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Numero do processo: 10932.720120/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
RECURSO INTEMPESTIVO.
Reconhece-se a intempestividade do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
INTIMAÇÃO VIA POSTAL. NÃO OBRIGATORIEDADE.
Não há obrigatoriedade de ciência via postal, quando restou comprovada a ciência por meio eletrônico. O Decreto que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal não estabelece ordem ou preferência entre as ciências pessoal, postal ou eletrônica.
Numero da decisão: 1301-003.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso somente em relação a preliminar de sua tempestividade, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
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Reconhecese a intempestividade do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. NÃO OBRIGATORIEDADE. Não há obrigatoriedade de ciência via postal, quando restou comprovada a ciência por meio eletrônico. O Decreto que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal não estabelece ordem ou preferência entre as ciências pessoal, postal ou eletrônica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso somente em relação a preliminar de sua tempestividade, e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 20 /2 01 5- 54 Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10932.720120/201554 Acórdão n.º 1301003.678 S1C3T1 Fl. 2.483 2 (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de lançamento de IRPJ e CSLL, referente ao ano calendário 2010, em razão de glosa de custos contabilizados com base em documentação inidônea, conforme Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 11371154. Da Autuação Por bem descrever as acusações da autoridade fiscal, transcrevemse os seguintes trechos do TVF (fls.1138 e 1152): 1.9. A empresa SOHO & BR1GHTON simulava comprar mercadorias e/ou matériasprimas de empresas que atuavam como pseudofornecedoras, as chamadas "noteiras", que não possuíam existência de fato, conforme comprovado pelo trabalho do Escritório de Pesquisa e de Investigação da 7a Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, através de diligências "in loco" a serem mostrados ao longo desse Termo. Nessa acepção fática, a SOHO & BRIGHTON transacionou fictamente com empresas inexistentes, totalizando mais de R$ 27 milhões em 2010 em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta. (...) O contribuinte em epígrafe escriturou em sua contabilidade compras de fornecedores adquiridas através de notas fiscais inidôneas, assim consideradas por terem sido emitidas por empresas que se apresentam com seus registros irregulares nos órgãos competentes, e por serem inexistentes de fato, conforme descrito anteriormente. Intimado e reintimado a comprovar através de documentos hábeis e idôneos a efetividade das operações mercantis, o contribuinte não apresentou comprovantes de pagamentos e nem outros elementos que pudessem dar validade e que pudessem comprovar a veracidade e a materialidade de suas aquisições de mercadorias dos fornecedores. A empresa informou em DIPJ que apurava o imposto de renda com base no lucro real. A base de cálculo das infrações foi calculada a partir das notas fiscais de entrada extraídas do SPEDNFe, complementada com tabela apresentada pelo contribuinte (fl.1151). Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10932.720120/201554 Acórdão n.º 1301003.678 S1C3T1 Fl. 2.484 3 O crédito tributário lançado a título de IRPJ e CSLL foi de R$ 27.833.474,55, acrescido de multa de ofício qualificada (150%) e de juros moratórios. Também foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais. Não foram indicados responsáveis solidários. Da Impugnação Houve ciência pessoal do auto de infração em 14/12/2015. A empresa apresentou impugnação ao lançamento onde alegou: 1. A inidoneidade das empresas fornecedoras só veio a ser declarada em 2011, sendo que as Notas emitidas em 2010 não poderiam ser consideradas inidôneas, prevalecendo a boa fé da impugnante; 2. A impugnante logrou demonstrar a veracidade das aquisições, trazendo aos autos cópias das duplicatas liquidadas, bem como os registros de entrada, documentos cuja validade não restou controvertida; 3. Houve decadência do direito de lançamento dos tributos de janeiro a dezembro de 2010; 4. A multa de 150% deve ser reduzida pelo seu caráter confiscatório, contrariando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. A impugnação foi conhecida e julgada improcedente, através do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO A FORNECEDORES. Havendo nos autos fortes indícios de que os documentos que embasaram a dedução de custos são inidôneos, cabe ao contribuinte demonstrar que a mercadoria ou matériaprima foi efetivamente adquirida, sendo legítima a exigência da prova do pagamento aos fornecedores e demais elementos de ordem contábil, fiscal e empresarial que atestem inequivocamente a ocorrência das operações comerciais. MULTA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. A ofensa a princípios constitucionais, como o do “não confisco”, não é enfrentada pelos órgãos da administração federal, sendo matéria própria do Poder Judiciário o controle de constitucionalidade das leis, até então consideradas presumidamente constitucionais até manifestação em contrário do STF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado nos autos que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10932.720120/201554 Acórdão n.º 1301003.678 S1C3T1 Fl. 2.485 4 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. Nas hipóteses de não ocorrência de pagamento antecipado ou quando observada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a regra para contagem do prazo decadencial é aquela estabelecida pelo art. 173, I do CTN. Da Petição para Devolução do Decurso de Prazo À folha 2419, consta Termo de Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo, referente ao acórdão de impugnação. O Termo atesta a ciência em 06/04/2017. À folha 2422, foi lavrado Termo de Perempção. Em 04/07/2017, foi protocolada petição, onde se requer a devolução de prazo para apresentar recurso voluntário. Nesta petição, o procurador alega que: A intimação nº 0703/2017 (fl. 2417) deveria ter sido enviada e postada com Aviso de Recebimento AR devidamente comprovado, ao endereço constante da intimação, onde o requerente iria ser intimado via postal e por AR, da decisão do referido acórdão; Todavia a intimação não foi enviada via postal e não há nenhuma comprovação por AR, tendo ocorrido nulidade processual; Não houve nova tentativa de intimar o contribuinte no endereço de seu único sócio; No processo nº 10932.720068/201617, da mesma empresa, houve intimação na pessoa do sócio e anexou documentos que comprovam tal fato; Neste processo também deveria ter sido a intimação enviada via postal com AR, no endereço do Requerente conforme contrato social, de forma a garantir o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal; Nos termos do art. 23, II do Decreto 70.235/72 bastaria que a intimação tivesse sido feita pelos Correios, com AR e apresentou jurisprudências; A juntada do AR é formalidade essencial para validade do procedimento; Incumbe a União demonstrar que realizou regularmente a notificação via postal; Sem a prova do AR, não se tem a certeza da própria notificação por carta; Por fim, requereu a devolução do prazo recursal de 30 (trinta) dias. Do Recurso Voluntário Em 25/07/2017, o contribuinte interpôs recurso voluntário, conforme Termo de Solicitação de Juntada (fl.2440). Apresenta preliminar de tempestividade, onde declara que foi requerido devolução do prazo recursal em 04/04/2017 sob o argumento de que não houve citação por via postal, e portanto, o termo a quo para a contagem do prazo recurso seria quando o contribuinte visualizou o documento no eCAC em 29/06/2017, e encerrarseia o Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 10932.720120/201554 Acórdão n.º 1301003.678 S1C3T1 Fl. 2.486 5 prazo para entrar com o recurso em 29/07/2017. Logo, seria tempestivo o recurso apresentado em 25/07/2017. Em relação ao mérito, a empresa argumenta que: as operações comerciais realizadas no período ocorreram em estreita observância à legislação tributária vigente, que as empresas emissoras das notas fiscais estavam ativas e que os documentos emitidos tinham total autorização da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo; Não havia como a Recorrente saber que as empresas (GOODMETAL e LEVAL) viriam posteriormente a ser consideradas inidôneas; A declaração de inidoneidade foi posterior às operações realizadas e que, à época dos fatos, as empresas estavam aptas e habilitadas a fornecer materiais e emitir notas fiscais; Houve cerceamento do direito de defesa, porque as autoridades fiscais teriam indeferido pedido de prazo para juntada de novos documentos; Citou o princípio da oficialidade, da boafé; Não é do comprador a obrigação quanto à veracidade dos fatos declarados pelo vendedor e que não é substituto do Fisco; A declaração de inidoneidade não deve retroagir a fatos anteriores; A glosa só seria cabível se já existisse algum comunicado oficial da DEATG informando aos contribuintes que as empresas estavam impedidas de operar e que os documentos por ela emitidos seriam inidôneos; Demonstrou a veracidade das aquisições, trazendo aos autos cópias das duplicatas liquidadas, bem como registros de entrada, documentos cuja validade não restou controvertida; Apresentou jurisprudência do STJ sobre a responsabilidade do adquirente; Argúi prescrição intercorrente, cita o art.173 do CTN, e alega que a Fazenda Pública paralisou o andamento do processo por mais de 5 anos ou proferiu decisão após o prazo quinquenal, a contar de sua entrada no órgão julgador; Argúi decadência, posto que o lançamento foi efetuado apenas em 09/11/2016; Questiona a qualificação da multa, uma vez que não restou configurado o intuito de fraude, bem como sua desproporcionalidade; Ao final, requer que sejam anulados os autos de infração de IRPJ e CSLL, em razão da regularidade das operações, ou subsidiariamente, que seja reconhecida a decadência, que seja determinada diligência para que a Delegacia de São Bernardo do Campo/SP conceda o prazo requerido em 09/12/2015, indeferido pela fiscalização, ou que ao menos, seja reduzida a Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 10932.720120/201554 Acórdão n.º 1301003.678 S1C3T1 Fl. 2.487 6 multa de ofício em razão de seu caráter confiscatório. Acrescenta que, caso necessário, fará prova de todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. Da Legitimidade para Recorrer Inicialmente cumpre observar que tanto o recurso voluntário, quanto a petição para devolução de prazo, foram assinados pelo procurador Dr. Francisco Vacio Coelho Beserra, e tiveram sua solicitação de juntada efetivada através do eCAC, com certificação digital em nome da empresa recorrente. Apesar de não constar cópia de procuração específica do signatário das petições, a legitimidade para interpor o recurso resta demonstrada uma vez o documento foi juntado pela própria empresa através de certificado digital, conforme Termo de Solicitação de Juntada de folha 2440. A IN RFB nº 1.412/2013, vigente à época da interposição do recurso, disciplinava a entrega de documentos digitais nos seguintes termos: Art. 2° A entrega de documentos digitais na forma prevista no art. 1º será efetivada por solicitação de juntada a processo digital ou a dossiê digital de atendimento, por intermédio da utilização do Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS) ou mediante atendimento presencial nas unidades de atendimento da RFB.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º Para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a entrega de documentos será realizada obrigatoriamente no formato digital de que trata o art. 1º, mediante a utilização do PGS. .... DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 10932.720120/201554 Acórdão n.º 1301003.678 S1C3T1 Fl. 2.488 7 Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS.(grifei) Nesse sentido, temse que o recurso foi apresentado através do eCAC, pela própria empresa autuada, com assinatura digital válida nos termos do art.3º da citada instrução normativa. Superada a questão da legitimidade do Recorrente, posto que o recurso foi apresentado e assinado digitalmente pelo próprio sujeito passivo, passase à análise da questão da tempestividade. Da Preliminar de Tempestividade Antes da apresentação do recurso voluntário, o sujeito passivo peticionou ao Delegado da Receita Federal do Brasil da Derat/SP a devolução do prazo para recorrer, sob o argumento de que não foi cientificado via postal, com comprovação através de Aviso de Recebimento AR. Já no recurso, o contribuinte cita a petição de fls.24262439, e defende que em face de não ter sido cientificado via postal, deve ser considerado como termo a quo para contagem de prazo de 30 trinta dias para interposição do recurso voluntário, a data da abertura dos documentos no eCAC. Esta data seria 29/06/2017, conforme consta do Termo de Abertura de Documento à folha 2423. É de se observar que a ciência foi realizada eletronicamente através do Domicílio Tributário Eletrônico DTE do contribuinte, após o decurso de prazo de 15 (quinze) dias da disponibilização dos documentos em sua Caixa Postal, módulo eCAC, com base alínea 'a', inciso III, § 2º, do artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10932.720120/201554 Acórdão n.º 1301003.678 S1C3T1 Fl. 2.489 8 (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;(grifei) A data da ciência eletrônica pelo decurso do prazo de 15 dias da disponibilização dos documentos ocorreu em 06/04/2017, conforme Termo de fl.2419. Vide tela abaixo: Com efeito, a abertura dos documentos aconteceu apenas em 29/06/2017, em data posterior aos 15 dias da disponibilização dos documentos. A alínea 'b' do inciso III do § citado artigo 23, prevê que a data em que os documentos foram acessados deverá ser considerada como o termo a quo para a contagem do prazo para interposição do recurso, apenas se tal fato ocorrer antes de transcorrido o prazo definido na alínea 'a'. Considerase, portanto, como data da ciência do acórdão de impugnação e termo inicial para interposição do recurso voluntário o dia 06/04/2017. A interposição do recurso voluntário se deu em 25/07/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada de folha 2440. Nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, o prazo para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias, in verbis: Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10932.720120/201554 Acórdão n.º 1301003.678 S1C3T1 Fl. 2.490 9 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Logo, resta comprovada a INTEMPESTIVIDADE do recurso voluntário. Vale ressaltar que o art.23 abre a possibilidade de três formas de intimação, a pessoal, a via postal e a por meio eletrônico, não estabelecendo qualquer ordem de preferência entre elas. Se restar improfícua a intimação por quaisquer das três formas, deverá ser o contribuinte cientificado por edital. Também não há qualquer previsão ou obrigatoriedade de que após a tentativa frustrada por uma das três formas, se tente uma outra forma de intimação, diferente do edital. Sendo assim, o Decreto nº 70232/75, que disciplina o processo administrativo fiscal, não prevê qualquer obrigatoriedade de intimação por via postal. É verdade que o Recorrente apresentou petição, onde apontou que em outro processo administrativo de nº10932.720068/201617, houve a intimação via postal na pessoa do único sócio. Entretanto, naquele processo, o sócio foi apontado como responsável solidário, e diferentemente, nos presentes autos não consta termo de sujeição passiva solidária. No que diz respeito ao Domicílio Tributário Eletrônico, a Unidade de Origem instruiu os autos com a comprovação da opção do contribuinte pelo DTE em 29/07/2016 (fl.2476), que ocorreu quase um ano antes da intimação por este meio. Acrescentese que o contribuinte tinha pleno acesso ao Portal eCAC, tanto que se utilizou do ambiente para a juntada da petição e do recurso sob análise. A Portaria SRF nº 259, de 13/03/2006, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 574, de 10/02/2009, define a forma como se processará a autorização dos contribuintes para a intimação por meio de seu endereço eletrônico em seu artigo 4º: Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009)(grifei) A autorização para intimação no Domicílio Tributário Eletrônico, portanto, é efetuada por meio de um documento eletrônico, denominado Termo de Opção, no próprio Portal eCAC (Centro Virtual de Atendimento), não sendo esta operação formalizada em Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10932.720120/201554 Acórdão n.º 1301003.678 S1C3T1 Fl. 2.491 10 documentos apresentados em meio papel. Como já mencionado, esta autorização foi efetivada em 29/07/2016, com comprovante nos autos. Neste diapasão, temse que o recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão de impugnação, razão pela qual afigurase intempestivo. Diante de todo o acima exposto, considerando que não foi cumprido o prazo estabelecido no art.33 do Decreto nº 70232/75, voto por conhecer do recurso somente em relação a preliminar de sua tempestividade, e na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 2491DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.721946/2014-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 29/02/2012 a 31/03/2013
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR DA EXAÇÃO.
