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Numero do processo: 13839.901855/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Relatório
A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais.
O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional.
Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.808.
Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior.
Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:
* Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios.
* Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.
* Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.
* Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:
"O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência).
Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)."
* Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS.
* Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei.
* As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Waldir Navarro Bezerra
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.808. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. 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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 85 5/ 20 14 -5 2 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.901855/201452 Resolução nº 3402001.484 S3C4T2 Fl. 3 2 O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08038.808. 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Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regramatriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.901855/201452 Resolução nº 3402001.484 S3C4T2 Fl. 4 3 de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/201427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.475): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como observado pela 5ª Turma da DRJ/FOR em decisão recorrida, a análise da questão está relacionada à classificação das comissões pagas a representantes comerciais como insumos, que geram direito ao crédito das contribuições, ou como despesas necessárias à atividade da empresa, sem vinculação ao processo produtivo e incapazes de gerar crédito na sistemática nãocumulativa. Assim alega a Contribuinte: i) Que é pessoa jurídica de direito privado e, na consecução de suas atividades comerciais, procede à contratação de representantes comerciais para escoamento de sua produção própria, sendo que tal modalidade de venda representa aproximadamente 87% do faturamento. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.901855/201452 Resolução nº 3402001.484 S3C4T2 Fl. 5 4 ii) Que a função desempenhada por tais representantes é notadamente imprescindível para sua cadeia produtiva, na medida em que estes são responsáveis pela intermediação dos negócios, com a prospecção de clientes e desenvolvimento do mercado, assim como participam diretamente no processo negocial, lançando os pedidos aceitos no sistema e formatando as cargas. Além do mais, frequentemente efetua a contratação do transporte das mercadorias vendidas. iii) Em razão do critério da essencialidade, é incontestável que os valores desembolsados quanto à atividade realizada pelos representantes comerciais devem ser entendidos como insumo na cadeia de produção e vendas dos produtos que fabrica, conformando base de cálculo para a assunção de créditos escriturais relativos às contribuições destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), já que está sujeita à sistemática de apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Outrossim, a Recorrente apresenta em razões de recurso, o seguinte comparativo entre empresas que não possuem representantes comerciais, em especial no tocante ao direito de crédito: (i) – as pessoas jurídicas sem representante comercial terão 100% da receita para si; (ii) – já aquelas que se utilizam dos representantes não terão 100% das receitas para si, uma vez que uma parte ficará com eles a título de comissão, sendo de total plausibilidade assim o crédito par a bater PIS e COFINS. Constatase que o fundamento pelo qual a DRJ/FOR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade se atém ao critério estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei nº 10.637/2002, bem como da INSRF nº 247/2002. Vejamos: No presente caso, as comissões pagas aos representantes comerciais não podem ser consideradas como aplicadas ou consumidas diretamente na fabricação de bens destinados à venda. Tampouco podem ser considerados serviços adquiridos de pessoas jurídicas para a consecução das atividades principais da empresa. Assim, as comissões pagas aos representantes comerciais são despesas que não se caracterizam como insumos, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Este também é o entendimento da Solução de Consulta nº 98, da SRRF07/Disit, transcrito abaixo: (...) 17. Dessa forma, os bens e serviços que forem necessários ou essenciais para o desempenho da atividade da empresa mas que não puderem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços não se caracterizam como “insumos”, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.901855/201452 Resolução nº 3402001.484 S3C4T2 Fl. 6 5 18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo com o art. 299 do Decreto nº. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), são todas aquelas despesas necessárias, usuais e normais para as operações da empresa. (...) Isso posto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade. Inicialmente, consignase que o contribuinte do PIS e da COFINS nãocumulativos, segundo as Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, tem direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como “insumos” na fabricação de produtos destinados à venda. De fato havia divergências quanto ao conceito de insumos aplicável às contribuições sociais. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma dos artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Por este precedente, o STJ declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, invocada para fundamentar a decisão recorrida, bem como declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, as quais restringiam o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem com o contato físico com o produto ou serviço final. Outrossim, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em data de 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aceitando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.901855/201452 Resolução nº 3402001.484 S3C4T2 Fl. 7 6 Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Em síntese, "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes". Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente, utilizandose do chamado “teste de subtração” do insumo, de modo a verificar a imprescindibilidade e a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Neste sentido, transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara m a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele i tem – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste d e subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13839.901855/201452 Resolução nº 3402001.484 S3C4T2 Fl. 8 7 Superada a discussão em referência, cabe a análise quanto à configuração da essencialidade ou relevância do representante comercial às atividades desenvolvidas pela empresa. Através do atos constitutivos, é possível verificar que a Recorrente tem por objeto social as seguintes atividades: Constatase, ainda, como atividade econômica principal a fabricação de artefatos de cimento para uso na construção (CNAE 23 30302) e, por atividade econômica secundária a seguinte descrição: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 52.11799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis 46.79604 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente 23.49401 Fabricação de material sanitário de cerâmica 47.44001 Comércio varejista de ferragens e ferramentas 28.13500 Fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de Inconformidade que mais de 80% (oitenta por cento) das vendas de produtos que comercializa ocorre por meio de representantes comerciais autônomos, que assumem papel imprescindível na consecução da atividade comercial da empresa, representando esta modalidade de venda em aproximadamente 87% (oitenta e sete por cento) do seu faturamento. Não obstante os fundamentos que embasam as razões recursais, o fato é que neste processo administrativo não há nenhuma prova que ateste a essencialidade da representação comercial na atividade da empresa Recorrente. Todavia, considerando a recente decisão proferida em sede de repercussão geral pelo Superior Tribunal de Justiça, resultando na incidência do artigo 62, § 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade material, fazse necessária a realização de diligência para uma melhor compreensão sobre as características da atividade desenvolvida pela empresa, possibilitando identificar se as despesas em análise configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise. Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13839.901855/201452 Resolução nº 3402001.484 S3C4T2 Fl. 9 8 Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902718/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.539
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ICMS BASE DE CÁLCULO PIS/COFINS. Recorrente CITROSUCO S/A AGROINDUSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição indeferido por despacho decisório eletrônico, vez que o valor do DARF teria sido utilizado integralmente para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14045324. Intimada desta decisão a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 71 8/ 20 12 -1 3 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13851.902718/201213 Resolução nº 3402001.539 S3C4T2 Fl. 153 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98 e na não incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; (ii) que as provas anexadas na Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, sendo descabida a afirmação da r. decisão recorrida no sentido de que a produção de provas estaria preclusa. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.537, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902716/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.537): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98 e a não inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, especificamente quanto ao período de apuração de 04/2003. Observese a Recorrente acostou aos autos memória de cálculo do crédito, identificando as contas contábeis nas quais respalda o seu crédito. Contudo, esses documentos não foram apreciados pela r. decisão recorrida sob o argumento de que teriam apenas valor indicativo: "Em relação aos elementos de prova, somente se constituem em excertos de livros contábeis ou fiscais se demonstrada a observância das formalidades (termos e abertura e encerramento, e, no caso de Livro Diário, autenticação), previstas no art. 5º, § 2º, do Decreto Lei nº 486, de 1969, e no art. 6º do Decreto nº 64.567, de 1969, a seguir transcritos: (...) Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13851.902718/201213 Resolução nº 3402001.539 S3C4T2 Fl. 154 3 No caso dos documentos juntados aos autos pela interessada, constatase que não cumprem tais formalidades. Em suma, os documentos apresentados, embora relevantes, possuem valor apenas indicativo, e mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos dos artigos acima transcritos. Além disso, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado, resultante da aplicação da alíquota da contribuição sobre a base de cálculo efetivamente apurada na contabilidade, nos termos do artigo 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, acima transcrito." (efl. 111) Assim, os documentos apresentados pelo contribuinte para respaldar seu crédito não foram analisados pela fiscalização. Visando sanar a questão meramente formal apontada pela r. decisão, o contribuinte acostou aos autos, no Recurso Voluntário, os termos de abertura e encerramento do livro razão. Cumpre mencionar que o presente processo envolve duas teses distintas. Primeiro, quanto à extensão do conceito de receita da Lei n.º 9.718/98. Neste ponto, devidamente indicou a r. decisão recorrida, com base nos julgamento do Supremo Tribunal Federal, que "externe de dúvida que, na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS, somente deveriam ter sido considerados pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, isto é, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços." Além disso, discutese ainda a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. E é do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins": "EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13851.902718/201213 Resolução nº 3402001.539 S3C4T2 Fl. 155 4 aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS." (RE 574706, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, Acórdão eletrônico DJe223 Divulgado 29/09/2017 publicado 02/10/2017 grifei) Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, segregando na memória de cálculo os valores relacionados às duas teses, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem elabore relatório fiscal avaliando a validade da memória de cálculo do crédito apresentada pelo contribuinte, identificando: (i) se as parcelas relacionadas como "OUTRAS RECEITAS" não se enquadram no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos); e (ii) a sistemática adotada para o cálculo do ICMS excluído da base de cálculo da COFINS à luz do entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13851.902718/201213 Resolução nº 3402001.539 S3C4T2 Fl. 156 5 alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13851.902718/201213 Resolução nº 3402001.539 S3C4T2 Fl. 157 6 do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720685/2012-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 06 85 /2 01 2- 64 Fl. 62DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2011, anocalendário de 2010, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 28.810,00. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Brasília de f. 44/48. Cientificado, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 53/55. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13748.720685/201264 Acórdão n.º 2001000.778 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. Fl. 64DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13748.720685/201264 Acórdão n.º 2001000.778 S2C0T1 Fl. 4 5 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000834/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/04/2002
POSTERIOR HOMOLOGAÇÃO DAS DCOMPS QUE MOTIVARAM LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL.
Constatando-se que os pedidos de compensação que motivaram o presente lançamento foram homologados de forma definitiva, deve-se cancelar a presente exigência fiscal.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/04/2002
POSTERIOR HOMOLOGAÇÃO DAS DCOMPS QUE MOTIVARAM LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL.
Constatando-se que os pedidos de compensação que motivaram o presente lançamento foram homologados de forma definitiva, deve-se cancelar a presente exigência fiscal.
Numero da decisão: 1301-003.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator José Eduardo Dornelas Souza
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1999 a 30/04/2002 POSTERIOR HOMOLOGAÇÃO DAS DCOMPS QUE MOTIVARAM LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL. Constatando-se que os pedidos de compensação que motivaram o presente lançamento foram homologados de forma definitiva, deve-se cancelar a presente exigência fiscal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1999 a 30/04/2002 POSTERIOR HOMOLOGAÇÃO DAS DCOMPS QUE MOTIVARAM LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL. Constatando-se que os pedidos de compensação que motivaram o presente lançamento foram homologados de forma definitiva, deve-se cancelar a presente exigência fiscal.
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COMPENSAÇÕES CONSIDERADAS INDEVIDAS Recorrentes TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/04/2002 POSTERIOR HOMOLOGAÇÃO DAS DCOMPS QUE MOTIVARAM LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL. Constatandose que os pedidos de compensação que motivaram o presente lançamento foram homologados de forma definitiva, devese cancelar a presente exigência fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1999 a 30/04/2002 POSTERIOR HOMOLOGAÇÃO DAS DCOMPS QUE MOTIVARAM LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL. Constatandose que os pedidos de compensação que motivaram o presente lançamento foram homologados de forma definitiva, devese cancelar a presente exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 34 /2 00 6- 38 Fl. 817DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 818 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratamse de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1332.914, da 4ª Turma da DRJ/RJ2, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, mantendo parcialmente a exigência do crédito tributário em discussão, conforme a seguir demonstrado: Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de lide administrativa instaurada com a impugnação de TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S.A. (fls. 113127 e 167181) aos autos de infração lavrados pela DRF/RIO em relação ao PIS (fls. 4548) e à Cofins (fls. 101104). Além da impugnação e dos autos de infração, o processo está instruído com extrato de DCTF de PIS e Cofins (fls. 0306, 34 38, 9094 e 5862), cópia reprográfica de parte do p.a. 15374.002232/200544, assinalando que no p.a. 10070.001529/200241 as declarações de compensação não constituem confissão de dívida (fls. 1117, 6773 e 7780), cópia reprográfica de parte do p.a. 10070.001529/200241, no qual se indefere pedidos de compensação oriundos de supostos saldos negativos de IRPJ (fls. 2125 e 2931), cópias de DARFs (fls. 313361), DIRF (f1s.402418), cópia de recurso junto ao CARF contra acórdão da DRJ que mantém parcialmente créditos tributários referentes a IRPJ e CSLL (fls. 489518), cópia de embargos à execução fiscal oriunda do p.a. n° 13899.000725/200414 (fls. 519536). Instrui, ainda, o presente processo informação anexada pelo contribuinte dando conta de que o STF aprovou súmula vinculante declarando a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 (fls. 547548). Segundo informam os termos de constatação fiscal (fls. 4042 e 9698), em 31/05/2002, nos autos do processo administrativo 10070.001529/200241, o contribuinte solicitou compensação de crédito relativo aos saldos credores de IRPJ apurados ao final dos anos calendário de 2000 e 2001. O reconhecimento do direito creditório referese ao IRRFJuros sobre Capital Próprio, cód. 5706, no valor total de R$ 83.234.049,44, Fl. 818DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 819 3 recolhido pelas Fontes Pagadoras nos anos calendário de 2000 e 2001. Objetivava o contribuinte a compensação com débitos seus de COFINS, cód. 2172, e PIS, cód. 8109, relativos aos períodos de apuração de 07/1999 a 04/2002. Foi verificado, ainda, que parte dos débitos arrolados para compensação não foram objeto de confissão de dívida nas respectivas DCTFs. A partir de outros procedimentos de fiscalização realizados no contribuinte, autos de infração foram lavrados, entre os quais foi gerado o processo administrativo 18471.000999/200529, restando IRPJ a pagar nos anos calendário de 2000 e 2001, e não saldo negativo a compensar. Em decisão proferida naqueles autos, com fundamento no parecer conclusivo DIORT/DERAT/RJ 227/2005, não foi reconhecida a característica de liquidez e certeza aos créditos alegados pelo contribuinte e não foram homologadas as compensações constantes das Declarações de Compensação. Segundo o termo de constatação fiscal (fls. 9698), o contribuinte deixou de declarar em DCTF e de recolher as contribuições para o PIS e COFINS conforme demonstrado a seguir: Fl. 819DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 820 4 Em razão da ausência de declaração de tais valores em DCTF ou de seu pagamento, foi lavrado o auto de infração das contribuições para a Cofins e para o PIS, com a imposição de multa de oficio e juros de mora. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte alega, em sua impugnação, em síntese (fls. 113127 e 167181): De acordo com o "Termo de Verificação Anexo ao Auto de Infração de COFINS", a impugnante teria deixado de recolher a COFINS nos meses supra indicados, em razão da compensação realizada com parcelas do IRPJ, sendo que tal procedimento (compensação) encontrase em discussão no Processo n° 10070.001529/200241. Prossegue o Auto afirmando que a compensação foi julgada improcedente em primeiro grau, por considerar a Administração que, ao invés de possuir créditos de IRPJ passíveis de compensação (utilizados na absorção dos débitos de COFINS), a impugnante seria devedora do imposto em questão, em razão do lançamento de oficio de valores, que deu origem ao Processo Administrativo n° 18471.000999/200529. Em razão da improcedência, em primeiro grau, do pleito de compensação e considerando, ainda, que a COFINS atinente aos meses inicialmente indicados não foram autodeclarados em DCTF, foi lavrado o presente Auto de Infração. A exigência, contudo, não tem mínimas condições de prevalecer, seja em razão de a quase totalidade estar atingida pela decadência, seja em razão da precocidade e ilegitimidade Fl. 820DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 821 5 da obrigação, sobretudo no que respeita à imposição de multa punitiva. A COFINS é tributo sujeito ao lançamento por homologação ou autolançamento, no qual o contribuinte antecipa se à ação do fisco, apura o tributo e recolhe diretamente aos cofres públicos, se o caso. Nessa modalidade de lançamento, a constituição do crédito dá se por duas formas. A primeira, e mais comum, ocorre quando o próprio contribuinte declara os montantes apurados, mediante apontamento dos valores em documento oficial instituído pela legislação. Em relação tal documento é a DCTF, conforme consta do art. 5° do DL n° 2.124/84 . Assim, verificada essa declaração, não há necessidade de processo administrativo para apuração do crédito, conforme iterativa jurisprudência. Não havendo a declaração, tem o fisco o dever de, no prazo improrrogável de proceder ao lançamento, mediante a lavratura de Auto de Infração, sob pena de caducar em definitivo o seu direito, extinguindose a obrigação tributária com fundamento no art. 156, V do CTN. Esta é a hipótese de que cuida o Auto de Infração, na medida em que, à exceção do mês de competência de 12/01, os demais já estão atingidos pela decadência, valendo observar que, no caso em exame, é irrelevante se a contagem do prazo obedecerá ao disposto no art. 150, §4° do CTN (a partir do fato gerador) ou ao art. 173, I (primeiro dia do exercício seguinte do exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado), já que, por ambos os critérios, os demais fatos geradores estão atingidos pela decadência. Por certo alegará a autoridade administrativa que a decadência não se operou, tendo em vista que o lançamento foi efetuado após a decisão administrativa que indeferiu o pleito de compensação no âmbito do Processo n° 10070.001529/200241. Tal argumento, todavia, não se sustenta, na medida em que a decadência tributária somente pode ser regulada por lei complementar e, além disso, não se sujeita a qualquer interrupção ou suspensão. Com efeito, a legislação atinente à compensação sofreu sucessivas modificações nos últimos anos, culminando na atual sistemática prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/96 e regulamentada pela Instrução Normativa n° 600/2005. A época em que formulado o pleito de compensação pela impugnante (31/05/02), que deu origem ao Processo n° 10070.001529/200241, a compensação estava regulamentada pela IN n° 21/97 (alterada em parte pela IN n° 73/97), posteriormente. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 822 6 O sistema vigente naquele período autorizava a compensação de tributos, competindo ao contribuinte formular o competente pedido à autoridade administrativa, tendo sido tais procedimentos observados pela impugnante (em anexo, cópia da íntegra do PA n° 10070.001529/200241, atinente à compensação doc.03). Nada naquela legislação dispensava ou desincumbia a autoridade administrativa de proceder ao lançamento dos valores que deixaram de ser recolhidos em função da compensação, vale dizer, não tendo sido pago o tributo em função da compensação exercida, tinha a fiscalização o dever de proceder à constituição do crédito tributário, ainda que consignasse, em tal ato, a existência de pleito de compensação em curso. A dispensa da constituição do crédito tributário relativamente a débitos compensados somente passou a existir a partir da vigência da Lei n° 10.833/03, que alterou o art. 74 da Lei n° 9.430/96, nele inserindo dispositivo (parágrafo 6 0 do art. 74) no sentido de que "a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados ". Vale dizer, em relação às compensações efetuadas a partir da Lei n° 10.833/03, não se mostra mais necessária a constituição do crédito tributário relativamente a débitos compensados, constituindo a própria declaração de compensação instrumento efetivo de cobrança, passível de inscrição em Dívida Ativa e posterior execução. Antes da publicação da referida lei, as compensações atinentes a débitos não declarados em DCTF submetiamse ao lançamento de oficio. Isto, aliás, é o que reconhece a própria Administração. Nesse sentido, a manifestação de fls. 259/260 do Processo n° 10070.001529/200241 reconhece que, por ter sido a compensação formulada pela impugnante em maio de 2002, antes da Lei n° 10.833/03, não constituiria a mesma confissão de dívida e "não são instrumentos hábeis e idôneos Ora, se o próprio fisco reconheceu que o pleito de compensação formulado pela impugnante não tinha a natureza de confissão de dívida, a conseqüência lógica é a de que havia necessidade de lançamento de oficio. Colocado esse raciocínio que, repitase, decorre de premissa firmada pelo próprio fisco, no sentido de que a compensação pleiteada pela impugnante não teve o efeito de constituir o crédito , a outra conseqüência, igualmente de natureza lógica, é a de que o lançamento deveria ter sido efetuado no prazo legal de 5 anos contado do fato gerador, até porque inexiste outro fixado na legislação. Nem se diga que, tendo sido o referido pedido de compensação "convertido" em declaração de compensação, com o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória Fl. 822DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 823 7 (homologação por parte do fisco), conforme dispõe o §4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, na redação da Lei n° 10.637/02003, não se aplicaria o raciocínio ora defendido. Primeiro porque, se a compensação pleiteada pela impugnante tivesse o efeito de pagamento desde o nascedouro, ou mesmo depois da "conversão", não haveria a necessidade de lavratura do presente Auto de Infração, bastando aguardarse o desfecho do processo de compensação (10070.001529/200241) e, se a decisão final for denegatória, procedese à inscrição do débito em Dívida Ativa, conforme já referido. Em segundo lugar, a interpretação que a própria Administração vem conferindo às Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, que alteraram diversos aspectos da compensação, inclusive o dispositivo que atribui à declaração de compensação a natureza de "confissão de dívida" e a atribuição de efeito suspensivo aos recursos, dispensando a constituição de oficio, é a de que referida norma aplicase unicamente a casos futuros, não pedidos de compensação formulados anteriormente. Nesse sentido, vale referir a manifestação apresentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional de Osasco em procedimento administrativo envolvendo terceiro contribuinte, no qual se discutia os efeitos da manifestação de inconformidade, transcrevendose os seguintes trechos: "Aliás, o recurso com efeito suspensivo, criado pela MP n° 131103, somente se aplica ao regime intitulado DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, criado com a Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. (...) Assim, simples pedido de compensação não extinguia automaticamente o débito, sendo necessário aguardar o procedimento administrativo de apuração da existência e a extensão dos eventuais créditos do contribuinte. Portanto, à época dos pedidos de compensação, a extinção do débito era precedida de procedimento administrativo destinado a apurar a existência do crédito e sua real extensão, cujo início dependia da provocação do sujeito passivo por meio do "Pedido de Compensação" regulamentado pela Instrução Normativa n° 21/97. (...) " Como visto, em 2002 vigiam os artigos 73 e 74 na redação acima transcrita, sendo que qualquer pedido de compensação devia obedecer aos termos neles previstos. Tratandose de prática adotada pelo órgão responsável pela defesa judicial do erário, podese considerar que referido entendimento tem a força de norma complementar da legislação Fl. 823DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 824 8 tributária, por força do disposto no art. 100, III do CTN, razão pela qual deve igualmente ser aplicada no presente caso. Em suma, tratandose de pleito de compensação formulado pela impugnante antes do advento da Lei n° 10.833/03, havia a necessidade de lançamento no prazo qüinqüenal. Assim, ainda que estivesse correta a interpretação conferida pela autoridade lançadora a respeito da legislação da compensação e de seus efeitos sobre a constituição do crédito tributário o que não prevalece, conforme já demonstrado , ainda assim a decadência teria sido consumada, na medida em que o prazo qüinqüenal previsto no CTN (arts. 150, §4° e 173, I) prevaleceriam, de qualquer forma, sobre disposições da legislação ordinária. Somese a isto o fato de que o Superior Tribunal de Justiça já pacificou a jurisprudência no sentido de que o prazo para constituição do crédito tributário, por ser decadencial e não prescricional, não se submete a interrupção ou suspensão. Isto significa que, verificado o fato gerador e não tendo havido o autolançamento pelo contribuinte, o fisco tem o dever de proceder à constituição no prazo de 5 anos, independentemente da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito, tais como liminar e depósito judicial. Nesse sentido, as decisões abaixo. "TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. OBSTÁCULO JUDICIAL. 1.A constituição do crédito tributário, nos termos do CTN, não sofre interrupção ou suspensão, iniciandose o prazo na data da ocorrência do fato gerador. 2.A partir do fato gerador, dispõe a Fazenda do prazo de cinco anos para constituir o seu crédito, não estando inibida de fazêlo se houver suspensão da exigibilidade, nos termos do art. 150, §4° do CTN. 3.A liminar concedida em mandado de segurança (art. 151, IV, do CTN), bem assim as demais hipóteses do mesmo art. 151, não impedem que a Fazenda constitua o seu crédito e aguarde para efetuar a cobrança. 4. Ocorrência da decadência, porque constituído o crédito após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 173, I, CTN). 5. Recurso especial provido. " (RESP n° 702806, rei. Min. Eliana Calmon, j. 14.02.2006) " Diante disso, assim como a liminar ou o depósito não interrompem ou suspendem o prazo para constituição do crédito tributário, do mesmo modo a existência do pleito de compensação não obstava o lançamento do crédito tributário, razão pela qual não tem qualquer fundamento o argumento no Fl. 824DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 825 9 sentido de que o prazo teria ficado suspenso ou sido interrompido em razão da compensação em discussão. Em conclusão, sob qualquer angulo que se examine a questão a conclusão é a de que, à exceção do fato gerador ocorrido em 1212001, quanto aos demais houve a decadência do direito à constituição do crédito tributário. Conforme já referido, o Auto de Infração ora impugnado exige valores de COFINS que foram objeto de compensação com créditos (saldo credor) de IRPJ. Essa compensação é objeto do Processo n° 10070.0015291200241, cuja decisão em primeiro grau foi desfavorável o que redundou, inclusive, na lavratura presente Auto (cf. fls. 259/260, já referidas) , tendo sido interposta a competente Manifestação de Inconformidade, que ainda não foi julgada pela Delegacia de Julgamento (cópia do recurso e de extrato atualizado de andamento processual doc.04). Digno de nota, ainda, que o motivo determinante que levou a autoridade administrativa a julgar improcedente a compensação diz respeito a um outro processo administrativo, qual seja, o Processo n° 18471.000999/200529. Nesse processo, que aguarda o julgamento de recurso voluntário no Conselho de Contribuintes (cópia do recurso e de extrato de andamento processual doe.05), foi apurada a existência de débito de IRPJ, cuja validação definitiva implicaria a inexistência do saldo credor (de IRPJ) que foi compensado com o débito da COFINS objeto do presente Auto de Infração. A exposição dos fatos ora relatados leva à seguinte seqüência lógica: (a) caso o recurso apresentado no PA n° 18471.000999/200529, originário do AIIM de IRPJ, venha a ser provido, o saldo credor de IRPJ tornarseá definitivamente legítimo, gerando o desaparecimento da correspondente dívida de IRPJ constituída; (b) esse saldo credor de IRPJ, nos termos da legislação, pode ser compensado com tributos administrados pela Receita Federal, dentre os quais a COFINS. Essa compensação encontrase em discussão no Processo n° 10070.001529/200241,' que atualmente aguarda julgamento de Manifestação de Inconformidade; (c) o reconhecimento da legitimidade da compensação implica, por sua vez, improcedência da presente ação fiscal, que é fundamentada, como visto, no indeferimento em primeiro grau do processo de compensação. Não há como deixar de reconhecer que a validade da ação fiscal em debate depende de dois fatores externos, relacionados entre si: o julgamento do AIIM de IRPJ (PA n° Fl. 825DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 826 10 18471.000999/200529) e do pleito de compensação (PA n° 10070.001529/200241). Nesse sentido, aliás, reconhece a própria autoridade que prolatou a decisão indeferitória da compensação (fls. 259/260), deixando de sobrestar o andamento do pleito até final julgamento do processo de exigência do IRPJ unicamente porque, nos termos da legislação atualmente vigente, o prazo para julgamento da compensação é de 5 anos, sob pena de homologação e extinção definitivas do crédito tributário (ar174, § 50, da Lei n° 9.430/96, na redação conferida pela Lei n° 10.833/03). Ambos os processos encontramse aguardando julgamento, sendo que os recursos nele interpostos têm efeito suspensivo, observandose que, no processo de compensação, a manifestação de inconformidade foi interposta em 19/12/05, quando já vigia a atual redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, cujos parágrafos 7o a 10 não deixam dúvida quanto à aplicação do inciso III do art. 151 do CTN. Ora, considerando que o débito impugnado decorre do não reconhecimento da compensação exercida que, por sua vez, tem origem na apuração de dívida de IRPJ cuja legitimidade ainda está sob julgamento no âmbito administrativo, resulta claro a existência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. A suspensão, aliás, é dupla, decorrendo tanto do recurso voluntário interposto no processo de exigência de IRPJ quanto da manifestação de inconformidade interposta no procedimento de compensação. Essa constatação deveria ter sido apontada no Auto de Infração ora impugnado, isto é, deveria a autoridade lançadora ter consignado a impossibilidade de cobrança dos valores, até que ambos os procedimentos correlatos sejam ultimados. Portanto, independentemente da impugnação apresentada, que tem o efeito, de per si, de suspender a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, I11, do CTN), deve o órgão julgador reconhecer a suspensão por força dos recursos pendentes nos processos correlatos, sendo inviável cogitarse da cobrança imediata dos valores lançados. Por fim, como conseqüência à existência da medida suspensiva relatada no item anterior, é de rigor a exclusão da multa punitiva de 75% lançada juntamente com a obrigação tributária. Com efeito, a existência de medida suspensiva não impede a constituição do crédito tributário, até porque, como já referido no item 1, o prazo de lançamento é decadencial e não é suspenso ou interrompido de forma alguma, como já decidido inúmeras vezes pelo Superior Tribunal de Justiça. No entanto, o lançamento de ofício nos casos em que a exigência do crédito esta suspensa, a par de viável, impede a Fl. 826DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 827 11 constituição de montantes a título de multa. É o que decorre do disposto no caput do art. 63 da Lei n° 9.430/96: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio." (destacamos) Notese que, embora o dispositivo faça referência unicamente às causas de suspensão previstas nos inciso IV e V do art. 151 do CTN, tem aplicação também ao caso ora em exame, no qual a suspensão da exigibilidade decorre de recursos interpostos em outros processos administrativos (inciso III), já que a essência ou o fundamento da regra são os mesmos: a impossibilidade de penalizar o contribuinte que deixou de pagar tributo amparado na lei. Ademais, é sabido que a multa punitiva tem como pressuposto o descumprimento de um dever legal. Como tal, sua incidência e graduação devem, necessariamente, levar em consideração a conduta imputada ao contribuinte. Caso estes pressupostos não sejam observados, a multa passa a ser desproporcional e, portanto, ilegítima por violar o devido processo legal substantivo, principio cuja aplicação aos atos oriundos do Estado e, sobretudo, da Administração, vem sendo cada vez mais reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, cujo entendimento é extensível à Administração (incluídos os órgãos julgadores do contencioso), por força do Decreto n° 2.346/97. No caso em exame, a impugnante não violou qualquer preceito legal, tendo em vista que, ao pleitear a compensação do IRPJ com a COFINS em maio de 2002, a legitimidade do procedimento era inquestionável, vale dizer, a utilização do saldo credor de IRPJ na compensação de tributos administrados pela Receita Federal era legalmente prevista. A suposta perda da legitimidade dos créditos de IRPJ levados à compensação deuse apenas em momento posterior, quando houve a lavratura do Auto de Infração com a exigência do IRPJ, que deu origem ao Processo Administrativo n° 18471.000999/200529, cujo Auto de Infração veio a ser lavrado em julho de 2.005. Essa suposta perda, todavia, é provisória e depende, para se tornar definitiva, de o Conselho de Contribuintes legitimar em definitivo a exigência do IRPJ, algo que ainda não ocorreu. Por enquanto, o Auto de Infração de IRPJ, bem como a decisão de primeiro grau que o manteve, não exercem quaisquer efeitos, tendo em vista o efeito suspensivo de que é dotado o recurso voluntário lá interposto. Sendo assim, tendo sido o presente Auto de Infração lavrado sob a égide de condição suspensiva da exigibilidade do crédito Fl. 827DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 828 12 tributário eis que, repitase, toda a ação fiscal depende do resultado a ser proferido no PA n° 18471.000999/200529 , não há como imputar à impugnante a exigência de multa punitiva, eis que o pressuposto para tanto é o descumprimento de algum dever legal. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. É de 5 (cinco) anos o limite para a constituição do crédito tributário, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído, na hipótese de inexistência de pagamento. LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL CONFESSADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. À época da constituição do auto de infração (29 de outubro de 2002), constituía dever do auditorfiscal constituir de oficio débitos confessados pelo sujeito passivo, de acordo com a legislação de regência. IMPUGNAÇÃO DE COBRANÇA. A impugnação prevista no rito do procedimento administrativo fiscal regida pelo Decreto n° 70.235 tal como procedeu o sujeito passivo não consiste em via adequada para oporse a suposta cobrança indevida, prestandose tãosomente para contestar a constituição do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Está plenamente consentâneo ao preceptivo legal em vigor a constituição de multa na porcentagem descrita na hipótese dos autos de lançamento de contribuição social para a seguridade social de oficio, sem atestar evidente intuito de fraude. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. É de 5 (cinco) anos o limite para a constituição do crédito tributário, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído, na hipótese de inexistência de pagamento. LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL CONFESSADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 829 13 À época da constituição do auto de infração (29 de outubro de 2002), constituía dever do auditorfiscal constituir de oficio débitos confessados pelo sujeito passivo, de acordo com a legislação de regência. IMPUGNAÇÃO DE COBRANÇA. A impugnação prevista no rito do procedimento administrativo fiscal regida pelo Decreto n° 70.235 tal como procedeu o sujeito passivo não consiste em via adequada para oporse a suposta cobrança indevida, prestandose tãosomente para contestar a constituição do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Está plenamente consentâneo ao preceptivo legal em vigor a constituição de multa na porcentagem descrita na hipótese dos autos de lançamento de contribuição social para a seguridade social de oficio, sem atestar evidente intuito de fraude. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente em 14 de março de 2011 do acórdão recorrido (efls. 632), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 13 de abril de 2011 (efls. 633), tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. Antes dos autos serem enviados ao CARF, foi certificado pela DEMAC/RJO que o valor do crédito tributário exonerado se enquadra no artigo 1º da Portaria MF nº 3. de 3 de janeiro de 2008, revelando que a decisão proferida pela DRJ seria passível de recurso de ofício. Os autos foram, então, enviados para à DRJ que, através do Presidente da Turma Julgadora, corroborou com a informação a que se fez referência, e recorreu de ofício para que o CARF conhecesse e analisasse este recurso (efls. 788). Na seqüência, os autos foram remetidos para a 3ª Seção de Julgamento. Iniciado o julgamento, o colegiado da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, daquela Seção, através do Acórdão nº 3202001.363, decidiu declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento, para onde o processo foi enviado e posteriormente distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 830 14 Da Análise do Recurso Voluntário Inferese dos autos que o contribuinte, em outro processo (Proc. nº 10070.001529/200241), na data de 31/05/2002, solicitou compensação de direito creditório proveniente de saldos negativos de IRPJ apurados ao final dos anoscalendário de 2000 e 2001 com débitos de PIS e de COFINS relativos aos períodos de apuração de 07/1999 a 04/2002, sendo seu pleito negado, em despacho inicial. Considerou a Administração que, ao invés de possuir créditos de IRPJ passíveis de compensação, o contribuinte seria devedor do imposto em questão, lavrandose o presente lançamento pela falta de recolhimento do PIS e da COFINS, conforme demonstrado em quadro consignado no relatório. Em sua defesa, entre outros argumentos, alega a recorrente, inicialmente, que o julgamento do presente processo depende de dois fatores externos, relacionados entre si: o julgamento do AIIM de IRPJ (PA nº 18471.000999/200529) e do pleito de compensação (PA nº 10070.001529/200241). Com efeito, no processo administrativo de n.º 18471.000999/200529, debateuse o IRPJ e a CSLL devidos nos anoscalendário de 2000 a 2003, período que compreende a origem do crédito de IRPJ que a Recorrente visou compensar com débitos de PIS e da COFINS lançados. Este processo já foi apreciado por este colegiado que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício (Acórdão n.º 1301000.711, de 19/10/2011), encontrandose atualmente no "arquivo geral", ou seja, definitivamente julgado. Com relação ao processo que trata do pleito de compensação (PA nº 10070.001529/200241), não vislumbro prejudicialidade de se proferir aqui uma decisão sem que haja uma decisão definitiva naqueles autos sobre todo o crédito lá pleiteado. Basta, a meu ver, que parte do crédito lá pleiteado seja homologado, no que aqui interessa, e que não caiba, sobre esta parte, mais recurso. Consultando os termos da Resolução nº 1201000.143, exarada naqueles autos, verifico que a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro homologou tacitamente as compensações declaradas nas DCOMP e PERD/COMP, em data anterior a 20.10.2003, conhecendo do argumento trazido pelo contribuinte que a análise válida das compensações somente ocorreu em 20.10.2008 (data da ciência do segundo despacho decisório). Confirase a ementa do acórdão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. DISPENSA. Considerase desnecessária a realização de perícia, se do exame da matéria constatase que os documentos presentes nos autos são suficientes para o deslinde da pendência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 830DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 831 15 Anocalendário: 2000, 2001 PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para formar convicção sobre a certeza e liquidez de crédito objeto de compensação declarada, ao Fisco é facultado o direito de reapurar os resultados da pessoa jurídica relativos a períodos já alcançados pela decadência, desde que, manifestandose exclusivamente acerca da existência dos saldos negativos informados nas DIPJ, deixe de constituir eventual crédito tributário correspondente aos períodos já decaídos. PREJUDICIAL DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE COMPENSAÇÕES DECLARADAS. DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO APÓS CINCO ANOS. ACOLHIMENTO. Consideramse homologadas as compensações declaradas e, por conseguinte, extintos os débitos da pessoa jurídica com a Fazenda Nacional, nos termos do art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/1996 e do art. 156, inciso II, do CTN, se a ciência do Despacho Decisório, proferido em face da anulação do Despacho anterior, ocorre após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da entrega das DCOMP e PER/DCOMP. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO DO IRRF INCIDENTE SOBRE RECEITA DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS COM DÉBITOS DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDOS. SALDOS NEGATIVOS APURADOS EM DIPJ. RECONHECIMENTO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. Se a pessoa jurídica comprova parcialmente, com documentos hábeis e idôneos, a existência dos saldos negativos apurados em DIPJ, oriundos de IRRF incidente sobre receitas de juros sobre capital próprio e rendimentos de aplicações financeiras, impõe se o reconhecimento da compensação declarada de créditos com débitos de impostos e contribuições federais, informados em DCOMP e PER/DCOMP, até o limite do crédito remanescente, atualizado monetariamente. Esta decisão não foi submetida a recurso de ofício, devendose, por isso, ser reconhecida a definitividade de seus efeitos no que tange à homologação tácita de parte das Dcomps apresentadas naquele processo, pois, como já percebido, esses efeitos influenciam neste processo. Conforme visto, os pedidos de compensação que motivaram o presente lançamento foram homologados de forma definitiva, posto que apresentados em 31/05/2002, ou seja, em data anterior à 20/10/2003. Por conseqüência, o presente lançamento tornouse insubsistente, o que se impõe o cancelamento da exigência fiscal aqui em discussão. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 1301003.343 S1C3T1 Fl. 832 16 Vejase que nos autos (fl. 674), há um quadro, colacionado pela DRJ, quando do julgamento do processo nº10070.001529/200241, relacionando uma a uma, as Dcomps homologadas. As Dcomps de fls. 01/04 referidas no referido quadro, são as Dcomps que motivaram o presente auto de infração. Então, além das considerações acima, as Dcomps aqui referidas foram relacionadas expressamente por aquela decisão (definitiva). Conclusão Dessa forma, conduzo meu voto, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal e, por conseqüência, negar provimento ao recurso de ofício. Apenas por cautela, determino seja colacionada cópia da presente decisão nos autos do processo nº 10070.001529/200241. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 832DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720016/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO.
É de trinta dias o prazo para apresentação do recurso voluntário, sendo este considerado individualmente.
