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Numero do processo: 10935.003896/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006, 2007 Ementa: Inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nulidade. Não há nulidade no fato da ciência das prorrogações do MPF ser feita através da internet. Multa regulamentar. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão dar ou distribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos;
Numero da decisão: 1302-000.845
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: Inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nulidade. Não há nulidade no fato da ciência das prorrogações do MPF ser feita através da internet. Multa regulamentar. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão dar ou distribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Fl. 324DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Diniz Raposo e Silva e Guilherme Pollastri Gomes Da Silva Relatório Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 130200.845 S1C3T2 Fl. 2 3 Trata o processo de autos de infração de multa por distribuição de rendimentos de participações por empresa em débito. 2. O auto de infração de multa (fls. 01/08) exige o recolhimento de R$ 1.044.198,34 de multa regulamentar. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Multas proporcionais – distribuição de rendimentos de participações por empresa em débito, lavrada em 18/05/2009. Enquadramento legal no art. 32, “b”, §1°, I e II e §2° da Lei 4.357, de 16 de julho de 1964; arts. 889 e 975 do RIR/99. 3. Cientificada em 02/06/2009, conforme fls. 02 e 08, tempestivamente, em 01/07/2009, foi interposta impugnação aos lançamentos, às fls. 150/191, através de seu procurador, procuração às fls. 192/194, acompanhada do documento de fls. 195/245, que se resume a seguir: Preliminar. Nulidade. Falta de mandado de procedimento fiscal a. Alega que a ação fiscal é nula de pleno direito, pois não existe MPF para legitimar ação fiscal, restando violados o art. 7° do decreto 70.235/72 e inúmeras regras da Portaria n° 4.066/2007; b. Explica que à fl. 08, o auditor fiscal relatou existir o MPF autorizando a ação fiscal, o qual poderia ser consultado na página eletrônica da RFB, mediante o código de acesso 53531, mas não foi juntada cópia nos autos do referido MPF; c. Afirma que foi constatado que o sistema informa inexistir MPF para verificar cumprimento de obrigação acessória que enseja a aplicação de penalidade isolada, sendo que, o que existe é MPF para fiscalizar o recolhimento de contribuições previdenciárias e para outras atividades no período de 01/2005 a 12/2007, o que não se presta para sustentar o lançamento de penalidade isolada; d. Entende que a nulidade por falta de MPF decorre da interpretação conjunta dos arts. 7° e 9° e art. 59, inciso I do decreto 70.235/72, pois diante da inexistência dessa ordem, os agentes fiscais tornamse absolutamente incompetentes para realizarem o ato de fiscalização; e que os arts. 7°, §6° e 20 da Portaria RFB n° 4.066/2007 indicam que é totalmente nulo o auto de infração que não contenha cópias do MPF específico para a multa isolada; e. Enfatiza que o MPF 09.1.03.002009004120 foi emitido com o objetivo específico de fiscalizar o recolhimento de contribuições previdenciárias e para outras entidades no período de 01/2005 a 12/2007, enquanto que o art. 7° §6° da Portaria RFB n° 4.066/2007 e art. 9° do decreto 70.235/72 exigem a expedição de MPF específico para a aplicação de penalidade isolada; f. Cita decisões do Conselho de Contribuintes; g. Conclui ser nulo o procedimento fiscal; Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 Inaplicabilidade do art. 32 da Lei 4.357/64 em face da garantia do crédito tributário em sede de execução fiscal h. Considerando as prerrogativas processuais do contribuinte, que lhe são disponibilizadas pelas garantias constitucionais do devido processo legal, sustenta que o art. 32 da Lei n° 4.357/64 há que ser lido com a ressalva de que é vedada a distribuição de lucros na pendência de débito não garantido, após ter sido oportunizada ao contribuinte a referida garantia, mediante a competente citação para pagar ou nomear bens à penhora; i. Explica que, uma vez observado os trâmites do procedimento fiscal instituído no decreto 70.235/72 c/c lei 6.830/80, a garantia dos débitos somente é oportunizada ao contribuinte por ocasião da propositura do competente executivo fiscal; e que, antes de ocorrida a citação na execução fiscal, não se cogita na legítima penalização do contribuinte pela existência de “débitos não garantidos”, pois o art. 342 da lei 4.357/64 somente se aplica aos casos em que a pessoa jurídica distribuir lucros sem garantia da execução, nos termos dos arts. 8° e 9° da Lei 6.830/80; do contrário são violadas as garantias do devido processo legal e da ampla defesa, eis que o fisco acabaria por queimar etapas fundamentais do iter procedimental que conferem certeza e exigibilidade ao crédito tributário, sendo de todo inconcebível a penalização ou a restrição de direitos do contribuinte antes da Fazenda Pública possuir o competente título executivo; j. Aduz que o CTN não admite quaisquer restrições de direitos ao contribuinte antes da regular inscrição em dívida ativa do crédito tributário, razão pela qual o art. 32 da Lei 4.357/64 só pode ser lido com a ressalva de que é vedada a distribuição de lucros na pendência de débito não garantido, após ter sido oportunizada ao contribuinte a referida garantia, mediante a competente citação para pagar ou nomear bens à penhora, sendo que, antes disso, não se cogita de multa ou restrições de direitos ao contribuinte, pois a Fazenda Pública não dispõe de título executivo que confira a certeza e exigibilidade ao crédito tributário; k. Reclama que, no caso dos autos, só teve oportunizada a garantia dos débitos em 05/06/2009, quando recebeu a citação nos autos de execução fiscal n° 2009.70.05.0014899/PR, que tramitou na 2ª Vara Federal de Cascavel, tendo nomeado bem à penhora em valor muito superior ao crédito tributário, conforme Anexo III; l. Assevera que a fiscalização jamais poderia lavrar auto de infração com base no art. 32 da Lei 4.357/64, antes que fosse oportunizada a garantia do débito na ação própria, ou na pendência de quaisquer das causas de suspensão da exigibilidade elencadas nos incisos do art. 151 do CTN, sob pena de inconstitucionalidade face aos princípios de devido processo legal e da razoabilidade dos atos administrativos, e ilegalidade face ao art. 185 do CTN razão pela qual é totalmente inaplicável o dispositivo invocado no lançamento; m. Cita decisão do Conselho de Contribuintes; n. Repete que é inadmissível que venha a lei ordinária tolher o direito dos contribuinte de receber os frutos da atividade econômica antes da inscrição do débito em dívida ativa, oportunizandose a ampla defesa no processo administrativo ou na pendência de quaisquer das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário; e que a multa prevista no art. 32 da Lei 4.357/64 só encontra razão de ser caso a pessoa jurídica venha a distribuir lucros em fraude à execução fiscal, ou seja, após ter sido oportunizada e não efetivada a garantia do crédito tributário em ação própria; Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 130200.845 S1C3T2 Fl. 3 5 o. Cita doutrina; p. Conclui que o lançamento é nulo de pleno direito, porque exige multa pela distribuição de lucros em período anterior à inscrição em dívida ativa do crédito tributário e respectiva oportunização de garantir o juízo nos termos do art. 8° e 9° da Lei 6.830/80; Nulidade. Inobservância do limite global dos lançamentos, inscrito no art. 32, §2° da Lei 4.357/64 q. Alega que o lançamento também é nulo porque não foram obedecidos os parâmetros limitativos da penalidade, estabelecidos na norma sob a qual se funda a ação fiscal; r. Menciona o art. 32 da Lei 4.357/64, e indica que, na nova redação dada pela Lei 11.051/2004, a fiscalização não obedeceu ao limite de lançamento estabelecido por esse último diploma no §2°, que impõe um teto global da multa referida nos incisos I e II do §1°, como sendo a quantia equivalente a 50% do valor do suposto débito não garantido; s. Demonstra resumo de cálculos, em que se verifica que não foi observado o mencionado teto; t. Reclama que, ao final, a multa aplicada acabou equivalente a 133% do valor do suposto débito não garantido, conforme tabela demonstrativa; u. Anota que o teto limitador da multa, em 50% do débito não garantido, é condição essencial para evitar o confisco da integralidade dos lucros auferidos com a atividade econômica; v. Entende que o limite é global para as multas aplicadas à pessoa jurídica e aos sócios, pois, do contrário, o lançamento consumiria 50% do lucro auferido na pessoa jurídica e mais 50% do lucro na pessoa do sócio, atingindo 100% do lucro, o que, como se verá mais adiante, é totalmente vedado pelo ordenamento jurídico; w. Explica que, se a fiscalização tivesse aplicado o teto limitador do lançamento constante no art. 32, §2° da Lei 4.357/64, o valor total da multa aplicada aos sócios e à empresa não poderia ultrapassar a quantia de R$ 813.573,21, que é equivalente a 50% do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica, com as devidas ressalvas; x. Conclui pela nulidade do auto de infração, que desobedeceu aos limites globais do lançamento impostos pela lei 11.051/2004; Incompatibilidades da interpretação dada pela fiscalização ao art. 32 da Lei 4.357/64 com a ordem constitucional y. Explicita que o art. 32 da Lei 4.357/64 há de ser lido com a ressalva de que é vedada a distribuição de lucros após a regular inscrição do crédito tributário em dívida ativa, e, uma vez oportunizada a respectiva garantia, a empresa não o tenha feito, e ainda, que o valor total dos lançamentos autorizados não ultrapassem o limite de 50% do débito não garantido; e que, do contrário, a citada lei é totalmente incompatível com a nova ordem Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 constitucional, especialmente se aplicada como foi no caso dos autos, sem a observância do limite quantitativo da penalidade estabelecida na lei 11.051/2004; z. Justifica que a lei 4.357/64 foi editada sob a égide da ditadura militar, com contornos de tal maneira autoritários, que conflitavam explicitamente com garantias constitucionais, por isso a doutrina sempre teve o firme entendimento no sentido de que o diploma não foi recepcionado pela ordem constitucional vigente; aa. Cita doutrina; bb. Sustenta que a simples alteração do art. 32 da Lei 4.357/64 pela Lei 11.051/2004 não tem o condão de restaurar a sua eficácia, pois em virtude da não recepção daquele diploma, o dispositivo perdeu sua vigência; cc. Ressalta que esse Órgão Julgador não está impedido de apreciar a matéria, pois a vedação do art. 26A do decreto 70.235/72 restringese às hipóteses de inconstitucionalidade de lei superveniente à CF/88, não se aplicando a mencionada restrição, aos casos de leis não recepcionadas pela nova ordem constitucional; dd. Conclui que a leitura conferida pela fiscalização é de todo descabida porque torna a norma manifestamente incompatível com princípios basilares da CF/88; ee. Discorre acerca do princípio da razoabilidade e proporcionalidade, da garantia da vedação da utilização de tributo como efeito de confisco; da violação às garantias constitucionais do devido processo legal e ampla defesa (meio coercitivo de cobrar tributos); da violação às garantias constitucionais do direito de propriedade e do livre exercício da atividade econômica; Base de cálculo da multa ff. Menciona o §2° do art. 32 da Lei 4.357/64, incluído pela Lei 11.051/2004, que diz que a multa fica limitada a 50% do valor do débito não garantido, e afirma que a lei não explicita o que vem a ser débito não garantido, o que leva a inaplicabilidade da norma; gg. Assevera que não tem como se entender que a multa de mora ou de ofício, por exemplo, comporia o débito, porque neste caso se estaria aplicando multa sobre multa, o que não é razoável; e que a multa de ofício (75%) e de mora (20%) seriam majorada em 50%, passando para 112,50% e 30%, respectivamente, sem lei que permitisse; hh. Justifica que, se devido fosse, o crédito tributário, em face do princípio da razoabilidade, o débito seria apenas o valor original dos tributos declarados á RFB, sem levar em conta os acréscimos legais; ii. Conclui que não é possível cobrar a multa, por conta de que não se tem explícito na lei o conceito de débito não garantido, carecendo a mesma de regulamentação; Pedidos jj. A final, pede: 1) nulidade da ação fiscal por falta de MPF; ii) nulidade do lançamento, em vista da garantia integral do débito; iii) nulidade do auto de infração, pela falta de aplicação dos parâmetros da norma invocada; iv) o reconhecimento de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 130200.845 S1C3T2 Fl. 4 7 que a interpretação dada pelo fisco tornou a norma incompatível com princípios constitucionais. Sucessivamente, requer a redução da multa para R$ 813.573,21. A DRJ decidiu: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. O Mandado de Procedimento Fiscal é, precipuamente, um instrumento de controle interno da Administração Tributária, e não constitui elemento essencial de validade do correspondente auto de infração, descabendo pleitear nulidade do lançamento por eventual irregularidade em sua emissão ou ciência. MULTA REGULAMENTAR. ART. 32 DA LEI 4.357/1964. DÉBITO NÃO GARANTIDO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO NO PRAZO DEVIDO. DESNECESSIDADE DE COBRANÇA JUDICIAL. DESNECESSIDADE DE DCTF. A multa regulamentar, tipificada no art. 32 da Lei n° 4.357/1964, tem por pressuposto a distribuição de lucros, quando a empresa tiver débitos, os quais restam caracterizados pela falta de recolhimento de tributo, no prazo devido, prescindindo, portanto, da existência de execução fiscal, de inscrição do débito em dívida ativa, e até mesmo de confissão da dívida em DCTF. MULTA REGULAMENTAR. ART. 32 DA LEI 4.357/1964. DÉBITO NÃO GARANTIDO. BASE DE CÁLCULO. MULTA NA PESSOA JURÍDICA. MULTA NA PESSOA FÍSICA. LIMITE INDIVIDUAL. A multa regulamentar, tipificada no art. 32 da Lei n° 4.357/1964, aplicase sobre 50% das remunerações distribuídas, limitada à metade do valor total dos débitos não garantidos existentes, limite este calculado individualmente, sem abranger a multa de mesma natureza incidente sobre a pessoa física beneficiária da distribuição de lucros. Destacase na decisão recorrida: O deslinde do presente litígio delimitase, exclusivamente, à interpretação do art. 32 da Lei n° 4.357, de 16 de julho de 1964, que introduziu a multa regulamentar objeto do lançamento, nos seguintes termos: Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: (Grifouse) ......................................................................................................... .......................... b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 ......................................................................................................... .......................... § 1o A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A multa referida nos incisos I e II do § 1o deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) De acordo com o dispositivo, portanto, a multa tem por pressuposto a distribuição de lucros, quando a empresa tiver débitos, os quais restam caracterizados, segundo a redação analisada, pela falta de recolhimento de tributo, no prazo devido. O legislador ressalvou a situação em que o contribuinte, ainda que possua débitos, tenha fornecido garantias. Importa notar que a lei, ao se referir à existência de débitos não garantidos, não os restringiu a qualquer fase de cobrança, ou seja, não condiciona a multa à existência de débitos somente em cobrança judicial, por exemplo. A matéria já foi posta em discussão perante a Administração Tributária, mais especificamente, a Coordenação Geral de Tributação, que divulgou a Nota Técnica Cosit n° 2, de 01/02/2006, em consulta formulada pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal. O órgão administrativo foi categórico, ao pacificar que a multa regulamentar incide quando o débito decorre tanto de lançamento quanto de confissão de dívida. Restou também esclarecido que a multa é incabível em caso de débito com exigibilidade suspensa. Confiramse os seguintes trechos da decisão: 4.Com relação à primeira indagação, questionase se o “débito” a que se refere o caput do art. 32 retrocitado tem que estar constituído ou confessado, ou se é suficiente para a imposição da penalidade o nãopagamento do imposto pelo sujeito passivo no prazo de vencimento na modalidade de lançamento por homologação, na qual compete a este tomar todas as providências necessárias à antecipação do pagamento do tributo sem o prévio exame do fisco. 5.Como se sabe, ocorrido o fato gerador surge a obrigação tributária. A ocorrência do fato gerador instaura o vínculo jurídico entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Contudo, é o lançamento que constitui o crédito tributário, tornandoo líquido e certo e conferindo à Fazenda sua exigibilidade. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 130200.845 S1C3T2 Fl. 5 9 6.Ressaltese, porém, que o art. 5o, § 1o, do Decretolei no 2.124, de 13 de junho de 1984, estabelece que o documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário (declaração de débitos), constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário. 6.1 É com espeque no aludido dispositivo legal que a SRF pode cobrar o débito confessado, por exemplo, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, inclusive encaminhálo à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sem a necessidade de lançamento de ofício do crédito tributário. 6.2 Dessa forma, não resta dúvida de que cabe a imposição da multa em questão nas situações em que o crédito tributário é constituído pelo lançamento ou confessado com amparo no art. 5o, § 1o, do Decretolei no 2.124, de 1984. (Grifouse) ......................................................................................................... .......................... A segunda indagação referese à imposição da penalidade de que se trata quando o débito estiver com a sua exigibilidade suspensa, figura que não existia à época da edição da Lei nº 4.357, de 1964. Trata, o caso concreto, especificamente, de valores parcelados no Parcelamento Especial (Paes), que não exige garantias, regra geral. ......................................................................................................... .......................... Ora, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, com base no disposto no art. 151 do CTN, o mesmo efeito jurídico deve ser assegurado ao contribuinte que esteja adimplente e ao que esteja com débito cuja exigibilidade esteja suspensa. É por essa razão que é fornecida uma certidão positiva de débitos, com efeito de certidão negativa, como dispõe a IN SRF nº 574, de 23 de novembro de 2005, nos seguintes termos: (Grifouse) Na hipótese dos autos, os débitos que deram origem à contestada multa foram constituídos mediante confissão de dívida, via declaração em DCTF. De acordo com a planilha de fls. 18/21, consta débitos não quitados de PIS, Cofins, IRPJ, CSLL, IRF, Previdência, entre 15/02/2006 e 20/12/2007, período em que a empresa distribuiu lucros. A fiscalização observou ainda que tais débitos foram reconhecidos na contabilidade, em contas do passivo, anexadas às fls. 26/42. Foram também juntadas cópia das DCTFs de 2006 e 2007, às fls. 43/89. Percebese que essas declarações são retificadoras, sendo que a do primeiro semestre de 2006 foi enviada em 26/10/2007. Pesquisa na base de dados de DCTFs indica que as declarações originais foram transmitidas em 16/10/2006 (primeiro semestre de 2006), 05/04/2007 (segundo semestre de 2006), 03/10/2007 (primeiro semestre de 2007) e 07/04/2008 (segundo semestre de 2007, original e única declaração), conforme impressão de tela Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 juntada à fl. 248. Observase também, que a inscrição em dívida ativa desses créditos tributários foi efetivada somente em 11/12/2008, conforme fls. 90, 92, 95, 98 e 100. Esses dados podem dar ensejo à seguinte indagação: considerando que a DCTF do período mais antigo (primeiro semestre de 2006) foi entregue somente em 16/10/2006, e retificada em 26/10/2007, e levando em conta que a multa teve como fato gerador a distribuição de lucros em datas anteriores à da entrega das declarações, poderia o lançamento alcançar aqueles períodos? Uma leitura mais detida na redação do caput do art. 32 da Lei n° 4.357/1964 induz à resposta afirmativa para essa questão. Ao incluir a expressão “por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal”, o legislador desejou fixar, com precisão, o momento do nascimento do fato gerador da multa regulamentar ora combatida. É lícito concluir, portanto, que, à despeito de, à época da distribuição dos lucros, a empresa ainda não tinha confessado seus débitos, mediante apresentação da DCTF, estava ela impedida de assim proceder, em face do decurso do prazo para pagamento de seus tributos. A corroborar essa interpretação, na já citada Nota Técnica Cosit n° 2/2006, o órgão central da RFB prestou os seguintes esclarecimentos: 7. Resta definir se o nãopagamento do tributo no prazo legal, sem que este débito esteja sequer confessado, respaldaria a aplicação da penalidade, tendo em vista a expressão constante do caput do art. 32 retrocitado: débito não garantido, por falta de recolhimento do imposto. 8. Cumpre ressaltar que a questão relativa à proibição de distribuir rendimentos de participações de que trata o dispositivo em comento já foi enfrentada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes por meio do Acórdão 1.50.496, de 17.04.75. Originouse o respectivo processo da falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamento de dividendo de ações nominativas e ao portador não identificado. Argumentou o sujeito passivo, em sua defesa, que para a existência de débito seria necessário a existência de crédito tributário e este só se constitui por meio do lançamento do imposto, conforme art. 142 do CTN. A decisão, não acolhendo sua tese, afirma que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Conclui o mencionado acórdão que o lançamento é um simples ato declaratório de ocorrência do fato gerador, pois desde esse momento já é devido o tributo, afirmando que, no caso, deveria ter sido recolhido o imposto de fonte sem o prévio exame da autoridade administrativa, que depois o homologaria, se fosse o caso, extinguindo a obrigação sem o prévio lançamento, como prevê o art. 150 do CTN. (Grifouse) Com isso, fica sem sentido o argumento levantado pela impugnante, que alega violação das garantias do devido processo legal e da ampla defesa, por queima de etapas fundamentais que conferem certeza e exigibilidade ao crédito tributário. É que o legislador conferiu conotação alargada ao vocábulo “débitos não garantidos”, que não se circunscrevem a Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 130200.845 S1C3T2 Fl. 6 11 dívidas qualificadas pela certeza e exigibilidade daqueles inscritos em dívida ativa. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 30/11/2010 e apresentou recurso em 20/12/2010. Voto Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Entendo que não merecem acolhimento as alegações da recorrente quanto à nulidade do lançamento por vício na emissão do MPF e acolho a motivação da decisão recorrida para afastar a nulidade argüida: Nesse sentido, sequer se pode cogitar de causa de nulidade a falta de cópia do MPF, já que o contribuinte pôde, a todo tempo, consultálo no site da RFB, conforme indicado no Termo de Início, à fl. 10. Também não há qualquer irregularidade no fato de constar, no MPF (cópia juntada à fl. 249), autorização para fiscalizar contribuições previdenciárias, sem menção à multa lançada. É que o documento informa os tributos sujeitos à auditoria naquela ação fiscal; ora, a multa, qualquer que seja ela, não é tributo, conforme dicção do art. 3° do CTN; sua origem decorre de infração à legislação tributária, sendo exigível, em regra, acompanhada de tributos, mas podendo ser autonomamente constituída. E nem seria caso de necessidade de constar os outros tributos (IRPJ, CSLL, PIS, CSLL etc), que também serviram de base para a multa, já que eles não foram objeto de fiscalização. Ademais, mesmo que prevalecesse o entendimento de que a multa resultou de descumprimento de obrigação acessória, o que exigiria expressa menção no corpo do MPF, nos termos do art. 7° §6° da Portaria RFB n° 4.066/2007, ainda assim, não haveria causa para nulidade. Há que se ressaltar que o Mandado de Procedimento Fiscal é, precipuamente, um instrumento de controle interno da Administração Tributária, e não constitui elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. Dessa forma, eventual falta ou irregularidade em sua emissão ou ciência não é apta para ensejar a nulidade do lançamento, entendimento este que é adotado inclusive pelo Conselho de Contribuintes, conforme atestam os seguintes acórdãos: Número do Recurso: 151079 Câmara: SÉTIMA CÂMARA Número do Processo: 16327.000493/200124 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Recorrida/Interessado: 8ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I Data da Sessão: 24/01/2008 01:00:00 Relator: Albertina Silva Santos de Lima Decisão: Acórdão 10709284 Resultado: OUTROS – OUTROS Texto da Decisão: Por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de nulidades, vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Marcos Vinicius Barrros Ottoni que acolhiam a nulidade por falta de MPF e por unanimidade de votos, não conhecer de matéria submetida ao Poder Judiciário e com relação à matéria Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 130200.845 S1C3T2 Fl. 7 13 diferenciada DAR provimento PARCIAL ao recurso para considerar indevida à cobrança da multa e juros de mora a partir do depósito judicial. Fez sustentação oral o Dr° Albert Limoeiro OAB/DF n° 21718 Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1996 Ementa:PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FALTA DE EMISSÃO DE MPFD REVISÃO INTERNA. Em trabalhos fiscais de revisão interna, a intimação para a apresentação de documentos quando necessária é precedida de emissão de MPFDiligência, que é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando na nulidade do lançamento, a eventual falha na emissão desse intrumento. (Grifouse) Número do Recurso: 143558 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 11065.005081/200357 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPF Recorrida/Interessado: 4ª TURMA/DRJPORTO ALEGRE/RS Data da Sessão: 06/03/2008 00:00:00 Relator: José Raimundo Tosta Santos Decisão: Acórdão 10248948 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. (Grifouse) Também me abstenho de analisar as argüições de inconstitucionalidade da recorrente, nos termos do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido a súmula nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Passo à análise do mérito. Quanto ao mérito, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido Reproduzo a argumentação da decisão recorrida, com a qual tenho parcial divergência: Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 Na hipótese dos autos, os débitos que deram origem à contestada multa foram constituídos mediante confissão de dívida, via declaração em DCTF. De acordo com a planilha de fls. 18/21, consta débitos não quitados de PIS, Cofins, IRPJ, CSLL, IRF, Previdência, entre 15/02/2006 e 20/12/2007, período em que a empresa distribuiu lucros. A fiscalização observou ainda que tais débitos foram reconhecidos na contabilidade, em contas do passivo, anexadas às fls. 26/42. Foram também juntadas cópia das DCTFs de 2006 e 2007, às fls. 43/89. Percebese que essas declarações são retificadoras, sendo que a do primeiro semestre de 2006 foi enviada em 26/10/2007. Pesquisa na base de dados de DCTFs indica que as declarações originais foram transmitidas em 16/10/2006 (primeiro semestre de 2006), 05/04/2007 (segundo semestre de 2006), 03/10/2007 (primeiro semestre de 2007) e 07/04/2008 (segundo semestre de 2007, original e única declaração), conforme impressão de tela juntada à fl. 248. Observase também, que a inscrição em dívida ativa desses créditos tributários foi efetivada somente em 11/12/2008, conforme fls. 90, 92, 95, 98 e 100. Esses dados podem dar ensejo à seguinte indagação: considerando que a DCTF do período mais antigo (primeiro semestre de 2006) foi entregue somente em 16/10/2006, e retificada em 26/10/2007, e levando em conta que a multa teve como fato gerador a distribuição de lucros em datas anteriores à da entrega das declarações, poderia o lançamento alcançar aqueles períodos? Uma leitura mais detida na redação do caput do art. 32 da Lei n° 4.357/1964 induz à resposta afirmativa para essa questão. Ao incluir a expressão “por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal”, o legislador desejou fixar, com precisão, o momento do nascimento do fato gerador da multa regulamentar ora combatida. É lícito concluir, portanto, que, à despeito de, à época da distribuição dos lucros, a empresa ainda não tinha confessado seus débitos, mediante apresentação da DCTF, estava ela impedida de assim proceder, em face do decurso do prazo para pagamento de seus tributos. A corroborar essa interpretação, na já citada Nota Técnica Cosit n° 2/2006, o órgão central da RFB prestou os seguintes esclarecimentos: 7. Resta definir se o nãopagamento do tributo no prazo legal, sem que este débito esteja sequer confessado, respaldaria a aplicação da penalidade, tendo em vista a expressão constante do caput do art. 32 retrocitado: débito não garantido, por falta de recolhimento do imposto. 8. Cumpre ressaltar que a questão relativa à proibição de distribuir rendimentos de participações de que trata o dispositivo em comento já foi enfrentada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes por meio do Acórdão 1.50.496, de 17.04.75. Originouse o respectivo processo da falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamento de dividendo de ações nominativas e ao portador não identificado. Argumentou o sujeito passivo, em sua defesa, que para a existência de débito seria necessário a existência de crédito tributário e este só se constitui por meio do lançamento do imposto, conforme art. 142 do CTN. A decisão, não acolhendo sua tese, afirma que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 130200.845 S1C3T2 Fl. 8 15 tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Conclui o mencionado acórdão que o lançamento é um simples ato declaratório de ocorrência do fato gerador, pois desde esse momento já é devido o tributo, afirmando que, no caso, deveria ter sido recolhido o imposto de fonte sem o prévio exame da autoridade administrativa, que depois o homologaria, se fosse o caso, extinguindo a obrigação sem o prévio lançamento, como prevê o art. 150 do CTN. (Grifouse) Com isso, fica sem sentido o argumento levantado pela impugnante, que alega violação das garantias do devido processo legal e da ampla defesa, por queima de etapas fundamentais que conferem certeza e exigibilidade ao crédito tributário. É que o legislador conferiu conotação alargada ao vocábulo “débitos não garantidos”, que não se circunscrevem a dívidas qualificadas pela certeza e exigibilidade daqueles inscritos em dívida ativa. A legislação invocada estabelece: Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: (Grifouse) ......................................................................................................... .......................... b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; ......................................................................................................... .......................... § 1o A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A multa referida nos incisos I e II do § 1o deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Resta ao aplicador interpretar o texto legal, construindo o sentido compatível com o ordenamento jurídico vigente. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 16 O vocábulo “débito” é utilizado de forma ambígua pelo legislador. Em sentido amplo, significa a contrapartida do crédito tributário, sendo este último o direito subjetivo do Estado de exigir o cumprimento da obrigação tributária de natureza pecuniária e o primeiro o dever jurídico do contribuinte de entregar ao Estado o valor em pecúnia. Em um primeiro momento podese pensar que apenas no momento da constituição do crédito tributário se poderia pensar na existência do débito, que nasceriam concomitantemente . Portanto, antes da constituição do crédito, seja por lançamento ou por confissão de dívida, não se poderia falar em débito. No entanto, o legislador pode dar ao vocábulo outro sentido, desde que o faça de forma expressa, como entendo que o fez neste caso. A Lei 4357 prescreveu: As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal. Observase no texto legal que, para os objetivos desta lei, débito é a falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal. Tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo para pagamento do tributo independe do crédito tributário estar constituído, bastando a ocorrência do fato gerador e o prazo estabelecido para pagamento para considerar que o contribuinte está em mora, submetendoo, em caso de atraso aos encargos moratórios. Interessa também ressaltar o objetivo da legislação de regência, qual seja, impedir que contribuintes, distribuam seus resultados aos sócios antes de cumprir suas obrigações tributárias, privilegiando o interesse coletivo ( da sociedade) em relação ao interesse individual dos sócios. Demonstrado que havia tributos vencidos e não pagãos e também não garantidos, em qualquer dos momentos após a ocorrência do fato gerador e prazo para pagamento, a lei proíbe a distribuição de lucro. A mesma norma legal, como conseqüência da proibição, traz a penalidade para quem desrespeitála, ou seja a multa para quem fizer a distribuição, estando proibido. Entendo, portanto, que não há reparo a fazer à imposição da multa prevista no art. 32 da Lei 4357, pois o contribuinte fez a distribuição de lucros (matéria inconteste) e tinha tributos em atraso (vencidos, pois já tinha transcorrido o prazo para o pagamento). Outro argumento da recorrente diz respeito ao limite estabelecido pelo § 2º do art. 32 da Lei 4357, abaixo transcrito: § 2o A multa referida nos incisos I e II do § 1o deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Aduz a recorrente que o limite é global e deve abranger a totalidades das multas aplicadas (na pessoa jurídicas e nas pessoas físicas). Nesta matéria acompanho integralmente a motivação do voto condutor do acórdão recorrido: Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 130200.845 S1C3T2 Fl. 9 17 Examinandose a planilha de fls. 18/21, constatase que a fiscalização seguiu à risca a prescrição legal. Nessa apuração, os débitos foram relacionados em ordem crescente de data de vencimento, de modo a conhecer seu total acumulado, em cada data de distribuição de lucro. Para cada distribuição, fezse o cotejo do valor correspondente à 50% do valor distribuído com 50% dos débitos acumulados, com a composição da base sobre o menor valor. Tudo somado, chegouse ao importe de R$ 1.044.198,34 de multa regulamentar, com R$ 3.732.200,00 de lucros distribuídos. Na peça de defesa, a requerente reclama que a multa aplicada acabou equivalente a 133% do valor do suposto débito não garantido. Para demonstrar sua alegação, montou a tabela, à fl. 165, que relaciona um total de lançamentos da ordem de R$ 2.177.020,70 contra R$ 1.627.146,43 de total de débitos não garantidos, o que corresponde ao percentual apontado. No entanto, esse total lançado leva em conta, além da multa aplicada na pessoa jurídica, objeto do presente processo, aquelas exigidas dos sócios Assis Gurgacz e Nair Ventorin Gurgacz, contidas nos processos 10935.003897/200982 e 10935.003895/200993, respectivamente. Dessa feita, o contribuinte faz interpretação equivocada do parágrafo segundo do dispositivo legal acima citado. O limite aplicase individualmente, para cada uma das multas, e não conjuntamente, como quer a interessada. É o que se deduz, quando a redação contém o termo “respectivamente”, a indicar que o limite incide sobre cada uma das multas, a da pessoa jurídica e a da pessoa física. A impugnante também parece alegar que na base de cálculo da multa foram incluídas parcelas relativas a acréscimos legais, como multa de ofício e de mora. Tal contestação não prospera, já que, conforme visto, o auditor fiscal levou em conta somente débitos do contribuinte, por ele próprio reconhecidos. Diante de todo o exposto, nega a existência de nulidades, não conheço dos argumentos de inconstitucionalidade de lei e, no mérito, nego provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 18 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.908279/2009-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação
Numero da decisão: 3803-004.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro JORGE VICTOR RODRIGUES.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KER- Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 06/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro JORGE VICTOR RODRIGUES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 82 79 /2 00 9- 45 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KER Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 06/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES. Relatório Versa o imbróglio sobre Declaração de Compensação de Cofins, cód. De receita 2172, referente ao período de apuração de maio de 2003, sob a alegação de recolhimento a maior, no valor original de R$ 130.031,66, apresentada pelo contribuinte à repartição fiscal em . O Despacho Decisório nº 848702883 (fl. 06), emitido em 07/10/09, analisou o limite original do crédito informado no Per/DComp na data de sua transmissão (13/06/03), de R$ 130.031,66, quando constatou a partir do DARF apresentado, a sua integral utilização para a quitação de débitos informados pelo próprio contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados, por conseguinte não homologou a compensação declarada. A contribuinte ao manifestar a sua inconformidade com o feito assinalou que a insuficiência resultou da prática de erro material perfeitamente escusável qual seja, a não exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos aos concessionários pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, nas vendas diretas, o que é expressamente autorizado pela legislação (art. 2o, Lei nº 10485/02), informando, outrossim, que efetuou a retificação do DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, porém deixando de promover a retificação da DCTF correspondente. Esclareceu que apenas com o advento da edição da IN SRF nº 594/05, é que constatou o equívoco cometido e promoveu a revisão e a correção da apuração da Cofins (doc. 03), cujas origens se encontram exemplificativamente comprovada pela inclusa relação de notas fiscais relativas às vendas diretas de caminhões (doc. 04), tendo em vista a enorme quantidade de documentos fiscais envolvidos, os quais, desde já, coloca à disposição para a verificação fiscal. Esclareceu que providenciou a retificação do DACON e passou a compensar os valores recolhidos a maior e que, embora não tenha retificado a DCTF, restou demonstrada Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13819.908279/200945 Acórdão n.º 3803004.056 S3TE03 Fl. 7 3 a existência do crédito utilizado para a compensação em análise, bem assim a extinção do débito ora exigido, com fundamento no artigo 156, II, do CTN. Requereu ao final a reforma do decidido no despacho decisório e a homologação da compensação pretendida. Conclusos os autos foram encaminhados para julgamento em sede de primeira instância, para a 3a Turma da DRJ/CPS, que proferiu decisão formatada no Acórdão nº 0537.076, de 27/02/12, cuja ementa adiante transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor deste acórdão sintetizou que no presente caso a interessada apresentou apenas uma relação exemplificativa de notas fiscais que aludiriam às referidas vendas, documentos que, por si só, não tem a força requerida à comprovação do direito creditório em análise; que seria indispensável a apresentação dos registros contábeis que evidenciem a apuração da contribuição em comento, e o lançamento dos valores a título de vendas diretas a consumidor final e comissões pagas em decorrência dessas vendas acompanhada das cópias das notas fiscais relativas àquelas operações. Em relação à documentação acostada aos autos após o despacho decisório consideraa intempestiva nos termos do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, bem assim indefere o pedido de perícia, que não pode ser utilizado para a produção de provas que competem à interessada apresentálas, notadamente quanto à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. A ciência da decisão de primeira instância pela contribuinte deuse em 26/07/2012, conforme atesta o AR colacionado aos autos, sendo a interposição do recurso voluntário em 27/08/2012. O conteúdo do recurso aviado reitera os argumentos expendidos na exordial, enfatizando os documentos acostados aos autos nesta fase processual (DACON’s, e notas fiscais exemplificativas) que, no entender da recorrente, demonstram o efetivo pagamento da Cofins recolhida a maior e o saldo credor remanescente, bem assim a necessidade de realização de perícia, em face do reconhecimento pelo decidido da apresentação do rol exemplificativo de notas fiscais, para a persecução da verdade material, em detrimento de mero formalismo denotado na decisão recorrida, quando indeferiu a sua realização, sob a alegação de que não foi juntada a totalidade de documentos que a autoridade administrativa julgou ser necessária. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Entendeu a recorrente que se tais documentos juntados eram demonstrativos do direito creditório, bem como é incontroversa a discussão acerca do direito à exclusão na base de cálculo da Cofins o valor relacionado à comissão dos concessionários, nas vendas diretas de caminhões, nos termos expressos pela Lei nº 10.785/02 e IN SRF nº 594/05, não poderia, então, ser indeferido o pedido de realização de perícia, sob pena de cerceamento ao exercício do direito à ampla defesa, o que enseja a nulidade ao ato administrativo combatido (art. 59, II, e § 3o, Dec. 70.235/72), uma vez que os documentos exemplificativos se prestavam, justamente, para provar a composição da base de cálculo e apuração da contribuição. Mencionou jurisprudência administrativa nesse sentido. Ao final requereu a reforma da decisão de primeira instância e a homologação da compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo (a data de interposição do recurso se deu no primeiro dia útil após a data de exaurimento do prazo processual ocorrida num sábado) e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios no período de apuração de maio/2003, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência. Documentos outros foram apresentados pela interessada após a ciência do despacho decisório, notadamente DACON retificadas e rol exemplificativo de notas fiscais, a título de complementação àqueles já colacionados, oportunamente, com o fito de comprovação do alegado na exordial. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância, e também a questões de direito suscitadas pelo contribuinte em sede de apelo, inclusive mediante preliminar de nulidade, por vício substancial, da decisão recorrida, ante o indeferimento do pedido de realização de perícia. O entendimento profligado no acórdão recorrido acerca do indeferimento do pedido para a realização de perícia formulado pela recorrente não merece reparo, pois encontrase escorreito. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13819.908279/200945 Acórdão n.º 3803004.056 S3TE03 Fl. 8 5 É cediço que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De outra parte cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém a homologação confirmando a extinção da obrigação tributária. Por sua vez o momento de apresentação da prova dáse simultaneamente com a interposição da impugnação/manifestação de inconformidade, não podendo ocorrer em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Determina o disposto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, que da impugnação deverá constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o pleito formalizado, como também as razões da discordância e as provas que comprovem o direito a que faz jus o interessado. O § 4º deste mandamus dispõe que a prova documental será apresentada com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Inferese dos elementos contidos nos autos que o Recorrente não laborou para demonstrar a razão superveniente que a impediu de apresentar, oportunamente, os documentos trazidos em outro momento processual, não condizente com a data de protocolização da manifestação de inconformidade. E mais, o contido neste artigo não conflita com princípio da verdade material, notadamente com vistas à rejeição do pedido de perícia, pelas razões já explicitadas. A questão da prova na atividade administrativotributária, reiterese, resolve se ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. É certo que ao não atentar para este detalhe o recorrente incorreu em duas situações que lhe são desfavoráveis, quais sejam: (i) impediu que o juízo a quo pudesse analisar e se pronunciar acerca dos elementos de prova material, de forma a impactar diversamente no resultado da peleja e, para não que não reste caracterizada a supressão de instância, fica este colegiado impedido de apreciar as provas sonegadas àquele Tribunal; e (ii) com a desídia ora assinalada deu azo ao surgimento do instituto processual denominado de Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 preclusão temporal, que reside na perda do direito de apresentação de documentos em momento inoportuno, uma homenagem ao princípio da razoável duração do processo, que busca à celeridade dos deslindes das querelas, eis que o direito não socorre àqueles que dormem. A não apresentação de documentos necessários à comprovação de direito creditório juntamente com a impugnação, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária, impede a revisão de ofício e enseja o lançamento para o cumprimento de exigência fiscal. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11065.000789/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2003
COFINS. COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. CRÉDITOS DISCUTIDOS JUDICIALMENTE.
