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Numero do processo: 35564.004444/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/1995
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2301-001.905
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Leôncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo – Centro / SP, que julgou procedente o lançamento, por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 022 a 023, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos por aferição indireta, devido è recorrente não ter apresentado a documentação para a elisão da responsabilidade solidária, determinada pela legislação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e em seus demais anexos.. Em 30/06/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 061 a 0116, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento, fls 0174 a 0181. Ponto a ressaltar na decisão é a afirmação de que o lançamento foi lavrado em substituição a outro lançamento, fls. 0175. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0187 a 0228, acompanhado de anexos. Posteriormente, a DRP emitiu contrarazões, fls. 0265 a 0266, onde, em síntese, mantém a decisão proferida, enviando o processo ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Quarta Câmara de Julgamento do CRPS (CAJ) analisou o processo e converteu o julgamento em diligência, fls. 0267 a 0270. A fiscalização respondeu à CAJ, sem dar ciência à recorrente, como determinou a CAJ, fls. 0271. Os autos foram enviados ao Conselho, fls 0276. A Primeira Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do CARF, analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, a partir das fls. 0277, para que: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35564.004444/200617 Acórdão n.º 230101.905 S2C3T1 Fl. 322 3 1. A Fiscalização emita Parecer Conclusivo sobre a existência, ou não, de lançamento original, a data do julgado que anulou o lançamento original e que anexe a decisão que anulou o lançamento original, caso ele exista; e 2. Seja dada ciência da decisão da CAJ pela conversão em diligência, da resposta da Fiscalização, desta decisão e do Parecer da Fiscalização, citado no item 1, a fim de que a recorrente apresente, caso deseje, argumentos complementares sobre as informações, em prazo de quinze dias de sua ciência. O Fisco emitiu Parecer, informando, em síntese, que o lançamento original foi lavrado em 26/06/2003, fls.0285. A recorrente foi cientificada e afirma, em síntese, que o lançamento está decadente, a partir das fls. 0313. Os autos retornaram ao CARF, para análise e Decisão. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas preliminares, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35564.004444/200617 Acórdão n.º 230101.905 S2C3T1 Fl. 323 5 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Esse posicionamento possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Destarte, como no lançamento original, a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 06/2003, fls. 0285, e o período do lançamento referese a fatos geradores ocorridos nas competências 01/1995 a 08/1995 todas as contribuições apuradas devem ser excluídas do presente lançamento. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada. CONCLUSÃO Pelos motivos expostos, conheço do recurso e doulhe provimento, nos termos do voto. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Marcelo Oliveira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12965.000682/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.086
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio. Recurso Voluntário não conhecido.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutklpresentes autos. ) Acordam os e -nbros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ausêiia de litígio, nos termos do voto do RelafOr. Paiticipararn da s ssão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Nébia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Ausente, justificadamente, a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. : Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 15/16 da instância a quo, in verbis: Para Joaquim Magalhães da Fonseca, já qualificado nos autos, foi lavrada a Notificação de Lançamento, As fls. 03 a 05, exigindo R$ 3.450,70 de imposto de renda suplementar, R$ 2.588,02 de multa de oficio (passível de redução) e R$ 1.139,76 de juros de mora (calculados até 31/07/2007). Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2005 (fls. 07 a 09), pois, conforme a Descrição dos Fatos, A. fl. 05 (verso e anverso), em razão dos documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes nos sistemas da Receita Federal, apurou-se omissão de rendimentos recebidos a titulo de resgate de Contribuições A Previdência Privada (Rail Vida e Previdência S/A — R$ 1.063,55) e omissão de rendimentos do trabalho (INSS — R$ 12.998,52 com IRRF de R$ 80,92). Cientificado da notificação, o contribuinte apresentou a impugnação, As fls. 01/02, instruída pelos elementos de fls. 03 a 06, em que contesta o lançamento efetuado alegando, em síntese, que: 1- Por não ter recursos, ele próprio, sem auxilio de um contador, elaborou sua Declaração de Ajuste e, "por ser uma pessoa de pouca instrução", acabou cometendo o erro apontado pela Receita Federal — a omissão, por esquecimento, de uma renda no valor de R$ 1.063,55 referente a plano de previdência; Acredita que "um erro causado por ignorância", sem a menor intenção de sonegar ou omitir informações, não seja suficiente para a aplicação de urna multa de valor tão alto; no caso, R$ 7.178,48, "que significa seis vezes mais, o valor do qual foi esquecido na declaração(..)."; 3- Por fim, solicita o cancelamento do débito fiscal reclamado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a impugnação foi parcial e mesmo na parte impugnada,a os argumentos e provas apresentadas foram insuficientes para desconstituir o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a.Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolida-se administrativamente o crédito tributário não expressamente contestado. MULTA DE OFÍCIO. 2 Processo n° 12965.000682/2007-16 S2-C1T2 AcOrclaio n.° 2102-01.086 Fl. 13 Quando da revisão de declaração resulta imposto de renda suplementar, cabe a autoridade fiscal aplicar multa de oficio em decorrência de lei, 170S exatos percentuais nela definidos. Inconformado, o contribuinte apresentou o requerimento, de fls. 20/21, ao Delegado da unidade local, expondo uma série de aspectos subjetivos de sua pessoa, solicitando anistia ou subsidiariamente um parcelamento da divida. fl. 23, a unidade da RFB em Poços de Caldas tendo em vista o principio do duplo grau'de jurisdição bem como o do direito A ampla defesa, optou pelo encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para apreciação. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ALEGAÇÕES DE NATUREZA SUBJETIVA 0 contribuinte faz somente colocações a respeito da suas condições pessoais subjetivas e apresenta um pedido de parcelamento e anistia. Não obstante, deve-se observar que, no âmbito do direito tributário, vige o principio da estrita legalidade. Para que determinada situação exerça influência na apuração do tributo, é necessário que esteja expressamente definida essa circunstância na legislação e não sendo não há corno considerar este argumento na apreciação do litígio. Regimentalmente, so cabe recurso de matéria onde houve sucumbência o que não ocorreu nesse caso e, por isso, deixo de conhecer o recurso nesse item, pela ausência de litígio. Particularmente, sobre as possibilidades de parcelamento, tal questão deverd ser tratada na liquidação da divida em procedimento administrativo próprio na unidade local da RFB. Assim, não tendo a contribuinte apresentado contestação com liame direto com o cerne do lançamento lhe foi imputadooto por NÃO CONHECER o recurso. Rub ns Mauricio Carvalho - Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 13449.000142/2002-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é
de cinco anos, contado da data da entrega do pedido ou declaração de
compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
A escrituração mantida com observância das disposições legais só faz prova a
favor do contribuinte se os fatos nela registrados forem comprovados por
documentos hábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.042
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega do pedido ou declaração de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. A escrituração mantida com observância das disposições legais só faz prova a favor do contribuinte se os fatos nela registrados forem comprovados por documentos hábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 07/06/2011 Fl. 342DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa Companhia Industrial do Sisal CISAL apresentou, em 13/02/2002, Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, referente ao 4º trimestre de 1997, cumulado com declaração de compensação. Tal pedido foi indeferido pela DRF de sua jurisdição, através de despacho decisório (fls. 22) do qual a Interessada foi cientificada em 10/08/2006 (AR às fls.29). Frisese que a razão central do indeferimento foi a não apresentação dos originais das notas fiscais de aquisições de insumos, haja vista que as mesmas foram incineradas pela Interessada, fato informado por ela mesma através do doc. de fls. 17. Inconformada com o indeferimento, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: i) a homologação tácita da compensação e ii) quanto a não apresentação das notas fiscais, que expirou o prazo de guardá las, e que o ressarcimento está evidenciado na sua escrituração, a qual foi apresentada ao Fisco e faz prova a seu favor. A manifestação de inconformidade foi apreciada por colegiado de primeira instância que negou o direito creditório, em acórdão com a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO. LEGITIMIDADE. ESCRITURAÇÃO FISCAL. DOCUMENTAÇÃO. Cabe à requerente demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado, mediante apresentação da documentação que deu respaldo à sua escrita fiscal e contábil. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Incabível falarse em homologação tácita antes de decorrido o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, repisando os mesmos argumentos aduzidos anteriormente. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Fl. 343DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 13449.000142/200220 Acórdão n.º 330201.042 S3C3T2 Fl. 2 3 Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator No tocante a não apresentação dos originais das notas fiscais relativas as aquisições dos insumos, e a alegação de que o ressarcimento está evidenciado em sua escrituração, a qual faz prova a seu favor, têmse a ponderar o seguinte: i) Noção cediça, fatos controvertidos e relevantes devem ser provados, acostandose no processo as provas necessárias para a comprovação dos fatos alegados pelas partes; ii) Em matéria de prova prevalece o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Nesse sentido, temos o art. 36 da Lei nº 9.784/96 que estabelece que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Então, cabe ao Contribuinte a apresentação das notas fiscais; iii) Uma das formas de se provar o fato jurídico é através de documentos (art. 212, II, da Lei nº 10.406/02). No presente caso seria através das notas fiscais originais, as quais não foram apresentadas; iv) A escrituração mantida com observância das disposições legais só faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis. (Decretolei n.° 1.598/77, art. 9.°, § 1.°); v) Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos à fatos que repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. (Art. 37, da Lei nº 9.430/96, aplicável ao presente caso por analogia); Portanto, sem razão a Recorrente eis que, por falta de prova, não demonstrou a liquidez do seu pedido. Concernente a alegação de homologação tácita da compensação, apoiada na tese de que o termo inicial do prazo é a data do fato gerador do tributo, não assiste, também, razão à Recorente haja vista que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (dispositivo que disciplina a matéria) estabelece que o termo a quo de tal prazo é a data da entrega da declaração de compensação, vejamos: Lei nº 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 344DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Defluise da simples leitura do excerto legal acima que os débitos objeto de pedido de compensação decaem após o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Por óbvio, caso haja retificação, esse prazo contase da data de apresentação da declaração retificadora. No presente caso a declaração de compensação foi apresentada em 13/02/2002 e a ciência do despacho decisório (AR às fls. 29) ocorreu em 10/08/2006, portanto, a administração fazendária apreciou as compesações pleiteadas dentro do prazo de cinco anos, contado da apresentação do pedido/declaração de compensação. Dessarte, nesse particular, não assiste razão à Recorrente, não havendo que se falar em homologação da compensação, visto que o indeferimento ocorreu dentro do prazo previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 345DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 10540.002438/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
INEXISTÊNCIA DE QUESTIONAMENTO POR PARTE DO FISCO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. LITÍGIO NÃO CONFIGURADO Se a exigência fiscal objeto do lançamento não decorre de equiparação da pessoa física à jurídica, mas de simples omissão de rendimentos correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, sobre a matéria constante no auto de infração, não se instaurou qualquer litígio, mormente se o recorrente não logra comprovar a origem dos depósitos havidos em sua conta corrente.
Numero da decisão: 2201-001.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 INEXISTÊNCIA DE QUESTIONAMENTO POR PARTE DO FISCO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. LITÍGIO NÃO CONFIGURADO Se a exigência fiscal objeto do lançamento não decorre de equiparação da pessoa física à jurídica, mas de simples omissão de rendimentos correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, sobre a matéria constante no auto de infração, não se instaurou qualquer litígio, mormente se o recorrente não logra comprovar a origem dos depósitos havidos em sua conta corrente.
