Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10935.721202/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITA DIRETA - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO PELO CONTRIBUINTE.
Configura-se omissão de receita quando o contribuinte devidamente intimado a comprovar a veracidade da tributação de seu registro contábil, não apresenta documentação hábil e idônea para elidir a omissão apurada no procedimento fiscal.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA NOVAS PROVAS.
Preclui o direito de o interessado apresentar novas provas em outra ocasião, se não foi demonstrada a impossibilidade de apresentá-las na impugnação por motivo de força maior, ou que se refiram a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.
MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO DOLO
Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude.
A tributação com base em omissão de receita não implica, de per si, na configuração do evidente intuito de fraude, devendo a conduta do contribuinte estar qualificada e individualizada em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/1964.
Numero da decisão: 1202-001.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antônio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA DIRETA - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Configura-se omissão de receita quando o contribuinte devidamente intimado a comprovar a veracidade da tributação de seu registro contábil, não apresenta documentação hábil e idônea para elidir a omissão apurada no procedimento fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA NOVAS PROVAS. Preclui o direito de o interessado apresentar novas provas em outra ocasião, se não foi demonstrada a impossibilidade de apresentá-las na impugnação por motivo de força maior, ou que se refiram a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO DOLO Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. A tributação com base em omissão de receita não implica, de per si, na configuração do evidente intuito de fraude, devendo a conduta do contribuinte estar qualificada e individualizada em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/1964.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10935.721202/2011-62
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5416937
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1202-001.217
nome_arquivo_s : Decisao_10935721202201162.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
nome_arquivo_pdf_s : 10935721202201162_5416937.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima- Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antônio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa e Orlando José Gonçalves Bueno.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5783047
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476038008832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 12 1 11 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.721202/201162 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.217 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Recorrente CONCEITO ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA DIRETA NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Configurase omissão de receita quando o contribuinte devidamente intimado a comprovar a veracidade da tributação de seu registro contábil, não apresenta documentação hábil e idônea para elidir a omissão apurada no procedimento fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA NOVAS PROVAS. Preclui o direito de o interessado apresentar novas provas em outra ocasião, se não foi demonstrada a impossibilidade de apresentálas na impugnação por motivo de força maior, ou que se refiram a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO DOLO Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. A tributação com base em omissão de receita não implica, de per si, na configuração do evidente intuito de fraude, devendo a conduta do contribuinte estar qualificada e individualizada em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 12 02 /2 01 1- 62 Fl. 841DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antônio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente de Processo Administrativo Fiscal instruído com autos de infração por meio do qual se formalizou a exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 2002/207), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 216 a 221), contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 208 e 213) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 214 e 215), devidos em razão de omissão de determinadas receitas por parte da ora Recorrente nos anoscalendário 2008 e 2009. Aplicouse ainda, multa qualificada no percentual de 150%. A recorrente manifestou opção no anocalendário de 2008 pela sistemática do lucro real trimestral e no anocalendário de 2009 pela sistemática do lucro presumido. A fiscalização apurou infração sobre omissão de receitas devido à contabilização em conta do passivo (Antecipações de Clientes) e posterior transferência à conta de Reserva de Lucros e Contingências do Patrimônio Líquido, sem que estes valores transitassem pela conta Receitas e fossem oferecidos à tributação, ou seja, omissão de receita direta, fundamentado no artigo 24 da Lei nº 9.249/95 e artigos 249, inciso II, 251 paragrafo único, 278, 279, 280, 281 e 288 do Decreto n º 3.000/99 RIR/99. Precisamente, com base no Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 230/237), o auditor fiscal afirmou a respeito da infração apurada: "Quando do recebimento dos valores debitavase a conta CAIXA ou as contas representativas das contas bancárias, conforme o caso e creditavase a conta de ANTECIPAÇÃO DE CLIENTES (conta do passivo). Quando o bem era entregue, ou o serviço prestado, os tributos incidentes sobre tais receitas passavam a ser exigíveis. Entretanto, não eram efetuados os registros contábeis pertinentes. Em vez disso, foram efetuados lançamentos contábeis que debitavam a conta de antecipações de clientes e creditavam a conta de RESERVA DE LUCROS (conta do Fl. 842DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10935.721202/201162 Acórdão n.º 1202001.217 S1C2T2 Fl. 13 3 patrimônio líquido). Tais lançamentos contábeis ocorreram em 27/11/2008, no valor de R$ 975.606,00 e em 30/12/2009, no valor de R$ 3.010.539,46. Considerando que a empresa não apresentou documentos que permitissem aferir a data de entrega dos bens que compuseram o saldo da conta de antecipações de clientes, considerouse que a omissão de receita ocorreu nas datas e valores dos lançamentos contábeis acima expostos". A recorrente foi cientificada em 22/09/2011(fls. 205, 210, 214, 219 e 237), interpondo impugnação (fls. 242/252), em 24/10/201, alegando em síntese: asseverou que não houve omissão de receitas e que para comprovar tal situação seria necessária minuciosa apuração na contabilidade, a par de concomitante análise dos documentos públicos que ilustram as vendas imobiliárias realizadas pela recorrente; disse que, ainda que pudesse admitir a ocorrência de eventuais equívocos contábeis, sempre levou à tributação as receitas auferidas. Afirmou que essa foi a razão da transferência dos saldos da conta Antecipações de Clientes, existentes em 27/11/2008 e 30/12/2009, para conta Reserva de Lucros, mas isto não significou que não foram os valores oferecidos à tributação; discorreu que, apesar da necessidade de reunir toda a documentação relativa a cada uma dessas operações, a simples conferência do livro Diário seria suficiente para afastar o lançamento de ofício. Por isso, afirmou que o lançamento não se sustentaria diante de uma averiguação mais apurada dos registros e que a autoridade fiscal apoiaria sua autuação em meros indícios, insuficientes para estabelecer a exigência de qualquer tributo; pleiteou que se reconhecesse a necessidade de deduzir da base de cálculo apurada de IRPJ e CSLL, em especial a do ano de 2008, o valor dos tributos cuja incidência se dá sobre o faturamento, isto é, do PIS e Cofins lançados; pleiteou ainda a dedução de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas (compensação) acumulados dos anoscalendário 2004 a 2006, comprovados no LALUR, da exigência relativa ao ano 2008, autuada pelo lucro real, a teor do art. 510 e §§ do RIR de 1999, caso fosse mantida a autuação; reclamou de ausência de fundamentos a respaldar a qualificação de multa de ofício (150%), justificada pelo autuante em apenas duas linhas, sendo que apenas tem cabimento mediante efetiva e minuciosamente justificada comprovação da prática de atos fraudulentos nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430/96, e requereu sua redução para a 75%; destacou que teria o direito de apresentar documentos a qualquer momento, conforme o art. 16, § 4º e jurisprudência, não podendo o julgador recusar apreciar as mesmas, desde que juntadas aos autos antes da decisão de segunda instância, portanto, apresentará documentos que levarão à improcedência dos autos ou à redução da base de cálculo. Mesmo diante dos argumentos trazidos pela recorrente, a 2ª Turma da DRJ/CTA proferiu acórdão n° 0637.490, fls. 480/494, no qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 Da decisão não recorreuse de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pois a parte exonerada não excedeu ao montante determinado pela legislação para tal, conforme determina o artigo 34 do Decreto n° 70.235/1972. A única parte reconhecida pela DRJ foi quanto ao acolhimento do pedido de compensação dos prejuízos fiscais e base negativa da CSLL em relação ao anocalendário 2008, em que a apuração de IRPJ e CSLL ocorreu pela sistemática do lucro real. No mais, a autuação foi mantida na integra, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2008, 31/01/2009, 31/12/2009 LUCRO REAL. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. PIS E COFINS REFLEXOS IMPUGNADOS. DEDUTIBILIDADE. O contribuinte impugnou a procedência das exigências reflexas de PIS e Cofins, assim, estando estas com a exigibilidade suspensa, descabe cogitar da dedução de tais valores na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. DEDUÇÃO DAS EXIGÊNCIAS REFLEXAS DE PIS E COFINS. No regime do lucro presumido, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL em cada trimestre é determinada no percentual legal sobre a receita bruta auferida no período de apuração, que compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, deduzidas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário, não havendo previsão legal para dedução do PIS e Cofins incidentes. LUCRO REAL. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. 31/12/2008. Observadas as normas de regência, é assegurado aos contribuintes o direito à compensação de prejuízos fiscais, no regime de apuração do lucro real. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2008, 31/01/2009, 31/12/2009 MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE Fl. 844DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10935.721202/201162 Acórdão n.º 1202001.217 S1C2T2 Fl. 14 5 O percentual de multa de ofício qualificada é o determinado expressamente em lei. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/11/2008, 31/01/2009, 31/12/2009 NOVAS PROVAS. Preclui o direito de o interessado apresentar novas provas em outra ocasião, se não foi demonstrada a impossibilidade de apresentálas na impugnação por motivo de força maior, ou que se refiram a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente tomou ciência do acórdão 0637.490 (fls. 480/494) proferido pela a 2ª Turma da DRJ/CTA em 10 de julho de 2012 (fls. 499), e em, 09 de agosto de 2012 (500), apresentou Recurso Voluntário (fls. 501/518) retomando os mesmo argumentos apresentados com a impugnação. A única parte inovada na sua peça de defesa foi em relação juntada de fotocópias de escrituras públicas de Contratos de Compra e Venda e de partes do Livro Diário, no qual há registros dos adiantamentos feitos por seus clientes em relação os citados contratos. A intenção da recorrente com a juntada destes documentos é permitir aferir a data de entrega dos bens que compuseram o saldo da conta de Antecipações de Clientes, cumprindo o que já havia sido solicitado pela fiscalização, através do Termo de Intimação Fiscal nº 2011/38305. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator I – Do juízo de admissibilidade Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto nº 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário, fazemse presentes, pois: Processos que tenham por objeto a apuração de IRPJ, CSLL, COFINS E PIS são da competência desta 1ª Seção; O contribuinte foi intimado em 10 de julho de 2012 (499) e, tempestivamente, em 09 de agosto de 2012 (500), postou o recurso (501/518) pelo correio; Fl. 845DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 e A petição está assinada por quem de direito representa a contribuinte – fls. 253. Desta feita, por presentes os pressupostos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário tomase conhecimento. II – Direito II.i Omissão de Receita Como é possível perceber do relatório descrito acima, a recorrente, segundo a fiscalização, omitiu receitas devido à contabilização em conta do passivo (Antecipações de Clientes) e posterior transferência à conta de Reserva de Lucros e Contingências do Patrimônio Líquido, sem que estes valores transitassem pela conta Receitas e fossem oferecidos à tributação. A recorrente costumava receber adiantamentos por bens (imóveis) a serem entregues ou serviços a serem prestados, quando do recebimento dos valores debitavase a conta Caixa ou as contas representativas das contas bancárias, conforme o caso, e creditavase a conta de Antecipação de Clientes (conta do passivo). Quando o bem era entregue, ou o serviço prestado, os tributos sobre tais receitas passavam a ser exigíveis. Ocorre que, segundo a fiscalização, não eram efetuados os registros contábeis pertinentes. Em vez disso, foram efetuados lançamentos contábeis que debitavam a conta Antecipação de clientes e creditavam a conta de Reserva de Lucros (conta do patrimônio líquido). Concluiuse ao final que como a recorrente não apresentou documentos que permitissem aferir a data de entrega dos bens que compuseram o saldo da conta de antecipações de clientes, considerouse que a omissão de receita ocorreu nas datas e valores dos lançamentos contábeis descritos naquela conta (fls. 231/237), conforme determinação do artigo 24 da Lei nº 9.249/95 e artigos 249, inciso II, 251 paragrafo único, 278, 279, 280, 281 e 288 do Decreto n º 3.000/99 RIR/99. Por sua vez, a recorrente resiste a pretensão da fiscalização, alegando, em síntese, que o valor das antecipações realizadas pelos clientes efetivamente foi registrado como receita, mas isso se deu apenas no momento da efetivação da transação de venda e/ou respectiva lavratura da escritura, e, que a contrapartida deveria envolver, em parte, o débito correspondente na conta gráfica Antecipações de Clientes, mas infelizmente por erro contábil isso várias vezes deixou de ser efetivado, gerando um saldo credor na aludida conta que não representava a disponibilidade financeira em questão e, menos ainda, a omissão de receitas presumida pela autoridade fiscal. No entanto, resta claro o proceder da recorrente, aliás, chegase a tal conclusão através de sua própria peça recursal, qual seja, que os adiantamentos eram lançados exclusivamente nas contas Caixa/Bancos e após o cumprimento integral do Contrato esse valor passava a ser lançado como Receita, mas sem a respectiva contrapartida na conta gráfica Antecipação de Clientes. O que resta saber é se tais valores foram oferecidos à tributação. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10935.721202/201162 Acórdão n.º 1202001.217 S1C2T2 Fl. 15 7 Conforme bem observou a fiscalização, a recorrente não apresentou no momento oportuno documentos idôneos que permitissem aferir a data de entrega dos bens que compuseram o saldo da conta de Antecipações de Clientes, no entanto, no presente Recurso Voluntário juntou fotocópias dos contratos de Compra e Venda e do Livro Diário em que consta a contabilização dos adiantamentos destes contratos. Entretanto, antes de adentrar ao mérito sobre o recebimento ou não da referida documentação, necessário tecer alguns comentários acerca do procedimento fiscal. De acordo com o Termo de Intimação Fiscal nº 2011/38303 (fls. 137), a recorrente foi intimada a justificar e comprovar documentalmente o lançamento contábil do dia 31/12/2009 e 27/11/2008 que debitava a conta 221030002 (Antecipação de Clientes) e que creditava a conta 241020002 (Reserva de Lucros) no valor de R$ 3.010.539,46 e 975.606,00, respectivamente, cujo histórico era denominado “Valor referente a receita diferida da rubrica contábil Antecipação de Clientes”, devendo, sobretudo, esclarecer a respeito da tributação de tais valores. A recorrente apresentou resposta, no entanto, apenas em relação a outros questionamentos que lhe foram feitas através do supracitado Termo de Intimação Fiscal. À vista disso, a fiscalização efetuou sua reintimação através do Termo de Intimação Fiscal nº 2011/38303 (fls. 140). A recorrente apresentou resposta (fls. 143) informando que o solicitado já teria sido apresentado mediante a contabilização dos fatos em livros fiscais anteriormente apresentados. Não satisfeita, a fiscalização emitiu novo Termo de Intimação Fiscal nº 2011/38305, transcrito a seguir: “Considerando que não foi comprovada a tributação dos valores que creditaram a conta 221030002 (Antecipação de Clientes) e que tais valores transitaram pelas contas bancárias da empresa e representam, inequivocamente, o auferimento de receita, entregar toda a documentação referente às obras entregues às pessoas físicas ou jurídicas relacionadas abaixo. Devem ser entregues documentos tais como contratos, escrituras, recibos ou quaisquer documentos relacionados.” A recorrente apresentou resposta requerendo a prorrogação do prazo (30 dias) para a entrega da documentação solicitada. Posteriormente, apresentou a seguinte resposta: “A empresa ora notificada informa que os valores creditados à conta ‘Antecipação de Clientes’, referese a todos os recebimentos por vendas realizadas, para posterior classificação. Não sendo possível nesta oportunidade aferir se o saldo transferido para conta Reserva de Lucros, referese integralmente a recebimentos não transitados pela conta resultado”. É de se perceber que do Termo de Intimação Fiscal nº 2011/38305 (fls. 144) consta a relação de TODOS os nomes referentes às obras entregues as pessoas físicas e jurídicas dos quais a recorrente deveria ter apresentado contratos, escrituras, recibos ou quaisquer outros documentos relacionados que comprovassem que não houve omissão de receitas. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 8 No entanto, nenhuma resposta satisfatória foi apresentada. Na verdade, a resposta apresentada é demasiadamente genérica, dela nada podendo inferir, a não ser, o proceder de indiferença para com a solicitação da fiscalização. Essa conduta da recorrente, qual seja, não apresentação de documentação hábil e idônea que de respaldo ao que consta contabilizado em seus Livros fiscais, implica em consequências graves. Pois, o disposto nos artigo 15 e 16 do Processo Administrativo Fiscal – PAF, Decreto nº 70.235/1972 é claro no sentido que compete ao impugnante colacionar juntamente com suas declarações todos os documentos que lhes dão força probante. Vejamos o que diz os citados artigos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993). Pois bem, foi dada a oportunidade para a recorrente durante a fiscalização e juntamente com a própria impugnação apresentar a documentação que comprovasse a data de entrega dos bens que compuseram o saldo da conta de Antecipações de Clientes e, PRICIPALMENTE, se tais valores teriam sido oferecidos a tributação, e, com isso, consequentemente, darseia maior sustentação aos argumentos por ela apresentados, no sentido que, não haveria de se falar em omissão de receita. Entretanto, a recorrente apresentou resposta genérica que nada contribuiu para o trabalho fiscal, motivo pelo qual, acertadamente, foi considerada a omissão de receita. Como já afirmado, juntamente com o Recurso Voluntário apresentando foi juntado fotocópias de escrituras públicas dos contratos de Compra e Venda de Imóveis e de partes do Livro Diário, no qual há contabilização dos adiantamentos efetuados pelos seus clientes em relação a tais contratos. Contudo, tais documentos não serão aceitos, haja vista não terem sido apresentados em momento oportuno. O Decreto nº 70.235/1972 abre a possibilidade para apresentação de prova documental após a impugnação, desde que, fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, refirase a fato ou a direito superveniente e destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, conforme se depreende do § 4º do artigo 16 do PAF. Artigo. 16 A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 848DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10935.721202/201162 Acórdão n.º 1202001.217 S1C2T2 Fl. 16 9 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso é mais que evidente não se tratar de nenhuma das hipóteses descritas no § 4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que, foi oferecido prazo mais que suficiente para apresentação das provas documentais, que supostamente embasariam a sua descrição contábil. Além de que, a recorrente em sua peça de defesa, ora apreciada, sequer tentou demonstrar a existência de alguma das exceções prevista no citado artigo. Não é despiciendo acrescentar que a documentação só agora juntada (fotocópias das escrituras públicas dos Contratos de Compra e Venda e do Livro Diário) cumpre PARCIALMENTE o determinado pelo Termo de Intimação Fiscal nº 2011/38305. No referido Termo há relação de TODOS os nomes (num total de 69 – sessenta e nove) referentes às obras entregues as pessoas físicas e jurídicas dos quais a recorrente deveria ter apresentado contratos, escrituras, recibos ou quaisquer outros. Não obstante, apresentou apenas a referida documentação de 28 (vinte e oito, em quase sua maioria pessoas físicas), ou seja, deixou de apresentar a documentação referente a 41 (quarenta e uma) pessoas físicas ou jurídicas determinada pelo Termo de Intimação Fiscal nº 2011/38305. Por último, no seu Recurso Voluntário, precisamente na página 506 dos autos, consta o seguinte: Lembrese mais uma vez a razão que ensejou a autuação, segundo o Sr. Auditor Fiscal que responsável pelo lançamento: “Considerando que a empresa não apresentou documentos que permitissem aferir a data de entrega dos bens que compuseram o saldo da conta de antecipação de clientes, considerouse que a omissão de receita nas dadas e valores dos lançamentos contábeis acima expostos”. Equivocase a recorrente, pois não foi apenas a falta da documentação que ensejou o lançamento, mas sim, e, PRINCIPALMENTE, a falta de documentação que comprovasse o oferecimento a TRIBUTAÇÃO dos valores que transitavam pela conta “Adiantamento de Clientes”. O declarado pela recorrente é desacompanhado de provas, tratandose de alegação genérica e sem fundamento que, por isso, não merece ser acolhida. Não se tomou o cuidado ao longo do procedimento fiscal – fiscalização, impugnação e na fase recursal – sequer de juntar documentação que comprovasse o oferecimento a tributação dos valores que transitaram pela conta de “Adiantamento de Clientes”. Os já citados artigos 15 e 16, do Decreto nº 70.235/1972, é unívoco quando afirma que compete ao impugnante colacionar juntamente com suas declarações todos os documentos que lhes dão força probante. Enfim, tanto na fase investigatória, quanto agora na fase recursal, a recorrente não alcançou êxito em rechaçar a constatação da autoridade fiscal, portanto, considerando que a recorrente não esclareceu de maneira satisfatória os fatos e que os valores que transitaram pela conta 221030002 (Antecipação de Clientes) representam, indubitavelmente, receita não tributada, o lançamento por omissão de receita deve ser mantido. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 10 II.ii – Dedução dos tributos incidentes sobre o faturamento A recorrente requer a dedução da base de incidência do IRPJ e CSLL (no anocalendário 2008/apuração pelo lucro real trimestral) a importância equivalente aos tributos lançados sobre o faturamento, ou seja, PIS e COFINS. Como bem observado pela DRJ, o lucro real deriva do lucro líquido, o qual por sua vez é resultado na receita bruta deduzida dos impostos dedutíveis, custos e despesas operacionais e não operacionais; portanto, a princípio, seria procedente a pretensão de que o PIS e a COFINS apurados sobre a receita omitida fossem deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados em relação à esta mesma receita. Dando continuidade ao seu raciocínio, entendeu a 2ª Turma da DRJ/CTA que pelo fato da recorrente ter questionado a infração em relação à qual foram calculados o PIS e a COFINS exigidos nestes autos, a possibilidade de se deduzir os mesmos da base de cálculo esbarra com o impedimento consubstanciado no art. 344 do RIR de 1999, a saber: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). (...) § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1996, haja ou não depósito judicial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, §1º). No entanto, esse entendimento não deve prevalecer, sobre pena de se cometer injustiça contra a recorrente, uma vez que, ao final do presente feito cessará a causa que justifica a suspensão da exigibilidade, assim, declarase o direito à dedução no momento em que ocorrer a constituição definitiva do crédito, vale dizer, quando não mais houver recurso dentro do processo administrativo fiscal, quando se tornará exigível o valor lançado a título de PIS e COFINS. II.iii – Da multa de ofício qualificada Como já discorrido, o órgão de julgamento a quo manteve integralmente o lançamento original, consoante se observa da leitura da ementa do aresto recorrido. Entretanto, com a devida vênia, tal entendimento merece ser revisto, no que se refere à manutenção do agravamento da multa de oficio de 75% para 150%. Com efeito, não considerase ocorrida a atitude delituosa da recorrente, necessária à sua caracterização como crime tributário, pois ao fisco foi possibilitado o acesso às suas contas bancárias e demais elementos utilizados para a apuração da infração fiscal (Atos Constitutivos da Empresa e posteriores alterações, Livro Diário e Razão, Livro de Prestação de Serviços, Extratos de contascorrestes bancárias e aplicações financeiras e Notas Fiscais de Prestações de Serviços), sem que houvesse a constatação de algum ato ilegal, por parte do fiscalizado, que pudesse ter impedido ou dificultado a ação da autoridade fiscal. O fato alegado pela fiscalização que a transferência de vultuosos valores para a conta de reserva de lucros, sem que tais valores transitassem pelas contas de receita, não pode ser admitido como procedimento caracterizador do dolo. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 236) consta que “já o ato de transferir vultuosos valores para a conta de reserva de lucros, sem que tais valores transitassem pelas contas de Fl. 850DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10935.721202/201162 Acórdão n.º 1202001.217 S1C2T2 Fl. 17 11 receitas, revela a intenção dolosa da empresa em se eximir do pagamento do tributo devido sobre tais operações. Considerando que o fato acima descrito é enquadrável no artigo 71 da Lei nº 4.502/62, aplicouse multa qualificada no valor de 150% do tributo devido, nos termos do § 1o, do artigo 44, da Lei nº 9.430”. Já a DRJ entendeu que “As conclusões deste voto são de que a empresa efetuou lançamentos contábeis em desacordo com as normas e princípios de contabilidade, visando omitir o registro de receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação e prestou intencionalmente informações falsas às autoridades fazendárias objetivando sonegar impostos e contribuições”. Como se vê das justificativas apresentadas pela autoridade lançadora e pela autoridade julgadora, o motivo da aplicação e manutenção da multa qualificada ao lançamento em exame teria sido, em verdade, a omissão do contribuinte. Aliás, a conclusão de que omissão não caracteriza, por si só, evidente intuito de fraude, a ensejar a aplicação da multa qualificada de 150% já foi há muito tomada por este Conselho, razão pela qual foi editado o enunciado n° 14 de sua Súmula, segundo o qual: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Além do mais, o dolo é elemento especifico da sonegação, fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da omissão de rendimentos, seja ela pelos mais variados motivos que se possa alegar. Dessa forma, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de são restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. Por isso, e tendo em vista que, nos termos do artigo 29 do Regimento Interno deste Conselho, as súmulas são de aplicação obrigatória, a aplicação da multa qualificada ao presente caso deve ser afastada. III – Conclusão Por todo o exposto ao longo do presente, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO AO REURSO para: reconhecer o direito à dedução da PIS e COFINS incidentes sobre o faturamento, no momento em que ocorrer a constituição definitiva do crédito, quando se tornará exigível o valor lançado a título de PIS e COFINS; reduzir a 75% o percentual da multa de oficio qualificada, pois não ficou comprovado pela fiscalização o intuito doloso do recorrente; É como voto. Orlando José Gonçalves Bueno (documento assinado digitalmente) Fl. 851DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 12 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004672/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006, 01/02/2007 a 31/12/2007
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL-FISCAL.
