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Numero do processo: 15771.720604/2013-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/09/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,.
Numero da decisão: 3803-006.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/09/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,.
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LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/09/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 06 04 /2 01 3- 45 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720604/201345 Acórdão n.º 3803006.511 S3TE03 Fl. 311 3 a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Data do fato gerador: 05/09/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 15/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 29/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720604/201345 Acórdão n.º 3803006.511 S3TE03 Fl. 312 5 para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não Fl. 315DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720604/201345 Acórdão n.º 3803006.511 S3TE03 Fl. 313 7 sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário; e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720604/201345 Acórdão n.º 3803006.511 S3TE03 Fl. 314 9 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11070.000963/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL.
A omissão de rendimentos da atividade rural não restou comprovada. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIÁRIA.
Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Assim, considerando que a apuração do imposto baseou-se em omissão de rendimentos oriundos da atividade rural, desprovidas de provas, o Auto de Infração não pode prosperar.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. A omissão de rendimentos da atividade rural não restou comprovada. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Assim, considerando que a apuração do imposto baseouse em omissão de rendimentos oriundos da atividade rural, desprovidas de provas, o Auto de Infração não pode prosperar. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 09 63 /2 00 8- 61 Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/07/2009 (fls. 176/200), contra a contribuinte acima qualificada, relativo aos AnosCalendário 2004, 2005 e 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 412.698,32, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 30/06/2009. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante à fl. 178, o Fisco em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, apurou omissão de rendimentos provenientes da atividade rural, conforme demonstrado no Relatório da Ação Fiscal. Consta do Relatório da Ação Fiscal, em fls. 201/203, o que segue: “[...] Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização o Contribuinte apresentou o Contrato Particular de Parceria Agrícola (fl.30), o livro caixa da atividade rural (fls.33 a 151), contratos de compra com pacto de entrega futura n°s 153 (fl.31) e 154 (fl.32) e os blocos de produtor, relativos ao período de 01/01/2004 a 31/12/2006. O Contrato de Parceria Agrícola de fl.30 oficializa a parceria entre o cônjuge da Contribuinte Alfeu Librelotto de Bortoli e seu irmão Marcos Librelotto de Bortoli, sendo que, a cada um cabe 50 % (cinqüenta por cento) tanto das receitas quanto das despesas da atividade rural. Como o bem que gerou as receitas da atividade rural é bem comum ao casal, o resultado da atividade nos anoscalendário de 2004 a 2006, foi dividido também com os cônjuges dos parceiros, sendo que cada um tributou 25 % (vinte e cinco por cento). Com base nos blocos de produtor apresentados pelo Contribuinte elaboramos os anexos A2 (demonstrativo das receitas da atividade rural no anocalendário de 2004 — fls.158/159), A3 (demonstrativo das receitas da atividade rural no anocalendário de 2005 — fls.160/162), A4 (demonstrativo das receitas da atividade rural no anocalendário de 2006 — fls.163/164). Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11070.000963/200861 Acórdão n.º 2102003.100 S2C1T2 Fl. 2.447 3 Os blocos de produtor não fazem parte do processo, foram devolvidos ao Contribuinte. Através de Intimação n° 04 de 12 de fevereiro de 2008 (fl.165): a) Intimamos o Contribuinte a se pronunciar sobre a receita bruta da atividade rural apurada conforme valores constantes nos anexos A2, A3 e A4; b) Informamos o Contribuinte que, em relação aos contratos de compra com pacto de entrega futura n°s 01/01/0000153 e 01/01/0000154 consideramos que as vendas decorrentes destes contratos foram consideradas receitas da atividade rural no mês da efetiva entrega do produto rural, conforme determina o Decreto 3.000/99, no artigo 61. Sendo assim, os produtos entregues, no anocalendário de 2004 fazem parte do anexo A2. Juntamente com a intimação o Contribuinte recebeu uma via dos anexos A2, A3 e A4. Até a presente data o Contribuinte não se manifestou sobre os demonstrativos das receitas da atividade rural (anexos A2, A3 e A4). Os parceiros agrícolas do Contribuinte, Marcos Librelotto de Bortoli, Alfeu Librelotto de Bortoli e Elaine Soares Moura de Bortoli provaram, com documentos hábeis e idôneos, que foram depositados suas contas correntes bancárias muitos valores, relativos a venda de produtos agropecuários, os quais se constituem receita da atividade rural. Nos anexos 1AA (fls.183 a 185), 113A (fls.189 a 191) e 1CA (fls.196 a 198) demonstramos todos os créditos efetuados nas contas correntes dos parceiros do Contribuinte, Marcos Librelotto de Bortoli, Alfeu Librelotto de Bortoli e Elaine Soares Moura de Bortoli, provenientes de depósitos efetuados por pessoas (físicas ou jurídicas), a título de pagamentos pela compra de produtos agropecuários, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Nesses anexos os depósitos estão discriminados por depositante. Os dados informados nesses anexos foram extraídos dos documentos constantes nos processos em nome dos parceiros. Com o objetivo de facilitar o comparativo entre os valores das receitas da atividade rural informados no anexo A2, A3 e A4 com as receitas da atividade rural provenientes dos depósitos efetuados nas contas correntes dos parceiros agrícolas (anexos 1AA, 113A e 1 CA), elaboramos os anexos 1A13 (fls.186 a 187) 11313 (fls.192 a 194) e 1C13 (fls.199 a 200), que reproduzem os dados dos anexos A2 (fls.158 e 159), A3 (fls.160 a 162) e A4 (fls.163 e 164), especificando os valores dos produtos adquiridos por cada empresa. Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Nos anexos 1AA, 113A e 1CA, os valores depositados são relativos ao valor líquido das vendas (valor bruto menos funrural). Finalizando, nos anexos 1A (fl.182) 113 (fl.188) e 1C (fl.195) efetuamos os seguintes procedimentos: Calculamos a receita bruta das vendas oriundas dos depósitos efetuados nas contas dos parceiros agrícolas, ou seja, valores constantes na coluna "B" mais funrural (que é 2,30 Comparamos a receita bruta apurada com base nos blocos de produtor com a receita bruta apurada com base nos depósitos bancários efetuados na conta dos parceiros agrícolas, sendo que se esta for maior que aquela, houve omissão de receita da atividade rural. Recalculamos o resultado tributável para o Contribuinte (ao qual pertence 25 % das receitas e despesas) o que resultou em diferenças a tributar nos seguintes valores: R$ 256.592,94, no anocalendário de 2004, R$ 174.484,09, no anocalendário de 2005 e R$ 276.868,63, no anocalendário de 2006. Na apuração do resultado do anocalendário de 2004, verificamos que o valor tributado (declarado) é menor que o valor apurado com base nos blocos de produtor (anexo A2). Ignoramos essa diferença por concluir que tais valores estão inclusos nos depósitos efetuados nas contas do contribuinte. No anocalendário de 2005, o valor declarado é igual ao somatório dos valores do anexo A3 e no anocalendário de 2006, o valor declarado é maior que a soma dos valores do anexo A4. Concluindo, através do presente Auto de Infração efetuamos o lançamento de ofício, como omissão de rendimentos, a receita da atividade rural omitida, conforme demonstrado nos anexos 1A 113 e 1C. [...]” Cientificada da exigência tributária em 22/07/2009, e irresignada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a contribuinte apresentou impugnação em 24/08/2009 (fls. 208/234), instruída com os documentos de fls. 235 e seguintes, em síntese, alega as seguintes razões. Conforme revela a sua inscrição de produtor rural (DOC. 2), vem desenvolvendo, em regime de parceria com seu esposo (Alfeu Librelotto De Bortoli), seu cunhado(Marcos De Bortoli) e sua cunhada (Elaine Soares Moura De Bortoli), atividade agropecuária no Estado do Rio Grande do Sul há muitos anos. Entre as atividades desenvolvidas pela Impugnante e seus parceiros rurais destacamse a cultura de soja, trigo, milho e a criação de gado leiteiro. Diante disso, o Impugnante é contribuinte do Imposto de Renda decorrente da Atividade Rural. Ocorre que, em 23 de julho de 2009, a Impugnante foi notificada da lavratura do Auto de Infração referente à constituição de crédito tributário de Imposto de Renda apurado no valor total de R$ 412.698,32,, relativo ao período de 01/01/2004 a 31/12/2006. Todavia, conforme se demonstrará ao longo da Impugnação, os lançamentos efetuados pelos agentes fiscais são totalmente equivocados, carecedores de embasamento fático Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11070.000963/200861 Acórdão n.º 2102003.100 S2C1T2 Fl. 2.448 5 e legal, além de arbitrários, uma vez que, fazse imperioso reconhecer todos os argumentos de fato e de direito expostos na presente Impugnação. A Turma de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucional idade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. JUROS SELIC. A utilização dos percentuais equivalentes à taxa referencial do Selic para fixação dos juros moratórios está em conformidade com a legislação vigente. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demanda juízo técnico. Todavia, ela não integra o rol dos direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendêla prescindível, não acolher o pedido. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente escrituradas em Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. A contribuinte foi cientificada do acórdão n° 1812.459 da 2ª Turma da DRJ/STM em 30/06/2010 (fl. 2.401). Sobreveio Recurso Voluntário em 30/07/2010 (fls. 2.404/2.419). Em síntese, a contribuinte aduziu que: “11.1 — DAS PRELIMINARES 11.1.1 — DO CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA Registrase, primeiramente, que a decisão ora recorrida, ao indeferir o pedido de perícia por entender que a perícia e a Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 diligência são provas de caráter especial, cabíveis nos casos em que a interpretação dos fatos demanda juízo técnico ." (fl. 2.398) acabou por cercear o direito de defesa da recorrente. A ora recorrente comprovou a necessidade de realização de uma completa perícia, principalmente, em decorrência do grande número de documentos contábeis e fiscais juntados aos autos e da complexidade da matéria e do conjunto de pedidos formulados. Nesse sentido, ressaltase a perfeita plausibilidade e a efetiva necessidade da perícia contábil, mormente por depender a prova dos fatos de conhecimento técnico específico. [...] 11.1.2 DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGENCIA Dada a complexidade da matéria e o conjunto de pedidos formulados, é impossível o deslinde do caso, sem a realização de perícia, sendo que sem uma perícia não terão os julgadores os subsídios necessários para decidir o conflito em tela. Ademais, em face da natureza da matéria ora discutida, especialmente com relação à eventual necessidade de comprovação dos valores indevidamente inseridos no auto de infração impugnado, bem como da ilegalidade do auto de infração em razão da impropriedade dos cálculos realizados, configurase imprescindível a realização de perícia contábil. [...] 11.1.3 DA NECESSIDADE DE SEREM OBSERVADOS OS PRECEDENTES ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS PELA ADMINISTRAÇÃO Inobstante as considerações da Turma Julgadora sobre a limitação da eficácia dos acórdãos as partes envolvidas no caso, importante registrar que as experiências jurídicas dos órgãos judicantes, entre eles os órgãos judiciais e os de soluções administrativas, criam o que doutrina chama de precedente. O precedente, então, nasce como uma regra de um caso e, em seguida, terá ou não o destino de tornarse a regra de uma série de outros casos análogos. Quando o processo administrativo é julgado contra a Administração Pública, tornase um precedente vinculante à administração, não podendo ser objeto de questionamento judicial por parte da Administração Pública. [...] Ou seja, se o administrado traz ao processo decisões administrativas ou judiciais de casos muito semelhantes ao seu e que possuem posicionamento favorável aos argumentos trazidos por ele, não há como a decisão administrativa não manifestarse a respeito do exposto, pois senão estará cerceando a defesa do administrado. 11.2 DO MÉRITO 11.2.1 DA IMPOSSIBILIDADE DE SE CONSIDERAR COMO RENDA OS DEPÓSITOS/CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11070.000963/200861 Acórdão n.