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MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. LITÍGIO NÃO CONFIGURADO Se a exigência fiscal objeto do lançamento não decorre de equiparação da pessoa física à jurídica, mas de simples omissão de rendimentos correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, sobre a matéria constante no auto de infração, não se instaurou qualquer litígio, mormente se o recorrente não logra comprovar a origem dos depósitos havidos em sua conta corrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 623DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fl. 02/54), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003, 2004, 2005, 2006, no qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 495.380,68, calculados até 30/11/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracaterizada por depósito bancários de origem não comprovada. As contas conjuntas foram repartidas e tributadas em nome de cada um dos dois titulares (Horozino Rodrigues da Silva/Juscelina Dias Melo), com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: O auto de infração foi lavrado sob a suposição de que não tenha demonstrado que a venda de carvão a que se referem os depósitos efetuados pelas Gerdau sejam relativos ao transporte de carvão produzido por terceiros, reais beneficiários dos créditos, para os quais apenas prestara serviços de transporte. Apresenta documentos para comprovar o alegado. Dos valores pagos pela Gerdau, admite que 30% se refiram ao frete que recebera, o que dá R$ 260.673,73. Deste total, porém, deve ser excluída a parcela não tributável de 60%, por se tratar de rendimentos brutos de transporte de carga. Os rendimentos de transporte de carga não podem ser exigidos da pessoa jurídica que detém em seu nome, pois, além de estar inativa desde 2002, tal procedimento contradiz a verdade material, uma vez que se trata de fato de rendimentos da pessoa física, como acima demonstrado. Não lhe pode ser exigido imposto sobre a produção de carvão vegetal, porque pertencem a terceiros. Transportava unicamente o produto e recebia os créditos apenas como pessoa interposta. Violase assim o princípio da motivação do ato administrativo, pois não poderia haver lançamento em seu nome, além de se praticar dupla exigência fiscal: do fornecedor e do transportador. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não se aprecia o mérito de argumentos que não dizem respeito ao lançamento. Impugnação não conhecida Intimado da decisão de primeira instância, Horozino Rodrigues da Silva apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, exatamente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. Fl. 624DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10540.002438/200753 Acórdão n.º 220101.162 S2C2T1 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal lavrou a exigência relativa à omissão de rendimentos correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada. Intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários alegou o recorrente que grande parte dos créditos bancários havidos em sua conta bancária referese a transporte autônomo de carvão vegetal. Por outro lado, diante das provas constantes dos autos concluiu a autoridade fiscal que “... ao contrário do que o contribuinte alega, concluise que, todos os depósitos/créditos efetuados pela GERDAU na conta bancária do mesmo se referem a venda de carvão vegetal e não a meros serviços de transporte. Diante das circunstâncias evidenciadas e em análise aos documentos e extratos bancários apresentados, ficou caracterizada a prática habitual de atividade comercial com o objetivo de lucro, fazendose necessária a equiparação a Pessoa Jurídica de acordo com o artigo n° 150 do RIR/99. Os rendimentos identificados na movimentação bancária do contribuinte, com a comprovação da origem através dos depósitos/créditos realizados pela Gerdau, serão tributados através da pessoa jurídica Horozino Rodrigues da Silva, CNPJ n° 16.396.178/000133, empresa individual já existente pertencente ao contribuinte em epígrafe.” Na seqüência, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA não conheceu da impugnação, sob o argumento de que “... não foram incluídos no auto de infração os depósitos que o contribuinte comprovara terem sido realizados pela Gerdau. A sua impugnação se limita a questionar a tributação destes créditos.” Contudo, em seu instrumento recursal afirma o suplicante que “... das notas fiscais de entrada e respectivo histórico financeiro emitidos pela Gerdau S.A., comprovando que os depósitos efetuados, se referem a (70%) do pagamento pela compra de carvão vegetal de Jacinto Pereira dos Santos, José Amilton dos Santos, Josefino Azevedo da Silva, Antônio Veiga Pinto e Aureliano da Silva Moreira, e (30%) pelo transporte efetuado por Horozino Rodrigues da silva.” Assevera, ainda, o recorrente que “... a Emérita 3ª Turma de julgamento não poderia não conhecer da Impugnação, haja vista que a mesma trata sim de fatos atinentes ao lançamento por considerar que este foi realizado de maneira equivocada posto que os fatos aludidos no mesmo se referem à autuação do contribuinte como transportador autônomo pessoa física e não como pessoa jurídica firma individual.” Pois bem, a autoridade fiscal ofertou ao contribuinte às fls. 34 a 52, relação constando todos os depósitos de origem não comprovada e, desta feita, deveria o recorrente, para contrapor ao levantamento efetuado pelo Fisco, provar a origem dos créditos ali discriminados. Fl. 625DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Ocorre que em relação à origem dos depósitos/créditos, relacionados às fls. 34 a 52, o recorrente não apresenta qualquer comprovação, limitandose a repetir a alegação feita anteriormente em sua Impugnação, qual seja, “... que este foi realizado de maneira equivocada posto que os fatos aludidos no mesmo se referem à autuação do contribuinte como transportador autônomo pessoa física e não como pessoa jurídica firma individual.” Com efeito, não há como considerar o contribuinte como transportador autônomo, posto que a fiscalização ao analisar os documentos e extratos bancários apresentados e diante das circunstâncias e evidencias, entendeu que restou caracterizada a prática habitual de atividade comercial com o objetivo de lucro, fazendose necessária à equiparação a Pessoa Jurídica. Nesse passo, cumpre reproduzir as conclusões da autoridade fiscal (fls. 05/10): A análise da documentação entregue, permitiu comprovar a origem dos depósitos/créditos realizados nas contas bancárias do contribuinte listados na planilha constante no Anexo n° 02, efetuados pela GERDAU e em concordância com os valores contidos na planilha "Histórico Financeiro" entregue. Não foi possível, no entanto, a comprovação efetiva de que esses depósitos/créditos se referiam a serviços de transporte de carvão vegetal posto que: Não foi entregue nenhuma Declaração da Gerdau detalhando as supostas operações de frete realizadas com o contribuinte. Foram apenas entregues duas planilhas (uma com nome "Histórico Financeiro" e outra com o nome "Relatório de Notas Fiscais de Entrada") onde constam os pagamentos ao contribuinte e relação das notas fiscais com indicação de serem referentes a tais pagamentos, mas com diferenças de valores que o contribuinte justificou como sendo devidas a adiantamentos feitos pela própria GERDAU a seus motoristas; As únicas informações que fazem alguma referência a frete, constantes nas duas planilhas entregues, são que o frete corresponde a 30% dos valores contemplados nas notas fiscais. Não foi informado pela GERDAU, em nenhum momento, que o serviço contratado com o contribuinte era apenas o frete, apesar de todo o valor depositado por ela na conta do contribuinte; Nas duas planilhas entregues consta o nome do Sr. Horozino Rodrigues da Silva como fornecedor através da sigla FNC que precede seu nome; Em nenhuma das notas fiscais entregues consta como transportador o em epígrafe, ao contrário, constam pessoas diversas e com a utilização de veículos que não constam em suas DIRPF's e nem no sistema Renavan como sendo de propriedade do Sr. Horozino Rodrigues da Silva. Ao mesmo tempo, não foi entregue nenhum documento que comprovasse efetivamente as supostas operações de frete realizadas pelo contribuinte acima identificado com os produtores rurais. A bem da verdade, já em sua impugnação o contribuinte silenciou a respeito da infração que lhe estava sendo imputada, não se instaurando o litígio, tornandose líquido e Fl. 626DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10540.002438/200753 Acórdão n.º 220101.162 S2C2T1 Fl. 3 5 certo, na esfera administrativa, o crédito tributário objeto deste auto de infração. A respeito do assunto, o professor Antônio da Silva Cabral, no livro Processo Administrativo Fiscal, Editora Saraiva, às fls. 467, item 144, ensina: Posição do problema. É princípio assente em processo que a petição inicial delimita o âmbito da discussão. No processo fiscal, o âmbito do litígio está ligado a impugnação, pois é esta que inicia o procedimento litigioso. Por conseguinte, se o impugnante não ataca determinada parte do lançamento é porque concordou com a exigência. Seu direito de impugnar, portanto, ficou precluso no tocante à parte não impugnada. Como se vê, pela ausência do contraditório probatório permanece incomprovada a origem dos recursos aportados em suas contas bancárias, não assistindo, portanto, razão ao recorrente. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 627DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13811.001573/2001-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ — COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE — DILIGENCIA FISCAL — Comprovado de forma induvidosa, mediante a realização de diligência fiscal em torno de documentos comprobatórios
apresentados pelo sujeito passivo na fase recursal em relação A compensação do IRFONTE, admite-se a retificação do saldo negativo do imposto até o montante constante nos documentos apresentados e devidamente contabilizados pela contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.449
Decisão: ACORDAM os membros da lª Câmara / lª Turma Ordinária do
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Câmara / la Turma Ordinária do PRIMEIRA SECA() DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa FRANCI ODES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro Queiroz (Presidente), Edeli Pereira Bessa Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente), José Ricardo da Silva (Relator) e Diniz Raposo e Silva (Suplente). (Õ\ 1 Processo n°13811.001573/2001-47 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 2 Relatório Trata-se de retorno de diligência fiscal, nos termos da Resolução n° 101- 02.662, de 28/05/2008. A contribuinte apresentou pedido de compensação de saldo negativo do IRPJ relativo ao ano-calenddáio de 2000 no valor de RS 12.772.404,61, com vistas a quitação de débitos fiscais. A DERAT/SPO deferiu em parte o pedido, sob a alegação de utilização a maior do 1RRF do que o efetivamente comprovado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ, a fim de dirimir as controvérsias no que se refere aos montantes oferecidos a tributação e ao montante do IRRF, solicitou diligência fiscal objetivando a apuração dos corretos valores. A Fiscalização, em atendimento ao pedido de diligencia, elaborou relatório as fls.655/673, no qual esclarece que: a) houve erro formal no preenchimento da declaração de rendimentos, sem qualquer consequência tributária, tendo em vista que o valor consignado na linha 32 da ficha 06 A (RS11.563.512,38) e o resultado da operação: Outras Receitas Financeiras Outros Rendimentos — Variações Monetárias Passivas; b) o contribuinte não trouxe nenhum documento para esclarecer a diferença de RS 743.233,72 referente as estimativas não comprovadas; c) no que tange a origem dos créditos pleiteados na DIPJ, no valor de RS9.611.289,15, foi comprovada retenção em valor superior, mas foi constatada omissão de receitas da ordem de RS21.407 021,80, sendo objeto de autos de infração de IRPJ e reflexos (proc. 19515.003599/2005-84) . A Turma de Julgamento deferiu restituição no valor de RS 8.173.174,69 (alem do já deferido pela DRF). Ciente da decisão, a interessada ingressou com o recurso voluntário, alegando, em síntese: 2 Processo n°13811.001573/2001-47 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 3 é descabida a dedução, levada a efeito pelo relator, que se refere a estimativas do ano-calendário de 2000; o trabalho de diligencia fiscal que serviu de base a decisão atestou que foram comprovadas retenções que totalizam R$ 10.119.878,44. As divergências entre os valores informados pelo contribuinte e os constatados na diligencia foram objeto de processo fiscal no qual constam intimeros anexos que comprovam a inexistência da divergência. Esse processo foi julgado em primeira instância, com expressiva redução do montante, e foi interposto recurso voluntario, ainda nab julgado; O 1RRF constante das DIRFs das fontes pagadoras refere-se, efetivamente, a direitos da recorrente a compensação pleiteada no valor de R$ 10.345.552,86 (RS 11.788.098,39 —RS 1.442.575,53), e não a R$ 10.119.878,44. Parte da diferença, no valor de R$ 225.644,42 é composta pelo IRRF retido pelo Banco Santander, no valor de R$ 219.434.58, que compõe o demonstrativo Anexo 4 (fl 33). 