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Numero do processo: 12448.733378/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR MÍNIMO. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA APRECIAÇÃO.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. ESVAZIAMENTO DO OBJETO LITIGIOSO. NÃO CONHECIMENTO.
Havendo a expressa desistência do recurso interposto e a renúncia do direito alegado pelo contribuinte, delimitado pelos termos e pedidos do seu apelo, esvazia-se o objeto de julgamento, não devendo ser conhecido o Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1402-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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VALOR MÍNIMO. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA APRECIAÇÃO. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. ESVAZIAMENTO DO OBJETO LITIGIOSO. NÃO CONHECIMENTO. Havendo a expressa desistência do recurso interposto e a renúncia do direito alegado pelo contribuinte, delimitado pelos termos e pedidos do seu apelo, esvaziase o objeto de julgamento, não devendo ser conhecido o Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 33 78 /2 01 1- 84 Fl. 1240DF CARF MF 2 Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 12448.733378/201184 Acórdão n.º 1402002.622 S1C4T2 Fl. 320 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 1109 a 1126) interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (fls. 1073 a 1094) que deu provimento parcial à Impugnação apresentada (fls. 742 a 760), mantendo as Autuações sofridas pela Recorrente apenas em relação à Contribuição para o PIS e à COFINS exigidas (fls. 564 a 596). No presente processo, originalmente, são exigidos do Contribuinte créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, do anocalendário 2006, sob a acusação de omissão de receitas, diante de inúmeras irregularidades constadas nos registros contábeis e fiscais apurados pela Fiscalização. Por bem resumir a demanda, passo a reproduzir os principais trechos do preciso e completo relatório da DRJ a quo: Trata o presente processo de exigências de imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), contribuição para o PIS/Pasep, contribuição para financiamento da seguridade social (COFINS) e de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006, conforme autos de infração e anexos de fls. 571596 e termo de constatação fiscal de fls. 564570 (anexo e integrante dos autos de infração). As infrações fiscais descritas são as seguintes, em síntese: 01) Omissão de receitas – devolução não comprovada de mercadorias vendidas Omissão de receita operacional caracterizada pela devolução não comprovada do produto “gasolina A” (sujeita à tributação monofásica do PIS e COFINS), para o cliente Inca Combustíveis Ltda, conforme detalhamento no termo de constatação fiscal. Valores tributáveis: R$ 11.501.993,58 e R$ 3.500.574,00 Enquadramento legal: Artigo 24 da Lei nº 9.249/95. Artigos 249, II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). 02) Omissão de receitas – receitas não contabilizadas Omissão de receita caracterizada pela baixa do saldo da conta 0021531900 – Adiantamentos de clientes, em dezembro de 2006, Fl. 1242DF CARF MF 4 sem a transferência desse valor da conta 0023101000 – receita de exercícios futuros para a conta 0031111000 – receita gasolina A, conforme detalhamento no termo de constatação fiscal. Valor tributável: R$ 186.491,60 Enquadramento legal: Artigo 24 da Lei nº 9.249/95. Artigos 249, II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. 03) Omissão de receitas – cancelamento fictício de notas fiscais de vendas Omissão de receita operacional caracterizada pelo cancelamento/reversão de valores relativos a vendas de solvente – S2 (sujeita à tributação normal de PIS e Cofins) para o cliente Unioil Lubrificantes Ltda, sem a comprovação desse cancelamento/reversão, conforme detalhamento no termo de constatação fiscal. Valores tributáveis: R$ 6.426.859,09 e R$ 6.124.734,76 Enquadramento legal: Artigo 24 da Lei nº 9.249/95. Artigos 249, II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. 04) Omissão de receitas Omissão de receita operacional caracterizada pela baixa do saldo da conta 0021531900 – Adiantamento de clientes, em dezembro de 2006, sem a devida transferência desse valor, da conta 0023101000 – receita de exercícios futuros para a conta 0031111500 – receita de solvente (S2 sujeita à tributação de PIS e Cofins), conforme descrição no termo de constatação fiscal. Valor tributável: R$ 669.442,27. Enquadramento legal: Artigo 24 da Lei nº 9.249/95. Artigos 249, II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. No termo de constatação fiscal, consta o seguinte (fls. 564569): [...] 6. Em 14/04/2011, foi lavrado Termo de Intimação (ciência, via postal, em 19/04/2011), quando foram solicitados: 6.1. Com base na relação notas fiscais emitidas/anocalendário 2006, anexa ao termo (72 Notas Fiscais com a Natureza de Operação: Simples Fatura Venda Entrega Futura), apresentação dos originais (inclusive das canceladas), juntamente com a comprovação da remessa dos produtos nelas relacionados para os adquirentes/clientes (Conhecimento de Transporte de Cargas, etc); Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 12448.733378/201184 Acórdão n.º 1402002.622 S1C4T2 Fl. 321 5 Os créditos na Conta 0023101000 Receitas de Exercícios Futuros foram os seguintes em 2006: 6.2 Documentos comprobatórios de todos os recebimentos de valores, ocorridos em datas posteriores a 31/12/2006, relativos ao saldo da conta 0023101000 Receitas de Exercícios Futuros, existente nesta data, de valor igual a R$ 24.112.305,43. 6.3 Documentos que deram respaldo aos lançamentos contábeis indicados nos quadros I e II, anexos ao termo, indicando a origem dos valores depositados nas contas bancárias (Bradesco e Itaú). Alguns destes valores tiveram como origem pagamentos (transferências interbancárias e cheques) efetuados pela empresa First do Brasil Petróleo Ltda CNPJ 01.951.918/000189. 6.4 Documentos que deram respaldo aos lançamentos seguintes: 6.5 Extratos bancários das contas correntes 005536/Banco Itaú e 27.9358/Banco Bradesco. 7. Em resposta de 06/05/2011, o contribuinte: Fl. 1244DF CARF MF 6 7.1. Apresentou 13 livros encadernados, contendo dentre outros, os originais das Notas Fiscais solicitados, bem como uma caixa box de papelão, contendo os canhotos das Notas Fiscais de Venda de todo o ano de 2006 que, segundo seu ponto de vista, comprovaria a entrega dos produtos aos clientes (subitem 6.1). Foram retidas por esta fiscalização, 82 (oitenta e duas) Notas Fiscais Faturas NFF, todas emitidas em dezembro de 2006, e respectivos canhotos de "comprovação de entrega", coma seguinte numeração: 249822/249832, 249834/249837, 249875/249882, 249974/250023, 250026/250028, e 250031/250036. Também foram retidas por esta fiscalização, as 52(cinqüenta e duas) NFF de Natureza: SIMPLES FATURA VENDA ENTREGA FUTURA, cuja numeração encontrase no anexo do Termo de intimação Fiscal lavrado em 14/04/2011. 7.2. Apresentou planilha relativa ao saldo da Conta 0023101000 Receitas de Exercícios Futuros, de valor igual a R$ 24.112.305,43...[...] 7.3 Para atender ao subitem 6.3, anterior, o contribuinte se limitou a apresentar uma relação, dela constando valores supostamente adiantados pelos clientes mencionados no subitem 6.1. 7.4 Para atender ao subitem 6.4, anterior, o contribuinte limitou se a apresentar: a) Cópia da Nota Fiscal 247.829, emitida em 30/06/2006, de valor igual a R$ 6.426.859,09; b) O Razão Analítico do lançamento relativo à 29/12/06, de valor igual a R$ 6.124.734,76, informando somente que tal valor foi baixado em 29/12/06, porque não havia expectativa de recebimento, mas que em 31/03/07 foi novamente estornado. 7.5. Apresentou os extratos bancários solicitados. 8. Os valores das Notas Fiscais Emitidas como Simples Fatura Venda Entrega Futura foram: 8.1. Inicialmente, debitados na Conta 0011211000 Contas a Receber/Mercado Interno, tendo como contrapartida créditos nas Contas 0031111000 Receita Bruta de Venda de Produtos (Gasolina A) e 0031111500 Receita Bruta de Venda de Produtos (Solvente S2). 8.2. Posteriormente, dentro do mesmo mês do lançamento indicado no subitem 8.1, anterior, os valores creditados nas contas 0031111000 e 0031111500, foram transferidos para a Conta 0023101000 Receitas de Exercícios Futuros, através de débitos realizados nas duas primeiras contas, que tiveram como contrapartida créditos efetuados na segunda conta. 8.3. Finalmente, em datas posteriores, os valores das Notas Fiscais foram novamente transferidos da Conta 0023101000 Receitas de Exercícios Futuros, para as contas de Receita de Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 12448.733378/201184 Acórdão n.º 1402002.622 S1C4T2 Fl. 322 7 origem (0031111000 e 0031111500), restando nesta conta, em 31/12/2006, um saldo igual a R$ 24.112.305,43. [...] 10. Tendo em vista o saldo existente em 31/12/2006, na conta 0023101000 – Receitas de Exercícios Futuros, bem como as baixas não justificadas realizadas nesta conta em 30/09/2006 (R$ 6.426.859,09) e 29/12/2006 (R$ 6.124.734,76), optamos por diligenciar os 6 (seis) clientes ligados a esta conta...(Grifouse.) Estas diligências objetivaram, principalmente, comprovar a efetividade dos pagamentos, pelos clientes, no anocalendário de 2007, dos produtos por eles adquiridos em 2006, e; verificar a capacidade econômicofinanceiras destes clientes. 11. A situação dos clientes mencionados no item anterior... [...] 16.2...Tendo em vista tudo o que foi exposto no presente termo, esta fiscalização constatou que: I. O contribuinte utilizase de um Plano de Contas, onde Contas Transitórias encontramse vinculadas a cada Conta de Bancos, como por exemplo: a) Conta 0011120210 Banco Bradesco RPDM c/c 0279358. Conta 0011120212 Transitória de Pagamentos Conta 0011121913 Transitória de Recebimentos b) Conta 0011121910 Banco J Safra Conta 0011121912 Transitória de Pagamentos Conta 0011120313 Transitória de Recebimentos Tal metodologia dificulta o estabelecimento de um vínculo entre determinado valor, p.e., registrado em Contas a Receber, e seu efetivo recebimento, e entre este e a operação propriamente dita, que deu origem ao registro a débito de Contas a Receber. Os valores recebidos da First do Brasil Petróleo Ltda foram registrados a Débito de Bancos (Bradesco e Itaú) e a Crédito das respectivas Contas Transitórias de Recebimentos (0011120213/Bradesco e 0011120413/Itaú). Com este expediente, mascarouse a quitação de débitos de supostos clientes junto ao contribuinte que, na realidade, foram pagos, em parte, com recursos com origem na First do Brasil Petróleo Ltda. II. De forma conflitante, o contribuinte mantém a Conta 0021531900 Adiantamento de Clientes, onde o cliente Inca Combustíveis possui um saldo de adiantamento, em 31/12/2006, igual a R$ 3.793.570,25 e, simultaneamente, nesta mesma data, Fl. 1246DF CARF MF 8 possui um débito junto ao contribuinte, registrado na Conta 0023101000 Receitas de Exercícios Futuros, de valor igual a R$ 22.509.859,18. III. Em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 26/05/2011 (item 14, anterior), o contribuinte apresentou: a) O anexo V, para atender a solicitação do item 2 do termo. Este anexo relaciona as 15 (quinze) transferências interbancárias (do Banco Bradesco c/ c de titularidade da First do Brasil Petróleo Ltda para Banco Brasdesco c/c de titularidade do contribuinte), que foram utilizadas para quitar débitos de supostos clientes (Unioil Lubrificantes Ltda e Geração Distribuidora de Produtos Químicos Ltda), para os quais foram emitidas Notas Fiscais Simples Fatura Venda Entrega Futura. b) O anexo VI, para atender ao solicitado no item 4 do termo. Este anexo relaciona os 55 (cinqüenta e cinco) cheques emitidos pela empresa First do Brasil Petróleo Ltda, que foram utilizados para quitar débitos de supostos clientes (Unioil Lubrificantes Ltda, Geração Distribuidora de Produtos Químicos Ltda, Ade Química Ltda e IGK Kober Indústria de Tintas Ltda), para os quais foram emitidas Notas Fiscais Simples Fatura Venda Entrega Futura. IV. Dentre os supostos clientes do contribuinte, a empresa Inca Combustíveis Ltda não possuía em 2006, e tampouco em 2007, capacidade econômico/financeira para arcar com o montante de débitos, registrados na contabilidade da Refinaria de petróleos de Maguinhos, conforme constatamos a seguir: a) O valor das Vendas Realizadas em 2006 foi obtido a partir do quadro VENDAS REALIZADAS NO ANOCALENDÁRIO 2006, anexo ao presente Termo de Constatação Fiscal; b) O valor de R$ 7.320.800,00, relativo aos pagamentos efetuados peia Inca em 2007, foi obtido a partir do quadro constante do subitem 7.2; c) O total de R$ 159.756.487,07, relativo às compras pagas pela Inca em 2006, foi obtido a partir da subtração do total das compras (R$ 182.266.346,25), do valor do débito, em 31/12/2006, da Inca junto a Refinaria de Petróleos de Manguinhos (R$ 22.509.859,18 vide inciso II destes comentários). V. Desta forma, constatamos que valores inicialmente computados nas Contas de Receita Bruta de Venda de Produtos Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 12448.733378/201184 Acórdão n.º 1402002.622 S1C4T2 Fl. 323 9 (0031111000 Gasolina e 0031111500 Solvente/S2), foram transferidos para a Conta 0023101000 Receitas de Exercícios Futuros, escapando da tributação a que estariam sujeitos, conforme segue: a) Saldo de R$ 24.112.305,43, existente em 31/12/2006, na conta 0023101000 – Receitas de Exercícios Futuros: Conforme podemos constatar através do quadro junto subitem 7.2, do total do saldo mencionado, o contribuinte justificou e documentou somente os seguintes valores: R$ 614.790,00, relativo à Nota Fiscal 250304 / Geração, cujo total é de R$ 1.284.232,27. O valor de R$ 669.442,27 é tributável, uma vez que foi baixado de Adiantamento de Clientes em 31/12/2006. R$ 2.319.980,00, relativo à Nota Fiscal 249435 / Inca, cujo total é de R$ 2.506.471,60. O valor de R$ 186.491,60 é tributável, uma vez que foi baixado de Adiantamento de Clientes. Quatro valores iguais a R$ 1.250.205,00, relativos às Notas Fiscais 249463, 249464, 249469 e 249479, todas da Inca que totalizaram R$ 5.820.000,00 . Uma vez que os demais valores, principalmente aqueles relativos às devoluções de produtos (Inca), não tiveram a justificativa solicitada e tampouco a apresentação da documentação exigida, ficam todos eles sujeitos à tributação, juntamente com os já mencionados, conforme segue: Valores não justificados pelo contribuinte, relativos ao saldo da Conta 0023101000: b) Conforme podemos verificar junto ao subitem 7.4, o contribuinte não logrou justificar as baixas dos valores de R$ 6.426.859,09 e R$ 6.124.734,76, ocorridas em 30/06/2006 e 29/12/2006, respectivamente. Fl. 1248DF CARF MF 10 Tais valores foram baixados (debitados) da Conta 0023101000 Receitas de Exercícios Futuros e da Conta 0011211000 Contas a Receber Mercado Interno, onde foram creditados, sem que houvesse uma justificativa. O contribuinte limitouse a apresentar cópia da Nota Fiscal 247.829, emitida em 30/06/2006, de valor igual a R$ 6.426.859,09, e o Razão Analítico do lançamento relativo à 29/12/06, de valor igual a R$ 6.124.734,76, informando apenas que este valor foi baixado porque não havia expectativa de seu recebimento. Desta forma, ficam tais valores sujeitos à tributação, nas datas da emissão das respectivas Notas Fiscais. VI. Em conseqüência, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, constituímos o crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativo ao anocalendário 2006, sobre os seguintes valores, com base naqueles mencionados nas letras "a" e "b", anteriores: VII. Tendo em vista a divergência de informações prestadas pelo contribuinte, quando informou desconhecer qualquer depósito efetuado pela empresa First do Brasil Petróleo Ltda a seu favor (item 13) e, mais tarde, admitiu depósitos desta mesma empresa em suas contas correntes nos Bancos Itaú e Bradesco (item 14), fato este agravado pela constatação, por parte desta fiscalização, de vendas fictícias, para supostos clientes, alguns sem capacidade econômicofinanceira para realizar as aquisições, e inclusive sem a devida comprovação da efetiva entrega dos produtos vendidos (deixou de apresentar os Conhecimentos de Transportes de Carga, embora solicitado), sujeitase o mesmo à qualificação da penalidade (multa), conforme previsto no inciso II do art. 957 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda).(Grifouse.) Valores lançados (tributos, multa de ofício e juros de mora): • Imposto de renda pessoa jurídica – R$ 2.092.944,98 • Contribuição para o PIS/Pasep – R$ 654.031,30 • Cofins – R$ 3.012.507,94 • Contribuição social sobre o lucro líquido – R$ 778.631,96 Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 12448.733378/201184 Acórdão n.º 1402002.622 S1C4T2 Fl. 324 11 • Total do crédito tributário lançado é de R$ 6.538.116,18 (fl. 2). A autuada, tempestivamente, conforme despacho de fl. 966, por meio de seus advogados, impugnou os lançamentos (fls. 742760), com as seguintes alegações, em síntese, sob os seguintes títulos: I Da tempestividade Que a impugnação é tempestiva. II – Do lançamento Neste tópico estão descritas as infrações apuradas pelo fisco e os valores lançados. III – Da realidade dos fatos II.1 Preliminares III.1 – Da não ocorrência de omissão de receitas frente a exatidão dos valores declarados na DIPJ/2007 A fiscalização elaborou um quadro de vendas realizadas em 2006 e encontrou o valor anual de R$ 276.608.569,76. Ao confrontar com o montante escriturado na ficha 26 da DIPJ – saídas de produtos/mercadorias/insumos, no valor de R$ 241.768.458,13, a fiscalização entendeu que a diferença apurada não teria sido tributada. No entanto, tal valor foi oferecido à tributação. Para facilitar a compreensão da alegação, apresenta “mapa de faturamento” (doc 05 – fl. 868), que demonstra a compatibilidade entre os valores mensais apurados pela fiscalização (R$ 276.608.569,76) e o valor de R$ 276.958.722,51 informado na declaração (doc 04 – Ficha 22 da DIPJ, fl. 853). Esclarece que o valor informado pela impugnante na DIPJ/2007 supera o valor apurado pela fiscalização. E acrescenta: 13. Apesar da fiscalização não ter vislumbrado a declaração dos valores postos na conta Receitas de Exercício Futuro e das baixas por cancelamento, estes estão escriturados na DIPJ/2007 (Doc 04), porém, em campo diverso, o que não justifica a autuação em tela. Diz que é improcedente a alegação de não demonstração da movimentação financeira pelo cancelamento das operações firmadas com a empresa Inca Combustíveis Ltda, tendo em vista que, além de ter sido documentalmente demonstrado durante a fiscalização o cancelamento das referidas operações (doc. 06 – fl. 881), a existência de valor registrado em conta de adiantamento de clientes é questão meramente comercial e não justifica a autuação, vez que os adiantamentos existentes não admitem a exigência de IRPJ e CSLL sobre tais valores, sendo certo que, pelo princípio da competência, tais receitas de exercícios futuros, em aberto em 31/12/2006, foram devidamente canceladas. Fl. 1250DF CARF MF 12 Também a alegada incapacidade econômico/financeira da empresa Inca Combustíveis Ltda levantada pela fiscalização, não pode ser utilizada como argumento para embasar a autuação, pois o Auditor Fiscal não comprova essa afirmação. Quanto ao lançamento referente à omissão de receitas caracterizada pelo cancelamento/reversão de valores relativos a vendas de Solvente S2 para o cliente Unioil Lubrificantes Ltda., não há que se falar em incidência de tributo nesta operação, tendo em vista que corresponde a faturamento antecipado. Nesse caso, as receitas serão reconhecidas para fins de tributação quando da efetiva entrega do bem. III.2 – Da não incidência de IRPJ e CSLL Alega que não merecem prosperar os lançamentos referentes à omissão de receitas em razão da suposta não contabilização destas pela baixa do saldo da conta de adiantamentos de clientes, sem a transferência desse valor da conta onde são registradas as receitas de exercícios futuros. Diz que a baixa do saldo da conta adiantamento de clientes não está atrelada à idéia de faturamento. Acrescenta que, no caso, a operação referese à operação de faturamento antecipado, as quais terão suas receitas reconhecidas quando da efetiva entrega do bem. Em apoio aos argumentos, estão transcritas decisões administrativas sobre o tema. III. 3 – Da não incidência de PIS e Cofins Referindose aos valores R$ 6.426.859,09 (cancelamento de NF), R$ 669.442,27 (baixa sd clientes) e R$ 6.124.734,76 (reversão FNR), relativos aos meses de setembro e dezembro de 2006, a defesa alega que esses montantes foram submetidos à tributação, conforme DIPJ/2007 (doc 04), no mapa de faturamento (doc 05) e os Dacon juntados (doc 07). Acrescenta o seguinte: 33. Os respectivos registros, conforme indicado pelo Auditor Fiscal, foram lançados a débito das referidas contas contábeis indicadas no Termo de Constatação Fiscal em anexo, mas nenhum deles gerou redução do valor apurado destas contribuições, o que poderá ser comprovado pela apuração constante da DACON em face do total de receitas também apurado pelo próprio Auditor fiscal, no curso da fiscalização. Conclui que os valores lançados são indevidos. IV – Da impropriedade da aplicação da multa qualificada Alega que o Auditor Fiscal deixou de especificar e não comprovou em qual das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 a conduta da fiscalizada se enquadraria. Descreve que da leitura do relato por ele elaborado não há como identificar, com precisão, o fato jurídico que se subsuma a norma que desenha o tipo da infração imputada à impugnante, de modo que há de ser afastada a multa que lhe foi imposta no presente auto de infração em face do “flagrante” cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 12448.733378/201184 Acórdão n.º 1402002.622 S1C4T2 Fl. 325 13 Além disso, a manutenção da multa lançada afronta a disposição contida no inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 e também do art. 60 do mesmo decreto. A nulidade denunciada não é passível de reparação. Assim, a multa lançada não pode ser mantida. IV.1 – Da impossibilidade de aplicação da multa em razão da simples omissão de receitas – ausência de dolo e fraude Alega que a aplicação da multa qualificada pressupõe conduta dolosa, fato que não está comprovado nos autos, ou seja, “praticada com a intenção deliberada de omitir a ocorrência do fato gerador ou impedir o seu conhecimento pelo fisco”. A acusação feita pelo autuante no item VII do termo fiscal não serve para consubstanciar a aplicação da multa qualificada, pois não ficou evidenciada a ocorrência de fraude, tampouco a prática de conduta dolosa, nos termos definidos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Acrescenta: 46. Isso porque, em que pese a declaração da Impugnante quanto aos depósitos efetuados pela First do Brasil Petróleo Ltda., esta apresentou, ainda no curso da fiscalização, os registros contábeis das operações relativas aos depósitos com origem em transferência interbancárias da First do Brasil Petróleo Ltda e das operações relativas aos depósitos (em cheque) realizados por aquela empresa, tendo o ilustre Fiscal, inclusive, considerado tais evidências para a lavratura do Auto de Infração, (item 14.2 do Termo de Constatação Fiscal). 47. Assim, não há prova documental capaz de sustentar que a conduta da Impugnante tenha sido dolosamente direcionada a impedir o conhecimento pelo Fisco do fato gerador do tributo, ou praticada com fim de evitar a ocorrência do mesmo. Sem a prova de tais elementos não é possível a aplicação do disposto no inciso II. do art. 957. do RIR. Em apoio aos argumentos apresentados, estão citados entendimentos da jurisprudência sobre o tema. V – Do pedido Requer: a) Que sejam julgados improcedentes os lançamentos que substanciam o auto de infração. b) Apenas para argumentar, que seja desconsiderada a aplicação da multa qualificada ao presente caso. Processada sua Defesa, foi proferido pela DRJ de Porto Alegre o v. Acórdão, ora recorrido, dando provimento parcial às razões apresentadas, referente às exigências de IRPJ Fl. 1252DF CARF MF 14 e CSLL, mantendo as exações de Contribuição para o PIS e COFINS do lançamento procedido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. ESTORNOS DE RECEITA NÃO COMPROVADOS. A falta de comprovação com documentação hábil e idônea de estornos de receita realizados pelo contribuinte em sua escrituração enseja o lançamento das parcelas correspondentes como omissão de receitas. SIMPLES FATURAMENTO. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. A emissão de nota fiscal identificando a operação como “simples fatura venda entrega futura”, sem comprovação de pagamentos e entrega dos produtos, posteriormente cancelada mediante nota fiscal de devolução, não caracteriza omissão de receita. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Na ocorrência de conduta lesiva ao erário, impõese o lançamento da multa de oficio de 150%. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP, COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação para: 1 – Cancelar integralmente os valores lançados do IRPJ e da CSLL: Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 12448.733378/201184 Acórdão n.º 1402002.622 S1C4T2 Fl. 326 15 2 – Manter integralmente as exigências relativas ao PIS/Pasep e Cofins. Presidente da Turma, desde já, RECORRE DE OFÍCIO da presente decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00 definido na Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. (...) Conclusões Diante do exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter parcialmente os valores lançados, conforme os seguintes demonstrativos: Apuração do IRPJ Apuração da CSLL PIS/Pasep e COFINS. Os valores tributáveis não foram alterados. Os valores lançados devem ser mantidos integralmente. Fl. 1254DF CARF MF 16 Resumo: Aos valores mantidos devem ser acrescidos a multa de ofício (150%) e os juros de mora regulamentares. Como se observa, ainda que os tributos devidos a título de IRPJ e de CSLL não tenham sido totalmente afastados, o cancelamento parcial da infração de omissão de receitas deu ensejo a novo cálculo da sua apuração e, diante da existência de prejuízo superior no período colhido, ficaram os lançamentos de ofício e respectivas multas totalmente esvaziadas. Diante de tal revés parcial, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 1109 a 1126), não trazendo alegações específicas sobre IRPJ e CSLL ou a redução de prejuízo no período promovida, reiterando as alegações da Impugnação de improcedência das exações de Contribuição para o PIS e COFINS, impropriedade da aplicação da multa qualificada, impossibilidade de qualificação da multa por mera ocorrência de omissão de receitas, requerendo, ao final, a reforma do v. Acórdão em relação a tais Contribuições Sociais e o afastamento da multa de qualificada. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Antes da inclusão do processo em pauta, em 25/05/2017, foi juntada aos autos Petição do Contribuinte (fls. 1238), desistindo da demanda em relação a todos os débitos de Contribuição para o PIS e COFINS (e os juros e multas correspondentes), renunciando seu direito e suas alegações, por força da adesão ao Parcelamento veiculado originalmente pela MP nº 766/2017. É o relatório. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 12448.733378/201184 Acórdão n.º 1402002.622 S1C4T2 Fl. 327 17 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Recurso de Ofício Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito (principal e multas) de IRPJ e CSLL na monta de R$ 2.406.537,62. Posto isso, tal valor está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela vigente Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal. Tais circunstâncias e ocorrência atraem precisamente a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Frisese que hipóteses de não conhecimento recursal terminativas, no sentido de que não haverá mais a apreciação do processo na instância (como ocorre com a intempestividade e outras modalidades de preclusão), tal decisão deve ser veiculada formalmente por meio de acórdão, levando o tema à apreciação da Turma Julgadora. Por fim, apenas devese esclarecer que, ainda que efetuado nova apuração do cálculo do IRPJ e da CSLL, de modo a esvaziar completamente o lançamento, tal ajuste fiscal é finalístico e consequente, não se confundindo com o conteúdo meritório, que, apenas e efetivamente, exonerou o valor de R$ 2.406.537,62 a título de IRPJ, CSLL e as respectivas multas incidentes. Fl. 1256DF CARF MF 18 Recurso Voluntário No que tange ao Recurso Voluntário, diferentemente da Impugnação, não há tópico ou alegações específicas em relação às exigências de IRPJ e CSLL mantidas no mérito pelo v. Acórdão, ainda que, ulteriormente, representem apenas uma redução do prejuízo utilizável do período, em face da compensação de ofício promovida no novo cálculo procedido pela DRJ. Igualmente, não há qualquer alegação sobre tal desdobramento desfavorável no valor do prejuízo apurado. Principalmente, no pedido do Recurso Voluntário, expressamente pugnase apenas pelo reforma do v. Acórdão no que tange a manutenção das exigências relativas ao PIS e COFINS, nos termos das disposições supra e o afastamento da multa qualificada (fls. 1125): Assim, fica claro que a matéria controversa após a interposição deste Apelo restringe às exações de Contribuição para o PIS, COFINS e suas respectivas penalidades. Não obstante, como já relatado, em 25/05/2017 foi apresentada Petição, formal e expressamente renunciando o direto recursal do Contribuinte sobre as alegações atinentes a essas Contribuições Sociais, como atendimento a requisito para a adesão ao Parcelamento trazido pela MP nº 766/2017 (fls. 1238): Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 12448.733378/201184 Acórdão n.º 1402002.622 S1C4T2 Fl. 328 19 Até as multas aplicadas sobre tais exações também ficaram prejudicadas (expressamente consta do petitório acréscimos de juros de mora e multa), sendo também objeto de inclusão na anistia promovida. Como fica claro, a única parcela litigiosa remanescente, objeto do Recurso Voluntário, acabou sendo prejudicada pela desistência e renúncia promovidas pela Parte interessada. Destarte, assim como decidido em relação ao Recurso de Ofício, o Recurso Voluntário não merece conhecimento, encerrandose o litígio derradeiramente. Fl. 1258DF CARF MF 20 Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício e do Recurso Voluntário, mantendo integralmente o v. Acórdão recorrido em seus termos. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1259DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002527/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF.
Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Tratando-se de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência.
MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A retroatividade benigna aplica-se a fato pretérito quando indicado corretamente o dispositivo legal o qual se pretende aproveitar.
Numero da decisão: 2402-005.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Tratando-se de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A retroatividade benigna aplica-se a fato pretérito quando indicado corretamente o dispositivo legal o qual se pretende aproveitar.