É cabível a cobrança do tributo decorrente de apuração realizada pela autoridade fiscal quando confrontados os valores escriturados no livro Razão, apresentado pela própria Recorrente, com os valores informados em DCTF.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO.
Comprovada a falta de recolhimento do tributo cabível a aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que deve ser agravada quando não atendida a intimação, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos e/ou documentação, nos termos do disposto no § 2º do mesmo artigo.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINICIPAL
O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à cobrança do tributo e da multa agravada; em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, negou-se provimento, por voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Jr, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama em relação apenas da cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006, 01/02/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL-FISCAL. É cabível a cobrança do tributo decorrente de apuração realizada pela autoridade fiscal quando confrontados os valores escriturados no livro Razão, apresentado pela própria Recorrente, com os valores informados em DCTF. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Comprovada a falta de recolhimento do tributo cabível a aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que deve ser agravada quando não atendida a intimação, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos e/ou documentação, nos termos do disposto no § 2º do mesmo artigo. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINICIPAL O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004672/2010-01
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403384
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.397
nome_arquivo_s : Decisao_19515004672201001.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 19515004672201001_5403384.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à cobrança do tributo e da multa agravada; em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, negou-se provimento, por voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Jr, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama em relação apenas da cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5742431
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476045348864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 395 1 394 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004672/201001 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.397 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria PIS. FALTA DE DECLARAÇÃO. Recorrente AGRISUL AGRICOLA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006, 01/02/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL FISCAL. É cabível a cobrança do tributo decorrente de apuração realizada pela autoridade fiscal quando confrontados os valores escriturados no livro Razão, apresentado pela própria Recorrente, com os valores informados em DCTF. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Comprovada a falta de recolhimento do tributo cabível a aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que deve ser agravada quando não atendida a intimação, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos e/ou documentação, nos termos do disposto no § 2º do mesmo artigo. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINICIPAL O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 72 /2 01 0- 01 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.004672/201001 Acórdão n.º 3202001.397 S3C2T2 Fl. 396 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à cobrança do tributo e da multa agravada; em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, negouse provimento, por voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Jr, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama em relação apenas da cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração lavrado em 05/11/2010 (efls. 84/ss), no valor de R$ 2.992.299,78, para a cobrança do PIS, multa de ofício agravada e juros de mora, em decorrência de divergência entre os valores informados pelo contribuinte em DCTF e os valores constantes do livro Razão (conta contábil nº 201116002) apurados em procedimento de fiscalização, para o período de junho/2006 a dezembro/2006 e fevereiro/2007 a dezembro/2007. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: 4. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 95 a 98), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 08.02.2011 (fl. 100), constituindo crédito tributário no valor total de R$ 2.992.299,78, incluindose tributo, multa e juros de mora, estes calculados até 30.01.2011, referente à Contribuição para Programa de Integração Social – PIS dos meses de 06.2006 a 12.2006, e 02.2007 a 12.2007, com enquadramento legal exposto às fls. 93, 94, e 98. 5. No Termo de Verificação de fls. 84 a 88 a autoridade fiscal autuante informa que: i) Em 08/12/2009 foi lavrado Termo de Início de Fiscalização com a ciência na mesma data. Em 31/03/2010 o sujeito passivo foi Intimado, através do Termo de Intimação Fiscal, a apresentar: “...1) Planilha(s) eletrônica(s), os valores contabilizados, no período compreendido entre 01/2005 a 12/2008, dos seguintes tributos: IRPJ, CSLL, PIS, COF1NS, IPI, CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS e IRRF. As referidas planilhas devem estar acompanhadas de cópias das folhas do livro razão correspondentes aos valores informados, as quais deverão estar autenticadas pelo representante legal da empresa; 2) Planilha eletrônica os códigos de recolhimento de todos os tributos e contribuições com a respectiva conta contábil (arquivo de relacionamento)..."; ii) Em 23/11/2010 o contribuinte forneceu o Razão da conta contábil n° 21116002 e 21030103 (PIS a Recolher); Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.004672/201001 Acórdão n.º 3202001.397 S3C2T2 Fl. 397 3 iii) Do cotejo entre as informações do Razão e as constantes das DCTFs apresentadas, foram elaboradas planilhas apontando divergências entre os valores constantes de sua escrita contábil e os informados nas DCTFs. Tal fato foi submetido ao sujeito passivo através do Termo Intimação Fiscal, lavrado em 25/11/2011 a fim de que fossem apresentadas as devidas justificativas no prazo de 05 dias, contados da data da ciência desses termos, juntamente com documentos/elementos que lhe desse suporte; iv. Em 14/12/2010 o contribuinte foi reintimado a apresentar os documentos e informações sobre o não recolhimento de PIS, solicitadas por meio do Termo de Intimação lavrado em 14/12/2010; v) Em face da não manifestação por parte do sujeito passivo em resposta aos termos de início de fiscalização e demais termos de intimação fiscal o Auto de Infração foi lavrado com a multa agravada (art. 44 da lei nº 9.430/96, com as alterações promovidas pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/2007 c/c art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN); vi) Assim, face à inexistência de outros elementos para subsidiar a auditoria foi utilizada a informação contida no histórico do lançamento do Razão, conforme demonstrativo de fl. 85/86. 6. Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs em 03/03/2011 a impugnação de fls. 102 a 113, acompanhada dos documentos de fls. 114 a 319, onde alega, em síntese, o que se segue: 6.1 Em que pese constar no Livro Razão, devidamente entregue à Fiscalização, a existência de créditos de PIS, o d. Fiscal Autuante não os considerou quando da apuração das supostas divergências entre a escrituração contábil, DCTF's e DACON's, devendo ser realizada perícia para identificação dos créditos de PIS, referentes aos meses de 06 a 12/2006 e 01 a 12/2007; 6.2 A realização da perícia se faz necessária para apuração do faturamento da existente nas competências de 06 a 12/2006 e 01 a 12/2007, bem como dos créditos de PIS a serem computados, tudo isso buscando alcançar o princípio da verdade material, norteador dos processos administrativos. A Impugnante desde já se põe à disposição para entregar sua escrituração contábil tão logo seja intimada, para que seja verificada de forma acurada pelo d. Perito, Porém, de logo já apresenta as DACONS e DCTFs onde registra os valores divergentes da Autuação. Indica perito e formula quesitos (fl. 105); 6.3 O lançamento em apreço, levado a efeito pelo fisco Federal, fundase em evidente nulidade, visto que não há valores devidos, inexistindo, assim, constituição válida do lançamento; 6.4 Consoante consta no Termo de Verificação, o contribuinte apresentou o Razão da conta contábil nº 21116002 E Nº 21030103, referente ao PIS a recolher. No entanto, em que pese a apresentação dos documentos que comprovam os créditos de PIS, o d. Fiscal Autuante elaborou planilhas apontando divergências entre os valores constantes na escrita contábil da ora Impugnante e os informados na DCTF's. Ocorre que, consoante se observa no Termo de Verificação, não forem considerados os valores declarados pela Impugnante em suas DCTF's, resultando num valor a maior de PIS a Recolher; 6.5. De acordo com as informações prestadas pela impugnante em suas DACON´s e DCTF´s só há imposto a recolher nos meses de agosto, setembro, outubro e Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.004672/201001 Acórdão n.º 3202001.397 S3C2T2 Fl. 398 4 dezembro/2006, outubro, novembro e dezembro/2007, conforme demonstrativo de fls. 109/110; 6.6 Desta forma, restou demonstrada as insubsistências do demonstrativo do d. Fiscal, em face da não consideração dos valores informados pela Impugnante em suas DCTF's, que serão confirmadas quando da realização da diligência e perícia já solicitadas. 6.7 Cumpre salientar que os valores não recolhidos, referentes aos meses de agosto, setembro, outubro e dezembro/2006 e outubro, novembro e dezembro/2007 foram incluídos no parcelamento de que trata a Lei n° 11.941/2009, encontrandose, por conseguinte, com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 , VI, do CTN; 6.8. A majoração da multa é totalmente indevida, uma vez que, conforme "Protocolo de Recebimento de Documentos" (Doc. 05), quando regularmente intimada, a ora Impugnante apresentou todos os Livros e DCTFs, requeridos no Termo de Intimação Fiscal, fornecendo, assim, toda a sua escrituração contábil fiscal, não se abstendo em nenhum momento de fornecer informações à Fiscalização; 6.9 Por fim, convém esclarecer que a 1º Turma da Câmara Superior do Conselho de Recursos Fiscais CARF fixou entendimento no sentido da impossibilidade da incidência dos juros sobre a multa, consoante notícia recentíssima do jornal "Valor Econômico". No caso em tela, o valor da multa foi atualizado pela taxa SELIC, o que não poderia ter ocorrido, vez que os juros só devem incidir sobre o principal e não sobre a multa, como o fez o presente auto de infração, devendo, ainda, ser expurgado do montante da multa o valor referente aos juros; 6.10. Quando da constituição do crédito tributário, o d. Fiscal Autuante não considerou os valores declarados na contabilidade da Autuada, e não considerou os créditos de PIS doso meses de 03 a 12/2006 e 01 a 12/2007, devidamente informados, conforme o Recibo de Entrega das DCTF's já anexados. Assim, por consequência, lavrou o Auto de Infração com valores indevidos. Cumpre ressaltar, ainda, que tais valores foram parcelados através da Lei n.° 11.941/2009, não tendo que se falar em quaisquer valores a recolher; 6.11 Assim, a lavratura deste Auto de Infração fora ensejada apenas pela apuração equivocada do d. Fiscal Autuante que além de não ter considerado os valores a serem computados a título de crédito, desconsiderou as informações sobre o faturamento do Contribuinte; 6.12 Sendo assim, a Impugnante cumpriu com suas obrigações, uma vez que apresentou as escrituração contábil ao d. Fiscal Autuante onde contava faturamento menor e créditos não considerados pelo Fiscal, restando, portanto, insubsistente o Auto de Infração; 6.13 Diante do exposto, o Auto de Infração ora impugnado resta eivado de nulidade posto que além da a ausência de constituição válida do lançamento, não há clareza, bem como restam ausente a sua liquidez e certeza. 7. É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1635.178 em 08/12/2011 (efolhas 208/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006, 01/02/2007 a 31/12/2007 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.004672/201001 Acórdão n.º 3202001.397 S3C2T2 Fl. 399 5 LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente qualquer uma das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. ATOS PRATICADOS APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. Para fins de lançamento e aplicação de penalidade somente podem ser considerados pela fiscalização os atos praticados antes do início do procedimento fiscal, pois a partir daí é que o contribuinte tem sua espontaneidade excluída (art. 7º do Decreto n. 70.235/72 e art. 138 do CTN). A retificação de DCTF e DACON, uma vez efetuadas no curso de procedimento fiscal, não são hábeis para infirmar o Auto de Infração. IMPUGNAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. PROVAS. De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para a revisão do lançamento. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. De acordo com a legislação tributária, é cabível o agravamento da multa de ofício nos casos em que a intimação para prestar esclarecimentos não é atendida, entendida essa falta como o comportamento da contribuinte que não explica, não elucida, não torna claro ou compreensível o motivo do não atendimento daquilo que é solicitado na intimação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A diligência se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. A diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada cientificada do Acórdão em 02/05/2012 (efolhas 346/ss), interpôs Recurso Voluntário em 01/06/2012 (efolhas 347/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi sorteado e, posteriormente, distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório Voto Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.004672/201001 Acórdão n.º 3202001.397 S3C2T2 Fl. 400 6 Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminar Da alegação de cerceamento do direito de defesa A Recorrente alega que teria havido cerceamento do seu direito de defesa uma vez que a decisão recorrida indeferiu o pedido de perícia. Não assiste razão a Recorrente. No que concerne à produção de prova pericial é oportuno ressaltar que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, permite a autoridade julgadora indeferir a perícia eventualmente solicitada, quando entendêla prescindível, sem que se configure tal fato cerceamento do direito de defesa. A perícia reveste se das características de atividade de apoio ao julgamento e serve à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa. Compulsandose os autos verificase que a Recorrente foi intimada pela fiscalização, em duas oportunidades (Termos de Intimação Fiscal lavrados em 25/11/2010 e 14/12/2010), para apresentar devidas justificativas em relação às diferenças apuradas entre os valores informados em DCTF e os constados no livro Razão, contudo quedouse silente, não apresentando as justificativas solicitadas pela fiscalização. Deste modo, é certo que o processo deve ter um ritmo, deve andar para frente, sendo que cada fase tem sua finalidade própria. A fase de apresentação de provas já foi superada. Agora, na fase recursal já não mais é o momento próprio para apresentação ou produção de provas. Neste sentido, interessante citar abalizada lição de Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini, in “Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal” (livro A Prova no Processo Tributário, Dialética: São Paulo, 2010, p. 51), vejamos: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4°, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.” (grifamos) A Recorrente, ao que me parece, questiona (e discorda!) dos argumentos utilizados no voto condutor da decisão de primeira instância para fundamentar sua decisão. Portanto, não é o caso suscitar a nulidade da decisão (que está corretamente motivada), mas de questionar os argumentos utilizados em sua fundamentação, o que se faz em sede do mérito. É Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.004672/201001 Acórdão n.º 3202001.397 S3C2T2 Fl. 401 7 perfeitamente possível que se discorde da decisão, como efetivamente ocorre com a ora Recorrente, entretanto, dessa discordância não pode levar a nulidade da decisão. Não acolho a preliminar de nulidade suscitada. Mérito Da insuficiência no recolhimento do PIS Conforme relatado, o lançamento de ofício foi efetuado pelo fato de a autoridade fiscal constatar falta de recolhimento do PIS, para o período de junho/2006 a dezembro/2006 e fevereiro/2007 a dezembro/2007, em apuração realizada quando confrontados os valores escriturados no livro Razão, apresentado pela própria Recorrente, com os valores informados em DCTF. Como bem destacou a decisão recorrida, os valores lançados não haviam sido declarados em DCTF, quando do início do procedimento fiscal, nem tampouco haviam sido informados em DACON e, também, não havia sido incluídos no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009. Comprova a insuficiência no recolhimento da contribuição o fato de a Recorrente ter apresentado/transmitido as DCTF e DACON retificadoras em 23/02/2010 (fls. 57 a 79, 145 a 310), portanto, após o início da ação fiscal, em 08/12/2009 (fl. 07). É de concluirse, portanto, que os atos efetuados pelo contribuinte foram feitos posteriormente ao início da fiscalização, de modo que não estava ele amparado pelo instituto da espontaneidade. Quanto ao valor lançado no auto de infração é de se observar que foi extraído do próprio livro Razão apresentado pela Recorrente, portanto, de sua escrituração contábil fiscal. Destarte, caberia à Recorrente demonstrar e comprovar que o valor por ela informado (constante de seu livro Razão), quando da execução do procedimento fiscal, não seria o correto. Contudo, em seu recurso resignase a tecer considerações genéricas sem juntar elementos probantes capazes de confirmar suas alegações. Em nosso ordenamento jurídico, como prescreve o artigo 333, do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, o ônus da prova incumbe a ambas as partes. Esse artigo estabeleceu um regramento, destinado ao julgador, possibilitando que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não desempenhou bem a sua função de provar. A Recorrente deveria comprovar suas alegações, com base em documentos e livros fiscais, de modo a evidenciar e corroborar o seu direito e não tentar transferir ao Fisco o dever de comprovar as suas alegações (da Recorrente). Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte/autora. A Recorrente quando intimada para justificar a insuficiência do pagamento do PIS, não se manifestou e nem apresentou documentos necessários para infirmar os fatos apurados pela autoridade fiscal. Entendo que o Recorrente tem, em sua plenitude, o direito ao contraditório e à ampla defesa, entretanto, isso não implica em utilizar estratagemas diversos para protelar o desfecho do processo, na medida em que durante a fase de fiscalização não atende às solicitações da fiscalização e em outro momento, já na fase processual, alega que o seu direito Fl. 401DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.004672/201001 Acórdão n.º 3202001.397 S3C2T2 Fl. 402 8 está sendo cerceado ou que agora, nesta fase, seria necessária a realização de perícia contábil para provar o seu direito. Em conclusão, correta a cobrança do tributo devido e não declarado, à época da realização do procedimento fiscal. Do agravamento da multa de ofício aplicada No caso em tela, a multa de ofício foi agravada pelo fato de a Recorrente não ter atendido aos Termos de Intimação Fiscal lavrados em 25/11/2010 e 14/12/2010, quando a autoridade fiscal solicitou que fossem apresentadas as justificativas para as divergências constatadas entre os valores lançados em sua escrituração contábilfiscal e aqueles constantes da DCTF, assim como os documentos que deram suporte aos valores escriturados. A Recorrente não apresentou as informações e documentos solicitados. Tais fatos estão plenamente comprovados nos autos (vide efolhas 11 a15 dos autos). Deste modo, uma vez constada a falta de recolhimento do tributo cabível a aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que deve ser agravada pelo fato de a Recorrente não ter atendido a intimação, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos e/ou documentação, nos termos do disposto no § 2º do mesmo artigo, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Quando aos juros sobre a multa de ofício A Recorrente questiona, ainda, a cobrança dos juros Selic exigidos sobre a multa de ofício, por entender que não há previsão legal para a sua incidência. Discordo deste entendimento. A meu ver, há previsão legal para a cobrança. Vejamos, inicialmente, o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos Fl. 402DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.004672/201001 Acórdão n.º 3202001.397 S3C2T2 Fl. 403 9 previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifamos) Os defensores da tese da não aplicação de juros sobre a multa salientam a menção do legislador a débitos de “tributos e contribuições”, diferentemente de legislação anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (DecretoLei nº 2.323, de 1987, e Lei nº 8.218, de 1991). Assim, alegam que deve ser feita uma interpretação literal do texto normativo. Discordamos deste entendimento, até porque a interpretação literal, na maioria das vezes, é apenas o ponto de partida para a construção dos sentidos da norma a ser aplicada. Não devemos desprezar a expressão “decorrente de”, aposta antes dos vocábulos “tributos e contribuições”, constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Deste modo, a melhor leitura que se deve dar à expressão “decorrentes de tributos e contribuições”, a meu sentir, referese aos débitos “cuja origem remonta de tributos e contribuições”. A multa de ofício decorre do não pagamento do tributo! Diferente seria se o citado artigo 61 prescrevesse que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterse iam aos juros de mora”. Não foi essa, a meu ver, a intenção do legislador. Não devemos, portanto, interpretar o dispositivo legal desprezando o sentido da expressão “decorrente de”, constante do texto em vigor. E mais, uma interpretação exclusivamente literal não é a mais adequada como leciona Paulo de Barros Carvalho (in Direito Tributário, Linguagem e Método, 1ª edição, p. 201): “O critério sistemático da interpretação envolve os três planos (sintático, semântico e pragmático) e é, por isso mesmo, exaustivo da linguagem do direito. Isoladamente, só o último (sistemático) tem condições de prevalecer, exatamente porque ante supõe os anteriores. É assim, considerado o método por excelência”. Se fizermos uma interpretação teleológica, pautada na finalidade do dispositivo legal, ressalta sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. As multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que o contribuinte que cometeu o ilícito tributário, bem como os demais contribuintes, será compelido a não repetir tal conduta juridicamente indesejada. Tem se, assim, que afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício. Em outro giro, se fizermos uma interpretação sistemática dos dispositivos do CTN, também chegaremos à conclusão que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício. Vejamos. Não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, “nasce” para o contribuinte o dever de pagar o valor do tributo e mais a multa. Por ocasião da constituição do crédito tributário, pelo lançamento de ofício, a multa de ofício correspondente passa a integrar aquele valor, composto do tributo e devidos acréscimos legais (juros de mora + multa de ofício), nos termos do que prescreve o artigo 113/CTN. Como se observa, a partir do lançamento, o tributo e a multa de ofício passam a ser devidos pelo contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção deste montante total. Em outras palavras, não é lógico que apenas o valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo crédito tributário. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.004672/201001 Acórdão n.º 3202001.397 S3C2T2 Fl. 404 10 Como dispõe o artigo 139 do CTN, o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária. Após o lançamento, tributo e multa convolamse em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir. Concluise, assim, que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre o crédito tributário, incluindose nesta rubrica, como argumentado, a multa de oficio. O § 1º do artigo 161 prescreve que os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso. E a lei dispôs de forma diversa. O artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96, determina que sobre os débitos incida juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º (juros equivalentes à Taxa Selic), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação esta que harmoniza os diversos dispositivos do CTN. Acrescentese, ainda, que a legislação ordinária (ex vi artigo 43, parágrafo único e 61, Lei nº 9.430/96) de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de oficio, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. A dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, convém transcrever julgados do Superior Tribunal de Justiça que já decidiram por manter os juros sobre a multa de ofício, verbis: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. MULTA PUNITIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ. 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, em 14/09/2009) Fl. 404DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.004672/201001 Acórdão n.º 3202001.397 S3C2T2 Fl. 405 11 No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF há diversos julgados do CARF reconhecendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, dentre eles citamos os seguintes: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007; Relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente ã taxa SELIC. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 10322197, de 07/12/2005; Relator: Aloysio José Percínio da Silva) Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 405DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722329/2011-12
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. DECLARAÇÃO RETIFICADORA.
A declaração retificadora é uma faculdade do declarante e substitui integralmente as informações contidas na declaração original.
DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO DO CONTRIBUINTE E DE SEUS DEPENDENTES.
As deduções relativas a despesas médicas restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. A declaração retificadora é uma faculdade do declarante e substitui integralmente as informações contidas na declaração original. DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO DO CONTRIBUINTE E DE SEUS DEPENDENTES. As deduções relativas a despesas médicas restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10640.722329/2011-12
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5420540
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2801-003.948
nome_arquivo_s : Decisao_10640722329201112.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 10640722329201112_5420540.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5793267
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476050591744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1702; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 84 1 83 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.722329/201112 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.948 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente WALTER BARBOSA VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. A declaração retificadora é uma faculdade do declarante e substitui integralmente as informações contidas na declaração original. DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO DO CONTRIBUINTE E DE SEUS DEPENDENTES. As deduções relativas a despesas médicas restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 23 29 /2 01 1- 12 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.722329/201112 Acórdão n.º 2801003.948 S2TE01 Fl. 85 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/JFA/MG. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Para WALTER BARBOSA VIEIRA, já qualificado nos autos, foi lavrada em 16/5/2011 a Notificação de Lançamento de fls. 42/47, que lhe deu o direito à restituição de imposto no valor de R$ 3.409,26, a ser atualizado, em detrimento à importância de R$ 4.454,26 pleiteada na DIRPF/2010. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na declaração de ajuste anual retificadora, entregue pelo interessado em 27/7/2010, relativa ao exercício financeiro de 2010, anocalendário de 2009, quando foi constatada a seguinte irregularidade, de acordo com a Descrição dos Fatos de fls. 44/45: dedução indevida de despesas médicas, no valor R$ 3.800,00, pois a “Nota Fiscal emitida por OLHAR.COM LTDA, CNPJ 00.063.762/000137, identifica como beneficiário ELIZABETH MARIA MIRANDA VIEIRA, que não consta arrolada como dependente do declarante, motivo da glosa.” O contribuinte apresenta a impugnação de fl. 2, instruída pelos elementos de fls. 3/5, em que solicita o cancelamento da notificação argumentando que (in verbis): O valor referese a despesas médicas de companheiro(a) com quem o contribuinte tem filho ou vive há mais de 5 anos, ou cônjuge. Despesa médica de esposa, declarada como dependente na dec IRPF e nas declarações retificadoras, e diferente da descrição dos fatos e enquadramento legal, foi arrolada como dependente, por ser casada há mais de 40 anos, e sempre foi dependente como consta nas declarações anteriores, podendo ser comprovado através de cópia da certidão de casamento. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 55/57, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa da dedução, quando restar comprovado que o gasto em questão foi realizado para pessoa que não foi relacionada pelo contribuinte como dependente, na DAA Retificadora, objeto de revisão. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.722329/201112 Acórdão n.º 2801003.948 S2TE01 Fl. 86 3 Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Regularmente cientificado daquele acórdão em 20/03/2012 (fl. 61), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 64/66, em 11/04/2012. Em sua defesa, pretende seja aceita a dedução de despesas médicas com a dependente informada na declaração entregue em 23/03/2010. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de glosa de dedução de despesas médicas, no valor R$ 3.800,00, motivada pelo fato de a nota fiscal emitida por Olhar.com Ltda, CNPJ 00.063.762/000137, identificar como beneficiária Elizabeth Maria Miranda Vieira, que não consta arrolada como dependente do declarante. O Recorrente junta aos autos, às fls. 69/73, a DIRPF/2010 entregue em 20/03/2010, em que Elizabeth Maria Miranda Vieira consta relacionada como dependente. Ocorre que, em 12/01/2012, foi entregue a declaração retificadora, que é objeto de exame neste caso, sem indicação de dependente. Ressaltese que a declaração retificadora é uma faculdade do declarante e substitui integralmente as informações contidas na declaração original. Assim, não merece reparos a decisão recorrida que assim concluiu: Correto, portanto, o trabalho fiscal que glosou a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 3.800,00, vinculadas a Elizabeth Maria Miranda Vieira, haja vista que tal pessoa, repisese, não foi indicada como dependente, para fins tributários, na mencionada declaração retificadora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 86DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.722329/201112 Acórdão n.º 2801003.948 S2TE01 Fl. 87 4 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15504.720697/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ TRANSITADA EM JULGADO ADMINISTRATIVAMENTE. IMPOSSIBILIDADE.
