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Numero do processo: 10580.728155/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV recebidas por servidores públicos são tributáveis, fazendo-se distinção apenas no que se refere aos magistrados, sejam federais ou estaduais, posto que a Resolução n° 245, em seu art 1º, determinou que é de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
Assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA - Redatora designada
EDITADO EM: 28/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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NATUREZA. As diferenças de URV recebidas por servidores públicos são tributáveis, fazendose distinção apenas no que se refere aos magistrados, sejam federais ou estaduais, posto que a Resolução n° 245, em seu art 1º, determinou que é de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 81 55 /2 00 9- 21 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 161 2 NÚBIA MATOS MOURA Redatora designada EDITADO EM: 28/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 83/152, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 75/80, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 03/11 dos autos, lavrado em 07/12/2009, relativo aos anoscalendário 2004, 2005, 2006, com ciência da RECORRENTE em 10/12/2009 (fl. 54). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 134.945,74, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 05/07, o presente lançamento teve origem na seguinte infração: “001 – CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O Sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, CNPJ 14.674.303/000102, a titulo de ‘URV’, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Preceitua a referida Leo Estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com o sistema tributário, é a de que esta Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 162 3 Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do Imposto de Renda, de competência da União. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo, em respeito aos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988. As diferenças recebidas pelo sujeito passivo têm natureza eminentemente salarial, e conseqüentemente, são tributadas pelo Imposto de Renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Ademais, o CTN dispõe, no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de “indenização” ou “valores indenizatórios”. Assim, resta claro que os valores recebidos pelo sujeito passivo em virtude de diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, denominadas ‘URV’, são tributáveis. O cálculo do imposto de Renda devido está demonstrado no Demonstrativo do Imposto de Renda Apurado [fl. 10], composto de folha única, parte integrante e indissociável de Auto de Infração, elaborado em obediência ao Despacho do Ministro da Fazenda de 11 de maio de 2009, que aprova o PARECER PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009 (...) Fato Gerador Valor Tributável ou imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 20.704,19 75,00 31/12/2005 R$ 20.704,19 75,00 31/12/2006 R$ 20.704,19 75,00 Enquadramento Legal Arts. 1° a 3° e §§, da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; Arts. 39 e 43 do RIR/99; Art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 163 4 Art. 1º da Lei nº 11.119/05; Art. 1º da Lei nº 11.311/06.” O cálculo de apuração do imposto devido encontrase disposto em planilha acostada à fl. 10 dos autos. DA IMPUGNAÇÃO Em 11/01/2010, o RECORRENTE, por meio de seu representante, outorgado através da procuração de fl. 71, apresentou sua impugnação de fls. 56/70. São os argumentos centrais de sua defesa: I. a Receita Federal seria parte ilegítima para cobrar o imposto de renda sobre tais rendimentos, tendo em vista que tais valores pertencem aos Estados que descontaram na fonte de pagamento de seus servidores o valor do tributo, conforme art. 157, I, da Constituição Federal de 1988 e art. 868 do RIR/99; II. a Lei Estadual nº 8.730/2003 possui presunção de constitucionalidade, não podendo o fisco se pronunciar a respeito de inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 02 do CARF; III. o RECORRENTE não pode ser penalizado por ter agido com boafé, na medida em que declarou os valores da forma como se encontravam na declaração de rendimentos auferidos nos respectivos períodos, sendo certo que não poderia ter declarado de forma diversa dos informes; IV. se houve algum erro de interpretação, este foi da fonte pagadora, e não do contribuinte, de modo que não deve haver multa, sanção ou atribuição de infração ao RECORRENTE; V. invoca o Parecer PGFN 2716/2007, que afastou a incidência do imposto de renda sobre vantagem idêntica percebida pelos membros do Ministério Público do Rio de Janeiro, na medida em que estendeu a estes o tratamento que o Fisco Federal já havia conferido aos Procuradores da República por meio do Parecer PGFN 923/2003; VI. a Lei Estadual nº 8.730/2003 prevê que as diferenças de conversão da URV pagos em atraso, em razão de sua natureza indenizatória, não devem ser tributadas pelo imposto de renda; VII. o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais e servidores do Poder Judiciário da União. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelo RECORRENTE; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 164 5 VIII. caso seja mantido o lançamento de imposto de renda, não deveriam ser cobrados os juros e a multa de ofício aplicada em razão da boafé da RECORRENTE, que foi induzida a erro ante o lançamento incorreto da fonte pagadora. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 75/80 dos autos, julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimado da decisão da DRJ em 17/10/2011 (fl. 157), o espólio do RECORRENTE, apresentou o recurso voluntário de fls. 83/152 em 16/11/2011, através de procurador habilitado à fls. 153. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou os termos de sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 165 6 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Conforme exposto, a autoridade lançadora entendeu que o RECORRENTE classificou indevidamente como isentos e não tributáveis os rendimentos recebidos do Tribunal de Contas do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. A questão envolvendo a tributação das verbas classificadas como “Valores Indenizatórios de URV”, recebidas pelos membros da magistratura da Bahia (Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003) bem como pelos membros do Ministério Público daquele estado (Lei Complementar Estadual da Bahia nº 20/2003), já foi objeto de apreciação por esta turma julgadora. Assim, peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, quando se apreciou a questão envolvendo a tributação da diferença de URV paga a um membro do ministério público da Bahia, em caso juridicamente similar ao aqui em discussão (somente se deve alterar a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 pela Lei do Estado da Bahia nº 8.730/2003): Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 166 7 Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação – artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios – artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 – artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União – artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I – apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 167 8 II – o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I – o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II – o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 168 9 Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 169 10 Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões acima destacadas, entendo que deve ser cancelado o lançamento em exame no que diz respeito à tributação das diferenças auferidas pelos Conselheiros do tribunal de Contas do Estado da Bahia com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.730/2003 (diferenças URV). Ademais, a questão envolvendo a tributação das “diferenças URV” foi por diversas vezes apreciada por esta Colenda Turma julgadora. Assim, transcrevo abaixo recentes ementas de casos similares ao ora em debate, em que se manteve o reiterado entendimento de afastar a tributação sobre tais verbas, verbis: “NÃO INCIDÊNCIA. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. Os valores pagos aos integrantes do Ministério Público Federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Juridicamente não é razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas ao mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Provido (10580.725147/201066; julgado em 17/09/2013; relator: Conselheira Alice Grecchi)” *** “RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 170 11 A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido (10580.720391/200907; julgado em 14/08/2013; relator: Conselheiro José Raimundo Tosta Santos)” Ante o acima exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de cancelar o lançamento de IRPF. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo do entendimento do ilustre relator, quanto à incidência do imposto de renda sobre as diferenças de URV recebidas pelo contribuinte. Para analisar se as diferenças de URV recebidas pelos servidores do Tribunal de Contas do Estado da Bahia são tributáveis ou não, trago trecho do voto da relatora, Ministra Eliana Calmon, no Recurso Especial nº 1.187.109 MA (2010/00570259), que é citado como jurisprudência nos acórdãos desta Turma, nas ocasiões em que foram consideradas isentas as diferenças de URV recebidas pelos membros da magistratura e do ministério público estaduais: Com efeito, esta Corte entendeu que as diferenças de URV possuem natureza remuneratória, consistindo em acréscimo patrimonial tributável pelo imposto sobre a renda,nos termos do art. 43, I do CTN. Contudo, tratandose de remuneração de magistrado, incide a Resolução 245 da Suprema Corte, que assim se encontra disposta: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 171 12 Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. A Resolução em riste não faz qualquer distinção entre magistrados da União ou Magistrados dos Estados, de modo que o acórdão recorrido coadunase com a interpretação que a Suprema Corte deu ao tema. Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução245/STF: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. DIFERENÇA DE URV RECEBIDA POR SERVIDOR PÚBLICO. CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA E DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEGALIDADE.RESOLUÇÃO 245/STF. INAPLICABILIDADE. INEXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO SOBRE A URV ORIUNDA DE DETERMINADA PARCELA DOS VENCIMENTOS (AUXÍLIOCONDUÇAO) E SOBRE OS JUROS MORATÓRIOS. QUESTÕES VENTILADAS ORIGINARIAMENTE NESTE AGRAVO. INOVAÇÃO RECURSAL.RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA NAOPROVIDO. 1. Os valores recebidos por servidor público pelo pagamento de diferenças da URV tem caráter remuneratório, motivo por que sobre essas quantias incide o imposto de renda e a contribuição previdenciária correspondente. 2. É inaplicável a Resolução Administrativa 245 do Supremo Tribunal Federal na espécie, uma vez que ela trata sobre as diferenças da URV referentes especificamente ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei 9.655/98, cuja natureza indenizatória fora reconhecida no bojo da mencionada resolução. 3. Inviável a análise das pretensões relativas à nãoincidência do imposto de renda sobre as diferenças da URV oriundas da percepção do "auxíliocondução" e aos juros moratórios, uma vez que não foram deduzidas na exordial, debatidas na instância a quo, nem requeridas no recurso ordinário, mas, tãosomente, neste agravo, constituindo, pois, inovação recursal. 4. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no RMS 27.577/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA,julgado em 16/12/2008, DJe 11/02/2009) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA DIFERENÇAS ORIUNDAS DA CONVERSÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL EM URV VERBA PAGA EM Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 172 13 ATRASO NATUREZA REMUNERATÓRIA RESOLUÇAO2455/STF INAPLICABILIDADE. 1. As diferenças resultantes da conversão do vencimento de servidor público estadual em URV, por ocasião da instituição do Plano Real, possuem natureza remuneratória. 2. A Resolução Administrativa n. 245 do Supremo Tribunal Federal não se aplica ao caso, pois faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n.9.655/98. Ademais, não se trata de decisão proferida em ação com efeito erga omnes, de modo que não pode ser considerada como fato constitutivo, modificativo ou extintivo de direito suficiente para influir no julgamento da presente ação. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1285786/MA, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA,julgado em 20/05/2010, DJe 31/05/2010) Com essas considerações, conheço em parte do recurso especial e negolhe provimento. É o voto. Comose vê, o entendimento colhido do voto acima transcrito é de que as diferenças de URV recebidas por servidores públicos são tributáveis, fazendose distinção apenas no que se refere aos magistrados, sejam federais ou estaduais, posto que a Resolução n° 245, em seu art 1º, determinou que é de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ou seja, para os magistrados as diferenças de URV foram recebidas na forma de abono variável e provisório e sua isenção foi determinada pela Resolução nº 254, sendo certo que a própria Receita Federal estendeu tal entendimento para os membros do Ministério Público Federal, com supedâneo no Parecer PGFN nº 923/2003. Nestes termos, entendo que a Resolução nº 245 do STF somente se aplica aos magistrados e membros do ministério público, de modo que as diferenças de URV recebidas pelos servidores do Tribunal de Contas do Estado da Bahia são tributáveis. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728155/200921 Acórdão n.º 2102003.072 S2‐C1T2 Fl. 173 14 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10580.011373/2003-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 2102-000.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua manifesta intempestividade.
Assinado digitalmente
José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator
(Acórdão reapresentado em meio magnético.)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua manifesta intempestividade. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator (Acórdão reapresentado em meio magnético.) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua manifesta intempestividade. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos – Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 13 73 /2 00 3- 37 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.011373/200337 Acórdão n.º 2102000.991 S2‐C1T2 Fl. 68 2 (Acórdão reapresentado em meio magnético.) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 62 a 66, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 38 a 40 dos autos, que julgou procedente o lançamento relativo à aplicação de multa, referente ao anocalendário 2003, realizado através do auto de infração de fls. 02 a 05, lavrado em 24/11/2003. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no montante de R$ 2.694,79, correspondente à multa de valor fixo pelo não atendimento a intimação fiscal. De acordo com o exposto à fl. 03 dos autos, a autoridade lançadora descreveu a infração da seguinte forma: “Multa regulamentar pelo não atendimento à intimação fiscal, no prazo estabelecido, visando o fornecimento de informações relativas ao(s) pagamento(s) efetuado(s) a Ruy Cleverson Oliveira Silva, CPF 457.209.59572, conforme cópias em anexo.” De acordo com o AR de fl. 08, o RECORRENTE foi cientificado do Termo de Intimação de fl. 09 em 26/09/2003, solicitou prorrogações de prazo para cumprimento do mesmo (fls. 06 e 07), sendo que não chegou a cumprir o solicitado pela fiscalização. Assim, com fundamento nos arts. 927, 928 e 968 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), a autoridade fiscal aplicou a multa pela falta de atendimento à intimação expedida pela fiscalização. DA IMPUGNAÇÃO Em 24/12/2003, o RECORRENTE apresentou impugnação de fls. 13 a 15 via facsímile, considerada tempestiva pela DRF de origem, de acordo com o despacho de fl. 34 dos autos. Em suas razões, alegou em síntese que: teria alertado sobre as dificuldades em obter documentos ou informações da referida operação, especialmente por ter sido realizada há quase 05 (cinco) anos. Por este motivo, requereu prorrogação do prazo para atendimento da exigência fiscal por duas ocasiões, em datas de 08/10/2003 e 17/10/2003; a reintimação fiscal nº 001, para o cumprimento dos esclarecimentos solicitados pela fiscalização no prazo de cinco dias (fl. 30), somente foi recebida em 28/11/2003, conforme Fl. 74DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.011373/200337 Acórdão n.º 2102000.991 S2‐C1T2 Fl. 69 3 envelope de fl. 31. Assim, enviou fax prestando os esclarecimentos solicitados em 03/12/2003, ou seja, dentro do prazo estabelecido pela reintimação fiscal nº 001; a sanção pecuniária ora aplicada estaria prevista em ato administrativo normativo, regulamentar, e, portanto, infralegal. Assim, tal multa seria ilegal e inconstitucional por não estar prevista em lei. Desta forma, o RECORRENTE requereu o cancelamento do presente auto de infração. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 38 a 40 dos autos, julgou procedente o lançamento da multa, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA REGULAMENTAR. A falta de atendimento, no prazo determinado, à intimação expedida pelos órgãos da Receita Federal para fornecimento de informações ou esclarecimentos autoriza a aplicação de multa. Lançamento Procedente” Nas razões do voto, a autoridade julgadora esclareceu que o presente auto de infração não teve como objeto a reintimação fiscal nº 001 (fl. 30), mas sim a falta de atendimento, no prazo determinado, ao termo de intimação lavrado em 08/09/2003 (fl. 09), do qual o contribuinte teve ciência em 26/09/2003 (fl. 08), e solicitou duas prorrogações, sendo que a última venceria em 03/11/2003 (fls. 06 e 07). Assim, entendeu que restou configurado o atraso no atendimento à intimação fiscal, portanto aplicável a multa regulamentar prevista no art. 968 do Decreto nº 3.000/99. Sobre a alegação de que a referida multa seria ilegal e inconstitucional, a autoridade julgadora esclareceu que o constante no art. 968 do do Decreto nº 3.000/99 tem como fundamentação legal o art. 9° do DecretoLei n° 2.303/86, recepcionado pela Constituição Federal de 1988, o art. 3°, inciso I, da Lei n° 8.383/91, e o art. 30 da Lei n° 9.249/95, não havendo que se falar em ato infralegal. Desta forma, julgou procedente o lançamento tributário, mantendo a multa exigida. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 04/06/2009, conforme AR de fl. 50 dos autos, apresentou recurso voluntário de fls. 52 a 56 em 17/07/2009, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.011373/200337 Acórdão n.º 2102000.991 S2‐C1T2 Fl. 70 4 via facsímile, conforme exposto em memorando de fl. 51 dos autos, sendo juntado aos autos o recurso original às fls. 62 a 66. Em suas razões, o RECORRENTE reiterou o alegado em sua defesa inicial. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator De acordo com os arts. 5º e 33 do Decreto n° 70.325/72, que regula o processo administrativo no âmbito federal, o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição de Recurso Voluntário é contínuo, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o do vencimento. Os prazos se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso concreto, o RECORRENTE teve ciência do acórdão recorrido no dia 04/06/2009 (quintafeira), conforme AR acostado à fl. 50 dos autos. Ocorre que, de acordo com a data indicada no cabeçalho do facsímile de fls. 52 a 56, o presente recurso somente foi interposto em 17/07/2007 (sextafeira), depois de já transcorridos 30 dias contados da intimação do contribuinte, sendo, portanto, intempestivo o recurso, e somente após o envio via facsímile é que o RECORRENTE apresentou a via original. Corroborando com tal informação, auditor fiscal da DRF de origem elaborou o Memorando nº 313/2009/DRF/SDR/GAB, de fl. 51, informando que o referido facsímile contendo o recurso voluntário foi recebido em 17/07/2009. Informação esta confirmada pela certidão MF/SRF/SRRF4º RF/DRFREC/PE/SECAT de fl. 58. Seguindo o procedimento do Decreto n° 70.325/72, bem como a jurisprudência deste Conselho, o recurso intempestivo não deverá ser objeto de conhecimento. A decisão transcrita a seguir serve como exemplo da jurisprudência: “Anocalendário: 2002 Ementa: INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. (Recurso nº 158.682; processo 10510.000945/200629; 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, julgado em 17/10/2008.” Fl. 76DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.011373/200337 Acórdão n.º 2102000.991 S2‐C1T2 Fl. 71 5 Isto posto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua manifesta intempestividade. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 77DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002421/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
CONFISSÃO DE DÉBITO EM DCTF. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DUPLICIDADE DA EXIGÊNCIA POR MEIO DE AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO.
A apresentação de DCTF pelo sujeito passivo, confessando o débito, antes de qualquer procedimento de ofício, constitui o crédito tributário, dispensando qualquer outra providência por parte do Fisco. A exigência dos mesmos valores por meio de auto de infração é indevida, devendo ser cancelada para que não ocorra o bis in idem.
