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Numero do processo: 10880.675106/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Manques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 10 6/ 20 09 -0 1 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675106/200901 Resolução nº 1802000.219 S1TE02 Fl. 56 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 34/49 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 27/31) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 22638.21437.291206.1.3.0.49055 (fls.02/04), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA setembro/2005, data de vencimento 31/10/2005, assim especificado: principal: R$ 5.546,00; multa moratória: R$ 1.089,20; juros de mora: R$ 925,27; Total: R$ 7.460,47. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 4.543,53 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 31/01/2003 de R$ 4.544,44 (valor original), data do recolhimento 24/02/2003. Entretanto, na DIPJ 2004, anocalendário 2003 (Ficha 16), consta, quanto ao PA 31/01/2003, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 4.544,44. Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado da CSLL = R$ 4.544,44 (fl. 26). Por isso, o despacho decisório da DERAT/São Paulo, de 23/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (fl. 06), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 4.544,44. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675106/200901 Resolução nº 1802000.219 S1TE02 Fl. 57 3 Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência (fls.07/08), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 07/12/2009 (fls. 09/16), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) direito creditório utilizado, pleiteado na DCOMP: que o recolhimento da CSLL estimativa mensal do PA janeiro/2003 foi indevido ou maior, em face do resultado apurado no encerramento do anocalendário 2003; que, consoante previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional, tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior em face da legislação tributária aplicável; b) do débito informado na DCOMP: que houve equívoco na apresentação da DCOMP, pois no anocalendário 2005 teria apurado prejuízo fiscal e que, então, não haveria débito a compensar relativo à IRPJ estimativa mensal do PA setembro/2005; que a DCOMP não expressa confissão de dívida; que, ainda, o débito do PA setembro/2005 não teria sido confessado em DCTF; que a Administração Pública não deve utilizarse de um equívoco da contribuinte (a qual solicitou uma compensação quando o correto seria um pedido de restituição do crédito) para constituir débito e exigilo; Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu o cancelamento do débito informado e que seja restituído o crédito pleiteado com aplicação dos juros SELIC. A DRJ/São Paulo I, apreciando a lide, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 27/10/2010 (fls. 27/31), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE o LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 24/02/2003 ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente à estimativa devida no período, não há que se falar em pagamento indevido. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675106/200901 Resolução nº 1802000.219 S1TE02 Fl. 58 4 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 15/12/2010 (fl. 32verso), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2011 (fls. 33/48), reiterando as razões já aduzidas na instância a quo, acrescentando ainda: que não pode acatar o argumento, fundamento da decisão recorrida, de que valor pago a maior de CSLL (PA janeiro/2003) só pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior, ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Por fim, sob alegação de que a DCOMP foi transmitida indevidamente (débito do IRPJ informado seria indevido ou inexistente quanto ao PA setembro/2005), pediu a restituição do direito creditório (valor da CSLL pago indevidamente ou a maior do PA janeiro/2003). É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675106/200901 Resolução nº 1802000.219 S1TE02 Fl. 59 5 VOTO Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 22638.21437.291206.1.3.0.49055 (fls.02/04), informando que compensara débito do IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA setembro/2005, data de vencimento 31/10/2005, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA janeiro/2003, data do recolhimento 24/02/2003. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois o valor integral do referido recolhimento de 24/02/2003 já fora, integralmente, consumido ou utilizado para quitação do débito da CSLL estimativa mensal do PA janeiro/2003, declarado na respectiva DIPJ/DCTF. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: a) que tem direito à restituição do que pagara indevidamente a título de CSLL estimativa mensal do PA janeiro/2003, pois teria recolhido CSLL estimativa mensal indevidamente ou superior ao valor da CSLL apurado na declaração de ajuste anual, nesse ano calendário; b) ou que teria apurada os resultados com base em balancetes de suspensão/redução; c) que, além disso, o débito do IRPJ estimativa mensal do PA setembro/2005, informado na DCOMP, seria incabível sua exigência, pois nesse anocalendário teria apurado prejuízo fiscal na declaração de ajuste anual; d) que, em suma, teria laborado em equívoco quando da apresentação da DCOMP, pois seria caso de pedido de restituição de direito creditório e não de compensação tributária. Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2003 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675106/200901 Resolução nº 1802000.219 S1TE02 Fl. 60 6 a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento apenas do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA janeiro/2003: a) não há sequer cópia completa da DIPJ 2004, anocalendário 2003, para apurar, verificar, cotejar, se o valor pleiteado constou ou não de eventual saldo negativo na declaração de ajuste desse anocalendário; b) não se sabe se o valor do crédito pleiteado já foi aproveitado, ou não, em balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; c) não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur). 2) Quanto ao débito confessado na DCOMP, PA setembro/2005: a) não há nos autos sequer cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005, para apurar, verificar, cotejar, se o valor do débito foi declarado na DIPJ e se foi confessado da DCTF respectiva; b) não há nos autos cópia de balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; c) não há cópia da escrituração contábil e fiscal (livros razão, Diário e Lalur). Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675106/200901 Resolução nº 1802000.219 S1TE02 Fl. 61 7 Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno, por conseguinte, pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DERAT/São Paulo para: a) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo; b) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco na apuração e confissão do débito na DCOMP (apurar se o débito foi regularmente apurado pela própria contribuinte em sua escrituração contábil e fiscal, com base na receita bruta ou com base em balancete de suspensão ou redução, ou se o débito, em parte, não tem relação com a respectiva base de cálculo do período de apuração mensal. Considerase indevido apenas a parte do débito que extrapolou, ou seja, que não tem relação com a respectiva base de cálculo mensal (receita bruta ou com o balancete de redução/suspensão do referido período de apuração mensal); c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado e quanto à existência/regularidade, ou não, do débito informado na DCOMP; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Por todas essas razões, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002376/2009-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA.
Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes.
INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS.
O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03.
PIS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE.
A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não-sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 23 76 /2 00 9- 79 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Os autos abrigam pedido de ressarcimento, por meio do qual o recorrente intenta receber o saldo credor acumulado da contribuição ao PIS calculada pelo regime da não cumulatividade, relativamente ao primeiro trimestre de 2007, em virtude da atividade exportadora. Ao término do procedimento fiscal instaurado para a confirmação da existência e das dimensões do direito vindicado, a autoridade encarregada preparou relatório no qual conclui pela procedência apenas parcial da pretensão, em razão das seguintes irregularidades: (a) no trimestre considerado, o recorrente teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios; (b) o recorrente apropriara créditos sobre os dispêndios incorridos com a contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, em desacordo com o artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, segundo o qual apenas o frete pago na operação de venda proporciona semelhante direito ao contribuinte. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 3403001.995 S3C4T3 Fl. 11 3 Do despacho decisório, a interessada opôs tempestiva manifestação de inconformidade, negando, em primeiro lugar, ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. Alegou ainda a recorrente – trazendo aos autos planilha demonstrativa – que as remessas que realiza entre seus diversos estabelecimentos País afora, envolvem uma pequena monta de produtos acabados (cerca de 5%) e uma grande parcela de itens semielaborados, cujo processo industrial é concluído na unidade de destino. Daí que, prossegue, o frete contratado no primeiro caso seria equiparável ao frete na operação de venda, enquanto que, na segunda hipótese, o preço do frete integraria o próprio custo de produção do bem em fabricação, a ponto de qualificálo como insumo da atividade. No aresto recorrido, a DRJ/Porto Alegre desproveu por inteiro a manifestação de inconformidade, o que impeliu a contribuinte a interpor recurso voluntário, no qual reitera a fundamentação de sua manifestação de inconformidade. O julgamento do recurso voluntário foi convertido por este Colegiado em diligência, a fim de que o órgão de origem efetivasse duas providências, quais sejam: (a) trouxesse aos autos elementos documentais capazes de comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de crédito de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pelo recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifestase para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. O resultado da diligência é esclarecedor e, portanto, bastante relevante para as conclusões ora obtidas. Inferese, em primeiro lugar, que já não existe controvérsia quanto à natureza do ingresso percebido pela recorrente: tratase de crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado do Rio Grande do Sul, e não de cessão de saldo credor do imposto, como propugnava a fiscalização. A DRJ de origem ratifica esta conclusão, embora insista que, mesmo em se tratando de subvenção governamental, o ingresso tem natureza de receita e, como tal, deveria ter sido exposto à tributação. A pretensão fazendária, com relação a este tópico, esbarra em dois impedimentos: de um lado, os motivos determinantes da acusação fiscal e, de outro, a insujeição ao PIS e à COFINS da subvenção governamental de cuja natureza se reveste o aludido crédito presumido. Explico. Com efeito, infiro do relatório elaborado ao cabo do procedimento instaurado pela fiscalização que o ressarcimento pretendido resultou deferido somente em parte como decorrência não apenas da glosa de direitos creditórios, mas também da alegada sujeição à exação de determinados ingressos não espontaneamente expostos à incidência pela pessoa jurídica. Apesar de não observar qualquer nulidade neste procedimento – que, em suma, consiste em negar total ou parcialmente o ressarcimento requerido como resultado da apuração de insuficiência no cálculo do débito tributário por parte do particular obrigado – ressalto que o despacho decisório, neste particular, obedece a pressupostos formais equivalentes ao do lançamento de ofício e reveste o conteúdo material próprio deste ato, eis que consistirá da verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido e, enfim, identificação do sujeito passivo. Isso quer dizer que, se ao ensejo da análise de pedido de ressarcimento, a fiscalização desacolhe parte da pretensão por impor ao contribuinte incidências que este voluntariamente não reconhecera devidas, é seu o ônus quanto à fundamentação da exigência e, sobretudo, quanto à prova do fato, tanto quanto o seria acaso se tratasse do próprio lançamento de ofício. Na hipótese dos autos, portanto, a recorrente teve sua pretensão desacolhida por, supostamente, não expor à tributação valores que teria auferido como decorrência da Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 3403001.995 S3C4T3 Fl. 12 5 cessão de saldo credor de ICMS a terceiros. Esta a acusação fiscal, cuja consistência probatória competia à administração produzir. O órgão preparador, no entanto, não se desincumbiu do encargo e, pior, manifestandose ao ensejo da diligência, emendouse para reconhecer que, em realidade, não se tratava da alienação do aludido saldo credor do imposto e, sim, da obtenção de subvenção outorgada pela Unidade Federativa onde estabelecida a recorrente. Isso é o quanto basta para a reforma do despacho decisório nesta parte, a meu ver. Não se pode admitir, com efeito, que a pretexto de preserválo, possa a autoridade substituirlhe a fundamentação originária, como agora pretende fazer ao argumentar que a fruição do crédito presumido do ICMS estaria igualmente sujeita à incidência da obrigação. São os motivos determinantes do ato administrativo que o impedem. Fato é que, não fosse isso suficiente, o recurso comportaria provimento nesta parte também porque o incentivo fiscal em questão não constitui receita da pessoa jurídica e, desta forma, não chega a integrar a base imponível das exações. Penso estarmos diante de típica espécie de “subvenção governamental”. Subvenção, com efeito, é conceito jurídicopositivo encontrável na Lei nº 4.320/64, instituída para disciplinar “normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”. De acordo com o §3º, do artigo 12 do diploma: “Art. 12. (...) §3º. Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I – subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II – subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.” Debruçandose sobre o texto, a doutrina enaltece os elementos caracterizadores da figura, de modo a definir subvenções como transferências pecuniárias pela via da despesa pública, em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas à cobertura total ou parcial de despesas associadas à promoção de interesses de caráter coletivo. Leiase em Souto Maior Borges: “O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda – como indica a sua origem etimológica (subventio) – expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público, que impõe alteração nesse caráter não Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 contraprestacional. A sua gratuidade não exclui, então, como requisito de legitimidade, a ocorrência do interesse público relevante”. (Subvenção financeira, isenção e deduções tributárias. Revista de direito público, no. 4142, p. 43 e ss). A restituição do ICMS concedida pelo Estado do Rio Grande do Sul constitui justamente uma transferência pecuniária à pessoa jurídica beneficiária, cujo propósito, no seu particular, está em incentivar a fabricação de fertilizantes e a destinação da produção a outras unidades federativas. E a condição de subvenção governamental não depende do instrumento por meio do qual a lei viabiliza a transferência. Explica Mariz de Oliveira que “o fato de eles [créditos fiscais] serem realizados (isto é, pagos, liquidados, cumpridos) por qualquer das múltiplas formas que as respectivas leis prevêem, isto é, por crédito na escrita fiscal para compensação com débitos tributários, ou por recebimento ou ressarcimento em dinheiro, feito pelo Poder Público” não lhes modifica a natureza jurídica, assim como também em nada interfere no conceito que seja legalmente autorizada “a sua transferência a outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou a sua cessão a outras pessoas jurídicas que os utilizarão por uma das formas permitidas”. Tais alternativas legais, conclui, “não passam de meios para o pagamento dessas subvenções, isto é, modos de extinção das obrigações criadas pela lei em favor dos beneficiários dos subsídios governamentais.” (PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditosprêmio e outros) e respectivas cessões. 10º Simpósio nacional IOB de direito tributário: grandes temas tributários da atualidade. São Paulo: IOB, 2001, p. 39.) Sucede que as subvenções governamentais, sejam as concedidas para investimentos, sejam as destinadas ao custeio de despesas determinadas, caso do ICMS em questão, não constituem receita da pessoa jurídica. E não constituem receita porque não satisfazem uma das notas fundamentais do conceito. Receitas, diz a doutrina, são por definição novos direitos que acrescem ao patrimônio de um sujeito por via – eis o relevante – da aplicação de recursos já integrantes desse patrimônio ou da atividade de quem o possua. É este o conceito talhado por José Antonio Minatel: “[receita é] ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Conteúdo do Conceito de Receita. São Paulo: MP, 2005. p. 124) Receita, portanto, é grandeza menos abrangente que “ingressos”, pois estes consubstanciam quaisquer valores que transitam pelo patrimônio da empresa, independentemente de sua origem e de sua definitividade (razão pela qual toda receita é ingresso, mas nem todo ingresso é receita). Por outro lado, o conceito de receita varre um espaço amostral maior que o de faturamento, uma vez que este se restringe aos valores decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços (razão pela qual todo faturamento é receita, mas nem toda receita é faturamento). Inegável, portanto, que o conceito de faturamento é mais causalista que o de receita, pois vinculado a uma gama mais específica de fontes geradoras, causadoras do acréscimo patrimonial da empresa. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 3403001.995 S3C4T3 Fl. 13 7 Entretanto, também o conceito de receita mantémse impregnado – com menor intensidade que o de faturamento, é verdade – de causalidade. Afinal, como visto acima, para que se catalogue como receita, o acréscimo patrimonial definitivo há de ser um produto da atividade empreendedora. Receitas estão comprometidas com esta origem, necessariamente. Aí a chave para o desate dogmático reclamado nos autos. É que, a meu ver, a restituição de impostos, como decorrência de incentivo fiscal legalmente concedido, provém de um benefício governamental e não – ao menos não diretamente – do exercício da atividade empresarial. Mariz de Oliveira, sempre ele, dirá: “(...) há alguns ingressos ou entradas que representam novos direitos no patrimônio em que entram e que, inclusive, (sempre) acarretam aumento neste, mas que não se confundem com receita exatamente porque lhes faltam as características que compõem os elementos afirmativos desta, ou porque adentram em um dos seus elementos negativos, e principalmente por não terem o caráter remuneratório ou contraprestacional do emprego de recursos já componentes desse patrimônio ou da atividade do seu titular. Isso ocorre com os ingressos de capital social, ou com outros ingressos que vêm de fora da pessoa jurídica e que não derivam de dentro, por não derivarem de atos, operações ou atividades do patrimônio (da empresa no qual o patrimônio da pessoa jurídica está aplicado), ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, como é o caso de doações, subvenções, ágios de subscrição de capital e outras entradas que mais apropriadamente se chamam ‘transferências patrimoniais’.” (Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, p. 144.) Neste particular, as subvenções governamentais se equiparam às doações, ao capital social e ao ágio na subscrição de valores mobiliários, visto que todas as figuras têm em comum o fato de redundarem em aporte de recursos não contraprestacionais à aplicação do patrimônio ou das atividades sociais. É o que justifica e impede, portanto, que por meio da contribuição ao PIS ou da COFINS, pretenda o Fisco onerar o próprio capital social. Digase de passagem que a própria Lei nº 6.404/76, na redação vigente à época dos fatos aqui considerados, continha no seu artigo 182 disposição segundo a qual as subvenções governamentais para investimentos teriam contrapartida direta no patrimônio líquido, em conta de reserva de capital, e, portanto, sem trânsito pelo resultado. Entre as subvenções para investimento e as subvenções para custeio a diferença fundamental reside no destino possível dos recursos transferidos, no primeiro caso para o implemento do ativo permanente da pessoa jurídica e, no segundo, para a cobertura de despesas determinadas. Todavia, tanto uma como a outra representam recebimentos gratuitos, não contraprestacionais, embora, é claro, pressuponham o cumprimento de prérequisitos associados à promoção do interesse público. O fundamento por trás da qualificação das subvenções para investimento como meras transferências patrimoniais deve, pois, presidir a catalogação das subvenções para custeio sob idêntico gênero de ingressos. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 De mais a mais, não seria lógico que o Estado, depois de reconhecer o interesse público na transferência de recursos para o custeio da atividade empresarial, ato contínuo viesse a tomar de volta parcela expressiva do montante por meio da imposição tributária. “O que se dá com uma mão não é plausível que seja retirado com a outra” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 240.) Ademais, a restituição do ICMS não se pode qualificar como riqueza nova – atributo necessário à receita –, pois que configura apenas recuperação econômica de dispêndio anteriormente suportado. Nesse sentido, novamente José Antonio Minatel: “Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos com os efeitos já explicitados, pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais em conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração” (op. cit. p. 224) Não era outra a tese prevalecente no antigo Segundo Conselho de Contribuintes: “A parcela agregada pela fiscalização à base de cálculo da COFINS – correspondente à parcela do ICMS isentado pelo Estado do Amazonas – indubitavelmente não tem natureza jurídica de receita bruta, faturamento ou resultado, constituindo se em mera redução de custo ou despesa” (2º CC. 2ª Câmara. Proc. Adm. 10283.001595/200668. Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa. J. 19.9.2007) A grandeza sobre a qual se realizou o lançamento in casu situase, portanto, além dos limites gizados pelas próprias Leis nº 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03, o que torna despicienda a análise de sua constitucionalidade: seja sob a disciplina de tais Leis (caso constitucionais), seja sob a disciplina das Leis Complementares nºs 7/70 e 70/91 (caso inconstitucionais), o ICMS restituído não integrará a base de cálculo do PIS e da COFINS. Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 3403001.995 S3C4T3 Fl. 14 9 posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 14751.000123/2010-42
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES . INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.359
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES . INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 01 23 /2 01 0- 42 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000123/201042 Acórdão n.º 3801001.359 S3TE01 Fl. 81 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) apresentado por meio de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 27518.72713.090408.1.1.114939, no qual é declarado crédito no valor original de R$ 648.827,31, referente à Cofins (Mercado Interno) do 1º trimestre de 2006. 2. O Despacho Decisório DRF/JPA nº 616/2010, aprovou o Relatório de Informação Fiscal, indeferindo o pedido de ressarcimento pretendido. 3. Do Relatório de Informação Fiscal citado consta que: 3.1. a empresa foi intimada a apresentar a relação de insumos ou bens adquiridos que deram origem ao crédito objeto do PER, tendo sido apresentado o documento intitulado "Relação dos Bens para revenda que deram origem aos créditos utilizados no PER/DCOMP"; 3.2. a empresa tem como atividade principal o comércio atacadista e varejista de bebidas alcoólicas, refrigerantes e água mineral; 3.3. concluiu a autoridade fiscal que a pretensão do contribuinte em descontar créditos do PIS e da Cofins sobre os produtos em tela, os quais são submetidos à incidência monofásica das contribuições (arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003), adquiridos para revenda por atacadistas e varejistas, é vedado pela legislação em vigor (art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, com idêntica redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). 4. Devidamente cientificado da decisão acima em 07/01/2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 07/02/2011, por meio do seu representante legal, com os seguintes argumentos: 4.1. aponta que as receitas oriundas dos produtos sujeitos à incidência monofásica foram excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, conforme previsão do art. 1º, § 3º, inc. I e IV, da Lei nº 10.833, de 2003, contendo a Lei nº 10.637, de 2002, idênticos dispositivos (art. 1º, §3º, inc. IV, art. 8º, inc. VII, "a"); 4.2. assevera que, na redação originária, a legislação não autorizava o desconto/utilização de crédito dos produtos sujeitos à tributação monofásica, indicando que em 2004, com a edição Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 4 da Lei nº 10.865, foram introduzidas modificações nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, de maneira que o §3º do art. 1º, que trata da composição da base de cálculo da Cofins, deixou de fazer menção às receitas oriundas das vendas de produtos sujeitos à incidência monofásica, em seu inc. IV; 4.3. relativamente aos créditos, justificou que as alterações promovidas pela Lei nº 10.865, de 2004, ficou impossibilitada a tomada de crédito sobre bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; 4.4. alega que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, estabeleceu que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da Cofins, não impediriam a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a esses operações; 4.5. acrescenta que o advento da Lei nº 11.116, de 18/05/2005, restou autorizada a compensação do crédito do PIS e da Cofins com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; 4.6. aduz que a Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, alterou mais uma vez a Lei nº 10.833, de 2003, ao introduzir o §22 no art. 3º, para impedir a apuração de créditos do PIS e da Cofins pelos contribuintes atacadistas/distribuidores em relação aos produtos sujeitos à tributação monofásica do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004; 4.7. conclui que "se a MP em questão excluiu os produtos monofásicos do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, é porque eles anteriormente se encontravam abarcados por tal dispositivo"; 4.8. afirma que a lei de conversão da MP nº 413 (Lei nº 11.727, de 23/06/2008) não trouxe o citado §22; 4.9. sustenta que a MP nº 451, de 15/12/2008, mais uma vez trouxe vedação à tomada de créditos de PIS e Cofins por parte do distribuidor ou comerciante de bens submetidos ao regime monofásico, apontando que a lei de conversão (Lei nº 11.945, de 04/06/2009) o texto foi novamente excluído; 4.10. afirma que é possível o aproveitamento do crédito conforme pretendido pelo recorrente, uma vez que as vedações contidas nas MP nº 413 e 451 não foram mantidas por suas leis de conversão; 4.11. requer, ao final, o acolhimento de seu recurso e reforma da decisão recorrida para reconhecer o seu direito creditório. A Delegacia de Julgamento em Recife proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas Fl. 83DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000123/201042 Acórdão n.º 3801001.359 S3TE01 Fl. 82 5 auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 60 a 70, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. DO PEDIDO: Requer se digne esse D. Conselho em acolher o Recurso ora interposto, reformando o acórdão recorrido, reconhecendo, de conseguinte, o direito ao crédito pretendido. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa, fls. 02/04, referente ao 1º Trimestre de 2006, no valor de R$ 648.827,31. . Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio atacadista e varejista de bebidas alcoólicas, refrigerantes e água mineral, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra desses produtos. Desse modo, necessário se faz trazer a lume a legislação de regência. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) VIII–no art. 58I desta Lei, no caso de venda das bebidas mencionadas no art. 58A desta Lei; IX–no inciso II do art. 58M desta Lei, no caso de venda das bebidas mencionadas no art. 58A desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica optante pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei; Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000123/201042 Acórdão n.º 3801001.359 S3TE01 Fl. 83 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) Art. 50. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS em relação às receitas auferidas na venda: (Vide Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos produtos relacionados no art. 49, por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 2o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996; Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foi instituído pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de água, cerveja e refrigerante. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de bebidas (água, cerveja e refrigerante), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltase, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 8 Nesse regime de apuração, a base de cálculo do Pis/Pasep e Cofins é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou nãocumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) O regime diferenciado de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000123/201042 Acórdão n.º 3801001.359 S3TE01 Fl. 84 9 Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da recorrente no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente a revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º , §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades não cumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da nãocumulativa. Portanto, Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 10 no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação as aquisições de bebidas (água, cerveja e refrigerante), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido nos artigo 49 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 tem natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da recorrente ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000123/201042 Acórdão n.º 3801001.359 S3TE01 Fl. 85 11 Declaração de Voto Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. A questão posta é sobre a possibilidade ou não dos contribuintes que operam com produtos sujeitos ao regime monofásico de contribuição do PIS e COFINS. Para entender o pleito, vejo como necessária uma análise da evolução legislativa sobre o tema e busca daí a melhor forma de sua aplicação, vejamos. As contribuições citadas (Pis e Cofins) foram inseridas no regime não cumulativo de apuração após a publicação das leis 10.627/02 e 10.833/03 respectivamente. Pelos referidos normativos, estava criado o regime nãocumulativo de apuração das contribuições, obrigatório para os contribuintes optantes pelo lucro real, porém fora do referido regime operações realizadas com os produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração. Ou seja, com a edição das normas citadas, passamos a ter concomitantemente o regime cumulativo de apuração, o regime nãocumulativo e o regime monofásico. Acontece que com a edição da lei 10.865/04 houve uma significativa alteração no sistema posto, pois pela referida legislação os produtos revendidos pela Recorrente passaram a integrar também o regime nãocumulativo, ou seja, o que antes era tratado pelo legislador como dois regimes distintos, passou a ser uma operação mista, onde o contribuinte sujeito ao recolhimento concentrado (monofásico) também teria o direito de creditamento através regime nãocumulativo. Ou seja, a partir de agosto de 2004, quando entrou em vigência a lei 10.865/04, houve uma mudança no regime monofásico que passou a beneficiar os contribuintes que operam com mercadorias sujeitas a sua sistemática. Tal benefício foi corroborado posteriormente pela lei 11.033/04 que em artigo 17 reconhece o referido crédito, cito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Não bastasse, o artigo 16 da lei 11.116/05 novamente confirma o crédito e disciplina a sua utilização, inclusive possibilitando o seu uso para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cito: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 12 final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vale citar que o artigo supracitado não só reconhece a existência do crédito, como a sua data de início, 09/08/2004, ou seja, início da vigência da lei 10.865/04. O referido crédito e seu aproveitamento chegou inclusive a ser regulamentado no âmbito da Receita Federal, através da IN 600/05, que em seu artigo 42 assim dispunha: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; ou II aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (Retificada no DOU de 27/01/2009, pág. 11) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 34. (...) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000123/201042 Acórdão n.º 3801001.359 S3TE01 Fl. 86 13 § 5º O saldo credor acumulado, na forma do inciso II do caput e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III do caput e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. Importante ressaltar que a IN 600/05 permaneceu inalterada e reconhecendo o direito ao crédito, como posto, até a edição da IN 900/08, ou seja, durante 3 (três) anos a própria administração reconheceu e admitiu a cumulação das sistemáticas de apuração – monofásico e nãocumulatividade. Finalmente, a meu sentir para por uma pá de cal sobre o assunto, foi publicada a MP 413/08 que em seus artigos 14 e 15 alterava as leis 10.637/02 e 10.833/03 para impedir a utilização do crédito de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração, a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal, no que se refere à vedação instituída, ou seja, reconhecendo a validade dos créditos em períodos anteriores. O referido dispositivo foi derrubado no Congresso Nacional sendo convertida a MP 413 na Lei 11.727/08 sem tais disposições, ou seja, mantendo na íntegra o direito ao creditamento. A tentativa de revogação ao direito de crédito foi novamente levada a efeito pelo Poder Executivo na edição da MP 451/08 e novamente os dispositivos que vedavam a utilização do crédito não foram aprovados no processo de conversão da MP na Lei 11.945/09. Ou seja, no meu entendimento, é fato que o Congresso Nacional, Poder responsável pela edição das leis em nosso país, reiterou por diversas vezes seu entendimento de que há o direito ao crédito no caso em análise. Portanto como aplicadores das normas, entendo que não é possível o afastamento deste direito, senão mediante alteração legislativa, o que, como dito, foi buscado por duas vezes e não foi admitido pelo Poder Legislativo. Portanto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO
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Numero do processo: 19515.002662/2004-84
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: COFINS. ISENÇÃO. FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO.
As normas do art. 14, inciso X, c/c o art. 13 da MP nº 2.158-35/2001 e arts. 9º e 47 da IN SRF nº 247/2002 determinam a isenção da Cofins para os contribuintes que atendam os requisitos estabelecidos no art. 12 da Lei nº 9.532/97.
Recurso provido.