Não se conhece de matéria que tenta rediscutir, em sede de recurso voluntário, questões já decididas administrativamente, de maneira definitiva, e cuja decisão já se houve por transitada em julgado no âmbito administrativo.
RECURSO VOLUNTÁRIO. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da interposição de Recurso Voluntário não se configura como óbice à constituição de crédito previdenciário, mediante o Lançamento, pela Fazenda Pública. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-003.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, exclusivamente, para que a multa aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.312.237-3, CFL 68, nas competências de setembro/2007 até novembro/2008, seja recalculada tomando-se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente, em homenagem à retroatividade da lei mais benéfica encartada no art. 106, II, c, do CTN. Na competência dezembro/2008 deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Theodoro Vicente Agostinho, e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ TRANSITADA EM JULGADO ADMINISTRATIVAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhece de matéria que tenta rediscutir, em sede de recurso voluntário, questões já decididas administrativamente, de maneira definitiva, e cuja decisão já se houve por transitada em julgado no âmbito administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da interposição de Recurso Voluntário não se configura como óbice à constituição de crédito previdenciário, mediante o Lançamento, pela Fazenda Pública. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15504.720697/2011-04
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5423975
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-003.587
nome_arquivo_s : Decisao_15504720697201104.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 15504720697201104_5423975.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, exclusivamente, para que a multa aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.312.237-3, CFL 68, nas competências de setembro/2007 até novembro/2008, seja recalculada tomando-se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente, em homenagem à retroatividade da lei mais benéfica encartada no art. 106, II, c, do CTN. Na competência dezembro/2008 deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Theodoro Vicente Agostinho, e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5803261
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476076806144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1.141 1 1.140 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.720697/201104 Recurso nº 003.587 Voluntário Acórdão nº 2302003.587 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP Recorrente FUNDAÇÃO OÁSIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ TRANSITADA EM JULGADO ADMINISTRATIVAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhece de matéria que tenta rediscutir, em sede de recurso voluntário, questões já decididas administrativamente, de maneira definitiva, e cuja decisão já se houve por transitada em julgado no âmbito administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da interposição de Recurso Voluntário não se configura como óbice à constituição de crédito previdenciário, mediante o Lançamento, pela Fazenda Pública. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 06 97 /2 01 1- 04 Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial, exclusivamente, para que a multa aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.312.2373, CFL 68, nas competências de setembro/2007 até novembro/2008, seja recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente, em homenagem à retroatividade da lei mais benéfica encartada no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Na competência dezembro/2008 deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Theodoro Vicente Agostinho, e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.142 3 Relatório 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 Data da lavratura do Auto de Infração: 04/08/2011. Data da ciência do Auto de Infração: 04/08/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 37.276.7087, 37.276.7095 e 37.312.2365, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, bem como contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, além do AIOA nº 37.312.2373, CFL 68, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 117/128. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Informa a fiscalização que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte emitiu o Ato Declaratório nº 966, de 01 de abril de 2009, indeferindo o pedido de reconhecimento de isenção de contribuições sociais efetuado pela Fundação ora Recorrente, baseado na documentação apresentada e na declaração da própria entidade de que não promoveu assistência social beneficente, o quê provocou o desenquadramento da condição de Entidade Beneficente de Assistência Social –EBAS – código FPAS – 639. Em razão do desenquadramento acima referido, a entidade voltou a ser enquadrada nos seguintes códigos: FPAS 5660 – Estabelecimentos de Defesa de Direitos Sociais, Assistência Social, Creches, Serviço de Saúde; Seja reconhecida como de utilidade pública federal; FPAS 5740 Estabelecimento de Ensino. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O enquadramento incorreto do contribuinte na condição de EBAS – FPAS 639 redundou no preenchimento incorreto das GFIP campos FPAS, alíquota RAT e Percentual de Isenção de Filantropia , o que acarretou ausência do cálculo das contribuições destinadas à Seguridade Social e a Outras Entidades e Fundos/Terceiros incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e segurados contribuintes individuais; Os Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal têm por finalidade apurar e constituir os créditos relativos às contribuições sociais não recolhidas aos cofres públicos, assim distribuídas: · AI Debcad nº 37.276.7087 Contribuição da empresa incidente sobre as verbas remuneratórias pagas ou creditadas aos segurados empregados, inclusive para o financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho destinadas à Seguridade Social, bem como sobre as verbas remuneratórias ou retribuições pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais; · AI Debcad nº 37.276.7095 Contribuição descontada de segurados empregados, incidente sobre os respectivos Salários de Contribuição. · AI Debcad nº 37.312.2365 Contribuições destinadas a outras entidades e fundos denominados terceiros, Salário Educação (FNDE), INCRA, SESC, SEBRAE, incidentes sobre as verbas remuneratórias pagas ou creditadas aos segurados empregados. Houvese, também, por lavrado o seguinte Auto de Infração de Obrigação Acessória. · AI Debcad n.º 37.312.2373 – Cód. Fundamentação Legal CFL 68, em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Inconformado com o lançamento, o sujeito passivo ofereceu impugnação a fls. 455/496. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG proferiu decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 0236.223 – 6ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 659/667, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 26/04/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 682. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 684/732, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que adiante se vos seguem: Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.143 5 · Relação de prejudicialidade com relação à demanda objeto do PAF nº 36378.000760/200761, pendente de julgamento administrativo; · O ato de suspensão da imunidade, pela Administração Tributária, exige observância dos postulados da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, e está condicionado à apuração dos seguintes pressupostos de fato, relativamente aos anoscalendários em que a entidade beneficiária de imunidade comprovadamente não estiver observando requisitos ou condições previstos nos artigos 9º, §1º e 14, do CTN ou aos demais critérios estabelecidos na legislação de regência; · Nulidade dos Autos de Infração, porque o crédito tributário encontrase com exigibilidade suspensa; · Que preenche todos os requisitos previstos na legislação de regência para a fruição do benefício da imunidade tributária; Ao fim, requer a declaração de improcedência dos Autos de Infração. O julgamento do Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência Fiscal, nos termos da Resolução nº 2302000.262 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, a fls. 1076/1086, para que o julgamento fosse sobrestado até o Trânsito em Julgado da demanda objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 36378.000760/200761, no qual se debate administrativamente Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais protocolizado pela Fundação Oasis. O Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais acima citado houvese por indeferido mediante o Despacho Decisório nº 966 – DRF/BHE, a fls. 549/544 do PAF nº 36378.000760/200761, com base na documentação apresentada e na declaração da própria entidade de que não promoveu assistência social beneficente. Em face de tal decisão, a Fundação Oasis interpôs Recurso Voluntário, a fls. 172/183 dos autos do PAF nº 36378.000760/200761, o qual se houve por interposto intempestivamente, conforme assim atesta documento a fls. 462 desses autos. Por determinação legislativa, o Recurso Voluntário suso mencionado foi levado à apreciação do Órgão Julgador de 2ª Instância, que não conheceu do Apelo, em razão de sua intempestividade, nos termos do Acórdão nº 2301003.819 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF, o que tornou definitiva, no âmbito administrativo, a decisão aviada no Despacho Decisório nº 966 – DRF/BHE, sacramentando assim o Indeferimento do Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais formulado pela Fundação Oasis. Devidamente cientificada do teor da Resolução nº 2302000.262 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária e do resultado da Diligência Fiscal nela ordenada, em 16 de julho de 2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1101, o Interessado, após o prazo de 30 dias Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 que lhe fora concedido nos termos da Intimação 0854, de 10/07/2014, a fls. 1099/1100, se manifestou em 18 de agosto do mesmo ano, a fls. 1111/1130. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.144 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 26/04/2012. Havendo sido o recurso voluntário postado na agência dos correios em 24/05/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega preencher todos os requisitos previstos na legislação de regência para a fruição do benefício da imunidade tributária. Pondera que o ato de suspensão da imunidade, pela Administração Tributária, exige observância dos postulados da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, e está condicionado à apuração dos seguintes pressupostos de fato, relativamente aos anos calendários em que a entidade beneficiária de imunidade comprovadamente não estiver observando requisitos ou condições previstos nos artigos 9º, §1º e 14, do CTN ou aos demais critérios estabelecidos na legislação de regência; Tais matérias, todavia, não poderão ser conhecidas no presente recurso em razão de as mesmas questões de fato e de Direito já serem objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 36378.000760/200761, havendo coincidência de partes, causa de pedir e pedido, configurandose, portanto, litispendência administrativa. “Não se tolera, em direito processual, que uma mesma lide seja objeto de mais de um processo simultaneamente.” (Humberto Theodoro Júnior) Anotese que na parte preambular do vertente Recurso Voluntário, o Recorrente atrai para o presente feito a existência da demanda acima referida, e requer a manutenção da conexão com o processo acima referido: “Desta forma, requer a RECORRENTE a manutenção da conexão do presente RECURSO VOLUNTÁRIO com o recurso administrativo correspondente ao processo 36378.000760/2007 61, de forma que o CARF possa ter todos os elementos para o julgamento do feito, seja pela documentação e fundamentos elencados naquele recurso, seja pelos fundamentos e documentos que compõem os presentes autos, que, de resto foi o instrumento Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 processual que inaugurou a fase litigiosa do processo de exigência das contribuições materializada com a emissão dos Autos de Infração.” Dessarte, diante da flagrante relação de prejudicialidade entre as demandas objeto do PAF nº 36378.000760/200761 e a do vertente processo, a decisão definitiva a ser proferida naquele irá irradiar efeitos neste. Mostrase auspicioso enaltecer que, nos termos do inciso V do art. 267 do Código de Processo Civil, a litispendência figura como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. Código de Processo Civil Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232/2005) (...) V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; (...) §3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nº IV, V e VI; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. (...) Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado. Parágrafo único. Se o autor der causa, por três vezes, à extinção do processo pelo fundamento previsto no no III do artigo anterior, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficandolhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. Conforme mencionado, o Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais formulado pela Fundação Oasis constituise objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 36378.000760/200761. O Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais acima citado houvese por indeferido mediante o Despacho Decisório nº 966 – DRF/BHE, a fls. 549/544 do PAF nº 36378.000760/200761, com base na documentação apresentada e na declaração da própria entidade de que não promoveu assistência social beneficente. Em face de tal decisão, a Fundação Oasis interpôs Recurso Voluntário, a fls. 172/183 dos autos do PAF nº 36378.000760/200761, o qual se houve por interposto intempestivamente, conforme assim atesta documento a fls. 462 desses autos. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.145 9 Por determinação legislativa, o Recurso Voluntário suso mencionado foi levado à apreciação do Órgão Julgador de 2ª Instância, que não conheceu do Apelo, em razão de sua intempestividade, nos termos do Acórdão nº 2301003.819 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF, o que tornou definitiva, no âmbito administrativo, a decisão aviada no Despacho Decisório nº 966 – DRF/BHE, sacramentando assim o Indeferimento do Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais formulado pela Fundação Oasis. Assim, havendo transitada em julgado a decisão administrativa que indeferiu o Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais formulado pela Fundação Oasis, nos autos do PAF nº 36378.000760/200761, avulta não ser mais cabível qualquer discussão em torno da mesma matéria, em respeito à Coisa Julgada Administrativa. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; (...) Ora, se nem a lei pode prejudicar a coisa julgada, o que dirá este Órgão Julgador Administrativo. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Também não será conhecida a Manifestação do Recorrente acostada a fls. 1111/1130, em razão de sua intempestividade. Com efeito, havendo sido intimado do resultado da Diligência Fiscal requestada pela Resolução nº 2302000.262 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária em 16 de julho de 2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1101, o Recorrente teve o prazo de 30 dias para se manifestar nos autos do processo, conforme consignado na Intimação 0854, de 10/07/2014, a fls. 1099/1100, prazo esse que se encerrou em 15/08/2014. Nessa prumada, havendo sido a Manifestação do Interessado apresentada em 18/08/2014, como assim denuncia o carimbo do Protocolo aposto no canto superior direito da folha de rosto de seu Manifesto, a fl. 1111, há que se reconhecer a sua apresentação intempestiva. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Alega o Recorrente que os Autos de Infração devem ser anulados, em razão de o crédito tributário estar suspenso por força do art. 151, III, do CTN. A razão não lhe sorri, todavia. Com efeito, o inciso III do art. 151 do CTN determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa sempre que houver a interposição de recursos administrativos em face do lançamento fiscal a que se refere. Código Tributário Nacional CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. Por força de tal dispositivo legal, fica o Fisco impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança judicial, tais como a inscrição do crédito tributário em dívida ativa ou o ajuizamento de execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. A polêmica em torno do tema já exigiu o pronunciamento formal do Superior Tribunal de Justiça, cuja Primeira Seção, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento do EREsp 572.603/PR, entendeu aquele órgão julgador que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar ", conforme dessai da eloquência de sua ementa: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN), que é de cinco anos. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.146 11 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 05/09/2005) Nesse mesmo sentido, colacionamos, ainda, os seguintes precedentes: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MEDIDA LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. 1. A ordem judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não atinge a sua regular constituição, não estando, por conseguinte, a Fazenda Pública impedida de efetuar o respectivo lançamento. 2. Recurso especial conhecido e provido." (REsp 216.298/SP, 2ª Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 1º/8/2005) "TRIBUTÁRIO PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA OBSTÁCULO JUDICIAL. 1. A constituição do crédito tributário, nos termos do CTN, não sofre interrupção ou suspensão, iniciandose o prazo na data da ocorrência do fato gerador. 2. A partir do fato gerador, dispõe a Fazenda do prazo de cinco anos para constituir o seu crédito, não estando inibida de fazêlo se houver suspensão da exigibilidade, nos termos do art. 150, §4º do CTN. 3. A liminar concedida em mandado de segurança (art. 151, IV, CTN), bem assim as demais hipóteses do mesmo art. 151, não impedem que a Fazenda constitua o seu crédito e aguarde para efetuar a cobrança. 4. Ocorrência da decadência, porque constituído o crédito após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 173, I, CTN). 5. Recurso especial conhecido em parte e provido." (REsp 575.991/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 22/8/2005) Conforme demonstrado, o entendimento prevalecente no Superior Tribunal de Justiça aponta unicamente no sentido de que o Fisco encontrase impedido de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à constituição do crédito tributário, mediante o lançamento. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Isso porque o lançamento não se configura como ato de exigibilidade do crédito tributário, mas, sim, procedimento administrativo tendente à sua formal constituição. Conforme cediço, o lançamento ostenta natureza jurídica dúplice: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito dela decorrente. Assim, antes de realizado o lançamento inexiste crédito tributário, mas, tão somente, obrigação tributária, a qual é inexigível, eis que se encontra à calva dos atributos indispensáveis da liquidez e certeza. Assim, para que haja suspensão do crédito tributário é necessário que haja crédito tributário constituído, e não pendente de constituição (obrigação tributária), circunstância que somente sói ocorrer com a efetivação do lançamento. Por outro viés, as hipóteses de suspensão do art. 151 do CTN não suspendem o prazo decadencial para efetivação do lançamento, mas tão somente o prazo prescricional para a cobrança judicial do crédito tributário. Em outras palavras, o Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN. Nesse particular, mostrase valiosa a referência ao precedente do STJ adiante transcrito: “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER O SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O Art. 151, IV, do CTN determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos ERESP 572.603/PR, entendeuse que a “suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar” (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5/09/2005). 3. Recurso especial desprovido (grifos nossos). (RESP 736.040/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 11/06/2007) A jurisprudência em torno do tema encontrase pacificada nas ordens do STJ, consoante dessai do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 572.603/PR, DJ 05/09/05, de cujo voto condutor extraímos o seguinte excerto, ad perpetuam rei memoriam : Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.147 13 “(...) No que se refere à segunda questão, o entendimento segundo o qual a Fazenda está impedida de efetivar o lançamento do tributo, cuja exigibilidade encontrase suspensa em decorrência de ordem judicial, implica admitirse a interrupção do prazo decadencial, o que não se coaduna com a natureza do instituto. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar.” Diante de tal exposição, mesmo ocorrendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de recurso administrativo ou por força de decisão judicial, seja mediante medida liminar concedida em Mandado de Segurança ou Cautelar, seja por antecipação de tutela em outras espécies de demandas judiciais, inexiste óbice legal para a efetivação da constituição do crédito tributário visando à prevenção da decadência, mediante lançamento de ofício, nos termos do art. 149 do CTN. Vencidas as preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA PREJUDICIALIDADE Informa a fiscalização no item 3 do seu Relatório Fiscal: “3.2 Na presente situação foi emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte o Ato Declaratório n.º 966, de 01 de abril de 2009, com o indeferimento do pedido de reconhecimento de isenção de contribuições sociais efetuado pela Fundação, razão pela qual procedemos ao lançamento de todos os créditos das contribuições devidas à Seguridade Social relativas aos fatos Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 geradores. O ato de indeferimento, baseado na documentação apresentada e na declaração da própria entidade de que não promoveu assistência social beneficente, provocou o desenquadramento da condição de Entidade Beneficente de Assistência Social –EBAS – código FPAS – 639, passando a ser enquadrada nos seguintes códigos: · FPAS – 5660 – Estabelecimentos de Defesa de Direitos Sociais , Assistência Social, Creches, Serviço de Saúde; Seja reconhecida como de utilidade pública federal; · FPAS – 5740 Estabelecimento de Ensino. 3.3 O enquadramento incorreto do contribuinte na condição de EBAS – FPAS 639 redundou na ocorrência a seguir relatada, que acarretou no consequente cálculo de contribuições previdenciárias a menor, e que se configuraram na infração constatada: · Preenchimento incorreto na GFIP, por competência, dos campos FPAS, alíquota RAT e Percentual de Isenção de Filantropia que acarretou na ausência do cálculo das contribuições destinadas à Seguridade Social e a Outras Entidades e Fundos/Terceiros incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e segurados contribuintes individuais;” Exsurge dos termos do Relatório Fiscal que o vertente lançamento decorre diretamente do indeferimento do Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais aviado Despacho Decisório nº 966 – DRF/BHE, a fls. 549/544, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 36378.000760/200761. O pedido houvese por indeferido com base na documentação apresentada e na declaração da própria entidade de que não promoveu assistência social beneficente. Em face de tal decisão, a Fundação Oasis interpôs Recurso Voluntário, a fls. 172/183 dos autos do PAF nº 36378.000760/200761, o qual se houve por interposto intempestivamente, conforme assim atesta documento a fls. 462 daqueles autos. Por determinação legislativa, o Recurso Voluntário suso mencionado foi levado à apreciação do Órgão Julgador de 2ª Instância, que não conheceu do Apelo, em razão de sua intempestividade, nos termos do Acórdão nº 2301003.819 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF, o que tornou definitiva, no âmbito administrativo, a decisão aviada no Despacho Decisório nº 966 – DRF/BHE, sacramentando assim o Indeferimento do Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais formulado pela Fundação Oasis. Nessa vertente, havendo sido indeferido o Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais, nos termos do Despacho Decisório nº 966 – DRF/BHE, a fls. 549/544 do Processo Administrativo Fiscal nº 36378.000760/200761, a empresa Recorrente no período de apuração do crédito tributário objeto do vertente Processo Administrativo Fiscal não se encontrava ao amparo de benefício fiscal de isenção de contribuições previdenciárias, se sujeitando, compulsoriamente, portanto, a cumprir todas as obrigações tributárias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.148 15 No presente lançamento, foram lançadas as contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, assim como as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados e segurados contribuintes individuais (sóciogerente), conforme estabelecido nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, além das contribuições sociais a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre os seus respectivos Salários de Contribuição, não recolhidas aos cofres públicos, assim distribuídas: · AI Debcad nº 37.276.7087 Contribuição da empresa incidente sobre as verbas remuneratórias pagas ou creditadas aos segurados empregados, inclusive para o financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho destinadas à Seguridade Social, bem como sobre as verbas remuneratórias ou retribuições pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais; · AI Debcad nº 37.276.7095 Contribuição descontada de segurados empregados, incidente sobre os respectivos Salários de Contribuição. · AI Debcad nº 37.312.2365 Contribuições destinadas a outras entidades e fundos denominados terceiros, Salário Educação (FNDE), INCRA, SESC, SEBRAE, incidentes sobre as verbas remuneratórias pagas ou creditadas aos segurados empregados. Nessa vertente, sendo devidas as contribuições patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, assim como as contribuições a cargo dos segurados, incidentes sobre os seus respectivos Salários de Contribuição, tais exações deveriam ter sido, NECESSARIAMENTE, declaradas nas respectivas GFIP, mas não o foram. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Por tal razão, houvese, também, por lavrado o Auto de Infração de Obrigação Acessória Debcad n.º 37.312.2373 – Cód. Fundamentação Legal CFL 68, em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o §5º do art. 32 do Pergaminho Legal em foco, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado, em caso de entrega de GFIP contendo incorreções ou omissões relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, mediante a inflição de pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) No mesmo sentido, assim dispõem os artigos 225, IV e 284, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social. Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.149 17 Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova mensalmente, dessumese de forma hialina que cada apresentação de GFIP com omissões/incorreções representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista na lei de forma isolada das demais. Assim, ainda que a sanção a todas as infrações representativas de cada uma das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração, o valor da multa a ser estipulada para cada infração (competência) tem que ser calculada individualmente mediante a aplicação, na íntegra, da memória de cálculo estabelecida no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e, ao fim, devidamente somadas. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.150 19 Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; No caso em apreço, o valor mínimo acima referido acima foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31/12/2010 – publicada no Diário Oficial da União DOU de 03/01/2011. Procedente, portanto, o lançamento tributário levado ora a cabo pela Autoridade Fiscal Fazendária. 3.2. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Mudamse os tempos, mudamse as vontades, Mudase o ser, mudase a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as magoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já cuberto foi de neve fria, E enfim converte em choro o doce canto. E, afora este mudarse cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soia. Luís de Camões Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária aplicada à infração em exame, em honra ao preceito encartado no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Preliminarmente, deve ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.151 21 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.152 23 Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.153 25 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.312.2373, CFL 68, de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada nas competências de setembro/2007 até novembro/2008, a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente, em homenagem à retroatividade da lei mais benéfica encartada no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Outrossim, na competência dezembro/2008 deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em atenção ao princípio tempus regit actum. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, exclusivamente, para que a multa aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.312.2373, CFL 68, nas competências de setembro/2007 até novembro/2008, seja recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente, em homenagem à retroatividade da lei mais benéfica encartada no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Outrossim, na competência dezembro/2008 deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em atenção ao princípio tempus regit actum. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 2302003.587 S2C3T2 Fl. 1.154 27 Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001194/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
A remissão de débitos somente é possível quando existe lei que autoriza o referido benefício fiscal.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica.
