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Numero do processo: 10680.016136/2002-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3201-001.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorim-relatora e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Redator Designado Luciano Lopes de Almeida Moraes.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 366 1 365 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.016136/200253 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.161 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2012 Matéria PIS/PASEP Recorrente PROSEGUR BRASIL SA TRANSP. DE VAL. E SEG. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: PIS/PASEP Período:01/04/1989 a 31/08/1995 COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorimrelatora e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Redator Designado Luciano Lopes de Almeida Moraes. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 61 36 /2 00 2- 53 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A contribuinte supraidentificada requereu (fls. 01/02) junto à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG, a compensação de crédito referente a valores recolhidos a título de PIS, obtido mediante a ação ordinária nº 94.000.78439, em que se pleiteou o reconhecimento do direito de não se submeter às disposições contidas nos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, de 1988, e também do PIS Repique, previsto na LC 07/70, bem como o direito à compensação do pagamento a maior do PIS. A DRF Belo Horizonte reconheceu o direito creditório, no valor de R$ 827.820,94 (na data de referência de 02/01/96) e R$ 21.616,46 (na data de referência de 31/12/95), por intermédio do Despacho Decisório nº 235, de 21/02/2008, às fls. 227/239. Cientificada da decisão, a contribuinte manifestou sua inconformidade em 15/04/2008, às fls. 270/281, alegando, em síntese e fundamentalmente, que a DRF deduziu do direito creditório os débitos de PIS Repique referentes aos períodos de janeiro/94 a fevereiro/96, depositados e convertidos em renda da União conforme documentos de fls. 137/138. Tal procedimento caracterizaria a cobrança em duplicidade, por intermédio do abatimento desses valores do crédito passível de restituição/compensação. Em seqüência reivindica o direito de compensar o crédito de PIS com débito de Cofins, argumentando que deve ser aplicada a lei posterior ao ajuizamento da Ação, vigente no momento da compensação. Acrescenta que, embora a sentença transitada em julgado tenha limitado a compensação do PIS apenas com débitos do PIS, quando foi proferida encontravase em vigor o art. 74 da Lei nº 9.430/96, o qual possibilitava a compensação com quaisquer tributos e contribuições sobre a administração da então SRF. Solicita, ao final, caso não seja possível a compensação com débito de Cofins, seja autorizada a recomposição dos créditos de PIS para futuras compensações com débitos do próprio PIS. É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0218.161 de 23/06/2008, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 367DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.016136/200253 Acórdão n.º 3201001.161 S3C2T1 Fl. 367 3 Período de apuração: 01/04/1989 a 31/08/1995 AÇÃO JUDICIAL COISA JULGADA. A sentença definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. Solicitação Deferida em Parte. O julgamento foi no sentido de julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, devendo a DRF de origem recalcular o valor do direito creditório, considerando o valor convertido em renda da União e executar os procedimentos administrativos relativos à homologação da compensação, se for o caso, no limite do direito creditório e somente com débitos de PIS. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões pelas quais dele tomo conhecimento. Em sede de recurso, o presente feito cingese à (im)possibilidade de o contribuinte compensar créditos de PIS com débitos de outros tributos. Inicialmente, fazse mister ressaltar que, na petição inicial, formulada na ação judicial citada pelo contribuinte, solicitouse, expressamente, que fosse declarado “o direito de compensação do que foi recolhido a título de PIS, posteriormente à CF/88, com outras contribuições sociais incidente sobre folha de salários, lucro e faturamento.” (fl. 99), o que foi admitido pela Justiça Federal de 1ª Instância (fl. 105). Ocorre que, em sede recursal, esse pedido foi negado, na medida em que o TRF limitou o direito do contribuinte de compensar os valores indevidamente recolhidos a maior a título de PIS, com os débitos da mesma contribuição (fl. 118). Ora, sempre sustentei que a coisa julgada no âmbito do Poder Judiciário não pode ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a CRFB, a qual adota o modelo de jurisdição una, com a plena soberania das decisões judiciais. A decisão judicial representa lei entre as partes e por isso deve ser respeitada. Portanto, devo concordar com a decisão de primeira instância quando sustenta que: “(...) embora a interessada solicite a compensação do referido crédito de PIS com débitos de Cofins, só poderá fazêlo com débitos do próprio PIS, em estrita obediência à decisão judicial”. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Ante o exposto, voto no sentido de julgar IMPROCEDENTE o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Voto Vencedor Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Com a devida vênia, entendo diferente. Com efeito, a própria Receita Federal, por meio da Nota COSIT no 141, de 23 de maio de 2003, entendeu pela possibilidade de aplicação da legislação ulterior mais benéfica ao contribuinte que aquelas definidas em decisão judicial transitada em julgado. Esse, aliás, é o entendimento mais recente do STJ, o qual, muito embora defenda que, nos casos de compensação de tributos a lei aplicável deve ser a vigente à época do ajuizamento da ação, não podendo ser julgada a causa à luz do direito superveniente, reconhece o direito da parte de proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas legais advindas em períodos subsequentes. A título de exemplo, cito os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 NÃO CARATERIZADA. AÇÃO PROPOSTA ANTERIOR AO INÍCIO DA VIGÊNCIA DA LC 118/2005 (9.6.2005). PRAZO PRESCRICIONAL. APLICAÇÃO DA TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA A PARTIR DE 1º.1.1996. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INCLUSÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DO CRITÉRIO ADOTADO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES STJ. (...) 5. No que concerne à compensação entre diferentes espécies tributárias, a Primeira Seção desta Corte já pacificou o entendimento no sentido de que a lei aplicável é vigente à época do ajuizamento da ação, não podendo a causa ser julgada à luz do direito superveniente, ressalvandose o direito da parte de proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas legais advindas em períodos subsequentes. (...) (STJ. Primeira Turma. Recurso Especial no 200801840562. Relator min. Benedito Gonçalves. Data da decisão: 17/02/2009. Data da Publicação: 05/03/2009) Fl. 369DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.016136/200253 Acórdão n.º 3201001.161 S3C2T1 Fl. 368 5 Assim, voto por dar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Luciano Lopes de Almeida Moraes – Relator designado Fl. 370DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000910/00-98
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1989 a 31/01/1996
PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1989 a 31/01/1996 PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2041; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 2 1 1 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.000910/0098 Recurso nº 131.879 Extraordinário Acórdão nº 9900000.530 – Pleno Sessão de 29 de agosto de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BENEVIDES TÊXTIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1989 a 31/01/1996 PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 09 10 /0 0- 98 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13888.000910/0098 Acórdão n.º 9900000.530 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0262 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 02249, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: PIS — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO — DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos leis nos 2.445 e 2.449, de 1998, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução n° 49/Senado Federal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0275, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão contida no acórdão deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13888.000910/0098 Acórdão n.º 9900000.530 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 04/1989 a 01/1996, fls. 003, e o pedido de restituição ocorreu em 11/09/2000, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13888.000910/0098 Acórdão n.º 9900000.530 CSRFPL Fl. 5 7 Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 11/09/2000, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 11/09/1990 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 11/09/1990 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 262DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10120.720343/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. RESSARCIMENTO.
Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e, conseqüentemente, para o ressarcimento de tais valores.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. RESSARCIMENTO. Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e, conseqüentemente, para o ressarcimento de tais valores. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 03 43 /2 01 0- 61 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Brasília que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) de saldos credores de Cofins não cumulativa, apurados para os 4 (quatro) trimestres do ano calendário de 2007. Por meio do Despacho Decisório nº 554/2010, às fls. 38/51, a Delegacia da Receita Federal em Goiânia, GO, indeferiu os pedidos de ressarcimentos transmitidos pela recorrente, sob o fundamento de que a revenda de produtos sujeitos ao regime monofásico não geram créditos de Cofins não cumulativa passíveis de ressarcimento. Inconformada com a decisão daquela DRF, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 59/92), alegando razões assim resumidas pela DRJ: “ no Estado Democrático de Direito a legalidade é principio que deve reger a tributação. O único instrumento com poder para criar restrições ou vedação ao direito a creditamento é a lei, havendo momento inicial em que realmente era negado; também é inegável a existência de norma que previu, expressamente, que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência; posteriormente, pela mesma forma que se estabelece preceitos cogentes, foi introduzido no universo jurídico o art. 17 da Lei no 11:033/04, prevendo expressamente que mesmo quem faturasse com alíquota zero, ainda assim, poderia creditarse de PIS/COFINS; a Lei n° 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas; o art. 16 da Lei 11.116/05, ao invés de restringir direito de creditamento, adotou mais garantias ao art. 17 da Lei n° 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações. Nas novas normas sempre se ressalva o que fica regulado na norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos, o que não aconteceu no presente caso, sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; o direito de creditamento é coerente com os objetivos desonerativos das inovações legislativas do PIS/COFINS e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais setores serão incluídos na não cumulatividade, só não permite esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime de substituição; o art. 17 da Lei n° 11.033/04 é justamente norma geral para os casos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, ate porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; foram revogados os preceitos das Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 que mandavam aplicar, para a contribuinte, as normas anteriores a não cumulatividade, agora ficando as mesmas inteiramente enquadradas neste regime que tem como pressuposto o creditamento; finalmente, vieram as MP 413 e 451, de 2008, tentar restringir creditamento para a contribuinte baseado no art. 17 da Lei 11.033/04, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foram mantidas no ordenamento jurídico. Logo, viola o Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.720343/201061 Acórdão n.º 3301001.714 S3C3T1 Fl. 173 3 arcabouço jurídico, reprimir ou indeferir a tomada dos créditos aqui discutidos, amparada legalmente e constitucionalmente.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0341.294, datado de 20 de janeiro de 2011, às fls. 109/115, sob a seguinte ementa: “Crédito de Cofins Incidência não cumulativa Tributação monofásica na aquisição de produtos para revenda Vedação legal. No regime da não cumulatividade da Cofins, a aquisição de automóveis e autopeças para revenda, sujeitos a tributação monofásica, não gera direito a créditos para o comerciante atacadista ou varejista desses produtos, por expressa vedação legal, não se aplicando, portanto, A disposição contida no art. 17 da Lei ri° 11.033, de 2004.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 119/154), requerendo sua reforma a fim de que se defiram os pedidos de ressarcimento em discussão, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, acrescidas de reforços quanto aos aspectos econômicos de fixação das alíquotas da Cofins não cumulativa e aos normativos que amparariam seu direito, os mesmos dispositivos legais citados e transcritos na manifestação de inconformidade e repetidos no recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, a questão de mérito se restringe ao créditamento da Cofins sobre as aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração e pagamento desta contribuição e ao ressarcimento do saldo credor trimestral apurado em decorrência de tal creditamento. O regime de tributação não cumulativa da Cofins foi instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispões sobre os créditos desta contribuição: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Por sua vez o art. 2º, assim dispõe: “Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]; III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Já a Lei nº 10.485, de 2002, assim dispõe sobre a alíquota da contribuição incidente sobre as receitas decorrentes de vendas de bens sujeitos à tributação monofásica: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.720343/201061 Acórdão n.º 3301001.714 S3C3T1 Fl. 174 5 PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...). II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o deste artigo, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) [...].” Ora, os bens revendidos pela recorrente se enquadram nos dispositivos legais citados e transcritos acima. Assim, suas aquisições não geram créditos de Cofins não cumulativa e, conseqüentemente, não dão direito a ressarcimento algum. Em julgamento desta mesma matéria pela Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 20313.466, os Membros daquela câmara, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso de outro contribuinte no qual pleiteou o ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, apurados sobre aquisições de bens sujeitos ao regime de tributação monofásica desta contribuição. Também este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme comprova a ementa e o acórdão proferido no julgamento do REesp nº 1.217.828/RS, literalmente reproduzidos: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 285A DO CPC. NULIDADE DA SENTENÇA. INOCORRÊNCIA. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI N. 11.033/04. APLICAÇÃO AOS CONTRIBUINTES INTEGRANTES DO REGIME ESPECÍFICO DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 1. Para utilizarse da faculdade prevista no artigo 285A do CPC, não está o julgador obrigado a transcrever na sentença mais de uma decisão paradigma, bastando apenas a reprodução de uma delas. 2. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 3. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 4. Recurso especial não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: ‘A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator, sem destaque.’ Os Srs. Ministros César Asfor Rocha, Castro Meira, Humberto Martins (Presidente) e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de abril de 2011. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator ” Dessa forma, demonstrado que a legislação não ampara a apuração e a escrituração de créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens sujeitos ao regime monofásico de tributação desta contribuição, no presente caso, de veículos automotores e auto peças, não há que se falar ressarcimento do saldo credor trimestral apurado indevidamente. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.720343/201061 Acórdão n.º 3301001.714 S3C3T1 Fl. 175 7 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16707.002705/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS. LEI 8.852/94. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Consoante se pode inferir de sua ementa, a Lei nº. 8.852/94 não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas, mas, sim, dispõe sobre a forma de aplicação, no que toca à administração federal, dos artigos 37, XI e XII, e 39, §1º, da Constituição. Assim, as verbas recebidas pelo contribuinte, ainda que excluídas do conceito de remuneração para os fins da legislação em espécie, constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas pelo imposto de renda, sob pena de violação, inclusive, dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva.
Nesse exato sentido, aliás, é expressa a Súmula n.º 68 deste CARF, vazada nos seguintes termos: A Lei n.° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF n. 68).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS. LEI 8.852/94. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. Consoante se pode inferir de sua ementa, a Lei nº. 8.852/94 não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas, mas, sim, dispõe sobre a forma de aplicação, no que toca à administração federal, dos artigos 37, XI e XII, e 39, §1º, da Constituição. Assim, as verbas recebidas pelo contribuinte, ainda que excluídas do conceito de remuneração para os fins da legislação em espécie, constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas pelo imposto de renda, sob pena de violação, inclusive, dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Nesse exato sentido, aliás, é expressa a Súmula n.º 68 deste CARF, vazada nos seguintes termos: “A Lei n.° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física” (Súmula CARF n. 68). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 27 05 /2 00 8- 18 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.002705/200818 Acórdão n.º 2101002.088 S2C1T1 Fl. 110 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 92/105) interposto em 04 de março de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) (fls. 84/89), do qual o Recorrente teve ciência em 25 de fevereiro de 2011 (fl. 91), que, por unanimidade de votos, houve por bem manter o despacho decisório de fls. 51/56, que indeferiu o pedido de restituição/compensação formulado pelo contribuinte fundado na alegação de não incidência de IRPF sobre os valores recebidos a título de adicionais de tempo de serviço e de compensação orgânica. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INDEFERIMENTO. Somente poderá ser restituído ou compensado imposto de renda retido na fonte, na hipótese de comprovado pagamento indevido. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA E ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. Os valores pagos referentes à gratificação de compensação orgânica e adicional por tempo de serviço integram a base de cálculo do IR, não estando isentos de tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” (fl. 84). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 92/105), pedindo a reforma do acórdão recorrido, alterandose, destarte, os termos do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação formulado. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.002705/200818 Acórdão n.º 2101002.088 S2C1T1 Fl. 111 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a controvérsia gira exclusivamente em torno da tributação das verbas intituladas “Adicional por Tempo de Serviço” e “Gratificação de Compensação Orgânica”, recebidas pelo contribuinte. Confundindo preliminar e mérito, entende o Recorrente que a Lei n.º 8.852/94 impede expressamente a tributação pelo imposto de renda do “adicional por tempo de serviço” e da “gratificação de compensação orgânica”, tendo em vista a redação de seu artigo 1º, inciso III, alíneas “d” e “n”: “Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (...) III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei nº 8.237, de 1991; (...) n) adicional por tempo de serviço”. Aferindo as alegações do Recorrente, cumpre observar, primeiramente, que o imposto de renda, tal como delimitado pelo art. 153 da Constituição e, bem assim, pelo artigo 43 do Código Tributário Nacional, tem como hipótese de incidência a aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica (i) da renda, assim entendida como o produto do capital, do trabalho ou de ambos, e (ii) de proventos de qualquer natureza, isto é, acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda, propriamente. Outrossim, estatui, expressamente, a Constituição, mais especificamente em seu art. 153, §2º, I, que deverá o imposto de renda ser informado “pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei”. Analisandose em conjunto as disposições enumeradas, observase, nitidamente, que, especialmente com fundamento no chamado princípio da generalidade, consoante aduz Ricardo Mariz de Oliveira, “qualquer aumento patrimonial deve ser tratado por igual com todos os demais, sem distinções derivadas de quaisquer critérios discriminatórios” (OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, 2009. p. 254). Exatamente em virtude do princípio da generalidade, aliás, e, mais ainda, em razão de não ter atrelado o constituinte originário e o legislador, pela via da lei complementar, à hipótese de incidência do imposto de renda determinadas estruturas jurídicas, ou fatos Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.002705/200818 Acórdão n.º 2101002.088 S2C1T1 Fl. 112 4 previamente qualificados pela legislação (art. 116, II, do CTN), o Código Tributário Nacional é expresso ao dispor, em seu art. 43, §1º, que a “incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção”. Por todas as razões expostas, portanto, afigurase despicienda, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda, a denominação da espécie de receita ou rendimento, bastando, destarte, para a apuração do tributo devido, a disponibilidade, econômica ou jurídica, do acréscimo patrimonial percebido pelo contribuinte. Analisandose, à guisa de todo o exposto, as alegações do contribuinte, percebese que não lhe assiste razão, no caso vertente. Com efeito, independentemente do fato de haver a Lei n.º 8.852/94 excluído do conceito de remuneração, para os fins específicos da lei em questão, as espécies de rendimentos elencadas nas alíneas “d” e “n” do inciso III do art. 1º do referido diploma legal, fato é que todas amoldamse, à perfeição, ao conceito de renda, isto é, de rendimentos oriundos do trabalho, na espécie com vínculo empregatício. Nesse sentido, portanto, percebese, com clareza meridiana, que todos os rendimentos excluídos da base de cálculo pelo contribuinte caracterizam o fato gerador do imposto de renda, não havendo que se falar, pois, em hipótese de nãoincidência. Com fundamento no exposto, cumpre perquirir, por sua vez, se as espécies de rendimentos contempladas pela lei em questão podem ser consideradas isentas, para fins de apuração do imposto de renda da pessoa física. No que tange a este ponto específico, pois, verificase que a isenção, notadamente no que toca ao imposto de renda, justamente por constituir regra voltada à mutilação de um ou alguns dos critérios da regramatriz de incidência, na forma como preleciona Paulo de Barros Carvalho, deve referirse, expressamente, à apuração e cálculo do referido imposto, sendo interpretada, portanto, de maneira não extensiva, nos termos do art. 111, I, do CTN. Por esta razão, inclusive, dispôs, expressamente, a Constituição da República, mais especificamente em seu art. 150, §6º, que “Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g”. À guisa de todo o exposto, portanto, não há de restar dúvidas de que a lei trazida à baila pelo contribuinte não se refere, especificamente, à exclusão de rendimentos da base de cálculo do imposto de renda de funcionários da administração pública, direta ou indireta, vinculada à União. De fato, compulsandose os termos da Lei n.º 8.852/94, verificase, ao contrário, que a lei em comento buscou, pura e simplesmente, regular o quanto disposto pelos artigos 37, XI e XII, e 39, §1º, da Constituição, isto é, fixar o teto de remuneração de seus funcionários, em comparação com os vencimentos percebidos pelos ministros do Supremo Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.002705/200818 Acórdão n.º 2101002.088 S2C1T1 Fl. 113 5 Tribunal Federal. Nada dispôs, portanto, a respeito da tributação de tais valores pelo imposto de renda. Aliás, fosse esse o intuito do legislador, isto é, o de conceder isenções no que toca a determinados rendimentos percebidos por funcionários da administração pública da União, estarseia diante de uma violação expressa e direta ao princípio da isonomia, capitulado expressamente no art. 150, II, da Constituição, eis que, em verdade, estaria a legislação criando distinção entre rendimentos percebidos por funcionários da administração pública da União e os demais contribuintes submetidos à tributação pelo imposto de renda, vulnerando, ainda, o princípio da capacidade contributiva estatuído pelo art. 145, §1º, da Constituição. Este tribunal administrativo tem entendido que referida lei não institui qualquer isenção do imposto de renda, mas tãosomente regula a estrutura remuneratória do Poder Público, discriminando os tipos de recebimentos dos funcionários/servidores públicos. Nesse sentido, dentre outros inúmeros julgados, pode ser citado o seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2003 RENDIMENTOS REFERENTES AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E À GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA DE SERVIDOR PÚBLICO MILITAR FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTOS NÃO ENQUADRADOS NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO DO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E DA GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei n° 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma da 1ª Câmara, Acórdão 210200.736 de 28/07/2010) Esse entendimento está cristalizado na Súmula n.º 68 deste tribunal administrativo, que tem a seguinte redação: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.002705/200818 Acórdão n.º 2101002.088 S2C1T1 Fl. 114 6 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10280.005071/2001-42
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. A autoridade fiscal tem competência para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários previstos em lei, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, data, materialidade e base imponível correspondente à infração. Descumpridos tais requisitos no auto de infração, admite-se o lançamento complementar, à luz do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, desde que não ocorrida a decadência, e o julgamento administrativo. Portanto, não é cabível manter os itens do lançamento original que estão alicerçados em descrição, datas e provas especificadas no Termo de Verificação Complementar lavrado após o transcurso do prazo decadencial.
No caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. O relatório da diligência composto de 42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível, demonstrou que o auto de infração, antes das infrações serem reescritas, não preenchia os requisitos necessários à constituição do crédito exigido.
AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE PARCIAL. EFEITOS. O lançamento de ofício que contempla a exigência tributária decorrente de múltiplas infrações é passível de nulidade parcial, desde que os vícios que implicaram nessa nulidade contaminem apenas parte das irregularidades tributadas.
In casu, a nulidade parcial do lançamento de ofício não atinge a parcela do crédito tributário relativo às matérias em que não se observou o cerceamento do direito de defesa, as quais não são objeto do litígio, sendo que os débitos foram incluídos em parcelamento.
Preliminar Acolhida. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a nulidade parcial do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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NULIDADE DO LANÇAMENTO POR INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. A autoridade fiscal tem competência para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários previstos em lei, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, data, materialidade e base imponível correspondente à infração. Descumpridos tais requisitos no auto de infração, admitese o lançamento complementar, à luz do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, desde que não ocorrida a decadência, e o julgamento administrativo. Portanto, não é cabível manter os itens do lançamento original que estão alicerçados em descrição, datas e provas especificadas no Termo de Verificação Complementar lavrado após o transcurso do prazo decadencial. No caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. O relatório da diligência composto de 42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível, demonstrou que o auto de infração, antes das infrações serem reescritas, não preenchia os requisitos necessários à constituição do crédito exigido. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE PARCIAL. EFEITOS. O lançamento de ofício que contempla a exigência tributária decorrente de múltiplas infrações é passível de nulidade parcial, desde que os vícios que implicaram nessa nulidade contaminem apenas parte das irregularidades tributadas. In casu, a nulidade parcial do lançamento de ofício não atinge a parcela do crédito tributário relativo às matérias em que não se observou o cerceamento do direito de defesa, as quais não são objeto do litígio, sendo que os débitos foram incluídos em parcelamento. Preliminar Acolhida. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 50 71 /2 00 1- 42 Fl. 6498DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.499 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a nulidade parcial do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório AGROPECUARIA RIO BRANCO LTDA recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ); de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referentes aos anoscalendário de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 no valor total de R$ 12.694.857,75 (principal, multa e juros, calculados até 29.11.2002) – fl. 1.065). O termo de verificação fiscal consta das fls. 863/951 e o auto de infração, notificado à parte interessada em 20/12/2002, encontrase às fls. 952 e seguintes. Apresentada a impugnação de fls. 1.251 a 1.290, os autos foram encaminhados à DRJ que por meio do acórdão de fls. 1.313 e seguintes, julgou procedente o lançamento, sendo que desta decisão, de forma tempestiva, a parte interessada apresentou recurso alegando, dentre outros fundamentos, a nulidade do lançamento por impossibilidade de correlacionar os termos das acusações aos valores lançados. Ao apreciar o recurso, o Primeiro Conselho de Contribuintes, em julgamento da Sétima Câmara, por meio da Resolução n° 107 0.469, de 03 de dezembro de 2003 (fls. 1.506 ou 1.512 pela numeração digitalizada), converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal fizesse elaborasse demonstrativo das parcelas correspondentes a cada matéria tributável constante do Auto de Infração, totalizandoas por períodos, e com indicação do item correspondente ao termo de verificação fiscal. aos valores objeto de lançamento. Neste sentido, para efeito de relato, transcrevo os seguintes fundamentos da Resolução: Fl. 6499DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.500 3 Com efeito, notese que, apesar das infrações estarem numeradas no TVF, a peça básica, em alguns casos, não indica o número do item do TVF a que corresponde cada parcela relacionada, embora diga "conforme discriminação no TVF que faz parte integrante do auto". E há também dificuldade, exatamente por isso, de se vincular fatos descritos no termo a cada infração, uma vez que há, na peça básica, diversos itens sobre omissão de receita, mas os títulos adotados não batem com os dos termo, obrigando a defesa a arriscar argumentos (fl. 1.547 numeração digitalizada). .... Não basta indicar as parcelas por períodos, como figura do auto de infração, sendo necessária sua remissão ao item correspondente ao TVF (quando integrante do auto de infração). E este determine cada notafiscal, ou outro documento que fundamente a acusação, com o respectivo valor, relacionandoos e totalizandoos por infração, com a indicação das fls. dos autos (volume o u anexo) onde se encontrem essas provas. (fl. 1.548 numeração digitalizada). O relatório da diligência consta das fls. 1.562 e seguintes (numeração digitalizada). Nesta ocasião o auditor fiscal elabora o demonstrativo de fl. 1.563 e seguintes especificando e correlacionando os seguintes elementos: a) identificação da matéria no termo de verificação fiscal; b) item correspondente à infração descrita; c) a denominação ou motivação da infração (exemplos: 1. receitas não contabilizadas notas fiscais; 2. Depósitos bancários não contabilizados; 3. Diferenças de estoque; 4. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (cheques); 5. pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (ordenados e salários); 6. Receitas não contabilizadas (controle de venda de animais); 7. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos de pagamentos não localizados na contabilidade); 8. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos apreendidos sem lançamentos a despesas); 9. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (Documentos obtidos por circularização); 10. Omissão de receitas (recuperação de despesas); 11. omissão de receita (diferença de pesagem) etc. d) Período de apuração; e) Base de cálculo; f) documentação que fundamentava a autuação. Em síntese, com a diligência realizada em 2004 a autoridade fiscal elabora termo demonstrativo de 42 páginas indicando: a) a infração cometida; b) quando esta ocorreu; c) o montante correspondente à infração (base imponível); e d) os documentos caracterizadores da infração cometida. (materialidade) Realizada a diligência, por meio do acórdão n° 107.08.108 (fl. 1645), retificado pela decisão dos embargos de declaração de fls. 1.653 e seguintes (acórdão 107 08.800), o Colegiado, de forma unânime, anulou a decisão de primeira instância que havia entendido que, da forma pela qual o auto de infração original tinha sido lançado, não tinha Fl. 6500DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.501 4 ocorrido cerceamento de defesa. Destacou o acórdão que a decisão da DRJ era nula porque simplesmente tinha ignorado as alegações da autuada acerca do cerceamento de defesa. Anulada a primeira decisão, os autos retornaram à DRJ que proferiu o acórdão de fls. 1.717 a 1.768, decidindo, por maioria de votos, julgar improcedente a alegação de cerceamento de direito de defesa do Contribuinte. Vencidos os julgadores ANTÔNIO MARCOS C. LIMA, e PAULO ROGÉRIO CARREIRO LIMA FERREIRA, que votaram pela nulidade do lançamento em decorrência de vícios na descrição dos fatos. E por unanimidade, no mérito, julgar parcialmente procedente o lançamento, cancelando parte dos créditos do IRPJ, IRRF, do PIS, da CSLL, e da COFINS. Intimada desta segunda decisão, a parte interessada apresentou o recurso de fls. 1.778 e seguintes1, reiterando os argumentos articulados quando da impugnação anterior, dando ênfase, dentre outras razões, ao argumento de que, ao atender ao que fora determinado na resolução a autoridade fiscal vez verdadeiro aperfeiçoamento do lançamento, visto que o anterior não se sustentava, fato este inclusive reconhecido por dois integrantes da DRJ. Os fatos até aqui expostos sintetizam as principais questões processuais. Contudo, em face à necessidade de descrever cada uma das infrações, procedimento já adotado pela decisão recorrida, doravante passo a transcrever o relatório daquela decisão, que apesar de extenso, sintetiza todos os detalhes. Como referido no parágrafo anterior Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): (fl. 1.720) 2.Antes de discriminar as infrações à legislação tributária verificadas pela fiscalização, fazse necessário esclarecer as transações imobiliárias que culminaram na presente situação patrimonial do contribuinte autuado. 3.A Agropecuária Campo Maior Ltda., com sede na Fazenda denominada “Chão de Estrelas”, foi vendida pelos proprietários originais (os Srs. Lutfala de Castro Bitar, Eduardo Cateb Bitar, Antônio Marcos Loureiro e a empresa Estacon Engenharia S.A.) à empresa Têxtil Saint Germany Ltda., de propriedade do Sr. José Osmar Borges. Conforme o Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de fls. 37 a 43, verificase que o valor da transação foi de R$2.200.000,00, a serem pagos até 15.5.1996. A efetivação da venda se deu em 30.5.1996, como prova o ofício de fl. 45. 4.Em 15.8.1996, de acordo com a certidão de fl. 46, a Agropecuária Campo Maior Ltda. era controlada por dois sócios: a Têxtil Saint Germany Ltda (detentora do capital social de R$1.744.800,00), e a sóciagerente Sra. Márcia Cristina Zahluth Centeno (detentora do capital social de R$207,00). 5.Por meio do contrato de compra e venda de fls. 52 e 53, datado de 5.1.1998, a Têxtil Saint Germany Ltda., por meio de seu proprietário Sr. José Osmar Borges, vendeu a sua participação na Agropecuária Campo Maior Ltda. para a Fazenda Rio Branco Ltda., por R$600.000,00, a serem pagos até 5.1.2000. 6.Através da alteração contratual de fls. 56 a 61, datada de 31.5.2000, foi realizada a incorporação da Agropecuária Campo Maior Ltda. pela Fazenda Rio Branco Ltda. Pelo mesmo contrato, alterouse a denominação da Fazenda Rio Branco Ltda. para 1 Numeração digitalizada. Doravante passo a adotar a numeração atribuída em face da digitalização, pois o acórdão recorrido só contém a numeração digitalizada. Fl. 6501DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.502 5 Agropecuária Rio Branco. Porém, a fiscalização manteve a denominação original, por ser esta a que consta nos cadastros da SRF. 7. A Fazenda Rio Branco Ltda. foi autuada por diversas infrações à legislação tributária, a saber: a)omissão de receita caracterizada pela falta de escrituração de notas fiscais de vendas, avulsas e de produtor2; b)omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários; c)omissão de receita operacional caracterizada por diferenças apuradas em estoques de touros e matrizes; d) omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, efetuados mediante emissão de cheques com especificação da aplicação, passagem pelo caixa, e dele não saído; e)omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas com ordenados e salários; f) omissão de receita de venda de gado apurada de acordo com controle paralelo denominado “Controle de Venda de Animais”; g)omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, para valores pagos sem emissão de cheques ou com cheques sem discriminação de aplicações; h)omissão de receita caracterizada pela não contabilização da saída de caixa de pagamentos de despesas operacionais; i)omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, cujos documentos foram obtidos por circularização; j)omissão de receitas na Declaração de Rendimento dos saldos das contas de recuperação de despesas; k) omissão de receita caracterizada pelas diferenças de pesagem de gado na venda e no abate; l)custos ou despesas não comprovados, referentes a animais vendidos; m) custos ou despesas não comprovados, referentes a ordenados e salários; n)custos ou despesas não comprovados, referentes a despesas comprovadas apenas com “sleeps” ou memórias de lançamentos; o) cotas de depreciação de bens do ativo imobilizado não dedutíveis, valores apurados em decorrência da não comprovação, com documentos hábeis e idôneos, de todo o seu ativo permanente, alegando antiguidade dos bens; p) remuneração indireta a beneficiário não identificado, decorrente de pagamentos de arrendamento de aeronave, cuja utilização para os sócios e terceiros não identificados foi informada pelo próprio contribuinte; 2 Quanto a este item, conforme petição de fls. 1.554, datada de 26/11/2003, e documentos de fl. 1.555, houve desistência do recurso para inclusão no PAES. Fl. 6502DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.503 6 q) remuneração indireta a beneficiário não identificado, decorrente de pagamentos de despesas com avião; r)despesas indedutíveis, por estarem lastreadas em documentos não considerados hábeis e idôneos, tais como: inidoneidade, contabilização em dobro, referentes a despesas fora do exercício de competência e concernentes a outra empresa (Agropecuária Campo Maior Ltda.), antes da incorporação; s)ausência da adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do valor do imposto de renda debitado a despesas pela empresa, conforme DIPJ; t)ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, da contrapartida do ajuste dos investimentos em Imóveis Terrenos (conta 1.3.1.05.001), Edificações e Melhoramentos (1.3.1.05.002), Cercas (1.3.1.05.003) e Pastagem Artificial (1.3.1.05.004) da Agropecuária Campo Maior Ltda., em face da sua realização, em 31.1.2000, por estorno das contas na contabilidade da Agropecuária Campo Maior Ltda., sem a apresentação de qualquer laudo que comprovasse a redução do valor dos imóveis; u) redução indevida do lucro real, em virtude de débito a Conta de Resultado do Exercício de valor oriundo da conta Lucros do exercício; v) falta de realização do lucro inflacionário, pois o contribuinte, através de empresa incorporada, fez opção pela realização favorecida do lucro inflacionário acumulado, não o realizando quando da incorporação em 2000. 8.A descrição detalhada dos fatos encontrase no Termo de Verificação Fiscal de fls. 863 a 951, do qual foi dado ciência ao contribuinte, juntamente com o auto de infração, em 20.12.2002. II – DA IMPUGNAÇÃO 1 Em 17.1.2003, a empresa apresentou impugnação de fls. 1.251 a 1.290, na qual aduz os seguintes argumentos: a) como preliminar, argúi a nulidade do auto de infração, porque a prorrogação do mandado de procedimento fiscal (MPF), com validade até 26.1.2002, somente se deu em 6.5.2002, em afronta ao art. 12 da Portaria SRF nº 3.007/2001, que determina prazo máximo de validade de 120 dias para os MPFs; b) também como preliminar, que houve cerceamento do seu direito de defesa, elencando uma série de motivos: que não foi obedecida a ordem cronológica para a arrumação das folhas integrantes do auto, bem como não foram numeradas e rubricadas; que a descrição dos fatos não está na mesma seqüência das infrações descritas no auto, e que não há uma precisa remissão do auto de infração em relação ao Termo de Verificação Fiscal; que por mais que se leia e releia o auto de infração, na vã tentativa de descobrir qual o fato e o seu relacionamento com o enquadramento legal e as provas de acusação, a frustração é enorme; que as tabelas que fazem referência a valores não se reportam às folhas do processo; que por ser o resultado de fiscalização de duas empresas, no texto da descrição dos fatos não há uma referência clara contra qual empresa é a acusação; cita, como exemplo, que a informação contida no parágrafo “c” da fl. 870 referese à Agropecuária Campo Maior Fl. 6503DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.504 7 Ltda., mas que o item V.1.1.2 ao que o parágrafo pertence, referese à Fazenda Rio Branco Ltda.; que este processo representa apenas um braço longo das aleivosias a que foi submetido o contribuinte Jader Barbalho e suas empresas, a partir de denúncias infundadas (como já provado na Justiça), procurandose de todas as formas impedirlhe a ampla defesa; que requer o saneamento do processo com as remissões consistentes, com a definição clara de quem está sendo acusado (se a Fazenda Campo Maior ou se a Fazenda Rio Branco); que há nos autos signos desconhecidos da língua portuguesa (##) utilizados no enquadramento legal; c) ainda a título de preliminar, pugna pela decadência do lançamento referente a fatos geradores ocorridos em 1996 e até 20.12.1997, por força do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN), por tratarse de tributo lançado por homologação; d) requer a exclusão de todas as multas aplicadas contra a Fazenda Campo Maior Ltda., que foram exigidas da Fazenda Rio Branco Ltda. na qualidade de responsável tributário por sucessão. Segundo a impugnante, o disposto no art. 132 do CTN diz respeito apenas à responsabilidade pelo pagamento do tributo, excluindose desse conceito as multas, que têm caráter punitivo. Cita farta doutrina e jurisprudência que ampara sua tese. 02.Após expor suas teses acima, a empresa passa a repelir uma a uma das 22 infrações que lhe foram imputadas. 03.Para as infrações correspondentes à omissão de receitas, enumeradas de 001 a 011 na peça impugnatória, o contribuinte apresenta uma negação geral, na forma da seguinte assertiva: “Não está demonstrada, pela fiscalização, a ocorrência das hipóteses previstas no art. 281, inciso II, do RIR/99, caracterizadoras da omissão de receita, que a seguir transcreveremos. Lançamento improcedente.”. 04.Relativamente às infrações de nº 012 (glosa de custos de animais vendidos), nº 015 (depreciação de bens do ativo imobilizado), nº 018 (despesas indedutíveis pela documentação não considerada hábil e idônea) e nº 021 (exclusões indevidas), a impugnante afirmou que “Não está demonstrado no Termo de Verificação Fiscal o valor tributável apontado no lançamento de ofício. O lançamento é improcedente.” 05.Para as infrações de nº 013 (glosa de despesas de ordenados e salários), nº 014 (glosa de despesas comprovadas com sleeps ou memórias de lançamentos), nº 019 (adições não computadas na apuração do lucro real relativas à despesas indedutíveis) e nº 022 (imposto sobre o lucro inflacionário acumulado), a defendente afirma que desconhece “os caracteres estranhos (##) utilizados no enquadramento legal, desconhecidos ao mundo das letras jurídicas”, o que implica o cerceamento de seu direito de defesa. 06.Quanto às infrações relativas à remuneração indireta a beneficiário não identificado, enumeradas no lançamento como as de nº 016 (decorrente de arrendamento mercantil) e de nº 017 (decorrente de despesas com avião), a impugnante sustenta que existe outro auto de infração onde se exige o pagamento do imposto retido na fonte, o que se constitui em inaceitável bis in idem . Afirma que a fiscalização presumiu ingresso de receitas inexistentes e que um bem não poderia ser ao mesmo tempo fonte de receita pela qual se exigiria do usuário o respectivo pagamento e fonte de despesas pelo mesmo uso; que a fiscalização adaptou o conteúdo e a definição dos institutos do arrendamento mercantil e da locação, definidos em leis especiais de direito privado, para acomodar o uso das aeronaves por terceiros às normas de direito tributário previstas nos regulamentos de imposto Fl. 6504DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.505 8 de renda vigentes em cada época do lançamento, transformando um Termo de Constatação e Intimação/Reintimação Fiscal em fonte de direito para definição de fato gerador do imposto; que não houve arrendamento nem locação, contratos típicos de direito privado a que se exige forma expressa e não tácita, com a fixação do valor da prestação que não pode ser presumida; que a resposta da empresa à intimação aludida no Termo de Verificação foi no sentido de que os aviões eram utilizados por cessão gratuita que nada tem a ver com a onerosidade dos contratos de arrendamento e locação que a fiscalização deseja adaptar com finalidade de criar fato gerador de imposto. 07.Em relação à infração identificada no lançamento como a de nº 020, resultante da falta da adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, da contrapartida do ajuste dos investimentos da Agropecuária Campo Maior Ltda., a impugnante afirma que a redução do valor dos bens do ativo permanente da Agropecuária Campo Maior Ltda. deveuse às sucessivas invasões de trabalhadores semterra em fazenda de propriedade daquela agropecuária, e que o Relatório Técnico Agronômico produzido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra – comprova as suas assertivas, assim como a ampla cobertura sobre o fato pela imprensa nacional. Afirma, também, que o ajuste contábil na contabilidade da Agropecuária Campo Maior Ltda. não foi entendido pela fiscalização, pois não houve uma operação contábil decorrente de reavaliação de bens do ativo de coligada ou controlada, mas, sim, o uso do termo “reavaliação” na conta utilizada para reduzir o patrimônio líquido, ao invés de ter sido alterado contabilizandose o prejuízo provocado pelas invasões. Prossegue a defendente, afirmando que nunca existiu uma relação do tipo coligada ou controlada entre a Agropecuária Campo Maior Ltda. e a Fazenda Rio Branco, pois assumiu o patrimônio daquela em virtude de contrato de cisão. Por fim, requer a realização de perícia para que seja verificada a avaliação do imóvel. 