Antes de instituição da declaração de compensação, a compensação escritural era permitida, nos termos previstos na lei, mas não no caso de créditos discutidos judicialmente, antes do trânsito em julgado da ação judicial.
COMPENSAÇÃO. MEIO DE REALIZAÇÃO.
Após a instituição da declaração de compensação - DCOMP, sua apresentação passou a ser om único meio hábil e idôneo de compensar tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora
(assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Participantes: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2003 COFINS. COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. CRÉDITOS DISCUTIDOS JUDICIALMENTE. Antes de instituição da declaração de compensação, a compensação escritural era permitida, nos termos previstos na lei, mas não no caso de créditos discutidos judicialmente, antes do trânsito em julgado da ação judicial. COMPENSAÇÃO. MEIO DE REALIZAÇÃO. Após a instituição da declaração de compensação - DCOMP, sua apresentação passou a ser om único meio hábil e idôneo de compensar tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Participantes: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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RURAL TAQUARI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2003 COFINS. COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. CRÉDITOS DISCUTIDOS JUDICIALMENTE. Antes de instituição da declaração de compensação, a compensação escritural era permitida, nos termos previstos na lei, mas não no caso de créditos discutidos judicialmente, antes do trânsito em julgado da ação judicial. COMPENSAÇÃO. MEIO DE REALIZAÇÃO. Após a instituição da declaração de compensação DCOMP, sua apresentação passou a ser om único meio hábil e idôneo de compensar tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 07 89 /2 00 7- 45 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 15/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000789/200745 Acórdão n.º 3302002.047 S3C3T2 Fl. 369 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Participantes: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de compensação realizada pela Recorrente em DCTF com créditos decorrentes da ação ordinária nº 1999.72.00.0256407. Os fatos foram bem relatados pela decisão de primeira instância administrativa e podem ser assim resumidos. A compensação foi realizada pela Recorrente no período de apuração de agosto/99, setembro/99, março/00 e fevereiro/00 até fevereiro/03, tendo sido totalmente glosada pela autoridade administrativa competente por entender que: em relação ao período anterior à Lei Complementar 104/01 (LC 104/01) porque não havia autorização judicial para o procedimento de compensação e após a LC 104/01, a própria passou a impedir a compensação antes do trânsito em julgado da sentença. O contribuinte tentou recorrer da decisão que indeferiu suas compensações, em vista de os débitos terem sido declarados em DCTF, seu recurso foi recebido (e indeferido) como recurso hierárquico. A Recorrente apresentou novo recurso (denominado voluntário) o qual acabou sendo recebido por força de decisão judicial (MS nº 2007.71.08.0081604/RS) e julgado como impugnação para evitar a supressão de instância. Ainda, restou comprovado nos autos que os períodos de apuração agosto/99, setembro/99 e março/00, foram levados ao judiciário pela PGFN em ação de execução fiscal e pela própria Recorrente por meio da ação ordinária anulatória nº 2007.71.08.0002753. Por esta razão, estas compensações foram excluídas do presente processo. Em suas razões a Recorrente discorreu sobre a inexistência de óbice à compensação, posto ser o processo judicial que lhe concede o crédito anterior à LC 104/01, neste sentido tratou do recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça acerca da aplicação retroativa do artigo 170A do CPC. Ademais, informou que as compensações somente ocorreram após a decisão de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal e consequente Resolução do Senado Federal. Trouxe à colação decisão judicial proferida na ação que discute os débitos referentes aos períodos de agosto/99, setembro/99 e março/99, que entendeu Fl. 370DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 15/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000789/200745 Acórdão n.º 3302002.047 S3C3T2 Fl. 370 3 exatamente neste sentido. Em relação ao mérito, a Recorrente defendeu a inconstitucionalidade do tributo que lhe foi exigido. Após analisar as razões recebidas como impugnação, a Segunda Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre proferiu o acórdão nº 1037.480 (fls. 297/303), mantendo o indeferimento das compensações, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. A compensação de crédito decorrente de decisão judicial somente pode ser efetivada após o trânsito em julgado de decisão que beneficiar o contribuinte, exceto se existente determinação judicial em contrário. COMPENSAÇÃO. REQUERIMENTO. REQUISITO. A partir de outubro de 2002, a compensação entre débitos e indébitos do sujeito passivo somente pode ser efetuada mediante apresentação de Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em síntese, a decisão de primeira instância administrativa decidiu pela não homologação das compensações efetuadas porque não teriam autorização judicial e por força do impedimento da LC 104/01, in verbis: Trecho do voto da decisão de primeira instância: fls.300 “O crédito utilizado pela empresa em suas compensações decorre da ação ordinária 1999.71.00.0256407. Em 30/09/2002, foi proferida sentença que julgou improcedente o pedido. Em 03/06/2003, acórdão do TRF 4a Região deu parcial provimento ao apelo da autora, considerando indevida, pelas entidades sem fins lucrativos, a contribuição para o PIS de 1% sobre a folha de pagamentos e cabível a compensação dos valores recolhidos, com parcelas vencidas e vincendas do próprio PIS, com correção monetária, na forma da Lei 8.383/91. Transcrevese parte da ementa abaixo (fl. 21): “................................... A 1a seção desta Corte, no julgamento dos Embargos Infringentes em AC 95.04.572510/RS, por maioria, decidiu pela inexigibilidade do PIS em relação as entidades sem fins lucrativos, porquanto a Resolução 174/71 do CMN não observou o principio da reserva legal quanto à fixação da base de cálculo e alíquota da exação para tais entidades. A expressão contida no art. 3º, parágrafo 4º, da LC 07/70 ("assim definidos pela legislação trabalhista") não pode ser interpretada além de seus Fl. 371DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 15/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000789/200745 Acórdão n.º 3302002.047 S3C3T2 Fl. 371 4 precisos termos, ou seja, "forma da lei" não é "forma do regulamento". (EIAC 95.04.572510, Relator Juiz Amir Sarti, DJU 14.03.2001). Os DecretosLeis nºs 2445 e 2449, de 1988, que haviam instituído a contribuição das entidades sem fins lucrativos no percentual de 1% sobre a folha de pagamento de remuneração de seus empregados, foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, tendo, inclusive, sido suspensos pelo Senado Federal (Resolução n° 49/95, DOU de 10101995), o que gerou, assim, o efeito "erga omnes". Cabível a compensação dos valores indevidamente recolhidos pela autora com parcelas vencidas e vincendas da própria contribuição ao PIS, com correção monetária desde o pagamento indevido. É facultado ao contribuinte manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio de precatório regular ou mediante compensação. A opção por um outro tipo de repetição importa que o exequente desista expressamente do outro. ...................................”. O Recurso Especial impetrado pela empresa já foi apreciado pelo STJ, não resultando em alteração do Acórdão do TRF. O Recurso Extraordinário impetrado pela Fazenda Nacional encontra – se para apreciação no STF (andamento na fl. 296).” Dessa forma, com relação a exigência ou não do PIS para a empresa e o direito de compensar o indébito, o pleito já foi submetido a tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, fato que torna inútil qualquer pronunciamento da esfera administrativa quanto ao mérito em questão. Há que se apreciar, porém, a possibilidade da empresa efetuar as compensações objeto da lide. Inexistindo tutela antecipada ou qualquer medida liminar, a simples impetração da ação, em 1999, não fornecia à interessada condições para iniciar as compensações. A própria Cooperativa argumenta que teve provimento com o Acórdão do TRF. Ocorre que o Acórdão data de 03/06/2003 e as compensações foram realizadas antes. Assim, não havia provimento judicial para tal. As compensações dos períodos de apuração de 1999 e 2000 foram excluídas do presente processo, conforme pleito da própria recorrente, por estarem em discussão em outros processos. Restaram as compensações realizadas em DCTF dos períodos de 02/2002 a 02/2003. O Acórdão posterior não pode validar as compensações anteriores. A compensação da Lei 8.383/91 é realizada pela própria empresa, em sua apuração do débito e sua escrita, sendo registrada posteriormente na DCTF. Para ter realizado este procedimento de auto compensação, necessário o provimento judicial. A lei que rege a compensação é aquela vigente no momento do encontro de contas.” Ainda, discorre a decisão recorrida sobre a LC 104/01 que teria impedido a compensação antes do trânsito em julgado e sobre a necessidade do acórdão afastar o mencionado dispositivo legal. Da mesma forma, o acórdão defende a impossibilidade de a Fl. 372DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 15/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000789/200745 Acórdão n.º 3302002.047 S3C3T2 Fl. 372 5 Recorrente, após as alterações promovidas na Lei nº 9.430/96, promover a compensação nos termos do artigo 66 da Lei nº 8.383/91. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 336/365) reiterando os termos de suas razões de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a discussão em comento está restrita à possibilidade e compensar em DCTF débitos de PIS referentes ao período de fevereiro/2002 a fevereiro/2003 com créditos decorrentes da ação ordinária nº 1999.72.00.0256407. A questão aqui analisada pareceme absolutamente processual. Que o contribuinte tem o direito ao crédito não se discute. Que o acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região nos autos do processo judicial nº 1999.71.00.0256407 (fls. 20/30) deferiu que o contribuinte realizasse a compensação nos termos da Lei nº 8.383/91, também não se discute, basta analisar os autos. O fato a ser analisado é se a Recorrente podia compensar, em DCTF, antes de ter uma decisão judicial que lhe permitisse este procedimento. Realmente, conforme mencionado pela Recorrente, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, em âmbito de recurso repetitivo, pela impossibilidade da aplicação retroativa das limitações trazidas pela LC 104/01, as quais resultaram no malfadado artigo 170A. Todavia, a meu ver, este fato é irrelevante. Isto porque ainda que não se aplicasse a restrição trazida pelo artigo 170A do CTN, pelo que consta dos autos, a Recorrente não possuía, no momento da compensação, decisão judicial que lhe permitisse o procedimento. Conforme denotam os documentos acostados, a primeira decisão judicial favorável à Recorrente ocorreu com a prolação ao acórdão do TRF em 03/06/2003, sendo que as compensações aqui em discussão ocorreram entre fevereiro/2002 e fevereiro/2003. Assim, transposta a limitação do 170A (ou seja, a Recorrente podia compensar antes do trânsito em julgado) questionase: é possível que o acórdão proferido em 03/06/2003 valide as compensações realizadas anteriormente? Ou, é possível a compensação antes de proferido o acórdão? Em sua defesa a Recorrente discorre sobre o momento da compensação do crédito, no sentido de que o aproveitamento foi posterior à decisão de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal e da Resolução do Senado que retirou do ordenamento jurídico a norma. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 15/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000789/200745 Acórdão n.º 3302002.047 S3C3T2 Fl. 373 6 Como diz a decisão de primeira instância administrativa, as normas que regem o procedimento de compensação sofreram muitas alterações, a saber: Trecho da decisão recorrida (fls. 301/302) Nas compensações realizadas antes da vigência da Lei 10.637/02, com fulcro no art. 66 da Lei 8.383/91, o crédito poderia ser utilizado na compensação de débitos de mesma espécie independe de liquidez e certeza e de autorização prévia da autoridade administrativa tributária, como chama a atenção a empresa em seu recurso, ficando sujeito a posterior validação e comprovação, se caso. Era a denominada “auto compensação”. O art. 74 da Lei 9.430/96, regulamentado pela IN SRF 21/97, e alterações, permitia a compensação de espécies diferentes e com débitos anteriores, porém apenas mediante requerimento apresentado à administração tributária, dependendo de apuração de liquidez e certeza dos créditos. A partir de outubro de 2002, com a vigência da nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 dada pela Lei 10.637/02, modificouse substancialmente a compensação administrativa, pois foram unificados os regimes (a “auto compensação” da Lei 8.383/91 e o pedido de compensação da redação anterior da Lei 9.430/96), passando a ser autorizada a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, efetivada pelo contribuinte mediante a entrega da denominada Declaração de Compensação (Dcomp), que contém as informações sobre os débitos e créditos utilizados, inclusive aqueles originários de ações judiciais. Na nova modalidade, o encontro de contas se dá na data da transmissão da Dcomp, com os acréscimos legais sobre os débitos, se a declaração for após o seu vencimento, e extingue o crédito tributário sob condição resolutória.” Inicialmente a regra era o procedimento de auto compensação (Lei nº 8.383/91) que era realizado por conta e risco do contribuinte em sua própria escrita contábil e independentemente de autorização fiscal. Após, passou a ser exigido o pedido de compensação (Lei nº 9.430/96), o qual, para ser validado, deveria ser apreciado pela administração tributária. In casu, o contribuinte realizou a compensação por sua conta e risco sem qualquer decisão judicial que lhe permitisse o procedimento, uma vez que o acórdão que lhe foi favorável foi proferido apenas em junho/2003 e a última compensação em discussão ocorreu em fevereiro/2003. Conforme esclarecido alhures, a compensação realizada pelo contribuinte com base na Lei nº 8.383/91 era realizada por sua conta e risco e permitida independentemente da interposição de ação judicial. Neste sentido, cabível a interpretação do contribuinte no que se refere ao período em que vigia a regra geral de auto compensação, poderia fazer a compensação por sua conta e risco sujeitandose à fiscalização ou à decisão contrária posterior do judiciário. No caso concreto a fiscalização chegou apenas após o crédito e o procedimento de compensação terem sido validados pelo judiciário por meio do acórdão do TRF. Todavia, após outubro de 2002, com a edição da Lei nº 10.637/02, a regra geral de compensação passou a ser aquela disposta no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, disciplinada pelo artigo 21 da Instrução Normativa nº 210/02. Pelas então novas disposições legais, a compensação passou a ser realizada “...pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF de ‘Declaração de Compensação’". Não se admitia mais, como regra, a compensação por conta e risco do contribuinte. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 15/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000789/200745 Acórdão n.º 3302002.047 S3C3T2 Fl. 374 7 Em vista destes fatos, a meu sentir, após outubro/2012, a Recorrente apenas poderia realizar a compensação com base na Lei nº 8.383/91 se possuísse decisão judicial que lhe permitisse o procedimento compensatório nestes termos. Ocorre que a Recorrente só obteve tal decisão judicial em junho/2002, razão pela qual as compensações ocorridas de novembro/20121 a março/2013 não podem ser validadas. Ante o exposto, conheço do presente recurso para fim de DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, acatando as compensações realizadas até outubro/2002. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado Inicialmente, esclareçase aplicar ao presente caso o disposto na Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009) e nos arts. 62 e 62A do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009): Súmula Carf no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 15/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000789/200745 Acórdão n.º 3302002.047 S3C3T2 Fl. 375 8 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Dessa forma, não se pode questionar a constitucionalidade de leis, sem que tenha ocorrido o julgamento definitivo da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. No caso dos autos, as disposições legais que regem a compensação não permitem interpretação favorável à Interessada. Anteriormente a outubro de 2002, antes da instituição da declaração de compensação, aplicavase a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional, instituído pela Lei Complementar n. 204, de 10 de janeiro de 2001. Nesse contexto, era vedada a compensação escritural de créditos discutidos judicialmente, antes do trânsito em julgado da ação judicial, o que se aplica plenamente ao caso dos autos. Posteriormente, com a nova redação do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, toda compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil somente poderia ser efetuada por meio da apresentação de Declaração de Compensação, ainda que decorrente de reconhecimento judicial. Dessa forma, mesmo anteriormente à instituição da declaração de compensação, a Interessada não poderia ter realizado as compensações escrituralmente. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 15/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000789/200745 Acórdão n.º 3302002.047 S3C3T2 Fl. 376 9 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 15/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000134/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. O Conselheiro Daniel Mariz Gudiño acompanhou a relatora pelas conclusões.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. O Conselheiro Daniel Mariz Gudiño acompanhou a relatora pelas conclusões. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. O Conselheiro Daniel Mariz Gudiño acompanhou a relatora pelas conclusões. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, e Luciano Lopes de Almeida Moraes. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: “Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 969/978, integrado pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 739/967, por meio do qual se exige a multa prevista no Artigo. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02), no valor de R$ 198.493.758,28 (cento e noventa e oito milhões, quatrocentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .0 00 13 4/ 20 08 -0 2 Fl. 32547DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.482 2 e noventa e três mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e vinte e oito centavos). O procedimento fiscal decorreu de trabalho desenvolvido pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal onde foi apurada a logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norte americana CISCO SYSTEM INC, constituído a partir de uma sucessão de empresas exportadoras nos EUA, e, no Brasil, de importadoras, distribuidoras, de assessoria comercial, de despacho aduaneiro, aparentemente, distintas umas das outras, mas que, de fato, segundo destacou a fiscalização, constituem uma organização sob comando único, conforme vínculos dos seus integrantes, interagindo em uma série de operações comerciais simuladas, manipulando a base de cálculo de tributos federais e estaduais, e, excluindo, por meio de interposição fraudulenta, conforme exposto ao longo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 739/967), do rol de contribuintes do IPI a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, doravante denominada MUDE, objeto do presente auto de infração e ocultando a grande interessada na colocação de produtos no mercado brasileiro, a CISCO SYSTEM INC. dos EUA. Relevante destacar que somente no ano calendário de 2003, o valor do IPI não destacado nas operações de vendas da MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. e objeto da constituição parcial de crédito tributário montou R$ 29.057.021,80 (vinte e nove milhões, cinqüenta e sete mil, vinte e um reais e oitenta centavos). Baseouse o Auto de Infração em distintas fontes de dados, entre as quais citamos: Provas apreendidas durante a “OPERAÇÃO PERSONA”, realizada em 16/10/2007 pela Polícia Federal (conforme mandado de busca e apreensão prolatado nos autos do processo judicial nº 2005.61.81.009285 1 do Juízo da 4ª Vara Criminal Federal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo), consistindo em documentos comerciais, anotações, depoimentos consignados em termos próprios, interceptações telefônicas, mensagens de correio eletrônico e documentos em meio eletrônico. Provas obtidas nas auditorias fiscais efetuadas pela Equipe Especial de Fiscalização Aduaneira, consistindo em livros fiscais, notas fiscais, documentos societários, extratos bancários, e demais documentos e esclarecimentos apresentados à fiscalização. Foi obtida autorização judicial para a flexibilização dos sigilos telefônicos e de dados, relativamente às principais pessoas e empresa relacionadas à investigação, sendo que o acesso e utilização do monitoramento (telefônico e telemático), documentos apreendidos nos mandados de busca e apreensão e aos interrogatórios, foram franqueados aos servidores designados pela Receita Federal do Brasil no trabalho de fiscalização. No comando do esquema operacional de importações, encontramse os principais dirigentes das empresas CISCO DO BRASIL LTDA e da sua distribuidora, MUDE, e ainda, juntandose a estes, outras pessoas físicas e Fl. 32548DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.483 3 jurídicas especificadas no Termo de Verificação Fiscal, notadamente no capítulo VIII do mesmo, que trata da Sujeição Passiva Solidária, que montaram uma seqüência de operações para ocultação do real importador, simulando a ocorrência de importação direta ou própria em nome das terceiras pessoas jurídicas interpostas, quando, na verdade, as importações ocorriam por conta e ordem da própria MUDE. Ressaltou a fiscalização que as fraudes visavam a ocultação dos reais adquirentes e beneficiários das operações de comércio exterior, MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e CISCO DO BRASIL LTDA., através da estrutura de importação fraudulenta baseada na criação de empresas interpostas entre os extremos da cadeia logística (fabricante/real exportador e real importador/adquirente). Obscurecendose ainda mais os fatos reais, o grupo optou por criar o chamado “duplo grau de blindagem”, ou seja, além da criação do importador e exportador interpostos, o grupo também criou distribuidores interpostos no Brasil e nos Estados Unidos. Assim ao final dos trabalhos, concluiu a fiscalização que a empresa acima identificada, através de ações fraudulentas e simuladas, incidiu na conduta tipificada no artigo 29 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, combinado com o artigo 79 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, comercializando produtos de importação irregular. Tendo em vista o disposto no art. 124, I da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional), foi declarada a responsabilidade solidária da empresa CISCO DO BRASIL LTDA, CNPJ nº 00.028.666/000158 e das pessoas físicas FERNANDO MACHADO GRECCO, CPF 154.002.54896, MARCELO NAOKI IKEDA, CPF 174.047.79871, MARCÍLIO PALHARES LEMOS, CPF 455.587.95620, MOACYR ÁLVARO SAMPAIO, CPF 535.257.60868, HÉLIO BENETTI PEDREIRA, CPF 003.916.86895, GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO, CPF 255.873.01850, JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES, CPF 058.787.58873, LUIZ SCARPELLI FILHO, CPF 007.199.32823, PEDRO LUIS ALVES COSTA, CPF 382.756.60882, REINALDO DE PAIVA GRILLO, CPF 791.743.028 68, CARLOS ROBERTO CARNEVALI, CPF 205.601.84891, CID GUARDIA FILHO, CPF 037.619.00864 e ERNANI BERTINO MACIEL, CPF 239.033.84704. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA Intimada do Auto de Infração em 12/12/2008 (fl. 967), a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA apresentou impugnação e documentos em 12/01/2009, juntados às folhas 1152 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente violação ao Princípio da Ampla Defesa e do Contraditório pois só teve acesso às cópias do processo em 12/01/2009, sendo prejudicada assim a análise de toda a documentação que instrui o auto. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo Fl. 32549DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.484 4 administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que o auto baseiase apenas nessas provas. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007, não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega preliminarmente que a fiscalização foi superficial e que não buscou a verdade material, baseandose em suposições. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega preliminarmente que é vedada a utilização de prova emprestada no processo administrativo. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega preliminarmente que a fiscalização interpretou as interceptações telefônicas e demais provas de forma a confirmar sua caracterização de fraude, distorcendo a realidade. Reafirma a alegação já feita no item 4 acima. Alega preliminarmente que a fiscalização interpretou de forma incorreta as expressões “antecipação de pagamentos” e “comissão”. Alega ainda que o modus operandi das importações decorre de uma logística comum no mercado que busca maior eficiência e rapidez. No mérito, alega que a autuação baseiase essencialmente na suposta antecipação de recursos a distribuidores e importadores. Alega que a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal apresentou apenas uma operação de aquisição de mercadorias quando deveria de fato demonstrar a fraude detalhadamente em todas as operações. Alega que a contabilidade da empresa faz prova a seu favor e que não foram escriturados adiantamentos a fornecedores. Cita doutrina. Alega que a empresa não pode ser considerada importadora nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07/2002. Cita doutrina e jurisprudência. Apresenta perícia contábil que conclui que não houve antecipação de pagamentos a fornecedores. Alega ausência do procedimento próprio da IN/SRF 228/02. Alega que as empresas apresentavam situação regular no cadastro do CNPJ e no RADAR no momento das operações. Alega que as empresas importadoras e distribuidoras não são empresas de fachada. Apresenta documentos relativos a essas empresas. Fl. 32550DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.485 5 Alega que a fiscalização utilizou como data do fato gerador da multa aplicada o dia 31/12/2003, em desconformidade com a legislação tributária. Alega a decadência dos créditos tributários lançados relativos a operações havidas antes de 12/12/2003. O Auto de Infração foi lavrado em 12/12/2008 (data da ciência pela Impugnante), apenas poderiam ser objeto da multa regulamentar, caso ela fosse devida, as operações de entrega a consumo ocorridas após 12/12/2003, e não todas as que ocorreram no ano de 2003. Sustenta a aplicação do disposto no art. 78 da Lei nº 4.502/64. Alega que a multa aplicada seria cabível apenas ao importador. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega que a multa não se aplica a produtos vendidos mas sim importados. Alega a atipicidade da multa aplicada. Sustenta que essa multa só seria cabível durante o despacho aduaneiro, após a decretação da pena de perdimento. Alega que ao presente caso seria aplicável a multa de 10% do valor da operação, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Cita jurisprudências administrativas. Alega a inconstitucionalidade da multa aplicada por caracterizar confisco. Alega ainda que não houve dano ao erário, sendo aplicável a multa do art. 67 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001. Alega que a fiscalização utilizou base de cálculo errônea, sendo que deveria ser utilizado o valor da mercadoria importada. Alega a ilegalidade da utilização da taxa SELIC. Requer, por fim, que em preliminares ou no mérito seja julgado improcedente o presente auto de infração. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA CISCO DO BRASIL LTDA Intimada do Auto de Infração em 12/12/2008 (fl. 1.043), a empresa CISCO DO BRASIL LTDA apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1277 e seguintes, alegando em síntese: Alega que a empresa utiliza um modelo de negócios que não foi compreendido pela fiscalização. Discorre sobre esse modelo. Alega que não participou das operações de importação e que não tinha conhecimento de qualquer irregularidade. Alega que não teve participação na produção das provas, não recebendo qualquer intimação, sendo violados os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Fl. 32551DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.486 6 Alega que as provas produzidas na investigação criminal não poderiam ser utilizadas na esfera administrativa. Alega que não há identidade de partes. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega que foi qualificada como comercial atacadista apenas para fins de inscrição no SISCOMEX, não tendo por objeto social tal atividade. Alega que a CISCO SYSTEM INC iniciou investigação interna para apurar denúncia de que Carlos Roberto Carnevali tinha relação com a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Cita o Relatório IPEI BA 2008 006, que não concluiu pela vinculação. Alega que tal relatório não autoriza a fiscalização a alegar o conhecimento da CISCO SYSTEM INC do suposto esquema fraudulento. Tece comentários sobre vários documentos, emails e conversas telefônicas do Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 979/1043, alegando, em síntese, que tratamse de contatos comerciais normais dentro do modelo de negócios adotado pela impugnante. Tece comentários sobre a escuta telefônica, fls. 1008 e seguintes, transcrita no Termo de Sujeição Passiva Solidária, acima citado, relativa a teleconferência entre Pedro Ripper, Presidente da CISCO DO BRASIL LTDA e outros funcionários da mesma empresa. Alega que tal conversa ocorreu em 2007, não se aplicando a importações de 2003. Alega que o citado “split” ou separação entre hardware e software nas declarações de importação para redução da carga tributária seria feito pela MUDE e não por outras eventuais empresas interpostas. Alega que em suas operações a CISCO SYSTEM INC não segrega os valores de hardware e software em suas faturas de venda. Tece comentários sobre a conversa telefônica transcrita na fl. do Termo de Sujeição Passiva Solidária, que segundo a impugnante apenas demonstra o modelo de negócios adotado. Tece comentários sobre o evento realizado pela MUDE nos EUA com representantes da CISCO SYSTEM INC. Alega que não tinha conhecimento da interposição fraudulenta de terceiros de que é acusada a MUDE. Alega que a citada reunião não prova que a separação entre hardware e software foi efetivamente realizada. Alega que a CISCO SYSTEM INC não realiza exportações e que portanto não define procedimentos a serem adotados na importação. Alega que as linhas de crédito que a MUDE obtinha através de suas controladas nos EUA, FULFILL HOLDING e posteriormente MUDE USA, junto às instituições CISCO CAPITAL, GE COMERCIAL DISTRIBUTION FINANCE CORPORATION e BANCO CITIBANK, eram medidas comuns na relação entre a CISCO SYSTEM INC e seus parceiros. Alega que essa relação não prova que a CISCO SYSTEM INC ou a CISCO DO BRASIL Fl. 32552DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.487 7 LTDA tinham conhecimento de suposto esquema fraudulento nas importações. Alega que as provas apresentadas no tópico “PESSOAS QUE EFETIVAMENTE DIRIGEM A EMPRESA”, fls. 1031 e seguintes, demonstram apenas a relação comercial entre a impugnante e a MUDE, mas não o conhecimento da impugnante sobre fraudes cometidas pela MUDE. Alega que no presente caso não seria aplicável a multa prevista no art. 490, I do RIPI pois a prática da interposição fraudulenta não significa, necessariamente, que a importação dos bens tenha ocorrido de maneira clandestina, irregular ou fraudulenta. Alega que a interposição fraudulenta tipificada para a empresa MUDE seria apenada com a pena de perdimento do art. 23 do Decretolei nº 1.475/76 (SIC). Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Cita o Parecer PGFN/CAT nº 202/2004. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN relativo à responsabilidade solidária pois para tal a empresa CISCO deveria ter relação com o fato que deu ensejo ao nascimento da relação jurídica cujo resultado é o pagamento do tributo. Alega que a CISCO não figurava no pólo passivo da relação tributária em questão. Cita doutrina e jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Alega que a multa aplicada é de natureza administrativa e não tributária. Alega que isso afastaria a aplicação de qualquer um dos dispositivos do CTN, incluindo aí o art. 124, I e o art. 136. Alega que a natureza não tributária da multa aplicada afastaria a incidência dos arts. 150 e 173 do CTN relativos à decadência, sendo esta regida pelo art. 78 da Lei nº 4.502/64. As alegadas infrações cometidas anteriormente a 12 de dezembro de 2003 não mais podem ser penalizadas, em respeito ao art. 78 da Lei 4.502/64. Requer, por fim, que seja cancelado o Termo de Sujeição Passiva Solidária com a exclusão da impugnante do rol de devedores solidários. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl. 1134), FERNANDO MACHADO GRECCO apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1441 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que Fl. 32553DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.488 8 lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl.1135), MARCELO NAOKI IKEDA apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1550 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Fl. 32554DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.489 9 Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 17/12/2008 (fl.1136), MARCÍLIO PALHARES LEMOS apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1601 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Fl. 32555DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.490 10 Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl. 1137), MOACYR ÁLVARO SAMPAIO apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1728 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl.1138), HÉLIO BENETTI PEDREIRA apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1868 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo Fl. 32556DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.491 11 administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl.1139), GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1990 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Fl. 32557DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.492 12 Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2009 (fl. 1141), JOSE ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 2039 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o Fl. 32558DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.493 13 impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl.1142 ), LUIZ SCARPELLI FILHO apresentou impugnação e documentos em 14/01/2009, juntados às folhas 2140 e seguintes, alegando em síntese: A Autoridade Administrativa pretende fazer incidir a exação sobre todo o período de 2003. Á data da lavratura do Auto de Infração, os fatos jurídicos tributários havidos até 04 de dezembro de 2003, já estavam decaídos. Alega que nunca teve qualquer participação em esquema fraudulento. Alega que prestava serviços de assessoria nas áreas de análise de procedimentos internos com capacitação de profissionais para atuar com produtos de informática, automação de processos, diminuição de custos, aumento de qualidade perante os clientes e remuneração de funcionários e prestadores de serviços. Alega que a partir de 2003 assumiu participação societária na empresa MUDE para atuar de maneira mais próxima ao seu cliente. Alega que não há qualquer irregularidade no fato de possuir uma empresa offshore como sócia. Alega que nunca foi sócio gerente da empresa autuada, sendo parte ilegítima para compor o pólo passivo. Alega que nos termos do art. 135 do CTN a responsabilização dos sócios só ocorre por excesso de poderes ou infração de lei. Alega que o impugnante não foi arrolado na ação penal que tramita na Justiça Federal sobre o caso. Cita doutrina e jurisprudência judicial sobre o tema. Alega que não é cabível a utilização das provas emprestadas do processo criminal. Cita doutrina sobre o tema. Alega que as provas apresentadas são posteriores a 2003, ano cujos fatos geradores foram glosados. Alega ainda que vários dos documentos apresentados não apresentam data. Requer, por fim, que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl. 1144), REINALDO DE PAIVA GRILLO apresentou impugnação e documentos em 29/01/2009, juntados às folhas 2246 e seguintes, alegando em síntese: Fl. 32559DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.494 14 Alega que o impugnante nunca participou do contrato societário da empresa MUDE nem da respectiva administração. Alega que as provas colhidas “referemse aos exercícios de 2004, 2005, 2006, 2007, mas nada referente ao exercício objeto da autuação, 2003”. Alega que o impugnante é mero prestador de serviços de assessoria em logística e comércio exterior. Alega que desconhece os fatos imputados e que não teve acesso aos documentos e provas, não podendo adentrar no mérito da autuação. Apesar da alegação de que não teve acesso às provas, segue tecendo comentários sobre as provas do processo. Alega que não há documentos que provem que o impugnante teve benefício financeiro nas operações autuadas. Alega que as provas apresentadas são precárias, insuficientes para sustentar a imputação. Cita doutrina e jurisprudência. Requer, por fim, que seja julgado improcedente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl. 1145), CARLOS ROBERTO CARNEVALI apresentou impugnação e documentos em 20/01/2009, juntados às folhas 2266 e seguintes, alegando em síntese: Houve evidente violação do princípio da ampla defesa e do contraditório na imposição de sujeição passiva. Alega que não seria aplicável a responsabilidade solidária do art. 124, I do CTN. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não possuía vínculos com a empresa MUDE além de laços de amizade. Alega que não era sócio oculto da empresa MUDE. Alega que sua relação com Hélio Pedreira é puramente profissional e de amizade sendo incabíveis as insinuações feitas pela fiscalização de que ambos montaram um esquema de importações fraudulentas. Contesta alegações sobre as operações da empresa União Digital, que segundo a fiscalização seria a antecessora da empresa MUDE nas importações de produtos CISCO. Alega que a fiscalização baseou a responsabilidade em diálogos que não se referem ao impugnante. Alega que tais provas não comprovam a participação do impugnante na administração da empresa MUDE. Alega que as planilhas que apresentam pagamentos a membros do grupo MUDE/JDTC apenas sugerem mas não comprovam tais operações. Alega ser incabível a responsabilização do impugnante pelo art. 124, I do CTN. Alega que as provas não demonstram o interesse comum do impugnante nos negócios da MUDE. Cita doutrina e jurisprudência. Fl. 32560DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.495 15 Alega que a fiscalização interpretou de maneira equivocada o diálogo entre o impugnante e a CISCO SYSTEM INC. Alega que a fiscalização tenta vincular sua pessoa às atividades do grupo JDTC/MUDE através de indícios e interpretações tendenciosas. Alega que os documentos para contra prova em seu favor estão em poder da fiscalização. Alega que as mensagens transcritas às fls. 13 a 15 do Termo de Sujeição Passiva referemse a diretrizes fornecidas para atuação da empresa TORNADO e não da MUDE. Alega o impugnante que na época das operações de importação autuadas, 2003, não era mais responsável pela CISCO DO BRASIL, exercendo a função de VicePresidente da CISCO para América Latina e México. Alega que a partir de 2000 começou a se afastar do operacional da empresa CISCO DO BRASIL. Alega que a partir de 2007 quase que se afasta definitivamente da CISCO DO BRASIL. Alega que prestava à época consultoria a diversas empresas incluindo a MUDE. Alega que em função dessa atividade e do interesse de executivos da MUDE para que o impugnante ingressasse em seu Conselho de Administração, passou a receber documentos dessa empresa para análise de sua situação financeira. Alega que esta é a razão de ter sido encontrado organograma da empresa MUDE com seu nome no Conselho de Administração. Segue afirmando o impugnante que não possui qualquer relação com a administração da empresa MUDE, apresentando mensagens sobre seu desligamento do grupo CISCO e de sua relação não profissional com os administradores da MUDE. Alega violação ao Princípio da Verdade Material. Afirma que a autuação baseouse em suposições. Requer, por fim, que sejam acolhidas as preliminares de nulidade ou que seja cancelada a sujeição passiva solidária do impugnante. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl.1147), CID GUARDIA FILHO apresentou impugnação e documentos em 16/01/2009, juntados às folhas 2705 e seguintes, alegando em síntese: Alega a nulidade da autuação visto que esta estaria embasada em provas emprestadas do procedimento criminal. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega que tais provas não foram submetidas ao contraditório no âmbito do processo criminal. Alega que parte dos documentos que envolvem o impugnante são relativos a períodos posteriores ao autuado (2003). Alega ser incabível a aplicação do art. 124, I do CTN. Alega que não há interesse comum do impugnante nas saídas de mercadorias da empresa MUDE. Cita doutrina e jurisprudência. Fl. 32561DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.496 16 Alega que a fiscalização fundamentou a responsabilidade do impugnante em meros indícios. Alega que os documentos apreendidos em sua residência são relativos a acordo de assessoria entre a 3Tech International e a CM Guardia Org. e Planejamento. Alega o mesmo em relação aos documentos apreendidos na empresa CIDER Assessoria Empresarial. Alega que os vários depoimentos de pessoas que confirmam serem laranjas e que o real proprietário das empresas importadoras é o impugnante foram alterados na esfera judicial. Alega que não é sócio das pessoas jurídicas que realizaram as importações. Alega que a responsabilidade do art. 124, I não se aplica à multa em questão pois esta não tem natureza tributária. Alega decadência dos créditos tributários em relação a fatos geradores anteriores a 18/12/2003. Alega que a importadora D’Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. teve a sua regularidade fiscal comprovada no bojo de procedimento fiscal previsto na IN nº 228/2002, sendo vedada a alteração do critério jurídico do lançamento, nos termos do art. 146 do CTN. Alega que as importações eram “por encomenda” nos termos do art. 11 da Lei nº 11.281/2006. Alega que houve erro na capitulação legal. Alega ainda o Princípio da Retroatividade Tributária Benigna para aplicação do art. 33 da Lei nº 11.488/07. Requer, por fim, que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 18/12/2008 (fl.1148), ERNANI BERTINO MACIEL apresentou impugnação e documentos em 16/01/2009, juntados às folhas 2763 e seguintes, alegando em síntese: Alega a nulidade da autuação visto que esta estaria embasada em provas emprestadas do procedimento criminal. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega que tais provas não foram submetidas ao contraditório no âmbito do processo criminal. Alega que parte dos documentos que envolvem o impugnante são relativos a períodos posteriores ao autuado (2003). Alega ser incabível a aplicação do art. 124, I do CTN. Alega que não há interesse comum do impugnante nas saídas de mercadorias da empresa MUDE. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que a fiscalização fundamentou a responsabilidade do impugnante em meros indícios. Alega que os documentos apreendidos em sua residência Fl. 32562DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.497 17 sequer poderiam ser utilizados para embasar exigência fiscal, pois se destinam exclusivamente a fins penais. Alega que os vários depoimentos de pessoas que confirmam serem laranjas e que o real proprietário das empresas importadoras é o impugnante foram alterados na esfera judicial. Alega que não é sócio das pessoas jurídicas que realizaram as importações. Alega que a responsabilidade do art. 124, I não se aplica à multa em questão pois esta não tem natureza tributária. Alega decadência dos créditos tributários em relação a fatos geradores anteriores a 18/12/2003. Alega que a importadora D’Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. teve a sua regularidade fiscal comprovada no bojo de procedimento fiscal previsto na IN nº 228/202, sendo vedada a alteração do critério jurídico do lançamento, no termos do art. 146 do CTN. Alega que as importações eram “por encomenda” no termos do art. 11 da Lei nº 11.281/2006. Alega que houve erro na capitulação legal. Alega ainda o Princípio da Retroatividade Tributária Benigna para aplicação do art. 33 da Lei nº 11.488/07. Requer, por fim, que seja julga insubsistente o Auto de Infração. Não consta do processo impugnação de PEDRO LUIS ALVES COSTA. Consta às fls. 2.905 uma IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR, protocolizada em 26/02/2010, da interessada, MUDE, onde é citado o seguinte: “.../... 5. Devidamente intimada do Auto de Infração ora em combate, a Impugnante apresentou a competente Impugnação, por meio da qual demonstrou cabalmente, apoiada em fartas provas e sólido Direito, que não merece prosperar o lançamento tributário em tela. 6. Devidamente processado o feito, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP (“DRJ”), a qual, em 09 de dezembro de 2009, decidiu, por unanimidade de votos, determinar a realização de diligência para, surpreendentemente, mesmo reconhecendo a ofensa ao contraditório e à ampla defesa, reabrir prazo para apresentação de Impugnação Complementar. 7. Assim entenderam os I. julgadores da DRJ, haja vista que as cópias dos autos do processo não foram disponibilizadas em tempo hábil para elaboração da Impugnação, além de ter havido o recebimento simultâneo de Fl. 32563DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.498 18 diversos autos de infração, com prazo para impugnação praticamente idênticos, nos últimos dias do ano fiscal de 2008. Diante disso, foi expedida a intimação nº 175/2010 (doc. 02), cientificando a Impugnante da referida decisão e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para apresentação da presente Impugnação Complementar. Conforme já amplamente demonstrado quando da Impugnação e apelo quanto se verá adiante, não poderá prevalecer o Auto de Infração em comento, seja por conta dos vícios contidos no procedimento fiscalizatório e no ato de lançamento, seja pela inaplicabilidade da multa à Impugnante ou, ainda, pela inexistência da alegada importação por conta e ordem, já que a Impugnante nunca antecipou quaisquer recursos aos importadores, devendo essa D. Turma Julgadora declarar a insubsistência do lançamento da multa isolada. .../...” A interessada continua, nos parágrafos seguintes, ratificando as alegações da Impugnação anterior, reiterando, inclusive, o pedido de realização de perícia contábil. Consta, também, às fls. 3.841 o Despacho de nº 8, de 06 de dezembro de 2010, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP: “Apesar do encaminhamento anterior para a delegacia de origem, no intuito de permitir vistas ou cópias do processo, em verificação posterior constatou se tratar de impugnação contra de auto de infração de multa regulamentar capitulada no inciso I do Decreto nº 4.544/2002 (artigo 83, I, da Lei nº4.502/1994), conforme abaixo: Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, artº 1º, alteração 2ª) I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei nº 400, de 1968, artº1º, alteração 2ª: e (...) § 2º A multa a que se refere o inciso I deste artigo aplicase apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidas clandestinamente no País ou importados irregular ou fraudulentamente. Fl. 32564DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.499 19 Conforme a Portaria nº 1.916, de 13 de outubro de 2010, Anexo I, abaixo transcrita, a Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto não tem competência para apreciar a matéria, já que diz respeito ao IPI vinculado ao mercado externo (hipótese da multa aplicada ao consumo de mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestina ou irregularmente no País – como é o cado dos autos). A competência para julgamento desta matéria é da Delegacia de julgamento São Paulo II.” O processo foi, então, encaminhado a esta DRJII para julgamento. É o relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1748.340, de 10/02/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Imposto sobre a Importação – II (sic) Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Ementa PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Mesmo que o sujeito passivo alegue não ter recebido em tempo hábil as cópias de todas as peças embasadoras do feito, é facultada a vista ao processo, na repartição competente, durante o prazo legal para a impugnação, sendo inaceitável a invocação de preterimento de defesa, ainda mais se a peça impugnatória demonstrar a inércia do impugnante e o conhecimento integral da imputação. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CASO DE FRAUDE, DOLO E SIMULAÇÃO. INICIO DO PRAZO: 1° DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO FATO GERADOR. A regra é a contagem do início do prazo de decadência, nos casos de lançamento por homologação, a partir do fato gerador: art. 150, caput, do CTN. Entretanto, o § 4° do art. 150 faz ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação. Nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA ORIUNDA DE QUEBRA DE SIGILO. ACEITABILIDADE. EXEGESE DO ART. 5º, XII DA CF Sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados e tendo esta sido obtida originalmente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, não há impedimento para sua posterior utilização em processo administrativo fiscal, ressalvada a autorização por magistrado competente. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. INFRAÇÃO. MULTA. SOLIDARIEDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. Fl. 32565DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.500 20 A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” O julgamento foi no sentido de tornar improcedente a impugnação com as seguintes conclusões: Foi montado um esquema de importações, com a participação de várias empresas e pessoas físicas, com o intuito de reduzir o pagamento de tributos incidentes na importação e na comercialização de produtos estrangeiros. Tal esquema era conduzido pela empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e tinha como beneficiária direta a empresa CISCO DO BRASIL LTDA As práticas ilegais incluíam a interposição fraudulenta na importação com a conseqüente simulação de negócios jurídicos e a falsificação de faturas comerciais. As pessoas físicas autuadas como responsáveis solidários neste processo tinham ciência das práticas fraudulentas e agiram de forma a operacionalizar tais atividades ilegais. Foram postas a consumo mercadorias de procedência estrangeira importadas através de tais práticas fraudulentas, tipificandose assim a multa aplicada. Dessa forma, voto pela improcedência das impugnações apresentadas, mantendose na integralidade o crédito tributário lançado. O presente processo deve ser encaminhado à repartição de origem, para efeito de ciência da decisão aos interessados, exceto a PEDRO LUIZ ALVES COSTA, em razão da revelia, prosseguindose o presente na forma da legislação em vigor. Como já relatado, ressaltese que todos apresentaram impugnação, exceto Sr. Pedro Luís Alves Costa, tendo em vista revelia. Cientificados, conforme folhas 3769/3782 do resultado do julgamento da DRJ, a empresa Mude e quase todos os solidários apresentaram recursos voluntários, exceto sr. Luiz Scarpelli Filho, que consta a informação que não mais reside no País (inclusive afixado edital de ciência). Consta Termo de Perempção, à fl. 3177 (Luiz Scarpelli Filho). Dessa forma, interpuseram a Mude e os solidários, menos Sr. Luiz Scarpelli Filho, os recursos voluntários, cujos fundamentos, em grande maioria comuns, repisados da impugnação, que se passa a análise. A PGFN apresentou as contrarrazões aos recursos voluntários apresentados. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Ressaltese que por diversas vezes, este processo foi posto em pauta nas sessões e retirado, por diferentes motivos. Fl. 32566DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.357 S3C2T1 Fl. 32.501 21 Registro que foram distribuídos memoriais, os quais foram entregues em 18/02/2013, no entanto, recebidos, por esta relatora, no dia do julgamento (25/02). Consta o pedido de sobrestamento/suspensão do julgamento do recurso voluntário, tendo em vista o processo penal do Sr. Carlos Roberto Carnevali até o trânsito em julgado da ação penal de n° 000582749 2003.403.6181. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de autuação para exigência da multa prevista no art. 490, inciso I, do RIPI/2002, no ano de 2003. Conforme já relatado, verificase que um dos sujeitos passivos solidários não foi intimado da decisão de 1ª instância administrativa, precisamente o Sr. Pedro Luiz Alves Costa. Tal procedimento é fundamental para lhes garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório, sem o qual o acórdão do CARF será considerado nulo por violar o disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Inclusive, tal entendimento, já se encontra na Súmula n° 71 do CARF, cuja observância é obrigatória para os membros do CARF: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Portanto, o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que seja devidamente intimado do Acórdão de primeira instância, o sr. acima citado (Pedro Luiz Alves Costa). Realizada a diligência, o sujeito passivo solidário poderá interpor seu recurso voluntário no prazo de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Bem como, ciência desta diligência, a PGFN, se assim desejar. Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a esta Conselheira para prosseguimento no julgamento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 32567DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13971.910861/2009-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS.
A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
Numero da decisão: 3403-002.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação, prescindindo, nesse caso, de prévia retificação da DCTF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 08 61 /2 00 9- 17 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório INDUSTRIAL REX LTDA. formulou o Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, por meio do qual pretendeu restituirse de indébito de Cofins (Cód. 5856), por pagamento efetuado em 20/06/2008, e compensar o direito creditório com débitos de IPI. Por Despacho Decisório Eletrônico, a DRF/BlumenauSC indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o contribuinte alega que o despacho decisório contestado não adentrou no mérito do crédito postulado . Pleiteia a declaração de nulidade do ato administrativo, em razão de faltarlhe motivação, fundamentação, o que feriria o direito ao contraditório e à ampla defesa. Argúi também a ausência de fundamentação , desvio de finalidade e prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal . E argumenta no sentido da necessidade da busca pela verdade material, princípio reitor da atuação administrativa. Complementarmente, pugna pela não exigência da multa de mora em razão da necessária subordinação aos princípios da vedação ao confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. E contesta, por fim, a imposição dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, chamando à colação à limitação dos juros de mora pretensamente posta no Código Tributário Nacional. Pleiteia, por fim, a decretação da nulidade do despacho decisório e a obstaculização de qualquer cobrança de valores resultantes do referido ato administrativo. A DRJ/FNS4ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 07029.057, de 25 de maio de 2012, fls. 59 a 63, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910861/200917 Acórdão n.º 3403002.093 S3C4T3 Fl. 105 3 Para que os recolhimentos relativos a débitos declarados em DCTF sejam tidos como indevidos e passíveis de repetição, é preciso que o sujeito passivo retifique a declaração originalmente apresentada, alterando os valores daqueles débitos para, com isso, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/FNS4ª Turma. O arrazoado de fls. 67 a 89, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as arguições de nulidade já cogitadas na manifestação de continuidade. Invoca o princípio da verdade material para protestar por seu direito de provar o crédito mesmo na fase recursal. Tacha de nula a aplicação da multa de mora de 20% sobre os valores que diz serem indevidamente compensados. Da mesma forma, rechaça a incidência de juros Selic sobre o débito emergente da não homologação da compensação. Conclui, requerendo integral provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 67 a 89 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07029.057, de 25 de maio de 2012. Matéria controvertida A decisão recorrida não conheceu da reclamação quanto aos acréscimos legais incidentes sobre o valor do débito que emergiu inadimplido pela não homologação da compensação declarada. Fêlo bem. Tratandose de cobrança propriamente dita, a matéria escapa do rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Incidentalmente, saiba a recorrente que os acréscimos legais sobre os débitos não pagos na data de seu vencimento estão expressamente previstos no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não cabendo aos agentes da Administração deixar de aplicálos em face de argumentos de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Preliminares de nulidade do Despacho Decisório Nesse ponto, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. O despacho decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, devendo ser refutada a argüição. Ainda que de forma sintética, o despacho decisório contém motivação, base legal e permitiu ao contribuinte total conhecimento das irregularidades imputadas a seu pleito, habilitandolhe o exercício pleno do seu direito de defesa. Também não há que se falar em desvio de finalidade do ato administrativo, até mesmo porque este está corretamente fundamentado. Mérito Afastadas as preliminares argüidas e não conhecida a insurgência contra procedimentos de cobrança, a inconformidade manifestada na reclamação ficou vazia. Nada obstante, a decisão recorrida, assentandose sobre a premissa de que a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação reclama a prévia retificação do valor do débito pretensamente confessado em erro em DCTF, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sumariamente, sem qualquer menção ao “deserto” em que se transformou o presente processo no que diz respeito à prova do direito creditório aventado. Já é entendimento assentado nesta Turma o de que tal óbice deve ser afastado, em face do contido no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), reproduzido no art. 57 do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, norma com aplicação autorizada aos processos da espécie pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. Na verdade, a prévia retificação da DCTF apenas viabiliza o processamento automático dos PER/Dcomp, mas jamais poderia ser tida como requisito para a verificação da liquidez e certeza de direito creditório. Se é certo que a espontaneidade da confissão do débito implica a sua irretratabilidade, também o é que o art. 214 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, admite sua revogação quando produzida em erro de fato. E, conforme visto, mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, pode (e deve) produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, entre elas, a do erro no preenchimento de declaração. Tecidas essas considerações preambulares, por meio das quais se refuta a necessidade de prévia retificação da DCTF e se reafirma o direito de produção probatório do crédito postulado até o momento processual da reclamação, não se pode deixar de reconhecer que não há o menor início de prova do indébito. O recorrente, a certa altura de sua peça recursal, protestou por seu direito de provar o direito creditório. Mas a insurgência limitouse a isso. O recorrente não alega erro na declaração, não questiona legalidade ou inconstitucionalidade da norma de incidência tributária, nem qualquer outra das fantasiosas construções de indébitos freqüentes depois da edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002. Nada. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910861/200917 Acórdão n.º 3403002.093 S3C4T3 Fl. 106 5 Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910861/200917 Acórdão n.º 3403002.093 S3C4T3 Fl. 107 7 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910861/200917 Acórdão n.º 3403002.093 S3C4T3 Fl. 108 9 Conclusão Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19647.004441/2003-64
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO.
