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Numero do processo: 10516.720027/2012-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
Recurso do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: DEMES BRITO
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INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. Recurso do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 27 /2 01 2- 16 Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.252 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão nº 3201003.162 (doc. efls. 1123 a 1139), proferido pela 1º Turma Ordinária da 2º Câmara, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.253 3 Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. SUBFATURAMENTO. IMPOSTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO. Incide os impostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislação tributária vigente com os acréscimos legais devidos. Recurso Voluntário Negado Cientificado da decisão desfavorável, a Contribuinte formalizou Embargos de Declaração (efls. 1147 1153) em 30/10/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada (e fls. 1145). Os Embargos da contribuinte foram rejeitados em caráter definitivo por meio da Decisão no S/N, de 06/03/2018 ( efls. 1159 1168), por se entender que os vícios apontados no Embargo seriam manifestamente improcedentes. Desta decisão, o sujeito passivo foi cientificado em 19/03/2018, através de consulta ao sistema ECAC. Em seu Recurso Especial, a Contribuinte alega divergência com relação às seguinte matérias: Multa aplicada em caso de subfaturamento através de falsidade ideológica (fraude) multa substitutiva da pena de perdimento (100% do valor aduaneiro) ou multa pelo subfaturamento mediante fraude (100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado). Defende que aplicação da multa substitutiva de perdimento, no caso de subfaturamento praticado mediante falsidade ideológica e fraude, deve ser aplicada a multa de cem por cento sobre a diferença, nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado ou do efetivamente praticado, multa esta prevista no art. 108 do DecretoLei nº 37, de1966. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.254 4 Nesse sentido, sustenta que: "o subfaturamento mediante fraude possui penalidade específica (art. 88 da MP n. 2.15835, de 24/08/2001) no ordenamento jurídico brasileiro" e que, para a configuração da infração descrita no inciso XI do art. 105 do Decreto Lei no 37/1966, os tributos aduaneiros tenham sido parcialmente pagos mediante “artifício doloso", o que não teria sido sequer mencionado no Relatório Fiscal que embasou o Auto de Infração. No Acórdão recorrido, registrado sob o nº 3201003.162 (efls. 1123 1139) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara em sessão de 27/09/2017, prevaleceu a interpretação de que ficam sujeitas à pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta e que, não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão de seu consumo ou de sua não localização, é cabível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, conforme o que estabelece o art. 23, § 3º, do DecretoLei no 1.455/76. Colaciona como paradigma o acórdão nº 9303006.206, ás (efls. 1192 1202), desta E. Câmara Superior, que entendeu em não se falar em perdimento da mercadoria ou multa por conversão aos casos caracterizados como subfaturamento, devendose impor a exigência da multa administrativa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Do juízo de admissibilidade, ás (efls. 1233 1236) digase de passagem muito bem elaborado, o Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ás (efls. 12391248), aduz que a conversão da pena de perdimento em multa se assemelha ao tratamento a ser dado a pena de perdimento. Assim, é correta aplicação concomitante da multa de conversão da pena de perdimento e da exigência dos tributos sobre os valores subfaturados com os acréscimos legais, bem como a solidariedade das empresas em relação ás importações SH8. Por fim, pugna pelo improvimento do Recurso interposto pela Contribuinte. Sem embargo, os autos retornam maduros para julgamento, contudo, quanto a matéria devolvida referente a solidariedade não foi préquestionada no Recurso Especial, não houve manifestação da SH8 juntos aos autos. No essencial do Relatório. Voto Vencido Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.255 5 Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Passo a decidir. In caso, versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados, ás e fls.768784, para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 262.845,55, relativo às diferenças Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação, PIS/PASEP e CofinsImportação, acrescidos da multa qualificada de 150% e dos juros de mora, bem como a multa de que trata o art. 23, §3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Ao apreciar o Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 2º Câmara, negou provimento ao Recurso, por entender que ficam sujeitas à pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta e que, não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão de seu consumo ou de sua não localização, é cabível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, conforme o que estabelece o art. 23, § 3o, do DecretoLei no 1.455/76. Por sua vez, a Contribuinte invoca o acórdão paradigma nº 9303006.206 (e fls. 1192 a 1202) desta E. Turma, de Relatoria da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, que por maioria de votos, restou decidido que não há que se falar em perdimento da mercadoria ou multa por conversão aos casos caracterizados como subfaturamento, devendose impor a exigência da multa administrativa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Por se tratar de matéria idêntica, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão paradigma nº 9303006.206, que passa a fazer parte integrante do presente julgado, o qual acompanhei os fundamentos da Relatora no sentido de que: "ao ser constatado o subfaturamento são devidos os tributos referentes a diferença declarada e aquela apurada pela Fiscalização com as multas e juros pertinentes", sob o argumento de que o § 1oA do art. 703 do Regulamento Aduaneiro, Decreto no 6.759, de 2009, Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.256 6 "esclarece que em caso de aplicação da multa de cem por cento em conjunto com a pena de perdimento, prevalece a multa de perdimento". Transcrevese trechos do aresto: "Extraise do "Relatório de Auditoria" que a aplicação da multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria, disposta no art. 23, do DecretoLei n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 41 da Lei n° 12.350/10, no presente caso, teve como motivação o suposto subfaturamento nas importações efetuadas pela Metalúrgica De Tony, conforme trecho da conclusão fiscal copiado abaixo (fl. 201): Para a solução da controvérsia sobre qual das normas seria aplicável ao caso concreto, recorrome ao Princípio da Sucessividade e ao Princípio da Especialidade; o primeiro, define que quando duas ou mais normas sucedem no tempo, referindose ao mesmo fato, a que for posterior sempre será preferida; o segundo, afirma que a norma será considerada especial quando trouxer elementos próprios e particulares à descrição da norma geral, e, por isso mesmo, deverá prevalecer. Concluise, então, que a lei de natureza geral, por abranger ou compreender um todo, somente seria aplicável quando não se verificar no ordenamento jurídico uma norma de caráter mais específico sobre determinada matéria. Assim, vejo que a partir de 24/08/01, quando entrou em vigor da MP 2158, que no art. 88 passou a prever penalidade específica a ser aplicada na hipótese de subfaturamento, tal ilícito foi excluído do rol das fraudes enumeradas em qualquer dos incisos do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76. Por isso mesmo, a Lei n° 10.637, que em 2002 estabeleceu que as infrações definidas como dano ao Erário seriam punidas com o perdimento ou a sua conversão, não alcançou (e ainda não alcança) o subfaturamento ou quaisquer outras infrações a ele vinculadas e não autônomas, pois essa infração (subfaturamento) não mais se encontrava no rol das condutas consideradas danosas ao Erário no momento de início de vigência da referida lei, uma vez que já havia passado a receber tratamento tributário distinto, sujeito a uma infração específica. Quanto ao uso de documento ideologicamente falso, é bem verdade que a fatura, ao não apresentar o valor real da operação, obviamente, é falsa, e, à primeira vista, tal fato se enquadraria ao previsto no art. 105 do DecretoLei n° 37/66. Todavia, no presente caso, deve ser aplicado o Princípio da Consunção, utilizado nos casos em que há uma sucessão de condutas com existência de um nexo de dependência entre elas, afastandose o crime meio, preparatório e necessário, que passa a ser absorvido pelo crime fim. In casu, afastase o crime de utilização de fatura falsa, crime meio, através do qual se buscava alcançar o crime fim, o subfaturamento, que deve ser o penalizado. Posicionamento diverso, obrigatoriamente, levaria a aplicação de duas penalidades (perdimento e multa de 100%) para uma única infração (subfaturamento), ou tornaria inócua a multa de 100% prevista no art. 88 da MP 2158, que nunca seria Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.257 7 aplicável, pois o subfaturamento sempre traz consigo uma fatura falsa. Em síntese, entendo que, a partir 24/08/2001, aos casos de subfaturamento, não se aplica o perdimento ou a multa por conversão, devendo ser exigido, além dos impostos e da multa de ofício, a multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, conforme prevê o art. 88 da MP 2158. Na hipótese dos autos, a aplicação da multa prevista no art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76 teve como motivação justamente o subfaturamento, conduta para a qual já havia (e ainda há) previsão de penalidade específica. Desta forma, considerando que a aplicação da penalidade prevista no art. 23 da DecretoLei no 1.455/76 foi motivada pelo subfaturamento, conduta esta que já se encontra prevista em norma específica, qual seja, no art. 88 da MP 2158, julgo que, no presente caso, houve erro na capitulação legal, fato que enseja a nulidade do lançamento, na parte referente à multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, no montante de R$ 2.564.110,95. Diante das definições acima, vêse, então, que a parte do lançamento referente a penalidade prevista no art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76, no valor de R$ 2.564.110,95, foi contaminado por vício material, uma vez que os fatos narrados, referente a infração definida como subfaturamento, não se amolda ao enquadramento legal utilizado pela fiscalização. Ao reler o auto de infração, percebo que o fato central descrito como infração é o subfaturamento. E nesse caso, a declaração falsa é meio para essa prática. De fato, há infração específica para a prática de subfaturamento e ela deve prevalecer sobre a hipótese de penalidade menos específica. Por isso, considero que decidiram com correção os Julgadores de 1º piso, e proponho a este colegiado negar provimento ao recurso de ofício, nos termos da decisão recorrida nesta matéria.” Sendo assim, inegável a aplicação de dispositivo mais específico e que se subsume à essa hipótese – qual seja, o art. 88, parágrafo único, da MP 2.15835/ 01 (Grifos meus): “Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.258 8 mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis.” Ademais, é de se trazer ainda o art. 703 do Regulamento Aduaneiro, que diz que na hipótese em que o preço declarado for diferente do arbitrado na importação aplicase a penalidade específica. O que mais uma vez resta aplicar a multa sobre a diferença, e não a aplicação da pena de perdimento. Frisese tal entendimento vários julgados do TRF4: MAS nº 2004.70.00.0232320/ PR, 2ª Turma, Rel. Dirceu de Almeida Soares, DJU de 27/4/2005, p. 737; TRF 4, MAS nº 2005.70.00.0038404/ PR, 2ª Turma, Rel. Des. Antônio Albino Ramos de Oliveira, DE de 14/06/2007; TRF 4, MAS 2001.70.00.0365471/ PR, 1ª Turma, Rel. Des. Joel Ilan Paciornil. DE de 14/6/2007. E ainda julgados do STJ: REsp 12187798 PR 2010/01983971 e REsp 1240005 RS 2011/00421311". (...)". Dispositivo Ex positis, dou parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para impor a exigência da multa administrativa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação. É como voto. Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.259 9 (Assinado digitalmente) Demes Brito Voto Vencedor Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Redator Designado É necessário esclarecer que diferente de outros casos já discutidos neste conselho, o fato que aqui se apresenta, não é de falta de comprovação de origem dos recursos. O que deu origem ao lançamento são as operações de importação da SH8, que segundo a Fiscalização Aduaneira, teriam como real adquirente a Condata. A operação foi orquestrada com o objetivo de diminuir os tributos devidos com o subfaturamento dos reais valores praticados na operação e ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. A Fiscalização identificou, amparada em diversos informações e documentos fiscais, a relação das empresas SH8 e Condata. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca, o modo de operação para ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. O proficiente Relato Fiscal, do qual abaixo transcrevo excertos, a meu sentir evidencia e comprova a ocultação do real adquirente da mercadoria nas operações da recorrente. Vejase: Com base na resposta encaminhada pela Condata ao Termo de Intimação n° 079/2012, foi efetuada nova intimação a esta empresa, através da lavratura do Termo de Intimação n° DF CARF MF Fl. 1133 12 083/2012, em anexo à folha n° 763, solicitando Informar o número das declarações de importação, pelas quais foram importadas as mercadorias objeto das notas fiscais identificadas pelos números 10, 13, 14, 16, 21, 23, 25, 18, 63 e 71, emitidas pela empresa SH8 Comércio Importação e Exportação Ltda, para a empresa Condata, na medida que a Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.260 10 empresa Condata informou que todas estas mercadorias foram importadas, por sua conta e ordem, pela empresa SH8 Comércio Importação e Exportação Ltda. A empresa Condata apresentou resposta ao Termo de Intimação n° 083/2012, em dez de outubro de 2012, em anexo à folha n° 764, informando os números das declarações de importação correspondentes as referidas notas fiscais. Na planilha I SH8, em anexo às folhas n° 723 a 725, foram relacionados os dados das declarações de importação correspondentes às importações que a empresa Condata informou terem sido efetuadas, por sua conta e ordem, pela empresa SH8 Comércio Importação e Exportação Ltda. Entretanto, apesar da empresa Condata ter afirmado que todas essas declarações de importação foram efetuadas pela empresa SH8, por sua conta e ordem, foi constatado que as importações objeto das declarações de importação n° 07/17816715, n° 07/17972717, n° 08/00108501, e n° 08/11678258, registradas em 20/12/2007, 26/12/2007, 03/01/2008, e 31/07/2008, respectivamente, foram importadas pela empresa SH8, como se tivessem sido efetuadas com recursos próprios, sem registrar o nome da empresa Condata como adquirente, nas referidas declarações de importação. Da análise dessa constatação, concluise que as mercadorias objeto das referidas declarações de importação foram importadas com a ocultação da empresa Condata como real adquirente. ... Ao comparar as mercadorias objeto das declarações de importação n° 07/17816715, e n° 07/17972717, efetuadas pela empresa SH8 como importador e adquirente, com importações efetuadas pela Condata, em seu nome, ou por sua conta e ordem, foi constatado que a empresa Condata efetuou importações de mercadorias idênticas às mercadorias importadas através das referidas declarações de importação, com os mesmos preços unitários de importação declarados em seus despachos de importação. Esta constatação pode ser efetuada comparando a Planilha I SH8, na qual foram relacionados os dados das declarações de importação efetuadas pela empresa SH8 Comércio Importação e Exportação Ltda, anexada às folhas n° 723 a 725 deste processo administrativo fiscal, com a planilha IT Condata, anexada às folhas n° 737 a 749, na qual foram relacionados os dados das declarações de importação efetuadas pela empresa Condata, em seu nome, ou por sua conta e ordem. A planilha I SH8 foi obtida utilizando dados dos sistemas da Receita federal e Informações prestadas pelo contribuinte em resposta a intimações efetuadas neste processo administrativo fiscal. A planilha IT Condata foi obtida utilizando dados dos sistemas da Receita Federal e Informações prestadas pelo contribuinte em resposta a intimações efetuadas no curso de fiscalização objeto do processo administrativo fiscal n° 11080.727618/201236. Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.261 11 Desta comparação, foram relacionadas na planilha I Condata, anexada às folhas n° 728 a 731, as importações efetuadas pela Condata, em seu nome, ou por sua conta e ordem, de mercadorias idênticas às mercadorias importadas através das declarações de Importação n° 07/17816715, e n° 07/17972717. Em todas essas Importações, foram declarados os mesmos preços unitários de importação nos respectivos despachos de importação. Analisando as respostas das intimações efetuadas para as empresas Condata e SH8, no curso deste processo administrativo fiscal, assim como no curso do processo administrativo fiscal n° 11080.727618/201236, os dados das Importações destas empresas, as características dos produtos importados por estas empresas, e as anotações, cópias de emails e faturas proforma relativas a importações da empresa Condata, apreendidas por ocasião da realização de diligência na empresa Telinfo, foi comprovado subfaturamento nas importações realizadas pela empresa SH8, objeto das declarações de importação n° 07/17816715, n° 07/17972717, e n° 08/00108501, registradas em 20/12/2007, 26/12/2007, e 03/01/2008, respectivamente, conforme razões expostas nos parágrafos seguintes deste Relatório de Fiscalização. Esse fatos, a título de exemplo, deixa patente que as operações de importação foram realizadas por encomenda. No entanto, no mínimo em relação às importações objeto das DI 07/17816715, 07/17972717, 08/00108501, e 08/11678258, registradas, respectivamente, em 20/12/2007, 26/12/2007, 03/01/2008, e 31/07/2008, provam que importadas pela empresa SH8, como se tivessem sido efetuadas com recursos próprios, sem registrar o nome da empresa Condata como adquirente nas referidas declarações de importação. Portanto, tal fato inconteste subsumese à hipótese prevista no inciso V do art. 23 do DL 1.455/76, pois provada a "ocultação do real comprador". E, não sendo localizadas as mercadorias, como no caso vertente, determina o § 3º daquela norma que a pena de perdimento será convertida em "multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na importação". Esses fatos, por si só, já seriam bastante para aplicação da pena de perdimento convertida em multa no valor aduaneiro da mercadoria na importação. Contudo, não bastasse o mesmo, restou ainda comprovada a fraude no valor aduaneiro das mercadorias. Nesse passo transcrevo o que a decisão da DRJ acerca da fraude: Seguese, doravante, a análise da existência de subfaturamento na importação de 22 máquinas para contar cédulas a vácuo, marca Szkingled, modelo na origem FVHD16, modelo no Brasil FV16, através da DI n° 07/17027818, exportadas pela empresa chinesa Ruian New Trend Imp. & Exp. Trade Co., Ltd. Zhejiang, declaradas ao preço unitário de US$ 275,00. No mesmo modo de proceder, foi constada a existência de documento anotado à mão, identificado como “pedidos de vácuo”, à fl. 18, sendo que o “3º pedido” trata de encomenda de 22 máquinas, a um preço unitário de US$ 700,00, resultando na importação destas máquinas a um preço total de US$ 15.400,00, Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.262 12 constituído por um pagamento por fora de US$ 9.350,00, e por um pagamento oficial de câmbio de US$ 6.050,00. À fl. 76, foi juntada uma solicitação de remessa financeira, no valor de US$ 9.350,00, de 31/08/2007, tendo como beneficiária a empresa exportadora chinesa Ruian New Trend, mesma conta bancária utilizada para fechamento de câmbio da DI n° 07/17027818. Neste documento, consta uma anotação escrita à mão “31/08/2007” e “3º pedido”. Também foram apreendidas duas faturas proformas nº KL2007082701 e nº KL2007083101 (fls. 55 e 77), datadas de 27/08/2007 e 31/08/2007, respectivamente, que correspondem à importação da mercadoria identificada na referida DI, sendo que, no entanto, a fatura à fl. 55, está descrito o preço unitário de US$ 275,00, enquanto que a fatura à fl. 77 consta o preço unitário de US$ 700,00 por máquina importada, confirmando o valor real da transação objeto do despacho de importação da DI n° 07/17027818. Não merece crédito a alegação da empresa de que referidas faturas trataramse de mera cotação de equipamentos distintos e nunca importados. Vejase que tais faturas só vieram a confirmar os dados constantes das anotações de pedidos (fl. 18) e das solicitações de pagamentos por fora, conforme já descrito, de modo que serve de prova complementar e não da única prova. E, não obstante não haver claramente o modelo das máquinas, vejase que datam do mesmo período das negociações ora tratadas, com os mesmos valores unitários, declarados e não declarados, e quantidades, que conferem com as demais provas colhidas. E não tem relevância o fato de a auditoria não ter feito menção às faturas formais que instruíram cada um dos despachos de importação, tendo se utilizado do mesmo relato acerca destas faturas proformas nº KL2007082701 e nº KL2007083101, como provas de subfaturamento em mais três DI, que a seguir serão vistas, de forma somente a demonstrar o procedimento adotado pela contribuinte autuada. Ademais, na fatura KL2007083101 (fl. 77), consta a anotação manual “KLD2007091802”, ou seja, sendo a fatura anterior aquela em que aparecem os reais valores da transação, obviamente que teria outra fatura formal, ideologicamente falsa, para acobertar os preços subfaturados." E tais fatos não foram contestados pela recorrente com provas que os ilidam, limitandose a afirmar no curso da lide a procedência dos valores declarados e a insuficiência de provas, que, claramente, não existiu como bem articulado na decisão de piso. Por fim, não há que falarse em afastar a penalidade por dano ao erário, que restou fartamente comprovada, para aplicarse a multa equivalente a 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço praticado. Primeiro, porque falece competência, no rito do Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 9303008.128 CSRFT3 Fl. 1.263 13 Decreto 70.235/72, à autoridade julgadora fazêlo, ao contrário, data venia, do que entendeu o i. Dr. Demes Brito, pois restrito aos agentes fiscais; e, segundo, porque a norma é explícita acerca da matéria. Vejase o que dispõe a legislação desde o Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto 6.759/2002): " Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento." Diante de norma expressa, não incide na hipótese o art. 112 do CTN. Dessarte, sem reparos à r. decisão. CONCLUSÃO Forte em todo o exposto, conheço do especial de divergência do contribuinte, mas negolhe provimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13413.720024/2013-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Para fazer jus a dedução com despesas médicas, apenas os recibos não são suficientes para elidir a ação fiscal. Existe a necessidade de comprová-los por meio de outros elementos.