Numero da decisão: 202-17.080
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Antonio Zomer apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, 0AB/RJ nº 32.641, advogado da recorrente.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T15:11:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T15:11:03Z; Last-Modified: 2009-08-05T15:11:03Z; dcterms:modified: 2009-08-05T15:11:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T15:11:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T15:11:03Z; meta:save-date: 2009-08-05T15:11:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T15:11:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T15:11:03Z; created: 2009-08-05T15:11:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2009-08-05T15:11:03Z; pdf:charsPerPage: 1467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T15:11:03Z | Conteúdo => 4 . é t',,, r cc-MF.. -• :4-26 Ministério da Fazenda .,4.----tr. t Fl.'0:::/...er. Segundo Conselho de Contribuintes ?; "-seguram COnswhd de conin Processo te : 19515.002662/2004-84 cinto Dintficial d3 1 '940r Recurso nt : 131.924 / Acórdão n11 : 202-17.080 Rubd. 05 Recorrente : FUNDAÇÃO ARMANDO ÁLVARES PENTEADO Recorrida : DRJ em São Paulo - SP COFINS. ISENÇÃO. FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. As normas do art. 14, inciso X, c/c o art. 13 da MP n 2 2.158- 35/2001 e arts. 92 e 47 da IN SRF n2 247/2002 determinam a isenção da Cotins para os contribuintes que atendam os requisitos estabelecidos no art. 12 da Lei n29.532/97. Recurso provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FUNDAÇÃO ARMANDO ÁLVARES PENTEADO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Antonio Zomer apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, 0A13/RJ n2 32.641, advogado da recorrente. Sala d.- Sessõ - - em 23 de maio de 2006. 1 1 ?ff //f1 A orno Carlos Atui' Presidente 41 . /Maria-a Cr6PROZaldi-Cstalo Relatora MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL GrasIlia. (14 1_11_ 1 O CelmaateCauquerque Mat. Siape 94442 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Simone Dias Musa (Suplente), Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. 1 ,m • • 11. Ministério da Fazenda P0' SEGUNDO CONSELHO 94442 0 DE CONTRIBUINTES VCC-MF CONFERE COM O ORIGINAL Fl. t Segundo Conselho de Contribuintes > 5 &adia, i Processo n2 : 19515.002662/2004-84 Recurso n=1 : 131.924 Celma Mana Albuquerque Acórdão n2 202-17.080 Mat. Sia Recorrente : FUNDAÇÃO ARMANDO ÁLVARES PENTEADO RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela Turma de Julgamento da DRJ-I em São Paulo - SP, referente à constituição de crédito tributário da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins. Por bem descrever os fatos reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Em ação fiscal levada a efeito diante do contribuinte acima identificado foi apurada diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago da contribuição para financiamento da seguridade social — Cofins, "relativa aos fatos geradores ocorridos entre os mesa de novembro de 2002 e setembro de 2004, razão pela qual foi lavrado o auto de infração de fls. 136-138, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados. 2. Conforme descrito no "Termo de Constatação e de Encerramento" de fls. 126-128, o contribuinte não efetuou recolhimento da Cofins em relação às receitas com caráter comraprestacional direto, conforme disposto no inciso II e no sç 2° do art. 47 da Instrução Normativa SRF 247/02, editada com base no inciso Ido art. 14 da Medida Provisória 2.158-35/01. 3. O crédito tributário lançado, composto pela contribuição, pela multa proporcional e pelos juros moratórias, calculados até 31/03/04, perfaz ao total de R$ 26.429.676,79 (vinte e seis milhões quatrocentos e vinte e nove mil seiscentos e setenta e seis reais e setenta e nove centavos). 4. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientifkado em 18111/04, o contribuinte protocolizou, em 17/12/04, a impugnação de fls. 141-166, acompanhada dos documentos de )7s. 167-188, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 4.1. A impugnem& é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, e enquadra-se na categoria de entidade imune a impostos (art. 150, IV, "c", da Constituição Federal) e como instituição beneficente de assistência social (art. 195, § 7°, da Lei Maior). O constituinte não utilizou a palavra "isenção" no sentido técnico ao redigir o 7° do art. 195 da Constituição Federal, pois esta norma introchtz verdadeira imunidade, tal como já reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, de modo que a regulamentação deste dispositivo exige lei complementar, nos termas do art. 146, II, da Constituição Federal. Dai a conclusão de que não poderia a Lei 8.212/91 regulamentar a referida imunidade. Tampouco são aplicáveis à espécie as normas inscritas no art. 14 do CTN, pois este se aplica exclusivamente a impostos, não a contribuições sociais. A despeito destas considerações, o art. 55 da Lei 8.212/91 estabeleceu as condições a serem observadas para a fruição da imunidade prevista no art. 195, 7°, da Lei Maior e a impugnante preenche todos os requisitos necessários a sua fruição, de modo que não pode a autoridade autuante desconsiderá-la, máxime tendo em conta que restou consignado no "Termo de Constatação e Encerramento" que a impugnante cumpre os requisitos legais para o gozo da imunidade a impostos, por observar o disposto no I° do art. 9"e no art. 14 do C77V, bem como as exigências previstas na Lei 9.532/97. Ademais, ainda que essa fosse a pretensão da autoridade autuante, deve-se ressaltar que o Parecer/CJ 3.093/2003 do Ministério da Previdência Social jáfaou o entendimento de que compete ao LVSS cancelar a isenção das entidades que deixarem de atender os requisitas et 2 mF • SEGUNDO .« CONSELHO 2° CC-ME Ministério da Fazenda clirmFR MHO O 4-Segundo Conselho de Contribuintes EOLODOERCIGONTINARLIBUNTES Fl. Processo n'l : 19515.002662/2004-84 Celma Ntiaquerque Recurso ne. : 131.924 Mat. Sia c 94442 Acórdão n2 : 202-17.080 previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. A alteração introduzida pela Lei 9.732/98 na redação do inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91, que retirou a menção aos serviços assistenciais educacionais, não pode ser aplicada, pois tal dispositivo está suspenso pela ADIn 2.028, razão pela qual a norma permanece vigente em sua redação original. A suspensão decorre precisamente do fato de que a referida alteração pretendeu, de maneira descabida, exigir gratuidade exclusiva para a caracterização da entidade como beneficente de assistência social De resto, a impugnante tem direito adquirido ao gozo da imunidade das contribuições sociais, pois este direito lhe foi reconhecido desde a edição da Lei 3.577/59, que concedeu isenção às entidades de fins filantrópicos, regulamentada pelo Decreto 1.117/62. O Decreto-Lei 1.572/77, que revogou a referida Lei 3.577/59, reconheceu expressamente que a isenção permaneceria válida para as entidades portadoras de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos com validade por prazo indeterminado. Também a Lei 8.212/91 ressalvou os direitos adquiridos em seu art. 55, § I°. Afirma a impugnante que se encontra com Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEAS devidamente atualizado. 4.2. A impugnante é entidade sem fins lucrativos que tem como objetivos institucionais amparar, fomentar e desenvolver as artes plásticas e ciências, a cultura e o ensino em geral, conforme disposto em seus Estatutos. Para a consecução dos seus objetivos sociais são cobradas taxas e mensalidades dos alunos com o fim de custear as atividades e de preservar o patrimônio e a continuidade da entidade. Portanto, as receitas auferidas são relativas a atividades próprias de uma entidade de educação, razão pela qual lhe é aplicável a isenção prevista no art. 14, inciso X, da Medida Provisória 2.158-3/01. Eis a razão pela qual o § 2° do art. 47 da Instrução Normativa SRF 247/02, ao excluir da isenção as receitas auferidas com caráter contraprestacional direito, incide em flagrante ilegalidade, pois extrapola o texto da lei. Finalmente, a impugnante preenche as condições prescritas pelo art. 12 da Lei 9.532/97, de modo que goza do direito à isenção da Cofins sobre suas receitas operacionais, bem como sobre as receitas de aluguéis e financeiras, haja vista que essas receitas são decorrentes da gestão de seu patrimônio e são reinvestidas na consecução do seu objetivo social, permitindo a perpetuação da entidade. Este é o entendimento sustentado por Ives Gandra da Silva Martins. 4.3. Por fim, pede a impugnante que seja cancelado o auto de infração lavrado." (negritos acrescidos) Apreciando as razões postas na impugnação, o Colegiado de primeira instância proferiu acórdão resumido na seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004 Ementa: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO - IMUNIDADE - ISENÇÃO - RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS Uma vez constatado o descumprimento dos requisitos exigidos por lei, não há que se falar em imunidade ou isenção da Cofins. As receitas com caráter contraprestacional, tais como as provenientes de mensalidades escolares, não podem ser qualificadas como receitas derivadas de atividades próprias para fins de gozo da isenção prevista no inciso X do art. 14 da Medida Provisória 2.158-35/01. \\, 3 I • e' 1 ..•• .---4 2° CC-MF 9,, Ministério da Fazenda • - MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL t. Brastlia, J 4 o 4- Processo n2 : 19515.002662/200444 Recurso n2 : 131.924 Celine JïfArbuquerqueAcórdão n2 • 202-17.080 mm. Siapc 94442 Lançamento Procedente". Intimada a conhecer da decisão em 19/05/2005, a interessada, insurreta contra seus termos, apresentou, em 15/06/2005, recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes, com as mesmas razões de dissentir postas na impugnação. Reforça a improcedência total do auto de infração e da decisão do Colegiado de Primeira Instância alegando em recurso: a) pugna pela observância do direito adquirido previsto no § 1 2 do art. 55 da Lei n2 8.212/91 nos termos que a reconhece a IN INSS n2 66/2002, cujo art. 13 reproduz à fl. 237. Cita doutrina e jurisprudência dos tribunais superiores; b) pugna pela ausência de sustentação em lei do auto de infração, por estar fundamentado na IN SRF n2 247, de 2002, que extrapola o fato gerador previsto no inc. X do art. 14 da MP n 2 2.158-35, de 24/08/2001; c) conclui pela inaplicabilidade dos incisos I e II do art. 55 da Lei n 2 8.212/91 ao seu caso, em face do direito adquirido (fl. 239/240); d) ausência de enfrentamento pelo acórdão da DRJ da alegação acerca do direito adquirido, prejudicando a réplica da recorrente, resultando em conclusão diversa, uma vez que é detentora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), bem como consta como tal na página de intemet do Ministério da Previdência Social; e) rebatendo a afirmação da decisão recorrida que alegou não ser uma entidade beneficente, apresenta, como prova, cópia do atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social em 1966 e certidão expedida pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome — Conselho Nacional de Assistência Social descrevendo todos os certificados obtidos; O inobservância do art. 111, III, do CTN pela autoridade julgadora a quo ao efetuar interpretação diversa da literal, com vista a imputar fato gerador. Cita doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes; g) a IN SRF n2 247/2002 inova, expendendo interpretação diversa daquela contida na MP n2 2.158-35, relativamente às receitas de atividades próprias. A decisão recorrida não enfrentou o argumento de ilegalidade, em face do que dispõe o art. 144 do CTN e o art. 2 2 da Lei n2 9.784/99, os quais reproduz; h) em extenso arrazoado busca demonstrar as atividades artísticas, culturais e filantrópicas que desenvolve, enumerando os convênios firmados nessas áreas; i) aduz que somente das entidades que não observarem os requisitos previstos no art. 55 da Lei n2 8.212/91 será exigida a Cofins. Reproduz textos legais e normativos; j) impossibilidade de alteração do art. 14 de MP n2 1.858-06, de junho de 1999, por meio de instrução normativa. Deste modo, a IN SRF n 2 247/2002 não alcança as instituições de educação para exigir a incidência de Cofins nas 4 CC-MFMinistério da Fazenda 1•1/4 A Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo sel : 19515.002662/200444 Recurso n2 r. 131.924 Acórdão nt. : 202-17.080 receitas de caráter prestacional. Arrima-se no princípio da legalidade. Cita jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes; k) rechaça o argumento da decisão recorrida de que inexiste prova no processo de ser beneficiária da imunidade, ou seja, por não comprovar possuir Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, expedido pelo CNAS, renovado nos últimos três anos; e I) Assevera a sua condição de detentora do certificado, conforme consta na página da internet do Ministério da Previdência Social, bem como pela existência de liminar em Mandado de Segurança e, mais ainda, pelo direito adquirido exaustivamente debatido, conforme provas acostadas ao recurso. Alfim, requer o acolhimento do recurso para reforma da decisão recorrida e o cancelamento do auto de infração, principalmente por estar em pleno gozo da isenção da Cofins; não prestar a IN SRF n2 247/2002 para dar sustentação legal ao auto de infração; pelo não enfrentamento das alegações do direito adquirido; e pela inobservância do princípio da legalidade tributária. A autoridade preparadora informa a efetivação do arrolamento de bens para fins de garantir a instância recursal, conforme fl. 435. É o relatório. Wein.S: Ga CUt4DiLuONFECR°ENSE COjL__nA ODOERCIrTINAL____ ":4_181" Cebos araquerque mai, sia 94442 5 • • CC-MF — e-, Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n : 19515.002662/2004-84 •_±1____/- O Recurso n2 : 131.924 Acórdão n2 : 202-17.080 (IPACeImit Mana Albuquerque Mat. Siape 94442 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA O recurso voluntário atende aos requisitos legais exigidos para sua admissibilidade e conhecimento. As matérias colocadas no recurso voluntário, são, em síntese: 1) não apreciação da alegação de direito adquirido e a conseqüente inaplicabilidade dos incisos I e lido art. 55 da Lei n 2 8.212/91 ao seu caso; 2) a IN SRF n2 247, de 2002, inova o conceito de atividade própria, extrapolando o fato gerador previsto no inc. X do art. 14 da MP n 2 2.158-35, de 24/08/2001, e malferindo o art. 14 da MP n2 1.858-6, de 1999, e art. 111 do CTN; e 3) liminar em Mandado de Segurança assegura a detenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Apreciando a alegação relativa ao direito adquirido, previsto no § 1 2 do art. 55 da Lei n2 8.212/91 e regulamentado pelo art. 13 da IN INSS n 2 66/2002, verifica-se que a recorrente lastreou seu argumento na segunda norma. Entretanto, verifica-se também que a redação da referida norma, ao tempo da ocorrência dos fatos, não era a referenciada no recurso. De fato. Constata-se na norma abaixo reproduzida ser outro o comando normativo: "CAPÍTULO VI DO DIREITO ADQUIRIDO Redação anterior: Art. 13. A entidade que, em 1° de setembro de 1977, data da vigência do Decreto-Lei n° 1.572, de 1° de setembro de 1977, detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, era reconhecida como de Utilidade Pública Federal, encontrava-se em gozo de isenção e cujos diretores não percebiam remuneração, nos termos da Lei n° 3.577, de 4 de julho de 1959, teve garantido o direito à isenção. Redação atual: Art. 13. A entidade que, em 1° de setembro de 1977, data da vigência do Decreto-Lei n° 1.572, de 1° de setembro de 1977, detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, era reconhecida como de Utilidade Pública Federal, encontrava-se em gozo de isenção e cujos diretores não percebiam remuneração, nos termos da Lei n°3.577, de 4 de julho de 1959, teve garantido o direito à isenção até 31/10/1991. (redação dada pela IN LVSS/DC n°080, de 27/08/2002) [grifei] Texto anterior: mf I° A entidade cuja validade do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos provisório encontrava-se expirada teve garantido o direito previsto no caput, desde que a renovação tenha sido requerida até 30 de novembro de 1977. e \, 6 \\J .40 *- e— Ministério da Fazenda t. MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r CC-MF "f I Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Fl. ‘re >— 4 ... o 4' Brasília / 41- Processo nt : 19515.002662/2004-84 Recurso n2 : 131.924 CeInta Ivriria uquerque Acórdão 112 : 202-17.080 Mat. Siapc 94442 áç 1° A entidade cuja validade do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos provisório encontrava-se expirada teve garantido o direito previsto no capta, desde que a renovação tenha sido requerida até 30 de novembro de 1977 e não tenha sido indeferida (redação dada pela IN INSS/DC n° 080, de 27/08/2002)." [grifei] Dessarte, a redação da norma apresentada pela recorrente refere-se ao texto anterior, cuja redação foi alterada, em 27/08/2002, pela INSS/DC n 2 080. Portanto, à época dos fatos geradores não mais prevalecia a redação em que arrimou suas alegações acerca do direito adquirido. Desse modo, afasto a alegação de direito adquirido. No meu entendimento, as disposições dos arts. 13 e 14 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001 bem como o art. 47 da IN SRF n 2 247/2002 merecem melhor análise. Pelo Termo de Constatação e Encerramento, verifica-se que o Fisco baseou-se no disposto no art. 47 da IN SRF n° 247/2002 para fundamentar a autuação, bem como atestou que a recorrente atende os requisitos legais para o gozo do instituto da imunidade, conforme abaixo transcrito: "Com base nos exames da escrituragão contábil e dos documentos de suporte, concluímos que a Fundação Armando Alvares Penteado FAAP atende aos requisitos legais para o gozo do instituto da imunidade, por observar o disposto no § 1° do art. 9° e no art. 14 do Código Tributário Nacional —CTN e na Lei n°9.532, de 1997." O art. 47 da referida IN, por sua vez, dispõe: "Art. 47. As entidades relacionadas no art. 90 desta Instrução Normativa: - são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (.) § 12 Para efeito de fruição dos beneficias fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei n2 8.212, de 1991. § 22 Consideram-se receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais." As entidades referidas no art. 92, acima citado, são: "I - templos de qualquer culto; II- partidos políticos; III - instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; 7 t1( 41. r: Ministério da Fazenda "ri .1/4* Segundo Conselho de Contribuintes Fl. MF .SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF CONFERE COMO ORIGINAL ri 1 -I UI-- Brada Processo /12 : 19515.002662/2004-84 ca;;n Recurso nt : 131.924 Celma Maria Albuquerque Acórdão : 202-17.080 Mat. Siape 94442 IV — instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n2 9.532, de 1997; V— sindicatos, federações e confederações; VI — serviços sociais autónomos, criados ou autorizados por lei; VII — conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII —fundações de direito privado; (negrito inserido) — condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X — Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu 1 2 da Lei n2 5764, de 16 de dezembro de 1971." Ou seja, comanda o art. 47 supra-referido que as fundações de direito privado são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. A edição da IN SRF n2 247/2002 teve a finalidade de dar operacionalidade aos arts. 13 e 14, inc. X, da Medida Provisória n 2 2.158-35/2001, uma vez que seus arts. 92 e 47 reprisam o disposto nos artigos desta norma. Além de ser uma instituição de educação, a recorrente é, também, uma fundação de direito privado, instituída por particular. O fato de ser uma fundação distingue a recorrente das demais instituições de ensino, quando constituídas por meio de associação ou das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e cientifico. Isso porque a fundação, enquanto entidade de personalidade jurídica de direito privado, segundo a definição da melhor doutrina, tem como inerente à sua instituição o caráter filantrópico e sua finalidade social. Segundo José dos Santos Carvalho Filho': "Esse tipo de entidade não pode abstrair-se da figura daquele que faz a dotação patrimonial — o instituidor — e, embora a lei civil não seja expressa, é também, inerente às fiazdações sua finalidade social, vale dizer, a perseguição a objetivos que, de alguma forma, produzam beneficias aos membros da coletividade. Essa finalidade as distancia de alvos que visem a percepção de lucros, deixando-as em agrupamento diverso daquele em que se encontram, por exemplo, as sociedades comerciais. Pode mesmo dizer-se que são essas as características básicas das fitrulações: I. afigura do instituidor; 2. o Jim social da entidade; e 3. a ausência de fins lucrativos." Também outra doutrinadora — Maria Sylvia Zanella de Pietro 2 — assim se manifesta acerca da distinção que o Código Civil contém entre as duas modalidades de pessoas jurídicas privadas: associação e sociedade, de um lado, e fundação de outro: CARVALHO FILHO. José dos Santos. Manual de Direito Adminsitrativo. II ! ed. Rio de Janeiro: Lumem Júris. 