º 2102003.100 S2C1T2 Fl. 2.449 7 11.2.1.a DA NECESSIDADE DE SEREM EXCLUÍDAS AS RECEITAS CUJA ORIGEM FOI COMPROVADA O entendimento da turma julgadora em relação aos depósitos bancários, indevidamente considerados como omissão de rendimentos no auto de infração, não se coaduna com os fatos ocorridos e provados no presente caso (fls. 2.393/2.394): [...] Ao contrário do que entendeu a turma julgadora, devem ser excluídos do auto de infração todos os depósitos bancários cuja origem foi comprovada. A ora recorrente nos anexos ao auto de infração, comprovou, através de documentos idôneos, os depósitos cuja origem foram: a receitas consideradas em duplicidade (DOM 3A, 313 e 3C); todas as despesas tidas com a atividade agrícola (DOCS 4A, DOC. 413, DOC. 4C e DOC 4D). Não foram excluídas a tributações em duplicidade da mesma receita e nem foram consideradas as despesas da atividade agrícola comprovadas documentalmente pela recorrente (DOCS 4A, DOC. 413, DOC. 4C e DOC 4D), as quais são provas inequívocas que os depósitos bancários não podem ser presumidos como renda. Na verdade, como restou comprovado na impugnação a ora recorrente teve efetivo prejuízo na atividade rural por ela desenvolvida, nos anos a que se refere o auto de infração discutido (2004, 2005 e 2006). [...] Verificase no texto legal que a tributação por meio de depósitos bancários é juris tantum, ou seja, uma presunção relativa que pode a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte sua produção. No caso em tela, a ora recorrente fez a prova em contrário, mas a Turma julgadora insiste na manutenção da presunção, como se a mesma fosse absoluta. [...] Portanto, tendo a recorrente comprovado a origem dos depósitos em conta corrente, apresentando documentos que denotam, inequivocamente, possuírem estes depósitos em questionamento origem (já submetida à tributação ou isenta), resta elidida a presunção, devendo ser descaracterizado e cancelado o auto de infração nela baseado. 11.2.1.b DA IMPRESTABILIDADE DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA COMO BASE PARA LANÇAMENTO FISCAL Outrossim, não poderia a fiscalização ter utilizado como base para o lançamento fiscal unicamente a movimentação bancária, considerando como omissão de rendimento todo e qualquer crédito efetuado nas contas correntes da contribuinte lolanda Correa De Bortoli, ora recorrente. Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Sabese que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, sendo impróprio o auto de infração lavrado exclusivamente com base em depósito bancário e que desconsidera as demais informações disponíveis. O simples crédito em conta corrente bancária não tipifica renda e não tem a conotação de acréscimo patrimonial. [...] Ao considerar como omissão de rendimentos todos os valores dos depósitos efetuados nas contas correntes da recorrente, para fins de lançamento de Imposto de Renda, a autoridade fiscal extrapolou os limites legais e constitucionais do próprio tributo. [...] Com efeito, não poderia a Turma Julgadora, diante da prova efetiva da origem dos créditos existentes em conta corrente, bem como de todas as despesas por ela efetuadas na atividade agrícola isso sem falar nos empréstimos, tributação em duplicidade etc. manter o entendimento de que todos os depósitos efetuados nas contas correntes da recorrente devem ser considerados como omissão de rendimentos. 11.2.2 DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE DE UMA ÚNICA RECEITA Primeiramente, a diferença entre o que foi depositado em conta corrente com a receita contabilizada nos blocos de produtor rural não reflete se houve ou não omissão de receita da atividade rural. Seria necessário comparar os depósitos em conta corrente de um ano com o bloco de produtor daquele ano e dos anos seguintes para se verificar se houve efetivamente omissão de receitas ou simples recebimento adiantado de valores para entrega futura. Sabese que os adiantamentos recebidos por conta de entrega futura de produto somente constituem receitas do período base em que o produto for entregue. Em segundo lugar, assim como "não se pode presumir que o contribuinte tenha depositado em contas bancárias todo o produto de suas vendas para as empresas em questão.", também não se pode presumir que a recorrente não tenha depositado todo o valor referente ao produto de suas venda agrícolas em suas contas correntes. Não poderia o auto de infração estar baseado em presunção, não prevista em norma legal, para inferir que os valores das notas fiscais emitidas em valor superior aos créditos em conta corrente não se referem a entregas de produtos de cujo pagamento foi recebido antecipadamente. Se a recorrente e seus parceiro , como uma forma de financiar a própria atividade rural, realizam inúmeros contratos de compra e venda de produtos agrícolas (soja, trigo, milho etc.) com entrega futura , os valores recebidos adiantadamente não podem ser considerados rendimentos do ano de recebimento, mas somente no ano da entrega. Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11070.000963/200861 Acórdão n.º 2102003.100 S2C1T2 Fl. 2.450 9 Isto porque o produto é vendido em um momento (geralmente na data do plantio), com o pagamento antecipado mediante crédito nas contas correntes do vendedor, mas o produto somente é entregue após a colheita, quando então é emitida a Nota Fiscal e computada a receita desta compra e venda. Resta claro, pois, que o ingresso financeiro dos recursos em contas correntes bancárias, por si só, não materializa receita da atividade rural, que para ser configurada depende da efetiva entrega do produto. No presente caso, em virtude da estiagem que assolou o Estado no ano de 2004, a maior parte dos produtos prometidos à venda neste ano, foi entregue apenas em 2006, muito embora os ingressos financeiros tenham ocorrido já no ano da contratação (2004). Com isso, no ano de 2006, constatase um montante de Notas Fiscais emitidas muito superior aos créditos em conta corrente da recorrente e de seus parceiros rurais. A fiscalização, no entanto, no auto de infração ora impugnado, erroneamente, utilizouse de critério que não considerou a circunscrição legal para a materialização do conceito de receita da atividade rural, na venda de produtos agrícolas com entrega futura. Para apurar valor que considerou omissão de receita da atividade rural, a fiscalização considerou o excedente dos créditos constantes nos extratos bancários, caracterizados como oriundos dessa atividade, com o valor de emissão das notas fiscais. Se apenas considerasse tais créditos em conta corrente bancária como receita da atividade rural, estarseia apenas deslocando o momento do fato gerador. Todavia, incorrendo em outra impropriedade, o critério eleito pela fiscalização, quando o valor da efetiva emissão da Nota Fiscal foi superior aos créditos em conta corrente bancária, tal diferença não foi excluída do valor tributado excedente aos depósitos do ano, implicando em duplicidade de tributação da mesma receita. [...] Ora, não se pode admitir duplicidade na tributação sobre um único rendimento, razão pela qual deverão ser sempre consideradas, nas vendas antecipadas da safra, as receitas computadas com a entrega do produto e não as receitas recebidas antecipadamente. [...] Apesar disso, no presente caso, além da autoridade fiscal ter considerado a receita das vendas antecipadas da safra na data do ingresso antecipado dos valores nas contas correntes da contribuinte, deixou de considerar os tributos pagos no ano em que o produto foi efetivamente entregue. Diante disso, impõese que seja excluído da base de cálculo do imposto de renda, lançado no auto de infração contestado, o Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 total de R$ 2.946.073,25 (dois milhões, novecentos e quarenta e seis mil, setenta e três reais e vinte cinco centavos), eis que se refere a receitas já oferecidas à tributação pela ora recorrente. 11.2.3 DA NECESSIDADE DE SEREM CONSIDERADAS AS DESPESAS RELACIONADAS À ATIVIDADE RURAL COMPROVADAS MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA Impende consignar que a Turma julgadora deixou de considerar as enormes despesas decorrentes da atividade rural havidas pela recorrente, as quais foram devidamente comprovadas no presente processo administrativo (fls. 2.396/2.397): [...] Assim, independente da escrituração, para fins de apuração da receita tributável na atividade agrícola é fundamental a dedução das despesas com o custeio da atividade, eis que "Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas de custeio e dos investimentos pagos no anocalendário, correspondentes a todas as unidades rurais exploradas pela pessoa física." (art. 11, IN/SRF n. 83/01). [...] O total de despesas da Parceria Agrícola, entre compras (compras de semente soja, trigo, aveia) e despesas, no período, decorrentes da própria atividade, não consideradas pela fiscalização, foi de R$ 9.849.107, 18 (nove milhões, oitocentos e quarenta e nove mil, cento e sete reais e dezoito centavos). Assim, 25% de todas essas despesas devem ser deduzidas da base de cálculo da recorrente, o que representa uma dedução de R$ 2 .462.276, 80 (dois milhões quatrocentos e sessenta e dois mil duzentos e setenta e seis reais e oitenta centavos). [...] Insta ressaltar que a Parceria Rural existente entre a Impugnante, seu marido Alfeu Librelloto de Bortoli, seu cunhado Marcos Librelotto de Bortoli e sua cunhada Elaine Soares Moura de Bortoli, é na proporção de 25% para cada um, CONFORME RECONHECIDO no próprio auto de infração, no ANEXO 2A, folha 637 do auto de infração. Assim, cabe a cada um dos parceiros deduzir 25% das despesas totais da Parceria. [...] Como o resultado da atividade rural é a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no ano calendário, mister a realização do cotejo entre as receitas apuradas pela agente fiscal e impugnadas no item anterior (Total: R$ 1.868.589,05) e as despesas comprovadas pela impugnante e não consideradas para fins de apuração da base de cálculo (Total: R$ 2.462.276,80), para a averiguação do lucro/prejuízo da atividade rural. [...] No caso em tela, tendo a Parceria Agrícola gerado prejuízo no período, conforme devidamente comprovado nos DOC 4A, DOC. 413, DOC. 4C e DOC 413, não há que se falar em imposto de renda na atividade rural da Impugnante: [...] Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11070.000963/200861 Acórdão n.º 2102003.100 S2C1T2 Fl. 2.451 11 Diante do exposto, frente aos argumentos de fato e de direito acima mencionados, e, ainda, diante do prejuízo comprovado pelos documentos juntados à Impugnação, concluise que INEXISTE RENDA A SER TRIBUTADA NA ATIVIDADE RURAL DA RECORRENTE, devendo ser reformado a decisão da 2ª DRJ/STM para excluir do auto de infração todos os valores considerados como omissão de receitas da atividade rural. 11.2.4 DA OBRIGATORIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO EM RECONHECER VÍCIO DE INCONSTITUCIONALIDADE A decisão ora recorrida não analisou algumas questões apontadas pela recorrente na defesa apresentada em razão da alegação de que a autoridade julgadora não pode, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de aplicar as normas cuja validade está sendo questionada pela defesa. Contudo, cumpre discordar acerca da negativa por parte da turma julgadora de analisar os vícios de inconstitucionalidade presentes em seus atos, sob a alegação de que é incompetente para tal. [...] 11.2.5 DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA Entenderam os julgadores da Delegacia que o agente fiscal aplicou corretamente a multa imposta, conforme prevê a legislação pertinente e que a autoridade tributária não pode, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de aplicar as normas cuja validade está sendo questionada na defesa , pois não possui a prerrogativa do controle de constitucionalidade. Contudo, é evidente a inconstitucionalidade da multa imputada a ora recorrente, devido, principalmente, ao seu caráter nitidamente confiscatório, expressamente proibido pelo inciso IV, do artigo 150, da CF/88. E, nem se venha dizer , como acima visto, que está proibida a instância julgadora de analisar a questão por se tratar de matéria de constitucional idade. A administração tributária ao impor multa de 75% do valor decorrente da obrigação tributária principal , transgride as normas jurídicas , extrapolando os limites constitucionais permissivos a este ataque, o patrimônio privado, empregando a administração tributária esses comandos com nítidos fins confiscatórios. [...] 11.2.6 DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Com relação a aplicação da Taxa Selic, deixou de analisar os argumentos trazidos pela recorrente, se limitando a fundamentar seu posicionamento em leis anteriores a Lei n. 9.430/96.[...] Data maxima venia, a taxa Selic não pode ser usada como base para a apuração dos juros moratórios de crédito tributário, tudo conforme será demonstrado abaixo. Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Inicialmente, é preciso destacar que a Lei n. 9.430/96 não prevê o que seja taxa Selic, apenas determina a aplicação da mesma, sem indicar qualquer percentual, apenas delegando indevidamente seu cálculo a ato governamental, com interferência direta do Banco Central do Brasil. A taxa Selic só poderia ser utilizada pela União Federal para fins tributários, acaso existisse lei estabelecendo explicitamente os critérios para a sua apuração. In casu, verificase que o art. 61 da Lei no 9.430/96, apenas determinou a aplicação da Taxa Selic, não tendo explicitado os critérios para a sua apuração. [...] Ademais, a taxa Selic não pode ser usada como juros moratórios, eis que possui nítido caráter remuneratório, tendo sido criada para apurar rendimento de títulos federais, não podendo, desta forma, ser utilizada como juros de mora para fins tributários, eis que os juros remuneratórios caracterizando se como contrapartida devida pela utilização de um bem econômico de propriedade alheia, já os juros moratórios visando recompor o patrimônio ofendido pela mora do devedor, não podendo por isso ser substituído por juros cuja função e remunerar o capital emprestado. [...] IV — DOS PEDIDOS ANTE O EXPOSTO, requer dignese Vossas Senhorias julgar procedente o presente Recurso Voluntário, para o efeito de declarar a nulidade da decisão administrativa de 1º grau, ora recorrida, ou alternativamente, caso Vossas Senhorias entendam pela inexistência da mesma, seja reformada a decisão recorrida nos pontos atacados no presente recurso, cancelandose as exigências fiscais contidas nos Autos de Infração impugnados, total ou parcialmente, por uma ou mais das fundamentações acima expostas.