Numero da decisão: 2002-000.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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DESPESAS MÉDICAS. Para fazer jus a dedução com despesas médicas, apenas os recibos não são suficientes para elidir a ação fiscal. Existe a necessidade de comproválos por meio de outros elementos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 3. 72 00 24 /2 01 3- 00 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13413.720024/201300 Acórdão n.º 2002000.826 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fl. 25) contra decisão de primeira instância (fls. 17/19), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: A interessada impugna lançamento do anocalendário 2011, onde foram glosadas despesas de R$ 5.000,00 que teria pago à psicóloga Meres Diomar Mourato Grimaldi e de R$ 800,00 que teria pago ao dentista David Jorge Pereira Alves. Como resultado, o imposto a restituir declarado, de R$ 7.027,87, foi reduzido para R$ 6.212,66. De acordo com o relatório fiscal, a contribuinte, intimada, não comprovara a efetividade dos pagamentos com documentos bancários. Os recibos apresentados também não descreviam claramente os serviços. A impugnante argumenta, em síntese, que os documentos apresentados cumprem todas as exigências legais para comprovar a realização das despesas e que os pagamentos foram em espécie. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. As deduções devem ser comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 31/03/2016 (fl. 34); Recurso Voluntário protocolado em 15/04/2016 (fl. 25), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas. A r. decisão concluiu que: “Para comprovar a efetividade dos pagamentos a contribuinte deveria apresentar documentos bancários, tais como cópias de Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13413.720024/201300 Acórdão n.º 2002000.826 S2C0T2 Fl. 4 3 cheques, extratos bancários, recibos de depósitos, etc. As alegações de pagamentos em espécie, desacompanhadas de qualquer prova, não substituem as indispensáveis provas do fato alegado. Poderia ser comprovado, por exemplo, os saques nas contas bancárias correspondentes aos pagamentos declarados.” Irresignada, a recorrente em sua peça de resistência, alega razões preliminares que se confundem com o mérito e com ele serão analisadas. Alega a recorrente, que a Receita Federal deveria investigar os CNPJs mencionados, para certificarse se os mesmos declararam os valores apresentados e assinados pelos prestadores de serviços; junta novamente os recibos, inclusive até um que já foi aceito pela ação fiscal, não constando das despesas glosadas. Pois bem, estamos envoltos neste processo no ônus da prova, que assim se define: ÔNUS DA PROVA cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comprová los efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Nesta quadra, entende este relator, que outras provas deveriam ser juntadas, para comprovar as razões da recorrente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005514/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. GRATIFICAÇÕES DE ATIVIDADES DE RISCO. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 68
Súmula CARF nº 68:
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
O adicional por tempo de serviço e as gratificações de atividades são rendimentos tributáveis, conforme determina a legislação tributária.
Numero da decisão: 2301-005.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antônio Sávio Nastureles - Presidente em exercício.
Assinado Digitalmente.
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
Assinado Digitalmente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. GRATIFICAÇÕES DE ATIVIDADES DE RISCO. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 68 Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. O adicional por tempo de serviço e as gratificações de atividades são rendimentos tributáveis, conforme determina a legislação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antônio Sávio Nastureles - Presidente em exercício. Assinado Digitalmente. Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora. Assinado Digitalmente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
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GRATIFICAÇÕES DE ATIVIDADES DE RISCO. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 68 Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. O adicional por tempo de serviço e as gratificações de atividades são rendimentos tributáveis, conforme determina a legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antônio Sávio Nastureles Presidente em exercício. Assinado Digitalmente. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. Assinado Digitalmente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 55 14 /2 00 7- 01 Fl. 55DF CARF MF 2 Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Recurso voluntário juntado nas fls. 42/53 contra a decisão da DRJ (fls. 35/), proferida pela 4ª Turma da DRJ/CTA em 27 de outubro de 2009, Acórdão 0624.176, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. Os rendimentos recebidos a título de adicional por tempo de serviço são tributáveis, uma vez que não há, na legislação tributária, dispositivo que os definam como isentos. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Segundo o Auto de Infração (fl. 4/10), originado na revisão da DAA referente ao exercício 2002, anocalendário de 2001, restou constatada a existência de irregularidades, sendo alterado os valores da declaração, na linha dos “rendimentos recebidos de pessoa jurídica” para R$107.714,58, apurandose o imposto a restituir no valor de R$992,67. A omissão se deu decorrente da verba entendida como isenta, referente ao adicional por tempo de serviço, no valor de R$29.842,08. Alega o Contribuinte em sua impugnação (fl. 2/3), que o valor apurado como omitido corresponde ao adicional por tempo de serviço e que não há incidência de IRPF sobre o mesmo, conforme determina as determina as Leis 7713/88 e 8852/94 art. I Inciso III, letra “n”; a Lei 8.852/94 enfatiza a exclusão do adicional por tempo de serviço da remuneração sendo incompatível recair a tributação sobre o adicional, sendo indevida a incidência de IRPF sobre o adicional. Nas fls. 13/25 consta dos holerites do Contribuinte e nas fls. 26/33 consta da DAA do mesmo referente ao período apurado. Na DRJ observa que o lançamento foi julgado procedente e a impugnação improcedente, visto que: 1. A Lei n°. 8.852/94, referenciada pelo Contribuinte foi editada como forma de regulamentar os incisos XI e XII dos artigos 37 e 39 da Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.005514/200701 Acórdão n.º 2301005.947 S2C3T1 Fl. 56 3 Constituição e que restou claro que a sua natureza não é tributária, não podendo se contrapor à Lei 7.713/88; 2. O art. 176 do CTN consagra o princípio da legalidade em matéria de isenção e o art. 4° do mesmo diploma legal estipula que a natureza jurídica especifica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais características formais adotadas pela lei. Somente há isenção se a lei expressamente dispôs sobre a não tributação dos rendimentos percebidos sob determinada razão. 3. Claro está que a natureza da Lei 8852/94 não é tributária. Quando a 8852/94 exclui em sua letra “n” o adicional por tempo de serviço, não está excluindo de tributação tal verba, mas tãosomente estabelecendo que adicional por tempo de serviço não se constitui em REMUNERAÇÃO para fins de teto remuneratório. 4. Para que um rendimento, embora no campo da incidência, não seja tributado, se faz necessária uma norma explícita que o isente, sendo que não há sua exclusão no art. 39 do RIR/99; 5. Portanto, incabível, pois, a pretensa isenção dos rendimentos recebidos sob o fundamento de possuir o servidor público um determinado tempo de serviço, pois não há previsão legal para a desoneração. No Recurso Voluntário o Contribuinte pugna, em resumo, pela: 1. A Lei 8.852/94 é explicita ao considerar no seu artigo 1°, inciso III, letra “n”, que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração; 2. Estamos diante de uma lei federal (Lei 8.852/94) que, sem qualquer vício de forma e em consonância com o conceito constitucional de “renda", exclui expressamente da base de incidência do IR o “adicional por tempo de serviço" auferido pelos servidores públicos federais Este é o relatório; 3. O “Adicional por Tempo de Serviço" pago pelo ente Público, a nosso sentir, tem natureza indenizatória em razão das restrições a que o servidor público está sujeito; já o adicional por tempo de serviço pago pelo setor privado é uma remuneração destinada a estimular a fidelidade e a produção, junto ao empregador; 4. Traz a diferença de indenização e proventos; 5. Em face do exposto, pugnase pela: (a) improcedência do lançamento constante no auto de infração fls. 6 e por consequência não incidência do IR sobre as verbas reclamadas, acatando assim o recurso ora interposto, ciente de que se estará fazendo medida de inteira justiça. Fl. 57DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato Relatora Admissibilidade Verificase nas fls. 41 que o contribuinte foi intimado em 11/11/2009, sendo que apresentou o Recurso Voluntário (fl. 42) em 01/12/2009. Portanto, o Recurso foi interposto dentro do prazo de 30 dias, o que o torna tempestivo e admissível. Conheço do recurso, passando a análise de seu mérito. Mérito Tratase de IRPF lançado sobre o adicional por tempo de serviço, no qual o Contribuinte entende que a verba é indenizatória e, portanto, não incide IRPF. Em suas razões recursais, o Contribuinte afirma que a Lei 8.852/94 é explicita ao considerar no seu artigo 1°, inciso III, letra “n” que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração e, portanto, não incide IRPF. De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou de não incidência ou de tributação exclusiva de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Já o no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço não se encontra contemplado. Portanto, são tributáveis os rendimentos recebidos mediante tal rubrica. Sobre o pedido de isenção, este Conselho tem o entendimento sumulado que: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, a Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, por não ser legislação específica do Direito Tributário. O RIR/99 é claro ao determinar em seu Art. 39 os rendimentos isentos e não tributáveis. Nele não há a inserção do adicional por tempo de serviço. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.005514/200701 Acórdão n.º 2301005.947 S2C3T1 Fl. 57 5 Apenas uma lei pode conferir isenção ou exclusão de incidência de IRPF. Não havendo norma que permita a exclusão do rendimento da base de cálculo do IRPF, não há que se falar em não incidência do tributo. Ademais, o adicional por tempo de serviço não se caracteriza verba indenizatória. É verba salarial conferida ao funcionário público. Diante do exposto, voto por negar provimento ao pedido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721346/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA. EMPRESA INDIVIDUAL. ADVOGADO. CONTADOR. VEDAÇÃO
É considerado empresário quem exerce atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, não o sendo aquele que exerce profissão intelectual.
A constituição de empresas individuais pode ser feita por pessoas físicas que explorem atividade econômica de natureza civil ou comercial, sendo vedada às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem, dentre outras atividades, a de contador mesmo com a ajuda de colaboradores.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA PRONUNCIAMENTO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE
Quanto às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade da norma restritiva, consoante teor da Súmula nº 2 não é o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ARROLAMENTO DE BENS
A Súmula CARF nº 109 assim preceitua: O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens.
COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO RECOLHIDO PELA PESSOA JURÍDICA. CABIMENTO
No que tange à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de Imposto de Renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física.
Numero da decisão: 2401-006.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido a título de pessoa jurídica sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IMPOSTO DE RENDA. EMPRESA INDIVIDUAL. ADVOGADO. CONTADOR. VEDAÇÃO É considerado empresário quem exerce atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, não o sendo aquele que exerce profissão intelectual. A constituição de empresas individuais pode ser feita por pessoas físicas que explorem atividade econômica de natureza civil ou comercial, sendo vedada às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem, dentre outras atividades, a de contador mesmo com a ajuda de colaboradores. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA PRONUNCIAMENTO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE Quanto às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade da norma restritiva, consoante teor da Súmula nº 2 não é o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ARROLAMENTO DE BENS A Súmula CARF nº 109 assim preceitua: O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO RECOLHIDO PELA PESSOA JURÍDICA. CABIMENTO No que tange à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de Imposto de Renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido a título de pessoa jurídica sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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EMPRESA INDIVIDUAL. ADVOGADO. CONTADOR. VEDAÇÃO É considerado empresário quem exerce atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, não o sendo aquele que exerce profissão intelectual. A constituição de empresas individuais pode ser feita por pessoas físicas que explorem atividade econômica de natureza civil ou comercial, sendo vedada às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem, dentre outras atividades, a de contador mesmo com a ajuda de colaboradores. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA PRONUNCIAMENTO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE Quanto às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade da norma restritiva, consoante teor da Súmula nº 2 não é o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ARROLAMENTO DE BENS A Súmula CARF nº 109 assim preceitua: “O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens.” COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO RECOLHIDO PELA PESSOA JURÍDICA. CABIMENTO No que tange à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de Imposto de Renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 13 46 /2 01 1- 78 Fl. 1232DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido a título de pessoa jurídica sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ (DRJ/RJ1) que julgou, por maioria de votos, procedente em parte a Impugnação apresentada, conforme ementa do Acórdão nº 1257.533 (fls. 1201/1211): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 FIRMA INDIVIDUAL. ADVOGADO E CONTADOR. O contribuinte que presta serviço pessoais de contador e/ou advogado não se equipara à pessoa jurídica para efeito do imposto de renda. A constituição irregular de sociedade empresária não elidi a tributação dos rendimentos da pessoa física. DA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 11065.721346/201178 Acórdão n.º 2401006.069 S2C4T1 Fl. 3 3 Não cabe à administração tributária manifestarse sobre a constitucionalidade ou legalidade da norma, restringindose a aplicála no sentido literal, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA QUALIFICADA. A qualificação da multa de ofício requer a prova da ocorrência de sonegação fiscal, fraude ou conluio, nos termos definidos na legislação pertinente. COMPENSAÇÃO. Não cabe a Delegacia de Julgamento efetuar compensação de tributos entre sujeitos passivos distintos, principalmente diante da existência de comando normativo que veda a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 938/942), lavrado contra a Contribuinte em 27/06/2011, relativo ao exercício 2009, decorrente da classificação indevida de rendimentos tributáveis tidos pela contribuinte como isentos, no qual é exigido R$ 233.827,97 de Imposto de Renda Suplementar (Cód. 2904), R$ 350.741,96 de Multa de Ofício Qualificada (150%), passível de redução, e R$ 48.168,56 de Juros de Mora, calculados até 06/2011, ficando o Crédito Tributário no valor total de R$ 632.738,49. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 943/962): 1. Os rendimentos provenientes da pessoa jurídica Graziela Graciolli de Lima Maria, empresa individual, CNPJ nº 09.497.623/000196, foram tributados na pessoa jurídica pela Contribuinte e considerados pela fiscalização como rendimentos da pessoa física; 2. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, uma vez que a Autoridade Fiscal entendeu que houve, por parte da Contribuinte, intenção de obter uma tributação mais favorecida ao tributar como Pessoa Jurídica rendimentos que, de fato, eram da Pessoa Física. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, pessoalmente, em 01/07/2011 (fl. 965) e, em 29/07/2011, apresentou sua Impugnação de fls. 969/985, instruída com os documentos nas fls. 986/1193. O Processo foi encaminhado à DRJ/RJ1 para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1257.533, em 04/07/2013 a 19ª Turma resolveu, por maioria de votos, julgar procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo o Imposto de Renda Suplementar (cód. 2904), no valor de R$233.827,97, e cancelando qualificação da Multa de Ofício, alterando o percentual de 150% para 75%. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/RJ1, via Correio, em 15/07/2013 (AR fl. 1214) e, inconformado com a decisão prolatada, em 01/08/2011, Fl. 1234DF CARF MF 4 tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1216/1229, por meio da qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta: 1. Acerca da legalidade da tributação pelo regime do lucro presumido dos rendimentos auferidos pela firma individual da Contribuinte (Item II.1 fls. 1218/1220); 2. Sobre a legalidade da constituição e funcionamento da Firma individual da Contribuinte (Item II.2 fls. 1220/1223); 3. Sobre a ausência de suporte legal para a aplicação da restrição prevista no art. 150, § 2º, inciso I, do Decreto 3.000/99 ao caso em tela (Item II.3 fls. 1223/1224); 4. Sobre os serviços efetivamente prestados pela Contribuinte, que vão muito além dos serviços de Advogado e Contador, e por essa razão não se enquadram nas restrições apontadas (II.4 fls. 1225/1227); 5. Subsidiariamente, sobre o direito de compensar no valor cobrado no AI os valores pagos pelos tributos em decorrência da aplicação do regime de lucro presumido, sob pena de cobrança em duplicidade (Item II.5 fls 1227/1229). Finaliza seu RV requerendo a anulação ou improcedência o Auto de Infração lavrado. Subsidiariamente, no caso de assim não se entender, requer a garantia do direito à compensação dos tributos já pagos pela firma individual da Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Segundo a Recorrente, os rendimentos auferidos podem ser tributados pelo regime do lucro presumido, por não se aplicar a restrição prevista no art. 150, § 2º do Decreto nº 3.000/99. Afirma que se enquadra no art. 150, § 1º, inciso I do referido Decreto. Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 11065.721346/201178 Acórdão n.º 2401006.069 S2C4T1 Fl. 4 5 Destarte, o ordenamento jurídico pátrio autoriza a pessoa física ou jurídica ser caracterizada como empresária. No caso da pessoa física, denominase "empresário individual"; a pessoa jurídica é considerada "sociedade empresária". O empresário individual não possui personalidade jurídica própria, diversa da de seu titular. Ambos são considerados uma única pessoa com patrimônio comum e responsabilidade una perante a administração fazendária. Antes de adentrar ao mérito da demanda, necessário se faz trazer à colação a legislação pertinente à matéria. O Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos ora debatidos, Decreto nº 3.000/99, revogado pelo Decreto nº 9.580/2018, estabelecia que a constituição de empresas individuais poderia ser feita por pessoas físicas que explorem atividade econômica de natureza civil ou comercial, sendo no entanto vedada às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem, dentre outras atividades, a de contador e advogada. Vejamos: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "a"); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"); III as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (DecretoLei nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1º e 3º, inciso III, e DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). § 2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); II profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "b"); III agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "c"); Fl. 1236DF CARF MF 6 IV serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "d"); V corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "e"); VI exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "f"); VII exploração de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "g"). Com efeito, o empresário individual constitui mera ficção jurídica que habilita a pessoa física, enquadrada nas condições estabelecidas pela legislação (art. 150 do RIR/99), a comerciar com algumas vantagens de natureza tributária, tais como pessoa jurídica, desde que existente o elemento de empresa. O Código Civil preceitua de forma clara que é considerado empresário quem exerce atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, não o sendo aquele que exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que com o concurso de auxiliares, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa, senão vejamos: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. O Estatuto da OAB, Lei n° 8.906/94 determina que a sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia, só adquire personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede, vejamos: Art. 15. Os advogados podem reunirse em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia, na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral.(Redação dada pela Lei nº 13.247, de 2016) § 1o A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia adquirem personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede.(Redação dada pela Lei nº 13.247, de 2016) Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 11065.721346/201178 Acórdão n.º 2401006.069 S2C4T1 Fl. 5 7 A partir da leitura da legislação de regência, importante a verificação da natureza jurídica dos serviços prestados através da empresa individual. Segundo o contribuinte, os contratos de prestação de serviços juntados aos autos e que deram origem aos rendimentos tributados, demonstram que as atividades exercidas não prescindiam de registro profissional de advogado ou contabilista, afirmando que para a efetivação dos serviços havia necessidade de contratação de outros profissionais, o que descaracterizaria a pessoalidade na prestação de serviços. No entanto, a partir da análise da situação dos colaboradores da Recorrente, dos contratos de prestação de serviços adunados aos autos e das respostas às intimações durante o procedimento fiscal, constatouse que a única pessoa que estava apta e poderia realizar os serviços, tanto de advocacia, quanto de contabilidade, tanto nos aspectos profissionais, quanto concernente aos legais, em virtude da necessidade do registro ativo no respectivo conselho profissional, seria a própria contribuinte titular da empresa individual, cuja prestação de serviço ocorreu de forma individual. Compulsando o conjunto probatório juntado aos autos, percebese que o contrato foi firmado para a prestação de serviço profissional da advogada, de forma pessoal, conforme se verifica dos instrumentos juntados às fls. 142 e seguintes. Por bem descrever os fatos em análise, transcrevese trechos do Relatório Fiscal que reproduzo a seguir: Mesmo considerando todas as falhas e inconsistências formais acima relatadas, a análise do teor desses instrumentos mostra que a contratação dos serviços teve natureza individual. A relação jurídica foi da pessoa física titular com a contratante (CELSP), retratando um típico contrato de honorários advocatícios entre uma advogada pessoa física e seu cliente. Tanto é que nos mencionados documentos aparece sempre destacada, no cabeçalho das folhas, a identificação "Graziela Graciolli de Lima Maria OAB/RS 51.602", ou simplesmente "Graziela Graciolli de Lima Maria Advogada" (fls. 142/148). O próprio Estatuto da OAB (Lei nº 8.906, de 1994), em seu art. 15, §1º, define que uma sociedade de advogados só adquire personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede, o que nunca ocorreu no período fiscalizado. A relação da titular da firma individual com o suposto cliente (CELSP), segundo os contratos apresentados, possui natureza jurídica de prestação de serviço individual, o cliente não contrata com o empregado auxiliar (JOSE LUIS SEGETTO) ou com o suposto "terceiro" prestador de serviço (LUIS FELIPE GRACIOLLI DE LIMA), mas apenas e tão somente com a advogada GRAZIELA GRACIOLLI DE LIMA MARIA, que era quem efetivamente assinava os contratos e se responsabiliza pela prestação do serviço. Analisandose os fatos apurados pela fiscalização, e não concretamente infirmados pela Recorrente, conforme se constata dos contratos de prestação de serviços Fl. 1238DF CARF MF 8 adunados aos auto, a conclusão a que se chega é que de fato existiu a prestação de serviços de advogada de forma pessoal. Embora essa atividade pudesse ter o auxílio de profissionais, isso não afasta o caráter pessoal da atividade exercida. Nesse diapasão, constatase que a empresa individual foi organizada exclusivamente para a exploração individual de atividades enumeradas no § 2º do art. 150 acima referido, entretanto, a legislação veda a tributação na pessoa jurídica dos rendimentos oriundos da prestação de serviços de contador e advogada. Embora esteja a empresa formalmente cadastrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ e tenha seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial, tal fato é irrelevante, tendo em vista a constatação, pelo conjunto probatório adunado aos autos, que se trata de empresa individual organizada para a exploração de atividades enumeradas no § 2º do art. 150 do Decreto 3.000/99, cuja tributação sob o mesmo regime aplicado às pessoas jurídicas é claramente vedada. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade da norma restritiva, consoante teor da Súmula nº 2, não é o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange ao arrolamento de bens, a Súmula CARF nº 109 assim preceitua: “O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens.” Direito à compensação Pleiteia ainda a Recorrente que lhe seja garantido o direito de abater do valor cobrado do Auto de Infração os valores pagos pelos tributos em decorrência da aplicação do regime pelo lucro presumido. No que tange à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de Imposto de Renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. Asseverese que o aproveitamento do Imposto de Renda comprovadamente recolhido no ajuste da pessoa jurídica ou retido pela fonte pagadora, previamente ao início do procedimento de fiscalização, é apto a operar efeitos na base de cálculo da multa de ofício, ou seja, antes da inclusão dos acréscimos legais. Com relação aos demais tributos pagos, distintos do Imposto de Renda, o aproveitamento entre pessoas distintas dependeria de previsão em lei específica autorizadora de sua realização. Como regra, a compensação no âmbito tributário implica a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra desde a origem, havendo obrigações recíprocas entre as partes (art. 170 do CTN). Dessa forma, não se deve transmudar o processo fiscal de controle do lançamento em procedimento de compensação. A via adequada é, portanto, o pedido de restituição, sem prejuízo do cumprimento dos demais requisitos estipulados na legislação. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 11065.721346/201178 Acórdão n.º 2401006.069 S2C4T1 Fl. 6 9 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL provimento para que sejam deduzidos do lançamento o Imposto de Renda recolhido a título de pessoa jurídica sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.002642/2004-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/08/2001
Ementa:
LANÇAMENTO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. CONTENCIOSO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ENQUADRAMENTO EM CÓDIGO NOVO. IMPORTADOR. INFRAÇÃO POR CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA. IMPUTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Inexiste previsão legal para exclusão ou relevação da pena de multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria nos casos em que a contribuinte classifica incorretamente o produto, mesmo que o enquadramento determinado pela Fiscalização Federal no auto de infração revele-se igualmente indevido.