0 demonstrativo Anexo 3 e os informes de rendimentos apresentados pela Recorrente (Anexo 4) comprovam que o valor das retenções foi de RS10.345.522,86, superior ao pleiteado. Se a fiscalização reconheceu a existência do montante de R$ 10.119.878,44, esse valor, acrescido da retenção do Santander, constitui direito liquido e certo a compensação, porque se a decisão de 2a instancia do processo fiscal 19515.003599/2005-84 for favorável, nada devera ao Fisco, caso contrario, devera satisfazer aquela exigência tributária sem direito ao IRRF objeto deste recurso. Ao apreciar a matéria, a Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu pelo retorno dos autos a repartição de origem para que a fiscalização para que fossem esclarecidos alguns aspectos ainda pendentes. o relatório. 3 Processo n° 13811.001573/2001-47 Si -C1T1 Acórdtio n.° 1101-00.449 Fl. 4 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator 0 recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto do relatório, trata-se de retorno de diligência, decidida nos termos da Resolução n° 101-02.662, de 29 de maio de 2008, cujos fundamentos extraídos do voto condutor encontram-se abaixo reproduzidos: Em trabalho de diligencia realizada a pedido da DRJ, a fiscalização atestou existir a comprovação de retenções na fonte no montante de RS 10.119.878,44. Conforme apurado no curso do processo, o valor das estimativas foi quitado mediante compensação com saldo negativo no período anterior (R$ 1.442.575,52, já reconhecido pela DERAT/São Paulo) e parte com imposto de renda retido na fonte (R$ 734.233,71, reconhecido pela DRJ). Do valor do IRRF atestado pela fiscalização (R$ 10.119.878,44), deduzido o valor utilizado para compensar as estimativas, resultou em R$ 9.385.644,73. Todavia, a decisão recorrida anotou que esse valor não pode ser integralmente considerado, porque nem todas as receitas sobre as quais incidiu foram oferecidas a tributação. Assim, no item 26 in fine do voto, ficou assentado que só podem ser consideradas as receitas efetivamente oferecidas a tributação (R$ 46.511.761,11) e o imposto sobre elas retido (R$ 9.615.750,22.). Porém, mesmo partindo dessas premissas (de que o rendimento não foi todo incluldo na declaração e que o total do imposto retido e aquele indicado na planilha 4.10 do Relatório de Diligência — R$ 10.119.878,44), há um equivoco na conclusão da decisão recorrida. Senão, vejamos: Com base no valor do imposto retido sobre as receitas oferecidas, conforme assentado na decisão, tem-se que, deduzida a parcela utilizada para compensar estimativas, restaria um crédito de imposto retido a compensar na declaração de R$ 8.881.516,51. Em síntese, o saldo negativo do IRPJ ficaria representado pelo somatório das estimativas (R$ 2.176.809.24) mais o saldo do IR/IF a compensar (R$ 8.881.516,51), resultando em R$ 11.058.325,75. 4 Processo no 13811.001573/2001-47 Si-CITI Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 5 Considerando que R$ 1.442.575,53 já foram deferidos pela DERAT, o saldo a ser deferido, seria de R$ 9.635.750,22 e não R$ 8.1 73.1 74.69, como concluiu a decisão recorrida. Assim, ainda que não fosse identificado nenhum equivoco no resultado da diligência, caberia a este Colegiado dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Recorrente o direito a restituição de R$ 734.233,71, além do já deferido. Ocorre que as planilhas contidas no Relatório de Diligência apresentaram equívocos, destacando-se, por sua ordem de grandeza, os dados referentes ao Unibanco, ao Banco Santander, a Cervejaria Astra, a AMBEV, a IBA Nordeste e a IBA Sudeste. Exemplificando apenas em relação aos dois maiores (Santander e IBA Sudeste), tem-se o seguinte: Conforme demonstrativo de fls. 662 e 663, atesta o fiscal que na demonstração dos rendimentos de aplicações financeiras e de mútuos e respectivo imposto retido na fonte incluídos na DIPJ, a recorrente declara: (a) tendo como fonte o Santander, rendimento auferido de R$1.385.256,10 e fonte de R$ 277.051,19; (b) tendo como fonte o IBA Sudeste, rendimento auferido de R$ 859.600,55 e IRRF de R$ 1 71.920,21. Porém, no levantamento feito pelo fiscal a partir de dados extraídos das DIREs constantes dos Sistemas da Receita, concluiu o fiscal, (0 quanto ao Santander, que o rendimento foi de R$ 288.083,10 e o IRRF foi de R$ 57.61 6,61; (ii) quanto ao IBA Sudeste, nada registrou. Os informes de rendimentos apresentados pelo Recorrente (fis. 774 a 846) divergem das DIRFs. Em relação ao Santander, há dois informes de rendimentos emitidos pela instituição. 0 primeiro, emitido em 13/10/2000 (fls. 806), com rendimentos auferidos em janeiro, fevereiro e junho, totalizando R$1.097.1 73,20 e retenção de IRRF de R$ 219.434,58. 0 segundo, emitido em 20/01/2004 (2' via) com rendimentos auferidos em junho, junho, agosto, setembro outubro, novembro e dezembro, totalizando R$ 288.083.10 e IRRF de R$ 57.616.61. Em relação ao IBA Sudeste, o informe de rendimentos de fls. 846 confirma os dados declarados pelo contribuinte. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência afim de que a fiscalização se manifeste sobre as divergências apontadas no demonstrativo de fls. 772, corroborado pelos documentos de fls. 774a 846 Em atendimento ao proposto pelo Colegiado, a autoridade diligenciante, após intimar a contribuinte e juntar aos autos os documentos por ela apresentados, elaborou o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1176/1181), conforme abaixo: 5 Processo no 13811.001573/2001-47 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 6 - DA ANALISE DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS 0 contribuinte se manifestou em relação a três das divergências verificadas no demonstrativo de fl. 772, quais sejam: Banco Santander, IBA Polar S/A e IBA do Sudeste S/A, e informou que, em relação as demais diferenças, não apresentaria demonstrações por não estarem compondo o total de IRRF informado na DIP.1. Apresentamos, então, as verificações realizadas e conclusões relativas aos documentos apresentados pelo contribuinte: 1 - Banco Santander Brasil S/A: Verificações: Com base na planilha individual de recursos aplicados no Santander, foram feitas as verificações, Ines a mês, dos lançamentos nos mapas de controle de apropriação de rendimentos (juros) bem como do IRRF, todos documentos de controle interno do contribuinte. Em seguida, identificou-se que os somatórios mensais dos valores apropriados a titulo de juros nos referidos mapas encontram-se contabilizados nos Livros Diário e Razão pelos valores totais apurados em cada mês, bem como verifica-se a apropriação mensal a titulo de IRRF no Livro Conclusões: Em que pese não haver, na base de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, DIRE do Banco Santander para a Cervejarias Reunidas Skol/Caracu S/A no ano calendário 2000, e tampouco poder-se-ia atestar recolhimentos de IRRF efetivados pelo banco em razão de aplicações financeiras do contribuinte de forma individualizada, uma vez que o recolhimento do imposto de renda na fonte dos bancos é feito de forma consolidada, o contribuinte apresenta uma cópia do Informe de Rendimentos Financeiros do referido banco (fls. 1.107) e demonstrou ter contabilizado, pelo regime de competência, valores a titulo de juros sobre aplicações financeiras no montante de R$ 1.097.173,20, e R$ 219.434,63 a titulo de IRRF, sendo R$ 573.013,52 em 1999 (R$ 114.602,70 de IRRF) e R$ 524.159,68 no ano 2000 (com R$ 104.831,93 de IRRF). 2— IBA Polar S/A: Verificações: Com base na planilha individual de remuneração de mútuos da All/fBEV (documento de controle interno do contribuinte) e na cópia do Informe de Rendimentos entregue pela IBA Polar S/A para a Cervejarias Reunidas Skol/Caracu S/A relativo ao ano 2000, foram identificados os valores contabilizados pelo contribuinte nos Livros Diário e Razão a titulo de juros sobre mútuo e o IRRF, nos meses de Setembro e Outubro de 2000. Conclusões: 0 contribuinte contabilizou nos Livros Diário e Razão do ano 2000, R$ 46.64Z95 a titulo de juros sabre 6 Processo n° 13811.001573/2001-47 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 7 contratos de mútuos com empresa ligada e R$ 9.329,59 de IRRF. Na base de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil consta a retenção de IRRF de R$ 20.206,72 feita pela IBA Polar S/A por rendimentos pagos ao contribuinte. 3- IBA do Sudeste S/A: Verificações: Com base na planilha individual de remuneração de mútuos da AMBEV (documento de controle interno do contribuinte) e na cópia do Informe de Rendimentos entregue pela IBA do Sudeste S/A para a Cervejarias Reunidas Skol/Caracu S/A relativo ao ano 2000, foram identificados as valores contabilizados pela contribuinte nos Livros Diana e Razão a titulo de juros sabre mútuo e o IRRF, nos meses de Julho a Dezembro de 2000. Conclusões: Em que pese não haver, na base de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, DIRE da IBA do Sudeste S/A para o contribuinte em tela no ano 2000, este contabilizou, nos Livros Diário e Razão do ano 2000, R$ 859.600,56 a titulo de juros sobre contratos de mútuos com empresa ligada e R$ 171.920,11 a titulo de IRRF. Sendo estas as informações e conclusões obtidas, dá-se ciência do inteiro teor do presente relatório para manifestação do contribuinte no prazo de 30 (trinta) dias. A contribuinte manifestou-se tempestivamente (fls. 1172/1173), onde conclui que, diante das conclusões do AFRFB no relatório, não ficam dúvidas sobre a correta utilização na declaração do ano-calendário de 2000 dos valores de IRRF dos quais a Cervejarias Reunidas Skol Caracú S/A., possui os comprovantes de rendimentos e que perfaz o montante de R$ 10.345.522,86. Como visto acima, a diligência fiscal levada a efeito concluiu que ainda resta o montante de R$ 9.615.750,22 correspondentes as receitas incluidas na apuração do resultado do período-base em questão. As fls. 667/669, consta a relação dos rendimentos e respectivas retenções de lRFONTE consideradas na apuração das receitas omitidas, considerando que o total do imposto de renda retido foi de R$ 2.561.788,02, sendo que a importância de R$ 2.057.659,80 corresponde as retenções cujas receitas foram devidamente oferecidas à tributação. Nessas condições, do montante do imposto retido apurado em DlRF - R$ 10.119.878,44 — a parcela de R$ 504.128,22, encontra-se vinculada ao auto de infração lavrado na ação fiscal. Da diferença restante (R$ 10.119.878,44 — R$ 504.128,22 = R$ 9.615.750,22), a turma julgadora de primeiro grau afirma que o valor de R$ 734.233,71, já havia sido deduzido do tributo correspondente a estimativa mensal. Porém, houve erro de calculo por parte da decisão mencionada, conforme mencionado da resolução motivou a diligência fiscal. Considerado os valores apurados pela autoridade diligenciante e, levando-se em conta o erro praticado pela decisão recorrida, o montante apurado não alcança o total 7 Processo n° 13811.001573/2001-47 S1-C1 T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 8 pleiteado inicialmente pela recorrente, eis que foi reconhecido o valor de R$ 9.100.651,94, sendo que o contribuinte apontou o total de R$ 9.611.289,15, os quais, adicionados aos valores declarados a titulo de estimativas mensais e deduzidas do imposto de renda na Fonte totalizam R$ 11.277.461,17. Nessas condições, sou pelo provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a parcela de R$ 1.661.710,95 como direito ao crédito pleiteado pela contribuinte. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito suplementar no valor de R$ 1.661.710,95. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 8 Processo n°13811.001573/2001-47 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 9 Declaração de Voto Conselheira Ede li Pereira Bessa, Constato nos autos que o direito creditório em debate refere-se a Saldo Negativo de MPJ apurado no ano-calendário 2000, no valor original de R$ 11.788.098,39, apresentado, inicialmente, no valor atualizado de R$ 12.772.404,61. A apreciação inicial pela DERAT/SP resultou no reconhecimento da parcela de R$ 1.442.575,53 (fl. 161/163) porque confirmado, apenas, parte das estimativas declaradas. Glosou-se integralmente o IRRF deduzido (R$ 9.611.289,15) porque não evidenciado, na D1PJ, o oferecimento dos rendimentos de aplicações financeiras A. tributação, e estimativas no valor de R$ 734.233,71, porque não informadas em DCTF. A autoridade julgadora solicitou diligência antes do julgamento da manifestação de inconformidade, firmando dúvida quanto As receitas financeiras oferecidas A tributação, e buscando a identificação de cada um dos rendimentos que deram origem aos créditos pleiteados, a titulo de LRRF, de R$ 9.611.289,15. 