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Numero do processo: 10670.720131/2007-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR, ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA.
Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao IBAMA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2° e 16 da Lei n. 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
No caso em análise, deve ser afastada a glosa, pois a há comprovação da existência da APP por meio de laudo técnico e ADA intempestivo, conforme decidido pelo Acórdão recorrido [fls. 472 e verso].
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, , Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao IBAMA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2° e 16 da Lei n. 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. No caso em análise, deve ser afastada a glosa, pois a há comprovação da existência da APP por meio de laudo técnico e ADA intempestivo, conforme decidido pelo Acórdão recorrido [fls. 472 e verso]. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 01 31 /2 00 7- 52 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, , Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 12/05/2010, a lª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o Recurso Voluntário, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 210200.583 [fls. 469/476], assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 Ementa: ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. . DA.OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos termos do art. 170, §1º, da Lei n° 6938181, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR. [...] Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional inconformada com o interpõe Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Cientificado desta decisão em 5 de agosto de 2010 (fl. 477), o recorrente apresentou o presente recurso tempestivamente no mesmo dia (fls. 479 a 497), apontando divergências com o Acórdão n ° 30236.278, da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 09 de julho de 2004, para discutir a obrigatoriedade de apresentação Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10670.720131/200752 Acórdão n.º 9202002.973 CSRFT2 Fl. 8 3 tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA para a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Segue abaixo a ementa do acórdão paradigma: Acórdão 30236.278 RECURSO VOLUNTÁRIO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO DE 1997 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de áreas de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matriculado imóvel no registro de imóveis competente. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Instado a se manifestar, o i. Presidente da 1ª Câmara desta Seção resolveu dar seguimento ao Recurso Especial interposto pelos seguintes motivos [fls. 499 e ss]: Verifico, então, que o paradigma decidiu que é obrigatória a apresentação tempestiva de ADA para que se possa deduzir a área de preservação permanente no cálculo do ITR, enquanto o acórdão recorrido considerou que a apresentação do ADA pode ser intempestiva, desde que anterior ao início da ação fiscal. Assim, patente está a divergência jurisprudencial. Ressaltese apenas que o pedido do recurso especial solicita que se mantenha a integralidade do lançamento, mas o recurso atacou apenas parte do acórdão recorrido, que a também deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o estado de calamidade pública e para acatar o valor da terra nua constante no Laudo Técnico. Desta forma, o recurso especial aqui admitido visa apenas a discutir a parte do acórdão que restabeleceu a dedução da área de preservação permanente, restando os outros tópicos não impugnados. Intimado do recurso, a Contribuinte apresentou contrarrazões que reitera os argumentos dispostos no decisum recorrido. É o relatório. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Primeiramente, há que ser declarada a tempestividade do Recurso Especial, tendo em vista sua interposição no prazo estabelecido pelo artigo 68, caput, do Regimento acima mencionado. Conforme previsão regimental, é requisito para admissibilidade do recurso especial a demonstração de divergência, que consiste em julgado proferido por outra câmara dos conselhos de contribuintes, que não tenha sido reformado pela Câmara Superior. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996. Área de Preservação Permanente Em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam a obrigação relativa à apresentação do ADA. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2002. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Fl. 584DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10670.720131/200752 Acórdão n.º 9202002.973 CSRFT2 Fl. 9 5 Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; Fl. 585DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso em análise, deve ser mantida exclusão da área de preservação permanente, pois há comprovação da existência da referida por meio de laudo técnico e ADA intempestivo, conforme decidido pelo Acórdão recorrido [fls. 472 e verso]: Agora, passase à defesa do item II (tem direito à exclusão de 892,0 hectares da área de preservação permanente da base tributável, conforme ADA apresentado, na forma do art. 10, II, da Lei rf 9.393/96) O contribuinte não excluiu a área de preservação permanente — APP da base tributável da DITRexercício 2003. Para comprovar o seu direito, traz o Laudo Técnico, no qual se informa a área de 892,0 hectares como de preservação permanente (fl. 20) e Ato Declaratório Ambiental— ADA, protocolizado no Ibama em 16/11/2004 (fl. 295), mais de dois anos e meio antes do início da presente ação fiscal. O fato de o contribuinte não ter informado a exclusão da APP na DITRexercício 2003 não faz precluir o seu direito, até em decorrência da presente ação fiscal ter sido instaurada para revisar os dados DITR apresentada. Ocorre que a autoridade julgadora a quo rejeitou a pretensão do então impugnante, não em decorrência do mesmo não ter informado a APP na DITR respectiva, mas pela apresentação do ADA extemporâneo. Para fruição da benesse no âmbito do ITR decorrente da exclusão da APP, na forma do art. 2° do Código Florestal (que é a espécie de APP da propriedade, como registrado no Laudo Técnico — fl. 20), entendo que basta a apresentação do ADA. Porém, devese obrigatoriamente apresentar o ADA, já que o art. 170, § P, da Lei n° 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória) é expresso quanto à exigência do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ITR, com vigência em relação aos exercícios posteriores a 2001. Entretanto, como a Lei n° 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA até 31/03/2004, como exigido pela IN SRF n° 344/2003, sendo certo que há Laudo Técnico atestando a existência de tal área e, no caso vertente, a formalidade foi cumprida mais de dois anos e meio antes do início da presente ação fiscal. Com essas considerações, devese deferir a exclusão da área de 892,0 hectares (APP) da área tributável. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10670.720131/200752 Acórdão n.º 9202002.973 CSRFT2 Fl. 10 7 DISPOSITIVO Em face do recurso especial interposto, conheço do referido, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 587DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10930.904535/2012-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 35 /2 01 2- 56 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904535/201256 Acórdão n.º 3803004.885 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904535/201256 Acórdão n.º 3803004.885 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904535/201256 Acórdão n.º 3803004.885 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 36736.002100/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração merecem ser acolhidos quando a parta interessada suscita ponto omisso sobre o qual deveria o acórdão ter se manifestado.
SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32-A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32-A da Lei 8.212/91.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-003.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para a adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração merecem ser acolhidos quando a parta interessada suscita ponto omisso sobre o qual deveria o acórdão ter se manifestado. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32-A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32-A da Lei 8.212/91. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para a adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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FATOS GERADORES Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado USINA PASSA TEMPO S/A ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração merecem ser acolhidos quando a parta interessada suscita ponto omisso sobre o qual deveria o acórdão ter se manifestado. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32 A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 73 6. 00 21 00 /2 00 6- 17 Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/01/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para a adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/01/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36736.002100/200617 Acórdão n.º 2402003.832 S2C4T2 Fl. 3.201 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL em face do v. acórdão n. 240200.468 proferido por esta Eg. Turma, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NFLD. Sendo o auto de infração decorrente de NFLD já julgada por este Eg. Conselho, quando a discussão trazida no Auto de Infração é a mesma que já foi objeto de análise nos autos principais. Uma vez mantida na NFLD a exigência do crédito tributário pelo incorreto gerenciamento dos riscos incidentes na segurança e saúde dos trabalhadores em seu ambiente de trabalho, também há de ser mantida a infração aplicada pela falta de informações em GFIP acerca da ocorrência dos referidos riscos. MULTA ADEQUAÇÃO. Em decorrência da promulgação da Lei n°11.941/09, há de se verificar a necessidade de adequação da multa aplicada no presente auto de infração. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Sustenta a embargante que ao se analisar o dispositivo da ementa acima transcrita, em concomitância com o voto do relator, acompanhado i unanimidade, hi omissão sobre ponto essencial, maculando a validade do julgamento perpetrado, tendo em vista que a turma julgadora se omitiu em expressar qual o dispositivo legal a ser aplicado, em observância ao principio da retroatividade benigna, ou seja, se aplicável o art 35 A ou o art. 32A da Lei 11.941/2009. Prestadas as devidas informações, foi determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos. É o que bastava relatar. Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/01/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem Preliminares. MÉRITO Por fim, há que se considerar aquilo o que determinado pelas invações trazidas pela Lei 11.941/09, que acrescentou na Lei 8.212/91 os artigos 32A e 35A, os quais dispõem o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/01/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36736.002100/200617 Acórdão n.º 2402003.832 S2C4T2 Fl. 3.202 5 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a apresentação de GFIP’s com informações inexatas relativamente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciarias a que estaria sujeito o contribuinte. A meu ver, sobre o assunto não resta outra conclusão, senão acatar a tese sustentada no Recurso Voluntário. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91, é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões, assim devendo ser consideradas as informações relativas aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, motivo pelo qual entendo deva ser, no presente caso, o dispositivo legal aplicável, conforme determinado pelo art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a aplicação retroativa da Lei nova, quando dispuser sobre penalidades e que possa vir a ser mais benéfica ao acusado, no caso o contribuinte. Ante todo o exposto voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS para reratificar a parte dispositiva do v. acórdão embargados, para determinar que o cálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art 32A da Lei 8.212/91. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3191DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/01/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11516.007836/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 07 83 6/ 20 08 -1 5 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007836/200815 Resolução nº 2402000.420 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 08/2003 a 05/2008. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/08), a empresa deixou de incluir em folhas de pagamento as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. Isso está consubstanciados pelos seguintes motivos: 1. Informa a fiscalização que as folhas de pagamento da empresa não foram elaboradas de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela órgão fiscalizador. Relata que a obra denominada Residencial Dona Marta, conforme consta da contabilidade da empresa apresenta registro de pagamento de salário até 10/2003. As folhas de pagamento desta obra não foram individualizadas para as competências 08/2003, 09/2003 e 10/2003; 2. Na obra Residencial Alaíde, a folha de pagamento englobam administração e obra de forma que não foi apresentada de forma individualizada a remuneração da obra, nos períodos 10/2003 a 02/2004 e 04/2004 a 06/2004. A folha foi apresentada de forma correta apenas para as competências 03/2004 e 07/2004 a 12/2004; 3. Cita ainda que a empresa deixou de informar em folha de pagamento os valores pagos a contribuintes individuais autônomos, por prestação de serviços técnicos, no caso, valores pagos a Elisabeth Akiko Guenka e João Batista Simon Flausino, no valor de R$20.000,00 e 18.000,00 respectivamente. Deixou também de incluir em folha de pagamento a remuneração paga as contribuintes individuais indicados no quadro da fl. 07 do relatório fiscal, valores pagos em 2007. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 08) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Informa ainda que a contribuição previdenciária foi apurada por aferição indireta com base na mão de obra contida no Custo Unitário Básico (CUB), aplicado nas seguintes obras: 1. Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76), período 07/2004 a 01/2007; Fl. 953DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007836/200815 Resolução nº 2402000.420 S2C4T2 Fl. 4 3 2. Residencial Pedro Coelho (CEI 36.550.01504/76), período 01/2006 a 05/2008; 3. Residencial Bernardo Koerich (CEI 36.560.00589/73), período 05/2004 a 05/2007; 4. Residencial Alaíde (CEI 40.580.00648/79), período 08/2003 a 05/2005. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/11/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 21/34) – acompanha de anexos de fls. 35/540, alegando, em síntese, que: 1. informa que as obras Residencial Dona Martha, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde foram objeto de ações judiciais movidas pela empresa autuada, antes da ação fiscal desenvolvida na empresa. As ações foram motivadas pela recusa do órgão fiscalizador à época, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em conceder a Certidão Negativa de Débito (CND) relativa. as obras mencionadas, quando da solicitação desta, ao término das obras. As ações ordinárias foram de n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), 2007.72.00.0115527, (Residencial Bernardo Koerich) e 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde). Alega que os processos judiciais foram favoráveis à empresa e estes apresentam perícia contábil e que estas indicam que a empresa tem contabilidade formal e regular, e que em momento algum feriu os princípios contábeis geralmente aceitos, conforme afirma a fiscalização. Apresenta documentação relativa às citadas ações judiciais ordinárias em anexo; 2. com relação ao Residencial Bernardo Koerich, ação judicial relativa ao processo 2007.72.00.0115527, informa que foi efetuado depósito judicial no valor de R$208.400,59, conforme extrato juntado aos autos; 3. com relação aos contribuintes individuais (engenheiros) citados pela fiscalização, informa que juntou cópias de documentos contábeis, bem como de recolhimentos e GFIPs; 4. cita que as ART's de n° 26274260 e 26277252, referentes a projeto estrutural e responsabilidade técnica de acompanhamento da obra são relativas à obra Residencial São José, que se encontra em andamento; 5. discorre sobre o critério de aferição indireta e alega que esta deve ser aplicada apenas nos casos de exceção, ou seja, quando foi impossível a apuração das contribuições previdenciárias devidas através da contabilidade da empresa ou deixar esta exibir documentos pertinentes. Argumenta que a perícia judicial deferida para as obras demonstrou que a contabilidade da empresa é regular e formalizada; 6. alega que não houve a intenção de sonegar qualquer tributo e que a simples inadimplência não representa crime de sonegação fiscal. Aduz Fl. 954DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007836/200815 Resolução nº 2402000.420 S2C4T2 Fl. 5 4 que somente após o julgamento da defesa administrativa do contribuinte é que se pode falar em sonegação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0717.604 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 545/547) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a empresa possui contabilidade regular. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Florianópolis/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007836/200815 Resolução nº 2402000.420 S2C4T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à matéria fática relacionada com a preparação e escrituração das folhas de pahgamento, acompanhada de cópias de documentos juntados aos autos. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada, o Fisco informa que a Recorrente deixou de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária (obras denominadas Residencial Dona Marta e Residencial Alaíde), bem como deixou informar em folha de pagamento os valores pagos a contribuintes individuais (autônomos), por prestação de serviços técnicos, no caso, valores pagos a Elisabeth Akiko Guenka e João Batista Simon Flausino. Em sentido contrário, a Recorrente afirma na peça recursal (fls. 553/569 Volume IV) que os fatos apontados pelo Fisco são inverídicos e contrários aos registros contábeis, eis que ela possui contabilidade formal e regular. A Recorrente argumenta ainda, dentre outros, que os engenheiros, apontados pelo Fisco (competências 01/2005, 02/2005 e 07/2007 a 10/2007), são contribuintes individuais, e que os recolhimento dos mesmos fora do prazo, se deu conforme artigo 79, item 3 letra "b" e subitens, de acordo com as cópias juntadas dos documentos contábeis (Impugnação), bem como os respectivos recolhimentos e GFIP's. Lembra que de acordo com o ANEXO XIV da In 03 de 2005, o engenheiro esta relacionado como profissional não incluído no CUB e qualquer registro sobre o mesmo deve ser efetuado não no custo das obras mais tão somente na contabilidade referente a administração da empresa, como demais administrativo da obra, como por exemplo: o apontador, mestre de obra, vigia, almoxarife e encarregado da mesma (atualmente IN RFB 971/2009 ANEXO VIII). Por fim, a Recorrente concluiu que: “[...] E mais, ratifica, que as ART's de n °s 26274260 e 26277252, referente a Projeto Estrutural e Responsabilidade Técnica pelo Acompanhamento de Construção, reportase a Obra de Construção Civil do Residencial São José, ainda em obra com prazo estimado para encerramento em maio/09. Logicamente que houve engano da senhora Auditora Fiscal em mencionar estas ART's no seu Relatório Fiscal, contudo, todos nós somos passíveis de engano. Mas aqui não vem ao caso. Somandose a isso informa igualmente que nas obras fiscalizadas e autuadas, a exceção do Residencial Guimarães, pelas razões já acima expostas, nas demais, não se verificaram despesas com a preparação do terreno, iniciando as obras com os serviços de estaqueamento, uma vez, que os terrenos, onde se Fl. 956DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007836/200815 Resolução nº 2402000.420 S2C4T2 Fl. 7 6 localizam são planos, não necessitando os mesmos de serviços de terraplanagem e ou serviços a fins. [...]” Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório (documentos de fls. 35/540 e fls. 570//938) – inclusive deverá verificar se efetivamente as folhas de pagamento das obras denominadas Residencial Dona Marta e Fl. 957DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007836/200815 Resolução nº 2402000.420 S2C4T2 Fl. 8 7 Residencial Alaíde foram apresentadas em desacordo, ou não, com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, já que a Recorrente afirma que tais folhas foram submetidas à perícia contábil, sendo que esta aponta a regularidade da escrituração contábil. Segundo a Recorrente, esses documentos foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13894.001678/2003-95
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
ATIVIDADE VEDADA. ASILO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM.
