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Numero do processo: 10166.016223/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 16 22 3/ 20 08 -1 5 Fl. 11310DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Resolução nº 2401000.579 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Debito, lavrada cm desfavor da empresa ADLER Assessoramento Empresarial e Representações Ltda., que se refere às contribuições sociais devidas à Seguridade Social referente à empresa, segurado e as devidas a Terceiros, no período de 01/94 a 12/2002. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 244/254, o crédito tributário apurado decorreu de práticas fraudulentas por parte da empresa, traduzidas em omissão de faturamento pela prática criminosa de calçamento de notas fiscais e a consequente omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária em seus registros contábeis. Ademais, foram obtidas por volta de 1.800 (mil e oitocentas) notas fiscais calçadas no período de 01/1994 a 10/2000, representando uma omissão de faturamento, em valores originais, de mais de R$ 24.000.000,00 (vinte e quatro milhões de reais). Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa de fls. 4553/4591, alegando, em síntese: a) o enquadramento no CNAE apontado no Relatório Fiscal encontrase errado, pois, conforme consta em seu CNPJ, o enquadramento correto seria 45.33.0.01 — construção de estação e redes de telefonia e comunicação; b) o período anterior a 12/2001 está desprovido de regular fundamentação legal do critério de aferição indireta, estando apenas as competências de 2002 adequadamente fundamentadas; c) as movimentações bancárias e os cheques identificados no levantamento fiscal estão devidamente contabilizados, tendo sido lançado todo o movimento correspondente ao período fiscalizado; d) as notas fiscais tidas como calçadas pelo fisco previdenciário já estão apropriadas na contabilidade do contribuinte, nada existindo de omitido a respeito. Esclarece, ainda, que todas as obrigações fiscais incidentes sobre tais faturamentos, bem como o próprio lucro do contribuinte foram uma parte quitada, e outra, regularmente reconhecida como devida e incluída no REFIS; e) a alíquota de 40% para fins de apuração do salário de contribuição foi exacerbada e inadequada; f) em relação aos levantamentos de "aferição indireta faturamento", não existe nos autos qualquer fundamentação legal ou normativa quanto aos critérios e alíquotas que validam o labor fiscal, no período anterior ao da vigência das IN 69 e 70, ambas de 2002; Fl. 11311DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Resolução nº 2401000.579 S2C4T1 Fl. 4 3 g) os valores classificados como prólabore omitido, comissões não nominadas e despesas de representações, são, na verdade, valores componentes do montante de lucro distribuído aos sócios; h) em relação ao levantamento prólabore omitido, informa que os argumentos apresentados decorrem de seu exclusivo esforço dedutivo, com lastro apenas na planilha de fls. 351/430, haja vista não constar em nenhuma passagem do relatório fiscal qualquer menção a respeito deste levantamento; i) quanto aos empreiteiros, motoristas e engenheiros, alega que não foram demonstrados nos autos os pressupostos aptos a caracterizar a relação empregatícia; j) possui créditos perante o INSS, objeto de processos de restituição que não foram apropriados de forma adequada na presente NFLD; Em seguida, às fls. 4614/4617, a ora Recorrente peticiona requerendo a nulidade do lançamento, posto que o MPF — Mandado de Procedimento Fiscal está vencido. Alega que o MPF fora emitido em 30.01.03 e tinha como prazo de validade 28.03.03, sendo que o MPF complementar fora expedido somente em 02.05.03, ou seja, trinta dias após o vencimento do MPF originário, o que caracterizaria vicio formal insanável. As fls. 4656/4658, consta conversão do processo em diligencia, a fim de sanar o possível equivoco quanto ao enquadramento da Recorrente, que encontrase enquadrada no CNAE, na Seção F construção, divisão 45 Construção, Grupo 453 Obras de Infraestrutura para Energia Elétrica e para Telecomunicações, e a Fiscalização entende que o correto grupo seria 454 Obras de Instalações. Em atendimento ao disposto acima, fora apresentada Informação Fiscal (fls. 4982/5050), alegando o correto enquadramento da fiscalização quanto ao CNAE da empresa e pronunciando pormenorizadamente os porquês da manutenção parcial do lançamento, para que sejam excluídos tãosomente os valores indevidos apurados a maior em relação ao LEVANTAMENTO 007 — AUTÔNOMOS (CONTR FIN). A fim de solicitar informações a respeito da possibilidade de arrolamento de bens pertencentes aos sócios administradores da empresa ora Recorrente, fora expedido Oficio (fls. 5081/5082) solicitando manifestação da Procuradoria Federal especializada. Em atendimento a consulta formulada, a Procuradoria do INSS, às fls. 5085/5087, concluiu ser plenamente legal o arrolamento de bens dos sócios, suscitando como argumento, a desconsideração da personalidade jurídica prevista no art. 50 do Código Civil. Às fls. 5226/5235, há petição da ora Recorrente, requerendo, em suma, a nulidade da NFLD, aduzindo as mesmas razões quando da propositura de sua Impugnação. Analisando todas as provas carreadas aos autos, a Decisão Notificação de fls. 5238/5268, julgou o lançamento procedente em parte, retificando apenas o valor lançado relativo à rubrica 007 AUTÔNOMOS (CONTR FIN). Às fls. 5328/5353, consta nova manifestação da Recorrente reiterando os argumentos anteriormente expostos. Em seguida, às fls. 5359/5404, fora interposto Recurso Voluntário, em que, mais uma vez, repete todas as alegações já aduzidas anteriormente. Fl. 11312DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Resolução nº 2401000.579 S2C4T1 Fl. 5 4 Ato contínuo, o Contencioso Administrativo da Secretaria da Receita Previdenciária negou seguimento ao Recurso Voluntário (fl. 5407), eis que não foi acompanhado do depósito recursal de 30% da exigência fiscal. Todavia, tendo em vista que o Plenário do Supremo Tribunal Federal entendeu ser inconstitucional a lei que determina a exigência de depósito prévio em recursos administrativos, a Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 5417/5418, determinou o encaminhamento dos autos para apreciação do recurso interposto. Naquela oportunidade, este Conselho, ao analisar o recurso, não vislumbrou a possibilidade de julgamento deste processo, em razão de a fiscalização não ter examinado diversos pontos suscitados pela Recorrente na sua Defesa, que também são objeto do Recurso Voluntário, sem que este órgão pudesse sobre eles se manifestar. Desta feita, por unanimidade de votos, determinouse a conversão do julgamento em diligência para esclarecer: (i) se as movimentações bancárias e os cheques identificados no levantamento fiscal estão devidamente contabilizados, tendo sido lançado todo o movimento correspondente ao período fiscalizado; (ii) se as notas fiscais tidas como calçadas já estão apropriadas na contabilidade do contribuinte; (iii) se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS; (iv) se as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base na aferição indireta foram corrigidas antes da Defesa do contribuinte e, em caso positivo, a repercussão destas correções no tributo devido. Cumprida a diligência, o Auditor Fiscal, com base nos documentos já anexados aos Autos do processo, informou que: 1) O contribuinte não contabilizou, em todo o período fiscalizado, as movimentações bancárias e os cheques identificados nos Autos; 2) Não houve o reconhecimento total das receitas omitidas por meio de emissão de notas fiscais “calçadas”, uma vez que a fiscalização juntou aos Autos documentos que demonstram que o contribuinte não apropriou corretamente as notas fiscais emitidas no período de 1994 a 2000; 3) No que concerne ao questionamento sobre a inclusão de todas as obrigações fiscais no REFIS, impôs a fiscalização, que o REFIS foi rescindido em 17/11/2009, permanecendo em aberto 65 (sessenta e cinco) parcelas não quitadas; 4) E, por fim, informou que as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base em aferição indireta não foram corrigidas antes da defesa do contribuinte, e que o Recurso Voluntário não trouxe nenhum elemento novo. Em que pese a fiscalização não ter dado ciência ao contribuinte, o Presidente desta Câmara, solicitou a comunicação e a abertura de prazo para as alegações do contribuinte, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Fl. 11313DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Resolução nº 2401000.579 S2C4T1 Fl. 6 5 A empresa apresentou sua resposta ao resultado da diligência, alegando, em resumo, que: 1) A Diligência restou cumprida de modo precário, apoiandose comodamente em uma avaliação calcada em fatos pretéritos. Não houve, pois, novas análises; não se verificou o que consta dos escritos fiscais da recorrente, e, porquanto, obtevese limitadas informações; 2) As obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas no momento da migração do REFIS para o parcelamento da Lei 11.941/09, tal afirmativa pode ser comprovada com as provas anexadas às alegações, bem como pelas informações contidas nos Sistemas informatizados da Própria Receita Federal do Brasil; 3) Desprovida de fundamento se apresenta a afirmação da Autoridade Fiscal de que o contribuinte não contabilizou, em todo o período fiscalizado, as movimentações bancárias e os cheques identificados nos Autos, vez que todos os movimentos financeiros atinentes aos períodos que se encontram abarcados no lapso temporal que autorizaria a exigência dos tributos correspondentes foram devidamente sanados ou contabilizados. 4) Todas as receitas omitidas foram apropriadas na contabilidade, na qualidade de ajustes de exercícios anteriores e na sequência deduzidas em uma conta relativa a débito de distribuição de lucros para os sócios da empresa, e assim sendo, não há como sustentar que as impontualidades no faturamento ainda persistiam. Com a escrituração desses valores, a recorrente reconheceu todos os tributos federais que sobre eles incidiam, optou pelo parcelamento destes e, conforme comprovantes, anexos à defesa, foram quitados. 5) A recorrente empreendeu todas as medidas necessárias para a correção do seu passado contábil e fiscal; 6) Ilegítimo se apresentou o arbitramento das contribuições previdenciárias, vez que se encontra pautado em elementos insuficientes, vinculados apenas ao faturamento e a receita. Ao analisar o recurso, mais uma vez o feito foi convertido em diligência, tendo em vista que o Auditor fiscal cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Cumprida a diligência (fls.11251/11253), o Auditor Fiscal, com base nos documentos já anexados aos Autos do processo, informou que: a. Primeiramente, cumpre esclarecer que a NFLD n° 35.675.4219 é relativa à infração de obrigações principais. O crédito é constituído dos seguintes levantamentos: 05 – Omissão de Folha de Pagamento, 06 – Pró Labore Omitido, 07 – Autônomos, 08 – Aferição Indireta pelo Faturamento, 09 – Aferição Indireta pelo Faturamento, 10 – Pró Labore Indireto (notas fiscais calçadas) e 11 – Pró Labore Indireto (notas fiscais calçadas). Fl. 11314DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Resolução nº 2401000.579 S2C4T1 Fl. 7 6 b. Conforme anexos aos processos n° 10166.722302/201083, fls. 68 a 274, n° 10166.722300/201094, fls. 76 a 104, e n° 10166.722307/201014, fls. 96 a 291, percebese que a Autoridade Fiscal, devido às inconsistências nos registros contábeis da empresa – que inclusive ocasionaram diversas penalidades por descumprimento de obrigações acessórias – e nos termos dos artigos 50, 52, 53 e 54 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto n° 356/1991, dos artigos 50, 52, 53 e 54 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173/1997 e dos artigos 231, 233, 234 e 235 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, sendo vinculada a constituir o crédito tributário pelo lançamento relativo às obrigações principais, não viu outra opção senão utilizar a metodologia de apuração da remuneração da mãodeobra por aferição indireta, baseada no faturamento, 4. Alega o contribuinte, entretanto, no item 02.a, fls 11.188 a 11.191 de sua resposta à Informação Fiscal constante nas folhas 48 e 49 deste processo, esta solicitada pela Resolução n° 230100.070 da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF, que suas obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento, que estavam sendo pagas no parcelamento instituído pela Lei n° 9.964/2000 – REFIS, foram integralmente liquidadas, à vista, com os benefícios fiscais instituídos pela Lei n° 11.941/2009. c. É necessário esclarecer que os créditos tributários que foram consolidados no REFIS e que, segundo alegação do contribuinte, foram liquidados à vista em novembro de 2009, com benefícios da Lei n° 11.941, conforme telas dos sistemas anexadas aos autos, fls. 11.244 a 11.250, são relativos aos seguintes tributos: IRRF, IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. Dentre estes tributos, apenas o PIS e a COFINS, conforme art. 2° da Lei n° 9.718/1998, possuem como hipótese de incidência o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado e como base de cálculo o próprio faturamento. d. O PIS e a COFINS constituem fontes de financiamento da seguridade social previstas na alínea “b”, do inciso I, art. 195 da Constituição Federal de 1988. Não se confundem, portanto, com a contribuição social incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física prestadora de serviço, prevista na alínea “a” do mesmo dispositivo, embora também seja encargo do empregador, empresa ou a esta equiparada: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício b) a receita ou o faturamento c) o lucro;” e. A Lei n° 8.212/1991, em seu capítulo IV, exerceu efetivamente a competência tributária da União no tocante à contribuição previdenciária prevista na alínea “a”, do inciso I, do art. 195 da CF/88, enquanto que a Lei n° 9.718/1998, por sua vez, exerceu efetivamente a Fl. 11315DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Resolução nº 2401000.579 S2C4T1 Fl. 8 7 competência tributária da União no tocante à contribuição previdenciária prevista na alínea “b”, do inciso I, do art. 195 da CF/88. Não resta dúvida, portanto, que Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) e PIS/COFINS tratamse de tributos diferentes, considerando que o art. 4° do CTN estabelece que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação e que os tributos citados possuem diferentes bases de cálculos e diferentes hipóteses de incidência. f. Esclareçase também, em tempo, que não há que se confundir critérios de apuração de bases de cálculo de tributos com as bases de cálculo propriamente ditas. De forma genérica, a Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), em seu artigo 148, possibilita que, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé os documentos expedidos pelo sujeito passivo, a autoridade lançadora realize o arbitramento do valor, preço ou direito que constitua base de cálculo de qualquer tributo. Não há no ordenamento jurídico tributário federal qualquer diploma legal vedando a utilização de determinadas grandezas como critério de arbitramento pelo simples fato de constituírem hipóteses de incidência de outros tributos. g. A Lei n° 8.212/1991 estabelece, no parágrafo 6°, do art. 33, a possibilidade de arbitramento da especificamente da Contribuição Previdenciária Patronal: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” h. Dessa forma, percebese que o contribuinte se equivocou em sua impugnação, pois o faturamento, no caso em epígrafe, não foi utilizado como base imponível para cálculo da CPP, mas sim como método de arbitramento, estabelecido pela legislação infralegal, para se chegar à real base de cálculo da CPP, qual seja “o total das remunerações pagas devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados que prestaram serviços, destinadas a retribuir o trabalho”. Após a manifestação fiscal encimada, os presentes autos foram redistribuídos a esta Relatoria. A empresa às fls. 11.266/11.267, solicita que lhe seja oportunizado prazo para se manifestar sobre a Informação Fiscal de fls. 11.251/11.253, em homenagem à ampla defesa e ao contraditório. Já às fls. 11.286/11.299 o Sr Ernesto Calvet de Paiva Carvalho, sócio da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda, informa que seus bens foram alvo de arrolamento desde 16/11/2004, sendo que ele, na condição de pessoa física, não possui nenhum débito perante os cofres públicos. Assim, a teor do que dispõe o artigo 37, § 2º da Lei nº 8.212/91, c/c os artigos 64 e 64A da Lei nº 9.532/97, alem da IN RFB nº 1.088, onde Fl. 11316DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Resolução nº 2401000.579 S2C4T1 Fl. 9 8 todos os dispositivos deixam claro que o arrolamento só cabe contra os bens do sujeito passivo, no presente caso, só caberia arrolar bens da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda. Cita ainda a Súmula 88 do CARF e a decisão em sede de recurso repetitivo do STF no Recurso Extraordinário nº 562.276/PR que entendeu pela inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 8.620/93, na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente com seus bens pessoais junto à Seguridade Social, tanto pr vício formal ( violação ao artigo 146, inciso III da CF /88), como por vício material ( violação aos artigos 5º, Inciso XIII, e 170, parágrafo único da CF/88). Cita ainda a Súmula Vinculante nº 211, de 29/10/2009 do STF e ao final requer a anulação ou cancelamento do arrolamento de bens realizados em seu nome. É o relatório. Fl. 11317DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Resolução nº 2401000.579 S2C4T1 Fl. 10 9 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento do CARF, por intermédio da Resolução nº 2302000.356, de 05/11/2014 às fls.11.233/11.238, novamente converteu o feito em diligência, solicitando esclarecimentos se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Ainda na ocasião restou decidido que “Após o cumprimento do acima narrado, intimese a Recorrente para que se manifeste acerca do resultado das diligências realizadas.” (fls.11.238). Ocorre que, após o retorno da referida diligência de fls.11.251/11.253, o processo foi encaminhado para nova distribuição/sorteio de Relator, em virtude do anterior não mais pertencer ao colegiado do CARF (fls.11.256). Em seguida, os autos foram designados a esta relatoria (fls.11.263). Nessa esteira de acontecimentos, a Recorrente às fls.11.266/11.267 informa que não fora oportunizada a sua manifestação, após as informações da fiscalização, conforme determinado na Resolução em comento. Já às fls. 11.286/11.299 o Sr Ernesto Calvet de Paiva Carvalho, sócio da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda, informa que seus bens foram alvo de arrolamento desde 16/11/2004, sendo que ele, na condição de pessoa física, não possui nenhum débito perante os cofres públicos. Assim, a teor do que dispõe o artigo 37, § 2º da Lei nº 8.212/91, c/c os artigos 64 e 64A da Lei nº 9.532/97, alem da IN RFB nº 1.088, onde todos os dispositivos deixam claro que o arrolamento só cabe contra os bens do sujeito passivo, no presente caso, só caberia arrolar bens da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda. Cita ainda a Súmula 88 do CARF e a decisão em sede de recurso repetitivo do STF no Recurso Extraordinário nº 562.276/PR que entendeu pela inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 8.620/93, na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente com seus bens pessoais junto à Seguridade Social, tanto pr vício formal ( violação ao artigo 146, inciso III da CF /88), como por vício material ( violação aos artigos 5º, Inciso XIII, e 170, parágrafo único da CF/88). Cita ainda a Súmula Vinculante nº 211, de 29/10/2009 do STF e ao final requer a anulação ou cancelamento do arrolamento de bens realizados em seu nome. Nesse descortino, e diante da falta de intimação à Recorrente Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda para se manifestar sobre o retorno da diligência constante às fls. fls.11.251/11.253, em homenagem ao princípio do contraditório e da ampla defesa, solicito que o feito seja convertido em diligência, para que seja dada ciência e abertura de prazo para alegações da recorrente, sobre o resultado das informações prestadas pela fiscalização, com posterior remessa a este Colegiado, ocasião em que se analisará os Fl. 11318DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Resolução nº 2401000.579 S2C4T1 Fl. 11 10 demais pedidos constantes do autos, inclusive o de fls 11.286/11.299, do Sr. Ernesto Calvet de Paiva Carvalho. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 11319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000038/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/10/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO.
Caracterizada a contradição entre o que foi decidido pelo Colegiado e o resultado do julgamento que constou abaixo da ementa, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a devida retificação do dado incorreto.