0 procedimento fiscal desenvolvido em razão desta diligência, resultou na apuração de receitas financeiras que não haviam sido incluídas na apuração do IRPJ e, decotando-se o IRRF correspondente As receitas omitidas, apontou a autoridade fiscal que restava R$ 9.615.750,22 referente As receitas computadas na base de cálculo daquele período de apuração. De fato, no demonstrativo de fl s. 667/669, a autoridade fiscal relaciona os rendimentos e retenções de imposto correspondente As fontes pagadoras consideradas na apuração das receitas omitidas, identificando que naquelas operações houve retenção de imposto de renda no montante total de R$ 2.561.788,02, do qual R$ 2.057.659,80 correspondia ao imposto de renda retido sobre as receitas oferecidas A tributação. Em conseqüência, do total de IRRF apurado em DIRF (R$ 10.119.878,44) coube a dedução de R$ 504.128,22, vinculada ao auto de infração formalizado naquele procedimento fiscal. Do valor dai remanescente (R$ 9.615.750,22), a autoridade julgadora de l a instância observou que a parcela de R$ 734.233,71 havia sido utilizada para reduzir estimativas a pagar, motivo da declaração a menor constatada na DCTF. Todavia, ao recompor o direito creditório comprovado no período em análise, a autoridade julgadora equivocou-se em seus cálculos, como já bem apontado pela Conselheira Sandra Maria Faroni, na Resolução 101.02662. Considerado integralmente comprovadas as estimativas de R$ 2.176.809,23 apuradas (pagas ou reduzidas pela dedução de LRRF), e admitindo o MRF resultante o Processo n°13811.001573/2001-47 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 10 montante comprovado _id reduzido da parcela utilizada na liquidação das estimativas (R$ 9.615.750,22 — R$ 734.233,71 = R$ 8.881.516,51), a determinação do direito creditório reconhecido pela DRJ deveria ser assim recomposta: Pleiteado DRF DRJ Recomposição Estimativas 2.176.809,23 1.442.575,52 734.233,71 2.176.809,23 IRRF 9.611.289,15 - 8.881.516,51 8.881.516,51 Saldo Negativo 11.788.098,38 1.442.575,52 9.615.750,22 11.058.325,74 JA reconhecido (1.442.575,52) (1.442.575,52) Deferido 8.173.174,70 9.615.750,22 Além disto, a Conselheira Sandra Maria Faroni, naquela resolução, deu relevo ao demonstrativo de fl. 772 trazido em recurso voluntário, no qual a contribuinte aponta divergências entre os valores informados em DIRF e aqueles constantes dos informes de rendimento. Nele constatou: a) divergências nas quais os montantes admitidos no julgamento de l a instancia (informados em DIRF) eram superiores aos informes de rendimento. As fontes pagadoras com diferenças mais relevantes eram Unibanco, Cervejaria Astra, AMBEV e IBA Polar; b) divergências nas quais os montantes admitidos no julgamento de l a instancia (informados em DIRF) eram inferiores aos informes de rendimento. As fontes pagadoras com diferenças mais relevantes eram Banco Santander e IBA Sudeste. A diligência procedida pela autoridade fiscal concentrou-se nestas duas últimas divergências e naquela, de maior valor, vinculada ao primeiro grupo, correspondente IBA Polar. E, como relatado, constatou-se naquele procedimento que: c) no montante de IRRF retido em 2000 (R$ 10.119.878,44) estava computado 1RRF de R$ 20.206,72 relativo à IBA Polar, ao passo que a contribuinte contabilizara apenas retenções de R$ 9.329,59. Todavia, como se vê à fl. 667, esta diferença já havia sido constatada na diligência solicitada em l a instancia, associada à falta de contabilização das receitas correspondentes, razão pela qual a diferença de 1RRF permanece vinculada ao lançamento formalizado naquela ocasião; d) os valores contidos no informe de rendimentos do Banco Santander (R$ 219.434,58) foram contabilizados pela contribuinte, pelo regime de competência, ern 1999 (R$ 114.602,70) e em 2000 (R$ 104.83 93). 10 Processo n°13811.001573/2001-47 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00,449 Fl. 11 Considerando que esta fonte pagadora não se insere naquelas relativamente is quais foram apuradas receitas omitidas, resta comprovada uma parcela de IRRF pertinente ao ano-calendário 2000 superior àquela considerada até aqui (R$ 57.616,61); e) os valores contidos no informe de rendimentos da IBA Sudeste (R$ 171.920,11) foram contabilizados pela contribuinte, pelo regime de competência, em 2000. Considerando que esta fonte pagadora não se insere naquelas relativamente as quais foram apuradas receitas omitidas, resta comprovado IRRF do qual nenhuma parcela havia sido computada até aqui. Ressalto que o imposto de renda retido pela fonte pagadora Banco Santander, pertinente ao ano-calendário 1999, não pode ser aqui admitido como retenção, na medida em que tais retenções foram contabilizadas em observância ao regime de competência, e assim também foram consideradas como dedução, pela interessada, naquele período, como, alias, afirmou a autoridade fiscal, na segunda diligência procedida: [..] o contribuinte apresenta uma cópia do Informe de Rendimentos Financeiros do referido banco (fis. 1.107) e demonstrou ter contabilizado, pelo regime de competência, valores a titulo de juros sobre aplicações financeiras no montante de R$ 1.097.173,20, e R$ 219.434,63 a titulo de IRRF', sendo R$ 573.013,52 em 1999 (R$ 114.602,70 de IR1?F) e R$ 524.159,68 no ano 2000 (com R$ 104.831,93 de IRRF). Em conseqüência, admito como confirmadas no recurso voluntário as retenções de R$ 47.215,32 (R$ 104.831,93 — R$ 57.616,61) e de R$ 171.920,11, relativas as fontes pagadoras Banco Santander e IBA Sudeste, respectivamente. Contudo, mesmo considerando a retificação do erro de calculo verificado na decisão recorrida, tal não é suficiente para reconhecer integralmente o direito creditório inicialmente apontado pela interessada. Isto porque, somadas aquelas parcelas no total de R$ 219.135,43 ao 1RRF já comprovado até a decisão de l a instância (R$ 9.615.750,22 — R$ 734.233,71 = R$ 8.881.516,51), resta reconhecido apenas R$ 9.100.651,94 do total apontado pela contribuinte (R$ 9.611.289,15), que somado is estimativas declaradas e reduzidas por 1RRF (R$ 2.176.809,23), resulta em R$ 11.277.461,17 de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 200, e não R$ 11.788.098,38, como abaixo demonstrado: 11 Processo n° 13811.001573/2001-47 SI-C1 TI Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 12 Pleiteado DRJ Recomposição R.Voluntario 2.176.809,23 734.233,71 2.176.809,23 2.176.809,23 9.611.289,15 8.881.516,51 8.881.516,51 9.100.651,94 11.788.098,38 9.615.750,22 11.058.325,74 11.277.461,17 Ja. reconhecido (1.442.575,52) (1.442.575,52) (9.615.750,22) Deferido 8.173.174,70 9.615.750,22 1.661.710,95 Estimativas IRRF Saldo Negativo Portanto, considerando que a DERAT/SP já havia reconhecido à contribuinte R$ 1.442.575,52, e que a decisão de l a instância concedeu-lhe a parcela suplementar de R$ 8.173.174,70, resta reconhecer em favor da contribuinte a parcela de R$ 1.661.710,95, correspondente à retificação do erro de liquidação promovido na decisão recorrida (R$ 1.442.575,52) e ao diferencial de IRRF comprovado no presente recurso (R$ 219.135,43). Voto, assim, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo o direito credite) *o suplementar de R$ 1.661.710,95. EDELI PEREIRA BE SS 12
score : 1.0
Numero do processo: 35376.000752/2003-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/11/1999
Ementa:
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL.
A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação.
RESTITUIÇÃO NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ARQUIVAMENTO DO PEDIDO
A não apresentação de documentos formalmente solicitados para a instrução do processo acarreta o arquivamento do mesmo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.985
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto da Conselheira Relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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CAMARGO AVARÉ ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/11/1999 Ementa: INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. RESTITUIÇÃO NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ARQUIVAMENTO DO PEDIDO A não apresentação de documentos formalmente solicitados para a instrução do processo acarreta o arquivamento do mesmo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Marco Andre Ramos Vieira Presidente . Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência momentânea : Thiago D’ Avila Melo Fernandes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35376.000752/200348 Acórdão n.º 230200.985 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o processo de solicitação de reembolso das diferenças de salário maternidade pago à seguradas Rosângela Aparecida de Almeida Silva e Luciléia de Lourdes Dias no período compreendido entre 07/1999 e 11/1999, de acordo com a planilha demonstrativa de fls. 01. O requerimento foi protocolado em 16/07/2003 e às fls. 41, o contribuinte foi informado de que precisaria apresentar documentos para a instrução do processo, sob pena de arquivamento, o que de fato ocorreu frente a inércia do requerente. Em 31/07/2007, o processo é desarquivado por solicitação do contribuinte que às fls. 58, solicita substituição do requerimento inicial por outro, devido a preenchimento incorreto e junta documentos. Decisão administrativa de fls. 133/135, nega a solicitação do contribuinte. Inconformado, o mesmo apresenta recurso tempestivo, arguindo que não cumpriu as exigências solicitadas porque o AR Aviso de Recebimento foi assinado por funcionário da empresa, que não repassou ao proprietário para que fossem tomadas as providências necessárias. Requer a revisão do caso para que seja analisado novamente. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. No que tange à alegação da recorrente sobre a irregularidade da intimação, porque foi recebida por funcionário, ressaltamos que, conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.), desde que usualmente recebam a correspondência da empresa. Corroborando, citamos o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Ainda, quanto à ciência por via postal, ressaltamos que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, consolidou o entendimento na Súmula CARF n.º9: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Portanto, a recorrente não pode se eximir do cumprimento das exigências solicitadas formalmente para a instrução do pedido de reembolso, que era do seu interesse, por conta do recebimento da correspondência ter sido efetuado por funcionário da empresa. O reembolso pleiteado era do interesse do contribuinte que devia ter se empenhado em fornecer os elementos solicitados pela fiscalização para acatar o pleito. Não implementadas as condições necessárias, no prazo concedido, correto foi o procedimento de arquivamento do processo, conforme indica a legislação vigente. A posterior solicitação de desarquivamento de processo, é improcedente, eis que em desacordo com a legislação previdenciária vigente à época, mais precisamente a Instrução Normativa SRP n.º 03/2005,que no Título III, trata de Compensação, Restituição e Reembolso, cujos artigos 226 e 228, transcrevo: Art. 226. Na hipótese de requerimento protocolizado na UARP, a falta de apresentação de qualquer elemento necessário à instrução e análise do processo deverá ser comunicada ao sujeito passivo, mediante ofício enviado por meio postal ou por correio eletrônico. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35376.000752/200348 Acórdão n.º 230200.985 S2C3T2 Fl. 3 5 Parágrafo único. Não suprida a falta documental no prazo de dez dias, a contar da data do recebimento do oficio pelo sujeito passivo, o processo será arquivado. Art. 228. Nas situações previstas nos arts. 225 e 226, o sujeito passivo poderá apresentar novo pedido, observado o prazo prescricional definido no art. 218, não cabendo o desarquivamento do processo. (grifei) Assim, conforme a legislação, o contribuinte poderia ter apresentado novo requerimento, observando o prazo prescricional contido no artigo 218, da mesma Instrução, mas não cabendo, de forma alguma, o desarquivamento do processo. Ainda, como bem colocado pela decisão recorrida, é impossível deferir o pleito do recorrente, eis que a sua inércia no atendimento das solicitações efetuadas pelo fisco, não pode ser desconsiderada, haja vista que o deferimento do reembolso pressupõe a devolução de valores relativos a acréscimos legais para os quais o INSS não pode ser compelido a pagar, eis que não deu causa à mora na decisão do pedido de reembolso. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000456/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para
comproválas.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.192
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas. Recurso provido.
