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Numero do processo: 10980.010575/2005-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Dra. Tânia Maria Casseni Rindeika, OAB/RJ nº 126.168.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Dra. Tânia Maria Casseni Rindeika, OAB/RJ nº 126.168. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti Relatório Tratase de auto de infração (fl. 435) por meio do qual se constituiu crédito tributários de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins em relação a fatos geradores do período de 02/1999 a 05/2002. A motivação do lançamento pode ser resumida no seguinte trecho do Termo de Verificação e Encerramento Final de Ação Fiscal (fls. 1490/1501): De posse de todas as informações contábeis foram elaboradas planilhas de apuração da COFINS para cada período, nos moldes dos anexos das Instruções Normativas SRF 170/2002 e 215/2002. Consistindo em duas planilhas para cada período de apuração. A RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 10 57 5/ 20 05 -1 1 Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.010575/200511 Resolução nº 3403000.399 S3C4T3 Fl. 1.684 2 primeira planilha contem o somatório das receitas brutas dos grupos de contas; 3.1., 4.1., 5.1 e 6.1. A segunda planilha contem as exclusões permitidas pela legislação e as contas denominadas de deduções, que conforme a conta tenha resultado positivo ou negativo poderá indicar valor a ser adicionado ou deduzido na determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS (fls. 541,543,545,547,549, 695, 1024,1345). Do total do PIS e da COFINS apurada como devida nos períodos de apuração de 01/02/99 a 31/08/2001 foi deduzido o valor do PIS e da COFINS paga a titulo de parcelamento, em 6 vezes, em conformidade com as regras estabelecidas pelo RET Regime Especial de Tributação, instituído pela MP 2.222/2001(DARFs fls. 383 a 423). Ainda quanto ao PIS devido foi também deduzido o valor recolhido como PISFolha, o qual foi recolhido erroneamente. Constatouse diferença devida a titulo do PIS e da COFINS em todos os períodos de apuração. A diferença apurada devese principalmente ao fato, de que, a ora fiscalizada, não incluiu na base de cálculo as receitas decorrentes de investimentos imobiliários conta 6.1.3.0.00.00. Não há previsão legal para exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas imobiliárias. (fl. 1498/9) A contribuinte apresentou impugnação (fl. 1506/1511) alegando decadência do direito de lançar em relação aos fatos geradores ocorridos mais de 5 anos antes da notificação do lançamento e que em relação aos fatos geradores de setembro de 2001 a março de 2002 a Fiscalização deixou de excluir da base de cálculo o valor do Imposto de Renda apurado na forma do Regime Especial de Tributação, conforme previsto no art. 2º, § 8º da IN SRF nº 126/2002, nos seguintes termos: Art. 2° A entidade aberta ou fechada de previdência complementar, a sociedade seguradora e o administrador do Fapi poderão optar por regime especial de tributação, no qual o resultado positivo, auferido em cada trimestrecalendário, dos rendimentos e ganhos das provisões, reservas técnicas e fundos, será tributado pelo imposto de renda A alíquota de vinte por cento. § 8º O imposto de que trata este artigo terá a mesma natureza dos recursos garantidores das provisões, reservas técnicas e fundos e poderá ser excluído da base de cálculo da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins). Explicou que a referida IN, embora publicada em janeiro de 2002, previa expressamente a sua aplicação retroativa a setembro de 2001, conforme disposto no seu art. 4º, § 5º, II. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro II (DRJ), por meio do Acórdão 1336.663, de 16 de agosto de 2011, deu parcial provimento para a impugnação, apenas para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos mais de 5 anos antes da notificação, visto que alcançados pela decadência, mantendo o auto de infração em relação aos outros períodos, conforme os seguintes fundamentos sintetizados em sua ementa: Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.010575/200511 Resolução nº 3403000.399 S3C4T3 Fl. 1.685 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2002 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Após a publicação da Súmula Vinculante STF n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, pacificouse o entendimento de ser qüinqüenal o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A propósito da exclusão prevista no art. 2º, § 8º, da IN 126/2002, a DRJ manifestou, em síntese, que “não conseguimos vislumbrar qualquer relação entre os valores indicados nas Planilhas como dedução do RET e os valores constantes nos DARF's carreados aos autos pelo interessado em sua petição impugnatória”, que “nos DARF's carreados aos autos pelo interessado, os recolhimentos do IRPJ — código 8972 se referem a períodos de apuração não abrangidos na autuação. Ademais, os valores não tem correspondência com as deduções da base de calculo acima relacionadas”, e que, “Além disso, no próprio Termo de Verificação Fiscal de fl. 1.490/1.502, a autoridade fiscal indica a exclusão do RET nas bases de cálculo lançadas, fato demonstrado pelos DARF's de fls. 383/423, conforme Medida Provisória n° 2.222/2001, esclarecendo que a diferença é proveniente da contribuinte não ter incluído na base de cálculo as Receitas decorrentes de investimentos imobiliários. Frisese ainda que o próprio DARF de fl.1.536, no valor de R$ 720.254,63, código 8972, consta como RET relacionado na Planilha de fl. 384, utilizada no presente lançamento” (fl. 1570) O contribuinte apresentou recurso voluntário (fl.s 1606/1610e: numeração de processo eletrônico) alegando que, diferente do que disse a DRJ, não houve a efetiva exclusão do RET das bases de cálculo de PIS/Cofins, apresentando planilhas para tal demonstração e, ao final, afirmando que se tivessem sido considerados tais valores, não haveria saldo remanescente a pagar. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator A intimação do acórdão da DRJ aconteceu em 19/10/2011 (fl. 1605e) e o recurso voluntário foi postado nos Correios em 18/11/2011 (fl. 1679e), sendo, pois, tempestiva a sua interposição. Quanto ao mérito, a DRJ parece ter confundido os recolhimentos realizados pelo contribuinte que fariam referência ao Regime Especial de Tributação (RET) das entidades fechadas de previdência complementar (EFPC), também chamados de fundos de pensão. A descrição da DRJ é correta quando explica que “O RET Regime Especial de Tributação foi instituído pela Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2.001, e Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.010575/200511 Resolução nº 3403000.399 S3C4T3 Fl. 1.686 4 regulamentado pela Instrução Normativa n° 126/2002, regime no qual as entidades abertas ou fechadas de previdência complementar poderiam optar, caso desejassem, para efeito de tributação do imposto de renda, por um regime especial de tributação” (fl. 1598). Ocorre que a mesma MP 2.222/2001, além de instituir um regime alternativo de apuração do Imposto de Renda, também criou uma espécie de benefício fiscal para pagamento de tributos em relação ao passado, que na época ficou conhecido como “anistia do RET”, e cujos pagamentos acabavam sendo chamados genericamente de RET. Pois foram os pagamentos dos valores atrasados de PIS/Cofins com base nesta anistia do RET que a Fiscalização considerou, quando do lançamento, para a determinação do valor devido. É isto o que se extrai do seguinte trecho do Termo de Verificação: Do total do PIS e da COFINS apurada como devida nos períodos de apuração de 01/02/99 a 31/08/2001 foi deduzido o valor do PIS e da COFINS paga a titulo de parcelamento, em 6 vezes, em conformidade com as regras estabelecidas pelo RET Regime Especial de Tributação, instituído pela MP 2.222/2001(DARFs fls. 383 a 423). Ainda quanto ao PIS devido foi também deduzido o valor recolhido como PISFolha, o qual foi recolhido erroneamente. Estes pagamentos não se confundem, portanto, com os valores recolhidos a título de Impostos de Renda apurado na forma do RET (IRPJRET). E em relação a estes recolhimentos, de IRPJRET, a legislação de fato autoriza o seu abatimento da base de cálculo de PIS/Cofins, conforme dispõe, em reforço ao que já era previsto no art. 2º, § 8º da IN 126/2002, também o art. 29, III e § 3º da IN 247/2002: Art. 29. As entidades fechadas e abertas de previdência complementar, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: .... II – dos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursos destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; e III – do imposto de renda de que trata o art. 2º da Medida Provisória nº 2.222, de 4 de setembro de 2001. .... § 3º A exclusão prevista no inciso III do caput somente poderá ser efetuada se os rendimentos previstos no inciso II, também do caput, forem excluídos da mesma base de cálculo pelo seu valor líquido, deduzido do referido imposto. Assim, ao menos teoricamente assiste razão ao recorrente, quando alega que o valor do IRPJRET pode ser excluído da base de cálculo de PIS/Cofins. Acontece que o recorrente indica valores em planilhas que não conferem com os valores constantes nos documentos de arrecadação apresentados com a impugnação, nem Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.010575/200511 Resolução nº 3403000.399 S3C4T3 Fl. 1.687 5 demonstra como teria sido feita a composição destes documentos e de quais teriam sido os valores correspondentes a cada mês. Com efeito, além da obrigação de apresentar os documentos de arrecadação do IRPJRET, a contribuinte tem de provar qual é o valor pertinente a cada mês, pois os recolhimentos do IRPJRET referemse a períodos de apuração de 3 (três) meses, sendo de rigor que comprove a parcela deste valor pertinente a cada mês. O contribuinte também não demonstra que tenha procedido conforme exigido pelo § 3º do art. 29, III, da IN 247/2002, acima transcrito. Diante deste contexto, entendo por bem converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime o contribuinte a (1) demonstrar quais são os documentos que comprovam os valores recolhidos a título específico de Impostos de Renda Pessoa Jurídica – RET que indica nas suas planilhas, detalhando qual o valor do recolhimento que seria pertinente a cada mês autuado, e (2) que também prove o contribuinte que atendeu o disposto no pelo § 3º do art. 29, III, da IN 247/2002, demonstrando que os valores apresentados na hipótese de exclusão correspondente aos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras referemse ao valor líquido, não estando incluído neste valor o Imposto de Renda incidente sobre tais aplicações. O contribuinte também deve (3) informar se houve pedido de restituição ou compensação em relação a estes recolhimentos. Depois de apresentados os documentos e informações pelo contribuinte, deve a Autoridade Fiscal lavrar relatório conclusivo da diligência, indicando se o contribuinte demonstrou satisfatoriamente os recolhimentos e o atendimento dos requisitos da IN SRF 247, bem como verificando a existência de compensações utilizando créditos de IRPJRET do período em questão. Ao final, o contribuinte deve ser intimando para, querendo, manifestarse sobre o resultado da diligência em 15 (quinze) dias, devolvendose depois os autos a este Conselho para julgamento. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 37284.007921/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
PREPARAÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA SEGURIDADE SOCIAL. APLICAÇÃO DE MULTA. A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, por força do art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-003.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PREPARAÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA SEGURIDADE SOCIAL. APLICAÇÃO DE MULTA. A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, por força do art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 210 1 209 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37284.007921/200414 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.024 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREPARAÇÃO DA FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DO DF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PREPARAÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA SEGURIDADE SOCIAL. APLICAÇÃO DE MULTA. A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, por força do art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 4. 00 79 21 /2 00 4- 14 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 37284.007921/200414 Acórdão n.º 2402003.024 S2C4T2 Fl. 211 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão que manteve autuação fiscal lavrada em 15/03/2004 por descumprimento das obrigações tributárias acessórias definidas no art. 32, inciso I da Lei 8.212/91 e no art. 225, § 9°, do Decreto n° 3.048/99. No caso, o contribuinte deixou de preparar as Folhas de Pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos segurados a seu serviço, na forma estabelecida pelo INSS. No período de 01/94 a 12/95, o contribuinte não apresentou folhas de pagamento mensais descrevendo as remunerações pagas aos segurados empregados diretores, autônomos contratados e demais prestadores de serviços, apresentando apenas recibos individuais de pagamentos de empregados e diretores e alguns contratos fixos. Por seu turno, no período de 01/96 a 07/97, apresentou folhas sem o resumo das verbas, somente para Diretores e Empregados, e em separado. Quanto aos autônomos e demais prestadores de serviços não apresentou folhas de pagamentos ou recibos no período de 01/94 a 12/02. Ademais, do período de 01/94 a 12/95, não apresentou folhas de pagamento ou recibos para as verbas de rescisões, bem como não apresentou as folhas de pagamento consolidadas. Salientese que, devido à ausência de documentação ou sua insuficiência, parte dos fatos geradores nas competências compreendidas entre 12/1995 e 12/2002 foram apurados de forma indireta, por meio da contabilidade do Recorrente. Com efeito, ao contribuinte foram imputadas infração e multa previstas no art. 32, inciso I e art. 92 da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, Inciso I, § 9, incisos I a V e art. 283, inciso I, alínea “a”, do Decreto n° 3.048/99. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação requerendo anulação integral do débito, alegando que: i) não deixou de apresentar a documentação requerida na fiscalização; ii) as folhas de pagamento apresentadas atendem as normas estabelecidas na legislação; iii) os débitos correspondentes às competências de 01/1993 a maio 1996 foram confessados e parcelados em 96 parcelas em 21/10/1997, conforme DEBCAD 557261180, às quais vinham sendo pagas regularmente, logo não poderia responder novamente pelo mesmo suposto débito; iv) as remunerações pagas aos administradores sindicais e aos diretores estão fora do campo de incidência das contribuições sociais; v) o contribuinte não pode ser fiscalizado duas vezes em relação ao mesmo período; e vi) é inconclusivo o Relatório da Multa Aplicada. Em caso de manutenção do lançamento, requer a restituição ou compensação dos valores pagos. A Gerência Executiva da Previdência Social do Distrito Federal proferiu decisão mantendo a autuação, sob o argumento de que: i) o contribuinte não juntou aos autos qualquer documento capaz de demonstrar que as folhas de pagamento foram preparadas em conformidade com a legislação que rege a matéria; ii) o Relatório da Multa Aplicada relaciona quais folhas de pagamentos não foram preparadas de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação, sendo prescindível a indicação do valor das mesmas e das diferenças encontradas; iii) os débitos confessados e parcelados no DEBCAD referemse às competências de 12/1993, 03/1994 a 03/1995 e 05/1995 a 05/1996, logo não existe duplicidade Fl. 215DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 na cobrança; iv) o art. 149 do CTN e os arts. 225 e 229A da IN INSS/DC nº 070/2002 permitem a reabertura de fiscalização; iii) os diretores sindicais devem manterse vinculados à Previdência Social na qualidade de empregados; e iv) a penalidade aplicada encontrase fundamentada no art. 283, inciso I, "a", do Decreto n° 3.048/99, considerada a ausência de agravantes. Em face da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os termos da impugnação. Em 30/07/2004 sobreveio informação do “Serviço de Análise de Defesas e Recursos” da Previdência Social, negando seguimento ao Recurso por deserção, em função da não realização pelo contribuinte do depósito de 30% do valor do débito instituído pelo art.126, § 1º da Lei 8.213/91. O débito foi inscrito em dívida ativa e, posteriormente, incluído em parcelamento em âmbito administrativo. Em 08/03/2010, após determinada a rescisão do parcelamento pelo não recolhimento das prestações mensais desde abril de 2005, a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário recebeu Mandado de Intimação da 4ª Vara Federal do DF para ciência e cumprimento do Acórdão que determinou o recebimento do Recurso interposto pelo contribuinte, com base na inconstitucionalidade da exigência do depósito recursal de 30%. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação do Recurso. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 37284.007921/200414 Acórdão n.º 2402003.024 S2C4T2 Fl. 212 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Preliminar O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Compulsando os autos, verificase que o recorrente não apresentou quaisquer documentos hábeis a comprovar que as folhas de pagamento foram preparadas em consonância com as determinações da legislação que rege a matéria. O Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal – TEAF e os “rascunhos” do agente fiscalizador não são suficientes para comprovar a entrega da documentação requerida. Ademais, as informações relacionadas no Relatório da Multa Aplicada são suficientes para aferir a infração cometida e a penalidade cominada ao contribuinte, razão pela qual não deve ser considerado inconclusivo. Quanto à alegação do pagamento do débito mediante confissão e parcelamento, verificando o Termo de Parcelamento de fls. 97 e ss. verificase que de fato os débitos referentes às competências de 01/1993 a 05/1996 encontramse confessados. Entretanto não é possível depreender que foram incluídos na base de cálculo os valores decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias que serviram de base para a autuação fiscal. Isto posto, face a não comprovação da presença das penalidades cominadas no referido parcelamento, entendo por não acolher a pretensão do Recorrente. Igualmente, não há que se falar em restituição ou compensação dos valores pagos no parcelamento, vez que não correspondem ao objeto da autuação fiscal ora discutida. Em relação ao argumento da impossibilidade da refiscalização, não há nos autos informação acerca de uma primeira fiscalização, mas apenas de confissão e parcelamento de débito, o que torna insubsistente a pretensão. Os dirigentes sindicais são segurados da Previdência Social, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE SINDICAL INCIDÊNCIA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI INEXISTÊNCIA TESES NÃO PREQUESTIONADAS SÚMULA 282/STF CARÁTER REMUNERATÓRIAS DE VERBAS PAGAS – REEXAME NECESSÁRIO RECURSO ESPECIAL CABIMENTO PRECEDENTE DA SEÇÃO. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES 6 1. É cabível recurso especial tirado de acórdão que julga exclusivamente reexame necessário. Precedente: REsp 905.771/CE da 1ª. Seção, julgado em 29.6.2010, ainda não publicado. 2. É inadmissível o recurso especial quanto a questão não decidida pelo Tribunal de origem, por falta de prequestionamento. 3. Inexistência de aplicação retroativa da legislação previdenciária, que sempre previu a incidência de contribuições previdenciárias sobre segurados obrigatório, empresário e contribuinte individual e sobre as quantias pagas pelos sindicatos, equiparados por força de lei às empresas, aos dirigentes remunerados. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (Recurso Especial nº 5599114/ES, Segunda Turma. Relatora Ministra Eliana Calmon. DJU de 08/09/2010) Por fim, conforme as informações prestadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 194 e 195) o crédito tributário em questão foi objeto de parcelamento, estando o recorrente inadimplente desde abril de 2005. Com efeito, as parcelas já pagas pelo contribuinte devem ser deduzidas do valor devido em função da NFLD ora discutida. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 218DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.011721/2005-91
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Comprovado por meio de documento hábil e idôneo parte das despesas médicas pleiteadas, cabe restabelecê-las.
Recurso Voluntário Provido. em Parte
Numero da decisão: 2802-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer R$16.500,00 (dezesseis mil e quinhentos reais), nos termos do voto da relatora. Vencido(s) o Conselheiro(s) Jorge Claudio Duarte Cardoso que dava provimento. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 19/2/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DESPESAS MÉDICAS. Comprovado por meio de documento hábil e idôneo parte das despesas médicas pleiteadas, cabe restabelecêlas. Recurso Voluntário Provido. em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer R$16.500,00 (dezesseis mil e quinhentos reais), nos termos do voto da relatora. Vencido(s) o Conselheiro(s) Jorge Claudio Duarte Cardoso que dava provimento. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 19/2/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 17 21 /2 00 5- 91 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.120/127) interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Julgamento em Recife (PE) que considerou procedente em parte, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a apuração de Deduções Indevidas a Titulo de Despesas Médicas e Contribuição à previdência privada. A Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1125.274, de 6 de fevereiro de 2009, que se encontra às fls. 89/94, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Apenas são dedutiveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA. São dedutiveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, valores pagos a titulo de contribuição à previdência privada relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lançamento Procedente em Parte A ciência de tal julgado se deu por via postal em 23/04/2009, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 97). À vista da decisão, foi protocolizado, em 21 de maio de 2009, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 89/94, no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, reitera, os argumentos apresentados em primeira instância e ainda que: 1. acostou aos autos declarações suficientes para comprovar a prestação do serviço, que, contrariamente ao posicionamento do Relator, indicavam o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas de quem os recebeu, em total observância à legislação sobre o assunto. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19647.011721/200591 Acórdão n.º 2802001.561 S2TE02 Fl. 597 3 2. o Relator não discorda das declarações com base nos requisitos legais, mas apresenta outros requisitos não determinados pela lei para negar a impugnação do Recorrente. 3. contrariando a decisão em apreço, as declarações por ele apresentadas atendem â. determinação legal, visto que a Lei não demonstra a necessidade de se incluir o detalhamento dos serviços prestados, mas tãosomente informações suficientes para atestar a veracidade das despesas, sendo suficientes informações sucintas sobre estas, conforme documentos ora discutidos. 4. a documentação apresentada, segundo se verifica no seu conteúdo, é meio idôneo para comprovar as despesas médicas questionadas, pois preenchem os requisitos impostos pela lei. 5. o Julgador não demonstrou a ausência da prestação dos serviços, mas apenas que o documento apresentado não seria prova suficiente, fato que não condiz com a realidade, pois, até prova em contrário, as declarações são hábeis e/ou idôneas a comprovar despesas médicas dedutiveis na declaração de rendimentos, pois preenchem os requisitos legais. 6. não basta a simples suposição da inexistência da prestação do serviço médico para deslegitimar o documento e possibilitar o lançamento e exigibilidade do créditoÉ o relatório. 7. não existe na legislação aplicada à. matéria a necessidade de constarem nos documentos entregues para comprovar as despesas médicas pelos contribuintes os requisitos indicados pelo Relator na decisão ora impugnada. 8. Muito embora seja a documentação apresentada suficiente para comprovar as despesas médicas ora questionadas, apenas por cautela, colaciona a apresenta novos instrumentos para atender ainda em maior grau a exigência do Julgador e dirimir qualquer dúvida por ventura ainda existente sobre as deduções discutidas (Doc. 03), devendo ser reconhecida a procedência dos termos da Declaração de IRPF do Recorrente, em atendimento ao Principio da Verdade Material. Finaliza solicitanto a total improcedência do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente o contribuinte foi intimado a comprovar a efetiva prestação dos serviços médicos e a vinculação dos pagamentos efetuados (fls.15). Em resposta o contribuinte apresentou consoante Recibo de Entrega de Documentos, fls. 16 o seguinte: “Em atendimento à intimação do Serviço de Fiscalização desta delegacia, o contribuinte acima identificado entregou os recibos de pagamentos, comprovantes de despesas ou outros documentos, todos em cópia, conforme abaixo relacionados:” Ressalvo que no termo acima citado não consta a relação dos documentos apresentados. Nas razões de decidir do Acórdão de primeira instância que não acolheu os recibos e argumentos apresentados, destacase: No presente caso, apesar de terem sido glosados quatro recibos de despesas médicas, o impugnante anexou apenas duas declarações para comprovar a prestação de serviço: a) Fl 18 — Dra. Soraya de Lourdes Falcão Salvador Rodrigues valor R$ 6.000,00; b) Fl 19 Dra. Marcia Maria Rodrigues de Figueiredo — valor R$ 10.000,00. Da análise desses dois documentos apresentados pelo impugnante, verificase que são textos idênticos apenas alterando valores e o profissional de saúde que assina. Em nenhum deles consta referência aos serviços médicos prestados e quem foi o beneficiário dos mesmos, além de não constar a especialidade do profissional nem seu registro no respectivo conselho. Dessa forma, não podem ser considerados com comprovantes das despesas médicas referidas. Cabe destacar também que o contribuinte deveria ter apresentado junto com sua impugnação não s6 declarações, mais também os recibos. (Estas declarações foram efetuadas para complementar as informações dós recibos, no entanto, esta instância julgadora não pode analisar os recibos que não foram anexados.) Para que sejam aceitas as deduções de despesas médicas não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração, sem vinculação do pagamento ou da efetiva prestação do serviço, sobretudo quando se tratam de despesas na declaração que totalizam valores expressivos (R$ 27.971,33), quando o contribuinte tem plano de saúde próprio.Caberia ao contribuinte apresentar demais elementos de prova com o intuito de demonstrar a efetiva prestação dos serviços.” Às fls. 23 a 78, o contribuinte apresenta os extratos da sua conta. Entretanto, não foi possível identificar saques de valores em datas compatíveis com as consignadas nos Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19647.011721/200591 Acórdão n.º 2802001.561 S2TE02 Fl. 598 5 recibos. No entanto, em seu recurso voluntário o contribuinte traz, declarações dos médicos c/c os recibos ( fls 136 a 161). A propósito da matéria ora apreciada cabe comentar que a maioria dos recibos apresentados, segundo entendo, atendem os requisitos do art.8º da Lei n° 9.250, de 1995, nos quais consta a indicação do nome e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, apenas nos da Fonoaudióloga Erika Henriques Alves (fls. 146 a 157), não está indicado o endereço da profissional. Assim, passo a análise individualizada dos documentos apresentados referentes a cada um dos profissionais glosados: 1) Soraya de Lourdes Falcão Salvador Rodrigues (R$ 6.000,00) Declaração (fl. 136), informando que o contribuinte esteve em tratamento psicológico em seu consultório durante o ano de 2002. Efetuou pagamento no valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais), sendo os pagamentos feitos em moeda corrente conforme recibos por ela emitidos. Recibos esses que estão as fls. 139 a 141. 2) José Luiz Janot de Vasconcelos (R$ 500,00) Recibo médico no valor correspondente (fls.161), tratamento prestado a filha do contribuinte Juliana (relacionada como dependente na DIRPF – EX 2003 – fls. 12). 3) Márcia Maria Rodrigues de Figueiredo (R$ 10.000,00) Declaração (fl. 158), informando que recebeu do o contribuinte o valor de R$10.000,00, referente aos honorários profissionais durante o ano de 2002. Recibos emitidos por esse profissional estão às fls. que estão as fls. 137 a 138. 4) Erika Henriques Alves (R$ 5.000,00) Recibos de fls. 146 a 157 – não constam o endereço da profissional. Assim, apresentados esses novos documentos não tenho como manter a glosa do valor de R$16.500,00, emitidos pelos profissionais: José Luiz Janot de Vasconcelos (R$ 500,00) e Márcia Maria Rodrigues de Figueiredo (R$ 10.000,00), por simples presunção de ilegitimidade dos recibos e das declarações apresentadas. Não há nos autos nenhum elemento que me leve a concluir que os mesmos são falsos, inidôneos ou que tiveram emissão graciosa, ou seja, sem a devida prestação dos serviços. Deste modo, entendo que os mesmos servem para comprovar a dedução pleiteada. Quanto aos recibos emitidos, fls. 146 a 157, pela fonoaudióloga Erika Henriques Alves, deixo de acatar por faltar o endereço. Segundo entendo estes, para darem suporte às deduções a que os mesmos se referem, devem preencher os requisitos previstos no § 2°, III, do artigo 8°, da Lei n°, 9150/1995, in verbis: § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 [...]III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Diante do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.002951/2005-45