Numero da decisão: 2401-003.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) afastar a preliminar de nulidade; e b) rejeitar a argüição de decadência. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, para dar provimento parcial de modo que a multa fique limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. A remissão de débitos somente é possível quando existe lei que autoriza o referido benefício fiscal. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10650.001194/2007-44
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404897
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.763
nome_arquivo_s : Decisao_10650001194200744.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10650001194200744_5404897.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) afastar a preliminar de nulidade; e b) rejeitar a argüição de decadência. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, para dar provimento parcial de modo que a multa fique limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5751717
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476098826240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2073; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 776 1 775 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.001194/200744 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.763 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de novembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente COOPERATIVA DE TRABALHO DOS TRABALHADORES DO TRIÂNGULO MINEIRO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004 COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO PARA FISCALIZAR O TRIBUTO. NORMA EDITADA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. O princípio da irretroatividade da lei tributária deve ser observado em relação às normas que instituem ou aumentam o tributo, não se aplicando às leis que tratam da competência para sua fiscalização. REMISSÃO. FALTA DE PERMISSIVO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. A remissão de débitos somente é possível quando existe lei que autoriza o referido benefício fiscal. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 11 94 /2 00 7- 44 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) afastar a preliminar de nulidade; e b) rejeitar a argüição de decadência. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, para dar provimento parcial de modo que a multa fique limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10650.001194/200744 Acórdão n.º 2401003.763 S2C4T1 Fl. 777 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 09 20.666 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Juiz de Fora (MG), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.029.6109. O Auto foi lavrado para aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação de declarar todos os fatos geradores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP. Os fatos geradores contemplados foram os pagamentos efetuados a segurados que prestaram serviços à Cooperativa de Trabalho dos Trabalhadores do Triângulo Mineiro COOTRIMI (a autuada) na condição de empregados e contribuintes individuais; e também os pagamentos efetuados aos cooperados que prestaram serviços a empresas por intermédio da Cooperativa Autuada. De acordo com os anexos colacionados ao AI, fls. 22 e segs., os fatos geradores não informados foram: a) remunerações de cooperados (trabalhadores rurais e transportadores) nas competências de 01 a 12/1999; b) honorários da diretoria no período de 01/1999 a 02/2000, 01 a 02/2001 e 05 a 06/2003; c) remunerações por serviços diversos prestados por contribuintes individuais (autônomos) nas competências de 12/1999 a 02/2000, 06/2001 e 01/2003; d) remunerações pagas a empregados, nas competências de 11/1999 a 02/2001 e de 02/2003 a 09/2003; e) remunerações pagas a contribuintes individuas a título de "taxa de administração", no período de 01/1999 a 07/2004. Apresentada a impugnação, a DRJ declarou procedente em parte o lançamento, acatando a decadência do crédito até a competência 11/2001 e afastando os demais argumentos apresentados. Contra essa decisão foi apresentado recurso pelo liquidante da COOTRIMI, no qual, em síntese, tratou dos seguintes pontos: a) a Cooperativa encerrou suas atividades em julho de 2004 e não possui recursos para fazer frente à dívida fiscal exigida; b) o período decadente deve se estender até a competência 08/2002; Fl. 778DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 c) a Cooperativa encerrou suas atividades devido a perseguições do Ministério Público do Trabalho e, então, seus cooperados se dispersaram, não restando recursos para pagar a dívida, assim, espera a benevolência do CARF no sentido de perdoar a quantia lançada; d) a inscrição do débito em dívida ativa vai prejudicar as pessoas que integravam a direção da Cooperativa, os quais são meros trabalhadores do setor da citricultura; e) a NFLD não pode prevalecer, posto que lastreada na Lei n. 11.457/2007, a qual foi editada bem depois da ocorrência dos fatos geradores; f) faz um apanhado da legislação que rege as cooperativas e discorre sobre a constituição, estrutura administrativa e atuação da COOTRIMI; g) não é lícita a incidência de contribuições sobre a taxa de administração, posto que sobre esses valores, utilizados para pagamentos de serviços contábeis, advocatícios e de informática, já houvera incidido a contribuição previdenciária, calculada sobre os valores brutos das notas fiscais de serviços prestados a pessoas jurídicas; h) insurgese contra a incidência de contribuições sobre as faturas de serviço prestados mediante cessão de mãodeobra (art. 31 da Lei n.º 8.212/1991); i) a COOTRIMI sempre recolheu as contribuições previdenciárias em consonância com as orientações que recebeu dos órgãos competentes; j) a partir da Lei n. 9.876/1999 a contribuição sobre os valores repassados aos cooperados passou a ser de responsabilidade da empresa contratante da cooperativa de trabalho; k) a COOTRIMI deixou de efetuar a retenção da contribuição dos cooperados pois esses recolhimentos nunca constavam no banco de dados do INSS, que por isso expediu orientação para que os próprios segurados fizessem o recolhimento; l) cita normas do INSS sobre recolhimento previdenciário e artigo de lavra do advogado Flávio Augusto Marretti Siqueira intitulado "Impostos, Multa Tributária, o Princípio da Vedação ao Confisco e Lançamento Tributário". Ao final, pede a declaração de nulidade/improcedência da lavratura ou, alternativamente, que lhe seja concedido perdão, em razão da falta de capacidade para pagamento do débito. É o relatório. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10650.001194/200744 Acórdão n.º 2401003.763 S2C4T1 Fl. 778 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade O recurso apresenta como causa de nulidade a utilização da Lei 11.457/2007 e como fundamento do débito, posto que esta teria sido publicada depois da ocorrência dos fatos geradores, ferindo, assim, o princípio da irretroatividade tributária. Essa tese não merece acolhida. É que a menção a citada Lei tem por objetivo fundamentar a competência da Receita Federal do Brasil para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições previdenciárias e para terceiros, que antes era conferida ao Ministério da Previdência Social. Eis o que dispõe os arts. 2.º e 3.º da referida Lei: Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1o O produto da arrecadação das contribuições especificadas no caput deste artigo e acréscimos legais incidentes serão destinados, em caráter exclusivo, ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social e creditados diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, de que trata o art. 68 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000. § 2o Nos termos do art. 58 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, a Secretaria da Receita Federal do Brasil prestará contas anualmente ao Conselho Nacional de Previdência Social dos resultados da arrecadação das contribuições sociais destinadas ao financiamento do Regime Geral de Previdência Social e das compensações a elas referentes. § 3o As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 4o Fica extinta a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social. Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). (...) Pois bem, nos termos do Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD que acompanham as notificações correlatas ao presente AI, a partir de 02/05/2007, a competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições passou a ser regulada pela Lei n.º 11.457/2007. Portanto, não há qualquer discrepância entre os fundamentos apresentados pelo fisco e o ordenamento vigente na data da lavratura. Isso em absoluto representa afronta ao princípio tributário da irretroatividade. O referido princípio vem consagrado na Constituição de 1988, na alínea "a" do inciso III, do art. 150, e dispõe que é vedado aos entes políticos cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes da lei que os houver instituído ou aumentado. No presente caso não houve qualquer afronta a essa norma, posto que a Lei n.º 11.457/2007 não instituiu as contribuições previdenciárias, tampouco as obrigações acessórias a elas relativas, mas apenas regulou a competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar. Portanto, descabe o inconformismo do sujeito passivo quanto a esse ponto. Portanto, não devo dar razão a empresa quando requer a nulidade da lavratura em razão da ocorrência de desrespeito ao princípio da irretroatividade da lei tributária. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 781DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10650.001194/200744 Acórdão n.º 2401003.763 S2C4T1 Fl. 779 7 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. No presente caso, ao contrário do que ficou decidido na primeira instância, entendo que a norma a ser utilizada para contagem do lapso decadencial é o inciso I do art. 173 do CTN, haja vista que se trata de lançamento de ofício para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Assim, concluo, assim como fez a DRJ, que devem ser afastadas pela decadência as competências até 11/2001, inclusive, haja vista que a ciência do lançamento ocorreu em 29/08/2007. Com a declaração da decadência, remanesce no crédito apenas a multa decorrente dos seguintes fatos geradores: a) honorários da diretoria no período de 05 a 06/2003; b) remunerações por serviços diversos prestados por contribuintes individuais (autônomos) na competência de 01/2003; c) remunerações pagas a empregados, nas competências de 02/2003 a 09/2003; d) remunerações pagas a contribuintes individuas a título de "taxa de administração", no período de 12/2001 a 07/2004. Nessa parte, fica, portanto, mantido o entendimento firmado na decisão recorrida. Da correlação entre as autuações para exigência das obrigações principais e a lavratura por descumprimento de obrigação relacionada a GFIP Esta turma tem entendido que os julgamentos de autuações por falta de recolhimento do tributo devem ser efetuados conjuntamente com as lavraturas decorrentes de omissão de contribuições na GFIP. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Esse procedimento tem razão de ser no fato do colegiado entender que o auto de infração por descumprimento da obrigação acessória de apresentar Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias tem conexão com o lançamento da obrigação principal. Por essa linha de entendimento a verificação da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP dáse no momento da apreciação da obrigação principal. Assim, declarandose improcedentes as contribuições lançadas, deve o resultado refletirse no lançamento decorrente de descumprimento da obrigação acessória de não declarar as contribuições excluídas na GFIP. Verifico que os fatos geradores que deixaram de ser declarados na GFIP foram contemplados nas seguintes notificações: a) NFLD n.º 37.029.6087: honorários da diretoria no período de 05 a 06/2003; remunerações por serviços diversos prestados por contribuintes individuais (autônomos) na competência de 01/2003; remunerações pagas a empregados, nas competências de 02/2003 a 09/2003. b) NFLD n.º 37.029.6095: remunerações pagas a contribuintes individuas a título de "taxa de administração", no período de 12/2001 a 07/2004. A NFLD tratada no item "a" foi a pouco julgada procedente no mérito, tendo sido excluídas por decadência as competências até 07/2002. A outra notificação foi apreciada pela 3.ª Turma Especial da 2.ª Seção do CARF, que afastou por decadência o período de 01/1997 a 11/2001 e, no mérito, declarou procedentes as contribuições lançadas, determinando apenas a comparação da multa aplicada com aquela calculada nos termos da nova legislação (ver Acórdão n.º 2803001.087). Assim, tendose em conta que os fatos geradores omitidos foram considerados procedentes nos julgamentos de segunda instância dos processos relativos à exigência das contribuições, é de se concluir que a empresa incorreu no delito administrativo tratado no AI, sendo legítima a aplicação da penalidade. Pedido de Remissão Alegase que a Cooperativa encerrou as atividades desde 2004, não tendo ativos para quitar a dívida tributária. Por isso, pedese que o CARF se compadeça da sua situação financeira e perdoe o valor remanescente da multa. A remissão é uma das forma de extinção do crédito tributário, prevista no inciso IV do art. 156 do CTN. Nos termos do art. 172 do Código, o perdão pode ser concedido, desde que haja lei autorizativa. Vejamos o dispositivo: Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: Fl. 783DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10650.001194/200744 Acórdão n.º 2401003.763 S2C4T1 Fl. 780 9 I à situação econômica do sujeito passivo; II ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; III à diminuta importância do crédito tributário; IV a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso; V a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante. Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Como se pode ver da leitura do "caput", a remissão só pode ser concedida se houver autorização legal, o que não existe na situação sob enfoque. Assim, por falta de previsão legal, a Administração está impedida de perdoar a dívida. A aplicação da multa mais benéfica É cediço que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, Fl. 784DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN2. Devese, então, verificar, competência a competência, o valor da multa, o qual ficará limitado ao que dispõe o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Voto então pelo provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte na comparação entre o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 e aquele constante do auto de infração. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10650.001194/200744 Acórdão n.º 2401003.763 S2C4T1 Fl. 781 11 Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, para dar provimento parcial de modo que a multa fique limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909104/2011-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10850.909104/2011-95
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403448
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.743
nome_arquivo_s : Decisao_10850909104201195.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10850909104201195_5403448.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5743135
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476122943488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 141 1 140 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.909104/201195 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.743 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 04 /2 01 1- 95 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909104/201195 Acórdão n.º 3803006.743 S3TE03 Fl. 142 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 434,83. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/09/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909104/201195 Acórdão n.º 3803006.743 S3TE03 Fl. 143 3 Data do Fato Gerador: 30/09/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/10/2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/11/2013 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Contestou também o argumento do julgador de piso que, segundo ele, pretendera anteceder qualquer ato processual futuro, relativamente à preclusão processual, pois que novos fatos e razões foram trazidos aos autos, reclamando pela aplicação do contido na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. É o relatório. Voto Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909104/201195 Acórdão n.º 3803006.743 S3TE03 Fl. 144 4 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição relativo a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909104/201195 Acórdão n.º 3803006.743 S3TE03 Fl. 145 5 Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do livro Diário e do balancete, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado, trazendo, adicionalmente, na segunda instância, parte do livro Razão. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909104/201195 Acórdão n.º 3803006.743 S3TE03 Fl. 146 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909104/201195 Acórdão n.º 3803006.743 S3TE03 Fl. 147 7 fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909104/201195 Acórdão n.º 3803006.743 S3TE03 Fl. 148 8 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000100/2010-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.293
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15521.000100/2010-12
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5423966
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-000.293
nome_arquivo_s : Decisao_15521000100201012.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 15521000100201012_5423966.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5803224
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476151255040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1.425 1 1.424 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.000100/201012 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2403000.293 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 5 de novembro de 2014 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FUNDACAO BENEDITO PEREIRA NUNES Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 21 .0 00 10 0/ 20 10 -1 2 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.426 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 1239.997 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, que julgou procedente em parte o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, AIOP nº 37.237.5324, no montante inicial de R$ 12.348.326,81. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições sociais relativas à parte patronal incidente sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, assim como aquelas referentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho —Sat/Rat, assim como diferenças de acréscimos legais e diferenças de folhas de pagamento, no período de 01/2006 a 10/2008 e 05/2006 a 01/2010. O Relatório Fiscal aponta que o procedimento fiscal teve origem no procedimento fiscal de cancelamento de isenção de Entidade Filantrópica processada nos autos de processo 15521000167/200743, o qual verificou o descumprimento por parte da empresa do art 55, III da Lei 8.212/1991. Nos autos, às fls. 135, anexouse cópia do Ato Cancelatório de Isenção referente ao processo n.°15521.000167/200743: ATO CANCELATÓRIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS N.o 15521,000167/200743 1. DADOS DA ENTIDADE NOME DA ENTIDADE: FUNDAÇÃO BENEDITO PEREIRA NUNES CNPJ: 28.964.2521000150 TELEFONE: ( 22 ) 27332211 ENDEREÇO: AV.ALBERTO TORRES N2 217 CEP: 28.035053 BAIRRO: CENTRO MUNICÍPIO: CAMPOS DOS GOYTACAZES UF: R.J 2. DECLARAÇÃO DECLARO CANCELADA, com base no disposto no § 8artigo 206, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n2 3.048, de 6 de maio de 1999, a partir de 01101/1997, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n.2 8.212, de 24 de julho de 1991, concedida ã entidade ' FUNDAÇÃO BENEDITO Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.427 3 PEREIRA NUNES, acima identificada, por infração ao inciso III do artigo 55 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de1991, combinado com o inciso IV, do artigo 206, do Decreto n2 3.048/99 e o Decreto 2.173/97, art. 31, § 5, na forma da IF —INFORMAÇÃO FISCAL, protocolada sob o n2 15521.000167/200743 e PARECER SAORT/DRF/CGZ/RJ1N 2 07212008. Local/Data: Campos dos Goytacazes, 12 de março de 2008. Ademais, o Relatório Fiscal aponta que da leitura dos autos do processo 15521000167/200743, em especial do ato cancelatório de isenção de contribuições sociais previdenciárias datado de 12/05/2008 acostado as fls 113 do processo em destaque, que a autuada perdeu a qualidade de isenta a partir de 01/01/1997, portanto não recolhidas as contribuições devidas no período fiscalizado nesta condição, devem ser lançadas e constituídas. Em relação aos fatos geradores, especifica o Relatório Fiscal: Levantamento BC Contribuição da empresa incidente sobre a remuneração dos segurados empregados apurada com base na declaração em GFIP, porém com informação, por parte da empresa, de filantrópica, com a utilização do código FPAS — Fundo de Previdência e Assistência Social 639 — GPS 2305. Levantamento BI Contribuição da empresa incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, autônomos apurada com base na declaração em GFIP, porém com informação, por parte da empresa, de filantrópica, com a utilização do código FPAS— Fundo de Previdência e Assistência Social 639 — GPS 2305. Levantamento DF Contribuição da empresa incidente sobre a remuneração dos segurados empregados, apurada mediante divergências, incluída em folha de pagamento e não recolhida nem declarada em GF1P em época própria de acordo com o artigos 22 incisos I e II e art. 28 combinados com o artigo 30, inciso I, alínea "h" da Lei n. 8.212, de 24/07/1991. Levantamento GW no qual foram incluídos os valores declarados em GFIP e compensado sem multa de oficio com os pagamentos realizados nas respectivas competências. Em relação aos valores apropriados das Guias de Recolhimento, informa o Relatório Fiscal: As Guias da Previdência Social apresentadas foram consideradas na apuração do crédito, e encontramse relacionadas no relatório denominado RDA Relatório de Documentos Apresentados, destacamos que entre os anos de 2006 e 2008, foram restituídos valores a empresa de modo a contar na base pagamentos negativos, para a apropriação, extraímos tais valores dos saldos a apropriar. O Relatório Fiscal ressalta que o AIOP foi lavrado em decorrência da O período objeto do débito, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 05, é de 01/2006 a 01/2010. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.428 4 A Recorrente teve ciência do AIOP em 29.06.2010, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 59. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 3. Inconformado com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 29/06/2010, conforme AR de fls. 59, a Interessada apresentou sua impugnação ao lançamento em 28/07/2010, alegando em apertada síntese: 3.1. Requer inicialmente Revisão de Oficio c/c subsidiariamente, impugnação e/ou Recurso tendo em vista que os Autos de Infração lavrados tiveram como fundamento as IF Informações Fiscais 1997/1999. 3.2. Preliminarmente: "DA SUSPENSIVIDADE EM DECORRÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO PENDENTE DE JULGAMENTO": a) Aponta que no Parecer SAORT/DRF/CGZ N° 072/2008, não se enfrentou a questão da decadência, tendo em vista a utilização de uma IFInformação Fiscal de 1997 a 1999 (FATO GERADOR CONCRETO do Lançamento), o que também da suporte ao PEDIDO DE REVISÃO. b) Informa ainda que "promoveu RECURSO ao CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, (segunda instância administrativa) regularmente distribuído na DRF/CAMPOS/RJ em 18 de abril de 2008, autuado sob o número 10725.000942/200831, Protocolo Formador DRFCGZPROT, pendente de julgamento (com seu efeito suspensivo)." c) Entende que "o anocalendário referente aos créditos tributários deverá corresponder ao MESMO PERÍODO em que se der a IF (Informação Fiscal) que der ensejo ao ato cancelatório, pois será esta informação o suporte fático (FATO GERADOR CONCRETO)". d) "Verificase no caso recorrido que os períodos observados das Informações Fiscal que ensejaram o ato de cancelamento, referemse aos anos de 1997, 1998 e 1999, períodos estes que estão completamente dissociados dos períodos utilizados para constituição do crédito tributário (2006, 2007 e 2008), o que afronta o artigo 144, CTN, que reza que o lançamento se reporta a data do FATO GERADOR e se rege pela lei então vigente." e) Observa "que o próprio ato cancelatório declara o efeito suspensivo do recurso, porém contraditoriamente, com um conteúdo de despacho cita "dar ciência à Safis, para adotar as providências pertinentes a constituição do Crédito Tributário decorrente desta decisão ", ora, se o principal conseqüência do efeito suspensivo é exatamente fazer com que a decisão NÃO PRODUZA EFEITOS, que neste caso o principal efeito da decisão seria transportar a defendente do Campo da Imunidade Constitucional para o Campo de Incidência Tributária. Verificase, portanto, uma decisão absolutamente contraditória, a qual também enseja a oportunidade de uma REVISÃO ADMINISTRATIVA, que no caso não deve ficar atrelada apenas à questão da Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.429 5 intempestividade, mas sim voltada ao Poder de Autotutela da Administração quando diante de atos emanados com vícios." f) "Assim, ante a fundamentação supra, devem os atos ora impugnados SER ANULADOS, pois eivados de ilegalidade, uma vez que NÃO SE RESPEITOU 0 EFEITO SUSPENSIVO do recurso contrário aos atos das Informações Fiscais e ao ato de cancelamento, sendo, insistimos, estas IFInformações Fiscais 199 7/1999 verdadeiramente o FATO GERADOR CONCRETO do Lançamento indevidamente realizado." 3.3. "DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE EXIGIBILIDADE DE EVENTUAL CRÉDITO TRIBUTÁRIO": a) Entende a impugnante que "frente ao levantamento fiscal efetuado conforme mencionado, referentes aos exercícios financeiros retro, 1997, 1998 e199, a laboriosa diligencia fiscal retroagiu a mais de cinco anos pretérito, contrariando entendimento jurisprudencial de que nos moldes do Código Tributário Nacional, PRESCREVE EM CINCO ANOS quaisquer atos que identifique eventual Fato Gerador Tributário. E mais, notese que a constituição Ato Cancelatório está datado de 12/03/2008, portanto contando mais de 10 anos do período da IF Informa cão Fiscal 1997, abrangido portanto pela decadência, até mesmo utilizandose como parâmetro o período de 10 anos. Verificamos assim mais um requisito para procederse a REVISÃO DO ATO, e conseqüentemente do Lançamento Tributário, uma vez que a DECADÊNCIA deverá ser reconhecida de oficio, mesmo que não alegada." b) "Ressalta a contestante, impugnante, defendente FUNDAÇÃO BENEDITO PEREIRA NUNES, que tanto o levantamento fiscal (IF Informações Fiscais) efetuado em 1997, 1998 e 1999, como a apuração do eventual débito da cota patronal da previdência social, decorre de uma ÚNICA ACÃO FISCAL, uma vez que àquelas (IF 1997/1999) estão inseridas como Fato Gerador Concreto do Lançamento realizado, não podendo ser dissociadas. Tratase, portanto, de um só procedimento com um único objetivo qual seja, o recolhimento da cota patronal antes isenta e/ou imune." 3.4. "DO DIREITO ADQUIRIDO": a) "Em respeito a figura constitucional do Direito Adquirido, a recorrente, portadora do CEBAS (Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos e de Assistência Social, por ter atendido as exigências da Lei 3.577/59 e do Decretolei 1.572/77, não está sujeita as normas da Lei 8.212/91 e nem ao Decreto 752/93, Lei 2.536/98, cujas legislações lançam mão Receita Federal do Brasil para cancelar a ISENÇÃO e/ou IMUNIDADE tributária das contribuições previdenciárias". b) Aponta julgados diversos para fundamentar suas alegações. c) "Assim, caso afastada, pelo principio da eventualidade, que acreditamos não ocorrer, a tese da DECADÊNCIA DO DIREITO e do EFEITO SUSPENSIVO fundamentadas antes, o Direito Adquirido deve ser examinado prioritariamente, para inexigir frente à contestante, o cumprimento dos pressupostos das legislações invocadas para a obtenção DA ISENÇÃO E/OU IMUNIDADE PREVIDENCIÁRIA DA Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.430 6 COTA PATRONAL e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, cuja cassação da primeira deu origem a lavratura do Auto de Infração motivador da presente defesa". 