Numero da decisão: 2201-004.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários formalizados pelos contribuintes solidários, em razão de sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. É de trinta dias o prazo para apresentação do recurso voluntário, sendo este considerado individualmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários formalizados pelos contribuintes solidários, em razão de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 00 16 /2 01 4- 91 Fl. 1124DF CARF MF 2 Tratase de recursos voluntários apresentados por empresas arroladas como componentes do mesmo grupo econômico, pelo qual pretendem a revisão do Acórdão nº 15 33.135, da 7ª Turma da DRJ/SDR (fls. 1050/1078), pelo qual foi negado provimento às impugnações apresentadas pela contribuinte e demais responsáveis solidárias. Este processo decorre do desmembramento do processo nº 13116.722155/201114, composto pelos seguintes lançamentos, todos relativos ao período 07/2007 e 12/2008 (Relatório fiscal fls. 120/129): AI Debcad nº 37.290.4459, que tem com descrição do fato gerador GFIP atual parte patronal, GFIP substituída parte patronal, não declarados parte patronal e rubricas não consideradas parte patronal. AI Debcad nº 37.290.4467, que tem como descrição do fato gerador GFIP substituída parte dos segurados. AI Debcad nº 37.290.4475, relativo ao fato gerador Não declarados parte dos segurados. AI Debcad nº 37.351.9559, relativo às Rubricas não consideradas parte dos segurados. Para a melhor compreensão desses fatos geradores e dos demais fatos relevantes para o lançamento realizado, adoto os seguintes excertos do relatório constante da decisão de piso: Após análise da documentação apresentada, especialmente as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, em confronto com as informações constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o contribuinte se enquadrava indevidamente na condição de "Optante pelo Simples", como se fosse integrante do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Esse enquadramento foi indevido, uma vez que a empresa de fato não estava incluída nesse regime, conforme consultas nos sistemas da Receita Federal do Brasil e segundo Declaração do próprio contribuinte, em anexo, onde ele afirma ter informado tal situação de forma equivocada. Com esse autoenquadramento da empresa nas suas declarações, o valor devido calculado de contribuição previdenciária representava apenas a parcela dos segurados, não sendo calculada a parte da empresa (patronal). As informações de folha de pagamento foram entregues em meio digital no formato MANAD 1.0.0.2 Manual Normativo de Arquivos Digitais aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n°. 12 de 20/06/2006. Dos fatos geradores: “GFIP Atual”. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 13116.720016/201491 Acórdão n.º 2201004.728 S2C2T1 Fl. 1.124 3 Para as remunerações informadas em GFIP não foi calculado o valor de contribuição previdenciária devida pela empresa, ou seja, parte patronal, em decorrência da informação incorreta de "Optante pelo Simples". São consideradas como "GFIP atual" as remunerações declaradas na última GFIP antes do início do procedimento fiscal, uma vez que na sistemática vigente no período fiscalizado até os dias de hoje, cada GFIP entregue substitui outra anterior da mesma competência. Mesmo que as contribuições da parte dos segurados tenham sido devidamente declaradas, as remunerações serviram de base de cálculo no auto de infração para as contribuições da parte da empresa. A apuração desses fatos geradores encontramse detalhadas nas duas planilhas em anexo com título "Trabalhadores Segurados Empregados Declarados em GFIP" e "Trabalhadores Contribuintes Individuais Declarados em GFIP", utilizandose as colunas cujo título englobado delas é "GFIP Exportada (atual)". As contribuições apuradas para este fato gerador são consideradas "Não declaradas em GFIP antes do procedimento fiscal", tendo em vista a informação indevida de "Optante pelo Simples", ocasionando a situação que pode ser configurada "em tese" como sonegação de contribuição previdenciária, nos moldes do Art. 337A do Código Penal. Dos fatos geradores: “GFIP Substituída”. Foram apuradas as remunerações contidas em folha de pagamento e comparadas com as declarações em "GFIP Atual", levandose em conta a base de cálculo considerada pelo contribuinte. Ocorre que, a “GFIP Atual” muitas vezes não reflete a base de dados a ser declarada pela empresa, apresentando um valor bem inferior ao que normalmente a empresa declara, e uma quantidade pequena de segurados, às vezes somente um ou dois. Tal fato, ocorre pela empresa não ter se adaptado à sistemática de GFIP única, e mesmo que tenha feito a declaração de sua massa salarial completa, posteriormente faz a informação de apenas um ou outro segurado para efeito de recolhimento de FGTS, e esta última substitui a anterior. Dessa forma, as remunerações que não constam da "GFIP Atual", mas foram informadas na "GFIP Substituída" foram tratadas em separado no Auto de Infração, mesmo que sendo informações não declaradas em GFIP. A apuração desses fatos geradores encontramse detalhadas nas duas planilhas em anexo com título "Trabalhadores Segurados Empregados Declarados em GFIP" e "Trabalhadores Fl. 1126DF CARF MF 4 Contribuintes Individuais Declarados em GFIP", utilizandose as colunas cujo título englobado delas é "GFIP Substituída (anterior)". Ainda foram apurados a título de dedução os valores de salário família e salário maternidade, conforme planilha em anexo "GFIP Substituída Salário Família e Salário Maternidade". No caso da GFIP Substituída, a parcela dos segurados também é considerada na apuração do valor devido, por ser "não declarado em GFIP antes do início do procedimento fiscal", porém não foi aqui considerada na situação do Art. 337A do Código Penal. Já as contribuições da parte patronal, ficam na mesma situação da "GFIP Atual", uma vez que mesmo nas GFIP substituídas existia a informação indevida de "Optante pelo Simples", ocasionando a situação que pode ser configurada "em tese" como sonegação de contribuição previdenciária, nos moldes do Art. 337A do Código Penal. Dos fatos geradores: "Não Declarados". Depois de apuradas as remunerações contidas em folha de pagamento e comparadas com as declarações em "GFIP Atual" e com as declarações em "GFIP Substituídas", ainda restaram alguns segurados cujas remunerações não haviam sido declarados em nenhuma GFIP, ou foram declaradas com remuneração menor. Para esses casos, tanto a parte patronal como a parte dos segurados são consideradas como "não declaradas em GFIP antes do início do procedimento fiscal", podendo ser configuradas "em tese" como sonegação de contribuição previdenciária, nos moldes do Art. 337A do Código Penal. Para esses casos independe a informação de "Optante pelo Simples", uma vez que os segurados não estavam declarados e a empresa de fato não faz parte deste sistema simplificado de tributação. Os valores apurados estão demonstrados nas planilhas em anexo: "Segurados não Declarados em GFIP" e "Segurados Declarados a menor na GFIP". Dos fatos geradores: "Rubricas Não Consideradas". As comparações entre Folha de Pagamento e declarações em GFIP foram efetuadas pelo salário de contribuição considerado pela empresa. Porém foram apuradas rubricas de remuneração nas folhas de pagamento que o contribuinte não considerou como integrantes do salário de contribuição, consequentemente não sendo base de cálculo de contribuição previdenciária e não sendo somadas nas remunerações declaradas em GFIP. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 13116.720016/201491 Acórdão n.º 2201004.728 S2C2T1 Fl. 1.125 5 Tais rubricas foram enumeradas uma a uma e seus valores estão detalhados na planilha em anexo "Rubricas Não Consideradas pelo Contribuinte na Base de Cálculo". Foi pedido esclarecimento para o contribuinte, e mesmo com a resposta apresentada, que está anexada a este processo, todas elas foram consideradas pela fiscalização como integrantes do salário de contribuição, sendo apuradas as contribuições devidas tanto da parte patronal como da parte dos segurados. Em sua resposta, o contribuinte afirma que esses proventos não foram considerados na base de cálculo porque "segundo consulta convenção coletiva de trabalho todos os proventos informados não há incidência de encargos sociais". Ocorre, porém, que nenhum contrato ou convenção coletiva pode sobrepujar a lei, inclusive no que diz respeito à legislação tributária, sendo cada uma das rubricas base de incidência de contribuições previdenciárias. A base de cálculo é o salário de contribuição, definido no artigo 28, incisos I da Lei n° 8.212/91: Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifou se) Com análise dessa definição, observase que mesmo os proventos que forem atribuídos aos trabalhadores por meio de convenção ou acordo coletivo de trabalho, também compõem o salário de contribuição. No mesmo artigo citado acima, em seu § 9o, são definidos os casos que não integram o salário de contribuição, que são geralmente verbas indenizatórias ou pagas "in natura", sendo que em nenhum deles se enquadram as rubricas aqui consideradas pela fiscalização, que são: 119 vale transporte 128 auxílio combustível 174 auxílio moradia Fl. 1128DF CARF MF 6 213 auxílio alimentação 246 vale refeição 505 gratificação de desempenho Todas esses rubricas foram pagas em espécie, ou seja, na forma de proventos em folha de pagamento, e não "in natura". A parcela considerada como parte dos segurados foi calculada com base na tabela escalonada de alíquotas dos segurados empregados, conforme demonstrado na planilha citada acima, e esses valores não foram arrecadados pela empresa mediante desconto na remuneração. Além da empresa autuada, foram arroladas como sujeitos passivos solidários as empresas que comporiam o mesmo grupo econômico de fato: Comercial de Alimentos Gileade Ltda. ME, Supermercado e Panificadora Shalon, Panificadora e Supermercado Rapha Ltda., Comercial de Alimentos AMA Ltda., Comercial de Alimentos Sheykina Ltda., Comercial de Alimentos Yeshua Ltda., Comercial de Alimentos Eloah Ltda. ME, Adonai Alimentos Ltda., Comercial de Alimentos Yave Ltda. e Comercial de Alimentos Elohim Ltda. As justificativas para a atribuição dessa responsabilidade estão assim descritas no relatório da decisão recorrida: Por pertencerem a um grupo econômico, todas as empresas respondem solidariamente pelas contribuições previdenciárias apuradas na auditoria fiscal, conforme previsto no inciso IX do Art. 30, da Lei 8.212, de 1991. As empresas que fazem parte do grupo econômico estão relacionadas no anexo com o título "Empresas do Grupo Econômico", onde estão dados de cada uma, tais como o CNPJ, a razão social, o endereço e discriminação dos sócios. Nesse anexo citado acima, com a exceção da empresa "Dourado e Fernandes Prestadora de Serviços Ltda", os demais estabelecimentos possuem atividade de supermercado e estão associadas a um número de 01 a 10, que servirá de referência neste relatório, sendo chamadas de "Loja 01"; "Loja 02", e assim por diante. Segue em anexo também uma relação com o título "Outras Empresas Relacionadas Sócios em Comum", a título ilustrativo, onde estão demonstradas outras empresas também relacionadas ao grupo econômico em função de alguns sócios em comum, e que também possuem correspondência com as lotações dos trabalhadores de "Dourado e Fernandes Prestadora de Serviços", ou seja, os locais onde eles prestam serviço. Para que as empresas fossem consideradas pela fiscalização como integrantes de um Grupo Econômico de fato, foram levados em conta uma série de indícios descritos a seguir, que isoladamente não configuram a situação, mas em seu conjunto levam a conclusão de que se trata realmente de um grupo econômico: • Todas as empresas utilizam o nome fantasia "Supermercado + Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 13116.720016/201491 Acórdão n.º 2201004.728 S2C2T1 Fl. 1.126 7 Econômico", com exceção apenas da prestadora de serviços "Dourado e Fernandes Prestadora de Serviços Ltda", e utilizam também a mesma logomarca. • As lojas 01, 02, 03 e 05 possuem os mesmos sócios da empresa fiscalizada, que são: Wagner Dourado de Azevedo e Jacqueline Fernandes de Miranda Dourado. • As outras lojas possuem como sócios os Srs. Sandro Renato Costa da Silva e sua esposa Janaine Fernandes de Miranda, esta irmã de Jacqueline Fernandes de Miranda Dourado. • O contrato de prestação de serviços entre a fiscalizada "Dourado e Fernandes" e a loja 01, possuem como representante legal da contratada e da contratante a mesma pessoa, Jacqueline Fernandes de Miranda Dourado". • A relação de lotações dos trabalhadores da "Dourado e Fernandes Prestadora de Serviços", que correspondem aos locais onde são prestados os serviços e constam das folhas de pagamento, possuem identificação correspondente ao número da loja, como por exemplo: "Loja 08 ValpI" e "Loja 09 Estância Planaltina", que correspondem às lojas 08 e 09, localizada respectivamente em Valparaíso de Goiás e em Planaltina. • Dentre os cargos dos trabalhadores estão claramente atividades fim de um supermercado, tais como: repositor, empacotador, operador de caixa, padeiro, fiscal patrimonial, auxiliar de entregas, dentre outros. • A declaração do contribuinte fiscalizado informa que a empresa não tem faturamento em relação à prestação de serviços, afirmando que está regularizando situação cadastral junto à Prefeitura, sendo que não emitiram nenhuma nota fiscal para seus contratantes e os recebimentos são feitos na forma de adiantamento. • O contribuinte não consta como beneficiário nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF de 2009 e 2010, de forma a confirmar que não houve pagamentos pelos serviços prestados declarados pelos contratantes. • O contribuinte apresentou Relação de Colaboradores indicando três tomadores de serviço que correspondem às lojas de supermercado integrantes do grupo. • Foi apresentada uma declaração do contador, Sr. Cleone Luiz Gomes, afirmando que a empresa não enviou documentação necessária para elaboração do livro caixa. Fl. 1130DF CARF MF 8 • Na página da internet do supermercado econômico, com endereço: www.maiseconomico.com.br, estão discriminadas todas as lojas como parte de um só empreendimento, sendo que procurouse fazer uma correspondência entre a numeração das lojas ali demonstradas e o anexo "Empresas do grupo econômico". • Nas sacolinhas de cada supermercado está a indicação de outras lojas integrantes do grupo, como forma de propaganda, indicando fazerem parte de um mesmo empreendimento. • O Supermercado e Panificadora Shalon Ltda, correspondente à Loja 02 em Valparaíso, apresentada como contratante dos serviços de "Dourado e Fernandes" no contrato de prestação de Serviços, que possui como sócios os Srs. Wagner e Jaqueline citados acima, tinha anteriormente como sócios o Srs. Sandro Renato Costa da Silva e Janaine Fernandes de Miranda da Silva, conforme alteração contratual registrado na Junta Comercial do Estado de GoiásJUCEG. • Da análise das Declarações de Imposto de Renda Exercício 2005 anocalendário de 2004 de Jaqueline Fernandes de Miranda Dourado e de Wagner Dourado de Azevedo, constata se que eles não auferiram rendimentos compatíveis com a aquisição das quotas de capital social para R$ 20.000,00, e menos ainda com a integralização do aumento do capital social para R$ 200.000,00, conforme alteração contratual registrada na JUCEG em 03/06/2004. • Nas certidões encaminhadas pelo Ofício de Registro de Imóveis de Valparaíso de Goiás, de 25 de fevereiro de 2008, consta que o Sr. Sandro Renato Costa da Silva era, no momento da emissão da certidão, proprietário dos imóveis localizados no lote 02 e 50% do lote 04, da Rua 18, Quadra 27, local de funcionamento do Supermercado e Panificadora Shalon Ltda, cujos sócios são o Sr. Wagner Dourado de Azevedo, e Jacqueline Fernandes de Miranda Dourado. • O Sr. Sandro Renato da Costa da Silva possui procuração pública feita em cartório para gerir com amplos poderes a empresa "Dourado e Fernandes Prestadora de Serviços Ltda". • No Processo Trabalhista cujo reclamante é Eduardo Morethe Costa, e a reclamada a empresa "Dourado e Fernandes Prestadora de Serviços Ltda, consta a contratação e pagamento do reclamado pela reclamada na função de motorista, e consta uma "Declaração de Compensação de Horas Extras" em papel com o timbre o Supermercado + Econômico e assinatura do representante da empresa "Comercial de Alimentos Adonai", CNPJ: 10.779.738/000152, correspondente à Loja 08, de forma a confundir quase como uma entidade só essa loja e a prestadora de serviços "Dourado e Fernandes". • Nesse mesmo processo trabalhista citado no item acima, existe um comprovante de pagamento de FGTS para o reclamado da Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 13116.720016/201491 Acórdão n.º 2201004.728 S2C2T1 Fl. 1.127 9 Caixa Econômica Federal onde consta: "Efetuado por: Sandro R C da Silva", e a expressão: Transação efetuada com sucesso por Sandro Renato Costa da Silva. • Na petição inicial do Processo trabalhista cujo reclamante é o Sr. Aldemir dos Reis Barbosa da Conceição, figura como reclamadas simultaneamente as empresas Dourado e Fernandes Prestadora de Serviços Ltda e Supermercado Econômico, com endereços diferentes mas tratadas juntas no processo como "reclamadas", sendo mencionado na petição que são "ambas do mesmo grupo econômico". • Na Petição de embargos de Declaração referente ao processo trabalhista RTOrd n. 015790064.2009.5.18.0241, ainda com o reclamante Sr. Aldemir dos Reis Barbosa da Conceição, figuram como reclamadas as empresas Dourado e Fernandes Prestadora de Serviços Ltda e Supermercado e Panificadora Shalon Ltda, onde elas, representadas pelo mesmo advogado, vem "opor embargos de declaração", onde foram contestadas as pretensões trabalhistas do reclamante, mas em momento algum foi alegado a separação ou distinção das reclamadas ou a negação do "grupo econômico" mencionado na petição inicial. Diante de tudo anteriormente exposto, chegase à conclusão de que a empresa "Dourado e Fernandes Prestadora de Serviços Ltda" era responsável pela contração de pessoal que iria trabalhar nos supermercados, não tendo faturamento próprio, funcionando apenas como um "braço", ou seja, uma extensão de toda a rede de supermercados, de tal forma que não existiria se não fosse para atender o próprio grupo, pois seus contratantes são somente as empresas do grupo ou relacionadas a ele. E ainda, que os supermercados estão relacionados entre si, estando no mesmo ramo de atividade em regiões próximas, mas não concorrem entre si, ao contrário, as lojas são divulgadas ao público como parte de um mesmo empreendimento. Assim, fica caracterizado que essas empresas na verdade formam um "Grupo Econômico", na forma de uma rede de supermercados ligadas ainda a uma empresa prestadora de serviços que serviria para intermediar a mãodeobra de todo o grupo. O lançamento foi impugnado pela empresa autuada e pelas responsáveis solidárias, contudo foi mantido integralmente pela decisão de piso nos termos em que lavrado, inclusive com a atribuição de responsabilidade solidária às empresas componentes do grupo econômico (Acórdão nº 1533.135, da 7ª Turma da DRJ/SDR fls. 1050/1078). A ciência dessa decisão foi dada aos sujeitos passivos em: 26/09/2013, para as empresas Adonai Alimentos Ltda., Supermercado e Panificadora Shalon, Comercial de Alimentos AMA Ltda., Comercial de Alimentos Sheykina Ltda e Comercial de Alimentos Yeshua Ltda.; e 14/11/2013, para Comercial de Alimentos Eloah Ltda. ME, Comercial de Alimentos Yave Ltda., Comercial de Alimentos Elohim Ltda. e para a empresa fiscalizada WF Prestadora de Serviços Ltda. ME. Fl. 1132DF CARF MF 10 Apresentaram recurso voluntário, em 20/11/2013, as seguintes empresas (fls. 1099/1120): Adonai Alimentos Ltda., Supermercado e Panificadora Shalon, Comercial de Alimentos AMA Ltda., Comercial de Alimentos Sheykiná Ltda. e Comercial de Alimentos Yeshua Ltda. Em suas razões de recorrer, essas empresas apresentam argumentos semelhantes, que podem ser assim resumidos: 1. A impugnante pertence de fato aos sócios arrolados no contrato social, não pertence nem pertenceu a grupo econômico ou coligação com empresa. 2. A impugnante teria contratado a empresa Dourado e Fernandes para assumir a contratação de pessoal e a logística operacional da empresa, mediante consulta prévia ao sindicato dos empregados e procedeu de acordo com as sugestões deste. 3. A empresa autuada, quando contratada, possuía boa estrutura e capacitação para a oferta de mãodeobra no seguimento de mercado e similares. 4. Foram tomados os procedimentos legais para a contratação. 5. O contrato foi rescindido após a constatação das irregularidades que deram origem ao auto de infração. 6. Não é admissível que o fato de uma irmã de uma sócia da empresa ter feito no passado quadro societário da empresa autuada causar a responsabilidade da empresa. Apenas a empresa Adonai argumenta ainda que seu cadastro na Receita Federal do Brasil deuse apenas em 24/04/2009. Neste conselho, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta Relatora. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora A primeira questão a ser enfrentada é se o recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, mais especificamente se foi tempestivo. Em 20 de novembro de 2013, protocolaram recursos voluntários as empresas Comercial de Alimentos Amã Ltda., Comercial de Alimentos Sheykirá Ltda., Comercial de Alimentos Yeshua Ltda., Supermercado e Panificadora Shalon Ltda. e Adonai Alimentos Ltda. A ciência da decisão recorrida deuse em 26 de setembro de 2013. Nessa decisão, o relator considerou que a contagem do prazo tem início a partir da intimação do último coobrigado, como determinava a Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007, publicada após a unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária pela Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 13116.720016/201491 Acórdão n.º 2201004.728 S2C2T1 Fl. 1.128 11 Ocorre que essa mesma Lei, que manteve a aplicabilidade das normas então em vigor, também previu que: Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no § 1o do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei; O parágrafo mencionado possui a seguinte redação: Art. 16 ... § 1o A partir do 1o (primeiro) dia do 13o (décimo terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o disposto no caput deste artigo se estende à dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE decorrente das contribuições a que se referem os arts. 2o e 3o desta Lei. Portanto, a partir do 1º dia do 13º mês subseqüente ao da publicação da Lei nº 11.457, de 2007, o processo de determinação e exigência das contribuições previdenciárias e para terceiros passou a ser regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que não contém o critério diferenciado de contagem de prazos para os processos aqui discutidos. Ressaltese que os atos foram praticados antes da entrada em vigor do novo Código de Processo Civil, que tem aplicação subsidiária e supletiva ao PAF. Contudo, mesmo na vigência deste, o prazo para apresentação de recurso é contado individualmente, a teor do que determina o § 2º, do art. 231 (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015). Daí decorre que nenhum dos recursos apresentados é tempestivo, não tendo havido a devolução de qualquer matéria para análise neste colegiado. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer dos recursos voluntários apresentados. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 1134DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721979/2008-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando o acórdão recorrido é fundamentado em contexto jurídico-normativo não existente quando do julgamento dos acórdãos paradigmas. Tampouco pode ser conhecido Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando o acórdão recorrido é fundamentado em contexto jurídiconormativo não existente quando do julgamento dos acórdãos paradigmas. Tampouco pode ser conhecido Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 19 79 /2 00 8- 99 Fl. 354DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo a Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2005, 2006 e 2007, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, e recebidos a título de aposentadoria no período de 01/2003 a 10/2005. A primeira verba corresponde a diferenças de remuneração verificadas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV, em 1994. Em diligência, a DRJ de Salvador/BA solicitou a aplicação da forma de cálculo determinada pelo Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda no DOU de 11/05/2009, que dispõe sobre rendimentos recebidos acumuladamente, levando em conta as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, sendo o cálculo mensal e não global. Em sessão plenária de 10/03/2015, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801004.021 (fls. 289 a 295), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de 'classificação indevida de rendimentos' nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, nos termos do voto do Relator.” O processo foi encaminhado à PGFN em 27/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 296) e, em 15/04/2015, foi interposto o Recurso Especial de fls. 297 a 312 (Despacho de Encaminhamento de fls. 313), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes questões: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10580.721979/200899 Acórdão n.