Se a autuação expõe os fundamentos para rejeição da classificação escolhida pelo importador e a ele foi concedido direito a ampla defesa, também não há que se falar em vício na formalização da exigência.
Numero da decisão: 9303-008.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: DEMES BRITO
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MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLARIANT S.A ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/08/2001 Ementa: LANÇAMENTO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. CONTENCIOSO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ENQUADRAMENTO EM CÓDIGO NOVO. IMPORTADOR. INFRAÇÃO POR CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA. IMPUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para exclusão ou relevação da pena de multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria nos casos em que a contribuinte classifica incorretamente o produto, mesmo que o enquadramento determinado pela Fiscalização Federal no auto de infração revelese igualmente indevido. Se a autuação expõe os fundamentos para rejeição da classificação escolhida pelo importador e a ele foi concedido direito a ampla defesa, também não há que se falar em vício na formalização da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 26 42 /2 00 4- 82 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata o presente de recurso especial de divergência, interposto pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão de embargos 3201002.152, de 27/04/2016, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade,omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A jurisprudência administrativa e judicial tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, algum erro de fato. Embargos de Declaração acolhidos. Cuida o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência do II, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em conjunto com a multa capitulada no art. 84, inciso I da MP n° 2.15835, de 24/08/2001, tendo em vista a classificação incorreta de mercadoria importada na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Ao apreciar o feito por força de impugnação, a DRJ manteve o lançamento somente quanto a multa prevista no inciso I do art. 84 da MP nº 2.15835/2001, porquanto os julgadores divergiram tanto da classificação adotada pela fiscalização quanto da classificação eleita pelo contribuinte. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 4 3 Por ocasião do julgamento do recurso voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF decidiu anular a decisão da DRJ, por cerceamento de defesa. Em sede de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, o colegiado a quo entendeu pela ocorrência de vício de contradição entre os fundamentos e a conclusão do Acórdão 3202000.881, de 21/08/2013, conheceu e acolheu os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para considerar improcedente o lançamento. A nova ementa do acórdão embargado passou ao seguinte texto: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/08/2001 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso tanto daquele utilizado pela impugnante, quanto daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente. No especial obstaculizado, a Procuradoria da Fazenda Nacional aponta divergência jurisprudencial referente aplicação da multa prevista no art. 84, I, da Medida provisória nº2.15835/2001(multa por erro de classificação fiscal). O apelo recebeu juízo positivo de admissibilidade, (efls. 212/214), ao entendimento de que o paradigma invocado trata de caso similar ao dos autos, no qual houve reclassificação da mercadoria importada, tendo os julgadores descartado tanto a classificação promovida pelo contribuinte, como também aquela invocada pelo Fisco, chegandose a uma “terceira classificação”. Contudo, em que pese esse desfecho, o acórdão paradigma manteve a multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no inciso I do artigo 84 da MP 2.15835/01. A Contribuinte apresentou Contrarrazões (efls.222/232 ), pugna pela inadmissibilidade do Recurso interposto, caso conhecido seja negado provimento ao Recurso. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 12.179,84 referente a imposto de importação, multa de oficio, multa por mercadoria classificada incorretamente na NCM e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que a Contribuinte importou mercadorias amparadas pela Declaração de Importação nº01/08494653 (fls.10 a 12), descrevendoas como CASSAPPRET SRNA LIQ 0120 e classificandoas na NCM 3907.99.18 Tereftalato de polibutileno em líquidos e pastas. Analisada amostra do produto o Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda LABOR, emitiu o Laudo nº 22214/01 (f1.14), concluindo que se trata de preparação química à base de poliéster do ácido tereftálico, em meio aquoso, apta para uso na indústria têxtil. Em função do resultado da análise laboratorial, foi realizada revisão aduaneira na Declaração de Importação, sendo reclassificada a mercadoria para a NCM 3809.91.90. Em decorrência dessa nova classificação fiscal foi constituído auto de infração paia cobrança da diferença de Imposto de Importação, da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, da multa devido a mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória n° 2.158/2001,1 e dos juros de mora. Em sede de manifestação de inconformidade, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0715.184 (fls. 127/131), mantendo crédito tributário no valor de R$ 500,00. Fundamentouse no sentido de que tanto a classificação fiscal apontada pela fiscalização, quanto a adotada pelo importador, estavam equivocadas. O tributo exigido foi exonerado (também multa de ofício vinculada e juros de mora), mas mantida a prevista no art. 84, I, da Medida Provisória – MP n.º 2.15635, de 2001, por erro de classificação fiscal. Ao apreciar o Recurso Voluntário, a turma a quo decidiu dar provimento recurso para reformar o acórdão recorrido, ao entendimento de que constatandose que a classificação fiscal da mercadoria não é a adotada pela fiscalização nem a declarada pelo contribuinte, o lançamento deve ser julgado improcedente. Com efeito, para melhor elucidar o feito, faço algumas considerações quanto ao Instituto de Classificação Fiscal de Mercadoria. Em que pese a Classificação fiscal de mercadorias sempre ter sido importante nos processos de importação, os Contribuintes só começaram a se preocupar a partir da publicação da Medida Provisória 215835 de 24/08/2010. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 6 5 A referida Medida Provisória MP, estabeleceu multa de 1% ou o valor mínimo de R$ 500,00 quando a aplicação do percentual resultar valor inferior, sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM, nas nomenclaturas complementares ou nas mercadorias quantificadas incorretamente na medida estatística definida pelo governo para as mercadorias. Posteriormente foi publicada a Lei 10.833/2003, a qual amplia o rigor em relação as mercadorias, exigindo corretamente a descrição das mercadorias, não aceitando mais descrições genéricas, como se via anteriormente, chegando a se descrever uma mercadoria em uma Declaração de Importação simplesmente com o número de referencia do fabricante. Reclamações eram exaradas por despachantes aduaneiros, empresários e advogados, alegando tratarse de uma medida injusta, já que muitas vezes o erro ocasionava até o pagamento de valor a maior do imposto, o que não justificaria a aplicação de uma penalidade. Sem embargo, o Governo Federal utiliza a NCM (Nomenclatura Comum do MERCOSUL) com objetivo de fazer um acompanhamento estatístico dos produtos importados, visando elaborar uma política mais justa e real para a pauta de produtos importados e ainda proteger a indústria nacional. Tal controle e acompanhamento perdem totalmente a eficácia na hipótese de informar classificação tarifária equivocada, propositalmente ou não. Por isso, a exigência de se indicar a correta Classificação nas importações. Outro controle que fica comprometido na hipótese de erro na classificação fiscal, é o controle do valor aduaneiro, base de cálculo para os impostos incidentes nas importações. Mercadoria com classificação equivocada leva a erro o Siscomex, que não encaminha para Canal Cinza DI’s com mercadorias que deveriam se submeter a tal controle. Alguns Contribuintes, não todos, tentam elaborar um planejamento tributário equivocado alterando a classificação fiscal das mercadorias correta, para outra que apresenta alíquotas menores nos impostos, principalmente no Imposto de Importação e IPI , os quais são impostos seletivos e variam de NCM para NCM. Quando isso ocorre os tributos diminuem, o importador supostamente passa a obter uma falsa economia, como bom Brasileiro, vende seu produto mais barato, em detrimento dos concorrentes que operam de modo correto. Caso haja reclassificação fiscal, de onde poderá o importador obter recursos para arcar com sua irresponsabilidade, evidentemente ele responde por todas as receitas, e os processos aqui acabam, gerando um passivo e estoque de processo para julgamento infindável. Portanto, recomendase agir nos termos da lei. DISCIPLINA JURÍDICA DA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSULNCM. Necessário se faz, trazer breves considerações acerca da disciplina jurídica da NCM. A classificação fiscal dos produtos industrializados tem como princípio basilar o denominado Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 7 6 que, em síntese , representa o grande acordo entre as nações para a criação de uma nomenclatura de mercadorias de cunho universal e harmônico. O objetivo primeiro do Sistema Harmonizado é tornar o comércio internacional mais fácil e ágil, vez que referido sistema criou uma linguagem única para identificar as mais diversas mercadorias. Nem sempre as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição são suficientes para orientar e dirigir a classificação de um determinado objeto mercadológico para a posição que deve obrigálo. Isso ocorre principalmente com objetos químicos e com as máquinas em geral, dando a impressão que o Sistema Harmonizado tem deficiências que comprometam sua utilização. Visando minimizar essa problemática, o Sistema Harmonizado dispõe de um grupo de observações de fundamentação eminentemente tecnológica, que esclarece certos aspectos de todas as suas posições. Tais observações são reunidas sob o título de Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (Nesh), que constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das notas de Seção, capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. As Nesh foram introduzidas no ordenamento jurídico nacional por meio do Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992, sofrendo constantes atualizações, em que a Receita Federal do Brasil dá publicidade na forma de Instrução Normativa nº697/07, (alterações) devidamente publicada no DOU. PRINCÍPIOS JURÍDICOS INTRODUTÓRIOS DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIASNCM A Classificação de Mercadorias tem, pelo menos, cinco princípios, conforme se verifica a seguir: 1°) Princípio da Equivalência Conceitual: “mercadoria, produto e bem são termos que expressam o mesmo conceito, não tendo sentido fazer qualquer distinção entre os mesmos”; 2°) Princípio da Plena Identificação da Mercadoria: “a mercadoria a ser classificada deverá se apresentar desvendada, ou seja, conhecida naquelas características, propriedades e funções necessárias à sua classificação”; 3°) Princípio da Hierarquia: “merceologia é parte integrante da Classificação de Mercadorias; 4°) Princípio da Unicidade da Classificação: “numa nomenclatura de mercadorias e dentro do universo dos possíveis códigos para abarcar uma mercadoria específica, não pode a mesma ser classificada em dois ou mais códigos”; 5°) Princípio da Distinção das Mercadorias: “as mercadorias não devem ser distinguidas por critérios diferentes daquelas características que as fazem próprias”. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 8 7 Além dos princípios elencados, a classificação de qualquer mercadoria é guiada também por 6 ( seis) Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI). (6 RGI/SH), bem como, na Regra Geral Complementar (RGC —1). Regras disciplinadas pela Resolução Camex n° 42, de 2001, e pela Instrução Normativa IN SRF n° 99, de 2001 – sendo a classificação de um produto determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI 1). Deste modo, a classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar n° 1 — RGC 1). Retornando a lide, vêse que a instância de origem entendeu incorreta a classificação fiscal apontada pela fiscalização, razão pela qual exonerou o imposto de importação e seus consectários legais, porém, como também considerou incorreta a utilizada pelo importador, manteve a multa prevista no art. 84, I, da MP n.º 2.15835, de 2001. Por sua vez, a DRJ decidiu em manter a exigência da penalidade, com fundamento diverso daquele registrado no campo “Descrição dos Fatos” do auto de infração. Contudo, a Autoridade Fiscal alegou que a classificação fiscal correta do produto importado seria 3809.91.90 (“preparação química à base de poliéster do ácido tereftálico, em meio aquoso, apta para uso na indústria têxtil”), com base em que promoveu a cobrança do II, acrescido de multa e juros, e da penalidade por erro de classificação fiscal. Não sendo correta a classificação fiscal utilizada pela fiscalização para proceder ao lançamento, não poderia a instância de origem, considerando correta uma terceira classificação, manter a penalidade isolada, pois esse fato caracteriza em reclassificação fiscal, cerceando o direito da Contribuinte, uma vez que não houve elementos para contraditar em sua manifestação sobre uma terceira classificação fiscal. Esta E. Câmara Superior, julga conflitos jurisprudenciais, na caso em espécie, inferese da leitura dos dispositivos supramencionados, que assiste razão a Contribuinte, a instância de origem nada mais fez do que promover uma alteração na fundamentação do ato administrativo (lançamento), visto que o motivo de fato do qual resultou a exigência da penalidade foi que a classificação fiscal adotada pela Recorrente estava errada porque correta era a indicada pela fiscalização. Portanto, nítida a violação do artigo 146 do CTN, a seguir transcrito: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Esse dispositivo, fundado na segurança jurídica, proíbe a aplicação de novo critério jurídico adotado pela autoridade administrativa. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 9 8 Sobre o tema, trago à colação ensinamento de Leandro Paulsen e Luciano Amaro, respectivamente: "O art. 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores. (In Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013, p. 1049) Parece evidente que o dispositivo procura traduzir norma de proteção do sujeito passivo. Quem aplica critério jurídico de lançamento é a autoridade (já que se trata de atividade que é dela privativa). A autoridade, portanto, é que está impedida de aplicar novo critério em lançamentos relativos a fatos geradores já ocorridos antes de sua introdução. Nessa ordem de idéias, o preceito só cabe nos casos em que o novo critério jurídico beneficia o Fisco, restando proibida, nessa hipótese, sua aplicação em relação ao passado. A vedação se reporta “a um mesmo sujeito passivo” (e atémse a fatos geradores ocorridos antes da introdução do novo critério, o que significa que todas as obrigações tributárias já nascidas (em face da ocorrência do seu pressuposto de fato) terão de ser lançados de acordo com o critério jurídico (mais favorável) que o Fisco já tiver adotado em lançamento anteriormente realizado, em relação a cada sujeito passivo, o que implica reconhecer no preceito um direito subjetivo invocável contra o Fisco por quem, figurando como sujeito passivo em certo lançamento, efetuado de acordo com determinado critério jurídico, tem o direito de não ver inovado esse critério (em futuros lançamentos), a não ser em relação a fatos geradores ocorridos após a introdução do novo critério". (In Direito tributário brasileiro. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 379). O dispositivo supra, trata, mais do que a mera inalterabilidade do lançamento por mudança de critério jurídico, determina a inalterabilidade do critério a todos os fatos geradores já ocorridos, mesmo quando ainda estejam na pendência de lançamento, como leciona Luciano Amaro (p. 377378). Destaco: "O que o texto legal de modo expresso proíbe não é a mera revisão de lançamento com base em novos critérios jurídicos; é a aplicação desses novos critérios a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução (que não necessariamente terão sido objeto de lançamento ). Se, quanto ao fato gerador de ontem, a autoridade não pode, hoje, aplicar critério jurídico (diferente do que, no passado, tenha aplicado em relação a outros fatos geradores atinentes ao mesmo sujeito passivo), a questão não se refere (ou não se resume) à revisão de lançamento (velho, mas abarca a consecução de lançamento (novo). É claro que, não Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 10 9 podendo o novo critério ser aplicado para lançamento novo com base em fato gerador ocorrido antes da introdução do critério, com maior razão este também não poderá ser aplicado para rever lançamento velho. Todavia, o que o preceito resguardaria contra a mudança de critério não seria apenas lançamentos anteriores, mas fatos geradores passados. O motivo da introdução do novo critério (a par da iniciativa de ofício da autoridade) pode ser uma decisão (administrativa ou judicial), contida num processo que, obviamente, se refere a fato gerador pretérito. Se o critério introduzido é aplicável só para fatos geradores futuros, é evidente que ele não terá sido o critério aceito como legítimo para o lançamento objeto do processo, cuja decisão porém, teria provocado a autoridade a introduzir o novo critério.” (In Direito tributário brasileiro. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 377378) Da leitura dos autos, firmo meu entendimento pessoal que houve alteração de critério jurídico, com violação ao 146 do Código Tributário Nacional CTN. Contudo, para resolução do conflito jurisprudencial posto a julgamento nesta E. Câmara Superior, adoto como razões de decidir (mérito) a decisão recorrida, por seus próprios fundamentos, que passa fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: "Notese,inicialmente, que o fundamento utilizado pela DRJ para manter a exigência da penalidade isolada é diverso daquele registrado no campo “Descrição dos Fatos” do auto de infração. Com efeito, a fiscalização alegou que a classificação fiscal correta do produto importado seria 3809.91.90 (“preparação química à base de poliéster do ácido tereftálico, em meio aquoso, apta para uso na indústria têxtil”), com base em que promoveu a cobrança do II, acrescido de multa e juros, e da penalidade por erro de classificação fiscal. Não sendo correta a classificação fiscal utilizada pela fiscalização para proceder ao lançamento, não poderia a instância de origem, considerando correta uma terceira classificação, manter a penalidade isolada, pois esse fato caracteriza cerceamento ao direito de defesa, uma vez que à Recorrente não se conferiu oportunidade de se pronunciar, em sua impugnação, sobre esta terceira classificação fiscal. Abraçando esse entendimento, transcrevese a seguinte ementa de decisão do CARF: FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. É nula, por prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, a decisão de primeira instância que apresenta fundamentos fático jurídicos ao lançamento impugnado não constantes da peça de ataque. (CARF/Segunda Seção/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 11 10 Acórdão n.º 2401002.593, de 14/08/2012). Assim, a instância de origem nada mais fez do que promover uma alteração na fundamentação do ato administrativo (lançamento), visto que o motivo de fato do qual resultou a exigência da penalidade foi que a classificação fiscal adotada pela Recorrente estava errada porque correta era a indicada pela fiscalização. Configurado prejuízo ao direito de defesa, é de se declarar nula decisão proferida pela DRJ, com fulcro no art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza" Dispositivo. Ante o exposto, conheço do Recurso interposto, negolhe provimento, mantendose a decisão recorrida por seus próprios fundamentos jurídicos. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém divirjo de suas conclusões a respeito do afastamento da multa por classificação fiscal incorreta. Esclareço que na sessão de julgamento de 14/03/2018, este colegiado proferiu o acórdão nº 9303006474, de minha relatoria, no qual decidimos esta mesma matéria. Portanto, com fundamento no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, transcrevo abaixo aquele voto e o adoto como fundamento de decidir. (...) Os autos dão conta de que a decisão de primeira instância manteve a autuação apenas na fração correspondente à multa por erro de classificação fiscal, prevista no art. 84 da MP n.