), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (fls.26 a 29) lavrada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Mauro Celso Gomes Ferreira no valor de R$ 10.272,76 consolidado em 29/12/2011, referente a Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2010, em razão de trabalho de malha em que se apurou omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 37.703,03, havendo a compensação do IRRF sobre os rendimentos omitidos de R$ 1.131,09. O sujeito passivo foi intimado por via postal (fl.31) do lançamento em 12/01/2012. A impugnação de fls. 03 foi protocolada em 31/01/2012, na qual o sujeito passivo alega, em síntese, que: ● Os rendimentos decorrem de demanda trabalhista de 28,86%; ● A fonte pagadora procedeu ao desconto do imposto no ato do recebimento; ● Houve decadência. Ao final, solicita a extinção do crédito tributário lançado. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. IRPF. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Havendo antecipação do pagamento, o prazo decadencial começa a fluir a partir da data do fato gerador do tributo. Cientificada em 22/05/2012 (Fls. 44), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 21/06/2012 (fls. 46), argumentando em síntese: (...) Em analise ao proposto pela 4o turma de julgamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, onde indeferiram ao Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.720641/201289 Acórdão n.º 2801003.866 S2TE01 Fl. 66 3 pedido propondo recolhimento de uma só vez da importância de 9.362,17, tornando assim uma situação impossível. Em observância aos meus proventos recebidos nos anos de 2009, 2010 e 2011, nos valores de mais de 30.000,00, obtive restituição (copias das declarações anexo) e levando em consideração os valores recebidos acumulados com juros e correção monetárias, referente a 5 anos, período de 1993 a 1998, no valor de 37.703,00, com imposto retido no ato do recebimento no valor de 1.131,09, entendi que já havia pago até mais que o devido. Para que haja uma justiça, deveria ser levado em consideração a tabela progressiva mês a mês e ano correspondente ao ocorrido e não o montante recebido. No meu entendimento, não deve ser levado em consideração do calculo do imposto de renda, também as importâncias pagas relativas aos juros e correção monetária. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, o litígio se refere apenas ao lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão de ação trabalhista, no valor de R$ 37.703,03. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Processo: REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226 Relator: Ministro Herman Benjamin (1132) ÓRGÃO JULGADOR: S1 – PRIMEIRA SEÇÃO Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.720641/201289 Acórdão n.º 2801003.866 S2TE01 Fl. 67 4 Data do julgamento: 24/03/2010 Data da Publicação/Fonte: DJe 14/05/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda. Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.720641/201289 Acórdão n.º 2801003.866 S2TE01 Fl. 68 5 Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica neste julgado: Data da Publicação12/02/2014 AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 465.580 SE (2014/00135374) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : MARCOS ANTONIO MOURA SALES ADVOGADOS : WILLIAM DE OLIVEIRA CRUZ ANTÔNIO JOSÉ LIMA JÚNIOR DECISÃO Tratase de agravo interposto de decisão que não admitiu recurso especial manifestado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (fl. 117e): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERBA TRABALHISTA RECEBIDA JUDICIALMENTE DE FORMA ACUMULADA. INCIDÊNCIA EM CADA COMPETÊNCIA. O STJ pacificou o entendimento segundo o qual "(...) quando o pagamento dos benefícios previdenciários é feito de forma acumulada e com atraso, a incidência do Imposto de Renda deve ter como parâmetro o valor mensal do benefício, e não o montante integral creditado extemporaneamente, além de observar as tabelas e as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos. Precedente do STJ, em sede de recursos repetitivos (STJ. 1ª Seção. Rel. Min. Herman Benjamin. Resp 1118429. DJ, 14/05/10). "Não se pode prejudicar o contribuinte que, em virtude do atraso do empregador, recebeu um valor acumulado, quando deveria ter percebido mensalmente os valores devidos. Destarte, as alíquotas a incidirem no tributo devem levar em conta as parcelas mensais que deveriam ser pagas, e não o valor cumulado." (TRF 5ª Região. 2ª Turma. APELREEX 15694. DJ, 31/03/11). Remessa oficial e apelação da Fazenda Nacional improvidas. Opostos embargos de declaração (fls. 121/122e), foram Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.720641/201289 Acórdão n.º 2801003.866 S2TE01 Fl. 69 6 rejeitados (fls. 124/129e). Nas razões do especial, sustenta a agravante, em resumo, que "A aplicação da alíquota oriunda da tabela do imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos cumulativamente em um mesmo mês não significa alteração de alíquota, muito menos por meio de artifício, mas da tributação pura e simples dos rendimentos efetivamente recebidos em determinado mês, aplicandose o princípio constitucional da progressividade para o imposto sobre a renda" (fl. 136e). Pugna pela reforma do julgado. Sem contra razões e inadmitido o recurso especial na origem (fls. 146/147e), fora interposto o presente agravo. Decido. Inicialmente, verifico que a parte recorrente não indicou, nas razões de seu recurso especial, qual dispositivo de lei teria sido violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. Neste sentido: AgRg no AG 586.236/RJ, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Sexta Turma, DJ 1º/7/05. Ainda que assim não fosse, quanto ao mérito, o recurso não merece acolhimento, uma vez que a pretensão recursal está em desconformidade com a jurisprudência desta Corte, formalizada, inclusive, sob a sistemática do julgamento dos recursos repetitivos. Sobre o tema. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (Resp 1.118.429/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Primeira Seção DJe 14/5/10) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO PAGO EM ATRASO REGIME DE COMPETÊNCIA – RESP 1.118.429/SP JULGADO Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.720641/201289 Acórdão n.º 2801003.866 S2TE01 Fl. 70 7 SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC – REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE RESERVA DE PLENÁRIO INAPLICABILIDADE. 1. Nos termos da jurisprudência da Primeira Seção desta Corte, a incidência do imposto de renda sobre o pagamento de benefício previdenciário pago a destempo e acumuladamente, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, considerandose a renda auferida mês a mês pelo segurado. (REsp 1.118.429/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 3. "Decidida a questão jurídica sob o enfoque da legislação federal, sem qualquer juízo de incompatibilidade vertical com a Constituição Federal, é inaplicável a regra da reserva de plenário prevista no art. 97 da Carta Magna." (AgRg no REsp 1.313.077/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 13/06/2013) 4. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no AREsp 269.125/RS, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, DJe 19/8/13) Incide, pois, o verbete sumular 83/STJ, aplicável, também, aos recursos interpostos pela alínea a do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo para negarlhe provimento. Intimemse. Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2014. MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.720641/201289 Acórdão n.º 2801003.866 S2TE01 Fl. 71 8 judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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