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário às empresas integrantes daquele grupo, conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/91.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, na forma dos artigos 35-A da Lei 8.212/91 e 9º da Lei 10.426/2002.
Numero da decisão: 2402-006.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário apresentado pela autuada para, na parte conhecida, negar-lhe provimento; e, também por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apresentado por V.G. Metalúrgica Ltda. e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR DA EXAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário às empresas integrantes daquele grupo, conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, na forma dos artigos 35A da Lei 8.212/91 e 9º da Lei 10.426/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário apresentado pela autuada para, na parte conhecida, negar lhe provimento; e, também por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apresentado por V.G. Metalúrgica Ltda. e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 19 46 /2 01 4- 09 Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.113 2 Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foram lavrados Autos de Infração para cobrança das contribuições previdenciárias em função de pagamentos a empregados, remuneração a administradores e outros profissionais sem vínculo empregatício não recolhidas ou declaradas em GFIP, no período de 02/2012 a 03/2013 e falta de recolhimento das retenções destacadas em notas fiscais de prestação de serviços. O contribuinte é uma empresa de fabricação de peças e acessórios para veículos automotores. Informa a autoridade autuante que as contribuições, cota patronal, parte retida dos funcionários e devidas a terceiros teriam sido apropriadas contabilmente (a recolher) e levadas a resultado. Foi ainda considerado no lançamento, a retenção de 11% sobre faturas de prestação de serviços com cessão de mão de obra sem destaque da retenção. Os lançamentos podem ser assim resumidos: DEBCAD 51.038.5974 cota patronal sobre remuneração aos segurados que lhe prestam serviços; DEBCAD 51.038.5982 retenção dos segurados empregados; DEBCAD 51.038.5990 contribuição dos segurados contribuintes individuais; DEBCAD 51.038.6008 11% sobre notas de prestação de serviços (não destacado); e DEBCAD 51.038.6014 11% sobre notas de prestação de serviços (parcela retida). No lançamento, o Fisco considerou a desoneração sobre a folha com relação aos produtos alcançados pela legislação, a partir do respectivo código NCM, a teor dos artigos 7º e 8º da Lei 12.546/2011. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.114 3 Para fixação do percentual mensal de substituição foi elaborada tabela com faturamento por código de produto, resultando na seguinte conclusão: Foi atribuída responsabilidade solidária à empresa V.G. Metalúrgica LTDA, CNPJ 14.681.661/00134, na forma do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, de fls. 26/28, cuja ciência foi dada a sua administradora em 28.4.14. A autuada impugnou às fls. 1018/1024, quando sustentou, em síntese: No que toca à exclusão da devedora solidária. Que a VG METALÚRGICA LTDA assumira a responsabilidade pela folha de pagamento da autuada somente em abril de 2013, como pode ser constatado pelas GFIP, nas quais houvera a transferência dos funcionários da autuada para aquela solidária, além do quê, não haveria vínculo societário entre as empresas. Da sede da autuada. Que o imóvel não é um galpão vazio, pois estaria alugado em seu nome, possuindo equipamentos, mesas e armários em seu interior, encontrandose geralmente fechado, pois então as atividades não demandariam a presença dos responsáveis durante todo o horário comercial. Que a multa de ofício deve ser reduzida de 75% para 20%, eis que não houve máfé, na medida em que os valores devidos estavam devidamente informados/declarados em GFIP, tendo havido mero inadimplemento. Que nas notas fiscais emitidas pela Águia Turismo Ltda, nos meses de 02/2012 a 03/2013, não teria havido discriminação da retenção. Que não houve pagamento de prólabore a qualquer dos diretores da autuada, não havendo que se falar em falta de contribuição sobre tais valores. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.115 4 Quanto à desoneração, especificamente: I) dezembro de 2012: houve faturamento, contudo deveria ter havido 100% de desoneração, conforme comprova o livro RAIPI. II) fevereiro de 2013: houve faturamento, contudo as devoluções foram maiores, deveria ter havido 100% de desoneração, conforme comprova o livro RAIPI. III) março de 2013: não houve faturamento, somente ocorreram devoluções. Desta forma, por medida de direito, deveria ter havido 100% de desoneração, conforme comprova o livro RAIPI. A então solidária insurgiuse contra o lançamento às fls. 1033/1037, quando aduziu, em resumo: Que assumira a responsabilidade pela folha de pagamento da autuada somente em abril de 2013, como pode ser constatado pelas GFIP, nas quais houvera a transferência dos funcionários da autuada para a ora impugnante, além do quê, não haveria vínculo societário entre as empresas. Que a multa de ofício deve ser reduzida de 75% para 20%, eis que não houve máfé, na medida em que os valores devidos estavam devidamente informados/declarados em GFIP, tendo havido mero inadimplemento. A DRJ, às fls. 1071/1077, julgou improcedente a impugnação na sessão de 28.8.15. A autuada apresentou Recurso Voluntário às fls. 1102/1108, reiterando os argumentos de sua Impugnação. A solidária, às fls. 1093/197, repisando os termos de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A autuada tomou ciência do acórdão de piso em 8.3.16 (fls. 1090) e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 18.3.16 (fls. 1101). Preenchido os demais requisitos, dele passo a, parcialmente, conhecer, consoante a diante abordado. Não consta dos autos, a data da ciência inequívoca da solidária, que apresentou seu Recurso Voluntário também em 18.3.16 (fls. 1091/1092). Todavia, em prestígio à ampla defesa e ao contraditório, assim como considerando o fato de ambas as peças terem sido subscritas pelo mesmo patrono e por falta de comprovação de sua intempestividade, passo a conhecer do recurso. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.116 5 De início, passo a abortar a matéria atinente à multa de oficio, eis que comum a ambos os recursos. Os lançamentos valeramse do disposto no artigo 35A da Lei 8.212/91 e artigo 9º da Lei 10.426/2002, combinados com o 44, I, da Lei 9.430/96, que assim estabelecem: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Logo, todas as multas de oficio deramse no seu patamar mínimo de 75%, não havendo que se falar em qualquer imputação pelo autuante de máfé no que toca à conduta da autuada. Como noticiado no Relatório Fiscal, referidos valores não teriam sido declarados em GFIP, além de não ter sido evidenciada a comprovação dos pagamentos/ recolhimentos correspondentes. O mesmo se aplica às retenções de 11% não promovidas ou não recolhidas, por força do artigo 9º encimado. Não obstante a argumentação do autuado de que os valores haviam sido declarados em GFIP, não apresentou, em sua impugnação, a comprovação do alegado, no sentido de que referidos valores, uma vez confessados, estariam, de plano, sujeitos à cobrança automática administrativa, sem que fosse necessário qualquer procedimento fiscal. Nessa esteira, o lançamento da multa de oficio, por força dos dispositivos encimados, dos artigos 136 e 142, ambos do CTN, bem como em obediência ao princípio da legalidade, é um imperativo. Sem reparos, pois, no lançamento. Por sua vez, no que diz respeito as notas fiscais emitidas pela Águia Turismo Ltda, nos meses de 02/2012 a 03/2013, aduz o recorrente que não teria havido discriminação da retenção. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.117 6 Vejase, a falta do destaque pelo prestador em sua nota emitida não desincumbe o tomador de efetuar a retenção a que alude o artigo 31 da Lei 8.212/91, em função do que dispõe o §5º do artigo 33 do mesmo diploma. 1 Quanto ao argumento de que não teria efetuado pagamento de prólabore a qualquer dos seus diretores, vale ressaltar que as cópias, bastante ilegíveis, digase de passagem, acostadas as fls. 1051 e 1052 aparentam retratar tão somente o resumo de sua folha de pagamento dos meses de fevereiro e março de 2012. Por outro lado, o autuante considerou, no lançamento, valores de prólabore no importe mensal de R$ 4.273,89 (fevereiro/2012 a setembro/2012) e R$ 4.615,80 (outubro/2012 a março/2013) extraídos da própria folha de pagamento do recorrente, relacionado a Sergio Fusco, como a diante exemplificado. Sem razão o recorrente nesse ponto. Prosseguindo, com relação, especificamente à desoneração, assevera a recorrente que em dezembro de 2012, embora tivesse havido faturamento, a desoneração deveria ter se dado em 100% de sua folha. Sem justificar o motivo de assim entender, acostou à sua Impugnação, cópia do livro RAIPI, que, a rigor, retrata o confronto mensal entre o débito e crédito de IPI, segundo as operações que promovera no mês. Não traz, desta feita, qualquer menção individualizada aos produtos que teriam sido vendidos e/ou retornados em devolução naquele mês de dezembro. O mesmo vale para a alegação relativa ao mês de fevereiro de 2013. O fato de o RAIPI revelar devoluções maiores que o faturamento, não assegura, por si só, que tal circunstância tenha se repetido com relação ao produto desonerado. 1 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.118 7 Ademais, o levantamento do Fisco dá conta de que o faturamento relativo ao produto NCM 87083090 seria aquele que daria ensejo à desoneração da folha do recorrente, na proporção de sua participação no total do faturamento da empresa. Assim, como em fevereiro de 2013 as devoluções desse produto suplantaram o faturamento decorrente da venda do mesmo, não haveria vendas líquidas a dar amparo a desoneração. (vide fls. 695) A mesma sorte se aplicaria ao mês de março de 2013, quando não se evidenciou faturamento com relação a tal produto. Quando a empresa fabrica produtos outros que não somente aqueles contemplados pela lei, deve, a rigor, apurar a contribuição patronal sobre a folha, reduzindoa ao percentual resultante da razão entre a receita bruta não relacionada à fabricação dos produtos contemplados pela lei e a receita bruta total, nos termos do inciso II do § 1º do artigo 9º da Lei 12.546/2011. Logo, o percentual resultante da razão entre a receita bruta relacionada à fabricação dos produtos contemplados pela lei e a receita bruta total deve ser aplicado sobre a contribuição patronal sobre a folha, de forma a se chegar no valor devido ao Fisco. Assim sendo, como, in casu, não teria havido receita bruta relacionada ao produto identificado pela Fiscalização (NCM 87083090), não haveria o que ser comparado com a receita bruta total e, por conseguinte, o que se reduzir da contribuição apurada sobre a folha. Prosseguindo quanto ao recurso da autuada, podese observar alegações no tocante à solidariedade imputada à V.G. Metalúrgica Ltda. Sobre tal aspecto, penso que lhe falece interesse recursal, na medida em que a solidariedade traz para o pólo passivo da obrigação tributária pessoa, por óbvio, diversa da então recorrente, impondose o não conhecimento do seu recurso, nesse ponto. Doutro giro, a solidária veio regularmente aos autos com vistas a questionar referida condição. Em seus argumentos, aduz, podese assim dizer, que assumiu a responsabilidade pela folha de pagamento da autuada somente em abril de 2013, conforme evidenciaria sua GFIP daquele mês, na qual revelaria a transferência, para ela, dos funcionários da autuada, além do quê, não haveria vínculo societário entre as empresas. Pois bem. Conforme se denota do TSPS de fls 05/07, o Fisco considerou, uma vez constatada a existência de grupo econômico à luz do inciso IX, do artigo 30 da Lei 8.212/91, haver solidariedade entre as empresas por força do artigo 124, II do CTN. Para tanto, dedicou um capítulo a parte do extenso Relatório Fiscal para tratar do assunto. Não tenho dúvidas quanto ao acerto da conclusão tomada naquela peça fiscal, alicerçada nas constatações a seguir colacionadas na íntegra: Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.119 8 Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.120 9 Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.121 10 Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.122 11 Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.123 12 Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.124 13 Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.125 14 Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.126 15 Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.127 16 Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.128 17 Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.129 18 Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10865.721946/201409 Acórdão n.º 2402006.902 S2C4T2 Fl. 1.130 19 E assim concluiu o autuante: Os fatos colhidos apontam, indubitavelmente, ao menos em meu sentir, para a existência de grupo econômico suficiente a reclamar a solidariedade da empresa V.G. Metalurgia Ltda na satisfação do crédito tributário então constituído. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER, parcialmente, do recurso da autuada para, na parte conhecida, NEGARLHE provimento; e CONHECER do recurso apresentado por V.G. Metalúrgica Ltda para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 1130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725007/2015-04
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 50 07 /2 01 5- 04 Fl. 128DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013, anocalendário de 2012. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 71.492,70. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos encontramse nos autos. Traz argumentos para sustentar a dedução e cita jurisprudência e doutrina para corroborar os seus argumentos. A DRJ Campo Grande, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito parcial em comprovar seus argumentos eis que o entendimento da DRJ é no sentido claro de que filhos maiores não ensejam dedução de despesas com pensão alimentícia. Principalmente no caso em tela, em que se verifica que além de maiores, com 39 e 43 anos de idade, suas filhas são servidoras publicas, com plena capacidade de prover a mantença própria. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e traz argumentos claros para sustentar o seu pleito. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de maioridade e total e plena capacidade de sua filhas, de 39 e 43 anos de idade, ambas servidoras publicas e absolutamente independente financeiramente. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11080.725007/201504 Acórdão n.º 2001000.869 S2C0T1 Fl. 3 3 II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese a dedução das despesas com pensão alimentícia a filhos maiores, capazes e independente financeiramente (ambas maiores de 40 anos e servidoras publicas). Entendo que são dedutíveis do Imposto de Renda os valores pagos a título de pensão alimentícia para filho, ainda que maior de 21 anos, em acordo homologado pelo Poder Judiciário. No entanto, para isso é necessário que o contribuinte demonstre a necessidade de pagar ainda a pensão, seja por incapacidade de seus dependentes, seja por necessidade financeira dos mesmos. Nessa senda, vale uma reflexão acerca dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade para se decidir sobre o caso em comento. O princípio da razoabilidade é uma diretriz de senso comum, ou mais exatamente, de bomsenso, aplicada ao Direito. Esse bomsenso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais que decorrem do princípio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas, a palavra da lei, que o seu espírito. Enunciase com este princípio que a Administração, ao atuar no exercício de discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional, em sintonia com o senso normal de pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida. Razoabilidade e proporcionalidade constituem instrumentos de controle Fl. 130DF CARF MF 4 de atos estatais abusivos, seja qual for a sua natureza. O princípio da razoabilidade representa, a rigor, uma dimensão concretizadora da supremacia do interesse primário (da coletividade), verdadeiro interesse público, sobre o interesse secundário (Estado). São princípios jurídicos que têm caráter fluído e que convidam o operador do direito a refletir um pouco mais sobre suas próprias práticas, sobre as situações postas e a buscar soluções equilibradas. O princípio da razoabilidade adquire um papel ainda mais forte com a Jurisprudência dos Valores, justamente porque, nesta visão do direito tributário, as idéias de ponderação, de equilíbrio, e de harmonização ganham força e é, através da razoabilidade que se consegue estabelecer balizamentos mínimos quanto ao equilíbrio entre os poderes do Estado. É através da razoabilidade que se vai ponderar entre os princípios da capacidade contributiva/justiça e o da segurança jurídica. Pois bem. Feita esta breve reflexão, questionase: é de bom senso, é razoável que seja paga pensão alimentícia a filhas não apenas maiores de idade, com 39 e 43 anos, mas plenamente capazes, independente financeiramente e com cargos públicos remunerados? Tendo em vista, como muito bem colocado na decisão a quo, que o alimentante tinha pleno direito em pleitear na justiça a descaracterização da obrigação de pagar pensão, seja porque o beneficiário alcançou a maioridade ou que já tenha condições de se manter, mas continua o fazendo sem questionamentos, nos parece mais, realmente, que se tratam tais desembolsos de mera liberalidade, não contemplados pela legislação do Imposto de Renda para sua dedução. Estando evidente, pois, o manifesto descompasso com o binômio possibilidade x necessidade norteador da obrigação no Direito de Família, e pelos motivos acima expostos, bem como todos aqueles colocados na decisão a quo, os quais compartilho e re ratifico, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento fiscal em comento. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a glosa referente a pensão alimentícia. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720134/2015-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013
EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO
Constatada a existência de inexatidão material no acórdão embargado, devem ser acolhidos visando a saná-lo.