08.E, quanto à aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, afirma que “ A multa de 150%, que corresponde a uma infração qualificada, não guarda relação com um evento real de omissão de receita.”. III – DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Através do ACÓRDÃO DRJ/BEL Nº 1.127, de 27 de março de 2003, a impugnação do contribuinte foi julgada, e o lançamento foi considerado procedente em sua totalidade. Conforme ementas abaixo relacionadas(fls. 1.313 a 1.332): PRELIMINAR.NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não verificado no lançamento existência de vícios que impliquem prejuízo à defesa,e satisfeitos os requisitos do art. 142 do CTN, é de se afastar a preliminar argüida. DECADÊNCIA.Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em casos de dolo, fraude ou simulação, os termos para contagem de prazo é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, Fl. 6505DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.506 9 independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. NEGAÇÃO GERAL. A impugnação que apresentar simples negação da ocorrência dos fatos constatados pela fiscalização, não satisfaz as exigências do art. 16, III, do Decreto 70.235/72, e não merece apreciação. REMUNERAÇÃO INDIRETA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Os pagamentos destinados ao pagamento de despesas com benefícios e vantagens a beneficiários não identificados devem ser tributados como remuneração indireta. LUCRO REAL. ADIÇÕES. Não comprovada com documentação hábil e idônea a efetiva redução do valor de bens do ativo permanente decorrente de depredações sofridas, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia não se presta a suprir omissão do contribuinte na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os lançamentos reflexos seguem a sorte do principal. IV – DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, com a decisão de primeiro grau, recorreu ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Recurso Voluntário, em 22/05/2003, de fls. 1342 a 1.389, anexando os documentos, às fls.1390 a 1.471, conforme abaixo discriminados: 1 – Cópias simples da Relação de Bens e Direitos para Arrolamento – fls. 1.390 a 1.400; 2 – Cópias simples de reportagens de retiradas de jornais – fls. 1.401 a 1.403; 3 – Cópias de Balancetes Analíticos, de 31/01/1996, da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda. 1.404 a 1.414, e sem assinaturas; 4 – Balancetes Analíticos, de 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/05/2000, da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda., sem assinaturas. – fls. 1.415 a 1.451; 5 – Cópias simples do Contrato de Compra e Venda de Quotas de Agropecuária Campo Maior Ltda. – fls. 1452 a 1457; 6 – Cópias simples do Laudo de Avaliação dos bens abrangidos pelo processo de cisão entre a Fazenda Rio Branco e Agropecuária Campo Maior Ltda. – fls. 1458 e 1.459; 7 – Cópias simples do Livro Diário nº 19, da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda., referente ao período de 01 a 31/01/2000; À fl. 1.547 consta a petição datada de 26/11/2003 por meio da qual a parte interessada informa que desiste do recurso, para inclusão no PAES, em relação às matérias especificadas às fls. 1.548 a 1.550, correspondente aos itens 01; 06; 07; 09; 10; 11; 12; 14; 18; 19 e 21 do auto de infração, a seguir descritos: 01 – RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS; Fl. 6506DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.507 10 06 – RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS ( Controle de Venda de Animais); 07 – PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A CONTABILIDADE(Documentos de pagamentos não localizados na contabilidade); 09 – PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE ( Documentos detidos por circulariazação); 10 – OMISSÃO DE RECEITA( recuperação de despesas); 11 – OMISSÃO DE RECEITA( recuperação de pesagem); 12 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS ( Custos de Animais Vendidos); 14 – CUSTOS DE DESPESAS NÃO COMPROVADA GLOSA DE DESPESAS (Comprovadas com “sleeps” ou memória de lançamentos); 18 – DESPESAS INDEDUTÍVEIS – DESPESAS INDEDUTÍVEIS (Documentos não considerados hábeis e idôneos); 19 – ADICÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (Custos/Despesas indedutíveis); 21 – EXCLUSÃO/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS(Débito a Resultado do Exercício de Lucro Anterior). Os débitos referentes a estas infrações foram transferidos para o Processo nº 10280.002076/200466, tendo em vista a apartação dos créditos objeto da desistência do Recurso Voluntário. VII – DA MANIFESTAÇÃO DA DILIGÊNCIA Em 30/06/04, o contribuinte pronunciou a respeito da diligência e alega em síntese: 1 – que a responsabilidade da sucessora, Fazenda Rio Branco LTDA., está restrito aos tributos devidos, não havendo amparo legal para responsabilizála pelas penalidades (fl. 1602); 2 – que rechaça a interpretação maldosa da existência de casos de dolo, fraude ou simulação, nos itens e fatos administrativos que compõe as atividades executadas pela empresa, vez que, a documentação é hábil e idônea, não cabendo o alegado no julgamento de primeira instância, com a finalidade de negar que no ano calendário de 1996, está prescrito e conseqüentemente o direito de constituir o Crédito Tributário alcançado pela decadência, ainda que possível fosse identificar Fato Gerador(fl. 1603); 3 – que rechaça a cobrança da estimativa mensal, para os anoscalendário de 2001 e 2002, que tiveram como base a Lei nº 9.430/96, pois, ao ser intimado, apresentou os balancetes mensais, para suspensão ou redução na forma do art. 35 da Lei nº 8.981/95 ( fl. 1603); 4 – que os Autos de Infração foram entregues a autuada com as peças integrantes na mais completa desordem, dificultando sobremaneira o atendimento para a análise e preparo da defesa, que está sujeita a falhas na compreensão, prejudicando o contribuinte, que defrontase ainda com sinais gráficos estranhos, existentes nos componentes do processo oriundo da fiscalização(fl.1603); Fl. 6507DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.508 11 5 – que os Autos de Infração não guardam o mesmo ordenamento seqüencial e cronológico dos Termos de Verificação Fiscal colaborando para a elevação do grau de dificuldade ao exercício do direito de defesa; E em relação ao mérito impugna todos os itens lançados inclusive os que foram objeto de desistência do recurso voluntário. Vejamos a seguir as alegações: 6 – referente ao item I – OMISSÃO DE RECEITAS – RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS (NOTAS FISCAIS): a) Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência, e que ocorreu emissão em duplicidade das notas fiscais emitidas no Posto Fiscal da SEFA em 16/09/1996; b) Nos anos calendários de 1996 e 1998, ocorreram emissão em duplicidade das notas fiscais emitidas no Posto Fiscal da SEFA, em 16/03/97, 10.02.98; e 02/12/98. E que a nota fiscal nº 295027 foi emitida para transporte de um cavalo levado à exposição; c) Que não consta, para o ano calendário de 1999, referencia a infração autuada no Termo de Verificação Fiscal; d) Que o valor da autuação, do ano calendário de 2000, referese as notas fiscais de saída que foram emitidas pela Fazenda Rio Branco Ltda., para casar com notas fiscais de compras, emitidas pelo Frigorífico Simental Ltda., gerando duplicidade de Receita de Venda de Gado Bovino; e) E aponta a multa de 150% como sem fundamentação legal. 7 – Referente ao item II – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Que nos anos calendários de 1996 (alcançado pela decadência), 1997 e 1998, houve entrada e saída de numerários nos BIC Banco, e Safra (1998) sem qualquer ganho ou perda para o Tesouro Nacional, e que as operações encontramse refletidas nos livros contábeis a débito e a crédito da conta Caixa; 8 – Referente ao item III – OMISSÃO DE RECEITA – Diferença de Estoque, fl 1.605. Que no ano calendário de 1996 (alcançado pela decadência), assim como nos demais, não conseguiu vislumbrar as diferenças de estoques, pois a fiscalização não demonstrou como apurou no Termo de Verificação Fiscal; 9 – Referente ao item IV OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (cheques), fl. 1.606. a) Que no ano calendário de 1997 menciona fatos por suposição, pois, os recursos que derivam do Caixa, através de retiradas de Contas Bancárias, não diferem em nada, daquelas arrecadadas em espécie e registradas diretamente na Caixa, ou seja, contabilmente na conta Caixa, desta forma estas operações não devem ser considerados pagamentos efetivados e não contabilizado; b) Que no ano calendário de 1998, os recursos retirados das contas bancárias e levados a débito da conta caixa foram destinados a outros investimentos/aplicações e não a pagamentos de obrigações da empresa; Fl. 6508DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.509 12 c) Que no ano calendário de 1999, os recursos registrados na conta caixa, de dinheiro retirado do Banco através de cheque, nada espelha de estranho, e que as provas contidas no Processo contradizem as autuações por conclusões e deduções, sem fato gerador concreto, de tal forma que não incorpora as características exigidas por lei. 10 – Referente ao item V OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (Ordenados e salários), fl. 1.607. a) Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência, e que a descrição dos fatos, no Termo de Verificação Fiscal, da infração, confundiu o raciocínio, com intuito evidente de demonstrar a existência de Crédito Tributário; b) Que no ano calendário de 2000, o mapa demonstrativo, elaborado pela fiscalização, apresenta complexa disposição de dados com a conclusão de infração cometida pela empresa. E que a Fiscalização elaborou autos de infração com valores elevados, fora da realidade, e cuja prova é incoerente com a autuação. 11 – Referente ao item VI OMISSÃO DE RECEITAS – Receitas não contabilizadas(controle de vendas de animais), fl. 1.608. Que não conseguiu encontrar a infração caracterizada como omissão de receita, decorrente de Receita não contabilizada, estando prejudicada a autuação. 12 – Referente ao item VII OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos de pagamento não localizado na contabilidade), fl. 1.609. a) Que no ano calendário de 1997, a fiscalização não apresentou provas que a documentação base da autuação seja da empresa, pois, simples nota de balcão ou assemelhada não identifica ser o documento de responsabilidade da empresa; b) Que nos anos calendário de 1998 e 1999, a fiscalização não provou a entrada do material na empresa autuada; c) Que no ano calendário de 2000, o lançamento está prejudicado, por conter erro de valores, e divergências entre o valor constante no auto de infração e o apresentado no Termo de Verificação Fiscal. E que acha estranho, a infração com característica de existência de documentos, sem que a contabilidade tenha registrado, vez que a fiscalização diz ter obtido os documentos, mas não comprova a autenticidade, através de prova de entrada do material ou da prestação de serviços. 13 – Referente ao item VIII OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos apreendidos sem lançamento a Despesa), fl. 1.610. Que não prevalece a autuação, por erro de valores existentes entre o Termo de Verificação Fiscal e o Auto de Infração(mês de junho), e pelo fato de que, caso o dinheiro retirado do Banco, for levado a débito da conta Caixa se não utilizado, produziria a elevação do saldo da referida conta. 14 – Referente ao item IX OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos obtidos por circularização), fl. 1.611. Fl. 6509DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.510 13 a) Que no ano calendário de 1997, a Nota Fiscal avulsa, caracterizada, pela fiscalização, como omissão de receita, substitui a Nota Fiscal de receita, que por qualquer razão não foi emitida pela empresa, para casar com a Nota Fiscal de compra, que certamente encontrase contabilizada, logo improcedente a autuação; b) Que no ano calendário de 1998, e 2000, a fiscalização não comprovou a efetiva entrada do material que diz ter sido comprado ou serviços que supõe realizado; c) Que no ano calendário de 1999, o que o valor de R$ 50.633,98, que consta no quadro demonstrativo do Termo de Verificação, como relativo a abril/99, não foi incluído no Auto de Infração, o que demonstra a insegurança da Fiscalização, invalidando a autuação; 15 – Referente ao item X OMISSÃO DE RECEITAS – Omissão de Receita (recuperação de despesas), fl. 1.612. Que discorda do lançamento, pois caso confirmasse o entendimento da fiscalização, não haveria igualdade entre os valores do Prejuízo do exercício apontado no Balanço, constante no Livro Diário, e o apresentado na DIPJ; 16 – Referente ao item XI OMISSÃO DE RECEITAS – Omissão de Receita (diferença de pesagem), fl. 1.612. Que ocorre a perda do peso do gado, que é natural, entre o embarque e o abate, em função do tempo da condução e do descanso préabate; 17 – Referente ao item XII – CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS( Custos de animais vendidos) fl. 1.613. Que o custo do produto vendido, no caso do gado bovino, é operacionalizado contabilmente com a finalidade de apuração do resultado líquido da exploração, logo não tem cabimento a tributação de diferença pela contabilização de valor a maior ou a menor, vez que, a contrapartida que vem creditada também varia pelo mesmo valor, produzindo o equilíbrio contábil. Não ocorrendo, desta forma, ganho ou perda para a tributação; 18 – Referente ao item XIII – CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS (Ordenados e salários) fl. 1.613. Que é improcedente a autuação, pois em relação à diferença não contabilizada, apurada pelo comparativo entre RAIS e o Livro Razão, não houve elementos concreto de convicção, como sempre, ensejando o pleito de reconhecimento da improcedência da autuação, por absoluta inconsistência dos elementos que serviram de base ao procedimento. 19 – Referente ao item XIV – CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS (Comprovadas com ‘sleeps” ou memória de lançamentos) fl. 1.614. Que não procede a autuação, pois o trabalho fiscal apresenta diferença entre a soma dos valores constantes do Termo de Verificação e o do Auto de Infração. Além de que, os documentos que serviram efetivamente de base para os lançamentos, foram corretamente escriturados, conforme provas constantes no Processo. 20 – Referente ao item XV – DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (Cotas de depreciação não dedutíveis)fl. 1.614.(anos 1996 a 1999) Fl. 6510DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.511 14 Que é improcedente a autuação, pois o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência, e que os bens do ativo fixo têm mais de 05(cinco) anos, com alguns comprovantes de aquisição mantidos em arquivo. Concernente às instalações agropecuárias, afirma que são formadas gradativamente com construção a granel, ou seja, com compra de material e pagamento de mão de obra no decorrer do exercício financeiro. Sendo descabida a exigência da comprovação nos moldes desejados pela fiscalização. 21 – Referente ao item XVI – REMUNERAÇÃO INDIRETA Remuneração indireta a beneficiário não identificado (arrendamento mercantil)fl. 1.615. Que a legislação brasileira admite que as parcelas das operações de leasing sejam contabilizadas como aluguel ou arrendamento, registrando que a empresa deixou de lado a questão da propriedade formal do bem, dando mais valor a substância do bem, em obediência a regulamentações das operações de leasing(amparada pela Lei nº 6.099/7 com alterações da Lei nº7.132/83), como deduzse diante do custo do arrendamento mercantil, até 31/12/2000, de R$ 1.259.409,48, ficando um saldo residual de R$ 209.882,12 na conta 1.2.1.01.001 – Arrendamento Mercantil. A fiscalização não mencionou o amparo legal, concernente que a aeronave tenha que conduzir somente os tripulantes, sob pena de estarem os passageiros sujeitos a tributação pelo uso do aparelho. E ao mencionar o art. 297 do RIR/94, conclui que: A contraprestação de arrendamento mercantil constituise: Da execução dos serviços ou aluguel a que se destina o bem utilizado, produto do leasing, utilização de imóvel, assim como as despesas com benefícios e vantagens, contidas no inciso II, alíneas”a”, “b”, “c” e “d”; É inexistente, o enquadramento legal que determine a utilização das parcelas do pagamento do contrato de leasing seja fato gerador da infração identificada, senão em função de ilícitos do próprio instrumento mercantil, sendo irrelevante assim, a alegação de haver sido o pagamento contabilizado na conta patrimonial ou diferencial encerrada com a apuração do resultado do exercício; O que existe de “Fato” é um contrato de cessão gratuita, que deveria está formalizado em contrato revestido das formalidades legais, o que não invalidaria o uso e na prática não modificaria os procedimentos, vez que, não produz redução de receita, e nem elevação de despesa para conseqüente autuação, por cometimento de infração; O ramo de atividade da empresa está restrito a agropecuária, sendo inadmissível a exploração de outra atividade, como locação de aeronaves, razão pela qual as remunerações atribuídas, com valores aleatórios, não têm amparo legal definido para o lançamento. 21 – Referente ao item XVII – REMUNERAÇÃO INDIRETA Remuneração indireta a beneficiário não identificado (despesa com avião)fl. 1.618. Alega o contribuinte que não há base de cálculo precisamente definida para esta infração, pois as parcelas do contrato de leasing, nos três anos calendários, foram escrituradas algumas em conta patrimonial e outras em conta de resultado, além de que as despesas, com revisão, abastecimentos, e conservação de aeronaves, foram custeadas pela empresa e por terceiros, que se usuários, já pagam diretamente o Fl. 6511DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.512 15 aluguel, desta forma, a empresa a não foi onerada com custos/despesas das viagens, atendendo interesses interno da empresa, e as aeronaves foram conservadas pelo uso. Que há divergência entre os valores dos documentos, referente ao ano calendário de 1998, o constante no Termo de Verificação Fiscal, e o apresentado no Auto de Infração, e que os valores referentes ao ano calendário de 1999, elencados no Auto de Infração, apesar das buscas, 04 (quatro) não constam no Termo de Verificação Fiscal, prejudicando inteiramente o direito de defesa do contribuinte, quanto a esse item da autuação. Registrase, também, a alegação do contribuinte no sentido de que as documentações foram entregues pela própria empresa, e outros conseguidos em estabelecimentos de terceiros, que se considerados produzirão duplicidades de operações, por constarem dos registros contábeis representado despesas e custos da manutenção/conservação /operações dos aviões, e não devendo integrar a base de cálculo aleatória aplicada pela fiscalização como “despesas de aviões”. 22 – Referente ao item XVIII – DESPESAS INDEDUTÍVEIS – Despesas indedutíveis (documentos não considerados hábeis e idôneos)fl. 1619. Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência. Alem de que, a fiscalização apresentou um quadro complexo, sem controle numérico, de documentos avaliados como irregulares. Para o ano calendário de 2000, apresentou um demonstrativo confuso e sem relacionamento com a infração em lide, apresentando diferença glosada por encontrar valor excedente de Arrendamento Mercantil, o que na verdade na tem fundamento, por ser produto do entendimento fiscal, em referência a conta contábil utilizada na escrituração dos pagamentos do Contrato de leasing. 23 – Referente ao item XIX – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTOS/DESPESAS INDEDUTÍVEL.fl. 1620. Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência. Para os anos de 1996, 1999, e 2000 não existe valor a tributar, pois o resultado do exercício foi negativo; O valor apontado no ano calendário de 1998, consta na DIPJ de 1998; Logo, a fiscalização levantou elementos inconsistentes, tornando a autuação improcedente. 