° 215835/2001, no percentual de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria importada. A decisão recorrida, por seu turno, exonerou também essa multa. É contra essa exoneração que a Fazenda recorre. As demais penalidades originalmente impostas, assim como a diferença de tributos foram consideradas improcedentes pela DRJ. Uma vez que o Fisco tenha classificado incorretamente a mercadoria no auto de infração, ainda que incontroverso o erro de mesma natureza cometido pelo importador, todas as exigências escoradas na NCM indicada no auto foram consideradas insubsistentes. Até aí, nenhuma novidade. A jurisprudência administrativa é quase uníssona em relação aos efeitos da decisão que, no seu bojo, rejeita a classificação escolhida pela Fiscalização. Quando se chega a essa conclusão, a exigência é considerada improcedente como um todo, ainda que a classificação adotada pela contribuinte também esteja equivocada. De fato, para a NCM que emerge do julgamento há circunstâncias desconhecidas: outra alíquota (talvez ad valorem, talvez específica), outro tratamento administrativo, necessidade de novos esclarecimento técnicos sobre o produto etc. A adequação a essas novas circunstâncias exigiria que todo o procedimento fiscal fosse revisto, o que equivaleria a um novo lançamento, medida que, como se sabe, não foi contemplada pela legislação tributária. Por essa razão, inevitavelmente, a pretensão veiculada nos autos termina sendo abandonada. Contudo, essa máxima não pode ser instantaneamente aplicada quando o assunto envolve a multa decorrente do erro de classificação fiscal em si. Diferentemente da exigência vinculada à diferença de tributos, à multa por declaração inexata/falta de pagamento e à multa por infração ao controle administrativo das importações, todas associadas e dependentes do tratamento tarifário concedido a determinada NCM, a infração por erro de classificação não é afetada quando o enquadramento escolhido pelo Fisco também se revela Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 13 12 equivocado. Tratase de uma infração dissociada de quaisquer exigências e particularidades tributárias e/ou administrativas a que se subsumem as operações com mercadorias classificadas em determinado código tarifário. Noutro giro, releva também destacar que a infração de que aqui se trata, tal como tipificada no art. 84 da MP n.° 215835/2001, não comporta controvérsia em face dos efeitos do ato de que resulta ou de outros aspectos com viés subjetivo. Com a devida vênia aos que pensam de forma diferente, não vejo propósito na discussão travada nos autos acerca da intenção do agente, da extensão dos efeitos do ato ou da presença ou não da máfé comprovada ou demonstrada nos atos praticados pelo infrator. A infração por erro de classificação fiscal, tal como é próprio das infrações de natureza tributária, é objetiva. Como se sabe, à presença do elemento volitivo nos atos infracionais são atribuídas consequências próprias. Via de regra, o dolo dá ensejo ao agravamento da multa exigida; não está associado à circunstância material da infração. Com base nessas premissas, afastase, desde logo, a interpretação que sugere a exclusão da pena perante a ausência de intenção do agente ou de efeitos lesivos do ato. Do ponto de vista estritamente legal, quaisquer destas circunstâncias carecem de conteúdo normativo que lhes conceda efeito jurídico. Conforme disposto na norma legal infracional, a materialidade da infração encontrase na conduta; no erro de classificação fiscal. A priori, uma vez que isso ocorra, nenhuma das circunstâncias acima descritas tem o condão de relevar a pena que decorre do ato de classificar indevidamente a mercadoria. E esse pressuposto aplicase, igualmente, às situações nas quais a classificação escolhida pelo Fisco revelase equivocada. A norma geral e abstrata se materializa na ação do contribuinte que classifica indevidamente a mercadoria. Não há pena prevista para o Erário nem mitigação decorrente de uma escolha também indevida. Tampouco há disposição normativa que exclua a penalidade em face de tal ocorrência. Isto posto, resta examinar a possibilidade de que a imprecisão de que se trata resulte em prejuízo da integridade do auto de infração em si. Ao indicar classificação tarifária equivocada, é possível que a acusação padeça de uma precariedade insuperável na fundamentação que lhe é exigida, do que resultaria todo o procedimento eivado de vício material. A esse respeito, encontrase à efolha 12, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração, a explicação da Autoridade autuante para desclassificação da mercadoria importada. (...) O caso dos autos é exemplar. A toda evidência, há razões suficientes e autônomas para que se chegue à conclusão de que o importador incorreu em erro na escolha da classificação tarifária da mercadoria. Tratase de uma decisão que encerra em si mesma sua motivação, independe da classificação escolhida pelo Fisco. Ainda que esta seja incorreta, as razões e os fundamentos que levaram à rejeição da classificação escolhida pelo importador subsistirão e foram satisfatoriamente explicitadas no auto. Ao administrado foi concedido o direito de contraditálas. E que se diga que, de fato, a simples escolha de determinada classificação tarifária em detrimento de outra tem relevante potencial lesivo e pode ser evitada à luz de elementos de convicção relativamente superficiais. Isso pode ser observado, Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 14 13 com alguma frequência, no caso de importação de mercadorias passíveis de serem classificadas no conhecido Capítulo 29 da TEC. Vejase o exemplo a seguir. No ano de 2001, por meio da Resolução Camex nº 42/20011, a Câmara de Comércio Exterior, supostamente por razões de cunho econômico, decidiu reduzir a zero a alíquota do imposto de importação incidente sobre cerca de 360 (trezentos e sessenta) códigos tarifários compreendidos no Capítulo 29. Investigar a regularidade na escolha desse capítulo, normalmente, não exige mais do que uma informação elementar acerca da composição química da mercadoria: se tratase de um composto de constituição química definida ou não. Já classificar com precisão um produto químico pode demandar demoradas pesquisas bibliográficas e exames laboratoriais. Isso significa que a simples constatação de erro na opção pelo Capítulo 29, independentemente da classificação tarifária a que o produto deveria ser submetido, garante ao Fisco a condição de coibir a opção do administrado por enquadramento com tratamento tarifário beneficiado, ao qual ele sabia ou deveria saber que não tinha direito. Assim, considerando todo o exposto, não vislumbro nenhum argumento que conduza à decisão de excluir a pena imposta à contribuinte; seja em face das alegações associadas à ausência de qualificação do ato, dos efeitos dele decorrentes, da falta de fundamentação ou mesmo da preterição ao direito de defesa. A contestação, a meu ver, carece de motivação real e de base legal. 1 RESOLUÇÃO CAMEX Nº 42, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2001 DOU 29/12/2001 O PRESIDENTE DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o § 3º do art. 6º do Decreto no 3.981, de 24 de outubro de 2001, e tendo em vista as Decisões nos 67/00 e 06/01, do Conselho do Mercado Comum (CMC), e Resoluções nos 11/01, 12/01, 29/01, 30/01, 32/01, 45/01, 46/01, 48/01 e 57/01, do Grupo Mercado Comum (GMC), do MERCOSUL, e as emendas à Nomenclatura do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, RESOLVE, ad referendum da Câmara: (...) Art. 3º Ficam reduzidas a zero por cento, até 31 de agosto de 2002, as alíquotas do Imposto de Importação das mercadorias descritas nos códigos relacionados no Anexo V a esta Resolução, gravados na TEC com o símbolo “§”. (Prorrogada pelo art. 1º da Resolução Camex nº 08, DOU 31/03/2003) (Prorrogada pelo art. 1º da Resolução Camex nº 19, DOU 01/07/2003) (...) Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 15 14 (...) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902502/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador:31/10/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-006.238
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador:31/10/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 25 02 /2 01 1- 29 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13502.902502/201129 Acórdão n.º 3402006.238 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, em razão do sistema da Receita Federal apurar que o pagamento em questão foi utilizado integralmente para quitar débitos. Tempestivamente, a manifestante alegou que, na data em destaque recolheu o IPI a maior, porém, ao tomar ciência do Despacho Denegatório constatou que não mais poderia retificar a respectiva DCTF, por ter sido ultrapassado o prazo de cinco anos. Diante disso requer a retificação de ofício, o reconhecimento do direito creditório e a homologação dos débitos que declarou. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14042.352, que firmou entendimento de que é ônus processual da interessada fazer prova dos fatos constitutivos de seu direito, o que não ocorreu no caso em apreço. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.237, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13502.902501/201184, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.237): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13502.902502/201129 Acórdão n.º 3402006.238 S3C4T2 Fl. 0 3 7. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado eletronicamente da decisão guerreada em 05 de julho de 2013 (sextafeira), o que seu deu pela ciência por decurso de prazo, já que o contribuinte não promoveu a abertura do email encaminhado em sua caixa postal. Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 08 (oito) de julho de 2013 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 06 (seis) de agosto de 2013 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto mediante postagem por correio efetuada em 07 (sete) de agosto de 2013 (quartafeira) (fl. 35), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto. Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18019.720600/2012-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das despesas médicas com o plano de saúde UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO, no valor de R$3.211,28, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento em maior extensão para afastar glosa das despesas médicas com Sheila Aparecida da Silveira no importe de R$8.760,00, Eduardo Seiji Numata no valor de R$4.500,00, além do valor do plano de saúde com a UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das despesas médicas com o plano de saúde UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO, no valor de R$3.211,28, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento em maior extensão para afastar glosa das despesas médicas com Sheila Aparecida da Silveira no importe de R$8.760,00, Eduardo Seiji Numata no valor de R$4.500,00, além do valor do plano de saúde com a UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das despesas médicas com o plano de saúde UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO, no valor de R$3.211,28, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento em maior extensão para afastar glosa das despesas médicas com Sheila Aparecida da Silveira no importe de R$8.760,00, Eduardo Seiji Numata no valor de R$4.500,00, além do valor do plano de saúde com a UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 01 9. 72 06 00 /2 01 2- 04 Fl. 105DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 44 a 49), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 6.331,09, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 19 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: que o contribuinte tem por hábito efetuar pagamentos à vista, não utiliza cartão de crédito nem cheques. Além disso, os profissionais que o atendem preferem o pagamento à vista; que a legislação não exige que a comprovação do pagamento das despesas médicas com cheques, extratos bancários ou cartões de crédito; que efetuou os pagamentos à vista, em dinheiro, tendo como comprovar somente com os recibos dos profissionais de saúde; que a comprovação de pagamento das despesas médicas se satisfaz com a apresentação dos recibos, devidamente assinados, datados e com a indicação do nome, CPF e o número de inscrição nos Conselhos Regionais dos profissionais emitentes dos recibos; que bastaria a conferência da Declaração do Imposto de Renda dos profissionais de saúde emitentes de tais recibos. Acrescenta que bastaria o cruzamento das informações das despesas médicas realizadas e os valores informados na Declaração de Ajuste Anual dos profissionais; que para considerar inidôneos os recibos, caberia a Receita Federal do Brasil comprovar a infração, fraude ou simulação dos mencionados recibos; que o pagamento em espécie não se comprova por extrato, mas tão somente por recibo do prestador dos serviços médicos; Fl. 106DF CARF MF Processo nº 18019.720600/201204 Acórdão n.º 2002000.795 S2C0T2 Fl. 92 3 que em relação às despesas médicas da Unimed Saúde, informa que a beneficiário do plano de saúde é o cônjuge, que não foi informado como dependente na Declaração de Ajuste Anual, tendo em vista que possui renda própria e faz sua própria Declaração; que arca com o plano de saúde do cônjuge, tendo em vista que possui maior condição financeira. Acrescenta que o cônjuge não incluiu as despesas do plano de saúde em sua Declaração de Ajuste Anual. Requer acolhida a presente impugnação. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 22/05/2015, no acórdão 0368.298, às efls. 53 a 60, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 76 a 99 alegando, em síntese, · que concorda com a glosa parcial da despesa com a UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO, no valor de R$5.230,86; · que as demais despesas estão embasadas nos recibos emitidos pelos profissionais, que por si são provas da contratação dos serviços médicos. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 18/06/2015, efls. 74, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 16/07/2015, efls. 76, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Sheila Aparecida da Silveira R$8.760,00; · Eduardo Seiji Numata R$4.500,00. · Beatriz Ferreira Faria R$1.320,00. · UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO R$8.442,14. Fl. 107DF CARF MF 4 Primeiramente, cumpre destacar que as glosas com os profissionais mencionados foram mantidas pela falta de efetivo pagamento, conforme decisão da DRJ: Acrescentase que é equivocado entenderse que o inciso II do art. 8º da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação referese aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Porém, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução. Ainda, a glosa relativa a dedução com plano de saúde foi mantida, pois, conforme entendimento da DRJ, sua beneficiária foi a cônjuge do contribuinte, que apresentou DAA em separado: Quanto à Unimed Vale do São Francisco (R$ 8.442,14), o extrato de pagamentos efetuados informa que a beneficiária do plano de saúde (fl. 18) é o cônjuge do contribuinte, que apresentou Declaração de Ajuste Anual em separado. É importante ressaltar que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. Em sede recursal, o contribuinte concorda com a glosa parcial da despesa com a UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO, no valor de R$5.230,86, posto que apenas o valor de R$3.211,28 é despesa própria, portanto, dedutível da base de cálculo do IRPF. Logo, não há lide em relação ao valor glosado de R$5.230,86, atraindo a redação do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do Fl. 108DF CARF MF Processo nº 18019.720600/201204 Acórdão n.º 2002000.795 S2C0T2 Fl. 93 5 imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. Fl. 109DF CARF MF 6 O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 18019.720600/201204 Acórdão n.º 2002000.795 S2C0T2 Fl. 94 7 Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 111DF CARF MF 8 Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 10 e 15 há recibos emitidos por Sheila Aparecida da Silveira no importe de R$8.760,00. Às efls. 16 e 17 há recibos emitidos por Eduardo Seiji Numata no valor de R$4.500,00. Quanto ao recibo emitido pela profissional Beatriz Ferreira Faria, às efls. 16, este não possui o carimbo da profissional ou qualquer referência à entidade que regulamente a profissão exercida, motivo pelo qual a glosa deve ser mantida, pelo não preenchimento dos requisitos legais. Em relação a dedução com plano de saúde, em sede recursal, o contribuinte junta comprovante discriminado pela UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO dos valores pagos. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 18019.720600/201204 Acórdão n.º 2002000.795 S2C0T2 Fl. 95 9 Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando a glosa das despesas médicas com Sheila Aparecida da Silveira no importe de R$8.760,00, Eduardo Seiji Numata no valor de R$4.500,00, além do valor do plano de saúde com a UNIMED VALE DO SÃO FRANCISCO. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas médicas com Sheila Aparecida da Silveira e Eduardo Seiji Numata. Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal procedeu à glosa dos valores declarados para os referidos profissionais por não ter o contribuinte comprovado o seu efetivo pagamento através de cópias de cheques, extratos bancários ou de cartão de crédito (efls. 46/47). A decisão de primeira instância manteve a glosa efetuada, corroborando as razões expostas pela fiscalização (efls. 53/60). Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) Fl. 113DF CARF MF 10 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o recorrente tenha efetuado seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que este não trouxe aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre as movimentações realizadas e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para afastar apenas a glosa da despesa médica de R$ 3.211,28 com o plano de saúde Unimed. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 18019.720600/201204 Acórdão n.º 2002000.795 S2C0T2 Fl. 96 11 (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15892.720014/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.735
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à Contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Audinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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(documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Audinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 735 a 747) pelo qual a recorrente se indispõe contra acórdão de manifestação de inconformidade (fls. 722 a 729) em que a autoridade de piso considerou improcedente pedido de compensação de IRRF (código 3280, referente ao mês de 01/2009 a 09/2009) em relação a débitos da recorrente. A decisão recorrida traz os seguintes relatos sobre o processo em apreço. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 92 .7 20 01 4/ 20 13 -4 6 Fl. 791DF CARF MF Processo nº 15892.720014/201346 Resolução nº 2402000.735 S2C4T2 Fl. 792 2 Fl. 792DF CARF MF Processo nº 15892.720014/201346 Resolução nº 2402000.735 S2C4T2 Fl. 793 3 Em 27.08.2014, a manifestação de inconformidade apresentada foi julgada improcedente pela autoridade de piso, ao argumento de que os documentos trazidos pela contribuinte não atendiam a legislação de regência, tanto por não discriminarem as despesas e custos envolvidos como por não especificarem os serviços pessoais prestados, circunstâncias que impossibilitaram a apuração do IRRF a recuperar em relação à operação original, razão pela qual, entendeu aquela autoridade, que restava prejudicada a comprovação do alegado crédito a compensar. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 15892.720014/201346 Resolução nº 2402000.735 S2C4T2 Fl. 794 4 Cientificada de tal decisão, a contribuinte apresentou o recurso voluntário em apreço (em 01.10.2014), ratificando o pedido de suspensão da exigibilidade do crédito analisado, bem como pedindo a homologação do crédito compensado e a realização de diligência a fim de comprovar a retenção do IRF. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Quanto ao pedido de diligencia requerido, cabe inicialmente colacionar a legislação relacionado à comprovação da retenção IRF que embasa o presente pedido de compensação, em especial a legislação em vigor à época do PER/DCOMP apresentado: Importante observar que consta dos autos que a contribuinte foi intimada e de fato apresentou inúmeros documentos visando a comprovação das retenções sofridas e, dentre tais documentos, foram juntados diversos comprovantes de rendimentos e de retenções de IRF realizadas por tomadores de serviços da recorrente, relacionados à prestação de serviços por profissionais pessoas físicas (cod 3280). Não obstante a existência nos autos dos citados instrumentos previstos na legislação tributária, a valoração desses documentos como instrumentos de prova foi superada pela análise restritiva de informações contidas em cláusulas contratuais, faturas e notas fiscais apresentadas pela recorrente, interpretação esta que caminha no sentido contrário à literalidade de normas legais e infralegais relacionadas à matéria, que tem no comprovante de rendimento Fl. 794DF CARF MF Processo nº 15892.720014/201346 Resolução nº 2402000.735 S2C4T2 Fl. 795 5 emitido pelo terceiro tomador do serviço o elemento de prova essencial à decisão de mérito nos pedidos de compensação. Assim, com o objetivo de dar vigência aos dispositivos legais supracitados, VOTO POR CONVERTER A PRESENTE VOTAÇÃO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a auditoria realize os seguintes procedimentos, julgados fundamentais ao deslinde do presente caso: 1) intimar a empresa a apresentar eventuais comprovantes de rendimentos e retenções IRF, ainda não juntados aos autos (relacionados ao período em apreço); 2) confeccionar demonstrativo, objetivo e fundamentado, abordando ao menos: a) as retenções compensáveis descritas nos comprovantes de rendimentos relacionados ao caso, apresentadas pela recorrente; b) as eventuais retenções compensáveis nos termos dos demais documentos apresentados; e c) as retenções compensáveis declaradas em DIRF pelos tomadores (obs: apontar nos autos o elemento de prova); 3) Intimar novamente a recorrente, concedendolhe prazo para manifestar quanto à informação obtida pela auditoria durante a diligência; 4) Após isso, retornar os autos à apreciação deste Conselho. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 795DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720929/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
IRPJ E CSLL. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. GLOSA.