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Inicialmente, quanto às preliminares, deixo de analisálas, considerando que no mérito darseá provimento ao recurso. Cuidase os presentes autos de Omissão de Rendimentos oriundos da Atividade Rural, pelo qual o Fisco, com base nos valores depositados, nas contas correntes de cada parceiro da atividade agrícola (Iolanda Correa de Bortoli, Marcos Librelotto de Bortoli, Alfeu Librelotto de Bortoli e Elaine Soares Moura de Bortoli), pelas empresas adquirentes dos produtos, elaborou as planilhas denominadas de Anexos 1A, 1AA, 1AB, 1B, 1BA, 1B B, 1C, 1CA, 1CB, constante em fls. 182/200, e comparou/confrontou aqueles valores Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11070.000963/200861 Acórdão n.º 2102003.100 S2C1T2 Fl. 2.452 13 depositados com o total de receitas auferidas por todos os parceiros agrícolas, receitas estas, apuradas com base nos blocos de produto rural e no livro caixa da atividade rural, apresentados pela contribuinte, sendo o total da receita apurada em cada anobase dividida por 4 (quatro), equivalente a 25%, e a diferença considerada omissão de rendimentos na proporção de 25% que cabe à recorrente. Conforme constatase na decisão a quo, o lançamento foi efetuado com base, única e exclusivamente, nos depósitos bancários, fundamentado no art. 42 e parágrafos, da Lei n° 9.430, de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Abaixo, transcrevese excertos da decisão a quo: “A presente tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários pautouse no art. 42 e parágrafos, da Lei n° 9.430, de 1996, que estabeleceu, a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Transcrevese, a seguir, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que embasou o lançamento, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” No entanto, conforme se verifica do Auto de Infração, o Fisco atribuiu ao contribuinte Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, conforme consta em fls. 178, abaixo reproduzida: “ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL Omissão de rendimentos provenientes de atividade rural, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, conforme demonstrado no Relatório da Ação Fiscal anexo a esse Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2004 R$ 256.592,94 75,00 31/12/2005 R$ 174.484, 09 75,00 31/12/2006 R$ 276.868,63 75,00” Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 Resta ratificado em fls. 182, 188 e 195, que todo o cálculo realizado pelo Fisco, baseouse na Omissão de Rendimentos provenientes da Atividade Rural. Embora todas diferenças apuradas resultaram da análise dos depósitos bancários, o Fisco optou por não utilizar a presunção legal, prevista no art. 42, supracitado, e autuou a contribuinte com base em omissão de receitas brutas da atividade rural, sem no entanto, apresentar qualquer prova de que efetivamente ocorreu tal omissão. Por ser assim, abrindo mão da presunção legal, cabia ao Fisco comprovar a efetiva omissão de receita. Não bastava a este apurar diferença a tributar, qual seja, “a soma dos depósitos efetuados nas contas correntes dos parceiros durante o ano, relativas as vendas de produtos rurais menos receita bruta da atividade rural, apurada com base nos blocos de produtor apresentados pelo contribuinte. Os valores das vendas, constantes nos blocos de produtor (anexo A3) foram tributadas pelo contribuinte. Quando o montante dos depósitos bancários, relativos as vendas de produtos agrícolas (coluna C) é maior que a receita bruta tributada (coluna D) a diferença é considerada omissão de receita bruta da atividade rural.” Assiste razão à contribuinte quando afirma que é comum acontecer na atividade rural, como uma forma de financiar a própria atividade, a realização de contratos de compra e venda de produtos agrícolas com entrega futura. O produto é vendido em um momento (geralmente na data do plantio) e o pagamento é antecipado mediante crédito nas contas correntes do vendedor, mas o produto somente é entregue após a colheita, quando então é emitida a Nota Fiscal e computada a receita desta compra e venda. Isto se justifica e resta comprovado pelo próprio levantamento fiscal, pelo qual, citase por exemplo, que no anobase de 2006, em relação à Bunge Alimentos, a receita bruta conforme depósito bancário foi de R$ 87.719,38, e a receita bruta conforme Notas Fiscais emitidas constantes dos Blocos de Produtor Rural, foi de R$ 2.535.186,99, resultando uma diferença negativa de R$ 2.447.467,61. Em todos os anos sob litígio, o Fisco desconsiderou os valores negativos, quando estes em verdade, representam antecipação do pagamento e depósitos em períodos anteriores. A emissão da Nota Fiscal ocorre na data da efetiva entrega das mercadorias, e atende ao determinado pelo § 2º do art. 61 do Decreto n. 3000/1999: Art. 61, A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. § 2º Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. A orientação de quando deve ser emitida as Notas Fiscais, é disciplinada também pelo art.19 da IN/SRF nº 83/01, que assim dispõe: Art. 19. Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, são computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. Portanto a forma de apuração realizada pelo Fisco, por certo, resta equivocada, pois a apuração foi realizada com base nas notas fiscais emitidas e os depósitos dos respectivos anoscalendário, os quais não representam a realidade dos fatos. Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11070.000963/200861 Acórdão n.º 2102003.100 S2C1T2 Fl. 2.453 15 Salientase ainda, que as empresas envolvidas, à maioria, são de grande porte, quais sejam, Bunge Alimentos, Coop. De Carnes Serrana, Distribuidora de Carnes, Emegê Produtos Alimentícios, Escritório Rural, Frigorífico Arge Ltda, Mepal, N. N. Negócios Ruarais, Razera Agrícola, Sementes Sul, Avipal S.A., Bianchini S.A., Coop. Soledade, Moinho do Nordeste, Moinho Vacaria, Cotribá, J.B. Sementes, Tondo, portanto, não se justifica que estas tenham efetuado depósitos em favor da recorrente e seus parceiros, sem ter exigido a respectiva Nota Fiscal das mercadorias. O simples crédito em conta corrente bancária não autoriza o Fisco considerar como efetiva renda da atividade rural, sem apresentas as respectivas origem das receitas. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. Ademais, para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Por ser assim, considerando que a apuração do imposto baseouse em omissão de rendimentos oriundos da atividade rural, desprovidas de provas, o Auto de Infração não pode prosperar. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso, para cancelar o Auto de Infração referente a omissão de rendimentos da atividade rural. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979183/2009-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 83 /2 00 9- 20 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979183/200920 Acórdão n.º 3801004.555 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 45,08, ocorrido em 15/08/2005, com débito próprio de PIS cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 16/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 39614. 60402.]4II05.I.2. 040165, relativo ao período de apuração jul/2005. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979183/200920 Acórdão n.º 3801004.555 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 6.935, 70,, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/08/2005 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979183/200920 Acórdão n.º 3801004.555 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979183/200920 Acórdão n.º 3801004.555 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722387/2012-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 592.891.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. ocasionalmente o Conselheiro.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 592.891. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. ocasionalmente o Conselheiro.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 592.891. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. ocasionalmente o Conselheiro. Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI, com ciência pessoal do contribuinte em 28/06/2012, lavrado em razão de recolhimento insuficiente do imposto nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2007 e dezembro de 2009. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal, o recolhimento insuficiente foi apurado após a glosa de créditos tidos como indevidos pela fiscalização. A Companhia de Bebidas das Américas, por meio da filial de ContagemMG, fabrica e comercializa bebidas diversas como refrigerantes, cervejas, isotônicos e etc., classificadas no Capítulo 22 da Tabela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 22 38 7/ 20 12 -5 3 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13603.722387/201253 Resolução nº 3403000.500 S3C4T3 Fl. 4 2 de Incidência do IPI. O contribuinte escriturou na linha “005 Outros Créditos” do livro de apuração de IPI créditos fictos do imposto decorrentes da aquisição de produtos oriundos da Amazônia Ocidental, com base no art. 6º, § 1º , do DecretoLei nº 1.435/75, matriz legal do art. 175 do RIPI/2002. Após ter intimado as fornecedoras da AMBEV a prestarem informações, a fiscalização constatou o seguinte: 1) A AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA (CNPJ 03.134.910/000155), informou que as saídas dos produtos destinados à AMBEV foram amparadas no art. 69, II e art. 82, III, do RIPI/2002. Informou que somente os “concentrados para refrigerantes sabor de guaraná” foram produzidos a partir do extrato de semente de guaraná, originário da Amazônia Ocidental, tendo sido a isenção do IPI nestas saídas amparada pelo art. 82, III, do RIPI/2002 (Isenção Amazônia Ocidental). O não destaque do IPI na venda dos outros concentrados produzidos pela empresa está amparado pela isenção prevista no art. 69, II, do RIPI/2002 (Isenção para produtos industrializados na ZFM); 2) A AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA (CNPJ 03.134.910/000236) informou que a saída de seus produtos (rolhas metálicas) sem destaque de IPI está amparada pelo art. 69, II, do RIPI/2002 (Isenção ZFM). Não foram utilizadas matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional na elaboração dos seus produtos; 3) VALFILM AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (CNPJ 03.071.894/000107) informou que as saídas do filme stretch para a AMBEV foram amparadas no art. 69, II, do RIPI/2002 até a nota fiscal 22.722, emitida em 17/09/2008. A partir da nota fiscal nº 23.254, de 10/10/2008, as saídas ocorreram com a isenção do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 (art. 82, III, do RIPI/2002). Esclareceu que a saída de produtos fabricados pela empresa com a isenção do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 ocorreu somente a partir de junho de 2008 e que a primeira saída de produtos fabricados utilizando óleo de dendê em sua fabricação ocorreu somente em setembro de 2008; 4) PEPSICOLA INDUSTRIAL DA AMAZÔNIA LTDA (CNPJ 02.726.752/000160) informou que fabrica concentrado, base e elducorante para bebidas não alcoólicas, conforme projeto aprovado pela Resolução SUFRAMA 356/2002 e que seus produtos são fabricados com os incentivos previstos no art. 69, II e art. 82, III, do RIPI/2002. Em que pese a clareza do termo de intimação no sentido de que fosse prestada informação quanto à utilização de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional na fabricação de cada um dos concentrados e se os mesmos continham suco de frutas ou extrato de semente de guaraná, na resposta da PEPSICOL não houve nenhuma menção dos citados produtos, condição essencial para que a saída ocorresse ao amparo do art. 82, III, do RIPI/2002. A PEPSICOLA informou que utilizou como insumo o corante caramelo industrializado pela empresa DD Williamson do Brasil Ltda, que segundo a PEPSI, teria informado que na produção do corante caramelo utilizaria matériaprima extrativa vegetal proveniente do Mato Grosso. Intimada, a empresa DD Williamson do Brasil informou que na produção do corante caramelo utiliza açúcar mascavo (classificação fiscal 1701.1100) como matériaprima de produção regional e apresentou a nota fiscal de aquisição deste produto junto à Cooperativa Agroextrativista da Vila União, localizada no Amazonas, em 2011; 5) AMÉRICA TAMPAS DA AMAZÔNIA S/A (Atual denominação de Crown Tampas da Amazônia S/A) informou que no período de 2007 a 2009 o não destaque de IPI nas Fl. 509DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13603.722387/201253 Resolução nº 3403000.500 S3C4T3 Fl. 5 3 saídas de rolhas e tampas plásticas foi amparada no art. 81, I e II do RIPI/2010 (que corresponde ao art. 69, I e II do RIPI/2002) e que não aplica aos produtos a isenção prevista no art. 82, III, do RIPI/2002 , mas sim o benefício previsto no art. 69 do RIPI/2002; Diante das respostas dos fornecedores, a fiscalização entendeu que somente os concentrados para a produção de guaraná da AROSUCO (Matriz) e o filme stretch da VALFILM, vendido a partir de junho de 2008, estariam aptos a gerarem o crédito ficto previsto no art. 175 do RIPI/2002, por possuírem nas suas composições matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (semente de guaraná e o azeite de dendê). A fiscalização glosou o crédito apropriado pelo contribuinte, sob o argumento de que os demais produtos adquiridos não se enquadram na previsão contida no art. 82, III, do RIPI/2002 e que a isenção prevista no art. 69, II, do