º 9202007.265 CSRFT2 Fl. 275 3 a) inaplicabilidade do REsp nº 1.118.429, quando os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de lei ordinária estadual (e não de decisão judicial); b) possibilidade de recalcular o valor devido, com base na interpretação dada pelo Colegiado ao art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988; e c) natureza do vício que macula o lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 29/05/2015 (fls. 314 a 322). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Da inaplicabilidade do RESP nº 1.118.429/SP, quando os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de lei ordinária estadual diante do pronunciamento do STJ no rito previsto no art. 543C do CPC, e tendo em conta o que dispõe o art. 62A do Regimento Interno do CARF, não há mais como discutir a sistemática aplicável para cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial; contudo, o entendimento consubstanciado pelo STJ no RESP nº 1.118.429/SP não se aplica ao presente caso, eis que os rendimentos recebidos acumuladamente pelo autuado não decorrem de decisão judicial, e sim de previsão constante em lei estadual; o caso dos autos é relativo a rendimentos recebidos acumuladamente em razão do disposto na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que supostamente reconheceu o direito do contribuinte à “indenização” decorrente de perdas remuneratórias quando da conversão, no ano de 1994, do Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor (URV); no caso, a referida lei determinou o pagamento da “indenização” em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006; desse modo, resta claro que o caso dos autos é absolutamente diverso daquele analisado pelo STJ, restando inadequada a aplicação do RESP nº 1.118.429/SP ao presente feito. Da possibilidade de recálculo do valor devido a título de IRPF tendo como parâmetro as decisões do STJ e do STF caberá à Câmara Superior de Recursos Fiscais analisar qual será o destino dos lançamentos por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, cujo imposto de renda foi calculado com base no montante integral creditado extemporaneamente; esta Procuradoria entende que os lançamentos devem ser mantidos, determinandose tão somente o recálculo do valor de IRPF devido, tendo como parâmetro o decidido pelo STJ; isto porque a omissão de rendimentos efetivamente existiu, não sendo tal fato alterado pelas decisões judiciais supra referidas; Fl. 356DF CARF MF 4 fazse necessário, tão somente, recalcular o montante do tributo devido de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte; desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastando sua revisão pela autoridade julgadora, excluindose os valores indevidos, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação do quanto devido. Da natureza formal do eventual vício apontado no acórdão recorrido pela leitura dos arts. 10 e 11 do Decreto 70.235, de 1972, e art. 142, do CTN, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o Auto de Infração, deve exteriorizarse; com efeito, o descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972) e, portanto, enseja a anulação do lançamento por vício formal; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o eventual equívoco na forma de apuração do imposto é causa de anulação do lançamento por vício formal e não de cancelamento, vez que foi preterido o método estabelecido em lei; a propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o Auto de Infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142 do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido e provido o Recurso Especial, mantendose o lançamento. Caso superada tal tese, seja determinado o recálculo do valor devido ou, caso assim não se entenda, que seja o lançamento anulado por vício formal. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 11/08/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 327), o Contribuinte ofereceu, em 25/08/2015 (carimbo de fls. 329), as Contrarrazões de fls. 329 a 346, contendo os seguintes argumentos: Da utilização de paradigmas que não se contrapõem ao entendimento firmado pela turma a quo com base em decisão proferida pelo STF os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem sim de ação judicial; a Lei Complementar Estadual nº 20, de 2003, utilizada pela Recorrente para afirmar que os rendimentos recebidos acumuladamente pelos membros do Ministério Público Estadual seriam decorrentes de lei e não de decisão judicial, limitase a estabelecer a forma de pagamento das diferenças de remuneração ocorridas pela conversão da moeda Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, reconhecidas no bojo de Ação Ordinária de nº 140.97.5921531; o art. 2º da referida lei deixa claro que os rendimentos foram objeto da Ação Ordinária de n°. 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10580.721979/200899 Acórdão n.º 9202007.265 CSRFT2 Fl. 276 5 a Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, a que a Recorrente faz menção, não tem qualquer relação com o caso concreto, já que se destina aos Magistrados; a lei que ratificou a necessidade de recebimento das diferenças de URV, já reconhecida judicialmente, estabelecendo a forma de pagamento destas diferenças, é a Lei Complementar nº 20, de 2003; ademais, a Recorrente afirma que a Turma a quo entendeu aplicável ao presente caso o REsp n° 1.118.429, razão pela qual passa a acostar paradigmas acerca da inaplicabilidade do mencionado Recurso Especial; ocorre que a Turma a quo não adotou o REsp em questão mas sim seguiu entendimento firmado pelo STF, sobre o qual a Recorrente não se manifestou nem adotou qualquer paradigma em sentido diverso; em nenhum momento a Turma a quo afirmou que seria aplicável, ao caso concreto, o entendimento firmado pelo STJ no REsp nº 1.118.429; a Turma, em verdade, fundamentou o seu acórdão no posicionamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recurso Extraordinário cuja repercussão geral já havia sido reconhecida; acontece que a Recorrente não acostou ao seu recurso qualquer acórdão paradigma que se contraponha ao entendimento firmado pelo STF sobre a matéria; uma vez não demonstrada a divergência por meio de paradigma que se contraponha aos termos da decisão recorrida, a matéria resta solidificada, e o recurso, quanto a este ponto, não deve sequer ser admitido. Da impossibilidade de recalcular o valor devido acontece que os acórdãos paradigmas indicados pela Recorrente foram proferidos em momento em que a decisão do STF no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS ainda não havia sido divulgada em seu inteiro teor; com a publicação do acórdão referente ao julgamento do RE nº 614.406/RS, o mundo jurídico tomou conhecimento da declaração de inconstitucionalidade do artigo 12, da Lei n° 7.713, de 1988, que determinava a incidência do IR, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos; uma vez que o Supremo Tribunal Federal optou por não modular ou restringir os efeitos de sua declaração, aplicase, no caso concreto, a regra vigente no ordenamento jurídico brasileiro para os atos inconstitucionais, que determina a nulidade de pleno direito com a consequente desconstituição ex tunc de todos os seus efeitos; isso significa afirmar que, havendo decisão de inconstitucionalidade sem modulação, os seus efeitos deverão retroagir até a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional e, nesse caso, tanto a lei é considerada inconstitucional desde a sua origem, como todos os atos praticados com base nela devem ser desconstituídos. Do evidente vício material que macula o lançamento Fl. 358DF CARF MF 6 no caso, não há apenas um vício no instrumento do lançamento, mas um equívoco no seu objeto, uma vez que realiza apuração indevida da base de cálculo do tributo, o que gera, por consequência, equívoco também na alíquota aplicável; em idêntica situação, a 2a Turma Especial, no julgamento do processo administrativo nº 13971.002844/200319, reconheceu a existência de vício material no lançamento e a impossibilidade de refazer o cálculo com novo critério; é importante observar que as ementas dos julgados, listadas pela Recorrente em seu Recurso Especial, tratam de questões estritamente relacionadas à ausência ou equívoco em um dos elementos constantes do lançamento; ocorre que, como já demonstrado nestas Contrarrazões, o caso dos autos não se restringe a erro formal no instrumento do lançamento, mas a erro na quantificação da base de cálculo e, consequentemente, na identificação da alíquota aplicável e do valor do tributo, o que sem dúvidas compromete o mérito do lançamento; resta, assim, por tudo quanto apresentado e pela fragilidade e inadequação dos acórdãos utilizados pela Recorrente para embasamento da suposta divergência jurisprudencial, prejudicado o pedido formulado, ante a impossibilidade de restabelecer o lançamento, vez que eivado de vício desde o seu nascimento. Ao final, o Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2005, 2006 e 2007, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, e recebidos a título de aposentadoria no período de 01/2003 a 10/2005. No caso do acórdão recorrido, entendeuse que o lançamento relativo a rendimentos recebidos acumuladamente feito em desacordo com entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática de repercussão geral deveria ser cancelado, dandose provimento ao Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pela manutenção do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, entendendo ser inaplicável ao caso o entendimento do REsp nº 1.118.429/SP. Alternativamente, pede que seja determinado tão somente o recálculo do Imposto de Renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ou, caso assim não se entenda, que o vício seja considerado de natureza formal. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10580.721979/200899 Acórdão n.º 9202007.265 CSRFT2 Fl. 277 7 Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte assevera que os paradigmas indicados tratam de situações diversas daquela analisada no acórdão recorrido, portanto não teriam sido demonstradas as divergências suscitadas. No que tange ao primeiro ponto abordado inaplicabilidade do REsp nº 1.118.429, quando os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de lei ordinária estadual (e não de decisão judicial) a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nºs 2802002.954 e 2202002.696, limitandose a colacionar as respectivas ementas, na forma abaixo: Paradigma Acórdão 2802002.954 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RRA EM VIRTUDE DE LEI ESTADUAL. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Quando os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de lei ordinária estadual, e não de decisão judicial, inaplicável o entendimento do STJ consubstanciado no julgamento do REsp nº 1.118.429, sob o rito do art. 543C do CPC. ILEGITIMIDADE DA UNIÃO. ART. 157, I, DA CF/88. IMPROCEDÊNCIA.O art. 157, I da CF/88 trata de tema de direito financeiro, não afetando a competência exclusiva da União para legislar sobre o imposto de renda, inclusive quanto às respectivas hipóteses de isenção. PARCELAS DECORRENTES DE DIFERENÇAS NA CONVERSÃO EM URV. MAGISTRADOS. BAHIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. PRECEDENTES STJ. O pagamento extemporâneo de diferenças advindas da conversão em URV a magistrados do Estado da Bahia não confere a essas parcelas natureza indenizatória. Precedentes reiterados, nesse sentido, do STJ. JUROS DE MORA. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não estando contemplados os juros moratórios com o benefício de isenção, incide o imposto de renda sobre verbas recebidas a esse título. VIOLAÇÃO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. RESOLUÇÃO 245/STF. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE COM CASO. SÚMULA CARF Nº 2. A Resolução nº 245 do STF é pertinente ao abono variável concedido aos membros da magistratura federal, regrando situação sem identidade com a motivadora da irresignação do contribuinte. Fl. 360DF CARF MF 8 Carece o colegiado de competência para apreciar alegação de violação ao princípio constitucional da isonomia, conforme Súmula CARF nº 2. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. ERRO ESCUSÁVEL INDUZIDO PELA. FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Não cabe a aplicação da multa de ofício de 75% na hipótese de erro escusável, decorrente das informações equivocadas disponibilizadas pela fonte pagadora. Aplicação da Súmula CARF nº 73. Recurso Voluntário Provido em Parte." (destaques da Fazenda Nacional) Paradigma Acórdão 2202002.696 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10580.721979/200899 Acórdão n.º 9202007.265 CSRFT2 Fl. 278 9 ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte." (destaques da Fazenda Nacional) Antes de proceder à análise dos acórdãos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que em face do mesmo contexto jurídiconormativo. Assim, tornase imprescindível perquirir sobre o arcabouço jurídiconormativo que teria orientado os julgados recorrido e paradigmas, mormente quando a matéria em questão foi objeto de significativas alterações no âmbito do Poder Judiciário. Fl. 362DF CARF MF 10 Com essas considerações, contatase que, em relação à matéria suscitada, o voto condutor do acórdão recorrido assim dispõe: "Ocorre que a situação jurídica relativa ao tema se alterou. Em 23 de outubro de 2014 o STF concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. A Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. (...) Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) (...) Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10580.721979/200899 Acórdão n.º 9202007.265 CSRFT2 Fl. 279 11 Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável), haja vista que, embora os valores recebidos pelo Recorrente não se refiram a benefícios previdenciários, foram apurados com fundamento no famigerado art. 12 da Lei nº 7.713/1998." (grifos originais) Com efeito, o acórdão recorrido teve por base a aplicação da decisão do STF no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B, do CPC, transitada em julgado em 09/12/2014. Já os acórdãos paradigmas analisaram a questão com base no REsp nº 1.118.429/SP, do STJ, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. No caso, tornase relevante indicar o fato de o acórdão recorrido ter aplicado para a solução da lide o art. 62A do RICARF, então vigente, em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, julgado sob a sistemática da Repercussão Geral, cujo acórdão transitou em julgado em 09/12/2014. Assim, os acórdãos indicados como paradigmas foram proferidos em contexto diverso, em 17/07/2014 e 15/05/2014. Na ocasião, ainda não havia a decisão vinculante do STF sobre o tema, razão pela qual os Colegiados não fizeram qualquer consideração sobre sua aplicação ao caso. Os Colegiados paradigmáticos, embora tenham entendido pela inaplicabilidade do REsp nº 1.118.429/SP quando os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de lei estadual, e não de decisão judicial, o fizeram exclusivamente com base no entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça, portanto, em contexto jurídiconormativo diverso do acórdão recorrido. Destarte, considerando que o acórdão paradigma não analisou a matéria sob o mesmo prisma do acórdão recorrido, pela completa impossibilidade de se debruçar sobre decisão ainda não existente no mundo jurídico, e que o Recurso Especial de Divergência somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que em face do mesmo contexto jurídiconormativo, concluise que não restou demonstrado o alegado dissídio interpretativo. Fl. 364DF CARF MF 12 No que tange ao segundo ponto abordado possibilidade de recalcular o valor devido, com base na interpretação dada pelo Colegiado ao art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988 a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nº 2201002.566 e 2201 002.588, transcrevendo os respectivos trechos, na forma abaixo: Paradigma Acórdão 2201002.566 Ementa "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria nº 256/2009)." Decisão "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Vencido o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, que deu provimento integral ao recurso." (destaques da Fazenda Nacional) Paradigma Acórdão 2201002.588 Ementa "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença judicial, e quaisquer outras indenizações por atraso de Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10580.721979/200899 Acórdão n.º 9202007.265 CSRFT2 Fl. 280 13 pagamento, exceto aquelas decorrentes de reclamação trabalhista nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do IR, nos termos do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC (STJ). MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. INEXISTÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO OU AGRAVAMENTO. ALÍQUOTA DE SETENTA E CINCO POR CENTO A declaração inexata dos rendimentos tributáveis enseja a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade dos tributos lançados de ofício, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I , da Lei nº 9.430/96 ." Decisão "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso." (destaques da Fazenda Nacional) Ressaltase, mais uma vez, que o acórdão recorrido teve por base a aplicação da decisão do STF nº 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B, do CPC, transitada em julgado em 09/12/2014. Já os acórdãos paradigmas analisaram a questão com base somente no REsp nº 1.118.429/SP, do STJ, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Embora a tese enfrentada nos acórdãos envolva a forma de cálculo do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente, discutindose pela aplicação do regime de caixa ou de competência e divergindo sobre a possibilidade de se manter o lançamento com o mero recálculo dos valores, verificase que a fundamentação das decisões é diversa. Novamente, percebese que os acórdãos indicados como paradigmas foram proferidos em contexto diverso, mais precisamente em 09/10/2014 e 05/11/2014. Os Colegiados paradigmáticos, embora tenham entendido pela possibilidade de refazimento do lançamento do IRPF sob o regime de competência, o fizeram exclusivamente com base no entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.118.429. Assim, considerando que os acórdãos paradigmas não analisaram a matéria sob o mesmo prisma do acórdão recorrido, pela completa impossibilidade de se debruçarem sobre decisão ainda não existente no mundo jurídico, e que o Recurso Especial de Divergência somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que em face do mesmo contexto jurídiconormativo, concluise que não restou demonstrado o alegado dissídio interpretativo, de sorte que essa segunda matéria também não deve ser conhecida. Fl. 366DF CARF MF 14 Quanto à terceira questão suscitada natureza do vício que macula o lançamento a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos nºs 240100.018 e 30131.801 e sintetiza o ponto de divergência da forma abaixo: "O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o Auto de Infração, em virtude de equívoco no método de apuração do tributo. Por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que o equívoco no critério de apuração do imposto ou qualquer outra contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal. Verificase, portanto, que diante de equívoco semelhante, acórdãos, recorrido e paradigmas, entenderam de modo divergente. Enquanto um anula o auto de infração por entender estar configurado vício material, os outros entendem existir tão somente vício formal." Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a respectiva ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10580.721979/200899 Acórdão n.º 9202007.265 CSRFT2 Fl. 281 15 crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido, em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo STF em sede de repercussão geral, o que afetou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro, este primeiro paradigma, em que se tratou de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal da Notificação, que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamento Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (grifei) Ausente a similitude fática, não restou demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão nº 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os Fl. 368DF CARF MF 16 tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFICIO NEGADO." Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, verificase que novamente inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. Enquanto no recorrido repitase o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STF em sede de repercussão geral, afetando a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; neste segundo paradigma, que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de trânsito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a Notificação de Lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase passagens do paradigma: Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (grifei) Relatório "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apresente as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10580.721979/200899 Acórdão n.º 9202007.265 CSRFT2 Fl. 282 17 Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72." (grifei) Assim, inexistente a similitude fática, também não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste segundo paradigma, de sorte que essa terceira matéria natureza do vício que macula o lançamento também não deve ser conhecida. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 370DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.904418/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 18 /2 00 9- 52 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904418/200952 Acórdão n.º 1302003.137 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904418/200952 Acórdão n.º 1302003.137 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904418/200952 Acórdão n.º 1302003.137 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.904418/200952 Acórdão n.º 1302003.137 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723584/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS NÃO PRESTADOS PELA PESSOA JURÍDICA SUPOSTAMENTE CONTRATADA. INEXISTÊNCIA DE FATO DA PRESTADORA.
Para que se possa deduzir despesas com serviços da base de cálculo dos tributos é necessário comprovar não apenas a efetiva prestação mas também que o serviço foi prestado conforme contratado, ou seja, que foi realizado pela pessoa jurídica que se diz prestadora. Uma vez não demonstrada a efetiva existência da prestadora de serviços como pessoa jurídica autônoma e, pelo contrário, havendo provas de que a prestadora existia apenas no papel, não se admite a dedução como despesas dos pagamentos a ela efetuados.
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA MANTIDA.
Somente se admite a dedução das despesas após o encerramento da lide com a determinação de pagamento do tributo devido.
JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135, III, DO CTN. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA.
O artigo 135, III, do CTN responsabiliza os administradores por atos por eles praticados em excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Para que se possa ter como caracterizada tal hipótese é imprescindível que a autoridade lançadora individualize a conduta praticada por cada administrador. Ausente tal identificação, por descrição insuficiente no auto de infração, é de ser excluída a responsabilidade.