2005. p. 458. 2 PIETRO. Maria Sylvia Zanella de. Direito Adminsitrativo. I 5! ed. Sá° Paulo: Atlas. 2003. p. 372. \f 8 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES' r CC-MF „ vil Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL E.I Segundo Conselho de Contribuintes J Processo nt : 19515.002662/200444 CeIma Nnagrfa:AA4kquerque Recurso nt : 131.924 Mat. Siape 94442 Acórdão nt : 202-17.080 "A distinção entre as duas modalidades de pessoa jurídica foi feita de modo preciso, no início do século, por Lacerda de Almeida (1905:66-67): 'o que caracteriza in genere os estabelecimentos, e in specie as fimdações, é servirem a um fim de utilidade pública — religioso, moral, científico, político ou mesmo industrial — e nisto se distinguem das associações ou corporações, as quais, posto possam ter fins idênticos ou análogos, não servem a tais fins, antes no alcança-los buscam o seu próprio proveito, trabalham no interesse da coletividade, ou do ser ideal que a personifica. Por isso mesmo que são pessoas e não coisas e, como pessoas, têm em si próprias a razão de sua atividade, as associações ou corporações - admita-se a sinonímia desses vocábulos - as associações ou corporações são do mesmo modo e pelo mesmo título que as pessoas fisicas, fim para si, trabalham, agem, movem-se, dirigem-se para servir a si próprias, tudo que fazem. fazem-no no interesse próprio; os direitos que adquirem, adquirem-nos para si e para si os exercem. As fundações, os institutos, os estabelecimentos são, ao contrário, estruturas destinadas a servir a certos fins de religião ou de beneficência ou de ciência ou arte etc., não são pessoas. mas coisas personificadas não são fins para si. adquirem direitos e exercem-nos em proveito de certa classe de pessoas indeterminadas, ou de quaisquer pessoas indistintamente. São patrimônios administrados; a personalidade deles pode considerar-se uma abstração. ' (grifei). Sinteticamente, pode-se dizer que, na pessoa jurídica de forma associativa, o elemento essencial é a existência de determinados membros que se associam para atingir a certos fins que a eles mesmos beneficiam; na (undação, o elemento essencial é o patrimônio destinado à realizacão de certos fins que ultrapassam o âmbito da própria entidade, indo beneficiar terceiros estranhos a ela " (grifei). Aduz, também, que nas fundações o elemento humano que as compõe é mero instrumento para a consecução dos seus fins. E prossegue (p.374): "Com efeito, examinada a fundação tal como se encontra estruturada pelo Código Civil, verifica-se que ela se caracteriza por ser dotada de um patrimônio a que a lei, mediante observância de certos requisitos, reconhece personalidade jurídica tendo em vista a consecução de determinado fim. (..) no direito privado a fundação adquire vida própria, independente da vontade do instituidor (que não poderá nem mesmo fiscalizar o cumprimento da sua manifestação de vontade, já que essa função foi confiada ao Ministério Público). Acresce que, com relação às fundações instituídas por particulares, a função do Ministério Público justifica-se pela necessidade de atribuir a algum órgão público a função de manter a entidade dentro dos objetivos para os quais foi instituída; vale dizer, como a fundação adquire vida própria e nela não mais interfere o instituidor, o Ministério Público assume essa função." Desse modo, entendo que falta fundamento para se considerar como receita de atividade própria de uma fundação "somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores", uma vez que a figura desses personagens (associado ou mantenedor) não existe na fundação. Trata-se, como asseveram os balizados doutrinadores, de um patrimônio que, administrado, gera receita a partir da execução das atividades para as quais foi destacado nae \i 9 .4. Ministério da Fazenda RIF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES VCC-MF-• CONFERE COM O ORIGINAL Fl.•tep Segundo Conselho de Contribuintes Brasília. .4t 1 -I I- Processo n2 : 19515.002662/200444 Cerae\ Recurso lat : 131.924 Celma Maria Albuquerque Acórdão n2 : 202-17.080 Mal Siane 94442 forma de fundação. Portanto, atividade própria. E, no caso, a atividade própria abrange as atividades de educação, assistência social e de caráter filantrópico. Num raciocínio contrariu sensu, a prática de atividade imprópria ou diversa da de educação, para a qual foi instituída, significaria fugir totalmente da sua finalidade, o que provocaria a ação do Ministério Público, sem prejuízo de tal receita ser suscetível de tributação. Por outro lado, o § 1 2 do art. 47 da famigerada IN, limita a fruição dos beneficios, determinando que "as entidades de educacão. assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social." Em que pese seja uma entidade de educação, a recorrente é, antes, uma fundação, e as fundações constam em inciso distinto daquelas entidades na norma que estabelece a isenção, ou seja, no inciso VIII do art. 92 da IN em foco —fundações de direito privado. Ademais, o STF assim já se pronunciou acerca da existência de atividade econômica em entidades sem fins lucrativos, na ADI-MC 1802 / DF - DISTRITO FEDERAL - MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE INCONS1TTUCIONALIDADE - Relator(a): Min. SEPÜLVEDA PERTENCE - Julgamento: 27/08/1998 - Órgão Julgador: Tribunal Pleno - Publicação: DJ 13-02-2004: "(..) a categoria econômica representada pela autora abrange entidades de fins não lucrativos, pois sua característica não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não destinarem os seus resultados positivos à distribuição de lucros. II. Imunidade tributária (CF, art. 150, VI, c, e 146, II): "instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei": delimitação dos âmbitos da matéria reservada no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise, a partir dai, dos preceitos impugnados (L. 9.532/97, arts. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida (.) 3. Reserva à decisão definitiva de controvérsias acerca do conceito da entidade de assistência social, para o fim da declaração da imunidade discutida - como as relativas à exigência ou não da gratuidade dos serviços prestados." Deste modo, afasto tal norma como fundamento da autuação. Reforça o posicionamento ora adotado o fato de, enquanto instituição de educação, haver o Fisco reconhecido expressamente nos autos que a recorrente preenche os requisitos exigidos para a fruição da imunidade estabelecida no art. 150 da Constituição Federal, a qual é base para a isenção da Cofins, concedida no art. 14 da Medida Provisória n22.158/2001. O referido artigo estabelece que "em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de Jde fevereiro de 1999, são isentas da COF1NS as receitas" —"X -relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13", que são: "Ill - instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei r, 9.532, de 10 de dezembro de 1997", o qual dispõe que "Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos." Ora, aliado ao fato de ser uma fundação, a . recorrente, conforme atesta a fiscalização, insere-se no conceito de instituição de educação estabelecido no art. 12 da Lei n2 9.532/97, conforme consta acima negritado. Tanto é assim, que a fiscalização, com base neste e \,. Ministério da Fazenda PAF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF CONFERE COM O ORIGINAL Fl.ze,,‹ Segundo Conselho de Contribuintes Brasília. -14 Processo nt : 19515.002662/2004-84 Recurso 112 : 131.924 Celma t2ãuquerque Acórdão n2 : 202-17.080 Mal. sia. 94442 entendimento reconheceu a imunidade para o IRPJ e a CSLL. Este conceito é o que o art. 14 da MP n2 2.158/2001 exige seja preenchido pelas instituições de educação para que lhes seja estendida a isenção da Cofins e do PIS. O estatuto da Fundação estabelece em seu art. 1 2 como segue: "Artigo 01 - A Fundação Armando Álvares Penteado, FAAP, pessoa jurídica de direito privado, instituída nos termos do Decreto-Lei estadual n° 11103, de 12 de março de 1947, com o objetivo de amparar, fomentar e desenvolver as artes plásticas e cênicas, a cultura e o ensino em geral, terá duração indeterminada e reger-se-á por este estatuto e pela legislação aplicável e atenderá a todos os encargos decorrentes das disposições testamentárias estabelecidos por seu instituidor, tendo sede e foro nesta Capital, à Rua Ceará, n°02." Portanto, entendo claras as disposições estatutárias e consoantes com as disposições legais tributárias no que concerne ao reconhecimento da isenção da Cofins. Com esse entendimento, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2006. /4À CRISTINA R ta.:at-tx- C‘ DA COSTA • 11 29 CC-MFMinistério da Fazenda MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES !$/r ", 't Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Ft bc.;^•r14 Brasília. / t o Processo n2 : 19515.002662/2004-84 Recurso n2 : 131.924 Celma JkiPt2querque Acórdão n2 : 202-17.080 Mal Siape 94442 DECLARAÇÃO DE VOTO DO CONSELHEIRO ANTONIO ZOMER Embora tenha acompanhado a relatora no voto que concluiu pelo cancelamento do auto de infração, sirvo-me da presente declaração de voto para firmar o meu entendimento a respeito das receitas das atividades próprias das fundações de direito privado. Estas receitas foram isentadas da Cofins a partir de fevereiro de 1999, pelo art. 14, inciso X, da Medida Provisória n2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, que tem a seguinte redação: "Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de P de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: X- relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13." O art. 13, por sua vez, assim, dispôs, verbis: "Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à aliquota de um por cento, pelas seguintes entidades: VIII - fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público;" Ao conceder isenção para as receitas relativas às atividades próprias das fundações de direito privado, o inciso X do art. 14 da MP n 2 2.158-35/2001 (antes MP n2 1.858- 6/99) não especificou quais as receitas estariam abrangidas pelo beneficio fiscal. Há quem entenda que todas as receitas estatutárias das fundações de direito privado estariam alcançadas pelo termo receita relativa às atividades próprias. Com a devida vênia, com este entendimento eu não posso concordar. Se o legislador pretendesse isentar toda e qualquer receita das fundações de direito privado não teria utilizado o termo "receitas das atividades próprias das fundações", ao estatuir o beneficio. Na busca do verdadeiro significado e abrangência da expressão receita relativa às atividades próprias das fundações, utilizada na MP n 2 1858-6/99, o aplicador da lei precisa recorrer aos princípios que norteiam as concessões de benefícios fiscais, em especial ao principio da tipicidade cerrada, segundo o qual a interpretação, nestes casos, há de ser estrita, nos termos do art. 111 do crN. A decisão recorrida adotou o conceito exarado pela Secretaria da Receita Federal no Parecer Normativo CST n2 5/92, que definiu o que seria faturamento para efeito da tributação pela então recém criada Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins. De acordo com o citado Parecer, no caso das entidades sem fins lucrativos, estariam excluídas do conceito de faturamento as receitas próprias desse tipo de entidade, que seriam as contribuições, doações e recursos assemelhados, voluntários ou estatutários, recebidas dos seus associados, mantenedores ou colaboradores, para manutenção da entidade e sem qualquer caráter contraprestacional direto. \l2 M MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF - inistério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL A. :41.3-a g" Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, -ALI I H Processo n2 : 19515.002662/2004-84 Recurso ti9 : 131.924 Celma Albuq ergue Acórdão n2 : 202-17.080 MM. Sia. 94442 Todavia, seriam consideradas dentro do conceito legal de faturamento (e, portanto, sujeitas à incidência da Cofins) as receitas advindas da prestação de serviços, das vendas de mercadorias e de outras atividades de caráter contraprestacional direto. Não acho que o inciso X do art. 14 da MP n2 2.158-35/2991 pretendeu isentar apenas as receitas assim especificadas no Parecer Normativo CST n2 5/92, porém é certo que no contexto deste novo dispositivo legal, para fazer jus à isenção da Cotins, não basta que as receitas das entidades relacionadas no art. 13 tenham previsão estatutária. É necessário, também, no caso das fundações de direito privado, que estas receitas sejam relativas às atividades próprias dessas entidades. Neste contexto, atividades próprias de uma fundação devem ser aquelas que não ultrapassem a órbita dos objetivos sociais desse tipo de entidade. Assim, as receitas das atividades próprias alcançam, normalmente, as receitas típicas de entidades sem fins lucrativos, tais como: doações, contribuições, inclusive a sindical e a assistencial, mensáidades e anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção daquelas entidades e à execução de seus objetivos estatutários. • Há que se considerar, também, que nossos tribunais superiores já se posicionaram no sentido de que as entidades sem fins lucrativos não se descaracterizam por auferir receitas de cunho contraprestacional, desde que os recursos auferidos sejam integralmente aplicados no desenvolvimento das atividades para as quais tenham sido instituídas. Desta forma, admite-se que uma fundação hospitalar cobre pelos serviços hospitalares que presta, que uma fundação educacional cobre pela prestação dos serviços educacionais e que uma fundação de pesquisa cobre para realizar testes, exames ou até mesmo por pesquisas encomendadas. Entretanto, a isenção não alcança as receitas que são próprias de atividades de natureza econômico-financeira ou empresarial, uma vez que as entidades sem fins lucrativos são constituídas para prestar serviços complementares aos do Estado e não para a prática de atividade comercial com o fim especulativo de lucro. Por isso, não estão isentas da Cofins, dentre outras, as receitas decorrentes da exploração do jogo de bingo, as comissões sobre prêmios de seguros e as receitas da prestação de serviços e/ou venda ou revenda de mercadoria, que não se enquadrem no conceito de atividade típica desse tipo de entidade. • Com o entendimento de que nem todas as receitas estatutárias das fundações constituem-se em receitas próprias, na concepção do termo utilizado pelo inciso X do art. 14 da MP n2 2.158-35/2001, concorda a 42 Turma do TRF da 1 2 Região, conforme decidido no julgamento do Agravo de Instrumento n2 2002.01.00.003234-4/MG, relatado pelo Juiz Hilton Queiroz, cuja ementa foi assim redigida: "PROCESSUAL CIVIL. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, em seu artigo 14, inciso X somente isentou da COF1NS as receitas relativas às atividades próprias das fundações de direito privado, o que, em primeiro plano, afasta a possibilidade da concessão da \13 • Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 20 CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Brasnia, ri 9 / 11 / Ca' Processo n2 : 19515.002662/2004-84 Recurso n2 : 131.924 Celma aria Albuquerque Acórdão ri2 : 202-17.080 Mat. Slape 94442 tutela, vez que não há prova sobre quais bases incide a contribuição que a agravante visa afastar. Agravo improvido." Naquele voto, o relator fez constar o seguinte trecho da decisão agravada: "Requer a Autora provimento judicial antecipado que reconheça a inexistência de relação jurídica tributária, relativamente à incidência da Cofins, considerando a exclusão do crédito por força da Medida Provisória n° 2.158-35/01, ao instituir isenção para as Fundações de Direito Privado. Não merece êxito o pedido formulado. A isenção instituída pela Medida Provisória n° 2.158-35/01 é restrita às atividades próprias das Fundações. Isto a própria União reconhece. No caso, apesar de afirmar indevidos os pagamentos, a título de Cofins, porque ocorridos na vigência da norma isentante, não descreve e nem comprova a Autora sobre qual base incidem. Se incidem sobre faturamento decorrente de atividades exclusivamente inerentes à sua finalidade, ou também sobre faturamento decorrente de outras atividades diversas. Certo é que a isenção não tem a amplitude de excluir os créditos tributários relativamente à Cotins, apenas por serem devidos pela Autora na qualidade de Fundação de Direito Privado, se não demonstra que o faturamento é exclusivo de atividades próprias à sua finalidade. Trata-se de matéria de fato, a demandar melhor instrução processual, o que por si só inviabiliza o provimento judicial requerido. Indefiro a tutela antecipada." O inciso X do art. 14 da MP n2 2.158-35/2001, ao conceder a isenção da Cofins para as entidades relacionadas no art. 13, não estava regulamentando a imunidade às contribuições sociais de que trata o art. 195, § r, da Constituição Federal, restrita às entidades beneficentes de assistência social, mas criando um beneficio fiscal novo, desta vez extensivo a outras entidades sem fins lucrativos, que não precisam, necessariamente, ser beneficentes de assistência social. É por este motivo que nem todas as entidades relacionadas no art. 13 da MP n2 2.158-35/2001 foram submetidas ao cumprimento dos requisitos estipulados pelo art. 55 da Lei n2 8.212/91, para fazerem jus à isenção da Cotins, conforme se depreende da leitura do art. 17 da referida MP, verbis: "Art 15. Aplicam-se às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COF1NS, o disposto no art. 55 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991." As entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social são aquelas relacionadas nos incisos III e IV do art. 13 da MP n 2 1.858-6/99, que têm a seguinte redação: "III) as instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; e 14 • „ MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2' CC-MF 4. Ministério da Fazenda g. • CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Segundo Conselho de Contribuintes eig / IBrasília Processo n! : 19515.002662/2004-84 Recurso n2 : 131.924 Celma aquerque Mat. Sia. 94442 Acórdão n2 : 202-17.080 110 as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, a que se refere o art.I 5 da Lei n°9.532, de 1997;" Este entendimento foi referendado pela Secretaria da Receita Federal na pergunta n2 856 do livro Perguntas e Respostas IRPJ 2005, disponível no site daquele órgão na internee, estando lá registrado que essas entidades, além de atenderem às definições dos arts. 12 e 15 da Lei n2 9.532, de 1997, devem também atender aos requisitos do art. 55 da Lei n 2 8.212, de 1991, inclusive o de ter reconhecida a sua isenção, renovada a cada três anos, pelo Conselho Nacional de Assistência Social, vinculado ao Ministério da Previdência e Assistência Social. Preenchidos esses requisitos, todas as receitas dessas entidades estarão isentas da Cofins. No caso das fundações de direito privado, entretanto, a situação é um pouco diferente. Para fazer jus à isenção, a fundação deve cumprir as condições a que se submetem todas as entidades sem fins lucrativos, ou seja, aquelas constantes do art. 14 do Código Tributário Nacional (Lei n2 5.172/66), verbis: "Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: 1— não distribuírem qualquer parcela de seu património ou de suas rendas, a titulo de lucro ou participação no seu resultado; ' - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão." No caso da recorrente, foram preenchidos os requisitos do art. 14 do CTN e as receitas tributadas provieram da prestação de serviços educacionais, que é atividade própria da fundação, pelo que o auto de infração não pode susbsistir. Sala as Sessões, em 23 de maio de 2006. aI • M I R k \,( http://www.receita.fazenda.gov.br/Pessoahridica/DIPJ/2005/PergResp2005/pr808a860.htm. 15 Page 1 _0058700.PDF Page 1 _0058800.PDF Page 1 _0058900.PDF Page 1 _0059000.PDF Page 1 _0059100.PDF Page 1 _0059200.PDF Page 1 _0059300.PDF Page 1 _0059400.PDF Page 1 _0059500.PDF Page 1 _0059600.PDF Page 1 _0059700.PDF Page 1 _0059800.PDF Page 1 _0059900.PDF Page 1 _0060000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10510.900075/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ • Ano-calendário: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUINDASTES, GUINCHOS E ASSEMELHADOS. EQUIPARAÇÃO A TRANSPORTE DE CARGAS. EXIGÊNCIA DE CONTRATO DE TRANSPORTE. A prestação de serviços de guindaste somente se equipara ao serviço de transporte de cargas, para efeito de determinação de base de cálculo do imposto de renda, quando for parte integrante de um contrato de transporte, com remuneração exclusivamente do serviço contratado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Configurada a inexistência de direito creditório, incabível a homologação da declaração de compensação. Solicitação Indeferida