É de se reconhecer o direito à compensação de débitos da própria pessoa jurídica com créditos oriundos de pagamento efetuado indevidamente, em respeito à vedação de enriquecimento sem causa, por quaisquer das partes.
MULTA CONFISCATÓRIA.
A vedação constitucional à utilização de tributo, com efeito confiscatório, é dirigida ao legislador, que deve observá-la na elaboração das leis. Este fato não se confunde com o caráter coercitivo da multa, cujo intuito é de evitar determinadas práticas definidas pelo legislador.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA.
Os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade. Cabe à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É legítima a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da Lei nº 9.430/96, porque o §1° do art. 161 do CTN ressalvou a possibilidade de Lei Ordinária dispor de forma diversa. O § 3º do art. 192 da CF que limitava os juros a 12% a.a. foi revogado pela EC nº 40/2003.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-79420
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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MARIA SILVA El Recorrida : DRJ em Recife - PE - NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. • - É de se reconhecer o direito à compensação de débitos da própria pessoa jurídica com créditos oriundos de pagamento efetuado indevidamente, em respeito à vedação de enriquecimento sem causa, por quaisquer das partes. • MULTA CONFISCATÓRIA. • A vedação constitucional à utilização de tributo, com efeito confiscatório, é • dirigida ao legislador, que deve observá-la na elaboração das leis. Este fato não se confunde com o caráter coercitivo da multa, cujo intuito é de evitar determinadas práticas definidas pelo legislador. . . INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA. • Os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar - vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade. Cabe à • • autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da Lei n2 9.430/96, porque o §1 2 do art. 161 do CTN ressalvou a possibilidade de Lei Ordinária dispor de forma diversa. O § 32 do art. 192 da CF que limitava os juros a 12% a.a. foi revogado pela EC n2 40/2003. Recurso provido em parte. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por J. MARIA SILVA. • ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2006. oPocutca.. jacutztA,LA.-a.s. sefa Maria Coelho Marques ' Presidente .1,F • SEGUNDO C0NSELUC.1 DE u0KM!SUINTESi 1 confr:RE c"..)?:: .nRf:üfNAL • .777ff: 04 I I O ç, 9 E Mãnrício ave' Silva É Relator IViElk:e:IElti:3 Si Istr, 8?.? Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano • Keramidas e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. 1 . , , • ,,,4.À2,,, . 22 CC-MF •:•.-:.4-':--b Ministério da Fazenda fv1F • SEGUM30 C0 1'..!SELHO r.E te% TRISUNTES n. 11;1 .205" Segundo Conselho de Contribuintes CO.r ei-.1: ...t...,12,..,.....,. N:A! ); ..2Co. Brasffia, CF) fi l n : .... O ço Processo n' : 19647.004441/2003-64 -14/. Recurso n' : 129.497 !una Cláudia .-iii.vil Cii...tio • Acórdão n" : 201-79.420 M:st Siane 9213b Recorrente : J. MARIA SILVA .. RELATÓRIO J. MARIA SILVA, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 357/382, contra o Acórdão n 2 9.377, de 3/9/2004,• prolatado pela 42 Turma de Julgamento da DRJ em Recife - PE, fls. 343/353, que julgou procedente em parte o auto de infração lavrado em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e -o declarado/pago do PIS (fls.6/9), referente a períodos de janeiro/2001 a dezembro/2002, perfazendo um crédito tributário de R$ 110.556,39, à época do lançamento, cuja ciência ocorreu em 10/11/2003. • Conforme consignado no "Termo de Verificação e de Encerramento de -Ação .• , Fiscal" (fls. 16/18), a contribuinte permaneceu, indevidamente, enquadrada no sistema Simples desde do ano-calendário de 2001. Assim sendo, foi emitido o Ato Declaratório n 2 91, publicado . no DOU em 20/10/2003, com efeitos a partir de 1/1/2001. Segundo o fiscal autuante (fl. 17), • . houve reiteradas entregas de Declaração pelo Simples, registrando valores inferiores aos .. - escriturados no Livro de Apuração de 1CMS, o qual serviu de base ao presente lançamento. . .. . Em 9/12/2003, a interessada apresentou uma peça única de impugnação, fls. 260/284, dirigida aos cinco autos de infração, Processos n 2s 19647.002785/2003-39, . 19647.004441/2003-64, 19647.004443/2003-53, 19647.00444/2003-06 e 19647.004442/2003- 17, acrescida de documentos de fls. 285/332, na qual alega, em síntese, o seguinte: . 1) nos meses de outubro/2000 e novembro/200I não foram consideradas as devoluções de vendas; 2) contesta a autuação referente ao IPI no valor R$ 27.011,04; • 3) os pagamentos realizados a titulo de Simples, nos anos calendários de 1999 a 2003, encontram-se desalocados, solicitando a compensação destes valores; 4) a multa de oficio de 75% fere os princípios da capacidade contributiva e do não confisco, requerendo a redução desta para 30%; 5) do anatocismo e da limitação constitucional dos juros de 12% ao ano, portanto, inconstitucional a aplicação dos juros de mora com base na taxa Selic. . A DRJ considerou procedente em parte o auto de infração, reduzindo o valor. devido no mês de novembro/2001, tendo o acórdão acima mencionado a seguinte ementa: - "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFICIO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. . r1 . L, 1. (\. '.. A -.._ . , . . . ___ • MF - r:CF. CONTRaiiNTES 22 MFCC- ••• Ministério da Fazenda L. Fl. yr Segundo Conselho de Contribuintes Bras.p., Og ti o S. Processo n2 19647.004441/2003444t..fNana Clátitib; Recurso n2 : 129.497 Mui. :5k1x:92136 Acórdão n 201-79.420 • FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS. - Apurados, através de procedimento de oficio, valores devidos da Contribuição para o • PIS, que não haviam sido declarados ou confessados pela contribuinte é procedente a -• autuação, com a aplicação da multa de oficio. . • BASE DE CÁLCULO. • • •. Os valores consignados no livro de apuração do ICMS na coluna de saldas como • devoluções de compras não compõem a base de cálculo para apuração dos valores devidos da Contribuição para o PIS. . . . COMPENSAÇÃO — PAGAMENTOS INDEVIDOS. • Os pagamentos efetuados pela sistemática do SIMPLES, quando a empresa foi excluída •• de oficio retroativamente, são indevidos e para sua restituição/compensação devem • seguir os tramites da IN SRF'n° 210 de 2002, c./c a IN SRF n°322 de 24/04/2003.-. • . • • MULTA DE • OFICIO E JUROS DE . MORA (TAXA . SELIC) — • • INCONSTITUCIONAIIDADE. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de • Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo ., • • federal.. Lançamento Procedente em Parte". • inconforMadk a contribuinte protocolizou, em 12/11/2004, recurso voluntário, • • novamente apresentando uma única peça recursal para todos seus processos, porém, efetuando. .., - consideraCi5es especificas aos Processos it2s 19647.002785/2003-39 — exclusão da imposto único. Simples — e 19647.004444/2003-06 — auto de infração do imposto Simples, repisando os • • . argumentos anteriormente aduzidos. . . . Às fls. 386/389 consta o arrolamento recursal necessário. •. • • É o relatório. • • te, . \\*". • • • • • • • • • • 3 • • • MF - 12.r) Pr: CONTROUINTES *Ws, 22 CC-X{F Ministério da Fazenda C'TC;t4A1. • H. Segundo Conselho de Contribuintes grasiba. ti Processo n2 : 19647.004441/2003-64 ivana Cláudia Silva Castro Recurso n2 : 129.497 Mat. Siape 9211;, Acórdão n2 : 201-79.420 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MAURÍCIO TAVELRA E SILVA O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Inicialmente cabe repisar que a recorrente apresentou, tal qual em sua • impugnação, uma só peça recursal para os cinco processos, porém, desta vez, pontuando • isoladamente alguns itens específicos de determinados autos de infração. Portanto, a apreciação deste recurso cingir-se-á às matérias pertinentes ao presente processo. • • Conforme decidiu a recorrida, a compensação é uma faculdade 'de que dispõe a . • contribuinte, a ser exercida conforme -rito que lhe é próprio. Desse modo, não compete ao fiscal • autuante proceder à compensação de oficio, até porque a contribuinte pode ter-se utilizado desses créditos em algum momento, efetuando uma outra compensação. • Porém,' o presente' caso 'requer urna maior reflexão e ponderação das questões envolvidas, conforme se demonstrará. . . A contribuinte solicitou, tanto em sua impugnação quanto em seu recurso, que .a • • •• Administração tributária proeeda a copensação ali questão. Este fato determina que a interessada se obrigue a ficar inerte, aguardando a decisão de seu pleito, impedindo-a de requerê- la, simultaneamente, de acordo com as regras que regulamentam esse procedimento. Assim sendo,. do momento gim a . contribuinte solicitou que fosse efetuada a compensação, houve a interrupção do- prazo prescricional, o qual cone em desfavor da • contribuinte. Em sentido contrário,. do momento em que essa compensação lhe é negada, restaria - . • : se submeter ao rito próprio para tê-la concretizada. Entretanto, neste caso, seu direito encontrar- • se-ia parcialmente fulminando pela prescrição. . A finalidade da norma que possibilita a compensação é prestigiar o princípio que veda o enriquecimento sem causa, por quaisquer das partes. Portanto, considerando os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do enriquecimento sem causa, no presente caso, reconheço o direito de a recorrente ter abatido dos débitos, objeto do presente lançamento, os créditos porventura existentes decorrentes do recolhimento na modalidade Simples. . Quanto à multa confiscatória e a inobservância da capacidade contributiva é de se esclarecer qué a vedação constitucional à utilização de tributo com efeito confiscatório e a observância da capacidade contributiva são dirigidas ao legislador: que deve levar em consideração tais princípios, na elaboração das leis. Este fato não se confiinde com o caráter coercitivo da multa de oficio cujo intuito é o de evitar determinadas práticas definidas pelo - legislador. Os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade. Cabe à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu, não havendo previsão le gislativa para que este órgão julgador substitua a multa de oficio de 75% por outra de 30%., 4 . ' • , . . . k."---------MF • SEC:170--"TD rOtr:.-47C---------------HO CF. copTrvg• .-- . 22 CC-14/iF -••• -• - ., 4 Ministério da Fazenda -,-4. .z....". FI. n-',1 :, 4, .&" Segundo Conselho de Contribuintes 1 c:3";:::,::: BrWtha. 05 .- i 1 Nane Ciatmia Sil, a ( isi 21----- Processo n' : 19647.004441/2003-64 - Recurso n' : 129.497 Acórdão n' : 201-79.420 Sobre a ilegalidade da aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, aplicável aos débitos fiscais, cabe consignar que as Leis n2s 9.065/95, art. 13, e 9.430/96, art. 61, • § 32, que normatizam sua aplicação, estão em perfeita harmonia com o art. 161 do CTN, que . autorizou a lei ordinária a dispor de modo diverso do estabelecido na norma complementar e em .momento algum exigiu que a taxa fosse fixada pela lei em sentido estrito. . . . • Estando o encargo previsto em normas jurídicas emanadas do órgão legiferante ' competente, só resta à Administração .Pública - velar pela sua fiel aplicação, restando aos inconformado buscar a tutela de seus direitos na via judicial. . Registre-se, por oportuno, que a limitação constitucional de juros ao patamar de. • 12% ao ano foi revogada pela Emenda Constitucional n 2 40, de 29/05/2003, que deu nova •, redação ao art.. 192, revogando o §3 2, não mais havendo previsão limitativa de juros, embora que, - ' quando'ainda vigoraVa, 'o STF já havia se•pron. Unciado no sentido de não se tratar de norma auto-- aplicável, dependendo de legislação complementar para sua aplicação. . .• . Diferente do 'que aduz a recOrrente, .não ocorre anatocismo, pois, conforme se . verifica no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora (fls. 12/13), os juros foram calculados pela - soma dos valores mensais, através de juros simples e não compostos, obedecendo ao que dispõe • a legislação pertinente à matéria. .. • • . . Ante ó exposto, dou provimentoparcial ao reCurso voluntário interposto pela . . recorrente para acolher a compensação requerida. Desse modo, a DRF de origem deverá .. proceder ao novo cálculo, levando em conta os valores pagos, a título de Simples, que não • - , - tenham sido aproveitados pela contribuinte, para determinar o saldo remanescente desfavorável à • recorrente, no auto de infração. . • • .. • . • Sala das Sessões, em 29 de junho de 2006. • . . ., . . , . MAURÍCI6 TA4E SILVA t.t.A• . . . • 1W-1, . .. . • .. . . •: . • . .. . . • ,. . . •. . . ,-. . . . . - . • -. „. . . . , . . . . . • ' . 5 . . , • . Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10650.902430/2011-28
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida sem a correspondente retificação da Dctf, o contribuinte preserva o direito à compensação desde que a mesma ocorra antes da ciência do despacho decisório. A retificação posterior somente é cabível excepcionalmente, por força do princípio da verdade material, condicionada à prova da existência do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Nos casos de PER/Dcomp transmitida sem a correspondente retificação da Dctf, o contribuinte preserva o direito à compensação desde que a mesma ocorra antes da ciência do despacho decisório. A retificação posterior somente é cabível excepcionalmente, por força do princípio da verdade material, condicionada à prova da existência do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 30 /2 01 1- 28 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentado nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apurac ão: 01/06/2001 a 30/06/2001 Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENC ÃO. A isenc ão prevista no art. 14 da Medida Provisória no 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplica se, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Manifestac ão de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese parte do relatório do acórdão da DRJ: Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição PER, no 32274.70284.290304.1.2.049294 transmitido em 29/03/2004, no valor de R$ 741,89, relativo a parte do recolhimento de PIS/PASEP (P.A. 06/2001) efetuado em 13/07/2001, que o interessado alega ser indevido por referirse a vendas de mercadorias a clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus. A DRF/Uberaba/MG, emitiu Despacho Decisório Eletro nico por meio do qual indeferiu o Pedido de Restituic aõ, por inexiste ncia de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para restituic ão, uma vez que fora integralmente utilizado para quitac aõ de débitos do contribuinte. A fundamentac ão legal da decisão e ́o art. 165 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou Manifestac ão de Inconformidade, na qual consta, em síntese: a) Preliminarmente, o contribuinte requer a nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, alegando que sequer tem certeza quanto ao motivo pelo qual o seu direito creditório foi indeferido, dado que o débito de PIS/PASEP apurado foi comprovadamente recolhido a maior e declarado na DCTF. Afirma que esta ́impossibilitado de atacar, de forma certeira, o fundamento da glosa perpetrada. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10650.902430/201128 Acórdão n.º 3802001.575 S3TE02 Fl. 129 3 b) Alega que naõ constam, no Despacho Decisório, informac ões precisas acerca das supostas incorrec ões cometidas pelo contribuinte, evidenciando a nulidade do ato administrativo em aprec o. c) No mérito, solicita a restituic ão do PIS e da Cofins incidentes sobre as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus. Discorre sobre a criac ão da Zona Franca de Manaus, sua manutenc aõ por meio do ADCT, art. 40, da Constituic ão Federal de 1988, concluindo que as vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus equivalem a exportac ões para o estrangeiro, gozando as operac ões de todos os benefícios destas, inclusive a isenc aõ do PIS e da Cofins. d) Afirma que dentre as exclusões expressamente previstas em lei, a Medida Provisória no 18586 determinava que, em relac ão aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, as receitas de exportac aõ de mercadorias para o exterior são isentas do PIS e da Cofins. e) Aduz que a limitac ão constante na Medida Provisória de que a isenc ão supra não alcanc aria as receitas de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus foi contestada perante o Supremo Tribunal Federal, na Medida Cautelar no 2.216 1. f) Afirma que o STF, Tribunal que dita o Direito, decidiu que não é permitido à lei/medida provisória suprimir direitos que foram outorgados constitucionalmente aos contribuintes. g) Com relac ão ao direito creditório, aduz que o suposto erro formal contido na DCTF, por ter declarado deb́itos equivocadamente majorados, não é capaz de extinguir o direito creditório originado de pagamentos comprovadamente recolhidos a maior. h) Invoca os princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade i) Solicita, ao final, com respaldo no disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto n.° 70.235/72, a realizac aõ de dilige ncia, para que se comprove a existe ncia do crédito pleiteado. Formula os seus quesitos. j) Solicita que, na remota hipótese de o direito creditório não ser reconhecido, que seja declarada a nulidade do despacho decisório. A Recorrente, nas razões de fls. 91108, salvo no tocante à preliminar de nulidade, reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo, por fim, o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/05/2012 (fls. 89), interpondo recurso tempestivo em 21/06/2012 (fls. 91). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante o despacho decisório a seguir: “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em casos dessa natureza, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte: (i) retifique a Dctf antes da ciência do despacho decisório; ou (ii) ainda que a posteriormente, o faça antes da inscrição do débito em dívida ativa e comprove, de plano, a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos, acompanhados pela unanimidade do colegiado: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10650.902430/201128 Acórdão n.º 3802001.575 S3TE02 Fl. 130 5 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). Contudo, no presente caso concreto, verificase que o interessado sequer retificou a Dctf do período correspondente, o que prejudica a homologação da compensação, porquanto o Darf continua atrelado à quitação do débito originário. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11020.903232/2008-65
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
IRPJ DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. DEDUÇÃO DO IRPJ DEVIDO.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir a compensação homologada de créditos tributários somente com aqueles líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. LIMITES.
O referido Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e deve ser indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios.
LIDE. LIMITES.