Embargos acolhidos na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-004.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente os embargos e, na parte conhecida, acolhê-los.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. Caracterizada a contradição entre o que foi decidido pelo Colegiado e o resultado do julgamento que constou abaixo da ementa, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a devida retificação do dado incorreto. Embargos acolhidos na parte conhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente os embargos e, na parte conhecida, acolhêlos. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 38 /2 01 0- 18 Fl. 581DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela JBS S/A, em 08/09/2015, em face do Acórdão nº 3101001.709 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 17 de setembro de 2014, do qual foi cientificada em 03/09/2015, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, indeferese o pedido de ressarcimento e não se homologa a compensação declarada. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDIMENTO FISCAL. VALIDADE. AUDITOR FISCAL DE OUTRA JURISDIÇÃO. Não há nulidade em ato que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou a compensação com base em procedimento fiscal executado por AuditorFiscal lotado em delegacia fiscal diversa da sede da interessada, por ausência de efetivo prejuízo na defesa. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido da contribuinte de ressarcimento/compensação relativamente a créditos do PIS/Pasep não cumulativo exportação, no 4º trimestre de 2008, pela empresa Bertin S/A, CNPJ 09.112.489/000168, que foi incorporada pela empresa JBS S/A, CNPJ 02.916.265/000160. A fiscalização, tendo realizado a apuração dos créditos (básicos e presumidos), com base nos arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pela empresa, procedeu à apuração das bases de cálculos dos créditos das contribuições para o PIS e da Cofins no trimestre, bem como elaborou outras planilhas contendo demonstrativos e esclarecimentos adicionais das glosas efetuadas e os Dacon completos do período em análise, para demonstrar o total de créditos da contribuinte e sua utilização. Concluiu a fiscalização que a interessada não tinha direito ao crédito pleiteado no pedido de ressarcimento, tendo efetuado o lançamento de ofício do crédito tributário correspondente aos valores remanescentes das contribuições do período no processo nº 15868.720194/201282. A embargante sustenta que teria havido omissão e contradição no acórdão recorrido, na seguinte forma: 1. Sobre o resultado do julgamento Fl. 582DF CARF MF Processo nº 12585.000038/201018 Acórdão n.º 3402004.285 S3C4T2 Fl. 582 3 Embora o Colegiado tenha dado provimento parcial ao recurso voluntário, fez constar na ementa que teria sido negado provimento ao recurso. 2. Sobre a utilização de registros distintos para apuração do débito e do crédito O agente fiscal considerou créditos e débitos de pessoas jurídicas diferentes, eis que utilizou os registros fiscais para apurar os créditos e os registros contábeis para os débitos, sendo que os registros fiscais consideraram as filiais que já possuíam CNPJ e inscrição estadual regularizados de modo a operar como Bertin S/A e os registros contábeis consideraram todas as filiais que foram "transferidas" para a Bertin S/A, apesar de algumas delas ainda operarem com o CNPJ e a inscrição estadual anteriores. Acerca dessa alegação, o Colegiado limitouse a afirmar que o contribuinte deveria demonstrar pontualmente porque os créditos glosados são legítimos. Tal afirmação, no entanto, é contraditória, pois não se estava alegando erro na glosa porque os créditos eram legítimos, mas sim porque referiamse a filiais diferentes daquelas consideradas na apuração. O Presidente da 1ª Câmara desta 3ª Seção efetuou a admissibilidade dos embargos nos seguintes termos: (...) Analisando o primeiro ponto levantado pela Embargante (resultado do julgamento) e confrontandoo com o acórdão vergastado constatase a contradição, vez que na ementa consta que o foi negado provimento ao recurso, o que contradiz, claramente, o dispositivo do acórdão e também o seu conteúdo, que deu parcial provimento ao recurso da então Recorrente para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, 3º, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei n' 10.833, de 2003. Entretanto, analisando o segundo ponto levantado pela Embargante (utilização de registros distintos para apuração do débito e do crédito) não se constata a contradição apontada. Ab initio, cumpre gizar que a contradição que “autoriza os embargos de declaração é aquela interna ao acórdão, verificada entre a fundamentação do julgado e a sua conclusão, e não aquela que possa existir, por exemplo, com a prova dos autos” (STJ, REsp 322056), nem “a que porventura exista entre a decisão e o ordenamento jurídico; menos ainda a que se manifeste entre o acórdão e a opinião da parte vencida” (STF, Emb Decl RHC 79785). O aludido vício de intelecção deve ser interno, aquilatável entre as proposições manifestadas pelo juízo naquele mesmo julgado, e não eventual divergência entre os fundamentos da decisão e demais provas e fatos do processo ou dispositivos legais de outras relações jurídicas processuais distintas, isto é, externo ao julgado. Destarte, não resta dúvida que as contradições apontadas pela embargante em nada se assemelha a que autoriza a interposição dos declaratórios (contradição entre as premissas e a conclusão do julgado). Além do mais, não ficou caracterizada supostas contradições, pelo contrário, evidenciase uma tentativa da recorrente de rediscutir a matéria com a reiteração dos argumentos apresentados no recurso voluntário. Fl. 583DF CARF MF 4 Destacase, ainda, que o referido ponto alegadamente contraditório encontrase precluso, visto que não foi objeto de manifestação específica no Recurso Voluntário apresentado pela ora Embargante, que expressamente recorreu da decisão de primeira instância administrativa nos seguintes pontos: (...) O excerto do voto condutor do acórdão embargado, transcrito a seguir, na apreciação da questão meritória, também refuta a contradição suscitada, cuja decisão fundamentouse na ausência de prova do direito creditório pleiteado: Da presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados A recorrente alega a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela empresa sucedida Bertin S/A, e que a fiscalização não logrou êxito em desqualificáos, sem a devida comprovação. Não assiste razão a recorrente. Não foram apresentados, nem durante o procedimento fiscal, nem no curso do julgamento administrativo, planilha ou qualquer outro documento equivalente contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não apresentou os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. [...]A pessoa jurídica titular de direito creditório deve produzir a prova completa da pretensão deduzida no pleito administrativo, pois a ela incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do direito reclamado, não sendo o caso de lançamento de oficio. De acordo com o relatado no Termo de Verificação de Infração Fiscal, não restam dúvidas que a interessada não conseguiu demonstrar a exatidão dos valores requeridos, e coube à fiscalização, através do exame da contabilidade e dos elementos apurados no procedimento fiscal, apurar os valores dos créditos. O procedimento fiscal conclui pela ausência de certeza e liquidez dos créditos pleiteados, em contrário do que afirma a recorrente. Desta forma, como a recorrente não fez prova de seu direito aos valores requeridos no pedido de ressarcimento e compensação pleiteada nos presentes autos, correto está o despacho decisório que indeferiu o pedido e a decisão recorrida. Com essas considerações, acolho parcialmente os embargos de declaração, apenas em relação ao resultado do julgamento, por constatada contradição na decisão embargada, exclusivamente neste ponto. Encaminhese à unidade de origem da Receita Federal do Brasil para dar ciência ao sujeito passivo deste despacho de admissibilidade em embargos. Após a ciência, retornese o processo a esta Primeira Câmara da Terceira Seção de julgamento do CARF para inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Câmara de julgamento. (...) O processo foi sorteado e distribuído a esta Relatora em 26 de janeiro de 2017. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 12585.000038/201018 Acórdão n.º 3402004.285 S3C4T2 Fl. 583 5 É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Adotando os fundamentos do despacho de admissibilidade acima transcrito, tomo conhecimento dos embargos de declaração somente em relação à matéria admitida pelo Presidente da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, qual seja, a contradição entre o decidido no acórdão e o resultado que constou abaixo da ementa. Conforme se observa no Acórdão embargado, o Colegiado deu provimento parcial no recurso voluntário, nesses termos: (...) Do crédito presumido da agroindústria Outra questão controversa nos autos referese à discussão da alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. De um lado, o fisco alega que a alíquota aplicável sobre os insumos adquiridos para a agroindústria, prevista no art. 8º, §3º da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido, ou seja, a alíquota de 35% sobre as aquisições de bovino vivo, classificado no capítulo 1 da NCM, posição 01.02. De outro lado a Recorrente entende que o percentual a ser aplicado é 60%, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. No caso, a empresa sucedida deu saída a produtos do capítulo 2 da NCM. Neste caso, assiste razão a Recorrente, tendo em vista uma recente alteração legislativa que interpretou de forma contrária ao argumento do Fisco. O artigo 33 da Lei nº 12.865/13 acresceu enunciado interpretativo ao artigo 8° da Lei nº 10.925/04, verbis: (...) O legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do parágrafo 10 incluído pela Lei nº 12.865/13. Desta forma, conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do Fl. 585DF CARF MF 6 art. 8º da Lei º 10.925/2004, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, reconhecese à Recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. (...) Das conclusões Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Sala das sessões, em 17 de setembro de 2014. (...) De forma que a embargante tem razão nesta parte ao dizer que houve contradição no acórdão embargado, quando constou, erroneamente, abaixo da ementa que o resultado do julgamento seria no sentido de que o recurso voluntário foi negado. Assim, voto no sentido de conhecer os embargos somente na parte admitida pelo Presidente da 1ª Câmara e, na parte conhecida, acolhêlos para rerratificar o Acórdão embargado para corrigir o resultado do julgamento que constou abaixo da ementa para: "Recurso Voluntário provido em parte / Direito Creditório Reconhecido em parte" É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 586DF CARF MF Processo nº 12585.000038/201018 Acórdão n.º 3402004.285 S3C4T2 Fl. 584 7 Fl. 587DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721939/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Constituindo-se o Mandado de Procedimento Fiscal em mero elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração.
JURISDIÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL.
É competente para lançamento de tributos federais a autoridade fiscal de outra jurisdição, nos termos do art. 9º do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores.
DECADÊNCIA DOS LANÇAMENTOS DO ANO DE 2007. INOCORRÊNCIA.
Constatada a ciência dos lançamentos dentro do interstício quinquenal não há que se falar em decadência dos lançamentos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
ARBITRAMENTO DE LUCRO.
O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA.
Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A DCTF é o instrumento pelo qual o contribuinte, fazendo confissão de dívida, constitui para todos os efeitos o crédito tributário. Mantém-se a redução dos valores lançados relativa às parcelas previamente confessadas em DCTF
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
A demonstração do interesse comum, entre a pessoa jurídica e o responsabilizado, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, o uso de laranja, como também a dissolução irregular, com a indicação da previsão legal específica para a responsabilização solidária, é cabível a responsabilização efetuada com fundamento nos artigos 124 e 135 do CTN.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. EXPLORAÇÃO DA MESMA ATIVIDADE PELO MESMO SÓCIO. IDENTIDADE DE ENDEREÇOS, DE FUNCIONÁRIOS E DE CLIENTES.
É considerada empresa sucessora aquela que prossegue no mesmo ramo de atividade, através do mesmo sócio (de fato), funcionando no mesmo endereço, a mesma carteira de clientes, possuindo quase a totalidade do mesmo quadro de funcionários da empresa sucedida, respondendo, nessa condição, pelos tributos devidos pela pessoa jurídica extinta, nos arts. 132 e 133 do CTN.
MULTA QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
MULTA REGULAMENTAR.
Todas as pessoas jurídicas que utilizem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, têm a obrigatoriedade de manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os respectivos arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, não se aplicando a obrigatoriedade somente às empresas optantes pelo Simples.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, demonstrado o não atendimento à intimação fiscal para a identificação dos pagamentos.
Numero da decisão: 1401-001.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as alegações de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, dos contribuintes e dos responsáveis solidários, mantendo a sujeição passiva do Sr. Emilson Torquato de Araújo e Mega Supermercado Eireli.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Constituindo-se o Mandado de Procedimento Fiscal em mero elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. JURISDIÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. É competente para lançamento de tributos federais a autoridade fiscal de outra jurisdição, nos termos do art. 9º do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. DECADÊNCIA DOS LANÇAMENTOS DO ANO DE 2007. INOCORRÊNCIA. Constatada a ciência dos lançamentos dentro do interstício quinquenal não há que se falar em decadência dos lançamentos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 ARBITRAMENTO DE LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A DCTF é o instrumento pelo qual o contribuinte, fazendo confissão de dívida, constitui para todos os efeitos o crédito tributário. Mantém-se a redução dos valores lançados relativa às parcelas previamente confessadas em DCTF SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A demonstração do interesse comum, entre a pessoa jurídica e o responsabilizado, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, o uso de laranja, como também a dissolução irregular, com a indicação da previsão legal específica para a responsabilização solidária, é cabível a responsabilização efetuada com fundamento nos artigos 124 e 135 do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. EXPLORAÇÃO DA MESMA ATIVIDADE PELO MESMO SÓCIO. IDENTIDADE DE ENDEREÇOS, DE FUNCIONÁRIOS E DE CLIENTES. É considerada empresa sucessora aquela que prossegue no mesmo ramo de atividade, através do mesmo sócio (de fato), funcionando no mesmo endereço, a mesma carteira de clientes, possuindo quase a totalidade do mesmo quadro de funcionários da empresa sucedida, respondendo, nessa condição, pelos tributos devidos pela pessoa jurídica extinta, nos arts. 132 e 133 do CTN. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA REGULAMENTAR. Todas as pessoas jurídicas que utilizem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, têm a obrigatoriedade de manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os respectivos arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, não se aplicando a obrigatoriedade somente às empresas optantes pelo Simples. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, demonstrado o não atendimento à intimação fiscal para a identificação dos pagamentos.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Constituindose o Mandado de Procedimento Fiscal em mero elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. JURISDIÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. É competente para lançamento de tributos federais a autoridade fiscal de outra jurisdição, nos termos do art. 9º do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. DECADÊNCIA DOS LANÇAMENTOS DO ANO DE 2007. INOCORRÊNCIA. Constatada a ciência dos lançamentos dentro do interstício quinquenal não há que se falar em decadência dos lançamentos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 ARBITRAMENTO DE LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 19 39 /2 01 2- 14 Fl. 5150DF CARF MF 2 Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A DCTF é o instrumento pelo qual o contribuinte, fazendo confissão de dívida, constitui para todos os efeitos o crédito tributário. Mantémse a redução dos valores lançados relativa às parcelas previamente confessadas em DCTF SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A demonstração do interesse comum, entre a pessoa jurídica e o responsabilizado, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, o uso de “laranja”, como também a dissolução irregular, com a indicação da previsão legal específica para a responsabilização solidária, é cabível a responsabilização efetuada com fundamento nos artigos 124 e 135 do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. EXPLORAÇÃO DA MESMA ATIVIDADE PELO MESMO SÓCIO. IDENTIDADE DE ENDEREÇOS, DE FUNCIONÁRIOS E DE CLIENTES. É considerada empresa sucessora aquela que prossegue no mesmo ramo de atividade, através do mesmo sócio (de fato), funcionando no mesmo endereço, a mesma carteira de clientes, possuindo quase a totalidade do mesmo quadro de funcionários da empresa sucedida, respondendo, nessa condição, pelos tributos devidos pela pessoa jurídica extinta, nos arts. 132 e 133 do CTN. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA REGULAMENTAR. Todas as pessoas jurídicas que utilizem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, têm a obrigatoriedade de manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os respectivos arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, não se aplicando a obrigatoriedade somente às empresas optantes pelo Simples. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Fl. 5151DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.151 3 Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, demonstrado o não atendimento à intimação fiscal para a identificação dos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as alegações de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, dos contribuintes e dos responsáveis solidários, mantendo a sujeição passiva do Sr. Emilson Torquato de Araújo e Mega Supermercado Eireli. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte, no qual foram apontadas as seguintes infrações. Fl. 5152DF CARF MF 4 Omissão de receitas causada por depósitos bancários de origem não comprovada. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; Arbitramento do lucros sobre as receitas de vendas escrituradas. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; Multa pela falta de apresentação dos arquivos digitais; IRRF sobres pagamentos sem causa a beneficiário não identificado; Durante a realização do procedimento e após verificações nos endereços dos cadastros da matriz da empresa em goiás, constatouse que não existia atividade no endereço da matriz e, mais ainda, i cadastro do SINTEGRA já se encontrava baixado. Assim, foi realizada, de ofício, a transformação do estabelecimento filial, situada em Montes Claros, em matriz da empresa, mediante o processo administrativo nº 10670.001743/200742. Em razão das inúmeras tentativas do fiscal de intimar a empresa e obter os documentos necessários à realização da fiscalização, foi necessário o ingresso de ação judicial de nº 534584.2012.4.01.3807, na qual foi determinada a quebra do sigilo bancário da empresa e foram fornecidos os extratos da movimentação financeira. A fiscalização constatou que em novembro e dezembro/2011 a empresa apresentou todas as DCTFs não entregues anteriormente, informando os débitos e vinculando os a alguns DARFs inexistentes. Foram solicitados esclarecimentos e apresentação de DARFs à empresa. As solicitações de esclarecimentos feitas à empresa não foram atendidas. Foi destacado pelo fiscal o uso de interpostas pessoas (laranjas) por parte de EMILSON TORQUATO DE ARAÚJO, para a realização de atividades de supermercado no mesmo local já conhecido da cidade sob diversas denominações. Foi apresentado extenso relato demonstrando as atividade do verdadeiro proprietário da empresa no sentido de se escusar do pagamentos de tributos devidos à Fazenda Nacional. A empresa foi intimada e reintimada várias vezes para apresentação de documentos e esclarecimentos. Não foram apresentados nem perto da totalidade os documentos solicitados. Mais ainda, comparecendo o fiscal pessoalmente ao endereço da empresa o Sr. EMILSON TORQUATO DE ARAÚJO recusouse a receber intimações. Foi lavrado o respectivo termo de recusa. Foi intimado o proprietário do imóvel em que funciona a empresa tendo sido constatado informado pelo proprietário que desde 1996 está alugado, que o aluguel foi acertado com o Sr. EMILSON TORQUATO DE ARAUJO e que os pagamentos sempre foram feitos em espécie. O locador apresentou os contratos de locação realizados entre ele e as diversas empresas que ali funcionaram. Nestes contratos consta o Sr. EMILSON TORQUATO DE ARAUJO como proprietário ou procurador da empresa e, no último, consta sua filha como proprietária. A fiscalização conseguiu constatar que os diversos sócios que constavam nos contratos sociais das empresas e que foram utilizados como laranja eram, na verdade, funcionários ou exfuncionários das empresas que eram utilizados pelo Sr. EMILSON para abrir e fechar empresa, constando sempre como procurador destas. A fiscalização também demonstrou que dos 42 empregados da empresa São Patrício, 39 foram contratados pela MEGA SUPERMERCADO o que demonstra a continuidade das atividades da mesma empresa. Fl. 5153DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.152 5 Caracterizadas as infrações e as responsabilidades por estas foram lavrados termos de responsabilidade solidária contra EMILSON TORQUATO DE ARAUJO e MEGA SUPERMERCADO. O CEREALISTA SÃO PATRÍCIO apresentou Impugnação de fls. 3813 em diante contestando todos os termos da autuação. Apresentou também parecer técnico de um contador. O MEGA SUPERMERCADO EIRELI apresentou impugnação de fls. 3991 em diante. EMILSON TORQUATO DE ARAUJO apresentou impugnação às fls. 4541 em diante. A DRJ/Juiz de Fora, analisando as impugnações apresentadas, emitiu a seguinte decisão: Fl. 5154DF CARF MF 6 Fl. 5155DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.153 7 Fl. 5156DF CARF MF 8 Tendo em vista a exclusão da autuação relativa aos valores que já haviam sido informados anteriormente em DCTF, a Delegacia de Julgamento Recorreu de Ofício da própria decisão em razão do montante do crédito exonerado; Cientificados da decisão, os recorrentes apresentaram Recurso Voluntário nos seguintes termos. Recurso Voluntário de EMILSON TORQUATO DE ARAUJO, fls. 4799 em diante, com as seguintes alegações: Que não foi cientificado do início da fiscalização; Violação aos princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. Alega que não teve oportunidade de se manifestar. Nulidade do Termo de Ciência e Sujeição Passiva, por alegar não terem sido cumpridos os requisitos legais; Impossibilidade de Responsabilização ao Sr. EMILSON TORQUATO DE ARAUJO. Alega que o sujeito passivo não poderia ser responsabilizado por atos que não lhe foram atribuídos e que não estaria devidamente caracterizada sua responsabilidade. Que não foi administrador da São Patrício e que não foi comprovado o dolo ou fraude em seus atos. Recurso Voluntário de CEREALISTA SÃO PATRÍCIO, fls. 4898 em diante, com as seguintes alegações: Nulidade pela lavratura do auto pela Delegacia de Montes Claros. Alega que a empresa tinha sido autuada antes em Anápolis e que o fiscal se baseou em presunções para realizar a fiscalização e lavratura do auto em Montes Claros. Que assim seria indevida a lavratura de auto de infração por Delegacia diversa da do domicílio da matriz da empresa. Nulidade do MPF. Alega que o MPF se limitava ao IRPJ de 2007 a 2010 e que foram lavrados débitos de outros tributos não indicados no MPR, além de ter sido prorrogado após o término de sua validade. Alega que a fiscalização tem de seguir o princípio da legalidade e, por isso, as prorrogações irregulares e em consequência nulos ou autos de infração. Nulidade decadência dos fatos geradores do ano de 2007. Mérito. Da ilegalidade de arbitramento pois entende a empresa que teria apresentado os documentos e livros exigíveis para a tributação pelo Lucro Presumido. Mérito. Impossibilidade de tributação com base na omissão de receitas de depósitos sem a verificação de que se tratava de receita tributada da empresa. Mérito. Nulidade do lançamento de IRRF sobre pagamento realIzado a beneficiário não identificado. Mérito. Impossibilidade de aplicação da multa por não apresentação dos arquivos digitais. Entende que não era cabível tal exigência e, mesmo que fosse, não era possível lançála em razão de ter sido arbitrado o lucro. Ilegalidade das multas aplicadas no percentual de 150%. Recurso Voluntário do MEGA SUPERMERCADO, fls. 5031, com as seguintes alegações: Fl. 5157DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.154 9 Que não foi cientificado do início da fiscalização; Violação aos princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. Alega que não teve oportunidade de se manifestar. Nulidade do Termo de Ciência e Sujeição Passiva, por alegar não terem sido cumpridos os requisitos legais; Impossibilidade de Responsabilização à empresa tendo em vista que esta responsabilização foi imposta apenas por meras suposições e que não seria responsável pelos débitos da empresa Cerealista São Patrício.. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Os recursos preenchem os requisitos legais, assim deles tomamos conhecimento. Das Nulidades Apontadas. Impossibilidade de Lançamento pela DRF/Montes Claros/MG Com relação às nulidades apontadas relativas ao auto de infração, mormente relativas à fiscalização e lançamento dos autos por parte da DRF/Montes Claros, apesar das tentativas do recorrente em tentar demonstrar que existiria a matriz da empresa situada em Anápolis/GO e que o fiscal não teria envidado esforços em localizar a empresa, devemos destacar que tais afirmações não correspondem à verdade processual. O fiscal responsável pela fiscalização juntou ao processo diversos documentos e informações, inclusive apresentadas pela Delegacia de Anápolis em procedimento próprio realizando a baixa do cadastro do CNPJ da matriz da empresa que não foi localizada em Anápolis e sendo a filial de Montes Claros transformada em Matriz de ofício. Tais procedimentos foram realizados entre 2007 e 2012. Fl. 5158DF CARF MF 10 Assim informou o fiscal em sua autuação: I. INEXISTÊNCIA DE FATO DE ESTABELECIMENTO MATRIZ EM GOIÁS E ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DE OFÍCIO: Inicialmente cabe destacar os seguintes fatos relativos ao contribuinte acima identificado, doravante denominado apenas SÃO PATRÍCIO para simplificação: • A SÃO PATRÍCIO tinha os seguintes estabelecimentos cadastrados perante o sistema CNPJ: − Matriz – CNPJ 01.333.802/000186 – Endereço Av. Goiás, nº 2.981, bairro Jardim Petrópolis, Anápolis/GO. − Filial CNPJ 01.333.802/000267 – Endereço rua Imperatriz Leopoldina, nº 186, bairro independência, Montes Claros/MG. O endereço desse estabelecimento foi Av. Artur Bernardes, nº 21, centro, nesta cidade, onde teve atividade operacional de supermercado amplamente conhecida por vários anos. • Considerando que havia indícios da inexistência de fato do estabelecimento matriz em Goiás, a Seção de fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Anápolis/GO realizou diligência fiscal no estabelecimento matriz em 14/mai/2007. Foi constatado que não existia qualquer empresa em atividade na Av. Goiás, nº 2.981, bairro Jardim Petrópolis; que a edificação existente naquele local, com aspecto de abandonada, foi transformada em um depósito de “palha de arroz”, sem presença de qualquer pessoa que pudesse dar informações sobre a existência da empresa naquele endereço ou sobre as atividades ali exercidas, conforme termo de constatação lavrado nessa data, que integra o processo administrativo 10670.001743/200742. • No SINTEGRA, consulta pública ao cadastro do estado de Goiás, em consulta realizada em 08/fev/2012, constava que a situação cadastral do estabelecimento matriz era NÃO HABILITADO BAIXADO CONTRIBUINTE COM CADASTRO BAIXADO, e que a data desta situação cadastral era 20/dez/2001. • Foi realizado procedimento de fiscalização pela DRF/ANÁPOLIS/MG. Em virtude do procedimento fiscal realizado foi lavrada Representação fiscal em 10/set/2010, que também integra o processo administrativo 10670.001743/200742. Nela consta que inexiste empresa em atividade no endereço declarado com sendo da matriz; que o termo de início de fiscalização foi recebido no endereço da filial; que foram apresentados livros fiscais da filial; que, considerando a inexistência de fato do estabelecimento matriz em Goiás e a existência de fato e de direito do estabelecimento filial em Minas Gerais, foi proposta a elevação do estabelecimento filial à condição de matriz. Assim sendo, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Anápolis encaminhou o citado processo administrativo para esta DRF com proposta de elevação da filial à condição de matriz. • O artigo 127, § 2º do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de Outubro de 1966, dispõe que a autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo. No caso em questão, foi Fl. 5159DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.155 11 utilizada uma matriz em Goiás, inexistente de fato, com a nítida intenção de dificultar a fiscalização pela DRF de Montes Claros/MG, onde a empresa existe de fato e ocorreram os fatos geradores de tributos e contribuições federais. • Ante o exposto, a filial cadastrada no CNPJ sob nº 01.333.802/000267 foi transformada de ofício em estabelecimento matriz, conforme determinação do Delegado da Receita Federal do Brasil em Montes Claros/MG, em 12/jan/2012,conforme processo administrativo nº 10670.001743/200742. Do exposto agiu com acerto a Delegacia de Julgamento e, em razão disso, há se manter a Decisão de Piso com relação a esta nulidade, posto que demonstrado o acerto na elaboração do auto pela Delegacia da Receita Federal em Montes Claros/MG, verificado que restou a intenção do contribuinte em dificultar a ação da fiscalização com a manutenção, no cadastro do CNPJ, de estabelecimento Matriz que já não mais funcionava. Das Nulidade Apontadas. Nulidade da autuação em face de MPF já fora da validade ou não abrangendo todos os períodos. Em relação às alegações do recorrente de que o MPF utilizado na fiscalização apenas se restringia ao IRPJ dos anos de 2007 a 2010 e que não era extensivo aos demais tributos lançados pela fiscalização e que, ainda, o MPF, durante o período de fiscalização perdeu sua validade e por isso teria sido extinto, constituem apenas irregularidades no procedimento, mas não são causa de nulidade do mesmo. Pelo contrário, contribuinte tão cioso dar normas regulamentares, poderia ter aproveitado o período em retomou sua espontaneidade para efetuar os pagamentos dos tributos que acaso reconhecesse serem devidos. Essa retomada da espontaneidade era, em relação ao contribuinte, o único efeito prático do fim do prazo do MPF antes da conclusão do procedimento. Vejase, conforme determinam as normas da Portaria que regulava a edição e utilização do MPF à época da fiscalização, Portaria RFB nº 3;014/2011, que o MPF é instrumento de controle da atividade de fiscalização para proteger os contribuintes contra atos indevidos ou falsos fiscais. As irregularidades de encerramento do prazo e, no caso das alegações do contribuinte, de não extensão a outros tributos e com relação ao IRRF lançado, resolvemse pelas normas abaixo: Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; Fl. 5160DF CARF MF 12 V o nome e a matrícula do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do responsável pela equipe a que está vinculado o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil referido no inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade emitente e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo estas alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes dos respectivos Anexos I e II a esta Portaria. § 2º O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil poderá examinar livros e documentos referentes a períodos não consignados no MPFF, quando necessário para verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período em exame, ou deles seja decorrente. ......... Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; ou II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela expedição do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Ora, consoante se observa das normas acima indicadas, não se verificam nulidades do procedimento fiscal em relação aos lançamentos levados a efeito contra o contribuinte. O MPF abrangia o período de 2007 a 2010 do IRPJ. Os lançamentos de PIS, COFINS e CSLL foram lançados em decorrência das irregularidades e lançamentos do IRPJ. Por fim, o lançamento do IRRF teve os documentos utilizados em análise como decorrência dos fatos verificados em relação ao IRPJ. Assim, era possível a fiscalização analisar estes fatos e documentos e o MPF específico do IRRF foi emitido antes da elaboração do auto de infração. Fl. 5161DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.156 13 Do acima demonstrado, devem ser superadas as nulidades apontadas pelo recorrente em relação a pretensas irregularidades do procedimento e/ou do Mandado de Procedimento fiscal. Da Decadência do Lançamento dos Fatos Geradores do ano de 2007. Iniciemos esta análise com a indicação das datas de ciência do auto de infração e dos termos de sujeição passiva e respectivas impugnações. Data de ciência pelo recorrente Cerealista São Patrício 13/12/2012, fls.3806. Data de Ciência do Termo de Sujeição Passiva de Emilson Torquato de Araújo 11/12/2012, fls. 3796 Data de Ciência do Termo de Sujeição Passiva de Mega Supermercado Eireli 11/12/2012, fls. 3802. Impugnação Cerealista São Patrício 10/01/2013. Impugnação Mega Supermercado EIRELI 10/01/2013 Impugnação Emilson Torquato de Araujo 10/01/2013. Constatase que o auto de infração foi cientificado ainda do ano de 2012. Os débitos a que ser referem o auto de infração vão do ano de 2007 ao ano de 2012. No presente caso não houve pagamento de nenhum tributo relativo ao ano de 2007, apenas um pagamento de CSLL do ano de 2009 que não interessa à análise da decadência, Sendo assim, não existindo pagamento relativo ao ano de 2007, o prazo de decadência deve ser contado mediante as regras do art. 173, do Código Tributário Nacional CTN abaixo: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Assim, relcionandose os débitos cuja decadência é questionada pelo contribuinte ao ano de 2007, o prazo decadencial somente se iniciou no primeiro dia do exercício seguinte ao ano em que poderiam ser lançados, ou seja, iniciouse em 01/01/2008. Fl. 5162DF CARF MF 14 Desta forma, referido prazo encerrouse em 31/12/2012, razão pela qual nenhum débito do ano de 2007 encontrase atingido pela decadência, razão pela qual devem ser mantidos integralmente os débitos relativos ao ano de 2007. Da Ilegalidade do Arbitramento do Lucro. Com relação a este ponto de discordância a empresa entende que foi ilegal o lançamento realizado sob a sistemática do lucro arbitrado, tendo em vista que a empresa realizou a opção pela sistemática do Lucro Presumido e, assim, seriam indevido o arbitramento pois a empresa apresentou a documentação necessária à verificação da apuração pelo Lucro Presumido. Por meio de suas declarações a empresa optou pela tributação com base no Lucro Presumido, sendo que a escrituração deveria ter sido feita pelo livrocaixa nos anos de 2007, 2008 e 20010 e por escrituração contábil no ano de 2009. Consoante os termos de intimação encaminhados pela fiscalização a empresa teve diversas oportunidades de apresentar, como alega dizer possuir, os livroscaixa dos anos de 2007, 2008 e 2010 e toda a escrituração contábil do ano de 2009. Tais intimações, onde o fiscal solicita livros da escrituração contábil e livros caixa foram datadas de: 1) 15/02/2012, quando o contribuinte não apresentou nenhum livro contábil; 2) 26/03/2012, Nenhum documento ou esclarecimento foi apresentado; 3) 31/05/2012. Foi realizada tentativa de intimação pessoal ao Sr. EMILSON TORQUATO DE ARAUJO nas dependências do MEGA SUPERMERCADO, relativo ao procedimento fiscal junto ao Cerealista São Patrício. Este se recusou a receber a intimação, sendo lavrado termo de recusa pelo fiscal. Como se percebe, várias vezes o contribuinte foi procurado no sentido de apresentar os livros de sua escrituração fiscal sem que tivesse apresentado os livros contábeis capazes de fazer a verificação do confronto da escrituração com os valores declarados e movimentados pela empresa na rede bancária. Notese que entre as intimações efetivas e a lavratura do auto de infração decorreram cerca de 10 (dez) meses, tempo no qual o contribuinte, que agora se esmera em tentar demonstrar interesse em corretamente tributar suas receitas, não cuidou de cumprir seu ônus processual de apresentar os documentos contábeis em que se baseou para realizar a tributação pelo lucro presumido. Assim é que o fiscal, não obtendo da empresa os livros contábeis necessários à fiscalização, nem em papel, nem em meio magnético, não teve outra opção senão realizar o arbitramento dos seus lucros para fins de incidência do IRPJ e CSLL em conformidade com s normas que regem o Lucro Presumido e o arbitramento abaixo indicadas. Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; Fl. 5163DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.157 15 II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. ..................... Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; ............ VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela Fl. 5164DF CARF MF 16 legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. Ora, corretamente agiu o fiscal. Não possuindo o contribuinte os livros exigidos pelas normas de tributação pelo Lucro Presumido e não havendo condições de apuração pelo lucro real, também pela não apresentação da escrituração contábil e fiscal completa é que foi realizado o arbitramento dos lucros. Tal arbitramento foi feito pela aplicação da alíquota do arbitramento (alíquota do lucro presumido acrescida de 20%, ou seja, 9,60%) sobre a receita bruta conhecida da empresa. Não houve ilegalidade no procedimento adotado pela fiscalização, não procedendo as alegações apresentadas pela empresa que o arbitramento é incorreto pois deveria ter sido realizada a apuração pela sistemática do Lucro Presumido. O contribuinte não pode, no processo administrativo, assim como no processo civil como um todo, alegar a sua própria torpeza em beneficio próprio. Tal princípio decorre do latim 'nemo potest venire contra factum proprium' (tradução livre: não se pode argumentar contra fato próprio), pelo qual a parte não pode alegar a sua própria torpeza em seu benefício (VENOSA, Silvio de Sálvo. A Proibição do Comportamento Contraditório. Jornal Valor Econômico, 23/05/ 2008). Se ela não apresentou a documentação necessária solicitada pela fiscalização não pode, em sede recursal, reclamar nulidade da autuação por não ter apurado o lucro e conformidade com sua opção, sem que apresentasse os livros exigíveis para tanto. Por tais razões, correta o arbitramento pelo fiscal e a sua manutenção pela Decisão de Piso, improcedendo o Recurso Voluntário neste ponto. Impossibilidade de tributação com base na omissão de receitas de depósitos sem a verificação de que se tratava de receita tributada da empresa. Com relação a este ponto vale destacar que a Decisão de Piso foi bastante precisa na análise do tema, informando que a tributação das receitas oriundas de depósitos bancários não comprovados com documentação hábil e idônea tratase de uma presunção legal, tendo em vista que caberia ao contribuinte, devidamente intimado, como o foi, apresentar comprovantes da regularidade e escrituração dos valores omitidos. Para não ser repetitivo em relação a esta análise, transcrevo excertos da Decisão de Piso que bem delimitam este ponto. Quanto à omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, seu lançamento baseouse na Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, que diz: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 5165DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.158 17 Tratase de uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destacase que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. A comprovação da origem dos valores depositados em contacorrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. No caso presente, como existiam indícios veementes de vultosa omissão de receitas pelo contribuinte, referente aos anoscalendário 2007 a 2010, o mesmo foi intimado de forma reiterada a apresentar todos os extratos bancários, conforme termo de início de fiscalização lavrado em 15/fev/2012 e termos de intimação fiscal lavrados em 26/mar/2012 e 31/mai/2012, e não os apresentou. Considerando os indícios veementes de crimes praticados por Emílson Torquato de Araújo e outros, foi lavrada Representação Fiscal para Finas Penais, com proposta de encaminhamento ao Ministério Público Federal. Em conseqüência, foi decretada a quebra do sigilo bancário do contribuinte nos termos solicitados, extensiva à Receita Federal, conforme decisão judicial datada de 27/ago/2012, da Justiça Federal de 1º grau, 2ª Vara da subseção judiciária de Montes Claros/MG, proferida no processo judicial nº 534584.2012.4.01.3807. Assim sendo, os dados bancários relativos aos anos fiscalizados, inclusive extratos, foram obtidos por via judicial e repassados à fiscalização. A fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, conforme Termo de Intimação Fiscal de folhas 2.916 a 2.920, tendo como anexo as planilhas de folhas 2.921 a 3.195, as quais, constam todos os depósitos individualizados – ao contrário do alegado pelo contribuinte – e as exclusões representadas por cheques devolvidos. No citado Termo de Intimação Fiscal, constou a informação de que a fiscalização desconsiderou créditos identificados como provenientes de outras contas bancárias do contribuinte, mas que, caso houvesse outros créditos com essa origem, não excluídos pela fiscalização, deveria o contribuinte especificálos. Fl. 5166DF CARF MF 18 Dessa Forma, o sujeito passivo não logrou afastar a presunção de omissão de receitas, pois não comprovou, “mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações” ou mesmo a existência de créditos inadequadamente considerados na autuação. Ao ensejo, trago exemplos de julgados administrativos consentâneos com o ora exposto: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF. [Acórdão 1º CC 10423011, sessão de 24/01/2008]. DEPÓSITO BANCÁRIO – OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 [CSRF/0400.259, sessão de 12/06/2006]. OMISSÃO DE RECEITA – DEPÓSITO BANCÁRIO – LANÇAMENTO EM DEPÓSITO BANCÁRIO – PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO – O lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósito bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir do ano calendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. [CSRF/0105.312, sessão de 21/09/2005]. No mesmo sentido, o § 2º do art. 24 Lei n.º 9.249/95 estabelece que a omissão de receita apurada com base na legislação do imposto sobre a renda deve ser considerada na determinação da base de cálculo para os lançamentos da CSLL, da Cofins e do PIS/Pasep. Nesse sentido, especificamente quanto ao PIS/Pasep e à Cofins, dispõe o Decreto n.º 4.524/2002: Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei nº 8.212, de 1991, art. 33, caput e §§ 3º e 6º , Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 10, parágrafo único, Lei nº 9.715, de 1998, arts. 9º e 11, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). Fl. 5167DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.159 19 Assim, em face do exposto, houve subsunção dos fatos à presunção positivada no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, norma em plena eficácia, permanecendo incólume a correspondente omissão de receita para fins de apuração do IRPJ e das contribuições. Assim, verificandose que, novamente, o contribuinte prefere alegar nulidade em vez de cumprir seu ônus processual, há de se manter o lançamento baseado nas omissões de receitas apontadas pela fiscalização e não informadas pelo recorrente. Do Recurso de Ofício contra a desoneração dos valores já confessados em DCTF. A Delegacia de Julgamento recorreu de ofício com relação à parte da decisão em que foram desonerados os valores relativos aos débitos confessados pelo contribuinte em DCTF antes do início do procedimento fiscal. Correta a decisão neste ponto. As DCTF apresentadas pela empresa antes do início do procedimento fiscal constituem confissão de dívida, na forma do Decreto nº 2.124/84. Assim, os valores ali confessados e que já se encontravam em cobrança conforme extratos acostados ao processo às fls. 2190/2198, deveriam ter sido excluídos pela fiscalização do montante dos débitos apurados no procedimento. Como a fiscal não agiu adequadamente em relação a este ponto há de se negar provimento ao Recurso de Ofício da Delegacia de Julgamento em razão de ser correta a desoneração, dos valores da autuação, o montante já confessado pelo próprio contribuinte em suas DCTFs. Improcedência do lançamento de IRRF sobre pagamento realizado a beneficiário não identificado. Em sua singela argumentação recursal a empresa limitase a informar que o fiscal realizou os lançamentos com base nos cheques emitidos que foram identificados nos extratos bancários. A irresignação da empresa decorre do fato de entender que como o fiscal teve acesso aos extratos (que, ressaltese, somente foram obtidos judicialmente) deveria ter solicitado também as cópias dos cheques que identificariam os beneficiários o que, no entender da empresa, desconstituiria a autuação. Neste ponto devemos transcrever a legislação relativa ao ponto. Lei nº 8.981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. Fl. 5168DF CARF MF 20 § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Ora, durante o curso da fiscalização o fiscal intimou a empresa, apresentando a relação de pagamentos obtida pelos extratos, a justificar ou comprovar os beneficiários dos pagamentos. Novamente neste ponto caberia à empresa de desincumbir de seu ônus processual e apresentar os documentos contábeis que comprovassem os beneficiários dos pagamentos. Assim, não apresentando a empresa qualquer documento ou justificativa, foi realizado o lançamento na forma das normas em vigor. Os precedentes abaixo comprovam a justeza e legalidade da autuação. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. A falta de comprovação da operação ou sua causa de pagamentos registrados no Livro Caixa, com documentação hábil e idônea, implica na aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº 8.981/95. 1º Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara /ACÓRDÃO 10708.593 em 25.05.2006. Publicado no DOU em: 02.01.2007. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA INCIDÊNCIA. Está sujeito à incidência do Imposto de Renda na fonte o pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou a entrega de recursos a terceiros ou sócios quando não comprovada a operação ou sua causa.1º CC / 4a. Câmara / ACÓRDÃO 10420.644 em 18.05.2005. Publicado no DOU em: 19.10.2005. INCIDÊNCIA PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Devida a incidência do Imposto de Renda na Fonte quando caracterizada a saída de recursos da empresa a beneficiários não identificados. 1º Conselho de Contribuintes / 4a. Câmara / ACÓRDÃO 10420.279 em 10.11.2004. Publicado no DOU em: 13.04.2005.25. PAGAMENTO SEM CAUSA OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Está sujeito à incidência do IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a terceiros, quando não for comprovado a operação ou a sua causa. 1º Conselho de Contribuintes/2a. Câmara / ACÓRDÃO 10246.455 em 12.08.2004. Publicado no DOU em:09.03.2005. A justificativa de que a fiscalização poderia ter pedido as cópias dos cheques às instituições financeiras não supriria a obrigação da empresa. O máximo que o fiscal poderia Fl. 5169DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.160 21 obter de informação com a cópia do cheque é o nome da pessoa ou empresa beneficiária do pagamento. Ou seja, não se encontraria a causa dos pagamentos, fato que também ensejaria o lançamento pois a identificação tem de ser do beneficiário e da causa do pagamento, fatos que somente a empresa poderia demonstrar mediante seus registros e documentos contábeis. Restando assim demonstrado que, novamente, o contribuinte não se desincumbiu de seu ônus processual e que não foram verificadas nulidades no procedimento realizado pela fiscalização, há de se manter os lançamentos de IRRF por pagamentos a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou sua causa. Impossibilidade de aplicação da multa por não apresentação dos arquivos digitais. Neste ponto entende o recorrente que não era cabível tal exigência e, mesmo que fosse, não era possível lançála em razão de ter sido arbitrado o lucro. Em relação à aplicação desta multa regulamentar, vejamos as normas que a fundamentam Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: Fl. 5170DF CARF MF 22 I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Conforme verificamos do texto legal acima, apenas as empresa optantes pelo SIMPLES NACIONAL estão dispensadas da apresentação dos arquivos digitais. Assim, o contribuinte, devidamente, intimado, deveria apresentar os referidos arquivos, não só os relativos à escrituração contábil e fiscal, mas também os registros de suas atividades empresariais. As intimações à empresa foram realizadas conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, conforme abaixo. A SÃO PATRÍCIO foi intimada a apresentar arquivos de documentos fiscais e arquivos contábeis digitais, ambos referentes ao anoscalendário 2007 a 2010, conforme itens 22 e 23 do termo de início de fiscalização lavrado em 15/fev/2012 e dos termos de intimação fiscal lavrados em 26/mar/2012 e 31/mai/2012. Inicialmente foi dado prazo de 20 dias. No segundo termo foi dado prazo de 10 (dez) dias. No último de 5 (cinco) dias úteis. A ciência deste último termo ocorreu em 31/mai/2012. Assim sendo, o prazo fixado se encerrou em 08/jun/2012. Não foram apresentados os arquivos solicitados. Ora, a penalização neste ponto se refere ao ato omissivo da empresa. Intimada para apresentar os arquivos digitais caberia apresentálos ou, pelo menos apresentar o que possuísse e justificar a impossibilidade de apresentação, ou mesmo justificar a impossibilidade completa de apresentar os arquivos digitais. Novamente não se desincumbiu de seu ônus, nada apresentando à fiscalização. Assim, sendo, caracterizado o descumprimento punível com a penalização do art. 12, da Lei nº 8.218/91, cabível a imposição de multa regulamentar pela não apresentação dos arquivos digitais solicitados. Ilegalidade das multas aplicadas qualificadas no percentual de 150%. Necessário se faz transcrever aqui os termos do TVF que já foram apresentados na Decisão de Piso. Fl. 5171DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.161 23 ∙ DIPJs FRAUDULENTAS – Foram apresentadas DIPJs 2008 a 2011, referentes aosanoscalendário 2007 a 2010, com receitas muito inferiores às efetivamente auferidas, conforme sintetizado no quadro a seguir: Assim sendo, foram apresentadas DIPJs com informações falsas, ou seja,declarações fraudulentas. Esse procedimento nitidamente teve a intenção de ocultar os fatos geradores efetivamente ocorridos. Ademais, as DIPJs 2008 a 2010, referente a 2007 a 2009, foram apresentadas em outubro/2011 e novembro/2011, quando já estava iminente o início da utilização da razão social MEGA SUPERMERCADO. Certamente consideraram que quando a RFB fosse constituir ou cobrar créditos tributários a SÃO PATRÍCIO não existiria mais e que a ação da RFB seria totalmente infrutífera. ∙ DCTFs FRAUDULENTAS –. Em out/2001 e nov/2011 a SÃO PATRÍCIO apresentou DCTFs referentes ao período de jan/2007 a dez/2010. Foram informados débitos de IRPJ e CSLL referentes aos períodos de apuração 1º trim/2007 ao 4º trim/2010. Também foram informados débitos de COFINS e PIS referentes aos períodos de apuração jan/2007 a dez/2010. Nessas DCTFs foram vinculados pagamentos correspondentes aos débitos, de forma que não restaram saldos a pagar. Somente foi declarado saldo a pagar de CSLL referente ao 3º trim/2007. Os pagamentos vinculados não foram realizados, ou seja, foram vinculados pagamentos inexistentes. Conforme já exposto, se a RFB não detectasse esses fatos a tempo, ocorreria a decadência. Se detectasse, não haveria possibilidade de recebimento, visto que a SÃO PATRÍCIO não teria mais patrimônio, visto que suas atividades operacionais já estariam sendo exercidas em nome de outra empresa, o MEGA SUPERMERCADO. Ademais, o titular fato não poderia ser responsabilizado, visto que ficou sempre oculto na SÃO PATRÍCIO. Foram apresentadas DCTFs fraudulentas referentes aos períodos de apuração jan/2007 a dez/2010. Destaco também que essas DCTFs foram apresentadas em outubro e novembro/2011, quando já estavam na iminência de exercer as atividades operacionais com “outra” empresa, o MEGA SUPERMERCADO. ∙ A SÃO PATRÍCIO teve vultoso faturamento nos anoscalendário 2007 a 2010, conforme demonstrado neste auto de infração. Não realizou qualquer pagamento de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS referentes a esses anos. Na tentativa de lograr êxito, executou procedimentos de ocultação dos fatos gerados efetivamente ocorridos, visto que apresentou DIPJs com receitas muito inferiores às efetivamente auferidas, ou seja, DIPJs fraudulentas. Essa intenção de ocultar os fatos geradores e consequentemente os valores efetivamente devidos foi Fl. 5172DF CARF MF 24 confirmada pela apresentação de DCTFs com débitos inferiores aos efetivamente devidos. Ademais, vinculou pagamentos inexistentes aos débitos declarados. Reitero que as DIPJs e as DCTFs foram apresentadas quando estavam muito exercer a atividade operacional com outra fachada, MEGA SUPERMERCADO. Desta forma, a RFB e a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) não teriam mais como cobrar e muito menos de receber os créditos tributários devidos. ∙ EMÍLSON TORQUATO DE ARAÚJO foi o proprietário e titular de fato do supermercado com atividades na Av. Artur Bernardes, nº 21, centro, nesta cidade. No período que atuou com o nome CEREALISTA SÃO PATRÍCIO LTDA, seu nome nunca figurou no quadro societário. Anteriormente, foi utilizado o nome COMÉRICIO E DISTRIBUIÇÃO SANTOS LTDA, no qual o seu nome também não figurou no quadro societário. Posteriormente passou a atuar com a razão social MEGA SUPERMERCADO LTDA, na qual também não figurou inicialmente como sócio. Muito provavelmente após enriquecimento ilícito, após muitos anos de sonegação fiscal e fraudes tributárias, resolveu assumir a sua situação de proprietário de fato. O MEGA SUPERMERCADO foi transformado de LTDA em EIRELI. A responsabilidade de Emílson ficou limitada. Reitero que, conforme relatado neste termo, Emílson simulou que a COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO SANTOS LTDA encerrou suas atividades; que a CEREALISTA SÃO PATRÍCIO LTDA não continuou a atividade da COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO SANTOS LTDA; que a CEREALISTA SÃO PATRÍCIO LTDA encerrou suas atividades e que o MEGA SUPERMERCADO LTDA não continuou a atividade da CEREALISTA SÃO PATRICÍO LTDA. A situação de fato é que EMÍLSON TORQUATO DE ARAÚJO explora há muitos anos a atividade de supermercado na Av. Artur Bernardes, nº 21, centro, nesta cidade; que ao longo dos anos utilizou vários nomes e fachadas, mas tratamse de fato da mesma empresa, com o mesmo proprietário, mesma atividade e mesma estrutura operacional. ∙ EMÍLSON TORQUATO DE ARAÚJO utilizou diversos “laranjas” para ocultar sua participação societária. Esse expediente foi utilizado no COMÉRCIO EDISTRIBUIÇÃO SANTOS LTDA, na SÃO PATRÍCIO e no MEGA SUPERMERCADO LTDA. Ao agir desta forma, tentou se eximir de responsabilidade pelos tributos/contribuições que não foram pagos. Emílson agiu em conluio com os “laranjas” que permitiram a ocultação de sua condição de proprietário de fato das empresas que foram utilizadas ao longo dos anos. As acusações apresentadas, juntamente com a comprovação fática baseada em procurações, depoimentos, relação de empregados, contratos de aluguel, informações bancárias, do fisco estadual, etc, demonstram que houve um conjunto de atos realizados pelos envolvidos na fiscalização com a clara intenção de evitar a imposição tributária. Assim aplicou o fiscal as normas que autorizam a qualificação das multas conforme abaixo. Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 5173DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.162 25 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)” Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, a que se refere o artigo 44 da Lei 9.430/96, estão transcritos a seguir: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, susceptíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 7l e 72.” Demonstrase da extensa acusação realizada pelo fiscal, devidamente comprovada, juntamente com as normas que autorizam a qualificação da multa, conforme acima apresentado, que o contribuinte e os responsáveis incorreram nos tipos de sonegação e fraude estabelecidos pelas normas dos arts. 71 e 72, da Lei nº 4.502/64, razão pela qual demonstrase a correção na qualificação das multas aplicadas na ação fiscal. Por tais razões entendo por negar provimento ao recurso neste ponto. Recurso Voluntário do Responsável Solidário MEGA SUPERMERCADO EIRELI Vejamos os pontos de discordância levantados pelo recorrente. 1) Que não foi cientificado do início da fiscalização; Violação aos princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. Alega que não teve oportunidade de se manifestar. O procedimento de fiscalização é inquisitório, posto ser a fase do procedimento em que a administração tributária busca elementos para confirmar os valores apurados e declarados pela empresa. Apesar de existir a necessidade de ciência do início da Fl. 5174DF CARF MF 26 fiscalização, nesta fase não decisória não estão estabelecidos procedimentos de defesa como quer o contribuinte. Os diversos pedidos de esclarecimentos e de solicitação de documentos, muitos não atendidos pelo contribuinte, servem à elucidação da situação tributária do contribuinte com vistas a conferência de sua escrituração contábil e fiscal. Nestas oportunidade o contribuinte pode se manifestar apresentando todas as alegações que entender de direito sobre a fiscalização, entretanto estas manifestações servem apenas à formação de convicção do responsável pela ação fiscal. O contraditório e as oportunidades de defesa somente se iniciam com a apresentação de impugnação por parte do contribuinte na forma do Decreto nº 70.235/72, conforme abaixo. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Desta forma, não existe cerceamento do direito de defesa ao responsável solidário dos créditos tributários, tendo em vista que não há obrigação legal de intimação ao responsável solidário durante a fase investigatória. O contraditório, juntamente com todas as oportunidades de defesa, foi devidamente aberto e utilizado em toda a sua amplitude pelo responsável, visto ter apresentado impugnação e recursos regularmente. Assim, não há de se falar em violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, vez que atendidos os requisitos regulamentares do processo administrativo. Nulidade do Termo de Ciência e Sujeição Passiva, por alegar não terem sido cumpridos os requisitos legais; Não nulidade quanto ao termo de sujeição passiva, referido termo somente pode ser lavrado ao final da fiscalização onde, apurados todos os fatos são indicadas as pessoas que, na forma da lei podem ser responsabilizadas pela satisfação do crédito tributário. Não existem maiores formalidades na elaboração deste termo de sujeição. O termo de fls. 3797/3800 foi corretamente elaborado, sendo indicados corretamente o sujeito passivo punido com a autuação, e o responsável solidário pelo referido crédito, estando ainda indicados e apontados os atos praticados e os dispositivos legais que levaram à imputação da solidariedade. Por fim, foi devidamente intimado o contribuinte a se defender da autuação e sa sujeição. Neste sentido não há nulidade no procedimento . Impossibilidade de Responsabilização à empresa tendo em vista que esta responsabilização foi imposta apenas por meras suposições e que este não seria responsável pelos débitos da empresa Cerealista São Patrício.. Devese levar em conta, neste momento, que a responsabilidade solidária decorre de norma legal, estabelecida, em relação ao contribuinte, pela normas dos arts. 121, II, 124 e 129/132, do Código Tributário Nacional, conforme abaixo: Fl. 5175DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.163 27 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. ............ Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a subrogação ocorre sobre o respectivo preço. Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 28, de 1966) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome Fl. 5176DF CARF MF 28 individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. § 1o O disposto no caput deste artigo não se aplica na hipótese de alienação judicial: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) I – em processo de falência; (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de recuperação judicial. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 2o Não se aplica o disposto no § 1o deste artigo quando o adquirente for: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) Tal responsabilização somente pode ser apurada após o encerramento da ação fiscal, quando podem ser comprovadas as responsabilidades das pessoas envolvidas com os fatos levantados durante o procedimento de fiscalização. Ora, no presente caso, restou claro que o MEGA SUPERMERCADO EIRELI assumiu todas as atividades anteriormente desenvolvidas pelo CERELISTA SÃO PATRÍCIO, inclusive com quase o mesmo quadro de funcionários. Mais ainda, o administrador munido de procurações do CEREALISTA SÃO PATRÍCIO é a mesma pessoa que se tornou proprietária por "doação das cotas" do MEGA SUPERMERCADO. Demonstrase, claramente a ocorrência da hipótese do parágrafo único do art. 132 e do art. 133 do Código Tributário Nacional. Assim, entendo por correta a responsabilidação solidária do MEGA SUPERMERCADO EIRELI. Recurso Voluntário do Responsável Solidário EMILSON TORQUATO DE ARAUJO. 1) Que não foi cientificado do início da fiscalização; Violação aos princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. Alega que não teve oportunidade de se manifestar. O procedimento de fiscalização é inquisitório, posto ser a fase do procedimento em que a administração tributária busca elementos para confirmar os valores apurados e declarados pela empresa. Apesar de existir a necessidade de ciência do início da fiscalização, nesta fase não decisória não estão estabelecidos procedimentos de defesa como quer o contribuinte. Os diversos pedidos de esclarecimentos e de solicitação de documentos, muitos não atendidos pelo contribuinte, servem à elucidação da situação tributária do contribuinte com vistas a conferência de sua escrituração contábil e fiscal. Nestas oportunidade o contribuinte pode se manifestar apresentando todas as alegações que entender de direito sobre a fiscalização, entretanto estas manifestações servem apenas à formação de convicção do responsável pela ação fiscal. Fl. 5177DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.164 29 O contraditório e as oportunidades de defesa somente se iniciam com a apresentação de impugnação por parte do contribuinte na forma do Decreto nº 70.235/72, conforme abaixo. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Desta forma, não existe cerceamento do direito de defesa ao responsável solidário dos créditos tributários, tendo em vista que não há obrigação legal de intimação ao responsável solidário durante a fase investigatória. O contraditório, juntamente com todas as oportunidades de defesa, foi devidamente aberto e utilizado em toda a sua amplitude pelo responsável, visto ter apresentado impugnação e recursos regularmente. Assim, não há de se falar em violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, vez que atendidos os requisitos regulamentares do processo administrativo. Nulidade do Termo de Ciência e Sujeição Passiva, por alegar não terem sido cumpridos os requisitos legais; Não nulidade quanto ao termo de sujeição passiva, referido termo somente pode ser lavrado ao final da fiscalização onde, apurados todos os fatos são indicadas as pessoas que, na forma da lei podem ser responsabilizadas pela satisfação do crédito tributário. Não existem maiores formalidades na elaboração deste termo de sujeição. O termo de fls. 3797/3800 foi corretamente elaborado, sendo indicados corretamente o sujeito passivo punido com a autuação, e o responsável solidário pelo referido crédito, estando ainda indicados e apontados os atos praticados e os dispositivos legais que levaram à imputação da solidariedade. Por fim, foi devidamente intimado o contribuinte a se defender da autuação e sa sujeição. Neste sentido não há nulidade no procedimento . 3)Impossibilidade de Responsabilização ao Sr. EMILSON TORQUATO DE ARAUJO. Alega que o sujeito passivo não poderia ser responsabilizado por atos que não lhe foram atribuídos e que não estaria devidamente caracterizada sua responsabilidade. Que não foi administrador da São Patrício e que não foi comprovado o dolo ou fraude em seus atos. Devese levar em conta, neste momento, que a responsabilidade solidária decorre de norma legal, estabelecida, em relação ao contribuinte, pela normas dos arts. 121, II, 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional, conforme abaixo: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: Fl. 5178DF CARF MF 30 I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. ............ Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a subrogação ocorre sobre o respectivo preço. Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 28, de 1966) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; Fl. 5179DF CARF MF Processo nº 10670.721939/201214 Acórdão n.º 1401001.922 S1C4T1 Fl. 5.165 31 II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. § 1o O disposto no caput deste artigo não se aplica na hipótese de alienação judicial: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) I – em processo de falência; (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de recuperação judicial. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 2o Não se aplica o disposto no § 1o deste artigo quando o adquirente for: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tal responsabilização somente pode ser apurada após o encerramento da ação fiscal, quando podem ser comprovadas as responsabilidades das pessoas envolvidas com os fatos levantados durante o procedimento de fiscalização. Ora, no presente caso, restou claro pelos documentos, contratos e depoimentos colacionados que o Sr. EMILSON TORQUATO DE ARAUJO era o responsável por toda a administração do supermercado, sendo efetivamente o proprietário do mesmo, conforme depoimento de pessoas utilizadas como laranjas e que forneceram procurações ao mesmo. Nas fls. 263/280 do TVF, consta todo o histórico de operações de criação e transformação das empresas Cerealista São Patrício e Mega Supermercado onde estão descritas as diversas operações onde o Sr. EMILSON TORQUATO DE ARAUJO atuou na constituição e administração das empresas com o intuito de ocultar o seu nome perante as autoridades tributárias. Conforme transcrito no Termo de Verificação Fiscal, após a coleta de depoimentos e circularização junto a fornecedores, locadores e clientes que a pessoa responsável pela negociação, assinatura de contratos e toda a movimentação financeira da empresa era o Sr. EMILSON TORQUATO DE ARAÚJO. Assim, em decorrência das normas que autorização a imputação de solidariedade passiva, há de se confirmar a responsabilização ao mesmo pelos créditos tributários apurados pela fiscalização. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário apresentados pelo contribuinte e responsáveis solidários, mantendo, também Fl. 5180DF CARF MF 32 a sujeição passiva apontada ao sr. EMILSON TORQUATO DE ARAUJO e MEGA SUPERMERCADO EIRELI. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 5181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003033/2002-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO.Aplica-se retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindo-se a multa no lançamento de oficio do crédito tributário constituído em face da não-confirmação dos pagamentos informados em DCTFs.Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art.18. Tal dispositivo art. 18 da Lei 10.833/03 seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN).
No caso vertente, o instituto da compensação não foi utilizado de forma fraudulenta.