3.5. "APERTADA SÍNTESE DO HISTÓRICO DA VIDA DA CONTESTANTE.": Tece algumas informações sobre a instituição fundacional contestante 3.6. "DO CÁLCULO DO RECOLHIMENTO DA PREVIDÊNCIA PATRONAL, DOS ACESSÓRIOS, TERCEIROS E DA MULTA RESPECTIVA": a) "0 que aconteceu foi que o eventual descumprimento parcial da destinação de 20% calculado sobre o faturamento das mensalidades escolares devidas a indicada Faculdade de Medicina de Campos para a concessão de gratuidade escolar (bolsa de estudos), contaminou a receita do hospital e conseqüentemente a sua folha de pagamento para os efeitos da contribuição patronal." b) "Assim, devem os cálculos apurados nos anos de 2006 a 2008, referente a cota patronal da previdência social e consectários, se for o caso, aterem exclusivamente sobre as folhas de pagamento dos funcionários da Faculdade de Medicina de Campos, o que desde _Id requer, caso as preliminares as demais teses defensivas não foram acolhidas." 3.7. "DA INEFICÁCIA DO ARTIGO 55 E PARÁGRAFOS DA LEI 8.212/91.": a) Aponta a decisão liminar proferida na Adin. 2.028DF, que assim se posicionou: Tudo recomenda, assim, sejam mantidos, até a decisão final desta ação direta de inconstitucionalidade, os parâmetros da Lei n° 8.212/91, na redação primitiva. (...) Defiro a liminar, submetendoa desde logo ao Plenário, para suspender a eficácia do art. 1 1", na parte em que alterou a redação do art. 55 , inciso III , da Lei n 08212/91 e acrescentoulhe os $$ 3". 4" e 5", bem cômodos artigos 40. 5° e 7° da Lei n° 9.732 , de 11 de dezembro de 1998. b) Apresenta alguns julgados que atestam o entendimento do STF. 3.8. "DOS SERVIÇOS PRESTADOS AO SUS COMO FORMA DE ABSORVER QUALQUER OBRIGAÇÃO DE GRATUIDADE.": a) "A disponibilidade do percentual de 60% da capacidade de atendimentos médicos hospitalares, digase Hospital Escola Álvaro Alvim mantido pela instituição fundacional, a favor do SISTEMA ÚNICO DE SA ODE SUS , sempre absorveu a obrigatoriedade da destinação de 20% sobre os serviços educacionais da Faculdade de Medicina de Campos também mantida pela mesma Fundação, em gratuidade, não necessitando que a Faculdade de Medicina de Campos promovesse esta destinação ... para a obtenção do CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social." Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.431 7 3.9. "DOS SERVIÇOS PRESTADOS AO SUS NO PERCENTUAL QUE GARANTE A RECORRENTE A ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA.": a) "A recorrente atua nas áreas de saúde e de educação concomitantemente, sendo a primeira atividade fim da segunda por ser a saúde desenvolvida pelo HOSPITAL ESCOLA ÁLVARO ALVIM, na medida em que o nosocômio existe por exigência legal que criou os HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS, como exigência do ensino médico." b) "Em assim afirmando, a entidade mãe mantida FACULDADE DE MEDICINA DE CAMPOS, passou a obter a isenção providenciaria por colocar o hospital a disposição dos SUS o percentual mínimo de 60% de suas instalações hospitalares." c) "Conceitualmente pela exegese jurídica, o acessório segue ao principal, valendo dizer, que a isenção previdenciária adquirida nas atividades de saúde, agregou a instituição educacional, no sentido de serlhe concedido a isenção por mera extensão." d) "Com a aplicação do mesmo Decreto 752/93, indica o artigo 3°: A ENTIDADE DA ÁREA DE SAÚDE CUJO PERCENTUAL DE ATENDIMENTOS DECORRENTES DE CONVÊNIO FIRMADO COM 0 SISTEMA ÚNICO DE SA OE (SUS) SEJA, EM MEDIA, IGUAL OU SUPERIOR A SESSENTA FOR CENTO DO TOTAL REALIZADO NOS TRÊS ÚLTIMOS EXERCÍCIOS, FICA DISPENSADA NA OBSERVÂNCIA A QUE SE REFERE 0 INCISO IV DESTE ARTIGO." 3.10. REQUERIMENTOS: a) A declaração da decadência qüinqüenal; b) Caso assim não entenda, dê pelo provimento ao apelo recursal quanto ao efeito suspensivo do Recurso a decisão cancelatória da isenção previdenciária até o transito em julgado das decisões das superiores instancias administrativas; c) "0 provimento do presente recurso (revisão/impugnação subsidiariamente), se for o caso, embasado no direito adquirido enfocado na seção III desta defesa porque a concessão de instituição filantrópica a favor da recorrente data de antes de 1977, para que a Receita Federal do Brasil deixe de exigir a aplicabilidade em gratuidade escolar como condição da isenção/imunidade previdenciária, ou pela revogação tácita do artigo 55 da Lei 8.212/91 pela Lei 12.101/2009, que a torna imprestável para instruir o presente processo de auto de infração." d) "Caso sejam vencidas as teses antes fundamentadas, requer seja aplicado o cálculo das contribuições patronais apenas sobre a folha de pagamento dos funcionários lotados na instituição de ensino Faculdade de Medicina de Campos, onde verificouse o pretenso descumprimento de requisito legal." e) "A inaplicabilidade da Lei 2.173/97 porque revogada pelo Decreto 3.048/99 acima citado." Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.432 8 f) "Requer seja o presente recurso recebido no seu efeito suspensivo de acordo com a legislação vigente." g) "Finalmente, nos termos dos incisos VIII e IX, do artigo 149 do Código Tributário Nacional, requer em especial, seja REVISTO EX OFICIO pelo Douto Delegado da Receita Federal do Brasil, a ineficácia da diligencia fiscal de apuração tributária nos exercícios financeiros de 1997, 1998 e 1999 (Informação Fiscal 1997,1998 e 1999), para declarálas sujeitas a DECADÊNCL4 como quer o Código Especial, com as conseqüências de direito e o deverpoder da Administração, independentemente de provocação, de exercer o poder de AUTOTUTELA sobre os próprios atos, conforme entendimento já consagrado pelo STF por meio das Súmulas n° 346 e 473, quando estes atos se mostrarem eivados de vícios." h) "Impugnase todos os fundamentos do parecer SAORT/DRFCGZ NÚMERO 072/2008, formalizado após mais de 10 anos em relação à IF Informação Fiscal 1997, portanto sob o efeito da DECADÊNCIA." i) "Requer, outrossim, seja provido o presente RECURSO por inteiro, devendo ser recebido, repisese, no efeito suspensivo, julgandoo PROCEDENTE, para ANULANDO, em conseqüência, o AUTO DE INFRAÇÃO n° DEBCAD 37.237.5324 e os demais constituídos com o mesmo fundamento, constantes do Mandado de procedimento Fiscal n° 07.1.40.00 2008002467, em conseqüência, a revogação da Declaração de Cancelamento da Isenção das Contribuições Patronais devidas a Previdência Social, permitindo que a recorrente, mantenha legitimamente a ISENÇÃO/IMUNIDADE, com a conseqüente cassação do ATO CANCELATÓRIO respectivo datado de 12 de março de 2008." j) "Nestes Termos, pede e espera deferimento, protestando, se necessário, a produção das provas em direito permitido, especialmente documental superveniente, pericial e outras." A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1239.997 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ , a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2010 CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. PATRONAL. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados a seu serviço. Entendese por salário de contribuição do segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. ASPECTO MATERIAL NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.433 9 Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. O efeito suspensivo aos recursos interpostos contra cancelamento de isenção, não implica em invalidade do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Em consulta ao site http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp, acesso em 01.11.2014, temse a informação de que o Processo nº 15521.000167/200743, referente ao Ato Cancelatório de Isenção, encontrase na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte: Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.434 10 A decisão de primeira instância, às fls. 209 a 210, esclarece que o presente lançamento, nos casos em que há suspensão da exigibilidade, tem como objetivo resguardar o crédito previdenciário do prazo decadencial: 7. Quanto à alegação da Impugnante de que o Auto de Infração não poderia ter sido lavrado posto que pendente de apreciação do recurso apresentado nos autos de n° 15521.000167/200743, temse que: 7.1. O efeito suspensivo para os recursos interpostos referentes h. Ato Declaratório de Cancelamento de Isenção está previsto no inciso IV, § 8 2, do art. 206 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3048/99, assim como no parágrafo 7° do artigo 305 da IN MPS/SRP n° 03/2005, vigentes à época 7.2. Porém, insta salientar que o efeito suspensivo aos recursos interpostos contra cancelamento de isenção, não implica em invalidade do lançamento, pois não se deve confundir "suspensão da exigibilidade" com "impossibilidade de lançamento". A "suspensão" referese tão somente A exigibilidade do crédito previdenciário por via de execução, ou seja, por meio do adimplemento forçado em juízo, mas não impede a Fazenda Pública de proceder ao lançamento, que segundo o parágrafo único do art. 142 do CTN, constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional. 7.3. 0 lançamento do débito, nos casos em que há suspensão da exigibilidade, tem como objetivo resguardar o crédito previdenciário do prazo decadencial, haja vista que este não se interrompe nem se suspende, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei, de forma que eventual demora na solução do processo administrativo de cancelamento de isenção poderia acarretar a perda do direito de constituir o crédito pelo lançamento. 7.4. Em face do exposto, entendo que o Auto de Infração foi lavrado corretamente, uma vez que o fato de o contribuinte ainda estar discutindo o cancelamento de isenção não configura óbice ao lançamento das contribuições previdenciárias patronais devidas em razão deste cancelamento, motivo pelo qual não acato o pedido de nulidade da Impugnante. 7.5. Em caso de decisão quanto a manutenção ou não da isenção, haverá repercussão imediata no presente auto de infração, independentemente da fase em que o mesmo venha a se encontrar. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em sede Preliminar. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.435 11 (i) Da decadência No Mérito. (ii) Incongruência entre período fiscalizado e os Tributos lançados (iii) Ineficácia do Artigo 55 da Lei 8.212/91 e do Decreto 752/1993 (iv) Manutenção do Certificado de Entidade Filantrópica como Condição Preponderante para a Manutenção da Isenção Previdenciária (v) Serviços Prestados ao SUS como Propiciadores do Atendimento às Exigências Legais (vi) Não Cabimento de Cobrança de Crédito Tributário Sobre Todas as Atividades Profissionais de Entidade de Caráter Misto Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.436 12 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 1239.997 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, que julgou procedente em parte o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, AIOP nº 37.237.5324, no montante inicial de R$ 12.348.326,81. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições sociais relativas à parte patronal incidente sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, assim como aquelas referentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho —Sat/Rat, assim como diferenças de acréscimos legais e diferenças de folhas de pagamento, no período de 01/2006 a 10/2008 e 05/2006 a 01/2010. O Relatório Fiscal aponta que o procedimento fiscal teve origem no procedimento fiscal de cancelamento de isenção de Entidade Filantrópica processada nos autos de processo 15521000167/200743, o qual verificou o descumprimento por parte da empresa do art 55, III da Lei 8.212/1991. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1239.997 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ. Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.437 13 Nos autos, às fls. 135, anexouse cópia do Ato Cancelatório de Isenção referente ao processo n.°15521.000167/200743: ATO CANCELATÓRIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS N.o 15521,000167/200743 1. DADOS DA ENTIDADE NOME DA ENTIDADE: FUNDAÇÃO BENEDITO PEREIRA NUNES CNPJ: 28.964.2521000150 TELEFONE: ( 22 ) 27332211 ENDEREÇO: AV.ALBERTO TORRES N2 217 CEP: 28.035053 BAIRRO: CENTRO MUNICÍPIO: CAMPOS DOS GOYTACAZES UF: R.J 2. DECLARAÇÃO DECLARO CANCELADA, com base no disposto no § 8artigo 206, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n2 3.048, de 6 de maio de 1999, a partir de 01101/1997, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n.2 8.212, de 24 de julho de 1991, concedida ã entidade ' FUNDAÇÃO BENEDITO PEREIRA NUNES, acima identificada, por infração ao inciso III do artigo 55 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de1991, combinado com o inciso IV, do artigo 206, do Decreto n2 3.048/99 e o Decreto 2.173/97, art. 31, § 5, na forma da IF —INFORMAÇÃO FISCAL, protocolada sob o n2 15521.000167/200743 e PARECER SAORT/DRF/CGZ/RJ1N 2 07212008. Local/Data: Campos dos Goytacazes, 12 de março de 2008. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação. DA QUESTÃO CONTROVERTIDA O ponto central em discussão é o referente à decisão transitada no processo n° 15521.000167/200743, na qual se discute a revogação do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais. Ou seja, devese verificar o teor da decisão definitiva no âmbito administrativo do processo nº 15521.000167/200743. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.438 14 Em consulta ao site http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp, acesso em 01.11.2014, temse a informação de que o Processo nº 15521.000167/200743, referente ao Ato Cancelatório de Isenção, encontrase na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte: DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se conhecer o teor da decisão definitiva no âmbito administrativo do processo nº 15521.000167/200743, bem como se o Ato Cancelatório de isenção de contribuições sociais previdenciárias referente a este processo continua válido e regular. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000100/201012 Resolução nº 2403000.293 S2C4T3 Fl. 1.439 15 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte: (i) informe o teor da decisão definitiva no âmbito administrativo do processo nº 15521.000167/200743; (ii) informe, conclusivamente, se o Ato Cancelatório de isenção de contribuições sociais previdenciárias, referente processo nº 15521.000167/200743, continua válido e regular para efeitos da presente autuação fiscal AIOP nº 37.237.5324 consubstanciada no processo nº 15521.000100/201012; (iii) Em relação ao processo nº 15521.000167/200743, anexe aos autos a cópia da decisão final do Recurso Voluntário no âmbito do CARF. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000244/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Marco Antônio Milfont Magalhães, OAB/ES 4320.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15578.000244/2010-13
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5407356
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3301-000.196
nome_arquivo_s : Decisao_15578000244201013.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 15578000244201013_5407356.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Marco Antônio Milfont Magalhães, OAB/ES 4320. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5761756
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476158595072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1408; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.000244/201013 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.196 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de outubro de 2014 Assunto Ressarcimento COFINS Recorrente BRASIL EXP DE MÁRMORES E GRANITOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Marco Antônio Milfont Magalhães, OAB/ES 4320. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .0 00 24 4/ 20 10 -1 3 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 15578.000244/201013 Resolução nº 3301000.196 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJI), assim expresso: Tratamse de pedidos de ressarcimento de folhas 103 a 150, transmitidos em julho de 2008 através do sistema PER/DCOMP. Nestes o contribuinte busca o ressarcimento de créditos apurados sob o regime da não cumulatividade da COFINS, vinculados às vendas no mercado interno (artigo 17 da Lei n° 11.033/2004). A formalização deste processo teve como origem a decisão judicial no processo n° 2008.50.01.0142247, às fls. 02/101 que determinou a instrução e julgamento dos pedidos indicados na inicial no prazo de 90 dias. A DRF Vitória, por meio do despacho decisório de fl. 470, amparado no Parecer/Seort nº 2127 (fls. 462 a 469) não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, uma vez que não identificou qualquer saída no mercado interno, enquadrada dentre aquelas com direito a crédito passível de ressarcimento (saídas não sujeitas à contribuição). Conseqüentemente indeferiu os pedidos de ressarcimento. Cientificada do despacho, a interessada, inconformada, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 472 a 480, em parte transcrita a seguir: Em cumprimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 01/2010, a empresa, ora RECORRENTE, esclareceu que os créditos apurados são vinculados a operações com mercado interno e exportação, com base na receita bruta auferida mensalmente, bem como apresentou diversos documentos solicitados pela Fiscalização, tanto em relação aos créditos de PIS quanto aos de COFINS, no período compreendido entre o 1° trimestre de 2005 e 4° trimestre de 2007. (...) In casu, como já dito anteriormente, assim que instada a atender o Termo de Intimação Fiscal, a RECORRENTE esclareceu a forma de apuração dos créditos de PIS e COFINS, juntando toda a documentação necessária ao deslinde de qualquer controvérsia. É de se ressaltar que a RECORRENTE, adotou todas as medidas ao seu alcance para corrigir o equivoco cometido, o que ao final, demonstraria a toda prova que parte das receitas eram provenientes das operações de exportação. Entretanto, a tentativa foi infrutífera, uma vez que as Declarações Retificadoras dos PER/DCOMP's não foram recepcionadas pelo sistema da SRFB, conforme informação em anexo (Doc. 03). Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 15578.000244/201013 Resolução nº 3301000.196 S3C3T1 Fl. 4 3 Em que pese as informações prestadas pela RECORRENTE, tais medidas não foram capazes de ensejar o convencimento da fiscalização posto que os pedidos de ressarcimento de COFINS foram indeferidos, sob a prematura alegação de que referem se a operações com mercado interno. De fato Nobres Julgadores, os PER/DCOMP's foram preenchidos de maneira equivocada. No entanto, não se pode admitir que mero erro material, seja passível de provocar tamanho prejuízo à RECORRENTE, principalmente, porque não corresponde à realidade dos fatos e não subsiste ao simples confronto com os documentos apresentados nos presentes autos. É no mínimo curioso observar que a fiscalização extraiu informações do Balancete apresentado pela RECORRENTE e, inclusive, formulou uma planilha às fls. 463(*), a qual resume as Receitas de Vendas de Mercadorias nos anos de 2005, 2006 e 2007. Em ato continuo, AFIRMA que com que base nas informações de sua planilha, seria possível supor o crédito da não cumulatividade de PIS e COFINS. Após, ADMITE, categoricamente, que as exportações correspondem a mais de 97% da receita auferida pela RECORRENTE. (...) É de bom alvitre lembrar que no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. Como é de sabença, o principio da verdade material ou real, vinculado ao principio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para os autos todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada. Nesse sentido, a RECORRENTE entende que não há razão de fato ou de direito para que a SRFB continue a lhe negar o crédito tributário pretendido, posto que idôneo e resultante de operações com mercado externo. Assim, tendo em vista a inoperância da Fiscalização em adotar as providências para perseguição da verdade material, pugna a RECORRENTE pela reforma da decisão de fls. 457/465 (*), em sua integralidade, com o reconhecimento dos pedidos de ressarcimento, ainda que com mero erro material, posto que a documentação carreada aos autos demonstra e comprova perfeitamente que o crédito passível de restituição referese ao mercado externo, e conforme exposto, foi inclusive objeto de admissão da Fiscalização às fls.463 (*). (*) Numeração anterior à digitalização do processo. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 15578.000244/201013 Resolução nº 3301000.196 S3C3T1 Fl. 5 4 A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que os Pedidos de Ressarcimento referemse expressamente a créditos vinculados ao mercado interno (art. 17 da lei n° 11.033/2004) aos quais a interessada não faz jus e ainda porque mesmo que se admitisse que os pedidos referemse a créditos vinculados a receitas de exportação, como pretende a interessada, os DACON apresentados não permitem aferir a correção dos valores informados nos PER/DCOMP. A ementa do acórdão da DRJ tem o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 COFINS. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA Indeferese o pedido de ressarcimento quando a documentação carreada aos autos não comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário em face da referida decisão alegando em síntese que o que houve foi um erro no preenchimento da PER/DCOMP, porquanto os valores pleiteados foram equivocadamente preenchidos nos PER/DCOMP's no campo dos créditos vinculados ao mercado interno quando, de fato, tratavamse de créditos vinculados a receitas de exportação, que foi apresentada toda a documentação comprobatória do referido fato e que tratandose de mero erro material esse não deve ser tomado como elemento para indeferir o Ressarcimento pleiteado. Que a documentação carreada aos autos demonstra com clareza a existência do crédito. É o que importa relatar. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 15578.000244/201013 Resolução nº 3301000.196 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A questão em foco no presente processo se resume a decidir se o erro cometido pela Recorrente ao pleitear créditos lançando no campo vinculado ao mercado interno e não decorrente de exportações é mero erro de fato ou isso configura vício que implica em impossibilidade de se examinar o pleito. A própria DRJ reconhece que “a partir dos balancetes apresentados, constante do Parecer nº 2127/2010 (fl. 468), a interessada auferiu nos três anos em análise receitas de exportação e receitas no mercado interno, sendo que as receitas de exportação correspondem a mais de 97% das receitas totais auferidas. Todavia, nos DACON (fls. 238/461) constatase que o contribuinte ora informa apuração de créditos no mercado interno (2005 e 2007), ora na exportação (2006), exclusivamente, sem qualquer rateio que reflita os valores obtidos a partir dos balancetes”. Então, temos um forte indício de existência de um bom direito da Recorrente. Na esteira do processo administrativo somente os vícios de direito não são escusáveis, enquanto os erros de fato podem ser suprimidos. Em última instância se ocorreu mero “erro de fato” é possível autorizar a revisão do lançamento, entretanto, se houver “erro de direito” tal revisão não será possível, ou seja, se não ocorreu um vício substancial que impossibilite apurar e controlar o crédito pleiteado tenho que o crédito deve ser garantido. Enquanto o erro de direito está diretamente ligado a incorreta interpretação legal da norma, o erro de fato se relaciona com a mera análise equivocada de documentos e fatos. O que se busca no processo administrativo é a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos (verdade material), e não apenas a verdade que é, a principio, trazida aos autos pelas partes (verdade formal) São esses os princípios que norteiam o Processo Administrativo Fiscal e que definem os limites dos poderes de cognição do julgador em relação aos fatos que podem ser considerados para a decisão da situação que lhe é submetida. No presente caso a Recorrente pede o ressarcimento de créditos apurados sob o regime da nãocumulatividade da COFINS. Alega que equivocadamente apontouos como vinculados às vendas no mercado interno, mas se referem a receitas de exportação. A Recorrente não pede o ressarcimento de créditos de IPI e depois os transmuta para COFINS. Não! A Recorrente pleiteia créditos de COFINS desde sempre. A DRJ alega, para negar a apuração que, verbis: Conforme demonstrado na planilha elaborada pela fiscalização, a partir dos balancetes apresentados, constante do Parecer nº 2127/2010 (fl. 468), a interessada auferiu nos três anos em análise receitas de Fl. 544DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 15578.000244/201013 Resolução nº 3301000.196 S3C3T1 Fl. 7 6 exportação e receitas no mercado interno, sendo que as receitas de exportação correspondem a mais de 97% das receitas totais auferidas. Todavia, nos DACON (fls. 238/461) constatase que o contribuinte ora informa apuração de créditos no mercado interno (2005 e 2007), ora na exportação (2006), exclusivamente, sem qualquer rateio que reflita os valores obtidos a partir dos balancetes. Além deste fato, já constatado pela DRF Vitória, é possível constatar outras inconsistências nos demonstrativos. Tomemos, por exemplo, as receitas de exportação do 1o trimestre de 2005. Referidos valores foram excluídos no cômputo da base de cálculo (linha 12 da Ficha 13, folhas 242, 243 e 244) a título de “Receitas de exportação sem direito a crédito da Cofins”, e é sobre os custos vinculados a estas receitas que a interessada pretende obter créditos. Conseqüentemente, fica prejudicada a apuração de créditos constantes destes demonstrativos, essenciais para que se possa conferir liquidez e certeza aos créditos pleiteados. Não se tratam aqui de meros erros materiais, de transcrição errônea ou de erros de digitação, mas da própria apuração dos créditos, efetuada em total desconformidade com a realidade dos fatos demonstrada nos documentos contábeis trazidos pela interessada. Descabido também, neste caso invocar os princípios da verdade material e da oficialidade para transformar o julgador administrativo em substituto ou procurador da impugnante, efetuando apurações ou cumprindo obrigações acessórias que competem exclusivamente à própria interessada. Entretanto, discordo desse posicionamento. Por óbvio a administração não tem o dever de fazer as apurações que a contribuinte deveria fazêlo, mas é a própria administração que aponta ser plausível o direito da Recorrente apontando que somente não conseguiu, com base na documentação acostada, apurar os créditos. Em nenhum momento teve a certeza de que esses créditos não existiam. Alegou somente que “os DACON apresentados não permitem aferir a correção dos valores informados nos PER/DCOMP”. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei n.º 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 291, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 392. 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 2 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 15578.000244/201013 Resolução nº 3301000.196 S3C3T1 Fl. 8 7 Mesmo assim tenho que o presente processo não se encontra pronto para julgamento. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Intime a contribuinte para, no prazo de 30 dias, apresentar o demonstrativo mensal de seus créditos devidamente amparados em documentos comprobatórios dos mesmos. b) Fazer a conferencia desses demonstrativos apresentando relatório conclusivo. c) Cientificar a interessada do relatório supra, abrindo prazo de 30 dias para manifestação, se assim desejar; d) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720164/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - ART. 150, INCISO VI, "D", DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. As receitas imunes não são excluídas da receita acumulada para fins de determinação da alíquota aplicável em cada período de apuração, bem como para fins de verificação do enquadramento ou não da empresa no Simples em relação ao ano calendário seguinte. LIMITES MATERIAIS E FORMAIS. A imunidade tributária que recai sobre os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão alcança apenas os impostos cujos fatos geradores são a produção e circulação, não se referindo aos demais impostos e nem às contribuições sociais.