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INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Tratandose de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A retroatividade benigna aplicase a fato pretérito quando indicado corretamente o dispositivo legal o qual se pretende aproveitar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 27 /2 00 9- 43 Fl. 133DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 19515.002527/200943 Acórdão n.º 2402005.686 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa retro identificada, por meio do Auto de Infracão (AI) DEBCAD n.° 37.117.5909, no montante de R$ 55.134,76 (cinqüenta e cinco mil e cento e trinta e quatro reais e setenta e seis centavos), consolidado em 30/06/2009, referente a contribuicões dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a titulo de “ajuda de custo”, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), relativas a competências de 02/2004 a 11/2005. O Relatório Fiscal, de fls. 57 a 59, informa que: O débito lançado foi apurado, mediante exame dos seguintes livros e documentos, analisados no decorrer da ação fiscal, apresentados pelo contribuinte à fiscalização, quando para tanto intimado, através do “Termo de Início da Ação Fiscal” TIAF: a) Relação Anual de Informações Sociais RAIS Anos Calendário de 2004 a 2007; b) Folhas de Pagamento de empregados de 01/2004 a 12/2008 e 13° Salário; c) Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, de 01/2004 a 12/2008; e, d) Livros Diário dos exercícios de 2004 e 2005; foram realizados trabalhos de verificação e confronto dos valores das contribuições sociais devidas com as efetivamente declaradas e recolhidas, tendo sido apurados débitos, por meio do levantamento AJC; com relação ao levantamento AJC (Ajuda de Custo) no exame das rubricas constantes das folhas de pagamento, se identificou que, para as filiais localizadas em Fernandópolis/SP (CNPJ 63.054.266/000480) e Descalvado/SP (CNPJ 63.054.266/000641), houve o pagamento de ajuda de custo em mais de uma competência para os mesmos empregados, devendo integrar o salário de contribuição, o que não foi considerado pela empresa; constituem fatos geradores das contribuições lançadas: os valores das remunerações pagas aos segurados empregados constantes das folhas de pagamento, na rubrica “Ajuda de Custo”, abrangendo o período de fevereiro de 2004 a novembro de 2005 e não declarados em GFIP, estando estes discriminados no Relatório de Lançamentos; a base legal que ensejou o presente lançamento encontrase na legislação constante do relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, que integra este AI. Complementam o Relatório Fiscal, e encontramse anexos ao AI: IPC Instruções para o Contribuinte; DAD Discriminativo Analítico de Débito; DSD Discriminativo Sintético de Débito; DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento; RL Relatório de Lançamentos; RDA Relatório de Documentos Apresentados; RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados; FLD Fundamentos Legais do Débito; REPLEG Relatório de Representantes Legais; e, VÍNCULOS Relação de Vinculos. Foram juntados, também, pela fiscalização: MPF Mandado de Procedimento Fiscal; TIAF Termo de Início da Ação Fiscal; TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos; Fl. 135DF CARF MF 4 Termos de Intimação Fiscal; Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal; e, TEPF Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. Foram juntados, pela fiscalização, ao AI n.° 37.117.5887 (Processo 19515002529/200932), cópias de alguns documentos da empresa, entre os quais se destacam folhas de pagamento e planilha com valores de pagamento de Ajuda de Custo dos estabelecimentos objeto de lançamento por meio deste AI. E, consta, às fls. 61, termo de juntada de processo, segundo o qual, em 30/06/2009, este processo foi apensado ao processo de n.° 19515002529/200932. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada, pessoalmente, em 30/06/2009 (fls. 03), a empresa apresentou, em 29/07/2009, a impugnação de fls. 62 a 73, com documentos anexos às fls. 74 a 96 (Procuração, e cópias de documento de identificação do subscritor da impugnação, de Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 31/10/2007, e do Estatuto Social adaptado às Leis 10.406/2002 e 11.127/2005, aprovado pela Assembléia Geral Extraordinária de 11/01/2007), na qual deduz as alegações a seguir sintetizadas. Das considerações iniciais: Informa a empresa que o relatório fiscal, de forma concisa, descreve que o lançamento se refere a contribuições previdenciárias devidas referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2008 não declaradas em GFIP e destacadamente reembolso de despesas, e que referida exigência não poderia prosperar. Do cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa: Segundo a impugnante, a afirmação de forma unilateral e genérica de que teria deixado de recolher valores devidos à Previdência Social, sem, contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição e os segurados beneficiários da previdência social, impediria a perfeita identificação da obrigação inadimplida, sendo que o obscurantismo do ato administrativo o inquinaria de nulidade. Sustenta que todo ato administrativo, além da obrigação de possuir fundamentação legal, sob pena de violar os princípios da legalidade e da motivação, celebrados pelos artigos 37 e 150, inciso I da Constituição Federal de 1988, e artigos 97, inciso I, e 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, deve possuir descrição correta, ou seja, identificar com clareza o ato praticado, permitindo ao administrado a prática de ampla defesa administrativa de seus direitos, também constitucionalmente assegurados pelo inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal de 1988. Para ela, a infração cometida, a fundamentação jurídica e a base imponível deveriam estar indicadas de forma precisa, de modo a respaldar a validade da autuação, possibilitando, com sua identificação, o exercício da ampla defesa na esfera administrativa. Alega, então, que houve, no caso, violação aos artigos 2° e 50, inciso ll da Lei n.° 9.784, de 29/01/1999, e conclui que padece de vicio de nulidade a constituição do crédito sem a identificação dos segurados beneficiários, bem como dos fatos geradores. Da decadência: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 19515.002527/200943 Acórdão n.º 2402005.686 S2C4T2 Fl. 4 5 Afirma a empresa que o lançamento das contribuições previdenciárias é denominado por homologação, aplicável aos tributos em que o contribuinte antecipa o pagamento sem prévio exame do Fisco, dispondo o INSS de cinco anos para homologar o pagamento, e que, findo este prazo sem que o Fisco tenha se manifestado, se operam os efeitos da decadência e se considera tacitamente homologado o pagamento antecipado, feito pelo sujeito passivo, extinguindose, conseqüentemente, o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional (CTN). Informa que, nesta modalidade de lançamento, o prazo contase a partir da ocorrência do fato gerador e não a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que se extinguiu o seu direito de rever e homologar o lançamento, como ocorre nas hipóteses de lançamento direto (art. 173, I do CTN). Segundo ela, a jurisprudência do STJ teria se reorientado, corretamente neste sentido, citando o “Resp 180.879SP, STJ, 2” Turma, unânime, 1552001”, segundo o qual “havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador”. Relata que a natureza tributária das contribuições dos artigos 149 e 195 da Constituição Federal foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e que a Lei Ordinária n.° 8.212/91, em seus artigos 45 e 46, teria fixado o prazo de 10 (dez) anos para a constituição dos créditos oriundos das contribuições sociais e para a sua cobrança, contrariando as regras contidas no CTN. Destaca que a Constituição de 1988 reservou à lei complementar a competência para disciplinar a matéria atinente à decadência tributária; e que a Lei n.° 5.172/66, recepcionada como lei complementar, estabelece o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir e cobrar o crédito tributário, sendo que as contribuições sociais são espécies de tributos. Alega que os dispositivos dos artigos 45 e 46 ferem o principio da competência legislativa, pois, se o Constituinte outorgou competência ao legislador complementar para regular normas gerais de direito tributário, dentre as quais a decadência, somente o legislador complementar poderia disciplinar tal matéria, sob pena de inconstitucionalidade por inobservância do quorum especial e qualificado. Faz mençao, então, à Súmula Vinculante n.° 08, ressaltando os efeitos Vinculantes introduzidos pela Emenda Constitucional n° 45 de 30/12/2004, ao acrescentar o artigo 103A da Constituição Federal, regulamentada pela Lei n.° 11.417, de 19/12/2006. E conclui que, no seu entendimento, restariam decadentes as exigências tributárias do período de 02/2004 a 06/2004. Da multa: Destaca, aqui, a empresa, algumas modificações introduzidas na Lei n.° 8.212/91 pela Medida Provisória n.° 449/2008,, já convertida em lei, transcrevendo os artigos 32A e 35, em sua nova redação, e informa que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 106, regulamenta os efeitos mais benéficos de forma retroativa. Fl. 137DF CARF MF 6 E afirma que restou cristalino que não houve aplicação da penalidade mais benéfica, até mesmo diante dos valores conflitantes consignados no relatório fiscal. Do pedido: Para ela, assim, restaria demonstrada a necessidade de revisão do ato impugnado para declarar a sua nulidade. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/11/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS EMPREGADOS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa e' obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado, nos prazos definidos em lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do AI oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O cálculo para aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado no momento do pagamento, parcelamento ou execução do crédito, comparandose a legislação vigente à época dos fatos geradores com os termos da Lei n.° 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 01/02/2011 (fl. 117), o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 119 e segs., em 28/02/2011, o recurso voluntário repisa os argumentos já levantados em sede de impugnação em relação ao cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa, decadência/prescrição e penalidade mais benéfica. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 19515.002527/200943 Acórdão n.º 2402005.686 S2C4T2 Fl. 5 7 Diante do exposto, requer seja decretada a nulidade do presente lançamento de débito. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 01/02/2011 (fl. 844), interpôs recurso voluntário no dia 28/02/2011, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. CERCEAMENTO AO DIREITO DO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA Em linha com a decisão de primeira instancia, entendo que os Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa e os anexos do AI ofereceram as condições necessárias para que o contribuinte conhecesse o procedimento fiscal e apresentasse suas alegações de defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, não há que se falar em declaração de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO A Recorrente aduz em sede de Recurso Voluntário que, no seu entendimento, restariam decadentes as exigências tributarias do período de 02/2004 à 06/2004. É de se ressaltar, no caso, que, no presente Auto de Infração (AI), lavrado e cientificado à empresa em 30/06/2009, foram lançadas, por meio do levantamento AJC, contribuições destinadas à Seguridade Social, nas competências 02/2004 a 11/2005. Tendo sido declarado inconstitucional, por meio de Súmula Vinculante, pelo STF, o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, com o reconhecimento, pelos ministros do STF, de que apenas lei complementar pode dispor sobre normas gerais em matéria tributária como a decadência, nos termos do artigo 146, inciso III, alínea “b” da Constituição Federal, deve ser observado agora pela Administração Pública. o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) Lei n.° 5.172. de 25/10/1966. Cabe observar que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, como as contribuições em tela, aplicase o prazo decadencial dos artigos 150, parágrafo 4°, ou 173, inciso I, do CTN, a seguir transcritos, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente. No caso em análise, de acordo com o “DAD Discriminativo Analítico de Débito”, se verifica que o crédito constituise do levantamento AJC, com a classificação “Não declarado em GFIP”, para o qual não há antecipação de pagamento, tendo em vista que a Autuada não promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre o fato gerador AJUDA DE CUSTO, entendendo que tal rubrica não integra o salário de contribuição. Desta forma, temse que, ao contrário do que entende a Recorrente, não se aplica ao presente caso o disposto no artigo 150, parágrafo 4° do CTN, mas sim o disposto no artigo 173, inciso I deste mesmo diploma legal. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 19515.002527/200943 Acórdão n.º 2402005.686 S2C4T2 Fl. 6 9 E, ao se aplicar o disposto no artigo 173, inciso I do CTN ao presente AI, se constata que não há, neste, qualquer competência fulminada pela decadência, uma vez que a competência mais antiga objeto de lançamento aqui é 02/2004, correspondendo ao “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, no caso, a 01/01/2005, sendo que a decadência para lançar esta competência somente ocorreria em 01/01/2010 e que a constituição do crédito se deu anteriormente a tal data, mais especificamente, em 30/06/2009. E, portanto, assim como observado pelas autoridades de primeira instancia, tem se que não deve ser, aqui, atendido o pedido da empresa no que tange à decadência do período de 02/2004 a 06/2004. DA APLICAÇÃO PENALIDADE MAIS BENÉFICA Não tendo sido indicado claramenteo dispositivo legal que se pretende aplicar de forma mais benéfica ao caso em tela, entendo que não procede a alegação da Recorrente neste aspecto. Tendo em vista o acima, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.001264/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/01/2010
AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
Numero da decisão: 3301-004.001
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/01/2010 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
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PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do DecretoLei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 12 64 /2 01 0- 41 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 3301004.001 S3C3T1 Fl. 200 2 José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 45/55): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada deixou de atender ao prazo legal para prestar informações sobre carga transportada, sujeitandose assim à multa prescrita na legislação que disciplina a matéria. 2) Essas informações estão dispostas na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, que regulamentou o art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, estabelecendo as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali definidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 3301004.001 S3C3T1 Fl. 201 3 5) A autuada protocolou pedido de desbloqueio de manifestos eletrônicos, pois houve a vinculação deles fora do prazo estabelecido, o que gerou o bloqueio automático no sistema. Consultandose o Siscomex Carga verificouse que consta como transportador responsável nesses manifestos a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. 6) A obrigação da autuada de prestar as informações fornecidas a destempo está disposta nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Portanto, ela responde pelo descumprimento desse dever legal. 7) A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato infracionário, consoante dispõe o artigo 136 do Código Tributário Nacional. 8) Ao deixar de prestar a informação dentro do prazo estabelecido, o transportador omitiu informações necessárias ao controle aduaneiro, comprometendo a prévia análise de risco quanto a carga transportada, a logística, em fim, a operação como um todo. Tal conduta materializou claramente a hipótese infracional descrita no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, consoante dispõe o art. 45 da IN RFB nº 800/2007. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 4/4/2011 e apresentou impugnação (fls. 2528) em 13/3/2010, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A vinculação tardia do manifesto deveuse à necessidade urgente de descarregar contêiner refrigerado para fins de reparo, devido à impossibilidade de consertálo à bordo, fato que ensejou a criação de novo manifesto de baldeação, para possibilitar a descarga e posterior reembarque desse contêiner. b) A impugnante não deixou de prestar as informações exigidas, nem causou nenhum embaraço ou impedimento à fiscalização. Portanto sua conduta não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. c) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 3301004.001 S3C3T1 Fl. 202 4 d) A impugnante não tem legitimidade para figurar no pólo passivo do lançamento, pois não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.785 7ª Turma da da DRJ/FOR, julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/01/2010 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/01/2010 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas transportadas configura atraso no cumprimento dessa obrigação, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação tempestiva de informação sobre carga transportada é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada pela legislação no caso de prévia atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 63/72), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.274– 1ª Turma Especial (fls.102/1107), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/01/2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 3301004.001 S3C3T1 Fl. 203 5 INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 112/118 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100431– 1ª Câmara (fls 120/121), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 131/139). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.617– 3ª Turma (fls. 179/187) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/01/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 187) Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 3301004.001 S3C3T1 Fl. 204 6 Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 63/72) o Recorrente alegou em síntese os seguintes itens: I DA TEMPESTIVIDADE II. DO LANÇAMENTO III. DA DECISÃO RECORRIDA IV. DA ANÁLISE DOS FATOS V. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Sobre o item I, já houve manifestação admitindo e conhecimento o Recurso. No item II, o Recorrente faz referência à infração e à respectiva penalidade constantes do Auto de Infração. No item III, há menção à decisão recorrida e é transcrita a sua ementa. O item IV, apesar de também fazer referência à responsabilidade solidária, valendose da Súmula 192 do extinto TRF, concentrase nos argumentos no sentido de teria ocorrido denúncia espontânea; a questão da denúncia espontânea já resta decidida nesta Corte, cabendo aqui somente analisar a legitimidade passiva Por sua vez, no item V, o Recorrente apresenta seus argumentos relativos à ilegitimidade de sua autuação como responsável, transcrevemos: 21. De início, cabe esclarecer que, o e. relator do acórdão ora recorrido pretende impor ao agente marítimo responsabilidade tributária pela retificação de ofício de informações relativas ao Conhecimento Eletrônico já referido. 