Numero da decisão: 1301-001.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado), Cristiane Silva Costa (suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 CONFISSÃO DE DÉBITO EM DCTF. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DUPLICIDADE DA EXIGÊNCIA POR MEIO DE AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. A apresentação de DCTF pelo sujeito passivo, confessando o débito, antes de qualquer procedimento de ofício, constitui o crédito tributário, dispensando qualquer outra providência por parte do Fisco. A exigência dos mesmos valores por meio de auto de infração é indevida, devendo ser cancelada para que não ocorra o bis in idem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado), Cristiane Silva Costa (suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
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CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DUPLICIDADE DA EXIGÊNCIA POR MEIO DE AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. A apresentação de DCTF pelo sujeito passivo, confessando o débito, antes de qualquer procedimento de ofício, constitui o crédito tributário, dispensando qualquer outra providência por parte do Fisco. A exigência dos mesmos valores por meio de auto de infração é indevida, devendo ser cancelada para que não ocorra o bis in idem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado), Cristiane Silva Costa (suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 21 /2 01 0- 83 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.002421/201083 Acórdão n.º 1301001.493 S1C3T1 Fl. 204 2 Relatório BUNGE FERTILIZANTES S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1645.677, de 12 de abril de 2013, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do auto de infração relativo CSLL, no valor de R$ 4.789.646,87, incluído juros de mora. Irresignada, impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Após desenvolver as suas teses de defesa, apresentou a seguinte conclusão e pedido: Diante do exposto, há que se concluir pela (i) nulidade do auto de infração, tendo em vista a inobservância dos requisitos de validade do ato administrativo (motivo/motivação e finalidade), bem como dos princípios que regem a administração publica em geral, especialmente diante dos depósitos judiciais realizados pela Impugnante e da declaração dos créditos tributários nas competentes DCTF's, bem como da duplicação da exigência, já que também é objeto do Processo Administrativo n.° 12157.000963/200955; e, no mérito (ii) improcedência da imposição fiscal, diante da imunidade tributária conferida as receitas decorrentes de exportação, alcançando, também, a CSLL. Assim sendo, a Impugnante requer o conhecimento e regular processamento da presente defesa, com o seu devido e oportuno encaminhamento A competente Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para que seja julgada inteiramente procedente, cancelandose a autuação seja em razão de sua nulidade, seja, ainda, no mérito, em razão da inexigência dos créditos tributários que lhes são objeto. A 2ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1645.677, de 12 de abril de 2013, considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.002421/201083 Acórdão n.º 1301001.493 S1C3T1 Fl. 205 3 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito judicial ou liminar em mandado de segurança não impede sua constituição por meio de auto de infração. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Decisão emitida em Mandado de Segurança, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula no 1 Portaria CARF no 52, de 2010).Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria da ação judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão de primeira instância, efetuada mediante comunicação eletrônica disponibilizada em caixa postal, com decurso de prazo consumado em 10/09/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/09/2013 conforme carimbo de recepção à folha 180. No recurso interposto, alega que: a) que é indevida a constituição do crédito tributário em questão, gerando duplicidade de sua exigência, uma vez que os mesmos créditos já haviam sido constituídos mediante confissão em DCTF’s controladas no processo administrativo nº 12157.000963/200955. b) Que os débitos referemse à diferenças de CSLL incidentes sobre receitas de exportação, cuja exigibilidade estava suspensa em face de depósitos judicial efetuados no bojo do mandado de segurança nº 2003.61.00.0382026, distribuído á 8 Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo; c) Que o referido mandado de segurança transitou em julgado com decisão desfavorável à recorrente, tendo sido determinado pelo juízo a conversão dos depósitos em renda da União, conforme documentos que anexa ao recurso; d) Que a liquidação dos créditos tributários devidos em face dos depósitos judiciais efetuados está sendo realizada no âmbito do processo administrativo nº 12157.000963/200955, que controlava aqueles valores. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.002421/201083 Acórdão n.º 1301001.493 S1C3T1 Fl. 206 4 e) Que é nula a autuação, por ausência de motivação e finalidade do ato, nos termos do art. 2ªº da Lei nº 9.784/1999. É o Relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.002421/201083 Acórdão n.º 1301001.493 S1C3T1 Fl. 207 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. A querela se resume à diferenças de CSLL incidentes sobre receitas de exportação, cuja exigibilidade foi discutida judicialmente pela recorrente por meio de mandado de segurança. No curso da ação judicial, tais diferenças foram regularmente depositadas em juízo pela recorrente e os valores relativos à suspensão de exigibilidade devidamente informados nas DCTF apresentadas pela recorrente. Não obstante, o Fisco, após intimar a interessada a esclarecer a origem das diferenças informadas com exigibilidade suspensa em suas DCTF’s, lavrou auto de infração, que teria a finalidade de prevenir a decadência, das importâncias informadas em DCTF e depositadas em juízo. Resta evidente a improcedência da autuação, pois os créditos tributários ora exigidos já estavam devidamente constituídos mediante confissão dos mesmos em DCTF apresentada antes de qualquer procedimento fiscal. A DCTF, instituída com base no art. 16 da Lei nº 9.779/1999, quando apresentada nos prazos legais e antes de qualquer procedimento fiscal constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, nos termos do art. 5ª do DL. 2124/1984. 1 A IN.SRF. nº 482/2004, assim dispõe, no seu art. 9º, sobre o tratamento dos dados informados em DCTF: 1 Lei nº 9.779/1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. DL. nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.002421/201083 Acórdão n.º 1301001.493 S1C3T1 Fl. 208 6 Art. 9º Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. § 2º Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e à CSLL das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurados anualmente, serão objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. Este entendimento foi consolidado na jurisprudência do STJ, com a edição da Súmula nº 436, publicada no DJe em 13/05/2010, in verbis: Entrega de Declaração pelo Contribuinte Reconhecendo Débito Fiscal Crédito Tributário Providências do Fisco A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Resta sobejamente comprovado nos autos que os valores ora exigidos já estavam definitivamente constituídos mediante declaração em DCTF pela interessada, ora recorrente, inclusive com depósitos judiciais já convertidos em renda da União, conforme documentação anexada ao recurso voluntário. Caracterizado que está o bis in idem, impõese o cancelamento da exigência veiculada no auto de infração formalizados nestes autos. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, em 10 de Abril de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.002421/201083 Acórdão n.º 1301001.493 S1C3T1 Fl. 209 7 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10920.909554/2012-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 54 /2 01 2- 98 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909554/201298 Acórdão n.º 3801002.708 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909554/201298 Acórdão n.º 3801002.708 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909554/201298 Acórdão n.º 3801002.708 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909554/201298 Acórdão n.º 3801002.708 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909554/201298 Acórdão n.º 3801002.708 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909554/201298 Acórdão n.º 3801002.708 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909554/201298 Acórdão n.º 3801002.708 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10111.720423/2013-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 07/10/2010
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA.
A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento. Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, conjunta ou isoladamente, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de acobertar, quando identificado o acobertado.
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA.
Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entende-se que é dever do autuante, ao arrolá-los sob tal condição, ainda que sob o manto do art. 124 do CTN, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas.
Numero da decisão: 3403-003.319
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, para excluir do polo passivo Edmar Mothe Júnior, Maria Mendes Mothe, Maria Madalena Barbosa e Zumaia Cristina da Paz, e afastar o lançamento em relação às DI no 10/2049118-5 e no 12/0209628-1. Ausentes ocasionalmente os Conselheiros Alexandre Kern e Adriana Oliveira e Ribeiro.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, conjunta ou isoladamente, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 04 23 /2 01 3- 79 Fl. 4747DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entendese que é dever do autuante, ao arrolálos sob tal condição, ainda que sob o manto do art. 124 do CTN, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas. 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Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 01/03/2013 (fls. 2 a 101, para exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro (total de R$ 30.730,80) em substituição à pena de perdimento, por ter a mercadoria (importada em 21 declarações de importação registradas de 07/10/2010 a 02/02/2012) sido “não localizada, consumida ou revendida”, conforme Relatório de Auditoria Fiscal (RAF). No RAF (fls. 11 a 89), após explicação sobre as modalidades de importação previstas na legislação, narrase que: (a) a empresa “MULTI” Eletro LTDA EPP tem como sócios Edmar Mothe “JÚNIOR” (99% do capital social) e “MARIA” Mendes Mothe (1%), e faz parte do grupo “Mundo dos Filtros” (“marca” formada por várias lojas com CNPJ diferentes, mas sempre com alguém da família Mothe no quadro societário); (b) houve 27 importações feitas pela empresa “PRIME” Comercial Importadora e Exportadora LTDA e adquiridas por conta e ordem da empresa “UTILIDAD” 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 4748DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.748 3 Comércio de Móveis e Eletro LTDA repassadas posteriormente ao grupo “Mundo dos Filtros”, sendo 21 delas (relacionadas à fl. 19) à “MULTI”, e que são objeto da autuação; (c) nas 21 Declarações de Importação (DI) referidas, tentouse ocultar a empresa “MULTI”, real adquirente das mercadorias; (d) “EDMAR” Mothe (pai de Edmar Mothe “JÚNIOR”, que também é ou foi sócio de 4 empresas do grupo) foi sócio da “UTILIDAD” (sem informar tal condição à RFB, nem na entrada nem na saída da sociedade), e de outras 4 empresas do grupo; e “EDSON” Gonçalves Mothe (irmão de “EDMAR”) é ou foi dono de 10 lojas do grupo “Mundo dos Filtros”; (e) a “UTILIDAD” adquire, por conta e ordem, diversos eletrodomésticos importados pela “PRIME”, repassandoos a empresas do grupo “Mundo dos Filtros”, normalmente no mesmo dia ou poucos dias após, e com baixa agregação, com preços de venda idênticos para os diversos adquirentes do grupo “Mundo dos Filtros”; (f) após lavratura de autuação contra a empresa “UTILIDAD” (processo administrativo no 10111.720547/201273), ficou caracterizado que as empresas do grupo “Mundo dos Filtros” eram reais adquirentes as mercadorias por tal empresa importadas; (g) tendo em vista que as empresas do grupo tinham um depósito central (empresa “NOVA” Distribuidora e Logística LTDA), obtevese judicialmente mandado de busca e apreensão de documentos na empresa (o pedido judicial para apreensão de mercadorias foi negado), tendo sido apreendidos vários documentos que “comprovam o repasse de recursos através (sic) de adiantamentos via transferência bancária de diversas empresas do grupo Mundo dos Filtros para as empresas que funcionavam como interpostas pessoas”, e mensagens eletrônicas (email) que “comprovam a ocultação de empresas do grupo Mundo dos Filtros como reais adquirentes”; (h) as DI e adições (mercadorias) objeto da autuação, e as comprovações documentais efetuadas pela auditoria, são relacionadas no TVF às fls. 26 a 81; (i) intimada a empresa “MULTI” a prestar esclarecimentos, não houve resposta ou contato com a Fl. 4749DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 fiscalização, tendo sido lavrada a presente autuação, e outras, em processo distinto, para exigência dae multa por embaraço à fiscalização, no valor de R$ 5.000,00 (art. 107, IV do DecretoLei no 37/1966); (j) ao final, em tópico intitulado “Da Solidariedade na aplicação da penalidade”, afirmase que “por tudo o que foi exposto neste relatório, apuramos que as seguintes pessoas físicas e jurídicas devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas”: “PRIME”, “UTILIDAD”, “MULTI”, “JÚNIOR”, “MARIA”, e “EDMAR” (além de Maria “MADALENA” Barbosa e “ZUMAIA” Cristina da Paz, sócias a “MULTI” à época dos fatos), com fundamento nos arts. 124, I e 135 do Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 95 do DecretoLei no 37/1966). São anexados à autuação ainda cópias dos documentos relativos à fiscalização (fls. 90 a 269) e dos documentos retirados dos processos no 10111.720047/201312 (“NOVA Distribuidora” fls. 270 a 911) e no 10111.720547/201273 (“UTILIDAD” fls. 912 a 4390). Os sujeitos passivos foram cientificados da autuação, e apresentaram impugnações conforme a tabela abaixo (no caso de argumentos coincidentes/repetidos, mantevese nas peças anteriores): Sujeito Passivo Ciência e Impugnação Razões/argumentos da Impugnação MULTI Eletro LTDA EPP Ciência em 11/03/2013 (fl. 4393), e impugnação apresentada em 10/04/2013 (fl. 4463 a 4486) (a) a empresa não foi intimada do termo de início da fiscalização, tendo o AR sido recebido por pessoa desconhecida da impugnante, e, por isso, não foram prestadas as informações solicitadas pelo fisco; (b) as importações em análise foram efetuadas pela “PRIME”, para a adquirente “UTILIDAD”, que posteriormente revendeu as mercadorias à impugnante, não cabendo a esta defender a terceiros, nem ser punida pela prática de operações das quais não participou (sendo possível à RFB fiscalizar aquelas empresas); (c) não há nenhuma prova nos autos de que a impugnante tenha praticado qualquer irregularidade, havendo inclusive prova contrária, de que efetivamente apenas parte das mercadorias importadas era vendida à impugnante; (d) não se junta a estes autos a íntegra do processo no 10111.720547/201273, para que se possibilite ampla defesa; (e) as empresas que o fisco tenta vincular são pessoas jurídicas autônomas (sendo irrelevante que os sócios tenham grau de parentesco com o Sr. “EDMAR”, idealizador da marca “Mundo dos Filtros”), e que Fl. 4750DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.749 5 compartilham os mesmos fornecedores por questão comercial (como uma cadeia de fornecimento, com importador, revendedor, distribuidoras e consumidores finais) e não com intuito fraudulento; (f) a impugnante é focada na venda ao varejo, e adquire mercadorias no mercado interno, de diversos fornecedores, entre os quais a “UTILIDAD” (indicada pelo Sr. “EDMAR”, que “realizou uma grande negociação para que todas as empresas que usam a marca ‘Mundo dos Filtros’ tivessem a mesma condição de compra, independente do volume”, e não importa nem pretende possuir uma estrutura de importação; (g) a fiscalização “não demonstrou o exato fluxo financeiro de cada recurso empregado em cada importação, e nos casos em que o fez, apenas demonstra que a origem dos recurso é lícita”; (h) as mercadorias foram adquiridas de boafé da “UTILIDAD”, acompanhadas de comprovante de importação; (i) não houve qualquer ausência de recolhimento de tributos, inclusive da extensão do IPI à adquirente “UTILIDAD”, por equiparação, nem dano ao Erário, necessário à aplicação do perdimento; (j) o modelo de negócio adotado não é ilícito, sendo a “PRIME” importadora por conta e ordem (tendo benefício fiscal no Distrito Federal por sua atuação), e a empresa “UTILIDAD” a adquirente por conta e ordem, de produtos que majoritariamente possuem sua marca própria, depois revendendoos a diversos clientes, como a impugnante, que não tem qualquer gerência sobre o modelo tratase de “livre iniciativa”; (k) o SISCOMEX não permite, nem tem campo a ser preenchido para que se inclua um “adquirente do adquirente”, nem há fundamento legal para tal exigência; (l) tanto a impugnante como as importadoras possuem sócios conhecidos , não se tratando de “laranjas”; (m) é cabível, no caso, a relevação da pena de perdimento eventualmente aplicada, conforme arts. 736/737 do Regulamento Aduaneiro; (n) a responsabilidade dos sócios somente pode decorrer de comprovação de prática de atos com excesso de poderes, que culminem em ilícitos, fraudes ou irregularidades que lesem terceiros, não havendo nos autos prova de tal ocorrência, Fl. 4751DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 nem individualização da conduta de cada sócio; e (o) para desconsideração da personalidade jurídica é imprescindível a atuação do Poder Judiciário. EDMAR Mothe Ciência em 08/03/2013 (fl. 4401), e impugnação apresentada em 09/04/2013 (fl. 4415 a 4439) “(j)”; “(n)” e “(o)”; (p) jamais praticou atos de gestão durante o curto intervalo de tempo (agosto e setembro de 2011) em que figurou no quadro societário da empresa “UTILIDAD”, e as autuações se referem a período bem maior (2009 a 2012); (q) não lhe foi dado ciência da fiscalização sobre a empresa “UTILIDAD”, nem solicitado esclarecimentos, o que afigura violação ao contraditório e à ampla defesa; (r) a empresa “UTILIDAD”, “por seu desempenho e baixo preço, conseguiu atingir o público alvo das lojas do impugnante”, surgindo entre estes tratativas que levaram inclusive à permanência no quadro societário, que foi curta por ter percebido o impugnante a complexidade e instabilidade do setor de importação de bens (tendo repensado a opção pois seu foco é a venda ao consumidor final, e não no atacado); (s) os produtos adquiridos da empresa “UTILIDAD”, “pelas empresas do impugnante, significam apenas uma parcela do catálogo de produtos” vendidos aos consumidores finais; (t) tem capacidade financeira para efetuar o aporte da integralização na “UTILIDAD” (R$ 110.000,00, equivalente a cerca de um quarto do capital social total da empresa); e (u) a autuação se baseia em suposições, não havendo prova de conduta dolosa do impugnante. Maria MADALENA Barbosa Ciência em 08/03/2013 (fl. 4399), e impugnação apresentada em 09/04/2013 (fl. 4441 a 4461) “(n)”; “(o)”; “(p)”, no que se refere a não ter praticado atos de gestão; “(q)”; “(u)”; e (v) não é mais sócia da empresa “MULTI”, sendo que a própria autuação afirma que somente são responsáveis solidários os sócios da empresa. ZUMAIA Cristina da Paz Ciência em 11/03/2013 (fl. 4395), e impugnação apresentada em 10/04/2013 (fl. 4489 a “(n)”; “(o)”; “(p)”, no que se refere a não ter praticado atos de gestão; “(q)”; “(u)”; e “(v)”. Fl. 4752DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.750 7 4509) Edmar Mothe JÚNIOR AR devolvido em 08/03/2003 (fl. 4403), e intimação por edital em 28/03/2013 (fl. 4407). A impugnação apresentada por este sujeito passivo foi em conjunto com a da empresa “MULTI”, em 10/04/2013. Assim, os argumentos são idênticos, com destaque para os itens “n” e “o”. MARIA Mendes Mothe AR devolvido em 08/03/2003 (fl. 4405), e intimação por edital em 08/04/2013 (fl. 4408). A impugnação apresentada por este sujeito passivo foi simultânea à da empresa “MULTI”, em 10/04/2013. Assim, os argumentos são idênticos, com destaque para os itens “n” e “o”. UTILIDAD Comércio de Móveis e Eletro LTDA Ciência em 08/03/2013 (fl. 4391). Não houve apresentação de impugnação por este sujeito passivo. PRIME Comercial Importadora e Exportadora LTDA Ciência em 08/03/2013 (fl. 4397). Não houve apresentação de impugnação por este sujeito passivo. A decisão de primeira instância é proferida em 19/12/2013 (fls. 4515 a 4607), acordandose unanimemente pela manutenção integral do lançamento, sob os fundamentos de que: (a) a possibilidade de importação por terceiros no Brasil é restrita aos casos de “conta e ordem” e “encomenda”, disciplinados em lei, sendo que a característica comum a ambos é o conhecimento prévio (antes do registro da DI) de quem será o efetivo adquirente da mercadoria no país; (b) há lei que proíbe o modelo de negócio adotado pelas empresas, que reflete uma simulação, fazendo a “UTILIDAD” as vezes de um pseudo comprador no mercado interno (após importação efetuada por meio da “PRIME”, empresa com os mesmos sócios, às vezes com participação intermediária da empresa “MYRA Import”) , quando já se sabia nas operações mencionadas na