24 – Referente ao item XX ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – REAVALIAÇÃO DE BENS NA COLIGADA OU CONTROLADA – ALIENAÇÃO/LIQUIDAÇÃO DO INVESTIMENTO OU CAPITALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO.fl. 1620. Alega o contribuinte que, a fundamentação da fiscalização concernente ao estorno da Reserva de Reavaliação, na contabilidade da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda., ocorreu 31/01/2000, antes do balanço de encerramento e incorporação definitiva pela Fazenda Rio Branco, que ocorreu em 31/05/2000”, e fundamentando a tributação por força do art. 132 do CTN, é sem fundamento, pois: O estorno foi procedido em igual momento estático da situação patrimonial, ou seja, logo após o levantamento do Balanço do ano calendário de 1999, após o qual nenhuma outra operação, foi realizada ou pudesse produzir modificação, então, a Fl. 6512DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.513 16 questionada Reavaliação, que segundo a fiscalização datava de 1993, teve os registros contábeis de origem revertidos, pura e simplesmente, por ter sido inócua não existindo razão que justificasse sua permanência na contabilidade, e ainda mais, prejudicial seria, transpor para a sucessora “ Agropecuária Rio Branco Ltda.”, a anomalia fisicamente inexistente. Não encontra cabimento sólido a alegação da existência de Lucro Inflacionário Realizada, quando na realidade suporta a empresa os representativos Perdas/Prejuízos, causados pelas sucessivas invasões sofridas”. 25 – Referente ao Item XXI – EXCLUSÃO/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÃO INDEVIDAS (débito a Resultado do Exercício de Lucro Anterior). FL. 1621. O entendimento da fiscalização não está correto, pois em ambos os anos, objeto do lançamento, ocorreram prejuízos fiscais nas DIPJ entregues via internet. 26 – Referente ao item XXII – IMPOSTO SOBRE LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO – Imposto sobre o lucro inflacionário acumulado. Fl. 1622. Em relação a este item alega o contribuinte: “Ano calendário de 2000, insistem os Auditores fiscais na existência de Lucro Inflacionário não realizado na incorporação, neste ano calendário, agora classificado de Diferido da Agropecuária Campo Maior Ltda., quando a incorporou em maio de 2000, alegando como documento prova, o Demonstrativo de Lucro Inflacionário da empresa Agropecuária campo Maior Ltda., cuja origem remonta ao ano calendário de 1993, ( fls. 3638/3695, do anexo XVII), conforme consta do Termo de Verificação Fiscal. Com referência ao assunto, vamos recorrer a Lei nº 3000, ou seja ao Regulamento do Imposto de Renda, de 1999: Art.249.Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º): I............. II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Art.390.A contrapartida do ajuste por aumento do valor do patrimônio líquido do investimento em virtude de reavaliação de bens do ativo da coligada ou controlada, por esta utilizada para constituir reserva de reavaliação, deverá ser compensada pela baixa do ágio na aquisição do investimento com fundamento no valor de mercado dos bens reavaliados (art. 385, §2º, inciso I)(DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 24). Esta claro que, os dispositivos legais se aplicariam, se fosse a Agropecuária Campo Maior Ltda., uma Coligada ou Controlada, o que na realidade nunca foi e quando da incorporação, já não existia mais aquela reavaliação, por haver sido revertida após o Balanço de 1999 e antes da incorporação, ou melhor da fusão, tida como Cisão, e vejamos que não somente isso........ Art. 24, Parágrafo 2º, Do DecretoLei nº 1.598. de 1977 § 2º O valor da reserva constituída nos termos do parágrafo anterior, deverá ser computado na determinação do Lucro real, do período de Fl. 6513DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.514 17 apuração em que o contribuinte alienar ou liquidar o investimento, ou seja que usar a Reserva de Reavaliação para aumento do seu Capital Social Mais uma vez está claro que, os dispositivos legais se aplicariam, no caso da eliminação dos investimentos, o que não ocorreu, vez que os investimentos com seus valores base de custo permaneceram, não foram alienados nem liquidados, porém, apenas transferidos para a sucessora Agropecuária rio Branco Ltda., após destituídas e injustificáveis, pela inexistência de suporte aos valores esdrúxulos que ostentavam os Bens/Investimentos, comprovando se ao mesmo tempo, que as reservas de Reavaliação não foram usadas para aumento de Capital, mais sim também anuladas da reversão. Art.435.O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): Ino período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a)alienação, sob qualquer forma; b)depreciação, amortização ou exaustão; baixa por perecimento. Nenhuma das hipóteses ocorreu com se comprova pelo contido no Processo nº 10280.005071/200142, razão pela qual, é insubsistente a autuação, e deve ser o lançamento reconhecido improcedente pelas autoridades julgadoras. Das fls. 1624 a 1.628, da manifestação da diligência, o contribuinte destaca as bases de cálculos do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, e do IRRF. E nas fl. 1629, apresenta impugnação sobre a autuação por falta de antecipação mensal do IRPJ e da CSLL, instituída pela Lei nº 8.981/95, corroborada com a INSRF nº 93/97, que estabelece a faculdade de suspender ou reduzir o valor dos pagamentos mensais. E conclui: O procedimento acima exposto foi atendido pela autuada, com apresentação dos Balancetes mensais, não acatados pela fiscalização, para fins de suspensão, mas sim utilizado para o lançamento de ofício, razão pelo qual, com base no contido Processo nº 10280.005071/200142, deve ser a autuação declarada insubsistente, pela autoridade julgadora. VIII – DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A decisão de primeira instância foi anulada, por unanimidade, pelo ACORDÃO Nº 10708.108, de 15 de junho de 2005, por cerceamento do direito de defesa, pois, não considerou, a falta de vinculação adequada das infrações descritas no Termo de Verificação Fiscal ao Auto de Infração(fl. 1645). O Relator fundamentou o seu voto com as seguintes ponderações: Aqui também me reporto ao voto que proferi ao ensejo da resolução de fls. 1506/1544, oportunidade em que ficou demonstrada a dificuldade do Fl. 6514DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.515 18 contribuinte em defenderse da exigência fiscal, incorporando a este voto as razões ali apresentadas e leio perante o Plenário (lê). A elaboração do demonstrativo de 42 laudas para vincular o Auto de Infração ao Termo de Verificação Fiscal e Documentação demonstra a grande dificuldade que realmente enfrentou o contribuinte que, apesar disso, não pleiteou a nulidade do auto de infração, mas apenas melhor esclarecimento das infrações de que era acusado. Na verdade não teria sentido anularse o auto de infração por cerceamento do direito de defesa porque o auto de infração não cerceia a defesa do contribuinte que poderá fazêla, inclusive para dizer que ele é insubsistente.(grifo nosso) Desta forma, o cerceamento somente ocorre após a lavratura da peça básica, seja pela repartição preparadora, seja pela autoridade julgadora. E o cerceamento do seu direito de defesa ocorreu no julgamento de sua impugnação, posto que as suas alegações de que não tinha condições de defenderse amplamente, sendo forçada a defenderse genericamente, foram simplesmente recusadas pela decisão de primeira instância.( grifo nosso). IX – DO EMBARGO DE DECLARAÇÃO Ao tomar conhecimento do Acórdão que anulou a decisão administrativa de primeira instância, o Procurador da Fazenda Nacional opôs Embargo de Declaração para que fosse sanada a contradição existente no referido acórdão( fl. 1651). A contradição foi sanada através Acórdão nº 10708.800, de 19 de outubro de 2006, (fl. 1653). Por não concordar com a decisão prolatada no Acórdão acima mencionado, o contribuinte interpôs o Recurso Especial de fl. 1662, o qual foi negado seguimento, conforme Despacho DDC nº 107135560_011. Cientificado da negativa de seguimento do Recurso Especial de Divergência, o contribuinte manifestouse as fls. 1687 a 1689 propugnando pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário em litígio até que proferida decisão administrativa em definitivo, encaminhandose os autos à DRJ. A nova decisão de 1a. Instância recorrida está assim ementada: PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Fl. 6515DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.516 19 DECADÊNCIA.Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, no caso de ausência de pagamentos, assim como na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo para contagem de prazo decadêncial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Caracterizamse omissão de receitas a não contabilização de notas fiscais de vendas, emitidas pela empresa, e de notas fiscais avulsas, e do produtor, emitidas pela a SEFA. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS.Caracterizamse omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a sua contabilização, e o seu oferecimento à tributação. OMISSÃO DE RECEITAS DIFERENÇA DE ESTOQUE.Caracterizamse omissão de receitas as diferenças de estoques de gado bovino, apuradas no comparativo entre os dados fornecidos pelo contribuinte e os apurados no decorrer da ação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A CONTABILIDADE .Caracterizamse omissão de receitas, pagamentos de obrigações da empresa, com recursos estranhos à contabilidade, devidamente comprovado pela fiscalização. LUCRO REAL. ADIÇÕES CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Não comprovados, com documentação hábil e idônea, os custos e despesas com ordenados e salários, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. LUCRO REAL. ADIÇÕES DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO Não comprovada, com documentação hábil e idônea, a efetiva aquisição dos bens objetos da depreciação, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. REMUNERAÇÃO INDIRETA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Os pagamentos destinados ao pagamento de despesas com benefícios e vantagens a beneficiários não identificados devem ser tributados como remuneração indireta. LUCRO REAL. ADIÇÕES. Não comprovada, com documentação hábil e idônea, a efetiva redução do valor de bens do ativo permanente decorrente de depredações sofridas, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. LUCRO REAL. ADIÇÕES LUCRO INFLACIONÁRIO Não comprovado que no ato da incorporação, o lucro inflacionário da incorporada foi integralmente realizado, nos termos da legislação vigente, o referido valor deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Pela conduta do contribuinte em retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista expressamente no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, como espécie de sonegação. Fl. 6516DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.517 20 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia não se presta a suprir omissão do contribuinte na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os lançamentos reflexos seguem a sorte do principal. Impugnação Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou em 3/8/2009 extenso recurso voluntário, fls. 1768 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer (fls. 1861 e 1862, verbis): “IV Dos Pedidos Posto isso, a recorrente requer a esse Conselho: a) que seja recebido o presente recurso, por ser tempestivo e estar dentro das formalidades legais; b) que, desconsiderando a suposta convalidação do ato viciado, seja declarado nulo por vício material o procedimento fiscal ora combatido e o respectivo Auto de Infração, com a conseqüente extinção do crédito tributário; c) que seja decretada a decadência de todas as exações retroativas ao qüinqüênio precedente ao aperfeiçoamento do auto infracional, realizado em junho de 2004. d) seja julgada insubsistente a imposição de multa de ofício ao sucessor e pelos motivos expostos a multa qualificada. e) descaracterizadas todas as demais alegadas inexações fiscais, suas cargas acessórias, reflexos e decorrências f) a realização da perícia. São os termos em que a par das razões supra e das que se anexam por cópia, acostadas às fls. 1.600/1.629), requerse sejam também incorporadas, integralmente, as razões de mérito, deduzidas no precedente recurso voluntário de fls. 1.342/1.389, porque totalmente compatíveis com a presente manifestação recursal, que são assim no seu incindível conjunto submetidas à doutíssima apreciação e julgamento dessa Colenda Corte, junto à qual nos penitenciamos pela extensividade do trabalho.” Ato continuo, os autos foram reenviados a este Conselho. Tendo em vista que o relator original deste processo no CARF, conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes (in memoriam), não mais compõe os colegiados, foi realizado no sorteio, sendo contemplado este Relator. É o relatório. Fl. 6517DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.518 21 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratamse de exigências tributárias decorrente de auditoria fiscal ampla do IRPJ e Reflexos, que foi apreciada neste Conselho anteriormente em 3 (três) oportunidades, tendo sido proferidos a Resolução nº. 10700.459 de 3/12/2003, o Acórdão 107 08.108 de 15/06/2005 e o Acórdão 10708.800 de 19/10/2006, que confirmou a nulidade da decisão de 1a. instância originalmente proferida pela DRJ Belém. De inicio, em longo arrazoado, suscita a recorrente as seguintes preliminares (verbis): 2.2 (...) NULIDADE MATERIAL DO PROCEDIMENTO FISCAL, POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, EM RAZÃO DA RECONHECIDA AUSÊNCIA DE VINCULACÃO ADEQUADA DAS INFRAÇÕES DESCRITIVAS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL AO AUTO DE INFRAÇÃO, INOBSERVÂNCIA DOS PRECEITOS CONSTITUCIONAIS E, NO MÍNIMO, DEVE SER RECONHECIDO QUE O LANÇAMENTO FOI "APERFEIÇOADO", ATRAVÉS DA DILIGÊNCIA DETERMINADA, EM JUNHO DE 2004, TORNANDO DECADENTES AS EXIGÊNCIAS RELATIVAS AOS ANOSCALENDÁRIO DE 1996, 1997, 1998 E PARTE DE 1999, ATÉ 30 DE JUNHO. (...) 2.3 (...)TENTATIVA DE SE PROVER À EMENDA DO AUTO DE INFRAÇÃO, MEDIANTE CONVALIDAÇÃO DE NULIDADE ABSOLUTA, DECORRENTE DE VÍCIOS FORMAIS E MATERIAIS, E' INÓCUA, POR SE TRATAR DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA, PORTANTO INSANÁVEL, DEVENDO SER CONHECIDA DE OFICIO PELA DIGNA AUTORIDADE JULGADORA. (...) 2.4 (...) DECADÊNCIA OU CADUCIDADE DO LANÇAMENTO DE TODAS AS EXAÇÕES E DECORRÊNCIAS DO PERÍODO COMPREENDIDO NO QÜINQÜÊNIO ANTERIOR A 30 DE JUNHO DE 2004, DATA EM QUE SE PROVEU AO "APERFEIÇOAMENTO" DO AUTO DE INFRAÇÃO, JÁ IMPUGNADO E SE INTIMOU A RECORRENTE PARA SE PRONUNCIAR (...). Pois bem, compulsando os autos, verifico que essas questões não foram apreciadas no acórdão10708.108, muito menos no 10708.800. Em verdade o Colegiado da 7a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes reconheceu o cerceamento do direito de defesa em face da precariedade do auto de infração, tal qual registrado no voto condutor da Resolução 107.0459, assim redigido (fls. 1541 e seguintes, verbis): “A autuada, desde a impugnação ao recurso, vem sustentando cerceamento do seu direito de defesa, dentre outras razões, pela concomitância de inúmeros atos em datas próximas que reduziram o prazo de defesa, além de falta de observância da ordem cronológica, dificuldade de compreensão dos fatos objeto da acusação fiscal, Fl. 6518DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.519 22 falta de vinculação das infrações apontadas no auto de infração com os itens do Termo de Verificação Fiscal, pelos motivos que descreve, confundindo a defesa, e em assim a adoção de simbologia imprópria no enquadramento legal. O exame detido dos autos revela que o contribuinte tem razão quando afirma a falta de vinculação das infrações apontadas no Auto de Infração ao item ou itens, quando mais de um, do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que, registrese, possui 89 páginas, e que não se consegue com a necessária segurança, vincular os valores consignados na peça básica ao referido termo, dificultandolhe a defesa. Com efeito, notese que, apesar das infrações estarem numeradas no TVF, a peça básica, em alguns casos, não indica o número do item do T V F a que corresponde cada parcela relacionada, embora diga "conforme discriminação no TVF que faz parte integrante do auto". E há também dificuldade, exatamente por isso, d e se vincular fatos descritos no termo a cada infração, uma v e z q u e há, na peça básica, diversos itens sobre omissão de receita, mas o s títulos adotados não batem com o s dos termo, obrigando a defesa a arriscar argumentos. A dificuldade de se vincular cada parcela do auto ao T V F é manifesta, ainda porque o próprio termo, em alguns casos, não relaciona as parcelas referentes a cada infração. Atribuir a responsabilidade por deficiências do Auto de Infração e do Termo de Verificação à falta de colaboração do contribuinte "data vênia", não procede por dupla razão. Primeiro, porque ele não teve participação na elaboração dessas duas peças que são de autoria exclusiva da fiscalização, e que devem ser claras e precisas; em segundo lugar, porque a má qualidade de uma escrita não significa mávontade ou falta de colaboração da empresa. Não basta indicar as parcelas por períodos, como figura do auto de infração, sendo necessária sua remissão ao item correspondente ao T V F (quando integrante do auto de infração). E este determine cada notafiscal, ou outro documento que fundamente a acusação, com o respectivo valor, relacionandoos e totalizandoos por infração, com a indicação das fls. dos autos (volume ou anexo) onde se encontrem essas provas. Diante da dificuldade encontrada pela defesa, realmente não lhe restaria senão defenderse de forma a sucinta, como o fez nos itens 001 a 015, 018, 2 1 , dizendo, que o item não está vinculado a nenhum item do TVF que contém 89 páginas; o valor tributável indicado não corresponde a nenhum ponto do TVF. E ainda que desconhece o significado dos caracteres estranhos (##) utilizados no enquadramento legal dos itens 013, 019, 022, que a. multa de 150% que corresponde a uma infração qualificada, não guarda relação com um evento real de omissão de receita, etc. Em razão desses fatos, a empresa, em seu recurso a este Colegiado requer que se determine o retorno dos autos à origem para que ali sejam saneados os vícios de ordem do processo, reabrindose prazo à defesa, com novo julgamento de primeira instância, salvo se a Câmara, com base no princípio da eventualidade, dê provimento ao recurso (fls. 1362 e 1371). A Constituição Federal assegura no inciso LV do seu art. 5º , o contraditório e a amplitude do direito de defesa do acusado, seja em processo judicial ou administrativo. Deste modo, de nada adianta manter um julgamento de primeiro grau com preterição do direito de defesa, uma vez que inevitavelmente a exigência correspondente será anulada pelo Poder Judiciário, com custas e honorários de Fl. 6519DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.520 23 advogado para a Fazenda Nacional, mais ainda quando, na instância administrativa, se pode devolver à parte a ampla defesa e assegurar a certeza e liquidez do lançamento, como requerido expressamente pela Recorrente. Isto posto, voto no sentido de s e converter o julgamento em diligência para que a fiscalização: 1 elabore demonstrativo das parcelas correspondentes a cada matéria tributável constante do Auto de Infração, totalizandoas por períodos, e com indicação: a) do item correspondente no Termo de Verificação Fiscal; b) das folhas dos Volumes e Anexos d'onde figuram os documentos referentes às parcelas relacionadas. 2 dê ciência a o sujeito passivo desse demonstrativo, fixandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para que se pronuncie a respeito das infrações assim identificadas; 3 preste as informações que julgar necessárias a o perfeito esclarecimento da matéria e à realização da Justiça Fiscal.” (Grifei). Em atendimento à essa Resolução foi elaborado em junho/2004 o relatório da diligência fls. 1562 e seguintes3, composto 42 páginas, nas quais são correlacionadas os seguintes elementos: a) identificação da matéria no termo de verificação fiscal; b) item correspondente à infração descrita; c) a denominação ou motivação da infração (exemplos: 1. receitas não contabilizadas notas fiscais; 2. Depósitos bancários não contabilizados; 3. Diferenças de estoque; 4. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (cheques); 5. pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (ordenados e salários); 6. Receitas não contabilizadas (controle de venda de animais); 7. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos de pagamentos não localizados na contabilidade); 8. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos apreendidos sem lançamentos a despesas); 9. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (Documentos obtidos por circularização); 10. Omissão de receitas (recuperação de despesas); 11. omissão de receita (diferença de pesagem) etc. d) Período de apuração; e) Base de cálculo; f) documentação que fundamentava a autuação. Em síntese, com a diligência realizada em 2004 a autoridade fiscal elabora termo demonstrativo de 42 páginas indicando: a) a infração cometida; b) quando esta ocorreu; c) o montante correspondente a infração (base imponível); e d) os documentos caracterizadores da infração cometida. Na prática, ao descrever a infração cometida, quando esta ocorreu, especificar a base de cálculo imponível e os documentos caracterizadores da infração cometida, reabrindo o prazo de defesa, temse um novo lançamento, restando patente a insuficiência da descrição 3 numeração digitalizada. Fl. 6520DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.521 24 dos fatos do auto de infração original, não só comprometendo o direito de defesa, assim como maculandoo de eficácia para produzir os efeitos jurídicos previstos no ordenamento jurídico, quais sejam, constituir, de forma válida, o crédito tributário (art. 142, do CTN). Diante desse inconteste vício material, o então Colegiado da 7a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes poderia, já naquela ocasião, anular o lançamento. Contudo, para não suprimir o exame por uma das instâncias, optou por anular apenas a decisão da DRJ, pedindo que esta, por primeiro, analisasse as questões inerentes ao cerceamento do direito de defesa, em relação às quais o referido órgão havia tangenciado. Os fundamentos do acórdão nº 10708.108, (fl. 1645), podem ser sintetizados por meio da seguinte ementa: “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE Comprovado nos autos que a fiscalização não vinculara adequadamente as infrações descritas no Termo de Verificação Fiscal ao Auto de Infração e que a decisão de primeira instância não considerou esse fato, caracterizase o cerceamento do direito constitucional do contraditório e da amplitude do direito de defesa do acusado, com a nulidade do julgado, "ex vi" do disposto no art 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FAZENDA RIO BRANCO LTDA ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Do voto condutor da lavra do ilustre conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, destaco os seguintes fundamentos: “(...) A elaboração do demonstrativo em 42 laudas para vincular o Auto de Infração ao Termo de Verificação Fiscal e Documentação demonstra a grande dificuldade que realmente enfrentou o contribuinte que, apesar disso, não pleiteou a nulidade do auto de infração, mas apenas melhor esclarecimento das infrações de que era acusado. Na verdade não teria sentido anularse o auto de infração por cerceamento do direito de defesa porque auto de infração não cerceia a defesa do contribuinte que sempre poderá fazêla, inclusive para dizer que ele é insubsistente. Desta forma, o cerceamento somente ocorre após a lavratura da peça básica, seja pela repartição preparadora, seja pela autoridade julgadora. E o cerceamento do seu direito de defesa ocorreu no julgamento de sua impugnação, posto que suas alegações de que não tinha condições de defenderse amplamente, sendo forçada a defenderse genericamente, foram simplesmente recusadas pela decisão de primeira instância. (Grifei). Aqui verificase fragrantes equívocos do nobre Relator. Isso porque, a Contribuinte havia sim pleiteado a nulidade do auto de infração desde a peça impugnatória, reforçada no recurso voluntário original, às fls. 1354 a 1362, seja pelo Fl. 6521DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.522 25 vícios do MPF (item 2, fls. 1354), seja pelo cerceamento do direito de defesa (item 3, fl. 1357). Por outro lado, a jurisprudência pacífica neste Conselho é no sentido de que o cerceamento do direito de defesa no auto infração pela insuficiência ou falta da descrição dos fatos, acarreta em descumprimento do disposto no artigo 142 do CTN e no art. 10, inciso IV do PAF (Decreto 70.235/1972), implicando em sua nulidade, por vicio formal ou material, conforme o caso. É certo que as decisões administrativas, tanto em 1a. instância, quanto neste Conselho, não têm o condão de refazer e muito menos aperfeiçoar o auto de infração para indicar a infração cometida; quando esta ocorreu; o montante correspondente a infração (base imponível); e os documentos caracterizadores das infrações. Constatados os vícios no auto de infração original, vícios estes relacionados à indicação da infração cometida; quando esta ocorreu; a base de cálculo imponível e os documentos ou provas materiais das infrações, o procedimento correto seria ter anulado o auto de infração, com lançamento complementar nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Porém, em 2004, optouse em manter o auto de infração original inserindo nele elementos para readequar ou permitir a identificação da descrição dos fatos; data da infração; da base de cálculo imponível e indicação das provas. Contudo, tal procedimento só é cabível mediante lançamento complementar e antes do prazo decadencial. Observo que no caso concreto o litígio foi retomado tendo por base o auto de infração original, sendo que seus vícios, detectados no curso do processo administrativo, não foram sanados mediante lavratura de competente auto de infração complementar, nos termos do art.18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Nesse sentido é vasta a jurisprudência do CARF, inclusive da CSRF: “NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO LANÇAMENTO É nula a exigência fiscal constituída através de lançamento que não atenda às normas previstas nos artigos 142 do CTN e 11 do Decreto nº 70.235/72.” 1º Conselho de Contribuintes / 6a. Câmara / ACÓRDÃO 10611.055 de 11/11/1999. “VÍCIOS DE NULIDADES Após formalizado o lançamento e instaurada a fase litigiosa com a impugnação tempestivamente apresentada, é defeso a autoridade lançadora rever de ofício o lançamento.” 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.170 em 24.05.2007. Publicado no DOU em: 20.08.2007. “REQUISITOS DO LANÇAMENTO A ausência de enquadramento legal, associada à deficiente descrição dos fatos, autorizam a decretação da nulidade do auto de infração por inobservância dos requisitos básicos para a sua validade, estatuídos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, propiciadores do exercício do amplo direito de defesa por parte do sujeito passivo e livre formação de convencimento por parte dos julgadores.” CSRF 1ª Turma / ACÓRDÃO CSRF/0104.473 em 14.04.2003. Publicação DOU: 07.03.2005. No que diz respeito à imprecisão na descrição dos fatos, a título de exemplo, observo o item 02 do auto de infração, que trata de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários, tendo por fundamento legal os artigos 195, II, 197 e parágrafo único, 226, 229, do RIR de 1994, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 249, II; art. 251 e parágrafo único; artigos 279, 282, 287 e 288, do RIR de 1999. Em síntese, a matéria correspondente a esta infração diz respeito à presunção de omissão caracterizada por depósito bancário em relação aos quais o contribuinte, Fl. 6522DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.523 26 regularmente intimado, não comprove a origem dos mesmos. Destaca o parágrafo § 1º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e o artigo 287, § 1º, que as receitas serão consideradas auferidas no mês do recebimento. Assim, nas autuações caracterizadas com base na presunção de omissão de receita a autoridade fiscal deve especificar, no termo de verificação fiscal, que o contribuinte foi regularmente intimado e, no referido termo ou em planilha anexa, deve individualizar os depósitos em relação aos quais o contribuinte não logrou comprovar a origem. Nada impede que a totalização, no termo de verificação, seja feita de forma mensal, desde que Termo faça referência à planilha anexa. A especificação de valores totalizados por mês ou anocalendário, sem a correspondente planilha, impede a identificação individualizada do depósito, inviabilizando tanto a devesa quanto o exame por quem deve revisar o lançamento. Ao efetuar o lançamento com base em depósito bancário, ainda que considerando o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano, com base de fato imponível correspondente à soma de todos os depósitos durante o anocalendário, no termo de verificação fiscal, além da demonstração de intimação prévia para comprovar a origem, que no caso concreto se efetivou, deve a autoridade fiscal, ainda que em planilha vinculada ao termo, individualizar os depósitos cuja origem não foi comprovada. Fixadas estas premissas, verifico que no auto de infração, no que diz respeito aos depósitos bancários decorrente de presunção de omissão de receita, encontramse os seguintes lançamentos: De posse dos lançamentos acima referidos procurei identificar a respectiva individualização, quer no Termo de Verificação Fiscal, quer em planilha integrante deste, não localizando, conforme passo a demonstrar nos parágrafos seguintes. À fl. 900, cuja numeração antes de ser digitalizada era 894, encontrase o item V.1.5, identificado pelas expressões "ativo circulante" e, logo em seguida, o subitem V.1.5.1, identificado pela expressão Bancos. Neste item a autoridade fiscal destaca que, dentre outras solicitações, intimou a recorrente para apresentar justificativa da não inclusão na contabilidade da movimentação financeira constantes dos extratos do Banco BIC nos meses de Fl. 6523DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.524 27 dezembro de 1996 e dezembro de 1998. Procedimento semelhante foi realizado em relação à conta do banco Bradesco. nos meses de março, abril, maio, julho, agosto e setembro de 1997. Após tais destaques a autoridade fiscal elaborou o quadro existente à fl. 902, que segue transcrito,correspondente aos lançamentos de depósitos bancários de origem não comprovada. "in verbis": Os valores identificados como "débitos" no quadro acima correspondem, no auto de infração, a um lançamento feito a título de depósito bancário. Contudo, não há no Termo de Verificação Fiscal nenhuma planilha por meio da qual pudesse de chegar à individualização dos depósitos que compõem o montante lançado. A previsão legal de que as receitas consideramse auferidas no mês em que se efetivaram os depósitos, não dispensa a autoridade fiscal de, individualizar, no Termo de Verificação Fiscal, os valores considerados omitidos. À fl. 869 e seguintes, ou 863 e seguintes pela numeração não digitalizada, a autoridade fiscal ainda elabora o seguinte quadro: Fl. 6524DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.525 28 Observase que apesar de fazer referência aos meses de setembro e dezembro de 1886, no quadro que cita e que acima foi transcrito, a autoridade fiscal especifica a soma dos valores dos meses de março, abril, maio, julho, agosto e setembro de 1997. Procurando buscar alguma correlação fui ao extrato bancário do mês de março de 1997, que segue fotocopiado: Do exame do extrato acima referido, referente ao mês de março de 1997, aqui usado como exemplo, conjugado com o lançamento feito a título de depósito bancário, não é possível se identificar, com algum grau de precisão, de onde advém os valores lançados. Ao meu sentir e no entendimento dos dois votos vencidos da DRJ, a descrição dos fatos, no caso concreto, tanto estava deficiente que, convertido o processo em diligência a autoridade fiscal necessitou de termo composto de 42 laudas para especificar cada infração; quando esta ocorreu; a base imponível e os elementos de prova (documentos). A autoridade fiscal tem a prerrogativa para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, quando a infração ocorreu, a base imponível e as provas que caracterizam a materialidade da infração. Fora destas hipóteses, e o lançamento aqui analisado não se encaixa na exigência descrita, deve a autoridade competente, em procedimento de revisão, cancelar a exigência quanto as infrações contaminadas por tal vício. Fl. 6525DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.526 29 Repito: no caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. O relatório da diligência composto de 42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível, demonstrou que o auto de infração, antes das infrações serem reescritas, não preenchia os requisitos necessários à constituição do crédito exigido. Outrossim, cumpre esclarecer que o lançamento de ofício que contempla a exigência tributária decorrente de múltiplas infrações é passível de nulidade parcial, desde que os vícios que implicaram nessa nulidade contaminem apenas parte das irregularidades tributadas, tal qual aqui verificado. Reiterese: no caso concreto A anulação parcial do lançamento não contamina as matérias em relação às quais não houve a instauração do litígio e os débitos foram incluídos em parcelamento. Nesse diapasão, a nulidade aqui reconhecida não contempla as matérias em relação às quais não houve continuidade do litigio, tendo o contribuinte requerido a dos débitos em parcelamento, quais sejam: itens 001; 006; 007; 009; 010; 011; 012; 014; 018; 019 e 021 do auto de infração do IRPJ e dos Reflexos. Portanto, a exigência de tais valores permanece incólome. ISSO POSTO, voto no sentido de acolher a alegação de nulidade parcial dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa, por vício material, em relação às infrações descritas nos itens 002 a 005; 008; 013; 015 a 017; 020 e 022 do auto de infração. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 6526DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13884.001448/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente ainda outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
Numero da decisão: 2102-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 30/10/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente ainda outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 14 48 /2 00 9- 31 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 09/11 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas (R$ 20.100,00) deduzidas por ela em sua DIRPF 2006. Com o lançamento, o resultado de sua Declaração de Ajuste naquele Exercício passou de Imposto a Restituir (R$ 1.328,81) para Imposto a Pagar – o qual, acrescido de multa de ofício e juros calculados até a data do lançamento totalizou R$ 7.547,08. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/05, por meio da qual requereu o seu cancelamento, diante das robustas provas apresentadas, afirmando ainda que seria descabida a vedação de dedução de suas despesas com profissionais dentistas, já que a lei permitia tais deduções. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção integral do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda pessoa fisica. Incabível a dedução de, despesas médicas ou odontológicas quando o contribuinte não comprova a efetividade dos pagamentos feitos e dos serviços realizados e que o paciente ou o beneficiário dos serviços tenha sido o contribuinte ou os seus dependentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto condutor do referido julgado é possível extrair o seguinte trecho, que esclarece a motivação para a manutenção do lançamento: Além dos recibos apresentados o contribuinte traz em sua impugnação orçamentos com a especificação trabalhos a serem desenvolvidos, emitidos pelos pelo Dr. Francisco Rolando Issa e pelo Dr. Leonardo Luiz de Souza. No caso vertente, os recibos apresentados não indicam o endereço dos emitentes, em desacordo com a legislação de regência indicada anteriormente, motivo pelo qual deveria o contribuinte ter apresentado demais elementos de convicção da efetividade do pagamentos, como cópia de cheques compensados ou extratos de conta corrente indicando saques suficientes para tanto. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13884.001448/200931 Acórdão n.º 2102002.356 S2C1T2 Fl. 66 3 0 defendente não apresentou recibos emitidos pelo Dr. Francisco Rolando Issa e apresentou recibos emitidos por Rejane Izabel Issa, que não foram objeto de glosa, tampouco foram informados os valores e prestadora na DIRPF em foco. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 39/42, por meio do qual reiterou os termos de sua Impugnação, acrescentando que por um equívoco fizera constar de sua DIRPF que contratara os serviços do Dr. Francisco Rolando Issa quando na realidade os serviços haviam sido prestados por REJANE IZABEL ISSA, no mesmo montante. Afirmou que, caso este Conselho não determinasse de ofício a alteração de sua Declaração de Ajuste para corrigir tal informação, ela mesma o faria. Alegou que a lei não determina que deva constar do recibo o endereço de seu emitente, razão pela qual o mesmo não poder ser desconsiderado por lhe faltar tal informação. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 03.02.2011, como atesta o AR de fls. 36. O Recurso Voluntário foi interposto em 04.03.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas despesas médicas efetuadas pela Recorrente ao longo do anocalendário 2005 por falta de comprovação do efetivo dispêndio. Tais despesas seriam – segundo a Recorrente – comprovadas através de recibos acostados às fls. 20/23, bem como dos orçamentos de fls. 18. A decisão recorrida deixou de acolher tais documentos como comprobatórios das referidas despesas, ao entendimento de que os mesmos não preenchiam os requisitos da lei para tanto, e ainda porque a Recorrente anexara aos autos recibos que foram emitidos por profissional que não constava em sua Declaração de Ajuste. Em sede de recurso, e visando contraditar o entendimento esposado na decisão recorrida, a Recorrente esclareceu que se equivocara ao fazer constar de sua Declaração o nome do profissional Francisco Rolando Issa como beneficiário de um pagamento de R$ 10.100,00, eis que o pagamento fora efetuado em favor de Rejane Izabel Issa, profissional emitente dos recibos anexados aos autos. Acrescentou ainda que não haveria obrigação legal para que constasse o endereço do profissional no recibo emitido para que este pudesse ser utilizado para fins de dedução do IRPF. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 De fato, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) Como se vê, é imperioso esclarecer, antes de mais nada, que a lei exige sim que o endereço do profissional emitente conste do recibo emitido. No entanto, tal obrigação pode até ser relevada nos casos em que o contribuinte logra comprovar – de forma contundente – que os serviços foram efetivamente prestados e pagos. Voltando ao caso em exame, a Recorrente trouxe aos autos os recibos de fls. 20/23, dos quais realmente não constam os endereços dos profissionais emitentes. Caberia então a ela ter produzido outras provas que fossem suficientes a demonstrar que tais despesas foram efetivas. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13884.001448/200931 Acórdão n.º 2102002.356 S2C1T2 Fl. 67 5 Porém, não só esta prova não foi feita, como parte dos recibos acostados sequer foi firmada pelo profissional que constava da Declaração de Ajuste da Recorrente (caso do Dr. Francisco Rolando Issa). Nem se alegue que se trata de mero equívoco ou descuido, pois além de ter feito constar a errônea informação de sua DIRPF, a Recorrente também fez constar o nome do Dr. Francisco ao longo de toda a sua Impugnação, insistindo que os serviços haviam sido por ele prestados – tanto é que o orçamento acostado às fls. 18 foi assinado por ele. Assim é que a despesa com o referido profissional – Francisco Rolando Issa, que foi objeto de glosa – é de ser considerada, de plano, como não comprovada, mantendose a referida glosa. Já no caso do profissional Leonardo Luiz de Souza, a Recorrente trouxe aos autos os recibos e orçamento firmados por ele. No entanto, tais documentos, por si sós, não são hábeis a comprovar o dispêndio pretendido. Antes de mais nada, porque os recibos não preenchem todos os requisitos da lei, mas também porque a Recorrente não logrou trazer qualquer outra prova da efetividade da referida despesa. Pelo fato de todos os seus tratamentos odontológicos aparentemente terem sido pagos em moeda corrente (de forma que o pagamento dos serviços não pode ser comprovado), caberia à Recorrente ter produzido outras provas conclusivas no sentido de que o serviço fora prestado. Não cabe a esta Turma – pela falta de conhecimento técnico para tal – indicar que outros documentos seriam estes; porém, ciente a Recorrente de que seu pleito vem sendo negado desde a época da fiscalização, caberia a ela ter diligenciado perante os profissionais emitente dos recibos para que estes fizessem o que estivesse ao seu alcance no intuito de comprovar que os serviços foram prestados. Tal prova, porém, não foi feita; a Recorrente sequer descreveu, ainda que de maneira simples e leiga, quais teriam sido os serviços prestados por tais profissionais. Além disso, uma análise da DIRPF de fls. 12 e seguintes demonstra que a Recorrente auferiu rendimentos totais de R$ 49.027,81. Assim, as despesas que foram glosadas pela autoridade lançadora correspondem a quase metade de seu rendimento bruto anual. Considerando a natureza destas despesas (com serviços de dentista) – que não são, em princípio, essenciais e sem a comprovação de que as mesmas eram imprescindíveis, não há como acolher a documentação trazida aos autos como suficiente a demonstrar a efetividade destas despesas. Pelos motivos expostos, estão corretas as conclusões tomadas pela autoridade fiscal e também pela decisão recorrida, que devem ser privilegiadas e mantidas. Em outras oportunidades, ao apreciar casos semelhantes, esta Turma julgadora vem assim decidindo, como se depreende do julgado a seguir transcrito, no qual são expostas, de maneira clara e precisa, as razões para a manutenção de lançamentos semelhantes ao que ora se analisa, verbis: DESPESAS MÉDICAS. HIPÓTESES QUE PERMITEM A EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. OCORRÊNCIA NO CASO EM DEBATE. MANUTENÇÃO DAS Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 DESPESAS GLOSADAS. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos; houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pago em espécie; ou houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Recurso negado. (Acórdão nº 210201632, julgado em 26.10.2011) Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.915395/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 3302-01.406 sessão de 26/01/2012.