Numero da decisão: 9303-005.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO.Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindose a multa no lançamento de oficio do crédito tributário constituído em face da nãoconfirmação dos pagamentos informados em DCTFs.Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art.18. Tal dispositivo art. 18 da Lei 10.833/03 seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN). No caso vertente, o instituto da compensação não foi utilizado de forma fraudulenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 30 33 /2 00 2- 91 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 179 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 20312.677, de 13 de dezembro de 2007 (fls. 95 a 103 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do antigo CARF, decisão que: I) por unanimidade de votos, não conheceu do recurso em face da opção pela via judicial; e II) por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso na parte conhecida, para afastar a multa de oficio, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 Ementa: SÚMULA N° 1. SEGUNDO CONSELHO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Importa_remincia_às_instâncias_administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA EM DCTF. DESCRIÇÃO DOS FATOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O simples fato de a exigência estar contida em lançamento eletrônico não lhe retira as características de legalidade, especialmente quando descreve claramente os fatos e os dispositivos legais infringidos, permitindo ampla defesa. MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 180 3 JUROS DE MORA. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic, no caso de recolhimento a destempo de tributo, está prevista no artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96 c/c art. 13 da Lei n°9.065/95. Recurso provido em parte. O presente processo tem origem no procedimento fiscal que decorreu de auditoria eletrônica em DCTF, por meio do qual se verificou que o processo judicial informado pelo Contribuinte para fazer frente à compensação não fora comprovado. A DRJ considerou ter se dado a concomitância de objeto, haja vista a existência de uma ação judicial interposta pelo contribuinte em que pleiteara o direito à restituição de Finsocial (não obstante se referisse em sua impugnação ao PIS/Pasep) recolhido a maior seguido de sua compensação com a Cofins. Segundo a DRJ, a ação não transitara em julgado e não restara demonstrado que o crédito reconhecido pela Justiça Federal fosse líquido e certo, não obstante os demonstrativos que foram anexados aos presentes autos. Assim, fundamentouse nas orientações contidas no Ato Declaratório Normativo da CST n° 3, de 1996. O Contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, argumentando que o credito tributário é inconsistente e está com a exigibilidade suspensa. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte julgou declarar definitiva à exigência discutida no que se refere a matéria objeto de ação judicial (compensação de crédito de Finsocial) e julgar procedente o lançamento no que concerne à matéria diferenciada, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o colegiado entendeu em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, não conheceu do recurso em face da opção pela via judicial; e II) por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso na parte conhecida, para afastar a multa de oficio. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 181 4 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 107 a 114) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte, argumentando que se tratando de cancelamento de aplicação de multa de lançamento de ofício de débitos confessados em DCTF, a decisão ora vergastada violou o art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, já que no entendimento da Fazenda Nacional, o art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, foi concebido para disciplinar apenas e exclusivamente os fatos atrelados a sistemática de declaração da PER/Dcomp. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 116 e 118, sob o argumento que analisando os pressupostos formais de verificouse, quanto ao prazo legal, que o recurso foi tempestivo. Ademais, tratouse de decisão não unânime, sujeita à revisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por contrariar em tese, lei. O Contribuinte apresentou contrarrazões, manifestando para que seja negado provimento ao recurso especial e mantido o v. acórdão. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário, apontando divergência jurisprudencial com relação à aplicação da Súmula CARF n. 001, mais especificamente quanto ao conceito de identidade de objeto, pois entende que a aplicação dessa súmula exige idêntico objeto entre o da ação judicial e o do processo administrativo, o que não se deu no caso. Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma o Acórdão de nº 20500.717, sendo que a cópia da publicação da ementa foi juntada aos autos às fls. 131. O Recurso Especial do Contribuinte não foi admitido, conforme despacho às fls. 164 a 170, sob o argumento que na análise do acórdão paradigma não ficou comprovada a divergência jurisprudencial. No reexame de admissibilidade às fls. 171 e 172 foi mantido o despacho que negou o seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 182 5 É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. No caso do presente autos tem origem no procedimento fiscal que decorreu de auditoria eletrônica em DCTF, por meio do qual se verificou que o processo judicial informado pela autuada para fazer frente à compensação não fora comprovado. A DRJ considerou ter se dado a concomitância de objeto, haja vista a existência de uma ação judicial interposta pelo contribuinte em que pleiteara o direito à restituição de Finsocial (não obstante se referisse em sua impugnação ao PIS/Pasep) recolhido a maior seguido de sua compensação com a Cofins. O processo judicial que a auditoria eletrônica da DCTF não reconheceu como válido para suportar as compensações informadas pela autuada é o de no "9500166267", conforme se vê do "Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", de fl. 10, informação essa que se atesta pela análise dos documentos trazidos pela autuada As fls. 16/31 (cópia da petição inicial, onde se vê o referido número na primeira página) e As fls. 32/37 (cópia da decisão de Primeira Instância). Tanto os referidos documentos, quanto os documentos demonstrativos de cálculos elaborados pela interessada As fls. 38/44, estão a deixar bem claro que os créditos que julga a interessada ter direito provêm de pagamentos feitos a maior a titulo de Finsocial. Diante disto, o acórdão recorrido decidiu por afastar a penalidade, com o entendimento de que a partir da vigência do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a multa ofício, em se tratando de diferenças apuradas em DCTF, não mais se aplicaria à hipótese dos autos. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 183 6 Em respeito ao art. 18 da MP n° 135/2003, que foi convertida na Lei 10.833/03, houve previsão, a priori, que o lançamento de ofício decorrente de diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação, seria cabível na hipótese em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal; o crédito for de natureza nãotributária e às demais hipóteses em que ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio – infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64. Posteriormente, com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03 de conversão da MP 135/03, vêse que tal dispositivo sofreu alteração em sua redação – passando a estabelecer: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” Verificase que anteriormente a não homologação da compensação decorrente de crédito ou débito não passível de compensação por expressa disposição legal, ou com crédito de natureza não tributária (compensação não declarada), estava sujeita à multa prevista no art. 18 da MP, independentemente de ser ou não decorrente de prática de fraude ou conluio do sujeito passivo. E foi suprimida, conforme exposto, da redação original as hipóteses em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal e o crédito for de natureza nãotributária – para a imputação da multa no lançamento de ofício. Dessa forma, a hipótese de lançamento de ofício e de aplicação da respectiva multa para autuações decorrentes de compensações indevidas, passou a ter aplicação ainda mais restrita, qual seja, apenas para os casos em que se comprovasse a falsidade da declaração do sujeito passivo, além das hipóteses de compensações "não declaradas". Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 184 7 Vale ressaltar que a restrição das hipóteses para a aplicação da multa nos lançamentos de ofício não as conduziu automaticamente à aplicação da multa tratada no art. 44 da Lei 9.430/96 – eis que esse dispositivo traz a regra geral – que não seria aplicável aos casos de compensação – como nunca foi. Com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03, houve apenas a restrição da aplicação da multa no lançamento de ofício para aqueles casos de não homologação de compensação sem comprovação de falsidade da declaração. Ademais, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, para restar caracterizada a infração devem estar presentes e devidamente demonstradas nos autos as ações relativas às condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, transcritos acima. Haverá fraude ou sonegação tão somente quando se verificar que o procedimento impediu ou retardou a ocorrência do fato gerador ou do conhecimento do mesmo pelo Fisco, ou ainda quando visar excluir ou modificar as suas características essenciais. As ações infracionais descritas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 objetivam punir ações dolosas vinculadas ao fato gerador, e não a outros aspectos da relação jurídica entre Fisco e Contribuinte, não se podendo buscar definições amplas e livres de fraude e sonegação para punir comportamentos tributários diversos. No caso dos autos, a transmissão de pedido de compensação com crédito tributário não comprovado está longe de enquadrarse nas condutas enunciadas nos dispositivos legais inicialmente. A empresa não praticou as condutas descritas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, mas sim utilizouse de meio de extinção de tributo (a compensação), não travando qualquer discussão quanto à origem do fato gerador ou à sua dimensão monetária. Por fim, importante lembrar que a MP 135/03 convertida na Lei 10.833/03, que trouxe novo regramento legal para as compensações, também, dispôs sobre a operacionalização a ser observada mediante entrega da "DComp", estabelecendo, inclusive em Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 185 8 seu art. 17 – que, por sua vez, alterou o art. 74 da Lei 9.430/96 que tal declaração constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Dessa forma, vêse que com a constituição da DCOMP em confissão de dívida, perdeuse o sentido a aplicação da multa por descumprimento da obrigação tributária – por exemplo, entrega da DCTF com inexatidão quando identificada irregularidade na compensação sem comprovação de falsidade nas informações. O que afastaria a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96. Com efeito, é de se clarificar que o art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96 trata da multa isolada – como regra geral, não alcançando as hipóteses de compensação referendadas no caput do art. 18 da Lei 10.833/03 que faz referência aos lançamentos de ofício de que trata o art. 90 da MP 2.15835/01. Ora, o art. 90 da MP trata especificamente do lançamento de ofício das "diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 18 da Lei 10.833/03. Eis que prevê processo administrativo próprio. Dessa forma, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 186 9 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". Com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa de ofício, para se adotar a multa de mora – considerando a redação do art. 18 da Lei 10.833/03 com a redação dada pela Lei 11.488/07. Assevera ainda a própria DRJ a aplicação desse entendimento. O que, para melhor elucidar, trago algumas ementas de outros acórdãos das delegacias de julgamento nesse sentido: “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1653421 de 05 de Dezembro de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833, DE 2003. Com a edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, não cabe mais imposição de multa, excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, em face da retroatividade benigna (ex vi alínea “c”, inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Período de apuração: : 01/09/1997 a 30/09/1997” MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO 6 º TURMA. ACÓRDÃO Nº 1615182 de 23 de Outubro de 2007 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário. EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em razão da aplicação retroativa (retroatividade benigna) do art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051/04, deve ser excluída a multa de ofício imposta. Período de apuração: : 01/02/2002 a 31/05/2002, 01/08/2002 a 30/04/2003 “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1644304 de 28 de Fevereiro de 2013 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 187 10 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Período de apuração: : 01/12/1998 a 31/12/1998” MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM FORTALEZA 4 º TURMA ACÓRDÃO Nº 0823210 de 10 de Abril de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, cancelase a multa de ofício aplicada. Anocalendário: : 01/01/1997 a 31/12/1997” Proveitoso também trazer no mesmo sentido parte da ementa da Solução de Consulta Cosit Interna nº 3, de 08 de janeiro de 2004: “Nos julgamentos dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo”. O que, por conseguinte, em vista de todo o exposto, resta afastar a aplicação da multa de ofício, conforme art. 18 da Lei 10.833/03 e, considerando, não se tratar de conduta dolosa à fraude praticada pelo sujeito passivo. Por fim, transcrevo o voto do ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres que proferiu voto afastando a incidência da multa de ofício, com os seguintes fundamentos, que passam a integrar a presente decisão: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 188 11 [...] Quanto ao afastamento da multa de ofício lançada afastada pelo julgador a quo, por entender que o §2º do art. 52 do DecretoLei nº 2.124/84 exoneraria sua imposição sobre débitos regularmente declarados em DCTF, entendo que, por outros fundamentos, que passo a expor, deve ser mantida a decisão recorrida. No caso em questão, a autuação teve por base diferenças do PIS, decorrentes de compensação glosada pela fiscalização a partir de informações prestadas pela recorrida em sede de DCTF, de onde se depreende não se aplicar à presente hipótese a disposição do § 2° do art. 5° do DL n° 2.124/84, incidente apenas nos casos em que desnecessário o lançamento de oficio. A multa de oficio lançada teve por fundamento o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, já que decorrente de declaração inexata prestada pela contribuinte em DCTF, de onde se apurou falta de pagamento ou recolhimento do tributo devido, verificado a partir de glosa de compensação. Com efeito, dispõe o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 (redação vigente à época dos fatos): Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 04.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora;" (destacouse). Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 189 12 Ocorre que, com a edição da Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento que tivesse como pressuposto a apuração de diferenças em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, limitarseia à imposição de multa de ofício isolada e, ainda assim, quando constatada compensação indevida em razão da configuração de alguma das três hipóteses enumeradas no dispositivo. Confirase a nova redação. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A partir do dispositivo novel não mais havia espaço para a imposição da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Foi instituída penalidade específica para tais hipóteses em que o contribuinte promove compensação indevida, que só poderia ser aplicada se configurada uma das seguintes circunstâncias: a) o crédito ou débito não ser passível de compensação, por expressa disposição legal; b) pleitearse a compensação a partir de créditos de natureza nãotributária; e c) ficar caracterizada uma das qualificadoras previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. O direito creditório que respalda a compensação debatida no presente processo, esclareçase, decorre de crédito presumido do IPI, para o qual não há qualquer vedação. Por outro lado, não foi formulada acusação da prática de conduta que pudesse se subsumir aos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Assim, imagino, mesmo se confirmadas as acusações da recorrente e, consequentemente, configurada a irregularidade da compensação, não há espaço para a manutenção da multa de ofício, por força da aplicação do instituto da retroatividade benigna, previsto no art. 106, II, "a", do CTN. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10730.003033/200291 Acórdão n.º 9303005.180 CSRFT3 Fl. 190 13 Acrescentese, finalmente, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da CoordenaçãoGeral de Tributação expediu a Solução de Consulta Interna nº 3/2004, cujo seguinte trecho da ementa é por demais esclarecedor: No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo. Desta feita, à multa deve ser excluída.” Em vista de todo o exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.001248/2009-56
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano calendário: 200.3
Ementa: NULIDADE PROCESSUAL — A falta de exame da matéria
impugnada relacionada à responsabilidade tributária solidária, imputada ao recorrente, acarreta o cerceamento do direito de defesa e do contraditório e a consequente nulidade do ato administrativo que lhe deu causa por ofensa às regras processuais estabelecidas a condução do processo.
Numero da decisão: 1802-000.646
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar nula a decisão de primeira instância, nos termo rdo-relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 200.3 Ementa: NULIDADE PROCESSUAL — A falta de exame da matéria impugnada relacionada à responsabilidade tributária solidária, imputada ao recorrente, acarreta o cerceamento do direito de defesa e do contraditório e a consequente nulidade do ato administrativo que lhe deu causa por ofensa às regras processuais estabelecidas a condução do processo.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar nula a decisão de primeira instância, nos termo r do-relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: o OV 2010 Participaram da ses ao de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Nelso Kichel, Alfredo Henrique Rebello Brandão, Gilberto Baptista.. Relatório Contra a empresa acima identificada, PLAC PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES LIDA, fixam lavrados os Autos de Infração, para exigência dos créditos tributários relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRRI, Contribuição para o Programa de Integração Social, PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, Cofins, e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, CSLL, especificados às fls.02127, no seguinte valor principal, respectivamente: IRPI- R$ 50,738,25; PIS, R$ 6,778,82, Cofins, R$ 31.287,13 e CSLL, R$ 21629,10, acrescidos de juros de mora e muita de oficio qualificada de 150%. O crédito tributário importa no total de R$ 335.568,52, consolidado à f1,0 1 Para melhor entendimento dos fatos transcrevo a seguir parte do relatório da decisão recorrida de fis,990/991: ) C De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls 03 a 06 foi realizado o arbitiamento do lucro para o ano-calendário de 2005, nos termos do ar t. 530, inciso III, do RIR 11999, tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixou cle apresentá-los A apuração das receitas auferidas pela fiscalizada .foi efetuada por meio de DIRFs apresentadas pelos seus clientes, Quadro I à 17.656, e por meio de intimações à Companhia de Desenvolvimento da Paraíba, CINEP, Prekitura de Boa Ventura e Santa Bárbara Engenharia S/A, Quadro II à fl. 657 Demonstrando-se no Quadro 111 á . f1 658 os montantes de receitas de vendas e de serviços auferidos durante o ano- calendário de 2005. Foram efetuados lançamentos do IRRJ, PIS, COTINS e CSLL para os fatos geradores relacionados às fls. 03 a 05,..fis 12 a 14, .11s. 20 a 22 e fl.s. 28 a 31 com respectivos enquadramentos legais Foi aplicada a multa qualificada prevista no art. 44, inciso 11, da Lei n° 9,430, de 1996 Também foi ,formalizada Representação Fiscal para Fins Penais conforme Portaria 0326, de 15 de março de 2005. Todo procedimento realizado no decorrei .. da ação fiscal se encontra detalhadamente descrito no Relatório de Ação Fiscal às fls. 652 a 691. Foram arrolados como responsáveis solidários nos termos do inciso I, do art. 124, do Código Tributário Nacional (CTN), o Sr. Sérgio Barreto Barbosa de Souza, CPF n° 290.940,384-04 e o Sr Emerson Brandão Pereira, CPF n°931.239.304-91 2 Processo O" 14751 001248/2009-56 S1-TE02 Acórdão o" 1802-00.646 Fl 400 A ciência e intimação dos Autos de 10-ação foram realizadas por meio do Edital de Intimação DRRIPA N°070, de 25 de maio de 2009,./I. 693. Devidamente intimado, o Sr. Sérgio Barreto Barbosa de Souza, na condição de responsável solidário, apresentou impugnação às fls.. 703 a 72.5 fazendo, em síntese as seguintes alegações.. -às fis. 706 a 711 se insurge contra a responsabilidade solidária que lhe foi imputada alegando recebei; da empresa autuada, apenas comissão por intermediação de negócios e que a indicação de devedor solidário deveria ter recaído somente sobre o Sr. João Batista de Vasconcelos, única pessoa que atuou de forma velada para ocultar os verdadeiros negócios da PLAC, - além da indicação do requerente como responsável solidário, também a falta de intimação do mesmo para apresentar documentos que comprovassem a verdadeira relação comercial com o contribuinte demonstra a ilegalidade absoluta da autuação,' - o arbitramento é medida excepcional e todo procedimento administrativo .fiscal deve ser informado pelos princípios constitucionais sobretudo o da verdade material que restou comprometido em razão da não intimação para a requerente apresentar documentos comprobatórios da representação comercial (docs. 01 a 229), violando o devido processo legal e o contraditório - não há valia para o lançamento por arbitramento em razão de ausência das requisitos legais previstos no art. 148 do CTN,. - a multa aplicada é cogfis-catória e deveria ser reduzida a 20%, descreve sobre a niatéria às lis. 716 a 724. Ao final requer o conhecimento da defesa, suspensão da exigibilidade do crédito tributário, art. 151, inciso III, do CTN, emissão de certidão de regularidade ..fiscal, produção de provas e, no mérito, seja julgado procedente seu pedido para anular o Auto de Infração pelos vícios apontados na defesa. Em caso de não atendimento, o requerente .sela excluído da relação jurídica tributária, desfazendo-se os vínculos de .solidariedade passiva, art. 124, inciso I, do CTN Em 21 de agosto de 2009, a 3" Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE, conheceu da impugnação apresentada pelo responsável solidário Sr. Sérgio Barreto Barbosa de Souza para: rejeitar a preliminar de nulidade argüida, e, no mérito , julgou improcedente a impugnação, mantendo o credito tributário exigido, mas não conheceu da matéria relativa a análise da responsabilidade de terceiros arrolados nos autos pela Fiscalização, O Julgador Eduardo Martins Neiva Monteiro votou pelo conhecimento das alegações relacionadas à responsabilidade tributária solidária, em prestigio ao contraditório e à ampla defesa constitucionalmente garantidos, nos termos do ACÓRDÃO DRJ/RECN° 11-27,377 (fis,988/997), assim ementado: ASSUNTO . PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 3 Ano-calendário: 2005 A U.TO DE INFRAÇÃO, NULIDADE.. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade SUJEIÇÃO PASSIVA . RESPONSABILIDADE TRIBUTA.RIA. TERCEIROS ARROLADOS. Escapa à competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a análise da responsabilidade de terceiros arrolados nos autos pela Fiscalização, ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA - no-calendátio. 2005 FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO ARBITRAMENTO DO LUCRO. Na . falta de apresentação da escrituração à autoridade ,fiscal, é cabível o arbitramento dos lucros sobre o valor total da receita bruta. AUTOS REFLEXOS CSLL, COEM PIS O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Juridica se à tributação dele decorrente ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA, Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional Consta à 111012, o Edital n" 153, afixado em 19/10/2009 e desafixado em 03/11/2009, com intimação para a empresa PLAC PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES LTDA no prazo, de trinta dias contados do 16° (décimo sexto) dia da data da afixação deste, pagar o débito ou apresentar recurso. Em 28/1012009, o St..SÉRGIO BARRETO BARBOSA DE SOUZA, arrolado como responsável solidário (Termo de Sujeição Passiva, fis..695/698), apresentou o Recurso Voluntário, (fis.1015/1036), apresentando, em síntese, os mesmos argumentos expendidos na impugnação, f1s..703/725. No que tange à responsabilidade solidária, argúi que a decisão da DRJ deve ser integralmente reformada porque pelos fundamentos abaixo deduzidos pela RFB, o 4 5 Processo n" 14751 001248/2009-56 SI-TE02 Acórdão n " 1802-00.646 Fl 401 recorrente figura na condição de responsável solidário, decorrente da aplicação do art. 124, 1, CTN, aliás, assumiu esta condição em face de alguns aspectos descritos no relatório final, a saber: a) Ser fiador no contrato de locação de imóvel que serve de sede para o escritório do contador Paulo César Bezerra, também contador do requerente, b) Ser a SER TEC e a SANNE referências comerciais na ficha bancaria da PLAC PLANEJAMENTO E CONSTRUÇ ÕES LTDA ; c) Ser beneficiado pessoa/mente de cheques emitidos pela PLAC —PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES LTDA; c0 Ser beneficiado através de empresas que figura como quotista de cheques emitidos pela PLAC — PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES LTDA. Com isso, segundo a RFB, o recorrente havia assumido, defluo, a condução administrativa c financeira da PLAC — PLANEJAMENTO E CONSTRUÇ ÕES LIDA, a ensejar o interes.se comum, fundamento .jurídico da solidwiedade passiva, baseado tanto em prova documental ou em declarações de várias pessoas Uh 695 a 698) O recorrente alega que as informações constam no relatório fiscal da REB ruas foram olvidados na decisão da Mi. Das fls,1018/1036 o recorrente traz os mesmos argumentos sobre os assuntos a seguir, expendidos na impugnação, transcritos acima, portanto, desnecessário repeti-los neste mesmo relatório: 2,3. Declaração pessoal do recorrente, Caracterização diversa. Comissão. Atividade de Representação Comercial, 2.4 Verdadeira Solidariedade. Sócios-quotistas. João Batista de Vasconcelos 2.5 Lançamento por arbitramento Ausência de requisitos legais. Presunção Juris Ta puia)] Projeção na esfera jurídica do responsável solidário. Impossibilidade de produção de provas 2.6 Da multa qualificada O Recorrente finalmente requer: - o conhecimento do presente recurso, porquanto atende aos pressupostos legais, - a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por lbrça da aplicação do disposto no art 151,111, CTN; - seja emitida certidão de regularidade fiscal, mediante requerimento do contribuinte,. - no mérito, seja julgado procedente o pedido do recorrente para anular o auto de iiififição pelos vícios apontados nas razões acima destacadas. Na hipótese deste pedido não ser acolhido, postula que o recorrente seja excluído da relação jurídica tributária, desfazendo-se os vínculos de solidariedade passiva (art. 124, I CTN) e, conseqüentemente, afastando-o do dever de pagar o crédito tributário no valor de R$ R$ 335.568,52. É o relatório. 6 Processo a" 14751 001248/2009-56 SI-TE02 Acórdão a " 1802-00,646 Fl 402 Voto Conselheira Relatora, Ester Marques Lins De Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço, Antes da análise do mérito em relação ao lançamento tributário do IRRI e reflexos, é imprescindível verificar a questão preliminar do Recorrente Sérgio Barreto Barbosa de Souza na condição de responsável solidário. Em relação à matéria da lide (IRPJ e seus reflexos) a 3' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE, conheceu da impugnação apresentada pelo responsável solidário Sr. Sérgio Barreto Barbosa de Souza para: rejeitar a preliminar de nulidade argüida, e, no mérito julgou improcedente a impugnação, mantendo o credito tributário exigido, mas não conheceu da matéria relativa a análise da responsabilidade de terceiros arrolados nos autos pela Fiscalização. Nessa parte o acórdão recorrido restou assim ementado: SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. TERCEIROS ARROLADOS, Escapa à competência das Delegacias da Receita Federal de fulgainento a análise da responsabilidade de terceiros arrolados nos autos pela Fiscalização_ O Julgador Eduardo Martins Neiva Monteiro votou pelo conhecimento das alegações relacionadas à responsabilidade tributária solidária, em prestigio ao contraditório e à ampla defesa constitucionalmente garantidos. Nesse passo, não vejo como discordar do voto do mencionado conselheiro, pois, havendo o Recorrente sido arrolado na condição de responsável solidário e intimado a pagar o crédito tributário ou apresentar a impugnação, conforme o Termo (fis,695/698), e, na impugnação apresentada contesta tal relação jurídica vinculada à obrigação tributária, não poderia a autoridade competente para examinar o processo de exigência do crédito tributário deixar de conhecer da matéria sobre a qual o impugnante tenha se insurgido. Com efeito, a falta de exame da matéria impugnada relacionada à responsabilidade tributária solidária, imputada ao recorrente, acarreta o cerceamento do direito de defesa e do contraditório e, a conseqüente nulidade do ato administrativo que lhe deu causa, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70,235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal, Diante do exposto, , voto no sentido de declarar nula a decisão de primeira instância para que outra seja prolatada enfrentando a questão em comento impugnada pela „ defesa. , Egermarques Lms1:- 7
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000381/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I.