RIPI/2002 não gera direito ao crédito do IPI para o estabelecimento adquirente. Em sede de impugnação, a defesa alegou, em síntese, o seguinte: 1) Ocorreu a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento em relação aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2007 e o primeiro decêndio de junho de 2007, por força do disposto no art. 150, § 4º do CTN; 2) Relativamente aos produtos adquiridos e cuja desoneração do IPI teve por base o art. 6º do DL nº 1.435/75 (art. 82, III, e 175 do RIPI/2002), alegou que se a SUFRAMA reconheceu que seu fornecedor faz jus a esse benefício, a fiscalização não pode desqualificar a Resolução daquela autarquia para glosar o crédito, pois é a SUFRAMA quem possui a competência para administrar os incentivos fiscais e não a Receita Federal. Disse que a maioria das glosas recaiu sobre concentrados destinados à produção de bebidas não alcoólicas denominadas Pepsi, Pepsi Light, Pepsi Twist e Pepsi Twist Light. Todos esses concentrados levam o corante caramelo, que é um insumo industrializado a partir do açúcar de cana plantada no Mato Grosso, atendendo assim ao requisito de matériaprima vegetal originária da região amazônica (Amazônia Legal, definida no art. 2º da Lei nº 5.173/66 e art. 45 da LC nº 31/77). Por tal razão é que a SUFRAMA ao avaliar e aprovar o projeto da PEPSICOLA INDUSTRIAL DA AMAZÔNIA LTDA, reconheceu expressamente que ela faz jus ao incentivo previsto no art. 6º do DL nº 1.435/75, que é justamente o fundamento legal do art. 82, III, e 175 do RIPI/2002 (Resolução 356/2002 da Suframa, doc. 2); 3) O entendimento da fiscalização é ilegal porque o exame da legislação (art. 6º do DL nº 1435/75 e arts. 82, III e 175 do RIPI/2002) revela que não existe obrigatoriedade de que o extrato vegetal integrante da mercadoria industrializada seja típico da região amazônica, havendo apenas a necessidade de que seja produzido localmente. Quando se pretendeu impor o uso de extrato vegetal típico da região amazônica a legislação estabeleceu de forma expressa, como no caso dos produtos de perfumaria e preparações cosméticas. Estes são obrigados a utilizar quantidades mínimas de “matériasprimas da fauna flora regionais” (Decreto nº 783/93, Anexo X, observação 2). Assim, o corante de caramelo fabricado a partir do açúcar produzido com a cana plantada no Mato Grosso é suficiente para conferir a todos os concentrados o pressuposto para se enquadrar no art. 6º do DL nº 1.435/75; 4) Em resposta a uma consulta formulada pela PEPSICOLA, a SUFRAMA confirmou o entendimento da recorrente, no sentido de que o açúcar de cana utilizado na fabricação Fl. 510DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13603.722387/201253 Resolução nº 3403000.500 S3C4T3 Fl. 6 4 do concentrado, base edulcorante para bebidas não alcoólicas, classificase como matériaprima originária de extrato vegetal regional, até porque “admitese que a matériaprima regional seja originária de cultivo” .(doc. 4); 5) Acrescentou que o termo “regional” não pode ser restrito à área da Amazônia Ocidental”, para efeito de interpretação do art. 6º do DL nº 1.435/75. A Amazônica Ocidental compreende o local em que deve estar o estabelecimento industrial, pois já se fomentava a instituição de polo industrial local, mas não o local da produção do extrato vegetal, que se estende pela região da “Amazônia Legal”. Por isso, é ilegal pretender limitar o crédito apenas a mercadorias produzidas com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais da Amazônia Ocidental. Nesse sentido, é o entendimento contido na Portaria Interministerial MICT/MCT nº 842/2007, que descreve o processo produtivo mínimo obrigatório par a fabricação de materiais de perfumaria e preparações cosméticas; 6) O órgão competente para a concessão dos incentivos, a manifestação sobre sua extensão e a observância de suas condições é a Suframa. Desde a instituição da ZFM (art. 23 de Decreto nº 61.244/67) até os dias atuais (art. 4º, I, “c”, anexo ao Decreto nº 7.139/2010) é atribuição da Suframa aprovar “os projetos de empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos nos arts. 7º e 9º do DecretoLei nº 188, de 1967, e no art. 6º do DecretoLei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, bem como estabelecer normas, exigências, limitações e condições para a aprovação dos referidos projetos.” Portanto, como a PEPSICOLA produz os concentrados utilizando como insumo o açúcar (extrato vegetal originário da região amazônica ou Amazônia Legal, ela faz jus ao incentivo do art. 6º do DL nº 1.435/75, tal como reconheceu a Suframa. Em conseqüência, deve ser cancelada a glosa dos créditos correspondentes aos produtos aquiridos pela impugnante; 7) Ainda que superada a argumentação acima, os estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, mesmo que não estejam enquadrados nos arts. 82, III e 175 do RIPI/2002, possuem tratamento diferenciado à luz do art. 40 do ADCT da CF/88. Embora o STF tenha definido que as aquisições de insumos isentos do IPI, em regra, não conferem ao destinatário do produto o direito de apropriar créditos do imposto, tal entendimento não se aplica às aquisições de insumos produzidos na ZFM, conforme se extrai dos esclarecimentos prestados pelo Relator do RE 566.819, transcritos na impugnação. O reconhecimento ao direito de crédito de IPI em se tratando de insumos isentos recebidos de estabelecimentos na ZFM é matéria sujeita à repercussão geral reconhecida nos autos do RE 592.891 e em embargos de declaração opostos no já mencionado RE 566.819. Sustentou que se a constituição dispensa tratamento privilegiado aos estabelecimentos localizados na ZFM não se sustenta a pretensão fiscal de vedar o crédito de IPI nas aquisições de fornecedores localizados naquela região; Por meio do Acórdão 41.329, de 28 de setembro de 20102, a 3ª Turma da DRJ – Juiz de Fora julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade em acórdão que recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2007 a 31/12/2009 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13603.722387/201253 Resolução nº 3403000.500 S3C4T3 Fl. 7 5 INSUMO DESONERADO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. Somente as entradas isentas que se derem com fundamento no inciso III, do art. 82, do Decreto nº 4.544/02, irão garantir o direito ao crédito incentivado instituído pelo DecretoLei nº 1.435/75, conforme disposição expressa do art. 175, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI 2002). INSUMO DESONERADO. DIREITO AO CRÉDITO. Não existe direito ao crédito na aquisição de insumo que não seja onerado pelo imposto, exceção feita aos casos em que a própria legislação do imposto prevê a possibilidade de créditos incentivados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Uma vez cientificado o auto de infração dentro do prazo de cinco anos do encerramento de período de apuração decendial em que a fiscalizada tenha realizado pagamento espontâneo e antecipado, ainda que parcial, de tributo sujeito a lançamento por homologação, como é caso do IPI, não há de se falar em decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento de ofício da parcela do saldo devedor apurado ao final do decêndio e que não havia sido paga. É o saldo devedor do IPI apurado do confronto escritural no RAIPI que se torna passível de, se não pago/compensado/confessado, conformarse, por meio do lançamento de ofício, em crédito tributário da União, elemento este que compõe o objeto do instituto da decadência no âmbito tributário. Assim, a decadência operase sobre o saldo devedor do IPI e não sobre cada qual dos débitos do IPI atinentes às pontuais saídas (vendas) tributadas ou sobre cada qual dos créditos escriturais não admitidos pela legislação tributária, indevidamente aproveitados pelo sujeito passivo e pontualmente glosados pelo Fisco. Impugnação Procedente em Parte” Regularmente notificado daquela decisão em 24/01/2013, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/02/2013, no qual reprisou e reforçou os argumentos lançados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se pode verificar nos autos, as glosas efetuadas pela fiscalização foram motivadas no fato de que os insumos não se enquadravam no disposto no art. 82, III, do RIPI/2002 e que a isenção prevista no art. 69, II, do RIPI/2002 não gera direito ao crédito do IPI para o estabelecimento adquirente. É incontroverso nos autos que uma parcela dos produtos glosados não levou na sua constituição matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, como é o caso das rolhas plásticas e as rolhas metálicas. As saídas da PEPSICOLA não amparadas no art. 82, III, do RIPI/2002, foram amparadas na isenção do art. 69, II, do RIPI/2002 e a discussão sobre o direito ao crédito de IPI Fl. 512DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13603.722387/201253 Resolução nº 3403000.500 S3C4T3 Fl. 8 6 por parte dos adquirentes dessas mercadorias nos mais variados pontos do território nacional é matéria posta ao deslinde por parte deste colegiado. Entretanto, é sabido que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral no RE nº 592.891, cujo tema é o direito ao crédito pela aquisição de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus. Este Colegiado vem decidindo pelo sobrestamento de processos que versam sobre essa questão, diante do recente despacho do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de sobrestar um processo semelhante naquele Colegiado. Com estas considerações, voto no sentido de aplicar o art. 62A, § 1º do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento deste recurso voluntário até que sobrevenha decisão final do STF no RE nº 592.891. Antonio Carlos Atulim Fl. 513DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10980.003142/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA.
Tendo restado devidamente comprovado que os valores levantados pelo Contribuinte em processo judicial trabalhista foram líquidos de imposto de renda, não tendo sido efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, eis que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. Tendo restado devidamente comprovado que os valores levantados pelo Contribuinte em processo judicial trabalhista foram líquidos de imposto de renda, não tendo sido efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, eis que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 31 42 /2 00 7- 71 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Heitor de Souza Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em 02 de março de 2010 (efl. 30) em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (RS) (efls. 45/48), do qual a Recorrente teve ciência em 30 de janeiro de 2010 (e fl. 29), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de efls. 06/09, lavrado em 21 de fevereiro de 2007, em decorrência de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Não confirmada a retenção do IRF sobre valor recebido através de ação judicial da qual foi parte a reclamante, o valor da exação não poderá ser compensável na sua declaração de ajuste. PROVA. Cumpre à reclamante comprovar as suas razões de defesa. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados” (efl. 45). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Discutese, no presente caso, se houve ou não compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, mas não recolhido tempestivamente pela Caixa Econômica Federal. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.003142/200771 Acórdão n.º 2101002.563 S2C1T1 Fl. 42 3 Com efeito, em se tratando de verbas liberadas em razão de decisão judicial, à luz do documento de efls. 10 e 13, caberia à fonte pagadora comprovar, nos respectivos autos, o recolhimento do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão da Justiça Federal. De fato, a obrigação era da Caixa Econômica Federal exatamente pelo fato de que o próprio alvará que determinou o levantamento fez referência expressa à obrigatoriedade de retenção de 27,5% a título de imposto de renda (efl. 10). Concluise, portanto, que a contribuinte adotou o procedimento correto ao declarar ter recebido o valor bruto do INSS com a respectiva retenção na fonte, fazendo jus à compensação do valor do imposto retido, ainda que não recolhido. Ora, conforme autoriza a legislação de regência, mais precisamente o art. 12, V, da Lei n.º 9.250/95, são dedutíveis da base de cálculo de apuração do imposto de renda devido “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo”. As hipóteses de responsabilidade tributária vêm previstas nos arts. 128 e seguintes do CTN, e conforme bem assevera o referido art. 128, “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”, o que se amolda à hipótese vertente, porquanto a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte é da fonte pagadora, consoante o Parecer Normativo n.º 01, de 2002, da Receita Federal do Brasil. A partir da leitura do mencionado parecer, depreendese que, em situações como a ora em análise, em que há a retenção do imposto, mas não há o recolhimento, afigura se a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, in verbis: “IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido.” Sendo efetivamente comprovada a retenção dos valores, bem como considerando que eles constaram corretamente da declaração do contribuinte, a responsabilidade pelo recolhimento é exclusiva da fonte, fato este corroborado pelo recolhimento do tributo pela Caixa Econômica Federal, conforme comprova o documento de e fl. 35. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11065.004335/2004-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE E EQUÍVOCO MATERIAL. DESCABIMENTO.
Não havendo omissão, contradição ou erro material, e, esclarecido a questão da obscuridade, os Embargos de Declaração, devem ser conhecidos e no mérito devem ser rejeitados, mantendo a decisão do r. acórdão embargado.