Para as despesas incorridas pelo contribuinte serem dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL há que se comprovar o pagamento ou, na ausência deste, a despesa deve ser ao menos incorrida/reconhecida (regime de competência) e os gastos devem ser úteis ou necessários para a manutenção da empresa e relacionados ao seu objeto social.
O dever de comprovar que a despesa é inexistente, indedutível ou a falsidade do documento que suportou o lançamento contábil é da fiscalização.
Contudo, uma vez comprovada a indedutibildiade, o ônus para desconstruir a acusação fiscal passa a ser do contribuinte, que deve carrear aos autos documentos comprobatórios das suas alegações. Não o fazendo, impõe-se a manutenção do lançamento fiscal.
CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1302-003.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação suscitada de ofício pelo conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que restou vencido. Não votou quanto a este ponto o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, tendo em vista que a matéria foi apreciada na sessão de 19 de fevereiro de 2019, tendo votado o conselheiro Ailton Neves da Silva (suplente convocado), nos termos do art. 58, §§ 4º e 5º do Anexo II do Ricarf. E, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões do relator quanto à glosa das despesas com Juros sobre Impostos (Recurso de Ofício) e com Juros sobre Mora (recurso voluntário) e solicitou a apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 IRPJ E CSLL. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. GLOSA. Para as despesas incorridas pelo contribuinte serem dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL há que se comprovar o pagamento ou, na ausência deste, a despesa deve ser ao menos incorrida/reconhecida (regime de competência) e os gastos devem ser úteis ou necessários para a manutenção da empresa e relacionados ao seu objeto social. O dever de comprovar que a despesa é inexistente, indedutível ou a falsidade do documento que suportou o lançamento contábil é da fiscalização. Contudo, uma vez comprovada a indedutibildiade, o ônus para desconstruir a acusação fiscal passa a ser do contribuinte, que deve carrear aos autos documentos comprobatórios das suas alegações. Não o fazendo, impõe-se a manutenção do lançamento fiscal. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação suscitada de ofício pelo conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que restou vencido. Não votou quanto a este ponto o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, tendo em vista que a matéria foi apreciada na sessão de 19 de fevereiro de 2019, tendo votado o conselheiro Ailton Neves da Silva (suplente convocado), nos termos do art. 58, §§ 4º e 5º do Anexo II do Ricarf. E, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões do relator quanto à glosa das despesas com Juros sobre Impostos (Recurso de Ofício) e com Juros sobre Mora (recurso voluntário) e solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2178; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.971 1 1.970 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720929/201571 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302003.419 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria IRPJ Recorrentes INTERCEMENT BRASIL S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 IRPJ E CSLL. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. GLOSA. Para as despesas incorridas pelo contribuinte serem dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL há que se comprovar o pagamento ou, na ausência deste, a despesa deve ser ao menos incorrida/reconhecida (regime de competência) e os gastos devem ser úteis ou necessários para a manutenção da empresa e relacionados ao seu objeto social. O dever de comprovar que a despesa é inexistente, indedutível ou a falsidade do documento que suportou o lançamento contábil é da fiscalização. Contudo, uma vez comprovada a indedutibildiade, o ônus para desconstruir a acusação fiscal passa a ser do contribuinte, que deve carrear aos autos documentos comprobatórios das suas alegações. Não o fazendo, impõese a manutenção do lançamento fiscal. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação suscitada de ofício pelo conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que restou vencido. Não votou quanto a este ponto o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, tendo em vista que a matéria foi apreciada na sessão de 19 de fevereiro de 2019, tendo votado o conselheiro Ailton Neves da Silva (suplente convocado), nos termos do art. 58, §§ 4º e 5º do Anexo II do Ricarf. E, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 29 /2 01 5- 71 Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.972 2 relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões do relator quanto à glosa das despesas com Juros sobre Impostos (Recurso de Ofício) e com Juros sobre Mora (recurso voluntário) e solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase, o presente processo, de autuações lavradas em face do ora Recorrente, Intercement Brasil S/A, na qualidade de sucessora, por incorporação, da empresa CCB Cimpor Cimentos Brasil S/A, através das quais foram constituídos créditos tributários de IRPJ, CSLL, referente ao ano calendário de 2010. Como se denota do Termo de Verificação Fiscal de fls. 927 a 932, o agente autuante, após discorrer sobre o processo de fiscalização, sobre as intimações enviadas à contribuinte e acerca das respostas por esta elaboradas, entendeu por bem glosar despesas incorridas pela empresa CCB Cimpor Cimentos Brasil S/A no ano de 2010 (que foi posteriormente incorporada pela Recorrente), uma vez que, aos olhos da fiscalização, as despesas não foram comprovadas e, por tal motivo, não era possível realizar a dedução dos valores das bases de cálculo do IRPJ e da CSSL. A glosa perpetrada pela fiscalização se refere, em síntese, a despesas incorridas no ano de 2010 por aquela empresa, que foram lançadas na DIPJ 2010 como sendo "Outras Despesas Operacionais". No processo de fiscalização, o agente fiscal, ao analisar as demonstrações contábeis e documentos apresentados pela Recorrente, concluiu pela não comprovação dos lançamentos, entendendo pela impossibilidade de dedução das despesas incorridas. Como se verifica do TVF, as contas contábeis analisadas pela fiscalização, cujas despesas supostamente não foram comprovadas, são as seguintes: 1) Conta Contábil: 35681302 Variação Monetária a PG Lafarge. Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.973 3 2) Conta Contábil: 35681322 Outros descontos operação Lafarge. 3) Conta Contábil : 35680405 Juros empréstimo grupo exterior. 4) Conta Contábil: 35680901Juros sob Financiamento de Capital de Giro. 5) Conta Contábil : 35680903 Juros sob Financiamento de Investimento. 6) Conta Contábil: 35680905 Juros Fomentar. 7) Conta Contábil : 35681304 Juros sobre Impostos. 8) Conta Contábil : 35681311 Juros de Mora. 9) Conta Contábil: 35681303 Juros Fornecedores. 10) Conta Contábil: 35681101 Descontos Concedidos. 11) Conta Contábil : 35681312 Fiança Bancária. 12) Conta Contábil : 34670301 Perdas De Clientes Comerciais. A acusação fiscal, após analisar as referidas contas, os documentos e esclarecimentos prestados pela contribuinte, foi no sentido de que as despesas não foram comprovadas e, por isso, deveriam ser glosadas. Vejase a conclusão do agente fiscal constante do TVF: Mediante o exposto, considerando que grande parte das solicitações, conforme Termos de Intimação emitidos, não foi, adequadamente, atendida no sentido de se estabelecer uma relação clara entre os documentos apresentados e os fatos contábeis, glosamos o valor de R$ 45.894.502,94 ( referentes à valores lançados na DIPJ ano calendário 2010 Ficha 06 A Linha 46 Outras despesas financeiras = R$ 42.252.281,77 e Linha 54 Despesas Decorrentes de Ajustes a Valor Presente = R$ 3.642.221,17 ( relativos às contas contábeis 35680901 Juros Sob Financiamento De Capital de Giro R$ 2.704.654,09 e conta contábil 35681302 Variação Monetária a Pg LAFARGE R$ 937.567,08). A Recorrente, ao receber as autuações, apresentou extensa impugnação administrativa, acompanhada de documentos (fls. 1.529 a 1.757), na qual tentou demonstrar de forma detalhada e individualizada, que as despesas foram incorridas e que eram passíveis de serem deduzidas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos da legislação então em vigor. Em um primeiro momento, ao receber o processo administrativo, a DRJ em Fortaleza (CE) entendeu por bem converter o julgamento em diligência, uma vez que, como consta do acórdão recorrido, "foram identificadas deficiências na apresentação de provas tanto por parte do autuante como da defesa". Realizada a diligência, com apresentação de Relatório Fiscal (fls. 1845 a 1849) e de manifestação da Recorrente (fls. 1855 a 1871), aquela DRJ, ao julgar o feito, deu Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.974 4 parcial provimento à Impugnação Administrativa da contribuinte, tendo o acórdão (fls. 1876 a 1906) recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 ESCRITURAÇÃO. PROVA. SUPORTE POR DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor da contribuinte, dos fatos nela registrados, se estiverem lastreados por documentos hábeis e idôneos. Os fatos por provar devem ser relevantes, ou influentes, isto é, em condições de poder influir na decisão da causa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. Na sistemática do lucro real, os dispêndios podem ser considerados como dedutíveis, como despesa ou custo operacional, desde que devidamente comprovadas e sejam necessários ao desempenho das atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. AQUISIÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. PAGAMENTO EFETUADO COM BASE EM PRODUTO DE FABRICAÇÃO DO INVESTIDOR. 1. No caso de aquisição de participação societária, cujo pagamento se dá por intermédio de mercadoria de fabricação do investidor, a diferença entre o custo de aquisição e o custo da mercadoria, no momento de sua entrega, não pode ser considerado como ágio, pois não tem por base rentabilidade futura, nem tampouco se relaciona a uma mais valia de um bem identificado no patrimônio líquido da investida. 2. Essa diferença não se enquadra como juros a serem pagos para credores, desconto obtido, muito menos uma variação monetária. 3. Tal despesa, por não atender ao requisito de necessidade para manutenção da fonte produtora, não pode ser considerada dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO DE JUROS. EMPRÉSTIMO EXTERIOR. O registro contábil de pagamento dos juros decorrentes de um contrato de empréstimo no exterior, deve ter por base Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.975 5 documentos que indubitavelmente demonstrem a existência da operação, tais como o registro da operação no Banco Central, ou a remessa desses juros. A simples apresentação do contrato não se presta, de per si, para embasar a operação, mormente quando sua validade é questionada pelo autuante, e o contribuinte, apesar de intimado, não apresenta os demais elementos de prova. JUROS SOBRE IMPOSTOS. DEDUTIBILIDADE. Os juros de mora calculados sobre débitos fiscais recolhidos com atraso são dedutíveis como despesa financeira. A legislação tributária permite a dedutibilidade dessa despesa quando incorrida, daí ser dispensável para sua comprovação a apresentação de documentos que demonstrem o efetivo pagamento. DESCONTOS CONCEDIDOS. COMPROVAÇÃO. O registro contábil relacionado a parcelas redutoras do preço de vendas deve estar atrelado às operações comerciais que lhes deram origem. A simples apresentação do livro Razão e de planilhas elaboradas pela própria empresa não é suficiente para comprovar esse tipo de operação. JUROS FORNECEDORES. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. O lançamento contábil de juros com fornecedores, para ser considerado dedutível para fins de apuração do lucro real, deve estar lastreado por documentos hábeis e idôneos, emitidos por terceiros. PERDAS DE CLIENTES COMERCIAIS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. A verificação sobre a possibilidade de reconhecimento de perdas no recebimento de créditos depende da análise individualizada da operação que lhe deu causa, em que se possa identificar, dentre outros, a origem, data, valor e partes envolvidas na transação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento reflexo da CSLL o mesmo que foi decidido ao lançamento do IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.976 6 Ao ser intimado do acórdão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos lançados em sua Impugnação Administrativa. Tendo em vista que a decisão da DRJ julgou parcialmente procedente a Impugnação Administrativa, exonerando parte do crédito tributário constituído, foi apresentado Recurso de Ofício para análise deste colegiado. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DO CABIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. Como se denota dos autos, a Recorrente foi intimada do teor do acórdão recorrido, via intimação eletrônica, em 27/11/2017 (fl. 1.917), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 27/12/2017 (fl. 1.918), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, uma vez que cumpre os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser analisado por este colegiado. Por outro lado, como relatado acima, o acórdão recorrido afastou uma das glosas perpetrada pela fiscalização (notadamente a despesa contabilizada na conta " Juros sobre Impostos"), exonerando parte do crédito tributário que havia sido constituída pela fiscalização. Cotejando os Autos de Infração e o acórdão recorrido, podese perceber que o valor do crédito tributário principal exonerado foi de R$2.872.489,78. Como o valor exonerado supera o valor de alçada de R$2.500.000,00, nos termos da Portaria MF nº 63/2017, o Recurso de Ofício também deve ser conhecido e analisado por este Conselho. DO MÉRITO DAS PREMISSAS QUANTO A POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE DESPESAS PELAS EMPRESAS QUE APURAM O IRPJ E CSLL PELA SISTEMÁTICA DO LUCRO REAL. No Recurso Voluntário apresentado não foram apresentadas preliminares pela Recorrente. Por isso, passase a analisar o mérito da discussão. Contudo, antes de adentrar no mérito de cada glosa realizada pela fiscalização, cumpre, neste momento, discorrer de forma breve acerca das despesas dedutíveis na apuração do lucro real, uma vez que com só com a fixação de algumas premissas que se poderá analisar aquelas glosas. Neste contexto, devese esclarecer que o dispêndio feito pela entidade ou toda obrigação incorrida para aquisição de bens, serviços ou utilidades, deve ser considerado Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.977 7 dedutível se for feito com o propósito de manter em funcionamento a fonte produtora de rendimentos. Nessa linha, confirase os ensinamentos de Hiromi Higuchi em sua obra “Imposto de Renda das Empresa: Interpretação e Prática”: As despesas efetuadas pelas pessoas jurídicas podem ser dedutíveis ou indedutíveis na apuração do lucro real. Importante é também o momento em que a despesa operacional é dedutível na determinação do lucro real. A despesa é dedutível pelo regime de competência, ou seja, no momento em que a despesa é considerada incorrida. As despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real são aquelas que se encaixam nas condições fixadas no art. 299 do RIR/99, isto é, despesas necessárias à atividade da empresa e à respectiva fonte produtora de receitas. As despesas necessárias, ainda de acordo com a legislação fiscal, são as despesas pagas ou incorridas e que sejam usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (HIGUCHI, Hiromi, Imposto de Renda das empresas: interpretação e prática: atualizado até 10012015 – 40º ed. – São Paulo: IR Publicações, 215, p.279) (detacouse). Os conceitos de despesas necessárias, usuais ou normais estão contidos no artigo 299, do RIR/99. Verificase: Art.299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1ºSão necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). §2ºAs despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 32/1981, previu que “o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos”. Os Tribunais pátrios não destoam deste entendimento, como se observa do julgado, cuja ementa segue transcrita abaixo, proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCROCSLL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICAIRPJ. DEDUÇÃO DE DESPESAS TIDAS COMO OPERACIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. CONDENAÇÃO EM VERBA HONORÁRIA QUE SE MANTÉM 1 Quanto ao agravo retido, é remansoso o entendimento de que a realização de perícia se revela como o meio de prova oneroso e causador da delonga procedimental, cabendo quando devem ser esclarecidas questões que não possam ser verificadas sem o Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.978 8 conhecimento técnico. A não realização de perícia contábil não caracteriza cerceamento de defesa, vez que a matéria tratada na inicial era de direito, possibilitando assim o julgamento da lide. Com efeito, o CPC/2015 permite o julgamento, dispensando a produção de provas, quando a questão for unicamente de direito e os documentos acostados aos autos forem suficientes ao exame do pedido. Também, o art. 370 do CPC/2015 permite ao juiz a possibilidade de indeferir diligências inúteis ou meramente protelatórias, assim como determinar a realização das provas que entenda necessárias à instrução do processo, mesmo sem requerimento da parte.Na hipótese, o que se discute é a possibilidade de descontos concedidos a clientes como despesas operacionais e despesas de viagem e estadia de médicos e cirurgiões cardiologistas e técnicos, dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sendo totalmente desnecessária a realização de prova pericial, pelo que rejeito o agravo retido interposto. 2. Despesas operacionais são as pagas ou incorridas para vender produtos ou serviços e administrar a empresa. A legislação de regência prescreve restrições quanto à dedução de despesas efetivamente incorridas e regularmente escrituradas. 3. O Parecer Normativo CST nº 32/81 declara que gasto necessário é o essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. 4. Na determinação da base de cálculo do IRPJ, a legislação considera dedutíveis as despesas operacionais, aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. 5. Na hipótese, no tocante a dedução dos prejuízos operacionais como despesa, não foram cumpridos os requisitos legais, de forma que não se pode simplesmente acolher o argumento genérico de que estão presentes as condições do artigo 299, do RIR/1999. 6. A autoridade fiscal efetuou a glosa dos valores referentes às despesas efetuadas com pessoas não vinculadas a empresa, como viagens, transporte, estadia de médicos para participação em congressos, exposições e conferências, bem como descontos concedidos a clientes. 7. As notas acostadas aos autos, por si só, não demonstram a finalidade, o relacionamento com a atividade desenvolvida pela autora. As viagens ao exterior deveriam estar devidamente escrituradas e de encontro com a atividade da empresa. 8. Embora útil ou vantajoso o emprego do valor, caracterizase um incremento, mas não uma despesa necessária ou operacional. 9. Quanto à verba honorária, esta deve ser mantida, conforme fixada na r. sentença. 10. Agravo retido rejeitado. Apelação não provida. (AC 00089632520114036100, DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JUNIOR, TRF3 TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:18/01/2017 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) Devese ressaltar, ainda, que, tendo em vista o regime de competência, mesmo aquelas despesas ainda não efetivamente pagas, mas já reconhecidas na contabilidade (incorridas), podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como, inclusive, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. Vejase: Fl. 1978DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.979 9 DIREITO TRIBUTÁRIO. IRPJ. LUCRO REAL. DESPESA OPERACIONAL. FÉRIAS. EMPREGADOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. AQUISIÇÃO DO DIREITO. CONCEITO DE DESPESA INCORRIDA. 1. Cuidase, na origem, de Ação Declaratória proposta com a finalidade de obter provimento jurisdicional que reconheça o direito à dedutibilidade de despesas incorridas pela aquisição do direito às férias dos empregados, na apuração do IRPJ do ano base de 1978 (fl. 12). 2. A controvérsia posta, desde a inicial, diz respeito ao período em que essa dedução é possível, e não propriamente à existência desse direito, o que se tornou inquestionável. 3. Uma vez adquirido o direito às férias, a despesa em questão corresponde a uma obrigação líquida e certa contraída pelo empregador, embora não realizada imediatamente. Dispõe o art. 134 da CLT que "As férias serão concedidas por ato do empregador, em um só período, nos 12 (doze) meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito". 4. De acordo com o § 1° do art. 47 da Lei 4.506/1964, são necessárias as despesas pagas ou incorridas para realizar as transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Tais despesas são consideradas operacionais e a legislação autoriza seu abatimento na apuração do lucro operacional (art. 43 da Lei 4.506/1964). 5. Se a lei permite a dedução das despesas pagas e das incorridas, não só as que já foram efetivamente adimplidas são dedutíveis. Despesa incorrida é aquela que existe juridicamente e possui os atributos de liquidez e certeza. 6. Na legislação tributária, prevalece a regra do regime de competência, de modo que as despesas devem ser deduzidas no lucro real do períodobase competente, ou seja, quando jurídica ou economicamente se tornarem devidas. 7. Com a aquisição do direito às férias pelo empregado, a obrigação de concedêlas juntamente com o pagamento das verbas remuneratórias correspondentes passa a existir juridicamente para o empregador. Nesse momento, a pessoa jurídica incorre numa despesa passível de dedução na apuração do lucro real do anocalendário em que se aperfeiçoou o direito adquirido do empregado. 