Numero da decisão: 3302-001.502
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 330201.406 sessão de 26/01/2012. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 24/06/2008 (fls. 16), no qual é pretendida a compensação de IOF no valor de R$48.100,14, com vencimento em 25/06/2008, cujo crédito teria se originado de recolhimento indevido de CPMF. Através do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 14, a DRF de origem denegou a compensação pleiteada, considerando que o alegado direito creditório já fora utilizado para a quitação de débito da requerente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A manifestação de inconformidade apresentada pelo interessado (fls. 01/07) foi considerada improcedente pela Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, através do Acórdão nº 0532.461, sessão de 07/02/2011 (fls. 33/35, assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2005 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. DIREITO DE CRÉDITO. REGIME DE RETENÇÃO. ÔNUS FINANCEIRO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Cientificado dessa decisão em 18 de março de 2011 (AR. de fls. 39), no dia 19 de abril seguinte o interessado apresentou recurso voluntário a este Conselho, no qual foram trazidos os argumentos de defesa a seguir sintetizados: que o tributo não compensado não lhe poderia ser exigido em face de o direito creditório terse originado de recolhimento indevido de CPMF que equivocadamente fora retida e posteriormente estornada sendo, assim, legítimo o direito ao crédito e a conseqüente homologação da compensação declarada; que a decisão recorrida não reconhecera o direito creditório sob o fundamento de que o argüido pagamento indevido ou a maior não fora devidamente Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915395/200941 Acórdão n.º 330201.502 S3C3T2 Fl. 2 3 comprovado, sendo que os documentos então acostados à manifestação de inconformidade comprovariam, de forma inequívoca, o seu direito creditório; que, conforme amplamente exposto na defesa apresentada, o Recorrente recolheu CPMF, indevidamente, no mês setembro de 2005, tendo em vista que, nos termos do artigo 8º, da Lei nº 9.311, de 24.10.1996, os lançamentos em conta corrente de depósito das sociedades de investimento e dos fundos de investimento são tributados à alíquota zero, passando à transcrição do referido dispositivo; que os extratos das contas demonstram o estorno dos valores retidos indevidamente, evidenciando que o Recorrente suportou o ônus do pagamento da CPMF indevidamente retida, sendo incontroversa a conclusão de ter sido o Recorrente o responsável pelo pagamento da CPMF; que no processo administrativo, diferentemente do que ocorre no processo judicial, prevalece o princípio da verdade material em detrimento da verdade formal, cumprindo à autoridade administrativa, para a solução do litígio, promover a incessante busca do que realmente traduz a verdade dos fatos, fazendo citações doutrinárias para corroborar seus argumentos. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Relator. O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Extraise do relatório que o pleito do recorrente é no sentido de serlhe reconhecido direito creditório que teria se originado de recolhimento da Contribuição CPMF que fora retida indevidamente sobre movimentação financeira de sociedades de investimento e de fundos de investimento que, nos termos do artigo 8º da Lei nº 9.311, de 24/10/1996, seriam tributadas à alíquota zero. O Despacho Decisório Eletrônico, emitido em 07/10/2009 (fls. 14), considerou não mais existente o direito creditório, porquanto o mesmo já teria sido utilizado para a compensação de débitos do requerente. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a decisão recorrida, além de considerar que o direito creditório não fora devidamente comprovado quanto à sua real existência, trouxe mais um fator que também impediria a homologação pretendida, qual seja, o fato de a CPMF ser um tributo cujo ônus recai sobre o titular da movimentação financeira, sendo a instituição que a retém apenas responsável pela sua cobrança e recolhimento, cabendo a esta a comprovação de que o pagamento a maior ou indevido fora por ela suportado. Conclui o órgão de julgamento administrativo de primeiro grau que, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Consta às fls. 23/24 dos autos que em 27/07/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data anterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$77.642.290,28, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$77.497.579,70 e mais R$144.710,58 com suspensão. Sendo assim, convém verificar se, de fato, a mencionada retificação merece ser validada, até porque na manifestação de inconformidade é asseverado que a não homologação teria ocorrido pela entrega da DCTF original sem a contemplação do valor desse crédito, o que é indispensável para o cruzamento de informações nos sistemas da RFB, acrescentando que, no entanto, mencionada DCTF original foi retificada em 27/07/09, apresentando o crédito controvertido. Assevera ainda na manifestação de inconformidade (fls. 04) que, consoante se observa dos documentos anexos, em setembro de 2005 a empresa apresentou sua Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, apurando para extinção por pagamento o valor da CPMF (5869) no montante de R$77.497.579,70, tendo sido efetuado o recolhimento mediante guias DARF’s (anexas), no valor total de R$77.551.057,22, ou seja, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie, conforme abaixo relacionado: (...), e, mais adiante, que seria esse recolhimento a maior, no valor de R$53.447,52, a origem do crédito em questão: Resumindo o que foi acima exposto, temos que: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915395/200941 Acórdão n.º 330201.502 S3C3T2 Fl. 3 5 Com relação ao Despacho Decisório – fls. 14: Características do DARF: Valor total – R$77.550.516,22, que teria sido totalmente utilizado para o pagamento de outros débitos. Com relação à DCTF retificadora – fls. 23/24: Débitos do período: R$77.642290,28 Créditos: Pagamento através de DARF R$77.497.579,70 Suspensão R$144.710,58. Aduz a recorrente que esse pagamento a ser feito através de DARF, no valor de R$77.497.579,70, fora efetuado pelo valor de R$77.551.057,22, mediante guias DARF’s (anexas), sendo essa diferença, no valor de R$53.447,52 o valor do crédito pleiteado. Sem embargo, consta da DCTF retificadora que o pagamento com DARF seria no valor de R$77.497.579,70, enquanto que o Comprovante de Arrecadação de fls. 21, extraído dos sistemas de controle da RFB em 22/10/2009, confirma o recolhimento do valor de R$77.550.516,32, valor esse considerado integralmente utilizado no Despacho Decisório Eletrônico. Vêse, pois, que o recolhimento via DARF superou em R$52.936,62 o que foi consignado na DCTF retificadora, fato que acredito deva ser avaliado, pois, se procedentes os valores retificados, restaria caracterizado o direito creditório que poderia não ter sido captado pelos sistemas eletrônicos da RFB quando da emissão do Despacho Decisório Eletrônico. A esse propósito, peço vênia para transcrever o voto condutor do Acórdão nº 330201.406, julgado na sessão desta Turma realizada em 26/01/2012, da qual participei como membro do Colegiado, sendo relator do i. Conselheiro José Antonio Francisco, que com muita precisão soube equacionar o caso e delinear a solução mais adequada, a cujos fundamentos me filio e adoto como razões de decidir, conforme segue: (...). O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, seria necessária a comprovação da liquidez e certeza dos indébitos, o que a Interessada não teria efetuado. Ocorre que a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da IN RFB no 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito da Interessada pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. (...). A respeito do segundo ponto levantado na decisão recorrida, sobre a quem coubera o ônus pelo alegado pagamento indevido, a recorrente aduz que esses valores retidos Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915395/200941 Acórdão n.º 330201.502 S3C3T2 Fl. 4 7 indevidamente teriam sido estornados e que assumira todo o encargo financeiro ocasionado pelo equívoco cometido, ressaltando que os extratos das contas demonstram o estorno dos valores. Dessa forma, até por uma questão de economia processual, fazse necessário que a autoridade de fiscalização verifique também se a documentação apresentada é suficiente para comprovar se, de fato, o ônus financeiro pelo alegado pagamento indevido recaíra sobre o interessado. Nessa ordem de juízos, adotando os fundamentos do voto condutor do Acórdão nº 330201.406, acima transcrito, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito do interessado pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 35013.000138/2003-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000
Ementa: AFERIÇÃO INDIRETA AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL.
RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL
A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a
aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerando-se o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual.
AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE.
A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática.
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada.
Numero da decisão: 2301-003.007
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcelo Oliveira e Mauro José Silva acompanharam a votação por suas conclusões. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Sustentação oral: Luiz Fillipi Figueiredo. OAB: 31.024/SP
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000 Ementa: AFERIÇÃO INDIRETA AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerando-se o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcelo Oliveira e Mauro José Silva acompanharam a votação por suas conclusões. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Sustentação oral: Luiz Fillipi Figueiredo. OAB: 31.024/SP
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EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerandose o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcelo Oliveira e Mauro José Silva acompanharam a votação por suas conclusões. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Sustentação oral: Luiz Fillipi Figueiredo. OAB: 31.024/SP Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Leonardo Henrique Pires Lopes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 507 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 68), o crédito constante do lançamento foi obtido com base no valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, por aferição indireta, de acordo com os percentuais mínimos estabelecidos no item VII, 51, da OS 209/99, c/c artigos 53, 54 e 55, da IN 18/2000. A autoridade notificante informa que a empresa paga horas extras a seus empregados “por fora” da folha de pagamento, e não registra tais pagamentos em sua contabilidade, deixando de lançar, por tanto, em títulos próprios de sua contabilidade, o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o art. 32, II, da Lei 8.212/91 e o art. 225, II, parágrafo 13, do Decreto 3.048/99. A notificada apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, nos termos do Despacho de fls. 217, resultando na emissão do Relatório Fiscal Complementar de fls. 297, por meio do qual a autoridade fiscal discute cada argumento trazido na impugnação, e conclui por acatar parte das razões trazidas pela notificada e por retificar o débito. Por meio DecisãoNotificação nº 04401.4/820/2002 o INSS julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização e a recorrente, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls.354), alegando, em síntese, o que se segue. Insurgese contra o procedimento de aferição indireta adotado na apuração do débito, alegando que a fiscalização preferiu desconsiderar todos os livros e documentos disponibilizados e simplesmente somar todas as notas fiscais de serviço, abatendo as guias pagas, tendo sido apenas este o trabalho da fiscalização, que culminou na lavratura de 13 notificações, em diversos Estados da Federação. Questiona que fato tão grave teria acontecido para que as autoridades autuantes desprezassem a contabilidade da notificada e preferissem o extremo caminho do arbitramento e aponta como motivo para tanto o ofício remetido pelo Ministério Público do Trabalho do Paraná, de onde os autuantes retiraram alguns fatos que foram decisivos para que ao final optassem pelo arbitramento, quais sejam, a existência de recibos paralelos do pagamento de horas extras e cartões de ponto sem o registro das horas extras realizadas. Estranha o fato de que tenha sido apenas essa motivação, envolvendo apenas o período de 04/1999 e 01/2000, que levou a fiscalização a optar por um arbitramento de todos os empregados da notificada, incluindo mais outros 05 municípios, e abrangendo um período muito superior ao das apontadas irregularidades, ao invés de simplesmente cobrar da notificada as eventuais contribuições que não teriam sido pagas. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Entende que notificação não pode subsistir, visto que é totalmente ilegal e injusta, entestando inclusive com a orientação solidificada do próprio INSS, conforme se verifica da IN no 70/2002, art. 58, § 2°, refletida em reiteradas decisões de primeira e segunda instâncias, sem falar da copiosa jurisprudência dos Tribunais a respeito do Tema. Transcreve afirmação feita pelos agentes autuantes nos autos do AI 35.159.1087, no sentido de que a autuada recolheu e declarou em GFIP, antes do início da ação fiscal em curso, os valores referentes às horas extras pagas e informa que junta aos autos, para que se possa avaliar a injustiça do arbitramento, cópias de várias inspeções do Ministério do Trabalho em seu estabelecimento matriz, em Salvador, onde nenhuma irregularidade foi encontrada. Registra que o próprio Procurador do Trabalho, que liderou a inspeção de Curitiba, informou que o procedimento investigatório limitase àquela filial, o que torna flagrante o excesso cometido pelos autuantes, que resolveram estender as conclusões da fiscalização em Curitiba para os outros estabelecimentos, mesmo sabendo que em nenhum deles foi constatada qualquer irregularidade. Sustenta que não ocorrera nenhuma das hipóteses que autorizam o arbitramento, contidas no art. 148 do CTN e que, de acordo com a ON 02/95, que uniformizou o conteúdo do Relatório Fiscal integrante das NFLD, em seu item 4.4.8, quando se refere à aferição indireta (arbitramento), determina que o FCP "deverá apresentar, de forma pormenorizada, a justificativa da aferição, com caracterização da ausência dos elementos solicitados, da insuficiência ou da não aceitação dos apresentados". Ressalta que, no caso sob exame, não houve "ausência dos elementos solicitados" ou mesmo "insuficiência" ou "não aceitação dos apresentados", pois tudo foi apresentado à fiscalização do INSS e, mesmo as apontadas irregularidades encontradas pela inspeção da Procuradoria do Trabalho, no Paraná, já estavam regularizadas quando da fiscalização do INSS. Aponta alguns equívocos materiais que, segundo entende, foram cometidos na apuração do débito, discordando da forma utilizada para a aferição, argumentando que a IN 18/2000 citada no relatório fiscal é aplicável exclusivamente para obra de construção civil, o que não é o caso dos serviços prestados pela recorrente, que é uma "fornecedora de serviços de implantação, instalação, montagem e reparos no sistema de telecomunicações”, conforme comprova o próprio CNPJ da notificada, que faz constar o código da atividade econômica principal como sendo o de n° 64.203/06, correspondente a "Serviço de Manutenção de Redes de Telecomunicações”. Assevera que houve inúmeros equívocos nos lançamentos das NFLDs, com valores equivocados das notas fiscais e guias de recolhimentos, e a notificada, para comprovar, elencou, um a um, os apontados equívocos do lançamento, separandoos por NFLD, sendo que neste ponto teve a sua defesa acolhida pela instancia anterior, que reduziu o débito em algumas das NFLDs, mantendo, no entanto, o vergonhoso arbitramento, injustificadamente. Reitera que não se justificaria a adoção do temerário arbitramento, que é uma medida extrema, a ser utilizada em último caso, quando forem "omissos ou não mereçam fé as declarações ou esclarecimentos prestados, ou os documentos expendidos pelo sujeito passivo" , nos exatos termos do art. 148 do CTN. Colaciona alguns julgados administrativos e judiciais sobre o tema, afirmando ser importante essa avaliação pois, se a notificada não obtiver êxito na instância Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 508 5 administrativa, recorrerá ao judiciário, onde é certa sua vitória, o que acarretará a condenação do INSS a pagar os honorários de sucumbência, sendo que os julgadores deverão levar em conta este fato, uma vez que poderão serem responsabilizados no futuro. Cita a IN 70/2002 que, em seu art. 58, § 2o, dispõe que "somente será aferida indiretamente a base de cálculo de contribuição referente ao período no qual ocorreu qualquer das hipóteses previstas nos incisos I a II e IV", sendo, portanto, ilegal a ampliação do tempo, como acabou ocorrendo. Finaliza requerendo que seja acolhida a irresignação, para afastar o ilegal, injusto e temerário arbitramento, por violar os mais básicos direitos da defendente. O INSS, por do ContraRazões de fls. 372, manteve a decisão recorrida e a 2a CAJ do CRPS, por meio do Acórdão 398 (fls. 387), decidiu, por unanimidade, anular a decisão de primeira instância, para que fosse dada ciência, ao contribuinte, do resultado da diligência realizada após a impugnação. Devidamente cientificada do Acórdão do CRPS e do pronunciamento da fiscalização, a recorrente se manifestou às fls. 397 e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio DecisãoNotificação nº 04401.4/820/2002 (fls. 414), julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD procedente em parte, mantendo a retificação feita anteriormente. Inconformada com a nova decisão, a notificada apresentou recurso (fls.430), repetindo basicamente as alegações já trazidas em suas manifestações anteriores. Em relação às alegações trazidas pela autoridade julgadora de primeira instância, anota que, no caso dos autos, ao contrário do alegado, não houve, "em tese", sonegação de contribuição previdenciária., uma vez que, como foi consignado pelos próprios autuantes, a recorrente, antes do inicio da ação fiscal, declarou em GFIP os valores referentes às horas extras pagas, recolhendo em GPS os valores devidos à Previdência Social. Observa que o eventual equívoco cometido pela recorrente não ensejou prejuízo ao erário, na medida em que o tributo devido foi declarado, confessado e recolhido, com a devida atualização monetária, antes mesmo do início da ação fiscal. Argumenta que os princípios da contabilidade citados na decisão recorrida, previstos na Resolução CFC n° 750/93, não são suficientes para fundamentar a medida extrema do arbitramento, pois, de uma leitura atenta dos artigos 6°, 7° e 9° da predita Resolução, que correspondem aos princípios da oportunidade, do lançamento pelo valor original e da competência, respectivamente, permite concluir que eles sequer tratam da matéria específica em discussão nos autos, exatamente porque, sendo gerais e abstratos, servem para conduzir e orientar o profissional da contabilidade. Qualifica de falsa e contraditória à própria normatização do INSS a premissa do julgador monocrático de que a contabilidade é uma entidade integral, não sendo possível uma limitação temporal ou especial da desconsideração da escrita contábil, uma vez que a IN 70/02 do próprio INSS estabelece que somente será aferida a base de cálculo de contribuição referente ao período no qual ocorreu qualquer das hipóteses previstas nos incisos I, II e IV. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Sobre a alegação de que tal normativo é inaplicável ao caso, argumenta que o art. 106, do CTN, permite a retroatividade benigna quando se trata de uma norma meramente interpretativa, e insiste na ilegalidade do arbitramento e, após reiterar alegações trazidas nas manifestações anteriores, finaliza solicitando que seja acolhido o recurso e afastada a notificação formalizada. Em prosseguimento, a SRP negou seguimento ao recurso por ausência do depósito recursal e lavrou o competente Termo de Trânsito em Julgado, tendo sido o processo encaminhado à Procuradoria e o crédito inscrito. Por meio do despacho de fls 501, a ProcuradoriaGeral Federal determinou o cancelamento da inscrição dos créditos e o retorno da NFLD à fase administrativa, tendo sido o processo encaminhado ao CARF para análise do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 509 7 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente tenta demonstrar que o procedimento de aferição indireta realizado pela fiscalização é descabido, e que a notificação é ilegal e injusta, não podendo subsistir. Porém, a fiscalização constatou que a empresa remunerava segurados empregados com o pagamento de horas extras e não registrava, em sua contabilidade, tais pagamentos. Portanto, foi constatado, do exame da Escrituração Contábil da empresa, que a notificada não registrou o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço e da receita, nos Livros Contábeis de 1999 e 2000, ensejando, dessa forma, o arbitramento do débito, com base nas notas fiscais de serviço, e a aferição indireta em conformidade com o artigo 33, §§ 3o , 4o, e 6o, da Lei 8.212/91. A notificada alega que recolheu e declarou em GFIP, antes do início da ação fiscal em curso, os valores referentes às horas extras pagas e informa que junta aos autos, para que se possa avaliar a injustiça do arbitramento, cópias de várias inspeções do Ministério do Trabalho em seu estabelecimento matriz, em Salvador, onde nenhuma irregularidade foi encontrada. Ocorre que o débito não foi arbitrado pelo fato de a empresa não ter pago ou informado as contribuições devidas incidentes sobre as horas extras em GFIP, mas sim por não terem esses pagamentos sido registrados nos Livros Contábeis da recorrente, o que prova que a contabilidade não espelha a realidade econômicofinanceira ou o valor real da mão de obra a serviço da notificada. A recorrente estranha o fato de que, apesar de as irregularidades constatadas envolverem apenas o período de 04/1999 e 01/2000 e apenas a filial de Curitiba, a fiscalização optou por um arbitramento de todos os empregados da notificada, incluindo mais outros 05 municípios, e abrangendo um período muito superior ao das apontadas irregularidades, ao invés de simplesmente cobrar da notificada as eventuais contribuições que não teriam sido pagas. Todavia, conforme esclarecido na decisão recorrida, a contabilidade da empresa é centralizada, não estando segregada por CNPJ, e a existência de pagamentos de remuneração realizados nos exercícios fiscais de 1999 e 2000 e não contabilizados nos Livros Diários dos respectivos exercícios demonstra a necessidade de utilização do lançamento arbitrado para aqueles períodos, nos termos do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 A recorrente sustenta que não ocorrera nenhuma das hipóteses que autorizam o arbitramento, contidas no art. 148 do CTN e que não foi observado o disposto na ON 02/95, que determina que o FCP "deverá apresentar, de forma pormenorizada, a justificativa da aferição, com caracterização da ausência dos elementos solicitados, da insuficiência ou da não aceitação dos apresentados", ressaltando que, no caso sob exame, não houve "ausência dos elementos solicitados" ou mesmo "insuficiência" ou "não aceitação dos apresentados", pois tudo foi apresentado à fiscalização do INSS e, mesmo as apontadas irregularidades encontradas pela inspeção da Procuradoria do Trabalho, no Paraná, já estavam regularizadas quando da fiscalização do INSS. Contudo, no caso das contribuições previdenciárias, a base de cálculo é a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, ou seja, é o valor da mão de obra. O art. 148, do CTN, tantas vezes utilizados na argumentação da recorrente, estabelece que “Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tem em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” No caso dos autos, o fato de a empresa não declarar, em sua contabilidade, todo o valor da mão de obra utilizada na prestação dos serviços, demonstra que não merecem fé os seus Livros contábeis, que são documentos expedidos pelo sujeito passivo, no exercício em que tais omissões ocorreram. E o AFPS, cuja atividade é vinculada aos ditames legais, ao constatar que a contabilidade da recorrente não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, agiu em conformidade com os ditames legais e apurou corretamente o débito por aferição indireta, mediante a aplicação dos percentuais previstos na legislação, sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, observase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. As OSs 203/99 e 209/99, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, e a IN 18/2000, vigente à época da lavratura da NFLD, determinavam os percentuais a serem utilizados no caso da aferição indireta do valor da mão de obra utilizada na prestação de serviços. A OS 209/99, citada no Relatório Fiscal estabelecia que: Fl. 540DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 510 9 VII – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS 51. Quando a fiscalização verificar, no exame da escrituração contábil e de outros elementos, que a contratada não registra o movimento real da mãodeobra utilizada ou do faturamento, a remuneração dos segurados será apurada utilizandose como base o percentual mínimo de 40% sobre o valor bruto do serviço da nota fiscal, fatura ou recibo, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Assim, ao apresentar documentos que não registram o movimento real de remuneração, a recorrente não deu outra alternativa à auditoria fiscal a não ser arbitrar o débito, conforme determina o § 3º, art. 33, da Lei 8.212/91, aplicando os percentuais previstos na legislação vigente à época. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, o agente fiscal, ao constatar tal situação, agiu corretamente arbitrando o débito e lavrando a presente NFLD, em estrita observância aos ditames legais. Ademais, segundo nos ensina Hely Lopes Meirelles: “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular, significa ‘pode fazer assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim’.” (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991. 16ª ed. Atual. Pela Constituição de 1988, 2ª tiragem, p. 78). Assim, o Fiscal notificante aferiu o débito, consoante normativos legais vigentes à época do lançamento. Quanto ao argumento de que deveria ser aplicado o critério estabelecido pela IN 70/2002, ou seja, em normativo posterior à ocorrência do fato gerador, e que o art. 106, do CTN, permite a retroatividade benigna quando se trata de uma norma meramente interpretativa, cumpre observar que as Instruções Normativas não é uma lei. A expressão "legislação tributária", segundo art. 96 do CTN, compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. O CTN dispõe sobre a aplicação da legislação tributária no art. 105: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do art. 116. E, conforme art. 106, é a lei que se aplica a ato ou fato pretérito, e não a legislação. No CTN, o legislador utiliza, em várias oportunidades, a expressão legislação tributária. Porém, no que tange à retroatividade expressa no art. 106, o legislador expressamente utilizou a palavra lei. Segundo lição de Hugo de Brito Machado: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 “No Código Tributário Nacional, a palavra lei é utilizada em seu sentido restrito, significando regra jurídica de caráter geral e abstrato, emanada do Poder ao qual a Constituição atribuiu competência legislativa, com observância das regras constitucionais pertinentes à elaboração das leis. Só é lei, portanto, no sentido em que a palavra é empregada no Código Tributário Nacional, a norma jurídica elaborada pelo Poder competente para legislar, nos termos da Constituição, observado o processo nela estabelecido” (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário – Ed. Malheiros – São Paulo – 19ª Edição – 2001 – pág. 6566) Portanto, entendo que não cabe retroação da IN, como quer a Notificada. Em relação ao entendimento de que o eventual equívoco cometido pela recorrente não ensejou prejuízo ao erário, na medida em que o tributo devido foi declarado, confessado e recolhido, com a devida atualização monetária, antes mesmo do início da ação fiscal, mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário, e é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. VOTO por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Leonardo Henrique Pires Lopes, Redator Designado Do caráter abusivo do procedimento de aferição indireta realizado pelo Fisco O lançamento referese à cobrança de contribuições previdenciárias relativas ao período de 03/99 a 10/2000, tendo a base de cálculo adotada na presente notificação sido apurada mediante o procedimento de aferição indireta, consoante determinação do art. 33, §6º da Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 511 11 apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Da análise do dispositivo legal em destaque, é possível inferirse que, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não registra a real movimentação da remuneração dos segurados a seu serviço, bem como de seu faturamento e lucro, devem tais valores ser calculados via aferição indireta. No caso concreto, tal premissa se concretiza quando da verificação do fato de que a Recorrente, segundo o Relatório Fiscal, repassou uma série de valores a título de horas extras em recibos de pagamento paralelos aos oficiais, o que levou o Fisco a desconsiderar os livros contábeis em razão destes não registrarem, de forma devida, a real atividade financeira da empresa. Vêse, portanto, que a contabilidade da empresa foi considerada, para fins de fiscalização, deficiente, o que, para o Fisco, significa que os documentos apresentados não preenchiam as formalidades legais ou ainda que continham informações incompatíveis com a realidade fática. Diante disso, tornase necessária, para fins de esboço estimativo do quadro de movimentação financeira da empresa fiscalizada, a desconsideração de todo seu registro contábil, o que, naturalmente, acarreta em um pesado ônus para o Fisco, vez que cabe a este, por meio de critérios expressamente previstos na legislação, demonstrar que os documentos contábeis apresentados não correspondem à realidade fática e estimar, com base num código de “deverser”, o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, uma vez justificado o procedimento de aferição indireta, fazse um cálculo arbitrado, a partir das disposições expressas constantes em dispositivos legais específicos, com base na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, de forma que, em razão da expressa vinculação do procedimento ao legalmente previsto, não há razões para se afirmar que a aferição indireta é ato sujeito ao belprazer da Fiscalização visando ao prejuízo do contribuinte. Ora, o processo de arbitramento, apesar da semelhança vocabular, não é arbitrário, uma vez que busca, em estreita vinculação ao Princípio da Legalidade, alcançar o real valor devido pelo sujeito passivo, o qual, tendo praticado o fato gerador que dá causa à obrigação tributária, tem o dever legal de adimplila, podendo o Fisco, portanto, na hipótese de eventual inadimplemento, se valer de todos os meios legais para ter satisfeito seu crédito, dentre os quais se destaca a aferição indireta. Destarte, como os documentos contábeis apresentados pela Recorrente não eram um retrato fiel da sua efetiva movimentação financeira, justificada, em parte, foi a utilização do referido procedimento para apurar o real valor por ela devido à Fiscalização. Todavia, como as irregularidades pelo Fisco levantadas eram restritas a filiam de CuritibaPR, não há qualquer razão para se desconsiderar a contabilidade de todo grupo empresarial, razão pela qual, neste ponto, foi de extrema abusividade o lançamento realizados. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Ora, sabese que a escrituração contábil é obrigatória para todas as empresas, sejam matriz ou filial. Assim, devese manter um sistema de escrituração uniforme dos atos e fatos administrativos ocorridos na sociedade empresarial, através de processo manual, mecanizado ou eletrônico conforme a Resolução 563, de 28/10/83 do Conselho Federal de Contabilidade. No entanto, não é exigido que a contabilidade seja feita, unicamente, de forma centralizada, uma vez que pode cada estabelecimento, filial, sucursal ou agência ter seus próprios livros de escrituração comercial , procedendo à apuração contábil e às demonstrações financeiras independentemente dos registros confeccionados pela matriz. Dessa forma cada filial tem contabilidade completa com a escrituração dos livros Diária e Razão, e a matriz se utiliza de contas como participações em filiais ou Contas Correntes matriz/ filial entre as unidades. Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos, entendimento este, inclusive, já pacificado pela jurisprudência pátria, conforme se depreende das ementas dos julgados abaixo colacionados: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA ILEGITIMIDADE DA FILIAL DA EMPRESA PARA IMPETRAR MANDADO DE SEGURANÇA COM O FIM DE DISCUTIR A EXIGIBILIDADE DO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES AO SAT RECURSO IMPROVIDO SENTENÇA MANTIDA. 1. As filiais de empresa possuem personalidade jurídica própria, para fins tributários, podendo intentar as demandas de seu interesse, ainda que a sua pretensão confundase com a da matriz. Precedente do Egrégio STJ. 2. No caso, considerando que a matriz efetua o pagamento de tributos devidos por suas filiais localizadas no Estado de São Paulo, centralizando a contabilidade da empresa como um todo, só ela pode vir a juízo discutir a exigibilidade de tais recolhimentos. 3. Recurso improvido. Sentença mantida. (TRF 3, AMS 21792, Rel.: DESEMBARGADORA FEDERAL RAMZA TARTUCE, Órgão Julgador: QUINTA TURMA, Julgado em: 15/05/2006, DJe: 09/08/2006) “TRIBUTÁRIO – FORO COMPETENTE – FILIAIS – UNIÃO NO PÓLO PASSIVO. 1. As filiais de empresas possuem personalidade jurídica própria, para fins tributários, razão porque devem intentar, nos respectivos Estados de domicílio, as demandas de seus interesses, mesmo que haja identidade de pretensão jurídica. 2. O fato da União figurar no pólo passivo, permite tãosomente deslocar a competência do domicílio da empresa para o Distrito Federal (CF, art. 109, § 2º). 3. Agravo regimental improvido.” (AGRMC 003293 / SP, 1ª Turma, Relator Ministro José Delgado, DJ 26/03/2001, pág. 368) Assim, como a Recorrente organiza sua contabilidade de forma descentralizada, não haveria razão, em decorrência da autonomia contábil das empresas filiais, a desconsideração total dos livros comerciais de todo o grupo empresarial para a realização do procedimento de aferição indireta em virtude das irregularidades encontradas apenas na filial localizada em CuritibaPR. Além do mais, conforme se depreende do documento anexo às folhas 155, o próprio procurador do Trabalho responsável pela inspeção em Curitiba remeteu correspondência ao Sr. Chefe da Divisão de Arrecadação do INSS em Salvador, informando que a aferição indireta realizada era restringiase a referida filial, o que apenas colabora para atestar ainda mais o caráter abusivo do lançamento realizado. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 512 13 Por fim, cabe destacar que, embora o presente lançamento trate, dentre outras, de contribuições relativas aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, o qual, anteriormente, era determinado considerandose todo o grupo empresarial, o entendimento mais recente acerca do tema firmouse no sentido de que de que o enquadramento do SAT é realizado de forma individual, considerandose cada CNPJ das empresas submetidas à fiscalização. É tão pacífico o referido entendimento, que o Superior Tribunal de Justiça STJ já editou súmula acerca do tema: Alíquota de Contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. STJ Súmula nº 351 11/06/2008 DJe 19/06/2008 Para tornar ainda mais o referido preceito, colacionase, abaixo, recente precedente judicial acerca do tema: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO PELAS EMPRESAS MATRIZES E SUAS RESPECTIVAS FILIAIS, OBJETIVANDO APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AO RAT CALCULADA SEGUNDO O GRAU DE RISCO EXISTENTE EM CADA UM DOS ESTABELECIMENTOS INDIVIDUALIZADOS POR CNPJ PRÓPRIO. SENTENÇA CONCESSIVA. DECADÊNCIA PARCIAL DO DIREITO DE COMPENSAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA EM PARTE. 1. Embora o egrégio Superior Tribunal de Justiça tenha fixado o entendimento de que a vetusta tese do "cinco mais cinco" anos deveria ser aplicada aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005 (REsp 1.002.932/SP), o colendo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 566.621/RS, em repercussão geral, afastou parcialmente esta jurisprudência do STJ, entendendo ser válida a aplicação do novo prazo de 5 anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, a partir de 9.6.2005. Assim, considerando que o mandado de segurança foi impetrado em 8 de junho de 2010, não há que se falar na possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos nos últimos 10 anos anteriores à impetração. 2. A exigibilidade do SAT, atualmente denominada contribuição para os riscos ambientais do trabalho RAT não tem mais discussão válida no âmbito da existência de base legal para cobrança, existindo até súmula de Corte Superior que abona a exação, verbis: "A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro."(Súmula 351, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/06/2008, DJe 19/06/2008). 3. Na presente impetração há prova nos autos de que as autoras têm mais de um registro em CNPJ (antigo CGC), distinguindose a empresa matriz de suas respectivas filiais, e que cada um dos seus pontos de atividades empresariais tem a autonomia fiscal exigida na súmula. Com essa prova, não há como não abrigar o intento postulado na ação: aferição do grau de risco em cada estabelecimento da empresa, distintamente conforme a natureza da atividade desempenhada. 4. Reconhecida a tributação diferenciada, têm as impetrantes direito a recuperar, por meio de compensação, aquilo que foi pago a maior. 5. Os valores recuperáveis serão exclusivamente corrigidos pela taxa SELIC Fl. 545DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 sem acumulação com qualquer outro índice, restando indevida a incidência de qualquer suposto expurgo inflacionário, porquanto isso não aconteceu durante o período de pagamento ora recuperado. 6. A compensação só será possível após o trânsito em julgado (artigo 170/A do Código Tributário Nacional, acrescido pela Lei Complementar n° 104 de 10/01/2001, anterior ao ajuizamento do mandado de segurança) porque a discussão sobre as contribuições permanece. 7. No caso dos autos o encontro de contas poderá se dar com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal (artigo 74, Lei n° 9.430/96, com redação da Lei n° 10.630/2002), ainda mais que com o advento da Lei n° 11.457 de 16/03/2007, arts. 2° e 3°, a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais e das contribuições devidas a "terceiros" passaram a ser encargos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (superReceita), passando a constituir dívida ativa da União (artigo 16). 8. Apelo das impetrantes a que se dá parcial provimento, apelação da União Federal (Fazenda Nacional) e remessa oficial improvidos. (TRF 3, AMS 332212, Rel.: DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO, Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA, Julgado em: 08/11/2011, Dje: 18/11/2011) Por fim, para não deixar qualquer dúvida acerca da matéria, o Ato Declaratório nº 11/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, publicado no Diário Oficial da União em 15/12/2011, consolidouse, na esfera fiscal, o já pacífico entendimento de que nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, a verificação deve ser feito de forma individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, sendo, desnecessárias, portanto, maiores digressões a respeito. Destarte, diante do quadro fático e jurídico acima construído, deve ser mantido o lançamento pelo Fisco realizado apenas sobre a filial localizada em CuritibaPR, uma vez que as irregularidades decorrentes dos recibos paralelos referentes aos valores repassados a título de horasextras restringemse àquela empresa, sendo indevida, portanto, a desconsideração contábil e a aferição indireta da movimentação financeira de todo grupo empresarial da Recorrente. Da anulação do lançamento Embora reconhecido o fato de que o lançamento pelo Fisco realizado deveria ser restrito à empresa filial, cabe, aqui destacar o fato de aquele ato administrativo encontrase contaminado por incontestáveis vícios, relativo aos requisitos necessários à metodologia do lançamento aplicado, à configuração do descumprimento da obrigação, no caso principal, e à quantificação do montante devido pela empresa. Em outras palavras, referese ao próprio conteúdo do lançamento. No caso do presente processo, constatase o vício nuclear que contamina o lançamento pelo Fisco realizado quando se considera o fato de que, mesmo tendo a Recorrente realizado os pagamentos dos valores a título de horas extras em recibos paralelos aos oficiais, poderia perfeitamente o Fisco, ao analisar os referidos documentos, constituir o crédito tributário a partir dos valores descriminados naqueles recibos, o que tornaria absolutamente desnecessária a desconsideração da contabilidade da quer apenas da empresa Filial, quer de todo grupo empresarial. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 513 15 Assim, são condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada, a qual, neste caso, será esboçada por meio de aferição indireta com base em dispositivos legais que mais se adequem ao quadro fiscal e contábil analisado. Todavia, não é esta a situação do presente processo, uma vez que, conforme já afirmado, mesmo não sendo oficiais, os recibos paralelos referentes aos valores repassados a título de horas extras poderiam ter sido utilizados para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido pela Recorrente, uma vez que registram, de alguma forma, a movimentação financeira da empresa autuada. Diante dos referidos pressupostos, foi totalmente equivocada a metodologia pelo Fisco aplicada no processo de constituição do crédito tributário nestes autos discutido, em razão de não ser a aferição o critério mais adequado para a apuração do valor devido pela Recorrente, além de ser o mais distante da realidade fática, o que enseja a anulação do lançamento realizado em virtude do grave vício nele verificado. Diante do exposto, conheço do Recurso para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, no sentido de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado em razão do erro no procedimento de aferição indireta e do grave vício nele verificado. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 19515.003626/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em face do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzida a
penalidade que, posteriormente à sua imposição e antes da decisão
administrativa, acabou atenuada pela legislação tributária.