Na condução da relação processual, o ordenamento jurídico dotou o Conselheiro de poderes cabendo-lhe adotar o princípio dispositivo da ação no qual deve prestar a tutela jurisdicional nos limites que a Recorrente requereu primitivamente e nos casos e nas formas legais.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. IRPJ DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. DEDUÇÃO DO IRPJ DEVIDO. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir a compensação homologada de créditos tributários somente com aqueles líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. LIMITES. O referido Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e deve ser indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. LIDE. LIMITES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 32 32 /2 00 8- 65 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 395 2 Na condução da relação processual, o ordenamento jurídico dotou o Conselheiro de poderes cabendolhe adotar o princípio dispositivo da ação no qual deve prestar a tutela jurisdicional nos limites que a Recorrente requereu primitivamente e nos casos e nas formas legais. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) no período de 39.03.2005 a 21.12.2005 (12740.13553.290305.1.3.022080, 27224.61549.170505.1.3.029992, 14827.05769.220705.1.3.024126, 30856.13769.210905.1.3.024267, 04358.48944.25.1105.1.3.021844, 42271.93949.130405.1.3.029291, 11935.30918.250605.1.3.021057, 10133.46358.190805.1.3.020765, 20836.46201.151005.1.3.020063, e 36817.78699.211205.1.3.022080), fls. 0109, utilizando se do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$152.199,46 e Planilhas de fls. 207211 do anocalendário de 2004 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados, em conformidade com Ficha 12 A da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 2596 e 111127, cujos valores estão discriminados na Tabela 1. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 396 3 Tabela 1 – Saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 Cálculo da IRPJ a Pagar de 01.01.2004 a 31.12.2004 (A) Valores R$ (B) IRPJ Devido 38.950,32 () IRPJ Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada (152.199,46) (=) IRPJ a Pagar (113.249,14) Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 11, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$152.199,46. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$113.249,14 [...] Diante do exposto NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 12740.13553.290305.1.3.022080, 27224.61549.170505.1.3.029992, 14827.05769.220705.1.3.024126, 30856.13769.210905.1.3.024267, 04358.48944.25.1105.1.3.021844, 42271.93949.130405.1.3.029291, 11935.30918.250605.1.3.021057, 10133.46358.190805.1.3.020765, 20836.46201.151005.1.3.020063, e 36817.78699.211205.1.3.022080. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 20.08.2008, fl. 12, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.09.2008, fls. 1314, com os argumentos a seguir sintetizados. Suscita que apresentou a Per/DComp com incorreções. Esclarece que Conforme se pode verificar houve realmente o preenchimento incorreto da Per/DComp inicial, na qual constou o total do crédito Ficha 12A Linha 17 da DIPJ, como também lançado o débito do Ajuste constante na página 7 do Demonstrativo dos Débitos Compensados na Per/DComp ora mencionada, mas o crédito existe e está disponível para ser compensado, ficando evidente que não houve máfé. [...] Fl. 396DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 397 4 Isso posto, demonstrado que as diferenças identificadas originaramse de inexatidões materiais ocorridas no preenchimento dos referidos documentos [...] requer: a) seja revisto o despacho decisório [...] para tornálo sem efeito, cancelando os supostos débitos fiscais a que se referem e homologando as compensações realizadas para exigir os respectivos créditos tributários, uma vez que não houve compensação indevida [...]; b) [...] sejam autorizadas as pertinentes retificações [...]. N. Termos P Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1236.494, de 31.03.2011, fls. 212219: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” cujos valores estão discriminados na Tabela 2. Tabela 2 – Saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 Cálculo da IRPJ a Pagar de 01.01.2004 a 31.12.2004 (A) Valores R$ (B) IRPJ Devido 38.950,32 () IRPJ Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada (106.682,81) (=) IRPJ a Pagar (67.732,49) Restou ementado ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS MENSAIS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. Devem ser excluídas da composição do saldo negativo de IRPJ a pagar as estimativas mensais cujas compensações declaradas não foram homologadas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Reformase o Despacho Decisório, se o direito creditório foi parcialmente comprovado. Notificada em 06.10.2011, fl. 247, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.11.2011, fls. 248268 e 357368, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera alguns argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 398 5 Aduz que a decisão de primeira instância de julgamento é nula, uma vez que não foram observados os princípios basilares do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, o que lhe causa prejuízo. Há ausência de fundamentação, uma vez que estimativas não pagas ou cuja compensação não foi homologada não pode ser motivo robusto bastante para excluir os valores pertinentes do cálculo do direito creditório. Suscita que há necessidade de prova corretas para aferição do valor a ser restituído, de modo a privilegiar a verdade material. Se houver dúvidas a respeito do montante dos pagamentos de IRPJ determinados sobre a base de cálculo estimada seria pertinente a realização de diligência. Argui que alguns valores informados nos Per/DComp objeto de análise nos presentes autos estão incorretos e por essa razão devem ser retificados. Procura demonstrar detalhadamente que há saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 2003 e 2005 a serem reconhecidos nos presentes autos. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Pelo exposto, requer a Recorrente seja declarada a nulidade do acórdão recorrido e o retorno dos autos à origem para novo julgamento, ou, [...] que baixe o processo em diligência de modo a apurar o valor do crédito e seja provido o presente recurso, a fim de que seja reconhecido à ora Recorrente o crédito no valor de R$107.132,81 [...] decorrente do saldo negativo do ano de 2003 a ser utilizado em 2004; e também o valor de R$91.651 resultante do saldo negativo de 2004 a ser utilizado como crédito em 2005 [...]. Termos em que pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 399 6 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Sinteticamente, temse o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 efetivamente objeto de litígio nessa segunda instância de julgamento está discriminado destacadamente na Tabela 3. Tabela 3 – Saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 objeto de litígio na segunda instância de julgamento Cálculo da IRPJ a Pagar de 01.01.2004 a 3112.2004 (A) Valores da DIPJ R$ (B) Valores Reconhecidos na DRJ R$ (C) Valores em Litígio na Segunda Instância de Julgamento R$ (D) IRPJ Devido 38.950,32 38.950,32 38.950,32 () IRPJ Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada 152.199,46 106.682,81 45.516,65 (=) IRPJ a Pagar (113.249,14) (67.732,49) (45.516,65) A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Despacho Decisório Eletrônico foi lavrado por servidor competente que verificou a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de direito creditório para fins de compensação de débito confessado até o valor reconhecido, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais todos os atos administrativos que instruem os autos estão regularmente motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos de modo explícito, claro e congruente1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância, com base inclusive no princípio da persuasão racional2. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 400 7 A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos3. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas nos Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior4. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais5. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída 3 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 5 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 401 8 imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 6. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza7. No que se refere à dedução de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, temse que a pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O regime de tributação com base no lucro real anual prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática. Em relação ao IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada menciona que tem direito à dedução de R$45.516,65, temse que os a partir das informações constantes 6 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 7 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 402 9 na visualização em 22.04.2013 dos processos administrativos fiscais da Recorrente e da DIPJ e ainda nos registros constantes nos sistemas internos da RFB foi elaborada a Tabela 4. Tabela 4 IRPJ Determinado sobre a base de cálculo estimada do ano calendário de 2004 Valor do Débito da IRPJ Determinado Sobre a Base de Cálculo Estimada R$ (B) Mês do Fato Gerador (A) Valores Aceitos DRJ Parcela Não Litigiosa Valores Não Aceitos DRJ Parcela Litigiosa Origem do Crédito: Número do Processo Administrativo Número do Per/DComp DARF (C) Fase do Processo Administrativo de Per/DComp (D) Situação Fiscal da Compensação (F) Janeiro 5.744,92 Há Pagamento DARF Fl. 169 Fevereiro 6.248,67 05553.29608.190898.1.7.02 6360 Homologada Fl. 199 Março 9.816,52 30476.41827.200404.1.3.02 9307 Homologada Fl. 198 Abril 13.668,07 25183.88359.280504.1.3.02 9307 Homologada Fl. 199 Maio 16.473,29 17910.94654.2506.04.1.3.02 3267 Homologada Fl. 198 Junho 13.211,80 03961.44531.220704.1.3.02 2204 Homologada Fl. 198 Julho 10.720,35 35842.60352.2408043.1.3.02 4128 Homologada Fl. 198 Agosto 11.028,37 31524.30902.180904.1.3.02 6671 Homologada Fl. 199 Setembro 11.289,25 04419.89796.111004.1.3.02 0897 Homologada fl. 199 5.726,86 16183.96169.171104.1.3.02 8635 Homologada Fl. 199 Outubro 8.249,42 16183.96169.171104.1.3.02 8635 11020.917872/200933* Procuradoria da Fazenda Nacional Não Homologada e Finda na Esfera Administrativa Fl. 202 Novembro 12.668,69 14984.07463.211204.1.3.02 4100 11020.917873/200988** Procuradoria da Fazenda Nacional Não Homologada e Finda na Esfera Administrativa Fls. 199 e 203 Dezembro 1.440,31 34756.20907.130105.1.3.03 6886 Não Há Processo Não Homologada e Finda na Esfera Administrativa Fls. 198199 e 205 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 403 10 23.158,23 16003.28505.130105.1.3.02 2286 11020.917874/200922*** Procuradoria da Fazenda Nacional Não Homologada e Finda na Esfera Administrativa Fls. 199 e 204 2.754,71 Há Pagamento DARF Fl. 183 Subtotal 106.682,81 45.516,65 Total 152.199,46 Fonte * Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=11020917872200933>. Acesso em 22 abr.2013. ** Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=11020917873200988>. Acesso em 22 abr.2013. *** Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=11020917874200922>. Acesso em 22 abr.2013. Observese que (a) a compensação do débito formalizado no Per/DComp nº 34756.20907.130105.1.3.036886 não pode ser homologada, uma vez que este créditos não é líquido e certo, e não preenche as condições cumulativas de extinção definitiva, nos termos do inciso II do art. 156 e do art. 170 do Código Tributário Nacional, por já ter sido objeto de compensação não homologada e está finda na esfera administrativa (inciso V do §3º do art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012 e §14 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). (b) as compensações dos débitos formalizados nos processos nºs 11020.917872/200933, 11020.917873/200988 e 11020.917874/200922 não podem ser homologadas, uma vez que estes créditos não são líquidos e certos, e não preenchem as condições cumulativas de extinção definitiva, nos termos do inciso II do art. 156 e do art. 170 do Código Tributário Nacional, por terem sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União e está finda na esfera administrativa (inciso III do §3º do art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012 e §14 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Por essa razão, não há qualquer valor remanescente a ser reconhecido, uma vez que na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica somente pode deduzir do imposto devido a compensação homologada de créditos tributários com aqueles líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (art. 170 do Código Tributário Nacional). Ademais, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente argui que alguns valores informados nos Per/DComp objeto de análise nos presentes autos estão incorretos e por essa razão devem ser retificados. Temse que a retificação do Per/DComp deve ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do programa informatizado próprio. O referido Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e deve ser indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos Fl. 403DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 404 11 comprobatórios (art. 87 e art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012 e §14 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente foi cientificada do Despacho Decisório Eletrônico, fl. 11, em 20.08.2008, fl. 12. Somente na manifestação de inconformidade apresentada em 04.09.2008, fls. 1314 e no recurso voluntário apresentado em 07.11.2011, fls. 248268 e 357368, a Recorrente traz argumentos de que alguns valores informados nos Per/DComp objeto de análise nos presentes autos estão incorretos e por essa razão devem ser retificados. Todavia, esse pleito foi apresentado no tempo, na forma e no lugar impróprios e por essa razão não pode ser apreciado nessa segunda instância de julgamento. Essa providência deve ser tomada pela Recorrente junto à autoridade preparadora que a jurisdicione, nos termos do art. 147 do Código Tributário. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente procura demonstrar detalhadamente que há saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 2003 e 2005 a serem reconhecidos nos presentes autos. Na condução da relação processual, o ordenamento jurídico dotou o Conselheiro de poderes cabendolhe adotar o princípio dispositivo da ação no qual deve prestar a tutela jurisdicional nos limites que a Recorrente requereu primitivamente e nos casos e nas formas legais. A legislação processual obrigao a que se contenha dentro da relação jurídica processual tal como foi configurada no ato administrativo vestibular, estando adstrito, não necessariamente aos fatos alegados pela parte no curso do processo, mas sim ao que foi originalmente pedido no processo, ou seja, no limite da lide. Essa é uma exigência da teoria da substanciação adotada pelo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, em que o limite de proposição deve relacionarse ao pedido inicial e à causa de pedir, esta se referindo ao conjunto de fundamentos de fato e de direito que justificam o pedido9. Originariamente a Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) no período de 39.03.2005 a 21.12.2005 (12740.13553.290305.1.3.022080, 27224.61549.170505.1.3.029992, 14827.05769.220705.1.3.024126, 30856.13769.210905.1.3.024267, 04358.48944.25.1105.1.3.021844, 42271.93949.130405.1.3.029291, 11935.30918.250605.1.3.021057, 10133.46358.190805.1.3.020765, 20836.46201.151005.1.3.020063, e 36817.78699.211205.1.3.022080), fls. 0109, utilizando se do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$152.199,46 e Planilhas de fls. 207211 do anocalendário de 2004 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados. Esses Per/DComp que foram originariamente objeto da não homologação da compensação dos débitos ali confessados e que foi a partir desses documentos que o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 11 foi emitido em que foi instaurado o litígio no procedimento com ciência em 20.08.2008, fl. 12, e em face do qual a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.09.2008, fls. 1314. O questionamento dos saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 2003 e 2005 foram apresentados no tempo, na forma e no lugar impróprios e por essa razão não podem ser apreciados nessa segunda instância de julgamento. Essa providência deve ser tomada pela 9 Fundamentação legal: art. 2º e art. 131 do Código de Processo Civil, art. 14, art. 25 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 48 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 1º do Anexo I da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (Regimento Interno do CARF). Fl. 404DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.903232/200865 Acórdão n.º 1801001.454 S1TE01 Fl. 405 12 Recorrente junto à autoridade preparadora que a jurisdicione, nos termos do art. 147 do Código Tributário. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. Relativamente à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13609.901354/2009-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO - ESTIMATIVA MENSAL. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL.