A atividades inerentes à asilo engloba a prestação de serviços profissionais de enfermeiro e caracteriza a obtenção de receita proveniente da atividade vedada.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITO RETROATIVO
No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9o da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1o de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. ATIVIDADE VEDADA. ASILO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM. A atividades inerentes à asilo engloba a prestação de serviços profissionais de enfermeiro e caracteriza a obtenção de receita proveniente da atividade vedada. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITO RETROATIVO No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9o da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1o de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 16 78 /2 00 3- 95 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 459 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/GUA/SP nº 471.070, de 07.08.2003, fl. 140, com efeitos a partir de 01.01.2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 17/08/2000 Situação excludente: (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada: 85162/99 Outros serviços sociais com alojamento Data da ocorrência: 17/08/2000 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF nº 250, de 26/11/2002: art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. Cientificada em 15.09.2003, fl. 130, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 10.10.2003, fls. 130139, com as alegações abaixo resumidas. Diz que apresenta a peça de defesa tempestivamente. Em relação à nulidade na notificação, alega que o fato que deu causa à exclusão se deu em 17.08.2000 e somente foi cientificada do ato de exclusão, em 15.09.2003 violando assim o disposto na alínea “b” do § 3º do art. 13 da Lei nº 9.317, de 1996 e ocasionando prejuízos. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 460 3 Suscita que depois do último dia do mês subseqüente ao fato, estava prescrita a oportunidade de comunicação válida do ato de exclusão: Decorrido o prazo legal, tornase o ato de comunicação prescrito, e como tal ato é essencial para a validade da exclusão, esta acaba também sendo nula, tendo portanto o impugnante direito à sua recolocação dentro do Simples, com efeitos retroativos até a data início da exclusão. Isso em virtude ao princípio da ampla defesa, que deixa de ser respeitado quando o excluído perde o tempo hábil para resposta. No que se refere ao erro na exclusão, afirma que a receita bruta auferida não ultrapassou o limite legal, em conformidade com a cópia do Livro Caixa. Esclarece que sua atividade é equiparada à de hotelaria, conforme dispõe a Portaria do Ministério da Saúde nº 810, de 23 de setembro de 1998: Consideramse instituições específicas para idosos os estabelecimentos, com denominações diversas, correspondentes aos locais físicos, equipados para atender pessoas com 60 anos ou mais de idade, sob regime internato ou não, durante um período indeterminado o que dispõem de um quadro de funcionários para atender as necessidades de cuidados à saúde, alimentação, higiene, repouso e lazer aos usuários e desenvolver outras atividades características da vida institucional. [...] A instituições para idosos devem contar com um responsável técnico detentor de título de uma das profissões da área da saúde que responderá pela instituição junto a autoridade sanitária. Indica algumas atividades desenvolvida na casa de repouso, tais como: “hospedagem, evidentemente com cuidados especiais a higiene, dietas alimentares, fisioterapias, atividades laborterápicas e lazer, entre outras”: Em nenhum momento, pela descrição do art. 9º inciso XIII, está estampada a atividade exercida pelas casas de repouso, que são pequenos estabelecimentos destinados a hospedar idosos, e sua atividade principal não é a saúde e sim a hospedagem. Enfim, as atividades meio de uma microempresa ou de uma empresa de pequeno porte não podem ser analisadas como se fossem seu fim, seu objetivo. É inerente a qualquer lugar de hospedagem que se obedeça ao que estabelece a Vigilância Sanitária, e é inerente aos estabelecimentos que abrigam idosos ter um cuidado maior com o b em estar de seus hóspedes. Mas em momento algum o fim da impugnante é obter lucro por meio de tratamento à saúde de seu hóspede. É sim a manutenção de seu b em estar, seja por meio de um ambiente higiênico, ou de um lazer monitorado, ou do acompanhamento preventivo da saúde. Mas que não se confunda o acompanhamento com tratamento, o qual é de única e exclusiva responsabilidade do(s) representante de cada hóspede. Entende que não explora qualquer prestação de serviço vedada, já que não pratica qualquer atividade relacionada com tratamento de saúde e não precisa ter em seu quadro funcionário com habilitação profissional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 461 4 Conclui Assim, requer seja considerado nulo ADE discutido na presente impugnação, retroagindo a presente desconsideração até a data de início da exclusão, por ser nulo em virtude da inverdade da comunicação de exclusão. Caso não seja esse o entendimento [...], requer seja a ADE retificada, dando novamente a opção do Simples à impugnada, com efeitos retroativos desde a data de exclusão, evitando assim prejuízos ao impugnante, que, conforme ficou provado, tem direito a optar pelo Simples, por enquadrarse nas exigências legais e não corresponder a nenhuma das excludentes. Outrossim, requer sejam todos os feitos do julgamento da presente impugnação endereçados aos procuradores da impugnada, qual seja, Rua Amaral Gama, 88, Santana, CEP 02018000, São Paulo, capital. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/CPS/SP nº 05 15.383, de 23.11.2006, fls. 167171: “Solicitação Indeferida”. Consta no Voto condutor que a exclusão de ofício é regida pelo art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996, e por esta razão não há que falar em nulidade: No caso do ramo de atividade do contribuinte, "Asilo" ou "Casa de repouso", os serviços prestados certamente vão além da hospedagem e alimentação, pois, se assim não fosse, estarseia tratando do ramo de hotelaria. Buscase, sejam entidades privadas ou não, a promoção da qualidade de vida dos idosos, através de cuidados com a saúde física e/ou mental. Para isso, além de funcionários comuns a qualquer atividade, contam com funcionários, habilitados profissionalmente ou não, cuja natureza do trabalho assemelhase aos serviços prestados por enfermeiros. Podem ainda oferecer serviços profissionais, ou assemelhados, de fisioterapia, psicologia, nutrição, médicos e de assistência social. Restou ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 ASILOS E CASAS DE REPOUSO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que presta serviços de asilo ou casa de repouso não pode optar pelo Simples. Notificada em 11.07.2007, fl. 175, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.08.2007, fls. 183198, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: As atividades médicas e de enfermagem, muito pelo contrário, são apenas acessórias, parte de um sistema maior, mais amplo, voltado à adequada hospedagem e manutenção do conforto físico e psicológico de pessoas idosas. [...] Fl. 461DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 462 5 As "casas de repouso", em verdade, destinamse à hospedagem de pessoas idosas, obviamente com cuidados especiais, entre outros, de higiene, dietas alimentares, tratamentos fisioterápicos, atividades laborterápicas e de lazer, todas compatíveis com as condições físicas e psicológicas dos idosos. Assim, em absoluta conformidade com o até agora exposto, constatase que as atividades meio da empresa Recorrente não podem ser tidas, analisadas, concebidas ou confundidas com suas atividades fim, com seus objetivos sociais. O objetivo social da Recorrente é a hospedagem de pessoas idosas, com todas as circunstâncias a ela relacionadas, especialmente aquelas afetas ao seu bem estar. Eventualmente, dentro deste contexto, haverá a necessidade da prestação também de serviços médicos ou de enfermagem, que serão disponibilizados pela Recorrente através de profissionais habilitados contratados para tanto. Tal circunstância, contudo, não altera o objetivo social da Recorrente: a contratação de profissionais legalmente habilitados para a prestação de serviços de enfermagem aos seus hóspedes, por exemplo, não transformará a Recorrente em sociedade profissional de enfermagem. Constatase, assim, pelas razões de fato e de direito neste tópico apresentadas, que (1) a vedação estabelecida pelo art. 9º, XIII, da Lei Federal n° 9.317/96 alcança somente as sociedades cuja constituição e regular funcionamento não prescindam, no que tange aos seus sócios, da existência de profissionais legalmente habilitados, sendo certo que (2) a Recorrente não pode ser como tal caracterizada, sequer na condição de assemelhada, razão pela qual (3) inteiramente ilegal a sua exclusão do SIMPLES determinada pelo Ato Declaratório Executivo ora combatido. Em relação aos efeitos da exclusão informa que: Diante do exposto, na remota hipótese de não reformada a decisão recorrida e reconhecido o direito da Recorrente permanecer no regime do SIMPLES, o que se admite apenas por argumentar, os efeitos da decisão de exclusão somente poderão viger após a Recorrente ter ciência da decisão definitiva de exclusão, conforme determina a redação original do artigo 15, II da Lei n° 9.317 de 05 de dezembro de 1996 c/c artigos 106 e 112 do Código Tributário Nacional. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos, interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais. Conclui Pelo exposto, revelase inteiramente equivocada e ilegal a exclusão da empresa recorrente do Simples motivada por suposta violação à vedação estabelecida pelo art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96. Outrossim, ainda que assim não fosse, equivocado também o termo inicial determinado pelo sr. Delegado da Receita Federal, confirmado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para os efeitos da exclusão ora em comento. Estas as considerações que a Recorrente pede venha para submeter à sempre criteriosa apreciação de Vossas Excelências, requerendo seja conhecido e provido o presente Recurso Administrativo para: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 463 6 • Reconhecida a ilegalidade da exclusão determinada pelo Ato Declaratório Executivo n° 471.070, decretar sua nulidade e, conseqüentemente, a manutenção da empresa Recorrente no SIMPLES; • Subsidiariamente, caso o pedido anterior não reste acolhido, o que se admite apenas por argumentar, que os efeitos da exclusão da empresa Recorrente do Simples passem a viger somente no mês subseqüente ao de sua cientificação acerca da definitiva decisão administrativa confirmadora da exclusão. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.037, de 04.08.2010, fls. 250255, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: caracterize a prestação do serviço profissional que a pessoa jurídica exerce mediante a qual a receita bruta é auferida a partir de 01/01/2002; anexe Notas Fiscais que comprovem a prestação de serviço profissional; verifique se no quadro de pessoal há médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais ou técnicos com conhecimento, especialização e experiência profissional que os assemelhem a estes profissionais. Foi elaborada o Termo de Encerramento de Diligência, fls. 450452, da qual a Recorrente foi regularmente notificada em 28.08.2013, fl. 452 e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela RFB1. O pressuposto é de que a intimação válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. 1 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 464 7 Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Ato Declaratório Executivo DRF/GUA/SP nº 471.070, de 07.08.2003, fl. 140, foi lavrado por servidor competente, na forma consiste com a observância completa de formalidades indispensáveis à existência do ato, com objeto previsto em ato normativo, contendo expressamente os motivos referentes à matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato sendo é materialmente existente e juridicamente adequado ao resultado obtido e ainda com a finalidade pois o agente praticou o ato visando a fim previsto explicitamente na regra de competência, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal2. A decisão de primeira instância e o ato de exclusão estão motivados de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que a exclusão não poderia ter sido efetuada por ter sido alcançada pela prescrição. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública proceder à exclusão. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe à autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a Recorrente excluíla de ofício mediante ato declaratório, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Assim o ato administrativo de exclusão fica revestido dos atributos da existência, da validade e da eficácia. Esse procedimento é vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. A Recorrente foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/GUA/SP nº 471.070, de 07.08.2003, fl. 140, com efeitos a partir de 01.01.2002, do qual foi cientificada em 15.09.2003, fl. 130. Assim, não há que se falar em prescrição. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 465 8 O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo3. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que preste serviço profissional de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, e de qualquer outra profissão cujo exercício. Há impedimento à opção pelo Simples por parte da pessoa jurídica que preste os serviços profissionais expressamente listado ou assemelhados àqueles expressamente listados ou ainda que não expressamente listados, cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida. A termo “assemelhados” não pode ser entendido como uma lacuna legal a possibilitar a adoção da analogia. Neste caso tem cabimento a interpretação extensiva, já que a lei estabelece um rol exemplificativo4. A emissão do ato de exclusão fundamentado na prestação de serviço profissional, pressupõe a obtenção de receita proveniente de atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica5. O referido diploma legal impede a opção pelo Simples por parte das pessoas jurídicas: que prestem os serviços profissionais expressamente listados; que prestem os serviços profissionais assemelhados àqueles expressamente listados; que prestem serviços profissionais não expressamente listados, cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida. A norma de regência adota a interpretação analógica que abrange casos semelhantes por ela regulados e não a analogia, que é uma forma de integração de normas para suprir lacunas. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 96 e art. 108 do Código Tributário Nacional. 5 Fundamentação legal: art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Classificação Brasileira de Ocupações, aprovada pela Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego nº 397 de 9 de outubro de 2002. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 466 9 O exercício da atividade de enfermagem é privativo de enfermeiro, técnico de enfermagem, auxiliar de enfermagem e parteiro e só será permitido ao profissional inscrito no Conselho Regional de Enfermagem, nos termos da Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986 e do Decreto nº 94.406, de 08 de junho de 1987. Tratase assim de profissão regulamentada. Tem cabimento analisar os demais aspectos da situação fática. Em conformidade com o Contrato Social, fls. 149158, o objeto é: CLÁUSULA 02 A sociedade terá por objetivo social o ramo de casa de repouso. Consta no Termo de Encerramento de Diligência, fls. 450455: Da Constituição e Objeto Social A sociedade foi constituída em 17/08/2000, com o objeto social de "Casa de Repouso", objeto este posteriormente ampliado para "Casa de Repouso para Idosos, envolvendo o fornecimento de serviços em clínicas e residências geriátricas ou domicílios coletivos para idosos que não têm condições de saúde e/ou não desejam viver de forma independente incluindo infraestrutura de alojamento e alimentação, consistindose numa Instituição de Longa Permanência para Idosos (CNAE 8711 5/01)." Notas Fiscais O contribuinte entregou Notas Fiscais Eletrônicas de Serviços, emitidas em 2011, nas quais consta o Código do Serviço 05150Casas de repouso e congêneres. [...] Com respeito a períodos anteriores a 2011, devido à troca de escritório de contabilidade e ao longo tempo da presente lide, foram apresentadas apenas as Notas Fiscais de Serviços de n°s 001, 002, 003 e 004, emitidas no ano 2000, e as folhas de pagamento de novembro, 13° salário e dezembro do ano de 2002. Visita à Empresa Comparecemos ao edifíciosede, à Rua Iubatinga, 258, bairro Vila Andrade, São Paulo/SP, onde pudemos constatar a existência de completa infraestrutura de hospedagem, alimentação, cuidados ininterruptos e convivência para uma população de aproximadamente 100 (cem) pacientes idosos. Os aposentos assemelhamse a quartos privativos de hospitais. Quadro de Funcionários A empresa nos forneceu as folhas de pagamento do ano de 2011, bem como uma listagem de todos os funcionários e diretores, emitida em 15062012, na qual se verificam os cargos de diretor, gerente, gerente operacional, cozinheiro, auxiliar de serviços gerais, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, técnico de enfermagem e atendente de enfermagem. Os profissionais mantêm vínculo empregatício normal pelo regime da CLT, à exceção dos diretores, os quais fazem parte do quadro societário. [...] Verificase que a Recorrente dedicase à “prestação de serviços de hospedagem, alimentação, cuidados ininterruptos e convivência para pacientes idosos não Fl. 466DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 467 10 portadores de doenças graves, contando com corpo funcional administrativo e da área de enfermagem”. Ademais a Portaria do Ministério da Saúde nº 810, de 23 de setembro de 1998, assim determina: Consideramse instituições específicas para idosos os estabelecimentos, com denominações diversas, correspondentes aos locais físicos, equipados para atender pessoas com 60 anos ou mais de idade, sob regime internato ou não, durante um período indeterminado o que dispõem de um quadro de funcionários para atender as necessidades de cuidados à saúde, alimentação, higiene, repouso e lazer aos usuários e desenvolver outras atividades características da vida institucional. [...] A instituições para idosos devem contar com um responsável técnico detentor de título de uma das profissões da área da saúde que responderá pela instituição junto a autoridade sanitária. A atividade inerente à asilo engloba a prestação de serviços profissionais de enfermeiro e caracteriza a obtenção de receita proveniente da atividade vedada. Não há erro no Ato Declaratório Executivo DRF/GUA/SP nº 471.070, de 07.08.2003, fl. 140. O conjunto probatório produzido nos autos evidencia que o procedimento de ofício está correto. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente discorda do efeito retroativo da exclusão. A norma que trata da matéria especifica que o ato da exclusão do Simples é declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente de prestação de serviço profissional expressamente prevista em lei, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. No caso da pessoa jurídica que fez opção pelo Simples até 27.07.2001, constatada uma das, os efeitos da exclusão dáse a partir de 01.01.2002, no caso de a situação excludente tiver ocorrido até 31.12.2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. A partir da data dos efeitos do ato, a pessoa jurídica fica sujeita às demais normas de tributação. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG6, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF7. 6 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator: Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&sReg=20090029627 7&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 7 Fundamentação legal: art. 12, art. 13, art. 14, art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 56. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 468 11 Ademais, Súmula CARF nº 56 determina que: No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9o da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1o de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. No presente caso a exclusão com efeito retroativo a 01.01.2002 apresenta exatidão, já que a situação excludente ocorreu até 31.12.2001. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13894.001678/200395 Acórdão n.º 1801001.872 S1TE01 Fl. 469 12 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13629.001919/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE A CONTABILIDADE E OS VALORES DECLARADOS E RECOLHIDOS.
Caracteriza-se omissão de receitas a diferença entre as receitas escrituradas nos livros contábeis e fiscais e aquelas informadas na declaração de rendimentos da pessoa jurídica, quando o contribuinte não consegue justificar as divergências com provas hábeis e idôneas.
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA.