autuação que as importações em verdade eram da “MULTI”; Fl. 4753DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 (c) as integralizações de capital da “UTILIDAD” são depósitos bancários “em espécie” dos sócios, que não tinham capacidade financeira (v.g. a “PRIME” Holding) para tal, e a análise contábil das movimentações da “UTILIDAD”, cotejada com os dados financeiros, deixa clara a incompatibilidade do fluxo de caixa (ausência de recursos para realização das operações efetuadas); (d) a ocultação da empresa “MULTI” restou comprovada para as 21 importações, detalhadas na autuação (pelos documentos retidos, que comprovam adiantamento de recursos, conforme se reproduz às fls. 4574 a 4582); (e) o dano ao Erário “não se relaciona apenas à questão de quanto tributo deixou de ser recolhido”, pois podem haver outras vantagens como a burla a controles aduaneiros (v.g. habilitação e outras, listadas às fls. 4583/4584), a quebra da cadeia de incidência do IPI, a utilização indevida de benefício de ICMS, a lavagem de dinheiro e a ocultação de bens e valores / blindagem patrimonial; (f) a responsabilidade por infração aduaneira é objetiva (cf. art. 94 do DecretoLei no 37/1966), não sendo afastada pela boafé; (g) a pena de perdimento é aplicável ao ocultante e ao ocultado, sendo possível que sua aplicação ao ocultante seja efetuada sem prejuízo da multa por ocultação prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, como já decidiu o TRF4, e estabelece expressamente o Regulamento Aduaneiro (art. 727, § 3o); (h) restaram provadas, pelos documentos acostados aos autos (v.g. fl.4595) a participação: do Sr. “EDMAR”, como “financiador oculto”; da empresa “MULTI”, como sujeito oculto; e das sócias à época da “MULTI” (Maria MADALENA Barbosa e ZUMAIA Cristina da Paz), que tinham conhecimento da prática da fraude, sendo possível aplicar ao caso a tese da desconsideração da personalidade jurídica, na forma do art. 124, I do CTN. Após a ciência das decisões de piso (nas datas abaixo indicadas), os sujeitos passivos apresentaram recursos voluntários contendo argumentos comuns aos apresentados em sede de impugnação (que serão na tabela abaixo indicados apenas pelas letras correspondentes aos itens das impugnações) e argumentos diversos (a serem relacionados sinteticamente em letras adicionais): Pessoa Ciência do Acórdão Razões/argumentos do Recurso Voluntário (RV) Data e folhas do Fl. 4754DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.751 9 DRJ RV MULTI Eletro LTDA EPP Em 27/01/2014, cf. AR de fl. 4623 “(a)”; “(b)”; “(c)”; “(e)”; “(f)”; “(i)”, destacando que as hipóteses citadas pela DRJ como dano ao Erário são todas em tese, não havendo nos autos prova da ocorrência de nenhuma delas; “(j)”; “(h)”; “(k)”; “(n)”; “(o)”; e (w) não está questionando a legitimidade do MPF, mas a ausência de ciência do início da ação fiscal, que obstaculizou a defesa da recorrente; (x) não há previsão legal para a situação em análise, pois, se a “PRIME” declarasse a “MULTI” como real adquirente na importação por conta e ordem, estaria ocultando a “UTILIDAD”, que é a real adquirente de fato, uma vez que o campo dedicado à identificação da operação só pode ser preenchido com uma empresa (sendo a prescrição fiscal impossível de ser atendida, ainda mais nos casos, como nestes autos, em que há várias empresas que adquirem as mercadorias importadas em uma mesma DI, na linha do que decidiu a DRJ/Florianópolis fls. 4732 a 4742, em relação a auto de infração originário dos mesmos fatos tratados no presente processo); (y) também na linha das conclusões do citado julgamento da DRJ/Florianópolis, não se pode omitir na autuação as provas da prática das condutas, mesmo que estas tenham sido, em tese, apresentadas em outro processo administrativo, devendo cada autuação ser instruída com os seus elementos de prova, em observância ao contraditório e à ampla defesa (solicitase ao final, alternativamente, a nulidade do presente processo, para que seja instaurado um novo, “com a devida apresentação de todas as provas supostamente contidas no processo administrativo no 10111.720547/201273, com consequente abertura de prazo para impugnação”; e (z) a autoridade julgadora de primeira instância pretende alterar o enquadramento da autuação para subfaturamento, que sequer fora inserido na autuação. 24/02/2014 (4704 a 4730) Maria Em O recurso voluntário apresentado por este sujeito 25/02/2014 Fl. 4755DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 MADALENA Barbosa 19/02/2014 (por edital, fl. 4618, após tentativa por AR fl. 4616) passivo contém basicamente os mesmos argumentos (em sua maior parte, literalmente) apresentados na peça recursal da “MULTI”, cabendo somente destacar que na referência ao processo administrativo no 10111.720547/201273, a Sra. Maria “MADALENA” Barbosa não foi autuada (embora peça igualmente ao final que sejam carreadas as provas lá existentes para o presente processo), e que alega que sequer tinha conhecimento da existência do procedimento fiscal até a ciência da autuação. (4625 a 4651) ZUMAIA Cristina da Paz Em 27/01/2014, cf. AR de fl. 4621 O recurso voluntário apresentado por este sujeito passivo é idêntico (literalmente) ao apresentado pela Sra. Maria “MADALENA” Barbosa. 25/02/2014 (4664 a 4690) Edmar Mothe JÚNIOR Em 19/02/2014 (por edital, fl. 4618, após tentativa por AR fl. 4614) O recurso voluntário apresentado por este sujeito passivo foi simultâneo ao da empresa “MULTI”, em 10/04/2013. Assim, os argumentos são idênticos, com destaque para os itens “n” e “o”. MARIA Mendes Mothe Em 17/02/2014 (por edital, fl. 4613, após tentativa por AR fl. 4611) O recurso voluntário apresentado por este sujeito passivo foi simultâneo ao da empresa “MULTI”, em 10/04/2013. Assim, os argumentos são idênticos, com destaque para os itens “n” e “o”. EDMAR Mothe Em 27/01/2014, cf. AR de fl. 4619 Não houve apresentação de impugnação por este sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos voluntários apresentados preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. Foram originalmente autuados oito sujeito passivos: MULTI Eletro LTDA EPP, UTILIDAD Comércio de Móveis e Eletro LTDA, PRIME Comercial Importadora e Exportadora LTDA, EDMAR Mothe, Edmar Mothe JÚNIOR, MARIA Mendes Mothe, Maria MADALENA Barbosa e ZUMAIA Cristina da Paz. Fl. 4756DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.752 11 No curso do processo, configurouse a revelia em relação aos seguintes sujeitos passivos: UTILIDAD Comércio de Móveis e Eletro LTDA e PRIME Comercial Importadora e Exportadora LTDA (na fase de impugnação à autuação) e EDMAR Mothe (na fase de recurso do acórdão de piso). Assim, prosseguese, no presente processo, apreciando as razões recursais dos seguintes sujeitos passivos: MULTI Eletro LTDA EPP, Edmar Mothe JÚNIOR, MARIA Mendes Mothe, Maria MADALENA Barbosa e ZUMAIA Cristina da Paz. Como o recurso voluntário apresentado pela MULTI já abarca as argumentações recursais de JÚNIOR e MARIA, e os outros dois recursos voluntários (de MADALENA e ZUMAIA são idênticos, e compreendem basicamente os mesmos argumentos expressos pela MULTI, é plenamente possível analisar de forma conjunta todas as peças recursais, à exceção da matéria atinente a responsabilidade, que deve ser individualmente considerada. Esclarecida a abrangência da análise do presente contencioso, em seu aspecto referente aos sujeitos, cabe delimitar agora a apreciação da lide em seu objeto. São temas a serem discutidos preliminarmente: (1) a ciência sobre o procedimento de fiscalização (argumentos “a”, e “w” da defesa, seguindo as letras constantes do relatório); (2) a existência de nulidade pelo não traslado de elementos probatórios do processo no 10111.720547/2012 73 (argumentos “d” e “y” da defesa); (3) a existência de alteração de fundamento pela DRJ (argumento “z” da defesa”). Substantivamente, cabe analisar as seguintes matérias: (4) o modelo de negócio adotado e sua adequação à legislação de regência (argumentos “b”, “e”, “f”, “h”, “j”, “k”, “l”, “s” e “x” da defesa); (5) a questão probatória (argumentos “c”, “g” e “u” da defesa); e (6) o dano ao Erário (argumento “i” da defesa); e (7) a responsabilização dos sujeitos passivos (argumentos “n”, “o”, e “v” da defesa). Os argumentos de defesa “m”, “p”, “q”, “r” e “t” não foram renovados em sede de recurso voluntário. 1. Da ciência sobre o procedimento de fiscalização Várias recorrentes afirmam que não tiveram ciência do termo de início de fiscalização, ou da própria existência de fiscalização, obstaculizando a defesa. A “MULTI”, por exemplo, sustenta que não foi intimada do termo de início da fiscalização, tendo o AR sido recebido por pessoa desconhecida da impugnante, e que por isso não foram prestadas as informações solicitadas pelo fisco, e que o julgamento de piso interpretou mal seu argumento, que não questiona a legitimidade do MPF. Sobre o tema, é preciso destacar que no curso da fiscalização ainda não se está no âmbito do contencioso descrito pelo Decreto no 70.235/1972, que se instaura com a ciência da autuação. No presente processo, todos os sujeito passivos foram regularmente cientificados da autuação, não havendo que se falar em nulidade nesse aspecto. A ação específica do fisco na presente fiscalização, como descrito no RAF (fl. 81 e ss.) foi realizada em relação à empresa “MULTI”, que foi cientificada sobre o procedimento e intimada (cf. Termo de Início de Fiscalização no 158/2012 fls. 91/92), no endereço declarado pela empresa em cadastros da RFB, tendo retornado o A.R. com o recebimento atestado (em 10/12/2012, por pessoa cuja nome parece ser “Elvira Oliveira” fl. Fl. 4757DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 113). Contudo, a empresa “MULTI” alega em suas peças de defesa que desconhece a pessoa que atestou o recebimento. E sustenta que restou, assim, violado seu direito de defesa. É preciso destacar que todas as correspondências à “MULTI” que se encontram neste processo (basicamente três, recebidas por pessoas diferentes) foram entregues no mesmo endereço, que é exatamente o informado pela empresa nos cadastros da RFB. E que só em relação à a primeira delas a empresa simplesmente alega desconhecer a pessoa que atesta o recebimento (sequer buscando, junto aos correios, maiores esclarecimentos). Sobre o fato de não haver necessidade de a pessoa que atesta o recebimento ser representante legal da empresa já dispõe a Súmula CARF no 9 deste CARF. Tenho que a alegação de desconhecimento do signatário do A.R. até seria passível de discussão no processo que trata do não atendimento das intimações (auto por “embaraço à fiscalização”), mas que nos presentes autos assume papel coadjuvante. Todas as informações demandadas naquela intimação inicial, e que, por certo, deveria a empresa prestar para afastar os argumentos empregados pela fiscalização, poderiam e deveriam ser trazidas nas peças de defesa, durante o curso do contencioso. Sobre o atendimento desse pressuposto probatório trataremos mais detidamente no tópico 5 deste voto. Cabe, por fim, destacar que a DRJ, de fato, acabou (talvez pela facilidade do uso de textopadrão), analisando a reclamação como se fosse em relação ao mandado de procedimento fiscal. Contudo, seja pelo caráter acessório da discussão (ao menos neste processo), pela correção do endereço informado, atestada pelos correios em cada um dos documentos, ou ainda pela verificação de que de fato poderiam ser trazidas as devidas explicações durante o contencioso, entendo inexistente mácula que afete o prosseguimento da análise de mérito da lide. Improcedente, assim, a alegação preliminar. 2. Da nulidade pelo não traslado de elementos probatórios A “MULTI” questiona a ausência de juntada ao presente processo da íntegra do processo no 10111.720547/201273, para que se possibilite ampla defesa. E, após o julgamento de piso, traz decisão da DRJ/Florianópolis no sentido de que não se pode omitir na autuação as provas da prática das condutas, mesmo que estas tenham sido, em tese, apresentadas em outro processo administrativo, devendo cada autuação ser instruída com os seus elementos de prova, em observância ao contraditório e à ampla defesa. A empresa solicita ainda, alternativamente, a nulidade do presente processo, para que seja instaurado um novo, “com a devida apresentação de todas as provas supostamente contidas no processo administrativo no 10111.720547/201273, com consequente abertura de prazo para impugnação”, no que é endossada por todos os recorrentes. Há que se esclarecer, contudo, que há cópia dos autos do processo no 10111.720047/201312 (“NOVA Distribuidora” fls. 270 a 911) e do processo no 10111.720547/201273 (“UTILIDAD” fls. 912 a 4390). E tais cópias abarcam as provas documentais utilizadas para a autuação empreendida no presente processo. Não há, assim, a situação descrita no julgamento da DRJ citado em recurso voluntário (de indicação de que as provas estavam em outro processo), mas o traslado das Fl. 4758DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.753 13 cópias do outro processo (naquilo que é pertinente à presente autuação) a estes autos, passando o conteúdo a integrar também o presente processo. Contudo, em nome da verdade material, consultei o referido processo administrativo no 10111.720547/201273 no sistema “eprocessos”, percebendo que não há naqueles autos qualquer decisão ainda, tendo havido duas baixas em diligência pela DRJ (em 31/07/2013, para corrigir prazo de afixação de edital em relação a sujeitos passivos não arrolados no presente processo; e em 15/05/2014, para correção na ciência da empresa “UTILIDAD”, tendo em vista constar no sistema CNPJ da RFB que tal empresa teve seu CNPJ baixado em 06/02/2013, por inexistência de fato). Assim, afasto também a preliminar de nulidade neste tópico. 3. Da alteração de fundamento pela DRJ A “MULTI” sustenta em sede recursal que a autoridade julgadora de primeira instância pretendeu alterar o enquadramento da autuação para subfaturamento, infração que sequer fora inserida na autuação. Percebese pelo RAF que foi efetivamente constatado subfaturamento na DI no 11/17330038, adição 001 (fl. 81), subfaturamento este sequer questionado no dimensionamento da multa substitutiva. E que a DRJ, ao mencionar que houve subfaturamento no presente processo, por certo o faz com relação a tal DI (por exemplo, refutando a inexistência de falta de recolhimento de tributos). Temse, assim, que a DRJ, por óbvio, não reenquadrou as condutas para o subfaturamento, e que tal reenquadramento, por certo, demandaria rediscussão dos valores autuados para mais, o que não prospera no julgamento administrativo. A DRJ, como visto, manteve os fundamentos empregados e os valores lançados na autuação. 4. Do modelo de negócio adotado Afirma a “MULTI” que o modelo de negócio adotado não é ilícito, sendo a “PRIME” importadora por conta e ordem (tendo benefício fiscal no Distrito Federal por sua atuação), e a empresa “UTILIDAD” a adquirente por conta e ordem, de produtos que majoritariamente possuem sua marca própria, depois revendendoos a diversos clientes, como a impugnante, que não tem qualquer gerência sobre o modelo, tratandose de atributo da “livre iniciativa”. Ou seja, as importações em análise eram efetuadas pela “PRIME”, para a adquirente “UTILIDAD”, que posteriormente revendia as mercadorias à “MULTI” (adquirente de boafé, de mercadorias amparadas por comprovante de importação), não cabendo a esta defender a terceiros, nem ser punida pela prática de operações das quais não participou (sendo possível à RFB fiscalizar aquelas empresas). E tanto a “MULTI” como as importadoras possuem sócios conhecidos , não se tratando de “laranjas”. Fl. 4759DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 Sustenta ainda a recorrente que as empresas que o fisco tenta vincular são pessoas jurídicas autônomas (sendo irrelevante que os sócios tenham grau de parentesco com o Sr. “EDMAR”, idealizador da marca “Mundo dos Filtros”), e que compartilham os mesmos fornecedores por questão comercial (como uma cadeia de fornecimento, com importador, revendedor, distribuidoras e consumidores finais) e não com intuito fraudulento. Ademais, informa que a “MULTI” é focada na venda ao varejo, e adquire mercadorias no mercado interno, de diversos fornecedores, entre os quais a “UTILIDAD” (indicada pelo Sr. “EDMAR”, que “realizou uma grande negociação para que todas as empresas que usam a marca ‘Mundo dos Filtros’ tivessem a mesma condição de compra, independente do volume”, e não importa nem pretende possuir uma estrutura de importação. E os produtos adquiridos da empresa “UTILIDAD”, “pelas empresas do impugnante, significam apenas uma parcela do catálogo de produtos” vendidos aos consumidores finais. Destaca, por fim, a recorrente, que não há previsão legal (nem campo específico no SISCOMEX) para a situação em análise, pois, se a “PRIME” declarasse a “MULTI” como real adquirente na importação por conta e ordem, estaria ocultando a “UTILIDAD”, que é a real adquirente de fato, uma vez que o campo dedicado à identificação da operação só pode ser preenchido com uma empresa (sendo a prescrição fiscal impossível de ser atendida, ainda mais nos casos, como nestes autos, em que há várias empresas que adquirem as mercadorias importadas em uma mesma DI, na linha do que decidiu a DRJ/Florianópolis fls. 4732 a 4742, em relação a auto de infração originário dos mesmos fatos tratados no presente processo). Acordamos com a recorrente que foi demasiadamente extensa a abordagem teórica sobre as formas de importação no Brasil efetuada pela DRJ, já assumindo o compromisso de neste voto focarmos efetivamente nas questões teóricas que realmente interessam ao caso concreto analisado. Por certo que é livre a iniciativa no país, e que uma empresa pode decidir importar por meio próprios ou com a intermediação de terceiros: é justamente para isso que foram criadas modalidades alternativas à importação por conta própria no país: a importação por conta e ordem (com um interposto prestador de serviços) e a importação por encomenda (com um interposto revendedor). Assim, é lícito importar mediante interposição no Brasil. A legislação pátria condena somente a interposição mediante fraude ou simulação (conhecida como “interposição fraudulenta”), com a ocultação de partes na negociação. E a legislação não o faz com determinantes objetivos tributários, mas com preocupações de controle aduaneiro. A ocultação de um elo da cadeia de comércio exterior afeta os parâmetros de risco (e de seletividade das importações e exportações), e dificulta (impedindo ou retardando) a identificação do efetivo responsável por eventuais infrações. Em síntese, se uma empresa deseja adquirir mercadorias para terceiros em negócio previamente acordado, é livre para fazêlo, desde que o faça às claras. Por isso é que foi criado campo específico na declaração de importação para que se indique quem é esse terceiro (adquirente de importação por conta e ordem ou encomendante predeterminado). A inclusão da exigência de habilitação para todos os envolvidos nas operações em nome de terceiros e sua equiparação a estabelecimento industrial, entre outras medidas, buscaram colocar em situação de igualdade os operadores de comércio exterior brasileiros, impedindo que a ocultação resultasse em tratamento favorecido ou até em impunidade, o que só atenta contra quem atua regularmente no comércio exterior. Fl. 4760DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.754 15 Nesse contexto, ao analisar teoricamente o “modelo de negócio” da recorrente, temse, segundo as declarações de importação, que a “PRIME” era a importadora por conta e ordem (tendo benefício fiscal no Distrito Federal por sua atuação), e a empresa “UTILIDAD” era a adquirente por conta e ordem. Até aí não existe irregularidade alguma (destaquese, sob ponto de vista teórico). Existe ainda uma venda posterior, efetuada, nos casos tratados nesta autuação, da “UTILIDAD” à “MULTI”, que em tese corresponderia a uma venda no mercado interno, não tendo a compradora no mercado interno (“MULTI”), que existe de fato, qualquer gerência na operação anterior de importação, limitandose a comprar mercadorias já desembaraçadas, com comprovante de importação, sendo um terceiro de boafé. Contudo, ao analisar o mesmo “modelo de negócio” diante da realidade apresentada na autuação, percebese que o cenário teoricamente apresentado não corresponde ao que de fato acontecia. Como narra a fiscalização, a percepção da irregularidade se inicia com a confusão societária. Mas pausese aqui a argumentação para acordar com a recorrente no sentido de que a mera confusão societária de pessoas jurídicas distintas (ou o fato de que os sócios de diversas empresas tenham grau de parentesco em comum, compartilhando os mesmos fornecedores), por si, não é fator ensejador da autuação por “interposição fraudulenta”. Retornando ao momento em que descrevíamos a realidade apresentada pela fiscalização, cabe informar que a partir dos indícios atinentes a quadro societários, ausência de depósitos, saídas diretas de mercadorias desembaraçadas para terceiros não indicados na importação, fornecedores comuns e utilização de duplo grau de intermediação nas importações (com utilização da empresa “UTILIDAD”, autuada em procedimento anterior), fazendo com que não aparecesse ao fisco o real importador, conhecido desde antes da importação, e sempre ligado a empresas do “Mundo dos Filtros”, a fiscalização obteve autorização judicial para apreensão de documentos, saindo do reino dos indícios e ingressando no reino das provas. Trataremos das provas de forma individualizada em tópico subsequente deste voto, mas desde já é de se destacar que a documentação apreendida demonstra o repasse de recursos de adiantamentos via transferência bancária dos responsáveis (com destaque para o Sr. EDMAR2) pelas empresas do “Mundo dos Filtros”, como a “MULTI” para as empresas que funcionavam como interpostas pessoas (“PRIME” e “UTILIDAD”). E as correspondências eletrônicas apreendidas demonstram a conexão entre tais repasses e as respectivas operações de importação. Assim, o “modelo de negócio” teoricamente apresentado não corresponde ao realmente praticado (no qual a “PRIME” e “UTILIDAD”, de fato, ocultavam a “MULTI”). E isso sim é ilícito, porque representa uma simulação, que faz com que a interposição seja classificada com fraudulenta. Nesse cenário, é absolutamente irrelevante quantos elos existem na cadeia de importação. Basta que o último de tais elos (desde que sabidamente conhecido no momento da importação), responsável inclusive pela antecipação de recursos, seja ocultado. 