Embargos de Declaração Conhecidos e Rejeitados
Numero da decisão: 3402-002.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer e rejeitar os embargos. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça, João Carlos Cassuli Junior (relator) e Mônica Elisa de Lima. Designado conselheiro Luiz Carlos Shimoyama para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, JOãO CARLOS CASSULI JUNIOR, MONICA ELISA DE LIMA (SUPLENTE), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: Relator
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CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE E EQUÍVOCO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, contradição ou erro material, e, esclarecido a questão da obscuridade, os Embargos de Declaração, devem ser conhecidos e no mérito devem ser rejeitados, mantendo a decisão do r. acórdão embargado. Embargos de Declaração Conhecidos e Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer e rejeitar os embargos. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça, João Carlos Cassuli Junior (relator) e Mônica Elisa de Lima. Designado conselheiro Luiz Carlos Shimoyama para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 43 35 /2 00 4- 09 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 2 (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, JOãO CARLOS CASSULI JUNIOR, MONICA ELISA DE LIMA (SUPLENTE), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 11065.004335/200409 Acórdão n.º 3402002.372 S3C4T2 Fl. 171 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos pela Delegada da Receita Federal do Brasil (fls. 154/160) e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls.165/166), por suposta “contradição” no v. Acórdão nº 20311.739, exarado pelo extinto Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 139/143, numeração de páginas em meio eletrônico – “ne.”) de relatoria do conselheiro Valdemar Ludvig em sessão de 24/01/2007, por unanimidade votos, em acolher a prejudicial de mérito levantada pela conselheira Silvia de Brito Oliveira para dar provimento por não ter sido efetuado o lançamento; e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, quanto à incidência da taxa Selic, admitindoa a partir da data de protocolização do respectivo pedido de ressarcimento, sendo os respectivos fundamentos sintetizados nas seguintes ementa, súmula e conclusão: PEDIDO DE RESSARCIMENTO PIS NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de ofício. TAXA SELIC. Sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição segundo tratamento dado pelo Decreto n° 2 138/97, seu valor deverá também ser atualizado pela Taxa SELIC nos termos do §4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95. Recurso provido. Entendem as embargantes que a decisão embargada, contém “contradição” quando autorizou o ressarcimento em virtude da ausência de lançamento de ofício dos valores tidos como não tributados pelo contribuinte, de modo que houve confusão entre saldo credor e créditos. Em face destes elementos, as Embargantes requerem que sejam acolhidos os embargos, para o fim de que sejam sanadas as contradições arguidas, para o fim de restringir o mérito do julgamento objeto do recurso. É, em apertada síntese, o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 4 Voto Vencido Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Os Embargos Declaratórios são tempestivos e merecem ser conhecidos, e, no mérito, merecem ser acolhidos, uma vez que efetivamente houve a contradição apontada pelas Embargantes. As Embargantes entendem que há contradição no julgamento embargado, na medida em que, ao prover o recurso do contribuinte para afastar o indeferimento parcial dos créditos ressarciendos pela recomposição do saldo, ao entendimento de que haveriam débitos que deveriam ter sido objeto de lançamento, acaba confundindo saldo credor com créditos. Entendo que, no caso em concreto, a contradição reside não no fato de ter sido pretensamente confundido saldo credor com créditos, mas sim, no fato os que débitos que foram levados pela DRF ao confronto dos créditos, para com isso, reduzir o saldo credor ressarciendo, na realidade não poderiam ter sido submetidos à tributação das contribuições ao PIS e à Cofins, já que na sua essência, não constituem receitas tributáveis. Assim, merece acolhimento os embargos pela ocorrência de contradição, obscuridade ou mesmo, de flagrante equívoco material do julgado (passível de ser pronunciado de ofício pelo Colegiado), pois que na realidade a essência do provimento não está na confusão de saldo credor com créditos, mas sim, na inexistência dos débitos lavrados ao confronto com os créditos para com isso se reduzir o saldo credor objeto do ressarcimento. Verificada a obscuridade ou o equívoco material, como no caso, procedem os embargos declaratórios que devem ser acolhidos para sanar a contradição, obscuridade ou o erro material, merecendo ser feita a analise meritorial do pedido do contribuinte acerca da inclusão ou não dos valores recebidos a título de transferência de saldo credor de ICMS nas bases de cálculos do PIS/Pasep e da Cofins, a qual passo a tecer agora. A querela discutida nestes autos referese à inclusão dos valores provenientes da cessão onerosa, feita pela Recorrente à terceiros, de créditos acumulados de ICMS que o contribuinte mantinha em sua contabilidade em função de suas receitas decorrerem preponderantemente de operações de exportação. A Administração, ao analisar ao pleito de ressarcimento, glosou parte dos créditos acumulados de COFINS não cumulativa, ao entendimento de que o contribuinte deixara de incluir na respectiva apuração, os valores que recebera em função das transferências de créditos de ICMS que fizera a terceiros, o que no seu sentir seria um procedimento incorreto pois que tratarseia de receita tributável. Por seu turno, a Recorrente sustenta trataremse referidos valores de mera recomposição de custos, e que não deveria compor a base de cálculo do tributo em questão, citando jurisprudência e requerendo o provimento de seu recurso. Adentrando ao mérito da causa, de pronto se vê que não se trata de matéria nova, já que se debateu neste Tribunal e no próprio Judiciário, a natureza jurídica do ICMS contido na conta gráfica do sujeito passivo, e sua aptidão de geração de receitas. Posicionome no sentido de que as pessoas jurídicas, quando adquirem seus insumos gravados com o ICMS, e sobre os quais possuam direito ao desconto dos créditos, há uma redução do custo real do insumo adquirido, pois que em verdade o preço que está sendo Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 11065.004335/200409 Acórdão n.º 3402002.372 S3C4T2 Fl. 172 5 pago, precariamente, está sujeito a sofrer “recuperação” quando o contribuinte efetuar a operação subsequente, de venda, gravada pela incidência do mesmo ICMS, ocasião em que recuperará o valor “antecipado” aos cofres públicos por ocasião da aquisição do insumo. Daí porque as normas contábeis e fiscais são unânimes em determinar o registro contábil do ICMS em conta separada dos custos/estoques, pena de “inflar” o custo dos produtos vendidos, reduzindo, consequentemente, o lucro da entidade, base de cálculo dos tributos que sobre essa grandeza – lucro – incidem. Ocorre, no entanto, que as empresas exportadoras acabam não realizando operações de venda gravadas pelo ICMS, por imunidade constitucional, visando com isso, tornar o produto nacional competitivo no mercado internacional, atraindo divisas ao país e positivando nossa “balança comercial”. Em função deste desígnio constitucional, os créditos oriundos das aquisições de insumos feitas pelo exportador, acabam se acumulando em sua “conta gráfica”, submetendo os contribuintes aos procedimentos (normalmente morosos) de obterem junto às Fazendas Estaduais o direito de transferirem referidos saldos credores a terceiros, e, com isso, efetivamente “recuperarem” aqueles custos que tiveram no momento da aquisição dos insumos. Ou seja, não tivessem a opção de transferência onerosa dos créditos acumulados a terceiros, os créditos de ICMS jazeriam em sua escrita, tornandose verdadeiramente em “custo” de produção, transmudando o ICMS em tributo cumulativo, e, como tal, contrariando a Constituição Federal (art. 155). Desta forma, o procedimento de transferência onerosa de ICMS, desde que o seja por valor igual ou menor que o chamado “valor de face” dos créditos, não possui natureza jurídica de receita ou de acréscimo patrimonial a empresa, mas única e tão somente, de recuperação do custo tributário que o contribuinte “antecipou” quando da aquisição dos insumos empregados no processo industrial, não se caracterizando como “receita” da pessoa jurídica, mas de mera recomposição patrimonial a realizar o desígnio constitucional da não cumulatividade. Nesse sentido, aliás, são pertinentes as palavras de Edmar Andrade, que sobre a conceituação de receita, após citar lição de Geraldo Ataliba, posicionase no seguinte modo: "(...) Para Geraldo Ataliba, a receita não se confunde com a mera movimentação de valores (dinheiro), verbis: 'O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de entidade. Nem toda entrada é uma receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que o recebe.' O conceito jurídico de 'receita' não destoa daquele adotado no âmbito das Ciências Contábeis, nada obstante, este abrange também as reduções de passivos, ou não há um ingresso em sentido positivo; existe um ingresso em sentido negativo porque os valores não sairão do patrimônio social. De fato, em antigo pronunciamento, o Instituto Brasileiro de Contadores IBRACO estabeleceu que: 'Receita corresponde a acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, reconhecidos e medidos em Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 6 conformidade com princípios de contabilidade geralmente aceitos, resultantes dos diversos tipos de atividades e que possam alterar o patrimônio líquido.' Acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, designados como receita, são relativos a eventos que alteram bens direitos e obrigações. Receita, entretanto, não inclui todos os acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos. Recebimento de numerário por venda a dinheiro é receita, porque o resultado líquido da venda não implica em alteração do patrimônio líquido. Por outro lado, o recebimento de numerário por empréstimo tomado ou o valor de um ativo comprado a dinheiro não são receita, porque não alteram o patrimônio líquido. Esse conceito de receita não pode ser compreendido em divórcio com o princípio da capacidade contributiva que está submetido ao cânone da supremacia das normas constitucionais e da máxima efetividade, dado que a sua função primordial é a proteção de direitos fundamentais. Pois bem, o adjetivo 'auferida' traduz a idéia de algo que é percebido, ou seja, que é transformado em dinheiro ou bem econômico equivalente, vale dizer, imediatamente conversível em dinheiro. Receita auferida é, portanto, um acréscimo patrimonial juridicamente qualificado; é aquele em que a prestação já está satisfeita. Quisesse a lei tomar o termo receita com a significação que ele tem, por exemplo, no contexto da legislação do imposto de renda, não teria feito a qualificação que ostensivamente fez e vem confirmando ao longo do tempo. Em decorrência, para fins de incidência às contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não basta que a pessoa jurídica tenha receita; é imprescindível que aufira os efeitos do negócio jurídico que lhe deu causa. Um dos efeitos das obrigações em geral é o pagamento; para a caracterização da receita auferida é necessário que ocorra o pagamento em dinheiro ou bem com funções imediatas equivalentes.” (ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. PIS COFINS, Questões Atuais e Polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, pág. 219/221). Corroborando a lição de que é essencial à configuração da "receita" a existência de um elemento novo que passe a compor o patrimônio líquido da entidade, também Aliomar Baleeiro, quanto ao conceito de "receita" propriamente dita, assim se manifestou: "(...) Nem todos os valores que entram nos cofres das empresas são receitas. Os valores que transitam pelo caixa das empresas (ou pelos cofres públicos) podem ser duas espécies: os que configuram receitas e os que se caracterizam como meros ingressos (que, na ciência das finanças, caixa). Receitas são entradas que fortificam o patrimônio da empresa incrementandoo." (In uma Introdução à Ciência das Finanças, Forense, 1976, p. 130). Noutras palavras, para que haja a incidência de PIS ou COFINS, não basta que a pessoa jurídica tenha faturamento que lhe reverta as respectivas “receitas”, entendidas estas de acordo com a normatização contábil, ou mesmo que ingressem valores em seu caixa Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 11065.004335/200409 Acórdão n.º 3402002.372 S3C4T2 Fl. 173 7 ou na conta contábil “Banco”, mas também é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas pela entidade de modo a incrementar positivamente seu patrimônio líquido. Seria o caso de cessão onerosa de créditos de ICMS com ágio, o que, convenhamos, não é lógico e nem a praxe do “mercado”, que certamente paga “deságio” pelos créditos de ICMS adquiridos de terceiros, até pelos riscos que tais operações naturalmente podem oferecer. Assim, tenho que os ingressos provenientes das cessões onerosas de saldos credores de ICMS a terceiros, auferidos pelo exportados, não possuem natureza jurídica de receita, e, como tal, não compõem a base de calculo da contribuição em análise. Neste sentido, destaco os seguintes excertos deste Conselho: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL, COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de 1CMS gerado de operações de exportação anteriormente registrado como encargo tributário não materializa ingresso de elemento novo. O aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação do custo tributário prove o retorno à situação patrimonial anterior, não reunindo condições de qualificála no conceito de receita.” (CARF – 3ª Turma Especial – 3ª Seção – Acórdão nº 380300.770 – Rel. Designado Cons. Belchior Melo de Souza – j. 30.09.2010) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COFINS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. Não incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita.” (CARF – 4ª Câmara – 3ª Turma Ordinária – 3ª Seção – Acórdão nº 340300.707 – Rel. Winderley Morais Pereira – j. 28.10.2010) Esse, aliás, foi o entendimento sufragado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, em sessão Plenária de 22 de maio de 2013, ao julgar o RE nº 606.107/RS, de Relatoria da Ministra Rosa Webber, que em procedimento submetido à repercussão geral houve por bem em reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da tributação pelo PIS e pela COFINS, sobre os valores oriundos da transferência de créditos de ICMS (publicado no Informativo Semanal do STF de nº 707). Em face do julgamento proferido pelo STF, acabam sendo sepultadas as discussões que a respeito poderiam remanescer sobre a temática, sendo que nos termos do art. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 8 62A, do RICARF, cabe a essa Turma julgadora aplicar o referido entendimento, como, inclusive, já vem decidindo esse Colegiado: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/07/2008 CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. É inconstitucional a incidência da contribuição para PIS e Cofins não cumulativas sobre os valores recebidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62A do RI CARF.” (CARF – 2ª Câmara – 2ª TO – 3ª Seção Acórdão nº 3202000.779 – Rel. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza – j. 25.06.2013) Cabe ainda mencionar que, não fosse pelo entendimento pacificado sobre a matéria, ainda caberia, segundo entendo, a aplicação retroativa do preceito contido nos arts. 7º, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008, pois que, embora vigente para períodos a partir de janeiro de 2009, tenho que essa normatização aplicase a atos ou fatos pretéritos, não definitivamente julgados (como é o caso em curso), pois que deixou de considerar os valores provenientes da transferência onerosa de créditos de ICMS como de exclusão obrigatória na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, e, portanto, se lhe aplica o preceito da alínea “b”, do inciso II, do art. 106, do CTN. Assim sendo, por todos os ângulos que se aprecia a questão, concluo que os valores glosados pela Administração, provenientes da cessão onerosa de crédito de ICMS acumulados pela Recorrente em sua conta gráfica em virtude das operações de exportações que realizou, não se configuram como receita, e, portanto, merece guarida o pleito do contribuinte. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração, para sanear a contradição apontada, bem como a obscuridade e equivoco material levantados de ofício, sem efeitos infringentes, mantendo o provimento do recurso para afastar a glosa dos créditos decorrentes da inclusão dos valores das cessões onerosas de créditos de ICMS nas bases de cálculo da contribuição em análise, mantido o provimento a SELIC já consignada no acórdão embargado. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 11065.004335/200409 Acórdão n.º 3402002.372 S3C4T2 Fl. 174 9 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama, Redator Designado. O ilustre Relator votou no sentido de acolher os Embargos de Declaração, para sanear a contradição apontada, bem como a obscuridade e equívoco material levantados de ofício, sem efeitos infringentes, mantendo o provimento do recurso para afastar a glosa dos créditos decorrentes da inclusão dos valores das cessões onerosas de créditos de ICMS nas bases de cálculo da contribuição em análise, mantido o provimento a SELIC já consignada no acórdão embargado. Não é o nosso entendimento. Em relação a esse ponto, com a devida vênia do ilustre Relator, a nosso ver, a melhor interpretação está com o Acórdão original da lavra do conselheiro Valdemar Ludvig: Acórdão nº 20311.739, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, de 24 de janeiro de 2007, cuja Ementa reproduzimos abaixo para melhor entendimento: PEDIDO DE RESSARCIMENTO PIS NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de ofício. TAXA SELIC. Sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição segundo tratamento dado pelo Decreto n° 2 138/97, seu valor deverá também ser atualizado pela Taxa SELIC nos termos do §4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95. Recurso Provido. Contra este Acórdão, foram opostos 2 (dois) Embargos de Declaração, sendo o primeiro, interposto pela Delegada da Receita Federal em Novo HamburgoRS (fls 149/155), e o segundo, pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 160/161), ambos tempestivos, devendo se conhecer da matéria. Alega a primeira Embargante que ocorreu omissões, contradições e obscuridades no trato da inclusão, ou não, das transferências de ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento. Após transcrever trechos do voto embargado, aponta, dentre outros vícios, confusão entre saldo credor e créditos, afirmando o seguinte: Ora, não se pode confundir saldo credor com crédito. Para se chegar ao crédito, fazse necessário, obrigatoriamente, o confronto entre débitos e crédito! De que maneira poderseia chegar ao saldo sem confrontar débitos e créditos? Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 10 A Procuradora da Fazenda Nacional, por sua vez, ratifica as razões externadas nos Embargos da Delegada da RFB em Novo Hamburgo, afirmando que o Acórdão embargado “promoveu um desvirtuamento da sistemática da nãocumulatividade das contribuições PIS/Cofins, existindo contradição no que tange à sistemática do conceito de saldo credor.” Ao enfrentar os 2 (dois) Embargos, o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, na Resolução nº 3401000.324 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06/10/2011, votou da seguinte forma: “Considero haver obscuridade no Acórdão, por não atentar que, em pedido de ressarcimento da Contribuição nãocumulativa, necessariamente há de haver o confronto entre débitos e créditos, par se chegar ao saldo credor. Carece o acórdão, então, de esclarecimento, pelo que admito os dois Embargos (os da Procuradoria da Fazenda Nacional ratificam os da titular da DRFB responsável pela execução do Acórdão). Apesar da admissibilidade, este Colegiado não deve julgar, neste momento, quanto ao acolhimento ou rejeição dos Embargos. É que o tema referente à inclusão (ou não) do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins nãocumulativos está sob análise do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 60.6107, com repercussão geral já definida. Não pode, pois, ser analisado nesta oportunidade, impondose o sobrestamento do julgamento em obediência ao §2º do art. 62A do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Como informa o sítio do Colendo Tribunal na internet (consulta em 03 de outubro de 2011), o debate no RE nº 606107 versa sobre o seguinte: Recurso extraordinário em que discute, à luz dos artigos 149, § 2º, I; 150, § 6º; 155, § 2º, X, a; e 195, caput, I, b, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, da exigência de que o valor correspondente às transferências de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS pela empresa contribuinte seja integrado à base de cálculo das contribuições Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS nãocumulativas. Por oportuno, observo que a matéria também é objeto da ADC nº 18 e do RE nº 2407852/MG. Apreciando Medida Cautelar na referida Ação Declaratória de Constitucionalidade, o STF, em 14/08/2008, resolvendo questão de ordem suscitada no sentido Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 11065.004335/200409 Acórdão n.º 3402002.372 S3C4T2 Fl. 175 11 de dar prosseguimento ao julgamento do RE nº 240.7852/MG, por maioria deliberou pela precedência do controle concentrado em relação ao controle difuso, conforme a ementa seguinte: Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal. Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e Cofins nãocumulativos. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento.” Com a advinda da Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, Regimento Interno do CARF, os autos foram devolvidos para a 4ª Câmara na atividade “distribuir/sortear” tendo em vista que o relator EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS não faz mais parte deste colegiado, conforme despacho da Secretaria da 4ª Câmara da 3ª Seção. Com o sorteio, o r. auto foi distribuído para o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior da 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que o colocou em julgamento na Pauta de Abril de 2014. Como dito na inicial, tratase de 2 (dois) Embargos de Declaração, sendo o primeiro, interposto pela Delegada da Receita Federal em Novo HamburgoRS (fls 149/155), e o segundo, pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 160/161), que ratifica as razões externadas nos Embargos da Delegada da RFB em Novo Hamburgo, por esta razão, ambos serão analisados a seguir. Analisando os Embargos da Delegada da Receita Federal em Novo HamburgoRS, considero haver obscuridade no Acórdão, por não atentar que, em pedido de ressarcimento da Contribuição nãocumulativa, necessariamente há de haver o confronto entre débitos e créditos, para se chegar ao saldo credor, e não entendeu/compreendeu da necessidade do lançamento de ofício em novo processo administrativo fiscal, para constituir o crédito tributário que nasce com o fato gerador do tributo, carecendo o acórdão, então, de esclarecimento, pelo que passo a fazêlo: A fiscalização, conforme visto, reconheceu na íntegra, o direito ao crédito propriamente dito, efetuando ajustes, porém, no valor do saldo a ser ressarcido que remanesceu Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 12 após a dedução da parcela da contribuição devida às Contribuições do Pis e da Cofins, no mês e, após, os débitos oferecidos para compensação. Em outras palavras, a redução do valor a ser ressarcido ao contribuinte se deveu, não porque tivessem sido constatadas irregularidades materiais ou legais nos fundamentos do crédito, formalizados neste processo administrativo fiscal nº 11065.004333/200410, de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e/ou Cofins, mas sim, nos débitos da contribuição do PIS/Pasep e/ou Cofins Não Cumulativo de cada um dos períodos. Tal procedimento não se mostra adequado quando o motivo da divergência levantada pelo fisco se encontra na parcela do débito das Contribuições do Pis/Pasep e/ou Cofins, como é o presente caso. Lembrese, neste ponto, que o valor do saldo do ressarcimento pleiteado pela empresa fora diminuído pela autoridade fiscal por entender que o valor do débito da contribuição devida ao Pis/Pasep e/ou Cofins, havia sido apurado a menor em decorrência da falta de inclusão de algumas rubricas na base de cálculo que a determinou: “Transferência de créditos de ICMS a terceiros”, conforme se abstrai do Parecer DRF/NHO/Safis nº 102/2004, às fls. 39 a 41. Diante de um valor de débito do Pis/Pasep e/ou Cofins apurado a menor, o fisco, em vez de efetuar um lançamento de ofício na forma dos artigos 114, 115, 116, incisos I e II, 142, 144 e 149, todos do Código Tributário Nacional, que diz sobre o Fato Gerador do Tributo e da sua Constituição do Crédito Tributário, combinados com os dispositivos pertinentes ao Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o Pis/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, alterado pelo Decreto nº 8.082, de 26 de agosto de 2013, apenas retificou o correspondente valor então declarado no Pedido de Ressarcimento para o valor que entendeu correto. Do Decreto nº 4.524, de 2002, vemos que o Fato Gerador das contribuições, na hipótese do Pis/Pasep é o art. 2º, inciso I, alínea a) e da Cofins o art. 2º, inciso II. A base de Cálculo do Faturamento e Receita Bruta é dado pelos arts. 10 a 21. Assim, até que haja alteração específica nas regras para se apurar o valor dos ressarcimentos do Pis/Pasep NãoCumulativo e/ou Cofins NãoCumulativo, a constatação, pelo fisco, de irregularidade na formação da base de cálculo da contribuição, implicará na lavratura de auto de infração para a exigência do valor calculado a menor, jamais um mero acerto escritural de saldos, conforme foi feito neste processo, que trata de Ressarcimento de Créditos das Contribuições do Pis/Pasep e/ou Cofins. Por essas razões, fica prejudicada a análise se seriam devidas ou não as inclusões na base de cálculo da contribuição do Pis/Pasep e/ou da Cofins das “receitas” de “Transferência de créditos de ICMS a terceiros”, a qual fica sobrestada para, se for o caso, quando da formalização de novo processo administrativo fiscal a ser instaurado em decorrência da lavratura de auto de infração nesse sentido. A ocorrência de omissão de receitas, erro na composição da base de cálculo, que ensejem a necessidade de lançamento de ofício da contribuição social, no regime não cumulativo, o fisco, aí, sim, deve proceder ao aproveitamento dos créditos apurados pela pessoa jurídica no regime nãocumulativo, sempre que verificar a existência de saldo de créditos passível de aproveitamento no período a que se referir o lançamento de ofício. Nesta situação, o fisco procede ao aproveitamento de ofício do saldo de créditos disponíveis, independentemente destes terem sido originados no próprio período de ocorrência da infração, ou em período anterior. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 11065.004335/200409 Acórdão n.º 3402002.372 S3C4T2 Fl. 176 13 Para reforçar este raciocínio, o tratamento a ser dado nas situações em que restar configurada a existência de créditos da nãocumulatividade, passíveis ou não de aproveitamento de ofício, encontrase disciplinado na Solução de Consulta Interna nº 24/2007, de 28 de agosto de 2007, que assim dispõe em sua ementa: "a autoridade fiscal deve aproveitar de ofício os créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep sempre que verificar a existência de saldo desses créditos no período em que ficar evidenciada infração à legislação da aludida contribuição, exceto quando tais créditos estiverem vinculados a Pedido de Ressarcimento (PER) ou Compensação (DCOMP) pendente de verificação, hipótese em que a autoridade fiscal que constatar infração à legislação das aludidas contribuições não deve aproveitálos de ofício. Ora, o Crédito calculado no próprio período de ocorrência da infração, vinculado a receitas de exportação, objeto de Pedido de Ressarcimento (PER) ou de Declaração de Compensação (DCOMP), não deve ser efetuado o aproveitamento de ofício destes créditos, uma vez que o Pedido de Ressarcimento, ou a Declaração de Compensação, define e formaliza a opção de utilização do crédito pelo contribuinte, de acordo com o art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002. Havendo pedido de ressarcimento não finalizado, abrangendo créditos da nãocumulatividade referentes ao período da infração, deve o fiscal representar à autoridade administrativa competente para o reconhecimento do direito creditório, no sentido de que se proceda à retenção (sobrestamento) do montante do crédito remanescente, limitada ao valor da contribuição lançada. Tal medida se deve ao fato de que a existência de débito, decorrente de infração constatada, impacta diretamente no direito do contribuinte de pleitear ressarcimento, nos termos do § 2º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e do § 2º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003. No momento do lançamento de ofício, o fisco fará a “Reconstituição do saldo de créditos” no período abrangido pela fiscalização, deduzidos dos saldos, mês a mês, dos Pedidos de Ressarcimento pleiteados pelo contribuinte, por se tratar de um direito do contribuinte, e, caso a pessoa jurídica venha a formalizar a desistência do Pedido de Ressarcimento ou da Compensação, conforme previsto e disciplinado na legislação, antes da lavratura do auto de infração, poderá sim a autoridade fiscal proceder ao competente aproveitamento de ofício dos créditos objeto de PER ou de DComp. Como o conselheiro Emanuel sobrestou por conta do julgamento que iria ocorrer no STF com repercussão geral e, que, aliás, já se encontra sufragado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, ocorrido na sessão Plenária de 22 de maio de 2013, ao julgar o RE nº 606.107/RS, de Relatoria da Ministra Rosa Webber, que em procedimento submetido à repercussão geral houve por bem em reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da tributação pelo PIS e pela COFINS, sobre os valores oriundos da transferência de créditos de ICMS (publicado no Informativo Semanal do STF de nº 707). Em face do julgamento proferido pelo STF, acabam sendo sepultadas as discussões que a respeito poderiam remanescer sobre a temática, sendo que nos termos do art. 62A, do RICARF, cabe a essa Turma julgadora aplicar o referido entendimento, como, inclusive, já vem decidindo esse Colegiado: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 14 “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/07/2008 CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. É inconstitucional a incidência da contribuição para PIS e Cofins não cumulativas sobre os valores recebidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62A do RI CARF.” (CARF – 2ª Câmara – 2ª TO – 3ª Seção Acórdão nº 3202000.779 – Rel. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza – j. 25.06.2013) Conclusão: 1. quanto ao embargo da DRF/Nova Hamburgo, ratificado no embargo da PGFN, ficou esclarecido que no momento do lançamento de ofício, o fisco fará a “Reconstituição do saldo de créditos no período abrangido pela fiscalização, deduzidos dos saldos, mês a mês, dos Pedidos de Ressarcimento pleiteados pelo contribuinte, por se tratar de uma opção dele e um direito do contribuinte de exercêla, e, caso a pessoa jurídica venha a formalizar a desistência do Pedido de Ressarcimento ou da Compensação, conforme previsto e disciplinado na legislação, antes da lavratura do auto de infração, poderá sim a autoridade fiscal proceder ao competente aproveitamento de ofício dos créditos objeto de PER ou de Dcomp, conforme se depreende da Solução de Consulta Interna nº 24/2007, de 28 de agosto de 2007; e, 2. – quanto ao sobrestamento da Resolução nº 3401000.324 – 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, de 06/10/2011, às fls. 165 a 167, o RE nº 606.107/RS, na sessão de 22/05/2013, encontrase julgado, pela Relatoria da Ministra Rosa Webber, que em procedimento submetido à repercussão geral houve por bem em reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da tributação pelo PIS e pela COFINS, sobre os valores oriundos da transferência de créditos de ICMS (publicado no Informativo Semanal do STF de nº 707). Ex positis, voto no sentido de conhecer dos embargos de declaração para, no mérito rejeitálos, mantendo a decisão do r. acórdão embargado. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2014. LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA
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Numero do processo: 10183.721764/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, este inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN.