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto Fl. 67DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10660.000456/200815 Acórdão n.º 210101.192 S2C1T1 Fl. 55 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 42 e ss.) interposto em 15 de julho de 2010 (fl. 41) contra o acórdão de fls. 34 e ss., do qual a Recorrente teve ciência em 13 de julho de 2010 (fl. 40), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 06 e seguintes, lavrado em 24 de dezembro de 2007, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas e de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, verificadas no anocalendário de 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA POR EDITAL. Da intimação fiscal será dada ciência ao contribuinte por meio de Edital quando caracterizada a impossibilidade da ciência pessoal, por via postal ou por meio eletrônico. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RESPONSABILIDADE DAS INFORMAÇÕES. A responsabilidade pelas informações prestadas na Declaração de Ajuste Anual IRPF entregue à Receita Federal é do declarante e, solidariamente, de seu representante legal. DESPESAS MÉDICAS. Restabelecese a parcela da dedução glosada pelo Fisco que está em conformidade com os comprovantes apresentados pelo contribuinte na fase impugnatória, mantendose, por outro lado, a glosa da parcela não comprovada mediante apresentação de documentação hábil para tanto. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10660.000456/200815 Acórdão n.º 210101.192 S2C1T1 Fl. 56 3 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 34). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso de fls. 42 e ss., pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração, alegando, em síntese, que inexistem razões para rejeitar o recibo apresentado, pois goza de presunção de veracidade e autenticidade, trazendo legislação que supostamente o dispensa de apresentar outro meio de prova além do recibo, bem como juntando declaração emitida pelo dentista, a qual confirmaria o pagamento e a prestação dos serviços, bem como fotos do consultório onde o profissional, em tese, prestaria os serviços. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia é relativa à glosa de despesas odontológicas, girando em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços odontológicos, bem como do respectivo pagamento, no caso, efetuado em dinheiro, conforme afirma a Recorrente. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e Fl. 69DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10660.000456/200815 Acórdão n.º 210101.192 S2C1T1 Fl. 57 4 odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Discutese, no presente caso, apenas e tãosomente a glosa de despesas odontológicas efetuadas com o Dr. Nildo de Freitas Goes Júnior, no ano de 2004. In casu, as alegações da Recorrente para justificar as despesas odontológicas foram rejeitadas pela Recorrida sob a alegação de que o recibo juntado pela contribuinte (fls. 10 e 51) não seria suficiente para comprovar o pagamento dos serviços, pois nele não constavam informações que aquela entendia de suma importância para o deslinde da questão, quais sejam: (i) ausência de identificação do beneficiário do "tratamento odontológico – a impugnante consta apenas como responsável pelo pagamento”; (ii) não foi informado qual “o endereço profissional do emitente”; e (iii) não consta o número de registro do prestador de serviço no Conselho Regional (fl. 36). Em seu recurso voluntário, a Recorrente juntou declaração do dentista, prestador dos serviços (fl. 50), na qual constam todos os dados apontados como ausentes pela Recorrida em sua decisão, sendo eles os dados completos do prestador de serviços, Dr. Nildo de Freitas Goes Júnior e o beneficiário do tratamento dentário por ele realizado. Além do mais, a Recorrente acostou aos autos, nessa mesma oportunidade, fotos da fachada do endereço do profissional em referência, além de uma cópia do recibo, no qual consta o reconhecimento de sua emissão, por parte do cirurgiãodentista. Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas odontológicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que a contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigada a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente Fl. 70DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10660.000456/200815 Acórdão n.º 210101.192 S2C1T1 Fl. 58 5 ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibo que preenche os requisitos legais e vem acompanhado de declaração do prestador de serviços confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 71DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003423/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 13/07/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos
relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para quitação das
contribuições devidas não pode ser direcionados para satisfação de crédito fiscal constituído para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória.
ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA.
Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu
embasamento ao Auto de Infração, com indicação da conduta, do dispositivo infringido e dos parâmetros para fixação da penalidade, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria.
APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 13/07/2009
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE
FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão
do lançamento pelo autuado.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 13/07/2009
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.960
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) rejeitar a preliminar de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/07/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para quitação das contribuições devidas não pode ser direcionados para satisfação de crédito fiscal constituído para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu embasamento ao Auto de Infração, com indicação da conduta, do dispositivo infringido e dos parâmetros para fixação da penalidade, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/07/2009 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/07/2009 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado
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DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para quitação das contribuições devidas não pode ser direcionados para satisfação de crédito fiscal constituído para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu embasamento ao Auto de Infração, com indicação da conduta, do dispositivo infringido e dos parâmetros para fixação da penalidade, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/07/2009 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/07/2009 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) rejeitar a preliminar de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 160 3 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Relatório O lançamento Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.194.8800, lavrado contra a empresa acima identificada, com data de lavratura em 13/07/2009 e cuja penalidade aplicada importou no valor de R$ 13.291,65 (treze mil e duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). A lavratura em questão diz respeito a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória que, nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fl. 78, decorreu da conduta da empresa de, mesmo regularmente intimada, deixar de exibir os seguinte documentos: a) DIRPJ (FICHA 64), correspondente aos exercícios de 2007 e 2008; b) FOLHAS DE PAGAMENTO (2), do CNPJ, referente os meses de 03/05,03/06 a 12/06, 06/07, 08/07, 12/07 e 01/08 a 12/08; c) FOLHAS DE PAGAMENTO (2), da obra matriculada sob n o 41.100 01.720/79, referente os meses de 01/04 a 12/04, 01/05 a 06/05 e 09/05 a 12/05 e 01/06 a 12/08; d) Todos os Recibos de Pagamentos de Salários, Rescisões e Recibos de Férias, atinentes a Folha (2), tanto da obra como do CNPJ). Indicase que os elementos de prova da presente autuação, ou seja, cópias dos documentos a seguir discriminados, os quais constam anexados no AI n.º 37.194.8851 (processo n.º 10950.003407/200950). a) Resumo das Folhas de Pagamento (01), registradas contabilmente; b) Folhas de Pagamento(2), não registradas contabilmente; c) Recibos de Pagamento de Salário (1) e (2); d) Rescisões Contratuais e Recibos de Férias (1) e (2); d) Demonstração do resultado do exercício constante do Balanço anual em Livro Diário. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 79, indica a fundamentação legal para aplicação da penalidade e os critérios utilizados para a sua gradação, onde se consignou a inexistência de circunstâncias agravantes ou atenuantes durante a ação fiscal. A impugnação Cientificada da autuação em 27/07/2009, a empresa ofertou impugnação, fls. 81/98, na qual em síntese alegou que: a) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/06/2004; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 161 5 b) a norma que embasa o presente AI foi revogada pela Lei n.º 11.941/2009, por esse motivo deve ser cancelada a lavratura ou aplica a multa mais benigna; c) a infração inexistiu, por conseguinte, o presente AI não pode prosperar; d) foi aplicada a multa com base no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, no patamar de 75%, a qual assume nítido caráter confiscatório, além de que o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991 instituiu o limite de 20% para a multa punitiva; e) devese observar na espécie a aplicação da legislação mais benigna ao sujeito passivo; f) também é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para fins tributários; g) a aplicação de penalidades tributárias não pode ferir princípios constitucionais e específicos do Direito Tributário; h) o Fisco é que tem o dever de provar suas alegações, não sendo lícito querer que o contribuinte venha a produzir provas em seu favor; i) devem ser compensados todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte; j) para se chegar a uma conclusão segura sobre a contenda, fazse necessária à realização de prova pericial, pelo que indica o assistente da perícia e formula os quesitos. Ao final, requer a utilização de todos os meios de prova em direito admitidas e a concessão de prazo para que possa apresentar considerações sobre a documentação acostada pela Auditoria. A decisão de primeira instância A DRJ em Curitiba (PR), fls. 127/134, declarou procedente a autuação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 AIOA 37.194.8835 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento de multa pecuniária pelo descumprimento de obrigação acessória não cabe se falar em lançamento por homologação, pelo que a regra decadencial aplicável ao caso é a do artigo 173, I, do CTN. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A não apresentação de documentos regularmente requisitados pela Fiscalização configura infração a obrigação acessória passível de autuação fiscal. INFRAÇÃO AUTÔNOMA. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 IRRELEVÂNCIA Tratandose de lançamento de multa pelo descumprimento de obrigação acessória autônoma, o inadimplemento da obrigação independe da constatação da existência de débito tributário exigível, sendo devida a penalidade ainda que não haja crédito tributário devido. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Na é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recurso A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 139/156, no qual alega, em apertada síntese, que: a) embora a apuração do crédito tenha se dado por arbitramento, o Fisco não conseguiu demonstrar qualquer irregularidade que justificasse o procedimento; b) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/07/2004; c) não ficou demonstrada de forma robusta a existência dos fatos geradores supostamente não contabilizados, nem declarados em GFIP; d) inexiste espaço para aplicação de multa, haja vista que não se detectou irregularidade que pudesse dar azo à sanção; e) mesmo que se pudesse aplicála, a multa não pode ultrapassar o patamar de vinte por cento, sob pena de se afrontar a Constituição Federal, além de que devese observar a multa mais benigna ao sujeito passivo, tendose em conta a ocorrência de alteração legislativa; f) são inconstitucionais a aplicação de multa progressiva e da taxa SELIC; g) devem ser aproveitados na apuração do crédito os recolhimentos efetuados; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 162 7 h) o ônus de provar a existência do crédito é do Fisco, não se podendo inverter esse encargo em desfavor do contribuinte; i) a prova pericial se faz necessária no caso em tela para que se investigue sobre os critérios e de arbitramento e se faça uma análise contábil mais acurada; j) também se deve proporcionar maior lapso temporal para que a empresa possa analisar com esteio na contabilidade as irregularidades apontadas pela Auditoria; Ao final requereu que: a) seja decretada a nulidade do feito, em razão do patente cerceamento ao seu direito de defesa, devendo ser oportunizada nova fase contenciosa, para que possa comprovar a sua idoneidade financeira e fiscal; b) caso não se entenda pela nulidade, que os autos retornem à primeira instância para realização de prova pericial; c) cancelese o Auto de Infração, posto que nenhuma irregularidade existiu; d) cancelese a multa aplicada posto que a mesma, da forma como foi fixada, fere princípios do Direito Tributário; e) cancelese a multa, pelo fato de não ter havido inadimplência; É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Alega a recorrente a decadência dos créditos, cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de julho de 2004. De acordo com o demonstrativo juntado pelo Fisco, data de 01/2004 a verificação da primeira competência fiscalizada. É cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional – CTN, posto que o art. 45 da Lei n.º 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Tendose em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 27/07/2009, pelo critério acima, a primeira competência do período relativo à solicitação dos documentos é 01/2004, a qual somente estaria alcançada pela decadência, conforme a contagem pela regra do art. 173, I, do CTN, em 31/12/2009. Nessa toada não houve a solicitação de documentos de período decadente, portanto, o Fisco tinha a prerrogativa de exigir toda a documentação constante nos Termos de Intimação. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 163 9 Assim, não procede a alegação da empresa relativa à ocorrência do prazo decadencial. Arbitramento Essa alegação não tem sequer pertinência com o AI objeto da lide, uma vez que não se vislumbra na aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória, pelo menos para a situação em destaque, a aplicação do arbitramento do tributo. Da não comprovação da ocorrência dos fatos geradores e da inversão do ônus da prova A Auditoria colacionou farta documentação, que engloba folhas de pagamento, recibos de salário, os quais demonstrou que a empresa deixou de arrecadar a contribuição de segurados a seu serviço. Tal providência atesta a preocupação da Autoridade Fiscal de trazer ao processo todos os elementos que serviram de base para suas conclusões. No seu recurso a empresa insiste em afirmar que não cometeu a infração, haja não haver sido detectada nenhuma folha de pagamento não contabilizada. Esse argumento não se relaciona com a obrigação em tela, a qual está prevista no art. 33, § 2.º, da Lei n.º 8.212/1991, para os segurados empregados, conforme se vê: Art. 33 (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Claro, então, que o argumento lançado pela empresa, concernente a contabilização das folhas de pagamento, não se presta a afastar a infração apontada, uma vez que a mesma diz respeito a conduta diversa daquela invocada no recurso. Nesse sentido, não vejo como acolher a alegação da recorrente de que não teria o Fisco demonstrado a contento a ocorrência dos fatos geradores ou da infração, como se queira chamar. Ainda mais quando se percebe que o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse vir em socorro de suas ponderações, mantendose no campo das argumentações desprovidas de elementos comprobatórios. Outro aspecto do recurso que tem vinculação com o anteriormente apontado diz respeito ao argumento de que não seria lícito ao Fisco impor ao sujeito passivo a inversão do onus probandi. Devo repelir essa tese. Na situação sob testilha foram carreados ao processos os elementos que comprovam a ocorrência da infração, não havendo o que se falar em lavratura fiscal por presunção. Nesse sentido, não merece prosperar também esse argumento, tampouco, pelos mesmos motivos, a alegada nulidade por cerceamento ao direito de defesa da recorrente. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 Da multa e dos juros aplicados Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 78, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. O argumento de que a multa atingiu o patamar de 75% do tributo devido está em total desacordo com o que revela os autos. Eis as ponderações expressas no Relatório Fiscal da Multa: RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA 1. A multa a ser aplicada é a constante da Lei n o 8.212, de 24/07/1991, artigos 92 e 102, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n o 3.048, de 06/05/1999, artigo 283, inciso II, alínea "j" e artigo 373. 2. O valor da multa de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos),foi atualizado pela PORTARIA INTERMINISTERIAL /GABINETE DO MINISTRO, N°48, DE 12 DE FEVEREIRO DE 2009. (...) Por outro lado, ao pedir a aplicação da penalidade mais benigna, alegando ter havido alteração legislativa dispondo sob multa menos gravosa, o sujeito passivo demonstrou desconhecimento da legislação aplicável uma vez que no período que medeia o cometimento da falta e o presente julgamento não houve qualquer modificação legal tratando da sistemática de fixação da multa para esse tipo de infração. No que diz respeito à aplicação dos juros moratórios verifico que também seguem a sistemática legal, senão vejamos a Lei n. 8.212/1991: Art. 34 As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art.13 da Lei n. a 9.065, de 20 de junho de 1.995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Esse entendimento passou a ser adotado também para as multas decorrentes do inadimplemento de obrigação acessória, conforme se pode ver dos termos da Portaria Conjunta RFB/PGFN n. 10, de14/11/2008: Art.1.º. Os créditos constituídos a partir da publicação desta Portaria em decorrência de descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias estão sujeitos Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 164 11 aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), a que se refere o art. 13 da Lei n a 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o seu valor. Parágrafo único: O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos dos créditos referidos no caput corresponderá a 1% (um por cento). Forçoso concluir, então, que também não se pode acatar a tese da redução do percentual de juros, uma vez que aplicados em total consonância com a legislação de regência. Quanto ao caráter confiscatório da penalidade, devese ter em conta que, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa. Compensação dos créditos do contribuinte Tendose em conta a natureza da presente lavratura, não procede o argumento de que haveria recolhimentos não considerados pelo Fisco, quando da apuração fiscal. Observase que nesse ponto o contribuinte acabou por confundir o que seja lançamento para exigência da obrigação principal, ou seja, do pagamento do tributo, com lançamento para imposição de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de prova pericial, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Realização de análise contábil Requer o contribuinte que lhe seja concedido prazo para a realização de análise contábil acerca das afirmações do Fisco. Não vejo como acolher esse o pleito. A fiscalização teve como base os documentos fornecidos pelo próprio sujeito passivo, que teve todo o prazo de defesa para detectar qualquer incorreção no trabalho de apuração fiscal. Todavia, nada foi apresentado naquela fase processual. Sobre esse tema, o Decreto n. 70.235/1972 determina que os inconformismos do contribuinte contra a exigência fiscal devem ser apresentados por ocasião da impugnação, junto a qual também serão juntados os elementos de prova. Vejamos: 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003423/200942 Acórdão n.º 240101.960 S2C4T1 Fl. 165 13 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Em obediência a esse comando, deveria o sujeito passivo ter exposto na sua impugnação as possíveis falhas detectadas na verificação fiscal, todavia, não foi adotada a providência. Vejo que agora também no recurso nada é apresentado de concreto, reprisandose a alegação da defesa, portanto, também afasto esse pedido, por entender que o momento processual já não mais permite a juntada de análise contábil ou de qualquer outro documento que não se enquadre nas hipóteses do § 4.º do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972. Além de que, o AI guerreado não teve como base lançamentos contábeis, mas falta de entrega de documentos solicitados pela Auditoria. Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminar de nulidade e decadência, por indeferir os pedidos de perícia técnica e análise contábil e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 19515.001749/2006-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRP.1
Ano-calendário: 2002
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS
Caracteriza omissão de receitas, a falta de escrituração de pagamentos efetuados.
DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria
referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1103-000.445
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Aloysio Jose Percinio da Silva, que votou pela
dedução dos custos correspondentes á. receita omitida.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRP.1 Ano-calendário: 2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS Caracteriza omissão de receitas, a falta de escrituração de pagamentos efetuados. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001749/200604 Recurso nº 505.869 Voluntário Acórdão nº 110300.445 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 01 de abril de 2011 Matéria IRPJ Recorrente CLINKER MAT PARA CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS Caracteriza omissão de receitas, a falta de escrituração de pagamentos efetuados. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva, que votou pela dedução dos custos correspondentes à receita omitida. Aloysio José Percínio Da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Gervasio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário a respeito da decisão da DRJ que negou provimento a impugnação da contribuinte. Do Termo de Constatação Fiscal extraio: Em 15.03.2006, tiveram início os trabalhos de fiscalização com ciência do procurador da empresa. Em 06.04.2006, foi enviada pelo correio, com Aviso de Recebimento — A.R., intimação para que o fornecedor Cimento Rio Branco S/A, CNPJ no. 64.132.236/000164, prestasse informações acerca das vendas efetuadas à empresa sob fiscalização. Em 11.05.2006, ainda sem receber resposta do fornecedor intimado, foi lavrado Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal. Após receber a relação das notas fiscais emitidas para a fiscalizada, foi efetuado o cruzamento com o Livro Registro de Entradas, resultando na constatação da falta do registro de grande número delas, que foram apontadas na relação de "NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA CIMENTO RIO BRANCO E NÃO REGISTRADAS PELO DESTINATÁRIO CLINKER". Em 29.06.2006, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, solicitando da empresa sob fiscalização esclarecimentos sobre o motivo pelo qual as notas fiscais relacionadas não foram registradas e qual a forma de pagamento das mesmas. Em 03.08.2006, foi enviado novo Termo de Intimação Fiscal à empresa CIMENTO RIO BRANCO S/A, integrante do Grupo Votorantim, acompanhado da mesma relação das notas fiscais não registradas, solicitando planilha com a data e a forma dos respectivos pagamentos. 0110Em 08.08.2006, o Sócio Gerente da fiscalizada compareceu à sede DIFIS — Divisão de Fiscalização II — Comércio e apresentou os seguintes esclarecimentos sobre o não registro das compras e dos pagamentos das mencionadas notas fiscais: 1 No ano calendário de 2002, o contabilista responsável pela escrita fiscal da sua empresa adoeceu e afastouse do trabalho. 2 Os filhos desse contabilista assumiram o comando do escritório contábil e depois venderam a carteira de clientes a um outro contador sem pedir sua concordância. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.001749/200604 Acórdão n.º 110300.445 S1C1T3 Fl. 2 3 3 Ao tomar conhecimento desses fatos procurou outro escritório contábil. 4 Em razão desses fatos a contabilidade da empresa ficou atrasada e com falhas. 