2 A própria "MULTI", em sua impugnação, informa que o Sr. “EDMAR” “realizou uma grande negociação para que todas as empresas que usam a marca ‘Mundo dos Filtros’ tivessem a mesma condição de compra, independente do volume. Não há dúvidas de que tal informação, além de vincular o Sr. "EDMAR" a tais empresas, inclusive a "MULTI", demonstram que ele efetivamente as representava, ao menos na citada negociação. Fl. 4761DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 16 Por certo que existir ou não um campo para o “adquirente do adquirente por conta e ordem”, ou o “encomendante predeterminado do encomendante predeterminado”, ou ainda o “encomendante predeterminado do importador por encomenda” (o que poderia se alastrar ad infinitum) também é irrelevante, pois o que deve ser informado na declaração de importação é o real adquirente (não um mero distribuidor, que enviará a mercadoria a alguém que já era conhecido ao momento da importação, e que inclusive antecipou recursos para a realização da importação). Seria absolutamente inútil para coibir a interposição fraudulenta inserir “mais campos no SISCOMEX”. Afinal de contas, se houvesse três campos, passariam a existir processo com quatro elos, e assim por diante. Seguindo a linha da recorrente, o SISCOMEX, para conter a interposição com variados elos na cadeia de importação, teria que ter infinitos campo. E o mesmo raciocínio é válido no que se refere a variados adquirentes de uma mesma importação. Se tais adquirentes não eram conhecidos ao momento da importação, estamos diante de operação de importação direta. Mas não é o caso dos autos, em que era possível identificar (por correspondências e por adiantamento de recursos), antes da importação, quem eram os reais adquirentes das mercadorias (ao menos nas adquiridas pela “MULTI”, descritas nestes autos), individualizadamente. Assim, também irrelevante que a “UTILIDAD” venda a diversos fornecedores, ou que a “MULTI” também compre de outros fornecedores. É de se recordar que o auto de infração aqui em apreciação trata somente das mercadorias “vendidas” da “UTILIDAD” para a “MULTI”. E basta que estas sejam fruto de “interposição fraudulenta” para que prospere a autuação. Tal contexto parece não ter sido integralmente visualizado na decisão da DRJ apontada no recurso voluntário da “MULTI” (no processo no 10111.720453/201385), que sucumbe à linha de “campos infinitos no SISCOMEX” e a outras aqui rechaçadas veementemente, isso depois de já ter afastado a autuação por carência probatória (diante da falta de anexação dos documentos constantes em outro processo). Concluise que o “modelo de negócios” apresentado teoricamente é desmentido pela realidade os fatos, evidenciandose a simulação caracterizadora da “interposição fraudulenta”, de forma geral e individualizadamente, como destacado a seguir. 5. Da questão probatória O RAF detalha as provas documentais relativas a cada importação na qual se detecta a “interposição fraudulenta”: DI/Adição Comprovação documental indicada no RAF 10/17690997 (001) 325 Coifas, 125 delas adquiridas pela “MULTI” (NF no 596), tendo as restantes também sido adquiridas por empresas do grupo, todas com agregação de somente 7,9%, insuficiente sequer para arcar com os custos operacionais da atacadista. Houve ainda adiantamento de recursos (transferência da empresa “Casa dos Filtros”, do grupo, à “PRIME” importadora por conta e ordem, em 24/06/2010, com registro da DI em 07/10/2010, com acerto final em 22/12/2010. Os documentos apreendidos demonstram o “modus operandi”: pelo número da “invoice”, o grupo controlava os valores Fl. 4762DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.755 17 repassados à “PRIME” e a fonte pagadora, Sr. “EDMAR” Mothe. Na mesma pasta são encontradas as datas de adiantamentos de recursos à “PRIME”. 10/18836685 Foi encontrada entre os documentos apreendidos solicitação de numerário da “PRIME” para a “MUNDO” dos Filtros 4 dias antes do registro da DI, já com a descrição dos produtos importados: circulador e ventilador. A empresa “UTILIDAD”, assim, cedeu seu nome para ocultar o real adquirente, estando sujeita à multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007. O real adquirente foi a “MULTI”, cf. Notas Fiscais no 383 e 658. Também nessa operação é identificado documento apreendido vinculando remessas do Sr. “EDMAR” à “PRIME” antes do registro da DI, com menção à “invoice” que ampara a importação. 10/18836693 (001 e 002) 910 Ventiladores (e partes e peças), sendo 940 adquiridos pela “MULTI” (NF no 383 e 658), com agregação de somente 13,7%, insuficiente sequer para arcar com os custos operacionais da atacadista. Houve ainda adiantamento de recursos (transferência do Sr. “EDMAR” à “PRIME” importadora por conta e ordem, em 24/06/2010, com registro da DI em 25/10/2010, com acerto final em 22/12/2010.. Foi encontrada entre os documentos apreendidos solicitação de numerário da “PRIME” para a “MUNDO” dos Filtros. 10/20491185 (001 e 002) 500 Grelhadeiras, em parte vendidas à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 577. A mercadoria descrita na adição 2, apesar de não haver documento de venda, foi repassada a empresas do grupo “com as mesmas características de interposição fraudulenta”. 10/20951453 (001) 500 Grelhadeiras, em parte vendidas à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 658. As mercadorias foram repassadas a empresas do grupo “com as mesmas características de interposição fraudulenta”, havendo documentos e email comprovando transferência do Sr. “EDMAR” à “PRIME”. 11/00815203 (001 e 002) 1700 Processadores (e partes e peças), em parte vendidos à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 809, com agregação de somente 10,1%, insuficiente sequer para arcar com os custos operacionais da atacadista, havendo documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/01673720 (001 e 005) 2380 Aspiradores de pó, em parte vendidos à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 867, com agregação de somente 10%, insuficiente sequer para arcar com os custos operacionais da atacadista, havendo documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/01736331 (001 e 002) 1664 Aparelhos de Passar Roupas, em parte vendidos à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 897, com agregação de somente Fl. 4763DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 18 10,2%, insuficiente sequer para arcar com os custos operacionais da atacadista, havendo documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/03440308 (001 a 005) 4608 Sanduicheiras e outros, em parte vendidas à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 1042, com agregação de somente 9,8%, insuficiente sequer para arcar com os custos operacionais da atacadista, havendo documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/03450303 (001) 3624 Liquidificadores, em parte vendidos à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 962, com agregação de somente 10,1%, insuficiente sequer para arcar com os custos operacionais da atacadista, havendo documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/03886608 (001 a 005) 6008 Cafeteiras e outros, em parte vendidas à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 1081, com agregação de somente 3,4%, insuficiente sequer para arcar com os custos operacionais da atacadista, havendo documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/06668091 (001) 1 Grelhadeira (e partes e peças), vendida à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 1227, havendo documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/07623083 (001 a 012) 5640 Ventiladores, 4320 Liquidificadores, 2900 Batedeiras, 600 Moedores de Carne e 400 Multiprocessadores, em parte vendidos à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 1356, com agregação de valor baixa ou até negativa, havendo documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/07672718 (001 e 002) 8149 Ventiladores (e partes e peças), em parte vendidas à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 1626, havendo documentos e e mail comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/07694886 (002) Fogões Elétricos, em parte vendidas à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 1435, havendo documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/07760625 (001 a 004) Fogões Elétricos, em parte vendidas à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 1730, havendo documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/12365810 Foi encontrado entre os documentos apreendidos “demonstrativo de despesa”, para o produto “umidificadores”, tendo como cliente da “PRIME” a “MUNDO” dos Filtros anterior ao registro da DI. A empresa “UTILIDAD”, assim, Fl. 4764DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.756 19 cedeu seu nome para ocultar o real adquirente, estando sujeita à multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007. O real adquirente foi a “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 1948. Também nessa operação havia documentos e email comprovando transferências à “PRIME” antes do registro da DI, com acerto final posterior. 11/15254270 Foi encontrado entre os documentos apreendidos “demonstrativo de despesa”, para o produto “umidificadores”, tendo como cliente da “PRIME” a “MUNDO” dos Filtros anterior ao registro da DI. A empresa “UTILIDAD”, assim, cedeu seu nome para ocultar o real adquirente, estando sujeita à multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007. O real adquirente foi a “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 2399. 11/16578176 Foi encontrado entre os documentos apreendidos “demonstrativo de despesa”, para o produto “umidificadores”, tendo como cliente da “PRIME” a “MUNDO” dos Filtros anterior ao registro da DI. A empresa “UTILIDAD”, assim, cedeu seu nome para ocultar o real adquirente, estando sujeita à multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007. O real adquirente foi a “MULTI”, cf. Notas Fiscais no 2399 e 2424. 11/17330038 (001) Climatizadores, em parte vendidos à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 2698, e remetidos à “NOVA” para posterior repasse a empresas do grupo, com subfaturamento de 30% (duplo faturamento), e cessão de nome da empresa “UTILIDAD”, cabendo a ela a multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007. O valor tomado em relação a tal DI na autuação foi o da fatura real, e não o subfaturado. 12/02096281 (001) Climatizadores, em parte vendidos à “MULTI”, cf. Nota Fiscal no 3638, e remetidos à “NOVA” para posterior repasse a empresas do grupo. A “MULTI”, ao invés de questionar sequer uma das imputações objetivamente, limitase a afirmar que a autuação se baseia em suposições, não havendo prova de conduta dolosa do impugnante, ou de que esta tenha praticado qualquer irregularidade, havendo inclusive prova contrária, de que efetivamente apenas parte das mercadorias importadas era vendida à impugnante, complementando que a fiscalização “não demonstrou o exato fluxo financeiro de cada recurso empregado em cada importação, e nos casos em que o fez, apenas demonstra que a origem dos recurso é lícita”. A impugnação, por seu caráter genérico, diante da autuação detalhada, é de difícil apreciação. Contudo, em nome da verdade material, passamos a verificar se efetivamente é possível, a partir das antecipações de recursos e dos correios eletrônicos objeto de apreensão decorrente de decisão judicial (que também não foram objeto de questionamento específico na peça recursal), determinar que houve “interposição fraudulenta”. E nessa busca realmente identificamos que para as declarações de importação no 10/20491185 e no 12/02096281 não há provas suficientes de que tenha havido o ilícito Fl. 4765DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 20 apontado pelo fisco, que parece ter entendido que por comprovar a “interposição fraudulenta” em 19 declarações, poderia estender a conclusão a outras duas. Deve, então, ser afastado o lançamento no que se refere às DI no 10/2049118 5 e no 12/02096281, por carência probatória. 6. Do dano ao Erário A “MULTI” afirma que não houve qualquer ausência de recolhimento de tributos, inclusive da extensão do IPI à adquirente “UTILIDAD”, por equiparação, nem dano ao Erário, necessário à aplicação do perdimento (no recurso voluntário da “MULTI”, destaca se ainda que as hipóteses citadas pela DRJ como dano ao Erário são todas em tese, não havendo nos autos prova da ocorrência de nenhuma delas). A afirmação revela ao menos dois entendimentos equivocados em relação à “interposição fraudulenta”. O primeiro de que toda a construção legislativa que rege a matéria teve preocupação exclusivamente tributária, quando a temática afeta à interposição fraudulenta é predominantemente aduaneira, ligada à gestão de risco nas operações de comércio exterior. E o segundo, de que o dano ao Erário tem que ser especificamente caracterizado para a aplicação da penalidade. O auto de infração foi lavrado com enquadramento no art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, motivado por interposição fraudulenta. Dada a impossibilidade de localização da mercadoria, o perdimento foi substituído por multa com base no § 3o do mesmo art. 23: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. .(Redação dada pela Lei no 12.350, de 20 de dezembro de 2010)” (grifos nossos) É cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali Fl. 4766DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.757 21 relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário, no caso concreto. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967: “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”), como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Nesse sentido tem acordado unanimemente esta turma em diversos julgados, inclusive com a formação atual do colegiado.3 7. Da responsabilização dos sujeitos passivos Como se verificou nos tópicos anteriores deste voto, o presente caso trata do que se classifica comumente, nesta turma, de “interposição fraudulenta comprovada”. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o 3 Acórdão n. 3403002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013; Acórdão n. 3403 002.435, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 24.set.2013; Acórdão n. 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 30.jan.2014; Acórdão n. 3403002.842, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 25.mar.2014; Acórdão n. 3403002.865, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 26.mar.2014; e Acórdão n. 3403003.188, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 20.ago.2014. Fl. 4767DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 22 acobertado (e o acobertante, conjunta ou isoladamente, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. Tendo sido comprovada a interposição fraudulenta, aplicável a pena de perdimento, e sua consequente substituição por multa, na hipótese descrita nos autos, nos termos do art. 23, V, e §§ 1o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976. E a responsabilização da ocultada (“MULTI”) decorre expressamente do disposto no art. 95 do DecretoLei no 37/1966, que o autuante decide endossar com o art. 124 do Código Tributário Nacional. Ademais, pelo aqui já exposto, resta patente a individualização da conduta da “MULTI”, efetivo adquirente das mercadorias (como já se sabia ao tempo das importações), inclusive antecipando recursos para sua obtenção. Contudo, como há diversos sujeitos passivos, entendese que é dever do autuante, ao arrolálos sob tal condição, ainda que sob o manto do art. 124 do CTN, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação de penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas (ocultação do real adquirente “MULTI” nas operações de importação da “PRIME”, por conta e ordem da “UTILIDAD”). Descartados os sujeitos passivos para os quais se operou a revelia (UTILIDAD Comércio de Móveis e Eletro LTDA, PRIME Comercial Importadora e Exportadora LTDA e EDMAR Mothe), incumbe verificar de que forma o fisco individualizou as condutas dos demais sujeitos passivos arrolados na autuação. E nisso pecou o autuante. No Capítulo 10 do RAF, que trata da “solidariedade na aplicação da penalidade”, o fisco, além de transcrever normas, redige um único parágrafo (fl. 85): “Por tudo que foi exposto neste relatório, apuramos que as seguintes pessoas físicas e jurídicas devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas (ou seja, as empresas PRIME, UTILIDAD e MULTI ELETRO, e os sócios desta última e ainda, por tudo que foi demonstrado neste relatório, o Sr. EDMAR MOTHÉ, CPF Nº 282.632.94720, exsócio administrador da empresa UTILIDAD), nos termos dos artigos 124, inciso I e 135, inciso III do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172/1966, e ainda artigo 95 do DecretoLei nº 37/1966”. (grifo nosso) E no Capítulo 12 do RAF, que trata dos “sujeitos passivos”, também não é imputada conduta específica em relação aos recorrentes sócios e exsócios da “MULTI”, ou aclarada sua participação individualizada na operação ilícita detectada pelo fisco. “Respondem conjuntamente (subitens 12.2 ao 12.8) pelas infrações cometidas os sócios da empresa Multi Eletro (atuais e da época dos fato geradores das infrações abordadas neste relatório) (...). 12.2 EDMAR MOTHE JUNIOR, CPF nº 705.675.73168, atual sócioadministrador da empresa Multi Eletro e residente conforme cadastro na Receita Federal do Brasil à SQN 304, Fl. 4768DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10111.720423/201379 Acórdão n.º 3403003.319 S3C4T3 Fl. 4.758 23 Bloco C, Apt. 201 – Asa Norte – Brasília / DF – CEP: 70736 030. 12.3 MARIA MENDES MOTHE, CPF nº 560.615.79772, atual sócia da empresa Multi Eletro e residente conforme cadastro na Receita Federal do Brasil à SQN 116, Bloco A, Apt. 204 – Asa Norte – Brasília / DF – CEP: 70773010. 12.4 MARIA MADALENA BARBOSA, CPF nº 604.973.43134, sócia da empresa Multi Eletro à época dos fato geradores abordados neste relatório, e residente conforme cadastro na Receita Federal do Brasil à CNB 14, Lote 04, Apt.113 – Taguatinga –Brasília/DF CEP: 72015150. 12.5 ZUMAIA CRISTINA DA PAZ, CPF nº 851.238.97100, sócia da empresa Multi Eletro à época dos fato geradores abordados neste relatório, e residente conforme cadastro na Receita Federal do Brasil à FAZ FZ Sucupira CH. 24, Lote 13 – Riacho Fundo– Brasília/DF – CEP: 71820800.” (grifo nosso) Ao que parece, a principal motivação para a imputação de responsabilidade solidária às quatro pessoas arroladas é tão somente o fato de serem (ou terem sido) sócias da “MULTI”. Não há menção a que ato especificamente teriam praticado tais pessoas, individualmente, com excesso de poderes, ou qualquer das situações previstas no art. 135 do CTN, expressamente referido na autuação. Nem construção específica a demonstrar que tenha havido desconsideração da personalidade jurídica. Tal imputação genérica não merece prosperar. Devem, assim, ser excluídos do polo passivo da autuação as seguintes pessoas físicas: Edmar Mothe JÚNIOR, MARIA Mendes Mothe, Maria MADALENA Barbosa e ZUMAIA Cristina da Paz. 8. Considerações finais Incumbe ainda um esclarecimento final, voltado à correta liquidação deste julgado, e de outros em relação às mesmas operações de importação. É preciso recordar que a multa aplicada é substitutiva do perdimento, e, havendo autuação diversa em relação à mesma mercadoria (DI e adição), com a mesma pena (multa substitutiva do perdimento), aplicada a outro sujeito (por exemplo a autuação à “UTILIDAD”, que apresenta algumas DI e mercadorias coincidentes com as deste auto), o pagamento integral da multa substitutiva em relação a uma mercadoria por um sujeito obsta a cobrança em relação aos demais, no que se refere à mesma mercadoria. Isso porque não se pode aplicar “dois perdimentos” a uma mercadoria, não se podendo também aplicar “duas multas substitutivas de perdimento”. Da mesma forma que, na presente autuação, por exemplo, o pagamento integral da multa substitutiva por uma pessoa das que restaram no polo passivo aproveita às demais. Fl. 4769DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 24 Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, para excluir do polo passivo Edmar Mothe Júnior, Maria Mendes Mothe, Maria Madalena Barbosa e Zumaia Cristina da Paz, e afastar o lançamento em relação às DI no 10/20491185 e no 12/02096281. Rosaldo Trevisan Fl. 4770DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001617/2004-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/05/2004
CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP - APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS - ENERGIA ELÉTRICA - LIMITES IMPOSTOS PELA LEGISLAÇÃO
O aproveitamento dos créditos da contribuição ao PIS/PASEP, relativos à energia elétrica consumida no estabelecimento da Pessoa Jurídica, pode ser aproveitado nos limites e requisitos impostos pelo legislador.