Numero da decisão: 1401-000.547
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. Julgamento conjunto dos processos nº 10510.900063/2006-65, 10510.900070/200667,
10510.900074/200645,10510.900075/200690,10510.900081/200647,
10510.900082/200691,10510.900085/200625,10510.900086/200670,
10510.900087/200614,10510.900088/200669,10510.900090/200638,
10510.900092/200627,10510.900093/200671 e 10510.900094/200616,
nos termos do disposto no § 7º do art. 58 do RICARF.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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NÃO VINCULAÇÃO. APRECIAÇÃO DA NORMA Apesar de a solução de consulta somente constituir norma aplicável ao consulente, temse que a mesma pode ser considerada como princípio informativo para aplicação do direito à parte não consulente. De toda forma, nada impede que o julgador, ao conhecer da matéria posta em julgamento, dê solução equivalente ao posicionamento reiteradamente aceito no âmbito de soluções de consulta respondidas pela RFB. TRANSPORTE. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DE LUCRO. ATIVIDADE ACESSÓRIA. A atividade de carga e descarga de mercadorias como acessória de um serviço de transporte de mercadorias, sujeitase a mesma tributação aplicada ao serviço de transporte. Para a apuração da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, somente será aplicável o percentual de 8% quando a prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, integrarem um contrato de transporte. Por outro lado, será aplicável o percentual de 32%, quando a receita decorrer da prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, que não integrem um contrato de transporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. Julgamento conjunto dos processos nº 10510.900063/200665, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR Processo nº 10510.900075/200690 Acórdão n.º 1401000.547 S1C4T1 Fl. 2 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/2006 47, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/2006 27, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616, nos termos do disposto no § 7º do art. 58 do RICARF. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Ausente momentaneamente o conselheiro Mauricio Pereira Faro. Relatório A Recorrente é uma empresa privada cujo objeto social consiste na prestação de “serviço de LOCAÇÃO DE GUINDASTES LEVES E PESADOS”, conforme se extrai de seu contrato social em vigor. Nos anoscalendário 2000 e 2001, a Recorrente apurou o imposto de renda pela sistemática de lucro presumido, tendo aplicado o percentual de 32% sobre a totalidade de sua receita bruta para fixação do lucro tributável. Ainda, a Recorrente aderiu a um parcelamento, objetivando pagar débitos de imposto de renda relativos a referidos anoscalendário, consolidado no processo nº 10510.003859/200163, em que indicou, como imposto de renda em débito, aquele apurado pela composição do percentual de 32% sobre o total da sua receita bruta. Referido parcelamento foi encerrado em 31 de julho de 2003 com o pagamento da última parcela. No entanto, o contribuinte, acreditando ter recolhido imposto de renda a maior durante referidos anoscalendário e no respectivo parcelamento, promoveu a retificação de suas DIPJ’s 2001 e 2002, anoscalendário 2000 e 2001, assim como as respectivas DCTF’s, para fazer constar parte de suas receitas como sujeitas ao percentual de 8% para definição do lucro tributável, e não de 32% como havia sido originalmente declarado. Assim, após as retificações, a Recorrente apurou um crédito de imposto de renda decorrente de pagamento indevido. Segundo a Recorrente, o erro incorrido nas declarações originais referese ao percentual de lucro presumido incidente sobre parte dos serviços prestados. Isso porque, segundo defende, quando o serviço de guindastes estiver atrelado a um serviço de transporte, deve a respectiva receita estar sujeita ao percentual de 8% para definição do lucro tributável. Desta feita, a Recorrente promoveu a segregação dos valores oferecidos à tributação, para sujeitar aqueles decorrentes de serviços de transporte ao percentual reduzido, mantendo os demais serviços no percentual de 32% para determinação da base de incidência do imposto. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR Processo nº 10510.900075/200690 Acórdão n.º 1401000.547 S1C4T1 Fl. 3 Identificado o recolhimento indevido e a maior, a Recorrente apresentou as DCOMP’s consolidadas nos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/200647, 10510.900082/2006 91, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/200627, 10510.900093/2006 71 e 10510.900094/200616. Como crédito, em todas elas foi apontado a diferença pela revisão do percentual do lucro presumido de 32% para 8% em parte das receitas oferecidas à tributação pelo imposto de renda nos anoscalendário 2000 e 2001 e no já citado parcelamento. O primeiro processo posto em julgamento foi o de nº 10510.900081/200647. Neste feito, após analise das notas fiscais emitidas pelas Recorrente nos anoscalendário 2000 e 2001, a Autoridade Fiscal, assim como a DRJ que analisou a manifestação de inconformidade, entendeu por afastar as declarações retificadoras, ao argumento de que as notas fiscais apresentadas pela Recorrente como respaldo à aplicação do percentual de 8% para o lucro presumido não seriam de transporte, pelo que não teria ocorrido o suposto pagamento indevido viabilizador do crédito objeto de restituição. A decisão restou assim ementada: Acórdão _ 1519.4682ªTurma da DRJ/SDR Sessão de 29 de maio de 2009 Processo 10510.900081/200647 Interessado ETINHO GUINDASTES LTDA CNPJ/CPF 01.323.131/000172 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ • Anocalendário: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUINDASTES, GUINCHOS E ASSEMELHADOS. EQUIPARAÇÃO A TRANSPORTE DE CARGAS. EXIGÊNCIA DE CONTRATO DE TRANSPORTE. A prestação de serviços de guindaste somente se equipara ao serviço de transporte de cargas, para efeito de determinação de base de cálculo do imposto de renda, quando for parte integrante de um contrato de transporte, com remuneração exclusivamente do serviço contratado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Configurada a inexistência de direito creditório, incabível a homologação da declaração de compensação. Solicitação Indeferida Por conseqüência, todas as demais DCOMP’s que apontaram o mesmo direito de crédito, após análise da manifestação de inconformidade, tiveram sua solicitação indeferida sob o mesmo fundamento. Inconformada, a Recorrente aviou recurso voluntário em referidos processos, objetivando revisão do julgamento, sob os seguintes argumentos: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR Processo nº 10510.900075/200690 Acórdão n.º 1401000.547 S1C4T1 Fl. 4 1) Nos processo nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, que a decisão do processo nº 10510.900081/200647 não pode servir de fundamento para o indeferimento dos respectivos pedidos de compensação, para os quais sequer foi solicitada a apresentação da documentação da Recorrente; 2) Em todos os processos, no mérito, que a Recorrente exerce duas atividades, quais sejam, (i) locação de guindastes e (ii) serviço de guidastes com transporte de cargas, devendo este sujeitarse à tributação à base de 8%, e não de 32%, pelo que os valores recolhidos a maior caracterizamse como pagamento indevido. Dada a identidade material dos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/2006 47, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/2006 27, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616, promovo, com base no disposto no § 7º do art. 58 do RICARF, o julgamento conjunto dos processos. É este, em suma, o relatório Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator Os recursos são tempestivos e, atendidos os demais requisitos legais, deles conheço. PRELIMINAR. NULIDADE DOS JULGAMENTOS. Nos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, a Recorrente argüiu a nulidade dos julgamentos posto que a decisão que indeferiu o direito de crédito tomou como base o julgamento realizado no processo nº 10510.900081/200647. Sem razão a Recorrente. Os processo ora em julgamento, em especial os supra indigitados, referemse a pedidos de compensação em que se aponta como objeto de restituição o mesmo direito creditório, qual seja, o recolhimento indevido a maior de imposto de renda apurado pela sistemática de lucro presumido nos anoscalendário 2000 e 2001, cujos pagamentos foram consolidados por meio do parcelamento decorrente do processo nº 10510.003859/200163. Desta feita, a solução dada em um dos processos deverá ser a mesma para todos os demais. Isso porque, caso seja reconhecido, total ou parcialmente, o direito creditório Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR Processo nº 10510.900075/200690 Acórdão n.º 1401000.547 S1C4T1 Fl. 5 postulado pela Recorrente, a homologação das respectivas DCOMP’s deverá ser promovida no limite do direito de crédito reconhecido. Não existem outras questões em litígio que não sejam relacionadas ao reconhecimento do direito creditório, que é comum a todos os processos. Desta feita, não reconhecido o direito creditório em um processo, a mesma solução deve ser dada a todos os demais. No caso em apreço, a inexistência do direito creditório decorrente de suposto recolhimento indevido a maior do imposto de renda nos anoscalendário 2000 e 2001 foi reconhecida no processo nº 10510.900081/200647, devendo a mesma solução alcançar os demais processos em que se pleiteia a restituição do mesmo direito creditório. Pelo exposto, afasto a preliminar invocada. MÉRITO. DEFINIÇÃO DO DIREITO APLICÁVEL. No mérito, aduz a Recorrente que parte de seu faturamento não se refere à prestação de serviços de guindastes, mas sim a serviços de transporte que envolvem a utilização de caminhões munck, responsáveis por içar as mercadorias que serão transportadas nos respectivos caminhões, pelo que a receita decorrente deste serviço de transporte estaria sujeita ao percentual de 8% para fins de identificação do lucro tributável no sistema de apuração pelo lucro presumido. Segundo seu alega: A base legal, desse entendimento encontrase respaldada na Lei n° 8.981/95, art. 44, Lei n° 9.249/95, arts. 15 e 29, Lei n° 9430/96, arts. l, 25 e 26, Processo de Consulta n° 007/99. 4ª Região Fiscal e Decisão n° 99/98 da 8ª Região Fiscal. Albergadas na jurisprudência da Receita Federal, transmitida mediante a Decisão—N° 99/98, da oitava Região Fiscal, as pessoas jurídicas prestadoras de serviço com guindaste, acompanharam corretamente esse entendimento, e assim, passaram a tributar as receitas relativas a referida atividade com o percentual de 8% (oito por cento) e 32% a atividade e locação de guindaste. Foi o que fez o recorrente. O que torna ineficaz a Decisão da Delegacia de Julgamento de Salvador (Ba)., aqui combatida. Da legislação invocada pela Recorrente, inferese que as empresas prestadoras de serviço em geral submetemse ao percentual de lucro presumido de 32%, sendo que as empresas de transportes de carga sujeitamse ao percentual de lucro presumido de 8%. Já das soluções de consulta tomadas como fundamento para as retificações realizadas pela Recorrente, extraise o seguinte: LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS E GUINDASTES Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR Processo nº 10510.900075/200690 Acórdão n.º 1401000.547 S1C4T1 Fl. 6 O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, relativa a prestação de serviço de guindaste, é de 8% (oito por cento),para fins de determinar a base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido.Dispositivos Legais: Lei n° 8.981/95, art. 44; n° 9.249/95, arts. 15 e 29 e n° 9.430/96, arts. 1º, 25 e 26. Processo de Consulta n° 007/99. Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 4a. Região Fiscal. Publicação no DOU: 01.07.1999. MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DECISÃO Nº 99 de 25 de Maio de 1998 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, relativa a prestação de serviço de guindaste, é de 8%, para fins de determinar a base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido. Para serviços de locação de guindaste este percentual será de 32%. A decisão recorrida afastou a aplicação de referidas soluções de consulta, ao entendimento de que a Recorrente não foi a consulente nessa consulta, pelo que a decisão ali prolatada à ela não se aplicam. Da análise do bojo normativo em análise, identifico que, de fato, a Recorrente não foi parte das soluções de consulta por ela invocadas, pelo que, apesar de as soluções de referidas consultas poderem ser invocadas como princípio informativo para interpretação das normas aplicáveis ao caso, as mesmas não possuem efeito vinculante para fins de se encontrar o direito aplicável à espécie. Nesse contexto, as soluções de consulta invocadas não formam direito subjetivo à parte que não participou do respectivo processo, podendo o referido entendimento ser, ou não aplicado, conforme a análise o caso concreto. Restanos, então, definir o direito aplicável à espécie. Segundo se extrai do disposto no art. 15, inciso, II, alínea ‘a’ a lei nº 9.249/95, o serviço de transporte de carga está sujeito ao percentual de lucro presumido de 8% (oito por cento) sobre a receita auferida. Já os demais serviços em geral, dentre os quais se enquadram os serviços de guindastes, içamento, e recolocação mecânica de produtos e mercadorias, sujeitamse ao percentual de 32% aplicável sobre a receita decorrente da prestação de serviço. A dúvida surge quando, para que o serviço de transporte seja realizado, seja necessário o içamento da mercadoria por meio de guindastes. Com mais precisão ainda surge a dúvida quando referida composição de serviços “içamento+transporte” é feito por meio de caminhão conhecido como munck. Isso porque o munck é um caminhão que tem, atrelado à sua carroceria, um guindaste que possibilita o levantamento de produtos. Vejamos. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR Processo nº 10510.900075/200690 Acórdão n.º 1401000.547 S1C4T1 Fl. 7 De início, registro que a identificação da norma aplicável para caracterizar a hipótese de aplicação do percentual de 8% não é o instrumento utilizado para a prestação, mas sim a natureza do próprio serviço. De fato, conforme alega a Recorrente, o caminhão munck é um “caminhão com guincho ou guindaste acoplado, para o carregamento, transporte e descarregamento de cargas em geral”. No entanto, não é todo serviço executado com um caminhão munck que estará sujeito à aplicação do percentual reduzido do lucro presumido. Isso porque o caminhão munck pode ser utilizado para içar a mercadoria e colocála a bordo do caminhão, para o respectivo transporte e posterior desembarque, como também pode ser utilizado apenas para que o serviço de guindastes seja realizado em local facilmente acessível por meio do caminhão. Assim, se o guincho ou guindaste do caminhão munck é utilizado como serviço acessório ao de transporte, aplicase à respectiva receita o percentual de 8% para identificação do lucro presumido. No entanto, se o guincho ou guindaste do caminhão munck for utilizado para movimentação de mercadorias, e não para o seu transporte, aplicase o percentual de 32% para a definição do lucro tributável. Essa mesma lógica deve ser aplicada aos serviços de içamento, guinchamento ou correlatos: se a atividade é acessória e diretamente relacionada ao serviço de transporte contratado, o total da receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido. Se, por sua vez, o serviço de içamento, guinchamento ou correlato tiver sido contratado separadamente, ou não estiver diretamente atrelado ao serviço de transporte de mercadorias, deverá ser aplicado o percentual de 32%. Neste sentido, existem inúmeras soluções de consulta da RFB, valendo ressaltar o seguinte entendimento: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 306 de 26 de Novembro de 2010 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS APLICÁVEIS. A atividade de carga e descarga de mercadorias no pátio do estabelecimento não é propriamente caracterizada como transporte de mercadorias, mas atividade que normalmente acompanha o transporte. Para a apuração da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, somente será aplicável o percentual de 8% quando a prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, integrarem obrigatoriamente um contrato de transporte, e a receita for auferida exclusivamente em função do serviço de transporte contratado. Por outro lado, será aplicável o percentual de 32%, quando a receita decorrer da prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, que não integrem um contrato de transporte. Pelo exposto, entendo que somente quando o serviço de guindastes, içamentos e correlatos forem arte de um contrato de serviço de transporte é que a sua receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido, para fins de incidência do imposto de renda. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR Processo nº 10510.900075/200690 Acórdão n.º 1401000.547 S1C4T1 Fl. 8 MÉRITO. SUBSUNÇÃO DA NORMA AO FATO. Diante do exposto acima, temse que os serviços de transporte estarão sujeitos ao percentual de 8% incidente sobre a receita bruta auferida, sendo que todos os demais sujeitamse ao percentual de 32%. Da análise da documentação acostada pela Recorrente, identifico que a maioria dos serviços descritos nas notas fiscais estão sujeitos ao percentual de 32%, por se referirem a serviços de munck, em que não está especificada a existência de transporte de mercadorias, locação demunck, locação de guindastes e serviços de içamento não diretamente relacionados a serviços de transporte. No entanto, nas seguintes notas fiscais, estão especificados serviços de transporte, a saber: Fls. Nota fiscal nº Serviço Valor (R$) 55 1132 Serviço de munck para transporte de 01 arco cirúrgico do Hospital João Alves Filho para o Hospital Ciurgica 150,00 59 1090 Serviço de carreta de feiradesom para Aracajú 2.000,00 62 1122 Serviço de carreta para transporte de peças e de um chaminé 900,00 74 1087 Serviço de munck para transporte de caixas de Aracajú para 600,00 76 1083 Serviço de munck – 120 km rodados 520,00 89 1449 Serviço de munck para transporte de materiais 9.920,00 93 1461 Serviço de munck para transporte 150,00 123 1386 Serviço de munck – 140 km rodados 290,00 129 1374 Serviço munck para transporte de uma máquina de coco 210,00 167 1170 Serviço de munck para levar uma estátua na cidade de Tobias Barreto – SE 310,00 177 1140 Serviço de munck para transportar um misturador de Pedra Branca – SE para Renascença – SE e viceversa 1000,00 178 1137 Serviço de munck – 138 km rodados 288,00 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR Processo nº 10510.900075/200690 Acórdão n.º 1401000.547 S1C4T1 Fl. 9 179 1182 Serviço de munck para transportar um arco cirúrgico de um hospital a outro 150,00 Os serviços descritos nas notas fiscais supra elencadas tratam nitidamente de serviços de transporte, estando os mesmos sujeitos ao percentual de 8% para fins de apuração do lucro presumido. Quanto aos serviços descritos nas demais notas fiscais juntadas aos autos, entendo não estar configurado o serviço de transporte, pelo que a eles se aplica o percentual de 32%. Diante do exposto, tendo o recolhimento do imposto de renda sido promovido totalmente com base no lucro presumido apurado pelo percentual de 32%, entendo que parte dos valores recolhidos pela Recorrente tratase de pagamento indevido a maior, passível de restituição. Deve, assim, a autoridade preparadora, considerandose os períodos trimestrais de formação do lucro presumido, acatar as retificações promovidas nas DCOMP’s e DIPJ’s com relação às receitas acima discriminadas, calculandose o lucro presumido sobre referidas bases no percentual de 8%. Feita essa composição, e apurado o pagamento a maior, devem ser homologadas as DCOMP’s no limite do direito creditório ora reconhecido, levandose em consideração, por período, o crédito apontado em cada uma das DCOMP’s. Voto, assim, pelo provimento parcial dos recursos para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007783/2007-89
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Numero da decisão: 2802-001.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Dayse Fernandes Leite.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente e Relator Ad Roc.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Redator designado.