NULIDADE. ILICITUDE DAS PROVAS. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. PROVAS INDEPENDENTES.
A inexistência de decisão judicial definitiva declarando a ilicitude das provas obtidas por meio dos mandados de busca e apreensão, bem assim, a existência de provas independentes obtidas no curso dos procedimentos fiscais hábeis a comprovar as infrações apuradas impedem a decretação de nulidade do procedimento fiscal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Desnecessária a realização da diligência requerida posto que nos relatórios anexados aos autos é possível identificar a segregação das provas colhidas no curso do procedimento fiscal das obtidas na operação de busca e apreensão com autorização judicial, inexistindo qualquer ofensa ao direito de defesa da recorrente.
SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Na legislação que trata do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para sobrestamento do processo até análise da licitude das provas obtidas em investigação criminal.
RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN.
A expressão "infração de lei" prevista no art.. 135 do CTN refere-se a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa.
No caso, os agentes fiscais comprovaram infração funcional praticada pelos administradores do grupo, por violação da lei ou do estatuto social.
RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. ART. 124, I DO CTN.
Demonstrada a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas pessoas jurídicas formalmente independentes, porém com administração única, estrutura e atuação operacional comum e confusão patrimonial, procedente a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013
DECADÊNCIA. TRIBUTOS POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I, CTN.
A ausência de pagamento desloca o prazo decadencial dos tributos sujeitos à homologação para o art. 173, I do CTN, independentemente da existência de dolo, fraude ou simulação.
ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Procede o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do Decreto nº 3.000/99, quando comprovado nos autos que o contribuinte deixou de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. COMANDO ÚNICO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Caracterizada a existência de grupo econômico de fato por meio da confusão patrimonial e comando único das empresas do grupo, respondem solidariamente pelo crédito tributário a pessoa jurídica líder e seus sócios administradores.
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. CONDUTA DOLOSA.
A prática reiterada em não efetuar a entrega da Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, bem assim, a falta de entrega das escriturações contábeis digitais caracteriza a conduta dolosa da recorrente e enseja a aplicação da multa qualificada de 150%.
MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. CABIMENTO.
Cabível o agravamento previsto no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/08, face à falta de atendimento à maioria das intimações encaminhadas pela fiscalização à recorrente.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS.
Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção.
ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E PIS.
Embora haja previsão jurisprudencial do STF da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS, no caso em tela, o contribuinte não comprovou que o produto vendido tinha incidência de ICMS para ensejar sua exclusão. Pedido Genérico. Indeferimento.
Numero da decisão: 1301-003.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (I) por unanimidade de votos, em: (i) acolher os embargos inominados opostos, de forma corrigir a inexatidão material apontada no acórdão embargado, conhecendo dos recursos voluntários apresentados pela empresa Dakhia Indústria e Comércio de Termoplásticos Ltda e os Srs. Márcio Paulo Baum, Rinaldo Sumi e Paulo Fernandes Silva, como também dos recursos voluntários apresentados por Cotermo Comercial de Termoplásticos Ltda, Polichemicals Comércio de Resinas Plásticas Ltda e Reer Indústria e Comércio de Plásticos Ltda; (ii) rejeitar as preliminares alegadas e a argüição de decadência; e (II) por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento aos recursos para excluir os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Julgamento iniciado na sessão de 10/2018.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO Constatada a existência de inexatidão material no acórdão embargado, devem ser acolhidos visando a saná-lo. NULIDADE. ILICITUDE DAS PROVAS. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. PROVAS INDEPENDENTES. A inexistência de decisão judicial definitiva declarando a ilicitude das provas obtidas por meio dos mandados de busca e apreensão, bem assim, a existência de provas independentes obtidas no curso dos procedimentos fiscais hábeis a comprovar as infrações apuradas impedem a decretação de nulidade do procedimento fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO. Desnecessária a realização da diligência requerida posto que nos relatórios anexados aos autos é possível identificar a segregação das provas colhidas no curso do procedimento fiscal das obtidas na operação de busca e apreensão com autorização judicial, inexistindo qualquer ofensa ao direito de defesa da recorrente. SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Na legislação que trata do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para sobrestamento do processo até análise da licitude das provas obtidas em investigação criminal. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN. A expressão "infração de lei" prevista no art.. 135 do CTN refere-se a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa. No caso, os agentes fiscais comprovaram infração funcional praticada pelos administradores do grupo, por violação da lei ou do estatuto social. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. ART. 124, I DO CTN. Demonstrada a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas pessoas jurídicas formalmente independentes, porém com administração única, estrutura e atuação operacional comum e confusão patrimonial, procedente a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. TRIBUTOS POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I, CTN. A ausência de pagamento desloca o prazo decadencial dos tributos sujeitos à homologação para o art. 173, I do CTN, independentemente da existência de dolo, fraude ou simulação. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Procede o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do Decreto nº 3.000/99, quando comprovado nos autos que o contribuinte deixou de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. COMANDO ÚNICO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Caracterizada a existência de grupo econômico de fato por meio da confusão patrimonial e comando único das empresas do grupo, respondem solidariamente pelo crédito tributário a pessoa jurídica líder e seus sócios administradores. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. CONDUTA DOLOSA. A prática reiterada em não efetuar a entrega da Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, bem assim, a falta de entrega das escriturações contábeis digitais caracteriza a conduta dolosa da recorrente e enseja a aplicação da multa qualificada de 150%. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. CABIMENTO. Cabível o agravamento previsto no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/08, face à falta de atendimento à maioria das intimações encaminhadas pela fiscalização à recorrente. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E PIS. Embora haja previsão jurisprudencial do STF da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS, no caso em tela, o contribuinte não comprovou que o produto vendido tinha incidência de ICMS para ensejar sua exclusão. Pedido Genérico. Indeferimento.
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SIMULAÇÃO. EMPRESAS NOTEIRAS E INTERMEDIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Embargante COTERMO COMERCIAL DE TERMOPLÁSTICOS LTDA e OUTROS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO Constatada a existência de inexatidão material no acórdão embargado, devem ser acolhidos visando a sanálo. NULIDADE. ILICITUDE DAS PROVAS. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. PROVAS INDEPENDENTES. A inexistência de decisão judicial definitiva declarando a ilicitude das provas obtidas por meio dos mandados de busca e apreensão, bem assim, a existência de provas independentes obtidas no curso dos procedimentos fiscais hábeis a comprovar as infrações apuradas impedem a decretação de nulidade do procedimento fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO. Desnecessária a realização da diligência requerida posto que nos relatórios anexados aos autos é possível identificar a segregação das provas colhidas no curso do procedimento fiscal das obtidas na operação de busca e apreensão com autorização judicial, inexistindo qualquer ofensa ao direito de defesa da recorrente. SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Na legislação que trata do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para sobrestamento do processo até análise da licitude das provas obtidas em investigação criminal. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 34 /2 01 5- 63 Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.435 2 A expressão "infração de lei" prevista no art.. 135 do CTN referese a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa. No caso, os agentes fiscais comprovaram infração funcional praticada pelos administradores do grupo, por violação da lei ou do estatuto social. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. ART. 124, I DO CTN. Demonstrada a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas pessoas jurídicas formalmente independentes, porém com administração única, estrutura e atuação operacional comum e confusão patrimonial, procedente a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. TRIBUTOS POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I, CTN. A ausência de pagamento desloca o prazo decadencial dos tributos sujeitos à homologação para o art. 173, I do CTN, independentemente da existência de dolo, fraude ou simulação. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Procede o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do Decreto nº 3.000/99, quando comprovado nos autos que o contribuinte deixou de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. COMANDO ÚNICO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Caracterizada a existência de grupo econômico de fato por meio da confusão patrimonial e comando único das empresas do grupo, respondem solidariamente pelo crédito tributário a pessoa jurídica líder e seus sócios administradores. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. CONDUTA DOLOSA. A prática reiterada em não efetuar a entrega da Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, bem assim, a falta de entrega das escriturações contábeis digitais caracteriza a conduta dolosa da recorrente e enseja a aplicação da multa qualificada de 150%. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. CABIMENTO. Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.436 3 Cabível o agravamento previsto no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/08, face à falta de atendimento à maioria das intimações encaminhadas pela fiscalização à recorrente. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Aplicase a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E PIS. Embora haja previsão jurisprudencial do STF da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS, no caso em tela, o contribuinte não comprovou que o produto vendido tinha incidência de ICMS para ensejar sua exclusão. Pedido Genérico. Indeferimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (I) por unanimidade de votos, em: (i) acolher os embargos inominados opostos, de forma corrigir a inexatidão material apontada no acórdão embargado, conhecendo dos recursos voluntários apresentados pela empresa Dakhia Indústria e Comércio de Termoplásticos Ltda e os Srs. Márcio Paulo Baum, Rinaldo Sumi e Paulo Fernandes Silva, como também dos recursos voluntários apresentados por Cotermo Comercial de Termoplásticos Ltda, Polichemicals Comércio de Resinas Plásticas Ltda e Reer Indústria e Comércio de Plásticos Ltda; (ii) rejeitar as preliminares alegadas e a argüição de decadência; e (II) por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento aos recursos para excluir os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Julgamento iniciado na sessão de 10/2018. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Embargos Inominados opostos pelos responsáveis tributários Rinaldo Sumi, Paulo Fernandes Silva, Márcio Paulo Baum, e Dakhia Industria e Fl. 2436DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.437 4 Comercio de Termoplásticos Ltda, contra Acórdão nº 1301002.527, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por meio do qual, por unanimidade de votos, não conheceu dos recursos apresentados, por intempestividade. Na ocasião adotouse a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece dos recursos protocolados intempestivamente Sustentam os embargantes que o referido acórdão incorreu em erro material, bem como descumpriu ordem judicial, conforme excertos a seguir reproduzidos: 1. ERRO MATERIAL O r. Acórdão entendeu que os recursos apresentados pelos Contribuintes, ora requerentes, foram apresentados de forma extemporânea, uma vez que "intimados da decisão em 21.06.2016, protocolizaram os respectivos recursos voluntários em 25.07.2016". HÁ ERRO MATERIAL. Os Contribuintes foram intimados da decisão em 21.06.2016 e o prazo para recorrer, conforme artigo 5º do Decreto 70.235/1972, iniciouse no dia 22.06.2016. Considerandose que os Recorrentes tinham o prazo de 30 dias para recorrer e que POSTARAM SEUS RECURSOS EM 21.07.2016, RESTA INEQUÍVOCA A TEMPESTIVIDADE DOS RECURSOS. (...) A postagem dos recursos tornouse necessária, ANTE À RECUSA IMOTIVADA DA RECEITA FEDERAL EM CONCEDER AOS RECORRENTES O DIREITO DE FAZER PROTOCOLOS EM MEIO FÍSICO EM FACE DA FALTA DE ACESSO DIGITAL AOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO, ato que é VEDADO PELO ÓRGÃO PÚBLICO AOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS e só é permitido aos contribuintes autuados. Ainda assim, os Requerentes apresentaram seus recursos via correio, que foi a única forma que conseguiram manifestar sua discordância da decisão de primeira instância. (...) Portanto, há erro material e, sendo o erro material passível de correção de ofício e não sujeito à preclusão, requer a ANULAÇÃO DO R. ACÓRDÃO N. 1301002.527, COM NOVA DECISÃO QUE ANALISE OS RECURSOS TEMPESTIVAMENTE APRESENTADOS, APESAR DOS Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.438 5 REITERADOS ÓBICES IMPOSTOS IMOTIVADAMENTE AOS REQUERENTES. 2. DESCUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL Não bastasse a falta de ânimo de possibilitar a defesa dos Requerentes, com a imposição de reiterados óbices imotivados de acesso aos autos, de ciência dos integrais teores dos processos nos quais os Requerentes figuram como responsáveis solidários e da negativa de recebimento das manifestações dos Requerentes, esse r. Órgão descumpriu ordem judicial. Nos autos do Mandado de Segurança N. 5001724 27.2017.4.03.6114, processado pela 3º Vara Federal de São Bernardo do Campo SP, o MM. Juiz proferiu sentença contemplando o direito de defesa dos Requerentes. Dentre os tópicos da sentença, cuja íntegra é apresentada com esta petição não obstante a Receita Federal já haver comunicado o teor em âmbito interno dos órgãos que a integram, constou expressamente: (...) No âmbito do CARF, os impetrantes devem ser intimados previamente das sessões de julgamento, para a prática de qualquer ato antecedente, como, por exemplo, sustentação oral, se cabível. Com o julgamento no CARF, devem ser realizadas intimações dos impetrantes, acompanhadas de cópia integral das decisões, em meio físico ou digital. O mesmo se sucederá até o encerramento da fase administrativa junto à Receita Federal do Brasil. (...)" Isto posto e considerando que o CARF não intimou os Requerentes previamente da sessão de julgamento que originou o Acórdão N. 1301002.527, possibilitando não só o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, mas também a correção do erro material praticado naquele julgamento, REQUER SEJA ANULADO O R. ACÓRDÃO N. 1301002.527, COM A PRÉVIA INTIMAÇÃO DOS REQUERENTES SOBRE A SESSÃO DE JULGAMENTO PARA QUE POSSAM APRESENTAR SUSTENTAÇÃO ORAL E PARA QUE NOVA DECISÃO SEJA PROFERIDA. (...) Em 28 de março de 2018, foi proferido Despacho de Admissibilidade de Embargos (fls. 2429/2432), mediante o qual o Sr. Presidente desta Turma, admitiu os embargos inominados opostos, para submetêlos à apreciação do colegiado. É o relatório. Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.439 6 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Sustentam os embargantes Rinaldo Sumi, Paulo Fernandes Silva, Márcio Paulo Baum, e Dakhia Industria e Comercio de Termoplásticos Ltda existir inexatidão material no acórdão recorrido, sob a alegação de que os recursos voluntários por eles interpostos são tempestivos e não intempestivos. Nos termos do Regimento Interno deste Conselho, os embargos inominados podem ser opostos pelos legitimados que podem opor embargos de declaração, sem que seja submetido a prazo para oposição, na hipótese de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. No caso, as embargantes entendem que a hipótese de inexatidão material restou configurada, pois apesar do acórdão embargado consignar que os recursos apresentados foram intempestivos, eles foram efetivamente apresentados no prazo legal, conforme comprovam os registros dos Correios apostos nos envelopes que acompanham aqueles recursos. Com razão as embargantes. De fato, apesar dos recursos voluntários interpostos pelos eles terem sido juntados aos autos no dia 25/07/2016, foram efetivamente postados no dia 21/07/2016, conforme comprovam os registros dos Correios apostos nos envelopes que acompanham aqueles recursos (fl. 1868, fl. 1903, fl. 1938, e fl. 1973). Portanto, há inexatidão material no acórdão embargado no que tange à data em que os mencionados recursos voluntários foram efetivamente interpostos. Em decorrência, considerando que a data da intimação foi 21/06/2016 (fl.1790; fl. 1787; fl. 1784, e fl. 1793), os recursos apresentados devem ser considerados tempestivos. Assim , conheço dos recursos apresentados pelos embargantes. Em que pese tal consideração, compulsando os autos, verifico de ofício que há ainda inexatidão material a ser corrigida, no que tange à data de intimação e protocolo dos recursos voluntários da autuada, Cotermo Comercial de Termoplásticos Ltda, e dos coobrigados, Polichemicals Comercio de Resinas Plásticas Ltda e Reer Industria e Comercio de Plásticos Ltda. Sendo a tempestividade um pressuposto recursal extrínseco, penso que pode ser reexaminada de ofício pelo julgador, independentemente de provocação da parte, vez que constitui matéria de ordem pública. Semelhante entendimento possui o Superior Tribunal de Justiça que, ao julgar o Resp nº 992.690, assim asseverou: (...) A tempestividade é requisito extrínseco de admissibilidade do recurso e constitui matéria de ordem pública, cognoscível de ofício a qualquer tempo e grau de juridição. Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.440 7 Dessa forma, mesmo que, a exemplo do ocorrido no caso concreto, a parte não informe a intempestividade do recurso nas contrarazões apresentadas, nada impede que, após o julgamento do apelo, a Corte regional aprecie a argumentação no âmbito dos embargos declaratório manejados com a específica finalidade de debater esse assunto. Outrossim, não é dado à Corte de origem furtarse de examinar o tema sob o fundamento de que a intempestividade não foi declarada no momento apropriado, pois, como sublinhado, esta pode ser reconhecida a qualquer tempo e grau de jurisdição. Por essa razão, não há que eventualmente entender haver preclusão na apreciação do tema, podendo o referido pressuposto recursal ser apreciado de ofício, a exemplo do que aqui ocorre. Pois bem, se é verdade, como noticiou a decisão embargada, que existem provas nos autos de que a empresa autuada, Cotermo, e os coobrigados, Polichemicals e Reer, foram intimados via edital, na data de 27/06/2016 (fls. 1811. 1813 e 1814), e por isso, com estas informações, considerouse de que os respectivos recursos foram protocolizados após escoado o prazo de 30 dias, contados daquela data, não é menos verdade que consta nos autos informação adicional, de que as referidas empresas foram baixadas, e que, posteriormente, seus sócios foram intimados da decisão da DRJ ( fls. 1822 e 1825; fls. 1824 e 1827; fls. 1823 e 1826), inclusive com a expressa menção da faculdade de apresentarem recurso ao CARF. Portanto, de acordo com estas últimas informações, deve ser considerado que as intimações ocorreram em 23/08/2016 (Cotermo), e em 24/08/2016 (Polichemicals e Reer). Com referência à data de protocolo, da mesma forma que ocorreu com os embargantes, os recursos voluntários interpostos por estas empresas foram efetivamente postados nos dias 21/09/2016 (Cotermo), e 23/09/2016 (Polichemicals e Reer), conforme comprovam os registros dos Correios apostos nos envelopes que acompanham aqueles recursos (fl. 2237, fl. 2059, fl. 2145). Portanto, dentro do prazo recursal de 30 dias. Assim, afastada a intempestividade e, verificando que os recursos apresentados por estas empresas atendem aos demais requisitos de admissibilidade, conheço dos recursos da Cotermo Comercial de Termoplásticos Ltda, da Polichemicals Comercio de Resinas Plásticas Ltda e da Reer Industria e Comercio de Plásticos Ltda, e passo a analisálos. DA ANÁLISE DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Dakhia Indústria e Comércio; Paulo Fernandes Silva; Rinaldo Sumi; Márcio Paulo Baum; Cotermo Comercial de Termoplásticos Ltda; Polichemicals Comercio de Resinas Plásticas Ltda e Reer Industria e Comercio de Plásticos Ltda. DAS PRELIMINARES Da Ilegalidade das Provas obtidas Por Meio dos Mandados de Busca e Apreensão Transcurso de Prazo dos MBAs Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.441 8 Alegase que as provas utilizadas pela fiscalização foram obtidas de forma ilícita, afetando suas conclusões e o próprio lançamento, pois os Mandados de Busca e Apreensão foram executados fora do prazo de validade da ordem judicial. Equivocamse as embargantes. A discussão sobre a nulidade das provas obtidas nos Mandados de Busca e Apreensão está sendo travada no âmbito judicial, e lá, ao contrário do que sustentam as embargantes, inexiste decisão em vigor, que reconheça a ilegalidade das provas obtidas. O que se vê, através de consulta processual ao sítio do TRF 3ª Região nos autos da ação 000322043.2015.4.03.6181, é que da decisão que declarou a nulidade e determinou a devolução de todo o material aprendido, foi interposta apelação pelo Ministério Público Federal, ainda pendente de julgamento pela Décima Primeira Turma do TRF 3ª Região, havendo, inclusive, o reconhecimento do efeito suspensivo desta decisão. Isso porque, o Ministério Público Federal impetrou o Mandado de Segurança nº 000671259.2015.4.03.0000, e, em Acórdão proferido em 18/08/2016, a Quarta Seção do TRF 3ª Região concedeu a segurança para atribuir efeito suspensivo à apelação e determinar a manutenção da constrição dos bens apreendidos nas diligências de busca e apreensão, encontrandose a referida decisão transitada em julgado, sendo os autos arquivados em 08/06/2018. Seja como for, a questão relativa à legalidade (ou não) das provas obtidas nos Mandados de Busca e Apreensão, deve ser decida pelos órgãos judiciais de julgamento, em obediência ao princípio constitucional da jurisdição una. Até o presente momento, inexiste decisão judicial para desentranhamento das provas, e, ainda que sobrevenha decisão judicial definitiva, superveniente ao presente julgamento, reconhecendo a ilegalidade das provas obtidas nos Mandados de Busca e Apreensão, deve ser verificada a existência ou não de provas independentes, que possam suportar a autuação. Embora alegase através de Recurso Voluntário, que os autos de infração seriam pautados exclusivamente em documentos obtidos através dos referidos Mandados de Busca e Apreensão, pelo que se vê da leitura do Termo e Verificação e Constatação de Irregularidades, chegase a conclusão diversa. A infração objeto dos lançamentos de ofício foi apurada mediante o confronto entre o somatório das notas fiscais eletrônicas obtidas no ambiente SPED e os valores informados nas DCTFs, documentos estes que a Receita Federal tem acesso, independentemente da realização de Mandados de Busca e Apreensão. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades, ao tratar da questão relativa à sujeição passiva, a fiscalização afirma que a fiscalizada integra grupo econômico liderado pela empresa Dakhia Indústria e Comércio de Termoplásticos Ltda, e que a comprovação de sua existência seria feita com base no "Relatório Fiscal Grupo Econômico Dakia" e no "Relatório Fiscal Mandados de Busca e Apreensão". E, ainda. Com amparo nos Mandados de Procedimento Fiscal Diligências, documento emitido pela própria Receita Federal, foram realizadas as diligências nas diversas Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.442 9 empresas do grupo. Com intuito de coletar mais provas da existência do grupo econômico e, devido à grande quantidade de provas colhidas nos MBAs, foi relacionada no denominado "Relatório Fiscal Resultado dos Mandados dos Mandados de Busca e Apreensão", a documentação apreendida pela Polícia Federal. Confira trecho desse relatório, onde é possível identificar as diferenças dos instrumentos legais utilizados na obtenção das provas: "As provas coletadas na OPERAÇÃO PLÁSTICO FRIO só corroboraram com as provas citadas no RELATÓRIO GRUPO ECONÔMICO DAKHIA, juntado aos autos, obtidas com o amparo de MPFs MANDADOS DE PROCEDIMENTO FISCAL, reforçando a existência de um Grupo Econômico fraudulento. Os dois Relatórios se completam mas não necessariamente são dependentes. Apenas as provas de ambos foram obtidas por instrumentos legais distintos: MPF e MBA." Assim, diversamente do alegado em sede de recurso voluntário, os autos de infração não foram pautados exclusivamente em provas obtidas através dos referidos Mandados de Busca e Apreensão. Ao contrário, utilizandose de seus próprios instrumentos de trabalho, a fiscalização obteve documentos hábeis à comprovação das infrações descritas nos autos de infração, tendo as provas obtidas naqueles Mandados se prestado apenas a reforçar suas conclusões. Assim, com estes fundamentos, afastase a preliminar de ilicitude de provas e decretação de nulidade do procedimento fiscal. Da Ausência de Intimação para os Atos da Fiscalização Sustentam as embargantes nulidade da autuação porque não foram intimadas dos atos da fiscalização nos termos do art. 7º, inciso I do Decreto 70.235/1972. Ocorre que não há previsão legal para intimação dos responsáveis solidários de todos os atos da fiscalização, devendose registrar que eles foram cientificados dos Autos de Infração e suas respectivas responsabilidades solidárias, na forma da lei. Logo, não há prejuízo de defesa, não cabendo se falar em nulidade, até mesmo por que o auto foi lavrado por pessoa competente, sem haver cerceamento ao direito de defesa. Do Pedido de Diligência Quanto a este pedido de conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal especifique quais provas foram colhidas no curso do procedimento fiscal e quais foram obtidas na ação judicial, a fim de que possa defender de cada uma delas, sob pena de cerceamento do direito de defesa, também não há o que se acolher. Nos termos dos artigos 16 e 18 do Decreto 70.235/72, as diligências no procedimento administrativo fiscal podem ser solicitadas quando necessárias à solução da lide, se prestando, via de regra, para esclarecer pontos obscuros, controversos ou duvidosos: Art. 16. A impugnação mencionará: [..] Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.443 10 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso, não há o que esclarecer, pois a segregação das provas foi feita ainda no curso do procedimento fiscal, por ocasião da elaboração dos denominados "Relatório Fiscal Grupo Econômico Dakhia" e "Relatório Fiscal Resultado dos MBAs Mandados de Busca e Apreensão. Vejase que no relatório fiscal do grupo econômico, a fiscalziação descreve as diligências realizadas, os depoimentos tomados, as circularizações efetuadas, bem assim, as consultas realizadas aos sistemas internos, que a levaram concluir pela existência do grupo econômico de fato, liderado pela Dakhia Indústria e Comércio de Termoplásticos Ltda. Do outro lado, no "Relatório Fiscal Resultado dos MBAs Mandados de Busca e Apreensão", foram relacionados todos os documentos apreendidos nos mandados de busca e apreensão levados a cabo na "Operação Plástico Frio", bem assim, foi feita uma análise das relações entre as pessoas jurídicas e físicas alvo da operação, com base na documentação apreendida. Portanto, desnecessária a realização da diligência requerida. MÉRITO Tratase o presente processo de autos de infração, através dos quais foi constituído crédito tributário referente ao IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e Outras Multas Administrativas pela RFB. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades, o lançamento, que ser refere aos autoscalendário 2010, 2011, 2012 e 2013, decorreu de "Receita Bruta na Venda de Produtos de Fabricação Própria" e teve enquadramento legal no art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e art. 532 do RIR/1999. Houve ainda arbitramento do lucro tendo em vista que o contribuinte não apresentou, após intimado, os livros e documentos de sua escrituração. Qualificouse a multa em função da caracterização do evidente intuito de fraude da autuada. Agravouse a multa em razão do não atendimento às intimações expedidas. Efetuouse ainda Representação Fiscal para Fins Penais. Inferese dos autos que após auditoria e diligências realizadas em diversas empresas, foi constatada a existência de um Grupo Econômico de Fato caracterizada, Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.444 11 principalmente, pelo fornecimento de termoplásticos às industrias de diversos estados da federação, por meio da utilização de empresas denominadas "noteiras", que emitem as notas fiscais frias, e empresas chamadas "intermediárias", que vendem os produtos no mercado. Identificouse ainda que toda a operação era coordenada pela empresa Dakhia; que as empresas noteiras se sucediam uma às outras, caracterizandose por uma existência curta e pelo quadro societário composto por interpostas pessoas ("laranjas"), usadas para esconder operações irregulares e os verdadeiros beneficiários reais (dono do negócio); que as intermediárias eram utilizadas pela empresa líder Dakhia para realizar vendas ao mercado; e que o Grupo Econômico de Fato era constituído pela Dakhia (real beneficiária) e pelas empresas noteiras e intermediárias. Assim, de acordo com a fiscalização, as empresas noteiras seriam: Novoplast Comercial Termoplast Ltda; Antônio Maurício de Freitas Bairão; JP Comércio de Produtos Termoplásticos Eirelli; Haddad & Mayer Consultoria Gestão Empresarial Ltda; Dover Plastic Produtos Termoplásticos Ltda; Plásticos Cris Consultoria Gestão Empresarial Ltda ME; Cellstyle Comércio de Produtos Termoplásticos Ltda ME; Houseware Importação Exportação e Comércio Ltda; E as empresas intermediárias: Polichemicals Comércio de Resinas Plásticas Ltda; Reer Indústria e Comércio de Plásticos Ltda; Cotermo Comercial de Termoplásticos Ltdaa, e Globalplast Indústria e Comércio de Produtos Termoplásticos Ltda ME. Pois bem. Inicialmente, a defesa requer o reconhecimento do transcurso do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN. A questão relativa ao prazo decadencial para os tributos sujeitos à homologação, como é o caso dos autos, encontrase pacificada pelo STJ conforme decisão proferida no julgamento do REsp nº 973.733, submetido ao procedimento dos recursos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil de 1973: " 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito." No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades, a fiscalização relata que a recorrente nunca entregou DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais para o período fiscalizado, como também não recolheu qualquer valor referente aos tributos lançados nos autos de infração. Assim, em decorrência da falta de pagamento, independentemente da existência ou não de dolo (como se verá a seguir, restou evidenciado o dolo), o prazo decadencial previsto inicialmente no