22. Para uma melhor análise da matéria e para evitar dispositivos legais que possam ser utilizados para tentar transferir a responsabilidade do transportador, do agente de carga e do operador portuário para o agente marítimo, convém transcrever a seguir dispositivos legais do Decretolei no 37/66, a fim de que se afastar qualquer possibilidade de assunção de responsabildiade com base nos artigos, 32, 37, § 1o, do referido diploma legal: "Art. 32 É responsável solidário pelo imposto:" 23. Com efeito, a responsabilidade tributária solidária está prevista expressamente em lei para o imposto de importação e Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 3301004.001 S3C3T1 Fl. 205 7 não para multa isolada que a fiscalização pretende impor à Recorrente. Não há como a fiscalização pretender, por analogia, exigir da Recorrente a multa isolada ora em discussão. 24. O art. 37, § 1o, do DecretoLei no 37/66, dispõe: "Art. 37 O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas." 25. Como se observa em nenhum momento o dispositivo legal acima transcrito menciona a responsabilidade à agência marítima,deixando claro que essa responsabilidade é do transportador (caput), do agente de carga e do operador portuário. 26. O Código Tributário Nacional determina em seu artigo 121, II, que a responsabilidade tributária deve ser expressamente prevista em lei, já que o responsável tributário não ostenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal. 27. Assim, sem previsão legal não pode a multa prevista na alínea "e", do Inciso IV, do art. 107 do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03, ser aplicada à Recorrente. 28. Com efeito, representação também não se confunde com responsabilidade solidária para fins tributários, daí porque às agências marítimas, como no caso da Recorrente, não pode ser imputada a multa prevista no art. art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. 29. E, nesse sentido, decidiu pela ilegitimidade passiva das agências marítimas, no Recurso Voluntário no 506.150, processo no 10711.003636/200644, a 2a Turma Ordinária, 1a Câmara, da 3a Seção, do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 30. A lei e a jurisprudência não dispõem responsabilidade à agência de navegação no que tange à assunção de ônus pertinente à multa estabelecida pelo art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo Art. 77 da Lei no 10.833/03, sendo esta única e exclusivamente de responsabilidade da empresa transportadora ou do agente de carga. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 3301004.001 S3C3T1 Fl. 206 8 31. Consequentemente, qualquer equiparação de uma agência de navegação à uma empresa de transporte internacional para efeito de cominação da penalidade pretendida pela fiscalização, caracteriza, para todos os efeitos legais, extrapolação do poder de regulamentar da autoridade administrativa. 32. Ademais, exige a legislação de regência a identificação do sujeito passivo, art. 142 do CTN, no caso, a pessoa do transportador, o que não se acha devidamente esclarecido na peça fiscal. De se dizer que o auto de infração, por si só, não traz qualquer informação capas de ao menos, contribuir para a identificação do transportador. 33. Ainda há que se considerar, conforme se depreende da parte final do caput do art. 9o do Decreto no. 70.235/72, que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à compração do ilícito. 34. Portanto, as ações da fiscalização devem estar devidamente consubstanciadas por provas que sustentem o fato acusado, o que no caso do presente auto de fato não aconteceu. 35. Dessa forma, ao se pesquisar sobre a pessoa que atuou na condição de transportador para fins de aplicação da norma disposta, respectivamente nos art. 37 e 32, ambos do DecretoLei no 37/66, ficase diante dos autos que integram o presente processo, sem a devida resposta, uma vez que dito os autos nada informaram a respeito no que tange à agência marítima. 36. Apenas para esclarecer que as pessoas citadas no parágrafo 1o, do art. 37 do DecretoLei no 37/66, agente de carga e operador portuário também devem prestar informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, bem como o transportador mencionado no "caput" do referido comando legal. Contudo, essas pessoas mencionadas pelo texto legal não se confundem com a agência marítima que tem personalidade e atividades próprias, por isto é, de atender as necessidades do navio no porto de destino. 37. Assim, não procede o ato administrativo do lançamento que imputa sujeição passiva sem carrear aos autos prova dessa condições. Inúmeras decisões nesse sentido há estão sendo proferidas pela 1a Turma de Julgamento da DRJ/FNS. Necessário se volver à análise da lei e da legislação concernente à responsabilidade da Recorrente pela infração. O DecretoLei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 3301004.001 S3C3T1 Fl. 207 9 § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (...) (grifouse) O art. 107 do DecretoLei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e No exercício da competência estabelecida pelo art. 107, IV, "e", do Decreto Lei nº 37/66, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que nos seus arts. 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em pauta, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o Recorrente concorreu para a prática da infração em questão, necessariamente, ele responde pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 95 Respondem pela infração: Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 3301004.001 S3C3T1 Fl. 208 10 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). O art. 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decretolei n° 37/66 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pela Recorrente, perfilhase a conclusão adotada no Acórdão no 0826.785 7ª Turma da DRJ/FOR (fl. 50), de que o entendimento constante dessa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, "há muito se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do DecretoLei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do DecretoLei nº 37/1966, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação." Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei nº 10.833/2003, o que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex . Ao descumprir esse dever, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, e, com supedâneo também no do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Transcrevese Ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, Acórdão n° 3401003.884: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decretolei nº 37/66. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CLAREZA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Descritas com clareza as razões de fato e de direito em que se fundamenta o lançamento, atende o auto de infração o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, permitindo ao contribuinte que exerça o seu direito de defesa em plenitude, não havendo motivo para declaração de nulidade do ato administrativo assim lavrado. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que presta informações fora do prazo sobre o embarque de mercadorias para exportação incide na infração tipificada no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 3301004.001 S3C3T1 Fl. 209 11 Recurso voluntário negado. Consignase, por fim, que esse entendimento é amplamente adotado na jurisprudência recente deste Conselho, conforme se depreende das seguintes Acórdãos: no 3401003.883; no 3401003.882 ; no 3401003.881; no 3401002.443; no 3401002.442; no 3401002.441, no 3401002.440; no 3102001.988; no 3401002.357; e no 3401002.379. Dessa forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.000723/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO
Não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos - ilimitados - de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado.
GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. Somente fazem prova a favor do contribuinte os fatos registrados na contabilidade que sejam comprovados por documentos hábeis. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.
COMPENSAÇÃO. Mantém-se o despacho decisório, se não apresentados elementos de prova ou de direito que o modifiquem.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1401-001.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a decadência do direito de rever o saldo negativo de períodos anteriores. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano (Relatora), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho no julgamento iniciado na sessão de 02/2017. No mérito, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, neste julgamento.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Na sessão de 02/2017 participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigues de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini de Carvalho. No presente julgamento participaram os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva (Suplente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO Não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos - ilimitados - de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. Somente fazem prova a favor do contribuinte os fatos registrados na contabilidade que sejam comprovados por documentos hábeis. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. COMPENSAÇÃO. Mantém-se o despacho decisório, se não apresentados elementos de prova ou de direito que o modifiquem. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a decadência do direito de rever o saldo negativo de períodos anteriores. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano (Relatora), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho no julgamento iniciado na sessão de 02/2017. No mérito, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, neste julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Na sessão de 02/2017 participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigues de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini de Carvalho. No presente julgamento participaram os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva (Suplente).
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É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos ilimitados de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 07 23 /2 00 9- 98 Fl. 1294DF CARF MF 2 GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. Somente fazem prova a favor do contribuinte os fatos registrados na contabilidade que sejam comprovados por documentos hábeis. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não apresentados elementos de prova ou de direito que o modifiquem. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a decadência do direito de rever o saldo negativo de períodos anteriores. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano (Relatora), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho no julgamento iniciado na sessão de 02/2017. No mérito, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, neste julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Na sessão de 02/2017 participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigues de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini de Carvalho. No presente julgamento participaram os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva (Suplente). Relatório Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 15578.000723/200998 Acórdão n.º 1401001.808 S1C4T1 Fl. 1.295 3 Tratase de recurso voluntário apresentado em face da não homologação de declarações de compensação de débitos com crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do exercício 2003, anocalendário de 2002, no valor original de R$ 1.631.808,17. O saldo negativo que se pretendeu compensar seria composto de valores de IRRF retidos da contribuinte, tendo a empresa apurado prejuízo fiscal no anocalendário 2002. A DIPJ 2003 apresentada em 27 de junho de 2003 (efls. 61203) dá conta de que no anocalendário 2002 a empresa tributou o imposto de renda pelo lucro real anual, não tendo efetuado recolhimentos mensais em virtude de ter apurado, durante todo o ano, prejuízo fiscal nos balancetes de suspensão/redução. Ao final, efetuadas as adições e exclusões ao lucro liquido do exercício, foi apurado prejuízo fiscal no valor de R$41.222.708,69. As DCOMPs objeto do presente processo administrativo foram apresentadas em 2006 e retificadas em 04 de maio de 2006. No período compreendido entre 10 de maio de 2009 e 20 de agosto de 2010 a empresa foi intimada a apresentar documentos e informações relacionados à apuração do lucro real do anocalendário de 2002 e às retenções de fonte, tendo atendido às intimações (efls. 205967). Em 15 de setembro de 2010 a empresa foi intimada do despacho que não homologou as compensações declaradas. Referido despacho aprovou o Parecer SEORT/DRF/VIT 2215/2010 (efls. 968983), o qual concluiu que não havia compensação passível de homologação pois, ao revisar a apuração do lucro real do exercício 2003, anocalendário 2002, foram apuradas deduções indevidas, por não terem sido comprovadas. Visando a demonstrar a insuficiência da comprovação de despesas, o Parecer SEORT/DRF/VIT 2215/2010 traz alguns exemplos "para historiar, em parte, a análise da documentação apresentada pela contribuinte" (efl. 978). Ao final, tal documento recalcula a apuração do lucro real após desconsiderados os valores não comprovados, chegando a uma base de cálculo de R$115.099.770,76. Após a aplicação das alíquotas de IRPJ e o desconto do IRRF o Parecer SEORT/DRF/VIT 2215/2010 chega a um valor de imposto de renda a pagar, nos seguintes termos (efl. 993): Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/RJ1, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da apuração do tributo não é cabível, apenas, para fundamentar Fl. 1296DF CARF MF 4 lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não apresentados elementos de prova ou de direito que o modifiquem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada em 5 de julho de 2012, a empresa apresentou recurso voluntário em 3 de agosto de 2012, alegando, em síntese: (I) Vício no procedimento: nos termos do artigo 142 do CTN, do §1° do artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 77/1998 e do §4° do artigo 9° do Decreto n° 70.235/1972, a glosa de despesas e exclusões, bem com o recálculo do lucro real e a alteração do resultado (de prejuízo fiscal para lucro tributável) só são possíveis por meio da lavratura do auto de infração, de modo que não deve ser admitido o procedimento adotado pela DRF em Vitória; (II) em 25/08/2010 (data do despacho decisório), já não era mais possível a revisão e, principalmente, a alteração do resultado do anocalendário de 2002, pois havia decorrido o prazo decadencial de 5 anos, com o que as glosas efetuadas e o recálculo do lucro real são absolutamente improcedentes; (III) tendo em vista que, em 25/08/2010, a apuração original da Recorrente já havia sido homologada tacitamente, não sendo admitida, portanto, a glosa do prejuízo fiscal, e que o despacho decisório confirmou o IRRF computado na formação do saldo negativo de IRPJ, a Recorrente tem direito ao crédito pleiteado; (IV) a análise da DRF em Vitória deveria ter se limitado à confirmação do IRRF computado na formação do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ, não sendo admitida, no bojo de processo administrativo de compensação, a "fiscalização" da apuração da base de cálculo do IRPJ e o consequente recálculo do lucro real; (V) no máximo, caberia a verificação dos documentos (fiscais e contábeis) cujos dados foram refletidos no preenchimento da DIPJ, mas jamais o questionamento da substância dos negócios jurídicos praticados no anocalendário de 2002; e (VI) os documentos fiscais e contábeis apresentados são suficientes para validar a apuração da base de cálculo do IRPJ do anocalendário de 2002. O processo foi a mim distribuído em 26 de janeiro de 2017. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente foi intimada, em 15 de setembro de 2010, do despacho que não homologou declarações de compensação (Dcomps) por ela apresentadas Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 15578.000723/200998 Acórdão n.º 1401001.808 S1C4T1 Fl. 1.296 5 em 2006, nas quais pretendeu compensar débitos ali declarados com crédito de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002. Como se percebe, o despacho decisório que não homologou as Dcomps em questão foi proferido dentro do prazo de 5 anos contados de sua apresentação (art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/1996), não havendo que se falar em decurso do prazo decadencial quanto à atividade de análise das Dcomps. Pois bem. A razão para a não homologação foi que, após revisar a base de cálculo do IRPJ do anocalendário de 2002, a SEORT/DRF/VIT entendeu que algumas despesas não estariam devidamente comprovadas, e a respectiva glosa teria transformado o prejuízo fiscal declarado na DIPJ 2003 em IRPJ a pagar, de maneira que não existiria mais o crédito pleiteado nas Dcomps. Assim, a pretexto de analisar o crédito então declarado nas Dcomps, a SEORT/DRF/VIT acabou por realizar, em 15 de setembro de 2010, uma extemporânea revisão da base de cálculo do IRPJ cujo fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 2002. Neste ponto, entendo que assiste razão à Recorrente quando pleiteia o reconhecimento da decadência quanto à revisão da base de cálculo do IRPJ. Isso porque, nos termos dos artigos 150, § 4º e 173, I, do Código Tributário Nacional, no caso de tributos sujeitos à sistemática dos denominados “lançamentos por homologação”, é de 5 anos o prazo (decadencial) para as autoridades fiscais promoverem a revisão do lançamento sendo que a aplicação de um ou outro artigo depende da existência ou não de pagamento (ou declaração) e da presença ou não de dolo, fraude ou simulação, nos termos do REsp Repetitivo nº 973.733SC e do enunciado da Súmula 555 do STJ. Ambos os dispositivos do CTN são claros em dispor que, após esse prazo, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. É dizer, após os 5 anos não mais se pode discutir a formação da base de cálculo de tributos declarados pelo contribuinte. Vejase (grifos nossos): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 1298DF CARF MF 6 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ora, não se pode admitir como o fez a decisão recorrida que, não obstante o dever/poder do Fisco de constituir o crédito tributário esteja obstado definitivamente (em razão do decurso do prazo decadencial), os tributos possam ainda ser cobrados por vias indiretas por exemplo por meio da não homologação de compensações que pretendam reformular sua base de cálculo. Isso seria fazer letra morta do CTN, em especial quando este dispõe que o crédito considerase "definitivamente" extinto. De fato, ou o crédito tributário está extinto de forma permanente (definitivamente) ou ele admite revisão futura (que seria o caso se a extinção fosse condicional ou a termo). A conclusão a que se chega, portanto, é de que a revisão da base de cálculo do IRPJ cujo fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 2002 apenas poderia ocorrer dentro do período de 5 anos, sendo extemporânea a glosa de despesas e a recomposição do lucro real cientificada ao contribuinte apenas em 15 de setembro de 2010. Destarte, sem razão o Parecer SEORT/DRF/VIT 2215/2010 na parte em que afirma que a conclusão acima permitiria "abusos" por parte dos contribuintes, como o de apresentar a DCOMP apenas no último dia do qüinqüênio legal, "de maneira que a compensação declarada pela contribuinte no dia seguinte já não estaria sob condição resolutória de ulterior homologação". Tal afirmação confunde as atividades de revisão do lançamento e homologação de compensações, tarefas estas completamente diferentes e cada um com seu devido termo inicial de prazo. Para que não haja dúvidas quanto ao que estamos afirmando, o que se conclui aqui é que: (i) no caso de revisão de um "lançamento por homologação": o prazo é de 5 anos contados ou do fato gerador ou do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado, conforme se trate de hipótese do art. 150, § 4º e 173, I, do CTN. A atividade a ser realizada pelas autoridades fiscais dentro desse prazo é a verificação da correta aplicação da alíquota e da apuração da respectiva base de cálculo, devendo o contribuinte guardar, até o termo final desse período, toda a documentação utilizada como base para tal apuração. (ii) no caso de declaração de compensação: o prazo é de 5 anos contados de sua apresentação, nos termos do art. 74, §5º, da Lei 9.430/1996. A atividade a ser realizada pelas autoridades fiscais dentro desse prazo é a verificação da existência e regularidade do crédito pleiteado, devendo o contribuinte guardar, até o termo final desse período, toda a documentação utilizada como base para tal crédito. Assim, é verdade que, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, deve ser atestada a existência e a suficiência do crédito invocado para a extinção dos débitos compensados, mas não pode a fiscalização, por esta via, pretender a Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 15578.000723/200998 Acórdão n.