EDITADO EM:
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Dayse Fernandes Leite. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator Ad Roc. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Redator designado. EDITADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 77 83 /2 00 7- 89 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de fls. 34 / 37 , que considerou procedente o lançamento por Dedução indevida a titulo de despesas médicas no valor total de R$ 26.000,00. As glosas se referem aos seguintes profissionais: Profissional Especialidade Valor Maria de Lourdes Maia 10.000,00 Benjamim G. Leite Odontóloga(o) 8.000,00 Tatiane M. Aquino fisioterapeuta 6.000,00 Fabaiana R. Aquino terapeuta ocupacional 2.000,00 total 26.000,00 Na decisão de 1ª instância, mantevese o lançamento entendendo inexistir ilegalidade na busca pela verdade dos fatos, quando se há dúvidas quanto à dedução pleiteada, diante da apresentação de recibos sequencialmente numerados e de valores acima dos de mercado. Nessa decisão, considerouse que o contribuinte alegou seu direito a deduções, mas sem demonstrar , em sua impugnação, os recibos, as movimentações bancárias, um a um, de forma a verificar a correção ou não das glosas realizadas, razão da manutenção do lançamento. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 24 /03 /2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 41 . À vista da decisão, foi protocolizado em 25/04/2011(segundafeira) tempestivamente, recurso voluntário de fls. 45/59 , no qual o pólo passivo questiona a decisão proferida. Na peça recursal, o contribuinte afirma, quanto ao mérito, “que os recibos atendem todos os requisitos necessários à comprovação das despesas médicas nos termos do parágrafo 1°, inciso III do artigo 80 do RIR” e, por outro lado, “os extratos bancários comprovam os saques efetuados pelo Recorrente para efeito de pagamento das despesas médicas questionadas”. Ao final, requer o cancelamento do lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Lucia Reiko Sakae, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Tratase de recurso voluntário em face da decisão que manteve o lançamento por glosa da dedução de despesas médicas pleiteadas. O contribuinte em sua declaração pleiteou o montante de R$ 29.176,00 a título de despesas médicas, sendo que desse o montante de R$ 3.176,00 pagos à Unimed foi acatado, glosandose o valor de R$ 26.000,00. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.007783/200789 Acórdão n.º 2802001.253 S2TE02 Fl. 109 3 Inicialmente cabe registrar que as deduções de base de cálculo encontram previsão legal no art. 8º, inciso II e §2º, da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995 , a saber: “II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea “b” do inciso II deste artigo.” Ainda, dispõe o artigo 73 do Decreto 3000/1999 (RIR/99), abaixo in verbis, a necessidade da comprovação efetiva dos pagamentos efetuados ou justificação das despesas, a saber: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º).” (grifo nosso) Antes de adentrar na análise do caso em questão, quero registrar meu atual entendimento, desenvolvido com o desenrolar das discussões nas sessões, quanto à aplicabilidade do disposto no artigo 73 do RIR/99. Primeiramente devese observar que, na medida que tal dispositivo tem como base, o artigo 11 , § 3º do Decreto Lei n° 5.844, de 1943, fica a dúvida quanto à sua aplicabilidade após a Constituição de 1988, que consagrou o Estado Democrático de Direito, com observância do devido processo legal, direito ao contraditório e à ampla defesa. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Ao mesmo tempo, como tal dispositivo continua sendo reproduzido, mesmo após 88, nos regulamentos que se sucederam, quer sejam no de 1994 e no de 1999, entendo que sua aplicabilidade deve ser considerada “constitucionalizadamente”. Não restam dúvidas que termos como “a juízo da autoridade lançadora”, pleiteadas deduções “exageradas”, deduções “incabíveis”, glosadas “sem audiência” do contribuinte, sem a devida fundamentação e esclarecimentos não se coadunam com o Estado Democrático de Direito, tampouco demonstram atendimento aos princípios constitucionais, pois, para que não pairem dúvidas quantos às exigências a serem comprovadas pelo contribuinte e a razão desse aprofundamento, fazse necessária a motivação da autoridade lançadora que não pode ao seu alvitre desconsiderar os comprovantes que apresentem os requisitos legais sem um mínimo de fundamentação para o não acolhimento. Assim, entendo que, em princípio, os recibos que atendam aos requisitos legais são os documentos hábeis à comprovação para efeito de dedução, salvo, quando a autoridade lançadora desconstituílos, apresentando a devida motivação e esclarecimentos minudentemente detalhados, para que o contribuinte possa se defender, inclusive, desse fundamento, contrapondose ou derrubando a motivação e as alegações que fundamentem a desconsideração dos recibos. Neste caso, observandose a descrição dos fatos, a autoridade fiscal, indicou a necessidade de, nos casos de pagamento em espécie, extratos bancários em que se verifique retiradas compatíveis em datas e valores com os recibos emitidos e, “como prova da efetiva prestação de serviços, a apresentação de prescrição médica para os tratamentos, prontuários, radiografias e quaisquer outros a critério do contribuinte”. Além da consideração de que os valores cobrados pela fisioterapeuta e terapeuta ocupacional estavam acima do valor de mercado, registrouse a falta da prescrição médica para a realização desses tratamentos, assim como a não apresentação de prontuários, radiografias para comprovar a prestação dos serviços odontológicos, razão que fundamentaram as glosas a título de dedução de despesas médicas. De acordo com o entendimento exposto, observo em relação aos recibos que compõem a lide, que os mesmos não continham todos os requisitos legais exigidos, como endereço do profissional, requisito esse inafastável, principalmente, ao se tratar dos odontólogos, nessa linha, inimaginável qualquer tratamento odontológico sem o consultório devidamente equipado para tal. Ainda, considerando que o recorrente tinha como domicílio a cidade de Belo Horizonte, somente a odontóloga Maria de Lourdes Maia, assinou o recibo indicando a cidade de Belo Horizonte como local de sua emissão, apesar de não constar em qualquer dos recibos o endereço; já os demais profissionais indicaram a cidade de Sete lagoas como local de emissão, fato que contribui para afastar a credibilidade dos recibos apresentados, ao se levar em conta, por exemplo, que o filho do recorrente, à época com 11 anos de idade, supostamente submetido à fisioterapia tinha que se deslocar para essa outra cidade para tratamentos constantes. No tocante á observação indicada na descrição da autuação que os serviços de fisioterapia, assim como de terapia ocupacional são resultado de prescrição médica para ajudar em algum tratamento, verificase que nas supostas prescrições, por exemplo de fisioterapia, nada em específico foi indicado ao profissional em relação ao possível diagnóstico do filho do recorrente e, no caso da terapia ocupacional, foi indicado ao próprio recorrente, médico, algum tratamento em sua mão direita, sem qualquer afastamento, ao se considerar a sua profissão. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.007783/200789 Acórdão n.º 2802001.253 S2TE02 Fl. 110 5 Desta feita, conjugandose todas as questões apontadas, principalmente a falta de cumprimento dos requisitos legais, ao contrário da afirmação do recorrente, as deduções com as despesas médicas pleiteadas não podem ser acatadas. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Voto Vencedor Conselheira Dayse Fernandes Leite, Redatora designada Com a devida vênia, discordo do bem articulado voto da relatora no ponto em que rejeita os recibos de fls. 61/80(Maria de Lourdes Maia, no valor de R$10.000,00, Benjamim G. Leite, no valor de R$8.000,00, Tatiane M. Aquino, no valor de R$6.000,00 e Fabiana R. Aquino, no valor de R$2.000,00.) com base na falta de um requisito formal ou mesmo no fato do recorrente ter domicilio em lugar distinto do indicado nos recibos. Ressalto que somente nesta sessão de julgamento os tais “vícios” nos recibos foram apontados. O lançamento baseouse na imputação fiscal de que os recibos apresentados não comprovam o “efetivo pagamento”, sem qualquer óbice quanto a seus aspectos formais. No julgamento de primeira instância, a impugnação foi indeferida essencialmente pelas mesmas razões do lançamento, que em linha geral pode ser sintetizado com a idéia de que os recibos não provam o “efetivo pagamento”, sem que os aspectos formais do recibos tenham sido tomados como relevantes pela autoridade julgadora, assim como o fez a autoridade lançadora. As normas de direito material devem ser analisadas em cotejo com as de direito processual. Nesse sentido, é mister ressaltar que o devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração. Não cabe ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora no sentido de comprovar a inidoneidade dos recibos e, ainda que haja imperfeições na lei que, em tese, permitam a deturpação do benefício fiscal, não é lícito ao julgador, na tentativa de corrigir essas imperfeições, ampliar a imputação fiscal e com isso aumentar as exigências comprobatórias ao contribuinte sem base legal. Ademais, na fase recursal o recorrente contesta o acórdão de primeira instância, se este não fez qualquer ressalva em relação a aspectos formais dos recibos, não é razoável ampliar as exigências comprobatória no âmbito do julgamento do recurso voluntário, notadamente quando esta Turma Julgadora, na linha de outros precedentes do CARF, já Fl. 118DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 reconheceu a possibilidade da dedução, diante das peculiaridades do caso concreto, em casos nos quais a única ressalva aos documentos é a falta de endereço. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário para restabelecer R$ 26.000,00 (vinte e seis mil reais) de dedução de despesas médicas. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 119DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 12155.000411/2010-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA.
Somente se configura a denúncia espontânea, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caso o pagamento, modalidade de extinção do crédito tributário distinta da de compensação, seja efetuada anterior ou concomitantemente à apresentação da DCTF ou de sua retificação, conforme o caso.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Somente nos casos em que tenha ocorrido oposição ou óbice injustificados do Fisco é que se impõe a correção monetária do crédito presumido de IPI. Não há que se falar em oposição ou óbice, relativamente a ressarcimento reconhecido e objeto de compensação na data da apresentação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. Somente se configura a denúncia espontânea, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caso o pagamento, modalidade de extinção do crédito tributário distinta da de compensação, seja efetuada anterior ou concomitantemente à apresentação da DCTF ou de sua retificação, conforme o caso. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Somente nos casos em que tenha ocorrido oposição ou óbice injustificados do Fisco é que se impõe a correção monetária do crédito presumido de IPI. Não há que se falar em oposição ou óbice, relativamente a ressarcimento reconhecido e objeto de compensação na data da apresentação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 174 1 173 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12155.000411/201009 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.089 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2013 Matéria IPI DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente INDUFEX INDÚSTRIA FURLANETO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de sua inconstitucionalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. Somente se configura a denúncia espontânea, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caso o pagamento, modalidade de extinção do crédito tributário distinta da de compensação, seja efetuada anterior ou concomitantemente à apresentação da DCTF ou de sua retificação, conforme o caso. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Somente nos casos em que tenha ocorrido oposição ou óbice injustificados do Fisco é que se impõe a correção monetária do crédito presumido de IPI. Não há que se falar em oposição ou óbice, relativamente a ressarcimento reconhecido e objeto de compensação na data da apresentação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 5. 00 04 11 /2 01 0- 09 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 104 a 150) apresentado em 09 de dezembro de 2011 contra o Acórdão no 0121.973, de 06 de junho de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 87 a 96), cientificado em 11 de novembro de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de IPI do 1º trimestre de 2005, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. INCONSTITUCIONALIDADE A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12155.000411/201009 Acórdão n.º 3302002.089 S3C3T2 Fl. 175 3 competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN referese a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da Dcomp em data em que o débito já estava vencido. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa de mora objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de atraso do cumprimento de uma obrigação que lhe é devida, não sendo alcançada pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 31 de julho de 2008 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fl. 55. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de IPI referente ao primeiro trimestre de 2005, feito através do PER/Dcomp nº 38514.19531.310708.1.1.018256, objeto do processo nº 10280.906.532/200953, anexado ao presente, no valor de R$ 106.538,93. Utilizando o montante objeto do pedido de ressarcimento, foram transmitidas declarações de compensação de débitos da empresa nesse mesmo PER/Dcomp e no de nº 20452.50735.310708.1.3.011883. 2. Através do Despacho Decisório de fl. 55, a DRF/Belém reconheceu a totalidade do crédito, homologando integralmente as compensações contidas no PER/Dcomp de final 8256 e parcialmente as do PER/Dcomp de final 1883, em função da insuficiência dos créditos. 3. Cientificada em 04.05.2010 (AR fl. 65), a interessada apresentou, tempestivamente, em 28.05.2010, manifestação de inconformidade (fls. 01/45) na qual, em síntese, alega: a) Haver apurado os débitos considerando tão somente os juros devidos, sem acréscimo da multa, em virtude de sua exclusão decorrente da denúncia espontânea, sendo que a Unidade desconsiderou essa não incidência da multa; b) Que no caso de denúncia espontânea não haverá a incidência de multa, nos termos do art. 138 do CTN; c) A multa moratória tem caráter punitivo e não ressarcitório; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 d) Afronta ao princípio da legalidade, na medida em que a Unidade rateou de ofício os valores declarados pelo contribuinte de forma diversa da declarada, fazendo incidir multa indevida; e) Uma vez que desapareça a obrigação principal também desaparece a exigibilidade de cumprimento das obrigações acessórias que lhe sejam vinculadas; f) Afronta ao princípio da razoabilidade, não podendo o Fisco penalizar a impugnante por ação cuja realização nos termos pretendidos não ocorreu e que, em decorrência, não causou nenhum prejuízo às pretensões fiscais; g) Efeito confiscatório na exigibilidade de multa pelo atraso de obrigação principal denunciada e cumprida espontaneamente; h) Lesão aos princípios da proporcionalidade e da ordem econômica quando da exigência da multa moratória; i) Direito à correção do seu crédito por meio dos juros calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior (ou no caso, da data em que se constituiu definitivamente o crédito a seu favor) até o mês anterior ao da compensação ou efetivo ressarcimento, de acordo com a taxa da “SELIC” — Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, ressaltando que o crédito presumido pleiteado não se confunde com o crédito do IPI, não se tratando portanto de ressarcimento desse imposto, mas sim de restituição das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. 4. A contribuinte cita diversas decisões administrativas e judiciais, requerendo ao final: a) seja considerado Impugnado o Auto de Infração que lançou Multa Isolada; b) seja reconhecida a inexistência do crédito tributário contra a Impugnante, a título de Multa pelo atraso no cumprimento de obrigação principal devidamente extinta espontaneamente nos termos em que pretendido pelo Despacho Decisório na parte Impugnada já que indevido e, portanto, constituído em desacordo com a legislação de regência por força de tudo quanto aduzido na presente peça de Impugnação; c) seja, portanto, declarada nulo o rateio da compensação efetuada pela Impugnante e conseqüentemente homologada a totalidade da compensação e extinto 100% do crédito tributário a ela vinculada desconstituindose, por via de conseqüência, a pretensão combatida. d) Seja determinada a atualização do crédito reconhecido pela Selic, com o ressarcimento do saldo que restar em favor do contribuinte. No recurso, alegou a Interessada que teria praticado denúncia espontânea, pois a compensação foi efetuada “antes de têlos declarado em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais o que configuraria o lançamento definitivo do crédito nos termos da jurisprudência do Egrégio STJ (Súmula 360STJ).” Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12155.000411/201009 Acórdão n.º 3302002.089 S3C3T2 Fl. 176 5 Também alegou que não existiria previsão legal para autorizar o rateio de ofício dos valores declarados pelo contribuinte de forma diversa da declarada, “fazendo incidir Multa (indevida e com isso fazendo com que parcela do principal não fosse compensada) dando origem ao parcela da compensação não homologada.” Acrescentou que, tendo sido extinta a obrigação principal, pela compensação, a obrigação acessória desapareceria e que teria havido ofensa ao princípio da razoabilidade, da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da ordem econômica. Por fim, defendeu o direito à atualização monetária do crédito e a inexistência de vínculo entres os créditos presumido e básico de IPI. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que descabe a apreciação de todas as alegações que tratam implícita ou explicitamente de questões constitucionais. Aplicamse ao presente caso os seguintes dispositivos do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ademais, aplicase também a Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula Carf no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser aplicada ao caso dos autos a lei em sua integralidade. Em relação à denúncia espontânea, dispõe o art. 138 do CTN, com os devidos destaques: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Por sua vez, dispõe o art. 156 do mesmo Código: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; [...] VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; [...] Portanto, pagamento, pagamento antecipado, homologação de lançamento e compensação são modalidades distintas de extinção de crédito tributário, sendo que somente o pagamento, nos termos do citado art. 138 do CTN, poderia implicar denúncia espontânea. Dessa forma, no caso de apresentação de declaração de compensação, sempre é devida a multa de mora. Isso ocorre por que a extinção do crédito tributário eficaz para caracterizar a denúncia espontânea não pode ser condicionada, como é a do caso da compensação por meio Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12155.000411/201009 Acórdão n.º 3302002.089 S3C3T2 Fl. 177 7 de declaração de compensação. Tanto é assim que, no caso de dúvidas sobre o montante devido, a legislação exige o depósito do montante arbitrado pela autoridade fiscal. Quanto às demais alegações da Interessada em relação à multa, são, de fato, contraditórias. Como a própria Interessada alegou, a multa de mora é acessória e, portanto, devida sem prévia constituição. A compensação da multa de mora também independe de autorização do sujeito passivo, pois é um débito inerente ao representado pela obrigação principal, da mesma forma que os juros de mora. De fato, há também uma confusão conceitual da Interessada, uma vez que o CTN referese à obrigação acessória como os deveres instrumentais a serem praticados pelo contribuinte. Assim, quando não praticado conforme a legislação, a obrigação acessória convertese em principal, que é a multa. Portanto, tanto o tributo quanto a multa são obrigação principal e o pagamento do tributo não implica extinção da multa, pois as hipóteses de extinção do crédito tributário (que deriva da obrigação principal) são somente as previstas no CTN. Ainda que não fosse assim, tanto faria se houvesse cobrança da diferença que deixou de ser compensada, como no caso dos autos, ou cobrança da multa de multa isoladamente, com acréscimo de Selic e multa de mora, procedimento que teria, se fosse o caso de aplicálo, previsão na legislação (art. 43 da Lei n. 9.430, de 1996). Quanto à atualização monetária dos indébitos, o STJ decidiu, no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, ser cabível a incidência da Selic, conforme ementa abaixo reproduzida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O entendimento foi consolidado na Súmula STJ nº 411: SÚMULA N. 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. Não procedem as alegações da Interessada quanto à natureza distinta dos créditos presumidos e básicos de IPI, para efeito da correção monetária. O crédito presumido de IPI é um favor fiscal, que foi criado para uso precípuo como crédito escritural. Não faria sentido que um crédito presumido devesse ser tratado como restituição de indébito, enquanto que o crédito básico esse devido para garantir princípio constitucional não. No caso dos autos, o crédito solicitado foi reconhecido e a compensação foi efetuada retroativamente à data da transmissão da declaração de compensação, conforme previsto na legislação. Portanto, não houve oposição ou óbice do fisco, não se havendo que falar em correção monetária. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12155.000411/201009 Acórdão n.º 3302002.089 S3C3T2 Fl. 178 9 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19707.000098/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(Súmula CARF no. 63).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.808
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006 IRPF. ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(Súmula CARF no. 63). Recurso provido.