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sun Oct 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ2/RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 29 51 /2 00 5- 45 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10730.002951/200545 Acórdão n.º 2801002.685 S2TE01 Fl. 124 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 04/08 e 14/21, em nome de WALTER MAGIOLI DE MELLO NETO, relativo aos exercícios de 2001, 2002 e 2003, anoscalendário 2000, 2001 e 2002, o qual resultou em crédito tributário no montante de R$82.942,80, sendo R$27.623,60 de imposto, R$20.717,69 de multa de oficio proporcional, R$23.781,49 de multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão e R$10.820,02 de juros de mora (calculados até 31/05/2005). 2 O referido lançamento teve origem na constatação das infrações "Classificação Indevida de Rendimentos na DIRPF" e "Falta de Recolhimento do IRPF devido a titulo de CarnêLedo", conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 07/08. 3 Inconformado(a) com a exigência, da qual tomou ciência em 09/05/2005 (fls. 40), o(a) interessado(a) apresentou impugnação em 22/06/2005 (fls. 04), alegando, em síntese e resumidamente, que: • é funcionário/perito de assistência técnica de organismo internacional (PNUD) e assim, com base na legislação brasileira, bem como nos Tratados, Acordos e Convenções Internacionais, e em doutrina, está isento do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos do referido organismo; • a legislação não faz distinção entre os servidores dos organismos internacionais, relativamente às categorias funcionais, para gozo da isenção; • os termos de seu contrato de trabalho com o PNUD configuram vinculo laboral ou empregatício, não se caracterizando a prestação de serviços de forma eventual; • não prevalece a alegação de que o contrato firmado com o PNUD é por prazo determinado, pois a continuidade da prestação de serviços está devidamente comprovada nos autos, o que o afasta da condição de prestador de serviços autônomos; • a própria Secretaria da Receita Federal firmou entendimento, por meio do Parecer Normativo n° 717/1979, no sentido de que os funcionários que prestam serviço As Nações Unidas gozam da isenção do imposto de renda, excetuandose do beneficio tão somente as remunerações pagas por taxa horária; • não pode ser punido por não ter seu o nome incluído na lista de que trata a IN SRF nº 208/2002, pois a isenção do imposto de renda está prevista em normas legais superiores que não podem ser afrontadas por obrigações acessórias constantes em simples instrução normativa; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10730.002951/200545 Acórdão n.º 2801002.685 S2TE01 Fl. 125 3 • inúmeras decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconhecem a isenção dos rendimentos pagos pelo PNUD; • a autoridade lançadora, ao levar os rendimentos do impugnante para o campo da tributação, deveria, de oficio, ter considerado o desconto simplificado, no seu valor de limite, como dedução na determinação da base de cálculo do imposto; • não é legitima a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio, por incidirem sobre a mesma base de cálculo. Cita decisões do Conselho de Contribuintes para justificar o seu entendimento; 4 Por fim, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração, com a subseqüente inexigibilidade do crédito tributário lançado.” A impugnação foi considerada improcedente, conforme Acórdão de fls. 82/87, que restou assim ementado: FUNCIONÁRIOS DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ISENÇÃO. Os rendimentos decorrentes da prestação de serviços junto ao PNUD/ONU são tributáveis, quando recebidos por nacionais contratados no pais, por faltarlhes a condição de funcionários de organismos internacionais, pois nem todos fazem jus à isenção, mas tão somente os funcionários internacionais mais graduados, que gozam de privilégios semelhantes aos dos agentes diplomáticos para o bom desempenho de suas funções. TROCA DE MODELO. Após o prazo previsto para a entrega da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física, não é admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. MULTA ISOLADA. NOVO PERCENTUAL. REVISÃO DO LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em função do principio da retroatividade benigna, impositiva se toma a revisão do lançamento correlato à multa isolada com vistas a adequálo ao novo disciplinamento legal. Regularmente cientificado daquele acórdão em 17/12/2009 (AR, fl. 93), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 95/96, em 19/01/2010. Em sua defesa, informa que foi efetuado o pagamento do crédito tributário em questão, em 30/11/2009, para se beneficiar dos descontos concedidos pela Lei 11.941/2009, sendo que a Receita Federal, dentro da vigência da Lei 11.941/09 ( de 27/05/2009 a 30/11/2009), não fez a comunicação do acórdão citado ( de 16/10/2009), nem mesmo fez as devidas correções dos valores no seu cadastro débitos (Conforme Situação Fiscal de 18/01/2010 ), o que induziria ao pagamento a maior mesmo com os benefícios da Lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10730.002951/200545 Acórdão n.º 2801002.685 S2TE01 Fl. 126 4 Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Inicialmente, cabe examinar a tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Compulsandose os autos, verificase o Aviso de Recebimento – AR da decisão da DRJ/RJ2/RJ, por meio do qual o Recorrente foi intimado do acórdão recorrido, foi recebido em 17/12/2009, quintafeira (fl. 93), no endereço do contribuinte, e não como afirma o interessado, em 18/12/2009. No campo “assinatura do destinatário” foi aposto o nome “Fernanda Medeiros”. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10730.002951/200545 Acórdão n.º 2801002.685 S2TE01 Fl. 127 5 Assim, o contribuinte poderia apresentar o recurso até 18/01/2010, segunda feira, entretanto só o fez em 19/01/2010, consoante carimbo aposto pela repartição de recepção do documento de fls. 95/96. Registrese que a Repartição Preparadora noticiou, à fl. 121, a intempestividade do recurso voluntário. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008977/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão CSRF 9101/00.401 de 2/10/2009).
MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA A TAXA SELIC. Correta a exigência da multa de oficio, em se tratando de auto de infração lavrado contra empresa que era controladora da contribuinte à época das irregularidades, bem como dos juros de mora a taxa Selic sobre o principal. Por sua vez, sobre a multa de oficio, os juros devem ser de 1% ao mes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação à inaplicabilidade do limite de 30% para compensação de prejuízos. Vencidos, nessa parte os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira..Por unanimidade de votos, manter a exigência da multa de ofício. Por maioria de votos, determinar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício no percentual de 1% ao mês. Vencidos em votações sucessivas nessa matéria os Conselheiros Carlos Pelá, que votou pela não incidência; Leonardo de Andrade Couto, que votou pela manutenção integral do lançamento; e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou pela cobrança de juros sobre a multa de ofício com base na SELIC, quando essa taxa mensal for inferior a 1%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio José Praga de Souza..
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CARLOS PELA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão CSRF 9101/00.401 de 2/10/2009). MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA A TAXA SELIC. Correta a exigência da multa de oficio, em se tratando de auto de infração lavrado contra empresa que era controladora da contribuinte à época das irregularidades, bem como dos juros de mora a taxa Selic sobre o principal. Por sua vez, sobre a multa de oficio, os juros devem ser de 1% ao mes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação à inaplicabilidade do limite de 30% para compensação de prejuízos. Vencidos, nessa parte os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira..Por unanimidade de votos, manter a exigência da multa de ofício. Por maioria de votos, determinar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício no percentual de 1% ao mês. Vencidos em votações sucessivas nessa matéria os Conselheiros Carlos Pelá, que votou pela não incidência; Leonardo de Andrade Couto, que votou pela manutenção integral do lançamento; e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou pela cobrança de juros sobre a multa de ofício com base na SELIC, quando essa taxa mensal for inferior a 1%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio José Praga de Souza.. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 334 1 333 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.008977/200989 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.055 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria IRPJ. BALANÇO DE ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. AJUSTES. LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Recorrente CÁLAMO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE BELEZA S/A. Recorrida 1a. TURMA DA DRJ EM CURTIBA PR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão CSRF 9101/00.401 de 2/10/2009). MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA A TAXA SELIC. Correta a exigência da multa de oficio, em se tratando de auto de infração lavrado contra empresa que era controladora da contribuinte à época das irregularidades, bem como dos juros de mora a taxa Selic sobre o principal. Por sua vez, sobre a multa de oficio, os juros devem ser de 1% ao mes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação à inaplicabilidade do limite de 30% para compensação de prejuízos. Vencidos, nessa parte os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira..Por unanimidade de votos, manter a exigência da multa de ofício. Por maioria de votos, determinar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício no percentual de 1% ao mês. Vencidos em votações sucessivas nessa matéria os Conselheiros Carlos Pelá, que votou pela não incidência; Leonardo de Andrade Couto, que votou pela manutenção integral do lançamento; e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou pela cobrança de juros sobre a multa de ofício com base na SELIC, quando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 89 77 /2 00 9- 89 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 335 2 essa taxa mensal for inferior a 1%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio José Praga de Souza.. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL, cumulados com multa de ofício de 75% e juros, relativos a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, oriundos (i) da suposta compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa inexistentes, desproporcionais ao patrimônio líquido remanescente na operação de cisão parcial da sociedade Shopping Estação Ltda. (CNPJ n° 03.967.151/000101); e (ii) da suposta compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa acima do limite de 30%, efetuada pela empresa Shopping Estação Ltda. (CNPJ n° 03.967.151/000101), em 02/05/2007 (fl. 18 e 24), no momento de sua incorporação pela autuada. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 80/88), trazendo as seguintes alegações, conforme relatório da DRJ/CTA: a) aduz que a apontada compensação de prejuízos fiscais inexistentes decorre, unicamente, do preenchimento equivocado da DIPJ de cisão do Shopping Estação Ltda, correspondente ao período de janeiro a novembro/2004 (fl. 33), cujos valores serviram de base para os registros eletrônicos da RFB; b) que na ficha 52 dessa declaração foi equivocadamente informado que o percentual do patrimônio cindido foi de 44,11%, fato que levou o Sapli a considerar como remanescente a parcela de 55,89%, quando na realidade o percentual correto do patrimônio liquido cindido e vertido foi de apenas 0,1964%, correspondente a um valor de R$ 60.197,00 de um PL de R$ 30.655.168,80 (doc. 01); logo, o percentual a ser considerado, para fins de mensuração do montante do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa passíveis de serem aproveitados pelo Shopping Estação, quando da cisão, é de 99,80%; Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 336 3 c) que quando das verificações decorrentes da exigência fiscal, constatou que, na verdade, houve sim um aproveitamento a maior, indevido, do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, quando da cisão, mas tão somente no valor de R$ 14.756,18 (doc. 2), em relação ao qual procedeu, no prazo impugnatório, o recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos (doc. 3); d) quanto ao limite de 30% do lucro liquido ajustado, argúi que é pacifico, quer na doutrina, quer na jurisprudência administrativa, de que, em se tratando de incorporação total com encerramento das atividades da pessoa jurídica, não se aplica a trava de 30 prevista nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 1995; e) que essa regra é voltada às empresas ativas, que têm o direito de sempre compensar os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas existentes, ou seja, assegura a regra da continuidade das empresas e das regras fiscais a ela impostas; f) na hipótese de extinção da pessoa jurídica, seja por que modalidade for, não é lógico, justo ou coerente com a razão de ser da norma concluir que o saldo negativo existente quando desse evento se perdesse; que, no mínimo, seria uma verdadeira apropriação indébito por parte do fisco e um desrespeito ao principio da isonomia tributária e da continuidade empresarial; que é inquestionável, em se tratando de incorporação total da empresa, que tal direito desaparece, não havendo como se realizar esse diferimento do prejuízo, razão pela qual resta evidente que nessa hipótese não tem aplicação a trava de 30%, sob pena, então, de macula ao próprio conceito de renda; h) argumenta que na eventualidade de ser mantida alguma parcela dos créditos tributários lançados, outro aspecto a ser considerado é o descabimento da aplicação da multa de oficio, pois a empresa autuada o foi na qualidade de responsável tributária, por sucessão, nos termos do art. 132 do CTN; que, desse modo, não foi ela quem praticou a suposta infração e, nessas condições, não há no ordenamento jurídico autorização para que essa responsabilidade tributária recaia também sobre a parcela da penalidade; i) questiona a aplicação de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de oficio após o término do prazo para pagamento amigável da exigência fiscal; A DRJ/CTA, optou por manter a decisão de primeira instância, afirmando, em síntese, que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas constitui faculdade cujo exercício é admitido somente diante da efetiva existência desses saldos e limitado a 30% (trinta por cento) do lucro real ou da base de cálculo da CSLL do ano, inexistindo exceção para situações específicas, tais como, in casu, de extinção da pessoa jurídica por incorporação. Inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário, em que repisa os argumentos de sua peça impugnatória, além de trazer à colação doutrina e jurisprudência sobre a matéria. É, no essencial, o Relatório. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 337 4 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Tendo a Recorrente concordado com a autuação relativa a parcela de R$ 14.756,18 da compensação de saldos inexistentes de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, efetuando os recolhimentos de fls. 119122, o cerne da questão agora está em saber se a empresa Shopping Estação Ltda. (sucedida pela Recorrente) estava ou não autorizada a compensar integralmente os prejuízos fiscais e bases negativas, na apuração do imposto devido em seu último exercício social, quando foi extinta por incorporação. Historicamente, a disciplina da compensação de prejuízos fiscais com lucros de exercícios futuros iniciouse com a Lei nº 154/47. Referida lei limitava o exercício do direito a essa dedução em até três exercícios posteriores àquele em que fora apurado o prejuízo. Posteriormente, com o advento do DecretoLei nº 1.493/76, o exercício do direito de compensar prejuízos fiscais foi ampliado para possibilitar sua compensação com os lucros de até quatro exercícios futuros. Dita possibilidade mantevese com o advento da Constituição de 1967 e DecretoLei nº 1.598/77, sob a então nova sistemática de valores apurados e registrados na escrituração fiscal. Continuamente, com o advento da Lei nº. 8.383/91 o prazo máximo para a compensação de prejuízos fiscais acumulados foi eliminado, posteriormente reinserido pela Lei nº 8.541/92 e, por fim, novamente eliminado com o advento das Leis nº 8.981 e 9.065 de 1995. Contudo, apesar de não haver mais limitação temporal, as novas leis de 1995 inovaram trazendo uma limitação quantitativa, a denominada “trava dos 30%”. Vejamos: Art. 42 da Lei nº 8.981/95 A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Art. 15 da Lei nº 9.065/95 O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. A partir daí, a compensação de prejuízos fiscais acumulados se sujeita ao limite de 30% (trinta por cento) do lucro e o excesso pode ser compensado em exercícios seguintes, até o seu limite total. Assim, a história nos conta que o legislador sempre reconheceu a importância e necessidade da compensação de prejuízos fiscais e, por isso, nunca houve limitação ao direito da plena compensação de prejuízos fiscais acumulados. Concluise, portanto, que o contexto normativo brasileiro desde sempre tomou como base o pressuposto da continuidade da pessoa jurídica. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 338 5 O princípio da continuidade da pessoa jurídica foi desenvolvido pela ciência contábil, de forma que essa tivesse instrumentos hábeis para prever o aferimento de lucro em sociedades com prazo indeterminado. O próprio Conselho Federal de Contabilidade já discorreu que o princípio da continuidade pressupõe a continuação da entidade no futuro, fazendo com que “a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levem em conta essa circunstância” (Art. 5º, da Resolução CFC nº 750/1993, alterada pela Resolução CFC nº 1.282/2010). Esse pressuposto deve ser compreendido como princípio lógico e objetivo a nortear as regras de apuração do IRPJ e da CSLL. Da mesma forma e não por outra razão, a periodicização da apuração do resultado empresarial deve ser vista como ficção legal, reconhecida pela legislação societária e tributária com o simples objetivo de inserir, no contexto da continuidade da pessoa jurídica, um lapso temporal que possibilite a comparabilidade periódica do seu desempenho. Noutras palavras, digase que a regramatriz de incidência do IRPJ e da CSLL não se realiza em um só exercício. Inexistindo comunicabilidade entre os exercícios sociais estabelecidos, a apuração de qualquer resultado tributável será distorcida. É, pois, justamente esse o intuito da compensação, realizar a integração do resultado de exercícios passados e futuros, fazendo com que a tributação recaia sobre o que é de fato lucro tributável/acréscimo patrimonial e não sobre o que é patrimônio ou capital. Nesse sentido, citese o memorável trabalho do mestre e doutor Eurico Marcos Diniz de Santi a respeito do tema: “Aplicar a Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL significa constituir um enredo normativo formando um sistema de regras. Ou seja, a Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL é um feixe normativo formado (i) pelas regras de apuração do IRPJ e da CSLL (regras de conhecimento de receitas e despesas, adições e exclusões); (ii) pela regra de compensação de prejuízos fiscais (que integra o feixe das regras de apuração e estabelece a relação entre a regra de apuração do exercício atual e os prejuízos fiscais de exercícios anteriores); (iii) pela regra de ajuste anual (que consolida a relação entre apuração do lucro real e as estimativas e retenções na fonte desse mesmo anobase) e eventuais regras outras não pertinentes para essa análise. Portanto, a Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL pressupõe o cálculo lógico dessas três regras integradas. A incidência isolada de cada uma dessas regas, juridicizando determinado fato, implica em uma “fotografia” que é simples perspectiva parcial da Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL. Tão somente o conjunto ordenado dessas três regras aplicadas conjuntamente pode constituir o “filme normativo” que representa a hipótese de incidência e os respectivos fatos geradores do IRPJ e da CSLL.” (in Revista Dialética de Direito Tributável nº 185, pgs. 42 e 43). Em profunda consonância com esses pressupostos é que o Conselho de Contribuintes sempre afirmou, o que se comprova facilmente por seu histórico de decisões, que nos casos de encerramento ou extinção empresarial, não se aplica a trava de 30% (trinta por cento). Isso porque, especialmente nesses casos, não haverá possibilidade de a pessoa jurídica utilizar os prejuízos fiscais acumulados em exercícios futuros. Lembrando, Fl. 338DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 339 6 ainda, que o prejuízo da incorporada não se soma ao da incorporadora por expressa vedação legal. Vale dizer que a legislação atual não é limitadora, mas, sim, garantidora do direito dos contribuintes, já que torna imprescritível o direito do contribuinte compensar prejuízos fiscais acumulados com o lucro líquido apurado posteriormente. Como bem lembram os julgados do então Conselho de Contribuintes, “a norma ao impor a trava na compensação, não pretendeu tolher o direito dos contribuintes de não recolher o IRPJ sobre a recuperação do capital, correspondente ao lucro após o prejuízo. Pretendeu sim uma arrecadação mínima, se apurado lucro líquido, com a limitação de prejuízo fiscal acumulado” (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. Câmara / Acórdão 10807.456 em 02.07.2003). Prova disso é que a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 998 convertida na Lei nº 9.065/95 esclarece que a limitação quantitativa inserida no ordenamento jurídico só se justifica em razão de não haver limitação temporal: “Arts. 15 e 16 do Projeto: (...) A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo”. Além do que, o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 183.155, já manifestou entendimento no sentido de que não há impedimentos para o aproveitamento do prejuízo fiscal acumulado até o seu esgotamento. Vejamos: “Observese detalhe de importância fundamental: embora esteja limitada a dedução de prejuízo ao exercício de 1995, não há empecilho de que os 70% (setenta por cento) restantes venham a ser abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução”. Com efeito, a correta exegese da norma legal impõe o aproveitamento do prejuízo fiscal em havendo lucro, no tempo; quando não há mais esse tempo não há sentido para aplicação da “trava” (inteligência da declaração de voto do ilustre Conselheiro Valmir Sandri no Acórdão nº 910100.401 da CSRF). Analisando a decisão de primeira instância, verificase que foi fundamentada nos seguintes argumentos: (i) não existe previsão legal expressa ao aproveitamento dos prejuízos fiscais nos casos de encerramento e extinção empresarial; e (ii) o direito ao abatimento de prejuízos fiscais acumulados é expressivo de benefício fiscal a favor do contribuinte. Para logo, digase que não merece prosperar o argumento utilizado pelas autoridades fiscais de que as regras atuais não afirmam expressamente que a trava de 30% (trinta por cento) não se aplica aos casos de encerramento e extinção da pessoa jurídica. É sabido que existem no ordenamento jurídico normas implícitas e normas explícitas. A possibilidade de compensar integralmente prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas em casos de encerramento e extinção empresarial é o típico exemplo de norma implícita, que decorre de normas explícitas e positivadas, bem como de normas fundamentais e princípios basilares do direito. Sua existência é conseqüência do raciocínio lógico que parte das normas expressas, dispensando, a redundância que seria, se observados os conceitos de renda, lucro e proventos de qualquer natureza, os princípios da continuidade empresarial e da Fl. 339DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 340 7 comunicabilidade dos exercícios, a edição de norma expressa com o conteúdo que já decorre de normas explícitas. Aliás, o fisco não pode explorar lacunas da própria legislação fiscal para restringir a interpretação do conceito de renda, lucro e proventos de qualquer natureza e, ainda, deixar de observar a proporcionalidade no fluxo arrecadatório em contraponto a conceitos constitucionais como isonomia, capacidade contributiva e o nãoconfisco. Observese ainda que, não prosperam as comparações do caso concreto com as demais hipóteses em que a norma legal expressamente determinou o afastamento da trava de 30%, já que nessas hipóteses específicas a continuidade da empresa persiste, justificando a necessidade da disposição expressa, ao passo que aqui, não há continuidade da pessoa jurídica. De outro giro, o uso da expressão “tratamento fiscal favorecido” não parece contextualizado, tampouco apropriado para os casos em comento. Em sua acepção, beneficio fiscal denota regime especial de tributação que se mostra mais vantajoso em relação aos regimes normais. Logo, benefícios fiscais não podem recair sobre bases em que sequer há tributação, como é o caso de prejuízos fiscais. No mais, incentivos fiscais, como são conhecidos os benefícios desoneradores concedidos pelo legislador tributário, pretendem induzir o contribuinte a um comportamento prédefinido, incentivando reações específicas, especialmente na esfera econômica. Sob esse prisma, negar ao contribuinte a possibilidade de compensar integralmente prejuízo ou base negativa acumulada quando do encerramento ou extinção de suas atividades performa conduta inversa e nitidamente desincentivadora àqueles que se arriscam na empreitada empresarial. Longe de ser um benefício fiscal, o direito à compensação do estoque de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas, é a realização do princípio da capacidade contributiva, da renda efetiva na empresa, e da relatividade da independência dos períodos relatividade essa que foi expressamente consagrada pelo art. 6º, §§ 5º e 6º, do Decretolei 1.598/77. Verificase, dessa forma, que os argumentos utilizados pela decisão recorrida não se sustentam ou não se aplicam. Nesse escopo, desconsiderar prejuízos equiparase a desconsiderar deduções ou direito a créditos, perfazendo meios de majorar silenciosamente a tributação, sem autorização legal. Deixo de analisar as alegações sobre o cabimento da transmissão da multa de natureza punitiva nos casos de incorporação e sobre a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, posto que desnecessário ao deslinde da controvérsia. Ante o exposto, entendo que as razões invocadas para negar o direito à compensação não podem prevalecer neste caso, de modo que voto por dar provimento ao recurso voluntário, para considerar correta a compensação integral dos prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas no momento em que extinta a pessoa jurídica, apurouse os resultados de seu último exercício social. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 340DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 341 8 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Redator Designado. Nos debates para julgamento do recurso voluntário interposto neste processo divergi do ilustre relator, conselheiro Carlos Pelá, quanto a legalidade da limitação das compensações de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, nas hipóteses de extinção da empresa. De inicio, repisei considerações acerca do limites de atuação deste colegiado no que tange a observância de normas legais e decretos. Isso porque, em razão de sua jurisdição limitada, não pode, o CARF, órgão administrativo de julgamento do Ministério da Fazenda, negar aplicação a dispositivo legal em vigor, enquanto não reconhecida pelo STF sua desconformidade com a Constituição. Essa matéria, inclusive, é objeto da Súmula do No. 1 do CARF, cujo enunciado é o seguinte: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, este Colegiado não detém competência para o afastamento de dispositivo legal regularmente inserido no ordenamento jurídico brasileiro, tampouco darlhe interpretação extensiva, sob a alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade do ato. Tal competência é privativa do Poder Judiciário, conforme determina a Constituição da República em seu artigo 102, I, “a”. Esse entendimento está sedimentado nas diversas turmas do CARF, da CSRF e dos antigos Conselhos, mas devo reconhecer que vem sendo extrapolado em muitas decisões em face da dificuldade de estabelecer qual o seu limite. Relembrei, inclusive, um exemplo emblemático da observação desse limite: a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre ressarcimentos de IPI (crédito básico ou crédito presumido). Embora seja pacífico que ressarcimento não se confunde com restituição, a própria CSRF durante vários anos, em determinada composição de sua 2a. Turma, concedia a incidência de Selic sobre os ressarcimentos, a partir do momento que passei a presidila esse entendimento foi revertido, isso porque prevaleceu na nova composição daquele Colegiado que não há previsão legal para essa incidência. Reafirmo, então, que no presente caso, não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de trinta por cento do lucro real, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, daí peço vênia para adotar os jurídicos fundamentos do voto condutor do acórdão CSRF 910100.401 de 2/10/2009, julgamento do qual participei: “(...) Quanto ao mérito, busca a Recorrente, na qualidade de incorporadora, reconhecimento do direito à compensação do pagamento que a incorporada realizou como estimativa. No balanço de incorporação foi realizado todo o prejuízo fiscal – mesmo acima do limite de 30% – de sorte que todas as estimativas se constituíram em saldo negativo de IRPJ, objeto do pedido de compensação. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 342 9 Em 30 de maio de 2003 ela apresenta Declaração de Compensação (PER/DCOMP), transmitida eletronicamente, objetivando compensar o crédito acima mencionado correspondente ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000, apurado pela empresa incorporada, Fertilizantes Serrana S/A, no valor de R$ 7.778.295,55, com débito do IRPJ do período de apuração abril de 2003 (estimativa mensal), no valor de R$ 11.443.428,41. No acórdão recorrido a composição do crédito se apresenta na ordem seguinte: Imposto de Renda Retido na Fonte: R$ 1.242.157,81 Pagamentos efetuados: R$ 5.371.649,37 Estimativas Compensadas: R$ 1.164.488,37 Total: R$ 7.778.295,55 Conforme despacho decisório de fls. 58/59, a referida composição do crédito está representada pelos documentos de fls. 03/09. Nesse sentido, temos: Afirma a autoridade administrativa que inicialmente apreciou o pedido, o seguinte: (...) 1. os pagamentos estavam confirmados e declarados em DCTF; 2. as estimativas compensadas tinham sido devidamente declaradas em DCTF; e 3. no que tange ao imposto de renda na fonte, consideradas as Declarações de Imposto Retido na Fonte entregues pelas fontes pagadoras, o montante seria de R$ 995.956,60, inferior, portanto, ao declarado pela recorrente. Complementa a referida autoridade que o valor pleiteado pela recorrente não pode prevalecer porque a empresa incorporada não considerou o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais previsto em lei, daí ter resultado em errôneo saldo final de imposto de renda a recuperar. Ou melhor, se a contribuinte tivesse considerado o limite de 30% na compensação de prejuízo, não haveria imposto a ser restituído. Refeitos os cálculos para melhor apurar o imposto devido pela incorporada, dentro do limite legal de 30% da compensação dos prejuízos fiscais, indefere a homologação da compensação do imposto na forma requerida. Logo, considerando o limite do prejuízo de 30%, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária, em São Paulo, refez o quadro de apuração do saldo do imposto, concluindo que a sucessora ainda estaria em débito para com o Tesouro Nacional pela incorporação da empresa, já que a Recorrente, na qualidade de sucessora, é beneficiada ou responde por todos os direitos e obrigações da sucedida (ex vi do art. 227 da Lei n° 6.404, de 1976). A decisão recorrida dá razão à Recorrente, no tocante à análise da (Derat/SPO) ao considerar, para efeito de ajuste, sob o título ANTECIPAÇÕES POR ESTIMATIVA, o valor de R$ 7.724.358,93, apurando um saldo devedor no valor de R$ 434.592,27, sem, contudo, demonstrar a composição desses valores. Todavia, afirma que a discussão é irrelevante quando se constata que, mesmo considerando o total de imposto declarado e pago por estimativa, pela sucedida (R$ 7.970.560,37), ainda assim, se considerasse o limite dos prejuízos em 30%, restaria saldo de imposto a pagar eis que a compensação integral dos prejuízos fiscais pela extinção da empresa, face à incorporação, é, de fato, indevida. Daí resulta que o foco da presente lide consiste em analisar se há amparo legal que permita a compensação integral dos prejuízos fiscais, sem observância do Fl. 342DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 343 10 limite de 30% a que se refere o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995, quando do desaparecimento da empresa, por incorporação, em decorrência de reorganização societária ou por qualquer outro motivo. Este o cerne da questão a ser enfrentada neste processo. Confesso seduzirme, inicialmente, a tese defendida pela Recorrente, de sorte que no acórdão paradigma, da então 8a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com ela concordei. Todavia, melhor refletindo, revi meu posicionamento pelos motivos que neste voto discorro. Um dos exemplos trazidos a lume, também como paradigma, é a decisão proferida no recurso 126597, Ac. CSRF/0104.258 de 01/12/2002, do i. Conselheiro Celso Alves Feitosa, que negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional e está assim decidido e ementado: (...) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Verinaldo Henrique da Silva. COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA – No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada. Nesse julgado a decisão afirma que não há óbice a compensação integral, nos casos de declaração de encerramento de atividades, tanto do imposto de renda das pessoas jurídicas, quanto da contribuição social sobre o lucro E na mesma linha, com o brilhantismo habitual, o i. patrono da Recorrente sustenta que o limite imposto através do artigo 15 da Lei 9065/1995 não se aplica nos casos de extinção da pessoa jurídica em virtude de incorporação pois, caso contrário, a empresa incorporada perderia o direito à compensação de prejuízos, o que não corresponde à finalidade do mencionado artigo, conforme entendimento até então majoritário da jurisprudência deste Colegiado. Mas, esta não é a melhor interpretação para o conteúdo semântico do artigo 15 da Lei 9065/1995. Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial no.307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: O princípio da legalidade, do mesmo modo que impõe a exigência de cobrança a tributo só por lei expressa, também, exige que a compensação de prejuízos com lucros para fins tributários somente ocorra com autorização legislativa. Insubsistente a tese da recorrente de que não há proibição da compensação pretendida. No regime de direito público, especialmente no campo do direito tributário, a relação jurídica decorre de norma positiva. O silêncio da lei não cria direitos para nenhuma das partes: sujeito ativo e sujeito passivo. Outrossim, no trato de qualquer benefício fiscal, mesmo concedido por lei, a interpretação é restritiva. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 344 11 Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N.8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5o, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do inicio de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto a interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de benefício fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4.Já quanto à limitação da compensação dos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar,ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão: "A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazêlo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5.(...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6.Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 345 12 Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7.A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito"oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à "socialização"dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. E a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o benefício será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CF, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art. 5o, XXXVI). (...) 8.Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado eis que a norma que cuida de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva , nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Neste sentido é a jurisprudência consoante arestos a seguir elencados: Ementa: .... I. A legislação pertinente ao Simples ao prever exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111, I do CTN. ....” (STJ. REsp 825012/MG. Rel.: Min. Castro Meira. 2ª Turma. Decisão: 16/05/06. DJ de 26/05/06, p. 250.) Ementa: .... I. Da leitura do art. 151 do CTN dessumese que as possibilidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário nele estão exauridas, não comportando interpretação extensiva do seu conteúdo, ante o teor do art. 111, inciso I, do CTN. ....” (STJ. Resp 782729/PR. Rel.: Min. Castro Meira. 2ª Turma. Decisão: 06/12/05. DJ de 01/02/06, p. 506.) “Ementa: .... I. O art. 111 do CTN, que prescreve a interpretação literal da norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de apreciar e aplicar as normas de direito, de valerse de uma equilibrada ponderação dos elementos lógicosistemático, histórico e finalístico ou teleológico, os quais integram a moderna Fl. 345DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 346 13 metodologia de interpretação das normas jurídicas. ....” (STJ. REsp 192531/RS. Rel.: Min. João Octavio de Noronha. 2ª Turma. Decisão: 17/02/05. DJ de 16/05/05, p. 275.) “Ementa: .... II. Nos termos do art. 111 do CTN, a interpretação das normas de índole tributária não comportam ampliações ou restrições, e, sendo possível mais de uma interpretação, todas razoáveis, deve prevalecer aquela que mais se aproxima do elemento literal. ....” (TRF 2ª Região. AMS 94.02.140859/RJ. Rel.: Des. Federal Poul Erik Dyrlun. 6ª Turma. Decisão: 15/12/04. DJ de 10/01/05, p. 52.) De fato, quando a lei quis que fosse liberado o limite a compensação de 30% dos prejuízos fiscais, o fez de forma expressa, como foi o caso dos lucros auferidos pelas empresas inseridas no regime Befiex, como se vê no artigo 95 da Lei 8981/1995, com a redação inserida através do artigo 1o. da Lei 9065/1995, a saber: "Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas." Nesta esteira a Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, vem determinando, quanto a Compensação de Prejuízos Fiscais, o seguinte: Art. 35. Para fins de determinação do lucro real, o lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido pela compensação de prejuízos fiscais em até, no máximo, trinta por cento. (...) § 4º O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividades rurais, bem como aos apurados pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981 com a redação dada pela Lei nº 9.065, ambas de 1995. Nesta normativa, também, a confirmação do que dispunha o artigo 14 da Lei 8023/1990, no que tange ao tratamento diferenciado concedido às empresas que exercem atividades rurais que podiam compensar todos os prejuízos incorridos, sem limites. Lei 8023/1990: Art. 14. O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores. O permissivo é posteriormente ampliado para a CSLL através do art. 41 da MP 2.11332 de 21/06/2001, como segue: MP 2.11332 de 21/06/2001 Art.41.O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 347 14 A interpretação fundada em argumentos finalísticos serve de auxílio à interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente. Mas, por amor ao debate, mesmo que de benefício fiscal não se tratasse, no mínimo teríamos que admitir que as normas jurídicas exceptivas à trava dos 30% acima referidas também devem ser interpretadas de maneira restrita. É de se ver. As normas jurídicas exceptivas, como é o caso, só abrange os antecedentes que especifica, devendo se utilizar, sim, do argumento a “contrario sensu”. Esse, inclusive, é o ensinamento do nosso mestre Jusfilósofo Pernambucano Lourival Vilanova em sua obra prima “As Estruturas Lógicas e o Sistema do Direito Positivo”, do qual extraímos o seguinte excerto: “A norma jurídica exceptiva só abrange os antecedentes que especifica, não outros, delineando conjuntounimembre ou conjuntomultimembre de sujeitos ou ações que caem fora da órbita de abrangência (da extensão em sentido lógico) ou âmbitodevalidade da norma geral. (...) Não consta, é certo, na enumeração das normas para preenchimento das lacunas, ao lado da inferência analógica, a inferência a contrario, mas ela está implícita em cânones, como meras diretivas (normas, ainda que sem a estrutura de verdadeiras normas de Direito Positivo), como a de que ´inclusão de um, importa na exclusão de outro´, ou no preceito já mencionado do art. 6º da antiga Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei que abre exceções a regras gerais só abrange os casos que especifica. Com isso, o legislador quis incorporar o adágio exceptiones strictissimae interpretationis sunt, ou indicar normativamente ao intérprete que, no Direito especial, como no Direito excepcional, não se deve pregar a extensão analógica, mas a excludência do que não está implícita ou explicitamente regulado, mediante a via do argumento a contrario sensu. Dizendo com F.Ferrar: ´pois se o legislador, por considerações especiais de utilidade, dispôs limitadamente a certos fatos ou pessoas, nos outros casos entendeu que o mesmo tratamento não tivesse lugar´(As Estruturas Lógicas e o Sistema de Direito Positivo, 1ª Edição, Ed. Max Lemond, páginas 263,265 e 266).(Destaquei) Vêse que a boa hermenêutica baseada nos ensinamentos de Lourival Vilanova ampara a utilização do argumento a contrario sensu, perfeitamente válido em se tratando de norma exceptiva. É quando um argumento que é considerado “quase lógico” (na visão de Perelman e Tyteca, no Tratado da Argumentação), passa a ser totalmente lógico no mundo do Direito (Lourival Vilanova). Não bastasse a obrigatoriedade da interpretação literal da norma que cuida de incentivo fiscal; dos argumentos expendidos pela Ministra Ellen Gracie; do tratamento interpretativo das normas exceptivas, por si, suficiente para ilidir os respeitáveis argumentos expendidos pela Recorrente que clama, em seu favor, por interpretação histórica e finalística, lembro, ainda, mais alguns pontos da evolução legislativa tratando de compensação em incorporações, cujas conclusões apontam para a total preocupação do legislador em não permitir, direta ou indiretamente, que esses eventos se transformem unicamente em instrumentos de aproveitamento disfarçados de prejuízos fiscais entre empresas: Fl. 347DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 348 15 a) no ano de 1976 foi elaborada a Lei no. 6.404/76, das Sociedades por Ações, que trazia no artigo 227 previsão de incorporação de uma sociedade por outra, sucedendo a incorporadora nos direitos e obrigações da incorporada; b) na esteira, o Decretolei no. 1.598/77, editado com finalidade de adaptar a legislação do imposto sobre a renda às inovações da Lei de Sociedade por Ações (Lei 6.404 de 15/12/76), instituiu a permissão, no § 5o. do artigo 64, de compensação dos prejuízos da sociedade extinta pela incorporadora; c) momento no qual obedeciase então ao princípio da legalidade estrita e era certo o direito à compensação d) O Decretolei no. 1.730, de 17 de dezembro de 1979, deu nova redação a este dispositivo (parágrafo 5o.do artigo 64), retirando a antiga redação do mundo jurídico. A redação do Decretolei 1.730 de 17 de dezembro de 1979 é a seguinte: Art. 1 São procedidas as seguintes alterações no Decretolei n 1.598 de 26 de dezembro de 1977: (omissis) § 3o. (omissis) IV São revogados os parágrafos 6o.e 8° do artigo 64, renumerado como parágrafo 6° o atual parágrafo 7o., e, passando o parágrafo 5o. a vigorar com a seguinte redação: "§ 5°. O Conselho Monetário Nacional pode autorizar a compensação do prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro real de outra, do mesmo grupo ou sob controle comum, quando a medida atender a interesses de segurança e fortalecimento da empresa nacional". Com a edição do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987, enterrase a possibilidade de realizar esta compensação, ao dispor o artigo 33: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos da sucedida. Deste modo, antes, em 1977 era possível compensar todo prejuízo. Em 1979, só com autorização do Conselho Monetário Nacional e, finalmente a partir de 1987, definitivamente, passou a ser proibido o aproveitamento em caso de incorporação. A mesma conclusão nos traz Hiromi Higushi in "Imposto de Renda Interpretação e Prática" 2002: " O art. 22 da MP n° 2.15835/01 dispõe que aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do Decretolei n° 2.341/87. Estes dois arts. estão assim redigidos: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 349 16 Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Antes da alteração, aquelas duas vedações para compensação somente eram aplicáveis na determinação do lucro real para pagamento do imposto de renda. A partir de 011099, as vedações aplicamse também para a base de cálculo da CSLL". A questão de direito é devidamente enfrentada no acórdão 10323.477, voto vencido do i. Conselheiro Antonio Bezerra Neto, a quem peço vênia para a transcrição seguinte, por bem definirem a matéria dos autos; (...)Em relação ao outro aspecto, a suposta peculiaridade do caso que se cuida (cisão parcial), em momento algum a lei estabeleceu exceções à regra de limitação para os casos ou de extinção, ou de sucessão por incorporação, fusão ou cisão. Ou seja, a lei não admitiu como direito subjetivo da empresa compensar seus prejuízos, de forma que, sobrevindo extinção ou sucessão, deixarseia de aplicar a limitação prevista na lei, de forma a permitir a compensação. O fato incerto de a lei estabelecer que a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente de seu patrimônio líquido, apenas implica reconhecer o fato óbvio de que a empresa não foi totalmente extinta, e por isso foi estipulado um critério matemático (proporcionalidade em relação ao percentual do capital cindido) para resguardar os prejuízos fiscais da empresa cindida, que por sua vez terá a oportunidade de compensar esses prejuízos, pela sistemática normal das demais empresas, o que implica em limitação dos 30% e não vedação da plena compensação de prejuízos ou da base de cálculo negativa da CSLL, como quer fazer crer a recorrente. Outrossim, data máxima vênia, também não cabe o argumento utilizado pela CSRF e em alguns julgados da 1ª Câmara, calcado em uma interpretação finalística. Dizem que pelo fato de o texto legal não ter cerceado o direito do contribuinte de compensar os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994 com o lucro real obtido a partir de 10 de janeiro de 1995 (extinção da trava temporal), isso implicaria dizer que estaria sempre garantido o aproveitamento de todo o estoque de prejuízos da empresa. É que esse raciocínio só é válido no pressuposto da continuidade da vida empresarial da empresa. É claro que em uma descontinuidade da mesma, como é o caso de uma incorporação ou cisão, a regra de limitação da “trava de 30%” deve prevalecer. Ademais, não é todo juízo de finalidade que derroga o conteúdo semântico de uma norma, mormente essa, que traz uma regra de vedação bastante clara sem comportar qualquer tipo de exceção. Um mínimo de conteúdo semântico merece ser respeitado, não podendo ficar ao livre arbítrio do intérprete. Diferentemente da pretensão exarada na tese vigente neste Conselho há vedação legal ao aproveitamento dos prejuízos nos casos de incorporação, como se vê na leitura do Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 350 17 Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. O artigo 32 explicita que a pessoa jurídica não pode compensar seus próprios prejuízos, quando “entre a data da apuração e da compensação ocorra modificação de seu controle societário ou ramo de atividade”. Para não deixar dúvidas quanto a impossibilidade de aproveitamento, no caso de extinção, o parágrafo único textifica que, nos casos de cisão parcial só é possível compensar a parcela que remanesce na cindida, na proporção dos próprios prejuízos. Exsurge do referido dispositivo que a lei determina, nos casos de extinção da empresa, que os prejuízos perecem junto com a incorporada em seu último ano de vida, que é a exata situação dos autos. Independentemente da proibição do artigo 15 da Lei 8.981/1995, o Decretolei já proibia qualquer aproveitamento de prejuízos nos casos de encerramento de atividades, o que prova que o suposto direito adquirido pretendido, já não existia desde então. Permanecer aceitando a tese implicaria negar vigência ao dispositivo de lei validamente editado. (...)” (Os grifos e destaques são do original). Ancorado nos brilhantes fundamentos acima transcritos, da lavara da ilustre conselheira Ivete Malaquias, resta manter a aplicação da trava de 30% dos lucros, para compensar prejuízos, na situação versada nos presentes autos. Aplicação da multa de oficio sobre a sucessora. Sustenta a recorrente ser indevida a multa de ofício lançada pela fiscalização, por contrariedade ao art. 132 do Código Tributário Nacional e outras disposições legais. Isto porque a recorrente é a sucessora, por incorporação, da pessoa jurídica que teria cometido a infração em questão. O assunto não é novo e já foi exaustivamente analisado pelo CARF, tendose consolidado o entendimento de que, mesmo que se entenda que o artigo 132 do CTN trate exclusivamente da responsabilidade pelos tributos devidos no caso de sucessão empresarial —e exclua a multa de ofício, portanto — tal exegese não prevalece quando o controle efetivo da incorporada e da incorporadora pertencem ao mesmo grupo econômico. A matéria inclusive é objeto de súmula, cuja observação é obrigatória no âmbito deste Colegiado, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.” Fl. 350DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 351 18 No caso concreto, a recorrente e autuada incorporou a SHOPPING ESTAÇÃO LTDA. Consoante registrado na DIPJ da incorporada, fl. 28, a autuada era detentora de 100% de seu capital, fato suficiente para demonstrar o pleno conhecimento, por parte da sucessora, dos fatos ocorridos na sucedida, ou seja, no caso, das infrações por esta cometidas. Juros de mora sobre a multa de oficio A recorrente questiona a cobrança de juros de mora `a taxa Selic sobre a multa de oficio. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados deste Conselho que ampara sua tese. A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciouse com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) A Seguir, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De fato o não pagamento de tributos e contribuições Fl. 351DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 1402001.055 S1C4T2 Fl. 352 19 nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Portanto, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Entendendo que a SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio, restam devidos os juros de 1% ao mês a que alude o Código Tributário Nacional, esse sim, aplicável à multa de oficio proporcional não pago no vencimento. Nesse sentido o acórdão 140200.213, cuja ementa transcrevo. MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio, lançada juntamente com o tributo ou contribuição não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. (acórdão 140200.213). Portanto, também não cabe razão ao contribuinte nessa parte. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter a tributação do principal, com multa de oficio e juros de mora sobre a multa de oficio à taxa de 1% ao mês (art. 161 do CTN). É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 352DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13971.720026/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.539
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Em 18.10.2007, a contribuinte Rohden Portas e Painéis Ltda. protocolou Pedido de Ressarcimento no valor de R$ 51.004,40, referente a PIS nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado externo, relativo ao final do terceiro trimestre de 2007. Em 17.10.2008, a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC emitiu Despacho Decisório deferindo parcialmente o pleito, não acatando a apuração dos créditos relacionados às seguintes operações: a) Aquisição no mercado interno de bens utilizados como insumos sem emissão de nota fiscal: a autoridade fiscal glosou o valor de R$ 318.272,12 referente à despesa ocorrida no trimestre, que a contribuinte, em resposta a intimação fiscal (fl.70), justificou como sendo decorrente de “exaustão de reflorestamento de Pinus, conforme contratados com a L. Schmaedecke Com. E Ind. Ltda. e com a Serraria São Pasquel Ltda.”, tendo em vista que a aquisição de insumo não encontrar respaldo na escritura fiscal da requerente, dado que ocorreu RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 02 6/ 20 08 -0 6 Fl. 650DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13971.720026/200806 Resolução nº 3401000.539 S3C4T1 Fl. 651 2 sem a emissão de nota fiscal pelo fornecedor e, por conseguinte, sem a incidência de tributação. b) Aquisição de serviços utilizados como insumos: b.1) quantia informada a maior: foram excluídos da base de cálculo dos créditos apurados no DACON, os valores referentes às despesas e taxas de importação de vidro, conforme esclarecimento prestado pela contribuinte em resposta à intimação fiscal; b.2) aquisição de serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessada, intimada a apresentar a memória do cálculo para os créditos referentes à linha três (Serviço Utilizado com Insumo), informou o CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Informa a autoridade fiscal que glosou todos os valores referentes às notas com esse CFOP, “considerando que a requerente não especificou – entre as notas fiscais com CFOP 1.949 que estão no LRE – quais estariam compondo os valores solicitados, já que todos os registros estão com campo de créditos de PIS/Pasep e Cofins zerados; considerando que esse CFOP, por referirse a “outras entradas não previstas” nos demais CFOP, a princípio, não corresponde a serviço utilizado como insumo”. c) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores relativos à despesa com locação de caminhões e carrocerias reboque, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeira Ltda., em razão de caminhão ser “espécie do gênero veículos e não do gênero máquina”, a teor da NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 25.11.2008, alegando, em síntese, que: a) Quanto à glosa de R$ 313.540,39 referentes à aquisição no mercado interno de bens utilizados como insumos, realizada sem emissão de nota fiscal, alegando que tal valor tratase de “amortização, eis que a aquisição da floresta se deu por contratos com prazo indeterminado, restando evidente o direito ao crédito à recorrente, nos termos do art. 3º, §1º, III da Lei 10.637/2002”. O valor referente à floresta adquirida gera direito de crédito, pois “foi utilizada como insumo no processo produtivo”, e ainda, mesmo que se trate de exaustão, a Solução de Consulta nº 254 de 19.7.2007, da SRF, prevê a possibilidade de crédito de formação de floresta. Conclui que a glosa não é consistente “eis que comprou o insumo, conforme faz prova os contratos e notas fiscais em anexo”. b) Quanto às aquisições de serviços não especificados, argumenta que os valores de entrada com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, já que se tratam de importâncias relativas a serviço de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Quanto à ausência de escrituração fiscal, esclarece que os prestadores de serviço não possuem inscrição estadual, mas somente municipal, motivo pelo qual “tais notas não podem ser lançadas nos livros fiscais, sendo lançadas apenas nos livros contábeis. Assim, por mais que não estejam lançadas no Livro de Registro de Entrada, tais notas foram devidamente contabilizadas”. Reclama que a autoridade fiscal, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. Ao final, requer que “caso este órgão julgador entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos” que seja determinado o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13971.720026/200806 Resolução nº 3401000.539 S3C4T1 Fl. 652 3 Em 2.7.2010 a 2ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: a) A interessada acatou as glosas dos valores referentes: às devoluções de compra para industrialização, à quantia informada a maior no DACON, referente aos valores de despesas e taxas de importação de vidro, e à locação de maquinas e equipamentos. b) Quanto à aquisição de serviços não especificados, a contribuinte anexou aos autos as notas fiscais que diz comprovar direito ao crédito pleiteado, entretanto não há como identificar se estas se referem de fato a serviços aplicados no processo produtivo da empresa, ou mesmo se consiste de serviço aplicado na aquisição de insumos da empresa; c) Mesmo que não houvesse tal falha de comprovação, o serviço de extração de madeira não geraria crédito por não constituir um serviço utilizado como um insumo, por ter sido aplicado em uma fase anterior ao início do processo produtivo da empresa; d) Quanto aos serviços de manutenção, nenhuma das notas fiscais apresentadas, a julgar pelas descrições dos serviços nelas contidas, referese a serviços de manutenção de máquinas; e) O pedido de retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito não pode ser deferido, dado que o ônus de comprovar a natureza dos créditos é da contribuinte. Assim, não é lícito ao julgador, propiciar ao pleiteante a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista legal, já deve compor o seu pleito desde a sua formalização inicial. Em 18.8.2010 a contribuinte foi cientificada da decisão, e em 17.9.2010, apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) O ônus da prova na comprovação da existência do direito creditório não é absoluto da contribuinte, uma vez que esta situação deve ser interpretada sistematicamente como o principio do contraditório e da ampla defesa. Se a contribuinte falhou na comprovação dos fatos que a autoridade julga pertinentes, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruíla, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado; b) Quanto aos “serviços não especificados”, não há como repudiar a ideia de que tais valores contribuem para um resultado ou obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. c) No que tange ao serviço de extração de madeira, tal procedimento não se constitui em etapa anterior ao processo produtivo da empresa, uma vez que o corte da madeira é efetuado com base nas exigências feitas pela recorrente. Nesse sentido, a partir do momento em que a árvore está sendo cortada já se iniciou o processo produtivo da empresa; d) Considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente e indispensáveis à obtenção do resultado final, a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção de máquinas e veículos; e) Quanto á glosa referente a aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda de árvores de pinus em pé, deve ser esclarecido que os créditos referemse a Fl. 652DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13971.720026/200806 Resolução nº 3401000.539 S3C4T1 Fl. 653 4 bens do ativo imobilizado, na medida que os contratos dão direito à exploração da floresta, configurando uma espécie de arrendamento da área, onde a recorrente obrigouse a abater as árvores compradas no prazo de 24 meses. Seguindo a instrução dada Decreto 3000/99, que regulamenta o Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, a recorrente vem fazendo a amortização mensal do montante referente ao valor dos contratos, sendo assim, a quota que gera o crédito é mensal e tem como base de cálculo a proporção do valor do contrato, conforme prevê o Decreto supracitado. Por fim, a contribuinte requer o direito de ressarcirse dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep, relativos ao 3º trimestre do ano de 2007, no tocante as despesas realizadas com a aquisição de floresta com contrato e exploração de floresta e manutenção de máquinas. É o relatório. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13971.720026/200806 Resolução nº 3401000.539 S3C4T1 Fl. 654 5 Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, Relator. Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma a contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS referente ao 3º trimestre de 2007. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde alega que é dever da autoridade administrativa requerer diligência nos casos em que os documentos apresentados pela contribuinte não comprovem a existência dos créditos. Alega também que a aquisição de floresta com contrato, exploração de floresta e, na manutenção de máquinas são fatos geradores de créditos. Primeiramente, o argumento de que a autoridade administrativa deve requerer diligência quando os documentos apresentados não comprovarem a existência de créditos, não merece lograr êxito, uma vez que este requerimento é uma liberalidade do julgador, devendo ser efetuado quando este entender necessária para sanar dúvidas inerentes aos documentos apresentados, conforme o art. 29 do Decreto nº. 70.235 de 6 de março de 1972, reproduzido abaixo: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Cabe ao réu comprovar o direito por ele alegado, conforme o art. 333 do Código de Processo Civil, que deve ser aplicado subsidiariamente no processo administrativo: Art.333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Parágrafo único.É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. Caso fosse o oposto, isto é, coubesse à autoridade administrativa buscar provas que demonstram a existência de créditos, seria privilegiado o contribuinte que se mantém inerte, uma vez que este irá apenas alegar o direito e esperar que o fisco se movimente para comproválo, portanto não merece êxito esta alegação da recorrente. No que tange aos créditos pleiteados pelo contribuinte, a Lei 10.637/02 define a base de cálculo para o crédito, no seu art. 3º, que segue abaixo: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 654DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13971.720026/200806 Resolução nº 3401000.539 S3C4T1 Fl. 655 6 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) . A principal lide deste processo é a classificação dos itens glosados como insumos, estes que tem definição distinta para os insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinas à venda e os utilizados na prestação de serviços, como podemos observar nas Instruções Normativas nº. 358/2003 e nº. 404/2004, as quais alteram a IN nº. 247/2002, que segue abaixo: “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o Pis/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores no mês: I – das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) §5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entendese como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) As matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e qualquer outros bens que sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; Fl. 655DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13971.720026/200806 Resolução nº 3401000.539 S3C4T1 Fl. 656 7 II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.” Tendo em mãos a definição de insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda e na prestação de serviços, cabe agora analisar cada item, para verificar se este se enquadra ou não na definição. No que tange aos gastos com manutenção de máquinas, o argumento da contribuinte deve prevalecer, uma vez que estes insumos não entram em contato com o produto em fabricação, entretanto, existe o desgaste causado por este produto no maquinário. Quanto ao serviço de extração, este é fato gerador de créditos, uma vez que cumpre os requisitos da regra matriz, mesmo sendo uma etapa préprodutiva, está envolvido diretamente com o produto final, tendo em vista que este insumo fornece a matériaprima que é utilizada no processo, portanto, a extração é um insumo da cadeia produtiva, pois, o material extraído sofre alterações físicas e químicas. Por fim, quanto à amortização da floresta adquirida, para que se resolva esta lide é necessária diligência para se averiguar o montante exato que adentrou o estoque da empresa, proveniente da floresta adquirida e que foi utilizado na fabricação do produto final, tendo em vista o princípio da verdade material, uma vez que se trata de matéria prima utilizada diretamente no processo produtivo. Frente a todo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que se averigúe o montante referente à madeira proveniente da floresta adquirida que foi utilizada no processo produtivo, durante o período de vigência do contrato, bem como os valores gastos na manutenção do maquinário e na extração da madeira, cientificandose a contribuinte do resultado para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. É como voto. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 11817.000233/2006-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
PERDIMENTO DE MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. TERCEIRO.