º 1401001.808 S1C4T1 Fl. 1.297 7 revisão de um lançamento e a cobrança (indireta, pela via da não homologação de compensações) de débitos para os quais a via do auto de infração não mais possa ser utilizada. Superada a questão da decadência, passamos então à devida verificação do crédito pleiteado única atividade que, no entender desta relatora, estava no escopo da DRF/VIT ao analisar das Dcomps apresentadas. Ao pleitear um crédito de saldo negativo formado por retenções de IRRF como é o caso o que se deve analisar é se tais retenções estão comprovadas e se o respectivo rendimento foi oferecido à tributação. Isso se depreende do teor da Súmula CARF n. 80 que, embora trate especificamente de dedução, pode ter o raciocínio aplicado para a restituição e compensação de IRPJ, na medida em que enuncia: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto." (grifamos). No caso, não houve por parte da DRF/VIT qualquer questionamento quanto a esses pontos. Tanto é assim que, conforme relatado, o valor do IRRF foi integralmente utilizado para abater o IRPJ apurado como devido após a extemporânea revisão do lucro real, conforme se depreende da linha 13 do cálculo a efls. 993: . Por tais razões, orientei meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Não obstante, levada a matéria à votação neste colegiado, restei vencida quanto à decadência, bem como quanto ao entendimento de que houve vício no procedimento. De fato, também entendo que, fosse o caso de exigir algum crédito tributário, para além da observância do prazo decadencial seria necessário o devido lançamento, como corolário do devido processo legal, nos termos do artigo 9o do Decreto 70.235/1972: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Como consequência de meu entendimento sobre tais questões prejudiciais não ter prevalecido neste colegiado, passo à análise das despesas glosadas. Nesse ponto, alega a Recorrente que a fiscalização não apontou uma única razão para que não se pudesse admitir como fidedignos os lançamentos registrados em sua contabilidade. No seu entender, a teor do art. 924 do RIR/99, a escrituração contábil, mantida com a observância das disposições legais, faz prova a favor do contribuinte quanto aos fatos nela registrados, sendo ônus da fiscalização comprovar que estes, por algum motivo, não merecem fé. Fl. 1300DF CARF MF 8 Acontece que uma leitura mais atenta dos dispositivos legais sobre o tema infirma tal conclusão, já que só fazem prova a favor do contribuinte os fatos registrados na contabilidade que sejam comprovados por documentos hábeis, vejase (grifamos): Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Tais documentos devem ser guardados "enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes" nos termos art. 4 do DecretoLei 486/1969. Neste sentido, passo a analisar se as despesas glosadas restaram comprovadas por documentos hábeis como prescreve a legislação. 1. Conta Contábil 33070103.40120 (Serv. Consultor — Café Rio), valores informados na Ficha/Linha 5A/04 da DIPJ/2003 (Serviços Prestados por Pessoa Jurídica). A DRF/VIT considerou que "Apenas Notas Fiscais ou autorizações de pagamento não são por si só hábeis a comprovar a efetividade dos serviços prestados ou demonstrar serem tais despesas necessárias ás atividades usuais da empresa e à manutenção da fonte produtora". Embora tenha sido intimada a apresentar os contratos de prestação de serviços e a demonstrar a efetividade dos serviços prestados, a Recorrente não apresentou tal documentação. Neste ponto com razão a glosa. Tratase de despesa cuja dedução da base de cálculo do IRPJ depende da comprovação da efetividade e da necessidade, usualidade e normalidade, nos termos do artigo 299 RIR/99. Tal análise depende do detalhamento do tipo de serviço prestado e da sua adequação à atividade operacional da empresa, e restou prejudicada quando a Recorrente não apresentou os respectivos contratos para demonstrar a natureza dos serviços nem comprovou que estes foram efetivamente executados pelos prestadores. 2. Outras Despesas Operacionais — Ficha/Linha 5A130 da DIPJ/2003 Foi efetuada a glosa do montante integral da conta (R$46.402,01) por ser considerada a "festa de final de ano" despesa não necessária a manutenção da fonte produtora, portanto, indedutivel na apuração do lucro tributável. Novamente com razão a glosa, por se tratar de despesa não necessária à manutenção da fonte produtora. 3. Outras Exclusões — Ficha/Linha 9A135 da DIPJ/2003: O trecho abaixo, transcrição do Parecer SEORT/DRFNIT que foi utilizado como base para a não homologação das compensações ora discutidas, comprova a glosa das despesas por ausência de comprovação: Os itens 8 e 16 do TSI n° 153/2009 são correlatos. O item 8 do TSI n° 153/2009 referese ao valor inserido na conta contábil 24030101.00000 Lucros Acumulados/34010109.50201. A contribuinte foi intimada a apresentar todo o histórico contábil desta conta. Os valores excluídos do lucro liquido Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 15578.000723/200998 Acórdão n.º 1401001.808 S1C4T1 Fl. 1.298 9 (Ficha/Linha 9A/35 da DIPJ/2003) deveriam restar comprovados. A contribuinte apresentou os documentos As fls. 437/440 e 951/956), alegando que a conta se referia ao lucro acumulado da Companhia, tratandose de saldo de períodos anteriores. Prestou o seguinte esclarecimento: No ano 2002 a Companhia adotou a prática de registrar, pelo regime de competência, os resultados decorrentes da valorização a valor de mercado dos direitos e obrigações provenientes dos contratos futuros de compra e venda de "commodities" negociados em Bolsas de Mercadorias e Futuros, principalmente pelas controladas no exterior, ao passo que nos exercícios anteriores observou o regime de caixa. Com isto foi contabilizado o ajuste no valor total de R$14.649.495,12 proveniente de resultados apropriados em 2001 indevidamente, pois a realização dos ativos protegidos ocorreu somente em 2002. Quanto ao item 16, malgrado a descrição dos lançamentos que compuseram a conta 24030101.00000, conforme cópias as fls.4381439 e 953/956. Os registros apresentados apenas descreviam "apropriação de ativos em 2002", em momento algum restou clara e comprovada a exclusão desses valores do resultado do exercício. Para a aferição da legalidade da exclusão do lucro liquido do montante de R$14.649.495,12 a titulo de outras exclusões (Ficha 9A/35), a contribuinte foi reintimada a esclarecer e comprovar as exclusões efetuadas por meio dos itens 09 e 10 do TSI n° 68/2010, as fls.215/216. Não apresentou qualquer esclarecimento adicional ou documentação que corroborasse a assertiva já apresentada. Em referência ao item 8 do TSI n°153/2009, a interessada foi intimada a comprovar que o montante excluído do Lucro Liquido no anocalendário 2002, no valor de R$14.649.495,12, a titulo de Lucros Acumulados/34010109.50201, foi oferecido tributação (Item 9 do TSI no 68/2010). A teor da resposta anteriormente prestada em resposta ao TSI n°153/2009, juntada à fl. 439, e acima transcrita, que fez referência à atualização de bens e direitos a valor de mercado, a contribuinte foi intimada a esclarecer se houve reavaliação de direitos e obrigações, o que foi reavaliado e em que período foi reavaliado. Também foram solicitados os documentos que embasaram esta reavaliação (pareceres, laudos, consultorias, contratos etc.). Demais, foi instada a demonstrar que o valor transitou pelo resultado em 2001, quando a mercadoria reavaliada foi efetivamente comercializada e quando houve o recebimento do preço. Todas as alegações deveriam estar comprovadas por documentação hábil e idônea. Deveria ainda demonstrar com registros contábeis o oferecimento à tributação do montante excluído em 2002 (R$14.649.495,12 Lucros Acumulados/34010109.50201 , a titulo Outras Exclusões). No entanto, nenhum outro documento foi apresentado ou foi prestado qualquer outro esclarecimento. A regularidade da exclusão bem como a efetividade do fato alegado — atualização de bens e direitos a valor de mercado — no montante de R$14.649.495,12 (Ficha/Linha 9A135 da DIPJ/2003) não restaram comprovados, sequer esclarecidos devidamente. Fl. 1302DF CARF MF 10 Quanto à provisão da CSLL, a eliminação dos R$6.081.944,07 não interferiu no cálculo do lucro real, pois, desnecessariamente foi adicionado na Demonstração do Resultado (Ficha/Linha 6A/52 da DIPJ/2003). Assim, do total de R$20.731.439,19 excluídos no cálculo do lucro real (Ficha/Linha 9A/35 da DIPJ/2003), R$14.649.495,12 restaram não comprovados, razão pela qual devem ser glosados. 4. Outras Despesas Financeiras — FichaLinha 6A136 da DIPJ/2003: O trecho abaixo, transcrição do Parecer SEORT/DRFNIT que foi utilizado como base para a não homologação das compensações ora discutidas, comprova a glosa das despesas por ausência de comprovação: A empresa registrou R$47.830.597,53 a titulo de "Outras Despesas Financeiras" (Ficha/Linha 6A/36 da DIPJ/2003). Vide relatório às fls.289/290. Apenas alguns lançamentos foram selecionados para esclarecimentos e apresentação de documentos. Registros contábeis juntados às fls. 441 e 446 e documentos às fls.442/445 e 447/450. Malgrado a contribuinte ter apresentado dois contratos em atendimento aos itens 9.2.2 e 9.2.3, a operação não foi esclarecida. A contribuinte foi reintimada a esclarecer os lançamentos e não apresentou qualquer informação. Entendeu que a administração não mais poderia verificar o resultado apurado no anocalendário 2002, "pois já decorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 898 do RIR/99" (sic). (...)" 5. Variações Cambiais Passivas — Ficha 6A/32 da DIPJ/2003: O trecho abaixo, transcrição do Parecer SEORT/DRFNIT que foi utilizado como base para a não homologação das compensações ora discutidas, comprova a glosa das despesas por ausência de comprovação: Em resposta ao item 6.1.11 do TSI n° 153/2010, a empresa esclareceu que o lançamento datado de 31/12/2002 era referente a mútuo com a subsidiária Coimex Trading Company, com contrato datado de 05/12/2002. O valor lançado de R$1.066.395,01, portanto, referiase a variação cambial passiva sobre o empréstimo. Apresentou os documentos juntados às fls.756/757. Ante a informação prestada, foi então a contribuinte intimada (item 13 do TSI no 68/2010) a esclarecer quais os contratos de mútuos/empréstimos foram celebrados com coligadas/controladas ou estavam vigentes no anocalendário 2002, a apresentar cópia dos referidos contratos, correlacionar os valores repassados e todas as despesas a eles referentes (taxa de juros cobrada, juros pagos, variações cambiais sobre o principal e juros e demais despesas). Deveria explicar, ainda, a que se referia cada lançamento, comprovar a realização do mútuo e a utilização dos valores repassados. A contribuinte não apresentou qualquer documento ou informação. (...) 6. Variações Cambiais sobre Operações Liquidadas — Ficha/Linhas 09A/ 09 e 31 da DIPJ/2003 Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 15578.000723/200998 Acórdão n.º 1401001.808 S1C4T1 Fl. 1.299 11 O trecho abaixo, transcrição do Parecer SEORT/DRFNIT que foi utilizado como base para a não homologação das compensações ora discutidas, comprova a glosa das despesas por ausência de comprovação: Quanto ao item 14 do TSI no 68/2010, em referência aos valores inseridos na Ficha 09A, Linhas 09 e 31, da DIPJ/2003 (Variações Cambiais sobre operações Liquidadas), a interessada foi intimada a apresentar planilha de acompanhamento mensal, por operação, para que se confirmassem as variações cambiais sobre operações liquidadas, cuja integralidade da exclusão do lucro liquido, no montante de R$119.945.454,29, foi determinante na formação do prejuízo fiscal do período. Vários foram os quesitos vinculados à determinada planilha, para que fossem avaliadas as operações cambiais liquidadas. Deveriam constar da referida planilha os seguintes dados: Data de inicio da operação, valor da operação e a que ela se referia, pessoas jurídicas envolvidas (esclarecer se são vinculadas), taxa de juros a ela correspondente, data e valor da parcela liquidada, variações cambiais ativas e passivas, variação cambial do período utilizada (as receitas e despesas de juros e as conseqüentes variações cambiais deveriam estar identificadas com a operação a que se relacionavam). Ademais, deveria ser apresentada a correspondente documentação hábil e idônea que comprovasse os valores constantes da planilha (contratos de venda de mercadoria, contratos de câmbio etc). A contribuinte não atendeu 5 intimação. Assim, aqui também não foi possível averiguar a regularidade dos lançamentos que importaram na formação do prejuízo fiscal, resultado que convolou o IRRF em saldo negativo de IRPJ. Em relação As operações liquidadas, diante da não comprovação de qualquer dos valores inseridos na Ficha/Linha 9A131 da DIPJ/2003 (MP 185810/1999 art. 30), o montante de R$119.945.454,29 restou não comprovado, impondose sua glosa para efeito do reconhecimento do alegado direito creditório. Notese que dados constantes da documentação apresentada pela contribuinte ensejaram dúvidas quanto aos valores inseridos a titulo de variação cambial, na apuração dos resultados. Por exemplo, os saldos constantes do DRE vinculados aos ACC ("financiamento" das exportações por instituições financeiras) e dos "Adt. Clientes" ("financiamentos/adiantamentos" de pagamentos das exportações por empresas do grupo COIMEX no exterior), o somatório dos juros vinculados às instituições financeiras é extremamente menor que o vinculado aos Adt. Clientes (pessoa vinculada). A desproporção é verificada no DRE As fls. 296/297 quando cotejadas as variações cambiais vinculadas aos ACC e Adt. Clientes com as variações cambiais sobre os juros relativas aos mesmos ACC e Adt. Clientes. (...) 7. Ativo Balanço Patrimonial Ficha/Linha 38 da DIPJ/2003: Igualmente, o trecho abaixo, transcrição do Parecer SEORT/DRFNIT que foi utilizado como base para a não homologação das compensações ora discutidas, comprova a glosa das despesas por ausência de comprovação: Fl. 1304DF CARF MF 12 Do exame dos valores inseridos no Balanço Patrimonial da empresa, especificamente em referência aos direitos da contribuinte junto a suas coligadas, o não atendimento dos esclarecimentos em referência aos créditos com pessoas ligadas, consignados nos itens 6 do TSI n° 95/2010 e 1 e 3 do TSI n° 68/2010, impediu a análise desses créditos em confronto com os direitos e haveres, receitas e despesas de juros e variações cambiais no anocalendário 2002 com pessoas ligadas. O desatendimento das solicitações consignadas nos TSI's n°s 68 e 95/2010 impediu o reconhecimento do direito creditório que ampara as compensações trabalhadas nos autos, pois tais informações eram imprescindíveis para o conhecimento das transações efetuadas pela contribuinte que importaram na inserção de valores que ensejaram a formação do prejuízo do período, fator determinante formação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002. A não apresentação dos esclarecimentos e documentos solicitados, repisase, impossibilitam a aferição, pela administração tributária, da existência do direito creditório utilizado nas compensações tratadas nos autos. Neste sentido, uma vez superadas as questões prejudiciais relativas à decadência e à necessidade de lançamento nas quais restei vencida oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Voto Vencedor Em que pese a respeitável posição estampada pela ilustre relatora, a suposta perda do direito de a Fazenda Pública rever direitos creditórios consignados contra si pelos sujeitos passivos tributários, por decurso de prazo, é tema reiteradamente tratado pelo Colegiado e sobre o qual já me debrucei inúmeras vezes com dedicada reflexão. Já nos idos de 13 de agosto de 2008, no acórdão nº 10323.528, como relator do voto vencedor, analisei a possibilidade de prescrição aquisitiva no direito tributário, cujo resultado foi assim ementado: RESTITUIÇÃO – INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA – não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 15578.000723/200998 Acórdão n.º 1401001.808 S1C4T1 Fl. 1.300 13 Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Foi em razão disso que o próprio despacho decisório homologou as compensações. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos – ilimitados – de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado.. No referido voto, teci as seguintes considerações: Com a devida vênia ao ilustre Conselheiro Relator, entendo que não podemos transmutar um prazo extintivo para um decurso temporal aquisitivo. O prazo de homologação previsto na codificação tributária diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). No entanto, o voto do relator pretende homologar a aquisição de um direito. De fato, há, no ordenamento pátrio, prazos de caducidade aquisitiva, como a usucapião. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos – milhões, bilhões ou até mesmo suplantar o valor do PIB nacional – e totalmente irreais. Tal raciocínio, portanto, não pode prevalecer. Fl. 1306DF CARF MF 14 Ademais, os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Foi em razão disso, que o próprio despacho decisório homologou as compensações. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já essa “proposta” de prescrição aquisitiva geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos – ilimitados – de domínio público para a esfera privada. Também discordamos do voto do senhor relator ao afirmar que o interessado não mais teria como comprovar o que foi solicitado pelo fisco para aferição do seu direito em razão do prazo decadência. Ora, uma vez que o interessado formulou um pedido relativo a um direito, tinha o dever de manter em boa ordem todos os elementos que poderiam interferir na análise de seu pleito. Tal assertiva não decorre apenas do preceito geral de que aquele que alega deve provar, mas também de expressa e específica previsão legal nesse sentido. O art. 264 do RIR/99, que reproduz o art. 4º, DL nº 486/69, assim dispõe: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Evidentemente, a expressão “eventuais ações” abarca todo tipo de pleito, dentre os quais o de restituição, seja em âmbito administrativo, seja judicial. O recorrente tinha, portanto, o dever legal de manter todos os documentos que se referissem ao direito pleiteado. Pelas mesmas razões, afasto o argumento da decadência do direito de a Fazenda Pública perquirir o saldo negativo de períodos pretéritos. No mais, sigo o voto da ilustre relatora. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator designado Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 15578.000723/200998 Acórdão n.º 1401001.808 S1C4T1 Fl. 1.301 15 Fl. 1308DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.726536/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MANIFESTO NO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTIMAÇÃO DE DEVEDOR SOLIDÁRIO DA DECISÃO DA DRJ
Constatada a falta de intimação de devedor solidário, em relação à decisão que julgou improcedente sua impugnação, é cabível a anulação do respectivo acórdão.