A prática reiterada de declarar e pagar, durante todo o ano-calendário, apenas um pequeno percentual das receitas corretamente escrituradas nos livros contábeis e fiscais serve, por si só, para comprovar a intenção dolosa de suprimir tributos, não podendo ser compreendida como simples erro de escrituração, e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1102-001.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE A CONTABILIDADE E OS VALORES DECLARADOS E RECOLHIDOS. Caracteriza-se omissão de receitas a diferença entre as receitas escrituradas nos livros contábeis e fiscais e aquelas informadas na declaração de rendimentos da pessoa jurídica, quando o contribuinte não consegue justificar as divergências com provas hábeis e idôneas. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar e pagar, durante todo o ano-calendário, apenas um pequeno percentual das receitas corretamente escrituradas nos livros contábeis e fiscais serve, por si só, para comprovar a intenção dolosa de suprimir tributos, não podendo ser compreendida como simples erro de escrituração, e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 658 1 657 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13629.001919/200760 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.090 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2014 Matéria SIMPLES Omissão de receitas Recorrente GRUPOMS COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE A CONTABILIDADE E OS VALORES DECLARADOS E RECOLHIDOS. Caracterizase omissão de receitas a diferença entre as receitas escrituradas nos livros contábeis e fiscais e aquelas informadas na declaração de rendimentos da pessoa jurídica, quando o contribuinte não consegue justificar as divergências com provas hábeis e idôneas. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar e pagar, durante todo o anocalendário, apenas um pequeno percentual das receitas corretamente escrituradas nos livros contábeis e fiscais serve, por si só, para comprovar a intenção dolosa de suprimir tributos, não podendo ser compreendida como simples erro de escrituração, e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 19 19 /2 00 7- 60 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13629.001919/200760 Acórdão n.º 1102001.090 S1C1T2 Fl. 659 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO No contribuinte acima identificado, foram detectadas infrações ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que resultaram na lavratura de autos de infração decorrentes de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, INSS e multa regulamentar, totalizando a exigência de um crédito tributário de R$ 1.800.898,68, aí incluídos principal, juros de mora calculados até 28/9/2007, e multas de ofício de 75% e 150% (fls. 4 a 68). Por bem descrever os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e das infrações lançadas constante no relatório de 1a instância (fls. 617 a 618): No Termo de Verificação Fiscal de fls. 65/66 a autoridade tributária relata, em síntese, o seguinte: a) a fiscalizada, optante pelo SIMPLES, apresentou declaração simplificada (DSPJ) relativa ao anocalendário de 2004, na qual informou receitas mensais em valores inferiores aos escriturados no Livro Caixa, no Livro Registro de Saídas e no Livro de Apuração do ICMS; b) intimada a justificar as diferenças apontadas, a fiscalizada alegou haver cometido erro no preenchimento da referida DSPJ, motivo pelo qual pediu que fossem desconsideradas as informações ali prestadas, e tidos como corretos os valores das receitas constantes dos livros contábeis e fiscais; c) isso posto, foram lavrados os autos de infração de fls. 4/61, exigindose de ofício, na sistemática do SIMPLES, os tributos e contribuições nela compreendidos. Sobre os valores dos tributos e contribuições devidos, no tocante à infração caracterizada por “Omissão de Receita”, foi imposta multa qualificada (150%), pois a prática reiterada da infração Fl. 660DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13629.001919/200760 Acórdão n.º 1102001.090 S1C1T2 Fl. 660 3 em comento caracteriza conduta dolosa. Para infração derivada de “Insuficiência de Recolhimento”, aplicouse a multa de ofício de 75%; d) foi também lavrado o auto de infração de fls. 62/64, para exigência da multa de 10% prevista no art. 202 do RIR/99, uma vez que a fiscalizada, apesar de haver ultrapassado o limite máximo de receita bruta no ano de 2004, não informou ao Fisco sua exclusão obrigatória do SIMPLES para o ano de 2005. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnações, uma para cada tributo (fls. 429 a 480), acatadas como tempestivas. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância, que assim descreveu os argumentos dos recursos (fls. 618 a 619): Cientificada da autuação, a interessada, reportandose ao AI de Cofins Simples impugnou a exigência (fls. 332/341), alegando, em síntese, que: 1) desde 2002, ano de início de suas atividades, já não poderia estar usufruindo os benefícios do SIMPLES, por haver ultrapassado o limite legal anual de receita bruta; 2) “não aconteceu apresentação de obrigações acessórias com informações de receitas omitidas objetivando o retardamento de tributo, fato este que será comprovado durante a tramitação processual, que aliás, digase de passagem, quanto à acusação o ônus da prova é da autoridade fiscalizadora, art.924 do RIR/99, já que neste caso em exame (matéria) inexiste lei especial atribuindo ao contribuinte, ora defendente, essa responsabilidade, (art. 925 do mesmo codex)”; 3) “em conformidade com a DIPJ entregue a SRF, os valores declarados a título de RECEITA foram os mesmos lançados nos livros fiscais, que, digase de passagem, maiores do que efetivamente encontrados pela douta fiscalização”. (...) “se não há divergência do que foi registrado nos livros fiscais e contábeis do contribuinte, em cotejo com a DIPJ entregue/apresentada a SRF, descabe a exação perpetrada na peça fiscal de lançamento, muito menos tem procedência à acusação de OMISSÃO DE RECEITA”; 4) (...) “quem tem o propósito de retardar o cumprimento da obrigação tributária utilizando de meios fraudulentos tipificados na Lei 4.502 de 1.964, art. 71 a 73, não apresentaria livremente e espontaneamente seus documentos; sequer teria procedido a escrituração de forma certa.” (...) “não inseriu elementos inexatos em seus livros e documentos. Pelo contrário, todos os seus lançamentos fiscais inseridos nos livros (fiscais e contábeis) são fieis aos documentos de origem; nenhum tem divergência de valor e/ou ato equivalente. A bem da verdade, como já mencionado anteriormente, a ocorrência tributária, fato gerador, base de cálculo e equivalente objeto do trabalho fiscal, pautouse verdadeiramente nos documentos do contribuinte, sendo que os valores foram informados a SRF através da DIPJSimples”. Nesse sentido traz ementas do CARF; Fl. 661DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13629.001919/200760 Acórdão n.º 1102001.090 S1C1T2 Fl. 661 4 5) a multa no percentual de 150% configura confisco, além de ter sido aplicada tomando como base de cálculo não só o valor do Imposto incidente sobre a diferença apurada pela fiscalização, mas também sobre o montante já liquidado pelo contribuinte. 6) os cálculos de apuração da diferença do imposto estão errados. A fiscalização não levou a efeito apenas no que tange a "pseuda" diferença encontrada no trabalho fiscal. Os índices (percentuais) incidentes sobre a base de cálculo estão errados, o que eleva de maneira substancial o valor da contribuição; 7) requer perícia, indicando o perito e os quesitos a serem respondidos. Às fls. 342/351; 352/361; 362/371; 372/381, a empresa apresentou igual impugnação para os AI’s de CSLLSimples; PISSimples; IRPJSimples e CSS Simples. Relativamente ao auto de infração de multa isolada, pela falta de comunicação de exclusão do Simples, a contribuinte argumenta, às fls. 382/383, que não poderia estar enquadrada no Simples desde 2002, devendo ser “nulificado” a peça fiscal, por pautarse em informações relativas ao anocalendário 2004. DILIGÊNCIA E PRIMEIRO JULGAMENTO DA DRJ Para verificar o último argumento do recurso, de que a empresa não podia estar no SIMPLES em 2004, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) decidiu por baixar o processo em diligência a fim de que fosse verificado se a receita bruta total do anocalendário de 2003, registrada nos livros e documentos da escrituração da empresa, era ou não superior ao limite previsto no art. 9º, I e II, da Lei n° 9.317, de 1996 (fls. 496 a 497). Em resposta, a autoridade fiscal atestou que, de fato, a receita bruta escriturada do ano de 2003 era superior ao limite legalmente estabelecido para o SIMPLES (fls. 581 a 582). Com base no resultado da diligência, a DRJ Juiz de Fora/MG decidiu por anular o lançamento, sob o fundamento de que caberia à autoridade lançadora averiguar se, no anocalendário objeto da auditoria fiscal, o contribuinte atendia aos requisitos legais para enquadrarse no SIMPLES (fls. 583 a 585). Pela decisão ter exonerado valor superior ao limite de alçada, definido pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, houve interposição de recurso de ofício, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13629.001919/200760 Acórdão n.º 1102001.090 S1C1T2 Fl. 662 5 ACÓRDÃO Nº 120100.432: ANULAÇÃO DO ACÓRDÃO DA DRJ Apreciando o recurso de ofício, o Acórdão nº 120100.432, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1a Seção de Julgamento, em sessão realizada em 24 de fevereiro de 2011, decidiu por anular a decisão de 1a instância sob o argumento de que tinha sido o próprio contribuinte que informara ser optante do SIMPLES em 2003, e que o lançamento não poderia ser afastado sob o fundamento de que o contribuinte não fazia jus ao regime favorecido, pois a exclusão não era da competência da autoridades julgadora (fls. 590 a 601). Cientificados a Fazenda Nacional (fl. 603) e o contribuinte (fls. 611 a 614) do conteúdo dessa decisão, e não tendo sido interpostos recursos, os autos foram encaminhados à autoridade julgadora de primeira instância para novo julgamento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou a impugnação improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 616 a 626): Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA A diferença entre o valor declarado e o valor escriturado, realizada de forma sistemática em todos os meses do ano, caracteriza omissão de receita. MULTA QUALIFICADA A conduta reiterada da contribuinte em informar espontaneamente ao Fisco os valores de Simples a pagar muito inferiores aos efetivamente devidos (receita bruta declarada inferior a 4% da receita bruta escriturada), constitui prova cabal da intenção da empresa em cometer a conduta tipificada no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64 (sonegação). PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 663DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13629.001919/200760 Acórdão n.