Deixa de configurar ilícito fiscal o desembaraço aduaneiro por terceiro quando constatado previamente que a fiscalização aduaneira tinha conhecimento do verdadeiro proprietário da mercadoria importada diante de indeferimento ao pedido de habilitação perante o SISCOMEX.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-001.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Domingos de Sá Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 PERDIMENTO DE MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. TERCEIRO. Deixa de configurar ilícito fiscal o desembaraço aduaneiro por terceiro quando constatado previamente que a fiscalização aduaneira tinha conhecimento do verdadeiro proprietário da mercadoria importada diante de indeferimento ao pedido de habilitação perante o SISCOMEX. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 02 33 /2 00 6- 28 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuida o presente recurso modificar a decisão de piso que manteve a multa aduaneira aplicada sob o fundamento de simulação, ocultação do verdadeiro adquirente/importador da mercadoria. Imputa a empresa Imports Parts Peças e Veículos Ltda. ter usado o “seu nome” para o desembaraço de mercadoria em virtude da impossibilidade do verdadeiro proprietário em fazelo por ter sido indeferido a habilitação perante o SISCOMEX. Descreve o Relatório Fiscal que aquisição teria sido realizada pelo Sr. Tiago Schettini Batista, por seu turno sócio da empresa GBP — Soft Análise de Sistemas Ltda, CNPJ 06.061.285/000157, nos termos: “0 Sr. Tiago Schettini Batista, CPF: 708.741.23100, sócio da empresa GBP — Soft Análise de Sistemas Ltda, CNPJ: 06.061.285/000157, adquiriu da empresa norte americana SLABB COMPANY, um terminal de autoatendimento bancário, tipo quiosque, conforme Fatura Comercial n° 7831031, datada de 17/0112006 e Conhecimento de Carga Aéreo n° 183 31698914, datado de 03/02/2006. Ao requerer a habilitação no SISCOMEX, visando o desembaraço da mercadoria, a empresa GBP teve seu pedido indeferido em 07/03/2006, por ter declarado como sede da empresa uma residência particular. Ato continuo, em 09/03/2006, o Sr. Tiago Schettini, endossou, tanto a Fatura quanto o Conhecimento de Carga, a empresa Imports Parts Peças e Velculos Ltda, que na mesma data, 09/03/2006, registrou a Declaração Simplificada de Importação n° 06/0006630, para desembaraço da referida mercadoria, fato este consumado em 16/03/2006. Exatamente no mesmo dia do desembaraço, 16/03/2006, o importador Imports Parts emitiu a Nota Fiscal de Venda n° 2574, a empresa GBPSoft, a/c do Sr. Tiago Schettini, real comprador da mercadoria no exterior”. Entendeu a fiscalização aduaneira tratarse de situação a configurar “simulação” com o objetivo de ocultar o verdadeiro/importador da mercadoria. Em razão da alienação do produto para terceiro de boa fé, transformou a pena de perdimento para multa, com espeque nos dispositivos legais: Arts. 602, 604, inciso IV, 618 e S1 0 do Decreto n ° 4.523/02 e art. 73, §§ 1 ° e 2 ° da Lei n ° 10.833/03. Inconformada com a pena imposta, sustenta que trata de orientação dada pela fiscalização aduaneira ao Sr. Tiago Schettini Batista, declina o nome dos auditores fiscais, ao ensejo de que a mercadoria não se enquadrava na classificação como importação simplificada para pessoa física, sendo necessária a interveniência de uma pessoa jurídica habilitada perante o SISCOMEX. Diante dessa orientação assumiu a condição de empresa importadora formal, registrando a D.S.I., de modo que o processo pôde ser auditado na Alfândega pelo Auditor Fiscal Sr. Darly Prezotti Júnior, de Matricula AFRF no 1131619, o qual procedeu a análise fiscal documental e tributária e a conferência física da mercadoria, desembaraçando a importação da forma aduaneira regulamentar em 16/03/2006, a internalizando o produto. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11817.000233/200628 Acórdão n.º 3403001.836 S3C4T3 Fl. 5 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos necessários ao conhecimento. A contenda travada neste caderno processual administrativo se refere aplicação de multa em razão do possível dano ao erário. A situação de fato ocorreu, a mercadoria teria sido importada pela pessoa do Sr. Tiago Schettini Batista, por seu turno sócio da empresa GBP — Soft Análise de Sistemas Ltda, CNPJ 06.061.285/000157, também há declaração do importador formal de que o produto se destinava a comercialização. A fiscalização aduaneira tinha conhecimento prévio de que o importador verdadeiro se tratava de pessoa física, cujo desembaraço da mercadoria tinha sido indeferido em 07 de março de 2006 por ter declarado como sendo o endereço da empresa o local de uma residência, e, considerando que o bem tinha destino comercial foi operação excluída do procedimento simplificado. Consta dos autos que a fiscalização aduaneira tomou conhecimento do desembaraço por meio de conversa de outros despachantes nos corredores, o que motivou o pedido de procedimento fiscal. No entanto, solicitou a Recorrente que fosse apresentado cópia do contrato social e informar a destinação do bem importado, justificado pela necessidade de exigência no curso do despacho DSI 06/00066303, o que se concretizou nos molde formulado abaixo: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SRRF l a REGIÃO FISCAL ALFÂNDEGA NO AEROPORTO INTERNACIONAL DE BRASÍLIA INTERESSADO: IMPORT PARTS PEÇAS E VEÍCULOS LTDA ASSUNTO: Exigência no curso do Despacho DSI 06/00066303 EXIGÊNCIA NO CURSO DO DESPACHO ADUANEIRO Tendo em vista a apuração da regularidade da importação instruída pela Declaração Simplificada de Importação 06/00066303, e de acordo com o artigo 3° da IN SRF 52 de 08 de maio de 2001, fazemos a exigência ao interessado de apresentar os documentos e informações abaixo discriminados: 1. Contrato Social e alterações da empresa IMPORT PARTS PEÇAS E VEÍCULOS LTDA (CNPJ 00.607.627/000105); 2. Informar a destinação do bem (consumo, revenda, industrialização, etc..,). Brasília, 14 / O 3 /2006. Independente da sustentação de que a fiscalização passou a conhecer o caso em decorrência de comentários de outros despachantes, a verdade que o processo de regularização aduaneiro iniciou com o verdadeiro dono da mercadoria, posteriormente, Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 assumido pela ora recorrente. Assim, não há como negar o conhecimento da verdade por parte da aduana, cujo dados do importador encontravam registrados no sistema interno da Receita Federal. Assim, vista a olhos nú, não há como atribuir o ilícito a empresa recorrente, diante de clara e insofismável situação de fato que a fiscalização conhecia o verdadeiro proprietário do produto importado. Diante do conhecimento prévio da fiscalização aduaneira do verdadeiro importador e do desembaraço, motivado por considerar situação regular, a aplicação de sanção deixa de ser razoável, por não se materializar a ocultação a que se refere o Decreto Lei n. 1.455/76. Assim, conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento para afastar a multa aplicada, decorrente de conduta de ocultação do sujeito passivo ou real responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a inexistência de interposição fraudulenta de terceiro. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.908681/2009-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/08/2006
PER/DCOMP.COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 27/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/08/2006 PER/DCOMP.COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido
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PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 86 81 /2 00 9- 74 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.908681/200974 Acórdão n.º 3801001.517 S3TE01 Fl. 63 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida em 24/10/2006, por meio da qual a contribuinte acima identificada procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville manifestouse pela não homologação da compensação (despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência de crédito informado, visto que estes já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não tendo restado créditos disponíveis, conforme DARF discriminado no Per/Dcomp. A contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que a DCTF foi declarada com erro material no seu preenchimento, apontando valor maior que o realmente devido a título de Cofins do mês de julho de 2006, a qual já se encontra retificada, conforme dados do DACON e com o PER/DCOMP em referência; e que o DACON 2007 aponta o valor real do valor devido de Cofins. Argumenta, ainda, que, conforme orientações gerais no site da Receita da Receita Federal do Brasil, nas divergências constatadas em pedido de compensação, deve ser oportunizado ao contribuinte que retifique eventuais erros de declaração. Transcreve trecho do site acerca do Termo de Intimação, onde trata das “orientações gerais”, e remete a ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes, bem como de processos judiciais. Requer o deferimento da compensação”. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano Calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 40 a 46, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. REQUER: Por todo o exposto, a recorrente comparece perante este justo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais requerendo o recebimento e processamento do presente recurso voluntário, para que, julgandoo procedente, seja reconhecido o seu direito integral de compensação pleiteado. Em 16 de fevereiro de 2012, por meio da Resolução 3801000.306, da Primeira Turma Especial da Terceira Seção, o julgamento foi convertido em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. informar a data da apresentação do DACON de julho/2006. 2. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 3. Retornar o processo a este CARF para julgamento. Em atendimento ao solicitado, a Unidade de Origem elaborou o documento intitulado “INFORMAÇÃO FISCAL”, fls. 57, onde consta: · a data da apresentação do Dacon ativo referente ao período de apuração 07/2006 é 23/03/2007. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.908681/200974 Acórdão n.º 3801001.517 S3TE01 Fl. 64 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Trata o presente caso de PER/DCOMP apresentada em 24/10/2006 (fls. 01/02), na qual é informado como origem do crédito pagamento a maior de COFINS, realizado em 15/08/2006, compensado com débito do IRPJ, referente ao PA 09/2006, no valor de R$ 13.192,72. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o crédito consignado na DCOMP já havia sido utilizado integralmente para a quitação de débitos da contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: A DCTF de julho/2006 aponta um saldo devedor de Cofins diferente do DACON, sendo que este retrata a realidade da empresa; Que na DCTF 07/2006 o valor da contribuição a pagar é de R$ 129.901,19, já no DACON era de R$ 116.974,75; Que o valor correto (R$ 116.974,75), descontado do DARF com vencimento em 15/08/2006 resulta no crédito informado no PER/DCOMP, apto a compensar o débito em cobrança. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 A DRJ/FNS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme ementa acima colacionada. Discordando da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, a interessada apresentou o recurso de fls. 40/46, reafirmando os argumentos trazidos anteriormente, acrescentando que os dados informados no Per/Dcomp estavam de acordo com àqueles constantes no Dacon. Compulsandose as peças que compõem o presente processo, em especial aquelas resultantes da diligência requerida por esse Colegiado, verificase que a recorrente informou na DCTF do 3º/trimestre/2006 (fls. 03), referente ao mês de julho, a importância de R$ 129.901,19 a título de Cofins nãocumulativa e efetuou o pagamento deste mesmo valor em 15/08/2006. Também, que apurou como devido, no mesmo período, o montante de R$ 116.974,75, Dacon, fls. 28. Registrase que o Dacon ativo referente ao período de apuração 07/2006 foi transmitido em 23/03/2007 e a ciência do Despacho Decisório se deu em 01/07/2009. Por conseguinte, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, entendo que efetivamente restou comprovada a ocorrência de pagamento da Cofins nãocumulativa em valor superior ao devido relativamente ao PA 07/2006, sendo devido o valor de R$ 116.974,75 e recolhido o valor de R$ 129.901,19, caracterizandose como indevido o valor original de R$ 12.926,44. Desse modo, diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 12.926,44, na data de 15/08/2006, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002125/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2004
SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, ainda não deduzidos em outro processo, prestam-se para redução das contribuições previdenciárias apuradas na sistemática das empresas em geral; portanto, excepcionada a parcela destinada aos terceiros, face a LC n° 123/2006.
Numero da decisão: 2402-003.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para que o acórdão seja re-ratificado no sentido de que ao recurso voluntário seja negado provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2004 SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, ainda não deduzidos em outro processo, prestam-se para redução das contribuições previdenciárias apuradas na sistemática das empresas em geral; portanto, excepcionada a parcela destinada aos terceiros, face a LC n° 123/2006.