Numero da decisão: 1401-003.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos imputados como responsáveis solidários. Acordam ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga que afastavam a qualificação da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS NÃO PRESTADOS PELA PESSOA JURÍDICA SUPOSTAMENTE CONTRATADA. INEXISTÊNCIA DE FATO DA PRESTADORA. Para que se possa deduzir despesas com serviços da base de cálculo dos tributos é necessário comprovar não apenas a efetiva prestação mas também que o serviço foi prestado conforme contratado, ou seja, que foi realizado pela pessoa jurídica que se diz prestadora. Uma vez não demonstrada a efetiva existência da prestadora de serviços como pessoa jurídica autônoma e, pelo contrário, havendo provas de que a prestadora existia apenas no papel, não se admite a dedução como despesas dos pagamentos a ela efetuados. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA MANTIDA. Somente se admite a dedução das despesas após o encerramento da lide com a determinação de pagamento do tributo devido. JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135, III, DO CTN. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza os administradores por atos por eles praticados em excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Para que se possa ter como caracterizada tal hipótese é imprescindível que a autoridade lançadora individualize a conduta praticada por cada administrador. Ausente tal identificação, por descrição insuficiente no auto de infração, é de ser excluída a responsabilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos imputados como responsáveis solidários. Acordam ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga que afastavam a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2110; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.832 1 2.831 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.723584/201383 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.007 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria GLOSA DE DESPESAS. CONLUIO. Recorrente JUBIABÁ VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS NÃO PRESTADOS PELA PESSOA JURÍDICA SUPOSTAMENTE CONTRATADA. INEXISTÊNCIA DE FATO DA PRESTADORA. Para que se possa deduzir despesas com serviços da base de cálculo dos tributos é necessário comprovar não apenas a efetiva prestação mas também que o serviço foi prestado conforme contratado, ou seja, que foi realizado pela pessoa jurídica que se diz prestadora. Uma vez não demonstrada a efetiva existência da prestadora de serviços como pessoa jurídica autônoma e, pelo contrário, havendo provas de que a prestadora existia apenas no papel, não se admite a dedução como despesas dos pagamentos a ela efetuados. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA MANTIDA. Somente se admite a dedução das despesas após o encerramento da lide com a determinação de pagamento do tributo devido. JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135, III, DO CTN. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza os administradores por atos por eles praticados em excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Para que se possa ter como caracterizada tal hipótese é imprescindível que a autoridade lançadora individualize a conduta praticada por cada administrador. Ausente tal identificação, por descrição insuficiente no auto de infração, é de ser excluída a responsabilidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 35 84 /2 01 3- 83 Fl. 2832DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos imputados como responsáveis solidários. Acordam ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga que afastavam a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado). Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, em razão de a fiscalização ter considerado que as despesas que a contribuinte deduziu da base de cálculo no regime de lucro real não foram comprovadas e/ou seriam inexistentes. A multa foi qualificada em 150%, foram cobradas também multas isoladas de 50% por falta de recolhimento de estimativas mensais e lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os diretores Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira e Luiz José Pimenta, com fundamento no artigo 135 do CTN (fls. 6585). O Termo de Verificação Fiscal de fls. 3055 detalha as infrações apuradas, das quais destaco os trechos abaixo: Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 10530.723584/201383 Acórdão n.º 1401003.007 S1C4T1 Fl. 2.833 3 fl. 4041 (...) (...) O voto da decisão recorrida assim resume os argumentos da impugnação: O impugnante, por sua vez, refuta os argumentos do autuante, com as alegações descritas na impugnação e reproduzidas no relatório deste acórdão, que resumidamente são as seguintes: Fl. 2834DF CARF MF 4 • a autoridade autuante não poderia decretar a desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, pois tal regime só pode ser decretado pela autoridade judicial, consoante se infere do art. 50 do Código Civil; • na mesma esteira, o regime jurídico de simulação, do art. 167 da lei civil, evocado pela autoridade autuante para fundamentar o seu ato de desconsideração da personalidade jurídica, também requer a intervenção do órgão do Poder Judiciário; • a MC Assessoria foi criada para prover as empresas do Grupo empresarial MC, composto de uma dezena de empresas do ramo do varejo automotivo, do qual faz parte a Jubiabá Veículos Ltda., nas necessidades de serviçosmeio e back office (serviços contábeis, de recursos humanos, tecnologia da informação, serviços gerais, dentre outros tipicamente abrangidos sobre uma estrutura de serviços compartilhados), através de uma Central de Serviços Compartilhados e central de compras, como estratégia de gestão, eficiência e plataforma para a expansão das atividades e negócios do grupo empresarial; • a auditoria não analisou a contabilidade da MC Assessoria, que é empresa distinta, não arrolou os negócios em que esta figura, não abriu seus custos e despesas, que são insumos para a prestação dos serviços às demais empresas do grupo e justificam o preço cobrado e as despesas incorridas nas contratantes. A única referência, no Termo de Verificação Fiscal, às atividades da MC Assessoria, é o seu quadro de funcionários; • todas as despesas, custos, contratos, negócios e atividades em geral, promovidas pela MC Assessoria, estão amparados e lastreados em documentos anexos, notadamente a contabilidade da empresa (Doc. N° 05), além de instrumentos, notas fiscais e documentos que formalizam as transações respectivas (Doc. N° 06); • a fiscalização, de fato, não conseguiu reunir qualquer elemento de prova, apenas se apegou, como em todo o curso da peça de lavratura, a uma idéia pré concebida, verdadeira presunção ad hoc, de que toda a atividade do contribuinte é fraudulenta, o que, à luz da dialética do PAF, não é expediente idôneo a fundamentar, com suporte fático e probatório suficiente, a sua pretensão fiscal; • é inaplicável, no caso, a multa qualificada de 150%, a título de penalidade, pelo não recolhimento dos valores apurados como devidos, sob alegação de atuação com evidente intuito de fraude, sem descrever os elementos de fato, especialmente o dolo, o ânimo de fraudar, e sem apresentar elementos de prova, não tem o condão de lastrear a aplicação da multa agravada; • ainda que não se entenda pela integral improcedência do auto de infração, o que se admite apenas para argumentar, há que se reconhecer a improcedência da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. • considerando que são várias as empresas do grupo às quais a MC Assessoria presta serviços, a fiscalização utilizou como critério de rateio, para imputação, a cada uma das empresas, dos valores pagos a título de IRPJ e CSLL pela empresa desconsiderada, o faturamento de cada uma em face da soma total de todas, o que, decerto, é um critério razoável, admitido, inclusive, pela própria Receita Federal, como critério para rateio de despesas. Ocorre que a imputação, rateada segundo percentuais acima descritos, foi realizada pela autoridade fiscal de forma apenas parcial, restrita aos IRPJ e CSLL recolhidos pela MC Assessoria, quando deveria também promover o rateio de todas as despesas incorridas pela MC Assessoria, inclusive despesas com tributos, despesas com fornecedores, enfim, todas as despesas dedutíveis assim contabilizadas na MC Assessoria e declaradas ao fisco; Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 10530.723584/201383 Acórdão n.º 1401003.007 S1C4T1 Fl. 2.834 5 • também a imputação ampla de todas as despesas, deve ser considerada na correção dos recolhimentos das estimativas mensais, apropriandose os saldos de despesas mensais da MC na proporção do rateio, ou seja, na proporção da participação da empresa na receita bruta total. Decorrente disso, a imputação das despesas na apuração das estimativas mensais implicará redução da multa isolada aplicada, o que desde logo se requer; • em qualquer hipótese é inexigível a multa isolada na hipótese em que, ao final do exercício, a base de cálculo efetivamente apurada é inferior aos valores mensais de estimativa, um exemplo típico do que é exatamente a hipótese em que é apurado prejuízo ao final do exercício, ou seja, não há lucro tributável sujeito à incidência de IRPJ ou CSLL. Em 21 de maio de 2014 a DRJ em Salvador BA julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo os autos de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar os lançamentos, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Comprovado que o autuado simulou a prestação de serviços por empresa que, apesar de criada atendendo às formalidades legais, de fato não existe, cabe a responsabilização dos diretores da empresa autuada por infração de lei e do contrato social, restando caracterizada a solidariedade e justificada a reunião da empresa e das pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo polo passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 DESPESAS OPERACIONAIS. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato Fl. 2836DF CARF MF 6 gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendose que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no anocalendário correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 DESPESAS OPERACIONAIS. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendose que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento da contribuição social deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no anocalendário correspondente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 10530.723584/201383 Acórdão n.º 1401003.007 S1C4T1 Fl. 2.835 7 O provimento foi parcial porque a DRJ permitiu que as despesas da MC Assessoria que a própria autoridade fiscal reconhece que existem e que devem ser rateadas pelas empresas do grupo fossem a estas imputadas segundo o mesmo critério utilizado para o rateio do IRPJ e CSLL. Cientificada em 24 de junho de 2014 (fl. 2.430), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14 de julho de 2014 (fl. 2.433), reiterando os argumentos da impugnação e afirmando, ademais, a contradição da decisão recorrida, na medida em que, ao permitir o rateio das despesas da MC Assessoria entre as empresas do grupo, acaba por admitir que "todas as despesas da empresa que não existe existem". Os responsáveis foram intimados nas seguintes datas, tendo apresentado recurso voluntário em 9 de dezembro de 2014: Florisberto Ferreira de Cerqueira 12 de novembro de 2015 (fl. 2.571) Modezil Ferreira de Cerqueira 13 de novembro de 2015 (fl. 2.572) Luiz José Pimenta 25 de novembro de 2015 (fl. 2.828) Recebi o processo em distribuição realizada em 19 de setembro de 2018. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto deles conheço. Recurso voluntário da contribuinte Conforme relatado, a fiscalização glosou as despesas com prestação de serviços pagas à empresa MC Assessoria Ltda., por basicamente duas razões. Em primeiro lugar, a autoridade autuante aponta que os documentos apresentados como prova da prestação dos serviços não se mostraram aptos a tal comprovação, na medida que as notas fiscais não descrevem os serviços prestados e não foram apresentados relatórios de atividades. Não obstante a inidoneidade da documentação comprobatória que por si só seria suficiente para a glosa das despesas , a autuação aponta, como argumento adicional para a glosa (e como argumento para a qualificação da multa) a inexistência material da prestadora de serviços. Fl. 2838DF CARF MF 8 A Recorrente baseia sua defesa na alegação de que as atividades foram desempenhadas e que a razão para os custos com as atividades terem aumentado é, principalmente, que as empresas não realizam rateio de despesas, mas contrato de prestação de serviços compartilhados, o que envolve margem de lucro para a prestadora, por ser este o seu objeto social e principal atividade. Esta seria a justificativa para que as atividades, que até então eram desempenhadas por funcionários dela ou de empresas ligadas, passarem a ser contratadas da empresa MC Assessoria (para onde tais funcionários foram transferidos), o que levou a Recorrente a ver elevadas as suas despesas com tais atividades. Os argumentos da Recorrente são convincentes em tese, mas esta não consegue comprovar que, na prática, os serviços eram efetivamente prestados pela MC Assessoria como empresa independente. Até é possível admitir que os supostos funcionários da MC Assessoria trabalhavam e as atividades eram realizadas tanto é que a decisão recorrida inclusive permitiu a dedução dos custos comprovados, proporcionalmente ao faturamento das empresas envolvidas. Ocorre que a Recorrente não logrou comprovar que a MC Assessoria existia de fato como empresa, já que, na prática, mesmo após a sua constituição, as atividades permaneceram sendo desenvolvidas pelas mesmas pessoas, no mesmo local, sob as mesmas condições, ou seja, na prática nada mudou, era como se a MC Assessoria não existisse. Não houve, assim, comprovação da despesa no montante pretendido pela Recorrente, o que incluiria a margem de lucro pretensamente devida à MC Assessoria. Por isso a conclusão de que ela era apenas uma "casca", existente apenas formalmente, e que portanto as despesas com a prestação do serviço seriam indedutíveis: porque embora comprovado o desempenho da atividade, não restou comprovada a prestação do serviço pela pessoa jurídica dita prestadora. Neste sentido, o TVF apontou, por exemplo, os seguintes fatos (fls. 4042): (...) Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 10530.723584/201383 Acórdão n.º 1401003.007 S1C4T1 Fl. 2.836 9 (...) fl. 47: Fl. 2840DF CARF MF 10 A decisão recorrida ressaltou também os seguintes fatos apurados pela autoridade autuante, para então concluir (grifamos): • a empresa MC Assessoria iniciou suas atividades com 46 funcionários (dados limitados até 11/06/2007), sendo que 42 deles oriundos do próprio grupo econômico, conforme mostra a planilha de fls. 38/39; • ainda de acordo com os citados arquivos de folha de pagamento, os funcionários transferidos das empresas do grupo econômico para a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda continuaram a receber, em sua grande maioria, os mesmos proventos e não tiveram alteração do cargo após transferência. Notase também que todos os funcionários transferidos, bem como os novos contratados pela MC Assessoria, trabalham fisicamente nas dependências da empresa Morena Veículos Ltda, que inicialmente a constituiu, juntamente com a Norauto Caminhões Ltda, Norauto Veículos Ltda, Anira Veículos Ltda e Jacuípe Veículos Ltda; • o autuante compareceu ao endereço cadastral da empresa Anira Veículos Ltda e constatou que a empresa MC Assessoria está localizada fisicamente nas dependências daquela, no segundo andar. Inquirido acerca da localização da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, o Sr. Aurivalter C. P. Silva Júnior, Diretor Executivo da Anira Veículos Ltda. se limitou a dizer que a mesma funciona numa sala, com uma mesa e algumas cadeiras e que não há responsável pela gerência naquele local; • a autoridade fiscal lavrou Termo de Intimação Fiscal n° 0004, cuja ciência ao contribuinte (Jubiabá Veículos Ltda) se deu de forma pessoal, contendo constatação acerca do que fora observado na visita acima mencionada, todavia, não houve qualquer manifestação por parte da empresa. Salientase também que a Sra. Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo, corroborou a informação de que os funcionários lotados na área contábil/financeira, inclusive staff, das empresas investigadas nesta auditoria trabalham nas dependências da empresa Morena Veículos Ltda., exceção feita aos funcionários da empresa TV Subaé Ltda, localizada no município de Feira de Santana – Bahia; Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 10530.723584/201383 Acórdão n.º 1401003.007 S1C4T1 Fl. 2.837 11 • a empresa MC Assessoria foi intimada pessoalmente a apresentar cópias das contas de luz e aluguel, bem como informar motivo da constituição da empresa, já que funciona no mesmo local e dispõe de quadros societário idêntico ao das empresas tomadoras do serviço. Em resposta a intimação fiscal, a empresa MC informa que não possui contas de luz, utilizando, portanto, a energia da cedente Anira Veículos Ltda. Apresenta ainda, contrato de cessão de uso sem ônus do espaço físico referente ao imóvel localizado a Via Urbana, n° 5.520, Centro Industrial de Aratu, Cia Sul, Simões Filho Bahia, de propriedade da empresa Anira Veículos Ltda. Em relação ao motivo da constituição da citada empresa, o contribuinte alega que a sociedade foi criada para promover gestão integrada dos partícipes do grupo econômico, entre outros; • a escrita contábil da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda mostra que os saldos das contas de luz e aluguéis estão zerados, ou seja, não apresentaram movimentação, tendo estas contas apresentado o mesmo padrão em 2008 e 2009; • em 19 de novembro de 2012, a empresa Jubiabá Veículos Ltda foi intimada, através de Termo de Intimação Fiscal n° 0004, a apresentar o relatório de atividades desenvolvidas pela empresa MC Assessoria, respondendo inicialmente, de modo verbal, através do procurador, Sr. José Carlos dos Santos Campos, que não dispunha de tal controle, essencial para existência/dedutibilidade de despesas contabilizadas e deduzidas da base de cálculo do lucro tributável. Todavia, após diversos contatos, em 5 de dezembro de 2012 o contribuinte apresentou arrazoado cujo teor versava sobre rol de serviços genericamente prestados referente a cada área operacional da empresa, tais como, Contabilidade, Escritório pósvendas, entre outros. Frisase que as notas fiscais emitidas pela prestadora para a contratante não discriminam os serviços prestados, contendo apenas indicação genérica de prestação de serviços. Concluise, portanto, que o arrazoado produzido não demonstra quais são os serviços oferecidos, os custos, tampouco a mão de obra envolvida, não se prestando a comprovar a efetividade da prestação. Outrossim, não se pode olvidar que as tarefas elencadas no arrazoado, genericamente, são idênticas as prestadas por qualquer funcionário em uma empresa; • analisandose as DIPJ, ano calendário 2007 a 2009, ficha 03, página 02, das diversas empresas do grupo, constatase que a responsável pelo preenchimento das informações ali contidas é a Sra. Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo, anteriormente lotada na empresa Morena Veículos Ltda e transferida para a empresa MC Assessoria. Destaquese que o correio eletrônico informado nas DIPJ citadas é idêntico, qual seja, CONTABILIDADE@MORENAVEICULOS.COM.BR; • converge ainda, na linha de artificialidade na constituição da MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda o fato do contato informado na GFIP da empresa Jubiabá Veículos Ltda ser a Sra. Fl. 2842DF CARF MF 12 Rosane Ferreira Andrade, Supervisora de Pessoal, admitida no quadro de funcionários da Morena Veículos Ltda em 17/06/1997 e transferida para a MC Assessoria em 01/06/2007; • a despeito da MC Assessoria ter sido constituída para promover gestão integrada dos partícipes do grupo econômico sequer é responsável pelo envio da GFIP da Jubiabá Veículos Ltda, tarefa esta realizada pelo próprio impugnante e, em alguns meses pela Morena Veículos (novembro, dezembro e décimo terceiro de 2009). Constatouse também que a MC Assessoria sequer envia sua própria GFIP, em alguns meses, tarefa esta realizada pela empresa Morena Veículos Ltda; • estas constatações demonstram cabalmente, no mínimo, a confusão patrimonial que existia entre as empresas acima citadas; • assim, resta comprovado que a empresa MC Assessoria possui endereço cadastral no mesmo local da Anira Veículos Ltda, não possui qualquer estrutura física/operacional condizente com uma empresa prestadora de serviços, tais como despesas de luz, aluguel, ou qualquer outra comum à atividade empresarial. Ressaltase que de acordo com a DRE 2007, apresentada pela empresa MC Assessoria, só é possível observar despesas com pessoal (ordenados da administração e bolsa de estagiários) e seus encargos, bem como pagamento de tributos; • constatouse, ainda, que a MC Assessoria iniciou suas atividades com a transferência de funcionários das empresas para as quais prestaria serviço, cuja remuneração destes alterou infimamente, com auferimento de receitas e elevada margem de lucro; • observase, por fim, que a empresa MC Assessoria utiliza as dependências físicas da empresa Morena Veículos Ltda, bem como presta os mesmos serviços que os funcionários transferidos prestavam na lotação anterior (empresas do grupo econômico), inclusive com mesmos proventos. Atentese ainda para o fato de que todo o atendimento a esta Auditoria, para prestação de informações, foi realizado pela mesma pessoa, qual seja, Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo. Estas afirmações estão corroboradas, entre outros, pelos seguintes fatos: a) envio das GFIP por pessoa comum ao grupo (Rosane Ferreira Andrade), sem alteração após a constituição da MC Assessoria; b) envio das DIPJ por pessoa comum ao grupo (Rita dos Santos Campos) sem alteração após a constituição da MC Assessoria; c) manutenção dos proventos pagos antes da constituição da MC e após a transferência dos funcionários mencionados na planilha; d) data de admissão dos funcionários na empresa MC Assessoria convergente com a data de admissão na antiga lotação conforme Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 10530.723584/201383 Acórdão n.º 1401003.007 S1C4T1 Fl. 2.838 13 dados obtidos nos arquivos de folha de pagamento apresentado pelas empresas do grupo investigado; e) ausência de relatórios de atividades comprovando a efetividade dos serviços prestados, requisito essencial à idoneidade da despesa contabilizada e deduzida do lucro tributável, bem como, identificação genérica dos serviços prestados no corpo das notas fiscais; f) gestão dos negócios realizada pelos mesmos responsáveis, quais sejam, Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira, ambos quotistas/administradores das empresas investigadas por esta auditoria; g) prestação de serviços pela empresa MC Assessoria apenas a empresas do grupo econômico com elevada margem de lucro. h) endereço cadastral similar/idêntico e comprovação posterior de localização no mesmo lugar entre a Anira Veículos Ltda e MC Assessoria, está última sem qualquer estrutura física/operacional; i) ausência de rubricas contábeis na empresa MC Assessoria, referentes a despesas convencionais observadas em qualquer sociedade; • esta Auditoria comprovou ao término deste Termo de Verificação Fiscal que a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda não existe de fato, tendo sido constituída apenas com fito de reduzir tributos e maximizar distribuição de lucros aos quotistas, utilizandose do instituto da simulação para consecução dos objetivos. (...) Do todo acima exposto, concluise que a constituição da empresa MC Assessoria se deu apenas no papel, respeitando as formalidades legais, todavia, restou comprovado que de fato a empresa não existe e cumpre apenas seu objetivo de redução da tributação e aumento da distribuição de lucros de forma ilícita. Notese que a justificativa apresentada pelo impugnante de que a MC Assessoria foi criada para prover as empresas do Grupo empresarial MC, composto de uma dezena de empresas do ramo do varejo automotivo, do qual faz parte a Jubiabá Veículos Ltda., nas necessidades de serviçosmeio e back office (serviços contábeis, de recursos humanos, tecnologia da informação, serviços gerais, dentre outros tipicamente abrangidos em estrutura de serviços compartilhados), através de uma Central de Serviços Compartilhados e central de compras, como estratégia de gestão, eficiência e plataforma para a expansão das atividades e negócios do grupo empresarial, não é hábil para infirmar a alegação do autuante de que a criação da referida empresa se deu apenas no papel, respeitando as formalidades legais, mas que de fato a empresa não existe, com o objetivo claro de redução da carga tributária das empresas do Fl. 2844DF CARF MF 14 Grupo empresarial tributadas pelo lucro real e a maximização da distribuição dos lucros e dividendos por parte da empresa artificialmente criada, tributada pelo lucro presumido. Não se trata de discutir o direito de autoorganização do contribuinte, destacandose, inclusive, que a citada Central de Serviços Compartilhados mencionada pelo impugnante poderia ser criada como um departamento de qualquer uma das empresas do Grupo Empresarial, para efetuar os mencionados serviçosmeio e back office para todas as empresas do Grupo, e ter os seus custos repartidos entre as diversas empresas, ou mesmo com a criação de uma outra empresa – que de fato existisse –, desde que isso representasse uma efetiva redução dos custos gerais. Não há, entretanto, qualquer lógica empresarial na criação de uma empresa, com o objetivo de lucro, para prestar serviços apenas para as empresas do Grupo, tributadas pelo lucro real, onerandoas demasiadamente. Atentese, ainda, que conforme informa o autuante, o impugnante não comprovou que os serviços foram efetivamente prestados (a indicação dos serviços prestados no corpo das notas fiscais foi feita de forma genérica), através dos relatórios de atividades desenvolvidas na atividade comercial, requisito essencial à idoneidade da despesa contabilizada e deduzida do lucro tributável, sobretudo por se tratar de empresas de um mesmo grupo econômico. Este fato, por si só, já justificaria a glosa das despesas com a suposta prestação de serviços. Ademais, entendo que o conjunto de fatos levantados pela Fiscalização, transcritos resumidamente neste voto, e minuciosamente detalhados no Termo de Verificação Fiscal, comprovam claramente que a Jubiabá Veículos Ltda, juntamente com as demais empresas do Grupo, simulou a prestação dos referidos serviços cumprindo as formalidades legais, com objetivo claro de redução da carga tributária e maximização da distribuição dos lucros e dividendos, de modo que o negócio realizado aparentemente, ou, simulado, não subsistirá, e seus resultados não poderão ser oponíveis ao Fisco. A defesa da Recorrente se limita a fazer afirmações sem, efetivamente, provar que, no caso, a existência da MC Assessoria trouxe alguma alteração material (prática) no panorama das atividades exercidas e das relações jurídicas criadas a partir de sua suposta constituição. Analisandose os fatos apurados pela fiscalização e não concretamente infirmados pela Recorrente , a conclusão a que se chega é que a criação da MC Assessoria ocorreu apenas no papel, sem que nada se alterasse nas atividades que já eram exercidas pelos funcionários para ela formalmente transferidos, ou seja, não restou comprovada a efetiva existência da MC Assessoria como "empresa" (atividade econômica organizada de produção e circulação de bens e serviços, cf. artigo 981 do Código Civil). Ressaltese que não se está, aqui, a desconsiderar a personalidade jurídica da MC Assessoria, mas apenas a considerar que, não obstante as atividades tenham na prática sido desempenhadas, estas não o foram pela MC Assessoria como pessoa jurídica autônoma, já que permaneceram sendo exercidas tal como antes da constituição formal da MC Assessoria. De se Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 10530.723584/201383 Acórdão n.º 1401003.007 S1C4T1 Fl. 2.839 15 observar que o instituto da desconsideração da personalidade jurídica tem por objetivo "levantar o véu" da personalidade para atingir os sócios, sendo que nos presentes autos não foi isso o que ocorreu, já que o que a autoridade autuante fez foi tributar os fatos tais como eles substancialmente ocorreram, a despeito da constituição (meramente formal) da MC Assessoria, nos termos do artigo 149, VII, do CTN. A Recorrente pleiteia, também, a dedução dos valores de PIS e COFINS exigidos no auto de infração objeto do processo 10530.728134/201204, referentes aos anos calendário 2008 e 2009. Tal pedido não consta da impugnação (apresentada em 2013) e, apenas por tal motivo, não mereceria ser admitido em razão da preclusão. Observo, outrossim, que se fôssemos adentrar no mérito da questão a decisão seria de improcedência, já que, por se tratar de tributos com exigibilidade suspensa, sua dedução não é permitida. Assim tem decidido a Câmara Superior de Recursos Fiscais: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2004 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão (Lei 9.249, de 1995, art. 13, I). Além disso, não há nenhum antagonismo entre as regras da Lei 9.249, de 1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981, de 1995 (art. 41, §1º, e art. 57). O sentido delas é o mesmo, ou seja, vedar a dedução antecipada de tributo com exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. Nesse contexto, seja como provisão, seja como uma despesa que só pode ser deduzida pelo regime de caixa, os tributos com exigibilidade suspensa não podiam ter sido deduzidos da base de cálculo da CSLL. (acórdão 9101003.069, de 13 de setembro de 2017) Também a qualificação da multa foi acertada, na medida em que houve conluio entre as empresas do grupo para a criação da situação artificial apontada pela fiscalização. É dizer, tendo a fiscalização apurado que houve conluio entre empresas de um mesmo grupo para a criação, apenas no papel, de empresa optante pelo regime de lucro presumido, para faturar serviços exclusivamente para empresas do grupo sujeitas à tributação no regime de lucro real, resultando essencialmente na majoração das despesas deduzidas por estas últimas, sem qualquer alteração material na realização de tais atividades, resta caracterizada a hipótese de exasperação da multa prevista nos artigos 44 da Lei 9.430/1996 e 73 da Lei 4.502/1964. Fl. 2846DF CARF MF 16 Assim, de se manter a decisão recorrida quanto à exasperação da multa baseada nos artigos 44 da Lei 9.430/1996 e 73 da Lei 4.502/1964. As multas isoladas também devem ser mantidas no caso em questão. De fato, a Recorrente sustenta a impossibilidade de aplicação de multa isolada de 50% por falta de antecipação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, tendo em vista que apurou prejuízo ao final dos exercícios de 2007 a 2009. A Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, expressamente prevê a aplicação das multas isoladas mesmo quando se apure prejuízo ao final do exercício. Quanto à questão da concomitância entre multas isoladas e a de ofício, primeiramente ressalto que, sendo o caso de lançamento relativo aos anoscalendário de 2008 e 2009, entendo não aplicável a Súmula CARF n. 105, uma vez que esta trata da redação da Lei 9.430/1996 na redação anterior à Lei 11.488/2007, e a multa isolada foi lançada com base no artigo 44, II, "b", da Lei 9.430/1997, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. A questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais não está pacificada neste CARF. Dos inúmeros julgados a respeito do tema extraemse, pelo menos, três correntes de entendimento. Em um extremo está a corrente que defende que, mesmo após a Lei 11.488/2007, uma vez encerrado o anocalendário não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Por outro lado, há os que entendem que a imposição da multa independe do resultado apurado no encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida. Em uma posição intermediária está a corrente adotada pelo presente voto, segundo a qual a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor; não obstante, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na exata medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo, já que esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. Ocorre que, no caso, como a própria recorrente sustentou, "Ainda que se efetue a glosa das despesas contratadas perante a MC ASSESSORIA, nos termos pretendidos pela Autoridade Autuante, ainda permanece negativo o resultado final apurado pela Recorrente, ..." (fl. 2.532). Assim, não há que se falar em consunção no caso concreto. Portanto, no caso em questão, entendo que as multas isoladas devem ser mantidas. Quanto aos juros sobre a multa, a jurisprudência deste CARF se consolidou pela incidência, nos termos do enunciado da Súmula CARF n. 108: "Incidem juros moratórios, Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 10530.723584/201383 Acórdão n.º 1401003.007 S1C4T1 Fl. 2.840 17 calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Os enunciados de súmula CARF são de observância obrigatória por parte desta Relatora, conforme preceito do artigo 45, VI, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n. 343/2015). Em resumo, ante o exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. Recurso voluntário dos responsáveis Quanto aos responsáveis, entendo que o recurso voluntário deve ser provido. Isso porque o Termo de Sujeição Passiva Solidária não descreve condutas individuais, trazendo apenas a responsabilidade em razão de os imputados responsáveis serem diretores da contribuinte que praticou "Esta conduta intencional de criar operações sem qualquer substância econômica ou propósito negocial, a não ser o de elidir tributos, aumentou as despesas operacionais da Jubiabá Veículos Ltda, reduzindo sensivelmente o valor tributo a recolher, mediante comportamento doloso, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como alteração das características fundamentais do fato gerador, qual seja, o lucro tributável." (fl. 69). Ora, o artigo 135, III, do CTN, responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de "atos praticados" (comissivos) com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tratase de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais. Ou seja, para a configuração de tal responsabilidade, é imprescindível que o auto de infração descreva especificamente a conduta praticada em excesso de poder ou de infração de lei ou contrato social e identifique o agente, no que o auto de infração em questão foi falho. Embora analisando todo o contexto dos fatos até se possa cogitar que as pessoas físicas apontadas como responsáveis tinham conhecimento dos fatos, tal circunstância não consta expressamente da imputação fiscal, não sendo possível admitir a responsabilização de pessoas físicas com base em mera suposição. Neste sentido, oriento meu voto para dar provimento aos recursos voluntários dos imputados responsáveis. Fl. 2848DF CARF MF 18 Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para (i) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, e (ii) dar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2849DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.722565/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
GLOSA. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. INDEDUTIBILIDADE.