Hipótese em que houve pagamento antecipado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a decadência do direito de lançamento do tributo relativo ao ano-calendário de 2004.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, este inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Hipótese em que houve pagamento antecipado. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a decadência do direito de lançamento do tributo relativo ao ano-calendário de 2004. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, este inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Hipótese em que houve pagamento antecipado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a decadência do direito de lançamento do tributo relativo ao anocalendário de 2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 64 /2 00 9- 31 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.721764/200931 Acórdão n.º 2101002.610 S2C1T1 Fl. 446 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 423/437) interposto em 06 de setembro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (efls. 382/402), do qual o Recorrente teve ciência em 10 de agosto de 2011 (efl. 410), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 02/14, lavrada em 30 de novembro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do ITR (não comprovação da área de reserva legal e do VTN), no exercício de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 NIRF: 5.118.3706 Fazenda Boa Sorte VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. MULTA E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.721764/200931 Acórdão n.º 2101002.610 S2C1T1 Fl. 447 3 Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção apenas das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972. ÁREA DE RESERVA LEGAL E ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A exclusão da área tributável do imóvel rural, da área de reserva legal e da área de preservação permanente, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. É do sujeito passivo o ônus da prova do valor da terra nua do imóvel quando sua omissão tiver dado ensejo ao lançamento pela técnica do arbitramento, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTADO. A prova da exploração extrativa objeto de Plano de Manejo Florestal Sustentado (PMFS) se faz mediante comprovação de autorização pelo IBAMA e do cumprimento do respectivo cronograma de execução. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS E ÁREA EM DESCANSO. As áreas de produtos vegetais e áreas em descanso declaradas são consideradas áreas utilizadas pela atividade rural e não foram alteradas no lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (efl. 382). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 423/437), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em relação à decadência, vinha me manifestando no sentido de que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sempre seria aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da existência ou não Fl. 447DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.721764/200931 Acórdão n.º 2101002.610 S2C1T1 Fl. 448 4 de princípio de pagamento, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Homologase, na verdade, a atividade do contribuinte. Todavia, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que Fl. 448DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.721764/200931 Acórdão n.º 2101002.610 S2C1T1 Fl. 449 5 concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, Primeira Seção, REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, tratandose, o caso concreto, da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, passo a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual houve o princípio de pagamento do ITR, verificase que o prazo de lançamento é o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. No presente caso, tratase de Notificação de Lançamento lavrada em 30 de novembro de 2009, em decorrência da falta de recolhimento do ITR, verificada no exercício de 2004. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.721764/200931 Acórdão n.º 2101002.610 S2C1T1 Fl. 450 6 Conforme se depreende do DARF de efl. 354, o imposto apurado pelo Recorrente em sua DITR foi recolhido, caracterizandose a antecipação de pagamento de que trata o artigo 150 do CTN. Assim, considerandose que o fato gerador do ITR se deu, no presente caso, no dia 1º. de janeiro de 2004 e a lavratura do lançamento no dia 30 de novembro de 2009, verificase a ocorrência da decadência, pois a notificação foi realizada mais de 5 (cinco) anos após a data do fato gerador. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 450DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16707.005137/2010-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTOS PRODUZIDOS POR BENS COMUNS AO CASAL. DECLARADO EM SEPARADO. TRIBUTAÇÃO. RATEIO DE 50% DOS RENDIMENTOS PARA CADA CÔNJUGE.
A lei exige que se formalize a opção no caso de tributar integralmente os referidos rendimentos na declaração de um dos cônjuges, o que seria feito por meio da declaração em conjunto. Se não foi apresentada declaração em conjunto, então não foi feita a opção pela tributação prevista no art. 8º. Aplica-se, portanto, o comando normativo previsto no caput do art. 7º do RIR 1999, que é a regra geral da tributação dos rendimentos produzidos por bens comuns ao casal.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reduzir a omissão de rendimentos lançada para R$11.527,32 (onze mil, quinhentos e vinte e sete reais e trinta e dois centavos), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 15/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Nathália Correia Pompeu (suplente convocada), Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (suplente convocado) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS PRODUZIDOS POR BENS COMUNS AO CASAL. DECLARADO EM SEPARADO. TRIBUTAÇÃO. RATEIO DE 50% DOS RENDIMENTOS PARA CADA CÔNJUGE. A lei exige que se formalize a opção no caso de tributar integralmente os referidos rendimentos na declaração de um dos cônjuges, o que seria feito por meio da declaração em conjunto. Se não foi apresentada declaração em conjunto, então não foi feita a opção pela tributação prevista no art. 8º. Aplica-se, portanto, o comando normativo previsto no caput do art. 7º do RIR 1999, que é a regra geral da tributação dos rendimentos produzidos por bens comuns ao casal. Recurso voluntário provido.
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RENDIMENTOS PRODUZIDOS POR BENS COMUNS AO CASAL. DECLARADO EM SEPARADO. TRIBUTAÇÃO. RATEIO DE 50% DOS RENDIMENTOS PARA CADA CÔNJUGE. A lei exige que se formalize a opção no caso de tributar integralmente os referidos rendimentos na declaração de um dos cônjuges, o que seria feito por meio da declaração em conjunto. Se não foi apresentada declaração em conjunto, então não foi feita a opção pela tributação prevista no art. 8º. Aplicase, portanto, o comando normativo previsto no caput do art. 7º do RIR 1999, que é a regra geral da tributação dos rendimentos produzidos por bens comuns ao casal. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reduzir a omissão de rendimentos lançada para R$11.527,32 (onze mil, quinhentos e vinte e sete reais e trinta e dois centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 15/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 51 37 /2 01 0- 13 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Nathália Correia Pompeu (suplente convocada), Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (suplente convocado) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, por omissão de rendimentos de aluguel informado em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB, no valor de R$23.054,63. A Solicitação de Retificação do Lançamento SRL foi indeferida sob fundamento de que nem o contribuinte nem sua esposa declararam os rendimentos de aluguéis. Na impugnação alegouse a faculdade de tributar os rendimentos produzidos por bem comum na proporção de 50% para cada cônjuge. A impugnação foi indeferida sob fundamento de que o contribuinte não optou pela tributação de 50% dos rendimentos comuns, quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, pois nem o contribuinte, nem sua esposa ofereceram os rendimentos produzidos pelo bem comum, logo inexistente a possibilidade de tributar somente os 50% na pessoa do impugnante. A ciência do acórdão ocorreu em 22/09/2011 e o recurso voluntário foi interposto no dia 11/10/2011, amparado nas alegações adiante resumidas: 1. os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuge, ou na proporção de 50% para cada um dos cônjuges, contudo, a autoridade fiscal ignorou essa opção do contribuinte e presumiu que o mesmo é solteiro; 2. a administradora de imóveis não informou na DIMOB que os rendimentos de aluguel pertencem ao recorrente e sua esposa Iris Paiva Capistano, CPF 012.726.974; 3. foi lançada omissão de rendimentos de aluguel no importe de R$23.054,63, o recorrente não incluiu sua esposa como dependente, portanto não estava obrigado a declarar a totalidade dos alugueis; 4. concorda com omissão de R$11.527,32, que corresponde a 50% dos rendimentos comuns; e 5. a metade correspondente a sua esposa está abaixo do limite que lhe impunha apresentar a Declaração de Ajuste Anual, esse limite era de R$11.527,32. Foi juntada a certidão de casamento (fls. 30). Fl. 42DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16707.005137/201013 Acórdão n.º 2802003.182 S2TE02 Fl. 37 3 O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. É incontroverso que a omissão apurada no lançamento referese a rendimentos de aluguel de bem comum ao recorrente e sua esposa, que o recorrente não apresentou declaração em conjunto e que a sua esposa não consta como sua dependente na DIRPF. Não é correta a premissa do acórdão recorrido que o contribuinte não optou pela tributação dos rendimentos produzidos pelos bens comuns na razão de 50%. A questão deve ser vista sob outro prisma. Vejamos os dispositivos legais diretamente aplicados ao caso: RIR 1999 Art.7 º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. (...) Art.8 º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. (...) A lei exige que se formalize a opção no caso de tributar integralmente os referidos rendimentos na declaração de um dos cônjuges, o que seria feito por meio da declaração em conjunto. Se não foi apresentada declaração em conjunto, então não foi feita a opção pela tributação prevista no art. 8º. Aplicase, portanto, o comando normativo previsto no caput do art. 7º do RIR 1999, que é a regra geral da tributação dos rendimentos produzidos por bens comuns ao casal. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Está em litígio somente a omissão de metade do que foi lançado (50% dos rendimentos do bem comum), ou seja: R$11.527,32. Portanto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reduzir a omissão de rendimentos lançada para R$11.527,32 (onze mil, quinhentos e vinte e sete reais e trinta e dois centavos). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 44DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10860.900755/2008-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/03/2003
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento.