Não pode o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de norma que não teve sua inconstitucionalidade declarada pelo Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1998 a 31/05/2004 CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS ENERGIA ELÉTRICA LIMITES IMPOSTOS PELA LEGISLAÇÃO O aproveitamento dos créditos da contribuição ao PIS/PASEP, relativos à energia elétrica consumida no estabelecimento da Pessoa Jurídica, pode ser aproveitado nos limites e requisitos impostos pelo legislador. Não pode o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de norma que não teve sua inconstitucionalidade declarada pelo Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 16 17 /2 00 4- 75 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Para descrever os fatos, transcrevo o relatório constante no voto proferido pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP): Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls.4/17 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep do período de agosto de 1999 a maio de 2004, exigindoselhe o crédito tributário no valor total dc R$4.902,71. O enquadramento legal encontrase a fls. 6/7 e 13. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 777/786, na qual alegou, em síntese, que não houve intuito doloso no aproveitamento de créditos para apuração da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, mas mera divergência de interpretação, e que a fiscalização não logrou comprovar que infração. Argumentou que as diferenças apuradas para os períodos de agosto e setembro de 1999, janeiro, junho, agosto e novembro de 2000 teriam sido "levantadas em trabalho de auditoria fiscal anteriormente desenvolvido, originando o processo administrativo de nº 13855.001368/200175, caracterizando assim, por si só a nulidade do lançamento efetuado". Prossegue alegando que não houve "superestimação" de despesas, e que no caso da energia elétrica agiu de acordo com as disposições legais. Transcreveu o art. 3o, IX e § 1o, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Reiterou que buscou apenas interpretar plenamente as disposições legais favoráveis ao contribuinte. Aduziu que procedeu de forma legitima ao escriturar o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, pois que o fez com base em documentação fiscal idônea. Reclamou do excesso da penalidade em relação à sua capacidade contributiva, uma vez que não houve dolo ou máfé. Em decisão proferida, a Impugnação do contribuinte foi julgada improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1999 a 31/05/2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13855.001617/200475 Acórdão n.º 3801003.994 S3TE01 Fl. 12 3 A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. Lançamento Procedente Inconformado com a decisão exarada, o contribuinte, ora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário, alegando, basicamente, que não pode lhe ser retirado o direito de aproveitar os créditos não reconhecidos pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Como relatado acima, o Recorrente insurgese contra Auto de Infração que glosou o aproveitamento de crédito da contribuição ao PIS, relativos à energia elétrica consumida no processo produtivo da Pessoa Jurídica. Não há dúvidas, como consignado no próprio acórdão recorrido, que é autorizado pela legislação o aproveitamento dos créditos. Neste sentido, o disposto no artigo 3º da Lei 10.637/02: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (redação do dispositivo à época da ocorrência dos fatos geradores) Contudo, o próprio legislador que autorizou o aproveitamento dos créditos, limitou a sua utilização aos valores “incorridos no mês” de apuração. Vejase: § 1° O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor: (...) Fl. 855DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (grifouse) (redação do dispositivo à época da ocorrência dos fatos geradores). É fato incontroverso nos autos, inclusive afirmado pelo próprio Recorrente desde a Impugnação ao Auto de Infração, que houve o aproveitamento extemporâneo dos créditos, ou seja, o Recorrente utilizou créditos para abater da base de cálculo da contribuição ao PIS que são, além daqueles incorridos no mês, de meses anteriores. Cabe destacar, ainda, que, no Auto de Infração, restou devidamente comprovado o aproveitamento de créditos extemporâneos (que não foram “incorridos no mês”) e o próprio Recorrente, como mencionado, não questiona tal imputação. Assim, a discussão travada nos autos restringese, basicamente, à devida interpretação da legislação. Contudo, mesmo com o esforço do Recorrente em demonstrar como deve ser realizada a interpretação da legislação, não há dúvidas na interpreção desta: o aproveitamento só pode ser realizado com aqueles créditos incorridos no mês. Esta foi a opção do legislador. Não se pode olvidar que a nãocumulatividade da contribuição ao PIS é aquela que a doutrina denomina como sendo “base contra base”, diferente da não cumulatividade do ICMS e do IPI que é a denominada como “imposto contra imposto”. Assim, não podem prevalecer as argumentações do Recorrente de que poderia utilizar os créditos, mesmo que de forma diferente daquela prevista pelo legislador. É que, na sistemática de apuração da contribuição ao PIS, devem prevalecer os limites e imposições do legislador para aproveitamento dos créditos. Por outro lado, como é sabido, não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar aplicação de norma vigente e válida no ordenamento jurídico (súmula CARF nº 02). E o Recorrente não trouxe aos autos nenhuma decisão judicial a seu favor que tivesse o condão de afastar a aplicação da norma em comento. Por fim, do mesmo modo, com relação à multa aplicada, sendo ela prevista em lei, não pode ser declarada a inconstitucionalidade desta por este Conselho, nem mesmo do percentual definido pelo legislador. Esta matéria é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento, para manter, na íntegra, o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Fl. 856DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13855.001617/200475 Acórdão n.º 3801003.994 S3TE01 Fl. 13 5 Fl. 857DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15868.720033/2013-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há nulidade em auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta se encontraram plenamente assegurados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Fez sustentação oral a Dra. Carolina Hamaguchi, OAB/SP 195.705, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator
EDITADO EM: 08/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Júnior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não geram créditos no regime da não cumulatividade dispêndios com bens e serviços sem a efetiva comprovação. O ônus da prova de que os dispêndios se enquadravam como insumos é da empresa interessada nos créditos das contribuições. Provados nos autos que a fiscalização tentou obter a comprovação dos créditos das contribuições, sem obter êxito, correta está a glosa efetuada. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não geram créditos no regime da não cumulatividade dispêndios com bens e serviços sem a efetiva comprovação. O ônus da prova de que os dispêndios se enquadravam como insumos é da empresa interessada nos créditos das contribuições. Provados nos autos que a fiscalização tentou obter a comprovação dos créditos das contribuições, sem obter êxito, correta está a glosa efetuada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 33 /2 01 3- 70 Fl. 3315DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas lançadas, compondo o valor do crédito tributário constituído, que acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Entendimento do STJ reproduzido por determinação do art. 62A do RICARF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade em auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Fez sustentação oral a Dra. Carolina Hamaguchi, OAB/SP 195.705, advogada do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Fl. 3316DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720033/201370 Acórdão n.º 3101001.704 S3C1T1 Fl. 4 3 Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator EDITADO EM: 08/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Júnior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados em nome da empresa JBS S/A, em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e para a COFINS, no período de 01/07/2009 a 30/09/2009, com o lançamento das contribuições, da multa de ofício e juros de mora. Conforme consta do competente Termo de Verificação de Infração Fiscal, o procedimento fiscal iniciouse com a análise dos pedidos de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, e declarações de compensações, efetuados pela empresa Bertin S/A, CNPJ 09.112.489/000168, que foi incorporada pela empresa JBS S/A, CNPJ 02.916.265/000160, relativos ao período de apuração de outubro de 2007 a dezembro de 2008, e posteriormente estendido ao ano de 2009. A análise dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, relativos ao terceiro trimestre de 2009, estão consubstanciadas nos processos administrativos 12585.000462/201062 (Ressarcimento de COFINS – 3º trimestre de 2009) e 12585.000466/201041 (Ressarcimento de PIS – 3º trimestre de 2009). De acordo com o relato fiscal, o sujeito passivo, apesar de reiteradamente intimado, não apresentou nenhuma planilha ou qualquer outro documento equivalente contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não apresentou os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. A autoridade fiscal elaborou planilhas com a discriminação das aquisições de gado bovino de pessoas físicas e jurídicas, bem como de demais insumos que dariam direito à apuração de crédito presumido da agroindústria, e procedeu à apuração dos créditos a que teria direito o contribuinte com base nos arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pelo próprio sujeito passivo e também nos Dacon apresentados. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação, na qual argumenta, em síntese: Fl. 3317DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 1. nulidade em razão da ilegitimidade da d. Autoridade Fiscal (DRF Araçatuba) para promover a fiscalização dos pedidos de ressarcimento da Recorrente, determinando a realização de nova fiscalização, pela Delegacia da Receita Federal competente para tanto, localizada no Município de São Paulo, seja em razão da incompetência da Autoridade de Araçatuba, seja em razão do cerceamento de defesa; 2. nulidade em razão de não existir responsabilidade da Recorrente pelos débitos compensados, atrelados ao presente pedido de ressarcimento, haja vista a responsabilidade pessoal dos administradores da época; 3. nulidade em razão do descumprimento do “múnus” atribuído à autoridade fiscal, que deveria exaustivamente obter informações perante os administradores da Bertin S/A à época dos fatos, em busca da efetivação do princípio da verdade material; 4. direito ao reconhecimento da totalidade do direito creditório pleiteado pela Bertin S/A(incorporada pela Recorrente), vez que: (i) a glosa dos créditos não deve prosperar, vez que a fiscalização não conseguiu afastar a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela Bertin S/A; (ii) A Recorrente faz jus ao crédito presumido, à ordem de 60% (sessenta por cento) sob as aquisições de gado, nos moldes do artigo 8º da Lei 10.925/2004; (iii) As demais "glosas" são ilegais, vez que ausente qualquer justificativa, limitandose a autoridade fiscal a elaborar meras planilhas para justificar a glosa; 5. subsidiariamente, determinar a realização de diligência pela unidade fiscal situada em São Paulo, seja em razão da incompetência da Delegacia fiscal de Araçatuba, seja em razão da imparcialidade de seus Auditores Fiscais. 6. subsidiariamente, caso todos os argumentos anteriores sejam afastados, seja acatada, ao menos, a impossibilidade da Impugnante responder pelas multas e juros moratórios, pois, nos moldes do art. 132 do CTN, somente há responsabilidade por eventuais “tributos”, ou, ainda, resta indevida a responsabilidade pela multa e juros em razão do despacho decisório ter sido proferido em data posterior à incorporação, conforme amplamente exposto. A 4ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1443.202, referente a sessão de julgamento ocorrida em 25 de julho de 2013, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de Fl. 3318DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720033/201370 Acórdão n.º 3101001.704 S3C1T1 Fl. 5 5 propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. A multa de ofício e os juros de mora integram a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário. SUCESSÃO DE EMPRESAS. GUARDA DE DOCUMENTOS E LIVROS DAS EMPRESAS SUCEDIDAS. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Caracterizada a sucessão de empresas, na forma do art. 133 do CTN, a guarda de todos os documentos e livros pertencentes às empresas sucedidas para futura exibição ao Fisco é de responsabilidade da empresa sucessora. Fl. 3319DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, neste, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto 70.235/72. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada da decisão da DRJ, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator Fl. 3320DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720033/201370 Acórdão n.º 3101001.704 S3C1T1 Fl. 6 7 O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Das preliminares Da nulidade em razão da incompetência do Auditor Fiscal A Recorrente alega a nulidade do procedimento fiscal ante a incompetência do AuditorFiscal lotado na Delegacia da Receita Federal de Araçatuba, sendo que a sede da empresa era na cidade de São Paulo. Também alega que inexistia autorização para emissão do Mandado de Procedimento Fiscal em jurisdição diversa da originária. Não assiste razão a Recorrente. Não há que se falar em nulidade no procedimento fiscal, pela sua execução por AuditorFiscal lotado em outra delegacia fiscal. A matéria encontrase sumulada neste órgão julgador: Súmula CARF nº 27 É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. A ação fiscal, que resultou na lavratura dos autos de infração em questão, encontravase autorizada pelo MPFFiscalização nº 08.1.90.002011034024 emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região, do Estado de São Paulo. As questões acerca de possíveis irregularidades na emissão do MPF também não tornam nulo o procedimento fiscal em questão, por se tratar o Mandado de Procedimento Fiscal de um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não mais do que isso. A jurisprudência deste Conselho pacificou entendimento segundo o qual eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem à nulidade, vez que o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. A autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, conforme definido pelo art. 6º da Lei nº 10.593, de 2002 (com redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457, 2007), e o procedimento fiscal é válido mesmo quando formalizado por AuditorFiscal de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, conforme dispõe o § 2° do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade em razão da incompetência do AuditorFiscal. Fl. 3321DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Do cerceamento do direito de defesa em razão da localização da unidade da RFB que executou o procedimento fiscal A Recorrente alega também o cerceamento de seu direito de defesa em razão da localização da unidade da Receita Federal que executou o procedimento fiscal, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Araçatuba. Não assiste razão a Recorrente. Nenhum prejuízo foi causado pela execução regular do procedimento fiscal em Araçatuba, e não na cidade de São Paulo. Todas as formalidades legais essenciais previstas em lei e regulamento foram cumpridas, inclusive a lavratura de atos, identificação da autoridade competente, prazos, motivação No Termo de Verificação de Infração Fiscal encontrase detalhado todo o procedimento fiscal realizado, com a descrição dos fatos e apurações feitas pela fiscalização, bem como ao contribuinte foram entregues os demonstrativos de apuração dos créditos e dos saldos remanescentes das contribuições para o Pis e a Cofins. Inclusive a interessada foi intimada em várias oportunidades durante o procedimento fiscal e não apresentou todos os esclarecimentos necessários ou as comprovações requeridas. Posteriormente, na ciência dos Autos de Infração, a interessada teve acesso aos documentos constantes dos autos, não se constatando qualquer empecilho relativo à produção de provas, caracterizando cerceamento de seu direito de defesa. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade em razão do cerceamento do direito de defesa. Do Mérito Da apuração e glosa dos créditos A Recorrente alega a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela empresa sucedida Bertin S/A, e que a fiscalização não logrou êxito em desqualificálos, sem a devida comprovação. Não assiste razão a Recorrente. Não foram apresentados, nem durante o procedimento fiscal, nem no curso do julgamento administrativo, planilha ou qualquer outro documento equivalente contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não foram apresentados os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. De acordo com o relatado no Termo de Verificação de Infração Fiscal, não restam dúvidas que a interessada não conseguiu demonstrar a exatidão dos valores requeridos, e coube à fiscalização, com base nos arquivos digitais dos registros fiscais que foram apresentados pelo próprio sujeito passivo, elaborar as planilhas juntadas no processo, com as notas explicativas constantes no final das referidas planilhas, apurar os valores dos créditos da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 3322DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720033/201370 Acórdão n.º 3101001.704 S3C1T1 Fl. 7 9 Conforme exposto no acórdão recorrido, as reiteradas intimações comprovam o esforço da autoridade fiscal em coletar informações e cotejar os fatos com a norma, para então concluir pelo acerto nos lançamentos e pagamentos dos tributos pelo contribuinte ou proceder à exigência fiscal de ofício. Caberia à Recorrente apresentar prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, através da juntada aos autos de demonstrativos dos valores pleiteados juntamente com os lastros documentais, o que não ocorreu. De outro lado, a Fazenda apresentou seus demonstrativos, lastreados nos registros fiscais da empresa, que dão suporte ao lançamento efetuado. Desta forma, como a Recorrente não trouxe qualquer documento contábil ou fiscal anexo à peça recursal para desconstituir o lançamento do crédito tributário, o mesmo deverá ser mantido. Do crédito presumido da agroindústria Outra questão controversa nos autos referese à discussão da alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. De um lado, o fisco alega que a alíquota aplicável sobre os insumos adquiridos para a agroindústria, prevista no art. 8º, §3º da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido, ou seja, a alíquota de 35% sobre as aquisições de bovino vivo, classificado no capítulo 1 da NCM, posição 01.02. De outro lado a Recorrente entende que o percentual a ser aplicado é 60%, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. No caso, a empresa sucedida deu saída a produtos do capítulo 2 da NCM. Neste caso, assiste razão a Recorrente, tendo em vista uma recente alteração legislativa que interpretou de forma contrária ao argumento do Fisco. O artigo 33 da Lei nº 12.865/13 acresceu enunciado interpretativo ao artigo 8° da Lei nº 10.925/04, verbis: Art. 33. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 8º ........................................................................ § 1º ............................................................................... I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ............................................................................................. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) Fl. 3323DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." (NR) O legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do parágrafo 10 incluído pela Lei nº 12.865/13. Desta forma, conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei º 10.925/2004, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, reconhecese à Recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Da responsabilidade pelas multas e juros A Recorrente alega que, na hipótese de manterse o indeferimento do pedido de ressarcimento, não deverá ser responsabilizada pelas multas e juros aplicáveis aos débitos compensados, porquanto a responsabilidade estabelecida no art. 132 do CTN não abrangeria multas decorrentes de infração. Alega também a responsabilidade pessoal dos diretores, gerente e representantes da empresa sucedida, com base no art. 135, III do CTN. Inicialmente, cabenos destacar que, nos lançamentos de ofício, é devida a multa de ofício, pois tal multa integra o lançamento. O valor total lançado, composto do principal, multa e juros, corresponde ao valor do crédito tributário constituído. O artigo 129 do CTN trata da responsabilidade dos sucessores, aplicável ao presente caso, que transcrevemos abaixo: Art. 129 – O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Depreendese da redação do artigo e de seu posicionamento dentro do CTN, ou seja, de uma interpretação sistemática, que a responsabilidade dos sucessores referese aos créditos tributários, nos quais se incluem as multas de ofício. O STJ, em decisão sob o regime do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que a pessoa incorporadora é responsável não só pelo tributo devido pela incorporada, como também, pela multa moratória e outros encargos. Reproduzimos abaixo trecho da ementa do REsp 923.012/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 09/06/2010, cujo entendimento reproduzimos no presente voto, de acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. Fl. 3324DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720033/201370 Acórdão n.º 3101001.704 S3C1T1 Fl. 8 11 MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, Dje 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) ... 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 923.012/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Com relação à incidência dos juros moratórios, de acordo com o artigo 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento devem ser acrescidos os juros moratórios. Desta forma, encontrase amparo legal a incidência de juros moratórios, inclusive nas sucessões. Portanto, a Recorrente responde pela totalidade do crédito tributário, inclusive a multa de ofício lançada e os juros moratórios incidentes. Do pedido de diligência Também não assiste razão a Recorrente na necessidade de diligência para a apuração dos valores dos créditos. As provas porventura existentes, deveriam ter sido apresentadas durante o procedimento fiscal ou mesmo na fase recursal. Nenhum elemento foi apresentado. Fl. 3325DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 Portanto, não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas mesmo em face dos documentos trazidas pela interessada, o que não foi o caso. Das conclusões Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Sala das sessões, em 17 de setembro de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 3326DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002035/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2301-000.170
Decisão: Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em
sobrestar o julgamento do recurso, pela sistemática determinada no § 1º, Art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme Portaria MF 256/ 2009; e b) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do
Relator. Sustentação oral: Murilo Marco OAB: 238.689 / SP
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em sobrestar o julgamento do recurso, pela sistemática determinada no § 1º, Art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme Portaria MF 256/ 2009; e b) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Murilo Marco OAB: 238.689 / SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002035/200911 Resolução n.º 2301000.170 S2C3T1 Fl. 514 2 RELATÓRIO Tratase de Lançamento por meio de Auto de Infração, lavrado em 14/09/2009, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 33/41, deixado de recolher contribuições previdenciárias sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho médico, nas competências 01/2004 a 04/2009, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 291.339,21. Após tomar ciência pessoal da autuação em 16/09/2009, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 157/187, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 460/468, julgou o lançamento procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 04/03/2010, fls. 470. O recurso voluntário, apresentado em 05/04/2010, fls. 472/503, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. De início, pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Entende ser indevida a contribuição social sobre a prestação de serviços contratados com cooperativas de trabalho com argumentos de inconstitucionalidade. Colaciona diversas jurisprudências judiciais. Argumenta que inexiste base de cálculo para a autuação, uma vez que não há lucro e a base de cálculo da Lei 9.876/99 não se enquadra em qualquer das hipóteses constitucionais. Discorda da base de cálculo utilizada pela fiscalização, tendo em vista que parte dos valores era descontada dos empregados. Conclui ser a multa indevida, pois esta deve seguir o mesmo destino da obrigação principal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002035/200911 Resolução n.º 2301000.170 S2C3T1 Fl. 515 3 VOTO Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Tendo em vista que o representante da Recorrente apresentou uma preliminar de sobrestamento no momento de sua defesa oral, apresentamos a seguir nosso voto sobre o assunto. Sobrestamento de Recurso Voluntário. Art. 62A, § 1º do RICARF. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), a partir da modificação feita pela Portaria MF 586 de 21 de dezembro de 2010, passou a prever o sobrestamento de Recursos em seu art. 62A conforme veremos a seguir: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento de recursos extraordinários pelo STF é conseqüência do reconhecimento de existência de repercussão geral, conforme já admitiu o STJ em alguns julgados: AERESP AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGENCIA EM RECURSO ESPECIAL – 1142490 ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PRECATÓRIO COMPLEMENTAR. JUROS DE MORA. PERÍODO Fl. 528DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002035/200911 Resolução n.º 2301000.170 S2C3T1 Fl. 516 4 COMPREENDIDO ENTRE A HOMOLOGAÇÃO DO CÁLCULO E A EXPEDIÇÃO DO PRECATÓRIO OU RPV. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 168/STJ. SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. DESCABIMENTO. 1. Os juros moratórios não incidem entre a data da elaboração da conta de liquidação e a expedição da requisição de pequeno valorRPV. Precedente da Corte Especial: REsp 1.143.677/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 04.02.10. 2. Conforme a Súmula 168/STJ, "não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 3. O reconhecimento pelo Pretório Excelso de que o tema possui repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, acarreta, unicamente, o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido por esta Corte ou por outros tribunais, cujo exame deverá ser realizado no momento do juízo de admissibilidade. 4. Agravo regimental não provido. ADRESP AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL – 1139986 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. ENERGIA ELÉTRICA. DEMANDA CONTRATADA. SÚMULA 391/STJ. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "O ICMS incide sobre o valor da tarifa de energia elétrica correspondente à demanda de potência efetivamente utilizada" (Súmula 391/STJ). 2. "O reconhecimento pelo Pretório Excelso de que o tema possui repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, acarreta, unicamente, o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido por esta Corte ou por outros tribunais, cujo exame deverá ser realizado no momento do juízo de admissibilidade" (AgRg no EDcl no REsp 760.494/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJe 28/06/10). 3. Agravo regimental não provido. Adotando idêntica premissa, sempre que em relação a uma matéria houver recurso extraordinário no STF com repercussão geral reconhecida, teremos uma situação que enseja o sobrestamento do recurso em relação à matéria que justificou a repercussão geral. Com relação à contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, temos o RE 595.838 com repercussão geral reconhecida em 15/05/2009. Logo, a parte do recurso voluntário que trata dessa matéria deve permanecer sobrestada até a o trânsito em julgado da referido RE no STF. No caso em epígrafe, todo o lançamento está afetado pela discussão envolvendo as cooperativas de trabalho. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002035/200911 Resolução n.º 2301000.170 S2C3T1 Fl. 517 5 Por todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA de modo que o julgamento do Recurso fique sobrestado até a decisão final do STF sobre o RE 595.838. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 530DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 11080.011717/2007-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RS-RG.
A contribuição social não cumulativa para o PIS não incide sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62-A de seu Regimento Interno.
NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Os gastos com materiais de manutenção e peças de reposição de máquinas e equipamentos, itens de ativação obrigatória, já contemplados com a possibilidade de creditamento sobre as respectivas despesas de depreciação, não ensejam o creditamento como insumo.
Bancos para jardins com pés de cimento, placas para estacionamento, etiquetas de identificação de material, desobstrução de esgotos, serviço de demarcação, vasos com fícus, inseticida spray, tela desodorizante, janelas, assento almofadado, assento plástico para WC, divisórias e acessórios para vidros não se subsumem no conceito de insumo para fim de creditamento da contribuição social não cumulativa, e as respectivas aquisições não admitem a tomada de crédito.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES PARA ENTREGA DE BENS EM EXECUÇÃO DE GARANTIA. IMPOSSIBILIDADE.
Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados a pessoas jurídicas para entrega de bens em execução de garantia não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa.
CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE.
A tomada de crédito por aluguéis pagos restringe-se a prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, quedando não autorizada no caso de aluguel de veículos automotores, ainda que usados na atividade-fim.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de excluir da base de cálculo o valor das receitas provenientes da cessão de créditos do ICMS. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que deram provimento também quanto ao direito de tomar crédito sobre aluguel de veículos, fretes referentes a operação de garantia e quanto à preclusão da documentação relativa à venda para entrega futura. Vencida a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro quanto à preclusão da juntada da documentação relativa à venda para entrega futura. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves Oliveira, OAB/DF 15.791.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Alexandre Kern
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RS-RG. A contribuição social não cumulativa para o PIS não incide sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62-A de seu Regimento Interno. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com materiais de manutenção e peças de reposição de máquinas e equipamentos, itens de ativação obrigatória, já contemplados com a possibilidade de creditamento sobre as respectivas despesas de depreciação, não ensejam o creditamento como insumo. Bancos para jardins com pés de cimento, placas para estacionamento, etiquetas de identificação de material, desobstrução de esgotos, serviço de demarcação, vasos com fícus, inseticida spray, tela desodorizante, janelas, assento almofadado, assento plástico para WC, divisórias e acessórios para vidros não se subsumem no conceito de insumo para fim de creditamento da contribuição social não cumulativa, e as respectivas aquisições não admitem a tomada de crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES PARA ENTREGA DE BENS EM EXECUÇÃO DE GARANTIA. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados a pessoas jurídicas para entrega de bens em execução de garantia não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE. A tomada de crédito por aluguéis pagos restringe-se a prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, quedando não autorizada no caso de aluguel de veículos automotores, ainda que usados na atividade-fim. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, as provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. A contribuição social não cumulativa para o PIS não incide sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 17 17 /2 00 7- 35 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 2 atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com materiais de manutenção e peças de reposição de máquinas e equipamentos, itens de ativação obrigatória, já contemplados com a possibilidade de creditamento sobre as respectivas despesas de depreciação, não ensejam o creditamento como insumo. Bancos para jardins com pés de cimento, placas para estacionamento, etiquetas de identificação de material, desobstrução de esgotos, serviço de demarcação, vasos com fícus, inseticida spray, tela desodorizante, janelas, assento almofadado, assento plástico para WC, divisórias e acessórios para vidros não se subsumem no conceito de insumo para fim de creditamento da contribuição social não cumulativa, e as respectivas aquisições não admitem a tomada de crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES PARA ENTREGA DE BENS EM EXECUÇÃO DE GARANTIA. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados a pessoas jurídicas para entrega de bens em execução de garantia não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE. A tomada de crédito por aluguéis pagos restringese a prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, quedando não autorizada no caso de aluguel de veículos automotores, ainda que usados na atividadefim. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de excluir da base de cálculo o valor das receitas provenientes da cessão de créditos do ICMS. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que deram provimento também quanto ao direito de tomar crédito sobre aluguel de veículos, fretes referentes a operação de garantia e quanto à preclusão da documentação relativa à venda para entrega futura. Vencida a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro quanto à preclusão da juntada da documentação relativa à venda para entrega futura. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves Oliveira, OAB/DF 15.791. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 278 3 Relatório CIBER EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA. formulou pedido de ressarcimento de créditos da contribuição ao PIS, apurada sob o regime de não cumulatividade, acumulados no terceiro trimestre de 2005 como decorrência do desempenho de atividade exportadora. A DRF/Porto AlegreRS averiguou a existência e a extensão dos direitos afirmados pelo requerente, descrevendo irregularidades cometidas na determinação seja dos custos e despesas que ensejam o direito de crédito, seja da própria base de cálculo da exação, nos períodos de apuração considerados. Daí porque reconheceu apenas parcialmente o crédito pretendido (Informação Fiscal, fls. 92 a 989, Despacho Decisório nº 080/2008, fls. 100). Em manifestação de inconformidade (fls. 136 a 156), controverteu os seguintes aspectos: Direito ao ressarcimento do creditamento de valores referentes à aquisições de materiais para consumo próprio, que alega se tratar de materiais de manutenção e reposição de máquinas; materiais para manutenção de prédio; fretes de produtos em garantia; locação de veículos e lançamentos de compras para recebimento futuro; Direito à exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas decorrente de cessão de créditos de ICMS; Direito à exclusão da base de cálculo dos valores ingressados a título de recuperação de despesa, que não incorporariam qualquer novo valor ao seu; patrimônio; Improcedência da adição à base de cálculo da contribuição das receitas de vendas de bens do Ativo Permanente, já que originalmente já compunham a base de cálculo; A 2ª Turma da DRJ/POA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1016.364, de 12 de junho de 2008, fls. 203 a 212, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Ementa: Há incidência de Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, dada a existência de uma alienação de direitos classificados no ativo circulante. Integram o faturamento, base de cálculo do Pis e da Cofins dos períodos lançados, os valores que constam na contabilidade da interessada como recuperação de despesas. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Solicitação Indeferida Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 214 a 232, após síntese dos fatos relacionados com a lide, Ciber controverteu as seguintes matérias no recurso voluntário: (a) créditos glosados: (a1) valores lançados à conta de "materiais de consumo próprio"(35120099 e 35520099); (a2) despesas incorridas com a contratação de serviço de "frete garantia"; (a3) importâncias incorridas com a "manutenção de prédios" (35120025 e 35520025); (a4) valores correspondentes a "compras para recebimentos futuros" (CFOP 1.116 e 2.116); e (b) ilícitos quanto à determinação da base de cálculo da exação: (b1) nãoinclusão das contraprestações pela cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b2) nãoinclusão de valores correspondentes a "recuperações de despesas". O julgamento do recurso foi então convertido em diligência pela antiga 4ª Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, a fim de que fosse providências adicionais de caráter instrutório, tudo nos termos da Resolução nº 20400.695, de 5 de fevereiro de 2009, fls. 253 a 255. (i) valores lançados à conta de "materiais de consumo próprio": aferir a natureza e a destinação dos bens cuja aquisição a recorrente escriturou, no período, na referida conta, verificando, mediante cotejo entre os lançamentos contábeis e os documentos que lhes deram suporte, se os bens adquiridos constituem, de fato, peças de reposição ou materiais de manutenção de máquinas e identificar a espécie e, se possível, a função do maquinário de que referidos itens constituem peça ou item de manutenção. (ii) importâncias incorridas com a "manutenção de prédios": verificar, mediante cotejo entre os lançamentos contábeis e os documentos que lhes deram suporte, que natureza de despesa a recorrente escriturou, no período, na mencionada conta e, feito isso, identificar a destinação do(s) prédio(s) ao(s) qual(is) as despesas estão vinculadas, descrevendo as atividades que nele(s) se desenvolvem. (iii) nãoinclusão de valores correspondentes a "recuperações de despesas": via exame da escrituração contábil do período e, se necessário, pelo suporte documental que lhe serve, identificar a origem e a natureza dos valores lançados na conta. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 279 5 A DRF/POA produziu então o TERMO DE COMUNICAÇÃO E CIÊNCIA, fls. 268, abaixo transcrito na íntegra: TERMO DE COMUNICAÇÃO E CIÊNCIA Nos termos da resolução da 4ªa Câmara/ Segundo Conselho de Contribuintes CARF, o contribuinte apresentou o Razão com os lançamentos das contas referentes a "recuperação de despesas" (contas do balancete: 38405004, 38405005, 38405006). Tais valores se referem a reembolso devido a estorno de material requisitado, entre outros. A interessada também apresentou o Razão com os lançamentos e documentação comprobatória das contas referentes a "manutenção de prédios" (contas 35120025 e 35520025) e os "materiais para consumo próprio" (contas 35120099 e 35520099). As contas 35120025 e 35520025 (cópia de algumas notas fiscais fls. 223 a 232) se referem a bancos para jardins com pés de cimento, placas para estacionamento, etiquetas de identificação de material, desobstrução de esgotos, serviço de demarcação, vasos com fícus, inseticida spray, tela desodorizante, janelas, assento almofadado, assento plástico para WC, divisórias e acessórios para vidros, entre outros. As contas 35120099 e 35520099 se referem a materiais empregados na manutenção. E, para constar e surtir todos os efeitos legais que lhe são próprios, lavramos o presente Termo em três vias de igual forma e teor, as quais vão assinadas pelo AuditorFiscal da Receita Federal e pelo representante legal do contribuinte que, neste ato, recebe uma das vias. Em caso de se manifestar em relação ao presente Termo, deverá ser observado o prazo de 20 (vinte) dias contados da ciência e encaminhado ao(s) Auditor(es) Fiscal(ais) signatário(s) na DRF Porto Alegre Serviço de Fiscalização, situada na Rua Loureiro da Silva, 445, CENTRO, Porto Alegre/RS. Intimada desse Termo, em 28/12/2011, a recorrente nada opôs. Em sessão realizada em 28 de novembro de 2012, este Colegiado resolveu sobrestar o julgamento, em atenção ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, já que, dentre os valores que, no entender da auditoria fiscal, teriam sido irregularmente suprimidos pela recorrente da base de cálculo do tributo no período, estão ingressos resultantes da transferência a terceiros de créditos de ICMS acumulados na sua escrita fiscal (Resolução nº 3403000.409, fls. 270 a 272. Com a revogação dos §§ 1° e 2° do art. 62A do RICARF, operada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013 (D.O.U. de 20 de novembro de 2013), o curso do julgamento foi retomado. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 214 a 232 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1016.364, de 12 de junho de 2008. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA Dos créditos de ICMS transferidos para terceiros/fornecedores A discussão sobre a inclusão ou não da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep já foi enfrentada por esta Turma Recursal. Adoto, nesse sentido, como razão de decidir, o voto proferido pelo ínclito Conselheiro Rosaldo Trevisan, que sempre me surpreende com sua erudição. Eis as palavras do Conselheiro Rosaldo: A discussão sobre a inclusão ou não da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep é frequente neste CARF. Contudo, não se pode afirmar que esteja assentado o posicionamento sobre a matéria. A recorrente aponta normas relativas ao Imposto de Renda (Decretolei no 1.598/77, art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda e IN SRF no 51/78) como supedâneos para a conclusão de que a expressão “receita bruta” não abarca o crédito de ICMS registrados em seu ativo circulante. Adiciona acórdãos da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que afirmam não incidir “PIS e COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial”, corroborados por acórdãos da segunda e da quarta câmaras do mesmo conselho. Adiciona ainda um julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tratando de COFINS1. Analisandose julgados mais recentes (anos de 2011 e 2012) deste CARF, tribunal que substituiu o antigo Conselho de Contribuintes, encontramse tanto posicionamentos alinhados com a citada decisão da CSRF2, quanto em sentido diverso3, pela incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS sobre o resultado da cessão de créditos de ICMS a terceiros. Também judicialmente a matéria é controversa, tanto que foi reconhecida sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal em 1/7/2010, no RE no 606.107/RS: 1 Acórdão no 02/03783, Rel Cons. Maria Tereza Martinez López, unânime, Sessão de 11.fev.2009. 2 Acórdãos no 3202000.498 e 499, ambos relatados pela Cons. Irene Souza da Trindade Torres (vencida), maioria, sessão de 23.mai.2012; e Acórdãos no 3801001.041 a 043, todos relatados pelo Cons. Jose Luiz Bordignon, unânime, sessão de 22.mar.2012. 3 Acórdãos no 3301001.373 a 376, todos relatados pelo Cons. Antonio Lisboa Cardoso (vencido), qualidade, sessão de 22.mar.2012; Acórdãos no 3801001.343 a 353, todos relatados pela Cons. Andrea Medrado Darze (vencida), qualidade, sessão de 15.fev.2012; Acórdãos no 3301000.916 a 920, todos relatados pelo Cons. José Adão Vitorino de Morais, unânime, sessão de 2.mai.2011; e Acórdão no 3402000.988, Cons. Júlio Cesar Alves Ramos, unânime, sessão de 3.fev.2011. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 280 7 “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida4.(grifo nosso) Reconhecida a repercussão geral, a suprema corte vem determinando a devolução dos autos à origem, sobrestandoos (v.g. RE no 650.767/RS, RE no 641.035/RS, RE no 605.195/RS, RE no 631.574/DF, RE no 600.384/RS, e RE no 614.307/RS). Por isso, ocorreu o sobrestamento do julgamento, por determinação desta turma, conforme a Resolução no 3403000.414. Contudo, dois eventos posteriores possibilitam (em verdade, obrigam) o retorno da análise, agora de forma definitiva, por este CARF. O primeiro é a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que permitia o sobrestamento administrativo dos processos sobre as matérias com repercussão geral reconhecida pelo STF, ainda não julgadas definitivamente pela corte suprema. Permaneceu vigente no referido art. 62A somente o comando do caput: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (grifo nosso) O segundo evento é exatamente a decisão definitiva, pelo STF, em relação à matéria. Em 22/05/2013 (com publicação em 25/11/2013) o pleno da corte julgou o RE no 606.107/RS, acordando, por maioria de votos (vencido o Min. Dias Toffoli), que: “EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência 4 RE no 606.107/RS, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 1.jul.2010, public. Em 20/8/2010. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 8 maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 281 9 econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifo nosso) Em consulta ao sítio web do STF, atestase que tal acórdão transitou em julgado ainda em dezembro de 2013. Aplicável, assim, o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, devendo esta corte administrativa reproduzir a decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Procedente, então, nesse tópico, o recurso voluntário. O recurso, portanto, deve ser provido para o efeito de se excluir da base de cálculo da contribuição social não cumulativa o valor das cessões de ICMS. Da recuperação de despesas e receitas eventuais Pretende a contribuinte a exclusão da base de cálculo de valores escriturados a título de “recuperação de despesas”. Entende a Recorrente que não há amparo para a tributação de PIS/COFINS sobre os valores decorrentes da recuperação de despesas. A base de cálculo da CS é o faturamento, compreendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta de venda de bens e de prestação de serviços, nas operações de conta própria ou alheia, e todas as demais receitas auferidas pela PJ. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 10 A diligência empreendida atestou que os lançamentos das contas referentes a "recuperação de despesas" (contas do balancete: 38405004, 38405005, 38405006) referemse a reembolso devido a estorno de material requisitado, entre outros. Os valores escriturados na conta “recuperação de despesas" integram a receita bruta operacional, a teor do disposto no art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Assim, constituindose em receita e não estando abrangida pelos numerus clausus do § 3º do art. 1° da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, os saldos das contas 38405004, 38405005, 38405006 devem integrar a base de cálculo da Contribuição. Da venda de bens do ativo permanente A Fiscalização, após exame de balancete e o DACON, identificou a exclusão indevida das receitas oriundas de venda de bens do ativo permanente, nos meses de julho e outubro de 2004 e abril de 2005, sob a justificativa de que tais receitas haviam sido incluídas nas receitas totais que serviram de base de cálculo das contribuições. A MI, para rechaçar a glosa, traz memória de cálculo, rejeitada pela decisão recorrida porque não se fez acompanhada de documentação contábil capaz de contrastar a análise da Fiscalização. Já o recorrente reafirmou a improcedência da glosa e insistiu no poder probante da planilha juntada à MI. Desta feita, busca respaldála com cópias das Fichas do DACON. Ora, o DACON do período (e o balancete de verificação) foi justamente o documento sobre o qual se baseou a Fiscalização para acusar a infração. Assim, à míngua de prova de que as receitas de vendas de bens do ativo permanente compuseram a base de cálculo original, justificando sua posterior exclusão, mantenhase a glosa procedida pela Fiscalização. DO CREDITAMENTO DE DESPESAS QUE NÃO PODEM SER CARACTERIZADAS COMO INSUMOS Esta 3ª TO vem de há muito adotando o entendimento de que o conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo de prestação do serviço ou de fabricação do produto final. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 282 11 Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 12 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. A Ciber fabrica máquinas aplicadas à execução de todos os processos de construção rodoviária, como a produção de asfalto, pavimentação, fresagem e reciclagem. Aquisições de materiais para consumo próprio A alegação recursal rechaça a glosa sob o argumento de que os materiais descritos pela autoridade fiscalizadora referemse, na verdade, aos materiais de manutenção e peças de reposição de máquinas e equipamentos. A autoridade diligenciante atestou que “as contas 35120099 e 35520099 [associadas aos materiais para consumo próprio] se referem a materiais empregados na manutenção”. Máquinas e equipamentos são itens de ativação obrigatória, já contemplados com a possibilidade de creditamento com base nas despesas de depreciação. Deferir o creditamento a título de insumo, como pretende a recorrente, significaria beneficiamento dúplice, o que não se admite. Este Colegiado examinou, por ocasião da prolação do Acórdão nº 3403 002.536 (Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim), a subsistência das glosas listadas pela Fiscalização correspondentes a aquisições de itens cujas conclusões se aplicam à hipótese ora em julgamento: “ Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3°, II, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação ao custo de aquisição dos insumos, com base no art. 3°, II, da Lei nº 10.637/2002, mas não se desincumbiu do ônus de provar que cada um Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 283 13 daqueles bens que foram glosados se enquadra nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O exame da planilha de glosa revela que a maioria dos bens listados pela fiscalização pode ser considerado como passível de ativação obrigatória, seja em razão dos prazos de vida útil (art. 301, §2° do RIR/99), seja em razão de serem utilizados em conjunto com vários bens da mesma natureza (art. 301, §1°, do RIR/99). Exemplo disso são as vestimentas de proteção dos empregados, os coturnos de segurança e os utensílios utilizados em laboratório. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto a sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas na planilha de fls. 335 a 379” . Mantenhamse as glosas procedidas a este título. Aquisições de materiais para manutenção de prédios A autoridade diligenciante, após análise do Razão com os lançamentos e documentação comprobatória das contas referentes a "manutenção de prédios" (contas 35120025 e 35520025, cópia de algumas notas fiscais fls. 223 a 232), atestou que esses gastos referemse a bancos para jardins com pés de cimento, placas para estacionamento, etiquetas de identificação de material, desobstrução de esgotos, serviço de demarcação, vasos com fícus, inseticida spray, tela desodorizante, janelas, assento almofadado, assento plástico para WC, divisórias e acessórios para vidros, entre outros. Tais bens, à toda prova, não estão relacionados com o processo fabril da recorrente e escapam do conceito de insumo aqui adotado. Mantenhamse portanto as glosas. Frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para a entrega posterior de peças em garantia O direito à tomada de créditos sobre os fretes pagos nas operações de venda foi incluído no rol do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com norma de extensão no art. 15 da mesma Lei. Nada obstante, o argumento recursal é no sentido de esgaçar o processo produtivo de forma a alcançar a eventual execução por parte de seus clientes de garantias dadas na comercialização de seus produtos. Liminarmente, afasto qualquer cogitação de que se possa considerar frete como insumo ao processo fabril de máquinas aplicadas à execução de todos os processos de construção rodoviária. Tal gasto não tem a relação de pertinência e essencialidade requerida pelo conceito que aqui se adota. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 14 Mantenhase a glosa. Locação de Veículos No que concerne ao ponto em questão, a Fiscalização vedou o aproveitamento de créditos sobre o valor de aluguéis de veículos, que não se enquadram no conceito de máquina e equipamento", tendo em vista que quando ocorre a locação de veículos, únicos bens cujo aluguel admite a tomada de crédito. A recorrente argumenta que a locadora aufere receita em face do pagamento do valor do aluguel pela empresa locatária ensejando, assim, a incidência da contribuição social não cumulativa, emergindo o direito ao crédito. Ouso discordar. Subscrevendo integralmente o entendimento da Fiscalização e da decisão recorrida, não há previsão legal para a tomada de créditos sobre o aluguel de veículos. A leitura do art. 3º, inciso IV, das leis de regência da não cumulatividade das contribuições sociais não permite estender esse direito para outros bens que não sejam prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Não se olvide que, em se tratando de normas que criam direitos em matéria tributária devem ser interpretadas de forma restritiva, porquanto tais direitos implicam, em última análise, em renúncia fiscal a favor de uns em detrimento do interesse público da arrecadação de tributos. Assim, ao intérprete/aplicador das normas não é dado o direito de ampliar o alcance dos benefícios criados pelo legislador ordinário, sob pena de estendêlos a quem ele não quis alcançar, mormente quando se trata de decisão administrativa. Apoiome na melhor doutrina: 402 – III. O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência de concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou melhor, presumese não haver o Estado aberto mão da sua autoridade para exigir tributos. 5 Nada a reparar na decisão recorrida quanto à glosa dos crédito por despesas com o aluguel de veículos Lançamento de compra para recebimento futuro. Especificamente, com relação às glosas de compras para recebimento futuro, a Fiscalização apontou que as mesmas foram efetuadas em função de sua não inclusão como "compra para industrialização originada de encomenda para recebimento futuro (CFOPs 1116 e 2116)". Por sua vez, o interessado limitouse a argumentar sobre a emissão antecipada da fatura e o pagamento das contribuições antes da efetiva entrega da mercadoria, contudo, em momento algum procurou demonstrar a quais tipos de insumos se referiam tais aquisições e se de fato se tratariam de compras para industrização. 5 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. Rio de Janeiro: Forense. 9ª ed. 1980. p. 3334. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 284 15 No entendimento da recorrente, a glosa em tela não merece prosperar, pois em que pese não tenha recebido a mercadoria comprada, a expedição da fatura e o conseqüente pagamento foi realizado antes da entrega do produto. Como a base de cálculo do PIS/COFINS é o faturamento, no momento em que o fornecedor emite a respectiva fatura pode o contribuinte tomar o crédito relativo ao PIS/COFINS incidentes na operação. A comprovar suas as alegações, diz instruir o recurso com cópia das Notas Fiscais. A arguição já não merecera acolhimento por parte da decisão recorrida por estar desacompanhada de qualquer comprovação de que as referidas compras diziam respeito a bens para revenda ou insumos. O recorrente pretende produzir a prova requerida neste momento processual. Para tanto, instrui a peça recursal com a cópia de três notas fiscais (fls. 235 a 237), emitidas em 22/08/2005, por Sampaio Ferro e Aço Ltda. A possibilidade de conhecimento e apreciação desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 16 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 2º do art. 35 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López6 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto 6 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 285 17 porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. No caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF., que justifique a apresentação tardia de documentos. CONCLUSÕES Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da contribuição o valor das receitas provenientes da cessão de créditos de ICMS. Sala de sessões, em 16 de outubro de 2014 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 18 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 15940.720062/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/01/2008, 18/04/2008
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADO DE ORIGEM. PRESSUPOSTOS. REPERCUSSÃO.
Nos termos e condições do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995), o Estado Parte importador poderá determinar abertura de investigação para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas, sendo imprescindível notificar imediatamente o início da investigação de origem ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador. A notificação também é requisito exigido no encerramento da investigação.
O fundamento de validade para exigência da diferença dos tributos, que à época do desembaraço aduaneiro foram recolhidos com os benefícios da preferência tarifária em razão da origem e que passam a ser devidos em face da desqualificação do certificado de origem, deve ser a demonstração de que os fundamentos que levaram o Estado Parte importador a desqualificar genericamente o certificado de origem estão presentes especificamente no certificado de origem apresentado pelo contribuinte na importação objetivada pela fiscalização.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. NULIDADE MATERIAL.
Inexistente a notificação e/ou a comunicação do importador no trâmite do procedimento de investigação instaurado pelo Estado Parte Importador para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas, nos termos dos artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995); bem como, ausente a exata correlação entre os fundamentos da desqualificação de certificado de origem e a revisão de preferência tarifária específica da importação que se pretende exigir as diferenças de tributos devidas em face da desconsideração da origem, constata-se cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, por absoluto desconhecimento do contribuinte da razão de ser da exigência, o que implica o reconhecimento da nulidade material do processo do processo administrativo fiscal.