º 1102001.090 S1C1T2 Fl. 663 6 Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) indeferiuse o pedido de perícia por ser considerado desnecessário; b) considerouse que a Fiscalização comprovou devidamente a omissão de rendimentos com base nas diferenças entre as receitas escrituradas e aquelas informadas na DSPJ; c) a declaração retificadora, que informava as receitas corretamente, foi enviada após o início da fiscalização, quando o contribuinte já havia perdido a espontaneidade, que não foi readquirida durante a ação fiscal; d) os coeficientes aplicados no lançamento estão de acordo com o previsto na legislação; e) a multa de ofício de 150% foi aplicada apenas sobre as infrações de omissão de receitas e não sobre os valores já pagos pelo contribuinte; f) a conduta reiterada de informar espontaneamente ao Fisco os valores de SIMPLES a pagar muito inferiores aos efetivamente devidos, constitui prova cabal da intenção da empresa em cometer a conduta tipificada no art. 71, I, da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação), e justifica a qualificação da multa. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 21/3/2012 (fl. 641), o contribuinte apresentou, em 10/4/2012, o recurso de fls. 642 a 654, onde afirma que: a) o lançamento é incorreto, pois informou na DIPJ valores idênticos aos constantes nas escriturações contábil e fiscal; b) não é possível se falar em fraude, pois a Fiscalização pautou sua acusação na própria escrituração, que foi disponibilizada quando exigida; c) a aplicação da multa qualificada de 150% consiste em confisco indireto do patrimônio do contribuinte. Ao final, pugna pelo cancelamento da autuação. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em outubro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 657. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13629.001919/200760 Acórdão n.º 1102001.090 S1C1T2 Fl. 664 7 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento em análise decorre de infrações ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que resultaram na lavratura de autos de infração decorrentes de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, INSS e multa regulamentar. A acusação fiscal versa sobre diferenças entre os valores escriturados nos Livros Caixa, de Registros de Saídas e de Apuração de ICMS e aqueles informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – DSPJ do exercício de 2005, contendo ainda a imputação de fraude, o que ocasionou a qualificação da multa de ofício. No voluntário, o recorrente insiste que o lançamento é incorreto, pois informou em DIPJ valores iguais aos constantes em sua escrituração. Contudo, a decisão recorrida já esclareceu que, quando do início da Fiscalização, somente havia sido apresentada a DSPJ de fls. 75 a 91, entregue em 25/5/2005, que informa uma receita bruta acumulada total no valor de R$ 150.877,64. Somente em 11/9/2007, foi enviada DSPJ retificadora (fls. 486) que passou a informar uma receita bruta acumulada total no valor de R$ 6.294.324,47 (fl. 492). Contudo, isso aconteceu somente após o início da ação fiscal, que se deu em 29/8/2007 com a ciência, por via postal, do Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 68 a 69). Ora, restou comprovado que o contribuinte havia apresentado DSPJ informando apenas uma fração dos rendimentos efetivamente auferidos, e que retificou essa declaração após o início da fiscalização. Como bem explicado pelo acórdão de 1a instância, o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, nos termos do art. 7o, §1o, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF, e a espontaneidade não foi readquirida, pois ação fiscal seguiu sendo prorrogada por intimações sempre em prazo inferior aos sessenta dias previsto no §2o do mesmo artigo. Ressaltese ainda que, em resposta ao Termo de Início da Ação Fiscal, o próprio contribuinte reconheceu ter declarado valores a menor e admitiu que as receitas corretas eram aquelas contantes em sua escrituração (fl. 74). Desse modo, corretos os lançamentos que exigiram as diferenças de tributos em função das receitas omitidas. O recorrente também questiona a qualificação da multa, afirmando não ser possível se falar em fraude, pois a Fiscalização pautou sua acusação na própria escrituração, que foi disponibilizada quando exigida. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13629.001919/200760 Acórdão n.º 1102001.090 S1C1T2 Fl. 665 8 Nesse aspecto, também perfeita a análise da decisão recorrida, que esclareceu que a apresentação da escrituração somente se deu após o início da ação fiscal, e não afasta o fato de que o ato de declarar rendimentos muito inferiores ao realmente auferidos visava a impedir ou a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Ademais, a prática reiterada de declarar receitas em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos serve, por si só, para comprovar a intenção dolosa de suprimir tributos, não podendo ser compreendida como simples erro de escrituração, e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. No caso, as receitas originalmente declaradas equivaliam a apenas 2,4% daquelas escrituradas. É esse o entendimento de diversos julgados do CARF e da CSRF, como demonstram as ementas abaixo transcritas: QUALIFICAÇÃO DE MULTA INTUITO DOLOSO PRÁTICA REITERADA DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO À FAZENDA FEDERAL COM VALORES INFERIORES AOS ESCRITURADOS NOS LIVROS A reiteração da entrega de declaração em valor significativamente inferior ao constante em seus livros fiscais por longo período caracteriza o intuito doloso e autoriza a qualificação da multa. (Acórdão nº CSRF/0105.740, 1ª Turma CSRF, sessão de 3/12/2007, relator Conselheiro Marcus Vinícius Neder de Lima) MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA. A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. (ACÓRDÃO CSRF/0105.810 em 14 de abril de 2008). (Acórdão nº 9101001.689, 1ª Turma/CSRF, sessão de 17/7/2013, relator Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. (Acórdão nº 1401001.004, 4ª Turma Ordinária/1ª Câmara/1a Seção/CARF, sessão de 10/7/2013, relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto) Fl. 666DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13629.001919/200760 Acórdão n.º 1102001.090 S1C1T2 Fl. 666 9 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A conduta reiterada de não declarar a totalidade das vendas efetuadas, apresentando DIPJs e DCTFs com valores fictícios, durante vários períodos, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150%. (Acórdão nº 1202001.015, 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/1a Seção/CARF, sessão de 7/8/2013, relator Conselheiro Geraldo Valentim Neto) Finalmente, o recorrente pretende cancelar a multa alegando ser confiscatória. Contudo, essa penalidade está prevista explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Assim, mantenho a multa qualificada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 667DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 10580.722757/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento do processo nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 20 de fevereiro de 2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento do processo nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 20 de fevereiro de 2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento do processo nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 20 de fevereiro de 2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls.02 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$65.125,57, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual n° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 22 75 7/ 20 09 -7 4 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722757/200974 Resolução nº 2802000.041 S2TE02 Fl. 82 2 8.730, de 08 de setembro de 2003 Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 56/94), acatada como tempestiva. Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar e transcrever o relatório da decisão recorrida (verbis): não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais;mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB A 3ª Turma DRJ/Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 111 a 116, por unanimidade de votos considerou Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722757/200974 Resolução nº 2802000.041 S2TE02 Fl. 83 3 improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto do acórdão combatido. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 18/05/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fls.120. Cientificada da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/05/2011 (fls. 121/159), representada por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e ressaltando os seguintes pontos:a) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa de ofício, face à responsabilidade exclusiva da fonte pagadora e diante do efeito vinculante de Consulta Administrativa realizada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; b) nulidade do lançamento, motivada pela forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado; c) não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; d) natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; e)da ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e f) violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 150, inciso II, da Constituição Federal). A autuação versa sobre omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. Por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente, o crédito tributário lançado foi apurado com base na tabela e alíquota vigente no ano de recebimento, ou seja, 2004,2005 e 2006, sendo o cálculo do imposto a pagar apurado pelo valor global. Conforme previsto no art.56 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/ 99. Entretanto, é de conhecimento deste colegiado que o STJ reconheceu a existência de repercussão geral do tema relativo ao Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente. Transcrevo a ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.429 SP 2009/00557226). Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722757/200974 Resolução nº 2802000.041 S2TE02 Fl. 84 4 A Portaria MF nº 586, de 2010, que altera o Regimento Interno do CARF em seu artigo 62A, assim dispõe: “Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” É cristalino que a Portaria MF 586, de 2010, introduziu a necessidade de adoção nos julgamentos do CARF das sistemáticas de Repercussão Geral (STF) e de recursos repetitivos (STJ), as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, considerando que a matéria objeto deste processo versa sobre IRPF/IR sobre rendimentos recebidos de forma acumulada e sobre esta matéria, já foram encaminhados ao STF recursos representativos da controvérsia, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil, entendo que se deve, de ofício, sobrestar o julgamento do recurso voluntário objeto do presente processo. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10980.910464/2009-30
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel..