8. Recurso Especial não provido. (REsp 1313879/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/02/2013, DJe 08/03/2013) (destacouse) Dessa forma, são requisitos básicos para os gastos com despesas serem dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.980 10 (i) a comprovação do pagamento ou, na ausência deste, a despesa deve ser ao menos incorrida/reconhecida (regime de competência); (ii) os gastos devem ser úteis ou necessários para a manutenção da empresa e relacionados ao seu objeto social. Esses são os requisitos básicos para a dedutibilidade das despesas pelo contribuinte e é com essas premissas que se analisará as ilações da fiscalização e os argumentos apresentados pela Recorrente, sempre cotejando esses com os documentos carreados nos autos. DO ÔNUS DA PROVA. Antes, contudo, em se tratando de Auto de Infração, em que a administração constituiu créditos tributários de ofício, quando identifica incorreções e/ou omissões nos lançamentos contábeis e fiscais previamente realizados pelo contribuinte, há que se entender de quem é o ônus probatório: do fisco ou do contribuinte? No presente contexto, afastase, de pronto, os casos de presunção relativa, como, por exemplo, o de omissão de receitas por depósitos bancários (artigo 42, da Lei 9.430/96). Nestes casos, em que pese a sua discutível constitucionalidade, o legislador entendeu que o ônus probatório é do contribuinte. Assim, sendo devidamente intimado acerca das informações levantadas pela fiscalização e caso não haja comprovação em contrário por parte do fiscalizado, a ele será presumida determinada conduta. Mesmo nestes casos, entretanto, não pode a fiscalização, de forma unilateral, afirmar a existência de renda omitida, por exemplo, sem que seja dada a oportunidade ao contribuinte de fazer prova em contrário. Fabiana Del Padre Tomé, refutando de forma veemente a possibilidade de existência, no ordenamento, das chamadas presunções absolutas ou mistas, assim se pronuncia sobre as chamadas presunções relativas: Apesar de caracterizarem importante instrumento de que dispõe a Administração, auxiliandoa nas tarefas fiscalizatória e arrecadatória, as presunções têm seu emprego delimitado por normas constitucionais que traçam os contornos da competência tributária, além das que asseguram direitos dos contribuintes. Por tal razão, não encontram guarida em nosso ordenamento as presunções absolutas nem as chamadas presunções mistas. As primeiras são obstadas pela rígida repartição constitucional das competências para instruir tributos, bem como pelos princípios da estrita legalidade tributária, da tipicidade e da capacidade contributiva. Quanto às presunções mistas, violam não apenas os primados da tipicidade e capacidade contributiva, mas também o direito à ampla defesa, já que restringem as provas possíveis de serem utilizadas para ilidir o fato presumido. As presunções susceptíveis de serem empregadas pelo Fisco são apenas as relativas, por possibilitarem ao contribuinte a livre produção probatória em sentido contrário. (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. Págs. 301 e 302) Fl. 1980DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.981 11 Contudo, excetuado os casos de presunção relativa (as únicas presunções que se pode admitir em direito tributário, digase), o dever de provar é da fiscalização. Há que se entender que, nos termos do artigo 142, do Código Tributário Nacional, a competência para apurar, constituir e calcular o crédito tributário, dentre outras, é da autoridade administrativa, de forma privativa, em especial quando é promovida a constituição de ofício do crédito tributário, quando presentes umas das hipóteses listadas no artigo 149 do mesmo Código. Assim, salvo naqueles casos em que há uma presunção relativa de determinadas condutas, reiterese, é dever da administração tributária comprovar as suas alegações. Mais uma vez, se vale dos ensinamentos de Fabiana Del Padre Tomé que, após discorrer sobre as diferenças entre ônus, dever e faculdade na produção das provas, assim se manifesta: "(...) A existência do ônus pressupõe um direito subjetivo disponível, que pode ou não ser exercido, situação que não se verifica na esfera tributária, tendo em vista que os atos de lançamento e de aplicação de penalidades pelo descumprimento de obrigações tributárias e deveres instrumentais competem ao Poder Público, de modo privativo e obrigatório, tendo de fazêlo com base nos elementos comprobatórios do fato jurídico e do ilícito tributário. Daí por que não tem a autoridade administrativa mero ônus de provar o fato jurídico ou o ilícito tributário que dá suporte aos seus atos, mas verdadeiro dever, (...)"(TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. Págs. 236 e 237) (destacouse) E arremata a festejada professora: "Caso o ato de lançamento não se fundamente em provas, estará irremediavelmente maculado, devendo ser retirado do ordenamento. Na hipótese de o contribuinte deixar de apresentar os documentos comprobatórios do fato enunciado no antecedente da norma individual e concreta por ele emitida, sujeitarseá ao ato de lançamento a ser realizado pela autoridade administrativa e à aplicação das penalidades cabíveis, como adverte Geraldo Ataliba: 'o sistema de legislação vigente, quanto ao assunto, é claro: omissão do contribuinte, a sua falta de colaboração ou a colaboração maliciosa ou danosa, além de serem criminalmente reprimidos, não inibem o fisco no lançamento'. Opostamente, se o contribuinte fornecer os documentos que se referem ao objeto fiscalizado, as informações nele contidas farão prova a seu favor. Devidamente provado o fato enunciado pelo Fisco ou pelo contribuinte, as alegações que pretendam desconstituílo devem, igualmente, estar fundadas em elementos probatórios. Tudo, na esteira da regra segundo a qual o ônus/dever da prova cabe a quem alega, não se admitindo, na esfera tributária, convenções que alterem essa forma de distribuição. "(...) A existência do ônus pressupõe um direito subjetivo disponível, que pode ou não ser exercido, situação que não se verifica na esfera tributária, tendo em vista que os atos de lançamento e de aplicação de Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.982 12 penalidades pelo descumprimento de obrigações tributárias e deveres instrumentais competem ao Poder Público, de modo privativo e obrigatório, tendo de fazêlo com base nos elementos comprobatórios do fato jurídico e do ilícito tributário. Daí por que não tem a autoridade administrativa mero ônus de provar o fato jurídico ou o ilícito tributário que dá suporte aos seus atos, mas verdadeiro dever, (...)"(TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. Págs. 239 e 240) Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se posicionou quanto a impossibilidade de se inverter o ônus probatório, quando a fiscalização tinha o dever de provar as ilações lançadas em Auto de Infração. Vejase julgado neste sentido: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2000 USUFRUTO DE AÇÕES. RECEITAS AUFERIDAS EM RAZÃO DA CESSÃO DOS DIREITOS DE FRUIÇÃO DOS ATIVOS. RECEITAS QUE NÃO SE CONFUNDEM COM A PERCEPÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO. APROPRIAÇÃO PRO RATA DA RECEITA. A celebração de contrato oneroso de usufruto de ações importa na transferência, ao usufrutuário, do direito, inerente à posição acionária, de percepção de juros e dividendos. A remuneração estabelecida em decorrência da cessão do direito de fruição das ações não se confunde com a percepção de juros e dividendos, constituindo receita do cedente obrigatoriamente submetida à tributação pelo Imposto sobre a Renda. Nessas condições, a receita deve ser apropriada pro rata, durante o período do contrato. RATEIO DE CUSTOS GLOSA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Provado, pelos elementos constantes da escrituração mercantil, que a recorrente contabilizara despesas recebidas em rateio de sua controladora, pratica usual em se tratando de grupos financeiros, caberia à fiscalização provar a inexistência ou a não dedutibilidade das despesas que assumira, não simplesmente ter promovido a sua glosa, mediante ilegal inversão do ônus da prova. PERDAS DE CRÉDITO. DEDUÇÃO INDEVIDA. A dedução de perdas no recebimento de créditos está condicionada ao atendimento aos requisitos legais para a sua dedutibilidade, além da comprovação documental inequívoca da sua ocorrência. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL Consoante Súmula Vinculante do STF é de cinco anos o prazo de decadência para o Fisco efetuar o lançamento das contribuições para custear a Seguridade Social (art. 45 da Lei nº 8.212/1991). PIS, CSLL E COFINS LANÇAMENTOS DECORRENTES Aplicamse aos lançamentos decorrentes o decidido em relação ao principal. Mantida parcialmente as exigências de CSLL e exoneradas integralmente as exigências de PIS/Pasep e COFINS MULTAS ISOLADAS DECADÊNCIA E PROVIMENTO NO MÉRITO DA MATÉRIA PRINCIPAL As multas isoladas por falta ou insuficiência de estimativas mensais sujeitamse ao Fl. 1982DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.983 13 prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dado provimento, no mérito, ao recurso na parte relativa ao IRPJ que motivou a aplicação de multa isolada, cancelase a exigência remanescente da decadência. (Número do Processo 19740.000004/200656 Acórdão 10709.588 Data da sessão: 17/12/2008) Por outro lado, como se verifica da ementa acima, inclusive, não se pode desprezar o "peso" da prova dos lançamentos contábeis do contribuinte. Desde que lastreados por documentação hábil e idônea que comprove eventual lançamento, a contabilidade feita nos ditames da legislação tem o condão de provar a ocorrência do evento escriturado. Não é por outro motivo que o Decreto 3.000/99 era categórico ao afirmar que os lançamentos contábeis fazem prova em favor do contribuinte, sendo dever da autoridade administrativa comprovar eventuais inveracidades. Neste sentido é a redação dos artigos 923, 924 e 925 do RIR/99. Vejase: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art.924.Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração Portanto, o dever de comprovar despesa inexistente, indedutível ou a falsidade de documento que suportou o lançamento contábil é da fiscalização. Não se pode admitir a transferência desse ônus ao contribuinte, quando a legislação assim não autoriza. Sendo apresentada documentação que comprove e sustente os lançamentos na contabilidade, a fiscalização deve empreender as diligências necessárias para comprovar suas alegações. Contudo, uma vez instado, pela fiscalização, a comprovar os lançamentos contábeis, cabe ao contribuinte apresentar documentação hábil e idônea que dê suporte factível àqueles lançamentos. Não se pode admitir que o simples lançamento na contabilidade faz prova irrefutável ao contribuinte. É dever deste demonstrar e, principalmente, comprovar que a sua contabilidade é fidedigna e representa de forma correta a realidade dos fatos ocorridos. Não sendo apresentado nenhum documento para comprovar os lançamentos contábeis, não pode, o contribuinte, invocar os dispositivos legais acima, para indicar que o ônus probatório é da fiscalização. É temerária a interpretação do dispositivo de forma literal, até mesmo porque é dever do contribuinte a guarda dos documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis. Feitas estas considerações iniciais, passase a analisar, uma a uma, as glosas efetuadas pela fiscalização, para se verificar se as despesas glosadas poderiam, de fato, serem deduzidas da base cálculo do IRPJ e da CSSL devidos pela Recorrente. Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.984 14 DA ANÁLISE DAS DESPESAS GLOSADAS PELA FISCALIZAÇÃO 1) CONTA CONTÁBIL: 35681302 VARIAÇÃO MONETÁRIA A PG LAFARGE. A origem da despesa lançada na conta contábil em referência se deu com a assinatura de contrato de dação em pagamento (fls. 1614 a 1622) firmado entre as empresas Companhia Cimentos do Brasil (posteriormente incorporada pela CCB Cimpor Cimentos Brasil S/A, que acabou sendo incorporada pela Recorrente) com a empresa Lafarge Brasil S/A. No Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente deixa bem clara essa pactuação e sua motivação. Transcrevese: Conforme já esclarecido em sede de impugnação, em 30.09.2002 a Empresa Companhia Cimentos do Brasil, incorporada pela CCB Cimpor Cimentos Brasil S/A, firmou com a Empresa Lafarge Brasil S/A Contrato de Dação em Pagamento. O referido contrato (fls. 914/926) teve como objeto a dação em pagamento, por parte da Companhia Cimentos do Brasil à Lafarge Brasil, da quantidade inicial de 1.445.000 (um milhão, quatrocentos e quarenta e cinco mil) toneladas de cimento, ao longo de 10 (dez) anos, para quitação de parte do valor da aquisição de ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal de emissão da Cimento Brumado S.A. Ato contínuo, a Cimento Brumado S.A. foi incorporada pela Companhia Cimentos do Brasil, conforme comprova Ata de Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 31/10/2002, constante das fls. 1627/1643 dos autos. (destacouse) O referido contrato, como se pode observar, dispunha que a dação em pagamento se daria com a entrega de algumas toneladas de cimento à empresa Lafarge, no prazo de 10 anos, com o objetivo de quitar a aquisição de ações emitidas pela empresa Cimento Brumado S.A. Contudo, como o preço do cimento sofreu alterações ao longo do período (o que era de se esperar), como a própria Recorrente afirma, "a Companhia Cimentos Brasil lançou [esta variação] na Conta Contábil 35681302 'Variação Monetária a PG Lafarge', como despesas operacionais". E o argumento para o lançamento desta despesa é insofismável, uma vez que trazido pela própria Recorrente, quando afirma: "(...) a Companhia Cimentos do Brasil continuou entregando a mesma quantidade de cimentos préfixada contratualmente apesar de o preço da tonelada ter aumentado substancialmente ao longo dos anos." No relatório da diligência que foi determinada pela DRJ de Fortaleza (CE), o agente autuante deixou claro que a referida despesa de "variação monetária" deveria ser classificada como Investimento e nunca como despesa financeira, como restou contabilizado pela Recorrente, já que se referia ao pagamento das ações da empresa Cimento Brumado S/A. Assim, não se poderia falar em despesa dedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vejase a conclusão da fiscalização neste sentido: "Pois bem, em 04/2010, conforme 2º Aditivo, foram entregues 13.860 toneladas com o preço vigente à época, atualizado, Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.985 15 (conforme rege o Contrato) e a diferença entre o valor da tonelada em 04/2002 e o valor em 04/2010, a qual decorre naturalmente de mera obediência às cláusulas contratuais e seus posteriores aditivos, e o valor de mercado, incorporandose, fazendo parte, somandose, ao 'GASTO' da operação de compra de Ações da Cimento Brumado S/A e, como 'GASTO com compra de Ações é 'INVESTIMENTO' e não Despesa Financeira, como interpretado pelo Contribuinte, estes 'GASTOS' são indedutíveis para a apuração do Lucro Real das empresas, portanto, mantenhase no total o valor lançado no Auto de Infração relativo a esta Rubrica R$13.401.781,09" Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente, tentando, data venia, desvirtuar a natureza daquela "despesa", nos termos em que ela mesmo contabilizou, aduz que esta nada mais é do que "um ágio amortizável para fins da apuração do Lucro Real". Apesar de não constar nos autos nenhum ajuste na contabilidade que embase sua argumentação, no seu arrazoado, a Recorrente sustenta que o valor da variação do preço do cimento no decorrer dos anos seria uma diferença a maior paga pela Cimento Brasil e, por isso, "compõe o custo de aquisição do investimento que fora incorporado e representou, portanto, um ágio amortizável desde a data do pagamento". Neste sentido, afirmando estarem cumpridos, in casu, todos os requisitos para a amortização do ágio, a Recorrente requer o seu reconhecimento e, consequentemente, a possibilidade de dedução desse da base de cálculo dos tributos em testilha, já que, em suas palavras, "não implicou em qualquer prejuízo ao Fisco, uma vez que não resultou em redução indevida de tributos. Caso se considerasse que os valores deveriam ter sido contabilizados como ágio, temse que os mesmos seriam da mesma forma amortizáveis, nos termos do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997, (...)" Neste ponto, não se pode deixar de mencionar que é louvável o argumento utilizado pela Recorrente para "defender" a dedução da despesa ora em análise, quando desvirtua o seu lançamento contábil (a princípio, sem retificálo) para tentar caracterizálo como ágio. Contudo, não se pode dar guarida a este argumento. Primeiro, devese ressaltar que, da análise do contrato de dação em pagamento firmado entre as empresas Companhia Cimentos do Brasil e Lafarge Brasil S/A , podese depreender que as signatárias do pacto deixaram claro que a dação em pagamento levava em consideração o "custo de oportunidade da operação" (cláusula 2.1). Vejase o que constou daquele dispositivo: 2.1 As Partes reconhecem e aceitam que as 1.445.000 (um milhão e quatrocentos e quarenta e cinco mil) toneladas de cimento objeto da Dação em Pagamento são avaliadas, nesta data, em R$51.000.000,00 (cinquenta e um milhões de reais), valor este que representa custo de oportunidade da operação e que (i) não inclui o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI ("IPI") e nem o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal de Comunicações ICMS ("ICMS") incidentes sobre as vendas do cimento; e (ii) inclui o frete de entrega até a entrada da Cidade de São Paulo Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.986 16 (entroncamento da rodovia Régis Bittencourt com o "Anel Viário", nas imediações do Município de Embu)." (destacouse) Portanto, quando firmaram o contrato, invocando o "custo de oportunidade", as partes abriram mão das variações que provavelmente ocorreriam no preço do cimento (para cima ou para baixo), deixando claro que o preço das ações que estavam sendo quitadas com a dação não sofreria impactos, mesmo se houvesse variação no preço do cimento no período. Não se pode perder de vista que, quando se invoca o custo de oportunidade da operação, abrese mão de algumas variáveis, por conta de uma determinada escolha das partes. Assim, soa estranho a este julgador, quando se analisa o contrato de dação em pagamento, a Recorrente falar em uma variação no preço do cimento, para justificar uma despesa supostamente incorrida e que foi deduzida indevidamente da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, a invocação do custo de oportunidade retira das partes o direito de reivindicar eventuais variações no preço acordado no contrato, inclusive em face de terceiros. Naquela oportunidade, reiterese, abriuse mão de algumas variáveis, para se chegar a uma composição na dação em pagamento entabulada. E, mesmo que se considerasse a despesa incorrida com ágio aqui só o se faz a título de argumentação, uma vez que os lançamentos contábeis são em outro sentido , este suposto ágio não cumpre os requisitos exigidos na legislação para que a "despesa" com o investimento possa ser abatida da base de cálculo do IRPJ e da CSSL. Sem adentrar em todas as formalidades exigidas pela legislação para que o ágio possa ser amortizado, não se pode perder de vista que, como muito bem colocado pelo acórdão recorrido, o ágio na aquisição de participação societária "corresponde à diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido, determinado de acordo com a Lei nº 6.404/76". Contudo, não consta dos autos qualquer estudo prévio ou até mesmo posterior que demonstre a diferença entre o custo de aquisição e o patrimônio líquido da investida, que pudesse demonstrar de forma cabal o ágio supostamente suportado pela entidade. A Recorrente, com o intuito de suprir essa "fragilidade", argumenta, no Recurso Voluntário, que o“Protocolo de Justificação de Incorporação do Acervo Líquido Total da Cimento Brumado S.A. pela Cia. de Cimentos do Brasil”, traria a fundamentação, ou seja, o ágio "foi fundamentado no valor de mercado (mais valia) dos bens do ativo imobilizado da Brumado (R$ 17.883.080,00) e na expectativa de rentabilidade futura dos ativos operacionais da Brumado (R$ 215.280.000,00)". Entretanto, não se pode perder de vista que se está analisando despesa fundamentada na variação positiva do preço do cimento, que foi a forma encontrada pelas partes para se quitar a aquisição do investimento (contrato de dação em pagamento), que acabou por acarretar em um "pagamento a maior" do que havia sido pactuado originariamente entre as partes (devese ressaltar que aqui se fala em "pagamento a maior" apenas para argumentar, uma vez que as partes invocaram o custo de oportunidade no contrato de dação em pagamento, como demonstrado acima). Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.987 17 E o fato de o preço do cimento ter variado para cima, enquanto estava vigente o contrato de dação em pagamento, não implica em dizer que a incorporada da Recorrente, quando comprou ações (investiu) da empresa Cimento Brumado S.A, estava adquirindo um investimento acima do patrimônio liquido da entidade à época da transação. E se o preço daquele cimento tivesse variado para baixo, a representar um valor menor do que o pactuado, qual seria o tratamento dado? Não há resposta a esta pergunta nos autos! Por outro lado, são irreparáveis as conclusões do acórdão Recorrido, quando afirma que a diferença entre o custo de aquisição e o custo das mercadorias dadas em pagamento (cimento) não pode ser considerado como um ágio dedutível, uma vez que não se subsume a nenhuma das hipóteses previstas no art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 (vigente à época). Por fim, em que pese o acórdão ter enfrentado em suas razões de decidir a questão da indedutibilidade da despesa, porque esta, em síntese, não estaria vinculada à manutenção da fonte produtora, a Recorrente não enfrenta essa discussão em seu Recurso Voluntário, atendose, apenas, à caracterização da despesa como sendo "ágio amortizável". Portanto, considerase como não devolvida a matéria a este colegiado, neste ponto. Assim, no que tange à glosa da despesa registrada na "Conta Contábil: 35681302 variação monetária a PG LAFARGE", NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. 