art. 150 § 4º, do CTN deslocase para o art. 173, I do CTN. Considerando que o fato gerador mais antigo é o 1º trimestre do anocalendário de 2010, o termo inicial do prazo decadencial é 01/01/2011 com término em 31/12/2015, porém como a Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.445 12 ciência dos lançamentos se deu em 30/10/2015, descabe a alegação de decadência dos lançamentos efetuados. Relativamente à caracterização do grupo econômico de fato, a defesa aduz que não há nos autos qualquer prova da existência de grupo econômico e que a conclusão da fiscalização foi feita com base apenas em indícios e falsas inferências, o que não é admitido no ordenamento jurídico pátrio. Porém, diversamente do que alega, da leitura do "Relatório Fiscal Grupo Econômico Dakhia", é possível verificar farta documentação comprobatória, composta por Termos de Constatação lavrados por ocasião das diligências realizadas nas empresas do grupo, amparadas por Mandado de Procedimento Fiscal PF, Termos de Declaração de prepostos, Termos de Intimação e respostas obtidas nas circularizações em empresas e pessoas físicas que mantinham relações comerciais com o grupo e seus administradores, sendo que todos esses documentos são aptos a comprovar a existência de grupo econômico de fato, liderado pela Dakhia. O modus operandi do grupo ocorre da seguinte forma: a empresa líder, a Dakhia, realiza de fato as operações mercantis de venda aos clientes (indústria), mas os documentos fiscais e bancários relativos a tais operações são das empresas intermediárias. As empresas chamadas noteiras são utilizadas para acobertar a entrada de mercadorias nas empresas intermediárias por meio de notas frias, dando a estas uma falsa sensação de regularidade e licitude à contabilidade dessas empresas. O quadro abaixo, trazido pela fiscalização, demonstra as operações engendradas, evidenciando que o faturamento da empresa Dakhia, é fracionado entre as empresas Intermediárias que são acobertadas pelas empresas Noteiras, enquanto o retorno do recurso acontece por meio da confusão patrimonial com pagamentos de obrigações uma das outras: Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.446 13 De acordo com o citado Relatório, apesar da Dakhia ter declarado receitas da atividade no montante de R$ 37.335.165,82, nos anoscalendário de 2010 a 2013, as empresas intermediárias obtiveram faturamento de R$ 667.679.205,40, e recolheram aos cofres públicos apenas R$ 167 mil em tributos. Já as empresas noteiras emitiram, no mesmo período, R$ 525 milhões em notas fiscais, sendo que desse total R$ 447 milhões foram destinadas às empresas intermediárias com o objetivo de acobertar as operações de venda dessas empresas, porém as noteiras recolheram aos cofres públicos a quantia de apenas R$ 7.994,34. Portanto, não há dúvidas de que se trata de uma constituição de grupo econômico de fato, com evidente confusão patrimonial e comando único. Através de estrutura montada, a empresa líder em nada se vinculava às operações, que eram formalmente realizadas pela demais empresas do grupo, constituídas por interpostas pessoas sem capacidade econômica. Assim agindo, o grupo cometeu ilícitos tributários relacionados nos autos de infração, ocasionando expressiva falta de recolhimento de tributos, lançados de ofício. Quanto à confusão patrimonial apontada pela fiscalização entre as empresas do grupo, afirma a recorrente que a Globoplast era apenas distribuidora de produtos e o fato de ter efetuado pagamento para aquisição de imóvel pelo sócio da Dakhia, Sr. Rinaldo Sumi, é por que resulta de operação realizada na forma usual de acordo com as práticas de mercado. A defesa ainda afirma que inexiste dispositivo legal que impeça aos sócios a obtenção de empréstimos de empresas, e que os pagamentos com cheques da Globoplast faz parte das relações comerciais diretas entre a empresa e seus agentes de vendas, e ainda defende a ilegalidade na obtenção dos extratos bancários comprobatórios dos pagamentos efetuados. De fato, inexiste vedação legal à obtenção de empréstimos por sócios de empresas, entretanto, tais operações devem ser documentalmente comprovadas. Meras alegações desprovidas de documentos comprobatórios não têm o condão de afastar as Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.447 14 conclusões da fiscalização, decorrentes de um conjunto de elementos e indícios que, agrupados, se prestam a comproválas. Quanto às afirmações de que os extratos e as telas bancárias comprobatórias dos pagamentos teriam sido obtidos ilicitamente, também não lhe assiste razão, pois tratamse de documentos fornecidos pelos próprios alienantes acerca dos valores por eles recebidos, em atendimento às intimações regularmente emitidas pela fiscalização. Questiona ainda a defesa as conclusões da fiscalização de que o fato de algumas empresas do grupo estarem próximas ou possuírem um único contador, não caracterizariam a existência de um grupo econômico. De fato, estes fatos, isoladamente, não permitem tal conclusão, todavia, analisandoos conjuntamente, e, juntando com os outros fatos apurados e detalhados no "Relatório Fiscal Grupo Dakhia", é possível ratificar as conclusões da fiscalização. Como visto, o modus operandi das empresas do grupo e a identificação de pessoas interpostas com reduzida capacidade econômica nos quadros sociais das empresas noteiras e intermediárias, bem assim, a confusão patrimonial entre estas pessoas jurídicas e a real beneficiária e seus sócios, são provas hábeis mais do que suficientes para comprovar a existência do grupo econômico liderado pela Dakhia e seus sócios Rinaldo Sumi, Paulo Fernandes Silva e Marcio Paulo Baum. Nesse passo, é importante destacar a inequívoca participação da autuada (Cotermo) nesse esquema fraudulento. Identificada como empresa Intermediária, recebeu mais de 12 milhões de notas frias das empresas noteiras (fls. 424), possuindo ainda expressivo faturamento nos anos fiscalizados, sem possuir capacidade operacional para fabricar e vender os produtos. Além do que, observese que a Cotermo tinha como sócios o Sr. Vanilson José da Silva e a Sra. Vera Lúcia de Mello, ambos não possuíam imóveis e não possuíam capacidade econômica compatível com o faturamento da Cotermo, sendo ainda inegável que a sócia Vera Lúcia também participou da sociedade noteira Haddad & Mayer . Ora, com base nesses elementos de prova, não tenho dúvida que a Cotermo se encaixa no modus operandi do grupo Dakia, e como tal, ou seja, a partir dessa consideração, como se verá adiante, atraiu a responsabilidade solidária dos coobrigados identificados pela fiscalização. Sobre as informações da recorrente de que a caracterização de uma empresa como pertencente a um grupo econômico somente seria possível se houvesse a comprovação formal do vínculo entre a empresa do grupo e o grupo, também não lhe assiste razão. Os grupos econômicos de fato, como o próprio nome revela, são constituídos por empresas que mesmo sem qualquer vínculo formal, atuam conjuntamente, sob o comando único, com confusão patrimonial e interesses comuns. Com referência ao arbitramento, alega a recorrente que o arbitramento somente pode ocorrer quando o contribuinte deixar de atender às condições do art. 530 do RIR/99, sendo necessária a impossibilidade de análise pela fiscalização do lucro realmente obtido. De fato, assiste razão à recorrente em suas afirmações, porém, foi justamente em decorrência da falta de apresentação da escrituração contábil da autuada, que a fiscalização viuse impossibilitada de analisála e efetuou o arbitramento previsto com base no disposto no art. 530, II, do RIR/99. Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.448 15 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Digno de nota é que a recorrente não contesta os cálculos efetuados pela fiscalização para apuração das bases de cálculo, consistentes na aplicação do percentual legal sobre os valores de receita bruta obtidos pela soma mensal das notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa e extraídas do ambiente SPED Sistema Público de Escrituração Digital. Opõese ainda a defesa quanto à aplicação da multa qualificada, sob o argumento de que a simples omissão de receita não enseja a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses previstas nos artigo 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, nos termos da Súmula CARF nº 25. Vejamos o que diz a citada Súmula CARF nº 25: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64." Ora, a exceção prevista na citada súmula é justamente o motivo pelo qual a fiscalização aplicou a multa qualificada. No termo de Verificação e Constatação de irregularidades, a fiscalização relatou que apesar do expressivo faturamento, a autuada não declarou em DCTF os débitos apurados, e nem efetuou qualquer recolhimento de tributos, demonstrando, assim, a intenção de suprimir impostos e contribuições devidos. Consta ainda do referido Termo: "Conforme visto, ficou evidenciado, de forma inequívoca, a intenção do contribuinte de retardar e, até mesmo, impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência dos fatos geradores dos tributos objeto do presente lançamento, mediante a não entrega das DCTF mensais no período de Janeiro de 2010 a Dezembro de 2013, e da não entrega da ECD Escrituração Contábil Digital, via SPED, tudo visando encobrir os aspectos materiais necessários para o dimensionamento das obrigações tributárias. Conforme exposto no item 9.2 há utilização de interpostas pessoas no quadro societário da Cotermo caracterizando Interposição Fraudulenta." Assim, em virtude da prática reiterada em não efetuar a entrega das DCTFs mensais nos anoscalendário de 2010 a 2013, bem assim pela falta de entrega das escriturações contábeis dirigidas no mesmo período, restou caracterizada a conduta dolosa da recorrente, Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.449 16 hábil a ensejar a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Relativamente ao agravamento da multa, a recorrente alega que cumpriu todas as intimações para entrega dos documentos, aduz que, caso algum documento não tenha sido entregue, não foi por conduta dolosa, mas sim porque todos os documentos haviam sido apreendidos em sede de cautelar. Analisandose os autos, verificase que a contribuinte foi regularmente intimada do início da ação fiscal e da devida apresentação dos elementos solicitados no Termo de Início de Fiscalização. Por Edital, considerando que a empresa não se encontrava no endereço de cadastro da Receita Federal, e não atendeu nem justificou o não atendimento às solicitações efetuadas durante o procedimento fiscal. Teve, por conseguinte, o agravamento da multa nos termos do § 2º do art. 44 da lei nº 9.430/1996. Com referência à alegação de inexistir intimação aos responsáveis solidários dos atos desenvolvidos durante o procedimento fiscal, ao contrário do que protestam os recorrentes, no caso de lançamento de ofício não existe obrigatoriedade de consulta prévia aos mesmos. Configurada legalmente, como já referido, a responsabilidade solidária pelo crédito tributário, esta se estende aos tributos e multas lançados, independente de consulta prévia. Por último, com referência ainda a este assunto, afirmam as recorrentes que as multas aplicadas teriam caráter confiscatório. Conforme entendimento remansoso e pacífico, aos julgadores administrativos é vedado afastar a aplicação de lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, também não merecem ser acolhidas estas alegações. Dessa forma, cabível a aplicação da multa agravada, face à falta de atendimento à maioria das intimações encaminhadas pela fiscalização à recorrente. Aduz ainda a recorrente que o único fundamento da autuação é a inconsistência entre as informações prestadas em suas declarações e o Livro de Apuração do ICMS, sendo que em nenhum momento foi concedido à recorrente oportunidade para esclarecer possíveis equívocos. Não é verdade que a recorrente não teve oportunidade esclarecer as divergências e omissões detectadas, vez que no curso da ação fiscal, a fiscalização lavrou diversos termos com o escopo de solicitar apresentação de documentos e durante o trâmite do processo administrativo fiscal, em nenhum momento, a recorrente apresentou documentação comprobatória de possíveis equívocos a afastar os lançamentos efetuados. DOS REFLEXOS DE CSLL, COFINS E PIS Aplicase a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, às autuações de CSLL, COFINS e PIS, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção. Quanto às alegações específicas para a COFINS e PIS em sua peça recursal, defende a recorrente o reconhecimento do direito de apurar e recolher a contribuição para o PIS Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.450 17 e a COFINS sem a indevida inclusão do ICMS em sua base de cálculo, citando em seu pleito, precedente oriundo do STF. Entretanto, a despeito de tais alegações, tratase de pedido generalizado, do qual o contribuinte não se desincumbiu da demonstração de que houve a inclusão do ICMS no cálculo realizado do PIS/COFINS, esclarecendo se o tributo estadual foi efetivamente pago ou incidente. O contribuinte deveria ter trazido, em seu pedido, quais notas tiveram a incidência do ICMS, bem como seu montante, para fundamentar seu pedido de exclusão. Pelo contrário, fez pedido genérico, não se desincumbindo da comprovação do pleito. Dessa forma, nego provimento ao recurso sobre a questão. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Dakhia Indústria e Comércio; Polichemicals Comercio de Resinas Plásticas Ltda e Reer Industria e Comercio de Plásticos Ltda Conforme relatado, a fiscalização emitiu o Termo de Responsabilidade Solidária contra a recorrente, com base no artigo. 124, I, do CTN, diante da constatação de existência de grupo de fato entre a Dakhia, a empresa autuada e outras empresas. Tenho adotado o entendimento, de certa forma pacificado no âmbito do STJ, de que a solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas, seja física ou jurídica, que tenham interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, pois possui uma dimensão jurídica própria, e não um significado meramente econômico. Nesse passo, é legítimo afirmar, como o faz o próprio STJ, que o simples fato de pessoas integrarem o mesmo grupo econômico, por si só, não é suficiente para a responsabilização solidária: "1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. (...)" (Superior Tribunal de Justiça, EREsp 834.044∕RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 8.9.2010, DJe 29.9.2010 ) É que integrar o grupo econômico pode significar interesse (econômico) meramente indireto na realização do fato gerador (ou seja, intenção de participar dos respectivos resultados), mas não necessariamente interesse direto ou realização conjunta de tal situação. Assim, para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de tal interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.451 18 atuam em comum na situação que constitui o fato imponível, ou seja, quando participam em conjunto da conduta descrita na hipótese de incidência, naturalmente cada uma atuando em nome próprio. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência ocorre seja forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, seja indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. Nesses termos, Kiyoshi Harada, fazendo referência a trecho de obra de Sampaio Costa: "Ensina Carlos Jorge Sampaio Costa: ... a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e∕ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo. Há interesse comum imediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficiam diretamente com sua ocorrência. Por exemplo, a afixação de cartazes de propaganda de empresa distribuidora de derivados de petróleo em postos de gasolina é, geralmente, um fato gerador de taxa municipal cuja ocorrência interessa não somente à empresa distribuidora, beneficiária direta da propaganda, como também ao posto de gasolina, que é solidário com aquela no pagamento da taxa. (...) Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade passiva no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica. (...) (Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador, Revista de Direito Tributário, Ano II, nº 4. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1978, p. 304)" (Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador, Disponível em http://www.investidura.com.br/ufsc/109direitotributario/3454 responsabilidadetributariasolidariaporinteressecomumna situacaoqueconstituaofatogerador.html) No caso, penso que a fiscalização coletou provas, mais do que suficientes, que demonstram que as operações realizadas pelas pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico, na verdade, eram coordenadas de modo indissociável pela empresa Dakhia, impondose o entendimento que elas atuavam em conjunto, e com interesse comum, nas situações que configuram os fatos geradores das obrigações tributárias. Observese que não há entre a empresa Dakhia e as chamadas intermediárias ou as denominadas noteiras, mero relacionamento comercial, mas total integração de esforços, comando e práticas na realização de fatos geradores. Não há mero grupo econômico, mas uma estrutura única, onde cada uma das pessoas jurídicas que o compõe atuava como Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.452 19 meras unidades produtivas do Grupo, sob comando centralizado, sem qualquer independência de fato, revelandose, inclusive, confusão patrimonial entre as empresas. Não tenho dúvida sobre a inequívoca participação da autuada (Cotermo) nesse esquema fraudulento. Como visto, identificada como empresa Intermediária, recebeu mais de 12 milhões de notas frias das empresas noteiras (fls. 424), possuindo ainda expressivo faturamento nos anos fiscalizados, sem possuir capacidade operacional para fabricar e vender os produtos. Além do que, a Cotermo tinha como sócios o Sr. Vanilson José da Silva e a Sra. Vera Lúcia de Mello, ambos não possuíam imóveis e não possuíam capacidade econômica compatível com o faturamento da Cotermo, sendo ainda inegável que a sócia Vera Lúcia também participou da sociedade noteira Haddad & Mayer. Portanto, pela análise conjunta dos elementos de prova produzidos, é de se reconhecer que a Cotermo se encaixa no modus operandi do grupo Dakia, e por isso, deve se atrair a responsabilidade solidária dos coobrigados identificados pela fiscalização. Diante destes fundamentos, voto por manter a atribuição de responsabilidade solidária, com base no artigo 124, I do CTN às pessoas jurídicas Dakhia Indústria e Comércio de Termoplásticos Ltda, Polichemicals Comercio de Resinas Plásticas Ltda e Reer Industria e Comercio de Plásticos Ltda Ao final, requer a recorrente, subsidiariamente, a suspensão do julgamento do processo administrativo até a decisão definitiva do TRF/3º Região com relação às provas obtidas por meio ilícito, sendo certo que essas subsidiaram aa autuação, nos autos do recurso de apelação nº 000648927.2014.403.6181. Este pedido não merece ser acolhido, pois, na legislação que trata do processo administrativo fiscal, inexiste previsão legal para o sobrestamento pretendido até a análise da licitude das provas obtidas em investigação criminal para apuração de diversos crimes, dentre eles os crimes contra a ordem tributária. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Márcio Paulo Baum/Rinaldo Sumi/Paulo Fernandes Silva Como visto, a fiscalização emitiu o Termo de Responsabilidade Solidária contra os sócios administradores de direito da Dakhia Indústria e Comércio de Termoplásticos Ltda, com base no artigo 135, do CTN, o Sr. Rinaldo Sumi, o Sr. Paulo Fernandes Silva e o Sr. Márcio Paulo Baum. Confirase os termos do referido artigo 135, do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.453 20 É ônus da Administração Fazendária a individualização da conduta fraudulenta praticada pelos coobrigados apontados no Termo de Sujeição Passiva, além da prova que deve ser feita, em relação a estas pessoas. No caso, penso evidenciar dos autos que os coobrigados citados agiram de forma fraudulenta e dolosa, praticando atos com excesso de poderes ou violação à lei, contrato social ou estatuto, até porque as provas existentes nos autos evidenciam que as pessoas apontadas, todas pessoas físicas administradoras da Dakhia, tinham poder de ingerência sobre o Grupo, e por isso possuíam domínio das atividades e decisões formadas pelos próprios, controladores do grupo. Desta forma, participaram, de forma direta, de toda operação do grupo, que consistia na realização, de fato, das operações mercantis de venda aos clientes (indústrias) pela Dakhia, com emissão dos documentos fiscais e bancários pelas empresas Intermediárias Cotermo, Polochemicals, Globoplast e Reer. As empresas denominadas de noteiras acobertavam a entrada das mercadorias nas empresas Intermediárias por meio de notas frias, gerando custos e créditos indevidos e emprestando aspecto de licitude e regularidade contábil. Os fatos e a substanciosa documentação trazida, em anexo, comprovam a existência de Grupo Econômico de Fato que se formou para fins de burlar o fisco e possibilitar o gozo de vantagens às pessoas jurídicas e às pessoas físicas a elas relacionadas através de “blindagem patrimonial”. O detalhamento da configuração do Grupo Econômico está relatado no Relatório Fiscal Grupo Econômico Dakhia, fls. 418/472 e suas conclusões estão corroboradas no Relatório Fiscal Resultado dos MBAs Mandados de Busca e Apreensão, fls. 811/923. Enfim, todos estes elementos probatórios coletados, apontam na diretriz de que as pessoas físicas apontadas como responsáveis solidários, devem ser classificados como dono do negócio, e revelam a prática de ato doloso e ilícito, contrário à lei ou ao estatuto social. Assim, evidenciase haver provas mais do que suficientes que revelam a participação destes senhores no comando das operações do Grupo, razão pela qual deve ser mantida sua responsabilização solidária pelos créditos tributários constituídos contra a empresa autuada. CONCLUSÃO Com esses fundamentos, voto por acolher os embargos inominados opostos, de forma corrigir a inexatidão material apontada no acórdão embargado, conhecendo dos recursos voluntários apresentados pela empresa Dakhia Industria e Comercio de Termoplásticos Ltda e os Srs. Márcio Paulo Baum, Rinaldo Sumi e Paulo Fernandes Silva, como também dos recursos voluntários apresentados por Cotermo Comercial de Termoplásticos Ltda Polichemicals Comercio de Resinas Plásticas Ltda e Reer Industria e Comercio de Plásticos Ltda. Em decorrência, rejeito as preliminares alegadas e a alegação de decadência, e no mérito, nego provimento aos recursos voluntários. Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.454 21 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia ao ilustre relator para divergir das conclusões de seu voto, pelas razões de fato e de direito que serão expostas a seguir. A presente autuação se deu em razão da entrega de DIPJs, anoscalendário 2010 a 2013, pela COTERMO, com omissão de receitas, também não informando em DCTF os valores auferidos. Através do SPED, a fiscalização fez o levantamento das notas fiscais emitidas, chegando à seguinte planilha, de fls. 40, abaixo reproduzida: Para arbitrar o lucro da empresa, a fiscalização aplicou o coeficiente de 9,60% à receita bruta conhecida, calculando assim o IRPJ devido, bem como lançou também os tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Até aí, estamos em pleno acordo com a fiscalização. Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.455 22 Entretanto, a fiscalização aponta a ocorrência de dissolução irregular, em razão da empresa não ter sido encontrada em seu domicílio, e inicia uma tentativa de enquadrar a empresa COTERMO dentro de um grupo econômico denominado, pela própria RFB, de Grupo Dakhia, imputando a responsabilidade a todos os demais sujeitos passivos à partir disso. A fiscalização remete ao "Relatório Fiscal Grupo Econômico Dakhia" (fls. 419 e ss.), no qual o fundamento para a inclusão da COTERMO nesse grupo consta às fls. 453 e ss., que reproduzimos abaixo: 92 COTERMO COMERCIAL DE TERMOPLASTICOS LTDA : O endereço indicado pela empresa na Receita Federal é Avenida Sargento Aeronáutica Damião Lins Vasconcelos, nº 992 – Guarulhos/SP. Em diligência no endereço informado em 14/08/2014, amparada pelo MPFDiligência nº 08.1.11.000 2014007660 o Auditor Fiscal responsável constatou que a Empresa não estava estabelecida no local. O local, que hoje é uma Igreja Evangélica, já esteve locado para COTERMO. Foi lavrado pelo Auditor Fiscal a respectiva Representação Fiscal para Inaptidão do CNPJ, com efeitos a partir de 14/08/2014, através do EProcesso n° 16095.720104/201476, que se encontra em andamento. Conforme 4 (quatro) Termos de Declaração prestados por vizinhos do endereço na mesma data, além de Termo de Esclarecimento dado pela imobiliária responsável pela locação do imóvel, ficou constatado que: a COTERMO deixou o local por volta de 6 (seis) meses atrás; aparentava ser apenas um depósito com 1 ou 2 empregados, e o dono e responsável pela locação era o Sr. Vanilson José da Silva. Os Termos, entre outros documentos colhidos pelo Auditor Fiscal durante na diligência estão anexados no Processo. Na Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo a Situação Cadastral da Empresa é “SUSPENSA desde 05/02//2014, em consequência de Ação Fiscal, exigência documental ou falta de informação cadastral”. A COTERMO deu saída em notas fiscais num valor total de r$ 118 milhões e recolheu ínfimos R$ 4,7 mil de 2010 a 2013. Apesar do expressivo faturamento, não constam empregados em 2010 e apenas 1 empregado no período de 2011 a 2013, cfe GFIP WEB. Em consulta ao site do GOOGLE MAPS, localizamos o prédio que já foi locado pela COTERMO no endereço constante em nossos cadastros: (...) Os sócios da COTERMO demonstram ser “laranjas”, em virtude da baixa capacidade econômica. A sócia VERA LUCIA DE MELLO, CPF 420.165.84220 também participou da sociedade da Noteira HADDAD & MAYER CONSULTORIA GESTAO EMPRESARIAL LTDA – CNPJ 05.956.843/000180. Abaixo, os maiores fornecedores da COTERMO, extraídos dos sistemas informatizados da RFB (DW SPED). Cabe destacar que grande parte das entradas é oriunda das Noteiras tratadas inicialmente neste Relatório Fiscal: Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.456 23 Foi optante pela forma de tributação LUCRO REAL nos anos calendários de 2010 a 2013. Não consta ECDEscrituração Contábil Digital no Sistema SPED para o ano de 2010. Para os anos de 2011 a 2013, verificamos a entrega da ECD, mas com os valores zerados. Cabe aqui um breve adendo sobre a "Noteira" HADDAD & MAYER. A Fiscalização deixou de informar no referido relatório que diligenciou no endereço da empresa e verificou, conforme termo de constatação de fls. 715 e ss., que "segundo moradores local (sic) e estabelecimento vizinho, existe atividade fabril no endereço, porém em horários e dias alternados. A chegada de funcionários costuma ser por volta das 8h30" e que "dentro da empresa, constatamos a existência de uma máquina de triturar plásticos, além de estoque de matéria prima e de produtos acabados". Além disso "tb (sic) verificamos dentro do galpão um caminhão placa CUC 6689SP e uma moto placa DUX 6521". Com a devida vênia, a presença de instrumentos fabris, estoque de matéria prima e produtos acabados serve para rechaçar veementemente que a referida empresa seja simplesmente uma "noteira". As noteiras normalmente operam em pequenas salas, desprovidas de qualquer produto relacionado à sua atividade, mas apenas com o talonário de notas que é sua função precípua. Feito esse breve adendo ao relatório fiscal, retornemos à COTERMO. A fiscalização cumpriu diligência no local de seu funcionamento, conforme termo de constatação de fls. 703708, colhendo as declarações das seguintes pessoas: A sra. Priscila Silva Santos (fl. 798 e 799) aduziu que trabalha na região há mais de dois anos, e que a empresa que funcionava antes no local da Igreja "trabalhava com artigos plásticos", e que a empresa saíra do local há 6 meses. A sra. Julima de Souza (fl. 780781) aduziu que é proprietária de uma empresa de informática e que a empresa COTERMO esteve instalada no endereço até 6 meses atrás, e que "prestou visita técnica aos computadores da COTERMO; que foi atendida pelo senhor Felipe e pelo senhor Vanilson; que o telefone do senhor Vanilson era XXXXXXX; que a COTERMO aparentava ser um depósito com vários sacos de material de embalagem; que na COTERMO trabalhava apenas o sr. Felipe e o Sr. Vanilson". A sra. Amanda Ferreira da Rocha (fl.728729) aduziu: "que trabalha na empresa gráfica (...) há cerca de um ano;" e "que a gráfica já prestou serviços à COTERMO; que o serviço prestado foi a confecção de um logo para email; que a pessoa que solicitou o logo se identificou como Felipe". Por fim, a sra. Barbara Schmitz (fl. 737) aduziu que a COTERMO funcionava naquele endereço, e que havia muitas caixas fechadas de papelão no local, e aparentava haver dois funcionários na empresa. Pois bem, os depoimentos colhidos na diligência fiscal, conquanto não tenham sido reproduzidos em sua integralidade, mormente em aspectos relevantes, deixam Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.457 24 claro que a COTERMO tinha funcionamento regular, funcionários (dentre os quais, apontaram que trabalhava no local o Sr. Vanilson, apontado pela fiscalização como um simples "laranja"), que trabalhava com artigos plásticos (inclusive material de embalagem), que contratava serviços de terceiros (informática e gráfica) em favor da própria COTERMO, e que funcionara no local até seis meses antes da diligência. Data vênia, não me parecem ser estas características de uma empresa que seria mera intermediária, pessoa simulada apenas para a emissão de notas fiscais, mas sim uma empresa com funcionamento regular e vida própria. O próprio senhor Vanilson é mencionado em mais de um dos depoimentos como alguém que trabalhava no local, rechaçando frontalmente a assunção de que se trata de um laranja. Parecenos que em razão da infrutífera diligência, para os fins que se propôs, a fiscalização recorreu às notas fiscais de aquisição das "Noteiras" do grupo Dakhia, apontando que grande parte das entradas seria oriunda delas. Vejamos as planilhas: Verificamos que no ano de 2010, as notas fiscais emitidas pelas "noteiras" correspondem a aproximadamente 13% do faturamento da COTERMO; em 2011, 79%; em 2012, 30%; e em 2013, 10%. Na maioria dos anos, o valor das notas fiscais emitidas pelas empresas que a fiscalização entende compor o Grupo Dakhia é bastante baixo, em relação ao faturamento total da COTERMO, demonstrando que ela opera também com outras empresas, e em volume muito maior que em relação às empresas sob suspeita fiscal. Por fim, a fiscalização tenta mais uma vez ligar a COTERMO ao Grupo Dakhia afirmando que os sócios da empresa são "laranjas". Como já apontamos anteriormente, foi atestado pelos depoentes que o senhor Vanilson trabalhava na empresa, inclusive contratando serviços em nome dela, e que a "Noteira" (Haddad e Mayer) que a Sra. Vera Lúcia seria sócia possui aparato fabril para plásticos, matériasprimas e materiais de embalagem, com funcionamento regular e funcionários. A fiscalização simplesmente aponta,genericamente, que eles seriam laranjas "em virtude da baixa capacidade econômica". Entretanto, não consta nos autos qualquer prova dessa baixa capacidade. Ademais, mesmo que constasse uma declaração de rendimentos em valor baixo, ela seria coerente com a omissão de receitas da empresa que já foi verificada pela fiscalização, não deveria causar qualquer espécie. Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301003.472 S1C3T1 Fl. 2.458 25 Mais ainda, compulsando os Relatórios Fiscais com resultados dos Mandados de Busca e Apreensão (10 volumes, fls.810924), decorrentes da operação Plástico Frio, verificamos que a empresa COTERMO não é mencionada uma vez sequer. A fiscalização não logrou comprovar qualquer relação entre o Contribuinte autuado e as empresas do chamado "Grupo Dakhia" sequer há que se falar em indícios sobre isto, haja vista que o relatório apresentado pela fiscalização inclusive omitiu informações relevantes para a compreensão do contexto fático, simplesmente para tentar enquadrar a COTERMO como uma empresa desse grupo econômico, ampliando a sujeição tributária para todas as empresas. Desse modo, em razão da ausência de qualquer vínculo jurídico entre o Contribuinte e os responsáveis apontados pela fiscalização, há que se dar provimento aos Recursos Voluntários para excluílos do pólo passivo da autuação. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 2458DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.900089/2006-52
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS. PAGAMENTOS A CLÍNICAS, HOSPITAIS E ASSEMELHADOS. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO.