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 10 46 4/ 20 09 -3 0 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.910464/200930 Resolução nº 1802000.471 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório da ora Recorrente. Inicialmente a interessada transmitiu em 23/11/2005 o PER/DCOMP eletrônico n° 38914.94301.231105.1.3.049547, visando utilizar direito creditório fundado em pagamento indevido ou a maior de IRPJ, apurado em 31/05/2003, onde consta: a) débito compensado IRPJ – 236201 – Demais PJ obrigadas ao lucro real / Estimativa mensal Período de apuração: Mar/2005 vencimento: 29/04/2005 principal: R$ 10.505,24; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 10.505,24. b) crédito utilizado: Valor Original do Crédito Inicial: R$ 3.448,83; Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 3.448,43; Crédito Atualizado: R$ 3.448,43 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 3.448,83 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 3.448,83 Saldo do Crédito Original: R$ 0,00 A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 20/04/2009 (fl. 01), não homologou a compensação declarada em face de terem sido localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório, a Recorrente, em 08/05/2009, apresentou a Manifestação de Inconformidade (fls. 05 e segs.), trazendo as alegações a seguir reproduzidas: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.910464/200930 Resolução nº 1802000.471 S1TE02 Fl. 4 3 “1) No despacho decisório acima referido, V. Sa. afirma que foram localizados um ou mais pagamentos mediante a DARF discriminada na PERDCOMP 38914.94301.231105.1.3.049547, mas que tais pagamentos já haviam sido integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 2) Efetivamente, assiste razão ao Fisco, vez que o DARF utilizado como "crédito" do contribuinte não contava com qualquer saldo desta natureza, apto a compensar outros débitos de natureza tributária. No entanto, cumpre salientar que tal equívoco decorre das incoerências do próprio Sistema PERDCOMP, o qual, mesmo que se opte pela compensação de Saldo Negativo, impele o contribuinte, de forma absolutamente incoerente, a informar DARF's do período anterior. Em outros termos, embora se saiba que o Saldo Negativo não necessariamente decorre de Pagamentos Indevidos a Maior em algum DARF específico (e na maioria dos casos não decorre), mesmo assim se exige (Sistema PERDCOMP) a alocação de um DARF "correlato", se é que se pode assim afirmar, ao Saldo Negativo apurado em 31 de dezembro. Assim sendo, não resta dúvida de que tal exigência incoerente acaba por induzir em erro o contribuinte. 3) Ocorre que o contribuinte, por erro, ao invés de informar que o crédito do sujeito passivo constava da Declaração de Imposto de Renda do anocalendário de 2003, no valor de R$ 74.966,07 (setenta e quatro mil, novecentos e sessenta e seis reais e sete centavos), (cópia da Ficha 12A DIPJ em anexo), utilizouse erroneamente do DARF, caracterizado no Despacho Decisório, no valor de R$ 13.542,90 (treze mil, quinhentos e quarenta e dois reais e noventa centavos), pago no ano de 2003, o qual compõe o valor do Saldo Negativo acima informado, supôs o contribuinte pudesse ser informado como fonte do crédito compensado. Em outras palavras, o contribuinte entendeu possível utilizar como crédito um DARF pago naquele ano em que se apurou o Saldo Negativo. Ao invés de informar o Saldo Negativo como sendo o crédito, informou o DARF, como pagamento indevido a maior. 4) De toda forma, apesar do equivoco, importa destacar que a empresa ora impugnante contava, à época, com Saldo Negativo no valor de R$ 74.966,07 (setenta e quatro mil, novecentos e sessenta e seis reais e sete centavos), valor este que se pretendia ver compensado o valor de R$ 3.448,83 (três mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e oitenta e três centavos) e que, por equivoco no preenchimento da PERDCOMP, foi informado como pagamento indevido a maior. 5) A contribuinte buscou retificar o PERDCOMP ora em comento, sem sucesso, haja vista que o programa respectivo impede tal tipo de retificação (Cópia da tentativa de Retificação em anexo).” Ao final, requer a reforma do despacho decisório e homologação da compensação efetuada, não como pagamento indevido, mas como saldo negativo. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.910464/200930 Resolução nº 1802000.471 S1TE02 Fl. 5 4 A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPETÊNCIA PARA APRECIAR COMPENSAÇÃO. A competência para apreciar a compensação e emitir o despacho decisório homologandoa, ou não, é da DRF. Tendo esta constatado que o alegado pagamento indevido existia, mas já fora utilizado na compensação de débito regularmente declarado, e proferido despacho decisório não homologando a compensação, falece competência à DRJ para acolher a alegação de que o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ/CSLL e não a pagamento indevido , apreciar originariamente a compensação e emitir novo despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 15/07/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/08/2011, onde reitera os argumentos anteriores e busca o reconhecimento do seu direito creditório. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.910464/200930 Resolução nº 1802000.471 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Por meio do PER/DCOMP eletrônico n° 38914.94301.231105.1.3.049547, a interessada busca a compensação de direito creditório fundado em pagamento indevido ou a maior de CSLL com estimativa mensal do mesmo tributo. A DRF não homologou a compensação por entender que não havia crédito a ser compensado, pois o DARF informado já tinha sido utilizado para quitação de outro débito da Recorrente. A Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando erro material constante da PER/DCOMP. Explicou que o DARF foi utilizado para a quitação da estimativa mensal do anocalendário de 2003, que por sua vez compôs o saldo negativo do ano o qual ela buscou a compensação através da PER/DCOMP em questão. A DRJ posicionouse no sentido de manter a decisão que não homologou a compensação, sob a seguinte fundamentação: “É inequívoco, portanto, que sua pretensão é que este Colegiado, substituindo a DRF/CTA, analise os esclarecimentos e, com base na nova natureza atribuída ao crédito (saldo negativo de IRPJ ou CSLL, conforme o PAF), emita um novo despacho decisório com conteúdo material distinto daquele combatido. Contudo, tal pretensão não encontra condições de ser satisfeita, porquanto a competência para apreciar originariamente o pedido de restituição e/ou a compensação e deferila/homologála é exclusiva das DRF e congêneres, a teor do art. 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04/03/2009, e também no art. 47 da Instrução Normativa n° 600, de 28/12/2005.” Em seguida faz extensa análise das competências da DRF e da DRJ. Assim passo a uma breve análise. Compulsando as declarações de demais elementos trazidos ao processo, parece crivel as alegações feitas pela ora Recorrente de que houve erro no preenchimento da DCOMP, tendo esse crédito composto o saldo negativo daquele anocalendário, motivo pelo qual o sistema da RFB, ao analisar a compensação pleiteada, informou que o montante já havia sido utilizado. Por sua vez o acórdão da DRJ deve ser afastado in totum. Cabe sim a DRJ analisar a decisões da DRF, sobretudo as que se deram de forma automática, devolvendo o processo para uma instrução complementar, pois sem uma análise minuciosa do direito creditório da Recorrente o Fisco poderia levála ao recolhimento de valores por vezes indevidos. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.910464/200930 Resolução nº 1802000.471 S1TE02 Fl. 7 6 A PER/DCOMP não pode / deve ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., para que se busque a verdade material. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Ocorre que essa opção na presente sistemática de compensação não é facultada ao Contribuinte. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação PER/DCOMP, que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.910464/200930 Resolução nº 1802000.471 S1TE02 Fl. 8 7 suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento não devolveu o processo para que a DRF fizesse uma análise do direito creditório da Recorrente, a luz do que havia sido alegado na Manifestação de Inconformidade. Com efeito o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.910464/200930 Resolução nº 1802000.471 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Assim sendo, converto o presente julgamento em diligência determinando a remessa dos presentes autos à unidade origem, a fim de que aquela unidade: a) verifique a luz da documentação acostada ao processo, bem como intime o contribuinte a trazer aos autos provas complementares que julgar necessária para que comprove o crédito alegado, a exemplo dos balancetes do período, memórias de cálculo e demais documentos contábeis ou fiscais que demonstrem a validade do crédito pleiteado, de forma a dar suporte adicional ao constante na DIPJ. b) verificar se o crédito arguido pela Recorrente não foi utilizado para a quitação de débito anterior; c) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10925.905071/2012-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 71 /2 01 2- 74 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905071/201274 Acórdão n.º 3801002.853 S3TE01 Fl. 58 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905071/201274 Acórdão n.º 3801002.853 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905071/201274 Acórdão n.º 3801002.853 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905071/201274 Acórdão n.º 3801002.853 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905071/201274 Acórdão n.º 3801002.853 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905071/201274 Acórdão n.º 3801002.853 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11077.000519/2005-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/06/2005
MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPORTAÇÃO REGULAR.
Constitui infração às medidas de controle fiscal adquirir, transportar, vender, expor à venda, ter em depósito, possuir ou consumir cigarros de procedência estrangeira sem documentação que comprove a regularidade da importação, sujeitando o infrator, independentemente da sanção penal, à multa regulamentar prevista no art. 3°, parágrafo único, do Decreto-Lei n° 399/68, com a redação dada pelo artigo 78 da Lei n° 10.833/03.
TRANSPORTADOR DE PASSAGEIROS. BAGAGEM NÃO IDENTIFICADA. PRESUNÇÃO DE PROPRIEDADE.
Para efeitos fiscais, presume-se do transportador de passageiros, em viagem que transite por zona de vigilância aduaneira, a mercadoria transportada sem identificação do proprietário, conforme estabelece o artigo 74 da Lei n° 10.833/2003.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2.
À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário
Recurso Voluntário conhecido em parte e, na parte conhecida, Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama..