MULTA.
A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
Numero da decisão: 2401-004.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para que a multa aplicada seja recalculada, considerando as exclusões apontadas, passando esta ao valor de R$ 785.950,69, conforme Tabela 1 do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para que a multa aplicada seja recalculada, considerando as exclusões apontadas, passando esta ao valor de R$ 785.950,69, conforme Tabela 1 do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 567 1 566 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000381/200730 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.890 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 81 /2 00 7- 30 Fl. 567DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento parcial, para que a multa aplicada seja recalculada, considerando as exclusões apontadas, passando esta ao valor de R$ 785.950,69, conforme Tabela 1 do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16095.000381/200730 Acórdão n.º 2401004.890 S2C4T1 Fl. 568 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, referente a multa por descumprimento de obrigação acessória por ter o sujeito passivo apresentado GFIP, no período de 01/99 a 12/06, com informações incorretas em relação a fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 15/16), não foram informados em GFIP valores pagos aos empregados a título de: alugueis, brindes, alimentação, seguro saúde, seguro de vida em grupo, estabilidade e indenização, participação nos lucros e resultados. A base de cálculo da multa apurada está descrita nas planilhas de fls. 144/150, onde não consta valores apurados a título de alimentação. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão 0524.356 9ª turma da DRJ/CPS, fls. 292/298, que julgou procedente em parte o lançamento, excluindo do valor da multa os valores lançados até a competência 11/01, por decadência, valores relativos ao lançamento de contribuições previdenciárias (debcad 37.079.4249) que foi julgado improcedente quanto ao mérito e diferença lançada a maior na competência 01/05, contendo a seguinte ementa: Assunto: Obrigações acessórias Dara do fato gerador: 12/09/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.GFIP INCORRETA. INFRAÇÃO. Deixar a empresa de informar mensalmente através de GFIP, os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constitui infração na forma da lei. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8. Em decorrência da Súmula Vinculante n° 8 do STF, o prazo para constituição de crédito previdenciário é de cinco anos. Cientificado do Acórdão em 8/1/09 (Aviso de Recebimento AR de fl. 306), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/1/09, fls. 307/313, que contém, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação, em síntese: Alega que o dispositivo legal base da multa exigida foi revogado. Cita a MP 449/08 e afirma que a revogação da penalidade imposta autoriza a aplicação do princípio da retroatividade benigna e, consequentemente, implica na necessidade de sua exoneração. Entende que a multa deve ser cancelada uma vez que a própria legislação deixou de considerar a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores como infração sujeita à penalidade imposta à recorrente. Quanto à decadência, aduz que por ser a contribuição previdenciária um tributo sujeito ao lançamento por homologação, deve ser aplicado o CTN, art. 150, § 4º e não o art. 173, I. Fl. 569DF CARF MF 4 Afirma que o julgamento precisa ser sobrestado, pois tem relação com outras autuações para as quais apresentou defesa, relacionadas aos mesmos fatos geradores apurados no presente lançamento. Diz que quanto à NFLD 37.079.4230 os julgadores não observaram que a decisão proferida naquele processo também excluiu as contribuições exigidas nos meses de abril e outubro de 2002 e outubro de 2005, o que deveria ter reduzido o saldo remanescente da multa. Entende que a multa por falta de informação em GFIP não pode ser igual ou maior do que a multa por descumprimento de obrigação principal, sob pena de dupla penalização, restando violados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sendo confiscatória. Argumenta que se este for o entendimento, ele é inconstitucional. Requer o cancelamento do valor da multa remanescente. Conforme Resolução de fls. 419/422, os autos foram baixados em diligência, com solicitação de indicação do número dos processos relativos aos debcad lançados na mesma ação fiscal, sua localização e o resultado do julgamento. Foram juntados os documentos de fls. 425/449 e retornados os autos para o CARF. Por entender insatisfatório o resultado da diligência, o processo foi novamente baixado em diligência, Resolução nº 2401000.544, fls. 455/457, com solicitação de juntada das decisões de primeira instância dos processos arquivados e o motivo que determinou o arquivamento, conforme quadro I. Quadro 1 Processos lavrados na ação fiscal. número eprocesso Debcad Fato gerador/Contrib. DRJ localização 16095.000377/200771 37.079.4214 Alimentação sem PAT improcedente nada no eprocesso 16095.000375/200782 37.079.4222 Seguro de vida em grupo proc parte CARF 16095.000376/200727 37.079.4230 PLR proc parte CARF 16095.000371/200702 37.079.4249 Estab e Indenização improcedente nada no eprocesso 16095.000380/200795 37.079.4257 FNDE proc parte CARF 16095.000379/200761 37.079.4265 Seguro saúde proc parte CARF 16095.000378/200716 37.079.4273 Alugueis proc parte excluído do eprocesso 16095.000384/200773 37.079.4281 Brindes proc parte excluído do eprocesso 16095.000381/200730 37.079.4320 AI 68 proc parte CARF A fiscalização respondeu à diligência solicitada, fls. 553/554, e explica: · No processo 16095.000371/200702, a DRJ Campinas julgou o lançamento improcedente. · No processo 16095.000378/200716, a DRJ Campinas julgou parcialmente procedente o lançamento, e o valor remanescente, relativo às competências 01/02 a 03/06, foi liquidado pelo sujeito passivo. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16095.000381/200730 Acórdão n.º 2401004.890 S2C4T1 Fl. 569 5 · No processo 16095.000384/200773 a DRJ Campinas julgou parcialmente procedente o lançamento, e o valor remanescente, relativo às competências 04/03 a 12/06, foi liquidado pelo sujeito passivo. Cientificado do resultado da diligência em 23/2/17, Termo de ciência por abertura de mensagem de fls. 707, o contribuinte não apresentou manifestação no prazo de trinta dias a ele concedido, que encerraria em 27/3/17. Em 3/4/17 (Termo de solicitação de juntada, fl. 710), foi apresentada a manifestação sobre o resultado de diligência de fls. 712/715, onde o contribuinte reafirma que para as autuações canceladas, os valores também deverão ser cancelados no presente processo. Para as autuações em trâmite no CARF, os processos devem ser julgados em conjunto. Para as autuações liquidadas, diz que apesar de ter desistido dos recursos para inclusão dos processos em parcelamento, tal renúncia não impede que o colegiado aprecie o mérito. É o relatório. Fl. 571DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. A manifestação sobre a diligência é intempestiva, não devendo ser conhecida. CONEXÃO Por se tratar de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, por não informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o julgamento do presente processo fica condicionado ao resultado do julgamento nos processos relacionados, lavrados na mesma ação fiscal. Assim, diante da evidente conexão com os demais autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, serão considerados aqui os resultados dos julgamentos proferidos na DRJ e no CARF nos processos listados no quadro I. DECADÊNCIA Quanto à decadência, a obrigação tributária acessória é aquela que por expressa disposição do Código Tributário Nacional decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (§ 2º do artigo 113 do CTN). Inadequada, na hipótese, a aplicação do CTN, art. 150, § 4º, para fins de cálculo do prazo de decadência, porquanto o caput da referida norma de regência remete o intérprete à antecipação do pagamento. O descumprimento de obrigação tributária acessória não é instância procedimental que se equipare à antecipação do pagamento. Assim, necessária a subsunção da hipótese à disposição do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, que determina: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, como a autuação ocorreu em 09/07, ela poderia retroagir à competência 12/01, pois para esta competência o vencimento da obrigação ocorreu em 7/1/02, logo, a infração poderia ter sido conhecida a partir de 8/1/02, com início do prazo decadencial em 1/1/03 e término em 31/12/07. Logo, correta a decisão recorrida que excluiu do lançamento a multa apurada até a competência 11/01. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16095.000381/200730 Acórdão n.º 2401004.890 S2C4T1 Fl. 570 7 INFRAÇÃO E MULTA APLICADA Não há que se falar em improcedência da autuação, por terem sido revogados os dispositivos legais que dão suporte à mesma. Quanto ao dispositivo legal da infração e da multa aplicada, devese observar os seguintes artigos do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a princípio, devese observar a lei vigente à época de ocorrência do fato gerador. Entretanto, em matéria de penalidades, deverá ser considerada a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. A falta praticada, que foi objeto da presente autuação, apesar de ter sua capitulação legal alterada, continua definida como infração: entrega de GFIP com omissões/incorreções relacionadas a fatos geradores. Fl. 573DF CARF MF 8 Sobre a multa aplicada, a partir de 4/12/08, com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, o auditor, ao emitir Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória – AIOA relacionado à GFIP, deve considerar a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. Para tanto, deve comparar as penalidades cabíveis consoante a legislação vigente antes e depois da referida MP, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo. Contudo, a presente autuação foi lavrada antes de referida mudança, não tendo o auditor fiscal autuante, por óbvio, efetuado referido comparativo, que deverá ser feito por ocasião do pagamento. A multa aplicada tendo em vista as alterações introduzidas pela Lei 11.941/09, é explicada a seguir: Em 4/12/08, foi publicada a Medida Provisória no 449, de 3/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, que modificou a sistemática do cálculo das multas de mora, de ofício e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, acrescentando os artigos 32A e 35A. Assim, a partir da publicação da MP 449, de 3/12/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea ‘c’. Desta feita, devem ser vinculados os processos de contribuições não declaradas em GFIP, somandose as multas aplicadas aos lançamentos de obrigação principal com as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, e comparando com a nova multa de ofício prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescida, se for o caso, da nova multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 (relativa a contribuição recolhida e não declarada em GFIP). Assim, a multa deve resultar do comparativo entre os valores que seriam lançados considerando a lei vigente à época do fato gerador (percentual de multa previsto na redação original do artigo 35 da Lei 8.212/91 somado ao valor de multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, §5o da Lei 8.212/91) com o valor da multa de ofício que teria sido aplicada considerando a redação atual, conforme artigo 44 da Lei 9.430, de 1996 (percentual de 75%) somado, se for o caso, ao valor da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91. Ocorre, contudo, que os percentuais da multa tanto do artigo 35 da Lei 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, temse que a comparação entre uma e outra modalidade somente poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09. Os dispositivos legais ora atacados encontravamse em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ou tiveram sua aplicação em razão do princípio da retroatividade benigna de que trata o Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, alínea “c”. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16095.000381/200730 Acórdão n.º 2401004.890 S2C4T1 Fl. 571 9 INCONSTITUCIONALIDADE A multa aplicada decorre do lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória, possuindo o devido respaldo legal e é de caráter irrelevável, não cabendo à autoridade administrativa, plenamente vinculada, aplicar outro entendimento, como quer a recorrente. A validade ou não da lei, em face de suposta ofensa a princípio de ordem constitucional escapa ao exame da administração, pois se a lei é demasiadamente severa, cabe ao Poder Legislativo, revêla, ou ao Poder Judiciário, declarar sua ilegitimidade em face da Constituição. Assim, a inconstitucionalidade ou ilegalidade de uma norma não se discute na esfera administrativa, pois não cabe à autoridade fiscal questionála, mas tão somente zelar pelo seu cumprimento, sendo o lançamento fiscal um procedimento legal a que a autoridade fiscal está vinculada. Ademais, o Decreto 70.235/72, dispõe que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. E a Súmula CARF nº 2 determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, irrelevantes os argumentos sobre inconstitucionalidade da multa e que ela é confiscatória. CÁLCULO DA MULTA CONSIDERANDO O RESULTADO PROFERIDO NAS NFLDs CORRELATAS Com razão a recorrente ao afirmar que na decisão recorrida não foi observado que na NFLD 37.079.4230 foram excluídas as contribuições exigidas nos meses de abril e outubro de 2002 e outubro de 2005. Quanto aos valores lançados nos autos de infração conexos, o mérito do lançamento foi apreciado nos respectivos autos de infração contendo obrigações principais, para os quais se transcreve a seguir os resultados dos julgamentos. Devese observar, contudo, que para os lançamentos contendo obrigações principais, foram atingidas pela decadência as competências até 08/02, e no presente caso, apenas as competências até 11/01 foram consideradas decaídas. Assim, será considerado o mérito de cada um dos processos, a seguir listados: a) NFLD 37.079.4222, processo 16095.000375/200782, fato gerador seguro de vida em grupo: Excluído o período decadente e, no mérito, mantido o lançamento, conforme Acórdão CARF nº 2401004.547, de 18/1/17. Assim, mantémse os valores apurados a partir de 12/01. Fl. 575DF CARF MF 10 b) NFLD 37.079.4230, processo 16095.000376/200727, fato gerador PLR: No CARF foi excluído o período decadente (até 08/02) e, no mérito, considerada correta a PLR paga aos demitidos para os estabelecimentos em Guarulhos e Salto na competência 11/02. Mantido o lançamento dos estabelecimentos em Guarulhos e Salto nas competências 01/02 e 02/02 (por falta de comprovação de que se referem à PLR de 2001, conforme decisão recorrida). Considerada correta a PLR paga a ativos nas competências 04/02 e 10/02, matriz em Guarulhos e filial em Salto, e 10/05, filial em Resende, conforme acórdão da DRJ e também os valores pagos aos empregados demitidos nas competências 05/02 e 11/02, matriz em Guarulhos e filial em Salto, pelos mesmos argumentos apresentados no Acórdão CARF nº 2401004.757, de 6/4/17. Mantido o lançamento do estabelecimento em Resende nas competências 01/05, 02/05 e 04/05, conforme Acórdão CARF nº 2401004.757, de 6/4/17. c) NFLD 37.079.4265, processo 16095.000379/200761, fato gerador seguro saúde: Excluído o período decadente e, no mérito, mantido o lançamento. Assim, mantémse os valores apurados a partir de 12/01, conforme Acórdão CARF nº 2401004.758, de 6/4/17. d) NFLD 37.079.4273, processo 16095.000378/200716, fato gerador alugueis, liquidado pelo contribuinte. Excluído o período decadente e, no mérito, mantido o lançamento. Assim, mantémse os valores apurados a partir de 12/01. e) NFLD 37.079.4281, processo 16095.000384/200773, fato gerador brindes, liquidado pelo contribuinte. Excluído o período decadente e, no mérito, mantido o lançamento. Assim, mantémse os valores apurados a partir de 12/01. Sendo assim, os valores excluídos/mantidos, acima listados, deverão ser considerados para apuração do valor da multa que deverá ser mantida no presente auto de infração, conforme Tabela 1. Tabela 1 Cálculo do valor da multa remanescente. COMP Alugueis Omint Saúde Sul América Saúde PLR Brindes Seguro de vida em grupo Valor total devido Multa aplicada obedecendo o limite 12/2001 1.945,18 1.565,01 783,18 4.293,37 4.293,37 01/2002 883,30 1.561,58 59.318,55 799,73 62.563,16 41.829,55 02/2002 883,30 972,59 1.181,94 6.344,34 663,23 10.045,40 10.045,40 03/2002 449,30 972,59 675,71 2.097,60 2.097,60 04/2002 898,61 2.363,87 0,00 690,97 3.953,45 3.953,45 05/2002 975,06 1.181,94 0,00 702,19 2.859,19 2.859,19 06/2002 449,30 1.082,04 675,83 704,56 2.911,73 2.911,73 07/2002 449,30 1.082,04 701,56 712,08 2.944,98 2.944,98 Fl. 576DF CARF MF Processo nº 16095.000381/200730 Acórdão n.º 2401004.890 S2C4T1 Fl. 572 11 08/2002 1.082,04 690,84 1.772,88 1.772,88 09/2002 2.164,07 1.403,11 690,59 4.257,77 4.257,77 10/2002 755,50 0,00 693,22 1.448,72 1.448,72 11/2002 1.082,04 0,00 707,54 1.789,58 1.789,58 12/2002 2.164,07 1.511,01 715,62 4.390,70 4.390,70 01/2003 771,86 771,86 771,86 02/2003 1.082,04 1.511,01 787,12 3.380,17 3.380,17 03/2003 1.082,04 755,50 802,29 2.639,83 2.639,83 04/2003 1.082,04 275,30 3.163,24 824,91 5.345,49 5.345,49 05/2003 1.082,04 1.439,01 8.552,59 834,59 11.908,23 11.908,23 06/2003 1.316,85 6.422,82 844,12 8.583,79 8.583,79 07/2003 1.316,85 857,15 5.769,11 850,51 8.793,62 8.793,62 08/2003 1.316,85 857,15 9.879,05 845,98 12.899,03 12.899,03 09/2003 1.316,85 857,15 8.917,74 842,85 11.934,59 11.934,59 10/2003 1.316,85 857,08 611,25 833,97 3.619,15 3.619,15 11/2003 1.316,85 936,59 5.456,76 880,96 8.591,16 8.591,16 12/2003 1.316,85 936,59 21.678,33 871,05 24.802,82 24.802,82 01/2004 1.316,85 1.237,41 2.471,59 966,36 5.992,21 5.992,21 02/2004 1.316,85 635,78 2.304,94 987,73 5.245,30 5.245,30 03/2004 1.316,85 936,59 11.128,37 986,39 14.368,20 14.368,20 04/2004 1.316,85 1.873,19 11.256,67 1.006,87 15.453,58 15.453,58 05/2004 1.316,85 11.828,43 1.023,16 14.168,44 14.168,44 06/2004 1.442,23 936,59 3.405,83 1.056,79 6.841,44 6.841,44 07/2004 1.442,23 936,59 3.672,02 1.067,98 7.118,82 7.118,82 08/2004 1.442,23 300,82 17.821,61 1.090,74 20.655,40 20.655,40 09/2004 1.442,23 936,59 10.275,23 1.103,52 13.757,57 13.757,57 10/2004 1.442,23 936,59 5.308,40 1.132,94 8.820,16 8.820,16 11/2004 1.442,23 1.046,64 14.150,64 1.161,82 17.801,33 17.801,33 12/2004 1.442,23 1.046,64 37.276,25 1.029,37 40.794,49 40.794,49 01/2005 1.442,23 1.046,64 50.040,40 4.153,66 1.222,40 57.905,33 41.829,55 02/2005 1.442,23 4.262,84 820,54 13.420,71 1.252,68 21.199,00 21.199,00 03/2005 1.442,23 17.074,68 2.217,28 20.734,19 20.734,19 04/2005 1.442,23 5.195,01 213.383,34 18.685,41 2.242,98 240.948,97 41.829,55 05/2005 1.970,36 1.672,96 1.382,79 9.509,08 1.050,81 15.586,00 15.586,00 06/2005 1.929,59 1.046,64 18.360,20 1.087,60 22.424,03 22.424,03 07/2005 1.970,36 2.131,42 13.227,75 1.132,96 18.462,49 18.462,49 08/2005 1.970,36 1.929,59 22.624,66 1.158,61 27.683,22 27.683,22 09/2005 1.970,36 3.859,17 336,16 9.370,96 1.147,19 16.683,84 16.683,84 10/2005 1.970,36 0,00 9.511,12 1.100,76 12.582,24 12.582,24 11/2005 1.970,36 1.929,59 4.029,85 19.757,66 1.131,84 28.819,30 28.819,30 12/2005 1.970,36 1.868,61 21.533,50 1.139,68 26.512,15 26.512,15 01/2006 1.868,61 1.700,57 3.136,70 1.203,80 7.909,68 7.909,68 02/2006 4.185,34 1.868,61 2.040,57 8.194,64 1.205,40 17.494,56 17.494,56 03/2006 1.970,36 1.919,06 453,53 12.586,35 1.202,11 18.131,41 18.131,41 04/2006 1.868,61 8.640,18 1.136,44 11.645,23 11.645,23 05/2006 2.074,82 2.550,20 6.167,68 1.150,90 11.943,60 11.943,60 06/2006 2.259,24 907,05 1.018,53 1.182,21 5.367,03 5.367,03 07/2006 2.259,24 308,98 1.203,73 3.771,95 3.771,95 08/2006 2.259,24 2.210,20 1.923,55 1.218,16 7.611,15 7.611,15 09/2006 2.259,24 1.105,10 1.722,21 1.221,43 6.307,98 6.307,98 10/2006 2.259,24 15.733,57 1.391,40 19.384,21 19.384,21 Fl. 577DF CARF MF 12 11/2006 2.259,24 14.233,76 1.415,66 17.908,66 17.908,66 12/2006 2.259,24 1.559,96 1.428,87 5.248,07 5.248,07 Total 785.950,69 