Os pagamentos efetivados por operadoras de plano de saúde definidos comos custos assistencias, entendido como serviços médicos, clínicas e hospitais, podem ser deduzidos da contribuição.
Numero da decisão: 3001-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS. PAGAMENTOS A CLÍNICAS, HOSPITAIS E ASSEMELHADOS. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Os pagamentos efetivados por operadoras de plano de saúde definidos comos custos assistencias, entendido como serviços médicos, clínicas e hospitais, podem ser deduzidos da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 00 89 /2 00 6- 52 Fl. 106DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Compensação Tratase de declaração de compensação n. 17031.50353.130803.1.3.041527, retificada pela de n. 25750.17781.020408.1.7.048605 de créditos de PIS do período de agosto de 2002, no valor de R$ 251,15 (trezentos e sete reais e setenta e sete centavos). Despacho Decisório A autoridade fiscal concluiu por não estar comprovado o direito creditório de PIS relativo a agosto de 2002, afirmando que os pagamentos realizados foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, portanto, indeferiu o pedido de compensação. Ademais, a DRF/SJR entendeu que houve exclusão indevida da base de cálculo da contribuição em relação a valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais e etc, sendo despesas inerentes à atividade do contribuinte de plano de saúde, havendo, portanto, débito de PIS a ser recolhido. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, o recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal quanto ao direito creditório de PIS e à compensação pleiteada. Base de cálculo do PIS Alega o manifestante que as exclusões por ele realizadas da base de cálculo estão corretas, uma vez que o PIS incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, que, no presente caso, não engloba as receitas obtidas com prestadores de serviços, hospitais e etc, mas apenas as contraprestações dos usuários de seus planos de assistência à saúde. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1430.903 – 1ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 20 de setembro de 2010 Processo 10850.900089/200652 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10850.900089/200652 Acórdão n.º 3001000.677 S3C0T1 Fl. 107 3 Interessado SÃO DOMINGOS SAUDE ASSISTÊNCIA MÉDICA S/C LTDA CNPJ/CPF 00.636.975/000100 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO. LEGISLAÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Interpretase literalmente a legislação que trata da exclusão do crédito tributário, nos termos do disposto no art. 111, do CTN. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. CONDIÇÃO ESSENCIAL. Nos termos do disposto no art, 170, do CTN, a condição essencial para a compensação tributária é a comprovação da liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Não efetuada essa comprovação, não é de se homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o presente de Declaração de Compensação apresentada pelo interessado utilizando o como crédito pagamento indevido do PIS referente ao período de apuração agosto de 2002, relacionado no Despacho Decisório, fls. 48. Através do Despacho Decisório de fls. 46/49, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas em virtude da verificação da inexistência do crédito apresentado para a compensação. Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a título de “Outras Exclusões” valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais, etc. Essas exclusões não foram aceitas, pois não autorizadas legalmente e, refeita a base de cálculo, verificouse que o valor devido do PIS e da Cofins, nos referidos períodos de apuração, era até superior aos valores efetivamente pagos. Assim pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, ou seja, de crédito, não homologou as compensações e determinou a cobrança do crédito tributário não compensado. Cientificado da decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, fls. 58/65, alegando, em breve síntese, o seguinte: a) No mérito, alega que é operadora de planos de saúde, nos termos da Lei n° 9.656, de 1998, discorre sobre o conceito de faturamento, concluindo que, no seu caso, adstringese ao resultado das receitas decorrentes do serviço que presta, consubstanciado nas contraprestações auferidas dos beneficiários dos planos de assistência à saúde que opera. Fl. 108DF CARF MF 4 b) Conclui que não há de se falar em exclusão indevida da base de cálculo da Cofins relativamente aos valores pagos a prestadores de serviço, clínicas, hospitais e outros assemelhados, uma vez que sequer tais valores fazem parte da base de cálculo do tributo. Ao final, requer o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação declarada. A DRJ considerou não haver previsão legal para as exclusões da base de cálculo do PIS realizadas pelo impugnante, bem como que inexiste comprovação da liquidez e certeza do crédito da contribuição. Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, o recorrente repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: Base de cálculo do PIS Aduz o recorrente que as exclusões à base de cálculo do PIS estão corretas, uma vez que a contribuição incide sobre o faturamento da pessoa jurídica e, no presente caso, deveria desconsiderar os gastos com prestadores de serviços, hospitais e etc, computandose tão somente as contraprestações dos usuários de seus planos de assistência à saúde. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente o pedido de compensação de créditos de PIS. Admissibilidade do Recurso O contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 07.10.2000, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 79, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10850.900089/200652 Acórdão n.º 3001000.677 S3C0T1 Fl. 108 5 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que o recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 03.11.2010, conforme comprova o carimbo de protocolo da ARF/CATANDUVA/SP à fl. 80, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de compensação de créditos de PIS do período de agosto de 2002 no valor de R$ 251,15. O pedido está lastreado no suposto recolhimento a maior de PIS, que teria o condão de conferir direito à compensação de débitos da contribuição social em questão e que estaria evidenciado na DCTF do 2º trimestre de 2003, tendo em vista a exclusão de despesas com prestadores de serviço, hospitais e etc da base de cálculo do tributo. MÉRITO O assunto posto em evidência referese à correta formação da base de cálculo do pis e da cofins. A contribuinte, consoante se infere da PER DCOMP acostada em fls. 07 e 08, permite a conclusão por estar submetida ao Cofins sob regime cumulativo previsto na Lei 9.718/98. Nesta legislação, a contribuinte encontra a base de cálculo previsa no artigo 2 e 3, consoante se destaca a seguir: DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta Existem exceções, neste mesmo artigo, a respeito de exclusões possíveis de serem realizadas pela contribuinte, mas não se encontra, neste tópico, a exclusão aventada pela recorrente Fl. 110DF CARF MF 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde Do auto de infração, especificamente em fls. 36, encontrase, como fundamento da glosa do crédito, o fato de haver conta contábil com nomenclatura "eventos conhecidos de assistência Médica" relativas as pagamentos efetuados pela contribuinte a prestadores de serviço como clínicas, hospitais e outros assemelhados, vejase: Analisando o demonstrativo em questão, observamos que o contriubuitne deduz como despesas assinstenciais o valor a título de Eventos Conhecidos de Assistêmcia Medica cujo valor é a somadas despesas detalhadas neste demonstrativo (fls.50 a 53). Verificamos que essas despesas são originárias de pagamentos, efetuados pelo contribuinte em questão, a prestadores de serviços, clinicas, hospitais, e outros assemelhados, que são despesas e custos próprios e inerentes à atividade de Plano de Saúde, ramo de atividade essa declarada pelo contribuinte em DCTF (fl.07) e confirmada no sistema CNPJ como CNAE 6550200 Planos de Saúde (fI.57). Logo após, concluiu pela impossibilidade da dedução. Assim, concluímos não ser possível a dedução da base de cálculo efetuada pelo contribuinte a titulo de "Eventos Conhecidos de Assist. Médicas" motivo pelo qual glosamos o correspondente valor em R$543.773,47 e recalculamos o valor da COFINS de Julho/2002 conforme planilha 4 abaixo: Contudo, tal entendimento exposto no Despacho Decisório em questão, contraria o entendimento exposto, inclusive, no próprio parágrafo 9.º A, de caráter explicativo acima mencionado, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10850.900089/200652 Acórdão n.º 3001000.677 S3C0T1 Fl. 109 7 uma vez que as verbas pagas a clínicas e hospitais, estão inseridos na dedução do parágrafo nono acima mencionado. E desta forma vem decidindo este CARF: Acórdão nº 3402005.381 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS. ATOS COOPERATIVOS PRÓPRIOS (ACP). EXCLUSÕES.GLOSAS. DILIGÊNCIA Diante da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, admitese as exclusões na base de cálculo, de todos os custos com atendimento de beneficiários da própria operadora, e dos beneficiários de outra operadora, o que resulta na inexistência de saldo a serem cobrados no presente processo. Os valores contestados pela empresa foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido. xxxxx Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900010/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO.
Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-18, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA.
O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 1991-18, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 1991-18/2000.
Numero da decisão: 3402-006.066
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO. Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 199118, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 199118/2000. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 10 /2 00 8- 86 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.900010/200886 Acórdão n.º 3402006.066 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1016.087, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.064, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900002/200830, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.064): "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme se observa dos autos, um dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente seria quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade reconhecida na ADI n. 14170, assim ementada: Ementa Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.900010/200886 Acórdão n.º 3402006.066 S3C4T2 Fl. 0 3 Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. Sendo a contribuição expressamente autorizada pelo art. 239 da Constituição, a ela não se opõem as restrições constantes dos artigos 154, I e 195, § 4º, da mesma Carta. Não compromete a autonomia do orçamento da seguridade social (CF, art. 165, § 5º, III) a atribuição, à Secretaria da Receita Federal de administração e fiscalização da contribuição em causa. Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 8.71598. 6. Diante desta decisão e segundo o contribuinte em suas razões recursais: Diante dos argumentos trazidos à baila, resta evidente que o período compreendido entre a resolução nª 49 de 09 de outubro de 1995, que suspendeu a execução dos DecretosLei citados, e a promulgação da Lei nº 9.715 de 25 de novembro de 1998, restou configurado um período de vacatio legis. Assim, no período compreendido entre outubro de 1995 e outubro de 1998, não há que se falar em contribuição para PIS. Não existia regramento legal a incidir sobre os recolhimentos, tendo o contribuinte recolhido tributo indevidamente no período supracitado, em discordância com o Princípio Constitucional da Legalidade. 7. Independentemente de adentrar no mérito da decisão pretoriana, mister se faz destacar que ela é totalmente inaplicável ao presente caso, já que a decisão lá proferida referese ao PIS, enquanto a questão aqui travada diz respeito a COFINS supostamente paga a maior. Ademais, a exação em tela referese ao mês de dezembro de 2002 e não ao período que teria pretensamente sido reconhecido como inconstitucional pelo STF (outubro de 1995 a novembro de 1998). 8. Tais considerações também valem para os tópicos desenvolvidos pelo contribuinte e que dizem respeito a uma suposta injuridicidade da IN SRF n. 06/2000 que, segundo o contribuinte, teria restringido os efeitos da declaração de inconstitucionalidade pretoriana reconhecida no nojo da já citada ADI n. 14170. Isso porque, como visto alhures, o teor da aludida decisão é inaplicável ao caso decidendo por absoluta falta de pertinência com os fatos apurados na presente autuação. 9. Logo, tais tópicos do presente recurso voluntário sequer merecem ser conhecidos. II. Do conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 10. Não obstante, parte do recurso voluntário merece ser conhecida, já que apresenta pertinência com o caso decidendo, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.900010/200886 Acórdão n.º 3402006.066 S3C4T2 Fl. 0 4 por ser a peça recursal tempestiva e por ainda preencher os demais pressupostos de admissibilidade. (ii.a) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da lei 9.718. de 1998 11. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 12. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47. Ficam revogados: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.900010/200886 Acórdão n.º 3402006.066 S3C4T2 Fl. 0 5 [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.900010/200886 Acórdão n.º 3402006.066 S3C4T2 Fl. 0 6 Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.900010/200886 Acórdão n.º 3402006.066 S3C4T2 Fl. 0 7 Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.900010/200886 Acórdão n.º 3402006.066 S3C4T2 Fl. 0 8 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.900010/200886 Acórdão n.º 3402006.066 S3C4T2 Fl. 0 9 CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 13. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 14. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10916.720045/2013-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/01/2009
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, e que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/01/2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, e que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/01/2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, e que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 91 6. 72 00 45 /2 01 3- 68 Fl. 92DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 64 dos autos: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. O contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese, que a multa aplicada seria insubsistente pois o evento autuado teria ocorrido anteriormente a 01/04/09, data em que a observância dos prazos para prestar as informações teria se tornado obrigatória, conforme alteração introduzida pela IN 899/2008. Invocou, assim, a necessidade de se respeitar o princípio da anterioridade, da legalidade, e de se interpretar a legislação tributária de forma estrita, literal e favorável ao contribuinte, citando os artigos 111, III, e 112 do CTN. Citou decisões administrativas. Requereu, ao fim, que não seja aplicada a multa pretendida, e que seja adequado o valor do auto de infração para afastarse as sanções aplicadas em excesso. Juntou os documentos de fls. 44/57, quais sejam, documentos de constituição e de representação da empresa. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 62/67) consignou, inicialmente, deixar de acolher preliminares aduzidas pelo contribuinte e quaisquer argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, ou ocorrência de denúncia espontânea. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10916.720045/201368 Acórdão n.º 3002000.471 S3C0T2 Fl. 93 3 O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 12/03/18 (vide Termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 73 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, em 11/04/18 (vide Extrato do processo à fl. 89), Recurso Voluntário (fls. 76/85). Em seu recurso, o contribuinte repisou os argumentos de sua impugnação, no sentido de que a multa aplicada seria insubsistente pois o evento autuado teria ocorrido anteriormente a 01/04/09, data em que a observância dos prazos para prestar as informações teria se tornado obrigatória, conforme alteração introduzida pela IN 899/2008. Reafirmou, também, a necessidade de se respeitar o princípio da anterioridade, da legalidade, e de se interpretar a legislação tributária de forma estrita, literal e favorável ao contribuinte, citando os artigos 111, III, e 112 do CTN. Citou decisões administrativas. O contribuinte requereu, ao fim, o reconhecimento da inaplicabilidade da pena ao caso e o afastamento da multa aplicada. Juntou procuração às fls. 86/88. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade do acórdão recorrido De início, é importante tratar de tema preliminar essencial à solução da presente contenda. Ao analisar o presente caso, foi possível constatar que o acórdão recorrido se apresenta nulo, visto que não traz em seu conteúdo elementos necessários à motivação do julgamento proferido. Consoante acima narrado, o contribuinte apresentou impugnação no presente caso, por meio da qual argumentou, em síntese, que a multa aplicada seria insubsistente pois o evento autuado teria ocorrido anteriormente a 01/04/09, data em que a observância dos prazos para prestar as informações teria se tornado obrigatória, conforme alteração introduzida pela IN 899/2008. Invocou, assim, a necessidade de se respeitar o princípio da anterioridade, da legalidade, e de se interpretar a legislação tributária de forma estrita, literal e favorável ao contribuinte, citando os artigos 111, III, e 112 do CTN. O acórdão recorrido, por seu turno, relata da seguinte forma o conteúdo da impugnação apresentada: Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação Fl. 94DF CARF MF 4 norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. Como se vê, há uma clara dissonância entre o efetivo conteúdo da impugnação apresentada e a narração constante do acórdão recorrido. Em decorrência desta dissonância, o acórdão recorrido assim consignou: (i) que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo; (ii) afastou o argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto; (iii) afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Sendo assim, não restam dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda, ao passo que deixou de tratar de fundamentos que constaram da defesa apresentada pelo contribuinte, levando à compreensão de que o caso não fora analisado com o devido cuidado pelos Julgadores naquela oportunidade. Mencionese, por exemplo, que o acórdão recorrido não tratou sobre os fundamentos relacionados à IN 899/2008, ou mesmo aos artigos 111, III, e 112 do CTN. É importante destacar que não se está aqui antecipando qualquer juízo de valor acerca da procedência ou não quanto a este argumento apresentado pelo contribuinte, mas apenas destacando que a decisão recorrida não analisou fundamentos constantes da impugnação apresentada, tornandoa nula de pleno direito, por cerceamento de direito de defesa do contribuinte. Ou seja, verificase que o acórdão recorrido, de fato, julgou a presente contenda de forma genérica, sem que tivesse feito qualquer consideração acerca das particularidades alegadas pelo contribuinte neste caso concreto. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10916.720045/201368 Acórdão n.º 3002000.471 S3C0T2 Fl. 94 5 Isso porque, além de ter incluído argumentos não levantados pelo contribuinte em sua impugnação administrativa, deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso. Em razão da decretação da nulidade do acórdão recorrido, resta prejudicada a análise dos argumentos constantes do Recurso Voluntário interposto. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, em que sejam analisados os argumentos e documentos constantes da impugnação administrativa apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10821.720066/2013-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 08/10/2012
DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA DE DOCUMENTO NÃO OBRIGATÓRIO. PENALIDADE. DESCABIMENTO.