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ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(Súmula CARF no. 63). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19707.000098/200912 Acórdão n.º 220201.808 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, ERMONZILE GRANDO, foi lavrada a Notificação de Lançamento do anocalendário 2005 às fls. 48 a 52. Tal lançamento apurou omissão de rendimentos no valor de R$ 84.742,79 auferidos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. O crédito tributário lançado foi de R$ 11.900,23 e o enquadramento legal encontrase às fls. 50 e 52. Após o indeferimento da SRL, o lançamento foi contestado por meio da impugnação de fls. 01, alegando, em síntese, que o endereço do contribuinte foi alterado, porém, as notificações foram para o domicilio antigo. Afirma que o contribuinte seria isento por ser portador de moléstia grave e junta documentação. A DRJ Rio de Janeiro ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange somente os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito o contribuinte interpõe recurso voluntário de fls 86 a 87, onde reitera as razões do recurso voluntário, indica os seguintes pontos: A Fundação Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul que forneceu o laudo foi instituída pelo Decreto Estadual n° 10.204, de 11/01/2001 e administra o Hospital Regional do Mato Grosso do Sul, mais conhecido como Hospital Rosa Pedrossian que é estadual, onde foi realizada a perícia no contribuinte. Somente este laudo já seria prova suficiente da doença, a partir de 2002. Os demais atestados juntados só complementam e demonstram a continuidade da doença que só se agravou até chegar interdição, estando hoje em cima de uma cama em estado vegetativo, sem tomar conhecimento do que se passa a sua volta. Nas alegações para rejeitar a prova o autor do voto disse: Quanto ao laudo pericial de fl. 15, é imperativo observar o que foi descrito no campo relativo á exposição das Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 observações, estudos, exames e registros da conclusão, tendo em vista que o contribuinte encontrava se com a sua saúde debilitada desde o ano de 2002 e o respectivo laudo foi emitido no ano de 2008. Esqueceu de ler a primeira parte do laudo que diz: Declaro sob as penas da Lei, que Ermonzile Grando é portador, desde 06/2002, até a presente data, de Demência vascular (isquémia), transtornos depressivos recorrentes CID F01 + F33, moléstia referida no art. 6° da Lei no 7.713/88, com nova redação dada pelo artiqo 47 da Lei n° 8.541/92, sob a rubrica de Alienação Mental. O Laudo Pericial médico disse em 09/10/2008 que ele tem alienação mental desde 2002, logo tinha também no ano objeto do lançamento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19707.000098/200912 Acórdão n.º 220201.808 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Conforme relatado, o litígio versa sobre pedido de isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou reforma em face de moléstia grave. Os julgadores de primeira instância indefiram o pleito por entender que o documento de fl. 15 não estaria revestido dos requisitos legais para reconhecimento do benefício tributário. O artigo o artigo 30 da Lei n° 9.250 de 26/12/1995 estabelece para o reconhecimento de isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vejamos o texto do dispositivo legal. "Art. 30. A partir de I° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XVI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." Pois bem. Em pesem os fundamentos do ilustre julgador responsável pela elaboração do voto condutor do acórdão guerreado, o documento de fl. 15, emitido pela Fundação Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul, atende, a contento, os requisitos legais para reconhecimento da isenção do IRPF, pois: foi emitido por um serviço médico oficial; identifica o contribuinte e sua moléstia. registra a data a partir da qual a moléstia foi contraída/diagnosticada (06/2002); contém a identificação do médico responsável por sua emissão. Devese registrar o ponto transcrito pelo recorrente, firmado pelo médico responsável: Declaro sob as penas da Lei, que Ermonzile Grando é portador, desde 06/2002, até a presente data, de Demência vascular (isquemia), transtornos depressivos recorrentes CID F01 + F33, moléstia referida no art. 6° da Lei no 7.713/88, com nova redação dada pelo artiqo 47 da Lei n° 8.541/92, sob a rubrica de Alienação Mental. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Acrescentese, por pertinente, que no caso concreto os rendimentos seriam decorrentes de aposentadoria. Segundo o documento de fls. 94 e 95, efetivamente estava aposentado, fazendo jus a isenção prescrita em lei. A comprovação de que os rendimentos recebidos da Cassi são de aposentadoria também pode ser inferido dos documentos de fls. 25 e 26. Cabe registrar a posição sumulada sobre essa matéria, tal como se depreende a seguir: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula CARF Nº 43). Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000105/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 17/10/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO.
A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a gradação da penalidade aplicável.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.834
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, conceder provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A gradação da multa deve ser recalculada.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a gradação da penalidade aplicável. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, conceder provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A gradação da multa deve ser recalculada. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: Janeiro/2004 a dezembro/2005. Data da lavratura do Auto de Infração: 17/10/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 17/10/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de incluir nas suas folhas de pagamento relativas às competências de 01/2004 a 12/2005 os valores pagos a segurados contribuintes individuais a seu serviço e as remunerações pagas a segurados empregados demitidos, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 19/22 e discriminativo a fls. 24/29. CFL 30 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, I, ‘a’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999, no valor básico de R$ 1.195,13 (mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos), atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 142, de 11 de abril de 2007, multiplicado por 72 vezes em razão de reincidências especificas e genéricas sucessivas, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 23. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 41/43. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 52/59, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25 de setembro de 2009, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 65. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000105/200712 Acórdão n.º 230201.834 S2C3T2 Fl. 77 3 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 67/69, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que a fiscalização não examinou a documentação da empresa, fato que representaria cerceamento de defesa; • Que dois Autos de Infração considerados no agravamento da multa teriam ocorrido em período anterior a cinco anos da data de lavratura da presente autuação; • Que houve equívoco no cálculo da multa. Ao fim requer a declaração de nulidade do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 25/09/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 24 de outubro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Recorrente que dois Autos de Infração considerados no agravamento da multa teriam ocorrido em período anterior a cinco anos da data de lavratura da presente autuação. Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000105/200712 Acórdão n.º 230201.834 S2C3T2 Fl. 78 5 Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Cumpre frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão guerreada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do plenário do Poder Judiciário. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, não poderá ser conhecida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente que a empresa foi notificada através do TIAD no dia 09/10/2007, para apresentação dos documentos em 17/10/2007, e conforme preceitua o art. 66 da Lei n° 9784/99, a contagem do prazo iniciase a partir da data da cientificação oficial, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia de vencimento, ou seja, o dia 17/10 estava dentro do prazo determinado pela notificação. Aduz que, nesta data (17/10/2007), o auditor fiscal, “sem qualquer exame da documentação posta a sua disposição, apresenta, assim que chega à empresa, para nossa surpresa, o TEAFTermo de Encerramento da Ação Fiscal juntamente com a autuação acima citada”. Alega que “a irregularidade acima apontada constitui evidente cerceamento da defesa, com fundamento no art. 5°, inciso LV, da Constituição, requerendo, assim, a notificada, seja declarada a nulidade da autuação em causa”. Os argumentos da empresa beiram ao escárnio. Colhemos das provas dos autos que, no dia 14/08/2007, foi a empresa intimada, mediante Termo de Início de Ação Fiscal a fl. 06, a apresentar, a contar do dia 20/08/2007, dentre outros tantos documentos, Resumos das Folhas de Pagamento, Folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos), GFIP e GRFC com comprovantes de entrega e eventuais retificações, Recibos de aviso prévio e de férias, Rescisões de contrato de trabalho, Tabela de incidência gerada pelo sistema de folha de pagamento, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED, etc. Mais adiante, em 13 de setembro de 2007, foi novamente a empresa intimada, mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos a fls. 11/12, a apresentar, a partir de 19/09/2007, Rescisões de contrato de trabalho, Recibos de Pagamento a trabalhados autônomos RPA (contribuintes individuais), Cópias das Rescisões de Contrato de Trabalho dos funcionários demitidos que não constam nas GFIP, Cópias das reclamatórias trabalhistas desses funcionários, Relação nominal dos funcionários ativos e demitidos que não foram declarados em GFIP, informando o salário de contribuição e o desconto para previdência desses funcionários, além de outros documentos. Uma vez mais, em 20/09/2007, foi a empresa intimada, mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos a fls. 13/14, a apresentar, a partir do dia 27 desses mesmos mês e ano, Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000105/200712 Acórdão n.º 230201.834 S2C3T2 Fl. 79 7 Xerox dos Recibos de Pagamento a Trabalhador Autônomo RPA (contribuintes individuais) dos seguintes prestadores de serviços: Marcos Braiso Moutinho, Alex Sotero, Marion Portugal, Milton, Fabiele, Osmir Aparecido Zanette, José de Paula e Sérgio Correia da Silva Copias xerox das Rescisões de Contrato de Trabalhado dos funcionários demitidos que não foram informados em GFIP,s, e as copias xerox das reclamatórias trabalhistas desses funcionários, bem como planilha excel em meio papel e em meio magnético, informando o salário de contribuição e o desconto para previdência social, dentre outros documentos. Apurouse, também, que no dia 09/10/2007, foi a empresa novamente intimada a apresentar uma série de outros documentos, os quais, olhandose com os olhos de ver, não guardam qualquer relação, a mínima que seja, com o presente lançamento. Da análise da documentação apresentada, constatou a fiscalização que o Recorrente não houvera incluído nas suas folhas de pagamento os valores pagos a segurados contribuintes individuais a seu serviço e as remunerações pagas a segurados empregados demitidos, como assim determina o art. 32, I da Lei nº 8.212/91. Nessa vertente, havendo sido apurada infração a obrigação tributária acessória, a fiscalização, por dever funcional, lavrou o Auto de Infração ora em apreciação, em fiel observância à norma tributária insculpida no art. 37 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (grifos nossos) O presente lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Autuado. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA GRADAÇÃO DA MULTA Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Visando a constranger o contribuinte a cumprir os deveres tributários adjetivos na Lei de Custeio da Seguridade Social, o seu art. 92 estabeleceu que a infração de qualquer dispositivo dessa Lei, para a qual não houver penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme dispuser o seu regulamento. No âmbito da competência que lhe foi outorgada pela lei, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 estatuiu como circunstância agravante da infração, a reincidência genérica ou específica, da qual depende a gradação do valor da penalidade pecuniária a ser infligida ao infrator, sendo que esta eleva a multa em três vezes a cada reincidência, enquanto que a ocorrência daquela importa na elevação de duas vezes. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032/2007) Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Frizese por relevante, eis que o Recorrente parece não ter compreendido, o prazo de cinco anos contase da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior, e não da data de sua lavratura, como assim deu a entender a empresa autuada. No caso presente, com relação ao presente Auto de Infração, lavrado em 17/10/2007, fiscalização constatou a existência de reincidências específicas e genéricas em relação aos Autos de Infração listados abaixo: I Auto de Infração número 35.102.3372 Fundamento Legal 30 lavrado em 16/10/01 situação: baixado pela D.N nº 17.002/072/2002, de 16/07/02 – liquidado. II Auto de Infração número 35.492.5920 Fundamento Legal 38 lavrado em 30/08/02, com D.N. de procedência em 28/07/03 situação: CADIN ATIVA em 13/04/05 Ação Judicial nº 2006.51.01.5263320. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000105/200712 Acórdão n.º 230201.834 S2C3T2 Fl. 80 9 III Auto de Infração número 35.553.2484 Fundamento legal 68 lavrado em 24/05/04, com D. N. de procedência em 18/08/04 situação: CADIN ATIVA em 13/04/05 Ação Judicial nº 2006.51.01.5263320. , IV – Auto de Infração número 35.553.5807 Fundamento Legal 30 lavrado em 29/09/04, com D. N. de procedência em 16/12/04 Situação: CADIN ATIVA em13/04/05 Ação Judicial nº 2005.51.01.52502800. V Auto de Infração número 35.553.5793 Fundamento Legal 38 lavrado em 29/09/04, com D. N. de procedência em 16/12/04 Situação: CADIN ATIVA EM 13/04/05 Ação Judicial nº 2005.51.01.5200688. VI Auto de Infração número 35.739.6022 Fundamento Legal 59 lavrado em 29/09/04, com D. N. de procedência em 16/12/04 Situação: CADIN ATIVA EM 13/04/05 Ação Judicial nº 2005.51.01.5250280. VII Auto de Infração número 35.739.6030 Fundamento Legal 93 lavrado em 29/09/04, com D. N. de procedência em 16/12/04 Situação: CADIN ATIVA EM 13/04/05 Ação Judicial nº 2005.51.01.5250280. VIII Auto de Infração número 35.553.7591 Fundamento Legal 38 lavrado em 14/12/04, com D. N. de procedência em 11/07/05 Situação: CADIN ATIVA EM 13/04/05 Ação Judicial nº 2006.51.01.5286411. De plano, urge ser excluído da agravante consubstanciada na reincidência o Auto de Infração nº 35.102.3372 – CFL 30 lavrado em 16/10/01, eis que a baixa pela D.N nº 17.002/072/2002 deuse em 16/07/02, fora do período de cinco anos previsto na legislação. Nesse cenário, em relação à fiscalização encerrada em 30/08/02, verificouse a existência de reincidência genérica (Auto de Infração nº 35.492.5920), fato que importa na elevação da multa em 2 vezes. No que tange à ação fiscal encerrada em 24/05/04, foi apurada a ocorrência de reincidência genérica (Auto de Infração nº 35.553.2484), ensejadora da elevação da multa em 2 vezes. Considerandose a Fiscalização com término datado de 29/09/04, fiscalização constatou a existência de reincidência específica com relação ao Auto de Infração nº 35.553.5807, a qual implicaria a elevação da multa em 3 vezes o valor mínimo Por derradeiro, naquilo que concerne à ação fiscal encerrada em 14/12/04, foi apurada a ocorrência de reincidência genérica (Auto de Infração nº 35.553.7591), ensejadora da elevação da multa em 2 vezes. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 O procedimento de quantificação da penalidade pecuniária a ser aplicada ao infrator é segmentado e subdividido em etapas estanques, em conformidade com o art. 292 do RPS. Em primeiro plano, o valor básico da multa deve ser fixado de acordo com a cifra prevista no Regulamento da Previdência Social, reajustado nos termos legais, in casu, R$ 1.195,13, conforme art. 283, I, ‘a’ do RPS. Fixado o valor básico, sobre este incidirão as agravantes regulamentares previstas nos incisos II a IV do já citado art. 292 regulamentar. A operação de se elevar a penalidade em n vezes o seu valor pode ser interpretada de duas formas distintas: I) A elevação em n vezes significa acrescentar ao valor básico “X” n vezes o seu valor, de forma que o resultado final seja igual a (n + 1) X, ou seja, o X originário mais os n X decorrentes da elevação. Em termos práticos, o efeito da reincidência específica, que impõe a elevação da multa em 3 vezes, sobre uma multa de valor “M” implicaria no valor final de 4 M : M (valor básico) + 3 M (elevação). II) A elevação em n vezes significa que o valor final será igual a n vezes o valor básico “X”. Em termos práticos, o efeito da reincidência específica, que impõe a elevação da multa em 3 vezes, sobre uma multa de valor “M” implicaria no valor final de 3 M : M (valor básico) + 2 M (elevação). Tem prevalecido nas ordens da fiscalização previdenciária o entendimento pela aplicação da sistemática apontada no item II, acima indicado, de molde que, o efeito da reincidência específica manifestase na triplicação do valor da multa (M x 3) enquanto que a reincidência genérica importa na duplicação do valor básico da penalidade (M x 2). Tal interpretação decorre diretamente das disposições expressas nos artigos 107 e 112, IV do CTN, os quais estabelecem que a lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a gradação da penalidade aplicável. Código Tributário Nacional CTN Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Nessa perspectiva, a pena administrativa a ser imposta ao infrator é constituída da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento da obrigação acessória, doravante designada “MULTA” acrescida da penalidade pecuniária decorrente da reincidência, Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000105/200712 Acórdão n.º 230201.834 S2C3T2 Fl. 81 11 doravante designada “AGRAVANTE”. Assim, o cálculo da pena administrativa a ser aplicada, nos casos de reincidência genérica, se realiza a contento pela adição, ao valor da MULTA, de um montante que lhe é idêntico a título de AGRAVANTE. De forma análoga, nos casos de reincidência específica, elevar a multa em três vezes significa aumentar o seu valor de modo a triplicálo. Aqui, o resultado desejado é obtido pela adição, ao valor da MULTA, de um montante que lhe é o dobro, a título de AGRAVANTE, conforme o mecanismo indicado no mencionado item II, supra. Até aqui o caso não comporta maiores controvérsias. As divergências emergem na aplicação cumulativa de reincidências sucessivas, eis que o inciso IV do art. 292 do RPS estabelece que a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes. A forma de gradação cumulativa estabelecida no inciso IV do art. 292 do Regulamento da Previdência Social pode dar ensejo a três interpretações possíveis, a saber: a) A elevação subsequente incide sobre o produto da elevação anterior (forma adotada pela fiscalização); b) A elevação incide sobre o valor básico da multa aplicada, na forma apontada no item I supra. c) A elevação incide sobre o valor básico da multa aplicada, na forma apontada no item II, acima debatido. Pelas mesmas razões já expendidas anteriormente, a interpretação a ser emprestada à presente discórdia deve atender ao comando impresso no mencionado art. 112, IV do CTN, por ser a mais favorável ao infrator. Diante de tal panorama jurídico, sendo o valor básico da multa aquele constante no art. 283, I, ‘a’ do RPS, ou seja, R$ 1.195,13 , o efeito da reincidência específica decorrente do Auto de Infração nº 35.553.5807 importará no acréscimo de R$ 2.390,26 ao valor básico da MULTA. Da mesma forma, as reincidências genéricas decorrentes dos Autos de Infração 35.492.5920, 35.553.2484 e 35.553.7591 implicarão o acréscimo de R$ 1.195,13 cada, ao valor originário da penalidade. Nesse contexto, o valor final da Pena Administrativa será obtido pela soma das parcelas acima discriminadas: Pena Administrativa = valor básico + acréscimos decorrentes das reincidências específicas + acréscimos decorrentes das reincidências genéricas. Pena Administrativa = 1.195,13 + 2.390,26 + 3 (1.195,13) Pena Administrativa = R$ 7.170,78. Adotar o mecanismo de cálculo empregado pela fiscalização significa interpretar a norma tributária cominadora de penalidades e sua gradação de forma mais Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 desfavorável ao infrator, em verdadeira afronta aos princípios estampados no CTN, negando se, assim, vigência e eficácia à regra encartada no art. 112, IV do Código Tributário Nacional. Além disso, na aplicação da 2ª e 3ª reincidências, na forma defendida pela fiscalização, a elevação iria incidir não somente sobre o valor da MULTA mas, também, sobre a AGRAVANTE determinada pela 1ª reincidência. Mostro: a) Na aplicação da 1ª reincidência (genérica): Valor parcial I = 1.195,13 (multa) x 2 (agravante) = 2.390,26 Valor parcial I = 1,195,13 (multa) + 1.195,13 (agravante) = 2.390,26 b) Na aplicação da 2ª reincidência (genérica): Valor parcial II = valor parcial I x 2 = 4.780,52 Valor parcial II = [1.195,13 (multa) + 1.195,13 (agravante) ] x 2 = 4.780,52 Desmembrando o termo entre colchetes teremos: Valor parcial II = 1.195,13 (multa) x 2 + 1.195,13 (agravante) x 2 = 4.780,52 Valor parcial II = 2.390,26 (multa majorada) + 2.390,26 (agravante majorada) = 4.780,52 c) Na aplicação da 3ª reincidência (específica): Pena administrativa = valor parcial II x 3 = 14.341,56 Pena administrativa = [2.390,26 (multa majorada) + 2.390,26 (agravante majorada) ] x 3 = 14.341,56 Desmembrando o termo entre colchetes teremos: Pena administrativa = 2.390,26 (multa majorada) x 3 + 2.390,26 (agravante majorada) x 3 = 14.341,56 Pena administrativa = 7.170,78 (multa remajorada) + 7.170,78 (agravante remajorada) = 14.341,56 E assim por diante ... Tal remajoração das AGRAVANTES decorrentes da primeira e reincidências subsequentes, em cascata, não se encontra prevista na lei, além de contrariar, conforme evidenciado, a regra de hermenêutica destilada no art. 112, IV do CTN. Frizese, por relevante, que o valor da multa é aquele estabelecido no art. 283, I, ‘a’ do Regulamento da Previdência Social. O excedente tem natureza jurídica de agravante da multa. A lei prevê a elevação da MULTA em 2 ou 3 vezes a cada reincidência, mas não a majoração em cascata das AGRAVANTES decorrentes das operações anteriores. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000105/200712 Acórdão n.º 230201.834 S2C3T2 Fl. 82 13 Assim, entendo que a Pena Administrativa a ser aplicada, fruto da infração cometida e das diversas reincidências sucessivas, deve ter seu valor estipulado em R$ 7.170,78 (sete mil, cento e setenta reais e setenta e oito centavos), conforme memória de cálculo acima pormenorizada. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o valor da pena administrativa ser reduzido para R$ 7.170,78 (sete mil, cento e setenta reais e setenta e oito centavos), conforme critério e memória de cálculo indicada no item 3.1 supra. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 18050.008473/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO. Conforme entendimento jurisprudencial já fixado neste Eg. Conselho, a presença de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal, ou mesmo a sua inexistência, não possuem o condão de ensejar o reconhecimento da nulidade do lançamento, por se tratar de mero instrumento de controle administrativo.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA SEM INSCRIÇÃO NO PAT. VERBA HABITUAL. ALEGAÇÃO DE REEMBOLSO DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL. Quando o auxílio alimentação é pago em pecúnia, caracteriza-se a utilidade como verba sobre a qual incidirão as contribuições previdenciárias, ainda mais quando tal benefício é pago aos segurados com habitualidade. A alegação de que os pagamentos efetuados caracterizam-se como reembolso de despesas, devem vir acompanhadas de provas cabais e que não deixem dúvidas sobre a correlação dos pagamentos com as notas fiscais de reembolso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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MPF. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO. Conforme entendimento jurisprudencial já fixado neste Eg. Conselho, a presença de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal, ou mesmo a sua inexistência, não possuem o condão de ensejar o reconhecimento da nulidade do lançamento, por se tratar de mero instrumento de controle administrativo. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA SEM INSCRIÇÃO NO PAT. VERBA HABITUAL. ALEGAÇÃO DE REEMBOLSO DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL. Quando o auxílio alimentação é pago em pecúnia, caracterizase a utilidade como verba sobre a qual incidirão as contribuições previdenciárias, ainda mais quando tal benefício é pago aos segurados com habitualidade. A alegação de que os pagamentos efetuados caracterizamse como reembolso de despesas, devem vir acompanhadas de provas cabais e que não deixem dúvidas sobre a correlação dos pagamentos com as notas fiscais de reembolso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 84 73 /2 00 8- 91 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.008473/200891 Acórdão n.º 2402003.306 S2C4T2 Fl. 220 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PSH PRODUTOS E SERVIÇOS HOSPITALARES LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.169.6216, lavrado para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a terceiros. Consta do relatório fiscal que o objetivo da auditoria é a verificação da divergência entre os valores de rendimento no trabalho assalariado informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica e a remuneração de empregados declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social o Auto de Infração compreende dois levantamentos: a) FPN: relativo a pagamentos constantes em folha de pagamento da filial 0002 não declarado em GFIP; b) LRF: pagamento de ajuda alimentação, sem que a empresa tenha cumprido a obrigação acessória de formalizar convênio com o Programa de Alimentação do Trabalhador. O período apurado compreende a competência 01/2004 a 12/2004, tendo o contribuinte sido cientificado em 23/10/2008. Em sua defesa, o contribuinte somente impugnou o Auto de Infração com relação ao fato de inexistir prévio MPF que justificasse o início do procedimento fiscal, bem como apontando a ilegalidade do lançamento das contribuições sobre os valores pagos a título de alimentação aos seus segurados, justificando tratarse de reeembolso de despesas de alimentação realizadas por seus representantes comerciais quando no exercício de suas funções. Julgada improcedente a impugnação, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual, sustenta a recorrente: que os julgadores de primeira instância, passando ao largo da argumentação expendida na impugnação, reiteraram o equivocado entendimento havido pelo AFRFB autuante e mantiveram a tributação incidente sobre os reembolsos não habituais pagos pela ora Recorrente a alguns dos seus empregados a título de alimentação; que os valores pagos a título de reembolso não era realizados constantemente, mas de forma esporádica, o que afasta o caráter de habitualidade da verba paga, ensejando a impossibilidade de tributação de tais verbas, pois se tratam de pagamentos com a finalidade de recompor o patrimônio dos empregados; Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 que não houve expedição do mandado de procedimento fiscal, motivo pelo qual também é nulo o lançamento; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.008473/200891 Acórdão n.º 2402003.306 S2C4T2 Fl. 221 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE A recorrente sustenta a nulidade do lançamento tendo em vista a inexistência de prévio Mandado de Procedimento Fiscal a justificálo, pois ao fazer tal consulta na internet, de acordo com os dados constantes no Termo de Início de Fiscalização, conta a informação de que (fls. 126): “Não há ação fiscal em andamento ou não há MPF emitido disponível para o N° CNPJ 03.008.929/000155. Tente Novamente Referido documento, todavia, fora juntado, ainda, quando da apresentação da impugnação. Ao analisar o Auto de Infração e seus anexos, de fato não ali não consta o MPF, somente tendo sido juntado aos autos, quando da realização de diligência posterior à impugnação ofertada, realizada com o intuito de apor autenticidade às notas fiscais de reembolso juntadas, conforme informação fiscal de fls. 180. O documento de fls. 180 possui como data de emissão 13 de junho de 2008, data anterior à emissão do TIAF, de modo que não se sustenta a nulidade apontada pelo recorrente, no que se refere a inexistência do MPF. Desta feita, não vislumbro no caso a inexistência do referido documento, de modo que, mesmo em não existindo, este Eg. Conselho já se posicionou com entendimento que tal situação também não configura vício suficiente a invalidar o lançamento. Confirase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972) sobrepõemse às recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais alterações nele inseridas, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis. [...] (Processo 13227.720066/200791, Rel. Cons. José Sérgio Gomes, Sessão de 23/11/2011, acórdão 1103.00.578) Assim, rejeito a preliminar de nulidade aventada. MÉRITO Imperioso ressaltar que o lançamento FPN não foi objeto de impugnação pela recorrente, seja em sua impugnação, seja no Recurso Voluntário, tratandose, pois, de matéria incontroversa e preclusa. No mais, quanto ao lançamento relativo as verbas pagas aos empregados a título de alimentação, creio serem necessários alguns comentários sobre o assunto. Num primeiro momento há de se reconhecer que de fato a recorrente não estava inscrita no PAT, a época dos lançamentos. Além disso, de acordo com o relatório fiscal, tal auxílio era pago em folha de pagamentos dos funcionários, ou seja, em espécie. Dessa forma, não se trata de pagamento da verba in natura, mas em espécie. Ademais conforme cópias do Livro Razão analítico, e verificação do prórprio DAD também não vejo como acolher a tese recursal de que se tratavam de verbas creditas aos segurados esporadicamente, pois em todos os meses do ano, por mais até de duas vezes no mês, a empresa efetuava o pagamento de tais verbas. Resta, pois, afastado o entendimento sobre o assunto contido no Ato Declaratório nº 03/2011 que aprovou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. Não obstante, a recorrente ainda defende que tais verbas se caracterizam como reembolso dos gastos de seus funcionários (representantes comerciais) com alimentação no exercício de suas funções, de modo que os pagamentos constituemse como verdadeira recomposição do patrimônio destes, sendo, pois, uma verba de caráter indenizatório. Compartilho do entendimento de que em se tratando de reembolso de despesas, não haveria, em tese a incidência das contribuições. Todavia, das notas fiscais juntadas à impugnação, percebe que apesar de mostrarem gastos com refeições, lanches e comida em localidades diversas, até mesmo em valores bastante razoáveis para a alimentação de funcionários, de referidas notas não consta qualquer indicação seja do nome dos funcionários da recorrente que efetuaram o gasto, ou mesmo da própria recorrente, como adquirentes das refeições ali indicadas. Dessa forma, entendo que tais notas, em que pese o esforço da contribuinte, não possuem elementos hábeis a demonstrar que se relacionam com o pagamento de valores das despesas de refeições que foram consideradas como fatos geradores no presente lançamento, despesas estas assumidas em nome da recorrente. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.008473/200891 Acórdão n.º 2402003.306 S2C4T2 Fl. 222 7 Assim, em regra, devem incidir as contribuições previdenciárias sobre tais verbas. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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