Numero da decisão: 1202-000.854
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzida a penalidade que, posteriormente à sua imposição e antes da decisão administrativa, acabou atenuada pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 817 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela turma julgadora de primeira instância ao julgar procedente o lançamento, cuja descrição adoto e transcrevo o relatório do acórdão recorrido: DA AUTUAÇÃO Em procedimento fiscal de verificações obrigatórias, realizado na empresa em epígrafe, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 223/227 e 473/477), constatouse que, no período de 2001 a 2003, os débitos apurados pelo contribuinte não foram recolhidos em sua integralidade e nem informados nas respectivas Declarações de Débitos e Créditos de Tributos e Contribuições Federais (DCTF). Além disso, no período de 03/2000 a 12/2004, não houve pagamento de estimativa mensal, tendo sido feita a opção pelo lucro real anual, sem levantamento de balanço ou balancete de suspensão, ficando o contribuinte sujeito à multa isolada (arts. 220 a 230 do RIR/99). 2.O referido Termo de Verificação Fiscal informa ainda, essencialmente, que: 2.1.Em 18/03/2005 (fls. 08), o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativos, entre outros, de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 2.2.Em 23/06/2005 (fls. 17), o contribuinte foi intimado a apresentar as DCTF dos quatro trimestres de 2001 a 2003. No entanto, não as apresentou, permanecendo não lançados os impostos e contribuições apurados na escrituração contábil e fiscal. 3.Em decorrência da falta descrita, foram lavrados em 27/12/2005, e cientificados ao sujeito passivo em 04/01/2006 (fls. 247 e 497), os seguintes autos de infração: 3.1.Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 241/245): Crédito tributário no valor total de R$ 3.495.729,57 (três milhões, quatrocentos e noventa e cinco mil, setecentos e vinte e nove reais e cinquenta e sete centavos), incluídos tributo, multas e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 242 e 245. 3.2.Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 491/495): Crédito tributário no valor total de R$ 1.954.784,91 (um milhão, novecentos e cinquenta e quatro mil, setecentos e oitenta e quatro reais e noventa e um centavos), incluídos tributo, multas e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 492 e 495. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 818 3 O contribuinte impugnou o lançamento e a 6ª Turma da DRJ/São Paulo I julgou o lançamento parcialmente procedente, editando a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A legislação tributária não exige que a formalização do lançamento seja efetuada no domicílio do contribuinte. AUDITOR FISCAL. CONTABILIDADE. EXAME. VALIDADE. Dentre as atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB, especificadas na legislação federal, incluise o exame de livros e documentos contábeis, atividade que não se confunde com o exercício da profissão de contador. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IRPJ/CSLL. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL são tributos, em regra, sujeitos a lançamento por homologação (art. 150 do CTN). Contudo, não havendo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, constatandose que, entre a data mais antiga dos fatos geradores dos tributos lançados e a data da ciência dos autos de infração, transcorreram menos de 5 (anos), não há que cogitar sobre a decadência destes tributos. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. O direito de lançar o crédito tributário decorrente de multa aplicada isoladamente decai em 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído nos termos do art. 173, I do CTN. Se, entre a data de início para contagem do prazo decadencial e a data da ciência ao contribuinte do respectivo lançamento fiscal, transcorreram mais de 5 (cinco) anos, deve ser reconhecida a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o respectivo crédito tributário, que, no presente caso, ocorreu para o período de março a outubro de 2000. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. MULTA DE OFÍCIO. O percentual da multa de ofício é de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 819 4 ESTIMATIVAS MENSAIS. NÃO RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. Tendo sido verificada, em ação fiscal efetuada após o encerramento do períodobase, a falta de recolhimento de estimativas mensais, deve ser exigida a multa isolada incidente sobre os valores não recolhidos. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzida a penalidade que, posteriormente à sua imposição e antes da decisão administrativa, acabou atenuada pela legislação tributária. PROTESTO POR PERÍCIA. Indeferese o pedido pela realização de perícia quando a mesma se revela prescindível. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Em razão do montante exonerado, foi apresentado recurso de ofício. Cientificado dessa decisão em 22/06/2009 (AR de fl.793, verso), o contribuinte não apresentou recurso voluntário e a parcela do crédito mantida foi transferida para o processo nº 16151.000338/200914, conforme despacho de fl.815. É o relatório. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 820 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso de ofício foi apresentado de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e consoante a Portaria MF nº 3 de 03/01/2008, devendo ser conhecido. Foram duas as razões da turma recorrida para a redução do crédito tributário, a serem a seguir analisadas. Da decadência O nobre julgador a quo reconheceu a decadência das multas referentes ao período de março a outubro de 2000, “tendo em vista que os autos de infração foram lavrados em 27/12/2005 (fls. 241 e 491), no entanto, cientificados ao sujeito passivo somente em 04/01/2006 (fls. 247 e 497)”, considerando os referidos créditos tributários extintos nos termos do art. 156, V do CTN. De fato, verificase a decadência parcial do lançamento, vez que a regra do art. 173 do CTN, aplicável ao caso de multas isoladas, determina o início da contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia haver lançamento. Se a estimativa referente ao mês de outubro de 2000 poderia ser paga até o último dia útil do mês de novembro de 2000, então, o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa já poderia ter sido realizado no mês de dezembro de 2000. Logo, a contagem do prazo decadencial, no caso de multas referentes a períodos de apuração até outubro de 2000, iniciase no dia 1º de janeiro de 2001 e se encerra no dia 31/12/2005. Como a ciência do lançamento se deu apenas no dia 04/01/2006, é imperioso o reconhecimento da decadência do direito de constituir o crédito tributário. Da redução da multa isolada – retroatividade benigna Neste segundo tema, inicialmente, cumpre delimitar a matéria em julgamento. Sobre a parte da multa isolada mantida pela decisão recorrida não houve recurso voluntário. Em razão disso, o crédito tributário definitivamente constituído, referente a parcela da multa isolada lançada (calculada no percentual de 50%), foi objeto de cobrança e não faz parte do presente julgamento. Assim, cabe a este colegiado analisar tãosomente a redução do montante da multa isolada pela aplicação de alíquota menor do que a utilizada quando do lançamento, objeto do recurso de ofício. A multa isolada lançada – e impugnada – fundamentouse no disposto no art. 44, I, §1º, IV da Lei nº 9.430/96 e decorreu do não recolhimento das estimativas mensais previstas no art. 2º da referida lei: Fl. 820DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 821 6 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Posteriormente, com a edição da Medida Provisória nº 351 de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488 de 15/06/2007, o referido art. 44 foi alterado, e a multa isolada passou a ser capitulada em seu inciso II, nos seguintes termos: Art. 44. (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (g.n.) Como se vê, houve evidente redução do percentual da multa devida, em benefício do sujeito passivo, o que, em se tratando de norma tributária, atrai a incidência do art. 106, III, “c” do CTN, que dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 822 7 Diante disso, é indubitável que se impõe ao presente caso a aplicação retroativa da legislação posterior que reduziu o percentual da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinqüenta por cento) incidente sobre o valor do tributo não recolhido por estimativa, referente aos períodos objeto de lançamento (03/2000 a 12/2004). Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 822DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000671/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004.
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. VALOR FIXO PAGO DESVINCULADO DO ATINGIMENTO DE METAS OU RESULTADOS. IRREGULARIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O Programa de Participação nos Lucros e Resultados PLR
tem como finalidade integrar os empregados nos resultados positivos da empresa e incentivá-los a buscar o melhor desempenho, sendo a previsão de metas ou alcance de lucro ou resultados, individuais ou coletivos, requisitos
necessários à regularidade do PLR.
A previsão de pagamento de um valor fixo desvinculado do atingimento de
qualquer meta ou resultado configurase
como remuneração para efeito de
incidência da contribuição previdenciária, por não se coadunar com o
propósito constitucional do instituto.
AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE
DESPESAS COM FACULDADE. POSSIBILIDADE.
O art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do salário de
contribuição dos valores pagos aos empregados para custeio de despesas com
educação básica e superior, incluindo neste cursos de graduação ou de
especialização.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei
11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza.
Numero da decisão: 2301-002.859
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes ao pagamento do auxílio educação, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em anular o lançamento por vício formal; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. VALOR FIXO PAGO DESVINCULADO DO ATINGIMENTO DE METAS OU RESULTADOS. IRREGULARIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Programa de Participação nos Lucros e Resultados PLR tem como finalidade integrar os empregados nos resultados positivos da empresa e incentivá-los a buscar o melhor desempenho, sendo a previsão de metas ou alcance de lucro ou resultados, individuais ou coletivos, requisitos necessários à regularidade do PLR. A previsão de pagamento de um valor fixo desvinculado do atingimento de qualquer meta ou resultado configurase como remuneração para efeito de incidência da contribuição previdenciária, por não se coadunar com o propósito constitucional do instituto. AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. POSSIBILIDADE. O art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados para custeio de despesas com educação básica e superior, incluindo neste cursos de graduação ou de especialização. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
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PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. VALOR FIXO PAGO DESVINCULADO DO ATINGIMENTO DE METAS OU RESULTADOS. IRREGULARIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Programa de Participação nos Lucros e Resultados PLR tem como finalidade integrar os empregados nos resultados positivos da empresa e incentiválos a buscar o melhor desempenho, sendo a previsão de metas ou alcance de lucro ou resultados, individuais ou coletivos, requisitos necessários à regularidade do PLR. A previsão de pagamento de um valor fixo desvinculado do atingimento de qualquer meta ou resultado configurase como remuneração para efeito de incidência da contribuição previdenciária, por não se coadunar com o propósito constitucional do instituto. AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. POSSIBILIDADE. O art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados para custeio de despesas com educação básica e superior, incluindo neste cursos de graduação ou de especialização. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 2 2 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes ao pagamento do auxílio educação, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em anular o lançamento por vício formal; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face da AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS, por ter, esta empresa, deixado de recolher a contribuição previdenciária destinada a TerceirosINCRA incidente sobre os valores pagos a segurados a título de Participação nos Lucros e Resultados (empregados), Reembolso Faculdade (empregados), Previdência Privada (empregados e diretores) e Prêmios (empregados e diretores), conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 115/133. Apresentada impugnação às fls. 139/270, foi mantido o lançamento fiscal Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 3 3 pela decisão ora recorrida (fls. 273/285), cuja ementa assim dispôs: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. Salário de Contribuição Incidência. Integra o salário de contribuição do segurado empregado o pagamento da participação nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a lei específica. Integra o salário de contribuição o valor relativo a curso superior, graduação e pósgraduação, de que tratam os art.43 a 57 da Lei nº 9.394, de 1996. Integra o salário de contribuição do segurado empregado o pagamento de plano de previdência complementar não disponível a todos os empregados e diretores da empresa. Os prêmios terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, desde que remunerem um trabalho executado e sejam pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada individual ou coletivamente. Ganhos Eventuais. As importâncias recebidas a título de ganhos eventuais não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. Arguição de Inconstitucionalidade. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Lançamento procedente. Irresignada, interpôs o contribuinte Recurso Voluntário (fls. 292/336) contra a decisão acima transcrita. Em seguida, apresentou petição às fls. 340/349, requerendo desistência parcial do recurso, mantendoo apenas no tocante às verbas pagas a título de PLR e Reembolso Faculdade, de modo que suas razões recursais podem ser resumidas às seguintes: 1) A previsão de pagamento de uma parcela fixa não contraria a legislação sobre o PLR, não tendo sido apurado pela fiscalização se a empresa auferiu lucro ou não para tal pagamento; 2) O requisito legal de que o PLR tem que ser precedido por negociação coletiva de trabalho entre empresa e empregados teria sido satisfeita pela Convenção Coletiva de Trabalho; 3) O art. 7º, XI da Constituição Federal é autoaplicável; 4) Os valores recebidos a título de PLR o foram eventualmente, recaindo na hipótese do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/1991; 5) O reembolso dos valores pagos aos empregados referentes aos cursos de graduação e MBA enquadrase na hipótese contida no art. 28, §9, “t” da Lei nº 8.212/1991, abrangendo, também, educação superior. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 4 4 Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Do Mérito Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR Em seu Recurso, a Recorrente pleiteia o reconhecimento da regularidade do seu Programa de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR, cujos pagamentos foram considerados como verbas remuneratórias tributáveis pela contribuição previdenciária. Narra o Relatório Fiscal que os pagamentos efetuados àquele título fundamentaramse na Convenção Coletiva de Trabalho específica sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização em 2003. Segundo previsto na Cláusula 2ª da Convenção, no encerramento do exercício, em 31/12/2003, todos os empregados em efetivo exercício receberiam, uma única vez, no prazo de pagamento da remuneração de janeiro/2004, a importância fixa de R$ 950,00. Já a Cláusula 3ª da referida Convenção previa que, apresentando a empresa lucro líquido ou resultados nos balanços de 31/12/2003 e tivessem disponibilidade financeira, efetuariam até 31/07/2004 o pagamento, de uma única vez, da importância equivalente a 40% do salário base previsto na Convenção Coletiva, acrescidos do valor fixo de R$ 286,00 aos empregados admitidos até 31/12/2002 e em efetivo exercício em 31/12/2003, limitada a soma a R$ 3.480,00. Afirma o AFRFB que não havia qualquer critério para pagamento do montante fixo de R$ 950,00, previstos na Cláusula 2ª da Convenção Coletiva independentemente de qualquer lucro ou resultado. Entendeu, portanto, que somente a segunda parcela paga até 31/07/2004 é que teria observado o disposto na Lei nº 10.101/2000, o que não teria ocorrido com a primeira Fl. 463DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 5 5 parcela de R$ 950,00, paga juntamente com a remuneração de janeiro/2004. Para se aferir a tributação das verbas pagas a título de Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa, devese ter em mente o instituto previsto pela Constituição Federal, no seu art. 7º, XI, que previu como direito do trabalhador a “participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei”. Sendo norma constitucional de eficácia limitada, foi necessária a edição da Lei nº 10.101/2000 para disciplinar o PLR. Ocorre que referida Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do Programa, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitando se, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; previsão da periodicidade da distribuição, do período de vigência e dos prazos. Assim, a partir do escopo constitucional e das normas legais atinentes ao tema, verificase se o PLR corresponde à parcela não fixa da remuneração do trabalhador que guarda uma relação direta com o desempenho da empresa. Não deve, portanto, ser confundida com aumentos reais de salários que são incorporados devidamente à remuneração, mesmo quando baseados na produtividade ou qualquer outro indicador de eficiência. Tão pouco se trata de um simples abono sem nenhuma ligação com o resultado do empreendimento. O PLR é, simultaneamente, uma parcela variável da remuneração do trabalhador e um prêmio pelos resultados econômicos – financeiros ou físico – operacionais alcançados. Tal programa permite que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, estabelecidas por meio de critérios claros e objetivos, sem, contudo, empregarlhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Tratase, portanto, da interligação de vários indicadores que, a partir de uma análise conjunta, irão definir o valor final a ser pago àqueles que dele participam. Estes indicadores são, entre outros, o comportamento do lucro, a rentabilidade e a evolução do desempenho dos empregados. O PLR é, portanto, um tipo de remuneração flexível, pois é influenciado pelos resultados da produtividade, pela performance da empresa com relação a seu lucro. Por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes de todos os interessados na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 6 6 Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. No caso dos autos, os valores autuados referemse à parcela fixa, prevista no valor de R$ 950,00 paga a todos os empregados da empresa, tendo como único critério estar o empregado em efetivo exercício em 31/12/2003. Ora, esse valor fixo foi previsto independentemente do alcance de qualquer meta individual ou coletiva. Ainda que seja possível a previsão de pagamento de PLR sem que haja lucro, com vinculação apenas em resultados determinados, deveriam estes ter sido dispostos no PLR como critério para pagamento do valor fixo de R$ 950,00, o que não ocorreu no caso. Não existe vinculação com qualquer meta, lucro ou resultado, o que impede o reconhecimento de que aquela verba teria feição de participação nos lucros e resultados da empresa. Já expressei, por vezes, entendimento de que seria possível a fixação de pagamento mínimo em caso de atingimento de meta pessoal, ainda que a geral da empresa não fosse alcançada, pois isto serviria como incentivo ao empregado a buscar os melhores resultados para a empresa, sem desconsiderar os esforços empreendidos. Contudo, no caso em comento, não existe qualquer meta objetiva ou incentivo aos empregados, já que estes receberiam independentemente de qualquer esforço adicional. Não cabe, portanto, a alegação da Recorrente de que a fiscalização deveria verificar se efetivamente não ocorreu lucro na empresa, pois a fiscalização não afirmou que a verba não poderia ser enquadrada como PLR porque não teria se verificado o resultado positivo, mas sim porque o pagamento se daria independentemente de qualquer resultado. O erro ocorreu na própria norma que o fundamentou (Cláusula 2ª da Convenção), e não no momento da aferição dos critérios para pagamento, o que torna irrelevante a verificação dos fatos que o circundam. Do Reembolsofaculdade Ao contrário do que afirmado pela fiscalização, a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados a título de auxílio educação compõe toda a educação, inclusive superior, pois se refere a curso de capacitação e qualificação profissional, previsto no art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores em comento: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...). t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e Fl. 465DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 7 7 qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Além de estar previsto em norma expressa do texto legal, o intuito do legislador, de incentivar o custeio e investimento na capacitação da mãodeobra, é também alcançado através do pagamento de cursos de especialização ou de graduação em nível superior. Este é o entendimento deste CARF, que já foi firmado no julgamento do Recurso Voluntário, cuja decisão transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 (...). BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL. EXCLUSÃO DE VALORES. Serão excluídos da base de cálculo da contribuição social previdenciária os valores pagos pelos empregadores a título de educação, estando incluídos cursos de graduação, pós graduação, de línguas estrangeiras, tendo em vista que esses estão destinados à capacitação profissional do trabalhador, não retribuindo os serviços prestados por esses. FPAS. REENQUADRAMENTO. Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III, da IN SRP nº 03/2005, a RFB, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. Recurso Voluntário Provido. (Recurso Voluntário 898318, processo 10166.721622/200982, Quarta Câmara, Segunda Seção de Julgamento, acórdão 2403000.611). É bem verdade que a legislação exige que o benefício seja extensivo a todos os empregados da empresa. Contudo, não se tem notícia nos autos, até porque não apontado pela fiscalização, de que apenas parcela dos empregados e diretores tenha acesso. Deste modo, sendo omisso o relatório fiscal sobre este ponto, presumese que o contribuinte teria cumprido dita exigência, pois do contrário deveria ter havido a indicação expressa pelo AFRFB. Assim, neste ponto, deve ser reformada a decisão recorrida. Da multa aplicada Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal Fl. 466DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 8 8 de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos Fl. 467DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 9 9 nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 10 10 Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 11 11 A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que sejam excluídas do lançamento as parcelas referentes aos valores pagos aos empregados a título de reembolso faculdade, bem como para que seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de junho de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 470DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S
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