Processo Anulado
Numero da decisão: 3101-001.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Henrique Pinheiro Torres. Redator designado Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral a Dra. Marina Vieira de Figueiredo, OAB/SP 257.056, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
Luiz Roberto Domingo Redator Designado
EDITADO EM: 08/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADO DE ORIGEM. PRESSUPOSTOS. REPERCUSSÃO. Nos termos e condições do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995), o Estado Parte importador poderá determinar abertura de investigação para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas, sendo imprescindível notificar imediatamente o início da investigação de origem ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador. A notificação também é requisito exigido no encerramento da investigação. O fundamento de validade para exigência da diferença dos tributos, que à época do desembaraço aduaneiro foram recolhidos com os benefícios da preferência tarifária em razão da origem e que passam a ser devidos em face da desqualificação do certificado de origem, deve ser a demonstração de que os fundamentos que levaram o Estado Parte importador a desqualificar genericamente o certificado de origem estão presentes especificamente no certificado de origem apresentado pelo contribuinte na importação objetivada pela fiscalização. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. NULIDADE MATERIAL. Inexistente a notificação e/ou a comunicação do importador no trâmite do procedimento de investigação instaurado pelo Estado Parte Importador para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas, nos termos dos artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995); bem como, ausente a exata correlação entre os fundamentos da desqualificação de certificado de origem e a revisão de preferência tarifária específica da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 62 /2 01 1- 50 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 2 importação que se pretende exigir as diferenças de tributos devidas em face da desconsideração da origem, constatase cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, por absoluto desconhecimento do contribuinte da razão de ser da exigência, o que implica o reconhecimento da nulidade material do processo do processo administrativo fiscal. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Henrique Pinheiro Torres. Redator designado Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral a Dra. Marina Vieira de Figueiredo, OAB/SP 257.056, advogada do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. Luiz Roberto Domingo – Redator Designado EDITADO EM: 08/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase : Trata de impugnação ao auto de infração lavrado perante o contribuinte em epigrafe em razão da desqualificação dos Certificados de Origem que conferiram ingresso de mercadorias estrangeiras provenientes do Mercosul com o usufruto de preferência tarifária, nos termos constantes de Relatório Fiscal conforme reproduzse a seguir: O importador JBS S/A submeteu a despacho 16.520Kg da mercadoria especificada como “postas de cação congelada”, na condição de venda de US$2,030 por Kg, por meio da DI (Declaração de Importação) 08/01008420 Adição 001, registrada em 21/01/2008, bem assim 3.000Kg de mercadoria especificada como “cação azul congelada em postas sem pele”, na condição de venda de US$ 2,28 por Kg, através da DI (Declaração de Importação) 08/05731134 – Adição 001, com registro em 18/04/2008, mercadorias estas com classificação fiscal no código Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15940.720062/201150 Acórdão n.º 3101001.703 S3C1T1 Fl. 223 3 0303.75.14 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, tendo como origem o Uruguai. Para se beneficiar com a redução de alíquota do Imposto de Importação (II) das citadas mercadorias para zero no âmbito do Acordo de Complementação Econômica número 18, sendo que, para tanto, foram firmados diversos Protocolos Adicionais e Atas de Retificação, o importador apresentou os seguintes Certificados de Origem: Com relação a DI 08/01008420, o Certificado de Origem 90972, de 09/01/2008, tendo como exportadora a Pecoa S/A, com sede no Uruguai, e Entidade certificadora a Câmara de Productos Del País, também do Uruguai. Com relação a DI 08/05731134, o Certificado de Origem 92422, de 10/04/2008, tendo como exportadora a Siete Mares SRL, com sede no Uruguai, e Entidade certificadora a Câmara de Productos Del Pais, também do Uruguai. Contudo, ocorre que os Certificados de Origem, relacionados à mercadoria tubarão azul em postas conhecida também como cação em postas, classificada nos códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, importada do Uruguai e tendo, entre outros, como exportadores a Pecoa S/A e a Siete Mares SRL, foram desqualificados como documento instrutivo de despacho de importação, em virtude de conclusão do processo aduaneiro de investigação de origem da citada mercadoria importada do Uruguai, aberto pelo ADE Coana 05/2010, de 12/03/2010, e encerrado pelo ADE Coana 10/2010, de 30/06/2010, tendo por base o Relatório Fiscal 2010/02, de 30/07/2010. Sendo assim, com relação à DI 08/01008420 – Adição 001 e 08/05731134, Adição 001, cobrase da empresa acima qualificada o valor do Imposto de Importação respectivo, somado aos acréscimos legais devidos, além da multa de ofício pelo não recolhimento. As mesmas circunstâncias que levaram ao lançamento do Imposto de Importação, conforme narrado, também ensejaram a constituição de valores referentes à COFINSImportação e ao PIS/PASEPImportação decorrentes da incidência do Imposto de Importação, totalizando o Auto de Infração em R$ 17.108,12 (dezessete mil, cento e oito reais e doze centavos). Cientificado do lançamento em 09/09/2011, o contribuinte interpôs impugnação em 10/10/2011, na qual alega, em síntese que: O contribuinte não teve acesso aos motivos pelos quais os certificados de origem foram desqualificados, pelo que não tem como exercer o direito ao contraditório e a ampla defesa em relação ao mérito, uma vez que tais razões não são explicitadas nem nos atos declaratórios e nem no auto de infração; O ato administrativo que declarou desqualificados os certificados de origem não podem ter efeitos retroativos e prejudicar terceiro de boafé. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 4 As importações ocorreram em 2008, enquanto o ato de desqualificação foi proferido em 2010, determinando a retroação dos efeitos, inclusive a fatos ocorridos em 2008. Ocorre que a impugnante não tinha condições, à época, de prever irregularidades que seriam apontadas posteriormente pelo Fisco. No período em que as operações foram realizadas, ressaltese, tais empresas encontravamse regulares. Ao fim, requer julgada nula ou improcedente a autuação, em sua totalidade, bem como sejam intimações e publicações realizadas exclusivamente em nome de Fabio Augusto Chilo, advogado da impugnante, e destinadas ao seu endereço profissional. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, em sessão realizada em 13 de setembro de 2013, acordou, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento efetuado. O Acórdão 08026.659 foi assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 21/01/2008, 18/04/2008 Desqualificado o Certificado de Origem apresentado pelo importador, em razão da inidoneidade do documento, tornase exigível o Imposto de Importação, bem como a CofinsImportação o PIS/PasepImportação complementares, que deixaram de ser pagos, por aplicação indevida de preferência tarifária prevista em acordo internacional, todos acrescidos de juros de mora e multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Fortaleza, interpôs o Recurso Voluntário, onde reprisa as alegações trazidas na impugnação. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A matéria em litígio referese à desqualificação dos Certificados de Origem emitidos pela “Camara de Productos Del Pais”, do Uruguai, como documento instrutivo do despacho aduaneiro de importação das mercadorias vinculadas às Declarações de Importação 08/01008420 e 08/05731134, e o lançamento dos tributos incidentes na importação pela não aplicação da preferência tarifária de mercadorias provenientes do Mercosul, juntamente com a aplicação da multa de ofício e juros. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15940.720062/201150 Acórdão n.º 3101001.703 S3C1T1 Fl. 224 5 Os Certificados de Origem desqualificados, referemse à mercadoria tubarão azul em postas, conhecida também como cação em postas, classificada nos códigos NCM 0303.7513, 0303.7514 e 0303.7519, foram desqualificados em razão da conclusão do processo aduaneiro de investigação de origem da citada mercadoria importada do Uruguai, aberto pelo ADE Coana nº 05/2010, e encerrado pelo ADE Coana nº 13/2010, de 30/06/2010. Ato Declaratório Executivo Coana nº 5, de 12 de março de 2010 Art. 1º Fica aberto o Processo Aduaneiro de Investigação de Origem nos termos abaixo especificados: I – Descrição da mercadoria : Tubarão azul (Prionace glauca); II – Códigos Tarifários (NCM) 0303.75.13, 0303.75.14, 0303.75.19 e 0304.29.70; III – Exportadores/Nacionalidade: Marplatense S.A, Pecoa S.A, Siete Mares SRL, Oro Azul S.A e Dalkan S.A (Uruguai); IV – Produtor ou Fabricante: Marplatense S.A, Pecoa S.A, Siete Mares SRL, Oro Azul S.A e Dalkan S.A (Uruguai); V – Entidade: Camara Mercantil de Productos del Pais VI – Prazo previsto para conclusão da investigação: 90 (noventa) dias, prorrogáveis por igual período. Ato Declaratório Executivo Coana nº 13, de 30 de junho de 2013 Art.1º Fica encerrado, com base no Relatório Fiscal 2010/02, de 30 de julho de 2010, o procedimento de investigação de origem da mercadoria Tubarão Azul (Prionace glauca), códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14, 0303.75.19 e 0304.29.70, iniciado por meio do ADE Coana 2010/05, de 12 de março de 2010, tendo sido desqualificada a origem para a mercadoria “Tubarão Azul em Postas”, códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, dos exportadores uruguaios Maplatense S.A., Pecoa S.A., Siete Mares SRL, Oro Azul S. e Dalkan S.A., no que se refere a certificados de origem que amparam importações nos anos de 2008, 2009 e 2010. Art. 2º Tendo sido comprovada, durante o procedimento de investigação mencionado no art. 1º, a ligação entre os exportadores Dalkan S.A. e Siete Mares SRL e as empresas Tiderman S.A. e Garditown S.A. , respectivamente, fica também desqualificada a origem da mercadoria “Tubarão Azul em postas”, código NCM 0303.75.14, exportado, nos anos de 2009 e 2010, pelas empresas uruguaias Tiderman S.A. e Garditown S.A. Art. 3º Fica suspensa a concessão de tratamento tarifário preferencial para novas operações referentes às mesmas mercadorias, NCM Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 6 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, dos exportadores mencionados nos artigos 1º e 2º. Com relação a DI 08/01008420, foi apresentado o Certificado de Origem 90972, de 09/01/2008, emitido pela Cámara de Productos Del País (Uruguai), tendo como exportadora a empresa uruguaia Pecoa S/A; Com relação a DI 08/05731134, foi apresentado o Certificado de Origem 92422, de 10/04/2008, emitido pela Cámara de Productos Del País (Uruguai), tendo como exportadora a empresa uruguaia Siete Mares SRL. Para aplicação das alíquotas preferenciais, no âmbito do Mercosul, há que se comprovar a origem das mercadorias. O VIII Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18, introduzido em nossa legislação pelo Decreto n° 1.568, de 21 de julho de 1995, trouxe, em seu Anexo I, o Regulamento de Origem das Mercadorias no Mercado Comum do Sul. O Regulamento de Origem foi disciplinado no País pela Portaria Interministerial MF/MICT/MRE nº 11/1997, pela Instrução Normativa SRF nº 149/2002. Por sua vez, o Decreto n° 5.455/05 incorporou ao ordenamento jurídico pátrio o 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18, protocolo este que, em seu Anexo, consolidou as regras relacionadas ao regime de origem relacionadas ao citado acordo, estabelecendo então o “Regime de Origem MERCOSUL”. Dessa forma, o Regime de Origem Mercosul, definiu que o documento comprobatório da origem da mercadoria é o Certificado de Origem do Mercosul, emitido pelas repartições oficiais ou organismos ou entidades por elas credenciadas. Neste sentido o artigo 14, do Anexo, do 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18: Artigo 14 O certificado de origem é o documento que permite a comprovação da origem das mercadorias, devendo acompanhar as mesmas em todos os casos sujeitos à aplicação do Regime de Origem do MERCOSUL. Esse certificado deverá satisfazer aos seguintes requisitos: ... (Grifos acrescidos) No Brasil coube à Secretaria da Receita Federal a tarefa de realizar o controle da origem, no curso do despacho de importação ou em procedimento de fiscalização posterior. Artigo 2° da Instrução Normativa SRF nº 149/02: Art. 2º O controle da origem será realizado, pela Secretaria da Receita Federal (SRF), no curso do despacho de importação ou em procedimento de fiscalização após o despacho aduaneiro. ... (Grifos acrescidos) No despacho de importação o Certificado de Origem deve ser apresentado juntamente com os demais documentos instrutivos da Declaração de Importação, no modelo padrão aprovado, conforme definido no artigo 3° da Instrução Normativa SRF nº 149/02: Art. 3º O importador deverá comprovar a origem da mercadoria mediante apresentação à autoridade aduaneira do Certificado de Origem do Mercosul, modelo padrão, instituído pelo XIV Protocolo Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15940.720062/201150 Acórdão n.º 3101001.703 S3C1T1 Fl. 225 7 Adicional ao ACE nº 18, e modificado pelo XXIV Protocolo Adicional ao ACE nº 18, em sua versão original, em qualquer momento em que seja solicitada, juntamente com os demais documentos instrutivos da respectiva declaração de importação. O procedimento aduaneiro de investigação da origem, que foi aberto pelo Ato Declaratório Executivo Coana nº 5, de 12 de março de 2010, culminando na desqualificação da origem da mercadoria “Tubarão Azul em Postas”, códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, dos exportadores uruguaios Pecoa S.A. e Siete Mares SRL, dentre outras, no que se refere a certificados de origem que amparam importações nos anos de 2008, 2009 e 2010, possui rito próprio e especificidades, conforme disposto nos seguintes artigos da Instrução Normativa SRF n° 149/02: Art. 13. O processo aduaneiro de investigação de origem é o procedimento mediante o qual a autoridade aduaneira verifica o cumprimento das regras de origem para determinada mercadoria, quando houver suspeitas de irregularidade relacionada à veracidade ou observância das disposições do Regime de Origem do Mercosul, visando apurar ocorrências envolvendo o produtor ou o exportador da mercadoria importada. ... Art. 19. O processo aduaneiro de investigação de origem será encerrado com a lavratura de relatório conclusivo a respeito do cumprimento ou não das normas de origem. § 1o A Coana emitirá ADE com base no relatório conclusivo do processo aduaneiro de investigação de origem. § 2o Publicado o ADE que declarar o não cumprimento das normas de origem, as mercadorias idênticas produzidas pelo produtor/exportador investigado receberão o tratamento tributário aplicável às importações de mercadorias de terceiros países. § 3o A Coana encaminhará notificação da emissão do ADE ao Ministério das Relações Exteriores para fins de comunicação à CCM. Art. 20. A investigação será dada por concluída com a desqualificação da origem e conseqüente exclusão do tratamento tarifário preferencial, quando: I existirem elementos de prova suficientes para formar juízo da qualificação da origem da mercadoria de modo diverso do que consta no Certificado de Origem; II a informação ou documentação requerida às autoridades competentes do EstadoParte exportador não for fornecida no prazo estipulado; III a resposta não contiver elementos suficientes para comprovar a veracidade do Certificado de Origem que ampara a importação da mercadoria sob investigação; ou Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 8 IV os produtores ou fabricantes não concordarem com a realização de visita de verificação. Art. 21. Na hipótese de haver decisão, proferida pela CCM, determinando a manutenção da qualificação da origem declarada, a Coana revogará o ADE de que trata o § 2o do art. 19. (Grifos acrescidos) A desqualificação dos certificados de origem, efetuadas pelo Ato Declaratório Executivo Coana nº 13, de 30 de junho de 2013, foi decorrente de processo específico de investigação de origem, dentro da competência atribuída ao CoordenadorGeral de Administração Aduaneira, conforme atribuição prevista no artigo 129, inciso IV, da Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo em vista o disposto nos art. 32, Anexo, do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, internalizado por meio do Decreto nº 5.455, de 02 de junho de 2005, e no artigo 20, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 149 de 27 de março de 2002. O lançamento efetuado em procedimento de Revisão Aduaneira, conforme previsto no art. 638 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009, com base no art. 54 do DecretoLei nº 37/1966, foi efetuado a partir da desqualificação do critério de origem da mercadoria invocado no certificado de origem questionado, sendo apurado os tributos devidos como se nenhuma preferência tarifária existisse no ato da importação. Neste sentido o artigo 32 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 assim determina: Artigo 32 Concluída a investigação com a desqualificação do critério de origem da mercadoria invocado no certificado de origem questionado, executarseão os tributos incidentes sobre a mercadoria como se ela fosse importada de terceirospaíses e aplicarseão as sanções previstas na normativa MERCOSUL e/ou as correspondentes na legislação vigente em cada Estado Parte. ...(Grifos acrescidos) Qualquer alegação acerca da improcedência da desqualificação do certificado de origem não e cabível no presente processo, que trata apenas do lançamento dos tributos devidos na importação pela não aplicação da preferência tarifária. A fiscalização fundamentou seu lançamento no Ato Declaratório Executivo Coana nº 13, de 30 de junho de 2013, decorrente de um processo específico de investigação de origem, dentro da competência da autoridade constituída para tanto, conforme previsto nas normas do Mercosul aplicáveis ao caso. Pelo exposto, voto por dar negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente o crédito tributário lançado. Sala das sessões, em 17 de setembro de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15940.720062/201150 Acórdão n.º 3101001.703 S3C1T1 Fl. 226 9 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Designado Como bem relatado pelo Ilustre Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, o presente feito trata de exigência das diferenças de tributos incidentes na importação de mercadorias desembaraçadas com preferência tarifária, em face de ato administrativo exarado pela Receita Federal que desqualificou os certificados de origem “ para a mercadoria “Tubarão Azul em Postas”, códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, dos exportadores uruguaios Maplatense S.A., Pecoa S.A., Siete Mares SRL, Oro Azul S. e Dalkan S.A., no que se refere a certificados de origem que amparam importações nos anos de 2008, 2009 e 2010”, desqualificação esta que o Fisco entende ser aplicável às importações em referência. Ouso descordar da interpretação dada pelo Ilustre Relator com relação ao regramento estabelecido no Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica nº 18 – Certificação de Origem, do qual o Brasil é signatário e cujas disposições foram integradas no sistema de direito positivo pátrio pelo Decreto nº 1.568/1995. Senão Vejamos. Além de dar regramentos e disciplinar condutas no meio social, qualquer sistema jurídico busca oferecer à sociedade elemento essencial à legitimação do sistema e previsibilidade de comportamentos, qual seja s SEGURANÇA JURÍDICA. Por onde analisemos os sistemas de direito positivo nacional, percebese que qualquer norma jurídica está alicerçada em fundamentos de certeza e previsibilidade. O art. 5o da Constituição Federal de 1988 é pródigo nos exemplos indicativos de que não se espera nada mais do cidadão do que o cumprimento de norma previamente e regularmente publicadas, garantindo ainda que as condutas havidas antes do regramento legal não serão atingidas: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”, “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”, “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”, “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”, “não haverá juízo ou tribunal de exceção”, “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”, “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”, “nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido”, “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”, “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Ora, todos esses exemplos demonstram que a última coisa que o ordenamento pretende – e que a sociedade espera – é a surpresa e o descasamento entre a conduta e repercussão jurídica que fora previamente prevista em lei. Faço essa introdução porque a segurança jurídica é princípio comezinho de direito, sem a qual nenhuma sociedade consegue se estruturar e progredir. Como corolário da segurança jurídica estão princípios como o direito à manifestação, o direito de petição com ampla defesa e contraditório. Esses pressupostos do Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 10 devido processo legal não é exclusividade da legislação nacional. Permeia todos os acordos internacionais que o Brasil é signatário e todas as relações jurídicas públicas e privadas. Tudo que foi dito até aqui não é novidade. Mas uma análise mais aprofundada das relações e repercussões jurídicas descritas e aplicadas no presente processo demonstram que tais princípios não foram verificados quando da exigência dos tributos incidentes sobre a importação, decorrentes da desqualificação do certificado de origem. É de notarse que em momento algum a administração informou à Recorrente sobre os “porquês” da conclusão exarada no Ato Declaratório Executivo COANA nº 13/2010, que desqualificou o certificado de origem. Há aqui uma completa desconexão entre a conclusão genérica do Ato Declaratório Executivo e as duas operações de importação, individualmente consideradas, ou seja, não se identifica do enunciado prescritivo do ato administrativo qualquer elemento que pudesse destituir de validade os procedimentos de nacionalização das mercadorias na forma como requerida pela Recorrente e levado a efeito pela autoridade aduaneira. Nem mesmo há indicação ou conexão entre os fatos que levaram a autoridade administrativa desqualificar os certificados de origem e os atos e condutas praticadas pela contribuinte e que pudessem, de alguma forma, ser passíveis de verificação ou conferência por parte dos interessados. Temse apenas um ato de autoridade que, decorrente de procedimento administrativo, do qual os Interessados não fizeram parte ou dele tomaram conhecimento ou foram comunicados, ao ser o único fundamento de fato para exigência dos tributos torna o lançamento ato autoritário. Ora, o direito ao contraditório e à ampla defesa de terceiro interessado – digo terceiro interessado porque a investigação para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas (artigo 21 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18) referese à procedimento que o Estado Parte importador tem o direito de implementar, mas que uma vez que desqualificado o certificado de origem, implica o direito de exigir os tributos sem a preferência tarifaria – não é elemento facultativo do Estado Parte importador, mas requisito de validade do procedimento de investigação conforme prevê o artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995): Artigo 23 A autoridade competente do Estado Parte importador deverá notificar imediatamente o início da investigação de origem ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador, acionando os procedimentos previstos no Artigo 24. ... Artigo 29 A autoridade competente do Estado Parte importador comunicará ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador o encerramento da investigação e a medida adotada em relação à origem da mercadoria, expondo os motivos que determinaram a decisão. (Grifos acrescidos) Tenho interpretação de que o ACE nº 18 não trata da aplicação retroativa da desqualificação de certificados de origem, pois todos os dispositivos indicam que os questionamentos para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas ocorrem no momento da solicitação da nacionalização e não em procedimento de revisão aduaneiro. Tanto é assim que os prazos de suspensão do despacho e Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15940.720062/201150 Acórdão n.º 3101001.703 S3C1T1 Fl. 227 11 de liberação condicional das mercadorias estão de acordo com os demais disposições aduaneiras internacionais que visam a celeridade na liberação de mercadorias em procedimento de fiscalização. Contudo, não obstante esse meu posicionamento, é certo que no presente caso não houve qualquer comunicação à Recorrente da instauração do procedimento de investigação ou do encerramento do procedimento de investigação que culminou com a desqualificação dos certificados de origem de forma retroativa, o que, além de frontal desobediência aos artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995), constitui cerceamento ao direito de ampla defesa e ao contraditório. Portanto, é de escoimarse a surpresa indesejada, fruto da insegurança jurídica, decorrentes das irregularidades que constatadas nos atos perpetrados pela administração: (i) descumprimento dos artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995); (ii) cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório em razão da não revelação dos motivos que levaram a administração a desqualificar o certificado de origem especificamente nas importações objeto do lançamento; Tais elementos são motivação bastante e suficiente para declarar a nulidade material do lançamento, uma vez que o ato não se reveste dos requisitos essenciais de validade. Notese que afastado o Ato Declaratório Executivo por irregularidade procedimental de instauração e encerramento da investigação e constatada a ausência de nexo causal entre a desqualificação genérica e desconsideração específica da certificação nos procedimento de importação que foram objeto do lançamento, fica esvaziada a razão de ser da atividade da autoridade aduaneira, não restando fundamento de fato ou de direito para validar o lançamento. Diante do exposto, voto por ANULAR O LANÇAMENTO, por conta do cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. Luiz Roberto Domingo – Relator Designado Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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