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente REUNIDAS TRANSPORTES COLETIVOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/06/2005 MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPORTAÇÃO REGULAR. Constitui infração às medidas de controle fiscal adquirir, transportar, vender, expor à venda, ter em depósito, possuir ou consumir cigarros de procedência estrangeira sem documentação que comprove a regularidade da importação, sujeitando o infrator, independentemente da sanção penal, à multa regulamentar prevista no art. 3°, parágrafo único, do DecretoLei n° 399/68, com a redação dada pelo artigo 78 da Lei n° 10.833/03. TRANSPORTADOR DE PASSAGEIROS. BAGAGEM NÃO IDENTIFICADA. PRESUNÇÃO DE PROPRIEDADE. Para efeitos fiscais, presumese do transportador de passageiros, em viagem que transite por zona de vigilância aduaneira, a mercadoria transportada sem identificação do proprietário, conforme estabelece o artigo 74 da Lei n° 10.833/2003. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2. À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário Recurso Voluntário conhecido em parte e, na parte conhecida, Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 7. 00 05 19 /2 00 5- 33 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a constituição de crédito tributário no valor de R$ 12.000,00, referente à multa exigida por infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em tela, assim como do auto de infração e termo de apreensão e guarda fiscal n° 1010953/25310/05 no qual se embasou, que, em operação realizada pela Polícia Rodoviária Federal do Rio Grande do Sul, em 17/06/2005, foram encontrados 6.000 maços de cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória de sua regular importação. Os cigarros se encontravam no bagageiro do ônibus de placas LZT5654, de propriedade da autuada, sem identificação do proprietário. Inicialmente foram conduzidas algumas passageiras do ônibus à Polícia Federal, contudo não se comprovou a propriedade dos cigarros irregulares. Em razão de os cigarros apreendidos não estarem com os proprietários devidamente identificados, a fiscalização presumiu que os mesmos eram de propriedade da empresa transportadora, como determinado no artigo 74 da Lei n° 10.833/2003. Declarada a pena de perdimento das mercadorias apreendidas (fl.86), a fiscalização lavrou auto de infração para exigência da multa prevista no parágrafo único do artigo 3° do Decretolei n° 399/1968 com a redação dada pelo artigo 78 da Lei n° 10.833/2003. Regularmente cientificada por via postal (AR à folha 56) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 57 a 64, anexando os documentos de folhas 65 a 73. A impugnante alega nulidade do auto de infração embasando seu argumento na tese de que à Administração cabe o poder de polícia e não ao particular, portanto não pode fiscalizar as bagagens dos viajantes. Alega ainda, que não se observou o princípio da proporcionalidade da sanção. Defendese contra o mérito da autuação, repetindo a tese de que a ela não caberia a verificação das bagagens dos passageiros e sim à fiscalização, sobretudo porque não havia indícios de serem mercadoria importada irregularmente. Neste aspecto defende que, se a fiscalização liberou as mercadorias quando de sua entrada no país, é de presumir que essa esteja regular. Alega que não pode responder por infração que derivou da ausência de fiscalização da aduana quando do ingresso das mercadorias pela fronteira brasileira. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11077.000519/200533 Acórdão n.º 3202001.171 S3C2T2 Fl. 168 3 Reproduz julgado do Conselho de Contribuintes, do Recurso n° 118.227, processo n° 301.10925/000522/96.59, sessão de 27/02/1997, Acórdão 30128.296, que decidiu pela ausência de sua responsabilidade, como empresa de transporte rodoviário de passageiros, pelas infrações cometidas por estes (passageiros). Requer a decretação de improcedência do auto de infração.” A DRJFlorianópolis/SC julgou procedente o lançamento (efls. 96/100), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/06/2005 MULTA REGULAMENTAR Constitui infração às medidas de controle fiscal a posse de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitandose o infrator à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos. TRANSPORTADOR DE PASSAGEIROS. BAGAGEM NÃO IDENTIFICADA. PRESUNÇÃO DE PROPRIEDADE. Presumese do transportador de passageiros, em viagem internacional, para efeitos fiscais, a mercadoria transportada sem identificação do proprietário, conforme artigo 74 da Lei n° 10.833/2003. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 102/121), alegando, em síntese: a) Ilegalidade da exigência de identificação dos proprietários das mercadorias e dos passageiros e inaplicabilidade, ao caso, das disposições dos arts. 74 e 75 da Lei nº 10.833/2003, em face da inexistência de transporte internacional ou em zona de vigilância aduaneira: que a autuação teve por base a presunção legal de que a Recorrente é responsável, para efeitos fiscais, pelas mercadorias encontradas em seu veículo de transporte, nos termos do art. 74 da Lei nº. 10.833/20036. Entretanto, para aplicação regular dessa presunção, é necessário que o transporte em questão seja internacional ou que transite por zona de vigilância aduaneira, que a recorrente não estava realizando viagem internacional e nem em zona de vigilância aduaneira, razão pela qual não estava obrigada a identificar os donos das bagagens. Afirma que o transporte de passageiros foi efetuado na linha ErechimSão Borja, o que, logo de pronto, afasta a realização de transporte internacional. Alega, ainda, que o transporte também não foi efetuado em zona de vigilância aduaneira, visto que, à época dos fatos, estava em vigor o Anexo I da Portaria nº. 1.096, de 17/05/2005, a qual não indica que as cidades de Erechim e São Borja sejam classificadas como zona de vigilância aduaneira; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 que, diante da ausência de disposição expressa na legislação no sentido de que as cidades seriam uma zona de vigilância aduaneira, concluise que não havia, e ainda não há ,autorização para que a autoridade Autuante exija da Recorrente a individualização das bagagens e seus respectivos proprietários, na forma dos arts. 74 e 75 da Lei nº 10.833/2003, especialmente para aplicar a presunção do par. 3. do art. 74. Desta forma, a autuação teve por base pressuposto de fato inexistente; b) Ilegalidade e inconstitucionalidade da multa imposta à recorrente: que, conforme se observa do Auto de Infração expedido contra a Recorrente, no que se refere à aplicação da multa imposta pelas mercadorias indevidamente importadas, o fundamento legal utilizado foram os arts. "538, 539, 540, 541, 621 e 632 do Decreto n o 4.543/02. Art. 30, parágrafo único do Decretolei n o 399/68 com a redação dada pelo art. 78 da Lei n o 10.833/03, combinado com o art. 74 da Lei n o 10.833/2003"; que não há em qualquer dos dispositivos legais indicados, autorização para lançamento de "multa regulamentar" no que se refere aos materiais diversos de cigarros, de forma que não há fundamentação legal para estas mercadorias; que a substituição legal do sujeito passivo da obrigação, através de presunção, somente possui lugar quando não for possível identificar o efetivo proprietário das mercadorias. Havendo identificação, o lançamento deve se dar na forma do art. 142 do CTN. que o artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal, reserva à legislação complementar a instituição das normas gerais de obrigação tributária, razão pela qual, para que a recorrente seja pessoalmente responsabilizada por multa que é efetivamente devida por terceiros, é necessário que este tipo de obrigação esteja disciplinado em legislação complementar, não podendo, portanto, ser prevista em lei ordinária. Na verdade, a presunção e responsabilização criadas pelo § 3º do art. 74 da Lei nº 10.833/03 contraria o art. 137 do CTN, sendo ilegal e inconstitucional. Ao final, requereu a procedência do recurso interposto, para que seja cancelado o débito integralmente. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 03/10/2005, em face da contribuinte REUNIDAS TRANSPORTES COLETIVOS, para imposição da multa capitulada no art. 3°, parágrafo único, do DecretoLei n° 399/68, com a redação dada pelo artigo 78 da Lei n° 10.833/03, decorrente da apreensão de maços de cigarros de procedência estrangeira, encontrados no interior do ônibus de propriedade da autuada, Placa LZT 5654, sem a comprovação da sua regular importação. O citado Decretolei assim dispõe em seus artigos 2º e 3º: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11077.000519/200533 Acórdão n.º 3202001.171 S3C2T2 Fl. 169 5 Art. 2º. O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de controle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art.. 3º. Ficam incursos nas penas previstas no artigo 344 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem qualquer dos produtos nele mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. No caso em questão, em razão de os cigarros apreendidos estarem no compartimento de bagagens do ônibus sem a devida identificação dos proprietários, utilizouse a autoridade fiscal da presunção legal disposta no §3º do art. 74 da Lei nº. 10.833/2003, que assim dispõe: Art. 74. O transportador de passageiros, em viagem internacional, ou que transite por zona de vigilância aduaneira, fica obrigado a identificar os volumes transportados como bagagem em compartimento isolado dos viajantes, e seus respectivos proprietários. § 1º No caso de transporte terrestre de passageiros, a identificação referida no caput também se aplica aos volumes portados pelos passageiros no interior do veículo. § 2º As mercadorias transportadas no compartimento comum de bagagens ou de carga do veículo, que não constituam bagagem identificada dos passageiros, devem estar acompanhadas do respectivo conhecimento de transporte. § 3º Presumese de propriedade do transportador, para efeitos fiscais, a mercadoria transportada sem a identificação do respectivo proprietário, na forma estabelecida no caput ou nos §§l e 2 deste artigo. (Destaques não constantes do original.) Alega a recorrente que a presunção legal estabelecida no §3º do art. 74 da lei nº. 10.833/2003 não seria aplicável ao caso, visto que o ônibus percorria a linha Erechim/São Borja, não se tratando, pois, de viagem internacional, tampouco de trânsito por zona de vigilância aduaneira. Equivocase, porém, a querelante, em relação ao dispositivo legal que indica como sendo aquele no qual se teriam demarcadas as zonas de vigilância aduaneira, qual seja, a Portaria SRF nº. 1.096, de 17/05/2005. Tal Portaria apenas estabelece a área de jurisdição fiscal das Unidades Administrativas da Secretaria da Receita Federal, quais sejam, as Delegacias, Inspetorias, Alfândegas e Agências, em nada se relacionando às zonas de vigilância aduaneira. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Estas, por sua vez, encontravamse demarcadas, à época dos fatos, por meio da Portaria CSF nº. 28, de 27/07/1981, publicada no DOU de 29/07/1981, tendo sido revogada pela Portaria COANA nº. 17, de 05/08/2010. Na referida Portaria, podese ver, com clareza, que ali estão incluídas as cidades de Erechim e São Borja, no estado do Rio Grande do Sul. Desta forma, caem por terra todas as alegações da recorrente relacionadas à inaplicabilidade do dispositivo legal supramencionado bem como à inexistência de previsão legal para a exigência perpetrada. Quanto às alegações relativas à ilegalidade e inconstitucionalidade da lei nº. 10.833/2003, temse que, havendo previsão legal para a aplicação da multa, argumentos relativos à inconstitucionalidade de lei não devem ser objeto de apreciação pela autoridade administrativa julgadora. Isto porque, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade da lei por este Poder, esta gozará de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, será válida e terá aplicação cogente em todo o território nacional. Por oportuno, temse que tal questão encontrase sumulada no âmbito deste CARF: Súmula CARF nº.2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Demais disso, é vedado às Turmas do CARF afastar a aplicação de lei ao argumento de inconstitucionalidade, conforme dispõe do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, nada há que se reparar na decisão administrativa de primeira instância, devendo ser mantida integralmente o lançamento efetuado. Pelo exposto, CONHEÇO EM PARTE do recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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