No lucro real, a dedutibilidade das despesas depende de sua comprovação com documentação hábil e idônea.
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. CABIMENTO.
Sujeita-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, ainda quando baseado em lançamento contábil.
REGISTRO CONTÁBIL DE DEVOLUÇÃO DE VENDA INEXISTENTE. REDUÇÃO INDEVIDA DAS RECEITAS. LANÇAMENTO. CABIMENTO.
A redução indevida da base de cálculo tributável, com o lançamento contábil de devolução de venda não contabilizada anteriormente, dá ensejo ao lançamento para constituição dos créditos tributários.
IRRF. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO.
A incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte pressupõe um pagamento a beneficiário não identificado, ou pagamento cuja causa não esteja comprovada. Se a natureza da operação não pressupor um pagamento, não tem cabimento a cobrança do imposto de renda da fonte pagadora.
FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO.
Constitui fraude a intenção inequívoca de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante dos devidos, com lançamento de despesas sem qualquer comprovação, bem como registro contábil de devolução de venda não contabilizada anteriormente, adicionada a falta de apresentação das declarações obrigatórias.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO INEXISTENTE. LANÇAMENTO. CABIMENTO.
O aproveitamento crédito inexistente enseja o lançamento para cobrança da contribuição devida.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO INEXISTENTE. LANÇAMENTO. CABIMENTO.
O aproveitamento crédito inexistente enseja o lançamento para cobrança da contribuição devida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011
Ementa:
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFISCO. SÚMULA CARF.
Este colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ou sobre sua legalidade, conforme Súmula CARF nº 2.
LANÇAMENTO. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor do crédito tributário não pago, entendimento pacificado pela Súmula CARF nº 5.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010, 2011
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL
Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-003.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto à exigência de IRRF sobre pagamento a beneficiários não identificados ou sem causa do ano de 2011, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que votou por cancelar integralmente o lançamento de IRRF.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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GLOSA DE DESPESAS. DEVOLUÇÃO DE COMPRAS NÃO COMPROVADA Recorrente EMBALO EMBALAGENS LÓGICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GLOSA. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. INDEDUTIBILIDADE. No lucro real, a dedutibilidade das despesas depende de sua comprovação com documentação hábil e idônea. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. CABIMENTO. Sujeitase à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, ainda quando baseado em lançamento contábil. REGISTRO CONTÁBIL DE DEVOLUÇÃO DE VENDA INEXISTENTE. REDUÇÃO INDEVIDA DAS RECEITAS. LANÇAMENTO. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 25 65 /2 01 5- 81 Fl. 1686DF CARF MF 2 A redução indevida da base de cálculo tributável, com o lançamento contábil de devolução de venda não contabilizada anteriormente, dá ensejo ao lançamento para constituição dos créditos tributários. IRRF. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. A incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte pressupõe um pagamento a beneficiário não identificado, ou pagamento cuja causa não esteja comprovada. Se a natureza da operação não pressupor um pagamento, não tem cabimento a cobrança do imposto de renda da fonte pagadora. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Constitui fraude a intenção inequívoca de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante dos devidos, com lançamento de despesas sem qualquer comprovação, bem como registro contábil de devolução de venda não contabilizada anteriormente, adicionada a falta de apresentação das declarações obrigatórias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO INEXISTENTE. LANÇAMENTO. CABIMENTO. O aproveitamento crédito inexistente enseja o lançamento para cobrança da contribuição devida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO INEXISTENTE. LANÇAMENTO. CABIMENTO. O aproveitamento crédito inexistente enseja o lançamento para cobrança da contribuição devida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 Ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFISCO. SÚMULA CARF. Este colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ou sobre sua legalidade, conforme Súmula CARF nº 2. LANÇAMENTO. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor do crédito tributário não pago, entendimento pacificado pela Súmula CARF nº 5. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 13116.722565/201581 Acórdão n.º 1302003.158 S1C3T2 Fl. 1.687 3 Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto à exigência de IRRF sobre pagamento a beneficiários não identificados ou sem causa do ano de 2011, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que votou por cancelar integralmente o lançamento de IRRF. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata de recurso voluntário interposto em face ao Acórdão nº 1057.439, da 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre, que na sessão de 16 de setembro de 2016, que julgou improcedente a impugnação. Transcrevo o relatório da decisão combatida por bem retratar os fatos que deram origem ao lançamento: Obrigada à tributação pelo lucro real nos períodos fiscalizados, em decorrência do montante da receita total, a contribuinte optou pela sistemática de apuração anual, mediante pagamento de estimativas mensais. A tributação de PIS e Cofins realizouse pelo regime não cumulativo. Apesar de auferir receitas superiores a R$ 285 milhões e R$ 252 milhões em 2010 e 2011, as escriturações contábeis digitais (ECD) transmitidas pela contribuinte para esses anoscalendário não registravam receitas de vendas. A fiscalização identificou também que as DIPJ estavam com todos os campos de valores zerados, as DCTF e os Dacon do primeiro período não foram apresentados e, em relação ao segundo, as DCTF somente Fl. 1688DF CARF MF 4 continham informações de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), enquanto os Dacon traziam os valores zerados. Iniciado o procedimento fiscal, a contribuinte foi instada reiteradamente a esclarecer e regularizar as inconsistências de sua contabilidade, assim como de suas declarações. Concluiu a apresentação dos livros e documentos solicitados no termo de início somente em 15/1/15, quando passados mais de 110 dias da abertura da ação fiscal. Segundo a fiscalização, a interessada ainda levou mais de três meses e meio para atender (parcialmente) intimação para comprovar despesas contabilizadas e para prestar esclarecimentos que pudessem subsidiar os trabalhos fiscais. Outras intimações se sucederam, visando à complementação do anteriormente solicitado e à apresentação de novos subsídios. A autoridade fiscal formalizou as seguintes exigências em relação aos anoscalendário de 2010 e 2011, vinculadas a este processo: · IRPJ e CSLL por despesas não comprovadas; · IRRF por pagamentos a beneficiários não identificados ou pagamentos sem causa, tomados a partir dos créditos na conta Caixa, em face dos débitos de despesas não comprovadas; · IRPJ e CSLL sobre devolução não comprovada de venda no valor de R$ 2.264.469,90; e PIS e Cofins pela utilização indevida desse valor como crédito para fins de cálculo do valor das contribuições; e · IRRF por pagamentos a beneficiários não identificados ou pagamentos sem causa, tomados a partir do crédito na conta Caixa por R$ 2.264.469,90, efetuado contra débito de devolução de venda inexistente. A fiscalização ressaltou que os lançamentos de imposto de renda na fonte não se enquadram como sujeitos a homologação, mas como lançamentos de ofício, quando identificados pagamentos que, por sua natureza, não seriam sujeitos à retenção na fonte. Assim, a decadência estaria submetida à regra do 173 do CTN. Registrou entendimento do STJ que exclui a decadência segundo o art. 150, § 4o, do CTN quando inexiste pagamento do tributo lançado. O relatório fiscal também informa que os créditos excedentes do regime não cumulativo foram utilizados de ofício no próprio período de apuração ou em períodos de apuração subsequentes, para abatimentos dos débitos decorrentes das infrações constatadas. A alocação desses créditos foi priorizada para as infrações com maior percentual de multa. A multa de ofício foi aplicada no percentual qualificado de 150% em relação às infrações acima referenciadas. A fiscalização entendeu que a contabilização da devolução de venda inexistente e das despesas indedutíveis não comprovadas revelou conduta reiterada e intencional do sujeito passivo, destinada a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 13116.722565/201581 Acórdão n.º 1302003.158 S1C3T2 Fl. 1.688 5 tributária, de modo a reduzir o montante dos tributos a pagar o que caracteriza fraude. O autuante identifica responsabilidade solidária do sócio e administrador Nadim Gibrail Hanna em relação aos créditos tributários exigidos, tendo em vista o disposto no art. 135, III, do CTN. Justifica que o agente teria sido o responsável pela elaboração, transmissão e assinatura dos livros contábeis digitais transmitidos para o Sistema Sped Contábil, contemplando lançamentos contábeis sem comprovação documental, com o claro objetivo de reduzir as bases de cálculo dos tributos devidos. Entende que tais atos, praticados deliberadamente, caracterizariam infrações de lei. O autuante identificou outras infrações tributárias no decorrer do procedimento fiscal. Contudo, não as tratou neste processo, em que é imputada responsabilidade solidária a sócio administrador, mas no de número 13116.722739/201513. Após análise das alegações de fato e de direito apresentados na impugnação pela autuada e pelo responsável solidário, a Turma da DRJ afastou as preliminares de nulidade e decadência, e rejeitou o pedido de diligência. No mérito, não aceitou os documentos apresentados para comprovação dos 84 lançamentos a título de despesas administrativas, no valor de R$ 18.704.376,27, no anocalendário de 2010, mantendo os lançamentos de IRPJ e CSLL. Também não aceitou o argumento de que o lançamento a crédito na conta Caixa, a título de devolução de compra, no valor de R$ 2.264.469,90, em 07/2011, teria sido um erro contábil, pois veio desprovido de provas, mantendo os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Também manteve a cobrança de IRRF incidentes sobre os pagamentos das despesas não comprovadas, bem como sobre o lançamento a crédito na conta Caixa, que teria sido a título de devolução de compra não comprovada. Manteve a multa de ofício qualificada, e a responsabilidade solidária do sócio administrador Nadim Gibrail Hanna. Abaixo, transcrevo a ementa da decisão ora combatida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. A nulidade do auto de infração somente se justifica diante de atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou de despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência que não atende aos requisitos exigidos pela legislação do processo administrativofiscal é considerado como não formulado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 1690DF CARF MF 6 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. AUTUAÇÃO CONFISCATÓRIA. As instâncias administrativas não são competentes para apreciarem inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo pagamento do tributo, o direito de constituir o lançamento extingue quando transcorridos cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador; inexistindo pagamento ou em caso de dolo, fraude ou simulação, a decadência se dá a partir de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LUCRO REAL. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. Cabe a glosa de despesas contabilizadas que não são confirmadas por documentação hábil e idônea. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI PRATICADA POR DIRETOR, GERENTE OU REPRESENTANTE DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. O ato praticado por diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, quando praticado em benefício da empresa, estabelece relação de solidariedade, revelando a existência de interesse comum. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 CONTABILIDADE. PROVA DO PAGAMENTO. A contabilidade faz prova contra as pessoas a que pertencem. IRPJ SOBRE DESPESAS INDEDUTÍVEIS E IRRF SOBRE PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE "BIS IN IDEM". Não há "bis in idem" quando a tributação incide sobre fatos jurídicos diversos. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O pagamento revelado pela contabilidade que não foi efetivado para o propósito a que se prestava caracterizase como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A ciência da decisão recorrida se deu nas seguintes datas: Embalo Embalagens Logística LTDA 14/02/2017 AR fls. 1594 Nadim Gibrail Hanna 15/02/2017 AR fls. 1595 Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 13116.722565/201581 Acórdão n.º 1302003.158 S1C3T2 Fl. 1.689 7 O recurso voluntário foi apresentado pela recorrente e pelo responsável solidário em 10/03/2017, fls. 1.598/1.673, com as seguintes alegações: apontam interrelação deste processo com o de número 13116.722565/2015 81 (sic) e, por isso, entendem que ambos deveriam ser julgados simultaneamente, tendo por base o artigo 1º, inciso I, letra "a" da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. alega a decadência, pois o IRPJ e a CSLL são tributos disciplinados pelo artigo 150 do CTN, e auditor fiscal atestou os recolhimentos por estimativa; estes mesmos argumentos são válidos para o PIS e COFINS, conforme já decidiu o CARF. a decisão recorrida se fundamenta na aplicação do artigo 173, inciso I do CTN, alegando falta de recolhimento, além de citar fraude e sonegação, sem qualquer provas nos autos. esclareceu que as omissões e informações desencontradas decorrem das públicas e notórias dificuldade operacionais enfrentadas pela recorrente ao implantar os sistemas eletrônicos, em face das sucessivas alterações de versões dos programas. ainda em preliminar, alega a nulidade do lançamento por ter inobservado o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, já que o relatório elaborado pelo auditor fiscal não ilustra a realidade dos fatos ocorridos durante a ação fiscal, omitindo argumentos expostos quando fora intimada a prestar esclarecimentos ou justificativas, além de fazer referência a "relatório anexo" no qual não se encontram indicações claras de quais operações se referem, quais valores individuais que apuram o montante mensal, prejudicando o direito de defesa. deveria ter a fiscalização exposto de forma clara e concisa as razões que a levaram a desconsiderar as informações consignadas nas declarações, e não apenas mencionar que houve omissão de receita sem, no entanto, justificar as razões para tanto. o artigo mencionado no auto de infração que ora ficou subentendido como infringido também não merece guarida, pois foi fundamentado de forma genérica. quanto ao mérito, a fiscalização alega que deixou de apresentar tempestivamente as informações exigidas, em especial a DIPJ e no SPED. afirma que as obrigações foram cumpridas, mas o SPED apresentava críticas e erros que impediam a sua transmissão, optando por apresentar as declarações com saldo zero para evitar as multas expropriatórias. ao ser intimada, a recorrente cumpriu suas obrigações, retificando as DIPJ, DCTF e DACON, informando as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sendo inaplicável a multa de ofício e agravada. quanto à suposta omissão de receita por devolução e cancelamento de Notas Fiscais, a própria fiscalização confirmou que a Nota Fiscal nº 014805 não foi registrada pelo cliente adquirente e acata as justificativas da recorrente, contudo lança IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado, em razão da "omissão de receita caracterizada pela escrituração de devolução de venda inexistente." Fl. 1692DF CARF MF 8 como se comprovou que a mercadoria faturada pela Nota Fiscal 014805 não saiu e a venda não ocorreu, a fiscalização resolveu tributar a entrada de mercadoria, porque erradamente registrada, sendo que, no máximo, lançar multa formal por não haver o registro contábil da nota fiscal de saída cancelada. o fiscal considerou "... redução da receita bruta e, por consequência, a diminuição indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL." como sendo a devolução simbólica de mercadoria cuja venda que não ocorreu, e ainda considerou a mesma devolução de venda, como pagamento efetuado a pessoas não identificadas, lançando IRRF com multa agravada. em momento algum houve a contagem física do dinheiro em caixa da recorrente, não podendo o julgador a quo inferir se seria destoante daquele apurado pelo razão acostado ao SPED e aos autos. por outro lado, o razão contábil, mesmo com o saque efetuado, permanece com saldo devedor por todo o período, comprovando exatamente o oposto da conclusão do julgador a quo, pois mesmo com o crédito indevido, o saldo de caixa se manteve de acordo com sua natureza devedora. o fisco não comprovou se houve ou não a efetiva retirada do recurso, tampouco se os saldos são ou não incompatíveis com a realidade fática, devendo a decisão recorrida ser reformada, para anular o lançamento. sua escrituração contábil tem por prática transitar as operações por Caixa, tenham ou não movimentado dinheiro; a Nota Fiscal em pauta é de Entrada, e não de Saída, emitida para anular os efeitos da de número 014805, e ajustar os estoques para fins de ICMS. o registro na conta Caixa foi um equívoco, pois essa nota tem natureza simbólica, valendo lembrar que à época não existia opção de cancelamento transcorrido o prazo de 24 horas de sua emissão. o registro normal da nota fiscal cancelada seria débito em Vendas a Prazo e a crédito em Duplicatas a Receber, mas como tudo transita pela conta Caixa, o valor foi registrado como saída, sem que transitasse o numerário. assim, o que seria mero erro de contabilização foi transformado pagamento a pessoas não identificadas, sem qualquer outra argumentação ou provas. quanto à infração dos custos e despesas não comprovadas, alega que, depois de 5 (cinco) anos do fato gerador, a fiscalização solicita a comprovação de despesas, concedendo prazo insuficiente. a fiscalização não questiona os pagamentos, mas considera os registros como despesas indedutíveis e efetuados a beneficiário não identificado. entretanto, foram localizados os comprovantes, mas a decisão recorrida manteve a autuação, fundamentada pela impressão subjetiva e pessoal do i. relator, que levanta questões sem qualquer prova ou indícios de fatos que contrariem a legislação, quer societária ou tributária, pois não há impedimento para que sociedades do mesmo grupo econômico executem parte das atividades da outra, bem como compartilhamento de despesas e custos, sendo dispensável a emissão de Notas Fiscais entre o condomínio, podendo ser utilizado qualquer outro documento como comprovante, tais como notas de débito e recibo. Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 13116.722565/201581 Acórdão n.