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso e darlhe provimento parcial, para que a multa aplicada seja recalculada, considerando as exclusões apontadas, passando esta ao valor de R$ 785.950,69, conforme Tabela 1 do voto. Observese que por ocasião do pagamento, o valor da multa deverá ser revisto, se for o caso, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 578DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.724151/2013-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .7 24 15 1/ 20 13 -9 2 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10935.724151/201392 Resolução nº 2402000.624 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 255/278) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP – DRJ/RPO (fls. 249/252), que considerou improcedente impugnação do contribuinte (fls. 223/241) em face de auto de infração relativo a lançamento de contribuições previdenciárias e de terceiros, incidentes sobre a remuneração de segurados da Previdência Social, sendo composto pelos Debcad nº 51.048.3801 (contribuição patronal) e nº 51.048.381 0 (terceiros). Extraise dos autos que sujeito passivo, apesar de optante pelo Simples Nacional, exercia atividade impeditiva à referida opção, fato este que motivou sua exclusão do regime simplificado a partir de 01/11/2008. O Processo nº 10935.724149/201313, no qual se discute a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, encontrase pendente de julgamento na primeira instância administrativa. Do lançamento foram excluídas as contribuições previdenciárias recolhidas na sistemática do Simples Nacional, de conformidade com a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Em sede e impugnação o autuado aduz, em síntese, que: a) a exclusão da empresa do Simples Nacional ainda não é definitiva, visto que há impugnação, com efeito suspensivo, ainda pendente de julgamento; b) a não observância desse preceito (julgamento do processo de exclusão do Simples) fere o princípio constitucional do devido processo legal; c) menciona que, por não possuírem natureza remuneratória, mas sim indenizatória, não incide contribuição previdenciária sobre as seguintes rubricas: aviso prévio indenizado, adicional de 1/3 de férias e quinze primeiros dias de auxílio doença. Apresenta jurisprudência e abordagem em relação a cada uma das parcelas impugnadas. Requer a suspensão e anulação do auto de infração em sua totalidade, por se tratar de ato decorrente de decisão ainda não definitiva ou, alternativamente, a exclusão da base de cálculo das parcelas pagas a título de aviso prévio indenizado, terço constitucional de férias e 15 primeiros dias de afastamento por doença, com seus respectivos reflexos em multas e juros. A DRJ/POR julgou a impugnação improcedente, de conformidade com a decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES NACIONAL. DECISÃO PENDENTE DE DECISÃO Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10935.724151/201392 Resolução nº 2402000.624 S2C4T2 Fl. 4 3 ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO AO LANÇAMENTO FISCAL. A pendência de decisão administrativa definitiva sobre a exclusão do Simples Nacional não impede a constituição do crédito tributário. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AUXÍLIO DOENÇA. Não merece ser acolhida a alegação formalizada pelo sujeito passivo em relação a parcelas que considera indenizatórias, porém, que não se encontram comprovadamente incluídas na autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu recurso voluntário, o contribuinte limitase a repisar questões trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10935.724151/201392 Resolução nº 2402000.624 S2C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante se relatou acima, o lançamento se refere a contribuição previdenciária patronal e contribuições de terceiros, decorrente da exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional. Por outro lado, o Processo nº 10935.724149/201313, que trata da exclusão do sujeito passivo do sistema de tributação simplificado instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, ainda encontrase pendente de julgamento de impugnação na primeira instância administrativa. Desse modo (não obstante as argumentações do recorrente no respeita à não inclusão de determinadas parcelas pagas pela empresa na base de incidência do tributo), considerando que a manutenção ou não da presente autuação subordinase à conclusão do processo que trata da exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional, entendo que se deva aguardar o julgamento da impugnação apresentada em face do Processo nº 10935.724149/201313 para dar prosseguimento ao julgamento do Auto de Infração que aqui se discute. Por outro lado, de modo a evitar decisões conflitantes, penso que o processo em questão deva tramitar conjuntamente com aquele que trata da controvérsia acerca da permanência da contribuinte no sistema de tributação simplificado. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o presente processo seja apensado ao Processo nº 10935.724149/2013 13, retornando ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF quando do julgamento da impugnação relativa à exclusão do contribuinte do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.720480/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. TRIBUTOS. CUMULATIVIDADE.
É possível a cumulação da multa por conversão do perdimento com a exigência dos tributos incidentes na importação, com fundamento no § 4º do artigo 1º do Decreto-Lei nº 37/66.
REGIMES ADUANEIROS. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. DESVIO DE MERCADORIA. DESCUMPRIMENTO.
A mercadoria importada ao amparo do regime de DRAWBACK deve ser exportada após beneficiamento, impondo-se, assim, que seja integralmente empregada no processo industrial do produto exportado. Em regra, o regime de Drawback não admite o desvio da mercadoria importada para Ato Concessório distinto daquele para o qual ela foi previamente importada, sendo admitida a transferência de mercadoria importada de um regime outorgado por um Ato Concessório para outro, mediante autorização.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NORMAS LEGAIS. DESVINCULAÇÃO COM O IMPOSTO. INAPLICABILIDADE.
O inadimplemento do regime do drawback, por si só, não enseja a aplicação da multa qualificada, devendo ser demonstrado no lançamento a ocorrência de uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, que têm relação com o pagamento do crédito tributário pelo contribuinte, seja pelas condutas para impedir ou atrasar da ocorrência do fato gerador, ainda que parcialmente, seja pela ação ou omissão relacionadas a esconder do Fisco a ocorrência do fato gerador.
Na hipótese de ficar comprovado que a fraude apontada pela fiscalização não altera os valores dos tributos lançados, deve ser afastada a multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor do tributo.
Numero da decisão: 3401-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício interposto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava parcial provimento; e, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. TRIBUTOS. CUMULATIVIDADE. É possível a cumulação da multa por conversão do perdimento com a exigência dos tributos incidentes na importação, com fundamento no § 4º do artigo 1º do Decreto-Lei nº 37/66. REGIMES ADUANEIROS. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. DESVIO DE MERCADORIA. DESCUMPRIMENTO. A mercadoria importada ao amparo do regime de DRAWBACK deve ser exportada após beneficiamento, impondo-se, assim, que seja integralmente empregada no processo industrial do produto exportado. Em regra, o regime de Drawback não admite o desvio da mercadoria importada para Ato Concessório distinto daquele para o qual ela foi previamente importada, sendo admitida a transferência de mercadoria importada de um regime outorgado por um Ato Concessório para outro, mediante autorização. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NORMAS LEGAIS. DESVINCULAÇÃO COM O IMPOSTO. INAPLICABILIDADE. O inadimplemento do regime do drawback, por si só, não enseja a aplicação da multa qualificada, devendo ser demonstrado no lançamento a ocorrência de uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, que têm relação com o pagamento do crédito tributário pelo contribuinte, seja pelas condutas para impedir ou atrasar da ocorrência do fato gerador, ainda que parcialmente, seja pela ação ou omissão relacionadas a esconder do Fisco a ocorrência do fato gerador. Na hipótese de ficar comprovado que a fraude apontada pela fiscalização não altera os valores dos tributos lançados, deve ser afastada a multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor do tributo.
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TRIBUTOS. CUMULATIVIDADE. É possível a cumulação da multa por conversão do perdimento com a exigência dos tributos incidentes na importação, com fundamento no § 4º do artigo 1º do DecretoLei nº 37/66. REGIMES ADUANEIROS. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. DESVIO DE MERCADORIA. DESCUMPRIMENTO. A mercadoria importada ao amparo do regime de DRAWBACK deve ser exportada após beneficiamento, impondose, assim, que seja integralmente empregada no processo industrial do produto exportado. Em regra, o regime de Drawback não admite o desvio da mercadoria importada para Ato Concessório distinto daquele para o qual ela foi previamente importada, sendo admitida a transferência de mercadoria importada de um regime outorgado por um Ato Concessório para outro, mediante autorização. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NORMAS LEGAIS. DESVINCULAÇÃO COM O IMPOSTO. INAPLICABILIDADE. O inadimplemento do regime do drawback, por si só, não enseja a aplicação da multa qualificada, devendo ser demonstrado no lançamento a ocorrência de uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, que têm relação com o pagamento do crédito tributário pelo contribuinte, seja pelas condutas para impedir ou atrasar da ocorrência do fato gerador, ainda que parcialmente, seja pela ação ou omissão relacionadas a esconder do Fisco a ocorrência do fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 04 80 /2 01 3- 82 Fl. 1536DF CARF MF 2 Na hipótese de ficar comprovado que a fraude apontada pela fiscalização não altera os valores dos tributos lançados, deve ser afastada a multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício interposto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava parcial provimento; e, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D’OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila. Relatório Inicialmente, adoto parte do relatório da decisão recorrida, que sintetizou o contencioso, nos seguintes termos: “Trata o presente processo sobre Auto de Infração Complementar ao Auto de Infração formalizado por meio do processo nº 11131.720216/201187 (Processo principal), lavrado contra a Indústria Naval do Ceará SA (Inace) em 12/04/2013, com vistas à exigência do crédito tributário no valor total de R$ 8.342.004,53, referente às importações amparadas pelos Atos Concessórios (AC) n° 20050322699, 20060011920, 20070049530 e 20070069239 (fl. 808), relativo ao Imposto de Importação (II), ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), incidentes sobre a importação, acrescidos dos juros de mora e da multa de ofício qualificada no valor de 150% do valor do tributo, disposta no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/96, conforme planilha Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 11131.720480/201382 Acórdão n.º 3401003.777 S3C4T1 Fl. 1.537 3 abaixo: Segundo consta no Relatório Final de Procedimento Fiscal (Relatório Fiscal) de fls. 907/917, no item 5 do Relatório Final de Procedimento Fiscal do processo nº 11131.720216/201187 9 (fls. 5.043/5.188) restou evidenciado o inadimplemento total ou parcial do compromisso de exportar do regime de drawback AC n° 20050322699, 20060011920, 20070049530 e 20070069239, dos quais a autuada é beneficiária. Entretanto, como as importações assinaladas no Demonstrativo de Infrações Lançamento Complementar (fls. 872/885), não foram objeto da primeira autuação, foi lavrado o presente Auto de Infração Complementar, referente aos tributos suspensos relacionados aos citados Atos Concessórios. Lembra a autoridade fiscal que o adimplemento do compromisso de exportar assumido pelo beneficiário do regime de drawback, na modalidade suspensão, consiste em utilizar os insumos importados ao amparo do AC no processo de industrialização de produtos a serem exportados, nas quantidades e valores determinados, no prazo estipulado no referido AC, e que a dicção do inciso II do art. 78 do DecretoLei n° 37/66 e que os art. 136 e 159 da Portaria Secex nº 14/2004 define que a averbação da exportação e a transposição da fronteira pelo bem exportado, devem ocorrer dentro do prazo de validade pré estabelecido. A fiscalização afirma, também, que o art. 21 da Portaria Secex n° 04/1997, revogado pela Portaria Secex n° 11/2004, assim como os normativos posteriores, também consagram o princípio da vinculação física para o regime de drawback suspensão. O autuante aduz que nos lançamentos do II, do PISImportação e da Cofins lmportação, respectivamente, a base de cálculo é o valor aduaneiro declarado ou apurado das mercadorias, considerando ajustes porventura determinados pela legislação pertinente, conforme apresentado nos Demonstrativos de Valor Aduaneiro declarado e efetivo (fls. 886/906 e 4.890/4992 e 5.923/5.941 do processo n° 11131.720216/201187'), nos termos do disposto no art. 2o do DecretoLei n° 37/1966 e art. 7° da Lei n° 10.865/2004. Do cumprimento do regime de Drawback Quanto ao AC nº 20050322699, a fiscalização relata que em razão da glosa da embarcação informada para comprovação do regime, configurouse o descumprimento total do regime de drawback do referido AC, conforme circunstanciado no item 5.1.1 do Relatório Fiscal do processo n° 11131.720216/201187 (fls. 5.043 a 5.188). Por isso, foi efetuado o lançamento dos tributos suspensos nas importações albergadas ao citado AC, Fl. 1538DF CARF MF 4 conforme identificado no Demonstrativo de Infrações Apuradas Lançamento Complementar (fls. 872/885). A autoridade fiscal alerta, ainda, que o AC n° 20050322699 ainda se encontra em situação de processamento de baixa (fls. 3), e que o diagnóstico de baixa n° 10 de 15/01/2013 (fls. 5) manifesta o mesmo entendimento da fiscalização de que a exportação averbada depois de expirado o prazo de validade AC não se prestar a comprovar o cumprimento do regime e de a ausência de industrialização na empresa exportadora descaracteriza o drawback suspensão intermediário. No que tange ao AC nº 20060011920, a fiscalização aponta o descumprimento total do regime de Drawback pelo fato de o desembaraço e a averbação do regime de drawback terem ocorrido após expirado o prazo de validade do Ato Concessório. Destaca, também, que, em relação às mercadorias importadas ao amparo da DI n° 08/01477047/002, o descumprimento do regime se evidencia pela destinação dessas mercadorias à embarcação diversa à informada para comprovação do regime, conforme exposto no item 5.2.1.79 do já mencionado Relatório Fiscal (fls. 5.152/5.153 do processo n° 11131.720216/201187"). No tocante à DI n° 07/17676271 (adições 001 a 004), foi efetuado o lançamento substitutivo das contribuições sociais para o PIS e Cofins, em razão da incorreção dos valores lançados originariamente (fls. 5.291/5.292 e 5.330/5.331 do processo n° 11131.720216/201187 e 867). Com relação ao AC nº 20070049530, a fiscalização acusa ter ocorrido o descumprimento parcial do regime de drawback com relação às DI relacionadas às fls. 911/912, em virtude da destinação das mercadorias importadas ao amparo do regime à embarcação diversa à informada no AC, ou seja, pela não vinculação física de mercadoria importada ao amparo do AC à embarcação informada para comprovar o regime Casco 575, conforme exposto no item 5.1.4 do Relatório Fiscal do processo n° 11131.720216/201187 (fls. 5.043 a 5.188). Referente à adição 001 da DI n° 08/14195045, foi efetuado o lançamento substitutivo das contribuições sociais para o PIS e Cofins, tendo em vista a incorreção dos valores lançados originariamente (fls. 5.296 e 5.333 do processo n° 11131.720216/201187 e 868). Por fim, quanto ao AC nº 20070069239, a autoridade fiscal sustenta que o descumprimento total do compromisso de exportar se configurou i) face a exportação informada para comprovar o regime ter sido registrada e averbada depois de expirada a validade do AC, conforme explicitado no item 5.1.5 do Relatório Fiscal do processo n° 11131.720216/201187 (fls. 5.043 a 5.188; ii) em razão das mercadorias importadas terem sido destinadas à embarcação diversa à informada para comprovação do regime. Da Conclusão Fiscal Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 11131.720480/201382 Acórdão n.º 3401003.777 S3C4T1 Fl. 1.538 5 Diante da fundamentação acima, a fiscalização efetuou o lançamento referente aos tributos suspensos referentes às importações realizadas ao amparo do regime de drawback assinaladas no Demonstrativo de Infrações Apuradas Lançamento Complementar (fls. 872/885), no valor total de R$ 8.342.004,52. Da impugnação Inconformada com a exigência fiscal, da qual tomou ciência pessoal em 26/04/2013 (fl. 1.350) a empresa apresentou em 24/05/2013 a impugnação de fls 1.350/1.444, onde, após um breve relato dos fatos, alega em síntese: Da impossibilidade de cumular pena de perdimento de mercadoria importada com cobrança de tributos incidentes na importação O impugnante alega que a pena de perdimento é a maior que pode ser imposta ao importador e, uma vez cominada, impede a cobrança dos tributos incidentes na operação de importação correspondente, sob pena de se exigir tributo sobre fato gerador inexistente, e junta decisão do CARF sobre o tema. Da inexistência de irregularidade nas operações aduaneiras de drawback O autuado destaca, inicialmente, que cabe a fiscalização o ônus de comprovar as irregularidades postas na acusação e que “ausente a certeza acerca da existência dos elementos que compõem o fato ensejador da infração aduaneira, não deve prosperar a multa decorrente da conversão da pena de perdimento” (fl. 1.354) Nesse sentido, defende o acusado, “não basta à Administração, ante a sua desídia, afirmar que houve o descumprimento parcial ou total dos compromissos firmados nos aludidos drawbacks. Necessário seria que se fizesse a comprovação cabal acerca dos fatos, para, então, concluir pela "existência" (ou não) da obrigação tributária. Nada disso fez a autoridade fiscal, maculando, assim, o auto de infração”. (fl. 1.354) Às fls 1.356/1.363, o impugnante rebate a acusação fiscal com relação aos Atos Concessórios considerados no Relatório Fiscal, alegando, em síntese, que os compromissos assumidos em tais atos foram cumpridos, tanto no que se refere ao prazo, quanto ao no que toca o real adquirente da mercadoria exportada. Da impossibilidade do agravamento da multa para 150% O impugnante rebate a acusação fiscal sustentado que a multa de lançamento de oficio no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) é despropositada e desarrazoada, uma vez que não se verificou sonegação ou fraude lastreada em ato doloso do contribuinte autuado, consoante exige o art. 44, §1º, da Lei 9.430/96. Alega, também, a autoridade fiscal cominou multa agravada para 150% sem informar o motivo para tal desiderato, sem sequer o enquadramento legal, em Fl. 1540DF CARF MF 6 total desrespeito ao art. 957, inciso II, do Decreto 3.000/99 (vigente Regulamento do Imposto de Renda), que exige que se enquadre em qual(is) do(s) artigo(s) dispostos na Lei 4.502/64 (art. 71, 72 e 73) (...) Portanto, concluiu o autuado, ausente no bojo dos autos do presente processo n° 11131.720480/201382 qualquer fundamento para agravar a multa de ofício, caso mantidos os créditos tributários, o que se admite apenas para argumentar, deve ser reduzida a multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento), aplicada para todos os lançamentos”. Em 27/02/2015, a Impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, em acórdão que foi assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. TRIBUTOS. CUMULATIVIDADE. É possível a cumulação da multa por conversão do perdimento com a exigência dos tributos incidentes na importação, com fundamento no §4º do artigo 1º do DecretoLei nº 37/66. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NORMAS LEGAIS. DESVINCULAÇÃO COM O IMPOSTO. INAPLICABILIDADE. Restando comprovado que a fraude apontada pela fiscalização não altera os valores dos tributos lançados, não deve ser aplicada a multa qualificada no percentual de 150% do valor tributo. REGIMES ADUANEIROS DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. DESVIO DE MERCADORIA. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. DESCUMPRIMENTO. A mercadoria importada ao amparo do regime DRAWBACK deve ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação de outra a ser exportada, impondose, assim, que esta seja integralmente empregada no processo industrial do produto exportado. A legislação do DRAWBACK, via de regra, não admite o desvio da mercadoria importada para Ato Concessório distinto daquele para o qual ela foi previamente importada”. Com isso, o crédito tributário lançado foi parcialmente afastado, nos termos a seguir, conforme se verifica do resultado de julgamento da DRJ: “I) PRELIMINARMENTE: a) REJEITAR as alegação de nulidade por cumulação da pena por conversão do perdimento com exigência dos tributos; II) NO MÉRITO, julgar procedente, em parte, a impugnação para: a) MANTER a exigência fiscal, quanto aos tributos, referente à mercadoria importada ao amparo dos AC's nº 20060011920, 20070049530 e Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 11131.720480/201382 Acórdão n.º 3401003.777 S3C4T1 Fl. 1.539 7 20070069239, relativo a Cofins, ao PIS, ao Imposto de Importação e ao IPI, nos valores de R$ 146.909,63, R$ 31.894,85, R$ 185.402,74 e R$ 103.107,67 e seus respectivos acréscimos legais, conforme planilha vista no voto, uma vez comprovado o desvio de destinação da mercadoria; b) EXONERAR a exigência fiscal, quanto aos tributos, referente à mercadoria importada ao amparo dos AC's nº 20070069239 e 20070049530, relativo à Cofins, ao PIS, ao Imposto de Importação, ao IPI, nos valores de R$ 742.404,50, R$ 161.179,97, R$ 937.255,97 e R$ 508.257,79, e seus respectivos acréscimos legais, pela não comprovação do desvio da destinação da mercadoria importada; c) MANTER o valor do percentual da multa qualificada exigida, referente às DI nº 08/01131450 e 08/04822853; d) REDUZIR o valor do percentual da multa de 150% para 75% do imposto exigido referente às demais DI”. Diante dessa decisão, considerando o valor do crédito tributário exonerado e o disposto no artigo 34, inciso I do Decreto nº 70.235/1972 e do valor previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, o Presidente de Turma de Julgamento da DRJ interpôs recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”), para julgamento. Já o contribuinte foi cientificado do acórdão da DRJ em 16/04/2015, quinta feira, conforme documento de fls. 1523, apresentando tempestivo Recurso Voluntário de fls. 1524 e seguintes, no dia 18/05/2015, no qual reitera os argumentos apresentados em Impugnação, com exceção da alegação de cerceamento de defesa, e combate a decisão recorrida na parte que lhe foi desfavorável, requerendo, ao final, a exoneração do crédito tributário restante. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), apensados ao processo nº 11131.720216/201187, e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Da cumulação da multa por conversão da pena de perdimento com a cobrança dos tributos incidentes na importação A questão que se coloca é se é possível o lançamento cumulativo de pena de perdimento e dos tributos incidentes para uma mesma operação de importação. Fl. 1542DF CARF MF 8 De acordo com o artigo 1º, parágrafo 4º, inciso III, do Decreto nº 37/1966: “Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. § 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida”(grifos nossos). No mesmo sentido, prevê a Lei nº 10.865/2004, que institui o PIS/COFINS sobre as operações de importação, conforme artigo 2, inciso III: “Art. 2º As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) III bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento, exceto nas hipóteses em que não sejam localizados, tenham sido consumidos ou revendidos;” Quanto ao IPI, não existe nenhuma norma expressa tratando a respeito, porém, penso ser possível estender o entendimento que se extrai da interpretação de tais normas ao referido imposto. Assim, à luz da legislação em referência, não há incidência de II, IPI nem PIS/COFINS sobre as operações de importação em relação às mercadorias que tenham sido objeto de pena de perdimento. Porém, há uma ressalva a essa regra, que diz ser ela inaplicável “na hipótese em que [a mercadoria] não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida”. Além disso, nos termos do artigo 23, parágrafo 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, “§ 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida”. (grifos nossos) Diante disso, a decisão recorrida entendeu que: (i) na aplicação da pena de perdimento, não é possível a cobrança dos tributos incidentes na importação; porém, (ii) na aplicação da multa substitutiva equivalente ao valor aduaneiro, cominada quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, é possível a cobrança dos tributos incidentes na importação. Sobre o tema, a leitura dos dispositivos em comento que vem sendo feita pelas Turmas do CARF é no sentido de que, aplicada a pena de perdimento, não podem ser cobrados os tributos, em razão do disposto no artigo 25 do DecretoLei nº 1.455/19761, porém, se a pena de perdimento é relevada ou afastada por qualquer motivo e a mercadoria ingressa no território nacional, podem ser cobrados os tributos, sendo esse o sentido da ressalva contida artigo 1º, parágrafo 4º, inciso III, do Decreto nº 37/1966. Vejam abaixo: “MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. TRIBUTOS. CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL. A partir da edição da Lei nº 10.833/2003, passou a ser possível a cumulação da multa substitutiva do perdimento com tributos incidentes na importação, na excepcional hipótese em que as mercadorias sejam entregues ao importador (v.g. por força de decisão judicial) e incorporadas à economia nacional, impossibilitando nova apreensão por nãolocalização, consumo ou revenda. (Processo nº 10814.724520/201232; Acórdão nº 3403003.017; 4ª 1 Art 25. As mercadorias nas condições dos artigos 23 e 24 serão guardadas em nome e ordem do Ministro da Fazenda, como medida acautelatória dos interesses da Fazenda Nacional. Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 11131.720480/201382 Acórdão n.º 3401003.777 S3C4T1 Fl. 1.540 9 Câmara/3ª Turma Ordinária; Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 27/05/2014) ***** EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS SUJEITAS À PENA DE PERDIMENTO E LIBERADAS PELA JUSTIÇA. Decretada a pena de perdimento não há que se exigir os tributos correspondentes às mercadorias declaradas perdidas, salvo se as mesmas forem objeto de liberação por despacho judicial, tendo em vista a cautela assegurada pela legislação de regência no sentido de evitar o decurso do prazo de decadência para a exigência tributária. (Número do Processo: 19515.001064/200315; Data da Sessão: 22/05/2007; Relator: José Luiz Novo Rossari; Nº Acórdão 30133873) Assim, nos casos em que é aplicada a multa substitutiva da pena de perdimento, com a entrada das mercadorias no território nacional, há a ocorrência dos fatos geradores dos tributos em questão, motivo pelo qual é lícita a cumulação da cobrança de tributos e aplicação da multa. Os tributos são devidos pela ocorrência do fato gerador, a multa por caracterização da infração ao controle aduaneiro e do dano ao erário, não havendo norma excluindo tal incidência, tendo em vista que o artigo 1º, parágrafo 4º, inciso III, do Decreto nº 37/1966 e o artigo 2º, inciso III, da Lei nº 10.865/2004, versam exclusivamente sobre a situação em que é aplicada a pena de perdimento e a mercadoria está na guarda do Ministro da Fazenda. Do inadimplemento do Regime do Drawback e da exigência de tributos No presente processo, a Fiscalização exige os tributos incidentes nas operações de importação vinculadas aos AC nº 20050322699, 20060011920, 20070049530 e 20070069239, sob a acusação de que a Recorrente teria descumprido regras relativas ao regime de drawback, no âmbito de diversos AC a ela outorgados, tornandose inadimplente em relação aos regimes. As acusações são as seguintes: (i) a Recorrente não teria observado o prazo estipulado para a realização da operação de exportação, nos regimes de drawback concedidos pelos AC 20050322699, AC 20060011920 e AC 20070069239; (ii) a embarcação vinculada ao AC 20050322699 teria sido exportada sem ter sofrido processo de industrialização, contrariando condição imposta pelo Drawback Intermediário que foi concedido à Recorrente; e (iii) a Recorrente descumprido o regime outorgado, pois as mercadorias importadas ao amparo de um determinado AC não teriam sido utilizadas nas embarcações compromissadas, nos casos dos AC 20060011920, AC 20070069239, AC 20070049530. Na decisão recorrida, todas as acusações foram rejeitadas, a exceção da última acusação, que foi parcialmente acolhida, pois haveria prova dos autos no sentido de que mercadorias importadas para utilização em um AC acabaram sendo utilizadas em outro AC. O regime do drawback tem seu fundamento legal no artigo 75 e seguintes do DecretoLei nº 37/1966, que traz as seguintes prescrições: Fl. 1544DF CARF MF 10 “Art.75 Poderá ser concedida, na forma e condições do regulamento, suspensão dos tributos que incidam sobre a importação de bens que devam permanecer no país durante prazo fixado. § 1º A aplicação do regime de admissão temporária ficará sujeita ao cumprimento das seguintes condições básicas: I garantia de tributos e gravames devidos, mediante depósito ou termo de responsabilidade; II utilização dos bens dentro do prazo da concessão e exclusivamente nos fins previstos; III identificação dos bens. (...) Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada;” (grifos nossos) Na época dos fatos, estava vigente o Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/2002) que regulamentava o regime, nos termos a seguir: “Art. 335. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decretolei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I): I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; (...) Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. Art. 342. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 11131.720480/201382 Acórdão n.º 3401003.777 S3C4T1 Fl. 1.541 11 b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; ou c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; (...) Art. 344. A Secretaria da Receita Federal e a Secretaria de Comércio Exterior poderão editar normas complementares às dispostas nesta Seção, em suas respectivas áreas de competência”. (grifos nossos) A transferência de uma mercadoria importada com suspensão sob o regime de drawback outorgado por um AC para a utilização em outro regime de drawback é possível, desde que sejam observadas as regras previstas no artigo 152 da Portaria SECEX nº 23/2006, abaixo transcritas: “Art. 152. Poderá ser autorizada a transferência de mercadoria importada para outro Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, mediante pedido da beneficiária, no módulo específico Drawback do SISCOMEX. § 1º A transferência deverá ser solicitada antes do vencimento do prazo para exportação do Ato Concessório de Drawback original. § 2º A transferência será abatida das importações autorizadas para o Ato Concessório de Drawback receptor. § 3º O prazo de validade do Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, para o qual foi transferida a mercadoria importada, observará o limite máximo de 2 (dois) anos para a permanência no País, a contar da data da DI mais antiga vinculada ao Regime, principalmente quanto à mercadoria transferida de outro Ato Concessório de Drawback”. Quanto ao compromisso de exportação do bem produzido sob o amparo do regime do drawback, a sua prova ocorre com a averbação do Registro de Exportação, nos termos do artigo 128 da Portaria SECEX nº 23/2006, que prevê: “Art. 128. Os documentos que comprovam as operações de importação e exportação vinculadas ao Regime de Drawback são os seguintes: I Declaração de Importação (DI); II Registro de Exportação (RE) averbado; III Registro de Exportação Simplificado (RES) averbado; IV Nota Fiscal de venda no mercado interno”. À luz desse tecido normativo, a Receita Federal concede a suspensão dos tributos incidentes na importação, sob a condição de observação, pelo contribuinte habilitado, da utilização dos bens no processo produtivo aprovado pelo respectivo AC e da efetivação do compromisso de exportar o bem produzido dentro do prazo previsto ou adotar as medidas alternativas para a liquidação do compromisso. Nessa linha, tendo a Fiscalização verificado o descumprimento dos regimes de drawback fruídos pela Recorrente, passou a exigir os tributos incidentes na importação antes suspensos. Quanto à primeira acusação, a decisão recorrida constatou que os Registros de Exportação referentes aos AC 20050322699, AC 20060011920 e AC 20070069239 se encontravam averbados dentro do prazo do regime e, diante disso, concluiu que “não restam dúvidas de que a acusação de descumprimento do prazo do drawback não encontra amparo na documentação trazida aos autos, devendo ser desconsiderada”. Fl. 1546DF CARF MF 12 No que se refere à segunda acusação, de que a embarcação vinculada ao AC 20050322699 teria sido exportada sem ter sofrido processo de industrialização, a decisão recorrida entendeu que não teria ficado comprovado o descumprimento do regime de drawback outorgado, pois o contrato juntado pela Recorrente na Impugnação (às fls. 5.545/5.569) previa a realização de uma etapa de fornecimento e instalação de armas militares. Portanto, uma vez que se restou demonstrado pela prova dos autos que o prazo de exportação foi cumprido, em relação à primeira acusação, e que as mercadorias importadas foram empregadas no processo produtivo para o qual o regime foi outorgado, em relação à segunda acusação, deve a decisão recorrida ser mantida, pelo afastamento do lançamento nessas matérias. Com relação à terceira acusação, a decisão recorrida acolheu a pretensão fazendária parcialmente, pois entendeu que houve descumprimento do regime de drawback outorgado, pela utilização de mercadorias importadas sob o amparo de uma AC em outro AC, sem qualquer comunicação ou deferimento por parte do SECEX. Isso ocorre em relação às seguintes operações de importação: DI nº 08/01477047/002, vinculada ao AC nº 20060011920; DI´s nºs 8/16899554/003, 8/2030621 0/006, 8/20306210/005, 8/16899554/021, 8/16899554/002, 8/04822853/001, 8/0482285 /006 , 9/12808203/003, 8/04827898/006, 8/04822853/003, 8/04827898/005, 8/0482285 3/004 , 8/04827898/001, 8/04827898/002, 8/04822853/002, 8/04827898/003, 8/0482789 /004 e 8/04822853/005, vinculadas ao AC nº 20070049530, e nas DI´s nº 8/01131450/006, 8/10903584/001, 8/14100176/001, 8/01131450/005, 8/01131450/004, 8/01131450/003, 8/01131450/002 e 8/01131450/001, vinculadas ao AC nº 20070069239. Do mesmo modo, a decisão recorrida deve ser mantida em relação à última acusação, tendo em vista que o inadimplemento do drawback, pela não observação do artigo 152 da Portaria SECEX nº 23/2006. Da aplicação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento) prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 No lançamento, é aplicada a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor dos tributos incidentes na importação, com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1 O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. ***** Lei nº 4.502/1964: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 11131.720480/201382 Acórdão n.º 3401003.777 S3C4T1 Fl. 1.542 13 sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. A DRJ manifestou o seguinte entendimento quanto à aplicação da multa de ofício no percentual agravado, conforme Voto do Relator: “Vêse que a legislação que estabelece a qualificação da multa qualificada restringe seu uso às hipóteses previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, que definem a sonegação, a fraude e o conluio. Tais artigos, no entanto, demonstram que referidos institutos estão vinculados ao objetivo reduzir ou evitar o pagamento do tributo, ou seja, a multa qualificada somente pode ser exigida quando restar comprovado que os tributos estão sendo exigidos em virtude da fraude ou da simulação. Por isso, entendo que, nos casos em que a fraude for autônoma com relação ao tributo exigido, a multa vinculada não poderá ser qualificada, devendo prevalecer a multa regular pelo não pagamento do tributo, no percentual de 75%. No caso, as fraudes apontadas pela fiscalização são a interposição fraudulenta, o uso de faturas falsas e o subfaturamento do valor da mercadoria. Sendo que, somente esta possui infração vinculação com a exigência dos tributos, pois as duas primeiras não alteram o valor do tributo, quando exigível”. Com isso, em relação às operações de importação que restaram mantidas após a análise do inadimplemento do regime do drawback pela Recorrente, entendeu pela procedência da multa qualificada em relação às operações relativas às DI nº 08/01131450 e nº 08/04822853, que continham informações no lançamento que apontavam para a ocorrência de subfaturamento, reduzindo a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento) nos demais casos. De início, observese que o inadimplemento do regime do drawback, por si só, não enseja a aplicação da multa qualificada, devendo ser demonstrado no lançamento a ocorrência de uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. E tais hipóteses têm relação com o pagamento do crédito tributário pelo contribuinte, seja pelas condutas para impedir ou atrasar da ocorrência do fato gerador, ainda que parcialmente, seja pela ação ou omissão relacionadas a esconder do Fisco a ocorrência do fato gerador. Fl. 1548DF CARF MF 14 Além disso, a interposição fraudulenta, com o uso de faturas indicando o nome dos envolvidos na operação de comércio exterior de forma incorreta, pode ocorrer e é punida, com a redução ou não dos tributos devidos das respectivas operações. Assim, correta a decisão recorrida, por manter a multa qualificada apenas em relação àquelas hipóteses em que comprovada a intenção de reduzir o montante do imposto devido. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário interpostos, mantendo na íntegra a bem fundamentada decisão de piso, com o cancelamento parcial do crédito tributário. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 1549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905552/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.774
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 52 /2 01 2- 61 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13888.905552/201261 Acórdão n.º 3201002.774 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.333, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13888.905552/201261 Acórdão n.º 3201002.774 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13888.905552/201261 Acórdão n.º 3201002.774 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13888.905552/201261 Acórdão n.º 3201002.774 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13888.905552/201261 Acórdão n.º 3201002.774 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13888.905552/201261 Acórdão n.º 3201002.774 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13888.905552/201261 Acórdão n.º 3201002.774 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13888.905552/201261 Acórdão n.º 3201002.774 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900635/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 35 /2 01 2- 20 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900635/201220 Acórdão n.º 1302002.166 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900635/201220 Acórdão n.º 1302002.166 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900635/201220 Acórdão n.º 1302002.166 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
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