Numero da decisão: 1103-000.704
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, e no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, e no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Sérgio Gomes, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Relatório Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 42 por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.º 23818.76061.200808.1.7.04.7553 transmitido em 20/08/2008, não foi homologada. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRPJ de código 2362 (estimativa mensal), no valor de R$ 6.135.974,90, efetuado em 31/01/2003. Consta do despacho decisório, que o pagamento efetuado a esse título foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 48.717,32 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A ciência do Despacho Decisório se deu em 03/04/2009 (fl. 44). Em 05/05/2009, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 07. Nela consta os seguintes argumentos: • Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que deixou de homologar pedido de compensação formulado pela Requerente através da PER/DCOMP nº 23818.7606.200808.1.7.047553, transmitida em 20/08/2008. • Por força da não homologação, a Receita Federal está a exigir débito de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, no valor atualizado de R$ 75.526,45. • No momento da transmissão da declaração de compensação, a Requerente pretendia compensar um débito de IRPJ no valor original de R$ 48.717,32, com crédito de IRPJ, decorrente de valor pago a maior contido em um Darf de R$ 6.135.974,90. • Depreendese do despacho eletrônico encaminhado pela RFB que o único motivo para não homologação da compensação foi a suposta inexistência de crédito disponível, mediante análise parametrizada da DCTF transmitida. • Por se tratar de crédito vinculado a um único DARF, no valor de R$ 6.135.974,90, para a solução da questão basta perquirir se para o período de competência nele consignado (31/01/2002), da comparação entre a apuração da empresa e os pagamentos realizados, houve montante recolhido a maior no valor de, no mínimo, R$ 31.051,90. Comprovado que houve recolhido realizado a maior, a conseqüência inarredável será a existência de crédito em favor do contribuinte, disponível para compensação, nos exatos termos em que foi utilizado. • A questão discutida neste processo deveria ter sido retratada na DCTF, recepcionada pela RFB, referente ao 4º trimestre de 2002, entregue pela Belgo Mineira Artefatos de Arames Ltda. • Na DCTF, o contribuinte deve fazer constar informações relativas a seus débitos apurados, bem como aos créditos a eles vinculados. Com sua entrega, o fisco deverá verificar: se todos os débitos estão vinculados a pagamentos; se o valor do débito é maior do que o valor do crédito em aberto e se existem mais créditos vinculados do que débitos apurados, crédito disponível. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13609.901354/200912 Acórdão n.º 1103000.704 S1C1T3 Fl. 2 3 • Para o período em questão, dezembro de 2002, foi apurado débito de Imposto de Renda, código 2362, no valor de R$ 9.388.510,00. Como forma de pagamento do débito apurado foram vinculados alguns créditos, dentre eles o Darf utilizado na compensação em questão. Notese que o valor total recolhido é idêntico ao montante do débito apurado quando da transmissão da declaração. • Entretanto, conforme mencionado, não bastará apenas o confronto da DCTF original com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação realizada. • O crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da DCTF ou da Per/DCOMP. • O art 165 do CTN é categórico em reconhecer o direito de restituição ao contribuinte que tenha pago tributo a maior ou indevidamente. De fato, é intuitivo que, aquele que pagou tributo indevido ou a maior, deve ter o direito de reaver a quantia paga. Não fosse assim, estarse ia diante de enriquecimento ilícito por parte do Estado, a auferir receita não prevista em lei. • No presente caso, a Requerente, tendo apurado crédito decorrente de pagamento indevido a título de Imposto de Renda para o período de apuração referente a dezembro de 2002, pretendeu efetuar, nos termos da legislação federal, a compensação de tais valores. Entretanto ao preencher suas obrigações acessórias, a Requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito. Da diferença entre o valor realmente apurado e o recolhido surge saldo de pagamento a maior no montante de R$ 31.051,90. • Inicialmente, a Requerente apurou, a título de Imposto de Renda devido em dezembro de 2002, o montante de R$ 9.388.510,00, e efetuou o recolhimento de dois Darf, um de R$ 3.252.535,10 e o de R$ 6.135.974,90 que gerou o crédito ora analisado. Tais dados foram informados na DCTF original. • Posteriormente, durante a revisão de suas declarações contábeis e fiscais, a empresa de auditoria independente identificou ajustes a serem feitos na base de cálculo do imposto de renda, tendo elaborado planilha em que calculara o valor devido de R$ 9.353.197,62. • No momento da entrega da DIPJ de 2003, a requerente então informou o valor de tributo efetivamente devido de R$ 9.357.415,63. Assim, o crédito de R$ 31.051,90 representa exatamente a diferença entre o valor do débito de Imposto de Renda efetivamente apurado e informado em DIPJ, com o valor do total de recolhimentos efetuados para aquele período de competência, conforme demonstra. • A diferença de apuração entre o cálculo da auditoria e o informado em DIPJ referese a uma compensação desconsiderada pela própria requerente, mas que não prejudica em nada a questão, tendo em vista que o suposto pagamento não foi incluído na constituição do crédito. Assim, deve prevalecer a boafé da empresa e o princípio da verdade material, até porque, restou aqui demonstrada a existência de créditos suficientes para a quitação integral dos débitos, tal qual fora lançado nos registros contábeis. • Cita doutrina de Ives Gandra Martins, sobre o princípio da moralidade. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 • Diz que o único problema é que a requerente deveria ter retificado também sua DCTF, reduzindo o valor do imposto informado como devido de modo a desvincular o DARF do débito quitado em quantia equivalente ao crédito ora pleiteado. È manifesto que um erro material no preenchimento de uma DCTF não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, decorrente do pagamento indevidamente efetuado, muito mais porque os próprios lançamentos contábeis da empresa registram a compensação no limite do que efetivamente ocorreu. • Com base no exposto, fica claro que o montante de R$ 31.051,90 foi recolhido a maior, a título de Imposto de Renda de dezembro de 2002; tal valor consta do DARF cujo total é de R$ 6.135.974,90; a diferença entre o valor recolhido e o apurado, representa crédito, passível de utilização pela Requerente; e o citado valor foi corretamente utilizado na DCOMP objeto desta manifestação de inconformidade. Dessa forma, impõese a homologação da compensação. • Considerando que o crédito compensado pode ser demonstrado mediante análise da documentação contábil e fiscal que suporta os recolhimentos efetuados, bem como as apurações realizadas, caso haja dúvidas quanto ao valor efetivamente devido a título de imposto de renda de dezembro de 2002, a Requerente protesta pela produção de prova pericial sobre seus registros contábeis e fiscais. • Para tanto, formula os seguintes quesitos: o 1 – A partir da análise da documentação contábil e das apurações fiscais realizadas pela Requerente, é possível identificar a existência de pagamento a maior de imposto de renda, em dezembro de 2002? o 2 – Se sim, tal valor foi corretamente utilizado pela Requerente? o A Requerente indica como assistente técnico o Sr. Marcos Helênio Lima Guimarães, brasileiro, com endereço profissional na rua das Nações, nº 2.101, bairro Industrial da cidade de Vespasiano, MG. Por todo o exposto, pede e espera a Requerente a procedência da presente manifestação de inconformidade, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório nº 825003526, com a conseqüente homologação da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado, até o limite do crédito demonstrado. Ao final, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. A 3ª Turma da DRJ/BHE, por meio do Acórdão n.º 0232.053 decidiu (ementa): “COMPENSAÇÃO ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL.” Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13609.901354/200912 Acórdão n.º 1103000.704 S1C1T3 Fl. 3 5 A recorrente alega: NULIDADE DO DESPACHO ELETRÔNICO POR VÍCIO SUBSTANCIAL O despacho eletrônicos vão contra a competência atribuída pelo art. 142 do CTN. Em face da limitada possibilidade de cognição dos fatos e do direito decorrente da adoção pelo fisco, do cruzamento eletrônico de declarações como única causa de decidir no presente processo, deve ser declarado nulo, por vício substancial, o despacho decisório, o qual não logrou demonstrar a ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos, hábeis a negar o direito do contribuinte ao exercício da compensação; NULIDADE DO ACÓRDÃO POR CERCEAMENTO DE DEFESA, INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DENTRO DO MESMO ANOCALENDÁRIO A DRJ fundamentou –se na IN SRF 600, de 2005, a saber: “De acordo com o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Idêntica disposição foi mantida no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005.” Esta vedação, atualmente, não existe mais, haja vista a revogação da Instrução normativa supracitada e o silêncio da IN SRF 900, de 2008 sobre o tema. A vedação se referia a suposta compensação de estimativas devidas antes de compor o saldo negativo, mas não proibia a compensação do pagamento indevido. O simples erro no preenchimento da declaração de compensação não impede o reconhecimento do direito ao crédito; Não foi negado os créditos pleiteados pela recorrente. Ao apurar o crédito de pagamento indevido de Imposto de Renda em dezembro de 2002 pretendeu compensar de acordo com a legislação; Teria havido erro no preenchimento das obrigações acessórias. Dos valores apurados e o recolhido surge uma diferença de R$ 31.051,90; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 Inicialmente a contribuinte apurara de Imposto de Renda R$ 9.388.510,00. Pagara este montante com 2 Darfs (R$ 3.252.535,10 e 6.135.974,90), DCTF original. Posteriormente, na revisão, apurou como devido R$ 9.353.197,62. Na DIPJ 2003, a contribuinte informou o valor de Imposto de Renda devido de R$ 9.357.415,63, linha 11, ficha 11. Assim, desconsiderada uma pequena parcela, o valor de R$ 31.051,90 representa a diferença do valor do débito efetivamente apurado/recolhido e o informado na DIPJ. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. NULIDADE DO DESPACHO ELETRÔNICO POR VÍCIO SUBSTANCIAL O despacho de fl. 42, cumpriu todos os requisitos da legislação, tem inclusive assinatura da autoridade, enquadramento legal e fundamento. A contribuinte, inclusive defendeu –se adequadamente na sua manifestação de inconformidade, comprovando a lisura do procedimento. Assim, nego a nulidade suscitada. NULIDADE DO ACÓRDÃO POR CERCEAMENTO DE DEFESA, INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL O acórdão guerreado não passou ao largo do tema, a saber: “Pois bem, não obstante, deve ser levado em conta que perícia visa dirimir eventuais controvérsias circunstanciais que, decerto, não é o caso dos presentes autos. Reportemonos, pois, ao ensinamento de De Plácido e Silva in "Vocabulário Jurídico", vol. III, 12ª ed., Editora Forense RJ, 1993, pág. 352. Segundo ele o vocábulo "perícia" expressa: "Do latim peritia (habilidade, saber), na linguagem jurídica designa especialmente, em sentido lato, a diligência realizada ou executada por peritos, a fim de que se esclareçam ou se evidenciem certos fatos. Significa, portanto, a pesquisa, o exame, a verificação, acerca da verdade ou da realidade de certos fatos, por pessoas que tenham reconhecida habilidade ou experiência na matéria de que se trata... Fl. 147DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13609.901354/200912 Acórdão n.º 1103000.704 S1C1T3 Fl. 4 7 ...A perícia, segundo o princípio da lei processual, é portanto a medida que vem mostrar o fato, quando não haja meio de prova documental para mostrálo, ou quando se quer esclarecer circunstâncias, a respeito do mesmo, que não se acham perfeitamente definidas." (grifamos) À luz de tal ensinamento, desde logo se conclui que, na hipótese, a providência assoma desnecessária. Isso porque, justificase a perícia, tão somente, nos casos em que apenas pelo exame das peças dos autos, a autoridade tributária não tenha condições de formar convicção suficiente, ensejando, pois, o pronunciamento de técnico especializado. Não sendo o caso, ela há de ser indeferida quando a prova do fato independe do conhecimento especial de técnicos ou quando for desnecessária em vista de que os elementos coligidos aos autos são suficientes. No presente caso, qualquer análise a ser procedida por perito, além de não depender de conhecimento especial de técnico, afigurase desnecessária ante a constatação de que os documentos já aportados aos autos são suficientes para que o julgador firme a sua convicção acerca do litígio, tendo em vista que o processo foi instruído com cópias de documentos, bastantes, nas circunstâncias, para o perfeito entendimento e solução do litígio. Conforme explicitado, ante as peculiaridades do processo em tela, tendo em vista a substância, pois, dos elementos juntados aos autos, a produção de prova pericial além de desnecessária é descabida, pois que sua realização configura procedimento prescindível, por não contribuir para um possível deslinde da questão em análise. Portanto inócua. Assim sendo, com estes fundamentos e com fulcro nos arts. 18, 28 e 29, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, reputase desnecessária e prescindível a produção de prova pericial, rejeitandose, liminarmente, o requerimento.” Como vemos, o acórdão atacado negou a perícia, pois, nos autos já havia provas/elementos suficientes para o deslinde da questão. Observe que não se trata, em absoluto de cerceamento ao direito de defesa, haja vista, as provas e a defesa trazidas na manifestação de inconformidade. Assim, nego a nulidade suscitada. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DENTRO DO MESMO ANOCALENDÁRIO Discutise o valor de R$ 31.051,90 apurado posteriormente à estimativa na DIPJ 2003. Entendemos que se forem apurados valores em estimativa e houver pagamento maior do que apurado, esta diferença, embora com código de estimativa é pagamento indevido Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 se devidamente provado. Observo, contudo, que a recorrente tem que provar o erro, mostrando que a estimativa era de um valor menor naquele mês. No caso dos autos, isto não ocorreu, pois, a recorrente apurou a estimativa, e recolheu a antecipação. Ou seja, não houve o erro referido. Posteriormente, a contribuinte fez uma auditoria e observou que o valor não seria aquele recolhido. Na DIPJ informou o valor que acredita correto. A partir da DIPJ a contribuinte poderá apurar saldo credor, e pleitear compensação. A legislação sobre o assunto dispõe: “Art. 2.º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: (...) II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior.” Valome de trecho do acórdão recorrido, a saber: “O art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996, autoriza usar crédito passível de restituição para compensação de débitos próprios. Só o saldo negativo de IRPJ é passível de restituição ou compensação. O recolhimento de antecipação mensal não caracteriza pagamento indevido ou a maior, que dê direito à Fl. 149DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13609.901354/200912 Acórdão n.º 1103000.704 S1C1T3 Fl. 5 9 restituição. Portanto, no caso, não se tendo utilizado crédito passível de restituição, o art. 74 da Lei n.º 9.430 não se aplica.” Na realidade, o pagamento efetuado se tornará indevido ou não só a partir da apuração do saldo na DIPJ. Em face do exposto voto por rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 12 de junho de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 150DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.933804/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário.
Direito creditório que não se reconhece.
Numero da decisão: 1402-004.257
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias e Junia Roberta Gouveia Sampaio que votavam por converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário. Direito creditório que não se reconhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias e Junia Roberta Gouveia Sampaio que votavam por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 38 04 /2 00 9- 29 Fl. 168DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.257 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933804/2009-29 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 4ª Turma da DRJ/REC, sessão de 07 de fevereiro de 2014 (fls. 54/61 – numeração digital) que ratificou o entendimento da DERAT/SÃO PAULO expresso no Despacho Decisório de 20/04/2009 - nº de rastreamento 831726024 (fls. 2/4) e indeferiu a compensação pleiteada, em decisão abaixo reproduzida: Inconformada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade (fls. 5/10) alegando, em síntese: i) o prazo de recolhimento do tributo em questão, ocorre no último dia útil do mês subsequente ao mês da apuração; ii) assim, o recolhimento equivalente ao mês de Dezembro/2004 ocorreu no dia 31/01/2005. iii) por ocasião da elaboração do balanço anual, levantado em 31/12/2004, procedeu os cálculos do IRPJ referente ao exercício 01/01/2004 a 31/12/2004 e apurou um saldo de IRPJ à pagar, o qual foi quitado em parcela única no dia 31/03/2005, devidamente atualizado (SELIC Fevereiro/2005 e 1% (um por cento) em Março/2005; Fl. 169DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.257 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933804/2009-29 iv) ocorre que no momento de elaboração da DIPJ 2005, ano-calendário 2004, apurou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a pagar no montante de R$ 132.154,74, tendo informado na referida Declaração tal valor na linha 51 da Ficha 17 — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; v) contudo, como a empresa havia recolhido anteriormente o valor de R$ 218.501,55, devidamente atualizado, a titulo de CSLL Declaração de Ajuste, houve notadamente um pagamento efetuado a maior, uma vez que o valor efetivamente devido era de R$ 132.154,74, restando um crédito de R$ 86.346,80; vi) assim sendo, apresentou PER/DCOMP declarando compensação de pagamento a maior, decorrente do recolhimento, supra mencionado, com crédito original de R$ 86.346,80, visando compensar débito de CSLL relativo ao mês de Junho de 2005, correspondente ao valor de R$ 86.067,22; vii) considerando que o valor do crédito é superior ao valor do débito a compensar declarado na PER/DCOMP em referência, faz jus a homologação da compensação pleiteada, devendo ser reformado tal despacho decisório para homologar a compensação realizada. Submetida a MI à apreciação da 4ª Turma da DRJ/Recife, foi prolatada decisão negando provimento ao pedido da contribuinte, ratificando o DD exarado pela DERAT/SP, fundamentando-se o Acórdão vergastado basicamente nos seguintes pontos (fls. 66/68): “para comprovar o seu direito, o contribuinte apenas juntou cópia da DIPJ-AC 2004”, não tendo juntado aos autos “qualquer documento adicional”; “na prática, busca o contribuinte valer o seu direito a partir unicamente da DIPJ-AC 2004, entregue antes do procedimento fiscal, em 29/06/2005”; “ocorre que, a partir ao ano-calendário/1999, inclusive, o meio hábil para confissão e constituição de débitos é a DCTF, cujos valores serão objeto de auditoria interna e, eventualmente, inscrição em dívida ativa (art. 11 da IN SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, vigente na época da entrega da declaração), e não a DIPJ, sendo esta mera peça informativa, que não constitui o crédito tributário. No ponto, tranquila a jurisprudência do CARF”; “se houvesse provas que demonstrassem o erro de fato na DCTF, poder-se-ia acatar a correção dos valores confessados. Para tanto, não basta apenas a DIPJ, peça meramente informativa, como já dito, sendo necessário que o contribuinte acostasse aos autos a sua escrita contábil, com documentação de suporte, a demonstrar o erro incorrido na DCTF”; “como o impugnante não trouxe aos autos qualquer prova além da mera DIPJ, não se pode afirmar que o contribuinte incorreu em erro de fato ao confessar a CSLL do ajuste anual do AC2004 na DCTF, apresentada antes do procedimento fiscal, sendo de rigor manter a confissão apresentada na DCTF transmitida em 29/03/2006, RATIFICANDO o despacho decisório (rastreamento nº 831726024) da DERAT São Paulo (SP)”; “a pretensão do contribuinte foi indeferida por manifesta ausência de lastro probatório”; Fl. 170DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.257 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933804/2009-29 “é ônus de quem alega provar o seu direito (princípio geral do processo civil, aplicável por analogia ao processo administrativo fiscal)”; “a Turma vem decidindo que ônus probatório do fiscalizado não pode ser suprido em diligência, quando ausente um lastro contábil mínimo, como ocorreu na espécie”. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário:2004 CSLL. VALOR INFORMADO EM DIPJ DIVERGENTE DO CONFESSADO EM DCTF. DIREITO CREDITÓRIO ALICERÇADO UNICAMENTE NA INFORMAÇÃO DA DIPJ. INVIABILIDADE DO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O meio hábil para confissão e constituição de débitos é a DCTF, cujos valores serão objeto de auditoria interna e, eventualmente, inscrição em dívida ativa, e não a DIPJ, sendo esta mera peça informativa, que não constitui o crédito tributário. Eventualmente, se houver provas que demonstrem o erro de fato na DCTF, podese acatar a correção dos valores confessados. Para tanto, não basta a mera DIPJ, sendo necessário que o contribuinte acoste aos autos a sua escrita contábil, com documentação de suporte, a demonstrar o erro incorrido. Direito creditório indeferido.Compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando do r. decisum, a contribuinte acostou recurso voluntário (fls. 70/79) no qual rebateu a decisão da DERAT/SP e da DRJ/REC e, no mérito, voltou a defender ter se equivocado no preenchimento da DCTF e que o montante correto está definido na DIPJ. Como meio probante, trouxe ao RV cópia do LALUR e de seu Balanço Patrimonial. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 171DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-004.257 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933804/2009-29 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 01/06/2015 – fls. 68 – protocolização do RV em 01/07/2015 – fls. 70), a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 81/117) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. No mérito, o tema é recorrente neste Colegiado, tratando-se de pedido de compensação de contribuinte indeferido pelo DD da Unidade de origem em razão de o pagamento efetuado encontrar-se alocado a outros débitos do sujeito passivo, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (DD – fls. 2), posição ratificada pela decisão a quo em razão da ausência de provas de que teria ocorrido o equívoco alegado pela empresa. Com o seu RV, a recorrente acostou LALUR e Balanço Patrimonial buscando suprir o lastro probatório e comprovar suas alegações, robustecendo a tese inicial de que a DIPJ seria suficiente para tal desiderato. Pois bem, embora haja corrente jurisprudencial no CARF (minoritária, diga-se) que entende ser a DIPJ suficiente para comprovação de possível indébito por saldo negativo de IRPJ ou CSLL, filio-me à corrente contrária e que, basicamente, é a mesma que se encontra expressa na decisão de 1º Piso, ou seja, SÓ a DIPJ não basta, sendo preciso, no mínimo, que se demonstre, com documentos próprios para tal fim, a retidão do que se aduziu. Essa prova, via de regra e a mais contundente, sem nenhuma duvida, é a escrituração contábil ou ao menos – no caso de empresas optantes pelo Lucro Presumido – seu Livro Caixa e outros que possam completar o rol probatório. No caso concreto, a recorrente submeteu-se, no ano-calendário objeto dos presentes autos, ao Lucro Real, de modo que, induvidosamente, a sua escrituração regular seria a prova inconteste de suas alegações, mais especificamente, os Livros Diário e Razão. Tais livros, não vieram aos autos. Certo que, em grau recursal, diferentemente do havido em 1ª Instância, a recorrente juntou LALUR e Balanço Patrimonial “assinado por contador e procurador, com firmas reconhecidas”, como alegado no RV (fls. 74/75), mas tais documentos, per si, não têm a força probante que lhe impingiu a contribuinte, e por um motivo singelo: tanto o LALUR quanto o Balanço Patrimonial calçam-se, fixam-se, formam-se, constroem-se a partir do Livro Diário (este sim, o livro maior das companhias) e, analiticamente, do Livro Razão (onde se “abrem” a contas patrimoniais e de resultado). Fl. 172DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-004.257 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933804/2009-29 Além disso, no LALUR (e muito mais no Balanço Patrimonial) os registros apresentam-se de forma absolutamente resumida, impedindo qualquer análise mais profunda, só possível à vista do Diário e Razão. Dizendo de modo diverso, impossível, somente à vista do LALUR ou do Balanço Patrimonial, aferir a regularidade das alegações da recorrente e a composição dos valores que diz possuir como crédito em face da Fazenda Pública e sua compensação com débitos próprios junto a esta mesma Fazenda. Em suma, o ônus de apresentar os documentos e registros que comprovem a regularidade das operações é do interessado, contribuinte, - autor nestes autos -, a quem é impingido acostar as provas do que alega (artigo 373, I do atual CPC - art. 333, I, do CPC de 1973). Tais provas não se solidificaram nos autos. Ademais, se a DIPJ – como se supõe, por óbvio – foi preenchida à vista dos Livros Diário e Razão, por que estes mesmos livros não vieram aos autos? Assim, não há como chancelar o pleito da recorrente. Por fim, não é demais lembrar, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 103-23579, sessão de 18/09/2008) Entendimento perfilado com o do STJ: Fl. 173DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art268 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art268 Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-004.257 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933804/2009-29 Em suma, não trazendo a recorrente no recurso voluntário provas suficientes para comprovar suas alegações de “equívoco” no preenchimento da DCTF, a decisão de 1º Piso fica solidificada. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 174DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-004.257 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933804/2009-29 Fl. 175DF CARF MF
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