º 1302003.158 S1C3T2 Fl. 1.690 9 os recibos acostados aos autos não podem ser desqualificados sem qualquer fundamentação robusta. tanto a autoridade fiscalizadora como a de julgamento, enumeram as despesas glosadas e os respectivos comprovantes e registros contábeis, comprovando se tratarem de gastos efetuados no interesse dos negócios, bem como identificando claramente os beneficiários. logo, os valores pagos são dedutíveis nos termos do artigo 299 do RIR/99. quanto ao lançamento de IRRF, a fiscalização, em face da indisponibilidade de notas fiscais, recusou os comprovantes, limitandose a glosar as despesas e considerar os pagamentos como beneficiários não identificados. não pode subsistir o lançamento, pois o caso configura bitributação. os valores pagos são dedutíveis, pois são necessários para a atividade produtiva. por outro lado, identificado os beneficiários, não há que ser falar em IRRF. com relação à infração da falta de declaração e recolhimento do PIS e COFINS, cita os itens 57, 59, 60 e 64, discordando da decisão recorrida que afirmou a exclusão da espontaneidade com o início do procedimento fiscal. afirma que já colacionou Parecer da SEFAZ/GO, comprovando as dificuldades enfrentadas para atender ao SPED. tanto a fiscalização quanto a DRJ/POA reconhecem que a recorrente forneceu todas as informações de apuração e apresentou o DACON, permitindo o lançamento e a homologação dos critérios e valores lançados, sem qualquer prejuízo ao fisco. a decisão recorrido consignou em voto que não teria ocorrido nulidade por agressão aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, legalidade e segurança jurídica; entretanto, a recorrente não argüiu a nulidade, mas a redução das multas aplicadas, tendo em vista seu caráter desarrazoado e confiscatório. mesmo com a entrega intempestiva das obrigações, as multas são afastadas pela disposição do artigo 138 do CTN, já que cumpriu as obrigações conforme intimações. ainda ocorreu a decadência para cobrança do PIS e COFINS, pois a fiscalização, ao lançar os tributos, limitouse a considerar os saldos apurados a cada mês, inobservando os artigos 3º e 4º, das Leis nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, lançando valores indevidos nos meses subsequentes àqueles em que foi apurado saldos credores. a decisão recorrida acata a argumentação da fiscalização que utilizou os créditos para abater tributos de maior onerosidade, fato não comprovado nos autos, pois os débitos que permaneceram foram os lançados com multa de 150%. a legislação é clara quanto aos descontos dos créditos nos débitos dos próprios tributos e somente após, a compensação mediante PER/DCOMP. Fl. 1694DF CARF MF 10 mesmo na compensação de ofício, o contribuinte deve anuir, conforme determina o § 1º do artigo 6º do Decreto nº 2.138/97. com a Lei nº 8.383/91, o IRPJ e CSLL são tributos por homologação, disciplinado pelo artigo 150 do CTN. em razão desse entendimento, o STJ editou Súmula nº 436, devendo ser aplicada nas apresentações da DCTF. as contribuições são de apuração mensal, motivo pelo qual os meses de janeiro a novembro/2010 deveriam ter sido lançados pela fiscalização até o último dia do mês todos os argumentos trazidos aos autos devem ser aplicados à apuração da CSLL, razão pela qual requer a sua análise para fins de desconstituir o crédito tributário lançado. é completamente desproporcional e irrazoável a manutenção das multas, tendo em vista equívocos contábeis e de informações, que decorreram de problemas causados pela da própria RFB, em suas constantes mudanças de versões de programas e sistemas. mesmo que cumpridas após o início da ação fiscal, as obrigações acessórias entregues foram suficientes para a fiscalização apurar e lançar o crédito tributário, sendo razão para exclusão das multas de ofício e juros de mora de 20%, conforme artigo 138 do CTN. breve leitura da descrição dos fatos e do enquadramento legal utilizado pelo agente fiscal ao realizar a lavratura do presente auto de infração percebese que os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, legalidade e segurança jurídica não foram respeitados, restando latente e imprescindível sua nulidade. questiona a legalidade da cobrança de multa de 150%, de multa agravada e juros de mora. cita o Recurso Extraordinário nº 736090, de repercussão geral, que decidirá sobre a razoabilidade na incidência de uma penalidade qualificada de 150% sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição que se deixou de pagar ou declarar. consoante demonstrativo do débito, foi aplicado valores exorbitantes a título de multa e juros de mora, sendo a recorrente duplamente punida pelas mesmas infrações, com procedimento que não encontra respaldo em nosso ordenamento jurídico, maculando o auto de infração de nulidade. a recorrente não preenche nenhum dos requisitos apontados que justifiquem a aplicação da multa, principalmente a agravada, conforme documentos apresentados em anexo, indevido, de pleno direito, o confisco perpetrado através da imposição da multa sobre o valor principal. as informações prestadas pela Recorrente nos prazos assinados pela RFB, antes do lançamento de ofício, determinam a espontaneidade para os tributos declarados, sobre os quais não incide sequer a multa de moratória conforme o art. 138 do CTN. finaliza requerendo: i) recebimento do recurso voluntário por ser tempestivo. Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 13116.722565/201581 Acórdão n.º 1302003.158 S1C3T2 Fl. 1.691 11 ii) acolhimento das preliminares de nulidade. iii) no mérito, que sejam acolhidas as razões da recorrente, para fins de anular os lançamentos tendo em vista os erros materiais apontados e as infrações à legislação pátria presentes na decisão recorrida. iv) reconhecimento da decadência do PIS e COFINS de competência dos meses de janeiro a novembro/2010. v) caso superados os pedidos anteriores, que reconhecida a ausência de conduta ilícita ou que pudessem embaraçar a fiscalização, com a extinção ou redução das multas aplicadas. vi) que, ao final, seja cancelo o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso voluntário foi apresentado pela autuada e pelo responsável solidário Nadim Gibrail Hanna, que tiveram ciência do Acórdão da DRJ em 14/02/2017 e 15/02/2017, respectivamente. Como a data da apresentação se deu em 10/03/2017, o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Cumpre registrar que, em que pese o recurso voluntário ter sido apresentado pelo responsável solidário, esta matéria não foi expressamente contestada, restando preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Logo, a responsabilidade solidária do Sr. Nadim Gibrail Hanna está definitivamente julgada e mantida. Passo ao julgamento na ordem dos lançamentos pelos anoscalendário, e não das alegações apresentadas no recurso voluntário. Questão processual A recorrente requer o julgamento deste processo juntamente com o processo administrativo nº 13116.722739/201513, alegando que estão fundamentados nas mesmas constatações. De acordo com o item 76 do Termo de Verificação Fiscal, ao longo do procedimento fiscal, verificouse a ocorrência de outras infrações à legislação tributária, tratadas no processo administrativo nº 13116.722739/201513, nas quais não restou caracterizada a responsabilidade solidária do sócio administrador. Por esse motivo, os lançamentos foram lavrados em autos apartados, em razão da independência das matérias Fl. 1696DF CARF MF 12 tratadas, bem como das especificidades presentes neste lançamento, com a inclusão do responsável solidário, e também da multa de ofício qualificada em 150%. A citada Portaria RFB nº 666/2008, vigente à época dos lançamentos, exige que sejam objeto de um único processo administrativo os lançamentos que tenham os mesmos elementos de prova, o que não ocorre no presente caso. Em sendo infrações distintas, não há obrigatoriedade de julgamento em conjunto, destacando que não houve qualquer prejuízo ao exercício do direito à defesa. Da decadência. A recorrente alega a decadência, pois foram constatados pagamentos de estimativas, devendo ser aplicado o artigo 150, § 4º do CTN, determinando que o direito de constituir o lançamento é extinto quando transcorridos cinco anos, contados do fato gerador. Ocorre que este lançamento foi lavrado com multa de ofício qualificada em 150%, em razão da constatação de fraude, nos termos do artigo 72 da Lei nº 4.502/64, fato que desloca a contagem do prazo decadencial do direito à constituição do crédito tributário para o artigo 173, inciso I do CTN, matéria que será analisada posteriormente, na apreciação do mérito. Entretanto, de antemão, ainda que afastada a fraude, os tributos do PIS, COFINS e IRRF, como não houve pagamento, a contagem deste prazo deverá ser feita pelo artigo 173, inciso I do CTN, ainda que ausente a qualificação da multa de ofício. Assim, como a apuração das contribuições é mensal, e para o IRRF é diária, para os meses de janeiro a novembro de 2010, o início da contagem do prazo se dá em 01/01/2011 (primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser lançado), e termina em 31/12/2015. Como a ciência do auto de infração ocorreu em 15/12/2015, o direito ao lançamento para o PIS, COFINS e IRRF não havia decaído. Destaco, ainda, que o praza decadencial para o IRRF, decorrente de lançamento de ofício, é objeto da Súmula CARF nº 114, abaixo transcrita: O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. E, com relação ao IRPJ e CSLL, ainda que tenham sido confirmados pagamentos a título de estimativa mensais, a apuração do lucro é anual, e ambos os tributos têm fatos geradores em 31 de dezembro. Ou seja, caso afastada a multa qualificada, ainda sob a regra do artigo 150, § 4º do CTN, como a ciência ocorreu em 15/12/2015, a decadência está afastada para os lançamentos relativos ao anocalendário de 2010 e 2011. Da preliminar de nulidade A recorrente alega nulidade, pois não houve a descrição exata dos fatos e operações ocorridos durante a ação fiscal, e a indicação do dispositivo legal que ampara o lançamento é genérica, o que ofende os princípios do contraditório e ampla defesa. Não assiste razão à recorrente. Importante frisar que um auto de infração será considerado nulo se os procedimentos não estiverem dentro do previsto no artigo 142 do CTN, bem como no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. No presente caso, compulsando os autos, verificase que todos os requisitos estão atendidos, pois houve a verificação da ocorrência do Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 13116.722565/201581 Acórdão n.º 1302003.158 S1C3T2 Fl. 1.692 13 fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível. O presente lançamento decorre de glosa de despesas e registro de devolução de venda não contabilizada anteriormente, fatos que reduziram a base tributável dos tributos, além de ser motivar o lançamento de IRRF. Foi constatado, ainda, a ocorrência de fraude, com imputação da responsabilidade solidária ao sócio administrador. O auditor fiscal fez uma análise minuciosa das operações ocorridas, dando a correta interpretação a luz da legislação tributária, de forma a perfeitamente contextualizar a ocorrência do fato gerador. Todos os elementos formam um conjunto probatório de que ocorreu a infração, e que a cobrança do tributo se dá meio do lançamento. Também não restou configurado o alegado cerceamento ao direito de defesa, pois a autuada tinha condições de se defender, tanto que assim o fez. Nas questões de mérito, a autuada contestou a base de cálculo assim como o fundamento legal, demonstrando ter claro entendimento do lançamento. Por todo acima exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Do mérito Consta no Termo de Verificação Fiscal que a recorrente foi selecionada para fiscalização em razão das escriturações contábeis digitais (ECD), transmitidas para os anos calendário de 2010 e 2011, não registrarem receitas de vendas, apesar de obter receitas superiores a R$ 285 milhões e R$ 252 milhões, respectivamente. Também constatouse que as DIPJ estavam com todos os campos de valores zerados, as DCTF e as Dacon do primeiro período não foram apresentadas e, em relação a 2011, as DCTF somente continham informações de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), enquanto que as Dacon traziam os valores zerados. Em sua defesa, a recorrente afirma que teve dificuldade em transmitir suas declarações e o SPED, optando por apresentálos com valores zerados. Mas, assim que iniciado o procedimento fiscal, atendeu a todas intimações, prestando as informações solicitadas pela fiscalizada, motivo pelo qual entende que estaria espontânea nos termos do artigo 138 do CTN, sendo inaplicável a multa de ofício qualificada. Não assiste razão à recorrente. O artigo 138 do CTN dispõe que o contribuinte está espontâneo enquanto não iniciado qualquer procedimento fiscal relacionado à infração. No presente caso, o início do procedimento fiscal se deu em 25/09/2014, sendo que, a partir desta data, qualquer ato do contribuinte já não mais está no abrigo da espontaneidade, sendo cabível, e obrigatória, a constituição do crédito tributário com multa de ofício e juros de mora. Quanto à alegada dificuldade de transmissão das declarações, a inércia da recorrente em tentar resolvêla não ajuda na defesa. Os fatos geradores são de 2010 e 2011, e apenas em setembro/2014, após intimação, é que a recorrente apresentou as declarações e o SPED, quando não estava mais espontânea. Com relação às infrações, foram constatadas duas: 1) Glosa de despesas não comprovadas para o anocalendário de 2010. Fl. 1698DF CARF MF 14 Esta infração está descrita nos itens 26 e 27, abaixo transcritos: 26. De acordo com a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) informada na ECD de 2010, o sujeito passivo, para apuração do lucro líquido do período de apuração encerrado em 31/12/2010, no total de R$ 4.253.248,46, deduziu o montante de R$ 23.512.156,28 a título de despesas administrativas, fls. 716/717. 27. Ocorre que diversos lançamentos a débito das contas analíticas 510201010051210 Outras Despesas, 510201010051238Despesas Gerais, 510201010051219Conserv. e Manut. de Maq. e Equipamentos, 510201010051209Despesas c/Veículos e 510201010051205 Combustíveis e Lubrificantes (contas integrantes do grupo DESPESAS ADMINISTRATIVAS), e a crédito da conta CAIXA, no montante de R$ 18.704.376,27, foram realizados sem especificação dos respectivos documentos comprobatórios dessas despesas, conforme lançamentos extraídos do Livro Diário, fls. 64/70. A recorrente foi instada a comprovar os 84 lançamentos de despesas, que totalizaram R$ 18.704.376,27, com apresentação das Notas Fiscais e os documentos bancários comprobatórios dos pagamentos realizados aos respectivos fornecedores de bens e serviços. A primeira intimação ocorreu em 04/02/2015. Após vários pedidos de prorrogação de prazo, em resposta protocolada em 27/08/2015, a recorrente apresentou os seguintes esclarecimentos: Item 1 Esclarecimentos a) Informamos que não localizamos as notas fiscais que comprovem as despesas administrativas contabilizadas constantes no Anexo III; b) Da mesma forma, também não localizamos os documentos bancários e os demais, constantes no Anexo III. A fiscalização ressaltou que a soma destes lançamentos, de R$ 18.704.376,27, representa 79,5% do total das despesas administrativas contabilizadas em 2010. Em função da falta de comprovação das despesas, foram constituídos créditos tributários de IRPJ e CSLL. Também foi lavrado auto de infração para constituição de crédito tributário de IRRF, caracterizado pelo pagamento a beneficiário não identificado/pagamento sem causa, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981/95, tendo em vista a não comprovação dos destinatários destes pagamentos contabilizados a crédito na conta CAIXA. Juntamente com a impugnação, a recorrente apresentou os documentos de fls. 1.472 a 1.519, que tratam de recibos, todos relativos a prestação de serviços de extrusão de material plástico, das seguintes empresas: 1) Camada Indústria e Comércio de Plásticos LTDA, CNPJ. 02.641.814/000174; 2) K/Brasil Embalagens LTDA, CNPJ. 23.786.429/000151; 3) Megaplast Industria de Plásticos LTDA, CNPJ. 07.447.056/000138. Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 13116.722565/201581 Acórdão n.º 1302003.158 S1C3T2 Fl. 1.693 15 A seguir, transcrevo o trecho do voto da decisão recorrida que não acatou os documentos como comprovação das despesas: Os sujeitos passivos trazem aos autos, junto com a impugnação, cópia de recibos de valores pagos pela contribuinte por conta da prestação de serviços de extrusão, realizada pelas empresas Megaplast Indústria de Plásticos Ltda., K/Brasil Embalagens Ltda. e Camada Comércio e Indústria de Plásticos Ltda., com o intuito de provar a efetividade das despesas que foram glosadas pela fiscalização. Não foram apresentados contratos ou quaisquer outros documentos. O Convênio Sinief s/nº, de 15 de dezembro de 1970, dispõe: Art. 6º Os contribuintes do Imposto sobre Produtos Industrializados e/ou Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicações emitirão, conforme as operações que realizarem, os seguintes documentos fiscais: I Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A; [...] Considerando a extrusão uma parte do processo industrial, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Decreto 7.212/10 – RIPI) exige: Art. 396. Os estabelecimentos emitirão a nota fiscal, modelos 1 ou 1A: I sempre que promoverem a saída de produtos; [...] Sob o ponto de vista formal, a nota fiscal é o documento hábil para comprovar as despesas questionadas. Elas não foram apresentadas pelos sujeitos passivos. Sob o aspecto material, não parecem inidôneos os documentos juntados: todos foram firmados pelo mesmo signatário, em nome de sociedades de que participam o sócioadministrador da autuada (responsável solidário), Nadim Gibrail Hanna, ou o seu irmão, Nabil Gibrail Hanna, sendo ambos procuradores da interessada (fls. 697/698); aparentemente os documentos foram expedidos a posteriori, porquanto contêm características semelhantes (em relação à sociedade empresária Camada, o CNPJ incorreto é repetido invariavelmente); os recibos se relacionam somente com Outras Despesas ou Despesas gerais – em virtude do segmento a que pertencem as supostas prestadoras de serviço (indústria plástica), elas não poderiam justificar, presumivelmente, despesas de Conservação e Manutenção de Máquinas e Equipamentos, Despesas com Veículos e Combustíveis e Lubrificantes. Por fim, estranhase o fato de a autuada não ter informado ao autuante a que título foram Fl. 1700DF CARF MF 16 realizadas as despesas administrativas que pretendeu justificar na impugnação. Assim, entendo que os recibos apresentados na impugnação não são hábeis e idôneos para justificar a efetividade das prestações de serviços correspondentes às despesas glosadas. No recurso voluntário, a recorrente alega que foram localizados os comprovantes das despesas, que afastam a indedutibilidade dos gastos, bem como a cobrança do IRRF. Aduz que DRJ/POA aprovou uma impressão subjetiva do relator, desprovida de prova ou indícios que contrariem a legislação, já que não há impedimento para o compartilhamento de despesas e custos entre empresas do mesmo grupo econômico, conforme já se posicionou a COSIT na Solução de Divergência nº 23/2013. Neste tipo de operação, é dispensável a emissão de Notas Fiscais, podendo ser utilizado o recibo como documento comprobatório. Passo a me pronunciar. O que é possível verificar nos autos é que a cada oportunidade a recorrente tenta justificar as despesas alegando fatos e fundamentos novos. Se as despesas eram compartilhadas pelo grupo econômico, e os recibos assinados pelos irmãos Nadim Gibrail Hanna, ou o seu irmão, Nabil Gibrail Hanna, porque somente agora, em sede de julgamento de segundo instância, que essa questão é levantada ? Porque as despesas foram lançadas como administrativas, enquanto que os recibos tratam de despesas relativos ao processo industrial ? Ainda que fossem despesas compartilhadas, alegação trazida aos autos somente no recurso voluntário, de forma a afastar as questões trazidas pela decisão recorrida quanto ao aspecto material dos recibos apresentados, é necessário esclarecer que a própria Solução de Divergência COSIT, nº 23, de 23 de setembro de 2013, citada pela recorrente, traz requisitos que devem ser observados. Estes requisitos, para fins de convencimento desta conselheira acerca da nova linha de defesa o compartilhamento de despesas e custos, deveriam estar devidamente comprovados nos autos. Assim consta na ementa da citada Solução: Para que os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tão somente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Não conta nos autos qualquer acordo firmado entre as empresas de que teria ocorrido compartilhamento de custos e despesas. Os recibos apresentados, que foram produzidos e assinados pelas partes interessadas na comprovação das despesas, são relativos a Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 13116.722565/201581 Acórdão n.º 1302003.158 S1C3T2 Fl. 1.694 17 serviços prestados pelas citadas empresas, não havendo menção que elas teriam arcados com custos/despesas da recorrente, que justificaria a nova defesa. Do exposto, pela falta de comprovação das despesas administrativas, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo as autuações de IRPJ e CSLL. Com relação à infração do IRRF, contesta alegando que seria bitributação. Afirma que são comprovadamente despesas dedutíveis, e, identificados os beneficiários, não há que se falar em IRRF. Não há como acatar as alegações. Como já visto, os documentos apresentados não se prestam para justificar as despesas, muito menos considerálas dedutíveis. Também não é possível afirmar quem seriam os beneficiários, já que os documentos foram produzidos e assinados pelos próprios interessados, procuradores da recorrente. Desta forma, correto o lançamento para cobrança do IRRF com fulcro no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1985, que assim determina: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Da leitura do dispositivo legal supra, depreendese que a norma determina que a pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado, ou quando não comprovada a operação ou a sua causa, cabe a cobrança do IRRF à alíquota de 35%, sobre a base de cálculo reajustada. Não se trata de bitributação, mas um mecanismo que possibilita à Fazenda Pública a cobrança dos tributos devidos sobre a renda auferida por terceiros. Ora, se não é possível identificar o beneficiário do pagamento, a cobrança do tributo que incidiria sobre esta receita é transferida do sujeito passivo para o responsável tributário eleito pela legislação, no caso, a fonte pagadora, através de retenção exclusiva do imposto de renda. Este mesmo mecanismo se aplica quando não for possível comprovar a operação ou a causa do pagamento. Assim enfrentou esta questão a decisão recorrida, cujos fundamentos adoto no meu voto: A exigência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados em decorrência de despesas glosadas no IRPJ e CSLL não configura tributação sobre a me coisa (bis in idem). Tratamse de hipóteses de incidência distintas: no IRPJ e na Fl. 1702DF CARF MF 18 CSLL, tributase a renda da autuada, enquanto no IRRF, a renda de terceiro. As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incidem sobre o lucro real, que sofre influência das despesas administrativas; para o IRRF, a base de cálculo é o valor do pagamento efetuado. Destaco que o auditor fiscal consignou no Termo de Verificação Fiscal que, a despeito de a fiscalizada não ter apresentado os documentos que pudessem identificar os destinatários dos dispêndios, em nenhum momento negou que tivesse efetuado tais pagamentos escriturados a crédito na conta Caixa. Registrou, ainda, que a consolidação diária dos lançamentos da conta Caixa confirma que em todos os dias do ano de 2010 essa conta registrou saldo devedor. Ou seja, a recorrente dispunha de recursos suficientes para efetuar os pagamentos contabilizados como despesas administrativas. Registrou, ainda, que a escrita contábil faz prova tanto a favor como contra o empresário, nos termos do artigo 226 do Código Civil. Assim, o registro a crédito na conta Caixa comprova a realização dos pagamentos em questão. Entretanto, pela falta de documentação e identificação dos destinatários, restou caracterizado o fato que enseja a aplicação do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1985. Na impugnação, na tentativa de justificar as despesas, a fiscalizada apresentou recibos os quais identificariam os beneficiários. Mas, como já visto, estes documentos não foram hábeis para comprovar as despesas, além de colocar em dúvida os verdadeiros beneficiários, lembrando que todos os recibos seriam de empresas ligadas ao sócio da recorrente, ou a seu irmão, fato que enfraquece sua força probante. Logo, voto por não provimento ao recurso voluntário quanto aos lançamentos de IRPJ, CSLL e IRRF, relativos ao anocalendário de 2010. 