Numero da decisão: 1302-002.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher parcialmente os embargos a fim de anular o acórdão do CARF (Acórdão nº 1302-001.639 de 04/02/2015), determinando-se a devolução do processo à DRF de origem para intimar do acórdão da DRJ, o responsável solidário Fabiano Guilherme da Silva Genowei, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MANIFESTO NO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTIMAÇÃO DE DEVEDOR SOLIDÁRIO DA DECISÃO DA DRJ Constatada a falta de intimação de devedor solidário, em relação à decisão que julgou improcedente sua impugnação, é cabível a anulação do respectivo acórdão.
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N. ANANIAS & CIA. LTDA. ME.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009, 2010 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MANIFESTO NO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTIMAÇÃO DE DEVEDOR SOLIDÁRIO DA DECISÃO DA DRJ Constatada a falta de intimação de devedor solidário, em relação à decisão que julgou improcedente sua impugnação, é cabível a anulação do respectivo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher parcialmente os embargos a fim de anular o acórdão do CARF (Acórdão nº 1302001.639 de 04/02/2015), determinandose a devolução do processo à DRF de origem para intimar do acórdão da DRJ, o responsável solidário Fabiano Guilherme da Silva Genowei, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 65 36 /2 01 2- 15 Fl. 4372DF CARF MF Processo nº 10950.726536/201215 Acórdão n.º 1302002.331 S1C3T2 Fl. 3 2 Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Relatório Tratase de petição admitida como Embargos Inominados, nos termos do Despacho de Admissibilidade, de 16 de maio de 2016, conforme a seguir transcrito: Na sessão plenária de 04 de fevereiro de 2015, a 2a Turma da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento deste Conselho julgou recurso voluntário interposto nestes autos. A decisão foi formalizada no Acórdão n° 1302001.639, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em instituição financeira, em relação aos quais o titular, intimado, não comprove, a origem dos recursos utilizados. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação da escrita contábil exigida pela Lei, obrigada ao lançamento pelo lucro arbitrado. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Atendidos os requisitos do art. 59 do Decreto n. 70235/72, e proporcionadas plenas condições do contraditório, descabe a alegação de nulidade. PEDIDO DE PERÍCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal não existe previsão de oitiva de testemunhas. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A ocultação de volumosa movimentação de recursos, quadro social composto por interpostas pessoas somado a apresentação de declarações zeradas e de inatividade, caracteriza a conduta dolosa e evidencia o intuito de não pagar tributos. SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Os autos seguiram para a Unidade de origem que lavrou a intimação de fls. 4303/4307, cuja ciência por via postal no domicílio tributário da contribuinte restou improfícua (fls. 4308/4309), seguindose a ciência por edital afixado em 17/03/2015 (fl. 4310), verificandose a ciência ficta em 01/04/2015. Em 30/04/2015 a contribuinte apresentou a petição de fls. 4321/4350 pleiteando reconsideração ou, então, o seu recebimento como recurso especial. A contribuinte reitera os argumentos apresentados em recurso voluntário, negando a ocorrência de fato gerador e de fraude, pleiteando direito a produção de provas bem como a nulidade absoluta dos atos processuais praticados a partir da publicação do acórdão, e, via de consequência, determinar a regular intimação da Excipiente através de seu Patrono Sr. Marcos Antonio de Oliveira Leandro para cumprimento dos atos processuais declarados nulos com a reabertura dos prazos. O responsável tributário Fabiano Guilherme da Silva Genowei também foi cientificado do Acórdão n° 1302001.639 em 13/04/2015 (fl. 4316) e em 12/05/2015 apresentou a petição de fls. 4354/4366, denominada recurso voluntário com pedido de reconsideração e nulidade na qual aduz que não foi intimado da decisão de 1a instância, somente se verificando a interposição de recurso voluntário pela Fl. 4373DF CARF MF Processo nº 10950.726536/201215 Acórdão n.º 1302002.331 S1C3T2 Fl. 4 3 contribuinte autuada. Aponta vícios na imputação de responsabilidade e pleiteia a declaração de nulidade do acórdão proferido por este Conselho, bem como que nova intimação da decisão de 1a instância seja a ele dirigida, em respeito à ampla defesa. O Despacho de Admissibilidade apreciou as alegações e concluiu que, inexiste previsão legal ou regimental para apresentação de pedido de reconsideração em face de acórdão que aprecia recurso voluntário. Omissões, obscuridades ou contradições podem ser questionadas por meio de embargos de declaração, porém, nos termos do art. 65, inciso I, §1° do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, tal recurso deve ser interposto mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão, prazo este não observado pelos interessados. Já, o art. 66 do Anexo II do RICARF permite que sejam recebidos como embargos inominados as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, ainda que não observado o prazo regimental para oposição de embargos. Nos termos do art. 66, §1° do Anexo II do RICARF, será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. Passouse, assim, ao exame de admissibilidade. A petição apresentada por R. N. Ananias & Cia Ltda. prestase, basicamente, a reiterar os argumentos deduzidos em recurso voluntário, exceto com relação à arguição de nulidade do julgamento por ausência de regular intimação do patrono da contribuinte, consoante pleiteado em recurso voluntário. Quanto a este ponto, porém, não está demonstrada inexatidão que permitisse admitir a petição da contribuinte como embargos inominados. O processo administrativo fiscal apenas contempla a ciência das decisões administrativas ao sujeito passivo (art. 23 do Decreto n° 70.235/72), e a publicidade do julgamento no âmbito do Conselho era assim assegurada, nos termos do então vigente Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II para cada processo: a) o nome do relator; b) os números do processo e do recurso; e c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. Já com referência às alegações de Fabiano Guilherme da Silva Genowei, confirmase nos autos que, de fato, a decisão de 1ª instância somente foi dirigida à contribuinte, apesar do requerente ter sido cientificado da imputação de responsabilidade tributária (fl. 1140/1141 e 1144/1145) e apresentado impugnação Fl. 4374DF CARF MF Processo nº 10950.726536/201215 Acórdão n.º 1302002.331 S1C3T2 Fl. 5 4 (fls. 4194/4210), a qual foi julgada improcedente na decisão de 1a instância fls. 4224/4242. De outro lado, porém, consta no relatório do Acórdão n° 1302001.639 que: Cientificados da decisão em 05/06/14, somente a empresa se manifestou, apresentando recurso voluntário, tempestivo, em 03/07/14, reiterando os argumentos utilizados em sede de impugnação. E, no voto condutor do julgado, o Conselheiro Relator consignou que: Responsabilidade Tributária Como não houve recurso voluntário sobre este tema deixo de me pronunciar sobre a matéria e mantenho a responsabilização tributária do Sr. FABIANO GUILHERME DA SILVA GENOWEI Observase, nos autos, que a data de 05/06/2014 representa, apenas, a ciência ficta de R.N. Ananias & Cia Ltda. ME, em razão do edital de fl. 4250. Assim, ausente a intimação dirigida a Fabiano Guilherme da Silva Genowei, resta demonstrada inexatidão material devida a lapso manifesto que demanda saneamento pelo Colegiado prolator do Acórdão n° 1302001.639. Por tais razões, REJEITASE, como embargos inominados, a petição de R. N. Ananias & Cia Ltda. (fls. 4321/4350), mas ADMITESE como tal a petição de Fabiano Guilherme da Silva Genowei (fls. 4354/4366), com a consequente inclusão destes autos em lotes para sorteio, na medida em que o Conselheiro Redator não mais integra o Colegiado embargado. Das Alegações do Devedor Solidário Na referida petição admitida como Embargos Inominados, o devedor solidário, Fabiano Guilherme da Silva Genowei, alegou que, a ausência de intimação geraria nulidade de todos os atos praticados a partir do Acórdão n° 1049.472, da 5a Turma da DRJ/POA. Ressaltou que, teria havido cerceamento de defesa, pelo fato de que teria sido privado da interposição de recurso, em desrespeito às disposições do artigo 5°, Inciso LV, da Constituição Federal. Quanto à defesa de direito, propriamente, limitouse a frisar informações sobre a situação financeira do sócio, Raphael Nascimento Ananias, nos seguintes termos: Mesmo não sendo o Recorrido intimado do Acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/POA, observase que existe fundamentação equivocada, em relação a uma possível sucessão ilícita, devido a uma suposta ausência de capacidade financeira do Sr. Raphael. Tanto que, a busca alegada ocorrida no Sistemas Federais é falha, pois diante da informação dos Fiscais no referido Acórdão o Recorrente foi a junta comercial do Paraná e constatou que o Sr. Raphael foi ou é dono de outras 02 (duas) empresas no ramo de transporte de combustíveis, sendo elas: A empresa O. N. Serviços de Cobranças Ltda., CNPJ 07.486.387/000187 e a empresa Posto Exposição de Umuarama Ltda. CNP 07.654.6667000102, portanto, observamos que referida fiscalização foi falha e apontou situações que prejudicou a análise da defesa do Recorrente. Fl. 4375DF CARF MF Processo nº 10950.726536/201215 Acórdão n.º 1302002.331 S1C3T2 Fl. 6 5 Portanto, foi falho o auto de infração que deixou de apurar a capacidade financeira do Sócio que adquiriu regularmente referida empresa R. N. ANANIAS & CIA. LTDA., frisando que o mesmo já era conhecido nesse ramo de atividade!!! Com efeito, a ausência de intimação do Acórdão nº 1049.472, proferido pela 5ª Turma da DRJ/POA, está gerando grande prejuízo processual ao Recorrente, assim, deve ser declarado nulo o presente e respeitável Acórdão proferido pelo CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, determinando a intimação de nova intimação do Recorrente, sobre o Acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/POA, nos termos do art. 5º, inc. LV. da Constituição Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, o devedor solidário, Fabiano Guilherme da Silva Genowei, ciente do Acórdão relativo ao Recurso Voluntário interposto pela empresa contribuinte, R. N. Ananias & Cia. Ltda., peticionou alegando nulidade do Acórdão, pelo fato de não ter sido intimado da decisão da DRJ. Confirmada tal ausência de intimação, admitiuse a petição do devedor solidário, como Embargos Inominados, considerandose como erro manifesto, a conclusão do referido Acórdão, no que diz respeito à manutenção da responsabilidade solidária, pela falta de interposição de Recurso Voluntário. Sendo assim, e em conformidade com as disposições do art. 66, do Anexo II do RICARF, passo à análise quanto às correções cabíveis, em relação ao Acórdão de Recurso Voluntário, em questão. Nos termos do art. 31 do Dec. nº 70.235, de 06/03/1972, a seguir transcrito, a decisão deve conter, entre outros, a ordem de intimação das partes interessadas: Dec. nº 70.235, de 06/03/1972 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Por sua vez, o art. 32 do mesmo Decreto dispõe que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto poderão ser corrigidas de ofício ou a requerimento: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Em sequência, o art. 33, ainda no Dec. nº 70.235, assegura o direito à interposição de recurso voluntário, em 30 dias da ciência da decisão: Fl. 4376DF CARF MF Processo nº 10950.726536/201215 Acórdão n.º 1302002.331 S1C3T2 Fl. 7 6 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Verificase, portanto, que caberia à DRJ a devolução dos autos à DRF para as providências de intimação do embargante (devedor solidário). Nesse sentido, voto por acolher parcialmente os Embargos Inominados para tão somente anular o Acórdão n° 1302001.639, de 04/02/2015, desta 2a Turma, 3a Câmara, 1a Seção de Julgamento deste Conselho, mantendose o acórdão da DRJ o qual apreciou as impugnações da contribuinte e do devedor solidário; e determinandose a devolução dos autos à DRF para que promova a intimação do devedor solidário embargante, Fabiano Guilherme da Silva Genowei, para ciência da decisão que julgou improcedente sua impugnação e, caso queira, promova a interposição recurso voluntário no prazo legal; após, retornemse os autos ao Carf para julgamento. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 4377DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.722185/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA.