2) CONTA CONTÁBIL: 35681322 OUTROS DESCONTOS OPERAÇÃO LAFARGE A despesa registrada na "Conta Contábil: 35681322 Outros Descontos Operação Lafarge" é umbilicalmente ligada à despesa analisa anteriormente, na medida em que, como a própria Recorrente afirma, "os descontos contabilizados nessa conta decorreram do aumento do valor da tonelada de cimento no período compreendido entre a data da negociação da dação em pagamento com a Lafarge e a efetiva assinatura do contrato, que ocorreu em 2002." Assim, em seu Recurso Voluntário, a Recorrente afirma que, "como os valores fizeram parte do custo de aquisição do investimento, os mesmos representam ágio amortizável a partir do pagamento". Contudo, como demonstrado acima, não há como dar guarida aos argumentos da Recorrente, pelo o que NEGASE PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendose a glosa das despesas lançadas na Conta Contábil nº 35681322. 3) CONTA CONTÁBIL: 35680405 JUROS EMPRÉSTIMOS GRUPO EXTERIOR. A glosa ora em análise, que foi perpetrada pela fiscalização, referese ao pagamento de supostos juros decorrentes de três contratos firmados em 2005 pela Incorporada Cimpor Brasil S/A com a Empresa Cimpor Inversiones S/A, com sede na Espanha. Contratos estes que tinham como objeto a compra e venda de ações das Empresas Companhia Paraíba de Cimento Portland – CIMEPAR, Companhia de Cimentos do Brasil e Companhia de Cimento Atol. Ao ser instada a comprovar as operações realizadas, em especial os pagamentos realizados àquela empresa espanhola, a Recorrente apresentou à fiscalização Livro Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.988 18 Razão, contratos celebrados e Planilhas produzidas de forma unilateral, nas quais, em suas palavras, calculava "os juros incidentes sobre os valores devidos à CIMPOR Inversiones, multiplicando o percentual de juros diários encontrada pelo número de dias do mês". A fiscalização afirmou, contudo, inclusive quando instada pela DRJ a se manifestar, que a Recorrente não apresentou o Contrato devidamente registrado no Banco Central e, em especial, os comprovantes dos envios dos pagamentos dos juros, via BC. Por isso, entendeuse que a despesa em comento não havia sido comprovada. A Recorrente, por sua vez, na Impugnação Administrativa e no Recurso Voluntário apresentado, insiste na tese de que houve a comprovação da despesa, quando afirma que "nos presentes autos (contratos firmados com a Empressa CIMPOR Inversiones S.A., razão contábil e planilhas que demonstram a ocorrência das operações) são suficientes à comprovação da origem/ocorrência dessa despesa com juros contratuais em questão, não tendo sido questionada em momento algum, nem pela Fiscalização, nem pelo r. acórdão recorrido, a natureza dessa despesa como necessária e sua consequente dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e CSL". De fato, ao contrário do que restou afirmado no acórdão da DRJ, os contratos de compras de ações que foram firmados estão acostados aos autos (fls 1.692 a 1.715) e não houve qualquer ilação da fiscalização quanto à falsidade destes. Contudo, aquela Delegacia de Julgamento, ao analisar o argumento da Recorrente, corroborando o entendimento da fiscalização, deixou claro que não restou comprovado o pagamento dos juros, em que pese haver o registro contábil destes. A Recorrente não trouxe aos autos qualquer indício de que esses pagamentos foram efetivamente realizados, fundamentando sua defesa apenas naqueles contratos e em declarações emitidas pelo "Banco de España". No presente caso, em que pese não haver qualquer ilação quanto à falsidade dos contratos firmados, não se pode perder de vista que as pactuações foram realizadas entre empresas do mesmo grupo e, por isso, os controles deveriam ser maiores, até mesmo para evitar qualquer tipo de questionamento por parte da fiscalização, como ocorreu. Por se tratar de uma operação de movimentação de capitais, que envolve países distintos, é sabido que há necessidade de o contrato ser registrado junto ao Banco Central do Brasil, devendo as movimentações dos numerários, de igual sorte, serem declaradas junto àquela instituição. E a dúvida que se colocou nesta operação, desde o início do processo de fiscalização, era justamente a efetiva "movimentação do numerário", que não restou comprovada. A Recorrente, por sua vez, mesmo invocando, em seu Recurso Voluntário, a aplicação do Princípio da Verdade Material ao Processo Administrativo Tributário, não trouxe, nem em sede recursal, esses comprovantes, que se prestariam a comprovar o pagamento dos juros à entidade com domicílio no exterior. Comprovantes estes que deveria manter, caso houvesse qualquer questionamento quanto à legitimidade das operações. Assim, com fulcro nas premissas colocadas acima, entendese que, mesmo havendo o registro contábil, é dever dos contribuintes manter documentação hábil e idônea Fl. 1988DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.989 19 capaz de ratificar o que restou registrado nos livros contábeis, em especial, quando há um questionamento da fiscalização sobre determinada conta. Por isso, não assiste razão à Recorrente, que não comprovou, de forma efetiva, o pagamento daqueles juros à empresa do mesmo grupo, passíveis de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSSL. Por todo exposto, neste ponto, também NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a glosa das despesas lançadas na Conta Contábil nº 35680405. 4) CONTA CONTÁBIL: 35680901 JUROS SOBRE FINANCIAMENTO DE CAPITAL DE GIRO A despesa em questão se refere a juros supostamente pagos em decorrência de contrato de cessão de crédito, que foi firmado pela empresa incorporada pela Recorrente Cimpor Cimentos do Brasil Ltda. o Banco Itaú BBA S/A e a Cimpor Brasil Participações Ltda. Neste contrato (fls. 1719 a 1727), a empresa Cimpor Brasil Participações Ltda. cedeu ao Banco Itaú BBA S/A crédito que detinha junto à Cimpor Cimentos do Brasil Ltda. A forma de pactuação, prazos, valores da dívida estão bem claros no pacto firmado entre as partes. A fiscalização, notadamente no Relatório de Diligência Fiscal, argumentou pela impossibilidade de dedução da referida despesa com os juros decorrentes do contrato, uma vez que não foram apresentados os comprovantes de pagamentos desses. E o acórdão recorrido, mais uma vez ratificando as conclusões da fiscalização, manteve a glosa, sob o argumento de que o "contrato, de per si, embora necessário, não é suficiente. Como se trata de operação com uma instituição financeira Banco Itaú a existência de outros elementos de prova que lastreiam o financiamento seriam de fácil produção pela parte interessada". A Recorrente, por sua vez, alega que os documentos apresentados "nos presentes autos (contrato, o razão contábil e a planilha de conciliação dos juros) são suficientes à comprovação da origem/ocorrência dessa despesa, não tendo sido questionada em momento algum, nem pela Fiscalização, nem pelo r. acórdão recorrido, a natureza dessa despesa como necessária e sua consequente dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e CSL." Pois bem. Neste ponto, entendese que assiste razão à Recorrente, devendo ser afastada a glosa da despesa incorrida. É que, ao contrário do caso acima, em que havia uma pactuação entre empresas do mesmo grupo, sendo necessária, para comprovação dos pagamentos, a comprovação de registro dos contratos junto ao Banco Central, no presente caso, a dívida foi cedida a um terceiro Banco Itaú , cuja pactuação se deu formalmente, sendo que não houve qualquer ilação de falsidade do contrato. Assim, estando comprovado que a incorporada da Recorrente detinha uma dívida, que foi cedida a uma instituição bancária, e sendo os gastos, inclusive os juros, Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.990 20 incorridos devidamente contabilizados em conta específica, era dever da fiscalização, no mínimo, demonstrar a fragilidade daquela pactução. Mas não houve prova neste sentido. Há de se ressaltar que os juros, pagos ou não, eram devidos e a natureza da despesa capital de giro é necessária para a manutenção da atividade empresarial, sendo, por isso, autorizada a sua dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, deve ser afasta a glosa dos juros pagos em decorrência do contrato de cessão de crédito, que foram devidamente contabilizados na conta contábil nº 35680901. Neste ponto, portanto, DÁSE PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a glosa da despesa no valor de R$ 2.706.556,05, registrada na conta contábil nº 35680901. 5) CONTA CONTÁBIL : 35680903 JUROS SOBRE FINANCIAMENTO DE INVESTIMENTO. A glosa em comento, como a própria Recorrente afirma, referese a "juros incidentes sobre as parcelas a serem pagas pela Incorporada em função da contratação de financiamentos, arrendamentos mercantis e leasing junto a instituições financeiras para aquisição de bens para o seu ativo imobilizado, necessários para a consecução de sua atividade". A fiscalização, para fundamentar a glosa, afirma que, em que pese terem sido apresentados os contratos, bem como ter sido demonstrado, via Livro Razão, a contabilização das despesas, não houve a comprovação do efetivo pagamento de tais juros. A Recorrente, por sua vez, afirma que os documentos apresentados " nos presentes autos (contratos firmados com as Instituições Financeiras, razão contábil e planilha de conciliação dos juros) são suficientes à comprovação da origem/ocorrência dessa despesa, não tendo sido questionada em momento algum, nem pela Fiscalização, nem pelo r. acórdão recorrido, a natureza dessa despesa como necessária e sua consequente dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e CSL". Mais uma vez, assiste razão à Recorrente, devendo ser afastada a glosa da despesas em análise. Como se observa dos autos, a Recorrente apresentou os contratos firmados junto às instituições financeiras (fls. 1733 e seguintes) e os livros contábeis, que comprovam o reconhecimento das despesas incorridas com juros. Os contratos foram firmados com terceiros e não com empresas do mesmo grupo e não há qualquer ilação quanto à falsidade dos documentos. Ora, se houvesse qualquer dúvida da fiscalização quanto aos pactos que foram firmados, poderia ela, a fiscalização, ter intimado aquelas instituições financeiras para comprovarem o não o pagamento dos valores ou a ausência dos pactos firmados. Mas nada fez o agente fiscal neste sentido. Arrimado na premissa de que o ônus probatório, neste caso, deveria ser do contribuinte, o agente autuante não fez prova de que os pagamentos não foram realizados ou que os pactos não eram válidos. Fl. 1990DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.991 21 Há de se ressaltar, mais uma vez, que a presente despesa se difere daquela cuja a glosa foi mantida linhas acima pela ausência de comprovação efetiva dos pagamentos realizados, porque não se está falando de empresas relacionadas e, sim, de pactuações firmadas formalmente com instituições financeiras, em que foram apresentados os contratos firmados, com os devidos lançamentos contábeis. Neste ponto, portanto, DÁSE PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a glosa da despesa no valor de R$ 1.366.527,69, registrada na conta contábil nº 35680903. 6) CONTA CONTÁBIL : 35680905 JUROS FOMENTAR A despesa glosada pela fiscalização, ora em análise, é referente a juros pagos em decorrência de contrato firmado entre a empresa Companhia de Cimentos Portland Paraíso com o Banco de Desenvolvimento de Goiás, para obtenção de capital de giro, dentro do programa de fomento daquele Estado, denominado de FOMENTAR. A empresa que pactou originariamente com o Banco de Desenvolvimento de Goiás, como a própria Recorrente esclarece, após uma série de incorporações, "passou responder sob a denominação Companhia de Cimentos Brasil, adquirida pela Incorporada Cimpor Cimentos Brasil." Em que pese afirmar que lhe foram apresentados os contratos firmados e os livros contábeis em que os juros foram contabilizados, a fiscalização fundamenta a glosa na inexistência de comprovante de pagamento dos juros no período. Fundamento, este, ratificado pela douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) no acórdão recorrido. Já a Recorrente alega que houve a comprovação das despesas com a apresentação dos contratos e respectivos registros contábeis. Mais uma vez, tem razão a Recorrente. De fato, o aditivo nº 04 do contrato firmado entre a empresa Cimpor Cimentos Brasil e o Banco de Desenvolvimento de Goiás está acostado aos autos às fls. 1392 e seguintes. Neste instrumento contratual, podese verificar que a incorporada tomou empréstimo junto àquela instituição de fomento do Estado de Goiás, em que foram acordados o pagamento de juros, correção monetária e taxa de administração. Ainda, consta dos autos, cópia de parte do livro razão de 2010 (fl. 1403), em que se pode verificar a correta contabilização dos valores dos juros incorridos durante o ano. A fiscalização, por outro lado, não conseguiu demonstrar qualquer falsidade nos documentos, que pudessem, de alguma forma, macular os lançamentos, o que impõe o afastamento da referida glosa. Portanto, DÁSE PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a glosa da despesa no valor de R$ 835.494,33, registrada na conta contábil nº 35680905. 7) CONTA CONTÁBIL: 35681304 JUROS SOBRE IMPOSTOS (RECURSO DE OFÍCIO) Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.992 22 Quanto a esta conta contábil, em que foram indicadas despesas de "Juros sobre Impostos", cujas despesas foram glosadas pela fiscalização, houve o provimento da Impugnação Administrativa, sendo a matéria devolvida a este colegiado pelo Recurso de Ofício apresentado. Para fins didáticos, em que pese não se ter esgotado todas as discussões levantadas no Recurso Voluntário, analisarseá, neste momento, se deve prevalecer o entendimento do acórdão proferido, uma vez que a referida glosa é ligada à glosa que será verificada em seguida ("Juros de Mora"). Pois bem. A fiscalização, neste ponto, de uma forma simplória, afirma que a Recorrente apresentou o Livro Razão em que estão devidamente contabilizadas as despesas incorridas, relativas a juros incidentes sobre o pagamento em atraso de tributos devidos pela entidade. Contudo, alega que não foram apresentados os documentos que comprovassem o pagamento daqueles encargos. A DRJ de Fortaleza, por sua vez, de forma acertada, digase desde já, argumentou que "o autuante efetuou a glosa com base no argumento de que estariam faltando esses outros documentos [contratos, comprovantes de pagamento, etc.], sem se preocupar em efetivamente analisar a existência da obrigação tributária (...)" Não há reparos a se fazer na decisão daquela Delegacia de Julgamento, que entendeu como incorreta a glosa efetivada pela fiscalização, uma vez que caberia à fiscalização, neste caso, trazer elementos que pudessem comprovar a ausência dos pagamentos indicados nas demonstrações contábeis da entidade. Não se pode olvidar que, dentre os tributos pagos em atraso, constam tributos de competência da União Federal, cuja responsabilidade de fiscalização é da própria Receita Federal do Brasil. Poderia, assim, aquele agente, por amostragem, dentro dos tributos sujeitos à fiscalização da RFB, verificar o pagamento ou não em atraso dos valores. Mas nada disso foi feito. Neste caso, deixou, a fiscalização, de comprovar a impossibilidade de dedução da despesa. E quanto à possibilidade de se deduzir estas despesas, em que pese não ter sido aventada pela fiscalização, é preciso o acórdão recorrido. Vejase: O Parecer Normativo CST 174/74 manteve o entendimento de que, os juros de mora calculados sobre débitos fiscais recolhidos com atraso são dedutíveis como despesa financeira, nos seguintes termos: No que tange a juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, caracterizamse como despesa financeira, e como tal são dedutíveis. Portanto, sem maiores delongas, NEGASE PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO. 8) CONTA CONTÁBIL : 35681311 JUROS DE MORA Fl. 1992DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.993 23 Em que pese as despesas indicadas na conta contábil em análise serem idênticas (ou bastante semelhantes) às despesas analisadas anteriormente, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) entendeu que, "embora no presente caso a defesa tenha alegado na contestação inicial de que se trata de juros sobre impostos, não comprovou tal assertiva". Assim, neste ponto, a Impugnação Administrativa foi julgada como improcedente. A Recorrente, por sua vez, alega que "restou devidamente comprovado, nos presentes autos, por meio do Razão Contábil anexo à inicial, que os valores escriturados na Conta Contábil 35681311 – “Juros de mora” referemse a juros pagos pela Recorrente em decorrência do pagamento em atraso de tributos". Há de se ressaltar que a fiscalização efetuou a glosa com a mesma motivação da anterior glosa analisada, qual seja: ausência de comprovação do pagamento dos juros. Contudo, não pode prosperar a glosa, pelos mesmos fundamentos que levaram a DRJ a afastar a glosa das despesas contabilizadas Conta Contábil: 35681304 (item acima). Pelo o que se denota dos autos, à fl. 1436, a Recorrente apresentou cópia do Livro Razão em que consta a contabilização de várias despesas com juros de mora. Da análise daquele documento, podese verificar os valores incorridos pela entidade, decorrentes do atraso no pagamento das obrigações tributárias. Dentre estes lançamentos, constam, inclusive, pagamentos a destempo de tributos federais (os dois maiores lançamentos são de juros incidentes no atraso de pagamento da contribuição ao PIS e da COFINS). Ou seja, poderia, a fiscalização, sem maiores esforços, verificar, mesmo que por amostragem, se e quando foram pagas aquelas obrigações. Mas, como no caso anterior, nada foi feito. Assim, por coerência ao que restou decidido no tópico anterior, DÁSE PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a glosa de R$ 8.244.505,43, registrada na conta contábil nº 35681311. 9) CONTA CONTÁBIL: 35681303 JUROS FORNECEDORES. A presente glosa se refere a juros supostamente devidos a fornecedores da incorporada da Recorrente, tendo em vista o suposto o pagamento a destempo dos valores acordados com aqueles fornecedores. A fiscalização, notadamente no relatório da diligência determinada pela DRJ (fls. 1845 a 1849), sustenta a manutenção da glosa, tendo em vista: (i) não apresentação Notas Fiscais/faturas dos respectivos fornecedores; (ii) falta da descrição da data de vencimento das faturas; (iii) falta de apresentação da data de pagamento das faturas em atraso; (iv) falta de demonstração do cálculo dos juros; e (v) falta de comprovação do pagamento dos juros. No acórdão proferido pela DRJ, a glosa foi mantida, uma vez que o entendimento que prevaleceu naquela instância de julgamento foi que "o contrato, de per si, embora necessário, não é suficiente, devendo estar acompanhado de uma documentação de Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.994 24 suporte, inerente ao tipo de operação. No caso, seriam as Notas Fiscais/Faturas requeridas pelo autuante". A Recorrente, por sua vez, insiste na tese de que a simples apresentação do razão contábil, "demonstrando todos os valores pagos em atraso pela Incorporada no ano calendário de 2010 que geraram a despesa referente aos juros", seria suficiente para sustentar a dedutibilidade da despesa. Pois bem. Primeiramente, neste ponto, devese esclarecer que, quando se analisa os autos, em especial os documentos apresentados pela Recorrente junto com a Impugnação Administrativa (fls. 1437 a 1452), podese verificar que, no que tange à presente glosa, a Recorrente se limitou a apresentar cópia dos lançamentos contábeis dos juros supostamente pagos (cópia do livro razão). Ao contrário do que foi alegado pela DRJ de Fortaleza (CE), data venia, não foi apresentado nenhum contrato firmado com fornecedores que teriam recebido em atraso os valores acordados, a ensejar o pagamento de juros no período. Em que pese a Recorrente alegar a aplicação do princípio da Verdade Material e que, por isso, a realidade dos fatos deve ser levada em consideração quando do julgamento administrativo, essa mesma Recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse ratificar os seus lançamentos contábeis. Contudo, nada foi apresentado, além da cópia dos lançamentos contábeis. Há de se ressaltar, inclusive, como se depreende dos documentos de fls. 1437 a 1452, que foram vários os lançamentos a título de "juros fornecedores", mas em raríssimas exceções foi indicado o nome do fornecedor. O que se verifica é que foram feitos lançamentos genéricos, sem qualquer especificação. E quando instada a explicar a motivação da despesa lançada em conta contábil específica, a Recorrente se limitou a apresentar seu razão contábil, entendendo que a contabilidade faria prova em seu favor, sendo prescindível a apresentação de outros documentos, o que não se pode admitir. Assim, NEGASE PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendose a glosa de R$ 27.441,84, lançada na conta contábil nº 35681303. 