2) Devolução na comprovada de venda, no anocalendário de 2011. Durante a ação fiscal, foi constatado que a Nota Fiscal de venda nº 014805, no valor de R$ 2.264.469,90, não foi contabilizada como receita de venda pelo fato de ter sido emitida com valor incorreto. Em consulta à escrituração contábil da empresa adquirente, de fato a Nota Fiscal nº 014805 não foi contabilizada, sendo contabilizada a Nota Fiscal de venda nº 014830, substituta da primeira, no valor de R$ 2.264,47. Ocorre que também foi emitida Nota Fiscal nº 018872, no valor de R$ 2.264.469,90, de devolução da "venda" representada pela Nota Fiscal nº 014805, na data de sua emissão, em 13/07/2011, a débito da conta 620101010062106 DEVOLUÇÕES DE VENDAS (conta redutora da Receita de Vendas), e a crédito da conta CAIXA, como se o valor tivesse sido devolvido para a empresa adquirente. Assim, como a Nota Fiscal de venda nº 014805 não foi contabilizada, não há justificativa para a contabilização da Nota Fiscal de devolução nº 018872, reduzindo a base tributável de IRPJ e CSLL, motivo pelo qual os créditos tributários foram constituídos em razão de omissão de receita caracterizada pela escrituração de devolução de venda. Além disso, na apuração dos créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, foram compensados os créditos dessas contribuições sobre essa devolução de venda, no valor de R$ 2.264.469,90, referente a nota fiscal de devolução nº 018872. No entanto, não é cabível o aproveitamento de créditos sobre a devolução de uma venda que não foi contabilizada, devendo os valores de PIS e COFINS serem recalculados, dando origem à constituição dos créditos tributários destas contribuições. Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 13116.722565/201581 Acórdão n.º 1302003.158 S1C3T2 Fl. 1.695 19 Para efeito de lançamento, os créditos remanescentes apurados pelo sujeito passivo no mês julho de 2011, sendo R$ 28.407,22 referentes à COFINS, fl. 1.160, e R$ 6.167,36 referentes à contribuição para o PIS/PASEP, fls. 1.146, foram utilizados de ofício, no próprio período de apuração desses créditos. Ainda, em razão da não comprovação do pagamento contabilizado a crédito na conta CAIXA, no montante de R$ 2.264.469,90, conforme ficha Razão, foi constituído crédito tributário do IRRF, caracterizado pelo pagamento a beneficiário não identificado/pagamento sem causa, conforme artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Em sua defesa, a recorrente alega que houve erro contábil, e que a fiscalização tributa como receita o valor de uma nota fiscal de entrada de mercadoria, fato que ensejaria, no máximo, multa formal por não haver o registro da nota fiscal de saída cancelada. Esclarece que teve dificuldades para o cancelamento da Nota Fiscal junto a SEFAZ, motivo pelo qual deve ser anulado o lançamento, ou afastada a multa de ofício. Contesta, ainda, o lançamento de IRRF, já que a própria fiscalização confirmou que o cliente adquirente não contabilizou a nota fiscal cancelada. Alega que não houve contagem física do recurso em CAIXA para confirmar que houve pagamento de fato. Além disso, mesmo com o lançamento contábil a crédito indevido, o saldo do CAIXA se manteve de acordo com sua natureza devedora. Quanto ao PIS e COFINS, contesta a compensação de ofício feita pelo auditor fiscal, pois seria necessária a anuência da recorrente, nos termos do § 1º do artigo 6º do Decreto nº 2.138/97. Ademais, a compensação só pode ocorrer mediante PER/DCOMP. Passo a julgar. Não merece acolhida a alegação de mero erro contábil e que estarseia tributando uma Nota Fiscal de entrada de mercadoria. O auditor fiscal verificou que a Nota Fiscal de devolução nº 018872 foi contabilizada a débito em conta redutora da receita bruta, reduzindo indevidamente a base tributável do IRPJ e da CSLL. Ora, se a Nota Fiscal de venda nº 014805 não foi contabilizada, não houve o ingresso indevido de R$ 2.264.469,90 a título de receita. Logo, não há porque reduzir a base tributável no mesmo valor. Também não importa se havia saldo devedor suficiente na conta Caixa para suportar o lançamento a crédito neste valor. O problema está no lançamento a débito em conta de resultado com a redução da receita do período. Logo, correta a constituição dos créditos tributários de IRPJ e CSLL incidentes sobre esse montante abatido indevidamente da receita bruta. Da mesma forma, não é possível o aproveitamento dos créditos da não cumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS relativo a essa devolução de venda que não ocorreu. O lançamento para constituir o crédito tributário da diferença apurada com exclusão destes créditos indevidos é pertinente, sendo que compensação de ofício, levada a efeito pelo auditor fiscal, faz parte de própria sistemática de apuração das contribuições, na qual devese abater créditos do mesmo período de apuração da contribuição devida. Abaixo, o demonstrativo da apuração das contribuições PIS e COFINS. Fl. 1704DF CARF MF 20 Base de Cálculo PIS 1,65% COFINS 7,6% Valor devido 2.264.469,90 37.363,75 172.099,71 Crédito constante na DACON 6.167,36 28.407,22 Saldo devedor AI 31.196,39 143.692,49 Repare que o resultado seria o mesmo se a DACON tivesse sido apresentada corretamente, sem o aproveitamento do crédito indevido da devolução que não ocorreu, conforme tabela abaixo: Inclusão indevida do crédito DACON original Sem inclusão do crédito DACON retificada Bens utilizados como insumos 18.147.143,31 18.147.143,31 Despesas energia elétrica, etc 16.639,52 16.639,52 Despesas de armazenagens, etc 401.634,44 401.634,44 Sobre bens do ativo imobilizados 34.387,62 34.387,62 Devolução de vendas 2.290.719,17 26.249,27 Base de Cálculo dos créditos 20.890.524,06 18.626.054,16 Crédito PIS 1,65% 344.693,65 307.329,89 Crédito COFINS 7,6% 1.587.679,83 1.415.580,12 Valor devido Crédito retificado Saldo devedor Débito de PIS 1,65% 338.526,29 307.329,89 31.196,40 Débito de COFINS 7,6% 1.559.272,61 1.415.580,12 143.692,49 Pelo exposto, não há reparo a ser feito no lançamento de PIS e COFINS, motivo pelo qual nego provimento ao recurso voluntário neste item. Já com relação ao lançamento de IRRF em decorrência desta infração apurada, entendo que assiste razão à recorrente, pelos motivos a seguir. O artigo 61 da Lei nº 8.981/95 tem aplicação quando se detecta um pagamento a um beneficiário não identificado, ou quando não comprovada a causa. A natureza da operação deve pressupor, de fato, um pagamento, em razão de uma contraprestação ou entrega de produto, como foi o caso da infração anterior. Em seus assentamentos contábeis, a fiscalizada registrou saídas de recursos da conta Caixa relativos a despesas administrativas. Por óbvio que a operação em si requer um pagamento. Assim, como o auditor fiscal consignou em seu Termo de Verificação Fiscal, a própria escrita contábil faz prova tanto em favor como contra, motivo pelo qual os lançamentos a crédito na conta Caixa comprovam o pagamento. Entretanto, entendo que a infração aqui relatada não envolve um pagamento a terceiro, mas um artifício contábil que reduziu as receitas do período. O fiscal relatou que o fato que deu origem aos lançamentos contábeis aqui analisados tem origem na emissão de uma Nota Fiscal de Venda com o valor equivocado. Esta venda no valor de R$ 2.264.469,90 não foi concretizada, como atestou a própria empresa adquirente, a qual afirmou que não contabilizou a Nota Fiscal de Venda, e sequer a Nota Fiscal de Devolução. A adquirente apenas contabilizou a Nota Fiscal com o valor correto, de R$ 2.264,47. Ou seja, não houve circulação de mercadoria no valor de R$ 2.264.469,90, assim como não houve entrada de numerário no mesmo valor. A infração detectada foi o "desacerto" dos lançamentos contábeis. Por um lado não houve registro da Nota Fiscal de Venda, mas por outro lado, a fiscalizada contabilizou a Nota Fiscal de Devolução. Este procedimento é que levou à redução da receita tributável, dando motivo ao lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Do contrário, se a fiscalizada tivesse feitos todos dos lançamentos contábeis corretos, registrando as duas Notas Fiscais de Venda e de Devolução, ambas com valor de R$ 2.264.469,90, ainda que tivesse um lançamento a crédito na conta Caixa, não existiria um pagamento a terceiro. Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 13116.722565/201581 Acórdão n.º 1302003.158 S1C3T2 Fl. 1.696 21 Portanto, relativo a esta infração, por não vislumbrar um pagamento a terceiro no registro da Nota de Devolução, ainda que com lançamento a crédito na conta Caixa, concluo que não cabe o lançamento para constituição do crédito de IRRF, com fulcro no artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para exonerar o lançamento de IRRF do anocalendário de 2011. Da multa qualificada de 150% O auditor fiscal justificou a aplicação da multa de ofício qualificada pela seguinte conduta: a fiscalizada contabilizou devolução de venda inexistente, no valor de R$ 2.264.469,90, e despesas indedutíveis (sem comprovação documental) no total de R$ 18.704.376,27, acarretando a redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e, por consequência, a redução dos valores a recolher desses tributos. Essa conduta reiterada, com lançamentos contábeis efetuados em todos os meses do ano de 2010, assim como em julho de 2011, sem comprovação documental, demonstra a intenção do sujeito passivo de modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária (redução das bases de cálculo), de modo a reduzir o montante dos tributos a pagar. Concluiu que essa prática configura fraude, nos termos do artigo 72 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, cabendo a qualificação da multa de ofício para 150%. A recorrente contesta a cobrança da multa de ofício qualificada, tendo em vista que houve apenas erros contábeis, e cumpriu todas as obrigações acessórias, estando amparada no artigo 138 do CTN. Não foram respeitados princípios constitucionais, questionando a legalidade da cobrança da multa de ofício de 150%. Os valores cobrados a título de multa e juros de mora são exorbitantes. Não assiste razão à recorrente. É de se notar que, apenas após intimada, é que a recorrente apresentou as declarações devidas, o que afasta a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN. E, para aquelas declarações apresentadas espontaneamente, os valores estavam todos zerados. Ou seja, a despeito de auferir receitas em valores superiores a R$ 285 milhões e R$ 252 milhões para os anoscalendário de 2010 e 2011, respectivamente, a recorrente nada declarou, demonstrando a intenção de dificultar o conhecimento, por parte da Fazenda Pública, dos fatos geradores dos tributos devidos. A recorrente ainda alega que não preenche nenhum dos requisitos que justificasse a aplicação da multa. Entretanto, não ajuda a defesa a redução das bases tributáveis com despesas administrativas, no montante de R$ 18.704.376,27, para as quais afirmou não possuir as Notas Fiscais durante a ação fiscal. Apenas na fase do contencioso que foram apresentados recibos de empresas cujos sócios são relacionados, a saber, os irmãos Nadim Gibrail Hanna e Nabil Gibrail Hanna. Da mesma forma, registrar a devolução de venda que não foi contabilizada, com a redução da receita tributável, apenas reforça a demonstração da intenção inequívoca de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante dos devidos, situação que caracteriza a fraude, não afastada com seus argumentos de defesa. Quanto às alegações de que a multa de ofício qualificada teria caráter desarrozado e confiscatório, bem como desproporcional e expropriatório, é de se citar a Súmula CARF nº 2, no sentido de que este colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96 é claro ao Fl. 1706DF CARF MF 22 determinar que o percentual da multa de ofício de 75% (artigo 44, inciso I do mesmo diploma legal) será aplicado em dobro quando verificada a ocorrência de fraude (artigo 72 da Lei nº 4.502/64). É o que ocorre no presente caso, como demonstrado anteriormente. Além disso, esta conselheira deve observar a Súmula CARF nº 5, que pacifica o entendimento administrativo de que são devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Logo, correta a aplicação da multa de ofício qualificada no valor de 150%, bem como a cobrança dos juros de mora. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir somente o crédito tributário relativo ao IRRF do anocalendário de 2011. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 1707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.905885/2008-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
EMENTA
COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 1991-18/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJ-AgRg no REsp 1132743/RS, CARF-Acórdão 202-18928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/2003-71; e CARF-Acórdão 203-08986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/2002-31.
Numero da decisão: 3001-000.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 EMENTA COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 1991-18/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJ-AgRg no REsp 1132743/RS, CARF-Acórdão 202-18928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/2003-71; e CARF-Acórdão 203-08986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/2002-31.
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Recorrente MÁQUINAS BECKER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 EMENTA COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 199118/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJAgRg no REsp 1132743/RS, CARFAcórdão 20218928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/200371; e CARFAcórdão 20308986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/200231. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri – Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 58 85 /2 00 8- 62 Fl. 131DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório O Contribuinte, Máquinas Becker Ltda., apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição, acompanhado de Declaração de Compensação, pelo recolhimento a maior a título de COFINS, visto que não observou a alteração da base de cálculo. Por meio de Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRFB Porto Alegre não homologou a compensação declarada, por ausência de direito creditório oponível ao Fisco. Na Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte reafirma o direito de compensação. Para tanto, alega que efetuou pagamento de valores devidos a título de PIS e Cofins com a utilização de base de cálculo errônea, utilizando forma de cálculo diversa da disposta na Lei n° 9.718/1998. Afirma, ainda, que deixou de implementar as deduções previstas no art. 3°, § 2° da Lei n° 9.718/1998, especialmente aquela prevista no inciso III do § 2° do art.3° da referida norma, deixando de excluir da base de cálculo da contribuição valores repassados a terceiros. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, em sessão realizada em 09 de janeiro de 2009, a 2ª Turma da DRJ/POA não homologou a compensação, cujo fundamento central está retratado no seguinte excerto das razões do voto formulado pelo Relator (fls. 34), a saber: Dessa forma, é de se negar provimento à pretensão da impugnante de conferir eficácia ao dispositivo legal que, não tendo o atributo da autoexecutoriedade, foi revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, não produzindo efeitos no curso de sua vigência, por não ter sido regulamentado pelo Poder Executivo. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 29.01.2009, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10.02.2009. Alega, síntese, que “as contribuições ao PIS e COFINS incidiam sobre o faturamento das empresas. Esta situação perdurou até o advento da Lei 9.718/98, que perfectibilizou profundas alterações na natureza jurídica das referidas contribuições, especialmente no que diz respeito às suas bases de cálculo. Esta nova norma, que revogou parte das Leis Complementares 07/70 e 70/91 elegeu como base imponível das contribuições a receita bruta das empresas, que foi equiparada ao faturamento para fins de incidência dos tributos” (fls. 40). É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por MÁQUINAS BECKER LTDA em face de Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 29.01.2009, o Contribuinte Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11065.905885/200862 Acórdão n.º 3001000.567 S3C0T1 Fl. 3 3 ingressou com Recurso Voluntário, em 10.02.2009, subscrito por procurador habilitado, e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão n° 3001000.563, de 20 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11065.905879/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionada Resolução que determinou o retorno à DRJ recorrida, quanto segue. Em síntese, a 1ª Instância não homologou o pedido de compensação por dois fundamentos distintos: (i) ressaltou que não consta dos autos documentação comprobatória do crédito alegado; e, (ii) a alteração da base de cálculo da contribuição de que trata o art. 2º da Lei 9.718/1998 estava com a eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, para fins de exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídicas da base de cálculo da contribuição. No Recurso Voluntário, quanto ao primeiro aspecto, o Contribuinte assinala que “os Darfs e planilhas anexadas ao processo administrativo comprovam a existência de crédito”. No que tange ao outro fundamento, conforme já relatado, assevera que: “As contribuições ao PIS e COFINS incidiam sobre o faturamento das empresas. Esta situação perdurou até o advento da Lei 9.718/98, que perfectibilizou profundas alterações na natureza jurídica das referidas contribuições, especialmente no que diz respeito às suas bases de cálculo. Esta nova norma, que revogou parte das Leis Complementares 07/70 e 70/91 elegeu como base imponível das contribuições a receita bruta das empresas, que foi equiparada ao faturamento para fins de incidência dos tributos. (...) A leitura do dispositivo legal em comento permite concluir com absoluta clareza, que para obter a base de cálculo das referidas contribuições se faz necessário seguir os passos do artigo 3º e parágrafos da norma, que podem ser resumidos para fins didáticos em dois momentos: 1° Apurar a totalidade da receita auferida pela empresa (art. 3º. § l°); 2° Efetuar as deduções previstas nos incisos I, II, III e IV do parágrafo 2° da Lei 9.718/98, onde destacase as exclusões de todas as receitas tidas como próprias e transferidas para outras pessoas jurídicas (inciso III). A controvérsia que origina a presente demanda decorre do fato da Recorrente pretender cobrar o tributo com base na totalidade das receitas, sem permitir as deduções previstas na Lei. Afirmam os Agentes do fisco que a aplicação do inciso III é impossível, visto que não foram editadas as normas regulamentadoras previstas no texto legal. Ora, nenhuma norma regulamentadora pode dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que esta matéria é reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos”. Conquanto a controvérsia tenha motivado acalorados debates a partir da publicação da suposta alteração da base de cálculo da contribuição, já há muito se pacificou entendimento de que a Fl. 133DF CARF MF 4 aplicação das deduções dependia de regulamentação, via decreto, pelo Poder Executivo, o que não ocorreu. Nesse sentido trilha a jurisprudência, em âmbito judicial, representada por acórdão proferido pela Primeira Turma do STJ, nos autos do AgRg no REsp 1132743/RS, em que atuou, como Relator, o Ministro LUIZ FUX, em julgamento ocorrido em 16.12.2010, publicado no DJe 21.02.2011, cujos trechos que interessam ao presente caso seguem abaixoreproduzidos: 'PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. (RECURSO REPETITIVO RESP 1.002.932SP). PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI N.º 9.718/91, ART. 3º, § 2º, III. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. As normas jurídicotributárias admitem a dicotomia entre as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, "as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.". Isto porque, "não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem". 2. A lei 9.718/91, art. 3º, § 2º, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedouse inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 199118/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3º, § 2º, III, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que "se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000". 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer benefício tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11065.905885/200862 Acórdão n.º 3001000.567 S3C0T1 Fl. 4 5 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva.' Nessa mesma linha, vejamos como vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, verbis. 'Ementa: COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. Se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, revogada posteriormente pela edição da MP 199118/2000, previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador. Em decorrência deste fato, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedente do STJ – Recurso Especial nº 445.452 RS Nº 2002∕00836607 ( Processo: 19515.002905/200301 Nº Acórdão Nº 20310404, proferido em 13.09.2005).' No mesmo sentido, citamse ainda os acórdãos: (a) 20218928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/200371; e, (b) 20308986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/200231. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do congtribuinte. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11065.905879/200813, em que figura a mesma Recorrente, MÁQUINAS BECKER LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.563, de 20.11.2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido de conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator. Fl. 135DF CARF MF 6 Fl. 136DF CARF MF
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