A previsão Constitucional de que pertence aos Estados o produto da arrecadação do IRRF incidente sobre os pagamentos que efetuarem, não afasta a competência tributária ativa da união para arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. BOA FÉ.
A falta de retenção do tributo pelo responsável tributário não exclui a obrigação do beneficiário de oferecê-los à tributação. Contudo, constatado que o contribuinte elaborou sua declaração observando informações contidas no comprovante de rendimentos fornecido pela sua fonte pagadora, afasta-se a cobrança de multa punitiva decorrente do lançamento de ofício.
LANÇAMENTO. TRIBUTAÇÃO DE JUROS E CORREÇÃO.
O lançamento reporta-se à legislação vigente à época do fato gerador, sendo devida a tributação de juros moratórios se estes incidem sobre rendimentos tributáveis.
Numero da decisão: 2201-003.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 07/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA. A previsão Constitucional de que pertence aos Estados o produto da arrecadação do IRRF incidente sobre os pagamentos que efetuarem, não afasta a competência tributária ativa da união para arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. BOA FÉ. A falta de retenção do tributo pelo responsável tributário não exclui a obrigação do beneficiário de oferecê-los à tributação. Contudo, constatado que o contribuinte elaborou sua declaração observando informações contidas no comprovante de rendimentos fornecido pela sua fonte pagadora, afasta-se a cobrança de multa punitiva decorrente do lançamento de ofício. LANÇAMENTO. TRIBUTAÇÃO DE JUROS E CORREÇÃO. O lançamento reporta-se à legislação vigente à época do fato gerador, sendo devida a tributação de juros moratórios se estes incidem sobre rendimentos tributáveis.
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COMPETÊNCIA. A previsão Constitucional de que pertence aos Estados o produto da arrecadação do IRRF incidente sobre os pagamentos que efetuarem, não afasta a competência tributária ativa da união para arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. BOA FÉ. A falta de retenção do tributo pelo responsável tributário não exclui a obrigação do beneficiário de oferecêlos à tributação. Contudo, constatado que o contribuinte elaborou sua declaração observando informações contidas no comprovante de rendimentos fornecido pela sua fonte pagadora, afastase a cobrança de multa punitiva decorrente do lançamento de ofício. LANÇAMENTO. TRIBUTAÇÃO DE JUROS E CORREÇÃO. O lançamento reportase à legislação vigente à época do fato gerador, sendo devida a tributação de juros moratórios se estes incidem sobre rendimentos tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 21 85 /2 00 8- 42 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 285 2 assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso de Voluntário (fls.107/145) interposto pelo contribuinte em face da decisão da DRJ/SDR questionando o auto de infração sobre IRPF ano calendário de 2004, 2005 e 2006 no valor total de R$ 196.430,99 de acordo com fls. 02/14. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 98/103) por sua precisão: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 196.430,99, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 286 3 incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o auto de infração seria nulo em razão da ilegitimidade ativa e da falta de interesse jurídico da Receita Federal do Brasil (RFB) para fiscalizar, administrar ou cobrar o imposto lançado. Pois, em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teria como destinatário o próprio Estado da Bahia; b) a própria Receita Federal entende que é ilegítima para figurar no pólo passivo de pedido de compensação vinculado a crédito tributário referente a IRRF retido pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, por não ter a disponibilidade sobre os valores recolhidos. Assim, pelo mesmo motivo, concluise que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto; c) as diferenças pagas pelo Estado da Bahia decorrentes do erro na conversão da remuneração dos Magistrados de Cruzeiro Real para URV têm natureza jurídica indenizatória, conforme previsto nos arts. 4º e 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Portanto, tais rendimentos são isentos de imposto de renda; d) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro o caráter indenizatório de tais verbas, e da consequente não incidência do imposto de renda. Neste mesmo sentido estão a jurisprudência pátria, decisões do Conselho de Contribuintes, e a Solução de Consulta SRF nº 55 de 18 de abril de 2005; e) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros de mora, pois o contribuinte agiu de boa fé, seguindo informações constantes nos contracheques emitidos pela fonte pagadora. Além disso, o caráter indenizatório de tal verba estava previsto em lei, o que, também, afastaria de a aplicação de multa e juros, nos termos dos artigos 100 e 112 do CTN. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 287 4 Em 13 de maio de 2009, foi publicado o Despacho do Ministério da Fazenda S/N, de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Diante do exposto, foi determinada diligência fiscal para que o processo retornasse ao órgão de origem para que este adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal em questão ao disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009. Em resposta, foi elaborado o demonstrativo e relatório, às fls. 92. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal e reiterou a impugnação já apresentada. Alegou, ainda, que os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV deveriam ser excluídos da base de cálculo do imposto lançado, pois têm natureza indenizatória, nos termos do art. 404 do Código Civil. Os juros de mora na realidade representariam uma indenização por danos emergentes.” 3 A decisão da DRJ/SDR (fls. 98/103) julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 288 5 MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 4 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, às fls. 106, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 107/145, em que inova em algumas matérias trazidas na impugnação. 5 Na sessão de 24/10/2011 a extinta 2ª Turma da 1ª Câmara desse E. Sodalício através do AC. 210201.606 (fls. 149/157) deu provimento ao recurso assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos membros da magistratura local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 289 6 na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros da magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido. 6 – Às fls. 160/168 Recurso Especial da PGFN e às fls. 170/171 decisão de admissibilidade e contrarrazões do recurso às fls. 174/199. Às fls. 259/273 Ac 9202004.197 da C. 2ª Turma da CSRF que deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido” Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 290 7 07 – Nas conclusões e dispositivo, respectivamente abaixo o V. Acórdão a 2ª Turma da CSRF assim decidiu: “(...)Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, ou mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. (...) (...) Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte..” 08 – Redistribuído os autos a esse Relator. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 09 – Conheço do recurso. Os autos retornaram a esta C. Turma após redistribuição para análise e julgamento de outros pontos não enfrentados no Recurso Especial. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 291 8 10 Existem preliminares de mérito suscitadas pelo contribuinte e que serão abordadas de acordo com a sequencia que foi posta no recurso. INEXISTÊNCIA DE CONDUTA HÁBIL À APLICAÇÃO DE MULTA E DO EFEITO VINCULANTE DA CONSULTA ADMINISTRATIVA 11 – Verifico que o contribuinte lançou os valores em sua DIRPF com base nos informes de rendimento entregues pela fonte pagadora e, portanto aplicável ao caso os termos da súmula CARF 73 afastando a multa de ofício do lançamento, sendo que nesse ponto dou provimento parcial ao recurso com a ressalva de que a exclusão da penalidade não resulta em exigência substitutiva, já que, neste caso, homenageiase a boafé do recorrente e mesmo a multa de mora teria o mesmo caráter de penalidade: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. 12 – Nesse ponto dou provimento ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício aplicada. NULIDADE DO LANÇAMENTO – FORMA INADEQUADA DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO LANÇADO Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 292 9 13 – Nesse tópico o contribuinte inova em seu recurso, contudo, por entender tratarse de matéria relativa a questão da base de cálculo do tributo que fora inclusive identificada no âmbito da DRJ e modificada a conheço nesse momento. 14 – Apesar de aplicada pela DRJ entendo importante dar provimento ao recurso para ficar claro e expresso em vista da natureza modificativa da decisão do E. CARF em face do quanto decidido pela DRJ e para expressar o quanto já sedimentado por essa Corte o quanto já aplicado em outros casos semelhantes. 15 – Nesse caso não há nulidade do lançamento, indico aqui como razões de decidir parte do Voto do Ilustre Conselheiro do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior ao tratar da matéria sob exame nos autos do AC nº 9202003.695: “Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 293 10 percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 294 11 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar.” 16 – Portanto, nesse tópico, entendo não restar caracterizada qualquer tipo de nulidade no lançamento que fora efetuado de acordo com os termos do artigo 142 do CTN não havendo prejuízo algum ao contribuinte. 17 – Contudo, nesse caso entendo que deva ser dado provimento parcial ao recurso apenas para o fim de se aplicar a teor do Ac. 9202003.957 de 12/04/2016 da C. 2ª Turma da CSRF assim ementado, os termos do RE 614.406/RS do STF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 295 12 recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). 18 O RICARF, dispõe em seu artigo 62 § 2ºque: Art. 62. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 19 Sendo assim, com base nos fundamentos acima dou provimento parcial ao recurso para que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS. IMPOSTO DE RENDA PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes,individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 2612014 PUBLIC 27/11/2014) Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 296 13 DA NÃO INCIDÊNCIA DE IR SOBRE OS JUROS MORATÓRIOS/COMPENSATÓRIOS 20 Quanto a tributação dos juros, correta a decisão da DRJ, que mantenho e adoto como razões de decidir: “O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis, conforme abaixo transcrito: Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIVos juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” 21 – Nesse tópico nego provimento ao recurso voluntário. URV PARCELAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 297 14 22 – Esse tópico restou prejudicado em vista da decisão da C. CSRF sobre o tema já indicado alhures. DA ILEGITIMIDADE DA UNIÃO FEDERAL 23 – Sem razão o contribuinte. O sujeito ativo no caso é a União Federal. De acordo com artigo 153, III da CF/88. O artigo 157, I da CF apenas diz que o produto da arrecadação de tais tributos será transferido para os Estados e Municípios e mesmo assim relativo ao IRRF. 24 – A decisão da DRJ deixa claro essa situação: “É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União.” 25 – Quanto a essa matéria, me detenho a indicar como razão e fundamento de decidir os termos do voto dessa C. Turma no Ac. 2201003.749 julgado em 06/07/2017 do I. Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo assim decidido: Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 298 15 “A tese encampada pelo recorrente não faz qualquer sentido lógico ou jurídico. O Imposto sobre a Renda e Proventos de qualquer é competência da União, nos termos do art. 153 da CF/88, sendo certo que parte do produto de sua arrecadação é entregue aos Estados, Distrito Federal e Municípios (159, I CF/88), com a ressalva de que, para o cálculo do montante a ser entregue, excluise a parcela da arrecadação do IR pertencente ao Entes Federados de que tratam os artigos 157 e 158, tudo do texto Constitucional. É cristalino que ao Estado pertence o produto da arrecadação (efetiva e não potencial) e não a titularidade da competência tributária ativa do IR incidente na fonte sobre os rendimentos pagos a qualquer título por eles. Decerto que, arrecadado, compete ao Estado dar o destino que entender devido ao recurso, mas não havendo arrecadação a competência tributária, neste caso, é da União. (...) Omissis Embora sintéticas, são absolutamente corretas as conclusões da Delegacia de Julgamento. Afinal, não estamos tratando no presente processo de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, mas de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Tratase de procedimento fiscal em que se objetiva a aplicação da legislação tributária federal relativa ao tributo lançado, para que os valores considerados devidos a este título sejam efetivamente arrecadados, de modo a para prover o Estado (União, Estado, Distrito Federal e Municípios) de recursos necessários aos seu mister. Não há identidade do caso em tela com os tratados na jurisprudência citada no Recurso, já que estas expressam entendimento do Judiciário sobre a Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 299 16 competência da Justiça Estadual para processar e julgar demanda em que se discuta a incidência do IR da Fonte sobre vencimento de servidor público Estadual. Assim, quanto a este tema, não procedem os argumentos recursais de supressão de instância, violação ao devido processo legal e ilegitimidade ativa da União.” 26 – Portanto, afasto a matéria preliminar, negando provimento ao recurso nesse item. DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA 27 Esse tópico restou prejudicado em vista da decisão da C. CSRF sobre o tema já indicado alhures. Conclusão 28 Diante dos fundamentos acima e por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento, para que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, em face do julgado do STF no âmbito do RE 614.406/RS e seja excluída a multa de ofício, sem aplicação de qualquer outra substitutiva. assinado digitalmente Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 2201003.825 S2C2T1 Fl. 300 17 Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.005898/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 17/09/2004 a 30/09/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA
EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966 (IN
SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna.
Numero da decisão: 3302-004.713
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Walker Araújo
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Walker Araújo. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 07 15 .0 05 89 8/ 20 10 -9 0 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2017 agosto de 2017 Obrigações Acessórias Obrigações Acessórias AMERICAN AIRLINES INC AMERICAN AIRLINES INC FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 320DF CARF MF 2 Relatório A questão tem início na lavratura de auto de infração contra a contribuinte American Airlines Inc. consolidando a exigência da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei 37/1966, com a redação conferida pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/2003, regulamentado pelas Instruções Normativas SRF 28, de 1994, e 510, de 2005. De acordo com a descrição dos fatos apresentados pela autoridade fiscal, constatou-se que a contribuinte deixou de registrar as informações de embarque de Declarações de Exportação, na forma e prazo estabelecidos pelo artigo 37 da IN SRF 28/1994. Por esse motivo, foi imposta multa em desfavor da ora recorrente, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por embarque desacompanhado do respectivo registro no SISCOMEX. Regularmente cientificada sobre a imposição da sanção pecuniária, a contribuinte apresentou impugnação, oportunidade na qual discorreu sobre os seguintes argumentos: a) em razão de erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidos ao SISCOMEX com atraso que excedeu entre 1 a 8 dias do prazo previsto na legislação de regência; b) ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, para a imposição de multa não basta a mera inobservância da legislação aduaneira; é necessária a demonstração da intenção dolosa do contribuinte em fraudar o controle aduaneiro, bem como a comprovação de dano ao Erário, o que não restou configurado na hipótese dos autos; c) a aplicação da pena é desarrazoada e desproporcional, devendo ser aplicado o que dispõe o artigo 654 do Regulamento Aduaneiro vigente há época dos fatos (Decreto n. 4.543/2002), a qual prevê a relevação da multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos; d) o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento que se aplica às infrações de uma mesma espécie, apuradas numa mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apuradas pela fiscalização. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamentos de Florianópolis (SC), em acórdão que resultou na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10715.005898/2010-90 Acórdão n.º 3302-004.713 S3-C3T2 Fl. 321 3 O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração ontida a línea e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Aplica-se a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculado e obrigatória. Impugnação rocedente em Parte Crédito Tributário Mantido Parte Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que ensejou a subida dos autos a este Conselho. Em 27 de janeiro de 2015, a 1ª Turma Especial desta 3ª Seção de julgamentos, ao apreciar os argumentos defendidos pelo contribuinte, deu provimento ao recurso voluntário, em decisão que foi assim sumariada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração:01/11/2006 a 30/11/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE Fl. 322DF CARF MF 4 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Com supedâneo no artigo 67, do Anexo II do RICARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra a decisão proferida no apelo do contribuinte. Ultrapassado o juízo inicial de admissibilidade, o recurso foi levado a julgamento pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo sido parcialmente provido. Segue ementa do acórdão: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-lei 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei n. 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Naquela assentada, restou determinado que o processo deveria retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas em recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação na oportunidade de seu julgamento. Devidamente intimado sobre o resultado do julgamento do recurso especial pela instância superior, o contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram inadmitidos. Diante da impossibilidade de interposição de outros recursos pelo contribuinte, os autos foram devolvidos para que as demais matérias do recurso voluntário sejam apreciadas. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10715.005898/2010-90 Acórdão n.º 3302-004.713 S3-C3T2 Fl. 322 5 Na oportunidade do primeiro julgamento do recurso voluntário, foram apreciados os seguintes argumentos: (i) Sobre a denúncia espontânea- a turma de julgamento concluiu que a multa imposta deve ser cancelada, em estrita obediência ao artigo 138 do CTN, uma vez que a contribuinte informou à administração tributária as infrações por ela praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. (ii) Sobre a nulidade do auto de infração- tal argumento não foi reconhecido por aquele Colegiado, já que "a fiscalização apresentou planilha contendo o número das declarações, a data do embarque e a data em que foi enviada a declaração e a que vôo pretendia" o que não resulta na nulidade argüida pelo contribuinte. (iii) Sobre a ausência de dano ao Erário- foi afastada a argumentação sobre inexistência de dano aos cofres públicos porque prevaleceu o entendimento que houve embaraço à fiscalização, já que: "as declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita". (iv) Sobre a multa singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade - o colegiado não constatou equívocos na decisão proferida na impugnação, já que a multa foi imposta sobre cada informação prestadas em atraso em relação cada vôo (proporcional ao número de viagens). Concluiu-se, portanto, que foram respeitados os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Integram o recurso voluntário as seguintes alegações: 1. PRELIMINARES. SOBRE A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA: * O auto de infração não fornece qualquer elemento que comprove que a contribuinte tenha deixado de prestar informações no prazo de 2 dias; * Não foram indicadas no auto de infração os números das Declarações de Exportação relacionando-os com os respectivos conhecimentos aéreos (AWBs); * Indica a existência de várias decisões administrativas proferidas pelos órgãos julgadores da Receita Federal que declararam nulas as autuações idênticas à que se submete a julgamento. 2. MÉRITO. DA RETROATIO IN MELIUS1. 1 Transcrição ipsis literis da petição de recurso voluntário. Fl. 324DF CARF MF 6 * Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n. 1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filio-me à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho3, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SECÃO DE JULGAMENTO / 2ª CAMARA / 2ª TURMA ORDINARIA / ACÓRDÃO 3202-000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. 2 O prazo anterior era de 2 dias, conforme determinava a IN RFB 28, de 27/04/1997. 3 Acórdão n. 3202-000.486, proferido no julgamento do Processo Administrativo n. 10715.001370/2010-41, em 25/04/2012. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10715.005898/2010-90 Acórdão n.º 3302-004.713 S3-C3T2 Fl. 323 7 Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n. 1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Relatora Lenisa Prado - Relatora Fl. 326DF CARF MF
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Numero do processo: 13881.000166/2001-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
A expressa renúncia de interpor recurso especial quando o acórdão recorrido é modificado por embargos de declaração equivale à desistência do recurso especial já interposto.