10) CONTA CONTÁBIL : 35681101 DESCONTOS CONCEDIDOS. Na presente conta contábil, a Recorrente alega que foram lançadas despesas com descontos concedidos aos seus clientes, "geralmente, em faturamentos de venda de produtos ou de prestação de serviços" e, por isso, "a Incorporada não firma [ou não firmou] contratos para dar subsídios a tais descontos." Alega, neste sentido, que "os descontos concedidos fazem parte da prática comercial de todas as Empresas de atacado e varejo que, para beneficiar os clientes bons pagadores, ou mesmo fidelizálos, acaba por descontar do valor a ser pago algum percentual prédefinido, independentemente de qualquer condição (descontos incondicionais)". A fiscalização, ao sustentar a manutenção da glosa, afirma, em síntese, que não houve comprovação das operações realizadas, em especial com a apresentação de Notas Fiscais, planilhas detalhadas com os valores originais e os efetivamente cobrados, tampouco os comprovantes dos recebimentos dos valores pactuados. Fl. 1994DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.995 25 No acórdão recorrido, ratificando a glosa perpetrada, após fazer diferenciação dos descontos condicionais e incondicionais, a DRJ argumentou que "independentemente do tipo de desconto concedido, o registro contábil deve estar atrelado a operações comerciais, que podem facilmente ser comprovadas por intermédio de Notas Fiscais/faturas, etc., o que não aconteceu no presente caso". Não há reparos a se fazer na decisão recorrida. Mais uma vez, a Recorrente se arrima apenas em seus lançamentos contábeis para justificar as despesas incorridas. De fato, às fls. 1454 a 1508, foi juntada cópia do Livro Razão com aqueles lançamentos. Nada mais. E o que se depreende daquele Livro é que vários lançamentos se referem, por exemplo, "TX CARTÃO", não se pondendo afirmar se esses lançamentos são de descontos e estes documentos são condicionais ou incondicionais e, em especial, em que circunstâncias foram dados. Como já exaustivamente demonstrado, caberia à Recorrente trazer à fiscalização ou, na melhor das hipóteses, aos autos, a documentação que deu suporte ao seus lançamentos, em especial, quando instado para tanto no curso do processo fiscalizatório. Portanto, NEGASE PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendose a glosa de R$ 859.943,24, lançada na conta contábil nº 35681101. 11) CONTA CONTÁBIL: 35681312 FIANÇA BANCÁRIA. A glosa ora em análise se refere a despesas lançadas na conta nº 35681312, sob a denominação "Fiança Bancária". A Recorrente alega que "os valores lançados nessa conta representam as comissões e tarifas bancárias despendidas pela Incorporada para a emissão e manutenção de fianças bancárias, apresentadas como garantia em seus processos administrativos e/ou judiciais". A fiscalização, na diligência realizada, mantém a fundamentação da glosa, uma vez que não foi apresentada qualquer documentação para dar suporte aos lançamentos. Entendimento este mais uma vez ratificado na DRJ, tendo em vista ter sido demonstrado que o "lançamento contábil se fez acompanhar tão somente de planilhas, o que não é suficiente para lastrear a operação." Não há reparos a se fazer na decisão da Turma de Julgamento a quo. Ao apresentar a Impugnação Administrativa, a Recorrente se limitou a apresentar cópia do Livro Razão (fls. 1.510 e 1.511), em que se pode verificar o lançamento de diversas despesas com "Fiança Bancária". Contudo, não foi apresentado nenhum contrato, nenhuma carta de fiança expedida pelas instituições financeiras, nenhuma exigência judicial ou administrativa para que a contribuinte apresentasse algum tipo de garantia. Não há nada nos autos além do Livro Razão. Não sendo demonstrada, portanto, a higidez dos seus lançamentos contábeis, medida que se impõe é desprovimento do Recurso Voluntário. Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.996 26 Assim, NEGASE PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendose a glosa de R$ 478.509,42, lançada na conta contábil nº 35681312. 12) CONTA CONTÁBIL : 34670301 PERDAS DE CLIENTES COMERCIAIS. Por fim, a última conta contábil, cujas despesas foram glosadas pela fiscalização, é a conta nº 34670301. Nesta conta, como a própria Recorrente esclarece, estão lançadas "as despesas incorridas pela incorporada no anocalendário de 2010, com as perdas no recebimento de duplicatas de seus clientes". Argumenta, neste sentido, que "tratase de reversão da provisão da conta de Devedores Duvidosos, após se verificar que a Incorporada não mais receberia os valores a que teria direito, em função das vendas de cimentos e prestação de serviços de concretagem a seus clientes". Em um primeiro momento, a Recorrente apresentou apenas uma planilha produzida de forma unilateral para comprovar as despesas lançadas naquela conta contábil (fls. 1.513 a 1526). Posteriormente, com a apresentação do Recurso Voluntário, alega ter juntado aos autos o livro razão, com os lançamentos das despesas, que foram glosadas pela fiscalização. Contudo, a este relator não foi possível identificar este documento nos autos. Há que se ressaltar, inclusive, que, ao elaborar o relatório de diligência, a fiscalização pontuou a falta de apresentação de documentação comprobatória, inclusive do Livro Razão. A DRJ, ao manter a glosa ora em análise, alega que "não restam dúvidas de que a legislação tributária vigente permite o reconhecimento da perda no recebimento de créditos, em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário, ou, no caso de não haver garantia, nos termos previstos no art. 9º e §§ da Lei nº 9.430/96". Contudo, como se depreende do acórdão recorrido, a glosa foi mantida, uma vez que "na análise sobre a possibilidade de reconhecimento dessa despesa é necessário que se individualize a operação que lhe deu causa, fato que não pode ser efetivado apenas a partir do Razão e de Planilhas." Mesmo com estas considerações da fiscalização e da própria DRJ a Recorrente não trouxe qualquer documentação que pudesse comprovar os seus lançamentos contábeis. Não se pode olvidar que a necessidade de individualização de cada uma despesas para que possam ser dedutíveis é uma exigência da própria legislação, notadamente do artigo art. 9º da Lei nº 9.430/96, que traz diversos requisitos para se admitir a dedução pretendida. Contudo, mesmo com essa exigência legal, a Recorrente insiste que o Livro Razão e a planilha por ela produzida são suficientes para comprovar a dedutibilidade da despesa, com o que não se pode concordar. Portanto, NEGASE PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendose a glosa de R$ 2.713.299,49, lançada na conta contábil nº 34670301. DAS CONCLUSÕES Fl. 1996DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.997 27 Pelo tudo o que foi aqui exposto, concluise o presente voto da seguinte forma: NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a glosa da despesa registrada na Conta Contábil nº 35681302. NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a glosa das despesas lançadas na Conta Contábil nº 35681322. NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a glosa das despesas lançadas na Conta Contábil nº 35680405. DÁSE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a glosa da despesa no valor de R$ 2.706.556,05, registrada na conta contábil nº 35680901. DÁSE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a glosa da despesa no valor de R$ 1.366.527,69, registrada na conta contábil nº 35680903. DÁSE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a glosa da despesa no valor de R$ 835.494,33, registrada na conta contábil nº 35680905. DÁSE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa de R$ 8.244.505,43, registrada na conta contábil nº 35681311. NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a glosa de R$ 27.441,84, lançada na conta contábil nº 35681303. NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a glosa de R$ 859.943,24, lançada na conta contábil nº 35681101. NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a glosa de R$ 478.509,42, lançada na conta contábil nº 35681312. NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a glosa de R$ 2.713.299,49, lançada na conta contábil nº 34670301 NEGASE PROVIMENTO, na totalidade, ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.998 28 Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Acostome às conclusões a que chega o Relator, em seu, como de costume, brilhante Voto. Entendo, porém, ser necessário destacar particularidades que me fazem chegar às mesmas conclusões, apesar de divergir, parcialmente, dos fundamentos por ele utilizados. Inicio, com breve resumo acerca da ação fiscal, que respaldará o meu entendimento. No Termo de Início de Procedimento Fiscal (fl. 6) lavrado em relação à CCB CIMPOR CIMENTOS BRASIL SA, demandouse a apresentação de atos societários, livros contábeis e fiscais, notas fiscais emitidas, declarações fiscais e documentos relacionados a despesas com pessoal. Já, por meio do Termo de Início de Ação Fiscal (fl. 7), o Recorrente foi, apenas, comunicado de que a ação outrora iniciada em relação à Incorporada, teria prosseguimento contra a sucessora. No curso do procedimento, foram emitidos dois Termos de Intimação Fiscal. No primeiro (fl. 155), o Recorrente foi instado a apresentar documentos/esclarecimentos referente a "Outras despesas operacionais", informadas na Ficha 06 Linha 46 da DIPJ 2011 da CCB CIMPOR CIMENTOS BRASIL SA. Foi solicitada relação em planilha formato excel das contas contábeis, razão das contas contábeis e contratos que deram origem às despesas, conforme imagem a seguir: Observese que os documentos demandados se restringem a planilha, razão de contas contábeis e contratos. Já no Termo de Intimação Fiscal de fls. 481/482, foram solicitadas planilhas/memórias de cálculo relativas a contas contábeis específicas Fl. 1998DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 1.999 29 Constatase que, apenas em relação à conta 34670301, houve a intimação para a apresentação dos documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis. Neste sentido, considero adequada a conclusão do Relator, pelo improvimento do Recurso Voluntário, quanto às contas contábeis nº 35681302, 35681322, 35680405, 35681303, 35681101, 35681312 e 34670301, uma vez que o sujeito passivo sequer apresentou o contrato que embasava o lançamento contábil das despesas, e, quando o fez, na fase recursal, os instrumentos apresentados não conferiam lastro à dedutibilidade dos dispêndios. No que tange ao Recurso de Ofício, porém, o Relator mantém a decisão recorrida sob o fundamento de que caberia a autoridade fiscal investigar se houve, ou não, pagamento dos juros sobre os tributos pagos em atraso. Divirjo de tal posicionamento. Na verdade, na linha do sustentado pelo próprio Relator, em suas premissas, o ônus de apresentar os elementos hábeis e idôneos a comprovar os registros de sua escrituração recai sobre o sujeito passivo. Cabendo à autoridade fiscal, aí sim, apresentar os elementos de fato ou de direito que contradigam os documentos apresentados. No caso das despesas registradas na conta contábil nº 35681304, porém, o sujeito passivo jamais foi intimado pela autoridade fiscal a apresentar os documentos que embasarem os registros contábeis. Deste modo, é absolutamente impertinente a fundamentação trazida pela autoridade fiscal, no TVF, para a glosa das referidas despesas: Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 19515.720929/201571 Acórdão n.º 1302003.419 S1C3T2 Fl. 2.000 30 Apesar de ser ônus do Recorrente, a comprovação da existência das despesas, se não foi instado para tanto, a omissão não pode servir de justificativa para a glosa dos gastos, como realizado na decisão recorrida. A mesma conclusão se aplica às despesas referentes às contas contábeis nº 35680901, 35680903, 35680905 e 35681311, que, ademais, constituem despesas incorridas, de modo que dedutíveis, ainda que não pagas, e em relação às quais deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 2000DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.901148/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Relator que dava provimento ao recurso voluntário, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora designada.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1272; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.901148/200817 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.806 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 21 de fevereiro de 2019 Assunto Diligência Recorrente CHEVRON ORONITE BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Relator que dava provimento ao recurso voluntário, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Redatora designada. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 01 14 8/ 20 08 -1 7 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10805.901148/200817 Resolução nº 1402000.806 S1C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório Eletrônico (DDE), nº de rastreamento 759981041, emitido em 09/05/2008 e cientificado à contribuinte em 20/05/2008, no qual se decidiu pela não homologação da compensação de que trata a DCOMP nº 32395.43801.290604.1.3.040732, por não restar confirmado o direito creditório utilizado, correspondente ao DARF do pagamento indevido e/ou maior de CSLL (cód. 2484), do PA 31/12/2003, recolhido em 30/01/2004, no valor original de R$ 81.933,35, consoante fundamentação abaixo: Inconformada, a interessada apresentou, em 18/06/2008, por intermédio de seu representante legal, manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos, dizendo: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10805.901148/200817 Resolução nº 1402000.806 S1C4T2 Fl. 4 3 O v. acórdão recorrido negou provimento a manifestação de inconformidade, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2003 Indébito Tributário. Ônus da Prova. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/2003 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10805.901148/200817 Resolução nº 1402000.806 S1C4T2 Fl. 5 4 Declaração de Compensação. Pagamento Indevido ou a Maior. Estimativa de CSLL. À falta da apresentação de documentação hábil e idônea em demonstração do indébito tributário, inexiste a certeza e liquidez requerida para o procedimento de compensação. Não deve ser homologada a compensação quando não comprovado o crédito informado na respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Basicamente, a DRJ entendeu que a diferença existente entre a DIPJ/04 e a DCTF impede o reconhecimento do crédito, eis que a Recorrente não consegui comprovar o alegado erro no preenchimento da DCTFretificadora com a escrituração contábil e fiscal. Também entende que não consta na DIPJ/04 a apuração de débito de estimativa de dezembro de 2003, impossibilitando que se certifique a certeza e liquidez do crédito. Assim, decidiu não reconhecer o crédito e não homologar a compensação com o seguinte fundamento. Notase que a interessada não alterou a DCTF retificadora visando excluir o débito de estimativa de CSLL, do PA dez/2003, o qual teria sido indevidamente declarado, porque em desconformidade com as informações prestadas na correspondente DIPJ/2004, na qual não consta a apuração de débito de estimativa no mês de dez/2003. Ressaltese que a DCTF retificadora em questão foi apresentada em 27/03/2007, portanto, após a entrega da DIPJ/2004, feita em 29/06/2004, na qual a contribuinte não teria apurado débito de estimativa em dez/2003. Registrese que a DCTF tem a natureza de instrumento de confissão de dívida, diferentemente da DIPJ. Ambas declarações são de preenchimento obrigatório pela contribuinte e devem retratar fielmente os dados de sua escrituração. Dessa forma, a presunção de veracidade a elas conferida é afastada na hipótese de divergência de informações, pois sem apoio nos registros escriturais da pessoa jurídica não há como se precisar em qual documento se verifica o erro no preenchimento constatado. Assim, impende reconhecer que a documentação acostada aos autos, por si só, não é suficiente para a comprovação pretendida, pois a prova requerida em favor da contribuinte consiste nos fatos registrados na escrituração e comprovados por documentos hábeis, conforme art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): [...] Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, acostando aos autos reprodução de excertos Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10805.901148/200817 Resolução nº 1402000.806 S1C4T2 Fl. 6 5 de seus Livros Diário e Razão, além de Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado pertinentes ao anocalendário 2003. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende compensar não foi homologado devido ao fato de ter sido localizado um ou mais pagamentos relacionados ao DARF discriminado no PER/DCOMP, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para satisfazer a presente compensação. Após oferecimento da manifestação de inconformidade, foi proferido v. acórdão negando provimento ao PER/DCOMP pois foi encontrada divergência entre a DIPJ/04 (entregue em 29/06/2004) com a DCTF retificadora (entregue em 27/03/2007), a qual a Recorrente alega que se equivocou ao manter a escrituração do débito de estimativa de CSLL relativo a dezembro de 2003, no importe de R$ 81.933,35, que acabou gerando um pagamento indevido/a maior feito por meio de DARF, recolhido em 30/01/2004. Segundo o v. acórdão, não foi possível verificar a certeza e liquidez do direito creditório devido a falta de documentos relativos a escrituração contábil e fiscal, dando ênfase na ausência nos autos dos Livros Diário e Razão. A Recorrente, inconformada com o v. acórdão, interpôs Recurso Voluntário reafirmando que tinha cometido erro no preenchimento da DCTF retificadora, eis que deixou de retirar o valor do débito de R$ 81.933,35 que tinha pago indevidamente, eis que conforme DIPJ/04 não existia imposto a pagar, mas na realidade, tinha saldo negativo de R$ 3.464,94 e aproveitou para acostar aos autos a DCTF retificadora, a DARF relativa a estimativa de dezembro de 2003, paga em janeiro de 2004, o Livro Diário, Livro Razão, Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2003 para tentar comprovar a liquidez e certeza do crédito. Pois bem. Da análise dos autos, pude constatar o seguinte: Na DIPJ/04 não consta a apuração da estimativa de dezembro de 2003, entretanto se pode verificar que no ajuste final do respectivo ano, consta saldo negativo no importe de R$ 3.464,94. Na DIPJ (fls. 46) a Recorrente efetuou o pagamento de CSLL estimativa dos meses de janeiro a novembro de 2003 no valor de R$ 839.090,32 (linha 42 da ficha 17 da DIPJ/04), tendo apurado CSLL no montante de R$ 835.625,38 (linha 38 da ficha 17 da DIPJ/04), totalizando um saldo negativo de R$ 3.464,94 (linha 48 da ficha 17 da DIPJ/04). Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10805.901148/200817 Resolução nº 1402000.806 S1C4T2 Fl. 7 6 Na manifestação de inconformidade a Recorrente acosta o pagamento (DARFs) das estimativas de janeiro até novembro de 2003, sendo que no ajuste anual a soma destas estimativas (sem ter sido considerada a estimativa de dezembro) verificase que eram suficientes para quitar a CSLL/2003 e que ainda foi apurado saldo negativo de R$ 3.464,94, inexistindo imposto a pagar. No Livro Razão consta uma provisão no valor do DARF de R$ 81.933,35 que foi pago em janeiro de 2004. No Livro Diário Geral de janeiro de 2004 se pode constatar a escrituração de débito no importe de R$ 81.933,35 e crédito no mesmo valor, refere ao pagamento da estimativa de CSLL de dezembro de 2003. Tais documentos demonstram que mesmo que a Recorrente não tenha considerado na apuração/ajuste anual a estimativa de dezembro de 2003, ainda assim existia saldo negativo de R$ 3.464,94, sendo que o valor que alega ter pago indevidamente de R$ 81.933,35 deve ser considerado pagamento indevido ou a maior de CSLL. Desta forma, mesmo que a Recorrente tenha cometido um erro material no DCTF retificadora, constatei nos autos, por meio da escrituração fiscal e contábil, que o crédito existe. Ademais, entendo que o crédito deve ser considerado como pagamento indevido ou a maior do CSLL após ter sido feito o ajuste anual, eis que na estimativa de dezembro de 2003 não existia imposto a pagar, conforme pode se verificar na DIPJ/04 e nos demais documentos acostados aos autos. Desta forma, diferentemente do v. acórdão recorrido, entendo que o crédito de R$ 81.933,35 esta devidamente demonstrado na escrita fiscal e contábil da Recorrente, devendo ser reconhecido e a compensação homologada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves VOTO VENCEDOR Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O I. Relator restou vencido em seu entendimento de reconhecer o direito creditório em litígio e homologar a compensação até o seu limite, pois a maioria do Colegiado entendeu que as provas juntadas aos autos não seriam suficientes para tanto. Tratase, aqui, de compensação de pagamento indevido estimativa de CSLL referente a dezembro de 2003, não homologada porque o recolhimento estava integralmente vinculado a débito declarado em DCTF. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10805.901148/200817 Resolução nº 1402000.806 S1C4T2 Fl. 8 7 Em manifestação de inconformidade, o sujeito passivo indicou os recolhimentos promovidos ao longo do anocalendário 2003, no total de R$ 839.090,32, e apresentou retificadora de DCTF transmitida em 27/03/2007, bem como DIPJ original na qual a estimativa apurada em dezembro/2003 seria inferior àqueles recolhimentos. A autoridade julgadora de 1ª instância, apesar de constatar que o saldo negativo do anocalendário 2003 não havia sido objeto de compensação em outras DCOMP, julgou improcedente a manifestação de inconformidade porque a DCTF retificadora não havia desvinculado o débito do pagamento tido por indevido, bem como porque não apresentados elementos da escrituração provando o indébito. Em recurso voluntário, a contribuinte se empenhou em juntar elementos de sua escrituração que comprovavam o recolhimento tido por indevido, bem como demonstrativo com os ajustes ao lucro líquido que resultariam na base tributável do período e na consequente apuração de CSLL inferior aos recolhimentos até então efetuados. Contudo, o demonstrativo reproduzido à fl. 82 parte de resultado do exercício no valor de R$ 12.549.260,36, confirmado na Demonstração de Resultado do Exercício à fl. 112, mas submetese a adições, exclusões não especificadas, além de compensação de bases negativas anteriores, que resultam em base tributável de R$ 9.284.726,40. Assim, necessário se faz que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a autoridade fiscal verifique junto à escrituração do sujeito passivo a procedência dos ajustes promovidos no lucro líquido para reduzilo a R$ 9.284.726,40 ao final do anocalendário 2003. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Redatora designada. Fl. 216DF CARF MF
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