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score : 1.0
Numero do processo: 10640.005364/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, conceder provimento parcial, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Marco André Ramos Vieira divergiu quanto a verba referente à participação nos lucros, pois entendeu que a verba integra o salário-de-contribuição. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, conceder provimento parcial, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Marco André Ramos Vieira divergiu quanto a verba referente à participação nos lucros, pois entendeu que a verba integra o salário-de-contribuição. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 734 1 733 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.005364/200860 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.023 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas dos Segurados Recorrente BECTON DICKINSON INDÚSTRIAS CIRÚRGICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, conceder provimento parcial, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Marco André Ramos Vieira divergiu quanto a verba referente à participação nos lucros, pois entendeu que a verba integra o salário decontribuição. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 53 64 /2 00 8- 60 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato Fl. 839DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005364/200860 Acórdão n.º 2302002.023 S2C3T2 Fl. 735 3 Relatório O Auto de Infração de Obrigação Principal foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 08/12/2008, referindose às contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados, conquanto não descontadas, incidentes sobre valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados, em desconformidade com a norma legal, no período compreendido entre 01/2003 a 11/2006. O relatório fiscal de fls. 14/20, traz que foram encontradas as seguintes irregularidades no pagamento da verba: os Termos de Acordo entre a autuada e a comissão de empregados, conta com a participação apenas do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná, em detrimento da participação dos sindicatos dos demais estados onde os valores a título de PLR foram pagos; que a verba foi paga mais de duas vezes ao ano e os acordos não possuem regras claras e objetivas, sendo as metas de caráter individual. Após a impugnação, Acórdão de fls., julgou a autuação procedente em parte para excluir as multas nas competências em que era mais gravosa ao contribuinte, considerando a sistemática trazida pela MP 449/2008, e considerando as autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais., conforme planilha constante da decisão, às fls. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso onde alega em síntese: a) a decadência qüinqüenal para as competências até 12/2003, em vista do artigo 150,§4º do CTN; b) que todos os acordos foram celebrados entre a recorrente e uma comissão de empregados, eleita pelos próprios empregados, com representatividade do Sindicato; c) que os pagamentos efetuados em 2003, 2004 e 2005, referemse aos acordos celebrados com o Sindicato do Paraná, aplicável aos empregados do Paraná (fábrica e centro de distribuição) e aos empregados das áreas administrativas e comerciais e com o Sindicato dos empregados de Minas Gerais, para os empregados de Juiz de Fora; d) que o pagamento relativo ao ano de 2006, teve como suporte três acordos, um para os empregados da fábrica do Paraná, outro para os empregados do Centro de Distribuição do Paraná e empregados de áreas administrativas e comerciais e para os empregados alocados na fábrica de Juiz de Fora/MG; Fl. 840DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 e) que a comissão foi eleita por todos os empregados e assistida por um membro do sindicato; f) que somente a convenção coletiva ou acordo de trabalho devem obedecer à base territorial do sindicato; g) que os estabelecimentos situados fora do Paraná e Juiz de Fora tem um reduzidíssimo número de empregados; h) que não houve violação da legislação previdenciária e que os pagamentos para os empregados do Paraná e Juiz de Fora não são irregulares; i) que não houve desrespeito quanto à periodicidade, pois jamais um empregado recebeu PLR mais de duas vezes ao ano, ocorrendo que em alguns estabelecimentos houveram mais de dois pagamentos, mas nunca por empregado, mas em função das diferentes metas existentes para cada grupo; j) que os acordos prevêem claramente a existência de metas; que as metas não são subjetivas, haja vista que para as áreas de vendas se baseia na quantidade de vendas; que a legislação não veda a estipulação de metas individuais; k) que foram apresentados e o faz novamente, todas as apurações de resultados que demonstram o percentual atingido por cada área da empresa; l) que apresenta documentos que comprovam o gerenciamento e a apuração dos planos de PLR; m) não foi constatado qualquer indício que os pagamentos referemse a prêmio ou salários; n) que a representação fiscal para fins penais só pode ser expedida após o término do processo administrativo. Requer o reconhecimento da decadência e no mérito, a insubsistência da autuação, protestando pelo direito da posterior juntada de documentos adicionais É o relatório. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005364/200860 Acórdão n.º 2302002.023 S2C3T2 Fl. 736 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Quanto à decadência qüinqüenal argüida pela recorrente é de se asseverar que de fato, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, cujos efeitos são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006 e obrigam todos os órgãos judiciais e administrativos: : Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Entretanto, o crédito lançado nesta notificação não se encontra abrangido pelo período decadencial, eis que compreende competências de 01/2003 a 12/2006 e foi lavrado em 08/12/2008, com ciência pelo sujeito passivo na mesma data. Para elucidar, informo à recorrente que as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional. Havendo, o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso de dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No presente processo, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado referente a pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados, assim, aplica se o artigo 173, I do CTN, não havendo que se falar em período decadente: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 842DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O pedido de juntada de documentos após a impugnação não deve ser acolhido, uma vez que a Portaria RFB n.º10.875/2007, no art. 7º, inciso III e § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Portaria RFB n.º 10.875/2007: Art. 7º A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nos incisos do § 1º. Decreto nº 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 843DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005364/200860 Acórdão n.º 2302002.023 S2C3T2 Fl. 737 7 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas, no entanto, foi ressalvada nas situações previstas nas alíneas do § 1º do art. 7º da Portaria RFB acima transcritas. Ressaltese que, de acordo com o § 2º do mesmo art. 7º, a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, demonstrandose a ocorrência de uma das hipóteses do § 1º do mesmo artigo.No caso em análise, o impugnante não demonstrou, em sua peça de defesa, a ocorrência de nenhuma dessas situações, razão pela qual indefiro o pedido de juntada de documentos. Do Mérito Quanto ao mérito, a motivação para o lançamento ocorreu, devido a fiscalização entender que as parcelas pagas a título de PLR devem integrar o salário de contribuição, pois não respeitaram a legislação quando: a) os termos de acordo para a PLR possuem a participação apenas de um sindicato da categoria, do estado do Paraná, enquanto pago também para empregados dos estados de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Bahia; b) nos instrumentos decorrentes da negociação deixaram de constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos e os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; c) existem metas individuais a serem cumpridas o que faz com que o valor pago tenha natureza de prêmio; d) a PLR foi paga mais de duas vezes no ano civil; e) não apresentou documentação que comprovasse a aferição das metas alcançadas pelos empregados, setores e estabelecimentos. Primeiramente, no que se refere aos termos e condições para participação nos resultados, com efeito, é de se ver pelos documentos trazidos aos autos, que não houve a intermediação dos sindicatos das categorias envolvidas na negociação nos estados em que a recorrente possui estabelecimentos, à exceção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná, única entidade que avalizou o documento negocial. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 A Lei n.º 10.101/2000, que regula a matéria prevê no seu artigo 2º, inciso I, que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e empregados, através de uma comissão escolhida entre as partes, com a participação de um representante do sindicato da categoria dos trabalhadores: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. Nos termos do tratado pela legislação é de se ver que a participação do sindicato deve ser daquele referente à categoria envolvida. Assim, não é possível abstrair a territorialidade do sindicato, se algum não participou da negociação, o acordo não vai atingir os seus filiados. Não é possível utilizar regras e parâmetros impostos a trabalhadores abrigados por uma entidade sindical para outros filiados a entidade diversa, uma vez que cada entidade possui autonomia, piso salarial próprio e regras trabalhistas com relação aos empregados que lhes são assistidos. Desta forma, os termos para pagamento de PLR existentes, no caso concreto, valem e produzem efeitos somente para aqueles trabalhadores cuja categoria pertence ao Sindicato envolvido. Os empregados dos demais estados não abrangidos pela base territorial do sindicato que integrou o acordo não podem se beneficiar das regras propostas. Todavia, quanto à fixação de metas é possível dizer que pela análise de todos os documentos acostados aos autos, podese constatar que os acordos firmados entre a empresa e comissão de empregados, fls. 180/191; 192/194; 195/205; 206/218; 219/231; 232/245; 246/249; 250/256, estabelecem a parcela equivalente à participação nos lucros de cada empregado, a forma como será calculada e o período do pagamento. A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. A PLR é um direito constitucional do trabalhador: CF/88: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005364/200860 Acórdão n.º 2302002.023 S2C3T2 Fl. 738 9 Em 1991, a Lei n.º 8.212/91, institui o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, define a base de cálculo das contribuições previdenciárias, dispondo, inclusive, sobre parcelas isentas. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Também a lei de custeio, como a Constituição, reafirma a necessidade de obediência a uma legislação para que a PLR não seja conceituada como remuneração, e, portanto, fora do alcance da incidência contributiva previdenciária. Em 29/12/1994 surge a legislação específica, qual seja a Medida Provisória 794, que dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a PLR integra a remuneração, até 29/12/1994. Após essa data, com o surgimento da legislação específica, a MP 794, não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com as disposições contidas na MP. A MP 794 sofreu diversas reedições, convertendose, finalmente, na Lei nº 10.101, de 18/12/2000. Essa legislação passa a existir como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, pois faz com que o empresariado tenha redução em sua carga tributária, já que há a previsão de isenção dessas parcelas para incidência de contribuição previdenciária e a parcela de PLR, para efeito de apuração do lucro real, poderá ser deduzida como despesa operacional; permite que os trabalhadores obtenham maiores ganhos e incentiva a produtividade, já que sua obtenção depende de um resultado almejado pelas empresas. A Lei 10.101/200 prevê várias exigências e vedações, que a PLR deve seguir para estar de acordo com sua lei específica e obter os efeitos previstos. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ... Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, Fl. 847DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005364/200860 Acórdão n.º 2302002.023 S2C3T2 Fl. 739 11 integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa: Como se vê, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros seja justa. Não há regras detalhadas na lei sobre as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, da lei, tem liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Afora os parâmetros estabelecidos pela lei, não foi intenção do legislador ou mesmo do Poder Executivo regulamentar com maior detalhamento e precisão as normas da participação nos lucros ou resultados. Toda a regulamentação se esgota com os três artigos da Lei nº 10.101/2000, acima transcritos. Além das regras claras e objetivas do acordo, o legislador impediu a substituição da remuneração pela distribuição do lucro e o seu pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil. A preocupação é justificável, as empresas poderiam reduzir os salários na proporção dos ganhos obtidos pelo trabalhador com sua participação nos lucros ou resultados. Com isto, além de obstar o benefício, as empresas se evadiriam das contribuições previdenciárias e ao FGTS, lesando outros direitos do trabalhador. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 O artigo 2º, §1º, I da lei possibilita que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas a lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que estão sendo distribuídos lucros aos trabalhadores, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. Quanto ao mecanismo adotado para a repartição individual da parcela do lucro líquido destinada aos trabalhadores, a lei não fixou regras. Cuidou a lei de estabelecer parâmetros para que a empresa, após se comprometer, não venha se esquivar de distribuir lucros aos seus trabalhadores. Apurandose o total a ser distribuído, ao final o montante é repartido de acordo com mecanismos eleitos pela empresa. Frente a todo o exposto, é de se notar que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Real para considerar os valores integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Porém, a regra é a presunção de boa fé dos atos jurídicos. A autoridade fiscal, no uso de suas prerrogativas, tem o ônus de comprovar a dissimulação do sujeito passivo, verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Analisando a lei de custeio da Previdência Social, deparase com o artigo 28, §9º, aliena “j”, verbis: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A participação nos lucros ou resultados paga em conformidade com a Lei nº 10.101/2000, diferente das demais parcelas previstas no artigo 28, §9º que têm natureza de isenção de contribuições previdenciárias, sequer se subsume à definição de salário de contribuição trazida pelo artigo 28, I da Lei nº 8.212, de 24/07/91 e mesmo ao artigo 457 do Decretolei nº 5.452, de 01/05/43 – Consolidação das Leis do Trabalho, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo Fl. 849DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005364/200860 Acórdão n.º 2302002.023 S2C3T2 Fl. 740 13 tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Consolidação das Leis do Trabalho Artigo 457. Compreendese na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. Isto porque falta para a participação nos lucros ou resultados um elemento essencial da definição retribuição pelo trabalho. É suficiente se recorrer às disposições constitucionais e legais para se constatar a sua natureza como remuneração do capital e não do trabalho, verbis: Constituição Federal Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Lei nº 10.101/2000 Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. O objetivo da participação nos lucros ou resultados é estimular o empenho dos trabalhadores para a geração de resultados previamente estabelecidos. Assim, deve haver um acordo entre as partes – empresa e trabalhadores , no qual cada um se propõe a cumprir uma obrigação. A empresa deve conceder o pagamento a título de participação nos lucros ou resultados se os trabalhadores atingirem uma meta preestabelecida. A autoridade fiscal se insurgiu quanto a existirem metas individuais a serem atingidas. Ocorre que a recorrente esclarece que na área comercial da empresa é inerente que o cumprimento de metas esteja diretamente ligado ao aumento de vendas, o que é atingido individualmente por cada empregado. Não há nenhuma restrição da lei nesse sentido.Estando as metas a serem atingidas fixadas, como no presente caso se demonstrou pelos documentos juntados, não há empecilho na Lei n.º 10.101/2000 para que sejam atingidas de forma individual, visando o coletivo. Ademais, da análise dos documentos juntados, Acordo de 2002/2003, fls. 180/191 e Anexo fls.192/194; Acordo de 2003/2004, fls. 195/205 e Anexo fls. 206/218; Acordo de 2004/2005, fls.219/231 e Anexo fls.232/245; Aditivo fls. 246/249; Acordo de 2005/2006, fls. 250/256; Acordo de 2006, fls. 257/265, vêse que nos anexos constam expressamente as definições das metas, os critérios de cálculo para apuração do resultado e para pagamento a título de PLR, sendo que todos os documentos contam com a participação Fl. 850DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 dos empregados e do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná. Todavia, é de se observar que não foi obedecido pela recorrente a exigência legal de que os pagamentos não excedessem a dois pagamentos anuais, conforme disposto pelo parágrafo 2º, do artigo 3º da lei reguladora: §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. As razões expostas pela recorrente de que os pagamentos individuais não excederam a dois, não ilidem o descumprimento da estipulação legal, eis que a semestralidade ou, pelo menos, o pagamento limitado a duas parcelas por ano civil, deve ser levado em consideração pela empresa ou, como no caso em tela, por cada acordo firmado para pagamento de PLR. Portanto, no que se refere ao mérito do lançamento, entendo que podem ser considerados como pagamento de PLR somente os valores relativos aos empregados abrigados pela base territorial do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná, que participou da negociação apresentada, bem como devem ser expurgados os pagamento que excederam o limite imposto pelo artigo 3º, §2º da Lei n.º 10.101/2000, e foram pagos mais de duas vezes no mesmo ano, considerando que nos Acordos apresentados ficou estipulado que os pagamentos ocorreriam em abril e outubro. No que se refere às argüições da recorrente acerca dos trabalhadores do estabelecimento de Juiz de Fora, cujos acordos foram intermediados pelo Sindicato dos Trabalhadores de Indústrias Químicas, Farmacêuticas e Material Plástico de Barbacena e Região/MG, deixo de me manifestar porque não consta qualquer lançamento nos autos para este estabelecimento. Quanto à representação fiscal para fins penais, o auditor fiscal, em virtude de exercer atividade vinculada, sem poder discricionário, deve formalizar tal documento, na mesma data da lavratura do auto de infração, quando no curso da ação fiscal apurar fatos que, em tese, constituem crime de sonegação previdenciária, conforme artigo 337 A, incisos I,II e III do Código Penal aprovado pelo Decretolei n.º 2.848, de 07/12/1940, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 9.983, de 14/07/2000. A disposição para o encaminhamento ao Ministério Público da representação fiscal para fins penais está disciplinada pelo artigo 83, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) Por derradeiro, no que se refere à aplicação da multa, a decisão de primeira instância entendeu que deveriam ser consideradas as obrigações principal e acessória para o Fl. 851DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005364/200860 Acórdão n.º 2302002.023 S2C3T2 Fl. 741 15 cálculo da mesma, conforme interpretou do contido na MP 449/2008 e excluiu do levantamento as multas para as competências que se mostraram mais gravosas nesta sistemática. Entretanto, entendo que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. No caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir do lançamento os valores pagos nas competências de abril e outubro, durante o período lançado, para os estabelecimentos abrangidos pela base territorial do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná, por estarem de acordo com a legislação que trata da Participação nos Lucros e Resultados. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 853DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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