Recurso Especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CRÉDITOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAXION COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. A expressa renúncia de interpor recurso especial quando o acórdão recorrido é modificado por embargos de declaração equivale à desistência do recurso especial já interposto. Recurso Especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 01 66 /2 00 1- 99 Fl. 2092DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 330200.464, de 01/07/2010, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Quando o contribuinte toma ciência de Despacho Decisório, não se pode exigir que o Poder Público lhe entregue fotocópias de todos os documentos existentes no processo, o qual fica a sua disposição para ter o devido acesso e realizar as reproduções que entender necessárias a sua contestação. INTIMAÇÕES. DESTINATÁRIO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser emitidas em nome do sujeito passivo e endereçadas ao domicilio fiscal por ele eleito. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. RESSARCIMENTO: INSUMOS NÃO APLICADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO. De acordo com o art. 11 da Lei n° 9.779/99, somente os créditos decorrentes de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, podem ser objeto de ressarcimento. INSUMOS CONSUMIDOS OU UTILIZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Para que os insumos consumidos ou utilizados no processo de produção sejam caracterizados como matériaprima ou produto intermediário, fazse necessário o consumo, o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou viceversa. Entendase "consumo" como decorrência de um contato fisico exercido pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. SISTEMA DE CUSTOS INTEGRADO. Se comprovado que os saldos mensais do sistema de custos integrado não foram afetados por erros na sua alimentação no curso do mês, serve o referido sistema para apurar o crédito presumido. Recurso Provido em Parte. Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 13881.000166/200199 Acórdão n.º 9303005.464 CSRFT3 Fl. 2.093 3 Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que o crédito presumido pleiteado deve ser apurado pela RFB utilizando se o sistema de controle de estoques apresentado pelo contribuinte, mesmo diante de suas irregularidades. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 20218.463. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 1964/1965. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 1995/2045). Também apresentou embargos de declaração, os quais foram acolhidos para reratificar o acórdão embargado, reconhecendose, em consequência, um valor adicional de crédito (fls. 2054/2063). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Entendemos que o recurso especial interposto pela PFN não deve ser conhecido. Conforme já indicado pela contribuinte através da petição de fls. 2076/2081, o acórdão recorrido, o de nº 330200.464, foi posteriormente modificado em face do julgamento dos embargos de declaração que ela interpôs, o qual resultou no acórdão nº 3302 057, de 20/06/2014, por meio do qual reconhecido, pelos motivos lá expostos, um valor adicional ao crédito que houvera sido concedido. Todavia, quando cientificado do acórdão que apreciou os aclaratórios, a Recorrente – que já houvera interposto recurso especial contra o acórdão embargado – informou estar ciente da decisão "e que não haverá interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais" (fl. 2067). Assim, entendemos que, ao expressamente afirmar da não apresentação de recurso especial, a Recorrente nada mais fez do que desistir do recurso já interposto, aquele já aviado contra a decisão posteriormente modificada. Notese que a Recorrente, intimada do acórdão de embargos, não permaneceu silente, ou mesmo afirmou que não complementaria ou alteraria os fundamentos do recurso especial anteriormente apresentado, mas tornou inequívoca a sua intenção de não mais recorrer, daí porque entendemos inaplicável, no caso em exame, o disposto no § 4º do art. 1.022 do novo Código de Processo Civil, segundo o qual: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: (...) § 4o Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos exatos Fl. 2094DF CARF MF 4 limites da modificação, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intimação da decisão dos embargos de declaração. (g.n.) Por fim, cumpre observar que a matéria encontrase hoje sumulada no Superior Tribunal de Justiça: "É inadmissível o recurso especial interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem posterior ratificação" (Súmula STJ nº 418; aplicável quando há modificação no julgado). Ante o exposto, e sem maiores delongas, não conheço do recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2095DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.008730/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/11/2009
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.456
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/11/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 87 30 /2 00 9- 85 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.008730/200985 Acórdão n.º 3402004.456 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.263da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/11/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.008730/200985 Acórdão n.º 3402004.456 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 06/11/2009 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/11/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.008730/200985 Acórdão n.º 3402004.456 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.008730/200985 Acórdão n.º 3402004.456 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.008730/200985 Acórdão n.º 3402004.456 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.008730/200985 Acórdão n.º 3402004.456 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.008730/200985 Acórdão n.º 3402004.456 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.008730/200985 Acórdão n.º 3402004.456 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 10070.000461/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. AUXÍLIO MATERNIDADE.
A fonte pagadora dispõe de convênio com o INSS para pagamento direto do auxílio maternidade a contribuinte. Comprovado nos autos após diligência que houve equívoco com a duplicidade de informações em DIRF das fontes pagadoras há que ser afastada a omissão de rendimentos da contribuinte.
Numero da decisão: 2201-003.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 07/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. AUXÍLIO MATERNIDADE. A fonte pagadora dispõe de convênio com o INSS para pagamento direto do auxílio maternidade a contribuinte. Comprovado nos autos após diligência que houve equívoco com a duplicidade de informações em DIRF das fontes pagadoras há que ser afastada a omissão de rendimentos da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 04 61 /2 00 7- 97 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10070.000461/200797 Acórdão n.º 2201003.853 S2C2T1 Fl. 137 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso de Voluntário (fls.36/44) interposto pela contribuinte em face da decisão da DRJ/RJ2 questionando o auto de infração sobre IRPF. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 27/32) por sua precisão: “Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos foi lavrada a notificação de lançamento, de fls. 03/06, relativa ao exercício 2004/anocalendário 2003, em que o valor do crédito tributário apurado foi de R$ 2.969,65 (fl. 03). De acordo com a Descrição dos Fatos, de fl. 04, foi apurada Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vinculo Empregaticio, no valor de R$ 12.824,59, do Instituto Nacional do Seguro Social. Na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 1.372,77. As fls. 04 e 06 constam os dispositivos legais considerados adequados pela autoridade fiscal para dar amparo ao lançamento. Inconformada com o lançamento, a interessada ingressou com a impugnação, de fls. 01 e 02, juntamente com os documentos de fls. 07/29, alegando que: 1) Recebeu no ano de 2003, durante os meses de julho a novembro inclusive, nos seus vencimentos mensais a quantia referente ao Auxilio Salário Maternidade, sendo devidamente considerados como rendimentos tributáveis para efeito de retenção na fonte do imposto de renda; 2) A Cia. Distribuidora de Gds do Rio de Janeiro — CEG, no período de 09/08/1990 a 03/04/2006, estabelecia convênio com o Instituto Nacional de Seguridade Social — INSS, no qual se comprometia a processar os pedidos Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10070.000461/200797 Acórdão n.º 2201003.853 S2C2T1 Fl. 138 3 de beneficios de seus empregados, bem como a efetuar os respectivos pagamentos. O INSS, mediante apresentação de relatório próprio, reembolsava a empresa dos valores correspondentes ao beneficio dos empregados/segurados; 3) Acosta documentos que, a seu ver, corroboram o seu entendimento; 4) Por fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. A fl. 39, consta o Despacho DRJ/RJ2/Secoj n° 01132/2007, sem que fosse atendida a intimação de fls. 41 e 42. 3 A decisão da DRJ/RJ2 (fls. 47/49) julgou improcedente a Impugnação da contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Diante dos fatos que demonstram que a autuada recebeu os rendimentos considerados omitidos, há que ser mantida a infração tributária imputada A contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" 4 Cientificado da decisão de piso (fls. 53), em 16/02/2011 a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 55/59 alegando os mesmos fundamentos de fato e de direito da impugnação e juntando novos documentos às fls. . 5 Na sessão de 18/04/2012 a 2ª Turma Especial desse E. Sodalício através da resolução nº 2802000.032 às fls. 114/116 converteu o julgamento em diligência em decisão assim fundamentada: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10070.000461/200797 Acórdão n.º 2201003.853 S2C2T1 Fl. 139 4 “Em que pese estar comprovada nos autos a existência de convênio entre a CEG e o INSS para pagamento aos empregados da CEG de benefícios previdenciários, mediante reembolso à CEG pelo INSS, não se pode concluir de forma definitiva, a partir dos elementos constantes dos autos, que o benefício pago pelo INSS, do qual resultaram os rendimentos considerados omitidos pelo auto de infração, estão embutidos, isto é, já foram computados pela CEG nos rendimentos tributáveis informados à contribuinte no demonstrativo emitido pela empresa. Senão vejamos; a fl.10 encontrase o demonstrativo de rendimentos emitido pelo INSS e a fl.18 aquele emitido pela CEG, em nada permitindo o seu simples confronto atribuir se razão à tese sustentada pela recorrente, sendo certo que o auto de infração guarda perfeita coerência com os referidos demonstrativos. Observase a fl.08, carta de concessão do benefício salário maternidade pelo INSS, da qual consta que o benefício mensal foi concedido no valor de R$ 3.288,36. A fls.23 e ss., constam demonstrativos emitidos pelo INSS dos valores a serem reembolsados à CEG, que guardam estrita coerência com o valor do benefício acima, pois consta esse valor de R$ 3.288,36, como valor bruto, e em seguida, calculase o valor líquido devido à CEG pelo INSS a título de reembolso, mediante dedução dos valores retidos pela CEG a título de contribuição previdenciária e IRPF na fonte sobre o benefício em questão, sendo certo que apenas nos meses de Julho e Novembro, o valor. Os valores brutos constantes de tais demonstrativos de reembolso são os seguintes, mês a mês: JUL 2003 – R$ 1.534,56 AGO 2003 – R$ 3.288,36 SET 2003 – Idem OUT 2003 – Idem NOV 2003 – 2.521,07 Porém os valores brutos pagos pela CEG são outros, nos termos dos contracheques de fls.19 e ss., quais sejam: Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10070.000461/200797 Acórdão n.º 2201003.853 S2C2T1 Fl. 140 5 JUL 2003 – R$ 1.611,50 AGO 2003 – R$ 3.731,69 SET 2003 – R$ 4.310,11 OUT 2003 – R$ 4.310,11 NOV 2003 – R$ 1.867,71 Como se vê, os valores do benefício concedido pelo INSS e dos reembolsos à CEG reconhecidos pelo INSS nenhuma relação guardam com os valores efetivamente pagos à contribuinte pela CEG. Assim sendo, como acima dito, os elementos constantes nos autos não permitem a conclusão de ser correta a tese esposada pela contribuinte. Portanto, em homenagem ao princípio da verdade material, devem os autos serem baixados em diligência para a unidade da Receita Federal de origem, para que esta esclareça, em face do convênio firmado entre as fontes pagadoras da Recorrente indicadas no processo, se houve duplicidade de informação de pagamento ou se a hipótese trata de rendimentos diversos. Do resultado da diligência, deve ser intimada a Contribuinte para se manifestar sobre o mesmo no prazo de trinta dias.” 6 – Às fls. 128/129 intimação da unidade preparadora para a fonte pagadora com o seguinte questionamento: 7 – Às fls. 130 resposta da fonte pagadora e encaminhamento através de e mail à autoridade lançadora com a seguinte informação: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10070.000461/200797 Acórdão n.º 2201003.853 S2C2T1 Fl. 141 6 8 – Intimada a contribuinte do resultado da diligência às fls. 133 retornaram os autos ao CARF para julgamento. 9 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 10 – Conheço do recurso. O cerne da discordância nos presentes autos como bem identificado na resolução de fls. 114/116 e não considerado pela DRJ em decorrência de falta de provas pela contribuinte foi: “Em julgamento, a 2ª Turma da DRJ/RJ2, em sessão realizada no dia 15/10/2010, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n.º 1331.866, por considerar equivocado o raciocínio esposado pela contribuinte de que os valores percebidos a título de auxílio salário maternidade estariam embutidos nos rendimentos recebidos da CEG, em razão de, por exemplo, no mês de novembro do anocalendário o valor Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10070.000461/200797 Acórdão n.º 2201003.853 S2C2T1 Fl. 142 7 percebido do INSS ser superior ao valor percebido da CEG. Sendo assim, após buscar em seus arquivos a Receita encontrou duas fontes pagadoras ao CPF da contribuinte no ano calendário: a CEG, no valor de R$ 48.981,26, com retenção na fonte de R$ 6.611,29, e o INSS, no valor de 12.824,59, com retenção na fonte de R$ 1.372,77, tratandose, segundo o acórdão da DRJ de duas fontes distintas, não devendo como pretende a contribuinte, ser deduzido o valor percebido do INSS do valor percebido da CEG.” 11 – Entendo que a diligência de fls. 128/130 por si só soluciona a presente lide, com os esclarecimentos da fonte pagadora de fls. 130 já reproduzido anteriormente, que diz: “Informamos(....) que o valor de R$ 12.824,59 referente ao auxílio Salário maternidade informados pelo INSS estão embutidos na totalização de R$ 48.981,26 relativo aos rendimentos informados em DIF no ano calendário de 2003 da empresa (....)” 12 – Diante do conjunto probatório entendo com razão a contribuinte devendo ser afastado o lançamento tributário. Conclusão 13 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e dar provimento para cancelar a exigência fiscal de acordo com os fundamentos acima. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10070.000461/200797 Acórdão n.º 2201003.853 S2C2T1 Fl. 143 8 Fl. 143DF CARF MF
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