5 Na data atual não tem elementos para questionar as compras que lhe foram apresentadas e que não foram localizadas nos Livros de Registro de Entradas de 2002 da sua empresa CLINKER MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES LTDA. A falta de escrituração dos pagamentos das referidas compras evidencia a existência, na empresa, de recursos mantidos à margem da sua escrita, e demonstra a ocorrência da omissão de receita caracterizada nas datas e nos valores dos pagamentos não contabilizados, conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no. 3.000/99 (RIR/ 99), em seu artigo 281” Da Impugnação. Tendo sido dele cientificado, em 29/08/2006, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 27/09/2006, mediante o instrumento de fls. 239/245. Adiante compendiamse suas razões. Salienta que o Termo de Constatação Fiscal referese à não escrituração de notas fiscais emitidas por CIMENTO RIO BRANCO S/A, concluindo que a falta de escrituração dos pagamentos dessas notas caracterizaria a existência de recursos estranhos à contabilidade. Alega que a empresa foi vítima da irresponsabilidade dos encarregados da sua contabilidade, que com a doença do contabilista titular, seus filhos assumiram o escritório e posteriormente, sem consultar a empresa, venderam a carteira de clientes a um outro contador. Aduz que não falar em culpa dos sócios da Defendente ao eleger aquele escritório de contabilidade, nem de conferir seus serviços, pois somente ficou sabendo dos acontecimentos quando sua contabilidade ficou atrasada e já com falhas. Sem que a empresa pudesse identificar as verdadeiras razões, esses encarregados da contabilidade deixaram de escriturar as diversas notas fiscais emitidas por Cimento Rio Branco S/A, que lhes foram enviadas para as devidas providências legais e que, no nosso entendimento representariam custos, fato que veio prejudicar a empresa. Esta empresa afirma com a maior honestidade que referidos títulos foram pagos com seus próprios recursos, representados por cheques bancários e numerários em Caixa, incluindo limite Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 de crédito concedido pelos bancos (limite do especial), não tendo havido jamais qualquer pagamento com recursos estranhos. Diz, tratase de provas bastante complexas e que envolvem muita dificuldade para a sua apresentação neste exíguo prazo de defesa, razão pela qual protesta pela sua apresentação posterior, pois estão sendo envidados todos os esforços para relacionar os documentos pertinentes. Assevera que a simples falta de escrituração dos títulos pagos não pode representar receita omitida ou que tenham sido pagos com recursos estranhos, pelo menos neste caso específico, cuja irregularidade é de responsabilidade exclusiva do setor contábil. Ressalta, ainda, que as autuações relativas aos reflexos do PIS e da COFINS não encontrariam amparo nas respectivas legislações, às quais estabelecem tributação sobre o faturamento, e não sobre as receitas. E essa discussão já foi definida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal ao apreciar a inconstitucionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, decidindo que a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, impedindo a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento dado pela Lei Complementar nº 70, de 1991. Finalmente, contesta a cobrança da SELIC, como juros de mora, cuja aplicação vem sendo declarada indevida pelo Judiciário. Por derradeiro, requer que todas as notificações feitas à Defendente sejam remetidas aos cuidados da advogada e procuradora que subscreve a defesa.” A DRJ decidiu: Responsabilidade Objetiva. A teor do CTN, art. 136, a responsabilidade do contribuinte é objetiva, de sorte que, caracterizada a falta de pagamento do tributo, descabe perquirir suas razões ou a repercussão da exigência no seu patrimônio. Verificada a ocorrência do fato gerador, deve a autoridade fiscal constituir o crédito tributário correspondente, com os acréscimos determinados por lei, independentemente de o crédito ter sido originado por desídia ou negligência de terceiros. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Falta de escrituração de pagamentos. Caracteriza omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, “a falta de escrituração de pagamentos efetuados”. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.001749/200604 Acórdão n.º 110300.445 S1C1T3 Fl. 3 5 Essa presunção legal relativa, como todas, tem um efeito próprio: ela inverte o ônus da prova, deixandoo sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado. Apresentada prova em contrário, o lançamento deve ser alterado nessa mesma medida. Juros de Mora TAXA SELIC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Tributação reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. A contribuinte, ora recorrente alegou: Conforme se verifica dos elementos constantes de todo o procedimento fiscal, teve ele por inicio o fato de que a recorrente teria deixado de escriturar compras de mercadorias do seu comércio, bem como os respectivos pagamentos. Ocorre que, ao lavrar o Auto de Infração do IRPJ, o Auditor Fiscal mencionou como infração o fato de ter a empresa DEIXADO DE CONTABILIZAR DESPESAS OPERACIONAIS, não fazendo qualquer referência à FALTA DE PAGAMENTO DAS REFERIDAS COMPRAS. Neste caso concreto, o Auto de Infração apontou um fato que na realidade não ocorreu, tendo como conseqüência a improcedência da exigência fiscal não apenas no tocante ao processo fiscal principal IRPJ, mas também nos chamados reflexivos de CSLL, PIS e COFINS, como se demonstrou pela transcrição do v. acórdão;cumprindo ainda ressaltar, nesta oportunidade, que o Supremo Tribunal decidiu recentemente declarar a inconstitucionalidade do artigo 3°, parágrafo 1°, da lei 9.718/98, que modificou a base de cálculo do PIS e da COFINS, fato desconhecido pela autoridade fiscal por ocasião da decisão de primeira instancia, que ocorreu em 28 de outubro de 2008, ou seja, após aquela decisão da Corte Suprema. Por sua vez, é inarredável que a r. decisão de primeira instancia ignorou por completo essa parte da impugnação, quando a recorrente ressaltou que nada foi demonstrado a titulo de despesas operacionais, que justificasse a lavratura do auto e o sustentasse, condição essa que se revestia de importância vital para sua manutenção. MÉRITO A falta de contabilização do pagamento de notas fiscais, em face do que prescreve o artigo 281, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, que envolvem várias situações que podem descaracterizar a possível infração. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 Uma delas é a que pode ter ocorrido com a recorrente que, conforme foi ressaltado durante a fiscalização e renovado na impugnação, poderia ter sido prejudicada por falha do escritório encarregado de sua contabilidade, mesmo com os pagamentos realizados regularmente e com recursos legítimos. Outra circunstância não menos relevante reside no fato de nem todas as notas fiscais relacionadas se referirem a compras feitas pela recorrente, embora emitidas em seu nome. Aliás, deve ser ressaltado a esta altura ter a empresa vendedora relutado em atender plenamente ás intimações da fiscalização para apresentar dados sobre as vendas feitas à recorrente e dos respectivos pagamentos (fls. 170 e 189). A recusa da vendedora ocorreu também em idêntico pedido feito pela recorrente, por via judicial, de Pedido de Exibição de Documentos, cópias inclusas, comportamento esse que impossibilitou fazer prova inclusive de notas canceladas ou de compras de restante de cotas a outras empresas, equivocandose ao figurar seu nome nas notas fiscais, tendo em vista a peculiaridade do ramo de cimento, que está sujeito ao regime de cotas para cada comprador. Especificamente quanto aos Autos de Infração do PIS e da COFINS, seriam eles improcedentes, quer se tome por base a falta de contabilização de despesas ou de pagamentos de compras, porque tais tributos só incidem sobre o FATURAMENTO, conforme vem decidindo o Supremo Tribunal Federal. Ainda que houvesse uma infração pela falta de contabilização de compras e dos respectivos pagamentos, o que neste caso se admite apenas para argumentar, não haveria imposto a ser exigido, porque a possível omissão de receita teria em contraposição a falta de contabilização de custos, podendo até mesmo comportar uma interpretação de que o citado artigo 281, inciso II, do RIR/ 99 não albergaria tal hipótese, com tem entendido não só o 1° Conselho de Contribuintes como também a Câmara Superior de recursos Fiscais, podendo ser citado como exemplo o acórdão 10806.376 (D.O. de 28.8.2001) com a seguinte ementa: "OMISSÃO DE COMPRAS IRPJ E CSLL Não pode prosperar a tributação por omissão de compras, na órbita do IRPJ e CSLL, pois deflui da própria compra de mercadoria omitida equivalente omissão de custo." Poe em dúvida a relação de notas fiscais emitidas pela fornecedora, diante de sua recusa em atender integralmente as notificações da autoridade fiscal e o pedido judicial da recorrente para fornecer cópias de todas as notas fiscais no período de janeiro a dezembro de 2002, sendo importante ressaltar que inúmeras notas fiscais desse fornecedor tiveram suas compras e os pagamentos devidamente contabilizados no livro "Diário", conforme cópias anexas; Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.001749/200604 Acórdão n.º 110300.445 S1C1T3 Fl. 4 7 O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A recorrente alega que a infração estaria indevidamente justificada, contudo, transcrevo o auto de infração: “OMISSÃO DE RECEITAS 1 PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A CONTABILIDADE Omissão de Receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, conforme Termo de Constatação Fiscal.” Do Termo de Constatação Fiscal extraio: A falta de escrituração dos pagamentos das referidas compras evidencia a existência, na empresa, de recursos mantidos à margem da sua escrita, e demonstra a ocorrência da omissão de receita caracterizada nas datas e nos valores dos pagamentos não contabilizados, conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no. 3.000/99 (RIR/ 99), em seu artigo 281, reproduzido a seguir: "Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40):” Assim, não entendo a alegação da recorrente de que a fiscalização justificara o ocorrido como despesas, pois, não foi isto que constatei. MÉRITO A alegação de falha do escritório é irrelevante (responsabilidade objetiva), pois, a contador ou o escritório de contabilidade, só faz o que os sócios gerentes determinam. A outra alegação de que de nem todas as notas fiscais relacionadas se referirem a compras feitas pela recorrente, embora emitidas em seu nome, também não merece guarida, pois, se as notas emitidas em nome da recorrente não são da recorrente de quem são então? Alega, ainda que houvesse uma infração pela falta de contabilização de compras e dos respectivos pagamentos não haveria imposto a ser exigido, porque a possível omissão de receita teria em contraposição a falta de contabilização de custos, este argumento não se coaduna no atual sistema que estabeleceu a presunção a saber: ““Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): (...); II a falta de escrituração de pagamentos efetuados;” (Grifou se)” A argumentação da recorrente, valia antes da hipótese acima transcrita. Agora a recorrente precisaria afastar a presunção provando que os pagamento não foram efetuados etc. Ou então, fazer prova de que as mercadorias foram vendidas com nota. Estas provas não foram feitas. Observo, ainda, que a fiscalização se ateve somente as notas fiscais não contabilizadas pela recorrente. Quanto ao PIS e a Cofins, estes tributos foram cobrados de maneira correta, e o alargamento da base de cálculo declarado inconstitucional, em nada afeta estes autos, pois, o que se presumiu foi uma omissão de receitas, e estas receitas se presumem vindas da atividade operacional da empresa, e não de alguma outra atividade como, por exemplo, financeira, como quer fazer crer a recorrente. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 01 de abril de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000934/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA DE DOLO.
Inexistindo pagamento a ser homologado, e presente o dolo na prestação de DIPJ com dados inverídicos, a contagem da decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA QUALIFICADA. EXISTÊNCIA DE ATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE E DE DECLARAÇÃO COM VALORES INFERIORES AOS EFETIVAMENTE PRATICADOS.