PER/DCOMP. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/03/2003 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. PER/DCOMP. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 07 55 /2 00 8- 03 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ de Campinas SP (fls. 26/30 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de suposto pagamento a maior de PIS, relativo ao ano calendário de 2003. No Despacho Decisório (fl. 7), a Delegacia da Receita Federal em Taubaté (SP), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP nº 38128.25823.120804.1.3.04 4258 (fls. 2/6). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de Declaração de Compensação (DcomP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 6), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008 (fl. 7), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2008 (fl. 8/13), na qual alegou que o despacho decisório decorre do fato de não terem sido retificadas as DCTFs que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004 em relação aos débitos de PIS, e informa que estava apresentando as correspondentes declarações retificadoras, conforme cópia que anexava aos autos. A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no § 1° do art. 11 da Instrução Normativa RFB no 786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de PIS são aqueles declarados na DIPJ 2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de PIS foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da DCOMP. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10860.900755/200803 Acórdão n.º 3802003.891 S3TE02 Fl. 124 3 Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente A época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito credit6rio, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito credit6rio aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 25/10/2011 (fl. 33), a interessada, em 24/11/2011, apresentou o recurso voluntário (fl. 34/42), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: a) que as decisões ora combatidas decorre basicamente do fato de não terem sido retificadas as DCTF que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004, em relação aos débitos de PIS do ano calendário de 2003; b) os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de PIS dos meses de janeiro a agosto de 2003, foram devidamente demonstrados através das DCTF retificadoras do 1º ao 4º trimestre de 2003, em consonância com as informações relativas aos débitos do PIS demonstrados na DIPJ/2004, gerando então os pagamentos a maior, conforme demonstrado no recurso; c) que junta aos autos, cópia das correspondentes declarações retificadoras (DCTF, DIPJ e DACON), e que os valores do PIS foram retificados em conformidade daqueles declarados na DIPJ/2004 ano calendário de 2003; d) que, em conformidade com a legislação que cita, a DCTF retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de PIS são aqueles declarados na DIPJ/2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 indevido ou a maior de PIS dos meses de janeiro a agosto de 2003, foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da respectiva DCOMP. e) ressalta que não houve intimação da RFB para comprovação da base de cálculo do PIS a da COFINS daquele ano, mesmo após a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente; Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente à época, requer que seja homologada as compensações realizadas como referido crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior de PIS. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos fatos Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior da Contribuição de PIS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Taubaté (SP), no seu Despacho Decisório (fl. 7), não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Já na decisão recorrida, a DRJ/POR, descreve em seus fundamentos que o reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido e que, apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme disposto no artigo 170 do CTN. Vejase o trecho da decisão recorrida abaixo transcrito: (...) Não se trata aqui, de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. Contudo, tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas. Destarte, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito credit6rio não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Pois bem, no caso sob exame, a Recorrente transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10860.900755/200803 Acórdão n.º 3802003.891 S3TE02 Fl. 125 5 apontando um documento de arrecadação como origem desse credito. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. A Recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado no PER/DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente por intermédio da apresentação da DCTF retificadora, que foi transmitida à RFB posteriormente a ciência do despacho decisório e que isto daria suporte ao direito de credito a seu favor. Alega ainda, sem trazer cópia dos documentos aos autos, que os valores corretos devidos estariam declarados em sua DIPJ/2004, anocalendário 2003 bem como nos DACON respectivos. Visando corroborar tais informações, junta aos autos, os seguintes documentos, alegando ficar demonstrado que o débito não existe, portanto não é devido: a) cópia das DCTF retificadoras (fls. 17/20); b) cópia da DIPJ 2004, anocalendário 2003 (fls. 52/80); c) cópia dos DACON, 1º a 4º Trimestre/2003 (fls. 81/120). Verificase que o contribuinte retificou a supracitada DCTF para adequála ao pedido em tela. Contudo, somente o fez após a ciência do despacho decisório atacado, conforme cópias juntadas às fls. 17/20. Do exame dos autos, constatase, que a DCTF retificadora referente ao período examinado, foi transmitida em 03/06/2008, ou seja, posteriormente à ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 21/05/2008 (fl. 8). Como ressaltado pela recorrente, à época dos fatos vigorava a IN SRF no 786, de 19/11/2007, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”. No entanto, a mesma legislação prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria qualquer efeito (item III, § 2º, do art. 11). Como visto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa Fl. 127DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Portanto, acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. A DRJ ao apreciar o material probante juntado à época de sua manifestação de inconformidade, dispôs que o recorrente não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora, conforme trecho abaixo transcrito: (...) No caso concreto, a contribuinte apenas alega, sem trazer cópia aos autos, ao contrário do que afirma em sua manifestação de inconformidade, que os valores corretos devidos estariam declarados em sua DIPJ de 2004. (...) Dessa forma, para que os dados declarados em DIPJ fossem considerados corretos, infirmando aqueles confessados em DCTF e demonstrando a liquidez e certeza do crédito a compensar, seria necessário que a interessada trouxesse aos Fl. 128DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10860.900755/200803 Acórdão n.º 3802003.891 S3TE02 Fl. 126 7 autos documentos outros que corroborassem a apuração do tributo ali declarado. Entretanto, a impugnante não apresenta qualquer documento que comprove o seu direito. Nenhuma apuração ou documentação que indicasse pagamento indevido ou a maior e desse suporte ao crédito tributário aproveitado. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza Todavia, neste recurso, foi juntado ao processo apenas cópia dos documentos/declarações já citados, quais sejam: cópias das DCTF retificadoras, cópia da DIPJ 2004 anocalendário 2003 e DACON/2003. Mesmo desconsiderando o fato de que a Recorrente não trouxe outros elementos probatórios aos autos, digase que tais documentos apresentados tratase apenas de outra declaração, tal qual a DCTF, porém, sem o mesmo valor. Isso porque, ao contrário da DCTF, a DIPJ e o DACON não tem natureza de confissão de dividas. Não obstante, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de conferir e comprovar à diferença desses montantes para fins da recomposição do faturamento do Recorrente. Ou seja, a reclamante não apresentou nenhuma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento e a foram com que os valores corretos devidos estariam declarados em sua DIPJ de 2004. Neste contexto, portanto, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do PIS são indispensáveis para que se comprove a alegação aqui firmada pela contribuinte. Dai porque é imprescindível que venham aos autos as provas, notadamente contábeis, mesmo porque a contribuinte é pessoa jurídica. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Nessa esteira, a DCOMP sob exame, por ocasião do presente contencioso, deveria estar necessariamente instruída com as devidas provas, dentre estas, destacamse: os registros contábeis que identifiquem a base de cálculo do PIS, registro contábil da conta "PIS a recuperar", a expressão deste direito em balanços ou balancetes, o Livro Diário, etc., tudo de forma a ratificar a base de cálculo do PIS, o pagamento efetuado e o indébito pleiteado. Tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a compensação também almeja, para materializar o indébito, uma tarefa semelhante. O processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS declarada na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora e a DIPJ/2004. É importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. E a não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos, materializada na não apresentação da documentação necessária à verificação do direito creditório alegado, não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Portanto, a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente. Conclusão Pelos motivos acima expostos, e tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento apropriado, deve ser negado provimento ao recurso voluntário ora analisado. Desta forma, conheço do recurso voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10860.900755/200803 Acórdão n.º 3802003.891 S3TE02 Fl. 127 9 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15504.018798/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - INCRA - AÇÃO JUDICIAL - JUROS E MULTA MORATÓRIA - LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA
Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do implemento do depósito.
A discussão em juízo da incidência de contribuições previdenciárias não obsta o lançamento, mas tão somente a cobrança das contribuições nele lançadas até o transito em julgado do processo.
Tendo o auditor descrito no relatório fiscal que os valores lançados correspondem aos valores depositados em juízo e contabilizados pela empresa, não cabe a incidência de juros e multa.
CORRESPONSÁVEIS- INDICAÇÃO NO RELATÓRIO DE VÍNCULOS - FINALIDADE INFORMATIVA
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a exclusão dos corresponsáveis; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir juros e multa.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A discussão em juízo da incidência de contribuições previdenciárias não obsta o lançamento, mas tão somente a cobrança das contribuições nele lançadas até o transito em julgado do processo. Tendo o auditor descrito no relatório fiscal que os valores lançados correspondem aos valores depositados em juízo e contabilizados pela empresa, não cabe a incidência de juros e multa. CORRESPONSÁVEIS INDICAÇÃO NO RELATÓRIO DE VÍNCULOS FINALIDADE INFORMATIVA A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 87 98 /2 00 8- 16 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a exclusão dos corresponsáveis; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir juros e multa. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15504.018798/200816 Acórdão n.º 2401003.731 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AI de obrigação principal, lavrada sob o n. 37.197.9870, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a Outras Entidades e Fundos, denominados "Terceiros", mais especificamente, INCRA, • incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos seu segurados empregados no período compreendido entre 12/2003 a 13/2006. De acordo com o Relatório Fiscal a contribuição ora lançada foi apurada em Auto de Infração distinto, face o questionamento judicial da empresa em Ação ajuizada ela Companhia de Seguros Minas Brasil — Mandado de Segurança, processo n°. 2003.38.00.0573488 9á Vara Federal Cível — Seção Judiciária de Minas Gerais. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 573 e seguintes, importante assinalar que este lançamento tem o objetivo de prevenir a decadência para constituição do crédito tributário, tendo a empresa o prazo de 30 dias para impugnar administrativamente as questões não submetidas ao Judiciário. Registrese ainda que os depósitos retro mencionados foram reconhecidos contabilmente pela empresa, a débito da conta 12453 DEPOSITOS JUD.FISCAIS ENC. SOC". Por oportuno, cumpre informar que as remunerações constantes do Anexo 1 deste Relatório foram informadas em GFIP — Guia de Recolhimento do • FGTS e Informações à Previdência Social, antes de iniciado este Procedimento Fiscal. Há também a informação de que a empresa é integrante do grupo econômico liderado pelo Banco Mercantil do Brasil S.A. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 24/10/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/10/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 666 a 702. Foi exarada a Decisão de 1 instância, 714 e seguintes , que confirmou a procedência do lançamento, cabendo observar que foi apreciada a decadência a luz do art. 173, I do CTN. Destacase ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS • PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.DISCUSSÃO JUDICIAL. SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. De acordo com os atos normativos da RFB, mesmo quando a matéria estiver sob discussão judicial, o crédito previdenciário deverá ser lançado, com o objetivo de evitar que os valores sejam atingidos pela decadência. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei, Lei 8.212/91, artigo 30, inciso IX. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 494, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Em preliminar, afirma inexistir responsabilidade solidária de seus sócios e administradores. De acordo com o CTN, somente é possível a imputação de responsabilidade aos administradores quando da prática de atos ilícitos ou com excesso de poderes. Cita o artigo 135 do CTN, doutrina e jurisprudência. Alega que o auditor fiscal não capitulou os lançamentos ora efetuados como decorrentes de conduta praticada com excesso de poderes; ao contrário, capitulou como decorrentes de falta de recolhimento. Não há nenhuma atitude nitidamente dolosa nos casos apontados a permitir a solidariedade cogitada. 2. No mérito, questiona a incidência de juros e de multa sobre o crédito cuja exigibilidade encontrase suspensa por depósito judicial, nos termos do artigo 151, inciso II do CTN. Cita jurisprudência e súmulas do Conselho de Contribuintes. 3. Requer o cancelamento dos valores lançados a título de multa e juros moratórios, bem como seja afastada qualquer eventual responsabilidade solidária dos administradores. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15504.018798/200816 Acórdão n.º 2401003.731 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a única alegação submetida a esse colegiado, diz respeito a aplicação de juros e multa e responsabilidade dos corresponsáveis. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS Quanto a exclusão dos corresponsáveis, devese esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de NFLD, em sendo assim a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de CoResponsáveis – CORESP, consoante determinação contida no art. 660, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do Auto, qual seja: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. No mesmo sentido dispõe a súmula do CARF n. 88, aprovada na sessão de 10/12/2012, vejamos seu texto. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. JUROS E MULTA Nos termos do art. 19, Parágrafo Único da Lei 8870/94, c/c como art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, não cabe apresentação de defesa ao presente AIOP para discussão de matéria objeto de ação judicial , cabendo porém discussão administrativa , nos Fl. 832DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 termos do art. 37, § 1º da Lei 8212/91, relativamente aos demais aspectos não contemplados pelo litígio judicial, sob pena revelia. Destacase de pronto, que não será conhecido o recurso acerca da incidência de contribuições para o INCRA, tendo em vista o recorrente encontrarse em processo judicial a respeito da mesma matéria. Nesse sentido dispõe a súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais :SÚMULA Nº 1 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.” No entanto, será objeto de julgamento os argumentos recursais de assunto diverso do disposto na referida ação judicial. O ponto controverso reside na cobrança de juros e de multa moratória sobre os valores depositados judicialmente. Assim, quanto a aplicação de juros e multa entendo que a partir do depósito judicial na época oportuna, não são devidos juros, pois os valores depositados em juízo garantem a instância e não se pode falar em inadimplemento por parte do contribuinte, para aplicação das juros e multa de mora. Caso o recorrente efetue o depósito judicial não flui a multa moratória, uma vez que o crédito já está garantido. Sendo assim, após o depósito judicial ter sido realizado não há que se cobrar multa moratória, desde que o valor depositado fique à disposição do credor. Também há que ser observado, que a multa moratória é devida até que ocorra o implemento da obrigação. Ao contrário do que entendeu a autoridade julgadora para manutenção dos juros e multa sobre os valores ora lançados, entendo que havendo expressa descrição no relatório fiscal, de que os valores lançados na presente ação fiscal, refletem os exatamente os valores contabilizados pela empresa em depósitos judiciais, não há que se manter o lançamento face a existência de possíveis diferenças a serem apuradas posteriormente. Compete ao julgador apreciar os fatos descritos no relatório fiscal. Ao afirmar em seu relatório que os valores lançados correspondem aos depósitos efetuados, podese concluir que não existem diferenças correspondentes as datas dos depósitos, razão pela qual entendo que deva ser dar provimento ao recurso do contribuinte. Observemos trecho do relatório fiscal: DEPÓSITOS JUDICIAIS Levantamento: DJI Depósitos Judiciais INCRA (Dispensado de Declarar em GFIP) 1212003 a 1312006 2.1.1 Contribuições devidas a "Terceiros", calculadas sobre os salários de contribuição, constantes do Anexo 1 deste Relatório, identificados com base nas folhas de pagamento, disponibilizadas pelo contribuinte em arquivos digitais, no Formato MANAD — Manual Normativo de Arquivos Digitais, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais — SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n°. 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006), que conferiu a cada arquivo um código Fl. 833DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15504.018798/200816 Acórdão n.º 2401003.731 S2C4T1 Fl. 5 7 único de identificação, conforme cópias, em anexo, dos respectivos "Recibos de Entrega de Arquivos digitais". • 2.1.2 — É de se registrar que, face ao questionamento judicial em Ação ajuizada pela COMPANHIA DE SEGUROS MINAS BRASIL Mandado de Segurança, processo n°. 2003.38.00.0573488 9á Vara Federal Cível — Seção Judiciária de Minas Gerais, as contribuições lançadas no presente Auto de Infração — (AI) foram objeto de depósitos judiciais, realizados mensalmente pela empresa em guias específicas. 2.1.2.1 — Sendo assim é Importante assinalar que este lançamento tem o objetivo de prevenir a decadência para constituição do crédito tributário, tendo a empresa o prazo de 30 dias para impugnar administrativamente as questões não submetidas ao Judiciário. 2.1.3 — Registrese ainda que os depósitos retro mencionados foram reconhecidos contabilmente pela empresa, a débito da conta 12453 DEPOSITOS JUD. FISCAIS ENC. SOC". No mesmo sentido, identificamos os termos da súmula n. 5 do CARF: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para, rejeitar a exclusão dos corresponsáveis s no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 834DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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