Os documentos obrigatórios para a instrução da declaração de importação são a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. Descabe a aplicação de penalidade cominada para o descumprimento das obrigações de manutenção em boa guarda e ordem e de apresentação à fiscalização aduaneira do documento comprobatório do frete, que não conste desse rol taxativo.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 08/10/2012
NORMA DE DESPENALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Aplica-se retroativamente aos fatos do lançamento de ofício a norma que deixou de tratar como infração o descumprimento no curso do despacho aduaneiro de importação, até o desembaraço da mercadoria, da obrigação de apresentação à fiscalização aduaneira dos documentos obrigatórios para a instrução do despacho aduaneiro.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3403-002.479
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alexandre Kern
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 08/10/2012 DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA DE DOCUMENTO NÃO OBRIGATÓRIO. PENALIDADE. DESCABIMENTO. Os documentos obrigatórios para a instrução da declaração de importação são a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. Descabe a aplicação de penalidade cominada para o descumprimento das obrigações de manutenção em boa guarda e ordem e de apresentação à fiscalização aduaneira do documento comprobatório do frete, que não conste desse rol taxativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/10/2012 NORMA DE DESPENALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. Aplica-se retroativamente aos fatos do lançamento de ofício a norma que deixou de tratar como infração o descumprimento no curso do despacho aduaneiro de importação, até o desembaraço da mercadoria, da obrigação de apresentação à fiscalização aduaneira dos documentos obrigatórios para a instrução do despacho aduaneiro. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2050; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 130 1 129 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10821.720066/201332 Recurso nº 10.821.720066201332 Voluntário Acórdão nº 3403002.479 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria MULTA ADUANEIRA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/10/2012 DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA DE DOCUMENTO NÃO OBRIGATÓRIO. PENALIDADE. DESCABIMENTO. Os documentos obrigatórios para a instrução da declaração de importação são a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. Descabe a aplicação de penalidade cominada para o descumprimento das obrigações de manutenção em boa guarda e ordem e de apresentação à fiscalização aduaneira do documento comprobatório do frete, que não conste desse rol taxativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/10/2012 NORMA DE DESPENALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. Aplicase retroativamente aos fatos do lançamento de ofício a norma que deixou de tratar como infração o descumprimento no curso do despacho aduaneiro de importação, até o desembaraço da mercadoria, da obrigação de apresentação à fiscalização aduaneira dos documentos obrigatórios para a instrução do despacho aduaneiro. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 72 00 66 /2 01 3- 32 Fl. 139DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0319.11026.O2IL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS foi autuada pela Fiscalização da IRF/São SebastiãoSP pelo descumprimento da obrigação instituído no art. 18 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 – RA/2009, cominada no art. 70, inc. II, alínea “b”, item 1, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Segundo o Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, constante do Auto de Infração de fls. 10 a 16, intimado a apresentar os documentos comprobatórios de frete e seguro até 06/12/2012, o importador deixou de fazêlo. A exação montou a R$ 10.230.868,95. Sobreveio impugnação, fls. 21 a 31, por meio do qual o interessado alega que os documentos requeridos não eram de apresentação obrigatória para a instrução do despacho aduaneiro de importação; que, ainda assim, apresentou cópia simples, presumidamente verdadeira até ulterior comprovação de sua falsidade, nos termos do art. 225 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Argui ainda a inconstitucionalidade da penalidade, por ter caráter confiscatório e desproporcional. Invoca o art. 736 do RA/2009. A 11ª Turma da DRJ/SP1 julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 16046.107, de 26 de abril de 2013, fls. 73 a 81, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/10/2012 DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO Os documentos instrutivos do despacho aduaneiro são todos aqueles previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 6759/2009), e devem ser apresentados no original. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, por força do artigo 10 da Lei 6932/2009. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE A lei não confere qualquer âmbito de discricionariedade ao agente administrativo, nem ao julgador, no tocante à dosimetria desta punição ou se lhe aplica, ou não sendo suficiente que se caracterize a situação descrita na lei para que haja a aplicação Fl. 140DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0319.11026.O2IL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10821.720066/201332 Acórdão n.º 3403002.479 S3C4T3 Fl. 131 3 da punição, por dever de ofício, sendo irrelevante a ocorrência ou não de prejuízo ao Erário. A RELEVAÇÃO DE PENALIDADES A decisão sobre tal pedido compete exclusivamente ao Secretário da Receita Federal, em razão de delegação de competência do Ministro de Estado da Fazenda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 11ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 115 a 126, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repete as razões de defesa já oferecidas por ocasião da impugnação, acrescentado que: a) Se necessário, os documentos relativos ao frete poderão ser apresentados, caso se entenda necessário, convertendose o julgamento em diligência; b) Uma vez apresentado o documento comprobatório do valor do frete declarado, o auto de infração deverá ser anulado, já que o tipo infracional para atendimento extemporâneo de documentos exigidos por meio de fiscalização não é o mesmo. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 115 a 126 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 16046.107, de 26 de abril de 2013. O art. 70, caput, da Lei nº 10.833, de 2003, instituiu, para aqueles que importarem, exportarem ou adquirirem mercadoria importada por sua conta e ordem, a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (art. 18 do RA/2009). Para os casos de descumprimento dessas obrigações, o inc. II, alínea “b”, item 1, do mesmo dispositivo cominou a penalidade reproduzida no art. 710 do RA/2009: Art.710. Aplicase a multa de cinco por cento do valor aduaneiro das mercadorias importadas, no caso de descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos Fl. 141DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0319.11026.O2IL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea "b", item 1). §1° A multa referida no caput não se aplica no caso de regular comunicação da ocorrência de um dos eventos previstos no § 2° do art. 18 (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, § 3º). §2° O disposto no caput não prejudica a aplicação das multas previstas nos arts. 714, 715 e 728, nem a de outras penalidades cabíveis (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea "b", e § 6º). Os documentos obrigatórios para a instrução da declaração de importação são aqueles arrolados no art. 553 do RA/2009 (redação vigente à época dos fatos): Art.553. A declaração de importação será instruída com (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2°): I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível; e IV outros documentos exigidos em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de outro ato normativo. A decisão recorrida alçou o documento comprobatório do valor do frete, quando solicitado durante o despacho de importação, à condição de documento obrigatório, “...uma vez que, conforme previsão legal expressa no artigo 76 do RA, toda mercadoria submetida ao despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro.” Ato contínuo, manteve a penalidade aplicada. Julgo que esse entendimento merece reparo. Em primeiro lugar, não há como atribuir o caráter de obrigatório ao documento comprobatório do valor do frete. Ele não consta dos numerus clausus dos incisos I a III. A possibilidade de incluílo na norma de extensão do inc. IV, por outro lado, reclamaria a prova da exigência do documento em acordo internacional, lei, regulamento ou outro ato normativo, o que não constou, nem do auto de infração, nem da decisão recorrida. Ainda que assim não fosse, e se pudesse incluir no rol dos documentos obrigatórios para a instrução do despacho de importação os documentos comprobatórios do frete, releva considerar que o art. 1° do Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013, acrescentou o § 1°A ao art. 710 do RA/2009, com a seguinte redação: § 1ºA A multa referida no caput não se aplica no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013) Tratandose de norma que despenalizou o descumprimento da obrigação inscrita no art. 18 do RA/2009 no curso do despacho aduaneiro de importação, até o desembaraço da mercadoria (deixando claro que se trata de penalidade aplicável somente em Fl. 142DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0319.11026.O2IL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10821.720066/201332 Acórdão n.º 3403002.479 S3C4T3 Fl. 132 5 procedimento de revisão aduaneira), tem aplicação retroativa autorizada pelo art. 106, inc. II, alínea “a”, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN. Também em consequência disso, cuidandose obviamente de ato não definitivamente julgado, devese cancelar a penalidade aplicada. Por essas considerações, voto pelo provimento do recurso voluntário, cancelandose integralmente a penalidade aplicada. Sala de sessões, em 26 de setembro de 2013 Alexandre Kern Fl. 143DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0319.11026.O2IL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE KERN em 26/09/2013 13:54:49. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE KERN em 26/09/2013. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 29/09/2013 e ALEXANDRE KERN em 26/09/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 07/03/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.0319.11026.O2IL Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 36AB7F9025AF0079D841D83EE2B0AC9CAA631D90 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10821.720066/2013-32. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13851.902705/2016-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.563
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 70 5/ 20 16 -6 0 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13851.902705/201660 Resolução nº 3402001.563 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13851.902705/201660 Resolução nº 3402001.563 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13851.902705/201660 Resolução nº 3402001.563 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.902626/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/06/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.537
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 26 26 /2 01 2- 15 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10675.902626/201215 Acórdão n.º 3401005.537 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada por inexistência de crédito disponível para a compensação pretendida, conforme informação constante do Despacho Decisório. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade onde sustentou o direito ao crédito, alegando mero erro no preenchimento da DCTF. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 14052.040, em que se decidiu, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.533, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10675.902622/201237, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.533): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dela se conhece. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10675.902626/201215 Acórdão n.º 3401005.537 S3C4T1 Fl. 4 3 Para iniciar o exame da controvérsia é importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação.Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. A contribuinte, não obstante, defende a existência de seus créditos, alegando que refez os cálculos de apuração para computar exclusões a título de receitas isentas ou sujeitas a alíquota zero. Pelo que se depreende de sua Manifestação de Inconformidade, tais exclusões estariam baseadas na Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002. A Lei nº 10.485, de 2002, traz as seguintes hipóteses de exclusão da base de cálculo e tributação à alíquota zero à época dos fatos: Art. 2° Poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep, da Cofins e do IPI os valores recebidos pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, por conta e ordem dos concessionários de que trata aLei no Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10675.902626/201215 Acórdão n.º 3401005.537 S3C4T1 Fl. 5 4 6.729, de 28 de novembro de 1979, a estes devidos pela intermediação ou entrega dos veículos, e o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – ICMS incidente sobre esses valores, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. ... § 2° Os valores referidos no caput: I não poderão exceder a 9% (nove por cento) do valor total da operação; II serão tributados, para fins de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, à alíquota de 0% (zero por cento) pelos referidos concessionários. ... Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1o, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere oart. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (destaques acrescidos) Segundo a Manifestação de Inconformidade e o Contrato Social vigente à época, a contribuinte tem por objetos social: a) o comércio de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas e respectivas peças, sob forma de concessão comercial prevista pela Lei 6729 de 28 de novembro de 1979; b) atividade auxiliar e dependente de concessão comercial de que trata a letra ‘a’ anterior a prestação serviços de assistência técnica aos produtos objeto da concessão comercial; c) o comércio de veículos, motores, máquinas, equipamentos, peças e acessórios; d) o comércio de combustíveis e lubrificantes; e) o comércio de produtos ligados à agropecuária; f) a importação e a exportação dos produtos mencionados nas letras anteriores. Embora as atividades apontadas no objeto declarado no Contrato Social sejam correlatas àquelas visadas na legislação, a pretensão da contribuinte esbarra na falta de Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10675.902626/201215 Acórdão n.º 3401005.537 S3C4T1 Fl. 6 5 documentação contábilfiscal que dê suporte ao denominado “Relatório de Vendas Monofásicas – Período de Apuração Julho 2003”, trazido aos autos a título de prova dos argumentos. Da forma como posta, é preciso fixar que a matéria a ser tratada é, antes de tudo, uma questão de caráter probatório, pelo que é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de “onus probandi” não significa, propriamente, a obrigação no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose, antes, de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. No universo da compensação tributária, a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Portanto, a prova da liquidez e certeza do crédito, requisitos essenciais para o seu reconhecimento, cabe à interessada. No caso, caberia a prova, por meio de documentação contábilfiscal hábil, de que as vendas contidas no Relatório de Vendas Monofásicas efetivamente ocorreram e que o faturamento correspondente foi levado à apuração daquele período. A partir tão somente do relatório produzido pela contribuinte, é impossível a comprovação de que as vendas aconteceram e de que envolveram aqueles bens. Os benefícios conferidos pela legislação citada são restritos a alguns bens e produtos, cuja receita deve ser tributada a alíquota nula ou excluída da base. Para que se reconheça à contribuinte a existência de pagamento indevido ou a maior, é preciso que esteja provado o efetivo auferimento de receitas alcançadas pelo benefício fiscal, o que somente é possível a partir da documentação contábil e fiscal correspondente. No caso, tal documentação não foi trazida aos autos, pelo que o Relatório apresentado carece de sustentação. Como se pode ver, o panorama que se desenha para análise, limitandose ao universo das declarações e atos da contribuinte perante a Administração Tributária, revelase inconclusivo. Com efeito, enquanto o pagamento e a DCTF original afirmam ser um o valor do tributo apurado, a contribuinte apresenta um relatório tentando provar que outro seria seu débito para com a Fazenda. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10675.902626/201215 Acórdão n.º 3401005.537 S3C4T1 Fl. 7 6 Não é de somenos importância, no caso, o fato de que a alegada revisão dos cálculos teria acontecido aproximadamente quatro anos após a apuração original. Como visto, há uma inconsistência nos documentos trazidos aos autos, inconsistência essa que somente o recurso à contabilidade do sujeito passivo poderia resolver. No entanto, tal elemento de prova não foi juntado pela interessada, razão pela qual o único resultado possível é o indeferimento do seu pleito de reconhecimento integral do crédito pleiteado, mantendose incólume o Despacho Decisório" (seleção e grifos nossos). Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10675.902626/201215 Acórdão n.º 3401005.537 S3C4T1 Fl. 8 7 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 105DF CARF MF
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