Verificada prática de conduta tendente a esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores fica autorizada a exasperação da multa de ofício.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 1302-000.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Irineu Bianchi acompanhou o relator pelas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA DE DOLO. Inexistindo pagamento a ser homologado, e presente o dolo na prestação de DIPJ com dados inverídicos, a contagem da decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. EXISTÊNCIA DE ATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE E DE DECLARAÇÃO COM VALORES INFERIORES AOS EFETIVAMENTE PRATICADOS. Verificada prática de conduta tendente a esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores fica autorizada a exasperação da multa de ofício. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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APURAÇÃO TRIMESTRAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA DE DOLO. Inexistindo pagamento a ser homologado, e presente o dolo na prestação de DIPJ com dados inverídicos, a contagem da decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. EXISTÊNCIA DE ATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE E DE DECLARAÇÃO COM VALORES INFERIORES AOS EFETIVAMENTE PRATICADOS. Verificada prática de conduta tendente a esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores fica autorizada a exasperação da multa de ofício. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Irineu Bianchi acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração (fls. 266/270), através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 92.482,08, já incluídos a multa de ofício de 150% e os juros de mora calculados até 29/10/2004. De acordo com o Auto de Infração e com o Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 282/283), o lançamento decorreu de divergências apuradas entre os valores escriturados nos Livros de Saída e de Registro de ICMS e os recolhidos relativamente aos períodos de apuração compreendidos entre abril de 1999 e dezembro de 2003. Descreve a autoridade autuante que a tributação para os períodos lançados se deu com base no lucro arbitrado, em face das seguintes constatações: Não apresentação das DCTF; Apresentação das DIPJ para os anos de 1999 e 2000 com os valores zerados; Apresentação da DIPJ para os anos de 2001 e 2002 como se estivesse inativa; Não apresentação dos Livros Diário, Razão, Entradas, Caixa, Registro de Apuração do ISS, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência; Não apresentação das Notas Fiscais; e Não apresentação dos balanços ou balancetes contábeis. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração das receitas, dos tributos e das respectivas multas e juros, encontramse anexos ao Auto de Infração. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, que constitui o Processo nº 19647.002873/200411, o qual se encontra apenso ao presente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000934/200759 Acórdão n.º 130200.516 S1C3T2 Fl. 395 3 A contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 305/315, cujas razões de discordância expendidas são a seguir sintetizadas: A impugnante requer em preliminar o cancelamento dos lançamentos relativos aos períodos correspondentes ao 2º e 3º trimestre de 1999, por considerar o IRPJ, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, como tributo sujeito ao lançamento por homologação, o que teria acarretado o transcurso do prazo decadencial de que a Fazenda Nacional disporia para constituição dos créditos tributários. Para sustentar sua tese, transcreve ementa do Conselho de Contribuintes e excertos doutrinários. Transcrevendo o artigo 957, II, do RIR/99, a impugnante se insurge contra a aplicação da multa agravada de 150% e alega que não foram demonstrados nos autos os motivos geradores da conduta considerada criminosa e consubstanciada no intuito doloso. Aduz que em nenhum momento foi apresentado pela autoridade fiscal qualquer motivo que justificasse o agravamento da penalidade que lhe foi imputada. Argumenta que apesar da deficiência de sua escrituração, a qual deu margem ao arbitramento do seu resultado, em todo o procedimento fiscal procurou atender às requisições da autoridade autuante, não sendo de se cogitar o agravamento da multa em 100% por absoluta falta da necessária demonstração da conduta fraudulenta que a ela é atribuída. Para defender sua tese, apresenta ementas do Conselho de Contribuintes e afirma que descabe a pretensão do fisco de exigir a multa agravada prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. A impugnante se insurge também contra a utilização da Taxa SELIC como juros moratórios por majorar, inconstitucionalmente, os juros em um percentual acima de 1%. Para isso traz suas alegações às fls. 312/314, onde aponta jurisprudência do STJ. Por fim, diante do que expõe, requer o cancelamento dos períodos atingidos pela decadência e, no mérito, seja o lançamento julgado improcedente. Importa relatar ainda que originalmente fora lavrado o Auto de Infração de fls. 20/24, o qual conforme consta dos autos foi revisto de ofício para a retificação de alíquota aplicada indevidamente pela autoridade autuante, dando origem ao novo lançamento ora em litígio. Desta forma, em face do cancelamento do lançamento constante do Auto de Infração revisto (vide documento à fl. 251), deixa de se considerar o arrazoado apresentado pela contribuinte às fls. 252/260 que tinha como objeto a impugnação do Auto de Infração cancelado. A 5ª Turma da DRJ/REC, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, considerar procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, com supedâneo nos seguintes fundamentos: da Decadência A impugnante alega que os fatos geradores referentes ao 2º e 3º trimestres de 1999 estariam abrangidos pelo prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. Contudo, apenas sujeitamse às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento. No presente caso, os dados informados na Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1999, fls. 115/133, demonstram que a contribuinte informou não ter apurado imposto em nenhum dos meses do ano em questão, não havendo, por conseguinte, pagamento a ser efetuado. Mais especificamente em relação aos 2º e 3º trimestre de 1999, consulta efetuada no Sistema Sinal04 confirma que a contribuinte não efetuou nenhum pagamento. Na ausência de pagamento pela contribuinte, não há fato passível de ser homologado, por falta de um pressuposto essencial. Portanto, fica excluída a hipótese prevista no artigo 150, § 4º, do CTN. Analisando os fatos geradores ocorridos nos 2º e 3º trimestres de 1999, temos que tais trimestres poderiam ter sido lançados já no mês de julho e outubro de 1999, respectivamente. Sendo assim, aplicandose a regra contida no artigo 173, I, do CTN temse para ambos os casos que o termo inicial da contagem do prazo decadencial, isto é, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, seria 01/01/2000, portanto, o prazo final para a Fazenda Nacional exercer a sua atividade de lançamento seria o dia 01/01/2005. Tendo em vista que a ciência do Auto de Infração em lide ocorreu em 29/11/2004 (fl. 266), este se encontrava dentro do prazo decadencial, ou seja, quando do lançamento não havia decaído ainda o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário. da Multa Qualificada Assoma claro nos autos que a empresa impugnante, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Outra não poderia ser a interpretação quando se tem em conta que a empresa, recorrentemente, deixou de apresentar as DCTF relativas aos anoscalendário da autuação, apresentou as declarações de rendimentos (DIPJ) zeradas ou como se inativa estivesse e não efetuou nenhum recolhimento de qualquer tributo administrado pela SRF. Portanto, não se trata de erro eventual ou de equívoco irrelevante. Tratase de conduta deliberada, consciente, de lesar a Fazenda, consubstanciada na expressividade dos valores encobertos e na contumácia das informações falseadas. Portanto, deve ser mantida a multa qualificada. dos Juros Moratórios e da Taxa SELIC A exigência de juros de mora equivalentes à Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia – SELIC tem amparo legal no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e no artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. De concluir, por conseqüência, que a impugnante, ao insurgirse contra a cobrança dos juros pela taxa SELIC, pretende que a Administração Tributária negue validade às normas que a estatuíram, sob a argüição de que seriam ilegais, inconstitucionais e maculadoras do ordenamento jurídico. Apreciações dessa natureza escapam à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar a validade de normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico, competência esta atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, os pontos abaixo declinados. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000934/200759 Acórdão n.º 130200.516 S1C3T2 Fl. 396 5 Da decadência Sendo o imposto exigido trimestralmente, inclusive com a cobrança, no procedimento fiscal impugnado, de juros moratórios trimestre a trimestre, é bem clara a ocorrência do fato gerador do imposto em cada um desses períodos, devendo o lapso decadencial ser contado a partir de cada um dos trimestres. Deste modo, é nulo o procedimento impugnado, no que tange ao 2º e 3º trimestres do ano de 1999, eis que caducara o direito de lançar pelo transcurso do prazo decadencial de 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Da multa qualificada (150%) Em nenhum momento logrou o autuante demonstrar a presença do elemento subjetivo do dolo, imprescindível para a caracterização do tipo legal acusado. Limitouse a afirmar, sem a devida demonstração, que "o contribuinte é passível de multa qualificada por enquadrarse nos artigos 71, I e 72 da Lei 4.502/64 e no art. 10 da Lei nº 8.137/90". Inaceitável tal enquadramento, quando a própria empresa disponibilizou seus livros fiscais para exame por parte do autuante, não causando qualquer embaraço à fiscalização. Muito ao contrário, facilitando os trabalhos da auditoria. Aliás, o lançamento fiscal, ressaltese, foi integralmente alicerçado nos referidos elementos contábeis ofertados pela recorrente. Incumbe ao Poder Público provar a existência de máfé no comportamento do contribuinte, se quer tomála como embasamento para apenálo. Da ilegalidade da utilização da taxa selic como juros moratórios É inadmissível a aplicação da taxa SELIC nas relações tributárias, tanto por desvirtuar a natureza dos encargos em questão, ferindo o art. 110 do Código Tributário Nacional, como por desrespeitar os limites de juros estabelecidos nos artigos 161, §1º do mesmo Código e 192, §3º da Constituição Federal. É o relatório. Voto Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Não há nos autos prova da data de ciência ao autuado da decisão da DRJ, exceto por remessa postal ao domicílio da sóciagerente Cynthia Gabrielle de Amorim, recebido em 19/04/08, o qual, acaso considerado, acarretaria a intempestividade do recurso, protocolizado em 20/05/08. Todavia, o recurso é tido por tempestivo no despacho de fls. 393, e portanto, dele conheço. Da Decadência Apuração Trimestral – inexistência de pagamentos e presença de dolo A opção pela apuração trimestral dos tributos, encerrada em 31/03, 30/06, 30/09 e 31/12, no meu entender, de fato finca nessas mesmas datas o momento em que se consideram ocorridos os fatos geradores do IRPJ e da CSLL. No entanto, conforme verificado no caso presente, e bem apontado pelo acórdão da DRJ, não há pagamentos relativos aos períodos trimestrais lançados que possam ser homologados, posto não existirem. Tal condição impõe o deslocamento do termo inicial prescrito no art. 150, §4º do CTN para aquele determinado no art. 173, I, do mesmo diploma, porque é condição para aplicação daquele primeiro dispositivo a existência de pagamentos. Deslocado o dies a quo da contagem da decadência para aquele prescrito no art. 173, I, do CTN, a data de ocorrência do fato gerador perde significado nesta análise, passando a ser relevante o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Demais disso, a recorrente, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Isto porque deixou de apresentar as DCTF relativas aos anoscalendário da autuação, apresentou as declarações de rendimentos (DIPJ) zeradas ou como se inativa estivesse e não efetuou nenhum recolhimento de qualquer tributo administrado pela SRF. Tal situação provocou a qualificação da multa de ofício, estando presente o dolo nas condutas acima, o qual também impede a utilização do §4º do art. 150 do CTN como marco inicial para a contagem do prazo decadencial. Desta forma, notificado o autuado do lançamento em 29/11/2004 (fl. 266), estavam dentro do prazo legalmente facultado à Administração Tributária para constituir o crédito tributário os períodos encerrados no anocalendário de 1999 e seguintes. Desta forma, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência. Da Multa Qualificada A recorrente deixou de apresentar as DCTF relativas aos anoscalendário da autuação e apresentou as declarações de rendimentos (DIPJ) zeradas ou como se inativa estivesse e não efetuou nenhum recolhimento de qualquer tributo administrado pela SRF. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000934/200759 Acórdão n.º 130200.516 S1C3T2 Fl. 397 7 Tendo em vista que a declaração de rendimentos é o meio que a Administração Tributária possui para averiguar o cumprimento das obrigações do sujeito passivo, entendo que a conduta de falseála, reduzindolhe os valores de receita bruta, ou pior, declarandoos com valor igual a zero, ou ainda declarando inatividade, demonstra intenção de esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores. Provada a redução, entendo caracterizado o intuito de fraude, o qual autoriza a exasperação da multa. Além disso, no caso vertente, há diversos períodos de apuração nos quais a conduta é repetida. Dos juros Selic No entender do recorrente, a aplicação dos juros selic viola o §3º do art. 192 da Constituição Federal, que, quando vigente, limitava a cobrança de juros ao patamar de 12% ao ano. Sustenta, ainda, o recorrente que a aplicação da taxa de juros selic viola o disposto no §1º do art. 161. No tocante ao primeiro ponto, cumpre lembrar que referido dispositivo foi revogado pela EC 40/2003. Assim, a alegação encontrase desprovida de fundamento legal. Além disso, antes mesmo de tal revogação já havia se manifestado o Supremo Tribunal Federal quanto a este dispositivo, concluindoo, além de não autoaplicável, referido tãosomente aos empréstimos intermediados por instituições financeiras aos seus clientes. Quanto à segunda alegação, cabe dizer que o CTN é norma recebida pela Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar porque veicula, dentre outras, normas gerais sobre crédito tributário, tal qual preconizado pelo art. 146, III, “b”, daquela Carta Magna. Neste mister, estipula como regra geral a cobrança de juros no percentual de 1%, permitindo, contudo, que regra específica, veiculada por lei, estipule de forma diversa, como ocorre com o §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96, aplicável ao caso. Ademais, a Súmula CARF nº4, de observância obrigatória por todos os membros do Órgão, resolve a questão, ao prescrever como escorreita a cobrança dos débitos para com a União relativos a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal de acordo com a taxa Selic para títulos federais. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmulas 4 do 1º e 3º CC e 3 do 2º CC Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 24 de fevereiro de 2010. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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