ALÍQUOTA ZERO DO PIS E DA COFINS. As alíquotas zero da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS não beneficiam as empresas optantes pelo Simples Federal. INSS SOBRE FOLHA DE SALÁRIOS. A manutenção da contribuinte na sistemática simplificada de recolhimento impõe o recolhimento da contribuição patronal mediante aplicação da alíquota agregada sobre a receita bruta. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. O regime de tributação a que a empresa estiver submetida deverá ser considerado para efeito de lançamento dos impostos, quando verificada omissão de receitas, impossibilitando a tributação pelo lucro presumido quando a empresa tiver optado pelo Simples e a exclusão do sistema se der no período subsequente.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Apresentada a impugnação, observa-se a estabilização da demanda no seu aspecto objetivo, razão pela qual não é dado ao sujeito passivo inovar e ampliar o objeto da controvérsia apenas por ocasião do recurso voluntário. AGRAVAMENTO. Correta a majoração da penalidade em 50% se a contribuinte deixa de atender a diversas intimações lavradas no curso do procedimento fiscal, sujeitando-se a sucessivas reintimações.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER As administradoras tem legitimidade e interesse recursal para questionar a responsabilidade tributária, ainda que na mesma peça recursal da pessoa jurídica. A constituição de um mesmo patrono para a pessoa jurídica e para as administradoras, aliada à apresentação de fundamentação jurídica específica e pedido autônomo para exclusão da responsabilidade supre a falta de indicação das administradoras na peça de interposição do recurso. INFRAÇÃO DE LEI. Demonstrada a realização de operações à margem da contabilidade e o intuito de fraude em razão da natureza dos depósitos bancários e do volume omitido, há infração de lei que enseja a responsabilidade pessoal das administradoras da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1101-001.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) por maioria de votos, CONHECER o recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa que o conhecia parcialmente, acompanhada pelo Conselheiro José Sérgio Gomes, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos valores principais exigidos; 5) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade; e 7) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária imputada a Rosana Pacheco Simão Zardo e Laila Simão Zardo, divergindo o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora
(documento assinado digitalmente)
MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - ART. 150, INCISO VI, "D", DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. As receitas imunes não são excluídas da receita acumulada para fins de determinação da alíquota aplicável em cada período de apuração, bem como para fins de verificação do enquadramento ou não da empresa no Simples em relação ao ano calendário seguinte. LIMITES MATERIAIS E FORMAIS. A imunidade tributária que recai sobre os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão alcança apenas os impostos cujos fatos geradores são a produção e circulação, não se referindo aos demais impostos e nem às contribuições sociais. ALÍQUOTA ZERO DO PIS E DA COFINS. As alíquotas zero da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS não beneficiam as empresas optantes pelo Simples Federal. INSS SOBRE FOLHA DE SALÁRIOS. A manutenção da contribuinte na sistemática simplificada de recolhimento impõe o recolhimento da contribuição patronal mediante aplicação da alíquota agregada sobre a receita bruta. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. O regime de tributação a que a empresa estiver submetida deverá ser considerado para efeito de lançamento dos impostos, quando verificada omissão de receitas, impossibilitando a tributação pelo lucro presumido quando a empresa tiver optado pelo Simples e a exclusão do sistema se der no período subsequente. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Apresentada a impugnação, observa-se a estabilização da demanda no seu aspecto objetivo, razão pela qual não é dado ao sujeito passivo inovar e ampliar o objeto da controvérsia apenas por ocasião do recurso voluntário. AGRAVAMENTO. Correta a majoração da penalidade em 50% se a contribuinte deixa de atender a diversas intimações lavradas no curso do procedimento fiscal, sujeitando-se a sucessivas reintimações. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER As administradoras tem legitimidade e interesse recursal para questionar a responsabilidade tributária, ainda que na mesma peça recursal da pessoa jurídica. A constituição de um mesmo patrono para a pessoa jurídica e para as administradoras, aliada à apresentação de fundamentação jurídica específica e pedido autônomo para exclusão da responsabilidade supre a falta de indicação das administradoras na peça de interposição do recurso. INFRAÇÃO DE LEI. Demonstrada a realização de operações à margem da contabilidade e o intuito de fraude em razão da natureza dos depósitos bancários e do volume omitido, há infração de lei que enseja a responsabilidade pessoal das administradoras da pessoa jurídica.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10675.720164/2011-39
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5413833
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1101-001.150
nome_arquivo_s : Decisao_10675720164201139.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10675720164201139_5413833.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por maioria de votos, CONHECER o recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa que o conhecia parcialmente, acompanhada pelo Conselheiro José Sérgio Gomes, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos valores principais exigidos; 5) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade; e 7) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária imputada a Rosana Pacheco Simão Zardo e Laila Simão Zardo, divergindo o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora (documento assinado digitalmente) MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
id : 5778146
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476162789376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2695; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.720164/201139 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.150 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2014 Matéria SIMPLES Nacional Omissão de Receitas Depósitos bancários de origem não comprovada Recorrente EDITORA ZARDO LTDA (Responsáveis tributárias: Rosana Pacheco Simão Zardo e Laila Simão Zardo) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA ART. 150, INCISO VI, "D", DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. As receitas imunes não são excluídas da receita acumulada para fins de determinação da alíquota aplicável em cada período de apuração, bem como para fins de verificação do enquadramento ou não da empresa no Simples em relação ao ano calendário seguinte. LIMITES MATERIAIS E FORMAIS. A imunidade tributária que recai sobre os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão alcança apenas os impostos cujos fatos geradores são a produção e circulação, não se referindo aos demais impostos e nem às contribuições sociais. ALÍQUOTA ZERO DO PIS E DA COFINS. As alíquotas zero da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS não beneficiam as empresas optantes pelo Simples Federal. INSS SOBRE FOLHA DE SALÁRIOS. A manutenção da contribuinte na sistemática simplificada de recolhimento impõe o recolhimento da contribuição patronal mediante aplicação da alíquota agregada sobre a receita bruta. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 01 64 /2 01 1- 39 Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 3 2 IMPOSSIBILIDADE. O regime de tributação a que a empresa estiver submetida deverá ser considerado para efeito de lançamento dos impostos, quando verificada omissão de receitas, impossibilitando a tributação pelo lucro presumido quando a empresa tiver optado pelo Simples e a exclusão do sistema se der no período subsequente. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Apresentada a impugnação, observase a estabilização da demanda no seu aspecto objetivo, razão pela qual não é dado ao sujeito passivo inovar e ampliar o objeto da controvérsia apenas por ocasião do recurso voluntário. AGRAVAMENTO. Correta a majoração da penalidade em 50% se a contribuinte deixa de atender a diversas intimações lavradas no curso do procedimento fiscal, sujeitandose a sucessivas reintimações. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER As administradoras tem legitimidade e interesse recursal para questionar a responsabilidade tributária, ainda que na mesma peça recursal da pessoa jurídica. A constituição de um mesmo patrono para a pessoa jurídica e para as administradoras, aliada à apresentação de fundamentação jurídica específica e pedido autônomo para exclusão da responsabilidade supre a falta de indicação das administradoras na peça de interposição do recurso. INFRAÇÃO DE LEI. Demonstrada a realização de operações à margem da contabilidade e o intuito de fraude em razão da natureza dos depósitos bancários e do volume omitido, há infração de lei que enseja a responsabilidade pessoal das administradoras da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por maioria de votos, CONHECER o recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa que o conhecia parcialmente, acompanhada pelo Conselheiro José Sérgio Gomes, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos valores principais exigidos; 5) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade; e 7) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária imputada a Rosana Pacheco Simão Zardo e Laila Simão Zardo, divergindo o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 4 3 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora (documento assinado digitalmente) MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório Colhese da Resolução nº 1101000.091, que determinou o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário interposto nestes autos, o relatório das ocorrências aqui presentes: Consta do Termo de Verificação Fiscal e Sujeição Passiva Solidária (proc. fls. 85 a 89), que a ação fiscal teve início em 01/06/2009 referente ao anocalendário de 2006. Após diversas intimações e reintimações, a contribuinte não apresentou a documentação fiscal e contábil solicitada. Desta forma, a autoridade fiscalizadora emitiu Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF às instituições em que a fiscalizada teve movimentação de valores no anocalendário de 2006. De posse das informações prestadas via RMF, a autoridade fazendária intimou a contribuinte para que comprovasse a origem dos recursos apurados em suas contas correntes. A despeito da concessão de pedido de dilação de prazo, transcorrido este, a interessada não apresentou qualquer esclarecimento. Assim, mais uma vez foram expedidos RMFs, dessa vez para que as instituições apresentassem documentos para esclarecimentos dos valores apurados. A autuada mantevese inerte e não apresentou nenhum documento comprobatório da origem dos valores apurados junto às instituições financeiras. Destarte, procedeuse ao arbitramento do lucro. Lavrados os Autos de Infração por omissão de receitas caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados, foi imposta multa de ofício qualificada pelo intuito fraudatório, bem como o agravamento da mesma por falta de atendimento às intimações, perfazendo o percentual de 225%. Com fundamento no art. 135, III do Código Tributário Nacional, procedeuse à responsabilização solidária das sócias. Vale mencionar que consta no contrato social que a administração da empresa seria exercida unicamente pela sócia Rosana Pacheco Simão Zardo. Ocorre que, foi registrado no Cartório do 3º Ofício de Notas procuração outorgando plenos poderes para que a sócia Laila Simão Zardo administrasse os negócios da firma outorgante. Neste sentido, as sócias Rosana e Laila foram consideradas coresponsáveis solidárias. O agente fazendário lavrou Autos de Infração de IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, IPI e Contribuições para o INSS separadamente, um para cada tributo. Inconformada com a lavratura dos Autos de Infração, a contribuinte apresentou Impugnação em 21/02/2011 (proc. fls. 1321 a 1342). Preliminarmente, a Impugnante alegou vício no Auto de Infração sob o argumento de que, devido à extensão da “disposição legal infringida”, não foi possível saber exatamente qual parte do ordenamento jurídico foi contrariada, o que dificultou o exercício do direito de defesa. No mérito, a autuada asseverou que os trabalhos realizados pela fiscalização carecem de precisão, pois não foram excluídas do montante apurado no Auto de Infração como receita omitida, aquelas oriundas de operações alcançadas pela Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 6 5 imunidade (art. 150, IV da Constituição Federal) e isenção (Lei nº 10.8665/04) de livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Além disso, a interessada afirmou que foram consideradas em duplicidade movimentações entre contas correntes do mesmo titular e deu como exemplo dois cheques datados de 27/04/2006, depositados no Banco Itaú e que são de titularidade da própria Impugnante referente à conta no Banco Real (hoje Santander). Desta forma, requereu a realização de perícia para que fossem expurgados do Auto de Infração os valores movimentados entre contas da própria contribuinte. A fiscalizada ainda argumentou que houve erro de cálculo, visto que a forma de apuração do montante devido e não pago deveria ser pela metodologia do lucro presumido, já que na visão da fiscalização houve superação do limite legal do SIMPLES, portanto, não se poderia utilizar as alíquotas desta sistemática no cálculo do tributo devido. Relativamente à responsabilidade solidária das sócias, a contribuinte relatou que para se atribuir a responsabilidade prevista nos incisos II e III do art. 135 do CTN, seria necessária prova de que houve intenção de causar dano ao Erário, visto que o mero inadimplemento de obrigações tributárias principais não pode ser, por si só, caracterizado como dolo. Ainda sobre a responsabilização solidária das sócias, a Impugnante esclareceu que somente a sócia Rosana Pacheco Simão Zardo tinha poderes para gerir a empresa. Ademais, ressaltou que a conduta dolosa de quem se pretende responsabilizar deverá ser apurada em prévio processo, assegurado ao agente o contraditório e o exercício da ampla defesa. Portanto, somente após o regular processo de apuração da prática do ato doloso a que se refere o CTN é que será possível aventar qualquer indício de responsabilização pessoal do administrador da pessoa jurídica. Por fim, a fiscalizada entendeu que a não entrega de documentos não pode ser considerada como embaraço à autuação fiscal, pois há muitos fatores que justificam a não apresentação, tais como: ausência de entrega da intimação diretamente aos sócios, ou ainda os documentos exigidos pela fiscalização se referirem a período bastante pretérito, ou vasta documentação exigida. Destarte, entendeu que a Impugnante e seus funcionários é que foram embaraçados, e não o contrário. Ademais, alegou que não há que se falar em embaraço por parte do Fisco, pois a autoridade fazendária concluiu perfeitamente a fiscalização. Requereu em sede de Impugnação: 1) a anulação do Auto de Infração por contemplar valores que não são tributáveis – receitas de operação com livros, jornais em periódicos e transferências entre contas bancárias da própria impugnante; 2) que caso não seja esse o entendimento, que seja cancelado o Auto de Infração por excesso nos valores cobrados, emitindo novo auto corrigido e reaberto prazo de defesa; 3) que seja afastada a solidariedade tributária quanto às sócias Laila e Rosana, por não se configurarem, no caso em tela, nenhuma das hipóteses do art. 135 do CTN; 4) que sejam substituídos os bens das sócias citadas no item anterior deste pedido, através de Termo de Arrolamento de Bens, por bens da própria Impugnante, já que esta possui patrimônio próprio suficiente para garantir a dívida; 5) que seja concedido o prazo de 30 dias para juntada de novos documentos. Em 29/06/2011, a 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora exarou Acórdão julgando procedente em parte a Impugnação apresentada (proc. fls. 1.837 a 1859). O Colegiado decidiu exonerar parcialmente parcelas do crédito tributário, sendo que o montante mantido foi acrescido de multa no percentual de 225%. De início, o Órgão Julgador manifestouse no sentido de que a contribuinte demonstrou em sua Impugnação total entendimento dos atos administrativos que redundaram na Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 7 6 lavratura dos Autos de Infração, motivo pelo qual, foi afastada a preliminar de nulidade por impossibilidade de aferição de qual dispositivo foi contrariado. A Turma ressaltou que os Autos de Infração, os Termos de Verificação Fiscal e de Sujeição Solidária contém fundamentação legal, descrição dos fatos e a determinação das exigências, bem como se encontram instruídos com seus respectivos demonstrativos resultantes das constatações firmadas pela autoridade administrativa e a devida ciência de todos eles. Dessa maneira, o órgão fazendário entendeu que não houve qualquer embaraço aos exercícios dos direitos ao contraditório e ampla defesa. No mérito, o órgão julgador a quo afirmou que as receitas consideradas imunes não são excluídas da receita acumulada, tanto para fins de determinação da alíquota aplicável em cada período de apuração, como para fins de verificação do enquadramento da empresa em relação ao ano calendário seguinte. Ademais, explanou que a imunidade prevista no art. 150, VI da Constituição Federal está restrita aos impostos, não alcançando, portanto, as contribuições. Além disso, tal benefício tributário não é dirigido à pessoa jurídica ou física, mas sim a algumas mercadorias, de forma objetiva. Concluiu que “a imunidade relativa aos livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão abrange tão somente aqueles impostos que incidam especificamente sobre a circulação ou industrialização da mercadoria e não aqueles que atinjam a renda ou o patrimônio da pessoa jurídica”. Quanto aos documentos juntados em sede de Impugnação (notas fiscais) visando justificar a origem das receitas classificadas como omitidas, o Colegiado argumentou que, por se tratar de presunção legal, o ônus da prova caberia à contribuinte e que esta apenas juntou tais documentos sem realizar qualquer tipo de conciliação com os extratos bancários. Ocorre que a DRJ supriu a deficiência da empresa e procedeu a conciliação bancária o que resultou na planilha “Notas Fiscais consideradas imunes”. Confeccionouse também uma segunda planilha (“Notas Fiscais Desconsideradas”) que, juntamente com a anterior, foram acostadas a estes autos às folhas 1827/1836. Em relação ao argumento de que algumas transferências entre contas de sua titularidade não foram excluídas pela auditoria, o Colegiado argumentou que, da análise do Termo de Intimação nº 02 (10/05/2010), a contribuinte foi cientificada dos valores excluídos a titulo de “créditos decorrentes de transferência de outra conta do mesmo titulos” e, no entanto, não apresentou qualquer manifestação. A despeito disto, os dois cheques juntados quando da Impugnação foram analisados e excluídos do montante devido. A Turma mais uma vez ressaltou que por se tratar de presunção legal, o ônus é do contribuinte que se exime com a apresentação de documentação idônea e não apenas com mera alegação. A DRJ entendeu descabido o pedido de perícia, pois não há qualquer justificativa técnica, a contribuinte deseja apenas que sua contabilidade seja mais uma vez analisada. Ademais, outro motivo levantado pela Turma para indeferir a realização de perícia foi o não atendimento do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que determina além da justificativa técnica, a formulação de quesitos e a indicação de perito quando do pedido de realização de perícia. A contribuinte asseverou que a Lei nº 11.033/04 reduziu as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a venda de livros no mercado interno para zero. No entanto, o Colegiado relatou que o SIMPLES Federal é um sistema especial de tributação criado para beneficiar as Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), sendo que o pagamento dos tributos integrantes de tal sistema é recolhido de modo unificado, não podendo haver dispensa de um ou outro tributo a Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 8 7 título de isenção de qualquer outro regime de tributação (Lei nº 9.317/96). No mesmo sentido, há a Solução de Consulta nº 22/2005 – DISIT 06. A Impugnante ainda requereu que a tributação se desse pelo lucro presumido. No entanto, o órgão julgador fazendário asseverou que regime de tributação a que a empresa estiver submetida deverá ser considerado para efeito de lançamento dos impostos, quando verificada a omissão de receitas, segundo o disposto nos art. 24 da Lei nº 9.249/95 combinado com o art. 18 da Lei nº 9.317/97. Além disso, a alegação de que ao ultrapassar o limite legal a contribuinte seria automaticamente excluída do SIMPLES, e, portanto, a tributação deveria ocorrer de acordo com a sistemática do lucro presumido, não encontra qualquer guarida. A exclusão do SIMPLES encontrase formalizada no processo administrativo nº 10675.720597/201194. As bases legais para tal exclusão são os arts. 9º, II, 14, I c/c art. 15, IV, todos da Lei nº 9.317/96. Neste diapasão, os efeitos da exclusão se verificam no anocalendário seguinte ao que foi extrapolado o limite de receita bruta. A interessada ainda argumentou que a contribuição para a seguridade social deveria ser calculada sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados. Mais uma vez a DRJ afirmou que a contribuinte não pode querer se submeter ora às normas próprias do regime do SIMPLES, ora às normas do regime geral de tributação, sob pena se criar um terceiro regime não previsto em lei. A Turma ressaltou que não houve qualquer contestação quanto à aplicação da multa em sua forma qualificada. Destarte, de conformidade com o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. No tocante à responsabilização das sócias, a DRJ alegou que “as condutas reiteradas das duas sócias, fartamente demonstradas no processo, de movimentar na conta bancária vultosas quantias e o não oferecimento de tais receitas à tributação, com a apresentação da declaração de ajustes anual em valores muito inferiores às receitas omitidas com o intuito de subtrair valores da tributação e para se manter no SIMPLES, evidenciam a prática de vários atos contrários à lei da sócia Rosana Pacheco Simão Zardo com poderes por parte da sócia Laila Simão Zardo tornando cabível a responsabilização de ambas, nos termos dos incisos II e III do art. 135 do CTN”. Concluiuse pela correta responsabilização de ambas as sócias. Quanto ao agravamento da multa para o percentual de 225%, o Colegiado entendeu que os autos demonstram com clareza a falta de atendimento às intimações, desta forma, cabível a aplicação do disposto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Irresignada com o julgamento da Impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 02/12/2011 (proc. fls. 1885 a 1914). A Recorrente se valeu basicamente dos mesmos argumentos já esposados quando da Impugnação, quais sejam: cerceamento do direito de defesa tendo em vista a impossibilidade de identificação precisa dos dispositivos legais infringidos; da impossibilidade de tributação da receita supostamente omitida pelo regime do SIMPLES; não se excluiu as operações realizadas pela empresa que são alcançadas por imunidade, bem como as contribuições isentas; valores movimentados entre contas da fiscalizada e que foram considerados como base de cálculo; erro no cálculo do Auto de Infração – tributação pelo lucro presumido ante à superação do limite global para aderir ao SIMPLES; inexistência de responsabilidade solidária das sócias; e, afastar o agravamento da multa por embaraço à fiscalização. Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 9 8 Inovando a sua defesa, a postulante questionou a licitude da forma como o Fisco Federal teve acesso à sua movimentação bancária. Afirmou que houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial e que isto afronta o ordenamento vigente. Também questionou a possibilidade de presunção de receita com base apenas em movimentação bancária, matéria está que também não foi objeto de contestação no momento da Impugnação. É o relatório O julgamento do recurso foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, §1o do Regimento Interno do CARF (fls. 1978/1985). Revogada referida determinação, e tendo em conta que a relatora original (Conselheira Nara Cristina Takeda Taga) não integra mais o Colegiado, promoveuse novo sorteio, atribuindose a esta Conselheira a relatoria do recurso. Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Observase às fls. 1905/1907 que, embora cientificadas da decisão de 1a instância, Rosana Pacheco Simão Zardo e Laila Simão Zardo não apresentaram recurso voluntário, diversamente de como procederam quando, cientificadas do auto de infração integrado pela imputação de sujeição passiva solidária (fls. 1318/1320 e 02/120), apresentaram impugnação conjunta com a pessoa jurídica (fls. 1321/1342), representadas pelo mesmo procurador ao qual foram outorgados poderes de representação pelas três interessadas (fls. 1343/1347). Registrese, ainda, que a contribuinte, embora cientificada, não manifestou inconformidade contra sua exclusão do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2007, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 11/2011, expedido pela DRF/Uberlândia em 06/04/2011, cientificado à interessada em 13/04/2011, e autuado sob nº 10675.720597/201194 (processo administrativo originalmente apensado ao presente e posteriormente desapensado para arquivamento, em razão da ausência de recursos administrativos). Assim, o litígio subsistente nestes autos circunscrevese às acusações formalizadas contra a contribuinte Editora Zardo Ltda nos lançamentos que integram estes autos. O recurso voluntário por ela interposto, portanto, não deve ser conhecido na parte em que questiona a responsabilidade tributária imputada a Rosana Pacheco Simão Zardo e Laila Simão Zardo, na medida em que o Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869/73, firma que para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade (art. 3º). E mais: que ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei (art. 6º). Desse modo, em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defenderse em nome próprio da exigência fiscal assim constituída, quer pessoalmente quer por meio de representante regularmente constituído nos autos, por competente instrumento de mandato. A discordância da pessoa jurídica quanto à atribuição de responsabilidade a seus sócios e administradores, aliás, mostrase incompatível com os interesses da própria pessoa jurídica em ver liquidado, pelo responsável, o crédito tributário lançado. Por tais razões, o presente voto é no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário, deixando de apreciar a oposição à imputação de responsabilidade às sócias da pessoa jurídica, na medida em que esta não detém legitimidade, e nem interesse, para tanto. Todavia, como esta Relatora restou vencida quanto a este ponto, os questionamentos deduzidos na peça recursal contra a imputação de responsabilidade a Rosana Pacheco Simão Zardo e Laila Simão Zardo serão apreciados ao final deste voto. Em seu recurso, a pessoa jurídica preliminarmente argúi ofensa ao direito à ampla defesa, na medida em que o art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72 exige a indicação da disposição legal infringida e a penalidade aplicável, requisito que resta Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 11 10 desatendido quando a autoridade lançadora insere no auto de infração um sem número de dispositivos legais sem conexão com o fato descrito no Auto. Os lançamentos apontam omissão de receitas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, e falta de recolhimento. A primeira infração traz como fundamento legal os seguintes dispositivos: · Lei nº 9.249/95, art. 24: determina que, verifica a omissão de receita o lançamento será feito de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão; · Lei nº 9.317/96, art. 2o, §2o: estabelece o conceito de receita bruta no âmbito do Simples Federal; · Lei nº 9.317/96, art. 3o, §1o: discrimina quais tributos estão abrangidos por aquela sistemática de recolhimento; · Lei nº 9.317/96, art. 5o: fixa os percentuais para cálculo do recolhimento devido mensalmente em razão da receita bruta acumulada no anocalendário; · Lei nº 9.317/96, art. 7o, §1o: discrimina a escrituração a ser mantida pelos optantes pelo Simples Federal; · Lei nº 9.317/96, art. 18: estende às microempresas e empresas de pequeno porte as presunções de omissão de receita estabelecida na legislação de regência dos tributos incluídos na sistemática simplificada de recolhimentos; · Lei nº 9.430/96, art. 42: autoriza a presunção de omissão de receitas em caso de não comprovação da origem de depósitos bancários de titularidade do sujeito passivo; · Lei nº 9.732/98, art. 3o: dentre os dispositivos antes citados, altera o art. 5o da Lei nº 9.317/96, estabelecendo novos percentuais para cálculo do recolhimento mensal, em razão das novas faixas de receita bruta admitidas na sistemática simplificada de recolhimentos; · RIR/99, arts. 186, 188 e 199: reportamse aos arts. 2o, §2o, 5o e 18 da Lei nº 9.317/96, antes referidos. Já a infração de falta de recolhimento reportase ao art. 5o da Lei nº 9.317/96 c/c art. 3o da Lei nº 9.732/98, bem como aos arts. 186 e 188 do RIR/99, que estabelecem os percentuais de cálculo para recolhimento mensal do Simples Federal. Assim, há perfeita coerência entre os fundamentos legais da exigência e as conseqüências atribuídas pela autoridade fiscal: a falta de comprovação da origem de depósitos bancários autoriza a presunção legal de omissão de receitas, que deve ser tributada segundo a sistemática de tributação a que sujeita a contribuinte, a qual, no âmbito do Simples Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 12 11 Federal, tem seus contornos determinados pelos dispositivos citados, sendo que o art. 5o da Lei nº 9.317/96 já se encontrava alterado pelo art. 3o da Lei nº 9.732/98 no período fiscalizado. Ademais, a recomposição da receita bruta acumulada enseja a alteração das alíquotas de recolhimento aplicáveis sobre as receitas declaradas, revelando falta de recolhimento, também, sobre tais parcelas. No mais, como já dito pela autoridade julgadora de 1a instância, não só a defesa demonstra pleno conhecimento das acusações que lhe foram feitas, como o Termo de Verificação Fiscal e de Sujeição Passiva Solidária, parte integrante dos lançamentos, contêm fundamentação legal, descrição dos fatos e a determinação das exigências, bem como se encontram instruídos com seus respectivos demonstrativos resultantes das constatações firmadas pela autoridade administrativa e a devida ciência de todos eles. Portanto, deve ser REJEITADA a preliminar de nulidade em razão de cerceamento ao seu direito de defesa por vício na motivação do lançamento. Ainda em sede de preliminar, a contribuinte também argúi a nulidade do lançamento em razão da utilização de informações bancárias obtidas por meio de Requisições de Movimentação Financeira – RMF, sem autorização judicial. Contudo, referido procedimento tem amparo no art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, dispositivo legal objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal em rito de repercussão geral, sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. A decisão que reconheceu a repercussão geral desta matéria foi assim ementada: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Todavia, no referido recurso extraordinário ainda não foi editada decisão definitiva de mérito que pudesse impor a reprodução, pelos Conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, do entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal em outros casos semelhantes, como pretendem os recorrentes. Nem mesmo o sobrestamento antes previsto nos §§ do art. 62A do RICARF prevalece, dada sua recente revogação pela Portaria MF nº 545/2013. Por sua vez, o Decreto nº 70.235/72 somente autoriza os órgãos administrativos de julgamento a afastar a aplicação de lei que tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 13 12 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) O art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001 foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal em caso concreto que ali chegou por meio do Recurso Extraordinário nº 389.808, decidido em 10/05/2011 nos termos da seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Contudo, a Procuradoria Geral da República opôs embargos de declaração a esta decisão, os quais aguardam julgamento, estando conclusos ao relator desde 09/11/2011, de modo que não se verificou o trânsito em julgado, não se podendo falar, aqui, da existência de decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal que autoriza o procedimento aqui utilizado para reunião das provas que fundamentam a exigência. Assim, também deve ser REJEITADA a argüição da nulidade do lançamento em razão de inconstitucional acesso às informações bancárias da pessoa jurídica autuada. No mérito, a contribuinte discorda da tributação segundo as regras do Simples Federal, alegando que o art. 24 da Lei nº 9.249/95 não pode ser aplicado no âmbito daquela sistemática de recolhimento, na medida em que seu próprio texto faz referência ao lançamento de imposto e de adicional, implicitamente referindose às apurações segundo as regras do lucro presumido e do lucro real. O dispositivo legal está assim redigido: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 14 13 atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. A interpretação defendida pela recorrente é equivocada, porque referido dispositivo legal foi editado em razão da revogação, pelo art. 36, inciso IV, também da Lei nº 9.249/95, dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92, que determinavam a tributação em separado das omissões de receita, independentemente da apuração original do sujeito passivo. Logo, a parte relevante do dispositivo legal é aquela impõe a observância do regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. A referência à determinação de imposto e de adicional a partir da receita omitida, em verdade, só se verifica porque, à época do dispositivo legal, ainda não existia a sistemática simplificada de recolhimentos, a partir de percentuais que aglutinam as alíquotas dos diferentes tributos ali abrangidos. De toda sorte, quanto à inexistência de exigência de adicional no âmbito do Simples Federal, devese ter em conta a isenção previamente conferida em relação ao lucro anual de R$ 240.000,00, que a se considerar o coeficiente básico de presunção de 8% no âmbito do imposto de renda, corresponderia a receita bruta anual de R$ 3.000.000,00. Na medida em que no período autuado o limite de receita para permanência do Simples Federal era de R$ 2.400.000,00, claro está que a isenção de adicional estabelecida em face daqueles que auferem lucro anual inferior a R$ 240.000,00 tem lugar, também, na sistemática simplificada de recolhimento. Imprópria, assim, a pretensão da autuada de que deveria ter sido tributada na sistemática do lucro presumido. A recorrente prossegue questionando a decisão recorrida que, neste ponto, está assim redigida: O requerimento da fiscalizada para que fosse tributada pelo lucro presumido, também não merece prosperar, pois, o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, aplicável às empresas optantes pelo SIMPLES, por força do art. 18 da Lei nº 9.317, de 1997, determina que o regime de tributação a que a empresa estiver submetida deverá ser considerado para efeito de lançamento dos impostos, quando verificada omissão de receitas, senão vejamos: Art. 24 Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Desta forma, verificado o regime de tributação compete à fiscalização apenas e tão somente apurar os montantes devidos. A empresa, no ano calendário de 2006, se encontrava submetida ao regime de tributação previsto na Lei n° 9.317, de 1996 – SIMPLES, conforme se verifica pela Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ/2007 anexada ao presente processo, sendo que a auditoria nada mais fez do que apurar os impostos devidos em perfeita consonância com a legislação. Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 15 14 Assim, concluise que os fatos trazidos ao processo não ensejaram sua inclusão de ofício em outra forma de tributação durante a ação fiscal e muito menos, não houve comprovação, na impugnação, que respaldasse qualquer alteração em sua forma de tributação. A propósito ainda de seu pedido para ser tributada em 2006 pelo lucro presumido, a reclamante argumenta que: “se o limite global anual, para se optar pelo SIMPLES federal, foi ultrapassado, então a Impugnante não deveria fazer parte deste sistema, e neste sentido, deveria o Auto de Infração ser apurado tomando por base o regime padrão de recolhimento de tributos federais, que é o regime de lucro presumido.” Porém, a exclusão do Simples foi efetuada e se encontra formalizada no processo administrativo nº 10675.720597/201194. só que a saída do regime se deu no ano calendário seguinte ao que foi extrapolado o limite de receita bruta, As bases legais para a exclusão são o inciso II do art. 9º e o inciso I do art. 14, ambos da Lei nº 9.317, de 1996 e os efeitos da exclusão tem fundamento no inciso IV do art. 15 do mesmo diploma legal, in verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; Conforme se viu, a lei prevê a saída do regime simplificado no ano subsequente ao que houver ultrapassado o limite de receita. Portanto, não encontra amparo legal nem fático a tentativa da impugnante de se ver tributada pelo lucro presumido no ano da autuação, nem mesmo sob o argumento de que sua exclusão do Simples se deu a destempo. Discorda, assim, dos efeitos do art. 18 da Lei nº 9.317/96, destacando que sua aplicação está condicionada à possibilidade de a presunção de omissão de receitas ser apurada com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas as pessoas jurídicas optantes pelo Simples Federal, ao passo que neste caso nenhum livro ou documento lastreou a fiscalização para efetuar a presunção de omissão de receitas. Novamente não prospera a alegação da recorrente, porque a omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada é perfeitamente apurável a partir do Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, obrigação acessória dos optantes pelo Simples Federal, assim como o é a manutenção de todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração deste Livro e do Livro Registro de Inventário, tudo na forma do art. 7o, §1o da Lei nº 9.317/96. Na verdade, é justamente a omissão da contribuinte em manter a guarda destes documentos e de escriturar os fatos correspondentes no Livro Caixa que autoriza a presunção de omissão de receitas, de modo que o fato de a Fiscalização não ter conseguido apurar a origem dos depósitos bancários a partir de tais elementos não pode ser admitido como argumento de defesa, sob pena de anular a presunção legalmente estabelecida. Mais à frente, a contribuinte reitera outro argumento já abordado na decisão antes transcrita, defendendo que ao menos a parcela da receita apurada que excede o limite anual de R$ 2.400.000,00 deveria ter sido tributada segundo as regras do lucro presumido. Porém, como demonstrado, a legislação permite que toda a receita seja tributada na sistemática simplificada, postergando para o anocalendário subseqüente os efeitos da exclusão daí decorrente. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 16 15 Por estas razões, também, não prospera a pretensão da recorrente, novamente aqui deduzida, de ver as contribuições destinadas ao INSS calculadas pela metodologia da folha de salários. Mantidos os efeitos da opção relativamente ao ano calendário 2006, a contribuição patronal é calculada a partir da receita bruta, e assim é devida ainda que superior aos valores que resultariam dos cálculos a partir da folha de salários, como pretende demonstrar a contribuinte em documentos juntados à impugnação. O mesmo se diga em relação aos demonstrativos que pretendem reduzir as demais exigências aqui formuladas, em razão dos efeitos da legislação que somente seria aplicável se os efeitos da exclusão se verificassem no anocalendário 2006. A recorrente também menciona que a apuração fiscal desconsiderou todas as movimentações em duplicidade, sem qualquer zelo e de forma não criteriosa. Mais à frente faz referência também a duplicatas descontadas, afirmando a ocorrência de bis in idem. Todavia, a abordagem acerca do tema, contida na decisão recorrida, evidencia que o trabalho da Fiscalização não pode ser assim qualificado: A empresa argumenta que algumas transferências entre contas de sua titularidade não foram retiradas pela auditoria. A comprovar suas alegações exemplifica com dois cheques do Banco Real que foram depositados no Banco Itaú, inferindo, a partir desde ponto que tal fato se repetiu muitas vezes. A propósito do assunto, esclareçase que a fiscalização excluiu os “créditos decorrentes de transferência de outra conta do mesmo titular ...”, conforme consignou no Termo de Verificação Fiscal e que a empresa foi cientificada através do Termo de Intimação n° 02, em 10/05/2010 dos valores excluídos a esse título, sendo que não apresentou qualquer resposta à solicitação. Do cotejo entre os dois cheques e as duas contas correntes bancárias, verificouse que ambos os cheques foram encontrados como compensados no Banco Real no dia 27/04/2006, o de nº 218350 no valor de R$ 4.500,00 e 218351 no valor de R$ 715,16 tendo sido encontrados seus correspondentes depósitos, coincidentes em datas e valores a crédito do Banco Itaú. Desta forma, ambos os valores (R$ 4.500,00 + R$ 715,16) serão retirados do mes 04 totalizando R$ 5.215,16. Cumpre observar que não basta a simples afirmação de que tais fatos se repetiram em outras ocasiões, pois, por tratarse de presunção legal cabe ao autuado fazer a prova de suas alegações e cabe a ele também, trazer ao processo no momento adequado, todos os documentos que desejar para corroborar suas razões de defesa. E mais, a auditoria procedeu à exclusão das transferências entre contas do mesmo titular num total de R$ 1.592.936,49, valor este muito expressivo e superior, inclusive, à receita submetida à tributação pela empresa, sendo que o ocorrido com os cheque nº 218350 e 218351 foi apenas um lapso pontual. Como visto, em relação às presentes autuações é totalmente descabido o pedido de perícia, uma vez que a razão para tal requerimento não é de caráter técnico, mas para averiguar outras transferências, que segundo a reclamante não foram deduzidas das receitas omitidas apuradas pela fiscalização. Além de não ter justificativa técnica para a realização de perícia, a autuada não formulou os indispensáveis quesitos e não indicou perito, o que caracteriza o não atendimento dos requisitos fixados pelo inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, para o deferimento do pedido, conforme abaixo transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 17 16 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) A teor do § 1º acima citado, considerase não formulado o pedido de perícia. Nesta ocasião, a contribuinte limitase a especificar os dois itens já excluídos pela autoridade julgadora de 1a instância, generalizando as ocorrências e requerendo perícia. Assim, pelas mesmas razões antes expostas, estes pedidos permanecem rejeitados. Ainda com referência à presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, a contribuinte reportase a decisões deste Conselho que, no âmbito de exigências de IRPF, não admitem a prova de fato gerador de rendimentos apenas a partir de depósitos bancários. Invoca, ainda, a Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos e reportase a doutrina também contrárias à admissibilidade de depósitos bancários como evidência de renda. Esclareçase, neste ponto, que não estão sendo tributados os depósitos bancários em si, mas a renda que eles representam. Os depósitos são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receita, quando não comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. Aliás, a legislação tributária já havia consagrado a utilização dos depósitos bancários como sinal exterior de riqueza desde a Lei nº 8.201/90, em seu art. 6º, § 5º, que vigorou até 31 de dezembro de 1996. Previa este dispositivo, constante do art. 895 do RIR/1994, a hipótese de arbitramento com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovasse a origem dos recursos utilizados nestas operações. O art. 42 da Lei 9430/96, substituiu aquela previsão, ampliando esta presunção, alçando os depósitos bancários de origem não comprovada à categoria de presunção legal de omissão de receitas, aperfeiçoando a legislação anterior, que já admitia o lançamento com base em depósitos bancários, desde que outros elementos consolidassem os indícios apurados. Vejase, a respeito, o entendimento da Oitava Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, contemporâneo àqueles citados pela contribuinte, mas já no âmbito de depósitos bancários de titularidade de pessoas jurídicas: IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A insuficiência de origem dos recursos depositados em conta corrente bancária, apurada em análise dos dados constantes dos lançamentos contábeis, permite inferir que tal montante é proveniente de receitas omitidas. A presunção simples, neste caso, é prova admitida no Direito Tributário porque demonstrada por elementos convergentes, direcionando os indícios para a ocorrência do fato probando. (Acórdão 1º CC nº 10806208, Data da Sessão: 17/08/2000) No caso presente, já na vigência da Lei nº 9.430/96, a contribuinte foi regularmente intimado a comprovar a origem dos recursos cuja escrituração não foi Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 18 17 demonstrada, sem que se obtivessem esclarecimentos acompanhados da documentação correspondente, quer no curso do procedimento, quer por ocasião da impugnação. Assim, na medida em que a interessado não logrou afastar a presunção, resta caracterizada a omissão de receitas, por força da determinação legal. Equivocado, também, o entendimento da contribuinte de que deve ser demonstrado nexo de causalidade entre os depósitos bancários e a receita considerada omitida, pois a previsão legal contida no mencionado art. 42 dispensa tal comprovação. No caso, esse nexo é decorrência lógica da titularidade da conta bancária, que subsiste por ausência de prova em contrário. Assim, a Fazenda Pública cumpriu o ônus a ela atribuído, de identificar os depósitos bancários de origem não comprovada e intimar o contribuinte a se manifestar acerca de tais créditos. Não tendo o interessado logrado afastar a presunção (nesse caso, relativa), há que se manter integralmente o presente lançamento. Observese, ainda, que a Fiscalização promoveu a tributação na sistemática simplificada de recolhimento, cujas alíquotas incorporam, como já dito, os coeficientes de presunção de lucro aplicáveis sobre a receita bruta, evitando que a tributação incida sobre o patrimônio. A recorrente reitera suas alegações de que não foram analisados livros e documentos obrigatórios à atividade a que ela estava obrigada e, em conseqüência, não houve um trabalho preciso de identificação, pela fiscalização, das efetivas receitas tributáveis da Recorrente, já que não foram excluídas do montante apurado no Auto de Infração como receita omitida, aquelas oriundas de operações alcançadas pela imunidade e isenção de livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Discorre sobre a imunidade constitucional, e reportase aos documentos juntados à impugnação e demonstrando que várias foram as receitas oriundas da confecção de livros, jornais e periódicos. Argumenta que uma norma infraconstitucional não pode autorizar a tributação de receitas imunes. Ocorre que a interessada nada agrega à sua defesa para desconstituir os sólidos argumentos deduzidos na decisão de 1a instância acerca dos contornos atribuídos à argüida imunidade, bem como da insuficiência probatória verificada nestes autos, a seguir reproduzidos: Na análise do mérito, cumpre evidenciar a linha de defesa apresentada relativamente à exclusão das operações com livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão, que encontra respaldo no art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal, de 1988, in verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Quanto às receitas consideradas imunes e o seu tratamento perante os optantes pelo Simples, ressaltese que referidas receitas não são excluídas da receita acumulada, tanto para fins de determinação da alíquota aplicável em cada período de apuração, como para fins de verificação do enquadramento da empresa em relação ao ano calendário seguinte. Pois, em assim sendo, a imunidade de um tributo não produz, indevidamente, reflexos no cálculo dos demais tributos não abrangidos pela imunidade e no enquadramento da empresa no regime de tributação simplificada. Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 19 18 Cumpre assinalar, que o SIMPLES não é um tributo, mas uma modalidade diferenciada de recolhimento de impostos e contribuições sociais, tanto assim que no lançamento de ofício do crédito tributário as parcelas são desmembradas em Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição para o Programa de Integração Social, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição para a Seguridade Social. Do dispositivo constitucional acima trazido – alínea d do inciso VI do art. 150 da CF de 1988, verificase, sem dúvida, que a imunidade está restrita aos impostos, não alcançando, portanto, as contribuições. A segunda observação a ser notada é a de que o texto da alínea “d” não menciona proteção dirigida à pessoa jurídica ou física, protegendo suas atividades e, sim, direcionase a algumas mercadorias (livros, etc), de forma objetiva, revelando, desta forma, o caráter objetivo da imunidade. Assim, a Constituição não dá imunidade à pessoa jurídica, em relação ao seu patrimônio, renda ou serviços, restando excluído da imunidade o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Desta forma, a imunidade relativa aos livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão abrange tãosomente aqueles impostos que incidam especificamente sobre a circulação ou industrialização da mercadoria e não aqueles que atinjam a renda ou o patrimônio da pessoa jurídica. Na esfera federal, os impostos impedidos de atingir os livros são: o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto de Importação (II) e o de Exportação (IE). No presente caso, a imunidade somente alcança o IPI e, as receitas imunes não são excluídas para fins de cálculo das alíquotas aplicáveis e são computadas com o objetivo de determinar o enquadramento da impugnante no regime simplificado para o período subseqüente. A par de tais considerações, temse, no caso concreto, que a reclamante se restringiu a anexar as notas fiscais que a seu ver deveriam ser excluídas das receitas omitidas sem, contudo fazer a conciliação com os extratos bancários, embora fosse seu o ônus de provar suas alegações, em virtude de tratarse de omissão de receitas oriunda de presunção legal. Neste caso, basta ao fisco demonstrar a existência de créditos efetuados em contas bancárias da empresa, sem que esta comprove a origem dos recursos correspondentes, embora devidamente intimada, para estar configurada a omissão de receitas. Tratandose de presunção legal, o ônus da prova é da contribuinte. Porém, esta instância de julgamento, resolveu suprir a deficiência na defesa e proceder à conciliação bancária, que resultou na planilha anexa de nome – “Notas Fiscais consideradas imunes” – Planilha 1, que passa a fazer parte deste julgado. Foi confeccionada ainda uma outra planilha de nome “Notas Fiscais desconsideradas” – Planilha 2, parte integrante do presente acórdão, que aponta em cada uma delas os motivos das exclusões, sendo que grande parte possui mais de um motivo para não serem consideradas como provenientes de operações imunes. A propósito da segunda planilha cumpre evidenciar que as notas fiscais em relação às quais não foram encontrados depósitos bancários nos mesmos valores ou cujos depósitos são anteriores às emissões das mesmas, não foram consideradas. Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 20 19 E mais, as notas fiscais que não indicam se referirem a operações imunes, foram também excluídas com base no art. 341 do RIPI, de 2002, que dispõe: Art. 341. Sem prejuízo de outros elementos exigidos neste Regulamento, a nota fiscal dirá, conforme ocorra, cada um dos seguintes casos: V – “No Gozo da Imunidade Tributária”, declarado o dispositivo constitucional ou regulamentar, quando o produto estiver alcançado por imunidade constitucional; Sobre as notas fiscais que constavam da planilha trazida pela impugnante e que não foram juntadas ao processo, temse que a legislação tributária, nos termos do processo administrativo fiscal (arts. 14 e 16 e parágrafos do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações), determina que a interposição de contestação “instaura a fase litigiosa do procedimento”, dando, assim, origem ao contraditório, bem como, consubstancia o momento processual apropriado para apresentação das razões e das provas que fundamentem de modo concreto e veemente a sua discordância do entendimento fiscal adotado. E, que a juntada de novos documentos/provas em outro momento processual só é legalmente possível se demonstrada a impossibilidade de sua apresentação no prazo, por motivo de força maior ou se os documentos /provas referiremse a fato ou direito superveniente ou, finalmente, se as provas se destinarem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas ao processo, hipóteses estas não configuradas no caso em pauta. Assim sendo, ocorreu a preclusão em relação à apresentação de outras notas fiscais que não as constantes dos autos, estas, sim, apresentadas em época própria. Por todo exposto, os valores relativos às notas fiscais que se referem a operações imunes são os consignados na Planilha 1 em anexo e devem ser retirados da base de cálculo do IPI. Com base nestes argumentos, a exigência subsiste em face das receitas que a contribuinte não logrou demonstrar vinculadas a produtos imunes, mormente tendo em conta que a imunidade somente alcança a incidência tributária sobre os produtos mencionados, e não sobre os resultados da atividade, como exposto. A recorrente também observa que no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS a Lei nº 10.865/2004 reduziu a zero a alíquota aplicável, e novamente não enfrenta a decisão em contrário proferida em 1a instância, nos seguintes termos: Quanto às alegações concernentes à redução dos percentuais do Pis e da Cofins para zero, temse que a Lei nº 11.033, de 2004, que alterou o art. 28 da Lei nº 10.865, de 2004, reduziu as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a venda no mercado interno de livros, conforme definido no art. 2º da Lei nº 10.753, de 2003, para zero. A vigência dessa alteração se deu a partir de 22.12.2004, segundo o art. 23, inciso III, da Lei nº 11.033, de 2004, data a partir da qual pode ser aplicada a alíquota zero sobre a receita da venda no mercado interno de livros. A propósito do tema, cumpre ressaltar que o Simples Federal é um sistema especial de tributação criado para beneficiar as Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), sendo que o pagamento dos tributos integrantes de tal sistema é recolhido de modo unificado, não podendo haver dispensa de um ou outro tributo a título de isenção ou qualquer outro regime especial de tributação, conforme depreendese dos arts. 3º e 5º da Lei nº 9.317, de 1996, abaixo transcritos: Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 21 20 Art. 3º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1º A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI; f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 [...].. Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) § 5º A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Vejase que a receita bruta para apuração do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendo vedada qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas (ME) e das empresas de pequeno porte (EPP). Verificase, que o art. 28 da Lei nº 10.865 e alteração dada pela Lei nº 11.033, de 2004, não trata de isenção e não faz menção ao Simples Federal, denotando que a redução de alíquota prevista naquele dispositivo só alcança as empresas submetidas ao regime normal de tributação. Este é, por exemplo, o teor da Solução de Consulta nº 22 de 2005, da Divisão de Tributação da 6a Região Fiscal, que versa sobre a matéria e que abaixo é transcrita: Solução de Consulta Nº 22/2005 DISIT 06 Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Simples. Cálculo. A REDUÇÃO a zero das alíquotas do PIS e da Cofins referentes à venda de livros no mercado interno não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Simples. Desta forma, concluise que a redução a zero das alíquotas das contribuições para o PIS e COFINS não beneficiam as empresas inscritas no Simples Federal. Assim, não poderão elas, a esse título, reduzir a zero o percentual correspondente, integrante da alíquota do regime simplificado, sendo procedentes os lançamentos. Assim, incorporando também este entendimento, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a todos argumentos opostos contra os valores principais exigidos e subsistentes depois da exoneração parcial promovida no julgamento de 1a instância. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 22 21 No que tange à penalidade aplicada, a autoridade julgadora de 1a instância consignou que: A aplicação da multa qualificada não foi contestada, então, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235, de 1972 com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997. [...] Quanto ao agravamento da multa para o percentual de 225% temse que os autos demonstram com clareza a falta de atendimento às intimações condição esta suficiente para aplicação do disposto no inciso I do §2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. [...] De fato, observase na impugnação de fls. 1321/1342 o relato de que a omissão de receita presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada foi considerada como praticado com fraude, o que ocasionou majoração aplicada ao caso, aumentada em mais de 50% por suposta falta de atendimento às intimações a ela pela Receita Federal. Ainda assim, porém, a defesa das impugnantes centramse na apuração incorreta dos valores devidos no anocalendário 2006, com argumentos idênticos aos antes analisados, seguidos da alegação de inexistência de responsabilidade solidária das sócias, sob o fundamento de que não restou configurada a intenção destas de lesar os cofres públicos, por terem supostamente omitido receita e por terem embaraçado a ação fiscal, bem como em razão de o art. 135 do CTN somente ser aplicável quando a pessoa jurídica tem condições de pagar seus tributos e não o faz por mera decisão gerencial, mormente tendo em conta a legislação civil que limita a responsabilidade da pessoa jurídica ao seu patrimônio próprio. As impugnantes também invocam a necessidade de demonstração do dolo do responsável, abordando os poderes de cada uma das sócias e defendendo que a conduta dolosa do agente deve ser apurada em prévio processo. E concluem que o simples inadimplemento não enseja a aplicação do art. 135 do CTN, asseverando que a não informação de receitas não pode ser tratada como omissão intencional, pois há vários motivos, como a imunidade, que afastam a incidência tributária sobre uma operação. Em recurso voluntário, a pessoa jurídica aduz que considerar a multa qualificada matéria não impugnada é, no mínimo, argumentação leviana por parte do órgão a quo, já que foi argumentado expressamente pela Recorrente que considerarse a não entrega de documentos como automaticamente embaraço à autuação fiscal é, no mínimo, superficial por parte do Fisco Federal, pois há muitos fatores que levam à esta não entrega, como a não entrega da intimação diretamente aos sócios, ou ainda os documentos exigidos pela fiscalização se referirem a período bastante pretérito, e ainda a vasta documentação exigida, que embaraçou, na realidade, a Recorrente e seus funcionários, e não contrário! Acrescenta ainda, como argumentação contrária à multa qualificada, a observação de que a fiscalização iniciouse por impulso da fiscalização, tomando por base documentos por ela levantados, isto é, desde o início da fiscalização nunca teve dificuldades em acessar documentos da Recorrente ou de suas sócias, tanto que concluiu perfeitamente a fiscalização. Questiona, assim, qual embaraço teve a auditoria fiscal? Estes argumentos, de fato, constaram da impugnação, mas eles não se dirigem à qualificação da penalidade, e sim ao seu agravamento. Por sua vez, a acusação Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 23 22 fiscal bem demonstra as motivações para a qualificação consistente na duplicação da multa básica de 75% para 150%, e seu agravamento em 50%, até alcançar o patamar de 225% aqui aplicado. Depois de relacionar os diversos termos de reintimação lavrados durante o procedimento fiscal iniciado em 01/06/2009, em razão dos quais não foram obtidos os extratos bancários nem qualquer esclarecimento acerca dos depósitos bancários questionados, a autoridade fiscal diz que: Em 08/11/2010 e 23/12/2010, foram lavrados Termos de Reintimações ... e findo esses prazos NENHUM DOCUMENTO ... APRESENTOU, caracterizando assim o embaraço a ação fiscal. ... verificouse acentuada movimentação de cobrança de duplicatas e de cheques ..., ... recebidos e/ou originados de suas atividades ..., conforme consta nos contratos de Promessa de Desconto de Recebíveis, ..., sendo assim, esses créditos não foram excluídos, mantendose o montante de R$8.098.563,32 ..., referente aos VALORES CREDITADOS/DEPOSITADOS E NÃO COMPROVADOS ..., valor este muito superior as receitas declaradas ... no valor de R$1.370.668,53 ... ... excluídos dos créditos bancários a comprovar os cheques depositados/ devolvidos e as receitas escrituradas, constatouse no anocalendário de 2006 uma omissão de receitas com base em depósitos bancários no montante R$ 6.660.441,21..., conforme demonstrativo em anexo, sendo os valores apurados lançados de ofício com multa qualificada (150%) face à constatação de evidente intuito de fraude (atitude dolosa comentada no tópico seguinte), conforme disposto no artigo 44, inciso I, parágrafo 1o da Lei 9.430/96 e ainda majorada em 50% pela falta de atendimento às intimações (225%), conforme artigo 44, inciso I, parágrafo 2o, da Lei 9.430/96. O contribuinte é optante do Simples ..., conforme DIPJ ..., sendo assim, será lavrado auto de infração para apuração dos tributos incidentes sobre as RECEITAS OMITIDAS POR PRESUNÇÃO LEGAL e também será lavrada a exclusão de ofício do ... SIMPLES com efeito a partir de janeiro de 2007. Ressaltase que os fatos apurados constituem, em tese, crime contra a ordem tributária, por enquadraremse no artigo 1o, incisos I e II da Lei 8.137/90. Dispõe o Código Tributário Nacional/CTN sobre responsabilidade de terceiros: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) II — os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No presente caso, o dolo, condição necessária à responsabilidade estatuída no artigo acima citado, está presente na omissão de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à omissão de receitas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, bem como o embaraço à ação fiscal caracterizado pela falta de apresentação dos livros fiscais e da movimentação financeira, apesar de regularmente e reiteradas vezes intimado para fazêlo, com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, obtendo como resultado o não pagamento dos tributos/contribuições devidos. O Conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, encontrase no inciso I, do art. 18 do Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 24 23 Está claro que ao omitir do Fisco receitas na ordem de seis milhões de reais, tinham os responsáveis a consciência de que a conduta levaria ao resultado ilícito, inclusive permanecendo indevidamente em um sistema de pagamentos de tributos diferenciado para empresas de pequeno porte cujo limite anual de receitas apuradas para enquadramento para o anocalendário de 2006 era de R$ 2.400.000,00. [...] Claro está que a autoridade lançadora qualificou a penalidade por vislumbrar o evidente intuito de fraude na omissão de receitas que, embora presumidas a partir de depósitos bancários, resultou de acentuada movimentação de cobrança de duplicatas e de cheques, reveladora de atividade operacional em patamares superiores àqueles admitidos para usufruto da sistemática simplificada de recolhimentos. A recorrente, porém, não expôs seus motivos de fato e de direito para discordar da acusação fiscal neste ponto, consoante exige o art. 16, inciso III do Decreto nº 70.235/72. Nas palavras do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior expressas no voto condutor do Acórdão nº 1101001.112, no processo administrativo fiscal, os lindes do litígio são definidos por ocasião da Impugnação, momento em que o sujeito passivo pode se lançar contra todo o lançamento ou contra apenas parte dele. Apresentada a Impugnação, observase a estabilização da demanda no seu aspecto objetivo, razão pela qual não é dado ao sujeito passivo inovar e ampliar o objeto da controvérsia apenas por ocasião de Recurso Voluntário. Em conseqüência, não podem ser conhecidos os novos argumentos deduzidos pelo sujeito passivo em sede de Recurso Voluntário, tendo em vista que não se controverteu sobre tais pontos por ocasião da Impugnação. De toda sorte, como visto, a contribuinte em recurso voluntário novamente não questionou os motivos que conduziram a autoridade fiscal a duplicar a penalidade aqui aplicada. Por sua vez, as circunstâncias acrescidas à presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada denotam que o contexto fático não autoriza a aplicação das Súmulas CARF nº 14 e 25: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73. E, quanto ao agravamento da penalidade, este sim questionado em impugnação com os mesmos argumentos aqui reproduzidos, também não há reparos à acusação fiscal, tendo em conta que o art. 44, §2o, inciso I, da Lei nº 9.430/96 autoriza que o percentual da multa de ofício, ainda que já duplicado, seja majorado em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para, dentre outras exigências, prestar esclarecimentos. No presente caso, a contribuinte não atendeu, no prazo marcado, a intimação para apresentação de sua escrituração e de seus atos societários, bem como para comprovação da origem dos valores creditados em suas contas bancárias e para apresentação de documentos que esclarecessem operações com descontos de duplicadas, relatórios de cobrança, transferências, etc. Destaquese que a última intimação lavrada em 09/09/2010 Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 25 24 exigiu, mais uma vez, a apresentação do Livro Caixa, e foi objeto de duas reintimações sem que nenhum documento tenha sido apresentado à Fiscalização, apesar do alerta de que sua conduta ensejaria o agravamento da penalidade em 50%. As alegações de que seria grande o volume de documentos exigidos, e ainda referente a períodos pretéritos somente surgem no curso do contencioso administrativo, e de qualquer forma não se prestam a justificar a desídia da contribuinte no curso do procedimento fiscal ao deixar de apresentar, até mesmo, a escrituração resumida que a legislação permite àqueles que optam pela sistemática simplificada de recolhimentos. Por estas razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO relativamente à penalidade aplicada. Por fim, prevalecendo no Colegiado o entendimento de que podem ser conhecidas as razões defesa opostas contra a imputação de responsabilidade tributária, têm razão as recorrentes quando observam que o mero inadimplemento de obrigações tributárias principais não pode ser, por si só, caracterizado como dolo, para efeitos do art. 135 do CTN. Todavia, como demonstrado na abordagem acerca da qualificação da penalidade, para além da mera falta de recolhimento, restou caracterizado o evidente intuito de fraude na omissão de receitas que, embora presumidas a partir de depósitos bancários, resultou de acentuada movimentação de cobrança de duplicatas e de cheques, reveladora de atividade operacional em patamares superiores àqueles admitidos para usufruto da sistemática simplificada de recolhimentos. A evidência de operações comerciais à margem da escrituração de forma reiterada e em volume significativo, que inclusive viabiliza, com sua omissão, a indevida permanência na sistemática simplificada de recolhimentos, caracteriza a infração de lei exigida no caput do art. 135 do CTN para atribuir aos administradores a responsabilidade pessoal pelo crédito tributário não recolhido, retirandolhes a proteção conferida pelo mandato e pelo vínculo societário (nos termos do Código Civil invocado pelas recorrentes), restrita aos casos em que o agente representa a pessoa jurídica em atos regulares de representação. Não se trata, portanto, de aplicar como regra geral a despersonalização da pessoa jurídica, mas sim aplicar as conseqüências legais para os casos anormais em que caracterizada infração de lei para além da mera inobservância do dever de recolher tributos. Recordese, ainda, que a defesa não logrou provar que as operações bancárias decorreriam de atividades comerciais imunes, ou que créditos bancários teriam contrapartida em transferências de mesma titularidade. Subsiste, assim, a presunção legal de omissão de receitas, agravada pela natureza dos depósitos bancários, pelo volume omitido e pela reiteração da conduta, os quais, no âmbito tributário, somamse a uma operação comercial inicialmente permitida por lei, para revelar uma conduta contrária à lei penal, e não só à lei tributária. Por tais razões, também é imprópria a argumentação de que a responsabilidade pessoal somente poderia ser aplicada quando restar claro que uma pessoa jurídica que tenha condições claras de pagamento de seus tributos, não o faça por mera decisão gerencial. A movimentação bancária omitida e suas características acima evidenciadas apontam num único sentido, qual seja, de que a pessoa jurídica auferiu riqueza e escolheu omitir estas informações do Fisco para deixar de recolher os tributos devidos. Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 26 25 No mais, quanto à efetiva prática de infração de lei pelas responsabilizadas, tratase de decorrência lógica da condição de ambas como administradoras da pessoa jurídica no período fiscalizado. A defesa aduz que apenas Rosana Pacheco Simão Zardo era sócia administradora, mas como bem demonstrado pela autoridade fiscal: No curso do procedimento fiscal ficou comprovado nas fichas cadastrais bancárias e nos contratos bancários o exercício da administração pelas sócias ROSANA PACHECO SIMÃO ZARDO – CPF [...] e LAILA SIMÃO ZARDO, CPF: [...], pois apesar de constar na Alteração Contratual registrada em 04/06/2003, do contribuinte que a gerência seria exercida apenas pela sócia Rosana Pacheco Simão Zardo, CPF: [...], foi lavrada procuração em 15/03/2006 registrada no Cartório do 3o Ofício de Notas, outorgando à LAILA SIMÃO ZARDO, CPF: [...], amplos e gerais poderes para administrar e gerir os negócios da firma outorgante, [...] A autoridade lançadora descreve à fl. 88 todos os poderes conferidos por meio da mencionada procuração que consta à fl. 121, e as recorrentes nada opõem a estas evidências. Registrese, por fim, que inexiste previsão legal de prévio processo, em que deverá ser assegurado ao agente o contraditório e o exercício da ampla defesa, com vistas à apuração da conduta dolosa do responsável. O art. 142 do CTN permite que a autoridade lançadora indique o sujeito passivo no momento do lançamento, e o art. 121 do CTN também classifica o responsável tributário como tal. Uma vez promovida esta indicação com a motivação e as provas que suportam a conclusão fiscal, o contraditório e a ampla defesa são implementados nos termos das normas que regem o contencioso administrativo tributário, e que estão aqui sendo observadas. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange à responsabilidade tributária imputada a Rosana Pacheco Simão Zardo e Laila Simão Zardo. Assim, por todo o exposto, o presente voto é no sentido de CONHECER EM PARTE o recurso voluntário, mas prevalecendo o entendimento de que o conhecimento deve ser integral, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso, inclusive no que tange à imputação de responsabilidade tributária a Rosana Pacheco Simão Zardo e Laila Simão Zardo. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 27 26 Voto Vencedor Conselheiro MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI. Em que pese o zelo e acuidade que sempre caracterizam os atos da Conselheira Relatora, ouso divergir no que pertine à possibilidade de as administradoras recorrerem na mesma peça recursal da pessoa jurídica, em caso de ausência de identificação dos recorrentes na peça de interposição do voluntário. Isto porque apesar de não constar a identificação das recorrentes na peça de interposição do Recurso, verificase que sua ausência decorreu de provável erro material, uma vez que o patrono fora constituído por ambas as partes (pessoa jurídica e administradoras), deduziu, em suas razões, argumentos específicos impugnando o lançamento pelas sócias e formulou, ao final, pedido expresso em prol das mesmas. Neste ponto, vale transcrever o contido no pedido do recurso voluntário, a saber: “ Em face do exposto, REQUER a reforma do acórdão ora recorrido, no sentido de: 1) Anular o Auto de Infração por contemplar valores que não são tributáveis – receitas de operações com livros, jornais e periódicoss e transferências entre contas bancárias da própria Impugnante; 2) Que caso não entendam assim Vossas Senhorias, cancelar o Auto de Infração por excesso nos valores cobrados, emitindo novo Auto de Infração corrigido e reaberto prazo de defesa; 3) Que seja afastada a solidariedade tributária quanto às sócias Laila Simão Zardo e Rosana Pacheco Simão Zardo, por não se configurarem, no caso em tela, nenhuma das hipóteses do artigo 135 do CTN; 4) Que sejam substituídos os bens arrolados das sócias citadas no item anterior deste pedido, através de Termo de Arrolamento de Bens, por bens da própria recorrente, já que esta possui patrimônio suficiente para garantir a dívida;” Assim, a formulação de pedido expresso à autoridade julgadora, juntamente com a indicação das razões de fato e fundamentos de direito que embasam o mesmo servem para completar a relação recursal, e nos faz crer que a ausência do nome das mesmas na peça de interposição do voluntário, neste caso, é erro material. Privilegiase, com tal entendimento, o princípio da ampla defesa e contraditório, Forte em tais razões, voto por conhecer as razões recursais apresentadas pelas responsáveis tributárias Rosana Pacheco Simão Zardo e Laila Simão Zardo, contidas no Recurso Voluntário da Autuada. (documento assinado digitalmente) MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI – Redator designado. Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Acórdão n.º 1101001.150 S1C1T1 Fl. 28 27 Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assi nado digitalmente em 16/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002608/2008-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos
serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10640.002608/2008-52
conteudo_id_s : 5405004
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.287
nome_arquivo_s : Decisao_10640002608200852.pdf
nome_relator_s : José Raimundo Tosta Santos
nome_arquivo_pdf_s : 10640002608200852_5405004.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 5753259
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476177469440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 180 1 179 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.002608/200852 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.287 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria IRPF Recorrente JOSE WALTER DE MARCA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/1 0/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0931.355, proferido pela 4ª Turma da DRJ Juiz de Fora, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Para o(a) contribuinte retro qualificado(a) foi emitida a Notificação de Lançamento — IRPF de fl(s). 82/86. que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$20.105,68, consoante ali discriminado. O lançamento decorreu do procedimento de revisão da DIRPF/2004, a fl(s). 90/93, apresentada à RF pelo(a) contribuinte. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl(s). 83/84 nesse procedimento a autoridade fiscal verificou ter ocorrido dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$31.549,00, por falta de comprovação da efetividade dos pagamentos correspondentes. Cientificado(a) do lançamento, o(a) interessado(a), por meio de seu(sua) procurador(a) nomeado(a) conforme instrumento de fi. 11, apresentou a peça impugnatória de fl(s). 1/10, instruída com os documentos de fl(s). 14/81. Nessa oportunidade, contestando o feito fiscal alega, em apertada síntese, que: 1) ele e sua esposa são idosos que necessitam de gastos com saúde que representam percentual significativo do patrimônio; a autuação ofende o principio da razoabilidade, da proporcionalidade, e outros, inscritos no art. 37 da Carta Magna e no art. 2° da Lei n° 9.784/1999, transcrito; cita doutrina nesse sentido; 2) apresentou recibos e declarações dos profissionais que lhe prestaram os serviços médicos questionados, todos documentos idôneos, não havendo porque se manter a glosa efetuada; transcreve em seu favor ementas de decisões do Conselho de Contribuintes; 3) solicita, se ainda houver dúvida, seja o julgamento convertido em diligência, intimando os profissionais médicos a comprovar os valores recebidos e devolvendolhe prazo para aditar razões à sua defesa; sem isto estarseá negando o secular principio do direito de que ninguém é obrigado ao impossível e lhe cerceando o direito ao contraditório e A ampla defesa; solicita , também, a produção de provas adicionais que possa produzir no curso do processo. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/1 0/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10640.002608/200852 Acórdão n.º 210101.287 S2C1T1 Fl. 181 3 A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada pelos motivos especificados na legislação de regência. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância somente determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante. a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Essa negativa não caracteriza cerceamento do direito de defesa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais. razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência sendo àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 169/178, o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, verificase que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Conforme já assentado neste Colegiado, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitamse a pagamentos especificados e comprovados. Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/1 0/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Na descrição dos fatos da Notificação de Lançamento, às fls. 83/84, a fiscalização minuciosamente explicitou os motivos pelos quais não aceitou a comprovação apresentada pelo sujeito passivo. Confirase: O contribuinte informou na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, exercício 2004, anocalendário 2003, pagamentos no total de R$35.193,34, utilizados como dedução a titulo de despesa médica. Em 18/02/2008, AR 740641205, o interessado foi regularmente cientificado a apresentar os comprovantes originais/cópias das despesas médicas. Da análise dos recibos enviados, foram aceitos como deduções a titulo de despesa médica, o total de R$1.634,34, constante do Comprovante Anual de Rendimentos do Ministério da Saúde, CNPJ 00.394.544/018637 e o total de R$2.010,00 pago á Unimed Além Paraiba, CNPJ 71.086.698/000158. Em 06/03/2008, AR 129464440, o contribuinte foi intimado a comprovar a efetividade da prestação dos serviços informados em sua declaração a titulo de despesas médicas, relativos à ele e à sua dependente Pérola Aparecida Perácio Freitas de Marca, assim como a comprovar a efetividade da entrega dos recursos para esse mesmo fim, através de documentação bancária (cópia de cheques nominais microfilmados, extratos bancários em que constem saques com compatibilidade de datas e valores, ordens de pagamento ou transferências eletrônicas). Em resposta, o interessado anexou declarações dos profissionais quanto efetividade dos serviços e declarou: quanto à comprovação da efetiva entrega dos recursos aos profissionais acima, informo que os pagamentos foram feitos de um modo geral em moeda corrente nacional, o que não me permite apresentar a prova solicitada. (...) Observase que existem tratamentos com psicólogos e dentistas diversos, simultaneamente, tanto para o interessado quanto para sua dependente. (grifos acrescidos). Ao declarar que efetuou os pagamentos em dinheiro, não exibindo os extratos bancários que demonstrassem os saques com compatibilidade da datas e valores, o contribuinte_não logrou comprovar, via documentação hábil e idônea os efetivos pagamentos destas despesas. Para gozar as deduções com despesas médicas, não basta ao contribuinte a disponibilidade de recibos ou declarações, cabendo a este, se questionado, comprovar, de forma objetiva, não só a efetiva prestação do serviço, quanto o pagamento realizado. Desta forma, foi glosado o total de R$31.549,00. A decisão de primeiro grau expressamente manifestou o mesmo entendimento da fiscalização, quanto a necessidade de comprovação do efetivo pagamento e dos serviços prestados, conforme se constata pela leitura do voto conduto do acórdão recorrido (fls. 162/164), cujos fundamentos estão em consonância com reiterados julgamentos deste Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/1 0/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10640.002608/200852 Acórdão n.º 210101.287 S2C1T1 Fl. 182 5 Colegiado. Esperavase, por isso, que o contribuinte apresentasse juntamente com o recurso voluntário os elementos de prova solicitados. Apesar da jurisprudência transcrita no recurso voluntário, para a situação revelada no caso em exame, há que se comungar com o entendimento manifestado pela fiscalização, que encontra suporte na jurisprudência majoritária deste Conselho, expresso nas ementas abaixo colacionadas, dentre muitas outras, no mesmo diapasão: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. (Acórdão 10422781, Sessão de 18/10/2007) DESPESAS MÉDICAS GLOSA Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. (Acórdão 10248922, Sessão de 25/01/2008). O ordenamento legal permite que o contribuinte realize pagamentos em moeda corrente e, por seu turno, os beneficiários desses são orientados a aceitálos. Só que, mesmo esse modal de cumprimento de obrigações permite comprovação, uma vez que, em razão dos valores envolvidos, não há como compreender que não ocorreriam saques coincidentes, ou aproximados, em datas e valores aos indicados nos recibos de despesas médicas. Quando as deduções pleiteadas são elevadas, não basta o interessado apresentar recibos ou declarações que não comprovam o fato declarado, conforme dispõe o artigo 368 do Código de Processo Civil. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça já teve oportunidade de afirmar que a presunção juris tantun de veracidade do conteúdo do instrumento particular é invocável tãosomente em relação aos seus subscritores (STJ, Ac. Unân. 4a T. Resp. 33.2003/SP, rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, in RSTJ 78:269). É também o entendimento da doutrina abalizada de Washington de Barros Monteiro: "Salientese, entretanto, que a presunção de veracidade só prevalece contra os próprios signatários, não contra terceiros, estranhos ao Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/1 0/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 ato". (Curso de Direito Civil", 10 vol., 34a Edição, p. 257 e 258). É certo que o sistema protege o documento que se reveste de presunção de veracidade, permitindo redução do seu valor probatório somente diante de prova em contrário. Contudo, o documento que não se reveste de presunção de veracidade, como recibos e declarações particulares, são passíveis de serem rejeitados como prova, desde que haja outros motivos, pois a estes documentos atribuise valor probatório ordinário. Assim, o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte interessado na prova da sua veracidade, sendo legitima a exigência pelo fisco de elementos complementares a estes documentos, com a finalidade de formar juízo de verossimilhança dos fatos declarados. Estas considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. Não se trata de exigências ilegais ou inconstitucionais, ou indevida inversão do ônus para a contribuinte, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação. A glosa efetuada pela fiscalização, por seus fundamentos (fls. 83/84) permanece incólume, pela inércia do contribuinte em produzir a prova requerida. A diligência solicitada pelo recorrente é inóqua, razão pela qual indefiroa, pois somente as pessoas que incorreram nas despesas (o contribuinte ou sua dependente) podem apresentar os elementos de prova do efetivo desembolso dos valores (cheques, transferência de numerário, saques em conta bancária em data próxima à emissão do recibo etc) e da efetiva prestação dos serviços (exames diagnósticos etc). Com efeito, se o interessado que se submeteu ao tratamento e efetuou os pagamentos considera difícil produzir a prova necessária à comprovação da despesa, não há como terceiros substituílo nesse encargo. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/1 0/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
